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Numero do processo: 16327.910687/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 18/10/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.554
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 87 /2 01 1- 10 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 16327.910687/201110 Acórdão n.º 3402004.554 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.137, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/10/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16327.910687/201110 Acórdão n.º 3402004.554 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910687/201110 Acórdão n.º 3402004.554 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910687/201110 Acórdão n.º 3402004.554 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000267/2008-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE.
Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis.
PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal.
Numero da decisão: 2001-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE. Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1924; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15954.000267/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.055 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 31 de outubro de 2017 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente ALDO DESTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE. Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares suscitadas no recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 02 67 /2 00 8- 61 Fl. 92DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 6.194,48, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2006. DA PRELIMINAR DE MULTA DE OFÍCIO. O impugnante alega que a multa de oficio aplicada revestese da natureza de confisco, o que é constitucionalmente vedado, e requer sua redução para o patamar de 20%, com base no art. 61, §2°, da Lei n° 9.430/96. A multa foi aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), em obediência ao que prevê o art. 44, inciso I e §3°, da Lei n.° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/07: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposta ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções 17 revistas no art. 6° da Lei n”8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei n°8.383. de 30 de dezembro de 1991. (...) No presente caso, ao efetuar deduções indevidas, o contribuinte reduziu a base de cálculo do tributo, resultando em valor a menor do imposto a pagar, recaindo na previsão contida no art. 149, inciso V, do Código Tributário Nacional e a consequente multa de ofício, no percentual de 75%, conforme preceitua o art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. DA PRELIMINAR DE JUROS DE MORA. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 3 3 No que concerne à aplicação da taxa de juros SELIC, há que se observar a norma do CTN a respeito: Art. 161. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (g.n.) Desse modo, não cabe o argumento de que deveria ser aplicado o percentual previsto no artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, mesmo porque aquele dispositivo impõe a utilização do percentual de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No presente caso, a lei em questão é a de n° 9.065/95, que deu nova redação a dispositivos da Lei n° 8.981/1.995, e dispôs, em seu art. 13: Art. 13. A partir de 12 de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do artigo 14 da Lei n° 8.847, de 28 de janeiro de 1994 com a redação dada pelo artigo 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo artigo 90 da Lei n° 8.981/95, o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, parágrafo único, alínea "a. 2", da Lei n” 8.981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Nesse sentido, destaquese a decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 267.788PR, relatada pelo Min. João Otávio de Noronha: 2. O artigo 161 do C T1V, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalva, expressamente, 'se a lei não dispuser de modo diverso ", de modo que, estando a SELIC prevista em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação. 3. Este Superior Tribunal de Justiça tem, reiteradamente, aplicado a taxa SELIC a favor do contribuinte, nas hipóteses de restituições e compensações, não sendo razoável deixar de fazêla incidir nas situações inversas, em que e' credora a Fazenda Pública. 4. Recurso especial a que se nega provimento. (DJ 16/06/2003) Assim, nenhum conflito existe entre a norma contida no artigo acima transcrito e a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, pois as citadas leis simplesmente dispuseram de modo diverso, como prevê o CTN. Ressaltese que os juros de mora têm natureza de indenização pela mora. Eles têm o objetivo de ressarcir o rendimento que o credor teria se dispusesse do valor principal desde a data do vencimento da obrigação. Seu objetivo é reparar o Erário, em virtude do lapso que transcorreu para o cumprimento da prestação. Fl. 94DF CARF MF 4 DO MÉRITO A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotada na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à afirmação de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pelo Recorrente e, a ocorrência de dedução de despesas de pessoas que não constam como dependentes para efeitos fiscais, como segue: A legislação tributária concede ao contribuinte, por ocasião da Declaração Anual de Ajuste, a possibilidade de deduzir da base de cálculo do imposto de renda determinadas despesas, na forma prevista em lei, efetuadas durante o anocalendário. Tal legislação exige, ainda, que o contribuinte, quando intimado pelo Fisco, comprove que as deduções pleiteadas na declaração preenchem todos os requisitos exigidos, sob pena de serem consideradas indevidas e o valor pretendido como dedução seja apurada e lançado em procedimento de ofício. A Lei n° 9.250/95 dispõe sobre a base de cálculo do imposto de renda em seu art. 8°: (...) E, com base no Decretolei n° 5.844/43, o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, dispõe: (...) A legislação estabelece os requisitos para que o documento seja hábil para comprovar tais elementos e, ainda que preencham os requisitos enumerados no dispositivo legal acima transcrito, os recibos não possuem valor probante absoluto e são analisados dentro doconjunto de provas apresentado. Havendo dúvidas quanto à efetiva prestação dos serviços neles indicados, a autoridade fiscal pode lançar mão da prerrogativa dada pela legislação de exigir a comprovação efetiva tanto do serviço quanto do pagamento. De acordo com a legislação acima transcrita, o direito à dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e/ou de seus dependentes, assim qualificados conforme dispõe a legislação tributária e informados em sua DIRPF, o que não foi o caso, pois o impugnante não declarou nenhum dependente, como verificado no banco de dados da Receita Federal do Brasil. As despesas referentes a planos de saúde recebem tratamento diferenciado e, no caso de filhos e cônjuge, podem vir ser deduzidas pelo contribuinte que assumiu o dispêndio, apesar de os dependentes terem apresentado declaração em separado, desde que estes já não tenham se beneficiado de dedução da despesa em DIRPF simplificada. Embora o contribuinte tenha destacado argumentos em defesa da idoneidade dos documentos apresentados à fiscalização, no presente caso não foi esse aspecto o motivador da glosa. A maior parte do valor glosado referese a despesa junto a Sul América Seguro Saúde S/A e deveuse a que os documentos Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 4 5 comprobatórios dos pagamentos englobavam os valores referentes ao próprio contribuinte e às Sras. Geni Biaggi Destro e Vanessa Biaggi Destro, não incluídas no rol de dependentes e que apresentaram DIRPF em separado no modelo simplificando, optando pelo desconto padrão em substituição à especificação das deduções legais, conforme esclareceu a autoridade fiscal lançadora na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 27). A outra despesa, no valor de R$ 220,43, junto ao profissional Lauro Mattar Jr., foi glosada devido a não apresentação de documento comprobatório. (...) De acordo com os dispositivos legais acima transcritos, a dedução de despesas restringese àquelas cujos serviços tiveram como beneficiários o contribuinte e seus dependentes para fins de imposto de renda, assim considerados na forma legal. A partir do momento que pessoas, ainda que reunissem as condições que as qualificariam como dependentes do contribuinte, apresentam declaração em separado e no modelo simplificado, aquele não pode mais deduzir despesas a elas relativas. Cabe esclarecer que o modelo simplificado é opção do contribuinte e implica a substituição de todas as deduções legais pelo desconto padrão de vinte por cento dos rendimentos tributáveis. Em razão de todo o exposto, concluise serem incabíveis as demais alegações apresentadas, no que tange a ter a autoridade fiscal se utilizado de presunção, bem como eventual violação dos princípios da verdade material e da boafé. Conclui, assim, o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter o crédito tributário exigido, em parte, pela glosa dos valores de despesas médicas que especifica. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: No presente, caso, 'o Impugnante está apresentando os comprovantes que demonstram claramente as despesas médicas' efetuadas. Tudo foi realizado em total conformidade com os requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de' Renda, em seu art. 80. (...) Deste modo, somente caberia a exigência de cheque para a comprovação das despesas médicas, no caso de não ser possível a prova, por documento, que preencha os requisitos estabelecidos no art. 80. O inciso III, § 1°, do art. 80, do RIR é claro: “... na falta de documentação". Fl. 96DF CARF MF 6 (...) Ocorre, porém, que, no presente caso, a administrativa lavrou auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato jurídico tributário. Isto porque, como já referido por José Eduardo Soares de Meio, os ônus de demonstrar os elementos que deram ensejo à ocorrência do fato gerador são do Poder Público. (...) Sendo assim; resta evidente a veracidade dos documentos ora apresentados como prova da dedução de despesas médicas, sendo legitima a condutado impugnante, não podendo o Fisco glosar os valores, mediante presunção, sem apresentar prova em contrario. (...) Em tais condições, forçosa a insubsistência do auto de infração lavrado, pelo que desde já requerse a sua improcedência, sendo a autuação eis que: a) o auto está baseado em meras presunções sendo que o Impugnante está juntando documentos comprobatórios das_ despesas médicas glosadas, agindo em consonância com as decisões emanadas do Conselho de Contribuintes; `. b) o contribuinte sempre atendeu à fiscalização e apresentou a documentação que lhe competia (art. 80 do RIR III, § 1°) `. c) ignorouse a boafé do contribuinte. Pelo exposto, requer o Recorrente sejam acolhidos seus argumentos, para que seja reformada a r. decisão recorrida, julgando totalmente improcedente o lançamento impugnado. É o relatório Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DA PRELIMINAR DE MULTA DE 75% Improcedente a alegação de que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% teria caráter confiscatório porque prevista no inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, e inciso I, do art. 957, do Decreto nº 3.000/99, e não ofende qualquer dispositivo constitucional tributário. Ressaltese tratar de matéria pacificada neste Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula 2, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 5 7 Rejeito a preliminar da Multa de 75%. DA PRELIMINAR DA TAXA SELIC Improcedente a contestação da aplicação da taxa SELIC como juros moratórios aplicáveis ao crédito tributário, porque prevista na legislação. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Rejeito a preliminar da Taxa Selic. DO MÉRITO O conteúdo do presente caso aborda aspectos de cunho jurídico, mas também enfoca a questão de matéria de fato, cujas circunstâncias probantes se fazem necessárias para a solução da lide, tanto no oferecimento da prova pelo Fisco quanto na apresentação da contraprova pelo Recorrente. A questão aqui tratada é natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decreto lei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pelo contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados â cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que Fl. 98DF CARF MF 8 assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. Ressaltese que o termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 6 9 Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos contidos na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Fl. 100DF CARF MF 10 Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebida do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 7 11 É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de Fl. 102DF CARF MF 12 defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que existe a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livro caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 15954.000267/200861 Acórdão n.º 2001000.055 S2C0T1 Fl. 8 13 Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já comprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pelo contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Ressaltese que a Recorrente apresentou declarações assinadas pelos profissionais que afirmam ter prestado os serviços, em quantidades bastante elevadas naquele exercício e, em alguns casos, consta a informação de que o atendimento médico foi efetuado a domicílio. Assim, no que se refere à comprovação das despesas realizadas pela apresentação de documentação hábil estas devem ser acolhidas e aceitas como dedutível, quando relacionadas diretamente com próprio Recorrente, em consonância com o que foi exposto acima. Contudo, essa decisão não acolhe as despesas cuja documentação não foi apresentada; e, as despesas com pessoas não dependentes do Recorrente para efeitos fiscais. Mantida também a glosa da dedução de incentivo. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO, para manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente, conforme definido no parágrafo anterior. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 104DF CARF MF 14 Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720533/2013-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PAGAMENTO DE COMISSÕES A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Incide contribuição previdenciária sobre as comissões pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a pessoas físicas contribuintes individuais - corretores e supervisores de equipe - relativas à intermediação da venda de imóveis. Alegações recursais que não afastaram as provas carreadas no lançamento.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
APLICAÇÃO DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
A multa aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo, quando embasada na legislação pertinente, não pode ser afastada ou reduzida.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - TAXA SELIC - APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim que davam provimento parcial.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oiveira- Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 29/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PAGAMENTO DE COMISSÕES A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Incide contribuição previdenciária sobre as comissões pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a pessoas físicas contribuintes individuais corretores e supervisores de equipe relativas à intermediação da venda de imóveis. Alegações recursais que não afastaram as provas carreadas no lançamento. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. A multa aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo, quando embasada na legislação pertinente, não pode ser afastada ou reduzida. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 05 33 /2 01 3- 03 Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.598 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim que davam provimento parcial. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oiveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 29/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJPorto Alegre que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através dos AI Debcad nº 37.308.3769 com lançamento nas competências 01/2008 a 12/2008 das contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. O montante do crédito, consolidado em 01/02/2013, é de R$ 1.322.024,24 (um milhão, trezentos e vinte e dois mil, vinte e quatro reais e vinte e quatro centavos); AI Debcad nº 37.308.3777: referente ao lançamento nas competências 01/2008 a 12/2008 das contribuições dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa autuada. O montante do crédito, consolidado em 01/02/2013, é de R$ 718.161,40 (setecentos e dezoito mil, cento e sessenta e um reais e quarenta centavos) e AI Debcad nº 37.308.3785 referente à autuação nas competências 02/2008, 05/2008, 07/2008 e 11/2008 por descumprimento de obrigação acessória ao apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.599 3 Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. 2 Adoto o relatório da DRJ de fls. 1.518/1.533. “DO LANÇAMENTO Este processo nº 10166.720533/201303 compreende os seguintes Autos de Infração: 1. AI Debcad nº 37.308.3769: referese ao lançamento nas competências 01/2008 a 12/2008 das contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. O montante do crédito, consolidado em 01/02/2013, é de R$ 1.322.024,24 (um milhão, trezentos e vinte e dois mil, vinte e quatro reais e vinte e quatro centavos); 2. AI Debcad nº 37.308.3777: referese ao lançamento nas competências 01/2008 a 12/2008 das contribuições dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas, cuja obrigação de arrecadar e recolher é da empresa autuada. O montante do crédito, consolidado em 01/02/2013, é de R$ 718.161,40 (setecentos e dezoito mil, cento e sessenta e um reais e quarenta centavos); 3. AI Debcad nº 37.308.3785: referese à autuação nas competências 02/2008, 05/2008, 07/2008 e 11/2008 por descumprimento de obrigação acessória ao apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto no artigo 32, inciso IV e § 5º da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal – CFL nº 68. A multa de R$ 214.672,50 (duzentos e quatorze mil, seiscentos e setenta e dois reais e cinqüenta centavos) foi aplicada de acordo Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.600 4 com o disposto no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o artigo 284, inciso II (com a redação do Decreto nº 4.729/2003) e artigo 373 do RPS. A empresa autuada foi intimada pela fiscalização a prestar esclarecimentos e apresentar documentos por meio dos Termos de Início do Procedimento Fiscal (TIPF), de Intimação Fiscal nº 01 (TIF), de Intimação Fiscal nº 02 (TIF), de Intimação Fiscal nº 03 (TIF), de Intimação Fiscal nº 04 (TIF) e de Intimação Fiscal nº 05 (TIF). A autoridade lançadora identificou no procedimento fiscal que corretores de imóveis (pessoas físicas) prestaram serviços de intermediação imobiliária à empresa Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda, que, por sua vez, tentou transferir esta responsabilidade para as imobiliárias que aparentemente lhe prestaram serviços. O sujeito passivo exigia a constituição de pessoas jurídicas para fins específicos de emissão de notas fiscais de serviço para pagamento das comissões de corretagem aos corretores pessoas físicas, com o objetivo de afastar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias e/ou sua condição de contribuinte. No decorrer da ação fiscal, a fiscalização efetuou diligências junto a alguns compradores de imóveis e a quatro imobiliárias identificadas pela empresa Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda como sendo responsáveis pela prestação de serviços de intermediação imobiliária tanto de empreendimentos próprios quanto de imóveis de terceiros. As empresas B Guimarães Filho Imóveis – Empresa Individual, VIP Corretora de Imóveis Ltda, Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária e Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda emitiram notas fiscais de serviço de comercialização de imóveis no período de 01/2007 a 12/2008. O percentual de participação de cada empresa em relação aos valores totais de comissão constantes nas respectivas notas fiscais emitidas e lançadas nas contas contábeis 5.1.01.01.007.0001, 5.2.01.03.006.0001, 5.3.01.01.007.0001 e 5.4.01.01.007.0001 foi identificado pela fiscalização: Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.601 5 Os compradores de imóveis relataram que os corretores responsáveis pelas vendas de unidades imobiliárias se identificaram como representantes da Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 00.475.251/000122, apresentando crachá, uniforme ou cartão desta empresa, e que as comercializações dos imóveis foram realizadas na sede ou estandes/quiosques da fiscalizada; que no ato da assinatura do Pedido de Reserva e Proposta de Compra e Venda faziam o pagamento do sinal e/ou de outras parcelas diretamente à empresa fiscalizada, por intermédio de seus representantes, e que jamais pagaram qualquer valor de comissão devida aos corretores autônomos. Os representantes legais das empresas B Guimarães Filho Imóveis – Empresa Individual, Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária e Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda afirmaram à autoridade lançadora que prestaram serviços à Paulo Octávio Investimentos Imobiliários na condição de corretores pessoas físicas, e que a emissão de notas fiscais por pessoa jurídica para dar cobertura às intermediações imobiliárias realizadas era condição obrigatória para o efetivo recebimento das comissões de venda devidas a estes profissionais. Em relação à empresa VIP Corretora de Imóveis Ltda, seus sócios declararam, em síntese, que nunca trabalharam nem tiveram qualquer relação de trabalho com a empresa Paulo Octávio Investimentos Imobiliários Ltda; que não são corretores de imóveis e nem possuem inscrição no CRECI como pessoa física e jurídica; que no período de 2007 e 2008 sua empresa apenas emitiu nota fiscal de prestação de serviços de intermediação imobiliária para dar cobertura à venda de Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.602 6 imóveis feita por corretores da Paulo Octávio; que sua empresa não firmou contrato de prestação de serviços de intermediação de imóveis com a Paulo Octávio, não firmou acordo verbal nem teve contato com os integrantes da diretoria e empregados da Paulo Octávio; que a emissão da nota fiscal ocorria tanto pelo representante da empresa VIP Corretora como também pelos corretores interessados. O relato fiscal consigna que as remunerações dos corretores de imóveis pessoas físicas foram obtidas das contas contábeis 5.1.01.01.007.0001, 5.2.01.03.006.0001, 5.3.01.01.007.0001 e 5.4.01.01.007.0001, e constam da Planilha VI. O sujeito passivo deixou de entregar documentos solicitados e prestou esclarecimentos insatisfatórios sobre as vendas que diz terem sido feitas pela Diretoria e sobre as remunerações devidas aos supervisores/gerentes de equipe. Por este motivo, no caso em que as vendas foram informadas como tendo sido efetuadas pela Diretoria da empresa, as remunerações dos corretores de imóveis foram arbitradas com a aplicação da alíquota de 0,9% sobre o valor total da venda de imóveis informados sem comissão ou com comissão = 0,00. Também foram arbitradas as bases de cálculo correspondentes aos serviços prestados pelos supervisores de equipe em todas as transações imobiliárias objeto do procedimento fiscal, com a aplicação da alíquota de 0,4% sobre o valor venal de cada corretor membro, conforme Planilha VII. Para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (corretores/supervisores), a autoridade lançadora adotou dois critérios: (1) como regra geral não considerou o limite máximo do saláriodecontribuição, em razão da empresa deixar de apresentar a relação discriminando o nome, CPF e CRECI com as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas; (2) nas contribuições apuradas com base nos levantamentos MB1 e MF, o limite máximo do saláriodecontribuição foi observado, por terem os representantes das imobiliárias Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária e Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda apresentado documentos que permitiram a identificação do corretor pessoa física beneficiário do valor da comissão de venda discriminado nas notas fiscais de serviço emitidas. Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.603 7 Em razão das alterações introduzidas na legislação previdenciária com a edição da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a fiscalização informa ter efetuado a comparação das multas em cada competência que compõe o lançamento até 11/2008, com o objetivo de verificar a penalidade menos severa ao contribuinte. Como resultado, foi aplicada a multa de mora de 24% ao lançamento principal e efetuada a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de apresentar a GFIP com todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias (AI 68) nas competências 02/2008, 05/2008, 07/2008 e 11/2008. Nas competências 01/2008, 03/2008, 04/2008, 06/2008 e 08/2008 a 10/2008 foi aplicada a multa de ofício de 75%. Na competência 12/2008 a multa de ofício foi aplicada em dobro (150%), em razão do sujeito passivo ter agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores e de sua condição de contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo foi cientificado das autuações em 06/02/2013, tendo apresentado impugnação em 07/03/2013 por meio do instrumento de fls. 1.368 a 1.436, cujos argumentos gerais estão sintetizados a seguir: A impugnante insurgese contra a utilização da regra decadencial prevista no artigo 173, I do CTN, sustentando que deve ser aplicado ao lançamento as disposições do § 4º do artigo 150 do CTN, e reconhecidos e declarados como definitivamente extintos os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram em data anterior a 06/02/2008. Nesse sentido, afirma que: a) jamais obrigou os corretores e supervisores a constituírem pessoas jurídicas com fins específicos de emissão das notas fiscais para dar cobertura às vendas de imóveis efetivamente realizadas por profissionais pessoas físicas e o conseqüente recebimento das comissões devidas; b) em 2006, mantido para 2007 e 2008, a diretoria tomou a decisão de somente contratar, para a venda das unidades dos seus empreendimentos, os serviços de intermediação imobiliária prestados por pessoas jurídicas inscritas no CRECI Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.604 8 competente, configurando manifestação da liberdade contratual. Esta decisão não caracteriza um ato ilícito, mas tem embasamento jurídico e desempenha uma função econômicosocial; c) as atribuições cometidas pela Lei nº 6.530/1978 ao corretor de imóveis também podem ser exercidas por pessoas jurídicas inscritas no CRECI jurisdicionante (parágrafo único do artigo 3º); d) para alcançar o seu objetivo optou por rever o modelo até então posto em prática para comercialização de seus empreendimentos, tomando diretamente os serviços de intermediação imobiliária de empresas especializadas inscritas no CRECI, ao invés de contratálos individualmente de corretores de imóveis pessoas físicas. Tece considerações sobre a teoria da firma; e) não se trata de caso de simulação relativa quanto ao fato gerador da obrigação tributária ou quanto à sujeição passiva, já que sua vontade real e declarada foi a de que os serviços de corretagem imobiliária fossem contratados e prestados unicamente por pessoas jurídicas, e não através de corretores de imóveis (pessoas físicas), como autoriza a Lei nº 6.530/1978; f) a inserção dos seus dados e logomarca na documentação necessária para formalizar o negócio imobiliário decorre do artigo 31, § 2º da Lei nº 4.591/1964, que dispõe que a iniciativa e a responsabilidade pelas incorporações imobiliárias cabem ao incorporador, e nenhuma incorporação poderá ser proposta à venda sem a indicação expressa do incorporador, devendo também seu nome permanecer indicado de forma ostensiva no local da construção; g) a adoção do crachá e do uniforme (uma camisa pólo com o nome da impugnante) se presta para que o público interessado possa identificar com facilidade a quem procurar logo que adentra em um estande de vendas, além de evitar o uso de trajes considerados inapropriados para o local; h) quanto ao fato dos corretores terem se apresentado aos compradores ouvidos como seus representantes, isto se dá porque o corretor de imóveis personifica e representa, desde o seu primeiro contato com o interessado, a pessoa jurídica contratada pela impugnante para lhe prestar os serviços de intermediação Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.605 9 imobiliária, o que o qualifica, por extensão metonímica e impropriamente, como seu representante mediato. Os corretores de imóveis que prestaram os seus serviços às imobiliárias contratadas nunca tiveram vínculo contratual algum com a impugnante. As imobiliárias contratadas tomaram os serviços dos corretores de imóveis e os distribuíram nos seus estandes de venda dos empreendimentos imobiliários, seguindo a estratégia comercial por elas traçada para cada um dos lançamentos imobiliários; i) não se trata de omissão dolosa na constituição de contribuições previdenciárias (parcela da empresa e do segurado contribuinte individual), nem da prestação de informações à RFB sabidamente falsa. Não há no seu procedimento o intuito de omitir a ocorrência dos fatos geradores das contribuições lançadas de ofício, nem de impedir o seu conhecimento. Todas as comissões pagas foram contabilizadas nas contas do grupo 5 (5.1.01.01.007.0001, 5.2.01.03.006.0001, 5.3.01.01.007.0001 e 5.4.01.01.007.0001), lançadas com respaldo em documentação hábil e idônea, o que demonstra não ter havido intuito de fraude e/ou sonegação no seu procedimento; j) a interpretação da legislação tributária de forma diferente do Fisco, quando a matéria for controversa, não se constitui em prática fraudulenta (Acórdão CARF nº 3302001.778). Argumenta que, à luz da legislação de regência, as comissões pagas às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de intermediação imobiliária não configuram remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados contribuintes individuais (pessoas físicas) que lhe prestem serviços, sem relação de emprego. Entende que o fato gerador da contribuição social previdenciária devida pela empresa ocorreu em momento posterior, quando as pessoas jurídicas contratadas pela autuada remuneraram os serviços que elas tomaram dos corretores de imóveis, seja na condição de segurado empregado, ou como segurado contribuinte individual. Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.606 10 Insurgese contra a aplicação velada pela fiscalização da norma antielisiva prevista no parágrafo único do artigo 116 do CTN, por se tratar de norma não autoaplicável, uma vez que a sua vigência depende de prévia publicação de lei ordinária, que até hoje não ocorreu. Os argumentos específicos a cada auto de infração estão a seguir resumidos: AI Debcad nº 37.308.3769 e AI Debcad nº 37.308.3777 Assevera ser arbitrária a constituição de contribuição previdenciária, cuja base de cálculo foi aferida indiretamente, sobre transações imobiliárias que não geraram pagamento de comissão aos diretores que participaram das negociações (levantamentos CD1 e CD2). Afirma que as transações imobiliárias foram realizadas e intermediadas pela própria impugnante e pelo corretor/diretor responsável pelas transações imobiliárias, Sr. Marcelo Carvalho de Oliveira, todos inscritos no CRECI/DF, o que os habilita, nos termos do parágrafo único e do caput do artigo 3º da Lei nº 6.530/1978, a exercer a atividade de intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis. Ainda que as operações tivessem gerado o pagamento de comissões, o que admite apenas para argumentar, entende que não deveriam ter sido calculadas à razão de 1,3% sobre o valor da venda realizada, já que essa alíquota compreende a soma do percentual de 0,9% devido ao corretor de imóveis que intermediou o negócio, com o percentual aplicado ao seu supervisor, no patamar de 0,4%. As comissões apuradas por aferição indireta deveriam ter sido calculadas no percentual de 0,9%, ao invés de 1,3%. O valor encontrado com a incidência da nova alíquota corresponde ao saláriodecontribuição, sobre o qual seria calculada a contribuição social previdenciária prevista nas alíneas “a” e “c” do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 8.212/1991, esta última observado o limite do salário decontribuição estabelecido no inciso III do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Requer a exclusão total ou parcial dos juros e das multas de ofício e de mora, caso sejam acolhidas integralmente ou parcialmente as teses desenvolvidas na impugnação. Atendido este pedido, requer a revisão dos valores das multas de mora e de ofício constantes da planilha produzida no Relatório Fiscal dos Autos de Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.607 11 Infração (fls. 1.346), apurados com base no princípio da retroatividade benéfica (artigo 106, II, “c” do CTN). AI Debcad nº 37.308.3777 Alega que, à exceção das comissões pagas a Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária (CNPJ nº 37.129.160/000145) e à sociedade empresária Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda (CNPJ nº 07.340.901/0001 71), a fiscalização não considerou o limite máximo do salário de contribuição, contrariamente ao disposto no inciso III do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Afirma que cada uma das notas fiscais emitidas pela VIP Corretora de Imóveis Ltda e pela B Guimarães Filho Imóveis deu cobertura a uma única transação imobiliária intermediada por um único corretor de imóvel, não havendo razão para não ser respeitado o limite do saláriodecontribuição vigente em 2008. Entende que deve ser aplicado o mesmo critério adotado no que se refere às notas fiscais emitidas pela empresa individual Maria de Fátima Gonçalves e pela sociedade empresária Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda, já que a única diferença das emitidas pela VIP Corretora e pela B Guimarães Imóveis é que aquelas foram utilizadas unicamente para habilitar o recebimento de comissões pelos respectivos titulares, ao passo que estas foram utilizadas por outros corretores de imóveis, individualmente. Ambas as situações se assemelhariam no fato de que cada nota fiscal foi emitida para uma única e específica transação imobiliária, representando a comissão devida e a ser paga a um único corretor de imóveis, aquele que participou ativamente da intermediação imobiliária. Requer que as contribuições previdenciárias lançadas de ofício sejam recalculadas com base no que preceitua o inciso III do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, observando o limite máximo do saláriodecontribuição vigente à época do fato gerador da contribuição previdenciária devida pelo segurado contribuinte individual. Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.608 12 AI Debcad nº 37.308.3785 Acrescenta, em relação à decadência, que embora esta autuação diga respeito à imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, decaído o direito da Fazenda Pública de constituir de ofício o crédito tributário decorrente do descumprimento da obrigação principal, igualmente caduco e extinto estará o direito de lançar a penalidade nascida pelo não cumprimento da obrigação acessória. Sustenta que como os valores pagos pela impugnante às pessoas jurídicas não espelharam os fatos geradores das contribuições previdenciárias instituídas pela Lei nº 8.212/1991, não havia a obrigação de informar mensalmente, por meio da GFIP, os pagamentos realizados. Insurgese contra a forma de cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória, tanto no que diz respeito ao valor mínimo utilizado, que deveria ser da ordem de R$ 636,17, como o fato da fiscalização ter utilizado como multiplicador o número total de segurados informados em GFIP, quando deveria ter utilizado o número de corretores de imóveis e supervisores de equipe identificados na ação fiscal. Afirma que, desta forma, o valor correto da multa a ser aplicada é da ordem de R$ 10.814,89, e que o resultado da soma das multas do AI 68 com as multas de mora calculadas à alíquota de 24% é menos severo do que as multas de ofício apuradas pela fiscalização à razão de 75% nas competências 01/2008, 03/2008, 04/2008, 06/2008 e 08/2008 a 10/2008. Dos pedidos a) julgamento da improcedência das autuações fiscais, declarandose insubsistentes os lançamentos de ofício formalizados contra a impugnante; b) subsidiariamente, caso os créditos não sejam cancelados na integralidade, que sejam providas parcialmente as impugnações, reduzindose os valores das contribuições sociais previdenciárias lançadas na proporção exata das exceções substantivas eventualmente acolhidas; Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.609 13 c) caso a multa do AIOA 68 não seja cancelada em sua totalidade, que seja reduzida para o montante de R$ 10.814,89; d) que os valores das multas de mora (24%) sejam aqueles constantes das duas últimas tabelas produzidas no item 76 da impugnação, por serem menos severas do que as multas de ofício, apuradas à razão de 75%, notadamente em relação às competências 01/2008, 03/2008, 04/2008, 06/2008 e 08/2008 a 10/2008. 3 A Impugnação foi julgada improcedente, para manter o crédito lançado, conforme assim ementado pela DRJPorto Alegre (fls. 1.518/1.533): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado e revisto de ofício quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou nas autuações por descumprimento de obrigações acessórias, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AI Debcad nº 37.308.3769 e 37.308.3777 PAGAMENTO DE COMISSÕES A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.610 14 Incide contribuição previdenciária sobre as comissões pagas ou creditadas pelo sujeito passivo a pessoas físicas contribuintes individuais – corretores e supervisores de equipe relativas à intermediação da venda de imóveis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.308.3785 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. A multa aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória pelo sujeito passivo, quando embasada na legislação pertinente, não pode ser afastada ou reduzida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4 – Cientificado da decisão de primeira instância em 11/11/2013 (fl. 1.538/1.539), o contribuinte interpôs, em 09/12/2013, o recurso de fls. 1.540/1.588, acompanhado dos documentos de fls. 1.592/1.593. 5 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.611 15 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da decadência 7 Alega o contribuinte que deve ser aplicado o comando do art. 150 § 4º do CTN ao crédito lançado e reconhecer a decadência. Alega em síntese que não houve a comprovação da fraude por parte da autoridade lançadora. 8 – Entendo que deve ser mantida a .r decisão de piso por seus próprios fundamentos, uma vez que houve a comprovação de fraude por parte da autoridade fiscal. 9 – A despeito sobre o assunto transcrevo parte da decisão da DRJ de Porto Alegre que bem fundamentou essa parte do questionamento levantado pelo contribuinte e analisou bem as provas carreadas aos autos: “Como se observa dos depoimentos dos representantes das empresas imobiliárias, colhidos pela fiscalização, não foram firmados contratos escritos com as pessoas jurídicas. A atuada, intimada por meio do TIPF de fls. 45/49, também não apresentou qualquer contrato de prestação de serviços firmado com pessoas jurídicas (imobiliárias) para planejamento e venda de unidades imobiliárias que houvesse construído e/ou incorporado e nem contrato de prestação de serviços firmado com corretores de imóveis, pessoas físicas, para intermediação e venda de unidades vinculadas aos empreendimentos imobiliários que houvesse construído e/ou incorporado no período de 01/2007 a 12/2008. Tampouco existe inscrição no Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI 8ª Região/DF da empresa VIP Corretora de Imóveis ou de seus sócios Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.612 16 Jarbas Leone Gomes de Souza e Rogério Rodrigues Barcelos (fls. 980/983), e da empresa B Guimarães Filho Imóveis (fls. 1.024), responsáveis por aproximadamente 97% das comissões sobre as vendas recebidas no período de 01/2007 a 12/2008, em comparação com as quatro empresas que foram objeto da diligência fiscal. Com relação à empresa Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda, também não foi localizada inscrição no CRECI (fls. 1.122), tendo seu representante afirmado em depoimento que se encontrava inapta desde 2008. (...) omissis A conduta do sujeito passivo na exigência meramente formal de notas fiscais para dar a aparência de prestação de serviços por pessoas jurídicas ficou demonstrada nos depoimentos dos representantes das empresas analisadas. Os representantes das empresas Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária, B Guimarães Filho Imóveis – Empresa Individual e Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda afirmaram em depoimento à autoridade lançadora que prestavam serviços como pessoa física, e que para receber as comissões era necessária a emissão das notas fiscais para dar cobertura às vendas de imóveis feitas pelo titular da imobiliária, em cumprimento às exigências da empresa autuada. Os representantes das empresas Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda e B Guimarães Filho Imóveis – Empresa Individual também informaram emitir notas fiscais para dar cobertura às vendas feitas por outros corretores pessoas físicas. Os representantes da empresa VIP Corretora de Imóveis Ltda relataram que não firmaram contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária com a empresa Paulo Octávio e, segundo o sócio Jarbas Leone Gomes de Sousa, nem mesmo acordo verbal, e que não teve contato com os integrantes da diretoria e empregados da Paulo Octávio. A empresa emitia notas fiscais de serviço de corretagem pela venda de imóveis, a pedido dos corretores pessoas físicas da Paulo Octávio, de quem cobrava o percentual entre 3% e 6% do valor da nota fiscal. Este valor era calculado sobre Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.613 17 o valor líquido da nota fiscal (valor da nota fiscal menos o IRRF) e pago em espécie ao representante da VIP Corretora diretamente pelo corretor interessado. (...) omissis O sujeito passivo afirma que todas as comissões pagas foram contabilizadas nas contas do grupo 5, lançados com respaldo em documentação hábil e idônea, o que demonstraria não haver intuito de fraude e/ou sonegação no seu procedimento. Ocorre que tais contas contábeis se referem às pessoas jurídicas que, na realidade, não prestavam serviços à impugnante. Do exposto, concluise que a autoridade lançadora logrou demonstrar nos autos o propósito do contribuinte de ocultar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, ao simular a prestação de serviços de intermediação imobiliária por meio de pessoas jurídicas quando, na realidade, tais serviços lhe eram prestados pelos corretores pessoas físicas. Não foram apresentados contratos de prestação de serviços com as empresas ditas “imobiliárias”. As empresas B Guimarães Filho Imóveis e VIP Corretora de Imóveis Ltda, responsáveis por praticamente todas as comissões registradas na contabilidade, verificado no cotejo com as outras duas empresas diligenciadas, sequer possuíam o registro necessário à prestação de serviços de intermediação de venda de imóveis. Os sócios da empresa VIP Corretora de Imóveis Ltda não eram corretores de imóveis. Além disso, os pagamentos das comissões devidas eram efetuados pela Tesouraria da autuada diretamente ao corretor pessoa física, e não às pessoas jurídicas que afirmava ter contratado." 10 – Os depoimentos das pessoas, sócias de tais corretoras de imóveis constam no Anexo IV. Segue abaixo alguns deles, às fls. 940/ 943 o depoimento perante a fiscalização de Bianor Guimarães Filho, sócio da B. Guimarães Filho Imóveis que relata à autoridade lançadora: Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.614 18 Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.615 19 11 – Da mesma forma os depoimentos de fls. 1.011/1.013 de Jarbas Leone Gomes de Souza e às fls. 1.018/1.020 de Rogério Rodrigues Barcelos sócios da empresa Vip Corretora de Imóveis Ltda respectivamente: Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.616 20 12 – Parte do depoimento de Rogério Rodrigues Barcelos: Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.617 21 13 As fls. 1.080/1.082 depoimento de Maria de Fátima Gonçalves representante da empresa Maria de Fátima Gonçalves – Empresa Individual Imobiliária e às fls. 1.117/1.119 o depoimento de Marcos de Araújo Barreto da Costa Pereira sócio da Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda., 14 – O conjunto probatório acima revela os fatos alegados no relatório fiscal de fls. nos itens 31 e 32, às fls. 1.329/1.330, verbis: Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.618 22 15 – Além dos depoimentos, consta no relatório fiscal nos itens 20 a 22 às fls. 1.322/1.323 a análise dos documentos e esclarecimentos entregues pelos compradores dos imóveis: Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.619 23 16 – Pelo exposto, provado uma das condutas das hipóteses da ressalva do § 4º do art. 150 do CTN aplicável os termos do comando do art. 173, I do CTN e portanto, afasto a preliminar de decadência. DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AI DEBCAD Nº 37.308.3777 17 – Em apertada síntese, nesse tópico o contribuinte alega que não houve a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária na medida em que houve a contratação de corretoras pessoas jurídicas para prestarem o serviço de corretagem, alegando que estas que pagaram pelo serviço dos corretores pessoas físicas contribuintes individuais. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.620 24 18 – Conforme já fundamentado alhures na parte de decadência entendo que o fato gerador da contribuição previdenciária restou comprovado pela autoridade fiscal na medida em que a contribuinte apenas utilizava das corretoras pessoas jurídicas para repassar os valores das corretagens pagas pelos compradores de imóveis aos corretores pessoas físicas, que por sua vez precisavam solicitar às corretoras emitir notas fiscais como se estivessem prestado serviço à autuada e após endossar os cheques dos pagamentos para os mesmos. 19 – Na realidade o amplo conjunto probatório deixou claro que as corretoras de imóveis apenas serviram na operação, para “camuflar” uma operação de prestação de serviço entre pessoas jurídicas e evitar o pagamento direto da comissão entre a autuada e os corretores pessoas físicas contribuintes individuais que prestavam o real serviço de corretagem na venda dos imóveis da recorrente, com o fito de esconder o real propósito da operação e evitar dessa forma a hipótese de incidência tributária da contribuição previdenciária. 20 Em síntese, a autuada pretendeu desfigurar os fatos, com a interposição de pessoas jurídicas (corretoras de imóveis) que emitiram nota fiscal, sem a devida prestação de serviço, a fim de afastar a sujeição passiva da relação tributária, sendo que o aspecto fundamental a identificar nesses casos é a quem o contribuinte individual realmente prestou o serviço. 21 A função do corretor de imóveis é a de intermediar vendedor e comprador, contribuindo para a obtenção do resultado econômico pretendido pela empresa, a qual, em contraprestação ao serviço que lhe foi efetivamente prestado, remunera o corretor mediante o pagamento de uma comissão. 22 O conjunto probatório trazido aos autos pela fiscalização, bem como as regras de experiência, revelam indubitavelmente que se pretende com a utilização da corretagem de imóveis não só o resultado da mediação, mas também o serviço em si do corretor de imóveis, indispensável para a consecução dos objetivos sociais da recorrente. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.621 25 23 No caso da atividade econômica de venda de imóveis, a mediação é essencial para viabilizar o desenvolvimento dos negócios da recorrente, não havendo como deixar de reconhecer que a pessoa jurídica autuada utilizou do serviço prestado pelo corretor, e dele diretamente se beneficiou. 24 – Restou comprovado nos autos que os compradores dos imóveis não possuíam qualquer controle ou ingerência sobre a retribuição devida ao corretor de imóvel, pactuada entre este e o vendedor (contribuinte autuado) previamente à realização do negócio mercantil. 25 – Quanto às questões relativas à aplicação ou não do parágrafo único do artigo 116 do CTN alega o contribuinte que a norma depende de regulamentação e a fiscalização utilizou desse artigo para o fim de desconstituir as pessoas jurídicas das corretoras ao reconhecer que houve simulação entre essas e a recorrente para lançar os valores pagos aos contribuintes individuais. 26 – Em relação a esse ponto, tomo como fundamento o quanto decidido por essa C. Turma nos autos do AC. 2201003.657 Julgado em sessão de 06/07/2017: “A Recorrente sustenta a impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica pelas autoridades fiscais em procedimento fiscalizatório, ante a ausência de lei que regulamente tal procedimento, entendendo que aludida medida extrema somente pode ser manejada pelo Poder Judiciário. Transcreve o parágrafo único do artigo 116, do CTN, lembrando que o referido dispositivo ainda não foi devidamente regulamentado, não sendo, portanto, aplicável, inexistindo, atualmente, norma legal que possa ser utilizada pelas Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.622 26 autoridades fiscais para desconsiderar qualquer negócio jurídico que tenha sido realizado dentro da legalidade, como é o seu caso. Ocorre que não se sustenta esse posicionamento da Recorrente, conforme será demonstrado. O parágrafo único do artigo 116 é considerado por muitos uma norma antielisiva genérica e entendo que não há necessidade de regulamentação para sua aplicabilidade, sendo que o próprio CTN já dispõe de procedimentos para tanto, no caso o artigo 142 do CTN, bastando para sua aplicabilidade a verificação de conceitos do Direito Privado indicados no parágrafo único com as limitações impostas de acordo com a interpretação dada pelo artigo 110 do CTN. Uma das formas de fraude fiscal é a simulação constante do artigo 167 § 1º do CTN, sendo um defeito do ato jurídico: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Como bem asseverado por Marcos Bernardes de Mello:1 Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto de fingimento, de hipocrisia, de disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o ser não verdadeira, intencionalmente, a declaração de vontade. Na simulação quer se o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. Apesar da legislação indicar o termo dissimulação, talvez por falta de maior técnica legislativa, sabemos que são muito próximos esses termos. Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.623 27 Parte da doutrina distingue a simulação em absoluta e relativa. Francesco Galgano2 distingue a simulação absoluta e a simulação relativa. A primeira ocorre quando as partes celebram um contato e, através de uma contradeclaração, afirmam não desejar que o negócio produza qualquer efeito, criando apenas uma aparência de negócio perante terceiros. Já, a simulaçã o relativa ocorre quando as partes criam uma aparência de negócio diferente daquele que efetivamente desejam, hipótese em que há dois negócios o simulado e o dissimulado. Nesse ponto a doutrina majoritária segue a ideia de que há aproximação da simulação relativa com a dissimulação, uma vez que na simulação o agente engana sobre a existência de uma situação inverídica, enquanto que na dissimulação o agente engana sobre a existência de uma situação real. Edmar Oliveira Andrade Filho3 declara igualmente que “o ato ou negócio jurídico dissimulado é aquele que foi contornado por intermédio de acordo de simulação. Sob essa perspectiva, a dissimulação é uma resultante da simulação, de modo que aquela não existe sem essa”. Por derradeiro Marco Aurélio Greco4 salienta que “o sentido de “dissimular”, previsto no parágrafo único do art. 116, abrange o sentido de “simular”, mas tem maior amplitude que este, pois alcança, pelo novo dispositivo, todas as hipóteses de simulação e mais alguma outra figura”. 27 – Pelo exposto, nego provimento ao recurso nesse tópico. DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (AI DEBCAD Nº 37.308.3769) 28 – Reproduzo nesse tópico os mesmos fundamentos já consolidados acima para afastar as alegações do contribuinte em relação a essa parte de seu recurso posto que Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.624 28 guardam relação fática e de direito, posto que trata do lançamento da parte patronal e portanto restam afastadas negandose provimento. DA NECESSÁRIA SUBMISSÃO À REGRA CONTIDA NO ART. 28 III E § 5º DA LEI 8.212/91 E DO ARBITRÁRIO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE TRANSAÇÕES IMOBILIÁRIAS QUE NÃO GERARARM PAGAMENTO DE COMISSÃO 29 – Ambos os tópicos acima serão analisados em conjunto uma vez que em síntese tratam da forma como houve a apuração dos valores lançados do crédito tributário que foi através de aferição indireta 30 – Pela análise das razões recursais não há questionamento quanto ao levantamento através da aferição indireta mas apenas quanto a determinados dados que foram utilizados em um ou outro aspecto do trabalho fiscal, tais como o valor do salário de contribuição nos casos apurados das corretoras Vip Corretora de Imóveis Ltda e B. Guimarães Filho Imóveis Empresa Individual, conquanto em sede recursal a recorrente concorda com a forma do lançamento em relação ao apurado nas outras duas corretoras de imóveis. 31 – O procedimento de aferição indireta foi justificado pela autoridade lançadora com base no fato do contribuinte ter deixado de apresentar documentação comprobatória do pagamento da comissão aos corretores conforme item 39.1.1 do relatório fiscal de fls. 1.333, com base nos art. 148 do CTN e art. 33, §§ 3º e 6º da Lei 8.212/91: Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.625 29 32 – No caso de aferição indireta do tributo a regra prevista no art. 33§§ 3º e 6º da Lei 8.212/91 guardam simetria com a previsão do lançamento por arbitramento do art. 148 do CTN, conforme STJ no AgRg no REsp 1175241/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 06/08/2010 33 A aferição indireta perpetrada pela autoridade tributária não obsta o direito do contribuinte de, em observância aos princípios do contraditório e da ampla defesa, ilidir a presunção de legitimidade dos atos fiscais na constituição por arbitramento, cabendo lhe o ônus probatório , sendo claro que o exercício dessa faculdade do contribuinte (de fazer prova, na fase judicial ou administrativa, para infirmar a presunção legitimamente considerada pela autoridade fiscal) não pode acarretar indevido prejuízo do Fisco (que, repitase, agiu legitimamente, nas circunstâncias então apresentadas), nem pode privilegiar indevidamente o contribuinte (que, destacase, descumpriu sua obrigação acessória de manter escrituração regular de suas operações). 34 Sobre o assunto leciona MISABEU DE ABREU MACHADO DERZI: Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.626 30 "O arbitramento, mediante processo regular, não é procedimento de lançamento especial. As modalidades de lançamento, previstas no Código Tributário Nacional, são apenas três: de ofício, com base em declaração do sujeito passivo ou de terceiros e por homologação. O arbitramento, disciplinado no art. 148, é apenas técnica inerente ao lançamento de ofício para avaliação contraditória de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, utilizável sempre que os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos ou não mereçam fé. Assim sendo, tanto nos tributos que deveriam ser lançados com base em declaração do contribuinte ou lançados por homologação, o art. 148 autoriza a Fazenda Pública a pôr de lado a escrita, os livros e demais informações prestados pelo sujeito passivo (havendo omissão, fraude ou simulação), para lançálos de ofício. Sendo feito o lançamento de ofício ou a sua revisão nas hipóteses elencadas no art. 149 citado, poderá o Fisco servirse da técnica do arbitramento, obedecidos os pressupostos e requisitos do art. 148, quais sejam: a) prévia desonestidade do sujeito passivo nas informações prestadas, abalando se a crença nos dados por ele oferecidos, erro ou omissão na escrita que impossibilite sua consideração, tornandoa imprestável; b) avaliação contraditória administrativa ou judicial de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, em processo regular (devido processo legal); c) utilização, pela Administração, de quaisquer meios probatórios, desde que razoáveis e assentados em presunções tecnicamente aceitáveis (preços estimados segundo o valor médio alcançado no mercado local daquele ramo industrial ou comercial pauta de valores; ou índice de produção pautado em valores utilizados, em período anterior, no desempenho habitual da empresacontribuinte que sofre o arbitramento, etc. O arbitramento é remédio sancionante que viabiliza o lançamento, em face da imprestabilidade dos documentos e dados fornecidos pelo próprio contribuinte ou por terceiro legalmente obrigado a informar." (In Comentários ao Código Tributário Nacional. Coord.: Carlos Valder do Nascimento. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 390∕391.) Grifei Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.627 31 35 – No caso dos autos houve muitas alegações por parte do contribuinte, sem contudo de forma clara e precisa identificar os erros da apuração indireta efetuada pelo trabalho fiscal e o principal, não trouxe nenhuma prova além das já carreadas na autuação que infirmasse o lançamento. 36 – Tais pontos levantados nesse item foram devidamente analisados, inclusive pelos julgadores de piso, sendo necessário mencionar: “O sujeito passivo afirma, em relação aos levantamentos CD e CD1, que as transações imobiliárias foram realizadas e intermediadas pela impugnante e pelo corretor/diretor responsável pelas transações imobiliárias, Sr. Marcelo Carvalho de Oliveira, todos inscritos no CRECI/DF, o que os habilita, nos termos do parágrafo único e do caput do artigo 3º da Lei nº 6.530/1978, a exercer a atividade de intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis. Entende que mesmo que as operações tivessem gerado o pagamento de comissões, estas deveriam ter sido calculadas no percentual de 0,9%, e não 1,3%, já que não haveria que se falar na figura do supervisor, que aparecia apenas quando as operações eram realizadas por intermédio das pessoas jurídicas contratadas pela autuada. A impugnante, quando da resposta ao TIF 05 (fls. 565), informou que a responsabilidade pelas vendas havia sido definida nos termos da previsão consignada no Contrato Social. Na 47ª Alteração Contratual firmada em 15/08/2007 (fls. 1.463), o Sr. Marcelo Carvalho de Oliveira, CRECI/DF 5327, consta como corretor responsável pelas transações imobiliárias. Ocorre que o fato de Marcelo Carvalho de Oliveira ser indicado no contrato social como corretor responsável pelas transações imobiliárias não afasta o ônus do sujeito passivo de comprovar suas alegações. O sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que corroborasse sua afirmação e demonstrasse a efetiva participação de Marcelo Carvalho de Oliveira Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.628 32 na intermediação dos negócios apontados pela autoridade lançadora, na qualidade de corretor de imóveis ou supervisor de vendas. A fiscalização já havia intimado o sujeito passivo (Termo de Intimação Fiscal 04, fls. 544 a 548, e Termo de Intimação Fiscal 05, fls. 561 a 563), sem sucesso, para que identificasse de forma clara e precisa o corretor pessoa física (nome, CPF e CRECI) responsável pela intermediação da unidade imobiliária informada em cada contrato de venda e o supervisor, inclusive nos casos em que a empresa afirmava que as vendas de imóveis haviam sido realizadas por pessoas jurídicas; para que informasse o valor da comissão dos supervisores e dos corretores de cada equipe de vendas, ainda que a comissão discriminada pela empresa fosse “=0,00” ou indicasse “sem comissão”; e para que informasse o nome, CPF e CRECI dos integrantes da Diretoria responsáveis pelas intermediações imobiliárias em que a empresa informou que não houve pagamento de comissão. Em decorrência do contribuinte, apesar das reiteradas intimações, ter deixado de apresentar a documentação comprobatória tanto do pagamento da comissão aos corretores, quando as vendas de imóveis foram realizadas pela Diretoria como do pagamento aos supervisores pelas diversas vendas feitas pelos membros de cada equipe, a fiscalização utilizou o procedimento de aferição indireta da base de cálculo com o objetivo de apurar as contribuições devidas, aplicando a alíquota de 0,9% usualmente paga pela empresa aos corretores de imóveis, acrescida da alíquota de 0,4% destinada aos supervisores, incidentes sobre as vendas. (…) omissis A empresa autuada afirma que cada uma das notas fiscais emitidas pela VIP Corretora de Imóveis Ltda e pela B Guimarães Filho Imóveis deu cobertura a uma única transação imobiliária intermediada por um único corretor de imóvel, não havendo razão para não ser respeitado o limite do saláriodecontribuição vigente em 2008. Requer a utilização do mesmo critério adotado no que se refere às notas fiscais emitidas pela empresa individual Maria de Fátima Gonçalves e pela sociedade empresária Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda. Ocorre que os representantes das empresas Maria de Fátima Gonçalves e Marcos Barreto Empreendimentos Imobiliários Ltda apresentaram documentos à Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.629 33 fiscalização que permitiram a identificação do corretor pessoa física beneficiário do valor da comissão de venda discriminado nas notas fiscais de serviço. Com relação às outras duas empresas, o sujeito passivo, apesar de reiteradamente intimado, não identificou de forma clara e precisa quem seria o corretor pessoa física responsável pela intermediação da unidade imobiliária informada em cada contrato de venda e quem seria o supervisor. Também agora, em sede de impugnação, não especificou os corretores envolvidos em cada nota fiscal emitida. Portanto, rejeitase o argumento da defesa e o pedido para adoção do mesmo critério para todas as empresas, pois o limite do saláriodecontribuição deve ser respeitado para cada segurado contribuinte individual devidamente identificado.” 37 – Portanto, nesses pontos negase provimento. DOS ERROS INCORRIDOS NA CONSTITUIÇÃO DA MULTA APLICADA (AI DEBCAD Nº 37.308.3785 38 – Alega em síntese o contribuinte nesse tópico que a multa do AI. 37.308.3785 aplicada com base no art. 32, § 5ºda Lei 8.212/91 após o cotejo de acordo com art. 106 do CTN pela autoridade lançadora no item 69 do Relatório Fiscal de fls. 1.345/1.347, não deve ser aplicada tomandose por base a totalidade dos segurados mas apenas aqueles que não foram objeto de indicação em GFIP. 39 – Tomo como fundamento para a manutenção da multa os termos utilizados pela decisão da DRJ: Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.630 34 “Com a comprovação de que os valores pagos pela impugnante o foram às pessoas físicas (corretores de imóveis e supervisores de equipes) e que tais valores não foram informados em GFIP, correta a autuação por descumprimento de obrigação acessória cuja multa estava prevista no § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991, obedecidos os limites do § 4º, ambos antes da alteração pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável, equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (…) omissis Ao contrário do entendimento do sujeito passivo, o § 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/1991 não estabelece que deva ser utilizado como multiplicador apenas o número de corretores de imóveis e supervisores de equipe identificados na ação fiscal, mas sim o número total de segurados da empresa.” Grifei 40 – Portanto, nesse tópico mantida a autuação e os valores das multas aplicadas. DOS JUROS E DAS MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA EXCLUSÃO TOTAL OU PARCIAL 41 – Nesse tópico, houve apenas alegações genéricas pelo contribuinte, contudo a fim de evitar eventual alegação de nulidade passo a análise da seguinte forma. Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.631 35 42 A Recorrente questiona a aplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora, por entender que o índice não foi instituído por Lei, devendo incidir, no caso, juros de mora à taxa de 1% a.a. 43 À época dos créditos previdenciários lavrados nesse auto de infração contestado, vigorava o artigo 34 na Lei nº 8.212/91, conforme abaixo trazido: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” 44 Ocorre que aludido artigo foi revogado pela vigência da MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11.941/09) que, porém, instituiu na mencionada lei o artigo 35, que passou então a tratar desta matéria, senão vejamos: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.632 36 45 Como foi mencionado no artigo acima trazido, o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos decorrentes de contribuições administradas pela Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5° da mesma lei, conforme abaixo: “Art. 61 (...) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Por sua vez, o mencionado § 3º do artigo 5º da lei nº 9.430/96 prescreve que: Art. 5º (...) “(...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” 46 Portanto, segundo os dispositivos legais acima transcritos, não resta dúvida que, sobre as contribuições sociais arrecadadas pela Previdência Social (RFB), pagas com atraso, incluídas ou não em notificação de débito, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa SELIC, em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. Ademais, este entendimento resta simulado na Súmula CARF nº 04, a saber: Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.633 37 “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 47 Portanto, outro não poderia ser o entendimento do E. CARF, conforme faz exemplo o trecho (abaixo colacionado) extraído do Acórdão proferido por essa Colenda Turma da lavra do Ilustre Relator Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra: “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Nos termos da Súmula CARF n° 4, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” (CARF. Segunda Sessão de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Rel. Daniel Melo Mendes Bezerra. Sessão: 04/04/2017) 48 Como visto, a taxa SELIC é o índice legal utilizado na cobrança dos juros de mora por atraso no recolhimento das contribuições previdenciárias. 49 Quanto à revisão de multa, esse tópico já foi devidamente analisado no item anterior e assim sendo, neste ponto, improcede a argumentação da Recorrente. Conclusão Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10166.720533/201303 Acórdão n.º 2201003.937 S2C2T1 Fl. 1.634 38 50 Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001239/2006-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/06/2005
APURAÇÃO REFLEXA IRPJ. COMPETÊNCIA.
