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Numero do processo: 13896.000288/00-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994, 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. TEMPESTIVIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO DO PEDIDO
Aos pedidos de restituição formulados anteriormente a 09/06/2005, aplica-se a Súmula CARF nº 91, e deve ser declarada a tempestividade dos pedidos formalizados no prazo de até 10 anos contados da data do fato gerador. Afastada a intempestividade do pedido, os autos devem retornar à unidade de origem para análise de mérito do direito creditório.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO APURADO COM BASE NA COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO. TRÂNSITO EM JULGADO DECISÃO JUDICIAL CONTRÁRIA AO PLEITO DA RECORRENTE. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO
O pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ apurado mediante a compensação integral do prejuízo obtido em períodos anteriores, sem observância da trava dos 30%, deve ser indeferido quando a ação judicial transita em julgado em sentido contrário à pretensão da recorrida.
Numero da decisão: 1301-002.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário: (i) para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao ano-calendário de 1994, apartando-se os autos para que siga o rito processual com relação ao ano-calendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao ano-calendário de 1995
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 91. TEMPESTIVIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DO MÉRITO DO PEDIDO Aos pedidos de restituição formulados anteriormente a 09/06/2005, aplicase a Súmula CARF nº 91, e deve ser declarada a tempestividade dos pedidos formalizados no prazo de até 10 anos contados da data do fato gerador. Afastada a intempestividade do pedido, os autos devem retornar à unidade de origem para análise de mérito do direito creditório. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO APURADO COM BASE NA COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO. TRÂNSITO EM JULGADO DECISÃO JUDICIAL CONTRÁRIA AO PLEITO DA RECORRENTE. INDEFERIMENTO DA COMPENSAÇÃO O pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ apurado mediante a compensação integral do prejuízo obtido em períodos anteriores, sem observância da trava dos 30%, deve ser indeferido quando a ação judicial transita em julgado em sentido contrário à pretensão da recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário: (i) para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao anocalendário de 1994, apartandose os autos para que siga o rito processual com relação ao anocalendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao ano calendário de 1995 (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 88 /0 0- 46 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 354 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Tratase de manifestação de inconformidade de fls. 217/220, contra decisão Sesit de n° 0752/2000 da Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP, fls. 214/215, que indeferiu o pedido de restituição formulado pela interessada em epígrafe e recepcionado na Delegacia da Receita Federal de origem em 11/04/2000 (fls. 01) 2. A pretensão da requerente foi formalizada inicialmente com o pedido de restituição de fl. 01, no montante de R$151.136,75, cumulado com os pedidos de compensação do crédito daí decorrente, com tributos administrados pela SRF e informados sob os códigos n°s 8109, no total de R$25.842,05, e 2172, no montante de R$119.271,02, conforme consta à fl. 02, e no código 2172 no total de R$6.023,68, referente ao pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, conforme indicado à fl. 03. 3. Contudo, há nos autos, à fl. 273, representação Seort/Eqrco n° 033/2003, protocolada sob o n° 10882.000555/200388, da qual se destaca o que segue: "... Considerando que o pedido de restituição referente ao processo n° 13896.000288/0046 de interesse da empresa identificada acima, foi indeferido conforme Decisão SESIT n0 0752/2000; [....] proponho a formalização de processo de representação com encaminhamento inicial ao SAPAC/DRF/OSA para programação objetivando eventual lançamento de oficio e demais providências com relação aos valores relacionados na tabela a seguir, provenientes dos pedidos de compensação, cujos originais foram desentranhados do processo de origem n° 13896.000288/0046 e anexados a este: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 355 3 CÓD P.A. VENCIMENTO VALOR EM RS FLS. 8109 03/00 14/04/00 25.842,05 16 2172 03/00 14/04/00 119.271,02 16 1097 04/00 20/04/00 6.023,68 17 4. Sendo assim, os débitos do Profisc, originalmente cadastrados neste processo, conforme se vê à fl. 260, foram excluídos de acordo com o extrato de fl. 274, pelo que, remanesceu no presente processo apenas o pedido de restituição de fl. 01. 5. De posse dos elementos carreados aos autos, o Serviço de Tributação da Delegacia da Receita Federal em Osasco/SP expediu em 18/10/2000 a Decisão Sesit n° 0752/2000, cuja ementa e excertos transcrevemse a seguir, indeferindo o pleito da interessada. "Ementa: Restituição de créditos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1994 e 1995. Pedido Indeferido. I — Exercício de 1995 — AnoCalendário de 1994 [...] ...o pedido de restituição è intempestivo, haja vista o disposto no Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999 (com base no Parecer PGFN/CAT/n" 1.538/99) IIExercício de 1996 AnoCalendário de 1995 Ao apurar o lucro real\(fls. 134 a 135) no anocalendário de 1995, o contribuinte efetuou a compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores em montante superior ao limite permitido pela Lei n° 8.981/95, gerando saldo nulo de Lucro Real e saldo negativo de IRPJ (considerandose o IRRF); situação inversa teria ocorrido se o limite legal tivesse sido obedecido, ou seja, o resultado seria imposto de renda a pagar. A declaração de rendimentos do exercício em questão foi retida pela malha fazenda, tendo sido lavrados dois autos de infração (processos 10882.000442/0050 e 10882.000439/0045), por meio dos quais foram lançadas as diferenças de IRPJ e CSLL não declarados. O contribuinte impetrou mandado de segurança (MS 95.00369001) visando afastar as restrições da Lei 8.981/95; o MS foi julgado improcedente em I a instância; remetido ao TRF (processo 96.03.0297461). foi negado provimento, por unanimidade, à apelação do contribuinte: atualmente encontrase na fase concluso para decisão quanto à admissão de recurso extraordinário; conforme pesquisas ao Sistema de Acompanhamento Processual da Justiça Federal ..." (Destaque acrescido). 6. A contribuinte foi cientificada do indeferimento de seu pedido em 08/11/2000 (AR à fl. 216). Inconformada, interpôs em 06/12/2000, recurso (manifestação de inconformidade) de fls. 217/220, acompanhado dos documentos de fls. 221/259, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 6.1 De início, após breve identificação e qualificação da empresa requerente, reputa de absurda a alegação da autoridade que indeferiu seu pleito, sob o argumento de que o pedido de restituição, referente ao exercício de 1995, anocalendário de 1994, é intempestivo. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 356 4 6.2 Quanto a isso, afirma que o mesmo direito que tem o fisco para rever a declaração do imposto de renda do anocalendário de 1994, que é entregue em 1995, podendo homologála ou não, no transcurso dos cinco anos seguintes, assiste, igualmente, à requerente no que toca à possibilidade de ressarcirse de valores pagos indevidamente. Diz, também, que o recorrente pleiteou tempestivamente seu direito, não havendo base legal para o seu indeferimento. 6.3 Salienta que o pedido de restituição está fundado em declaração retificadora objeto do processo n° 13896.001403/9911, referente ao exercício antes mencionado, na qual a solicitante informou os valores retidos na fonte a" título de IR, anteriormente omitidos. Entretanto, argumenta que, embora o pedido de retificação tivesse sido instruído com toda a documentação comprobatória, sua pretensão foi negada em virtude de ter informado o valor total das retenções ocorridas ao longo do ano, apenas no mês de dezembro de 1994. 6.4 Acrescenta que, ao requerer a retificação, a interessada teve a intenção de restituir/compensar valores recolhidos a maior ao Fisco e, ainda, que, diante dos acontecimentos, a requerente entendeu "que era necessário encaminhar nova declaração retificadora, após o que, pleiteou em 11/04/2000, a restituição/compensação de cuja decisão denegatória ora recorre. 6.5 Sustenta que em 13/09/2000 a recorrente recebeu intimação para apresentar a documentação comprobatória de seu direito, relativo às retenções do imposto de renda na fonte. E, quanto a esse item, arremata: "O Fisco postergou a decisão, solicitando documentos e mais documentos, e quer fazer crer que o direito à restituição, conforme pleiteado pela recorrente, desapareceu. Ora, o pedido de restituição é, de fato, tempestivo... [...] Assim sendo, requerse, desde já, seja reconsiderado o pedido de restituição/compensação feito pela recorrente." 6.6 No que toca ao anocalendário 1995, assevera que, em que pese a informação do Fisco de que o contribuinte houvera compensado valores a maior de prejuízo fiscal, sendo, portanto, indevida a restituição/compensação de quaisquer valores, informa que a interessada obteve liminar em segunda instância assegurandolhe o direito à compensação integral dos prejuízos ocorridos em períodos anteriores à vigência da Lei n° 8.981, de 1995. 6.7 Ressalta que o pedido de restituição não guarda relação direta com os autos de infração citados na Decisão Sesit, os quais referemse à glosa de compensação de prejuízos fiscais por ultrapassar o limite de 30%, estabelecidos pela Lei n° 8.981, de 1995. 6.8 Repudia a idéia de que o pedido de retificação da declaração', objeto do processo n° 13896.001404/9975, fora indeferido em 06/01/2000 por não terem restado demonstrados os valores a partir dos informes fornecidos pelas fontes pagadoras. Quanto a isso, sustenta a tese de que era perfeitamente possível ao fisco, apurar as retenções dos valores até mesmo diante das notas fiscais emitidas pela recorrente, pelo que não é justificável negar o pedido de restituição/compensação. E conclui: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 357 5 " O fato é que houve recolhimento a mor de imposto, sendo direito do contribuinte, ora Recorrente, verse ressarcido, seja através de Restituição, seja através de Compensação." 7. Ao final, requer a reforma da Decisão Sesit n° 0752/2000 para que se proceda a restituição/compensação na forma requerida." Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, na sessão realizada em 07/06/2004, a 4ª Turma da DRJ/CPS indeferiu a solicitação de restituição conforme acórdão nº 1617.574, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1994, 1995 Ementa: I Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. II PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS. Estando sub judice matéria que influi na caracterização ou não do direito creditório, indeferese o pedido de restituição, em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição. Solicitação Indeferida Cientificada do Acórdão DRJ/CPS nº 6.738 em 18/07/2006, conforme AR às fls. 307, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 17/08/2006, recurso voluntário (fls. 308 a 313) alegando em síntese: Não há que se falar em decadência do direito do contribuinte em pleitear a restituição dos saldo negativo apurado no anocalendário de 1994, posto que o termo inicial do prazo decadencial para pleitear a restituição do valor pago a maior é a data da entrega da DIPJ/1995, esgotandose o prazo decadencial em 30/04/2000, antes portanto do pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000; Contesta a alegação do acórdão recorrido de que a recorrente teria compensado a partir de 1995 valores em percentual maior do que o limite permitido de 30%, por entender que nenhuma relação há entre tais compensações e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte em 1994, que geraram um pagamento a maior que o devido no exercício de 1995. Afirma que independentemente de qualquer possível limitação à compensação o fato é que tal limitação não pode contagiar o crédito da recorrente, inquestionavelmente demonstrado e válido; Ao final pede o provimento do presente recurso para declaração da tempestividade do pedido de ressarcimento e sua consequente homologação. Solicita também a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da Receita Federal nos termos do art. 151, III, do CTN, enquanto pendente de julgamento o presente recurso. . Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 358 6 É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. Exercício 1995 AnoCalendário 1994 Consta da Decisão Sesit nº 0752/2000 que o pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000 é intempestivo tendo em vista que o prazo para pleitear a restituição de tributos ou contribuições pagos a maior se extingue após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 165, I e 168, I do CTN. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte defende a tempestividade do pedido entretanto, o acórdão recorrido, com fundamento no Ato Declaratório DRF nº 96/99, considerou extinto o direito de pleitear a restituição por ter decorrido o prazo decadencial de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Por se tratar de créditos de IRPJ com períodos de apuração mensal, entendeu que o direito relativo ao período de 01/1994 decaiu em 01/1999 e assim, sucessivamente, tendo o direito relativo ao último período decaído em 12/1999. Em sua peça recursal, defende a recorrente que a decadência do direito de pleitear a restituição dos saldo negativos apurados no anocalendário de 2004 esgotase em 30/04/2000, posto que o termo inicial do prazo decadencial para pleitear a restituição do valor pago a maior é a data da entrega da DIPJ/1995, antes portanto do pedido de restituição protocolizado em 11/04/2000. A matéria objeto da lide encontrase pacificada neste órgão julgador. Por meio da Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória nas decisões do órgão nos termos do art. 72, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), decidiuse que aos pedidos de restituição protocolizados anteriormente a 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, contados do fato gerador: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma, considerando que a data do fato gerador relativo ao IRPJ do anocalendário de 1994 é 31/12/1994, o prazo decadencial extinguiuse em 31/12/2004, posteriormente ao pedido protocolizado em 11/04/2000, restando caracterizada sua tempestividade. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao pedido da recorrente para declarar a tempestividade do pedido relativo ao anocalendário de 1994 e determinar o retorno dos autos à unidade preparadora para análise quanto ao mérito do direito creditório. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 359 7 Exercício 1996 AnoCalendário 1995 Na Decisão Sesit nº 0752/2000 consta que ao apurar o lucro real no ano calendário de 1995 a contribuinte efetuou a compensação de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores em montante superior ao limite de 30% permitido pelo art. 42 da Lei nº 8.981/95. Em virtude desta constatação foram lavrados autos de infração para exigência das diferenças de IRPJ e CSLL não declaradas nos processos 10882.000442/0050 e 10882.000439/0045, entretanto, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 95.00369001 visando afastar as restrições da Lei nº 8.981/95. Diante desses fatos a autoridade administrativa indeferiu o pedido de restituição pleiteado pela contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte requereu a reforma da decisão sob o argumento de que não há relação entre a compensação limitada a 30% ou não e o reconhecimento do direito que assiste ao contribuinte de compensação dos valores de IRRF. O acórdão recorrido argumentou que o saldo negativo de IRPJ cuja restituição e compensação a interessada requereu nasceu, em princípio, a partir da compensação integral do prejuízo apurado nos períodos de 1991 a 1994, sendo portanto, improcedente as alegações de que não há relação direta entre o pedido de restituição e os referidos autos de infração. Consta ainda da decisão a quo que até o trânsito em julgado da sentença favorável que, porventura venha a contribuinte a obter na esfera judicial, não há que se falar de crédito líquido de certo passível de restituição/compensação por parte da interessada. Pautou a decisão no princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, inciso XXXXV da Constituição Federal, o qual estabelece que a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa e desse modo, a decisão judicial infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso. No recurso voluntário a recorrente reafirma que inexiste relação entre as compensações em percentuais superiores a 30% e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte e que geraram um pagamento a maior do que o devido. Acrescenta que a questão quanto à limitação ou não da compensações para o caso concreto, ainda encontrase em discussão STF. Relativamente às alegações de que inexiste relação entre as compensações em percentuais superiores a 30% e o crédito a que faz jus pelos valores retidos na fonte, entendo que não merecem reparos ao acórdão recorrido. De fato, o saldo negativo de IRPJ cuja restituição e compensação a interessada requereu, tem como origem a compensação integral do prejuízo apurado nos períodos de 1991 a 1994. Em consulta processual ao site do STF constatei que o processo judicial que à época do recurso voluntário encontravase em discussão no STF foi devolvido ao Tribunal de origem para aplicação do disposto no artigo 543B do Código de Processo Civil. Com o julgamento do representativo da matéria no Recurso Extraordinário 344.994, em 25/03/2009 o Supremo decidiu que a Lei 8.891/1995, que permitiu o aproveitamento, concedeu um benefício fiscal e, portanto, não há nada de errado com a trava de 30% por período de apuração. Assim, com o trânsito em julgado da ação judicial em sentido contrário à pretensão da recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da recorrente para considerar procedente o indeferimento do pedido de restituição relativo ao ano calendário de 1995. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13896.000288/0046 Acórdão n.º 1301002.550 S1C3T1 Fl. 360 8 Com relação ao pedido de suspensão de exigibilidade de créditos da Receita Federal enquanto pendente o julgamento, informo à recorrente que nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o recurso voluntário obedece ao rito processual do Decreto nº 70.235/72, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 do CTN os débitos objeto de compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para: (i) determinar o retorno dos autos à unidade de origem para análise do mérito do direito creditório referente ao anocalendário de 1994, apartandose os autos para que siga o rito processual com relação ao anocalendário de 1994; (ii) negar provimento em relação ao pedido de restituição do direito creditório relativo ao anocalendário de 1995. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 360DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.908052/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.946
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 2/ 20 11 -4 0 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10183.908052/201140 Resolução nº 3201000.946 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720430/2008-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 30 /2 00 8- 15 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 259 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201001.777, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de agosto de 2012 (efls. 153 a 161). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. REQUISITO. Para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. DO VALOR DA TERRA NUA. VTN Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no “Laudo de Avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte, exigese a apresentação de novo laudo que demonstre, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado e justifique a divergência de valor. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 260 3 Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de Preservação Permanente de 75,0 hectares. Vencido o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, que negou provimento ao recurso. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 26/09/2012 (efl. 163), esta apresentou, em 07/11/2012 (efl. 204), Recurso Especial (efls. 195 a 203), com fulcro no no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 205 a 207. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30239.144, prolatado em 07 de novembro de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 30134.352, prolatado em 26 de março de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas Acórdão 30239.144 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao IBAMA, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 261 4 estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Acórdão 30134.352 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO: 2001 ITR EXERCÍCIO 2001. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 170 da Lei n" 6.938/81, na redação do art. 1 da Lei n" 10.165/2000). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 262 5 Decisão: por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, relator e Valdete Aparecida Marinheiro. Designado para redigir o acórdão o conselheiro José Luiz Novo Rossari. Quanto à matéria se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97; c) Logo, ao estabelecer a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, a Administração Tributária, por meio de ato normativo, fixou condição para a nãoincidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, elencadas e definidas no Código Florestal e na legislação do ITR. A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000. De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa nº 43/97, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; d) Registra que a obrigatoriedade da apresentação do ADA não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/96), apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada; e) o exercício do direito do contribuinte está atrelado a uma simples declaração dirigida ao órgão ambiental competente. Tratase, por evidente, de norma amplamente favorável ao contribuinte do ITR, que, na hipótese de sua ausência, estaria sujeito a meios de prova notadamente mais complexos e dispendiosos, como, por exemplo, os laudos técnicos elaborados por peritos. De posse da declaração (ADA), o IBAMA deverá, em momento oportuno, certificar a veracidade dos dados informados pelo proprietário do imóvel; f) Não é juridicamente sustentável a tese segundo a qual, diante da declaração do contribuinte de que sua propriedade está inserida em área de preservação permanente ou de utilização limitada, não possa a autoridade pública exigir a comprovação do alegado através da documentação competente. O direito ao benefício legal deve estar documentalmente comprovado. E o ADA, apresentado tempestivamente, é documento exigido para tal fim; g) No presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente. O que se busca é a comprovação do cumprimento Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 263 6 de uma obrigação prevista na legislação, referente à área de que se trata, para fins de exclusão da tributação; h) Por fim, nem há que falar que as Instruções Normativas SRF nºs 43 e 67, ambas de 1997, seriam ilegais, ressaltese que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei ou ato normativo infralegal, matéria reservada ao Poder Judiciário. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, salvo nos casos autorizados por disposições legais, regulamentares ou normativas, baixadas por autoridade superior competente de conformidade com o estatuído no art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997 , nos quais não se insere a matéria em debate. Requer, assim, que seja conhecido e seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose a decisão proferida em 1a. instância. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 16/05/16 (efl. 211), o contribuinte apresentou Recurso Especial de sua iniciativa somente em 10/06/2016 (efl. 213), o qual assim restou não admitido por intempestivo, na forma de exame de admissibilidade de efls. 235/236. Não houve oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 04/10/2007 efl. 15; b) ADA/1997, protocolizado em 21/12/2007 efls. 72 e 99; c) Laudo anexado pela autuada efls. 48 e seguintes. Limitado o litígio assim, à da possibilidade de exclusão dos 75,0 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 04), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 264 7 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 265 8 específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte somente em 21/12/07 (efls. 72 e 99), posteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/06, consoante Instrução Normativa SRF no. 554, de 2005) e, também, posteriormente ao início da ação fiscal, iniciada em 04/10/07 (efl. 15). Assim, devese enfrentar agora a questão do momento da entrega efetuada pelo autuado, posterior ao prazo estabelecido infralegalmente. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 266 9 permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 267 10 Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10073.720430/200815 Acórdão n.º 9202005.679 CSRFT2 Fl. 268 11 Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contendo a área de preservação permanente glosada de 75,0 ha. em litígio, foi entregue em 21/12/07 (efls. 72 e 99), e, assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 04/10/07, conforme efl. 15), é de se manter a glosa da área de preservação permanente, perpretada pela autoridade fiscal. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.008651/89-44
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO
Imposto de importação recolhido conforme DARF.
Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não
remanescer parcela de crédito tributário a cobrar.
Negado Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional."
