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Numero do processo: 10242.000077/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 19/01/2007 a 01/09/2009
AMAZÔNIA OCIDENTAL. VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA.
A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada.
AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA
A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA. A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 00 77 /2 01 0- 71 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Fortaleza: Tratase de auto de infração referente à conversão de perdimento em multa, decorrente da saída irregular da Amazônia Ocidental de mercadorias que não foram localizadas, e que haviam sido importadas para essa região com os benefícios fiscais do Decretolei 288/1967 c/c Decretolei 356/1968. O lançamento totalizou R$ 179.104,88 à época de sua emissão (16/12/2009). Da Autuação Em operação conduzida pela Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho – DIREP da Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal foi constatada, na sede da empresa autuada, a existência de notas fiscais de saídas de mercadorias da Amazônia Ocidental, sem a devida autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil e sem o recolhimento dos tributos considerados devidos, referentes a pneus importados com os benefícios fiscais estabelecidos pelo DecretoLei nº 356/68, abrangendo o período 19/01/2007 a 31/07/2009. Intimada a apresentar a documentação de entrada e comprovar o recolhimento dos tributos, relativamente à saída das mercadorias beneficiadas pelo Decretolei nº 356/68, a empresa fiscalizada informou que não recolheu os tributos, "haja vista que jamais houve a saída de referidas mercadorias para comercialização em outro Estado não integrante da Amazônia Ocidental". Diante dessa informação, a fiscalização passou a discorrer sobre a legislação aplicável aos fatos, nos seguintes termos: A Zona Franca de Manaus, tal como estabelece o artigo 1° do DecretoLei 288/67, é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 494 3 Vejamos, também, o que prescreve o art. 3° do Decreto Lei n° 288/67, in verbis: “Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusivebde indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sobre produtos industrializados.” A regulamentação do ato legal acima transcrito se deu com a edição do Decreto n° 61.244/1967, cujo art. 3° dispõe: “Art 3° Farseá com suspensão dos impostos de importação e sôbre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: 1 a seu consumo interno; (...) § 4° As obrigações tributárias suspensas, nos termos deste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprego da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do imposto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; III – tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional.” Assim, se a empresa retira da ZFM mercadorias beneficiadas com incentivo fiscal, descumprindo as finalidades citadas acima, fica obrigada a recolher os tributos suspensos, de acordo com o art. 37 do DecretoLei n° 1.455/76, in verbis: “Art. 37. As mercadorias estrangeiras importadas para a Zona Franca de Manaus, quando desta saírem para outros pontos do Território Nacional, ficam sujeitas ao pagamento de todos os impostos exigíveis sobre importações do exterior. (Redação dada pela Lei n° 8.387, de 30.12.1991)” (grifouse) Os benefícios fiscais concedidos pelo DecretoLei n° 288/67 e seu regulamento foram estendidos também, segundo o que dispõe o artigo 1° do DecretoLei nº 356/68, transcrito abaixo, às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental, quanto aos produtos de origem estrangeira, segundo pauta fixada pelos Ministros Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. DECRETOLEI N° 356/68 “Art. 1º Ficam estendidos às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental favores fiscais concedidos pelo DecretoLei número 288, de 28 de fevereiro de 1967 e seu regulamento, aos bens e mercadorias recebidos, oriundos, beneficiados ou fabricados na Zona Franca de Manaus, para utilização e consumo interno naquelas áreas. §1° A Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas e Acre e os Territórios Federais de Rondônia e Roraima, consoante o estabelecido no § 4º do Art. 1º do DecretoLei número 291, de 28 de fevereiro de 1967. (...)” (grifouse) Verifica se, da descrição dos fatos, que as mercadorias, constantes da Tabela 01, saíram da Amazônia Ocidental sem a devida autorização prévia da Receita Federal do Brasil. Nesse caso específico, a saída de mercadorias da Amazônia Ocidental é equiparada à saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus, conforme dito acima. Esta autorização darseia pelo registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), perfil importador, na opção "Mercadoria com admissão anterior para...", na subopção "Internação de ZFMPE (Produto Estrangeiro)"; Em anexo encontrase um "print screen" da tela da referida opção do sistema. O antigo Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, define o instituto da internação no seu artigo 456, in verbis: “Art. 456. Denominase internação, para os efeitos deste Capitulo, a entrada, no restante do território aduaneiro, de mercadoria saída da Zona Franca de Manaus, nos termos dos arts. 457 e 460.” Por fim, não prospera a alegação da empresa, para o não recolhimento do Imposto de Importação, de que as mercadorias foram consumidas na área da Amazônia Ocidental, visto que as notas fiscais relacionadas nas Tabelas 01, 02 e 03 foram emitidas para outros Estados. Ademais, a autuada, ao recolher o IPI referente ao período de 01/01/2007 a 31/07/2009 sobre saídas da Amazônia Ocidental, conforme Anexo I do Termo de Apresentação de Documentos – MPF 0250200200900056, corrobora o entendimento de que as mercadorias efetivamente saíram da Amazônia Ocidental. Considerando estar caracterizada a saída de mercadorias admitidas em área incentivada com os benefícios próprios do regime, sem autorização da autoridade aduaneira e sem o regular recolhimento dos tributos devidos, a fiscalização Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 495 5 concluiu ser cabível a aplicação da pena de perdimento que, devido à não localização das referidas mercadorias, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro delas, consoante dispõem as seguintes normas: DECRETOLEI N° 288/67 Art. 39. Será considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes. DECRETO N° 61.244/67 Art. 13. A saída de qualquer mercadoria da Zona Franca de Manaus para o estrangeiro ou qualquer parte do território nacional ficará sujeita ao controle das autoridades aduaneiras e de rendas internas, para os efeitos legais, respeitados os incentivos fiscais criados pelo Decretolei n° 28867. DECRETO N° 4.543/2002 Art. 623. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 453, por configurar crime de contrabando (Decretolei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETO N° 6.759/2009 Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETOLEI N° 37/66 Art. 105. Aplicase a pena de perda de mercadoria: I em operação de carga já carregada, em qualquer veiculo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; (grifouse) DECRETOLEI N° 1.455/76 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (grifei) (Parágrafo incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Em seguida, a fiscalização demonstrou como foi obtido o valor aduaneiro das mercadorias saídas irregularmente, e relacionou a documentação que anexou ao auto de infração. Da Impugnação Cientificada pessoalmente do auto de infração em 5/3/2010, a empresa autuada apresentou impugnação em 1/4/2010 (fls. 352/362), na qual sustenta que não houve a saída das mercadorias objeto do lançamento da Amazônia Ocidental, com base nos seguintes argumentos: A empresa ora autuada, é estabelecida em frente do "corredor da soja" a Rodovia BR 364, que liga o Porto Graneleiro de Porto Velho/RO as cidades de Campos de Júlio/MT, Sapezal/Mt, Comodoro/MT, Campo Novo/MT, cidades conhecidas no cenário nacional como grandes produtoras de grãos. E por esta rodovia, transitam milhares de veículos que ora estão em Rondônia ora no Mato Grosso, veículos que são de propriedade de empresas estabelecidas em outros Estados da Federação, mas transitam no trecho entre Porto Velho/RO e Mato Grosso. Por isso o consumo das mercadorias dáse no trânsito geográfico entre Rondônia e Mato Grosso. Como pode ser entendida e definida essa situação de itinerário dos transportadores de grãos, adquirentes de pneus beneficiados pelas isenções do Imposto de Importação e do Imposto de Produtos Industrializados, visto que entram e saem toda semana da Amazônia Ocidental e cumprem o que determina a legislação de que é isenta a mercadoria destinada a consumo... Visto que os pneus são consumidos na Rodovia BR 364 localizada na Amazônia Ocidental. Essa é uma situação atípica, que ocorre em função da atividade de transporte de grãos e que não pode ser tratada como imputam os Senhores Auditores como um contrabando, passível de apreensão e perdimento da mercadoria. A alegação de não haver remessa para fora da Amazônia Ocidental é fundamentada nesse fato de direito, que toda mercadoria é entregue na porta da empresa e montada nos veículos que utilizam os pneus dentro da Amazônia Ocidental, não existindo remessa para comercialização em outro Estado, fato que exigiria a comunicação da remessa e o recolhimento dos tributos devidos, considerando o transporte físico, a passagem física e o registro de 1ª e 2ª fase nos postos fiscais de vários Estados chamando a atenção dos Auditores Fiscais nos postos de fiscalização. Comprovando nesse caso a remessa para outro Estado, fato esse que nunca aconteceu. [...] Somente esse argumento que o endereço do faturamento da Nota Fiscal, é evidencia de saída da mercadoria incentivada para fora da Amazônia Ocidental, é no todo insuficiente para que se impute uma alegação de "remessa de mercadoria para fora da Amazônia Ocidental, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 496 7 sem a devida autorização e recolhimentos dos devidos tributos". [...] sendo que a mercadoria nunca foi remetida ou estariam essas mercadorias embarcadas nos veículos sendo transportadas para fora da Amazônia Ocidental num processo de descumprimento as normas acima citadas. Sendo sim de fato montadas, e instaladas nas rodas dos eixos dos caminhões que transitam na Rodovia BR 364. Reforço esse entendimento no fato de, não conter as Notas Fiscais apreendidas pelos Senhores Auditores, quantidades que configurem remessa para comercialização em outro Estado, e sim quantidade que é verdadeiramente evidencia de consumo pelas Empresas Transportadoras. Ao final, a impugnante questiona o fato de não ter sido investigado o destino final das mercadorias objeto da autuação, o que comprovaria o uso e o consumo delas, e requer a nulidade do auto de infração por falta de prova concreta das infrações nele relatadas. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 19/01/2007 a 01/09/2009 AMAZÔNIA OCIDENTAL. VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA. A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde se pugna incialmente pela aplicação do principio da verdade material para com base em novos argumentos contestar o lançamento. Aduz o Recurso Voluntário, em síntese: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 a) nulidade do lançamento pela ausência de subsunção do fato a norma, tendo em vista que o fundamento legal utilizado (art. 23, inciso IV, § 3º do Decreto Lei 1.455/76) trata de importações fraudulentas, o que não ocorreu no caso concreto, não havendo a pratica de nenhuma das condutas listadas no art. 105 inciso I ao XIX do Decreto Lei 37/66 já que as importações ocorreram de forma legal e incontroversa. b) que o auto de infração não informa qualquer parâmetro para a determinação do valor das mercadorias, já que não se apontou o valor da moeda estrangeira na data da conversão; c) que, quanto ao mérito, não houve a saída de mercadorias para fora da Amazônia Ocidental, já que as mercadorias (pneus) apontadas foram comercializadas na sede da Recorrente e instalados caminhoes de tranportadoras que os utilizam dentro da Amazônia Ocidental; É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme consta do relatório acima transcrito o presente processo trata de multa aduaneira decorrente da saída de mercadorias importadas sob albergue de benefícios fiscais estipulados pelo Decreto Lei nº 288/67 que assim prevê: Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive de indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sobre produtos industrializados. No caso sob análise pesa contra a Recorrente a afirmação de que houve a venda para outras unidades da federação, sem a devida autorização da Receita Federal de pneus importados com a isenção prevista no dispositivo supra citado. A Recorrente em sua defesa alega que não houve a venda dos pneus para outras unidades da federação uma vez que seus clientes retiravam as mercadorias na sede desta. As referidas mercadorias eram instaladas na própria empresa e depois seus clientes seguiam viajem para seus destinos. Esta afirmação consta da Impugnação e do Recurso Voluntário, com se vê: A empresa ora autuada, é estabelecida em frente do "corredor da soja" a Rodovia BR 364, que liga o Porto Graneleiro de Porto Velho/RO as cidades de Campos de Júlio/MT, Sapezal/MT, Comodoro/MT, Campo