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Numero do processo: 13003.000374/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/1993 a 31/07/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995, 01/07/1995 a 31/08/1995
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO.
O prazo para a apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução.
Recurso Voluntário Provido
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-004.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Bispo, Relator, e Waldir Navarro. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1993 a 31/07/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995, 01/07/1995 a 31/08/1995 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO. O prazo para a apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. Recurso Voluntário Provido Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Bispo, Relator, e Waldir Navarro. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 3. 00 03 74 /2 00 7- 21 Fl. 204DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: O contribuinte teve reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, processo nº 98.00217584, o direito a créditos de PIS pagos a maior devido à inconstitucionalidade da aplicação dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88, onde além de requerer a condenação da União à repetição de todos os valores indevidamente recolhidos, solicitava que lhe fosse facultada a opção pela compensação. O trânsito em julgado deuse em 05/03/2001. Em 02/09/2005, o contribuinte encaminhou à Receita Federal do Brasil o pedido de habilitação dos créditos decorrentes dessa decisão judicial transitada em julgado no total de R$ 183.930,67. No entanto, somente em 13/12/2006 o contribuinte veio a apresentar a desistência da execução judicial (fl. 114) 1 . Dessa forma, em 29/12/2006, foi emitido o Despacho DRF/POA/SECAT nº 163, o qual dispunha que diante do atendimento dos requisitos previstos na IN SRF nº 600/05, deferiuse o pedido de habilitação do crédito decorrente da ação judicial, através do processo nº 11080.007084/200507. A compensação aqui em litígio foi enviada em 20/07/2007 em formulário. O uso de formulário se deveu ao fato de já terem passado mais de 5 anos do trânsito em julgado, não permitindo o Sistema PER/DCOMP a transmissão eletronicamente. Nessa compensação o contribuinte se utilizava de um crédito de R$ 14.838,51 oriundo da já referida ação judicial. A DRF de origem não emitiu Despacho Decisório para a análise dessa específica compensação. Através da Informação DRF/POA/SEORT nº 327, de 22/09/2010, foi feita referência ao Despacho Decisório nº DRF/POA nº 1.420/2007, de 19/07/2007, o qual na análise do processo nº 13003.000175/200713 não havia homologado compensações relativas a esse mesmo crédito judicial, devido ao fato de já terem transcorrido mais de 5 anos entre o trânsito em julgado e a transmissão das DCOMPs. 1 A referência de numeração de folhas é relativa ao processo digital. Isso porque existe uma parte do processo numerada em papel, e outra não. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 205 3 Tendo a declaração de compensação sido considerada pela DRF de origem não homologada e com valor de confissão de dívida, os débitos compensados foram enviados para cobrança (fl. 36). A ciência da Informação DRF/POA/SEORT nº 327 foi dada ao contribuinte em 02/12/2010. O contribuinte, em 22/12/2010, veio a apresentar Manifestação de Inconformidade alegando que os débitos não poderiam ter sido inscritos em dívida ativa, tendo em vista a falta de despacho decisório devidamente fundamentado acerca da homologação ou não de sua compensação, com a devida abertura de prazo para a sua contestação, o que não teria sido suprido pela Informação DRF/POA/SEORT nº 327. Paralelamente, o contribuinte ingressou com a ação judicial nº 2009.71.00.0190477, onde apresentou esses mesmos argumentos. A decisão judicial entendeu como procedente o pedido do contribuinte declarando nula a CDA (Cobrança de Dívida Ativa) nº 002080066996, e determinando a necessidade de despacho decisório sobre a compensação apresentada pelo contribuinte (fl. 59): “... o débito referente ao processo de crédito 13003.000374/2007 21 ainda não foi objeto de despacho decisório, e, portanto, não poderia ter sido enviado para cobrança em dívida ativa, conforme reconhece a autoridade fiscal ...”. “... ressalto, outrossim, que não cabe, neste processo, discutir acerca da prescrição ou da utilização de meio físico para processar a compensação, vez que sequer foi proferido despacho decisório acerca do encontro de contas. Tais questões foram abordadas pelo Fisco ao apreciar o processo de crédito nº 13003.000175/200713, que não se confunde com o objeto desta demanda”. “... julgo procedente o pedido para declarar a nulidade da CDA 002080066996 ...”. (gn) Observese, ainda, que a própria União em sua defesa no processo judicial concordou com a existência de erro no envio para cobrança e inscrição em dívida ativa, corroborando o alegado pelo contribuinte da não existência de despacho decisório e da necessidade do mesmo: “... especificamente, em relação às declarações de compensação juntadas ano processo nº 13003.000374/200721, ainda não foi emitido despacho decisório de não homologação ...” (fl. 58) (gn) Esse foi o entendimento exarado pela 2ª Turma da DRJ/POA, quando do julgamento do processo nº 13003.000175/200713. Sendo assim, conforme determinado judicialmente, o processo voltou à DRF de origem para que fosse emitido um Despacho Decisório a respeito dessa compensação. Isso veio a ocorrer em Fl. 206DF CARF MF 4 12/06/2012, através do Despacho Decisório DRF/POA nº 848/2012. Em tal decisão administrativa entendeuse pela não homologação da declaração de compensação apresentada devido ao fato de isso ter sido feito há mais de 5 anos do trânsito em julgado da decisão judicial que ampara o reconhecimento do direito creditório de PIS, de acordo com os artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. A ciência foi dada em 18/06/2012, sendo que o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 11/07/2012. Em síntese, faz as seguintes alegações o contribuinte: QUE o trânsito em julgado ocorreu em 05/03/2001, tendo encaminhado o seu pedido de habilitação em 02/09/2005, o qual foi somente deferido em 29/12/2006 pela Secretaria da Receita Federal. Ou seja, se existisse o prazo qüinqüenal para o exercício da compensação, houve descumprimento pela autoridade fiscal e não pelo contribuinte. QUE a prescrição do direito de ação de repetição do indébito foi interrompido por conta da ação judicial. A decadência do direito de constituir o crédito e aproveitálo se deu, após o trânsito em julgado, em 4 anos, portanto, antes do alegado prazo qüinqüenal que motivou o deferimento. Não há de se falar em prescrição, muito menos em decadência do direito do contribuinte ao crédito reconhecido judicialmente, já que este prazo foi estancado pelo ajuizamento da medida judicial, sendo inaplicável o inciso I, do art. 168, do CTN. QUE não há lei que preveja que o aproveitamento deva ocorrer em 5 anos, não servindo a Instrução Normativa nº 600/2005 como base para tal indeferimento, sendo que a mesma foi editada posteriormente ao trânsito em julgado da ação, e, portanto, não poderia ser aplicada com efeito retroativo. QUE não se manteve inerte na busca de sua compensação. QUE o prazo para o impugnante pleitear a restituição do tributo pago indevidamente é de 10 anos do fato gerador, e, portanto, tendo a ação judicial sido ajuizada antes da lei Complementar nº 118/2005, teria esse mesmo prazo para o aproveitamento dos créditos, de acordo com o disposto na Súmula nº 150, do STF (“Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação”), sendo inaplicáveis as vedações impostas pela IN nº 600/2005. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 206 5 QUE possuía todos os requisitos para a realização da compensação, ou seja, decisão obtida perante processo judicial e decisão administrativa da SRF deferindo o pedido de habilitação do crédito. Por fim, requer o recebimento da sua presente manifestação, declarandose a insubsistência do despacho decisório em face da total procedência da compensação realizada, eis que o prazo prescricional do direito de ação foi suspenso pela medida judicial de nº 9800217584, a qual buscou o reconhecimento do crédito utilizado pelo contribuinte, bem como não foi acobertado pela decadência, já que em 02/09/2005, 4 anos após o trânsito em julgado encaminhou o pedido de habilitação de crédito. Ademais o prazo de 5 anos conforme entendimento jurisprudencial é para dar início a compensação, o que foi realizado pelo contribuinte em 08/1998. Outrossim, se esse não for o entendimento dos julgadores, requer que sejam afastadas as Instruções Normativas nº 517/2005 e nº 600/2005, já que inexiste lei que impeça o aproveitamento de crédito reconhecido judicialmente após transcorrido o prazo de 5 anos do trânsito em julgado, o que caracteriza ilegalidade de tal ato administrativo. Em ato contínuo, a DRJPORTO ALEGRE (RS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1993 a 31/07/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995, 01/07/1995 a 31/08/1995 DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DE 5 ANOS DO TRÂNSITO EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO OU INTERRUPÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Contase a partir da data do trânsito em julgado o prazo prescricional para que o sujeito passivo exerça o direito de compensação de débitos na via administrativa, sendo que inexiste hipótese de suspensão ou interrupção do prazo prescricional na esfera administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão da DRJPORTO ALEGRE (RS) A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório. Fl. 208DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A discussão do processo limitase a definição do prazo para o Contribuinte exercer o seu direito creditório reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, na qual foram afastados os mandamentos dos DecretosLeis nº2.445 e 2.449/88, restabelecendose a vigência da LC nº07/70 e suas alterações, surgindo, em consequência, valores recolhidos a maior a título de PIS. A Delegacia da Receita Federal indeferiu totalmente a compensação solicitada pelo Contribuinte, alegando que o direito creditório reconhecido judicialmente já teria sido atingido pela Decadência, tendo em vista que o transcorrer de mais de cinco anos da data do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito. A Recorrente, tendo o seu crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, optou pela execução administrativa do PIS. Somente realizou a execução judicial dos honorários advocatícios e custas judiciais, conforme informado nos autos do processo nº9800217584 da Décima Vara Federal de Porto Alegre. O Contribuinte possui o prazo de 5 (cinco) anos para promover a execução do seu direito creditório reconhecido judicialmente, seja na modalidade judicial ou administrativa, com fundamento no art. 1o do Decreto n° 20.910/1932, bem como do inciso IV, §4°, do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008. No caso de direito creditório discutido judicialmente, a legislação tributária estabelece como termo inicial para a contagem do prazo prescricional do direito creditório a data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direito creditório ou a data da homologação da desistência da execução do título judicial. A seguir reproduzido o art. 51 da IN nº600/05 que dispôs sobre a matéria: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 207 7 II a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30(trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito.12 § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou Fl. 210DF CARF MF 8 II as pendências a que se refereo§3ºnão forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Nesse sentido, a Receita Federal também expôs mais detalhadamente a questão no Parecer Normativo nº11 de 19 de dezembro de 2014, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto nº 20.910, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 9.779, art. 16; Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º; Portaria MF nº 203, de 2012, art. 1º, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 81 e 82 eprocesso 10880.724252/201346. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 208 9 No caso concreto, tendo o contribuinte obtido o trânsito em julgado da decisão que reconheceu o seu crédito em 05/03/2001, poderia apresentar as declarações de compensação até 05/03/2006. Dessa forma, as declarações apresentadas após esta data foram atingidas pela prescrição. A Declaração de compensação objeto do presente processo foi apresentada no dia 20/07/2007 em formulário. O uso de formulário se deveu ao fato de já terem passado mais de 5 anos do trânsito em julgado, não permitindo o Sistema PER/DCOMP a transmissão eletrônica. A Recorrente alegou que o seu pedido de Habilitação do Crédito Judicial apresentado em 02/09/2005, antes portanto de transcorrer o prazo quinquenal, teria interrompido o prazo prescricional da sua execução administrativa, não podendo mais se falar em prazo para realizar as compensações. Além disso, afirma que se a Receita Federal somente deferiu o seu pedido em 29/12/2006, após decorridos os 5 (cinco) anos, e que houve descumprimento pela Autoridade Fiscal e não pelo Contribuinte. Ao contrário do que afirma a Recorrente, entendo que a Habilitação é apenas um procedimento preliminar e preparatório ao pedido de compensação de crédito originário de decisão judicial transitada em julgado. O procedimento de habilitação foi previsto no §2º do art.51, da IN SRF nº600/05. Sua base legal esta no §14 do art. 74, da Lei nº9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o dispostoneste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (grifei) Na habilitação não se discute o direito creditório do contribuinte, a sua suficiência ou o seu quantum, tratase apenas de procedimento formal onde se verifica a validade da decisão transitada em julgado para a realização da compensação, que se dará posteriormente pela apresentação das Dcomps (declarações de compensações), nos termos do § 2º do art.51, da IN SRF nº600/05. A suficiência e o quantum referente ao direito creditório é somente verificado quando ocorre a homologação da compensação pela Autoridade Tributária. A Habilitação também é procedimento sumário que a legislação prevê o prazo de 30 dias para a Receita Federal proferir despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito, a contar da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências. Nos autos fica evidente que o motivo principal da demora para a Administração se pronunciar sobre a habilitação foi que o Contribuinte somente apresentou a comprovação do trânsito em julgado em 27/10/2006 e a homologação da desistência da execução judicial no dia 13/12/2006, mais de treze meses após a protocolização do pedido, que se deu em 02/09/2005. A Receita Federal emitiu Despacho deferindo a habilitação do crédito em 29/12/2006, dentro Fl. 212DF CARF MF 10 do prazo de 30 dias da regularização da pendência previsto no § 4º do art.51, da IN SRF nº600/05. Assim, admitindose que o pedido de habilitação gera a suspensão do prazo prescricional, entendo que o contribuinte não pode se beneficiar da mora que ele mesmo deu causa (art.5º do Dec. 20.910/32). Desta forma, deve ser considerado como período de suspensão apenas o prazo regular de 30 dias previsto no § 4º do art.51 da IN SRF nº600/05. Ainda assim, mesmo que se considere esse prazo de suspensão, a declaração de compensação apresentada em 20/07/2007 teria sido atingida pela prescrição. Argumenta, ainda, o contribuinte que por força da Súmula 150 do STF o seu prazo de prescrição para execução seria de 10 anos e não 5 anos como considerou a Autoridade Tributária. A referida súmula preceitua que a execução no mesmo prazo de prescrição da ação. Equivocase na sua afirmação a Recorrente porque o julgamento da tese vencedora do "cinco + cinco" do repetitivo do STF não afetou o prazo de prescrição aplicável para a repetição de indébito dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. O prazo permaneceu inalterado em cinco anos, de acordo com o art.168 doCTN. O termo inicial da prescrição é que é considerado, não a data do pagamento do crédito, mas a data da homologação tácita desse pagamento, o que extingue, na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o crédito tributário (art.150, § 4º do CTN). Consequentemente, o prazo para execução também permaneceu em cinco anos, em consonância com a súmula nº150 do STF. Nesse mesmo sentido, o STJ já julgou a matéria em sede de Recurso Especial, conforme a ementa da decisão a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO PARA A AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL ORIUNDO DE AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO REFERENTE AO FINSOCIAL. PRAZO. SÚMULA 150∕STF. 1. Consoante dispõe a Súmula 150∕STF, "prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação." Consectariamente, a execução na ação de repetição do indébito deve obedecer esse lapso quinquenal. Impõese distinguir o termo a quo do prazo para a ação de repetição com o prazo de prescrição da mesma. 2. Tratandose de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para a respectiva ação de repetição de indébito contase a partir da extinção do crédito, que se dá com a homologação tácita, esta ocorrente cinco anos após o lançamento da exação. Precedentes do STJ. 3. Conforme dispõe o art. 168 do Código Tributário Nacional, o direito de pleitear a restituição do indébito extinguese com o decurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário (inciso I). 4. Interpretando este dispositivo em harmonia com o que dispõe o art. 150, § 4º do CTN, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça concluiu pela ocorrência da prescrição em cinco anos, contados da homologação tácita do proceder do contribuinte, que se perfaz em cinco anos contados da Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 209 11 ocorrência do fato gerador, considerando que o crédito tributário se extingue, nesta hipótese, com a preclusão para o Fisco efetuar o lançamento. 5. Extraise, desse contexto, que o prazo de prescrição não é de dez anos, mas de cinco. Do contrário estarseia ofendendo o próprio texto legal (art. 168). O termo inicial da prescrição é que é considerado, não a data do pagamento do crédito, mas a data da homologação tácita desse pagamento, o que extingue, na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, o crédito tributário (art. 150, § 4º). 6. Recurso Especial provido (STJ, REsp 543.808) (grifei) Por fim, cabe frisar que o argumento de inaplicabilidade dos dispositivos da IN SRF nº 600/05 ao caso, principalmente dos seus impedimentos, por sua edição ser posterior ao trânsito em julgado da ação, também não pode prosperar. O procedimento de habilitação e as compensações realizadas foram realizadas sob a vigência da referida norma legal, sendo plenamente aplicável as suas determinações. Diante de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 214DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. A solução da lide diz respeito à delimitação do prazo para que o contribuinte possa obter a restituição do indébito tributário reconhecido judicialmente, especialmente porque, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 517/2005 no DOU de 01/03/2005, passou a ser obrigatória a existência de um processo de habilitação ao crédito previamente à declaração de compensação, como condição para a apresentação desta última, nos termos do seu art. 3º: Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a IV do § 2º; ou Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 210 13 II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. § 7º A apresentação da Declaração de Compensação, do Pedido Eletrônico de Restituição e do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, na hipótese prevista no caput, fica condicionada à informação do número do processo administrativo no qual tenha havido o deferimento do pedido de habilitação do crédito. (...) [negritei] Assim, após a conclusão do processo administrativo de habilitação do crédito decorrente de título judicial, que envolve pedido do contribuinte, análise da fiscalização e seu eventual deferimento, tornase necessária nova iniciativa por parte do contribuinte, qual seja, a apresentação da Declaração de Compensação. Ocorre que para obter o deferimento de seu pedido de habilitação, deveria o contribuinte obter no Poder Judiciário a homologação da desistência da execução do título judicial, conforme se vê acima no art. 3º, §2º, IV da Instrução Normativa SRF nº 517/2005, o que foi mantido na Instrução Normativa SRF nº 600/2015 (DOU de 30/12/2005)2, o que pode demandar um prazo razoável. 2 Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (...) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. (...) Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (...) Fl. 216DF CARF MF 14 Dessa forma, surge a questão: Poderia prescrever o direito de o contribuinte compensar o crédito reconhecido judicialmente com seus débitos no período em que ele aguarda a decisão judicial acerca da desistência da execução? A Receita Federal respondeu a essa questão posteriormente aos fatos sob análise, introduzindo norma infralegal expressa na Instrução Normativa SRF nº 900/20083 no sentido de que o prazo para a apresentação do pedido de habilitação dos créditos poderia ser contado da homologação da desistência do processo de execução do título judicial, quando fosse o caso; a qual foi mantida no art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, nos seguintes termos: Art. 82. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. [redação original] (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf, mediante a confirmação de que: § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, mediante a confirmação de que: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1661, de 29 de setembro de 2016) (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e [negritei] (...) 3 Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: (...) III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 211 15 Embora à época do pedido de habilitação (02/09/2005) e da declaração de compensação (20/07/2007) do presente processo ainda não existisse tal disposição expressa, entendo que se trata de norma de caráter interpretativo, aplicandose retroativamente ao presente caso, a teor do disposto no art. 106, I do CTN. Conforme dispõe a Súmula nº 461 do STJ, D.J. 25/08/2010: “O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.” Ocorre que, tendo o contribuinte iniciado a execução judicial do título, tinha ainda a faculdade de pleitear a compensação no âmbito administrativo, que é a hipótese dos presentes autos. Ora, se a própria Receita Federal permite, e até regula por ato normativo, que o contribuinte desista da esfera judicial para ingressar na administrativa, não faria muito sentido consumir essa faculdade do contribuinte com o tempo que ele levaria para obter a homologação da desistência da execução judicial, que poderia levar à prescrição do seu direito. Seria, por assim dizer, "dar com uma mão e tirar com a outra", pois, como se sabe, as decisões judiciais, e também as administrativas, não são proferidas com a brevidade esperada pelos mais variados motivos. Assim, considerando que a homologação judicial da desistência do processo de execução era prérequisito para que o contribuinte obtivesse o deferimento do seu pleito de habilitação prévia do crédito, o qual deveria também anteceder a declaração de compensação, entendo que somente a partir da homologação judicial da desistência do processo de execução o prazo para o exercício da pretensão de compensação na via administrativa foi inaugurado. Após o início da execução do título judicial perante o Poder Judiciário, o fato que origina o direito de o contribuinte apresentar a declaração de compensação perante a Administração é a homologação da sua desistência da execução, que deve ser considerado o prazo inicial para o decurso da prescrição, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Nesse sentido, também foi o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgado abaixo: Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão nº 9303004.172– 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2016 Relatora: ÉRIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. PRAZO PARA PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL. DESISTÊNCIA DA AÇÃO DE EXECUÇÃO JUDICIAL. O prazo para o pedido administrativo de repetição de indébito reconhecido na via judicial tem início na data da homologação da desistência da ação de execução do título judicial. Fl. 218DF CARF MF 16 (...) VOTO (...) Observese que a contribuinte protocolou o processo em 13/04/2000 e prosseguiu com o processo de execução na via judicial, só formalizando o pedido de desistência da execução em 06/2005, conforme documento de fls. 207. A homologação judicial da desistência da execução de sentença se deu somente em: 07/06/2005 (f1s.377). Portanto até esta data havia uma condição impeditiva da apreciação do pleito da interessada. Como se vê, ao abrir mão da execução judicial, o termo inicial para pleitear o crédito (até então objeto de executório no âmbito judicial) só pode ser considerado a data da homologação a desistência da execução. Tendo em vista que a possibilidade de compensação surge apenas com a desistência da ação de execução, não podemos alegar que este direito sofreu decadência, tendo em viste que até este momento, sequer chegou a existir. Antes disso, o contribuinte não possui possibilidade jurídica de ação junto à Administração Tributária, razão pela qual a própria condiciona o exercício administrativo do direito reconhecido judicialmente à desistência da execução do título na esfera judicial. Este entendimento é corroborado, também, no inciso IV do parágrafo 4º do art. 71 da Instrução Normativa n.º 900 de 30 de dezembro de 2008, que entende que o termo inicial do prazo de 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear administrativamente a utilização dos seus créditos reconhecidos em decisão transitada em julgado é a data da homologação, pelo poder judiciário, da desistência da execução do título judicial, nos termo s, que reproduzo abaixo: (...) Na situação sob estudo, temse que: i) a decisão judicial transitou em julgado em 05/03/2001; ii) em 02/09/2005, a contribuinte requereu o pedido de habilitação, mas somente obteve a homologação da desistência da execução judicial em 14 de novembro de 2006 (vide fls. 110/111 do processo nº 13003.000175/200713); e iii) a declaração de compensação foi apresentada em 20/07/2007. Com efeito, mesmo sem considerar a suspensão do prazo durante o curso do processo de habilitação autorizada pelo Parecer Normativo Cosit nº 114, de 19 de dezembro de 4 Parecer Normativo Cosit nº 11, de 19 de dezembro de 2014 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. (...) O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13003.000374/200721 Acórdão n.º 3402004.687 S3C4T2 Fl. 212 17 2014, DOU de 22/12/2014, começando a contagem do prazo de prescrição de 5 anos em 14/11/2006, verificase que ainda não estava prescrito o direito da ora recorrente de apresentar a declaração de compensação em 20/07/2007. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para, afastando a prejudicial de prescrição apontada no despacho decisório, determinar que a autoridade administrativa analise o mérito da declaração de compensação apresentada pela recorrente em 20/07/2007. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora Designada No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. (...) Dispositivos Legais. Constituição Federal, arts. 37 e 100; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts. 100, 170 e 170A; Decreto nº 20.910, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 9.779, art. 16; Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º; Portaria MF nº 203, de 2012, art. 1º, III, e art. 280, III e XXVI; IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 81 e 82. e processo 10880.724252/201346 Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.100064/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO.
Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS
O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima se considerou suspeito e foi substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima se considerou suspeito e foi substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi.
