Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.720690/2010-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-006.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.720690/2010-77
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852821
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.650
nome_arquivo_s : Decisao_10580720690201077.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10580720690201077_5852821.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7210073
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011973976064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1503; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 468 1 467 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.720690/201077 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.650 – 2ª Turma Sessão de 22 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TELEVISAO BAHIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, em razão de concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 90 /2 01 0- 77 Fl. 469DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração, AI 37.201.9196, referente a contribuições sociais devidas à Seguridade Social correspondentes às diferenças dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a título de PLR – Participação nos Lucros e Resultados, em desacordo com a legislação. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária manteve em parte o lançamento. O Colegiado a quo determinou o recálculo da multa aplicada com base no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. O acórdão 2302003.129 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10580.720690/201077 Acórdão n.º 9202006.650 CSRFT2 Fl. 469 3 máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional, juntado os paradigmas necessários, traz para debate a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas. Requer seja dado total provimento ao recurso, para que seja esposada a tese de que a multa mais benéfica deve ser verificada a partir da comparação entre: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. Em tempo, a PGFN por meio do Memorando nº 1.437/2016/PGFN/GAB/PFNBA (fls. 443) comunica a existência de decisão judicial que em caráter provisório determinou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos nos PAF's: 10580.720690/201077, 10580.720688/201066, 10580.720691/201011 e 10580.720689/201042. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão dos critérios utilizados pelo acórdão para aplicação da retroatividade benigna de norma, haja vista as alterações promovidas pela MP 449/08 em dispositivos da Lei nº 8.212/91, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Conforme descrito no relatório há em favor do contribuinte decisão judicial determinando a suspensão da exigibilidade do crédito ora discutido. Nos termos da decisão liminar proferida na ação anulatória nº 187487.2016.4.01.3300 e juntada às fls. 450 é possível compreender a abrangência da discussão. Vejamos: Fl. 471DF CARF MF 4 E concluiu o i. Julgador quanto ao pedido: Com essas informações podese afirmar que a ação judicial possui o mesmo objeto deste processo administrativo, aplicandose ao caso o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10580.720690/201077 Acórdão n.º 9202006.650 CSRFT2 Fl. 470 5 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Professor Marcos Vinícius Neder e a Conselheira Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Diante do exposto, caracterizada a concomitância, dou provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito nos termos em que foi lançado. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003605/2006-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9/6/2015, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INTERESSE RECURSAL.
A falta de interesse recursal impõe o não conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9303-006.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9/6/2015, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INTERESSE RECURSAL. A falta de interesse recursal impõe o não conhecimento do recurso especial.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.003605/2006-18
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854907
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.333
nome_arquivo_s : Decisao_11065003605200618.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11065003605200618_5854907.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7234285
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050011995996160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 3.632 1 3.631 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003605/200618 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.333 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2018 Matéria IPI. CLASSIFICAÇÃO Recorrentes SPRINGER CARRIER LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9/6/2015, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. INTERESSE RECURSAL. A falta de interesse recursal impõe o não conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 36 05 /2 00 6- 18 Fl. 3632DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3102 002.402, de 18/03/2015, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 ESCRITA FISCAL. SALDO INICIAL. PROCEDIMENTO FISCAL CONTROVERTIDO EM OUTRO PROCESSO. AFETAÇÃO. O saldo inicial do período fiscalizado é afetado pela revisão da escrita feita pela Fiscalização Federal em outro procedimento fiscal, ainda que o auto de infração correspondente tenha sido contestado e esteja pendente de decisão administrativa definitiva. O contribuinte deve estornar em sua escrita os créditos glosados pelo Fisco. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. APARELHO DE CONDICIONAMENTO DO AR. PARTE. UNIDADES EVAPORADORAS. A Unidade interna de um aparelho de condicionamento do ar, tipo “splitsystem”, compreendendo uma serpentina evaporadora (trocador de calor), um ventilador de motor elétrico que circula o ar pela serpentina evaporadora e o projeta dentro de um cômodo (local a ser climatizado), um filtro de ar, um termostato e um painel de controle, montados juntos num mesmo receptáculo, concebida para ser conectada a uma unidade externa por fios elétricos e tubos de cobre, classificase na NCM 8415.90.00. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. DECISÕES DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS. DELIMITAÇÃO DA LIDE. O julgamento do auto de infração controvertido deve observar os limites da lide. A acusação veiculada pelo Fisco no relatório de auditoria que narra os fatos identificados durante o procedimento e as infrações cometidas pela parte delimitam o julgamento. Se a Fiscalização, embora ciente do fato, não o Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 9303006.333 CSRFT3 Fl. 3.633 3 considerou irregular, não cabe ao julgador tornálo, e decidir com base nesse entendimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Exonerado em Parte Irresignada, a PFN se insurgiu contra a classificação fiscal do produto industrializado pela contribuinte que fora adotado no acórdão recorrido. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3302002.117. O exame de admissibilidade do recurso encontramse às fls. 3470/3472. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3547/3567). Também apresentou recurso especial, por meio do qual contesta: a) a necessidade de estorno do saldo credor de IPI do 3º decêndio de 12/2001, com base nas apurações realizadas pelo Fisco em procedimento discutido nos autos do Processo 11065.004409/200407; b) o erro de cálculo no crédito presumido de IPI; e, finalmente, c) a correção monetária do saldo credor de IPI. Alega divergência em relação ao que decidido no Acórdão nº 310101.118. O exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte encontrase às fls. 3572/3575. Das divergências suscitadas no recurso especial pela contribuinte, apenas a primeira foi reconhecida, decisão que, em sede de agravo, restou mantida pelo presidente do CARF (fls. 3608/3610). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3612/3616). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Para demonstrálo, passamos a transcrever trechos do voto condutor do acórdão recorrido, na parte que se refere a uma questão de apreciação crucial ao deslinde da controvérsia: Isto posto, imperioso destacar que as razões que motivaram a autuação trarão expressivas consequências à decisão que será proposta na vertente lide. É meu entendimento que a questão que se apresenta pouca relação tem com a classificação das Unidades Evaporadoras propriamente ditas. Em lugar disso, creio o problema de que aqui nos ocupamos diga respeito à transação comercial levada a efeito pela Recorrente e a aparência que ela, Recorrente, pretendeu lhe dar. Definitivamente, não acredito que a empresa tenha de fato comercializado, isoladamente, quantidade tão expressiva de Unidades Evaporadoras. A toda evidência, as transações envolveram aparelhos de condicionamento de ar completos, que Fl. 3634DF CARF MF 4 foram "desdobrados" nos documentos fiscais, acarretamento incidência tributária menor. Isso, inclusive, é testemunhado nas declarações prestadas pelos clientes da empresa que, em resposta à diligência demandada por este Relator, invariavelmente afirmam ter adquirido condicionadores de ar Split, constituídos por Unidades Evaporadoras e Unidades Condensadoras, para utilização em conjunto. É por esse caminho que, segundo leitura que faço, haveria de ser identificada a infração cometida pela Parte, mas, definitivamente, necessário reconhecer que a acusação não é constituída pela observação dessa prática e mantêla com base nisso representaria uma inovação intolerável acerca das razões de decidir e agir da Fiscalização Federal. A esse respeito, para que não restem dúvidas, transcrevo a seguir a única menção que encontrei no Relatório da Fiscalização sobre as operações de venda das mercadorias. 3.1.2.3 — As vendas de aparelhos da linha "SPLIT" são feitas com as unidades separadas, isto é, a fiscalizada vende uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora, as quais serão posteriormente instaladas para funcionamento, permanecendo, entretanto, fisicamente separadas. Tratase de uma simples anotação a respeito do modus operandi da Recorrente. Nenhuma conclusão ou acusação está relacionada a essa prática. A seguir, a teor das considerações feita no Relatório, a Autoridade autuante até chancela essa conduta. Observese. 3.1.2.4 — Quanto à classificação fiscal das unidades condensadoras não há divergência entre o procedimento adotado pela fiscalizada e o entendimento desta fiscalização. 