Apuração de tributos, PIS/COFINS, reflexa com fatos que determinaram a lavratura de autos de infração de IRPJ, por força de disposição do art. 2º, IV do RICARF, a competência é sempre da Primeira Seção, impondo remessa do feito aquela seção.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário e declinar à competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
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COMPETÊNCIA. Apuração de tributos, PIS/COFINS, reflexa com fatos que determinaram a lavratura de autos de infração de IRPJ, por força de disposição do art. 2º, IV do RICARF, a competência é sempre da Primeira Seção, impondo remessa do feito aquela seção. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário e declinar à competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 39 /2 00 6- 29 Fl. 3134DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência da COFINS e do PIS não cumulativos decorrentes de supostas operações fictícias de compras de soja para industrialização, e, posteriormente venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Segundo consta da descrição dos fatos narrados pela fiscalização tais operações não ocorreram, tanto de compras quanto de industrialização, bem como de exportações. Assim, segundo a narrativa as operações eram fictícias cujo verdadeiro intento era apenas de gerar créditos de ICMS, PIS e COFINS não cumulativos, bem como o crédito presumido de IPI. A leitura do termo de verificação fiscal revela que o MPF original foi para uma fiscalização de IRPJ, assim como, consta do lançamento a seguinte descrição dos fatos: “decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas as infrações abaixo descritas, ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de calculo desta contribuição. 001 PIS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA APURAÇÃO REFLEXA FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA Valor apurado conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração.” Apresentado resistência foi essa afastada, mantendo o lançamento. Sobreveio o voluntário reprisando os argumentos da peça inaugural. ç É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento de exigência da COFINS e do PIS não cumulativos decorrentes de supostas operações fictícias de compras de soja para industrialização, e, posteriormente venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Da narrativa dos fatos verificase que se trata de apuração reflexa por falta de recolhimento do PIS e COFINS, como se extraí da leitura da descrição dos fatos: “decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas as infrações abaixo descritas, ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de calculo desta contribuição. 001 PIS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA APURAÇÃO REFLEXA FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS INCIDÊNCIA NÃO Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 19515.001239/200629 Acórdão n.º 3403003.263 S3C4T3 Fl. 5 3 CUMULATIVA Valor apurado conforme Termo de Verificação que faz parte integrante deste Auto de Infração.” A fiscalização em procedimento regular concluiu que as operações de compra, industrialização e exportação por meio de empresa comercializadora tratavam de simulações com o único objetivo de proporcionar de crédito de tributos como: ICMS, PIS, COFINS, etc. Motivo pelo qual, segundo entendimento da fiscalização foi desconsideras tais operações e gozados os créditos, consequentemente, exigidos os pagamentos devidos. De modo que, vislumbrase que os lançamentos de COFINS e PIS ocorreram via reflexa da apuração de Imposto sobre Renda de Pessoas Jurídicas. Nos casos de lançamentos de ofício de tributos que apuração ocorra por via reflexa com fatos que determinaram a lavratura de autos de infração de IRPJ, o art. art. 2º, IV do RICARF, determina que a competência seja sempre da Primeira Seção, como se vê da Leitura do art. 2º do Regulamento: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I, II e III... omissis... IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; No caso em tela, é evidente que as exigências do PIS e do IRPJ estão lastreadas nos mesmos fatos e elementos de prova, tanto que a multa qualificada foi lançada nos dois autos de infração, cabendo também à Primeira Seção do CARF decidir se houve ou não o evidente intuito de fraude. Diante do exposto, proponho declinar da competência de julgamento do presente Recurso à Primeira Seção do CARF. É recomendável que na Primeira Seção este processo seja sorteado junto com o processo nº 19515.005662/200860, que alberga o auto de infração de IRPJ, a fim de ambos sejam analisados pelo mesmo relator e submetidos ao mesmo Colegiado. Domingos de Sá Filho Fl. 3136DF CARF MF 4 Fl. 3137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.911352/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO
Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado.
BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON
Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda.
Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero.
O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei.
CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS
Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos.
CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO
Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL
Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais.
CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL.
Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão.
CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT
Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht.
CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO"
Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção.
CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS
Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos.
CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA
Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03).
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04
A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09
Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09
A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS
A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade.
MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO
Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide.
DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO
Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia.
José Henrique Mauri - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO - Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri - Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P-20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratar-se de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P-20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admite-se na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavam-se com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadrava-se na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratarse de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 52 /2 01 1- 91 Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.126 2 CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admitese na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.127 3 CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadravase na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.128 4 dar provimento provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia. José Henrique Mauri Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri, Semiramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Marcos Roberto da Silva. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.129 5 Relatório Foi emitido Despacho Decisório (fls. 1.115 a 1.117), instruído por relatório titulado "Informação Fiscal" (fls. 1.067 a 1.114), por meio do qual foi indeferido o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 36560.03972.290110.1.5.100843, no montante de R$ 4.622.855,38, em razão de glosa de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, vinculados `a receita de exportação do 4° trimestre de 2009. Outrossim, não foram homologados seis Pedidos de Compensação (DCOMP fl. 1.116) no total de R$ 4.622.855,38, que redundou na lavratura de auto de infração para a cobrança de multa isolada, tratado no processo n° 11516.733510/201451, que encontrase na pauta para julgamento nesta reunião. Por conta das glosas efetuadas, foram alterados os valores utilizados para desconto dos débitos informados em DACON, sendo consumidos todos os créditos disponíveis e restando saldo a pagar, o qual foi lançado através do auto de infração, tratado no processo nº 11516.722481/201428, que também se encontra na pauta para julgamento nesta reunião. Adoto o trecho da decisão recorrida que trata do relatório fiscal: "(. . .) No relatório fiscal, a autoridade fiscal informa: os processos nºs 11516.722481/201428, 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/2011 91, 10983.911360/201137, tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre; os autos de infração para exigência de multa isolada devida pela não homologação das compensações, foram tratados nos processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/2014 51, 11516.722509/201427. Após descrever o procedimento fiscal, passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 16A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 16A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas na planilha NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.130 6 1.1.2. os valores dos bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 1.2.5. notas fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha SEM Identificação Notas Fiscais Glosadas sem identificação do Fornecedor. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo 1.3.1. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.3.2. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSÃO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte. Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.131 7 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas: 1.5.1. as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte; 1.5.2. os valores relativos a ALUGUEIS DE VEICULOS, ALUGUEL PALCO EVENTOS E SERVIÇO DE LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE, estes, por não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas: 1.6.1. as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na FVNC Fretes de Vendas Não Comprovados; 1.6.2. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada umadas notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito. 2. Ficha 16A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal relata que a contribuinte lançou nas linhas 25, 26 e 27 (Ajustes Positivos de Crédito) o crédito presumido de sua atividade agroindustrial Lei nº 10.925/2004 e nº Lei 12.058/2009 , conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/00555 (fls. 525), presente neste processo a fls. 562 e seguintes, e informa que, dos dados apresentados nas planilhas citadas no item b da referida intimação (planilha com a composição dos valores informados na linha 27 das fichas 06A e 16A ), verificase que, apesar de citar os artigos 32 e 33, a contribuinte apurou na linha 27 apenas os créditos previstos no art. 34 da lei 12.058/2009. Traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido da Lei nº 10.925/2004 e da nº Lei 12.058/2009 que sofreram alteração de alíquotas e glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas no arquivo não paginável denominado CREDITO PRESUMIDOdetalheBRF200904trim.xlsx anexado a este processo. Informa que foram realizados os seguintes ajuste: Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.132 8 a) glosa das operações que não configuram aquisições de insumos com qualquer crédito presumido. Nesta categoria se incluem aquisições de produtos industrializados, aquisições de quaisquer bens para revenda ou aquisições para entrega futura. Estas situações estão corrigidas para alíquota zero de crédito presumido nas listagens anexas e nos resumos acima; b) as aquisições de bens de origem vegetal ou animal, mas não classificadas nas posições da NCM listadas no art. 8º da Lei 10.925/2004, enquadrados, portanto, no §3º, inc III do citado artigo, tiveram a alíquota corrigida para 2,66% para a Cofins e 0,5775% para o PIS/Pasep; c) as aquisições de soja e seus derivados, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. II e aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM, enquadradas na Lei nº 12.058/2009, art. 33, §3º, tiveram a alíquota corrigida para 3,8% para a Cofins e 0,825% para o PIS/Pasep; d) as aquisições de bens de origem animal, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. I, que embora estivessem com a alíquota correta, 4,56% para a Cofins e 0,99% para o PIS/Pasep, tiveram os valores de crédito corrigidos porque o valor constante da planilha do contribuinte não correspondia à multiplicação da alíquota pela base de cálculo; e) os valores informados na linha 27 (Ajuste Positivos de Créditos) foram glosados porque a empresa não faz jus ao crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, tendo em vista o § 1º daquele artigo 3. Ficha 16B Aquisições de Insumos no Mercado Externo 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados os valores das aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Foram glosados os valores referentes a: 3.2.1. Aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito 3.2.2. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/2014 51 e 11516.722481/201428. Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.133 9 Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosas através de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, e defender que a palavra "insumo", empregada pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, possui abrangência muito maior do que pretende lhe dar a RFB, nas Instruções Normativas SRF nº 247, de 11/11/2002, e nº 404, de 12/3/2004, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Conclui, então, que o conceito de insumos empregado pelas referidas lei é amplo, “alcançando todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários”. Traz a descrição das atividades produtivas da empresa e, na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens adquiridos para revenda Em relação às glosas das aquisições de Bens adquiridos para revenda, aduz que a fiscalização equivocouse ao glosar créditos apurados nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sob o fundamento de que os itens considerados na base de cálculo “não estariam enquadrados no conceito de insumo contido na IN SRF n. 404/04”. Diz que a fiscalização confundiu os incisos I e II do art. 3º e alega que a tomada de créditos nos termos do inciso I exige tão somente que os bens sejam adquiridos para posterior revenda, não havendo qualquer vinculação da tomada do crédito com o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo Inicialmente a Recorrente menciona que ficou demonstrado que a ausência de uma investigação mais aprofundada dos fatos, aliada à equivocada fundamentação jurídica, levou a fiscalização a glosar indevidamente diversos itens usados diretamente na produção, muitos deles podendo ser classificados, inclusive, como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz que “não irá proceder a uma justificação individuada de cada um deles”, que se aterá a “fazer observações adicionais pontuais, sobre alguns dos mais relevantes”. Assim segue. Em relação aos Pallets, explica que são utilizados em diversas etapas do processo produtivo, uma vez que Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.134 10 "(...) são usados na própria industrialização, para a movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização, evitando seu contato direto com o solo, diminuindo o risco de contaminação. Os pallets também garantem a segurança na movimentação das cargas, permitem a mecanização e levantamento dos produtos e cargas nele transportados, mas, principalmente, possibilita a unitização de todo um quantitativo de produtos e de matérias primas entre fornecedores e a requerente e entre as diversas etapas da produção." Menciona que a jurisprudência do CARF reconhece o direito ao crédito quanto aos pallets, na qualidade de insumo. No título Serviços utilizados como insumo, a interessada defende que dão direito ao crédito os serviços relacionados com a movimentação dos produtos e matérias primas nas diversas etapas da produção, os quais foram glosados; cita como exemplo: serviços de repaletização e reforma de pallets; serviços de aplicação de strecht nos pallets; serviços de carga e descarga; serviços de montagem dos equipamentos usados na produção; bem como os serviços de manutenção dos mesmos, dentre outros. Também defende o direito ao crédito em relação aos custos com serviços de transporte de matériasprimas e de produtos adquiridos como insumos, bem como seu transporte do fornecedor até à empresa e seu deslocamento durante a fase de produção alegando que o CARF os reconhece como custo de produção. No título Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes defende o crédito em relação as despesas com a aquisição de peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos, alegando que próprio fisco reconhece que são também passíveis de creditamento; cita a Solução de Consulta nº 9, de 12/01/2012, da 9ª Região Fiscal, Solução de Consulta nº 11, de 27/1/2011, da 8ª Região Fiscal; Solução de Consulta nº 520, de 26/10/2004, da 7ª Região Fiscal; Solução de Divergência COSIT nº 14, de 31/10/2007. A Recorrente defende o direito a crédito em relação “todos os gastos realizados na produção da requerente que sejam decorrentes de exigências legais”. No item Serviços e produtos decorrentes de exigências legais, alega, em síntese, que existem normas do Poder Público que impõe procedimentos de higiene dentro da área fabril, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual e também o controle e manutenção da segurança sanitária, cujo descumprimento ensejaria a “inviabilização da própria atividade, não estando a critério da requerente furtarse ou não a estes gastos”. Defende o crédito em relação: aos serviços aplicados e à aquisição de produtos utilizados na higienização das dependências do setor fabril, das máquinas da produção e do pessoal que lá trabalha; à aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual; aos serviços de análises físicoquímicas e laboratoriais. No mesmo tópico defende o crédito em relação às aquisições de: “Equipamentos como facas, brincos de marcação para suínos e produtos químicos usados em diversas etapas da produção são exemplos de exigências das normas reguladoras às quais a requerente não pode deixar de se submeter”; equipamentos usados na atividade, que embora não sejam os de uso ordinário, igualmente devem obedecer as especificações dos órgãos reguladores; carimbos de marcação que seguem os padrões impostos pelo Poder Público. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.135 11 Já no tópico Outros itens, a Recorrente diz que “não é possível proceder a uma análise minuciosa, trazendo detalhes de cada item listado pela fiscalização”, mas aduz que “confia que a descrição de suas atividades, em todo seu processo produtivo, permita esclarecer o seu direito ao crédito face à natureza dos bens elencados nos autos” Hipótese de bens adquiridos com suspensão Em relação às aos bens adquiridos com suspensão, a interessada alega que a fiscalização equivocouse ao realizar as glosas dos itens listados, isto porque, segundo alega, os créditos apurados no período em questão, e glosados pela fiscalização sob a rubrica "bens utilizados como insumos", não são relativos à operações sujeitas à apuração do crédito presumido (art. 8o da Lei n. 10925/04) nem, tampouco, à suspensão (art. 9o da referida lei). Crédito presumido da agroindústria No que se refere ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, a interessada alega que o método para o cálculo do crédito presumido, conforme seu parágrafo 3º, está vinculado à natureza do produto desenvolvido pela empresa adquirente do insumo e titular do direito de crédito. Afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, confirma exatamente a interpretação que sustenta. E acrescenta que é esse o entendimento adotado pelo CARF. Quanto ao crédito presumido previsto no art. 33 da Lei n. 12.058/2009, alega que o entendimento da Autoridade Fiscal de que as aquisições para revenda não geram esse tipo crédito não seria a interpretação correta do dispositivo. Afirma que, na redação vigente à época dos fatos, não há qualquer restrição para apuração do crédito presumido sobre a revenda; defende que para a apuração do referido crédito presumido exigiase: (i) ser pessoa jurídica que produza mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; (ii) que as mercadorias fossem destinadas à exportação; (iii) que os créditos presumidos fossem apurados sobre as aquisições de bens classificados na posição 01.02 da NCM; e (iv) que tais bens fossem adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Acrescenta que, ademais, que no seu caso, não há simples revenda de mercadorias ao exterior. Pois os produtos classificados na posição 01.02 da NCM ("BOI VIVO") foram transformados em outros produtos derivados, tais como cortes in natura, sebo, aproveitamento de couro, dentre outros, devidamente destinados à exportação. Por fim, em relação aos créditos presumidos previstos no art. 34 da Lei nº 10.925/2004, diz que não merece prosperar o entendimento da fiscalização de que a requerente estaria enquadrada na hipótese de vedação do parágrafo 1º do referido dispositivo, eis que, supostamente, ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Nesse sentido alega: que industrializa outros produtos além daqueles descritos no parágrafo 1º do art. 34; que a apuração do crédito presumido nos termos acima é realizada pela requerente apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM), nos exatos termos exigidos no caput do art. 34, empregados em outros produtos que não aqueles listados nas 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM, tais como os produtos classificados nos códigos 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Despesas de aluguel com máquinas e equipamentos Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.136 12 Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os chamados "Caminhões Munck" ou "guindautos", não são somente veículos, mas máquinas com um guindaste acoplado utilizadas para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da requerente, sendo sua semelhança com um veículo tão somente funcional, qual seja, a capacidade de locomoção. E que o aluguel desses e de empilhadeiras elétricas e outros equipamentos utilizados nas atividades da requerente, está em estrita observância ao disposto no inciso IV, do art. 3º, da Lei n. 10833/2003; cita: "ALUGUEL EMPILHADEIRA ELÉTRICA" e ALUGUEL VEICULO CARGA", dentre outros. Despesas com armazenagem e frete nas operações de venda A Recorrente inicialmente aponta a precariedade do trabalho fiscal que glosou todos os gastos com serviços de frete, limitandose a alegar a ausência de vinculação entre as notas fiscais de venda e o conhecimento de transporte, quando, segundo alega, restou comprovado, pelos arquivos apresentados pela requerente no curso do procedimento fiscal, que efetivamente ocorreram dispêndios desta natureza geradores de crédito. Reclama que a alegação da Fiscalização foi no sentido de que não seria possível afirmar que os fretes em questão seriam efetivamente relacionados à venda de mercadorias. Mas que, além dos fretes de venda, tem direito a crédito em relação a fretes naaquisição de insumo e fretes de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da requerente. Aduz que apesar de restar consignado na informação fiscal que "não foram alterados os valores relativos à armazenagem", verificouse, pela análise das planilhas apresentadas pela fiscalização, glosas relativas a despesas incorridas a tal título. Defende, assim, que são indevidas as seguintes glosas: "SERVIÇO ARMAZENAGEM" (código do produto 808592), lançados na linha 7 do DACON ("despesas de armazenagem e fretes na operação de venda"); bem como, "MOVIMENTAÇÃO SEPARAÇÃO MERCADORIA SADIA" (código do produto 920999); "SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO)" (código do produto 810135); "SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET" (código do produto 918832); "SERVIÇO DE OPERADOR LOGÍSTICO" (código do produto 928863), lançados de forma equivocada nas linhas 2 e 3 do DACON; dentre outros. Direito à atualização do crédito postulado pela SELIC Com fundamento em julgados do STJ, a interessada defende que faz jus à atualização do crédito postulado, mediante remuneração pela taxa Selic. Inaplicabilidade da multa sobre os débitos compensados A contribuinte alega que, ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório, nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento – através de soluções de consulta ou de divergência, tal como das despesas relativas a fretes, peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos não poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa em virtude da não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos e nem ser aplicada a multa isolada. Aduz que agiu em cumprimento a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.137 13 das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Diante dos argumentos expendidos, a interessa requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformado o despacho decisório com o deferimento do pedido de ressarcimento formulado e a homologação das compensações vinculadas. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências, perícia e a juntada de documentos. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0736.510 foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Por expressa previsão legal, não cabe atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, passível de utilização através de desconto, compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE/ CERCEAMENTO DE DEFESA Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. MATÉRIA INCONTESTE. O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o contribuinte não se manifestou Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.138 14 expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, a glosa de crédito na parte relacionada a tal matéria. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS PAR REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.139 15 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Cofins ss aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Cofins, prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese de crédito prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, somente contempla alugueis “prédios, máquinas e equipamentos”, não se aplicando a alugueis “veículos”. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.140 16 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, em sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões, por meio das quais pretendeu robustecer os argumentos da fiscalização e da DRJ e requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.141 17 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Foi emitido Despacho Decisório (fls. 1.115 a 1.117), instruído por relatório titulado "Informação Fiscal" (fls. 1.067 a 1.114), por meio do qual foi indeferido o Pedido de Ressarcimento (PER) nº 36560.03972.290110.1.5.100843, no montante de R$ 4.622.855,38, em razão de glosa de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP, vinculados `a receita de exportação do 4° trimestre de 2009. Outrossim, não foram homologados seis Pedidos de Compensação (DCOMP fl. 1.116) no total de R$ 4.622.855,38, que redundou na lavratura de auto de infração para a cobrança de multa isolada, tratado no processo n° 11516.733510/201451, que encontrase na pauta para julgamento nesta reunião. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.127 a 1.189), julgada integralmente improcedente pela DRJ em Florianópolis (SC). Apresentou, então, recurso voluntário (fls. 1.307 a 1.432), essencialmente, com os mesmos argumentos. Enfrento a preliminar. Em seguida, apresento o conceito de insumos que adoto e os dispositivos das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Então, a partir de cada um dos tópicos da "Informação Fiscal", analiso os correspondentes argumentos de defesa. I) PRELIMINAR: "A NULIDADE DO TRABALHO FISCAL DECORRENTE DE INVESTIGAÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS QUE ENSEJARAM AS GLOSAS REALIZADAS" A recorrente alega que o auto de infração não foi devidamente motivado, pelo que deveria ser considerado nulo, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Em suma, a fiscalização não teria apresentado os motivos pelos quais teria glosado os créditos, limitandose a tecer alegações genéricas, o que teria impossibilitado o pleno exercício do direito de defesa. Transcrevo trechos da preliminar: Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.142 18 Ao compulsar os autos, ao contrário do que foi alegado pela recorrente, encontrei trabalho detalhado e adequadamente suportado. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.143 19 Com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, a fiscalização revisou o processo produtivo. E, à luz da legislação aplicável, listou uma séria de bens e serviços que, em seu entender, não davam direito a créditos e apontou os motivos correspondentes, tais como: por não se incluírem no conceito de insumos; cuja compra conferia direito a crédito presumido e não integral; ou cuja compra fora beneficiada com alíquota zero. Todas as compras de bens e serviços foram pormenorizadamente identificadas (nota fiscal, lançamento no Livro Registro de Entradas, ficha e linha do DACON), para fins da realização do exame de legitimidade. E as inadmitidas nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS foram incluídas, individualmente, em planilhas, por meio das quais encontrase o total glosado. Não resta dúvida, portanto, que o contribuinte dispunha de todos os elementos necessários ao pleno exercício dos direitos à ampla defesa e contraditório. Uma vez verificado que o auto de infração foi devidamente motivado e que foram cumpridos os requisitos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, nego provimento à preliminar de nulidade. II) MÉRITO II a) CONCEITO DE INSUMOS Inicio, trazendo o conceito de insumos que adoto e instrui os votos que profiro sobre o tema. Extraio trecho do Acórdão n° 3301002.966, de 17/05/2016, que é de minha autoria e, por mero acaso, referese a processo no qual o contribuinte em questão também estava envolvido: (. . .) Sob o regime da não cumulatividade, é admitido o cálculo e registro de créditos de PIS e COFINS sobre aquisição de bens e custos e despesas, a serem abatidos das contribuições devidas sobre vendas. O art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 dispõe sobre diversos tipos de crédito. Listo alguns, próprios de empresas industriais, como a Recorrente: Lei n° 10.833/03 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.144 20 b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (. . .) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (. . .) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (. . .)' Sobre o conceito de insumos, de suma importância para o processo em comento, transcrevo o § 4° do art. 8° da IN SRF n° 404/04: '(. . .) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (grifo nosso) Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.145 21 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.' O conceito de insumos ainda não está pacificado no âmbito do CARF e dos tribunais. Em decisão recente e muito importante, o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.246.317/MG, publicado em 29/06/2015) adotou um conceito de insumos mais amplo do que o da IN SRF n° 404/04, acima transcrita: '(. . .) Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n.10.637/2002, e art.3º, II, da Lei n. 10.833/2003, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (. . .)' Enquanto a IN SRF n° 404/04 limita o conceito de insumos a elementos aplicados diretamente no processo de produção ou prestação do serviço, o STJ ampliou. Podem ser considerados como tal os que forem imprescindíveis para a consecução do objetivo final. Ainda mais amplo é conceito de insumos do Dr. Marco Aurélio Greco, para o qual é possível calcular créditos de PIS e COFINS sobre todo o custo ou despesa que contribuir para a formação da receita: 'Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS, a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’ e não ‘produto’.' (MARCO AURELIO GRECCO “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen, São Paulo: IOB Thomsom, 2004) Por fim, em uma posição intermediária entre o entendimento do STJ e o do Dr. Marco Aurélio Greco, há o do Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, aposto no Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.146 22 Acórdão 9303003.079, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em sessão do dia 13/08/04: 'Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. (...) Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.' Entendo que o conceito de insumos trazido pela IN SRF n° 404/04, que assemelhase ao do IPI, é demasiadamente restrito e sua aplicação severa muitas vezes afronta a sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Também considero inapropriado que qualquer despesa ou custo possa gerar crédito, não obstante o fato de serem indiretamente computadas no preço final do produto, pois, do contrário, nenhum negócio seria econômica e financeiramente viável. E, se são computadas no preço de venda, naturalmente, sofrem incidência das contribuições. Se as leis de regência falam em processo fabril e de prestação de serviços, estabelecem, ainda que de forma precária, as áreas da empresa, cujos bens, custos e despesas podem gerar créditos. Assim, não podemos cogitar a possibilidade de calcular créditos, por exemplo, sobre despesas com material de escritório incorridas pelas gerências financeira e contábil de uma fábrica de sapatos ou de uma prestadora de serviços técnicos de engenharia. Em suma, repisando as palavras do Conselheiro Rodrigo C. Miranda e trecho da citada decisão do STJ, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, considero como insumo '(. . .) todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo (. . .)' e '(. . .) cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.'" Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.147 23 II b) "FICHA 6A LINHA 01 BENS PARA REVENDA" A fiscalização glosou créditos de PIS, calculados sobre compras de mercadorias classificadas na Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda do DACON, sob duas alegações: a compra fora tributada à alíquota zero; ou o bem não se enquadrava no conceito de insumo. A fiscalização cometeu uma falha, consignada na "Informação Fiscal", apontada pela recorrente em suas peças de defesa e também reconhecida pela DRJ: glosou valor classificado no DACON como "bens para revenda", alegando não se tratarem de "insumos". Contudo, veremos adiante que este lapso não implicou em prejuízo à construção da defesa, não tendo sido levantado pelo contribuinte qualquer argumento sobre possível nulidade do ato de glosa. Os valores glosados foram indicados nas seguintes planilhas preparadas pela fiscalização (nos autos, arquivos não pagináveis): a) "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota Zero". b) "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos". As glosas relativas a compras de produtos tributados à alíquota zero não forma contestadas. Quanto à planilha "NI", relativamente à "Ficha 6A Linha 01 Bens para Revenda" do DACON, verificase que houve tão somente uma glosa: compra de "Gás GLP Cilindro P20", em cuja nota fiscal constava o Código Fiscal de Operações (CFOP) 1102, concernente a "compras para comercialização". A DRJ ratificou o procedimento adotado pela fiscalização, pelo simples fato de que a recorrente não tinha em seu rol de atividades o da revenda de gás GLP. Foi apenas no recurso voluntário que a recorrente trouxe informações específicas sobre o produto. Afirma que era combustível para empilhadeiras utilizadas no setor de produção. Que classificou incorretamente na linha "bens para revenda" o correto seria na linha de "bens utilizados como insumo". E que era legítimo o crédito de PIS, pois que tratava se de insumo (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02). Citou ainda as Soluções de Consulta n° 11/11 e 520/04, que corroborariam com o seu entendimento. Concordaria com a recorrente, sem relutar, caso tivesse comprovado que era a proprietária da empilhadeira e que, por conseguinte, integrava o seu ativo imobilizado. Minha conclusão fundase em uma interpretação sistemática do art. 3 ° da Lei n° 10.637/02. O inciso II inclui, expressamente, combustíveis e lubrificantes no conceito de insumos "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (. . .)". O inciso IV admite créditos sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos". Como minha interpretação é a de que a lista de bens, custos e despesas provida pelo art. 3° é taxativa, aluguel de veículos não gera créditos de COFINS. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.148 24 Por fim, o inciso VI permite o cálculo de créditos sobre bens utilizados na produção, porém desde que sejam de propriedade da pessoa jurídica: "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços." Da análise conjunta dos incisos II, IV e VI, depreendo que os combustíveis e lubrificantes que o inciso II considera como insumo é aquele utilizado nos bens próprios, que são registrados no ativo imobilizado, e nas máquinas e equipamentos alugados. Não encontro sentido em admitir créditos sobre combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos locados, quando o custo com seu aluguel não é permitido. Assim, para que o valor da compra do gás GLP fosse acatado na base de cálculo dos créditos, a recorrente teria de ter apresentado evidências documentais de que as empilhadeiras em que foi aplicado eram de sua propriedade, o que não ocorreu. Agrava ainda mais a situação o fato de que a recorrente efetivamente incorreu em custos com aluguel de empilhadeiras, cujos créditos, inclusive, foram glosados e serão objetos de discussão em tópico seguinte. Com base no acima exposto, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. II c) "FICHA 6A LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS" Foram efetuadas glosas, em razão dos seguintes argumentos: a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". b) Aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero de COFINS, que não podem gerar crédito, de acordo com o art. 3º, § 2º da Lei n° 10.637/02. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha "NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero". c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito". d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. São compras de produtos de origem animal ou vegetal, que dão direito a crédito presumido e não integral, as quais indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". e) Notas Fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.149 25 Inicialmente, pontuo o seguinte: i) as glosas relativas a compras à alíquota zero (letra "b") e de serviços de fretes e carretos (letra "e"), sem identificação e CNPJ do fornecedor, não foram contestadas; e ii) nas planilhas "NI", "NT" e "CFOP", há aquisições de bens para revenda, indevidamente classificadas no DACON na linha destinada a insumos foram indicados nas respectivas notas fiscais os CFOP de "compras para comercialização" 1.102, 1.403 e 2.403. O segundo caso ("ii") citado no parágrafo precedente foi abordado pela recorrente, a qual contestou a glosa, com fundamento no inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02. Mencionou expressamente compras para revenda de "Batata Palito, Creme de Leite e Guaraná". Sobre o argumento da recorrente, a DRJ limitouse a analisar a compra do "Gás GLP Cilindro P20" e ratificar a glosa. A compra deste produto foi tratada no tópico anterior. O inciso I do art. 3° da Lei n° 10.637/02 autoriza o desconto de créditos de PIS em relação a "bens adquiridos para revenda", exceto os mencionados no inciso III do § 3o do art. 1o e nos §§ 1o e 1oA do art. 2° (alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 3°) e os não sujeitos à tributação pelo PIS (inciso II do § 2° do art. 3°). A recorrente adquiriu produtos de pessoas jurídicas e apontou nas respectivas notas fiscais tratarse de "compra para comercialização" (CFOP 1.102, 1.403 e 2.403). Observase, inclusive, nas cópias dos balancetes (fls. 655 a 1.031), que auferiu receita com revenda de bens. E a classificação fiscal indicada nas notas fiscais não foi contestada pela fiscalização. Assim sendo, acato os créditos das compras de pessoas jurídicas, em cuja nota fiscal restou consignado que era destinada à revenda, isto é, CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, incluídas nas planilhas "NI" e "CFOP", porém com as seguintes ressalvas: i) As compras para comercialização sujeitas à alíquota zero (planilha "NT") não dão direito a créditos, de acordo com o § 2º do art. 3ºda Lei nº 10.637/02. ii) A compra do "Gás GLP Cilindro P20", constante na planilha "NI", tratada no tópico anterior ("FICHA 6A BENS PARA REVENDA"). Por terem sido expressamente mencionados no recurso, destaco que admito os créditos sobre "Cremes de Leite" (planilha CFOP). Contudo, não reconheço os relativos aos produtos "Guaraná" e "batata palito". O guaraná consta na planilha "NT" como tributado à alíquota zero e a "batata palito" não foi adquirida sob CFOP de compra para comercialização, porém de "outras entradas" (3.949). Teria a recorrente de ter trazido elementos complementares que provassem que haviam sido realmente adquiridos para revenda. Por fim, registro que reputo irrelevante o fato de ter sido cometido erro na classificação dos valores no DACON indicou as compras para comercialização na linha de Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.150 26 "bens utilizados como insumos" ao invés de na linha "bens para revenda". Esta falha formal não tem o condão de impedir o creditamento autorizado por lei. Com base no acima exposto, dou provimento parcial, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos a bens adquiridos para revenda, cuja compra foi efetuada sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero. Passo à análise das demais glosas, listas nas letras "a", "c" e "d" do primeiro parágrafo deste tópico as glosas da letra "b" não foram contestadas. "a) Aquisições de bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, tais como PALLET, REFEIÇÃO, LANCHE, OUTROS SERVIÇOS, GÁS ARGÔNIO e PLATAFORMA MÓVEL. Cada uma das notas fiscais glosadas encontrase na planilha "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos." "c) Notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito. Cada uma das notas fiscais glosadas está na planilha 'CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito'." Antes de adentrar na análise de cada um dos subtópicos acima listados, consigno que a recorrente fez em suas peças de defesa detalhada descrição do processo produtivo de cada uma de suas áreas de negócio. E robusteceua, com dois laudos técnicos independentes: o "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, que emitiu "Declaração de Validação"; e o "Relatório Descritivo Lactalis e a Planilha Itens Lactalis", preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Ital. A fiscalização glosou créditos oriundos da compra de um grande número de produtos, por entender que não se enquadravam no conceito de insumos e os indicou nas planilhas "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam aquisição de insumos" e "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". A DRJ ratificou a conduta da autuante. Em seu recurso, primeiramente, a recorrente alega, de forma genérica, que todos os produtos listados pelo Fisco são insumos e, assim, poderiam gerar créditos. E, em seguida, apresenta alegações específicas sobre determinadas glosas. Nos termos dos artigos 15 ao 17 do Decreto n° 70.235/72, enfrentarei tão somente os argumentos que disserem respeito a tipos específicos de compras de produtos ou serviços, cujos créditos de COFINS tenham sido glosados. Além, naturalmente, da Lei n° 10.833/03, apoiarmeei nos citados laudos técnicos. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.151 27 "Pallets" Com fulcro na descrição de seu processo industrial, sustenta a recorrente que os pallets são utilizados nas diversas etapas do processo produtivo, para a movimentação das matériasprimas, produtos intermediários e produtos acabados. Evitam o contato com o solo, diminuindo o risco de contaminação e preservando suas integridade e qualidade. Menciona o Acórdão n° 3403002386, de 25/07/13. De acordo com o laudo técnico, são também utilizados como embalagem de produtos acabados. Em razão do fim a que se destinam, entendo que enquadramse no conceito de insumos, tanto os pallets aplicados para proteger as mercadorias, quanto os utilizados como embalagem do produto final (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02). Portanto, voto pelo provimento dos argumentos. "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes" A fiscalização e a DRJ glosaram os valores relacionados aos itens em epígrafe, por falta de comprovação de que foram aplicados no processo industrial. A recorrente alegou que todos os itens classificados no DACON na "Ficha 6A Bens utilizados como insumos" são realmente os legalmente classificáveis como insumos. Citou o "Dedo de Borracha A 50", aplicado na manutenção de depenadeiras. Os lubrificantes "Óleos de Mamona WS786" e o "Óleo Hydrodrive HP 68 Houghton". O combustível de caldeiras "Óleo Diesel Aditivado". E, por fim, o "Acoplamento de Borracha", que evita rachaduras ou trincas em partes metálicas das máquinas. Não obstante concordar com a recorrente, no plano conceitual, da leitura dos autos, notadamente, do laudo técnico acostado, não é possível afirmar estarmos diante de bens comprovadamente enquadrados no conceito de insumos, exceto quanto ao item "Dedo de Borracha A 50", o qual foi expressamente mencionado no laudo técnico como parte integrante de depenadeiras no setor de frangos. A Recorrente teria de ter carreado aos autos uma correlação entre as partes e peças de reposição e os gastos com combustíveis e lubrificantes e as máquinas e equipamentos que encontramse no laudo técnico, indicando os lançamentos dos valores em contas contábeis de custos de produção "Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios." (art. 226 da Lei n° 10.406/02 Código Civil). Isto posto, dou provimento parcial, reconhecendo créditos exclusivamente em relação aos créditos derivados de compras do bem "Dedo de Borracha A 50". "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool" A fiscalização e a DRJ entenderam os produtos em epígrafe não se enquadravam no conceito de insumo e, portanto, não conferiam direito a créditos de COFINS. Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.152 28 A recorrente apresentou as seguintes explicações: A leitura das explicações da recorrente e do laudo técnico "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", formalmente ratificado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, por meio sa "Declaração de Validação", nos autos, às fls. 1.487 e 1.488 a 2.031, respectivamente não deixa dúvidas de que os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e amônia anidra enquadramse como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02) e devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de PIS. Sobre os demais, cujos créditos não acato: não encontrei o produto "griller" nas planilhas de glosas; não foram trazidas provas de que o "gás argônio" foi aplicado em soldas na área industrial; e o "desinfetante ortozool" era tributado à alíquota zero (vedação ao crédito no §2º do art. 3ºda Lei nº 10.637/02). Portanto, dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e amônia anidra. "d) Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS. " Este subtópico cuida de glosas de créditos integrais sobre compras de produtos de origem animal ou vegetal, que, segundo a fiscalização e a DRJ, davam tão somente direito a crédito presumido e foram indicadas na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória." A fiscalização glosou créditos de COFINS derivados de compras de cooperativas ou pessoas físicas de leite in natura e outros produtos agropecuários animal ou vegetal, que gozavam de suspensão da incidência da COFINS e conferiam direito a crédito presumido e não integral, nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04. A recorrente contraargumentou, alegando que os produtos cujos créditos foram glosados não gozavam da referida suspensão, notadamente o leite in natura. Ressalta Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.153 29 que não havia menção quanto à suspensão nas notas fiscais, não se lhe cabendo fazer contraprova das informações prestadas pelo vendedor. Reproduzo os artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. [...] Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.154 30 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" Não tenho reparos à decisão recorrida, da qual extraio trecho e dele faço minha razão de decidir: "Em análise à listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória, verificase que a alegação da interessada não se confirma, pois, tendo em conta a descrição do processo produtivo da empresa e as descrições dos itens glosados, verificase que estes consistem de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, enquadrandose, portanto na hipótese de suspensão prevista no inciso III do art. 9º da Lei nº 10.925/2004. Os itens listados referemse a mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos: 2 carnes e miudezas, comestíveis, exceto os produtos vivos desse capítulo; 4 – leite e lacticínios, ovos de aves, mel natural, produtos comestíveis; 15 – gorduras e óleos animais ou vegetais, produtos da sua dissociação; 16 – preparação de carne. Em relação ao leite, configurase a hipótese de suspensão prevista no inciso II do art. 9º da Lei nº 10.925/2004: os produtos descritos como LEITE CRU REFRIGERADO TIPO C, utilizados como insumo no processo produtivo do leite e seus derivados, foram adquiridos de pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, no caso, pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso, a empresa Lacticínios Tirol Ltda, CNPJ 83.011.247/001293 (https://www.infoplex.com.br), e a Cooperativa Mista Tucunduva Ltda, CNPJ 98.244.577/001620 (http://empresasdobrasil.com). Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para a Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Na execução do acórdão, a unidade de origem deve reconhecer o direito ao crédito presumido, previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.155 31 III) FICHA 6A LINHA 03 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS Foram glosados valores classificados na Ficha 6A linha 03, por não se tratar de serviços que pudessem ser enquadrados como insumos. As notas fiscais glosadas encontramse nas planilhas "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito" e "NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos". A DRJ ratificou o entendimento da autuante. Consta na "Informação Fiscal" que, dentre as glosas, "encontramse SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSAO". Vamos aos argumentos de defesa contidos no recurso voluntário. "Serviços utilizados como insumos" A recorrente elenca como passíveis de inclusão na base de cálculo dos créditos os seguintes serviços: i) repaletização e reforma de pallets; ii) serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento); iii) serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção; e iv) serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção. Em tópico anterior, manifesteime favoravelmente aos créditos sobre compras de pallets, por têlos como insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02). Como os serviços de repaletização e reforma de pallets têm como objetivo os de recolocar pallets em condições de uso, os custos correspondentes devem ser considerados como partes integrantes dos custos com os pallets. Assim, tal qual o custo original com a compra dos pallets, os citados serviços também devem ser admitidos como insumos e, por conseguinte, na base de cálculo dos créditos. Em relação à aplicação de strecht, reconheço os créditos correspondentes, pois, tal qual o pallet, é utilizado para proteger o alimento de contaminações. Sobre os serviços de carga e descarga, consta a seguinte descrição na planilha de glosas: "carga e descarga (transbordo)". De acordo com a obra "Vocabulário Jurídico" ( De Plácido e Silva Ed. Forense Rio de Janeiro, 2004), "transbordo", em direito comercial marítimo, significa "transferência da carga de um navio para o outro" ou, em um sentido mais genérico, "qualquer espécie de transpasse de cargas de um veículo para o outro". Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.156 32 Pelo número de notas fiscais listadas, a natureza do gasto e ser o contribuinte empresa importadora e exportadora de MP e PA, reputo que podemos concluir, sem exigir elementos complementares de prova, tratarse de carga e descarga de MP e PA. E vejo a carga e descarga como atividades imprescindíveis e, por isto, inseparáveis dos serviços de frete e armazenagem, cujos custos são admitidos na base de cálculo dos créditos, a saber: na compra de MP, como integrante do custo de aquisição (art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/99) e, portanto, como insumo (inc. II do art. 3° da Lei n° 10.833/03); na venda de PA, como parte dos custos com transporte, abrigados pelo inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.637/02 (frete na operação de venda). Desta forma, admito os créditos de PIS sobre custos com carga e descarga "transbordo". Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. Com efeito, as depreciações de máquinas e equipamentos industriais são admitidas na base de cálculo dos créditos (inciso VI c/c inciso III do § 1° do art. 3° da Lei n° 10.637/02). Nesta linha, os custos com manutenção e montagem, incorporados ao custo do bem, para fins de depreciação, ou, no caso da manutenção, circunstancialmente lançados diretamente em conta de resultado do exercício, devem ser admitidos, por imprescindível ao seu pleno funcionamento. O próprio Fisco já se pronunciou neste sentido, inclusive na Solução de Consulta n° 11/11 mencionada pela recorrente. Em suma, dou provimento parcial, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e negando os referentes aos serviços montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de que estavam relacionados ao processo industrial. "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais" A fiscalização glosou os serviços e produtos em epígrafe, por entender não serem insumos. A DRJ ratificou. A recorrente discorreu acerca da necessidade de manter em constante funcionamento processos de desinfecção de ambientes, recipientes, máquinas e indumentária especial, utilizada pelos profissionais que têm contato com os alimentos. E da importância de análises laboratoriais, comprovando que os alimentos estão em perfeitas condições para o consumo. Citou alguns produtos utilizados para tais fins, como vestimentas e material de proteção, facas e brincos de marcação para suínos e o processo "carimbagem", que identifica as carnes liberadas para consumo e as rejeitadas. Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.157 33 E mencionou normas das autoridades sanitárias, contendo inúmeras exigências. Ao fim do laudo técnico, no "Capítulo 13 SIF (Sistema de Inspeção Federal), há detalhada explicação acerca dos procedimentos adotados para preservação da integridade dos produtos alimentícios. A meu ver, ainda que não fossem requeridos pelas autoridades sanitárias, indubitavelmente deveriam ser tidos como insumos, pois guardam íntima e indissociável relação com a preparação do produto e a preservação de sua integridade. Vale mencionar que há vários precedentes no CARF neste sentido, tais como, os Acórdãos n° 3802001619, de 28/02/13, e 9303004.382, de 07/04/17. Desta forma, todos os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos de PIS, na qualidade de insumos (inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02). Dada a natureza específica dos produtos tratados no tópico e sua explícita conexão com o processo produtivo, não vejo motivo para que fossem exigidos evidências documentais complementares acerca de sua aplicação na atividade industrial. Novamente faço ressalva aos produtos tratados no presente tópico, cujas compras foram beneficiadas com a incidência à alíquota zero e que, por este motivo, não dão direito a créditos (§2º do art. 3ºda Lei nº 10.637/02). IV) FICHA 6A LINHA 06 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com a planilha de glosas "NI", em relação à linha 06, foram glosadas notas fiscais contendo as seguintes descrições: i) "SERVICO DE LOCACAO E MANUTENCAO SOFTWARE" ii) "ALUGUEL VEICULO CARGA" iii) "SERVICO LOCACAO DE PROJETOR MULTI MIDIA" iv) "ALUGUEL PALCO EVENTOS" Segundo a fiscalização, não foi atendido o disposto no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.637/02, que permite o creditamento somente sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". A DRJ ratificou o procedimento fiscal, destacando que, para fins fiscais, não se pode considerar que os veículos estejam inseridos no conceito de máquinas e equipamentos. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga". Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.158 34 Informa que são imprescindíveis ao processo produtivo, pois são empilhadeiras para deslocamento interno de MP, PI e PA e "caminhões munck", usado para transporte de materiais pesados. Apresentou duas notas fiscais, como exemplos de compras destes itens. Protesta contra a decisão recorrida, acusandoa de alterar o fundamento da acusação, quando esta dispôs que o aluguel de veículos não se encontra no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.637/02, pois não estão compreendidos no rol das máquinas e equipamentos. Não obstante, contesta tal argumento, aprofundandose no estudo do significado do vocábulo máquinas. Conclui que abrangeria veículos. Entendo que a DRJ não inovou, porém justificou o posicionamento da fiscalização, com o qual, inclusive, estou de pleno acordo. Não obstante quaisquer digressões semânticas acerca dos vocábulos "máquinas" e "veículos", que eventualmente pudessem levar à conclusão de que o segundo é espécie e o primeiro gênero, tradicionalmente, a legislação dispõe sobre os aspectos fiscais relacionados a veículos e máquinas de forma absolutamente distinta. E foi isto que a DRJ, com muita propriedade, demonstrou, citando diversos exemplos, dentre os quais repiso os seguintes: i) o caput do art. 1° da Lei n° 10.485/02: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos (. . .)." ii) incisos III dos art. 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: " no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos (. . .)