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CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 10 00 64 /2 00 5- 10 Fl. 636DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima se considerou suspeito e foi substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi. Relatório Tratase de PER/DCOMP´s realtivas ao 2º trimestre de 2005, para ressarcimento/compensação de Cofins, vinculada a vendas não tributadas no mercado interno, conforme artigo 17 da Lei 11.033/20041. As PER/DCOMP´s foram auditadas pelo AuditorFiscal Vinícius Firemand Oliveira. Reduz o direito creditório solicitado, R$ 12.756.252,71, para R$ 524.232,27, em razão das seguintes glosas: Desestiva /Despachante – por não se enquadrarem no conceito de insumos aplicados. Entende o Auditor que tais dispêndios são relacionados à área comercial, e não à produção; Combustível – Intimado o contribuinte a informar onde foram utilizados os combustíveis, não se manifestou. Portanto, glosaramse as despesas com combustíveis; Condomínio – Glosados, por não poder ser considerados como aluguéis; Além dessas glosas, não foram utilizados nas compensações os créditos relativos a períodos anteriores, porque a IN 600/05, art. 21, §5º, definira que cada PER/DCOMP deve ser referir a um único trimestre. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, onde informa ser produtora de fertilizantes e sujeita à Cofins não cumulativa. Sustenta: que teria havido a decadência do direito de indeferir o pedido de crédito, porque foram escriturados e informados em Dacon no mês de junho de 2005. A ciência do Despacho Decisório foi dada em 19/07/2010; que a apropriação do crédito extemporâneo estaria amparada pelo artigo 16 da Lei 11.116/20052; que as instruções normativas vigentes na data do pedido não exigiriam 1 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 636 3 um pedido para cada trimestre; que instrução normativa não pode revogar Lei, conforme doutrina que colaciona; que o caráter regulatório das instruções normativas não poderia restringir seu direito; que a Lei 11.116/2005 somente autorizou a compensação a partir de 19/05/2005; que o saldo credor do 2º trimestre de 2005 está correto, sendo composto também pelo crédito extemporâneo; que ao caso se aplica o princípio da verdade material; que as despesas contabilizadas na rubrica “desestiva” englobam gastos com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem alfandegada; que são realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas, conforme Lei 8.630/93 – operadores portuários; que tais despesas inseremse no conceito de insumos aplicados na produção do bem ou na prestação dos serviços; que o custo compreende todos os gastos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais, conforme Resolução CFC 1.170/2009; apresenta fluxograma da importação de bens sobre os quais incidem tais despesas; que tais despesas não podem ser consideradas administrativas; que também podem ser consideradas como frete incorporado ao custo; cita soluções de consulta da RFB; quanto à glosa de combustíveis, aduz que necessita de grande quantidade de veículos pesados no seu processo produtivo, conforme fotos apresentadas em anexo; apresenta planilhas de estoque; que devido ao prazo de mais de 5 anos dos fatos é que não pode apresentar documentos intimados no prazo concedido, protestando pelo direito de ainda apresentálos quando entender necessário. Finalmente, requer diligência para comprovar todo o alegado. A DRJ/Rio de Janeiro 2/RJ – 5ª Turma, por meio do Acórdão 1332.917, de 21/12/2010, deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DÉBITOS INFORMADOS EM DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Quando comunicados pelo contribuinte na Dcomp, consideram se confessados os débitos a compensar, não havendo que se falar em decadencia. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. SALDO CREDOR ACUMULADO. VENDAS COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA. 2 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Fl. 638DF CARF MF 4 A apuração do saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004, originado das vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, a ser utilizado na forma de compensação, deve se dar, no máximo, para cada trimestre do anocalendário, respeitandose o regime de competência de apuração daquela contribuição. COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE DESESTIVA/DESPACHANTES. As despesas com serviços de desestiva, despachantes e congêneres, porquanto não aplicadas ou consumidas na produção de fertilizantes e corretivos agrícolas em geral, não fazem jus à apropriação de créditos da nãocumulatividade da COFINS. COFINS. DESPESAS COM COMBUSTÍVEL. Quando consumidos em veículos, maquinário e equipamentos efetivamente utilizados na produção de fertilizantes destinados à venda, os gastos com combustível ensejam a apuração dos correspondentes créditos da COFINS nãocumulativa. COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE CONDOMÍNIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGENCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4o, do Decreto n° 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A empresa então apresenta o Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 637 5 O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Preliminar de Decadência A recorrente alega a decadência do direito de indeferir o crédito. Não lhe assiste razão. A decadência é a cessação do direito potestativo, pela ultrapassagem de prazo legal, para os fins da segurança jurídica. No direito tributário, se aplica à constituição de ofício do tributo. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito ou sua cobrança. Jamais o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Portanto, afasto a preliminar suscitada. Fl. 640DF CARF MF 6 Mérito Cumpre inicialmente estabelecer o arcabouço teórico do regime não cumulativo das contribuições. A base legal para a compreensão dessa questão são os artigos 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 638 7 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. § 5o (VETADO) § 6o (VETADO) Fl. 642DF CARF MF 8 § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. §§ 10 e 11. (Revogados pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 4o do art. 2o desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (Redação dada pela Lei nº 11.307, de 2006) § 13. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 14. (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008). § 15. O disposto no § 12 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos). § 16. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 15, o crédito será determinado Fl. 643DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 639 9 mediante a aplicação da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento).(Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). § 17. ao § 21. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 644DF CARF MF 10 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput , adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput , incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput , devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 640 11 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 5º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 6º (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7ºe àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. § 11. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 12. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) § 13. Deverá ser estornado o crédito da COFINS relativo a bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, que tenham sido furtados ou roubados, inutilizados ou deteriorados, destruídos em sinistro ou, ainda, empregados em outros produtos que tenham tido a mesma destinação. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no Fl. 646DF CARF MF 12 prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 15. O crédito, na hipótese de aquisição, para revenda, de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d da Constituição Federal, quando destinado à impressão de periódicos, será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no § 2ºdo art. 2º desta Lei (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 16. Opcionalmente, o sujeito passivo poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis classificadas no código 7010.90.21 da TIPI, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos). (redação dada pela Lei 13.097/2015) redação anterior: Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de embalagens de vidro retornáveis, classificadas no código 7010.90.21 da Tipi, destinadas ao ativo imobilizado, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal do Brasil: ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) I no prazo de 12 (doze) meses, à razão de 1/12 (um doze avos); ou ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) II na hipótese de opção pelo regime especial instituído pelo art. 58J desta Lei, no prazo de 6 (seis) meses, à razão de 1/6 (um sexto) do valor da contribuição incidente, mediante alíquota específica, na aquisição dos vasilhames, ficando o Poder Executivo autorizado a alterar o prazo e a razão estabelecidos para o cálculo dos referidos créditos. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 17. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota: (Redação dada pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) I de 5,60% (cinco inteiros e sessenta centésimos por cento), nas operações com os bens referidos no inciso VI do art. 28 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) II de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento), na situação de que trata a alínea "b" do inciso II do § 5º do art. 2º desta Lei; e (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) III de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento), nos demais casos. (Incluído pela Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011) Fl. 647DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 641 13 § 18. No caso de devolução de vendas efetuadas em períodos anteriores, o crédito calculado mediante a aplicação da alíquota incidente na venda será apropriado no mês do recebimento da devolução. ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2º desta Lei. ( Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004 ) § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2 º deste artigo. ( Incluído pela Lei n º 11.196, de 21/11/2005 ) § 22.( Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008 ) § 23. O disposto no § 17 deste artigo também se aplica na hipótese de aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida nas Áreas de Livre Comércio de que tratam as Leis nos 7.965, de 22 de dezembro de 1989, 8.210, de 19 de julho de 1991, e 8.256, de 25 de novembro de 1991, o art. 11 da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e a Lei no 8.857, de 8 de março de 1994. ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 24. Ressalvado o disposto no § 2o deste artigo e nos §§ 1o a 3o do art. 2o desta Lei, na hipótese de aquisição de mercadoria revendida por pessoa jurídica comercial estabelecida nas Áreas de Livre Comércio referidas no § 23 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 3% (três por cento). ( Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009 ) § 25. No cálculo do crédito de que tratam os incisos do caput, poderão ser considerados os valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso III do caputdo art. 184 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Incluído pela Lei nº Fl. 648DF CARF MF 14 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 26. O disposto nos incisos VI e VII do caput não se aplica no caso de bem objeto de arrendamento mercantil, na pessoa jurídica arrendatária. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 27. Para fins do disposto nos incisos VI e VII do caput, fica vedado o desconto de quaisquer créditos calculados em relação a: (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) I encargos associados a empréstimos registrados como custo na forma da alínea "b" do § 1o do art. 17 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) II custos estimados de desmontagem e remoção do imobilizado e de restauração do local em que estiver situado. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 28. No cálculo dos créditos a que se referem os incisos VI e VII do caput, não serão computados os ganhos e perdas decorrentes de avaliação de ativo com base no valor justo. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 29. Na execução de contratos de concessão de serviços públicos, os créditos gerados pelos serviços de construção, recuperação, reforma, ampliação ou melhoramento de infraestrutura, quando a receita correspondente tiver contrapartida em ativo intangível, representativo de direito de exploração, ou em ativo financeiro, somente poderão ser aproveitados, no caso do ativo intangível, à medida que este for amortizado e, no caso do ativo financeiro, na proporção de seu recebimento, excetuado, para ambos os casos, o crédito previsto no inciso VI do caput. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 30. O disposto no inciso XI do caput não se aplica ao ativo intangível referido no § 29. (Incluído pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) O inciso II do caput do artigo 3º dessas Leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito, tanto na produção de bens, quanto na prestação de serviços. Todavia, o legislador não se ocupou de definir a amplitude ou abrangência do termo, para distinguir os diferentes significados em que pode ser tomado. Cabe ao intérprete da lei executar a tarefa de alcançar a mens legis, o norte interpretativo que possa cuidar de cada caso em concreto, observando o fim a que a lei busca (art. 5º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro). Uma primeira possível interpretação trata de equivaler o termo “insumo” aos dispêndios gerais da empresa, à semelhança dos custos e despesas da legislação do Imposto de Renda. Todavia, a enumeração exaustiva e específica de rubricas nos incisos III a XI do caput do artigo 3º, acima mencionados, afasta tal entendimento, posto que seriam inúteis se tal Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 642 15 interpretação fosse abrigada. Tal disposição normativa visa à separação entre os conceitos de custo e despesas, estas, limitadas aos incisos III a XI. Outra tentativa trata de igualar o significado do termo às matériasprimas e produtos intermediários na legislação do IPI, restringindoo àquele insumo que tem contato direto com o produto fabricado. Essa vertente foi adotada pela Receita Federal, conforme Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004. Mas a legislação de Pis e da Cofins não faz nenhuma referência à legislação do IPI para esse fim, e abrange realidades econômicas diversas das indústrias. Verificase, na verdade, que o Parecer CST nº 65/79, que historicamente se tornou o normativo base para a interpretação dos créditos de IPI, desenvolve sua argumentação para distinguir o termo “insumos”, dos produtos intermediários que possam gerar crédito de IPI. Portanto, o próprio conjunto normativo do IPI assenta que o termo insumos é mais abrangente que o de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem.Ora, a legislação de Pis e Cofins trata de insumos. Portanto, a aproximação dessas duas legislações para caracterização dos respectivos direitos de crédito é imprópria. Alguns utilizam o critério da essencialidade para fins de caracterização do insumo como gerador de crédito. Não posso concordar, pois, a rigor, todos os gastos de uma empresa são, em alguma medida, necessários ao seu funcionamento com qualidade. Não é esse o critério da Lei, posto que, no limite, poderia ensejar o aproveitamento de todos os dispêndios de qualquer empresa. Na exposição de motivos da MP 135/2003, que foi convertida na Lei 10.833/2003, consta que foi adotado “o método indireto subtrativo”... “em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens e serviço adquiridos, custos, despesas e encargos que menciona”. Em consonância com a exposição de motivos (custos, despesas e encargos), a construção do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 levanos a crer que os incisos I e II somente se referem a custos. Inciso I – custo de empresas comerciais; Inciso II – custo de empresas industriais e de serviços; Incisos III a XI – despesas e encargos específicos. O conceito contábil de custo é variável e essencialmente depende da visão administrativa, isto é, o custo poderá variar desde a apropriação tão somente das matérias físicas incorporadas ao bem produzido, quanto estenderse à apropriação de todas as despesas da empresa, inclusive financeiras, conforme for a visão gerencial3. Não obstante, no caso da legislação de Pis e Cofins, o custo é tomado como distinto de despesa, consoante a exposição de motivos da MP 135 e a separação dos incisos do artigo 3º. O termo custo aqui deve ser entendido como “dispêndios do processo produtivo”, isto é, todos os dispêndios necessários para colocação do bem acabado – ou serviço prestado no local de venda ou prestação de serviço. 3 Para ilustrar as diversas formas de custeio, variando conforme o grau de apropriação dos dispêndios, vide PADOVEZE, CLÓVIS LUIS e outro Custo e Preços de Serviços. São Paulo: Ed. Atlas, 2013, página 68. Fl. 650DF CARF MF 16 A inclusão do critério de localização final advém dos métodos contábeis tradicionalmente admitidos, por exemplo, insertos na Resolução CFC 1.170/20094 Portanto, nesse contexto, e considerando equanimidade entre empresas comerciais e empresas industriais ou de serviços, o custo do produto ou dos serviços equivale a todos os gastos intrinsecamente ligados ao produto ou serviço, alcançando o produto pronto em estoque, ou serviço concluído, no local de venda. Exemplificativamente, nenhum gasto com marketing, contabilidade, sistemas, pesquisa de viabilidade, qualificação, gastos ativáveis, nenhum desses é permitido para empresas comerciais, e portanto, não o serão também para empresas industriais e de serviços, no que se refere ao inciso II do art. 3º da Lei, isto é, sob o conceito de insumos. Por outro lado, despesas com manutenção de equipamentos de produção, despesas ambientais e semelhantes, que são necessários, em ambiente de produção ou prestação de serviços, para o alcance do produto acabado em estoque, ou para conclusão do serviço, geram direito a crédito. Com esse norte conceitual, passo à análise das divergências na base de cálculo e glosas de créditos do presente caso concreto. Crédito calculados sobre desestiva Conforme relata a recorrente, tratase de dispêndios que englobam gastos com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem alfandegada, prestados por pessoas jurídicas no Brasil, na importação. O Fisco considerou tais dispêndios como comerciais, distintos de dispêndios de produção, e por isso os glosou. Divirjo dessa interpretação. Conforme o preâmbulo teórico conceitual de insumos, os gastos vinculados à aquisição de insumos geram direito a crédito, sob a insígnia de custo da mercadoria ou do insumo. Tradicionalmente aceitase o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Não obstante, despesas com despachantes são eminentemente administrativas, relacionadas à obrigações contábeis/fiscais, e portanto, não geram direito a crédito. Crédito extemporâneo As leis que tratam do ressarcimento/compensação de Pis e Cofins sempre se referem ao saldo credor acumulado no trimestre, por exemplo, art. 5º, §2º da Lei 10.637/20025 4 Custos do estoque 10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. 5 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11543.100064/200510 Acórdão n.º 3201003.170 S3C2T1 Fl. 643 17 e art. 6º, §2º da Lei 10.833/20036, além do caput do art. 16 da Lei 11.116/20057, de que aqui se trata. No entanto, não há, nesses dispositivos, qualquer vedação a que créditos extemporâneos, não utilizados no período de competência, possam ser apropriados em período posterior, compondo o saldo credor desse trimestre posterior. Com efeito, o §4º do artigo 3º das Leis 10/637/2002 e 10.833/20038 permite essa compreensão. Na expressão do §4º, não há limitação de trimestre. O que se entende dessa legislação é que o pedido de ressarcimento deve ser trimestral, o que veda o pedido mensal ou anual. Mas nada impede que, num determinado trimestre, seja apropriado crédito de período anterior não aproveitado. Tal circunstância não causa nenhum prejuízo à Fazenda, posto que não há atualização financeira do crédito aproveitado tardiamente. Para além das vedações materiais do crédito – sua natureza legal para fins de direito de creditamento e respectivas comprovações as vedações procedimentais para o crédito extemporâneo, são de que não sejam aproveitados em duplicidade, respeitem o prazo prescricional, e sejam formulados em PER/DCOMP. Observo que nem mesmo as instruções normativas da Receita Federal expressam a exigência de que o crédito extemporâneo deva ser objeto de PER/DCOMP do próprio período de competência. O comando do §9º da IN 600/2005, já transcrito, é de que o pedido se vincule ao saldo do trimestre, não vedando que o saldo do trimestre contenha créditos anteriores ao trimestre, não registrados por equívoco. O que vejo, nas exigências normativas, são de que o pedido seja trimestral, como é formatado o próprio programa gerador do PER/DCOMP. No mesmo sentido, cito precedentes do Carf: 3302002.674, 3403001.935, 3401001.577, e 9303004.562. Tudo o que foi dito tem assento ainda mais pertinente no presente caso, em que os créditos extemporâneos são justamente aqueles que a Lei 11.116/2005, art. 16, permitiu fossem aproveitados somente após a sua publicação. 6 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 7 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 8 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 652DF CARF MF 18 O provimento quanto ao crédito extemporâneo aumenta o valor do crédito, já concedido pela DRJ, sobre os combustíveis. Porém, esse aumento, cf. fls. 268, não alcança o limite de alçada previsto na Portaria MF 63/20179, razão pela qual a matéria relacionada a combustíveis não será objeto de apreciação, restando definitivamente decidida pela primeira instância. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar as glosas sobre despesas de desestiva, movimentação e armazenagem na importação, e afastar as glosas sobre crédito extemporâneo sob esse único fundamento. Marcelo Giovani Vieira Relator 9 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Fl. 653DF CARF MF
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Numero do processo: 10508.000453/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1999
Declaração de Compensação. Limites para compensação.
