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Numero do processo: 11516.001068/2005-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004
MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO.
É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
Numero da decisão: 9303-006.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DIF-PAPEL IMUNE. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada DIF-Papel Imune, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001.
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ME ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/07/2002, 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE”. RETROATIVIDADE BENIGNA. VALOR ÚNICO, POR DECLARAÇÃO. É cabível a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da chamada “DIFPapel Imune”, prevista no art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, pois este encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mas, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Assim, com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 10 68 /2 00 5- 35 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11516.001068/200535 Acórdão n.º 9303006.671 CSRFT3 Fl. 106 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei em decisão não unânime (fls. 85 a 94), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 2201 00.268, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Sejul do CARF (fls. 78 a 82), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE A falta e/ ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo – DIFPapel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar nos termos da legislação tributária vigente. PENALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO Em face da duplicidade de interpretação de lei tributária, aplica se aquela que comine penalidade menos onerosa ao sujeito passivo. Recurso provido em parte. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fl. 97), a PGFN defende a aplicação da multa por falta de entrega da DIFPapel Imune por mês de atraso, com fundamento no art. 57, I, MP nº 2.15835/2001, c/c art. 16 da Lei nº 9.779/99 e art. 12 da IN/SRF nº 71/2001, não se aplicando o disposto no art. 112, IV, do CTN, pois não haveria dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. O Contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos, pelo que dele conheço. No mérito, não vou adentrar aqui em maiores discussões, pois a matéria trazida à apreciação (multa pela falta de apresentação, no prazo, da DIF – Papel Imune) é mais que conhecida nesta Turma, inclusive com diversos votos de minha lavra, como o do Acórdão Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11516.001068/200535 Acórdão n.º 9303006.671 CSRFT3 Fl. 107 3 nº 9303004.953, proferido em 10/04/2017, em decisão unânime, sendo que na Sessão a composição do Colegiado era muito similar: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. É bem verdade que, o acórdão recorrido é de 03/06/2009, então não poderia a Turma julgadora conhecer das alterações trazidas pela Lei nº 11.945/2009 (ainda que com vigência anterior, mas publicada em 05/06/2009 – dois dias após a prolação da decisão), mesmo chegando a conclusão “intermediária” (*), mas por outros fundamentos. (*) Importante se faz esclarecer que o acórdão recorrido, como se vê ao final do voto condutor, não reconheceu a aplicação da multa relativa somente a um mês de atraso por declaração, mas sim de três meses por cada uma delas (de toda forma foi mais benéfico, pois a Fiscalização a calculou pelo número total de meses). Também não se pode dizer que agiu incorretamente a Fiscalização, pois o Auto de Infração foi lavrado em 25/04/2005 (fls. 16 a 21). O fato é que a retroatividade benigna do art. 106, II, “c” do CTN é plenamente aplicável ao caso, sendo somente cabível uma multa, em valor único, por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês de atraso. De toda forma, para que não fiquemos somente adstritos ao dito na ementa do meu voto adotado como exemplo, transcrevo abaixo a legislação pertinente, na parte que interessa à discussão, para bem aclarar o assunto: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11516.001068/200535 Acórdão n.º 9303006.671 CSRFT3 Fl. 108 4 Lei nº 9.779/99 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. IN/SRF nº 71/2011 Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, caracteriza a situação prevista no inciso II do art. 7º, sem prejuízo da aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória Nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. MP nº 2.15435/2001 (Redação original) Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Lei nº 11.945/2009 Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: (...) II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. (...) § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11516.001068/200535 Acórdão n.º 9303006.671 CSRFT3 Fl. 109 5 (...) II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial, mantendo a decisão no sentido de que se aplique somente uma penalidade por declaração entregue em atraso, cabendo à Unidade de Origem verificar a condição da autuada à época (Microempresa, EPP / Demais), para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901515/2008-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
Numero da decisão: 9303-006.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10073.901515/200894 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.334 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria IPI Recorrente PEUGEOTCITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 15 15 /2 00 8- 94 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10073.901515/200894 Acórdão n.º 9303006.334 CSRFT3 Fl. 3 2 Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 330100.989, de 07 de julho de 2011 (fls. 167 a 173 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no presente processo da DCOMP nº 01842.08968.110407.1.7.043704, que utilizou como lastro da compensação declarada pagamento indevido do IPI no valor original de R$ 93.041,07, oriundo de recolhimento informado pela contribuinte como no valor de R$ 3.306.306,46 (fl. 04), relativo ao segundo decêndio de março de 2002. A apuração e o recolhimento são referentes ao estabelecimento 02.130.344/000221. A verificação da legitimidade dos créditos alegados foi efetuada por processamento eletrônico. Em virtude de erro na informação prestada pelo contribuinte na DCOMP o processamento não localizou o pagamento informado (o contribuinte informou que o valor do pagamento seria de R$ 3.306.306,46 — fl. 04, sendo que o pagamento foi no valor de RI 3.306.396,46 — fl. 68). Não localizado o pagamento, o direito creditório alegado não foi reconhecido e, por decorrência, a compensação declarada resultou não homologada, nos termos do Despacho Decisório de fl. 09. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando preliminarmente que o Despacho Decisório é nulo, "uma vez que a Fiscalização não fundamentou a desconsideração da compensação efetuada, restando irrefragável o prejuízo causado a defesa da Impugnante (..)". No mérito, apresentou cópia do pagamento utilizado na compensação declarada e alegou a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na compensação. A DRJ em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10073.901515/200894 Acórdão n.º 9303006.334 CSRFT3 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/03/2002 a 20/03/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA INEQUÍVOCA. Imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito. Recurso Improvido. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 179 a 185) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo contribuinte seria a nulidade da decisão em razão da falta de motivação. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigma o acórdão de número 30335.559. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de interior teor do acórdão, documento de fls. 204 a 208. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 210, sob o argumento que restou comprovada a divergência jurisprudencial, pois o acórdão paradigma demonstra a divergência arguida, mas sinaliza em sentido diferente. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 212 a 218, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Entendo que o Recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Segundo o acordão recorrido é imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito. No acórdão recorrido entendeuse que o despacho decisório exarado cumpriu todos os requisitos materiais e formais essenciais à sua existência e prosseguimento. Ou seja, teve um ato praticado com a devida motivação. Já o acordão paradigma n° 30335.559 apresentado pelo Contribuinte, que trata do indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), foi Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10073.901515/200894 Acórdão n.º 9303006.334 CSRFT3 Fl. 5 4 anulado, pois, o fundamento foi em cima de um despacho decisório que não estava bem fundamentado, senão vejamos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Simples. Inclusão. Despacho decisório desmotivado. Nulidade. Cerceamento do direito de defesa. O motivo é fundamental pressuposto de fato e de direito para a validade do ato administrativo. A motivação é elemento do ato, parte onde os motivos são expostos. Carece desse elemento o ato administrativo com genérica e imprecisa exposição dos motivos. Ato administrativo sem motivação, viciado sob o aspecto formal, cerceia o direito de defesa do contribuinte. Processo que se declara nulo a partir do ato administrativo defeituoso. PROCESSO ANULADO Ou seja, o acordão paradigma entendeu ser nulo o referido despacho decisório ante a falta de motivação e a impossibilidade de prosperar um ato administrativo, quando este estiver eivado de nulidade insanável em decorrência de sua falta de motivação. O acórdão paradigma que acabou por confirmar que a motivação é elemento essencial do ato administrativo, sem a qual o mesmo não pode prosperar, ao contrário do que foi decidido no acordão recorrido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10073.901515/200894 Acórdão n.º 9303006.334 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. O recurso interposto pelo contribuinte não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte sob o fundamento de que a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp em discussão não foram comprovadas, nos termos da ementa transcrita abaixa: "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS. PROVA INEQUÍVOCA. Imprescindível para apreciação de qualquer compensação, a prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito." No recurso especial, o contribuinte suscitou a nulidade do despacho decisório proferido pela autoridade administrativa sob os argumentos de que infringiu o art. 2º, incisos I a IV , VI a VIII, X e XIII, e art. 50, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.784/1999, bem como os arts. 9º, caput, e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Para comprovar a suscitada divergência, apresentou como paradigma o acórdãos nº 30335.559 que declarou nulo o despacho decisório por falta de motivação. Contudo, do exame do paradigma (fls. 204/208), verificase que o despacho decisório foi declarado nulo no sentido de impedir inclusão retroativa no SIMPLES. O acórdão entendeu que a decisão administrativa expôs os motivos de forma genérica e imprecisa e declarou sua nulidade. Para caracterizar a divergência, no presente caso, o acórdão recorrido teria que ter reconhecido a falta de motivação do despacho decisório e, mesmo assim, o tivesse mantido como válido. Mas não foi o caso, o acórdão recorrido enfrentou a alegada nulidade por falta de motivação e entendeu que tal fato não teria ocorrido. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10073.901515/200894 Acórdão n.º 9303006.334 CSRFT3 Fl. 7 6 Por meio da Resolução às fls. 76, a DRJ Juiz de Fora baixou o processo em diligência para permitir ao contribuinte a comprovação do alegado, ou seja, da nulidade do despacho decisório. No acórdão recorrido (fls. 112/118), a DRJ analisou todos os argumentos trazidos em sede de diligência e entendeu que não foi comprovado o direito creditório. O acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, por falta de prova inequívoca da liquidez e certeza do crédito reclamado. Dessa forma, não cabe conhecer do recurso especial do contribuinte por falta de similitude entre a matéria decidida no acórdão recorrido e a decidida no paradigma. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000246/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2015
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2008
PROTESTO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO.
O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários produz efeitos válidos em relação a esta.
DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no deferimento do pedido e a não homologação das compensações.
Numero da decisão: 1301-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2015 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PROTESTO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários produz efeitos válidos em relação a esta. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no deferimento do pedido e a não homologação das compensações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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PRESCRIÇÃO. O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários produz efeitos válidos em relação a esta. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no deferimento do pedido e a não homologação das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 46 /2 00 8- 02 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 371 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 372 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de CSLL, relativo a suposto pagamento a maior no ano de 1999, cumulado com Declarações de Compensação. Por bem sintetizar os fatos retratados nos presentes autos, sirvome de fragmentos do relatório constante da decisão exarada em primeira instância. [...] A interessada esclareceu que propôs ação judicial para compensar créditos de FINSOCIAL com débitos vincendos de PIS e CSLL. Mas, em função do benefício concedido pelo artigo 17 da Lei n° 9.779/99, resolveu desistir da ação judicial de compensação e recolheu os débitos de CSLL em 30/07/1999. No entanto, a desistência da ação judicial não foi homologada por problemas de representação, que seguiu seu curso. Assim, propôs Medida Cautelar de Protesto n° 2004.61.00.0202466 com a finalidade exclusiva de interromper o curso prescricional do direito para pleitear a restituição do pagamento até o final da ação judicial que tratava a compensação. A interessada também apresentou as seguintes DCOMP para aproveitamento do crédito: Em 07/03/2013, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo DEINF/SPO, emitiu Despacho Decisório de fls. 135/140, indeferindo o pedido de restituição, e não homologando as compensações. De acordo com a decisão, após pesquisas aos sistemas, constatouse que o pagamento não foi utilizado para extinção de débitos da CSLL. No entanto, a Medida Cautelar de Protesto n° 2004.61.00.0202466, impetrada em 30/07/2004, não tem o condão de interromper o prazo prescricional do direito de ação para repetição de indébitos tributários. Esclarece que a Medida Cautelar, nos termos do artigo 174 do CTN, só se presta para interromper a prescrição de ação para a Fazenda Nacional cobrar créditos tributários. Concluiuse, portanto, pela ausência da certeza e liquidez do crédito, requisito previsto no artigo 170 do CTN, o que levou ao indeferimento do pedido de restituição. A ciência da decisão ocorreu em 15/03/2013, conforme AR de fls. 150. (A) irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 16/04/2013, fls. 159/166, com as seguintes razões: esclarece qual a origem do pagamento, recolhido nos termos do artigo 17 da Lei n° 9.779/99, com isenção de multa e juros de mora para o pagamento em atraso de débitos de CSLL relativos aos períodos de apuração de 03/1995 a 09/1995, em cobrança no processo administrativo n° 13805.004559/9746. