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Numero do processo: 18471.001181/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ART. 150, § 4º, DO CTN - APLICABILIDADE - IRPF - SÚMULA 38 DO CARF- APLICABILIDADE.
O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. Conforme Súmula nº 38 do CARF, O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
ART. 150 RIR/99 - EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS - ATIVIDADE EMPRESARIAL - COMPROVAÇÃO - NECESSIDADE.
Deve o contribuinte comprovar que desempenha atividade comercial, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, prevista no art. 150, II, do RIR/99.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$488,389,68. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, e proviam em maior extensão e a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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O STJ tem entendimento consolidado, REsp 973733/SC, no sentido de que o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN é aplicado aos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver o pagamento antecipado. Conforme Súmula nº 38 do CARF, “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. ART. 150 RIR/99 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS ATIVIDADE EMPRESARIAL COMPROVAÇÃO NECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 81 /2 00 7- 95 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Deve o contribuinte comprovar que desempenha atividade comercial, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, prevista no art. 150, II, do RIR/99. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$488,389,68. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, e proviam em maior extensão e a Conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada) e Odmir Fernandes (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 365 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira atípica, foram iniciados, em 12/01/07, os trabalhos de fiscalização, quando foi o contribuinte intimado do Termo de Início de Fiscalização e lhe foi requisitada a comprovação da origem dos recursos que serviram de base para a movimentação bancária de R$ 2.171.754,00. Em 20/03/07, em virtude da falta de cooperação do contribuinte com a investigação, foi quebrado, administrativamente, o sigilo bancário do recorrente através de RMF encaminhada às seguintes instituições financeiras: Banco Mercantil do Brasil S/A, BankBoston Banco Múltiplo S/A, Banco BCN S/A e Banco Itaú S/A (fls. 1631). Após receber os extratos bancários demonstrando a movimentação bancária do contribuinte ao longo do anocalendário 2002, a Fiscalização intimou os depositantes identificados pelo Bank Boston, para informar documentalmente a que título foram realizados os depósitos indicados e se foi recolhido na fonte o IRPF para os valores depositados, CQJR Distribuidor de Títulos e Valores Mobiliários LTDA (fl. 223), Megatour Viagens e Turismo LTDA (fl. 226), Casa Publicadora das Assembleias de Deus (fl. 228), Maristela Andrade de Freitas (fl. 245) e Mutual Finance Investimentos e Participações (fl. 254). A Casa Publicadora das Assembleias de Deus informou que os valores eram parte de financiamento concedido à coirmã nos Estados Unidos, alvo de fiscalização pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras, onde ficou constado o equívoco e que nunca foram objeto de negociação com o investigado (fls. 230236). Após, a fiscalização constatou que os valores referidos pela pessoa jurídica não eram alvo do procedimento de fiscalização. A contribuinte Maristela Andrade de Freitas também foi intimada pela Fiscalização. A mesma informou que havia residido em imóvel de seu amigo, o Sr. Richard Anton Alda (irmão do recorrente), por, aproximadamente, um ano em mútuo informal. Entretanto, ao término do ano de 2001, foi informada pelo Sr. Richard que ela deveria definir o que fazer com o imóvel, pois ele precisava honrar dívidas e pensava em vendêlo. Frente a essa situação, a Sra. Maristela propôsse a comprar o imóvel, mas precisava de tempo para vender um pequeno apartamento que possuía, assim, sugeriu pagar R$ 30.000,00 a título de indenização pelo tempo que utilizou o apartamento, e para que o Sr. Richard pudesse aguardar até que ela tivesse dinheiro suficiente para comprar o apartamento que lhe foi emprestado. O Sr. Richard então pediu que esse dinheiro fosse depositado na conta corrente de seu irmão, Sr. Hermann Alda Junior, pois possuía dívida com ele. A intimada declarou, ainda, que conhecia o recorrente “de vista”, e que não reteve imposto de renda retido na fonte, pois o pagamento não era exatamente para o Sr. Hermann, e por não ser pessoa jurídica. Efetuadas as intimações e listados os depósitos passíveis de tributação por omissão de rendimento com base em depósitos bancários sem comprovação, o contribuinte foi intimado, em 10/09/07, a justificar a origem dos depósitos. Contudo, o recorrente não respondeu à intimação, motivo pelo qual o Fisco encerrou o procedimento de fiscalização. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 18/09/07, Auto de Infração (fls. 274281), cujo crédito tributário apurado foi de R$ 1.961.085,94, inclusos imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, com fulcro no art. 24 da Lei nº 9.430/96. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 286 302), tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) não é possível tributar depósitos bancários como se renda fosse, tal situação é tributar com base em analogia e presunção, o que é vedado pelo CTN. A Fazenda deve comprovar que os depósitos foram consumidos para então definir que houve acréscimo patrimonial através de sinais exteriores de riqueza, procedimento este que não foi observado pela fiscalização; b) a exclusão da multa e não aplicação da taxa Selic em caso de manutenção da autuação. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 3ª Turma da DRJ/RJ2, por unanimidade, improcedente (fls. 304306), sendo o crédito tributário mantido integralmente. Os fundamentos foram os seguintes: a) a Secretaria da Receita Federal do Brasil é órgão administrativo, estando seus funcionários vinculados à lei por serem agentes públicos. Deste modo, é dever deles cumprir a legislação e lançar o tributo, motivo pelo qual devem fazer valer o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96 enquanto este estiver vigente, não cabendo aos agentes públicos declarar inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo; b) existe previsão legal da cobrança de multa e da utilização da taxa Selic, cabendo à administração pública simplesmente executar a lei, não sendo ínsito à sua competência declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato normativo. 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, repisando alguns argumentos da impugnação, e acrescentando os seguintes: a) é inconstitucional a quebra do sigilo bancário sem a prévia permissão do Poder Judiciário; b) a decadência do crédito tributário. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 366 5 6 Sobrestamento Em 12/03/12, através da Resolução nº 2202000.180 (fls. 357363 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Decadência Alega a recorrente que o direito de constituição do crédito tributário encontrase decaída, pois os depósitos bancários que fundamentam o lançamento datam de janeiro de 2002 a dezembro do mesmo ano, enquanto que ele apenas foi intimado do lançamento em 20/04/07, transcorridos, assim, o prazo quinquenal entre o fato gerador, previsto no art. 150, § 4º do CTN, para que a Fazenda Nacional pudesse efetuar o lançamento. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 367 7 O imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) é tributo que, por sua natureza, é sujeito ao lançamento por homologação, modalidade na qual o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, o procedimento considerase tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto no rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 do Regimento Interno, entendeu que no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação somente é aplicado o prazo previsto no art. 173, inciso I, do CTN, quando não houver o pagamento antecipado, desde que não comprovada a ocorrência de dolo, de fraude ou de simulação, in verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Tal entendimento se aplica, inclusive, nos casos em que o pagamento foi parcial, conforme o entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo colacionada: “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL A CONTAR DO FATO GERADOR. 1. É firme o entendimento desta Corte Superior de Justiça de que o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, é contado da ocorrência do fato gerador. 2. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1182862/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011) Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 368 9 No presente caso, conforme se decalca da DIRF, houve antecipação do recolhimento imposto devido no ano de 2006, de modo que a regra de decadência prevista no art. 150, §4º, do CTN, tornase aplicável. De outro lado, não houve, no presente processo, a comprovação da ocorrência de dolo, de fraude e de simulação, que seriam capazes de elidir a aplicação da regra prevista no §4º, do art. 150, do CTN. Isto porque, todos os elementos utilizados pela fiscalização para o lançamento de ofício foram devidamente informados pelo recorrente e por sua companheira, nas DAAs. Ou seja, se a fiscalização não concordou com a natureza atribuída pelo recorrente e por sua companheira aos rendimentos declarados como isentos, desconsiderou a data de conclusão do imóvel, reduzindoo para dois anos (ao invés dos quatro anos que haviam sido declarados) ou não conseguiu se convencer dos esclarecimentos e documentos comprobatórios entregues durante a fiscalização, que pretendiam demonstrar a origem de recebimentos, isto não revela a ocorrência do dolo, da fraude ou da simulação. Nesse mesmo sentido é a Súmula nº 14, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Contudo, embora o imposto sobre a renda de pessoas físicas seja tributo sujeito a homologação, o mesmo tem fato gerador complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário, devendo ser esse o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, na hipótese do art. 150, § 4º, do CTN. Isso ocorre, pois como bem salientou a decisão recorrida, os pagamentos efetuados mês a mês são tidos como meras antecipações, sejam eles recolhimentos a título de carnêleão, mensalão ou retenções na fonte, de maneira que o fato gerador após o transcurso do prazo mencionado, se completa e abrange o conjunto de fatos que, isoladamente considerados, seriam destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Nesse sentido é o entendimento desta Câmara: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 No presente caso, houve pagamento antecipado na forma do imposto Retido na Fonte e saldo a restituir apurado na declaração de ajuste do exercício de 1999, valor compensado no auto de infração, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano calendário, o que faz com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como a notificação de lançamento se deu apenas em 30/08/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 2201001.859. Rel. Rodrigo Santos Masset Lacombe. Jul. 16/10/12). Diante disso, aplicase ao caso a Súmula nº 38 deste Conselho, que prevê que: “Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Portanto, não merece ser acolhida a preliminar de decadência, pois o fato gerador ocorreu em 31/12/02, e aplicandose o prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, terseá como prazo decadencial 31/12/07, data posterior ao lançamento, ocorrido em 20/04/07. 1.3 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 1920), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 369 11 BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 374DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 370 13 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Assim, entendo que deve ser acolhida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 2. DO MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais argumentos suscitados pelo recorrente. 2.1 Da Omissão de Rendimentos Quanto à omissão de rendimentos constatada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, sustenta o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 371 15 Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Ocorre que a análise da planilha anexa ao relatório fiscal revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada no campo “histórico do extrato”: Banco Data Histórico Valor Citibank 06/12/02 Ted Megatour Viagens e Turismo Ltda. 60.000,00 Citibank 11/12/02 Ted Goldstar Services Brasil SC Ltda. 75.000,00 BCN S/A 21/02/02 Transf Din Patrícia Moreira D 6.000,00 BCN S/A 22/02/02 Transf Din Patrícia Moreira D 4.000,00 Bankboston 08/01/02 Doc “C” Maristela A Freitas 30.000,00 Bankboston 30/01/02 Doc “C” Casa Publ Assemb Deus 3.498,03 Bankboston 07/02/02 Doc “C” Casa Publ Assemb Deus 3.309,88 Bankboston 19/02/02 Doc “E” CQJR Dist Tit Val Mob Ltda. 5.000,00 Bankboston 05/03/02 Doc “C” Casa Publ Assemb Deus 9.170,00 Bankboston 08/03/02 Doc “C” Casa Publ Assemb Deus 9.367,77 Bankboston 05/04/02 Doc “E” CQJR Dist Tit Val Mob Ltda. 1.300,00 Bankboston 17/04/02 Doc “E” CQJR Dist Tit Val Mob Ltda. 2.570,00 Bankboston 30/04/02 Doc “E” CQJR Dist Tit Val Mob Ltda. 20.000,00 Bankboston 24/07/02 Doc “C” Casa Publ Assemb Deus 6.180,00 Bankboston 04/10/02 Ted Megatour Viagens e Turismo Ltda. 60.000,00 Bankboston 06/11/02 Ted Megatour Viagens e Turismo Ltda. 36.000,00 Bankboston 18/11/02 Ted Megatour Viagens e Turismo Ltda. 35.000,00 Bankboston 11/12/02 Doc “E” Mutual Fin Inv Part Ltda. 115.000,00 ITAÚ S/A 11/01/02 Sispag Fornecedores 5.000,00 ITAÚ S/A 06/02/02 TBI 3830.22766 OUS viagens 1.255,00 ITAÚ S/A 21/02/02 Sispag Fornecedores 7.375,95 ITAÚ S/A 10/07/02 Doc E 229.293910 Turfa DT 10.000,00 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 ITAÚ S/A 26/08/02 DOC 409.0296 Wilian R Sil 1.467,00 ITAÚ S/A 04/03/02 Sispag Fornecedores 5.591,39 ITAÚ S/A 06/03/02 DOC E 237.749524 Maria El 1.850,00 ITAÚ S/A 12/03/02 DOC E 237.621826 Seateck 2.160,00 ITAÚ S/A 25/03/02 DOC E 001.305114 Paulo Da 9.880,00 ITAÚ S/A 27/03/02 Sispag Fornecedores 3.844,12 ITAÚ S/A 03/04/02 DOC E 399.011611 Super PR 13.689,29 ITAÚ S/A 03/04/02 DOC E 409.742741 Super PR 4.109,50 ITAÚ S/A 05/04/02 DOC E 479.002707 Gilmar Be 14.274,00 ITAÚ S/A 10/04/02 TBI 0190.32100Ounion 2.067,22 ITAÚ S/A 17/04/02 Sispag Fornecedores 6.628,60 ITAÚ S/A 09/05/02 TBI 0190.32100 OMéxico 4.853,01 ITAÚ S/A 01/10/02 Sispag Casa Pub Assemb 1.100,00 ITAÚ S/A 09/10/02 DOC 237.1785 Biscayne Ltda. 1.620,00 ITAÚ S/A 22/10/02 DOC 001.0493Rios Paiva I 8.000,00 ITAÚ S/A 29/05/02 TBI 0190.321000Union 2.056,70 ITAÚ S/A 01/07/02 DOC E 353.130121 Sérgio D 3.960,00 ITAÚ S/A 11/11/02 DOC 638.0001 José C J CAM 2.760,00 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Esclareçase, ainda, que no presente caso houve violação do sigilo bancário do contribuinte, de modo que poderia a fiscalização ter obtido, através de solicitação à instituição financeira, informações quanto aos contribuintes que efetuaram os depósitos identificados na conta corrente do recorrente. Relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 372 17 estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido: IRF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte, acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes.2ª Câmara. Ac. 102 44.466. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. Julg. 06/02/01). Saliento que além da indicação do extrato bancário, as pessoas físicas e jurídicas neles constantes foram intimadas ao longo do procedimento de fiscalização, e afirmaram ter feito depósitos junto a conta corrente do recorrente. Entendo, portanto, que o total de R$ 594.937,46 deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda, pois comprovada sua origem. 2.2 Da Equiparação à Pessoa Jurídica Aduz o recorrente que a Fiscalização deveria têlo equiparado à pessoa jurídica, como dispõe o art. 150, II, do RIR/99, pois ele exerce atividade econômica com fim especulativo de lucro – comércio. Não assiste razão ao recorrente. Prevê o art. 150 do RIR/99 que: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º) § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “a”); II –as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”); III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). Portanto, para que o contribuinte pessoa física possa ser equiparado à empresas individuais, deve preencher os requisitos constantes no inciso II, do art. 150 acima transcrito, isto é, deve explorar atividade econômica, habitual e profissionalmente, com fim especulativo de lucro. No caso, o recorrente não logrou êxito em comprovar que exercia tal Fl. 380DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 atividade, pois embora em sua DIRPF (fls. 1113) conste como de sua propriedade determinado número de quotas do capital social da firma JR77 Consultoria Partic. e Negócios Ltda., não consta nos autos qualquer informação referente à atividade desenvolvida pelo recorrente nessa empresa, nem mesmo qualquer alegação que demonstre correlação entre os depósitos glosados e a JR77 Consultoria Partic. e Negócios Ltda. Assim, não foi demonstrado que o recorrente desempenha atividade comercial, em nome próprio e com fins de lucro, que justificasse a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, conforme o art. 150 do RIR/99. Nesse sentido: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2002 PROVA DOCUMENTAL – MOMENTO DA JUNTADA AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IMPUGNAÇÃO – É de sabença geral que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, referirse a fato ou a direito superveniente ou destinarse a contrapor fatos ou razões posteriores trazidas aos autos (art. 16, § 4º, “a” e “c”, do Decreto nº 70.235/75). ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIUNDOS DE ATIVIDADE COMERCIAL DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL O RECORRENTE É SÓCIO – NECESSIDADE DE VINCULAÇÃO DOS DEPÓSITOS À ATIVIDADE ECONÔMICAFINANCEIRA DA PESSOA JURÍDICA – INOCORRÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO – Não havendo qualquer liame entre os depósitos bancários imputados ao contribuinte e os valores faturados pela pessoa jurídica que, pretensamente, seriam a proprietária dos depósitos bancários em foco, devese manter intocada a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/96. De outra banda, os depósitos de origem comprovada devem ser excluídos da base de cálculo do imposto lançado. CONTRIBUINTE QUE DESENVOLVE ATIVIDADE EMPRESARIAL EM NOME PRÓPRIO – EQUIPARAÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE EMPRESARIAL – IMPOSSIBILIDADE – Apenas se demonstrou que pequena fração dos depósitos bancários tinha origem a partir de empresas do segmento calçadista, fração essa que foi afastada da tributação. Os demais valores, em montante muito mais expressivo, restaram sem comprovação. Ademais, o recorrente não demonstrou que desempenhasse atividade comercial, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica. Nos autos, há um longo rol de depósitos sem origem comprovada. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6º Câmara. Turma Ordinária. Ac. 10617254. Rel. Giovanni Christian Nunes Campos. Jul. 05/02/09). Fl. 381DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 373 19 Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o total de R$ 594.937,46. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 382DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 20 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado No que toca a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 374 21 III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 384DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 22 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. No relativo ao mérito, acompanho o relator na parte que em que este mantém o lançamento, entretanto na parte em que o relator exclui parte dos depósitos do lançamento, não posso acompanhálo integralmente. Conforme apontado pelo relator, o lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Resta claro, no Auto de Infração, que a irregularidade lançada foi a de omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária, cuja infração foi capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade fiscal lançadora, diante do entendimento de que o contribuinte teria deixado de comprovar, através de apresentação de documentação hábil e idônea, os recursos que transitaram nas contas corrente, lançou mão da presunção de omissão Fl. 385DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 18471.001181/200795 Acórdão n.º 2202002.784 S2C2T2 Fl. 375 23 de receitas estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e considerou que os recursos originados nos depósitos bancários não tinham a sua origem comprovada. A autoridade fiscal lançadora normalmente interpreta o vocábulo “origem dos recursos” de maneira ampla, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação. Em suma, segundo essa linha de argumentação, não bastaria comprovar a origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria preciso comprovar documentalmente tanto quem fez o depósito bancário, como a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. Inobstante respeitável ponto de vista, entendendo que, na fase do procedimento fiscal anterior à autuação, antes de instaurado o contencioso administrativo pela impugnação, bastaria ao contribuinte comprovar a simples origem dos depósitos bancários, sem a necessidade de comprovação documental da causa ou motivação da operação. Comprovada dessa maneira a origem dos depósitos bancários, caberia à autoridade fiscalizadora intimar os depositantes, para que declinassem a causa ou a motivação da operação, para então, se fosse o caso, submeter os valores às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que as receitas teriam sido auferidas, na forma do § 2º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que não é o caso dos autos, uma vez que as informações que estão sendo excluídas pelo relator não identificam claramente qual seria a origem dos depósitos bancários. As informações nos extratos obtidos do contribuinte não permitem, de modo algum, demonstrar qual a origem dos depósitos bancários. Caberia, tão somente, ao recorrente ter indicado claramente quem teria efetuado os referidos depósitos, entretanto não logrou prestar os esclarecimentos devidos. Dentre os depósitos para os quais não foi possível identificar claramente a origem, cabe enumerar os seguintes: Banco Data Histórico Valor BCN S/A 21/2/2002 Transf Din Patrícia Moreira D 6.000,00 BCN S/A 22/2/2002 Transf Din Patrícia Moreira D 4.000,00 ITAÚ S/A 11/1/2002 Sispag Fornecedores 5.000,00 ITAÚ S/A 6/2/2002 TBI 3830.22766 OUS viagens 1.255,00 ITAÚ S/A 21/2/2002 Sispag Fornecedores 7.375,95 ITAÚ S/A 10/7/2002 Doc E 229.293910 Turfa DT 10.000,00 ITAÚ S/A 26/8/2002 DOC 409.0296 Wilian R Sil 1.467,00 ITAÚ S/A 4/3/2002 Sispag Fornecedores 5.591,39 ITAÚ S/A 6/3/2002 DOC E 237.749524 Maria El 1.850,00 ITAÚ S/A 12/3/2002 DOC E 237.621826 Seateck 2.160,00 ITAÚ S/A 25/3/2002 DOC E 001.305114 Paulo Da 9.880,00 ITAÚ S/A 27/3/2002 Sispag Fornecedores 3.844,12 ITAÚ S/A 3/4/2002 DOC E 399.011611 Super PR 13.689,29 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 24 ITAÚ S/A 3/4/2002 DOC E 409.742741 Super PR 4.109,50 ITAÚ S/A 5/4/2002 DOC E 479.002707 Gilmar Be 14.274,00 ITAÚ S/A 10/4/2002 TBI 0190.32100Ounion 2.067,22 ITAÚ S/A 17/4/2002 Sispag Fornecedores 6.628,60 ITAÚ S/A 9/5/2002 TBI 0190.32100 OMéxico 4.853,01 ITAÚ S/A 22/10/2002 DOC 001.0493Rios Paiva I 8.000,00 ITAÚ S/A 29/5/2002 TBI 0190.321000Union 2.056,70 ITAÚ S/A 1/7/2002 DOC E 353.130121 Sérgio D 3.960,00 ITAÚ S/A 11/11/2002 DOC 638.0001 José C J CAM 2.760,00 O procedimento fiscal lastreado nas condições impostas pelo permissivo legal, é do contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela autoridade fiscal lançadora, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Quando a fiscialização consegue identificar a origem e inicia um procedimento de fiscalização contra a fonte pagadora, ainda que a fiscalização não especifique a causa do pagamento, pessoalmente, entendo que não há mais condições para um lançamento baseado na presunção de omissão de rendimentos por origem não comprovada. Uma vez que não ocorreu no caso concreto essa prova da origem dos depósitos bancários para uma parte dos depósitos bancário, na parte em que o relator propõe a exclusão do lançamento por estar demonstrada a origem do depósito, divirjo deste, votando por dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$488,389,68. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 387DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10283.001726/2004-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 1999
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DECRETO-LEI Nº 37/66, ART. 105, INCISO VI. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº. 4.502/64, ART. 83, INCISO I. NULIDADE MATERIAL CONFIGURADA.
As mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial) sujeitam-se à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas, conforme previsto no inciso IV e nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decreto-lei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decreto-lei nº. 37/66, não sendo de aplicar ao caso a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, hipótese em que resta configurada nulidade por vício material.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarou-se impedido. Participou do julgamento a conselheira Maria Inez Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dr. Flávio de Sá Munhoz, OAB/SP nº 131.441.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Maria Inez Caldeira Pereira da Silva Murge, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA Recorrente TCE COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA. E SDW SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1999 IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DECRETO LEI Nº 37/66, ART. 105, INCISO VI. INAPLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NA LEI Nº. 4.502/64, ART. 83, INCISO I. NULIDADE MATERIAL CONFIGURADA. As mercadorias importadas com falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro (fatura comercial) sujeitamse à aplicação da pena de perdimento, convertida em multa quando não localizadas, conforme previsto no inciso IV e nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/76 c/c o inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37/66, não sendo de aplicar ao caso a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, hipótese em que resta configurada nulidade por vício material. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr. declarouse impedido. Participou do julgamento a conselheira Maria Inez Caldeira Pereira da Silva Murgel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 17 26 /2 00 4- 26 Fl. 8642DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 2 Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dr. Flávio de Sá Munhoz, OAB/SP nº 131.441. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Maria Inez Caldeira Pereira da Silva Murge, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Paulo Roberto Stocco Portes e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de multa isolada prevista na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ RS 72.870.947,29. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O processo em litígio se refere à exigência da multa prevista no art.83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, com a redação dada pelo art.1°, alteração 2, do Decretolei n°400, de 30 de dezembro de 1968, no valor de RS 72.870.947,29, objeto do Auto de Infração de folhas 01 a 14. A AUTUAÇÃO 2. Nos termos da descrição dos fatos constante do referido Auto de Infração, a autoridade autuante afirma, a título introdutório, que as empresas autuadas TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. (TCÊ) e SDW Serviços Empresariais Ltda. (SDW) consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. • 3. A autoridade autuante aduz que foram cometidas diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes; ficando as autuadas sujeitas à multa equivalente ao valor da mercadoria, conforme demonstrativo anexo, de fls.589/599. Neste caso, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação e adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas, sendo que, as infrações constatadas se referem às operações de importação ocorridas em 1999. 4. A autoridade autuante informa que: a TCÊ e a SDW foram diversas vezes autuadas por falsificações e adulterações de documentos necessários ao despacho aduaneiro, pelo que indica cinco processos cujas apurações se referem ao ano de 1998 (f1.37); as acusadas são vinculadas (...) ao grupo CCE, acusado de fraudar incessantemente o regime ZFM; Fl. 8643DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.640 3 as simulações, fraudes e dolo também estão provados em dois esclarecedores relatórios: o primeiro emitido em 08/08/2003 (fis.15/36) e o segundo expedido em 13/01/2004 (fls.37/343); conforme citados relatórios, as autuadas TCEs e SDW eram geridas por um único grupo de pessoas e que estas empresas foram constituídas com a finalidade especifica de fraudar o Estado; o esquema (...) continua em atividade, haja vista ter sido aberta filial paulista da SDW, em 03/11/2003, cujo diagnóstico fiscal era "irregular" A. época, e ter sido alterada a razão social da TCEs, em 11/10/2003; as alterações processadas nos cadastros e da composição societária das autuadas, TCÊ e SDW, são atos que visam apenas livrar as pessoas físicas relacionadas nos dois relatórios antes mencionados das penalidades legais (os fatos aqui verificados foram praticados em 1999, não sendo, alcançados por esses atos); os fraudadores falsificaram invoices e conhecimentos marítimos de diversas empresas, até de grupos transnacionais famosos mundialmente; dentre outras provas, juntamse as invoices falsificadas e adulteradas da General Eletric Company (fls.351/354), sendo que as respectivas vias originais/verdadeiras dos documentos internacionais estão juntadas às fls.355/358; ao ser questionada, a GE Plastics afirmou que não emitiu as faturas internacionais falsificadas (fls.349/350), daí que, (...) foi a TCE/SDW quem o fez; os documentos estão agrupados em jogos numerados de 01 ao 323 (fls.600/6.983), sendo que, depois do número do jogo, as invoices falsas estão etiquetadas com a letra "A", a original/verdadeira com "B", o packing list regular com "C", a DI correlata com o signo "D" e o conhecimento com "E"; todas as vias falsificadasadulteradas ("A") seguem o modelo tipográfico (fls.346), não trazendo quaisquer verossimilhanças com a originalverdadeira ("B"); é fácil comprovar as fraudes, bastando cotejar a invoice "A" (via falsa/adulterada utilizada nas operações cambiais e aduaneiras) com a assinalada com "B" (a original/verdadeira, emitida pelo exportador), por onde se constata que as diferenças são gritantes; os documentos estavam arquivados juntos, quando foram apreendidos em obediência ao Mandado de Busca e Apreensão n° 2003.45953; o esquema utilizado para a feitura das infrações e crimes apurados aqui segue o roteiro já identificado em ocorrências anteriores, que envolvem a empresa CCE e outras do grupo, Fl. 8644DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 4 como a DM, tendo por intuito fraudar os cofres públicos e o regime da Zona franca de Manaus; constam deste esquema pessoas fisicas que são sócias em várias indústrias importadoras localizadas na ZFM, dentre elas a TCE e a SDW, sendo que o restante delas, configurando uma grande rede, está listado, por sócio, às fls.374/409; há procedimentos provando a falsificação/adulteração de invoices e conhecimentos marítimos, envolvendose também o transportador internacional das cargas nos episódios irregulares e, por isso, em alguns casos, foram autuados, concomitantemente, as empresas TCEs , SDW e diversos transportadores marítimos quando se provou também a falsificação de conhecimentos marítimos; as empresas TCÊ e SDW têm os sócios vinculados a outras empresas fraudadoras do regime da ZFM que, também, por meio da emissão de invoices e de BL falsos, (...) introduziram mercadorias estrangeiras irregularmente no pais, consumindo as e/ou entregandoas para consumo posteriormente; como exemplo inicial das vinculações existentes, além de as empresas TCÊ e SDW haverem funcionado no mesmo local fisico (imóvel de propriedade da CCE), citese o fato de o Sr.Isaac Sverner, figura central na constituição de sociedades que cometeram vários ilícitos na Zona Franca de Manaus, ser sócio majoritário da empresa TCE; complementando o esquema, um dos sócios da SDW, Sr.Raphael Ades, mantém vinculo familiar com o Sr.César Ades, que é parceiro do Sr.Isaac Sverner na TCE; conforme se constata na cláusula 45, numa das vias do contrato social da empresa SDW (fls.581/582), esta era administrada pelas mesmas pessoas responsáveis pela CE. 5. Em relação A. RESPONSABILIDADE DOS AUTUADOS, a autuante afirma que as autuadas TC 't e SDW, materialmente, são uma só pessoa jurídica, e que, o art. 136 do Código Tributário Nacional, o art. 438 do Decreto n° 2.637/1998 e o art. 95, inciso I, do Decretolei n° 37/1966, capitulam as ações irregulares, nos quais, verificase que a infração tributária é objetiva. A autoridade autuante aduz ainda: 5.1. A ocorrência de simulação/fraude/dolo na constituição e gerência das entidades TCÊ e SDW, pelo que: as simulações, fraudes e dolo estão também provados nos 2 (dois) relatórios juntados a este auto (fls.15/343); as empresas SDW e TCÊ são uma única empresa a mesma unidade econômica formalizada desta forma bipartida tão somente para fraudar o Erário e para usufruir duplamente os saldos de importação autorizados pela Suframa, por meio de aprovação de dois Processos Produtivos Básicos — PPB distintos; Fl. 8645DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.641 5 reproduzemse excertos do Auto de Infração 0285/00 (fls.410/461), de 06/12/2000, que originou o processo n° 10283.011345/200023: "1. A empresa produz e interna para fora da ZFM utilizando no cálculo do DCR componentes (.) que são adquiridos da empresa SDW (.) declarandoos como componentes nacionais; 2. (..) em trabalho de vistoria as instalações fabris verificamos que as duas empresas estão instaladas basicamente no mesmo endereço, Rua kci, n° 21, em prédios contíguos, localizados dentro da mesma área, compartilhando, além da dependência administrativa no tocante aos funcionários burocráticos, o portão de entrada e saída, pátio de estacionamento de veículos, área de carga e descarga de insumos e produtos. As linhas de produção, embora autônomas, possuem comunicação interna entre os prédios. 3. A matéria, contemplada no Parecer CST n° 88/75, estabelece que para ser considerada a duplicidade de estabelecimento se faz necessário que os prédios estejam situados em áreas descontinuas, separadas por via pública (ruas, avenidas, rodovias, ferrovias, etc). Acrescente ainda, que a descontinuidade geográfica, obrigando o intercâmbio de produtos por via pública, é bastante para caracterizar a duplicidade de estabelecimento respondendo cada um pelas obrigações fiscais próprias. 4. Da presente situação chegase as seguintes constatações: a) As empresas TCÊ e SDW, no desenvolvimento de seus projetos, estão agindo como "coligadas", contrariando, o procedimento citado no item 1, a regra jurídica estabelecida pela Lei n°8.387/91; b) Ressaltese que a expressão "coligada" empregada na retrocitada lei deve ser interpretada no sentido do art. 111 da Lei n° 5.172/66, isto é, usandose a interpretação literal; c) (..) Literal também chamado de gramatical ou léxico, é aquele em que procuramos entender os termos e o próprio texto segundo a gramática" (Adilson Rodrigues Pires, em Manual de Direito Tributário FORENSE, 8a edição, e, ainda, "Coligação aliança de várias pessoas ou organização com vista a um fim comum" (Minidicionário AURÉLIO da Língua Portuguesa). 5. Concluise que, ao promover as internações (..), a empresa utilizouse indevidamente do benefício fiscal integral referente as Placas mencionadas, produzidas vela SDW Componentes e declaradas como nacionais, quando deveria acrescer o Imposto relativo (.)." a autuação mencionada foi "pugnada" (sic) pelo infrator, validando integralmente as declarações da fiscalização, tendo sido quitado o Auto de Infração; Fl. 8646DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 6 resignaramse a TCÊ e SDW àquela época à frente das verdadeiras constatações de que ambas as atuadas, embora formalizadas individualmente, são, de fato, uma só entidade econômica que exercia suas atividades industriais no mesmo espaço físico; a SDW e a TCÊ são uma só empresa formalizada por pessoas físicas vinculadas entre si; o parágrafo único, da clausula 45 de uma das vias do contrato social da empresa SDW (fls.581/582), nomeia como diretores delegados para exercerem o comando administrativo da citada empresa as mesmas pessoas físicas responsáveis pela TCÊ, dentre elas o Sr. Roberto Sverner e o Sr. Raphael Ades; as empresas TCÊ e SDW tinham como administradores as mesmas pessoas físicas; nos relatórios de Diligência Fiscal (fls.462/542) consta que: a SDW e a TC estavam estabelecidas no mesmo imóvel, tratando se, de fato, ser uma única empresa; o endereço 21A, supostamente pertencente à SDW, não existe, sendo na realidade, um único imóvel com divisões internas, ocupadas por essas pessoas jurídicas; o imóvel encontrase, atualmente, sublocado A. WMTM Equipamentos de gases Ltda. pelo Sr. Romero Reis, o qual é locatário do imóvel locado pela CCE da Amazônia proprietária do imóvel; "Considerandose os dois endereços em que estiveram estabelecidas, num mesmo período de tempo e as declarações do Sr. Wilson César da C. Couto e também a inveracidade da existência do endereço de número 21 A, verificamse indícios de que havia um propósito fraudulento na atuação das pessoas jurídicas, pelo artificio de se passarem por empresas distintas; a TCÊ e a SDW são um bloco monolítico, com sócios vinculados entre si, que funcionava no mesmo espaço físico formalizadas com o intuito de obter benefícios fiscais e cambiais por meio de crime; a formalização das duas empresas tratase de simulação objetivando fraude fiscal e cambial, que visava somente facilitar a fruição dos benefícios fiscais disponibilizados para a ZFM não consubstanciando existência de duas empresas, separadas, autônomas e independentes, ou coligadas; os documentos pertencentes As duas empresas e coligidos neste processo foram encontrados e apreendidos no mesmo endereço, ou seja, os documentos eram guardados juntos, o que significa que até os arquivos das entidades eram únicos independentemente da empresa à qual pertenciam; a SDW "faturavarepassava" mercadorias para a TCE, conforme nota fiscal anexa (fls.584); as empresas autuadas mantêm vínculo com o grupo CCE já acusado de fraudar o regime da Zona Franca de Manaus, por meio de empresas formalizadas exclusivamente para este fim e que não funcionavam de fato; Fl. 8647DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.642 7 5.2. As vinculações existentes nos quadros societários da SDW e TCÊ, as quais reafirmam que as pessoas jurídicas autuadas são uma só empresa, por quanto: os sócios vinculados planejaram e realizaram os atos ilegais aqui delatados para lesar a economia nacional por meio da constituição fictícia da TCE e da SDW; todos os sócios têm vinculação (familiar e/ou empresarial) entre si; o imóvel no qual funcionavam as empresas autuadas pertence ao Grupo CCE, cujo proprietário majoritário, Sr. Isaac Sverner, também é sócio principal da TCE; o mesmo imóvel onde funcionara o bloco TCE/SDW abrigou a Associação de Tecnologia da Informação, entidade sem fins lucrativos, cujo Contrato Social (fls.520/542), revela que a citada associação é fruto da articulação das mesmas pessoas mencionadas antes, somadas ao espanhol Sr.Jesus Manuel Casal Pan, CPF 809.259.52834 (fls.328verso), ativo administrador do bloco SDW/TCE; as pessoas jurídicas geridas pelas físicas aludidas se misturam numa sucessão intrincada de vinculações: Sr. Isaac Sverner CPF 004.843.85887 (fls.374/380 sócio da DM, CCE, TCE, entre outras); Sr. Roberto Sverner CPF 038.331.75842 (fls.381/385 – diretorpresidente da SDW); Sr. Raphael Ades CPF 118.087.50870 (fls.386/388 sóciodiretor da TCE/SDW e do Sr. Sverner em empresas); Sr. César Ades CPF 044.593.26868 (fls.389/391 sócio SDW); Sr.Vittorio Danesi CPF 008.292.71899 (fls.392/394 acionista da TCE); Sr. Romeo Danesi CPF 674.210.91515 (fls.395/397 — sócio da SDW); Sra. Cleys Danesi – CPF 028.306.81835 (fls.398/400 acionista e diretora da SDW); Sr. Nelson Sany Wortsman – CPF 209.747.01815 (fls.401/403 — acionista da TCE, diretor da SDW); Sr. Fabrizio Wortsman CPF 212.734.22830 (fls.404/406 acionista SM); Sr. Solon Chryssostomos Tsantulas – CPF 023.814.19853 (fls.407/409 — sóciogerente da TCE); 6. No que concerne ao PRAZO DECADENCIAL, aduz a autuante que por se tratar a presente autuação de verificação de cometimento de diversas infrações e crimes, afastase a decadência, visto que esta se reporta ao artigo 173, I, do CTN (primeiro dia do ano seguinte), quando há fraude, dolo ou simulação. 7. Quanto A. FALSIFICAÇÃO DE FATURA COMERCIAL INTERNACIONAL (INVOICE), o autuante sustenta que: a falsificação de faturas comerciais internacionais (invoice), documento necessário ao desembaraço aduaneiro, visando obter o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas com os benefícios fiscais da Zona Franca Manaus, caracteriza o evidente intuito de fraude, por meio de dolo e simulação; Fl. 8648DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 8 de acordo com Roosevelt Baldonir Sosa': consiste a falsidade documental, em matéria aduaneira, em elaborar documento falso, ou alterálo total ou parcialmente de modo a iludir o controle administrativo. Também se conhece a falsidade ideológica, que é quando o documento se mostra verdadeiro, mas não expressa a verdade (..); de cada jogo de documentos consta uma etiqueta com código alfanumérico composto de invoice falsificada/adulterada com o código "A", da original/verdadeira com a codificação "B", do Packing List com o "C", a Declaração de Importação com o signo "D" e o BL com "E"; o processo de falsificação/adulteração das invoices é grosseiro: há mixórdia de idiomas no documento, ora se usa o inglês ora o português, ou seja, a despeito de os exportadores estarem situados em países diferentes e de serem as faturas emitidas de acordo com a legislação vigente de cada, pais, o leiaute gráfico (11.346) utilizado para a falsificação nunca sofria modificações; a descrição das mercadorias nas invoices "A" (falsas/adulteradas), sempre em lingua portuguesa, é exatamente aquela constante do Processo Produtivo Básico (PPB) autorizado pela Suframa, tendo como motivo dessa simulação fazer com que as mercadorias se enquadrarem no PPB aprovado pela Suframa; muitos dos conhecimentos marítimos utilizados para o desembaraço aduaneiro são ao portador, propiciando o rápido endosso, a transferência da titularidade da carga, sendo que esse fato se dava para facilitar a mudança de propriedade entre a SDW e a TCE sem os requisitos legais, de acordo com a conveniência para falsificação/adulteração da invoice em contrapartida aos saldos disponibilizados pela SUFRAMA; com relação ao preço, para facilitar a remessa de capitais para o exterior ou a adaptação aos custos do Processo Produtivo Básico (PPB); o escritório da Receita Federal nos Estados Unidos (fl.348) e a Procuradoria da República no Amazonas (11 .347) remeteram ao grupo General Eletric (GE), questionamentos sobre a emissão das invoices n° 0370025201(fl.351), 0370025401(fl.352), 0370025501( 11.353) e 0388365601 (11 .354), das quais constam a marca oficial e a suposta subscrição oficial de funcionário daquela empresa, sendo que as correlatas vias originais/verdadeiras, que estão seguidamente anexadas as falsas (fls.355/358), tem a mesma numeração das vias falsificadas/adulteradas; a GE Plastics (fls.349/350) assim respondeu: As três faturas que V. Sas. Anexaram carta não são as faturas originais que a GE Plastics apresentou ao Banco Boa Vista InterAtlântico para estas três transações de importações (..) Enquanto estas fatura se stão aparentemente corretas no total, há erros administrativos que ressaltamos na planilha anexa. Note que algumas das nomenclaturas de cor do produto estão incorretas e alguns dos dados de peso esteio em libras ao invés de quilogramas; Fl. 8649DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.643 9 é imprescindível, para a instrução da DI, a via original da fatura comercial internacional (invoice) e do conhecimento de carga, nos termos do art.13 da IN/SRF n° 69/1996, vigente A. época, dos despachos aduaneiros; o despacho aduaneiro regular depende da invoice original, pois neste documento constam todas as características das mercadorias importadas (natureza, prego, embalagem); 8. Concluindo, a autoridade lançadora transcreveu JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA a respeito da matéria, de modo a consubstanciar o que diz e alega. 