3.1.2.5 — Por outro lado, quanto à classificação das unidades evaporadoras, a fiscalizada cometeu erro de classificação fiscal e aplicação de alíquota, procedimento este que já vinha sendo combatido pela Secretaria da Receita Federal, através desta Delegacia da Receita Federal, em períodos de apuração anteriores aos períodos abrangidos por esta fiscalização, tendo sido esta matéria objeto de lançamento através do Auto de Infração constante do processo administrativo fiscal n°11065.004409/200407. O que se percebe é que a Fiscalização classificou as Unidades Evaporadoras admitindo que as vendas eram realizadas separadamente, ainda que em uma mesma operação. Numa consequencia direta disso, admitiu também que a classificação poderia ser feita como se a mercadorias se apresentassem1 em partes separadas. É o que depreendo da afirmação acima transcrita de que as vendas de aparelhos da linha "SPLIT" são feitas com as unidades separadas. A Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 9303006.333 CSRFT3 Fl. 3.634 5 fiscalizada vende uma unidade condensadora e uma unidade evaporadora (...). Salvo engano, não vejo como incluir nesta fase processual a acusação de que as vendas não foram de unidades separadas, mas de aparelhos da linha de condicionador de ar do tipo Split completos e indevidamente desdobrados nas notas fiscais de venda. (g.n.) Portanto, não resta a menor dúvida, o acórdão recorrido adotou, como premissa básica para a sua conclusão, o fato de que as unidades evaporadoras foram comercializadas separadamente, não em conjunto com as unidades condensadoras. Contudo, o contexto em que se apresenta o acórdão paradigma, não obstante envolva a mesma contribuinte e o mesmo produto, foi, como se passa a demonstrar, substancialmente diferente, uma vez que as unidades evaporadoras dos aparelhos de ar condicionado tipo Split eram vendidas em conjunto com as unidades condensadoras (vendas casadas). Eis os trechos do voto condutor do acórdão: Entretanto, a Interessada argumentou que, anteriormente a essa conclusão, haveria expressa previsão de exclusão “das referidas posições os elementos que compõem os aparelhos de ar condicionado quando apresentados separadamente”, segundo o que segue: Os elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente que sejam ou não concebidos para serem reunidos num único corpo, classificamse segundo as disposições da Nota 2a) da Seção XVI (posições 84.14, 84.18, 84.19, 84.21, 84.79, etc.). Portanto, temse que a divergência não se refere à modificação efetuada pela IN, uma vez que a Fiscalização entendeu que os produtos, no caso, “não se apresentavam separadamente”, classificandoos como “ar condicionado” e não como “elementos dos grupos de ar condicionados”, à vista do que chamou de “venda casada”. De toda forma, a nota citada somente diz respeito aos elementos que se poderiam classificar nas posições indicadas, sendo que os demais elementos classificamse na respectiva posição. Na posição 8418, classificarseiam os refrigeradores e congeladores, o que não abrange as unidades condensadoras, pela simples aplicação da regra geral de classificação 2a: a) qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos Fl. 3636DF CARF MF 6 das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. É sabido que os dois elementos do sistema não foram projetados para funcionar separadamente. Vale dizer, não têm função quando separados. Caso não houvesse a “venda casada”, poderseia discutir a aplicação da regra acima sob algum outro aspecto interpretativo, mas o que importa, portanto, é saber se se trata de “venda casada” ou não; em outras palavras, se a Interessada vendeu “aparelho de ar condicionado” ou “elementos dos grupos de ar condicionado apresentados separadamente”. (...) A conclusão lógica, portanto, é que se a Interessada vendeu os aparelhos completos, então ela vendeu aparelhos de ar condicionado e não os seus elementos. Assim, não havendo similitude fática entre os acórdãos confrontados, não há como entender comprovado o dissídio interpretativo, em ordem a viabilizar a admissibilidade do recurso especial (art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 9/6/2015). Passamos à análise dos pressupostos de admissibilidade do recurso especial da contribuinte. Como informado no corpo do Relatório, apenas a primeira matéria nele suscitada foi devolvida a este Colegiado. E diz com a necessidade de estorno do saldo credor de IPI do 3º decêndio de dezembro de 2001, com base nas apurações realizadas pelo Fisco em procedimento discutido nos autos do Processo nº 11065.004409/200407. Segundo o acórdão recorrido, A Recorrente contesta a decisão de primeira instância que considerou correta a necessidade de estorno do saldo credor do decêndio 312/2001, com base nas apurações realizadas pelo Fisco em procedimento discutido nos autos do Processo 11065.004409/200407, que, à época, encontravase para julgamento do Recurso Voluntário interposto, perante o Conselho de Contribuintes, e que, hoje, segundo consta, está na pendência do julgamento de Embargos de Declaração interpostos à decisão tomada pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara dessa Terceira Seção. De se observar que o que está em discussão neste tópico diz respeito ao saldo inicial considerado para efeito de apuração do débito anotado no Auto de Infração aqui discutido. Tratase de uma questão bastante comum em fiscalizações do Imposto sobre Produtos Industrializados, na medida em que a revisão de um período determina modificação do saldo inicial do período seguinte. Segundo me parece, contudo, não chega a ser um assunto de difícil equacionamento. Esse problema será resolvido na medida em que a Unidade de Preparadora Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 11065.003605/200618 Acórdão n.º 9303006.333 CSRFT3 Fl. 3.635 7 considere o resultado de todos os litígios que tenham relação de interdependência, para então determinar o valor final da exigência. E não se justificam os protestos dirigidos à exigência do estorno. Não há a reclamada duplicidade de cobrança. Se o valor é considerado indevido, seja ele decorrente da glosa de créditos ou verificação de débitos não lançados, ele não pode estar escriturado na contabilidade da pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, deverá, de fato, compor o valor do débito exigido no auto de infração. A constituição da exigência decorre da revisão dos lançamentos no Livro de Apuração do IPI e passa, necessariamente, pela glosa dos lançamentos considerados indevidos. Não é possível conceber a ideia de que o crédito cuja desconsideração integra o cálculo da dívida anotada na autuação possa ser utilizado pelo contribuinte, como se duas verdades incompatíveis pudessem coexistir. Ou o crédito não existe e o débito calculado deve ser exigido do contribuinte, com todas as repercussões que são inerentes a essa decisão, inclusive o estorno dos lançamentos contábeis e revisão do saldo final/inicial, ou o crédito existe e o débito não pode ser exigido, assim como os valores não devem ser estornados e o saldo não pode ser revisto. Afirma a contribuinte, no entanto, que o presente processo administrativo está subordinado ao que será decidido no de nº 11065.004409/200407, seja porque a manutenção do crédito exigido implicaria duplicidade de cobrança, seja porque, caso julgada improcedente a exigência lançada neste último, inexistiria fundamento jurídico para a glosa do crédito (o referido saldo credor de IPI do 3º decêndio de dezembro de 2001). Ocorre que o processo em referência, o de nº 11065.004409/200407, já foi definitivamente julgado na esfera administrativa. Os embargos de declaração a que se refere o acórdão recorrido, interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, foram rejeitados (Acórdão nº 3101001.797, de 27/01/2015), e o recurso especial apresentado pela Procuradoria restou não conhecido (Acórdão nº 9303004.628, de 14/02/2017), de modo que, é evidente, o apelo da contribuinte não deve ser conhecido, por falta de interesse recursal. Ante o exposto, não conheço dos recursos especiais apresentados pela Procuradoria e pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3638DF CARF MF 8 Fl. 3639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000763/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. Decisão que trata do tema e não se manifesta e forma juízo de valor. Omissão ocorrida.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO - FALTA DE COMPROVAÇÃO - EFEITOS - Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada ano-calendário consideram-se consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no ano-calendário subseqüente.
Numero da decisão: 2201-004.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Douglas Kakazu Kushiyama.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. Decisão que trata do tema e não se manifesta e forma juízo de valor. Omissão ocorrida. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO - FALTA DE COMPROVAÇÃO - EFEITOS - Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada ano-calendário consideram-se consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no ano-calendário subseqüente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10945.000763/2009-91
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841088
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.152
nome_arquivo_s : Decisao_10945000763200991.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 10945000763200991_5841088.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 12/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Douglas Kakazu Kushiyama.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7169589
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050012000190464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1432; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.489 1 1.488 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.000763/200991 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201004.152 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2018 Matéria imposto de renda pessoa física Embargante ERMESINDA ZAMPIROLLI AGRIZZI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a omissão no julgado necessário a análise da decisão e o acolhimento dos embargos para julgamento do ponto. Decisão que trata do tema e não se manifesta e forma juízo de valor. Omissão ocorrida. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO FALTA DE COMPROVAÇÃO EFEITOS Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada anocalendário consideramse consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no anocalendário subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos de declaração, para sanar a omissão apontada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 07 63 /2 00 9- 91 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.490 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 12/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Douglas Kakazu Kushiyama. Relatório 1 Tratase de embargos de declaração do contribuinte de fls. 1.466/1.470 opostos em face do V. Acórdão 1101003.298 fls. 1.401/1.444 j. em 10/03/2015 pela extinta 1ª Turma da 1ª Câmara dessa 2ª Seção que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para que seja aceita como origem de recursos no acréscimo patrimonial a descoberto, a operação de mútuo deve estar lastreada em meios efetivos de prova, tais como: transferência de numerário coincidente em datas e valores, no mesmo Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.491 3 montante ou com juros, registro nas Declarações de Ajuste do mutuante e mutuário e escrituração contábil, no caso de pessoa jurídica, e registro em cartório à época do negócio. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. BENFEITORIAS. IMÓVEL RURAL. RESPONSABILIDADE DO DECLARANTE DA DITR. Inexistindo nos autos documentos comprobatórios da responsabilidade de terceiros pelas benfeitorias compreendidas no imóvel, conforme valores indicados pela própria Contribuinte na DITR de imóvel de sua propriedade, deve ser mantido o encargo correspondente à Declarante. DESPESAS ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. PRIN CÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. As despesas com a atividade rural, sejam de investimento, sejam de custeio, devem ter intrínseca relação com a natureza da atividade exercida, destinandose à expansão da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Tais despesas devem ser comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos que identifiquem adequadamente a destinação dos recursos. No mesmo sentido, as Notas Fiscais em nome de cidadão que prestava serviços à Contribuinte/Recorrente, com endereçamento idêntico a Contribuinte/Recorrente, devem ser consideradas como despesas da atividade rural, em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, afastando óbices formais que impeçam a concreção da justiça tributária. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.492 4 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, de forma individualizada, não há que se falar em omissão de rendimentos. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO QUE AUTORIZA SUA APLICAÇÃO. Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude ou simulação por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. 