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Numero do processo: 10803.720003/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para apreciação dos documentos apontados pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para apreciação dos documentos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de auto de infração lavrado pela autoridade lançadora para exigência dos tributos abaixo relacionados que, acrescidos dos juros moratórios e da multa de ofício, totalizaram o crédito tributário de R$ 68.104.480,07: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 00 3/ 20 13 -0 2 Fl. 3707DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 3 2 Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ............................. R$ 13.159.498,52 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) .............. R$ 4.737.419,47 Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) R$ 3.597.515,88 Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis) ......... R$ 781.039,64 2 No curso do procedimento fiscal, que se iniciou em 31.07.2009, a autoridade lançadora apurou as infrações abaixo descritas: 0001 – Custos, despesas operacionais e encargos Bens de natureza permanente deduzidos como custo ou despesa Aquisição de bens do ativo permanente deduzido(s) indevidamente como custo ou despesa operacional, conforme Termo de Verificação Fiscal de 27/12/2012, em anexo. 0002 – Custos, despesas operacionais e encargos Despesas não necessárias Despesas não necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal de 27/12/2012, em anexo. 3 O enquadramento legal encontrase descrito nas fls. 2353/2354, 2358, 2362, 2366, 2369/2370, 2374, 2377, 2378, 2382 e no Termo de Verificação Fiscal. 4 Em relação ao anocalendário 2006, o interessado apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde se observa a opção pelo Lucro Real anual como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. 5 Do termo de constatação emitido pela autoridade lançadora, podemos extrair, em essência, as seguintes informações: Cisão parcial e despesas com locação de veículos 6 – “O procedimento foi instaurado inicialmente em nome da empresa JÚLIO SIMÕES LOGÍSTICA S/A, nova razão social de JÚLIO SIMÕES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. (doravante JSTS);” 7 – “Atualmente a empresa Júlio Simões Logística S/A tem a razão social JSL S/A.”; 8 – de acordo com as alterações contratuais relevantes da JSTS (93ª de 16/11/2005 e 94ª de 30/12/2005 – fls. 145/160 e 161/176), seus sócios eram as empresas JÚLIO SIMÕES PARTICIPAÇÕES S/A (JSP nova razão social de SIMPAR S/A) e TRANSCEL, representadas por seus diretores Júlio Simões (diretor presidente da JSP) e Fernando Antônio Simões (diretor vicepresidente da TRANSCEL), sendo que esse assina pelas duas sócias na 94ª alteração contratual (fls. 176); 9 – os contratos trazem como testemunhas Mauro Tomaz Postali (Diretor Administrativo Financeiro) e Luís Antônio de Souza (Contador), ambos admitidos pela JSTS entre os anos de 2004 a 2008; 10 – nas alterações do contrato social da TRANSCEL, datados de 30.12.2003 (34ª) e de 30.12.2005 (37ª), foi registrada a cisão parcial da JSTS, cujas parcelas vertidas foram incorporadas ao patrimônio da Transcel, sendo que a última alteração contratual foi assinada por Fernando Antônio Simões como representante das duas sócias da Transcel (fls. 183/195 e 196/202); 11 – em 28/02/2007, foi assinada a 38ª alteração do Contrato Social da TRANSCEL, por meio da qual se aprovou a incorporação da TRANSCEL pela JSTS, cujo laudo de avaliação encontrase anexo à alteração contratual (fls. 203/212); Fl. 3708DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 4 3 12 – o sr. Júlio Simões atuou nas empresas TRANSCEL (administrador), ORIGINAL (sócioadministrador), JSP e JSTS (presidente), conforme se verifica na consulta acostada nas fls. 213/215; 13 – o sr. Fernando Simões também participou de diversas empresas como presidente, diretor, sócio e administrador (fls. 216/219), sendo atualmente (data da lavratura do auto de infração) presidente da SIMPAR e da JSL SA (antiga JSTS) e sócio da ORIGINAL; 14 – os senhores Júlio Simões e Fernando Simões “dirigiram e administraram as empresas sócias da JSTS e da TRANSCEL, durante todo o processo que resultou na cisão parcial da JSTS” (fls. 233/283); 15 – em 10/12/2005 as empresas JSP (sócia da JSTS e da TRANSCEL), a TRANSCEL (sócia da JSTS) e ORIGINAL (sócia da TRANSCEL) resolveram, de comum acordo, firmar o PROTOCOLO e respectiva JUSTIFICAÇÃO, visando à cisão parcial da JSTS (fls. 284/287); 16 – pelas empresas JSP, TRANSCEL e ORIGINAL, assina o Sr. Fernando Simões, tendo como testemunhas os Srs. Mauro Tomaz Postali e Luís Antônio de Sousa (fl. 287); 17 – “Em 30/12/2005 os Srs. Júlio Simões e Fernando Simões, presidente e secretário, reuniramse e deliberaram aprovar o Protocolo de Cisão e Justificação, de 10/12/2005, e ratificaram a nomeação da empresa ‘avaliadora’, a fim de proceder à avaliação da parcela patrimonial a ser vertida. Ato contínuo, o Sr. Júlio Simões apresentou à mesa (entendase Fernando Antônio Simões) o Laudo de Avaliação.”; 18 – “Nesta reunião, apenas os Srs. Júlio Simões e Fernando Antônio Simões estavam representando os sócios quotistas da JSTS, ou seja, as empresas JSP e TRANSCEL, respectivamente” (fls. 288/289); 19 – a empresa “avaliadora” adotou o saldo contábil constante das demonstrações contábeis de 30.11.2005 na elaboração do Laudo de Avaliação dos ativos e passivos da JSTS , cujo acervo líquido incorporado montou R$ 21.522,68 (fls. 290/323); 20 – por meio do contrato de locação de veículos, máquinas e equipamentos de 01.01.2006, ou seja, imediatamente após a data da cisão parcial da JSTS, ocorrida em 31.12.2005, a TRANSCEL (representada por Luís Antônio de Sousa e outro) e a JSTS (representada por Mauro Tomaz Postali) acordaram em locar os bens relacionados no laudo de avaliação nº 66620067 (fls. 346/349); 21 – por meio do contrato de locação de bens móveis de 16.02.2004, ou seja, após a cisão parcial da JSTS registrada na 34a. alteração contratual de 30.12.2003, a TRANSCEL (representada por Júlio Simões) e a JSTS (representada por Manoel Fernandes Filho e Mauro Tomaz Postali) contrataram a locação de bens, pelo prazo de 36 meses (fls. 324/345); 22 – com base em suas participações societárias, “podemos inferir que a JSP era a dona das empresas JSTS e TRANSCEL.”; 23 – os Srs. Júlio Simões e Fernando Simões, desde os atos constitutivos da holding, foram nomeados Diretor Presidente e VicePresidente e Diretor, respectivamente, detendo poderes para determinar à TRANSCEL que recebesse as parcelas dos ativos e dos passivos da JSTS e que essa deveria entregar parte de seus ativos e dos passivos à TRANSCEL; 24 – a TRANSCEL não teria capacidade humana (233 e 231 trabalhadores na Dirf de 2005 e de 2006, respectivamente) para absorver a frota dos veículos constantes do Laudo de Avaliação, que seriam utilizados para o incremento das atividades da empresa (fls. 350/361); Fl. 3709DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 5 4 25 – a propriedade das centenas de veículos relacionados à cisão, que deveriam ser transferidos à TRANSCEL, permaneceu na posse/propriedade da JSTS, não ocorrendo qualquer tradição dos veículos à TRANSCEL, fato declarado por ela e pela JSTS. Além disso, os pagamentos de IPVA, seguros e licenciamentos foram providenciados pela JSTS; 26 – “Diante dos elementos coletados neste procedimento ficou claro que a única pretensão da JSTS com a cisão foi alugar bens dela própria, criando despesas indevidas.”; 27 – “É importante consignar que os veículos e os equipamentos estavam alocados nas atividades rotineiras da JSTS, em cumprimento a contratos em andamento, gerando receitas operacionais próprias desta.”; 28 – com a cisão e posterior locação dos bens, a JSTS passou a registrar despesas em valores correspondentes ao financiamento da aquisição dos mesmos bens acrescidos de 6,90% ao mês, sendo que, sem a referida cisão, apenas os encargos financeiros dos financiamentos e a depreciação seriam desta forma apropriados; 29 – o contrato de locação dos bens tinha prazo de 36 meses a partir de 01.01.2006, no entanto, um ano e dois meses depois (28.02.2007), a TRANSCEL veio a ser incorporada pela JSTS; 30 – “Assim, temos que a única finalidade da cisão parcial da JSTS, com posterior locação dos bens da própria JSTS, foi a de diminuir a tributação e o recolhimento de tributos devidos por parte desta”, gerando economia tributária, que, no presente caso, totalizou R$ 14.344.400,00 (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins), conforme demonstrado no item 15 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2338/2339); 31 – a economia tributária decorre da apropriação no resultado contábil de despesas com locação de veículos (conta 4.1.1.04.0041) deduzidas mensalmente com o histórico Apropriação ref – aluguel equip.d/mês __(jan a dez/06)__ cf. contrato em 16/02/04 TRANSCEL, no total anual de R$ 47.335.735,42 (fls. 404/432 e 2339/2340); 32 – o total das despesas com locação de veículos (conta 4.1.1.04.0041), no valor de R$ 48.944.741,55, compôs o saldo de R$ 96.294.245,67 informado na DIPJ/2007 a título de Outros Custos (Ficha 04 A linha 37 fls. 365 e 404); 33 – intimado a comprovar os valores lançados na conta e o respectivo pagamento com documentação hábil e idônea (contratos, notas fiscais, efetivos pagamentos ou esclarecimentos adicionais dos valores lançados), bem como o pagamento de despesas relacionadas aos veículos, o interessado apresentou apenas os contratos de locação, doze recibos de locação (aparentemente assinados por Luis Antônio de Sousa) e esclareceu que as despesas referentes ao licenciamento, seguro obrigatório e IPVA dos veículos locados foram por ele suportados, em função do que fora estipulado nos contratos de locação (fls. 48, 60/76); 34 – o interessado foi intimado a discriminar os bens e as rubricas que compuseram os valores dos aluguéis recebidos pela TRANSCEL (sua incorporada), contudo, nada comprovou e “ainda que houvesse a comprovação, tais despesas seriam desnecessárias à atividade operacional da empresa, e a manutenção da fonte produtora, por resultantes de operações realizadas entre a mesmas pessoas.”; 35 – as operações de cisão e de locação de bens, ainda que válidas e formalizadas nos termos das disposições legais aplicáveis, foram realizadas entre pessoas físicas e jurídicas pertencentes a um mesmo grupo, razão pela qual não podem produzir resultados negativos a terceiros, inclusive à União, prejudicando a sociedade como um todo; 36 – “Daí, demonstrado o prejuízo à União, nos termos acima, impõese a glosa Fl. 3710DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 6 5 dos valores apropriados como despesas de locação de veículos, decorrentes do contrato firmado com a TRANSCEL, na importância de R$ 47.335.735,42.” 37 – “Considerando que as operações realizadas trouxeram prejuízo à União e foram realizadas, como acima demonstrado, exclusivamente, objetivando a redução de forma irregular do montante de tributos e contribuições administrados pela RFB, restam caracterizadas as hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64”, razão pela qual se aplicará penalidade prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/99; 38 – tendo em vista que o interessado apropriou indevidamente créditos decorrentes das operações de locação de veículos (fls. 701/706), por reflexo, serão constituídos créditos tributários relativos ao PIS e à COFINS; Dispêndios com “aterro sanitário” 39 – o total das despesas com aterro sanitário (conta 4.1.1.04.0067), no valor de R$ 4.117.668,31 compôs o saldo de R$ 96.294.245,67 informado na DIPJ/2007 a título de Outros Custos (Ficha 04 A linha 37 fls. 365 e 404); 40 – na conta “Aterro Sanitário” (fls. 429/432), constatase que, somente com a Empreiteira Pajoan Ltda, foram registrados gastos mensais que totalizaram no final do anocalendário a importância de R$ 3.735.060,13; 41 – “A análise da conta contábil n° 4.1.1.04.0067 demonstra que, pelas características e natureza dos dispêndios efetuados, estes se referem a bens de natureza permanente que foram integralmente apropriados na rubrica ‘Outros Custos’ da DIPJ/2007, reduzindo indevidamente o lucro bruto do período de apuração.”; 42 – “Assim, os gastos efetuados com ‘Aterro Sanitário’, no montante de R$ 4.117.668,31, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração para cálculo das diferenças de IRPJ e de CSLL devidas.”. Despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações 43 – o interessado informou na DIPJ/2007 (Ficha 05A Linha 17) despesas no valor de R$ 2.274.306,65, que de acordo com o demonstrativo apresentado pelo interessado, referemse à Manutenção e Conservação de Prédios e Instalações (conta 5.1.1.04.0015), no valor de R$ 2.223.138,66, e à Manutenção e Conservação de Móveis e Utensílios (conta 5.1.1.04.0016 ), no valor de R$ 51.167,99 (fls. 366 e 433). 44 – intimado a apresentar a documentação comprobatória desses dispêndios, o interessado entregou diversas notas fiscais, mas não todas; 45 – de acordo com a documentação apresentada, verificouse que muitos dispêndios estão vinculados a obras de construção civil, além da aquisição de outros bens de natureza permanente; 46 – com base nos artigos 301, 324 e 346, podese concluir que as notas fiscais relacionadas no demonstrativo “‘Dispêndios Ativáveis Indevidamente Lançados como Despesas Operacionais’, não se referem a despesas com reparos e conservação de bens e, sim, a aplicações de capital que deveriam ter sido ativadas e objeto de depreciação ou amortização, totalizando a importância de R$ 822.769,75” (fls. 2347/2349); 47 – os “outros dispêndios, no valor total de R$ 361.820,54, foram glosados porque: a) não foram apresentadas as correspondentes notas fiscais; b) a nota fiscal nº 98 da BFA Construtora Ltda foi emitida em nome da ‘Ribeira Imóveis Ltda’; e c) as notas fiscais da Engemix foram emitidas em 2005”, conforme relacionados na planilha “Dispêndios Ativáveis Apropriados Indevidamente como Despesas Documentos Fiscais Irregulares/Não Apresentados” (fl. 2350); Fl. 3711DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 7 6 48 – “A apropriação das notas fiscais emitidas pela Engemix S/A nos meses de outubro e novembro de 2005 como despesas operacionais do período de apuração encerrado em 31/12/2006, no valor de R$ 65.030,94, constitui evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, sujeitandose a contribuinte à multa qualificada de 150 % a ser aplicada sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas.”. 