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Numero do processo: 10920.902023/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
ELETRODUTO CORRUGADO FLEXÍVEL EM PVC E TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL EM PVC. NORMAS ABNT.
Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM.
Numero da decisão: 3401-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes- Redatora designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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NORMAS ABNT. Os produtos fabricados pela recorrente devem ser classificados nas NCM 3917.32.90 e 3917.33.00, por serem flexíveis, fabricados em PVC, e suportarem pressão abaixo do mínimo definido na NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mara Cristina Sifuentes. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Redatora designada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 20 23 /2 01 3- 55 Fl. 535DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 1. Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 2º trimestre de 2011, no valor de R$ 3.035.238,52, tendo sido reconhecido o direito ao montante de R$ 2.908.614,19 em despacho decisório que homologou parcialmente as compensações, tendo o saldo sido reduzido em função de débitos apurados em procedimento fiscal. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, narra a autoridade fiscal que o procedimento de fiscalização teve início para a verificação de pedidos de ressarcimento de saldo credor de IPI formalizados por meio dos seguintes PER/DComp 3. Em 07/05/2013, foi efetuada visita técnica às instalações fabris da contribuinte para conhecimento dos processos produtivos e materiais utilizados, sendo que todos os documentos que serviram para embasar o termo de verificação em referência foram anexados ao Processo Administrativo nº 10920721.864/201363. Em decorrência da reclassificação fiscal de alguns produtos, foram apurados débitos de IPI não lançados em notas fiscais nem escriturados, que foram cobertos com os créditos apurados, tendo restado caracterizada prática punível com multa isolada, nos termos do art. 80 da Lei nº 4.502/1964, objeto de lançamento de ofício no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352. Assim, foram verificadas irregularidades na classificação fiscal adotada pela contribuinte na venda das linhas ELETRODUTO CORRUGADO e TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL, nos seguintes termos: No caso do primeiro produto, a fiscalização apurou notas fiscais de saída emitidas tanto com o código TIPI 3917.32.90, indicado pelo Fisco, quanto no 3917.23.00, e em todos os casos houve emissões com e sem destaque do imposto. Nos casos da saídas com destaque não há prejuízo ao Fisco. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 536 3 Já nas saídas sem destaque, a fiscalização alega que a empresa não justificou a redução da alíquota para zero quando foi utilizada a classificação 3917.32.90, e classificou incorretamente quando utilizou o código 3917.23.00, destinado aos “tubos rígidos”. (...) No caso dos tubos extensíveis (ou engates flexíveis), a interessada classificou tais produtos majoritariamente no código NCM 3917.23.00 (tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila), sempre sem destaque do IPI; e, minoritariamente, nos demais códigos, com e sem destaque do imposto. Da mesma forma, defende a fiscalização que tais produtos classificamse no código 3917.33.00 (Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios), cuja alíquota de IPI à época era cinco por cento". 4. A reclassificação de tais produtos foi o fundamento para a homologação parcial de diversas PER/DComps apresentadas pela contribuinte que se referem ao período de apuração abrangido pela multa isolada discutida no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 (1º trimestre de 2011 a 3º trimestre de 2012), sendo que tais pedidos de ressarcimento geraram os seguintes processos administrativos, todos pautados para esta mesma sessão de julgamento, para apreciação conjunta: PROCESSO ADMINISTRATIVO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 10920.902022/201319 1º trimestre de 2011 R$ 2.177.522,81 10920.902023/201355 2º trimestre de 2011 R$ 3.035.238,52 10920.902024/201308 3º trimestre de 2011 R$ 4.311.367,39 10920.902025/201344 4º trimestre de 2011 R$ 3.222.556,53 10920.902026/201399 1º trimestre de 2012 R$ 3.115.341,97 10920.902027/201333 2º trimestre de 2012 R$ 3.348.939,57 10920.902028/201388 3º trimestre de 2012 R$ 3.170.939,74 5. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 879 a 891, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal, por ela industrializados, são eletrodutos de PVC (Policloreto de Vinil) que, sejam planos ou corrugados, rígidos ou flexíveis, têm a mesma finalidade: proteger e conduzir condutores providos de isolação em instalações elétricas. Logo, o que deveria diferenciar a utilização de um eletroduto não é o fato dele ser rígido ou flexível, plano ou corrugado, e sim a sua resistência mecânica, sendo que a autoridade fiscal levou em conta apenas o critério rigidez, sem levar em consideração que a finalidade dos produtos é a mesma dos eletrodutos rígidos, devendo receber a mesma classificação destes últimos; (ii) assim como o eletroduto rígido, o eletroduto corrugado está inserido na linha de materiais elétricos Fl. 537DF CARF MF 4 utilizados na construção, sendo ambos tratados em um mesmo programa setorial de qualidade perante o PBQPH (Programa de Garantia da Qualidade de Eletrodutos Plásticos para Sistemas Elétricos de Baixa Tensão em Edificações); (iii) apresentou laudo (parecer técnico), no qual o perito e engenheiro atesta, nos termos da norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, que "(...) o discrímen para determinarse a efetiva e correta classificação fiscal desses produtos não corresponde à sua rigidez, mas sim à sua finalidade e aplicação"; e (iv) requereu a realização de diligência para que se demonstre, por meio de perícia, a "(...) correição da classificação adotada pela recorrente". 6. Em 06/01/2015, a 3ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0130.991, situado às fls. 437 a 443, de relatoria do AuditorFiscal Nelson Klautau Guerreiro Da Silva, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELETRODUTOS CORRUGADOS FLEXÍVEIS E TUBOS EXTENSÍVEIS. Pelas regras de interpretação da NCM (RGI/SH), a correta classificação para os eletrodutos flexíveis de PVC é 3917.32.90, e 3917.33.00 para os tubos extensíveis de PVC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Devem ser afastadas as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Classificação Fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte, intimada da decisão em 11/05/2015 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 447, interpôs, em 27/05/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 448, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 537 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. No decurso dos anos de 2011 e 2012, a contribuinte realizou pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI com base no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 em decorrência: (i) da aquisição de insumos utilizados na elaboração de seus produtos, e (ii) da saída de mercadorias imunes ou tributadas à alíquota zero: Lei nº 9.779/1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. 10. A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria adotado classificação fiscal incorreta quanto aos produtos eletroduto corrugado e tubo extensível universal, o que implicou a apuração do IPI por meio de alíquotas menores do que aquelas efetivamente devidas e, assim, promoveu a reconstituição da escrita fiscal da autuada referente às operações ocorridas entre 01/01/2011 e 30/09/2012, concluindose, ao final do procedimento, pela inexistência de saldo devedor de IPI a ser adimplido. Em que pese tal constatação, a falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída em virtude da classificação fiscal equivocada conduziu à lavratura do auto de infração em debate no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352, lavrado sob o pálio do art. 80 da Lei nº 4.502/1964: Lei nº 4.502/1964 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na Fl. 539DF CARF MF 6 respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. 11. A questão de fundo consiste, portanto, em deslindar se correta a classificação utilizada pela contribuinte (3917.23.00 para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal), ou se equivocada aquela proposta pela autoridade fiscal (3917.32.90 para o eletroduto corrugado e 3917.33.00 para o tubo extensível universal): uma ou outra conclusão terá como efeito imediato a improcedência do auto de infração lavrado no Processo Administrativo nº 10920.721866/201352 e a reversão do despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento, no presente processo. 12. Incontroversa, como se percebe, a classificação até o texto da posição: as partes concordam que os produtos são uma espécie de "plásticos e suas obras" (Capítulo 39), e tampouco questionam estar diante de "tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos" (Posição 3917). 13. Para a contribuinte recorrente, no entanto, (i) o eletroduto corrugado e o tubo extensível universal devem ser classificados na Subposição, Item e Subitem 3917.23.00 ("De polímeros de cloreto de vinila"), submetida, portanto, a uma alíquota zero de IPI. 14. Por outro lado, para autoridade fiscal, (ii) o ELETRODUTO CORRUGADO deve ser classificado na Subposição 3917.32 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios"), Item e Subitem 3917.32.90 ("Outros"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI; já (iii) o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL deve ser classificado na Subposição, Item e Subitem 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), submetido, portanto, a uma alíquota de 5% de IPI. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 538 7 (i) 3917.23.00: CLASSIFICAÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O ELETRODUTO CORRUGADO E PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 15. Deve ser realizada, em primeiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela contribuinte (3917.23): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), rígidos (3917.2), de polímeros de cloreto de vinila (3917.23). Não havendo alternativas após o texto da subposição, tratase esta da classificação completa NCM nº 3917.23.00. 16. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido? 17. Caso se responda negativamente à pergunta (i.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), passase à seguinte: (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? 18. Caso se responda negativamente à pergunta (i.b), a classificação está equivocada. Caso se responda afirmativamente à pergunta (i.b), então necessariamente a classificação correta para o eletroduto corrugado e para o tubo extensível universal será 3917.23.00, apontada pela contribuinte. (ii) 3917.32.90: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O ELETRODUTO CORRUGADO 19. Deve ser realizada, em segundo lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o ELETRODUTO CORRUGADO (3917.32): tubo e seus acessórios de plásticos (3917), outros (3917.3), 20. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (ii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 21. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.a), passase à seguinte: (ii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda Fl. 541DF CARF MF 8 afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? 22. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (ii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios? 23. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.c), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.c), passase à seguinte: (ii.d) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 24. Caso se responda afirmativamente à pergunta (ii.d), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (ii.d), então necessariamente a classificação correta do eletroduto corrugado será 3917.32.90 ("Outros"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da única alternativa. (iii) 3917.33.00: CLASSIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL PARA O TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL 25. Deve ser realizada, em terceiro lugar, a análise quanto à correção da subposição adotada pela autoridade fiscal para o TUBO EXTENSÍVEL UNIVERSAL (3917.33): 26. Devem ser feitas, a partir deste ponto, as seguintes perguntas: (iii.a) tratase de um tubo de plástico rígido (uma vez que a alternativa a "outros" da subposição 3917.3 seria a 3917.2, ou seja, tubos plásticos rígidos)? 27. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.a), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.a), passase à seguinte: (iii.b) tratase de um tubo de plástico tubo flexível (i.e., não rígido) que pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa (uma vez que, caso se responda afirmativamente, a classificação se subsumiria à subposição 3917.31, mais específica)? Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 539 9 28. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.b), a classificação está equivocada. Apenas caso se responda negativamente à pergunta (iii.b), passase à seguinte: (ii.c) tratase de um tubo flexível (i.e., não rígido) que não pode suportar uma pressão mínima de 27,6MPa não reforçado com outras matérias nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios de copolímero de etileno? 29. Caso se responda afirmativamente à pergunta (iii.c), a classificação está equivocada. Caso se responda negativamente à pergunta (iii.c), então necessariamente a classificação correta do tubo extensível universal será 3917.33.00 ("Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios"), apontada pela autoridade fiscal, pois se trata da mais específica. 30. Como se sabe, para se resolver a questão sob litígio, necessário o recurso às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de mercadorias (NESH). Ao nos voltarmos especificamente às metaregras de aplicação descritas no Capítulo 39 da TIPI ("Plástico e suas obras"), advertimos que, para que se respondam às questões que fizerem menção ao termo "copolímero", deve ser levada em conta, necessariamente, a Nota 4, mas, por outro lado, uma vez que o texto da posição é incontroverso, desnecessária a menção à Nota 8 do Capítulo 39, que dispõe acerca do termo "tubos". Devem, no entanto, ser aplicadas as disposições veiculadas pela Nota de subposição 1, sobre a forma como se classificam os polímeros (incluindo os copolímeros) e os polímeros modificados quimicamente. 31. Observese que caso se responda afirmativamente à pergunta (i.a), e se conclua estarmos diante de um tubo de plástico rígido, desnecessário, para fins de provimento ou não provimento do recurso voluntário interposto, prosseguir na classificação, pois equivocados estarão os dois códigos ofertados pela autoridade fiscal, e procedente restará o recurso voluntário interposto. 32. Com estas observações em mente, o laudo (parecer técnico) apresentado pela contribuinte, baseado na norma ABNT NBR 15465, de 04/08/2008, além de não responder se os dois produtos em apreço seriam "rígidos" ou "nãorígidos" ("flexíveis"), primeira pergunta para se prosseguir em qualquer das três classificações em disputa, concluiu que tanto o eletroduto corrugado como o tubo extensível universal atenderiam à mesma finalidade e teriam a mesma aplicação, baseada em sua resistência mecânica de suportar os esforços de compressão quando a ele submetidos. Assim, no entendimento do perito, o critério correto para se realizar qualquer classificação, seria a resistência, e não a rigidez. 33. A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. 34. Observese que, mesmo uma rápida busca no compêndio de ementas de soluções de consulta e soluções de divergência emitidas pelo Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam) da Receita Federal do Brasil, indica que a resposta à questão sobre ser rígido ou flexível o tubo de plástico é condição inexorável para o prosseguimento do intento classificatório: Fl. 543DF CARF MF 10 3917.32.90 | SC 4/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão máxima de 1 Mpa. 3917.32.90 | SC 5/2016 1ª Turma Tubo flexível de plástico (poliamida), não reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, apresentado sem acessórios e acondicionado em carretéis, podendo suportar pressão de 1,5 a 6 Mpa. 3917.32.90 | SC 283/2017 4ª Turma Tubo flexível corrugado fabricado em PVC (poli(cloreto de vinila), com propriedades antichamas, próprio para proteção mecânica das instalações elétricas prediais, medindo 20 mm d e diâmetro e 50 m de comprimento, com tensão de ruptura inferior a 27,6 MPa. 3917.32.90 | SC 130/2016 3ª Turma Tubo flexível termo contrátil de polietileno, sem reforços ou acessórios, com tensão de ruptura máxima de 10,4 MPa, diâmetro interno em estado natural de 41,5 mm, peso líquido de 104,8 g/ml e apresentado em bobina de papelão de 50 metros. 35. Por outro lado, em que pese a imprestabilidade da prova produzida pela recorrente, tampouco a autoridade fiscal responde à questão sobre ser ou não rígido o produto a ser classificado de maneira minimamente satisfatória, valendose unicamente das máximas de experiência e da visita ao site comercial da recorrente, conforme excerto, situado à fl. 488, que se transcreve do termo de verificação fiscal: 36. O recurso a tal prova é ecoado e refletido pela decisão recorrida, que não envida esforços em buscar outros indícios ou provas que sirvam como sustentáculo para a sua conclusão: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 540 11 12. No que se refere aos produtos, inexistem divergências quanto ao fato de se tratarem de tubos de plásticos, enquadrados, portanto, na posição 39.17 da NCM. Também não existem dúvidas de serem flexíveis de fato, aptos às aplicações propostas no sítio da empresa (“O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade”), o que não seria possível se fossem rígidos de fato. Não releva saber, para a identidade dos produtos e seus efeitos fiscais, no caso concreto, se foram fabricados com composto de PVC rígido. 37. Observese que a contribuinte, ao ser questionada sobre a rigidez dos produtos, "(...) informou que utiliza na fabricação dos produtos da linha eletroduto de PVC flexível corrugado o composto de PVC rígido, o mesmo utilizado na produção dos tubos para água e esgoto, e que por isso utiliza a mesma classificação". O maior apuro técnico de que se vale a autoridade lançadora é obtido por meio de consulta ao site da Wikipedia: 38. Assentese com a afirmação da acusação fiscal de que o simples fato de os produtos utilizarem o PVC rígido como insumo de produção não implica, necessariamente, que deva ser entendido como um tubo rígido. No entanto, tampouco há de se comungar com a afirmação, igualmente falaciosa, no sentido de que o nome comercial do produto exposto no site da contribuinte seja prova em suficiência para a classificação no texto da posição da nomenclatura comum. Muito embora a frase “o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade; podendo curvarse com facilidade” ofereça um forte indício sobre se tratar de um material não rígido, impressão esta que apenas se reforça com o silêncio do laudo pericial apresentado quanto a este aspecto, não se vislumbra, apenas com a página da Internet, a prova necessária para se afirmar com segurança a respeito das características físicoquímicas do produto. 39. Assim, acerta a autoridade fiscal ao afirmar que primeiro critério é definir se o tubo de plástico é ou não rígido. Mas se equivoca na forma como constrói precariamente seu argumento, eivandoo de carência probatória, uma vez que incumbida está do ônus de provar, não sendo absolutamente aceitável estribar o despacho decisório unicamente em uma informação comercial obtida na Internet que, quando muito, serviria de indício para o início de uma investigação técnica. E, por outro lado, acerta a contribuinte ao entender que, para subsidiar a classificação, fazse necessário o recurso à perícia. No entanto, igualmente se equivoca ao buscar critérios próprios para aferir o código NCM correto, uma vez que o aplicador se volta às específicas regras e metaregras do sistema harmonizado em uma seqüência lógica prédeterminada. 40. A questão passa a ser: há nos autos provas em suficiência para se afirmar se os produtos são ou não rígidos? Em caso positivo, deve o aplicador passar à pergunta Fl. 545DF CARF MF 12 seguinte, e assim sucessivamente, uma vez que as regras gerais para interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Não sendo possível se responder a esta questão inaugural com os dados e documentos disponíveis, deverá o julgamento aguardar a realização de diligência que responda à dúvida do julgador. Neste caso, deverá o colegiado antecipar as dúvidas supervenientes para que todas restem respondidas nesta mesma oportunidade. 41. Concluímos, ao compulsar os autos, que não há outras provas que permitam afirmar, com segurança, se os produtos em análise seriam rígidos ou não rígidos, o que, no atual estado do processo, e caso eventualmente vencida a proposta de diligência, redundaria, necessariamente, na conclusão pela insuficiência de provas hábeis a lastrear o despacho decisório que homologou parcialmente o ressarcimento pleiteado. 42. E se observe que, ainda que a questão em torno da rigidez pudesse eventualmente ser superada, outras questões restariam pendentes: para se confirmar a correção do código adotado pela contribuinte, necessário seria se confirmar que se trata de tubo de polímero de cloreto de vinila. 