2 – Os embargos foram opostos para sanar omissão e obscuridade em dois pontos indicados pelo contribuinte que são: (a) Do aproveitamento de saldo em dinheiro no início do anocalendário de 2005 e (b) Do dispêndio inexistente com benfeitorias, recebidos apenas em parte em relação ao item (a) através da decisão da Presidência dessa 2ª Seção às fls. 1.475/1.480 assim indicado: “(a) Do aproveitamento de saldo em dinheiro no início do anocalendário de 2005 Segundo o embargante, apesar do Relator ter aceitado como recursos a disponibilidade em espécie no início de 2006 no valor de R$ 57.585,00, olvidouse em agir da mesma maneira em relação ao anocalendário de 2005. Alega a Embargante, que declarou como disponibilidade em dinheiro no início de 2005 o valor de R$ 56.528,00, valor este não observado pelo ilustre relator, configurandose omissão nas conclusões emitidas. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.493 5 Conclui que, por uma questão de coerência deverá ser também considerado como recursos, para o anocalendário de 2005 o valor de R$ 56.528,00 omitido no Acórdão em questão. (...) Omissis Com relação a omissão apontada no item (a), de fato assiste razão à Embargante. Verificase que o relator em seu voto, analisa a alegação do contribuinte quanto a disponibilidade em espécie declarada em sua Declaração de Ajuste Anual IRPF, anocalendário 2006 no valor R$ 57.285,00, conforme trecho do voto a seguir : ‘Não obstante, a despeito dos contratos de mútuos desconsiderados a míngua de provas e elementos que comprovem suas efetivações, importa destacar que, na verdade, a Recorrente apresentou nas suas Declarações de Ajuste Anual, indício de prova da disponibilidade em moeda corrente na data de 31 de dezembro de 2004, no valor de R$ 57.585,00 – fls. 30, 60 e 72 dos autos. Assim, embora não haja prova da capacidade econômica que justifique a aquisição de imóvel no valor de R$ 800.000,00, devese abater deste montante a quantia certificada de R$ 57.585,00, presumindose verdadeira a informação trazida que não foi suficientemente superada pelos questionamentos da Fiscalização.’ Porém, sobre o valor de R$ 56.528,00, declarados como disponibilidades no início do anocalendário de 2005, nada menciona no acórdão ora embargado. Portanto, é necessário suprir a omissão, que restou constatada, mediante a prolação de novo Acórdão.” 3 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.494 6 4 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Com razão o embargante em relação a omissão do Ano Calendário de 2003 e não o de 2005 como ficou indicado no despacho de recebimento dos embargos de declaração. 6 – Analisando os termos do voto a turma julgadora entendeu como comprovado o valor de R$ 57.585,00 nos termos da documentação de fls. 30, 60 e 72 dos autos que na realidade são as declarações de ajuste anual do contribuinte, tendo valorado a prova no sentido de que restaria comprovado a referida disponibilidade do valor no exercício de 2005. 7 – Contudo, em relação ao valor de R$ 56.528,00 constantes às fls. 30 (mesmo documento citado no dispositivo do Acórdão), tratase de disponibilidade incluída no ano de 2003 não podendo ser considerado como comprovado como disponibilidade econômica em moeda corrente para o início do exercício de 2005 como requer o contribuinte. 8 – A respeito do tema decisão no Ac. 10422.817 j. em 07/11/2007, verbis: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDOS REMANESCENTES EXISTENTES AO FINAL DO ANO FALTA DE COMPROVAÇÃO EFEITOS Os saldos remanescentes não comprovados ao final de cada anocalendário consideramse consumidos dentro do próprio ano, não servindo como recursos para justificar acréscimo patrimonial apurado no anocalendário subseqüente. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM ESPÉCIE DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL ENTREGUES Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.495 7 TEMPESTIVAMENTE Devem ser aceitos como origem de recursos aptos a justificar acréscimos patrimoniais os valores informados a título de dinheiro em espécie, em declarações de ajuste anual entregues tempestivamente, salvo prova inconteste em contrário, produzida pela autoridade lançadora, no sentido da inexistência dos numerários quando do término dos anoscalendário em que foram declarados. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. EMPRÉSTIMO O mútuo deve ser comprovado mediante documentação hábil e idônea, não sendo suficiente estar consignado nas declarações do mutuante e do mutuário. MÚTUO ENTRE CÔNJUGES Quanto a empréstimos efetuados entre ascendentes/descendentes e cônjuges, basta que mutuante e mutuário os declarem e que o primeiro disponha de condições de efetuar o mútuo e ainda, que as respectivas declarações tenham sido entregues dentro do prazo legal, para que o respectivo valor seja aceito para cobrir acréscimo patrimonial. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE BENS São tributáveis os ganhos auferidos na alienação de bens, representados pela diferença entre o valor da venda e o custo de aquisição. Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido. Grifei 9 – Portanto, com base nesses elementos rejeito os argumentos do contribuinte em relação ao valor de R$ 56.528,00. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10945.000763/200991 Acórdão n.º 2201004.152 S2C2T1 Fl. 1.496 8 Conclusão 10 Diante do exposto, conheço e recebo os embargos para sanando a omissão no V. Acórdão no mérito rejeitar os embargos de declaração para negar provimento ao recurso voluntário nessa parte. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720763/2013-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.720763/2013-65
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838419
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.213
nome_arquivo_s : Decisao_10840720763201365.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 10840720763201365_5838419.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7151698
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050012006481920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720763/201365 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.213 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente JOSE CARLOS RIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 07 63 /2 01 3- 65 Fl. 128DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. Destacamos entendimento do Acórdão de Impugnação prolatada nos seguintes termos: É que, na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e o interessado não a faz – porque não pode ou porque não quer – é lícito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para o sujeito passivo a responsabilidade pela comprovação e justificação das deduções por ele pleiteadas, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais. Independentemente de considerações a respeito da prestação dos serviços, no entender deste relator restaria ao impugnante apresentar a prova de que os pagamentos foram efetivamente realizados, ou seja, a prova da transferência dos recursos financeiros do notificado para as profissionais liberais prestadores dos serviços, nos exatos valores informados em sua declaração de rendimentos IRPF/2009. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, e os documentos apresentados: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10840.720763/201365 Acórdão n.º 2001000.213 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 130DF CARF MF 4 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10840.720763/201365 Acórdão n.º 2001000.213 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 132DF CARF MF 6 Contribuinte apresentou recibos, mais prontuários, fichas e declarações dos profissionais. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10840.720763/201365 Acórdão n.º 2001000.213 S2C0T1 Fl. 5 7 Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Fl. 134DF CARF MF 8 E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10840.720763/201365 Acórdão n.º 2001000.213 S2C0T1 Fl. 6 9 X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10903.720016/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS QUE INFLUENCIAM RESULTADOS FUTUROS.
O instituto da decadência está diretamente relacionado à ocorrência do fato gerador, sendo incabível sua alegação em relação a fatos passados que influenciam resultados futuros, devendo estes ficar com toda a sua comprovação à disposição do Fisco enquanto durarem seus efeitos.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
São devidos juros sobre multa de ofício aplicada.
CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Após a edição da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, é plenamente possível a aplicação concomitante de multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, uma vez que se dirigem a atitudes distintas.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis os diretores que capitanearam todas as operações fraudulentas visando a modificação das característica essenciais do fato gerador no intuito de reduzir o tributo devido.
MULTA QUALIFICADA.
É procedente a qualificação da multa de ofício quando verificada a existência de fraude nos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS
Há que ser corrigida a compensação de prejuízos fiscais excessivos em função da correção de saldo de prejuízos decorrente de lançamento anteriormente realizado.
ÁGIO. OPERAÇÕES DENTRO DE GRUPO ECONÔMICO.
É inoponível ao Fisco o ágio criado dentro de um mesmo grupo econômico sem a observância do princípio do "arm's length".
ÁGIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.
A criação de ágio implica existência de dispêndio, investimento efetivo, pagamento, sendo imprestável tributariamente o criado dentro de um mesmo grupo econômico sem que haja nenhuma riqueza nova, apenas reavaliações internas fundadas em resultados futuros e riqueza "de papel".
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
APLICAÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
Despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência para o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio apurado e quanto à improcedência da multa qualificada e atribuição da responsabilidade solidária por violação ao art. 146 do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos em manter o lançamento quanto à exclusão do ágio amortizado pela G&K e transferido via parte B do Lalur (ágio menor), votando pelas conclusões quanto à exigência da CSLL correspondente a esta infração, o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, quanto à glosa do ágio amortizado diretamente pela Botica (ágio maior), quanto à aplicação da multa qualificada e da multa isolada de estimativas, quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e quanto à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos nestas matérias os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral aos recursos. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pela manutenção da responsabilidade solidária apenas em face do art. 135, III do CTN..
