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Numero do processo: 17460.000393/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma.
Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO.
Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN.
Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-004.064, de 16/07/2014, registrar que a Turma decidiu pela decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir, na ementa, os períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendo-se os demais temas do dispositivo.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, João Bellini Júnior e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO. Aplica-se o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado. Embargos Acolhidos.
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. CONTRADIÇÃO. PROVIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Em se verificando a contradição interna no acórdão lançado, voto e conclusão, consoante o dispositivo e ementa, devem ser acolhidos os embargos de declaração com efeitos infringentes, a fim de que se possa trazer claridade ao julgado, mesmo que com isso contenha efeito modificativos da decisão, pois presentes os requisitos admitidos em direito para o seu acolhimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º, DO CTN. PERÍODO DEVIDO. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Hipóteses essas que afastam a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Assim, deve ser registrado o período adequado decaído com base na aplicação dos dispositivos citados, não devendo ultrapassar, por lógica, período e competência não abrangida pela decadência, tendo o prazo quinquenal do art. 173, inciso I, do CTN, observado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 03 93 /2 00 7- 11 Fl. 3583DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301004.064, de 16/07/2014, registrar que a Turma decidiu pela decadência do poderdever de constituir o crédito tributário do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir, na ementa, os períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendose os demais temas do dispositivo. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, João Bellini Júnior e Marcelo Freitas de Souza Costa. Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Fazenda Nacional contra Acórdão de Recurso Voluntário e de Ofício, chancelado pelo n.º 2301004.064, proferido em 16 de julho de 2014, pelo colegiado da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de julgamento, que negou provimento ao recurso de ofício e parcial provimento ao voluntário, contendo a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1999 a 31/03/2003 DECADÊNCIA. SUMULA VINCULANTE Nº 08. PRAZO QUINQUENAL DOS ARTIGOS 173, INCISO I E 150, § 4º DO CTN. Aplicase o prazo do artigo 173, I, do CTN na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA. VEDAÇÃO. NECESSIDADE DE APROVEITAMENTO DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS. Se a fiscalização constata que formalmente há duas empresas, mas que substancialmente há apenas uma, na apuração das contribuições devidas por esta considerando o novo enquadramento devem ser levantados todos os fatos geradores ocorridos e, não havendo vedação legal, devem ser aproveitados os recolhimentos efetuados, sob pena de haver enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. ENQUADRAMENTO. AGROINDÚSTRIA. A agroindústria, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, deve recolher as contribuições previdenciárias incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Fl. 3584DF CARF MF Processo nº 17460.000393/200711 Acórdão n.º 2301005.483 S2C3T1 Fl. 3 3 SIMULAÇÃO. PROVA. A aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta, dáse simulação. O fisco comprovou a criação de uma empresa com objetivo de separar operações de produção rural e, assim, modificar o correto enquadramento fiscal da empresa autuada. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte". A Fazenda Nacional opõe embargos de declaração apontando contradição no acórdão proferido, onde transcrevo as principais motivações do referido embargos, segundo o despacho de admissibilidade: " Sustenta a embargante que há contradição no julgado, uma vez que o voto condutor ao negar provimento ao recurso de ofício, o qual devolvia matéria relativa à decadência, em que pese adotar a tese esposada na decisão recorrida, isto é, pela aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, concluiu pela decadência somente do mês de 12/2001. (...) Constatase pela decisão da DRJ, objeto de Recurso de Ofício, que, ao contrário do consignado no acórdão recorrido, reconheceuse a decadência parcial, mantendose o lançamento incólume a partir da competência 12/2001, inclusive, conforme se verifica do trecho seguir transcrito: Voltando agora à questão preliminar da decadência, concluo que foram trazidos pela fiscalização todos os elementos necessários para demonstrar a ocorrência de simulação, em perfeita correspondência com a figura prevista nos artigos 149, VII e 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Deste modo, há que ser operada a decadência contandose o prazo de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I da citada Lei Complementar. Como o crédito tributário foi constituído em 30/03/2007, isso significa reconhecer a improcedência do lançamento relativamente ao período que vai de 05/1997 a 11/2001, mais a competência 13/2001. Oportuno esclarecer que como a obrigação de pagar as contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos em dezembro vencem apenas em janeiro do ano seguinte, o crédito constituído relativo à competência 12/2001 não foi alcançado pela decadência. Assim, salvo melhor juízo, se a decisão da DRJ foi mantida por este Colegiado, deverseia reconhecer a decadência para o período Fl. 3585DF CARF MF 4 anterior a dezembro de 2001, e não para reconhecer a decadência somente do mês de 12/2001. Outrossim, por oportuno, salientase que os períodos de apuração indicados na ementa e no Relatório do voto condutor, são diversos, podendo ser corrigidos, quando da retificação da contradição apontada nestes Embargos de Declaração, a fim de que seu conteúdo reste completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para eventual interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Por fim, pede a embargante seja reconhecido e seja dado provimento ao recurso para sanar os vícios contidos por contradição. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator Os embargos são tempestivos. Portanto, dele conheço. Passo a analisar o mérito. Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Como se sabe, “a contradição que autoriza o acolhimento dos aclaratórios é aquela interna, havida entre a fundamentação e o dispositivo ou entre fragmentos da decisão embargada, e não o descompasso entre a conclusão adotada pelo Tribunal e o entendimento apresentado pela parte” (Inq. 4106 ED, Rel. Min. Alexandre de Moraes, 2ª Turma, DJ 19/02/2018). Fl. 3586DF CARF MF Processo nº 17460.000393/200711 Acórdão n.º 2301005.483 S2C3T1 Fl. 4 5 Nesse sentido, o motivo específico dos embargos foi quanto ao período que a Turma entendeu ter ocorrido a decadência. No voto do relator consta "somente a decadência de 12/2001", cujo instituto (decadência) também teria sido reconhecida pela DRJ de origem. Já a embargante alega que o período estaria equivocado, e que teria ficado de fora a competência de novembro de 2001, pois ao declarar a decadência, inclusive nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, deveria ter sido determinado o período anterior e não para a competência de dezembro como votou o relator, já que o período de apuração do auto de infração é de 11/2001 a 07/2006, e o crédito fiscal teria sido constituído em 30/03/2007. Nesse sentido, a regra aplicável ao presente caso é a do art. 173, inciso I, do CTN. Isso porque, conforme consta do relatório fiscal e do voto da DRJ de origem, bem como do voto proferido por este Conselho, a contribuinte teria pago as parcelas referente ao tributo no período autuado, sendo, contudo, constado simulação, o que afastaria a incidência do disposto no art. 156, parágrafo 4º, do CNT, onde o prazo decadencial ocorreria em a partir do fato gerador de cada competência. Superada a questão, resta então saber quando a contribuinte teria sido intimada do auto de infração. Para isso, verificase que o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF com a ciência do diretor da empresa ocorreu em 30.03.2007, conforme se constata da fl. 90 do eprocesso. Com a aplicação do dispositivo proferido em Acórdão de julgamento em segunda instância, houve a decadência somente da competência de 11.2001 e não a de 12.2001. Como pode se verificar do voto proferido pelo relator de primeira instância nas fls. 3.517 e seguintes do eprocesso, a decadência acolhida foi justamente para o período ratificado em segunda instância, sendo, contudo, com possível erro no registro do voto. Inclusive, podese notar uma interpretação no sentido de que o relator ad quem ao proferir o voto teria intenção de colocar a decadência de novembro de 2001, e não de dezembro de 2001, uma vez que a décima terceira parcela também não foi citada no seu voto como acolhida, sobre o prisma da decadência. Cabe destacar que a discussão sobre a aplicação dos dispositivos do CTN, 173 ou 156 do CTN estariam preclusas e já decididas, uma vez que consta como coisa julgada pelo colegiado, não cabendo mais discussão sobre o tema, ao menos perante essa Turma. Por fim, cabe mencionar que, como identificado pela embargante, há também erro na ementa quanto ao período de apuração transcrito e registrado, onde constam as competências de 01/10/1999 a 31/03/2003, quando na verdade, como já dito, o período de apuração do auto de infração é de 11/2001 a 07/2006, após as retificações em primeira instância e demais andamentos processuais, uma vez que o auto teria discuto competências anteriores. Assim, os embargos devem ser acolhidos para sanar os vícios apontados em recurso, trazendo assim maior clareza ao julgado proferido. CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por DAR PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para sanar os vícios Fl. 3587DF CARF MF 6 contidos de erro material no Acórdão de n.º 2301004.064, proferido em 16 de julho de 2014, para constar que a Turma decidiu pelo reconhecimento da decadência do período de competência exclusivamente de novembro de 2001, e não de dezembro 2001, bem como para corrigir na ementa referente aos períodos registrados para 11/2001 a 07/2006, a qual passa a integrar a decisão anterior, mantendose os demais temas do dispositivo. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 3588DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721845/2011-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 18 45 /2 01 1- 77 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 452DF CARF MF Processo nº 11080.721845/201177 Acórdão n.º 9202006.918 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912293/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 93 /2 01 2- 89 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912293/201289 Acórdão n.º 3201003.821 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.666, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912293/201289 Acórdão n.º 3201003.821 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912293/201289 Acórdão n.º 3201003.821 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912293/201289 Acórdão n.º 3201003.821 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660347/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.749