Numero da decisão: CSRF/03-03.005
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ubaldo Campelo Neto
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Sujeito Passivo : Brascon Rio Agência Maritima Ltda. Sessão de : 20 DE OUTUBRO DE 1998 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar. Negado Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , 7,20 ,_,, ISON PE -É ODRIGUES PRESIDENTE i É0_, UBALDO CAMPELO NETO RELATOR FORMALIZADO EM:i 7 Ntp‘ lonoI ri j 1 ir:ru .. Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA, ISALBERTO ZAVÃO LIMA (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. 2 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Recurso n° : RP/303-1.203 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes prolatou decisão consubstanciada no Acórdão em referência cuja ementa é a seguinte: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar." A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial a este Colegiado aduzindo o seguinte: "Discute-se neste processo qual seja o ato de início do procedimento fiscal para os fins de aceitação válida da denúncia espontânea, em se tratando de falta de volumes na descarga do navio OSTFRIESLAND", dado entrada no Porto do Rio de Janeiro, em data de 22.05.89. O fundamento único do voto condutor do V. acórdão atacado cinge-se ao argumento de que: "se entender que o Termo de Visita Aduaneira não tem o objetivo de apurar infração, não caracterizando início de procedimento administrativo fiscal". Não há de prosperar, data venha, tal entendimento. Há de se ressalvar "ab initio" que a denúncia espontânea apresentada pela BRASCON RIO AGÊNCIA MARITIMO LTDA não foi aceita por ser intempestiva, como se vê do despacho bem fundamentado lançado às fls. 28. 3 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 É que a visita aduaneira foi efetuada em 22.05.89, data da entrada do navio no porto do Rio de Janeiro e a denúncia foi apresentada, posteriormente, em 02.08.89 o que contraria o artigo 138 do Código Tributário Nacional. A tese do V. acórdão guerreado de que o Termo de Visita Aduaneira não é início de procedimento administrativo fiscal esbarra no disposto nos artigos 31, § 1° e artigo 45, alíneas "a", "b" e "c" do Decreto n°91.030/85 (Regulamento Aduaneiro). Preceituam os precitados dispositivos legais: "Art. 31 — As operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior só poderão ser executadas depois de formalizada a sua entrada no porto, aeroporto ou na repartição que jurisdicionar o ponto de fronteira alfandegado. § 1° - Para efeitos fiscais, considera-se formalizada a entrada do veículo quando encerrada a visita e lavrado o respectivo termo de entrada". § 2° - "Art. 45 — Se for o caso, o responsável pelo veículo apresentará, ainda, à fiscalização aduaneira, por ocasião da visita: a) relação das unidades de carga vazias existentes a bordo; b) declaração de acréscimo de volume ou mercadoria em relação ao manifesto; c) outras declarações ou documentos de seu interesse". Em comentários ao artigo 31, transcrito no item antecedente, o ilustre ROOSEVELT BALDOMIR SOSA conclui de modo enfático: "Todos esses dispositivos conduzem ao entendimento de que o procedimento de admissão aduaneira tem seu início na visita aduaneira da embarcação, momento em que seu capitão, mestre ou imediato, declara, perante a autoridade administrativa que efeitos transporta, para onde se destinam e que mercadorias estão manifestadas para que aquele porto. A entreqa do manifesto define a nosso entender o elemento espacial do fato 4 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 gerador do imposto de importação (grifado) 'In Comentários à Lei Aduaneira, Ed. Aduaneiras, págs. 65/66). Desta forma, estreme de dúvidas, a visita aduaneira é início de procedimento de admissão aduaneira, e equivocada, portanto, a conclusão de julgamento do V. acórdão recorrido. E assim sendo, qualquer ato do sujeito passivo, posterior, a essa visita exclui a espontaneidade da denúncia, ex vi do § 1°, do inciso III do artigo 7° do Decreto n° 70.235/72. A empresa autuada, assim, ao ingressar com denuncia espontânea em data de 02/08/89, após o início do procedimento fiscal, este datado de 22/05/89, deixou de atender ao disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. O v. acórdão recorrido, portanto, violou o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, arts. 31, § 1° e 45, "b" e "c" do Decreto n° 91.030/85 e art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Quanto à suposta inexistência de crédito tributário remanescente, como entendido pelo v. acórdão a denúncia espontânea, o pagamento efetuado às fls. 24 não foi integral, restando a multa imposta à autuada pela decisão de primeiro grau, qual seja, a prevista no artigo 521, II, "d" do Regulamento Aduaneiro, além dos encargos legais cabíveis (fls. 54). A Empresa apresentou contra-razões com os seguinte argumentos, resumidamente: "Entendeu a C. Câmara recorrida, de acordo com o R. Voto de lavra do I. Conselheiro Relator, Dr. João Holanda Costa, que está bem caracterizada a denúncia espontânea da infração, dado que a petição de 02.08.89 é anterior a qualquer medida de fiscalização tendente a apurar a falta da mercadoria na descarga do veículo o que só veio a dar-se com a conferência final de manifesto, em 18.05.90., rejeitada a tese de que a Visita Aduaneira ou o registro da Dl para o despacho das mercadorias 5 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 atendam, no caso ao exigido no art. 138 do CTN para excluir a denúncia espontânea da infração, pois são atividades voltadas a outros fins, sem qualquer relação com a apuração de faltas na descarga do veículo. Por sua vez, a I. Recorrente insiste na tese contrária, ou seja, de que após a Visita Aduaneira (formalização da entrada do veículo procedente do exterior), o transportador perde a espontaneidade para denunciar tais infrações, de acordo com o disposto nos artigos 31, § 1° e 45, alíneas "a", "h" e "c" do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Antes de mais nada é preciso destacar que a Denúncia praticada pela interessada, objetivando a exclusão da penalidade cominada, tem por escopo o disposto no artigo 138 do CTN (lei n° 5.172 de 1966). A hipótese de perda da espontaneidade, pelo infrator, está claramente delineada no parágrafo único, do referido artigo, não mencionado em momento algum pela I. Recorrente, e que merece ser aqui destacada, como segue: "Art. 138 § único — Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Grifos colocados pela Peticionária- () texto legal acima transcrito é bastante claro e específico, não deixando qualquer margem a dúvidas. O início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, quando relacionados com a infração, exclui a responsabilidade do infrator para denunciá-la. É fora de dúvida que o veículo procedente do exterior quando da visita Aduaneira, iá se encotra sob fiscalização permanente Quanto a isso não há questionamento. Não obstante, também forçoso se torna reconhecer que tal procedimento — Visita Aduaneira — não é, efetivamente, um procedimento administrativo ou uma medida de fiscalização diretamente voltados prar a apuração de tais infrações (falta de mercadoria). 6 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Nem poderia ser diferente pois que, enquanto a carga permanece a bordo, antes da abertura dos porões para descarga — só permitindo após o término da Visita (formalização da entrada) — não se tem configuração da existência de qualquer infração nesse sentido. Impossível saber-se, antes do término da descarga, quais as cargas que estariam faltando (por extravio, furto, não embarque, etc), ou que estariam em acréscimo ao manifesto (por embarque indevido). Se, por ocasião da visita não se sabia da existência da infração, não havia, na ocasião, o que ser denunciado. Pôr isso mesmo é que a legislação específica define, expressamente, qual o procedimento de apuração, pela fiscalização, de tais infrações. O Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, assim determina: "Art. 476 — A conferência final de manifesto destina-se a constatar falta ou acréscimo, de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro, mediante confronto do manifesto com os registros de descarga (Decreto — lei n° 37/66, artigo 39, § 1°). § único — Constatada falta ou acréscimo, e feitas, se for o caso, as necessárias diligências, adotar-se-á o procedimento fiscal adequado". Este, portanto, E. Jugadores, o procedimento específico e correto de apuração de tais infrações — CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO — Até a data da sua realização pela fiscalização, o infrator estará agindo espontãneamente ao denunciar qualquer das infrações indicadas, como aconteceu no presente caso. 7 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 A matéria aqui discutida já foi exaustivamente analisada por essa E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, originando uma farta jurisprudência a respeito, sempre acolhendo a tese da denúncia espontânea ocmo decidido pela C. Câmara "a quo". Cite-se, como exemplos, os Acórdãos de n°s — CSRF/03-01.491 de 21/09/87 e CSRF/03-01.657, de 29/11/89, aqui anexados por cópias de seu inteiro teor. No primeiro Acórdão acima citado destaca-se o brilhante Voto proferido pelo Eminente Conselheiro Relator, Dr. José Façanha Mamede, que assim se pronunciou a respeito do assunto: " (...) Se o conhecimento da irregularidade for feito pelo contribuinte, antes de efetivada a Conferência Final de Manifesto, concretiza-se a denúncia espontânea da infração de que cogitam o art. 138 e parágrafo único do CTN e fica o sujeito passivo livre de multa, mesmo que não recolha o débito, concomitantemente, pois ele não é importador, não dispondo de dados para o cálculo desse débito que depende, assim, de arbitramento. Enganam-se, assim, "data venia", os que entendem que, após a visita aduaneira, não há mais possibilidade de denúncia espontânea de faltas ou acréscimos na descarga pelo sujeito passivo. Primeiramente, porque a visita aduaneira não é procedimento fiscal relacionado com a infração a que se reporta o parágrafo único do art. 138 do CTN. Em segundo lugar, porque o termo de visita não prenche os requisitos de um termo de início de procedimento fiscal previsto no art. 70 do Decreto 70.235/72. Explico. O Regulamento Aduaneiro, por seu artigo 476, define o procedimento para constatar falta ou acréscimo de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro com o "confronto do manifesto com os registros de descarga". Este é o "procedimento fiscal relacionado com a infração". Ora, se a visita aduaneira é anterior à descarga, ocmo pode ela proceder ao confronto do manifesto com os reoistros de descama? È impossível. Mais A Conferência Final de Manifesto dá-se, comumente, mais de sessenta dias após a descarga do veículo transportador. Na maioria dos casos, pois, o Termo de Visita, mesmo se considerando Termo Início de Fiscalização, estaria inócuo, face ao disposto no § 2° do art. 7° do Dec. 70.235/72, que fixa para o Termo de Início o prazo de sessenta dias. 8 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 Da mesma forma, se a repartição processante dispõe das folhas de descarga e não efetua o seu confronto com o manifesto nem dá ciência ao sujeito passivo da constatação da irregularidade — falta ou acréscimo de mercadoria — não se configura o início do procedimento fiscal previsto no art. 70 do Dec. 70.235/72. Assim, uma anterior comunicação feita pelo sujeito passivo caracteriza a denúncia espontânea". A mesma linha segue o segundo Acórdão proferido por essa E. Corte Superior, acima citado, como se verifica do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Paulo Affonso de Barros Faria Júnior. É o Relatório. 9 Processo n° : 10711.008651/89-44 Acórdão n° : CSRF/03-03.005 VOTO Conselheiro, Relator Ubaldo Campello Neto A decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes tem a seguinte ementa: "CONFERENCIA FINAL DE MANIFESTO Imposto de importação recolhido conforme DARF. Denúncia espontânea da infração: descabimento da multa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Aplicação do princípio da economia processual, pelo fato de não remanescer parcela de crédito tributário a cobrar." A decisão da Câmara está embasada em várias outras já proferidas a respeito deste assunto, inclusive nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por ser matéria já pacífica, nego provimento ao recurso do procurador da Fazenda nacional, mantida a decisão da Câmara recorrida. Sala das Sessões - DF, em 20 de outubro de 1998. ,•4111. UBALDO CAMPEM* NETO io Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.001004/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1999
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N. 11.
Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF n. 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26-A DO DECRETO N. 70.235/1972. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 2.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-005.982
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996, 1997, 1999 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N. 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF n. 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26-A DO DECRETO N. 70.235/1972. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 2. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
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INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF N. 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF n. 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 26A DO DECRETO N. 70.235/1972. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF N. 2. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 10 04 /2 00 2- 73 Fl. 321DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10805.001004/200273 Acórdão n.º 2402005.982 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 311/317) em face do Acórdão n. 17 27.890 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SPOII (fls. 292/298), que julgou parcialmente procedente a impugnação de fls. 284/290 e manteve em parte o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnosCalendário 1996; 1997 e 1999 no montante de R$ 275.908,86 sendo R$ 116.846,12 de imposto Cód. Receita 2904 ; R$ 71.428,17 de juros de mora calculados até 27/03/2002; e R$ 87.634,57 de multa proporcional passível de redução (fls. 271/280) com fulcro em apuração de i) acréscimo patrimonial a descoberto; ii) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; e iii) omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal (TVF) fls. 264/270. No TVF (fls. 264/270), parte integrante do Auto de Infração de fls. 271/280, a Fiscalização da RFB relata, de forma detalhada, os procedimentos efetuados no curso da ação fiscal, que teve como objeto a fiscalização do imposto de renda pessoa física AnosCalendário 1996; 1997; e 1999 com o fito de apurar: i) Acréscimo patrimonial a descoberto: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados; ii) Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos; iii) Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa: Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de 127.924 quotas do capital social da pessoa jurídica MAUÁ CENTER 2000 COMERCIAL LTDA. CNPJ n. 02.832.126/000158. Cientificado, em 26/04/2002, do lançamento de fls. 271/280, e inconformado com a autuação sofrida, o recorrente apresentou a impugnação de fls. 284/290, alegando em síntese: que, preliminarmente, teve ciência do Auto de Infração na data de 26/04/2002 e o senhor Auditor Fiscal da Receita Federal incluiu no lançamento tributário dados referentes ao mês de junho do ano de 1996 sem atentar para o aspecto crucial da decadência; que ao proceder ao lançamento tributário e por ter considerado valores do mês de junho de l996 (omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos), resvalou o autuante em questão decadencial, e, portanto, o titular do direito ficou inerte, não se manifestou no tempo devido, perecendo assim o direito do fisco constituir o crédito tributário; que para aquele período, está extinta a relação jurídica, como decorre do comando do CTN, Lei n° 5.172/66, em seu art. 156, inciso V, ad argumentandum a respeito da decadência; Fl. 323DF CARF MF 4 que requer que seja acatada a preliminar argüida, no tange ao aspecto decadencial do IRPF, para o fato gerador 30/06/1996, sendo cancelado o lançamento tributário e, por conseguinte, declarada a nulidade do ato administrativo no período elencado; que, no mérito, a multa fixada em 75% (setenta e cinco por cento) do valor do seja prevista em lei, é absolutamente incompatível com qualquer noção de justiça, violando claramente o preâmbulo da Constituição vigente; que a Lei n° 9.430/96, ao viabilizar uma multa com efeito confiscatório que o fisco exige, nega vigência aos primeiros 5 (cinco) artigos da Constituição e não pode ser utilizada como vem sendo; que a multa, a pretexto de desestimular a reiteração de condutas infracionais, não pode atingir o direito de propriedade, cabendo ao poder legislativo, com base no mesmo princípio da proporcionalidade a fixação dos limites à sua imposição; que a Justiça pode, constatado que a multa é confiscatória, interferir no lançamento e adequála aos princípios constitucionais mencionados, não podendo prevalecer a multa na ordem de 75% do tributo. Na apreciação da impugnação de fls. 284/290, o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298), sumarizou seu entendimento, consoante ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997, I998, 2000 . PRELIMINAR. DECADÊNCIA. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇAO DE BENS E DIREITOS. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Descabe a apreciação, nesta instância, da alegação de que o lançamento viola o principio constitucional do nãoconfisco, em face do princípio da vinculação à lei a que está submetido o julgador administrativo. Lançamento Procedente em Parte O recorrente foi cientificado do teor do Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298) em 04/12/2008 (fls. 307/308) e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário em 23/12/2008 (fls. 311/317), tempestivo, portanto, alegando, preliminarmente, o advento de prescrição intercorrente, e, no mérito, o caráter confiscatório da multa aplicada (75%). É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10805.001004/200273 Acórdão n.º 2402005.982 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 311/317) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O recorrente enfrenta o Acórdão n. 1727.890 (fls. 292/298) apenas no que tange ao caráter confiscatório da multa aplicada (75%). Todavia, inova ao apresentar, além da questão de mérito, preliminar de prescrição intercorrente, que não constou da impugnação de fls. 284/290, e, portanto, não apreciada pelo órgão julgador de primeira instância. Tratase, assim, de tema recursal novo, só suscitado no âmbito deste Recurso Voluntário. Passo ao julgamento. 1. Da preliminar de prescrição intercorrente O recorrente alega que "passaramse mais de 6 anos sem o recorrente ter noticias sobre o processo administrativo instaurado". Assim, no entendimento do recorrente, ocorreu a prescrição intercorrente prevista no art. 40, § 4°., da Lei n. 6.830/80 (incluído pela Lei n. 11.051/04). Antes de enfrentar a preliminar suscitada, cabe esclarecer que este processo administrativo fiscal se encontra na fase litigiosa desde 27/05/2002 inaugurada com a impugnação de fls. 284/290 (art. 14 do Decreto n. 70.235/1972). E, uma vez na fase litigiosa, suspensa está a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no art. 151, III, da Lei n. 5.172/1966 (CTN). Desta forma, pendente de pronunciamento final no contencioso fiscal, o crédito tributário ainda não está definitivamente constituído, não se podendo falar do direito do Fisco de exigilo, vez que este direito ainda não pode ser exercido. É nesse sentido o comando do art. 174, caput, do CTN: Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso concreto, ainda não ocorreu a constituição definitiva do crédito tributário em lide, o que afasta, de plano, o início do prazo prescricional previsto no art. 174 do Codex Tributário. A seu turno, observase que a matéria não permite maiores digressões, vez que é objeto do Enunciado de Súmula CARF n. 11, verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Rejeito a preliminar. Fl. 325DF CARF MF 6 2. Do mérito No mérito, o recorrente insurgese contra a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, alegando que "Ao se exigir o pagamento de multa de oficio fixada em 75% (setenta_e cinco por cento) do valor do tributo viola claramente o princípio da vedação ao confisco. Embora esta multa seja prevista em Lei, ela é absolutamente incompatível com qualquer noção de justiça, com qualquer principio moral, vioIando cIaramente o preâmbulo da Constituição vigente". De plano, registrese que a multa de ofício aplicada tem seu embasamento legal no artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96 (conforme o próprio recorrente reconhece), em relação ao qual não consta declaração de inconstitucionalidade pelo STF, guardião da Constituição Federal. Destarte, é defeso à Fiscalização da RFB afastar a aplicação ou deixar de observar dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico do país, vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos exatos do art. 142, parágrafo único, do Codex Tributário. Nesse diapasão, a alegação do recorrente no sentido de que a multa de 75% do imposto devido viola o principio da vedação do confisco, albergado no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, envereda na trilha de suposta inconstitucionalidade do dispositivo legal consignado no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que refoge à atividade judicante do CARF o pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com o Enunciado de Súmula CARF n. 2, verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 311/317), REJEITAR A PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724904/2011-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2202-004.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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CABIMENTO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 49 04 /2 01 1- 65 Fl. 1167DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração (fls. 1155/1160) em face do Acórdão nº 2202003.261, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 1139 a 1153), julgado na sessão de 09 de março de 2016, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2009 INOVAÇÃO DE TESES NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE.PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CRÉDITO FUNDADO EM LEGISLAÇÃO EXISTENTE, VIGENTE E EFICAZ. A LEGISLAÇÃO REVOGADA FOI SUBSTITUÍDA, BEM COMO ESTÁ FORA DO PERÍODO LANÇADO NOS AUTOS. INFORMAÇÃO EM GFIP COM OMISSÃO OU INEXATIDÃO. INOVAÇÃO LEGISLATIVA. ANISTIA. APLICAÇÃO. RETROATIVA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada da decisão em 06 de abril de 2016 (fls. 1154), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, alegando omissão em relação aos seguintes aspectos: a) "... omissão em relação às condições de aplicabilidade da anistia prevista no artigo 49, da Lei nº 13.097/2015 (sem a correta indicação da data da entrega da GFIP – onde consta os autos bem como se preenche TODOS OS REQUISITOS PARA GOZO de eventual anistia, bem como, concedeu interpretação extensiva a dispositivo que previa anistia de multa por descumprimento de obrigação acessória, reputando indevida sua cobrança". b) "... subsiste também omissão quanto à aplicabilidade do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, também introduzido pela Lei 11.941/2009 (MP 449)". Ao analisar a admissibilidade dos embargos, assim se manifestou o presidente da turma: Pois bem, quanto ao item "a", entendo que restou demonstrada a omissão. De fato, compulsandose o voto condutor, verificase que o Relator considerou que "... a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015" (fl. 1150). Entretanto, pela simples leitura do voto, não é possível aferir se o Contribuinte se enquadra na citada norma, fundamentalmente porque não há qualquer menção de que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212/1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015). Ainda que se considere inaplicável o inciso IV, esse entendimento deve estar expresso no voto, fundamentalmente em razão de prequestionamento para eventual interposição de Recurso Especial. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10580.724904/201165 Acórdão n.º 2202004.077 S2C2T2 Fl. 1.167 3 Quanto ao item "b", não assiste razão à Embargante. Embora alegue a Fazenda Nacional omissão quanto à aplicabilidade do artigo 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei 11.941/2009 (MP 449/2008), verificase que a questão não foi suscitada pela recorrente e, consequentemente, não enfrentada pelo acórdão embargado. Ademais, pela simples leitura do Auto de Infração – FLD – Fundamentos Legais do Débito, fls. 35/36, verificase que a autoridade fiscal, quando da constituição da exigência, já aplicou o artigo 35A da Lei nº 8.212/91 (MP 449/2008). Ante ao exposto, entendo que restou demonstrada a omissão apontada pela Fazenda Nacional, somente em relação ao item “a”, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios. Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise da omissão apontada no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Conforme relatado, a Procuradoria da Fazenda Nacional apontou omissão quanto ao cumprimento dos requisitos para o gozo da anistia prevista no art. 49 na Lei nº 13.097/2015 que assim dispõe: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Conforme observa o despacho de admissibilidade não consta do voto do Relator se a situação dos autos "se enquadra na citada norma, fundamentalmente porque não há qualquer menção de que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212/1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega (art. 49 da Lei nº 13.097/2015)." Analisando os autos, verificase que no item 3.5.1 do Relatório Fiscal (fls. 117) consta a seguinte informação: 3.5.1 Esclarecemos ainda, que o contribuinte entregou todas as GFIPs nas respectivas épocas de vencimento, porém incompletas no período de janeiro a julho e, as de março, foram retificadas Fl. 1169DF CARF MF 4 em 16/01/09, posterior a emissão da Medida Provisória MP 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/09. Diante da informação acima transcrita, verificase que foram cumpridos os requisitos previstos no art. 49 da Lei nº 13.097/2015, uma vez que todas as GFIP´s foram apresentadas no vencimento. Em razão do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.261, de 09/03/2016, manter a decisão original. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1170DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.000714/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente.
