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Numero do processo: 10280.722154/2010-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, a demonstração resta prejudicada quando se constata que decisão recorrida e paradigmas possuem suportes fáticos que não se comunicam. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9101-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, a demonstração resta prejudicada quando se constata que decisão recorrida e paradigmas possuem suportes fáticos que não se comunicam. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 21 54 /2 01 0- 91 Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.541 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 1414/1421) interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302 001.060 (efls. 1395/1412), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/04/2013, no qual foi dado provimento parcial ao recurso voluntário interposto por CONDOMÍNIO VOLUNTÁRIO PÁTIO BELÉM ("Contribuinte"). Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 213/267), relativa aos anoscalendário de 2005 e 2006, tratou de verificar a natureza de despesas contabilizadas pela Contribuinte, condomínio em shopping center, sob a alegação de que seriam aluguéis de lojas cujos valores foram repassados para os locatários. Concluiu a autoridade autuante que era exercida atividade comercial típica e por isso as receitas de aluguéis seriam tributáveis e não poderiam ter sido excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para o PIS e a Cofins, entendeu que tais receitas incluemse no conceito de faturamento. Foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 269/403), que foi julgada improcedente (efls. 1335/1353) pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 1360/1393). A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) deu provimento parcial ao recurso (efls. 1395/1412), para considerar como dispêndios os valores de aluguéis recebidos pelos proprietários (condôminos), e por consequência, determinar sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL, e sua inclusão para fins de apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 1414/1421), que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade de efl. 1423/1426. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte às efls. 1446/1481. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/Belém, nos termos do Acórdão nº 0124.604, da sessão de 29/03/2012, conforme ementa a seguir. Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.542 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com efeito inter partes, não podem ser aplicadas a outros casos. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receitas de aluguéis e outras decorrentes do exercício de atividades manifestamente empresariais, equiparase à pessoa jurídica contribuinte do IRPJ relativamente a tais atividades, sujeitandose à incidência tributária respectiva. CONDOMÍNIO CIVIL. RECEITAS DE ATIVIDADES EMPRESARIAIS TÍPICAS. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Na hipótese do desempenho de atividades comerciais típicas, a receita decorrente integra o resultado tributável, base de cálculo do IRPJ devido pelo condomínio, sem prejuízo da eventual incidência do referido imposto sobre o ulterior lucro auferido pelos condôminos, não havendo que se falar em bitributação, haja vista tratarse de pessoas jurídicas e receitas absolutamente distintas e independentes. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO. O meio hábil de opção pelo Lucro Presumido é o pagamento da primeira ou única quota do IRPJ devido no primeiro período de apuração de cada ano calendário CONTRIBUIÇÕES REFLEXAS. Aplicase à CSLL, ao PIS, e a COFINS, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 09/04/2013, decidiu no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 1302001.060, para considerar como dispêndios os valores de aluguéis recebidos pelos proprietários (condôminos), e por consequência, determinar sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL, e sua inclusão para fins de apuração dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, nos termos da ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCRO REAL. BASE DE CÁLCULO. DESPESAS. O AFRFB, quando optar e apurar o IRPJ e CSLL da contribuinte pela sistemática do lucro real, deve observar as regras previstas neste regime para a formação da base de cálculo. O Imposto de Renda deve tributar o conceito previsto no art. 43 do CTN e não pode deixar de considerar as despesas do contribuinte na sua apuração. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.543 4 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. O AFRFB deve observar todas as regras previstas nas leis 10.637 e 10.833 quando opta e apura o PIS e a COFINS pela sistemática da não cumulatividade, devendo observar todas as despesas que geram créditos para o contribuinte. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício é acessória ao crédito tributário lançado, sendo assim, em caso de mudança na base de cálculo do PIS e da COFINS a multa de ofício deve ser ajustada à nova base de cálculo estipulada. Foi interposto pela PGFN recurso especial, apresentando como paradigma o acórdão nº 320100.720. Aduz que se configura ato de comércio o recebimento de valores em decorrência da exploração de locais em shopping center. Discorre que é o próprio Contribuinte que contrata, aufere e escritura em nome próprio das receitas de aluguéis e demais valores previstos nos contratos, juntamente com as correspondentes despesas. Ademais, a receita total (bruta) auferida pelo condomínio seria significativamente superior aos valores repassados aos condôminos a título de "remessa de aluguel", ou seja, a receita auferida seria diversa daquela que fariam jus os condôminos. Requer pela reforma da decisão recorrida. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. A Contribuinte apresentou contrarrazões. Protesta que o recurso não poderia ser conhecido, por se tratar de tese já superada e por falta de indicação analítica da divergência na interpretação da legislação tributária. Quanto ao mérito, aduz que não seria proprietária das áreas relativas à cobrança dos aluguéis, que o condomínio não seria o destinatário das receitas e por isso não poderia ter percebido qualquer acréscimo patrimonial ou faturamento, e que a simples constatação de que os valores pagos pelos locatários ingressaram temporariamente na sua posse não seria suficiente para aperfeiçoar o fato gerados dos tributos. Discorre que o produto da atividade é transferido mensalmente às pessoas jurídicas que figuram como condôminos, que perceberam os valores proporcionalmente rateados e promoveram o recolhimento dos correspondentes tributos. Menciona jurisprudência do Tribunal Federal Regional da 4ª Região no sentido de que a tributação de imóvel condominial deve ocorrer individualmente sobre cada um dos condôminos. Aduz que condomínio não pode ser eleito como sujeito passivo porque não é sujeito de direito, e que a manutenção do lançamento incorreria em bitributação, vez que os tributos já foram recolhidos pelos condôminos. Requer pelo não conhecimento do recurso e, caso admitido, pelo seu não provimento. É o relatório. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.544 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Há que se apreciar, inicialmente, a admissibilidade do recurso especial. Os requisitos formais de tempestividade e legitimidade encontramse cumpridos. Contudo, no que se refere à demonstração de divergência na interpretação da legislação tributária, requisito previsto no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), não há que se conhecer do recurso. Isso porque o acórdão paradigma trata, exclusivamente, da tributação sobre o PIS. O fato de os presentes autos tratarem de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins não seria um óbice caso a matéria devolvida fosse sobre normas gerais de direito tributário, como a decadência. Contudo, nos presentes autos, discutese, para o IRPJ e CSLL, para Contribuinte optante do Lucro Real, se as receitas recebidas a título de aluguéis e posteriormente repassadas aos condôminos (proprietários) seriam valores dedutíveis. E, para o PIS e a Cofins, se as mesmas receitas poderiam ser incluídas na base de cálculo de créditos do regime não cumulativo. Transcrevo excerto da decisão recorrida sobre o IRPJ e a CSLL: Como ficou demonstrado no processo, a recorrente (condomínio) não é proprietária, de direito e de fato, dos imóveis. Logo, os aluguéis, que são recebidos e repassados aos proprietários (condôminos) configuramse como custo (locação igual a custo, e sublocação igual a receita), e, como tal, são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto ao PIS e COFINS a regra é semelhante, pois por serem os proprietários dos imóveis, pessoas jurídicas são geradores de créditos do PIS e da COFINS. De acordo com a linha de raciocínio constante no auto de infração, o procedimento correto a ser utilizado pelo AFRFB seria subtrair os valores dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL da receita da recorrente, até porque se apuraram os tributos pela modalidade de lucro real. (...) A forma de apuração pela sistemática do lucro real consiste basicamente em: apurar através da contabilidade e do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, o resultado das receitas auferidas pela contribuinte, deduzindo do montante encontrado os valores gastos (os custos, as despesas) pela contribuinte para se chegar a estas receitas. Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.545 6 (...) Porém o AFRFB, ao descaracterizar o condomínio e ao tributá lo como uma pessoa jurídica com fins lucrativos e, ainda, ao optar pela apuração com base no Lucro Real (metodologia), deveria inserir também na base de cálculo todos os custos e despesas necessárias para que as receitas tenham ocorrido, mesmo que estas estejam dispostas no balanço ou nos documentos contábeis sob outras rubricas, no caso “valores a distribuir aos empreendedores” (Grifos originais). Sobre o PIS e a Cofins, assim se manifestou a decisão recorrida: No entanto, com base no trecho do relatório fiscal transcrito acima, verificase que a base de cálculo tributável no auto de infração em relação ao PIS e a COFINS incorreu em flagrante afronta a legislação que rege a cobrança do PIS e da COFINS, uma vez que o AFRFB ao optar pela apuração do PIS e da COFINS pela sistemática da não cumulatividade, deveria realizar o levantamento de todos os créditos que se pode auferir na modalidade não cumulativa (art. 3º, Inc. IV, Lei 10.833/03; art. 3º, inc. IV, Lei n. 10.637/02) e considerálos para então definir a base de cálculo. Entretanto, o AFRFB somente considerou como base de cálculo dos créditos as despesas estatutárias, sem observar que os imóveis não eram de propriedade da recorrente, mas de terceiros constituídos por pessoas jurídicas, o que claramente incluiria os valores a eles repassados na base de cálculo dos créditos do PIS e da COFINS. Por sua vez, a decisão paradigma tratou, exclusivamente, de discorrer sobre o conceito de receita bruta do PIS, ampliado em razão da Lei nº 10.637, de 2002. Vale transcrever excerto do acórdão: A base de cálculo do PIS está bem descrita na Lei n.º 10.637/2002: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. §2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) Na medida em que a recorrente aufere receita decorrente da prestação de serviços de estacionamento, deve ser tributada pelo PIS. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.546 7 Como se pode observar, em nenhum momento discutese, para fins de PIS, sobre a inclusão das receitas na base de cálculo dos créditos não cumulativos. E não é preciso nenhum esforço para constatar que a decisão paradigma não guarda nenhuma repercussão para o IRPJ e CSLL, submetidos a regras próprias de regime de tributação específico, lucro real, conceito completamente diferente de receita bruta. Impossível aplicar, portanto, o decidido pelo paradigma ao acórdão recorrido, por completa ausência de similitude fática e jurídica. Tal aspecto ponto, por si só, já se mostra suficiente para a não admissibilidade do recurso especial. Também cabe registro no sentido de que a decisão paradigma discorre apenas sobre receitas de estacionamento, enquanto que o acórdão recorrido trata de receitas de aluguel. Transcrevo excertos do paradigma: Na medida em que a recorrente aufere receita decorrente da prestação de serviços de estacionamento, deve ser tributada pelo PIS. (...) Ademais, a recorrente é uma unidade econômica, na medida em que presta serviço, aufere receita e contabilizaa. Lembremos, ainda, que, diferentemente do que aduz a recorrente, ela aufere sim toda a receita da prestação de serviço de estacionamento, repassando apenas parte desta para os condôminos fls. 930: Ora, nos presentes autos discutese a natureza de despesas contabilizadas pela Contribuinte, condomínio de shopping center, sob a alegação de que se tratavam de valores a título de aluguéis de lojas cujos valores eram repassados para os locatários (proprietários dos imóveis), e, por isso, não aperfeiçoariam o fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Ainda que as relações jurídicas estabelecidas contratualmente para dispor sobre as receitas de estacionamento e de aluguéis pudessem, em tese, ser equiparadas para fins de incidência dos tributos em discussão, tal semelhança deveria estar demonstrada pela recorrente, e não simplesmente inferida, como foi o caso. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10280.722154/201091 Acórdão n.º 9101003.219 CSRFT1 Fl. 1.547 8 Fl. 1547DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.002435/2003-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
SERVIÇOS HOSPITALARES. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%.
A contribuinte que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, conforme restou comprovado em diligência, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido, mesmo antes da vigência da Lei 11.727/2008. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399-BA, conforme art. 62-A do RICARF-Anexo II.