43. Por outro lado, caso seja não rígido o tubo e, portanto, incorreto o código utilizado pela contribuinte, forçoso se confirmar que a acusação fiscal classificou corretamente os produtos em análise e, para isso, imprescindível se compreender se podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa, hipótese que descartaria a suposição do despacho decisório. Caso não possam, a tarefa do classificador ainda não estaria concluída, pois indispensável a questão sobre se os produtos são reforçados com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias, se apresentam acessórios e, em caso positivo, se tais acessórios seriam ou não copolímeros de etileno. 44. Como se pode perceber, a decisão sobre a procedência ou não do recurso voluntário interposto, depende de um seriado de perguntas que demandam saber técnico alheio ao jurídico e, depois de percorrer todas as folhas deste processo em busca de respostas embasadas e minimamente seguras, não as encontramos e, portanto, da maneira em que se encontra, o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Apresente laudo técnicopericial conclusivo que responda afirmativa ou negativamente, de maneira objetiva e fundamentada, os seguintes quesitos referentes ao produto "eletroduto corrugado" e ao produto"tubo extensível universal": (i.a) tratase de um tubo de plástico rígido ou nãorígido ("flexível")? (i.b) tratase de um tubo de plástico rígido de polímeros de cloreto de vinila? (i.c) unicamente se o produto for nãorígido ("flexível"), pode suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa? (i.d) o produto é reforçado com outras matérias ou associados de outra forma com outras matérias? Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 541 13 (i.e) unicamente se o produto não for reforçado com outras matérias, nem associado de outra forma com outras matérias, ele apresenta acessórios? (i.f) unicamente se o produto apresentar acessórios, são estes acessórios de copolímeros de etileno? Deverá a resposta a este específico quesito levar em consideração o texto da Nota 4,1 transcrito em nota de rodapé no presente voto. (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) 1 "Consideramse 'copolímeros' todos os polímeros em que nenhum motivo monomérico represente 95 % ou mais, em peso, do teor total do polímero. Ressalvadas as disposições em contrário, na acepção do presente Capítulo, os copolímeros (incluindo os copolicondensados, os produtos de copoliadição, os copolímeros em blocos e os copolímeros enxertados) e as misturas de polímeros, classificamse na posição que inclua os polímeros do motivo comonomérico que predomine, em peso, sobre qualquer outro motivo comonomérico simples. Na acepção da presente Nota, os motivos comonoméricos constitutivos de polímeros que se classifiquem numa mesma posição devem ser tomados em conjunto. Se não predominar nenhum motivo comonomérico simples, os copolímeros ou misturas de polímeros classificamse, conforme o caso, na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração". Fl. 547DF CARF MF 14 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Voto Vencedor Conselheira Mara Cristina Sifuentes , Redatora designada. Apesar de concordar com muitos dos argumentos apresentados pelo Ilustre Relator, e por acompanhar sua linha de argumentação, dele ouso divergir quanto a necessidade de diligência para se efetuar a classificação fiscal das mercadorias autuadas. A controvérsia gira em torno de dois produtos, ambos classificados na NCM 3917.23.00 pela recorrente: eletroduto corrugado tubo extensível universal E classificados pela fiscalização nas NCMs 3917.32.90 e 3917.33.00, respectivamente. Concordo que o cerne da questão está em se decidir se estamos diante de um tubo rígido ou tubo flexível (3917.2 ou 3917.3), já que não existe controvérsia quanto a posição 3917, adotada tanto pela recorrente e pela fiscalização, para ambos produtos. A questão parece tão simples e tão óbvia que a primeira vista não há questionamentos a serem efetuados. Rígido e flexível são duas definições que se opõem e que são utilizadas cotidianamente em muitas situações. Por isso nosso primeiro impulso é buscar essas definições nos dicionários, já que são de uso corrente. No dicionário Houaiss, disponível no endereço eletrônico Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 542 15 https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v33/html/index.php#0 encontramos as seguintes definições: Rígido adjetivo em que há rigidez 1 falto de maleabilidade física; teso, rijo, hirto, duro ‹corpo r.› ‹metal r.› 2 p.metf. que é ou se mostra inflexível em suas opiniões, decisões etc.; duro, intransigente 3 que denota severidade, austeridade; austero ‹princípios r.› ‹homem r.› 3.1 falto de meiguice, de ternura com relação a outrem; rude, áspero ‹pais r.› 4 que não permite frouxidão; exato, rigoroso ‹tinha no trabalho um horário r.› 4.1 extremamente controlado; minucioso, apurado ‹r. controle de qualidade› sinônimos ver sinonímia de rigoroso antônimos: flexível Flexível adjetivo de dois gêneros 1 que se dobra ou curva com facilidade; arqueável, flexo 2 que revela agilidade; elástico, elegante ‹um andar f.› 3 fácil de manejar; domável 4 que se acomoda facilmente às circunstâncias, que é facilmente influenciável; dócil, maleável, compreensível ‹um caráter f.› 5 que tem aptidão para diferentes atividades sinônimos ver antonímia de sólido antônimos: ferrenho, inflexível, intransigente, rígido; ver tb. sinonímia de sólido Como se pode concluir, com o auxílio do dicionário, rígido é o antônimo de flexível, sendo flexível aquilo que se dobra ou curva com facilidade, aquilo que é arqueável, que é flexo, que é elástico, fácil de manejar, domável. Já rígido é aquilo em que há rigidez, que falta maleabilidade física, é teso, rijo, hirto, duro. A partir dessas constatações chegamos as duas subposições de primeiro nível possíveis: 3917.2 Tubos rígidos 3917.3 Outros Tubos Ora ou o tubo é rígido ou ele não é rígido, tanto assim que o Sistema Harmonizado faz a distinção em Tubos rígidos e outros tubos. Muitos países adotaram a tradução como "3917.3 Tubos não rígidos" ao invés de outros tubos. A título de esclarecimento, na versão em inglês do SH temos: 3917.2 Tubes, pipes and hoses, rigid: Fl. 549DF CARF MF 16 3917.3 Other tubes, pipes and hoses: Valendonos do senso comum podemos concluir que estamos diante de tubos flexíveis, já que a própria recorrente apresenta seu produto como "Eletroduto corrugado flex" e no site da empresa o produto é apresentado como, fazendo parte da linha "Eletroduto de PVC flexível Corrugado": Os eletrodutos flexíveis corrugados são aplicados em instalações prediais elétricas de baixa tensão, para condução e acomodação de fios, cabos elétricos e dispositivos embutidos em paredes e lajes, ou aparentes em local protegido. O sistema é composto por eletrodutos corrugados para paredes (amarelo) e para lajes (laranja), com comprimento comercial de 50 metros, para bitolas de 20 e 25 mm; e 25 metros para bitola de 32 mm. O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. Antichama, o produto adequase perfeitamente às exigências da norma NBR 5410, oferecendo segurança às instalações elétricas de baixa tensão. Completa o sistema uma linha de caixas de luz e luvas de pressão, que se interligam aos tubos pelo sistema de simples encaixe. No caso dos tubos extensíveis, ou engates flexíveis, eles são apresentados no catálogo da empresa como "Sifão Extensível Universal", relativo aos mesmos códigos de produtos apontados pela fiscalização (10101, 17311, 96665 e 17815). E consta o esclarecimento que "o tubo extensível universal permite que sua curvatura tome o formato de um sifão", e que esses tubos possuem corpo sanfonado. Claro que não podemos nos valer apenas do que afirma a recorrente ser o produto, mesmo que em informações amplamente divulgadas para efeitos de comércio e propaganda. Para a classificação fiscal é preciso haver a identificação correta da mercadoria. Também não acabe à classificação fiscal adotar critérios diferentes dos preconizados pelas normas do Sistema Harmonizado. Não há como adotar, conforme quer a recorrente, a resistência ao invés da rigidez para classificar a mercadoria, já que esse não foi o critério escolhido pelo SH. Esclareço que nem sempre os critérios elegidos para a classificação fiscal de uma mercadoria coincidem com as necessidades de mercado, de produto ou de outras normas existentes (normas de outros órgãos administrativos são próprias às necessidades do órgão e o objetivo que se quer alcançar). São critérios próprios do SH que devem ser seguidos. Assim, correto o entendimento do Ilustre Relator do voto vencido: A prova técnica, ao ignorar completamente os critérios de classificação do Sistema Harmonizado e, ao invés de responder às dúvidas acima, sendo a primeira delas aquela concernente a ser um tubo de plástico rígido ou nãorígido, de nada serve ao classificador, devendo ser desconsiderada, por impertinente e desnecessária. Apesar de restar definido o que seja rígido e flexível, para efeitos de conhecimento geral, para maiores esclarecimentos devemos buscar apoio em normas técnicas nacionais e internacionais que podem servir de subsídio para nossa investigação. As normas da ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas, apesar de serem de utilização no país, seguem as normas internacionais de padronização, e por isso servem para o nosso propósito: Entidade privada e sem fins lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 543 17 (Organização Internacional de Normalização ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan Americana de Normas Técnicas Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional IEC). Também temos a nos socorrer as normas internacionais ISO, International Organization for Standardization, em especial a ISO 182632:2015 Plastics Mixtures of polypropylene (PP) and polyethylene (PE) recyclate derived from PP and PE used for flexible and rigid consumer packaging Part 2: Preparation of test specimens and determination of properties. E a American Society for Testing Materials (ASTM), em especial as normas ASTM D79017 Standard Test Methods for Flexural Properties of Unreinforced and Reinforced Plastics and Electrical Insulating Materials e ASTM D123813 Standard Test Method for Melt Flow Rates of Thermoplastics by Extrusion Plastometer. A norma ABNT NBR 15465, sobre Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricos de baixa tensão requisitos de desempenho, utilizada pela recorrente em sua argumentação, define quais requisitos de desempenho devem cumprir o produto: · Resistência à curvatura · Resistência à compressão · Resistência ao impacto · Resistência ao calor · Resistência à chama · Resistência rigidez dielétrica · Resistência do isolamento elétrico A recorrente alega seguir as orientações e estar qualificada pelo PBQPH, que é o Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat PBQPH, do Ministério das Cidades. Esse programa qualifica fabricantes de materiais e componentes, que para isso devem seguir suas orientações, e segue a norma ABNT NBR 15465. Na Diretriz de avaliação técnica de Produtos Sinat/PBQPH nº 013, para Tubulações corrugadas de polietileno contendo polietileno de alta densidade reciclado para microdrenagem de áreas internas de empreendimentos residenciais e comerciais, estão definidos os critérios de desempenho dos produtos: Assim, as tubulações alvo desta Diretriz são compostas por: Tubos corrugados (ver Figura 1) com ponta e bolsa. A ponta do tubo acomoda o anel de vedação elastomérico. Estes tubos possuem parede dupla, sendo a parede interna lisa (superfície que fica em contato com água de escoamento) e a parede externa com corrugações anelares ocas (ver Figura 2). A matériaprima utilizada na fabricação destes tubos contém polietileno de alta densidade reciclado (pósconsumo e pós indústria) e/ou polietileno reprocessado, cujo percentual na composição deve estar de acordo com os limites estabelecidos no item 1.2. Estes tubos devem atender aos requisitos e critérios especificados por esta Diretriz; Fl. 551DF CARF MF 18 Essa diretriz avalia os seguintes requisitos: densidade fluidez módulo de flexão tensão de escoamento na tração teor de negro de fumo tempo de oxidação induzida teor de cinzas teor de polipropileno resistência química. A diretriz também avalia o desempenho estrutural do produto, avaliando a rigidez anelar, conforme ISO 9969:2016, o achatamento, resistência ao impacto, fissuramento sob tensão com entalhe, resistência ao calor, e a durabilidade. Toda essa digressão foi efetuada para demonstrar que existem métodos para avaliar a rigidez e a flexibilidade de um produto, e que rigidez e resistência a impactos são características distintas, que podem conviver no mesmo produto. O produto pode ser flexível e apresentar resistência anelar, em cada anel do elemento corrugado, por exemplo. Porém para efeitos de classificação fiscal de mercadoria, o SH elegeu diferenciar os produtos entre flexíveis e rígidos em um primeiro momento, para apenas em um segundo momento fazer a diferenciação dos produtos relativa à resistência (vide descrição da NCM 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa). Voltando aos produtos em análise devemos identificar o produto para saber se eles são rígidos ou não. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 544 19 O TVF informa que foram utilizadas informações obtidas em diligência à empresa para visita técnica, análise de informações constantes no sítio eletrônico da empresa na internet, catálogo de produtos, informações prestadas pela empresa nos seus documentos fiscais, imagens dos produtos, forma de comercialização dos produtos em bobinas para firmar seu convencimento que estava diante de produtos flexíveis, e que o fato de utilizarse para sua produção PVC rígido não significa que se está a produzir um produto rígido. A empresa apresenta Parecer Técnico, por ela solicitado ao engenheiro Eduardo A. C. Monteiro, em que discorre sobre a definição e características do PVC, policloreto de vinila, e informa que a diferenciação entre produtos rígidos ou flexíveis é feita pela detecção da presença ou não de óleo plastificante, e os produtos produzidos pela recorrente não utilizam em sua formulação aditivos plastificantes e que por isso são produtos rígidos Para o técnico a classificação de um eletroduto de PVC, em rígido e flexível, tem como base a sua resistência mecânica e a sua aplicação se baseia fundamentalmente nesta capacidade de suportar aos esforços de compressão quando a eles submetidos. Discordo do parecer técnico, pois a norma ABNT utilizada faz a diferenciação entre resistência à curvatura e à compressão, o que demonstra que não se pode tomar uma resistência pela outra. Pelos documentos citados e a leitura atenta do material técnico disponível para o tema, concluímos que os tubos corrugados são compostos de vários anéis. Esses anéis são juntados entre si por material de PVC. Cada anel pode apresentar rigidez (por isso algumas normas trazem testes quanto à rigidez anelar) se considerado isoladamente, mas o tubo, ao conectar os anéis permite que haja uma flexibilidade no produto como um todo. A característica principal dos tubos corrugados é permitir a realização de curvaturas com mudança de direção, dispensando o uso de conexões. Superada a questão quanto a característica dos produtos, concluo a partir de todas as elucubrações efetuadas que os produtos fabricados pela recorrente são produtos flexíveis. Portanto estamos diante da NCM para a subposição 3917.3 outros tubos, pela aplicação da RGI6: 6.A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Percorrendo a trilha do procedimento para classificação da mercadoria, agora devemos analisar a subposição de 2º nível: 3917.3 Outros tubos: 3917.31.00 Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea Fl. 553DF CARF MF 20 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.90 Outros 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 Outros Já concluímos que estamos diante de tubos flexíveis, para os dois produtos. Pela aplicação da RGI6 temos que verificar entres os textos das subposições, qual o melhor descreve o produto. Para o produto "eletroduto corrugado" as subposições 3917.31 e 3917.32 são possíveis, desde que se esclareça qual a pressão mínima suportada por ele. Já o produto "tubo extensível universal" são possíveis as subposições 3917.31 e 3917.33. A recorrente afirma em seu Recurso Voluntário que o sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral. Quanto especificamente ao produto fabricado pela recorrente temos a informação em email interno da empresa, já que o Parecer Técnico esclarece pontos relativos a tubos corrugados em geral e não realiza uma análise do produto da recorrente: No catalogo de produtos disponível no site da empresa consta que: O sistema corrugado oferece ao produto alta resistência à compressão diametral, aliado a grande flexibilidade, podendo curvarse com facilidade. ... Toda instalação elétrica deve possuir um projeto de instalação que ofereça segurança ao usuário, atendendo às especificações exigidas pela NBR 15465 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho. ... Os eletrodutos são fornecidos em bobinas de 25 e 50 metros, facilitando sua aplicação, gerando uma economia de tempo e reduzindo a quantidade de conexões. Em casos de aproveitamento dos segmentos que sobraram durante a instalação, estes poderão ser unidos por meio de luvas de pressão. ... Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10920.902023/201355 Acórdão n.º 3401005.135 S3C4T1 Fl. 545 21 A nova norma de eletrodutos plásticos ABNT NBR 15465:2007 – Sistemas de eletrodutos plásticos para instalações elétricas de baixa tensão – Requisitos de desempenho – classifica os eletrodutos plásticos da seguinte forma: Para a norma ABNT, os eletrodutos da empresa, como apresentam resistência mecânica média e leve, estão sujeitos a esforços de compressão de até 320N e 750N: Para as aplicações em que os eletrodutos e suas conexões ficam submetidos a esforços de compressão de até 320N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "leve", para esforços até 750N, devese utilizar no mínimo a classe de resistência "médio", para esforços de compressão de até 1250N, devese utilizar a classe de resistência mecânica "pesado". A NCM 3917.31.00 descreve os tubos flexíveis que podem suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa. O pascal (Pa) é uma unidade padrão de pressão e equivale à força de 1 (um) Newton aplicada uniformemente sobre uma superfície de 1 (um) m2. Logo 27,6 Mpa equivale a 27.600.000 Newton/metro2. Concluímos que a pressão suportada pelos produtos está muito abaixo do mínimo estipulado pela NCM 3917.31.00, não atendendo a descrição da mercadoria ao que está descrito nessa NCM. Chegamos a conclusão que pela aplicação da RGI6 para o produto "eletroduto corrugado" é aplicável a subposição 3917.32. E como o produto é fabricado com PVC, policloreto de polivinila, deve ser aplicada a NCM 3917.32.90. Para o produto "tubo extensível universal" concluímos pela subposição 3917.33, e como não existe desdobramento para essa subposição temos que se aplica a NCM 3917.33.00 Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios. Já que segundo o catálogo da empresa esse sifão extensível universal vem acompanhado de acessórios. Fl. 555DF CARF MF 22 Depois dessa longa explicação concluo por negar provimento ao Recurso Voluntário e pela manutenção da Classificação Fiscal identificada pela Fiscalização no auto de infração. Por todo a exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes, Redatora designada Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003240/2010-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-006.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 40 /2 01 0- 24 Fl. 421DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.097, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de auto de infração, relativo apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs das competências fevereiro de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008 sem dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constituindo infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei n.° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, regulamentado pelo artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, ocasionando o lançamento no montante de R$ 57.271,60 (cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e um reais e sessenta centavos), valor consolidado em 26 de outubro de 2010. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, às fls. 60/93, restando, porém, julgado improcedente pela DRJ. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 183 e ss. Às fls. 297/313, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11020.003240/201024 Acórdão n.º 9202006.960 CSRFT2 Fl. 10 3 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, às fls. 322/328, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.097, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 401/408, DEU PARCIAL PROVIMENTO, no sentido para que a retroatividade benigna fosse aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Às fls. 410/414, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 418/419 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração, relativo apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs das competências fevereiro de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008 sem dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constituindo infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de Fl. 423DF CARF MF 4 1991, incluído pela Lei n.° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, regulamentado pelo artigo 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999, ocasionando o lançamento no montante de R$ 57.271,60 (cinquenta e sete mil, duzentos e setenta e um reais e sessenta centavos), valor consolidado em 26 de outubro de 2010. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.097, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721056/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO.
Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
Numero da decisão: 9202-006.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RECURSO ESPECIAL. ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ART. 5º C/C ART. 67, §12 DO RICARF APROVADO PELA PORTARIA 343/2015. DECISÃO VINCULANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. NÃO CONHECIMENTO. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 56 /2 00 9- 18 Fl. 187DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento pra cobrança de crédito tributário constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, rendimentos estes que foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Após o trâmite processual a 1ª Tuma Especial deu provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte determinando o cancelamento do lançamento, haja vista aplicação, para fins de exigência do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, de critério de cálculo declarado ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Com base no art. 67 do RICARF, então aprovado pela Portaria nº 256/2019, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. Indicando como paradigmas os acórdãos 2102002.806 e 380400.031 a recorrente defende a manutenção do lançamento cuja fundamentação legal era o art. 12 da Lei nº 7.713/88, oportunamente foi requerido ainda o sobrestamento do processo até o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 614.406 e 614.232, recebidos pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática da repercussão geral. O contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não provimento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.721056/200918 Acórdão n.º 9202006.849 CSRFT2 Fl. 188 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Antes de analisarmos o mérito do recurso, se faz necessário tecer comentários sobre o juízo de admissibilidade. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente. A Recorrente assim descreve a divergência: A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Com efeito, de acordo com os Colegiados prolatores dos paradigmas, a incidência do IRPF deve ocorrer de uma só vez e sobre a totalidade dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido de acordo com o regime de competência, considerandose os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Cabe observar, inclusive, que o paradigma nº 2102002.806 foi proferido em 2014 e não aplicou o entendimento sedimentado pelo STJ no julgamento do Resp nº 1.118.429/SP. Em termos mais claros, o paradigma não se valeu do disposto no artigo 62 A do RICARF para decidir a questão, nada obstante ter sido proferido em data recente. Comprovada, portanto, a divergência jurisprudencial quanto à aplicação do art. 12 da Lei n. 7.713/88. Considerando que o acórdão recorrido aplicou, por força do art. 62A do então regimento interno decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática dos recursos repetitivos, o despacho de admissibilidade recebeu o recurso apenas com base no acórdão paradigma de nº 2102002.806, desprezando o segundo que havia sido proferido em contexto fático distinto. Assim temos a seguinte situação: 1) decisão que entendendo que os rendimentos recebidos acumuladamente devem ser tributados pelo regime de competência obedecidas as alíquotas e tabelas vigentes à época do correto recebimento deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o lançamento; e 2) recurso especial baseado em paradigma cuja fundamentação afasta a tese do recorrido e defende a incidência do imposto de renda pelo regime de caixa, com alíquota e tabela do mês do recebimento ou crédito e sobre o total dos rendimentos. Fl. 189DF CARF MF 4 Quando da interposição do recurso ainda não tínhamos decisão definitiva sobre a matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Assim, considerando que o acórdão paradigma afastou expressamente a aplicação ao caso do Resp 1.118.429, a Fazenda Nacional apresentou, em 27.06.2014, recurso defendendo a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, quando da análise da admissibilidade o cenário era outro. Em 09.12.2014, transitou em julgado a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 614.406, decisão proferida sob a sistemática da repercussão geral e a qual declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88. O Tribunal Superior definiu, de forma definitiva, que o "Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Embora o recurso tenha sido interposto na vigência do antigo regimento interno, o respectivo exame de admissibilidade ocorreu em 30.06.2015, data em que já se encontrava vigente o RICARF aprovado pela Portaria nº 343/2015 publicado em 10.06.2015, razão pela qual, por força do respectivo art. 5º, deveria ter observado a nova regra do §12 do art. 67. Vejamos os dispositivos com a redação válida na época: Art. 5º Os despachos de exame e reexame de admissibilidade dos recursos especiais exarados depois da data de publicação desta Portaria observarão, no que couber, o nela disposto. .. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Assim, aplicando o art. 5º c/c art. 67, §12 do Regimento Interno aprovado pela Portaria 343/2015, entendo que o acórdão paradigma considerado pelo exame de admissibilidade também não é apto para fundamentar a divergência perseguida pela Recorrente, haja vista que seu entendimento foi superado por decisão vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.721056/200918 Acórdão n.º 9202006.849 CSRFT2 Fl. 189 5 Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.000409/2009-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS
Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 9101-003.658
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro André Mendes de Moura. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 04 09 /2 00 9- 60 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 65/72, contra o Acórdão nº 1803001.713, proferido pela Terceira Turma Especial do CARF, em sessão realizada em 11/6/2013, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado por R & S COM E TRANSP DE MAT PARA CONSTRUÇÃO LTDA, para afastar a multa de mora sobre os débitos indicados em compensação em PER/DCOMP após os seus vencimentos (fls. 57/62). Tratase este processo de PER/DCOMP transmitida em 26/7/2005, com o objetivo de quitar, via compensação, débito de CSLL devida sob a sistemática do Lucro Presumido, referente ao 2º trimestre de 2004 Cód. 2372 vencido em 30/7/2004, com direito creditório relativo a pagamento indevido de estimativa de CSLL feito em 29/6/2004 Cód. 2484 (fls. 2/6 do vol.1). O direito creditório foi integralmente reconhecido pelo órgão de origem que homologou, em parte, a compensação, em razão de terem sido acrescidos, ao débito indicado para compensação, os encargos moratórios, em face de o tributo encontrarse vencido (30/7/2004) quando da apresentação do PER/DCOMP (26/7/2005), o que resultou na insuficiência do direito creditório para quitar completamente o débito, conforme Despacho Decisório (fl. 7 do vol.1). Em manifestação de inconformidade a interessada explicou que efetuou pagamentos indevidos de estimativa de CSLL nos meses de maio, junho e julho de 2004, cujos valores perfazem exatamente o montante devido de CSLL na sistemática de apuração do Lucro Presumido relativo ao 2º trimestre de 2004 e, assim, o acréscimo moratório seria indevido por se tratar, o crédito e o débito, de mesmo tributo, mesmo período e mesmo valor. A turma julgadora de 1ª instância indeferiu a manifestação de inconformidade (fls. 36/40), sob o seguinte argumento: No Detalhamento da Compensação (fl.35) integrante do Despacho Decisório, notese que na análise do pleito foi procedida a atualização do valor restituído, tendo sido utilizado na compensação o crédito corrigido. A homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação. Dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo A interessada interpôs Recurso Voluntário (fls. 43/54), julgado pela Terceira Turma Especial do CARF, em sessão realizada em 11/6/2013 pelo qual, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para afastar a multa de mora sobre os débitos indicados em compensação em PER/DCOMP após os seus vencimentos (fls. 36/40). No Acórdão nº 1803001.713 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.385 3 Exercício: 2005 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVAS. DÉBITO DECLARADO NA SISTEMÁTICA DO LUCRO OU RESULTADO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. MESMO TRIBUTO, MESMO MONTANTE E MESMO PERÍODO. DESCABIMENTO DE MULTA DE MORA. No caso específico em que foram recolhidos indevidamente, a título de estimativas, valores que, no seu conjunto, correspondem exatamente ao mesmo tributo, mesmo montante e mesmo período que o débito declarado na sistemática do lucro ou resultado presumido, não é cabível a exigência de multa de mora, mesmo tendo sido apresentada Declaração de Compensação posteriormente ao vencimento do referido débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O colegiado a quo assinalou que, de fato, a legislação de regência "determina que os débitos decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora (destituída de caráter punitivo, dada sua natureza reparatória), calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada a vinte por cento, bem como sofrerão a incidência de juros Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento". Contudo, considerou indevidos os acréscimos moratórios no presente caso por entender que, em se tratando de mesmo tributo, atinente a períodos equivalentes recolhidos sob o código 2484 que, somados, correspondem exatamente ao montante devido de CSLL no trimestre correspondente apurado pela sistemática do Lucro Presumido (cód 2372), não se tratava de crédito diverso do débito que se pretende extinguir. A PFN foi cientificada e recorreu à CSRF, apontando divergência jurisprudencial em relação à incidência de acréscimos moratórios sobre débitos vencidos multa de mora e juros de mora, indicados para compensação em PER/DCOMP. Indicou como paradigma o Acórdão n° 110200.092, que veiculou a seguinte ementa, no que importa à questão: COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Os débitos a serem compensados, incluídos em DCOMP entregue após a data dos seus respectivos vencimentos, serão acrescidos de juros de mora e de multa de mora, na forma da legislação de regência, incidentes desde a data prevista para pagamento até a data da entrega da Declaração de Compensação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENCARGOS MORATÓRIOS. CABIMENTO A denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN não exclui a multa de mora. Entender que o recolhimento em atraso, feito de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.386 4 forma espontânea, exclui a multa de mora, é negar aplicação às leis que determinam sua imposição, pois a espontaneidade no pagamento em atraso é pressuposto da incidência da multa de mora. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional, em resumo, tece os seguintes argumentos: a) a homologação apenas parcial deuse em função do acréscimo de multa e juros moratórios do débito compensado, haja vista que tanto a valoração do crédito quanto a atualização do débito ocorrem na data de entrega da Declaração de Compensação; b) dessa forma, resulta notória a impossibilidade de que seja acolhida a pretensão do sujeito passivo, pois, do contrário, resultará em violação ao princípio da legalidade, previsto, para a Administração Pública, no art. 37, caput, da Constituição Federal; c) o débito do contribuinte venceu em 30/7/2004, e a declaração de compensação, que tem o efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 2º), somente foi apresentada em 26/07/2005, quase um ano depois de vencido o débito; d) desse modo, em observância ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, nada mais natural do que a incidência de multa de mora, além de juros pela Taxa Selic. Contudo, por não incidir sobre o crédito do contribuinte a multa, que é ato de império exclusivo da Administração Pública, mostrase óbvio que a compensação não poderá ser realizada integralmente. Pede, ao final, que seja acolhido e provido o recurso para reformar o acórdão recorrido e restaurada a decisão da DRJ, com a homologação apenas parcial da compensação. O Recurso Especial interposto foi admitido pelo Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, conforme despacho de fls. 81/83. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 90/96) na qual reproduz seus argumentos de defesa e acrescenta que o tributo devido CSLL apurada pelo Lucro Presumido relativa ao 2º trimestre de 2004, foi recolhida antes de seu vencimento, de forma mensal, razão também pela qual não poderiam ser exigidos os acréscimos moratórios. Invoca, ainda, a denúncia espontânea da infração, de forma que, uma vez reconhecida, devem ser excluídos os encargos moratórios. Faz referência à Nota Técnica COSIT nº 1/2012, a julgados do CARF e do STJ. Pugna, ao final, pelo não provimento do Recurso Especial e a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade de fls.81/83. Quanto ao mérito, inicialmente, há que se esclarecer à recorrida que sua alegação, trazida apenas em contrarrazões, a respeito da aplicação, ao caso, do benefício da denúncia espontânea previsto no art. 138, do CTN, não pode ser conhecida por este colegiado superior eis que não foi razão de decidir do acórdão recorrido. Feita esta consideração inicial, tratase de apreciar se é devido o acréscimo da multa de mora e dos juros de mora sobre o débito de CSLL apurado pela sistemática do Lucro Presumido, relativo ao 1º trimestre de 2004, declarado na DCOMP tratada nos autos, após seu respectivo vencimento. O colegiado a quo decidiu que tais acréscimos moratórios não seriam devidos porque tanto o direito creditório, quanto o débito indicado para compensação, referemse ao mesmo tributo CSLL mesmo período e mesmo valor. Todavia, essa interpretação não se sustenta diante de uma análise mais detida das normas que regem o sistema tributário nacional. À respeito dos acréscimos moratórios, assim dispõe o art. 161, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. [...] É certo que a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN. Com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação DCOMP foi expressamente reconhecida como extintiva do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação1. 1 Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Vale lembrar que, anteriormente à alteração legislativa que criou a DCOMP, a compensação entre tributos idênticos não carecia de maiores formalidades, consoante reconhecido na seguinte ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. (Acórdão nº 9101002.150 Sessão de 8 de dezembro de 2015). Porém, com a nova redação, a compensação deixa de ser precedida de pedido para ser promovida com efeitos extintivos imediatos, descritos de forma semelhante à extinção prevista no art. 156, VII do CTN, para os casos de pagamento antecipado e homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. Portanto, nos termos da legislação de regência, tanto o direito creditório quanto os débitos indicados para compensação deverão ser valorados a partir da data da entrega da PER/DCOMP, que é o que marca a data da extinção do crédito tributário pela compensação. Dessa forma, sobre os débitos indicados para compensação que, na data de transmissão do PER/DCOMP, já se encontrem vencidos, deverão incidir a multa de mora e os juros de mora calculados com base na taxa Selic. A incidência desses encargos moratórios sobre débitos vencidos independe de previsão em ato normativo, por decorrerem de previsão legal, inserida no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, que estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13227.000409/200960 Acórdão n.º 9101003.658 CSRFT1 Fl. 1.389 7 Não há exceção a essa regra, como pretendeu reconhecer o acórdão recorrido, e não cabe ao intérprete ir além do que permite a Lei, em face do que dispõe o art. 11, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Ademais, no presente caso notase, no Detalhamento da Compensação à fl. 35, que o direito creditório indicado pela contribuinte foi corrigido. Passou do valor originário de R$ 4.913,53, para R$ 5.768,48 e foi este último o montante utilizado pelo órgão de origem para promover a quitação do débito. E não se pode exigir que seja devida a correção do crédito mas indevidos os acréscimos moratórios decorrentes da indicação a destempo do débito. Conclusão Em face ao exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da PFN e, no mérito, DARlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904788/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DCOMP.