Numero da decisão: 3402-004.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o Dr. Alfredo Caregnato, OAB/RJ nº 72.998. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 07 14 /2 00 1- 10 Fl. 2227DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre compensação de débitos com utilização de crédito decorrente de ação judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0063355, pleiteando judicialmente o ressarcimento de créditoprêmio de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Ressarcimento de IPI relativo às operações promovidas nos últimos dez anos, corrigido pela taxa de juros Selic. A sentença proferida em primeiro grau julgou procedente o pedido, conferindo ao contribuinte o direito à utilização do crédito pleiteado. Em 04/07/2006, a ação judicial foi julgada pela 3º Turma Especializada do TRF2 (fls. 5.497/5.507), que deu provimento ao recurso da PFN. O Contribuinte apresente Recurso Especial e Recurso Extraordinário, impetrando Medida Cautelar Inominada nº 2006.02.01.0148472, que atribuiu efeito suspensivo a esses recursos, até que fosse julgada a admissibilidade dos mesmos. Em 21/02/2008 foram publicadas decisões não admitindo os recursos especial e extraordinário (fls. 5.516/5.524). Decisão judicial proferida pelo TRF2 em 04/07/2006 não reconheceu a existência de qualquer crédito em favor do contribuinte. Não homologada a compensação, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando: l. O despacho decisório é insubsistente por inobservância ao devido processo legal e ao direito de petição, sem citar qualquer fundamentação legal; 2. Nas hipóteses de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como na presente hipótese, aplicase a tese dos 5 (cinco) + 5 (cinco), tendo o contribuinte o prazo de 10 (dez) anos para pleitear a restituição/compensação do pagamento indevido ou realizado a maior; 3. Verificase que não se observou o prazo para se apreciar os pedidos de compensação apresentados, ocorrendo a homologação tácita dos mesmos, além de igualmente ter decaído o prazo para lançamento dos débitos tributários objeto do presente processo; 4. Ressalta a flagrante nulidade do Despacho Decisório recorrido pela afronta aos critérios processuais administrativos e ao princípio da motivação; 5. Todos os pedidos de compensação realizados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado da segurança n° 2001.51.01.0063355 foram regulares, prevalecendo o princípio da segurança jurídica; 6. Sustenta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em função da presença dos requisitos previstos no Código Tributário Nacional, art. 151, inciso III; Por último, a interessada requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo a homologação tácita dos pedidos Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 3 3 de compensação ou a decadência do direito de lançar os supostos débitos indevidamente compensados ou, altemativamente, que seja anulado por conter vícios insanáveis. Sua contestação foi julgada improcedente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001, 2002 CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, com o mesmo objeto de parte da manifestação de inconformidade, importa em renúncia ao litígio administrativo e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa competente. DÍVIDA PASSIVA DA UN1ÃO DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme a legislação tributária. A NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo suas razões carreadas pela manifestação inicial, afirmando também que o pedido administrativo e a ação judicial não compartilhariam do mesmo objeto, sendo este relativo ao reconhecimento do direito creditório, e aquele relativo à quantificação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo. A respeito da concomitância entre o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente e a discussão administrativa, cabe algumas breves colocações. Em uma definição preliminar, a concomitância é um pressuposto negativo de admissibilidade de impugnações e recursos administrativos, consistente na inexistência de Fl. 2229DF CARF MF 4 processo judicial ajuizado pelo contribuinte antes ou durante o curso do processo administrativo fiscal. Tal medida tem o condão, em síntese, de garantir a unidade da jurisdição, evitando que decisões contraditórias sejam proferidas nos âmbitos judicial e administrativo, como medida de segurança jurídica para o jurisdicionado. Em razão da ação de um modelo de monopólio da última palavra por parte do Judiciário, nos casos em que se verifica a concomitância, deve prevalecer o processo judicial, em detrimento do administrativo. Primeiramente, cumpre repisar as bases legais do regime jurídico da concomitância no PAF, com menção inicial ao art. 1º, §2º do DecretoLei n 1.737/1979, ao art. 1º da Lei nº 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais), e ao art. 78, §2º da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), verbis: DecretoLei nº 1737/79 Art 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: §2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. LEF Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. RICARF Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratáve l de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Sob um prisma subjetivo, se verifica na literalidade dos dispositivos que a legislação exige sempre que a propositura da ação judicial tenha sido realizada pelo próprio contribuinte, que está sendo parte também na discussão administrativa ou que tem legitimidade e interesse para interpor impugnações e recursos nesta seara. Além disso, há como requisito material que o objeto da ação judicial seja o mesmo do pleito administrativo, como de resto é consignado pela Súmula CARF nº 1: Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 4 5 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso concreto, pretendeu o Recorrente, em seu MS, a utilização do crédito prêmio de acordo e nas hipóteses prescritas nas IN SRF nº 21/97, 37/97 e 73/97, amparadas pelos artigos 1º e 5º do DecretoLei nº 491/1996, realizandose a compensação sob as regras anterior à Dcomp, no caso a IN nº 21/97. Isso fica claro quando se analisa o dispositivo da sentença no MS, reproduzi às fl. 5910: O pedido do MS abarcava tanto o direito ao créditoprêmio em si, como a forma de sua utilização para fins de compensação, matéria esta idêntica à discutida nesse processo administrativo. Nesse ponto, portanto, não há que sequer ser conhecido o Recurso Voluntário. Há, todavia, outros pontos alegados pelo Recorrente que devem ser conhecidos, por não estarem abarcados pela discussão judicial. Primeiramente, alega violação ao devido processo legal e ao direito de petição, pleiteando nulidade do despacho decisório, em razão do reconhecimento da concomitância no mesmo. Quanto a isto, acima já foi apresentado diversos fundamentos legislativos para o reconhecimento da concomitância, bem como as razões jurídicas de sua existência, de modo que este Conselho é obrigado a aplicar tais regras, nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72 e da Súmula CARF nº 02, não podendo afastálos sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, não há que prosperar tal nulidade. Segundamente, o Recorrente pleiteia que os pedidos de compensação realizados sob a égide da medida liminar concedida nos autos do mandado de segurança (atualmente encerrado desfavoravelmente ao contribuinte) seja considerados regulares. Fl. 2231DF CARF MF 6 Aponta inclusive o deferimento de medida liminar deferida pelo Min. Cezar Peluso na Medida Cautelar nº 71375, no sentido de suspender os efeitos da decisão monocrática do Min. Francisco Falcão no REsp nº 1.090.101. Todavia, compulsando os andamentos da referida medida cautelar, verificase a desistência por parte da Recorrente, homologada em 22/02/2010, implicando na definitividade do provimento exarado pelo TRF2 no Mandado de Segurança que discutia o direito ao crédito e a forma de seu aproveitamento. Quanto à alegação do reconhecimento de Repercussão Geral da matéria pelo STF, no RE 577.302/RS, melhor sorte não assiste ao Recorrente, pois tal caso foi julgado e ementado nos seguintes termos: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETO LEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. PRESCRIÇÃO. RE NÃO CONHECIDO. I A jurisprudência da Corte é no sentido de que a apreciação das questões relativas à prescrição de pretensão à compensação de crédito decorrente de incentivo fiscal depende da análise de normas infraconstitucionais. II Precedentes. III Recurso não conhecido.(RE 577302, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2009) Assim, tendo em vista a desistência da Recorrente na Medida Cautelar indicada e o julgamento desfavorável no RE nº 577.302/RS, não há qualquer fundamento jurídico que obste a cobrança dos tributos objetos das compensações realizadas no curso de vigência da medida liminar que fora cassada. Quanto à alegação da homologação tácita das compensações pela não realização de lançamento tributária, tampouco pode prosperar, visto que todos os créditos foram confessados em DCTF e, portanto, estavam regularmente constituídos, mas impedidos de serem cobrados enquanto vigentes as medidas judiciais à época existentes. Tal tratamento aos débitos informados em DCTF encontra regulamentação atual na IN RFB nº 1599/2015, nos seguintes termos: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, poderão ser objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Assim, não procede o pleito do Recorrente de que houvera uma "ausência de lançamento" que correspondera a uma homologação tácita das compensações. Conclusão Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 13706.000714/200110 Acórdão n.º 3402004.359 S3C4T2 Fl. 5 7 Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, em razão da existência de concomitância, para, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900004/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
Ano-calendário: 2002 CITAÇÃO PELO CORREIO. AVISO DE RECEBIMENTO (“AR”). STJ SÚMULA 429. Não cabe qualquer questionamento quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando há citação pelo correio com o aviso de recebimento acostado ao processo.
Numero da decisão: 1802-001.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2002 CITAÇÃO PELO CORREIO. AVISO DE RECEBIMENTO (“AR”). STJ SÚMULA 429. Não cabe qualquer questionamento quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando há citação pelo correio com o aviso de recebimento acostado ao processo.