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 373 4 estes mesmos débitos de CSLL já eram objeto de compensação com crédito de FINSOCIAL, na ação ordinária n° 94.002367270, cujo pedido de desistência foi negado em razão de representação processual. em função das particularidades da compensação do crédito reconhecido judicialmente, a interessada se viu obrigada a propor, em 21/07/2004, medida cautelar de protesto, com o fim específico de interromper o prazo prescricional pertinente à restituição do pagamento indevido recolhido em 30/07/1999, até o julgamento definitivo da compensação dos débitos de CSLL do processo administrativo n° 13805.004559/9746. o limite de 5 anos previsto no artigo 168, I do CTN foi respeitado, já que o indébito foi pago em 30/07/99, a medida cautelar ajuizada em 21/07/2004, sendo a União Federal foi intimada em 30/07/2004; já o processo administrativo n° 13805.004559/9746 foi finalizado integralmente em 30/10/2007 e o pedido de restituição protocolado em 28/02/2008. afirma que a medida cautelar de protesto, com fundamento no artigo 867 e seguintes do Código de Processo Civil, foi apresentada antes de esgotado o prazo de 5 anos, e a União intimada em 30/07/2004. alega que está pacificado no STJ, e na legislação, que medida cautelar de protesto interrompe a prescrição do direito ao indébito, apresentando emendas (sic). também afirma que o STJ já decidiu que o artigo 174, § único, inciso II do CTN, se aplica também à ação de repetição de indébito. A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão n° 1260.105, de 25 de setembro de 2013, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: PROTESTO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários interposto após a ocorrência da decadência não produz efeito em relação a esta. Além disto, tal instrumento se aplica somente à interrupção de prescrição de ação de cobrança de créditos tributários regularmente constituídos, por parte da Fazenda Nacional. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 268/276, por meio do qual renova a argumentação expendida na defesa inaugural. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 374 5 Em sessão de 25 de novembro de 2014, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.240, para que a unidade administrativa de origem ateste de forma expressa que cabe a repetição pleiteada pelo contribuinte de pagamento realizado, alegamente, de forma indevida. Vale transcrever voto condutor da diligencia: Cuida o presente processo de Pedido de Restituição de CSLL (fls. 01), formalizado em 1° de fevereiro de 2008, relativo a suposto pagamento a maior no ano de 1999, cumulado com Declarações de Compensação. Às fls. 133/137, consta Despacho Decisório emitido pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo em 17 de janeiro de 2013, do qual extraio as seguintes informações: i) o alegado pagamento a maior objeto de pedido de restituição por parte da contribuinte está representado por pagamento efetuado em 30 de julho de 1999 a título de CSLL, no montante de R$ 9.429.908,18 (DARF às fls. 02), pagamento esse efetuado com os benefícios previstos na Lei n° 9.779, de 1999; ii) o pagamento em questão não foi alocado a nenhum débito da contribuinte; iii) em 09 de maio de 2000, a contribuinte obteve autorização judicial para compensar pagamentos a maior de FINSOCIAL com débitos vencidos e vincendos de CSLL e PIS; iv) em 30 de julho de 2004, a União foi cientificada da propositura pela contribuinte de MEDIDA CAUTELAR DE PROTESTO objetivando a interrupção do prazo prescricional para a apresentação de pedido de restituição dos valores pagos com base nos benefícios previstos na Lei n° 9.779, de 1999. O Despacho Decisório em referência assinala que "o Protesto Judicial não tem o condão de interromper o prazo prescricional do direito de ação de se repetir/compensar indébitos tributários'', e, com fundamento na prescrição do direito de ação, indeferiu o pedido de restituição. Apreciando Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro ratificou o pronunciamento da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo, assinalando que "o artigo 168,I, do CTN é muito claro ao determinar que o direito de pleitear a restituição deve ser exercido no decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, que, no presente caso, é no dia do recolhimento.'" A decisão recorrida traz ainda as seguintes razões para não acolher o pedido formalizado pela contribuinte: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 375 6 a) a prescrição de ordem tributária é matéria constitucional, cuja disciplina é reservada à Lei Complementar, de modo que a lei ordinária e a autoridade julgadora não podem dispor sobre ela; b) não existe no direito tributário previsão legal para a interrupção do prazo para a repetição do indébito; c) o disposto no art. 174 do CTN não pode ter sua aplicação estendida para o caso versado nos autos. Em sede de recurso, a contribuinte, renovando a argumentação expendida na Manifestação de Inconformidade, sustenta que resta comprovado nos autos que a medida cautelar de protesto foi ajuizada antes do esgotamento do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I, do CTN, e o interrompeu. Observo, primeiramente, que a ementa da decisão de primeira instância assinala que "o protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários interposto após a ocorrência da decadência não produz efeito em relação a esta". Contudo, não identifico no voto condutor correspondente qualquer referência a tal assertiva, cabendo destacar que o pagamento tido como indevido foi efetuado em 30 de julho de 1999, enquanto que o protesto judicial foi impetrado em 21 de julho de 2004, dentro, portanto, dos cinco anos a que faz referência o inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional. Embora concorde com a afirmação esposada na decisão recorrida no sentido de que "não há, dentro do direito tributário, previsão legal para interrupção do prazo para repetição de indébito'", penso que não podem ser desconsiderados os reiterados pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça acerca da matéria. Nessa linha, temos: REsp 1042524 / RS RECURSO ESPECIAL 2008/00631870 5. O Código Tributário Nacional elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional, para que a Fazenda Pública proponha a ação de cobrança de credito tributário (art. 174, parágrafo único, inciso II). Face ao principio da igualdade das partes, no processo (isonomia processual), idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte nas ações em que postula a repetição do indébito." (REsp 82.553/DF, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, Primeira Turma, julgado em 29.4.1996, DJ 3.6.1996, p. 19.214.) 6. Precedente idêntico: REsp 1329901/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2013, Dje 29/04/2013. REsp 1329901 / RS RECURSO ESPECIAL 2012/01272829 1. O Código Tributário Nacional, se não prevê expressamente a ação cautelar de protesto para o contribuinte, parte do pressuposto de sua existência e possibilidade, ao Fl. 375DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 376 7 disciplinar no seu art. 165, caput, que tanto o pedido administrativo de repetição de indébito quanto a ação para a repetição de indébito independem de prévio protesto. 2. O fato de o art. 165, do CTN mencionar o protesto significa que ele é uma faculdade posta ao contribuinte, que a fazenda pública não pode exigir o protesto como condição da repetição. Em resgate histórico, observo que a inserção do dispositivo no CTN, inclusive, foi feita em razão de existir anteriormente a sua vigência interpretação fazendária no sentido de que o protesto judicial do contribuinte (na época feito na forma do art. 720, do CPC/39 DecretoLei n. 1.608/39) era obrigatório para ressalvar seus direitos quando do pagamento que entendeu indevido (cf. Aliomar Baleeiro in "Direito Tributário Brasileiro", 11a ed. Rio de Janeiro, Forense: 2000, p. 877). 3. Quanto à força interruptiva da prescrição pelo protesto feito pelo contribuinte, aplicase, por analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN, o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário. 4. Em se tratando o CTN de norma geral, o seu complemento se dá com a identificação precisa do marco interruptivo da prescrição que é feito por norma específica e conformadora dos direitos processuais, qual seja o art. 219, §1°, do CPC e os dispositivos pertinentes que regulam a ação cautelar de protesto (arts. 867 a 873, do CPC), como toda e qualquer ação judicial. Ainda que não se leve em conta a integração promovida pelas decisões advindas do Superior Tribunal de Justiça, penso que, no caso vertente, o pagamento indevido indicado para fins de compensação tributária, se efetivamente puder ser considerado como tal, só emergiu a partir da decisão administrativa definitiva exarada no processo administrativo n° 13805.004559/9746, o que se deu em 30 de outubro de 2007, conforme informação trazida pela Recorrente. Diante de tal circunstância, caso a contribuinte tivesse apresentado o pedido de restituição a partir do trânsito julgado da decisão judicial que lhe autorizou compensar a CSLL com pagamentos a maior de FINSOCIAL, isto é, 09 de maio de 2000, muito provavelmente o pedido lhe seria denegado com base no argumento de que o direito não gozava de liquidez e certeza, vez que, diante da existência de lançamento de ofício relacionado à contribuição não recolhida, somente após a extinção, ainda que por compensação com FINSOCIAL, poderseia falar em pagamento indevido. Em situações similares, salvo melhor juízo, esse tem sido o posicionamento predominante dos órgãos julgadores de primeira instância. No âmbito deste Colegiado, entretanto, as decisões têm sido no sentido de sobrestar a apreciação do pedido até o momento em que se possa efetivamente aferir a liquidez e certeza do crédito requerido pelo contribuinte. Destaco ainda que, embora a Recorrente não tenha formalmente apresentado pedido de restituição dentro do prazo estipulado pelo Código Tributário Nacional, não resta dúvida de que ela não se mostrou inerte ao seu direito, eis que protestou judicialmente pela interrupção do prazo prescricional até que fosse julgado de forma definitiva o processo administrativo n° 13805.004559/9746. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 377 8 Não obstante tudo que até aqui foi exposto, constato que, relativamente ao presente processo, o Despacho Decisório de fls. 133/138 registra: 1. Trata o presente processo da análise de Pedido de Restituição, formalizado em papel em 28/02/2008, de alegado pagamento efetuado a maior em 30/07/1999, de débito da Contribuição Social sobre ò Lucro Líquido, código 2469, data de vencimento 30/07/1999, no valor total de R$ 9.429.908,18, conforme cópia do Darf às fls. 02; 2. O pagamento teria sido efetuado com base no benefício concedido pelo artigo 17 da Lei n° 9.779/1999, com isenção de multa e juros de mora para o pagamento em atraso de débitos da CSLL relativos aos períodos de apuração 03/1995 a 09/1995; Adiante, o referido Despacho, ao tratar do processo n° 13805.004559/9746, assinala: [...] 12. O processo 13805.004559/9746 às fls. 91/95 trata de lançamento de ofício de débitos da CSLL relativos aos períodos de apuração 05/1995 a 09/1995, conforme tabela seguinte; 14. Conforme conclusões do acórdão, DRJ/ SPO n° 00067, de 13/11/2001 às fls. 105/119, confirmado pelo acórdão número 10193.959 de 19/09/2002 do Primeiro Conselho de Contribuintes às fls. 121/131: a) os débitos da CSLL apurados em maio, junho, julho e agosto de 1995 foram EXTINTOS TOTALMENTE, através de COMPENSAÇÃO, com crédito relativo aos pagamentos feitos a maior do FINSOCIAL. A autorização judicial irreformável para efetuar a compensação foi obtida no processo judicial 94.00236727 às fls. 69/90 e na apelação 97.03.0350143 às fls. 72/90, com trânsito em julgado do acórdão em 09/05/2000, conforme exposto nos itens 7 a 11 deste Despacho Decisório; b) O débito da CSLL apurado em setembro de 1995 foi PARCIALMENTE EXTINTO, através de COMPENSAÇÃO, com crédito relativo aos pagamentos feitos a maior do FINSOCIAL; c) A parcela remanescente do débito da CSLL de R$ 999.926,75 relativa ao mês de setembro de 1995 foi EXTINTA, através de COMPENSAÇÃO com DARF recolhido em 15/03/2002 a título de Depósito Recursal, conforme constatado às fls. 35, no item 14 da cópia do Despacho Decisório exarado no processo 16327.000445/200217; Assim, embora o Despacho Decisório em referência consigne que o pagamento tido como indevido não foi alocado a nenhum débito, penso que, para que se possa aferir a liquidez e certeza do direito creditório reclamado pela Recorrente, seja necessário, antes, que a unidade administrativa de origem ateste de forma expressa que cabe a repetição haja vista que o pagamento de fls. 02 efetivamente foi efetuado de forma indevida. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a informação acima seja prestada pela unidade administrativa de origem. Em observância à Resolução CARF nº 1301000.240, foi apresentado Relatório Fiscal de Despacho de Diligencia (fl. 336 e segs) e, uma vez cientificado, o contribuinte se manifestou em relação ao referido relatório (fl. 347 e segs). É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 378 9 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Admissibilidade O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Conforme relatado, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.240, com vistas à confirmar a disponibilidade do crédito pleiteado. Neste sentido, segue trecho do Relatório de Diligencia emitido pela autoridade fiscalizadora após prestação de informações requeridas ao contribuinte (fl. 338): CONCLUSÃO 13. O Pedido de Restituição formalizado em papel, protocolado em 28/02/2008 e analisado no processo administrativo 16327.000246/200802 informa como crédito o pagamento de fls. 02 que foi efetuado em 30/07/1999; 14. O Pedido de Restituição foi indeferido e as compensações não foram homologadas, conforme Despacho Decisório de fls. 135139; 15. O acórdão n° 1260.105 às fls. 247251, proferido d ela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou, por unanimidade de votos, não dar provimento à Manifestação de Inconformidade, para não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações; 16. O pagamento de fls. 02 informado como crédito no Pedido de Restituição não está alocado a nenhum débito e encontrase disponível; 17. Encaminho relatório fiscal de diligência ao contribuinte para ciência de seu teor, dandolhe o prazo de trinta (30) dias para manifestação em caso de discordância. Após, o processo deverá ser enviado para o CARF para julgamento (Resolução CARF 1301000.240). Uma vez que o mérito da lide foi unanimemente aceito nos termos do voto do relator quando da sessão de julgamento da Resolução CARF 1301000.240, cujo teor coincide com meu entendimento acerca da matéria e, confirmada a disponibilidade do crédito pelo relatório de diligencia, voto pelo provimento do recurso voluntário. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 1301002.859 S1C3T1 Fl. 379 10 Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006453/2005-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/10/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA.
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
MULTA DE OFÍCIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE.
Cancelada a multa de ofício, e substituída pela multa de mora, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inová-lo.