Numero da decisão: 9101-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 SERVIÇOS HOSPITALARES. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. A contribuinte que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, conforme restou comprovado em diligência, está sujeita ao coeficiente de 8% para a determinação do lucro presumido, mesmo antes da vigência da Lei 11.727/2008. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 24 35 /2 00 3- 13 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à definição do coeficiente de apuração do lucro presumido. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 180100.643, de 01/08/2011, por meio do qual a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, entre outras questões que apreciou, entendeu que a atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, deveria ser considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente de apuração do lucro presumido até 01/01/2009. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999,2000,2001,2002,2003,2004 NULIDADE. O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. ATIVIDADE HEMOTERÁPICA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente hospitalar, mormente quando praticada fora do hospital, consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços hospitalares. A atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Ao confrontar o acórdão recorrido com os paradigmas de divergência, o presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso, com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 4 3 Tratase de mesma matéria analisada no acórdão paradigma e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que a atividade de prestação de serviços de hemoterapia se equipara à atividade de serviços hospitalares, para fins de fixação do percentual de apuração do lucro presumido. O acórdão recorrido, por sua vez estabelece que, por falta de previsão legal especifica, a atividade em questão deve ser considerada como prestação de serviços em geral para a fixação do percentual do lucro presumido até a edição da Lei nº 11.727/2008, que alterou tal definição. Releva observar que todos os acórdãos examinados tratam da prestação de serviços de hemoterapia antes da edição da Lei nº 11.727/2008. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso especial. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Para o processamento do recurso especial, a contribuinte desenvolve os argumentos descritos abaixo: DAS RAZÕES DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA o acórdão ora impugnado deve ser reformado por julgar indevido o enquadramento da hematologia como serviço hospitalar sob o fundamento exclusivo de ausência de previsão legal; os serviços de natureza hospitalar receberam tratamento tributário diferenciado pelo legislador ordinário, que estabeleceu alíquotas diminutas para o recolhimento do IRPJ permitindo o acesso da população a uma maior gama de especialidades médicas e efetivando, em concreto, o direito fundamental à saúde; como bem salientou o Sr. Ministro do Superior Tribunal de Justiça Castro Meira ao analisar a matéria no bojo do Recurso Especial 951251, "a redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal"; neste sentido, a redação original da lei 9.249/1995, então vigente à época dos fatos, determinava que os serviços desta natureza seriam tributados à razão de 8% do lucro presumido para o IRPJ e 12% para a CSLL. Havia apenas uma previsão genérica de redução de alíquota sem a preocupação de definir quais espécies de atividades poderiam se enquadrar neste conceito e gozar do benefício instituído; o benefício fiscal em comento, portanto, foi concedido de modo objetivo, pois levou em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. A alíquota reduzida beneficiava todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares que Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 5 4 eram aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes; esta conclusão se extrai diretamente dos objetivos sociais da norma, e, por este motivo, a utilização de conceitos abertos pelo legislador ordinário e a falta de regulamentação da matéria nunca constituíram, ao contrário do que frisa o acórdão recorrido, empecilho para a fruição do favor legal; com efeito, a jurisprudência dos tribunais superiores, notadamente a do Superior Tribunal de Justiça, já havia consolidado o conceito de serviço hospitalar enquanto toda atividade voltada para a promoção e atenção à saúde humana, destacandose na delimitação conceitual a finalidade do serviço de forma objetiva e não o local de sua prestação; releva trazer à tona, neste sentindo, o voto do Sr. Ministro Luiz Fux no julgamento do Recurso Especial 673.033, DJU de 12/09/2005: [...]; na mesma linha de raciocínio, nos reportamos mais uma vez ao entendimento do Sr. Ministro Castro Meira, no julgamento do Recurso Especial 951251, DJE 03/06/2009: [...]; estes dois julgados acima transcritos foram proferidos anteriormente à entrada em vigor da Lei 11.727/2008 e bem ilustram que para o STJ a ausência de norma específica nunca significou obstáculo para que uma atividade médica fosse equiparada a serviço hospitalar e pudesse, desta forma, se beneficiar da redução de alíquota do Imposto de Renda; especificamente no que se refere aos serviços de hematologia, a jurisprudência do STJ sempre foi uníssona em garantir o benefício fiscal aos contribuintes que exercem estas atividades, como pode ser verificado no julgamento do Recurso Especial 939678, que também é anterior à vigência da legislação retromencionada e é trazido à colação: [...]; neste aspecto, a entrada em vigor da Lei 11.727/2008 não trouxe nenhuma mudança significativa no tratamento da matéria. Tratouse, em verdade, de uma norma de natureza interpretativa, cuja maior consequência foi a de encampar o entendimento já predominante nos tribunais e instâncias administrativas e tornálo direito positivo; assim, a alteração introduzida pela legislação supra referida não criou para os contribuintes que desempenham as atividades por ela relacionadas o direito de recolher o IRPJ sob a alíquota de 8%. Este direito já existia desde a entrada em vigor da Lei 9.245/99 em sua redação originária, pois a mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população; o próprio Conselho de Contribuintes já se manifestava neste sentido, encontrandose, da mesma maneira, instrumentos normativos oriundos que conferiam ao diploma legal em comento a mesma interpretação, a exemplo da IN SRF n° 306, de 12 de março de 2003, art. 23, inciso V; nesta linha de intelecção, a decisão do STJ utilizada na fundamentação da decisão combatida foi interpretada de forma equivocada pelo julgador de segunda instância, Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 6 5 pois não houve restrição à percepção do benefício. Nela, a Corte Especial simplesmente seguiu a linha de seus pronunciamentos anteriores, sedimentando a sua jurisprudência com a finalidade única de evitar interpretações dissonantes, sobretudo em função da edição de sucessivos atos normativos cujo conteúdo excedia ao arquétipo definido em lei; compulsandose os seus fundamentos, observase que não houve alteração do conceito de serviços hospitalares, que continuou sendo interpretado em função da natureza das atividades desenvolvidas pelo contribuinte, com foco na redução das despesas de custeio e no escopo de melhor possibilitar o acesso destes serviços à população; em verdade, o STJ promoveu uma ampliação do benefício, uma vez que ressalvou da possibilidade de fruição apenas as consultas prestadas no âmbito dos consultórios. A partir de então, todo e qualquer serviço médico pode recolher o IRPJ sob uma alíquota diferenciada, mas isto não significa a anulação de toda uma construção jurisprudencial anterior que já concedia o benefício a um rol de atividades específicas em função de sua natureza e dos altos custos que lhe são associados; neste sentido, os serviços de imagenologia, análises clínicas, hematologia, radiologia, dentre outros, nos quais as instâncias administrativas e o próprio STJ já haviam reconhecido o direito à fruição do favor legal, permanecem se beneficiando normalmente. Os efeitos prospectivos desta decisão só atingem, portanto, aqueles contribuintes cuja situação não havia sido reconhecida, sob pena do pronunciamento jurisdicional, que em sua natureza é ampliativo, se mostrar mais gravoso do que o entendimento que já havia sido adotado pela própria Administração Fiscal; por tudo o quanto exposto, o presente Recurso Especial deve ser conhecido e provido para reformar a decisão de segundo grau e julgar improcedente o lançamento fiscal. CONTRARRAZÕES DA PGFN Em 15/04/2013, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 29/04/2013 o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO o acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que a prestação de serviços médicos, por si só, sem estar acompanhada dos elementos que caracterizam a prestação do serviço efetivamente hospitalar, mormente quando praticada fora do hospital, consiste em atividade de prestação de serviços gerais e não justifica a aplicação do coeficiente de 8%, próprio para a prestação de serviços hospitalares; com efeito, a atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009; avaliando especificamente a atividade hemoterápica, a Lei nº 10.205, de 21 de março de 2001, determina: Art. 3º São atividades hemoterápicas, para os fins desta Lei, todo conjunto de ações referentes ao exercício das especialidades previstas em Normas Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 7 6 Técnicas ou regulamentos do Ministério da Saúde, além da proteção específica ao doador, ao receptor e aos profissionais envolvidos, compreendendo: I captação, triagem clínica, laboratorial, sorológica, imunoematológica e demais exames laboratoriais do doador e do receptor, coleta, identificação, processamento, estocagem, distribuição, orientação e transfusão de sangue, componentes e hemoderivados, com finalidade terapêutica ou de pesquisa; II orientação, supervisão e indicação da transfusão do sangue, seus componentes e hemoderivados; III procedimentos hemoterápicos especiais, como aféreses, transfusões autólogas, de substituição e intrauterina, criobiologia e outros que advenham de desenvolvimento científico e tecnológico, desde que validados pelas Normas Técnicas ou regulamentos do Ministério da Saúde; IV controle e garantia de qualidade dos procedimentos, equipamentos reagentes e correlatos; V prevenção, diagnóstico e atendimento imediato das reações transfusionais e adversas; VI prevenção, triagem, diagnóstico e aconselhamento das doenças hemotransmissíveis; VII proteção e orientação do doador inapto e seu encaminhamento às unidades que promovam sua reabilitação ou promovam o suporte clínico, terapêutico e laboratorial necessário ao seu bemestar físico e emocional. § 1º A hemoterapia é uma especialidade médica, estruturada e subsidiária de diversas ações médicosanitárias corretivas e preventivas de agravo ao bem estar individual e coletivo, integrando, indissoluvelmente, o processo de assistência à saúde; § 2º Os órgãos e entidades que executam ou venham a executar atividades hemoterápicas estão sujeitos, obrigatoriamente, a autorização anual concedida, em cada nível de governo, pelo Órgão de Vigilância Sanitária, obedecidas as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde; Art. 4º Integram o conjunto referido no caput do art. 2º desta Lei os reagentes e insumos para diagnóstico que são produtos e subprodutos de uso laboratorial oriundos do sangue total e de outras fontes; Art. 5º O Ministério da Saúde, por intermédio do órgão definido no regulamento, elaborará as Normas Técnicas e demais atos regulamentares que disciplinarão as atividades hemoterápicas conforme disposições desta Lei; Art. 6º Todos os materiais e substâncias ou correlatos que entrem diretamente em contato com o sangue coletado para fins transfusionais, bem Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 8 7 como os reagentes e insumos para laboratório utilizados para o cumprimento das Normas Técnicas devem ser registrados ou autorizados pelo Órgão de Vigilância Sanitária competente do Ministério da Saúde. Art. 7º As atividades hemoterápicas devem estar sob responsabilidade de um médico hemoterapeuta ou hematologista, admitindose, entretanto, nos locais onde não haja esses especialistas, sua substituição por outro médico devidamente treinado para bem desempenhar suas responsabilidades, em hemocentros ou outros estabelecimentos devidamente credenciados pelo Ministério da Saúde. examinando o texto legal, não se pode inferir que a atividade hemoterápica seja exclusivamente desempenhada em estabelecimentos hospitalares, nem equiparada a serviço hospitalar. Diferentemente, esta atividade pode ser exercida por órgão ou entidade, desde que autorizada por Órgão de Vigilância Sanitária, obedecidas as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde; para fins de aplicação do coeficiente para apuração do lucro presumido, há uma clara distinção entre a prestação de serviços médicos e a prestação de serviços hospitalares; como bem observou o acórdão recorrido, analisando a situação fática e os documentos juntados ao Termo de Diligência Fiscal, fls. 172/550, temse que: · no Contrato Social consta como objeto Serviços Hospitalares (Hospital dia) de Quimioterapia para Câncer, Hematologia e Transfusão de Sangue (Hemoterapia), fls. 163/164; · nas notas fiscais de prestação de serviços estão registrados, dentre outros, serviços de hemoterapia, consulta médica e honorários médicos, fls. 175/184; · há cadastro de doadores de sangue e exames laboratoriais, fls. 204/254 e 426/549; · há relação detalhada dos pacientes que receberam transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais, fls. 256/422. em conformidade com a legislação transcrita e em relação à época objeto da ação fiscal, no presente caso deve ser utilizado o coeficiente 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido para determinação do IRPJ. A atividade