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 47 /2 01 2- 43 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660347/201243 Acórdão n.º 3401004.749 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928624/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 24 /2 00 9- 11 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.928624/200911 Acórdão n.º 1401002.596 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de CSLL devida por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.928624/200911 Acórdão n.º 1401002.596 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, do período de apuração de 30/11/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.928624/200911 Acórdão n.º 1401002.596 S1C4T1 Fl. 5 4 conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11080.928624/200911 Acórdão n.º 1401002.596 S1C4T1 Fl. 6 5 Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000184/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000184/200997 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.388 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 84 /2 00 9- 97 Fl. 2967DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10932.000184/200997 Acórdão n.º 2202004.388 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 2969DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 10932.000184/200997 Acórdão n.º 2202004.388 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 2971DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 10932.000184/200997 Acórdão n.º 2202004.388 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 2973DF CARF MF
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Numero do processo: 13827.000741/2002-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e, em regra, as cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES PIS/COFINS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e, em regra, as cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 07 41 /2 00 2- 99 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13827.000741/200299 Acórdão n.º 9303006.804 CSRFT3 Fl. 343 2 Relatório Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por contrariedade à lei em decisão não unânime (fls. 255 a 269), e pelo contribuinte, este de Divergência (fls. 283 a 294), contra acórdão 20313.725, proferido pela Terceira Câmara de Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 232 a 252), da seguinte forma (os grifos são meus): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1° da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas A COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN n° 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. AQUISIÇÕES. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o comprovado consumo, o desgaste ou a alteração do insumo, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em industrialização. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) pelo Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13827.000741/200299 Acórdão n.º 9303006.804 CSRFT3 Fl. 344 3 voto de qualidade, negouse provimento quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoas físicas ... Designado o Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais para redigir o voto vencedor; II) por maioria de votos, deuse provimento quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de cooperativas. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais; e III) por unanimidade de votos, negase provimento ao recurso quanto aos insumos que não sofrem desgaste direto com o produto produzido. Pelo que ainda será aduzido no meu Voto, cumpreme aqui transcrever o que está consignado, tanto ao final do Voto Vencido, como do Voto Vencedor do Acórdão recorrido: Voto Vencido (Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) “... voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto, revisando e reformando, conseqüentemente, o acórdão recorrido neste particular – aquisição de pessoas físicas nãocontribuintes do PIS e Cofins –, com a determinação de se homologar as compensações efetuadas”. Voto Vencedor (Conselheiro José Adão Vitorino de Moraes) “Dessa forma, não há que se falar em créditos presumidos de IPI decorrentes de PIS e Cofins nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, posto que não são contribuintes dessas contribuições”. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 272 e 273), a PGFN contesta a admissão, para fins de cálculo do Crédito Presumido de IPI, das aquisições realizadas pelo produtorexportador de cooperativas, não contribuintes PIS/Cofins – pedindo inclusive a nulidade do Acórdão na parte em que se haveria reconhecido “de ofício” estas aquisições, pois, no Recurso Voluntário, só teriam sido suscitadas aquelas de pessoas físicas. Já no seu Recurso Especial de Divergência, ao qual foi dado seguimento (fls. 322 e 323), o contribuinte contesta a não admissão na base de cálculo do benefício das aquisições de pessoas físicas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço dos Recursos Especiais. Fiz questão de transcrever não só a Ementa, mas também o Dispositivo do Acórdão recorrido e as conclusões finais a que se chegou nos Voto Vencido e Vencedor, para bem demonstrar que houve equívocos, provavelmente na sua formalização, pois: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13827.000741/200299 Acórdão n.º 9303006.804 CSRFT3 Fl. 345 4 1) Na Ementa dáse a entender que se acataram tanto as aquisições de pessoas físicas como de cooperativas; 2) No Dispositivo está expressamente dito que não se admitem as aquisições de pessoas físicas, mas acatamse as de cooperativas; 3) O Voto Vencedor não admite o crédito, tanto nas aquisições de pessoas físicas como de cooperativas. A PGFN tomou por base o Dispositivo, pois ataca somente a admissão das aquisições de cooperativas. O contribuinte, da mesma forma, “mirou” no Dispositivo, pois só tratou das aquisições de pessoas físicas. Mas, para o deslinde da questão, isto não traz qualquer dificuldade. O que interessa saber é se é admissível ou não a inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido, de aquisições do produtorexportador ao fornecedor (última etapa da cadeia produtiva) nas quais não houve incidência da contribuição. Se o fornecedor é produtor rural pessoa física, nunca haverá esta incidência. Se é pessoa jurídica, pode haver ou não (no caso das cooperativas, em regra, não há). Então, se é pessoa física ou cooperativa, pouco importa. A pergunta é: houve incidência ou não na aquisição ??? A Receita Federal, em suas normas reguladoras, entende que tem que haver incidência na última etapa da cadeia produtiva, ainda que haja contribuições “embutidas” nas etapas anteriores. Mas o STJ “elasteceu” esta interpretação, com efeito vinculante. Assim, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13827.000741/200299 Acórdão n.º 9303006.804 CSRFT3 Fl. 346 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13827.000741/200299 Acórdão n.º 9303006.804 CSRFT3 Fl. 347 6 Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e dar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720216/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LUCRO ARBITRADO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendo-se prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, devido a preclusão; e indeferir o pedido de julgamento conjunto com lançamentos realizados em SCPs em que a contribuinte figura como sócia ostensiva; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou, quanto ao mérito, pelas conclusões do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendo-se prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, devido a preclusão; e indeferir o pedido de julgamento conjunto com lançamentos realizados em SCPs em que a contribuinte figura como sócia ostensiva; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou, quanto ao mérito, pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 4.032 1 4.031 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.720216/201621 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.915 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente SOTER SOCIEDADE TÉCNICA DE ENGENHARIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendose prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 16 /2 01 6- 21 Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.033 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, devido a preclusão; e indeferir o pedido de julgamento conjunto com lançamentos realizados em SCPs em que a contribuinte figura como sócia ostensiva; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou, quanto ao mérito, pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 11 56.806, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (fls. 3.3532 a 3.625), cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. Na hipótese de o sujeito passivo ter antecipado pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, e de não ter sido comprovada a ocorrência de dolo, a contagem do prazo decadencial iniciase na data de ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, §4º do CTN. Demonstrada a prática dolosa, aplicase a regra contida no art. 173, I do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Por outro lado, na ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial segue a regra estabelecida no referido art. 173, I, do CTN. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAR A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU DETERMINAR O LUCRO REAL. O arbitramento do lucro é devido quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.034 3 imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou para determinar o lucro real. ARBITRAMENTO. INTIMAÇÃO PARA CORREÇÃO DA CONTABILIDADE. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO LEGAL. Não está prevista na legislação tributária condição de prévia intimação para que o contribuinte corrija sua contabilidade quando verificado que esta não se presta para identificar sua movimentação financeira ou para determinar o lucro real. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EFETIVIDADE DE ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Na hipótese de registros contábeis de recursos de caixa fornecidos à empresa por diretores/sócios, cuja efetividade da entrega e a origem dos recursos não restaram comprovadas, resta caracterizado que tais lançamentos serviram para ocultar o auferimento de receitas não contabilizadas. Tal situação subsumese na presunção legal de omissão de receitas estabelecida no art. 282 do RIR/99, que trata de suprimento de caixa. Esta não estabelece como condição prévia a recomposição do Caixa para, somente após a verificação de ocorrência de saldo credor, ser possível o lançamento por omissão de receita. OBRA POR EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAL. DESPESA COM MATERIAL COMPLEMENTAR. REEMBOLSO PELA CONTRATANTE CONTRATUALMENTE PREVISTO. NATUREZA DE RECEITA BRUTA. Na hipótese da empresa contratada para prestação de serviços de obra por empreitada com fornecimento de material realizar despesa com compra de material complementar necessário para sua execução, não previsto no preço fixado no contrato, e caso esteja estabelecido neste contrato o "reembolso" da referida despesa acrescida de uma taxa de administração, o valor ressarcido tem natureza de receita bruta e, portanto, é tributável. RATEIO DE DESPESAS. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES. REEMBOLSO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Para que os valores movimentados em razão de rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, e que os valores reembolsados à empresa que concentrou o controle dos gastos administrativos não seja considerado como receita tributável, exigese que: (i) correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; (ii) sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; (iii) correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; (iv) a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.035 4 o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e (v) seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. TRANSFERÊNCIA A TÍTULO GRATUITO E DEFINITIVO. DOAÇÃO. RECEITA NÃO OPERACIONAL TRIBUTÁVEL. A transferência a título gratuito e em caráter definitivo para o sócio ostensivo de valores recebidos pelas SCPs de seus clientes representa doação, que possui natureza de receita não operacional passível de tributação. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Consideramse receitas omitidas os depósitos/créditos bancários cujas origens não restaram comprovadas pelo contribuinte após devidamente intimado para tanto. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. Demonstrado o dolo do contribuinte na prática da infração que lhe foi imputada, devida a qualificação da multa. PERÍCIA CONTÁBIL. PEDIDO INDEFERIDO. Inferese o pleito de realização de perícia contábil quando os fatos, documentos e esclarecimentos são suficientes para o convencimento do julgador. Ademais quando o contribuinte não carreou aos autos quaisquer documentos indiciários de que as alegações apresentadas têm algum fundamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Caracterizada a infração à lei, é devida a responsabilização solidária dos sóciosgerentes em função do disposto no art. 135 do CTN. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 PAGAMENTOS SEM CAUSA E A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OMISSÃO DE RECEITAS. Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.036 5 Lançamento a crédito de conta Caixa, sem que o contribuinte consiga comprovar a motivação deste, representa pagamento sem causa e a beneficiário não identificado, ensejando a incidência do IRRF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse ao lançamento de CSLL, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse ao lançamento de Cofins, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ERRO DE CÁLCULO. ALTERNÂNCIA ENTRE REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA NA CONSIDERAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. INEXISTÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento considerou os registros de retenção efetuados pelo próprio contribuinte em sua conta "COFINS Retido Fonte", não restou caracterizado o erro apontado na impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse ao lançamento de PIS, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ERRO DE CÁLCULO. ALTERNÂNCIA ENTRE REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA NA CONSIDERAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. INEXISTÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento considerou os registros de retenção efetuados pelo próprio contribuinte em sua conta "PIS Retido Fonte", não restou caracterizado o erro apontado na impugnação." O procedimento fiscal foi descrito no Acórdão recorrido, nos seguintes termos: Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.037 6 "Tratam os autos de lançamentos de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), consubstanciados nos autos de infração às fls. 2 a 98, referentes ao anocalendário 2011, com crédito tributário total de R$ 13.195.502,37, assim distribuído: 2. De acordo com o auto de infração de IRPJ, a base de cálculo deste tributo foi arbitrada tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte foi considerada imprestável pela autoridade fiscal para a determinação do lucro real, em virtude de erros e falhas detalhados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) e Anexos, parte integrante dos autos de infração. O enquadramento legal apontado para justificar o arbitramento foi o art. 530, II do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). Em virtude do arbitramento, a base de cálculo da CSLL foi determinada nos termos do art. 29, I da Lei nº 9.430, de 1996, como indicado no auto de infração relativo a este tributo. 3. Conforme consta dos autos de infração, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte o cometimento das seguintes infrações: 3.1. Omissão de receitas de obras por empreitada referentes a serviços prestados à CEG. O valor apurado foi objeto de lançamentos de IRPJ e de CSLL. A multa de ofício correspondente foi qualificada; 3.2. Omissão de receitas de obras por administração. O valor apurado integrou as bases de cálculo do IRPJ, de CSLL, de PIS e de Cofins. A multa de ofício foi qualificada; 3.3. Omissão de receitas decorrentes de créditos em contas de depósito ou de investimento com origens não comprovadas. O valor apurado integrou as bases de cálculo do IRPJ, de CSLL, de PIS e de Cofins. A multa de ofício aplicada ora foi qualificada, ora não, conforme detalhado no TVF; 3.4. Omissão de receita caracterizada por suprimento de caixa por sócios e administradores. O valor apurado foi objeto de lançamentos de IRPJ e de CSLL. A multa de ofício correspondente foi qualificada; 3.5. Omissão de receitas eventuais decorrentes de alienação de cabine auxiliar de caminhão. O valor apurado foi objeto de Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.038 7 lançamentos de IRPJ e de CSLL. A multa de ofício aplicada foi de 75%; 3.6. Omissão de receitas não operacionais decorrentes de transferências gratuitas das SCPs para o Caixa da Soter. O valor apurado foi objeto de lançamento de IRPJ e de CSLL. Tal montante foi acrescido diretamente à base de cálculo arbitrada (ou seja, sem aplicação do coeficiente de arbitramento). A multa de ofício correspondente foi qualificada; 4. Ademais, em decorrência da alteração da forma de tributação foram calculados IRPJ e CSLL sobre as receitas escrituradas abaixo: 4.1. Receitas de obras por empreitada, compondo a base de cálculo arbitrada. Estes valores foram considerados no lançamentos de Cofins e de PIS no regime cumulativo em virtude do lucro arbitrado. Multa aplicada de 75%.; 4.2. Ganhos de capital calculados a partir da conta 4.01.03.01.0001 (Venda de Imobilizado), acrescidos diretamente à base de cálculo arbitrada (ou seja, sem aplicação do coeficiente de arbitramento). A multa aplicada foi de 75%; 4.3. Receitas de Juros Selic da conta 4.01.02.01.0002, acrescidos diretamente à base de cálculo arbitrada (ou seja, sem aplicação do coeficiente de arbitramento). Multa aplicada de 75%; 4.4. Valores referentes a receitas eventuais da conta 4.01.02.04.0001, acrescidos diretamente à base de cálculo arbitrada (ou seja, sem aplicação do coeficiente de arbitramento). Aplicada a multa de 75%; 5. Foram deduzidos na apuração dos tributos os valores retidos na fonte. 6. Os Srs. Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira foram responsabilizados solidariamente pelo crédito tributário constituído em função do disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Além disso, foi lavrada representação fiscal para fins penais, formalizada no processo nº 15540.720243/201601, apensado ao presente processo. 7. Os fatos, as considerações feitas e as infrações imputadas detalhadas no TVF estão resumidos a seguir, havendo inclusão também de informações presentes nos autos de infração: Motivação do Arbitramento do Lucro 7.1. A contabilidade apresentada é imprestável para a apuração do lucro real, cabendo a apuração pelo lucro arbitrado nos termos dos arts. 530, II, 532 e 536 do RIR/99, haja vista ser impossível identificar a efetiva movimentação financeira da Soter isoladamente (separadamente das 24 SCPs em que é sócio ostensivo), estando as disponibilidades financeiras desta e de suas SCPs misturadas. Tal situação restou caracterizada pelos seguintes fatores: (A) os somatórios dos saldos contábeis das Fl. 4038DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.039 8 contas Bancos de todas as empresas não guardam relação com os valores registrados nos extratos bancários emitidos pelos bancos; (B) houve lançamentos contábeis inverídicos, como os recursos que ingressaram na conta Caixa da Soter e não saíram das contas bancárias, contradizendo o que está registrado na contabilidade; (C) presente inconsistência contábil não explicada de se manter contas de ativo (Bancos) com saldo credor, enquanto sua natureza é devedora; (D) verificadas restituições e integralizações de capital nas SCPs utilizando contas contábeis Banco que foram registradas contabilmente, mas que nunca puderam ser comprovadas; e (E) há transferências entre as contas contábeis Bancos da Soter que não guardam relação com os dados dos extratos emitidos pelos bancos; (...) Pagamento a Beneficiários não Identificados 7.34. Inicialmente é feita uma análise comparandose o que dizem os registros contábeis do fiscalizado e o que de fato aconteceu: 7.34.1. Verificase que ingressaram na conta Caixa da Soter R$ 3.087.503,13, sendo que (i) R$ 2.516.537,75 foram registrados como se originados de saques nas contas Bancos; e (ii) o restante (R$ 570.965,38) teria advindo de operações de integralização e devolução de aporte; 7.34.2. No entanto, a realidade dos fatos mostrou que dos R$ 2.516.537,75 entrados, cujos registros contábeis apontavam como origens as contas Bancos; R$ 2.504.537,75 foram pagamentos recebidos nos seus escritórios de clientes das SCPs, que, através de simulações contábeis, tentaram ocultar essa transferência de recursos para o caixa da Soter. Outrossim, dos R$ 570.965,38 registrados como originados de operações de integralização e devolução de aporte, R$ 155.666,90 advieram de operações fictícias de integralização (vide tópico relativo a suprimento de caixa). Ou seja, o contribuinte tentou ocultar a verdadeira natureza do ingresso de R$ 2.660.204,65 (R$ 2.504.537,75 + R$ 155.666,90); 7.34.3. No que se refere às saídas da conta Caixa da Soter, no total de R$ 2.529.970,63, os registros apresentam as seguintes destinações: (i) R$ 2.143.842,17 às contas Bancos; (ii) R$ 1.830,00 para pagar fornecedor (17/10/2011); e (iii) o restante para pagar obrigações com sócios e diretores; 7.34.4. Ora, se pelo menos R$ 2.504.537.75 entrados na conta Caixa, decorrentes de transferências das SCPs, já haviam sido escriturados em contas Bancos e oferecidos à tributação nas SCPs e, por outro lado, se só há registro de um pagamento a fornecedor no valor de R$ 1.830,00 feito através da conta Caixa (saída), qual a necessidade de se ter esses recursos no Caixa da Soter? A resposta está nos registros de saídas do Caixa e na Fl. 4039DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.040 9 análise efetuada no tópico relativo à omissão de receitas decorrente de depósitos de origens não comprovadas; 7.34.5. As saídas foram registradas em consonância com alguns valores que ingressaram no banco para se dar a impressão de que a origem do valor depositado seria o Caixa da Soter (R$ 2.143.842,17). Porém, verificouse que se tratavam de lançamentos simulados, com alguns casos ridiculamente evidentes, onde os créditos decorreram de transferências bancárias, sem trânsito por Caixa; 7.34.6. Ao ser questionado diversas vezes sobre a origem dos valores ingressados nos bancos, o contribuinte não identificou, por exemplo, os emissores dos cheques depositados, o que, conforme dito, seria fácil se realmente a origem fosse o Caixa, visto que os recursos do Caixa advieram de pagamentos recebidos de clientes das SCPs; 7.34.7. Outrossim, se as contabilizações simuladas das SCPs já indicavam que os valores foram recebidos pela via bancária, não faz sentido que estes supostos recursos, no valor de R$ 2.504.537,75, tenham necessitado transitar pela conta Caixa da Soter para serem depositados em contas Bancos da Soter, vez que as SCPs e Soter compartilham as mesmas contas bancárias e, mesmo com saldo credor na conta Bancos, a Soter registrou os pagamentos de suas obrigações pela via bancária, agravando estes saldos durante todo o ano; 7.34.8. Não é crível que os valores recebidos em espécie pelas SCPs (R$ 2.504.537,75) tenham como destino depósito em Bancos, pois tal situação contradiz a finalidade das transferências, segundo a própria fiscalizada, que seria prover a Soter de recursos em espécie. Se há necessidade de recursos em espécie, é óbvio que isto se deve à necessidade de se efetuar pagamentos dessa forma, pois foi isto que levou as SCPs a contabilizarem simuladamente os seus recebimentos como se fossem de origem bancária (em detrimento da verdade que foi Caixa) para permitir as transferências irregulares dos seus Caixas para o Caixa da Soter, malgrado, repitase, as contas bancárias, na prática, já conterem os recursos misturados; 7.34.9. Está claro que a Soter construiu todas as operações contábeis, a partir dos recebimentos dos recursos pelas SCPs para que pudesse, inclusive, efetuar pagamentos a beneficiários não identificados e sem causa. Para isso, tentou, novamente omitir essas operações, contabilizando parcelas destes pagamentos de acordo com ingressos nos bancos de forma que os lançamentos bancários parecessem ter origem no Caixa; 7.34.10 Dos valores lançados a crédito da conta Caixa da Soter, no montante de R$ 2.143.842,17, registrados como se destinados às contas Bancos, apenas parte teve efetivamente este destino, pois para R$ 1.479.968,25 não foi comprovado que tal valor efetivamente chegou à conta bancária (não foi comprovada a origem em Caixa), donde se denota foi utilizado para pagamento Fl. 4040DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.041 10 a beneficiários não identificados. Tais montantes estão listados no Anexo VIII ao TVF "Transf N Comprovadas"; 7.35. A existência de créditos na conta Caixa, para os quais não se confirmaram os depósitos bancários em contrapartida, é prova suficiente da ocorrência de pagamento. Diante da certeza deste e da falta de apresentação da documentação relativa à operação realizada, obrigação do contribuinte, há que se considerar que a situação se enquadra como pagamento sem causa e a beneficiário não identificado nos termos do art. 674 do RIR/99, cuja base legal é o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Nesse sentido estão julgados do Carf (ACs 2202002.928 e 2202 002.804); Qualificação da Multa 7.36. A cadeia de operações sucessivas teve por objetivo omitir receitas que deveriam ser submetidas à tributação, bem como a realização de pagamentos a beneficiários não identificados a salvo de tributação, não trazendo em si conteúdo econômico ou objetivo típico. 