9. Vistas as alegações do autuante, passemos de imediato às alegações de defesa. A DEFESA 10. Cientificadas do lançamento em 15/04/2004 (fl.02), as empresas autuadas insurgiramse contra a exigência, apresentando, em 17/05/2004, a impugnação de fls.6.998/7.030. 11. Seguindo a mesma configuração adotada pela defesa em sua impugnação, vejamos, em síntese, as razões argumentadas: I — DOS FATOS Após uma breve exposição dos fatos, as autuadas defendem: • que as supostas infrações não ocorreram, tendo a autuação se baseado em meros indícios e não em provas efetivas das situações descritas pelos agentes fiscais; • não há qualquer irregularidade do ponto de vista societário quanto constituição e a gerência das empresas autuadas, uma vez que tais empresas foram constituídas e geridas em conformidade com a lei; II— DO MÉRITO II.1 — DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE 11.1.1 — Pena de Perdimento • A multa de 100% sobre o valor dos bens importados equivale à pena de perdimento dos bens; • Em Direito, a aplicação de penalidades deverá observar os princípios da ampla defesa, do devido processo legal e da tipicidade cerrada, atinentes ao Direito Penal; 11.1.2 — Conceito de fraude na legislação tributária • O conceito de fraude, para efeitos tributários, está no art. 72 da Lei n° 4.502/1964, tendo sido incorporado ao art. 481 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, que corresponde ao art. Do RIPI/1998; Fl. 8650DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 10 • A interpretação das normas punitivas deve ser feita de maneira estrita, não se permitindo estendêla, por analogia ou paridade, para qualificar faltas reprimíveis ou lhes aplicar penas nem se podendo concluir, por indução, de uma espécie criminal para outra não expressa; • Para que se caracterize a fraude é necessário que o contribuinte tenha a intenção (dolo) de diferir, reduzir ou evitar o pagamento do tributo; • A configuração do dolo somente se (Id se estiverem caracterizados dois elementos: o subjetivo, que corresponde A. intenção do agente, e o objetivo, que representa o caráter ilícito do resultado; • "Dolo é a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito. 0 agente prevê e quer o resultado ilícito; este se representa no espirito do sujeito que o elege como fim, e para o qual ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva"; • O dolo é um elemento essencial do "tipo"; a inexistência da intenção do agente, em se tratando de conduta tipificada, implica na descaracterização da fraude, e, conseqüentemente, na inaplicabilidade da multa exigida; • Para caracterização da fraude, a questão central a ser enfrentada é se houve intenção das impugnantes em postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo, o que não ocorreu, tanto assim que o lançamento ora impugnado não exige recolhimento a título de tributo, mas somente a título de multa; ill 11.2 — DA REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES • Os conceitos de falsidade ideológica ou falsidade documental, utilizados pela fiscalização para a descrição dos fatos ocorridos, não se aplicam às operações de importação realizadas pelas autuadas; • A fiscalização parte de meras suposições ou presunções para concluir pela aplicação da multa administrativa em comento; II.2.a) Emissão de "invoices" em duplicidade • A "invoice A", intitulada erroneamente de "invoice falsa", na verdade se trata de documento "proforma", emitido para atender as exigências da Aduana quando do desembaraço de mercadorias importadas, refletindo, substancialmente, as mesmas informações constantes na "invoice B", considerada pela fiscalização como "verdadeira"; • A emissão de "invoices" é procedimento corriqueiro no âmbito das transações comerciais internacionais, bem como, é necessário, posto que a fatura comercial emitida por empresa exportadora nem sempre apresenta todos os requisitos necessários para o preenchimento correto da DI, tais como a descrição detalhada dos produtos importados, medidas diferentes dos padrões brasileiros, etc; Fl. 8651DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.644 11 • Tais fatos impedem o preenchimento correto da DI, atravancando o desembaraço aduaneiro e penalizando, de certa forma, a consecução das atividades dos importadores, seja pela interrupção da produção de seus produtos em decorrência da falta de matériaprima ou pela necessidade da reapresentação de nova fatura, mais detalhada, implicando em custos de armazenagem até a regularização do despacho de importação; • Fraude para emissão das faturas comerciais não ocorreu, nem tampouco poderá ser presumida pela existência de duas "invoices" às substancialmente idênticas, referentes A. mesma operação; • Fraude existiria se houvesse a comprovação de que os registros da DI e do correspondente Pedido de Licenciamento da Importação tivessem sido efetivados com base em informações não condizentes com as operações realizadas, fornecidas por uma fatura comercial divergente do documento supostamente apontado como verdadeiro; • O procedimento adotado pelas autuadas é comum no âmbito do comércio internacional, motivo pelo qual, Roosevelt Baldomir Sosa, teceu, a respeito, o seguinte comentário: A fatura comercial, a exemplo da nota de venda, deve ser emitida pelo vendedor e por este assinada. 0 preceito, embora óbvio, tem sido por vezes desrespeitado, havendo empresas que emitem no Brasil as faturas comerciais, notadamente no caso de negociações filial/matriz ou até por questões ligadas a facilitação operacional. Este é exatamente o caso das impugnantes, que desembaraçaram suas mercadorias através de "invoices proforma" emitidas para a facilitação operacional do desembaraço aduaneiro; II.2.b) Mixórdia de idiomas • A presunção da fraude pela simples existência de mixórdia de idiomas nos documentos deve ser desconsiderada, pois nas "invoices B" também chamadas de "invoices verdadeiras", também há mixórdia de idiomas; • Se ambas as "invoices", denominadas como "falsa" e "verdadeira", apresentam duplicidade de idiomas, descabe presumir a existência de ilícito fiscal; II.2.c) Utilização de mesmo modelo tipográfico • Não deve prosperar a presunção de fraude decorrente da utilização de mesmo modelo tipográfico para a emissão de invoices tidas como falsas; • No comércio internacional, as faturas comerciais são documentos necessários à efetivação de operações comerciais, assim como para o preenchimento e emissão da DI, inexistindo requisitos ou formatações especificas para a emissão de faturas; Fl. 8652DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 12 • A legislação brasileira impõe requisitos básicos para a emissão das faturas comerciais, conforme art.425 do Regulamento Aduaneiro vigente A. época dos fatos (Decreto n° 91.030/1985); • As "invoices" consideradas "verdadeiras" não contêm a especificação detalhada das mercadorias, o que ensejou a necessidade de emissão da "invoice proforma", que seguia o mesmo padrão tipográfico, haja vista que foram emitidas com o objetivo de viabilizar o desembaraço aduaneiro; II.2.d) Esclarecimento do exportador • O teor dos esclarecimentos prestados por fornecedor das autuadas, em verdade, comprova exatamente a inexistência de fraude, pois, em resposta à solicitação de informações pelas autoridades fiscais brasileiras, a GE Plastics afirma que apesar de diferenças nas faturas comerciais emitidas, estas refletem com precisão o valor total de dólares das transações; • Diante das informações prestadas pela empresa GE Plastics, fica evidenciado que existem tãosomente erros administrativos nas "invoices proformas", as quais não alteram a substância das "invoices" emitidas pelo exportador (diferenças relativas A. cor dos produtos e da medida de peso), pelo que jamais poderiam ser consideradas como fraudulentas. Em ambas as faturas comerciais notase o mesmo peso, quantidade dos produtos, valores e destinatários, ou seja, substancialmente são idênticas as "invoices verdadeiras" e as "invoices proforma"; • Se o intuito fosse o de fraudar o fisco, as "invoices" emitidas pelo importador deveriam ter principalmente valor diferente daquele constante da "invoice" emitida pelo fornecedor no exterior, porém, a realidade dos fatos, conforme atestado por prova produzida pela autoridade fiscal, é a de que as faturas comerciais tidas como falsas refletem com precisão os valores da operação; • Se os documentos fiscais supostamente apontados como "invoices falsas" apresentam tão somente erros ou equívocos quando do seu preenchimento, sem adulterar os valores da transação, a única conclusão a que se pode chegar é no sentido da existência de erros e não de fraude nos documentos "proforma"; • O que se pretende com a ação fiscal é denegrir a imagem das autuadas e de seus sócios, através de acusações injustas, decorrentes de presunções levianas, imputadas a pessoas sérias; • Os erros administrativos das faturas comerciais, emitidas pelos importadores ou seus respectivos agentes, não implicam na ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no art. 463, inciso I, do RIPI/98, que ensejam a aplicação da multa; II.2.e) Conhecimentos de transporte ao portador • O conhecimento de transporte é um título de crédito que poderá ser emitido à ordem ou ao portador, inexistindo Fl. 8653DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.645 13 imposição legal quanto à sua forma de emissão, sendo, portanto, equivocado o entendimento da fiscalização; • O argumento da fiscalização a respeito é mais um fruto do rol de presunções formuladas para a lavratura do auto, visto que os conhecimentos foram emitidos em consonância com a lei comercial, oferecendo garantias suficientes para a concretização da entrega do bem ao importador; • Grande parte dos conhecimentos de transporte foram emitidos diretamente A pessoa jurídica do importador, conforme se observa As fls. 1.240/1.253 (Vol.III), 2.067 (Vol.VIII), 2.385 (Vol.IX) e 4.784/5.001 (Vol.XIX); II.2.f) Conclusão relativa A regularidade das operações • Ao utilizar as "invoices proforma", as importadoras não tinham o intuito de fraudar as operações de importação das impugnantes, mas sim, e tãosomente, de viabilizar o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas em face das exigências da Aduana, sendo que a utilização de invoices proforma, que substancialmente correspondem aos documentos originais, restou comprovada no oficio emitido pela GE Plastics, não tendo o dolo de postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo; • Tanto as "invoices proforma" quanto as "invoices originais" contêm mixórdia de línguas, o que evidencia a fragilidade da presunção da fiscalização; 11.3 — INAPLICABILIDADE DA MULTA ADMINISTRATIVA • O lançamento deve conter a descrição dos fatos tidos como contrários à legislação ou dos fatos concretos que justifiquem a exigência do tributo ou da multa isolada, com a demonstração clara e precisa do nexo causal entre os fatos descritos na autuação e os dispositivos legais mencionados, conforme determina o artigo 142 do CTN; • O objetivo do dispositivo legal indicado como fundamentação legal no auto de infração é o de imputar multa administrativa, somente nas hipóteses de operações: (a) clandestinas, (b) irregulares, (c) fraudulentas, ou (d) não registradas, envolvendo produtos de procedência estrangeira; II.3.a) Inexistência de importação clandestina • Não se trata de importação clandestina, pois não houve qualquer ocultação das operações uma vez que todas elas foram devidamente registradas no SISCOMEX; • Os fatos e dados que se encontram registrados em documentos existentes na própria Administração deverão ser providos, de oficio, ao processo, pelo órgão preparador, nos termos do art.37 da Lei n° 9.784/1999; Fl. 8654DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 14 • A comprovação da inexistência de importações clandestinas se verificará através da juntada, pelo órgão de instrução, dos documentos registrados na Administração, junto ao SISCOMEX; II.3.b) Inexistência de irregularidades • Apenas as irregularidades que impliquem na inviabilização da verificação, por parte da fiscalização, do cumprimento da obrigação à principal (recolhimento do tributo) ou da ocorrência do fato gerador do tributo, poderia ensejar a aplicação de penalidade. Isto porque as obrigações acessórias se prestam, tãosomente, a garantir a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária principal; • As irregularidades que não representem impedimento à fiscalização na evidenciação do cumprimento da obrigação de recolhimento do tributo e do próprio cumprimento da obrigação principal, não poderão ensejar a aplicação de qualquer tipo de multa; • Não houve irregularidades na importação, posto que as impugnantes providenciaram o registro da DI, nos termos do art. 10, V, da Instrução Normativa no 691 1996, e os procedimentos adotados para o desembaraço aduaneiro das mercadorias sempre se deram à luz do disposto na legislação; • O desembaraço somente ocorreu após a conferência aduaneira, procedimento que antecede a liberação das mercadorias, e que possui o condão, de aperfeiçoar o lançamento efetuado pelo contribuinte. Somente com a identificação da pessoa jurídica do importador, a verificação da classificação fiscal e a conferência de manifesto de carga, é que as mercadorias eram liberadas e despachadas para o consumo; • A efetividade e legalidade das operações restam comprovadas, pois: foram atendidas todas as obrigações acessórias junto a SEFAZ; existem os comprovantes de internamento das mercadorias importadas; constam, nos sistemas do Banco Central e da SRF, os recibos de envio das respectivas DI's pelo Siscomex e existem registros de contratos de câmbio, para fins de cobertura cambial das respectivas operações de importação, junto ao BACEN; • O procedimento de importação envolve várias etapas que antecedem a operação de desembaraço e descarga de mercadorias importadas, todas sujeitas à fiscalização e autorização das autoridades fazendárias, tais como a conferência de manifesto de carga, a consolidação documental dos containeres (sic) por agente de carga, a notificação na Secretaria da Fazenda do Estado, o recolhimento das taxas de armazenagem e capatazia dos Portos e o registro da DI no SISCOMEX, sendo que o desembaraço das mercadorias importadas sempre ocorreu de acordo com as especificações contidas na lista de produtos e respectiva fatura comercial; • As impugnantes sempre obtiveram a autorização para liberação das mercadorias importadas, de acordo com as Fl. 8655DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.646 15 informações contidas nas DI's, invoices e packing lists, que, somente após a conferência aduaneira realizada pelas autoridades fiscais, foram liberadas para o desembaraço; • Por se tratarem de dados que se encontram registrados em documentos em poder da própria Administração, os quais comprovam a regularidade das operações, as impugnantes requerem que seja aplicado o art.37 da Lei n° 9.784/1999; • Se irregularidades existissem, o despacho aduaneiro não se concretizaria e as mercadorias não seriam liberadas para o consumo. Tãosomente após a conferência aduaneira realizada pelas autoridades fiscais o desembaraço e liberação das mercadorias é que as impugnantes procediam ao "desembaraço" (sic), afastando, portanto, qualquer alegação no sentido de que houve entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente; II.3.c) Inexistência de fraude • A fraude somente se caracterizaria diante da intenção do agente (dolo) e do resultado (reduzir, evitar ou postergar o pagamento do tributo), o que não ocorreu, visto a própria autuação, a qual não há cobrança de qualquer valor a título de tributo. As emissões das "invoices proforma" eram feitas com o intuito exclusivo de viabilizar o desembaraço aduaneiro; II.3.d) Inexistência de falta de registro • Todas as DI's foram devidamente registradas no SISCOMEX, o que pode ser verificado nos respectivos registros da Administração, devendo, novamente, ser aplicado o disposto no art. 37 da Lei n° 9.784/1999; II.3.e) Conclusão referente à inaplicabilidade da multa administrativa • Como as impugnantes não importaram clandestinamente, irregularmente nem fraudulentamente mercadorias do exterior, haja vista que todas as operações estão comprovadas, com o devido recolhimento dos tributos incidentes na operação, tendo, ainda, sido cumpridas todas as obrigações cambiais inerentes à operação, (...), não se configurou nenhuma das hipóteses de aplicação da multa administrativa prevista no artigo 463, I, do RIPI/1998; • Conforme acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, o elemento nuclear da infração é a importação, clandestina, irregular ou fraudulenta, de produtos de procedência estrangeira, não tipificando a infração em relação 6. mercadoria constante de DI registrada na repartição aduaneira; • Se é certo que a multa prevista no artigo 463, I, do RIPI/98 não se aplica ao caso presente, conforme decisão do 2° CC, também é certo que a emissão dos documentos "proforma" não poderia Fl. 8656DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 16 nem ao menos ensejar a aplicação da multa prevista no art.521, III, do RA/85, que mais se aproximaria ao caso dos autos; • A utilização do documento "proforma", para atender as exigências das autoridades aduaneiras para o correto preenchimento da DI, viabilizando o desembaraço aduaneiro, não corresponde à inexistência de fatura comercial; • Diante da dúvida no enquadramento de infrações tributárias ou de sua graduação, determina o art.112 do CTN seja o lançamento perpetrado de maneira mais favorável ao acusado; 11.4 — DECADÊNCIA • O enquadramento utilizado pela fiscalização para contagem de prazo decadencial, ou seja, o artigo 173, I, do CTN, não deverá prosperar, visto que tal dispositivo só se aplica na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não se verifica no presente caso; • Valendose de doutrina e jurisprudências, conforme fls.7.017/7.018, sustenta a impugnante que o dispositivo a ser considerado deverá ser o artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê que o prazo decadencial será de cinco anos a partir do fato gerador (lançamento por homologação), o que significa dizer que para os casos abrangidos na presente lide (01 a 12/1999) já ocorreu a decadência, visto que o lançamento se deu em abril/2004; 11.5 DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS AUTUADAS • Não merece prosperar a alegação da existência de fraude, dolo ou simulação na constituição e gerência das empresas autuadas no sentido de constituírem uma única unidade econômica formada para fraudar o fisco; CONSTITUIÇÃO