No regime de apuração pelo lucro real anual, o sujeito passivo que apurar saldo negativo do IRPJ referente a determinado ano calendário somente poderá compensá-lo com débitos com vencimentos a partir de abril do ano seguinte ao da apuração.
Numero da decisão: 1401-000.444
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1397; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 194 1 193 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.000453/200500 Recurso nº 1.826.654 Voluntário Acórdão nº 140100.444 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2011 Matéria Dcomp Recorrente MAYOR FACTORING FOMENTO MERCANTIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 Declaração de Compensação. Limites para compensação. No regime de apuração pelo lucro real anual, o sujeito passivo que apurar saldo negativo do IRPJ referente a determinado anocalendário somente poderá compensálo com débitos com vencimentos a partir de abril do ano seguinte ao da apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Sérgio Luiz Bezerra Presta, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Fl. 211DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10508.000453/200500 Acórdão n.º 140100.444 S1C4T1 Fl. 195 2 Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Ausente momentaneamente o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1517.525, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: É o Relatório Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 75 a 129), recebida em 15/05/2006, contra o despacho decisório n° 22 de 03/04/2006 (fls.66 a 69), da Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, o qual indeferiu os pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte acima identificado com o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, no valor original de R$ 1.372,52. Os débitos que o contribuinte pretende compensar encontramse discriminados na fl. 66, conforme transcrito a seguir. Pedido de compensação Cód. Receita P.A. vencimento valor 30128.99612.280704.1.7.021028 2484 12/1999 31/01/2000 R$242,84 10860.71050.280704.1.7.023039 2484 12/2000 31/01/2001 R$ 369,80 O mencionado despacho decisório (fl. 68), concluiu por "não reconhecer o direito creditório e conseqüentemente não homologar a declaração de compensação haja vista a inexistência de saldo negativo do IRPJ que seria o suporte para tal pedido". O contribuinte tomou conhecimento do indeferimento do seu pedido, via AR (fl. 74) em 13/04/2006, e, em 15/05/2006, apresentou a presente manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a) "em verdade embora não tenham sido informados na ficha 11, os valores efetivamente pagos, os tributos foram efetivamente recolhidos como fazem prova as cópias anexas dos DARF's correspondentes"; b) "houve, sim, um lapso da impugnante, em não informar os valores efetivamente recolhidos; No entanto, já foi feita declaração retificadora, como se poderá observar da documentação anexa, o que supre a omissão apontada" e que "assim, inexistente o óbice apontado pela autoridade julgadora para a não homologação do pedido de reconhecimento do direito à compensação" c) quanto à existência de um auto de infração anterior a impedir o reconhecimento da homologação, "não tem o condão de impedir o reconhecimento do direito à compensação"; Fl. 212DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10508.000453/200500 Acórdão n.º 140100.444 S1C4T1 Fl. 196 3 d) "que o auto de infração mencionado foi lavrado em decorrência de arbitramento da base de cálculo e, portanto, não pode respaldar uma efetiva demonstração de falta de recolhimento tributário, já que consoante sabido e ressabido o auto de infração lavrado com base em arbitramento é um lançamento feito com base em presunção e não lastreado em provas materiais contundentes da falta de recolhimento do tributo; por conseguinte, enquanto não provada a presunção contida no levantamento presuntivo ou fictício, não se pode estabelecer, com precisão, o direito do fisco ao crédito contido neste tipo de lançamento"; e) "o auto de infração, enquanto não julgado, não poderá importar em constituição do crédito decorrente da nãohomologação da compensação" e que "não poderia, a autoridade decisora, determinar o recolhimento do tributo não homologado, enquanto não houvesse a conclusão do procedimento administrativo fiscal que é aduzido como condicionante para o não reconhecimento da compensação"; f) "ora não se pode concluir pela negativa do direito à compensação, antes da confirmação da efetiva ocorrência da sonegação fiscal, que é objeto material do lançamento anterior, e que deve ser apurada em procedimento administrativo fiscal onde se proporcione o mais amplo direito de defesa ao contribuinte"; g) "a decisão impugnada foi extemporânea, uma vez que caberia à autoridade decisora, aguardar o trânsito em julgado do lançamento (AI anterior), para somente após esta confirmação pretender a cobrança de um imposto supostamente compensado de forma indevida" e assim "havia uma questão prejudicial a impedir a decisão na forma em que foi deliberada"; h) "deste modo, ao invés de decidir pela cobrança do tributo julgado indevidamente compensado, deveria a decisora, suspender o processo e aguardar o julgamento da defesa apresentada pela impugnante, posto que este julgamento é que irá dizer se o imposto deve ou não ser objeto de compensação"; Pede, por fim, que "considerando que a decisão impugnada carece de reforma, na parte em que determina o recolhimento do tributo julgado indevidamente compensado, requer seja dado integral provimento a esta impugnação, para o fim de ser julgado improcedente o despacho decisório contestado, em face das argumentações já apresentadas". A DRJ DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. Comprovados os pagamentos das estimativas deve ser reconhecido o saldo credor, mormente quando julgado a decadência do lançamento que poderia impedir tal reconhecimento.Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10508.000453/200500 Acórdão n.º 140100.444 S1C4T1 Fl. 197 4 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação inclusive os que já foram acatados pelo decisum de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Delimitação da Lide Embora o recurso desconheça o que fora julgado na decisão de primeira instância,. este lhe foi favorável em sua quase totalidade na medida em que reconheceu o seu direito creditório, negando apenas a homologação da compensação da CSLL referente ao período de 12/1999, no valor de R$. 242,84. Eis abaixo a conclusão do voto da DRJ: Assim, no tocante ao anocalendário de 1999, tendo em vista a decadência do lançamento do IRPJ reconhecida no processo n° 10508.000071/200659 e a confirmação dos alegados pagamentos das estimativas no sistema SINAL da Receita Federal do Brasil, VOTO por DEFERIR EM PARTE a solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade, no sentido de reconhecer o saldo negativo do IRPJ em 31/12/1999 no valor de R$ 1.372,52, homologar a compensação do débito da CSLL relativo ao período de 12/2000, no valor de R$ 369,80 e não homologar a compensação da CSLL referente ao período de 12/1999, no valor de R$. 242,84. A lide circunscrevese, pois, apenas a não homologação da compensação da CSLL referente ao período de 12/1999, com vencimento em 31/01/2000, no valor de R$. 242,84. A esse respeito a Recorrente é silente em seu recurso. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso não refutadas pela recorrente, adoto aqui como razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso, abaixo reproduzidos: Analisando a PERDCOMP n° 30128.99612.280704.1.7.021028, verificase que o contribuinte pretende compensar débito da CSLL referente ao período de 12/1999, com crédito apurado em 31/12/1999, portanto, antes do encerramento do anocalendário de 1999, o que não é legalmente permitido, à luz dos dispositivos a seguir transcritos. Lei n° 9.430 de 27/12/1996 Pagamento por Estimativa Art 6o O imposto devido, apurado na forma do art. 2o, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § I o O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2o; Fl. 214DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10508.000453/200500 Acórdão n.º 140100.444 S1C4T1 Fl. 198 5 II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2o O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir de I o de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3o O prazo a que se refere o inciso I do § I o não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. Ato Declaratorio n" 03 de 07/01/2000. Instrução Normativa SRF n° 600 de 28/12/2005 ArU 5S Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I n a hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; I I na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. OBS: grifei. Desta forma, a compensação relativa ao débito da CSLL referente ao período de apuração 12/1999 não pode ser acatada, por descumprir os dispositivos legais anteriormente transcritos. Como se vê, no regime de apuração pelo lucro real anual, o sujeito passivo que apurar saldo negativo do IRPJ referente a determinado anocalendário somente poderá compensálo com débitos que vencem a partir de abril do anoseguinte ao da apuração, o que a evidência não foi o caso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso, não homologando a compensação da CSLL referente ao período de 12/1999, com vencimento em 31/01/2000, no valor de R$. 242,84. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 215DF CARF MF Emitido em 09/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 09/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910654/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 01/01/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.533
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 01/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 54 /2 01 1- 61 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910654/201161 Acórdão n.º 3402004.533 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.028, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 01/01/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910654/201161 Acórdão n.º 3402004.533 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910654/201161 Acórdão n.º 3402004.533 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16327.910654/201161 Acórdão n.º 3402004.533 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.721367/2014-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
Ementa
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS.
A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 1001-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 Ementa MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador.