A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte
Numero da decisão: 1001-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para confirmar a decisão de primeira instância que não reconheceu a competência para a apreciação da matéria e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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DCOMP. A competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas para confirmar a decisão de primeira instância que não reconheceu a competência para a apreciação da matéria e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 47 88 /2 00 8- 66 Fl. 184DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação 42006.48872.140704.1.3.048011 (efls. 19/24), de 14/07/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA: 31/12/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 791235016 (efl. 07), que analisou as informações e reconheceu que localizou o pagamento, o qual entretanto fora parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte através da PER/DCOMP de nº 01612.42009.140704.1.3.042450, motivo por que se homologou parcialmente a compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi assim resumida no relatório da decisão recorrida (efls. 34/39): Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP (fls. 02/06, por meio da qual se compensou crédito de IRPJ – estimava (cód. 5993) com débito de responsabilidade da interessada. O crédito inicial informado, no valor de R$ 25.889,89, seria decorrente de pagamento indevido do período encerrado em 31.12.2003. 2. A partir do Darf informado no PER/DCOMP, a Delegacia de origem localizou o pagamento, o qual entretanto fora parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte através da PER/DCOMP de nº 01612.42009.140704.1.3.04 2450, motivo por que se homologou parcialmente a compensação (Despacho Decisório da fl. 7). 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 9 e 10), contrapondo, em síntese, a PER/DCOMP de nº 01612.42009.140704.1.3.042450 deveria ter sido cancelada, pois que o valor nela declarado estaria contido em outra PER/DCOMP, o que não teria acontecido por lapso seu. 4. Nesse passo, solicitou o cancelamento da referida PER/DCOMP e retificação da PER/DCOMP das fls. 02/06. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 11 45.588 3ª Turma da DRJ/REC, efl. 37/39). A decisão de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade, por entender que a competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte, para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Cientificada em 16/10/2014 (efl. 41), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 14/11/2014 (efl. 44), repetindo os argumentos levados à primeira instância. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço parcialmente apenas para confirmar a decisão de piso. No caso presente, a contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a apresentar dados novos e com isso pretende, de fato, a edição de novo despacho decisório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10882.904788/200866 Acórdão n.º 1001000.605 S1C0T1 Fl. 185 3 Entretanto, tal competência não foi deferida regimentalmente ao contencioso, mas exclusivamente às DRF (no art. 244 do aludido Regimento Interno). Desta forma, e conforme § 3º do art. 57 do RICARF, adiro às razões da decisão de piso, que bem fundamentaram a resolução do imbróglio: 6. Da leitura da manifestação de inconformidade, concluise o pleito da empresa não é outro senão o de cancelar a DCOMP de nº 01612.42009.140704.1.3.042450. 7. Como se sabe, a competência originária para conhecer de declaração de compensação, bem assim para decidir sobre pedidos de cancelamento ou de retificação, é da Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona o domicílio do contribuinte (Arts. 75 e 77 e 87 a 92 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, e do art. 302 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), para onde deveria ter sido encaminhado, no tempo certo, o pedido. Às Delegacias de Julgamento cabe conhecer e julgar, após instaurado o litígio, as manifestações de inconformidade contra a decisão da autoridade competente para apreciar originalmente a compensação. 8. Não merece reparo a decisão prolatada pela DRF de origem, que não poderia nortear o exame do crédito suplicado senão a partir dos elementos consignados pelo sujeito passivo em sua declaração. 9. Ante o exposto, voto por não conhecer da manifestação de inconformidade. Desta forma, voto por conhecer parcialmente do recurso e negar provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000878/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 31/12/2000
SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do ano-calendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ.
Numero da decisão: 1301-000.525
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/12/2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do ano-calendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/12/2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. REINGRESSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não havendo qualquer discussão acerca da exclusão do contribuinte do sistema simplificado de pagamentos, a partir de 01/01/2002, por verificação de situação impeditiva de sua permanência, não se pode cogitar de seu reingresso, de ofício, a partir do anocalendário seguinte. Inaplicáveis as disposições do ADI SRF nº 16/2002, por não se tratar de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção nem da FCPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, André Ricardo Lemes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 24 2 Relatório RESTAURANTE CARGA PESADA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0920.680, de 10/09/2008, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada, em razão de sua exclusão do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições – SIMPLES procedida através do ADE DRF/UBE nº 512.248, de 02/08/2004, em função de seu sócio ou titular participar de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta do anocalendário de 2000 ter ultrapassado o limite legal, em conformidade com o inciso IX do artigo 9º; artigo 12; inciso I do artigo 14 e inciso II do art. 15 da Lei 9.317/1996 e art. 73 da MP 2.158 34, de 27/07/2001, à fl. 07. Apresentada SRS, a autoridade preparadora manteve a exclusão. A contribuinte entregou manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese, que: 1. Efetivamente incorreu na situação excludente em 31/12/2000; 2. Sua exclusão, segundo a legislação, se daria a partir do anocalendário subseqüente; 3. De acordo com a IN SRF 355/2003, enquadrase na situação em que a exclusão surte efeitos a partir de 01/01/2002; 4. No exercício de 2001, não incorreu em vedação ao Simples, por permanecer a receita global das empresas em montante inferior ao limite global. Assim, com base no ADI SRF nº 16/2002, preenche todos os requisitos exigidos pela lei para admissibilidade no Simples retroativamente à data de 01/01/2002. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0920.680, de 10/09/2008 (fls. 12/14), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Data do fato gerador: 31/12/2000 OPÇÃO. VEDAÇÃO. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica cujo sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 25 3 empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Ciente da decisão de primeira instância em 18/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 15, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/10/2008 conforme carimbo de recepção à folha 16. No recurso interposto (fls. 16/19), em apertada síntese, a interessada esclarece que houve o fato excludente e que não está discutindo o que está na lei. Seu pleito é pelo retorno ao SIMPLES, retroativo à data de 01/01/2003. A recorrente afirma seu direito em face da legislação, especialmente o ADI SRF nº 16/2002, e do fato de que “no período a empresa não incorria em nenhuma das vedações prevista pela legislação que obstasse o seu regresso ao Simples”. Ainda, sua “intenção inequívoca” de aderir ao sistema simplificado de pagamentos estaria claramente manifestada pelos pagamentos efetuados. Conclui com o pedido de retorno de ofício ao SIMPLES na data de 01/01/2003. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Inicialmente, é de se ressaltar que o presente processo cuida do litígio referente à exclusão de ofício do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), formalizado por via do Ato Declaratório Executivo DRF/UBE nº 512248, de 02/08/2004 (fl. 07), com efeitos a partir de 01/01/2002. Quanto a este ponto, verifico que inexiste o litígio, em face da concordância expressa da interessada no que toca à situação excludente e à não discussão “do que está na lei”. O que a ora recorrente deseja discutir é a possibilidade de sua reinclusão no sistema, de ofício, a partir de 01/01/2003, diante de sua afirmação de que durante o ano calendário 2002 não teria incorrido em nenhuma situação excludente e, ainda, de sua inequívoca intenção de aderir ao sistema, manifestada pelos pagamentos efetuados. A contribuinte escora sua pretensão no artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, a seguir transcrito, para maior clareza. Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10675.000878/200589 Acórdão n.º 130100.525 S1C3T1 Fl. 26 4 Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada O acórdão recorrido deixou clara a inaplicabilidade, ao caso vertente, do ADI acima transcrito, com o que concordo. Não se trata, aqui, de erro de fato no preenchimento do Termo de Opção ou da FCPJ, mas sim do fato de que o contribuinte foi excluído do sistema por se verificar condição que o impedia de nele permanecer. Se seu desejo é de reingressar no sistema simplificado, deve fazêlo pelas vias previstas na legislação de regência, a saber, efetivando sua alteração cadastral no CNPJ do Ministério da Fazenda, formalizada mediante preenchimento e entrega da FCPJ, como bem demonstrou o ilustre relator da Turma Julgadora a quo. Essa forma de ingresso é estabelecida pelo art. 8º da Lei nº 9.317/1996 e regulamentada pelo art. 16 e seus parágrafos da IN SRF nº 34/2001. Examinando os autos, não encontro qualquer evidência de que o contribuinte tenha procurado esse caminho. Por todo o exposto, o pedido da contribuinte de reingresso no SIMPLES, de ofício, a partir de 01/01/2003, não pode ser acolhido, pelo que nego provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10880.722092/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/02/2009, 26/05/2009, 14/09/2009, 04/05/2010, 12/07/2010, 02/09/2010, 04/11/2010, 07/07/2011, 23/08/2011, 03/11/2011, 24/01/2012, 18/04/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL.
A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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OCULTAÇÃO DA REAL ADQUIRENTE. FRAUDE NÃO DEMONSTRADA. PENA DE PERDIMENTO INCABÍVEL. A medida extrema de perdimento dos bens a favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei 1.455/76 somente se mostra cabível quando demonstrada cabalmente as fraudes imputadas ao contribuinte. É ônus da fiscalização munir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Na ausência de provas, o lançamento tributário é nulo, por vício material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 20 92 /2 01 3- 09 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 554 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de lançamento no valor de R$ 545.296,64, relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. As empresas OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTADORA EXPORTADORA LTDA foram penalizadas em virtude da atuação de ambas em operações de importação, nas quais ficou comprovado que elas agiram no sentido de ocultar a participação de terceiros que efetivamente eram os reais adquirentes das mercadorias importadas. Então, foi aplicada a pena de perdimento das mercadorias importadas pela OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e posteriormente enviadas para a COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, em virtude da ocultação desta última empresa na operação de importação, aplicandose o disposto no § 3º, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Contra a OSKN e a ASIAMEX foram lavrados autos de infração para aplicação da multa prevista no art. 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Relata a fiscalização, quanto à OSKN o seguinte: (...) em procedimento de fiscalização na OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 08.989.948/000123, doravante denominada simplesmente OKSN, foram apurados fatos demonstrando que essa empresa efetuou, em nome próprio, operações de comércio exterior de terceiros, ocultando estes ao Fisco Federal, caracterizando assim a interposição fraudulenta de pessoas. Restou comprovado que embora a OKSN promovesse a importação de mercadorias em nome próprio, efetivamente registrando as declarações de importação e dando uma aparência de legalidade às operações, na realidade isso era feito ocultando do Fisco os reais beneficiários dessas operações, que foram as empresas listadas no doc. 21 (fls. 2168 a 2173), comprovadamente as verdadeiras encomendantes das mercadorias importadas pela OKSN. Foi lavrado, então, o presente Auto de Infração, com base no artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que prevê a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, aplicável à pessoa jurídica que cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. 4. DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 555 3 4.1 Da Diligência ao Estabelecimento da Empresa e Primeira Intimação Em 07/05/2012 foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização e Intimação nº 110/2012 (fls. 62 a 74) intimando a empresa a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias contados da ciência, os documentos e esclarecimentos pertinentes à ação fiscal em curso. Nesta mesma data foi realizada por essa fiscalização diligência no local indicado como domicílio fiscal da empresa, situado na Avenida Rio Branco, 45 – Sala 1705 – Centro – Rio de Janeiro/RJ. A ciência do Termo de Início de Fiscalização e Intimação foi dada pessoalmente nessa ocasião (fls. 64), à Sra. Maria Janeide M. Aragão, que se identificou como secretária do Sr. Lin Haiping, sócio administrador da OKSN, que não se encontrava presente. Foram anexados ao Termo de Início cópia da identificação funcional da Sra. Maria Janeide (fls. 74) e cópia de um alvará de licença para estabelecimento (fls. 73). Porém, este documento autorizava o funcionamento da OKSN na Rua Leandro Martins, 20 Sala 501, ou seja, tratase do alvará da antiga sede da empresa e não da atual. Mesmo assim, chamese atenção para o fato da licença vedar a circulação de mercadorias e armazenagem no local. Causou total estranheza o fato da sede de uma empresa que movimentou, somente no período fiscalizado, quase 40 milhões de reais, ser simplesmente uma sala comercial, com apenas uma secretária. Não é possível entender como, naquele local e através de que pessoas, possam ter sido negociadas todas as operações comercias que envolveram a nacionalização de mercadorias importadas com valor aduaneiro total de quase 17 milhões de reais, que é o cenário ora fiscalizado. 6. DA ANÁLISE FISCAL 6.1 DA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DA EMPRESA Foram apresentadas, conforme protocolo de fls 76, cópias do contrato social e de sua primeira alteração (doc. 1), dos documentos de identificação dos sócios (doc. 2), de fatura de energia elétrica do mês de abril/2012 (doc. 3), de boleto bancário de serviços de telefonia/dados também do mês de abril/2012 (doc. 3), da notificação de lançamento do IPTU 2012 (doc. 3), de uma escritura de compra e venda (doc. 3) e de um Livro Registro de Empregados com data de abertura de outubro de 2009 (doc. 4). Quanto ao registro de empregados, existem no Livro 4 registrados, porém, na diligência ao estabelecimento em 07/05/2012, só estava presente a Sra. Janeide Aragão, secretária. Ela, da mesma forma que o sócio da empresa em entrevista, informou ser a única funcionária da empresa. Além disso, chamou imediatamente atenção o fato das faturas de energia elétrica (fls. 109) e telefonia (fls. 111) apresentadas estarem em nome de outra empresa, a AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., CNPJ 09.154.495/000188, que é exatamente a prestadora de serviços aduaneiros da fiscalizada, cujo sócio majoritário com 99% de participação (fls. 2167) é o Sr. Alexandre Ayres dos Santos (inicias AAS), CPF 013.512.79718, já citado no presente relatório como sendo despachante e representante legal da fiscalizada. Afinal, quem funciona na Rio Branco 45, sala 1705? A empresa fiscalizada e o seu escritório de despacho funcionam na mesma sala comercial? Em busca desta resposta, fizemos ampla pesquisa na Internet, procurandose pela razão social da fiscalizada, pelo seu nome de fantasia (OARY), pelo nome de seu sócio e não existe absolutamente nada. O que encontramos, com muita Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 556 4 facilidade, já que consta de vários apontadores de lista, foi a indicação da empresa AAS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA., cuja localização informada é a Av. Rio Branco, 45 Sala 1705 (fls. 2166), embora ao Fisco a AAS informe seu endereço de cadastro na Rua Cândido Portinari, 445, Barra da Tijuca (fls. 2167). Tais constatações inferem diretamente para a atuação da fiscalizada como interposta em suas operações de comércio exterior, pois não se entende de que forma a OKSN pôde movimentar, somente no período fiscalizado, quase 17 milhões de reais em importações, a partir de uma sala comercial com área bruta de 63 m ² (fls. 113) , com apenas uma secretária, sem depósito nem exposição de mercadorias, sem vendedores, sem representantes comerciais, sem site na Internet e com um capital social de apenas R$ 100.000,00, totalmente incompatível com o porte de uma empresa que faturou, no período fiscalizado, aproximadamente 40 milhões de reais. 