DAS EMPRESAS • As empresas autuadas foram constituídas em conformidade com a legislação, cujos atos constitutivos foram devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado de Sao Paulo, (empresa TCÊ) e Junta Comercial do Estado do Amazonas (empresa SDW), tendo sido observados todos os requisitos para a constituição de pessoas de direito privado, tais como a elaboração de contrato social de acordo com a lei comercial, assinatura dos representantes legais, obtenção de registros, etc; • As empresas ora impugnantes são pessoas jurídicas de fato e de direito independentes na consecução de suas atividades, possuindo objetos sociais distintos, conforme os respectivos contratos sociais, porém, enquanto a TCÊ dedicavase a fabricação de monitores de vídeo para computadores, calculadoras, impressoras e locação de aparelhos facsimile, a SDW se dedicava a fabricação de placas e componentes para a indústria eletrônica; • A fiscalização simplesmente nega todo e qualquer conceito jurídico societário e cria uma ficção jurídica que transformaria Fl. 8657DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.647 17 qualquer grupo empresarial ou simples parceiras comerciais, em "uma só empresa, um bloco monolítico, com sócios vinculados entre si (...) com o intuito de obter benefícios fiscais por meio de crime"; NÃO SAO EMPRESAS COLIGADAS • Ao contrário do que alega a fiscalização, as autuadas não são empresas coligadas. A definição de "coligada", expressão utilizada pelos agentes fiscais na descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do presente auto de infração, não poderá ser extraído da simples leitura de um dicionário; • Nos termos do disposto no art. 110 do Código Tributário Nacional, os institutos, conceitos e formas de direito privado não poderão ser alterados na sua aplicação no Direito Tributário; • O conceito jurídico e legal de empresa coligada está disposto na legislação comercial, verificandose "quando uma participa com 10% ou mais do capital da outra sem controlála", de modo que as empresas SDW e TCÊ não são coligadas, mas tão somente empresas interligadas, com relações comerciais entre si; • Confundese a fiscalização na diferenciação dos conceitos de empresas pertencentes ao um mesmo grupo econômico e de fraude ou simulação na constituição de pessoas jurídicas; FUNCIONAMENTO NO MESMO ENDEREÇO • A legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço, desde que a localização das referidas pessoas jurídicas, na mesma área, não impeça a diferenciação de uma empresa da outra; • CI compartilhamento de uma mesma área, por duas empresas distintas, é procedimento autorizado pela legislação, comumente adotado pelas pessoas jurídicas em geral. O compartilhamento de dependências administrativas e de funcionários por empresas jurídicas distintas e de um mesmo grupo econômico ou não também não é novidade ou sequer indicativo de fraude ou simulação, já tendo sido objeto de aceitação por julgado Conselho de Contribuintes; • Foram concedidos, para ambas as empresas, e em momentos distintos, os alvarás de funcionamento pelas autoridades fiscais, estadual e municipal, o que corrobora regularidade e a licitude na forma de funcionamento adotado pelas empresas, protestando pela juntada posterior dos referidos documentos; • A existência de vínculos pessoais ou familiares entre os administradores das empresas nada comprovam, sendo irrelevantes para o processo, descabendo as alegações no sentido de fraude ou simulação na constituição ou gerência; Fl. 8658DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 18 11.6 — DO CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA (E DA NULIDADE DECORRENTE DA OBTENÇÃO E DA UTILIZAÇÃO DE PROVA ILÍCITA • Conforme se pode observar das informações prestadas pela fiscalização, a lavratura do presente auto de infração ocorreu nas dependências do Ministério Público Federal / Procuradoria da República em Manaus — AM; • A fiscalização utilizou os documentos fiscais que não mais se encontravam nas sedes dos estabelecimentos das impugnantes em Manaus — AM, tendo o referido conjunto de documentos sido apreendido em momento anterior ao lançamento, em virtude do cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão expedido pela Justiça Federal; • Todos os arquivos disponíveis nas sedes das impugnantes apreendidos e se encontram em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal, desde 14/07/2003, não tendo as autoridades devolvido às impugnantes tais documentos, essenciais à prova das alegações aduzidas na defesa; • Tal procedimento implica ofensa ao princípio constitucional que garante a ampla defesa, nos termos do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988; • Por ampla defesa devese entender o asseguramento que é feito ao réu de condições que lhe possibilitem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade, para que processo não se converta em uma luta desigual em que ao autor cabe a escolha do momento e das armas para e ao réu só cabe timidamente esboçar negativas; • Pela afirmação e negação sucessivas que a verdade ir á exsurgindo nos autos, nada podendo ter valor inquestionável ou irrebatível, devendo haver livre debate e produção de provas e critica de depoimentos e documentos, bem como dos eventuais exames periciais que apoiam a acusação; • Houve cerceamento do direito à ampla defesa, o que contamina de modo irrecuperável o procedimento fiscal, considerando a injustificada manutenção da apreensão da documentação pelas autoridades; • Não se pode admitir que para a continuidade da defesa no âmbito administrativo, as impugnantes se vejam obrigadas a contestar as alegações de fraude formuladas pela fiscalização sem a possibilidade de apresentação de provas que denotem a inexistência de fraude; • A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é no sentido de nulidade de atos processuais, a partir do ato que estiver contaminado por vicio que afronte o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa; • Não poderá ser admitido o presente lançamento sem a possibilidade de defesa e produção de provas por parte das impugnantes, sendo nulo o auto de infração, em face do princípio do contraditório e da ampla defesa; Fl. 8659DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.648 19 • Ainda que se considere a existência de provas no presente processo, notase a nulidade que se verifica na obtenção dos referidos documentos para a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 5 0, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988; • Prova ilícita é aquela obtida por meio transverso, ilegal, não condizente com as normas de direito material ou processual civil, administrativo ou penal; • De extrema importância é a prova documental no âmbito do processo administrativo fiscal, que é pautado pela materialidade dos fatos para fins de convencimento das autoridades julgadoras, de modo que a constatação de qualquer infração sempre dependerá de comprovação por meio de provas obtidas de forma licita, para a efetivação do lançamento de oficio; • A documentação utilizada pela fiscalização para a lavratura do auto de infração se encontra apreendida e sob guarda do Ministério Público Federal em Manaus — AM. em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, foram apreendidos todos os documentos existentes nas sedes das impugnantes, sendo lavrado o respectivo Termo de Arrecadação; • Verificase a nulidade do auto de infração na medida que as provas utilizadas pela fiscalização para a alegação do ilícito fiscal foram obtidas de forma ilícita, haja vista os procedimentos adotados pelas autoridades policiais em diligência nas dependências das impugnantes; • A nulidade da prova utilizada no presente auto de infração consiste em vicio formal e de impossível reparação, pois quando do cumprimento do citado mandado de busca e apreensão não foram observados os requisitos necessários para a apreensão de documentos, conforme determina o art. 240 e seguintes do Código de Processo Penal CPP, instituído pelo Decretolei n° 3.689/1974; • É patente a violação de garantias constitucionais (contraditório e a defesa) face à ausência de representante legal das empresas autuadas no momento da apreensão da documentação, devendose observar a inexistência de assinatura ou ciência por parte dos detentores da documentação apreendida (representantes legais das pessoas jurídicas TCÊ e SDW) no Termo de Arrecadação; • Não foram relacionados os documentos apreendidos, conforme determina o art. 245, § 7º, do Código de Processo Penal, apenas genericamente descritos, tais como “Caixas de documentos SDW”, “pastas de balancetes”, caixas de papelão com documentos diversos”, sem a especificação de quantos documentos de quais e quantos tratavam e de quais empresas; • Os correios eletrônicos (emails) apreendidos utilizados como prova não atestam ou sequer comprovam a existência de fraude, descabendo o reconhecimento de sua validade como prova; Fl. 8660DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 20 • Esses vícios de procedimento demonstram que a obtenção dos documentos que embasam a autuação foi feita de forma ilícita e, conforme entendimento do Conselho de Contribuintes, é nula a decisão fundamentada em prova ilícita, obtida com a violação de garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa e sem observar as disposições da lei processual vigente; • As norma que regem o processo administrativo federal determinam a observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados, conforme art. 1º, VIII, da Lei n.º 9.784/99; III – DO PEDIDO Ao final, as impugnantes: • Requerem a declaração de nulidade e a improcedência do lançamento; • Solicitam a juntada aos autos de todos os documentos que se encontram em poder da Administração que comprovem as alegações tecidas na presente impugnação, especialmente os seguintes: comprovantes de internamente das mercadorias importadas, comprovantes dos registros de contrato de câmbio, comprovantes da conferência de manifestos de carga, comprovantes da consolidação documental dos containers por agente de carga, comprovantes da notificação da Secretaria da Fazenda do Estado – SEFAZ, comprovantes dos recolhimentos das taxas de armazenagem e capatazia dos Portos e registros das Declarações de Importação no SISCOMEX; • Protestam por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos; (...) 14. Em 11/01/2005, a empresa TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. solicitou, com base no art. 16, § 5°, do Decreto n° 70.235/1972 c/c art. 5°, LV, da Constituição Federal, ajuntada do parecer de fls.7.093/7.128. 15. Em 25/07/2005, as empresas TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda e SDW Serviços Empresariais Ltda solicitaram ajuntada aos autos de cópia autenticada de carta emitida pela exportadora Daewoo Telecom, devidamente traduzida por tradutor juramentado, bem como demais documentos em anexo (fls.7.130/7.152). A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 6.963, de 21/10/2005 (fls. 7819 e ss.), assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Fl. 8661DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.649 21 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS DECURSO DO PRAZO IMPUGNATÓRIO. PARECER JURÍDICO. Não se conhece de argumentos apresentados, na forma de parecer, após o transcurso do prazo impugnatório. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS EM PODER DA ADMINISTRAÇÃO. IRRELEVANCIA DOS DOCUMENTOS PARA 0 EXAME DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência para a juntada de documentos que não guardem relação com o objeto do litígio. ARGÜIÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FORNECIMENTO DE CÓPIA DA PROVA DOCUMENTAL. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que foi devolvida a documentação apreendida no curso da ação fiscal, uma vez que a prova documental em que se baseou o auto de infração encontrase acostada aos autos possibilitando o exame por parte da defendente. LICITUDE DA PROVA. BUSCA E APREENSÃO. A assinatura do representante legal da empresa no termo circunstanciado da busca e apreensão não é requisito exigido pela lei, de modo que a sua ausência não torna ilícita a prova obtida, caso o referido documento esteja assinado por duas testemunhas. A descrição genérica, no citado termo, dos documentos apreendidos, não invalida a prova colhida, quando posteriormente é realizado o exame de toda a documentação, detalhandose o seu conteúdo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE PECUNIÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO COM BASE NO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE 0 LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Nos casos de lançamento de penalidade pecuniária, a contagem do prazo decadencial se sujeita à regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, onde está determinado que o dies a quo para a contagem do citado prazo corresponderá ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 8662DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 22 DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA REGRA CAPITULADA NO § 4° DO ARTIGO 150 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL CONFORME PRECEITUA 0 ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se ao caso fático não se aplica à regra de contagem do prazo decadencial preceituada no § 4° do art. 150 do CTN, relativo ao lançamento por homologação, aplicarseá para a determinação do dies a quo do citado prazo, a regra geral contida no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. SOLIDARIEDADE PASSIVA Respondem pela infração conjuntamente quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1999 Ementa: IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. INSTRUÇÃO DO DESPACHO COM FATURAS FALSIFICADAS. Comprovada a falsidade das faturas comerciais que instruíram as declarações de importação, com vista obtenção de vantagens indevidas, fica caracterizada a importação fraudulenta, sujeitando o importador à multa equivalente ao valor comercial das mercadorias, capitulada no art.83, I, da Lei 4.502/64. Lançamento Procedente Irresignadas, a TCÊ Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. e SDW Serviços Empresariais Ltda. apresentaram, no prazo legal, Recurso Voluntário de fls. 7890/7981, por meio do qual aduzem, em síntese, depois de relatar os fatos: PRELIMINARES DE NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Participação no julgamento de autoridade administrativa impedida O Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira não poderia ter participado do referido julgamento, já que foi Inspetor da Alfândega no Porto de Manaus no período fiscalizado, tendo, inclusive, assinado Mandado de Procedimento Fiscal, em 21 de agosto de 2000, o qual deu início à fiscalização de uma das Recorrentes pela Receita Federal, tendo como objeto o IPI, II, além de multas diversas independentes, sem delimitação de período fiscalizado, conforme demonstrado pela documentação em anexo. Portanto, um dos julgadores desempenhava a função de autoridade responsável pelo lançamento durante o período objeto do lançamento. A Portaria MF n° 258/01, que disciplina a constituição das turmas e funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, em seu artigo 19, determina que: "Art. 19. Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: I — participado da ação fiscal”; Falta de apreciação de parecer jurídico As Recorrentes, autuadas em abril de 2004, requereram, em 11 de janeiro de 2005, a juntada aos autos de parecer jurídico proferido pela douta advogada Íris Sansoni, em que foram analisadas as questões concernentes ao presente caso. Entretanto, os julgadores desconsideraram referido parecer, por entenderem que as Recorrentes não demonstraram a Fl. 8663DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.650 23 ocorrência de uma das condições previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. O art. 38 da Lei n° 9.784/99, o interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligencias e pericias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo, somente podendo ser recusadas as provas propostas pelos interessados quando forem ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Juntada de documentos em grau de recurso A juntada de documentos e provas hábeis a demonstrar a insubsistência da autuação em grau de recurso se justifica pelo fato dos documentos das Recorrentes terem sido devolvidos somente em 19/4/05, isto é, muito após a impugnação do lançamento. A juntada posterior de documentos e provas está justificada por motivo de força maior, qual seja a restituição dos referidos documentos após a impugnação. Falta de análise dos documentos juntados aos autos As Recorrentes são acusadas, no presente processo, de falsificarem todas as faturas comerciais relativas à totalidade das operações de importação realizadas no período fiscalizado. Referida acusação tem por base a presunção de que a divergência apontada entre as faturas "pro forma" e as faturas originais se estende a todo o conjunto de faturas emitidas no período fiscalizado. Tal presunção utilizou, inclusive, divergências apuradas em faturas emitidas em outros períodos que não o autuado! Em momento algum verificouse, por parte das autoridades fazendárias, o necessário rigor na aplicação da lei. Com efeito, não foram procedidos levantamentos de quantas faturas "pro forma" apresentavam diferença em relação às faturas comerciais originais, ou levantamento da relevância das diferenças apresentadas, ou do impacto destas diferenças ao controle aduaneiro. De forma absolutamente simplista, a fiscalização limitouse a reunir algumas faturas "pro forma" emitidas pelas Recorrentes, com o único propósito de subsidiar a aplicação de multa injustificável, sem comprovar, no entanto, qualquer dano efetivo ao controle aduaneiro. Não obstante, como se pode comprovar da análise dos documentos em anexo (Doc. 13), juntados a título ilustrativo, grande parte das faturas "pro forma" não contém qualquer divergência em relação às faturas comerciais originais, emitidas pelos exportadores. No Acórdão n° 20208.202, de 08/11/95, em que se deu integral provimento ao recurso de contribuinte autuado após "Auditoria de Produção", foi adotada como razão de decidir outro Acórdão do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes (Acórdão 20169.903), ambos fulminando a inversão do ônus da prova, que compete ao fisco, sujeito ativo da obrigação tributária, tal como ocorre "in casu". Falta de juntada de documentos solicitados pela empresa Com o intuito de demonstrar cabalmente a inexistência de fraude à importação, considerando que, durante a fase impugnatória, a totalidade dos documentos administrativos, contábeis e fiscais permaneceram em poder do Ministério Público Federal, em decorrência da Ação de Busca e Apreensão que será adiante identificada, as Recorrentes requereram, com fundamento no art. 37 da Lei nº 9.784/99, a juntada dos fatos e dados registrados em documentos cm poder da própria administração, que contêm elementos suficientes à comprovação da regularidade das operações realizadas. Assim, a falta de juntada dos documentos em poder da administração, por parte das autoridades julgadoras, implica em cerceamento do direito de defesa das Recorrentes, motivo adicional que implica a nulidade da decisão recorrida. PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 8664DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 24 Falta de acesso aos documentos A totalidade dos documentos fiscais das Recorrentes foram apreendidos em momento anterior ao do lançamento perpetrado, em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido nos autos do Processo n. 411/ 2003.32.00.0045953, em trâmite perante a 2a. Vara da Justiça Federal do Amazonas, e permaneceram em poder das autoridades fiscais e do Ministério Público Federal durante toda fase litigiosa do procedimento, prejudicando as condições de defesa das acusadas, vez que essenciais à prova das alegações aduzidas. Viramse obrigadas a impugnar as alegações da fiscalização sem a possibilidade de apresentação de provas que denotassem a inexistência de fraude nas operações de importação realizadas. Não merece prosperar a alegação da d. autoridade julgadora de que não houve prejuízo ao exercício de defesa das acusadas, face à riqueza de argumentos trazidos na defesa, o que teria demonstrado que as recorrentes compreenderam os motivos da autuação. Não se trata de compreender ou não os motivos da acusação, mas de ter livre acesso à totalidade de seus documentos, a fim de demonstrar a insubsistência do lançamento perpetrado. De extrema importância à a prova documental no âmbito do processo administrativo fiscal, que é pautado pela materialidade dos fatos para fins de convencimento das autoridades julgadoras, sendo certo que a constatação clara e precisa de qualquer infração sempre dependerá de comprovação por meio de provas. O procedimento acima mencionado implica, a toda evidencia, nítida ofensa ao princípio constitucional que garante a ampla defesa, vazado nos seguintes termos pelo artigo 5°, inciso LV da Constituição Federal de 1988. O prejuízo à defesa das Recorrentes em razão da falta de acesso aos documentos que se encontravam apreendidos é evidente. Cumpre destacar que a devolução dos documentos somente se deu pouco antes de proferida a decisão ora combatida, conforme Termo de Restituição (Doc. 12). Além disso, a devolução dos documentos se deu de forma desorganizada e incompleta, como se pode observar das fotos em anexo (Doc. 14), e também o Termo de Restituição foi emitido de forma genérica, sem especificar de forma detalhada quais documentos estavam sendo restituídos. Utilização de prova obtida de forma ilícita Apesar de a apreensão ter sido ordenada judicialmente, por ocasião do seu cumprimento pela autoridade administrativa, houve desrespeito aos dispositivos das normas processuais penais, o que enseja a necessária declaração de nulidade do ato. Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão expedido, foram apreendidos todos os documentos existentes na sede da Recorrente TCE sendo lavrado o respectivo Termo de Arrecadação. Ocorre que os documentos apreendidos foram apenas genericamente descritos, tais como "item 6 6 (seis) caixas de documentos SDIV","item 8 — 2 (duas) pastas de balancetes", "item 10 — 2 (dois) engradados com documentos diversos", "item 12 — 80 (oitenta) caixas de papelão com documentos diversos" e "item 13 — 239 (duzentos e trinta e nove) caixas de papelão com documentos diversos", sem a especificação necessária de quais e quantos documentos se tratavam, e de quais empresas. De fato não seria razoável admitir, nem é esta a intenção das Recorrentes, que as autoridades policiais tivessem elaborado uma relação detalhada dos documentos, no momento da sua apreensão. Entretanto, após o seu exame minucioso, necessária a elaboração de um relatório pormenorizado da totalidade dos documentos e bens apreendidos. Nesse sentido, a própria autoridade julgadora adota e transcreve trecho do parecer da SubprocuradoraGeral da República Cláudia Sampaio Marques, contido no voto proferido pelo Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, na Representação Criminal n° 320 SP. Portanto, ao contrário do que a firma a d. autoridade julgadora, a fase executiva do mandado de busca e apreensão não observou os preceitos legais, posto que não foram relacionados os documentos no momento da apreensão nem foi lavrado laudo detalhado dos Fl. 8665DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.651 25 documentos apreendidos. Portanto, frisese, em nenhum momento foram relacionados de forma minimamente satisfatória os documentos que haviam sido apreendidos, em afronta ao art. 245 do Código de Processo Penal. Concluise que a obtenção dos documentos que embasaram a acusação foi procedida de forma ilícita, ou seja, com transgressão à norma legal, devendo ser determinada a nulidade do procedimento. Decadência O presente lançamento foi efetuado em 14/4/2004 e referese a operações ocorridas entre 01/1999 e 12/1999. Isto posto, para parte do período autuado, deve ser reconhecida a decadência. O prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação está disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional CTN. Se a multa regulamentar que se aplica é em decorrência de supostas irregularidades na ocorrência de fatos geradores dos impostos incidentes nas importações, tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ao fisco caberia o direito de constituir o suposto credito tributário dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados de cada fato gerador/operação. A decisão recorrida afasta a aplicação da regra do art. 150, § 4º do CTN sob o fundamento de que tal dispositivo seria aplicável somente ao tributo e não à multa, cujo prazo está disposto no art. 173 do CTN. MÉRITO Acusação de importação fraudulenta As Recorrentes estão sendo acusadas de terem importado fraudulentamente mercadorias do exterior. A decisão recorrida restringe a acusação â. suposta fraude cometida pelas Recorrentes, como se pode verificar dos itens 74, 80, 84, 128, 129, 133, 135, 149, 150, 161, 167, 172, 174, 175, 176, 177, 182, 183, 184, 185, 201, 203, 204, 216, 217 e 218, do Acórdão ora recorrido. Às Recorrentes não foi imputada a conduta de terem consumido ou entregado a consumo produtos de procedência estrangeira: (i) introduzidos clandestinamente no País; ou (ii) importados irregularmente. A decisão entende que as Recorrentes teriam realizado importação fraudulenta. A suposta importação fraudulenta decorre da constatação pelas autoridades administrativas de que, em algumas operações realizadas pelas Recorrentes, havia duas faturas comerciais internacionais (invoices). Com base nesta constatação, concluíram que todas as operações por elas realizadas eram fraudulentas, em razão da "falsificação" de invoices. O conceito foi incorporado no art. 481 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, que correspondia ao art. 454 do RIPI/98. A interpretação das normas punitivas deverá ser procedida de maneira estrita. A comprovação de que não houve intenção de postergar, reduzir ou evitar o pagamento do tributo decorre do simples fato de que não foi exigido qualquer valor a título de tributo. Vale destacar que não houve qualquer exigência a título de tributo porque houve isenção de Imposto de Importação e de IPI na entrada de mercadorias na Zona Franca de Manaus, nos termos do disposto no Decretolei n° 288/67. A decisão recorrida, em seus itens 161 a 172, sustenta que o argumento de que não poderia se falar cm fraude em razão da inexistência de obrigação principal a cumprir, por conta do regime de isenção, padece de "grave inconsistência", pois: (i) os benefícios fiscais na importação de mercadorias para a ZFM podem ser isenção ou redução de impostos; (ii) tanto a redução quanto a isenção são condicionadas ao efetivo emprego dos bens nas finalidades descritas na legislação (consumo interno, industrialização etc.); e (iii) o Imposto de Importação será devido parcialmente quando da internação das mercadorias para outros pontos do território nacional. Primeiramente, é importante notar que as Recorrentes não foram acusadas de terem Fl. 8666DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 26 deixado de recolher as impostos devidos quando da internação dos produtos industrializados com os insumos adquiridos do exterior, nem mesmo de terem deixado de empregar os insumos adquiridos nas suas linhas de industrialização. Aliás, como bem afirmou o Acórdão recorrido (item 165), a isenção dos impostos estava condicionada ao reconhecimento da Suframa, por meio da Licença de Importação. Assim, as Recorrentes procediam às importações com anuência da Suframa, que reconhecia a isenção dos impostos, não havendo como se falar em fraude tributária, posto que, frisese, não houve falta de recolhimento de tributo. A própria decisão recorrida reconhece que as Recorrentes não foram acusadas de importarem produtos que não teriam direito à isenção, mas que o "argumento da fiscalização conduz à ilação de que houve importação de mercadorias que não eram amparadas pelos benefícios fiscais na ZFM, o que significa dizer que a falsificação das faturas teve o efeito de evitar o pagamento do tributo devido na importação, caracterizandose a fraude, tal como conceituada no art. 72 da Lei n° 4.502/1964" (item 167 da decisão recorrida). A acusação de que as Recorrentes importaram produtos que não estariam contemplados pelo Processo Produtivo Básico (PPB) não foi feita pelo autuante em razão das importações procedidas pelas Recorrentes terem sido objeto de conferencia aduaneira, havendo conferencia física das mercadorias em diversas ocasiões, sendo que jamais houve acusação de que as mercadorias relacionadas nas DIs não fossem aquelas que efetivamente estavam sendo importadas. A acusação deduzida pelo julgador de que as Recorrentes haviam importado mercadorias não contempladas no PPB e de que teriam emitido invoices "pro forma" não condizentes com as mercadorias efetivamente importadas não se sustenta, posto que, por diversas vezes, foi realizada desova dos containers pela autoridade administrativa, a qual certificou que os bens importados correspondiam integralmente Aquilo que se encontrava declarado nas DIs, elaboradas com base nas “invoices” "pro forma". Para comprovar tal afirmação, as Recorrentes requerem seja ordenada diligencia fiscal junto aos armazéns gerais (i) Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., inscrito no CNPJ sob o n° 04.335.535/0002 55, (ii) Aurora da Amazônia Terminais e Serviços Ltda., inscrito no CNPJ sob o n.º 04.694.548/000130, e (iii) Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas (SNPH), inscrito no CNPJ sob o n° 01.253.690/000153, para que estes apresentem os mapas de desova dos containers relativos às operações realizadas no período autuado. Inaplicabilidade da multa por fraude à importação: inexistência de importação na entrada de produtos em Zona Franca Além de ter restado comprovado que não se caracterizou a fraude, a multa aplicada também se mostra completamente indevida, posto que, juridicamente, não houve importação (reproduz excertos doutrinários). Inaplicabilidade da multa administrativa (artigo 463, I, RIPI/98) O objetivo do dispositivo legal acima mencionado e o de imputar severa multa administrativa, equivalente ao mesmo valor da mercadoria importada, nas hipóteses de: (a) introdução clandestina, (b) importação irregular, (c) importação fraudulenta, ou (d) importação sem registro da declaração de importação. O produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País é aquele que é importado de forma irregular ou fraudulenta, ou seja, sem registro da declaração de importação no Siscomex. Eis o núcleo da infração. Assim, o art. 365, I do RIPI/98 não estabelece hipóteses autônomas de aplicação da multa, mas apenas explicita melhor uma única conduta típica, caracterizada pela falta de registro da DI. Não ocorre a infração tipificada no art. 463, I do RIPI/98 quando tiver havido o devido registro da declaração de importação no Siscomex, como já firmou entendimento a Câmara Superior de Recursos Fiscais do Eg. Conselho de Contribuintes ao manter o julgado acima citado. Neste julgado, o sujeito passivo havia retirado "produtos estrangeiros do depósito onde se Fl. 8667DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.652 27 encontravam custodiados sem autorização fiscal", ou seja, sem o despacho aduaneiro. Diante deste fato, o Eg. Conselho de Contribuintes entendeu inaplicável a multa regulamentar, pois restou descaracterizada a infração descrita no art. 365, I do RIPI/82 (art. 463, I do RIPI/98), posto que só há importação clandestina, irregular ou fraudulenta se não tiver sido registrada a DI. O art. 463, I do RIPI/98 se equivale à pena de perdimento, sendo aplicável nas hipóteses em que as mercadorias já tenham sido consumidas ou entregues a consumo e, portanto, não poderia ser objeto de perdimento. As hipóteses de aplicação da pena de perdimento estão sempre relacionadas a entrada clandestina, fraudulenta ou irregular, ou seja, aquela que não foi realizada pelas vias normais. As irregularidades cometidas no curso do despacho aduaneiro tem penalidades especificas previstas na legislação aduaneira, pelo que não poderia ser aplicada a multa disposta no art. 463, I do RIPI/98. Simples enganos ou omissões na emissão da fatura comercial, corrigidos ou corretamente supridos na declaração de importação não acarretarão a aplicação da penalidade, conforme disposto no § 8° do art. 628 do Regulamento Aduaneiro. Inexistência de irregularidades A acusação que pesa contra as Recorrentes, repitase, é de que teria havido importação fraudulenta. Se por um lado (i) ficou descaracterizada a fraude, porque não houve falta de recolhimento de tributo, e (ii) não poderia ter havido fraude à importação, já que não houve importação no sentido tributário, posto que as mercadorias ingressaram na Zona Franca, ainda que existissem diversas condutas típicas descritas no art. 463, I do RIPI/98 (introdução clandestina, importação irregular, importação fraudulenta e importação sem registro da DI), as Recorrentes não incorreram em nenhuma delas. Irregularidades que poderiam ensejar a aplicação de multa As irregularidades que não representem (i) impedimento à fiscalização na evidenciação do cumprimento da obrigação de recolhimento do tributo e (ii) do próprio cumprimento da obrigação principal não poderão ensejar a aplicação de qualquer tipo de multa, quiçá a multa tão severa quanto a aplicada nos presentes autos. Regularidade das importações das Recorrentes Não ocorreram irregularidades na importação, posto que as Recorrentes providenciaram o registro da declaração de importação, nos exatos termos do art. 10, V da Instrução Normativa n° 69, de 10/12/96. Os procedimentos adotados para o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas pelas Recorrentes sempre se deram à luz do disposto na legislação. A efetividade e legalidade das operações restam comprovadas, pois: (i) foram atendidas todas as obrigações acessórias junto â. SEFAZ, existem os comprovantes de internação das mercadorias, (iii) constam, nos sistemas do Banco Central e da SRF, os recibos de envio das respectivas DIs pelo Siscomex e (iv) existem registros de contratos de câmbio para fins de cobertura cambial das respectivas operações de importação, junto ao BACEN. Por se tratarem dc fatos e dados (a importação) que se encontram registrados em documentos em poder da própria Administração, os quais comprovam a regularidade das operações mencionadas, as Recorrentes requerem que seja aplicado o dispositivo instituído no art. 37 da Lei n. 9.784/99, anteriormente mencionado, sob pena de nulidade. A decisão recorrida sustenta que a conferencia aduaneira não teria o condão de detectar a fraude, pois o desembaraço nem sempre se dá após exame documental e verificação das mercadorias, posto que parte das DIs é selecionada para conferencia aduaneira pelos canais Fl. 8668DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 28 verde e amarelo, nos quais não há conferencia física. Sustenta, ainda, a decisão recorrida que não deve ser atribuído "grande valor ao fato de as mercadorias terem sido desembaraçadas sem óbices pelo órgão alfandegário: e que, segundo infoinia a fiscalização, para consecução da importação fraudulenta houve a colaboração de funcionários do Fisco, o que fragiliza qualquer argumentação no sentido de conferir ao desembaraço a prova de regularidade da operação". Não há qualquer prova nos autos de que tenha havido "colaboração" por parte do Fisco. As importações realizadas pelas Recorrentes foram regulares, tanto assim que foram desembaraçadas após todo o procedimento aduaneiro, inclusive conferencia física, mostrandose completamente descabida a acusação, sem qualquer tipo de prova, de que as importações foram procedidas com "colaboração" de funcionários do Fisco. Irregularidades apontadas pela fiscalização A acusação imposta às Recorrentes decorreu da constatação fiscal de existência, para algumas operações de importação realizadas, de duas faturas comerciais distintas. Diante disto, presumiram que todas as importações realizadas foram fraudulentas. Na realidade, as Recorrentes, com o intuito de viabilizar o desembaraço dos produtos importados, emitiam faturas "pro forma", substancialmente idênticas às faturas emitidas pelos fornecedores, em razão destas Ultimas não conterem descrição detalhada das mercadorias. A emissão dessas faturas era de pleno conhecimento dos fornecedores, como resta comprovado pelas cartas em anexo (Docs. 20 e 21). A emissão de faturas internacionais pelas Recorrentes era necessária em razão das dificuldades dos exportadores em atender a todos os requisitos legais para efetuar as exportações em seus países, bem como as exigências de cada país para o qual efetuavam exportação. Nesse contexto, vale mencionar que o procedimento adotado pelas Recorrentes de emitir as faturas "pro forma" para auxiliar o desembaraço das mercadorias é comum no âmbito do comercio internacional (cita doutrina). A acusação se baseou em meros indícios, sem nenhuma prova direta produzida. Os indícios apontados decorrem da constatação de divergências em relação a algumas operações, nos seguintes itens: (a) valores da transação; (b) termos de pagamento; (c) quantidade/peso; (d) descrição das mercadorias; (c) importador; e (f) exportador/fornecedor. As divergências apontadas entre os valores das transações constantes das invoices "pro forma" e das invoices originais, no caso especifico em que não tenha havido falta de recolhimento de tributos, não implicaram em qualquer prejuízo ao controle aduaneiro. Caso fosse realmente constatada qualquer divergência quanto ao termo de pagamento, ela não implicaria em qualquer prejuízo ao controle aduaneiro. As mercadorias foram submetidas por diversas vezes a conferencia física, não tendo sido jamais apurada qualquer diferença entre a quantidade e o peso indicados nas DIs e na carga importada. A decisão recorrida pressupõe que há divergência na descrição das mercadorias importadas. Essa pressuposição não está fundamentada em qualquer prova. Na realidade, as invoices "pro forma", repitase, eram emitidas para descrever de forma pormenorizada as mercadorias importadas, como forma de atender à legislação brasileira e viabilizar o desembaraço aduaneiro. Nelas havia descrição detalhada daquilo que estava expresso de forma sintetizada ("partes e pegas" ou "kits") nas invoices originais. A decisão recorrida estabelece que há divergência em relação ao Importador, sendo que em algumas das invoices originais constava como importador a SDW e na invoice "pro forma" constava a TCE, e viceversa. Esse é mais um dos indícios apontados pela fiscalização e pela decisão