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A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não é aplicável às obrigações acessórias, que são atos formais criados para facilitar o cumprimento das obrigações principais, embora sem relação direta com a ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 13 67 /2 01 4- 18 Fl. 64DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento (fl. 27), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de maio de 2013. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/18) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de denúncia espontânea.. A decisão de primeira instância (efls. 33/35) manteve o crédito tributário. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/08/2014 (efl. 38) a Interessada interpôs recurso voluntário em 04/09/2014 (efls. 41/60), em que aduz, em resumo (repetindo argumentos da impugnação): que a Recorrente entregou a DCTF em atraso, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização em exigilas; que é inaplicável qualquer forma ou nominação de multa, quando da efetivação da denúncia espontânea e pagamento do tributo devido ou parcelamento deste, já que a expressão contida na lei se for o caso afasta a multa na hipótese de cumprimento espontâneo dá obrigação tributária, seja ela principal, acessória ou acessória que se tornou principal; apresenta acórdãos do Conselho de Contribuintes que corroborariam a tese de que o cumprimento a destempo, mas espontâneo e antes de qualquer exigência da administração fazendária, autorizaria a aplicação do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, a fim de caracterizar a inexigibilidade da multa pretendida; que no acórdão recorrido.já na descrição do voto condutor, observarseia o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois seria certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculála da ocorrência do fato gerador dos tributos. que até mesmo nos casos de pedidos de parcelamento há que se considerar a denúncia espontânea para elidir exigência de qualquer multa; seria absurdamente incoerente admitirse aplicação de penalidade a este contribuinte de forma idêntica à qual lhe seria aplicada caso permanecesse inerte, aguardando eventual manifestação da autoridade fazendária. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Definiu acertadamente a decisão de primeira instância que a entrega da DCTF constituise em obrigação acessória, desvinculada de natureza tributária, pois assim prevista nos §§ 2º e 3º do art. 113 do CTN: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10435.721367/201418 Acórdão n.º 1001000.113 S1C0T1 Fl. 65 3 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Mesmo nos casos de entrega espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento por parte do Fisco, a aplicação de multa como a prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração (art. 138 do CTN) se refere à multa de ofício que acompanha a obrigação principal. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega após o prazo legalmente estabelecido, nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Este é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria, já tendo sido, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Adiantese que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê uma redução da multa aplicada, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75% no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. Desta forma, é evidente que, ao contrário do que alega a recorrente, a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração (com ou sem paramento ou parcelamento do tributo), com a devida redução da multa à metade. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 66DF CARF MF 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007414/2009-39
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica
Numero da decisão: 2001-000.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 74 14 /2 00 9- 39 Fl. 163DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 39/44), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 47.000,00. O contribuinte apresentou impugnação (f. 2/23), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ RECIFE de f. 97/112. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 118/158. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais, sob pena de ofenderse os princípios da privacidade da pessoa humana e do sigilo médico. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Argui a preliminar de nulidade do lançamento e defende que o crédito tributário não merece subsistir, por entender que está fundado em presunções, não tendo sido feita prova da ocorrência do fato gerador. Insurgese contra a multa de 75%, que entende ser exorbitante, extorsiva, desconectada do fato efetivamente ocorrido. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade Nos termos do art. 59 do Decreto 70235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição de direito de defesa (II). Analisando os Autos, verificase que a Notificação de Lançamento não incide em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, acima citado. Tratase de lançamento lavrado por autoridade legalmente competente e constatase ainda que foi oferecida a mais ampla defesa ao interessado, sendo que a decisão da DRJ analisou cuidadosamente as Fl. 164DF CARF MF Processo nº 19647.007414/200939 Acórdão n.º 2001000.010 S2C0T1 Fl. 3 3 razões trazidas na impugnação, enfrentando todos os argumentos de fato e de direito aduzidos pelo contribuinte. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade. Passemos à análise do mérito. Mérito O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, haja vista tratarse de pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das Fl. 165DF CARF MF 4 despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.720313/2013-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Volutário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Volutário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Volutário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 03 13 /2 01 3- 34 Fl. 59DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 0948.734, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, conforme a seguir transcrito Inconformada, a ora recorrente apresentou impugnação à DRJ, onde afirmava ter efetuado o recolhimento do débito e apresentou o correspondente comprovante. Ocorre que a recorrente efetuou, inadvertidamente, o recolhimento do valor do principal, sem os acréscimos moratórios. A seguir, reproduzo a conclusão da DRJ: A manifestação de inconformidade atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Assim, dela tomo conhecimento e passo à análise. A opção pelo Simples Nacional, sistema instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, está regulamentada na Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10860.720313/201334 Acórdão n.º 1001000.074 S1C0T1 Fl. 3 3 004, de 30 de maio de 2007 (até 2011) e na Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 (após 2012). O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional têm como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Segundo ainda o art. 6º, §§ 1º e 2º, II, da Resolução CGSN nº 94/2011 (mesma redação do art. 7º, § 1º e 1ºA, da Resolução CGSN nº 4/2007), a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até o último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção e que eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional poderão ser regulariza das dentro deste prazo. Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano calendário.(Lei Complementar n º123, de 2006, art. 16, caput ) § 1 º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art.16, § 2 º ) § 2 º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Conforme se verifica nos documentos apresentados pelo contribuinte e também em consulta aos sistemas informatizados da RFB, o débito foi regularizado parcialmente em 30/01/2013 com o recolhimento de um darf no valor de R$ 200,00, porém em os acréscimos legais, restando um saldo devedor em aberto de R$ 33,62, conforme consta na tela de folha 10, ou seja, o débito não foi regularizado antes do prazo estabelecido para que a opção produzisse efeitos a partir de 01/01/2013. Dessa forma, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Voto Fl. 61DF CARF MF 4 Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente afirma que efetuou o recolhimento do débito apontado no Termo de Indeferimento, que era de R$200,00, e apresentou o respectivo comprovante de recolhimento. Afirma, também, que utilizou o Sicalc Programa para Cálculo e Emissão de DARF, disponibilizado pela Receita Federal do Brasil, para gerar a guia para recolhimento do débito. Na guia gerada, não constavam os encargos moratórios e que, consequentemente, fora induzida ao erro. Afirma, também, que o saldo restante de R$33,62 não deveria ser responsável pela sua exclusão do simples haja vista todos os recolhimentos que fizera para habilitarse à opção. Recolhera o valor total R$17.234,75. Não assiste razão a recorrente posto que o recolhimento foi parcial, independentemente, da forma utilizada para gerar o DARF, estando correta e bem fundamentada a decisão da DRJ. O valor, ainda que imaterial, do débito existente justifica o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Recurso voluntário negado, sem crédito tributário. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.722872/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO.
É tributável pelo Imposto sobre a Renda a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição de bens imóveis. Configurando a Escritura Pública documento hábil à comprovação da operação.
MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE.
Na falta de resposta a item específico ou a termo intimação fiscal, tendo o contribuinte apresentado os elementos que permitam a aferição do tributo devido, é incabível o agravamento da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. SELIC.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 2201-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 30/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É tributável pelo Imposto sobre a Renda a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição de bens imóveis. Configurando a Escritura Pública documento hábil à comprovação da operação. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. Na falta de resposta a item específico ou a termo intimação fiscal, tendo o contribuinte apresentado os elementos que permitam a aferição do tributo devido, é incabível o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. É tributável pelo Imposto sobre a Renda a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição de bens imóveis. Configurando a Escritura Pública documento hábil à comprovação da operação. MULTA AGRAVADA. IMPOSSIBILIDADE. Na falta de resposta a item específico ou a termo intimação fiscal, tendo o contribuinte apresentado os elementos que permitam a aferição do tributo devido, é incabível o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. SELIC. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, incidindo, inclusive, sobre a obrigação principal decorrente de penalidade pecuniária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 28 72 /2 01 1- 65 Fl. 1011DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 30/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório O presente processo trata de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, fl. 776 a 779, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário consolidado conforme resumo abaixo: CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Imposto 1.151.347,27 Juros de Mora (calculado até 05/2012) 274.373,32 Multa Proporcional (112,50%) 913.498,62 TOTAL 2.339.219,21 Analisando as informações contidas na Descrição dos Fatos de fl. 05 a 30, constatase que, na Ação Fiscal, foi identificada omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais e omissão de rendimentos. No Relatório Fiscal contido em fl. 780 a 788 estão expostos os motivos de convencimento da Autoridade lançadora para promover a imputação fiscal, dos quais merecem destaque: Omissão de rendimentos Movimentação financeira incompatível que foram identificadas discrepâncias entre os valores movimentados em contas correntes e os rendimentos efetivamente declarados, tendo sido analisados extratos bancários apresentados pelo contribuinte em atendimento a intimação; que intimado a apresentar comprovantes de origens de recursos creditados em suas contas, o contribuinte apresentou diversos comprovantes de transações que apenas confirmam a existência das operações, sem justificar a origem; que dentre os elementos apresentados objetivando comprovar a origem do numerário, foram apresentados instrumentos de confissão de dívida em favor do Sr. Cláudio Alionis, Serfinan Consultoria Empresarial e Serfinan Empreendimentos e Participações, os quais também foram intimados a prestar esclarecimentos; que a análise das informações coletadas evidenciou que apenas parte dos créditos em conta bancária restou comprovada, dando ensejo à autuação por omissão de rendimentos. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10920.722872/201165 Acórdão n.