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS QUE INFLUENCIAM RESULTADOS FUTUROS. O instituto da decadência está diretamente relacionado à ocorrência do fato gerador, sendo incabível sua alegação em relação a fatos passados que influenciam resultados futuros, devendo estes ficar com toda a sua comprovação à disposição do Fisco enquanto durarem seus efeitos. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. São devidos juros sobre multa de ofício aplicada. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Após a edição da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, é plenamente possível a aplicação concomitante de multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, uma vez que se dirigem a atitudes distintas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis os diretores que capitanearam todas as operações fraudulentas visando a modificação das característica essenciais do fato gerador no intuito de reduzir o tributo devido. MULTA QUALIFICADA. É procedente a qualificação da multa de ofício quando verificada a existência de fraude nos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS Há que ser corrigida a compensação de prejuízos fiscais excessivos em função da correção de saldo de prejuízos decorrente de lançamento anteriormente realizado. ÁGIO. OPERAÇÕES DENTRO DE GRUPO ECONÔMICO. É inoponível ao Fisco o ágio criado dentro de um mesmo grupo econômico sem a observância do princípio do "arm's length". ÁGIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A criação de ágio implica existência de dispêndio, investimento efetivo, pagamento, sendo imprestável tributariamente o criado dentro de um mesmo grupo econômico sem que haja nenhuma riqueza nova, apenas reavaliações internas fundadas em resultados futuros e riqueza "de papel". Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 APLICAÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da CSLL.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10903.720016/2015-15
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852577
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Apr 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.632
nome_arquivo_s : Decisao_10903720016201515.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10903720016201515_5852577.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência para o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio apurado e quanto à improcedência da multa qualificada e atribuição da responsabilidade solidária por violação ao art. 146 do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos em manter o lançamento quanto à exclusão do ágio amortizado pela G&K e transferido via parte B do Lalur (ágio menor), votando pelas conclusões quanto à exigência da CSLL correspondente a esta infração, o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, quanto à glosa do ágio amortizado diretamente pela Botica (ágio maior), quanto à aplicação da multa qualificada e da multa isolada de estimativas, quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e quanto à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos nestas matérias os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral aos recursos. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pela manutenção da responsabilidade solidária apenas em face do art. 135, III do CTN.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7207638
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050012027453440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 68; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.595 1 3.594 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10903.720016/201515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.632 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2018 Matéria ÁGIO INTERNO Recorrente BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS QUE INFLUENCIAM RESULTADOS FUTUROS. O instituto da decadência está diretamente relacionado à ocorrência do fato gerador, sendo incabível sua alegação em relação a fatos passados que influenciam resultados futuros, devendo estes ficar com toda a sua comprovação à disposição do Fisco enquanto durarem seus efeitos. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. São devidos juros sobre multa de ofício aplicada. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Após a edição da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, é plenamente possível a aplicação concomitante de multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, uma vez que se dirigem a atitudes distintas. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis os diretores que capitanearam todas as operações fraudulentas visando a modificação das característica essenciais do fato gerador no intuito de reduzir o tributo devido. MULTA QUALIFICADA. É procedente a qualificação da multa de ofício quando verificada a existência de fraude nos fatos que ensejaram a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 3. 72 00 16 /2 01 5- 15 Fl. 3595DF CARF MF 2 Há que ser corrigida a compensação de prejuízos fiscais excessivos em função da correção de saldo de prejuízos decorrente de lançamento anteriormente realizado. ÁGIO. OPERAÇÕES DENTRO DE GRUPO ECONÔMICO. É inoponível ao Fisco o ágio criado dentro de um mesmo grupo econômico sem a observância do princípio do "arm's length". ÁGIO. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A criação de ágio implica existência de dispêndio, investimento efetivo, pagamento, sendo imprestável tributariamente o criado dentro de um mesmo grupo econômico sem que haja nenhuma riqueza nova, apenas reavaliações internas fundadas em resultados futuros e riqueza "de papel". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 APLICAÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de decadência para o Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio apurado e quanto à improcedência da multa qualificada e atribuição da responsabilidade solidária por violação ao art. 146 do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos em manter o lançamento quanto à exclusão do ágio amortizado pela G&K e transferido via parte B do Lalur (ágio menor), votando pelas conclusões quanto à exigência da CSLL correspondente a esta infração, o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, e, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, quanto à glosa do ágio amortizado diretamente pela Botica (ágio maior), quanto à aplicação da multa qualificada e da multa isolada de estimativas, quanto à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas e quanto à manutenção da responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados, vencidos nestas matérias os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que davam provimento integral aos recursos. O conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado votou pela manutenção da responsabilidade solidária apenas em face do art. 135, III do CTN.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Fl. 3596DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.596 3 Reproduzo o relatório do acórdão recorrido por bem retratar o caso sub judice: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada (Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.01.002014000049, às fls. 0204), foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Autos de infração de IRPJ e CSLL 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 2060 2091) exige o recolhimento de R$ 28.114.928,60 de imposto, R$ 40.260.776,18 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 150% e R$ 9.469.415,61 de juros de mora, além de R$ 10.839.419,04 de multa de ofício exigida isoladamente. 3. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das infrações a seguir elencadas, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 21212191): 3.1. exclusão indevida na apuração do lucro real do encargo com amortização do valor controlado na parte “B” do Lalur a título de “Ágio Incorporação G&K”, cujo valor foi recebido da empresa veículo G&K Holding S/A na incorporação reversa ocorrida em 03/11/2008, correspondente à parcela do ágio interno já amortizado pela referida empresa veículo nos anos calendário de 2007 e 2008 e foi por ela adicionada na parte “B” do seu Lalur, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247 e 250 do RIR de 1999 (infração autuada com multa de ofício de 150%): .31/12/2010..........................................................R$ 1.403.755,10 .31/12/2011..........................................................R$ 1.403.755,10 .31/07/2012. ..........................................................R$ 818.857,14 .31/12/2012.............................................................R$ 584.897,96 .31/12/2013..........................................................R$ 1.403.755,10 3.2. ajuste indevido no RTT (FCONT) em decorrência da escrituração de despesa inexistente com amortização do ágio interno apurado pela empresa veículo G&K Holding S/A em 18/12/2006 sobre o patrimônio líquido da própria interessada, cujo valor foi recebido no acervo vertido na incorporação reversa ocorrida em 03/11/2008, correspondente ao saldo do ágio não amortizado pela referida empresa veículo, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 6º, § 5º, “b” do Fl. 3597DF CARF MF 4 DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e arts. 247, 248, 249, I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR de 1999 (infração com multa de ofício de 150%): .31/12/2010........................................................R$ 24.162.351,19 .31/12/2011........................................................R$ 24.162.351,19 .31/07/2012........................................................R$ 14.094.704,86 .31/12/2012.........................................................R$ 10.067.646,33 .31/12/2013........................................................R$ 24.162.351,19 3.3. compensação de prejuízos fiscais em montante superior ao dos saldos existentes, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 247, 250, III, 251, 509 e 510 do RIR de 1999 (infração com multa de ofício de 75%): .31/12/2010.........................................................R$ 4.233.093,74 .31/12/2011.........................................................R$ 5.962.195,55 3.4. multa de ofício isolada exigida em decorrência da falta ou insuficiência de pagamento do IRPJ devido por estimativa, com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999 e art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: .fev e abrdez/2010.............................................R$ 2.810.240,24 .jan, fev e abrnov/2011.......................................R$ 2.929.449,62 .jan, fev, abrjul e nov/2012 ...............................R$ 2.057.978,16 .jan, fev, abrago e outdez/2013.........................R$ 3.041.751,02 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (fls. 20932119) exige o recolhimento de R$ 10.251.572,79 de contribuição, R$ 14.591.528,33 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 150% e R$ 3.442.127,20 de juros de mora, além de R$ 4.058.994,28 de multa exigida isoladamente. 5. O lançamento decorre das mesmas infrações apuradas no lançamento de IRPJ, com divergência apenas no valor da compensação de resultado negativo de período anterior, com infração ao disposto nos arts. 2º e §§, e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações introduzidas pelo art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. 6. Foi atribuída sujeição passiva solidária aos sócios Miguel Gellert Krigsner (CPF nº 051.622.11834) e Artur Noemio Grynbaum (CPF nº 722.349.54991) pelos débitos de IRPJ e CSLL em análise, porquanto restaram caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador Fl. 3598DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.597 5 da obrigação tributária, nos termos do disposto nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN (fls. 21992201 e 22042206). Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal 7. A apuração do ágio interno de R$ 206.482.363,56 amortizado pela interessada foi assim descrita no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 21212191): VI. Da origem do “ágio” nas quatro incorporações pela G&K 27. Antes de se analisar o tratamento dispensado pela BOTICA aos “ágios” a ela transferidos pela G&K, é imprescindível fazermos uma retrospectiva dos fatos ocorridos e procedimentos adotados pela holding desde o momento em que incorporou a BOTICA, a Cálamo, a Embralog e a OBF, até a sua cisão parcial, de modo que se tenha bem claro que: a) a incorporação integral das ações da Botica Comercial Farmacêutica S.A. pela G&K em 18/12/2006, ocorreu com um “ágio” de R$ 206.481.363,56; b) a base para a criação do “ágio” foi o laudo de avaliação elaborado pela KPMG, que estimou o valor de mercado da fiscalizada em R$ 344.499.000,00; c) os sócios da G&K (Miguel e Artur), detentores de todas as 149.192.800 ações da BOTICA, usaram as mesmas para a integralização do aumento do capital social da G&K resultante da dita incorporação; d) com base na tal avaliação e uma vez detentora de 100% da BOTICA, a G&K registrou em 18/12/2006 em seu Ativo Permanente na conta de Investimentos 180001 – Ágio s/ Investimentos o valor de R$ 138.154.004,44, relativamente à conversão das ações da controlada, e na conta do Diferido 192080 – Ágio s/ Investimentos o “ágio” de R$ 206.481.363,56, sem constituir qualquer provisão nas contas redutoras 180098 – () Provisão para Preservação de Dividendos Futuros (Investimentos) e 192081 – () Provisão p/ Realização de Ágio (Diferido); também não consignou nada nas contas de despesa (371006 – Ágio sobre Investimentos) e de receita (364003 – Reversão Provisão Ágio s/ Incorporação); e) corroborando a informação anterior, a G&K fez constar na linha 27 Ágios em Investimentos da Ficha 36A Ativo, de sua DIPJ 2007 AC 2006, retificadora, entregue em 28/06/2007, o montante de R$ 1.776.161.561,96, referente às 4 companhias Fl. 3599DF CARF MF 6 incorporadas, onde se encontram os R$ 206.481.363,56 correspondentes à BOTICA; f) em 31/12/2007 a G&K registrou uma despesa de R$ 5.682.417,69 na conta 371006 – Ágio sobre Investimentos, a título de amortização do “ágio” relativo à BOTICA, tendo como contrapartida a conta de Investimentos (Ativo Permanente) 180020 – Ágio s/ Investimentos, fazendo semelhantes lançamentos no tocante à Cálamo, à OBF e à Embralog; novamente não constituiu, durante todo o ano, qualquer provisão e, em consequência, também nenhuma reversão; g) a despesa supracitada reduziu o Lucro Líquido do AC 2007 da G&K, tendo sido lançada na linha 38 (Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL) da Ficha 06A Demonstração do Resultado, da DIPJ 2008 (retificadora, entregue em 04/01/2010); entretanto, por se tratar de uma despesa indedutível, foi corretamente adicionada na linha 11 Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da mesma DIPJ, em consonância com a adição registrada no Lalur 2007, com data de 31/12 e o histórico “Ágio s/ Investimentos Coligadas/Controladas”, cujo valor de R$ 20.094.111,31 tem a seguinte composição: h) em 2008, antes da sua cisão parcial ocorrida em 03/11, a G&K registrou nos meses de janeiro a outubro uma despesa mensal de R$ 554.762,31 (no total de R$ 5.547.623,10) na conta 371006 – Ágio sobre Investimentos, a título de amortização do “ágio” referente à BOTICA, tendo como contrapartida a conta de Investimentos (Ativo Permanente) 180020 – Ágio s/ Investimentos, fazendo semelhantes lançamentos relativamente à Cálamo, à OBF e à Embralog; como procedeu anteriormente, não constituiu para o período de janeiro a outubro, qualquer provisão e, em consequência, não fez nenhuma reversão; i) tal despesa reduziu o Lucro Líquido de 01/01 a 03/11/2008 da G&K, tendo sido lançada na linha 38 Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL da Ficha 06A Fl. 3600DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.598 7 Demonstração do Resultado, da DIPJ 2008 Especial da Cisão (retificadora, entregue em 20/12/2008); entretanto, por se tratar de uma despesa indedutível, foi corretamente adicionada na linha 11 Amortização de Ágio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL da Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, da mesma DIPJ, em consonância com as adições registradas no Lalur 2008 de janeiro a outubro (levantou balanço/balancete de suspensão/redução em todos os meses) com o histórico “Ágio Investimentos Coligadas/Controladas”, que totalizaram R$ 25.850.240,10, com a seguinte composição: j) o mesmo tratamento de adição das despesas em questão foi corretamente dispensado pela G&K à base de cálculo da CSLL, tanto em 2007 quanto de janeiro a outubro de 2008; k) entretanto, em 03/11/2008 (portanto, menos de 2 anos após as incorporações), os acionistas da G&K decidiram promover a cisão parcial da mesma, aprovando o “Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades já Existentes”, onde no item 4.2.1, transcrito em seguida, encontramos detalhes acerca dos ativos da G&K vertidos para a BOTICA, dentre os quais o “ágio sobre o investimento na Botica”: “4.2.1 Da incorporação na BOTICA A incorporação efetivarseá pela transferência de parte do Patrimônio Líquido da companhia G&K, no valor de R$ 238.000.160,00 (duzentos e trinta e oito milhões, cento e sessenta mil reais), acervo líquido este que será absorvido através de incorporação pela companhia BOTICA, na forma pactuada neste protocolo e observados os valores encontrados na avaliação procedida pela empresa ora indicada, como segue: BENS E DIREITOS R$ Aplicações Financeiras...................... 59.148.912,51 Impostos a recuperar ......................... 3.315.087,49 Fl. 3601DF CARF MF 8 Investimentos – Botica – Representado por 147.700.872 (cento e quarenta e sete milhões, setecentas mil, oitocentas e setenta e duas) ações ordinárias nominativas, com valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada ................................ 175.536.160,00 Ágio investimento Botica .............. 193.298.809,52 () Provisão Instrução CVM nº 319/349 – ágio investimento Botica...................... (193.298.809,52) TOTAL DOS BENS E DIREITOS. 238.000.160,00” (...) Ainda em decorrência do presente evento de cisão parcial seguida de incorporação, o ágio apontado no acervo líquido acima discriminado, no montante de R$ 193.298.809,52 (cento e noventa e três milhões, duzentos e noventa e oito mil, oitocentos e nove reais e cinqüenta e dois centavos), apurado sobre o investimento detido pela G&K na BOTICA, por estar fundamentado na expectativa de resultados futuros da BOTICA, será registrado nas demonstrações contábeis da BOTICA em conta de ativo, estando sujeito à amortização nos termos da legislação fiscal aplicável à matéria. (...) l) precisamente em 03/11/2008, a G&K constituiu uma provisão de R$ 195.251.322,75 na conta 180098 – () Provisão para Preservação de Dividendos Futuros (Investimentos) tendo como contrapartida a conta 344010 – Provisão para Preservação de Dividendos Futuros (despesa); assim procedeu em relação a cada uma das investidas, sendo os respectivos valores provisionados iguais à diferença entre o “ágio” inicial e o montante amortizado pela G&K no período de janeiro de 2007 a outubro de 2008, conforme mostrado na tabela abaixo: m) em 04/11/2008, a G&K baixou da provisão acima (conta 180098) contra a conta 180020 – Ágio s/ Investimentos (Ativo Permanente), em 4 Fl. 3602DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.599 9 lançamentos distintos, a diferença entre o “ágio” ainda não amortizado (provisões acima mencionadas) relativo a cada uma delas e o valor correspondente a 1% da participação que continuou possuindo nas referidas empresas; tal procedimento pode ser melhor compreendido no quadro a seguir: n) a soma dos valores amortizados pela G&K em 2007 (R$ 5.682.417,69, abordado na alínea “g”) e em 2008 (R$ 5.547.623,10, abordado na alínea “i”), totalizou R$ 11.230.040,79 e, quando da cisão parcial da holding, foi transferida para a BOTICA via parte B do Lalur; doravante identificaremos este montante como “ágio” menor; o) quando da cisão parcial da G&K foi transferido à BOTICA o valor de R$ 193.298.809,52, ocorrendo o mesmo no tocante à Cálamo, à OBF e à Embralog, conforme abordado na alínea “m”, com os montantes lá apresentados; doravante o identificaremos como sendo o “ágio” maior; p) uma vez entendidos e quantificados tanto o “ágio” menor quanto o “ágio” maior, completamos esta etapa com a informação de que ambos passaram a ser amortizados pela BOTICA em 96 parcelas (8 anos) a partir de novembro de 2008, com os seguintes valores mensais: (...) VII. Da insubsistência da argumentação do recurso voluntário ao CARF quanto à tributação em duplicidade (processo 10980.722215/201294) (...) Fl. 3603DF CARF MF 10 29. No que diz respeito aos procedimentos efetuados pela fiscalizada, encontramos à folha 38 do recurso voluntário ao CARF relativo ao processo nº 10980.722215/201294 (fl. 1835) menção quanto à “impossibilidade de tributação da receita da provisão uma vez que esta já teria sido adicionada quando de sua constituição na G&K em 18/12/06 e, portanto, não poderia mais ser tributada na Recorrente (tributação em duplicidade).” (grifo nosso) (...) 34. Primeiramente, convém não esquecermos que não houve despesa alguma paga ou incorrida, o que, de pronto, simplifica sobremodo qualquer análise. Em segundo lugar, por circunstâncias óbvias, alguma alegação teria que ser apresentada pela defesa. Todavia, é primordial que todos – e, em especial, os senhores julgadores – tenhamos o devido cuidado para que não seja desviado o foco do fato principal, que consiste na lógica de que sem ter existido a despesa, não pode haver amortização e, por conseguinte, não pode haver nenhuma dedução na apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Admitindose, única e exclusivamente por hipótese, que a despesa com o ágio tivesse sido paga ou incorrida, diante do argumento contido no recurso voluntário da BOTICA de que a G&K adicionou no Lalur em 2007 e em 2008 os valores mencionados no item anterior, devemos estar atentos a alguns detalhes fundamentais: 1º) a adição de R$ 20.094.111,31 efetuada pela G&K no Lalur 2007 e cuja composição é mostrada no quadro a seguir, simplesmente neutralizou corretamente o efeito da despesa lançada na sua contabilidade (conta 371006 – Ágio sobre Investimentos, cujo Razão também é mostrado abaixo) relativa ao “ágio” amortizado, uma vez que ela, mesmo que existente (repetimos que não é o caso), não seria dedutível; ou seja, diferentemente do afirmado no recurso voluntário, não haveria tributação em duplicidade na BOTICA porque não ocorreu nenhuma tributação anterior na G&K (a conta 364003 – Reversão Provisão Ágio s/ Incorporação está zerada): (...) 2º) o valor de R$ 26.126.406,00 que os senhores causídicos insistem em dizer no recurso voluntário que já teria sido tributado na G&K por ter sido adicionado no seu Lalur 2008, novamente, tal como em 2007, apenas neutralizou corretamente o efeito da despesa lançada na sua contabilidade (conta 371006 – Ágio sobre Investimentos) relativa ao ágio Fl. 3604DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.600 11 “amortizado”, uma vez que ela, mesmo que existente, não seria dedutível.(...) (...) VIII. Da inexistência do ágio (...) 43. Em síntese, se o próprio CPCComitê de Pronunciamentos Contábeis, formado pelas maiores autoridades contábeis do País – o CFCConselho Federal de Contabilidade, a FIPECAFIFundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, o IBRACONInstituto dos Auditores Independentes do Brasil, a ABRASCAAssociação Brasileira das Companhias Abertas, a APIMECAssociação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais e a BM&F BOVESPA – além de ter como entidades convidadas a FEBRABANFederação Brasileira de Bancos e a CNIConfederação Nacional da Indústria, veda o reconhecimento do ágio intragrupo para fins contábeis, não há como defender, em sã consciência, que a despesa de sua amortização – que nada mais é que a diluição, ao longo do tempo, do custo de aquisição de um intangível – seja deduzida na apuração do Lucro Líquido. 44. Assim sendo, são inexistentes tanto essa despesa quanto o ativo do qual ela se origina. E, uma vez inexistente na apuração do Lucro Líquido, também deve ser inexistente para fins fiscais, já que é do Lucro Líquido, apurado segundo a legislação comercial (frisese, que veda o reconhecimento do ágio interno), que se parte para apuração do lucro tributável (Lucro Real) e da Base de Cálculo da CSLL. 45. E mais: a despesa de amortização de ágio interno evidentemente não se enquadra no conceito de despesa necessária. Primeiro porque essa despesa não foi paga pela fiscalizada. Ela não decorreu de consumo ou sacrifício de ativos (presente ou futuro), pois o ágio interno não foi pago com recursos exteriores ao grupo econômico nem o será; tratase de uma despesa fictícia criada para se reconhecer contabilmente a realização de um fluxo de rentabilidade futura cujo pagamento não foi realizado nem por terceiros independentes, nem pelo próprio grupo econômico. (...) 