Numero da decisão: 3201-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. MULTA DE OFÍCIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. Cancelada a multa de ofício, e substituída pela multa de mora, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inoválo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 64 53 /2 00 5- 20 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 159 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 27/28, que se prestou a constituir o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada sobre recolhimento de débito de IPI, vencido em 15/02/2004 e pago em 29/10/2004, sem o acréscimo da multa moratória. O lançamento foi efetuado com fundamento nos artigos 43, 44, inciso I e § 1°, inciso II, e art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/96, bem como art. 488, inciso I e § 7°, inciso II, do Decreto n° 4.544/02. O valor do crédito tributário atingiu o montante de R$ 264.502,26, equivalente a 75% do tributo pago em atraso. Conforme consignado no campo de descrição dos fatos do referido auto de infração, “o contribuinte foi notificado em 03/03/05 do indeferimento do pleito, isto é, de recolher o Imposto com atraso sem o acréscimo de multa moratória e intimado a apresentar DCTF retificadora, consignando o débito com atraso, bem como a vinculação do mencionado pagamento e ainda, providenciar o pagamento da multa de mora Oficio n° 52/DRF/CTA/SEORT de fls. 6 a 8”. Não tendo havido atendimento à referida intimação, procedeuse ao lançamento da multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por meio de correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento recebida em 13/07/2005 (fi. 31). Em 11/08/2005, a autuada, devidamente representada por procurador regularmente estabelecido (fls. 60/78), protocolou a impugnação ao lançamento conforme peça de fls. 38/57, na qual alegou, em síntese, que: a) em razão de equívocos havidos no cálculo do montante de débito devido, vencido em 15/02/2004, procedeu o recolhimento do IPI faltante, acompanhado dos “juros legais (SELIC)”, em 29/10/2004, “conforme comprova a cópia do DARF anexo (Doc. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 160 3 5), e concomitantemente informou a Delegacia da Receita Federal em Curitiba do procedimento da DENÚNCIA ESPONTÂNEA (Doc. 6); b) entretanto, seu pedido pelo deferimento da referida denúncia e a homologação dos valores pagos, conf. art. 138 do CTN, não foi acatado, “a teor do Oficio n° 52/DRF/CTA/SEORT (Doc. 07)”, sequer em sede de pedido de reconsideração; c) procedeu à retificação da DCTF, em 16/03/2005, “declarando o débito apurado com atraso e pago espontaneamente, vinculando o mencionado pagamento”; d) o indeferimento de seu pedido, e o consequente lançamento da multa de oficio, “está em PATENTE confronto com o entendimento consolidado” na jurisprudência judicial e administrativa, como demonstram os arestos trazidos à colação;" e) é inquestionável a espontaneidade da denúncia efetuada pelo contribuinte, não havendo, assim, que ser aplicada multa de qualquer natureza, a teor do que dispõe o art. 138 do CTN; f) a multa de ofício é inexigível na espécie, porquanto não configuradas “as hipóteses elencadas no art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/96”. Isto porque referido comando legal, utilizado para fundamentar o lançamento, “prevê a possibilidade de aplicação de multa isolada nos casos de pagamento de tributos em atraso, sem o acréscimo da DEVIDA multa moratória”. Mas, como visto, a multa moratória não é devida quando configurada a denúncia espontânea, conforme já consolidado na recente jurisprudência do Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais; g) de qualquer sorte, a multa lançada é desproporcional ante a infração praticada e também é confiscatória, havendo, assim, que se reconhecer, inclusive em sede de julgamento administrativo, “que a exigência de multa de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do tributo pago em atraso fere o princípio do não confisco, sob pena de se estar cerceando o direito de defesa da Impugnante”; h) “impõese a anulação da multa isolada aplicada por sua patente inconstitucionalidade”, em razão da sua desproporcionalidade, abusividade e natureza confiscatória. Conclui a impugnante pedindo pelo julgamento da total improcedência do auto de infração impugnado. Se este não for o entendimento, que a multa aplicada seja reduzida a “patamares razoáveis e compatíveis, tendo em vista a vedação de sanção com efeitos confiscatórios”." O pleito foi julgado procedente em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/RPO 1427.347, de 28 de janeiro de 2010, decisão proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, afastandose a multa de oficio aplicada, em razão da retroatividade benigna Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 161 4 promovida pela Lei 11488/2007, convolandoa em multa de mora, no valor de R$ 70.533,94 cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/10/2004 IPI. RECOLHIMENTO EM ATRASO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em decorrência da retroatividade benigna da lei, exonerase a multa isolada lançada sobre o tributo recolhido intempestivamente sem o acréscimo de multa de mora. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) impossibilidade de inovação do lançamento pela autoridade julgadora, convertendo a multa de ofício em multa de mora; (ii) a decisão afronta ao devido procedimento fiscal de que trata os arts. 9°, 10 e 12 do Decreto n° 70.235/1972; (iii) a atuação da DRJ no presente processo, cancelou totalmente a exigência consignada no Auto de Infração, mas de modo errôneo, lavrou nova exigência consubstanciada em multa de mora, em total descompasso com o lançamento inicial; (iv) que o suposto novo lançamento está decaído; (v) que é equivocado o entendimento da decisão recorrida que o instituto da denúncia espontânea só se aperfeiçoa com o recolhimento da multa de mora; (vi) que de acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional, os requisitos da denúncia espontânea são o pagamento acrescido de juros de mora e inexistência de anterior processo de fiscalização; (vii) o STJ estabeleceu um terceiro requisito, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a inexistência de débito tributário declarado em DCTF e não pago; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 162 5 (vii) cita jurisprudência do CARF e do STJ que entende lhe são favoráveis; (viii) o pagamento do débito denunciado foi realizado de modo integral e à vista, acrescido dos juros de mora, antes de qualquer procedimento da fiscalização a ele relacionado; (ix) o débito só foi declarado pelo contribuinte em 16/03/2005, por meio de DCTF retificadora, posteriormente, ao recolhimento do tributo ocorrido em 29/10/2004; (x) o instituto da denúncia espontânea afasta a imposição de multa de qualquer natureza. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Inicialmente, conforme já consignado no relatório é de se esclarecer que o Auto de Infração em apreço foi lavrado única e exclusivamente para se exigir a multa de ofício e não multa de mora. Assiste razão à recorrente. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em sede de recurso repetitivo decidiu que a denúncia espontânea é causa que afasta a incidência da multa moratória, conforme decisão a seguir transcrita: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 163 6 tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). No mesmo sentido: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 164 7 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO. REVISÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO DOS AUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. PAGAMENTO A DESTEMPO, MAS ANTES DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CARACTERIZAÇÃO. 1. Rejeitase a alegação de incidência da Súmula 7/STJ, visto que o TRF da 2ª Região estabeleceu, como premissa fática, que "[...] os tributos foram declarados em DCTF, posteriormente ao recolhimento dos mesmos, porém, tal recolhimento foi efetuado fora do prazo". 2. Está caracterizada a denúncia espontânea quando os recolhimentos são efetuados antes da constituição do crédito tributário, mediante ação fiscalizatória ou por meio de declaração do contribuinte. 3. No caso, ainda que pagos a destempo, procede o reconhecimento do benefício previsto no art. 138 do CTN, porque os tributos e as contribuições federais foram quitados antes da constituição do crédito tributário, o que impõe a exclusão da multa moratória, bem como autoriza a compensação, nos termos da lei. 4. O entendimento referido na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. 5. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no REsp 1229965/RJ, Rel. Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 14/06/2016) (nosso destaque) "RECURSO FUNDADO NO CPC/73. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO VERIFICADA. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 284/STF. ICMS. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO ACRESCIDO DE JUROS E CORREÇÃO ANTES DE QUALQUER PROCEDIMENTO DO FISCO. AUSÊNCIA DE PRÉVIA DECLARAÇÃO DO DÉBITO. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA 360/STJ. MULTA MORATÓRIA AFASTADA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. EXIGÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. RETORNO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM PARA APRECIAÇÃO DO PLEITO COMPENSATÓRIO. 1. De acordo com o estatuído no art. 535 do CPC, são cabíveis embargos de declaração nas hipóteses de obscuridade, contradição ou omissão do acórdão atacado. No caso, verifica se a existência da contradição apontada, porquanto os argumentos apresentados no apelo especial guardam pertinência Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 165 8 com os fundamentos do acórdão proferido pelo Tribunal de origem, o que afasta a incidência do óbice previsto na Súmula 284/STF. 2. A contribuinte efetuou o recolhimento do tributo devido, acrescido de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida fiscalizatória relacionados com a infração, razão pela qual restou caracterizada a denúncia espontânea, nos moldes do art. 138 do CTN. 3. No caso concreto, a empresa não chegou a declarar previamente o ICMS devido, por isso não incidindo a vedação disposta na Súmula 360/STJ (O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo). Precedentes: EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 11/09/2015 e AgRg no REsp 1.414.966/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 11/03/2015. 4. A jurisprudência do STJ consolidou, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). No mesmo sentido: AgRg no AREsp 807.269, Rel.ª Ministra REGINA HELENA COSTA, Primeira Turma, DJe 11/05/2016. 5. No tocante à alegada ofensa ao art. 170 do CTN, tendo em conta que "A compensação tributária depende de previsão legal e deve ser processada dentro dos limites da norma autorizativa" (REsp 1.235.348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 02/05/2011), necessário se faz o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que decida sobre a compensação pleiteada, sob pena de supressão de instância. 6. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para se dar parcial provimento ao recurso especial da empresa impetrante, reconhecendose a configuração da denúncia espontânea e determinandose o oportuno retorno dos autos à Corte local, sob pena de supressão de instância, a fim de que decida acerca da pleiteada compensação. (EDcl no AgRg no REsp 1571332/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2016, DJe 08/06/2016) (nosso destaque) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 9303 002.770, da 3ª Turma, de 22 de janeiro de 2014 manifestouse sobre a matéria no seguinte sentido: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 166 9 Período de apuração:01/01/1998 a 31/12/1998 IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." Ainda: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/05/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Direito creditório reconhecido. Compensação homologada. Recurso Voluntário provido." (Processo 10980.939964/201178; Acórdão 3301003.445; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; Sessão de 27/04/2017) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 167 10 Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF § 2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não obstante os fundamentos até o momento adotados, temse que não é possível a conversão da multa de ofício em multa moratória. Em relação ao tema (convolação da multa de ofício em multa moratória), o CARF possui entendimento favorável ao contribuinte, possuindo inúmeros precedentes jurisprudenciais, os quais adoto como razão de decidir, conforme a seguir transcritos: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998 DCTF. DÉBITO DECLARADO. SALDO A PAGAR ZERO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. Havendo disposição específica no artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001, no sentido de que os débitos declarados em DCTF e cujas compensações não tenham sido homologadas pela autoridade fiscal deviam ser exigidos mediante o procedimento de lançamento de oficio, de se desprezar, por lhe conflitar e lhe ser hierarquicamente inferior, a disposição contida na IN SRF nº 126, de 1998, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 16, de 14/02/2000, que considerava aqueles débitos como confessados e permitia a sua exigência por meio de mera cobrança. Somente com a edição da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, posteriormente regulamentada pela IN SRF nº 480, de 2004, é que não só os Saldos a Pagar, mas, também, quaisquer diferenças encontradas nos procedimentos de compensação informados em DCTF, passaram a ser considerados como confissão de dívida, de modo que a sua exigência não mais passou a depender de lançamento de oficio. No caso, o auto de infração foi lavrado ainda na vigência do artigo 90 da MP 2.15835, de 2001. MULTA DE OFICIO. CONVOLAÇÃO EM MULTA DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. De se rejeitar a convolação de multa de oficio de 75% em multa de mora de 20% feita pela instância de julgamento de primeira instância, por lhe faltar competência para promover alterações nos dispositivos legais que sustentam o lançamento de oficio. No caso, ao transformar uma multa de oficio em multa de mora, a DRJ acabou por proceder a um novo lançamento, o que lhe é vedado. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 168 11 Recurso Provido em Parte." (Processo 11020.001495/200323; Acórdão 3401001.746; Relator Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO; Sessão de 20/03/2012). Do voto condutor destaco: "A DRJ, suscitando a modificação superveniente havida naquela regra do artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, o que se deu por meio do artigo 18 da MP nº 135, de 30/10/2003, acima reproduzido, admitiu que no ato do lançamento de ofício não mais haveria previsão para a exigência de multa de ofício e, invocando o princípio da retroatividade benigna previsto na alínea “c”, do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, convoloua numa multa de mora de 20%. À época do lançamento vigia o art. 90 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, com a seguinte redação: 'Art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.' Embora, consoante explicitado acima, tenha se mostrado correta a constituição de oficio dos valores cuja compensação não fora homologada, ainda que informados na DCTF, há que se rever a questão da multa de ofício aplicada, a qual, após ter sido cancelada pela DRJ, fora “convolada” numa multa de mora de 20%. Então, o que restou para o presente julgamento é uma multa de mora de 20% “aplicada” pela DRJ, o que, com o devido acatamento, não pode prevalecer.. Ora, tem razão a recorrente quando argumenta que não poderia a DRJ “emendar”, o melhor seria “remendar”, “consertar” o auto de infração, convolando uma multa de ofício de 75% em uma multa de mora de 20%. Sim, pois se a multa de ofício não mais possui previsão para ser lançada, o correto é extirpála do lançamento, pura e simplesmente, não se podendo cogitar de sua convolação numa multa de mora, que, como se sabe, só é devida para os casos em os débitos fiscais não são adimplidos nos prazos legais fixados e é calculada, ou pelo próprio devedor, ou pela autoridade fazendária em cobrança amigável; não em procedimento de oficio. De se modificar, portanto, a decisão recorrida, quanto a este quesito, cancelando a exigência da multa de mora." Com o mesmo entendimento, foram as decisões proferidas nos processos 11020.001505/200321 (Acórdão 3401001.748) e 11020.001496/200378 (Acórdão 3401 001.747). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 169 12 No mesmo sentido, sobre a impossibilidade da convolação da multa de ofício em multa de mora: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 (...) MULTAS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, obedece estritamente aos preceitos legais, não cabendo sua convolação em multa moratória. (...)" (Processo 10510.001892/201040; Acórdão 1402001.198; Relator Conselheiro FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR; Sessão de 02/10/2012) Recentemente, em processo de relatoria da Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim os membros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, à unanimidade de votos, deram provimento ao recurso voluntário no processo 11610.006832/200167 (Acórdão 3201002.611) para afastar a multa de mora (20%) que substituiu a multa de ofício (75%), por ocasião do julgamento de primeira instância. Aludida decisão, possui a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. IPI A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI constitui infração que autoriza a lavratura do competente Auto de Infração, para a constituição do crédito tributário. (...) MULTA DE MORA Cancelada a multa de ofício, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II, do CTN e substituída pela multa de mora (20%); logo, esta não deve ser mantida, pois o julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração e não inoválo. Recurso a que se dá provimento parcial." O voto condutor está redigido nos seguintes moldes: "E por fim, no tocante à substituição da multa de mora, não há como se manter, pois, a decisão de primeira instância cancelou a multa de ofício imposta, tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, II (ato não definitivamente julgado), do CTN e a trocou pela mora (20%); pois, entendo que julgador administrativo deve ficar adstrito ao embasamento legal descrito no auto de infração. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10980.006453/200520 Acórdão n.º 3201003.745 S3C2T1 Fl. 170 13 Não cabe ao aplicador da lei alterar a disposição legal infringida e a penalidade aplicável para substituir a multa de ofício pela multa de mora, pois a manutenção da mora seria o mesmo que "impor" nova penalidade, pois, uma situação é a da redução da multa de ofício quando lançada; o que é possível; outra é a de mudar a natureza de multa de ofício para a de mora, onde a disposição legal infringida e a penalidade aplicável são totalmente distintas. Dessa forma, entendo que deve ser excluída a multa de mora." Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, de modo a afastar a incidência da multa moratória imposta pela decisão recorrida. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901956/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 95 6/ 20 14 -5 5 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Resolução nº 1201000.475 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Resolução nº 1201000.475 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724721/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Considera-se não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa.
DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO.
Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação.
CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011.
Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação in natura.
PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA.
Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 ou com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
Numero da decisão: 2402-006.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INDEFERIMENTO DE PERÍCIA E DE REQUERIMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS FORA DO PRAZO ESTABELECIDO EM LEI. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerase não formulado o requerimento de perícia apresentado em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. A prova documental será exibida na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra alguma das hipóteses previstas na legislação que possibilite sua apresentação em circunstância diversa. DECISÃO ADMINISTRATIVA CLARA E FUNDAMENTADA. NULIDADE. NÃO VERIFICAÇÃO. Estando a decisão de piso adequadamente fundamentada e as razões de decidir claramente expostas, possibilitando o adequado exercício à ampla defesa e ao contraditório, inexiste justificativa para sua anulação. CLAREZA DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da autuação quando todos os requisitos previstos em lei para a lavratura do auto de infração tenham sido observados pela autoridade responsável pelo lançamento. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKET/CARTÃO MAGNÉTICO. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 47 21 /2 01 0- 69 Fl. 621DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03/2011. Para o gozo da isenção prevista na legislação previdenciária, no caso do pagamento de auxílio alimentação em ticket/cartão magnético, a empresa deverá comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratar de fornecimento de alimentação “in natura”. PARCELA SALARIAL PAGA SOB A DENOMINAÇÃO DE AJUDA DE CUSTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. INCIDÊNCIA. Incide contribuição previdenciária e destinada a terceiros sobre parcelas salariais pagas aos segurados da empresa, independentemente da denominação que lhe tenha sido dada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALTERAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. O cálculo da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser efetuado de conformidade com o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 ou com a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro, Jamed Abdul Nasser Feitoza Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento parcial exclusivamente para afastar a incidência da contribuição em relação ao auxílio alimentação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0644.158, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração lavrado sob o Debcad nº 37.249.1405 para a apuração de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, das competências 01/2007 a 12/2007. Por bem retratar as razões expostas no Relatório Fiscal e na impugnação, transcrevese a parte correspondente do acórdão recorrido (fls. 574/589): Relatório Fiscal 3. Segundo o Relatório Fiscal, os valores da base de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento/resumos (fls. 65 a 461) e GFIPs (fls. 462 a 513), sendo observado que: nas competências 01 a 08/2007 a Autuada não efetuou o desconto e respectivo recolhimento da contribuição previdenciária devida, referente aos valores pagos a titulo de ajuda de custo ao Sr. Wanderley dos Santos (valores esses obtidos nas folhas de pagamento); no ano de 2007 a empresa não possuía inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído pela Lei nº 6.321, de 1976, conforme consulta ao MTE. Assim, os valores pagos referentes à alimentação, por se constituírem em uma liberalidade, foram considerados base de cálculo de Fl. 623DF CARF MF 4 contribuições previdenciárias. Para o cálculo foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados. Neste caso, a empresa não efetuou o desconto e respectivo recolhimento da contribuição relativa aos segurados; 3.1. As contribuições incluídas neste lançamento foram apuradas nos seguintes levantamentos: AL1 (valor Alimentação sem GFIP); AC1 (valor ajuda de custo sem GFIP); e FP1 (folha de pagamento não declarada GFIP). 4. Conforme informa a autoridade fiscal, foram emitidas Representações Fiscal para Fins Penais (RFFP), referentes à configuração, em tese, de sonegação de contribuições previdenciárias e crime contra a ordem tributária (fl. 63). Impugnação 5. Regularmente cientificada em 24/05/2010 (fl. 2), a Contribuinte apresentou impugnação em 22/06/2010, alegando, em síntese que: a) “a presente Defesa é plenamente tempestiva, atendendo a este pressuposto de admissibilidade a contento”; b) a presente cobrança é completamente descabida, não encontrando amparo legal que confira suporte aos seus fundamentos, dada a ilegalidade da multa, isto porque a diferença nesse recolhimento “se deu única e exclusivamente pela desconsideração do AFPS dos valores pagos a título de ajuda de custo e dos valores pagos a título de auxilio educação, bem assim, por entender não declarado em GFIP, valores declarados em Folha de Pagamento, no valor de R$ 45,14, o que não passa de equívoco”; c) a limitação ao direito de a Impugnante ter acesso aos motivos ou documentos em que se baseou o auditor para lavrar dois autos de obrigação principal e dois de obrigação acessória, “cujos fundamentos são os mesmos e geram confusão à defesa, justamente porque indevidamente seccionados, quando em verdade a motivação é única, dificultando ao defendente fazer a ampla defesa, porque repetitiva”. Desse modo, o agir do Fiscal não repercutiu apenas na ofensa ao contraditório em seu sentido estrito (formal), mas também no “desatendimento ao devido processo em sentido material, justamente porque resultou ausente a fundamentação objetiva das autuações”, tornando nulo o ato administrativo, sendo sua invalidação perfeitamente possível, “através do procedimento de revisão dos lançamentos, desencadeado com a presente defesa administrativa, o que desde já requer”; d) o AI impugnado não condiz com a realidade fática da situação fiscal da empresa, apresentando “divergências de valores em seus demonstrativos de débito, assim como deixa de observar com perfeição as bases de cálculo das exações previdenciárias lançadas”; e) quanto aos valores pagos a título de alimentação aos empregados, entende que o fato da empresa não ter apresentado sua inscrição no PAT ensejou indevido lançamento, tomando aqueles valores gastos a titulo de alimentação como base tributável para a contribuição previdenciária, não considerando o fiscal que a autuada desenvolve, e já desenvolvia à época, a proteção alimentar dos seus trabalhadores; f) “Ademais, existem previsões reiteradas nas convenções coletivas de trabalho dos Sindicatos da Indústria da Construção do Estado da Bahia, firmadas pelo sindicato ao qual a empresa é filiada e o sindicato dos trabalhadores da respectiva categoria, de que seria subsidiado o custo da refeição fornecida aos Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 4 5 funcionários”; portanto, já havia na empresa a prática de fornecer alimentação aos empregados; g) o art. 3º da Lei nº 6.321, de 1976, declara que “não se inclui no saláriode contribuição a parcela paga pela empresa a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, justamente porque não é salário. Assim, a parcela in natura recebida pelo empregado que estiver de acordo com o PAT não terá incidência da contribuição previdenciária”; h) “A falta da inscrição formal no PAT somente pode gerar, na forma do art. 8º do Decreto 5, de 1991, a vedação da empresa para se valer do incentivo fiscal de dedução dos gastos no seu Imposto de Renda (perdendo o direito de créditos remanescentes, inclusive) e a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação tributária acessória ou instrumental (como é a mera e formal inscrição no PAT, que se processa perante os Correios e está automaticamente aprovada neste mesmo momento)”. Tal raciocínio encontra guarida no art. 113, § 2º do CTN, que trata das obrigações acessórias, e que se aplica ao caso concreto, afirmandose no § 3º do mesmo dispositivo que a sua inobservância acarretaria somente a aplicação de multa, se houvesse previsão legal, mas nunca a cobrança de tributo; i) os julgamentos proferidos pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, abonam o direito da Defendente e reafirmam o direito à desconstituição do presente lançamento, uma vez que expressam o entendimento de que parcelas como a alimentação fornecida pela empresa não integram o salário de contribuição. Assim, não há que se falar em declarar tais valores atinentes ao PAT em GFIP e em infração ao art. 32 , IV e § 5o da Lei nº 8.212/91; j) na improvável hipótese de superação das razões expostas, protesta pela realização de perícia técnica, “visando apurar a real base de cálculo do suposto débito, cujos números foram obtidos através de amostragem”; k) traça um paralelo entre o pagamento de valores a título de ajuda de custo (mensalmente, a Wanderley dos Santos) e valores recebidos a título de licença prêmio não usufruída, auxílio transporte, auxíliocreche, auxíliobabá e outros, alegando que tais verbas não possuem natureza salarial, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária, afirmando textualmente que “as verbas pagas ao empregado para auxiliar nas despesas de aluguel, ainda que tenham denominação de auxílio ou de ajuda de custo e mesmo que pagas com habitualidade, como no caso em concreto, têm nítida natureza indenizatória, posto que visam a ressarcir o empregado pelas despesas com moradia em localidade distante do seu domicilio”; l) “a autuação não é clara ao tentar desnaturar a ajuda de custo suportada pela empresa autuada, de forma tal que a sua exclusão prescinde de perícia técnica, a fim de identificar o seu caráter”; m) “temse o sintoma de que o presente processo administrativo pode vir a ser concluído, sem que tenham sido examinadas matérias constitucionais, situação em que os julgadores restringiriam sua atuação à aplicação de exclusivas normas de inferior escalão jurídico. O que não se pode admitir”, eis que ao solucionar uma questão tributária devem ser considerados os diversos princípios e normas plasmadas na Constituição, de natureza genérica (legalidade, tipicidade, anterioridade, irretroatividade, capacidade contributiva, isonomia, vedação de confisco, ampla defesa, contraditório, etc), e específica (nãocumulativa, seletividade, progressividade, generalidade, universalidade, competência, etc.); Fl. 625DF CARF MF 6 n) insurgese quanto a aplicação de juros capitalizados e da taxa Selic aos créditos previdenciários, alegando que “o STJ já tem posição consolidada de que a Taxa Selic não pode ser aplicada cumulativamente, com outros índices de reajustamento, motivo pelo qual, não devem prosseguir as formas de cálculo elaborados pelo agente autuante”; o) compulsando o DAD anexado à NFLD em apreço, verificase que foram aplicadas multas que atingiram o patamar de 75% do débito, sendo certo que o valor seria fixo, considerando que o contribuinte entregou GFIP em todos os meses, sendo que a multa em percentual sobre lançamentos indevidos possui inequívoco intuito confiscatório; p) em face da revogação do art. 32, §§ 4º e 5º, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009, é certo que a lei só retroage quando mais benéfica ao contribuinte, sendo, dessa forma, inaplicável a multa requerida e necessário que a autuação seja anulada; q) a conclusão necessária é que seja julgado improcedente o lançamento, “com o reconhecimento, no mérito, das matérias que, no seu conjunto, importam na anulação dos termos da cobrança levada a efeito nesta oportunidade”; r) protesta provar o alegado por todos os meios de prova, em especial, a realização de perícia, a juntada de documentos que se fizerem necessários e a produção de contra prova. Reitera que todos os documentos estão à disposição da Receita Federal e pleiteia “a comunicação quanto ao resultado desta defesa no endereço profissional dos patronos do contribuinte, sob pena de nulidade (art. 39, I, do CPC)”. Decisão de Primeira Instância Administrativa A DRJ/CTA julgou a impugnação improcedente, conforme pode se verificar da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADO EMPREGADO. É devida a contribuição previdenciária descontada do segurado empregado, a incidir sobre remuneração a ele paga ou creditada no decorrer do mês, a ser recolhida pela empresa. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. AUSÊNCIA. Integram o saláriodecontribuição as verbas pagas pela empresa, a título de alimentação, sem a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. AJUDA DE CUSTO. A parcela recebida pelo segurado empregado a título de ajuda de custo integra o saláriodecontribuição, exceto quando paga Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 5 7 em decorrência de mudança de local de trabalho e em parcela única. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. O cálculo para a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve ser efetuado no momento do pagamento, parcelamento ou ajuizamento da execução fiscal, comparandose a legislação atual e a vigente à época dos fatos geradores. JUROS. TAXA SELIC. PREVISÃO LEGAL. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa Selic para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. PROVA PERICIAL. LIMITES. OBJETIVOS. A perícia se destina à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, devendo o julgador refutar aquelas que entender desnecessárias ou prescindíveis. PROVAS DOCUMENTAIS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Em sede de recurso voluntário o sujeito passivo repisa questões trazidas na impugnação e alega adicionalmente o que segue: a necessidade de perícia de ofício pelo julgador de 1ª instância se mostra ainda mais flagrante quando se demonstra que houve majoração de bases de Fl. 627DF CARF MF 8 cálculo no confronto simples entre os balancetes e Livros Razão apresentados pela recorrente à fiscalização e os constantes dos Discriminativos Analíticos de Débito DAD emitidos pela autoridade autuante; a razão desta discrepância é que a fiscalização considerou como salário de contribuição o percentual de 20% sobre a folha de pagamentos da empresa, quando o correto seria considerar tal percentagem, mas incidindo sobre os valores pagos a título de alimentação com os trabalhadores, o que importa em base de cálculo diversa e menor do que a utilizada na forma do art. 28 da Lei 8212/91, que afirma a incidência sobre 20% da totalidade dos pagamentos feitos a título de alimentação; a produção de prova pericial não se realizou, não sendo nem mesmo fundamentada a sua negativa, culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica; a garantia da ampla defesa possui previsão constitucional, art. 5º, inciso LV da Carta Magna de 1988, sendo aplicada a todos os processos, judiciais e administrativos, além do que, na forma do art. 37 da Constituição Federal, os agentes estão sujeitos ao princípio da legalidade estrita, sob pena de nulidade de seus atos caso firam as garantias ou descumpram as normas jurídicas vinculantes ao seu agir; a produção de prova pericial seria o único meio para um convencimento do julgador para a improcedência da notificação ora recorrida, não seria prescindível ou impraticável; a ausência de produção da prova técnica, pericial, implicou em um prejuízo visível para a recorrente, que teve uma notificação a si imputada como procedente sem que lhe fosse garantido o direito de produzir as provas possíveis e necessárias para combater a notificação, provas estas que em sua grande maioria encontramse nos contratos ajustados, e nos lançamentos efetuados; a decisão ora recorrida, carece de fundamentação, contrariando o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, o qual exige a apresentação dos fundamentos em que as autoridades administrativas se baseiam para realizar os atos de sua competência; a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisou sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma; as razões de decidir não foram expostas pelo julgador de origem, ferindo o princípio constitucional da moralidade administrativa, que reside em analisar a norma na forma determinada pelo legislador, e não amoldála à necessidade do órgão autuante. Repisa pedidos apresentados por via impugnatória, requer que seja declarada a nulidade da decisão recorrida e a juntada de novas provas. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINARES Nulidade da Decisão Recorrida e Pedido de Perícia e Apresentação de Novas Provas Com relação à nulidade da decisão recorrida, suscitada em razão do indeferimento de perícia requerida em sede de impugnação e à produção de novas provas, tem se que os arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235/1972 estabelecem: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 629DF CARF MF 10 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Observase, a princípio, que o inciso IV do art. 16 acima reproduzido é bastante claro quanto à obrigatoriedade de o sujeito passivo em formular os quesitos referentes aos exames desejados e indicar o nome , endereço e qualificação profissional designado para a realização da perícia tida por necessária. Além disso, o § 1º do mesmo artigo preceitua que, em caso de inobservância ao disposto no inciso IV, o pleito pericial considerarseá não formulado. Examinandose o conteúdo da impugnação, constatase inexistir referência ao a quesitos ou exames desejados e ao perito que deveria ter sido indicado pela recorrente, fato que se mostra suficientemente apto a afastar a argumentação recursal quanto à nulidade da decisão recorrida, em vista de o requerimento trazido na impugnação ter sido apresentado em desacordo com a legislação que rege a matéria, ou seja, tratase de pleito pericial considerado como “não formulado” a teor das disposições normativas supracitadas. Além disso, a análise das normas jurídicas afetas à autuação e o exame das provas já trazidas aos autos mostramse suficientes para os deslinde de quaisquer dos questionamentos com base nos quais a recorrente busca fundamentar o pleito pericial, o qual revelase, consoante art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, absolutamente prescindível como bem concluiu a decisão recorrida, conforme trechos que se faz mister reproduzir: Da prova pericial e documental 17. A Autuada protesta pela realização de perícia para apurar a real base de cálculo em relação aos valores pagos a título de alimentação, cujos números, segundo alega, teriam sido obtidos por amostragem. Também pretende demonstrar que os valores pagos a título de ajuda de custo, buscam restituir despesas inerentes a própria atuação e não complementação de salário. 