Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,235)
- Segunda Câmara (27,802)
- Primeira Câmara (25,085)
- Segunda Turma Ordinária d (17,417)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,076)
- Primeira Turma Ordinária (15,870)
- Primeira Turma Ordinária (15,862)
- Primeira Turma Ordinária (15,851)
- Segunda Turma Ordinária d (15,719)
- Segunda Turma Ordinária d (14,277)
- Primeira Turma Ordinária (12,970)
- Primeira Turma Ordinária (12,280)
- Segunda Turma Ordinária d (12,256)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (84,103)
- Terceira Câmara (66,411)
- Segunda Câmara (54,642)
- Primeira Câmara (19,299)
- 3ª SEÇÃO (16,076)
- 2ª SEÇÃO (11,243)
- 1ª SEÇÃO (6,794)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,446)
- Segunda Seção de Julgamen (113,241)
- Primeira Seção de Julgame (75,650)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,918)
- Câmara Superior de Recurs (37,709)
- Terceiro Conselho de Cont (25,973)
- IPI- processos NT - ressa (5,010)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,864)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,245)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,627)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,201)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,645)
- HELCIO LAFETA REIS (3,513)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,614)
- WILDERSON BOTTO (2,602)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,084)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,915)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,467)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,246)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,078)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,840)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10480.917239/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO.
O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA.
Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional - CTN - nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.917239/2009-65
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320981
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-002.189
nome_arquivo_s : Decisao_10480917239200965.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 10480917239200965_5320981.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5276159
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370798010368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 10 1 9 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.917239/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.189 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2013 Matéria PIS Recorrente COMPANHIA HIDROELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 CONSTITUIÇÃO DE MULTA EM ANÁLISE DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O procedimento de análise de processo de compensação não condiz em meio hábil para a constituição de multa que não havia sido previamente constituída. Imprescindibilidade de lançamento do débito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter repetitivo). A denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 72 39 /2 00 9- 65 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de simples Declaração de Compensação de PIS com débito de IRPJ (fls. 01/04), transmitida em 26/09/2006, indeferida em razão da suposta insuficiência de créditos. A questão é confusa e para evitar erros, é preciso analisar todo o histórico ocorrido. Segundo informações da Recorrente (fls. 10/12), o crédito utilizado nesta compensação originouse de DARF recolhido indevidamente, explica: com a entrada em vigor do regime da não cumulatividade, a Recorrente passou a sujeitarse à nova sistemática de cálculo do PIS/COFINS. No entanto, por exceção legal, as receitas da empresa decorrentes dos contratos firmados antes de 31/10/2003, permaneceram tributadas pela forma cumulativa, isto é, com alíquota reduzida. Registrase que os requisitos para que tais contratos permanecessem sob este regime era que fosse longevo e que tivesse preço prédeterminado. No ano de 2005, a Recorrente analisou a legislação e verificou que a correção monetária dos contratos poderia ser interpretada como componente descaracterizador do conceito de “prédeterminado”, na dúvida, em razão de ter promovido a atualização dos preços de alguns dos contratos que estavam sob a sistemática cumulativa, migrou a tributação de tais receitas para o regime não cumulativo, que possui alíquota superior às do regime cumulativo. Em relação ao período passado, a Recorrente entendeu por bem recalcular os valores e recolher a diferença entre os regimes, como se a receita daqueles contratos estivesse no regime não cumulativo. Para quitar este valor em aberto, a Recorrente promoveu com atraso o recolhimento do PIS relativa a receitas auferidas na competência de 10/2004, tendo para tanto utilizado o meio da denúncia espontânea, ou seja, com a inclusão de juros de mora mas sem recolhimento da multa moratória. O crédito referese a pagamento efetuado – via DARF em 29/04/2005, em procedimento de denúncia espontânea relativo à competência 10/2004, e decorre de pagamento a maior da contribuição em virtude de diferenças na aplicação de regime cumulativo e não cumulativo na apuração da contribuição. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.917239/200965 Acórdão n.º 3302002.189 S3C3T2 Fl. 11 3 Informa ainda a Recorrente que, posteriormente, com a edição da Lei n° 11.196/06, esclareceuse que mero reajuste de preços não alteraria o regime de apuração das contribuições, isto é, esclareceuse que os valores relacionados a contratos firmados antes de 31/10/2003, ainda que atualizados, permaneceriam sujeitos à sistemática da cumulatividade. Neste momento, a Recorrente percebeu que havia recolhido o PIS da competência 10/2004 sob o regime de apuração errado – não cumulativo ao invés do cumulativo. Ao confrontar os valores devidos por uma e por outra sistemática de apuração, a Recorrente verificou que havia recolhido tributo a maior, sendo que é este o crédito que está sendo utilizado na compensação sob análise. O Despacho Decisório (fls. 05/07) homologou parcialmente a compensação, sob o fundamento de que o crédito apresentado pela Recorrente era insuficiente para quitar o débito que se pretendeu extinguir, sem muitas explicações indicou que o crédito existente é inferior aquele apontado pela Recorrente em sua DComp e glosou o adicional compensado. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10/12) por meio da qual esclarece que após buscar e refazer cálculos, descobriu que a suposta inexistência de crédito ocorreu em razão de o Fisco entender que, no pagamento do PIS realizado em 2005 na forma não cumulativa, a contribuinte deveria ter recolhido multa moratória, posto tratarse de pagamento em atraso. Em virtude deste fato, a fiscalização promoveu a imputação do valor recolhido da forma como entendia estar correta, concluindo pela inexistência de saldo/crédito suficiente à quitação da totalidade do débito objeto da compensação. Após esclarecer a glosa imputada pelo Despacho Decisório, a Recorrente passou a defender a não inclusão da multa moratória no recolhimento em atraso, posto que ocorrida a denúncia espontânea. Informa, ainda, que o procedimento de denúncia espontânea está em análise pela Receita Federal (Processo Administrativo nº 19647.004378/200528). Ainda, em sua defesa, a Recorrente apresentou a segunda DCTF retificadora, que foi transmitida em 24/08/2006 (fls. 14/16), na qual constituiu o crédito em discussão ao declarar o débito de PIS Não Cumulativo (código 6912) para a competência de 10/2004 como sendo de R$ 86.230,08. De acordo com a DCTF, este valor foi quitado por meio de uma guia DARF, paga em atraso (pelo que consta dos autos, assumese que em 29/04/2005), sendo o total da guia recolhida R$ 723.724,67 e o total indicado como relativo ao pagamento do débito R$ 86.230,08. A declaração em DCTF restou consignada da seguinte forma, a saber: Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Por fim, a Recorrente registra que o processo de compensação ainda está em andamento, o que impediria a cobrança da multa, razão pela qual a cobrança do valor glosado na compensação deve ser cancelada. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Recorrente e manteve a homologação parcial da compensação, por entender que a multa moratória é devida em pagamentos atrasados, ainda que na forma de denúncia espontânea (fls. 86/92), verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004_a_31/10/2004 Ementa: PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denóncia seja espontânea, antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. COBRANÇA DA PARCELA NÃO HOMOLOGADA. Constatada insuficiência de crédito para fazer frente aos débitos declarados em DCOMP, cabe a cobrança da parcela não homologada, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7° do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Manifestação de Inconformidade Improcedente DARF 1 PA: 31/10/2004 CÓDIGO RECEITA – 6912 VCTO – 12/11/2004 Valor do Principal R$ 678.852,52 Valor da Multa R$ 0,00 Valor dos Juros R$ 44.872,15 Valor Total do DARF R$ 723.724,67 Valor Pago do Débito R$ 86.230,08 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.917239/200965 Acórdão n.º 3302002.189 S3C3T2 Fl. 12 5 Direito Creditório Não Reconhecido.” Assim como a Recorrente, os julgadores administrativos foram em busca da origem da causa da glosa, valendose de pesquisas, simulações e análises do sistema da Receita Federal. Inicialmente consignaram a ocorrência do pagamento declarado pela contribuinte anexando para tanto o extrato do SINAL (fls. 51 – vcto 12/12/04), onde consta que em 29/04/2005, foi recolhido o valor de R$ 723.724,67 (sendo R$ 678.852,78 a título de principal e R$ 44.872,15 de multa). Na seqüência a decisão indicou como pago, em 29/04/2005, o total de R$ 322.191,76 e adotou como premissa que a questão referese ao pagamento em atraso deste valor apurado, verbis: “Consideremos que o valor devido relativo a outubro de 2004, cujo vencimento se deu em 12/11/2004, foi pago com atraso, em 29/04/2005. Qual seria o valor necessário para a sua quitação ???” Ainda, apresentou a simulação do pagamento, concluindo que o valor de R$ R$ 86.230,08 em verdade seria R$ 109.175,89, sendo que esta constatação é que gerou a insuficiência do crédito. Com estas considerações, os julgadores administrativos de primeira instância mantiveram o Despacho Decisório. Para finalizar, a decisão recorrida discorre acerca da manutenção da multa de mora no caso de denúncia espontânea e afasta a alegação de que a matéria estaria vinculada ao processo de denúncia espontânea por entender que independente da denúncia espontânea, o a multa de mora se mantém, já que este tipo de penalidade não se extingue com a denúncia espontânea. Diz a decisão que “toda a discussão restringese a multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo, mas sim sobre a parcela do débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 103/109), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, além de trazer jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça favorável a seu entendimento. Vieramme então, os autos para decisão. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele conheço. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Após extenso relatório, necessário para a compreensão dos fatos ocorridos, percebese que a questão em discussão referese (i) à possibilidade de a autoridade administrativa exigir, em sede de procedimento de compensação, multa moratória que em etapa anterior reduziria o crédito tributário e (ii) incidência de multa de mora no caso de denúncia espontânea. Algumas premissas fáticas devem ser consideradas. Primeiro, nestes autos não se discute a origem do crédito, ou seja, não se questiona se a contribuinte poderia voltar ao regime cumulativo do PIS e COFINS ou se teria direito ao crédito a maior. Em segundo lugar, não há dúvida quanto ao valor do débito principal devido pela Recorrente, ao contrário, pois as autoridades administrativas assumiram o valor indicado na DCTF retificadora (R$ 86.230,08) Vale dizer, tanto Fisco como o contribuinte concordam que o valor de principal devido a título de PIS neste caso representa o valor indicado na segunda retificadora da DCTF. Neste sentido, destaco trecho do acórdão da DRJ, verbis: “Na discriminação das vinculações da Contribuição para o PIS relativa a outubro de 2004 (fls. 016, 077 e 078), podese observar que todo o débito declarado, no valor de R$ 86.230,08, foi extinto pelo pagamento em atraso informado na DCOMP. Em termos absolutos, o valor total do DARE é superior ao do débito, mas resta saber se, deduzido o valor já utilizado na primeira DCOMP (conhecida como "Pai") e, feitas as devidas imputações, ainda restaria alguma diferença para ser utilizada na DCOMP sob análise ("Filhote"), e o quantum..” (destaquei) Logo, como esclarecido, in casu a contribuinte procedeu à retificaçãos de DCTF, consolidando duas vezes o quantum debitório da Cofins referente ao período de 10/2004. Do que se depreende dos autos, em relação ao valor principal, as alterações restaram da seguinte forma consignadas: DCTF 1 DCTF 2 R$ 678.852,52 – pago 29/04/2005 R$ 86.230,08 – retificado 29/04/2005 R$ 678.852,52 R$ 86.230,08 Consolidado o valor principal em R$ 86.230,08, o que se discute nos autos é a possibilidade da cobrança de multa de mora em relação, justamente, neste npumero que foi o único considerado como devido e efetivamente pago por meio da guia DARF em 29/04/05, que recolheu R$ 723.724,67. Vale esclarecer que consta dos autos que esta guia recolhida em 29/04/05 no valo de R$ 723.724,67 já foi utilizado para uma compensação no valor de R$ 401.532,91, sendo considerado para o presente processo apenas um saldo de R$ 322.191,76, conforme depreendese do acórdão recorrido, verbis: “Vemos que, naquele documento, foi utilizado um crédito original no valor de R$ 401.532,91 e, em pesquisa no Sistema SIEF/PERDCOMP/Consulta (fls. 084), pudemos verificar que a compensação foi integralmente homologada, tendo restado, portanto, do DARF, um resíduo de R$ 723.724,67 — R$ Fl. 161DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.917239/200965 Acórdão n.º 3302002.189 S3C3T2 Fl. 13 7 401.532,91 = R$ 322.191,76. Seria este valor suficiente para fazer frente a nova compensação declarada ??” – fls. 90. Especificamente, a Recorrente entende que possui um determinado saldo credor, enquanto as autoridades administrativas entendem que o valor é outro, a saber: (A) DARF PAGO (B) VALOR DEVIDO (C = A B) SALDO DE CRÉDITO O QUE PENSA? Principal Multa Juros Contribuinte 322.191,76 86.230,08 X 5.699,80 230.261,88 DRF/DRJ 322.191,76 86.230,08 17.246,01 5.699,80 213.015,87 O valor entendido por devido pelas autoridades administrativas está demonstrado na Guia DARF simulada (fls. 85). Em resumo, a questão é justamente o crédito. Enquanto a Recorrente entende que tem direito ao crédito de R$ 230.261,88; a DRF/DRJ conclui que o crédito efetivo é no montante de R$ 213.015,87. A diferença é exatamente o valor da multa (R$ 3.216,82). Registrase que, conforme esclarecido pela decisão da DRJ, a diferença entre o valor que foi glosado (R$ 21.210,86) e à multa (R$ 17.246,01) decorre da aplicação da Taxa Selic, entre o pagamento indevido e efetiva compensação. Neste aspecto alcançamos a primeira questão a ser analisada. É possível, por meio da análise da presente compensação, avaliar o crédito indicado para compensação? A resposta é afirmativa. Todavia, esta revisão não permite a constituição, via transversa, de débito tributário até então não constituído. Conforme constatado dos documentos dos autos, a constituição do débito tributário foi realizada pela contribuinte quando da apresentação da segunda DCTF retificadora, quando a Recorrente confessou o débito em atraso mas não constituiu a multa. Nesta oportunidade a Recorrente declarou como devido o principal e os respectivos juros, uma vez que pretendeu a realização de denúncia espontânea. O presente processo não é o meio hábil para lançar a multa que não foi constituída pela contribuinte ou fiscalização. A próxima questão a ser avaliada referese à denúncia espontânea. Inicialmente cumpre registrar que o processo administrativo nº 19647.004378/200528, no qual, de acordo com informações contidas nos autos, a questão da denúncia espontânea estaria sendo discutida, não tratou do procedimento espontâneo adotado pelo Contribuinte, conforme se atesta dos documentos trazidos aos autos. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Assim, não há concomitância no julgamento da questão, razão pela qual adentro ao mérito da questão. Nos termos relatados, a insuficiência do crédito se deu em razão de a fiscalização entender que a denúncia espontânea realizada pelo contribuinte em 29/04/05 não afastar a multa incidência de moratória de 20%. Ocorre que tal interpretação não se coaduna com a jurisprudência majoritária, menos ainda com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça proferido em sede de recurso repetitivo1: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 1 As decisões proferidas em sede de Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça são de observação obrigatória pelos julgadores administrativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF conforme artigo 62A do Regimento Interno: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 163DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.917239/200965 Acórdão n.º 3302002.189 S3C3T2 Fl. 14 9 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424) – Ministro Luix Fux – destaquei) Inaplicável, portanto o entendimento do v. acórdão no sentido de impossibilidade de se eximir a multa de mora com a denúncia espontânea,o que faz com que o crédito pleiteado pela Recorrente seja suficiente à satisfação da compensação pretendida. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a compensação nos termos como realizados. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 164DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Declaração de Voto CONSELHEIRO WALBER JOSÉ DA SILVA Inicialmente, acato a decisão da DRJ de não analisar a legitimidade dos débitos declarados ou pagos pela Recorrente, isto é, se o valor devido de PIS do PA 06/04 está correto ou não (tanto no regime cumulativo como no regime não cumulativo). A minha análise se restringirá ao objeto da lide estabelecida (ocorreu ou não denúncia espontânea com direito ao pagamento do PIS sem a multa de mora) pelo fato da Recorrente (i) ter efetuado o pagamento de um débito de PIS em atraso e sem multa de mora (que julgava devido); (ii) ter comunicado o fato à RFB para caracterizar a denúncia espontânea; (iii) não ter efetuado a retificação da DCTF quando do pagamento; (iv) e posteriormente (dois anos depois) apresenta DCTF retificadora declarando um débito de valor diferente do constante da comunicação feita à RFB via processo (do mesmo PA) e vinculandoo ao mesmo DARF constante da referida comunicação à RFB (para liquidar débito). Há que se decidir se o débito de PIS declarado na DCTF retificadora, do mesmo PA, mas com valor diferente do débito constante da “denúncia espontânea” e do DARF pago dois anos antes é o mesmo débito (como defende a Recorrente) ou é um débito “novo” que o contribuinte pretende quitar com aquele DARF, como entendeu a DRJ. Também é necessário decidir se esta situação estar albergada pela decisão proferida pelo STJ (REsp nº 1.149.022 – SP rito RR) sobre a incidência da multa de mora nos pagamentos espontâneos, posto que não houve a retificação do valor declarado anteriormente (DCTF) quando do pagamento, vindo o contribuintes a fazêlo dois anos depois, mudando para menos o valor do débito que entende devido. Tudo isto sem que houvesse procedimentos fiscalizatório prévio. Passo à análise das questões de mérito da lide. A comunicação da “denuncia espontânea” feita pela Recorrente em maio/05 é inócua e em anda afeta meu entendimento sobre a lide. Portanto, não a levarei em consideração. Conforme abaixo se vê, a decisão do STJ (REsp nº 1.149.022 – SP) trata do caso em que o contribuinte retifica declaração de débito para incluir diferença e, concomitantemente, efetua o pagamento da diferença, tudo isto antes de qualquer procedimento fiscalizatório. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10480.917239/200965 Acórdão n.º 3302002.189 S3C3T2 Fl. 15 11 (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. [...] 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. No caso dos autos, previamente a qualquer procedimentos fiscalizatório, o contribuinte, antes de efetuar a retificação da declaração, efetuou o pagamento de PIS e, muito tempo depois, é que procedeu a retificação da declaração (DCTF) para incluir uma diferença menor do que a que tinha pago anteriormente (vinculou na DCTF o débito ao DARF pago anteriormente) e, por entender indevido parte do pagamento efetuado, está pleiteando a restituição do indébito. A DRJ entende que discussão restringese à multa de mora, não sobre o pagamento realizado a destempo (o DARF), mas sim sobre o débito que o sujeito passivo pretende quitar com aquele DARF. Muito bem. Fiquemos com o entendimento da DRJ de que aqui não se discute se sobre o débito de PIS pago no dia 29/04/2005 incidia ou não a multa de mora. Mas sim se sobre o débito que a Recorrente pretende quitar com aquele pagamento incide ou não multa de mora. Lembro que, como bem disse a decisão recorrida, o aproveitamento do pagamento na DCTF é feito pelo total do DARF recolhido e não pelo valor de cada uma das parcelas pagas. Também é importante lembrar que aqui não se está tratando de compensação de débitos de PIS com créditos de PIS. Isto porque o DARF utilizado para quitar o débito declarado também é de PIS e do mesmo período de apuração do DARF pago. Portanto, tratase aqui de simples alocação de pagamento de PIS a débito declarado de PIS do mesmo PA. O detalhe é que o pagamento ocorreu após o vencimento do débito. No DARF pode ter sido destacado, ou não, multa e juros de mora. Não faz diferença porque a alocação é feita pelo total pago e não parcela por parcela, como se disse. Outro detalhe fundamental é que o débito se refere a diferença, ou seja, é um complemento do valor regularmente declarado em DCTF e esta diferença só foi declarada em DCTF muito tempo após a realização do pagamento. Pagamento e retificação da declaração não foram concomitantes. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 E este detalhe – pagamento e retificação da declaração não são concomitantes – faz toda a diferença para a decisão recorrida. A decisão do STJ no REsp acima citado se refere a retificação de declaração e pagamento concomitantes. No meu entendimento, SMJ, se o pagamento e a retificação da declaração ocorreram antes de qualquer procedimento de ofício, e o pagamento antecedeu à retificação da declaração, aplicase a decisão do STJ sobre a matéria. Se entre o pagamento e retificação da DCTF tivesse o Fisco iniciado procedimento de fiscalização, não se caracterizaria a denúncia espontânea (mesmo com a comunicação do contribuinte via processo) porque a condição estabelecida pelo STJ é que ocorra a retificação da declaração (que impede o lançamento de ofício) e o pagamento. Sem um ou sem o outro, é devido a multa de mora ou de ofício, conforme o caso. Por isto é que a decisão do STJ é no sentido de que a multa de mora é devida no caso de débito declarado e não pago. No caso dos autos, pagamento e retificação da declaração não ocorreram simultaneamente. No entanto, o pagamento ocorreu antes da retificação da DCTF e não houve procedimento fiscalizatório antes da retificação da DCTF. Por esta razão, entendo que ao caso aplicase a decisão do STJ no Recurso Repetitivo acima referido para declarar indevida a multa de mora no pagamento em tela. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 27/0 1/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000456/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO ENTRE PARENTES DE 1° GRAU. INFORMALIDADE ACEITÁVEL. COMPROVAÇÃO.
Tratando-se de doações de mãe para filho, na qual impera a informalidade, e verificando que as operações foram consignadas nas declarações de rendimentos da doadora e do donatário, bem como a primeira possuía suporte financeiro para tanto, pela venda comprovada de imóvel, consideram-se comprovadas documentalmente as doações informadas. Precedentes.
Quanto ao crédito a receber, houve a comprovação do mesmo, por documentos hábeis e idôneos, quais sejam Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Nota Promissória devidamente registrada no Registro de Títulos e Documentos, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência.
Numero da decisão: 2202-002.497
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio BrunGoldschmidt.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO ENTRE PARENTES DE 1° GRAU. INFORMALIDADE ACEITÁVEL. COMPROVAÇÃO. Tratando-se de doações de mãe para filho, na qual impera a informalidade, e verificando que as operações foram consignadas nas declarações de rendimentos da doadora e do donatário, bem como a primeira possuía suporte financeiro para tanto, pela venda comprovada de imóvel, consideram-se comprovadas documentalmente as doações informadas. Precedentes. Quanto ao crédito a receber, houve a comprovação do mesmo, por documentos hábeis e idôneos, quais sejam Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Nota Promissória devidamente registrada no Registro de Títulos e Documentos, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 18471.000456/2007-73
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5321763
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.497
nome_arquivo_s : Decisao_18471000456200773.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
nome_arquivo_pdf_s : 18471000456200773_5321763.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio BrunGoldschmidt.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5280135
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370857779200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 10 1 9 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000456/200773 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.497 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria IRPF Recorrente LUIZ MANOEL QUINTELLA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO ENTRE PARENTES DE 1° GRAU. INFORMALIDADE ACEITÁVEL. COMPROVAÇÃO. Tratandose de doações de mãe para filho, na qual impera a informalidade, e verificando que as operações foram consignadas nas declarações de rendimentos da doadora e do donatário, bem como a primeira possuía suporte financeiro para tanto, pela venda comprovada de imóvel, consideramse comprovadas documentalmente as doações informadas. Precedentes. Quanto ao crédito a receber, houve a comprovação do mesmo, por documentos hábeis e idôneos, quais sejam Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Nota Promissória devidamente registrada no Registro de Títulos e Documentos, indicando a natureza, o valor e a data de sua ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 56 /2 00 7- 73 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 16/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio BrunGoldschmidt. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física relativo ao AnoCalendário de 2004, consubstanciado no Auto de Infração, de fls.88/92, lavrado em 31/05/2007, em face do contribuinte acima identificado. O montante do crédito apurado é de R$ 294.505,13, já acrescido de multa proporcional de 75% sobre o valor do principal e de juros de mora calculados até 30/04/2007. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fl. 89, informa que foi verificada a infração "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" Omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. A planilha demonstrativa do Fluxo Financeiro Mensal foi anexada às fls.68. No Termo de Verificação Fiscal TVF, de fl. 85/87, esclarece a autora doprocedimento fiscal que foi apurado Acréscimo Patrimonial a Descoberto, nos meses denovembro e dezembro de 2004, nos valores de R$ 498.180,00 e de R$ 41.000,00,respectivamente, por ter deixado o contribuinte de comprovar a origem dos créditos a receberde terceiros e aquisição de veículo constantes em sua Declaração de Ajuste Anual do Exercício2005, AnoCalendário 2004. Acrescenta a autoridade fiscal autuante que intimou o interessado a sem anifestar sobre os valores apurados e este informou que a origem dos recursos utilizados para conceder empréstimo ao sr. João Marques da Motta Sobrinho Neto, no valor de R$ Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 18471.000456/200773 Acórdão n.º 2202002.497 S2C2T2 Fl. 11 3 500.000,00,conforme consta no Instrumento Particular de Confissão de Dívida, seria a doaçãorecebida de sua mãe, após a realização de venda de imóvel (operação esta no valor de R$ 550.000,00), apresentando cópia da Declaração de Ajuste Anual DAA de ambos,bem como escritura da venda do referido imóvel. Entretanto, não realizou qualquer comprovação quanto à efetiva transferência do numerário. De acordo com o TVF, para justificar a aquisição de veículo no valor de R$ 41.000,00, o contribuinte apresentou o Certificado de Registro e Licenciamento de veículo, informando como origem dos recursos outras doações feita por sua mãe “ao longo do ano” de 2004, no valor total de R$ 60.000,00, porém sem igualmente comprovar a transferência dos valores. Impugnação Cientificado do lançamento, em 08/06/2007, conforme fl. 93, apresentou a contribuinte impugnação (Fls. 95105), em 04/07/2007, trazendo os seguintes argumentos, em síntese: somente o acréscimo patrimonial não justificado por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte pode ser considerado como instrumento de apuração da omissão; a hipótese de presunção legal aventada é relativa, ou seja, embora estabelecida em lei, não possui o poder de estabelecer a verdade inconteste ou, quiçá, uma verdade criada pelo direito; somente impõe ao contribuinte o ônus de provar a origem dos rendimentos determinante do acréscimo patrimonial (Reproduz doutrina e jurisprudência em favor de sua tese); a presente lide cingese a apenas um ponto, qual seja, saber se os documentos apresentados pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal são hábeis e idôneos a comprovar a origem dos recursos financeiros justificadores dos dispêndios apontados como causa do aumento patrimonial; a autoridade fiscal desconsiderou os documentos apresentados, hierarquizando o material probatório da busca da verdade material, em troca de exigências formais inalcançáveis para o autuado. a origem dos recursos utilizados pelo impugnante para realização do empréstimo ao sr. João Marques da Motta Sobrinho Neto, no valor de R$ 500.000,00,conforme Instrumento Particular de Confissão de Dívida com Hipoteca, registrado no 5o.Ofício do Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 Registro de Títulos e Documentos e a Nota Promissória vinculada pode ser devidamente analisada e comprovada pelos documentos juntados (docs. n° 4 e n° 5 da impugnação – fls. 111112); também podese eliminar qualquer dúvida sobre a origem dos recursos financeiros necessários à aquisição do automóvel WW Beetle, adquirido em 2004, por R$41.000,00 (doc. n°10 – fl. 117), tendo o contribuinte recebido outras doações de mãe, no valor total de R$ 60.000,00 “ao longo do ano”; tais documentos demonstram, de maneira inequívoca, que a sra. Vera Lucia da Gama Quintella, CPF 275.018.68700, mãe do contribuinte, efetuou a doação de R$541.000,00 para os dois dispêndios citados. A quantia de R$ 500.000,00 originase da venda do imóvel localizado na Av. Canal de Marapendi, 1600/1902, realizada em 17/09/2004, no valor total deR$ 550.000,00, conforme escritura anexada, tendo sido feitas outras doações “ao longo do ano” de 2004; a Sra. Vera e o autuado informaram à RFB a operação em foco, à época de sua concretização, por meio de suas DAA relativas ao ano de 2004. em relação à entrega do numerário, considerada não comprovada, devese dizer que esta não ocorreu por intermédio de transferência bancária, em decorrência do curto espaço temporal entre as operações e porque o contribuinte fora proibido pelo Banco Central de movimentar suas contas bancárias. Não existe lei que obrigue o cidadão a administrar seu patrimônio sempre por intermédio de instituição bancária. Realizou suas operações financeiras usando dinheiro, a moeda nacional; o contribuinte encontravase numa situação absurda, pois não podia movimentar sua conta,em vista de poucos cheques devolvidos e o Estado pretende lhe cobrar tributos pelo simples fato de ter gerido suas contas sem utilizar suas contas bancárias.Os princípios da livre convicção e da verdade material obrigam o julgadora se desprender de formalismos excessivos, conforme entendimento já adotado pelo Conselho de Contribuintes.(Reproduz jurisprudência); foi autuado por meio do processo n° 18471.001837/200699,decorrente de omissão de receita por meio de depósitos bancários de origem não comprovada,no valor de R$ 150.316,60. Em que pese a defesa daquele Auto de Infração demonstrar a improcedência do lançamento, resta claro que a fiscalização esqueceu de considerar tal importância na apuração da base de cálculo imbricada com a infração detalhada no presente PAF; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 18471.000456/200773 Acórdão n.º 2202002.497 S2C2T2 Fl. 12 5 que se a autoridade fiscal entende que o contribuinte auferiu os rendimentos lá indicados, tal valor deve ser incluído no anocalendário de 2004 para fins de cálculo da variação patrimonial, sob pena de se incorrer em verdadeiro bis in idem vedado pela Constituição Federal, utilizandose duas presunções relativas, tributando duas vezes o mesmo fato ou mesmo suposto acréscimo patrimonial. Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a Impugnação foi julgada por unanimidade improcedente, pela 7ª Turma da DRJ/RJ2, (Fls. 133140), mantendo na integralidade a exigência do crédito tributário. Entendeu o órgão julgador que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto deriva de presunção legalmente estabelecida, conforme preceitua a legislação, podendo ser juris tantum ou relativa, na medida em que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte o ônus de afastála, recaindo a discussão acerca da aceitação ou não da doação em dinheiro que teria sido realizada pela mãe do contribuinte e que ampararia não só o empréstimo concedido a terceiro, mas também a compra do veículo. Tais valores em dinheiro recebidos por doação são considerados isentos e não tributáveis. Ocorre que para que seja considerada válida a doação, é necessário que sejam preenchidos diversos requisitos constantes no Código Civil. No presente caso, entendeu o julgador que a doação de tal quantia vultosa em dinheiro não admite negócio jurídico verbal, previsto apenas para bens móveis de pequeno valor. Para que se efetuasse a comprovação do negócio jurídico em análise, deveria ter sido juntado aos autos contrato de doação por instrumento particular, exigência do art. 541 do CC. Também, nas doações, as partes envolvidas têm o dever também de fazer prova efetiva do ingresso financeiro decorrente de tais atos. Ainda, que em se tratando de matéria relativa a prova, o ônus incumbe a quem alega ou aproveita. E em não havendo qualquer demonstração que o montante recebido pela mãe do interessado em dinheiro ingressou em seu patrimônio, impossível se falar no provimento do recurso. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 Ainda, que as doações estão sujeitas ao ITCMD – Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação, que não se encontra em discussão, mas que o valor do mesmo deveria ter sido informado como pagamento na DIRPF, o que não ocorreu. Por fim, quanto aos rendimentos apurados no exercício 2002, anocalendário 2001, relativos a depósitos bancários de origem não comprovada, cumpre destacar que para apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, considerase como origem de recursos os saldos credores das contascorrentes em 31 de dezembro do ano anterior. Como o anocalendário em discussão era 2004, apurouse como origem o saldo de conta corrente em 31/12/2003. Considerando que o contribuinte não informou na Declaração de Bens e Direitos da DIRPF do anocalendário 2003, nenhum saldo credor de conta bancária em 31/12/2003, não foi considerado como origem qualquer valor de saldos bancários no fluxo patrimonial elaborado pela fiscalização. Se em 31/12/2003, não restavam valores na conta corrente do contribuinte, não há como considerálos como origem de recursos que poderiam amparar os dispêndios em 2004. Também não foram registrados na DIRPF do anocalendário 2003, em31/12/2003, saldos de aplicações financeiras ou cadernetas de poupança, cujos resgates pudessem também vir a amparar dispêndios em 2004. Como se observa, não há como considerar como origem de recursos no ano calendário de 2004, ou seja três anos depois, valores relativos a depósitos bancários ocorridos no anocalendário de 2001. Recurso Voluntário De tal decisão, foi apresentado Recurso Voluntário (Fl. 145151) tempestivamente em 10/05/2011, repisando os mesmos argumentos apresentados em impugnação. Cita também, que a ausência de declaração do ITD da DIRPF 2005 nada prova em relação à doação acima citada, visto ser tributo de competência de outro ente federativo, desvinculado da aludida declaração de rendimentos. Também, que não cabe a alegação de que a falta de declaração de ITD seria motivo para se considerar procedente a autuação, até porque, eventual crédito tributário estaria inequivocamente extinto pela decadência. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 18471.000456/200773 Acórdão n.º 2202002.497 S2C2T2 Fl. 13 7 Ainda, informa que a doação em análise se deu por meio de instrumento particular, devidamente firmado entre as partes envolvidas, como se poderia constatar do documento então acostado, datado de 27 de setembro de 2004, caindo por terra o principal motivo mencionado pela autoridade julgadora. É o relatório Voto Conselheiro Fabio BrunGoldschmidt, Relator Entendo que assiste razão ao recorrente. Em Declaração de Ajuste Anual Simplificada de 2005 (Fl. 56), informou o contribuinte como rendimentos isentos e nãotributáveis a quantia de R$ 626.814,33 (referente aos bens e direitos que totalizavam R$ 25.150,00 em 31/12/2003), justificando o acréscimo patrimonial com duas doações em espécie que recebeu de sua mãe durante o ano de 2004, nos valores de R$ 500.000,00 e R$ 60.000,00, cuja prova para respaldar tais operações são as DIRPFsda doadora (Fl. 14) e do donatário referente ao período. Efetivamente, comprova o recorrente por meio dos documentos anexados, que tais doações constavam em ambas as DIRPF’s, não restando comprovado pela fiscalização qualquer irregularidade ou mesmo a inexistência das mesmas. No caso, tratandose de doação efetuada de uma mãe para seu filho, impera a informalidade. Até mesmo se poderia cogitar a assinatura de documento de doação entre mãe e filho, mas não há como se exigir o mesmo. Assim, tratandose a doação, de ato isento de imposto de renda, nos termos do art. 6º, inciso XVI da Lei 7.713/88, não há que se falar em tributação da mesma: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Ainda, dúvidas não restam quanto à efetiva venda do imóvel que originou a doação, uma vez que juntados aos autos a Escritura Pública de Compra e Venda (Fls. 1520), constando como outorgante a Sra. Vera Lúcia da Gama Quintella, mãe do recorrente, e como outorgado o Sr. Laerte José Carvalho Coutinho e sua mulher, assim como constando o valor de R$ 550.000,00 na mesma. Deste modo, resta demonstrado que a doadora possuía recursos suficientes para efetuar a doação a seu filho. Quanto à falta de ingresso do montante na conta do recorrente, conforme explicitado à fl. 70,é plausível a alegação de que a mesma encontravase impossibilitada de ser movimentada, por determinação do Banco Central, em face da devolução e reapresentação de cheques, corroborando com a tese do recorrente, não podendo ser exigido do recorrente que demonstrasse ter efetuado algo que estava impedido de realizar. Nosso entendimento se alinha com o entendimentojá esposado pelo CARF, relativamente à informalidade das doações entre parentes de 1° grau, bastando que se exija a declaração na DIRPF: Processo nº 19515.002601/200760 Recurso nº 506.264 Voluntário Acórdão nº 220201.692 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente SABRINA MALKA GOLDMANN DE MOL VAN OTTERLOO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 18471.000456/200773 Acórdão n.º 2202002.497 S2C2T2 Fl. 14 9 Cabe à autoridade lançadora o ônus de provar o fato gerador do imposto derenda. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que àautoridade lançadora comprove o aumento do patrimônio sem justificativanos recursos declarados. Por outro lado, valores alegados, oriundos de saldosbancários, disponibilidades, resgates de aplicações, dívidas e ônus reais,como os demais recursos declarados, são objeto de prova por quem as invocacomo justificativa de eventual aumento patrimonial. As operações declaradas,que importem em origem de recursos, devem ser comprovadas pordocumentos hábeis e idôneos que indiquem a natureza, o valor e a data de suaocorrência. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarsepor todos os meios admitidos emDireito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo,outrossim, livre a convicção do julgador. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÃO DE NUMERÁRIO DE PAI PARA FILHO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de doação de pai para filho, onde impera a informalidade, e verificandose que a operação foi consignada nas declarações de rendimentos do doador e do donatário e que o primeiro tinha suporte financeiro para tanto, o valor doado deve constar no "fluxo de caixa" mensal como origem, para o donatário, e como aplicação para o doador. (...) Por fim, no que concerne ao crédito a receber de João Marques da Motta Sobrinho Neto, há a efetiva comprovação da transação, tanto por meio de Instrumento Particular de Confissão de Dívida (Fls. 5354), datado de 20 de dezembro de 2004, e devidamente registrado no 5º Ofício de Registro de Títulos e Documentos do Rio de Janeiro, assim como Nota Promissória (Fl. 55) em mesmo valor. Assim sendo, entendo estar devidamente comprovado por parte do contribuinte suas alegações de defesa. Com base no acima exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, desconstituindose a autuação. (Assinado digitalmente) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 10 Fabio Brun Goldschmidt Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 17/01/20 14 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/01/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001378/2007-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/08/2004 a 31/12/2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART.135, III, DO CTN. CONDIÇÃO DE ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO PELO FISCO.
Para a incidência do art.135, III, do Código Tributário Nacional, faz-se necessário que a fiscalização comprove a condição de administrador dos responsáveis tributários.
Numero da decisão: 1103-000.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em DAR provimento ao recurso para excluir da condição de responsáveis tributários Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/08/2004 a 31/12/2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART.135, III, DO CTN. CONDIÇÃO DE ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Para a incidência do art.135, III, do Código Tributário Nacional, faz-se necessário que a fiscalização comprove a condição de administrador dos responsáveis tributários.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.001378/2007-01
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322522
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.977
nome_arquivo_s : Decisao_10120001378200701.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10120001378200701_5322522.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em DAR provimento ao recurso para excluir da condição de responsáveis tributários Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura que negou provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
id : 5287319
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370860924928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 468 1 467 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.001378/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.977 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2013 Matéria Autos de infração IRPJ e CSLL omissão de receitas Recorrente WESTPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/08/2004 a 31/12/2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART.135, III, DO CTN. CONDIÇÃO DE ADMINISTRADOR. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. Para a incidência do art.135, III, do Código Tributário Nacional, fazse necessário que a fiscalização comprove a condição de administrador dos responsáveis tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em DAR provimento ao recurso para excluir da condição de responsáveis tributários Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura que negou provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 13 78 /2 00 7- 01 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 469 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL (fatos geradores de 31/8/04 a 31/12/05), no valor total de R$ 796.285,41 (setecentos e noventa e seis mil, duzentos e oitenta e cinco reais e quarenta e um centavos) sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.208/238). A fiscalização lavrou Termos de Responsabilidade Tributária em face de Cláudio Roberto Sargo de Lima (fls.114/118), Nelson Hirosi Kawakami (fls.120/123), Sílvio Kenji Mitani (fls.126/128), Ricardo Kazuyoshi Tomo (fls.132/133), Adilson Fernando da Silva Santana (fls.135/142) e Júlio Teruya (espólio) (fls.196/200), todos devidamente cientificados das autuações. A ciência do contribuinte ocorreu em 28/3/07 (fl.240). Conforme Relatório Fiscal (fls.203/207), as infrações foram assim fundamentadas, em síntese: apesar de omissa quanto à entrega das DIPJ e DCTF, o contribuinte declarou à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás (SEFAZ) como receita bruta os montantes de R$5.398.025,00 e R$19.811.048,00 nos anoscalendário 2004 e 2005, respectivamente; no curso da fiscalização, não se entregou qualquer livro ou documento fiscal; de posse das informações bancárias obtidas com base na Lei Complementar nº 105/01, constatouse a existência de procuração para que “...outras pessoas, além dos sócios, movimentassem as contas bancárias da empresa, entre elas, os Srs. Sílvio Kenji Mitani, Adilson Fernando da Silva e Cláudio Roberto Sargo de Lima”; o lançamento foi realizado com base no faturamento declarado nas Declarações de Informações Periódicas (DPI) à SEFAZGO; o lucro foi arbitrado em razão de o contribuinte não ter entregue qualquer documentação solicitada; a omissão de receitas ocorreu “...em todos os meses de todos os anos verificados (08/2004 a 12/2005), configurando tal frequencia e uniformidade o modus operandis que a empresa utiliza com o evidente intuito de reduzir ou nada recolher de tributos federais”; os tributos relativos ao período de 06/2004 e 07/2004 foram objeto do auto de infração de SIMPLES (processo nº 10120.001377/200758); a multa de ofício foi qualificada em razão de se identificar que “...a empresa pagou valores irrisórios de tributos federais e não declarou um único centavo de tributo federal, no período verificado (2004 a 2005). Por tudo exposto, evidenciase o intuito de fraude para eximirse do pagamento de todos os tributos federais, cometendo em tese crime contra a ordem tributária previsto nos arts. 1º, incisos I e II e art.2º, inciso I, da lei 8.137 de 27 de dezembro de 1990”; a responsabilidade tributária fundamentase no art.135, III, do Código Tributário Nacional; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 470 3 a sociedade foi dissolvida irregularmente pelos sócios e/ou administradores com o intuito de se livrarem do passivo fiscal, encontrandose com atividades paralisadas no endereço cadastral, além de não ter encerrado regularmente suas atividades, conforme informações obtidas perante a Junta Comercial, SEFAZGO e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Consoante informação da DRF – Goiânia (GO), apresentaram impugnações, além do contribuinte, os Srs. Adilson Fernando da Silva Santana, Sílvio Kenji Mitani, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Cláudio Roberto Sargo de Lima. A Quarta Turma da DRJ – Brasília (DF) considerou procedentes os lançamentos e manteve a responsabilidade tributária das pessoas físicas, conforme acórdão de fls.354/358. O contribuinte foi cientificado de tal decisão por edital (fl.399). Por sua vez, os responsáveis tributários foram assim cientificados: Nome Intimação nº Data da Ciência Forma de intimação Cláudio Roberto Sargo de Lima 551/2008 (fl.363) 18/8/08 (fl.391) Postal Nélson Hirosi Kawakami 552/2008 (fl.367) 1/10/08 (fl.399) Edital Sílvio Kenji Mitani 553/2008 (fl.371) 14/8/08 (fl.389) Postal Ricardo Kazuyoshi Tomo 554/2008 (fl.375) 14/8/08 (fl.390) Postal Adilson Fernando da Silva Santana 555/2008 (fl.379) 18/8/08 (fl.392) Postal Júlio Teruya (espólio) 556/2008 (fl.383) 1/10/08 (fl.399) Edital Os Srs. Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani interpuseram conjuntamente recurso voluntário em 12/9/08 (fls.402/413), pleiteando apenas a exclusão da responsabilidade tributária. O contribuinte e os demais responsáveis tributários não apresentaram recurso voluntário. Conforme representação de fls.449/451 (numeração eletrônica), transferiuse o controle dos créditos tributários para o processo nº 10120.001378/200701, restando nos autos apenas a discussão acerca da responsabilidade tributária daquelas pessoas físicas ora Recorrentes. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso interposto pelos Srs. Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 471 4 Como relatado, a controvérsia, à vista das alegações dos Recorrentes, limita se à questão da responsabilidade tributária. Conforme Relatório Fiscal (fls.203/207), a fiscalização arrolou tais pessoas físicas como responsáveis tributárias, com base nos seguintes fundamentos: “Da responsabilização dos sócios e administradores Ficam responsabilizados pelo crédito tributário, na forma do art.135, inciso III do CTN, os sócios da empresa, os Srs. Júlio Teruya e Nelson Hirosi Kawakami, bem como os administradores da Westplas Ind. e Com. Ltda, os Srs. Ricardo Kazuyoshi Tomo, Sílvio Kenji Mitani, Adilson Fernando da Silva Santana e Cláudio Roberto Sargo de Lima, pelos fatos abaixo descritos. Os administradores acima citados detinham poderes de administração na sociedade, fato comprovado pelas procurações emitidas, nas quais constam poderes para movimentar as contas bancárias da empresa, pelo livro de registro de empregados que indica a função exercida por alguns dos administradores, bem como o depoimento dos envolvidos confirmou o exercício da administração pelas pessoas citadas. Para tanto, cientificamos cada administrador da sua responsabilidade e os demais co responsáveis (fls.114 a 143 e 196 a 200). Da dissolução irregular da sociedade Os sócios e/ou administradores promoveram a dissolução “irregular” da empresa com o intuito de se livrarem do seu passivo fiscal. Conforme Termo de Constatação lavrado, a empresa encontrase com suas atividades paralisadas há vários meses no endereço constante no seu cadastro. Além do que, a empresa não encerrou regularmente suas atividades na Junta Comercial do Estado, na Secretaria da Fazenda do Estado ou na Receita Federal (fls.153 a 158).” Em igual sentido, os respectivos Termos de Responsabilidade Tributária, lavrados com o acrescido do tópico “Fundamentação Legal”, assim redigido: “Em face de todo o exposto, concluise que está caracterizada a sujeição passiva nos termos do inciso I do art.124 e inciso III do art.135, todos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Fica a pessoa física, na condição de contribuinte solidária, cientificada da fiscalização na empresa WESTPLAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 02.353.236/000137, bem como de todos os demais Termos entregues no decorrer da fiscalização, relativa ao período de 01/2004 a 12/2005. O contribuinte solidário receberá cópias dos termos lavrados durante a ação fiscal, bem como das respostas por escrito fornecidas pelo contribuinte fiscalizado, de cujo teor poderá ter vista na Delegacia da Receita Federal em Goiânia – GO, onde transcorre a ação fiscal, podendo também obter cópias mediante ressarcimento dos custos. Juntamos em anexo cópia do MPF, do Termo de Início de Fiscalização, bem como todos os termos lavrados durante a fiscalização.” Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 472 5 Verificase, portanto, que os Recorrentes foram arrolados como sujeitos passivos indiretos, essencialmente por supostamente terem participação na dissolução irregular do contribuinte, caracterizada pela paralisação de suas atividades “...há vários meses no endereço constante no seu cadastro”, no intuito de se eximirem de um “passivo fiscal”. Foram consideradas administradoras por deterem poderes para movimentar contas bancárias e por constar informação de tal função no registro de empregados, além das informações colhidas com os envolvidos. Quanto à mencionada “dissolução irregular”, não obstante no mencionado Relatório Fiscal a fiscalização afirmar que o contribuinte estava com suas atividades paralisadas, o que, em um primeiro momento sugeriria situação transitória, no Termo de Constatação Fiscal (fl.45), lavrado em 3/8/06, também referido naquele relatório, vêse que, na realidade, tratase de encerramento de atividades. Senão, vejamos: “[...] comparecemos a sede da empresa Westplas Ltda no dia 03/08/2006, às 9h, e constatamos, por meio de verificação nas suas instalações que a mesma encontravase com suas atividades encerradas. Durante a visita não encontramos máquinas no galpão da empresa e nem funcionários na área de produção”. Tal situação é corroborada por informação constante do “Espelho Cadastral” do cadastro de contribuintes do Estado de Goiás (fl.157), referente à suspensão da inscrição estadual por motivo de desaparecimento do contribuinte (atualização de 22/12/06). O contribuinte deixou de proceder à baixa na Junta Comercial do Estado, bem como perante as Administrações tributárias federal e estadual, o que, à luz da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como se verá a seguir, é razão suficiente para justificar, com base no art.135 do CTN, a responsabilidade tributária de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Inicialmente, vale lembrar que no julgamento do REsp nº 1.101.728/SP, sob o regime do art.543C do Código de Processo Civil, entendeu a Primeira Turma do STJ que a hipótese de responsabilidade tributária prevista no art.135 do CTN exigiria a comprovação de que os sócios/administradores teriam agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. A ementa e excerto do voto do Min. Teori Zavascki, abaixo reproduzidos, são esclarecedores: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que ‘a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS–GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 473 6 dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco’ (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art.135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005) 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Voto “[...] 