48. Vale destacar que não há ágio por expectativa de rentabilidade futura que não seja tributável. Isto Fl. 3605DF CARF MF 12 porque, nos casos em que a legislação permite o diferimento e amortização deste tipo de ágio no adquirente, o alienante previamente já se sujeitou à apuração do ganho de capital. A amortização do ágio, quando permitida, visa impedir a dupla tributação de um mesmo fato gerador, no alienante e no adquirente. Aquilo que para o alienante é ganho ou renda, para o adquirente é custo ou despesa. Não é, porém, a situação da presente auditoria. 49. Tendo em vista os fatos ocorridos, fica claro que a G&K não arcou com nenhum ônus na incorporação das ações da BOTICA e nem esta suportou qualquer ônus ao retomar suas próprias ações, que estavam em poder da G&K. 50. Uma vez comprovado que não existiu de direito valor a ser amortizado a título de “ágio por incorporação”, as supostas despesas decorrentes da amortização, muito mais do que indedutíveis, são inexistentes. (...) 53. Outro contundente requisito para se admitir o ágio, aceito praticamente de forma unânime pelos mais renomados profissionais das áreas contábil e tributária, é que ele seja decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando mera geração artificial de resultado, razão pela qual seu registro na contabilidade tornase novamente inadmissível. Afinal, é incontestável que se trata de uma “negociação” dos acionistas com eles próprios, o que significa dizer que está em suas mãos escolher os termos e valores que lhes sejam mais convenientes e vantajosos. Em suma, uma vez ausentes dois pressupostos básicos (efetivo pagamento e independência entre as partes), o ágio não é amortizável. (...) 58. Desta forma, para que a despesa de amortização do ágio seja considerada incorrida, é necessário que haja uma abdicação de ativos ou a contratação de passivos quando uma empresa adquire ações ou quotas de outra, sendo que o custo de aquisição corresponde ao sacrifício necessário à entrada, em seu ativo, de um investimento (patrimônio líquido da investida) e de um ágio (maisvalia paga por ele). A despesa de amortização do ágio representa a alocação do Fl. 3606DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.601 13 sobrepreço pago ao longo da vida útil do ágio, a diluição do custo ao longo do tempo e à medida em que as receitas correspondentes são reconhecidas, em obediência ao regime de competência, como dispõe o artigo 324 do RIR/99. Se não há custo de aquisição, não há que se falar em diluição do custo. (...) IX. Das orientações da CVM contrárias ao ágio interno 62. A CVM tem atuado, ao longo dos anos, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além do Comitê de Pronunciamentos ContábeisCPC, do qual as referidas entidades também fazem parte. (...) 65. Um destes documentos é o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 01/2007, portador de orientações e conceitos totalmente identificados com o ágio interno encontrado na presente fiscalização, contra o qual frontalmente se posiciona. 66. Ele nos mostra que, para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial). Somente registros escriturais, por exemplo, não podem ensejar o nascimento dessa figura econômica e contábil. 67. Entendese por propósito negocial a lógica econômica que levou ao surgimento do ágio ou deságio, ou seja, a razão negocial que ensejou a aquisição de um investimento por valor superior ou inferior àquele que custou anteriormente ao alienante. Há esse propósito quando, por exemplo, uma empresa adquire participação societária de outra com ágio com o intuito de auferir os prováveis resultados positivos que esta última terá no futuro; ou quando uma empresa adquire participação societária de outra com deságio porque a alienante precisava aumentar emergencialmente a liquidez de seu ativo. (...) Fl. 3607DF CARF MF 14 70. A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sem essa troca de riquezas e da titularidade do investimento, não há que se falar em aquisição, e, como consequência, no surgimento de ágio ou deságio. (...) X. Do laudo de avaliação da Botica em 2006 (...) 79. Como se observa, o instrumento fundamental em que se baseia todo o processo de origem do ágio é o laudo de avaliação, o qual, por sua vez, apresenta uma série de incertezas expressamente nele consignadas que, por consequência, o debilitam consideravelmente. Adicionalmente, ele se torna ainda mais vulnerável quando a KPMG afirma que sua elaboração fundamentouse “substancialmente em premissas e informações fornecidas pela Administração da BOTICA”. Obviamente que a empresa avaliadora, de pronto, se exime de qualquer responsabilidade pelas informações que recebeu de quem a contratou, assim como também não assume a responsabilidade pelos resultados alcançados, uma vez que estes serão influenciados tanto pelas premissas e informações que lhe foram previamente fornecidas pela Administração da BOTICA quanto pelas não poucas variáveis de mercado (vendas, crescimento da economia do País, exportações, decisões administrativas, etc.). (...) 81. Percebese na expressão (e, se não estivermos bem atentos, pode passar despercebido) o uso de parâmetros que sequer dizem respeito ao Brasil, como é o caso da taxa de retorno médio de longo prazo e da inflação de longo prazo, ambas relativas aos Estados Unidos. 82. Diante do exposto, chegase à inegável conclusão de que o valor da avaliação é de tamanha subjetividade (frisese que devidamente admitido no próprio documento), que se pode atingir qualquer resultado que se deseje, bastando para isto se partir dos dados (premissas e informações) “adequados” e as variáveis de mercado serem “estimadas” de forma conveniente. (...) XI. Da habitualidade na criação de ágios internos pelo Grupo Boticário Fl. 3608DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.602 15 (...) 90. No tocante à verificação em curso, não se tratando de partes independentes, livres de pressões ou outros interesses, não houve substância econômica na transação mas, sim, a mera criação de um valor artificial para a operação, cujo propósito não se vislumbra outro senão a economia de tributos. Aliás, esta tese tornase mais robusta quando se constata que tem sido uma prática rotineira na gestão das empresas do Grupo Boticário, na “eterna” busca de “uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial das empresas envolvidas” e “uma melhora na rentabilidade das operações” por meio das constantes reorganizações societárias que trazem embutido, quase sempre, um “ágio”, como atestam os fatos a seguir: – 01/05/2002 – a Aerofarma Perfumarias incorpora a Essência Natural do Nordeste também pertencente ao grupo, com “ágio” de R$ 619.093,90; – 01/08/2002 – novamente a Aerofarma Perfumarias incorpora a Floratta Perfumes, do mesmo grupo, com “ágio” de R$ 1.870.024,80; – 01/09/2003 – a Aerofarma Perfumarias incorpora a MCBMulticanal O Boticário com “ágio” de R$ 1.589.362,20; – 30/11/2003 – a EEEstação Empreendimentos e Participações aumentou o investimento no Shopping Estação com “ágio” de R$ 1.168.982,33; – 18/12/2003 – criada a BPBoticário Participações com quotas da Aerofarma Perfumarias avaliadas com “ágio” de R$ 5.017.185,03 e com ações da OBF avaliadas com “ágio” de R$ 25.168.634,90; – 01/11/2004 – cisão total da BPBoticário Participações com o retorno do “ágio” de R$ 5.017.185,03 para a Aerofarma Perfumarias e do “ágio” de R$ 25.168.634,90 para a OBF; – 21/08/2006 – redução do capital social da OBF no valor correspondente às quotas da Botica, da Cálamo e da Embralog, que foram distribuídas aos acionistas administradores destas, Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum – por sinal, também acionistas administradores da OBF –, saindo, portanto, as referidas empresas do controle da primeira; – 01/09/2006 – a Cálamo promove a incorporação total da EEEstação Empreendimentos e Fl. 3609DF CARF MF 16 Participações (extinta), passando, em consequência, a controlar o Shopping Estação e o Estação Convention Center; nesta oportunidade, migrou para a Cálamo o “ágio” de R$ 1.168.982,33 que a EE tinha registrado em relação ao Shopping; – 18/09/2006 – constituída a G&K Holding S.A., com capital de R$ 1.000,00; – 01/11/2006 – a Cálamo faz a incorporação total do Estação Convention Center (extinto); – 18/12/2006 – a G&K incorpora as ações da Botica com “ágio” de R$ 206.481.363,56 (tal como vemos no presente trabalho), da Cálamo com “ágio” de R$ 1.011.690.937,33, da Embralog com “ágio” de R$ 6.247.393,50 e da OBF com “ágio” de R$ 551.741.868,57 (total dos “ágios” igual a R$ 1.776.161.561,96); – 02/05/2007 – a Cálamo incorpora totalmente o Shopping Estação (extinto); – 03/11/2008 – cisão parcial da G&K, permanecendo com apenas 1% das ações da Botica, Cálamo, Embralog e OBF e retornando a estas o restante das ações e os respectivos “ágios” não amortizados pela G&K, no montante de R$ 1.712.915.038,45, bem como os respectivos “ágios” amortizados pela cindida, porém por ela não deduzidos, no total de R$ 45.944.351,39, e que passaram a ser deduzidos nas 4 exsubsidiárias; – 01/12/2010 – a GKDS Assessoramento em Produtos de Beleza incorpora a Aerofarma Perfumarias mudando sua denominação para Interbelle Comércio de Produtos de Beleza; – 31/07/2012 – cisão parcial da Botica, tendo a parte cindida – representada pela Interbelle Comércio de Produtos de Beleza – migrado para o controle da Cálamo com “ágio” de R$ 91.122.881,75; – 31/10/2012 – cisão total da KRGR Administração e Participações Ltda em duas parcelas, uma delas incorporadas pela Cálamo, com “ágio” de R$ 30.318.949,47, e a outra pela OBF, com “ágio” de R$ 15.136.326,88 (total dos “ágios” igual a R$ 45.455.276,35). 92. Digno de se ressaltar que, coincidentemente em todas as operações, o modus operandi não se altera: ao invés de circulação de riqueza, ocorre sempre a transferência escritural para a investida das ações registradas pela investidora em seu patrimônio, em diversas vezes, superavaliadas por ocasião do evento societário. Fl. 3610DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.603 17 XII. Do “Ágio” maior amortizado pela Botica de 2010 a 2013 93. O ágio maior, conforme descrito nas letras “o” e “p” do item 27, corresponde ao valor de R$ 193.298.809,52 amortizado em 96 parcelas mensais de R$ 2.013.529,27 a partir de novembro/2008. Este ágio nos anoscalendário de 2010 a 2013 está registrado no FCONT nas contas 371006 – Ágio sobre Investimentos (despesa) e 364003 – Reversão Provisão Ágio s/Incorporação (receita), além de constar também como exclusão no LALUR com o histórico “Provisão p/ Realização de Ágio – Incorporação G&K”. Os lançamentos efetuados no FCONT estão nas páginas 1805 a 1818, e os livros LALUR constam nas páginas 215 a 364 e 531 a 578. (...) 100. Lembramos que não é uma alternativa do sujeito passivo a escolha da data na qual vai fazer o registro dos ajustes; ao contrário, é uma obrigação fazêlos exatamente com a data dos fatos que lhes deram origem. Para o contribuinte optante pelo RTT que utiliza a ECD (por opção ou imposição legal), para efeitos tributários será considerado o resultado da junção da própria ECD (elaborada segundo a legislação comercial) com os ajustes do FCont. Acrescentese que os ajustes constantes no FCont serão, então, transferidos ao Lalur. 101. Diferentemente do FCont, em que há um registro de ajuste no valor de R$ 24.162.351,19 com data de 31/12/2010, no Lalur foi registrado mensalmente como exclusão, de janeiro a dezembro, o valor de R$ 2.013.529,27 ou R$ 2.013.529,26, com o histórico “Provisão p/ Realização de Ágio – Incorp G&K”, resultando no mesmo valor acumulado de R$ 24.162.351,19. 