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Numero do processo: 14485.001823/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/01/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ N° 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1°, II, C, DO RICARF.
Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1°, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002.
Numero da decisão: 2201-004.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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SEGURO DE VIDA COLETIVO. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. PARECER PGFN/CRJ N° 2119/2011 APROVADO PELO MINISTRO DA FAZENDA. ART. 62, §1°, II, C, DO RICARF. Não incide contribuição previdenciária sobre valor pago a título de seguro de vida em grupo, independentemente da existência ou não de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF 343, de 2015, art. 62 §1°, inciso II, os membros das turmas de julgamento do CARF devem observar em suas decisões a existência de dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos artigos 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 18 23 /2 00 7- 46 Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.863 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1622.003 11a Turma da DRJ/SP1, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. O crédito tributário corresponde à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 37.049.0495, de 18/12/2006, relativa às contribuições sociais a parte do segurado, parte da empresa, a destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho – SAT (período até 06/1997), a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em ração do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (período a partir de 07/1997) e as destinadas a terceiros, incidentes sobre pagamentos de prêmios de seguro de vida em grupo em favor de segurados empregados, no período de 06/1996 a 01/2006, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 139/142, vol. 1. Informa o Relatório Fiscal que as contribuições apuradas são devidas pelas empresas BV Serviços Ltda CNPJ 01219.624/000167, BV Promotora de Vendas Ltda. CNPJ. 04.507.767/000162 e BV Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento, CNPJ. 01.149.95389. As duas primeiras foram incorporadas pela terceira em 30/06/2004, o que a torna responsável pelas obrigações tributárias das empresas incorporadas, nos termos do art.132 da Lei n.° 5172/66. O valor lançado atinge o montante de R$ 770.677,63 (setecentos e setenta mil e seiscentos e setenta e sete reais e sessenta e três centavos), consolidado em 18/12/2006. O lançamento é fundamentado no art. 28 da Lei n.° 8.212/91, que determina que o saláriodecontribuição do segurado empregado compreende o total da remuneração auferida no mês, com as exceções exclusivas relacionadas no parágrafo 9º desse artigo. O Relatório Fiscal informa que, para que os valores de prêmios de seguro de vida em grupo não integrassem o saláriodecontribuição, deveriam ter sido cumpridas as condições previstas no Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 265/99, que são: previsão em acordo ou convenção coletiva e disponibilidade para todos os empregados e dirigentes. Não está previsto nas convenções coletivas de trabalho o pagamento desse benefício. As empresas BV Serviços e BV Promotora pagaram prêmio de seguro de vida em grupo a seus empregados até 06/2004, quando incorporadas pela BV Financeira. A BV Financeira pagou o prêmio a partir de 07/2004. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo (fls. 2769/2792): Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.864 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Integra o saláriodecontribuição o valor pago relativo a prêmio de seguro de vida em grupo que não está previsto em convenção ou acordo coletivo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. PRORROGAÇÃO. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal será emitido por ocasião do início do procedimento fiscal e tem por objetivo informar ao sujeito passivo que está sujeito a verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Do MPF será dada ciência ao representante legal, ao mandatário, ou ao preposto do sujeito passivo. O MPF pode ser prorrogado. A ciência da Notificação depois de expirado o prazo do MPF não implica nulidade do lançamento que atendeu aos ditames do art 142 do CTN. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal STF, por meio da Súmula Vinculante n.° 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias, mencionadas nos artigos 2o e 3o da Lei n° 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional Lei n.° 5.172/66. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. O Relatório de Co responsáveis não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. LEGALIDADE. CONSTTTUCIONALIDADE. Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.865 4 A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. MULTA. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01,04,1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no §1° do art. 161. Em face da referida decisão, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, alegando que incorreu em equívoco a autoridade fiscal e a decisão recorrida, uma vez que há a previsão de seguro de vida em grupo na Convenção Coletiva de Trabalho. Na hipótese de não acolhimento de sua tese, roga pela redução da multa de mora dos atuais 30% para o percentual de 2%. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do mérito De acordo com o Relatório Fiscal, os valores de prêmios de seguro de vida em grupo para que não integrassem o saláriodecontribuição, deveriam cumprir as condições previstas no Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto n° 3265/99, que são: previsão em acordo ou convenção coletiva e disponibilidade para todos os empregados e dirigentes. No caso que se cuida, a Fiscalização assinalou que o pagamento do seguro de vida em grupo não está previsto nas respectivas Convenções Coletivas de Trabalho (CCT), sendo o pagamento desse benefício parcela integrante do saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. Entretanto, restou sobejamente comprovado nos autos que há na CCT, cláusula no sentido de que fica dispensada de conceder auxílio funeral a empresa que mantiver seguro de vida em grupo em favor do empregado. Apesar de a referida cláusula não obrigar a recorrente a contratar seguro de vida em grupo, ao menos faculta a sua instituição, a fim de que as empresas se desobriguem da concessão do auxílio funeral. Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.866 5 Todavia, a constatação acima não merece maiores digressões, tendo em vista a existência do Parecer PGFN/CRJ n° 2.119/11. Quanto a essa matéria, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu o referido parecer, que tem a seguinte ementa: Contribuição Previdenciária. Seguro de Vida em Grupo. O seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles não se inclui no conceito de salário, afastandose, assim a incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. Procuradora Geral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda As razões que justificaram o Parecer podem ser resumidas em seus seguintes trechos: Convém esclarecer, demais disso, que os valores pagos a título de seguro de vida em grupo não integravam o rol de exceções ao conceito de saláriodecontribuição previsto originalmente no §9° do art 28 da Lei n° 8.212/91. Todavia, com a Lei n° 9.528/97, tal verba foi incluída dentro das exceções legais. Deste modo, a Fazenda Nacional tem alegado, relativamente a esse período o qual antecede a edição da Lei n° 9.528/97, que a redação original do §9° do art 28 da Lei n° 8.212/91 não previa o seguro de vida pago em grupo por empresa como exceção ao conceito de saláriodecontribuição em virtude, justamente, de sua natureza salarial. Todavia, o Poder Judiciário tem entendido em sentido contrário, restando assente no âmbito do Superior Tribunal de Justiça que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor de um grupo de empregados, sem haver individualização do montante que beneficia a cada um deles, não se inclui no conceito de salário. Tal entendimento do STJ tem sido aplicado, inclusive, para o período anterior às modificações promovidas pela Lei n° 9.528/97, fundamentandose que a interpretação teleológica do dispositivo conduziria a tal ilação, porque o empregado não usufruiria, individualmente, o valor pago pelo prêmio. Em virtude desse parecer foi editado o Ato Declaratório n° 12/2011 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional o qual autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles". Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.867 6 O despacho do Ministro da Fazenda, publicado em 09.12.2011, ratificou esse Ato Declaratório, que vincula os integrantes deste Colegiado, por força do art. 62, §1°, II, c, da Portaria MF n° 343/15, que aprovou o Regimento Interno deste CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Como relatado, depreendese do relatório fiscal, que o lançamento referente a seguro de vida foi efetuado porque não constava em acordo ou convenção coletiva de trabalho, nos termos do § 9° do art. 214 do Decreto n° 3.048/99. Não foi levantado pela auditoria se o seguro contratado pelo recorrente era seguro de vida na modalidade coletiva/grupo e estava disponível à totalidade dos empregados. Como o Parecer da PGFN foi emitido tendo por razão as decisões do Superior Tribunal de Justiça que entendeu que a exceção da incidência de contribuições previdenciárias do seguro de vida abarcava inclusive os fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei n° 9.528/97, e essa exceção não está condicionada à previsão em acordo coletivo ou convenção coletiva de trabalho, entendo que o parecer da PGFN se amolda ao caso em questão. Assim, por força do Parecer PGFN/CRJ n° 2.119/11 c/c art. 62, 'c' do RICARF deve ser provido o presente recurso. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 14485.001823/200746 Acórdão n.º 2201004.797 S2C2T1 Fl. 2.868 7 Fl. 2868DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900725/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 72 5/ 20 12 -3 7 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.900725/201237 Resolução nº 3402001.960 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.900725/201237 Resolução nº 3402001.960 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.900725/201237 Resolução nº 3402001.960 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001338/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO.
Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO
O lançamento foi realizado com a aplicação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, de forma correta, não havendo, portanto, qualquer insubsistência quanto à incidência da multa aplicada.
Consoante os termos da Súmula CARF nº 2:O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-006.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O lançamento foi realizado com a aplicação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, de forma correta, não havendo, portanto, qualquer insubsistência quanto à incidência da multa aplicada. Consoante os termos da Súmula CARF nº 2:O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado para apresentação de documentos de seu interesse e defesa, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como determina o artigo 142 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. Tributamse, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O lançamento foi realizado com a aplicação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, de forma correta, não havendo, portanto, qualquer insubsistência quanto à incidência da multa aplicada. Consoante os termos da Súmula CARF nº 2:“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 13 38 /2 00 7- 77 Fl. 422DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II – SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1730.565 (fls. 388/399): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CLAREZA DO AUTO DE INFRAÇÃO Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não existe obscuridade no procedimento fiscal, que foi devidamente fundamentado, houve descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, estando os autos acompanhados de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade fiscal. DIREITO CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PRINCIPIO DO NÃO CONFISCO. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13888.001338/200777 Acórdão n.º 2401006.168 S2C4T1 Fl. 3 3 A vedação quanto à instituição de tributo com efeito de confisco é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 348/349), lavrado contra o Contribuinte em 04/06/2007, relativo ao exercício 2003, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 41.603,87, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 31.202,90 e Juros de Mora, calculados até 05/2007, no valor de R$ 27.254,69, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 100.061,46. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 341/345): 1. Analisando todos os documentos, a fiscalização constatou que neles constava todo um histórico de abertura e movimentação das contas de n° 605.796 e 605.606 no Delta National Bank Florida, com cadastro, relatórios de gerentes, cartões de assinatura e extratos de movimentação financeira, em nome do Sr. Maks Weiser, sua esposa Celina Weiser e sua filha Carla Weiser; 2. Podese observar que no encerramento das atividades da empresa Transocean, aberta apenas para intermediar compra e venda de veículos, conforme afirmou o declarante, restaram saldos positivos de numerário nas duas contas correntes mantidas em Miami, Estados Unidos, cujos titulares eram Maks Weiser, Celina Weiser e Carla Weiser Chaim, e que evidentemente foram movimentados pelos seus titulares, e segundo o Sr. Maks Weiser, em razão do encerramento da empresa Transocean. É certo que as contas bancárias foram definitivamente encerradas em 31 de outubro de 2002, conforme consta de documento bancário interno do Delta Bank anexado aos autos. Estes mesmos documentos internos do Delta Bank informam a razão do encerramento das contas: “Cliente solicitou resgate de fundos pois suas vendas caíram 50% e ela tem compromissos no Brasil para honrar" 3. Esses recursos, conforme documento apresentado pelo Sr. Maks Weiser em 8 de março de 2007, foram usados para amortizar dívida da União de Veículos S/A, empresa da qual o Sr. Maks Weiser é o principal sócio e por consequência sua cônjuge meeira, Celina Weiser, e também sua filha Carla Weiser, que é sócia da Mackel Participações S/A, controladora da União de Veículos. 4. Portanto, os recursos originários do encerramento das contas transitaram, segundo o contribuinte, da Pessoa Física para a conta Transunion, e em seguida para a conta do Banco de Boston. São recursos que restaram do encerramento da empresa Transunion e portanto destinado às pessoas físicas que ficaram com o resultado líquido do encerramento da empresa. Fl. 424DF CARF MF 4 5. Esses recursos de pessoas físicas foram, segundo o Sr. Maks Weiser, em documento de 08/03/2007, aportados na empresa em que eles são sócios, União de Veículos S/A, através de amortização de dívida da empresa no exterior. Tais recursos não constaram das respectivas declarações de ajuste anual de imposto de renda da pessoa física de nenhum deles. 6. Caracterizada a omissão de rendimentos decorrentes de créditos em contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada a titular mediante a divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares (Lei n° 9.430/96, art. 42, § 6°, Lei n° 10.637/02, art. 58 e IN 246/02, art. 1°, § 2°). 