Novo/MT, cidades conhecidas no cenário nacional como grandes produtoras de grãos. E por esta rodovia, transitam milhares de veículos que ora estão em Rondônia ora no Mato Grosso, veículos que são de propriedade de empresas estabelecidas em outros Estados da Federação, mas transitam no trecho Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 497 9 entre Porto Velho/RO e Mato Grosso. Por isso o consumo das mercadorias dáse no trânsito geográfico entre Rondônia e Mato Grosso. O dispositivo que alberga a isenção das importações foi regulamentado pelo DecretoLei nº 61.244/67, nos seguintes termos: Art 3º Farseá com suspensão dos impostos de importação e sôbre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: I a seu consumo interno; II a industrialização de outros produtos, no seu Território; III à pesca e à agropecuária; IV à instalação e operação de industrias e serviços de qualquer natureza; V à estocagem para reexportação; VI à estocagem para comercialização ou emprêgo em outros pontos do território nacional. § 1º Excetuamse do sistema fiscal previsto no " caput " dêste artigo e não gozarão de isenção as seguintes mercadorias: armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros. § 2º Mediante proposta justificada da Superintendência aprovada pelos Ministérios do Interior, Fazenda e Planejamento, a lista de mercadorias constantes do parágrafo 1º pode ser alterada por decreto. § 3º Os favores de que trata êste artigo alcançam apenas as mercadorias entradas pelo pôrto ou aeroporto da Zona Franca, exigida consignação nominal a importador nela estabelecido. § 4º As obrigações tributárias suspensas, nos têrmos dêste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprêgo da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do impôsto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; III tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional. Assim está claro que as mercadorias importadas pela Recorrente não poderiam ser vendidas, ainda que retiradas e instaadas na sede da Recorrente, para empresas Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 situdas em outras unidades da federação sem o recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos. As notas fiscais emitidas pela Recorrente corroboram o entendimento de que houve saídas de mercadorias para outras unidades da federação, tendo em vistas que seus clientes estão sediados em cidades como Mato Grosso, por exemplo. Até mesmo a alegação de que estas mercadorias seriam consumidas no transporte de grãos apenas na Amazônia Ocidental, ainda que fosse relevante para o deslinde do presente caso é desprovida de qualquer prova. Quanto a aplicação da pena de perdimento e sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, correto o lançamento efetuado. Com relação a pena de perdimento aplicáveis os dispositivos dos Decretros abaixo listados: DECRETO N° 4.543/2002 Art. 623. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 453, por configurar crime de contrabando (Decretolei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETO N° 6.759/2009 Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). A multa aplicada, em substituição a pena de perdimento, foi corretamente aplicada, uma vez que as mercadorias irregularmente comercializadas não poderiam ser mais locaizadas. Em relação as preliminares apontas em sede de Recurso Voluntário, também sem razão a Recorrente. Em que pese a previsão expressa do Decreto 70.235/72 que prevê que os argumentos de defesa devem ser trazidos com a impugnação (art. 16 e 17) sob pena de preclusão, tenho defendido neste órgão colegiado que tal previsão deve ser vista com resalvas, diante da imperiosa aplicação do principio da verdade material que deve sempre prevalecer no âmbito da administração pública. Contudo, analisando as preliminares apontadas pela Recorrente não vislumbro como acatálas. Quanto a multa aplicada e o valor adotado, entendo como correto o enquadramento efetuado pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida, a qual faço a remissão como razão de decidir. P.or todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos da decisão acima trasncrita em complemneto a decisão recorrida a qual faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.874/99. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 498 11 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11128.009341/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO.
Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
Numero da decisão: 3803-005.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornouse certo e determinado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 93 41 /2 00 8- 96 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Relatório Tratase de auto de infração com valor total de R$ 135.000,00, em decorrência do cumprimento intempestivo de obrigação tributária acessória de informar os dados de embarques de mercadorias no Siscomex. Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega: a) inepta da inicial, pois a fiscalização não anexou documento que comprove a infração apontada b) decadência de parte dos lançamentos, pois na data da ciência já haviam decorridos cinco anos da data da ocorrência da infração; c) tempestividade na entrega dos documentos, pois, segundo documentação comprobatória anexa, protocolou as informações pertinente dentro do prazo d) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo; e) não causou embaraço e impedimento à fiscalização e o atraso não tipifica infração f) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade, g) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, h) não houve atraso na prestação da informação, mas retificação, a qual independe de sua vontade por depender de informações prestadas pelos exportadores, desta feita, a presunção de sua boafé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou prejuízo ao erário. Ao final, requer a redução da multa aplica ou o que se julgue o lançamento totalmente nulo, prescrito ou improcedente, determinandose o cancelamento e arquivamento definitivo deste auto de infração. Em face da publicação da Medida Provisória nº 497/2010, a contribuinte protocolizou o expediente de fls. 266/268, requerendo a exclusão da penalidade em face do instituto da denúncia espontânea, o qual deve ser aplicado ao caso, em face do princípio da retroatividade benigna. A 24ª Turma da DRJ/SPI julgou a Impugnação parcialmente procedente e manteve o crédito tributário em parte, acatou a decadência de parte dos lançamentos e desconsiderou as demais alegações do contribuinte. Ementou como se segue: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 04/10/2000 a 12/01/2004 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.009341/200896 Acórdão n.º 3803005.287 S3TE03 Fl. 11 3 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de 7 (sete) dias, é devida a multa regulamentar por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não caracteriza denúncia espontânea a informação extemporânea dos registros dos dados de embarque, pois este fato, por si, caracteriza conduta infracional cominada por multa regulamentar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/10/2000 a 12/01/2004 AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR MARÍTIMO ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no tocante à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. DECADÊNCIA. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual alega: a) há denúncia espontânea, uma vez que as informações retificadas pelo Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade; b) por não ser uma empresa de transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. c) a multa não pode ser aplicada ao agente marítimo por falta de previsão legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação, não há solidariedade; d) a penalidade deveria ser aplicada uma única vez para punir uma só infração praticada de forma continuada, Ao final requer que seja reformada a decisão recorrida, julgandose totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquivese o presente processo. É o relatório Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Depreendese do processo que a questão principal se encontra na intempestividade de prestação de obrigação autônoma. Porém à época dos fatos ainda não vigorava a Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que instituiu o prazo de 7 dias para se efetuar o registro no sistema de dados por meio de alteração do artigo 37 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994. Até então o artigo 37 da IN SRF nº 28/1994, em sua redação original, assim versava: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A conduta típica descrita na norma em evidência não se restringe simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, isso em relação às informações sobre a carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, é o que se extrai da redação Fl. 330DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.009341/200896 Acórdão n.º 3803005.287 S3TE03 Fl. 12 5 do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas:[...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e” (Negritamos) Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente apenas se subsume a hipótese da infração descrita no referido preceito legal caso seja incontroverso o fato de que a prestação das informações sobre a carga embarcada se deu depois do prazo definido à época pela Administração TributárioAduaneira. Isto posto, devese interpretar o artigo 37 da IN SRF nº 28/94 sem as alterações posteriores à data dos fatos, de forma a esclarecer qual era o prazo estabelecido para que se registrassem os dados no SISCOMEX. Percebese que o artigo contém a expressão “imediatamente após” para regulamentar o tempo de que o contribuinte dispunha para informar os dados do embarque. Sobre tal assunto colaciono entendimento da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento na sessão de 26 de novembro de 2013 por meio do Acórdão nº 3202000.997: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN/SRF nºs. 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário provido. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Tal acórdão utilizouse do raciocínio do então Conselheiro José Luiz Novo Rossari, relator do processo administrativo nº. 10715.004710/200952 (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 320200.359), citase: Para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF para a apresentação dos dados relativos ao embarque. Verificase que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação das multas, vigia a redação original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. Ora, temse por evidente que, por não conter regramento certo e inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de dúvidas, a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Com efeito, não é próprio dos diplomas pátrios norma semelhante que tenha fixado prazo não revestido de certeza e não expresso em quantidade certa. A respeito, vêse que o Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002) refere a prazos em horas, dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação em números certos e induvidosos. Também a Lei nº 9.784, de 1999, que dispõe sobre o processo administrativo, expressa prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação certa. O Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece todos os seus prazos em dias, também com quantificação certa. A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que “imediatamente após” não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF nº 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão “imediatamente após” não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex nº 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11128.009341/200896 Acórdão n.º 3803005.287 S3TE03 Fl. 13 7 De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN SRF nº 28/1994 foi objeto de nova alteração pela IN RFB nº 1.096, de 13/12/2010, que aumentou o prazo para a apresentação de dados pertinentes ao embarque para 7 (sete) dias. Ressaltese que esse ato normativo continua fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação vigente, que desde a Medida Provisória nº 135/2003 tem tipificação legal distinta. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu a Lei nº 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF nº 510, de 14/2/2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF nº 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8 e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da Constituição Federal e pelo art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei nº 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo. Em face dos elementos constantes dos autos e da legislação aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos básicos tendentes à caracterização de infração, resultando desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente. Conclusão Em concordância com o todo o exposto, concebese que na data em que foram realizados os embarques não havia prazo para registro dos dados no Siscomex, de forma que não se fundamenta a punição por entrega intempestiva destes. Voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e pela IMPROCEDÊNCIA de todo o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 333DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13851.000705/2005-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF -RICARF.