7.37. Pelo seu desenho, a natureza e a sequência das operações tiveram o evidente intuito de travestir a transferência de recursos a título gratuito dos Caixas das SCPs, de forma a simular uma realidade inexistente com o fito de ocultar o aumento patrimonial tributável e, posteriormente, ocultar pagamentos a beneficiários não identificados mediante registro contábil de depósitos bancários que efetivamente não se originaram das saídas do Caixa do contribuinte; 7.38. Outrossim, a contabilização contumaz de receitas (por administração de obras e do contrato com a CEG) como se fossem recuperações de despesas, bem como a simulação de integralizações de capital para impedir o conhecimento por parte da Administração Tributária são fatos que ensejam a qualificação da multa; 7.39. Devido destacar que a menção aqui à figura da simulação guarda pouca referência ao instituto do art. 167 do Código Civil, tratandose antes da figura do engodo, do propósito de fazer uma coisa passar por outra. De disfarce; 7.40. Examinadas, conjunta e essencialmente, as operações se revelam simples casca. Depósitos bancários inexistentes nas SCPs e, no final da operação, pagamentos a beneficiários não identificados na própria Soter que ainda foram utilizados para formar mais uma camada de proteção aos depósitos não identificados. Saques bancários que não ocorreram na Soter. Transferências de recursos entre Caixas das pessoas jurídicas (Soter e SCPs) sem quaisquer registros. Receitas travestidas de recuperação de despesas; 7.41. Presente o elemento volitivo para dar suporte à figura do dolo. O contribuinte, mormente por deter o controle das SCPs, quis a transferência dos recursos, quis seus benefícios em forma Fl. 4041DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.042 11 de aumento do saldo da conta Caixa, quis ocultar o fato gerador tributário por meio das operações que engendrou; 7.42. Dos valores lançados, excetuamse da qualificação da multa aqueles referentes à omissão de receita de alienação de cabine de caminhão, e parte daqueles relativos à omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (destacada no tópico específico); Responsabilização de Terceiros 7.43. Ficou evidenciado ao longo do TVF que a Soter, por intermédio de seus representantes, Srs. Fernando Policarpo de Oliveira e Nelson Policarpo de Oliveira, presidente e vice presidente, respectivamente, efetuou operações simuladas, resultando nos ilícitos de fraude e sonegação, sendo devida sua responsabilização pelo crédito tributário constituído nos termos do art. 135 do CTN; Decadência Contagem do Prazo 7.44. Defende a aplicação do art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial." Após a realização da ciência do lançamento, o sujeito passivo principal apresentou Impugnação, por meio da qual, resumidamente, sustenta: a) ser incabível o arbitramento, posto que as situações apontadas no TVF não ocorreram e, ainda que houvessem ocorrido, permitiriam a apuração dos tributos "pelas vias normais"; b) inexistir a alegada divergência entre os saldos contábeis e os constantes dos extratos bancários; c) que jamais ocorreu saldo credor da conta Caixa e que a autoridade fiscal não soube distinguir a conta contábil Banco/Soter e SCPs das suas subcontas contábeis, sendo que a conta contábil Soter somada às subcontas das 24 SCP sempre esteve positiva; d) que não resultou prejuízo tributário da realização de restituições de capital, seguidas de integralizações, tratandose de lançamentos meramente escriturais, visando registrar maior saldo da subconta Soter, para finalidades nãotributárias; e) que o julgamento da autoridade fiscal de que as restituições de capital seguidas de integralização não seriam críveis revela atuação com subjetivismo, em desacordo com a lei; f) quanto à constatação de registros de lançamentos contábeis fictícios de transferências entre as contas Caixa e Bancos, que são registros meramente escriturais, internos, meros ajustes de saldos de subcontas, não visando à omissão de receitas; g) que seria necessária a intimação para a apresentação da escrituração recomposta, para que pudesse ser realizado o arbitramento; Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.043 12 h) quanto à constatação de suprimento de caixa, que as integralizações de capital estavam previstas em atas de assembléias, e que a apuração deveria ter sido realizada por meio da recomposição da conta Caixa, com a autuação sobre os eventuais saldos credores; i) no que diz respeito à omissão de receitas da atividade de empreitada, que foram desconsiderados o contrato entre as partes, as explicações da Recorrente e as mensagens eletrônicas trocadas com o cliente, uma vez que os pagamentos se referiam a reembolso de custo de materiais destinados a atender a necessidades excepcionais; j) que os valores imputados como omissão de receitas de administração se referem a reembolsos efetuados pelas SCP de despesas administrativas suportadas pela sócia ostensiva; k) em relação à omissão de receitas referentes a valores oriundos dos Caixas das SCP, que se tratou de troca de disponibilidades entre dinheiro vivo recebido pelas SCP e os valores depositados junto às instituições financeiras, que não houve doação, nem simulação; l) quanto à omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, que a autoridade fiscal não desconsiderou as transferências entre contras de mesma titularidade, e que incluiu receitas já tributadas em outras infrações constantes do TVF, e incorreu em duplicidades e superposição; m) ainda quanto a tal ponto, que não há a demonstração de conduta dolosa, em relação aos valores em que foi imposta a multa de ofício de 150%, e que os valores sujeitos à multa de 75% já haviam sido atingidos pela decadência, conforme art. 150 do CTN; n) por fim, em relação aos cheques no valor de R$ 300.000,00, que estaria comprovado se tratar de um único cheque administrativo; o) a respeito dos pagamentos a beneficiários não identificados, que há uma série de situações envolvendo os pagamentos em questão que foram justificadas à autoridade fiscal, mas ignoradas por esta, e que, ainda, não teria sido descrita a alegada simulação; p) quanto à qualificação da multa de ofício, que os argumentos utilizados são genéricos e não demonstram dolo ou fraude e que, conforme alegações anteriores, várias circunstâncias sequer ocorreram; q) que o arbitramento e a qualificação da multa se destinaram apenas a afastar a decadência, diante do curto prazo disponível para a realização do lançamento; r) que, se a escrituração era imprestável, não poderia embasar as infrações apontadas e a configurar dolo, para efeitos de aplicação da multa qualificada; s) ser necessária a realização de prova pericial, para a comprovação das suas alegações; t) que, afastados o arbitramento e a multa qualificada, deve ser reconhecida a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres do ano de 2011. Os responsáveis solidários apresentaram impugnação de mesmo teor, por meio da qual repisaram algumas alegações trazidas pelo sujeito passivo principal (necessidade Fl. 4043DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.044 13 de prévia intimação para o arbitramento, lançamento baseado em escrituração considerada imprestável, arbitramento e qualificação da multa apenas para afastar a decadência), e, em relação à atribuição de responsabilidade solidária, limitaramse a afirmar que nunca atuaram contra a sociedade, seu mandato, seus estatutos, contra o Fisco ou contra terceiros. Afirmaram, ainda, que a autoridade fiscal não tipifica, nem descreve, a conduta que ensejou a responsabilização, invocando Acórdãos do CARF e a Súmula nº 430 do Superior Tribunal de Justiça. Posteriormente, a SOTER apresentou aditamento à Impugnação, no qual: a) pugnou pelo julgamento conjunto do lançamento de que trata os presentes autos e dos outros dez lançamentos realizados em SCP em que figura como sócia ostensiva, destacando que, em alguns casos, foi mantida a tributação com base no Lucro Presumido; b) buscou demonstrar o funcionamento da sua contabilidade e de suas SCP, no que tange à movimentação financeira, defendendo que esta necessita ser analisada de forma consolidada; c) repetiu os argumentos já trazidos na Impugnação, com pequenos acréscimos de detalhes; d) suscitou erro de cálculo na autuação referente à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, por desconsideração de retenções na fonte; e) trouxe argumentos em relação à atribuição de sujeição passiva solidária aos seus administradores; f) apresentou quesitos e indicou peritos para a realização de prova pericial; g) juntos documentos correspondentes às suas alegações. Por meio do Acórdão de fls. 3.532 a 3.625, a autoridade julgadora de primeira instância decidiu: a) pela inexistência de decadência, posto que a contagem do prazo deve ser realizada na forma do art. 173, inciso I, do CTN, dada a inexistência de pagamentos antecipados em relação a praticamente todos os períodos de apuração, bem como a configuração da ocorrência de dolo; b) que estão presentes as hipóteses das alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 530 do RIR/99, de modo que correto o arbitramento, rejeitando todas as alegações suscitadas pela SOTER; c) pela manutenção integral do lançamento quanto às infrações relativas aos suprimentos de caixa, receitas de obras por empreitada (Contrato CEG), receitas por administração, valores oriundos dos Caixas das SCP e pagamentos a beneficiários não identificados; d) considerar não impugnada o lançamento referente à omissão de receita de alienação de cabine de caminhão, uma vez que não foi expressamente contestada, sem Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.045 14 determinar, porém, a sua cobrança imediata, frente ao questionamento da regime de apuração adotado pela autoridade fiscal; e) pela manutenção parcial do lançamento referente a depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que excluiu da tributação o valor de R$ 300.000,00 referente a cheque administrativo, por considerar comprovada a sua origem; f) pela não ocorrência dos erros alegados na apuração da Cofins e da Contribuição ao PIS/Pasep; g) que foi devidamente caracteriza a ocorrência de dolo; h) pela configuração da responsabilidade tributária dos sócios, frente à comprovação de infração às leis tributárias, comerciais e societárias; i) por fim, pela desnecessidade da realização de perícia. O sujeito passivo principal e os responsáveis solidários foram cientificados do resultado do julgamento e apresentaram Recurso Voluntário conjunto (fls. 3.694 a 3.845), mediante o qual: a) repetem o pedido de julgamento conjunto de processos, adicionando a prejudicial de mérito referente à existência de confusão patrimonial; b) atacam todos os fundamentos adotados para justificar o arbitramento em termos semelhantes aos constantes da Impugnação, com os acréscimos de refutações a especificidades surgidas no julgamento de primeira instância; c) em relação à apontada diferença entre os saldos bancários contabilizados e os indicados nos extratos bancários, apontam erro