3. No que se refere à responsabilidade dos sócios, todavia, têm razão os recorrentes. Conforme jurisprudência pacificada nesta Corte, para que se viabilize a responsabilização patrimonial do sócio na execução fiscal, é indispensável que esteja presente uma das situações caracterizadoras da responsabilidade subsidiária do terceiro pela dívida do executado, nos moldes das hipóteses previstas no art.135 do CTN.” O STJ também firmou a interpretação de que a “dissolução irregular” da sociedade justifica a responsabilização. Inúmeros são os precedentes, podendo ser mencionados, a título exemplificativo, os seguintes: TRIBUTÁRIO. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO DO OFICIAL DE JUSTIÇA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. SÚMULA 435/STJ. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, o redirecionamento da execução fiscal contra o sóciogerente da empresa, com fundamento no art. 135 do CTN, somente é cabível quando ficar demonstrado que ele agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou, ainda, no caso de dissolução irregular da empresa. 2. Pacífico o entendimento no sentido de que "Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente." (Súmula 435/STJ). 3. A certidão emitida por oficial de justiça, atestando que a empresa devedora não funciona mais no endereço constante dos seus assentamentos na junta comercial, constitui indício suficiente de dissolução irregular e autoriza o redirecionamento da execução fiscal contra os sóciosgerentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1339991/BA, Julg. 15/8/13, Dje 12/9/13, Rel. Min. Sérgio Kukina) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 474 7 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. VIABILIDADE. 1. A orientação da Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que é viável o redirecionamento da execução fiscal na hipótese de dissolução irregular da sociedade, pois tal circunstância acarreta, em tese, a responsabilidade subsidiária dos sócios, que poderá eventualmente ser afastada em sede de embargos à execução. 2. Agravo regimental não provido. (Segunda Turma, AgRg no REsp 1368205/SP, Julg. 21/5/13, Dje 28/5/13, Rel. Min. Mauro Campbell Marques) Vale mencionar, ainda, o Enunciado nº 435 da súmula de jurisprudência do STJ que dispõe: “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente.”. Esta é a situação dos autos. Acolhendo o entendimento do STJ, resta caracterizada a dissolução irregular e justificada a possibilidade de responsabilização tributária dos sócios e administradores. Cabe, agora, avaliar as razões que levaram a fiscalização a imputar aos Recorrentes a condição de administradores. Como visto, teriam, à época dos fatos geradores, poderes para movimentar contas bancárias e estariam registradas como tais no registro de empregados. Ademais, depoimentos de outras pessoas físicas confirmariam o exercício da função. Dos autos, verificase que os Srs. Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima e Sílvio Kenji Mitani detinham realmente poderes para movimentar contas correntes e praticar atividades correlatas, “SEMPRE EM CONJUNTO DE DOIS (02) PROCURADORES”, conforme procuração pública, lavrada em 19/8/02 (fls.75/76). Como posto no recurso voluntário, inexiste procuração em tais termos relacionada ao Sr. Ricardo Kazuyoshi Tomo. Além disso, registrese, em tal procuração estipulouse “...que os poderes ora delegados cessarão impreterivelmente aos dezenove dias do mês de agosto do ano de dois mil e quatro (19/08/2004)”, antes mesmo, à exceção do período de 31/08/04, da ocorrência dos fatos geradores. No curso do procedimento fiscal o Sr. Sílvio Kenji Mitani admitiu ter procuração para movimentar conta bancária, mas apenas “...esporadicamente autorizava os pagamentos diários sem descontos de cheques e que só era realizado na ausência do proprietário”; que não sabia se o Sr. Ricardo Kazuyoshi trabalhava na Westplas; e que desconhecia quem era o administrador; tendo ainda afirmado que exerceu a função de engenheiro de produção (fls.147/148). O Sr. Adilson Fernando da Silva Santana afirmou que era encarregado da produção e que eventualmente assinava cheques para pagamentos de funcionários, bem como que o administrador do contribuinte era o Sr. Nélson Hirosi Kawakami (fls.150/151). O Sr. Cláudio Roberto Sargo de Lima informou que prestou serviços de contas a pagar e a receber; que exerceu as atividades no período de julho/02 a fevereiro/03, tendo também admitido que possuía procuração para movimentar as contas bancárias e assinar cheques, apenas quando ausentes os sócios da Westplas; que desconhecia a Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10120.001378/200701 Acórdão n.º 1103000.977 S1C1T3 Fl. 475 8 atividade desempenhada pelo Sr. Ricardo Kazuyoshi; e que o Sr. Nelson Hirosi Kawakami era o administrador (fls.144/145). No Registro de Empregado do contribuinte, constam as seguintes informações: que Adilson Fernando da Silva Santana foi admitido em 1/9/98 para exercer a função de “Encarregado Geral” (fls.165/166); que Ricardo Kazuyoshi Tomo foi admitido em 1/9/98 para exercer a função de “Gerente Administrativo” (fls.167/168); e que Sílvio Kenji Mitani foi admitido em 1/6/98 para exercer a função de “Gerente de Produção” (fls.169/170). Da análise das provas acostadas pela fiscalização, não é possível imputar a responsabilidade tributária aos Recorrentes, pois sequer formam um conjunto de indícios convergentes rumo ao fato probante. Determinados funcionários deterem poderes para movimentar contas bancários do empregador ou assinar cheques, compreensível em razão da necessária operacionalização das atividades e das atribuições afetas aos cargos exercidos na estrutura societária, não necessariamente implica que tais pessoas sejam administradores, status que compreende amplos poderes para ditar o rumo empresarial. Os registros de empregados também não atestam tal condição, tampouco os depoimentos colhidos no curso da ação fiscal. Acrescentese que de acordo com o contrato social, a administração da sociedade era exercida pelos sócios Júlio Teruya e Nelson Hirosi Kawakami (fls.12 e 341). Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para excluir da condição de responsáveis tributários os Srs. Adilson Fernando da Silva Santana, Cláudio Roberto Sargo de Lima, Ricardo Kazuyoshi Tomo e Sílvio Kenji Mitani. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012909/2006-56
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS.DEDUÇÕES.GLOSA.
A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicação necessário e adequado a solução da lide, indefere-se por prescindível, o pedido de realização de perícia.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
Preliminar Rejeitada
Recurso voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício
Assinado Digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS.DEDUÇÕES.GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Estando presentes nos autos todos os elementos de convicação necessário e adequado a solução da lide, indefere-se por prescindível, o pedido de realização de perícia. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Preliminar Rejeitada Recurso voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.012909/2006-56
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5308731
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.128
nome_arquivo_s : Decisao_10680012909200656.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE VALDEMIR DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10680012909200656_5308731.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício Assinado Digitalmente José Valdemir da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5184782
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370866167808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 74 1 73 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012909/200656 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.128 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria IRPF Recorrente MAOCIR AFONSO ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS.DEDUÇÕES.GLOSA. A dedução de despesas médicas lançadas na declaração de ajuste anual pode ser condicionada, pela Autoridade lançadora, à comprovação do efetivo dispêndio, desde que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO Estando presentes nos autos todos os elementos de convicação necessário e adequado a solução da lide, indeferese por prescindível, o pedido de realização de perícia. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Preliminar Rejeitada Recurso voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 29 09 /2 00 6- 56 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 75 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em Exercício Assinado Digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 8a Turma DRJ/BHE. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida. Contra o sujeito passivo já identificado foi lavrado Auto de Infração de fls.30/35, relativo_ a Imposto sobre a Renda PessoaFísica,exercício2003, ano – calendirio 2002, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 8.360,00, acrescido de multa de oficio e juros de mora calculados até 09/2006.A partir da revisão da declaração de ajuste anual entregue pelo sujeito passivo, conforme documento de fls. 33/35, foram glosadas deduções a titulo de despesasmédicas no montante de R$ 30.400,00. Foi alterada a linha da declaração Deduções/Despesasmédicas de R$ 31.580,00 para R$ 1.180,00. Consta da Descrição dos Fatos que da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte (recibos e extratos bancários) concluiuse que não se identificam no extrato bancário saques ou compensações de cheques compatíveis com os recibos expedidos pelos profissionais. Assim, por falta de comprovação da efetividade do pagamento, nos termos da intimação expedida, não foram acatados os pagamentos pleiteados como dedução a titulo de despesas médicas, relacionados na DIRPF/03: Beatriz Camargos Fabel, no valor de R$ 1.400,00, Silvana C. Machado, no valor de R$ 13.400,00, e Maria da Conceição Bagno Zauli, no valor de R$ 15.600,00. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 76 3 Cientificado da exigência em 24/10/2006, documento de postagem A. fl. 46, o sujeito passivo apresentou defesa, fls. 1/6, que contém, em síntese: Alega que o Auto de Infração é nulo, sendo lançamento realizado por mera presunção, pois inobstante não haver previsão legal sobre a comprovação da forma de pagamento das despesas médicas, o impugnante, em atendimento à intimação fiscal, apresentou cópias dos extratos bancários onde comprovam que ocorreram retiradas/saques em espécie, de valores significativos, que comprovam a origem dos pagamentos aos profissionais contratados. Apresenta tabela com a discriminação dos saques efetuados no decorrer do ano de 2002. Diz que atendeu a todas as intimações e que informou que todas as despesas médicas foram pagas em dinheiro. Argumenta que não se pode proibir que alguém faça o saque total das importâncias recebidas a titulo de aposentadoria, leve para casa o dinheiro e, no curso do mês, pague as despesas à medida que forem ocorrendo. Aduz que no caso da profissional Maria da Conceição Bagno Zauli, os pagamentos ocorreram durante o ano de 2002, e não de uma só vez, conforme relação de recebimentos anexada A presente impugnação. Afirma que não é possível presurmir que os gastos com despesas médicas são exagerados ou não, haja vista, ser análise muito subjetiva, por mera presunção. Acrescenta que não cabe A agente fiscal avaliar a necessidade ou não de tratamento médico, e sim, aterse ao regulamento do Imposto de Renda que determina que as despesas médicas são dedutiveis dos rendimentos para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda. Diz que a Receita Federal presume que os recibos não são idôneos. Que utiliza um acórdão do Conselho de Contribuintes para concluir os trabalhos fiscais, desprezando a legislação do Imposto de Renda. Empurra para o contribuinte o ônus de provar sua inocência, invertendo a ordem do Estado Democrático de Direito. Sugere que se a fiscal tivesse mais cuidado na condução dos trabalhos, teria diligenciado junto As pessoas fisicas prestadoras dos serviços médicos, para verificar se as mesmas prestaram os serviços e/ou lançaram em suas declarações os valores recebidos do impugnante. Requer o cancelamento do Auto de Infração. Entende que a multa imposta é inaplicável e que a mesma assume o caráter de confisco. Cita trecho de decisão do Conselho de Contribuintes, doutrina e jurisprudência. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 77 4 Requer, caso prevaleça a autuação, que a multa seja reduzida de 75% para 20%. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive a pericial. A impugnação foi julgou improcedente, conforme acórdão fls. ( 52 a 58 ), assim fundamentando sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. MULTA. PERÍCIA. Somente são admitidas as deduções com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. 0 imposto lançado fica sujeito a multa de oficio, de caráter irrelevável. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outro modo mais simples. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 04.04.2011 ( fl. 61 ), o contribuinte apresentou o recurso em 04.05.2011 ( fls.62/70). Em sua defesa argumentou, em síntese o seguinte: – Pede a nulidade do Auto de Infração em face da mera presunção, pois inobstante não haver previsão legal sobre a comprovação da forma de pagamento das despesas médicas, o impugnante. Apresentou cópias dos extratos bancários onde comprovam que ocorreram retiradas/saques em espécie, de valores significativos, que comprovam a origem dos pagamentos aos profissionais contratados pagos no decorrer do ano de 2002. – Aduz que as despesas médicas foram pagas em dinheiro. Argumenta que não se pode proibir que alguém faça o saque total das importâncias recebidas de aposentadoria, leve para Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 78 5 casa o dinheiro e, no curso do mês, pague as despesas à medida que forem ocorrendo. Afirma que os pagamentos feitos a profissional Maria da Conceição Bagno Zaul foram parcelados durante o ano de 2002. Argumenta que houve exagero da Autoridade /fiscal em presumir os gastos com despesas médicas. Diz que a Receita Federal presume que os recibos não são idôneos. Que utiliza um acórdão do Conselho de Contribuintes para concluir os trabalhos fiscais, desprezando a legislação do Imposto de Renda. Sugere que se a fiscal tivesse mais cuidado na condução dos trabalhos, teria diligenciado junto às pessoas físicas prestadoras dos serviços médicos, para verificar se as mesmas prestaram os serviços e/ou lançaram em suas declarações os valores recebidos do impugnante. Por derradeiro, requer o cancelamento do Auto de Infração. Entende que a multa imposta é inaplicável e que a mesma assume o caráter de confisco. Cita trecho do Conselho de Contribuintes, doutrina e jurisprudência. Requer, caso prevaleça a autuação, que a multa seja reduzida de 75% para 20%. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE O contribuinte argui a nulidade do Auto de Infração em face do lançamento realizado por mera presunção, pois inobstante não haver previsão legal sobre a comprovação da forma de pagamento das despesas médicas. Não pode prosperar o pedido de diligência, o contribuinte teve oportunidade de formalizar os quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72), (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, devem ser rejeitadas as preliminares suscitadas. A controvérsia cingese à glosa de despesas médicas com as profissionais de Silvana Costa Machado no valor de R$ 13.400,00 e Maria da Conceição Bagno Zauli no valor de R$ 15.600,00, a decisão recorrida restabeleceu as despesas médicas referente a profissional Beatriz Camargos Fabel no valor de R$ 1.400,00 ( fl. 25). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 79 6 No processo adminsitrativo fiscal a exigência de comprovação de um fato está ligada ao modo como se distribui o ônus da prova entre as partes interessadas na proteção de seus dirieitos. Tratandose de processo relativo ao imposto de renda da pessoas física cabe ao Fisco, em regra, provar as alegações sobre omissão de rendimentos e ao cotribuinte os fatos que reduzem a base de cálculo do tributo. Logo, compete ao contribuinte provar os fatos que deram origem às despesas médicas, facultandose a legislação desincumbirse de tal mister mediante a apresentação de recibos emitidos por profissionais da área de saúde. Como se sabe, a eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base da de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, o art. 80, do RIR, in verbis: “Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias ( Lei n. 9.250, art. 8o, inciso II, alínea “a” ). § 1o O disposto neste artigo ( lei n. 9.250, de 1995, RT. 8O $ 2o ). I – Aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. III – Limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que o interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n. 3000/1999, cujo teor é o seguinte: “Art. 73 – Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, ( DecretoLei n. 5.844, de 1943, art. 11 .§ 3o”. Observo, por importante, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com lavratura de um termo, isto é, de um lançamento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 80 7 conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso vertente, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, mas não o fez, entendo que a glosa das referidas despesas médicas deve ser mantida por falta de comprovação do efetivo dispêndio, com fulcro no do art. 73 do RIR/99. Transcrevo jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de julgamentos: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.POSSIBILIDADE. Toda as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de provas dos respectivos pagamentos, nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, sem a procva do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Multa de ofício. CARF – 2a secção – 1a Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010.Publicado DOU 16.09.2010. MULTA DE OFICIO É Cabível, por disposição literal da lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE As multas não possuem natureza confiscatório, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Dessa forma opino em manter as glosas referentes as despesas médicas das profissionais Silvana Costa Machado no valor de R$ 13.400,00 e Maria da Conceição Bagno Zauli no valor de R$ 15.600,00. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10680.012909/200656 Acórdão n.º 2801003.128 S2TE01 Fl. 81 8 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 36958.000897/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO.
Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado.
Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32-A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 36958.000897/2007-94
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315943
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.361
nome_arquivo_s : Decisao_36958000897200794.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 36958000897200794_5315943.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32-A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5245187
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370890285056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1911; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 249 1 248 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36958.000897/200794 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301003.803 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MARTINS COMERCIO E SERVIÇOS DE DISTRIBUIÇÃO S/A ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIDOS. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão exarado pelo Conselho, os embargos de declaração devem ser acolhidos. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. OMISSÃO. Havendo a omissão da fundamentação do acordão, os embargos de declaração são viáveis para sanar o vício verificado. Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar a decisão para: 1) decidir o cálculo de decadência pelo artigo 173, I, do CTN; II) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e III) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32A, da Lei 8.212/1991; nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 95 8. 00 08 97 /2 00 7- 94 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº. 230101.405, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. 2. Sustenta a embargante que o acórdão equivocouse ao reconhecer a decadência de acordo com a regra prevista no artigo 173, I, do CTN, posto que declarou estarem decaídas as competências anteriores a dezembro/2001, quando o lançamento se deu em 24/04/2006. 3. Ademais, a embargante informa que o acórdão está incompleto em razão de não consta no voto o mérito da questão. 4. Nos termos do despacho de fls. 308/309, ratificado pelo Presidente da Turma, os Embargos de Declaração foram acatados, tendo sido designado ad hoc este Conselheiro para a análise, conforme disposto no parágrafo 2º, Inciso V, Art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que deles conheço. DO MÉRITO Do Cálculo de Decadência 2. Constatado que houve equívoco no acórdão embargado quanto à contagem do prazo de decadência e à aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, passo a sanar o vício. 3. De inicio, verificase que o lançamento referente às competências de janeiro de 1995 a outubro de 2005 foi levado a efeito em 24/04/2006, conforme se depreende da fl. 01 dos autos. Dessa forma, como o colegiado reconheceu, por unanimidade de votos, a decadência pelo artigo 173, inciso I, do CTN, há que se considerar que o período decaído é apenas aquele anterior à dezembro/2000, ou seja, estão decaídas as competências de janeiro de 1995 a novembro de 2000. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 250 3 4. Nessa parte, acolho aos Embargos Declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Da Ausência de Fundamentação 5. Em seus Embargos, a Fazenda Nacional aduziu que acórdão não trouxe fundamentos para a exclusão das verbas pagas referentes a agentes nocivos e a auxílio transporte. 6. De fato, verificase que razão assiste à Fazenda Nacional, posto que o voto, após a análise das questões preliminares, trouxe o seguinte parágrafo (fls. 252): “Por todo exposto, não vislumbro outra possibilidade, senão anular o presente Auto de Infração, por vício material, ocorre todavia, que como fiquei vencido nessa proposição, passo a enfrentar o mérito da questão.” 7. Após o parágrafo transcrito acima, veio a conclusão do acórdão sem, contudo, haverse declinado as razões de decidir, o que passo a fazêlo a partir de agora, com o fim de sanar a omissão verificada. Das Verbas pagas referentes a exposição a Agentes Nocivos 8. Segundo noticia o relatório fiscal (fls. 24), “A empresa infringiu o disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o. da Lei nr. 8.212/91 e alterações posteriores, ao apresentar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações â Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ou informações que alterem o valor das contribuições, deixando de informar a cada competência, desde janeiro de 1999, (...) a indicação de ocorrência de exposição a agentes nocivos que ensejam direito a aposentadoria especial de diversos motoristas entregadores.” 9. Entretanto, analisando o caso concreto, entendo que o lançamento fiscal merece ser melhor fundamentado em relação ao surgimento do fato gerador da obrigação tributária, ante a ausência de provas suficientes para demonstrar que os empregados da recorrente se submeteram efetivamente ao agente nocivo determinado nos autos. 10. A deficiência na documentação de controle do ambiente de trabalho pode efetivamente servir como um indício de prova no sentido de que a empresa pode estar expondo seus empregados à influência de agentes nocivos. Entretanto, para efeito de lançamento de tributo, a prova deve ser corroborada por uma perícia técnica que possa efetivamente comprovar a situação fática apresentada pelo auditor, pois ele (agente fiscalizador de tributos), geralmente, não possui conhecimento técnico específico para avaliar a nocividade do ambiente. 11. É bom sempre frisar que a cobrança do adicional para a aposentadoria especial implica sempre na concessão do respectivo benefício, de maneira que o fisco deve trazer claramente a demonstração de que os empregados por ele considerados, efetivamente, exerciam as atividades consideradas como aptas a gerar o direito à aposentadoria especial, conforme discriminadas no Anexo IV do Decreto n.º 3.048/99. 12. É dizer: é exigível a demonstração efetiva do fato gerador da obrigação tributária, sob pena de se cobrar tributo sem causa. O art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN é claro ao asseverar: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” 13. Vale destacar, ainda, que no presente caso, a procedência do lançamento, realizado de forma genérica, terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto às Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. 14. Tal consequência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. 15. É sempre bom lembrar que o lançamento por arbitramento, como todos os atos administrativos, deve observar os princípios básicos da administração pública, dentre os quais destaco o da razoabilidade, que segundo Hely Lopes Meirelles “determina nos processos administrativos, a observância do critério de adequação entre os meios e os fins, cerne da razoabilidade, e veda imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público”. 16. No presente caso, o procedimento de aferição adotado pelo fisco deve ser analisado com muita cautela, dado tratarse de medida extrema a ser utilizado somente quando reste plenamente comprovado que a empresa, pela sua atividade, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial, e não efetua ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que seus trabalhadores efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. 17. Importante mencionar, ainda, que no âmbito trabalhista, conforme reza o artigo 195, caput, a caracterização da insalubridade e da periculosidade será feita, obrigatoriamente, mediante perícia técnica por um Médico ou Engenheiro do Trabalho, o que demonstra a fragilidade do lançamento do crédito tributário em relação a eventual exposição ao agente nocivo, consoante ventilado na decisão do CRPS. Eis o teor do dispositivo celetista: “Art. 195 A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, farseão através de perícia a cargo de Médico do Trabalho ou Engenheiro do Trabalho, registrados no Ministério do Trabalho.” 18. Firme nesses argumentos, voto pela exclusão do lançamento dos valores relativos aos agentes nocivos por vício material. Do ValeTransporte em Pecúnia 19. No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte aduz a empresa no Recurso Voluntário que “Não pairam dúvidas quanto às disposições da lei, de que, independentemente da forma em que é paga tal verba – até porque não há vedação alguma em nenhum de seus dispositivos nesse sentido – não poderá compor a base de cálculo das contribuições sociais”. (fls. 207) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 251 5 20. Tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 21. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; (...)” 22. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 23. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 24. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: “Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 25. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 26. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o valetransporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em vale transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 27. Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. 28. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Fl. 254DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 252 7 29. Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia” 30. Diante do exposto, meu voto é no sentindo da não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre pagamento de valetransporte. Da Redução do Valor da Multa Aplicada 31. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 32. Segundo o anexo I, do relatório fiscal, o quantum da multa aplicada correspondeu a 100% do valor das contribuições devidas e não declaradas em GFIP, no período objeto da autuação. 33. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 255DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 34. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 35. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 36. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 37. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 38. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 253 9 Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 39. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 40. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 41. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 42. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 43. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36958.000897/200794 Acórdão n.º 2301003.803 S2C3T1 Fl. 254 11 Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 44. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 45. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 46. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 47. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 48. Neste ponto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte para a multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO 49. Diante das considerações acima, acolho os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para: a) retificar o cálculo de decadência, conforme o artigo 173, I, do CTN; b) apresentar fundamentação para a exclusão dos valores relativos a agentes nocivos e a auxílio transporte, questões nas quais o voto do relator foi vencedor; e c) apresentar fundamentação para a aplicação da multa do art. 32A, da Lei 8.212/1991. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10569.000654/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu com os depósitos bancários, a inversão do ônus da prova e a presunção legal de omissão de rendimentos, sempre que o titular da conta bancária, intimado, não comprove, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2201-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu com os depósitos bancários, a inversão do ônus da prova e a presunção legal de omissão de rendimentos, sempre que o titular da conta bancária, intimado, não comprove, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10569.000654/2010-41
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322288
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.162
nome_arquivo_s : Decisao_10569000654201041.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10569000654201041_5322288.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5284887
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370895527936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10569.000654/201041 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201002.162 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrentes TULIO CRISTIANO MACHADO RODRIGUES/FAZENDA NACIONAL NACIONAL/TULIO CRISTIANO MACHADO RODRIGUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu com os depósitos bancários, a inversão do ônus da prova e a presunção legal de omissão de rendimentos, sempre que o titular da conta bancária, intimado, não comprove, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes– Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Nathália Mesquita Ceia, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente) e Odmir Fernandes. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 06 54 /2 01 0- 41 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve parte da autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, do anocalendário de 2006, no valor de R$ 34.865.707,54, sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 405 a 409 ) com ciência em 26.05.2011 (AR fls. 410), referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do anocalendário de 2006, no valor de R$ 34.865.707,54., sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 349 a 402), o contribuinte foi intimado para apresentar os extratos bancários e não atendeu ao Termo de Início de Fiscalização, com isso foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (269, 270, 271, 300 e 301). A decisão recorrida (fls. 811 a 823) com ciência em 25.7.2012 (AR fls. 842 a 843), após reajustes de exclusão parcial da exigência, manteve em parte da autuação, uma vez foi admitida justificação de valores e algumas conta eram mantidas em conjunto. Com isso foram consideradas somente em 50%. A decisão esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA Dada sua natureza complexiva, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, que abarca, em regra, a universalidade das rendas auferidas ao longo do anocalendário, incluídos os rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Descabida a arguição de decadência mensal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário mantido em Parte Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10569.000654/201041 Acórdão n.º 2201002.162 S2C2T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário (fls. 888 a 931 ) protocolado em 24.08.2012, sustenta em síntese: a) Decadência dos fatos geradores ocorridos antes de 15.05.2006 foram alcançados pelo direito de lançar, por se tratar de lançamento por homologação; b) Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, decorrente a violação do princípio da lealdade processual; c) A disponibilidade financeira auferida no ano de 2006, demonstrada em sua Declaração de Rendimento comprova a capacidade da existência dos depósitos bancários. Recurso de Ofício, em face do cancelamento parcial da exigência. É o breve relatório. Voto Conselheiro Relator Odmir Fernandes Cuidase de Recurso Ofício e Recurso Voluntário da decisão que manteve o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras. Diante da requisição da movimentação financeira do contribuinte os autos devem ser sobrestados. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES 4 CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. Ricardo Lewandowski – Relator. O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem à previa autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10569.000654/201041 Acórdão n.º 2201002.162 S2C2T1 Fl. 4 5 julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES 6 aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Com isso, pelo meu voto, determino o sobrestamento dos autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. Vencido na prejudicial de sobrestamento, passo ao exame das demais prejudiciais sustentadas pelo Recorrente nas razões de recurso. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10569.000654/201041 Acórdão n.º 2201002.162 S2C2T1 Fl. 5 7 Cuidase, de autuação sobre omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. A decisão recorrida, por sua vez, admitiu a justificativa de vários depósitos bancários, com cancelamento parcial da autuação. Em razão do elevado valor do cancelamento parcial há recurso de oficio nessa parte para exame deste Colegiado. O cancelamento parcial da autuação, em importâncias comprovadas pelo autuado, de não serem os depósitos bancários rendimento tributável, não possui reparos, devendo ser mantida a decisão recorrida. No Recurso Voluntário alega inicialmente o Recorrente a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, decorrente a violação do princípio da lealdade processual. A ofensa seria, no entender o Recorrente, a falta de a fiscalização investigar a origem dos valores de R$ 26.408.848,79, depositado em 04/05/2002; e R$ 18.272.120,32, depositado em 22/09/2006, originário de Mandados de Pagamentos expedidos pelo Juízo da 34° Vara Cível, de rejeitar os documentos apresentados por não serem originais ou cópias autenticas. Por se tratarem de documentos públicos, em respeito à lealdade processual, caberia à fiscalização acolher os documentos públicos ou, pelos menos, fazer as investigações mínimas para buscar a autenticidade dos fatos que eles retratavam. A fiscalização teria agido para prejudicar, incorrendo em violação da moralidade administrativa. No curso da ação fiscal, teria ocorrido intolerável ingerência na vida do contribuinte, ferindo o princípio da lealdade processual, ao intimálo a comprovar, não só as origens dos valores depositados nas referidas contas bancárias, mas também querendo saber inclusive qual foi a destinação dada aos valores sacados. O fisco não teria apreciado as provas pela falta de apresentação de qualquer documento original ou fotocópia autenticada, os quais, por serem públicos, encontravamse à sua disposição por qualquer via ou mediante simples requisição às autoridades competentes, o que conduziria a nulidade de todo o processo. Percebese com certa clareza que a prejudicial buscada pelo Recorrente envolvese com o mérito da autuação e assim deve ser apreciada e decidida. Com as razões de recurso o Recorrente juntou diversos documentos com objetivo de comprovar a origem dos depósitos bancários, notadamente os de valores de maior expressão, alguns objeto da prejudicial sustentada, o que reforça o caráter nitidamente de mérito da autuação da prejudicial sustentada. As importâncias pelo vulto omitidas impressionam e as explicações do autuado, os levantamentos dos depósitos judiciais, em regra, não pertencerem ao advogado, mas não estão suficientemente comprovadas para permitir a exclusão. Indicam indícios de não pertencerem ao autuado, ao menos a totalidade dos depósitos, mas não há comprovação exigida para e exclusão. Denotase dos autos que o Recorrente, na fase das diligencias, autuação e mesmo na impugnação do lançamento, não se deu conta da seriedade do procedimento, do ônus da prova e da responsabilidade de comprovar os fatos sobre a origem dos depósitos bancários existentes na sua conta corrente, sem declarálos à fiscalização. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES 8 Relativamente às importâncias de vulto diz que foi procurador, advogado, fez levantamento judicial em seu nome, mas não comprovou o principal. Se o dinheiro não lhe pertencia, como alega, deveria comprovar a quem o destinou se é que o destinou. Enfim, não comprova qualquer depósito, pagamento ou entrega dos valores. Nos depósitos bancários cabe sempre ao autuado, pela inversão do ônus da prova e a presunção, operada pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, comprovar a origem dos depósitos, sob pela de prevalecer a presunção legal dos depósitos sem rendimentos tributáveis omitidos. Ante o exposto, pelo meu voto, caso se adentre ao mérito nego provimento aos recursos de oficio e voluntário para manter a autuação e a decisão recorrida. (Assinatura digital) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10860.904994/2009-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e, por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10860.904994/2009-13
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5306455
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.112
nome_arquivo_s : Decisao_10860904994200913.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10860904994200913_5306455.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e, por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5170641