6.2 DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS PARA FECHAMENTO DE CÂMBIO E PAGAMENTO DE TRIBUTOS Esta análise foi pautada nos documentos listados abaixo, apresentados pela fiscalizada, que foram analisados em conjunto com os dados das declarações de importação registradas: · Extratos Bancários (doc. 7); · Contratos de Câmbio constantes nos dossiês de cada DI autuada (fls. 2630 a 9559); · Escrituração contábil composta dos Livros Diário (doc. 8 a 11) e Razão (doc. 12 a 15) dos anos de 2008 a 2011 e os Livros Registro de Entradas (doc. 16) e Registro de Saídas (doc. 17) dos anos de 2008 a 2012 (escriturados até abril). As operações de câmbio e pagamento de tributos das importações auditadas são feitas em uma única conta bancária, qual seja a conta 2649034, da agência 0716 do Banco HSBC. Esses extratos bancários apresentados pela fiscalizada, constantes do doc. 7, materializam e comprovam a alta movimentação financeira da empresa, apurada inicialmente através de consulta aos sistemas informatizados da RFB, já suscitada no item 2 do presente relatório e que atinge nos anos fiscalizados a cifra de R$ 39.868.213,34. Existe ampla movimentação de recursos a crédito na conta corrente da empresa, de forma “pulverizada”, ou seja, muitas entradas, com valores diversos, por meios também diversos, como por exemplo, cheques depositados pelo correntista, cheques depositados por terceiros, TED de diferente titularidade, depósito em dinheiro e recebimentos de títulos bancários emitidos pela correntista pagos em dinheiro e cheque. Segue abaixo uma reprodução de parte do extrato bancário de fls 227 e 228 de julho/2010, onde se vê entradas que variam de R$ 50,00 a R$ 178.918,00: (...) Através da análise dos extratos bancários é possível visualizar que os fechamentos de câmbio e os pagamentos de tributos são feitos exatamente com recursos oriundos dessas entradas diversas, como as citadas acima. A contabilidade apresentada (doc. 12 a 15) registra essas entradas como “Recebimento de Clientes” na Conta 1.1.2.01.01.001 Clientes Diversos no País (fls. 1305), porém, não as Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 557 5 identifica. Ou seja, não há referência a que notas fiscais de venda essas entradas dizem respeito, nem consequentemente de que clientes se originaram. A não identificação dessas origens é presunção legal de interposição fraudulenta. Legalmente, o importador passaria a ser caracterizado como interposto fraudulento pelo fato de não ter conseguido comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, conforme prevê o Decreto Lei n° 1.455/76, art. 23, § 2°, com a redação dada pelo art. 59 da MP 66/2002. Porém, com o uso das novas tecnologias da fiscalização tributária, que se modernizou em busca da apuração de fraudes mais complexas, foi feito, sobretudo através do sistema CONTÁBIL, o cruzamento das informações das notas fiscais emitidas pela empresa com as declarações de importação por ela registradas. Nesse cruzamento de informações, através do qual foi possível verificar o conteúdo de cada nota fiscal de venda emitida, ficou evidenciada a integral transferência de mercadorias importadas através de uma declaração de importação a um único cliente, ou seja, ao destinatário da nota fiscal de venda, que agora tornase conhecido. Assim, obtevese a prova direta de que a fiscalizada realiza operações para revenda a encomendante predeterminado, pois, os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais dessas operações, conforme minuciosamente explicitado no próximo tópico, comprovam tal fato. Dessa forma, ao invés de presumir, por ficção legal, a interposição fraudulenta por não comprovação de origem, foi possível comprovar documentalmente a existência dos reais beneficiários das operações, os identificando. Materializouse, então, nas importações da fiscalizada, um quadro de interposição fraudulenta comprovada, ao invés de presumida. Se essas importações tivessem sido realizadas diretamente com recursos fornecidos por esses beneficiários, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses. Como não foi verificada tal situação, restou caracterizada a importação por encomenda, conforme disposições da Lei n° 11.281/2006, regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 634, de 24 de março de 2006. Relata a fiscalização, quanto à ASIAMEX o seguinte: Transcrevemos abaixo trecho do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa ASIAMEX, onde estão expostos fatos que ensejaram a proposta de inaptidão e que ensejaram, também, a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 6.5. DAS OPERAÇÕES POR ENCOMENDA Embora a empresa fiscalizada declarese como real adquirente das mercadorias importadas diretamente por ela ou através da empresa PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO, de fato, ela é uma prestadora de serviço que opera através de encomenda de terceiros. ASIAMEX, empresa recém estabelecida, realizou importações de R$5.000.000,00 no seu primeiro ano de existência, e não possuía ativos em seu Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 558 6 poder nos quais os credores pudessem se ressarcir, o que indica que as operações por ela realizadas não se tratavam de operações em nome e por conta e risco próprios. Qual exportador assumiria o risco de vender a prazo para empresa recém estabelecida, sem ativos e em outro país? Como este exportador iria se ressarcir no caso de falta de pagamento dado que ASIAMEX era sediada em outro país? Excluindose os 6 (seis) automóveis analisados no item 6.2 deste relatório, todo o restante das mercadorias importadas compreende miudezas, como bolsas, malas, carregadores de celular, abajures, mini rádios, enfeites para festa, carteiras, pasta para notebook, porta moedas, lanternas, secadores de cabelo, mouses,, fone de ouvido, enfeites para celular, etc., que compreenderam, somente no ano de 2011, cerca de 20.000.000 (vinte milhões) de itens. Tamanha variedade de mercadorias sugere uma estrutura de vendas de porte para poder colocálas no mercado em prazo economicamente viável, mas, como já foi visto, ASIAMEX possuía poucos funcionários, nenhum vendedor, muito menos showroom, ou lojas físicas ou virtuais. A estrutura operacional da empresa é totalmente incompatível, uma sala pequena em um prédio de escritórios. O contrato de locação (anexo 115) alerta para a proibição de fixação de qualquer placa de anúncio na sala: É difícil imaginar uma loja atacadista que compra e vende miudezas em uma pequena sala no 19º andar, onde sequer podese fixar um anúncio ou placa que identifique o seu negócio. O Livro Registro de Empregados (Anexo 73) registra apenas 3 (três) empregados que ingressaram na empresa a partir de 2011, com cargos administrativos. Não há como imaginar a empresa vendendo uma variedade infinita de itens sem ter em seu quadro de funcionários um único vendedor. Frente à falta de apresentação dos documentos usuais em negociações internacionais, sejam mensagens eletrônicas, précontratos, ou outros, a alegação de que as compras no exterior são feitas via Skype caiu no vazio (Anexo 117). Da mesma maneira ficou a alegação de que uma Sra. de nacionalidade chinesa viria até o escritório de ASIAMEX no Brasil oferecer seus produtos, como informado pelo seu sócio gerente no termo de declarações (item 5.2), mais uma vez sem supedâneo probatório que o lastreie. Na ocasião da diligência ao imóvel para o qual a empresa fiscalizada mudou se recentemente, localizado na Barra da Tijuca, a fiscalização recebeu da única funcionária que estava presente, um folder com a informação dos serviços de intermediação em comércio exterior prestados pela ASIAMEX, onde é detalhada a forma de atuação dela no mercado: (...) Ou seja, resta claro que a ASIAMEX presta serviços em conjunto com a empresa PRINCIPAL (o que será abordado mais adiante), e vende serviços de intermediação em comercio exterior utilizando como chamariz o fato de usufruir, indevidamente, benefícios referentes ao ICMS de Rondônia. Como diz a última frase em seu folder “efetuamos cálculos que comprovam as vantagens para quem usa os nossos serviços”. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 559 7 Seguramente as mercadorias importadas não foram objeto de negociação convencional, em que um importador, recém constituído, por sua própria conta e risco, nacionaliza mercadorias em valores que, só no primeiro ano, representaram cerca de 20 vezes o seu capital social. E, então, bravamente sai às ruas vendendo miudezas e que, por coincidência, são a exata demanda de seus clientes. Através do demonstrativo extraído a partir do Sistema Contábil constante do anexo 195 é possível verificar que todas as mercadorias importadas pela ASIAMEX já tinham destinatário determinado ao serem desembaraçadas. Esse demonstrativo consiste de uma planilha, para melhor visualização, contendo o número de todas as DI autuadas, a data de desembaraço das mesmas, a discriminação e quantidades dos itens importados através de cada uma delas, o número da nota fiscal de venda emitida pela fiscalizada com a totalidade dos itens importados em cada DI, a data de emissão dessa nota fiscal (para que possa ser comparada com a data de desembaraço), os dados do destinatário da nota fiscal (CNPJ e nome) e o valor aduaneiro da operação, já que é sobre este que se calcula a penalidade ora lançada. Nos anexos 61 a 71 e 120 a 151 estão os extratos das declarações de importação autuadas. A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, evidenciam que as mesmas se referiam à uma revenda a encomendante predeterminado. O que nos leva a esta conclusão é, em primeiro lugar, a aproximação entre a data do desembaraço e a data da nota fiscal de venda, cerca de um a três dias de diferença. Se ASIAMEX estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda do bem, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma tempo. Segundo, pelo fato de que as mercadorias desembaraçadas em uma determinada Declaração de Importação eram destinadas em sua totalidade a um único cliente. Impossível supor que em dois ou três dias a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos, conforme distribuição das Declarações de Importação. Isto considerando que não possuía loja onde pudesse expor o seu produto. A análise dos dados da planilha constante do anexo 195 demonstra, com exatidão, como as mercadorias já tinham destino quando desembaraçadas, evidenciando a existência de ajuste prévio entre as partes. A seguir uma parte dela: (...) Assim temse, como exemplo, as mercadorias descritas nas DIs 11/0018893 4, 11/00533879 e 11/01137535. Elas foram enviadas, em sua totalidade, respectivamente para os clientes ZHUO YONG, LIN LAILAI – ME e JOANA DO FLORENCIO PRESENTES LTDA., no mesmo dia do desembaraço ou um dia depois. Este modo de operar, que caracteriza a operação por encomenda, foi utilizado em todas as operações autuadas na presente fiscalização, com exceção das importações de automóveis. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 560 8 6.6. DAS IMPORTAÇÕES REALIZADAS ATRAVÉS DA EMPRESA PRINCIPAL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA. Conforme já comentado, a maior parte das importações da ASIAMEX foi realizada através da empresa PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA., CNPJ 09.181.456/000170, localizada em Rondônia. Ou seja, a ASIAMEX consta nas Declarações de Importação registradas pela PRINCIPAL como real adquirente das mercadorias importadas por ela. A empresa PRINCIPAL informou à RFB que sua sede estaria localizada na cidade de Porto Velho. Segundo cadastros da RFB, o despachante ALEXANDRE AYRESDOS SANTOS é o representante legal da PRINCIPAL nos últimos 24 meses, o que demonstra uma ligação desta empresa com o grupo referido no item 2 deste relatório. Os 3(três) sócios atuais da PRINCIPAL residem em Niterói, RJ (anexo 174). Ela foi habilitada a operar no comércio exterior em 12/2007 na modalidade simplificada, submodalidade operação de pequena monta, podendo importar até U$150.000,00 (anexo 167). Em 12/2008 a PRINCIPAL protocolizou junto à Receita Federal de Porto Velho, nos autos do PAF 10240.720.370/200853, um requerimento para modificar a habilitação para a modalidade ordinária, o que lhe permitiria importações de valores maiores. Porém, o seu pedido foi indeferido (anexo 177) por não atender aos requisitos exigidos pela IN 650/2006. Em sua ficha de habilitação não consta o motivo específico do indeferimento, mas há uma observação de que a fatura de energia elétrica apresentada estava em nome de terceiros. Deste modo, ela permaneceu com a habilitação de pequena monta, sendo que, nos sistemas RFB, constam apenas dois clientes cadastrados, sendo um deles a ASIAMEX. Não obstante, nos últimos dois anos, a PRINCIPAL realizou importações indiretas no valor de US$ 5.209.676,89, sendo que US$ 5.085.999,54 (98%) foram para a ASIAMEX. O restante das importações (2%) foram por conta e ordem da empresa HLJW 2006 IMPORTACAO E EXPORTAÇÃO DE ARTIGOS DE BAZAR LTDA – ME, CNPJ 08.831.670/000242, localizada também no Rio de Janeiro. Frente à logística incomum, surge a dúvida, porque ASIAMEX estaria utilizando uma empresa localizada em RONDÔNIA, a milhares de quilômetros de distância, sendo que as mercadorias eram desembarcadas e desembaraçadas em portos localizados no Rio de Janeiro? Segundo informações do sócio Saulo Medeiros (item 4.2), as transações com a PRINCIPAL foram motivadas, além da amizade comum com seus sócios, por conta dos benefícios de ICMS oferecidos pelo Estado de Rondônia. Com base nesse depoimento, investigouse, através de sites na Internet, a natureza deste benefício. O próprio site da ASIAMEX, ao anunciar os seus serviços de intermediação, faz uma breve explanação do citado incentivo que, ao final das contas, reduziria os custos de importação, abrindo grande vantagem frente a quem optasse por importar diretamente: (...) Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 561 9 Ou seja, a PRINCIPAL, para usufruir de tal benefício, deveria estar de fato estabelecida no Estado de Rondônia, gerando emprego e renda à população daquele Estado. Mas, pelos elementos analisados, não parece que isso ocorra de fato. Os sócios da PRINCIPAL e o responsável legal e despachante, ALEXANDRE AYRES DOS SANTOS, residem no Rio de Janeiro. Este último é também despachante da ASIAMEX. A PRINCIPAL tem suas atividades concentradas no Rio de Janeiro. As suas duas clientes estão sediadas neste estado e as importações são desembaraçadas nos portos localizados aqui. Não há indicativo de nenhuma outra negociação ocorrida em Rondônia. Todos estes elementos indicam que a PRINCIPAL e a ASIAMEX atuam juntas de forma interposta para usufruir benefícios de forma ilegal. Primeiro pelo fato de que a ASIAMEX, usufruindo de um limite alto para realizar importações por conta de sua habilitação ordinária, se declara real adquirente das mercadorias importadas pela PRINCIPAL , quando, de fato, ela não é. Tratase de interposição em camadas, o real adquirente não é ASIAMEX, é um terceiro que contratou os seus serviços. Segundo, pelo fato da PRINCIPAL estar simulando operações de importação para usufruir benefício fiscal no Estado de Rondônia que, em tese, deveria ser utilizado para empresas que gerassem emprego e renda à população daquele Estado. Não é crível que os sócios administrem a empresa, residindo no Rio de Janeiro. Não faz sentido a sua existência em Rondônia, se suas atividades ocorrem no Rio de Janeiro. Todos esses fatos já indicavam que a PRINCIPAL era uma empresa de fachada, porém, a comprovação inequívoca de tal fato veio com a diligência realizada em 06 de novembro de 2012 (Anexo 189) por Auditoresfiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Velho/RO, cujo termo de Diligência e Constatação foi integralmente reproduzido abaixo, tendo em vista conter informações inequívocas que atestam que essa empresa não mantém atividade naquele município, mas, simula tal situação para usufruir de benefício tributário concedido pelo Estado de Rondônia. (...) Esta operação fraudulenta possibilitou a ocultação dos reais beneficiários das operações, que são as empresas listadas no Anexo 194. Tais empresas não possuem habilitação para operar no comércio exterior e dificilmente a obteriam, pois, as pesquisas aos sistemas apontam para diversas irregularidades, inclusive envolvimento em fraudes e omissão de declarações ao Fisco Federal. Ou seja, essas empresas, não poderiam, através delas próprias, importar as mercadorias que desejavam revender no mercado interno, pois não obteriam habilitação para tal fim. Também não poderiam, de forma legal, utilizar os serviços de importação de outra empresa, por encomenda ou por conta e ordem, pois para isto também precisariam estar habilitadas. Assim, se utilizaram da ASIAMEX para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. 7. CONCLUSÃO Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 562 10 As provas reunidas ao longo do presente apontam para uma atuação da empresa ASIAMEX em comércio exterior eivada de interposição de pessoas, visando à ocultação dos reais responsáveis pelas respectivas operações, mediante simulação, conforme minuciosamente descrito no item 6.5 do presente relatório. A conduta da ASIAMEX, tendo cedido seu nome para a realização de operações cujos reais beneficiários eram os encomendantes listados no anexo 194, tipificase perfeitamente nas disposições legais do artigo 33 da Lei 11.488 de 15/06/2007 abaixo transcrito: (...) Assim, considerando toda a análise consubstanciada no presente relatório, fica autuada a fiscalizada, em conformidade com o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 integrados com os demais dispositivos legais citados no corpo do presente relatório, aplicandose a multa de 10% do valor das operações de importação da ASIAMEX, representadas pelas 13 Declarações de Importação listadas abaixo, lembrando que tal multa não pode ser inferior a R$ 5.000,00 em cada operação. As 157 operações nas quais a PRINCIPAL figurou como importador ostensivo e a ASIAMEX como real adquirente serão objeto de auto de infração lavrado em separado. Resta então a esta fiscalização a lavratura do presente Auto de Infração que, para constar e produzir os devidos efeitos legais, vai assinado por nós, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, e pelo representante da autuada que, neste ato, é cientificado e recebe cópia do mesmo. Em impugnação, a empresa alegou: Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 409). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 563 11 posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. Devidamente impugnado o auto de infração, a 2ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão n° 0736.403, negou provimento ao apelo. Entendeu a DRJ que não há dúvida quanto à configuração da interposição fraudulenta: IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Em seu recurso voluntário, a empresa requer a nulidade do auto de infração e aponta que não há provas da conduta fraudulenta a ela imputada. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. De início, cumpre diferençar a interposição fraudulenta comprovada e a presumida para corretamente valorar as provas produzidas nestes autos, o que se faz a seguir. I.a Interposição fraudulenta comprovada O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prescreve: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 564 12 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, prevista no artigo 23, do Decreto Lei nº 1.455/1976 e artigo 689, VI, § 3º e §3ºA do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto nº 6.759/09), é definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. A penalidade cabível é a pena de perdimento, que será aplicada após o encerramento do procedimento especial instaurado nos termos da IN SRF nº 228/2002. A pena de perdimento também encontra guarida no art. 105 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (§ 1º e do art. 689, do Regulamento Aduaneiro). Essa multa será exigida mediante lançamento de ofício que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União (§ 2º art. 73 da Lei 10.833/2003). A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta, uma vez que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 565 13 A prova deve ser efetiva e inequívoca para aplicação da pena de perdimento, dessa forma deve ser comprovado objetivamente o dano ao Erário mediante fraude e simulação. No que tange às infrações, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho1: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. A autuação fiscal por interposição comprovada referese a graves condutas fraudulentas imputadas ao contribuinte, por isso o auto de infração deve trazer todo o suporte documental para avaliação da configuração de tais condutas ilícitas. I.b Interposição fraudulenta presumida A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Por consequência, aplicase o perdimento e a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas do fato que enseja a aplicação dessa presunção, como ensina Fabiana Del Padre Tomé2: Qualquer que seja a modalidade de presunção, é imprescindível a prova dos indícios para, a partir deles, demonstrar a existência de causalidade com o fato que se pretende dar por ocorrido. A diferença reside na circunstância de que, tratandose da chamada presunção legal, a relação causal entre fato presuntivo e fato presumido dáse no âmbito prélegislativo. Identificando o aplicador do direito, no caso concreto, a situação prevista na hipótese da regra de presunção, há de concluir pela ocorrência do fato prescrito no consequente normativo: o fato presumido. A demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a constituição do fato presumido. 1 Direito Tributário Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Editora Noeses, 2015, p. 857. 2 A Prova no Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo: Noeses, 2016, p. 299300. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 566 14 I.c Caracterização da Interposição Fraudulenta neste caso Segundo a descrição do auto de infração, os dados coletados que caracterizariam que a autuada se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas pela OKSN e pela ASIAMEX, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada, são os citados abaixo: 6.3 DAS OPERAÇÕES POR ENCOMENDA Nas fls. 2630 a 9559, estão os dossiês de importação de todas as 341 declarações autuadas na presente fiscalização, constando de extrato da DI, fatura (invoice), conhecimento de carga, contrato de câmbio, nota fiscal de entrada e notas fiscais de venda, através das quais a fiscalizada deu saída às mercadorias por ela importadas. Para melhor visualização de que as mercadorias importadas pela OKSN já tinham destinatário determinado ao serem desembaraçadas, os dados acima foram tabulados nas planilhas constantes dos doc. 22 a 26, separadas por ano, contendo cada planilha o número de todas as DI autuadas, a data de desembaraço das mesmas, a discriminação e quantidades dos itens importados através de cada uma delas, o número da nota fiscal de venda emitida pela fiscalizada com a totalidade dos itens importados em cada DI, a data de emissão dessa nota fiscal (para que possa ser comparada com a data de desembaraço), os dados do destinatário da nota fiscal (CNPJ e nome) e o valor aduaneiro da operação, já que é sobre este que se calcula a penalidade ora lançada. A análise dessas operações, sob os aspectos quantitativos, qualitativos e temporais, comprovam que as mesmas são para revenda a encomendante predeterminado. Sob os dois primeiros aspectos, levandose em conta a gama de produtos importados, bem como a grande quantidade de cada um deles, não seria razoável crer que, após cada desembaraço, a OKSN encontrasse aqui no mercado interno, por mero acaso e coincidência, uma só empresa interessada em exatamente toda a carga desembaraçada. Seria concordar que a fiscalizada fosse capaz de saber perfeitamente em quantidades e sortimento a exata demanda dos seus clientes. O aspecto temporal das operações que a fiscalizada tenta registrar como legais é ainda mais comprovador da fraude. A data de desembaraço, por exemplo, da DI 11/07163368 é 20/04/2012 (DI 220). A nota fiscal de entrada n° 538 (fls. 7110) e a de venda n° 539 (fls. 7111) também são de 20/04/2012. No campo fático, seria completamente inexequível desembaraçar, emitir nota de entrada e vender tudo em um mesmo dia. Se a OKSN estivesse operando a partir de desígnio e por conta e risco próprios, normalmente haveria um lapso temporal entre a importação e a revenda dos bens, dado que a tarefa de achar um comprador para o mesmo normalmente toma algum tempo. Mesmo considerando que em algumas operações a data da nota fiscal de venda não seja exatamente a mesma do desembaraço, o intervalo é de no máximo dois ou três dias, período no qual é igualmente impossível supor que a empresa receberia a mercadoria do exterior, ofertaria no mercado e venderia em lotes exatos. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 567 15 Enfim, é esse o “modus operandi” da OKSN e exatamente nesses moldes são todas as 341 operações autuadas na presente fiscalização. Isso pode ser visualizado nas planilhas constantes dos documentos 22 a 26, que contêm todas as operações dos anos de 2008 a 2012. Entretanto, frisese que as planilhas se propõem apenas a fornecer uma melhor visualização. Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. 6.4 DOS REAIS BENEFICIÁRIOS DAS OPERAÇÕES, OS ENCOMENDANTES No tópico anterior, ficou demonstrado que as mercadorias importadas pela OKSN tinham destinação certa ao serem desembaraçadas. Ao contrário de uma operação comum de importação, onde o importador nacionaliza mercadorias para oferecer no mercado interno, por sua conta e risco, as operações em questão foram feitas para destinatários predeterminados, sob demanda destes. Assim, a OKSN foi apenas uma intermediadora das operações, cujos reais beneficiários foram seus clientes, destinatários das notas fiscais de venda, verdadeiros compradores das mercadorias importadas. Como já citado anteriormente, se essas importações tivessem sido realizadas com recursos fornecidos por esses compradores, restaria caracterizada a importação por conta e ordem desses terceiros, que seriam tecnicamente chamados de reais adquirentes. Como isso não foi verificado, restou caracterizada a importação por encomenda, sendo os compradores das mercadorias chamados de encomendantes. Dessa forma, a OKSN é uma empresa que atua como importadora por encomenda, porém, e onde reside o problema, ocultando do Fisco essa informação. A lista dos clientes da OKSN, encomendantes das mercadorias importadas através das declarações de importação ora autuadas, encontrase no doc. 21. Essas empresas ficaram ocultas ao Fisco até a presente fiscalização. A OKSN registrou as declarações de importação, declarandose como real adquirente das mercadorias importadas, ocultando os reais encomendantes da relação jurídico tributária. Para essas empresas atuarem legalmente, adquirindo de um importador por encomenda, mercadorias de procedência estrangeira para comercialização, deveriam ter sido atendidas as regras para as importações sob encomenda previstas na Lei n° 11.281/2006 e na IN SRF n° 634/2006, quais sejam: 1a) A Declaração de Importação somente poderia ser registrada após a habilitação do encomendante no SISCOMEX; 2a) O encomendante deveria informar à Receita Federal as operações em que utilizaria um importador; e 3a) O importador por encomenda deveria indicar em campo próprio da DI o CNPJ do encomendante. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 568 16 De acordo com o parágrafo único do artigo 3° da IN SRF n° 634/2006, enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Nada disso foi feito. Os encomendantes não foram habilitados, a RFB não foi informada que seria utilizado um importador por encomenda para realizar essas operações nem este importador, OKSN, indicou na DI quem seriam os encomendantes (fls. 2630 a 9559). Em pesquisa aos sistemas informatizados da RFB, verificase que os clientes da OKSN são, em sua maioria, empresas pequenas, localizadas em São Paulo, atuantes no conhecido mercado de venda de importados daquela capital. Tais empresas não possuem habilitação para operar no comércio exterior e dificilmente a obteriam, pois, as pesquisas aos sistemas apontam para diversas irregularidades, inclusive envolvimento em fraudes e omissão de declarações ao Fisco Federal. Ou seja, essas empresas, não poderiam, através delas próprias, importar as mercadorias que desejavam revender no mercado interno, pois não obteriam habilitação para tal fim. Também não poderiam, de forma legal, utilizar os serviços de importação de outra empresa, por encomenda ou por conta e ordem, pois para isto também precisariam estar habilitadas. Assim, se utilizaram da OKSN para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. (...) Dentre as empresas mantidas ocultas nas operações da empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, verificou se que a autuada foi destinatária das mercadorias importadas sob o amparo de 05 declarações de importação, conforme constante da planilha abaixo: (...) Em relação às importações da empresa ASIAMEX IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA a autuada foi destinatária das mercadorias das declarações listadas na planilha abaixo: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 569 17 Na ação fiscal em desfavor da OSKN BRASIL, verificouse que as mercadorias das declarações de importação listadas foram transferidas na sua totalidade para a autuada, por meio das notas fiscais também listadas na planilha acima. Na próxima planilha transcrevemos as datas de registro e desembaraço das declarações de importação e também as datas de emissão das notas fiscais de venda das mercadorias constantes de cada D.I.: O quadro acima corrobora o já mencionado no relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, no que tange ao aspecto temporal das operações de importação efetuadas pela empresa. O lapso temporal entre o desembaraço das mercadorias e o seu repasse para a autuada foi mínimo, indicando, junto com os demais fatos apurados no decorrer da referida ação fiscal, o caráter de encomenda das importações efetuadas pela OSKN BRASIL. Os dados transcritos foram apurados por meio de consultas realizadas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e com base nos documentos recebidos da empresa OSKN BRASIL. No anexo I do presente auto de infração juntamos os extratos das declarações de importação juntamente com seus documentos instrutivos e as respectivas notas fiscais de venda. No anexo II, juntamos as partes de relatório constante do auto de infração lavrado em desfavor da OSKN BRASIL, onde consta a correlação das declarações de importação e as notas fiscais de venda das mercadorias à COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 570 18 Além das declarações de importação relacionadas no relatório acima mencionado, constatamos que o autuado foi destinatário, também, das mercadorias constantes da DI Nº 12/07138683, por meio da Nfe nº 609, emitida em 19/04/2012. Com a emissão do MPF Nº 0815500201300427, em desfavor da autuada, intimamos a mesma a informar se ainda estava de posse/propriedade das mercadorias adquiridas da OSKN BRASIL e da ASIAMEX, importadas sob o amparo das declarações citadas acima. Em resposta (anexo III), o autuado informou que já ter comercializado as mercadorias em questão, configurandose, então, a hipótese prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76, abaixo transcrito: (...) Assim sendo, não restando dúvida quanto à aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTADORA EXPORTADORA LTDA, posteriormente enviadas para a COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, em virtude da ocultação desta última empresa nas operações de importação e, tendo em vista a comercialização das referidas mercadorias, lavrase o presente auto de infração para aplicação da multa prevista no § 3º, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Como se observa acima, a autoridade fiscal afirma que a empresa Comércio de Presentes Chang Hong foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI autuadas. E não como compradora no mercado interno, mas utilizandose da empresa OKSN e da ASIAMEX/PRINCIPAL em operações irregulares de comércio exterior mediante interposição fraudulenta, permanecendo oculta ao Fisco. Segundo a fiscalização, as operações de importação conduzidas pela OKSN e pela ASIAMEX/PRINCIPAL eram sempre declaradas como próprias. Entretanto, a movimentação das mercadorias recém desembaraçadas evidenciava situação que não se coadunava como importações por conta própria, ou seja, a totalidade das mercadorias era integralmente revendida imediatamente após o desembaraço a uma única empresa (em cada caso) e geralmente através de uma única nota fiscal. No auto de infração, a fiscalização faz menção ao Processo n° 10074.721681/201285, contra a OSKN: Em cumprimento a determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal nº 0815500201300427, procedemos à ação fiscal em desfavor da empresa COMÉRCIO DE PRESENTES CHANG HONG LTDA EPP, tendo em vista que verificouse que a mesma era a real adquirente de mercadorias importadas pelas empresas OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, que agiram como interposta pessoa para ocultar a atuação do autuado nas referidas operações de importação, conforme relato a seguir. A empresa OSKN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi objeto de ação fiscal com o objetivo de Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 571 19 verificar se a mesma tinha capacidade econômicofinanceira para atuar no comércio exterior. Transcrevemos abaixo trechos do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa OSKN BRASIL, onde estão expostos os fatos que ensejaram a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Observase do relato da autoridade fiscal, que o convencimento a respeito da ocorrência da interposição fraudulenta se deu após a ação fiscal sofrida pela OSKN, objeto do Processo n° 10074.721681/201285. Inclusive, cita que: Os instrumentos de prova, efetivamente, são os próprios documentos, que como já citado, encontramse nas fls. 2630 a 9559. As páginas 2630 a 9559 são do Processo n° 10074.721681/201285. Da mesma forma, menciona o Processo n° 10074.721836/201283, contra a ASIAMEX: Assim sendo, a ASIAMEX IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO foi declarada inapta por irregularidade em operações no comércio exterior por meio de representação fiscal consubstanciada no processo administrativo nº 10074.721836/201283, conforme disposto na legislação acima transcrita. Transcrevemos abaixo trecho do relatório final da ação fiscal em desfavor da empresa ASIAMEX, onde estão expostos fatos que ensejaram a proposta de inaptidão e que ensejaram, também, a lavratura de auto de infração em desfavor da referida empresa, tendo em vista o disposto no artigo 33, da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Entretanto, é necessário esclarecer que ainda que nesses dois outros processos haja comprovação de interposição fraudulenta, nestes autos, não há. Neste processo, o auto de infração está acompanhado apenas de: 1) notas fiscais que supostamente acobertaram a saída (venda para a ora Recorrente) das mercadorias importadas, evidenciando que toda a operação fora previamente contratada e caracterizando a utilização de fraude mediante interposição; 2) planilha; 3) DIs; 4) cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 10074.721681/201285; 5) cópia do Termo de Verificação Fiscal do Processo n° 10074.721836/201283 e 6) nada mais. Logo, entendo não haver elementos nestes autos capazes de confirmar o quadro fraudulento apontado pela fiscalização, matéria totalmente vinculada à produção de prova pela autoridade administrativa. Vejase que a própria DRJ fundamentou a manutenção do auto de infração, levando em conta a produção probatória nos outros processos, o de n° 10074.721681/201285 e o de n° 10074.721836/201283: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 572 20 OSKN (...) Em diligência à sede da OSKN, verificouse que se tratava de uma mera sala comercial e contava com apenas um funcionário (secretária), o que inviabiliza sua atuação no comércio exterior por conta própria, uma vez ausentes infraestrutura humana e física para tal. Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721681/201285, foi lavrada autuação com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) PRINCIPAL / ASIAMEX (...) Ainda, de acordo com o relatório, a Asiamex em seu primeiro ano de funcionamento nacionalizou mercadorias em valores que representaram cerca de vinte vezes o seu capital social (fl. 32). Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 11762.720069/201381, foi lavrada autuação em desfavor da Principal, com sujeição passiva solidária da Asiamex, com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Analisando as operações de importação da dupla Principal/Asiamex, concordo com as conclusões exaradas no relatório de fiscalização (fls. 3334) acerca da certeza de a impugnante ser a encomendante das mercadorias: (...) Os dados expostos caracterizam que a ora impugnante se ocultou ao Fisco nas operações de importação conduzidas por OKSN, Principal e Asiamex, caracterizando dano ao Erário de forma comprovada e não por presunção, o que, inclusive, permite a legislação em alguns casos. Deveria a autoridade lançadora ter trazido os elementos de prova para caracterização de interposição fraudulenta para este presente processo. Considerando o império da estrita legalidade, tipicidade tributária, motivação do lançamento tributário, devido processo legal e ampla defesa, diante da gravidade da fraude Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10880.722092/201309 Acórdão n.º 3301004.711 S3C3T1 Fl. 573 21 aduaneira imputada à Recorrente, o lançamento tributário desprovido de provas deve ser declarado nulo, por vício material. Por conseguinte, deve ser cancelada a multa de perdimento aplicada, diante da total ausência dos pressupostos legais para sua aplicação. Os demais argumentos ofertados pela empresa perdem seus objetos em face da questão principal controvertida de mérito lhe ser favorável. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 574DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.721074/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO APLICAÇÃO DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO NO PRAZO DE 180 DIAS. ITBI. INTEGRAÇÃO AO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO.
1. O art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país.
2. A lei é expressa ao estabelecer que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário.
3. O recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ACUSAÇÃO PROCEDENTE.
1. O Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações day-trade.
2. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. INTENÇÃO DO AGENTE. RELEVÂNCIA PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA SANÇÃO PECUNIÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
1. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, a multa de 75% decorre do lançamento de ofício.