49 – Cientificado do auto de infração, o interessado apresentou impugnação, onde alega, em síntese, que: Multa de 150% inexistência de sonegação, fraude ou conluio 50 – é absurda e despida de qualquer base legal a alegação de que a cisão e os contratos de locação teriam sido realizados única e exclusivamente para "diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos" e que, por isso, seria cabível a multa agravada com fundamento nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; 51 – a cisão foi realizada de forma regular, transparente, levada a registro público (JUCESP) e ao conhecimento da RFB desde sua ocorrência. De igual modo, a locação foi devidamente reconhecida na contabilidade e seus efeitos tributários foram declarados à RFB, com o oportuno e tempestivo recolhimento dos tributos daí decorrentes; 52 – nem a operação de cisão nem o contrato de locação consistiram em ação (muito menos omissão) dolosa, assim como as autuações sequer cogitam de conluio; 53 – a cada um desses tipos (sonegação, fraude ou conluio) corresponde determinada e específica ação ou omissão, cabendo ao fisco, quando os invoca como fundamento para o agravamento da multa de ofício, apontar concretamente os fatos e as circunstâncias que os caracterizam, pois não basta a alegação vaga e indeterminada, muito menos que se invoque genericamente os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; 54 – a cisão parcial sequer teve sua regularidade e efetividade contestadas pela autoridade lançadora; 55 – ao longo da impugnação restará evidente que a cisão parcial do interessado representou uma operação de reestruturação societária legítima, justificada não para gerar economia tributária, mas, sim, pela necessidade que o interessado tinha, à época dos fatos, de melhorar sua situação financeira e, consequentemente, seus índices contábeis e suas demonstrações financeiras, que são exigidos, por exemplo, para a participação em procedimentos licitatórios, para obtenção de empréstimos e financiamentos etc.; 56 – em relação às despesas contraídas pela empresa Engemix S/A, demonstrar seá adiante que a sua apropriação em anocalendário posterior ao ano em que as notas fiscais foram emitidas não enseja, por si só, a caracterização de qualquer intuito fraudulento ou de sonegação; 57 – a apropriação das despesas no anocalendário seguinte, além de ser permitida pelas normas contábeis, representou prejuízo ao próprio interessado, haja vista que seriam dedutíveis na base de cálculo do IRPJ/CSLL e gerariam créditos de Pis/cofins já no anocalendário 2005; 58 – a qualificação da multa depende da intenção do agente e da prova fiscal da ocorrência da fraude, como vem decidindo o Carf; Fl. 3712DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 8 7 59 – no presente caso, está demonstrada a ausência de intenção do agente em burlar a fiscalização, tendo em vista que a sua cisão parcial e a posterior celebração do contrato de locação resultaram de um processo de reestruturação com outras finalidades que não a economia fiscal. 60 – da mesma forma, a escrituração tardia das notas fiscais relativas à Engemix S/A decorreu de um erro escusável por parte do interessado que não teve qualquer objetivo de gerar economia tributária; 61 – destarte, ainda que a glosa das despesas não pudesse ser afastada por qualquer motivo, as multas qualificadas aplicadas contra o interessado deveriam ser reduzidas ao percentual de 75% sobre o valor do crédito tributário constituído. Decadência 62 – o momento da apuração do IRPJ e da CSLL é 31 de dezembro de cada ano calendário. Portanto, no caso em tela, os fatos geradores desses tributos ocorreram em 31.12.2006; 63 – aplicandose a regra do artigo 150, §4°, do CTN, porquanto não houve no presente caso qualquer dolo, fraude ou simulação, a fiscalização tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador (31.12.2006) ou seja, até 31.12.2011, para, através do lançamento de ofício, constituir os créditos tributários de IRPJ e da CSLL aqui impugnados; 64 – considerando que o interessado foi cientificado da lavratura dos autos de infração em 28.12.2012, o direito ao lançamento dos créditos de IRPJ e de CSLL aqui impugnados está atingido pela decadência; 65 – e o mesmo ocorre em relação à COFINS e à contribuição ao PIS, cuja apuração é mensal, estando o crédito das contribuições relativas ao mês de janeiro de 2006 atingidos pela decadência a partir, inclusive, de 01.02.2011, e assim sucessivamente; 66 – é descabida a multa agravada e, por conseguinte, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; 67 – ainda que se pudesse aplicar, ao presente caso, o disposto no art. 173, I, do CTN, os créditos tributários estariam atingidos pela decadência, visto que a contagem do prazo decadencial iniciarseia um dia depois do fato gerador, conforme já se manifestou o Egrégio STJ, ou seja, em 01.01.2007, encerrandose em 31.12.2011; 68 – em relação ao IRPJ/CSLL, mesmo nos casos de fraude, dolo ou simulação (que sequer é o caso), o Carf tem considerado que o termo inicial do prazo decadencial é deslocado da data do fato gerador para o primeiro dia do ano seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, sendo antecipado para o dia do recebimento da DIPJ, que ocorreu em 29.06.2007, expirando o prazo decadencial em 28.06.2012 na mais conservadora hipótese; 69 – a DIPJ/2007 retificadora, entregue em 29.12.2011, não modificou as despesas que foram glosadas, o que impede qualquer argumentação de renovação do prazo decadencial e, ademais, o referido prazo não se suspende nem se interrompe; 70 – a multa qualificada foi aplicada em relação apenas a parte das autuações; Fl. 3713DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 9 8 71 portanto, apresentadas todas as hipóteses consideradas de cômputo do prazo, a decadência está de todo modo configurada, sendo manifesta a necessidade de desconstituição dos créditos ora impugnados. Cisão parcial – Glosa de despesas com locação 72 – a fiscalização glosou as despesas de aluguel contraídas pelo interessado em decorrência de contrato de locação firmado com a Transcel, porque considerou que a referida despesa foi fruto de operação de cisão parcial que teria objetivado, apenas, a economia tributária; 73 – o interessado verteu para a Transcel veículos, máquinas e equipamentos que lhe foram posteriormente locados; 74 – de acordo com a fiscalização, referida operação de reestruturação teria tido como único fundamento a economia fiscal; 75 – à época dos fatos, o interessado desenvolvia atividades voltadas à iniciativa pública e privada; 76 – as contratações com o Poder Público são precedidas de procedimentos licitatórios, que, entre outras exigências, preveem a qualificação econômicofinanceira (art. 31 da Lei nº 8.666., de 1993); 77 – os editais das licitações devem exigir que as empresas participantes dos procedimentos licitatórios contenham índices contábeis mínimos que demonstrem terem condição financeira suficiente à execução do objeto licitado; 78 – os índices contábeis mais adotados no segmento de licitações são os de liquidez geral (LG) e o de liquidez corrente (LC); 79 – os índices que retratam situação financeira equilibrada (entre 1,00 e 1,35) são os mais utilizados nas licitações em geral, na medida em que buscam identificar a boa saúde financeira dos licitantes; 80 – assim, para que o interessado pudesse exercer parcela importante de sua atividade operacional (atividades voltadas à iniciativa pública) durante o anocalendário de 2006, seu balanço patrimonial, encerrado em 31.12.2005 (último exercício social), deveria demonstrar no mínimo uma situação de equilíbrio financeiro, para efeito de comprovação de sua qualificação econômicofinanceira, propiciando sua participação nos procedimentos licitatórios que fossem de seu interesse; 81 – antes da realização da cisão parcial, em 10.12.2005, os índices de LG e de LC eram iguais a 0,67 e 0,97, respectivamente; 82 – após a realização da cisão parcial, os índices de LG e de LC passaram a ser iguais a 1,19 e 1,14, respectivamente; 83 – a boa saúde financeira do interessado era fundamental para que obtivesse empréstimos durante o anocalendário de 2006, imprescindíveis ao financiamento de suas atividades, cujos saldos aumentaram de 31.12.2005 a 31.12.2006 (doc 06 e 08 – fls. 2592/2597 a 2938/2942); 84 – a melhoria dos índices econômicos permitiu o interessado a contrair empréstimos e financiamentos durante o ano de 2006; Fl. 3714DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 10 9 85 – como se vê, a cisão parcial, realizada no final do ano de 2005, obedeceu a todos os seus requisitos legais e não tinha como objetivo gerar uma economia fiscal, tratouse, isto sim, de legítima operação de reestruturação, entre empresas pertencentes a um mesmo grupo, com uma finalidade idônea (melhoria da situação financeira), o que se revelava vital ao desenvolvimento de importantes atividades contempladas em seu objeto social; 86 – a reestruturação entre empresas do mesmo grupo empresarial justifica a prática dos atos por representantes comuns às empresas; 87 – a cisão parcial propiciou ao interessado o incremento de suas atividades regulares pela melhoria de sua situação financeira e também representou o incrementado das atividades da Transcel com a locação dos bens e equipamentos que lhe proporcionou receitas oferecidas à tributação, cujo lucro médio aproximado foi da ordem de 5,9%; 88 – como se vê, o efeito almejado pela cisão parcial não foi a economia tributária; 89 – a cisão parcial teve um propósito negocial legítimo, que acarretou o incremento das atividades de ambas as empresas envolvidas na operação; 90 – cabe ao fisco a produção de prova inequívoca da ilicitude da conduta do interessado, não podendo se presumir a prática de sonegação, fraude ou simulação; 91 – a operação de reestruturação societária questionada pela fiscalização tem substância e finalidade próprias que não a simples economia fiscal, ainda que esta tenha sido um de seus efeitos; 92 – diante dos fatos apresentados, fica afastada a premissa em que se pautou a fiscalização para a realização dos autos de infração, sendo manifesta sua improcedência. 93 – a fiscalização se equivocou quanto aos cálculos apresentados que indicariam a economia tributária com a cisão parcial e a posterior locação dos veículos, máquinas e equipamentos vertidos na cisão parcial, pois não considerou as despesas de depreciação e de encargos financeiros do financiamento que seriam dedutíveis, caso não houvesse ocorrido a cisão parcial; 94 – a fiscalização deveria diligenciar para apurar os valores de despesas com depreciação e encargos do financiamento; 95 – o interessado apurou os valores das mencionadas despesas, de modo conservador, onde encontrou o montante de R$ 23.067.741,42 de despesas não consideradas pela fiscalização, conforme cálculos acostados no “doc 09 – fls. 2943/2978”; 96 – com base nesse montante que deixou de ser considerado pela autoridade lançadora, a efetiva economia tributária total (IRPJ/CSLL/Pis/Cofins) gerada nas operações sob análise seria de R$ 5.025.099,85, que difere do montante de R$ 14.344.400,00 encontrado pela autoridade lançadora, o que influencia na apuração dos créditos tributários constituídos; 97 – o que não se pode aceitar é que a premissa da fiscalização valha para a glosa das despesas de locação e não valha, ao mesmo tempo, para a devida apropriação das despesas com a depreciação e com os encargos do financiamento; Fl. 3715DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 11 10 98 – desta feita, ainda que a glosa das despesas com a locação estivesse correta, o valor dos créditos tributários deveria ser reduzido, considerandose os efeitos tributários resultantes das despesas com a depreciação dos veículos, máquinas e equipamentos, caso os referidos bens tivessem permanecido no ativo imobilizado do interessado; 99 – ainda que haja algum questionamento quanto ao cálculo apresentado pelo interessado, eventual controvérsia exigiria que o julgamento desta autuação fosse convertido em diligência, na medida em que a própria fiscalização reconheceu que tais despesas e encargos seriam apropriados, caso não houvesse ocorrido a cisão parcial. Glosa dos dispêndios com aterro sanitário 100 – a fiscalização glosou as despesas relativas a dispêndios com aterros sanitários, pois, em sua visão, se tratariam de encargos que deveriam ser adicionados a seu ativo imobilizado; 101 – o interessado não possui aterro sanitário próprio, o que, via de regra, sequer é exigido pelo Poder Público nos editais de licitação. O que é geralmente exigido é a comprovação, pelas empresas licitantes, de que elas possuem acordos com empresas que possuem aterros sanitários, para a disposição dos resíduos; 102 – em razão dos serviços de coleta e destinação de resíduos prestados ao Poder Público, o interessado contrata empresas que possuem aterros sanitários para a destinação dos resíduos, conforme se verifica nas notas fiscais e demais documentos ora anexados (doc 10 – fls. 2982/3206); 103 – por amostragem, foi anexada a cópia de um contrato firmado com a Empreiteira Pajoan em 2008 (doc. 12 – fls. 3208/3215), que entre os diversos serviços prestados, encontrase o aterro sanitário para a disposição de resíduos, conforme informação contida em seu “site” (doc 11 – fl. 3207), o que também serve para demonstrar que o interessado não tem aterro sanitário próprio; 104 – assim, os encargos dessas despesas jamais deveriam ser ativados pelo interessado, não havendo qualquer mácula na apropriação das despesas para fins de apuração do lucro real e na tomada de créditos de Pis/Cofins. Glosa das despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações 105 – “As despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações (notas fiscais anexas doc. 13 – fls. 3216/3473), em sua grande maioria, não se referiam a imóveis próprios, mas, sim, a imóveis de terceiros”, conforme se verifica nos contratos de locação celebrados à época dos fatos (doc. 14 – fls. 3474/3503); 106 – como os imóveis não pertenciam ao interessado, as despesas com a manutenção e a conservação a eles relacionas não poderiam ser ativadas; 107 – assim, foi correta a dedução das despesas com a manutenção e conservação na apuração do lucro real, na medida em que se tratavam de despesas necessárias à manutenção da fonte produtora (art. 299 do RIR), como também foi correta a dedução de créditos de Pis/Cofins calculados sobre tais despesas; 108 – acerca das despesas com a Engemix SA, como já esclarecido, não houve qualquer intuito de fraude ou de sonegação fiscal na apropriação feita no anocalendário 2006 das notas fiscais de 2005, pois o registro posterior representou um prejuízo, e não um benefício ao interessado, além de ser ínfimo o valor (R$ 65.030,94); Fl. 3716DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 12 11 109 – desta feita, não se pode imputar uma conduta dolosa a alguém que é prejudicado com tal conduta; 110 – em nenhum momento a fiscalização questionou a efetividade e a necessidade das despesas, restringindo o fundamento da glosa apenas a questão da temporalidade; 111 – as normas de contabilidade, por sinal, permitem que as receitas e as despesas sejam apropriadas de forma extemporânea (Resolução CFC n° 596/85 e NBC T 2.4 Da Retificação de Lançamento, vigentes à época dos fatos); 112 – diante disso, é improcedente a glosa das despesas de serviços tomados da empresa Engemix SA. 113 O interessado acosta aos autos documentação trazida com a impugnação, transcreve ementas de decisões proferidas no Carf, no STJ e encerra requerendo: 114 – seja reconhecida a decadência do direito de efetuar o lançamento tributário; ou 115 – sejam julgados improcedentes os autos de infração; ou 116 – sejam reduzidas as multas qualificadas e reduzidos os créditos tributários, considerandose as despesas de depreciação conforme cálculos apresentados na impugnação; 117 – por fim, seja o julgamento convertido em diligência, em caso de dúvida com relação aos cálculos apresentados na impugnação. 118 Nesta Turma foram juntadas consultas feitas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PRAZO DECADENCIAL. PARECER PGFN CAT/1.617/2008. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, quando há pagamento antecipado do tributo. Na inexistência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DILIGÊNCIA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Rejeitase o pedido de diligência desnecessária ao julgamento da lide. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 GLOSA DE DESPESAS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. As despesas devem ser glosadas se as condutas praticadas pelo sujeito passivo evidenciam que foram criadas artificialmente. Fl. 3717DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 13 12 MULTA QUALIFICADA. Configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, é cabível a multa qualificada. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. COFINS NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS DE CRÉDITOS. Indevidos os descontos de créditos, o lançamento deve ser mantido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. PIS NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS DE CRÉDITOS. Indevidos os descontos de créditos, o lançamento deve ser mantido. Dessa decisão, houve recurso de ofício. Protocolado o recurso voluntário, nele são aduzidas as seguintes razões: a) ocorreu decadência quanto a todos os lançamentos por não ter havido fraude ou sonegação fiscal, aplicandose portanto o artigo 150, § 4º, do CTN e, mesmo que aplicado o artigo 173, inciso I, desse mesmo instrumento legislativo, também teria ocorrido a decadência; a.1) o prazo decadencial, se aplicado o artigo 173, inciso I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos imponíveis, conforme decisão do e. STJ segundo a sistemática do artigo 543C do CPC. No caso, é o dia 1º de janeiro de 2007, sendo o termo final o dia 31 de dezembro de 2011; a.2) ainda, segundo entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, para o IRPJ e a CSLL o termo inicial do prazo decadencial é deslocado para o da data da entrega da DIPJ, mesmo tendo havido fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso. Assim, tendose em vista a entrega da DIPJ/2007 em 28 de junho de 2007, o termo final do prazo decadencial foi o dia 28 de junho de 2012, anterior à data relativa à intimação dos lançamentos que ocorreu em 28 de dezembro de 2012. O fato de ter sido entregue DIPJ retificadora posteriormente em nada interfere na situação, uma vez que a retificação não guardou nenhuma relação com as despesas glosadas; a.3) quanto à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, uma vez que a apuração é mensal, mesmo em se aplicando o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo teria início em 1º de janeiro de 2007, encerrandose em 31 de dezembro de 2011; b) "a cisão parcial da Recorrente, realizada no final do ano de 2005, NÃO tinha o objetivo de gerar uma economia fiscal, ainda que tal efeito tenha ocorrido. Tratouse, isto sim, de legítima operação de reestruturação entre empresas pertencentes a um mesmo grupo empresarial, com uma finalidade absolutamente idônea, qual seja, a melhoria da Fl. 3718DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 14 13 situação financeira da Recorrente, o que a levou, inclusive, (a) a realizar inúmeras contratações com o Poder Público, decorrentes de licitações das quais a Recorrente participou justamente porque, em razão da operação de cisão em foco, pôde comprovar boa saúde financeira, conforme cópias de contratos anexados com a impugnação apresentada; e (b) a contrair empréstimos e financiamentos durante o ano de 2006 para o desenvolvimento de suas atividades operacionais, o que está refletido nas próprias demonstrações financeiras que retratam o encerramento do exercício social de 2006"; b.1) "... cisão parcial da Recorrente obedeceu a todos os seus requisitos legais, refletindo uma legítima operação de reestruturação entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial"; b.2) os fatos demonstram que houve efetividade e propósito negocial na cisão ocorrida; b.3) "... o risco e o controle sobre os bens envolvidos na operação de cisão continuariam com a Recorrente independentemente de ela ser a proprietária ou a locatária, na medida em que ela manteve a posse direta sobre os bens, o que também aconteceria, por exemplo, se a Recorrente tivesse locado bens de empresa com a qual não mantivesse qualquer tipo de vínculo societário. Tais riscos, como é cediço, são ínsitos à posse direta dos bens e ao respectivo uso e, consequentemente, estão indistintamente presentes quando o usuário é mero locatário ou quando é o proprietário"; b.4) "... preço locativo ajustado entre a Recorrente e a locadora, Transcel, correspondeu "ao valor das parcelas mensais dos financiamentos bancários relacionados com os bens ora locados acrescido do Pis, da Cofins e de uma taxa de administração de 3%" (cláusula 03), ficando, ainda, sob a responsabilidade da Recorrente, na qualidade de locatária, o pagamento, diretamente a quem de direito, das despesas de IPVA, de licenciamento e seguro (cláusula 06 do contrato de locação)"; b.5) "... A Recorrente, por conta do aluguel, e para maior praticidade, tal como expressamente previsto na cláusula 03 do referido contrato de locação, pagou mensalmente, aos agentes financeiros, os encargos dos financiamentos dos bens vertidos, conforme ampla documentação a que os srs. Auditores tiveram acesso. O restante do aluguel (valor do COFINS/PIS mais "taxa" de administração de 3%, totalizando 6,9%) foi pago mensalmente mediante encontro de contas entre a Recorrente e a Transcel, o que é absolutamente comum em se tratando de empresas do mesmo grupo econômico, tudo conforme lançamentos e documentos aos quais os srs. Auditores Fiscais também tiveram amplo e total acesso, tendo a Transcel, como locadora, emitido os devidos recibos, cuja apresentação à fiscalização foi expressamente reconhecida no Termo de Verificação de Infração e de Encerramento do Procedimento Fiscal. E "encontro de contas" nada mais é do que compensação, que é, nos termos dos arts. 368 e seguintes do CC, uma das formas de extinção de obrigação pecuniária, tanto quanto é o pagamento"; b.6) "... no que toca às despesas com o IPVA, licenciamento e seguro dos veículos locados, não houve, na autuação, qualquer glosa, num evidente reconhecimento, pela fiscalização, não só da prova de seu pagamento pela Recorrente como da necessidade desses encargos. Aliás, é absolutamente normal que, em contratos de locação, as despesas e encargos relativos ao bem locado sejam integralmente assumidos pela locatária. Referido fato em nada contribuiria para a conclusão de que a operação de cisão realizada seria artificial"; Fl. 3719DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 15 14 b.7) "... a Transcel, conforme restou reconhecido pela própria fiscalização, ofereceu à tributação as receitas de locação por ela auferidas"; b.8) "... é absolutamente comum que empresas, para se capitalizar ou, em última análise, para melhorar sua situação financeira, vendam ativos operacionais para, no mesmo ato, locálos dos adquirentes. Os Bancos já fizeram, e seguem fazendo isso"; c) "... Considerando que os bens locados eram empregados diretamente na atividade operacional da Recorrente, contribuindo decisivamente para que fossem auferidas receitas operacionais, as despesas com a locação, na acepção técnica/ contábil, correspondiam a custos e, consequentemente, deveriam, como foram, ser declaradas na Ficha 04A da DIPJ do exercício de 2007 (anocalendário de 2006)"; d) "... a Recorrente demonstrou que a melhoria de sua situação financeira, que decorreu de sua cisão parcial, de fato a levou (i) a participar e a vencer licitações, com a respectiva celebração de contratos com o Poder Público; e (ii) a obter inúmeros financiamentos que incrementaram seus investimentos e, consequentemente, suas atividades. Ou seja, a cisão parcial teve uma consequência positiva, que não a simples economia fiscal. A melhoria da situação financeira da Recorrente, decorrente de sua cisão parcial, propiciou o incremento de suas atividades operacionais e, consequentemente, o aumento da receita, da lucratividade e da própria arrecadação de tributos"; e) "... no tocante à glosa das despesas de locação, as autuações reportamse genérica e cumulativamente aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, numa inócua tentativa de justificar o agravamento da multa, olvidandose que lhes cabia esclarecer se a hipótese era de sonegação, fraude ou conluio, apontando quais os fatos caracterizadores do tipo imputado"; e.1) "... a cisão parcial, que é origem da transferência dos ativos cindidos que posteriormente foram locados pela Transcel que os incorporou , sequer teve sua regularidade e efetividade contestadas pela fiscalização, e nem poderia porque ocorreu em dezembro de 2005, estando inquestionavelmente caduco o direito de o fisco desconsiderála para qualquer efeito"; e.2) "... é simplesmente absurda e despida de qualquer base legal a alegação de que a cisão e os contratos de locação teriam sido realizados única e exclusivamente para "diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos" e que, também por isso, seria cabível a multa agravada com fundamento nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64"; f) "... quando desconsideraram os reflexos fiscais da cisão realizada, as autoridades fiscais não levaram em conta que os bens vertidos, sem a cisão, gerariam à Recorrente despesas dedutíveis em decorrência dos encargos de depreciação e financiamento, o que refletiria na apuração dos tributos federais envolvidos. Tal fato, que foi devidamente apontado pela Recorrente em sua impugnação, claramente impediu a apuração do efetivo valor dos tributos que seriam devidos"; f.1) "... Com a requalificação do fato, todos os efeitos, e não apenas um deles, deveriam ser reapurados pela fiscalização. Não só as despesas com a locação deveriam ter sido glosadas como os encargos de depreciação e do financiamento deveriam ter sido considerados pela fiscalização para fins de apuração dos créditos tributários"; Fl. 3720DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 16 15 f.2) essa reapuração deveria ocorrer para todos os tributos envolvidos: IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; f.3) a recorrente apresentou, na impugnação, cálculos quanto a esses efeitos, que deveriam ter sido considerados para fins da redução dos valores lançados ou, se houvesse dúvidas quanto a eles, os autos deveriam ter baixado em diligência para a conferência; g) não cabe qualquer consideração, como ocorreu no acórdão recorrido, quanto à cisão parcial ocorrida em 31 de dezembro de 2013. Também, "quanto à falta de dispositivo legal permitindo o desconto de créditos calculados sobre o valor de aluguéis de veículos" ou que a autuação estaria justificada em dispositivo da Lei nº 10.865/2004. Se assim não for entendido, deverá ser anulado o acórdão recorrido para que seja emitida nova decisão. A contribuinte apresentou, ainda, contrarrazões ao recurso de ofício, aduzindo: a) aplicase o artigo 150, § 4º, do CTN, aos lançamentos decorrentes de algumas despesas que haviam sido glosadas pela fiscalização, quais sejam, dispêndios com aterros sanitários, com manutenção e conservação de prédios e instalações; b) as despesas relativas a dispêndios com aterros sanitários são legítimas, não se tratando pois de encargos que deveriam ser adicionados a seu ativo imobilizado, porque a recorrente não possui aterro sanitário próprio. Contratava e ainda contrata empresas que possuem aterros sanitários para a destinação dos resíduos; c) foram glosadas indevidamente também as despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações, porque, em sua grande maioria, estas não se referiam a imóveis próprios, mas, sim, a imóveis de terceiros, conforme contratos de locação celebrados à época dos fatos (doc. 14 anexado com a impugnação); d) também foi indevida a glosa de despesas com a Engemix S/A. Não houve qualquer intuito de fraude ou de sonegação fiscal na apropriação das despesas de 2005 durante o anocalendário de 2006, que ocorreu por um lapso. Na verdade, o registro posterior representou um prejuízo, e não um benefício à contribuinte e, ademais, o valor da despesa era ínfima (R$ 65.030,94). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admisibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação. A desoneração efetivada pela decisão de primeira instância supera o limite de alçada. Em face disso, recursos voluntário e de ofício devem ser conhecidos. Recurso de Ofício. Pela decisão de primeira instância, em face do reconhecimento de que teria ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, foram exonerados valores de IRPJ e CSLL, conforme excertos abaixo: Fl. 3721DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 17 16 129 Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificase que o interessado efetuou pagamento de PIS (cód. 8109 e 6912), de Cofins (cód. 2172 e 5856), de estimativas de IRPJ (cód. 2362) e de estimativas de CSLL (cód. 2484), todos em relação ao anocalendário 2006 (fls. 3510/3530). [...] 133 Afastada a prática das sobreditas condutas e levando se em conta a existência de pagamentos, o termo a quo será a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). 134 Nesta hipótese, o prazo decadencial começará a fluir em 31.12.2006, em relação ao IRPJ/CSLL, e no final de cada mês do anocalendário de 2006, em relação ao Pis/Cofins, tendo como prazo máximo para a constituição dos créditos tributários a data de 31.12.2011. Considerando que o lançamento foi cientificado ao interessado em 28.12.2012, os créditos tributários exigidos nestas circunstâncias estarão extintos pela decadência (art. 156, V, do CTN). 135 Nesse diapasão, deve ser reconhecida, de plano, a decadência em relação à parcela do crédito tributário constituída como decorrência das infrações relativas à glosa de despesas com aterro sanitário, no valor de R$ 4.117.668,31, e à glosa de despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações, no valor de R$ 1.119.559,00 (fls. 2361), cuja penalidade não foi qualificada, o que enseja a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN para efeito da contagem do prazo decadencial. (Grifouse) [...] Ainda com relação às despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações, assim se referiu o relator do voto condutor da decisão de piso: 138 No que toca a parcela restante, no valor de R$ 65.031,34, a autoridade lançadora qualificou a multa de ofício considerando que (fl. 2345): “A apropriação das notas fiscais emitidas pela Engemix S/A nos meses de outubro e novembro de 2005 como despesas operacionais do período de apuração encerrado em 31/12/2006, no valor de R$ 65.030,94, constitui evidente intuito de fraude definido nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, sujeitandose a contribuinte à multa qualificada de 150 % a ser aplicada sobre as diferenças de imposto e contribuições apuradas.”. 139 Analisando o demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal (fl. 2350), verificase que o ocorrido se refere a mero erro quanto à apropriação de despesas no correspondente período de apuração, que se concentrou em seis notas fiscais, emitidas entre 25.10.2005 e 30.11.2005, e que não trouxe prejuízos à Fazenda Pública – como, por exemplo, a violação ao limite de compensação de prejuízos fiscais, em função do aproveitamento integral da despesa no ano seguinte, haja vista que, tanto no anocalendário 2005, quanto no anocalendário Fl. 3722DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 18 17 2006, o interessado apurou lucro real e base de cálculo positiva de CSLL (fls. 3531/3608). 