hemoterápica, por falta de previsão legal específica, é considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido até 01/01/2009. Não é equiparada a serviço hospitalar, já que não suporta custos relevantes próprios da atividade hospitalar que compreende tanto a parte médica especializada, quanto os serviços de hotelaria e fornecimento de produtos; a aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros. Analisando os demonstrativos do Auto de Infração, fls. 04/20, Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 9 8 verificase que foi adotado o coeficiente previsto na norma tributária. Logo, não cabem reparos ao lançamento; por todas essas razões, é imperiosa a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Em sede de contrarrazões, a PGFN não questionou a admissibilidade do recurso especial da contribuinte, e também não cabe nenhum reparo de ofício por parte deste colegiado ao despacho monocrático que deu seguimento à peça recursal. O recurso especial realmente preenche os requisitos de admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ apurado com base no lucro presumido, relativamente ao 4º trimestre do anocalendário de 1998, aos quatro trimestres dos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, e aos primeiro e segundo trimestres do anocalendário de 2003. De acordo com a peça fiscal, o lançamento se fundamenta na aplicação do coeficiente incorreto de 8% em vez de 32% incidente sobre a receita bruta na apuração do lucro presumido, uma vez que, no período objeto da ação fiscal, a Recorrente não se dedicou à prestação de serviços hospitalares. O litígio dos presentes autos, portanto, diz respeito à definição do coeficiente de apuração do lucro presumido. O acórdão recorrido confirmou o lançamento, entendendo que a atividade hemoterápica (desenvolvida pela contribuinte), por falta de previsão legal específica, deveria ser considerada prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente de apuração do lucro presumido no percentual de 32%, isso até 01/01/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 11.727/2008. Em seu recurso especial, a contribuinte alega, em síntese: que especificamente em relação aos serviços de hematologia, a jurisprudência do STJ sempre foi uníssona em garantir o benefício fiscal aos contribuintes que exercem essas atividades; que a entrada em vigor da Lei 11.727/2008 não trouxe nenhuma mudança significativa no tratamento da matéria; que os serviços de imagenologia, análises clínicas, hematologia, radiologia, dentre outros, já eram tributados com o coeficiente de 8% mesmo antes da referida lei, conforme reconheciam as instâncias administrativas e o próprio STJ. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 11 10 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 12 11 anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme o destaque feito na transcrição acima. Também é interessante transcrever a ementa dessa decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 13 12 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 14 13 executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Deve se, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 15 14 (todos os grifos acrescidos) Retomando o conteúdo destes autos, vêse que o próprio acórdão recorrido, e também as contrarrazões da PGFN, trazem informações evidenciando que a atividade da contribuinte não consiste em simples prestação de consultas médicas. Nesse sentido, destaco que a Lei 10.205/2001, quando descreve o que são "atividades hemoterápicas", elenca uma série de atividades que vão muito além da prestação de consultas médicas. No Contrato Social, consta como objeto Serviços Hospitalares (Hospital dia) de Quimioterapia para Câncer, Hematologia e Transfusão de Sangue (Hemoterapia). E os documentos coletados em diligência fiscal, que foi realizada ainda na primeira instância administrativa, fazem referência a serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais. Oportuno registrar que a decisão do STJ em sede de recurso repetitivo tratou de contribuinte que prestava serviços médicos laboratoriais. Percebese que tanto o acórdão recorrido, quanto as contrarrazões da PGFN, ao defenderem que "a aplicação do percentual de 8% apenas se justifica quando presentes fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros", tentam restabelecer uma antiga interpretação que não se coaduna com o posicionamento adotado pelo STJ. Os destaques feitos nas transcrições acima demonstram isso. Também não há como sustentar, como indicado no acórdão recorrido, que a atividade da recorrente só poderia ser equiparada a serviço hospitalar a partir de 01/01/2009, quando entrou em vigor a Lei nº 11.727/2008. Aliás, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou em outras oportunidades sobre situações semelhantes à destes autos, reconhecendo a aplicação do coeficiente de 8% para entidades que também não são hospitais, mas que se encaixam na referida interpretação do STJ manifestada em sede de recursos repetitivos, e que foi considerada pela CSRF como de observância obrigatória, em razão do art. 62A do RICARF Anexo II: Acórdão nº 9101001.870 Sessão de 30 de janeiro de 2014 Recorrente: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DE SOROCABA LTDA Interessado: FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:1999,2000,2001,2002 Ementa: LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. SERVIÇOS HOSPITALARES. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N° 11.727/08. COEFICIENTES DISTINTOS PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 16 15 As empresas laboratoriais de análises clínicas que optaram pelo Lucro Presumido, antes da vigência da Lei n° 11.727/08, devem utilizar o coeficiente de 8% para determinar o referido lucro. Aplicação do entendimento exarado no RESp nº 1.116.399BA, conforme art. 62A do RICARFAnexo II. [...] Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão O recurso preenche os pressupostos e dele conheço. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese ao enquadramento de prestadora de serviços de análises clinicas na mesma categoria das atividades de serviços hospitalares, para efeito de tributação pelo lucro presumido. Os outros temas levantados no especial do Contribuinte não foram admitidos. O recurso especial foi apresentado pelo Contribuinte em 30 de junho de 2009 (fls. 366), ocorre que em 08/11/2010, transitou em julgado o RESp nº 1.116.399BA, Primeira Seção, Rel. Min. Benedito Gonçalves (decidido em 28 de outubro de 2009), objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, pelo regime instituído no art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), em que foi negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Isto posto, conheço do recurso especial. O RESp nº 1.116.399BA tem a seguinte ementa: [...] A ementa do julgado evidencia que estão excluídas do conceito tributário de atividades hospitalares as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. E, decidindo especificamente a matéria tratada nestes autos, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o coeficiente de presunção de lucros estabelecido na Lei nº 9.249/95 deve ser de 8%, para fins de apuração do IRPJ, e de 12%, para fins de apuração da CSLL, relativamente à parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, naquele caso também empresa prestadora de serviços médicos laboratoriais, atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas. Vejase que o julgado afastou qualquer aplicação retroativa da Lei nº 11.727/2008, e fixou a interpretação em referência para os fatos geradores anteriores à sua edição, ou seja, anteriormente ao anocalendário 2008 (caso dos presentes autos). Assim, há que se aplicar ao caso o art. 62A do RICARFAnexo II, devendo se observada mandatoriamente a decisão do STJ acima mencionada. Neste sentido, há que se dar provimento parcial ao recurso especial (que pede a nulidade do auto de infração), apenas para submeter a receita bruta ao coeficiente de 8% para o cálculo do IRPJ, e não para afastar integralmente a exigência. Isto porque as receitas não operacionais devem Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 17 16 ser adicionadas ao lucro presumido e não se submetem à aplicação do coeficiente de presunção, como fez o Contribuinte. Em conclusão, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial do Contribuinte. Acórdão nº 9101001.559 Sessão de 23 de janeiro de 2013 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado: CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEMMEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). [...] Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. [...] Quanto ao mérito, a discussão gravita em torno do percentual aplicado na apuração do lucro presumido às sociedades prestadoras de serviços médicos na área de medicina nuclear nos anos calendários de 1998, 1999 e 2000, dependendo do conceito de serviços hospitalares. Sobre a legislação aplicável ao assunto, diz a Lei n° 9.249/95, em sua redação original: [...] Com o advento da Lei n° 11.277/2008, não restam dúvidas, que, a partir de janeiro de 2009, os serviços prestados pela interessada enquadramse no conceito de serviços hospitalares, desde que cumpridos os requisitos a seguir dispostos: [...] Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10530.002435/200313 Acórdão n.º 9101003.202 CSRFT1 Fl. 18 17 Antes da vigência da Lei n° 11.727/2008, em caso semelhante, a 1ª Turma da CSRF, entendera que serviços médicos e ambulatoriais enquadramse na categoria de serviços gerais em acórdão assim ementado: [...] Porém, em 28/10/2009, o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 1.116.399 – BA, relator Ministro Benedito Gonçalves, proferiu decisão na mesma linha de raciocínio da decisão do acórdão ora recorrido: [...] Referido julgado enquadrouse na sistemática dos recursos especiais repetitivos a que se refere o art. 543–C do Código de Processo Civil (CPC). Devese, em decorrência, aplicar a Portaria MF n° 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com a seguinte redação: [...] Portanto, devemse considerar os serviços específicos prestados pela interessada como enquadrados no conceito de serviços hospitalares, cuja receita bruta auferida recebe o percentual de 8% na apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Em relação à contribuinte autuada no presente processo, que executa serviços de hemoterapia, exames laboratoriais, e transfusão de sangue em procedimentos ambulatoriais (conforme restou comprovado em diligência), não é correto exigir, nos termos da referida decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, que ela apresente "fatores de custos relevantes, como os que ocorrem em um hospital, tais como: hotelaria, alimentação, médicos plantonistas nas 24 horas do dia, serviço ininterrupto, serviço de enfermagem permanente, dentre outros". Cabe aqui adotar o mesmo posicionamento das referidas decisões desta 1ª Turma da CSRF (acima transcritas). Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 747DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002575/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na
base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração.
Numero da decisão: 1401-000.876
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadaamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 75 /2 01 0- 75 Fl. 684DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São PauloSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 08.1.90.00 2008022312 e prorrogações (fls.01) a Delegacia de Fiscalização de São Paulo DEFIS, apurou, no domicílio fiscal da contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 77 e 78): A contribuinte detém 100% de participação na empresa St Bárbara Cement Inc, situada nos Estados Unidos da América. Informou na DIPJ/2006, relativo a essa empresa, lucro de R$ 20.560.279,70 , que foi declarado , para efeito de apuração de Lucro Real, na linha 05 da ficha 09A e para efeito de apuração da base de cálculo de CSLL, na linha 05 da ficha 17. O imposto pago no exterior foi compensado na linha 17 da ficha 12 A, no caso do imposto de renda e na linha 52, da ficha 17 no caso da CSLL. O auditor observou preenchimento incorreto das linhas onde a compensação deveria ter sido informada mas esclarece que não foi por esse motivo que a autuação foi lavrada. O auditor apurou que a contribuinte declarou o lucro liquido apurado no exterior deduzido o imposto pago no exterior quando o correto, de acordo com a IN SRF n° 213/2002 determina que o lucro antes da dedução do imposto de renda no exterior e que deveria ser levado para a DIPJ/2006, O auditor aponta também que consta na ficha 35 da DIPJ/2006, valor incorreto do lucro, pois o US.Corporation Income Tax Return (fls. 44) indica lucro de US$ 26.021.992.00, antes de deduzida a tributação incidente, o que daria R$ 60.909.676,67 e não R$ 50.570.823,50 como a fiscalizada declarou. Assim foi tributada a diferença entre R$ 60.909.676,67 e R$ 20.560.279,70, de R$ 40.379.396,97, que deixou de ser computada na linha 05 da ficha 09 A da DIPJ/2006 e apuração da base de cálculo da CSLL. Desse modo, em 24/08/2010, foram lavrados os seguintes Autos de Infração 2.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 81 a 83), no valor de R$ 22.748.742,73, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados até 30/07/2010. Embasamento legal artigo 25, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.249/1995; artigo 16 da Lei n° 9.430/96; artigos 249, incisos II, e 394 do RIR/99; artigo 3° da Lei n° 9.959/2000;; e artigo 1°, §7° da IN SRF n° 213/2002. 2.2 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 86 a 89), no valor de R$ 8.189.547,38, já incluída a multa de ofício e os juros de mora, calculados ate 30/07/2010, Embasamento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° Fl. 685DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 69 3 7.689/1988; artigo 1° da Lei n° 9.316/1996; artigo 28 da Lei n° 9.430/1996; artigo 37 da Lei n° 10.637/2002, artigos 21 e 74 da MP n° 2.15835/2001 e artigo 1°,§7° da IN SRF n° 213/2002. Inconformada com a autuação fiscal, da qual foi cientificada em 24/08/2010, conforme ciência nos próprios autos de infração (fls. 82 e 87), a interessada apresentou, em 23/09/2010, competente impugnação (fls. 93 a 115), expondo as razoes, a seguir em apertada síntese: 2.3 Faz primeiramente relato dos fatos. 