de primeira instância de que as importações foram fraudulentas. Fl. 8669DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.653 29 Devese destacar que as Recorrentes tinham autorização dos exportadores para: (i) emitir invoices "pro forma"; (ii) corrigilas nos casos de eventuais equívocos, inclusive no que se refere A incorreta menção do importador (Docs. 20 e 21, anteriormente mencionados). A autuação fiscal e a decisão recorrida presumem que todas as operações tinham algum tipo de divergência, sendo que apenas em 6 (seis) operações, num universo de 323 (trezentos e vinte e três) fiscalizadas, correspondente a 1,86% das importações (jogos dos documentos juntados pela fiscalização), há divergência em relação aos importadores. Algumas invoices "pro forma" emitidas pelas Recorrentes continham equivoco cm relação aos fornecedores, o que foi utilizado como indicio de que as importações se deram de forma fraudulenta. Também em relação a este item das faturas, a autuação e a decisão recorrida presumiram que todas as operações efetuadas foram fraudulentas, apesar de em apenas 2 (duas) operações num universo de 323 (trezentos e vinte e três) fiscalizadas, correspondente a menos de 5% das importações, há divergência em relação aos exportadores. Regularidade na constituição das recorrentes As empresas autuadas foram constituídas em conformidade com a legislação, cujos atos constitutivos foram devidamente arquivados na Junta Comercial do Estado do Amazonas. A vistoria procedida pela autoridade administrativa – existência de "linhas de produção autônomas" Valendose de fiscalização procedida anteriormente pela Administração Federal, o Autuante transcreve parte do Auto de Infração relativo ao PAF n° 10283.011345/200023, sustentando que naqueles autos foi constatada a existência de um único estabelecimento. Tendo em vista que o Auto de Infração foi quitado, a d. fiscalização concluiu que as declarações ali contidas foram "integralmente validadas" pelas Autuadas. Primeiramente, vale observar que no Auto de Infração acima referido, transcrito parcialmente pela d. fiscalização, a própria fiscalização reconheceu, por meio de procedimento de vistoria, a existência de duas empresas distintas, com "linhas de produção autônomas". Tanto havia duas empresas, que a empresa TCE e a empresa SDW obtiveram seus projetos de investimento e produção na ZFN aprovados pela SUFRAMA, inclusive em momentos distintos, o que, a toda evidencia, demonstra a existência de pessoas jurídicas distintas. Não procede a alegação da d. fiscalização de que a pugnação (sic) do auto de infração implica no reconhecimento de todas as infrações apontadas pela d. fiscalização. O pagamento com a consequente desistência da discussão do débito formalizado naquele lançamento não valida "integralmente as declarações da fiscalização", como alegam as autoridades fiscais. A empresa, ao pugnar o AIIM mencionado, desistiu apenas da defesa no âmbito administrativo, mas não do direito que lhe assiste, posto que sequer reconhece como verdadeiras as supostas infrações descritas no auto de infração. Vale frisar que a obrigação tributária "ex lege", não decorrendo da vontade das partes, pelo que a pugnação não poderia implicar na criação de obrigações tributárias para as Autuadas. Inexistência de empresas coligadas As Recorrentes não são empresas "coligadas". O conceito jurídico e legal de empresa coligada está disposto na legislação comercial, verificandose "quando uma participa com 10% ou mais do capital da outra sem controlála". Legalidade de funcionamento no mesmo endereço Fl. 8670DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 30 Pretende a d. fiscalização caracterizar "a existência de uma mesma unidade econômica" com relação as Recorrentes, fundamentando sua alegação no argumento singelo de que elas seriam estabelecidas no mesmo endereço, conforme constante em seus contratos sociais. E evidente o equívoco da d. fiscalização nesse sentido, pois a legislação autoriza o funcionamento de duas unidades econômicas independentes no mesmo endereço, desde que a localização das referidas pessoas jurídicas, na mesma área, não impeça a diferenciação de uma empresa da outra. O PN 88/75 não restringe a hipótese de duplicidade de estabelecimentos aos casos em que haja separação por via pública. Afirma, tão somente, que a separação por via pública (descontinuidade geográfica) é bastante para caracterizar a duplicidade de estabelecimentos". O compartilhamento de uma mesma área, por duas empresas distintas, procedimento autorizado pela legislação, comumente adotado pelas pessoas jurídicas em geral. Ademais, o compartilhamento de dependências administrativas e de funcionários, por empresas jurídicas distintas e de um mesmo grupo econômico ou não, também não é novidade ou sequer indicativo de fraude ou simulação. A d. fiscalização, ainda, na tentativa de comprovar a existência de fraude ou simulação na gerência das Recorrentes, fundamenta sua alegação na existência de vínculos pessoais ou familiares entre os administradores das empresas autuadas. Vale lembrar que vínculos dessa natureza nada comprovam, sendo irrelevantes para o processo. As Recorrentes requerem seja ordenada diligência fiscal junto aos armazéns gerais (i) Super Terminais Comércio e Indústria Ltda., inscrito no CNPJ sob o n° 04.335.535/000255, (ii) Aurora da Amazônia Terminais e Serviços Ltda., inscrito no CNPJ sob o nº 04.694.548/000130, e (iii) Sociedade de Navegação Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas (SNPH), inscrito no CNPJ sob o n° 01.253.690/000153, para que estes apresentem os mapas de desova dos containers relativos às operações realizadas no período autuado, com o objetivo de comprovar a regularidade da conferencia aduaneira das importações realizadas pelas Recorrentes. Por meio da Resolução nº 3024.327, de 5/12/2006 (fls. 8198/8267), Segunda Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes resolveu converter o julgamento em diligência, para que, em volume apartado, fossem acostados: 1 pela fiscalização, cópias das Declarações de Importação e das faturas que deram suporte aos desembaraços aduaneiros ocorridos em 1999 e referidos corno fraudados, e o quadro demonstrativo das divergências apontadas pela GE na correspondência encaminhada ao Adido Aduaneiro nos Estados Unidos (fls. 348, 349 e 350); Cópias de notas fiscais de saída das mercadorias do estabelecimento industrial para internação no pais, no mesmo período; Relatório abreviado sobre os documentos e suas implicações com o fato apenado. 2 pelos recorrentes, cópia do processo produtivo básico aprovado pela SUFRAMA, vigente para o ano de 1999 e cópias das notas fiscais de saída de seus estabelecimentos industriais relacionadas aos produtos industrializados importados pelas declarações de importação consideradas fraudadas e, ainda, o demonstrativo da aplicação dos coeficientes de redução autorizados tendo em vista o processo produtivo e as importações correlacionadas. 3 pela SUFRAMA a cópia do Processo Produtivo aprovado para a empresa no ano de 1999. Em face da diligência, a fiscalização elaborou a Informação n.º 67/2009 (fls. 8607/8612). Intimada, a TCE Serviços em Tecnologia e Informática Ltda. compareceu novamente aos autos (fls. 8622/8627), afirmando ter cumprido o quanto solicitado, trazendo Fl. 8671DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.654 31 aos autos as cópias dos PPBs e disponibilizou as vias originais das Notas Fiscais de Saídas emitidas no período de 1999. A SUFRANIA apresentou cópias dos PPBs. Sustenta que o fato de a Inspetoria da Receita Federal em São Paulo, analisando o processo, ter concluído que não poderia proceder à diligência, em razão de não conseguir determinar quais os ilícitos praticados a partir dos documentos juntados ao Auto de Infração, conforme abaixo transcrito, o que evidencia mais uma vez a nulidade do auto de infração, haja vista a inexistência de elementos fundamentais ã determinação da exigência, em evidente prejuízo ao exercício do direito de defesa. Diz ainda que a determinação da Resolução para que fosse elaborado "Relatório abreviado sobre os documentos e implicações com o fato apenado" não foi cumprida pela d. Fiscalização e que este documento seria importante para que fossem apontadas as divergências entre as faturas tidas como falsas e as originais, mas o d. Agente Fiscal deixou de cumprilo, pois tal demonstrativo evidenciaria que na maior parte das importações não há qualquer divergência entre a fatura "original" e a reemitida. Afirma que restaria evidenciado, ainda, que em relação a parcela significativa das operações objeto do auto de infração sequer existem duas faturas comerciais, pelo que não se poderia apontar qualquer divergência. Além disso, que a elaboração do demonstrativo deixaria claro que nos casos cm que houve algum erro administrativo na remissão das faturas, não havendo qualquer repercussão no controle aduaneiro, posto que na maior parte haveria pequenas divergências, como, por exemplo, no valor unitário e total, tendo cm vista que na fatura original constou o preço FOB, enquanto na fatura corrigida constou o preço CIF ou alteração de descrição mais detalhada da mercadoria ou a tradução para o português (assevera que, aa maior parte, não haveria nenhuma diferença quanto à quantidade, peso, preço, nome do importador e nome do exportador). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Deixamos de apreciar as alegações preliminares, uma vez que, no mérito, como adiante se verá, a lide será resolvida em favor da Recorrente. Com efeito, comprovou a fiscalização, através de farta documentação, que as Recorrentes instruíram Declarações de Importação – DIs com faturas comerciais (invoices) falsificadas ou adulteradas. A fiscalização fundamentou a penalidade lançada no art. 463, I, do Decreto n.º 2.637, de 1998 (Regulamento do IPI – RIPI/98), que regulamentou o art. 83, inciso I, da Lei n.º 4.502, de 1964, com a seguinte redação: "Art. 463. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): Fl. 8672DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 32 I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei n.° 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª);" Como se percebe, a aplicação dessa penalidade reclama a configuração das seguintes situações: o consumo ou a entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira quando a importação foi a) clandestina (aquela que não passou pelo controle aduaneiro); b) irregular (que se realizou em desacordo com as regras que disciplinam a importação) ou c) fraudulenta (a realizada mediante fraude, vale dizer, com máfé deliberada de se furtar ao pagamento dos gravames aduaneiros); e, por último – é o que indica a conjunção alternativa “ou” –, quando o produto importado tiver entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal (conforme o caso). Essa última situação se costuma comprovar quando o Fisco faz um levantamento analítico, no estabelecimento fiscalizado, dos estoques existentes em determinada data, identificando, por exemplo, que, quanto a determinado produto de origem estrangeira, as notas fiscais de entrada e o estoque existente no início do período revelam que a quantidade que entrou no estabelecimento – e, portanto, estava à disposição para venda em determinada data – era bem inferior à quantidade que dele saiu no mesmo período, o que comprova que a entrada de parte dos produtos estrangeiros vendidos pelo estabelecimento fiscalizado se deu sem a cobertura de notas fiscais ou sem o registro de declaração de importação. Todavia, a penalidade aplicável ao caso é outra, já que, caracterizado o dano ao Erário – e, como tal, aplicável a pena de perdimento, nos termos do inciso VI do art. 105 do Decretolei nº. 37, de 1966 –, deveria ter sido lançada a multa de conversão prevista nos §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455, de 1976, tal como restou assentado no Acórdão nº 3202 000.586, de 25/10/2012, desta mesma Turma, relatado pela il. Conselheira Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira. Por comungar com o mesmo entendimento exarado neste julgado, adotoo aqui como razão de decidir, motivo por que em parte se transcreve: A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente a impugnação por entender que a situação fática demonstrada pela Fiscalização não ensejaria a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64, mas caracterizaria dano ao Erário e, como tal, punível com a pena de perdimento, nos termos do inciso VI do art. 105 do DecretoLei nº. 37/66, a qual deveria ter sido convertida em multa, de acordo com os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976. Para a aplicação de multas há de se observar, sempre, o Princípio da Tipicidade, pelo qual o fato concreto, tido como ocorrido, há de corresponder perfeitamente ao tipo hipoteticamente escolhido pelo legislador no texto que define a infração; há de se ter, assim, a adequação perfeita entre o fato da vida e a norma jurídica, de modo que o fato ocorrido se amolde perfeitamente ao tipo contido no núcleo da norma Fl. 8673DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.655 33 penalizante, cabendo ao aplicador da lei a tarefa de verificar essa correspondência. Dito isso, passase à análise dos dispositivos legais em questão em relação aos fatos verificados pela autoridade autuante. A multa aplicada pela Fiscalização é a do inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/64, que assim dispõe: Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; Vêse assim que, no caso em questão, pretendeu a Fiscalização a aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria, em razão de ter sido entregue a consumo produto de procedência estrangeira importado irregular ou fraudulentamente, o que se mostra muito abrangente em relação ao caso concreto, em que se tem a falsificação/adulteração de faturas comerciais. Por outro lado, verificase que o art. 105 do Decretolei nº 37/66 traz, em seu inciso VI, hipótese que se adequa perfeitamente aos fatos narrados na autuação. Vejase: Art.105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: ......................................................................................................... VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; .................................................................................................. Por aplicação do art. 23 do Decretolei nº. 1.455/1976, temse que a infração acima descrita é considerada como Dano ao Erário, cuja penalização é a pena de perdimento (§1º), a qual deve ser convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos casos em que esta não seja localizada (§3º). Vejase a redação do art 23 vigente à época da ocorrência dos fatos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ....................................................................................................... Fl. 8674DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 34 IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. ........................................................................................................ § 1o. O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) ......................................................................................................... § 3o. A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima visto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. (grifo não constante do original) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do Decreto Lei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. Neste mesmo sentido já se manifestou a Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, Fl. 8675DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.656 35 no julgamento do processo nº 12466.003495/200804, em que figura a mesma contribuinte como autuada e cuja decisão restou assim ementada: IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66, não sendo aplicável a multa prevista no art. 83, inciso I da Lei nº 4.502/64. Recurso de Ofício Negado Cumpre observar que o equívoco na aplicação da penalidade lançada pela fiscalização em situações como no caso resta ainda mais cristalino ao observarmos a redação conferida ao art. 704 do Decreto n.º 6.759, de 5/2/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009), que, ao referirse o art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, positivou que esta penalidade não é aplicável se houver tipificação mais específica, verbis: Art. 704. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I; e DecretoLei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. Notese que o § 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, foi incluído por meio da Medida Provisória – MP n.º 66, de 29/08/2002 (convertida na Lei n.º 10.637, de 2002), portanto antes da data em que a infração foi constatada pela fiscalização e que resultaria, se ainda existissem, na pena de perdimento das mercadorias importadas. O lançamento, portanto, é nulo por vício material e reconhecível até mesmo de ofício, visto derivar da aplicação incorreta da própria regra matriz de incidência tributária (a penalidade). Aqui o vício é no próprio ato (seus elementos estruturais), não na forma do instrumento. Intrínseco ao ato, não exterior a ele. Fl. 8676DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI 36 Apenas a título ilustrativo, transcrevemos, em reforço à nossa tese, o seguinte excerto da dissertação de Mestrado concluído pelo il. Conselheiro desta Turma, Luis Eduardo Garrossino Barbieri: ... os elementos intrínsecos são os requisitos substanciais inseridos pelo ato administrativo de lançamento que lhe dão conteúdo, correspondentes aos cinco critérios integrantes da regramatriz de incidência tributária, indicados na norma individual e concreta introduzida – elemento material, temporal, espacial, pessoal e quantitativo. (Lançamento tributário: vício e seus efeitos. Dissertação (Mestrado em Direito) – PUC/São Paulo, 2014, p. 170) Em casos tais, cabe reconhecêlo de ofício ainda que não levantado nas peças recursais, como já se consolidou: Súmula 346 do STF: “A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. (grifamos) Súmula 473 do STF: “A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”. (grifamos) Nesse mesmo sentido, também o art. 53 da Lei n.º 9.784, de 1999, que regula o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, que dispõe que “A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade”. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 8677DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3202001.340 S3C2T2 Fl. 8.657 37 Fl. 8678DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/11/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por LUIS EDUARDO GA RROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 10950.905412/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 54 12 /2 01 2- 02 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.003847/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS -
Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada.
SEGURADOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
Nos termos do § 5º do art. 33: O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS - Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada. SEGURADOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Nos termos do § 5º do art. 33: O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Recurso Voluntário Negado.