17.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. 53). Portanto, não se trata de “amostragem”. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 7 11 17.2. Também os valores pagos a título de ajuda de custo a Wanderley dos Santos foram obtidos nas folhas de pagamento da empresa (subitem 3.2, fl. 53), as quais foram juntadas aos autos pela autoridade fiscal. 17.3. A matéria em julgamento, portanto, não demanda conhecimento técnico específico que não seja da competência da autoridade julgadora. Com efeito, como ensina Antônio da Silva Cabral, a perícia “supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas com o processo”. 1 E acrescenta que “antes de tudo, portanto, é necessário que o simples exame dos autos pelo julgador não seja suficiente, exigindose o pronunciamento por parte de técnico especializado no assunto”, não sendo este o caso, todavia. 17.4. Por outro lado, nos termos do art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (necessária a formulação de quesitos e indicação do nome, endereço e qualificação profissional do seu perito, o que não ocorreu no caso presente). 17.5. Há que esclarecer, ainda, que a prova pericial não é substitutiva do ônus que possui a Impugnante de provar suas alegações. Assim, ante a conduta da Contribuinte, que do seu ônus não se desincumbiu, por considerar prescindível a realização de perícia e por não atender aos requisitos legais, rejeitase o pedido, com base no art. 18, do Decreto nº 70.235, de 1972. O fato de o Colegiado a quo ter indeferido o pedido de realização de desnecessária perícia ou mesmo para a apresentação de provas fora do prazo estabelecido na legislação não implica preterição do direito de defesa como tenta fazer crê a recorrente. Trata se de decisão pautada nas disposições normativas que tratam do tema. Sobre os artigos da Portaria MPAS nº 357/2002, suscitados na peça recursal, embora não acudam a recorrente por fazerem referência à “faculdade” atribuída ao julgador administrativo para determinar, de ofício, a realização das perícias que entender necessárias, deveria saber o representante da apelante que, nos termos do art. 25 da Lei nº 11.457/2007, a norma aplicável ao Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive no que diz respeito às contribuições previdenciárias e às destinadas a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiros”, é, desde 1º/03/2008, o Decreto nº 70.235/1972. De igual modo, inaplicável ao presente caso a redação do art. 17 do citado Decreto nº 70.235/1972 reproduzida no recurso voluntário, cujo texto foi alterado ainda em 1997 e também do art. 19 de referida norma, que se encontra revogado desde 1993. Relativamente à assertiva aventada no apelo recursal de que a negativa de produção de prova pericial não teria sido fundamentada, “culminando numa decisão equivocada que julgou procedente o lançamento tributário, apesar de reconhecer pela necessidade de adequar o percentual da multa aplicada para uma mais benéfica”, o trecho da decisão fustigada que acima se reproduziu evidencia carecer de razão essas alegações, eis que demonstra claramente os fundamentos da decisão da DRJ/CTA. No que respeita a aplicação da multa mais benéfica ao caso ora analisado, essa constatação não tem nenhuma relação com situação que pudesse demandar a realização de perícia. Tratase tãosomente de esclarecimento sobre a aplicação de penalidade em relação a infrações tributárias a que legislação superveniente tenha atribuído sanção menos severa, de acordo com previsão contida no art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional – CTN, em Fl. 631DF CARF MF 12 razão das alterações promovidas na Lei nº 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Aliás, o cálculo da multa com a aplicação da denominada “retroatividade benigna” foi efetuado ainda por ocasião da autuação. Dessarte, tendo em vista o indeferimento de perícia e de apresentação de novas provas requeridas na impugnação encontrarse respaldado na legislação disciplinadora do PAF, não se verifica nenhuma ofensa a princípios constitucionais como o da ampla defesa, do contraditório ou da legalidade. Tampouco existem elementos que possam levar à decretação de nulidade do acórdão atacado. Ademais, pelas razão acima expostas, indefiro o pedido de perícia reiterado no recurso voluntário, assim como o requerimento para a produção de provas extemporâneas, tendo em conta que, a menos que reste demonstrada uma das situações previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não é o caso, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual. Nulidade da Decisão Recorrida por Falta de Fundamentação da Decisão Recorre o sujeito passivo ao inciso IX do art. 93 da Constituição com o intuito de demonstrar que o decisum de primeira instância administrativa carece de fundamentação. Consoante aduz, “a decisão recorrida limitouse a repetir os termos da autuação inicial, ou seja, adotou os termos da peça de notificação inicial e repisar (sic) sua fundamentação legal, negandose, terminantemente, a enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma”. Mais uma vez a contribuinte busca fundamentar sua discordância em relação ao julgamento de primeira instância administrativa a partir de normas inaplicáveis ao PAF. O art. 93 da Constituição encontrase inserido no seu Capítulo III, “Do Poder Judiciário”, ou seja, referido dispositivo está direcionado à atuação daquele Poder no julgamentos das lides judiciais. A respeito do art. 27 do ato denominado “Portaria nº 148/96” (reproduzido no apelo da contribuinte), vêse tratarse da Portaria Ministro de Estado do Trabalho MTB Nº 148, de 25 de janeiro de 1996 (publicada no DOU de 26/01/1996). Deveria o responsável pela defesa do sujeito passivo saber que esse ato normativo não tem aplicação no âmbito do Ministério da Fazenda, ainda mais em se tratando de PAF, que segue rito próprio, disciplinado em lei específica. Somente com o fim de melhor esclarecer toda essa situação, a necessidade de motivação das decisões administrativas decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, insculpidos no inciso LV do art. 5º da Constituição/1988. Em termos legais, é o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que estabelece a obrigatoriedade de que as decisões adotadas no âmbito do PAF sejam devidamente fundamentadas. Vejamos: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Além do que, diferentemente do que afirma a recorrente, até mesmo em um exame perfunctório do acórdão vergastado é perceptível que a decisão nele contida encontrase perfeitamente fundamentada nas leis instituidoras das contribuições sociais abrangidas no lançamento. Ocorre que o intento da apelante é de que o julgador administrativo se ponha “a Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 8 13 enfrentar o aspecto da constitucionalidade da norma” tributária, afastando sua aplicação, o que, conforme se verá mais adiante é vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, pelo art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF e pela Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória por este Colegiado. Desse modo, não restando verificada a aduzida ausência de fundamentação ou ainda falta clareza na decisão de piso, afastase a presente preliminar, posto que as razões de decidir expostas no acórdão da DRJ/CTA mostramse assaz inteligíveis, inexistindo qualquer tipo de prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo ou mesmo ofensa ao princípio constitucional da moralidade administrativa. Nulidade por Falta de Clareza na Autuação Neste ponto, convém inicialmente asseverar que não somente o lançamento e as decisões administrativas necessitam ser fundamentadas, mas, de acordo com o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, também as razões trazidas na impugnação ou no recurso voluntário precisam evidenciar a motivação fática e os fundamentos jurídicos em que se acostam. Digo isso porque a reclamante discorre que o fato de se ter efetuado quatro lançamentos distintos em razão da mesma base de cálculo teria dificultado sobremaneira sua defesa, mas não aponta qualquer irregularidade no procedimento administrativo e nem ao menos os motivos que teriam acarretado o mencionado prejuízo ao contraditório ou à ampla defesa. Os lançamentos relacionados à obrigação principal (contribuições previdenciárias da empresa, contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e contribuição destinada a outras entidades ou fundos, os denominados “terceiro”) têm, de fato, a mesma base de cálculo, que é a remuneração paga aos segurados empregados, mas isso está definido em lei. Já o auto de infração por não informação de fatos geradores das contribuições sociais em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, que em nada se confunde com as autuações pelo não recolhimento de tributo, estando, inclusive, fundamentada em disposição legal diversa. Não se pode olvidar ainda que todos os autos de infração estão apropriadamente fundamentados, carecendo de plausibilidade a tese de prejuízo à defesa, sendo natural e recorrente a adoção desse tipo de procedimento na esfera tributária. A sistemática adotada pela autoridade autuante não implica qualquer tipo de ilegalidade como sugerem as alegações recursais. Em outra esteira, o art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 traz os requisitos para a lavratura de auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 633DF CARF MF 14 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Analisandose o presente Auto de Infração, o Relatório Fiscal e seus demais anexos constatase que todos os requisitos previstos em lei para sua lavratura foram regiamente observados pela autoridade fiscal, verificandose completamente descabida a asserção recursal de que a autuação padeceria de vício de forma tendente a atrair a aplicação da Súmula nº 346 do STF, com a consequente anulação do lançamento. Além disso, não se vislumbra a alegada falta de clareza no Auto de Infração e em seus anexos, acrescentandose ainda que o crédito foi constituído por servidor competente, a autuação encontrase devidamente motivada e dela consta a qualificação do sujeito passivo, a discriminação dos fatos geradores das contribuições devidas e do período a que se refere, o valor do crédito tributário, o prazo para recolhimento ou impugnação, as disposições legais infringidas, a assinatura da autoridade autuante (com a indicação do seu cargo e do número de sua matrícula) e o local e a data de sua lavratura. Tudo em conformidade com a disciplina legal. Dito isso, rejeito preliminar de nulidade do lançamento. Ciência do Resultado do Julgamento no Endereço dos Representantes Legais da Recorrente Com relação à ciência do resultado do julgamento, cumpre esclarecer que essa é feita na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, onde não se inclui a notificação do representante legal do recorrente, razão pela qual indefiro o pedido. MÉRITO Impugnação dos Valores Lançados Diz a recorrente que o Auto de Infração “não condiz com a realidade fática da situação fiscal da empresa, pois lança créditos INDEVIDOS e, ainda que fossem devidos, apresenta divergências de valores em seus demonstrativos de débito, assim como deixa de observar com perfeição as bases de cálculos das exações previdenciárias lançadas”. Aduz ainda que: A empresa constatou resultado diverso daquele apresentado pelo Auditor Fiscal. Dessa forma, com o objetivo de verificar a realidade dos fatos apurados pelos respeitáveis auditores fiscais, requer a realização de todas as provas admitidas, em especial a revisão do Auto de Infração, em face dos valores lançados. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 9 15 A despeito das alegações apresentadas, não foram exibidos, em época própria, nenhum resquício de prova que pudesse atestar as argumentações da recorrente. Ademais, restará demonstrado adiante que o cálculo dos tributos foi corretamente efetuado. Em razão disso, nego provimento ao recurso neste ponto. Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias A matriz constitucional das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos trabalhadores em geral é a alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal que dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Com base na previsão constitucional, o art. 28 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo sobre a qual incide as contribuições previdenciárias de empregadores e empregados, definida na lei sob a denominação de “saláriodecontribuição”. Vejamos a abrangência legal do saláriodecontribuição em relação à remuneração de segurados empregados e trabalhadores avulsos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; É certo que a Lei de Custeio Previdenciário, sendo norma de caráter tributário, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao inserir o termo “salário” na definição da base de cálculo das contribuições, a norma previdenciária buscou preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abragência. 1 CTN, art. 110. Fl. 635DF CARF MF 16 O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros (saláriodecontribuição) abrange toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, além de outras prestações e in natura. Excluise da tributação somente aqueles benefícios abrangidos por alguma regra isentiva ou que tenham sido disponibilizados para a prestação de serviços, a exemplo de vestuário, equipamentos e outros acessórios destinados a esse fim. Dessarte, a definição sobre a incidência ou não das contribuições sociais em relação às rubricas objeto de lançamento deve levar em consideração sua natureza jurídica, a existência ou não de normas que lhes concedam isenção e o cumprimento dos requisitos necessários ao usufruto desse favor legal. Auxílio Alimentação O § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 relaciona, de forma exaustiva, as diversas verbas de natureza salarial que podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Em se tratando de salário utilidade pago sob a forma de alimentação, dispõe a alínea “c” do citado § 9º: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 10 17 Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; [...] Nos termos dos disposições legais encimadas, para que a parcela referente à alimentação in natura recebida pelo segurado empregado seja excluída do saláriode contribuição é necessário essa seja paga de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, instituído pelo Ministério do Trabalho e Emprego, de conformidade com a Lei nº 6.321/1976. A despeito do que dispõe a legislação trabalhista e previdenciária, o entendimento pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça – STJ é de que, em se tratando de pagamento in natura, o auxílioalimentação não sofre incidência de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no PAT, visto que ausente a natureza salarial da verba. Nesse sentido é a decisão consubstanciada no AgRg no REsp nº 1.119.787/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura , ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p. 171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido. Em virtude do entendimento pacificado no STJ, foi editado Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, com base em parecer aprovado pelo Ministro da Fazenda, o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, independentemente de inscrição no PAT. Conforme alínea “c” do inciso II do § 1º do art. 62 RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002 (como é o caso do Ato Declaratório nº 3/2011). Resta, portanto, avaliar se a situação retratada nos autos se amolda ou não ao previsto em referido Ato Declaratório. Verificase das folhas de pagamento da empresa (fls. 68/464) a existência de rubrica com a denominação “alimentação” no período abrangido lançamento. O recurso voluntário esclarece que o pagamentos dessa utilidade foi feito por meio de “impressos, cartões Fl. 637DF CARF MF 18 eletrônicos, magnéticos ou outros oriundos de tecnologia adequada”, ou seja, de ticket/cartão magnético. Contudo, o Ato Declaratório nº 3/2011, bem assim os julgados do STJ que fomentaram sua edição, dentre os quais encontrase o AgRg no REsp nº 1.119.787 (ementa reproduzida acima), fazem referência a auxílioalimentação in natura, o que, nos termos da jurisprudência daquela Corte, quer dizer: “alimentação fornecida pela empresa”, o que não abrange ticket/cartão magnético que é a forma com que a recorrente disponibiliza essa espécie de salário utilidade a seus obreiros. Referida forma de pagamento, do mesmo modo, não atrai a aplicação do art. 3º da Lei nº 6.321/1976. Desse modo, para se beneficiar da isenção prevista na alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 a empresa necessitaria cumprir rigorosamente os requisitos previstos nesse dispositivo, o que não se verifica na situação ora analisada. De se esclarecer que o fato de o benefício encontrarse previsto em convenções coletivas de trabalho firmada por sindicato do qual a recorrente se diz filiada não supre a necessidade de que seu pagamento ser feito de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Tampouco tem o sindicato competência para certificar a qualidade da alimentação fornecida com base no PAT como imagina a recorrente. O cumprimento dos requisitos do PAT pressupõe a regular inscrição da empresa no referido programa, em observância ao art. 2º da Portaria MTE nº 3/2002, in verbis: Art. 2º Para inscreverse no Programa e usufruir dos benefícios fiscais, a pessoa jurídica deverá requerer sua inscrição à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), através do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho (DSST), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em impresso próprio para esse fim a ser adquirido nos Correios ou por meio eletrônico utilizando o formulário constante da página do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet (www.mte.gov.br). § 1º A cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial de postagem ao DSST/SIT ou