7. Incluindose nas declarações de bens dos contribuintes os créditos disponíveis como consequência do encerramento das atividades da empresa Transocean, em julho de 2.002, apuramos acréscimo patrimonial a descoberto, conforme demonstrativo anexo. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, via Correio, em 14/06/2007 (AR fl. 354) e, em 06/07/2007, apresentou sua Impugnação de fls. 356/371, instruída com os documentos de fls. 372 a 385. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1730.565, em 17/03/2009 a 11ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio (AR fl. 402), em 13/04/2009 e, inconformado com a decisão prolatada, em 06/05/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 403/420, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. O Auto de infração foi lavrado, promovendose o enquadramento do requerente de forma genérica, haja vista que a sua descrição quanto ao enquadramento apontam para duas tipificações, sem que ficasse delineado por qual delas se deu a autuação.; 2. Embora se alegue a existência de valores em conta no exterior, não houve, conforme consta dos argumentos utilizados no termo de encerramento de diligências creditamento de valores por parte do recorrente, mas sim, a mantença de valores já existentes na conta bancária, que pertencia a empresa. Não houve disponibilidade econômica dos valores pelo recorrente pessoa física, pois se tratava de valores oriundos de saldos positivos da empresa, pessoa jurídica, que serviu, apenas, para quitar obrigações com o Banco de Boston. O certo é que, sem aquisição de disponibilidade econômica (fática) ou jurídica (documental) e sem acréscimo patrimonial, não há possibilidade de ocorrência da hipótese de imposição do imposto sobre a renda; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13888.001338/200777 Acórdão n.º 2401006.168 S2C4T1 Fl. 4 5 3. A multa de 75% é considerada excessiva. Se mantida a exigência fiscal principal, deve a multa imposta ser reduzida para percentagem condizente com a realidade dos fatos e que não caracterize confisco do patrimônio do contribuinte.; Finaliza seu RV requerendo seja acolhida a preliminar suscitada, decretando se a nulidade e se dissidente o entendimento, que seja, no mérito, julgado procedente o Recurso, cancelandose o Auto de Infração lavrado. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração – cerceamento do direito de defesa O Recorrente alega nulidade do Auto de Infração por haver sido o mesmo supostamente lavrado de maneira genérica, não tornando claro ao contribuinte se a autuação havia decorrido de ganho de capital ou acréscimo patrimonial a descoberto, impossibilitando, assim, o exercício de seu direito de defesa, o que acarretaria a nulidade do procedimento administrativo em questão. Entretanto, diferente do que alega o Recorrente, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Basta simples leitura do Termo de Verificação Fiscal para se constatar que a autoridade autuante foi clara ao descrever a infração perpetrada pelo contribuinte. É o que se verifica do trecho que se segue: Deste modo, os contribuintes ficaram sujeitos ao lançamento de ofício através de auto de infração, do Imposto de Renda da Pessoa Física, pelo aferimento de rendimentos constituídos por acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, conforme prevê o art. 3°, § l° da Lei n° 7.713/88. (fls. 345) É de se ressaltar, outrossim, que durante o procedimento fiscal o contribuinte foi notificado para apresentar esclarecimentos, sempre acerca de acréscimos patrimoniais, o que já denota que, desde o início, o mesmo já sabia qual o teor do procedimento administrativo em questão, não se afigurando sequer razoável sua alegação de impossibilidade de defenderse. Vislumbrase ainda que o agente autuante ao lavrar o Auto de Infração (fls. 349), no campo concernente ao “Enquadramento Legal” apresentou o embasamento jurídico da autuação de maneira explícita, apontando para tal unicamente os artigos Arts. 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n°7.713/88, arts. 1° e 2°, da Lei n°8.l34/90, Arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 Fl. 426DF CARF MF 6 e 807 do RIR/99, os quais, como é sabido, contemplam a caracterização de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Não houve, portanto, qualquer utilização de fundamentação legal caracterizadora do ganho de capital. Portanto, conforme se verifica dos documentos supramencionados, restou plenamente demonstrado que o lançamento do crédito tributário se deu de maneira clara e precisa, especificando de maneira satisfatória os fatos que lhe deram origem, ou seja, apontaram incisivamente o fato gerador da obrigação tributária exigida. Ademais, a ausência de prejuízo ao direito à ampla defesa do contribuinte se corrobora inclusive pela apresentação de Impugnação apresentada à DRJ e de seu Recurso Voluntário ora em análise, ocasião em que teve a oportunidade de rebater todas as infrações que lhe foram imputadas. Não vislumbro, pois, qualquer prejuízo ao Recorrente em seu direito à ampla defesa. Conforme se verifica dos autos, foi devidamente instaurado o procedimento administrativo, com a devida identificação do Auditor Fiscal responsável, realização de intimações necessárias objetivando os esclarecimentos dos fatos analisados. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, com clareza na motivação, e o contribuinte teve ampla oportunidade de defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. Dessa forma, não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e o auditor fiscal agiu de forma regular e balizou sua conduta dentro das provas obtidas e carreadas ao processo. Dessa forma, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Do Acréscimo Patrimonial a descoberto O contribuinte questiona o lançamento fiscal sob a alegativa de inexistência de demonstração pela autoridade fiscal do nexo causal entre os valores havidos em conta no exterior e a omissão de receita apontada. Atesta não ter havido disponibilidade econômica ao contribuinte pessoa física dos valores creditados decorrentes do saldo positivo da empresa proveniente do exterior, uma vez que tais valores foram exclusivamente empregados na quitação de dívidas que a mesma mantinha junto a outra instituição financeira. Reverbera que a ausência de disponibilidade econômica dos valores impede a subsunção do fato à norma, não tendo, portanto, havido fato gerador autorizador da cobrança do tributo, uma vez que não representaram um acréscimo patrimonial. Aponta ainda que a mera existência de depósitos bancários não são capazes de configurar o auferimento de renda, devendo haver nexo de causalidade entre aqueles e a omissão de rendimentos apontada, não podendo o Fisco se utilizar de presunções. Finaliza alegando que em momento algum a fiscalização logrou êxito em comprovar que os depósitos existentes caracterizaram aumento do patrimônio do Recorrente. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13888.001338/200777 Acórdão n.º 2401006.168 S2C4T1 Fl. 5 7 Entretanto, basta simples análise da documentação carreada a estes autos para cristalinamente chegarse à conclusão de que os valores apontados como omitidos pelo Recorrente em sua DIRPF são exatamente aqueles o saldo remanescente na conta existente no exterior, após o encerramento da empresa da qual era sócio. Ora, o artigo 43 do Código Tributário Nacional é categórico: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 que dispõe, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Do presente se extrai que para a incidência do imposto sobre a renda basta que a mesma tenha sido percebida pelo contribuinte a qualquer título. No presente caso não restam dúvidas de que o foi, tendo ocorrido, de fato, o acréscimo patrimonial o qual não foi declarado. Fl. 428DF CARF MF 8 É de bom alvitre lembrar que acréscimo patrimonial a descoberto caracteriza se pela existência de numerários existentes à disposição do contribuinte superior à soma dos rendimentos, tributáveis ou não, às outras receitas declarados por aquele. Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). E foi, de fato, o que ocorreu, apurouse na conta do Recorrente a existência de numerário superior àquele por ele declarado em sua declaração de ajuste, restando patente a existência de um patrimônio não justificado por rendimentos declarados. Perfeita, portanto, a subsunção do fato à norma, ensejando a incidência do imposto sobre a renda nos moldes realizados. Destaquese também que o acréscimo patrimonial comprovadamente pelo Fisco como a descoberto, passou a ser presumidamente considerado omissão de rendimentos se o contribuinte não comprovar a origem dos acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva, declarados em sua DIRF. Ademais, a autuação foi fartamente corroborada por meio de documentação obtida através de procedimento de investigação da Policia Federal com autorização judicial para sua obtenção. Dessa forma, restou plenamente demonstrada a existência do acréscimo patrimonial a descoberto que deu causa à autuação ora combatida, não havendo que se falar em descaracterização da infração como pretendido pelo Recorrente. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13888.001338/200777 Acórdão n.º 2401006.168 S2C4T1 Fl. 6 9 Da multa de ofício Ao final considera o recorrente ser a multa de 75% excessiva, dotada de efeito confiscatório, uma vez que não houve máfé do contribuinte, requerendo que em caso de manutenção da exigência fiscal principal, deve a multa imposta ser reduzida para percentagem condizente com a realidade dos fatos. O lançamento foi realizado com a aplicação da multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, de forma correta, não havendo, portanto, qualquer insubsistência quanto à incidência da multa aplicada, conforme disposição legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) As considerações acerca da razoabilidade e proporcionalidade, não podem estar no âmbito de avaliação discricionária da autoridade fiscal que deve cumprir as determinações estabelecidas na legislação tributária. Ressaltese ainda os termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dessa forma, resta incólume o lançamento e a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000898/99-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do Código Tributário Nacional, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação e/ou pagamento de débitos tributários com Apólices da Divida Pública.
Numero da decisão: 3302-006.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do Código Tributário Nacional, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação e/ou pagamento de débitos tributários com Apólices da Divida Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 08 98 /9 9- 70 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13706.000898/9970 Acórdão n.º 3302006.812 S3C3T2 Fl. 185 2 Relatório Por bem retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 170173: Trata o presente processo de pedido de compensação, fl. 01/03, com débitos de PIS e COFINS relativos aos anoscalendário 1997 e 1998, fls. 13/14 no valor de R$ 180.356,58, mediante direitos creditórios adquiridos por Instrumento Particular de Contrato de Cessão Parcial de Direitosde EARTH INVEST ECONOMIA AUXILIAR DE RECURSOS TECNOLOGIA, HABITAÇÃO LTDA., apólices custodiadas na CEF, relativos ao processo n° 97.00621421 da 12 Vara Federal de Sao Paulo, com valor de face de R$ 150.000,00, na qual a cedente pretende que títulos emitidos entre 1902 e 1926 — Apólices Divida Pública Federal sejam utilizados para compensação com tributos federais e/ou pagamento de aquisição de ações de empresas estatais em leilões de privatização. O pedido foi indeferido em 17/04/2009, fl. 94, através de Despacho Decisório da SEORT — DRF/Nova IguaçuRJ, face A inexistência de previsão legal da hipótese pretendida, conforme Solução de Consulta SRRF8aRF/Disit n° 109/2001, esclarecendo que o crédito é de natureza nãotributária. A interessada alegou que a ação judicial teve tutela antecipada, mas conforme consulta de fls. 91/92, a ação ainda não transitou em julgado. Conclui que o crédito pleiteado não se enquadrou na legislação que disciplinava a matéria A época da protocolização do processo, inexistindo o direito credit6rio reivindicado pela interessada. Cientificada em 19/05/2009, fl. 100, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 10/06/2009, fls. 103/104, onde alega, em síntese, que obteve os direitos creditórios através de tutela antecipada adquirida pela Cedente na ação judicial, que, embora não tenha transitado em julgado, está pendente de julgamento, estando mantida a antecipação de tutela, requer reforma da decisão para homologar a compensação com base no art. 156,11 do CTN. É o relatório. 0 presente processo somente agora está sendo analisado, em face do volume e das condições dos serviços. A DRJ/RJ, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do Código Tributário Nacional, somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, sendo vedada a compensação e/ou pagamento de débitos tributários com Apólices da Divida Pública. Cientificado da decisão recorrida em 11.09.2009 (fls.183), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09.10.2009, reproduzindo suas alegações de defesa (fls.177 179). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 13706.000898/9970 Acórdão n.º 3302006.812 S3C3T2 Fl. 186 3 É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A demanda cingese na análise da liquidez e certeza do crédito apresentado pela Recorrente objeto do pedido de compensação carreado às fls.0204, para pagamento de débitos de PIS e COFINS relativos aos anoscalendário 1997 e 1998. Segundo a Recorrente, a origem do crédito apurado decorre dos seguintes fatos: 2 A Requerente ingressou a compensação de seus débitos fiscais referentes aos tributos PIS e COFINS apurados nos anoscalendário 1997 e 1998 com um crédito tributário de R$ .150.000,00 ( cento e cinqüenta mil reais ) com apólices custodiadas na Caixa Econômica Federal de Títulos da Divida Pública emitidos no inicio do século passado. 3 Tais direitos foram cedidos pela empresa EARTH INVEST — ECONOMIA AUXILIAR DE RECURSOS TECNOLOGIA HABITAÇÃO LTDA —CNPJ n°31.399.470/000101, conforme instrumento de fls. 15 a 18. 4 A Requerente obteve os direitos creditórios dos referidos Títulos, através de Tutela Antecipada adquirida pela Cedente em Ação que moveu em face da Unido Federal — processo n° 97.00621421, perante a 12a Vara Federal de São Paulo, a qual lhe permitiu utilizar os créditos para compensação de tributos federais. 5 A referida Ação ainda não transitou em julgado, porém ainda está pendente de julgamento, estando mantida por ora, a antecipação de tutela anteriormente concedida. A DRJ afastou as alegações da Recorrente com base nas seguintes razões: Preliminarmente, cabe de pronto afastar o entendimento de que a compensação pleiteada pela interessada decorre de ação judicial, pois na verdade a cedente detentora de direitos contra a Unido Federal por conta de Apólices da Divida Pública é a empresa EARTH INVEST ECONOMIA AUXILIAR DE RECURSOS TECNOLOGIA, HABITAÇÃO LTDA é que é a potencial beneficiária da ação judicial, nos termos da Decisão de fl. 71, da 12 Vara Federal: " para que os autores possam, afastadas as alegações de prescrição, usufruir dos seus direitos, seja para pagamento por precatório ou como compensacão por tributos devidos ou outras dividas eventualmente existentes com a União, ou ainda, como privatização, ou ainda, que sejam autorizados a utilizar os presentes títulos como garantia de divida contra a União Federal, pelo seu valor de face devidamente atualizado." (negritei). A interessada Allianco Investimentos e Participações somente adquiriu parte das Apólices através de "Instrumento Particular de Contrato de Cessão Parcial de Fl. 186DF CARF MF Processo nº 13706.000898/9970 Acórdão n.