Por força do art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, cabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados antes de 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimento proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, com repercussão geral.
MATÉRIA INCONTROVERSA. NÃO APRECIAÇÃO.
É incontroversa a matéria objeto de decisão pela DRJ e que não foi trazida pela contribuinte em sede de recurso, não sendo cabível sua apreciação por parte deste Colegiado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3202-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESTITUIÇÃO. Recorrente E.JOHNSTON REPRESENTAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. INAPLICABILIDADE DA TESE DOS 5 + 5 PARA PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF RICARF. Por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, os Conselheiros estão vinculados às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF em sede de repercussão geral, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso repetitivo. Com efeito, cabível a aplicação da tese dos 5 + 5 em relação aos pedidos de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando protocolizados antes de 09/06/2005, data em que passou a viger a Lei Complementar nº. 118/2005, conforme entendimento proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, com repercussão geral. MATÉRIA INCONTROVERSA. NÃO APRECIAÇÃO. É incontroversa a matéria objeto de decisão pela DRJ e que não foi trazida pela contribuinte em sede de recurso, não sendo cabível sua apreciação por parte deste Colegiado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 07 05 /2 00 5- 71 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente de pedido de restituição, protocolizado em 07/06/2005, referente à suposto pagamento indevido ou maior que o devido a titulo de Pis efetuado em 15/03/1999 pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ no 62.355.698/000115, incorporada pelo interessado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, por meio do Despacho Decisório de fls. 32/37, indeferiu o pedido, com fundamento na ocorrência da decadência do direito de pedir e na falta de comprovação documental da existência do alegado crédito contra a Fazenda Nacional, de modo a permitir a aferição de sua liquidez e certeza. Cientificado em 04/05/2009, fls. 87, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2009, fls. 39150, alegando, em breve síntese: a) Que, através do Mandado de Segurança n° 1999.61.02.0070375, obteve provimento jurisdicional que lhe autorizou a recolher as contribuições para o PIS e Cofins sem o alargamento da base de cálculo estabelecida pelo § 3° da Lei n° 9.718, de 1998; b) Que, nos meses de março a junho de 1999, auferiu unicamente receitas financeiras e outros tipos de rendimentos não oriundos da venda de bens e serviços, conforme demonstrativo anexado e que, sobre tais rendimentos, aplicou as correspondentes alíquotas do PIS e Cofins, efetuando o recolhimento. c) Que o provimento jurisdicional transitou em julgado e lhe assegurou o direito de calcular o PIS e a Cofins com base na Lei n° 9.715, de 1998 e na Lei Complementar (LC) n° 70, de 1991, ou seja, somente sobre o faturamento, excluindose as demais receitas não caracterizadas como senda da venda de mercadorias ou serviços; A partir da exposição dos fatos que originaram o alegado crédito contra a Fazenda Nacional, contesta o decidido pela DRF em Araraquara, a saber: Inicialmente alega que houve uma distorção do instituto da decadência e o que se aplica, na realidade, é a prescrição de seu direito de pedir a restituição, e que mostrará a sua inocorrência no caso. Alega que conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, nos casos de lançamento por homologação, o prazo prescricional é cinco contados a partir da homologação tácita, ou seja, de dez anos contados a partir do fato gerador. Que o art. 3° da LC 118, de 2005 modificou, e não apenas interpretou o Código Tributário Nacional — CTN — e, assim, não pode ser aplicado aos pedidos apresentados anteriormente à entrada em vigor da dita lei, que ocorreu em 09/06/2005. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 143 3 Que, desse modo, o pedido foi apresentado dentro do prazo legal — 10 anos, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, que declarou a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC n° 118, de 2005, que determina a aplicação retroativa de seu art. 3°. Ainda, alega que o ajuizamento do Mandado de Segurança importou em causa interruptiva da prescrição, nos termos do artigo 172 e 173 do Código Civil de 1916, vigente à época. Uma vez que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 30/05/2008, não há em que se falar em ocorrência do prazo prescricional, uma vez que este esteve interrompido até o referido transito em julgado. Continua, alegando que tem direito à restituição aos recolhimentos efetuados nos meses de março a junho de 1999, que se afiguram indevidos, uma vez que as únicas receitas auferidas pelo Requerente nesse período corresponderam a receitas financeiras e outras receitas não oriundas da venda de bens e prestação de serviços, estas as únicas passíveis de tributação pelo PIS e Cofins, conforme o provimento jurisdicional conquistado. Requer o conhecimento da manifestação, com a reforma da decisão recorrida e conseqüente deferimento do pedido de restituição.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 92/98), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/03/1999 DECADÊNCIA. INTERPRETAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118, DE 2005. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 15/03/1999 PAF. PROVA DOCUMENTAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação (manifestação de inconformidade), precluindo o direito de ser apresentada em outro momento processual. RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO Não comprovada a existência do direito creditório do sujeito passivo, condição essencial nos termos do disposto no art. 170, do CTN, é de se indeferir o pedido de restituição. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls.104/116), alegando, em síntese, a reforma da decisão recorrida, em razão de não ter havido a prescrição do direito de pedir a restituição, visto que o prazo prescricional para a contribuinte pleitear o indébito tributário seria de 10 anos, contados a partir do recolhimento indevido, e não de 5 anos, conforme pugnou a autoridade julgadora a quo, não devendo ao caso ser aplicada a Lei Complementar nº. 118/2005. Ao final, requereu o provimento do recurso voluntário, com o conseqüente deferimento do pedido de restituição. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Pretende a recorrente, por meio deste processo administrativo, verse restituída em relação ao pagamento alegado indevido, a título de contribuição para o PIS, efetuado em março de 1999, pago pela empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, que teria sido incorporada pela recorrente em 26/09/20201, no valor total de R$ 11.905,54. A DRFBAraraquara/SP indeferiu o pedido da contribuinte, ao entendimento de que o valor pleiteado estaria fulminado pela decadência, não sendo, assim, passível de restituição. Demais disso, alegou que, tendo sido o débito declarado em DCTF pela própria contribuinte, teria esta deixado de instruir devidamente o seu pedido, não tendo demonstrado a liquidez e a certeza do crédito que alegara possuir, deixando de demonstrar o porquê de [a contribuinte] considerar que os recolhimentos efetuados foram indevidos. Pois bem. Em relação ao prazo prescricional, possui razão a recorrente: o pedido de restituição foi protocolizado em 07/06/2005 e referese a pagamento realizado em 15/03/1999. Verificase, portanto, que, sendo o pedido anterior à vigência da Lei Complementar nº. 118/2005, isto é, anterior a 09/06/2005, deve ao caso ser aplicado o prazo prescricional de 10 anos a partir da data do pagamento (tese do 5+ 5), conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil, o qual vincula os Conselheiros do CARF, por força do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 1 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 144 5 De acordo com o referido julgamento, o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº. 118/2005, em 09/06/2005, é de 10 anos: 5 anos para homologação (na forma do artigo 150, §4º do CTN) mais 5 anos, a partir dessa homologação, para pleitear a restituição (na forma do artigo 168, I do CTN). Sendo a contribuição para o PIS/PASEP tributo sujeito a lançamento por homologação, tendo sido apresentado o pedido de restituição em 07/06/2005, antes, portanto, do dia 09/06/2005 data em que passou a viger a LC nº 118/05 cabível a aplicação, ao presente caso, da chamada tese dos 5 + 5, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621, com repercussão geral reconhecida. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621. Relator(a) Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL. DjE195 DIVULG. 10102011 PUBLIC.. 11102011)” (grifos não constantes do original) Por outro lado, mesmo afastada a questão prejudicial referente à suposta prescrição, é de se verificar que a recorrente não trouxe qualquer defesa de mérito em relação à documentação apresentada no intuito de comprovar a existência do crédito pretendido, restando, assim, incontroversa a inexistência de demonstração da liquidez e certeza do crédito requerido. A DRJRibeirão Preto/SP entendeu insuficientes os documentos trazidos aos autos pela contribuinte na tentativa de comprovar o crédito alegado. Vejase: “Foi registrado no Despacho Decisório a falta de instrução do pedido de restituição relativamente a documentação que comprovasse a liquidez e certeza de seu crédito. Para atender a esse registro, o interessado apresentou documentos dos registros contábeis. Entretanto, verificase que tais documentos, conforme apontado na parte superior dos documentos, referemse a registros das empresas: a) E. JOHNSTON PARTICIPAÇÕES LTDA, empresa inscrita no CNPJ sob n° 52.542.255/000180, incorporada pela requerente em 05/12/2005; b) DIRBANCO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES AS, inscrita no CNPJ sob n° 59.527.580/000112, também incorporada pela requerente em 29/01/2001, e c) BRASIL WARRANT ADM. DE BENS E EMPRES. LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 33.744.277/000188 que, conforme pesquisa no sistema CNPJ, fls 89, está Ativa. Não está demonstrado, nos autos, qualquer relação entre a empresa Brasil Warrant Venture Capital Ltda, CNPJ n° 62.355.698/000115, autora do suposto recolhimento indevido ou a maior, e as empresas acima citadas, das quais foram juntados documentos ao presente processo. Portanto, não são documentos hábeis e idôneos para a comprovação da liquidez e certeza do suposto crédito objeto do pedido de restituição, condição essencial conforme o disposto no art. 170, do CTN.” Quanto a tal matéria, a querelante foi absolutamente silente, sequer tendo mencionada a questão em seu recurso voluntário, limitandose a peça recursal a trazer Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.000705/200571 Acórdão n.º 3202001.235 S3C2T2 Fl. 145 7 argumentos relativos à inocorrência da prescrição. Olvidouse a recorrente, porém, que, no processo administrativo fiscal, a matéria não contestada expressamente deve ser considerada incontroversa, não sendo devolvida, portanto, para apreciação deste Colegiado. Por tais razões, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, tão somente para declarar a inocorrência da prescrição, devendo, entretanto, ser mantida a decisão de mérito proferida pela DRJ, por ser tratar de matéria incontroversa. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10880.923798/2009-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 98 /2 00 9- 00 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 76/80 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923798/200900 Acórdão n.º 3802003.377 S3TE02 Fl. 110 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 82). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 83/103, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923798/200900 Acórdão n.º 3802003.377 S3TE02 Fl. 111 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.003940/2003-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
PETIÇÃO DE DESISTÊNCIA.
A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta.