º 2201004.035 S2C2T1 Fl. 1.012 3 Omissão de ganho de capital Tributação exclusiva na fonte que a análise dos documentos apresentados relativos a alienações de imóveis evidenciou ganho de capital passível de tributação nas operações relacionadas a um apto. situado na Rua Bueno Brandão, um imóvel no Condomínio Véu da Noiva e um apto. da Al. Marechal Floriano. Das penalidades que houve agravamento da multa de ofício (112,5%) em razão de não atendimento ou atendimento parcial de alguns Termos de Intimação. Cientes do lançamento em 25 de junho de 2012, conforme AR de fl. 796 inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação de fl. 798 a 826, estruturando seus argumentos nos seguintes tópicos: a impossibilidade de tributação do Reqte. com base em depósitos bancários de origem não comprovada violação à sua intimidade decorrente da intimação recebida para apresentação dos extratos bancários decisão proferida pelo STF nos autos do RE 389.808PR; depósitos bancários não constituem renda; inexistência de renda omitida; improcedência da cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital; improcedência da aplicação da multa de 112,5%; a inaplicabilidade da Taxa Selic; a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, julgoua procedente em parte, fl. 922 a 939, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: (...) Além disso, considero também totalmente infundada a alegação de que foi coagido a entregar os extratos bancários, uma vez que as intimações da Fiscalização, tão somente esclareciam o contribuinte sobre as consequências decorrentes do não atendimento de intimações regulares, efetuadas durante as investigações. Tais consequências estão previstas na legislação, que foi devidamente citada nos documentos entregues no domicílio fiscal do sujeito passivo. Assim, é totalmente descabido argumentar que a fundamentação legal dos termos das intimações constitua qualquer tipo de coação ao contribuinte. No que tange as considerações acerca de inconstitucionalidade de dispositivos legais que autorizam a quebra de sigilo bancário, deixo de examinála, visto que, no caso vertente, a fiscalização Fl. 1013DF CARF MF 4 não se utilizou efetivamente dos expedientes previstos na legislação para obter os extratos bancários do contribuinte. Como já dito, referidos documentos foram disponibilizados de maneira espontânea pelo fiscalizado. Desse modo, rejeito a preliminar de quebra ilegal do sigilo bancário. Relativamente à argumentação de que o lançamento fiscal está amparado em meras presunções, temse a ressaltar que a tributação de rendimentos omitidos provenientes de valores creditados/depositados em conta corrente, mantidas junto a instituições financeiras, cuja origem não seja comprovada, tem como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (...) Dessa maneira, a tributação por omissão de rendimento decorrente de presunção legal em nada fere o conceito legal de fato gerador a que se refere o art. 43 do CTN. Pelo contrário, tal presunção vem no sentido de reforçar o fato de que o sujeito passivo adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica dos valores movimentados (creditados) em conta de depósito ou investimento ele mantida junto a instituição financeira. (...) Nesse particular, contudo, releva assinalar que o cerne da questão reside no fato de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que o valores em questão são decorrentes de empréstimo bancário da Serfinan, ou seja, não se desincumbiu do seu ônus processual, levando o fiscal a lançar tais valores como omissão de rendimentos. Pelos documentos conduzidos aos autos pelo impugnante, ficou devidamente comprovado que as importâncias de R$ R$ 7.716,16, R$ 7.716,16 e R$ 1.539,06 foram depositados em contacorrente do contribuinte visando à devolução de emolumentos pagos antecipadamente pelo contribuinte ao 14º Oficial de Registro de Imóveis. (...) Em outro plano, respeitante ao ganho de capital apurado no auto de infração em apreço, o impugnante alega que a venda do apartamento duplex n° 191 do Edifício situado na Rua Breno Brandão, 134, Jardim Paulista, não foi objeto de pagamento à vista, tendo sido expressiva parte do seu preço parcelada em 5 (cinco) cheques. No entanto, de pronto, assinalo que o contribuinte não trouxe nenhum documento, em sede de impugnação, tendente a infirmar a conclusão a que chegou o auditorfiscal. (...) Assim, tendo em vista a responsabilidade objetiva, estatuindo que, para aplicação de penalidade por infração tributária, não importa se o fato do não atendimento a intimações ou atendimento com atraso tenha ou não inviabilizado ou dificultado o procedimento investigatório, entendo que deve ser mantido o agravamento de multa de ofício de 75% para 112,5%. (...) Assim, as alegações no sentido de que a cobrança de juros com base na Taxa SELIC seria indevida, portanto, não podem prosperar, visto que tal exigência encontrase expressamente Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10920.722872/201165 Acórdão n.º 2201004.035 S2C2T1 Fl. 1.013 5 prevista em lei, à qual as autoridades administrativas estão estritamente vinculada, por força do princípio da legalidade.(...) Em relação à argumentação acerca da incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, temse que no lançamento, que se constitui no objeto do litígio, não ocorreu o fenômeno alegado pelo contribuinte, pelo que deixo de examinar tais ponderações. Cientes do Acórdão da DRJ em 26 de outubro de 2015, conforme AR de fl. 943, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 945 a 983, em que reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Após breve resumos dos fatos identificados nos autos, o recorrente inicia a apresentação das razões recursais. A impossibilidade de tributação do Reqte. com base em depósitos bancários de origem não comprovada violação à sua intimidade decorrente da intimação recebida para apresentação dos extratos bancários decisão proferida pelo STF nos autos do RE 389.808PR Sustenta o recorrente que houve a quebra do seu sigilo bancário ao ser intimado a apresentar extratos de sua movimentação financeira, sob lastro de dispositivos legais considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. O tema dispensa maiores considerações, pois embora fosse uma questão secundária, já que, no presente caso, as informações bancárias foram prestadas pelo próprio fiscalizado, a tese defendida teria amparo em posição adotada pelo STF no ano de 2010, no julgamento do RE 389.808, que, à época, entendeu que o acesso aos dados bancários dependia de prévia autorização judicial. Entretanto, tal posicionamento foi revisto no julgamento do RE 601.314/SP, em que se concluiu pela constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, conforme a tese fixada pelo Tribunal: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” Assim, improcedentes as razões recursais. Fl. 1015DF CARF MF 6 Os depósitos bancários não constituem renda Alega o recorrente a impossibilidade de manter exigências fiscais decorrentes de depósitos bancários de origem tida por não comprovada, que se baseiam em mera presunção do Agente Fiscal e que nada mais é que um indício de suposta infração ou irregularidade. Afirma que indício não é prova e que o fato jurídico tributário precisa ser verificado para que se possa exigir o tributo, sem o que não se identifica o fato gerador necessário ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Aduz que é indispensável pautar o lançamento na certeza acerca da ocorrência do fato gerador, sendo dever da fiscalização a busca da verdade material, não bastando a ação fiscal presumir que os valores, cuja origem não se teve como comprovada, configuram omissão de receitas, eis que lhe cabe o dever de buscar as provas que tais valores correspondem, efetiva e concretamente, a omissão de rendimentos. Afirma que a base de cálculo é elemento essencial à correta definição do tributo e que somente é possível a incidência tributária do imposto sobre a renda quando tenha havido alteração positiva no patrimônio do contribuinte no período. Assim, afirma que, para que se conclua pela omissão de rendimentos, há que se provar o aumento real do patrimônio do requerente, de modo inequívoco. Por fim, sob amparo da Súmula Tribunal Federal de Recurso nº 182, entende que é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários. Ao contrário do que afirma o recorrente, o lançamento em questão não decorre de presunção do Agente Fiscal, mas de presunção legal disposta na Lei 9.430/96, cujo teor merece ser destacado: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Portanto, não restam dúvidas de que há sim amparo legal para serem considerados como omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária que o contribuinte não comprove a origem. Assim, neste caso, o ônus da prova recai sobre o beneficiário dos depósitos e não configura um encargo do autor do procedimento fiscal. Não afastada a presunção legal pelo contribuinte, a base de cálculo é exatamente o valor creditado em sua conta bancária, correspondente ao que a lei presume ser omissão de rendimentos, tudo nos termos do art. 44 da Lei 5.172/66 (CTN); A Súmula 182 do TFR não empresta seus efeitos à demanda sob análise, já que o tributo não foi lançado exclusivamente sobre os valores dos depósitos bancários identificados. Como se viu, diversas foram as informações requeridas, oportunizandose ao contribuinte comprovar a origem dos valores, sendo muitos dos créditos considerados comprovados no curso do procedimento fiscal. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10920.722872/201165 Acórdão n.º 2201004.035 S2C2T1 Fl. 1.014 7 Por outro lado, não se pode confundir disponibilidade de recursos para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda com acumulação de riqueza. Afinal, o tributo em discussão incide sobre a renda e os proventos de qualquer natureza (art. 43 do CTN), e não sobre o patrimônio. No caso de pessoa física, como regra, o simples auferimento de renda é suficiente para configurar a ocorrência da hipótese de incidência tributária, sendo irrelevante se o valor recebido é ou não suficiente para fazer face às despesas e aos compromissos pessoais de seu beneficiário, tampouco se será suficiente para acumulação de patrimônio. Ademais, não é necessário que o Fisco comprove o consumo dos valores representados pelos créditos bancários identificados. É o que prevê a Súmula CARF nº 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Portanto, improcedentes os argumentos recursais neste tema. Inexistência de renda omitida A defesa manifesta seu entendimento de que, em que pese a clareza das demais razões recursais, ao menos deveria ser excluída de tributação o valor de R$ 247.525,53, cuja origem teria sido comprovada, configurando empréstimo obtido de empresa da qual é sócio. O citado valor consta como crédito em sua conta bancária, em 13/07/2009, com indicação de que seriam "despesas lctos internos", fl. 43. O contribuinte junta avisos de lançamento que indicam que o numerário tem origem na conta da Serfinan Consultoria Empresarial, fl. 871. A Autoridade Fiscal identificou tal valor como sendo objeto de um suposto Mútuo não contabilizado na empresa Serfinan Consultoria, conforme de verifica em fl. 835. O recorrente alega que o fato da operação não ter sido contabilizada pelo empresa não pode ter o condão de converter o que é dívida em renda tributária e que estes mesmos argumentos servem para os créditos bancários no valor de R$ 174.444,26 e R$ 77.788,67, em 13 de julho de 2009, e, ainda, aos créditos de R$ 9.970,40 (07/04/2009) e R$ 5.500,00 (28/04/2009). Muito embora o Relatório Fiscal tenha dado maior ênfase à presunção de omissão de rendimentos cuja origem não foi comprovada, certo é que ressaltou, também, o preceito legal que estabelece que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não tenham sido levados ao ajuste, serão submetidos às normas de tributação específicas. Assim, na descrição dos fatos de fl. 779, a fundamentação legal utilizada no lançamento alcançou regras de tributação relativas a rendimentos diversos e não apenas àqueles relacionados à presunção legal de omissão de rendimentos. Desta forma, apenas a comprovação da origem não basta para afastar a tributação dos valores neste tema tratados. Para tanto, seria necessário que o contribuinte tivesse demonstrado a natureza do numerário recebido, já que o alegado mútuo não tem Fl. 1017DF CARF MF 8 amparo na contabilidade da mutuante. Ao menos, o contribuinte deveria ter demonstrado que efetuou o pagamento das obrigações assumidas. Afinal, o pagamento do valor mutuado no curso de 2009, ou valor equivalente, presumese pela manutenção das dívidas e ônus reais indicadas no início e no final do período, fl. 222. Contudo, aparentemente, a comprovação da quitação de tais empréstimos parece não ser tão fácil assim. Como se verifica das declarações de rendimentos disponíveis nos autos, fl. 210 a 223, o contribuinte, embora recebendo um rendimento de prólabore anual de R$ 6.000,00 de cada uma de suas empresas, a Serfinan Consultoria Empresarial e a Serfinan Empreendimentos e Participações, mantém dívidas com estas em valores aproximados de 6,5 milhões. Tal fato, alinhado à reiterada e vultosa movimentação de recursos entre as contas bancárias das empresas e as de seu sócio, evidencia um proceder que, se tivesse a fiscalização avançado para comprovar o pagamento das obrigações assumidas pelos citados contratos de mútuo, possivelmente teria constatado uma omissão de rendimentos ainda mais robusta. Desta forma, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Da improcedência da cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital Neste tema, o contribuinte reitera a mesma questão relacionada à preservação da intimidade correspondente à intimação que recebeu para apresentação de documentos relativos aos créditos em sua conta bancária, matéria esta já tratada alhures e já superada. De outro lado, sustenta que a operação de alienação de um apartamento situado na Rua Breno Brandão foi parcelada em cinco cheques e não à vista, como considerado pela apuração da fiscalização, o que, segundo a defesa, demonstraria a improcedência do lançamento, por não ter sido considerado o deferimento a que alude o art. 21 da Lei 7.713/88. Sobre a questão, importa ressaltar que, em fl. 226, consta intimação emitida nos seguintes termos Em fl. 385, outro pedido de esclarecimento é formalizado: Este último pedido de esclarecimento foi objeto de reintimação, conforme fl. 459, tendo o contribuinte, neste item, apresentado a resposta de fl. 466, em que se limita a informar erro em relação à data da baixa do bem de sua relação de bens e direitos, informando Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10920.722872/201165 Acórdão n.