º 3302006.812 S3C3T2 Fl. 187 4 Direitos", em 04/11/1998, e se apresenta como titular dos referidos direitos credit6rios, fls. 15/17 e anexo I, fl. 18. Portanto, não se trata de créditos decorrentes de ação judicial e sim de créditos adquiridos de terceiros, da Earth Invest. A fl. 19 consta a juntada dos instrumentos particulares pela Earth Invest A ação judicial, com o esclarecimento de "que as cessões noticiadas nestes autos não alteram a legitimidade ativa das partes, (art. 42 do CPC)". De todo modo, cabe observar que a mencionada ação ainda não transitou em julgado, portanto, não consubstanciou nenhum crédito liquido e certo, seja dos autores, seja da interessada, passível de ser analisado. A questão de mérito, por sua vez, se resume a possibilidade ou não de compensação de débitos tributários com alegados direitos credit6rios oriundos de Títulos da Divida Pública. Quanto ao tema, cabe registrar que referidos créditos não possuem natureza tributária, estando excluídas da possibilidade de serem compensáveis, porquanto inexistente a necessária lei autorizativa da referida compensação. Senão, vejamos, o art. 170 do CTN claramente expõe que os créditos passíveis de compensação são exclusivamente os "tributários".: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensa cão de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Frisese, ainda, que, relativamente a compensação, o CTN, nesse artigo, permite a compensação de débitos tributários apenas com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública e desde que haja prévia autorização legal que estipule garantias e condições para essa compensação, o que não se configurou no presente caso. O Parecer PGFN/CAT n° 432, de 2001 tem o seguinte enunciado: " Não cabe o pagamento ou a compensação de tributos de competência da Unido com Apólices da Divida Pública ou Títulos da Divida Agrária — TDA por falta de expressa previsão legal, exceto em relação a utilização de TDAs para pagamento de 50% do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, em conformidade com o art. 105 da Lei n°4.504/64" Por falta de permissivo legal, não se admite a compensação de Títulos da Divida Pública, que têm caráter financeiro, com tributos e contribuições de competência da Unido Federal. Não vejo reparos à fazer na decisão recorrida. Com efeito, não obstante a Recorrente tenha demonstrado por meio do documento juntado às fls. 2125, a ocorrência de cessão de créditos transacionados com a empresa Earth, autora da ação judicial noticiada no pedido de compensação, não há decisão judicial admitindo sua inclusão como assistência litisconsorcial. Logo, não sendo parte na ação, qualquer decisão judicial proferida nos autos restringese à parte autora. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 13706.000898/9970 Acórdão n.º 3302006.812 S3C3T2 Fl. 188 5 Portanto, correta a decisão de piso que limitou o direito da Recorrente ao crédito em sí e, não aos efeitos da decisão que admitiu a possibilidade de realizarse compensação entre tributos administrados pela Receita Federal com títulos da dívida Pública. Além disso,a Recorrente não contesta a decisão recorrida quanto a extensão dos efeitos da decisão de judicial, simplesmente, repetiu seus argumentos, sem observar o fundamento utilizado pela julgadora "a quo" para afastar seu direito, tornandose, ao meu ver, definitiva está questão. Correta também a decisão que manteve o despacho decisório, por entender inexistir no ordenamento jurídico possibilidade de compensar tributos administrados pela Receita Federal com títulos da dívida Pública, posto que estes créditos não possuem natureza tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903089/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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LAILA TUFFI HASSAN ARRUDA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RETIFICAÇÃO DE DCTF PRAZO. ANOCALENDÁRIO 2000 RETIFICAÇÃO DE DCTF. POSSIBILIDADE. PRAZO. Só é possível a retificação da DCTF enquanto ainda não homologados os lançamentos originais, ou seja, dentro do prazo de 05 anos contados da ocorrência do fato gerador, ou do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, observado a existência ou não de pagamentos por parte do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 30 89 /2 00 8- 01 Fl. 115DF CARF MF 2 Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 06 53.549, da 1ª Turma da DRJ/, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito através da Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Transcrevo, a seguir, o relatório: A compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 18766.61324.020806.1.7.040606 (fls. 0206), relativa à compensação do débito de R$ 1.717,48 de IRPJ com base no lucro presumido do 3º trimestre/2004, com utilização da parcela de R$ 1.013,14 do direito creditório de R$ 5.402,12 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/10/2000, do débito de IRPJ com base no lucro presumido do 3º trimestre/2000 (R$ 5.812,37). 2. A DRF/Salvador por meio do Despacho Decisório proferido em 09/05/2008, rastreamento nº 759920705 (fls. 0709), não homologou a compensação declarada nos autos em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista o recolhimento efetuado em 30/10/2000 ter sido integralmente alocado ao débito, regularmente confessado em DCTF, de IRPJ com base no lucro presumido do período de apuração 30/09/2000. 3. A interessada foi cientificada do despacho decisório por via postal em 20/05/2008 (fl. 10) e apresentou contestação em 28/05/2008 (fl. 11), mas por problemas de ordem processual houve necessidade de reintimála, em 19/09/2014, a apresentar a segunda via da manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos de praxe de identificação do representante legal que assina o recurso (fls. 1115). 4. Assim, na manifestação de inconformidade reapresentada em 09/10/2014 (fls. 1821), a interessada apresentou as alegações a seguir sintetizadas: a) a requerente exerce a atividade de prestação de serviços de imagenologia ligada à atenção e assistência à saúde, decorrentes de prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia; b) o débito objeto da compensação, o IRPJ do 3º trimestre/2004, não foi corretamente calculado, pois, posteriormente ao envio da DCOMP, se constatou erro na imputação do percentual de determinação da base de cálculo do imposto no lucro presumido; c) apurouse saldo negativo de IRPJ; observese, nesse sentido, a DIPJ 2005 e a DCTF relativa ao 3º trimestre/2004; d) por um lapso, a recorrente não se atentou para a necessidade de cancelar a respectiva DCOMP, bem como para providenciar a correspondente retificação da DCTF à época, o que somente se deu agora em razão da identificação da inconsistência verificada pelo despacho decisório em questão; e) a retificação da DIPJ e da DCTF se deu pelo fato de a requerente ter reconhecido o direito de se enquadrar no conceito de serviços hospitalares, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, utilizandose de forma retroativa os percentuais de 8% e 12%, respectivamente, ao invés do percentual de 32% originalmente imputado – processo de consulta nº 10580.001100/200465. Cientificada em 06/01/2016 (fl 89), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 01/02/2016 (fl 91). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10580.903089/200801 Acórdão n.º 1001001.247 S1C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ, proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONCEITO. Aplicase o percentual de 32% de determinação da base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido porquanto à época da ocorrência dos fatos geradores em análise, no anocalendário de 2000, predominava o entendimento de que serviços hospitalares eram aqueles em que o estabelecimento prestador promove a internação e hospedagem do paciente para aplicarlhe tratamento, com acompanhamento ininterrupto de médicos e enfermeiros, entre outros, com assunção de todos os custos de atividades classificadas como auxiliares (serviços de hotelaria, lavanderia, culinária, segurança, transporte de pacientes, etc). SOLUÇÃO DE CONSULTA. ENTENDIMENTO INAPLICÁVEL A SITUAÇÕES ANTERIORES À EDIÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA COM BASE NA QUAL FOI PROFERIDA. Inaplicável ao presente caso o entendimento contido na Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 24, de 2005, com fundamento na IN SRF nº 480, de 2004, que estabeleceu novos requisitos para enquadramento da atividade como serviços hospitalares, porquanto não alcança as situações anteriores à edição de referida instrução normativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Continuando, a DRJ argumenta: 8. Assim, verificase que na DIPJ 2001 original (fls. 3454) a contribuinte declarou R$ 5.812,38 de IRPJ a pagar no 3º trimestre/2000, cujo valor foi alterado para R$ 410,27 na DIPJ 2000 retificadora apresentada em 22/06/2004 (fls. 5575). Contudo, em 10/05/2008 a interessada apresentou DCTF retificadora do 2º trimestre/2000 para zerar do débito de IRPJ, de R$ 5.812,38, confessado na DCTF original (fls. 7880). ... 11. No caso em análise, a contribuinte formulou consulta, nos autos do processo nº 10580.001100/200465, acerca do percentual de determinação da base Fl. 117DF CARF MF 4 de cálculo do imposto com base no lucro presumido para a atividade, por ela exercida, de serviços de imagenologia ligada à atenção e assistência à saúde. 12. A Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 24, de 17 de novembro de 2005, orientou que a pessoa jurídica que exerça a atividade de prestação de serviços de imagenologia ligada à atenção e assistência à saúde, decorrentes de prestação de apoio ao diagnóstico e terapia, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do § 1º, inciso III, alínea “a”, do artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos: Diante do exposto, soluciono a presente consulta informando à consulente que a pessoa jurídica que exerça a atividade de prestação de serviços de imagenologia ligada à atenção e assistência à saúde, decorrentes de prestação de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4), de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrarse nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004. (Grifouse) 13. Referida Solução de Consulta fundamentouse no conceito de serviços hospitalares à época constante do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 (revogada pela IN RFB nº 1.234, de 2012), que definiu que são assim considerados aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das atribuições elencadas nos incisos I (atribuições 1, 2 e 3) e II (atribuição 4, relativa às atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia) da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 2002, e pela RDC nº 189, de 2003: ... 14. Consta da conclusão da Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 24, de 2005, ressalva no sentido de que são considerados não atendidos os requisitos normativos relativos ao enquadramento da atividade como serviço hospitalar se a pessoa jurídica incorrer nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 966 do Código Civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004. 15. O parágrafo único do artigo 966 do Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, estabeleceu que não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa: ... 16. Já o parágrafo 1º do artigo 27 da IN SRF nº 480, de 2004, determina que a estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 (Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes) da Parte II (Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde) da RDC da Anvisa nº 50, de 2002, conforme comprovação por meio de documento Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10580.903089/200801 Acórdão n.º 1001001.247 S1C0T1 Fl. 4 5 competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal (comprovação não juntada aos autos pela reclamante). 17. Contudo, a orientação dada pela Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 24, de 2005, é inaplicável ao presente caso em face de não alcançar as situações anteriores à edição da IN SRF nº 480, de 2004. ... 19. Para solução do litígio importa apenas que à época da ocorrência dos fatos em análise, no anocalendário de 2000, predominava o entendimento de que serviços hospitalares eram aqueles em que o estabelecimento prestador promove internação e hospedagem do paciente para aplicarlhe o tratamento, com acompanhamento ininterrupto de médicos e enfermeiros, entre outros, com assunção de todos os custos de atividades classificadas como auxiliares (serviços de hotelaria, lavanderia, culinária, segurança, transporte de pacientes, etc). Cita doutrina e continua: 21. A Portaria nº 30BSB do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 1977, que aprova conceitos e definições de que trata o inciso I do artigo 2º do Decreto nº 76.973, de 31 de dezembro de 1975, no item I – Terminologia Geral – subitem 7, indica que hospital: 07. HOSPITAL É parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive o domiciliar, constituindose também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas, em saúde, bem como de encaminhamentos de pacientes, cabendolhe supervisionar e orientar os estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente. (Grifouse) 22. O Manual Brasileiro de Acreditação Hospitalar, 2ª edição, 1999, editado pela Secretaria de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, nas páginas 8 e 9, apresenta o conceito de hospital sugerido pela Organização PanAmericana da Saúde (OPAS): São todos os estabelecimentos com pelo menos 5 leitos, para internação de pacientes, que garantem um atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos. Além disso, considerase a existência de serviço de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviço de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. (Grifouse) 23. Outros subsídios podem ser buscados em diplomas administrativos como o Parecer Normativo COSIT n° 36, de 30 de maio de 1977 que, se referindo a despesas médicas e hospitalares a título de dedução do Imposto de Renda da Pessoa Física, determina que podem ser considerados como despesas de hospitalização Fl. 119DF CARF MF 6 todas aquelas diretamente relacionadas com o tratamento e recuperação do paciente durante o período de internação em hospital ou casa de saúde: 24. Logo, podiase caracterizar um estabelecimento hospitalar como sendo uma estrutura organizada com instalações físicas, equipamentos e recursos humanos, que apresentasse condições apropriadas para assistência e internação de pacientes, visando garantirlhes um atendimento básico de diagnóstico e tratamento de saúde, com equipe de profissionais qualificados nas mais diversas áreas e que funciona de forma ininterrupta. 25. Dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do 2º trimestre/2000 deve ser apurada mediante aplicação do percentual de 32% de determinação do lucro presumido. Em seu recurso, a recorrente tece considerações sobre o Código Civil e que a sociedade está registrada na Junta Comercial, sendo descabido o argumento de que não é sociedade empresária, cita doutrina e argumenta: A Recorrente, que possuía, à época, como ainda possui, a atividade de Serviços Médicos na área de imagenologia de apoio ao diagnóstico e terapia, e as exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (ginecologistas, obstetras, radiologistas, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços. Os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de clínica médica com especialidades diversas. Concluise, portanto, que em que pese se tratar a atividade da Recorrente atividade de natureza científica, há de se admitir que estando, de fato, presente o chamado "elemento de empresa" estará ela, como de fato foi, enquadrada como sociedade empresária. Apresenta a prova do registro na JUCEB (fl 96). Quanto ao segundo posicionamento da DRJ, a recorrente argumenta que a solução de consulta assim se deu: SOLUÇÃO DE CONSULTA 24 de 06 de Maio de 2004 ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA:SERVIÇOS DE RADIOD1AGNÓSTICO. ENQUADRAMENTO COMO SERVIÇO HOSPITALAR. A atividade de radiodiagnóstico em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado de saúde, exercida nas condições previstas no art. 23 do IN SRF n? 306, de 2003, poderá se enquadrar como serviço hospitalar prestado por estabelecimento assistencial de saúde, sujeitando se a receita bruta decorrente dessa atividade ã aplicação do percentual de 12% (doze por cento), para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, desde que a pessoa jurídica seja constituída por empresários ou sociedades empresárias Ressaltese que a aplicação do entendimento acima esposado se deu de forma retroativa, em observância ao art. 106 do CTN. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10580.903089/200801 Acórdão n.º 1001001.247 S1C0T1 Fl. 5 7 Como se trata de uma nova interpretação dada através de um mero ato normativo, há de se conceber que tal entendimento deverá ser aplicado de forma retroativa. Nesse contexto, assim dispõe do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em Qualquer caso quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados:" Portanto, os efeitos da norma interpretada hão de ser estendidos retroativamente ao início de vigência da referida norma, nesse sentido, a LEI 9.249/95. Cita outras respostas a consulta a seu favor decisão judicial (não vinculante): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONCEITO. ART. 15, § 1*, III, "A", DA LEI 9.249/1995. NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. l. A Primeira Secõo pacificou O entendimento de aue a) "devese entender como 'serviços hospitalares' aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos"; e b) "duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes" (REsp 951.251.PR, Relator Ministro Castro Meira, DJ de 3.6.2009). 2. No caso, a redução da base de cálculo deve atingir os serviços de apoio ao diagnóstico e terapia na atividade de imagenologia, excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. 3. Agravo Regimental provido. (AGRESP 200602274506 AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 893835 ReL. HERMAN BENJAMIN) A seguir, argumenta: Embora não tenha sido o cerne da questão suscitada no acórdão ora atacado, é importante evidenciar que um dos motivos que gerou a presente demanda se deu pelo fato da Recorrente ter transmitida a DCTF retificadora após ter sido transmitido o respectivo PERDCOMP. Apenas para deixar registrado, é importante evidenciar as disposições do PARECER NORMATIVO 2 COSITRFB, de 2882015, assim resumido: "22. Por todo o exposto, concLuise: ... b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda gue a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB ns 1.110, de 2010: ... Fl. 121DF CARF MF 8 Inferese, portanto, que o caso da Recorrente se amolda ao item "b" acima destacado, não havendo justa razão para que essa questão seja novamente suscitada no julgamento do presente Recurso. Culmina, requerendo: 4. Do Pedido Pelos fatos acima expostos e em razão da pacífica jurisprudência administrativa, bem como reiterando todos os argumentos das suas manifestações no processo e somandose aos que ora se apresenta, requer aos ilustres Conselheiros que conheçam o presente Recurso Voluntário, para lhe dar provimento, bem como: (i) que sejam rechaçados os argumentos no sentido de que a Recorrente não possuía, na época do crédito, a natureza de sociedade empresária, se afastando, por via de consequência, a incidência do parágrafo único do art. 966 do Código Civil; (ii) que as disposições contidas na IN SRF 480/2004, especialmente em seu artigo 27, sejam aplicadas retroativamente ao período do crédito em questão, ou seja, 3s trimestre de 1999, por força do art. 106 do CTN; (iii) que seja admitido que a Recorrente exercia, de fato e de direito, a atividade de prestação dos serviços hospitalares, consoante às normas aplicáveis à época e os documentos ora apresentados; e, (iv) por fim, o acolhimento do presente RECURSO VOLUNTÁRIO pela sua totalidade. Pareceme que os argumentos da recorrente contra a decisão da DRJ encontram o devido respaldo legal. Tratase de uma sociedade empresária, não parecendo restar qualquer dúvida quanto a este aspecto, tendo em vista, até mesmo, o seu registro na Junta Comercial. Quanto aos efeitos da consulta, entendo não caber razão à DRJ na medida em que, como sustenta a recorrente, tem caráter interpretativo, sanando a dúvida colocada pelo contribuinte. Entretanto, pareceme desnecessário tecer maiores considerações a respeito, posto que, não se pode negar, que a retificação da DCTF deuse após o período decadencial, conforme se observa na decisão da DRJ, aqui reproduzido:: Contudo, em 10/05/2008 a interessada apresentou DCTF retificadora do 2º trimestre/2000 para zerar do débito de IRPJ, de R$ 6.590,03, confessado na DCTF original (fls. 77 e 79 80).(grifei) Neste momento, entretanto, já decaíra o direito da pessoa jurídica de retificar sua declaração em face de já estar tacitamente homologado o lançamento que ocorreu nos no ano de 2000. Assim dispõe o Código Tributário Nacional CTN. Art. 150. O, lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação, atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, .operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10580.903089/200801 Acórdão n.º 1001001.247 S1C0T1 Fl. 6 9 ... § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Impossível assim a retificação de um crédito extinto. Neste adiantado de tempo, nem o Fisco pode modificar o lançamento original para cobrar mais tributo e nem a pessoa jurídica para diminuílo. A própria recorrente menciona que: não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda gue a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB ns 1.110, de 2010: Esta é, exatamente, uma das restrições impostas pela referida IN RFB 1.110/2010, como segue: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.(grifei). Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. (grifei). Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 123DF CARF MF 10 Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908288/2012-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.908288/201218 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.204 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 16 de abril de 2019 Assunto Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 28 8/ 20 12 -1 8 Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035358 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 14361.18721.201211.1.3.040264. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$338,96, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/07/2011. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1200). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 6 5 empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13888.908288/201218 Resolução nº 3001000.204 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 1166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.001961/2011-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 DESPESAS MÉDICAS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 19 61 /2 01 1- 10 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de processo apenso ao de número 10730.011398/200884, em que se pretende reconhecimento da isenção pelo fato de o Recorrente ser portador de cardiopatia grave, referente ano ano calendário de 2005, exercício 2006. Esta pretensão foi efetuada quando da apresentação da Impugnação referente ao processo 10730.011398/200884, onde discutiase glosa de despesas médicas por falta de endereços dos prestadores de serviço nos recibos apresentados durante a ação fiscal e por determinação da Delegacia de Julgamento foi apensado este processo aquele que cuida especificamente de suposto crédito tributário oriundo de despesas médicas não comprovadas. Na decisão do pleito formulado neste processo apenso, a Delegacia confirma que três fontes pagadoras remuneraram o Recorrente como proventos de pensão. Além disso, a decisão menciona que o Laudo Médico oficial atesta a existência da cardiopatia grave e a ocorrência de cirurgia delicada feita no Recorrente em razão de infarto agudo de miocárdio (2002). No entanto, questiona a Delegacia se a doença grave ainda existia no ano calendário em analise (2005). Posteriormente, sustenta a Delegacia que não poderia efetuar revisão de ofício do lançamento eis que o direito da fazenda estaria extinto (fulminado pela decadência). Sustenta que se o lançamento se refere ao ano base de 2005, nenhuma revisão poderia ser feita depois de janeiro de 2011. Assim sendo, maneja o Contribuinte o Recurso Voluntário dando argumentos para sustentar a existência da moléstia de forma inequívoca, para sustentar que não deverseia aplicar o racional da decadência da revisão de ofício no caso em apreço e pleiteia a revisão da decisão recorrida para que seja declarado o direito de crédito do Contribuinte em razão da isenção decorrente de cardiopatia grave desde 2002, conforme comprovado por laudos médicos oficiais. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia grave e decadência do direito de lançar Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10730.001961/201110 Acórdão n.º 2001001.242 S2C0T1 Fl. 3 3 Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. No caso em tela, verificase que o contribuinte comprova a sua condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda (junta diversos relatórios médicos, atestado de cirurgia em decorrência de infarto no miocárdio e laudo médico oficial confirmando ser portador de cardiopatia grave). E comprova que recebia rendimentos de pensão/aposentadoria. Fl. 73DF CARF MF 4 Ocorre que, a Delegacia da Receita Federal em Niterói questiona brevemente a manutenção da moléstia grave, eis que não teria sido feita nenhuma revisão entre 2002 e 2005. Entendo que não merece prosperar esse argumento pois não há nada na legislação que obrigue que seja feita revisão por período determinado ou exija novo laudo em determinado lapso temporal. Na seqüência, alegase na mesma decisão que não poderia efetuar revisão de ofício do lançamento eis que o direito da fazenda estaria extinto (fulminado pela decadência). Sustenta que se o lançamento se refere ao ano base de 2005, nenhuma revisão poderia ser feita depois de janeiro de 2011. Em que pese tal argumento de decadência do direito de lançar ter sustento em algumas decisões, no entender desse colegiado não deve se aplicar este racional em casos como este que estamos analisando. Vejamos. Sabese que a revisão de ofício é uma das formas de controle administrativo das atividades dos órgãos e prepostos fiscais. Ou seja, essa atividade da Administração é decorrente da necessidade de oferecer aos administrados satisfação das suas necessidades coletivas e atendimento dos seus direitos individuais. Nesse sentido, a legislação pertinente não deve conter limites que repercutam de maneira indesejável tanto para a Administração quanto para o administrado. Os limites devem ter um sentido prático, como o estabelecido na Lei nº 9.784, de 1999, que impede a Administração de proceder à anulação dos seus atos, após 05 (cinco) anos, na hipótese em que essa anulação venha em prejuízo do Administrado e não seja caracterizada máfé. O parágrafo único do art. 149 do CTN não referencia exclusivamente o prazo decadencial como limite para a revisão de ofício, salvo aquela da qual resulte a majoração do valor originalmente lançado em razão de aspectos intrínsecos à relação jurídicotributária demonstrada no primeiro lançamento. Observase, pois, que o prazo decadencial somente atinge a obrigação tributária se não tiver havido a constituição do crédito tributário correspondente, nunca podendo atingir a obrigação relativa a crédito já constituído. Nesse contexto, não há como se cogitar que o referido prazo deva servir de referência para a revisão de ofício de lançamento que resulte na diminuição ou na supressão total do valor lançado, já que, com relação a esse crédito tributário, o prazo decadencial foi afastado pelo lançamento. Vale frisar, ademais, que princípios constitucionais como o da moralidade, da legalidade e da eficiência administrativa justificam claramente a revisão de ofício, pois estão hierarquicamente superior ao § único do art. 149 do CTN (como se este dispositivo estivesse a prever a referida restrição). Assim sendo, entendemos que também não merecer prosperar o argumento sustentado na decisão a quo para negar o reconhecimento do Contribuinte à sua condição de moléstia grave e isenção do imposto de renda. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10730.001961/201110 Acórdão n.º 2001001.242 S2C0T1 Fl. 4 5 Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 75DF CARF MF 6 Acrescentese também a ponderação do princípio constitucional da razoabilidade. Na vida em sociedade, o modo de agir com razão, ou mesmo, ser razoável nas decisões cotidianas é benéfico para inibir a opressão aos mais fracos. Não sendo diferente, a Constituição acolhe a razoabilidade como princípio a ser perseguido. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação e constante boa fé do contribuinte em comprovar tudo o quanto alegado, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a condição de moléstia grave do Contribuinte e seu direito a isenção do imposto de renda. Assim sendo, entendo que deve ser revisada a Declaração de pessoa física do contribuinte pelo órgão de origem para que seja devidamente levantado o seu direito creditório. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720959/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.463
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 59 /2 01 3- 10 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.912. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10925.720959/201310 Acórdão n.º 3402006.463 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723516/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveram-se por apurados diretamente das informações apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado.
PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA.
O auxílio-alimentação pago em pecúnia integra o salário-de-contribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador - PAT.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória do aviso prévio indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho e integra a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária.
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO.
Os créditos oriundos de retenções sofridas pela empresa podem ser aproveitados em favor da mesma.
COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição.