do julgador quanto à apuração do saldo em 01/12/2011, bem como a indevida menção às contas bancárias mantidas junto ao Banco Bradesco, já que, em relação a estas, a autoridade responsável pela constituição do crédito tributário não teria registrado divergências; d) pugnam, novamente, pela realização de perícia; e) em relação à decadência, sustentam que os valores retidos na fonte devem ser considerados como antecipação de pagamento, para fins de aplicação do art. 150, §4º, do CTN, bem como juntam documentos que comprovariam a existência de recolhimentos por ela realizados; f) alegam a reformatio in pejus, pelo que o julgador teria aplicado a contagem do prazo decadencial na forma aplicada aos casos de dolo, inclusive para os fatos geradores sancionados com multa de 75%; g) quanto ao IRRF, que os recolhimentos referentes a remuneração de trabalho assalariado e à prestação de serviços de terceiros configuram pagamento antecipado, mesmo em relação à infração de pagamentos a beneficiários não identificados; h) apontam erro do julgador também quanto à infração referente a suprimento de caixa, posto que nos cálculos não teria sido considerado o lucro distribuído por meio de TED; Fl. 4045DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.046 15 i) sobre a mesma infração, alegam, ainda, que o julgador reclassificou a situação, enquadrandoa no art. 282 do RIR/99; j) no que tange à infração referente a depósitos bancários de origem não comprovada, sustentam que o julgador aplicou a presunção legal aos ingressos na conta Caixa, o que não estaria alcançado pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; k) em relação à alegação erros nos cálculos da Cofins e da Contribuição ao PIS/Cofins, alegam que a autoridade julgadora não examinou as faturas juntadas com as impugnações, e que comprovariam as retenções na fonte, limitandose a considerar os valores constantes da contabilidade; l) asseveram que o fato de o julgador considerar as retenções na fonte ate o limite apurado no mês, desprezando as retenções a maior e os saldos de imposto retido em meses anteriores seria a prova cabal da inexistência de recolhimentos a menor relativos às citadas contribuições; m) sobre a manutenção da qualificação da multa de ofício, contrapõem a afirmação do julgador de que teria procurado ocultar receitas tributáveis (receitas por administração), por meio de registro de seus valores como redutores de contas de despesas. Afirmam que o que ocorreu foi a dedução apenas da parte que lhe cabia no rateio de despesas administrativas comuns entre si e as suas SCP, com a redução das despesas reembolsadas por tais SCP; n) quanto às atas que respaldam os rateios, refutam a alegação de que seriam forjadas, sem que tenha sido apresentada qualquer prova, bem como de não obediência ao disposto na Solução de Divergência Cosit nº 23, uma vez que esta é de 2013 e as atas forma lavradas em 2010 e 2011; o) em relação às SCP TIR e TJU, os próprios contratos sociais já indicam o critério de rateio das despesas, mas, ainda assim, o Acórdão recorrido considera falsas as atas; p) sustentam que, no que diz respeito à omissão de receitas por empreitada, a autoridade julgadora, após reconhecer que a conduta não configuraria dolo, afirma que o dolo passa a incidir também nesse caso, pois em outro diferente também foi provado; q) inovam, ao vindicar a compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL referentes a períodos de apuração anteriores ao período da autuação; r) por fim, em relação à atribuição de responsabilidade tributária aos sócios da Recorrente, dizem que o colegiado a quo manteve a responsabilização com fundamento em outra base legal, que não a utilizada pela fiscalização; s) quanto ao novo dispositivo invocado, art. 124, inciso I, do CTN, aduzem que é necessário que a pessoa realmente participe da situação que constitui o fato gerador tributário, que os sócios pretenderam o resultado, beneficiaramse dele e de forma dolosa, o que não teria sido provado no Acórdão recorrido. Nos pedidos finais, pedem que seja reconhecida a supressão de instância, com o retorno dos autos a outra DRJ. Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.047 16 Após o processo ser encaminhado para julgamento pelo CARF, a Recorrente apresentou Requerimento de desistência do Recurso, em relação aos débitos referentes à Cofins, Contribuição ao PIS/Pasep e IRRF, tendo em vista a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Medida Provisória nº 783, de 31 de maio de 2017, convertida na Lei nº 13.496, de 24 de outubro de 2017 (fls. 3.987 a 3.989). Os autos foram devolvidos à Unidade de Origem, onde os referidos débitos foram transferidos para o processo administrativo nº 15536.720046/201724, para, só então, o processo retornar para julgamento do crédito remanescente (fls. 3.990 a 3.995). É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I. DA ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Todos os sujeitos passivos (principal e responsáveis) foram cientificados da decisão de primeira instância, em 08/08/2017 (fls. 3.686 a 3.691), tendo o Recurso Voluntário conjunto sido apresentado em 05/09/2017 (fl. 3.692), portanto, indubitavelmente, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso é assinado pelos diretores da pessoa jurídica e pelos responsáveis solidários. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de desistência parcial, em relação aos débitos referentes à Cofins, Contribuição ao PIS/Pasep e IRRF, tendo em vista a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), de modo, então, que a matéria submetida a julgamento se limitará aos créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL, com a respectiva atribuição de responsabilidade solidária. A par disso, o Recurso Voluntário traz matéria referente à compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa, tema que não havia sido abordado na Impugnação apresentada. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Fl. 4047DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.048 17 Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Ao contrário do alegado, a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL não constitui matéria de ordem pública, portanto, somente poderia ser apreciada pelo CARF, se já houvesse sido invocada desde a Impugnação. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente foi omisso, no momento da apresentação da Impugnação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo, conforme exemplifica a seguinte: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.049 18 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, à exceção das matérias objeto do pedido de desistência apresentado e daquela não veiculada desde a Impugnação. II. DA NECESSIDADE DE JULGAMENTO CONJUNTO A Recorrente, em sede de preliminar, sustenta a necessidade de julgamento conjunto do lançamento de que trata os presentes autos e dos outros dez lançamentos realizados em SCPs em que figura como sócia ostensiva. A análise daqueles autos, contudo, revela que, em seis casos (processos nº 15540.720230/201624, 15540.720229/201608, 15540.720231/201679, 15540.720215/2016 86, 15540.720232/201613 e 15540.720227/201619), houve desistência total dos Recursos apresentados, para adesão ao PERT. Nos outros quatro processos (processos nº 15540.720204/201604, 15540.720205/201641, 15540.720207/201630 e 15540.720212/201642), os lançamentos se referem à infração de omissão de receitas referentes a vendas de unidades produzidas pelas respectivas SCPs, de modo que não guardam qualquer relação com os créditos tributários e provas de que tratam os presentes autos. Concluise, portanto, pela total improcedência da alegação apresentada. III. DO ARBITRAMENTO O Recurso apresenta algumas preliminares relacionadas a vícios no Acórdão de primeira instância, que poderiam conduzir ao reconhecimento da nulidade parcial daquela decisão com retorno do processo à DRJ, para a correta apreciação de determinadas matérias. Há, ainda, a invocação da decadência, que pode levar ao afastamento de parte ou todo o crédito sob apreciação, mas, para cuja análise, é necessária previamente a verificação acerca da existência de condutas dolosas ou fraudulentas. Contudo, há igualmente a contestação do acerto da apuração dos tributos com base no regime do Lucro Arbitrado. A procedência de tal alegação implicaria o cancelamento de todo o crédito tributário submetido a julgamento, razão pela qual, inclusive com fulcro no art. 282, §2º, do CPC, entendo que esta deve ser a primeira matéria a ser apreciada, no presente voto. Fl. 4049DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.050 19 Conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 100 a 181, o arbitramento teve por base as alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 530 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): "Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) IIa escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a)identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; (...)" No item 3 do TVF, o responsável pelo lançamento aponta alguns vícios que entende existir na escrituração contábil do sujeito passivo, para, ao final, concluir: "54. Diante de todos os fatos narrados acima, restou demonstrado que todas as disponibilidades financeiras da SOTER e suas 24 SCP’s se misturavam propiciando: 1) lançamentos contábeis inverídicos como os recursos que ingressaram no CAIXA da SOTER e não saíram das contas bancárias, contradizendo o que está registrado na contabilidade; 2) as restituições e integralizações de capital nas SCP’S utilizando as contas contábeis BANCO que foram registradas contabilmente, mas que nunca puderam ser comprovadas; 3) a inconsistência contábil não explicada de se manter contas de ativo (BANCOS) com saldo credor, enquanto que sua natureza é obviamente devedora; 55. E, por fim, temse ainda os fatos dos somatórios dos saldos contábeis das contas BANCOS não guardarem relação com os valores registrados nos extratos bancários emitidos pelos bancos, além de transferências entre as contas contábeis BANCOS que não guardam relação com os dados dos extratos emitidos pelos bancos. 56. Dessa forma, considerando que para efeitos tributários cada SCP é uma pessoa jurídica distinta da sua sócia ostensiva e que, no presente caso, é impossível identificar a efetiva movimentação financeira da SOTER isoladamente, resta à fiscalização considerar a contabilidade apresentada imprestável para a apuração do lucro real, cabendo tão somente a apuração pelo lucro arbitrado, nos termos dos art. 530 e 532 do RIR 99:" O sujeito passivo, para quem os elementos constantes na contabilidade permitem perfeitamente a apuração pelas vias normais, impugnou individualmente cada uma Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.051 20 das razões apresentadas para o arbitramento, além de tecer alegações mais amplas no sentido de que a autoridade fiscal ora considerava imprestável a escrituração contábil ora embasava a constituição dos créditos tributários exatamente nesta escrituração (o que, para ele, representaria mudança de critério jurídico), bem como de que deveria ter sido intimado para regularizála, previamente, ao lançamento fiscal. Os julgadores de primeira instância se posicionaram pela improcedência de todos os argumentos apresentados e entenderam justificada a desqualificação da contabilidade e a apuração com base no Lucro Arbitrado. Passemos, então, à análise de cada um dos vícios apontados pela autoridade fiscal: III.1 DA DIVERGÊNCIA ENTRE OS SALDOS CONTÁBEIS E OS CONSTANTES DOS EXTRATOS EMITIDOS PELOS BANCOS Por meio do item XIII do Termo de Intimação nº 13, lavrado em 24/08/2016 (fls. 1.687 a 1.725), a Recorrente foi cientificada da constatação de que os saldos inicial e final no mês de dezembro de 2011, da conta bancária mantida junto ao Banco Santander constante dos balancetes das SCPs e da SOTER divergem dos saldos constantes do extrato bancário apresentado à fiscalização. No item XIV do referido Termo, constatação semelhante em relação aos saldos inicial e final em todos os meses do anocalendário de 2011 da conta bancária mantida junto ao Banco Bradesco S/A. Assim, foi intimado a esclarecer as referidas divergências. A resposta