Numero da decisão: 1803-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A apresentação da desistência total do recurso voluntário importa a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0511, com a exigência do crédito tributário no valor de R$214 913,18 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao anocalendário de 1998 de apurada pelo regime de tributação com base no lucro real. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 39 40 /2 00 3- 69 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 305 2 O lançamento fundamentase na falta de recolhimento no valor do IRPJ R$80.928,30 em decorrência da não aceitação da aplicação no FINOR constante na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A Recorrente não apresentou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), fl. 1417. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995 e art. 4º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 5565, com as alegações abaixo sintetizadas e ainda: III FUNDAMENTOS DA IMPUGNAÇÃO 3. É Nulo, por Preterição do Direito de Defesa, Auto de Infração Formulado com base em Procedimento Administrativo do qual a IMPUGNANTE não foi Intimada. 3.1. Conforme amplamente exposto no Termo de Verificação que deu supedâneo ao presente Auto de Infração, a não aceitação da opção de aplicação por recolhimento em DARF do valor correspondente a parcela do IRPJ referente ao ajuste anual feita na DIPJ/99, nos termos dos artigos 601 e 610 do RIR/94, se deu por for força da orientação extraída do Processo Administrativo n.° 16327.003451/200306 (doc. 1), segundo o qual a IMPUGNANTE teria deixado de recolher parcela do IRPJ referente ao ajuste anual não compreendido no valor do investimento e, por esta razão, não faria jus à esta opção, conforme preconiza o artigo 60 da Lei n.° 9.069/95. 3.1.2. E vai mais além, justifica a autuação em razão de não ter a IMPUGNANTE jamais contestado a não aceitação da opção por ela feita, e apurada em auditoria realizada pela Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT no referido PA n.° 16327.003451/200306. 3.2. Ora como pode a IMPUGNANTE se manifestar contra imputação da qual sequer foi intimada? 3.3. O que se pode perceber aliás é a ausência proposital de tal intimação, uma vez que, conforme fundamenta o auditor fiscal da DIORT, quando indica a Nota Técnica CORAT/CODAC/DIPEJ/n° 53, o exercício pela IMPUGNANTE do direito subjetivo ao gozo do prazo de 90 (noventa) dias para se manifestar contra as imputações feitas no referido processo administrativo n.° 16327.003451/200306 ou regularizálas, faria com que possíveis irregularidade constatadas, que esclareçase não se verificarem o caso em apreço, não pudessem ser objeto de lançamento de créditos tributários, pois estariam fulminadas pelo instituto da decadência. A este respeito dispõe, expressamente, a própria introdução e fundamentação da referida Nota Técnica. 3.4. Os fatos acima narrados revelam a absoluta desconsideração ao princípio da publicidade a que está sujeita toda a administração pública, ex vi do disposto no caput do artigo 37 da Lei Maior, por desatenção flagrante aos comandos insertos no artigo 14°, § 2°, da Medida Provisória n.° 2.1289/01, [...]. 3.5. Enfim, tratase de um conjunto de deficiências incontornáveis, que somente trazem à luz, repisese, a ofensa princípios constitucional do contraditório e o cerceamento ao direito de ampla defesa perpetrados contra o contribuinte, merecer, desde logo, a declaração da nulidade do feito por V.Sa., com fundamento no artigo Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 306 3 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, que reflete, no âmbito do processo administrativo fiscal, as garantias asseguradas no artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, além de, como antes salientado, desconsideração ao princípio da publicidade a que está sujeita toda a administração pública, ex vi do disposto no caput do artigo 37 da Lei Maior, por desatenção flagrante aos comandos insertos no artigo 14°, § 2°, da Medida Provisória n.° 2.1289/01, que regulamentava a matéria dos referidos investimento [...]. 4. Não Há Contra a Impugnante Qualquer Irregularidade Fiscal, Impeditiva da Fruição dos Benefícios Fiscais aos quais Optou. 4.1. Sem prejuízo dos fundamentos acima elencados, que são suficientes por si só bastam para justificar a integral procedência da presente IMPUGNAÇÃO, cumpre esclarecer que inexistia, como de fato inexiste contra a IMPUGNANTE, qualquer irregularidade fiscal que a impedia de fruição aos benefícios fiscais aos quais optou, fazendo com que os valores depositados sejam considerados como verdadeiros investimentos ao FINOR. 4.2. Isto porque, conforme constatouse na revisão da DIPJ/99 (doc. 2), a IMPUGNANTE apurou o valor de IRPJ a pagar referente ao ajuste anual (Ficha 13) no montante de R$108.706,81. 4.3. Com base neste dado, optou por destinar ao FINOR, através de DARF recolhido no código específico, o valor máximo permitido no montante de R$80.928,30 (doc. 3) recolhendo o restante devido de R$27.772,51, através de DARF quitada em 31/03/99 (doc. 4), porém, conforme bem constatado no Termo de Verificação pelo Auditor Fiscal, erroneamente preenchido com código de receita de 2319, quando o correto seria 2390. Referidos recolhimentos totalizam, não há dúvida, o montante exato declarado e correspondente ao ajuste anual de (R$80.928,30 + R$27.772,51) R$108.706.81. 4.4. Ora, o que se nota é que o erro de fato cometido pela IMPUGNANTE, ao preencher erroneamente o código de receita no DARF do residual recolhido a título de ajuste anual, o qual digase de passagem, foi sanado pelo próprio D. Auditor Fiscal autuante, gerou igualmente o erro nas conclusões extraídas nos autos do Processo Administrativo n.° 16327.003541/200306, do qual a IMPUGNANTE sequer foi intimada. 4.5. Acrescentese, ademais, por mais absurdo que possa parecer e sem prejuízo dos fundamentos acima, a IMPUGNANTE está sendo penalizada por suposta existência de irregularidade fiscal na época da opção pelo investimento, o que gerou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 80.928,30 a título de IRPJ referente ao ajuste anual declarado na DIPJ/99, quando igualmente na mesma DIPJ/99, Ficha 13, possui crédito do imposto a compensar no montante de R$ 100.861,18. 4.6. Significa dizer que, se: a) não existia qualquer irregularidade fiscal contra a IMPUGNANTE, como bem salientou o ora Insigne Auditor Fiscal ao reconhecer o recolhimento da parcela de R$ 27.772,51 supostamente em aberto (subitem 4.4. acima), que justificasse a errônea decisão tomada à revelia da IMPUGNANTE nos autos do Processo Administrativo n.° 16327.003541/200306 da não aceitação da opção de investimento incentivado realizado; e Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 307 4 b) ao contrário da irregularidade apontada, a IMPUGNANTE apresentou na DIPJ/99 crédito de IRPJ a compensar; c) é forçoso concluir (i) ser absolutamente lícita e válida a opção feita pela IMPUGNANTE de aplicação incentivada do valor de R$ 80.928,30 ao referido fundo, extinguindo esta parcela do IRPJ correspondente ao ajuste anual apurado na DIPJ/99 a teor do que prescreve o inciso I do artigo 156 do Código Tributário Nacional; e, portanto, (ii) inexistir qualquer valor exigível a este título da IMPUGNANTE, a ensejar a total improcedência do crédito tributário ora exigido. 5. O Valor Destinado ao FINOR, quando muito, deverá ser imputado como Pagamento do IRPJ devido, sendo exigível apenas a multa e juros moratórios. 5.1. Outrossim, em não sendo aceita opção para aplicação incentivada aos fundos de investimentos regionais, o que se admite apenas por amor ao argumento, os valores a eles destinados pela IMPUGNANTE deverão ser imputados como pagamento do principal do IRPJ referente ao ajuste anual apurado na DIPJ/99, sendo exigível apenas multa e os juros moratórios calculados. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: À vista de todo o exposto, razões de fato e de direito acima expendidas, que demonstram à saciedade a improcedência do lançamento como um todo e a sua insubsistência no mérito, a IMPUGNANTE requer se digne V.Sa. julgar procedente esta Impugnação, exonerandoo da exigência tributária nele consubstanciada. Está registrado como resultado do Acórdão da 10ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1643.070, de 23.03.2013, fls. 230238: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 FINOR. INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO INCENTIVO FISCAL. LANÇAMENTO DO IRPJ PAGO A MENOR. A falta de emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais ou sua emissão com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ deve ser questionada pelas pessoas jurídicas optantes no prazo legal. Sem qualquer manifestação da interessada no prazo concedido pela Administração, é cabível o lançamento do IRPJ recolhido a menor em virtude do não reconhecimento do incentivo fiscal relativo à aplicação feita nos Fundos de Investimentos Regionais. Notificada em 30.01.2013, fl. 241, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01.03.2013, fls. 243249, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 308 5 II. DO MÉRITO Conforme já salientado, a decisão proferida pela DRJ sustentouse na alegação de que a Recorrente não comprovou sua regularidade fiscal junto ao sistema Contacorpj e o FGTS restando, portanto, impedida a concessão do incentivo fiscal pleiteado, em virtude do disposto no [artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995]. Todavia, a fundamentação utilizada pela DRJ não merece ser acolhida [...]. De acordo com o texto transcrito, a concessão de incentivo fiscal pleiteado está condicionada à comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais. Porém, o dispositivo não traz nenhum indicativo do momento em que essa quitação deve ser comprovada, para que o contribuinte faça jus ao benefício. Fica evidente que a intenção do legislador não foi a de impedir a liberação de incentivos fiscais a qualquer tempo. Ao contrário, pretende dar aos contribuintes condições de comprovar a inexistência de pendências que os coloquem na situação de "irregularidade fiscal". Assim, não é possível admitir que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do anobase 2008, esteja vinculado a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, que podem apresente distorções na situação real do cadastro de contribuintes, pois oscilam com freqüência. A situação do contribuinte oscila entre regular e irregular, devido a problemas na comprovação de seus pagamentos. Ora, também não seria para menos, já que inúmeras vezes a Recorrente, embora tenha pago o tributo (por DARF, por compensação demonstrada à Receita Federal) ou tenha obtido suspensão de exigibilidade (em decisão liminar, por depósito judicial), em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco se vê impedido de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, por isso, é obrigado a requerer a baixa do débito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto [...]. Assim, é de se validar o cumprimento do dispositivo legal do art. 60 da Lei n° 9.069/95 pela recorrente, de forma a validar o benefício fiscal do FINOR em seu favor. É de se ressaltar que este Conselho já possui Súmula, no sentido de que a comprovação de regularidade fiscal deve ocorrer no momento em que ocorreu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo fiscal [Súmula CARF n° 37]. No caso em tela, para comprovar sua regularidade fiscal, não havendo, portanto, pendências impeditivas da concessão do incentivo fiscal pleiteado, a Recorrente anexa, ao presente Recurso, Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos a Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, válida até 25/08/2013 (doc. 03), Certidão Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros, válida até 04/08/2013 (doc.04) e Certidão de Regularidade do FGTS CRF. válida até 29/03/2013 (doc.05) demonstrando, assim, a suspensão da exigibilidade de todos seus débitos perante a RFB, PGFN, INSS e FGTS. [...] Ademais, a autoridade administrativa, na busca da solução do litígio instaurado na fase administrativa, deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 309 6 A verdade material deve ser privilegiada no processo administrativo, afastando, por conseguinte, a verdade formal, de modo a não exigir do contribuinte valor que não possua respaldo na legislação, em observância ao princípio da estrita legalidade do direito tributário. O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) privilegia o princípio da verdade material, conforme se depreende do teor parcial de alguns de seus acórdãos, dentre os inúmeros existentes nesse sentido [...]. Portanto, face ao exposto, deve prevalecer a verdade material sobre a formal, em razão da comprovação da existência da certidão positiva com efeitos de negativa, que demonstram a regularidade fiscal da Recorrente, restando evidente a necessidade da reforma da decisão proferida para que seja reconhecido os incentivos fiscais e o cancelamento da autuação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Pelo exposto, requer a Recorrente a reforma da decisão proferida para que seja reconhecido os incentivos fiscais e o cancelamento do auto de infração em questão. Protesta pela juntada dos documentos que se fizerem necessários. Termos em que, Pede Deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora A Recorrente apresentou petição de desistência total do recurso voluntário. Acerca da desistência total do recurso voluntário, estabelece o art. 78 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] §3° No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010). Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.003940/200369 Acórdão n.º 1803002.198 S1TE03 Fl. 310 7 Na Petição de fl. 304 está registrado: ITAÚ SEGUROS S.A., sucessor por incorporação de ITAÚ XL SEGUROS CORPORATIVOS S.A., com sede na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha, 100, Torre Alfredo Egydio, 12° Andar, Jabaquara, São PauloSP, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 61.557.039/000107, vem, por sua advogada infraassinada (doc. 01), informar que requereu a desistência do Recurso Voluntário interposto nestes autos, conforme petição anexa (doc. 02), tendo em vista o pagamento do débito, com os benefícios da anistia instituída pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2013, com reabertura de prazo determinada pela Lei n° 12.865, de 09 de outubro de 2013. Dessa forma, restando prejudicado o julgamento do referido recurso, requer o Peticionante o retorno dos autos à origem para que seja efetuada a sua baixa definitiva, haja vista a extinção do débito pelo pagamento, nos termos do art. 156, I, do CTN. Termos em que, Pede deferimento. A Recorrente, por meio da Petição de fl. 304 apresentou desistência total do recurso voluntário e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais ele se fundamenta. Por conseguinte, não há mais litígio por falta de objeto. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 19515.001749/2010-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
MULTA DE OFÍCIO SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Tem-se como devidamente demonstrada a ocorrência de dolo específico pelo sujeito passivo na apresentação de declarações de informações ao Fisco totalmente zeradas em quatro anos-calendário consecutivos, atitude, esta, que, pela sua reiteração, não pode ser debitada a um mero erro ou descuido de sua parte.