140 Além disso, as despesas apropriadas no período de apuração indevido, no valor de R$ 65.031,34, representam apenas 0,07% do total das despesas operacionais declaradas pelo interessado, no valor de R$ 90.270.930,84 (Linha 32 da ficha 05A da DIPJ/2007 fl. 366). A irrelevância desse valor em relação ao conjunto das despesas declaradas afasta qualquer hipótese de qualificação da multa fundamentada em “evidente intuito de fraude”. 141 Deste modo, afastada a qualificação da multa e ante a existência de pagamento de estimativas de IRPJ e de CSLL ao longo do ano calendário 2006, o termo inicial para contagem do prazo decadencial regese pelo art. 150, § 4º do CTN. Portanto, há que se reconhecer também a decadência do crédito tributário constituído em função da glosa de despesas com manutenção e conservação de prédios e instalações no valor remanescente de R$ 65.031,34, como fundamentado no item precedente intitulado “Decadência”. 142 Em síntese, deve ser reconhecida a decadência em relação ao crédito tributário constituído tendo como base o valor total da glosa de “despesa com manutenção e conservação de prédios e instalações” no valor de R$ 1.184.590,29 (R$ 65.031,34 + R$ 1.119.558,95). (Grifouse) No que tange às infrações às quais não foi aplicada a multa de 150% e ante ao pagamento de estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário em questão, temse como correta a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, quanto à contagem do prazo decadencial. Relativamente à parcela de R$ 65.031,34, não se vislumbra ter havido o intuito de fraude, conforme fundamentado na decisão recorrida. Dessa forma, também quanto a essa parcela da infração é aplicável o dispositivo legal em questão. Quanto a esse ponto, não se suscita nenhum reparo na decisão de piso. Recurso voluntário. Após o julgamento em primeira instância, restou do lançamento somente a infração relativa à glosa de despesas de locação de veículos (IRPJ e CSLL) e a correspondente glosa de créditos relativos a esses aluguéis para fins de apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Relativamente a essa parte do lançamento, assim se pronunciou o i. julgador Luís Mário Monteiro Teixeira, da DRJ/SDR, em sua declaração de voto (fl. 3.630 e 3.631): Acompanho o voto do relator no que toca tanto à constatação da decadência de parte do lançamento, como também da qualificação da multa de ofício em todos os casos por ele analisados. Todavia, peço vênia para dele divergir quanto ao mérito do lançamento da infração decorrente da glosa de despesas de locação de veículos. Fl. 3723DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 19 18 Entendo que o fundamento principal para a autuação nesse ponto decorreu do entendimento fiscal de que a única finalidade da cisão parcial sofrida pela impugnante, por meio da qual veículos de seu uso e propriedade foram vertidos para o patrimônio de empresa do mesmo grupo (Transcel), era gerar uma economia tributária, mediante a dedução de despesas de locação desses mesmos veículos antes cindidos. Pelo que se viu nos autos, entendeu a fiscalização que a operação foi um mero ardil para criar despesas. Pois bem, a relatoria, mediante aprofundado estudo sobre os fundamentos jurídicos e econômicos de tal operação societária intragrupo, deu provimento às conclusões da fiscalização no ponto. Esse entendimento é por mim igualmente acatado. Nesse contexto, uma vez confirmado pelos fatos que a referida cisão foi um mero artifício, um mero ardil, a glosa de custos decorrentes da locação dos veículos, concordamos, é uma conseqüência natural daquela conclusão. Contudo, não é essa a única. Como destacou o impugnante, uma vez requalificado o fato, há que se reapurar todos os efeitos decorrentes da conclusão de que não houve uma real cisão. Assim, entendo que caberia à fiscalização, tão logo concluísse pela desconsideração daquele ato societário, refazer a apuração dos tributos do período, considerandose, nesse mister, além da glosa dos custos em si, os encargos de depreciação e financeiros correspondentes, como se não tivesse ocorrido a cisão. Só assim poderíamos conhecer a extensão correta do benefício fiscal artificialmente almejado. Pelo que vejo nos autos, não houve movimento algum da fiscalização nesse sentido, limitandose o lançamento à glosa da despesa. Por isso, entendo que o lançamento, nesse ponto, padece de vício que atinge sua própria materialidade, impossibilitando que se conheça realmente os valores devidos de IRPJ e de CSLL. Dessa forma, data vênia as judiciosas considerações do relator, entendo que, nessa parte, é improcedente o lançamento. Com a devida vênia do i. julgador, é de se concordar com ele apenas em parte. Houve sim, um erro quanto à apuração da base de cálculo que, no entanto, poderia e pode ser corrigido com o fim de se adequar o valor do tributo a ser exigido. Para tanto, basta o reconhecimento das despesas de depreciação relativamente aos veículos que, em face da cisão desconsiderada, foram vertidos indevidamente ao patrimônio de outra Pessoa Jurídica. PIS/Pasep e Cofins No que tange às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, os créditos decorrentes das despesas de locação de veículos não podem ser apropriados, como consta no Termo de Verificação Fiscal e na decisão de piso. Contudo, relativamente aos decorrentes da depreciação, há disposição legal nesse sentido, observadas, no entanto, as limitações dispostas na legislação. Conclusão. Fl. 3724DF CARF MF Processo nº 10803.720003/201302 Resolução nº 1201000.265 S1C2T1 Fl. 20 19 Em face de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que o presente processo seja remetido à unidade de origem da circunscrição da recorrente, para que seja efetuada a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo a mesma sistemática adotada para o lançamento de ofício, considerandose no entanto, adicionalmente, os encargos de depreciação e financeiros a serem também apurados. No que tange à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, também deverá se proceder a uma nova apuração, levandose em consideração os eventuais créditos decorrentes da depreciação, observadas as limitações legais. Poderão ser consideradas para início dessas apurações as planilhas apresentadas junto com a impugnação (doc. 9), após a devida confirmação, pelo que a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos para esse fim. As conclusões deverão constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Esgotado o prazo acima, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005952/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO - A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE.
Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, exclui-se o montante correspondente da base tributável.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
O procedimento de declarar ao Fisco Federal valores de receitas zerados ou inferiores àqueles informados nos livros do ICMS caracteriza sonegação sujeitando o infrator à imputação da multa qualificada.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2007
CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicam-se a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
Numero da decisão: 1402-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o coobrigado Sergio Antonio de Santana Roriz da relação jurídico tributária e deduzir da base tributável o valor de R$ 11.653.127,72.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO - A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, exclui-se o montante correspondente da base tributável. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O procedimento de declarar ao Fisco Federal valores de receitas zerados ou inferiores àqueles informados nos livros do ICMS caracteriza sonegação sujeitando o infrator à imputação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2007 CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicam-se a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal.
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E COM. IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ARTEFATOS E DERIVADOS PLÁSTICOS ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 EXTRATOS BANCÁRIOS. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO A utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. O artigo 42, da Lei nº 9.430/96, estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 59 52 /2 01 0- 97 Fl. 1384DF CARF MF 2 Demonstrado que parte dos valores tributados como depósitos bancários sem comprovação de origem correspondem a transferência entre contas de mesma titularidade, excluise o montante correspondente da base tributável. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O procedimento de declarar ao Fisco Federal valores de receitas zerados ou inferiores àqueles informados nos livros do ICMS caracteriza sonegação sujeitando o infrator à imputação da multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. A arguição da natureza confiscatória dos percentuais de multa envolve matéria de caráter constitucional. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 CSLL.PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Tendo em vista que os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins têm natureza reflexa em relação ao IRPJ, aplicamse a elas o resultado do julgamento da autuação tida como principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o coobrigado Sergio Antonio de Santana Roriz da relação jurídico tributária e deduzir da base tributável o valor de R$ 11.653.127,72. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.385 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto trechos do relatório da decisão recorrida: Em 19/07/2010, durante procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, foram lavrados, contra o sujeito passivo acima qualificado, autos de infração, todos referentes ao anocalendário de 2007, para a exigência dos seguintes tributos: a) Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 3.589.640,12, compreendendo o valor relativo ao IRPJ, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 859 a 866). b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 1.645.432,80, compreendendo o valor relativo à CSLL, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 867 a 873). c) Contribuição para o PIS/Pasep – PIS, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 927.899,27, compreendendo o valor relativo ao PIS, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 874 a 881). d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 3.589.640,12, compreendendo o valor relativo à Cofins, juros de mora calculados até 30/06/2010 e multa de ofício (fls. 882 a 889). [...] O procedimento fiscal foi autorizado objetivando verificar a correta apuração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devidos no anocalendário de 2007. Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica –DIPJ relativa ao anocalendário 2007 (fls. 828 a 853), a contribuinte informa ter optado pela sistemática do Lucro Real Anual, tendo também informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF débitos de PIS e de Cofins dos meses de outubro e novembro na sistemática da não cumulatividade, aplicável às empresas sujeitas ao Lucro Real. Entretanto, nesta DIPJ todos os campos relativos ao anocalendário 2007, foram declarados com valor igual à zero. Tendo sido intimada (fls. 02 a 06) e reintimada (fls. 07 a 09) a apresentar seus livros fiscais e extratos de movimentação financeira de suas contas bancárias, a contribuinte mantevese inerte. Foram expedidas, então, Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF (fls. 189 a 225 e 228 e 229), respondidos pelas seguintes instituições financeiras: [...] Fl. 1386DF CARF MF 4 Em 04/06/2010, a contribuinte recebeu o Termo de Intimação Fiscal e de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 12 a 119), onde é intimada a comprovar a origem dos valores creditados ou depositados em suas contas bancárias, conforme planilha apresentada pela fiscalização, elaborada a partir dos valores constantes dos extratos bancários. Não tendo novamente apresentado qualquer documento ou justificativa para sua inércia, ficou caracteriza a incidência da presunção da omissão de tais receitas, estabelecida no art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99, e lançados os tributos devidos decorrentes das receitas omitidas. Salientese que a contribuinte declarou às Secretarias de Fazenda do Estado de Goiás e do Estado de Mato Grosso valores expressivos de vendas de mercadorias fls. 141 a 182), mas que foram considerados já incluídos nas receitas omitidas decorrentes da presunção relativa aos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte. Foi aplicada a multa de 150% relativa ao art. 44 da Lei nº 9.430 de 26 de dezembro de 1996, tendo em vista a discrepância entre os valores declarados à Receita Federal do Brasil – RFB (zerados) e aqueles declarados aos fiscos goiano e de Mato Grosso (mais de R$ 25.000.000,00), ficando, portanto, caracterizada a tentativa de impedimento doloso do conhecimento, por parte da RFB, da ocorrência e das características materiais dos fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins devidos, de forma a não recolher tais tributos, ficando caracterizada a sonegação fiscal definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Foi também lavrado o Termo de Sujeição Passiva (fls. 896 e 897) contra os Senhores Claudionor José Alves, CPF nº 772.442.30168, e Sérgio Antônio de Santana Roriz, CPF 278.302.41104, tendo em vista que eram sóciosadministradores da empresa e que a conduta acima descrita é contrária à lei, caracterizando sua responsabilidade solidária pelos créditos tributários constituídos. Por configurar esse procedimento, em tese, crime contra a Administração Pública Federal ou em detrimento da Fazenda Nacional, ensejou a formalização da representação fiscal para fins penais constante do processo nº. 10120.006198/201011, remetida ao Ministério Público Federal, conforme art. 7º, § 1º, inciso III, da Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008. Procedeuse também o arrolamento nos processos administrativos nº 10120.006048/201007 (Plastibrax), nº 10120.006047/201054 (Claudionor José Alves) e nº 10120.006049/201043 (Sérgio Antônio de Santana Roriz). O Sr. Claudionor não apresentou impugnação aos autos. A empresa e o Sr. Sérgio apresentaram, em uma única impugnação, suas defesas (fls. 911 a 987) contestando o feito fiscal sob as seguintes alegações: • Inaplicabilidade da responsabilidade subsidiária dos sócios – art. 134, VII, do Código Tributário Nacional – CTN, tendo em vista que a Plastibrax é uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, não se caracterizando como sociedade de pessoas, muito menos de sociedade liquidada. Em uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, o sócio não tem nenhuma responsabilidade tributária quando o capital estiver integralizado. • Inaplicabilidade na espécie da responsabilidade pessoal dos sóciosdiretores – art. 135, III, do CTN. A responsabilidade pessoal dos administradores deve recair sobre os atos dolosos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Nesse Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.386 5 caso, a responsabilidade é subjetiva e incumbe ao Fisco, provar a ocorrência dos atos dolosos sendo aceita a presunção legal neste caso. Entende que ato ilícito é diferente do ato contrário à legislação tributária e que o art. 135 deveria ser interpretado como “ato praticado com infração à lei”, como