." Desta forma, não obstante reconhecer a imprescindibilidade dos citados veículos à operação do contribuinte, mais uma vez expresso que considero que o art. 3° traz uma lista taxativa de hipóteses de tomada de créditos, não podendo o intérprete ampliála. Assim, nego provimento aos argumentos. V) "FICHA 6A LINHA 07 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA" A fiscalização glosou despesas com fretes, indicando as respectivas notas fiscais na planilha "FVNC Fretes de Vendas não Comprovados", e com armazenagem, na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". Em ambos os casos, as glosas ocorreram, porque, apesar de intimada e reintimada, a recorrente não relacionou as notas fiscais de fretes e armazenagem às Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.159 35 correspondentes operações de venda, o que satisfaria o previsto no inciso IX da Lei n° 10.637/02: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .)" A DRJ ratificou a conclusão da autuante. Em suas peças de defesa, a recorrente alega que apresentou arquivos, contendo notas fiscais, com número, série, data, fornecedor, CNPJ, valor do frete, código da empresa e CFOP da operação. E apresenta extensa argumentação em defesa dos créditos calculados sobre armazenagem e fretes em operações de compra de insumos, venda de produtos acabados e deslocamentos entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados. Não obstante concordar com todos os argumentos de defesa relacionados à interpretação e aplicação do dispositivo legal que permite o desconto de créditos de PIS sobre armazenagem e fretes, de fato, a recorrente não conciliou os valores computados na base de cálculo de créditos de PIS com as correspondentes notas fiscais de venda. Diante disto, não há alternativa que não a de negar provimento. VI) "FICHA 6A CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA LINHA 25 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM ANIMAL E LINHA 26 CALCULADOS SOBRE INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL" Neste tópico, há glosas de valores computados em bases de cálculo e alterações de alíquotas de créditos presumidos previstos nos artigos 8° da Lei n° 10.925/04 e 33 e 34 da Lei n° 12.058/09. VI a) Artigo 8° da Lei n° 10.925/04 A controvérsia gira em torno do cálculo do crédito presumido sobre insumos aplicados na produção de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04. A fiscalização e DRJ entendem que o percentual (incisos I ao II do § 3°) a ser aplicado deve ser determinado com base na classificação na TIPI do insumo. A Recorrente, por sua vez, na posição da TIPI do produto final no qual o insumo é aplicado. A recorrente adotou o percentual do inciso I do § 3° (60% das alíquotas regulares) para todos os insumos. A fiscalização, sobre parte dos insumos (ex: soja e Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.160 36 derivados), aplicou os percentuais de 50% e 35%, previstos nos incisos II e III do § 3° (ex: soja e derivados). Concordo com a interpretação da recorrente. Assim dispõem os artigos 8° da Lei n° 10.925/04, na redação vigente à época, e o 33 da Lei n° 12.865/13: Lei n° 10.925/04 "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: (. . .) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e ( Redação dada pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , para os demais produtos. (Renumerado pela Lei n o 11.488, de 15 de junho de 2007 ) (. . .)" (g.n.) Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.161 37 Lei n° 12.865/13 "Art. 33. O art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, passa a vigorar com as seguintes alterações: (. . .) § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” (g.n.) Realmente, a redação dos incisos I ao III do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 enseja dúvidas. Mas, com a edição da Lei n° 12.865/13, a controvérsia terminou. O percentual de 60% previsto no inciso I deve ser determinado, de acordo com a classificação na TIPI do produto no qual o insumo é aplicado. E seus efeitos são efeitos são retroativos, abrangendo o caso em tela anocalendário de 2009 em razão do art. 106 do CTN: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (. . .)" Assim, voto pelo provimento das alegações da Recorrente. O percentual a ser aplicado sobre as compras de insumos, para cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado com base na posição da TIPI do produto final em que foram empregados. VI b) Artigo 33 da Lei n° 12.058/09 A fiscalização reconheceu que a recorrente fazia jus ao crédito presumido previsto no dispositivo em epígrafe, no tocante aos insumos classificados na NCM 01.02 e aplicados na produção para exportação dos produtos classificados nas posições listadas no caput do artigo. Contudo, glosou os créditos calculados, quando verificou que a mercadoria foi comprada para revenda e não para emprego em processo industrial. Dispõe o art. 33 da Lei n° 12.058/09 (redação então vigente): "Art. 33. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens classificados na posição 01.02 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.' Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.162 38 § 1o O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. (. . .) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003." (g.n.) Em sua defesa, a recorrente aduziu que impedir a tomada de créditos presumidos sobre os produtos adquiridos para a revenda é impor restrição à fruição do benefício que contraria o objetivo perseguido pelo legislador, quando de sua instituição, e previsto no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, qual seja, o de desonerar as exportações. Não vejo controvérsia na interpretação do caput do art. 33 da Lei n° 12.058/09, a qual deve ser restrita, por se tratar de benefício fiscal. Como dispõe que o direito é conferido às "pessoa jurídicas (. . .) que produzam mercadorias classificadas nos códigos (. . .)", o crédito presumido somente pode ser calculado sobre as mercadorias da posição 01.02, quando adquiridas para utilização como insumo de processo industrial. Quando forem adquiridas para revenda, não haverá direito ao crédito presumido do art. 33 da Lei n° 12.058/09. Assim, nego provimento. VI c) Artigo 34 da Lei n° 12.058/09 Inicio, transcrevendo os artigos 32 e 34 da Lei n° 12.058/09: "Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: (...) II produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a consumidor final; II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.163 39 (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda as mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM poderá descontar da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 1º É vedada a apuração do crédito de que trata o caput deste artigo nas aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do caput do art. 32 desta Lei." (g.n.) A fiscalização constatou que a recorrente adquiriu insumos classificados na posição 01.02 e produziu produtos classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90 e 02.02.30.90. Com isto, fica impedida de registrar os créditos presumidos, nos termos do § 1° do art. 33 c/c o inciso II do caput do art. 32. A recorrente, por seu turno, alegou o seguinte: Não assiste razão à recorrente. Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.164 40 E para justificar meu posicionamento, adoto os argumentos da DRJ, de cujo Acórdão extraio o trecho correspondente: "(. . .) Com o regramento estabelecido pelo art. 32, II, da Lei nº 12.058/2009, o legislador desonerou a cadeia econômica de produtos derivados de carne bovina dos custos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, prevendo a suspensão no pagamento desses tributos na linha produtiva e comercial desses bens, desde que atendidas certas condições. Do exame do texto legal acima, verificase que a suspensão das contribuições era para as operações de vendas de bens classificados nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30, realizadas por pessoa jurídica que os produzisse a partir da industrialização dos bens (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM (bovinos vivos, carnes bovinas frescas, refrigeradas ou congeladas). Já o art. 34 da Lei nº 12.058/2009, em sua redação original, tratava do direito de a pessoa jurídica, sujeita ao lucro real, a descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas no período crédito presumido apurado a partir dos valores das aquisições de bens destinados à industrialização (insumo) ou revenda, ocorridas no mercado interno e realizadas com suspensão da Contribuição para o PIS e da Cofins, dos bens classificados nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM. Entretanto, a apuração de tal crédito, por força do disposto no § 1º desse mesmo artigo, é vedada para aquisições realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no inciso II do art. 32 da Lei nº 12.058/2009; ou seja, as pessoas jurídicas que industrializem bens e produtos (insumos) classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Ou seja, nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real faz jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitem a esta mesma suspensão. No caso presente, verificase que a fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236 (fls. 127 a136), a prestar, dentre outras informações, a relação dos produtos fabricados e/ou industrializados. Com base na informação prestada, a Fiscalização apurou que a empresa adquiriu bens classificados na posição 01.02 (insumo) e comercializou bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90 e, assim, concluiu que esta não faz jus ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058/2009, como segue: Com relação ao crédito presumido previsto no art. 34 da citada Lei nº 12.058, a contribuinte não faz jus, por conta da exclusão prevista no §1º do mesmo art. 34, uma vez que a empresa industrializava bens e produtos com insumos classificados na posição 01.02 e produzia bens classificados nas posições 02.01.30.00, 02.02.20.90, 02.02.30.90, conforme informações prestadas na resposta ao item 03 do Termo de Intimação Fiscal nº 002/00236. Foi confirmado através de pesquisa nas notas fiscais informadas como resposta ao item 22 do citado Termo de Intimação 002/00236 que houve compras de bens classificados na posição 01.02 e Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.165 41 que houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009. Assim é que não procede a tese da interessada de que tal vedação não se aplica ao seu caso, com base no argumento de que apura crédito “apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM)” os quais, segundo afirma, utiliza não só na produção de produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02, mas também nas de produtos classificados nas posições 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Notese que ao contrário do que alega a Recorrente, o direito ao crédito previsto no artigo 34 não foi afastado em razão de a Fiscalização entender que “ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM”. Destarte, a Fiscalização não faz essa limitação, apenas informa que verificou, a partir das informações prestadas pela interessada, que “houve vendas das posições 02.01 e 02.02 no período de novembro e dezembro de 2009”. Fato, salientese, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Na verdade o direito ao crédito foi afastado por restar configurada, no caso concreto, a hipótese de vedação prevista no parágrafo 1º do referido artigo, qual seja, a utilização dos bens adquiridos, classificados nas posições listadas no caput do art. 34, na produção dos bens listados no inciso II do caput do art. 32 da mesma lei, no caso, bens classificados na posição 01.02, 02.01 e 02.02. Fato, salientese novamente, expressamente confirmado pela interessada em sua Manifestação de Inconformidade. Diante do exposto, mantémse a glosa." Nego provimento aos argumentos contidos no presente tópico. VII) "O DIREITO À ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POSTULADO PELA SELIC" A recorrente pleiteia o acréscimo de juros Selic aos saldos de créditos de COFINS acumulados, "seja em razão das ilegalidades contidas nas instruções normativas que disciplinam a não cumulatividade das contribuições para o PIS e COFINS, quando tratam do conceito de insumo, seja em virtude da mora na apreciação do pleito de ressarcimento, ocasionada, sobretudo, em decorrência das inúmeras barreiras impostas pela fiscalização ao aproveitamento de crédito"." Fundamenta seu pedido na Súmula do STJ n° 411 e no REsp 1.035.847/RS, submetido ao rito dos recursos repetitivos, que admitiram o cômputo de juros Selic em saldo credor de IPI, quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Citou o Acórdão CARF n° 3402002.003, de 03/05/2013, em que foi admitido o acréscimo de juros Selic a crédito de IPI, em virtude da demora na análise do pedido de ressarcimento, posicionamento que encontraria respaldo em outras decisões do STJ, tal qual no REsp 1129435/PR. Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.166 42 Reproduzo a ementa do REsp 1.035.847/RS, ao qual as decisões deste colegiado estão vinculadas, por força do § 2° do art. 62 da Portaria MF n° 343/15 (RICARF): "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR , Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS , Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR , Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS , Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (g.n.) A meu ver, a decisão vinculante do STJ não se aplica ao caso em tela. Não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade do PIS e, por conseguinte, ao registro e utilização de créditos. O crédito foi lançado no cotejo periódico entre débitos e créditos. Não utilizado em sua totalidade, foi objeto de apresentação de Pedido de Compensação (DCOMP), vinculado a Pedido de Ressarcimento (PER), os quais já não dependiam de anuência prévia do Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.167 43 Fisco para produzirem o efeito fiscal de extinção do crédito tributário, sujeita a ulterior homologação. Isto posto, e também diante da ausência de previsão legal acerca da incidência de juros Selic sobre créditos escriturais de PIS, nego provimento aos argumentos contidos neste tópico. VIII) "INAPLICABILIDADE DA MULTA DE MORA SOBRE OS DÉBITOS COMPENSADOS, VISTO QUE A RECORRENTE AGIU EM OBSERVÂNCIA AO ENTENDIMENTO DO PRÓPRIO FISCO" IX) "DA INAPLICABILIDADE DA MULTA MORATÓRIA DIANTE DA IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA PUNIÇÃO DO MESMO FATO" A recorrente alegou que registrou créditos de PIS em consonância com diversos pronunciamentos formais do Fisco. Assim, eventual glosa não poderia acarretar na cobrança de multa de mora e juros, calculados sobre os débitos que foram liquidados por meio das compensações não homologadas. Pelo mesmo motivo, não poderiam ser exigidas multas isoladas, por não homologação de DCOMP. Fundamenta seus pleitos no art. 100 do CTN e na alínea "a" do inciso II do art. 76 da Lei n° 4.502/64. Por fim, alegou que as cobranças da citadas multa moratória e multa isolada por não homologação de DCOMP configurarseiam como aplicação de duas punições distintas sobre um mesmo fato, o que vem sendo rechaçado pelo CARF e a doutrina. Tal qual a DRJ, não conheço dos argumentos, posto que tais matérias não integram o presente litígio. X) "DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS" Ao fim de seu recurso, protestou pela realização de diligência ou perícia. Nego o pedido, posto que os autos contêm os elementos necessários para a formação da convicção dos julgadores. Saliento que diligências não são destinadas a produção de provas que deveriam ter sido carreadas aos autos nos momentos processuais devidos. Cumpre também destacar, não obstante o mencionado no parágrafo anterior, que não foram cumpridos os requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto n° Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.168 44 70.235/72 apresentação dos motivos e quesitos e, no caso de perícia, nomeação do perito responsável. CONCLUSÃO Em suma, dou provimento parcial ao recurso voluntário. Abaixo, indico o voto para cada um dos tópicos acima tratados: I) "Preliminar": nego provimento à preliminar de nulidade. II b) "Bens para revenda Gás GLP Cilindro P 20": nego provimento. II c) "Bens utilizados como insumos": dou provimento parcial, admitindo os créditos sobre as compras para revenda sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, indevidamente classificadas na linha 2 da Ficha 6A do DACON, exceto em relação aos produtos tributados à alíquota zero e ao "Gás GLP Cilindro P 20", tratado no tópico anterior. II c) "Pallets": dou provimento. II c) "Partes, peças de reposição, combustíveis e lubrificantes": dou provimento parcial, reconhecendo créditos exclusivamente sobre as copras de "Dedo de Borracha A 50". II c) "Outros itens: gás argônio, dicoflenaco sódico injetável, plasma sanguíneo ultrafiltrado, griller, amônia anidra e desinfetante ortozool": dou provimento parcial, admitindo créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e amônia anidra. II c) "Notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de COFINS": nego provimento aos argumentos que combatiam a glosa dos créditos integrais, calculados sobre os produtos listados na planilha " SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória". Não obstante, na execução do acórdão, a unidade de origem deve reconhecer o direito ao crédito presumido, previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/04. III) "Serviços utilizados como insumos": "repaletização e reforma de pallets": dou provimento. "serviços de aplicação de strecht (filme plástico que envolve o pallet e contribui com a preservação do alimento)": dou provimento. "serviços de carga e descarga de matériaprima, produtos intermediários e produtos acabados, quando transportados do fornecedor até seu estabelecimento, de sua fábrica até o cliente e também entre seus estabelecimentos, durante a fase de produção": dou provimento. "serviços de montagem e manutenção de equipamentos usados na produção": nego provimento. Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10983.911352/201191 Acórdão n.º 3301004.056 S3C3T1 Fl. 2.169 45 III) "Serviços e produtos decorrentes de exigências legais": dou provimento. IV) "Aluguel de veículos de carga": nego provimento. V) "Despesas com armazenagem e fretes na operação de venda": nego provimento. VI a) "Crédito presumido da agroindústria artigo 8° da Lei n° 10.925/04": dou provimento, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo dos créditos presumidos previstos no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado. VI b) "Crédito presumido da agroindústria artigo 33 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VI c) "Crédito presumido da agroindústria artigo 34 da Lei n° 12.058/09": nego provimento. VII) "O direito à atualização do crédito postulado pela Selic": nego provimento. VIII) "Inaplicabilidade da multa de mora sobre os débitos compensados, visto que a recorrente agiu em observância ao entendimento do próprio fisco": não conheço dos argumentos. IX) "Da inaplicabilidade da multa moratória diante da impossibilidade de dupla punição do mesmo fato": não conheço dos argumentos. X) "Diligências e perícias": nego provimento. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2169DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.727981/2014-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL.
A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação.
LUCRO REAL. APURAÇÃO. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
É improcedente o lançamento fiscal por ausência de adição de valores na apuração do Lucro Real, quando não especificada qual a parcela que deixou de ser adicionada ao lucro líquido do período.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de COFINS que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de Contribuição ao PIS/PASEP que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1302-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação. LUCRO REAL. APURAÇÃO. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É improcedente o lançamento fiscal por ausência de adição de valores na apuração do Lucro Real, quando não especificada qual a parcela que deixou de ser adicionada ao lucro líquido do período. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de COFINS que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de Contribuição ao PIS/PASEP que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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ATIVO FISCAL DIFERIDO. PREJUÍZO FISCAL. Recorrente UNIALCO SA ALCOOL E ACUCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DÉBITOS INCLUÍDOS NO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI Nº 11.941, DE 2009. LIQUIDAÇÃO DE JUROS DE MORA COM UTILIZAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. INEXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. A natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. A Lei nº 11.941/09 em nada alterou a regulamentação deste crédito, apenas e tão somente ampliou as alternativas de utilização do crédito para liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS da Crise. Inexiste acréscimo patrimonial na hipótese de redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), ocorrendo apenas um encontro de contas, uma compensação. LUCRO REAL. APURAÇÃO. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. É improcedente o lançamento fiscal por ausência de adição de valores na apuração do Lucro Real, quando não especificada qual a parcela que deixou de ser adicionada ao lucro líquido do período. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de CSLL que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 79 81 /2 01 4- 60 Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 967 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de COFINS que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de Contribuição ao PIS/PASEP que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares, e no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Ester Marques Lins de Sousa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 968 3 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 874 a 919), interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão 0267.342, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (fls. 841 a 865), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação por ele apresentada em relação aos Autos de Infração de fls. 589 a 616. A decisão recorrida foi assim ementada: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 APURAÇÃO DO PIS. A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 APURAÇÃO DA COFINS. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 PREJUÍZO FISCAL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. RECEITA A utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas para quitação de um débito, ao representar a redução de um passivo com conseqüente aumento de patrimônio, referese a uma receita conforme resolução CFC n° 1.121/08 e Resolução CFC n° 1.374/11 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 969 4 Efetuase de ofício o lançamento quando o sujeito passivo fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Os autos de infração lavrados contra a Recorrente se voltam à exigência de IIRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, relativos ao anocalendário de 2009, no montante total de R$ 25.461.775,88, atualizado até 11/2014. O Termo de Constatação e Verificação Fiscal de fls. 530 a 557 registra a apuração das seguintes infrações: 1. Adição não computada na apuração do Lucro Real; 2. Omissão de receita receita não contabilizada; 3. Falta de recolhimento do IRPJ e CSLL, com base em balanço de redução ou suspensão. O mesmo Termo detalha a apuração das infrações do seguinte modo: "II DOS FATOS E LANÇAMENTOS CONTÁBEIS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE Inicialmente devese mencionar que os fatos relatados neste termo estão relacionados preliminarmente às verificações, no âmbito da ação fiscal, efetuadas em relação ao valor de R$ 101.361.708,50, informado na linha 69 da ficha 09 da DIPJ 2010/2009 a título de "Outras Exclusões"; estendendose, posteriormente, para as exclusões e adições que o contribuinte entendeu necessárias para determinar o lucro real do ano base de 2009, no que diz respeito aos ajustes relacionados à sua adesão ao parcelamento instituído pela Lei 11941/2009 e, finalmente, concentrandose especificamente nas adições e exclusões derivadas dos efeitos do parcelamento de débitos decorrentes de compensações indevidas de crédito prêmio de IPI e créditos sobre insumos (alíquota zero). Assim sendo, para este específico fim, o contribuinte informou, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação N° 7, que excluiu os seguintes valores do lucro líquido na apuração do lucro real do ano de 2009: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Estorno de Provisões Indedutíveis Multa IPI 162.509,85 Reversão provisão contingência Crédito IPI 42.362.270,40 Reversão provisão contingência Crédito IPI 39.100.148,11 Estorno multa REFIS III 11.218.393,31 TOTAL 92.843.021,67 Por meio das respostas e respectivos anexos apresentados pelo contribuinte aos Termos de Constatação e Intimação N°(s) 12 e 16, pela apresentação dos LALUR (s) dos anos de 2007 a 2009 e Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 970 5 através dos arquivos "SPED Contábil" referentes ao ano de 2009, passamos a relatar os fatos e demonstrar os lançamentos contábeis efetuados pelo contribuinte decorrentes dos mesmos, assim como do respectivo tratamento fiscal adotado. Segundo relato do contribuinte, a UNIALCO teria apurado Crédito Prêmio de IPI, durante os anos de 1997 a 2003, conforme Decreto N° 491 de 05 de março de 1969, no montante total de R$ 31.570.947,78. Além dos valores citados acima, relata também que a UNIALCO reconheceu ao longo dos anos créditos de IPI calculados sobre aquisição de matériaprima e demais produtos tributados à alíquota zero e não tributáveis, cujo montante totalizou R$ 21.216.561,96. Este montante foi reconhecido contabilmente em março de 2007, através dos seguintes lançamentos: D Conta 1.1.2.06.112 IPI a Recuperar (ativo) C Conta 3.1.7.01.116 Crédito de IPI (resultado) Os créditos apurados foram compensados com os diversos impostos administrados pela Receita Federal do Brasil através de PERDCOMP. Ao mesmo tempo a empresa constituiu provisão para contingência sobre os valores de crédito de IPI (Contas n° 2.2.1.02.217 Provisão Crédito Prêmio e 2.2.1.02.218 Provisão Crédito de IPI Insumos), tendo em vista que a matéria estava sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal. O contribuinte apresentou em 31/05/2007 a DIPJ 2007/2007 N° 0000224816 (Recibo n° 38.29.63.79.63) relativa ao período de 01 de janeiro a 30 de março, tendo em vista a ocorrência de evento de incorporação enquadrandose, portanto, em situação especial de entrega de DIPJ no decorrer do próprio ano base. Refletindo a constituição da referida provisão, o contribuinte incorporou, à Linha 24 Demais Provisões da Ficha 05 A Despesas Operacionais da DIPJ 2007/2007, o referido valor de R$ 31.570.947,78; valor que, somado às demais provisões e despesas indedutíveis do período, se refletiram na adição de R$ 37.819.432.37 na apuração do lucro real, informada na Linha 03 da Ficha 09A correspondente às Despesas Operacionais Soma de Parcelas não dedutíveis. Ainda segundo relato do contribuinte, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente o aproveitamento dos créditos de IPI, tanto sobre as exportações quanto sobre os insumos tributados a alíquota zero e não tributados, a contabilidade incorporou os registros abaixo, no sentido de registrar o efeito desta decisão: Crédito IPI sobre exportações D Conta 3.1.7.01.117 Provisão Passiva de IPI (resultado) C Conta 2.2.1.02.217 Crédito Prêmio do IPI (Passivo) Crédito IPI sobre insumos tributados a alíquota 0% e NT Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 971 6 D Conta 2.3.3.01.101 Lucros/Prejuízos Exercícios Anteriores (PL) C Conta 2.2.1.02.218 Provisão Crédito de IPI insumos (Passivo) Neste sentido, o contribuinte apresentou tão somente em 30/01/2012 a DIPJ 2007/2007 retificadora definitiva N° 0001586363 (Recibo n° 36.71.98.75.73) relativa ao período de 01 de janeiro a 30 de março, fazendo constar nesta data os efeitos tributários ocorridos naquele período, conforme quadro abaixo: Linha Ficha 09 A Demonstração do Lucro Real PJ Em Geral VALOR (R$) 1 Lucro Real antes do IRPJ (31.582.875,90) 2 Custos Soma das parcelas indedutíveis 9.157.102,05 3 Despesas Operacionais Soma das parcelas indedutíveis 6.248.484,59 10 Ajustes por Diminuição Valor Invest. Aval. p/PL 3.430.509,16 18 Realização de reserva de reavaliação 2.348,26 22 Outras adições 7.403.840,34 23 Soma das adições 26.242.284,40 27 () Ajustes por Aumento Valor Invest. Aval. p/PL (225.908,52) 37 () Outras Exclusões (9.015.182,84) 50 Soma das Exclusões (9.271.163,36) 59 Lucro Real (14.611.754,86) Em síntese, o contribuinte baixou a provisão relativa ao Crédito Prêmio do IPI no valor de R$ 31.570.947,78, reconhecendo ao mesmo tempo o respectivo valor como efetiva despesa tributária. Considerandose que o valor de R$ 31.570.947,78 na configuração de provisão é indedutível para efeito da apuração do lucro real, em consonância com o Art. 335 do RIR/99, e considerandose que o mesmo valor na configuração de despesa tributária reconhecida é dedutível para efeito da apuração do lucro real, então, o simples reconhecimento da despesa implicou na alteração do resultado fiscal, ou seja, passou da apuração de um Lucro Real para um prejuízo fiscal. A partir da verificação do LALUR do período de janeiro a março de 2007, constatase de forma mais clara a transformação do valor de provisão de despesas para despesas tributárias efetivas. Na respectiva Parte A Registro dos ajustes ao lucro líquido, referente ao mês de março de 2007, consignouse a adição de R$ 31.570.947,78 a título de Provisão IPI Prêmio e, ao mesmo tempo, a exclusão no mesmo valor a título de "Crédito Prêmio IPI". Na verdade, o LALUR espelha dois lançamentos simultâneos que mantém o mesmo efeito da DIPJ retificadora: 1. a reversão da provisão, que tem como contrapartida uma receita de reversão e cujo tratamento tributário é a exclusão do lucro real. Com este lançamento anulase a adição do lucro real referente à constituição da provisão 2. o reconhecimento tributário da despesa em contrapartida ao correspondente passivo. Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 972 7 Para que não haja qualquer dúvida em relação à apuração do prejuízo fiscal, devese mencionar que no LALUR de janeiro a março de 2007, apesar do critério de distribuição dos valores ter sido distinto, a apuração do resultado foi exatamente a mesma do informado na DIPJ 2007/2007 definitiva, ou seja, um prejuízo fiscal de R$ 14.611.754,86. Conforme informação contida na referida resposta do contribuinte ao Termo de Constatação N° 16, houve uma reestruturação do plano de contas contábil da empresa. Assim sendo, o valor originalmente registrado na conta n° 2.2.1.02.218 Provisão Crédito de IPI Insumos, foi transferido para a conta n° 2.2.1.02.406 de mesmo nome e o valor originalmente registrado na conta n° 2.2.1.02.217 Provisão Crédito Prêmio, foi transferido para a conta n° 2.2.1.02.403 de mesmo nome. Assim no início de ano de 2009, os seguintes saldos iniciais das contas analisadas até aqui, já convertidas para o padrão SPED, estão abaixo discriminados: Conta Nº Valor R$ Conta Nº 2.02.01.02.04.03 40.675.339,46 Conta Nº 2.02.01.02.04.06 37.235.212,31 Total 77.910.551,77 Até 30 de novembro de 2009 o contribuinte atualizou a conta N° 2.02.01.02.04.06 no valor de R$ 1.864.935,80, cuja contrapartida foi a conta de resultado N° 3.01.02.01.01.12 (padrão SPED da conta 31201112). Assim sendo, em novembro de 2009 o saldo da conta N° 2.02.01.02.04.06 era de R$ 39.100.148,11. A conta N° 2.02.01.02.04.03 foi atualizada (crédito) no valor de R$ 1.755.289,73, cuja contrapartida (débito) foi a conta de resultado N° 3.01.02.01.01.19 (padrão SPED da conta 31201119). Entretanto, ao mesmo tempo a conta N° 2.02.01.02.04.03 foi debitada no valor de R$ 68.358,72, cujo valor a crédito foi a conta de resultado 3.01.07.01.01.14 (padrão SPED). Assim sendo, em novembro de 2009 o saldo da conta N° 2.02.01.02.04.06 era de R$ 42.362.270,47 refletindo os seguintes valores: Saldo Inicial credor 40.675.339,46 Débitos 68.358,72 Créditos 1.755.289,73 Saldo em 11/2009 42.362.270,47 Além disso, a própria conta 3.01.07.01.01.14 foi mais uma vez creditada no valor de R$ 94.151,14, mas agora tendo como contrapartida a conta de resultado N° 3.01.02.01.01.19; portanto, na verdade o que ocorreu foi uma reversão de provisão no valor de R$ 162.509,86, parte (R$ 68.358,72) por meio da conta passiva N° 2.02.01.02.04.06 de valores provisionados nos anos anteriores e parte (R$ 94.151,14) diretamente na conta de resultado N° 3.01.02.01.01.19 do período de 2009. Este valor reflete a exclusão de R$ 162.509,86 incorporada à linha 69 da Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 973 8 ficha 09 da DIPJ 2010/2009 a título de "Outras Exclusões" e destacada no quadro inicial do item 3 do presente Termo. Consolidandose os valores até novembro de 2009 teríamos: Período Despesas Provisão* Reversão de Prov. Soma 2007 e 2008 60.353.962,97 17.556.588,80 68.358,72 77.842.193,05 Ano 2009 0,00 3.714.376,67 94.151,14 3.620.225,53 Total 60.353.962,97 21.270.965,27 162.509,86 81.462.418,58 Em 27 de novembro de 2009 o contribuinte protocolou os processos administrativos n° 13804.0042004/200952 e 13804.0042005/200905 pelos quais requereu o pagamento à vista de seus débitos relativos ao aproveitamento indevido dos créditos de que trata o caput do artigo 3o da Medida Provisória n° 470, de 2009 junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil; requerendo ainda a utilização de créditos decorrentes da aplicação das alíquotas de 25% e 9% respectivamente sobre os montantes acumulados de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa CSLL, apurados até 30 de setembro de 2009, conforme parágrafo 3o do mesmo artigo da MP 470/2009. Por esta mesma MP 470/2009, ficou definido no parágrafo 1o do artigo 3o que os débitos de que trata o caput deste artigo poderiam ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. Os valores originários informados pelo contribuinte nos respectivos processos decorreram do seguinte cálculo: Valor Original Juros Multa Total do Débito Redução 90% Juros Redução 100% Juros Débito Consolidado RFB 21.605.425,26 11.463.122,89 4.231.085,05 37.389.633,20 10.316.810,61 4.321.085, 05 22.751.737,5 4 PGFN 7.325.828,29 2.252.838,24 1.465.165,66 11.043.832,19 2.027.554,42 1.465.165, 66 7.511.112,11 TOTAL 28.931.235,55 13.715.961,13 5.786.250,71 48.433.465,39 12.344.365,03 5.786.250, 71 30.302.849,6 A partir da consolidação dos débitos acima mencionada, o contribuinte fez os lançamentos de ajuste na contabilidade. O valor de R$ 30.302.849,64 foi lançado em contrapartida à conta de ativo N° 1.02.01.04.01 IRPJ Diferidos. Os valores de R$ 24.147.659,37, R$ 5.786.250,71 e R$ 12.344.3650,03, foram lançados em contrapartida à conta de resultado n° 3.01.02.01.08 Constituição Tributos MP 470/09, resultando na seguinte composição: DATA Débito Crédito SALDO 30/11/2009 0,00 81.462.418,57 81.462.418,57 30/11/2009 0,00 24.147.659,37 105.610.077,95 30/11/2009 0,00 5.786.250,71 11.396.328,66 30/11/2009 0,00 12.344.365,02 123.740.693,68 Desta forma, a operação de parcelamento em questão resultou em um ganho líquido de R$ 42.278.275,11, conforme demonstrado abaixo: Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 974 9 Conta Nº conta Débito Crédito Constituição Tributos MP 470/09 3.01.08.01.01.08 0,00 123.740.693,68 Constituição Tributos MP 470/09 3.01.02.01.01.25 81.462.418,57 0,00 Resultado Líquido 42.278.275,11 Na apuração do lucro real da operação relativa ao parcelamento, o contribuinte adicionou em primeiro lugar o valor de R$ 52.787.509,74, relativo à baixa da conta de ativo 1.01.02.06.01.12 IPI a Recuperar, cuja contrapartida foi o lançamento a crédito no mesmo valor na conta de resultado (despesa) 3.01.02.01.01.25 Constituição dos Tributos MP 470/09. Além disso, adicionou o valor de R$ 3.714.377,67, soma de R$ 1.849.441,87 relativos à provisão registrada na conta 2.02.01.02.04.03 e R$ 1.864.935,80 relativos à provisão registrada na conta 2.02.01.02.04.06, cujo valor integra a adição do LALUR 2009, a título de "Provisões Juros Contingências" no montante total de R$ 4.459.983,36. Em relação às exclusões, o montante atingiu o valor de R$ 92.843.321,67, cujos valores já foram indicados no quadro inicial do item 3 deste Termo. Dentre eles, os valores de R$ 162.509,85 (Estorno de Provisões), R$ 42.362.270,40 (Reversão Provisão contingência Crédito IPI) e R$ 39.100.148,11 (Reversão Provisão contingência Crédito IPI) já foram analisados no presente termo. Quanto ao valor de R$ 11.218.393,31 (Estorno multa para REFIS III) o contribuinte alega, em sua resposta ao Termo de Intimação N° 16, que este estorno seria relativo aos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) decorrentes do reconhecimento da receita de crédito de prêmio de IPI sobre as exportações e crédito de IPI sobre insumos tributados à alíquota zero e não tributados. Considerandose a decisão do STF, no sentido da não possibilidade de usufruir tais créditos, o contribuinte efetuou os respectivos ajustes contábeis a fim de eliminar os créditos tomados, assim como entendeu que deveria deixar de reconhecer os tributos que teriam sido cobrados a partir daqueles créditos (IRPJ/CSLL/PIS e COFINS). [...]No cômputo geral, o lucro real, antes da compensação de prejuízos fiscais, apurado pelo contribuinte em decorrência da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009, foi de R$ 5.936.775,83, conforme demonstrado abaixo: Lucro Líquido = 42.278.275,11 Soma das ADIÇÕES = 56.501.887,41 Soma das Exclusões = (92.843.021,67) Lucro Real = 5.937.140,85 III DA APURAÇÃO DE IRREGULARIDADES PELA FISCALIZAÇÃO Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 975 10 Antes de passarmos à análise dos fatos relatados no item anterior, fazse necessário os devidos esclarecimentos dos procedimentos contábeis e definições legais aceitos para a adoção dos critérios de reconhecimento de receitas, de adições e exclusões na apuração do lucro líquido e lucro real, assim como da base de cálculo da CSLL. III. I DOS CRITÉRIOS CONTÁBEIS E DAS DEFINIÇÕES LEGAIS O contribuinte, ao responder as intimações por escrito, declarou expressamente que as exclusões e adições analisadas pela fiscalização referiamse à adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009 Lei 11941/2009, em especial no que tange aos débitos oriundos da utilização irregular, assim definida pelo Supremo Tribunal Federal, de créditos de IPI, prêmio e insumos alíquota zero ou não tributáveis. Neste sentido, ao aderir ao citado parcelamento realizou uma série de ajustes contábeis que incluíram a recomposição de contas de ativo e passivo, remanejamento de valores entre contas contábeis, baixa de provisões e de ativos contingentes, cujas receitas e despesas decorrentes foram reconhecidas no resultado do exercício e posteriormente adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real. Assim, passamos a esclarecer alguns destes procedimentos à luz das Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, assim como do ponto de vista da legislação tributária. De imediato, devese mencionar que a constituição de provisões e o reconhecimento de ativos contingentes são tratados pela NBC T 19.7 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes aprovada pela Resolução CFC N° 1.180 de 24.07.2009 e publicada no DOU de 04.08.2009, cujo objetivo é estabelecer a aplicação de critérios de reconhecimento e bases de mensuração apropriadas a provisões e a passivos e ativos contingentes assim como para a divulgação da informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor. Esta Resolução revogou e substituiu a CFC N° 1066/05 de 21/12/2005; sendo que ambas (revogada e atualizada) coincidem no seu objetivo e no tratamento do Ativo Contingente e das Provisões. [...]Pelos critérios acima apontados a expectativa de aproveitamento do IPI sobre crédito prêmio e sobre insumos de alíquota zero se enquadraria na condição de ativo contingente e, portanto, não deveria ter sido reconhecido nas demonstrações contábeis. Neste sentido, ao longo de todo o período em que o contribuinte reconheceu estes créditos nas demonstrações contábeis o fez de forma não adequada segundo as normas estabelecidas pelo CFC. Por esta mesma razão ainda mais inadequada, a reconstituição do referido crédito do IPI na conta 1.01.02.06.01.12 no valor de R$ 43.906.215,91 e respectiva contrapartida na conta de resultado 3.01.02.01.01.25 Constituição dos Tributos MP 470/09. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 976 11 Cabe, portanto, verificar se o saldo inicial da referida conta e o lançamento de reconstituição no valor total de R$ 52.787.509,74 afetou tanto o resultado líquido do exercício quanto a apuração do lucro real do ano de 2009. O primeiro caso será avaliado no item seguinte deste Termo em conjunto com os demais lançamentos de ajustes. Em relação à apuração do lucro real, na medida em que a despesa relativa à baixa do mesmo, incorporada na referida conta de resultado 3.01.02.01.01.25 Constituição dos Tributos MP 470/09, foi adicionada ao lucro real, seu efeito foi neutralizado na apuração do ano de 2009. De qualquer maneira, completamente descabida toda argumentação do contribuinte de que os ajustes contábeis a fim de eliminar os referidos créditos tomados impunham ajustes para deixar de reconhecer os tributos que teriam sido cobrados a partir daqueles créditos. Em primeiro lugar, pelo fato óbvio de que se pelas normas contábeis os créditos já nem deveriam ter sido reconhecidos, muito menos seus possíveis efeitos. Segundo, se eventualmente ao serem reconhecidos geraram algum efeito no passado, pelo critério do regime de competência, somente poderiam ter seus efeitos corrigidos nos períodos passados correspondentes. Em terceiro, e principalmente, que a contrapartida do IPI a Recuperar nunca foi base de cálculo para o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Se assim o fosse de imediato o IPI deixaria de ser um tributo não cumulativo. A não cumulatividade do tributo impõe que a contrapartida do IPI a Recuperar (equivalente à redução em conta de custo) seja confrontada com a respectiva contrapartida do IPI a Pagar (equivalente à redução da receita), de tal forma que tão somente o saldo deste confronto afete o resultado; daí que a contrapartida do IPI a Recuperar não pode ser considerada em si mesma como base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto ao PIS e COFINS, a contrapartida do IPI a Recuperar nem mesmo faz parte das respectivas bases de cálculo. Neste sentido a justificativa apresentada pelo contribuinte para a exclusão de R$ 11.218.393,31 a título de estorno de multa REFIS é completamente infundada, cabendo, entretanto, a verificação se tal valor no cômputo geral alterou a apuração do lucro real, à medida que, de fato, a MP 470/2009 determina que não será computada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS a parcela equivalente à redução do valor das multas, juros e encargo legal em decorrência do disposto na mesma. [...]Pelas normas acima estabelecidas, de fato o contribuinte provisionou corretamente os valores aproveitados dos créditos de IPI (Contas n° 2.2.1.02.217 Provisão Crédito Prêmio e 2.2.1.02.218 Provisão Crédito de IPI Insumos), tendo em vista que a matéria estava "sub Júdice". Além disso, pela própria Norma, a provisão deveria ser reconhecida como despesa na determinação do lucro líquido do período. Por outro lado, ao Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 977 12 estabelecer que as provisões devam ser reavaliadas em cada data de balanço e ajustadas para refletir a melhor estimativa corrente, assim como, se já não for mais provável que seja necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos futuros para liquidar a obrigação, a provisão deve ser revertida; a Norma também estabeleceu claramente a distinção entre uma reversão de provisão e o reconhecimento da mesma como um efetivo passivo, ou seja, não mais sob a perspectiva de uma provisão. Assim sendo, quando tornada desnecessária a provisão deve ser revertida e, por conseqüência, o valor revertido deve ser adicionado na apuração do lucro líquido no período correspondente em que a provisão deixou de ser necessária. Este procedimento decorre do fato que a reversão, na verdade, equivale a um ganho derivado da recuperação da despesa provisionada e, portanto, tratada como receita na apuração do lucro líquido do exercício correspondente. O reconhecimento de uma provisão como passivo definitivo não altera a sua condição de passivo, apenas altera a sua qualidade, no sentido de que deixou de ser um passivo de prazo ou de valor incertos para tornarse um passivo de prazo ou de valor certos. Portanto, neste caso, o reconhecimento da provisão como passivo definitivo não alterará a apuração do lucro líquido porque a despesa já fora reconhecida, tratandose a baixa da provisão apenas uma permuta entre contas de passivo. Do ponto de vista tributário, a apuração do lucro líquido não se altera em função dos procedimentos acima definidos, conforme estabelecido no artigo 248 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Entretanto, na apuração do lucro real, efetiva base de cálculo do IRPJ, o Regulamento do Imposto de Renda estabelece que: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art 6o, parágrafo 2o): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real. Além disso, o mesmo Regulamento do Imposto de Renda de 1999 estabelece que: Art. 335. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Decreto (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art 3o, e Lei 9.249, de 1995, art. 13, inciso I). Considerandose que as provisões constituídas pelo contribuinte para contingência sobre os valores de crédito de IPI não estão expressamente autorizadas pelo RIR/99 para dedução na Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 978 13 determinação do lucro real; então, em princípio as citadas provisões constituídas pelo contribuinte estão sujeitas à determinação do citado artigo 249 do RIR, assim como, por conseqüência lógica, as reversões estão sujeitas ao artigo 250 do RIR, que trata das exclusões do lucro líquido do período de apuração permitidas na apuração do respectivo lucro real. Por outro lado, conforme já mencionado, o reconhecimento de provisões (não dedutíveis) como passivo definitivo não altera a sua condição de passivo; neste sentido, quando de sua baixa (na condição de passivo definitivo) a receita correspondente não pode ter o mesmo tratamento de uma reversão de provisão, ou seja, seu valor não pode ser excluído do lucro líquido na apuração do lucro real do período correspondente. Nas considerações acima está embasada toda a demonstração e argumentação efetuada no item anterior, referente ao efetivo tratamento tributário das provisões constituídas pelo contribuinte para contingência sobre os valores de crédito de IPI, que resultaram no quadro abaixo, novamente transcrito: Período Despesas Provisão* Reversão de Prov. Soma 2007 e 2008 60.353.962,97 17.556.588,80 68.358,72 77.842.193,05 Ano 2009 0,00 3.714.376,67 94.151,14 3.620.225,53 Total 60.353.962,97 21.270.965,27 162.509,86 81.462.418,58 *despesa adicionada na apuração do lucro real No item seguinte deste termo, os resultados acima serão analisados no sentido de verificar se houve impacto no cômputo geral na apuração do lucro líquido e do lucro real do ano de 2009. Ressaltese que o reconhecimento de despesas no valor de R$ 60.353.962,97, deduzidas na apuração do lucro líquido e real dos respectivos períodos, determinou que a contrapartida no passivo deixasse de ter o caráter de uma provisão para contingência, tornandose na verdade o reconhecimento de um débito tributário. Tanto assim que, parte deste valor (R$ 48.433.465,39), foi oferecido ao parcelamento instituído pela MP 4702009/ Lei 119412009. Notese que, da mesma maneira que a exata conceituação de despesas foi definida pelas Resoluções CFC N° 1.121 de 28/03/2008 e 1374 de 16/12/2011, por estas mesmas Normas as receitas são definidas como aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não estejam relacionados com a contribuição aos detentores dos instrumentos patrimoniais. Portanto, a diferença (R$ 11.920.497,58) entre o efetivo passivo tributário (R$ 60.353.962,97) e o débito bruto total oferecido ao parcelamento (R$ 48.433.465,39) constituiuse em uma diminuição de passivo e, nesta medida, deve ser considerada uma receita, conforme as citadas Resoluções CFC. Por outro lado, as reduções de cem por cento das multas de mora e de ofício (R$ 5.786.250,71), de noventa por cento dos Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 979 14 juros de mora (R$ 12.344.365,02) referentes ao parcelamento instituído pela MP 4702009 (art. 3o, § 1o) / Lei 119412009 constituemse em uma diminuição de passivo e, nesta medida, também devem ser consideradas receitas, conforme as citadas Resoluções CFC. Entretanto, conforme parágrafo único do artigo 4o da MP 4702009, estas receitas não serão computadas na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Além disso, a parcela dos valores correspondentes aos débitos (R$ 30.302.849,65), inclusive multas e juros, liquidada com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, conforme determinação dos parágrafos 2o e 3o do artigo 3o da MP 470 2009, também se constituem em uma diminuição de passivo e, nesta medida, devem ser consideradas receitas, conforme as citadas Resoluções CFC. Neste caso, não há qualquer previsão legal para que estas receitas não sejam computadas na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. [...]Por fim, cabe mencionar que a legislação tributária do imposto de renda consagra o regime de competência quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução e reconhecimento do lucro. Neste sentido, os lançamentos auxiliares que reconstituem ativos e passivos não podem ter qualquer influência na determinação do lucro líquido e lucro real do período apurado, sob pena de inobservância do regime de competência, conforme determinado pelo artigo 273 do RIR/99, com base legal no DecretoLei n° 1.598 de 1977, art. 6o, § 5o. III. II DA APURAÇÃO EFETUADA PELA FISCALIZAÇÃO Considerandose as Normas, Legislação e Jurisprudência citadas no item anterior a fiscalização refez a apuração do lucro líquido e real, antes da compensação de prejuízos fiscais, no que tange especificamente ao resultado decorrente da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009; os quais serão comparados ao resultado obtido pelo contribuinte (explicitado no item II do presente termo) no sentido de verificar se houve impacto no cômputo geral na apuração do lucro líquido e do lucro real do ano de 2009 apurada pelo contribuinte. Para este fim, todos os lançamentos auxiliares que reconstituíram ativos e passivos foram eliminados, de tal forma a expurgar qualquer efeito na determinação do lucro líquido e lucro real do período relativo à inobservância do regime de competência. Assim sendo, teríamos os seguintes saldos iniciais de ativos e passivos antes da adesão ao parcelamento: Conta IPI a recuperar Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 980 15 DATA Débito Crédito SALDO (D) 30/11/2009 0,00 0,00 9.085.994,66 Conta Provisão Créditos de IPI (Prêmio e Insumos) DATA Débito Crédito SALDO (C) 30/11/2009 0,00 0,00 21.108.455,61 Conta Passivo Tributário (decorrente da utilização indevida de Créditos IPI Prêmio e Insumos) DATA Débito Crédito SALDO (C) 30/11/2009 0,00 0,00 60.353.962,97 Com a adesão ao parcelamento teríamos os seguintes lançamentos: 1) baixa do valor remanescente do IPI a Recuperar no montante de R$ 8.881.293,83 decorrente dos créditos de IPI Prêmio/lnsumo, mantido na conta de ativo 1.01.02.06.01.12, com o lançamento a débito no mesmo valor na conta de resultado 3.01.02.01.01.25 Constituição dos Tributos MP 470/09, abaixo transcrita: Conta Nº conta Débito Crédito Constituição Tributos MP 470/09 3.01.02.01.01.25 8.881.293,82 0,00 IPI a Recuperar 1.01.02.06.01.12 0,00 8.881.293,82 Consolidandose o lançamento acima na referida conta teríamos: Conta IPI a recuperar (ativo) DATA Débito Crédito SALDO (D) 30/11/2009 0,00 0,00 9.085.994,66 30/11/2009 0,00 8.881.293,82 204.700,84 2) reversão da conta Provisão de Créditos de IPI Prêmio e Insumos (oriunda de parte das respectivas contas 2.02.01.02.04.06 e 2.02.01.04.03) no valor de R$ 21.108.455,61, com o lançamento a crédito no mesmo valor na conta de resultado 3.01.02.01.01.08 Constituição dos Tributos MP 470/09, abaixo transcrita: Conta Nº conta Débito Crédito Provisão Créditos de IPI 2.02.01.02.04.03/06 21.108.455,61 0,00 Constituição Tributos MP 470/09 3.01.02.01.01.25 0,00 21.108.455,61 Consolidandose o lançamento acima na referida conta teríamos: Conta Provisão Créditos de IPI (Prêmio e Insumos) DATA Débito Crédito SALDO (C) 30/11/2009 0,00 0,00 21.108.455,61 30/11/2009 21.108.455,61 0,00 0,00 3) baixa do passivo tributário (oriundo de parte das respectivas contas 2.02.01.02.04.06 e 2.02.01.04.03), de acordo com as normas estabelecidas pela MP 4702009, no valor total de R$ 60.353.962,97, com o lançamento a crédito no mesmo valor na Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 981 16 conta de resultado 3.01.02.01.01.08 Constituição dos Tributos MP 470/09, abaixo transcrita: Conta Nº conta Débito Crédito Passivo Tributário 2.02.01.02.04.03/06 11.920.497,58 0,00 Passivo Tributário 2.02.01.02.04.03/06 12.344.365,03 0,00 Passivo Tributário 2.02.01.02.04.03/06 5.786.250,71 0,00 Passivo Tributário 2.02.01.02.04.03/06 30.302.849,65 0,00 Constituição Tributos MP 470/09 3.01.02.01.01.25 0,00 60.353.962,97 O valor de R$ 11.920.497,58 referese à diferença entre o efetivo passivo tributário e o débito bruto total oferecido ao parcelamento. O valor de R$ 5.786.250,71 referese às reduções de cem por cento das multas de mora e de ofício (MP 470/2009). O valor de R$ 12.344.365,02 referese à redução de noventa por cento dos juros de mora (MP 470/2009). O valor de R$ 30.302.849,65 referese à parcela liquidada com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (MP 4702009). Consolidandose o lançamento acima na referida conta teríamos: DATA Débito Crédito SALDO (C) 30/11/2009 0,00 0,00 60.353.962,97 30/11/2009 11.920.497,58 0,00 48.433.465,39 30/11/2009 12.344.365,03 0,00 36.089.100,36 30/11/2009 5.786.250,71 0,00 30.302.849,65 30/11/2009 30.302.849,65 0,00 0,00 Desta forma, a operação de parcelamento em questão resultou em um ganho líquido de R$ 72.581.124,76, conforme demonstrado abaixo: Conta Nº conta Débito Crédito Constituição Tributos MP 470/09 3.01.08.01.01.08 0,00 81.462.418,58 Constituição Tributos MP 470/09 3.01.02.01.01.25 8.88.293,82 0,00 Resultado Líquido 72.581.124,76 Comparandose o lucro líquido (R$ 42.278.275,11) apurado pelo contribuinte em relação ao apurado pela fiscalização (R$ 72.581.124,76), no que se refere ao resultado específico decorrente da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009, verificase uma diferença a menor no valor de R$ 30.302.849,65 e que corresponde exatamente à parcela dos débitos tributários liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Esta diferença originouse do fato de que o contribuinte não considerou como receita a parcela dos débitos tributários liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tendo baixado o saldo da correspondente conta de passivo diretamente com os referidos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 982 17 De qualquer forma, por todo exposto no item anterior, no que se refere ao conceito de receita estabelecido pelas Resoluções CFC N° 1.121 de 28/03/2008 e 1374 de 16/12/2011 e no que tange à jurisprudência estabelecida pela 4o Câmara Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio do Acórdão n° 1402001.478 no Processo n° 11065.720138/201232, o valor de R$ 30.302.849,65 não contabilizado como receita constituise em infração aos artigos 247, 248, 249, inciso II, e 288 do RIR/99, estando sujeita ao lançamento de ofício por meio de auto de infração, conforme determinação do artigo 841 do RIR/99. Na apuração do lucro real da operação relativa ao parcelamento, adicionouse em primeiro lugar o valor de R$ 8.881.293,82, relativo ao saldo remanescente do IPI a Recuperar decorrente dos créditos de IPI Prêmio/lnsumo, mantido na conta de ativo 1.01.02.06.01.12. A despesa gerada com o lançamento a débito no mesmo valor na conta de resultado 3.01.02.01.01.25 Constituição dos Tributos MP 470/09 não é dedutível, à medida que, em primeiro lugar, é reflexo de lançamentos efetuados no passado cuja existência nem mesmo deveria ter sido reconhecida, ou seja, despesas inexistentes decorrentes de direitos/ativos inexistentes. Em segundo lugar, se eventualmente ao serem reconhecidos geraram algum efeito no passado, pelo critério do regime de competência, somente poderiam ter seus efeitos corrigidos nos períodos passados correspondentes. No mais, segue o próprio critério de exclusão adotado pelo contribuinte, à medida que integrava o valor de R$ 52.787.509,74, relativo a reconstituição dos referidos ativos decorrente dos créditos de IPI Prêmio/lnsumo, que quando da baixa gerou uma despesa adicionada pelo contribuinte na apuração do lucro real. Por outro lado, excluiuse a reversão da conta Provisão de Créditos de IPI Prêmio e Insumos (oriunda de parte das respectivas contas 2.02.01.02.04.06 e 2.02.01.04.03) no valor de R$ 21.108.455,61. A receita gerada com o lançamento a crédito, no mesmo valor, na conta de resultado 3.01.02.01.01.08 Constituição dos Tributos MP 470/09 constituise em reversão de provisões e, de acordo, com o artigo 250 do RIR/99 podem ser excluídas na apuração do lucro real. Os valores de R$ 12.344.365,03 e R$ 5.786.250,71, referentes às reduções de cem por cento das multas de mora e de ofício e de noventa por cento dos juros de mora em decorrência da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009, foram excluídos na apuração do lucro real; uma vez que sua exclusão está expressamente autorizada na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS conforme parágrafo único do artigo 4o da Lei 11.941/2009. Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 983 18 No cômputo geral, o lucro real, antes da compensação de prejuízos fiscais, apurado pela fiscalização em decorrência da adesão ao parcelamento instituído pela MP 4702009/ Lei 11.9412009, foi de R$ 42.223.347,23, conforme demonstrado abaixo: Lucro Líquido = 72.581.124,76 Soma das ADIÇÕES = 8.881.293,82 Soma das Exclusões = (39.239.071,35) Lucro Real = 42.223.347,23 Comparandose o lucro real (R$ 5.937.140,85) apurado pelo contribuinte em relação ao apurado pela fiscalização (R$ 42.223.347,23), no que se refere ao resultado específico decorrente da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009, verificase uma diferença a menor no valor de R$ 36.286.206,38. Conforme já exposto, a parte de R$ 30.302.849,65 referese a receitas não contabilizadas na apuração do lucro líquido, sendo que a parte remanescente da diferença, no valor de R$ 5.983.356,73, foi determinada no cômputo geral por adições não computadas na apuração do lucro real. Este resultado reflete a comparação entre as diferenças entre os valores adicionados pela fiscalização e pelo contribuinte e os valores excluídos pela fiscalização e pelo contribuinte, indicando que seria necessário que o contribuinte adicionasse mais R$ 5.983.356,73 para que os efeitos na sua apuração do lucro real fossem neutralizados, conforme demonstrado no quadro abaixo: Valores Fiscalização Valores Contribuinte Diferenças Adições 8.881.293,82 56.501.887,41 47.620.593,59 Exclusões (39.293.071,35) (92.843.021,67) 53.603.950,32 Soma 5.983.356,73 A diferença apontada de R$ 5.983.356,73 está sujeita ao lançamento de ofício por meio de auto de infração, tendo em vista que adições não computadas na apuração do lucro real infringem os artigos 247 e 249 do RIR/99. [...] VI. I DA BASE DE CÁLCULO A base de cálculo corresponde ao valor de R$ 30.302.849,65 não contabilizado como receita e ao valor de R$ 5.983.356,73 referente às adições não computadas na apuração do Lucro Real do ano de 2009." Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Impugnação, cujos argumentos foram assim sintetizados no Acórdão a quo: · Preliminarmente, solicita a suspensão da exigibilidade do crédito tributário tendo em vista o recurso apresentado contra o lançamento ora combatido; Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 984 19 · Quanto ao mérito, ressalta primeiramente que a companhia apurou, apropriou e registrou contabilmente, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, os créditos de IPI calculados sobre a aquisição de matériaprima (cana deaçucar) e demais produtos tributados à alíquota zero e nãotributáveis; totalizando um montante de R$ 21.216.561,96; · Além dos créditos supramencionados, a companhia apropriou e registrou contabilmente em 31 de março de 2007, o crédito prêmio de IPI apurado dentre os anos calendário de 1997 a 2003, conforme assim autorizava o artigo 1º do DecretoLei n° 491 de 05 de março de 1969, totalizando o montante de R$ 31.570.947,78; · Ressalta que quando da apropriação e registro contábil (2003, 2004, 2005 e 2007) dos créditos acima apontados e que montavam R$ 52.787.509,74, estes foram considerados como receita tributável para fins de determinação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; · Do montante dos créditos de IPI calculados sobre a aquisição de matériaprima (canadeaçucar) e demais produtos tributados a alíquota zero e não tributáveis, bem como do crédito prêmio de IPI apurados, conforme descritos anteriormente, R$ 43.906.215,91 foram compensados com diversos impostos administrados pela Receita Federal do Brasil RFB, através de Per/Dcomp (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins), inclusive, com os mesmos tributos devidos, em razão dos créditos em referência, terem sidos considerados como receita tributável para fins de determinação do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; · Entretanto, informa que tais créditos eram objeto de discussão pelo STF, razão pela qual a companhia promoveu a constituição de Provisões para contingência em 31 de março de 2007, sendo tais provisões reavaliadas ao encerramento de cada exercício social; · Lembra que do montante registrado como Provisão para contingência, R$ 29.672.663,99 referese aos débitos compensados com o crédito de IPI (21.216.561,96), devidamente atualizados (juros e multa de mora) até 31 de dezembro de 2006 e, em razão de serem de períodos anteriores, períodos estes que deveriam ter sido registradas as referidas provisões, a sua contrapartida deuse em Patrimônio Líquido, conforme o conceito de "Ajustes de Exercícios Anteriores", vislumbrado no Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações; · Alega que tal procedimento não tem o condão de desqualificar a natureza tributária de uma despesa não dedutível para dedutível, pois se fosse esse o objetivo, a companhia deveria ter buscado o benefício fiscal à época, de Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 985 20 redução do lucro tributável ou aumento do prejuízo fiscal dos períodos de referência, o que não o fez; · Informa que a autoridade Fiscal não considerou o referido montante como Provisão de Contingência, pelo fato que não verificou o referido valor adicionado ao lucro real (Parte A LALUR). Esclarece que a adição tem como princípio básico neutralizar o efeito de uma despesa não dedutível que está impactando o lucro líquido do exercício; · No caso em tela, a provisão não transitou por resultado, não tendo como ser adicionada ao lucro líquido e, quando registrada no Patrimônio Líquido se alcança o mesmo efeito tributário de provisão não dedutível, razão pela qual, quando revertidas contra as contas de resultado, poderá ser excluída do lucro líquido, pois não poderá ser tributada, já que na sua constituição não trouxe qualquer benefício fiscal (dedutibilidade) ao Contribuinte. · Já o montante remanescente de R$ 2.223.970,62 que refere se à atualização da provisão em questão, do período de janeiro a 31 de março de 2007, foi considerada como sendo provisão pela autoridade fiscal, pois verificouse que o referido montante transitou por resultado e foi adicionado ao lucro real de janeiro a março de 2007; · Ocorre que o STF julgou improcedente o aproveitamento dos créditos supracitados; · Assim, em suas apurações retificadoras promoveu a exclusão dos R$ 31.570.947,78 referente ao crédito Prêmio de IPI das bases de cálculo dos tributos em comento, porém de forma equivocada, uma vez que reduziu o montante do valor adicionado na Linha 3, quando o correto seria escriturar este valor na linha 37, "Outras Exclusões"; · Assim, anulada a receita outrora apropriada, de igual modo, excluise na íntegra a incidência tributária ao respectivo lançamento; · Alega que a autoridade fiscal desconsiderou os esclarecimentos em relação ao equívoco cometido na escrituração da DIPJ retificadora; · Alega também que a autoridade fiscal interpretou equivocadamente que a exclusão de R$ 31.570.947,78 referese a reversão de provisão, quando na verdade, refere se a exclusão da receita oriunda da apropriação fiscal e contábil do referido crédito; · Entende que em face do princípio da legalidade o montante de R$ 29.672.663,99 e R$ 31.570.947,78 devem ter tratamento tributário não dedutível em 31 de março de 2007; · Discorda do raciocínio da autoridade fiscal para fins de determinação do montante de provisão, pois não há Fl. 985DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 986 21 diferença de conceito entre os R$ 26.391.078,06 considerados como "despesa" e R$ 5.179.869,51 considerados como "provisão", ambos do período de jan a mar/2007 da conta N 2.2.1.02.217, razão pela qual, deveria ter considerado no período o montante de R$ 31.570.947,57 como efetiva "despesa"; · Em relação aos valores de R$ 4.290.220,92 apurado pela autoridade fiscal, como "despesa", do período de Abril a Dezembro/2007 da conta N 2.2.1.02.217, ressalta que o valor encontrase reduzido indevidamente por R$ 255.645,19 que referese à Juros de Contingência de INSS; · Seguindo o raciocínio da fiscalização e com os devidos ajustes apresenta um demonstrativo na "folha 13" de sua impugnação, segregando despesa e provisão cuja soma geral dos valores consolidados (jan a mar/2007, abr a dez/2007, jan a dez/2008 e jan a nov/2009) representam despesas de R$ 61.243.611,56, provisão de R$ 20.381.316,67, reversão de provisão R$ (162.509,86) e soma de R$ 81.462.418,37; · Assim, no cômputo geral, o lucro real antes da compensação de prejuízos fiscais, apurado pelo contribuinte em decorrência da adesão ao parcelamento foi de R$ 5.937.140,43, enquanto que o apurado pela fiscalização foi de R$ 42.223.347,23; · Tal divergência no valor de R$ 36.286.206,39 gerou, aos olhos da fiscalização, duas infrações operacionais; · R$ 30.302.849,65 sob a alegação de que são tributáveis as receitas correspondentes a liquidação de multas e juros com a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, benefícios fiscal concedido no âmbito do parcelamento especial; · R$ 5.983.356,75 que representa o valor líquido das adições e exclusões explicitadas abaixo: · Adição ao Lucro da operação R$ 43.906.215,91, do montante de R$ 52.787.509,74 referente aos créditos de IPI, tal valor de R$ 43.906.215,91 foi compensado com diversos impostos administrados pela RFB, remanescendo um saldo de IPI a recuperar de R$ 8.881.293,83; · Exclusão ao Lucro da Operação (R$ 60.353.963,15) preliminarmente alega que o valor correto a ser considerado como despesa seria de R$ 61.353.963,15, contudo discorda da fiscalização que interpretou que não se trata de provisão e sim de despesa; · (R$ 11.218.393,31) alega em síntese que tal valor representa os débitos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em razão dos créditos no montante de R$ 43.906.215,91. Com a decisão do STF, foi promovida sua exclusão; Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 987 22 · (R$ 162.509,85) informa que a autoridade fiscal reconheceu tal valor como sendo "reversão de provisão"; · (R$ 18.130.615,72) referese às reduções de cem por cento das multas de mora e ofício e noventa por cento dos juros de mora referente ao parcelamento especial. Como tratase de um benefício fiscal não aproveitado à época, concorda com o entendimento da autoridade fiscal;" A decisão de primeira instância, como já relatado, manteve integralmente a exigência fiscal, por entender que "a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas para quitação de um débito, ao representar a redução de um passivo com conseqüente aumento de patrimônio, referese a uma receita conforme resolução CFC n° 1.121/08 e Resolução CFC n° 1.374/11", de modo que deve integrar o lucro líquido do exercício. Entendeu, ainda, que foram procedentes as adições e glosas realizadas pela autoridade fiscal na apuração do Lucro Real, posto que os procedimentos realizados pela Recorrente estavam em desconformidade com o previsto nos arts. 249, 250, 273 e 335 do RIR/99. O sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, no qual alega: a) a nulidade dos Autos de Infração, por erro na capitulação da suposta omissão de receitas de R$ 30.302.849,65, posto que tais valores foram declarados e reconhecidos, mas deixaram de ser tributados, em função de sua natureza; e falta de motivação, em relação à não adição de R$ 5.983.356,75, já que a autuação teria se embasado em "lançamentos contábeis paralelos não condizentes com a natureza dos lançamentos"; b) quanto à infração de omissão de receitas de R$ 30.302.849,65, que a receita teria sido reconhecida em anos anteriores e no próprio anocalendário objeto da autuação, mas que não seria tributável por se tratar de crédito de IRPJ e CSLL, "na forma da Resolução nº 988/2004 do CFC, do art. 187 da Lei das S.A. combinado com os artigos 248 e 274 do RIR e art. 344 do RIR, bem ainda consoante já manifestado pela própria RFB na Solução de Consulta DISIT/SRRF09/2001"; c) ainda, em relação à referida infração, ainda que se entenda que se trata de receita tributável, ao menos parte dela (R$ 7.551.112,10) não o seria no anocalendário de 2009, "uma vez que os débitos oriundos da PGFN, objeto da adesão à MP 470/09 foram excluídos da referida anistia e, posteriormente, incluídos na reabertura da anistia da Lei nº11.941/09 (na reabertura promovida pela Lei nº12.865/13), ainda pendente de consolidação"; d) quanto à não adição de R$ 5.983.356,73, que a imposição foi realizada sem motivação e por presunção não prevista na legislação e, por decorrer esse montante de lançamentos contábeis paralelos realizados pela Fiscalização não condizentes com a realidade contábilfiscal, a suposta infração teria decorrido de erro incorrido pela Autoridade Fiscal "na recomposição do Lucro da MP nº 470/09 por não haver considerado a exclusão de valor de provisão não dedutível constituída em anos anteriores e não deduzida para fins das apurações tributárias, não podendo, portanto, a receita decorrente da respectiva reversão ser tributável no ano de 2009, período no qual a provisão foi realizada"; Fl. 987DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 988 23 e) por fim, não pode subsistir o lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, em concomitância com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, conforme Súmula CARF nº 105, devendo subsistir a multa de ofício, ou ser observada a superveniente decisão do Recurso Extraordinário nº 736.090, a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá delimitar os limites entre a multa e o confisco. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1 DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 05 de fevereiro de 2016 (fl. 871) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 874 a 919 em 07 de março de 2016. Considerando que a data de ciência foi uma sextafeira, e observado do disposto no art. 5º, Parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, temse que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário só começou a ser contado a partir do dia 08 de fevereiro de 2016, de modo que a peça recursal foi, indubitavelmente, apresentada dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 daquela mesma norma. O Recurso é assinado por Diretores, devidamente designados às fls. 922 a 925, com poderes de representação, conforme art. 22, inciso II e parágrafo único, do Estatuto Social constante às fls. 926 a 941. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I, II, IV e VI do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente sustenta a nulidade dos Autos de Infração contra ela lavrados por duas razões: erro na capitulação da suposta omissão de receitas de R$ 30.302.849,65, posto que tais valores foram declarados e reconhecidos, mas deixaram de ser tributados, em função de sua natureza; e falta de motivação, em relação à não adição de R$ 5.983.356,75, já que a autuação teria se embasado em "lançamentos contábeis paralelos não condizentes com a natureza dos lançamentos". As hipóteses de nulidade dos atos praticados no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF) são reguladas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 989 24 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." As hipóteses de erro na capitulação legal e ausência de motivação na autuação poderiam conduzir ao reconhecimento da nulidade do lançamento, por violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que exige que o auto de infração, dentre outros, aponte "a disposição legal infringida...", ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, de aplicação subsidiária ao PAF, que exige a motivação dos atos administrativos, cuja ausência poderia conduzir, ainda, ao reconhecimento do cerceamento do direito de defesa, como prevista no dispositivo acima transcrito, e, em especial, ao art. 142 do CTN: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Nada disso, contudo, observase nos presentes autos. A observação dos Autos de Infração lavrados contra a Recorrente permitem a fácil constatação de que a infração de omissão de receitas teve o seu adequado enquadramento legal sempre expresso. A leitura, ainda, do Termo de Constatação e Verificação Fiscal nº 1 (fls. 621 a 646) revela que a autoridade fiscal descreve com detalhes a omissão de receitas que teria sido praticada pelo sujeito passivo: "Comparandose o lucro líquido (R$ 42.278.275,11) apurado pelo contribuinte em relação ao apurado pela fiscalização (R$ 72.581.124,76), no que se refere ao resultado específico decorrente da adesão ao parcelamento instituído pela MP 470/2009, verificase uma diferença a menor no valor de R$ 30.302.849,65 e que corresponde exatamente à parcela dos débitos tributários liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Esta diferença originouse do fato de que o contribuinte não considerou como receita a parcela dos débitos tributários liquidados com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, tendo baixado o saldo da correspondente conta de passivo diretamente com os referidos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL." A discussão acerca de se o montante de R$ 30.302.849,65 constitui receita tributável (ou não) não cabe em preliminar de nulidade, mas sim na análise do mérito. A par disso, o próprio sujeito passivo, em seu recurso, apesar de admitir que os valores em questão possuem natureza de receita, sustenta, por um lado, que os valores já teriam sido reconhecidos em anos calendários anteriores; e, por outro lado, que os valores teriam sido lançados "a crédito, em contrapartida à conta de ativo fiscal diferido (doc. 02), e não no resultado do exercício". Fl. 989DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 990 25 Vêse, portanto, que a discussão versa sim sobre suposta omissão de receitas praticada pela Recorrente, de modo que adequado o enquadramento legal constante dos Autos de Infração. Quanto à segunda alegação, de que a autuação quanto à não adição do montante de R$ 5.983.356,75, na apuração do Lucro real, carece de motivação, posto que fundada em lançamentos contábeis paralelos realizados pela fiscalização, mais uma vez não procede a alegação da Recorrente. A leitura do, já citado, Termo de Constatação e Verificação Fiscal nº 1 permite a constatação de que a autoridade fiscal detalhou e motivou à exaustão o modo de apuração das infrações, sendo que o refazimento da apuração do lucro líquido e real do contribuinte, de acordo com as normas citadas no mesmo Termo, deuse para efeito de comparação com a apuração realizada pelo sujeito passivo, de modo a evidenciar eventuais impactos dos lançamentos auxiliares realizados. O acerto (ou não) da apuração realizada pela autoridade fiscal, e das conclusões dela extraídas, são matéria de mérito. Jamais, porém, podese acatar a invocada ausência de motivação, tanto que o sujeito passivo exerceu plenamente o seu direito de defesa, levantando objeções à apuração das infrações fiscais. Rejeito, portanto, as alegações de nulidade. 3 DA INFRAÇÃO RELATIVA À OMISSÃO DE RECEITAS A Recorrente foi autuada por não haver reconhecido como receita, sujeita à tributação pelo IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS/Pasep e Cofins, no anocalendário de 2009, o montante de R$ 30.302.849,65. Tal valor corresponde aos débitos tributários liquidados pelo sujeito passivo, mediante a utilização de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL, no âmbito do parcelamento instituído pelo art. 3º, §1º, da Medida Provisória nº 470, de 13 de outubro de 2009. Em síntese, segundo a autoridade fiscal, a Recorrente deveria, por ocasião da quitação favorecida dos débitos, haver reconhecido como receitas: a) R$ 21.108.455,61, correspondente à reversão da conta Provisão de Créditos de IPI Prêmio e Insumos; b) R$ 60.353.962,97, correspondente à contrapartida da baixa da parcela liquidada (R$ 30.302.849,65), da redução de 90% de juros de mora (R$ 12.344.365,02), da redução de 100% de multas de mora e de ofício (R$ 5.786.250,71) e da diferença entre o efetivo passivo tributário e o débito bruto total oferecido ao parcelamento (R$ 11.920.497,58). A soma dos citados valores, deduzida da contrapartida da baixa da conta IPI a recuperar (R$ 8.881.293,83), resulta em um Lucro Líquido de R$ 72.581.124,76, superior àquele apurado pela Recorrente (R$ 42.278.275,11) no exato montante da infração apurada. Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 991 26 A Recorrente alega que a receita teria sido reconhecida em anos anteriores e no próprio anocalendário objeto da autuação, mas que não seria tributável por se tratar de crédito de IRPJ e CSLL, "na forma da Resolução nº 988/2004 do CFC, do art. 187 da Lei das S.A. combinado com os artigos 248 e 274 do RIR e art. 344 do RIR, bem ainda consoante já manifestado pela própria RFB na Solução de Consulta DISIT/SRRF09/2001". Segundo a defesa apresentada, por força da Resolução CFC nº 988, de 2004, "as empresas devem reconhecer o ativo fiscal diferido decorrente de prejuízos fiscais de imposto de renda e bases negativas de contribuição social, total ou parcialmente, desde que a entidade tenha a expectativa de geração de resultados futuros tributáveis". Assim, em 31 de dezembro de 2008, a Recorrente possuía registrado, na conta contábil 1.2.1.04.001 IR/CS Diferidos, o valor de R$ 24.947.991,83, a título de ativos fiscais diferidos relativos a prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, conforme cópia do Livro Razão juntada à fl. 943. O referido ativo fiscal diferido teria sido reconhecido como receita, parte no ano de 2008 e parte em anos anteriores, tendo com contrapartida a conta de IRPJ e CSLL. Em março de 2009, o saldo da referida conta contábil foi acrescido do valor de R$ 25.989.554,39, de modo que, à data da adesão ao benefício tributário trazido pela MP nº 470, de 2009, os créditos acumulados montavam em R$ 50.937.546,22 (cópia do Livro Razão à fl. 947). Por ocasião da citada adesão, o montante remanescente das dívidas, após a redução de juros e multas (R$ 30.302.849,65), foi lançado a crédito da conta de ativo fiscal diferido, conforme a mesma fl. 947. A alegação da Recorrente merece acolhida. Ao contrário do sustentado na autuação e no Acórdão Recorrido, não há aumento de patrimônio no momento da liquidação das obrigações tributárias do sujeito passivo com prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL constantes de seu Ativo. A Recorrente comprova, e o próprio Termo de Constatação e Verificação Fiscal atesta (fl. 542), que, no instante da quitação favorecida, debitou conta de passivo e creditou conta de ativo, de modo que a referida operação foi neutra do ponto de vista patrimonial. A autuação simplesmente ignora a redução do Ativo do sujeito passivo, para lhe atribuir ganho patrimonial passível de tributação. É pertinente a invocação realizada pelo sujeito passivo à Resolução CFC nº 988, de 21 de maio de 2004, que aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) T 19.2 (válida para o anocalendário de 2009), que em seus itens 19.2.1.6 e 19.2.2.6 determinam o reconhecimento como ativo fiscal diferido dos valores dos tributos a recuperar em exercícios futuros sobre lucros em relação a compensação futura de prejuízos fiscais e base negativas de contribuição social: "19.2.1.6. O ativo fiscal diferido, decorrente de diferenças temporárias e de prejuízos fiscais de imposto de renda e bases negativas de contribuição social, deve ser reconhecido, total ou Fl. 991DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 992 27 parcialmente, desde que a entidade tenha histórico de lucratividade, acompanhado da expectativa de geração de lucros tributáveis futuros, fundamentada em estudo técnico de viabilidade, que permita a realização do ativo fiscal diferido em um prazo máximo de dez anos, ou o limite máximo de compensação permitido pela legislação, o que for menor. (...) 19.2.2.6. Ativos Fiscais Diferidos são os valores dos tributos a recuperar em exercícios futuros sobre lucros com relação a: a) diferenças temporárias dedutíveis; b) compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados, observada a base de cálculo de cada tributo." Neste sentido, no momento da apuração de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, o valor correspondente ao direito passível de compensação da pessoa jurídica, atendidas as condições fixadas na referida norma, deve ser evidenciado em conta de ativo fiscal diferido, tendo como contrapartida uma conta de resultado (caso se refira ao próprio período de apuração) ou do patrimônio líquido (caso se refira a período de apuração diverso). Não cabe, nestes autos, a discussão acerca da tributação dessa contrapartida (ou seja, se a receita reconhecida por ocasião da constituição do ativo fiscal pode ou não ser excluída na apuração do IRPJ e da CSLL), posto que não é disso que trata o lançamento realizado. A autuação se refere ao segundo momento, em que a pessoa jurídica baixa o ativo fiscal anteriormente constituído, em concomitância com o passivo fiscal correspondente às obrigações tributárias. Neste instante, pareceme fora de dúvida que não há qualquer receita ou acréscimo patrimonial, de modo que ausente qualquer hipótese de incidência tributária. O fato de que a compensação não foi realizada na forma ordinária prevista nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, com Lucro Real e Base de Cálculo da CSLL de períodos posteriores, mas com débitos incluídos na quitação favorecida instituída pelo art 3º da MP nº 470, de 2009, ao meu ver, não altera em nada a conclusão acima exposta. A 1ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara chegou à mesma decisão, por unanimidade de votos, no Acórdão nº 1301002.175, julgado em 24 de janeiro de 2017, da Relatoria do Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza: "Filiome à tese apresentada pela recorrente, no sentido de entender que a natureza jurídica do crédito decorrente de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL não se altera em face de sua utilização, seja para compensar com lucros futuros, seja para liquidar multas e juros no REFIS. (...) Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 993 28 Por outro lado, entendo que inexiste, no caso, acréscimo patrimonial necessário à incidência dos tributos exigidos no presente feito. O que houve, a bem da verdade, foi uma redução de ativo (ativo fiscal diferido) com uma correspondente redução de passivo (liquidação de multas e juros de débitos inseridos no REFIS), sem que tal fato represente qualquer incremento na situação patrimonial da recorrente, vez que está a ocorrer, no meu modo de ver, apenas um encontro de contas, uma compensação." Isto posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário quanto à citada infração, exonerando todo o crédito tributário (IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep) constituído sobre o montante de R$ 30.302.849,65. 4 DA INFRAÇÃO RELATIVA ÀS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS A Recorrente se insurge, ainda, quanto à tributação do montante de R$ 5.983.356,73, correspondente a adição que não teria sido computada na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Conforme o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, o referido valor corresponde à diferença entre o Lucro Real (relacionado ao parcelamento instituído pela MP 470/2009) apurado pela fiscalização (R$ 42.223.347,23) e aquele apurado pelo sujeito passivo (R$ 5.937.140,85), após a exclusão da infração relativa a omissão de receitas. Segundo a Recorrente, em primeiro lugar, a referida infração foi apurada pela autoridade fiscal por diferença do que chamou de Lucro da Anistia da MP nº470/09, com base em presunção e sem indicar quais seria as adições não computadas na apuração do Lucro Real. Além disso, tal diferença decorreria de erro incorrido pela Autoridade Fiscal "na recomposição do Lucro da MP nº 470/09 por não haver considerado a exclusão de valor de provisão não dedutível constituída em anos anteriores e não deduzida para fins das apurações tributárias, não podendo, portanto, a receita decorrente da respectiva reversão ser tributável no ano de 2009, período no qual a provisão foi realizada". Também neste tópico, há que se reconhecer a improcedência do lançamento. O exame do Termo de Constatação e Verificação Fiscal revela que a autoridade desconsiderou os lançamentos contábeis realizados pelo sujeito passivo e apurou um resultado paralelo, referente especificamente à adesão ao parcelamento instituído pela MP nº 470, de 2009, para, a partir da diferença encontrada, tributála como sendo parcela não adicionada pela Recorrente no Lucro Real. No seu entender, teriam sido infringidos os arts. 247 e 249 do RIR/99, in verbis: "Art.247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). §1ºA determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das Fl. 993DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 994 29 disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º). §2ºOs valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §4º). §3ºOs valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro RealLALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Art.249.Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; IIos resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único.Incluemse nas adições de que trata este artigo: Iressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alíneas "f", "g" e "i "); IIos pagamentos efetuados à sociedade civil de que trata o §3º do art. 146 quando esta for controlada, direta ou indiretamente, por pessoas físicas que sejam diretores, gerentes, controladores da pessoa jurídica que pagar ou creditar os rendimentos, bem como pelo cônjuge ou parente de primeiro grau das referidas pessoas (DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, art. 4º); IIIos encargos de depreciação, apropriados contabilmente, correspondentes ao bem já integralmente depreciado em virtude de gozo de incentivos fiscais previstos neste Decreto; Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 995 30 IVas perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade), realizadas em mercado de renda fixa ou variável (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §3º); Vas despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores, ressalvado o disposto na alínea "a" do inciso II do art. 622 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso IV); VIas contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V); VIIas doações, exceto as referidas nos arts. 365 e 371, caput (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso VI); VIIIas despesas com brindes (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso VII); IXo valor da contribuição social sobre o lucro líquido, registrado como custo ou despesa operacional (Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1º, caput e parágrafo único); Xas perdas apuradas nas operações realizadas nos mercados de renda variável e de swap, que excederem os ganhos auferidos nas mesmas operações (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §4º); XI – o valor da parcela da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, compensada com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de acordo com o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998 (Lei nº 9.718, de 1998, art. 8º, §4º)." Não há a indicação e comprovação, contudo, de quais valores, exatamente, deixaram de ser adicionados pelo sujeito passivo. O Acórdão recorrido, por outro lado, também só justifica a manutenção do lançamento nos seguintes termos: "Quanto ao Lucro real, a fiscalização adicionou R$ 8.881.293,82 (valor contido na conta "IPI a recuperar" no ano de 2009) e excluiu o valor de R$ 21.108.455,61 (reversão do saldo de provisão consolidado em 2009) além dos valores de R$ 12.344.365,03 e R$ 5.786.250,71 (referente às reduções de cem por cento das multas de mora e de ofício e noventa por cento dos juros de mora conforme benefício concedido pela MP 470/2009) totalizando um valor de exclusão de R$ 39.239.071,35. Confrontando os valores adicionados e excluídos pelo contribuinte e fiscalização, verificase que o contribuinte utilizou de valores não permitidos em total desacordo com a legislação tributária. (...) Fl. 995DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 996 31 Assim, a fiscalização apurou um Lucro Real de R$ 42.223.347,23 (R$ 72.581.124,76 + R$ 8.881.293,82 R$ 39.239.071,35). A diferença entre o valor do Lucro Real apurado pela fiscalização e pelo contribuinte corresponde ao valor de R$ 36.286.206,38 (R$ 42.223.347,23 R$ 5.937.140,85). Desta divergência, R$ 30.302.849,65 correspondeu à omissão de receitas citada acima, e R$ 5.983.356,73 correspondeu à adição não computada na apuração do Lucro real, motivo pelo qual tal infração também fica mantida. " Constatase, portanto, que a autoridade fiscal deixou de comprovar efetivamente a violação ao dispositivo legal invocado, de modo que o lançamento não merece prosperar. Tornase despicienda, deste modo, a análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, para justificar cada uma das adições e exclusões realizadas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Isto posto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário também quanto a este tópico, exonerando o crédito tributário (IRPJ e CSLL) constituído sobre o montante de R$ 5.983.356,73. 5 DA MULTA ISOLADA PELO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A referida infração é decorrência da suposta omissão de receitas no valor de R$ 30.302.849,65, de modo que, afastada aquela infração, conforme Tópico 3, acima, impõese como decorrência imediata o reconhecimento da improcedência também da imposição de referida penalidade isolada. 6 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as alegações de nulidade, e, no mérito, por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, exonerando todo o crédito tributário constituído por meio dos autos de infração de fls. 589 a 616. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10314.727981/201460 Acórdão n.º 1302002.380 S1C3T2 Fl. 997 32 Fl. 997DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004498/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/08/2001 a 30/04/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 44 98 /2 00 7- 34 Fl. 1479DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10580.004498/200734 Acórdão n.º 2202004.203 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 1481DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903543/2013-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN.