Numero da decisão: 2401-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar ao lançamento do auto de infração Debcad 51.030.824-4 os valores das retenções destacadas nas notas fiscais nº 2436, 2813 e 2925. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também as rubricas 1/3 de férias e diferença 1/3 de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveramse por apurados diretamente das informações apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. O auxílioalimentação pago em pecúnia integra o saláriodecontribuição, independentemente de empresa estar ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do aviso prévio indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 35 16 /2 01 3- 57 Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.805 2 543C, do CPC, não há que se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho e integra a remuneração do segurado empregado para fins de incidência da contribuição previdenciária. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Os créditos oriundos de retenções sofridas pela empresa podem ser aproveitados em favor da mesma. COMPENSAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício somente é autorizada nas hipóteses de verificação de débitos do requerente em favor da Fazenda Pública quando da análise de pedido de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar ao lançamento do auto de infração Debcad 51.030.8244 os valores das retenções destacadas nas notas fiscais nº 2436, 2813 e 2925. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também as rubricas 1/3 de férias e diferença 1/3 de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.806 3 Relatório Cuidase de crédito tributário de contribuições previdenciárias da empresa, dos segurados empregados e de outras entidades e fundos, apurados a partir de levantamentos de contribuições da empresa (FP) e de segurados empregados (SE), não declarados em GFIP, diferenças de RAT (DR), controladas nos AI – DEBCAD n°s 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260 (fls. 02/50). Do Relatório Fiscal (fls. 57 e segs), é possível extrair o seguinte resumo do procedimento fiscal: 51.030.8244 contribuições dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração a eles paga, descontadas pela Autuada das remunerações pagas aos segurados e não recolhidas à Seguridade Social Levantamento "SE", descrito no item 3.2 deste Relatório. Período do Débito: 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13° salário) Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 120.001,87 (cento e vinte mil, um real e oitenta e sete centavos) 51.030.8252 contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213/91 e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamentos "FP" e "DR", descritos no item 4.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 2.001.196,59 (dois milhões, um mil, cento e noventa e seis reais e cinquenta e nove centavos) 51.030.8260 contribuições da empresa destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados Levantamento "FP", descrito no item 5.2 deste Relatório. Valor do Débito (Consolidado em 22/03/2013): R$ 788.238,65 (setecentos e oitenta e oito mil, duzentos e trinta e oito reais e sessenta e cinco centavos) [...] 2. Fatos Geradores 2.1 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Apurados em Folha de Pagamento Reconhecidos pela Empresa e Não Declarados nas GFIP 2.1.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas nos autos de infração 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260 os pagamentos de remuneração aos segurados empregados, nas competências 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), cujos valores não foram informados pela empresa em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, observados nas folhas de pagamento mensais apresentadas, cujos resumos foram juntados ao presente processo. Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.807 4 [...] 2.2 Pagamento de Remuneração a Segurados Empregados Declarados nas GFIP – Diferenças nas Contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT 2.2.1 A Lei nº 8.212/91, em seu art. 22, inciso II, estabelece a contribuição das empresas destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT ou simplesmente RAT), incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados, às alíquotas de 1%, 2% ou 3%, conforme, na atividade preponderante da empresa, o risco de acidentes do trabalho seja considerado respectivamente leve, médio ou grave. [...] 3. Auto de Infração 51.030.8244 3.1 Contribuições Lançadas 3.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, mencionados no subitem 2.1 incidem as contribuições dos segurados empregados para a Seguridade Social, não declaradas nas GFIP, discriminadas na planilha do Anexo II, nos termos do art. 20, caput e § 1º, combinado com o art. 28, inciso I, todos da Lei nº 8.212/91, cuja responsabilidade pela arrecadação e recolhimento era da Autuada, nos moldes do art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da mesma Lei nº 8.212/91. Apesar de haverem sido efetivados os descontos de tais contribuições pela Autuada das remunerações pagas aos segurados, como comprovam os resumos das folhas de pagamento anexados ao processo, dos meses de 01/2010 a 12/2010 (inclusive 13º Salário – 13/2010), por meio das rubricas listadas no subitem 2.1.4 deste relatório, não foi efetuado, nas competências 06/2010 a 10/2010 e 13/2010 (13º salário), o recolhimento integral das contribuições descontadas dos segurados empregados, cujas diferenças não recolhidas estão sendo lançadas no auto em questão. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “SE”, descrito no item 3.2 deste relatório, com a rubrica “11 Segurados”. [...] 4. Auto de Infração 51.030.8252 4.1 Contribuições Lançadas 4.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa para a Seguridade Social, não declaradas em GFIP, estabelecidas no art. 22, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo ao auto em questão, no Levantamento “FP”, descrito no item 4.2 deste relatório, respectivamente com as rubricas “12 Empresa” e “13 Sat/rat”. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.808 5 [...] 5. Auto de Infração 51.030.8260 5.1 Contribuições Lançadas 5.1.1 Sobre os valores das remunerações pagos aos segurados empregados e não declarados nas GFIP, reconhecidos pela empresa nas folhas de pagamento como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, os quais podem ser observados nos resumos das folhas de pagamento anexados com a rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, mencionados no subitem 2.1 e discriminados no Anexo I, incidem as contribuições da empresa destinadas ao FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE, não declaradas em GFIP, cuja competência para arrecadação, fiscalização e cobrança foi conferida à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007. Tais contribuições podem ser visualizadas no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo a este auto, no Levantamento “FP”, descrito no item 5.2 deste relatório, com a rubrica “15 Terceiros”. [...] 6. Bases de Cálculo e Origem dos dados 6.1 Constituem bases de cálculo das contribuições da empresa para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos, lançadas respectivamente por meio dos autos de infração 51.030.8252 e 51.030.8260, as diferenças entre os valores das remunerações mensais dos segurados empregados reconhecidos pela empresa como bases de cálculo nas folhas de pagamento cujos resumos anexamos e os valores das remunerações dos segurados empregados declarados nas GFIP (categoria do trabalhador “01”), consoante especificado na planilha do Anexo I. Tais valores podem ser visualizados nos “RL Relatórios de Lançamentos”, anexos aos autos de Infração 51.030.8252 e 51.030.8260, no Levantamento “FP”, descrito nos subitens 4.2.1 e 5.2.1 deste relatório, em ambos com o código de lançamento “SC Salários”. Do exposto, concluise que os valores apurados como bases de cálculo das contribuições devidas, lançados no Levantamento “FP”, foram os próprios valores considerados pela empresa como bases de cálculo de suas contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades e fundos. [...] Houve aperfeiçoamento do presente lançamento mediante a ciência do sujeito passivo, realizada por meio pessoal, em 22/03/2013 (fl. 02, 13 e 27), por intermédio de seu Procurador. O sujeito passivo apresentou a impugnação, recepcionada em 26/03/2013 (fl. 177205), com a juntada de documentos comprobatórios. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0433.144 (fls. 416/432), de 28/08/2013, cujo dispositivo considerou a Impugnação Improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.809 6 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL A notificação fiscal de débito lavrada pela fiscalização é válida e eficaz, se lavrada com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORA EXTRA. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O aviso prévio indenizado, hora extra e 1/3 de férias não se encontram no rol de verbas isentas, integrandose, pois, a base de cálculo de incidência das contribuições sociais. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO TRABALHADOR. DOENÇA. PAGAMENTO DA VERBA PELO EMPREGADOR. NATUREZA SALARIAL O afastamento do empregado, por motivo de saúde, até o décimo quinto dia, é causa de interrupção da prestação de serviços, e não de suspensão do contrato de trabalho. Assim, a remuneração desse período, a cargo do empregador, tem natureza salarial e integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária. CARÁTER CONFISCATÓRIO NÃO VERIFICADO A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência integral do lançamento, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 438/475), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. De início, faz um breve histórico do procedimento fiscal, que resultou na lavratura de 03 (três) autos de infração, relativos aos DEBCAD nºs 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260. Salienta os fundamentos de sua defesa apresentada à DRJ, que culminou no acórdão ora recorrido; b. Aduz preliminarmente erro na construção do lançamento, entende que a fiscalização não informou qual(is) fato(s) gerador(es) teriam sido omitidos na GFIP apresentada, tendo havido apenas descrição genérica da Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.810 7 infração imputada à contribuinte, desta forma, cita os art. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, para concluir que os autos de infração são nulos. Cita jurisprudência do CARF; c. Cita o item 2 do Relatório Fiscal para informar que a base de cálculo das contribuições tomada pela auditoria fiscal foi o valor indicado na rubrica BASE INSS (EMPRESA), entendo que nela podem está incluídas verbas de natureza indenizatória e verbas isentas, como é o caso do auxílio alimentação, pago in natura e através de ticket alimentação; d. Transcreve dispositivos da Convenção Coletiva de Trabalho dos anos 2009 e 2010, firmada pelo Sindicato Patronal, que obrigava a conceder alimentação aos seus empregados, nos termos do art. 3º da Lei nº 6.321/76 c/c arts 4º e 6º do Decreto nº 5/91; e. Diz que para melhor interesse de seus funcionários, objetivando cumprir os termos da Convenção, celebrou contrato de Prestação de Serviços de Fornecimento de Cartão Alimentação com a SODEXHO PASS DO BRASIL SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA. Desse modo, cita jurisprudência do STJ e STF e o Ato Declaratório nº 03/2001 da Procuradoria da Fazenda Nacional; f. Afirma na composição da base de cálculo das contribuições ora exigidas, foram também incluídas verbas indenizatórias, quais sejam: aviso prévio indenizado; auxíliodoença e auxílioacidente; adicional de horas extras e terço constitucional de férias; Discorre sobre o caráter indenizatória de tais verbas, citando doutrinas e jurisprudências: g. Diz que a auditoria fiscal não cumpriu o comando normativo dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, e que houve ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes. Também que os créditos decorrentes de pagamentos a maior não foram considerados pela autoridade lançadora; h. Ao final, requer o acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, em razão da inexistência da identificação da matéria tributável. No mérito, que seja reconhecida a improcedência de verbas de caráter indenizatório, que seja cancelada a exigência do pagamento da contribuição previdenciária sobre auxílio alimentação, que seja cancelada a exigência por descumprimento dos arts. 456 e 457 da IN/RFB nº 971/2009, que seja cancelada a exigência por não aproveitamento de créditos decorrentes de notas fiscais e seja cancelada a exigência em virtude do não aproveitamento de créditos de pagamentos a maior. Em 16 de julho de 2014, os membros da 2ª TO da 3ª Câmara, por meio da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), resolveram converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os seguintes pontos: 1) Quanto ao auxílio alimentação (ticket), a recorrente afirma que, na própria folha, há indicação de que a recorrente realizava descontos a título de alimentação (rubrica “0505 Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.811 8 DESC ALIMENTAÇÃO”), mas não resta claro dos autos se (i) se os descontos foram considerados na apuração da base de cálculo; (ii) se a recorrente estava inscrita no PAT; 2) No que se refere às verbas denominadas de indenizatórias pela recorrente, em razão do quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.230.957, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), deve a autoridade fiscal indicar os valores incidentes sobre (i) os 15 dias anteriores à concessão de auxílio doença, (ii) o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas; e (iii) o aviso prévio indenizado, a fim de que a Turma julgadora possa deliberar sobre eventual exclusão. No que tange ao adicional de horas extras, não há que se cogitar de retificação, pois, há pouco tempo e igualmente sob regime jurídico dos recursos repetitivos, o mesmo Tribunal, no julgamento do REsp 1.358.281, assentou a compreensão de que incide contribuição previdenciária sobre horas extras, razão pela qual dispensase a necessidade de identificação em separado; 3) Quanto à ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes, conforme notas indicadas pela recorrente, deve igualmente manifestarse a autoridade fiscal; 4) O mesmo se diga quanto à argumentação de que haveria créditos de pagamentos a maior realizados pela recorrente nas competências de março e dezembro de 2010. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 560/563. Entretanto, em relação ao item 2 da Resolução, prestou os seguintes esclarecimentos: 2) No que diz respeito às verbas apontadas pela Recorrente como de natureza indenizatória, objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 1.230.957, cumpre enfatizar que as bases de cálculo consideradas no lançamento foram os valores constantes dos resumos das folhas de pagamento (fls. 109 a 133) na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Ou seja, não apuramos as bases de cálculo das contribuições lançadas por meio da análise individualizada das diversas rubricas que figuram nas folhas de pagamento, mas apenas extraímos das folhas os valores considerados pela própria empresa como bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social, materializados em uma única rubrica de seu sistema de folha de pagamento: “BASE INSS (EMPRESA)”. Desta forma, apenas a própria Recorrente, reconhecendo as rotinas informatizadas de seu sistema de folha de pagamento, pode informar aos julgadores a composição dos valores integrantes da rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, permitindo se, assim, efetuar qualquer retificação no lançamento que venha a se entender cabível. Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.812 9 O sujeito passivo foi cientificado da referida Informação Fiscal (fls. 560/563) em 10/09/2014, tendo se limitado a reforçar a linha de defesa apresentada na peça recursal, e ainda que: 20. Novamente, a autoridade fiscal não cumpriu o solicitado pelo CARF e, além disso, afirmou que utilizou base de cálculo consolidada, sem demonstrar a origem dessa rubrica. Deseja a autoridade fiscal atribuir à CONTRIBUINTE o ônus do lançamento que é próprio da Administração Pública em razão da nulidade que macula o lançamento. 20.1. É a autoridade fiscal, no exercício poder de lançar, quem deve apontar quais as rubricas de compõe a base de cálculo do tributo e não o contribuinte. Se não existe essa indicação no lançamento, como é o caso, clara é a sua nulidade. 