Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.722655/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Contrato por Preço Predeterminado. Regime de Incidência.
O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação do regime cumulativo. Jurisprudência do Carf e do Superior Tribunal de Justiça.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.Vencido o Conselheiro Helder Kanamaru, que considerava o contribuinte vinculado a solução de consulta desfavorável.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Contrato por Preço Predeterminado. Regime de Incidência. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação do regime cumulativo. Jurisprudência do Carf e do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.722655/2010-96
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348659
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-001.881
nome_arquivo_s : Decisao_11080722655201096.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 11080722655201096_5348659.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.Vencido o Conselheiro Helder Kanamaru, que considerava o contribuinte vinculado a solução de consulta desfavorável. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5460290
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594982510592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 720 1 719 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722655/201096 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.881 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria PIS/COFINS RECOLHIMENTO INFERIOR AO DEVIDO Recorrente COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA CGTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Solução de Consulta Desfavorável ao Contribuinte. Efeitos. A prévia manifestação da Administração, veiculada por meio de decisão exarada em processo de consulta desfavorável à pretensão do Contribuinte, não impede a rediscussão da matéria consultada no bojo de processo administrativo fiscal em que se debate exigência de tributos e contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Contrato por Preço Predeterminado. Regime de Incidência. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação do regime cumulativo. Jurisprudência do Carf e do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário.Vencido o Conselheiro Helder Kanamaru, que considerava o contribuinte vinculado a solução de consulta desfavorável. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 55 /2 01 0- 96 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 721 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de impugnação a autos de infrações relativos ao PIS e à Cofins, tendo em vista divergências encontradas pela fiscalização na sistemática de apuração dessas contribuições. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que tratam, respectivamente, do PIS e da Cofins, foi instituído o regime não cumulativo para todas as empresas tributadas pelo Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ com base no lucro real. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal (fls.235/238), a autuada apurou no período de dezembro de 2002 a junho de 2006, para o PIS, e de fevereiro de 2004 até junho de 2006, para a Cofins, os valores devidos das contribuições em comento pela sistemática da nãocumulatividade, acatando o determinado pela nova legislação. A Lei nº 10.833/2003 em seu artigo 10, inciso XI previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 poderiam continuar a ser tributadas pela sistemática da cumulatividade.Com a edição da Lei nº 11.196/2005, mais especificamente seu art. 109, combinado com o disposto na IN SRF nº 658/2006 e ainda de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a autuada entendeu ter reunido condições suficientes para tributar suas receitas com base na sistemática da cumulatividade. Procedeu então a retificação das suas DCTFs , declarando débitos de PIS e Cofins pela forma cumulativa. Assim passaria a ser credora da União, uma vez que acredita ter efetuado recolhimentos a maior do que os efetivamente devidos por calcular as contribuição pela sistemática da não cumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, referida questão, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu que “contratos iniciais” e “contratos bilateriais”, os quais são utilizados pela autuada na comercialização de energia, não se enquadram como contratos Fl. 724DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 722 3 de preço predeterminado e, portanto, não se submetem à exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003. A autuada por meio do processo nº 11080.006335/200951 protocolou processo de consulta a este respeito. A Superintendência da 10ª Região Fiscal solucionou a questão emitindo a Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência não cumulativa, de modo definitivo. A fiscalização, por meio dos autos de infração em tela, aplicou o entendimento esposado pela SRRF da 10ª Região Fiscal combinado com o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, exigindo a diferença das contribuições para o PIS e para a Cofins que deixaram de ser recolhidas/declarados pela empresa. A autuada impugna os lançamentos, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação. Faz um histórico da autuação, abordando os chamados “contratos iniciais” firmados por ela e as distribuidoras de energia elétrica, celebrados em 30 de setembro de 1997, com vigência de 15 anos. Menciona que o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Concessão nº 67/2000, firmado em 03/04/2001, passou a prever que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM. Acredita que tal fato não afetaria a condição de preço predeterminado no fornecimento de energia, tendo como objetivo a preservação do equilíbrio contratual, resguardando o valor e quantia da moeda contratada. Nesse caso, as receitas advindas desses contratos deveriam se sujeitar ao regime cumulativo das contribuições, Fl. 725DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 723 4 por obedecerem ao disposto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Ataca a IN SRF nº 468/2004, afirmando que essa teria inovado no mundo jurídico ao eleger critérios não previstos na Lei nº 10.833/2003 para definição de preço predeterminado. Esse entendimento foi alterado pela Lei nº 11.196/2006 que determinou que o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não seria considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Cita Nota Técnica nº 224/2006 e o Ofício nº 1.431/2006, ambos expedidos pela ANEEL os quais afirmam que a utilização do IGPM, como índice de correção monetária, no reajuste do preço do contrato de fornecimento de energia equivaleria ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético. Tece considerações a respeito dos requisitos exigidos pelo art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003 para que suas receitas permaneçam no regime cumulativo das contribuições. Entende serem quatro as exigências da Lei: contrato de fornecimento de bens e serviços, prazo de duração mínimo superior a um ano, assinatura do contrato anteriormente a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento de bens e serviços esteja predeterminado no contrato. Ressalta não terem sido questionados os três primeiros requisitos pela autuação, estando limitada a presente discussão a predeterminação dos preços nos contratos por ela firmados. Argumenta não existir lei que defina o conceito de preço predeterminado. Esse conceito seria obtido por meio de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sendo encontrado a partir do exame de princípios do direito privado. Busca na doutrina definições de preço determinado e preço determinável. Acredita que a eventual cláusula de reajuste não descaracterizaria a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tenha como objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo nominal inicialmente pactuado. Cita decisão jurisprudencial nesse sentido. Invoca os art. 109 e 110 do CTN para defender seu ponto de vista. Afirma que de acordo com a IN SRF nº 21/79, o entendimento da Secretaria da Receita Federal sempre foi no sentido de que para a caracterização de preço predeterminado não seria essencial a inexistência de cláusula de reajuste, mas a necessidade de o preço estar fixado em contrato, sendo de conhecimento prévio para as partes. Defende o reconhecimento por parte da legislação, através do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que a aplicação de cláusula de reajuste não descaracterizaria o preço predeterminado. Alega que seus preços estariam predeterminados em contrato. A necessidade de investimentos vultosos e a assunção de uma série de compromissos a longo prazo só seriam possíveis se houvesse garantia de uma fonte previsível de receitas a longo prazo, livre Fl. 726DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 724 5 do risco da oscilação de preços e da diminuição da demanda. Sendo assim, afirma que celebrou todos os contratos de fornecimento de energia baseados em “preço firme”. Transcreve parte destes contratos. Relata que esses prevêem inclusive a necessidade da empresa buscar energia no mercado caso não consiga produzila por problemas técnicos. Nesse caso terá que arcar com a diferença entre o preço de aquisição da energia no mercado e aquele predeterminado em contrato. Frisa ser o reajuste pelo IGPM, cláusula padrão, constante de todos os contratos por ela celebrados de fornecimento de energia, independente da outra parte contratante ser distribuidora, comerciante ou consumidora final de energia. Repisa o argumento de que segundo entendimento esposado pela ANEEL (Nota Técnica 224/2006), o IGPM é índice que reflete o custo de produção e, portanto, em nada altera a condição de preço acordado nos contratos iniciais. Argumenta que a correção monetária corresponde à manutenção do valor real da moeda operante no tempo, não se tratando de um acréscimo ao valor original. Assim a simples aplicação de cláusulas de reajuste de correção monetária, materializadas no caso presente pelo IGPM, não desconfiguraria de maneira alguma a natureza do preço inicialmente fixado em contrato, pela contrário, tratarseia apenas de reposição dos valor originário da moeda, corroída por diversos fatores. Ataca a IN SRF nº 468/2004, a IN SRF nº 658/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 afirmando que teriam criado mandamentos não previstos em lei extrapolando sua competência, incorrendo em vícios manifestos de legalidade. Por fim, entende ser impossível a exigência de juros de mora e multa de ofício. Invoca o art. 100, parágrafo único do CTN, o qual prevê que a observância de normas complementares das leis excluí a imposição de penalidades, dos juros de mora e da atualização da base de cálculo do tributo. No caso concreto, acredita ter observado o disposto no art. 109 da Lei 11.196/2005, bem como as determinações da ANEEL e da IN SRF 658/2006. A interpretação diversa teria sido explicitada pelo Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, em data posterior aos fatos geradores sob análise, por isso nada poderia ser exigido a título de multa e juros. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREÇO PREDETERMINADO Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em Fl. 727DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 725 6 função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. IGPM Não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006 . NOTA TÉCNICA Nº 224/2006 da ANEEL Ato infralegal expedido pela ANEEL não se enquadra no conceito de legislação tributária e de normas complementares nos termos do disposto nos artigos 96 e 100. Portanto, incabível invocar o parágrafo único do art. 100 com intuito de afastar a cobrança da multa e dos juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREÇO PREDETERMINADO Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. IGPM Não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006. NOTA TÉCNICA Nº 224/2006 da ANEEL Ato infralegal expedido pela ANEEL não se enquadra no conceito de legislação tributária e de normas complementares nos termos do disposto nos artigos 96 e 100. Portanto, incabível invocar o parágrafo único do art. 100 com intuito de afastar a cobrança da multa e dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 728DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 726 7 Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Como já antecipado, o ponto crucial para a solução do litígio é a fixação do que se entende por contrato de fornecimento a preço predeterminado. Tal definição, recordese, é essencial para a manutenção da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sob os moldes anteriores à vigência das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Confirase o que diz o art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Não há discussão acerca do fato de que se está diante de contrato de fornecimento, com vigência superior a um ano e que foi firmado em data anterior a 31 de outubro de 2013. O debate está situado nos efeitos dos reajustes de preços autorizados após essa data. Defende o Fisco, como já visto, que o reajuste contratual em percentual equivalente à variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) desvirtua a predeterminação do preço e, consequentemente, obriga o recolhimento das contribuições litigiosas sob o regime nãocumulativo. Essa é a origem da acusada diferença entre as contribuições recolhidas e aquelas que, se assumida premissa das autoridades fiscais, seria devida. Para tal conclusão, apóiamse em duas premissas: a) a correção com base no índice em questão desvirtuaria o preço predeterminado; b) esse mesmo índice não cumpriria as condições fixadas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, assim redigido: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 727 8 Nos termos do dispositivo, como é possível perceber, duas seriam as hipóteses em que o reajuste não alteraria o preço predeterminado: a) a variação dos custos de produção; ou b) a aplicação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nessa linha, na opinião do Fisco, como não foi realizada qualquer análise acerca da variação dos custos de produção e o IGPM, formado pelo Índice de Preços por Atacado (IPA), pelo índice de Preços ao Consumidor (IPC) e, finalmente, pelo Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), não representaria um índice setorial de custos. Consequentemente, restara configurada revisão contratual capaz de alterar o preço predeterminado. A recorrente, a seu turno, defende que o reajuste, nos moldes em que foi promovido, visaria à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro que prevelecia à época da contratação e que o IGPM, conforme referendado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), por meio da Nota Técnica nº 224/2006–SFF/ANEEL, refletiria a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Consequentemente, com base no disposto no dispositivo novel, não se caracterizara revisão contratual capaz de alterar a preterminação do preço contratado e, consequentemente, o regime de incidência das contribuições litigiosas. Sem referendar a integralidade das alegações, penso que razão assiste à Recorrente. De fato, a meu ver, não há a menor dúvida de que o reajuste realizado com base no IGPM não se amolda às hipóteses enumeradas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Tratase de um índice geral de preços composto por dois indices setoriais de preço e um índice setorial de custo, relativo à Construção Civil, atividade econômica que em nada se confunde com a geração de energia. Por esse motivo e, principalmente, em razão da incompetência para dispor sobre a interpretação da legislação tributária, é igualmente claro que a opinião da ANEEL, veiculada por meio da Nota Técnica nº 224/2006 não pode ser levada em consideração para a solução do presente litígio. Com efeito, nos termos do art. 6º, I, “e”, da Lei nº 1 10.593, de 2002, a competência para orientar o Contribuinte acerca da interpretação da legislação tributária é privativa do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em exercício da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, se o ato administrativo, nos termos da sua ementa e introdução, tem como objetivo fixar um norte na interpretação de determinado arcabouço de normas tributárias e seu signatário não ocupa cargo, nem está vinculado a órgão legalmente competente, é evidente que a matéria fugiria da sua competência. O que se identifica, de fato, é o exercício de uma estimativa, limitada à competência daquela agência reguladora. 1 Art. 6º São atribuições do socupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (...) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; Fl. 730DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 728 9 Ou seja, partindo do pressuposto de que a variação da carga tributária é um fator que gerará impacto na revisão anual do preço estabelecido em contrato, me parece perfeitamente válido que aquela agência reguladora preveja o regime de incidência das contribuições e, com base em tal previsão, defina qual seria a incidência estimada, mas tal previsão, evidentemente, não vincula a administração tributária, única detentora da competência para aplicar a legislação que disciplina a incidência de tributos. Ocorre, entretanto, que há uma premissa que orienta a conclusão do Fisco, que, a meu ver, com o devido respeito, está equivocada. Diferentemente do defendido, imagino, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 não possui o caráter restritivo suscitado por aquela autoridade lançadora. A meu ver, o dispositivo não restringiu as hipóteses em que o reajuste contratual não desvirtua a predeterminação do preço, elencou duas dessas circunstâncias. Com efeito, se analisarmos a redação do artigo, ponto de partida para a compreensão do comando legal nele veiculado, podese averiguar que o legislador, em nenhuma passagem, afirmara que aquelas seriam as únicas hipóteses em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Afirmou que aquelas hipóteses não a desvirtuariam. Reforça essa convicção o fato de que, nos termos do seu parágrafo único, já transcrito acima, o dispositivo novel teria vigência retroativa à vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Se o objetivo do comando inserido na “MP do Bem” fosse restringir e, consequentemente, aumentar o universo de contribuintes sujeitos à incidência mais gravosa, não haveria espaço para tal claúsula de vigência. Evidentemente, registrese, não se está defendendo que se possa interpretar ampliativamente a norma de caráter excepcional. Como é cediço, a lei que dispõe sobre exceção deve ser interpretadas restritivamente. A meu ver, tal e qual as demais hipóteses previstas na Lei nº 11.196, de 2005, a utilização do índice referendado pela ANEEL, órgão legalmente competente para tanto, visa à manutenção do preço determinado pelas partes. Explico. Embora a lei, civil ou tributária, não forneça o conceito de preço pre determinado, até o presente momento só previsto em instruções normativas que veiculam a interpretação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, penso que a busca do seu significado não pode deixar de considerar o conceito de preço determinado, previsto na legislação civil. De se relembrar, em primeiro lugar, o que diz o art. 481 Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 2002). Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Do dispositivo extraise a definição de preço, entendido como a quantia que o comprador se obriga a pagar ao vendedor. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 729 10 A dicotomia entre determinado e determinável está presente nos artigos 485 a 487 do mesmo diploma. Art. 485. A fixação do preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os contratantes logo designarem ou prometerem designar. Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o contrato, salvo quando acordarem os contratantes designar outra pessoa. Art. 486. Também se poderá deixar a fixação do preço à taxa de mercado ou de bolsa, em certo e determinado dia e lugar. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Podese concluir, a partir da leitura dos dispositivos, que determinado é o preço estabelecido pelas partes no momento da celebração do contrato e determinável, o que as partes, no momento da celebração do contrato, estabelecem os parâmetros segundo os quais, futuramente, se dará fixação do preço. Se não houver previsão contratual acerca do preço, não se está diante de um contrato de compra e venda. Nesse contexto, não consigo imaginar uma definição de contrato a preço predeterminado, citado na Lei nº 10.833/2003, diversa da de contrato a preço determinado, fixada na Lei Civil. Predeterminado, é aquilo que se determinou de antemão2. Pois bem. Compulsando os instrumentos contratuais às fls. 22 a 683, verifica se que os contratos celebrados entre a recorrente, geradora de energia elétrica, e a distribuidora previram o preço da demanda4 e da energia contratadas, bem assim a forma de revisão desse preço, reajustado pelo Poder Concedente, conforme previsto no contrato de concessão celebrado pela recorrente. O contrato de concessão5, após o aditivo celebrado em 03/04/20016 passou a ser reajustado de acordo com o fator de reajuste obtido a partir da fórmula citada na Nota Técnica Cosit nº 1, de 20077, que fixou a interpretação que orientou a lavratura do auto de infração litigioso. Tal fórmula, reflete, em síntese, a variação do IGPM e o aumento da carga tributária. Nessa linha, podese concluir que o instrumento contratual que vigia na data em que a Lei nº 10.833, de 2003 entrou em vigor previa (ou determinava) o preço contratado e o fator de reajuste desse preço. Assim sendo, não consigo chegar à conclusão de que o reajuste do preço nos termos em que foi contratado desvirtue a sua predeterminação, ambos faziam parte do negócio jurídico que se submeteu à incidência do ato que instituiu a cobrança nãocumulativa. De fato, sendo certo que, ao longo da execução do contrato, há alteração na economia capaz de influenciar nos índices de preço, a ausência de garantia de que o contrato acompanhe a essa variação também significaria reajuste contratual. A diferença seria o efeito. 2 http://houaiss.uol.com.br/busca?palavra=predeterminado 3 Numeração digital. 4 Potência disponibilizada. 5 Fls. 430 a 461 (numeração digital) 6 Fls. 462 a 468 (numeração digital) 7 Colacionada às fls. 98 a 118 (numeração digital) Fl. 732DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 730 11 Notar que tal raciocínio é referendado pela jurisprudência administrativa e judicial. No âmbito do CARF, citese à guisa de exemplo, os Acórdãos: a) 330101.1548 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2005 CONTRATO. PRAZO SUPERIOR A UM ANO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RECEITAS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. As receitas decorrentes de fornecimento de bens e serviços, mediante contrato com prazo superior a um ano a preço predeterminado sujeitamse à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. b) 34020018879: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO.REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. c) 330200165910 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. 8 Julgado em 07/10/2011, unânime, José Adão Vitorino de Morais 9 Julgado em 25/09/2012, unânime, Gilson Macedo Rosemburg Filho. 10 Julgado em 26/06/2012, maioria, Redadora Designada Cons. Fabíola Cassiano Keramidas Fl. 733DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 731 12 IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Já na seara do Superior Tribunal de Justiça, identificase o seguinte aresto RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082), MINISTRO HUMBERTO MARTINS, JULGADO: 18/10/2011 Recurso Especial TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, Fl. 734DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 732 13 a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Nessa linha, entendo, com a devida vênia, que a Instrução Normativa nº 658, de 2006, em inobservância ao art. 97, V do CTN11, inovou ao criar restrição que a Lei não previu e, por via indireta, definiu alíquota mais gravosa aos que não atenderem tais restrições. Não custa relembrar que este Colegiado não se submete hierarquicamente ao Sr. Secretário da Secretaria da Receita Federal do Brasil e que o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) não traz qualquer restrição à não aplicação de Instrução Normativa12. Finalmente, embora não tenha sido considerado como motivo de decidir, resta destacar que, segundo a pacífica jurisprudência deste Colegiado, a existência de uma solução de consulta desfavorável à pretensão da recorrente não traz qualquer obstáculo à análise do mérito da autuação. À guisa de exemplo, citase o Acórdão n° 310200.433, de 9 de julho de 2009 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 02/10/2000, 30/03/2001, 24/08/2001, 28/11/2001, 14/02/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Em sede de processo administrativo, deve o órgão julgador apreciar as teses de defesa do administrado, acolhendoas ou rejeitandoas, sob pena de incorrer em cerceamento dos direitos à ampla defesa e ao contraditório.. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro 11 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 12 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11080.722655/201096 Acórdão n.º 3102001.881 S3C1T2 Fl. 733 14 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 0/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10425.000644/2004-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3804-00.001
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200903
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10425.000644/2004-01
conteudo_id_s : 5334528
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3804-00.001
nome_arquivo_s : Decisao_10425000644200401.pdf
nome_relator_s : Amarylles Reinaldi e Henriques Resende
nome_arquivo_pdf_s : 10425000644200401_5334528.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
id : 5370845
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046594996142080