Numero da decisão: 1803-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (STJ Recurso Repetitivo). MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Temse como devidamente demonstrada a ocorrência de dolo específico pelo sujeito passivo na apresentação de declarações de informações ao Fisco totalmente zeradas em quatro anoscalendário consecutivos, atitude, esta, que, pela sua reiteração, não pode ser debitada a um mero erro ou descuido de sua parte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 MULTA DE OFÍCIO SUPOSTAMENTE CONFISCATÓRIA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 49 /2 01 0- 82 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 490 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 491 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 415 a 417): DACALA SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA., empresa acima identificada, foi submetida à auditoria fiscal. 2. Ao final do procedimento fiscal, a fiscalização lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 325/328, no qual informa: 2.1. com base na escrituração contábil da empresa, foram apurados valores de PIS e de COFINS devidos no anocalendário de 2005; 2.2. tendo em vista que estes montantes não foram recolhidos nem confessados em DCTF, foram exigidos de ofício; 2.3. foi aplicada a multa qualificada, tendo em vista que o contribuinte praticou atos que retardaram o conhecimento, pela administração, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 3. Em razão da irregularidade apurada, foram lavrados os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte em 29/06/10 (fls. 334 e 342): 3.1. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 333/334): Crédito tributário apurado, R$ 247.215,06, contemplando a contribuição, multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/05/10, enquadramento legal citado à fl. 336. 3.2. Contribuição para o PIS/PASEP (PIS, fls. 341/344): Crédito tributário apurado, R$ 62.383,81, contemplando a contribuição, multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/05/10, enquadramento legal citado à fl. 344. 4. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 350/387, em 29/07/10, alegando em síntese: 4.1. os valores exigidos referentes aos meses de 01/05 a 08/05 foram alcançados pela decadência; 4.2. não houve a comprovação de dolo, assim não há que se falar que o início do quinquênio decadencial teria ocorrido no primeiro dia do exercício seguinte; 4.3. o procedimento fiscal não buscou a verdade material; 4.4. a Administração deve seguir os princípios citados na Lei nº 9.784/99; 4.5. parcela da receita contabilizada pertence às empresas do grupo; 4.6. junta aos autos notas fiscais emitidas pela empresa DACALA SERVIÇOS GERAIS LTDA., com vistas a demonstrar que parte das receitas contabilizadas pertencem a esta empresa; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 492 4 4.7. parte dos tributos exigidos foram recolhidos pelas demais empresas do grupo; 4.8. parcela da exação constante do auto de infração foi recolhida na fonte, fato que caracteriza a ocorrência do bis in idem; 4.9. é garantido ao contribuinte o direito à ampla defesa e ao contraditório; 4.10. a fiscalização não esclareceu como teria se certificado de que os valores contabilizados fazem parte da receita do impugnante, em especial, quando se verifica que a origem dos recursos em trânsito na contacorrente do impugnante mostrouse discriminada no Livro Diário; 4.11. não há conexão lógica entre a capitulação legal dos autos de infração e o fato que teria sido praticado, isto porque noticiase que o impugnante teria omitido receitas, sem relatar qualquer descrição ou esclarecimento de como isto teria ocorrido e o porquê; 4.12. os autos de infração não têm motivação; 4.13. houve a violação do princípio da estrita legalidade; 4.14. a multa agravada somente poderia ser aplicada caso ficasse demonstrada a ocorrência de dolo específico; 4.15. a multa aplicada tem caráter confiscatório; 4.16.o uso da taxa Selic como juros de mora é ilegal; 4.17. protesta pela produção de todas as provas legalmente admitidas; 4.18. requer seja reconhecida a insubsistência do auto de infração e o envio de todas as notificações em nome do advogado do impugnante. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 414): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. A diferença apurada entre o tributo devido calculado com base na escrita contábil da empresa e aquele pago/confessado deve ser exigida de ofício. Eventual não resignação do interessado deve ser acompanhada de provas documentais. DECADÊNCIA. A COFINS é tributo sujeito a lançamento por homologação. Contudo, não havendo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. MULTA QUALIFICADA. Será aplicada a multa equivalente a cento e cinquenta por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 493 5 Anocalendário: 2005 FALTA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. A diferença apurada entre o tributo devido calculado com base na escrita contábil da empresa e aquele pago/confessado deve ser exigida de ofício. Eventual não resignação do interessado deve ser acompanhada de provas documentais. DECADÊNCIA. O PIS é tributo sujeito a lançamento por homologação. Contudo, não havendo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. MULTA QUALIFICADA. Será aplicada a multa equivalente a cento e cinquenta por cento, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 26/04/2013, sextafeira (fls. 446 numeração digital ND), a tempo, em 27/05/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 447 a 483 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos (excetuada a suposta inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic). Em mesa para julgamento. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 494 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de decadência do lançamento 4. Dispõe o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 5. Relativamente à questão da decadência do lançamento do crédito tributário, é o seguinte o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 495 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) 6. No presente caso, consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 325 – grifou se): [...]. Foram consultados, então, os sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil, a fim de se verificar se tais valores não declarados haviam sido recolhidos. Constatouse que não há, para todo o ano de 2005, recolhimento de PIS e COFINS por parte do contribuinte. 7. Destaquese que, embora afirme a Recorrente “que houve pagamento antecipado dos tributos, ainda que parcialmente” (fls. 457 ND), tal fato não foi comprovado em nenhum momento nos autos. 8. Dessa forma, aplicase o contido no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), pelo que não está decadente o lançamento fiscal, já que procedido o lançamento relativo ao exercício de 2006 em data de 29/06/2010. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 496 8 9. De todo modo, em face do dolo constatado no procedimento fiscal da Recorrente, como se verá na sequência, não poderia ser a ela aplicado o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, por força da ressalva ali contida. 10. Rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Mérito 11. No mérito, não procede a insurgência da Recorrente relativa à suposta ocorrência de bis in idem, pelo fato de parcela da exação, constante do auto de infração, ter sido previamente recolhida na fonte. 12. É que, em seus cálculos, já considerou a fiscalização referidas retenções na fonte, conforme se observa a seguir (fls. 326): 13. Com relação à qualificação da multa de ofício aplicada, foi ela devidamente justificada pela Fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 327), da seguinte forma: 3 — DA MULTA QUALIFICADA Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 497 9 3.1 — Considerando que o contribuinte: a) no anocalendário de 2005, deixou de declarar em DCTF valores devidos de PIS e COFINS; b) nos anos de 2005 a 2008, entregou suas DIPJ’s com todos os valores zerados, apesar de ter realizado atividade econômica, mostrando ser esta uma prática reiterada da empresa. 3.2 — E considerando que tais práticas retardaram o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, conforme art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, foi aplicada multa qualificada, nos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96. 3.3 — Além disso, visto que, ao realizar tais práticas, o contribuinte incorreu, em tese, em crime contra a ordem tributária, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais (Lei nº 8.137/90, art. 1º, incisos I e II). 14. Ou seja, ficou devidamente demonstrada a ocorrência de dolo específico pela Recorrente, em especial, na apresentação de declarações de informações ao Fisco totalmente zeradas em quatro anoscalendário consecutivos, atitude, esta, que, pela sua reiteração, não pode ser debitada a um mero erro ou descuido de sua parte. 15. Nesse sentido, o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão nº 910101.194, de 17/10/2011: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/1966, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. 16. Quanto à referência feita, nesse Termo, ao art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, tratase da redação atual do referido dispositivo, dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 17. Porém, o enquadramento legal constante dos autos de infração de Cofins e de Pis se fez com sua adequação à época dos fatos (fls. 332 e 340): Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 498 10 MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91 e art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. [...]. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 86, § 1°, Lei n° 7.450/85; art. 2° da Lei n° 7.683/88; e art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96. 18. No tocante à necessidade de obediência dos atos administrativos ao princípio da verdade material, não se vislumbra, no presente caso, qualquer violação a esse princípio, uma vez que o lançamento fiscal se baseou, integralmente, na escrituração contábil da Recorrente, como segue (fls. 326): 2.2 Nos quadros a seguir podemos verificar os valores mensais relativos às diferenças não declaradas nem recolhidas pelo contribuinte. No quadro referente ao PIS, os valores da coluna 1 foram extraídos da escrituração contábil da empresa, conta “PIS/PASEP” (2.1.2.3.0.000.00001), e os da coluna 2, da conta “PIS” (3.1.1.2.0.000.00002). No quadro referente à COFINS, os valores da coluna 1 foram extraídos da conta contábil “COFINS a Recolher” (2.1.2.3.0.000.00002), e os da coluna 2, da conta “COFINS” (3.1.1.2.0.000.00003) 19. Ou seja, considerouse como “Pis a Pagar” e como “Cofins a Recolher”, apenas e tãosomente, os valores a esse título indicados pela própria Recorrente em sua escrita contábil. 20. Como bem afirmado pela decisão recorrida, em seu item 20, “não há prova mais eficaz do que a própria escrita da empresa” (fls. 420). 21. De se destacar que o presente procedimento fiscal não se originou de “lançamentos constatados nas contas bancárias da Recorrente” (Recurso Voluntário, fls. 467 – ND, item 36), mas “do cotejo entre os valores de PIS e COFINS a recolher apurados e contabilizados pela empresa e os informados em DCTF” (Termo de Verificação Fiscal, fls. 325, subitem 1.2). 22. Assim, a suposta existência, na escrituração da Recorrente, de valores pertencentes a outras empresas do Grupo Dacala, com eventual trânsito de recursos em suas contas contábeis e bancárias, como mera administradora destes, em nada influencia o presente lançamento fiscal, posto que feito, este, exclusivamente, com base nos passivos tributários apontados pela própria Recorrente, e não com base em “omissão de receita tributável”, objeto de processo distinto. 23. Vejase (Termo de Verificação Fiscal, fls. 325, subitem 2.1): [...]. Foram identificadas divergências em diversas competências, ou seja, valores de PIS e COFINS a recolher, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001749/201082 Acórdão n.º 1803002.292 S1TE03 Fl. 499 11 contabilizados pelo contribuinte, mas não declarados pelo mesmo. 24. Por fim, de nenhuma valia seria a perícia pleiteada pela Recorrente, já que todos os valores que compuseram as planilhas elaboradas pela fiscalização, de fls. 326, constam dos balancetes de verificação por ela mesma (Recorrente) elaborados, por cópias de fls. 252, 257, 262, 267, 272, 276, 281, 286, 291, 296 e 301. 25. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, tratando se de alegação de inconstitucionalidade de lei, incide na espécie a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13804.003132/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não enseja nulidade dos atos e termos lavrados quando os despachos e as decisões foram emitidos por autoridade competente, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 - PAF.
RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Ocorrendo inépcia do sujeito passivo para apresentação de documentos comprobatórios necessários para o deslinde da controvérsia, falece sentido e direito ao postulante, implicando em indeferimento do pleito.
Numero da decisão: 3202-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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INOCORRÊNCIA Não enseja nulidade dos atos e termos lavrados quando os despachos e as decisões foram emitidos por autoridade competente, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 PAF. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Ocorrendo inépcia do sujeito passivo para apresentação de documentos comprobatórios necessários para o deslinde da controvérsia, falece sentido e direito ao postulante, implicando em indeferimento do pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 31 32 /2 00 3- 31 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 334 2 Tratase de recurso voluntário interposto por ELDORADO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA contra Acórdão nº 1436.183, de 21de dezembro de 2011 (de fls. 185 a 195), proferido pela 2ª Turma da DRJ/SP1, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, sem o reconhecimento do direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de" Declaração de Compensação concomitante com Pedido de Ressarcimento de IPI, apresentados em formulário em 29/05/2003 (data de protocolo), sendo o direito,creditório concernente a crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997,'referente ao'4° trimestre calendário de 1998 e no montante de R$ 369.179,36. A compensação foi efetuada no importe de R$ 329.918,67. Em Despacho Decisório proferido em 14/05/2008; de fls. 87/91, com supedâneo em termo de informação fiscal de fls.'80/84, não foi reconhecido o direito creditório e não foi homologada a compensação declarada em virtude da falta de comprovação do direito creditório com documentação hábil e, idônea: não foram apresentados os demonstrativos de crédito presumido do IPI (DCP), não foi fornecida cópia do Livro Registro de Apuração do IPI e não houve comprovação do estorno do montante pleiteado, entre outras coisas. Não resignada com a decisão administrativa, da qual teve ciência em 17/05/2008, por via postal mediante AR, arequerente apresentou, em 17/06/2008, a manifestação de inconformidade, de fls. 99/113, subscrita pelos procuradores da pessoa jurídica constituídos pelo instrumento de fl, 96,. em que, resumidamente, sustenta que, primeiramente, devem ser reunidos ao presente outros processos relacionados, com mesmo conteúdo factual e amparados por um único conjunto documental, para que seja resguardado integralmente o direito de defesa, com um julgamento único; que todos os documentos já foram apresentados, tendo' o agente fiscal não desejado recebêlos ou não tomado conhecimento, o que implica o cerceamento do direito de defesa e a nulidade da não homologação, pois com subjetividade arbitrária e carente de motivação; devem ser tomadas emprestadas, por economia processual, provas juntadas ao processo n° 13804.001620/200311 que abarca os anos de 1998 a 2002; por derradeiro, repisa a argumentação e, caso sejam , superadas as preliminares prejudiciais suscitadas, requer que, consideradas as inequívocas provas apresentadas, que seja reconhecida a efetiva utilização de todos os insumos adquiridos no mercado.interno, com a reforma das decisões e homologação dos créditos presumidos e compensações vinculadas. '' A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 . . RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 335 3 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do referido acórdão em 22 de julho de 2013 (fl. 200), a interessada apresentou recurso voluntário em 20 de agosto de 2013 (fls. 201 a 205), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 22 de julho de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 20 de agosto de 2013. Das Preliminares Da Nulidade e Cerceamento do Direito de Defesa Pelo presente processo, vêse que a questão está vinculada a manifestação de inconformidade contra despacho decisório emitido pela DRJ de São Paulo, que indeferiu pedido de compensação de débitos da interessada, considerando a não comprovação da origem do r. crédito. Para fins de melhor elucidar os fatos, importante trazer que que insurge a recorrente que: · A empresa protocolou junto à Receita Federal do Brasil 3 Declarações de Compensação, a saber: ü Em 31.3.03 de Processo nº 13804.001620/200311; ü Em 28.4.03 de Processo nº 13804.002132/200313; ü Em 29.5.03de Processo nº 13804.003132/200331. · Em todas essas declarações, solicitou a homologação de crédito de IRPJ e CSLL, no valor total de R$ 2.556.426,38; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 336 4 · A empresa tinha e ainda tem seu domicílio fiscal em Belém, mas havia recebido ordem fiscalizatória de São Paulo, sendo intimada a separar e a entregar em São Paulo, no prazo de 5 dias, toda a documentação comprobatória do seu direito; · Remeteu a São Paulo extenso volume documental, mas a Fiscalização se manifestou pela recepção em meio magnético, não prorrogando o prazo para atendimento da exigência; · Em 4.3.08, a Ação Fiscal restou iniciada para todos os processos, sendo concedido o prazo de 5 dias para a entrega de documentação em jurisdição fiscal estranha ao seu domicílio. Alega que a documentação era extremamente extensa, ficando o encerramento do procedimento para 8.3.08, com comunicação via AR de que os processos 13804.001620/200311, 13804.002132/200313 e 13804.003132/200331 seriam submetidos a análise; · Dias depois, chegou a comunicação de indeferimento do pleito por não comprovação do direito creditório em razão da não entrega da documentação pertinente; · Diante disso, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade a DRJ/RPO defendendo seu direito pela atividade exercida e alegando, dentre outros pontos, a nulidade do procedimento fiscalizatório por Cerceamento de Defesa; · Isso em razão do exíguo prazo de 5 dias para que os funcionários da empresa em Belém separassem extenso volume documental referente a 3 processos, que abrangiam o lapso de 1998 a 2002, para entregálo na cidade de São Paulo, bem como pela não aceitação da documentação sob a exigência de que tudo teria que ocorrer em meio magnético; · Nessa linha, como fruto de uma única ação fiscalizatória e sendo essa única ação conduzida por autoridade incompetente (já que estranhos ao domicílio fiscal da contribuinte) defendeuse que os processos continuassem reunidos porque todos atingidos pelos mesmos males. · Nenhum dos argumentos foi acolhido; · Notificada desse Despacho através da Comunicação nº 594/2013, a Contribuinte resolveu se dirigir a esse Conselho e ofertar este Recurso Voluntário de modo que enfim seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscalizatório não só pelo cerceamento de defesa, mas porque conduzido por autoridade incompetente. Diante do exposto, vêse que alega a recorrente que o cerne da questão é a nulidade do procedimento fiscalizatório, não só pelo cerceamento de defesa, mas por ter sido conduzido por autoridade incompetente. Sobre esse ponto, traz que o crédito tece sua origem em Belém, domicílio fiscal da contribuinte, jurisdição da Delegacia da Receita Federal local – o que, por conta do art. 32 da IN 210/02 (vigente à época), a competência para decidir o caso seria da DRF/BEL, e não São Paulo. Não obstante às alegações trazidas pela recorrente, devese considerar o artigo 19 da Instrução Normativa n° 600/2005 da Secretaria da Receita Federal, que dispõe que: "Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 337 5 direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligencia fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas." O que, por conseguinte, com base nesse dispositivo, foi à época encaminhado o presente à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo — DEFIS/SÃO PAULO, para conferir se as informações prestadas nas declarações correspondem àquelas constantes dos livros contábeis e fiscais, proferindo, ao final, despacho conclusivo acerca da liquidez, certeza e valor do crédito pleiteado pela requerente. Com efeito, entendo que não há que se falar em nulidade dos atos e termos lavrados, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235 PAF, tendo em vista, como retro observado, foram proferidos por pessoa competente, pois vêse que, no caso vertente, é justificável o processo ter sido apreciado devidamente pela DRJ de São Paulo quando da interposição de manifestação de inconformidade pela recorrente. Além disso, a meu sentir não há que se cogitar em cerceamento ao direito de defesa, pois a recorrente poderia ter trazido as provas necessárias para o deslinde da lide em qualquer momento quando da apresentação de suas considerações para apreciação das unidades julgadoras. Eis que o ônus da prova seria da própria recorrente, nos termos do art 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: "Art. 333 O ônus da prova incumbe: Iao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Ora, fica evidente que ocorreu, nesse caso, inépcia, falecendo sentido e direito ao postulante, pois havia sido intimado para apresentar os documentos listados pela autoridade fazendária – o que deixou de atender. Sendo assim, diante do exposto e em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário e considerando os documentos não trazidos pela recorrente necessário ao deslinde da controvérsia, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 13804.003132/200331 Acórdão n.º 3202001.105 S3C2T2 Fl. 338 6 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 16024.000022/2009-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NO CARF.