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Controvérsia não instaurada. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Nos termos do § 5º do art. 33: “O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 38 47 /2 00 8- 21 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal,, lavrado sob o n. 37.189.2457, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada na época própria, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais na competência 11/2003, para os levantamentos: I. Código de Levantamento "NUS" Utilizado quando dos pagamentos aos segurados contribuintes individuais autônomos que prestaram serviço para o NUSEG e que não foram declarados na GFIP; II. Código de Levantamento "NUX" Utilizado quando dos pagamentos aos segurados contribuintes individuais autônomos (que são estatutários Servidores) da UERJ que prestaram serviço para o NUSEG e que não foram declarados na GFIP; Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/11/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 151 a 159. Foi anexado sentença em Mandado de Segurança Coletivo, proposto pelo Sindicato dos Médicos, fl. 160 a 166, determinando o não desconto da remunueração concedida aos médicos residentes na forma definida na lei 10.666/2003, por entender tratarse de pósgraduação. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 230 e seguintes. Assunto : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11 ENTE ESTADUAL. EMPRESA. Considerase empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, é segurado obrigatório na qualidade de contribuinte individual. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 RECOLHIMENTO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O órgão público é obrigado a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 242, reiterando os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam, acrescentando, neste momento, o entendimento do Tribunal Regional Federal da Segunda Região que, em caso idêntico ao presente apenas se referindo a outra autuação do INSS à UERJ entendeu não serem devidas as referidas contribuições (Apelação 1997.51.01.1013469, Rei. Juiz Convocado José Antônio Lisboa Neiva). 1. O auditor fiscal, classificando os prestadores de serviços contratados temporariamente pela Universidade, como empregados, desconsiderou a Lei Estadual n° 1698/90, a qual instituiu o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) no âmbito da administração direta no Estado do Rio de Janeiro, transformando os empregos em cargos públicos, não interpretou corretamente a natureza da prestação de serviços do pessoal sendo constatado que todos os funcionários empregados eram de cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração. 2. Em casos análogos o Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu no sentido de que tendo por base o fato de as contribuições constantes nas autuações se referirem à contribuições devidas pela empresa sobre remunerações pagas a segurados empregados, em virtude da impossibilidade de se reconhecer vínculo empregatício em ente da Administração Pública sem prévia aprovação em concurso público, deveria o lançamento ser julgado improcedente. 3. A UERJ não tem empregados por força da Lei Estadual n° 1698/90. Não se vislumbram os requisitos que qualificam a figura do empregado se a UERJ os pudesse ter. 4. As contratações são efetivadas mediante contrato administrativo, conforme o disposto no art. 6o da lei 2.399/95. Os contratados prestam serviços na qualidade de autônomos, cuja contratação é regida pela Lei n° 8.666/93, Lei estadual n° 2399/95 e Código Civil, na qualidade de autônomos sem que façam jus a qualquer sistema de previdência social e estadual. 5. A contribuição incidente sobre a remuneração de prestadores de serviço (autônomos) foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN n° 1.1022. 6. Com relação aos residentes médicos, o caso em tela é objeto do Mandado de Segurança n° 2003.51010262361 para o qual foi concedida a liminar determinando o afastamento da aplicação da retenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas pagas aos médicos residentes. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos.. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém ressaltar, assim, como bem trazido pelo julgador de primeira instância, que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991,equiparandose, em relação aos segurados contribuintes individuais que contrata, às empresas privadas, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, a UERJ é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias, independente de ter instituído em relação aos servidores efetivos RPPS (Regime Próprio de Previdência). Outro ponto, que deve de pronto ser afastado é o argumento de que o próprio TRF, em decisão em outro lançamento da mesma empresa, determinou a improcedência do lançamento, razão pela qual, mesmo destino deva ser dado ao presente AI. A ementa do acórdão citado no recurso não se coaduna com os fatos geradores lançados no presente AI. Alías, boa parte dos argumentos do recorrente não se referem aos fatos geradores ora lançados., fato já devidamente descrito na decisão de primeira instância, senão vejamos: 8.6. Por outro lado, restou também demonstrado o equívoco da defendente ao afirmar que o auditor tentava atribuir aos prestadores de serviços a classificação de empregados da UERJ. A autoridade fiscal não considerou os prestadores de serviço como empregados da Universidade, mas sim como contribuintes individuais, conforme bem demonstra a descrição dos levantamentos e todos os relatórios constantes do autode infração. 10. Também não há amparo neste lançamento para as alegações a respeito da condição jurídica dos residentes médicos. Os levantamentos constantes do presente auto (NUS e NUX, relatório DAD fls. 4) não contemplam a categoria citada, conforme demonstra claramente a descrição dos códigos constantes do relatório fiscal (item 9.2, fls. 140). Portanto, os mesmos não integram o objeto do lançamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Da análise do relatório fiscal e do relatório discriminativo analítico de débito DAD, é possível identificar que só há lançamento de contribuições sobre os valores pagos a contribuintes individuais, que prestaram serviços a NESEG, enquanto autônomos, os quais perante a previdência, vinculamse na qualidade de segurados obrigatórios – contribuintes individuais. Nos autos identificase a existência de Parecer indicando qual seria o vínculo dos servidores, quando prestaram serviços extras, inclusive recolhendo indevidamente para o Regime de Previdência do Estado. Esses fatos foram suficientemente esclarecidos pelo julgador de primeira instância, contudo, em seu recurso apenas mencionou o recorrente a intenção de reiterar os argumentos já apresentados anteriormente. Contudo, entendo que a decisão proferida esclareceu de forma devida a procedência do lançamento. Observamos das diversas cópias constantes dos autos, que o auditor trouxe planilha com a relação de todos os segurados que prestaram serviços, sendo que não houve por parte do recorrente qualquer impugnação expressa sobre as bases de cálculo apuradas, ou mesmo segurados ali constantes; mas, insurgindose apenas alegando a impossibilidade de manter segurados empregados, a liminar acerca da impossibilidade de retenção dos residentes e a inconstitucionalidade das contribuições sobre os contribuintes individuais. DA FUNDAMENTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Quanto a contribuição em si descrita no presente AIOP, entendo, assim como mencionado anteriormente que o recorrente não compreendeu o alcance dos fatos geradores aqui descritos, bem como os argumentos rebatidos na decisão de 1 instância. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000 (objeto deste AI), inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração auferida pelo segurado, conforme previsto no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Assim, ao remunerar seus Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 5 7 servidores por serviços diversos de suas funções, na qualidade de contribuintes individuais, são devidos recolhimentos para previdência social. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, ao efetivar a contratação de pessoas físicas, deveria o ente público, equiparado a empresa, efetivar o recolhimento da contribuição previdenciária correspondente. INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Ademais, no tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade da contribuição sobre a remuneração de contribuintes individuais, não há razão ao recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, ou que esteja sendo questionado judicialmente pelo recorrente. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da decisão proferida, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10925.902320/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 23 20 /2 00 9- 74 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 79 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 80 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 81 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 82 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16643.000217/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado.
Numero da decisão: 1301-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, recurso não conhecido em razão de desistência.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Usiminas Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, recurso não conhecido em razão de desistência. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 17 /2 01 0- 74 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração lavrados em 30/08/2010, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incidentes sobre lucros auferidos no exterior por controlada, que a fiscalização entendeu que deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido, para fins de tributação, em 31/12/2005. Conforme consta dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, os lucros que deixaram de ser adicionados são os apurados por sua controlada (100% do capital) Usiminas International LTD., correspondentes ao período em que esta empresa esteve sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, país com o qual o Brasil não mantém acordo para evitar a dupla tributação. Esses lucros, no montante de R$ 239.582.495,40, foram apurados no Balanço Patrimonial da controlada levantado em 31 de outubro de 2005 e que serviu de base para avaliação da empresa utilizada em Assembleia Geral Extraordinária de 12 de dezembro de 2005, que decidiu pela transferência da sede da sociedade controlada para Luxemburgo, país este com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação. Em impugnação tempestiva a interessada postulou a sustação do processo administrativo para aguardar o julgamento final pelo STF da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI) nº 2.5881, na qual foi pedida a declaração de inconstitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2001, único fundamento legal da autuação, argumentando que a espera não causará qualquer perda ao Erário, pois não haverá decadência, visto que o lançamento já foi formalizado e o prazo prescricional está suspenso até o fim do processo administrativo. Argumentou que ainda que o artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2001 seja considerado válido pelo STF, o dispositivo não se aplica ao caso dos autos, visto que o balanço patrimonial levantado em 31/10/2005 visou apenas à avaliação dos bens e direitos objeto da transferência de domicílio, que se fez sem a extinção da pessoa jurídica, não tendo a natureza de balanço fiscal, mas de balanço contábil gerencial. Disse que o balanço de 31/10/2005 não apurou em definitivo os lucros auferidos em 2005 pela controlada estrangeira, por se tratar de exercício ainda em curso e de transferência sem extinção de pessoa jurídica, e que a apuração do lucro em definitivo só se deu mais tarde, na forma da lei luxemburguesa. Assim, referido balanço não seria apto a disponibilizar os lucros à controladora brasileira na estrita conformidade do citado artigo 74. Alegou não fazer sentido que cada balanço levantado durante o exercício (e podem ser vários), acarrete a disponibilização dos lucros da sociedade estrangeira para a controlada ou coligada no Brasil. Enumerou quatro razões que entendem justificar a nãotributação dos lucros apurados em balanços intermediários levantados por controlada ou coligada no exterior, quais sejam: 1. o lucro de origem estrangeira deve ser adicionado ao lucro líquido da sociedade brasileira uma só vez ao ano e não tantas vezes quantos forem os balanços levantados para fins gerenciais; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 4 3 2. as demonstrações financeiras das controladas no exterior devem ser convertidas em reais, conforme artigo 6º, §3º, da IN/SRF nº 213/2002, na data de encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros, vale dizer, na data do balanço fiscal; 3. a menção do art. 25, §2º, I, da Lei nº 9.249/95 a “exercícios fiscais”, indica que o balanço de apuração dos lucros é o balanço fiscal, levantado ao final do exercício e não qualquer balanço intermediário; 4. a demonstração dos lucros apurados por controladas no exterior deverá ser efetuada segundo as normas da legislação brasileira, que fazem coincidir o período de incidência do imposto com o período de apuração do lucro, isto é, o balanço fiscal com o exercício fiscal. Disse não ter restado caracterizada nenhuma das hipóteses de disponibilização enumeradas nos parágrafos do art. 2º da IN/SRF nº 213/2002, já que não houve liquidação da impugnante (§ 1º), nem encerramento das atividades da Usiminas International Ltd. (§ 2º), nem absorção do patrimônio desta última por empresa sediada no Brasil (§ 3º) ou no exterior (§ 5º), cisão de qualquer das empresas (§ 4º) ou alienação do patrimônio da controlada estrangeira ou da participação societária que a impugnante detém nela. Afirmou ter ocorrido apenas a mudança de domicílio da controlada, sem extinção de sua personalidade jurídica e sem qualquer interrupção de sua existência, pois tanto a lei das Ilhas Virgens Britânicas quanto a lei de Luxemburgo permite a redomiciliação de sociedades sem a necessidade de sua extinção no Estado de origem e a constituição de nova pessoa jurídica no Estado de destino, e sem a antecipação do encerramento do exercício social; Argumentou que ainda que, forçadamente, se equipare a mera adequação dos estatutos às exigências locais a transformação societária (o que de fato não ocorreu, pois não houve mudança do tipo societário), isto não representa encerramento do exercício e consequente recolhimento de imposto, já que a legislação não pode conferir tratamento mais severo às empresas no exterior se no Brasil isto não ocorre no caso de transformação de sociedade. Alegou que os lucros auferidos no exterior por meio da Usiminas International (primeiro domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas e depois em Luxemburgo) consideramse disponibilizados à controladora no Brasil somente em 31/12/2005, quando do encerramento do exercício e levantamento do balanço fiscal da controlada no exterior, momento em que o domicílio da controlada era Luxemburgo, país com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação (Decreto Legislativo nº 78/79 e Decreto nº 85.851/80), cuja supremacia sobre o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 foi reconhecido pela própria Receita. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 1630.541, de 29 de março de 2011, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Ementa: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 5 4 AÇÃO DECLARATÓRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O processo administrativo fiscal deve prosseguir ainda que pendente decisão do Supremo Tribunal Federal em ação na qual foi pedida a declaração de inconstitucionalidade de norma que é fundamento legal do lançamento tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. EMPRESA CONTROLADA. TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DOMICÍLIO. BALANÇO INTERMEDIÁRIO. TRATADO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os lucros apurados por empresa domiciliada no exterior controlada por empresa domiciliada no Brasil apurados em balanço levantado para operacionalizar a transferência internacional de domicílio da empresa controlada, quando constatado que não estão abarcados por Tratado para Evitar a Dupla Tributação celebrado entre o Brasil e o país de novo domicílio da empresa controlada. Ciente da decisão em 17 de outubro de 2011, a interessada ingressou com recurso em 16 de novembro seguinte, não renovando a preliminar e reeditando as razões de mérito declinadas frente à primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso é tempestivo e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o litígio posto a julgamento gira em torno da tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de controlada. Os lucros que são objeto de tributação são os auferidos no anocalendário de 2005 por intermédio da controlada Usiminas International Ltd. (100% do capital), sociedade constituída em 07 de abril de 2000 nas Ilhas Virgens Britânicas. Ocorre que, após o processo ser pautado para julgamento, veio a mim petição protocolada perante o CARF, na qual o contribuinte, em face da competência estabelecida na Portaria Derat n. 311/2011, vem desistir integralmente do recurso apresentado, para inclusão do referido processo no Parcelamento instituído pelo art. 40 da Lei n. 12.865/2013. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 6 5 Em vista da desistência total do recurso apresentado, o mesmo perde seu objeto, razão porque, não conheço do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 31 de julho de 2014 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10880.909835/2006-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Soma-se à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados.
Numero da decisão: 3803-006.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 35 /2 00 6- 16 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 31/08/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 1.152,08;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde abandona os argumentos da manifestação de inconformidade e diz que a premissa utilizada pelo julgador a quo, de que as bonificações concedidas em mercadorias somente serão excluídas da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos, está equivocada, e sustenta a tese de que a bonificação em mercadoria concedida pela empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, sem caracterização de desconto incondicional também deve ser excluída da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. Junta trechos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de produtos. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Ao contrário do sustentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, penso que assiste razão à recorrente quando afirma que a bonificação de mercadorias, mesmo quando desvinculada das operações de venda, deve ser excluída da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Inclusive esse é o entendimento da Administração Tributária na 8ª RF, vide Solução de Consulta abaixo: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 (8ª Região Fiscal) D.O.U.: 26.06.2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 4 5 Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuitade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe Todavia, posto que concordando com a tese da recorrente, não vislumbro como reconhecer o seu pleito no caso vertente, porquanto as provas carreadas aos autos, mesmo que aceitas as trazidas agora em sede de recurso voluntário (excertos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de mercadorias), não Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 são hábeis para comprovar o alegado direito creditório na forma requerida pela legislação. Notese que a decisão guerreada já mencionava: Com relação aos demais documentos que consubstanciariam o recolhimento indevido, no processo 10880.909811/200667 a defesa junta cópias de: apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Tal desorganização continuou em nível de recurso à segunda instância. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que a bonificação em mercadorias integrou a base de cálculo da contribuição paga a maior ou indevidamente. Os documentos deviam estar separados por processo, individualizados, e didaticamente explicitados nas respectivas manifestação de inconformidade e recurso voluntário, sob pena de não serem inteligíveis ao órgão judicante administrativo. Certamente que não é tarefa do julgador debruçarse sobre todos os documentos juntados e pinçar quais pertencem a cada um dos processos compensatórios da recorrente, e mais, quais seriam atinentes a cada operação supostamente geradora de crédito. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 5 7 Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13981.000053/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo.
CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA.
As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO.
É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon.
CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO.
Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição.
CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO.
O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem.