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:51:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:51:49Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:51:49Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:51:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:51:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:51:49Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:51:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:51:49Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:51:49Z; created: 2010-04-05T15:51:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-04-05T15:51:49Z; pdf:charsPerPage: 835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:51:49Z | Conteúdo => 53-TE04 I MINISTÉRIO DA FAZENDA ..2k..-"Árf' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS slitglats8 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 9.-„nta Processo n° 10425.000644/2004-01 Recurso n° 160.4W Resolução n° 3804-00.001 - Lla Turma Especial Data 18 de março de 2009 Assunto Solicitação de Diligência — Recorrente EDUARDO MEDEIROS DA SILVA Recorrida 23 TURMA/DRWRECIFE/PE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e que integram o presente julgado. Amarylies Ar2zW1/1/41 Nels rresidente Reinaldi e Henriques Resende — Relatora EDITADO EM: 12 tIAR 266 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros- Amarylles Reinai& e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). ,. 1 • • Relatório AUTUAÇÃO , Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2000 c 2001, formalizando a . exigência de imposto suplementar no valor de R$ 35.502,00, acrescido de multa de oficio parcialmente qualificada e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 125 e 126): 2.1. Omissão De Rendimentos Do Trabalho Sem Vinculo . Empregatício Recebidos De Pessoas Jurídicas nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2001 e 2000, Anos-calendário de 1999 e 2000. i Omissão de rendimentos recebidos de pe.ssoas jurídicas decorrentes do trabalho sem vínculo empregaticio, conforme Dirfs apresentadas pela Sociedade Hospitalar Gadelha de Oliveira Lida- CNP] n° 09297.961/0001-84, no valor total de RS 3.407,16 e pela UNIMED — Sousa, CNIM n° 24.294.787/0001-00, no valor total de R$ 7.240,83. 2.2. Dedução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a titulo de Previdéncia Oficial, na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, Ano —calendário de 1999. Redução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a titulo de Contribuição à Previdência Oficiai, no exercício supracitado, em razão da não apresentação, por parte do contribuinte, das comprovações dessas despesas, na quantia de RS 4.478,23; 2.3.- Dedução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a titulo de dependentes, nas Declarações de Ajuste Anual dos exercidos de 2001 e 2000, anos-calendário de 1999 e 2000. 1Redução indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios supracitados, a titulo de despesas com dependentes, nas quantias respectivas cie RS 1.080,00 e =------ i EM. 080,00, em razão cle_falta de_apresentacdo—da—docuMentcleao icomprobatórna relação de dependência da menor Emanuella Medeiros, pelo contribuinte, quando intimado. 2.4.- Dedução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a titulo de despesas médicas, nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2001 e 2000, anos-calendário de 1999 e 2000. • Redução indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda nas i Declarações de Ajuste Anual dos exercícios supracitados, pelas razões descritas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 08/09 que passam a jazer parte deste Relatório como se nele transcrito fossem, sendo aplicadas as seguintes multas ao Imposto de Renda apurado no Auto de Infração: Valores em Em Reais 1 i Fato Gerador ; Valor Tributável E Multa (9/0) 1 n • 31/12/1999 47,817,14 Ln 75,00 --... 11 1 - 2 . ' 1 I' I Processo n° 10425.000644/2004-01 83-TE04 Resolução rs' 3804-00.001 EL 2 (31/12/2000 22.940,00 75,00 31/12/2000 30.517,00 150,00 2.5. Dedução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a indo de despesas com instrução nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2001 e 2000, anos-calendário de 1999 e 2000. Redução indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios supracitados, pelas razões descritas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 09/10 que passam a fazer parte deste Relatório como se nele transcrito fossem, nas quantias respectivas de R$ 6.695,00 e RS 3.400,00. 2.6. Dedução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a - -título de Previciência.Privarla/FA171, na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000) Ano --calendário de 1999. Redução Indevida da Base de Cálculo do Imposto de Renda a titulo de Contribuição à Previdência Privada, no exercício supracitado, em razão da não apresentação, por parte do contribuinte, das comprovações dessas despesas, na quantia de RS 492,60." LA1PUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (Lis. 90 e 91), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 127): "I- que não seja considerada a omissão de rendimentos apontada no Auto de Infração, em razão de não haver recebido das referidas empresas os comprovantes desses rendimentos; II- que a pessoa encarregada de fazer a sua DIRPF inclui na referida declaração rendimentos recebidos de pessoas fisicas, muito embora nunca tenha percebido tais rendimentos e solicita que esses sejam desconsiderados; III- que junta comprovante da dedução de despesas com previdência oficial, no valor de R$ 4.478,23 e solicita que seja desconsiderada a glosa relacionada a tal dedução; IV- que deixou de declarar como sua dependente a sua genitora, a Sra. Maria Lúcia da Silva, devendo, então ser considerada como sua dependente na Declaração, ao invés tia menor Emanuella Medeiros Silva, uma vez que não possui a guarda judicial desta; V -que não confirma as despesas médicas, uma vez que não as teve, tendo sido essas plantadas em sua D1RPF pelo profissional encarregado de confeccioná-la e por isso não concorda com a multa aplicada pelo autuante; VI- que concorda em parte com a glosa relacionada a despesas com instrução no ano-calendário de 1999 e traz em anexo, o recibo no valor de R$ 559,00 do Colégio Sra. Auxiliadora, enquanto que os demais 471 3 recibos dos Colégios PlID e Curso de Português da Paraíba, foram • extraviados e esses já não estão em fimcionamentot • VII-que, no entanto, houve um engano do Auditor autuante em relação às despesas com instrução do ano-calendário de 2000, pois os valores •1pagos ao Centro Campinense de Educação Ltda, e à Sociedade de Ensino Superior do Ceará relacionados aos seus dependentes Ennio Medeiros Silva e Sonally Yasnara Sarmento Medeiros, importaram em R$ 2.228,00 e RS 9.000,00, respectivamente e que o Programa do Imposto de Renda já faz a glosa da diferença que ultrapassa o limite de R$ 1.700,00; VIII- que, por fim, seja considerado o valor de RS 492,60 a título de despesas com Previdência Privada, conforme comprovante em anexo." ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRS-Recife/PE julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que acatou as seguintes deduções: contribuição à previdência oficial (R$4.328,00), despesas com instrução (R$559,00) e contribuição à previdência privada (R$492,60), num total de R$5.379,60. Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados nas seguintes ementas (fls. 124): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Serão computados no cálculo do imposto os rendimentos comprovadamente omitidos pelo contribuinte, vedada a dedução de dependente não pleiteada na sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, após o lançamento de oficio, mormente quando não comprovada nos autos a dependência deste. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. Mantém-se a glosa das decluçães do imposto de renda, quando o contribuinte deixar de trazer aos autos c4comprovação-da-efetividad das despesas—correspondentes. Lançamento Procedente em Parte" RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificado da decisão de primeira instância em 14/06/2007 (fls. 136), o contribuinte, por intermédio de representante, apresentou, em 16/07/2007, o Recurso de fls. 137 a 144, argumentando, em síntese, que o Auto de Infração não pode prosperar, pois a partir do ano-calendário 1988 a omissão de rendimentos e o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser tributada mensalmente, o que não ocorreu, no caso. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 146, que também trata do envio dos autos a este Conselho de Contribuintes. É o Relatório. dr/ 4 Processo n° 10425.000644'2004-01 53-TE04 Resolução n.° 3804-00.001 Fl. 3 Voto Conselheira AIVIARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora O recurso é tempestivo, porém foi assinado por Ronaldo Medeiros, OAB/PB if 8899, sem que conste dos autos procuração outorgada pelo contribuinte designando-o representante. Dessa finura, os autos devem retornar à repartição de origem para que seja juntado aos autos o instrumento de designação de representante. Diante do exposto. voto por converter o julgamento em diligência. — AMARYLLES RENALDI E .l-EllstRIQUES RESENDE 5
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905107/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10925.905107/2012-10
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5334696
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.889
nome_arquivo_s : Decisao_10925905107201210.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10925905107201210_5334696.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5372263
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595006627840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 57 1 56 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.905107/201210 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.889 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente PARATI SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 07 /2 01 2- 10 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905107/201210 Acórdão n.º 3801002.889 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000426/2005-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/06/2000
Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/06/2000 Taxa Selic. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10209.000426/2005-01
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5334641
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-001.937
nome_arquivo_s : Decisao_10209000426200501.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 10209000426200501_5334641.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5371893
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595062202368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 134 1 133 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.000426/200501 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.937 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria Preferência Tarifária Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprovaria o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado naquele Acordo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/06/2000 TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 04. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 04 26 /2 00 5- 01 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Andréa Medrado Darzé e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo da exigência de crédito tributário decorrente de procedimento fiscal levado a efeito pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Belém(PA), em decorrência de auditoria concernente à importação de 2.990,455 toneladas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), NCM/SH 2711.13.00, realizada pelo contribuinte Petróleo Brasileiro S/A Petrobrás, CNPJ nº 33.000.167/074490, lastreada na Declaração de ImportaçãoDI nº 00/05273190, registrada em 12/06/2000, com esteio no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela, Países integrantes da Comunidade Andina. Sobredita importação operouse com redução da alíquota do Imposto de Importação no importe de 80%, deslocando, assim, materialmente a alíquota de 6% para 1,2%, consoante os termos do aludido Acordo Internacional. Em procedimento de revisão aduaneira, a fiscalização, após análise empreendida, entendeu que citada operação de importação, nos moldes efetivados pelo contribuinte, não estava acobertada pelo manto ofertado pelo citado Acordo. Segundo relato das autoridades responsáveis, o lançamento, em síntese, foi motivado pelo fato de o Certificado de Origem apresentado pelo importador, de nº ALD1000627751 (fl. 20), que instruiu citada DI (fls. 11/25), não haver atendido aos requisitos constantes dos artigos 4°, 8º e 9° da Resolução nº 252, da Associação LatinoAmericana de Integração – ALADI, aprovada pelo Decreto nº 3.325, de 30/12/1999. E, desse modo, por primeiro, quedou desqualificado tal Certificado de Origem, assim como, restou constatada que sobredita operação de comercialização internacional deuse por intermédio de terceiro estranho aos Países afetos à ALADI, à revelia da observância dos requisitos normativos à espécie cabíveis à fruição de aludida excepcionalidade. Referido panorama conduziu a fiscalização a creditar impropriedade à fruição pelo contribuinte da redução da alíquota do II, prevista no mencionado Acordo de Complementação Econômica n° 39, ensejando a correspondente glosa, o que redundou na exigência do remanescente do Imposto de Importação, acrescido dos juros moratórios, bem como da penalidade de ofício, no importe total, à época da autuação, de R$ 227.368,23. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 3102001.937 S3C1T2 Fl. 135 3 Da impugnação O sujeito passivo, após ter sido cientificado da exação em 30/05/2005, por intermédio de intimação pessoal, consoante faz prova a ciência consignada à fl. 2, apresentou, em 29/06/2005, sua impugnação, conforme peça e anexos juntados às fls. 35/60, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito em apreço, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir, em resumo, colocado: houve descompasso da fiscalização, migrando de duas imputações iniciais a quatro, sem motivação para tal; a operação mercantil em estudo tratase de triangulação comercial, prática comum em âmbito internacional, mormente em razão de otimização de prazo à satisfação de compromissos, bem como da ampliação do espectro de fontes de captação de recursos; a operação de triangulação comercial promovida entre a venezuelana PDVSA Petróleo y Gás S.A., a Petrobrás Internacional Finance Company (PFICO), estabelecida nas Ilhas Cayman – e não em Trinidad e Tobago (erroneamente consignado na DI), País não membro da ALADI e a brasileira Petrobrás não elide a aplicação da redução tarifária inserta em Acordo no âmbito da ALADI; a Resolução nº 252, a qual em trecho reproduz o art. 2º da Resolução nº 232, não abriga definição de operador, tampouco retrata os procedimentos a serem adotados na utilização de referido partícipe comercial; a PFICO, pessoa jurídica integrante do grupo econômico da defendente, não interagiu nessa operação na condição de exportadora, mas sim de operadora comercial, inclusive não tendo sequer a posse da mercadoria em alusão; a própria RFB não disciplinou procedimentos a serem perfilhados, pelos operadores de comércio exterior, nas operações relativas à triangulação comercial, fato impulsionador da apresentação somente da fatura expedida pela PFICO, bem como esta figurar como exportadora; o Certificado de Origem nº ALD1000627751 trouxe a indicação da fatura comercial nº 1023900, expedida pela PDVSA, nos termos do art. 10 da Resolução nº 252. Por seu turno, a fatura expedida pela PFICO traz, igualmente, informações condizentes com as espelhadas em sobredito Certificado, em obediência ao art. 8º da citada Resolução; a ausência de cumprimento ao disposto nas alíneas correspondente ao art. 425, do Decreto 91.030/85, traduz mero reflexo quanto à inexistência de procedimento específico institucional relacionado à triangulação comercial. De outra sorte, somente o exportador é passível de tal reprimenda fiscal, Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 sendo, a PFICO, por sua vez, alheia a tal ação, posto que simples operadora; o imposto de importação tem natureza instrumental, possuindo assim caráter extrafiscal, não nutrindo aspecto arrecadatório; incabível na espécie a penalidade de ofício (75%), tipificada no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96, em virtude da aplicação retroativa benéfica do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, à luz do art. 106 c/c inciso I, do art. 100 do CTN. Sublinha que tal matéria, em situação semelhante, já teria sido decidida favoravelmente à reclamante pelo TRF da 3ª Região; todos os meios de provas aqui são passíveis de serem solicitados com fito de comprovação da matéria alegada. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 12/06/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 12/06/2000 MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGÜIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. O processo administrativo está adstrito à observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável à análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. Lançamento Procedente em Parte Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 3102001.937 S3C1T2 Fl. 136 5 Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não pende recurso de ofício da fração da decisão de primeira instância que afastou parcialmente a exigência. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica PDVSA e a Petrobras International Finance Company (Pifco) seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 310200.127, converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse solicitada a apresentação de todas as faturas correspondentes à operação. Em resposta, a recorrente apresentou novamente cópia da fatura comercial que já constava dos autos. Cumprida tal providência, sem que tenha sido apresentada a Fatura Comercial relativa à transação entabulada entre a pessoa jurídica PDVSA e a Petrobras Internacional Finance Company, retornaram os autos para julgamento. Em face do encerramento do mandato da Conselheira Beatriz Sena, relatora originalmente designada, em 28/02/2013, realizouse novo sorteio para distribuição do feito. Por meio de tal sorteio, este Conselheiro foi designado para relatoria, nos termos do despacho de fl. 133 (numeração digital). É o Relatório. Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Enfrento separadamente cada uma das razões relevantes para a solução do litígio. 1Preferência Tarifária Diferentemente do que se verificou em outros litígios, a devolução dos autos para o órgão preparador, no presente recurso, não surtiu efeito, pois a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. Nesse ponto, preciso é o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos (original não destacado): Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Como é possível concluir, nos termos do dispositivo transcrito, tratandose de preferência tarifária outorgada no âmbito da Aladi, não há espaço para a comprovação do cumprimento das regras de origem por qualquer meio, mas exclusivamente de acordo com as regras, materiais e formais, próprias daquele acordo. O que restará demonstrado, portanto, é que não foram apresentados os documentos exigidos pela legislação que disciplina a preferência objeto do litígio, nem suprida essa ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1.1 Tipicidade e Relação Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) Vejamos o que diz Alberto Xavier1 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, 1 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 3102001.937 S3C1T2 Fl. 137 7 portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges , a seu turno, citando Sainz de Bujanda, não destoa2: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal consequência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se recorrer à analogia, a pretexto de suprir supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloquente do Legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do caput do art. 434. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o Acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não 2 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut , citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. 1.2 Comprovação do Cumprimento das Exigências Inerentes ao Regime de Origem da Aladi No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 8 do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que, diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. A meu ver, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 19 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho à Aladi. A mercadoria, segundo aquele documento, foi embarcada na Venezuela com destino ao Território Brasileiro. O que se discute, de fato, é o cumprimento ou não da Resolução nº 252, em cujo art. 8º lêse: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Como se vê, sem a apresentação da fatura comercial relativa à operação comercial entabulada no país exportador, acreditada pelo certificado de origem, resta Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000426/200501 Acórdão n.º 3102001.937 S3C1T2 Fl. 138 9 prejudicada a comprovação do cumprimento dos requisitos formais estabelecidos na Resolução 252. Confirase, em complementação, o comando do artigo sétimo da mesma resolução 252: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. Concluise, a partir da leitura conjugada dos dois dispositivos, que a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem e este, para ser válido, deve estar acompanhado da fatura relativa à operação comercial que deu ensejo à exportação da mercadoria, a partir de país signatário do acordo de preferência tarifária. Por outro lado, o artigo nono da mesma resolução fixa rito alternativo para o cumprimento das formalidades documentais, quando, como ocorre no presente recurso, tratase de operação triangular envolvendo operador situado em país nãoparticipante do ACE. Vejase sua redação: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Nessa esteira, sendo certo que o sujeito passivo só apresentou a tarifa relativa à operação realizada a partir de terceiro país e que a legislação não aceita a comprovação da origem por meio diverso do previsto no Acordo, forçoso é concluir que não foram apresentados meios hábeis à comprovação da origem e, nessa ordem de consideração, não se pode aplicar a preferência tarifária pleiteada à operação alvo do litígio. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 De fato, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, identificar o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Da mesma forma, não seria suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria teria sido produzida na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral, gizada no caput do art. 434 do RA/85. Repisese que, tratandose de matéria que só pode ser disciplinada em lei ou ato de status equivalente, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. O ato negocial, de fato, “optou” por não admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas nos artigos oitavo e nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem, hipótese que se verifica no presente processo. 2 Taxa Selic Não vejo, finalmente, como afastar a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário. Com efeito, a matéria foi alvo da Súmula CARF nº 04, que reza: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 160DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11853.000855/2011-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11853.000855/2011-87
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5331350
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.648
nome_arquivo_s : Decisao_11853000855201187.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11853000855201187_5331350.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5346554
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595089465344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11853.000855/201187 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.648 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente CAFE DO SITIO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento ao recurso com o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 08 55 /2 01 1- 87 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0348.226, julgado na sessão de 10 de maio de 2012, pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Brasília, referente ao processo administrativo n° 11853.000855/201187, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado Auto d e Infração relativo a cobrança de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do mês de apuração de janeiro/20 06, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$ 49.423,11. O enquadramento legal do lançamento é o art 7 o da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 5/9) ao lançamento alegando, em síntese, que de acordo com as imposições do Art 142 do CTN, o lançamento fiscal obrigatoriam ente deve conter elementos confirmatórios para a sua essência, e deixar clara a tipificação e fundamentação da origem da infraçãotributária. Observa que o inciso IV, art 10 do Dec. 70.235/72, obriga o autu ante a mencionar o dispositivo legal infringido pela contribuinte. No caso, a autoridade lançadora no campo 05 (descrição dos fa tos e fundamento legal) identificou a Lei nº10.246, de 24/04/2002 com fundamento para lançamento de multa por atraso na entreg a do Dacon, normativo este que não trata de penalidades tributárias e sim da Política Agrícola no País; capitulação imprópria que torna nulo o lançamento fiscal.Acrescenta que apresentou a Declaração em atraso, porém espontaneamente, nos termos do artigo 138 do CTN, não cabendo a aplicação de multa sancionatória ou moratória. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes nesse sentido, de não cabimento da multa. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. ” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 5 4 A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DDF de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DDF conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS (DACON). ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o rec olhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal,não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 21.06.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 4953, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. Em que pese em casos idênticos, este Relator tenha sido vencido na questão, entendo ainda assim, por bem, acompanhar a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, nos termos da declaração de voto proferida no acórdão nº 3801002.085, desta Colenda Turma Especial: Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há lei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi realizada a entrega do DACON após o prazo especificado em lei, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 7 6 sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de entregar o DACON dentro de prazo determinado pela lei, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a entrega do DACON em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, que dandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 8 7 o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração entrega extemporânea do DACON, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da DACON espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 9 8 Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 10 9 não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. Muito embora ainda seja vencido nesta Colenda Turma quanto a presente matéria, mantenho as referidas razões de decidir, nos termos do voto da ilustre Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Discordo do voto do Conselheiro Relator, pelas razões abaixo. A fiscalização apurou que a contribuinte entregou fora do prazo o Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon e exigiu multa pelo atraso. Os fatos são incontroversos. A infração está tipificada no art. 7º, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19, da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cito: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 11 10 sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004.) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004.) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (...) § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo.( Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.) Logo, não há razão para se considerar nula a exigência. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 12 11 O enunciado da súmula é o seguinte: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração.” Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: CSRF/0400.574, de 19/06/2007; 19200.096, de 06/10/2008; 10709.410, de 30/05/2008; 101 96.625, de 07/03/2008; 10516.674, de 14/09/2007; 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11853.000855/201187 Acórdão n.º 3801002.648 S3TE01 Fl. 13 12 A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO – DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF nº 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721434/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99.