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370898673664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.904994/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.112 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente MARCPELZER PLASTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não sobrestar o processo e, por unanimidade de votos, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 49 94 /2 00 9- 13 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Neudson Cavalcante Albuquerque e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0538.495, de 27 de julho de 2012, da 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (DRJ/CPS), referente ao processo administrativo n° 10860.904994/200913, em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada, sendo considerado procedente o auto de lançamento. Nos autos verificase que não foram homologados os créditos, tendo em viusta que já haviam sido integralmente utilizados para quitação do débito do contribuinte, dessa forma para bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CPS, que assim relatou os autos: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: (...) II — CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTE DA EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS — POSSIBILIDADE (...) (...) (...) é oportuno frisar que na antiga base de cálculo da contribuição relativa a ao COFINS e ao PIS, que era o faturamento, integravase também, segundo entendimento do Fisco, o montante devido a titulo deImposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, doravante denominada ICMS, de maneira indevida, pois tornava sua incidência inconstitucional, até o advento da Emenda n° 20/98, afrontando, sobremaneira, o principio constitucional da capacidade contributiva (artigo 145, § 1.º da Constituição Federal), posto que sua incidência atingia montante que não correspondia a sua verdadeira base de cálculo e, principalmente, o antigo conceito constitucional de faturamento (art. 195, I, b).Após fazer análise da legislação sobre o assunto, a manifestante conclui: De qualquer forma, como se constata pela análise das mudanças operada, sistemática imposta. às contribuições COFINS e PIS pela aludida novel legislação,tanto na seara constitucional como Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 5 4 na infraconstitucional, não houve nenhuma modificação atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição. (...) A sistemática do PIS e da COFINS, ora atacada, autoriza a cobr ança de tributo sobre o faturamento ou receita, acrescido de val or não caracterizado deste, o que viola a verdadeira capacidade da empresa Peticionária em c ontribuir com a mencionada contribuição. Ora as empresas não faturam impostos, a base de cálculo da con tribuição para o financiamento da seguridade social, não pode ser por eles integr ada, sob pena inclusive, vulnerarse o princípio da capacidade c ontributiva (art. 145 § 1.º da Constituição Federal). (...) O ICMS não é receita nem tampouco faturamento da empresa contribuinte.Sendo assim, a COFINS e o PIS não devem incidir sobre este imposto. Caso entendase o contrário, que o tributo deva incidir sobre o I CMS, a COFINS e o PIS passariam a financiar a Seguridade Soc ial, também por meio do ICMS. Ora, não é esta a intenção do leg islador. (...) Assim,não pode haver a incidência de COFINS e PIS sobre o IC MS, uma vez que a base de cálculo destas duas contribuições é o faturamento. (...) Por outro lado, caso se entenda que o faturamento engloba o val or total do que consta na fatura de venda de mercadoria, o IPI, n a hipótese de venda de produto industrializado por empresa indu strial, será também "faturado" ao comprador, mas à evidência n ão é receita da Empresa e sim da União. Não há lógica excluir o IPI, no caso, do conceito de faturamento e não fazer o mesmo co m o ICMS (...) (...) Diante do exposto, identificase que o tema tratado circunda a base de cálculo o PS/COFINS, o montante ou expressão numérica que sofrerá a aplicação de uma liquota, portanto, podese concluir que, após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n. 240.785, a base de cálculo do PIS/COFINS (faturamento ou receita) jamais poderá englobar receita ou faturamento de terceiros, sob ena estarmos esvirtuando estrutura de arrecadação dos impostos. (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 6 5 Assim, o ICMS não pode integrar a base de cálculo da COFINS e do PIS, pois o conceito de faturamento não abarca o imposto de competê ncia do Estado, sendo rendimento deste último e não do agente e conômico, afinal, ninguém comercializa o imposto, ninguém fatu ra o imposto. III— DA REPERCUSSÃO GERAL Importante destacar que a matéria em questão que se refere à ex clusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral no STF aguardando julgamento da ADC 18, d e relatoria do Min. Celso de Melo. (...) Isto posto, fica demonstrado que a matéria em questão é de cunh o constitucional de abrangência geral, não devendo ter qualquer impedimento da RFB em conhecer da matéria em destaque. IV REQUERIMENTO Isto posto, estando demonstrado os fundamentos que asseguram o direito da empresa contribuinte, requer: que sejam reunidos os processos a dministrativos destacados anteriormente uma vez evidenciados que tratam da mesma matér ia com o objetivo de organização e de economia processual. Queseja considerados os motivos do Pedido de reforma da Petici onária, seja reconsiderada a decisão prolatada nos presentes aut os, a fim de deferir o pedido de restituição formulado pela Petici onaria no que tange à demonstração dos valores pagos a maior, reconhecendo o seu direito à restituir no presente processo admi nistrativo e homologar os respectivos pedidos de compensações. À fl. 31 consta pedido de desistência do processo, com a informa ção de que o débito em discussão foi incluído no Refis. Conforme documento de fl. 48, em 25/03/2010 foi recebida pela manifestante a Intimação Saort MCF nº 146/2010, com o seguinte teor: 1.Em atenção aos requerimentos, protocolados em 26/02/2010, n os quais requer a desistência de autos administrativos para a inclusão no parcelamento a Lei no 10.941/2009, esclareço fazerse necessári a a correção do número do processo, devendo ser colocado o me smo número das manifestações de inconformidades apresentadas em dezembro de 2009. 2. É facultada vista aos requerimentos, no órgão emitente, para r epresentante legalmente habilitado, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento desta intimação, no horário das 08:30 à s 12:00 horas. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 7 6 A não correção do número não impedirá o julgamento da manife stação de inconformidade apresentada, ocasionando a não inclusão dos débitos no parcelamento. Assim, entendeu a DRJ/CPS por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. A decisão restou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, a fls. 7179, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, que foi acompanhado por outros cinco Ministros da Suprema Corte, onde este afirmou que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria (COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS.) já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 9 8 crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 10 9 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 2 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS . ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 500895923.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10860.904994/200913 Acórdão n.º 3801002.112 S3TE01 Fl. 11 10 Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos do cálculo da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto por não sobrestar o processo e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902675/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO
O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ - marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ - marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.902675/2008-85
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315818
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.965
nome_arquivo_s : Decisao_10283902675200885.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902675200885_5315818.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5242176
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370902867968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2181; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 111 1 110 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902675/200885 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.965 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DOUGLAS INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 26 75 /2 00 8- 85 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 113 3 Relatório DO INDEFERIMENTO DAS DCOMPS Tratase de processo de declaração de compensação de fls. 2 a 6 (Dcomp nº 00317.12217.141204.1.3.024012) de saldo negativo de IRPJ relativo ao segundo trimestre do ano calendário de 1999 no valor de R$ 10.801,82, para compensar débito de Cofins, apresentada em 14/12/2004. O despacho decisório não homologou a compensação declarada, pois entendeuse que o crédito estava extinto pelo decurso do prazo de cinco anos considerado entre a transmissão da Dcomp (14/12/2004) e a apuração do saldo negativo (30/6/1999). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 24/9/2008, de fls. 11 a 29 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Entende a recorrente que o IRPJ é um tributo sujeito ao lançamento por homologação e ressalta que, não havendo homologação expressa, temse por homologado o lançamento e extinto o crédito tributário após cinco anos a partir da data da ocorrência do fato gerador. Assim, entende que, o prazo decadencial para o exercício do direito de restituição de valores pagos indevidamente a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, adicionados mais cinco anos. Com relação ao artigo 3º da Lei Complementar 118/05 que trata da extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado para tributo sujeito a lançamento por homologação, entende que deve ser aplicado o princípio da anterioridade tributária, visto que tal artigo não se limitou a interpretar o artigo 168, I, do CTN, mas o inovou. Portanto, não poderia ser aplicável ao caso em tela. Apresentou jurisprudência para embasar suas alegações. Por fim, requer a reforma da decisão impugnada e que as intimações sejam encaminhadas ao seu procurador. DA DECISÃO DA DRJ Em 10/2/11 acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Belém (PA), por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, conforme o entendimento que segue. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 114 4 Concorda a Turma julgadora da DRJ que o IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação e ressalta que o artigo 168, I do CTN é expresso ao limitar em cinco anos, a partir da extinção do crédito tributário, o prazo para pleitear a restituição de indébitos. E o pagamento antecipado extingue o crédito tributário. Invocou o Parecer PGFN/CAT 408/01 quanto ao prazo prescricional e o termo a quo desse prazo. Explicitouse que a compensação do saldo negativo de IRPJ foi protocolada em 14/12/04, mas que o fato gerador se deu em 30/6/99, sendo cabível, portanto, a aplicação da Lei Complementar 118/05. Indicou a DRJ que as jurisprudências trazidas não vinculam seu julgamento, pois são inter partes e que apenas as Súmulas Vinculantes proferidas pelo STF tem aplicação obrigatória pela Administração Pública Federal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 61 a 79 (eprocesso), em 3/05/2011, reiterou todo o alegado em sede de manifestação de inconformidade. Ao final, requereu o provimento do presente recurso para homologação da compensação em questão. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 115 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 60 e 61 numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a quaestio juris que fixa os limites objetivos da lide se fixa no prazo para a repetição de indébito tributário. Para mim, o prazo para repetição ou para compensação de “pagamento” indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior do art. 168 do CTN é de decadência (embora a jurisprudência do STJ tenha assentado sêlo de “prescrição”). No caso, tratase de Dcomp apresentada em 14/12/04, para compensar saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999 com débitos de Cofins de novembro de 2004. A tese da recorrente é a de que o termo inicial do prazo decadencial de seu direito creditório é a data da homologação tácita do lançamento, de modo que o termo a quo se iniciaria somente com o decurso de cinco anos contados do fato gerador. Só a partir de então se contariam os cinco anos para concreção do fenômeno decadencial, ao teor do art. 168, I, do CTN. É a tese dos cinco + cinco anos, para consumação da decadência. Em matéria de tributo sujeito a lançamento por homologação (caso de quase todos os tributos), é assente a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente desta Turma, de que a decadência do direito de lançar o crédito tributário se opera ao cabo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, quer tenha havido ou não algum pagamento1. Tenho para mim que o direito à repetição ou à compensação de “pagamento” indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior é fulminado pela decadência com o decurso de cinco anos da data do “pagamento” indevido ou a maior. Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Aliás, pagamento é forma de extinção de obrigação por excelência. Embora o art. 150 do CTN use a expressão “pagamento antecipado”, o próprio § 1º reconhece que se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgrado a literalidade fale em “ulterior homologação do lançamento”, evidente a erronia: o que resolve o pagamento é a ulterior não homologação). Como o CTN se aferra à indispensabilidade do lançamento, ele constrói a figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva, o 1 E não seja caso de “fraus legis” (que, a rigor, compreende as hipóteses de dolo e simulação mencionadas no art. 150, § 4º, do CTN). Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 116 6 corolário lógico e inescapável é o de que a chamada homologação tácita opera a decadência do direito de lançar. Isto é, não há mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), com o decurso de certo tempo + a inércia da autoridade fiscalizadora: para não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chamase a isso de homologação tácita. Não se poder resolver o pagamento (que extingue a obrigação) é decair do direito de lançar; decadência que tem o mesmo suporte fático da chamada homologação tácita. Podese, pois, dizer que essa tem como sua contraface a decadência. Exegese diversa corrompe a lógica e o sentido do art. 150 do CTN. O art. 168, I, do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Apesar de outra aparente erronia, fácil extrair o sentido correto do preceito. Se o pagamento extingue o crédito sob condição resolutiva, ao teor do art. 150 do CTN, é a partir do “pagamento” indevido que se conta o prazo decadencial para a repetição do indébito. Se é que se pode falar em dislate, este se verifica ao falar em extinção do crédito tributário. Se o chamado pagamento é indevido, nunca nasceu crédito tributário em relação ao indébito; não há como se extinguir o que não nasce. Não se extingue crédito tributário. Em geral, há recolhimento (que é diferente de pagamento – forma de extinção de obrigação) indevido. Mas, como exposto, fácil superar o aparente deslize redacional para se extrair a devida interpretação do preceito. Vale dizer, o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido ou que venha a se revelar a maior (data em que se apura saldo negativo de IRPJ ou de CSL), salvo nos casos em que há superveniente declaração de inconstitucionalidade do tributo ou de reconhecimento de não incidir o tributo. E o mesmo prazo incide, a meu ver, para a compensação do pagamento indevido. No caso em dissídio, a Dcomp é apresentada após o referido prazo, isto é, após cinco anos contados da data da configuração de pagamento indevido. Por outro lado, o STJ assentou a seguinte inteligência, por sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Infringência no Recurso Especial (AI nos EREsp) nº 644.736/PE, de 6/6/072. O art. 3º da Lei Complementar 118/05 só pode ter eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando só é aplicável “sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência”: após 120 dias da publicação da Lei Complementar 118/05, isto é, a partir de 9/6/05. Nesses moldes, a segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/05 não passa pelo teste de validade. Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo STJ, por sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da AI nos EREsp nº 644.736/PE: a) sobre pagamentos indevidos antes de 9/6/05, permanece o entendimento de que o prazo “prescricional” para 2 E isso porque o STF, em recurso extraordinário em face do "decisum" prolatado nos autos dos EREsp 644.736/PE, reconheceu a ofensa ao art. 97 da CF (princípio da reserva de plenário), com a consequente inconstitucionalidade daquele acórdão. Daí a 1ª Seção do STJ impor o processamento, perante a Corte Especial do STJ, de incidente de inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar 118/05. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 117 7 repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/6/05, o referido prazo “prescricional” é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. E a inconstitucionalidade foi declarada pelo órgão especial do STJ, em conformidade com o art. 97 da CF3, e em consonância com a Súmula Vinculante nº 10 do Supremo Tribunal Federal4. Mais. A 1ª Seção do STJ julgou, em sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art. 543C do CPC, o REsp nº 1.002.932SP, em 25 de novembro de 2009. No julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, havia sido consagrado derradeiramente a interpretação dada no julgamento da AI nos EREsp nº 644.736/PE: a) sobre os pagamentos indevidos antes de 9/06/05, o prazo “prescricional” para repetição de indébito tributário é de cinco mais cinco, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos a partir de 9/6/05, o prazo “prescricional” é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Entretanto, posteriormente, sobreveio decisório do STF sobre a matéria. A decisão da Corte Suprema se deu sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Cuidase do julgamento do RE nº 566.621/RS, apreciado pelo Pleno do STF, tendo como Relatora a Ministra Ellen Gracie. O referido feito transitou em julgado em 17/11/11, conforme acesso ao site do STF. Também, no acórdão do REsp nº 1.269.570/MG, sob procedimento repetitivo, o voto do Relator, Ministro Mauro Campbell Marques, expressamente reconhece o trânsito em julgado do acórdão supra do STF. No julgamento do recurso afetado sob repercussão geral, e que se deu por maioria, o STF conferiu entendimento diverso ao deduzido pelo STJ em sede de repetitivo, ao consagrar que o prazo reduzido é aplicável em relação às ações ajuizadas após a vacatio legis de 120 dias da publicação da Lei Complementar (LC) 118/05, portanto, às ações ajuizadas a partir de 9/6/05. O acórdão é assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 3 Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 4 Súmula nº 10. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 118 8 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido (RE nº 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 4.08.2011) grifamos Como se vê, o acórdão do STF, em sede de repercussão geral, deslocou o pressuposto de fato do marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, ao invés de se identificar o pressuposto fático do marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN, como havia reconhecido o STJ. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 119 9 Por curioso que seja a fixação do marco inicial na ação ajuizada, para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 3º da LC 118/05, ao invés da fixação no evento que dá causa à repetição do indébito (e, pois, ao curso do prazo de repetição), é de rigor o reconhecimento da interpretação final, que é da Suprema Corte. E, conforme o art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, é imperioso este órgão julgador se curvar ao entendimento chancelado em julgamento do STF e do STJ, em sede de repercussão geral e de repetitivo, nos termos dos arts. 543B e 543C, do CPC. Diante disso, a meu ver, cabe interpretar o acórdão do STF no sentido de se considerar como data do ajuizamento da ação a data do pedido administrativo da repetição ou a data da apresentação da Dcomp, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos. Sucede que, do contrário, ou estenderemos indiretamente o prazo “maior” para repetição ou compensação de indébito tributário, conforme fixado pelo STF, ou simplesmente o mutilaremos, por o contribuinte exercer seu direito administrativamente, nos expressos termos do art. 168 c/c o art. 169, do CTN. Na mesma linha, cito o julgamento pela 2ª Turma do STJ, de 2/8/12, do REsp nº 1.089.356PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques. TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 120 10 Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte,não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. (grifos do original) No caso vertente, como já se viu, a Dcomp fora apresentada em 14/12/04, antes, pois, de esgotada a vacatio legis da LC 118/05 (i.e., antes de 9/6/05). Logo, impõese reconhecer a aplicação do prazo decadencial (ou prescricional, conforme o STJ) de cinco mais cinco anos para a compensação, pelas razões que expus, e que se põe sob a inteligência do entendimento da Corte Máxima. Como o suposto indébito se deu em 30/6/1999, e a Dcomp fora remetida em 14/12/04, não houve a consumação do referido prazo. Por outro lado, o mérito do pedido não fora apreciado pela DRF/Manaus. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial do recurso, para reconhecer a não consumação da decadência do saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 1999, devendo os autos retornar à DRF de origem para apreciação do mérito do pedido, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902675/200885 Acórdão n.º 1103000.965 S1C1T3 Fl. 121 11 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000711/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PESSOA FÍSICA. A PESSOA JURÍDICA. EQUIPARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. MESMA ATIVIDADE ECONÔMICA DA PESSOA JURÍDICA .