102. Todavia é altamente relevante levarmos em conta que, embora o Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur, criado pelo DecretoLei nº 1.598/77, seja um livro obrigatório pela legislação tributária, ele não é objeto de registro em órgão oficial e, se houver divergência entre os ajustes do RTT constantes no Lalur e os inseridos no FCont, prevalecerão os informados neste último. Desta forma, no caso do anocalendário de 2010, está sendo utilizado como base de cálculo deste auto de infração os valores registrados no FCont. (...) Fl. 3611DF CARF MF 18 111. Concluindo, as despesas inexistentes / ajustes negativos do RTT (valor de R$ 24.162.351,19 para o anocalendário de 2010 e valores mensais de R$ 2.013.529,27 ou R$ 2.013.529,26 totalizando os mesmos R$ 24.162.351,19 para os anoscalendário de 2011 a 2013) relacionadas ao “ágio” maior e amortizadas nos anoscalendário de 2010 a 2013 reduziram indevidamente o Lucro Líquido e consequentemente o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL e serão, por isto, glosadas nos presentes autos de infração (IRPJ e CSLL). XIII. Do “Ágio” menor amortizado pela Botica de 2010 a 2013 112. O ágio menor, conforme descrito nas letras “n” e “p” do item 27, corresponde ao valor de R$ 11.230.040,79 amortizado em 96 parcelas mensais de R$ 116.979,59 com início em novembro/2008. Este ágio nos anoscalendário de 2010 a 2013 aparece apenas como exclusão no LALUR, com o histórico “Ágio Incorporação G&K”, conforme tabelas abaixo e fls. 215 a 364 e 531 a 578 (não aparece na escrituração contábil digital e nem no FCONT). (...) 120. Estas exclusões diminuem o lucro real e a base negativa da CSLL dos anoscalendário de 2010 a 2013, em R$ 116.979,59 por mês ou R$ 1.403.755,10 por ano, que devem ser glosadas para anular o efeito das exclusões indevidas de amortização de ágio (conforme visto anteriormente, o ágio amortizado constitui em uma despesa inexistente/indevida, e neste caso esta despesa está registrada diretamente no Lalur como exclusão, que deve ser glosada). 121. Concluindo, as exclusões indevidas nos valores mensais de R$ 116.979,59/R$ 116.979,60 relacionadas ao “ágio” menor e amortizadas de janeiro de 2010 a dezembro de 2013 reduziram o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL e serão, por isto, glosadas nos presentes autos de infração (IRPJ e CSLL). Impugnação apresentada pela interessada 8. Regularmente intimada em 14/10/2015 (fls. 21972198), a interessada, por intermédio de seus representantes legais (mandatos às fls. 23682372), apresentou, em 12/11/2015, a tempestiva impugnação de fls. 22182341, instruída com os documentos de fls. 23423066. 9. Em longo arrazoado, a impugnante inicia sua defesa descrevendo as operações societárias realizadas pelo Grupo Boticário, que alega estarem baseadas em sólidas razões empresariais e que justificaram o surgimento do ágio por ela amortizado, além de arguir que já estaria decaído o direito de o Fisco questionar a legalidade de tais operações societárias e que Fl. 3612DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.604 19 a multa de ofício de 150% seria improcedente por violação ao artigo 146 do CTN: Da operação de incorporação de ações: uma opção empresarial legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no Grupo Boticário a) como a função de holding do Grupo Boticário desviava a OBF de seu foco empresarial principal (negócios de franquia), decidiuse em 2006 pela criação de uma holding pura para as empresas operacionais do grupo (Botica, Cálamo e Embralog), para estabelecer as políticas de governança corporativa e gestão estratégica e ser a receptora do investimento do provável novo acionista; as participações societárias na Embralog, Botica e Cálamo foram retiradas do patrimônio da OBF e transferidas para as pessoas físicas dos acionistas; b) em 18/09/2006 foi constituída uma holding pura, a G&K Holding S/A (G&K), que incorporou, em 18/12/2006, a totalidade das ações das empresas operacionais, transformando as em subsidiárias integrais (art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976); nessa mesma data, o IGPFundo de Investimento em Participações subscreveu e integralizou aumento de capital de R$ 50 milhões na G&K e foi firmado Acordo de Acionistas estabelecendo não só as regras gerais de relacionamento entre as partes, mas também e principalmente as melhores práticas de governança corportativa a serem observadas pela G&K enquanto holding controladora das empresas operacionais; Apuração do ágio: uma consequência do processo de incorporação de ações determinada em lei e plenamente aplicável ao caso concreto a ser julgado por esta I. Delegacia Regional de Julgamento DRJ c) assevera que o critério adotado na avaliação das ações apresenta sólida justificação empresarial e tratase de elemento inerente ao instituto jurídico da incorporação de ações; os aumentos de capital realizados em bens – no caso ações representativas de um acervo patrimonial – devem seguir o rito do art. 8º da Lei das S/A, tendo a fiscalizada sido avaliada pela efetiva capacidade econômica do seu negócio, dimensionada pela perspectiva de rentabilidade futura segundo o critério de fluxos de caixa descontado (valor econômicofinanceiro); d) concomitantemente à incorporação de ações ocorrida em 18/12/2006, o IGP subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K ao preço total de R$ 50 milhões; a definição do percentual de participação de 2,41% do IGP no capital da G&K foi estabelecida com base no valor econômicofinanceiro das empresas operacionais do grupo apurado no laudo de avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda.; a relação de substituição das ações da Botica pelas da G&K foi definida com base no valor econômico financeiro de ambas as companhias, tendo o laudo de avaliação da KPMG estabelecido para cada ação da Botica o valor de R$ 2,31, perfazendo o montante de R$ 344.499 mil; Fl. 3613DF CARF MF 20 e) como o valor econômico da impugnante resultou maior do que seu valor patrimonial contábil, a G&K apurou um ágio na primeira equivalência patrimonial realizada sobre o patrimônio líquido da impugnante; assim, o custo do investimento da G&K na impugnante foi desdobrado em valor do invetimento e ágio de R$ 206.481.363,56; o ingresso do novo acionista estratégico no Grupo Boticário foi objeto de ampla divulgação nos veículos de comunicação nacional e local; Das razões empresariais que motivaram a cisão parcial e seletiva da G&K em 03/11/2008: a amortização do ágio como consequência expressa da lei tributária f) argumenta que o ingresso do novo sócio e a implementação da reestruturação implicou no incremento do desempenho empresarial alcançado por todas as empresas do Grupo Boticário nos anos de 2007 a 2013; em 09/10/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado de Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações; g) a cisão parcial seletiva desta holding foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista minoritário estratégico; os acionistas controladores da G&K decidiram que o grupo deveria crescer não apenas de forma “orgânica” (via operações próprias), mas também através de aquisições de outras marcas e exploração de outros canais de venda, mas o Votorantim manifestou discordância, porquanto tais aquisições iriam comprometer a rentabilidade de curto prazo do investimento; em consequência, foi idealizada a cisão parcial seletiva e desproporcional do patrimônio da G&K em quatro parcelas, seguida de respectivas incorporações pelas empresas operacionais, como forma de propiciar a saída do Votorantim da estrutura societária no âmbito da G&K; foi acordado que, na relação de substituição das ações que detinha na G&K, caberia ao Votorantim a participação de 3,11% das ações representativas do capital da OBF e da Cálamo, enquanto a G&K manteve 1% de participação no capital de cada uma das empresas operacionais; h) coube às empresas operacionais o registro contábil de ativos cindidos da G&K, representados pela parcela do investimento, respectivo ágio e provisão constituída com base na Instrução CVM nº 319, com as alterações da Instrução 349; as incorporações inversas ensejaram, como consequência expressamente prevista na legislação tributária, a possibilidade de amortização do ágio de forma dedutível pelas empresas operacionais e a reversão, contra o resultado do exercício, de correspondente montante da provisão do ágio; Da efetiva implementação do plano de expansão i) argui que a amortização do ágio na Impugnante decorre da cisão parcial e seletiva da G&K, que faz parte de um processo muito mais amplo de reestruturação societária e empresarial envolvendo os acionistas originais do grupo Boticário e outros acionistas totalmente independentes, não relacionados; as Fl. 3614DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.605 21 operações em questão não foram casuísticas, temporárias, inconsistentes, contraditórias ou efetivadas com base em atos societários e contratuais sucessivos e cronologicamente próximos, de forma a desnaturar a efetiva vontade das partes envolvidas ou com uso abusivo de institutos jurídicos ou mediante fraude a alguma lei que proibisse as operações e seus efeitos decorrentes; j) é inquestionável que as operações que ensejaram reflexamente a apuração e amortização do ágio foram norteadas por um efetivo propósito negocial e com claro fundamento econômico, que culminou na concretização do plano de expansão almejado pelas empresas do Grupo Boticário, proporcionando nítido crescimento no ramo de atuação de seus respectivos negócios, conforme reconhecido pelo Prof. Eliseu Martins, em seu parecer que avaliou a validade do ágio e sua amortização fiscal no caso concreto; Das infundadas alegações das autoridades fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL k) relata que as autoridades fiscais concluíram que a despesa com amortização do ágio seria inexistente, porquanto supostamente gerado intragrupo e, em consequência, por não constituir despesa necessária; o entendimento consignado pelas autoridade fiscais, extraído da interpretação de Orientação CPC e determinações da CVM, está também fundamentado nos seguintes aspectos adicionais: . ao contrário do que ocorreu para fins contábeis, no âmbito tributário nem todas despesas são dedutíveis; . se o CPC 04 veda o reconhecimento do ágio intragrupo para fins contábeis, não havia como defender que a despesa com sua amortização era dedutível do lucro líquido; . a despesa com a amortização do ágio não era necessária porque não foi paga pela impugnante e nem decorreu do consumo ou sacrifício de ativos, uma vez que não ocorreu pagamento com recursos exteriores ao Grupo econômico (despesa fictícia); . o ágio no caso concreto não seria amortizável, porque ausente dois supostos pressupostos básicos, quais sejam, efetivo pagamento e independência entre as partes; . para que a despesa de amortização do ágio fosse considerada incorrida seria necessário uma abdicação de ativos ou a contratação de passivos; a despesa com amortização do ágio representaria a diluição do custo ao longo do tempo, à medida em que receitas correspondentes são reconhecidas, em obediência ao regime de competência (art. 324 do RIR/99), mas se não há custo de aquisição, não há que se falar em diluição do custo; Fl. 3615DF CARF MF 22 . o laudo de avaliação emitido pela KPMG, instrumento fundamental em que se baseia todo o processo de origem do ágio, teria apresentado uma série de incertezas a ponto de debilitálo de forma considerável; Da Decadência do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que originaram o ágio apurado em 2006 (incorporação de ações) e sua respectiva dedução quando ocorrida em 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido) l) alega que, muito embora a dedução tenha sido feita a partir de 2008, o Fisco não pode mais questionála por meio do presente auto de infração, lavrado somente em 06/10/2015, tampouco por qualquer outro meio poderia ser questionada a legalidade e eficácia tributária da incorporação de ações no qual foi apurado o ágio em 18/12/2006, eis que transcorrido o prazo de decadência de cinco anos contados do fato “originário” do ágio; Da