Recurso de ofício negado.
DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação.
MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1102-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao voluntário, por maioria de votos, dar parcial provimento para cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho de Araújo, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Recurso de ofício negado. DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.721434/2011-80
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347932
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-001.084
nome_arquivo_s : Decisao_10920721434201180.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10920721434201180_5347932.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao voluntário, por maioria de votos, dar parcial provimento para cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho de Araújo, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5454810
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595110436864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 2 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.721434/201180 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1102001.084 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria IRPJ Glosa Despesas Indenização e Amortização de Deságio Recorrentes TESC TERMINAL SANTA CATARINA S.A. DRJ Fortaleza ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Recurso de ofício negado. DISTRATO. INDENIZAÇÃO. DESPESA. A obrigação de indenizar contraída em decorrência de distrato de contrato de acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao voluntário, por maioria de votos, dar parcial provimento para cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Evande Carvalho de Araújo, que negavam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 14 34 /2 01 1- 80 Fl. 2125DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DISTRATO. INDENIZAÇÃO. ATIVO DIFERIDO. DESPESA. A obrigação assumida, a título de indenização, em razão do rompimento de contrato entre acionistas constitui valor dedutível na apuração do lucro operacional do próprio exercício da obrigação. Incabível ativarse o importe de tal obrigação para fins de amortizalo mediante cotas dedutíveis na apuração dos lucros de exercícios futuros. DESÁGIO. OUTRAS RAZÕES ECONÔMICAS. REGISTRO. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com deságio, cujo fundamento sejam outras razões econômicas (que não a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de seus bens, ou a expectativa de rentabilidade futura, ou a existência de fundo de comércio ou outro intangível), deverá registrar o valor correspondente como receita diferida ou em conta do patrimônio líquido, não sendo devida a sua amortização, mas devendo ser computado como receita no encerramento das atividades da empresa ou compor a apuração de ganho de capital no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Não há óbice para a imposição cumulativa de multa de ofício e multa isolada, uma vez que tratam de obrigações tributárias de natureza diversa, possuem bases de cálculo autônomas e alíquotas diferentes. Fl. 2126DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MULTA. CONFISCO. Não cabe aos órgãos administrativos de julgamento a discussão de constitucionalidade de lei, que está devidamente fundamentando o lançamento tributário, ressalvadas as exceções expressamente previstas em lei. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o presente processo de cinco autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos aos anos de 2006 a 2010, conforme os valores contidos na tabela seguinte (todos os valores monetários estão expressos em reais): A autoridade tributária apontou três infrações que resultaram na apropriação indevida de receitas e despesas, reduzindo os valores apurados dos tributos. A ação fiscal e seus fundamentos estão apontados no Relatório Fiscal de fls. 1237/1248, do qual se extrai o seguinte resumo: 1. Recuperação de despesas: PIS e Cofins pagos indevidamente. O contribuinte teria adicionado ao lucro real um valor inferior à despesa recuperada a título de PIS e Cofins pagos indevidamente quando da prestação de serviços de transporte internacional de carga marítima a residente ou domiciliado no exterior. 2. Extinção do contrato de acionistas: a. em outubro de 2005, os sócios da empresa autuada, Cargotop e Cejen Engenharia, detentores de 99,9% do capital social, celebraram um acordo de acionistas pelo qual o sócio Cejen Engenharia adquiriu o direito de preferência na contratação de obras a serem realizadas pela empresa autuada; Fl. 2127DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 5 4 b. em março de 2006, o acordo foi desfeito mediante a celebração de uma transação entre as partes, pela qual a Cargotop pagou uma indenização à Cejen Engenharia, no valor de R$ 3.175.513,15; c. a Cargotop contabiliza a referida indenização no seu ativo diferido; d. ainda em março de 2006, a Cejen Engenharia se retira da sociedade, o passo em que a Cargotop integraliza mais capital da empresa autuada; e. em junho de 2006, o sócio Cargotop possuía prejuízos acumulados e detinha mais de 99,99% do capital social da empresa autuada, quando foi incorporado por esta; f. a partir de 2007, a empresa autuada passa a amortizar o referido ativo diferido, reduzindo as estimativas mensais de IRPJ e CSLL; g. em dezembro de 2007, a empresa autuada dá baixa do restante do referido ativo diferido, contra a conta “lucros acumulados”, como um ajuste de exercícios anteriores; h. a autoridade fiscal entendeu que a indenização supracitada não poderia ser caracterizada como ativo diferido; na verdade, ela seria uma despesa não operacional da empresa Cargotop e, como tal, deveria ter sido apropriada no seu resultado, no momento da sua extinção por incorporação; i. de efeito, aquela autoridade entendeu como indevidas as apropriações realizadas pela empresa autuada, incorporadora da Cargotop. 3. Amortização de deságio na incorporação da Cargotop: a. em setembro de 2004, a empresa Cargotop adquiriu mais de 70% das ações da empresa autuada, com valor patrimonial de R$ 21.056.194,05; b. contudo, o valor pago nessa transação foi de R$ 5.242.619,58, ocasionando o registro de um deságio pela adquirente, no valor de R$ 15.813.574,47; c. em junho de 2006, a empresa autuada incorporou a Cargotop, cujo valor patrimonial era R$ 56.423.712,88, incluindo o deságio supracitado; d. contudo, a empresa autuada registrou esse investimento diretamente na conta capital social, pelo valor de R$ 40.610.134,26, ou seja, já apropriando o valor do referido deságio; e. a autoridade autuante, após intimar e analisar as respostas do contribuinte, concluiu que o referido deságio tem natureza de expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento e, como tal, deveria ser amortizado, no mínimo, a 1/60 avos por mês, a partir de julho de 2006, oferecendo à tributação os valores mensais correspondentes. Fl. 2128DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 6 5 Multa isolada sobre IRPJ e CSLL estimativa: as infrações descritas nos itens 1 e 3 acima causaram o efeito de reduzir as estimativas mensais de IRPJ e CSLL da empresa autuada, ensejando a aplicação da multa isolada prevista nos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, considerandose os valores apurados/declarados pelo contribuinte. Por fim, também foram verificadas divergências entre os valores apurados e os valores declarados de IRPJ e CSLL relativos ao ano 2009, resultando em lançamento apenas de CSLL, uma vez que o déficit de IRPJ foi anulado pela existência de imposto retido na fonte. Cientificado pessoalmente do lançamento em 09/11/2011 (fl. 1302), o contribuinte apresentou cinco impugnações, uma para cada auto de infração, em 09/12/2011 (fls. 1328/1350, 1449/1472, 1579/1595, 1728/1744 e 1879/1901). Em sua defesa, o impugnante traz os argumentos resumidos a seguir: 1. Recuperação de despesas: PIS e Cofins pagos indevidamente. Quanto a essa irregularidade, o impugnante reconhece o erro nos ajustes que realizou por ocasião da sua apuração do lucro tributável. 2. Extinção do contrato de acionistas e registro, no ativo diferido da Cargotop, da despesa com a respectiva indenização: o impugnante sustenta como correta a escrituração da referida despesa no ativo diferido da Cargotop; entende que a despesa é um ativo intangível passível de amortização no período de tempo em que estiver contribuindo para a formação do resultado da empresa, o que satisfaz a regra do artigo 179 da Lei das S/A e a regra contida no artigo 325 do RIR/99. 3. Amortização de deságio na incorporação da Cargotop e seu fundamento econômico: a. o impugnante afirma que está incorreto o raciocínio realizado pela autoridade autuante pelo qual concluiu que o fundamento do deságio em tela é a expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento; afirma que as informações que prestou àquela autoridade não permitem essa conclusão e que houve uma confusão entre o fato e sua projeção; b. a fundamentação econômica do deságio é representada por "outras razões econômicas" e o fundamento fático é a desvalorização do TESC, causada pela ausência de conhecimento, técnica, competência gerencial, governança e expertise comercial e operacional por parte dos antigos acionistas, levandoo a sucessivos prejuízos; c. o TESC informou à fiscalização que foram os prejuízos seguidos da companhia as circunstâncias fáticas que originaram o deságio e nunca afirmou que a Cargotop projetara prejuízos futuros; d. a inexistência de projeções que justifiquem a adoção da perspectiva de rentabilidade futura negativa como fundamento do deságio impedem a Fl. 2129DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 7 6 conclusão a que chegou a fiscalização, sob pena de violação das normas contábeis e tributárias; e. paralelamente, o que teria justificado a aquisição por valor inferior ao patrimonial é o fato de que o maior acionista da Companhia a época do investimento era a Portus Instituto de Seguridade Social, uma entidade de previdência complementar fechada que estava sendo obrigada a alienar o investimento para enquadrarse à Resolução n. 3.121/03 do Banco Central do Brasil, que lhe impunha o limite de 20% de participação no capital social de suas investidas; f. no mundo real dos negócios, verificase que sempre quando um "vendedor" tem a necessidade premente e temporal de se desfazer de algum ativo, (desinvestimento por motivos regulatórios, legais, necessidade de liquidez, conflitos de governança corporativa), tais aspectos se refletem diretamente na redução do preço desse ativo; g. outra circunstância digna de nota que justificava a necessidade da Portus de alienar o investimento era a sua incapacidade de relacionamento com o acionista Cejen, que constantemente utilizava seus poderes previstos no Acordo de Acionistas da Companhia para bloquear os projetos de investimento e deliberações societárias do TESC. A impossibilidade de promoverse aumentos de capital sem a concordância da Cejen, aliado ainda à falta de conhecimento da Portus sobre o mercado marítimo e portuário são circunstâncias adicionais que influenciavam a necessidade da Portus de alienar o seu investimento, necessidade esta de que a Cargotop utilizouse para fazer uma aquisição a um bom preço; h. o procedimento adotado pelo contribuinte, de não amortizar o deságio fundamentado em outras razões econômicas, é correto e encontra amparo no art. 1º, parágrafo 3º, inciso III da IN 11/99 da RFB e, de forma ainda mais contundente, no art. 14, parágrafo 4º da Instrução CVM n. 247, de 27 de março de 1996. 4. Cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício: entende o impugnante que é impossível a cominação simultânea da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais dos tributos e da multa proporcional pelo não pagamento do tributo apurado no final do exercício, em razão de configurar dupla penalidade sobre uma mesma infração. 5. Efeito de confisco das multas aplicadas: entende o impugnante que os percentuais das multas exigidas (75% e 50%) dão a elas o efeito de confisco, o que é defeso pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal. Ademais, ferem o princípio da razoabilidade e o princípio da capacidade contributiva, contido no 145, §1º da Carta Magna. Ao final, o impugnante requer: o reconhecimento da improcedência das exigências realizadas; o afastamento da cominação simultânea das multas isolada e parcial, para o fim de manter apenas a menos gravosa; o reconhecimento do caráter abusivo e confiscatório das multas aplicadas, as Fl. 2130DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 8 7 quais não respeitam os limites impostos pela Constituição Federal; o reconhecimento do direito de apresentação posterior de documentos que venham a ratificar as alegações ora aduzidas. (...)” O acórdão recorrido julgou procedente em parte a impugnação, cancelando o lançamento na parte que se refere à tributação da amortização do deságio na aquisição da empresa Cargotop, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita. Ante a exoneração parcial do crédito tributário acima do valor de alçada, previsto na Portaria do Ministério da Fazenda nº 3/2008, o Colegiado a quo, suscitou de ofício o reexame da matéria a este órgão julgador de segunda instância. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à improcedência da descaracterização contábil do ativo diferido da Cargotop; (ii) à impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada e da multa proporcional; e (iii) ao efeito confiscatório das multas aplicadas. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso de ofício e voluntário atendem aos pressupostos de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. (i) Recurso de Ofício Segundo o acórdão recorrido, os lançamentos devem ser cancelados na parte relativa à tributação da receita de amortização de deságio que, supostamente, não havia sido oferecida à tributação, em virtude do registro do investimento ter sido efetuado pelo valor líquido, sem o respectivo desdobramento do deságio. A Fiscalização efetuou os lançamentos sob a alegação de que o deságio na aquisição da empresa Cargotop teve como fundamento econômico a expectativa de rentabilidade futura negativa do investimento. Portanto, a partir da incorporação da referida empresa pela recorrente, o deságio deveria ter sido amortizado e a respectiva receita oferecida à tributação, conforme disposto nos arts. 385, § 2º, II e 386, IV do RIR/99. O acórdão a quo, analisando os documentos carreados ao processo, concluiu que o fundamento do deságio não foi a expectativa de resultado futuro negativo do investimento, mas sim um fundamento residual, o que implica mudança de regra de tributação, na medida em que o deságio, nesta hipótese, somente seria objeto de tributação quando da alienação da participação ou quando do encerramento das atividades da empresa. Em relação ao fundamento econômico do deságio, concluiu o acórdão recorrido que: “Por seu turno, o impugnante afirma que a fundamentação econômica do deságio é representada por ‘outras razões econômicas’ e o fundamento fático é a desvalorização da investida, causada por várias dificuldades de natureza administrativa. Afirma que a inexistência de projeções de prejuízos Fl. 2131DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 9 8 futuros da investida impede a conclusão a que chegou a fiscalização, sob pena de violação das normas contábeis e tributárias. Afirma ainda que o procedimento contábil adotado é correto e encontra amparo no Art. 1º, parágrafo 3º, inciso III da IN 11/99 da RFB e no art. 14, parágrafo 4º da Instrução CVM n. 247, de 27 de março de 1996. A empresa Cargotop, ao contabilizar a referida aquisição, registrou o fundamento do deságio da seguinte forma (fl. 253): “Fundamento econômico: Fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. (Art. 385, §2º, inciso III do RIR/99) Direito de exploração de terminal portuário de uso público.” Verificase uma incoerência no registro realizado pelo contribuinte, pois não há como surgir um deságio em razão da existência de um bem intangível (direito de exploração). Essa inconsistência dá margem para que a fiscalização investigue a real causa do deságio. Em resposta a nova intimação (fl. 261), o contribuinte informou que: “item 2: O deságio foi contabilizado tendo como origem "outras razões econômicas". O deságio pago pela Cargotop na aquisição do investimento foi originado no fato de que a Companhia vinha apresentando prejuízos contábeis seguidamente. No ano de 2002 apurou prejuízo no valor de R$ 10,7 milhões e, no ano de 2003, prejuízo de R$ 15,5 milhões. Tal situação vinha ocasionando um desequilíbrio econômico e financeiro que colocava a continuidade operacional da Companhia em risco, enquanto que o valor de mercado de suas ações perdiam valor continuamente”. Acrescentou, ainda, que um parecer emitido por empresa de auditoria constatou que a continuidade operacional da Companhia está vinculada ao sucesso de um processo de reestruturação. Conforme as razões informadas por ocasião da ação fiscal, que são compatíveis com os novos fatos expostos na impugnação, poderseia resumir o fundamento adotado pelo contribuinte como: o valor de mercado da empresa é menor do que o seu valor patrimonial. Contudo, não há um estudo técnico que traga essa afirmativa e, muito menos, que quantifique essa divergência de valores. É certo que, se o valor de mercado da empresa está baixo, há uma expectativa de prejuízos futuros, o que torna razoável o entendimento da autoridade autuante. Contudo, não se pode olvidar as exigências legais para se adotar tal fundamento, especialmente a contida no §3º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 19771. Inexistindo as demonstrações exigidas por esse dispositivo legal, não há como suportar a afirmação de que o contribuinte adotou o fundamento da expectativa de resultados futuros. Fl. 2132DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 10 9 Dessa forma, é forçoso aceitar a afirmação do contribuinte de que o fundamento do deságio são razões econômicas que não estão relacionadas com o valor dos bens do ativo, com a expectativa de rentabilidade futura ou com a existência de intangíveis no seu patrimônio.” (grifouse) O acórdão recorrido não merece reparos. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor deveria estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Sem a adequada fundamentação econômica, no caso, refutada veementemente pela própria Contribuinte, é defeso à Fiscalização conjecturar que o fundamento econômico do deságio seria a da previsão de resultados futuros negativos do investimento. Assim ocorre em relação aos contribuintes em geral, em contrapartida, nas hipóteses de registo de ágio baseado em rentabilidade futura do investimento, nas quais é indispensável a demonstração (por um laudo ou qualquer outro demonstrativo) do real fundamento econômico do ágio. Rejeitase, pois, o recurso de ofício. (ii) Recurso Voluntário a. Da descaracterização contábil do ativo diferido da Cargotop Cingese a discussão acerca da possibilidade (ou não) de a sucedida da Contribuinte registrar no seu ativo diferido, sujeito à amortização, despesa referente à indenização paga em virtude da quebra de um acordo de acionistas que previa o direito . Entendeu o acórdão recorrido que a indenização foi incorretamente registrada no ativo diferido, devendo o valor ter sido escriturado como despesa (não operacional) no resultado da empresa Cargotop (excontroladora que, posteriormente, foi incorporada pela Contribuinte), o que poderia aumentar, desta forma, o seu saldo de prejuízo fiscal. Como a referida empresa foi incorporada e, tendo em vista o disposto no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, o acórdão combatido manteve o lançamento sob o fundamento de que a Contribuinte não poderia se valer dos prejuízos fiscais da empresa incorporada, verbis: “Sendo incorreta a ativação da despesa da empresa Cargotop, verifica se que esta despesa deveria ter composto o resultado da incorporada, como prejuízo acumulado, sendo defeso à incorporadora a compensação desse valor na apuração do seu resultado, por força do artigo 33 do DecretoLei nº 2.341, de 1987: ‘Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida.’ Assim, são indevidas as apropriações realizadas pela empresa autuada, sejam as apropriações mensais, seja a apropriação realizada no encerramento do exercício de 2007, devendo ser mantidas as respectivas glosas os lançamentos tributários correspondentes, ou seja, parte do lançamento de IRPJ e parte do lançamento de CSLL.” Fl. 2133DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 11 10 Aduz a Contribuinte que o pagamento de referida indenização está relacionada à reestruturação de negócios da empresa, sendo que a sua classificação contábil na conta de ativo diferido estava em linha com a legislação vigente à época. Pois bem. A indenização em referência foi acordada mediante a celebração de “Instrumento Particular de Transação e Quitação de Obrigações Recíprocas e Outros Pactos” (fls. 119 a 132), cuja cláusula 2.1. estabelecia que: “2.1. Pelo presente Instrumento e na melhor forma de direito, Cargotop com o fim de evitar e prevenir eventual conflito e/ou litígio com a Cejen em razão da extinção de sua suposta expectativa de direito na realização e/ou fiscalização das obras de engenharia referentes à ampliação do Terminal São Francisco, obrigase a pagar à Cejen o valor de R$ 3.250.000,00 (três milhões, duzentos e cinquenta mil reais) (o ‘Preço’), na forma definida no item 2.2. abaixo.” A referida “expectativa de direito” estava prevista na cláusula 13.2. do Acordo de Acionistas (fls. 151 a 164) firmado pela Contribuinte. Confirase: “13.2. Caberá ao Conselho e Administração da COMPANHIA decidir sobre a oportunidade e as condições de préqualificação e de realização da concorrência aludidas em 13.1 – que deverão contemplar concepção técnica do projeto, execução de engenharia, garantias, preço e condições de pagamento, prazo e financiamento – comprometendose os ACIONISTAS em prover no sentido de que seja aberta à CEJEN a oportunidade de realizar as referidas obras, desde que não seja contrariado o pressuposto essencial de preservação dos interesses da COMPANHIA.” Da leitura dos referidos dispositivos contratuais, pode se concluir que a Cargotop pagou uma indenização à Cejen para que esta (Cerjen) renunciasse ao direito de ser prioritariamente contratada para a prestação de serviços de engenharia definidos no acordo. O art. 179, V da Lei das SA, na redação vigente à época dos fatos, dispunha sobre o conceito diferido das sociedades, verbis: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais.” (grifei) Sobre o conceito contábil de ativo diferido, é válido reproduzir os artigos da Norma de Procedimento Contábil (NPC) VIII, expedido pelo IBRACON, que tratava das normas contábeis aplicáveis ao “Ativo Diferido” à época dos fatos, verbis: “Definição, conceitos gerais, avaliação, amortização 1. Classificamse no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social. Estão compreendidas nesta classificação, entre outras, as Fl. 2134DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 12 11 despesas de organização, custo de estudos e projetos, despesas pré operacionais, despesas com investigação científica e tecnológica para desenvolvimento de produtos ou processos de produção e encargos incorridos com a reorganização ou reestruturação da entidade. (...) O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, conseqüentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao principio básico de conservadorismo. (...) 3. Considerações sobre os Principais Exemplos de despesas classificáveis no diferido Despesas de organização Como despesas de organização se entendem, apenas, aqueles custos e gastos incorridos para a formação da entidade, isto é, para que a entidade esteja jurídica e efetivamente em condições de existir. Essas despesas, normalmente, incluem itens, tais como, honorários profissionais para a elaboração dos contratos ou estatutos, despesas de legalização desses documentos e custos dos primeiros registros oficiais da empresa e respectiva legalização. As despesas de organização terminam, assim, quando é legalizada a empresa. A amortização dessas despesas deverá ser feita a partir do início das operações comerciais ou industriais da entidade e não a partir do ano que ela foi constituída. (...) Gastos incorridos com reorganização ou reestruturação da entidade Os gastos com a reorganização ou reestruturação da entidade não devem ser diferidos, a não ser que contribuam para a formação do resultado de períodos subseqüentes. O acréscimo na eficiência ou a redução nos custos operacionais proporcionados pela reorganização ou Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 13 12 reestruturação não são considerados como contribuição para a formação de resultado para fins do teste para a decisão entre diferir ou lançar diretamente às despesas os correspondentes gastos. (...)” (grifouse) Improcedem as razões da Contribuinte na defesa da classificação contábil do pagamento da indenização em referência. O argumento de que referido pagamento fazia parte da reestruturação no negócio da empresa, gerando mais eficiência (“incremento em sua atividade”), não deve prevalecer, pois a norma contábil acima citada dispõe que os gastos com a reorganização ou reestruturação da entidade apenas devem ser diferidos caso contribuam comprovadamente para a formação do resultado de períodos subsequentes. No caso, a indenização em referência visava “evitar e prevenir eventual conflito e/ou litígio com a Cejen em razão da extinção de sua suposta expectativa de direito na realização e/ou fiscalização das obras de engenharia referentes à ampliação do Terminal São Francisco”, cuja natureza e finalidade não podem ser relacionadas à restruturação dos negócios da Contribuinte. Não bastasse, referido NPC dispôs que o conceito de “formação de resultado em períodos diversos” deve ser “uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros”. Tal circunstância também não restou demonstrada nos autos pela Contribuinte. Assim, como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, a despesa deveria ter sido reconhecida no resultado da empresa em março de 2006, aumentando o seu saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL naquele período. Não há que se falar sobre restabelecimento de eventuais prejuízos de IRPJ e CSLL, seja pela ausência de previsão legal para sua utilização pela empresa sucessora, seja pelo fato de o tema não ser objeto de cognição por esse Colegiado, limitado à regularidade (ou não) dos lançamentos tributários. b. Impossibilidade de cobrança cumulativa da multa isolada e da multa proporcional Segundo corrente jurisprudencial majoritária, cujos fundamentos ora se adota como razão de decidir, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 14 13 só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105 139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Também é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10920.721434/201180 Acórdão n.º 1102001.084 S1C1T2 Fl. 15 14 imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Do exame dos autos, verificase que os lançamentos de multas isoladas decorreram das infrações que originaram os próprios autos de infração de IRPJ e CSLL, estes já acompanhados da regular multa de ofício de 75% dos tributos lançados. Verbis: Multa isolada sobre IRPJ e CSLL estimativa: as infrações descritas nos itens 1 e 3 acima causaram o efeito de reduzir as estimativas mensais de IRPJ e CSLL da empresa autuada, ensejando a aplicação da multa isolada prevista nos artigos 43 e 44 da Lei nº 9.430, de 1996, considerandose os valores apurados/declarados pelo contribuinte.” Nesse sentido, considerandose a concomitância entre as penalidades de ofício, impõese o afastamento das multas isoladas aplicadas no caso. (iii) Conclusão Por todo o exposto, orientase voto no sentido de (a) conhecer do recurso de ofício, para negarlhe provimento; e (b) conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento, a fim de cancelar a imposição de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13 /05/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 15504.721726/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.721726/2013-17
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348057
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-000.431
nome_arquivo_s : Decisao_15504721726201317.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 15504721726201317_5348057.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presente autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5456726
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595151331328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.721726/201317 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.431 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 14 de abril de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LEME ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presente autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 21 72 6/ 20 13 -1 7 Fl. 19697DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernentes à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, para as competências 01/2009 a 12/2009. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória, que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, oriundos dos seguintes fatos: 1. aluguéis residenciais do apartamento à rua Paulo Camil Pena, 585, Belvedere, Belo Horizonte/MG, cedido para moradia do empregado Jean Joseph Marie Bouckaert, contratado para atuar na matriz em Belo Horizonte, onde se deu sua admissão; 2. cartão ecx combustível, em valores fixos, fornecidos no período 01/2008 a 01/2009, a Dejair Soares Porto e Carlos Roberto de Oliveira; 3. PLR a empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000; 4. despesas de farmácia e reembolso óculos pagos apenas a empregados da filial Florianópolis; 5. bolsas de estágio pagas sem o termo de compromisso no mês de competência da prestação de serviços; 6. valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos como segurados contribuintes empresários de pretensas pessoas jurídicas contratadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/03/2013 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. Ilegalidade na caracterização como empregados da impugnante, dos sócios das empresas contratadas. Fl. 19698DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 4 3 2. Ofensa ao regime de tributação instituído pelo art. 129 da Lei 11.196/2005. O lançamento contraria o art. 50 do Código Civil de duas formas: Primeiro, porque inexiste no caso autorização legal para que a própria autoridade administrativa, à margem do processo judicial, proceda à desconsideração da personalidade jurídica das contratadas. Segundo, porque a responsabilidade pelas obrigações decorrentes da desconsideração da personalidade jurídica é dos sócios da pessoa jurídica desconsiderada. Transcreve o art. 150, §1º, inciso II e §2º, incisos I e II do RIR/99, concluindo que essa legislação, anterior ao art. 129 da Lei 11.196/2005, impedia a constituição de uma sociedade com o fim de atrair as normas de tributação da pessoa jurídica a uma pessoa física que prestasse serviços de engenheiros ou assemelhados com os caracteres de uma relação personalíssima. Ademais, o lançamento fere o art. 129 da Lei 11.196/2005, que alterando a legislação anterior, trouxe novo regime de tributação definido em razão da natureza do serviço prestado, e não mais em razão do caráter personalíssimo ou da relação existentes entre seu sócio e terceiros. A nova ordem jurídica teria impedido a desconsideração da personalidade jurídica para fins de aplicar normas tributárias pertinentes à pessoa física, na medida em que ela própria atribui a essas sociedades o regime de tributação de pessoas jurídicas unicamente em razão da natureza do serviço prestado, sendo irrelevante o caráter personalíssimo e demais características existentes na relação entre seu sócio e terceiros. Não se trata, pois, de simulação de sociedades com o intuito de encobrir uma relação de emprego. A partir da Lei 11.196/2005, constituída a sociedade para a prestação de serviços técnicos, a lei determina a incidência da legislação aplicável às pessoas jurídicas; 3. Ilegalidade da utilização da aferição indireta sem a presença dos pressupostos autorizadores. Outra ilegalidade que acomete o lançamento foi de, sem que estivessem presentes os pressupostos legais do arbitramento (art. 148 do CTN e art. 33, §6º da Lei 8.212/91), utilizar o método da aferição indireta para apurar os valores da remuneração paga ao prestador de serviços em caráter pessoal: presumiuse que todos os valores pagos pela impugnante às sociedades contratadas foram direcionados integralmente ao sócio. Cita doutrina de Mizabel Derzi e Sacha Calmon sobre a excepcionalidade da adoção do procedimento do arbitramento, que só pode ser utilizado se esgotadas as possibilidades de reconstrução da verdade material. No caso concreto, não foi realizada qualquer medida para verificar quanto dos valores pagos pela impugnante constituiu remuneração do sócio apontado como prestador de serviço em caráter pessoal, de forma a segregálo dos valores direcionados aos outros sócios da contratada. Não é razoável supor que todo o valor pago foi todo direcionado ao sócio prestador dos serviços porque seria afirmar que o outro sócio nada recebeu, o que significa a presunção de uma nulidade do contrato de constituição da sociedade desconsiderada, que não foi sequer levantada, muito menos comprovada. Logo, presunção desconectada da realidade, Fl. 19699DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 5 4 desarrazoada, contraria o que comumente ocorre e o que determina o art. 1.008 do Código Civil. Conclui que a apuração da base de cálculo destoa dos parâmetros do art. 148 do CTN e do art. 33 da Lei 8.212/91; 4. Nulidade por ausência de fundamentação legal para a aferição indireta. O lançamento contém vicio de motivação legal a demandar sua anulação uma vez que não constou do anexo “fundamentos legais do débito” os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei 8.212/91. Cita jurisprudência administrativa; 5. Equívoco na composição da base de cálculo. Necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais. A base de cálculo não poderia ser fixada no valor integral das notas fiscais de serviços. Partindose da premissa de que a desconsideração é válida, o correto seria apurar os lucros distribuídos aos sócios das pessoas jurídicas desconsideradas e a tributação como salário apenas de parte desses valores, ou seja, o que a pessoa física do sócio recebeu como remuneração pela prestação laboral. Assim, seria necessário, no mínimo, que fosse abatido o montante da carga tributária suportada pelas pessoas jurídicas desconsideradas, de modo a alcançar valores mais próximos do salário de contribuição. Neste contexto e considerando que as notas fiscais de prestação de serviço sofrem retenções na fonte, impõese, subsidiariamente, a redução da base de cálculo apurada para que dela sejam excluídos os tributos retidos na nota fiscal, quais sejam IR, CSLL, PIS e CONFINS. Logo, ainda que se pretendesse utilizar o valor das notas fiscais para apurar o salário de contribuição este nunca poderia ser o montante bruto da nota, eis que as retenções na fonte realizadas pela impugnante reduzem a remuneração paga à pessoa jurídica contratada, diminuindo a base de cálculo previdenciária; 6. Inexistência de simulação e vínculo empregatício. Da atividade da impugnante e característica dos serviços por ela tomados. O falso cenário apresentado pelo lançamento. As contratações debatidas ocorrem em um cenário em que a impugnante é uma empresa tem por atividade fim desenvolvimento de trabalhos técnicos relacionados à engenharia para usinas de energia elétrica e infraestrutura, que consiste na elaboração de projetos completos de engenharia relativos a essas obras. Dada a magnitude e complexidade dessa atividade fim, a impugnante necessita de mãodeobra de diversas especialidades. A demanda por determinadas capacidades e especializações técnicas é, porém, variável em função da especificidade de cada obra. Logo, não há necessidade