2.4 Alega a tempestividade da impugnação. 2.5 Alega que tendo apurado resultado negativo de equivalência patrimonial no montante de R$ 71.073.456,20 conforme evidenciariam as fichas 09 A e 52 da DIPJ/2006, em observância ao que dispõe o art. 7° §2 da IN SRF 213/2002, pouco importaria a informação relativa aos lucros disponibilizados das fichas 34 e 35 da DIPJ/2006, porque no seu entender, as disposições legais pertinentes são taxativas ao determinar a tributação do resultado de equivalência patrimonial. 2.6 Alega que se há resultado negativo auferido no exterior, em razão da equivalência patrimonial no montante de R$ 71.073.456,20, não haveria o que se falar em oferecimento de valores à tributação pelo IRPJ e CSLL, razão pela qual acredita que o auto de infração mereceria ser cancelado em sua integralidade. 2.7 Alega que haveria uma ADI pendente de julgamento no STF no qual se reconheceria a necessidade de oferecimento à tributação pelo IRPJ e CSLL dos resultados de equivalência patrimonial. 2.8 Alega que ainda assim não fosse e caso seja entendido que o procedimento do auditor fiscal esteja correto, argumenta que o cálculo utilizado contem erro material que reduzia o valor tributado. 2.9 Alega que não deve ser levada a tributação o valor de US$ 26.021.992,00 porque esse valor se refere , no seu entender ao "taxable income" conforme consta no "US Corporation /Income Tax Return", apurado de acordo com a legislação americana e entende que esse valor equivaleria ao lucro real apurado no Brasil. 2.10 Afirma que o lucro a que se refere o art. 1° da IN SRF n° 213/2002 seria o lucro líquido contábil evidenciado na Demonstração do Resultado do Exercício e cita autores tributaristas que embasariam o que alega. 2.11 Alega que considerar o "lucro real" americano" decorrente de adições e exclusões e outras operações que lhe se apliquem, implicaria considera, em seu entender, equivocadamente a base do tributo que deveria ser oferecida para pagamento dos tributos no Brasil. 2.12 Alega que deveria ser considerado então o valor de US$ 12.834.246,00 (net income lossperbooks) que convertido à taxa de R$ 2,3407 totalizaria R$ 30.041.119,61 e então a base de cálculo para o lançamento seria R$ 9.510.839,91 e não R$ 40.379.396,96 como foi assinalado no Termo de Constatação Fiscal. 2.13 Alega que assim a autuação seria de R$ 3.233.685,57 a titulo de principal de IRPJ e Fl. 686DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 70 4 CSLL . 2.14 Alega que ainda que assim não fosse, caberia ao auditor fiscal utilizar o montante informado pela empresa na ficha 35, linha 11, de R$ 50.570.823,50 , argumentando que o próprio auditor fiscal teria vislumbrado esse entendimento antes de adentrar na declaração de rendimentos americana para lá capturar um numero que, quer acreditar, não diz respeito a base de cálculo do imposto brasileiro. 2.15 Alega que ainda que assim não fosse, o auto de infração não poderia prosperar tendo em vista a existência de crédito do pagamento do IR Norte Americano em montante superior ao IRPJ e CSLL efetivamente pagos no anobase de 2005. 2.16 Alega que os pagamentos foram comprovados e que a conversão para a moeda nacional deve ser feita pelo cambio do dia dos pagamentos, a saber, 15/12/2005 e 13/03/2006., resultando em R$ 24.597.311,26 em credito para contribuinte. 2.17 Alega que assim a base tributável que deve ser considerada pela autuação é nula, remanescendo esse crédito para aproveitamento em exercícios subseqüentes na fora da legislação em vigor. 2.18 Alega que, ainda que assim não fosse, a autuação deveria recair sobre a diferença entre o declarado na DIPJ/2006 , ficha 35 , linha 13, no valor de R$ 20.530.279,70 e os valores que declara ( R$ 30.041.119,61 (lucro líquido)) e R$ 50.570.823,50 (constante da DIPJ na ficha 35 linha 11) ou R$ 60.909.676,67 (apurados pelo auditor fiscal)) para argumentar que , por qualquer critério, o valor devido seria inferior ao montante do valor pago no exterior de R$ 24.597.311,26, mesmo que se deduzisse dele o imposto apurado nesse ano no valor de R$ 4.4343.358,73 (ficha 12 A linha 17). 2.19 Alega que a compensação do imposto pago no exterior com o IRPJ e A CSLL devidos no Brasil encontraria respaldo na IN SRF n° 213/2002 em, seu artigo 14 e cita ainda autor tributarista para defender o que alega. 2.20 Discorre sobre os erros materiais contidos na DIPJ/2006 para afirmar que os mesmos não impediriam seu direito e nem poderiam prejudicar a contribuinte. 2.21 Por fim requer o cancelamento do débito tributário pelas varia razões que elenca Ao ser analisados os autos nesta Turma de Julgamento, foi observado que o auditor fiscal realmente não considerou , na autuação, o restante dos valores de tributos pagos no exterior, utilizando tão somente o que a contribuinte já teria declarado na DIPJ/2006 Desse modo, fezse necessário baixar o processo em diligência , em 14/02/2011, para que fosse verificado se a fiscalizada já teria utilizado o valor do tributo pago no exterior em outras compensações. O processo retornou em 05/08/2011, com a informação que a contribuinte não teria aproveitado o restante do imposto pago no exterior nos anoscalendário posteriores e o fato de ter apresentado o lucro no exterior zerado nas DIPJ posteriores deveuse ao fato que o controle da Barbara Cements. Inc, foi transferido para a empresa Votorantin Investimentos Internacional S/A, CNPJ n° 04.480.652/000121 (fls. 553 a 557) Fl. 687DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 71 5 A fiscalizada apresentou manifestação ao Termo de Diligência (fls. 558 a 560), alegando mais uma vez que não houve o aproveitamento do saldo do imposto pago no exterior e que se a DRJ deixar de acolher a impossibilidade de lavratura do auto de infração em razão da existência de resultado negativo de equivalência patrimonial, deveria reconhecer o crédito fiscal em favor da VCA em montante superior ao IRPJ e CSLL ao que deveriam ter sido apurados , se o auditor fiscal tivesse, em sua opinião utilizado a base tributária correta. Requer mais uma vez o cancelamento do auto de infração . É o relatório.A DRJ CANCELOU os lançamentos, nos termos da ementa abaixo e RECORREU de ofício: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONTROLADAS/ COLIGADAS. A partir da vigência do art.74 da MP 2.15835/2001, para fim da determinação da base de cálculo do Imposto de Renda e da CSLL, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme prevê a Instrução Normativa n° 213/2002, cuja observância se impõe ao julgador administrativo. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 72 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO Cabe inicialmente salientar que a lide não é afetada por eventual discussão da constitucionalidade do referido art. 74 da MP nº 2.15835/2001 no âmbito do STF, uma vez que a matéria em comento se refere à possibilidade de compensação de eventual imposto pago no exterior, exorbitando, portanto, a questão do momento da disponibilização do lucro. No voto condutor do Acórdão, o relator apesar de manter a base de cálculo que estava sendo questionada pelo contribuinte, mas não sob o prisma da MP n.2.158/2001, cancelou a integralidade do lançamento, por outro motivo, qual seja, pela compensação de imposto pago no exterior, nos termos abaixo: (...) Dos pagamentos de tributos no exterior A fiscalizada efetuou, no exterior, relativo ao lucro gerado pela empresa St Barbara, dois recolhimentos de tributos, relativos ao anofiscal de 2005: o primeiro de US$ 9.800.000,00 , de 15/12/2005 e a segunda parcela de US$ 987.607,00 em 15/03/2006, conforme documentos apresentados no curso da diligencia fiscal , com cópias de traduções juramentadas, de fls. 508 a 510, totalizando o valor de US$ 10.789.607,00. Esses dois pagamentos foram certificados pelo Consulado Geral do Brasil em Toronto, Otário , Canadá ( fls. 50 a 55). Tomando apenas o primeiro recolhimento efetuado em 15/12/2005 e convertendo pela taxa de câmbio da data do pagamento ( 2,2949), conforme art. 395, §3° do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, obtémse o seguinte valor: Pagamento no dia 15/12/05 Tx conversão de 15/12/2005 Valor em Reais US$ 9.800.000,00 2,2949 R$ 22.490.020,00 Desse total, a fiscalizada declarou ter utilizado R$ 4.434.358,73, para dedução na DIPJ, relativo ao valor do lucro no exterior declarado ( fls. 42 e 43) e, conforme já visto, não teria utilizado o restante do saldo em compensações posteriores, restando então, o valor de R$ 18.055.661,27. O lançamento fiscal efetuado , apurou R$ 10.094.949,23 de IRPJ e R$ 3.634.145,72 de CSLL, relativo à diferença entre lucro auferido no exterior , na empresa St. Barbara Cements Inc, no anocalendário de 2005 e o que tinha sido oferecido à tributação pela fiscalizada . Fl. 689DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 73 7 Uma vez que, tomando apenas o primeiro recolhimento de tributo no exterior, efetuado no dia 15/12/2005, o valor recolhido e não utilizado desse tributo que poderia ser compensado (R$ 18.055.661,27), já era suficiente para compensar a totalidade do imposto devido ( IRPJ+ CSLL = R$ 13.729.094,95), o lançamento é improcedente, pois o auditor fiscal deveria ter considerado os valores do imposto recolhidos no exterior relativos ao lucro tributado, e que não haviam sido utilizados pela contribuinte. Em conclusão, o lançamento de IRPJ e CSLL deve ser desconstituído, pois a diligencia informou que a contribuinte não havia utilizado o saldo de tributo pago no exterior nos anosposteriores e o valor do saldo era mais do que suficiente para compensar o valor dos tributos lançados relativos a diferença do valor do lucro apurado no exterior, pela empresa St Bárbara Cements Inc que deixou de ser oferecida à tributação na DIPJ/2006. Segue abaixo o art. 26 da Lei n°. 9.249/95, que é o preceptivo mais ligado ao caso concreto, permitindo a compensação do imposto incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital tributados no Brasil, nos seguintes termos: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. No caso que se cuida, com a alegação da Recorrente que pagara mais imposto no exterior do que o que havia originalmente declarado, os autos foram baixados em diligência pela DRJ para confirmar se o montante de imposto pago no exterior não haveria sido utilizado pela Recorrente nas declarações de anos posteriores ou dado outra destinação qualquer. A diligência confirmou esse não aproveitamento e justificou os motivos pelos quais o aproveitamento não foi feito na época oportuna. Os pagamentos referentes aos lucros auferidos no exterior foram certificados pelo Consulado Geral do Brasil em Toronto, Otário , Canadá ( fls. 50 a 55), conforme comanda a legislação de regência (§2° do art. 26 da Lei n°. 9.249/95). Após os acertos nas bases de cálculos do lucro auferido no exterior levado à tributação no Brasil, constante de sua declaração de rendimentos, verificouse, ao fim que o imposto pago no exterior supera o imposto pago Brasil. Fl. 690DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.002575/201075 Acórdão n.º 1401000.876 S1C4T1 Fl. 74 8 Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 691DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0218.09353.J9B6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012 10:47:44. Documento autenticado digitalmente por ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 12/12/2012 e ANTONIO BEZERRA NETO em 12/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0218.09353.J9B6 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6CAC2F11F72B24F459862A0D40128C3A5CEAB295 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.002575/2010-75. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10835.902657/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2104; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902657/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.138 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria REPETITIVO. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 26 57 /2 00 9- 91 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 15/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 95), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 97), alegando, em síntese: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (132); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (133). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10835.902657/200991 Acórdão n.º 1401002.138 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005727/2005-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2001 PEDIDO
DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS.
Indeferem-se os pedidos de diligência e perícia quando feitos de forma genérica, em desacordo com os requisitos da legislação pertinente.
PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do Recorrente fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase
a fato ou a direito superveniente ou destinese
a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2001
ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA.
Consideramse
sem efeito as alegações contestando a existência de crédito
tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o
ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de mesma
espécie e mesma destinação constitucional, conquanto prescinda de
formalização de pedido, nos termos do art. 14 da IN SRF 21/1997, deve ser
devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO.
Incabível a alegação de existência de confisco pela aplicação da multa de
ofício, a qual não se caracteriza como tributo por se constituir em penalidade
aplicável como sanção de ato ilícito.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. LEI OU ATO
NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes.
Lançamento mantido.