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AVISO DE RECEBIMENTO (“AR”). STJ SÚMULA 429. Não cabe qualquer questionamento quanto ao cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando há citação pelo correio com o aviso de recebimento acostado ao processo. VERDADE MATERIAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Através da DCOMP Eletrônica n° 01674.09281.301008.1.7.021830, a interessada declarou, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Saldo Negativo de IRPJ Exercício: 4º trimestre de 2002 Valor do Saldo Negativo: R$ 17.899,54 Crédito Original da Data da Transmissão: R$ 10.399,47 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 8.373,61 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP utilizando o mesmo crédito: 13193.74669.061006.1.3.029460 16597.17108.051006.1.7.020515 As DCOMP foram analisadas em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 01, rastreamento nº 816114753, o não reconhecimento do direito creditório decorreu da impossibilidade de confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Ainda consta na decisão que o valor do saldo negativo da DIPJ é de R$ 10.399,47, enquanto que o valor informado na DCOMP é de R$ 17.899,54. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 28/01/2009, fls. 02. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 26/02/2009, fl. 03/07, alegando resumidamente que: • se equivocou no preenchimento do valor do saldo negativo na DCOMP, sendo o correto o valor da DIPJ, de R$ 10.399,47. • só tomou conhecimento do equivoco quando intimada da Decisão, não sendo mais possível a retificação da DCOMP. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 39 4 • o mencionado erro pode ser revisto de oficio, nos termos do artigo 149 do CTN, não sendo o motivo suficiente para a não homologação das compensações, uma vez que comprovada a certeza e liquidez do direito creditório. • comprovado o erro sanável no preenchimento da DCOMP, com base nos documentos hábeis e idôneos, que confirmam a liquidez e certeza do crédito, há que se homologar as compensações. Consta despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Nova Iguaçu (fls. 37), apontando que a interessada teria interposto recurso com documentação insuficiente. Por conseguinte, o processo foi encaminhado à Agência da Receita Federal em Três Rios RJ, para que a interessada fosse intimada a apresentar o contrato social e suas alterações, demonstrando que o Sr. Luiz Alberto G. Gonçalves teria legitimidade para assinar o recurso apresentado. No entanto, o processo foi encaminhado a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento sem que qualquer providência fosse tomada. Ao recepcionar os autos, a equipe do Secoj desta Delegacia constatou que não havia o documento de constituição da empresa, tornando inviável a apreciação do caso, fato que implicou sua devolução A ARF/Três Rios RJ, para que o processo fosse saneado, conforme despacho de fls. 38. Posteriormente, o processo foi reencaminhado à Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora, em razão da mudança de domicilio (fls. 40). Em sequ ência, a interessada teve ciência, em 17/02/2010 (AR fls. 42), da Intimação n° 105/2010, (fls. 41), solicitando demonstrar a legitimidade para assinar a manifestação de inconformidade, devendo apresentar: (1) cópia autenticada do contrato social e alterações; e (2) cópia autenticada do documento de identidade do responsável pela empresa que comprove a autencidade da assinatura visto que o documento apresentado não corresponde a assinatura do requerente. O processo retornou a esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento sem atendimento à intimação. A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO. INTERESSADO INTIMADO A REGULARIZAR. DECLARAÇÃO DE REVELIA. Deixase de conhecer Manifestação de Inconformidade quando o interessado, mesmo intimado a fazêlo, não comprova que os subscritores da peça receberam, validamente, poderes para representálo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 40 5 Face à falta de comprovação, aplicase subsidiariamente o art. 13, II, do CPC, para declarar a revelia do interessado. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/11/2010, a Contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 02/12/2010, com as seguintes alegações: 1 Preliminares a) que houve irregularidade no processo administrativo fiscal, tendo em vista que o direito de defesa da Recorrente foi cerceado, vez que a intimação não foi feita pessoalmente; b) que a autoridade administrativa, ao constatar o erro de fato na PER/DCOMP da Recorrente, deveria ter procedido com a retificação da mesma e cancelado o débito consolidado; 2 No Mérito demonstrou seu direito creditório, apontando os erros de fato e sanou o vício de representação. Este é o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 41 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Incialmente, em suas preliminares, a Recorrente alega que não foi regularmente intimada, devendo o processo administrativo ser cancelado, eis que o ato não se deu de forma pessoal, mas através dos Correios. Entendeu a Recorrente que a citação pelo Correio não assegurou a certeza da ciência do interessado. Essa alegação é completamente descabida e não merece prosperar, eis que a intimação feita desta forma e comprovada através do aviso de recebimento (AR). Tratase de uma prática corrente e amplamente aceita, eis que encontrase inclusive sumulada na Corte Superior: STJ – Súmula 429 “A citação postal, quando autorizada por lei, exige o aviso de recebimento” No caso em tela, a previsão legal está estampada no próprio Decreto nº 70.235/72: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Isto posto, considerando que a citação se deu na forma prescrita em lei e a comprovação de que a Recorrente foi citada encontrase acostada no processo (fls. 42), não há a menor duvida da citação regular da contribuinte, não havendo qualquer limitação ou cerceamento do seu direito de defesa. Em seguida, ainda como preliminar, a Recorrente alega que os vícios de representação que a DRJ alegou para não conhecer a sua manifestação de inconformidade foram apresentadas durante o processo. Nesse aspecto verificamos que o subescritor das defesas é sócio da empresa e possui poderes de representatividade desde a sua constituição (fls. 65 e segs.). Em prol do princípio da verdade material, ante o disposto no parágrafo acima, não havendo novas preliminares, voto no sentido de ANULAR a decisão da DRJ, devolvendo aos autos para que se profira nova decisão com análise de mérito. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10735.900004/200903 Acórdão n.º 1802001.175 S1TE02 Fl. 42 7 (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18471.001569/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondo-se o seu não conhecimento.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais.
INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO.
Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito.
Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado.
Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetido ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários.
Numero da decisão: 2402-005.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Petrobras, conhecer do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, determinando o sobrestamento do processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomando-se a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento em conformidade com a Portaria RFB nº 2.284/2010. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pedido de parcelamento, restará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondose o seu não conhecimento. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. RECURSO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. SOBRESTAMENTO. Constatada desistência de recurso em razão de solicitação de parcelamento por um dos autuados, os recursos apresentados pelos demais devem ficar sobrestados até a extinção definitiva do crédito. Extinto o crédito tributário, perdem o objeto os recursos apresentados pelos demais autuados, devendo o processo ser arquivado. Rescindido o parcelamento, os autos devem ser remetido ao CARF para o julgamento dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 69 /2 00 8- 77 Fl. 820DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso da Petrobras, conhecer do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, determinando o sobrestamento do processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento em conformidade com a Portaria RFB nº 2.284/2010. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ronnie Soares Anderson e Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (554/566) em face de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD Debcad 35.605.9340), referente a contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho, e dos segurados, referente às competências 12/1997 a 12/1998. O crédito foi constituído com base no instituto da responsabilidade solidária em razão de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa BJ Services do Brasil Ltda. à Petrobras Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), em cumprimento ao contrato 110.7.755.934, de conformidade com o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 (na redação anterior à Lei nº 9.711/1998). Consta do item 5 do Relatório Fiscal (fls. 32/35) que a Petrobras contratou com a BJ Services do Brasil Ltda. a execução, mediante cessão de mãodeobra, por meio do contrato nº 110.7.755.934, de serviços técnicos especializados de cimentação, restauração, dentre outros, bem como o fornecimento de produtos químicos para aplicação nos serviços especificados no contrato, quando necessário, na Plataforma Continental Brasileira e/ou superfície terrestre do Território Nacional. Por bem retratar todo o histórico processual até a retomada do contencioso administrativo que sucedeu a anulação da Decisão Notificação que havia julgado procedente o lançamento, transcrevese os trechos correspondentes do Relatório do Acórdão nº 1252.512 10ª Turma da DRJ/RJ1: DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, através do instrumento de fls. 52/58, alegando, em síntese: 3.1. Afirma o contribuinte que ocorreu a decadência do direito de constituição do crédito previdenciário, tendo em vista o transcurso de prazo maior de cinco anos entre os pretensos fatos geradores do tributo e a notificação, sendo pacífico o entendimento do STJ de que a decadência em questão é regida pelo Código Tributário Nacional; 3.2. Tanto na redação atual do art. 31 da Lei 8212/91, quanto na anterior, para caracterização da cessão de mãodeobra é necessária a existência de um serviço contínuo e a colocação do empregado à disposição do contratante; 3.3. No caso vertente, não ocorreram tais pressupostos, tendo o contrato versado somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a impugnante, pelo prazo necessário Fl. 822DF CARF MF 4 para consecução do objeto contratado e dentro dos limites do objeto contratado; 3.4. O contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mãodeobra; 3.5. A lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja seu objeto e não meio para obtenção de um resultado diverso; 3.6. As hipóteses do art. 219 do Decreto 3048/99 devem ser interpretadas de acordo com o entendimento da Lei; 3.7. Afirma o contribuinte que é inegável a previsão da solidariedade passiva, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários. Para que o devedor solidário seja cobrado, fazse necessário a declaração de existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez, devendo, antes da cobrança do devedor solidário, existir o lançamento contra o devedor originário; 3.8. Inexistindo o lançamento contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente, pelo simples motivo de que a existência da obrigação dos devedores não se configurou; 3.9. Devese proceder o lançamento primeiro contra o contribuinte e, somente após constituído o crédito contra o devedor principal é que, também o devedor solidário poderá ser cobrado; 3.10. Certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declarála em face de todos os devedores reputados solidários; 3.11. A Autarquia não apurou e não lançou o tributo contra os devedores principais, mas está louvandose do direito de constituir o crédito apenas contra a impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.12. Em relação à base de cálculo, cumpre destacar que a notificação considerou o valor bruto das notas fiscais para a incidência da exação. Assim, a base de cálculo da contribuição não se restringiu apenas à base de cálculo e ao fato gerador da contribuição social incidente sobre salários, uma vez que, embutido no valor das notas fiscais ou da fatura encontramse diversos outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de serviços; 3.13. A atitude tomada pelo INSS contamina o lançamento, pois este não revela a exata medida da responsabilidade solidária, além de ofender o princípio da legalidade, ante o alargamento da base de cálculo, sem considerar que esta deve guardar absoluta correspondência com o desempenho da atividade desenvolvida pelo contribuinte; 3.14. Observa que o INSS não pode transferir o seu poder fiscalizatório ao particular; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 4 5 3.15. Invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo; 3.16. Por fim, requer o cancelamento da notificação e protesta pela juntada de documentação superveniente. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A empresa contratada para execução dos serviços solidária com a contratante, cientificada da lavratura do crédito previdenciário, apresentou em 05/11/2003 impugnação (fls. 62/89), aduzindo as razões a seguir sintetizadas: 4.1. Segundo o entendimento da melhor doutrina e jurisprudência, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o fisco possui, nos termos do art. 150 § 4º do Código Tributário Nacional , o prazo ininterrupto de 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador para constituir os respectivos créditos tributários, concluindo que, à época da fiscalização, já havia decaído o direito do INSS em relação à maior parte da contribuição previdenciária; 4.2. Em decorrência do conceito de lançamento constante do art. 142 do Código Tributário Nacional, a autuação é totalmente nula e descabida, na medida em que deixou de verificar, preliminarmente, a existência de débito junto à impugnante, prestadora do serviço. Frisa que a alegação de existência de débito não foi comprovada pelo órgão previdenciário, ônus que lhe incumbia e que por ele foi invertido; 4.3. O conceito de cessão de mão de obra trazido pela Lei 9.129 afronta o artigo 110 do Código Tributário Nacional; 4.4. O artigo 31 da Lei 8.212/91 elegeu como responsável pelo cumprimento da obrigação tributária pessoa totalmente estranha ao fato gerador da obrigação de recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos empregados da empresa cedente de mão de obra ou que presta os serviços, vulnerando o art. 128 do Código Tributário Nacional; 4.5. A fim de dar ao instituto da solidariedade a sua real interpretação, a Autarquia Previdenciária deveria ter verificado previamente a existência de débito na prestadora antes de responsabilizar a Petrobrás, e somente depois notificar a ambas as empresas; 4.6. Devedor, na hipótese de cessão de mão de obra, é apenas o prestador de serviços; já o tomador é responsável solidário apenas na eventual hipótese de descumprimento da obrigação; 4.7. A contribuição previdenciária é calculada sobre salários e só pode incidir sobre remunerações pagas a este título, não se podendo estabelecer base de cálculo com base em Ordem de Fl. 824DF CARF MF 6 Serviço, mediante a aplicação de percentual sobre a nota fiscal de serviço; 4.8. Destaca que é inviável a elaboração de folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada tomador, e sua exigência afronta o princípio da moralidade administrativa. Da Diligência Fiscal 5. O auditor fiscal notificante, após análise da documentação apresentada pela prestadora de serviços, esclarece que não restou comprovada a distinção das GRPS ao tomador do serviço ou às Notas Fiscais de Prestação dos Serviços oriundas do contrato nº 110.7.755.934 (fls. 397/398), concluindo que nada há a alterar no débito lavrado. Do Julgamento 6. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0631/2004, de 14/07/2004, fls. 399/408. Devidamente notificada a PETROBRAS em 22/07/2004, (fls. 409) e a BJ SERVICES, em 03/08/2004 (fls. 410). Do Recurso e do Acórdão 7. Cientificadas da decisão, a empresa tomadora de serviços apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 19/08/2004 (fls. 421/427). A empresa prestadora de serviços não apresentou Recurso (fls. 431). Das Contra Razões 8. A Secretaria da Receita Previdenciária SRP apresentou ContraRazões, às fls. 432/434, sendo o processo encaminhado ao CRPS, para julgamento. 9. Os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão 0000500, de 13/05/2005 (fls. 436/440), decidiram por ANULAR a Decisão Notificação – DN, determinando que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivandose certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte da cedente de mãode obra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. Do Pedido de Revisão do Acórdão 10. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 442/446). 11. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão (fls. 447 e 456), sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 451/454). A prestadora de serviços não se manifestou (fls. 457). Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 5 7 12. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pelos membros da 2ª Câmara de Julgamento, conforme Decisório nº 0000047, de 31/01/2006, sob a alegação de que os pressupostos de admissibilidade não foram atendidos, e que a Recorrente limitouse a discutir o que já havia analisado (fls. 461/463). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 13. Dando cumprimento ao acórdão, os autos foram encaminhados em diligência ao Serviço de Fiscalização para emissão de novo Relatório Fiscal e reabertura do prazo para impugnação. 14. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, o Auditor Fiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, no período referente ao lançamento, verificou se também, que não houve adesão ao parcelamento especial da Lei nº 9.964/2000 – REFIS, nem ao parcelamento especial da Lei nº 10.684/2003 – PAES (fls. 496). 15. A empresa tomadora de serviços foi cientificada através da Intimação nº 1402, de 13/12/2010 (fls. 507), dos Acórdãos nº 500/2005 e 47/2006 da 2ª Câmara de Julgamento e do Resultado de Diligência de 10/01/2008. A prestadora de serviços através da Intimação nº 1403/2010 (fls. 505). A DRJ/RJ1 deu parcial provimento às impugnações apresentadas, excluindo do lançamento as competências até 10/1998, em virtude de decadência, não fazendo qualquer reparo no lançamento no que se refere à solidariedade. Confirase a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito à constituição de créditos tributários, relativos aos tributos sujeitos à lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 826DF CARF MF 8 Inconformadas, as solidárias apresentaram recurso voluntário com as alegações que se seguem: BJ Service do Brasil Ltda a) argumenta que a decisão a quo deveria ser anulada pelas seguintes razões: do ausência de prévia fiscalização da empresa prestadora de serviços em cumprimento de diligência determinada em acórdão do CRPS; a autoridade administrativa deixou de atender ao comando legal do Parecer n° 2.376, elaborado pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, que buscou normatizar o “procedimento da fiscalização do INSS nos casos de solidariedade passiva nos lançamentos de créditos previdenciários em relação às empresas tomadoras de serviços”, visando evitar a cobrança em duplicidade de tributos; inexistência de prévia análise da regularidade da empresa prestadora de serviços nos pagamentos das contribuições sociais, somente se justifica para as contribuições devidas após o advento da Lei n° 9.711/98, em que a responsabilidade do tomador do serviço passou a ser exclusiva, substituindo a própria figura do contribuinte originário; a jurisprudência pacífica do STJ entendeu que “a partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra”. (REsp 1.131.047, DJe 02/12/2010, sujeito ao regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543C, do CPC); a responsabilidade tributária pela retenção e pagamento da contribuição previdenciária por força do disposto no art. 31, da Lei n° 8.212/91, no período posterior à Lei 9.711/98, é exclusiva e direta do tomador do serviço (empresa contratante), excluída qualquer responsabilidade da prestadora de serviços (no caso, a requerente), nos moldes previstos no art. 128, do CTN; no presente caso, estáse diante de NFLD lavrada para cobrança de contribuições devidas à Seguridade Social com base no instituto da responsabilidade solidária, referente às competências 12/1997 a 12/1998, ou seja, período anterior à vigência da Lei n° 9.711/1998 (jan/99); a Petrobras somente poderia ser exigida pelo pagamento das contribuições sociais devidas no período, como responsável solidária, na hipótese de eventual descumprimento da obrigação pela empresa BJ Services do Brasil Ltda, o que não restou demonstrado nestes autos; contudo, a NFLD foi lavrada apenas em face da empresa Petrobras, na qualidade de responsável tributária, sem que fosse efetuado qualquer levantamento na contabilidade da recorrente, e sem que a referida NFLD sequer relacionasse a ora recorrente como coresponsável pelo pagamento das contribuições sociais supostamente devidas; sem a certeza de que as contribuições sociais exigidas já não foram recolhidas pela recorrente, como contribuinte originária dos tributos, inviável é a exigência destes tributos da empresa tomadora dos serviços, na qualidade de responsável solidária. Ainda mais considerando que a recorrente acostou aos autos as guias GRPS comprobatórias do Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 6 9 recolhimento da contribuição previdenciária, juntamente com as folhas de pagamento, documentos que comprovam sua regularidade fiscal; a recorrente não está sujeita à regra do art. 31, da Lei n° 8.212/1991, não preparava folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas para cada serviço. Inobstante, recolheu pelo todo, ou seja, considerando a folha integral do estabelecimento em Catu – Bahia (responsável pela prestação dos serviços), e toda sorte de encargos previdenciários no período autuado; a ausência de verificação da contabilidade da recorrente acabou por culminar com a lavratura de NFLD por arbitramento, levando em consideração bases presumidas, já que foram aplicados percentuais sobre o valor da Nota Fiscal para se chegar à suposta base de cálculo das contribuições sociais ora exigidas, em afronta ao art. 142 do CTN; revelase falaciosa a alegação constante do acórdão da DRJ no sentido de que “em nenhum momento ficou comprovado nos autos que houve o pagamento do crédito nem pela impugnante e nem pela empresa prestadora de serviços.” não cabe ao contribuinte, mas exclusivamente ao Fisco a determinação da matéria tributável, sendo rigorosamente nulo o auto que não traduz essa determinação, por incúria e desídia do Fisco. Mais do que isto, que sendo esta sua atividade privativa não pode, à nitidez, delegála ao contribuinte para que este, em defesa limitada, determine qual a matéria tributável e o montante do tributo a ser calculado, que, neste caso, inexiste; a cobrança de tributo algum deve decorrer de presunção, pois, nesse caso, se estará exigindo tributo sem fato gerador. O arbitramento do valor do imposto é prática repugnante, que além de cercear o direito de defesa do contribuinte, visa lançar tributo sem discriminar todos os seus necessários elementos. Cita doutrina e jurisprudência administrativa; b) infere inexistir cessão de mãodeobra, o que dispensaria a retenção das contribuições previdenciárias; Requer que se conheça e dê provimento a seu recurso, reformando a decisão em todos os aspectos abordados na peça recursal, para fins de declarar a insubsistência da NFLD e para que esta não produza quaisquer efeitos sobre a empresa autuada (Petrobras) ou a Recorrente. Petrobras a) alega que o lançamento padece de nulidade pelas seguintes razões: não faz qualquer menção, seja no seu relatório, seja nos seus fundamentos, onde estaria caracterizada a responsabilidade tributária da recorrente; limitase apenas a mencionar o objeto contratual, deixando, contudo, de apontar onde estaria consubstanciada a cessão de mãodeobra necessária para ensejar o lançamento; a Fiscalização, no relatório “Fundamentos Legais do Débito”, se restringiu a apontar diversos dispositivos, deixando de elaborar uma Fl. 828DF CARF MF 10 argumentação lógica e de correlação entre os fatos que, pretensamente, ensejaram a lavratura da NFLD e os fundamentos, legais e normativos, em que se apoiaram; a NFLD estaria em desacordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal (Lei nº 8.212/1991, art. 37, Lei 9.784/1999; art. 2º, parágrafo único, VII e VIII; Decreto nº 70.235/1972, art. 10, I e II), pois apenas apontou a legislação de forma genérica, sem qualquer critério objetivo e vinculado aos fatos e a norma dita infringida, impossibilitando a recorrente de exercer, de forma plena, o seu direito ao contraditório e a ampla defesa; não pode a Administração fundamentar os seus atos com a mera indicação da lei, decreto, norma etc. Essa menção tem de ser clara e apontar qual o artigo, parágrafo, inciso ou alínea que foi infringida, em vista de a motivação ser requisito essencial para a constituição do ato administrativo. Transcreve doutrina; b) houve descumprimento da decisão do CRPS que Anulou a Decisão Notificação e determinou a realização de diligência fiscal suplementar; c) no que se refere às considerações jurídicas e normativas, não foram observados dos ditames da Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/CGARREC nº 6/2002 e do Parecer CJ/MPAS 2.376/2000, em ofensa ao art. 324, do Decreto 3.048/1999, que atribui caráter vinculante a tais atos; d) no caso concreto, como inexiste de cessão de mãodeobra, não há fato gerador que justifique o lançamento; e) com relação à solidariedade: é inegável a existência da previsão de solidariedade passiva na lei, mas essa solidariedade pressupõe a configuração prévia da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários; a previsão legal não conferiu à Autarquia Previdenciária competência para presumir que o contribuinte originário não efetivou os recolhimentos e, diretamente, cobrar do devedor solidário um crédito ainda não configurado em face do devedor originário; fazse mister que a Fiscalização verifique, primeiramente, a existência de débitos previdenciários contra o contribuinte originário, quantifique o seu exato montante para constituílos e, então sim e somente após, cobrar esse crédito do responsável solidário; inexistindo, in casu, a apuração de qualquer débito contra a empresa devedora originária, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o Fisco cobrar da recorrente; e isto por um motivo muito simples: a existência da obrigação dos devedores originários não se configurou; f) no que se refere à base de cálculo, não tem cabimento incidir as contribuições sobre uma base de cálculo presumida, aplicandose alíquotas sobre um percentual das notas fiscais. Ao proceder dessa forma, o Agente Fiscal mudou aspecto crucial da base imponível, restando violado o princípio da legalidade, tendo em conta que a base de cálculo não repercutiu a real movimentação econômica e, tampouco, guarda qualquer relação com a folha de salários da empresa contratada, mas uma mera presunção; Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 7 11 g) exclusão de responsabilidade tributária dos responsáveis legais, sócios, diretores etc: a Fiscalização incluiu no pólo passivo dessa autuação, na condição de responsáveis tributários, os diretores, sócios e responsáveis legais da recorrente, com base no art. 13, da Lei 8.620/1993, entretanto, é uníssona a jurisprudência no sentido de vedar a responsabilidade, em caráter solidário, dos sócios e administradores da empresa, com exceção nos casos em que há prova de excesso de poder (art. 137 do CTN). Transcreve decisões judiciais; como não se está diante de qualquer das hipóteses previstas no art. 137 do CTN, e tendo em vista a revogação do art. 13 da Lei 8.620/1993, requer, desde já, a imediata exclusão dos referidos agentes do pólo passivo das duas autuações fiscais; Aponta necessidade de realização de diligência suplementar. Requer, por fim: a) o cancelamento da Notificação Fiscal em epígrafe, tendo em vista a nulidade acima apontada; b) a reapreciação dos documentos acostados aos autos, com a sua detida análise e, se ainda assim permanecer o entendimento de que a documentação não se presta para elidir o lançamento, que se determine a baixa dos autos para a imediata realização das diligências determinadas no Acórdão proferido pela 2ª Câmara do CRPS; c) que se conheça e, ao final, dê provimento ao presente recurso, extinguindo integralmente o lançamento tributário, para todos os fins de direito; d) reitera todos os termos de sua defesa, protestando, ainda, pela juntada de documentação superveniente, caso necessário se faça para demonstrar seu direito, bem como pela produção de todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial a técnica pericial, se necessário for. Posteriormente, a Petrobras atravessou petição (fls. 769/772) manifestando desistência do processo administrativo fiscal em razão de sua adesão a parcelamento previsto na Lei nº 12.996/2014. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator CONHECIMENTO BJ Service do Brasil Ltda Com relação à BJ Service do Brasil Ltda o recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Petrobras No que se refere ao recurso da Petrobras, conforme relatado acima, a empresa atravessou petição (fls. 769/772) manifestando desistência do processo administrativo fiscal (e, por conseguinte do recurso voluntário) em razão de sua adesão a parcelamento previsto na Lei nº 12.996/2014. A esse respeito, dispõem os §§ 1º, 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (Grifos nossos) [...] Assim, por virtude da informada solicitação de desistência em razão de pedido de parcelamento administrativo, o contribuinte agiu de forma a reconhecer expressa e irrevogavelmente a procedência do lançamento em questão, motivo pelo qual não mais subsiste o interesse processual em relação ao julgamento do presente recurso voluntário, impondose, desse modo, o seu não conhecimento. Análise do Recurso da BJ Service do Brasil Ltda Conforme decidido acima, o recurso voluntário interposto pela Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) não foi conhecido em razão de pedido de desistência por virtude de parcelamento dos créditos tributários objeto da NFLD que aqui se analisa. Sobre o Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001569/200877 Acórdão n.º 2402005.915 S2C4T2 Fl. 8 13 parcelamento, dispõe o art. 151 do Código Tributário Nacional – CTN tratarse de hipótese de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Vejamos: 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] VI – o parcelamento. [...] Por outro lado, o art. 78 do Anexo II do RICARF estabelece que no caso de desistência ou pedido de parcelamento, restará configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, ou seja, na situação da Petrobras, a desistência do recurso em decorrência de parcelamento, importa, inequivocamente, o não conhecimento do apelo. Contudo, o pedido de parcelamento levado a efeito pela Petrobras não importa desistência do recurso voluntário do responsável solidário. Aliás, na existência de responsáveis pelo crédito tributário (como é o caso da BJ Service do Brasil Ltda), o interesse de agir permanece para esses, os quais não realizaram a adesão ao parcelamento, uma vez que somente no final desse parcelamento o crédito tributário restará extinto, permanecendo, até lá, o interesse na discussão tanto em relação ao mérito quanto em relação à responsabilidade solidária. Por certo, a efetiva extinção do crédito tributário somente ocorrerá com a quitação do parcelamento, quando restará configurado o pagamento do tributo, atendendose ao disposto no inciso I do art. 156 do CTN. Não obstante, estando o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, não vejo necessidade de se apreciar neste momento o recurso voluntário do devedor solidário, haja vista que tal proceder não lhe implicará em qualquer tipo de sanção. De outro modo, entendo que, por ora, a melhor solução para o presente caso consiste em sobrestar o processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, procedendose, após esse prazo, seu arquivamento em razão da perda de objeto do referido recurso. Por outro lado, caso o parcelamento venha a ser rescindido os autos deverão ser restituídos ao CARF para o exame da peça recursal do recorrente. Ademais, é exatamente nesse sentido o art. 5º da Portaria RFB nº 2.284/2010. Confirase: Art. 5º O pedido de parcelamento deferido a um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O parcelamento impede a apreciação de impugnações ou recursos apresentados pelos demais autuados. § 2º Rescindido o parcelamento, o julgamento das impugnações ou recursos segue o curso normal do processo, aplicandose o disposto no art. 7º. Fl. 832DF CARF MF 14 Conclusão Ante o exposto voto por NÃO CONHECER do recurso da Petrobras, CONHECER do recurso da BJ Service do Brasil Ltda, sobrestando o processo na unidade de origem até a quitação do parcelamento, quando este deverá ser arquivado, ou retomandose a análise do recurso da BJ Service do Brasil Ltda caso haja a rescisão de referido parcelamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 833DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.000052/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA.
Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes".
Numero da decisão: 2301-005.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente. em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 28/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente. em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 28/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto.
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA. Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente. em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 00 52 /2 00 9- 61 Fl. 885DF CARF MF 2 EDITADO EM: 28/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Fernanda Melo Leal e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Lavraramse contra a contribuinte os seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 37.216.7306, consolidado em 06/07/2009, relativo ao lançamento da contribuição previdenciária destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social e aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade decorrentes dos riscos ambientais de trabalho – RAT, não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, nas competências de 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7292, consolidado em 06/09/2009 , relativo ao lançamento da contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR, nas competências 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7322, decorrente da não declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP, nas competências 02/2008 a 10/2008. AI DEBCAD nº 37.216.7314, em razão de a empresa ter deixado de arrecadar, mediante desconto, contribuição do produtor rural pessoa física, incidente sobre a comercialização da produção rural. O contribuinte interpôs impugnação tempestiva, que teve seu provimento negado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, no dia 26/03/2013, acórdão 1043.054:ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 DECISÃO JUDICIAL EM FAVOR DA INCORPORADA. EXTENSÃO DOS EFEITOS À INCORPORADORA. Os efeitos da sentença proferida judicialmente para favorecer a sucedida não se projetam, para a sucessora, às exigências do tributo relativo a fatos geradores posteriores à incorporação, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 12269.000052/200961 Acórdão n.º 2301005.052 S2C3T1 Fl. 3 3 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS. SENAR. É devida pelo produtor rural pessoa jurídica a contribuição social para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção rural, na forma da legislação própria. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/10/2008 MULTA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa por descumprimento de obrigação acessória não se confunde com a multa de mora que acompanha o crédito tributário decorrente de descumprimento de obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão de fls. 782/791, em 23/04/2013, conforme termo de ciência por decurso de prazo, vide fls. 797, e, em 26/04/2013, interpôs Recurso Voluntário petição de fls. 799/825." Em Recurso Voluntário, a contribuinte abordou de forma unitária cada Auto de Infração DEBCAD, assim sigo a mesma dinâmica: DEBCAD n º 37.216.7306 Afirma que a contribuição previdenciária ao fundo de Assistência ao Trabalhador (Novo Funrural) é inconstitucional, e devido a isso não houve seu recolhimento. Traz inclusive a informação que a questão da inconstitucionalidade foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852/MG. DEBCAD nº 37.216.7292 Alega que não recolheu a contribuição previdenciária direcionada ao SENAR por esta ser recolhida juntamente com o FUNRURAL, e que esta também revelase inconstitucional. Segue trecho da afirmação: 60. pretende o legislador introduzir como base imponível da contribuição à seguridade social a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural ao empregador, pessoa física ou jurídica, motivado pelo maior retorno financeiro, em detrimento da contribuição prevista sobre a folha de salários. Fl. 887DF CARF MF 4 61. entretanto, agindo assim o legislador acabou por incorrer na mesma inconstitucionalidade do §2º do art. 25, da Lei nº 8.870/94, como anteriormente exposto. DEBCAD nº 37.216.7322 Sustenta que não recolheu a contribuição previdenciária devida pelo produtor rural, por esta ser também inconstitucional, a afirma não possuir obrigação neste recolhimento: 67. Assim, estando a recorrente desobrigada do recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física incidente sobre a comercialização da produção rural, seja pela inconstitucionalidade da contribuição, seja amparada por decisão judicial, por lógico impossível que a recorrente informasse os valores de aquisição de produto rural de pessoa física para a industrialização, sendo inaplicável qualquer tipo de multa em decorrência desta atitude. Não há porque informa algo na GFIP se não há obrigação de recolher. DEBCAD nº 37.216.7314 Esclarece que já sofreu autuação decorrente do não recolhimento de contribuição social na condição de subrogado, conforme narrado no AI DEBCAD nº 37.216.7306. Segue trecho da defesa: 70. Mas como explanado ao longo destas razoes de recurso, a contribuição em questão foi considerada inconstitucional e a época do recolhimento a recorrente estava amparada em decisão judicial, concedida pela Justiça Federal do estado do Pará. Em 10/03/2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.530 (fls. 876 a 880), que converteu o julgamento em diligência, no entanto, como a resolução foi formalizada pelo redator "ad hoc" e não houve registro dos motivos pelos quais o colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência, não constou na Resolução os motivos que levaram à conversão do julgamento em diligência. Em 29/09/2015, foi emitida informação fiscal (fl. 882) pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT São Paulo/SP na qual constou a seguinte informação: "tendo em vista a conversão do julgamento em diligência, conforme resolução n. 2301000.530, fls. 876 à 880, do CARF, retorno o processo ao CARF solicitando o detalhamento das ações especificamente requeridas, para a sua correta execução". É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo, no entanto, conforme exposto no Relatório, a Recorrente traz argumentos para discutir a inconstitucionalidade de leis que amparam os lançamentos constantes nos DEBCADs n º 37.216.7306, nº 37.216.7292, nº 37.216.7322 e nº 37.216.7314. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 12269.000052/200961 Acórdão n.º 2301005.052 S2C3T1 Fl. 4 5 Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade. Com relação à ação judicial do Frigorífico Tucumã Ltda., pessoa jurídica que foi incorporada pela Recorrente em janeiro de 2008, vale destacar que a decisão trazida pela Recorrente ainda não pode ser considerada definitiva, não tendo os atributos da coisa julgada. Ainda que tal decisão pudesse conter os atributos da coisa julgada, cumpre salientar que ela foi proferida em nome do Frigorífico Tucumã Ltda. e não alcançaria a Recorrente no tocante aos seus débitos tributários no período posterior à incorporação. No Acórdão de Impugnação, tal assunto foi detalhadamente analisado, sendo importante trazer à tona o ponto lá abordado de que na propositura da ação judicial, ambas as empresas (incorporadora e incorporada) tinham existências distintas, dado que a incorporação ainda não havia se realizado, o que veio a ocorrer em 01/2008, sendo que a sentença judicial que beneficiava a empresa incorporada, com o advento da incorporação, não operará seus normais efeitos em relação à incorporadora, tendo em vista a ausência do elemento "identidade de partes", conforme disposição do artigo 472, do Código de Processo Civil vigente à época. Assim, a decisão judicial em favor do Frigorífico Tucumã Ltda. somente irradia efeitos nas relações jurídicas tributárias em que era, ele próprio, sujeito passivo da obrigação tributária quando da ocorrência do fato gerador. Com base no exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 889DF CARF MF
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