21. Como dito, os Autos de Infração impugnados (DEBCADs 51.030.8244, 51.030.8252 e 51.030.8260) são nulos, pois, no relato da infração, houve descrição genérica da omissão atribuída à CONTRIBUINTE, sem a clara indicação dos fatos geradores omitidos ou detalhamento da base de cálculo e em relação a quais empregados ou contribuintes individuais as supostas remunerações não indicadas em GFIP teriam sido pagas, prejudicando sobremaneira a defesa da Contribuinte. (...) 38. Na composição da base de cálculo das contribuintes ora exigidas, foram também incluídas verbas indenizatórias, quais sejam, (a) aviso prévio indenizado; (b) auxíliodoença; (c) adicional de horas extras; e (d) terço constitucional de férias, que, por sua vez, não compõem o salário de contribuição. Em 10 de maio de 2018, os membros da 1ª TO da 4ª Câmara, por meio da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), resolveram, novamente, converter o julgamento em diligência, sob o entendimento de que não foram atendidas as informações solicitadas no item 2 da Resolução nº 2302000.310 (fls. 543/554), tendo sido determinada a devolução do processo ao órgão de origem para a adoção das seguintes providências: a) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas de alimentação “auxílioalimentação”, pago in natura e através de ticket de alimentação, fazem parte das bases levantadas, conforme indicado no item IV.1 da peça recursal; b) Intimar o sujeito passivo, em relação às bases de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas na ação fiscal, a comprovar que as verbas denominadas de indenizatórias foram incluídas nas referidas bases levantadas, conforme indicado no item IV.2 da peça recursal; Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.813 10 c) Entendendo a autoridade lançadora, manifestarse sobre os documentos e/ou esclarecimentos apresentados pelo sujeito passivo. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 629/632, cabendo destacar os seguintes excertos: [...] 3.1 Conforme já bem delineado no Relatório Fiscal dos autos de infração, as bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades lançadas nos autos de infração integrantes do presente processo foram os valores das remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP, extraídos das próprias bases de cálculo reconhecidas pela empresa nas folhas de pagamento, as quais podem ser observadas nos resumos das folhas de pagamento anexados às fls. 109 a 133, na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. (...) 3.5 Desde o momento do oferecimento de sua Impugnação (fls. 177 a 205) aos autos de infração, em 24/04/2013, a empresa já se insurgia contra a utilização pela fiscalização da rubrica da folha de pagamento “BASE INSS (EMPRESA)” como fonte para apuração das bases de cálculo das contribuições devidas, alegando que tais bases de cálculo conteriam verbas de cunho indenizatório e não tributáveis. O conteúdo dos retromencionados dispositivos legais deixa claro que, assim sendo, caberia à autuada, naquele momento, demonstrar tal alegação e fundamentála documentalmente, sob pena de preclusão, de ficar impossibilitada de fazêlo posteriormente, sobremaneira quando pretende desconstituir uma informação por ela própria produzida e fornecida à fiscalização, que é a base de cálculo por ela apurada em seu sistema de folha de pagamento. 3.6. Ao invés disso, o sujeito passivo alegou sem provar em sua impugnação. E, não fosse bastante, novamente abstevese de provar sua alegação por ocasião do Recurso Voluntário (fls. 438 a 508), ora em julgamento, interposto contra a decisão administrativa de 1ª instância (fls. 416 a 432), a qual manteve na sua integralidade o crédito tributário constituído. Por fim, a autuada teve ainda uma terceira oportunidade de manifestarse no processo e proceder à discriminação das verbas componentes da rubrica da folha de pagamento “BASE INSS (EMPRESA)”, quando elaborou sua manifestação (fls. 575 a 602) acerca da Informação Fiscal (fls. 560 a 563) emitida em atendimento à Resolução n° 2302000.310 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF (fls. 543 a 554), mas novamente não o fez. 3.7. Pelo exposto, franquear uma quarta oportunidade ao sujeito passivo de provar suas alegações, além de atentar contra as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, anteriormente citadas, implicaria um retardamento injustificado no andamento do processo, laborando contra o encaminhamento Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.814 11 para o seu desfecho e o cumprimento dos seus objetivos. É forçoso realçar que, desde que a autuada tomou ciência dos autos de infração, em 26/03/2013, já transcorreram mais de 5 (cinco) anos, tendo chegado o processo ao CARF em 24/10/2013, portanto há quase 5 (cinco) anos. 3.8 Em que pesem todas as considerações formuladas nos subitens 3.3 a 3.7, tendo em vista o objetivo de propiciar às autoridades julgadoras todas as informações que possam considerar necessárias para formarem suas convicções e proferirem seus votos no julgamento do Recurso Voluntário sob apreciação, estamos juntando a planilha que constitui o Anexo I desta Informação Fiscal, elaborada durante o Procedimento Fiscal, na qual discriminamos as rubricas das folhas de pagamento mensais apresentadas (fls. 109 a 133), detalhando códigos e nomes das rubricas, os respectivos valores pagos mensalmente aos empregados em cada uma delas e a classificação que efetuamos de cada rubrica em função da nossa interpretação da legislação vigente à época, de acordo com os seguintes códigos: SC Rubrica Integrante da Remuneração de Segurados Empregados N Rubrica não Integrante da Remuneração dos Segurados Empregados DES Descontos/Devoluções Deduzidos da Remuneração de Segurados Empregados () 3.9 Efetuamos, no mesmo Anexo I, o comparativo mensal dos valores das bases de cálculos, apurados de acordo com a classificação que efetuamos de cada uma das rubricas, com os valores da rubrica “BASE INSS (EMPRESA)” contidos nas folhas de pagamento, e constatamos que, em 9 (nove) das 13 (treze) competências inclusas no lançamento, os valores coincidem integralmente e, nas outras 4 (quatro) competências, as diferenças são percentualmente insignificantes (da ordem de 0,00518%, no total). Assim sendo, podese, a partir da classificação das rubricas descrita no Anexo I, chegar à composição dos valores consignados na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, utilizada no lançamento, composição essa que não foi fornecida pela autuada nas 3 (três) oportunidades que teve para fazêlo durante o trâmite do presente processo, tornandose, portanto, desnecessária uma nova intimação à autuada com tal finalidade. 3.10 Por ocasião do procedimento fiscal, objetivando conferir maior liquidez e certeza ao lançamento e buscando exatamente prevenir possíveis contestações da autuada quanto à classificação das rubricas da folha em “tributáveis” ou “não tributáveis”, decidimos apurar as bases de cálculo a partir dos valores assim reconhecidos pela própria empresa em suas folhas de pagamento rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Como demonstrado, tais valores apresentam, em apenas 4 (quatro) competências, diferenças infinitesimais em relação aos valores Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.815 12 que obtivemos apurando as bases de cálculo a partir de nossa classificação de cada uma das rubricas como “tributável” ou “nãotributável”. 3.11 Uma vez munidos das informações acerca das verbas que integraram mensalmente a rubrica da folha “BASE INSS (EMPRESA)”, adotada pela fiscalização como base de cálculo das contribuições devidas, ficam as autoridades julgadoras aptas a formar seu convencimento quanto à correção ou à eventual necessidade de serem procedidas retificações nos valores lançados. O sujeito passivo foi cientificado da referida Informação Fiscal (fls. 629/632) em 06/08/2018, e apresentou Resposta de fls. 639/642, afirmando, resumidamente, o que segue: [...] 5. Encaminhado o processo para a DRF/REC, e apesar de a Resolução do CARF determinar a intimação do sujeito passivo a comprovar suas alegações, para, só depois, ser intimada a autoridade lançadora, foi aberto procedimento fiscal específico que culminou na Informação Fiscal em questão, na qual o Auditor Fiscal competente pormenorizou as rubricas incluídas na base de cálculo do tributo lançado, comprovando e confirmando que as verbas indenizatórias foram tributadas no lançamento. 6. A CONTRIBUINTE, então, apresenta, na tabela anexa como DOC. 01, os valores que entende que devem ser excluídos da base de cálculo por representarem verbas que, por sua natureza, não compõem o salário de contribuição. Todos os valores estão indicados na Folha de Salários (DOC. 02), documento este que embasou o lançamento, conforme repetido muitas vezes pela autoridade fiscal. 7. Dessa forma, entende a CONTRIBUINTE ter cumprido com o determinado pelo CARF na Resolução nº 2401000.670, ao passo em que (i) as informações prestadas em Folha de Salários serviram de base para o lançamento; e (ii) as rubricas das verbas indenizatórias estão lá indicadas, de forma segregada. IV – DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO 8. Quanto à comprovação das verbas de alimentação “auxílio alimentação”, a CONTRIBUINTE informa, por boafé processual, que, apesar de ter convicção de que os pagamentos ocorreram via ticket de alimentação, conforme alegado nesse processo desde a defesa, os comprovantes de repasse dos valores para a SODEXHO foram extraviados dos arquivos da empresa. V – DOS PEDIDOS 9. Em virtude do exposto, a CONTRIBUINTE, em face das respostas da Autoridade Fiscal em sede de diligência, vem, respeitosamente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que seja reconhecida a improcedência Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.816 13 da autuação, haja vista a inclusão, na base de cálculo das contribuições apuradas, de verbas de caráter indenizatório. 10. Além disso, requer que sejam aproveitados (i) os créditos decorrentes de notas fiscais de prestação de serviços, cuja retenção de contribuição previdenciária não foi utilizada pela autoridade fiscal na apuração; e (ii) créditos decorrentes de pagamentos a maior realizados nos meses de março e dezembro de 2010, ambos abrangidos pelo lançamento e comprovados nos autos. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho, e redistribuídos a este Relator, para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.817 14 elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 3. Preliminar. Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade dos lançamentos, em face da existência de vício material insanável, decorrente de erro na construção do lançamento, tendo em vista que a constituição do crédito tributário foi realizada de forma consolidada, sem a clara delimitação da matéria tributável, especialmente dos fatos geradores supostamente omitidos. Argumenta, ainda, que as contribuições exigidas, calculadas sobre os valores apurados segundo o Anexo I do Relatório Fiscal (Levantamento FP, fl. 75), foram apresentadas de forma consolidada, por competência mensal, sem a indicação do número (e o nome) de funcionários que a contribuinte teria deixado de indicar em GFIP e o respectivo salário de contribuição, base de cálculo das contribuições objeto do presente processo. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Pois bem. Cabe ressaltar que, conforme delineado no Relatório Fiscal dos autos de infração (fls. 57/74), e bem lembrado pela Informação Fiscal de fls. 560/563, as bases de cálculo das contribuições para a Seguridade Social e para outras entidades lançadas nos autos de infração integrantes do presente processo, foram os valores das remunerações dos segurados empregados, não declarados em GFIP, extraídos das próprias bases de cálculo reconhecidas pela empresa nas folhas de pagamento, as quais podem ser observadas nos resumos das folhas de pagamento anexados às fls. 109 a 133, na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”. Tratase de informação produzida pela própria empresa e fornecida à Fiscalização, que a utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas, eis que tais valores estavam materializados em uma única rubrica do sistema de folha de pagamento da contribuinte, a título de “BASE INSS (EMPRESA”). Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.818 15 Ora, tendo sido os fatos geradores apurados diretamente a partir do sistema de folha de pagamento da contribuinte, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, não procede a alegação recursal de que não existiriam provas, mas apenas suposições, no que diz respeito à ocorrência dos fatos geradores apurados. Portanto, o contribuinte confessou que deve à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Ao alegar que cabe ao fisco a demonstração irrefutável da ocorrência do fato, buscar transferir, o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado, para a Fiscalização da Previdência Social, o que não se sustenta. Decerto, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Caberia à recorrente, por exemplo, comprovar que teria se equivocado no preenchimento do seu sistema de folha de pagamento, e proceder à sua retificação, ônus esse que não se desincumbiu, não sendo possível afastar a fidedignidade do conteúdo dos autos de infração em debate. No presente caso, autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD” os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever no “Relatório Fiscal” os fatos geradores das contribuições, bem como os documentos que serviram de base e para a apuração das contribuições devidas, cujos valores estão demonstrados no “Discriminativo do Débito – DD”, além de mencionar os valores dos acréscimos legais a título de juros e multa, com a correspondente fundamentação legal. Assim, entendo que não há que se falar em prejuízo ao exercício da ampla defesa, pois os valores lançados, com base em documento elaborado pela própria contribuinte, estão devidamente demonstrados, sendo que o “Discriminativo do Débito – DD”, indica por competência o quanto foi apurado, a alíquota aplicada, os créditos e deduções considerados e os valores devidos. Para além do exposto, cabe destacar que inexiste a necessidade de a fiscalização listar os trabalhadores de forma individual, pois a folha de pagamento é global e o lançamento da contribuição se dá pela sua totalização. Ademais, o artigo 195, I, “a”, da Constituição Federal de 1988 é claro ao afirmar que a contribuição incide sobre “folha de salários”, que compreende o conjunto global da remuneração paga pela empresa e não a remuneração individual de um trabalhador. Constatado que não foi procedido o recolhimento das contribuições devidas, e considerando as disposições legais que atribuem prerrogativa de arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Legislação Previdenciária, e à fiscalização a obrigação legal de verificar se as contribuições devidas estão sendo realizadas em conformidade com o ali estabelecido, não pode o agente fiscal se furtar ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, de conformidade com o art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.819 16 Como bem assentado pela decisão de piso, o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislçaão. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência do débito, já que os valores devidos à Previdência Social foram apurados diretamente a partir do sistema de folha de pagamento da contribuinte, materializados em uma única rubrica, a título de “BASE INSS (EMPRESA”). Assim, rejeito a preliminar levantada pela recorrente, passando a analisar o mérito da questão posta. 4. Mérito. Quanto ao mérito, a recorrente requer seja julgado totalmente improcedente a acusação de omissão de informações em GFIP e sonegação de contribuições previdenciárias e de terceiros, por entender que a exigência fiscal recaiu sobre verbas de natureza indenizatória, deixando, ainda, de apropriar créditos de retenção e contribuições previdenciárias e de terceiros pagos a maior pela contribuinte, devendo, por isso, ser cancelada a respectiva exigência tributária. Em resumo, a recorrente se manifesta, notadamente, sobre os seguintes pontos: 1. Competências 01/2010 a 13/2010: não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas de alimentação decorrente de convenção coletiva de trabalho e contrato de empresa conveniada ao Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho e do Emprego – PAT; 2. Competência 01/2010 a 13/2010: inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições apuradas de ofício, quais sejam: (a) aviso prévio indenizado; (b) auxíliodoença; (c) adicional de horas extras e (d) terço constitucional de férias; 3. Descumprimento do que determinam os artigos 456 e 457 (§1°) da IN/RFB n° 971/2009, especificamente no tocante ao DEBCAD n° 51.030.8244; 4. Ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes; 5. Créditos decorrentes de pagamentos a maior não considerados pela autoridade lançadora. Dessa forma, passa ao exame das questões postas. Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.820 17 4.1. Da alegação de não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas de alimentação decorrente de convenção coletiva de trabalho e contrato de empresa conveniada ao Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho e do Emprego – PAT (Competências 01/2010 a 13/2010). Conforme reiteradas decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça, e reconhecidas, inclusive, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, independentemente de a empresa comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incidem contribuições sociais sobre a alimentação fornecida in natura aos seus empregados, por não possuir natureza salarial. Contudo, no caso em questão, conforme destacado pela autoridade fiscal (fls. 560/563), não integraram a base de cálculo das contribuições lançadas os valores concedidos in natura pela empresa sob a forma de ticket de alimentação. Os valores constantes na rubrica “0505 DEC. ALIMENTAÇÃO” dizem respeito à contrapartida dos empregados na aquisição dos tickets de alimentação por parte da autuada junto à empresa fornecedora. Sobre a questão, a própria recorrente aduz, em resposta à informação fiscal (fls. 639/642), que, no tocante à comprovação das verbas de alimentação “auxílio alimentação”, apesar de ter convicção de que os pagamentos ocorreram via ticket de alimentação, os comprovantes de repasse dos valores para a SODEXHO foram extraviados dos arquivos da empresa. Assim, tendo em vista que a recorrente não comprovou ser objeto do lançamento a alimentação fornecida in natura aos empregados, não há qualquer reparo a ser feito na decisão de piso, sobre este ponto. 4.2. Da alegação de inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições apuradas de ofício, quais sejam: (a) aviso prévio indenizado; (b) auxílio doença; (c) adicional de horas extras e (d) terço constitucional de férias (Competências 01/2010 a 13/2010). Sobre a matéria de direito posta em debate, destaco que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n° 1.230.957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, firmou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado ou sobre os primeiros 15 dias de afastamento que antecedem o auxíliodoença. É ver a ementa daquele julgado e que traz, didaticamente, a fundamentação utilizada pelos julgadores: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.821 18 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". 1.3 Salário maternidade. O salário maternidade tem natureza salarial e a transferência do encargo à Previdência Social (pela Lei 6.136/74) não tem o condão de mudar sua natureza. Nos termos do art. 3º da Lei 8.212/91, "a Previdência Social tem por fim assegurar aos seus beneficiários meios indispensáveis de manutenção, por motivo de incapacidade, idade avançada, tempo de serviço, desemprego involuntário, encargos de família e reclusão ou morte daqueles de quem dependiam economicamente". O fato de não haver prestação de trabalho durante o período de afastamento da segurada empregada, associado à circunstância de a maternidade ser amparada por um benefício previdenciário, não autoriza conclusão no sentido de que o valor recebido tenha natureza indenizatória ou compensatória, ou seja, em razão de uma contingência (maternidade), pagase à segurada empregada benefício previdenciário correspondente ao seu salário, possuindo a verba evidente natureza salarial. Não é por outra razão que, atualmente, o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91 dispõe expressamente que o salário maternidade é considerado salário de contribuição. Nesse contexto, a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário maternidade, no Regime Geral da Previdência Social, decorre de expressa previsão legal. Sem embargo das posições em sentido contrário, não há indício de incompatibilidade entre a incidência da contribuição previdenciária sobre o salário maternidade e a Constituição Federal. A Constituição Federal, em seus termos, assegura a igualdade entre homens e mulheres em direitos e obrigações (art. 5º, I). O art. 7º, XX, da CF/88 assegura proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei. No que se refere ao salário maternidade, por opção do legislador infraconstitucional, a transferência do ônus referente ao pagamento dos salários, durante o período de afastamento, constitui incentivo suficiente para assegurar a Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.822 19 proteção ao mercado de trabalho da mulher. Não é dado ao Poder Judiciário, a título de interpretação, atuar como legislador positivo, a fim estabelecer política protetiva mais ampla e, desse modo, desincumbir o empregador do ônus referente à contribuição previdenciária incidente sobre o salário maternidade, quando não foi esta a política legislativa. A incidência de contribuição previdenciária sobre salário maternidade encontra sólido amparo na jurisprudência deste Tribunal, sendo oportuna a citação dos seguintes precedentes: REsp 572.626/BA, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 20.9.2004; REsp 641.227/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 29.11.2004; REsp 803.708/CE, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 2.10.2007; REsp 886.954/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 29.6.2007; AgRg no REsp 901.398/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 19.12.2008; REsp 891.602/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 21.8.2008; AgRg no REsp 1.115.172/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de 25.9.2009; AgRg no Ag 1.424.039/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 21.10.2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.040.653/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe de 15.9.2011; AgRg no REsp 1.107.898/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 17.3.2010. 1.4 Salário paternidade. O salário paternidade referese ao valor recebido pelo empregado durante os cinco dias de afastamento em razão do nascimento de filho (art. 7º, XIX, da CF/88, c/c o art. 473, III, da CLT e o art. 10, § 1º, do ADCT). Ao contrário do que ocorre com o salário maternidade, o salário paternidade constitui ônus da empresa, ou seja, não se trata de benefício previdenciário. Desse modo, em se tratando de verba de natureza salarial, é legítima a incidência de contribuição previdenciária sobre o salário paternidade. Ressaltese que "o saláriopaternidade deve ser tributado, por se tratar de licença remunerada prevista constitucionalmente, não se incluindo no rol dos benefícios previdenciários" (AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 9.11.2009). 2. Recurso especial da Fazenda Nacional. 2.1 Preliminar de ofensa ao art. 535 do CPC. Não havendo no acórdão recorrido omissão, obscuridade ou contradição, não fica caracterizada ofensa ao art. 535 do CPC. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.823 20 disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.824 21 doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 2.4 Terço constitucional de férias. O tema foi exaustivamente enfrentado no recurso especial da empresa (contribuinte), levando em consideração os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em todas as suas manifestações. Por tal razão, no ponto, fica prejudicado o recurso especial da Fazenda Nacional. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (STJ, 1ª Seção, REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Embora se reconheça o sobrestamento dos efeitos de parte da decisão, devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) n° 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade, entendo que a orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), encampada no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, está em perfeita consonância com a legislação sobre o tema. A respeito do adicional de horas extras, destaco que também já houve pronunciamento decisório do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente nos autos do REsp nº 1.358.281, também julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC/1973, tendo sido fixada a tese no sentido de que “as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária” (Tema n° 687). Pois bem. Ultrapassado o exame da questão de direito acerca da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre as parcelas (a) aviso prévio indenizado; (b) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença; (c) adicional de horas Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.825 22 extras e (d) terço constitucional de férias, cabe enfrentar mais um ponto controvertido na presente demanda, qual seja, a prova de que rubricas que não integram o salário de contribuição foram efetivamente objeto do auto de infração, tendo sido lançadas pela autoridade fiscal. Este foi o motivo, inclusive, para a conversão do julgamento em diligência, em duas oportunidades. Assim, cabe analisar as seguintes parcelas: (a) aviso prévio indenizado; (b) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença; e (c) terço constitucional de férias. Em atendimento aos termos da Resolução nº 2401000.670 (fls. 608/615), a unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Informação Fiscal de fls. 629/632, tendo sido elaborado no Anexo I de fls. 633/634, o comparativo mensal dos valores integrantes das bases de cálculo, de acordo com a classificação que a fiscalização efetuou de cada uma das rubricas, permitindo chegar à composição dos valores consignados na rubrica “BASE INSS (EMPRESA)”, utilizada no lançamento. O sujeito passivo, por sua vez, apresentou a Resposta de fls. 639/642, apresentando, ainda, na tabela anexa como doc. 01 (fl. 642), os valores que entende que deveriam ser excluídos da base de cálculo por representarem verbas que, por sua natureza, não compõem o salário de contribuição. Ademais, anexou o doc. 02, Folha de Salários, documento que embasou o lançamento. Analisando a tabela elaborada pela recorrente (fl. 642), percebese que sua insurgência contra o lançamento diz respeito às seguintes rubricas: (1) atestados médicos; (2) aviso prévio indenizado; (3) 1/3 de férias; (4) diferença 1/3 férias; (5) indenização art. 479 CLT. Inicialmente, cabe destacar que a rubrica “indenização art. 479 CLT”, não integrou a remuneração dos segurados empregados, não tendo sido objeto do presente lançamento, conforme se destaca do comparativo mensal dos valores integrantes das bases de cálculo, elaborado no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632. Notase, a propósito, que a rubrica, com código 0350, está classificada como “N”, e não como “SC”. Em relação à rubrica "atestado médico", por ser demasiadamente genérica, ressalto que não há maiores esclarecimentos que possam firmar a convicção deste julgador no sentido de que se referem às importâncias pagas nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. Em relação às demais rubricas, com exceção da rubrica “aviso prévio ind” que apresenta uma diferença a maior de R$ 43,06 (ref. mês de abril de 2010), na tabela elaborada pela fiscalização, os valores apresentados pelo contribuinte são idênticos aos que constam no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632. Assim, entendo que as rubricas abaixo, constantes no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632, devem ser excluídas do lançamento fiscal: Cód. Rubrica Tipo (*) Classif. (**) 0177 DIFERENÇA 1/3 FÉRIAS P SC 0260 1/3 DE FÉRIAS P SC 0340 AVISO PRÉVIO IND P SC Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.826 23 Por fim, cabe destacar que o § 11, do artigo 201, da CF/88, expressamente dispõe que a hipótese de incidência da contribuição previdenciária são os ganhos habituais incorporados ao salário, e, da mesma forma, seguem os arts. 22, I, e 28, I, da Lei n° 8.212/91. Ademais, conforme visto, o próprio Superior Tribunal de Justiça, no RESP 1.230.957/RS, em sede de repetitivo, já se manifestou no sentido de que, no que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97), e, no tocante ao adicional de férias concernente às férias gozadas, a natureza da verba seria indenizatória/compensatória, não constituindo ganho habitual ao empregado, motivo pelo qual não se enquadra no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91. É de se destacar, novamente: 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". (STJ, 1ª Seção, REsp 1230957/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, julgado em 26/02/2014, DJe 18/03/2014) Dessa forma, o art. 214, § 4°, do RPS, veiculado pelo Decreto n° 3.048/99, vai na contramão da interpretação sistemática do ordenamento jurídico, eis que, não constitui ganho habitual do empregado e possui natureza indenizatória/compensatória, razão pela qual sobre o adicional de férias não é possível a incidência da contribuição previdenciária. 4.3. Da alegação de descumprimento do que determinam os artigos 456 e 457 (§1°) da IN/RFB n° 971/2009, especificamente no tocante ao DEBCAD n° 51.030.8244. Alega a recorrente, que, aplicandose o disposto no § 1°, do art. 457, da IN/RFB n° 971/2009, todos os créditos deveriam primeiro ser utilizados para abater o montante devido a título de contribuição previdenciária do empregado, independentemente desse valor estar ou não declarado em GFIP. Nesse sentido, alega que o DEBCAD n° 51.030.8244 é totalmente improcedente, pois a autoridade fiscal, assumindo se tratar de lançamento por pagamento Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.827 24 parcial, teria deixado de cumprir o comando normativo do art. 457, § 1°, da IN/RFB n° 971/2009. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente. Conforme destacado pela decisão de piso (fls. 416/432), e da análise dos autos (fl. 62 e 75/76), entendo que agiu com acerto a apuração fiscal, visto que foram obedecidos os critérios de apropriação estabelecidos no art. 457, ou seja, primeiro valores declarados em GFIP, depois lançamentos com base na folha de pagamento. E, em cada caso (GFIP e folha, separadamente), foi priorizado a apropriação da contribuição descontadas de segurados ou retidas. A propósito, cabe destacar que, no Relatório Fiscal (fls. 57/74), a fiscalização esclarece que “foram deduzidos, na apuração dos valores das contribuições dos segurados empregados devidos, os valores dos benefícios previdenciários de saláriofamília e salário maternidade pagos pelo sujeito passivo a seus empregados, identificados nas folhas de pagamento e não declarados nas GFIP, descritos no Anexo II. Os valores mensais de tais benefícios podem ser visualizados no “DD – Discriminativo do Débito”, anexo ao auto, no Levantamento “SE”, descrito no item 3.2 do relatório, na coluna ‘DEDUÇÕES’”. Ademais, o mesmo Relatório Fiscal (fls. 57/74), também pontua que as guias e retenções “foram utilizadas preferencialmente para abater, nessa ordem, as contribuições declaradas pela Autuada em suas GFIP antes do início da ação fiscal (Levantamento "GF") e as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais sócios (Levantamentos "CC" e "CI"), que não estão sendo objeto de constituição de crédito nesta ação fiscal (Documento EXCL 09.500.4992) e, em seguida, para abater as contribuições descontadas dos segurados empregados”. 