º 2201004.035 S2C2T1 Fl. 1.015 9 que o imóvel foi vendido em agosto de 2007, como corretamente consignado na Escritura e no respectivo Registro. Na Escritura de Compra e Venda, em fl. 233, está claro que os valores foram divididos em cheques, mas sem qualquer indicação de data futura para depósito. Ao contrário, com menção expressa de que as referidas ordens de pagamento à vista foram quitadas naquele ato. Assim, ainda que a defesa não tenha demonstrado em que datas tais valores foram efetivamente recebidos, resultaria em comportamento contraditório o contribuinte prestar uma informação ao Agente Fiscal e, após, tentar beneficiarse de eventual erro cometido em razão das próprias afirmações. Ademais, a apuração fiscal, além do que afirmou o contribuinte, considerou uma Escritura Pública lavrada em nota de tabelião, documento que tem fé pública, fazendo plena prova, nos termos do art. 215 da Lei 10.406/2002 (Código Civil). Portanto, nada a prover neste tema. Da improcedência da aplicação da multa de 112,5% O recorrente afirma a improcedência da majoração da multa de ofício, pois, ainda que tenha ocorrido alguma falha de seus assessores, os Termo de Intimação recebidos foram devidamente atendidos, o que teria dado condições ao Agente Fiscal para lavrar o auto de infração. Sobre o tema, conforme já expresso no Relatório do presente Voto, constata se que a fiscalização aplicou a majoração da multa prevista no § 2º do art. 44 da Lei 9430/96 por não ter o contribuinte atendido a alguns termos de intimação ou por ter atrasado na resposta de outros. Vejamos o que diz a lei 9430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos;(...) Quando da análise da Impugnação, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância decidiu que deveria ser mantido o agravamento da penalidade, por entender que a conduta do Fl. 1019DF CARF MF 10 contribuinte de não ter respondido a um determinado termo ou têlo feito em atraso é suficiente para o imputação mais gravosa, independentemente de ter ocorrido algum prejuízo à atuação do Agente Fiscal. Não parece que a conduta do contribuinte durante o procedimento fiscal justifique o agravamento da penalidade. Afinal, o contribuinte não deixou de prestar os esclarecimentos solicitados, inclusive apresentando farta documentação que foi utilizada pela fiscalização para apuração do tributo devido. O que se deu foi a não apresentação de resposta a um item ou Termo especifico, mas os mesmos esclarecimentos foram prestados em atendimento a Termos posteriores. Como exemplo, temse que o Termo de Intimação 008/2012, f. 384, não foi atendido no prazo. Assim, foi lavrado o Termo de Reintimação de fl. 459, o qual foi devidamente atendido em fl 466, resposta pela qual o contribuinte prestou esclarecimentos a diversas intimações anteriormente emitidas. O que se depreende da legislação que prevê a possibilidade de agravamento da multa de ofício é a intenção de desestimular um comportamento do fiscalizado que se mostre incompatível com a nobreza das atividades desenvolvidas pela Administração Tributária e pelas Autoridades Fiscais e Aduaneiras da União. Assim, entendo que, neste caso, a penalidade pela omissão de rendimentos é a multa de 75 % prevista no inciso I do art. 44 da lei 9430/96, sendo possível apenas sua majoração se o contribuinte não tivesse apresentado qualquer esclarecimento que pudesse subsidiar o lançamento de ofício a ser levado a termo pela Autoridade Fiscal ou se os tivesse prestado de forma insatisfatória com evidente intuito de dificultar a apuração do tributo. Portando, dou provimento ao Recurso Voluntário para excluir o agravamento da penalidade de oficio, devendose manter, exclusivamente, a multa no percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Da inaplicabilidade da Taxa Selic. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício; Alega o contribuinte a inaplicabilidade da Taxa Selic como índice de juros para fins tributários, elencando os argumentos em que ampara seu entendimento. Ademais, sustenta a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício Mostramse dispensáveis maiores divagações sobre a matéria, pois assim prevê a legislação: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10920.722872/201165 Acórdão n.º 2201004.035 S2C2T1 Fl. 1.016 11 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Notase, pelos textos acima, que o crédito decorrente de penalidade pecuniária também está contido no conceito de obrigação principal, cujo não pagamento dá ensejo a acréscimos legais calculados a partir do primeiro dia do mês seguinte ao do respectivo vencimento. Já em relação às questões relacionadas à ilegalidade suscitada e da incidência dos juros de mora com base na Selic, é certo que os temas já foram objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitidas Súmulas de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não merecem acolhida os pleitos recursais. Conclusão Fl. 1021DF CARF MF 12 Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o agravamento da penalidade, devendose reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 1022DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.728403/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0834.107, de 28/05/2015, proferido pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 28 40 3/ 20 14 -5 0 Fl. 12998DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 12.999 2 em Fortaleza (DRJ/FOR), que julgou totalmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário, e integralmente a imputação de responsabilidade tributária. No procedimento fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: Debcad Contribuições Período Valor (R$) Levantamentos 51.073.2151 devidas à Previdência Social, correspondentes à parte da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) 01/2009 a 09/2012 20.007.904,51 PF: REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADO; PR: REMUNERAÇÕES PAGAS A DIRETORES; SE: REMUNERAÇÕES PAGAS A MOTOBOYS. 51.073.2160 devidas a Outras Entidades e Fundos (FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) 01/2009 a 09/2012 5.374.094,45 PF: REMUNERAÇÕES PAGAS A EMPREGADO; PR: REMUNERAÇÕES PAGAS A DIRETORES; SE: REMUNERAÇÕES PAGAS A MOTOBOYS. Pela clareza, reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido, que resume os fatos que o precedem: 1. A empresa em epígrafe, doravante mencionada simplesmente como RPT, é uma loja de revenda de autopeças, integrante da REDE PRESIDENTE de autopeças. 2. O relatório utilizase de elementos coligidos nos processos administrativos fiscais n° 11020.723699/201218 e n° 15586.720329/201195, bem como no Inquérito Policial n° 256/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita da Delegacia da Polícia Federal de Maringá/PR. Tal inquérito encontrase distribuído para o Juízo Federal da 3a Vara Criminal de Curitiba/PR, sob o n° 2008.70.0094275/PR. 3. No âmbito do inquérito policial, foram providenciados dois pedidos de quebra de sigilo de dados e/ou telefônico, em cujas decisões o Juízo fez constar que todos os dados e informações obtidos no inquérito fossem compartilhados com a Receita Federal do Brasil RFB. Foi também determinada a quebra do sigilo fiscal, tributário e patrimonial de 110 pessoas físicas e jurídicas relacionadas à REDE PRESIDENTE, dentre os quais os integrantes da família Tolardo. Em cumprimento às decisões judiciais, a Polícia Federal franqueou o acesso da RFB aos dados coletados nas investigações do inquérito. 4. As investigações da Polícia Federal em conjunto com a RFB culminaram na deflagração da Operação Laranja Mecânica, realizada em 17/10/2012, com o cumprimento de diversos mandados de busca e apreensão. Todo o material foi disponibilizado à RFB. 5. As provas apontam para a existência de um grande empreendimento comercial, no ramo de autopeças (atacado e varejo), denominado REDE PRESIDENTE, com lojas em várias unidades da federação e que, embora formalmente constituída por diversas empresas, a quase totalidade em Fl. 12999DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.000 3 nome de laranjas, tratase, na verdade, de um único empreendimento, iniciado por Samuel Tolardo, já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, sua esposa, íris da Silva Tolardo, e os filhos, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. 6. Os mandados de busca e apreensão tiveram por alvo vários endereços, dentre eles endereços da família Tolardo, bunkers onde se encontravam armazenados documentos, endereços de laranjas e endereços das empresas que funcionavam como filiais do empreendimento. 7. Além dos arquivos com os documentos apreendidos, a Polícia Federal disponibilizou à RFB os laudos de perícia criminal relativos à mídia apreendida. [...] 8. Destaquese que todos os verdadeiros sócios da REDE PRESIDENTE2 foram cientificados, por meio dos respectivos TERMOS DE CIÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL, da existência da ação fiscal junto à empresa, sendo ainda informados que na data de lavratura do TERMO DE CIÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL, se encontrava pendente de resposta o Termo de Reintimação 01 (item 08 de cada termo). Tais termos foram enviados tanto para o endereço constante do domicílio fiscal de cada sócio/responsável, quanto para o verdadeiro endereço de cada um, conforme apurado nos respectivos Mandados de Busca e Apreensão. Esses termos e respectivos comprovantes de recebimento (ARs) encontramse às fls 10977 a 11609. [...] Responsáveis pela REDE PRESIDENTE Família Tolardo 73. Conforme já dito, a REDE PRESIDENTE teve origem na empresa Real Iguaçu (ou Tolardo Auto Peças), dos irmãos Tolardo (Samuel Tolardo e José Dario Tolardo), sediada em Maringá/PR. Na década de 90 essa empresa sofreu diversas autuações fiscais e sua sede foi mudada para o estado de São Paulo, após o que foram interpostos laranjas no seu quadro societário. Em 1995, a Real Iguaçu, com pesadas dívidas fiscais, passou à condição de inativa e foi abandonada pela família Tolardo. Samuel Tolardo adquiriu a Foramec e a partir dela criou a RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda., com o nome de fantasia "PRESIDENTE". Fizeram parte do quadro societário dessa empresa Samuel Tolardo e Rogério Márcio Tolardo, seu filho. Robson Marcelo Tolardo, outro filho de Samuel Tolardo, teve vínculo empregatício de maio/2002 a maio/2010. 74. No final de 1999, a família Tolardo passou a incluir laranjas no quadro societário da RPT. [...] 76. Forte elemento de comprovação da participação da família Tolardo no esquema é o arquivo "ACERTOS CELO MAR JR ALTERADOS.xls", encontrado no pendrive de Odete e no pendrive de Fl. 13000DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.001 4 Samuel Tolardo Júnior. Esse arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos Tolardo e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Foram encontrados no HD apreendido na residência de Samuel Tolardo Júnior os extratos de conta de cartão de crédito AMEX dos meses de abril/2008 e fevereiro/2009 a maio/2009, cujos valores constavam na planilha. Essa conta AMEX está em nome de Robson Marcelo Tolardo, mas contém detalhamento de valores de despesas dos demais irmãos, bem como da mãe íris da Silva Tolardo. [...] Programa Caixa 78. O Programa Caixa e todo o banco de dados alimentado por ele foram encontrados na residência de Lais de Oliveira Wochner, importante operadora do esquema, e Ronaldo Paixão Wochner, colaborador como programador no Departamento de Informática da filial 23. O programa provavelmente foi desenvolvido por este último. Conforme informado no Relatório Circunstanciado n° 176/2014 da Polícia Federal e Ofício 2348, de 24/09/2014, o programa e o banco de dados foram disponibilizados à fiscalização. 79. O programa consiste em uma espécie de contabilidade e controlava os recursos físicos (não bancários) de todo o esquema da REDE PRESIDENTE, controlando o seu fluxo financeiro, com as remessas de valores das empresas (ou "filiais") e a destinação dos recursos em espécie. A fiscalização extraiu vários relatórios desse programa, estando todas as extrações validadas pelo Laudo 300/2014 e seu anexo de arquivos juntados ao presente processo. 80. Constavam no banco de dados várias "contas" representativas de custos, despesas, pagamentos, recebimentos, etc, bem como vários "centros de custos", tais como os relativos a cada uma das "filiais". Dentre os centros de custo destacase o "020 — DIRETORES". Entre as subcontas, sobressaem aquelas inerentes a cada um dos integrantes da família Tolardo. Filtrandose o centro de custos "20DIRETORES" e aplicandose outro filtro relativos às subcontas, foi possível filtrar os pagamentos efetuados a cada um deles. [...] Da Sonegação de Contribuições Previdenciárias 100. Conforme visto e demonstrado exaustivamente no Relatório Fiscal, o acesso ao Sistema CAIXA pela Polícia Federal possibilitou que se verificasse os pagamentos efetuados pelo esquema, bem como a identificação das filiais. Essa identificação das filiais ou empresas envolvidas também pôde ser apurada nas planilhas de vendas encontradas no computador de Daniel de Oliveira Júnior e pelos diversos controles encontrados no cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão. 101. Depois do confronto das verbas verificadas com as folhas de pagamento e GFIP das várias empresas da REDE PRESIDENTE, a Auditoria constatou que tais documentos não traziam a maioria das Fl. 13001DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.002 5 verbas, ou seja, houve sonegação de contribuições previdenciárias. O grupo estava pagando, por exemplo, salários, valetransporte, vale alimentação, aluguéis, comissões, gratificações, etc. sem considerálos para fins de incidência de contribuição previdenciária. [...] 104. Foram apurados valores pagos a pessoas físicas por serviços prestados como motoboys das seguintes empresas do GRUPO PRESIDENTE: [...] f. RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda.; 105. Foram apurados valores pagos a diretores membros da família Tolardo por meio da empresa RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda. 106. Com relação aos valores pagos aos motoboys e aos membros da família Tolardo, não houve deduções, pois não havia declaração de tais valores em GFIP. Apesar de ter sido declarado em GFIP pró labore pagos aos sócios laranjas, não houve nenhuma declaração em GFIP dos valores pagos à família Tolardo e discriminados no "Extrato de Conta Bancária". Da Empresa RPT 107. A empresa RPT é urna das empresas da REDE PRESIDENTE de autopeças e assim como as outras, encontrase constituída em nome de laranjas. O seu domicílio fiscal seria na cidade do Rio de Janeiro/RJ, com 17 (dezessete) filiais cadastradas, contudo, conforme relato anterior, a sede administrativa de todo o esquema fica, na verdade, na cidade de Maringá/PR. Do Modus Operandi 108. A sistemática do GRUPO PRESIDENTE para sonegar as contribuições previdenciárias consistia em pagar em dinheiro ou depositar nas contas correntes de seus empregados verbas de cunho salarial sem considerálas na apuração desses tributos. Determinadas verbas (aluguel, valetransporte, auxílioalimentação, pagamento a motoboys, retiradas de diretores) eram sonegadas completamente. Outras (salário, gratificação, comissão, rescisão, férias, 13°), eram sonegadas em parte. 109. Em uma auditoria ordinária seria quase impossível a identificação desses valores, tendo a apuração sido possibilitada pela execução dos Mandados de Busca e Apreensão decorrentes da Operação Laranja Mecânica, quando a fiscalização pôde acessar o "Caixa 2". [...] Da Multa de Oficio 116. São utilizadas pessoas físicas "laranjas" na constituição de empresas participantes do esquema REDE PRESIDENTE, dentre as Fl. 13002DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.003 6 quais a fiscalizada. São usados expedientes escusos, como a falsificação de diversos documentos e assinaturas. Essa conduta visa a modificar urna característica essencial do fato gerador da obrigação, o real sujeito passivo, enquadrandose a situação no conceito de fraude previsto no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Igualmente, enquadrase no conceito de sonegação dado pelo art. 71, II, da mesma lei, vez que se constitui em ação dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário. 117. Os pagamentos "por fora" efetuados aos empregados, descobertos graças aos Mandados de Busca e Apreensão, consistem em omissão de parcela relevante da remuneração, incorrendo o contribuinte nos conceitos de fraude (ação tendente a impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características) e sonegação (ação tendente a impedir o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência, natureza e circunstâncias do fato gerador, reduzindo o montante do tributo devido). 