À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, por suposta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Aplicável à espécie a Súmula CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator, no exercício da presidência
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Omissão de receitas Recorrente DIPASO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS SOROCABA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida perante instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. De acordo com art.44, I, da Lei nº 9.430/96 é cabível a aplicação de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. ENTENDIMENTO CONSOLIDADO NO CARF. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, por suposta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Aplicável à espécie a Súmula CARF nº 2 (“O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 22 /2 00 9- 88 Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 936 2 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator, no exercício da presidência Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Marcos Shigueo Takata e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2005, no valor total principal de R$ 538.060,35 (quinhentos e trinta e oito mil, sessenta reais e trinta e cinco centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício nos percentuais de 75% e 150% (fls.803/842). A ciência do contribuinte efetivouse em 21/10/09 (fls.809, 819, 829 e 839). Consta do “Relatório Fiscal Nº 01” (fls.795/802), em síntese: o contribuinte optou pela tributação com base no lucro presumido, tendo sido, no curso da ação fiscal, intimado a comprovar a origem dos recursos concernentes a operações bancárias (“créditos, depósitos bancários, crédito em conta corrente de desconto, liberação de cheque bloqueado, títulos descontados, créditos de cobrança, transferências entre agências em dinheiro ou cheque, operação de descontos, liquidação de caução, liquidação de cobrança e outros”); o autuado disponibilizou os livros Caixa, Razão e Registro de Saídas; na apuração da infração decorrente da presunção de omissão de receitas, foram excluídos das bases de cálculo “...os estornos por devoluções dos cheques depositados, as transferências de mesma titularidade, as transferências comprovadas nos documentos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários, os resgates de aplicações financeiras”, sendo abatida a receita bruta escriturada e não declarada; emitiu no anocalendário 2005 notas fiscais de vendas de mercadorias no montante de R$7.007.331,09, tendo oferecido à tributação apenas R$162.663,20, ou seja, 2,32% de sua receita conhecida, razão pela qual foram constituídas as diferenças a título de Receita de Atividade Não Declarada, com a aplicação de multa de ofício qualificada. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 937 3 Os lançamentos foram considerados procedentes pela Terceira Turma da DRJ – Ribeirão Preto (SP), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.879/893): DEPÓSITO RECURSAL. IMPERTINÊNCIA. É impertinente, à espécie, a questão da exigência de deposito recursal, como condição de conhecimento da peça impugnatória, o qual sequer agora é exigido como condição de admissibilidade de recurso voluntário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. EXTRATOS BANCÁRIOS. RMF. OBTENÇÃO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. PROVAS ILÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não são ilícitas as provas extraídas de extratos bancários obtidos diretamente das instituições financeiras, em atenção às competentes RMFs, não havendo que se falar em indevida quebra de sigilo bancário, que independe de autorização judicial. Na oportunidade, declarouse como definitiva no âmbito administrativo, em razão de não ter sido expressamente impugnada, a infração referente às receitas escrituradas e não declaradas. Conforme demonstrativos de fls.894/895, transferiuse para o processo nº 16020.000084/201063 o controle dos créditos tributários decorrentes de tal infração. Frustrada a intimação por via postal, o contribuinte foi devidamente cientificado do acórdão por meio de edital (fl.908), tendo interposto recurso voluntário (fls.910/922), em que alega: “...a multa aplicada de 75% se mostra manifestamente ilegal, caracterizando verdadeiro ato ilegal de confisco [...] tendo em vista que referido valor supera muito a própria alíquota dos impostos vergastados ultrapassando e consumindo quase que totalmente o lucro da empresa [...]. A ilegalidade e o caráter confiscatório da multa de 75% imposta ao contribuinte decorre da violação frontal aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como ao disposto no artigo 150, inciso IV, da nossa Constituição Federal”. seria pacífico na doutrina e jurisprudência “...que o poder de penalizar deve estar coadunado com o interesse de conservação desse contribuinte e não o da sua extinção, principalmente levandose em consideração o princípio da conservação da empresa”; a penalidade no percentual de 75% deveria ser declarada ilegal ou ao menos reduzida ao percentual de 30%, “...por analogia ao art.44, §3º, da Lei 9.430/96 e art.6º, parágrafo único da Lei 8.218/91”; as informações bancárias estariam protegidas por sigilo (art.5º, X e XII, da Constituição Federal), de forma que não poderia o Fisco valerse de dados obtidos diretamente de instituições financeiras, sem autorização judicial. Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 938 4 Em 9/7/13, esta Terceira Turma Ordinária resolveu sobrestar o julgamento com base no art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, conforme Resolução nº 1103000.096. Com a revogação de tal dispositivo regimental pela Portaria MF nº 545, de 28/11/13, os autos foram disponibilizados para julgamento, conforme despacho de fl.934. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. A ciência do acórdão recorrido efetivouse por meio de edital, após primeira tentativa por via postal, em consonância com o art.23, §1º, do Decreto nº 70.235/72, que ainda dispõe em seu parágrafo segundo: § 2° Considerase feita a intimação: ..... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Tendo sido o edital publicado em 29/3/10 (fl.908), o contribuinte, consoante regra acima, foi fictamente intimado em 13/4/10, de forma que tempestiva foi a interposição do recurso voluntário em 10/5/10. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele se toma conhecimento. Como relatado, o contribuinte não se insurgiu quanto à infração decorrente do não oferecimento à tributação da maior parte de suas receitas escrituradas, o que levou a Terceira Turma da DRJ – Ribeirão Preto (SP) a considerar definitiva a respectiva exigência, in verbis: “De plano, entendo que é mister declarar a definitividade da exigência dos tributos e respectivos juros de mora relativos à segunda infração apontada pela autoridade lançadora, referente às receitas escrituradas e não declaradas, a qual, aliás, corresponde a maior parte do crédito tributário lançado. Com efeito, a matéria tributável relativa a esta parte aproximouse da cifra de R$ 7 milhões, enquanto que a matéria tributável relativa A primeira infração (relativa aos depósitos bancários sem origem comprovada) não atingiu o montante de R$ 1,5 milhões. De fato, como se viu, em nenhum momento a impugnante contesta as divergências apuradas pela autoridade fiscal a este respeito, as quais, aliás, foram obtidas da sua própria escrituração contábil, entregue em atenção à intimação fiscal. Nesse caso, por não ter sido expressamente impugnada (conf. arts. 16, inc. III e 17 do PAF), a exigência resta consolidada no âmbito administrativo, havendo que se tomar as providências para a sua imediata exigência.” Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 939 5 Assim, devolveuse à segunda instância apenas a apreciação da infração relativa à omissão de receitas decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários, lastreada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, no recurso voluntário questionase apenas a obtenção dos dados bancários sem ordem judicial, bem como a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Quanto aos valores depositados nas contas bancárias do contribuinte, foram descortinados por meio de informações obtidas perante instituições financeiras, em cumprimento a Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), conforme descrito no “Relatório Fiscal Nº 001”: “[...] Transcorrido o prazo concedido sem que a fiscalizada apresentasse, qualquer dos documentos, em especial os extratos bancário, solicitei ao Delegado da Receita Federal do Brasil a quebra do sigilo bancário, conforme RMF(s) de folhas 17 e 18; 37 e 38; 46 e 47; 56 e 57; 118 e 119; 136 e137 por entender que a falta de atendimento caracterizou a hipótese prevista no art. 3° do inciso VII do Decreto n° 3.724/2001 (art.33, inciso I da Lei n° 9.430 de 1996). ..... De posse dos extratos bancários enviados pelas instituições bancárias, levantei em planilha intitulada ‘Anexo do Termo de Intimação’ todos os créditos, depósitos bancários, crédito em conta corrente de desconto, liberação de cheque bloqueado, títulos descontados, créditos de cobrança, transferências entre agencias em dinheiro ou cheque, operação de descontos, liquidação de caução, liquidação de cobrança e outros.” A possibilidade de o Fisco requisitar às instituições financeiras informações sobre a movimentação bancária de determinado contribuinte encontra abrigo na legislação de regência, a principiar pelo Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: ..... II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;” A Lei Complementar nº 105, de 10/1/01, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, estabelece: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 940 6 “Art.1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. §1o São consideradas instituições financeiras, para os efeitos desta Lei Complementar: I – os bancos de qualquer espécie; ..... §3o Não constitui violação do dever de sigilo: ..... VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. ..... Art 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” (destaquei) A seu turno, o Decreto nº 3.724, de 10/1/01, que regulamentou o supracitado art.6º da LC nº 105/01, fixou requisitos para a requisição de depósitos bancários diretamente às instituições financeiras, atendidos pela fiscalização no caso concreto: “Art.2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ..... §5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. ..... Art.3º Os exames referidos no §5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: ..... Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 941 7 VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; ..... Art.4º Poderão requisitar as informações referidas no §5o do art.2º as autoridades competentes para expedir o MPF.. §1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: ..... IV gerente de agência. §2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF.” (destaquei) O art.33, I, da Lei nº 9.430/96, mencionado no art.3º, VII, do Decreto nº 3.724/01, considera embaraço à fiscalização a negativa não justificada de informações sobre movimentação financeira. Vejamos: Art.33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal e Termo de Regularização Fiscal nº 0001 (fls.2/3), a fiscalização requereu ao contribuinte e a seu representante legal os extratos bancários de contas correntes mantidas em determinadas instituições financeiras. Não tendo havido sucesso com as intimações no prazo marcado, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Sorocada (SP) expediu as RMF (fls.17, 37, 46, 56, 118 e 136), tendo, em seguida, após análise dos extratos bancários, intimado o autuado a comprovar a origem de depósitos devidamente especificados (fls.171/199). Notase, portanto, que o procedimento fiscal conformouse aos trâmites estabelecidos na legislação de regência. Acrescentese que o Decreto nº 70.235/72 estabelece, como regra, a proibição de os órgãos de julgamento afastarem a aplicação de lei: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ..... Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 942 8 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Tal entendimento já está consolidado no âmbito do CARF, tendo sido objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Por tais razões, a ação fiscal transcorreu de forma regular. No tocante à multa de ofício no percentual aplicado de 75% (setenta e cinco por cento), que incidiu sobre os tributos decorrentes da presunção de omissão de receitas, têm assento no art.44, I, da Lei nº 9.430/96, não se podendo falar em violação ao princípio da legalidade. Como visto acima, à autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, mesmo sob fundamento de inconstitucionalidade, por exemplo, por suposta violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco e da conservação da empresa. Cabe lembrar, ainda, que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). A expressa previsão legal afasta a possibilidade, por ausência de lacuna normativa, de se acolher o pleito de redução da multa de ofício ao percentual de 30%. Por fim, aplicamse as conclusões acima aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a íntima relação de causa e efeito. Dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 16024.000022/200988 Acórdão n.º 1103001.066 S1C1T3 Fl. 943 9 Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Numero do processo: 16095.000699/2010-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Omissão de Receitas.