apresentada pelo sujeito passivo, em 08/09/2016 (fls. 1.730 e 1.731), foi: "Em relação aos itens XIII e XIV, esclarecemos que, tanto para o Banco Santander (ANEXO XIII) quanto para o Banco Bradesco (ANEXO XII), não existe divergência entre os saldos contábeis e bancários, o que ocorre é um descasamento entre a emissão de cheques contabilidade e a compensação do mesmo na conta bancária, ou seja, as diferenças relatadas nos anexos são exclusivamente referentes à (sic) cheques emitidos e não compensados na mesma data." No Termo de Verificação Fiscal, as referidas divergências aparecem como uma das justificativas para o arbitramento, sendo dito que a Recorrente "se limitou laconicamente em responder que as divergências apontadas se deviam a cheques que ainda não teriam sido compensados, sem provar ou demonstrar o fundamento para sua afirmação." Ora, há que se divergir da conduta adotada pela autoridade fiscal e da conclusão dos julgadores a quo. Constam dos autos mais nove Termos de Intimação lavrados em relação ao sujeito passivo, inclusive, incluindo o Termo de Intimação nº 14 (fls. 1.736 a 1.751) constatação e intimação semelhante em relação a conta bancária mantida junto à Caixa Econômica Federal. Fl. 4051DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.052 21 Nenhuma linha sequer, nos referidos Termos é dedicada a informar ao sujeito passivo que os seus esclarecimentos não haviam sido acatados ou, ainda, a intimálo para apresentar os documentos comprobatórios das suas alegações. O tema somente volta a surgir no TVF, desta feita para justificar o arbitramento e, digase de passagem, apontando apenas a diferença constatada na conta bancária mantida junto ao Banco Santander, que se refere a apenas um mês do anocalendário em questão. Ao meu ver, a gravidade da consequência do não acatamento das justificativas apresentadas pelo sujeito passivo impunham ao responsável pelo lançamento a abertura de prazo para a apresentação dos documentos comprobatórios ou, alternativamente, para a regularização de eventuais erros constantes da escrituração contábil. A jurisprudência do CARF, há muito, tem se posicionado no sentido de que, para a imposição da apuração com base no Lucro Arbitrado deve haver prévia intimação ao sujeito passivo para a regularização da escrita, conforme ilustram os Acórdãos a seguir: "IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCROS. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA PARA REGULARIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo. Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendose prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização. Precedente da CSRF no acórdão CSRF/0104.557." (Acórdão nº 1402001.606 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 12 de março de 2014, Relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto) "NULIDADE. ARBITRAMENTO DE LUCRO. PRAZO PARA REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O princípio do contraditório e da ampla defesa tem sua observância obrigatória somente após instaurado o litígio, sendo sua aplicação relativizada na fase inquisitória. Não obstante, considerando que não existe arbitramento de lucros condicional, a jurisprudência administrativa se firmou no sentido de que deve ser oportunizado prazo razoável para que o contribuinte apresente ou mesmo regularize sua escrita contábil e fiscal de modo a permitir a apuração do lucro de acordo com a opção manifestada nas declarações de rendimentos. No caso concreto, se após mais de um ano em que lhe foram dadas sucessivas prorrogações de prazo para sua apresentação, o contribuinte não o fez ou o fez com deficiências que as tornaram imprestáveis para a apuração do lucro real, não há como acolher a alegação de que teve seu direito de defesa obstaculizado." (Destacouse) (Acórdão nº 1302001.886 3ª Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.053 22 Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, de 08 de junho de 2016, Relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) No caso sob apreciação, o sujeito passivo sequer foi intimado para a apresentação dos documentos comprobatórios das suas alegações, o que se reveste de gravidade, posto que, tal como expresso no último Acórdão acima, a jurisprudência do CARF também se firmou no sentido da impossibilidade de afastamento do arbitramento por meio da apresentação, após a constituição do crédito tributário, dos documentos imprescindíveis que deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal. Tal entendimento foi consolidado na Súmula CARF nº 59: "A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal." No caso dos autos, as alegações apresentadas pelo sujeito passivo em resposta ao Termo de Intimação nº 13 possuem verossimilhança e amparo parcial na sua escrituração contábil, como reconhecido no Acórdão recorrido, sendo que a nova divergência constatada na referida decisão tem como justificativa as mesmas razões apresentadas pelo sujeito passivo (descasamento entre a emissão de cheques/registro na contabilidade e a compensação dos mesmos na conta bancária), o que fica demonstrado no Recurso Voluntário. Mesmo a divergência resultante, ao final, e reconhecida pelo sujeito passivo, no montante de R$ 11.723,97, representada por cheques emitidos de março de 2001 a dezembro de 2010, cujos beneficiários não os apresentaram, tratase de vício de pequena monta, que poderia facilmente ter sido regularizado pelo sujeito passivo se houvesse sido intimado neste sentido. III.2 DO SALDO CREDOR DAS CONTAS BANCOS AO LONGO DO ANO Por meio do item II do Termo de Intimação nº 21, lavrado em 26/10/2016 (fls. 1.956 a 1.963), a SOTER foi intimada acerca da constatação de que "as contas contábeis relativas às DISPONIBILIDADESBANCOS apresentaram um saldo consolidado de abertura no anocalendário de 2011 superior a cinco milhões de reais credor (negativo), tendo fechado o ano também com saldo credor superior a seis milhões de reais". Foi intimada, então, a explicar as razões de tal fato, apresentar as justificativas ou reconhecer os equívocos na escrituração, discriminandoos. Na resposta apresentada (fls. 1.966 a 2.008), a Recorrente alegou: "(...) que as contas contábeis relativas às disponibilidades em bancos devem ser consideradas juntamente com as aplicações financeiras. Lembramos também que as contas bancárias mantidas nas diversas instituições financeiras consolidam os saldos da Soter somados aos das SCPs, não apresentando saldo negativo em conta corrente. Efetivamente, na abertura de 2011(...) o saldo contábil da Soter, desconsiderados os saldos das SCPs, apresentase credor (negativo) porém, no fechamento Fl. 4053DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.054 23 do ano, este saldo é devedor (positivo) considerandose as aplicações financeiras. Informamos que não houve qualquer obrigação não registrada no passivo. Anexamos balancete da Soter relativo ao ano de 2011 e a publicação do balancete consolidado (Soter + SCPs) para melhor esclarecimentos." A justificativa não foi acatada pela autoridade fiscal, para quem "o fato da conta perante o banco estar positivo, obviamente graças aos saldos das 24 SCP's, não explica e nem demonstra a origem da situação constatada, uma vez que cada pessoa jurídica possuía contabilidade separada". Além disso, "o argumento de que as aplicações financeiras devam ser levadas em conta quando se observa o saldo do final do ano também não pode prosperar, pois as aplicações financeiras tiveram como origem justamente as contas correntes". Conclui, então, o TVF que "(...) é óbvio que parte daqueles recursos aplicados ainda não pertenciam a SOTER, mas sim, as suas SCP's, porém da forma como fora contabilizado é impossível de se determinar o quanto pertenceria a cada uma dessas pessoas jurídicas". Na Impugnação apresentada, a SOTER esclarece: "Em função da atividade empresarial desenvolvida, alguns dos cotitulares da atividade (ora Soter, ora SCPs) é financiado naquela conta bancária pelos demais. Pode até ocorrer que uma subconta fique credora, o que representa apenas que ela foi financiada com recursos dos demais cotitulares para liquidar suas obrigações, fato reconhecido pela autoridade fiscal, já que a conta Bancos Soter/SCPs jamais ficou credora. Na realidade, o saldo credor na conta Bancos da Soter é, na verdade, situação de saldo zero, combinado com um financiamento correspondente ao valor negativo;" E, ainda, que contratos sociais e atas de reuniões dos sócios respaldariam, expressamente, a autorização para o "socorro financeiro transitório" entre as SCPs e a Soter. Os argumentos foram rechaçados pelo Acórdão recorrido, para quem ficou comprovado o uso, à margem da contabilidade, de disponíveis pertencentes às SCPs, de modo que a escrituração não retrata a sua movimentação financeira, desqualificandoa. Mais uma vez, há que se concordar com os Recorrentes, quando sustentam que a constatação da fiscalização não justifica, de pronto, o arbitramento. É que, por um lado, a presença dos referidos saldos credores e a forma como eles foram constituídos representa um vício na escrituração contábil do sujeito passivo, que deveria retratar fielmente a realidade dos fatos. Contudo, a partir dos elementos constantes dos autos, mais uma vez, o vício da escrituração era perfeitamente regularizável e, salvo melhor juízo, não impede a apuração do Lucro Real do sujeito passivo. Novamente, no entender deste julgador, cabe censura à conduta da autoridade fiscal, que, previamente à constituição do crédito tributário com base no Lucro Arbitrado, não intimou o sujeito passivo a regularizar a sua escrituração. Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.055 24 III.3 DAS RESTITUIÇÕES E INTEGRALIZAÇÕES DE CAPITAL Por meio dos itens VII, X e XI do Termo de Intimação nº 13, lavrado em 24/08/2016 (fls. 1.687 a 1.725), a Recorrente foi cientificada, e intimada a esclarecer, da constatação de existência de integralizações de capital realizadas em algumas SCPs, em dias úteis seguintes a restituições de capital de idêntico valor referente, bem como de que, em certos casos, tratavamse de SCPs cujas obras já haviam sido concluídas antes de 2011. Na resposta apresentada (fls. 1.732 a 1.735), o sujeito passivo justificou as referidas operações como destinadas à "melhora repentina do seu fluxo de ativo", tratandose de transferências "meramente escriturais e transitórias e para fins de controle interno", que não lhe teriam trazido qualquer vantagem financeira, nem prejuízo para terceiros (aí incluído o Fisco). Sobre as integralizações de capital em SCPs cujas obras já estavam concluídas, após invocar o que se trata sobre a duração destas sociedades nos seus respectivos contratos de constituição, esclareceu que, "diante do mercado e das peculiaridades do negócio (contratos cancelados, valores parcelados e não quitados por terceiros, ou seja, inadimplência), os sócios da SCP necessitam fazer novas integralizações e aportes financeiros para exatamente cumprir com as obrigações assumidas perante aos fornecedores e também as Autoridades Administrativas em todas as esferas". Repetese, no caso, a conduta da autoridade fiscal reportada no item III.1 acima. Apesar de não acatar as justificativas apresentadas, o sujeito passivo não foi comunicado de tal fato em nenhum dos termos de intimação lavrados antes do encerramento do procedimento fiscal, nem ainda foi intimado para regularizar a sua escrituração, sob pena de apuração com base no Lucro Arbitrado. Valem, portanto, todas as considerações ali realizadas. III.4 DOS LANÇAMENTOS QUE ENVOLVEM AS CONTAS CAIXA E BANCO Finalmente, por meio do item I do Termo de Intimação nº 11, lavrado em 03/08/2016 (fls. 1.114 a 1.144), a Recorrente foi cientificada, e intimada a esclarecer, a constatação de existência de lançamentos a débito da conta contábil Caixa cuja origem seriam transferências de suas contas bancárias, mas que não encontravam correspondência nos extratos bancários das referidas contas. Em resposta (fls. 1.145 e 1.147), o sujeito passivo apresentou planilha (fls. 1.681 e 1.682), correlacionando os valores a pagamentos recebidos pelas SCPs, conforme tabela "Pagamentos recebidos", apresentada em resposta ao Termo de Intimação nº 05. No item VI do Termo de Intimação nº 