Não tem cabimento equiparar a pessoa física a pessoa jurídica, por causa do exercício, em nome próprio, de exploração, habitual e profissionalmente de qualquer atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens no caso de já existir pessoa jurídica que se dedique a mesma atividades econômicas, a qual a pessoa física é titular.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento ao recurso voluntário, por ilegitimidade passiva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PESSOA FÍSICA. A PESSOA JURÍDICA. EQUIPARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. MESMA ATIVIDADE ECONÔMICA DA PESSOA JURÍDICA . Não tem cabimento equiparar a pessoa física a pessoa jurídica, por causa do exercício, em nome próprio, de exploração, habitual e profissionalmente de qualquer atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens no caso de já existir pessoa jurídica que se dedique a mesma atividades econômicas, a qual a pessoa física é titular. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10384.000711/2009-17
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5307570
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.733
nome_arquivo_s : Decisao_10384000711200917.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10384000711200917_5307570.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento ao recurso voluntário, por ilegitimidade passiva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5173958
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370909159424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 300 1 299 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.000711/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.733 – 1ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria SIMPLES Recorrente FONTENELE INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PESSOA FÍSICA. A PESSOA JURÍDICA. EQUIPARAÇÃO. NÃO CABIMENTO. MESMA ATIVIDADE ECONÔMICA DA PESSOA JURÍDICA . Não tem cabimento equiparar a pessoa física a pessoa jurídica, por causa do exercício, em nome próprio, de exploração, habitual e profissionalmente de qualquer atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens no caso de já existir pessoa jurídica que se dedique a mesma atividades econômicas, a qual a pessoa física é titular. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 07 11 /2 00 9- 17 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 301 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento ao recurso voluntário, por ilegitimidade passiva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 1323, com a exigência do crédito tributário no valor de R$32.315,39 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2005, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receita da atividade apurada com base efetivamente nas notas fiscais de venda não escrituradas emitidas por terceiros, em conformidade com a Descrição dos Fatos, fls. 1415, 9596 e 104205; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 7794. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 302 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 2432 com a exigência do crédito tributário no valor de R$32.315,39 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 3341 com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.796,17 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 4250 com a exigência do crédito tributário no valor de R$107.592,36 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 5159 com a exigência do crédito tributário no valor de R$208.695,90 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º e art. 5º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 16.02.2009, fls. 13, 24, 33, 42 e 51, a Recorrente apresenta a impugnação em 18.03.2009, fls. 213237, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que o lançamento é nulo, uma vez que Sr. Rubem de Oliveira Fontenele dedicase à intermediação de negócio, ou seja, de comercialização de produtos de origem vegetal e em função dessa atividade aufere receita proveniente de comissão pela contraprestação de serviços. Esclarece que: Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 303 4 As notas fiscais de venda emitidas em nome do referido contribuinte pessoa física servemse, tãosomente, para viabilizar o trânsito dos produtos até a indústria adquirente, sendo que há apenas negociação da produção rural de terceiros. Analisandose o próprio extrato bancário do titular da empresa Impugnante, que serviu à fiscalização como elemento indiciário da omissão de receitas, percebe se que a todo depósito (crédito) corresponde uma respectiva saída imediata (débito), o que caracteriza o repasse do valor do produto diretamente ao respectivo produtor rural, restando em sua conta corrente apenas o percentual equivalente à sua remuneração/comissão. Portanto, a pretensa omissão de receitas apurada é, em verdade, decorrente da atividade de intermediação de venda de produtos de origem rural, onde o Impugnante (na pessoa de seu titular) procede à ligação entre o produtor rural e respectivo industrial ou revendedor. [...] Nessa ordem de idéias, afigurase nulo o lançamento ora hostilizado, por inexistente a prática da mercancia pelo Impugnante, dês que não há, efetivamente, operação de compra e venda de mercadorias, mas mera intermediação. Menciona que houve erro na identificação do sujeito passivo: Como cediço, o contribuinte pessoa física que pratica reiterada e habitualmente atos de cunho comercial está equiparado, para fins fiscais, as pessoas jurídicas [art. 150 do RIR, de 1999]. [...] Como claramente disciplina o RIR, o vendedor habitual de produtos que explora a atividade como pessoa física é, para efeitos do imposto de renda, considerado empresa individual e, portanto, equiparado a pessoa jurídica. Destarte, o sujeito passivo da obrigação tributária decorrente das operações de venda de produtos, na forma apurada pela autuação, é a pessoa física que praticou o negócio jurídico, in casu, o Sr. Rubem de Oliveira Fontenele. Ou seja, o contribuinte pessoa física é, na presente hipótese, equiparado a empresa individual que, a sua vez, sujeitase ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (ainda que através do SIMPLES), por força do que preconiza o art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda. Procura demonstrar que é indevida a “contabilização de receita na pessoa jurídica”: Como visto, a autuação descortinou valores supostamente omitidos na conta corrente bancária existente em nome do titular da empresa Impugnante [art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996]. [...] Na clara dicção da norma em referência, somente há espaço para a imputação do crédito tributário decorrente da omissão de receitas a terceiro não titular da conta corrente bancária onde houve a apuração do ilícito fiscal quando comprovado, efetivamente, que os respectivos valores pertencem ao terceiro, caracterizando a interposição de pessoa (no caso, do titular da empresa Impugnante). Na hipótese, deveria a autuação ter diligenciado para estabelecer, mediante provas robustas nesse sentido, que o real supridor dos valores encontrados na conta corrente da pessoa física do titular da empresa era, de fato, a empresa Impugnante. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 304 5 Vale dizer, não há nos autos prova conducente à conclusão de que os valores transitados na conta corrente da pessoa física são fruto das atividades praticadas pelo Impugnante, figurando este, neste particular, como parte ilegítima para compor o pólo passivo da relação tributária erigida pela autuação. [...] Com estas considerações, verificado o erro na identificação do sujeito passivo em relação as omissões de receitas apuradas, o lançamento deve ser anulado nesse particular. Diz que há erro na apuração da base de cálculo: Isso porque, em que pese a existência da intermediação, a autuação tributou toda a suposta receita quando há provas da existência da atividade de corretagem ou intermediação da venda de produto rural. Se há intermediação, sensível parcela das transações consideradas compra e venda foi objeto de simples comissionarnento. Se houve receitas de intermediação ou corretagem, estas deveriam ser deduzidas das supostas receitas que corresponderiam as vendas de mercadorias omitidas. [...] Na falta de uma identificação completa das transações que deram causa as receitas de corretagem e das transações que corresponderiam As compras e vendas, não há como prevalecer o lançamento, dês que não há efetiva identificação da hipótese de incidência dos tributos em testilha. Destarte, uma vez que a autoridade lançadora não demonstrou a efetiva ocorrência do fato gerador e nem apontou os fundamentos de fato e de direito que autorizam a presunção de omissão de receitas, é de ser anulado o auto de infração. [...] O fato é que a fiscalização, em evidente inobservância ao principio da capacidade contributiva, deixou de levar em consideração que o real rendimento do Impugnante, nas operações de intermediação, consiste na comissão sobre o preço de venda, não configurando faturamento próprio os valores que apenas tramitam em seu caixa, relativos aos pagamentos realizados aos respectivos produtores rurais. Os depósitos bancários, por si só, não constituem omissão de receita, devendo ser considerado como mero elemento indiciário, nos termos do § 2° do art. 42 da referida Lei n° 9.430/96. Em outras palavras, devem os depósitos bancários ser utilizados tão somente como um procedimento indiciário para apurar renda auferida ou faturamento realizado. Tratase apenas de um método para se alcançar um possível rendimento omitido. [...] Não bastasse, a diferença de base de cálculo erigida pelo Sr. Auditor Fiscal está ancorada em base juridicamente inadmissível, dês que as informações prestadas pelo Impugnante a titulo de saídas de mercadorias (notas fiscais de saídas) para fins de tributação do ICMS são incompatíveis com a base imponível do SIMPLES. De fato, a base de calculo do SIMPLES é a receita bruta auferida pela empresa em determinado exercício, que não corresponde com o quantitativo pecuniário relativo às saídas (=circulação) das mercadorias para fins de apuração do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS. Isso porque as informações financeiras constantes nas notas fiscais refletem operações que não implicam em obtenção de receita por parte do Impugnante, tais Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 305 6 como as vendas canceladas, as remessas de mercadorias para outros fins, mostruários, etc. [...] Se o Sr. AFRF não possui conhecimento adequado de entradas de mercadorias, certamente, é óbvio, não pode afirmar que existiu omissão de saídas, porquanto não há, neste caso, parâmetro para efetuar a comparação entre as mercadorias adquiridas, as que restaram no estoque para serem comercializadas e aquelas que foram efetivamente alienadas. Assim sendo, não possuindo qualquer informação de ordem técnica acerca das entradas e saídas de mercadorias comercializadas pela Impugnante, não há como arrimar a alegação de que esta deixou de recolher os tributos federais sobre supostas vendas omitidas. [...] Desbordando dos parâmetros ora alinhados, dês que o Fisco não logrou demonstrar tecnicamente a omissão de receitas tributáveis, insofismável a nulidade da medida fiscal guerreada, também por esse particular. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 10. Posto isto, configuradas as errôneas no lançamento de oficio hostilizado, requer seja conhecida e provida a presente impugnação, para julgar improcedente a autuação, em face da sua evidente nulidade, dês que: (i) inexistem os elementos necessários para proceder a equiparação da pessoa física do titular da empresa Impugnante as pessoas jurídicas, já que ausente na espécie a atividade mercantil; (ii) há evidente erro de identificação do sujeito passivo, pois mesmo que se considere haver atividade de mercancia no caso presente, deverseia constituir o crédito tributário em desfavor do contribuinte pessoa física, já equiparado à pessoa jurídica nos termos do art. 150, § 1º, II, do RIR/99; (iii) não há a necessária caracterização dos fatos geradores dos tributos lançados, já que indevidamente desconsiderada a prática da intermediação das vendas dos produtos rurais, em razão da eleição de base de incidência irreal, uma vez quantificado o crédito tributário através de valores não representativos da renda auferida pelo contribuinte. Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0823.007, de 12.093.2012, fls. 258273: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 306 7 Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO JUSTIFICADA EM CONTASCORRENTES DE SÓCIOADMINISTRADOR. ATIVIDADE EXERCIDA NO EXERCÍCIO DESSA FUNÇÃO. VALORES NÃO ESCRITURADOS PELA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO. Configurada a ocorrência de omissão de receita, face a existência depósitos bancários com origem não justificada em contascorrentes de sócioadministrador, atividade exercida nessa qualidade, em prol da pessoa jurídica, escorreito o procedimento do lançamento em que a sociedade empresarial consta no pólo passivo da relação jurídicotributária, posto que os valores em questão não foram contabilizados, nem oferecidos à tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à CSLL, ao PIS e à COFINS em razão da relação de causa e efeito, como também pela inexistência de fatos novos a ensejar conclusão diversa. Notificada em 28.05.2012, fl. 282, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.06.2012, fls. 284297, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Argui que houve erro de identificação do sujeito passivo: Consoante preconiza a legislação de regência, a pessoa física habitualmente dedicada a atos de mercancia é considerada espécie de empresa individual, equiparandose às pessoas jurídicas para fins fiscais. Assim é o que reza o art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99) [...] No caso dos autos, flagrado o sócio da empresa Recorrente promovendo, em seu nome, operações que no entender da fiscalização configuraram atos reiterados de mercancia, caberia enquadrálo como empresa individual e, caso inexistentes os livros fiscais exigidos na espécie, arbitrar o lucro pelos dados então conhecidos (depósitos bancário ou notas fiscais de venda). [...] Nesse caso, deveria a fiscalização intimar o sócio Rubem de Oliveira Fontenele a abrir uma pessoa jurídica relacionada às atividades comerciais que, em seu nome exclusivo, vinha praticando, sob pena de abrir de ofício a inscrição do CNPJ, conforme estabelece a IN SRF n° 1.183/2011. Ao invés de cumprir o que determinam os citados artigos 150, § 1º, II, do RIR/99 e 21 da IN SRF n° 1.183/2011, optou a fiscalização por vincular o CNPJ do Recorrente às operações praticadas pelo citado sócio, tributandoo como responsável e beneficiário pelas vendas. Entende o Recorrente que apenas seria possível imputálo como beneficiário das operações praticadas pelo seu sócio caso provado nos autos sua efetiva vinculação às vendas, enquanto pessoa jurídica com personalidade própria (com outro sócio em sua composição) e distinta do sócio em questão. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 307 8 Dissecandose os autos, percebese que não há sequer indício de que o Recorrente é beneficiário das vendas praticadas individual e isoladamente pelo seu sócio como empresa individual. De fato, nas vendas analisadas pela fiscalização não há sequer uma nota fiscal emitida pelo Recorrente, sendo que toda a documentação fiscal foi emitida pelo sócio Rubem de Oliveira Fontenele, exclusivamente em seu nome; não houve um depósito bancário da conta corrente do Recorrente ou recibo em seu nome, estando nos autos cabalmente provado o contrário, ou seja, que todos os pagamentos e antecipações de compra foram feitos através de depósitos na conta da pessoa física do sócio ou pessoalmente a este, como afirmado pelo mesmo em seu depoimento; não há um empregado, preposto ou prestador de serviço do Recorrente que tenha participado de alguma forma da compra ou do transporte do produto rural entregue às indústrias de beneficiamento, de modo que o citado sócio contratou pessoalmente e em seu nome os terceiros para o auxiliar no negócio; em resumo, o há a assunção pessoal do sócio Rubem de Oliveira Fontenele em relação aos riscos inerentes ao negócio, em nenhum momento podendo se atribuir à pessoa jurídica Recorrente qualquer obrigação contratual ou legal decorrente das operações em testilha [...]. Além da ausência de qualquer prova a respeito da vinculação do Recorrente às atividades exercidas de cunho pessoal pelo Sr. Rubem de Oliveira Fontenele, e ademais da clara ausência de qualquer elemento que sugira o beneficiamento financeiro do Recorrente com a operação, outro fato importante, também extraído dos autos, merece análise: o sócio praticava operações que não eram condizentes com o objeto social do Recorrente. De fato, consta no contrato social do Recorrente (fls. 242 dos autos) que "o objetivo da sociedade é a indústria de ração, compra e venda de mercadorias em geral e gêneros de exportação". A sua vez, conforme expressado no próprio acórdão, o sócio Rubem de Oliveira Fontenele praticava um misto de prestação de serviços de transporte, armazenagem, e compra a ordem mediante antecipação de recursos. São atividades que, ao contrário do que firmou a DRJ de origem, não se "ajustam como uma luva" aos objetivos sociais do Recorrente. Olvida a DRJ de origem, ainda, que uma das características principais da personalidade jurídica é a sua total autonomia subjetiva (existência independente) em relação aos sócios que a constituem: "Essa independência revelase no patrimônio, nas relações jurídicas e na responsabilidade civil, sabido que o novo ente não responde pelos atos de seus membros, nem estes por atos daquele, salvo expressa. Consoante rezam os artigos 45 e 985 do Código Civil, a sociedade adquire personalidade jurídica com o registro regular de seus atos constitutivos. Arquivado o contrato social, a sociedade adquire personalidade e autonomia, de modo que tanto os sócios têm patrimônio e obrigações distintas da sociedade, não respondendo em princípio pelas obrigações da mesma, quanto a sociedade goza de autonomia patrimonial em relação aos sócios, manifestandose inconfundíveis e independentes as obrigações e responsabilidades patrimoniais de ambos (sócios e sociedade). Nessa ótica, com a devida venia, a DRJ de origem fez vista grossa a um erro crasso cometido pela fiscalização, o que não pode ser admitido em se tratando de identificação do sujeito passivo da relação tributária. Às raias do absurdo considerar o Recorrente responsável por atos individuais praticados pelo sócio, sem em nenhum momento vincular a sociedade Recorrente nas citadas relações e obrigações pessoais assumidas. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 308 9 Uma vez verificado pela própria autuação que as receitas omitidas, identificadas através das notas fiscais emitidas pelo sócio, não são de titularidade do Recorrente, que em nenhum momento, repisese, foi beneficiário da operação, há evidente ilegitimidade de parte passiva. Conclui Posto isto, demonstrado à saciedade que a omissão de receitas descortinada pela fiscalização não poderia ter sido imputada ao Recorrente, sociedade que goza de autonomia de patrimônio e obrigacional, dada a ausência de qualquer elemento que vincule a sociedade às relações obrigacionais praticadas pelo sócio, inclusive distintas do objeto social da empresa, caracterizando o erro de identificação do sujeito passivo, depreca para que seja conhecido e provido este recurso voluntário, para que seja integralmente anulado o auto de infração, por força do vício material ora apontado. Pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada1. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 309 10 produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 2. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que houve erro na identificação do sujeito passivo da obrigação e discorda da apuração da omissão de receitas. Em relação à identificação do sujeito passivo, temse que sujeito passivo da obrigação tributária principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo. O contribuinte direto tem relação pessoal e direita com a situação que constitua o fato gerador, ou seja, é aquele que realiza o fato gerador e por essa razão é indicado pela norma de regência para contribuir4. No que se refere à omissão de receitas, a autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 121 do Código Tributário Nacional. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 310 11 pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. A pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Temse que o procedimento originouse do feito fiscal instaurado contra a pessoa física Rubem de Oliveira Fontenele, CPF 027.072.50325 referente aos depósitos bancários não escriturados em relação aos quais ele, titular, regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários6. Consta no Termo de Declarações, fl. 100: 5 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 311 12 No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, tomase a termo as DECLARAÇÕES prestadas, de livre e espontânea vontade, pelo Senhor Rubem de Oliveira Fontenele, acima identificado, acerca dos fatos relacionados a sua atividade de compra e venda de castanhas "in natura'; assim como aos valores movimentados em suas contas correntes pessoa física durante o ano base 2005, exercício 2006, sobre os quais afirma: QUE a comercialização se iniciava com o recebimento de valores em adiantamento da CIONE — Companhia Industrial de Óleos do Nordeste, com a finalidade de aquisição do produto de diversos produtores; QUE comprava a castanha de pequenos produtores, fornecedores que só vendiam o produto à vista e em espécie, não existindo qualquer recibo ou documento da compra referida; QUE ao enviar o produto para a CIONE era emitida no posto fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de origem (Piauí ou Maranhão), Nota Fiscal avulsa com o respectivo recolhimento do ICMS; QUE quanto ao pagamento da comissão referente a tais compras não há contrato formal; QUE o recebimento das comissões se dava anualmente; QUE a CIONE ao repassar tais valores fazia retenção do imposto de renda na fonte; QUE o valor da comissão variava entre 1,00% e 1,50% do total de compras; QUE em relação aos valores creditados em suas contas correntes há outros que não sejam os da CIONE, isto é, há outras pessoas que fizeram créditos em suas contas e que trará precisamente em resposta futura à esta fiscalização; QUE nada mais há a declarar, sendo a expressão da verdade tudo o que foi relatado. Está registrado na manifestação da pessoa física Rubem de Oliveira Fontenele, fls. 101103: Em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação fiscal 26.06.2008 referente ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 03.3.01.00 2008001615, estamos enviando, em anexo, documentos comprobatórios da movimentação em minha Conta Corrente n° 54054 Agência 0023X, Banco do Brasil — Parnaíba — PI, relativa A aquisição de Castanhas de Caju destinadas A indústria de beneficiamento Cione (Companhia Industrial de Óleos do Nordeste) localizada no Estado do Ceará. Tratase de notas fiscais avulsas (Espelho), correspondentes As notas fiscais oficiais emitidas pela empresa em questão, já remetidas anteriormente. Com relação aos creditados e depósitos decorrentes de compra de Castanha de Caju por parte das indústrias Iracema (Indústria e Comércio de Castanha de Caju Ltda.), Grupo Europa, Resibras, considerando que o levantamento total das transações não estão ainda concluídos, apesar de todos os nossos esforços, gostaríamos de pedirlhes mais algum tempo para que possamos concluir os dados. Com referência ao Grupo Europa, devemos informar que o mesmo deixou de nos fornecer suas notas fiscais, alegando que as mesmas encontravamse em poder da Receita Federal, em virtude de estarem sendo fiscalizados, conforme documento Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 312 13 a nós enviado comprovando o fato e que ora estamos, também, enviandolhe em anexo. [...] A respeito de contrato ou documento equivalente que comprove a atividade de intermediação de compra e venda de castanha "in natura", não os temos, não há contrato formal, daí porque estamos impossibilitados de apresentálos. Comprovação dos serviços de Armazenagem e Transportes: É necessário dizer que, a aquisição das castanhas de caju por nos efetuada envolve um processo de compras a pequenos produtores, ao longo de nossa vasta região, em quantidades, As vezes tão pequenas que, salvo melhor juízo, não expedimos qualquer recibo. Assim, na safra anual, o caminhão empregado na coleta do produto passa dias percorrendo as áreas produtoras e funciona como uma espécie de depósito, pois, vai acumulando em sua carroceria, grande quantidade de castanhas até atingir sua capacidade máxima, quando então, é definida sua meta de destino. [...] Em aditamento ao nosso expediente de 29/07/08, tratando sobre Termo de Constatação e Intimação fiscal 26.06.2008, referente ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 03.3.01.002008001615, prestamos abaixo os seguintes esclarecimentos: Transações com a empresa Resibras (Cia Brasileira de Resinas) As operações feitas com essa empresa são intermediadas pelo Sr. Lourival Nunes de Souza, uma espécie de agente de compras. Portanto, apesar das notas emitidas por nós, quanto do envio das castanhas, serem feitas em nome de Resibras (Cia Brasileira de Resinas), os créditos em nossa conta, em alguns casos, foram feitos pelo aludido intermediário (Banco do Brasil — Caucaia CE), conforme documentos anexos. Delta Commodities Tratase de uma afiliada do grupo Resibras (Cia Brasileira de Resinas) que nos creditou a importância de R$15.555,00. Transações com a empresa Machado e Cia Os créditos em minha conta oriundos, de depósitos da empresa em questão, são frutos do envio que lhe fizemos de cera de abelha e pó de carnaúba, conforme documentos que estamos enviando em anexo. Transações com a empresa Iracema — Os créditos efetuados em nossa conta por essa firma, referemse a remessas de castanhas de caju feitas por nós, conforme comprovantes em anexo. Consta na Descrição dos fatos, fls. 1415: Receita não escriturada, representada pelas vendas realizadas em nome da pessoa física do titular da autuada, Rubem de Oliveira Fontenele, CPF nº 027.072.50325, nos valores constantes do quadro "Resumo da Omissão de Receitas" [fls. 9596]. No curso dos trabalhos de fiscalização da pessoa física do Sr. Rubem de Oliveira Fontenele e em face das intimações para comprovação da origem de depósitos bancários em conta corrente de sua titularidade, foram apresentados a fiscalização, além de comprovantes de depósitos bancários, cópias de Notas Fiscais [fls. 104203] nas quais constavam operações de vendas de mercadorias efetuadas pelo mesmo a diversas empresas. As notas fiscais, segundo declarações do próprio contribuinte, são vendas de produtos de extração vegetal “in natura" (em sua maioria castanha de caju), Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 313 14 adquiridas junto a pequenos produtores rurais diversos, como constatase dos expedientes do contribuinte a enviados no curso do procedimento de fiscalização, assim como do Termo de Declarações prestadas em 25/06/2008 [fls. 97102]. O contribuinte alegou de início que apenas fazia a intermediação entre os produtores e as indústrias de beneficiamento. No entanto, apesar dos adiantamentos realizados pelas indústrias, a compra, transporte e demais riscos inerentes à atividade mercantil eram realizados e suportados pelo [Sr. Rubem de Oliveira Fontenele]. Assim, restou comprovado que as operações representadas pelas Notas Fiscais eram de fato vendas de mercadorias e não apenas referentes à intermediação ou restrita ao envio de produtos de origem vegetal “in natura”. Sendo o Sr. Rubem de Oliveira Fontenele titular da empresa ora fiscalizada, cujo CNAE 046923 (Comércio Atacadista de Mercadorias em Geral, com Predominância de Insumos Agropecuários) é compatível com a natureza das operações realizadas pelo seu titular, é de se entender que os valores referentes as mesmas são de fato operações da empresa e que nesta devem ser submetidas à tributação, perfazendo o total de R$2.131.293,80, conforme discriminado no quadro "Resumo da Omissão de Receitas" [fls. 9596]. Quanto ao CNAE, é importante observar que o mesmo foi alterado após o inicio da a fiscal [fl. 75]. Porém, o CNAE secundário [fl. 73] citado no parágrafo o anterior se mostra compatível com as operações realizadas. Há algumas notas fiscais desta autuação, que foram apresentadas espontaneamente pelo titular da empresa fiscalizada emitidas em nome de Lourival Nunes de Souza, João Batista Silva Filho e Luís Alves Pereira. Em relação a tais notas, que representam pequeno valor do montante global, o contribuinte informou que são seus representantes, intermediários nas compras e vendas dos produtos "in natura". O fiscalizado informou [que] todas estas notas. que objeto de sua comercialização, apresentando planilha referente ao corretor Lourival Nunes de Souza, destacando as notas e valores transacionados [fls. 204205], não restando quaisquer dúvidas quanto à responsabilidade da venda nelas registradas. Desse modo as Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte como vendas à Cione Companhia Industrial de Óleos do Nordeste, Resibras Companhia Brasileira de Resinas, Iracema Indústria e Comércio de Castanhas de Caju Ltda. e Machado & Cia. Ltda., todas anexas a este auto de infração, se constituem em receita omitida pela pessoa jurídica fiscalizada. Não tem cabimento equiparar a pessoa física a pessoa jurídica, por causa do exercício, em nome próprio, de exploração, habitual e profissionalmente de qualquer atividade econômica de natureza comercial com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens no caso de já existir pessoa jurídica que se dedique a mesma atividades econômicas, a qual a pessoa física é titular. A demonstração da omissão de receita do anocalendário de 2005 está evidenciada na Tabela 1. Tabela 1 Omissão de receita do anocalendário de 2005 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 314 15 Período de Apuração (A) Valor DSPJ Fls. 7794 R$ (B) Valor Notas Fiscais Não Escrituradas Fls. 9596 R$ (C) Janeiro 42.941,13 127.416,70 Fevereiro 29.559,34 0,00 Março 44.500,47 104.726,70 Abril 46.665,64 222.772,50 Maio 56.223,73 316.735,00 Junho 72.325,34 132.907,00 Julho 67.995,53 172.605,00 Agosto 68.707,59 45.495,00 Setembro 61.186,68 26.160,00 Outubro 67.306,50 259.350,00 Novembro 61.562,02 608.937,90 Dezembro 73.421,74 132.013,00 Embora seja fato que nas Notas Fiscais não escrituradas, fls. 9596 e 104 205, conste como destinatário a pessoa física Rubem de Oliveira Fontenele, não há possibilidade de equiparálo a pessoa jurídica, por causa tãosomente de ele formalmente, em nome próprio, explorar, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens7. Em conformidade com os registros internos da RFB, a revenda de produtos já consta como uma das atividades econômicas exercidas pela própria Recorrente, Fontenele Indústria e Comércio Exportação Ltda, fls. 7276, a qual a pessoa física Rubem de Oliveira Fontenele é titular. Analisando todas as provas produzidas nos autos temse que Rubem de Oliveira Fontenele, titular da Recorrente, comercializou mercadorias pela pessoa jurídica Recorrente, Fontenele Indústria e Comércio Exportação Ltda, e não somente exerceu a atividade de intermediação de negócios em nome próprio como pessoa física. Assim, o lançamento de omissão de receita tem como sujeito passivo a Recorrente que é contribuinte da obrigação tributária principal obrigada ao pagamento do tributo, uma vez que tem relação pessoal e direita com a situação que constitui o fato gerador. Ademais, não há que se falar em presunção legal, pois a omissão de receita da atividade foi apurada com base efetivamente nas notas fiscais de venda não escrituradas emitidas por terceiros, em conformidade com a Descrição dos Fatos, fls. 1415. Não foram produzidos no processo novos elementos, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. 7 Fundamentação legal: art. 41 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 e art. 2º do DecretoLei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10384.000711/200917 Acórdão n.º 1801001.733 S1TE01 Fl. 315 16 Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 07/11/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.907051/2009-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10805.907051/2009-07
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5310785
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-000.556
nome_arquivo_s : Decisao_10805907051200907.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10805907051200907_5310785.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5198024
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046370918596608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.907051/200907 Recurso nº Resolução nº 3801000.556 – 1ª Turma Especial Data 23 de outubro de 2013 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente MAXEL MATERIAIS ELETRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 07 05 1/ 20 09 -0 7 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 0536.519, julgado na sessão de 18 de janeiro de 2012, pela 8ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP (DRJ/CPS), referente ao processo administrativo n° 10805.907051/200907, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada e, portanto, não reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação assim fundamentado: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 26.028,40 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: ... Verificouse que na DCTF mensal de 31/01/2007 foi informado o valor incorreto apurado o que ocasionou discordância com o PERD/COMP mencionado. Foi feito retificação da DCTF para solução da discordância apresentada conforme DCTF retificadora em anexo. Também seguem junto ao processo cópia da DACON do mesmo período e apuração do PIS e da COFINS. Foram juntados aos autos cópia da PER/DCOMP, da DCTF retificadora e DACON.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/CPS conta com a seguinte ementa: 2 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 30/01/2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de oficio, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 24.04.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 74078, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão, entendo a contribuinte que “não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição, sendo que o mesmo somente pode ser deferido após a retificação da DCTF de ofício ou pelo contribuinte”. Com a finalidade de comprovação dos valores que a contribuinte tem a restituir, afirma a contribuinte estar apresentando os seguintes documentos em anexo ao recurso voluntário: Planilha de cálculo PIS/COFINS mensal, demonstrando o crédito a compensar; Cópia das páginas dos Livros Diário e Razão, com os respectivos Termos de Abertura e Encerramento, com os lançamentos relativos ao crédito indicado na planilha; Cópia da DCTF retificada; Cópia dos DARF correspondentes; Balancetes mensais. É o relatório. 3 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, necessário esclarecer que a contribuinte não apresenta, consoante alegou, em anexo ao recurso voluntário a DCTF retificadora. Contudo, igualmente importante destacar que a DCTF retificadora já havia sido juntada a fls. 33/37 do presente processo administrativo,. Portanto, não há prejuízo a contribuinte. Analisandose o recurso voluntário em questão, vislumbro que resta incontroverso que a contribuinte retificou a DCTF (fls. 33/37) somente em 27/10/2009, ou seja, após ter tido ciência do despacho decisório que negou o direito creditório, que se deu em 20/10/2009, consoante se verifica pelo documento de fls. 25. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: 4 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 330 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Neste sentido, há farta jurisprudência, consoante se verifica pelos arestos abaixo: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF E DACON RETIFICADORAS. EFEITOS. A DCTF e DACON quando retificadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não são suficientes para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013) PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF RETIFICADA. OBRIGATORIEDADE. No âmbito do processo de compensação, admitese a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, desde que o sujeito passivo apresente a documentação adequada e suficiente que demonstre que houve pagamento indevido ou maior. DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO CONFESSADO APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO ERRO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. O reconhecimento do direito creditório proveniente de pagamento a maior informado na DCTF retificadora, entregue após a ciência do 5 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Despacho Decisório, limitase a parcela da redução do débito devidamente comprovada com documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte. São reputados documentos hábeis e idôneos, para fim de comprovação da certeza e liquidez do crédito proveniente da retenção e recolhimento indevidos da CPMF, os extratos bancários, carreados aos autos pela instituição financeira, contendo o registro dos valores das operações bancárias não tributadas, das retenções indevidas da CPMF e dos estornos dos valores devolvidos aos clientes, acompanhados de declaração de devolução dos valores indevidamente retidos, prestada pelo contribuinte que suportou o ônus da indevida retenção. (Acórdão n° 3802001.326 – 2ª Turma Especial. Sessão de 25 de setembro de 2012) Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Em face do exposto, encaminho o voto para converter o julgado em diligência para fins de apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 6 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