Deve ser mantida a exigência quando comprovado que o contribuinte auferiu receitas de vendas de produtos de sua fabricação e omitiu, do Fisco, os valores obtidos, deixando de oferecê-los a tributação.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca que reduziam a multa aplicada na forma qualificada (150%) para a multa de ofício regular (75%).
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Deve ser mantida a exigência quando comprovado que o contribuinte auferiu receitas de vendas de produtos de sua fabricação e omitiu, do Fisco, os valores obtidos, deixando de oferecêlos a tributação. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 99 /2 01 0- 16 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca que reduziam a multa aplicada na forma qualificada (150%) para a multa de ofício regular (75%). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Contra a empresa referenciada foram lavrados autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com credito tributário no valor total de R$ 188.950,30, aí incluídos os valores principais, multas de ofício agravada e qualificada e juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de omissão de receitas de vendas, com arbitramento dos lucros. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais IRPJ e Reflexos, a empresa foi intimada a apresentar contratos de constituição e livros e documentos fiscais. Depois de concedida a prorrogação de prazo solicitada, sem a entrega dos elementos solicitados, foi providenciada a intimação do responsável legal Sr. Enelson Joazeiro Prado que também deixou de atender à intimação. Foi providenciada a circularização com a intimação da empresa cliente Prolim Comércio de Higiene e Limpeza Ltda que apresentou as notas fiscais de produtos fornecidos pela fiscalizada. Foi lavrado Termo de Embaraço à Fiscalização pela negativa, não justificada, de apresentação de livros e documentos de escrituração obrigatória. Transcorridos 3 (três) meses do início da auditoria, sem atendimento às solicitações da fiscalização, foram lavrados os autos de infração para cobrança dos tributos devidos na modalidade do arbitramento dos lucros, tomandose por base a receita bruta conhecida pelas notas fiscais apresentadas pela Prolim. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16095.000699/201016 Acórdão n.º 1801001.985 S1TE01 Fl. 3 3 Constatouse, ainda, que a fiscalizada apresentou DIPJ do anocalendário 2007 sem qualquer informação (zerada), assim como DCTFs com tributos declarados em valores inferiores aos apurados. A multa de ofício foi agravada pela falta de atendimento às solicitações da auditoria e qualificada pelo evidente intuito de fraude e sonegação, resultando em 225%, tendo sido formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência dos lançamentos se deu em 18/12/2010 e a impugnação apresentada em 14/01/2011, pela qual se defendeu, inicialmente, contra a multa agravada pelo embaraço à fiscalização ao argumento de que a apresentação da escrituração contábil em nada alteraria o procedimento, visto ter apresentado à auditoria todos os talonários. Afirmou serem ilegais as multas exigidas assim como os lançamentos, que teriam sido formalizados com base em créditos bancários, discordando das exigências do PIS da CSLL da COFINS, com base naquilo que chama de “verdade sabida – aritmética irregular” A Turma Julgadora de 1a. Instância manteve, em parte, as exigências e exonerou a multa agravada por ter o mesmo fundamento do arbitramento, reduzindo as penalidades impostas para 150%. Notificada da decisão, em 08/06/2011 (AR fl. 292), apresentou a interessada, em 08/07/2011, recurso voluntário. Em pequeno arrazoado defende que a multa agravada é improcedente e pede pelo cancelamento da multa de 150%. Afirma se manter irresignada “pelos mesmos motivos e argumentos” e pede que as intimações sejam feitas no endereço dos procuradores. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se constata dos autos a recorrente, optante pelo lucro presumido, no anocalendário 2007, fora intimada a apresentar livros e documentos fiscais de manutenção obrigatória, como o Livro Caixa e o Registro de Inventário. Sem qualquer justificativa, reiteradamente deixou de atender às solicitações da auditoria para que apresentasse a escrituração mínima obrigatória exigida para as empresas optantes pelo lucro presumido. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Diante da omissão da recorrente a auditoria intimou a empresa cliente, Prolim Comércio de Higiene e Limpeza Ltda, que prontamente apresentou as notas fiscais de vendas emitidas pela recorrente. Constatou, ainda, a auditoria, que na DIPJ do anocalendário 2007 apresentada à Receita Federal a empresa não declarou qualquer valor, seja de receitas, de despesas ou de tributos. E nas DCTFs apresentadas constatouse a declaração de alguns poucos tributos em alguns períodos do ano. Verificase, pois, que a omissão de receitas é flagrante. Transcorridos mais de 3 (três) meses do início dos trabalhos fiscais sem qualquer resposta por parte da fiscalizada, a auditoria lavrou os autos de infração para exigir os tributos devidos pela recorrente pelas receitas auferidas com vendas de produtos de sua fabricação, que não foram declarados ou constituídos espontaneamente. Como não foi apresentada a escrituração mínima obrigatória os lançamentos foram formalizados nos moldes do arbitramento dos lucros. O arbitramento dos lucros se justifica. A empresa, optante pela apuração de seus resultados com base nas regras do lucro presumido, fica obrigada a escriturar, ao menos, o Livro Caixa englobando toda a sua movimentação financeira. A respeito, transcrevo os respectivos comandos do Decreto no. 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, que tem por base os artigos 47 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e 1o. da Lei no. 9.430, de 1996: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá as disposições previstas neste Subtítulo. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei no. 8.981, de 1995, art. 47, e Lei no. 9.430, de 1996, art. 1o.): ... Fl. 356DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16095.000699/201016 Acórdão n.º 1801001.985 S1TE01 Fl. 4 5 III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; ... Dessa forma, a pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido estará obrigada a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, e a escriturar os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária. A escrituração do Livro Caixa nessas condições está dispensada apenas se a pessoa jurídica mantiver escrituração contábil de acordo com a legislação comercial. Oss fatos apurados pelo agente fiscal determinavam a aplicação dos artigos 527, 529 e 530 do RIR/99, acima citados, pois a contribuinte se enquadrava na situação descrita no inciso III do artigo 530. A auditoria fiscal cumpriu, assim, as determinações da lei. Agiu com plena legalidade e em respeito, também, ao comando do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabil idade funcional . (destaques acrescidos). Notese, ainda, in casu, que os fatos apurados pela auditoria fiscal que levaram ao arbitramento dos lucros da pessoa jurídica não foram modificados pela impugnação, e persistem até hoje, tendo em conta que até o presente momento a recorrente não dispõe de escrituração regular, com base nas leis comerciais e fiscais assim como documentação que lhe dê suporte que possibilitem a apuração dos tributos de acordo com as regras do lucro real, assim permitidas pela legislação de regência. Dito de forma direta: a recorrente não apresentou, até esta data, escrituração completa de suas receitas na forma das leis comerciais e fiscais, ou ainda, Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira da empresa. E vale ressaltar. Ainda que a impugnante tivesse logrado providenciar escrituração contábil e fiscal nos termos das leis comerciais e tributárias, no prazo para apresentação de sua impugnação, ainda assim o arbitramento formalizado pela auditoria fiscal não seria invalidado. Não existe arbitramento condicional e nesse sentido já se encontra pacificada, de há muito, a jurisprudência deste órgão colegiado, como ilustro com as ementas de recentes julgados, adiante transcritas: EMENTA: ARBITRAMENTO. ENTREGA DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. Regularmente intimado durante a ação fiscal e não tendo atendido a fiscalização, foi necessário o arbitramento da base de cálculo. Não sendo possível lançamento condicional, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 não se permite rever aquele por entrega posterior de documentos. Ac. no. 10517.325 / 1o. C.C / 5a. Câmara, em 13/11/2008 – DOU 09/03/2009. EMENTA: IRPJ/CSLL. ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DA DOCUMENTAÇÃO. INEFICÁCIA. Inexistindo o arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja falta de apresentação durante a ação fiscal restou plenamente caracterizada. Ac. no. 10248.560 / 1o. C.C. / 2a. Câmara, em 24/05/2007 – DOU 23/11/2007. Diante do silêncio injustificado por parte da recorrente em ao menos responder às solicitações da autidoria, sobre os valores apurados a fiscalização exigiu multa agravada, pelo embaraço à fiscalização, multa essa corretamente exonerada pela Turma Julgadora de 1a. Instância, eis que tem por mesmo fundamento o próprio arbitramento dos lucros. Mas a penalidade qualificada deve ser mantida. A interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de DIPJ sem qualquer informação de valor – “zerada” – e de apresentação de DCTF com dados inverídicos que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas declarações – DIPJ e DCTF, do anocalendário 2007, mediante as quais a pessoa jurídica informou que não obteve movimento operacional e financeiro, no respectivo período. Observo que a admissão de apresentação de Declaração IRPJ da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16095.000699/201016 Acórdão n.º 1801001.985 S1TE01 Fl. 5 7 Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. E adotado tais fundamentos, a multa qualificada subsiste na exigência de omissão de receitas. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgados na decisão das exigências reflexas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 24/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11080.918361/2012-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2011 a 31/05/2011
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 61 /2 01 2- 20 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918361/201220 Acórdão n.º 3801003.508 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918361/201220 Acórdão n.º 3801003.508 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918361/201220 Acórdão n.º 3801003.508 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918361/201220 Acórdão n.º 3801003.508 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918361/201220 Acórdão n.º 3801003.508 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 29/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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