o comprovante da adesão via Internet deverá ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal do trabalho. § 2º A documentação relacionada aos gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes será mantida à disposição da fiscalização federal do trabalho, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação2 . § 3º A pessoa jurídica beneficiária ou a prestadora de serviços de alimentação coletiva registradas no Programa de Alimentação do Trabalhador devem atualizar os dados constantes de seu registro sempre que houver alteração de informações cadastrais, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar informações a este Ministério por meio da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). Asseverese que, ao revés do que apregoa o sujeito passivo, a inscrição no PAT não é mera formalidade. Tratase de medida necessária que impõe à pessoa jurídica o cumprimento dos requisitos do programa e possibilita a fiscalização de sua regular execução. Digase de passagem que não é competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 11 19 verificar o cumprimento do Programa de Alimentação do Trabalhador e sim do Ministério do Trabalho e Emprego e para isso, repisese, a empresa precisa estar regularmente inscrita nesse programa. Ao órgão de fiscalizador cabe somente o lançamento das contribuições devidas em relação a pessoa jurídica que, não fazendo parte PAT, tenta se valer indevidamente da isenção de contribuições sociais. Sobre a afirmação de que a falta de inscrição no PAT somente poderia ocasionar a vedação para que autuada pudesse se valer da dedução dos gastos com o auxílio alimentação no seu imposto de renda, na forma do art. 8º do Decreto nº 5/1991, de se dizer que a isenção aqui referida está regulada em norma específica e de obrigatória observância, e essa norma é Lei nº 8.212/1991. O descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção têm como consequência lógica a incidência da exação tributária, corretamente formalizada por meio do presente auto de infração. Cabe aqui esclarecer que, não obstante o que consta do apelo recursal, o art. 111 do CTN estabelece que as normas afetas a outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Vale ressaltar que os pareceres e a jurisprudência suscitada pela recorrente, além não vincularem os julgadores administrativos, abordam circunstâncias diversas da retratada nos autos, não acudindo a recorrente. Quanto à realização de perícia técnica para apurar a real base cálculo do tributo (que teria sido apurado por amostragem), cabe aqui somente reproduzir trecho do acórdão recorrido a esse respeito, o qual é esclarecedor: 17.1. O Relatório Fiscal é bastante claro ao informar que, “Para o cálculo do valor do salário de contribuição referente à alimentação foram utilizados os valores pagos mensalmente a titulo de alimentação obtidos nas folhas de pagamento da empresa, nas competências 01 a 12/2007, referente ao escritório centralmatriz, tendo sido abatido o valor descontado dos segurados” (subitem 3.3, fl. 53). Portanto, não se trata de “amostragem”. Ademais a informação contidas da decisão de piso pode facilmente ser conferida a partir das folhas de pagamento (65/461) e do relatório denominado “DD – Discriminativo do Débito” (fls. 6/8). Há ainda no recurso voluntário afirmação que dá conta de hipotética discrepância no que a fiscalização considerou como saláriocontribuição. Vejamos: A razão desta discrepância é que a fiscalização considerou como salário de contribuição o percentual de 20% sobre a folha de pagamentos da empresa, quando o correto seria considerar tal percentagem, mas incidindo sobre os valores pagos a título de alimentação com os trabalhadores, o que importa em base de cálculo diversa e menor do que a utilizada na forma do art. 28 da Lei 8212/91, que afirma a incidência sobre 20% da totalidade dos pagamentos feitos a título de alimentação, na espécie! Essas afirmações feitas no apelo recursal não têm nenhum sentido. O salário decontribuição (base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros) em relação aos segurados empregados não é representado por 20% sobre a folha de salários, mas pela Fl. 639DF CARF MF 20 totalidade remuneração paga a esses trabalhadores, conforme inciso I do art. 28 da Lei de Custeio Previdenciário, conforme se demonstrou acima. Em virtude das questões aqui evidenciadas, nego provimento ao recurso quanto a esta matéria. Ajuda de Custo Inicialmente, é preciso ressalvar que a rubrica aqui analisada não guarda identidade com valores relacionados licença prêmio, auxílio transporte, auxíliocreche, auxílio babá, auxílio préescola, prêmio por produtividade, gratificação semestral ou de balanço, diárias para viagem ou participação nos lucros e resultados. Desse modo, a cantilena contida no apelo recursal a esse respeito não será objeto de análise, pois não têm nenhuma relação com a matéria em litígio e seu conteúdo não socorre o sujeito passivo em seu intento de ver afastada a atuação. As quantias em relação às quais foi efetuado o lançamento, esclarece a recorrente, foram pagas a um de seus empregados com habitualidade para auxiliar nas despesas de aluguel e, segundo entende, teriam natureza indenizatória. Como forma de dar sustentação a seus argumentos, a apelante recorre ao § 2º do art. 457 da CLT para afirmar que as ajudas de custos não se incluem no salário, devido à sua natureza indenizatória. Ocorre que referido dispositivo, na redação vigente quando da ocorrência do fato gerador, estabelece o seguinte: Art. 457. [...] [...] § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. [...] Não se discorda que valores pagos pelas empresas a seus empregados, a título de ajuda de custo, como forma de ressarcir despesas comprovadamente havidas com o desempenho da atividade laboral ostentam natureza indenizatória e, dessa forma, não integram o salário ou a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros. Ocorre que não se inclui na definição de ajuda de custo valores decorrentes da relação de trabalho destinados ao pagamento de despesas com aluguel, como na situação que aqui se apresenta. O conceito de salário e de saláriodecontribuição, reproduzidos alhures, abrange, dentre outros, os valores pagos pela empresa para o dispêndio com moradia pelos empregados. Não é concebível que se suponha que ao rotular parcelas dessa natureza de “ajuda de custo” sobre elas deixarão de incidir contribuições previdenciárias ou de terceiros. De outro eito, têmse na norma previdenciária (Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea “g”) a possibilidade de se excluir da base de cálculo das contribuições em referência a ajuda de custo previstas no art. 470 da CLT, desde que recebida em parcela única. Confirase: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 12 21 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; [...] No caso concreto, é fácil constatar que as quantias pagas ao empregado Wanderley dos Santos, sob a denominação de “ajuda de custo” não têm natureza indenizatória e não está enquadrada na alínea “g” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, restando claro seu caráter remuneratório, sendo absolutamente desnecessária a realização de perícia para se chegar a essa constatação. Também nesse ponto, a jurisprudência suscitada não guarda identidade com o caso concreto, não acudindo a recorrente. Nego provimento ao recurso. Âmbito Constitucional das Decisões Administrativas O sujeito passivo dedica boa parte de seu apelo para defender que o julgador administrativo está obrigado a apreciar questões afetas as aspectos constitucionais das normas relacionadas ao processo administrativo fiscal. No seu entender: 76. Os decisórios de ambas instâncias administrativas (singulares e órgãos colegiados) têm que pautar suas decisões pela trilha da independência, com plena autonomia para decidir, partindo sempre dos princípios e diretrizes constitucionais, uma vez que a lei e a norma regulamentar devem retirar seus fundamentos de validade da Constituição. O julgamento decorre da interpretação das normas dentro de um sistemático contexto constitucional, não sendo admissível sustar o apego (exclusivo ou preponderante) às regras de inferior hierarquia (regulamentos, portarias, instruções, pareceres normativos, etc). 77. Aqui, temse o sintoma de que o presente processo administrativo pode vir a ser concluído, sem que tenham sido examinadas matérias constitucionais, situação em que os julgadores restringiriam sua atuação à aplicação de exclusivas normas de inferior escalão jurídico. O que não se pode admitir. Não obstante esses e outros argumentos trazidos no apelo recursal, a teor art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos elencados no próprio Decreto, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 641DF CARF MF 22 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. No mesmo sentido é o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 13 23 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em vista das normas processuais reproduzidas acima, vêse que não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de atos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Sem razão a recorrente. Multa Aplicada A respeito das multas aplicadas, com o advento da Medida Provisória Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições previdenciárias. Nesse passo, não obstante o auto de infração ter sido lavrado em face da legislação vigente à época do lançamento, verificase possível a retroação da novel legislação, em benefício do sujeito passivo, em razão do disposto no art. 106 do CTN. In verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Grifos nossos) Na sistemática anterior, constatada a falta de recolhimento do tributo acompanhada da infração de omitir fatos geradores em GFIP, aplicavase a multa por inadimplemento da obrigação principal (inciso do II do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 – redação antiga), cumulada com a penalidade decorrente do descumprimento da obrigação acessória (§§ 4º e 5ºdo art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 – dispositivos revogados). Fl. 643DF CARF MF 24 A multa aplicada sobre as contribuições lançadas (descumprimento da obrigação principal) variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. |O descumprimento da obrigação acessória era punido com multa correspondente a 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Com a edição da Medida Provisória 449/2008, inseriuse o art. 32A na Lei nº 8.212/1991, com a seguinte redação: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Além disso, foi também alterado o art. 35 e incluído na Lei de Custeio Previdenciário o art. 35A. Referidos artigos dispõem: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 14 25 nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19962. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19963. Do exame dos dispositivos acima descritos é possível concluir que: a) o art. 32A aplicase a situações em que se verifica, mediante procedimento de ofício, isoladamente, a não entrega de GFIP ou sua entrega com incorreções ou omissões; b) o art. 35 referese a multa de mora decorrente do pagamento em atraso, mas espontâneo, de contribuições previdenciárias (0,33% ao dia limitada a 20%); e c) o art. 35A trata da multa aplicada em procedimento de ofício no patamar ordinário de 75%, por descumprimento da obrigação principal e/ou acessória. Ressaltese que, no caso de procedimento de ofício, inaplicável é a nova redação do art. 35, visto que voltada ao recolhimento espontâneo do tributo. Pois bem, para sabermos qual à multa aplicável ao caso concreto, atendendo à retroatividade benigna estabelecida na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, será necessário analisar as peculiaridades envolvidas na ação fiscal que deu origem ao lançamento, posto ser necessário que as penalidades sopesadas apresentem natureza material semelhante, tendo em vista que as normas cotejadas devem estar voltadas para condutas de mesma espécie. Para tanto, necessário verificar se o procedimento fiscal redundou exclusivamente na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória (não entrega ou entrega de GFIP ou sua entrega sem informação relativa a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias) ou se, além disso, o sujeito passivo deixou de recolher os tributos não informados na guia. Assim, caso se esteja diante de infração exclusivamente pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas nos revogados §§ 4º ou 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991, a penalidade mais benéfica deve ser aferida a partir da comparação entre tais dispositivos e aquelas referidas no art. 32A da mesma lei, inserido pela Medida Provisória 449/2008. No procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura do presente Auto de Infração, foram apurados valores que a empresa autuada não considerou como base de cálculo de contribuições previdenciárias e, portanto, não computou no cálculo da contribuição 2 Art.61 .Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. [...] 3 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Fl. 645DF CARF MF 26 previdenciária devida (obrigação principal), deixando, também, de declarar tais valores em GFIP, o que deu causa a autuação pelo descumprimento dessa obrigação acessória. Ressaltese que, a partir da inclusão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, pela MP nº 449/2008, ocorrendo também o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente de erro ou omissão em GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído, ou seja, incabível, com fulcro na norma atual, a aplicação simultânea de multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. Nesse caso, a multa mais benéfica deve ser calculada a partir da comparação entre soma da multa aplicada nos lançamento pelo descumprimento da obrigação principal, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época do lançamento) e da referente à obrigação acessória de que trata o § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991 (redação vigente à época da ocorrência do fato gerador) com a multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Foi exatamente essa a sistemática adotada pela autoridade autuante, conforme os excertos do Relatório Fiscal transcritos a seguir: 20. Para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008(convertida na Lei 11.941/09), a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente. 21. Como disciplina o art. 35A da 11.941/09, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata." 22. Em atendimento ao disposto no art. 106, II, c, do CTN, a penalidade aplicada para a lavratura deste Auto de Infração foi à introduzida pela nova sistemática de cálculo, trazida pela Lei 11.941/09, vez que ficou demonstrada que esta é a mais benéfica que a anterior Convém ressaltar que o entendimento trazido neste voto e adotado por ocasião do lançamento está em consonância com o que dispõe o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009 e a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009, que tratam tanto de lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Sobre o propalado caráter confiscatório da multa aplicada, demonstrouse acima que a autoridade autuante pautouse nas disposições legais relativas à matéria para a determinação da multa aplicada. Do mesmo modo, já se esclareceu que o CARF não tem competência para afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10580.724721/201069 Acórdão n.º 2402006.084 S2C4T2 Fl. 15 27 De mais a mais, a vedação ao confisco referida no texto constitucional é regra dirigida ao legislador, e que deve ser observada por ocasião da elaboração das leis. À autoridade administrativa, em vista do disposto no art. 3º do CTN, cabe aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Assim, considerandose a multa aplicada levou em consideração as norma legais de regência, as quais encontramse em pleno vigor, carece de razão as asserções recursais quanto ao malferimento do princípio de vedação ao confisco. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso para, indeferir os pedidos de realização de perícia, produção de novas provas e de ciência do resultado do julgamento no endereço dos representantes legais da recorrente, afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.902473/2015-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Assinado digitalmente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Assinado digitalmente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase do pedido de ressarcimento nº 11606.81001.060712.1.5.103894 (fls. 84/130), no montante de R$ 5.307.855,48, referente a créditos de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno relativos aos períodos de apuração abril/2010 e junho/2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 02 47 3/ 20 15 -0 1 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3201001.291 S3C2T1 Fl. 3 2 O auditor fiscal Delegado da Receita Federal em Blumenau, por meio do despacho decisório de fl. 131, indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas a ele vinculadas, quais sejam: nº 38119.61594.230713.1.7.102116, nº 10615.46814.310513.1.3.106402 e nº 13884.01329.150513.1.3.100192. O fundamento do despacho decisório, tratando dos pedidos de ressarcimento referentes à Cofins e ao PIS/Pasep, encontrase na Informação Fiscal de fls. 133/139, nos seguintes termos: 1. O contribuinte em epígrafe transmitiu os PERDCOMP acima identificados, os quais encontramse anexados à presente informação fiscal. 2. Os créditos discriminados nos PERDCOMP (fls. 3 de ambos os pedidos) são do tipo "Mercado Interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004)" (...) (...) 3. O contribuinte foi fiscalizado, com base no Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.04.002014 00228, em relação àquelas contribuições (PIS/Pasep e Cofins), com abrangência dos períodos de apuração outubro/2009 a junho/2010. 4. Durante a ação fiscal foram verificados os créditos das contribuições, sendo que para todos os meses fiscalizados houve a aplicação de glosas fiscais nos créditos, além da majoração da base de cálculo das contribuições. Em decorrência disso, a fiscalização remontou de ofício a apuração e utilização dos créditos, como consta dos relatórios fiscais integrantes dos autos de infração de números 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550 (anexos à presente), os quais demonstram todas as glosas aplicadas nos créditos e as parcelas incluídas nas bases de cálculo, além de detalhar origens e utilizações dos créditos. 