Numero da decisão: 3301-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO. É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. REJEIÇÃO. Rejeitase o pedido de diligência prescindível ao julgamento das questões de mérito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DEMAIS INSUMOS. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 53 /2 00 5- 99 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC) que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 552 3 fiscais declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 132 e às fls. 134, ambas apresentadas em 16/06/2005, com saldo credor de créditos básicos da Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2004, decorrentes de exportações. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC) homologou, em parte, as compensações declaradas sob o fundamento de insuficiência do crédito financeiro reconhecido à recorrente, por força das glosas efetuadas, conforme Parecer Fiscal às fls. 355/380 e Despacho Decisório às fls. 381/382. Inconformada com a aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 429/444), insistindo na homologação integral, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: (a) Da glosa referente a insumos embalagens: A contribuinte alega que para efetuar a comercialização de seus produtos – madeiras e seus artefatos, entre outros – é necessária a embalagem, realizada por meio de insumos adquiridos para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, caixas plásticas etc. Explica que os insumos glosados são etiquetas adesivas (legalmente exigidas para produtos destinados ao exterior e coladas na madeira), chapa de papelão ondulado (utilizado como proteção do produto embalado), as cantoneiras (utilizadas para proteção), filme stretch (utilizado para amarrar o pacote) e fita de aço (utilizada na embalagem com a finalidade de amarrar/prender o pacote). Conclui a contribuinte que, como tais produtos compõem o produto final, devem ser passíveis de creditamento. (b) Da glosa referente a despesas com energia elétrica – créditos extemporâneos: A contribuinte alega que a legislação não estabelece quaisquer vedações ao direito de crédito das despesas com energia elétrica em sua totalidade. E, em relação aos créditos extemporâneos atinentes à energia elétrica, glosados pela autoridade fiscal por se referirem a meses anteriores, não pode prosperar, uma vez que não há qualquer restrição temporal no texto legal, exceto os já conhecidos como o da decadência. (c) da glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: A contribuinte alega que os documentos acostados aos autos, durante o procedimento fiscal, se mostram suficientemente válidos para os fins probatórios a que se destinam – contratos de arrendamento mercantil e notas fiscais, haja vista ser possível estabelecer relação de pertinência com os valores demonstrados no Dacon correspondente. Defende que a exigência da memória e cálculo e esclarecimentos complementares não possuem suporte legal. Quanto à extemporaneidade dos créditos, argumenta que o §4° do artigo 3° da Lei n°10.833/2003 permite o creditamento da Cofins, não fazendo qualquer restrição temporal ao direito de crédito. (d) da glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: A contribuinte argumenta que: [...] tendo em vista que foi permitido o aproveitamento de crédito das contribuições sobre máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda (ativo imobilizado), bem como pela lisura dos procedimentos adotados Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pela Manifestante em relação a tomada destes créditos, deve ser revista a decisão final para fins de alteração, reconhecendo o direito creditório da Manifestante em relação a estes bens que participam diretamente do processo produtivo. (e) da glosa dos créditos a descontar na importação: A contribuinte alega que a glosa é indevida, tendo em vista a existência do direito de crédito oriundo do artigo 15 da Lei n°10.865/2004, conforme documentos que juntará aos autos. Em aditamento à manifestação de conformidade, às folhas 425 a 434, a contribuinte traz aos autos cópia de Notas Fiscais (por amostragem) e o Livro de Registro de Entradas; no qual os materiais de embalagem foram lançados sob o código de "compra para industrialização ou produção rural" ou "compra para industrialização ou produção rural – mercadorias provenientes de outros Estados", a fim de caracterizar os materiais de embalagem como insumos, nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02. Junta, ainda, as Fichas Técnicas dos produtos comercializados, os quais compreendem todas as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais glosadas pela autoridade fiscal. No tópico denominado Dos demais bens utilizados como insumos, a contribuinte argumenta que o fundamento da glosa efetuada pela autoridade fiscal – que a aquisição de bens foi genericamente descrita – carece de suporte fático e jurídico. Explica que o fundamento é impreciso, sendo defeso à autoridade fiscal utilizar argumentos evasivos, em vista do princípio da verdade material; que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova. Conclui a contribuinte: Contudo, a fim de liquidar por vezes a presente discussão, acentua a Manifestante que os documentos referidos no tópico antecedente, de igual forma corroboram a insubsistência da glosa alicerçada no citado fundamento, na medida em que as Notas Fiscais e Fichas Técnicas dos produtos (anexas) constituem elementos mais que suficientes para descrevêlos e caracterizálos como insumos, porquanto, passíveis do desconto de créditos tal como procedido pela Manifestante. Sob o título – Das despesas com arrendamento mercantil, a contribuinte alega que com a juntada dos comprovantes de pagamentos relativos à contraprestação de arrendamento mercantil, em anexos, o fundamento da glosa não mais existe. Repete que a legislação não determina a apresentação de memórias de cálculo, para fazer jus ao respectivo direito creditório. Em Do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, a contribuinte alega que os bens – sistema elevadores de carga de madeira e sistema de aspiração e transporte de partículas – caracterizamse pela essencialidade no processo de produção. A contribuinte detalha a função de cada equipamento dos citados sistemas no processo produtivo da empresa. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme Acórdão nº 0720.014, datado de 21/05/2010, às fls. 500/534, sob as seguintes ementas: “PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 553 5 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a título de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. REGIME NÃOCUMULATIVO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (536/549) requerendo a sua reforma, a fim que se homologue, na íntegra, as compensações declaradas, alegando, em síntese, que, nos termos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, faz jus aos créditos apurados sobre os custos/despesas com aquisições de (i) embalagem (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos, sob o argumento de que os vários documentos juntados aos autos são suficientes para caracterizálos como insumos e que as notas fiscais emitidas pelas empresas Dratec Ind. e Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Com. e Tintas Ltda. e pela Ferramentas Gerais Com. e Imp. S/A, erroneamente consideradas como sendo de dezembro, na verdade, eram de novembro de 2004, assim, seus créditos não podem ser desconsiderados; (iii) energia elétrica, porque a glosa sobre as despesas com multa e juros moratórios sobre seu pagamento, a destempo, não procede, pois não devem ser considerados isoladamente e sim pelo total pago; (iv) arrendamento mercantil, os documentos apresentados são suficientes e válidos para comprovar o montante do crédito requerido, assim a ausência de memórias de cálculo não inviabiliza seu aproveitamento, bastando a apresentação dos contratos, notas fiscais e/ ou comprovantes de pagamentos. (v) encargos de depreciações, tendo em vista que os bens (26 exaustores, 4 ventiladores de transporte, 4 filtros de manga e 4 ciclones instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras) são utilizados no seu processo produtivo; e, (vi) importações de insumos cujos valores foram glosados sob o fundamento de que não foram apresentados documentos comprovando a origem, contudo tal glosa é indevida, uma vez que no despacho decisório foi confirmado o pagamento do valor. E caso, não seja esse o entendimento desta Turma, requereu a baixa dos autos em diligência, para que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente solicitou a baixa dos autos, em diligência, para que a autoridade preparadora verifique a real situação dos créditos reclamados. No presente caso, conforme se verifica do Parecer às fls. 355/380 e da decisão recorrida, tanto a autoridade administrativa como a julgadora de primeira instância examinaram a documentação apresentada. Caberia à recorrente ter identificado a natureza de cada insumo cujo crédito foi glosado e, ainda, demonstrado sua utilização no seu processo produtivo. Além disto, o deferimento de pedido de diligência está condicionado ao atendimento do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; IV as diligências, ou perícias que o impugnaste pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 554 7 [...]. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” A recorrente atendeu, em parte, os requisitos elencados no inciso IV, citado e transcrito acima, informando, de forma genérica o objetivo da diligência, ou seja, “com intuito de que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos”. Assim rejeitase diligência requerida. No mérito, as questões opostas nesta fase recursal se restringem às glosas dos créditos sobre os custos/despesas com (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos; (iii) juros moratórios e multa de mora; e (iv) arrendamento mercantil; (v) encargos de depreciações; e (vi) importações. A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]. V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2o Não dará direito a crédito o valor: Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...]. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. [...].” Posteriormente, a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, instituiu a exigência de PIS e Cofins sobre importações, assim dispondo: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: [...]; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...]; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 555 9 § 5o Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço. Tratase de bens que integram o custo final do produto fabricado e exportado pela recorrente. Assim, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Portanto, os valores apurados pela recorrente sobre tais custos e glosados pela Fiscalização deverão restabelecidos e utilizados na Dcomp em discussão. (ii) demais insumos. Em seu recurso voluntário, a recorrente não identificou tais insumos nem demonstrou seus empregos no seu processo produtivo; se limitando à alegação de que juntou vários documentos que, segundo seu entendimento, constituem elementos suficientes para caracterizar tais bens como insumos, nos termos do dispositivo legal citado no item (i) acima. Contudo, tais documentos não permitem identificar suas natureza nem suas utilizações no seu processo produtivo, Caberia a ela ter elaborado uma planilha identificando cada um deles, informando: valor de aquisição; nota fiscal; vida útil; e, seus empregos no processo produtivo, ou seja, em que fase do processo são empregados e qual a finalidade especifica de cada um. Como não o fez, as glosas devem ser mantidas. Ainda, neste tópico, ao contrario do alegado pela recorrente, a Fiscalização não glosou créditos de notas fiscais de dezembro de 2004, emitidas pela Dratec Ind. e Com. e Tintas Ltda. e pela Ferramentas Gerais Com. e Imp. S/A, pelo fato de serem de novembro de 2004. Contudo, conforme consta da decisão recorrida (fls. 372), os valores demonstrados no mês de dezembro foram realocados para os meses de outubro e novembro, em face do princípio da competência. (iii) juros moratórios e multa de mora. A recorrente defende o aproveitamento de crédito apurado sobre despesas incorridas com juros de mora e multa mora, incidentes sobre pagamentos, a destempo, de energia elétrica sob o argumento de que integram o custo total desse insumo. Ao contrário do seu entendimento, tais despesas não integram o custo da energia elétrica utilizado no processo produtivo nem geram créditos da contribuição, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.833. de 2003, citados anteriormente. Somente geram créditos os custos e despesas de bens/serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 (iv) arrendamento mercantil. A glosa sobre o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica teve como fundamento a insuficiência de provas. Intimada, a recorrente apresentou notas fiscais e contratos, sem contudo, apresentar memória de cálculo que permitisse comprovar a vinculação dos valores constantes dos documentos apresentados com os valores informados no Dacon, ou seja, com as despesas sobre as quais foram apurados os créditos. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou apenas e tão somente boletos bancários que, no entanto, não permitem fazer vinculação com os contratos de arrendamento mercantil ou com as notas fiscais das despesas e respectivos bens cujos créditos foram glosados. Nesta fase recursal, a recorrente não apresentou nenhum outro documento. Caberia a ela, no mínimo, ter apresentado planilha, contendo: descrição do bem arrendado, contrato, nota fiscal, custo, amortizações mensais, ficha do livro Razão com as respectivas escriturações, o que permitiria comprovar as despesas incorridas em cada mês e com cada bem arrendado. Assim, a glosa sobre tais despesas deve ser mantida. (v) encargos de depreciações. Nos termos do inciso III do § 1º, c/c o inciso VI, todos do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, os encargos de depreciação das máquinas, equipamentos, utilizados na produção dos bens destinados a venda, incorridos no mês, geram créditos da contribuição. No presente caso, os encargos de depreciação cujos créditos foram glosados, se referem a equipamentos utilizados no processo produtivo da recorrente, conforme se conclui de suas identificações e finalidades descritas nos autos. A recorrente tem como atividade econômica a industrialização de madeira, produzindo diversos produtos, dentre eles, aglomerados, compensados, placas de MDF, móveis, etc. Assim, os valores das glosas sobre os encargos e depreciação referentes a: exaustores (26); ventiladores de transporte (4); filtros de manga (4); e ciclones (4) instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras, devem restabelecidos. (vi) importações. De acordo com o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30/04/2002, citados e transcritos anteriormente, a pessoa jurídica pode descontar crédito da contribuição, em relação às importações sujeitas ao seu pagamento, desde que seja insumo utilizado no seu processo produtivo. No presente caso, a Fiscalização glosou o crédito apurado sobre essa rubrica sob o fundamento de que a recorrente não comprovou que a importação realizada se enquadra naquele dispositivo legal. Ainda, segundo a decisão recorrida, o crédito glosado se refere à importação de máquina e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, cujo direito ao crédito deve ser apurado sobre os respectivos encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 556 11 Assim, a glosa deve ser mantida. Quanto à homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomp em discussão, segundo a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a crédito financeiro suplementar, reconhecido nesta fase recursal. Assim, compete a autoridade administrativa apurar os créditos da contribuição, nos termos desta decisão, e homologar as compensações declaradas até o limite apurado. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre: a) os custos incorridos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; e, b) sobre os encargos de depreciação de exaustores (26); ventiladores de transporte (4); filtros de manga (4); e ciclones (4) instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras, cabendo à autoridade administrativa recalcular os créditos, apurar o saldo credor trimestral passível de ressarcimento/compensação e homologar as compensações declaradas nas Dcomp, em discussão, até o limite apurado, exigindo possível saldo remanescente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 561DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676034/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório
Numero da decisão: 1803-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 60 34 /2 00 9- 10 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão prolatado pela Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de ter efetuado pagamentos a maior das estimativas mensais que foram recolhidas no decorrer do ano fiscal. 2. Contra a contribuinte acima identificada ressaltese, de inicio, que o crédito aqui posto não decorre de um mero recolhimento corriqueiro de Estimativa que se mostrou a maior no fim do anocalendário, mas sim de recolhimento feito em montante superior à Estimativa efetivamente devida. 3. Conforme Relatório Fiscal , a IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2005, acabou com a vedação de utilização de antecipação a título de estimativa de IRPJ ou CSLL, antes de findo o período de apuração a que se refere , mantendoa apenas para a pessoa jurídica que sofre retenção, diferente do comando contido nas IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, e nº 600, de 28 de Dezembro de 2005, Cuja vedação alcançava também a pessoa jurídica “ que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a titulo de estimativa mensal.” 4. Tempestivamente, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 7/09/2009, com a impugnação de fls.12/27. 5. A DRJ de São Paulo prolatou acórdão que entendeu pela improcedência das compensações em questão, com fundamento na vedação prevista no artigo 10 da IN SRF n° 450/2004 e reproduzida na IN 600/2005, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Jurídica— IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 Ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRF n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL, deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 6. O recorrente foi intimado em e, tempestivamente, protocolizou recurso dia 24/06/2011, no qual foi requerida a reforma integral do acórdão recorrido, sob os seguintes argumentos: a) Alega que o crédito discutido teria natureza diversa do recolhimento mensal por estimativa, discorrendo sobre o que chama de 'natureza do pagamento indevido do Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.676034/200910 Acórdão n.º 1803002.395 S1TE03 Fl. 3 3 credito para argumentar o recolhimento em excesso decorrente de erro na elaboração de DARF, seria um crédito de pagamento indevido embasado pelo art. 165 II do Código Tributário Nacional que não poderia ser limitado pela discriminação da modalidade de seu pagamento. b) Relata como foi feita a apuração do valor do débito da estimativa e dos resultados obtidos na DIPJ e na DCTF , elaborando quadros demonstrativos do que entende ser seu crédito, já devidamente atualizado pela reclamante. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório Voto Conselheiro Relator DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Dessa forma, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DO MÉRITO O recorrente alega que ao preencher as guias de pagamento, bem como ao proceder o recolhimento, teria incorrido em erro, o que o levou a realizar um pagamento muito acima do devido. Diante da situação, tentou compensar os valores pagos a maior, contudo não logrou bom êxito, uma vez que sua declaração não foi homologada, sob o argumento que a IN SRF nº 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10, que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL, deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensação como pagamentos a maior ou indevidos. Ao compulsar os autos, entendo que a pretensão contida no pleito recursal deve prosperar. Observo que a compensação não foi homologada, pois encontrou obstáculo em restrição contida no art. 10 da IN SRF nº 600, que reproduziu o art. 10 da IN SRF nº 460/2004, contudo, em 30 de dezembro de 2008, foi publicada a IN SRF nº 900, que revogou a IN SRF 600/2005, que por sua vez já tinha revogado a IN SRF 460/2004. Na IN SRF 900/2008 não houve reprodução da restrição posta no art. 10, da IN SRF 600/2005, o que me leva a inferir que ela desapareceu do mundo jurídico, não cabendo mais a sua aplicação. Esse é o entendimento do CARF, conforme restou cristalizado na Súmula n 84, que assim dispõe: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Como foi identificado o obstáculo acima descrito, não foi analisado pela instância inferior se existia indébito do pagamento da estimativa relativa ao período requerido. Assim sendo, o aspecto quantitativo do direito creditório objeto do PERDECOMP deve ser analisado à luz dos elementos que possam comprovar a sua existência ou não de valores pagos a maior, uma vez que afasto a incidência da IN SRF 600/2005. Dessa forma, para que não haja supressão de instância, é imperioso que a instância inferior analise o pedido de compensação, uma vez que, o reexame em tempo hábil não implica na homologação tácita. Esse foi o entendimento desta Corte Administrativa, no processo 10983.904640/200974, prolatado pela 2º Turma Especial, cujo trecho do voto transcrevo abaixo: “O reexame em tempo hábil não implica na homologação tácita do PER/DCOMP em comento e tem como fundamento dar maior eficácia ao ordenamento jurídico (art. 165 e 170 do CTN), na medida em que o novo Despacho Decisório coloca para o contribuinte a possiblidade de comprovar o crédito tributário, se existente, de modo a garantir a eficácia das decisões proferidas pela Fazenda Pública. Entendese que essa posição cautelosa evita riscos à preservação do interesse público e não apenas o interesse da administração tributária.” Diante do exposto, deixo, momentaneamente, de reconhecer o direito creditório da recorrente, como foi requerido. Contudo entendo que a melhor solução amparada pelo direito é anular o acórdão recorrido e, consequentemente, o despacho decisório, para que a autoridade competente analise a existência ou não de pagamento indébito, oportunizando ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que a Delegacia da Receita Federal de São Paulo aprecie a PERDCOMP apresentada pela recorrente, nos termos do presente voto, evitando assim a supressão de instância, oportunizando o exercício do contraditório e da ampla defesa. ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001137/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 37 /2 00 7- 41 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.001137/200741 Acórdão n.º 2403002.659 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.050.4771, referente ao período de 05/1996 a 12/1996, na qual pretende o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente à cota patronal, à parte dos segurados e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O Relatório Fiscal, fls. 81/86, consigna que a autuação em epígrafe decorre da Responsabilidade Solidária pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, na contratação de construção, reforma ou acréscimo, conforme determina o art. 30, VI, da Lei nº 8.212/91. Através do exame da contabilidade da empresa PROFARMA, foi possível verificar os valores brutos das notas fiscais apurados na conta “Benfeitorias Imóveis de Terceiros LIX Refeitório – 16105005”, o estabelecimento de prestação de serviços relativos à construção, na qualidade de empresa tomadora em razão dos serviços executados pela empresa MULTI BASE ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Apesar de intimado a apresentar os documentos aptos a eximilo da responsabilidade solidária, constantes no art. 30, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.212/91, a empresa quedouse inerte, assim como deixou de exibir o contrato de prestação de serviços e como notas fiscais relativas, autorizando, pois, a aferição indireta da base de cálculo, por parte da autoridade fiscalizatória. A autuação foi lavrada no importe de R$ 57.297,84 (cinquenta e sete mil duzentos e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos), tendo a sua notificação ocorrido em 21/11/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos S/A apresentou impugnação nas fls. 184/200. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão nº 1216.820, fls. 313/333, para reconhecer a procedência do lançamento, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 30, VI da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, bem como o Art. 42, §§ 1º e 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 356/91 e alterações introduzidas pelo Decreto 612/92, definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 345/369, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Inaplicabilidade da decadência decenal prevista nos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91; 2. Impossibilidade de se lavrar auto de infração em face da tomadora antes de se proceder à fiscalização da empresa prestadora dos serviços. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.001137/200741 Acórdão n.º 2403002.659 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 485, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ocorre que o período de apuração compreendeu as competências 05/1996 a 12/1996 e a notificação ocorreu apenas em 2006, por essa razão, fora ultrapassado quase dez (dez) anos da data do fato gerador mais recente lançado. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional, razão pela qual não há mais que se falar em crédito tributário. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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