manter em seu quadro de empregados as mais diversas especialidades, que nem sempre serão utilizados nos projetos em que a empresa está envolvida. São profissionais que autuam nos mais variados projetos desenvolvidos por diversas empresas e se lançam no mercado por meio de sociedades profissionais regularmente constituídas que são contratadas quando forem necessárias a determinado projeto. Esse cenário afasta o contexto apresentado no Fl. 19700DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 6 5 lançamento fiscal, de contratos de emprego por meio de simulação de contratos com pessoas jurídicas. Pelo número de empregados da impugnante devidamente declarados em RAIS e GFIP (doc. 05) nota se que os sócios das empresas contratadas correspondem apenas a 10% do total de empregados. A contratação de pessoas jurídicas de profissionais especializados não é regra, se dá em razão de necessidades momentâneas da impugnante. A presença isolada da onerosidade e a não eventualidade nos contratos não é suficiente para configurar a relação de emprego. São características comuns a quase a totalidade dos contratos típicos do direito privado. Quanto aos demais requisitos da relação de emprego, não se encontram presentes; 7. Inexistência de subordinação. A subordinação que caracteriza o contrato de emprego é a subordinação sobre como fazer, como realizar o trabalho, por meio do qual o empregador controla e dirige qual técnica será utilizada e como será utilizada. Transcreve jurisprudência. Não se pode confundir a subordinação do empregado ao poder diretivo do empregador com a subordinação das partes ao contrato celebrado, próprio do contrato civil de prestação de serviços. A subordinação presente no contrato civil se apresenta como vinculação das partes às obrigações do contrato, em razão o princípio pacta sunt servanda. O tomador dos serviços, por exemplo, é obrigado a respeitar os prazos e não exigir a conclusão dos trabalhos antes do prazo, é obrigado a realizar o pagamento do preço do contrato. Enquanto que o prestador deve concluílo no prazo, respeitar os limites de despesas reembolsáveis, cobrar pelas horas efetivamente trabalhadas e ter como diretriz a obra para a qual seu trabalho se destina. Porém, o desenvolvimento das atividades é realizado com independência e autonomia técnica, ou seja, sem subordinação do prestador ao tomador. Na área de engenharia é isso que ocorre: o prestador se obriga a entregar os trabalhos técnicos contratados (planta, laudo, etc.) sem que tais trabalhos tenham sido desenvolvidos com a ingerência técnica do contratante. Enquanto na relação de emprego há subordinação técnica de como realizar o trabalho, na relação de prestação de serviços a técnica é de aplicação exclusiva e independente do prestador. Assim, não se pode confundir a obrigação do prestador de se submeter a controle de prazos e financeiros do tomador (por exemplo, medição de horas de serviços, atenção para características da obra para a qual se destina o trabalho técnico) com a subordinação técnica de como fazer o trabalho. A Leme não tem nenhuma ingerência sobre a aplicação dos conhecimentos técnicos por parte dos profissionais que integram as pessoas jurídicas que contrata, apenas exige que atentem para as características da obra e o escopo do projeto. A Lei 5.194/66, que regula a profissão de engenheiro, determina que esses profissionais tenham autonomia e independência na elaboração de projetos. Transcreve os arts. 18 e parágrafo único, 19 e 20, parágrafo único da citada Lei. No caso dos autos, é incontroverso que os trabalhos deveriam ser realizados de forma pessoal pelo profissional motivo pelo qual não se revela possível que outro profissional tenha assumido os projetos. Conclui Fl. 19701DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 7 6 se que, por determinação legal, esses profissionais assumem a responsabilidade exclusiva pelo projeto, o que inviabiliza a ingerência técnica da Leme sobre os projetos por eles elaborados. Logo, impossível caracterizar, diante da pessoalidade da prestação e da responsabilidade exclusiva pelo projeto, qualquer ingerência técnica da Leme Engenharia, o que descaracteriza a presença de subordinação. O trabalho pessoal do sócio é elemento característico das sociedades destinadas à prestação de serviços intelectuais de forma pessoal pelos sócios e não uma razão para desconsideração de sua personalidade jurídica. Os serviços constantes do lançamento são técnicos de engenharia ou relacionados à engenharia. Logo, nítido o caráter intelectual dos mesmos. Em assim sendo, o art. 966, parágrafo único do CC exclui o caráter empresarial da sociedade. Não sendo empresária a sociedade organiza os fatores de produção para exercer sua atividade, dentre eles a mãodeobra, pois esta organização é característica de uma sociedade empresária (CC art. 982); 8. Da variabilidade e descontinuidade dos pagamentos realizados pela impugnante: descaracterização da relação de emprego. A considerável variabilidade dos valores pagos mensalmente pela execução dos contratos, demonstrada através de planilhas anexas à defesa (doc. 06) comprovam que a impugnante celebra legítimos contratos civis de prestação de serviços e apontam para a validade e legitimidade dos mesmos, impedindo sua desconsideração para fins de tributar uma suposta relação de emprego. Tal variação afasta a pretensão de classificar como empregados as pessoas jurídicas contratadas uma vez que, em contrato de emprego, a remuneração é a mesma em todos os meses trabalhados, pois paga pelo tempo que o empregado fica à disposição do empregador e que a jornada de trabalho é definida, a teor do art. 74 da CLT. No caso dos autos, as pessoas jurídicas contratadas trabalham o tempo necessário para cumprir o contrato celebrado e entregar o trabalho técnico no prazo avençado. Esta é a razão dos valores mensais pela execução do contrato serem extremamente variáveis: não existe tempo certo pelo qual as pessoas envolvidas na execução do contrato ficavam à disposição da impugnante. Em muitos casos a remuneração sofre diminuição de um mês para outro, principalmente nos últimos pagamentos realizados, o que é incompatível com o já citado artigo da Constituição Federal. A explicação é que os pagamentos não se dão em função da disponibilidade, mas das horas efetivamente gastas na execução do contrato. O contrato se dá para a execução de um contrato com autonomia e independência e não na remuneração pelo tempo à disposição do contratante. Ademais os anexos CE2008 e CV 2009 demonstram que na grande maioria dos casos não há emissão de notas fiscais em todos os meses e verificase emissão de mais de uma nota fiscal no mesmo mês com valores distintos. O pagamento agrupado por sociedade contratada permite ainda visualizar o total equivoco ao afirmar a suposta não eventualidade.Cita exemplos. De qualquer forma, tratandose de contratos para desempenho de trabalhos técnicos não há impedimento para que os pagamentos sejam Fl. 19702DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 8 7 feitos mensalmente de maneira uniforme. Os contratos que tenham por objeto a entrega de trabalho técnico de engenharia (desenho, laudo, projeto, etc) para que seja integrado pela impugnante a um projeto maior que deve entregar a seu cliente configurase como contrato de empreitada que, geralmente, é fechado a preço global, pratica não vedada em lei. Assim, não descaracteriza o contrato o fato de o preço ser pago de forma parcelada durante a execução do trabalho, inexistindo motivo para desconsideração do contrato de prestação de serviço pela uniformidade dos pagamentos ao longo do contrato; 9. Distinção entre os objetos dos contratos da Leme com seus clientes e aqueles celebrados pela Leme com as sociedades contratadas. As sociedades contratadas não desempenham a atividade fim da Leme uma vez que esta é contratada por suas clientes para desenvolver e entregar um projeto completo de obras nos ramos de energia elétrica e infraestrutura. O objeto contratado é amplo, abrangendo diversos aspectos da engenharia, não podendo ser desenvolvido por uma única equipe. É um trabalho técnico complexo, abrangendo várias áreas de conhecimento e demandando atividades diversas, porém, integradas. Pelos objetos dos contratos celebrados com as sociedades contratadas notase que inexiste uma coincidência de objeto, ou seja, o contrato da Leme com suas clientes é mais abrangente e não se confunde com o contrato dessas sociedades prestadoras de serviços, que desenvolvem tarefas técnicas específicas, com autonomia e independência, visando sua integração ao projeto maior contratado junto a Leme pelos seus clientes. Equívoco de tentar enquadrar as sociedades na estrutura da Impugnante. Os cargos constantes do organograma da Leme não são destinados às tarefas contratadas junto às sociedades, pois estas, como visto são tarefas técnicas destinadas a serem utilizadas pela impugnante na elaboração de projetos maiores. As RAIS e GFIP anexas (doc. 05) comprovam que o organograma é preenchido pelos vários empregados que a impugnante tem. O equívoco decorre da suposição de que a impugnante se utiliza exclusivamente de sociedades para exercer suas tarefas, o que se comprovou ser mentira: para trabalhos técnicos específicos, destinados a utilização em projeto, a impugnante contrata sociedades profissionais especializadas e independentes, enquanto que, para o trabalho interno da empresa. realizado pelos cargos constantes do organograma, possui empregados devidamente registrados; 10. A utilização de recursos da conta contábil Participação nos Resultados Geral – Ano anterior não significa pagamentos a empregados. De acordo com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, principalmente o da essência sobre a forma, os registros contábeis devem atentar para substancia econômica e não para formas legais. Eventuais pagamentos a prestadores de serviços pessoas jurídicas em razão de bônus de performance calculados com base nos resultados gerados ou mesmo a distribuição de resultados a Fl. 19703DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 9 8 diretores não empregados constituem economicamente participação nos resultados. E por esta razão foram assim lançados na contabilidade. É equivocada a premissa do lançamento fiscal, de que são empregados os beneficiários dos pagamentos lançados na conta contábil “participação nos resultados” uma vez que, de acordo com a Lei 10.101/2000, apenas empregados recebem tais pagamentos. O registro contábil se dá com atenção ao aspecto econômico e não legal. Exclusão dos valores relativos à participação nos lucros e resultados. Caso não sejam acolhidas as alegações de que a desconsideração da personalidade jurídica das contratadas é nula, ao menos os valores apontados como sendo de pagamento de participação de lucros e resultados aos sócios das contratadas devem ser excluídos da base de cálculo. A Participação nos lucros e resultados são desvinculados da remuneração e sobre eles não incidem contribuições previdenciárias, pois os pagamentos respeitaram os termos da Lei 10.101/2000, conforme o exposto no item específico de pagamento de PLR a empregados; 11. PLR a empregados. O fato de o Acordo Coletivo ter sido formalizado posteriormente ao exercício do pagamento da PLR não atrai a incidência de contribuição previdenciária porque a Lei 10.101/2000 só usa o ano civil como parâmetro da periodicidade da remuneração, não demandando acordo prévio. Cita decisão do CARF. A Lei 10.101/2000 não determinou quais critérios deveriam ser seguidos na negociação, limitandose a sugerir duas possibilidades no art. 2º §1º, o que é evidenciado pelo uso da expressão “podendo ser consideradas”. Assim, o que caracteriza a PLR é a negociação entre as partes envolvidas, não se exigindo um programa de resultado previamente estipulado, como pretendido no Auto de Infração. No caso da PLR paga aos empregados do escritório de Belo Horizonte, através de Acordo Coletivo, as partes negociaram e consentiram em delegar ao acionista a escolha do montante a ser distribuído, em função dos resultados atingidos no período, dentre os diversos parâmetros previstos no art. 187 da Lei 6.404/76. No caso da PLR paga aos empregados da filial Florianópolis, a fiscalização alega ausência de avaliação de desempenho que justificasse o pagamento da PLR. Entretanto, o Termo Aditivo, cláusula 2ª do Extra Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2009 entre a Leme e SENGE/SC, detalhou inclusive o valor a ser distribuído (50% da remuneração do empregado em dezembro de 2008), sua origem, a base e o percentual do pagamento. No mesmo sentido o Termo Aditivo relativo ao ano de 2007. Quanto a filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. Se a essência do pagamento é a participação nos lucros e resultados, aplicação do acordo da matriz é suficiente para afastar a tributação. Todos os pagamentos obedeceram aos requisitos da Lei, não incidindo contribuição previdenciária. Cita decisão do STJ; 12. Não incidência de contribuição previdenciária sobre valores despendidos a título de aluguel residência ao Sr. Jean Joseph Fl. 19704DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 10 9 Marie Bouckaer. O Sr. Bouckaert é estrangeiro expatriado da Bélgica, trazido pela empresa para trabalhar no Brasil de acordo com seu programa de mobilidade sumarizado no documento anexo (doc. 08). Tratase, pois, de fornecimento de moradia para estrangeiro não residente no Brasil, essencial para viabilizar seu trabalho em território nacional. Assim, constituise verba indispensável à prestação do serviço, não integra o salário e não sofre tributação. Portando ilegal a inclusão do aluguel na base de cálculo das contribuições devidas, quer por não constituir remuneração pelo trabalho, quer por ser um pagamento eventual, que perdurou apenas enquanto o trabalhador desenvolveu suas atividades na localidade; 13. Valescombustível em forma de cartão – comprovação das despesas. Os valores fornecidos a empregados referentes a combustíveis, sob a forma de cartões ECX CAD, não sofrem a incidência tributária porque se enquadram como ”ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado”, hipótese excluída de tributação pelo art. 28, §9º, “s” da Lei 8.212/91. Acrescenta que o caso concreto se amolda àquela previsão legal porque as despesas em questão estão devidamente comprovadas através dos extratos de uso emitidos pela empresa fornecedora dos cartões (doc. 08). Os referidos cartões foram devolvidos à empresa (doc. 08) ao término da atuação dos referidos profissionais no projeto localizado em Nova Era/MG, haja vista que com a finalização dos serviços cessouse a ocorrência desses gastos específicos; 14. Não incidência sobre reembolso óculos e auxilio farmácia. O reembolso óculos e auxílio farmácia não sofrem incidência de contribuição por não ter natureza remuneratória, mas nítida natureza assistencial, suprindo necessidades do empregado relacionada à saúde e integridade física as quais, de acordo com a Constituição Federal, deveriam ser satisfeitas pelo Estado, a quem cabe, portanto, estimular as empresas que optem pela concessão de tais benefícios, e não penalizálas, com a imposição de um ônus adicional, como é a sujeição da verba à incidência de contribuições previdenciárias. Conforme comprova o lançamento, as verbas têm o caráter de reembolso, eis que é necessário que a despesa seja incorrida, não bastando o fato de ser empregado para recebêlas. Demonstrada, assim, a natureza assistencial. O fato das verbas serem disponibilizadas apenas para os empregados do estabelecimento de Florianópolis não é suficiente para afastar a aplicação do art. 28, § 9º, “r”, da Lei 8.212/91, pois a expressão “empresa” contida na parte final desse dispositivo legal (“abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” grifamos) deve ser entendida como “estabelecimento”. Não há sentido em exigir que a parcela abranja todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, pois as características regionais podem demandar, a bem do principio da igualdade, a concessão de benefícios para atender apenas as necessidades dos trabalhadores de determinada localidade, que não pode não se reproduzir em todos os estabelecimentos; Fl. 19705DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 11 10 15. Não incidência sobre a bolsa de estágio. As relações de estágio para as quais a defesa não apresentou “termo de estágio” podem ser comprovadas através de relatórios e fichas de avaliação anexa à defesa, documentos estes que demonstram tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário, bem como pela supervisão e avaliação regulares da empresa. Comprovado que se trata efetivamente de contrato de estágio e que o processo administrativo fiscal é regido pelo principio da verdade material, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre as bolsas de estágio em foco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0246.448 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 14690/14721) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 19706DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 12 11 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito às matérias fáticas relacionadas ao pagamento de PLR aos empregados em desacordo com a Lei 10.101/2000, aos Termos de Compromissos dos estagiários e à apuração da base de cálculo para o estabelecimento 33.633.561/000691, competência 03/2009. No que tange às matérias submetidas à controvérsia instaurada, o Fisco informa o seguinte: (i) o pagamento a título de PLR está em desacordo a Lei 10.101/2000, eis que na filial de Florianópolis (33.633.561/000500) não foi apresentada a avaliação de desempenho e a data de homologação do acordo foi em 01/05/2008, posterior ao exercício de 2008. Também não foram apresentados os acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159; e para a matriz (Belo Horizonte/MG) a homologação do acordo que versa sobre o exercício de 2008 ocorreu em 29/05/2009; (ii) houve a análise de todos os documentos apresentados pela Recorrente, inclusive dos Termos de Compromisso inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação); e (iii) para a apuração da base de cálculo dos prestadores de serviços, foram examinadas as notas fiscais de prestadores de serviços, contratos assinados com os prestadores de serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, dentre outros. “[...] 