2. A eventual existência de má-fé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado.
3. A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado, o que é vedado pela Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2402-006.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial a fim de seja integrado ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, pago a título de ITBI. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL E NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL Recorrente RENATO MUSSI LARA SAFAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. NÃO APLICAÇÃO DO PRODUTO DA ALIENAÇÃO NO PRAZO DE 180 DIAS. ITBI. INTEGRAÇÃO AO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CABIMENTO. COMPROVAÇÃO. 1. O art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país. 2. A lei é expressa ao estabelecer que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário. 3. O recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHOS DE CAPITAL. MERCADO DE RENDA VARIÁVEL. ACUSAÇÃO PROCEDENTE. 1. O Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações daytrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 10 74 /2 01 1- 41 Fl. 2380DF CARF MF 2 2. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. INTENÇÃO DO AGENTE. RELEVÂNCIA PARA FINS DE QUALIFICAÇÃO DA SANÇÃO PECUNIÁRIA. MULTA CONFISCATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. 1. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, a multa de 75% decorre do lançamento de ofício. 2. A eventual existência de máfé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado. 3. A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado, o que é vedado pela Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, darlhe provimento parcial a fim de seja integrado ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, pago a título de ITBI. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 2381DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração, anoscalendário 2006 e 2007, para a exigência de IRPF decorrente de: (a) omissão de rendimentos decorrentes de ganhos de capital na alienação de imóvel no valor de R$ 112.123,50 em 2006 e R$ 395.730,00 em 2007; (b) omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável, obtidos em operações comuns e em operações daytrade realizadas em Bolsa de Valores em 2007, nos respectivos valores de R$ 204.524,61 e de R$ 60.347,02. Segundo se depreende do relatório da decisão recorrida, que ora se reproduz, eis um resumo dos demais acontecimentos deste processo: Em 30/09/2011 o interessado apresentou a impugnação da exigência [...], alegando em síntese o que segue. Com relação à omissão apurada de ganho de capital na alienação do imóvel situado à Avenida do Contorno, 5.740, Belo Horizonte, argumenta que a operação satisfez ao espírito da Lei nº 11.196/2005, pois o propósito da venda do imóvel foi adquirir outro imóvel residencial, devendo fazer jus à isenção legal do imposto. Acrescenta o impugnante que a fiscalização considerou equivocadamente a data de alienação como sendo 14/12/2006, que seria apenas a data da celebração do contrato de compra e venda, ainda sem a transferência da propriedade, sendo a data correta de alienação a da assinatura da escritura e do competente registro junto ao Cartório de Registro de Imóveis, 19/03/2007. Caso tal argumento não seja aceito, apresenta alegação de que o procedimento de fiscalização não abrangia o ano base 2006, [...]. Aduz que não foi considerado como valor de aquisição do imóvel o pagamento a título de imposto sobre transmissão “inter vivos” de bens imóveis ITBI, no valor de R$ 15.000,00, e corretagem, no valor de R$ 45.000,00, que deveriam ter sido deduzidos do cálculo do ganho de capital. Relativamente às omissões apuradas de ganho líquido no mercado de renda variável, alega que, conforme já havia argumentado durante a fase preparatória do lançamento, teria ocorrido fraude nas operações praticadas pelas corretoras de valores, cuja veracidade está sendo discutida na CVM – Comissão de Valores Mobiliários e na Bovespa Supervisão de Mercados, existindo ainda notícia crime no Ministério Público Federal, que resultou em inquérito policial, e as competentes Fl. 2382DF CARF MF 4 ações civis contra as corretoras Agora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A e Safra Corretora de Valores e Câmbio, o que implicaria a extinção ou suspensão de eventual cobrança tributária até o término das apurações. Discorre sobre princípios constitucionais que não teriam sido observados no procedimento fiscal, como os da igualdade, da ampla defesa e do processo legal, exaurindose no princípio do contraditório, que lhe foi negado pela Administração ao indeferir o pedido de prazo suficiente para análise de documentos, o que tornaria o processo eivado de vícios de nulidade. Por fim, manifesta sua discordância quanto ao pagamento de multa e juros, pois em nenhum momento agiu de máfé, acrescentando que o elevado valor da multa contraria todos os princípios morais e de direito consagrados na Constituição Federal. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: GANHO DE CAPITAL. DATA INICIAL DE CONTAGEM DO LAPSO TEMPORAL. O início da contagem do prazo de 180 dias para aplicação do produto da venda de imóvel residencial na aquisição de outro, para enquadramento em hipótese legal de isenção, é a data da celebração do contrato de venda, e não a do término dos pagamentos parcelados. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. ITBI E DESPESAS DE CORRETAGEM. PROVAS INSUFICIENTES. A impugnação deve ser instruída com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF). ALTERAÇÃO DE PERÍODO DE APURAÇÃO. VALIDADE. No Termo de Início de Fiscalização consta a numeração do correspondente MPFF e o seu código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, providencie o acesso a tal instrumento a fim de aferir sua regular emissão, assim como suas eventuais alterações, como prorrogações de prazo, inclusão de tributos/contribuições e/ou período de apuração. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PRORROGAÇÃO DE PRAZO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 2383DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 4 5 O indeferimento de dilação do prazo para o atendimento de intimação para apresentação de documentos comprobatórios do crédito alegado não caracteriza cerceamento do direito de defesa, mormente quando os documentos ainda poderiam ser juntados à impugnação, na qual a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento das razões da decisão proferida, bem como da legislação tributária aplicável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007 GANHO LÍQUIDO NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL OPERAÇÕES COMUNS E "DAY TRADE” RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O contribuinte, na condição de sujeito passivo da obrigação tributária, tem relação pessoal e direta com a situação que constitui fato gerador da obrigação tributária principal, devendo suportar as consequências da má escolha do terceiro ou da má execução dos serviços delegados. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA ANÁLISE EM SEDE ADMINISTRATIVA. A apuração do crédito tributário efetuado em conformidade com as disposições legais aplicáveis não se encontra sujeita, no âmbito administrativo, a ponderações subjetivas relativas às arguições de ofensa a princípios constitucionais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 PENALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 22/01/2015 (fl. 2331) e interpôs recurso voluntário em 20/02/2015 (fls. 2333 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte não suscitou mais a nulidade do processo e nem pediu a dedução das despesas de corretagem da apuração dos ganhos obtidos com a alienação do imóvel, mas sim defendeu a improcedência do lançamento pelas demais razões de mérito esboçadas em sua impugnação. Ele ainda acrescentou uma nova tese de defesa, qual seja: a dedução do imposto apurado neste lançamento da quantia de R$ 729,89, cobrada a título de IRRF. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 2384DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, mas não deve ser totalmente conhecido. A tese de que deveria ser deduzida do imposto apurado neste lançamento a quantia de R$ 729,89, cobrada a título de IRRF, não foi ventilada na impugnação, sendo, pois, insuscetível de conhecimento em grau recursal. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. Fl. 2385DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 5 7 2 Da omissão decorrente dos ganhos de capital 2.1 DA ISENÇÃO O sujeito passivo se insurge contra essa acusação fiscal, ao argumento de que teria aplicado o produto da venda que teria originado o ganho de capital na aquisição de outro imóvel residencial dentro do prazo de 180 dias, o qual seria contado da data da outorga e registro da escritura pública. No seu entender, portanto, ele seria isento do imposto. Em contrapartida, a DRJ entendeu que o citado prazo seria contado da data da celebração do contrato, de tal forma que: houve um lapso temporal superior a 180 dias entre a data de celebração do contrato da venda da casa – 14/12/2006 – e a data de assinatura do contrato da compra do apartamento – 14/08/2007, de modo que a operação de venda da casa não foi alcançada pela isenção disciplinada pelo art. 39 da Lei nº 11.196/2005. Pois bem. A incidência do imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do RIR/1999, com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). Essa diferença está sujeita, exemplificativamente, a determinados fatores de redução, tais como aqueles estabelecidos no art. 40 da Lei 11196/05 e aqueles previstos no art. 139 do Regulamento. A legislação igualmente estabelece determinadas hipóteses de isenção do ganho, tais como o ganho de capital auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor, o ganho de capital auferido na alienação do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, o ganho de capital decorrente de indenização por desapropriação para fins de reforma agrária, etc. No tocante ao caso concreto, o art. 39 da Lei 11196/05 preleciona que fica isento o ganho auferido pelo alienante pessoa física que, no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no país. Vejase: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.(Vigência) Fl. 2386DF CARF MF 8 § 1oNo caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a(primeira) operação. § 2oA aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3oNo caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4oA inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2o(segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2o(segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5oO contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. É indubitável que o citado artigo estabelece uma hipótese de isenção, a qual, salvo melhor juízo, não pode ser interpretada de forma extensiva. Vejase, nesse sentido, o que prevê o Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Tanto se trata de isenção, e não de não incidência pura e simples, que o contribuinte somente poderá usufruir do benefício uma vez a cada cinco anos (v. § 5º do art. 39 retro mencionado). De outro vértice, o caput do artigo é expresso ao determinar que fica isento do imposto o ganho auferido na hipótese que especifica, de modo que ao intérprete da norma não é permitido fazer interpretação extensiva. Vejase que o art. 39 é expresso ao prever que o prazo de 180 dias é contado da celebração do contrato, não havendo previsão de contagem a partir da data da outorga da escritura e nem do seu registro perante o registro imobiliário. É sabido que a transferência entre vivos da propriedade de bens imóveis ocorre mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Ocorre, contudo, que a celebração do negócio, antes mesmo do citado registro, seja através da celebração de contratos particulares (compra e venda, compromisso de compra e venda, etc), seja através da outorga de escrituras públicas, viabiliza a obtenção do ganho de capital tributável. Fl. 2387DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 6 9 E mais, a legislação isentiva é expressa ao determinar que a contagem do prazo de 180 dias se inicia na data da celebração do contrato, de tal forma que a decisão da DRJ está de acordo com o direito vigente, devendo ser negado provimento ao recurso nesse particular. Quer dizer, o recorrente partiu da premissa equivocada de que o prazo seria contado da data da outorga da escritura (09/04/2007), pois a legislação preleciona que essa contagem se inicia na data da celebração do contrato (14/12/2006). Nem mesmo a jurisprudência invocada em sede de recurso voluntário socorre o contribuinte, pois ele não comprovou que aplicou o produto da alienação no prazo de 180 dias contado da celebração do contrato. 2.2 DA DEDUÇÃO DO ITBI Sucessivamente, o recorrente pede para que o ITBI pago quando da aquisição do imóvel alienado integre o custo de sua aquisição. Noutro giro, ele pede que ao valor de R$ 640.000,00 seja integrado o montante pago a título de imposto de transmissão inter vivos, no valor de R$ 16.004,60. A título de comprovação, anexa a escritura pública de aquisição do imóvel alienado. É que o acórdão recorrido entendeu que ele não teria declarado esse pagamento em sua declaração de ajuste e nem anexado à defesa a respectiva documentação comprobatória. Vejase: [...], é certo que as despesas de corretagem e a importância paga a título de ITBI, cujo ônus tenha sido do adquirente, podem integrar o custo de aquisição, [...]. Porém, o contribuinte não declarou tais pagamentos em sua DAA e nem anexou à sua defesa documentação relativa às alegadas despesas, não sendo possível verificar se seu ônus foi suportado pelo adquirente ou alienante do imóvel. Analisandose a declaração de ajuste anual do contribuinte, constatase que ele realmente não declarou e nem integrou ao custo de aquisição do imóvel vendido o pagamento do ITBI (v. fl. 2286). Entretanto, a escritura pública de fls. 2376/2378 demonstra que foi pago ao Município de Belo Horizonte a quantia de R$ 16.004,60 a título de imposto. De acordo com o art. 6º da Lei Municipal 5.492/88, que regulamenta o Imposto sobre Transmissão Onerosa de Imóveis "Inter Vivos" naquele Município, o tributo deve ser pago pelo comprador do imóvel1. 1 http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=itbi &tax=14169&lang=pt_BR&pg=5860&taxp=0&, acesso em 20 de fevereiro de 2018. Fl. 2388DF CARF MF 10 Logo, é inegável que o recorrente suportou o ônus econômico e financeiro do imposto de transmissão quando da aquisição do imóvel ora alienado, de tal forma que esse valor deve ser integrado ao custo de sua aquisição, conforme determina o art. 17, inc. I, alínea "e", da IN SRF 84/01: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: e) o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel; Está sendo deferida a juntada da citada escritura em grau recursal porque ela se destina a contrapor a argumentação do acórdão recorrido, segundo a qual o sujeito passivo não teria comprovado o dispêndio com o ITBI. Ademais, devese lembrar que o princípio da verdade material é específico do processo administrativo, diferentemente do princípio dispositivo, próprio do processo judicial, de maneira que o julgador tem ampla liberdade para investigar os fatos submetidos à sua apreciação. O próprio julgador pode, de ofício, determinar a realização das provas que entender necessárias para a formação do seu convencimento, razões pelas quais está sendo admitida a juntada de documento neste caso específico. Sopesandose, portanto, os princípios da verdade material e da preclusão, deve ser prestigiado, no caso vertente, o primeiro. Em síntese, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto. 3 Dos ganhos no mercado de renda variável O recorrente assevera que comprovou que não auferiu renda, mas sim que teve prejuízos no mercado de renda variável; alega, ainda, que não omitiu intencionalmente os ganhos omitidos, haja vista que as operadoras financeiras não lhe teriam passado os extratos das movimentações em tempo hábil. Todavia, o Termo de Verificação Fiscal e o seu respectivo anexo 2 demonstram que o recorrente auferiu ganhos líquidos no mercado de renda variável, decorrentes de operações comuns e operações daytrade. Isto é, o recorrente teve relação pessoa e direta com o fato "auferir renda" (art. 121, parágrafo único, inc. I, do CTN), fato este gerador da obrigação de pagar o imposto correspondente, conforme determina o art. 43, inc. I, do CTN. Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 2389DF CARF MF Processo nº 15504.721074/201141 Acórdão n.º 2402006.223 S2C4T2 Fl. 7 11 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Lembrese que a obrigação tributária é exlege, ou seja, uma obrigação decorrente da realização do fato gerador descrito em lei, não sendo de grande relevância a intenção do sujeito passivo. Basta, portanto, que tenha ocorrido a ação ou a situação descrita em lei como ensejadora da obrigação de pagar o tributo correspondente. Mesmo a responsabilidade por infrações independe da vontade do sujeito passivo, como está expresso no art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Acrescentese, por fim, que o corretor age em nome do seu cliente, como demonstra o Código Civil, em seu art. 722: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Se porventura tiver havido falha na execução da mediação, é assegurado ao cliente a correspondente indenização por perdas e danos. Vejase: Art. 723. O corretor é obrigado a executar a mediação com diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio.(Redação dada pela Lei nº 12.236, de 2010 ) Parágrafo único. Sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência.(Incluído pela Lei nº 12.236, de 2010 ) Logo, a decisão da DRJ é incensurável, devendo ser mantida nesse tocante. 4 Da multa de ofício A alegação de que a multa de ofício de 75% teria caráter abusivo não deve ser acolhida. Conforme preleciona o inc. I do art. 44 da Lei 9430/96, tal sanção decorre do lançamento de ofício. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 2390DF CARF MF 12 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A eventual existência de máfé é fato ensejador da sua qualificação, a fim de que o seu percentual seja duplicado, conforme prevê o § 1º do artigo retro mencionado: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como dito no tópico anterior, ademais, a responsabilidade por infrações independe da vontade do sujeito passivo. Por fim, a cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de imposição confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade do art. 44 encimado. Como sabido, entretanto, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2, segundo a qual "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Em resumo, também se nega provimento ao recurso neste ponto. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de determinar a integração ao custo de aquisição do imóvel o valor de R$ 16.004,60, a título de ITBI. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 2391DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.001382/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
COMPENSAÇÃO