4.4. Da alegação de ausência de consideração de créditos decorrentes de retenções realizadas por clientes. Sobre a alegação da recorrente, no sentido de que o lançamento não considerou créditos de retenções na fonte realizados por seus clientes, cabe transcrever os seguintes excertos da Informação Fiscal de fls. 560/563: 3) Quanto às notas fiscais de serviços juntadas pela Recorrente (fls. 494 a 502) contendo destaques de retenções para a Seguridade Social por ela sofridas, temos a efetuar as seguintes considerações: a) no que diz respeito às notas fiscais de serviços n° 2143, 2144, 2145, 2146 e 2147, observase que foram todas emitidas no mês de 03/2010. Consultando os relatórios “DD – Discriminativo do Débito” dos autos de infração 51.030.8244 e 51.030.8252, nos quais houve lançamento de contribuições dos segurados e da empresa para a Seguridade Social, constatase que não houve qualquer lançamento na competência 03/2010, logo abstemo nos de nos pronunciarmos acerca das retenções destacadas nas referidas notas fiscais. b) Com alusão às notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, constatamos que, de fato, as mesmas não se encontram relacionadas no Anexo IV (fls. 78 a 94), logo os valores das Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.828 25 retenções nela destacados não foram considerados no lançamento. Comprovamos a autenticidade das mencionadas notas fiscais eletrônicas na página da Prefeitura do Recife na internet (https:nfse.recife.pe.gov.br/Documentos/verificaca.aspx). Desta forma, opinamos pela retificação dos lançamentos efetuados no auto de infração 51.030.8244 nos termos abaixo descritos: Competência N° Nota Fiscal Valor Retenção Seg. Social Destacada Auto de Infração Valor Lançado Rubrica “11 Segurados” Valor Retificado Rubrica “11 Segurados” 06/2010 2436 762,75 51.030.8244 51,40 0,00 09/2010 2813 2.275,11 51.030.8244 6.498,99 4.223,88 10/2010 2925 1.950,26 51.030.8244 6.167,38 4.217,12 c) O auto de infração 51.030.8260 versa apenas sobre contribuições para outras entidades (terceiros), portanto as retenções para a Seguridade Social contidas nas notas fiscais apresentadas não têm repercussão sobre as aludidas contribuições. Dessa forma, e por estar de acordo com o exame dos documentos feitos pela Informação Fiscal de fls. 560/563, havendo nos autos, prova da autenticidade das notas fiscais eletrônicas, entendo que deve ser apropriado ao lançamento do auto de infração n° 51.030.824 4, os valores das retenções destacadas nas notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, conforme Tabela de fls. 562, integrante da Informação Fiscal de fls. 560/563. 4.5. Da alegação de existência de créditos decorrentes de pagamentos a maior não considerados pela autoridade lançadora. A recorrente alega, ainda, que a autoridade fiscal teria deixado de apropriar créditos decorrentes de pagamento a maior realizados pela contribuinte, no período fiscalizado, relativamente às competências março e dezembro de 2010, conforme o seguinte demonstrativo: bcfp Bc + pro lab Contr.seg – fp Contr. Seg – pro lab Contr. Empresa Total a recolher Sf Sm Gps Retenção nfs Total pagtos Vr pago a maior Mar/10 1.031.990,83 1.910,00 84.197,98 210,10 249.758,44 334.366,48 10.119,98 574,16 10.602,02 366.495,11 387.791,27 53.624,79 Dez/10 1.238.940,37 1.910,00 101.287,60 210,10 299.766,99 401.264,69 4.225,25 607,29 0,00 409.548,47 414.381,01 13.116,32 Contudo, entendo que o pleito da recorrente escapa à competência deste colegiado, eis que, caso a contribuinte entenda haver realizado pagamento a maior em determinada competência, deve ingressar com pedido de restituição à unidade jurisdicionante da RFB ou efetivar a compensação de tais valores mediante informação em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP de competência posterior ao pagamento efetuado a maior, nos moldes preconizados no art. 89, da Lei n° 8.212/91. A observância deste procedimento tem como objetivo evitar que o contribuinte seja ressarcido, indevidamente, em duplicidade. Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.829 26 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, afastar a preliminar e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de: (i) excluir do lançamento fiscal as rubricas, constantes no Anexo I de fls. 633/634, da Informação Fiscal de fls. 629/632: DIFERENÇA 1/3 FÉRIAS (0177); 1/3 DE FÉRIAS (0260); AVISO PRÉVIO IND (0340); e (ii) apropriar ao lançamento do auto de infração n° 51.030.8244, os valores das retenções destacadas nas notas fiscais n° 2436, 2813 e 2925, conforme Tabela de fls. 562, integrante da Informação Fiscal de fls. 560/563. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, especificamente quanto ao adicional do terço constitucional de férias. Assim como o pagamento do período de férias usufruídas pelo trabalhador, o respectivo acréscimo de um terço no montante devido, com base no inciso XVII do art. 7º da Carta Política de 1988, é destinado a retribuir o trabalho, integrando a remuneração e o salário decontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. A respeito da base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado, prescreve a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.830 27 § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Sem dúvidas a definição da base imponível pela lei ordinária é abrangente, não ficando limitada aos valores pagos em decorrência do trabalho efetivamente prestado (contraprestação). Em outras palavras, o conceito de remuneração como retribuição pelo trabalho justifica a inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária de parcelas recebidas quando do afastamento por férias, descanso semanal, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato do trabalho. De mais a mais, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não incluiu no rol das exclusões do saláriodecontribuição a parcela recebida pelo trabalhador a título do adicional do terço de férias. Tanto é assim que o § 4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, faz expressa alusão à incidência da contribuição previdenciária. Confirase: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. (...) É certo, por outro lado, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias gozadas, dada a sua natureza indenizatória/compensatória, segundo decidido no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.831 28 Ocorre que houve o sobrestamento dos efeitos da decisão devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na matéria discutida no Tema 163/STF, cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) nº 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade do servidor público federal. Em 11/10/2018, foi julgado o mérito do RE nº 593.068/SC, oportunidade que foi fixada a tese de repercussão geral no sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre verbas não incorporáveis aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como o terço de férias. No entanto, até a data desta sessão de julgamento, o acórdão não tinha sido publicado, tampouco houve o trânsito em julgado. De qualquer modo, a consulta à página do STJ na Internet, em 12/03/2019, revela que o REsp nº 1.230.957/RS continua sobrestado pelo Tema 163/STF, conforme decisão da VicePresidência do STJ, em 25/07/2015 (Tema/Repetitivo 479). Verifico, ainda, que no RE nº 565.160/SC, julgado na sistemática da repercussão geral, com trânsito em julgado em 31/08/2017, o STF decidiu pela incidência da contribuição previdenciária a cargo do empregador sobre os ganhos habituais percebidos pelo empregado, o que implica considerar a possibilidade que o terço constitucional de férias compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária como ganho habitual, pago em retribuição à atividade laboral (Tema 20/STF). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, foi reputada constitucional, reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 1.072.485/PR, que está pendente de julgamento (Tema 985/STF). Como se observa, a questão em apreço foi elevada ao nível constitucional, não havendo decisão definitiva, devendose aguardar a deliberação da mais alta Corte deste país, de maneira tal que não se impõe a vinculação dos conselheiros ao decidido no REsp nº 1.230.957/RS, tendo em conta a redação do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações posteriores: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 10480.723516/201357 Acórdão n.º 2401006.064 S2C4T1 Fl. 6.832 29 Dessa feita, ao integrar o conceito de remuneração, o pagamento efetuado a título de adicional do terço constitucional de férias, ou suas diferenças, deve ser mantido na base de cálculo da contribuição previdenciária do lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial em menor extensão ao recurso voluntário, para apenas excluir do lançamento a rubrica aviso prévio indenizado e apropriar os valores das retenções destacadas nas notas fiscais. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 6832DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002996/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2005
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3o e 5o, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias.
CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (GFIP)
Conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa, por ter entregue GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2005 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3o e 5o, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (GFIP) Conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa, por ter entregue GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, §§ 3o e 5o, da Lei 8212/1991, acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97, combinado com o artigo 225, inciso IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3,048/1999, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO (GFIP) Conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa, por ter entregue GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 29 96 /2 00 7- 44 Fl. 1115DF CARF MF 2 O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra DecisãoNotificação nº 4520302500/0218/2007 (efls. 239 e ss.), proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau SC que julgou autuação procedente. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária em sua Resolução (efls. 930 e ss.), 08 de julho de 2009, assim os relatou: Tratase de Auto de Infração, lavrado em 31.10.06, em desfavor da Cia Latino Americana de Medicamentos, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, §3°, da Lei 8.212/91, combinado com o art.. 225, IV, §4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, referente ao período de 11/2003 a 12/2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 09/225, a empresa deixou de informar em GFIP o período compreendido entre 11/2003 a 12/2005, os fatos geradores representados pelos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio dos cartões de premiação. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa tempestiva (fls. 228), alegando que apresentou as retificações das GFIPs dentro do prazo legal, razão pela qual requer a relevação da multa. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.112 3 Em seguida, a DecisãoNotificação de fls. 236/238, julgou procedente o lançamento, afirmando que não houve a comprovação da correção da falta ate o presente momento, conforme alegado pela Recorrente. Por fim, fora interposto Recurso Voluntário tempestivo de fls. 245/248, alegando, em síntese, que procedeu a correção da falta dentro do prazo de defesa, requerendo a relevação da penalidade aplicada, posto que ausente qualquer circunstância agravante. Sem Contrarazões. Da Solicitação de Diligência A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgametno do CARF, em sua Resolução, converteu o julgamento em diligência, para que a fiscalização informe se os documentos acostados trazem pertinência com o presente lançamento e se as GFIPs foram devidamente retificadas no prazo legal, ou seja até a decisão da autoridade julgadora. Em 10 de fevereiro de 2012, a Equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC analisou as GFIPs apresentadas pelo Contribuinte (efls. 936 e ss), tendo concluído que em sua grande maioria as GFIPs foram devidamente retificadas dentro do prazo de defesa. Concluiu a diligência fiscal (efls. 1075) que deixaram de ser corrigidas, isto é, deixaram de ser informadas nas GFIPs apresentadas pelo Contribuinte, a remuneração do segurado empregado e os valores pagos aos segurados contribuintes individuais demonstrados na tabela abaixo: Do Acórdão Em 11 de fevereiro de 2015, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão n. 2302003.644 (efls. 1084 e ss), decidiu "por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de fls. 635/706 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do art 32A, inciso I, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009". Contudo, ficou constante a seguinte informação do Relatório do Acórdão . 2302003.644, in verbis: Fl. 1117DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário, de autoria da contribuinte. Esclareço e registro que fui designado, conforme consta nos autos, relator AD HOC, para formalização do acórdão proferido. A designação ocorreu pelo motivo do relator responsável original ter deixado o CARF antes da formalização do acórdão, não possuindo mais competência para tanto. Ocorre que o relator responsável original pelo processo não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, o relatório, histórico, análise que fez dos autos, que levaram o colegiado a decidir pelo que consta em ata. Conseqüentemente, por não possuir competência para tanto, registro o ocorrido, a fim de que as partes interessadas tenham ciência dos fatos. É o relatório. Da Nulidade do Acórdão Em 11 de setembro de 2018, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão n. 2202004.763 (efls. 1099 e ss), decidiu , por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração como Embargos Inominados, acolhendoos para fins de declarar a nulidade do acórdão embargado, qual seja: Acórdão n. 2302003.644. É o relatório Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme Relatório Fiscal e anexos deste processo, a lide discutida é o DEBCAD n° 35.544.3856, no valor de R$ 216.168,05, relativo multa administrativa por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei 8.212, de 24/07/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, pelo fato do sujeito passivo em epígrafe ter entregue GFIP, das competências entre novembro/2003 a dezembro/2005, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (valores pagos por meio de cartões de premiação). O relatório Instrução para o Contribuinte (IPC efls. 05) em seu item 2.7 traz de forma expressa que: 2.7. A multa poderá ser atenuada ou relevada: Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.113 5 (...) b) a multa aplicada será relevada desde que os requisitos seguintes estejam presentes, cumulativamente: * correção da falta até a data da ciência da DecisãoNotificação pelo interessado; * pedido do autuado dentro do prazo de defesa, impugnada ou não a infração; * ser o contribuinte infrator primário; * inexistência de circunstancies agravantes Nesse sentido, conforme dispõe o art. 291, §1° do Decreto 3.048/99, a multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante, norma vigente à época da infração, in verbis: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1oA multa serei relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. No caso em apreço, a ora Recorrente alega que corrigiu a falta dentro o prazo estipulado, é primaria e não houve nenhuma circunstancia agravante. De fato, não consta Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (efls. 14 e ss) nenhuma das circunstância agravantes prevista nos incisos I, II, III, IV e V do art. 290 do Decreto 3.048/99 e nem a informação de que o Contribuinte não fosse primário. Em 10 de fevereiro de2012, a Equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC analisou as GFIPs apresentadas pelo Contribuinte (efls. 936 e ss), tendo concluído que em sua grande maioria as GFIPs foram devidamente retificadas dentro do prazo de defesa. Concluiu a diligência fiscal (efls. 1075) que deixaram de ser corrigidas, isto é, deixaram de ser informadas nas GFIPs apresentadas pelo Contribuinte, a remuneração do segurado empregado e os valores pagos aos segurados contribuintes individuais demonstrados na tabela abaixo: Fl. 1119DF CARF MF 6 Constatase então que grande parte das GFIPs foram corrigidas dentro do prazo de defesa, conforme consta da Informação Fiscal, prestada por meio de diligência solicitada pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, sendo ainda o Contribuinte primário e não tendo nenhuma circunstância agravante. Com isso, devem ser excluídas da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075.] No que se refere às faltas remanescentes a multa aplicada, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência da 2ª Turma da CSRF (Acórdão ns. 9202006.632 e 9202 006.512) sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10920.002996/200744 Acórdão n.º 2202005.211 S2C2T2 Fl. 1.114 7 I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4 O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1121DF CARF MF 8 Isto posto, entendo que deve prevalecer o encaminhamento consolidado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, no sentido de, se for o caso, procederse ao recalculo da multa mais benéfica à Recorrente, no que se refere às faltas remanescentes a multa aplicada. CONCLUSÃO Devido ao exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da autuação as infrações que foram corrigidas, conforme Informação Fiscal prestada na diligência de efls. 936/1075 e para que nas faltas remanescentes a multa aplicada, seja feito o cálculo da multa mais benéfica, consoante disciplinado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 1122DF CARF MF
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