3.5. Levantamento PL Participação nos lucros e resultados da empresa PLR (...) Filial Florianópolis 33.633.561/000500: (...) No que concerne ao acordo referente ao exercício de 2008 com pagamento em 2009, assinado em Santa Catarina cabe elucidar, que embora a sua homologação tenha ocorrido 01/05/2008 e, defina que utilizará a avaliação de desempenho individual dos empregados a ser realizada conjuntamente pelos Gerentes de Projeto e Diretoria, não foi apresentada qualquer avaliação de desempenho que justificasse o pagamento escriturado na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR”, está claro que se trata na verdade de um premio de desempenho coletivo travestido de participação nos lucros e resultados, onde a autuada busca se beneficiar da inexistência da tributação expressa na Lei 11.101/2000. Não foram apresentados acordos coletivos que respaldassem os pagamentos da participação nos resultados das Filiais Brasília 33.633.561/000420, Rio de Janeiro 33.633.561/000691, Pará 33.633.561/001159 referente ao desempenho do exercício de 2008 com pagamento em 2009. Considerando que não foram comprovadas as exigências apresentadas na Lei 10.101/2000, que dá a verba escriturada na conta contábil 2.1.08.08.000001 – “PARTICIPACAO RESULTADOS GERAL ANO ANTERIOR” a possibilidade de Fl. 19707DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 13 12 enquadrala na categoria almejada, a rubrica em quest. Os valores pagos encontramse detalhamentos no anexo PR, sendo pago a titulo de participação nos resultados um percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o salário base do empregado. ão foi considerada fato gerador das contribuições previdenciárias e das destinadas aos terceiros. 5. Foram examinadas as Notas Fiscais de Prestadores de Serviços, Contratos assinados com os Prestadores de Serviços, documentos emitidos pela Leme, referentes aos prestadores de serviços, que obedecem a um formato padrão e são gerados pela autuada dentre eles as Folhas de Medição de Serviços, de Despesas de Viagens, GPS, GFIP, Acordos Coletivos, Contratos de Estágio, Controle de utilização de Farmácia, escrituração contábil Sped e folhas de pagamento digitais devidamente autenticadas pela empresa no SVA, comprovante anexo ao presente processo e, demais documentos que compõem os lançamentos contábeis. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 90/92) Em sentido contrário, a Recorrente afirma, na peça recursal, o seguinte: (i) o pagamento da PLR foi realizado de acordo com a Lei 10.101/2000 e não houve pagamento da participação nos resultados para as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/000691), para a filial do Pará o pagamento obedeceu às regras da matriz (Belo Horizonte); (ii) o Fisco não analisou todos os Termos de Compromisso dos estagiários, inclusive estes documentos foram inseridos aos autos (doc. 10 da peça de impugnação), assim os valores relacionados a esses documentos (doc. 10) deverão ser excluídos; e (iii) na apuração da base de cálculo do levantamento CVCARACT EMPREGADO, ocorreu um erro na competência 03/2009, estabelecimento 33.633.561/000691, sendo que o Fisco informa o valor de R$223.016,96 e o correto seria de R$206.465,12, conforme planilha contendo os números das notas fiscais e o destinatário de pagamento. Segundo a Recorrente, os documentos que confirmam as suas alegações foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Fatos registrados na peça recursal: “[...] O Acordo Coletivo pertinente ao escritório de Belo Horizonte estabelece as regras de aferição do direito dos trabalhadores (doc. 07 da impugnação). A negociação realizada pelas partes resultou na reserva ao acionista, da escolha do montante, ou seja, a delegação da escolha foi consentida. Por fim, é ver que o relatório fiscal, apesar de informar que a filial de Brasília e Rio de Janeiro não tinham celebrado nenhum acordo coletivo, não identifica pagamentos por ela realizados nos Anexos PL 2008 e PR 2009. No caso da filial do Pará, os pagamentos foram feitos com base no acordo celebrado pela matriz. É que não seria justo que, na falta de acordo com os sindicatos daquele Estado os trabalhadores daquela filial ficassem sem receber o pagamento apenas por causa da tributação que incide sobre a empresa. Logo, se a essência do pagamento é de participação nos lucros e resultados, a aplicação do acordo pertinente à matriz é suficiente para afastar a tributação. (...) Fl. 19708DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 14 13 Pois bem. Primeiramente, relembrese que foram apresentados termos de estágio devidamente celebrados entre a Recorrente e seus estagiários. Desta forma, o acórdão recorrido deveria ter, ao mínimo, determinado a exclusão dos valores referentes aos termos apresentados, o que por si só enseja sua reforma. Ademais, ainda nem todos os termos encontremse disponíveis, fato é que, ao contrário do que alega o acórdão, a relação de estágio dos demais pode ser efetivamente comprovada através dos mencionados relatórios e fichas de avaliação em anexo, das quais se desprende tratarse de relação marcada pelo aprendizado, pela compatibilidade entre as atividades desenvolvidas e os estudos do estagiário e pela supervisão e avaliação regulares pela empresa. (...) Como as alíquotas totais são respectivamente de 21% e 5,8%, a base de cálculo considerada para o cálculo foi de R$ 223.016,96. Ocorre que a soma das notas fiscais constantes do ANEXO CV 2009, pagas pelo referido estabelecimento em março de 2009 não totalizam R$223.016,96, mas sim R$ 206.465,12. É ver a relação: (...) Portanto, o lançamento adotou base de cálculo superior àquela demonstrada pelo Fisco, motivo pelo qual deve ser anulado o crédito tributário relativo à rubrica CV CARACT EMPREGADO APÓS 1108 atribuída ao estabelecimento 33.633.561/000691 no mês de março de 2009. [...]” (Recurso Voluntário) A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que, para o levantamento CV CARACT EMPREGADO, ocorreu o lançamento por arbitramento sem a devida motivação. Registrase também que a Recorrente juntou aos autos várias cópias de contratos de prestação de serviços, acompanhados de declarações das prestadoras de serviços, e afirma que: “[...] a) considerando que a LEME não é a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas, temse que essas são efetivas pessoas jurídicas não havendo qualquer simulação de relação de emprego; b) conforme decorre da sua própria atividade e, nos termos da Lei 5.194/66 (arts. 18 a 20), os serviços são executado com autonomia e independência, de modo que inexiste a subordinação técnica a ensejar vínculo empregatício (TRT, 4a Região, Proc. Nr.00449200638304 001); sendo certo que as sociedades contratadas não desempenham atividadefim e os serviços individualmente considerados não são capazes de satisfazer o interesse dos clientes da Recorrente; c) a maioria das pessoas jurídicas tem em sua composição mais de um sócio habilitado para a mesma profissão o que prova que os sócios atuam em conjunto nos diversos trabalhos da pessoa jurídica, sem prejuízo de indicar um sócio interlocutor representante junto a clientes determinados, o que não faz deste um empregado da Recorrente; d) além disto, os contratos sociais comprovam a ilegalidade da base de cálculo eleita pela fiscalização, por incidir sobre o valor total das Fl. 19709DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 15 14 NF's, nas quais há remunerações de outro(s) sócio(s) e tributos retidos na fonte (IR, CSLL, PIS e COF1NS); e) Por fim, percebese dos contratos sociais, ainda, que a data de constituição dessas PJ's desconsideradas é muito anterior ao período autuado, o que prova que a constituição das pessoas jurídicas não teve como finalidade encobrir relação de emprego. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal (ou na peça de impugnação). Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Fl. 19710DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.721726/201317 Resolução nº 2402000.431 S2C4T2 Fl. 16 15 Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (contratos sociais e declarações das prestadoras de serviços). Tal Parecer deverá responder, dentre outros, os seguintes quesitos: 1. os valores oriundos do pagamento de PLR abarcaram, ou não, as filiais de Brasília (33.633.561/000420) e do Rio de Janeiro (33.633.561/0006 91); 2. os Termos de Compromisso acostados aos autos (doc. 10) já foram, ou não, analisados pelo Fisco, demonstrar a ocorrência do fato; 3. para o levantamento CVCARACT EMPREGADO, a base de cálculo da competência 03/2009 está correta, ou não; 4. dentro ainda do levantamento CVCARACT EMPREGADO, deverá analisar e emitir parecer sobre os documentos acostados pela Recorrente (contratos sociais e declarações), verificando; (i) se a Recorrente é, ou não, a única tomadora dos serviços das sociedades desconsideradas; (ii) se a base de cálculo eleita pelo Fisco abarcou, ou não, outros valores não pagos pela Recorrente; (iii) se o único propósito das sociedades desconsideradas é, ou não, a prestação de serviços para a Recorrente; dentre outros a critério do Fisco na elucidação da controvérsia instaurada. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 19711DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.905469/2009-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-005.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10665.905469/2009-13
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5329363
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.640
nome_arquivo_s : Decisao_10665905469200913.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10665905469200913_5329363.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5332833
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595169157120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 62 1 61 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.905469/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.640 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria PER/DCOMP COFINS Recorrente VIACÃO SAO CRISTÓVÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o presente de PER/DCOMP que visa compensar crédito de COFINS, no valor original de R$ 5.050,42, correspondente ao DARF, no valor de R$ 39.900,91, recolhido em 15/07/03, com débitos administrados pela RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 54 69 /2 00 9- 13 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 63 2 O Despacho Decisório está anexo à fl. 37 e foi emitido em 09/06/2009, sob o pressuposto de que foram identificados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte e que estavam vinculados ao DARF mencionado no PER/DCOMP em exame, razão pela qual não há crédito suficiente para a compensação pleiteada. O referido despacho está embasado art. 74 da Lei nº 9.430/1996, bem como nos arts. 165 e 170 do CTN. Às fls. 02/09 está anexa a Manifestação de Inconformidade, a partir dos seguintes argumentos de defesa: a) suscita preliminar de nulidade do Despacho Decisório, devido o fato desse não estar adequadamente fundamentado o que causou prejuízo a ampla defesa; b) advoga que inexiste lei que obrigue a correção das DCTFs para retificar o valor do crédito declarado; c) entende que a declaração de compensação deveria prevalecer em relação a declaração anterior; Já às fls. 42/47 consta o Acórdão nº 0239.807 da 2ª Turma da DRJ/BHE, que indeferiu a compensação devido a inexistência de crédito por falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior de tributo. Além do que, a decisão de piso destacou que o Despacho Decisório não é nulo em razão de ter sido lavrado por autoridade competente e sem que o contribuinte fosse prejudicado em seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Os julgadores de piso, argumentaram ainda que o Despacho Decisório está devidamente fundamentado no art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, diante da ausência de crédito utilizado no PER/DCOMP e principalmente que no referido despacho consta que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado com a informação do número do pagamento, do valor original, do período de apuração e o código do tributo. No acórdão exarado pela DRJ, fica claro que os julgadores rechaçam a tese apresentada pelo contribuinte de que a Fazenda Nacional deveria aceitar a PER/DCOMP em exame, enviada posteriormente a DCTF, ainda que ela esteja em divergência com os valores informados nesta última, uma vez que cabe ao contribuinte o ônus tributário de demonstrar a existência de seu direito. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 51/59 e repisou as alegações já explanadas em sua Manifestação de Inconformidade, cabendo destaque sintético em relação à nulidade do Despacho Decisório, pois compreende que a mera afirmação de que “inexiste crédito suficiente para a compensação” é por demais genérica, motivo pelo qual lhe prejudicou a ampla defesa, bem como violou o princípio do devido processo legal. Defende que o pedido de compensação goza de eficácia de presunção e que cabe ao Fisco motivar o indeferimento da sua homologação de forma mais clara. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 64 3 Insiste na falta de lei que o obrigue a retificar a DCTF para reduzir o valor do débito declarado. Além do que, segundo o contribuinte, se a DCTF constitui confissão de dívida, por outro lado o PER/DCOMP é uma compensação, logo se presume crédito os valores nele declarados. O contribuinte pretende que a PER/DCOMP, posteriormente informada, prevaleça em relação à DCTF, pois para ele aquela substitui e anula a confissão de dívida feita anteriormente, justamente porque a PER/DCOMP foi declarada depois. Em sua defesa, cita julgado do CARF no PAF nº 10530.901536/200875, com o fito de demonstrar que inexiste norma condicionando à apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF. Por derradeiro, requer a nulidade do Despacho Decisório e o reconhecimento do crédito transmitido em PER/DCOMP. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Analisando o Despacho Decisório está evidente no campo 3 deste documento, reservado a fundamentação da decisão, que o motivo do indeferimento do pedido de compensação foi a falta de crédito informado no PER/DCOMP, havendo inclusive a citação do art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei n. 9.430/96, os quais por sua vez se referem ao instituto da compensação. Ademais, como bem destacaram os julgadores de primeiro grau, o Despacho Decisório ainda identificou para o DARF informado em PER/DCOMP, o número do pagamento, código do tributo e o seu valor, ou seja, R$ 39.900,91. Com efeito, compreendo que não há que se falar em violação ao princípio da ampla defesa, como deseja o contribuinte, principalmente devido ao fato de que o Despacho Decisório encontrase adequadamente fundamento. Por outro lado, é verdade que a fundamentação é sintética. Também é verdade que para a melhor compreensão do Despacho Decisório eletrônico se exige do sujeito passivo razoável conhecimento dos mecanismos e procedimentos adotados pela RFB. Todavia, ainda assim, não é possível acolher a pretensão do contribuinte de que aquele seja nulo por falta de motivação. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905469/200913 Acórdão n.º 3803005.640 S3TE03 Fl. 65 4 Ainda, “data vênia”, discordo da tese defendida pelo contribuinte de que o envio de uma declaração de compensação possua o efeito de substituir e retificar a DCTF anteriormente enviada, ainda que divergente dos dados informados na DCTF anterior. Outro ponto discordante da tese apresentada pelo sujeito passivo, diz respeito a sua alegação de que o PER/DCOMP constitui crédito com presunção legal de validade. Isso porque, em sede de pedido de compensação é pacífico na doutrina e na jurisprudência que cabe ao contribuinte constituir no PAF a prova do seu direito, visto que incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Além do que, o débito confessado em DCTF foi de R$ R$ 39.900,91, mas o contribuinte não juntou prova da existência do pretenso crédito informado em PER/DCOMP. Deste modo, uma vez apresentado pedido de compensação e sobrevindo posteriormente a decisão denegatória, obriga a Fazenda Nacional tão somente a apontar de maneira objetiva o motivo pelo qual inexiste o crédito indicado em PER/DCOMP, exatamente como ocorreu no caso em tela. Assim, a fim de provar a existência do crédito pretendido, ao contribuinte cabia apresentar dos documentos contábeis idôneos necessários para demonstrar a redução do débito declarado. O contribuinte poderia ainda ter apontado “suposto” equívoco do Despacho Decisório, principalmente em relação à informação de que utilizou o DARF indicado em PER/DCOMP para pagamento de outro débito, todavia assim não o fez. Conseqüentemente, deve ser mantida a decisão de piso, uma vez que o contribuinte não desempenhou sua obrigação de comprovar a existência do direito creditório. Ante exposto, nego provimento do recurso. É como voto. Sala das sessões, 27 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002470/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003
Ementa:
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA.
Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS.
Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA.
Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN.
Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõe-se a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003 Ementa: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA. Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS. Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõe-se a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.002470/2008-15
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5338081
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.030
nome_arquivo_s : Decisao_15586002470200815.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 15586002470200815_5338081.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves .
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5384963
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595178594304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.978 1 1.977 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.002470/200815 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.030 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS. DECADÊNCIA. ART. 135 DO CTN. Recorrente JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2003, 01/05/2003 a 31/12/2003 Ementa: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DA DRJ. MOTIVAÇÃO. OMISSÃO, INEXISTÊNCIA. Ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. DEVEDORES PRINCIPAIS. Deve ser reconhecida a decadência em relação as empresas corresponsáveis, quando estas foram notificados dos autos de infração, relativos a fatos geradores do tributo ocorridos há mais de cinco anos, contados do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. Demonstrado que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam, por meio de seus subordinados, a devedora principal, contrariamente ao que dispõe o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas por eles dirigidas, impõese a responsabilização pessoal, nos termos do art. 135 do CTN. Recurso voluntário provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 24 70 /2 00 8- 15 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito: (a) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, GIUCAFÉ ARMAZÉNS LTDA, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI, para reconhecer a decadência referente ao período de janeiro a novembro de 2003, inclusive, apenas em relação às pessoas jurídicas. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior, que também excluía a responsabilidade tributária solidária das pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado por AUGUSTO GIUBERTI. Vencido Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento o advogado Remis Esto, OAB/ES nº. 45.196. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves . Relatório Por bem descrever a autuação, lavrada contra as empresas ora recorrentes, transcrevo o seguinte trecho do relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Autos de Infração contra a contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento/declaração da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 1585/1592) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 1593/1600), referente aos períodos de apuração de 01/2003 e 03/2003, 05/2003 a 12/2003, no valor principal de R$ 78.349,01 (PIS) e R$ 361.589,17 (COFINS), acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até 28/11/2008, totalizando os créditos tributário de R$ 256.403,55 e R$ 1.183.332,56. No Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, integrante dos Autos de Infração (fls. 1569/1584), a autoridade lançadora registra, em síntese, que: a) De acordo com os elementos constantes do dossiê da SRFB, a empresa apresenta, no ano de 2003, indícios de omissão de receita. Esta presunção é decorrente da diferença entre a Receita Bruta declarada na DIPJ, no valor de R$ 63.791,72 e o Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.979 3 montante das movimentações financeiras no ano de 2003, informado pelas instituições financeiras à SRFB, no valor de R$ 49.450.226,47; b) A fiscalizada atendeu em parte à intimação fiscal, deixando de apresentar o Livro Caixa (obrigatório) e os Livros Diário e Razão; c) de acordo com os elementos integrantes do dossiê integrado que subsidiaram a ação fiscal, desde 1997 a sua atividade preponderante era a comercialização de café em grão cru e ficou evidente sua íntima ligação com a Giucafé importação e Exportação e com a Giucafé Armazéns Gerais, empresas do grupo econômico Giubert; d) além dos fatos e provas encontrados no citado dossiê, outras provas colhidas durante a auditoria da qual foi objeto a escrituração da interessada e que abrangeu o período de 1998 a 2003 comprovam a sua ligação com aquelas empresas, a qual se estendeu até 2004; e) Marlene Giubert Marcon, irmã dos sóciosgerentes das empresas do grupo econômico Giubert, era procuradora da Giucafé Exportação e Importação e também da interessada, de acordo com as procurações juntadas aos autos; f) O Sr. Sérgio Poltronieri, diretor comercial da Giucafé Exportação e Importação, foi procurador da JD Comissária de Café até 17.04.2004, conforme procuração juntada aos autos, com poderes para abrir e movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, etc, em qualquer instituição financeira no espírito Santo; g) Os dados cadastrais enviados pelos Bancos constam como da JD Comissária de Café Ltda o telefone e o endereço da Giucafé Exportação e Importação e a Sra Marlene Giubert Marcon como responsável e sócia da JD Comissária de Café Ltda; h) A fiscalizada efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda, sem comprovar a existência de operação comercial que os justifique; i) em 1998, a interessada passou a adquirir produtos de produtores rurais, determinando a entrega nas dependências da Giucafé Exportação e Importação; tempos depois, porém, tais produtos passaram a ser entregues, também por sua determinação, nas dependências da Giucafé Armazéns Gerais; j) a interessada jamais possuiu estabelecimento próprio para armazenagem e não lhe apresentou nenhum contrato de aluguel de local destinado a esse fim. Concluise que a armazenagem por parte da Giucafé Armazéns Gerais se dava de forma graciosa; Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 k) Analisados os contratos sociais e alterações, depreendese que os irmãos Alfredo Giubert, Pedro Giubert, Augusto Giubert e Carlos Alberto Giubert controlam e administram a Giucafé Exportação e Importação Ltda e a Giucafé Armazéns Gerais Ltda. Enquadramse, portanto, nestas condições, no conceito de formação de "Grupo Econômico"; l) os fatos descritos “demonstram, de forma inexorável, que as pessoas responsáveis pela administração e controle da Giucafé Exportação e Importação Ltda e da Giucafé Armazéns Gerais Ltda, continuaram controlando e administrando no ano calendário de 2003 os negócios da fiscalizada”; m) concluiu que a interessada também integra o grupo econômico de fato formado pelas empresas Giucafé Exportação e Importação e da Giucafé Armazéns Gerais; n) o art. 128 do CTN dispõe sobre a possibilidade de a obrigação tributária ser atribuída a terceiros; o) “responsabilidade tributária de terceiros aplicável a sócio ou administrador da pessoa jurídica depende de: a) lei expressa; b) vinculação desse terceiro ao fato gerador da obrigação, conforme dispõe o art. 135 do CTN”; p) de acordo com os esses artigos do CTN, os créditos tributários lançados em nome da interessada têm como corresponsáveis as empresas Giucafé Exportação e Importação e Giucafé Armazéns Gerais, bem como os seus proprietários Pedro Giubert, Carlos Alberto Giubert, Augusto Giubert e Alfredo Giubert, os quais também serão cientificados deste termo; q) Observase, com base na DIPJ, que a receita oferecida à tributação pela fiscalizada referese, unicamente, a receitas de prestação de serviços. Os dados da DIPJ estão em consonância com a DCTF, exceto em dez/2003, em relação ao PIS; r) As Notas Fiscais apresentadas, ratificadas pelos registros no Livro Registro de Saídas, demonstram que foram efetuadas operações de venda de mercadoria no mercado interno e externo, além da prestação de serviços; s) Foram identificadas as diferenças discriminadas nos demonstrativos II e III t) A empresa foi intimada a justificar e comprovar os motivos das diferenças apuradas, não tendo apresentado resposta; u) O IRPJ e a CSLL foram lançados com base no Lucro Arbitrado; v) Da base de cálculo do PIS e da COFINS foram expurgadas das receitas auferidas aquelas comprovadamente destinadas à exportação e compensados os valores informados na DCTF , como também os valores acolhidos pelos Autos de Infração nºs 11543004305/200321 COFINS e n° 11543004306/200375– PIS. Foi elaborado o demonstrativo de fls. 1565; Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.980 5 w) pelo exposto e pelo fato: a) de a interessada ter tentado ocultar sua real situação financeira e suas operações comerciais; b) de ela ter retardado o conhecimento da Administração Tributária sobre suas receitas; e c) de ter prestado declaração falsa ao omitir, na DCTF e na DIPJ, débitos fiscais comprovadamente existentes, caracterizando sonegação fiscal, conforme art 71 da Lei 4.502/64, aplicoulhe a multa de 150% prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. x) Procedeuse à lavratura de Representação Fiscal para Fins penais perante o Delegado da RFB, conforme Decreto 2.730/98 e Portaria SRFB 665/2008. Cientificada dos lançamentos em 29/12/2008 (fls. 1586 e 1594), a empresa autuada, JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., não os impugnou. As pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas tributariamente foram cientificadas do termo final de verificação e constatação fiscal em 30/12/2008 e 05/01/2009 (fls. 1775/1781). Augusto Giubert, uma das pessoas responsabilizadas, apresentou impugnação individual no dia 28/01/2009 (fls. 1709/1739). As demais apresentaram, na mesma data, impugnação em conjunto (fls. 1606/1639). Conclusos os autos, a DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou procedente o lançamento (fls. 1.786 e ss.). Com efeito, a DRJ rejeitou o pedido de reconhecimento da decadência do crédito tributário, nos seguintes termos: Em termos práticos podemos afirmar que, caso o lançamento seja julgado improcedente em qualquer instância administrativa de julgamento, extinguese, por conseguinte, a obrigação do terceiro responsável. Ao contrário, afastada a responsabilidade de terceiros, subsiste o auto de infração lavrado em nome do contribuinte (se outra razão não houver para o seu cancelamento), uma vez que a obrigação deste é autônoma em relação à obrigação do responsável solidário. Diante disto, podemos afirmar que os autos de infração foram formalizados em 29/12/2008, com a ciência do contribuinte – JD Comissária de Café Ltda. A ciência das pessoas físicas e jurídicas arroladas como corresponsáveis pode ocorrer a qualquer tempo, devendose respeitar, contudo, o prazo de trinta dias a contar da ciência para que estas, se assim desejarem, possam apresentar defesa contra o lançamento. [...] No presente caso, caracterizada a ocorrência de sonegação fiscal, conforme art. 71 da lei 4.502/64, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I do CTN. Os lançamentos abrangem os fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2003. As contribuições relativas a janeiro de 2003 venceram em fevereiro de 2003, iniciandose em 01/01/2004 a contagem do prazo decadencial e encerrandose em 31/12/2008. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Considerandose que a ciência aos Autos de Infração pelo contribuinte deuse em 29/12/2008, não se encontrava decaído o direito de lançar o PIS e a COFINS. Quanto à nulidade do auto de infração por ter citado norma trabalhista (art. 2º, § 2º, da CLT), em sua motivação jurídica, o acórdão recorrido assim fundamentouse: A alegação de nulidade deve ser afastada. O dispositivo legal contestado não serviu de fundamento para os lançamentos de ofício. O enquadramento legal dos autos de infração encontrase em fls. 1588 e 1596 e a base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fls. 1591/1592 e 1599/1600. O contestado artigo 2º, § 2º da CLT foi citado pela autoridade autuante no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal apenas como fundamento para a responsabilização pelo pagamento do crédito tributária atribuída a terceiros e, portanto, ainda que se considerasse inadequada a sua utilização, tal fato não poderia acarretar a nulidade dos lançamentos. O dispositivo citado, portanto, é relevante apenas quanto à questão da imputação da responsabilidade pelo crédito tributário atribuída às empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Geraris Ltda e seus sócios, pessoas físicas, o que será analisado a seguir neste voto, não afetando, de forma alguma, os créditos tributários relativos ao PIS e à Cofins, constituídos em nome do contribuinte JD Comissária de Café Ltda. Ou seja, ainda que os corresponsáveis venham a ser afastados da obrigação pelo recolhimento dos tributos exigidos, os autos de infração permanecem válidos e eficazes, uma vez que se verifica que os mesmos contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: [...] O aresto recorrido, ainda, manteve a responsabilidade dos sócios ora recorrentes, com as seguintes palavras: As impugnantes iniciam sua defesa alegando que no processo nº 0035.538.2857, que tratava dos mesmos fatos e que teria por base as mesmas provas, a 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos de Previdência Social decidiu que a empresa Giucafé Exportação e Importação e seus proprietários não poderiam ser responsabilizados por ilícitos tributários praticados pela empresa autuada. Cumpre esclarecer, contudo, que referida decisão não vincula a autoridade julgadora administrativa de primeira instância. Em que pese o referido Acórdão ter decidido de forma favorável à pretensão das Recorrentes, a decisão não foi unânime, restando vencida a relatora. A vinculação do contribuinte com as pessoas responsabilizadas está caracterizada pelos fatos narrados no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, dentre os quais destacamos: a) A Sra. Marlene Giubert Marcon, irmã dos sócios gerentes das empresas do Grupo Giubert é procuradora da Giucafé Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.981 7 Exportação e Importação Ltda, com poderes amplos para administrar todos os negócios do outorgante e qualificada como gerente financeira da respectiva empresa. Também foi nomeada procuradora da empresa JD Comissária de Café com poderes para assinar proposta de abertura de conta bancária, movimentálas, emitir, endossar cheques, solicitar saldos, extratos, outros, inclusive livre para movimentar através do Sistema de Pagamentos Brasileiro SPB em qualquer instituição financeira no Estado do Espírito Santo; b) A JD Comissária de Café também nomeou seu procurador o Sr. Sérgio Afonso Poltronier, empregado da Giucafé Exportação e Importação no cargo de Diretor Comercial, outorgandolhe os mesmos poderes acima descritos; c) Nos dados cadastrais enviados pelos bancos, consta como da JD Comissária de Café o mesmo telefone e endereço da Giucafé; d) Constatouse que a JD Comissária de Café efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé sem a comprovação da existência de operação comercial que a justifique; e) O café adquirido não transitava pela JD Comissária de Café, indo direto para a Giucafé; f) A JD Comissária de Café nunca possuiu estabelecimento próprio para armazenagem de café. A fiscalização concluiu que a armazenagem pela Giucafé se dava sem custo para a fiscalizada. Diante das constatações acima, a fiscalização concluiu que os sócios da Giucafé Exportação e Importação Ltda e da Giucafé Armazéns Gerais Ltda, todos qualificados como sócios gerentes no período fiscalizado, também controlavam e administravam, no ano de 2003, os negócios da JD Comissária de Café. Os fatos narrados demonstram que a relação entre as três empresas e seus sócios vai muito além de uma simples relação de “amizade” e “confiança”, como querem fazer crer as impugnantes. Os argumentos apresentados na impugnação procuram demonstrar que os fatos apurados pela autoridade fiscal são corriqueiros e naturais entre empresas que mantêm um bom relacionamento comercial. No entanto, empresas independentes entre si e que possuem bom relacionamento comercial não se estabelecem no mesmo endereço, visando minimizar custos ou delegam o direito de movimentar suas contas bancárias a empregados e sócios uma da outra ou concedem empréstimos umas as outras a juros muito abaixo dos que seriam cobrados se a interessada recorresse a instituições financeiras. Ao contrario, a situação encontrada pela auditoria fiscal demonstra que a atividade da JD Comissária de Café Ltda vinculase aos interesses do Grupo Giucafé e é por esta controlada. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.982 9 corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Especificamente quanto à responsabilidade do Sr. Augusto Giubert, a DRJ decidiu o seguinte: O Sr. Augusto Giubert apresentou impugnação individual na qual, além dos mesmos argumentos apresentados pelos demais corresponsáveis, alega que desde 1996 não é mais administrador de fato das empresas Giucafé Exportação e Importação ou Giucafé Armazéns Gerais, residindo, desde então no município de Vitória e que não procedeu a qualquer tipo de ato de gestão com relação à contribuinte. Na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça– STJ, o sócio que não possui poder de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade. Ou seja, a responsabilidade não decorre da condição de sócio, mas sim da atividade de gerência e administração, seja em relação ao administrador de direito ou de fato. No presente caso, verificase que na alteração contratual da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda (fl. 1542/1546), registrada em 28/08/1997 consta no Capítulo III, art. 8º, que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] A retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da sociedade ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. O registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538). Da mesma forma verificase que no contrato social da empresa Giucafé Armazéns Gerais Ltda (fls. 1558/1560) que consta da cláusula quinta que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] Na alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo também em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). Conforme se verifica, na data da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelos autos de infração em análise (janeiro a dezembro de 2003), o Sr. Augusto Giubert detinha o poder de administrar as empresas qualificadas como corresponsáveis pelo crédito tributário exigido, sendo Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 irrelevante, para tanto, a comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica. Comprovado nos autos a vinculação do contribuinte com as empresas arroladas como corresponsáveis e o poder de gerência atribuído ao Sr. Augusto Giubert no contrato social das empresas, vigente à época dos fatos geradores, não há como acatar a sua pretensão, no sentido de afastar a responsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD Comissária de Café Ltda. Também não foi acolhido o pedido de produção de mais provas, como se observa do excerto do Voto abaixo: Quanto a novas oitivas, diligências ou perícias requeridas são desnecessárias, pois se encontram presentes circunstâncias fáticas das infrações à legislação tributária suficientemente caracterizadas e legalmente tipificadas na peça de autuação. As provas acostadas nos autos reputamse aptas a formar a convicção do julgador, assim, diligências ou perícias solicitadas, se deferidas, apenas procrastinariam a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...] Além disso, as questões formuladas pelas impugnantes (estabelecer se as empresas envolvidas, JD Comissária de Café Ltda, Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda mantinham relações comerciais de armazenagem, compra e venda de café com outras empresas) são desnecessárias à solução da lide, pois o fato de haver relações comerciais com outras empresas não afasta, por si só, a constatação fartamente demonstrada de ser a pessoa jurídica contribuinte administrada e controlada, de fato, pelas pessoas físicas e jurídicas relacionadas como corresponsáveis. Sendo assim e por todos os fundamentos expostos, VOTO por julgar improcedentes as impugnações, no sentido de rejeitar as preliminares, manter os créditos tributários relativos ao PIS e à COFINS constituídos nos autos de infração, declararandoos definitivamente constituídos e e manter o vínculo de responsabilidade de Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda, Pedro Giubert, Carlos Alberto Giubert, Augusto Giubert e Alfredo Giubert. Por fim, o acórdão recorrido não conheceu as alegações de inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC. Cientificados do acórdão acima destacado, o Sr. AUGUSTO GIUBERTI apresentou embargos de declaração (fls. 1.825), os quais foram rejeitados monocraticamente pelo despacho decisório de fls. 1.936, e, em seguida, interpôs recurso voluntário de fls. 1.885. O Sr. AUGUSTO GIUBERTI alega que o acórdão recorrido é nulo, por ser omisso quanto a questões essenciais ao julgamento. Alternativamente, defende a reforma do julgado da DRJ, porque não haveria prova da existência de grupo econômico, como exige o art. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.983 11 135 do CTN. Tampouco, estariam presentes os requisitos legais para a atribuição de responsabilidade tributária. Ademais, pugna que seja reconhecida a decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que foi notificado depois de 1º/01/2009 acerca do lançamento tributário. Ao seu turno, a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI interpuseram, conjuntamente, o recuso voluntário de fls. 1.839, ventilando as mesmas matérias trazidas no recurso voluntário do Sr. AUGUSTO GIUBERTI. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratamse de recurso voluntários interpostos contra o acórdão recorrido por GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e ALFREDO GIUBERTI e, também, por AUGUSTO GIUBERTI. Os recorrentes apresentam seu inconformismo contra os autos de infração que os consideraram corresponsáveis pelo pagamento de PIS/COFINS devidos pela empresa JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA. Considerando que os recorrentes trazem diversas matérias em seu recurso voluntário, passo a apreciálas topicamente. Nulidade do acórdão da DRJ Preliminarmente, os recursos voluntários defendem que o acórdão recorrido seria nulo, porque teria sido omisso quanto à alegação dos recorrentes de que houve imputação genérica da corresponsabilidade sem individualização das condutas e sem provas de que as pessoas indicadas como corresponsáveis geriram a empresa JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA. No entanto, verificase que a DRJ esmiuçou as razões pelas quais entendeu que teria sido correta a imputação da corresponsabilidade da pessoas jurídicas e dos seus sócios. Observese: Os fatos narrados demonstram que a relação entre as três empresas e seus sócios vai muito além de uma simples relação de “amizade” e “confiança”, como querem fazer crer as impugnantes. Os argumentos apresentados na impugnação procuram demonstrar que os fatos apurados pela autoridade Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 12 fiscal são corriqueiros e naturais entre empresas que mantêm um bom relacionamento comercial. No entanto, empresas independentes entre si e que possuem bom relacionamento comercial não se estabelecem no mesmo endereço, visando minimizar custos ou delegam o direito de movimentar suas contas bancárias a empregados e sócios uma da outra ou concedem empréstimos umas as outras a juros muito abaixo dos que seriam cobrados se a interessada recorresse a instituições financeiras. Ao contrario, a situação encontrada pela auditoria fiscal demonstra que a atividade da JD Comissária de Café Ltda vinculase aos interesses do Grupo Giucafé e é por esta controlada. De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.984 13 O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Igualmente, o acórdão recorrido expôs os fundamentos para responsabilização do sócio AUGUSTO GIUBERT. Leiase: O Sr. Augusto Giubert apresentou impugnação individual na qual, além dos mesmos argumentos apresentados pelos demais corresponsáveis, alega que desde 1996 não é mais administrador de fato das empresas Giucafé Exportação e Importação ou Giucafé Armazéns Gerais, residindo, desde então no município de Vitória e que não procedeu a qualquer tipo de ato de gestão com relação à contribuinte. Na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça– STJ, o sócio que não possui poder de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade. Ou seja, a responsabilidade não decorre da condição de sócio, mas sim da atividade de gerência e administração, seja em relação ao administrador de direito ou de fato. No presente caso, verificase que na alteração contratual da empresa Giucafé Exportação e Importação Ltda (fl. 1542/1546), registrada em 28/08/1997 consta no Capítulo III, art. 8º, que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios: [...] A retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da sociedade ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. O registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538). Da mesma forma verificase que no contrato social da empresa Giucafé Armazéns Gerais Ltda (fls. 1558/1560) que consta da cláusula quinta que a administração da sociedade será exercida por todos os sócios. Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 14 Na alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo também em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). Conforme se verifica, na data da ocorrência dos fatos geradores alcançados pelos autos de infração em análise (janeiro a dezembro de 2003), o Sr. Augusto Giubert detinha o poder de administrar as empresas qualificadas como corresponsáveis pelo crédito tributário exigido, sendo irrelevante, para tanto, a comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica. Comprovado nos autos a vinculação do contribuinte com as empresas arroladas como corresponsáveis e o poder de gerência atribuído ao Sr. Augusto Giubert no contrato social das empresas, vigente à época dos fatos geradores, não há como acatar a sua pretensão, no sentido de afastar a responsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD Comissária de Café Ltda. Constatase, desse modo, que a DRJ motivou claramente sua decisão e não foi omissa quanto à questão da individualização das condutas e das provas, que embasaram a atribuição de corresponsabilidade, devendo, por isso, ser rejeitada a preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Decadência Analiso, agora, a prejudicial de mérito, atinente a ocorrência da decadência do crédito tributário. No caso dos autos, como bem destacou o acórdão recorrido, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN, uma vez que a ocorrência de sonegação afasta a aplicação da regra especial do art. 150, § 4º , do CTN. De fato, constatouse que a devedora principal, JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., omitiu receitas tributáveis pelo PIS/COFINS, depois de concluída fiscalização desencadeada diante da discrepância existente entre a Receita Bruta Declarada pela fiscalizada em sua DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2004/Ano calendário 2003 (doc. de fls. 186 a 223) no valor de R$ 63.791,72 e o montante das suas movimentações financeiras no ano de 2003, informado pelas instituições financeiras à SRFB, no valor de R$ 49.450.226,47 (doc. de fls. 09). Conforme narrado no Relatório do presente acórdão, a DRJ não reconheceu a ocorrência da decadência, porque o devedor principal e as pessoas físicas sócias das empresas corresponsáveis, GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., foram intimadas no prazo do art. 173, I, do CTN, uma vez que tomaram ciência do auto de infração em 29/12/2008 e o lustro se encerraria apenas em 1º/01/2009. Confirase: Alegam os impugnantes designados como corresponsáveis que teria ocorrido a decadência do direito de constituir o crédito tributário, uma vez que as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Geraris Ltda somente foram cientificadas do lançamento no inicio de janeiro de 2009. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.985 15 Em termos práticos podemos afirmar que, caso o lançamento seja julgado improcedente em qualquer instância administrativa de julgamento, extinguese, por conseguinte, a obrigação do terceiro responsável. Ao contrário, afastada a responsabilidade de terceiros, subsiste o auto de infração lavrado em nome do contribuinte (se outra razão não houver para o seu cancelamento), uma vez que a obrigação deste é autônoma em relação à obrigação do responsável solidário. Diante disto, podemos afirmar que os autos de infração foram formalizados em 29/12/2008, com a ciência do contribuinte – JD Comissária de Café Ltda. A ciência das pessoas físicas e jurídicas arroladas como corresponsáveis pode ocorrer a qualquer tempo, devendose respeitar, contudo, o prazo de trinta dias a contar da ciência para que estas, se assim desejarem, possam apresentar defesa contra o lançamento. [...] No presente caso, caracterizada a ocorrência de sonegação fiscal, conforme art. 71 da lei 4.502/64, aplicase a regra decadencial do artigo 173, inciso I do CTN. Os lançamentos abrangem os fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2003. As contribuições relativas a janeiro de 2003 venceram em fevereiro de 2003, iniciandose em 01/01/2004 a contagem do prazo decadencial e encerrandose em 31/12/2008. Considerandose que a ciência aos Autos de Infração pelo contribuinte deuse em 29/12/2008, não se encontrava decaído o direito de lançar o PIS e a COFINS. Entretanto, observo que a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. tomou ciência do auto de infração, pelos Correios, em 05/01/2009 (fl. 1.777), e GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., igualmente, foi notificada em 05/01/2009 (fl. 1.780), devendo ser estas datas consideradas para fins de contagem do prazo decadencial. Efetivamente, a intimação das pessoas jurídicas corresponsáveis não podem ser confundidas com a intimação das pessoas físicas corresponsáveis. Dessa forma, é inegável que ocorreu a decadência do crédito tributário, em relação aos devedores corresponsáveis pessoas jurídicas, nos termos do art. 173, I, do CTN, no que diz respeito aos tributos alusivos aos meses de janeiro a novembro de 2003, considerando que a intimação ocorreu em 05/01/2009. No que diz respeito ao mês de dezembro de 2003, entendo que não ocorreu a decadência, dado que o vencimento do tributo ocorreu em 15/01/2004 (fls. 1.591 e 1.599), não podendo haver lançamento antes dessa data, o que conduz o termo final decadencial para o dia 01/01/2010. Porém, em relação aos sócios das pessoas jurídicas correponsáveis (GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA.), não acolho a alegação de decadência, pois estes foram intimados em 29/12/2008 para pagar tributos originados do ano de 2003, o que põe o lançamento dentro do prazo estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 16 Assim, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para decretar a decadência do direito ao crédito tributário, relativo aos tributos alusivos aos meses de janeiro a novembro de 2003, quanto à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Grupo Econômico No que se refere ao grupo econômico, relativamente à JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA, à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA, é preciso examinar a matéria, uma vez que subsistiu contra essas pessoas jurídicas a cobrança de tributos, em relação à competência de dezembro de 2003. Nesse aspecto, comungo do entendimento do STJ de que a caracterização de grupo econômico, para fins de responsabilização solidária tributária, depende da prova de que as empresas envolvidas realizam em conjunto a situação configuradora do fato gerador. Confirase: A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 26.10.2011). In casu, a situação configuradora do fato gerador é, preponderantemente, a aquisição de receita decorrente da comercialização de café em grão cru. Segundo o auto de infração (fls. 1.569 e ss.), as mencionadas pessoas jurídicas participaram da situação configuradora do fato gerador, como bem frisou a DRJ. Deveras, o acórdão recorrido destacou que a operação, realizada pela JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA., de compra das pessoas físicas produtoras rurais e venda do café cru era, na verdade, controlada e realizada por pessoas ligadas à GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Vejase o seguinte trecho do aresto recorrido: De tudo o que foi descrito no relatório fiscal, chama a atenção o fato de que a JD tinha, desde a sua constituição, a atividade de corretagem de café. A partir de 1997, o objeto social da empresa foi alterado para incluir o comércio de café. A receita proveniente desta nova atividade era, contudo, reiteradamente omitida, tendo sido constatado pela fiscalização que a empresa declarava na DIPJ apenas receita da prestação de serviços. A omissão de receita fica ainda mais patente quando se observa a enorme discrepância entre a Receita Bruta declarada na DIPJ (R$ 63.791,72) e as movimentações financeiras no ano de 2003, informadas pelas instituições financeiras (R$ 49.450.226,47). Além disso, a empresa diversas vezes intimada, deixou de apresentar à fiscalização livros fiscais e contábeis obrigatórios. Por sua vez, a Giucafé Exportação e Importação, que até então sempre adquiriu café diretamente dos produtores rurais, passou a adquirir o café da JD. No entanto, a própria Giucafé realizava o transporte do café desde o produtor rural até os seus armazéns, sem que o produto transitasse pela JD, até porque esta não possui armazém próprio. Além disso, o pagamento aos produtores rurais era efetuado por pessoas ligadas à Giucafé (empregados e parentes) por meio de contas Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.986 17 bancárias abertas em nome da JD e livremente movimentadas por estas pessoas “estranhas” à sociedade. A alegação de que a JD efetuava vendas a outras empresas e de que a Giucafé possuía outros fornecedores além da JD não afasta o fato de haver o controle e administração das atividades da JD pela Giucafé. Notese que o transporte dos produtos, o pagamento aos produtores e a armazenagem eram realizados pela própria Giucafé. Somese a isto o fato de a JD e a Giucafé funcionarem no mesmo endereço o que, embora não se possa caracterizar como ilegal, reforça a tese de formação de grupo econômico e demonstra, quando se analisa este fato em conjunto com os demais fatos e elementos trazidos aos autos pela fiscalização, que a atividade de uma empresa se confunde com a outra, mediante uma administração comum. Destaquese neste sentido, os pagamentos realizados pela JD a pessoas ligadas às empresas Giucafé, sem a comprovação da existência de negócio jurídico que justifique tais pagamentos. O que se pode concluir diante de tudo o que foi descrito pela fiscalização, é que a JD era administrada de fato pelos mesmos sócios do grupo Giucafé. Resta claramente demonstrada a vinculação existente entre as empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda, Giucafé Armazéns Gerais Ltda e JD Comissária de Café Ltda,caracterizandose a existência de grupo econômico que conjugava esforços demonstrando haver interações que transcendem em muito ao que se pode considerar como normal no âmbito de meras relações empresariais. Também restou evidente que os sócios gerentes da Giucafé controlavam e administravam a JD Comissária de Café Ltda visando seu próprio interesse e por esta razão deve ser mantida a corresponsabilidade pelo crédito tributário constituído em nome da JD. Como se vê dos excertos acima destacados, restou demonstrado que a GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e a GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. participavam ostensivamente da situação configuradora do fato gerador (da compra do café cru das pessoas físicas produtoras rurais à sua venda, armazenamento e transporte), razão pelo qual NEGO provimento ao recurso voluntário, julgando que está configurada a existência de grupo econômico. Da responsabilidade pessoal Tendo apreciado a existência de grupo econômico, relativamente à JD COMISSARIA DE CAFÉ LTDA, GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA, resta, dessarte, examinar corresponsabilidade das pessoas físicas, CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI, ALFREDO GIUBERTI e AUGUSTO GIUBERTI. De acordo com o auto de infração, a corresponsabilidade dos recorrentes decorreria do que dispõem o art. 128 e o art. 135 do CTN (fl. 1.575): Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 18 III – Da responsabilidade tributária 1) A comprovação da unicidade de comando, da cooperação operacional e financeira entre a empresa JD Comissária de Café Ltda e as empresas do grupo Giubert, desde novembro de 1997 e inclusive no ano de 2003, demonstram, apesar do quadro societário distinto entre elas, que a JD Comissária de Café Ltda tem sua administração e controle exercidos pelos mesmos responsáveis que administram e controlam as empresas do Grupo Giubert. A fiscalizada, portanto, tem sua administração totalmente subordinada a este grupo, sendo por ela controlada, em beneficio dos objetivos empresariais do mesmo. 2) Concluise então que, a JD Comissária de Café Ltda também integra o grupo econômico de fato, formado pelas empresas Giucafé Exportação e Importação Ltda e Giucafé Armazéns Gerais Ltda. 3) O art. 128 do CTN dispõe acerca da possibilidade de se atribuir a obrigação tributária a alguém que não seja o contribuinte: [...] 4) A responsabilidade tributária de terceiros aplicável a sócio ou administrador da pessoa jurídica depende de: a) Lei expressa; b) vinculação desse terceiro ao fato gerador da obrigação, conforme dispõe o art. 135 do CTN: [...] 5) De acordo com os artigos do CTN supracitados, os créditos tributários em nome da empresa J.D. Comissária de Café Ltda. tem como coresponsáveis as empresas GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., bem como seus sócios Pedro Giuberti..., Alfredo Giuberti.... e Augusto Giuberti..... Como se vê, a fiscalização atribuiu a responsabilidade tributária as pessoas físicas recorrentes, nos termos do art. 135 do CTN, porque, na sua ótica, são elas quem efetivamente administram a devedora principal, J. D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA. Diz o auditor: “a JD Comissária de Café Ltda tem sua administração e controle exercidos pelos mesmos responsáveis que administram e controlam as empresas do Grupo Giubert”. Os fatos que levaram a fiscalização a chegar a essa conclusão foram precisamente resumidos pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: A vinculação do contribuinte com as pessoas responsabilizadas está caracterizada pelos fatos narrados no Termo Final de Verificação e Constatação Fiscal, dentre os quais destacamos: a) A Sra. Marlene Giubert Marcon, irmã dos sócios gerentes das empresas do Grupo Giubert é procuradora da Giucafé Exportação e Importação Ltda, com poderes amplos para administrar todos os negócios do outorgante e qualificada como gerente financeira da respectiva empresa. Também foi nomeada procuradora da empresa JD Comissária de Café com poderes para assinar proposta de abertura de conta bancária, Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.987 19 movimentálas, emitir, endossar cheques, solicitar saldos, extratos, outros, inclusive livre para movimentar através do Sistema de Pagamentos Brasileiro SPB em qualquer instituição financeira no Estado do Espírito Santo; b) A JD Comissária de Café também nomeou seu procurador o Sr. Sérgio Afonso Poltronier, empregado da Giucafé Exportação e Importação no cargo de Diretor Comercial, outorgandolhe os mesmos poderes acima descritos; c) Nos dados cadastrais enviados pelos bancos, consta como da JD Comissária de Café o mesmo telefone e endereço da Giucafé; d) Constatouse que a JD Comissaria de Café efetuou pagamentos a parentes dos sócios da Giucafé sem a comprovação da existência de operação comercial que a justifique; e) O café adquirido não transitava pela JD Comissária de Café, indo direto para a Giucafé; f) A JD Comissária de Café nunca possuiu estabelecimento próprio para armazenagem de café. A fiscalização concluiu que a armazenagem pela Giucafé se dava sem custo para a fiscalizada. Para a fiscalização, portanto, os fatos elencados acima, principalmente as procurações (fls. 49 e ss.), dando poderes de movimentação e emissão de cheques de contas bancárias da J.D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA.,outorgada à gerente financeira (Marlene Giubert Marcon) e ao diretor comercial (Sérgio Afonso Poltronier) da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., seriam prova robusta da administração comum. Ainda de acordo com o auto de infração, a administração comum das empresas citadas já teria sido constatada em fiscalização anterior, que resultou na lavratura de três autuações, constantes dos Processos nº 1154.3004307/200310 (IRPJ), Processo n° 11543004306/200375 (PIS) e Processo n° 11543004305/200321 (COFINS). Ipsis litteris: 4) Além dos fatos e provas acostados no presente processo, originários do dossiê supracitado, corrobora o item anterior, a auditoria realizada pela SRFB na empresa ora fiscalizada, abrangendo o período de 1998 a 2002, iniciada em 20 de junho de 2003, que gerou os Autos de Infração de IRPJ e Reflexos Processo n° 1154.3004307/200310, PIS Processo n° 11543004306/200375 e COFINS Processo n° 11543004305/200321, cujos relatórios (doc. de fls. 25 a 28), respaldados em provas anexas( doc. de fls. 29 a 185) comprovam uma intrínseca ligação da JD Comissária de Café Ltda com as empresas do Grupo GIUBERT, a partir de novembro de 1997, estendendose nos anos de 1998, 1999 , 2000, 2001, 2002; 5) Relativamente ao ano de 2003, os Autos de Infração referentes aos processos 11543004305/200321 e 11543004306/200375, lavrados em 10 de novembro de 2003, cumprem o que foi determinado para a Operação Fiscal n° 3808 Verificações Preliminares e restringemse aos lançamentos da COFINS e do PIS, respectivamente; Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 20 6) A intrínseca ligação entre a JD Comissária de Café Ltda e o Grupo GIUBERT, não se interrompe no anocalendário de 2003, prevalecendo o mesmo "modos operandi", conforme relato a seguir: [...] No meu entender, o referido conjunto probatório revela que as pessoas físicas ora recorrrentes eram quem efetivamente administravam a J.D. COMISSÁRIA DE CAFÉ LTDA., destacandose, nesse sentido, a outorga de procuração aos subordinados das recorrentes, contrariamente ao que dispõe, quanto à administração, o contrato social desta empresa e os contratos sociais das empresas GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. e GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA. Configurada, dessa maneira, a atuação das pessoas físicas recorrentes, através de seus subordinados, contrária ao contrato social, de modo a atrair a responsabilização pessoal, na forma do art. 135 do CTN. In verbis: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Quanto a alegação do Sr. AUGUSTO GIUBERT, de que não exercia qualquer função de administração, constato que a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que estabelece a responsabilidade pela administração da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. ocorreu com a alteração contratual, cuja cópia foi anexada em fls. 1547/1552. Porém, o registro da referida alteração na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo ocorreu somente em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1537/1538), data posterior ao fato gerador dos tributos lançados. Igualmente, no que diz respeito à GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA., a alteração contratual nº 3 (fls. 1562/1566) houve a retirada do nome do Sr. Augusto Giubert da cláusula que atribui a responsabilidade pela administração da empresa. Esta alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo, também, em 09/01/2004 (vide Certidão fornecida pela JUCEES em fls. 1555/1557). A alteração contratual retirando o Sr. AUGUSTO GIUBERT da administração das sociedades fazem prova juris tantum, de que o mesmo exercia a administração das empresas anteriormente a data de sua retirada. Assim, o Sr. AUGUSTO GIUBERT poderia fazer prova em contrário de que não administrava tal sociedade. Todavia, as provas trazidas pelo Sr. AUGUSTO GIUBERT não são suficientes para infirmar o contrato social, O fato de ter trazido comprovação de que residia em município distinto da sede da pessoa jurídica não é prova contundente de que ele não administrava a sociedade. Ante o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário da GIUCAFÉ EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA., GIUCAFÉ ARMAZÉM GERAIS LTDA CARLOS ALBERTO GIUBERTI, PEDRO GIUBERTI e de ALFREDO GIUBERTI tão Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 15586.002470/200815 Acórdão n.º 3202001.030 S3C2T2 Fl. 1.988 21 somente para reconhecer a extinção do crédito tributário lançado contra as pessoas jurídicas, referente aos meses de janeiro a novembro de 2003, inclusive, em virtude da ocorrência da decadência; e voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário de AUGUSTO GIUBERT. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.907103/2011-22
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/03/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.907103/2011-22
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5345364
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.904
nome_arquivo_s : Decisao_11030907103201122.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11030907103201122_5345364.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5431055
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046595186982912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 18 1 17 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.907103/201122 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.904 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente SANDERO INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 71 03 /2 01 1- 22 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 11/06/2006, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/POA, de 24/05/12 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 1038.591, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 139 processos semelhantes em 20/06/2012, a contribuinte protocolou defesas específicas em 16/07/2012, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.907103/201122 Acórdão n.º 3803005.904 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