ato praticado dolosamente. Ampara sua interpretação na doutrina de Sacha Calmon Navarro Coelho (In Curso de Direito Tributário Brasileiro, 3ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 628), no RE nº 85.241, do Supremo Tribunal Federal – STF, no EREsp. Nº 174.532/PR, do Superior Tribunal de Justiça e no Recurso nº 149.105, do 1º CC, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. • Não é possível o Fisco imputar ao Sr. Sérgio a responsabilidade pela apresentação da DIPJ, pois na data da transmissão da declaração à Receita Federal, ele já não pertencia mais ao quadro societário da PLASTIBRAX, o que pode ser confirmado pela DIPJ entregue à época (fls. 829 a 853). A 6ª alteração contratual da PLASTIBRAX (fls. 123 e 124) atesta que o Sr. Sérgio se retirou do quadro societário em 05/05/2008. • A PLASTIBRAX, empresa tributada pelo lucro real, não informou nenhum valor relativo à IRPJ e CSLL na DCTF em 2007, pois, só estaria obrigada a informar tais débitos se tivesse apurado lucro líquido no anocalendário 2007, e, ainda assim, se não tivesse prejuízo acumulado ou saldo negativo de CSLL passíveis de compensação. Com relação ao PIS e à Cofins não cumulativas, só haveria informação na DCTF se os débitos apurados fossem superiores aos créditos. • Os extratos bancários e as informações cadastrais da PLASTIBRAX (fls. 255 a 828) não foram fornecidos pela empresa, de forma que houve a quebra do sigilo bancário pelo Fisco Portanto requer a nulidade do lançamento por vício material ou substancial, tendo em vista que é inadmissível no processo prova obtida por meio ilícito. Sustenta que as RMF foram expedidas sem a elaboração de relatório prévio circunstanciado, fundamentado, que demonstrasse com clareza e precisão a ocorrência de alguma das situações elencadas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. Entende que o Fisco deveria demonstrar de forma clara e precisa que gastos e investimentos superiores à renda disponível da PLASTIBRAX, serviram para justificar a emissão das RMF (fls. 183 a 188 e 226 e 227). A ausência do relatório previsto nos §§ 5º e 6º do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, evidenciam que os extratos bancários da empresa foram obtidos pelo Fisco por meio ilícito. Em defesa da argumentação, cita o Acórdão nº 10196355, do 1º CC, hoje CARF. • Acrescenta que a falta de tal relatório que justifique os motivos da quebra do sigilo bancário pelo Fisco também é contrária aos requisitos essenciais do ato administrativo, como ensinam os mestres Hely Lopes Meirelles (in Direito Fl. 1388DF CARF MF 6 Administrativo Brasileiro, 21ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996), Maria Sylvia Zanella Di Pietro (in Discricionariedade Administrativa na Constituição de 1988. Atlas: São Paulo, 1991, p. 151) e Celso Antônio Bandeira de Mello (in Elementos do Direito Administrativo, Revista dos Tribunais: São Paulo, 1980, p.39). A necessidade de motivação do ato administrativo também está disciplinada no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. • Admitir tais extratos bancários seria ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, da vida privada e da intimidade das pessoas, assim como dos seus dados, além de configurar a admissão de provas obtidas por meio ilícito. É admitir que a administração pública federal não deve obediência aos princípios constitucionais de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. É admitir a negação da vinculação à lei da atividade do lançamento, conforme preceitua o art. 142 do CTN. • Não haveria a demonstração da ocorrência do fato gerador, por ausência de provas. Entende que o lançamento deve ser declarado nulo, visto que seus valores foram provados por extratos bancários obtidos por meio ilícito e que, portanto, devem ser afastados do processo. Em seu auxílio cita extensa doutrina e diversos acórdãos do atual CARF (Acórdão nº 0104.601, Acórdão nº 10706695, Acórdão nº 10808174, entre outros). • A presunção de omissão de receitas não pode prevalecer sob grande parte dos depósitos de origem não comprovada (R$ 30.878.760,63), uma vez que foi comprovada (pela própria autoridade fiscal) sua origem pela venda de mercadorias efetuadas nos Estados de Goiás e Mato Grosso. Entende que o Fisco não demonstrou fatos cujos elementos pudessem subsumir aos aspectos ou critérios da hipótese de incidência tributária do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. • Excluindo se os 30 milhões acima descritos, o valor restante (R$ 23.904.974,85) referese a DOC e TED emitidos e recebidos pela própria empresa, depósitos de cheques liberados como dinheiro, cujos valores foram considerados em duplicidade, cheques devolvidos, cheques reapresentados, créditos objeto de empréstimos, valores recebidos em transferência de contas garantidas pelas instituições financeiras, recebimento de duplicatas, etc. Aponta como prova do alegado que o valor consignado na planilha “DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS” (fls. 858), elaborada pelo Fisco corresponde, exatamente, ao somatório dos valores relacionados na planilha “Anexo – Termo de Intimação e de Solicitação de Esclarecimentos de 01/06/2010 (fls. 14 a 125)”. [...] • É indevida a majoração da base de cálculo do IRPJ em 20% sobre os valores de depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.387 7 O caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, já previu o arbitramento da base de cálculo, que consiste nos valores creditados na conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não for comprovada. Tal interpretação é reforçada pelo § 2º do referido artigo, que permite a apuração do IRPJ com base no lucro real, presumido ou arbitrado, sendo que a base de cálculo do IRPJ com base no lucro arbitrado corresponde à receita tributável acrescida de 20%. Ora, se o § 2º remete à tributação específica os valores cuja origem houver sido comprovada, então o caput do art. 42, contrariu sensu, não remete a valores a que se refere essa tributação. • A qualificação da multa de ofício em 150 % é inaplicável, visto a ausência de dolo. A autoridade fiscal não comprovou a ação ou omissão dolosa que autorizaria a qualificação da multa em 150%. As DIPJ apresentadas pela PLASTIBRAX são meramente informativas, não se prestando a alimentar os sistemas de cobrança da RFB, portanto, não constituem confissão de dívida. A qualificação da multa pela simples omissão de dados na DIPJ é imprópria. É fato incontroverso que a litigante entregou sua DIPJ do exercício 2008 com informações inexatas, logo a autoridade fiscal autuante, em obediência aos §§ 4º e 5º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, deveria ter intimado a empresa a prestar esclarecimentos sobre as informações na declaração, o que não ocorreu. A penalidade aplicável ao caso seria a prevista no inciso IV do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, que prevê a multa de R$ 20,00 por grupo de 10 informações incorretas ou omitidas. O maior efeito da entrega da DIPJ exercício 2008, ainda que com informações inexatas, foi levar ao conhecimento do fisco a própria omissão cometida pela empresa. Esse também é o entendimento do Conselho de Contribuintes, expresso nos acórdãos nº 10193144, nº 10807519, nº 10806039, nº 10320943, 10807561, nº 20179515 e nº 10196104. Ora, não houve intuito de retardar do conhecimento da autoridade administrativa os valores tributáveis, houve apenas a declaração inexata entregue ao Fisco. Consta dos autos cópia das DCTF apresentadas pela PLASTIBRAX com os valores devidos no exercício de 2008, decorrentes de sua opção pela forma de tributação pelo lucro real. • Os depósitos bancários não configuram fato jurídico tributário sujeito à incidência do Imposto de Renda., por não se enquadrarem nas definições de fato gerador do art. 43 do CTN. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ter criado novo fato gerador do IR, visto que reproduziu o disposto no § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990, Fl. 1390DF CARF MF 8 rechaçado pelos tribunais porque, como lei ordinária, não teria o condão de revogar ou inovar o CTN (lei complementar). Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR e pronunciamentos do STJ no REsp nº 238.357/CE e REsp nº 71794/SP, do TRF no AC nº 199840000009591/PI, AC nº 200001000641025/ MG, AC nº 169688AC nº 93705 e AC nº 200370010001820. • A quebra do sigilo bancário da PLASTIBRAX pelo Fisco, sem autorização judicial, ofende aos princípios constitucionais do direito à intimidade, à vida privada, ao sigilo de dados e ao princípio da inafastabilidade da prestação jurisdicional. • A aplicação da multa de 150% é abusiva e configura confisco [...] O sujeito passivo alega equívocos na apuração da exigência eis que a maior parte dos valores teria origem em transferências entre contas de mesma titularidade ou representariam empréstimos contraídos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF prolatou o Acórdão 0342.421 dando parcial provimento ao recurso para acatar parte das alegações quanto a depósitos que representariam transferências entre contas de mesma titularidade. Da parte exonerada foi interposto recurso de ofício. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.388 9 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator No que se refere ao recurso de ofício, tendo em vista que a autuação envolveu omissão de receitas decorrente de depósitos bancários sem comprovação de origem, a atividade julgadora consistiu fundamentalmente num juízo de valoração probante em relação às justificativas apresentadas para demonstrar a procedência dos valores. Nesse ponto, a decisão recorrida foi extremamente criteriosa identificando e acatando os valores que restaram demonstrados como transferência de mesma titularidade, em procedimento que não merece qualquer ressalva. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere à imputação da responsabilidade importa preliminarmente definir o alcance dos dispositivos que regem a matéria. Sob esse prisma, esclareçase que a solidariedade prevista no art. 124, do CTN, não é um mecanismo de eleição de responsável tributário. Em outras palavras, não tem o condão de incluir um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas apenas de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já o compõem. 1 Tanto é assim, que o dispositivo em comento não integra o capítulo do CTN que trata da responsabilidade tributária. Assim, a definição da sujeição passiva deve ocorrer em momento anterior ao estabelecimento da solidariedade. Ainda que tal assertiva tenha características de obviedade, seu escopo dirigese à ressalva da fragilidade do inciso I, do mencionado art. 124, do CTN; muitas vezes utilizado de forma equivocada para estabelecer uma espécie de sujeição passiva de forma indireta. Em regra, devese buscar a responsabilidade tributária enquadrandose o fato sob exame em alguma das situações previstas nos arts. 129 a 137, do CTN. Já a solidariedade obrigacional dos devedores prevista no inciso I, do art. 124 é definida pelo interesse comum ainda que a lei seja omissa, pois tratase de norma geral. Por outro lado, definida a responsabilidade com base no enquadramento em alguns dos dispositivos do art. 135, do CTN (normalmente o inciso III) é cabível a aplicação em conjunto com o art. 124, II do mesmo diploma legal, para definir que essa responsabilidade é solidária ainda que, reconheço, o tema não é pacífico na doutrina. 1 Derzi, Misabel Abreu.Atualização da obra de Aliomar Baleeiro. Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense , p. 729 Fl. 1392DF CARF MF 10 Entretanto, conforme entendimento sobre o qual não há qualquer divergência na doutrina ou na jurisprudência, o inciso III, do art. 135 é direcionado àquelas pessoas que exercem de fato a administração da pessoa jurídica e nesse exercício pratiquem o ato infracional previsto no dispositivo em comento. Não basta ter sido beneficiado pela infração cometida. Tal circunstância pode, em tese, até gerar conseqüências na esfera penal mas, sem a prova do poder de gerência e da prática do ato, não pode haver o enquadramento no inciso III, do art. 135, do CTN. Mais ainda, o artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 2 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos moldes supra explicitados. Assim, voto por acolher o recurso voluntário no que se refere à exclusão do coobrigado do pólo passivo da relação jurídicotributária. A arguição de que as RMFs foram expedidas sem elaboração do relatório prévio de que trata o Decreto nº 3.724/01 mostrase absolutamente improcedente. A solicitação de emissão de RMF elaborada pela autoridade lançadora (fls. 183/187) traz em seu bojo o relatório com as razões tidas como pertinentes para justificar a emissão dos documentos, conforme abaixo transcrito: 2 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.389 11 Conforme transcrição supra, estão perfeitamente identificadas as razões e o enquadramento legal que embasam o requerido. Assim, ainda que a recorrente tenha trazido extensos argumentos em sentido contrário, são totalmente infundadas as alegações de que os extratos bancários teriam sido obtidos de forma ilícita e que não poderiam ser admitidos como prova. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações Fl. 1394DF CARF MF 12 prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no .430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) Registrese que em recente julgamento (24/02/2016) o STF manifestouse em repercussão geral pela constitucionalidade das normas que autorizam a disponibilização pelas instituições financeiras de informações bancárias ao Fisco (RE 601314/SP): RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.390 13 de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento O sujeito passivo sustenta a impossibilidade de tributação com base exclusivamente em extratos bancários. Tal entendimento já foi superado desde o advento do art. 42, da Lei nº 9.430/96 que estabeleceu a hipótese da caracterização de omissão de receita com base em movimentação financeira não comprovada. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo dispositivo em comento torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. Registrese que a jurisprudência apresentada pela recorrente analisou casos anteriores ao advento do diploma legal supra mencionado. Não há que se falar na necessidade de quaisquer outros elementos para caracterizar o ilícito como a comprovação dos valores depositados como renda consumida. Vejase a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à formalização da exigência, sustenta a recorrente que os valores de receita informados à Fiscalização estadual foram reconhecidos pela autoridade lançadora como integrantes dos depósitos autuados e, sendo identificados, não poderia ser tributados sob a égide do art. 42, da Lei nº 9.430/96. A arguição da defesa traz algumas impropriedades. A primeira delas consiste na afirmativa de que os valores mencionados representariam depósitos identificados. A identificação mencionada na norma é aquela pela qual um depósito específico é vinculado a uma determinada origem, seja uma operação de venda, uma transferência ou qualquer outra operação. NENHUM dos depósitos tributados possui essa característica. Outra impropriedade tem origem no fato de que as receitas informadas nas guias estaduais não foram oferecidas à tributação no âmbito federal. Assim, caberia sem dúvida que fossem incluídas nas autuações de que tratam os autos. Lembrando que a apuração do resultado foi feita na modalidade do lucro arbitrado, mesmo que por hipótese, e apenas por hipótese, parte dos depósitos tivesse sido identificada, ainda assim não haveria diferença na formalização da exigência pois o arbitramento envolve a totalidade da receita auferida pela pessoa jurídica. Em outras palavras, o arbitramento não “coexiste” com outras modalidades de apuração. Com base nos parágrafos anteriores, cai por terra também a afirmativa de que não caberia a aplicação do percentual de arbitramento sobre os depósitos bancários representativos das receitas que o sujeito passivo – equivocadamente – afirma terem sido identificadas. Em relação à base tributável, após a decisão de primeira instância remanesceu nos autos o valor de R$ 43.875.252,49 referente a depósitos não comprovados no Banco do Brasil, Bradesco e Banco Safra. Ressaltese que, de acordo com o exposto em Fl. 1396DF CARF MF 14 momento anterior deste voto, não cabe a “dedução” nesse montante dos valores informados nas guias estaduais. No que se refere ao Banco do Brasil, com base nas alegações do sujeito passivo a decisão de primeira instância acatou os valores sob a rubrica “DEP. CHEQUE LIBERADO” que tivessem lançamentos complementares a débito e a crédito sob as rubricas “DESBL. DEPÓSITO” ou “EST.DEP.” Nesse critério, do montante de R$ 332.991,19 suscitado pela defesa o acórdão recorrido acatou R$ 208.918,79. Em sede recursal, a interessada afirma que parte desse valor (R$ 35.671,30) corresponderia a situações nas quais os desbloqueios de depósito seriam referentes a mais de um cheque o que se aplicaria também a alguns casos em que o lançamento “DEP. CHEQUE LIBERADO” poderia se referir a mais de um cheque. Nesse caso, o sujeito passivo não comprovou as alegações. Considerando que o Órgão julgador de primeira instância aplicou um critério coerente com as argumentações de defesa e justificou o motivo da não aceitação de alguns valores, voto por manter o valor de R$ 35.671,30 na base tributável. Também no que se refere ao valor de R$ 88.401,10, não foram comprovadas as alegações. Tanto na planilha elaborada pelo Fisco com base nos extratos bancários como naquela trazida aos autos na impugnação, os depósitos correspondentes a esse valor estão devidamente identificados sob a rubrica “DEP. CHEQUE LIBERADO” e, em relação a eles, não foi identificada a contrapartida. Mantémse o lançamento sobre esse valor. Quanto às transferências eletrônicas (TED TRANS. ELETR. DISPONIV.) assiste razão ao sujeito passivo. De fato, os extratos bancários indicam a correspondência de datas e valores na transferência de mesma titularidade. Excluise, portanto, da exigência o valor de R$ 140.000,00. No que se refere ao Bradesco, os depósitos reconhecidos como oriundos de tranferência de outras contas da empresa devem ser excluídos do lançamento. Não cabe o juízo de valor quanto ao fato desses valores não terem sido tributados em momento anterior pois tal análise deveria ser feita nos depósitos originais de onde foi feita a transferência. Sendo assim, excluise do lançamento os valores correspondentes à rubrica “ TED TRANSF ELET. DISP* REMET.PL” (documento 6 da impugnação) exceto aquele onde o histórico não identifica o remetente, conforme ressaltado na decisão recorrida (R$ 74.400,00, em 19/11/2007). Dáse provimento para excluir o montante de R$ 9.977.400,06 (R$ 10.051.800,06 – R$ 74.400,00). O mesmo raciocínio aplicase aos valores indicados no documento 7 da impugnação sob as rubricas “PLASTI DOC D”, “PLASTIBRAX I C I A LTDA”, “DOC D”, “PLASTIBRAX IND COM I”, “DEPOSITO CHQ COR BANC PLASTIBR”, “RECEBIMENTO TED E”, “TRANSF ENTRE AGENC DINH PLASTI”, no montante de R$ 177.789,74 ( os demais valores indicados no doc. 7 no montante de R$ 309.865,74 foram acatados pela decisão recorrida) que também referemse a transferência de mesma titularidade e devem ser excluídos do lançamento. Quanto ao Banco Safra, pelo exame dos extratos da conta tida como principal (de onde foram extraídos os valores tributados) pareceme razoável a alegação de que parte dos valores referese à transferências entre contas de mesma titularidade. O próprio histórico do lançamento induz a essa conclusão eis que os valores em questão foram Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.391 15 depositados sob as rubricas “LIB. VINCULADA”, “ TRANSF.TB” ou “TRANSF. AUT. CRÉD.” Nos depósitos sob a rubrica “TRANSF. AUT. CRÉD.” o extrato faz referência ao nº do documento que representa a denominada conta garantida de titularidade da empresa nessa mesma instituição financeira (1205457) Indubitável, portanto, tratarse de circulação de numerário entre contas de mesma titularidade. Para as situações sob a rubrica “LIB. VINCULADA” e “TRANSF.TB”, ainda que nem todos os lançamentos possuam o indicativo das contas vinculadas ( 1272634 e 1272642) ou garantida (1205457) o próprio histórico do lançamento induz à conclusão de que se trata de simples transferência entre contas da interessada. Na linha do exposto em relação ao Bradesco, não cabe juízo de valor quanto ao fato desses valores não terem sido tributados em momento anterior, pois tal análise deveria ser feita nos depósitos originais que alimentaram as contas de onde foi feita a transferência. Sendo assim, voto por excluir da base tributável os valores correspondentes a “LIB. VINCULADA” (R$ 540.078,58); “TRANSF.TB” (R$ 715.972,79) e “TRANSF. AUT. CRÉD.” (R$ 101.886,55). Considerando que as razões de defesa e as planilhas apresentadas pelo sujeito passivo foram devidamente analisadas, com provimento de parte significativa do recurso em relação às alegações de transferência de valores entre contas de mesma titularidade, não se justifica a realização da diligência pleiteada. Os elementos constantes dos autos foram suficientes para a formação da convicção deste julgador. Em relação à aplicação da multa qualificada, considero correta a imputação. A entrega das declarações do IRPJ zeradas não representam simplesmente uma inexatidão, como quer ver a recorrente, mas uma conduta dolosa principalmente diante do fato de que foram declaradas receitas nas guias de ICMS. Não há como se alegar simples e conveniente engano na prestação das informações quando se sabe que os valores lançados no Livro de ICMS permitem o aproveitamento de eventuais créditos gerados nas operações enquanto os dados disponibilizados ao Fisco Federal tratam exclusivamente de valores tributáveis. Nesse sentido foi consolidada a jurisprudência dessa Corte: Acórdão 1301001.456: OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA DECLARADA NA DIPJ E A RECEITA APURADA PELO FISCO ATRAVÉS DAS GIA/ICMS. Caracterizase como prova direta da omissão de receitas a divergência apurada pelo Fisco na comparação entre a receita declarada pelo sujeito passivo nas DIPJs, com valores totalmente zerados, e o valor de suas receitas, obtido em face das informações prestadas pela própria autuada à Fazenda Estadual de São Paulo, quando do preenchimento das Guias de Informação e Apuração (GIA) do ICMS paulista, mormente quando a fiscalizada não atende às intimações para apresentar seus livros ou sua escrituração de modo a infirmar o trabalho fiscal, sendo lícita a obtenção de tal Fl. 1398DF CARF MF 16 prova por meio de celebração de convênio de cooperação fiscal entre as Fazendas Públicas. MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Acórdão 1101001.226: MULTA QUALIFICADA. Procedente a aplicação da multa de ofício qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas: (i) a simulação do contrato social da empresa autuada, pela interposição de pessoas no lugar dos reais sócios, administradores e beneficiários das atividades; (ii) a sonegação de tributos, tendo em conta a sistemática e reiterada prática de omissão de receitas apurada em face: (ii.1) do Parecer Contábil oferecido à Justiça Federal para contraditar a acusação de se tratar de empresa de fachada; (ii.2) das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA apresentadas ao Fisco Estadual; e (ii.3) dos depósitos bancários nas contas correntes de titularidade da empresa, sem comprovação da causa ou operação que teria dado origem aos recebimentos; e (iii) o conluio entre os fabricantes e os sócios de fato da empresa autuada, na apropriação e partilha do IPI devido, com base em liminares judiciais. No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual de multa, trata se de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa penalidade, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, enquanto não houver manifestação definitiva do STF ou STJ em sentido contrário, é impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio. De todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir o coobrigado Sergio Antonio de Santana Roriz da relação jurídico tributária e deduzir da base tributável o valor de R$ 11.653.127,72. Para subsidiar a autoridade responsável pela execução da decisão no sentido de obter os valores trimestrais excluídos da exigência, o valor supra deve ser assim decomposto: Banco do Brasil: R$ 140.000,00: Ver Item 242 do recurso voluntário onde estão explicitados três depósitos indicativos de TEDs oriundos de outras contas da interessada, sendo dois no primeiro trimestre no total de R$ 45.000,00 e um no quarto trimestre no valor de R$ 95.000,00. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10120.005952/201097 Acórdão n.º 1402002.607 S1C4T2 Fl. 1.392 17 Bradesco: R$ 10.155.189,80: Desse montante, o valor de R$ 9.977.400,06 representa os depósitos imdicados no Documento 6 da impugnação (total de R$ 10.051.800,06) , com exceção do depósito de R$ 74.400,00 em 19/11/2007 que foi tido como não comprovado. O valor de R$ 177.789,74 está explicitado no Documento 7 da impugnação representado pelos depósitos sob a rubrica de PLASTI DOC D”, “PLASTIBRAX I C I A LTDA”, “DOC D”, “PLASTIBRAX IND COM I”, “DEPOSITO CHQ COR BANC PLASTIBR”, “RECEBIMENTO TED E”, e “TRANSF ENTRE AGENC DINH PLASTI. Para que fique mais claro, NÃO estão incluídos nesse montante os depósitos sob a rubrica “DOC CREDITO AUTOMÁTICO* PLASTI” (R$ 12.500,00) e “OPERAÇÃO CAPITAL GIRO” ( R$ 297.365,74) que já haviam sido excluídos pela decisão de primeira instância. Banco Safra: R$ 1.357.937,92: R$ 548.078,58 estão explicitados sob a rubrica “LIB. VINCULADA” na planilha a que se refere o item 12 da impugnação; R$ 715.972,79 estão explicitados sob a rubrica “TRANSF. TB” na planilha a que se refere o item 13 da impugnação; e: R$ 101.886,55 estão explicitados sob a rubrica “TRANSF.AUT. CRÉD.” na planilha a que se refere o item 14 da impugnação; (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904121/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
ANTECIPAÇÕES - DECISÕES JUDICIAIS - EFEITOS
uma vez que o IRPJ e a CSLL possuem a sistemática de antecipações e apuração posterior definitiva com a possibilidade de apuração de saldo negativo no ajuste, impedir que o contribuinte isole o valor com exigibilidade suspensa para fins de realizar o cálculo do ajuste significa realizar transversalmente a cobrança do valor objeto da medida judicial.
Numero da decisão: 1401-001.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 21 /2 00 9- 64 Fl. 673DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1649.489 da 2ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 572578), que deu provimento parcial pelo reconhecimento de saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2004. A parte controvertida diz respeito ao valor de R$ 232.163,85 decorrente do MS nº 2003.61.00.0049660, que afastou parte da incidência da contribuição. A decisão atacada fundamento assim o indeferimento, in verbis: No que se refere ao aproveitamento (resultado positivo de equivalência patrimonial, registrado na contabilidade de empresa brasileira referente ao investimento em empresas coligadas e controladas (investidas) no exterior) de direito discutido no âmbito judicial (fls.31/34), somente são compensáveis créditos com decisão transitada em julgado (art.170 A do CTN), o que ocorreu no presente caso (fl.570). (...) Quanto a esta questão a diligência verificou que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao retomar o julgamento do REsp nº 1.211.882/RJ, decidiu, por unanimidade, que é ilegal a exigência de IRPJ e da CSLL sobre o resultado positivo de equivalência patrimonial, registrado na contabilidade de empresa brasileira referente ao investimento em empresas coligadas e controladas (investidas) no exterior (IN SRF nº 213/2002, art. 7º, § 1º), que exceda os montantes que seriam exigidos caso adicionados às respectivas bases de cálculo somente os lucros obtidos pelas empresas investidas. Pelo extrato do processo do MS 2003.61.00.0049660/SP, o processo teve decisão favorável à contribuinte com trânsito em julgado (fls.560/567). Portanto o montante de R$ 232.163,85 pode ser pleiteado em declaração específica para aproveitamento em compensações. Portanto, referido valor não será computado neste PAF, pois na ocasião do da apresentação da PERD/DCOMP, o valor não poderia ter sido pleiteado em decorrência do disposto no art.170A do CTN. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Já enfrentei o tema aqui em debate, apesar de não ter conseguido localizar o Acórdão. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10880.904121/200964 Acórdão n.º 1401001.979 S1C4T1 Fl. 674 3 Lembrome, porém, que adotava o posicionamento da decisão recorrida quando era julgador de primeira instância. Num julgado aqui no CARF, apontei esse meu anterior posicionamento. Nos debates, o exConselheiro Carlos Pelá, contudo, levantou uma questão que abalou a minha convicção. Pedi vista, refleti mais detidamente sobre o assunto e alterei a minha posição. Como já afirmei, não consegui identificar o acórdão em que debati neste Conselho a questão e provavelmente nem sequer elaborei um voto. Todavia, os fundamentos para dar provimento ao pleito do recorrente está no fato de que não se trata de aplicação do art. 170A por uma razão bem simples. Esse dispositivo só permite a compensação de valores, cuja restituição do crédito tributário é pleiteada judicialmente. Nesse caso, só o crédito reconhecido por meio de decisão passada em julgado pode ser usado para o encontro de contas. O objeto do mandado de segurança não tem por finalidade obter a restituição de valores, mas sim o de impedir a exigência. Ora, uma vez que o IRPJ e a CSLL possuem a sistemática de antecipações e apuração posterior definitiva com a possibilidade de apuração de saldo negativo no ajuste, impedir que o contribuinte isole o valor com exigibilidade suspensa para fins de realizar o cálculo do ajuste significa realizar transversalmente a cobrança do valor objeto da medida judicial. É não dar efetividade à decisão que suspendeu a exigibilidade do crédito. Não corresponde a uma restituição/compensação de valor ainda não passado em julgado; até porque o mandado de segurança não se presta a cobrança de valores. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 675DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900281/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.705
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 81 /2 01 3- 14 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.739, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900281/201314 Acórdão n.º 3301003.705 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000354/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO REFERENTE A SALDO NEGATIVO DE CSLL. CONFIRMADO.