5. Por simplificação, colamos a seguir as planilhas (contidas nos citados relatórios fiscais) que demonstram o recálculo (feito pela fiscalização) da apuração e da utilização dos créditos para os meses de abril e junho/2010, tanto do PIS/Pasep quanto da Cofins, os quais foram objeto dos PERDCOMP em análise: (...) 6. Verificase que não restaram, para nenhum dos dois meses e para nenhuma das duas contribuições, créditos vinculados às vendas não tributadas no mercado interno (MINT), que foram objeto dos pedidos. 7. A existência de saldos de créditos passíveis de ressarcimento, porém de outra natureza (créditos presumidos ou créditos vinculados às receitas de exportação) não pode ser levada em consideração, uma vez que os pedidos versaram sobre créditos mercado interno não tributado. 8. Assim, esta fiscalização entende que devem ser indeferidos os PERDCOMP sob análise (novamente identificados abaixo), com o consequente lançamento da multa prevista no art. 36 da Instrução Normativa nº 1.300/2012, além de eventuais nãohomologações de compensações que tenham utilizado o crédito informado nesses mesmos PERDCOMP: Cientificada do despacho decisório em 14/08/2015 (fl. 217), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/09/2015 (fls. 2/21), na qual alega que: apresentou o PER/Dcomp nº 11606.81001.060712.1.5.103894 para ressarcimento de Cofins referente a "Crédito Presumido – Mercado Interno" do 2º trimestre de 2010, não utilizado no desconto de débitos da respectiva contribuição no terceiro trimestre de 2010; não houve na fase de fiscalização oportunidade de manifestação pela contribuinte. Conforme previsto no § 1º, inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, é possível concluir que a nulidade do ato prejudica os posteriores que dele diretamente dependam. Com tal atitude por parte do auditor fiscal, houve cerceamento de defesa, por não terem sido respeitados os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3201001.291 S3C2T1 Fl. 4 3 em decorrência do indeferimento do crédito e consequente não homologação das compensações, constou do quadro referente aos valores envolvidos a aplicação de multa, todavia, sem a devida indicação do dispositivo legal que a prevê. Assim, o auditor fiscal não observou o princípio da legalidade. Por isso, a multa aplicada deve ser declarada nula; não protocolou seu pedido de ressarcimento e as declarações de compensação nos Correios ou no INSS ou no Posto Fiscal da Fazenda Estadual, mas na Delegacia da Receita Federal à qual está jurisdicionada. Inadmissível a alegação e justificativa, inadequadamente fundamentada, de que o saldo de crédito identificado, reconhecido e fiscalizado não poder ser aqui considerado por conta da divergência do 'tipo' de crédito; pelos quadros constantes na Informação Fiscal, está evidenciado que a fiscalização cobriu todos os tipos de crédito com origem no mercado interno, inclusive os referentes ao 'crédito presumido' pleiteado; na época da transmissão do pedido de ressarcimento pelo programa PER/Dcomp, o único campo disponível para inserir esse tipo de crédito, na ótica da manifestante, para inclusão do "Crédito Presumido – Mercado Interno", era o denominado "Mercado Interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004)", pois em vigor a Instrução Normativa nº 900, de 2008, e não a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, que veio detalhar e especificar melhor essa matéria; o crédito efetivamente existe, foi fiscalizado, e o auditor fiscal é sabedor disso, tanto que reconheceu seu montante nas planilhas coladas e fez a seguinte afirmação no item 7 da Informação Fiscal: A existência de saldos de créditos passíveis de ressarcimento, porém de outra natureza (créditos presumidos ou créditos vinculados às receitas de exportação) não pode ser levada em consideração, uma vez que os pedidos versaram sobre créditos mercado interno não tributado. Ou seja, consta no Dacon a "Origem do Crédito: Aquisição no Mercado Interno" e o tipo de crédito "Presumido – Atividades Agroindustriais", tanto que a fiscalização tratou do 'mercado interno' e analisou igualmente os 'créditos presumidos', basta ver as planilhas copiadas no item 5; embora não esteja claro na conclusão do auditor fiscal – o que motivou a preliminar de cerceamento de defesa –, é possível presumir que seu entendimento seja o de que houve erro na qualificação do 'tipo' do crédito no preenchimento da PER/Dcomp, não obstante toda a evidência documental da existência de créditos. Tal entendimento não merece prosperar, pois eventual possibilidade de erro deve ser considerada como inexatidão material, totalmente sanável. Primeiro, porque o crédito existe, está devidamente registrado e, o que é mais importante, foi reconhecido e fiscalizado pelo auditor fiscal. Segundo, porque há que se prestigiar a verdade material, a despeito de um excesso de formalismo. Terceiro, porque há que se respeitar o direito da contribuinte quando ao ressarcimento previsto nos arts. 56A e 56B da Lei nº 12.350, de 2010, e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; atualmente o sistema PER/Dcomp permite melhor detalhamento e especificidade do crédito, de modo que o 'Crédito Presumido' tem uma linha própria diferente do 'Crédito Mercado Interno', o que não era o caso à época do pedido. Apesar disso, o auditor fiscal identificou o crédito pleiteado, referenciou sua fiscalização, seu montante, suas glosas e a Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3201001.291 S3C2T1 Fl. 5 4 relação com outros processos, não sendo adequada e correta sua conclusão de desconsiderálo pelo fato do 'tipo de crédito' ser diferente do destacado no pedido, ainda que mesma 'origem'. Ao final, a manifestante tece arrazoado sobre o princípio da verdade material no processo administrativo, citando doutrina e jurisprudência administrativa, referindose ainda ao art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, que trata da constituição do crédito tributário pela atividade administrativa, vinculada e obrigatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento à impugnação. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/06/2010 a 30/06/2010 NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO PRÉVIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A inexistência de manifestação da contribuinte antes da edição do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação por ela efetuada não constitui cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Constatado que não existem os créditos objeto do pedido de ressarcimento, correto seu indeferimento e a não homologação das compensações a ele vinculadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento cumulado com pedidos de compensação de PIS e COFINS. Dentre as motivações listadas pela Fiscalização para não homologação das compensações, foi a recomposição de ofício da apuração e da utilização de créditos que foram detalhados nos relatórios fiscais dos autos de infração controlados nos Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3201001.291 S3C2T1 Fl. 6 5 Processos Administrativos 13971.723730/201451 e 13971.720616/201550. O procedimento fiscal consta de informação fiscal conforme consta do relatório detalhado alhures. Consultando os sistemas informatizados do CARF é possível identificar que o Processo Administrativo 13971.724090/201587 está sob relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro na Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. Ao apreciar o referido processo, a Segunda Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse distribuído ao Relator o Processo Administrativo 13971.720616/201550 em razão da conexão processual, estando o processo sobrestado até que sejam adotadas as providências determinadas, conforme observado na conclusão da resolução. 9. Diante do quadro aqui delineado resolvo que a presente decisão seja submetida à apreciação do d. Presidente da 3ª. Seção de julgamento deste Tribunal Administrativo para que, homologando o que fora aqui decidido, determine a distribuição por dependência do processo administrativo n. 13971.720616/201550 para a minha pessoa. Até que referida providência seja tomada, determino o sobrestamento do feito em epígrafe, bem como do processo já afetado por conexão (10314.723792/201418) No caso em tela a necessidade do julgamento do presente processo em conjunto com o Processo 13971.724090/201587 foi ressaltado no Acórdão da primeira instância, conforme o trecho do voto vencido, transcrito abaixo. III desconsideração de saldos credores de períodos anteriores. Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente no Relatório Fiscal (fls. 199/236), itens 69 a 71, na apuração das contribuições devidas e exigidas nos lançamentos em discussão, a Fiscalização não levou em conta os saldos credores apurados pelo interessado para períodos anteriores (04, 06 e 07 a 12/2010), por terem sido objeto de Per/Dcomps, listados às fls. 217, e pelo fato de a certeza e liquidez dos créditos descontados terem sido objeto do processo administrativo nº 13971.724090/201587. Os créditos pleiteados no referido processo (13971.724090/201587) não foram reconhecidos pela Fiscalização que glosou os valores descontados (aproveitados) pelo interessado e exigiu por meio de lançamentos de ofício. A impugnação apresentada contra os lançamentos, objetos daquele processo, foi analisada e julgada improcedente por esta DRJ, nos termos do acórdão nº 14 61.647, datado de 28 de junho de 2016. Assim, demonstrado e provado que a certeza e liquidez dos saldos credores apurados para os períodos anteriores foram objeto de processo próprio, inclusive, com decisão desfavorável ao interessado, correta a desconsideração destes saldos, ou seja, a redução a zero dos valores, na apuração das contribuições ora exigida. (grifo nosso) Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13971.902473/201501 Resolução nº 3201001.291 S3C2T1 Fl. 7 6 Consultando os autos é possível identificar a conexão do presente processo ao processo 13971.720616/201550. A teor do relatado também é possível em consulta ao sistema eprocesso confirmar a determinação para que o processo seja distribuído para relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Também conforme consta do relatório fiscal, o procedimento fiscal envolve diversos processos da Recorrente que possuem conexão processual, visto que, a decisão adotada nos Processos Administrativos 13971.724090/201587 e 13971.720616/201550 tem influência para o julgamento do presente processo. Considerando que o Processo Administrativo 13971.724090/201587 está sob relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro e o Processo Administrativo 13971.720616/201550 também será distribuído ao i. Relator, Entendo, que o presente processo deverá ser redistribuído ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, nos termos do art. 6º, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Winderley Morais Pereira Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000245/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
Luciano Lopes de Almeida Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente recurso por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministro da Fazenda nº 256 de 2009, bem como da Portaria Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nº 01 de 2012. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño, Fábia Regina Freitas. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Tratase de impugnação a exigências fiscais relativas, nesta ordem, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 28/35, perfazendo R$ 264.160,00, e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, formalizada no auto de infração de fls. 129/136, totalizando R$ 57.214,68; referentes a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2002. O montante constituído por intermédio de cada Auto de Infração é composto pelo valor principal acrescido de multa de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 00 24 5/ 20 07 -9 7 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10882.000245/200797 Resolução nº 3201001.109 S3C2T1 Fl. 217 2 ofício e juros de mora. O Auto de Infração referente ao PIS deu origem ao processo administrativo nº 10882.000246/200731, o qual, posteriormente à impugnação, foi juntado por anexação ao presente processo com a transferência dos créditos tributários cadastrados, fl.208. Conforme explicita a fiscalização em cada auto de infração, a autuação tem por fundamento o fato de os valores de contribuição apurados na DIPJ não terem sido recolhidos ou declarados na DCTF. A contribuinte foi notificada pessoalmente, fls. 28 e 129, de cada autuação em 28/02/2007, tendo apresentado, em 30/03/2007, as impugnações ao auto de infração relativo à COFINS, fls. 40/71, e ao PIS, fls. 141/172, fundamentalmente, de idêntico teor. São, em síntese, oferecidos os seguintes argumentos em cada peça de defesa: É indevida a inclusão do ISS e do ICMS na base de cálculo da contribuição. “O PIS e a Cofins possuem como regulamentação principal a Lei Complementar 70/91 e as Lei Ordinárias 9.718/98, 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Contudo, parte da mencionada legislação é inconstitucional, uma vez que em inúmeras situações faz incidir a contribuição social sobre valores indevidos, em especial sobre o ICMS/ISS, o que gera efetivamente uma bitributação, cobrandose “tributo sobre tributo”” (os grifos são do original); A autuada “possui créditos pela exclusão do ICMS/ISS na base de cálculo do PIS/COFINS os quais deverão ser motivo de levantamento para apurarse o valor do ressarcimento. (...) nomeia como perito o Sr. Roberto Celso Fondello que por parte desta empresa efetuará o levantamento desses créditos, cujo valor deverá ser reduzidio do AIIM”; A Cobrança da taxa de juros SELIC é ilegal e inconstitucional. Ademais, a capitalização dos juros constitui anatocismo, prática vedada pelo artigo 4º do Decreto nº 22.626, de 07 de abril de 1933 (Lei de Usura); Incabível a aplicação da multa de ofício, primeiro, porque houve a confissão espontânea dos débitos; segundo, pois, seu percentual caracteriza confisco, vedado constitucionalmente. Pedese a redução do percentual da multa para dez por cento; “A falta de recolhimento dos impostos é decorrente do não recebimento por parte da autuada de valores pendentes junto a COMPANHIA PAULISTA DE TRENS METROPOLITANOS – CPTM.” (os grifos são do original). Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/CPS n.º 26.696, de 04/09/2009, assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10882.000245/200797 Resolução nº 3201001.109 S3C2T1 Fl. 218 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. COFINS. Base de Cálculo. ICMS/ISS. Inclusão. A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias/serviços, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS/ISS está incluso no preço da mercadoria/serviço, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS/ISS, esse valor deve compor a base de cálculo da contribuição. Pedido de Perícia. Prescindibilidade. Indeferimento. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Juros Moratórios. Taxa SELIC. Aplicabilidade. A aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso decorre de lei, não podendo ser afastada em julgamento administrativo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. PIS. Base de Cálculo. ICMS/ISS. Inclusão. A base de cálculo do PIS é a receita bruta de venda de mercadorias/serviços, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS/ISS está incluso no preço da mercadoria/serviço, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS/ISS, esse valor deve compor a base de cálculo da contribuição. Pedido de Perícia. Prescindibilidade. Indeferimento. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Juros Moratórios. Taxa SELIC. Aplicabilidade. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10882.000245/200797 Resolução nº 3201001.109 S3C2T1 Fl. 219 4 A aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso decorre de lei, não podendo ser afastada em julgamento administrativo. Impugnação Improcedente. Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. È o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como vemos do processo, o contribuinte busca, dentre outros, o direito ao ressarcimento de PIS em face da tributação do ICMS na sua base de cálculo. No entanto, tratase de matéria cuja repercussão geral foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706 que assim dispõe: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Considerando que o Supremo Tribunal Federal determinou expressamente o sobrestamento de todos os recursos sobre o tema, aplico o art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores, bem como o art. 2º, § 2º, I, da Portaria CARF nº 001 de 2012, para sobrestar o presente recurso voluntário até que esteja transitado em julgado o acórdão a ser proferido no recurso extraordinário acima mencionado. É como voto. Sala de sessões, 23 de outubro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes – Relator Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903054/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, referente ao período de apuração de abril de 2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 05 4/ 20 13 -4 9 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10120.903054/201349 Resolução nº 1201000.348 S1C2T1 Fl. 3 2 Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de IRPJ referente ao mês de abril de 2007; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do IRPJ apurado no mês de abril de 2007. É o relatório. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10120.903054/201349 Resolução nº 1201000.348 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do período de apuração de abril de 2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10120.903054/201349 Resolução nº 1201000.348 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000002/2009-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
RECURSO ESPECIAL. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO.