118. Ambas as condutas evidenciam claramente o dolo do contribuinte, impondo a aplicação da multa de ofício qualificada em percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) prevista no art. 44 e seu § Io da Lei n° 9.430/1996. Da Sujeição Passiva Solidária 119. Em face da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada são os integrantes da familia Tolardo, eles são nomeados sujeitos passivos solidários mediante lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com base no art. 124,1, e art. 135,111, do Código Tributário Nacional — CTN. 120. Como foi fartamente comprovado que os integrantes da família Tolardo são os verdadeiros proprietários e beneficiários do esquema REDE PRESIDENTE, resta inequívoco que têm interesse comum nos negócios desse esquema, do qual faz parte a empresa alvo do lançamento. Além disso, o art. 135 do CTN impõe a solidariedade dos verdadeiros diretores gerentes ou representantes do empreendimento. A responsabilidade pessoal decorre de atos praticados com excesso de poderes ou infração à Lei, exatamente o caso da família Tolardo, que se utiliza de meios fraudulentos, tais como interposição de laranjas em sua empresas, ou a larga prática de vendas sem nota fiscal, à margem da escrituração ou de declaração. 121. Dessa forma, lavramse os competentes Termos de Sujeição Passiva r Solidária em desfavor dos reais sócios proprietários do esquema: Sra. íris da Silva Tolardo, Sr. Robson Marcelo Tolardo, Sr. Rogério Márcio Tolardo, Sr. Samuel Tolardo Júnior e Sra. Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore. Conforme relatório da DRJ/FOR, a ciência da autuada e dos responsáveis solidários, assim como a apresentação das respectivas impugnações podem ser resumidas abaixo: 2 Ciência da RPT Fl. 13003DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.004 7 A empresa RPT foi cientificada em 12/12/2014, conforme Aviso de Recebimento AR juntado aos autos. Em 21/01/2015, apresentou impugnação. 3 Ciência de Robson Marcelo Tolardo Robson Marcelo Tolardo foi intimado no seu endereço em São Paulo/SP em 11/12/2014, conforme Aviso de Recebimento AR juntado aos autos. A correspondência enviada para o endereço em Maringá/PR foi devolvida, tendo sido registrado pelos Correios como motivo "Mudouse". Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas em São Paulo/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. 4 Impugnação de Rogério Márcio Tolardo Rogério Márcio Tolardo foi intimado em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014 e em seu endereço no Rio de Janeiro/RJ em 12/12/2014, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação, [...] 5 Impugnação de íris da Silva Tolardo Íris da Silva Tolardo foi intimada em seu endereço de Maringá/PR em 10/12/2014 e em seu endereço em São Paulo/SP na mesma data, conforme Avisos de Recebimento juntados aos autos. Em 07/01/2015, apresentou impugnação [...]. 6 Impugnação de Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore foi intimada em seu endereço de Curitiba/PR em 10/12/2014. A correspondência enviada para o seu endereço em São Caetano do Sul/SP foi devolvida com o motivo "Desconhecido". Foram emitidos os seguintes editais eletrônicos: Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014; Edital Eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP, com data de publicação 15/12/2014 e data de ciência em 30/12/2014. Em 07/01/2015, ela apresentou impugnação [...]. 7 Impugnação de Samuel Tolardo Júnior Samuel Tolardo Júnior foi intimado pelos Correios, com AR, em 10/12/2014, no mesmo endereço declarado por ele nas suas DIRPF do anocalendário 2013, exercício 2014, e anocalendário 2014, exercício Fl. 13004DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.005 8 2015, situado no Rio de Janeiro/RJ. Foi intimado também em Curitiba/PR, também pelos Correios com AR, na mesma data. Em 07/01/2015, ela (sic) apresentou impugnação [...]. As mesmas alegações e pedidos apresentados na impugnação de Rogério Márcio Tolardo, foram trazidos pelos demais responsáveis solidários, que em apertada síntese são: · Tempestividade; · Ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; · Nulidade da Intimação Realizada pelos Correios; · Cerceamento de Defesa; · Ilegitimidade Passiva do Impugnante; · Ilegitimidade do Auditor Fiscal; · Ilicitude das Provas Utilizadas; · Prejudicial ao Mérito Necessidade de Suspensão; · Ausência de Responsabilidade do Impugnante Impossibilidade de Imputação da Responsabilidade a Terceiro; · Inexistência de Prova de Benefício pelo Impugnante; · Prescrição e Decadência; · Ausência de Relação de Empregados, Avulsos, Autônomos etc; · Inconstitucionalidade Impossibilidade da Ampliação da Base de Cálculo; · Inexigência do salárioeducação inconstitucionalidade; · Inexigência do Incra empresa de previdência urbana; · Inexigência do SAT necessidade de lei complementar; · Ilegalidade da cobrança sobre verbas; · Inexigência de contribuição ao sistema "s" ausência de vinculação da arrecadação; · Multa confiscatória. Não comprovação do intuito de fraude · Ilegalidade da Taxa SELIC Fl. 13005DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.006 9 · Provas ilícitas, e prazo de 30 dias para apresentação de Impugnação é pouco. Pediram nas impugnações apresentadas, conhecimento das nulidades apontadas, e improcedência da exigência fiscal, reconhecimento da ausência de responsabilidade, produção de provas pericial e oral, juntada de documentos, intimação das decisões, complemento da defesa após acesso ao conteúdo integral do PAF. A DRJ/FOR decidiu pela improcedência das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários; revelia de Robson Marcelo Tolardo, e a intempestividade da impugnação apresentada pela autuada RPT DISTRIBUIDORA DE AUTO PEÇAS LTDA (RPT), exarando a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2012 ADMISSIBILIDADE DA IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação intempestiva não instaura o contencioso administrativo, uma vez que deixa de ser atendido requisito essencial para a sua admissibilidade. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. DOLO E FRAUDE. Para fins do cômputo do prazo de decadência, tendo ocorrido dolo e frade, aplicase a regra do art. 173, 1, do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ALEGADO. A impugnação deve vir acompanhada de prova documental que ratifique as alegações apresentadas. Não deve ser deferida a oitiva de testemunhas, quando não foi especificado na impugnação o fato que seria provado, bem como sequer foi apresentado o rol. PRELIMINAR DE NULIDADE. PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. Não há violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa se os fatos e a fundamentação legal foram minuciosamente descritos nos relatórios que compõem o Auto de Infração e o contribuinte e os responsáveis solidários foram devidamente intimados, tendolhes sido concedido o prazo legal para defesa e oportunizada a consulta aos autos do processo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CIÊNCIA. TERMOS EMITIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Fl. 13006DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.007 10 O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Mesmo se houver equívocos na formalização do MPF, tendo sido emitidos os termos previstos no art. 196 do Código Tributário Nacional e no art. 8o do Decreto n° 70.235/1972 nos moldes legais, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. SOLIDARIEDADE. FRAUDE E DOLO. USO DE LARANJAS. EMPREENDIMENTO ÚNICO FORMALMENTE MASCARADO COMO VÁRIAS EMPRESAS PRETENSAMENTE INDEPENDENTES. Comprovado que houve fraude e dolo na ocultação dos verdadeiros sócios administradores de empreendimento único, apenas formalmente constituído por várias empresas, com o uso de laranjas, há infração à lei e ao contrato social, respondendo os verdadeiros sócios como responsáveis solidários pelo crédito tributário previdenciário, por previsão do CTN, art. 135, III. Se essas pessoas participarem dos atos que originaram os fatos geradores, também há enquadramento no art. 124,1, do mesmo código. UTILIZAÇÃO DE PROVAS COLHIDAS EM INQUÉRITO POLICIAL E EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS FISCAIS. A utilização, como base para o lançamento de crédito tributário, de provas colhidas em inquérito policial e processo administrativo fiscal diverso não é proibida, desde que sejam submetidas ao rito processual previsto em lei, com a abertura de prazo para defesa e observância do exercício do direito ao contraditório. Não há ilegalidade na quebra de sigilo fiscal, bancário e de comunicações autorizada pelo Poder Judiciário. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. EDITAL. A intimação pessoal não tem precedência sobre a intimação por via postal, com aviso de recebimento, efetuada no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Sendo improfícua essa intimação, é válida a intimação por edital. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A Administração deve absterse de reconhecer ou declarar a inconstitucionalidade e, sobretudo, de aplicar tal reconhecimento ou declaração nos casos em concreto, de leis, dispositivos legais e atos normativos que não tenham sido assim expressamente declarados pelos órgãos jurisdicionais e políticos competentes. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STF E STJ NOS ACÓRDÃOS DE JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A tese exarada em decisão definitiva do STJ ou do STF, na forma dos arts. 543B (rito de repercussão geral) ou 543C (rito dos recursos repetitivos), deve ser reproduzida pelo órgão julgador da primeira instância administrativa apenas na hipótese da comunicação da Fl. 13007DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.008 11 Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN de que, com base na Lei n° 10.522/2002, não mais contestará ou recorrerá sobre a matéria. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. CONTRIBUINTE. A Lei n° 9.424/1996 não excepciona nenhuma empresa da obrigatoriedade do recolhimento do SalárioEducação, motivo pelo qual o art. 2o do Decreto n° 6.003/2006, estabelece que são contribuintes de tal contribuição as empresas em geral e as entidades públicas e privadas vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. INCRA. EMPRESAS URBANAS. A contribuição destinada ao INCRA tem natureza de contribuição de intervenção no domínio econômico e é devida pelos empregadores em geral, inclusive por empresas urbanas. GILRAT. ALÍQUOTA CONFORME ATIVIDADE PREPONDERANTE DA EMPRESA. Para apuração da contribuição prevista no art. 22, II, da Lei n° 8.212/1991 (GILRAT), o enquadramento da empresa no correspondente grau de risco para fins de apuração a alíquota é objetivo, dependendo do tipo de atividade preponderantemente exercida pela empresa, de acordo com as atividades especificadas no anexo ao Regulamento da Previdência Social RPS. aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Tendo a Auditoria identificado os montantes que compuseram as bases de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive identificando cada segurado empregado, não basta alegar de forma genérica que há verbas que não sofrem incidência dessas contribuições, devendo ser apresentadas provas. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SESC E SENAC. São devidas as contribuições destinadas ao SESC e ao SENAC pelas empresas que exercem atividades comerciais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502/1964, a multa de oficio prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi emitido o Termo de Intimação nº 23408/2015, para fins de cientificar a autuada e os solidários da decisão da DRJ/FOR. A RPT foi cientificada em 06/07/2015 (efls. 12897), e apresentou Recurso Voluntário em 04/08/2015 (efls. 12644/12723). Fl. 13008DF CARF MF Processo nº 18470.728403/201450 Resolução nº 2202000.807 S2C2T2 Fl. 13.009 12 É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Da necessidade de diligência Conforme se observa nos autos, às fls. 12994/12996, consta despacho da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro 2 (DICAT/DRFRJ2), informando que a ciência do Termo de Intimação nº 2.348/2015 e do Acórdão da DRJ/FOR ocorreu em 06/07/2015. E acrescentou que, somente os integrantes da família Tolardo, à exceção de Robson Marcelo Tolardo, poderiam interpor recurso voluntário, cabendo à RPT Distribuidora de Auto Peças Ltda e a Robson Marcelo Tolardo apenas quitar ou parcelar os créditos tributários, no prazo de 30 dias da ciência do Acórdão. Asseverou que: 6. Considerando a data da ciência do citado Acórdão pelos interessados, que ocorreu em 06/07/2015, o prazo para interposição de Recurso Voluntário expiraria em 05/08/2015. [...] 9. Os sujeitos passivos solidários Iris da Silva Tolardo, Rogério Mareio Tolardo, Samuel Tolardo Júnior e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore não apresentaram Recurso Voluntário aos créditos tributários previdenciários mantidos pelo Acórdão n° 0834.107, exarado pela 6a Turma da DRJ/FOR, na sessão de 28/05/2015. . Diante das informações constantes nesse despacho, e compulsando os autos, identifiquei apenas o AR de ciência ao Acórdão nº 0834.107, efetuada à autuada RPT (fls. 12897/12898). Apesar de a DRF/RJ2 informar que os interessados foram cientificados desse acórdão em 06/07/2015 não consta nos autos os respectivos AR's ou outro documento que confirme a ciência de cada um deles. Dessa forma, entendo que, não confirmada a efetiva ciência de todos os responsáveis solidários, o processo não está em condições de ir a julgamento, o que poderia afrontar o direito à ampla defesa e contraditório dos responsáveis solidários, mesmo porque nenhum deles apresentou recurso voluntário, tornando incerta a afirmação da DRF/RJ2 de que eles teriam sido cientificados do acórdão recorrido. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, determinando o envio dos presentes autos à unidade de origem para que, sejam acostados a eles os documentos confirmatórios da ciência de todos os responsáveis solidários, e caso não tenham sido cientificados, que seja dada ciência do acórdão exarado pela DRJ/RJ2, abrindo o prazo para que apresentem os recursos voluntários, que julgarem necessários. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Fl. 13009DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905328/2011-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.081
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 32 8/ 20 11 -3 0 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10280.905328/201130 Resolução nº 3402001.081 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10280.905328/201130 Resolução nº 3402001.081 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10280.905328/201130 Resolução nº 3402001.081 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10280.905328/201130 Resolução nº 3402001.081 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 223DF CARF MF
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