O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO.
Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO.
Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reporta-se ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias-primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP".
DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN.
Numero da decisão: 3001-000.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. O inciso III do artigo 151 do CTN, prevê que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. PRECLUSÃO. Face à ausência de contestação quanto a desconsideração fiscal dos custos inerentes ao consumo de gás, quando da apuração do crédito presumido do IPI, em sua manifestação de inconformidade, no julgamento de primeiro grau, a matéria quedou preclusa, sendo vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. IPI. BENEFÍCIO FISCAL. SUSPENSÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAL EXPORTADORAS COM FINS ESPECIFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente considera adquirido com o fim específico de exportação o produto remetido diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 de 1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 35 43 /2 01 3- 05 Fl. 130DF CARF MF 2 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. SÚMULA DO STJ. INAPLICABILIDADE. Inaplicável ao caso sob exame, que trata de litígio acerca da integração da base de cálculo os custos correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda, a Súmula 494 do Superior Tribunal de Justiça, na medida que seu enunciado reportase ao "benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". DIREITO TRIBUTÁRIO. REGRAS ISENTIVAS. INTERPRETAÇÃO LITERAL. No direito tributário, as regras sobre isenção devem ser interpretadas literalmente, não cabendo fazer interpretação extensiva e/ou ampliativa dos dispositivos, conforme disciplina o artigo 111 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 111 a 128) interposto contra o Acórdão 0131.567, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL, em sessão de julgamento realizada em 03.03.2015 (fls. 91 a 96), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 02 a 14), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 26793.75909.310709.1.1.013804, na qual informa possuir um saldo credor de IPI no montante de R$ 28.854,63, em que solicita o ressarcimento do tributo, referente ao 2º trimestrecalendário do ano de 2009. Vinculou ao citado ressarcimento, o PER/DCOMP 31901.01658.050809.1.3.017015 (fls. 58 a 87). Do Despacho Decisório Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 131 3 Em face do referido pedido, foi exarado despacho decisório Número de Rastreamento 076068229 que, com arrimo no Parecer SEFIS 189/2013, não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo ora recorrente. Para uma melhor compreensão, transcrevo, a seguir, seu item 3 (fl. 80): 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 28.854,63 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 31901.01658.050809.1.3.017015 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 26793.75909.310709.1.1.013804 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2014. PRINCIPAL MULTA JUROS 25.972,69 5.194,53 11.431,21 Para informações complementares da análise de crédito, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Fl. 132DF CARF MF 4 Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, e art. 179 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Leis nº 9.363/96 e nº 10.276/2001. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 25.03.2014, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese: Em preliminar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso III do artigo 151 do CTN. No mérito: (a) discordando da argumentação da autoridade fiscal, quando esta afirma que para se aproveitar, na apuração da base de cálculo do tributo, dos valores referentes à industrialização por encomenda e combustível (gás), deveria o impugnante ter optado pela apuração do crédito presumido através do regime instituído pela Lei 10.276/2001, aduz que para seu aproveitamento nem mesmo se faz necessário ser contribuinte do imposto, consoante prescreve a súmula 494 do STJ, entendimento, inclusive, já pacificado pela CSRF, conforme dispõem as ementas dos acórdãos CSRF/0201.905, CSRF/0201.857 e CSRF/0201.754; (b) quanto a acusação de descumprimento dos prérequisitos estipulados na legislação de regência, para que determinada operação seja aceita como venda para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, aduz que sobressai incontroverso, não obstante admitir não ter seguido "passoapasso" as normas que a legislação impõem para a caracterização desta modalidade de exportação, que, consoante a documentação apresentada à fiscalização, comprovou que encaminhou sua produção para exportação por meio de empresa comercial exportadora, bem como que referidas mercadorias foram efetivamente exportadas, razão pela qual reafirma seu direito a homologação do crédito de IPI que apropriara em decorrência das exportações realizadas. Em face do exposto, requer seja acolhida a provida a manifestação de inconformidade para ver declarada as compensações realizadas, vez que se encontram de acordo com os preceitos legais e regulamentares de regência; e a inclusão no benefício em questão dos valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como as aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como antes explicitado. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do acórdão recorrido, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 132 5 Os créditos presumidos do IPI somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, de demonstrativo referente à fruição do benefício. COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, descaracteriza a aquisição com o fim específico de exportação. CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO. OPÇÃO. Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do IPI, na forma da Lei nº 10.276, de 2001, valendo essa opção por todo o anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado com a decisão formalizada pelo acórdão vergastado, o requerente interpôs recurso voluntário, reprisando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Para demonstrar a absoluta identidade das alegações suscitadas em ambas as peças recursais, é suficiente transcrevermos o trecho denominado "3 DO PEDIDO": (...) À vista do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação fiscal em comento, requer que seja acolhido e provido o presente Recurso para: 3.1 declarar que as compensações realizadas se encontram de acordo com os preceitos legais e normatização de regência; e 3.2 incluir no benefício em questão os valores referentes às exportações indiretas e industrialização por encomenda. Nestes Termos, Pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Fl. 134DF CARF MF 6 Prolegômeno O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3001000.074 de 31 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 15586.721132/201254, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.074): "Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Preâmbulo 1 Contextualizando o presente litígio, cabe ressaltar que, como já explicitado no relatório supra, o contribuinte reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, defende a possibilidade de utilização dos custos de serviços de industrialização por encomenda e, no caso das vendas para comercial exportadora, alega que embora não tenha cumprido com as normas administrativas e procedimentais impostas pela legislação de regência, entende ser inconteste o direito pleiteado, haja vista ter comprovado a exportação das mercadorias. Preâmbulo 2 O cotejo entre a manifestação de inconformidade e a presente peça recursal, ora examinada, revela que, quando da apresentação do primeiro recurso, é induvidoso que o contribuinte em nenhum momento se defendeu quanto a desconsideração, quando da elaboração do cálculo da base de cálculo dos valores referentes aos combustíveis (gás); tal como efetuada pela fiscalização. É o que se depreende do subitem 4.2 do item 4 "DO PEDIDO" da sua manifestação de inconformidade, na medida em que requer, tal como está escrito, "incluir no benefício em questão os valores referentes à operação de industrialização por encomenda, bem como aquisições de mercadorias para industrialização realizadas no exterior, nos moldes como explicitado na presente peça". Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235 de 1972, bem como aos artigos 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC). Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada na referida divergência, por estar tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Preâmbulo 3 Sem embargo, embora neste processo não se aprecia qualquer discussão acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação, tratarei do tema, em breves linhas, tendo em vista a preocupação demonstrada pelo recorrente, a fim de não dar margem a eventual alegação de cerceamento de defesa. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 133 7 É fato que a partir de 31.10.2003, com a edição da MP 135 convertida na Lei 10.833 de 2003, a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Neste passo, o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, dispõe que: as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Nestes termos, reafirmo a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente litígio. Mérito Das vendas para comercial exportadora. Fim específico de exportação O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse pelo descumprimento do “fim específico de exportação” na venda para a comercial exportadora. Alega o recorrente em seu recurso premissas que diz consistirem de aspectos não controvertidos no caso concreto os quais seriam capazes de conduzir à correta conclusão no sentido de que realizou a exportação, mesmo que, sem cumprir com os ditames legais e regulamentares que regem a matéria e de forma indireta, por meio da venda com fim específico. A fiscalização, com base nas notas fiscais apresentadas e demais informação prestada pelo contribuinte, verificou que nas respectivas operações de vendas os produtos eram enviados para o estabelecimento do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado. Esclarecendo que juntamente com a relação das exportações feitas através de comerciais exportadoras e das notas fiscais que comprovassem estas vendas, o contribuinte apresentou “memorandos de exportações”, a fim de comprovar a efetiva exportação das mercadorias. Diante dos fatos apontados, o Fisco constatou que o contribuinte descumpriu o disposto no artigo 42, inciso V, alínea "a", parágrafo 1º, do Decreto 4.544 de 2002 RIPI, bem como o artigo 39, inciso I, parágrafo 2º, da Lei 9.532 de 1997, que determinam que a remessa direta dos produtos a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, é condição necessária para a fruição da suspensão do IPI na saída dos produtos do estabelecimento industrial. Nesse contexto, para avaliar se as operações de venda efetuadas pelo “produtor/vendedor” estão ou não cobertas pela suspensão do IPI, há que se perquirir as normas relativas às operações de comércio exterior, que regulamentam as empresas comerciais exportadoras (ECE), bem como as suas aquisições de mercadorias no mercado interno para o fim específico de exportação. Adianto desde já que o benefício fiscal de que aqui se trata não é o previsto na Constituição Federal (imunes à incidência de contribuições, por força do inciso I, § 2º, do artigo 149, da CF) para as operações de exportação, mas sim o previsto em Lei e sua regulamentação, para as operações de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas Fl. 136DF CARF MF 8 comerciais exportadoras, quando os produtos sejam adquiridos com o fim específico de exportação. Desta forma, quanto ao imposto tratado nestes autos (IPI), temos que o artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, assim dispõem: Art. 42 Poderão sair com suspensão do imposto: (...) V os produtos, destinados A exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim especifico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); (...) § 1º No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º). (grifei) Destacase que os dispositivos acima citados, regulamentaram o artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, que estabelece: Art. 39 Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para melhor deslinde da presente questão, trago, por oportuno, a manifestação da Divisão de Tributação da SRRF/9ª RF, por meio da Nota Disit 8 de 25.08.2004, da qual transcrevo, com as devidas adaptações, alguns excertos, adotandoas como razão de decidir, com fundamento no § 1º do artigo 50 da Lei 9.784 de 1999. Pois bem. Observase que o artigo 14, inciso VIII, da Medida Provisória 2.15835 de 2001, ao tratar das empresas comerciais exportadoras, restringeas àquelas do DecretoLei 1.248 de 1972, sendo que, logo em seguida, o inciso IX do mesmo artigo se refere a “empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”. Os demais artigos da Lei falam Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 134 9 simplesmente em “empresa comercial exportadora”, sem apontarlhe qualquer característica especial. E, em todas as hipóteses, condicionase a fruição dos benefícios fiscais em tela (isenção ou nãoincidência do IPI, nas vendas à comercial exportadora) ao “fim específico de exportação” da venda. Disso isto, e se valendo, ainda, da conhecida regra de hermenêutica segundo a qual o intérprete não deve distinguir onde a lei não o fez, decorre que quando a lei não é expressa em sentido contrário (como ocorre na norma antes referenciada), a alusão que faz a empresa comercial exportadora abrange qualquer pessoa jurídica do gênero e não apenas aquelas disciplinadas pelo DecretoLei 1.248 de 1972. Com efeito, existem, no ordenamento jurídico pátrio, duas espécies de empresas comerciais exportadoras: (i) a empresa comercial exportadora que poderíamos chamar de comum, e (ii) a constituída nos termos da mencionada norma legal, também conhecida como trading company. A primeira (ECE comercial exportadora comum) é regida pelo Código Civil, não se diferenciando, em seus aspectos formais, das demais pessoas jurídicas, entre as quais se individualiza tãosomente em função do seu objeto social. À segunda (trading company), ao contrário, aplicamse requisitos especiais de constituição e funcionamento, previstos no artigo 2º do citado DecretoLei, quais sejam: (a) exigência de registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A (Cacex) (hoje cadastro do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), e na Receita Federal do Brasil, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda e veiculadas na Portaria/MF 438 de 26.05.1992; (b) constituição sob a forma de sociedades por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; e (c) exigência de capital mínimo, fixado pelo Conselho Monetário Nacional e tornado público pela Resolução/Banco Central do Brasil 1.928 de 26.05.1992. As empresas comerciais exportadoras comum (ECE) ou não trading, sujeitamse às regras gerais a que estão submetidos todos os exportadores, entre elas a inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI), da SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, inscrição essa disciplinada por Portaria da SECEX, que consolida as disposições regulamentares das operações de exportação. Essa mesma Portaria dispõe, que “o registro especial para operar como Empresa Comercial Exportadora, de que trata o DecretoLei e legislação complementar, deverá observar os procedimentos previstos em Comunicado DECEX”. Em termos de legislação tributária, a menção a empresa comercial exportadora deve ser entendida, em regra, como abarcando tanto aquelas sujeitas a registro especial, como as demais, inscritas somente no REI. A Coordenação do Sistema de Tributação (CST), no Parecer Normativo 42 de 1975, reconhecia que o DecretoLei 1.248 de 1972, não revogara as demais disposições legais atinentes a empresas exportadoras não trading, aduzindo o que segue: (...) Fl. 138DF CARF MF 10 9. Diante dessas considerações tornamse claras as diferenças, para os efeitos da legislação reguladora de estímulos fiscais à exportação de manufaturados, entre Empresa Comercial Exportadora de que trata o DecretoLei nº 1.248/72 e as empresas exportadoras ou que operam no comércio exterior referidas no art. 8º do Decreto nº 64.833/69 e no artigo 7º, inciso X, letra “a”, do RIPI. Diferenças advindas, principalmente, das formas de operações que executam, resultando em momento e condições diversas de gozo de incentivos fiscais. 10. A conclusão que se impõe, pois, é a de que, tratandose de empresas sujeitas a normas reguladoras diferentes, as atividades exercidas por uma não atingem e nem limitam ou excluem as atividades da outra. (...) Assim sendo, no presente caso, como a indústria estava lidando com comercial exportadora comum (não trading), para valerse da isenção do imposto (IPI) na operação de venda, deveria remeter os produtos diretamente, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, enquanto que se a venda estiver sendo feita a comercial exportadora do DecretoLei 1.248 de 1972 (trading), ela (a indústria) poderia enviar os produtos, ainda, ao recinto de uso privativo da comercial exportadora de que trata o artigo 14 da IN SRF 241 de 2002, por sua conta e ordem. A única dúvida que se poderia suscitar diz com a interpretação do que seria, no caso, o “fim específico de exportação”. No entanto, a definição dada pelo § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997 não deixa margem de dúvidas. Vejase. Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) Nesse sentido, o § 1º do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002, que regulamenta o IPI (RIPI), adotou expressamente o texto fixado no § 2º do artigo 39 da Lei 9.532 de 1997, para efeito de condicionar a isenção prevista no artigo 14 da MP 2.15835 de 2001. Portanto, foi o próprio artigo 39 da citada lei que sujeitou a suspensão em tela à condição de que a aquisição tivesse o “fim específico de exportação”, caracterizado esse “fim específico” pela remessa direta dos produtos, pelo estabelecimento industrial vendedor, a embarque de exportação ou a recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, norma incorporada pelos regulamentos do IPI, editados a partir de 1997 (§ 2º do inciso VI do artigo 40 do Decreto 2.637 de 1998 (RIPI/1998), e § 2º do inciso V do artigo 42 do Decreto 4.544 de 2002 (RIPI/2002). Desta forma, a suspensão do IPI está condicionada à remessa direta dos produtos vendidos ao embarque de exportação ou a recinto alfandegado, tratandose de providência da alçada da indústria (produtora), ainda que por conta e ordem da comercial Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 135 11 exportadora e, nem poderia ser diferente, pois é com essa obrigatoriedade que o Fisco consegue manter controle dos benefícios fiscais auferidos pelos contribuintes, dificultando eventuais desvios na destinação dos produtos, evitando que sejam comercializados indevidamente no mercado interno. Ocorre que o contribuinte, conforme consta dos dados das notas fiscais e sua própria informação, entregou os produtos no endereço do próprio adquirente, que não é recinto alfandegado, infringindo a determinação legal. Em que pese a seu pleito, não há como prosperar a argumentação do recorrente, haja vista que a legislação tributária (a lei e o regulamento do IPI) estabelece que “consideramse adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, devendo tal norma, uma vez que concede suspensão do IPI, ser interpretada de forma literal, consoante o que dispõe o artigo 111 do CTN, não cabendo, pois, interpretação ampliativa, como defende o recorrente. Serviços de industrialização por encomenda O indeferimento do pleito, neste tópico, deveuse ao fato de o contribuinte não ter optar pelo regime alternativo instituído pela Lei 10.276 de 2001, cujos incisos I e II do § 1º do seu artigo 1º traz textualmente quais os custos que poderão ser aproveitados na base de cálculo do crédito presumido. Alega o recorrente, basicamente, que faz jus ao aproveitamento desses créditos, pois além de a norma não exigir sequer que seja contribuinte do IPI, para gozar do referido benefício, a questão já foi pacificada, a seu favor, no âmbito do STJ, consoante prescreve a súmula 494 daquela corte. Esta matéria, qual seja, a da possibilidade de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996, os valores pagos a título de industrialização por encomenda, não é nova no âmbito do processo administrativofiscal. Neste sentido esclareço, desde já, que me filio à corrente de que no regime estatuído pela citada norma tal apropriação não encontra amparo legal. Como antes já manifestado, entendo que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Para tanto, esclareço que discordo do entendimento segundo o qual as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no artigo 175 do CTN, pois, partilho da opinião de que referida prescrição somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não podem ser consideradas as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, intuo que a redação do artigo 111 do CTN seria, no mínimo, inaplicável quando prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as Fl. 140DF CARF MF 12 regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Vejamos a redação do artigo 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É neste sentido que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe a norma retro reproduzida. Em verdade, entendo que a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção, na medida em que escampa às regras do que seria o tratamento tributário ordinário. Me permito, a fim de corroborar meu entendimento quanto ao tema, transcrever, a seguir, trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (grifei) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido a presente premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei 9.363 de 1996: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 136 13 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8 de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (grifei) Portanto, a interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Logo, ainda que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, concluo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto que posteriormente à edição do referido benefício fiscal sobreveio, com a edição da Lei 10.276 de 2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal, na parte que interessa ao presentes exame: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: Fl. 142DF CARF MF 14 I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. Evidente que se o contribuinte quisesse se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda, obrigatoriamente, deveria ter feito a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei 10.276 de 2001, o que, como sabido, não fez. Logo, ao ter optado pela fórmula de cálculo da Lei 9.363 de 1996 impossível fazer uso desse benefício, por absoluta falta de previsão legal. Então é de se afastar a tese defendida pelo recorrente de que neste caso, a industrialização por encomenda teria dado suporte a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem para posterior utilização no seu processo produtivo. Noutros termos, rechaçasse a ideia de que a industrialização por encomenda seria uma forma de aquisição destes insumos para utilização no processo produtivo e atenderia então ao disposto no artigo 1º da Lei 9.363 de 1996. Da Súmula 494 do STJ Por fim, o recorrente avoca, em assento aos seus argumentos de defesa, a aplicação dos ditames contidos no enunciado da súmula 494 do STJ, relativamente a não aceitação, para fins do aproveitamento na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos custos inerentes a prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda. No entanto, o que foi sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da mencionada súmula, diz respeito a tema diverso do tratado nos presentes autos. Vejamos, pois seu enunciado: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP." Naquela oportunidade o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, quanto a sistemática do recurso repetitivo previsto no artigo 543C do CPC, quanto ao condicionamento para fins de aplicação de incentivo fiscal aos insumos adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/Pasep, na apuração do cálculo do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei 9.363 de 1996. Portanto, descabida a pretensão do recorrente, no que se refere a Súmula 494 do STJ, o que torna impossível suscitar a cominação da alínea "b" do inciso II do § 1º do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10783.903543/201305 Acórdão n.º 3001000.067 S3C0T1 Fl. 137 15 Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do RICARF (Portaria MF 343 de 09.06.2015), nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000162/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 62 /2 00 8- 11 Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10803.000162/200811 Acórdão n.º 9202005.812 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 540DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.001905/2007-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 19 05 /2 00 7- 04 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.398, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 4 3 Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 6 5 monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. i) rateio das receitas de exportação 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 7 6 O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 8 7 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 9 8 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 10 9 O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10950.001905/200704 Acórdão n.º 9303005.837 CSRFT3 Fl. 11 10 transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 634DF CARF MF
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