Numero da decisão: 1401-000.530
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Mauricio Pereira Faro
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. Indeferem-se os pedidos de diligência e perícia quando feitos de forma genérica, em desacordo com os requisitos da legislação pertinente. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do Recorrente fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de mesma espécie e mesma destinação constitucional, conquanto prescinda de formalização de pedido, nos termos do art. 14 da IN SRF 21/1997, deve ser devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Incabível a alegação de existência de confisco pela aplicação da multa de ofício, a qual não se caracteriza como tributo por se constituir em penalidade aplicável como sanção de ato ilícito. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Lançamento mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. Indeferemse os pedidos de diligência e perícia quando feitos de forma genérica, em desacordo com os requisitos da legislação pertinente. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do Recorrente fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de mesma espécie e mesma destinação constitucional, conquanto prescinda de formalização de pedido, nos termos do art. 14 da IN SRF 21/1997, deve ser devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Incabível a alegação de existência de confisco pela aplicação da multa de ofício, a qual não se caracteriza como tributo por se constituir em penalidade aplicável como sanção de ato ilícito. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 2 2 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Lançamento mantido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Viviane Vidal Wagner Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Tratase de recurso voluntário manejado pelo contribuinte, por bem retratar a situação ora analisada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Auto de Infração referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 02 a 39), lavrado em 21/07/2005, no valor de R$ 20.768,89 (vinte mil, setecentos e sessenta e oito reais e oitenta e nove centavos), que, depois de incluídos a multa de ofício e os juros de mora calculados até 30/06/2005, representam o montante de R$ 50.992,32 (cinqüenta mil novecentos e noventa e dois reais e trinta e dois centavos), conforme discriminado às fls 01 e 06 do presente processo. Na descrição dos fatos do auto de infração, foram apontadas as seguintes infrações 1) Adicional do Imposto de Renda — Insuficiência de recolhimento (período junho/2001)"Adicional do Imposto de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 3 3 Renda Pessoa Jurídica calculado a menor na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ". 2) Falta de recolhimento/declaração do Imposto de Renda — Apuração incorreta do imposto (períodos março, junho e setembro/2001) "Imposto de Renda Pessoa Jurídica apurado a menor na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ". 3) Empresas instaladas na área da SUDENE — Isenção — Inobservância dos requisitos legais (períodos março, junho e setembro/2001) "Glosa de dedução a título de isenção de imposto, considerada no cálculo do imposto de renda apurado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, pela constatação de inobservância de requisitos legais para gozo do beneficio fiscal". Os enquadramentos legais utilizados estão descritos às fls. 07 e 08 do presente Auto de Infração. O contribuinte tomou ciência da autuação em 26/07/2005 (fl. 41) e apresentou a sua defesa em 23/08/2005 (fls 43 a 199), arrolando em síntese, os seguintes argumentos: a) "demonstraremos que o auto de infração lavrado pelo preposto fiscal é improcedente, em parte, considerando que o contribuinte atendeu o Termo de Intimação — Revisão DIPJ e prestou esclarecimento ao preposto fiscal que, foi deduzido do imposto devido a título de compensação nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, o valor de R$ 15.872,52 (quinze mil, oitocentos e setenta e dois reais e cinqüenta e dois centavos), por conseguinte, o saldo de IRPJ a pagar seria no máximo de R$ 4.896,35 (quatro mil, oitocentos e noventa e seis reais e trinta e cinco centavos)"; b) "após intimação, o contribuinte compareceu pessoalmente a SRF, apresentou os documentos contábeis e fiscais requeridos, assim como prestou esclarecimentos necessários do auto lançamento referente a compensação do imposto constante em sua DIPJ 2001, ano calendário 2000" e que "consoante os termos do referido Termo de Intimação o lançamento de ofício darseia na hipótese do não comparecimento do contribuinte para prestar esclarecimentos sobre as supostas diferenças de imposto"; c) que os valores referentes às diferenças exigidas ao contribuinte estão "devidamente escriturados na contabilidade da empresa, inclusive na DIPJ 2001 e DIPJ 2002 ano calendário 2001, cujos valores foram glosados conforme descrição constante do auto de infração sob o título de 'Glosa de Dedução" e que "em verdade se referem a valores compensados no anocalendário no importe de R$ 15.872,52"; d) "além do valor compensado a título de Imposto de Renda, o preposto fiscal também tinha conhecimento de créditos do contribuinte a título de Contribuição Social (CSLL)no valor de R$ 2.418,02, lançado no livro diário da empresa e na fl. 91 do razão, devidamente autenticados na JUCEB sob n° 02/148488, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 4 4 esta, também possível de compensação nos termos do art. 74 da Lei n° 9A30/96 e art. 170 do Código Tributário Nacional que, desde já requeremos sua compensação com a diferença de crédito tributário lançado neste auto de infração em discussão"; e) "que o autuado compensou valores de IRPJ escriturados em sua escrita fiscal e contábil, assim como as declarou na DIPJ conforme se constata o conhecimento dos referidos auto lançamentos pelo preposto fiscal quando procedeu a glosa dos respectivos valores compensados no anocalendário 2001. O art. 66 da Lei n° 8.383/91 autoriza ao contribuinte a compensar valores recolhidos a maior com imposto devido de períodos subseqüentes, independentes de anuência da Fazenda Nacional"; O "o contribuinte procedeu de acordo com a legislação federal, compensou o imposto pago a maior no anocalendário 2000 pelo regime do IRPJ estimativa com imposto devido no ano calendário 2001, por conseguinte, improcede a imposição fiscal sob este fundamento", trazendo planilhas visando demonstrar o saldo a compensar de IRPJ no anocalendário 2000, no valor de R$ 15.885,86 e declarando que "da mesma forma, o crédito da CSLL no valor de R$ 2.418,02 (dois mil, quatrocentos e dezoito reais e dois centavos) pode ser compensado com o IRPJ a teor do art. 1° do Decreto n°2.138/97 e art. 170 do CTN"; g) quanto às glosas das deduções efetuadas no anocalendário 2001, "esclarecese novamente que os respectivos valores foram deduzidos do pagamento do imposto devido à luz do art. 66 da Lei 8.383/9; este, escriturado nos livros contábeis (doc. 53 e 54), por conseguinte, há que se considerar aqueles lançamentos como compensação de imposto e não na forma descrita na respectiva linha da DIPJ, pois, assim, só foi aposta para demonstrar que se havia deduzido valores a título de compensação e por falta de campo adequado na DIPJ, portanto, o que se denomina incentivo de isenção/redução declarado a maior constante do Termo de Intimação e na DIPJ, ficha 12 A, pág. 19, em verdade de trata de valores de imposto compensado por ter sido recolhido a maior"; h) "as glosas são indevidas pelo seguinte: primeiro o preposto fiscal conhecia a natureza do tributo que, se tratava IRPJ recolhido a maior, inclusive foilhe apresentado toda a documentação comprobatória do crédito do sujeito passivo, assim como os comprovantes de pagamento do imposto (doc. 40 a 46 DARFs). Segundo, ele estava legalmente autorizado a compensar de oficio os créditos com o valor devido, já que aqueles se tratavam de exercício anterior, por conseguinte, não haveria necessidade de se lavrar o auto de infração, uma vez que, intimado o contribuinte iria recolher a diferença de imposto"; i) "o contribuinte reconhece como devida a diferença de imposto de R$ 2.465,00 (4.833,02 2.418,02), resultante da compensação do imposto de renda de R$ 15.885,86 e da contribuição social de R$ 2.418,02" e que o preposto fiscal quando recebeu os esclarecimentos do contribuinte teve conhecimento da existência Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 5 5 da compensação de imposto mediante DARF, DIPJ, Livros Fiscais e Livros Contábeis apresentados pelo autuado que, segundo a expectativa deste seria apenas lançada a diferença de imposto no importe de R$ 4.896,35 (quatro mil, oitocentos e noventa e seis reais e trinta e cinco centavos), considerando os valores compensados reconhecidos verbalmente pelo preposto fiscal; j) "a aplicação da multa não deve prosperar, uma vez que o contribuinte demonstrou a existência de crédito de imposto a seu favor antes da apuração das supostas diferenças objeto desta exigência fiscal; Impugna o valor da multa aplicada de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o imposto apurado por ser injusta e ter natureza confiscatória, além de ferir o principio constitucional de respeito à capacidade contributiva e econômica do contribuinte"; k) finaliza a sua defesa requerendo que o auto de infração seja julgado, em parte, improcedente, solicitando ainda extinguir o crédito tributário com a compensação dos créditos do contribuinte, lançamento do crédito tributário de R$ 2.465,00 ou, no máximo, de R$ 4.896,35 e excluir a multa aplicada ou reduzila sobre qualquer saldo remanescente que porventura restar devido, além de protestar "por todos os meios de prova em direito permitidos, inclusive diligência e prova pericial nos livros contábeis e fiscais da empresa". Analisando a impugnação apresentada entendeu o orgão julgador a quo por julgar procedente o auto de infração, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. Indeferemse os pedidos de diligência e perícia quando feitos de forma genérica, em desacordo com os requisitos da legislação pertinente. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ALEGAÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Consideramse sem efeito as alegações contestando a existência de crédito tributário regularmente constituído, se desacompanhadas de prova, eis que o ônus da prova compete ou cabe a quem alega o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de mesma espécie e mesma destinação constitucional, conquanto prescinda de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 6 6 formalização de pedido, nos termos do art. 14 da IN SRF 21/1997, deve ser devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. Incabível a alegação de existência de confisco pela aplicação da multa de ofício, a qual não se caracteriza como tributo por se constituir em penalidade aplicável como sanção de ato ilícito. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Lançamento Procedente Irresignado, interpõe o contribuinte o recurso ora analisado reiterando os argumentos expostos anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Do Pedido de diligência e perícia O recorrente requer a realização diligência e perícia nos livros contábeis e fiscais da empresa. Em relação aos mencionados pedidos, observase que o recorrente os fez de forma genérica, não indicando o perito e sem formular os quesitos relativos aos exames desejados, e, portanto, em desacordo com o art. 16, IV do Decreto n.° 70.235 de 1972 (PAF). Convém salientar que a perícia ou diligência não pode ter por escopo imputar à autoridade administrativa o encargo de construir provas que caberia ao contribuinte realizar. Dessa forma, em consonância com o art. 16, § 1° do PAF, acima transcritos, entendo que agiu com acerto a autoridade a quo ao indeferir os pedidos de realização de perícia e diligência, por não terem sido cumpridos os requisitos exigidos no PAF. Do pedido de produção posterior de provas No que se refere ao pedido de produção posterior de provas, dentre as quais a juntada de documentos, o contribuinte deve atentar que o processo deve ser instruída com todos os elementos de prova que fundamentem os argumentos da sua defesa. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 7 7 De acordo com os dispositivos transcritos, a inclusão, nos autos, de novos documentos, após a apresentação da impugnação, somente seria admitida mediante petição fundamentada, interposta junto à autoridade julgadora, que demonstrasse a ocorrência das referidas situações ou circunstâncias impeditivas de sua apresentação no prazo regulamentar. No caso em exame, o recorrente não obedeceu às exigências dos dispositivos normativos anteriormente transcritos, ou seja, não demonstrou a ocorrência das referidas situações ou circunstâncias impeditivas da apresentação da documentação no prazo legal, tal como a ocorrência de força maior que a impossibilitasse de apresentar as provas de suas alegações no momento próprio, ou seja, na impugnação. Ademais, o contribuinte, não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que demonstrasse a i exercer tal pleito. Do Mérito No presente caso, o lançamento do IRPJ foi decorrente do procedimento de revisão eletrônica da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, relativa ao ano calendário de 2001, onde foram constatadas divergências entre os valores declarados e os calculados com base na legislação em vigor, das quais foi intimado o contribuinte a prestar esclarecimentos em 10/06/2005 (Termo de Intimação Fiscal fls 10 e 12), resultando nas seguintes infrações tributárias apontadas na ação fiscal (fls. 07 e 08): 1) Insuficiência de recolhimento do IRPJ decorrente do adicional do imposto de renda calculado a menor em junho de 2001; 2) Falta de recolhimento e declaração do IRPJ, decorrente da apuração incorreta do imposto nos períodos de março, junho e setembro de 2001; 3) Glosa de dedução a titulo de isenção do IRPJ, considerada no cálculo do mencionado imposto apurado na DIPJ, diante da constatação de inobservância dos requisitos legais para o gozo do beneficio fiscal, nos meses de março, junho e setembro de 2001. No tocante ao mérito, o recorrente aduz a procedência em parte do presente auto de infração, alegando que atendeu ao Termo de Intimação Fiscal relativo à revisão da DIPJ anocalendário 2001, época em que teria esclarecido ao preposto fiscal que, do imposto devido, teria realizado compensação no valor de R$ 15.872,52, conforme art. 66 da Lei n° 8.383/1991, e, em conseqüência, "o saldo do IRPJ a pagar seria no máximo R$ 4.896,35 (quatro mil, oitocentos e noventa e seis reais e trinta e cinco centavos)". Entretanto, ao contrário do alegado, não consta nos autos qualquer declaração do recorrente, em resposta ao termo de intimação fiscal, comprovando o mencionado esclarecimento ao auditor fiscal relativo às supostas compensações realizadas, que pudesse assim afastar o lançamento de oficio em questão. Registrese que é principio basilar no direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito conforme se depreende do artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil. O Recorrente argumentou que as glosas efetivadas na ação fiscal referemse aos valores que teriam sido compensados no montante de R$ 15.872,52. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 8 8 Verificase, portanto, que a questão se prende à possível extinção de parte do crédito tributário lançado, relativo às glosas efetuadas no cálculo do IRPJ (março, junho e setembro de 2001), que, segundo o contribuinte, teria ocorrido em conseqüência de suposta compensação, conforme a seguir: "O contribuinte procedeu de acordo com a legislação federal, compensou o imposto pago a maior no anocalendário 2000 pelo regime do IRPJ estimativa com imposto devido no anocalendário 2001, por conseguinte, improcede a imposição fiscal sob este fundamento", trazendo planilhas visando demonstrar o saldo a compensar de IRPJ no anocalendário 2000, no valor de R$ 15.885,86 e declarando que "da mesma forma, o crédito da CSLL no valor de R$ 2.418,02 (dois mil, quatrocentos e dezoito reais e dois centavos) pode ser compensado com o IRPJ a teor do art. 1° do Decreto n° 2.138/97 e art. 170 do CTN". Visando comprovar suas alegações, traz demonstrativos do cálculo do imposto de renda (fls. 49 e 50) e da CSLL sob o regime da estimativa (fls. 51 a 52) e DIPJ relativos ao anocalendário de 2000, juntamente com cópias do livro Razão (fls. 137 a 138), dos quais resultariam em possível saldo a compensar em 2001. Convém ressaltar que, mesmo que o Recorrente tivesse tributo a compensar e na hipótese de créditos relativos ao anocalendário 2000 a serem compensados em 2001, tais compensações deveriam ter sido realizadas conforme a legislação vigente à época (Instrução Normativa n° 21/1997), sob pena de não lograr êxito os seus fundamentos de defesa. Cumpre observar que não consta nos autos de que o Recorrente tenha protocolado pedido de compensação dos valores que supostamente teriam sido indevidamente recolhidos a título de IRPJ e CSLL, previsto no art. 12 da IN 21/1997 e apesar do art. 14 do aludido dispositivo permitir a compensação independente de apresentação de requerimento à administração, no caso de tributos de mesma espécie, o Recorrente não declarou as supostas compensações em DCTF, que desde 1997, passou a registrar também as diversas formas de extinção do crédito tributário, dentre as quais a compensação, por força do art. 7° da IN n° 73/1996 Portanto, as alegadas compensações teriam que constar na DCTF relativa ao anocalendário 2001 (períodos de março, junho e setembro), registrando assim as operações suscitadas, o que não foi realizado pelo contribuinte conforme cópias das DCTF anexas (fls. 203 a 205). No presente caso, o Recorrente indevidamente as informou na ficha 12 A da DIPJ (fls. 37 e 38), a titulo de "Isenção e Redução do Imposto", cujos valores foram glosados na ação fiscal. Verificase também que o Recorrente pretende compensar supostos créditos de CSLL com o IRPJ, e que tal operação não poderia ter sido realizada sem o pedido específico, por força do art. 14 da IN SRF 21/1997, anteriormente transcrito. Assim, os valores que o Recorrente pretende compensar com direitos creditórios têm que ser informados na DCTF, pois caso contrário, o débito não se configura confessado e o único caminho para ser exigido é o lançamento de oficio. A extinção do crédito tributário mediante compensação somente seria efetivada se o débito estivesse declarado antes do inicio da ação fiscal. Ante o exposto, a compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de mesma espécie e mesma destinação constitucional, conquanto prescinda de formalização de pedido, nos termos do art. 14 da IN SRF 21/1997, deve ser devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo, não sustentando a alegação de Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10580.005727/200576 Acórdão n.º 1401000.530 S1C4T1 Fl. 9 9 compensação como argumento de defesa contra o lançamento do IRPJ, relativo ao ano calendário de 2001, o qual mantenho. Por fim, Recorrente contesta a aplicação da multa de 75%, alegando que demonstrou a existência de crédito do imposto a seu favor antes da apuração das supostas diferenças no auto de infração, considerandoa confiscatória, ferindo os princípios constitucionais. Conforme dispõe a súmula 2 do CARF:”O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ante o exposto, rejeito as preliminares e no mérito nego provimento ao recurso voluntário. Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 06/02/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003258/2002-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO.