14 (fls. 1.736 a 1.751), a autoridade cientificou a Recorrente da seguinte constatação: "Em resposta ao Termo de Intimação nº 11, a fiscalizada, através da planilha apresentada e de relato verbal à fiscalização, informou que a origem dos recursos da Conta Caixa questionados no referido termo seriam pagamentos feitos pelos clientes das SCP's que foram recebidos em seu escritório. Como as SCP's não possuíam a conta caixa, estes valores eram Fl. 4055DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.056 25 registrados como receitas contra contas "bancos" das SCP's, por conseguinte, oferecidos à tributação da SCP. Posteriormente, na contabilidade da sócia ostensiva (SOTER) eram feitos os registros de transferências de suas contas bancos direcionados ao seu caixa. De modo que os valores originalmente pertencentes às SCP's ficaram disponíveis para a sócia ostensiva. No entanto, sabendose que a fiscalizada e as suas SCP's utilizam as mesmas contascorrentes junto aos bancos, mas que contabilmente são contas distintas, não foi possível visualizar como teriam sido feitas as transferências dos recursos recebidos das SCP's para a sóciaostensiva ao se observar os registros contábeis, ou seja, não foi possível visualizar na contabilidade o ingresso do recurso utilizado pela sócia ostensiva." Deste modo, houve a intimação para o esclarecimento de como se processaria o registro contábil do recebimento e transferência dos recursos recebidos em espécie pelas SCPs, com a apresentação dos documentos que fundamentaram os lançamentos contábeis. Foi esclarecido, então, pelo sujeito passivo que os recebimentos eram assim contabilizados: " Receita total contabilizada na SCP, lançada a débito na conta Bancos", ou seja, o recurso aumentava o saldo da SCP, única e exclusiva "dona" do valor recebido (seja parte em espécie e parte em cheque ou integralmente recebido em moeda corrente), e assim permanecia, sempre compondo o saldo da SCP conta "Bancos". A Soter, sócia ostensiva, como mantinha conta bancária única para si e suas SCPs (mantendo sempre os saldos gerencialmente controlados separadamente e assim também contabilizados) lançava, apenas o valor em espécie a crédito na conta "Bancos" e débito na conta "Caixa Geral", mantendo o saldo geral da conta corrente bancária inalterado (aumentava o saldo da SCP e reduzia, igualmente, o da Soter). Na contabilidade da Soter o Ativo Circulante se mantinha o mesmo, diminuindo o saldo do banco e aumentando o caixa." A autoridade fiscal não acatou as justificativas apresentadas pelo sujeito passivo, porém somente a comunicou de tal fato por meio do TVF, utilizandose desta constatação para justificar o arbitramento. Uma vez mais, portanto, repetese o equívoco de procedimento da autoridade fiscal. Conquanto a conduta adotada pelo sujeito passivo faça com que a sua escrituração contábil não reflita fielmente os fatos ocorridos, as justificativas foram apresentadas e o sujeito passivo demonstrou aparente controle gerencial acerca dos lançamentos "meramente escriturais". Desta forma, volto a concluir que caberia à autoridade fiscal, pelas razões já expostas no item III.1, previamente ao arbitramento, haver intimado o sujeito passivo para promover a regularização da sua escrituração contábil. Neste caso, a partir dos esclarecimentos Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.057 26 prestados pelo sujeito passivo, serlheia fácil substituir os lançamentos "meramente escriturais" por aqueles que refletissem os recebimentos em espécie, por parte das SCPs. Neste tópico do TVF, ainda, a autoridade fiscal utiliza como fundamento para o arbitramento a existência de registros contábeis de transferências entre contas bancárias da Soter e de suas SCPs que não encontrariam respaldo nos extratos bancários. Neste ponto, o sujeito passivo sequer foi intimado a se justificar durante o procedimento fiscal, ou ainda, a excluir tais lançamentos de sua escrituração contábil, caso, efetivamente, inexistentes. Na Impugnação, a Soter justificou que tais lançamentos representavam "financiamentos transitórios entre SCPs ou entre quaisquer delas e a sócia ostensiva", defendeu a neutralidade da conduta e apresentou tabelas, relacionando os registros. Outra vez mais, a Recorrente aparenta possuir controle gerencial sobre os lançamentos, de modo que viável a regularização da sua escrituração, o que não lhe foi oportunizado. Neste instante, cabe afastar as considerações efetuadas pelo julgador a quo, que, após reconhecer "algum fundamento na alegação apresentada", rejeitaas pela não apresentação de contratos de mútuos que respaldassem os financiamentos/empréstimos, e, ainda, pelo fato de que tais operações seriam fatos geradores do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Ora, tais fatos, no meu entender, poderiam justificar a desconsideração dos lançamentos "escriturais", a intimação ao sujeito passivo para regularizar a sua escrituração ou, ainda, o lançamento do IOF não recolhido. Jamais seriam justificativas para, imediatamente, adotar a apuração com base no Lucro Arbitrado. III.5 CONCLUSÃO Após todo o exposto, entendo que a única conclusão possível no presente caso é, consoante o já reportando entendimento que tem sido adotado por este Conselho, reconhecer que, para a imposição do arbitramento à Recorrente, seria necessário que a autoridade fiscal houvesse lhe intimado, de forma clara e objetiva, e com a concessão de prazo razoável, para a regularização da sua escrituração. Todas as constatações levadas ao conhecimento do sujeito passivo foram respondidas com alegações que possuem verossimilhança e que, aparentemente, ensejavam facilmente a citada regularização da escrituração contábil. A partir dos vícios apontados pela autoridade fiscal e das justificativas apresentadas pela Recorrente, sequer, no entender deste julgador, é possível se concluir que a escrituração do sujeito passivo é imprestável para a identificação da sua movimentação financeira e para a apuração do Lucro Real, como exigido pelo art. 530 do RIR/99, como requisito a autorizar a apuração com base no Lucro Arbitrado. Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 15540.720216/201621 Acórdão n.º 1302002.915 S1C3T2 Fl. 4.058 27 Isto posto, voto por não acatar a preliminar de necessidade de julgamento conjunto, e por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, determinado o cancelamento dos créditos tributários referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 4058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720169/2013-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-007.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 69 /2 01 3- 80 Fl. 1349DF CARF MF 2 Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212, de 1991), bem como das Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 01/2009, conforme Relatório Fiscal às fls. 710 a 735. Consta ainda do Relatório Fiscal que o lançamento visa prevenir a decadência, em razão da Ação Ordinária nº 2007.61.00.0351886, na qual a Contribuinte almeja eximirse da obrigação de recolher, por subrogação, as referidas contribuições. Em sessão plenária de 11/02/2015, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2302003.638 (fls. 1.039 a 1.091), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE PELO RECOLHIMENTO. ART. 30, III, DA Lei nº 8.212/91. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, foi expressamente atribuída ao adquirente, ao consignatário, ou à cooperativa, pelo inciso III do Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 15868.720169/201380 Acórdão n.º 9202007.043 CSRFT2 Fl. 1.350 3 art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, o qual não foi alvejado tampouco atingido pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação, bem como a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. Os procedimentos de fiscalização a serem realizados na jurisdição de outra unidade descentralizada, subordinada à mesma região fiscal, serão autorizados pelo respectivo Superintendente. MPF. EMISSÃO ÚNICA PARA CADA SUJEITO PASSIVO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil somente terão início por força de Mandado de Procedimento Fiscal, expedido em face de Sujeito Passivo, no CNPJ do estabelecimento centralizador, abarcando todos os estabelecimentos da empresa. Fl. 1351DF CARF MF 4 ATOS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. HIPÓTESES LEGAIS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. As intimações dos Atos Processuais devem ser feitas de maneira pessoal, pelo autor do procedimento, como também por via postal ou por meio eletrônico, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado, respectivamente, o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, ou o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária ao Sujeito Passivo, desde que por este autorizado, a teor dos incisos I, II e III, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexistindo ordem de preferência. Recurso Voluntário Negado". A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos na votação os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz, que votaram pelo provimento do recurso, por entenderem que a existência de depósito judicial do montante integral do crédito, impede o lançamento do débito.” Cientificada do acórdão em 13/04/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.108), a Contribuinte opôs, em 20/04/2015, os Embargos de Declaração de fls. 1.110 a 1.118, prolatandose, em 09/03/2016, o Acórdão de Embargos nº 2401004.226 (fls.1.161 a 1.172), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. SUBROGAÇÃO. É devida a contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, à alíquota de 0,2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. As contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção são devidas pelo produtor rural, sendo a atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, a responsabilidade pelo Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 15868.720169/201380 Acórdão n.º 9202007.043 CSRFT2 Fl. 1.351 5 desconto e recolhimento, na condição de subrogada nas obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constituemse os Embargos de Declaração no instrumento processual adequado para o saneamento de omissão indevida consistente na não apreciação e julgamento da matéria atinente à responsabilidade tributária atribuída à empresa adquirente, consumidora, consignatária ou à cooperativa, pelo desconto e recolhimento das contribuições sociais destinadas ao SENAR incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em CONHECER dos Embargos Declaratórios, para, no mérito, DARLHES PROVIMENTO PARCIAL, para sanar a omissão suscitada, negando provimento quanto ao reconhecimento da ilegitimidade pleiteada. O Conselheiro CLEBERSON ALEX FRIESS acompanhou o Relator pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento integral aos Embargos Declaratórios para afastar a cobrança da contribuição para o SENAR." Cientificada do Acórdão de Embargos em 06/04/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.181), a Contribuinte interpôs, em 20/04/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.182), o Recurso Especial de fls. 1.183 a 1.288, com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir as seguintes matérias: a) responsabilidade tributária por substituição SENAR; e c) responsabilidade tributária por substituição Funrural inconstitucionalidade da Lei nº 8212, de 1991, art. 30, IV. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 30/08/2016 (fls. 1.293 a 1.297). Em seu apelo, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: Da subrogação ao SENAR: violação aos artigos 150, §7º da CF e 128 do CTN Fl. 1353DF CARF MF 6 indo contra a Constituição Federal e contra o Código Tributário Nacional, a responsabilidade tributária por substituição da contribuição ao SENAR foi atribuída ao adquirente da produção rural por meio do Decreto nº 790, de 1993; a atribuição de responsabilidade tributária é matéria restrita à lei, conforme se depreende da simples leitura dos artigos citados, inexistindo previsão legal para atribuição de responsabilidade por subrogação, pois veiculada por Decreto. Da subrogação ao SENAR: inconstitucionalidade do artigo 30, IV, da Lei nº 8.212 pelo STF tal artigo não deve ser aplicado ao presente caso, já que teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e não foi convalidado pela Lei nº 10.256, de 2001; portanto, ainda que se entenda que a Lei n° 10.256, de 2001, tenha convalidado o Funrural, uma vez que faz referência expressa ao art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, não se pode adotar o mesmo posicionamento em relação à Contribuição ao SENAR; afinal, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n° 363.852 (posição esta confirmada no RE n° 596.177, sob o rito da repercussão geral), decidiu pela inconstitucionalidade do referido art. 30. Da ilegitimidade da recorrente com relação ao FUNRURAL inexiste, na redação anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, previsão da receita bruta como base de cálculo da contribuição para a seguridade social; a exação consubstancia nova fonte de custeio para o sistema e apenas poderia ser instituída por Lei Complementar, nos moldes do art. 195, § 4o cumulado com o art. 154, I, da Carta Magna; dessa forma, somente mediante a edição de Lei Complementar é que seria possível a instituição da referida Contribuição, pois à época de sua instituição não existia no ordenamento jurídico a possibilidade de "receitas" figurarem como base de cálculo das referidas contribuições; a Recorrente também não deve ser obrigada a efetuar o pagamento, por ser a cobrança inconstitucional, por preverem os artigos 25, incisos I e II, da Lei n° 8.212, de 1991, e 6o da Lei n° 9.528, de 1997, tratamento fiscal diferenciado para os produtores rurais pessoas físicas sem a existência de um critério de discriminação válido juridicamente; disso resulta ofensa ao Princípio da Isonomia Tributária, previsto no artigo 150, inciso II, da Carta Maior; em relação à Contribuição prevista no artigo 25, da Lei n° 8.212, de 1991, o critério de discriminação fundamentase unicamente no fato de atuar o produtor pessoa física na área rural, como motivo da distinção do tratamento fiscal dado aos produtores urbanos pessoas físicas, o que é inadmissível em face da equiparação da previdência rural e urbana promovida pela Constituição Federal; o critério de discriminação instituído pelo artigo 25, da Lei n° 8.212, de 1991, qual seja, ser produtor rural, não se coaduna com os ditames constitucionais para permitir tratamento diferenciado ao aplicado ao produtor urbano; Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 15868.720169/201380 Acórdão n.º 9202007.043 CSRFT2 Fl. 1.352 7 para ser admitida a desequiparação de tratamento fiscal nas Contribuições de Seguridade Social, necessariamente, o produtor rural deveria acarretar com a sua atividade maiores dispêndios de recursos à seguridade social, entretanto, como isto efetivamente não existe em face do produtor urbano, não estão presentes razões para a desigualdade; a inexistência desses dispêndios pode ser apurada nos efeitos do Princípio da Uniformidade entre as populações urbana e rural, que entre outros rege a Seguridade Social, a demonstrar que esta não recebe maiores vantagens a motivar tratamento fiscal desigual, nos termos do artigo 194, parágrafo único, inciso II, da Carta Maior; como se não bastasse, a utilização do critério de discriminação relacionado ao fato de ser rural e não ser urbano para a instituição do tratamento fiscal diferenciado também não se coaduna com o valor inserido na Constituição Federal ao tratar da política agrícola; a inconstitucionalidade do artigo 25, incisos I e II, e do artigo 6o da Lei n° 9.528, de 1997, também tem origem no efeito do bis in idem, sem autorização constitucional, por sofrer esta mesma base de cálculo a incidência da COFINS instituída pela Lei Complementar n° 70, de 1991, com fundamento no artigo 195, inciso I da Constituição Federal de 1988; a "receita bruta da comercialização da produção" tem o mesmo sentido jurídico do "faturamento" sobre a qual incide a COFINS, pois ambas estão relacionadas ao valor recebido na venda de produtos; neste sentido, como já existe um tributo instituído com base no artigo 195, inciso I, alínea "b", da Constituição Federal, ou seja, a COFINS, não pode ser admitida a criação de exações fiscais sobre equivalente base de cálculo; essa impossibilidade decorre do regime jurídico constitucional das contribuições, que nega a possibilidade de ser instituída com a mesma base de cálculo de outra já existente, face à determinação contida o artigo 195, § 4°, da Carta Maior, ao obedecer à vedação contida no artigo 154, inciso I, que nega a possibilidade de ser criada contribuição com natureza de nova fonte para a Seguridade Social com fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados no texto constitucional, como evidentemente é o caso da receita ou o faturamento dos contribuintes. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, para suspender o processo até pronunciamento final do STF nos autos dos Recursos Extraordinários nºs 718.874 e 816.830 ou, caso assim não se entenda, reformar o acórdão recorrido, anulando se o lançamento. O processo foi encaminhado à PGFN em 20/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.298) e, em 26/09/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.342), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 1.299 a 1.341, contendo os seguintes argumentos: Da admissibilidade do Recurso Especial a recorrente questiona a matéria relativa à responsabilidade tributária por substituição – Funrural e alega a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8.212, de 1991; Fl. 1355DF CARF MF 8 ocorre que em relação ao tema foi apresentado como paradigma o Acórdão nº 2401002.799, oriundo da mesma Turma recorrida, o que impede o conhecimento do recurso especial. Do mérito é preciso esclarecer que não há nenhum dispositivo regimental determinando a paralisação do processo administrativo fiscal em virtude do reconhecimento de repercussão geral de determinada matéria; a primeira questão a ser verificada é a concomitância, a qual foi devidamente reconhecida pela DRJ de origem; todavia, ainda que não reconhecida a concomitância de instâncias, é certo que não assiste razão ao recorrente; considerandose que as contribuições para terceiros se sujeitam aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios das contribuições estabelecidas pela Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, a obrigação de descontar e recolher os valores devidos pelo produtor rural pessoa física ao SENAR (em razão da obtenção de receita bruta auferida pela comercialização de produção rural) é do adquirente pessoa jurídica; portanto, os argumentos do recorrente de que inexiste dispositivo legal imputando responsabilidade tributária ao adquirente não podem prosperar, pois, conforme se observa, a responsabilidade tributária não deriva simplesmente do Decreto nº 790, de 1993, mas sim de norma legal com status de lei ordinária; cabe apontar que o lançamento foi efetuado com lastro na Lei nº 10.256, de 2001 (DOU de 10/07/2001), conforme aponta o Relatório Fiscal e o anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD; importante registrar que o Recurso Extraordinário n.º 363.852/MG tem origem no MSG n.º 1998.38.00.0339353, impetrado perante a 16ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, em 27/08/1998, cuja causa de pedir foram as Leis nºs 8.540, de 1992, e 9.528, de 1997, então vigentes à época da impetração; nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física e com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; houve apenas declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei n.º 8.540, de 1992, no comando dirigido ao empregador rural pessoa física; se a inconstitucionalidade decretada no RE nº 363.852/MG em nada afetou o segurado especial, por conseguinte, mantiveramse hígidos os incisos do art. 25, da Lei n.º 8.212, de 1991, então, intuitivo concluir que o fato da Lei n.º 10.256, de 2001, ter alterado apenas o caput do art. 25 da LCPS em nada obsta a cobrança da contribuição substitutiva da folha de pagamento a cargo do empregador rural pessoa física, pois à exação aplicamse os mesmos incisos do art. 25 que permaneceram vigentes no ordenamento jurídico, relativamente ao segurado especial; Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 15868.720169/201380 Acórdão n.º 9202007.043 CSRFT2 Fl. 1.353 9 igual raciocínio se aplica para o art. 30, IV, da Lei n.º 8.212, de 1991, que também se trata de norma dirigida tanto ao empregador rural pessoa física como o segurado especial; a obrigação tributária por subrogação do adquirente quanto ao segurado especial não restou prejudicada pelo RE nº 363.852/MG, assim, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 permaneceu produzindo seus efeitos no ordenamento jurídico, despiciendo, portanto, que a redação conferida pela Lei n.º 9.528, de 1997, não tenha sido alterada pela Lei n.º 10.256, de 2001; logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256, de 2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 3ª, 4ª e 5ª Regiões, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; por fim, cumpre esclarecer que no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, há referência ao artigo 25 da Lei n. 8.212, de 1991, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.540, de 1992, não havendo qualquer remissão às alterações empreendidas pela Lei nº 10.256. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte ou, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Em 16/10/2017, a Contribuinte apresentou a Petição de fls. 1.023 a 1.025, comunicando o teor da Resolução do Senado Federal nº 15, de 13/09/2017 e, com base nela, concluindo que os créditos tributários em tela não mais subsistiriam. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: a) responsabilidade tributária por substituição SENAR; e c) responsabilidade tributária por substituição Funrural inconstitucionalidade da Lei nº 8212, de 1991, art. 30, IV. Tratase de exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, na condição de subrogada, correspondentes à contribuição sobre a produção rural (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – SAT (art. 25, inciso II, Lei nº 8.212, de 1991), bem como das Contribuições para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidentes sobre o valor da comercialização de produtos rurais, adquiridos junto a pessoas físicas, em relação ao período de 01/2009, conforme Relatório Fiscal às fls. 710 a 735. Entretanto, consta ainda do Relatório Fiscal que o lançamento visa prevenir a decadência, em razão da Ação Ordinária nº 2007.61.00.0351886, na qual a Contribuinte Fl. 1357DF CARF MF 10 almeja eximirse da obrigação de recolher, por subrogação, as referidas Contribuições. Ademais, às fls. 581 a 587 (Doc. 2, anexo à Impugnação) consta peça relativa à ação judicial que não deixa dúvidas no sentido de que a Contribuinte submeteu ao Poder Judiciário a discussão acerca da Contribuição para o SENAR. Assim, de plano constatase que a Contribuinte ajuizou ação com o mesmo objeto do presente Recurso Especial. A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, encontrase sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Da mesma forma, não há como sequer conhecer da Petição de fls. 1.023 a 1.025, no sentido do cancelamento da exigência com base na Resolução do Senado Federal nº 15, de 2017, até porque dita resolução nada tem a ver com a Lei nº 10.256, de 2001, que deu suporte à presente exigência. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, em face da concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1358DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000175/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 75 /2 00 9- 04 Fl. 1158DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10932.000175/200904 Acórdão n.º 2202004.382 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1160DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 10932.000175/200904 Acórdão n.º 2202004.382 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1162DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 10932.000175/200904 Acórdão n.º 2202004.382 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1164DF CARF MF
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