Incorreto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista a confirmação de apuração de saldo negativo de CSLL de período anterior que havia sido utilizado para compensar estimativa mensal de CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para: a) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$1.372.423,61 com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001072/2003-82; b) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$275.732,26 com crédito de saldo negativo de IRPJ de 1996, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001077/2003-13.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO REFERENTE A SALDO NEGATIVO DE CSLL. CONFIRMADO. Incorreto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista a confirmação de apuração de saldo negativo de CSLL de período anterior que havia sido utilizado para compensar estimativa mensal de CSLL.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO REFERENTE A SALDO NEGATIVO DE CSLL. CONFIRMADO. Incorreto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista a confirmação de apuração de saldo negativo de CSLL de período anterior que havia sido utilizado para compensar estimativa mensal de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para: a) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$1.372.423,61 com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001072/200382; b) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$275.732,26 com crédito de saldo negativo de IRPJ de 1996, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001077/200313. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 54 /2 00 7- 96 Fl. 117DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório ITAÚ PREVIDÊNCIA E SEGUROS S.A. recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1617.729 da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação PER/DCOMP de números 22914.756630.150404.1.3.036576 e 22101.37124.300404.1.3.03.4353, apresentados pela contribuinte em epígrafe em 15/04/2004 e 30/04/2004, respectivamente (fls. 01 a 15). Esses PER/DCOMP se referem a compensações de débitos de COFINS, IRPJ (estimativa) e CSLL (estimativa) do mês de março de 2004 com créditos relativos a saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, no montante de R$7.877.950,24. Por meio do Despacho Decisório de fls. 18 a 19, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8" Região Fiscal Deinf/SPO reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: "Diante do exposto, no uso das atribuições regimentais DECIDO: 1. Reconhecer o direito creditório do contribuinte até o montante de R$6.229.794,27; 2. Não reconhecer o direito creditório de R$275.732,36, em função do decidido no processo n° 16327.001077/200313, atualmente junto à DIORT/DEINF/SP; 3. Não reconhecer o direito creditório de R$1.372.423,61, em função do decidido no processo 16327.001072/200382. " Cientificada da decisão em 27/08/2007, por meio do Comunicado Deinf/SPO/Diort n° 401/2007 (fls. 20 e 21), a interessada apresentou, em 25/09/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 22 a 25, acompanhada dos documentos de fls. 26 a 39. Informa que os valores indeferidos se referem a parcelas de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003, quitadas por compensações declaradas em duas Declarações de Compensação, formalizadas nos seguintes processos administrativos: a) 16327.001077/200313 compensação de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$275.732,26 com crédito de saldo Fl. 118DF CARF MF Processo nº 16327.000354/200796 Acórdão n.º 1201001.852 S1C2T1 Fl. 118 3 negativo de IRPJ de 1996, pleiteado no processo n° 16327.001071/200338; b) 16327.001072/200382 compensação de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$1.372.423,61 com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998. Alega que a decisão recorrida merece ser reformada, visto que o não reconhecimento dos direitos creditórios se fundamentou no fato de que eles se originaram em pagamentos feitos com base na anistia concedida pela Medida Provisória n° 38/2002, que, no entender da autoridade administrativa, não são passíveis de restituição por configurarem confissão irretratável de dívida. A interessada argumenta que o art. 165 do CTN assegura a restituição de tributo pago em montante superior ao devido, sendo ilegal qualquer restrição à compensação de valores pagos equivocadamente a maior. Assim, a confissão de dívida somente se aplica aos valores efetivamente devidos nos termos da legislação, devendo ser afastada a aplicação do disposto no art. 5°, § 7°, da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/2002, que estabelece que o pagamento de tributos com base na anistia concedida pela Medida Provisória n° 38/2002 não gera direito à restituição das quantias pagas. Ante o exposto, a manifestante requer a reforma do despacho decisório, para que seja reconhecido o direito creditório tal como pretendido, homologandose, por conseqüência, a compensação declarada. Requer, ainda, o cancelamento da Carta de Cobrança n° 118/2007, relativa ao PA n° 16327.001077/200313, já que é dependente do PA n ° 16327.001071/200338, cuja exigibilidade encontrase suspensa. E o relatório. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 11/08/2008, conforme AR juntado às efls. 54, apresentando em 10/09/2008, o recurso voluntário de efls. 55/60, aduzindo, em apertada síntese: a) a DRJ de São Paulo entendeu que não caberia reapreciar, no âmbito deste Processo Administrativo, o mérito das compensações de que tratam os Processos Administrativos de n°s 16.327.001.072/200382 e 16.327.001.077/200313, visto que a questão já foi decidida pela 10^ Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo que não homologou as compensações declaradas. Vale destacar que ainda pendem de julgamento os recursos voluntários apresentados pelo Recorrente junto aos processos mencionados, conforme extratos anexos (does. 04 e 05); b) afirma o julgador de l'' instância que a questão a ser decidida diz respeito à possibilidade de se utilizar, na composição do saldo negativo da CSLL, estimativas objeto de compensações não homologadas, ainda pendentes de decisão administrativa final; c) enquanto a RFB não se manifestar de forma definitiva nos processos de compensação mencionados (PA's n" 16327.001072/200382 e 16327.001071/200338), os Fl. 119DF CARF MF 4 quais, como visto, ainda pendem de julgamento perante o Conselho de Contribuintes (docs. 04 e 05), a compensação realizada extingue a obrigação tributária; d) considerandose a indiscutível vinculação do presente processo aos processos de compensação mencionados, apresentase imperioso que o julgamento deste processo administrativo nº 16327.000354/200796 fique sobrestado até decisão final a ser proferida nos processos de compensação (PA's nºs 16327.001077/200313 e 16327.001072/200382). E isso porque, se as compensações forem homologadas, a discussão ora travada neste processo restará prejudicada, impondose o reconhecimento total do direito creditório do Recorrente. Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Primeiramente, é importante ressaltar que os processos conexos mencionados no relatório deste voto tiveram os seguintes destinos: O processo de compensação nº 16327.001077/200313 encontrase apensado ao processo nº 16327.001071/200338 que teve o seu direito creditório reconhecido e homologada a sua compensação, conforme voto condutor proferido no Acórdão nº 1201 001.851, de 15/08/2017. O processo nº 16327.001072/200382 foi julgado na sessão de 28/09/2009 pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 110200.045 (efls. 80/85), que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório no valor de R$772.108,92, sobre os quais incidirão juros a partir da data do efetivo pagamento. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para: a) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$1.372.423,61 com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001072/200382; b) homologar a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2003 no montante de R$275.732,26 com crédito de saldo negativo de IRPJ de 1996, até o limite reconhecido no processo n° 16327.001077/200313. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 120DF CARF MF Processo nº 16327.000354/200796 Acórdão n.º 1201001.852 S1C2T1 Fl. 119 5 Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12689.001133/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 05/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA.
Verificado o erro material constante no v. acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos tão somente para sanar o erro material suscitado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-004.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ERRO MATERIAL. EXISTÊNCIA. Verificado o erro material constante no v. acórdão embargado, é de rigor a admissão dos embargos para correção do referido vício. No presente caso, os Embargos Declaratórios devem ser admitidos e providos tão somente para sanar o erro material suscitado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 00 11 33 /2 01 0- 71 Fl. 687DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302003.508 que, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para excluir o crédito correspondente às mercadorias já consideradas como passíveis de classificação de acordo com o resultado da diligência, bem como os 16 produtos listados no tópico 9a e os 177 produtos listados no tópico 9b (Tabelas A a J) do Voto. Segundo a Embargante há contradição entre a redação da parte da ementa relativa ao IPI e o voto condutor, na medida em que o primeiro indica aplicabilidade da retroatividade benigna, enquanto o segundo aponta expressamente a inocorrência de retroatividade benigna. Em 28 de junho de 2017, foi proferido o despacho de fls. 684686 no sentido de admitir os Embargos de Declaração para que seja dirimida a contradição anteriormente citado. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a contradição existente entre a redação da parte da ementa relativa ao IPI e o voto condutor, na medida em que o primeiro indica aplicabilidade da retroatividade benigna, enquanto o segundo aponta expressamente a inocorrência de retroatividade benigna. O demonstrativo abaixo resume a contradição apontada pela Embargante, senão vejamos: Parte da Ementa Voto Condutor ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de VI. Inaplicabilidade da alíquota de 50% para o cálculo do II e do IPI (...) Inexiste no artigo 106, do CTN, hipótese que preveja sua aplicação aos casos de alteração/modificação de alíquota. Dessa forma, as alteração no artigo 67 da Lei nº 10.833/03 trazida pela Lei n° 13.043/2014 que modificou a alíquota do tributo não é hipótese de incidência do artigo 106, do CTN. Com efeito, a retroatividade normativa, vedada às Fl. 688DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302004.728 S3C3T2 Fl. 3 3 desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado retroativamente em razão do instituto da retroatividade benigna. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. normas que veiculam obrigações tributárias, é admitida para as normas que instituem sanções em matéria tributária, desde que não estabeleçam regime mais gravoso, conforme previsão expressa do art. 106 do CTN. Ora, a mera alteração do critério quantitativo não caracteriza hipótese de penalidade (cuja moldura tem como antecedente uma conduta ilícita) como equivocadamente pretende a Recorrente Em resumo, o texto normativa somente se aplica aos casos em que (i) haja lei expressamente interpretativa; (ii) a lei deixar de definir um ato como infração; e (iii) cominar penalidade menos severa, o que não é o caso dos autos. Deste modo, entendo correto o lançamento fiscal neste ponto. Com efeito, constatase que a parte da ementa relativa ao IPI do acórdão embargado não refletiu corretamente o resultado do julgamento, considerando que nos termos do voto condutor não há que se falar em aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, do CTN. Somese a isso, que a primeira parte da ementa do acórdão, relativo ao Imposto sobre a Importação, traz em seu bojo a inaplicabilidade da retroatividade benigna, afastando, assim, qualquer dúvida em relação ao resultado do julgamento, a saber: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo Fl. 689DF CARF MF 4 67, da Lei nº 10.833/2003 não deve ser aplicado retroativamente. Inaplicabilidade do artigo 106, do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. Neste cenário, entendo que há evidente erro material contida na redação da ementa relativo ao IPI, a qual merece ser sanada nos seguintes termos: Onde constou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 deve ser aplicado retroativamente em razão do instituto da retroatividade benigna. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. Deve constar: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 05/03/2008 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de Fl. 690DF CARF MF Processo nº 12689.001133/201071 Acórdão n.º 3302004.728 S3C3T2 Fl. 4 5 benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. RETROATIVIDADE BENIGNA A alteração promovida pela Lei 13.043/2014, que modificou o critério de apuração dos impostos previstos no artigo 67, da Lei nº 10.833/2003 não deve ser aplicado retroativamente. Inaplicabilidade do artigo 106, do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO Não comprovado alegado erro na apuração da base de cálculo pela autoridade fiscal, impõese a manutenção do lançamento fiscal. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto Relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000215/2009-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 15 /2 00 9- 55 Fl. 226DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação juntado aos autos, este processo encontravase apenso ao Processo 15956.000216/200908, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 227DF CARF MF Processo nº 15956.000215/200955 Acórdão n.º 9202005.656 CSRFT2 Fl. 227 3 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 228DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 15956.000215/200955 Acórdão n.º 9202005.656 CSRFT2 Fl. 228 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 230DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 15956.000215/200955 Acórdão n.º 9202005.656 CSRFT2 Fl. 229 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 232DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 233DF CARF MF Processo nº 15956.000215/200955 Acórdão n.º 9202005.656 CSRFT2 Fl. 230 9 Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910558/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 17/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 17/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 58 /2 01 1- 13 Fl. 87DF CARF MF 2 Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico (nº de rastreamento 015236935), proferido em 03/01/2012 (fl. 20), que indeferiu o Pedido de Restituição, formulado por meio do PER nº 01445.28437.211206.1.2.04 6453 (fls. 25/27), referente a pagamento de IOF a maior no ano de 2004, no qual a interessada pleiteia a restituição do valor de R$ 248,70, relativamente ao DARF de IOF recolhido em 21/01/2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER acima, estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF do período de apuração da quarta semana do mês de dezembro/2006, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade, alegando homologação por decurso de prazo, já que transcorrido o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma do Despacho Decisório, com a consequente homologação da compensação pleiteada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 1460.565 de 09/05/2016, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP), à fl. 30: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 17/01/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910558/201113 Acórdão n.º 3402004.467 S3C4T2 Fl. 88 3 Em 27/06/2016 (fl. 36) o Recorrente foi devidamente cientificado por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB e não resignada com a decisão, em 22/07/2016 (fl. 37), interpôs o presente recurso voluntário (fls. 38/42), alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, ou mais precisamente, o Pedido de Restituição foi realizado em 21/12/2006 e a Compensação declarada em 26/12/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em 26/12/2011; (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, Fl. 89DF CARF MF 4 como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910558/201113 Acórdão n.º 3402004.467 S3C4T2 Fl. 89 5 Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000231/2006-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/10/2003, antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/10/2003, antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/10/2003, antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 31 /2 00 6- 51 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 289 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102002.716, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de outubro de 2013 (efls. 159 a 162). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Recurso Voluntário Provido em Parte Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 480,43 hectares. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva e Atílio Pitarelli, que davam provimento ao recurso. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 25/11/2013 (efl. 163), esta apresentou, em 11/12/2013 (efl. 175), Recurso Especial (efls. 164 a 174), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 177/178. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 289DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 290 3 Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial em relação à área de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: Fl. 290DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 291 4 a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 60/01, art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que a sua exigência não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, definida no art. 113, §§ 2º e 3º, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Ou seja: a ausência do ADA não enseja multa regulamentar o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto; Requer, assim, que seja reformado o acórdão atacado e restabelecida a exigência tributária, tendo em vista a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 26/01/15 (efl. 187), o contribuinte apresentou, em 10/02/2015, contrarrazões de efls. 190 a 196, onde: a) Alega que a decisão recorrida está totalmente de acordo com a atual Jurisprudência administrativa e judicial, esta última, principalmente pautada por decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que este Conselho, inclusive, estaria alinhado com o entendimento do STJ. Defende que, embora a MP 2.166 tenha sido editada posteriormente ao fato gerador, sua aplicação deve ser retroativa e os seus efeitos com relação ao presente caso são claros, tendo em vista que se trata de lei de cunho meramente interpretativo, tendo sua retroatividade assegurada pelo artigo 106, I do CTN; b) Assim, resta claro que o acórdão recorrido está de acordo com a Jurisprudência vigente, de forma que deve ser mantido no sentido do reconhecimento da área de preservação permanente, uma vez que o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal, no âmbito do ITR. Destarte, requer seja negado provimento ao Recurso Especial apresentado pela União Federal (Fazenda Nacional), sendo mantido o r.acórdão recorrido É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 292 5 Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 28/08/2006, consoante efl. 06; b) Atos Declaratórios Ambientais: b.1) ADA/2006, protocolizado em 21/07/2006, contendo 480,4 ha. a título de APP efl. 12; b.2) ADA/1997, protocolizado em 20/10/2003, também contendo 480,4 ha. a título de APP efl. 13; c) Laudo anexado pela autuada efls. 8 e ss. Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 480,4 ha. a título de área de preservação permanente (consoante Acórdão recorrido), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no Fl. 292DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 293 6 momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte, ao entregar o ADA/1997 em 20/10/03 (efl. 13), assim posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/03, consoante Instrução Normativa SRF no. 187, de 2002), mas, anteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 28/08/06. Faço notar que, ainda que não se trate de ADA referente ao exercício em litígio (2002), mas de exercício anterior, a possibilidade de aproveitamento do ADA/1997 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 294 7 deflui, em meu entendimento, da desnecessidade de sua apresentação anual, sistemática que durou até o ano de 2006, da seguinte forma, claramente expressa pelo art. 10, caput e parágrafo único da Instrução Normativa Ibama no. 76, de 31 de outubro de 2005, in verbis: Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificado ra apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras Quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 295 8 n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 296 9 mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15586.000231/200651 Acórdão n.º 9202005.777 CSRFT2 Fl. 297 10 independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 249,9 ha. em litígio, foi entregue em 20/10/03 (e fl. 13) e admitindose aqui o aproveitamento do ADA/1997 para exercícios até 2006 (inclusive), o requisito restou cumprido, assim, anteriormente ao início da ação fiscal, sendo de se de se manter, destarte, o provimento parcial, na forma decidida pelo Colegiado a quo. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 297DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720214/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 21/06/2010
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário na parte em que se configura identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa.
MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
O período de 01/01/2010 a 21/06/2010 não estava abrangido pela decisão judicial de tutela proferida, publicada em 23/11/2010. Desse modo, não há que se falar em não aplicação da multa de ofício a ele relativo.
Numero da decisão: 2401-005.004
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 21/06/2010 CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário na parte em que se configura identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O período de 01/01/2010 a 21/06/2010 não estava abrangido pela decisão judicial de tutela proferida, publicada em 23/11/2010. Desse modo, não há que se falar em não aplicação da multa de ofício a ele relativo.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário na parte em que se configura identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. O período de 01/01/2010 a 21/06/2010 não estava abrangido pela decisão judicial de tutela proferida, publicada em 23/11/2010. Desse modo, não há que se falar em não aplicação da multa de ofício a ele relativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 14 /2 01 4- 43 Fl. 3560DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 3561DF CARF MF Processo nº 15586.720214/201443 Acórdão n.º 2401005.004 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0366.99900 (fls. 3464/3476): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 21/06/2010 VALIDADE DO LANÇAMENTO Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS OU ATOS NORMATIVOS. Este órgão de julgamento administrativo não é competente para apreciar alegações de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou atos normativos. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. FUNRURAL. A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. AÇÃO DECLARATÓRIA. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. Não se aplica o efeito ex tunc quando não suscitado na exordial e nem abarcado pela sentença. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. A utilização da multa de mora amparada legal nos artigos 35 e 35A da Lei 8.212/91, combinado o art. 44 da Lei nº 9.430/96, não caracterizando o efeito confiscatório. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic, em virtude de previsão legal expressa. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Fl. 3562DF CARF MF 4 Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de crédito tributário constituído contra a empresa Forte Boi Indústria de Alimentos LTDA, por meio do Auto de Infração DEBCAD 51.050.1982 (fls. 03/09), consolidado em 23/05/2014, no montante de R$ 1.088.421,05, referente às contribuições previdenciárias do produtor rural, destinada à seguridade social, não declaradas em GFIP, previstas no artigo 25, I da Lei n° 8.212/1991, subrogada ao sujeito passivo conformo o art. 30, inciso IV desta Lei. De acordo com o RELATÓRIO FISCAL (fls. 12/18): 1. A Empresa foi constituída sob a natureza jurídica de sociedade empresária limitada, tendo como atividades econômicas principais, a exploração do ramo de frigorífico abate de bovinos, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos do abate e abate de bovinos de terceiros; 2. Foram solicitados documentos que comprovassem a regularidade do contribuinte em relação às contribuições previdenciárias, previstas no artigo 25, I e II da Lei n° 8.212/1991, e as contribuições devidas para outras entidades e fundos (SENAR), subrogadas ao sujeito passivo como determina o artigo 30, IV da mesma Lei; 3. Foram apresentados pelo Contribuinte, dentre outros documentos, Notas Fiscais de Entrada da aquisição de produto rural e as respectivas Notas Fiscais de Produtor Rural correspondentes; 4. O Auditor extraiu do Sistema Público de Escrituração Digital SPED, as Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias emitidas pelo Contribuinte no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011 5. Da análise dos registros contábeis eletrônicos verificouse que os valores das contribuições previdenciárias e para outras entidades e fundos (SENAR) foram lançadas na conta 2.1.03.002.00011 FUNRURAL A RECOLHER em contrapartida da conta 4.1.01.001.00013 (+) FUNRURAL SOBRE COMPRA DE ANIMAIS P/ABATE; 6. O Contribuinte impetrou, na Justiça Federal – Seção Judiciária do Espírito Santo, Ação Declaratória com pedido de antecipação parcial de tutela (Processo nº 2010.50.01.0069540) requerendo, dentre outros, a desobrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias previstas no artigo 25 da Lei n° 8.212/1991, como subrogado nas obrigações da pessoa física de recolher essas contribuições, cuja previsão legal é determinada pelo artigo 30 daquela Lei; 7. A pretensão do Contribuinte foi parcialmente acolhida quando foi julgado procedente o pedido a fim de determinar à União Federal que Fl. 3563DF CARF MF Processo nº 15586.720214/201443 Acórdão n.º 2401005.004 S2C4T1 Fl. 4 5 não imponha, à autora, a obrigação de reter e recolher a contribuição social ao FUNRURAL, prevista no art. 25, inciso I da Lei 8.212/91; 8. O Auditor Fiscal entendeu que desde 22/06/2010, data do ajuizamento da ação, a exigibilidade da retenção e recolhimento da contribuição previdenciária citada no pleito está suspensa, razão pela qual o objeto de autuação deste processo antecede a data de ajuizamento da ação; 9. Os documentos apresentados pelo Contribuinte, confrontados com os relatórios das Notas Fiscais de Entrada extraídas do SPED com a GFIP, apresentou divergências entre os valores apurados e os declarados na competência 02/2010 e valores não declarados nas competências 04/2010 a 06/2010, referentes a aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física; 10. Foi detectado que o Contribuinte não efetuou a retenção dos valores referentes as contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoa física, quando da aquisição de produto rural. O desconto de contribuição legalmente autorizada foi presumido como tendo sido feito oportuna e regularmente pelo Contribuinte conforme disposto no § 5°, do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. O Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, via postal (AR fl. 3297), em 26/05/2014, tendo apresentado sua Impugnação, tempestivamente, em 25/06/2014, onde se insurge conta a autuação e requer: 1. Que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional; 2. Que seja anulado, in totum, o presente auto de infração no sentido de desconstituir o suposto crédito tributário, ante o vício formal (violação à exigência de descrição fática) e a inconstitucionalidade dos fundamentos de direito nos quais se pauta a autuação; 3. Não acolhida a tese supramencionada, seja a IMPUGNAÇÃO julgada PROCEDENTE para reconhecer o erro da autuação ao afirmar que a tutela antecipada não se aplica ao caso, portanto (i) declarar que referida tutela de urgência tem o condão de sozinha suspender a exigibilidade do crédito ora combatido e (ii) excluir integralmente a multa de ofício, nos termos da súmula 17 do CARF, e os juros de mora; 4. Caso se supere o item anterior, que seja a IMPUGNAÇÃO julgada PROCEDENTE para excluir ou reduzir a proporção da multa aplicada, ajustandoa aos patamares constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao efeito de confisco das multas; 5. Que sejam o Impugnante e seus procuradores intimados de todos os atos deste processo, sob pena de nulidade. Fl. 3564DF CARF MF 6 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 0366.999, decidiu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os créditos tributários exigidos. O Contribuinte foi notificado do Acórdão e instado a pagar ou a recorrer através da Intimação nº 73/2015 (fl. 3478), enviada via Correio (AR fl. 3482), em 05/05/2015. Inconformada com a decisão prolatada, em 03/06/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 3486 a 3513, onde, em síntese, alega: 1. Nulidade dos Autos de Infração por clara violação ao art. 10, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 que versa sobre os requisitos formais que devem estar presentes sob pena de nulidade, no caso em tela a pormenorização dos produtores rurais; 2. A Inconstitucionalidade do Auto de Infração fundamentado em Leis já declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; 3. Erro de fato na autuação fiscal sobre os efeitos da Decisão Judicial, na Ação Declaratória nº 2010.20.01.0069540, que concedeu tutela antecipada e, devido à sua natureza, possui eficácia ex tunc; 4. Ausência de hipótese de incidência para a Multa de Ofício, a suspensão da sua exigibilidade por força dos artigos 106, inciso II e 151, inciso IV, do CTN, c/c art. 63 da Lei 9.430/96, e o seu caráter nitidamente confiscatório. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo: 1. A Nulidade dos Autos de Infração por ausência de descrição do fato gerador; 2. Sucessivamente, o reconhecimento da inconstitucionalidade já declarada pelo STF quanto ao art. 25 da Lei 8.212/2001 e seus incisos, com a consequente anulação do Auto de Infração; 3. Subsidiariamente, o reconhecimento da suspensão do crédito tributário exigido por força da decisão liminar no Processo nº 2010.20.01.0069540, cujos efeitos são ex tunc; 4. A anulação da Multa de Ofício aplicada no percentual de 75% pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 5. Subsidiariamente, entendo pela manutenção da Multa, o reconhecimento da inconstitucionalidade do percentual adotado, reduzindoo ao patamar máximo admitido em direito (35%). Ao final pede que seja julgado totalmente procedente o Recurso Voluntário a fim de anular integralmente o Auto de Infração objeto deste processo. É o relatório Fl. 3565DF CARF MF Processo nº 15586.720214/201443 Acórdão n.º 2401005.004 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O presente processo trata da exigência de valores referentes a contribuições previdenciárias a título do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (FUNRURAL) incidente sobre a comercialização da produção rural, do período de 01/01/2010 a 21/06/2010. A lavratura ocorreu em 23/05/2014 com intimação do contribuinte em 26/05/2014. Noticia o Relatório Fiscal de lançamento que o sujeito passivo ajuizou ação declaratória (Processo nº 2010.50.01.0069540), em 22/07/2010, objetivando ser desobrigada da retenção e recolhimento da contribuição estabelecida no artigo 25 da Lei nº 8.212/91, por força do que dispõe o inciso IV, do art. 30, da Lei nº 8.212/91. Compulsando os autos, verifico que a discussão judicial trata da incidência das mesmas contribuições previdenciárias exigidas no Auto de Infração objeto do presente Processo Administrativo (fls. 3.365/3.381). Alega o contribuinte a inconstitucionalidade da Lei e a ilegalidade dos recolhimentos efetuados aos cofres públicos. A sentença proferida em 17/11/2010 julgou procedente em parte o pleito autoral e considerou indevido o recolhimento da contribuição prevista no art. 25, I da Lei nº 8.212/91 (fls. 3.446/3.459). A Fazenda Nacional interpôs apelação que foi recebida em seus efeitos devolutivo e suspensivo. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em 27/01/2016, deu provimento à apelação nº 000136934.2012.4.02.5006 e reformou a decisão “a quo”, entendendo que a partir da edição da Lei nº 10.256/2001, a contribuição em apreço é legalmente exigível. A empresa interpôs Recurso Extraordinário contra referida decisão, o qual foi inadmitido, com publicação em 23/06/20171. Ocorre que o Auto de Infração nº 51.050.1982 está fundamentado no art. 25 e art. 30, inciso IV da Lei nº 8.212/91, o que configura identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa, razão pela qual, aplicase ao presente caso, o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 1, assim redigida: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 1 http://portal.trf2.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp. Acesso em 19/07/2017. Fl. 3566DF CARF MF 8 Assim, não conheço do Recurso Voluntário no que tange à matéria relativa à exigência de recolhimento das contribuições previdenciárias com fundamento no inciso I do art. 25 e incisos IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, na condição de subrogada das obrigações do produtor rural. Com relação às matérias distintas do processo judicial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade, motivo porque passo ao seu exame. Mérito É certo que a constituição do crédito tributário pode ser efetuada com vistas, inclusive, a prevenir a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento. Ocorre que a empresa se insurge contra a exigência da multa de ofício. A Recorrente disserta acerca dos efeitos da sentença declaratória, bem como destaca a vedação contida na Súmula 17 do CARF. Inobstante a faculdade que lhe é assegurada à constituição do crédito tributário, deve ser observado o dispositivo estabelecido no art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos seguintes termos: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. No entanto, há de se observar, in casu, que a sentença proferida nos autos da ação declaratória nº 2010.50.01.006.9540, deferiu a tutela antecipada nos termos em que requerida pela empresa postulante, reconheceu que autora não estava obrigada a reter e a recolher a contribuição social ao FUNRURAL prevista no art. 25, inciso I da Lei nº 8.212/91 (fl. 3.458). A apelação interposta foi recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, no entanto, com relação aos efeitos da tutela, foi atribuído ao Recurso apenas o efeito devolutivo, senão vejamos as informações colhidas no sitio da Justiça Federal do Espírito Santo: Fl. 3567DF CARF MF Processo nº 15586.720214/201443 Acórdão n.º 2401005.004 S2C4T1 Fl. 6 9 PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESPÍRITO SANTO 1ª VARA FEDERAL CÍVEL Processo nº 2010.50.01.0069540 Despacho Recebo a apelação da União Federal (fls. 178/190) nos efeitos devolutivo e suspensivo. No que se refere à antecipação dos efeitos da tutela deferida, atribuo ao recurso apenas o efeito devolutivo (art. 520, VII, CPC). Isenção legal quanto ao preparo. Vista à parte contrária para contrarrazões. Após, remetamse os autos ao tribunal ad quem. ASSINADO ELETRONICAMENTE ALEXANDRE MIGUEL Juiz Federal da 1ª Vara Federal Cível Edição disponibilizada em: 17/03/2011 Data formal de publicação: 18/03/2011 Prazos processuais a contar do 1º dia útil seguinte ao da publicação. Conforme parágrafos 3º e 4º do art. 4º da Lei 11.419/2006 Em decorrência os autos foram remetidos em 20/05/2011 para TRF 2a. REGIAO por motivo de PROCESSAR E JULGAR RECURSO Sem contagem de Prazos. Ocorre que, conforme se verifica do Relatório Fiscal, constatase que o período de 01/01/2010 a 21/06/2010 não estava abrangido pela decisão judicial de tutela proferida, publicada em 23/11/2010. Desse modo, não há que se falar em não aplicação da multa de ofício a ele relativo. Assim, não deve ser excluído do lançamento a aplicação da multa de ofício. Fl. 3568DF CARF MF 10 Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 3569DF CARF MF
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