Os processos nos quais sejam opostos embargos de declaração serão distribuídos ao mesmo relator, ressalvados aqueles nos quais o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem com designação de relator ad hoc.
Numero da decisão: 1103-001.040
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO. Os processos nos quais sejam opostos embargos de declaração serão distribuídos ao mesmo relator, ressalvados aqueles nos quais o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem com designação de relator ad hoc.
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.720196/2014-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Jan 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2012
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9303-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2012 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Por consequência, sobre o crédito tributário assim constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 01 96 /2 01 4- 70 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 3402003.219, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para cancelar a incidência de juros sobre a multa de lançamento, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2012 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF N. º 1. A teor da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF N. º 2 Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ARROLAMENTO DE BENS. INCOMPETÊNCIA CARF. Este CARF não possui competência para analisar questão relativa ao arrolamento de bens, devendo ser seguido o procedimento específico previsto na legislação (IN RFB n. º 1.565/2015 c/c arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784/99). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso Voluntário Provido em Parte. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic sobre a multa de ofício. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 4 3 Em Despacho às fls. 439 a 441, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo em síntese que não há previsão legal para a incidência de juros em relação ao valor da multa decorrente de lançamento de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Eis que na decisão recorrida, o Colegiado entendeu que não existe base legal à incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício. Enquanto, no paradigma, firmouse entendimento diverso sobre o qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic sobre penalidades pecuniárias. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – aplicação ou não dos juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto à incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, expresso que, relativamente a esse tema, entendo que a autoridade fazendária não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Ora, a Lei nº 9.430/96 prevê expressamente no art. 61 que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora: Fl. 484DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 5 4 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) ” Nesse ínterim, somente considerando esse dispositivo, vêse claro que somente os débitos de tributos e contribuições – valor principal se sujeitam aos juros de mora, e não os decorrentes de multa de mora. Nessa senda, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, tornase claro que também não cabe impor tais juros sobre a multa de ofício. Ademais, importante trazer que não há como se entender que o débito tributário seja composto por juros de mora e outras penalidades tributárias, vez que a legislação vigente, em respeito à natureza jurídica de cada evento, demonstra a segregação de cada débito, quer seja, de débito tributário, débito decorrente de encargos moratórios e débito relativo à penalidade administrativa. Essa distinção é demonstrada expressamente no artigo 161, caput, do CTN, in verbis: Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. ” Tal dispositivo traz que o crédito tributário deve ser acrescido dos juros de mora e das penalidades cabíveis – segregando o crédito tributário dos juros de mora e das penalidades assecuratórias. Ademais, temse ainda que, caso ignorássemos tais dispositivos e forçosamente invocássemos o art. 113 do CTN para entender que há incidência de juros sobre a multa de ofício, in verbis (Grifos meus): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ” Vêse que, mais uma vez, não há como se interpretar que seria cabível a aplicação dos juros sobre a multa de ofício, eis que o art. 113, § 1º, do CTN traz que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador. Ora, e qual débito surge com o fato gerador do tributo? O débito que surge com o fato gerador do tributo é aquele correspondente ao próprio “valor principal” – valor do tributo apurado nos termos da legislação vigente. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 7 6 Entender que a multa de ofício surge com o fato gerador do tributo seria extrapolar a natureza dessa multa, vez que tal multa somente passa a existir com o lançamento de ofício. A motivação de sua existência não é a ocorrência do fato gerador do tributo, mas sim o lançamento de ofício. Sendo assim, tornase equivocado defender ser aplicável os juros sobre a multa de ofício, invocando o art. 113 e o art. 139 do CTN, sob a alegação de que: · O crédito tributário decorre da obrigação principal, nos termos do art. 139 do CTN; · A obrigação principal abrange o valor principal do tributo e as penalidades pecuniárias, nos termos do art. 113, inciso I, do CTN; · Então, o crédito tributário é composto pelo valor principal e multa de ofício; e · Sendo assim, seria aplicável os juros de mora sobre a multa de ofício, por compor o débito tributário a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96. A interpretação equivocada não merece prosperar. Vejamos: 1. Traz o art. 139 do CTN (Grifos meus): “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” 2. O art. 139, assim, considera que o crédito tributário surge com a obrigação principal; 3. Traz o art. 113, § 1º, do CTN: “[...] § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. ” Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 8 7 4. O art. 113, § 1º c/c o art. 139, do CTN, portanto, diz que o crédito tributário decorre com a obrigação principal que, por sua vez, surge com a ocorrência do fato gerador do tributo; 5. O que se conclui que o crédito tributário não poderia ser composto pelo valor da multa de ofício, eis que tal multa não surge com o fato gerador do tributo, mas com o lançamento de ofício; 6. Por conseguinte, não há que se falar em aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/96 e do art. 161 do CTN, vez que tais juros somente incidem sobre o crédito tributário. Em vista de todo o exposto, entendo que não são aplicáveis juros sobre a multa de ofício. Frisese tal entendimento o Acórdão nº 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. (grifos nossos) Ademais, tornase impossível também ignorar os entendimentos proferidos no mesmo sentido da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar o Recurso Especial nº 202131.351 Acórdão CSRF/0203.133, bem como da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF Acórdão nº 140100.027, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo nº 10680.011107/200629 Acórdão nº 220100.126. Proveitoso ainda trazer que não há como se invocar equivocadamente o art. 30 da Lei 10.522/02 para se aplicar os juros sobre a multa de ofício. Eis a redação do art. 30 da Lei 10.522/02 (Grifos Meus): Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 9 8 Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. E o art. 29 referendado no dispositivo (Grifos meus): “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. [...] Ora, os débitos “de qualquer natureza” tratados no art. 30, caput, da Lei, são específicos – ou seja, somente são aqueles decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31.12.94, nos termos do art. 29 da Lei 10.522/02. Sendo assim, apenas trago que não há também como se aplicar os juros sobre a multa de ofício, invocando tais dispositivos. O que resta a essa conselheira entender que assiste razão ao sujeito passivo nessa parte, sob pena de afrontarmos o CTN e extrapolarmos os dizeres da legislação vigente. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazena Nacional, negandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo de suas conclusões a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Tanto a relatora quanto o acórdão recorrido e o contribuinte entendem que não existe previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 11 10 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 12 11 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Para reforçar este entendimento, transcrevo abaixo precedentes judiciais e administrativos elaborado pela assessoria jurídica do CARF em estudos internos a respeito da matéria. Julgamento da matéria nos Tribunais Superiores Em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº1.129.990 PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 13 12 A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 18 de maio de 2010, replicou este entendimento ao decidir o Recurso Especial nº 834.681MG, sob relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Também se tratava, neste caso, de legislação estadual. Em 04 de dezembro de 2012, a 1ª Turma manteve este posicionamento no julgamento de Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Neste caso, a multa de ofício fora lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o sujeito passivo alegava a inexistência, no referido dispositivo legal, de qualquer menção sobre a cobrança de juros de mora. Por fim, em 07 de junho de 2016, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça mais uma vez aplicou a jurisprudência pacífica do Tribunal, agora em face de Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 870.973MG, sob relatoria do Ministro Humberto Martins: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 14 13 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. A análise recaiu, assim, sobre legislação do Estado de Minas Gerais. O Superior Tribunal de Justiça, portanto, não apreciou as questões colocadas em face da redação do art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ementas de acórdãos recentes da CSRF Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Acórdão nº 9202004.250, de 23 de junho de 2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13888.720196/201470 Acórdão n.º 9303006.007 CSRFT3 Fl. 15 14 Acórdão nº 9303004.570, de 8 de dezembro de 2016, Redator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 495DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.902336/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. RELATÓRIO Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião da conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução proferida por esta Turma na sessão de 07/04/2016 (fls. 147 a 150), complementandoo ao final: "Tratase o presente processo de PER/DCOMP n° 24091.97549.200112.1.3.04 8030 com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 33 6/ 20 12 -8 4 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.461 S1C3T1 Fl. 187 2 valor de R$ 1.640.119,72 recolhido em data de 29/10/2010 IRPJ período de apuração set/2010. Foi feita análise do crédito pleiteado e o Despacho Decisório eletrônico homologou parcialmente a compensação declarada, por entender que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para referida compensação, tendo sido o mesmo utilizado para quitação de débitos do contribuinte. O ora Contribuinte inconformado com referido despacho e regulamente cientificado do Despacho Decisório apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que teria transmitido a DCTF retificadora que confirmava o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP seria suficiente para a compensação do débito declarado. O V. Acórdão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deve existir já na data da transmissão da Declaração, e considerando que a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluiu que não haveria qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O Contribuinte em seu recurso de fls. , alega que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário, dispensandose outra providência por parte do fisco. Alega que no caso em tela, diante da identificação do erro na apuração dos impostos devidos bem como na falta de retificação da DCTF, requereu através de PER/DCOMP as compensações necessárias, declarandose o crédito tributário constituído na PER/DCOMP n° 24091.97549.200112.1.3.048030 de R$ 1.640.119,72 recolhido em 29/10/2010. Alega que o não reconhecimento do indébito ocorreu pelo simples fato de o Contribuinte ter apresentado apenas a Retificadora da DCTF. Entendeu o Contribuinte que naquela oportunidade a base de dados da Receita Federal do Brasil sobre todas as operações financeiras fiscais e contábeis seriam suficientes para a homologação requerida. Alega também que o indeferimento anterior, por aquela Egrégia Delegacia, não tiraria do Recorrente o direito constitucional do indébito, o qual agora requer através de todos os documentos acostados ao presente recurso. Requereu a juntada de demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis cabíveis para suportar esse demonstrativo Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, Razão das contas do período envolvido, DIPJ do exercício base de 2010 e o DARF de recolhimento do valor a maior que o devido. Por fim, requer a homologação da PER/DCOMP apresentada nos seus exatos termos e valores, bem como seja procedido a compensação do débito informado na DCTF. Esse o Relatório." Em busca da verdade material, os membros desta Turma, por meio da Resolução nº 1301000.329, de 07/04/2016, converteram o julgamento em diligência para que a unidade de origem apreciasse os documentos anexados aos autos no recurso voluntário e, à luz da citada Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.461 S1C3T1 Fl. 188 3 nova documentação anexada aos autos, confirmasse se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e avaliasse a existência do crédito. No relatório de diligência anexado às fls. 177 e 178, a autoridade fiscal reconheceu a existência de pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 183.160,60, referente ao DARF pago em 29/10/10. É o relatório. VOTO Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. O contribuinte protocolizou, em 20/01/2012, PER/DCOMP para compensar débitos de IRPJ do 4º trim/2011, no valor de R$ 102.772,00, de CSLL do 4º trim/2011, no valor de R$ 93.221,30 e de PIS de dezembro/2011, no valor de R$ 12.406,83, com crédito de IRPJ do mês 09/2010, no valor de R$ 183.160,60 relativo ao DARF pago em 29/10/2010, no valor de R$ 1.640.119,72. O despacho decisório indeferiu o pleito da contribuinte, sob o fundamento de que o crédito pleiteado havia sido utilizado para pagamento de outros débitos do contribuinte não restando crédito disponível para compensação. Cientificado do Despacho Decisório o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando ter transmitido DCTF retificadora para comprovar o crédito pleiteado e que o valor informado no PER/DCOMP seria suficiente para a compensação do débito declarado. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deveria existir já na data da transmissão da DCOMP, porém a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do direito creditório. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente requereu a homologação do PER/DCOMP e anexou o demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis cabíveis para suportar esse demonstrativo Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, Razão das contas do período envolvido, DIPJ do exercício base de 2010 e o DARF de recolhimento do valor a maior que o devido. Na sessão realizada em 07/04/2016, esta Turma converteu o julgamento do processo em diligência, por meio da Resolução nº 1301000.329, nos seguintes termos: "Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados memória de cálculo do IRPJ devido, Livros de saída, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. Pois bem. Apesar do minucioso exame do caso já realizado pelas autoridades fiscais, que reconheceram o que se podia reconhecer, no tocante a créditos da Recorrente para serem compensados, há que se buscar sempre a verdade material. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.461 S1C3T1 Fl. 189 4 O contribuinte recorrente, em seu recurso fls e25, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 24091.97594.2001.12.1.3.048030, processo administrativo n. 10860.902336/201284 (devido R$ 1.456.959,12 e recolhido R$ 1.640.119,72). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior." No relatório de diligência anexado às fls. 177 e 178, a autoridade fiscal concluiu pela existência de pagamento a maior de IRPJ do mês de 09/2010, passível de restituição, no valor de R$ 183.160,60. Assim consta do referido relatório: "O indeferimento inicial do crédito ocorreu com base no processamento de informações disponíveis nas declarações originais transmitidas pelo interessado. Declarações retificadoras foram apresentadas posteriormente, gerando novos dados a serem apreciados na fase recursal. Em DCTF, foi confessado débito de IRPJ, código de receita 2089, período de apuração 3º trimestre de 2010, ao valor de R$ 1.456.959,12 (fl. 152). A Ficha 14A – Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido, Linha 34, da DIPJ, apresentou o mesmo montante de imposto de renda devido para o 3º trimestre de 2010 (fl. 158). O registro do DARF, origem do crédito indicado no Per/dcomp nº 24091.97549.200112.1.3.048030, possui valor total de R$ 1.640.119,72, tendo R$ 1.456.959,12 alocado ao débito confessado em DCTF e R$ 183.160,60 reservado ao presente processo (fls. 175 e 176). Este último valor coincide com o crédito original solicitado. Portanto, de acordo com as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, houve recolhimento a maior, o que consubstancia crédito passível de restituição ou compensação ao valor original de R$ 183.160,60 (cento e oitenta e três mil, cento e sessenta reais e sessenta centavos)." Importante observar que a Resolução havia determinado à autoridade fiscal que examinasse, "à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito". Todavia, no relatório da diligência realizada, a autoridade fiscal não faz qualquer referência à análise dos documentos anexados ao recurso voluntário, quais sejam: (i) demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido, (ii) Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, (iii) Razão das contas do período envolvido, (iv) DIPJ do exercício base de 2010. Ao contrário, conclui a fiscalização que, de Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10860.902336/201284 Resolução nº 1301000.461 S1C3T1 Fl. 190 5 acordo com as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, houve recolhimento a maior, o que consubstancia crédito passível de restituição ou compensação ao valor original de R$ 183.160,60 (cento e oitenta e três mil, cento e sessenta reais e sessenta centavos). Dessa forma, proponho, a conversão do julgamento, novamente, em nova diligência, para que, após a análise dos documentos acostados aos autos às fls. 37 a 140, bem assim, a outros que entenda necessário, a autoridade fiscal elabore relatório fiscal conclusivo sobre da existência ou não de valor recolhido a maior e informe o valor disponível para compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência . (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900008/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO.
Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos.
Numero da decisão: 1402-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 16798.03514.301203.1.3.04-9370; bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella:
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO. Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 16798.03514.301203.1.3.049370; bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella: (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 08 /2 00 8- 36 Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 332 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 333 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 26 de junho de 2009 (fls. 111/114)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação pleiteada (nº de rastreamento 745564876 – 14/02/2008 fls. 4) e PER/DCOMP nº 16798.03514.301203.1.3.04 9370 (fls. 3), referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 334 4 Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6/7 numeração manual) onde pontuou ser “tributada pelo Lucro Real, com base no Balanço Geral Anual”; que, “levanta mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar”; que, “tratase de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP”; e que, “como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado”. E segue assentando que “só está obrigado a apresentar o PER/DCOMP o contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão”; e que, “no caso deste contribuinte tratase simplesmente de dedução e não crédito contra a SRF a ser restituído, ressarcido ou compensado”. E conclui aduzindo que se está diante de “PER/DCOMP vazio” e que, “todo imposto devido em cada período de apuração foi pago conforme comprovam as guias de pagamento e documentos anexos”. Apreciando a MI, a 5ª Turma da DRJ/RPO negou o pedido, pontuando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Textualmente: “Nesse contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo de CSLL, são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Registrese que a contribuinte deve vincular, em sua escrita contábil/fiscal, o recolhimento visando quitar obrigação tributária a uma certa apuração, que constitua sua causa (fato gerador), demonstrando a regular composição da respectiva base de cálculo tributável. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com essa intenção, limitandose tão somente a apresentar cópias de documentos de arrecadação, os quais se mostram, por si só, insuficientes a dar respaldo a suas alegações”. O Acórdão combatido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Solicitação Indeferida Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 335 5 Cientificada em 13/10/2009 (fls. 106 ibidem), a contribuinte acostou recurso voluntário em 09/11/2009 (fls. 107 idem) no qual basicamente repetiu os argumentos expostos na impugnação inaugural, acrescentando que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Além disso, anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos e, ao final, tornou a pedir que se constate a inexistência do débito. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.033, de 31/03/2011 – fls. 186/188) em manifestação vazada nos seguintes termos: “Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado sob o código 2484 relativo à CSLL, com vencimento em 30 de dezembro de 2003, em razão dos comprovantes de pagamento trazidos à colação. A identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, assim como a guia DARF colacionada constituem fortes indícios de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente ao período”. Cumprida a diligência, com a Informação Fiscal de 04/05/2016 (fls. 315/316), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 336 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 13/10/2009 e protocolização da peça recursal em 09/11/2009), a representação do contribuinte está corretamente formalizada e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar. Passo ao mérito. Na verdade, diante do que foi relatado, o que se discute nestes autos não é o improvimento do pedido de compensação, já que o próprio recorrente reconhece, explicitamente, ter cometido equívoco na transmissão do PER/DCOMP nº 16798.03514.301203.1.3.049370, referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003, MAS se o DÉBITO informado na compensação pode ser cancelado nesta fase processual. Em outro dizer, não há compensação em litígio, resumindose a lide em discutir o pedido de cancelamento do débito informado na compensação. Foi neste contexto que a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul analisou e converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.033, de 31/03/2011 – fls. 186/188), tendo a Relatoria original já se manifestado, previamente, no sentido de que “a identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, assim como a guia DARF colacionada constituem fortes indícios de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente ao período”. Na Informação Fiscal (fls. 315/316), o autor do procedimento de diligência, conclusivamente, assentou que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no ano calendário de 2003 foram efetivamente pagos, de modo que seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados, constatação que se fez à vista da escrita contábil e fiscal e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. A Informação Fiscal supra mostra o cenário: “Os resultados contábeis dispostos no LALUR foram confrontados com a contabilidade, notadamente com os balancetes mensais que integram o Livro Diário, e as exclusões ao Lucro Real foram verificadas neste mesmo livro (foram incluídas no processo as contas de resultado dos balancetes). Deste procedimento, foi possível concluir que os valores do IRPJ e da CSLL por estimativa devidos no decorrer do anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal, são os seguintes: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 337 7 Estes valores, por sinal, estão grafados nas contas “I.R.P.J S/ LUCRO REAL” e “CONTR. SOCIAL S/ LUCRO REAL” do Livro Razão. Há pagamentos correspondentes, conforme atestam telas extraídas dos sistemas da RFB. Os montantes informados em DCTF são incongruentes com a escrita contábil e fiscal, em sintonia com os equívocos cometidos como informa, aliás, o próprio contribuinte na sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário ao CARF. Assim, pelo exposto, em atendimento à demanda do CARF, concluo que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, são aqueles dispostos na “Tabela 2” acima, para os quais existem pagamentos correspondentes. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP que geraram os processos administrativos de nos. 10855.900002/200869, 10855.900005/200801, 10855.900006/200847, 10855.900008/200836, 10855.900015/200838, 10855.900017/200827, 10855.900019/200816, 10855.900025/200873, 10855.900029/200851, 10855.900030/200886, 10855.900035/200817, 10855.900040/200811 e 10855.900041/200866”. (negritado). Em suma, a diligência determinada confirmou e atestou, à vista da escrituração e documentos acostados pelo recorrente, que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo os do presente. Nesse eito, considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa, o que se revela absolutamente desconexo e inoportuno. Demais disso e adicionalmente este Relator compulsou o processo e confirmou que os valores apontados pelo recorrente e atestados pela diligência têm coerência com os registros contábeis e fiscais e consistência com a DIPJ e DARF acostados aos autos. Vejase (CSLL devida por estimativa – novembro/2003): Ø DIPJ Ficha 16 – linha 10 (fls. 59): Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 338 8 Ø Livro Razão (fls. 282): Ø Lalur (fls. 154 – numeração manual): Ø DARF recolhido (fls. 170 – numeração manual): Nesse patamar, a posição defendida pelo recorrente se robustece. Entretanto, antes de finalizar este voto é preciso enfrentar posicionamento dos que entendem que o cancelamento ou retificação de PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte exige a apresentação desse pedido [de cancelamento] antes da decisão administrativa sobre a homologação. Essa a linha defendida inclusive pela D. PGFN em alguns dos vários processos2 anteriores envolvendo o próprio recorrente, tratando da mesma matéria, e que, após 2 Processos nºs 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/200815, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 339 9 procedimento de diligência semelhante ao aqui estampado, foram decididos favoravelmente ao sujeito passivo. Esse cenário se mostra presente, por exemplo, no PA nº 10855.900742/200803, tendo a Fazenda Nacional se insurgido contra a decisão do Colegiado (especificamente a 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul) interpondo Recurso Especial (admitido e ainda aguardando apreciação pela E. CSRF) e no qual a PGFN sustentou, depois de acostar decisões divergentes, que a Lei nº 9.430/1996 e a IN RFB nº 900, de 2008, definem haver previsão legal para o cancelamento da PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte, porém desde que o procedimento ocorra antes do Despacho Decisório. Literalmente, a manifestação da PGFN em RE manejado no mencionado processo (fls. 507, daqueles autos): “Esta lógica do sistema também vem disposta no art. 77 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008: “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”. (g.n) No presente caso, o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 24/04/2008 e apresentou manifestação de inconformidade pretendendo o cancelamento da compensação do débito de IRPJ em 20/05/2008. Dessa forma, se for cancelada a declaração de compensação na forma como está nos autos, haverá flagrante violação ao princípio da isonomia, pois de todos os demais contribuintes é exigida obediência ao procedimento constante da legislação, não existindo qualquer justificativa que autorize abrir exceção para a recorrida”. De fato, a leitura literal e formalista dos textos citados pode levar à posição assumida pela PGFN. Entretanto, no caso concreto, TODOS os documentos e a situação fática estampada revelam tratarse de evidente erro do contribuinte na elaboração e transmissão do PER/DCOMP, gerando, a princípio, uma compensação que, por falta de crédito correspondente que a suportasse, acabou por ser não homologada, levando ao nascimento de uma obrigação tributária contra o sujeito passivo em face da natureza de “confissão de dívida” de que se reveste a DCOMP. Pois bem, é evidente que quaisquer trabalhos, manuais, científicos, técnicos, burocráticos, etc., exercidos por seres humanos, sujeitamse a “erros”, consequência natural da falibilidade que é inerente à espécie, de modo que, não aceitar que possam ser corrigidos significaria absoluto despropósito, desde que obedecidas as regras e normas que definam como estas correções se processem. No âmbito do direito administrativofiscal federal envolvendo as “declarações de compensações”, matéria ainda muito longe de ter seu procedimento devidamente pacificado e consolidado, bastando ver as inúmeras decisões e regramentos que tratam do tema, temse que, por ser confissão de dívida, as DCOMP não homologadas devem ser retificadas, alteradas, corrigidas até o momento em que exarado o Despacho Decisório Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 340 10 (DD) pela autoridade competente para apreciar o pedido, no caso, o titular da Unidade de origem (DRF), havendo, inclusive, a possibilidade de que o contribuinte, ANTES do DD, regularize eventuais pendências na DCOMP, na forma prevista pela Nota Corec nº 30, de 2013. Porém, no caso concreto, NÃO ESTÁ em julgamento um eventual direito creditório do contribuinte que tenha sido indeferido, MAS, um débito tributário surgido pela não homologação da compensação, PORÉM JÁ SATISFEITO, digase, extinto. Dizendo de forma diversa e como bem apontado pelo Acórdão nº 1102 001.270, da então 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Sejul, sessão de 27/11/2014 – Processo nº 10855.900742/200803 em face do mesmo contribuinte, com voto condutor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio: “Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. (...) Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação”. Acórdão com a seguinte ementa: Em suma, naquele processo, como neste, NÃO HÁ DÉBITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO em litígio, mas mera informação equivocada do recorrente que, mesmo não tendo seguido a rigidez formal de requerer a retificação ou mesmo o cancelamento da DCOMP antes do Despacho Decisório, só o fazendo a posterior, não pode ser penalizado com o prosseguimento de um feito que poderá levar ao extremo de uma execução fiscal, SEM QUE HAJA DÉBITO DE TRIBUTO, posto que já recolhido.. A propósito, a própria Administração Tributária Federal, mediante Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, enfrentou o tema com a seguinte posição conclusiva (destaques acrescidos): Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 341 11 46. Tratase, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. 47. Para que o débito em cobrança amigável, ou enviado para inscrição, possa ser revisto, tornase necessário que o despacho decisório anteriormente proferido seja revisto. Aplicável, aqui, por analogia (uma vez que inexiste, no caso, ato de lançamento da autoridade fiscal) o inciso VIII do art. 149 do CTN, limitada à hipótese de comprovação pelo contribuinte de erro de fato no preenchimento da declaração, haja vista o disposto na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 12 de maio de 1999. 48. Consoante a citada portaria, qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato. 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dáse quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. 51. Extraise do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa. Ora, se é admitida “petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado”, quanto mais lógico que isso seja possível, enquanto AINDA NÃO CONCLUÍDO o contencioso administrativo (caso dos autos). Mais a mais, não se perca o foco, o contribuinte – inequivocamente – comprovou o erro de fato havido no preenchimento da DCOMP, comprovação feita mediante os livros, registros e documentos por ele apresentados e devidamente conferidos e atestados pela autoridade fiscal que presidiu a diligência determinada pelo CARF. Assim, por tudo o que se expôs, respeitando a posição divergente assumida pelos que, como a PGFN no processo antes referido (nº 10855.900742/200803), defendem Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 342 12 que retificações em DCOMP devem ser feitas preteritamente à edição do Despacho Decisório, penso que, neste caso específico, por se tratar de mero – e comprovado –erro de fato e, principalmente, por ter sido devidamente satisfeito o débito tributário surgido pela não homologação da compensação, ou seja, NÃO HÁ CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DISCUSSÃO OU COBRANÇA, a restrição invocada não se aplica, até em face do informalismo e verdade material que devem nortear o processo administrativofiscal. Mais ainda, o improvimento do recurso aqui analisado, comprovada a inexistência de valor em litígio, além de pelejar contra o princípio da celeridade processual prevista na Carta Constitucional (art. 5º, LXXVIII), poderá levar ao absurdo de ser emitida CDA e consequente execução fiscal contra débito não existente. Por fim, mas não menos relevante, destaco que o DARF acostado mostra código de recolhimento 2484 “CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL”, referese à estimativa do mês de novembro de 2003 e está confirmado junto ao banco de dados da RFB, conforme atesta o próprio agente diligenciador em extrato juntado (fls. 294): Mais ainda, por pertinente, registrese que mencionado valor foi declarado em DCTF (extrato juntado na diligência – fls. 289), de forma que os sistemas internos da RFB já devem apontar para sua vinculação e devida alocação com o recolhimento efetuado pelo contribuinte: Nestas condições, por tudo o que consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)3 e nos documentos com ela juntados, mostrase impraticável e despropositado dar prosseguimento à cobrança do referido débito, pelo que encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o CANCELAMENTO do PER/DCOMP nº 16798.03514.301203.1.3.049370 fls. 3 dos autos , referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003, bem como TODOS OS SEUS EFEITOS. É como voto. 3 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10855.900008/200836 Acórdão n.º 1402002.802 S1C4T2 Fl. 343 13 Brasília (DF), em 19 de outubro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723334/2012-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2009, 2011
DEDUÇÕES INEXISTENTES. DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, em dois anos-calendário, de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas, de instrução e de previdência privada, sem a apresentação de qualquer documento comprobatório e que a própria Contribuinte confessa serem inexistentes.