O crédito deve ser reconhecido e a respectiva compensação homologada, quando comprovada a liquidez e a certeza do crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para reconhecer e homologar os créditos nos importes de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar o montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário e dar parcial provimento para reconhecer e homologar os créditos nos importes de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar o montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 13 82 /2 00 3- 19 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 574 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 575 3 Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou totalmente improcedente a manifestação de inconformidade oferecida pela Recorrente. Em 11/02/03 a Recorrente requereu junto a Delegacia da Receita Federal de Brasil a homologação e compensação de créditos próprios com débitos próprios (fls. 1 e 2). Este pedido tratase de compensação de débitos de PIS e COFINS apurados nos meses de novembro e dezembro de 2003 no valor de R$ 269.960,72, com pretenso crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2000 no valor de R$ 1.375.227,42. Ocorre que, em 28/07/2004, a Recorrente enviou a SRF Declaração de Compensação eletrônica 01984.54108.280704.1.3.024005m à qual foi recepcionada e baixada para ser analisada no presente processo, conforme cópia anexa às fls. 70 a 74. Tratase de compensação de débito de IRPJ Estimativa Mensal apurado em junho de 2004 no valor de R$ 7.943,22, com pretenso crédito de Saldo Negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 no valor de R$ 7.416,64. Por fim, a Recorrente requereu a compensação de créditos de Saldos Negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 2000 e 2003, como débitos de PISe COFINS apurados nos meses de novembro e dezembro de 2003, e IRPJ Estimativa mensal apurado em junho de 2004, que perfaz o montante de R$ 277.377,36, conforme pedidos anexos Às fls. 01,02, 70 a 74. Sintetizando o histórico processual, em 21/10/2004, por meio do despacho decisório de fls. 110/115, esta Diort homologou parcialmente as seguintes compensações: a) declaração de compensação em formulário, entregue em 11/02/2003 (fls. 3 e 132): compensação de débitos de PIS e Cofins, no valor total de 269.960,72, apurados nos meses de novembro/2003 e dezembro/2003, com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, no valor total de R$ 1.375.227,42; b) Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005, de 28/07/2004 (fls. 72/76):compensação de débito de estimativa de IRPJ, no valor de R$ 7.943,22, apurado em junho/2004, com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2003, no montante original de R$ 7.416,64. A homologação parcial decorreu de inconsistências detectadas nos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2000, 2002 e 2003, redundando na cobrança dos seguintes débitos, cadastrados no sistema Profisc (fls. 107/108): Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 576 4 Tabela 1 Tributo/Código Período de Apuração Valor (R$) Motivo 1 IRPJ/2319 12/2002 127.301,22 Compensação Indevida/MS 2 IRPJ/2319 01/2003 21.638,73 Compensação Indevida/MS 3 IRPJ/2319 02/2003 25.060,57 Compensação Indevida/MS 4 IRPJ/2319 03/2003 22.701,94 Compensação Indevida/MS 5 IRPJ/2319 12/2003 65.014,44 Compensação Indevida/MS 6 IRPJ/2362 06/2004 7.943,22 Ausência de saldo credor 7 IRPJ/2390 12/2002 267.528,91 Saldo de IRPJ a pagar 8 IRPJ/2390 12/2003 126.286,68 Saldo de IRPJ a pagar A decisão proferida no referido despacho decisório foi integralmente mantida pela DRJ em sede de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. O Carf, por sua vez, ao apreciar o recurso voluntário, converteuo em diligência, solicitando a manifestação desta DRF acerca das alegações declinadas pela Interessada às fls. 184 e 197/203. Ato continuo, veio a resposta da diligência (Informação Fiscal) de fls.517/521 com o seguinte teor: [...] 5. Cabe salientar, em princípio, que a Contribuinte fez um depósito recursal prévio no valor de 30% da exigência fiscal, para a interposição do recurso voluntário, em conformidade com o que estabelecia a lei. Tendo tal exigência sido declarada inconstitucional pelo STF, a RFB providenciou a devolução do montante depositado, segundo se conclui da leitura do despacho de fls. 368, em atenção ao requerimento de fls. 316/317. 6. Quanto às referidas compensações e a cobrança dos débitos de que trata o presente processo, é importante observar o parecer desta Diort às fls. 326/327. De sua leitura, constatase que os débitos de que trata a declaração de compensação referida no item “a” do parágrafo 2 desta informação foram integralmente compensados com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000, já o débito de que trata a Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) não foi compensado, em virtude do não reconhecimento do crédito de saldo negativo do anocalendário de 2003. 7. Após a revisão proposta no citado parecer desta Diort, os débitos impropriamente cadastrados e em cobrança no sistema Profisc, conforme tabela 1, foram excluídos do processo, tendo permanecido em cobrança apenas os seguintes débitos (tela do sistema Profisc em fls. 511): a) R$ 7.943,22, código do tributo 2362, vencimento em 30/07/2004; Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 577 5 b) R$ 267.528,91, código do tributo 2390, vencimento em 31/01/2003; c) R$ 126.286,68, código do tributo 2390, vencimento em 30/01/2004. 8. Os dois últimos débitos são decorrentes de valores apurados em razão de diferenças de IRPJ relativas aos anoscalendário de 2002 e 2003, conforme se observa nos itens 14 a 17 do despacho decisório de fls. 110/115. Quanto ao primeiro, foi objeto da Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005, cuja compensação não foi homologada em razão da inexistência de crédito de saldo negativo do anocalendário de 2003. 9. Assim sendo, feitas as correções de que trata o referido parecer de fls. 326/327, isto é, corrigidas as duplicidades de exigência alegadas pela Interessada em fls. 198, a presente diligência consiste em avaliar se os débitos remanescentes no presente processo são ou não devidos, respondendo as outras alegações arroladas no recurso voluntário de fls. 184 e 197/203. 10. Iniciase pela reprodução do Quadro 8 do item 21 do recurso voluntário (fls. 202), naquilo que interessa à presente análise. Tabela 2 Anocalendário valor apurado contribuinte valor apurado RFB diferença 2002 234.788,97 267.528,91 32.739,94 2003 133.703,32 126.286,68 (7.416,64) 11. A origem da diferença de R$ 32.739,94 de IRPJ do ano calendário de 2002, exigida pela RFB e contestada pela Interessada, pode ser identificada na tabela 3 adiante. [...] Tabela 3 fl. 3 da Informação fiscal. 12. Para o período de apuração referente a dezembro/2002, constatase que a Contribuinte declarou em DCTF o valor compensado no montante de R$ 1.073.525,45 (fls. 85). Todavia, o débito efetivamente compensado com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000 foi de R$ 1.040.785,51, conforme reproduzido na tabela 3 e constante do demonstrativo do Quadro nº 02, de fls. 104 dos autos. 13. Com o objetivo de esclarecer a divergência detectada no IRPJ devido no anocalendário 2002, conforme parágrafo anterior, a Interessada foi intimada (fls. 370) a prestar informações e apresentar documentos identificando todos os valores que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 1.375.227,42. Notese que a RFB apurou saldo negativo de R$ 1.350.928,18, no mesmo ano calendário de 2000, conforme tabela 4 seguinte (vide também a tabela de fls. 103, relativa ao anocalendário de 2000). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 578 6 Tabela 4 [...] 14. Quando se compara os dados da tabela 4 com aqueles apresentados pela Interessada em sua resposta à intimação (fls. 462), notase que a divergência apurada encontrase nas estimativas compensadas no mês de agosto/2000. Segundo os dados apresentados pela Contribuinte, o imposto compensado em agosto/2000 foi de R$ 232.352,66. Ocorre que a DCTF do período respectivo (fls. 49) indica compensações de débito no valor de R$ 208.053,42, composto de duas parcelas: R$ 176.233,34, com crédito de saldo negativo do anocalendário de 1999; e R$ 31.820,08, com saldo negativo do anocalendário de 1998. 15. Assim sendo, a apuração de saldo negativo a menor no ano calendário de 2000 (R$ 1.350.928,18 e não R$ 1.375.227,42) irá redundar em IRPJ devido no anocalendário de 2002, no valor de R$ 32.739,94. 16. Resta, portanto, um saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 32.739,94 para o período de apuração de dezembro/2002. 17. No que diz respeito ao anocalendário de 2003, verificase o seguinte: Tabela 5 [...] fl. 4 da Informação Fiscal. 18. O crédito suspenso de que trata a tabela 5 foi extinto por pagamento, conforme extrato do processo nº 11853.001612/200607 (fls. 512/514), de modo que o valor apurado pela RFB de IRPJ devido (R$ 126.286,68, conforme planilha de fls. 103) e cadastrado no sistema de cobrança deve ser zerado. 19. O valor de R$ 7.416,64 é decorrente de pagamento a maior relativamente ao período de apuração de dezembro/2003, tendo sido objeto da Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) e conforme DCTF original e retificadora do período corresponde (fls. 515). 20. Embora a DCTF 2003 tenha sido retificada após a emissão do despacho decisório de fls. 110/115, observase, por meio de consulta ao sistema Sief/Documentos de Arrecadação (fls. 516), a existência do pagamento correspondente no montante de R$ 2.970.634,51, havendo um saldo disponível no valor de R$ 7.416,65 e, portanto, passível de compensação. 21. Dessa forma, a presente diligência pode ser concluída informando que os débitos em cobrança neste processo, conforme descrito no parágrafo 7 desta informação, devem ter o seguinte tratamento: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 579 7 a) R$ 7.943,22, código de receita 2362, vencimento em 30/07/2004: a Dcomp nº 01984.54108.280704.1.3.024005 (fls. 72/76) deve ser homologada, tendo em vista a existência de saldo disponível de pagamento passível de compensação, conforme parágrafos 17/20 deste ato; b) R$ 126.286,68, código de receita 2390, vencimento em 30/01/2004: o crédito tributário foi extinto por pagamento, conforme parágrafos 17/18 deste ato; c) R$ 267.528,91, código 2390, vencimento em 31/01/2003: foi extinto por pagamento o crédito tributário no valor de R$ 234.788,97, devendo permanecer em cobrança o montante de R$ 32.739,94, conforme parágrafos 11/16 deste ato. Em seguida a Recorrente apresentou petição refutando a fundamentação da Diligência Informação Fiscal clamando pelo reconhecimento e homologação do crédito de R$ 32.739,94. Cabe salientar, em princípio, que a Contribuinte fez um depósito recursal prévio no valor de 30% da exigência fiscal, para a interposição do recurso voluntário, em conformidade com o que estabelecia a lei. Tendo tal exigência sido declarada inconstitucional pelo STF, a RFB providenciou a devolução do montante depositado, segundo se conclui da leitura do despacho de fls. 368, em atenção ao requerimento de fls. 316/317. É o relatório. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 580 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o Parecer da DIROT (fls.326/327) e a Tabela 11 da Informação Fiscal de fls.517/521 os débitos impropriamente cadastrados e em cobrança no sistema Profisc, foram excluídos do processo, tendo permanecido em cobrança apenas os seguintes débitos (tela do sistema Profisc em fls. 511): a) R$ 7.943,22, código do tributo 2362, vencimento em 30/07/2004; b) R$ 267.528,91, código do tributo 2390, vencimento em 31/01/2003; c) R$ 126.286,68, código do tributo 2390, vencimento em 30/01/2004. Para o período de 2003, conforme parágrafos 17/20 da Informação Fiscal, o crédito de R$ 7.943,22 foi reconhecido e homologado tendo em vista a existência de saldo disponível de pagamento passível de compensação. Também para o período de 2003, em relação ao crédito de R$ 126.286,68 a Informação Fiscal o extinguiu por pagamento, conforme apontado no extrato do processo nº 11853.001612/200607 (fls. 512/514), de modo que o valor apurado pela RFB de IRPJ devido (R$ 126.286,68, conforme planilha de fls. 103) e cadastrado no sistema de cobrança deve ser zerado. 1 Tabela 1 Tributo/Código Período de Apuração Valor (R$) Motivo 1 IRPJ/2319 12/2002 127.301,22 Compensação Indevida/MS 2 IRPJ/2319 01/2003 21.638,73 Compensação Indevida/MS 3 IRPJ/2319 02/2003 25.060,57 Compensação Indevida/MS 4 IRPJ/2319 03/2003 22.701,94 Compensação Indevida/MS 5 IRPJ/2319 12/2003 65.014,44 Compensação Indevida/MS 6 IRPJ/2362 06/2004 7.943,22 Ausência de saldo credor 7 IRPJ/2390 12/2002 267.528,91 Saldo de IRPJ a pagar 8 IRPJ/2390 12/2003 126.286,68 Saldo de IRPJ a pagar Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 581 9 Já em relação ao crédito no importe de R$ 267.528,91 do período de 2002 a Informação Fiscal o extinguiu parcialmente devido ao pagamento do valor de R$ 234.788,97, permanecendo a cobrança do montante de R$ 32.739,94. Em relação aos dois primeiros créditos, entendo que a lide encontrase resolvida conforme a fundamentação da Informação Fiscal. Em relação ao terceiro crédito que foi extinto parcialmente pela Informação Fiscal, restando o crédito a ser cobrado de R$ 32.739,94, a Recorrente apresentou petição contestando a conclusão do Auditor Fiscal, clamando pela homologação total do crédito compensado. Ao analisar os documentos constantes nos autos, tais como a Dipj 2003 fls. 78, DCTF 4º tri/2002 fls. 85, DCTF 4º tri/2002 fls. 83/85 ajuste referente a dez/2002 e Créditos extintos por pagamento, conforme extrato do processo nº 11853.001612/200607 fls. 512/514 e as alegações da Recorrente, entendo que a fundamentação do Auditor Fiscal exposta na Informação Fiscal (fls. 517/521.), deve prevalecer. Para o período de apuração referente a dezembro/2002, constatase que a Recorrente declarou em DCTF o valor compensado no montante de R$ 1.073.525,45 (fls. 85). Todavia, o débito efetivamente compensado com o crédito de saldo negativo do anocalendário de 2000 foi de R$ 1.040.785,51, conforme reproduzido na tabela 3 e constante do demonstrativo do Quadro nº 02, de fls. 104 dos autos. Com o objetivo de esclarecer a divergência detectada no IRPJ devido no ano calendário 2002, conforme parágrafo anterior, a Interessada foi intimada (fls. 370) a prestar informações e apresentar documentos identificando todos os valores que compuseram o saldo negativo do anocalendário de 2000, no montante de R$ 1.375.227,42. Notese que a RFB apurou saldo negativo de R$ 1.350.928,18, no mesmo anocalendário de 2000, vide também a tabela de fls. 103, relativa ao anocalendário de 2000. 14. Quando se compara os dados da tabela 4 com aqueles apresentados pela Interessada em sua resposta à intimação (fls. 462), notase que a divergência apurada encontrase nas estimativas compensadas no mês de agosto/2000. Segundo os dados apresentados pela Contribuinte, o imposto compensado em agosto/2000 foi de R$ 232.352,66. Ocorre que a DCTF do período respectivo (fls. 49) indica compensações de débito no valor de R$ 208.053,42, composto de duas parcelas: R$ 176.233,34, com crédito de saldo negativo do anocalendário de 1999; e R$ 31.820,08, com saldo negativo do anocalendário de 1998. 15. Assim sendo, a apuração de saldo negativo a menor no ano calendário de 2000 (R$ 1.350.928,18 e não R$ 1.375.227,42) irá redundar em IRPJ devido no anocalendário de 2002, no valor de R$ 32.739,94. 16. Resta, portanto, um saldo a pagar de IRPJ no valor de R$ 32.739,94 para o período de apuração de dezembro/2002. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10166.001382/200319 Acórdão n.º 1402003.113 S1C4T2 Fl. 582 10 Sendo assim, entendo que a cobrança do valor restante de R$ 32.739,94 para o período de apuração de 2002 deve ser mantido. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para reconhecer e homologar totalmente os créditos no importe de R$ 126.286,68 e R$ 7.943,22 referentes ao período de 2003 e reconhecer e homologar montante de R$ 234.788,97 para o período de 2002, mantendo a cobrança do valor não homologado de R$ 32.739,94. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.913058/2008-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações e eventuais reduções / isenções / suspensões de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003, e-fl. 44), e sua disponibilidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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(Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO Tratase de pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp n° 13820.69622.130704.1.3.042379, de 13/07/2004, efls. 02/06) em que o contribuinte requereu crédito relativo a DARF (Código 5993/IRPJ, recolhimento em 31/01/2004, período de apuração 31/12/2003; R$ 1.015.318,55), do qual seria pagamento indevido o montante de R$ 47.452,20. Requereu compensação com débito de PIS e IRRF referentes a julho de 2004 até o montante de R$ 2.369,68. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 05 8/ 20 08 -1 8 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 254 2 O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781151055 (efl. 10), de 12/08/2008, que analisou as informações relativas ao direito creditório e concluiu que o crédito foi integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em que alega que o Darf referente ao crédito foi vinculado de forma indevida na DCTF retificadora do 4° Trimestre/2003, transmitida em 26/01/2005. Porém com a retificação da DCTF do 4° Trimestre/2003, transmitida em 03/09/2008 (após o Despacho Decisório), ficaria confirmada a existência do crédito. A decisão de primeira instância (efl. 79/80) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o crédito pleiteado pelo Interessado já foi analisado no processo 15374.911430/200843, Acórdão 1230.276 (efls. 74/77), que negou provimento à manifestação de Inconformidade e não reconheceu qualquer direito creditório. Naquele processo conexo (efls. 74/75) o acórdão de primeira instância averbou que os elementos apresentados naqueles autos (registros fiscais, memória de cálculo e páginas do livro diário) não faziam prova da ocorrência de erro no preenchimento da DCTF, pois as antecipações no ano confirmadas somaram apenas R$ 2.118.133,28, enquanto o contribuinte considerou (DCTF retificadora) como antecipação paga o montante de R$ 2.444.531,12.. Extraise do voto vencedor (efl. 75): 6. Em seu PER/DCOMP, o interessado afirma possuir um crédito no valor original de R$ 47.452,20, fl. 3, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55, fl. 4, e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35, fl. 12. 7. Analisandose a DIPJ 2004 do interessado, fls. 44/45, verificamos que consta um de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, e que, na apuração desta quantia, foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12. Por outro lado, as antecipações confirmadas somam apenas R$ 2.118.133,28, fls. 46/47, de modo que considerando se este último valor, não haveria saldo negativo na DIPJ 2004, mas saldo de imposto a pagar no valor de R$ 278.945,64. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/07/2011 (efl. 84) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 29/07/2010 (efl. 88), em que argumenta que pagou R$ 1.015.318,55, ao invés de R$ 967.866,35, pois declarou com erro a redução de 75% do imposto de renda na DCTF original relativa ao 4o trimestre de 2003: Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 255 3 VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e DIPJ e para correção do engano apresentou DCTF retificadora. Apresenta como início de prova memória de cálculo, livro diário e DIPJ. Alega possuir crédito nominal de R$ 47.452,20 de saldo negativo de IRPJ, equivalente à diferença entre um pagamento no montante de R$ 1.015.318,55 e o tributo efetivamente devido de R$ 967.866,35. A decisão de primeira instância no processo conexo 15374.911430/200843, Acórdão 1230.276 (efls. 77/79 destes autos), que trata do mesmo crédito, negou o crédito por entender que, apesar de na DIPJ 2004 do interessado constar um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 47.452,20, na apuração desta quantia foram considerados pagamentos por estimativa no total de R$ 2.444.531,12, mas as antecipações confirmadas somam apenas R$ 2.118.133,28. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15374.913058/200818 Resolução nº 1001000.064 S1C0T1 Fl. 256 4 Já o recorrente afirma (efls. 84/89) que fazia jus a benefício fiscal que lhe concedia redução de 75% da base de cálculo do imposto de renda; e que ao elaborar a DCTF referente ao 4o triimestre/2003, por equívoco matemático, considerou que fazia jus a uma redução de R$ 7.125.495,15, quando, em verdade, a redução era de R$ 7.172.947,35. Alegou também, em sede de recurso voluntário no processo conexo referido, que se deve acrescer às antecipações constatadas (R$ 2.118.133,28) o valor do IR Retido na Fonte (R$ 339.227,53), apurado na DIPJ 2004, alcançandose o valor de R$ 2.457.360,81 (dois milhões e quatrocentos e cinquenta e sete mil e trezentos e sessenta reais e oitenta e um centavos). Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, eventual comprovação, de maneira inequívoca, da liquidez e certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior e sua disponibilidade. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao alegado pagamento a maior: a) Certificar a autenticidade dos documentos juntados pelo contribuinte para comprovar as retenções de IRRF, as antecipações de imposto de renda e eventuais reduções / isenções de imposto de renda, relativas ao ano calendário 2003, e se necessário intimar o contribuinte e as fonte pagadoras a apresentar escrituração complementar, mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dele, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior de R$ 47.452,20 (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário 2003), e sua disponibilidade; b) Elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, com base na documentação juntada e nos registros fiscais do, ou em nome do recorrente, relativos às antecipações e retenções confirmadas, ao imposto devido, e a eventual direito creditório considerando as compensações requeridas, em especial neste e nos autos dos processos 15374.913064/200867, 15374.913058/200818 e 15374.913059/200854. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 256DF CARF MF
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