A situação fática do acórdão paradigma não encontra similitude com o acórdão recorrido e, por conseqüência, não se vislumbra interpretação divergente da lei tributária, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto.
Numero da decisão: 9202-006.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO. A situação fática do acórdão paradigma não encontra similitude com o acórdão recorrido e, por conseqüência, não se vislumbra interpretação divergente da lei tributária, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEDRA AGROINDUSTRIAL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 RECURSO ESPECIAL. PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO. A situação fática do acórdão paradigma não encontra similitude com o acórdão recorrido e, por conseqüência, não se vislumbra interpretação divergente da lei tributária, razão pela qual não deve ser conhecido o recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 02 /2 00 9- 23 Fl. 478DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2401003.153 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 14 de agosto de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 ENTREGA DE PRODUTO RURAL À COOPERATIVA. ATO COOPERATIVO NÃO ENVOLVE COMERCIALIZAÇÃO. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as Cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Somente haverá comercialização por ocasião do faturamento das vendas no mercado pela cooperativa. PRODUTO RURAL. EXPORTAÇÃO POR MEIO DE COOPERATIVA. IMUNIDADE EM RELAÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Se a empresa entrega sua produção rural à cooperativa que providencia a exportação incide a norma imunizante do inciso I, §2º do art. 149 da CF. Recurso Voluntário Provido. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 41 a 44, o crédito tributário fora constituído pelas seguintes razões: O contribuinte exporta açúcar e álcool via cooperativa (COPERSUCARCooperativa de Produtos de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que a partir daí fica investida da posse de produtos. A copersucar exporta os produtos diretamente ou ainda via “trading” e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer NormativoPN/ CST nº 66/86). Em virtude do exposto acima, estão sendo lançadas no presente AI as contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no MERCADO EXTERNO, efetuadas por intermédio da COPERSUCAR, que não foram recolhidos nos prazos legais. Assim, considerando que as contribuições sociais não incidiriam apenas nos casos em que a produção é comercializada diretamente com o exterior, a Fiscalização concluiu que os valores percebidos com as vendas realizadas para o mercado externo via COPERSUCAR deveriam ser incluídos na base de cálculo das contribuições, razão pela qual lavrou a referida Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 9202006.671 CSRFT2 Fl. 3 3 Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação requerendo, em síntese: a nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito; a inexigibilidade da multa cobrada; que as exportações realizadas por intermédio da cooperativa devem ser tidas como realizadas pela Própria Recorrente, diretamente com adquirente domiciliado no exterior, sendo a exigência contida na autuação inconstitucional, tendo em vista a imunidade tributária a ela relativa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Contudo, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento integral ao recurso. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 386 a 400, com o fito de rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149 da Constituição Federal sobre à receita bruta decorrente das exportações, quando realizadas por intermédio de cooperativa, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão vergastado adotou entendimento distinto do posicionamento adotado no Acórdão n.º 230201.039. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 402 a 405, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) relativamente à matriz constitucional do art. 149, §2º. I, da CF, é indiscutível que as receitas diretamente decorrentes de vendas para o mercado externo estão excluídas da esfera de tributação das contribuições sociais. Contudo, no caso em tela, a decisão recorrida vai além daquilo que foi expressamente previsto pelo poder constituinte derivado, uma vez que estende o alcance da norma imunizante às etapas que antecedem a venda direta ao comprador externo, ou seja, às operações intermediárias; b) tratase de mera VENDA INDIRETA, uma vez que entre a agroindústria e o comprador da produção no estrangeiro, se interpõe uma terceira pessoa jurídica, in casu, a COPERSUCAR. c) recordese que, para efeito da legislação previdenciária, segundo a redação do art. 15 parágrafo único da Lei n.º 8.212/91, as cooperativas são equiparadas às empresas. Não há base legal para dispensar tratamento mais favorecido a essas entidades associativas. d) entendese que deve incidir contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural da agroindústria, ainda que se refere à venda indireta para o exterior, em razão do comando do art. 22A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 10.256/01, pois tais receitas não são alcançadas pela norma constitucional de imunidade, contida no art. 149, §2º, I, da CF; Fl. 480DF CARF MF 4 e) o fato gerador da contribuição está claramente configurado, pois quando a agroindústria entrega a sua produção para a cooperativa, está efetuando nada mais nada menos do que uma operação de consignação mercantil, que corresponde ao mecanismo pelo qual o consignante (agroindústria) fornece a mercadoria para consignatário (cooperativa), para que este a negocie com um terceiro; f) seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, e, conseqüentemente, seja restabelecida a decisão de primeira instância. Foram, em seguida, apresentadas contrarrazões pela Recorrida, na qual sustentou: a) a ausência de divergência jurisprudencial, por inexistência de similitude fática entre o Acórdão recorrido e o paradigma; b) a inexistência de operação de mercado interno nas exportações da produção agrícola via Cooperativa (COPERSUCAR) da recorrida; c) os excessos da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005; d) o improvimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 9202006.671 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Em sede de contrarrazões, argumenta a Recorrida sobre a ausência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda. Assevera a Contribuinte que o Acórdão recorrido aborda a incidência das contribuições previdenciárias devidas pela agroindústria Lei n.º 8.212/91, artigo 22A, ao passo que o Acórdão paradigma trata exclusivamente da retenção legal, pela cooperativa, das contribuições previdenciárias devidas pelo empregador rural pessoa física/segurado especial Lei n.º 8.212/91, artigo 25 c/c artigo 30, inciso IV. Assim, entendi pelo acolhimento da questão suscitada, tendo em vista as ponderações da Recorrida, bem como todos os esclarecimentos trazidos aos autos pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, após pedido de vistas, conforme passo a expor. O Recurso não deve ser conhecido tendo em vista que não preenche os requisitos previstos no art. 67 do RICARF, tendo em vista que a situação tratada no recorrido não se assemelha a do paradigma. Vejamos as diferenças dos dois lançamentos que acabam por impossibilitar a demonostração de divergência: PARADIGMA FATOS GERADORES 3 — Constituiu o fato gerador destas contribuições a comercialização da produção rural realizada pelo produtor rural pessoa física ou pelo segurado especial com a empresa notificada, na condição de adquirente, consumidora, consignatária ou cooperativa. 4 — As contribuições a que se refere esta NFLD decorrem de operações de exportação de produtos rurais realizadas pela notificada, produtos estes que adquiriu de seus cooperados. A operação de exportação deuse sempre entre a pessoa jurídica COTRISA e o comprador no exterior. Portanto, o produtor rural pessoa física sempre vendia a produção para a cooperativa, onde a Nota Fiscal de Produtor era emitida contra a cooperativa, e esta emitia a respectiva contranota. 4.1 — As contribuições constantes nesta NFLD não foram recolhidas e nem foram depositadas em Juízo. 5 —Foi verificado que a empresa deixou de efetuar os descontos a título de contribuição previdenciária e passou a efetuar desconto a título de incentivo a exportação na taxa de 2%. Estes Fl. 482DF CARF MF 6 valores foram lançados na conta 020401030104 — Reserva de Incentivo à • Exportação. 6 — Importante destacar o que dispõe a Instrução Normativa (IN) SRP n. 03, de 14/07/2005, art. 245, §§ 1° e 2°, sobre a exportação de produtos rurais: "Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do §2 0 do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional n o 33, de 11 de dezembro de 2001. §1° Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2° A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto."(g rifo nosso). 7 — Assim sendo, no caso em tela, não são os produtores rurais que exportam sua produção, mas a empresa notificada, em seu próprio nome. Esta operação, portanto, não goza da imunidade prevista na Carta Magna. A operação de exportação, inclusive, não é concomitante com a aquisição dos produtos rurais. A Cooperativa faz a exportação e só depois adquire o produto dos agricultores ou em outros casos a operação é ao contrário. Desta forma, as operações de compra e exportação não se confundem, pois ocorrem entre pessoas distintas e normalmente em momentos distintos, sendo que a aquisição do produto é feita pela Cooperativa e portanto constitui receita proveniente do comércio interno, não abrangida pela imunidade. Conforme destacado acima, no caso apreciado no paradigma, existia venda dos cooperados para a cooperativa e esta é que comercializava para o exterior, ou seja, o produtor rural pessoa física sempre vendia a produção para a cooperativa, onde a Nota Fiscal de Produtor era emitida contra a cooperativa, e esta emitia a respectiva contranota. Já no caso do recorrido, desde o lançamento se demonstrou a inexistência de aquisição por parte do recorrente, senão vejamos trecho do recorrido: Este dispositivo legal explicita tal imunidade em seu parágrafo primeiro, ao dispor que só é aplicável quando a produção é comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. No parágrafo segundo reforça que a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no pais é considerada receita proveniente do comércio interno e não da exportação, independente da destinagdo que se dará ao produto. No caso concreto, o contribuinte exporta álcool e açúcar via cooperativa (COPERSUCAR — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR Fl. 483DF CARF MF Processo nº 15956.000002/200923 Acórdão n.º 9202006.671 CSRFT2 Fl. 5 7 que à partir dai fica investida da posse dos produtos. A Copersucar e porta os produtos diretamente ou ainda via "trading" e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina cooperada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação (Parecer Normativo — PN/CST n° 66/86). 0 contribuinte não comprovou a existência de receita referente a exportação direta de seus produtos agro industriais. Os lançamentos contábeis de vendas registram somente os repasses efetuados pela Copersucar, demonstrados através de planilhas. Em virtude do exposto acima, estão sendo lançadas na presente NFLD as contribuições • previdencidrias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural realizada por agroindústria no MERCADO EXTERNO que não foram recolhidas nos prazos legais. Ou seja, pela simples análise dos pontos destacados, no caso do recorrido não existe demonstração de venda, na medida que o contribuinte exporta álcool e açúcar via cooperativa (COPERSUCAR — Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo). Chama atenção a diferença de que não existe a operação de venda, pelo contrário em cada usina cooperada existe um estabelecimento (filial) da cooperativa sendo que a usina emite apenas notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que à partir daí fica investida da posse dos produtos para exportálos. A diferença pode ser observada também nos fundamentos do acórdão paradigma que divergem do recorrido: A imunidade ora em debate possui previsão expressa no art. 149, parágrafo 2º, inciso I da Constituição Federal, nestas palavras: Art. 149. compete exclusivamente à união instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, iii, e 150, i e iii, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (incluído pela emenda constitucional n.º 33, de 2001) Conforme expressa previsão constitucional somente estão amparadas pela imunidade as operações decorrentes de exportação. A operação entre os cooperados e a cooperativa é uma operação interna, que não se confunde com a exportação. A relação jurídica entre a cooperativa e o cooperado se esgota na venda da produção deste para aquela; e independentemente se a cooperativa irá ou não realizar operação com o exterior já é devido o valor ao cooperado. Desse modo, não procede o Fl. 484DF CARF MF 8 argumento recursal de que a exportação teria sido realizada pelos cooperados por intermédio da cooperativa. Conforme previsto no art. 79, parágrafo único da Lei n 5.764 de 1971; o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Assim, ao adquirir dos seus cooperados, a cooperativa tem necessariamente que reter a contribuição devida, conforme expressamente previsto nos artigos legais já transcritos. Logicamente, quando a cooperativa realizar a exportação, sobre a receita obtida não haverá incidência de contribuição em virtude do disposto no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. Para a Secretaria da Receita Previdenciária, a imunidade somente alcança as exportações diretas, conforme previsto no art. 245 da Instrução Normativa nº 03/05. Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º, do art. 149, da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Conforme podemos extrair, não devemos confundir uma operação de venda consolidada entre os cooperados e a cooperativa (caso do paradigma), de operações que se assemelham com o ato cooperado, ou seja, sem a efetivação de venda como no caso do recorrido. Dessa forma, não há como preencher o pressuposto para o conhecimento do Resp, qual seja, na análise de situações semelhantes, colegiados distintos interpretaram de forma diversa um mesmo dispositivo legal. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz . Fl. 485DF CARF MF
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