Numero da decisão: 9202-006.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. REITERAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, em dois anoscalendário, de deduções indevidas de dependentes, despesas médicas, de instrução e de previdência privada, sem a apresentação de qualquer documento comprobatório e que a própria Contribuinte confessa serem inexistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 33 34 /2 01 2- 19 Fl. 387DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente recurso, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de previdência privada, de despesas médicas e com instrução, nos anos calendário de 2007 e 2009, sendo que no anocalendário de 2007 houve também dedução indevida de dependentes, conforme Auto de Infração de fls. 187 a 206. Em sessão plenária de 20/01/2015, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2202002.952 (fls. 307 a 315), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 MULTA DE MULTA QUALIFICADA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária em de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido em parte" A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%." O processo foi encaminhado à PGFN em 05/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 316) e, em 10/03/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 317 a 328 (Despacho de Encaminhamento de fls. 338), com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho s/n de 05/02/2016 (fls. 339 a 342). Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13888.723334/201219 Acórdão n.º 9202006.020 CSRFT2 Fl. 388 3 Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: conforme o Relatório Fiscal (fls. 176 a 184), a Contribuinte, regularmente intimada e reintimada, não logrou comprovar, por meio de documentação hábil, ter direito às deduções declaradas, tampouco haver arcado com as despesas atinentes, registradas como dedutíveis, nas Declarações de Ajuste Anual em questão; em relação às deduções pleiteadas e não comprovadas, foram realizadas diligências junto aos prestadores de serviços informados como beneficiários de pagamentos declarados como dedutíveis; a seguir, a Contribuinte foi regularmente cientificada em 24/08/2012, por meio do Termo de Intimação nº 2 (às fls. 152 a 168), sobre o procedimento fiscal adotado e intimada a apresentar informações em relação aos serviços e pagamentos de despesas, que não foram confirmados pelos prestadores diligenciados; assim, comprovouse por meio de diligências que a autuada efetuou deduções indevidas de valores atribuídos a despesas, cujas ocorrências não logrou comprovar, resultando na redução da base de cálculo de Imposto de Renda devido e na consequente diminuição de imposto a pagar ou aumento de restituição; a fiscalização glosou as deduções de despesas médicas, despesas de instrução e as contribuições à previdência privada não comprovadas, bem como a dedução de dependentes, cuja relação de dependência não foi corroborada por meio de documentos hábeis; embora na defesa formulada seja evocada a necessidade de contratar profissional para confeccionar as Declarações de IRPF, cabe observar que a elaboração de declaração de ajuste anual da pessoa física não exige conhecimento de regras tributárias complexas e tampouco de informações contábeis minuciosas, devendo a contribuinte informar os rendimentos tributáveis havidos durante o anocalendário, as retenções de Imposto de Renda atinentes efetuadas pelas fontes pagadoras, os recolhimentos a título de Recolhimento Complementar ou CarnêLeão porventura ocorridos, bem como lhe é facultado registrar as informações sobre despesas dedutíveis próprias e de seus dependentes, devidamente comprovadas por documentos hábeis, conforme determina a legislação vigente; as informações de prestadores de serviços e as significativas e continuadas deduções indevidas da base de cálculo do imposto são elementos suficientes para caracterizar a intenção e conhecimento do contribuinte sobre seus atos, portanto mantémse a multa de ofício qualificada, aplicada pela fiscalização; concluindo, não há como dizer que houve mera omissão de receitas, sendo portando inaplicável ao caso em tela a Súmula nº 14 do CARF, que admite a desqualificação da multa de ofício em tal hipótese. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja restabelecida a qualificação da multa de ofício. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 25/02/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. 345), a Contribuinte, em 07/03/2016, ofereceu as Contrarrazões de fls. 347 a 358 e interpôs o Recurso Especial de fls. 359 a 370. Fl. 389DF CARF MF 4 Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta, em síntese: inicialmente, não há permissivas legais que autorizem a incidência de multa, de nenhuma espécie, porquanto a própria apuração de suposta omissão de receita ou de rendimentos não foi provada, consequentemente, sequer multa de ofício, digase, independentemente de qualquer percentual a ser imposta, mesmo que reduzida; ao contrário, à guisa do quanto consta no procedimento fiscalizatório administrativo federal, alertese, a partir das informações precisas da contribuinte, irrefutavelmente comprovadas pela própria Administração fazendária (fls. 55 a 68 e 60 a 87; fls. 152 a 167; 168, 88 a 149; fls. 169 a 175); até porque, como se vislumbra das próprias folhas acima citadas, não restou provado o intuito de fraude, conluio, sonegação e afins, do sujeito passivo, logo, a impossibilidade legal de enquadramento pretendido pela Fazenda Nacional é irreversível; quanto às retificações após o início do procedimento de fiscalização administrativa não serem aceitas, é exclusivamente de responsabilidade afeta a administração, completamente divorciada do Direito da contribuinte, se não na fase administrativa, certamente na contenciosa judicial tributária será diferente, eis que patente questão de ordem pública, diga se, que dispensa dilação probatória, a qual deveria primar nesta fase administrativa; se a Contribuinte "municiou" a fase fiscalizatória com todas as informações, que foram documentalmente constatadas e provadas, também pela própria fiscalização, como se infere das fls. 55 a 68 e 60 a 87; fls. 152 a 167; 168; 88 a 149; fls. 169 a 175, provado está a não incidência de multa qualificada, porque inexistiu fato gerador, e por isso, infração tributária; totalmente equivocado o lançamento de oficio, por não caracterizar, em momento algum, como se verifica das fls. 55 a 68 e 60 a 87; fls. 152 a 167; 168; 88 a 149; fls. 169 a 175, qualquer descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, logo, as obrigações acessórias; a autoridade fiscalizatória assim entendeu e "surpreendeu" com seu equívoco, e bem assim a Fazenda Nacional, à luz do constante de fls. 184, reiterese, completamente imotivada e sem respaldo legal para a manutenção de multa de ofício, ou seu procedimento; desta forma, patente a ilegalidade arbitrada em percentual de 150%, e nem mesmo de 75%, a qual deve ser cancelada e não incidente em nenhum percentual como de direito a contribuinte, pois não houve falta de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, ou declaração inexata, a teor dos fatos documentalmente probatórios as fls. 55 a 68 e 60 a 87; fls. 152 a 167; 168; 88 a 149; fls. 169 a 175; assim, não há divergência correlacionada com os fatos e provas documentais do procedimento fiscalizatório, sendo correta a manutenção do acórdão em desqualificar a multa; não presentes os casos definidos nos artigos 71 ao 73, da Lei nº 4.502, de 1964, e no mais, a caracterização de simples omissão de rendimentos, porém não com o intuito de fraude, nos termos do inciso II, do art. 992, do RIR, aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 1994, portanto, injustificável a manutenção de multa qualificada de 150% (fls. 312 a 315). Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13888.723334/201219 Acórdão n.º 9202006.020 CSRFT2 Fl. 389 5 Ao final, a Contribuinte requer o não conhecimento e não provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ao Recurso Especial da Contribuinte foi negado seguimento, conforme despacho de 15/03/2016 (fls. 375/376), cientificado ao Recorrente, conforme AR Aviso de Recebimento de fls. 382. Às fls. 386 consta informação da ARF em Rio Claro/SP, no sentido de que a Contribuinte "parcelou a parte devedora". Nesse passo, o processo foi restituído ao CARF para julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente recurso, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de previdência privada, de despesas médicas e com instrução, nos anos calendário de 2007 e 2009, sendo que no anocalendário de 2007 houve também dedução indevida de dependentes, conforme Auto de Infração de fls. 187 a 206. No acórdão recorrido dequalificouse a multa de ofício, que foi reduzida ao percentual de 75%. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede o restabelecimento da qualificadora. O Relatório Fiscal de fls. 176 a 186 assim registra, relativamente à aplicação da multa qualificada: "No caso em tela, através de diligências, ficou comprovado que o Autuado fez incluir em suas Declarações de Ajuste Anual valores de dedução que nunca existiram, importando em redução do imposto efetivamente devido. Restou claro que alguns dos beneficiários de pagamento não receberam os valores por ele declarado. O contribuinte utilizouse desse procedimento para obter benefício de diminuir o imposto devido ou aumentar sua restituição. Assim, não há como considerar involuntária a conduta do contribuinte, o que torna perfeitamente aplicável a multa qualificada, prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996, para essas deduções, pois está demonstrado o evidente intuito de fraude." Ademais, a própria Contribuinte informou desconhecer as pessoas Fábio César Volpato e Maria Clara Volpato, que foram declarados como seus dependentes. Afirmou também que desconhecia e/ou não fez uso das deduções listadas na planilha anexa ao Termo de Intimação nº 1 (fls. 49 a 51). Questionada sobre os prestadores de serviços, informados em suas declarações dos anoscalendário fiscalizados e cujas despesas declaradas como dedutíveis não foram comprovadas por meio de documentação hábil, a Contribuinte respondeu também que desconhecia as instituições e pessoas físicas e/ou jurídicas, que nunca fez uso e não conhece as Fl. 391DF CARF MF 6 suas localizações, que as despesas apontadas não são suas, bem como não tem como explicá las, pois o contador que elaborou as declarações faleceu em 2010 (fls. 169 a 175). A multa qualificada de 150%, por sua vez, é aplicável, conforme determina o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, quando se caracteriza uma das hipóteses definidas nos artigos 71,72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, a seguir transcritos: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Com efeito, a utilização, por parte da Contribuinte, em dois anoscalendário, de deduções indevidas, sem qualquer comprovação, que ela própria reconhece que os respectivos gastos não foram efetuados, não deixa dúvidas sobre o intuito doloso, no sentido de, utilizandose de pagamentos inexistentes, reduzir a base de cálculo e, consequentemente, aumentar indevidamente a restituição do Imposto de Renda, conduta esta que não pode ser admitida. Registrese que o agente possui responsabilidade objetiva sobre o Imposto de Renda devido. Ademais, as explicações trazidas em suas peças de defesa são destituídas de provas e de forma alguma logram afastar a conduta dolosa de sua parte. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 392DF CARF MF
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