improcedência do lançamento referente à multa qualificada de 150% por violação ao art. 146 do CTN m) argumenta que além da Impugnante, outras empresas do grupo econômico foram também autuadas pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais que lavraram o presente auto de infração contra a ora Impugnante; ocorre que, tanto no primeiro auto de infração lavrado contra a Embralog, quanto no primeiro lançamento efetuado contra a Cálamo, não foi aplicada multa qualificada, não havendo qualquer menção ao art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, tampouco à ocorrência de dolo, fraude ou abuso de direito; essa modificação de entendimento não significa outra coisa senão uma nova interpretação dos fatos e da legislação, com vistas à subsunção desses mesmos fatos a normas distintas daquelas aplicadas nos lançamentos efetuados contra a Embralog e a Cálamo; n) no momento em que o Fisco determina qual o critério jurídico a ser utilizado no lançamento ele não pode ser modificado em relação aos mesmos eventos que foram objeto de fiscalização e que deram origem ao fato gerador autuado, em respeito ao disposto no art. 146 do CTN; a exigência fiscal pode até ser considerada injusta ou equivocada pelos órgãos de política fazendária, mas ela não poderá ser “complementada” ou até mesmo “revogada” por considerações de conveniência e oportunidade apuradas posteriormente, nem pela própria autoridade fiscal que a praticou (que no caso são as mesmas), nem tampouco pela autoridade julgadora; o) não há dúvidas que houve, com relação à aplicação da multa agravada, violação ao art. 146 do CTN, uma vez que, um critério jurídico já utilizado em lançamento anterior, que abrange a fiscalização de fatos idênticos, não pode ser posteriormente modificado, sem a presença de qualquer elemento novo, nos termos, inclusive, da jurisprudência do CARF (Acórdão nº 3403 000.428) e desta própria DRJ/Curitiba (Acórdão 0611.956, de 2006, e Decisão 944, de 2001) sobre o assunto. Fl. 3616DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.606 23 10. No mérito, argumenta que a figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária do Grupo Boticário, que à época da incorporação de ações a figura do ágio interno era totalmente desconhecida pela legislação contábil, que as informações contidas no laudo de avaliação são fidedignas, que não há que se exigir pagamento em dinheiro na operação de incorporação de ações, que a vedação à amortização do ágio interno somente foi imposta com a publicação da Lei nº 12.973, de 2014, eque é descabida a alegação de desnecessidade da despesa com amortização do ágio interno: Da equivocada interpretação das autoridades fiscais quanto à alegação de tributação em duplicidade no lançamento fiscal anterior – processo administrativo n° 10980.722215/201294 a) com relação ao que foi sustentado pela impugnante no recurso voluntário apresentado nos autos do processo n° 10980.722215/2012 94, quanto à impossibilidade da tributação da receita da provisão para preservação do fluxo de dividendos, uma vez que esta teria sido adicionada quando de sua constituição na G&K em 03/11/2008, afirma que em nenhum momento alegou que a adição relativa aos ajustes por diminuição do valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido se referia ao ágio amortizado contabilmente na G&K; fato é que todo e qualquer valor adicionado ao Lalur é considerado, para efeitos fiscais, como tendo sido tributado, pouco importando se a adição tenha sido precedida de uma dedução do mesmo valor no lucro líquido; b) ao contrário do sustentado pelas Autoridade Fiscais, não há que se falar em qualquer neutralidade quando adicionado um valor ao lucro líquido para fins de apuração ao lucro real; quando a legislação tributária determina a adição de qualquer grandeza ao lucro líquido, ela está conformando a base de cálculo do imposto ao fato gerador descrito no art. 43 do CTN; o art. 250, II, do RIR de 1999 prevê que poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que não sejam computados no lucro real; c) as argumentações constantes no item 34 do TVE de que não teria ocorrido dupla tributação em relação aos valores dos ágios amortizados, por ausência de tributação anterior na G&K, não subsistem, uma vez que as exclusões efetuadas pela Impugnante se referem a valores de provisão adicionada pela G&K no evento da cisão, ou seja, em 03/11/2008 e, portanto, o auto de infração anterior, ao autuar de forma equivocada a exclusão da reversão da provisão estava, sim, autuando duplamente essas provisões; Da ausência de “ágio interno” no caso concreto. A figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária que envolveu a Fl. 3617DF CARF MF 24 Impugnante: a operação de incorporação de ações decorreu de um legítimo movimento de estruturação, motivado por uma transação envolvendo terceiros independentes d) sustenta que o ágio apurado nas operações societárias do Grupo Boticário não pode ter a conotação de “ágio interno”, visto que realizadas em função de e no contexto do ingresso de uma parte independente não relacionada, qual seja, o acionista estratégico IGP; o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 traz um conceito do ágio interno associado a uma operação realizada exclusivamente dentro de um mesmo grupo econômico, mas no presente caso as operações de incorporação de ações viabilizou o ingresso do IGP como acionista do Grupo Boticário; o critério de avaliação das ações da Impugnante resultou de um legítimo processo de negociação entre os acionistas da G&K e do IGP, sendo inegável a condição destes como uma “parte independente, conhecedor do negócio, livre de pressões ou outros interesses que não a essência da transação”; o Professor Eliseu Martins afirmou, categoricamente, que “ao analisarmos as informações prestadas pelas consulentes, bem como os Autos de Infração supramencionados, podemos concluir que as operações realizadas pelo grupo Boticário não ensejaram a apuração de ‘ágios internos’ ou geraram resultados fiscais artificiais”; e) todos os valores econômicofinanceiros das empresas operacionais do Grupo foram apurados com base no laudo elaborado pela KPMG, que considerou os preceitos da legislação societária e a melhor técnica de avaliação de empresas pelo critério de valor econômico com base em fluxos de caixa descontados; o ágio decorre da aquisição de participações societárias, ato que pode ocorrer pelas mais variadas formas previstas em lei, sendo que a compra e venda – única forma que pressupõe pagamento – é apenas uma delas; a aquisição ocorreu meio da incorporação de ações, forma legítima e prevista em lei, cujo custo de aquisição é o valor das ações conferidas aos titulares das ações incorporadas; por meio das Instruções CVM n°s 319/99 e 349/01, a CVM expressamente reconhece o efeito dos encargos de amortização do ágio sobre o lucro dos acionistas e regula procedimentos visando neutralizar tais efeitos; Inexistência da hipótese interpretativa do denominado “ágio interno”, para fins contábeis e fiscais, quando da incorporação de ações f) destaca que à época das reorganizações societárias envolvendo a Impugnante não havia qualquer norma em nosso ordenamento jurídico, seja no âmbito do Direito Contábil Societário, seja no âmbito do Direito Tributário, mencionando ou definindo o que viesse a ser “ágio interno”, tampouco suas consequências para fins tributários; somente a partir de 2009, para vigência a partir de 2010, é que a CVM e o CFC aprovaram o Pronunciamento Técnico CPC 18, quando ficaram vedados os registros contábeis de resultados em operações entre entidades comum no Brasil; nem mesmo o OfícioCircular CVM/SNC/SEP n° 01/2007 pode ser considerado para rejeitar os efeitos fiscais do ágio apurado em 18/12/2006, pois não é uma Fl. 3618DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.607 25 norma coercitiva, não retroage (por ausência de amparo legal) e o “ágio interno” somente poderia ser entendido como aquele gerado dentro da mesma pessoa jurídica; no caso concreto, não há no TVE base legal que sustente essa suposta artificialidade, uma vez que suposto conceito de “ágio interno”, à época, simplesmente inexistia; g) não há como sustentar a artificialidade do ágio com base apenas em suposições equivocadas (ágio interno), em orientações advindas de CPCs e Ofícios Circulares que sequer haviam sido emitidos à época dos fatos e em normas contábeis que regulam matéria distinta, qual seja, o ágio gerado dentro da própria pessoa jurídica, não em transações entre empresas do mesmo grupo; a norma que, de fato, passou a dispor e a regular o ágio gerado internamente só veio a integrar o Direito Contábil Societário em 05/11/2010, quando da aprovação do CPC n° 04, porém sem efeitos tributários até o advento da Lei n 12.973, de 2014, que vedou a amortização fiscal do chamado “ágio interno”; o CPC 04 foi introduzida em nosso ordenamento na esteira das normas da Lei n° 11.638, de 2007, que buscaram compatibilizar as práticas contábeis brasileiras com as práticas contábeis internacionais porém, com total neutralidade tributária (art. 1° da Lei n° 11.638, de 2007, e art. 15, § 1º da Lei n° 11.941, de 2010); h) a necessidade de atendimento às normas impostas pela CVM não autoriza a inobservância da legislação tributária, como insistentemente fizeram as autoridades fiscais no caso concreto; não há como classificar de “artificial” um ágio que supostamente não tenha observado referidas normas contábeis, editadas a posteriori, uma vez que foi observada a legislação tributária vigente à época dos fatos (art. 386 do RIR de 1999); se a operação que decorreu no aproveitamento do ágio gerou uma redução da carga tributária, não há que ser ele classificado como inexistente ou artificial, como sustentam as autoridades fiscais; Da fidedignidade das informações contidas no laudo de avaliação da impugnante i) com relação à alegação das autoridades fiscais de que o laudo de avaliação emitido pela empresa KPMG apresentaria uma série de incertezas que acabariam por tornar subjetivo e frágil o valor da avaliação nele consignada, enfatiza que as autoridades fiscais examinaram apenas um extrato/resumo do laudo, mas ão a sua integralidade, razão pela qual anexa a íntegra do laudo de avaliação econômicofinanceira emitido em 15/12/2006, com database de 31/08/2006; j) a taxa de desconto aplicada sobre os fluxos de caixa no tempo foi obtida a partir da determinação do custo de capital próprio com base na fórmula do CAPM (Capital Asset Prícing Model); tal laudo segue os métodos e critérios adotados pelo mercado, tendo a escolha de uma empresa especializada de reputação e renome mundiais apenas demonstrado o zelo da Impugnante; se Fl. 3619DF CARF MF 26 assim não fosse, um terceiro independente teria se recusado a aportar R$ 50 milhões nesse negócio;é óbvio que as informações consignadas no laudo de avaliação no momento de sua elaboração podem ou não se materializar, mas as ressalvas nesse sentido nada mais representam do que salvaguardas comuns e necessárias nesse tipo de trabalho, as quais, por si só, não desnaturam a conclusão nele consignada; k) de qualquer forma, o art. 20, § 3º, do Decretolei n° 1.598, de 1977, não exige laudo de avaliação, mas apenas e tão somente de “demonstração” do fundamento econômico; é igualmente cristalino que algumas premissas e informações são também (e não exclusivamente) obtidas junto à própria administração da companhia, o que não significa dizer que essas informações não pudessem ser confirmadas nos documentos contábeis e fiscais analisados pela KPMG durante a elaboração do laudo de avaliação; o estudo foi realizado considerando diversos parâmetros, dotados de várias premissas para que o resultado pudesse ser o mais factível possível; o lucro líquido total alcançado pela Impugnante no período de 2007 a 2013 se confirmou com as projeções constante no laudo de avaliação feito pela KPMG (Anexo I.2); Da impossibilidade de se efetuar “pagamento em dinheiro” na operação de incorporação de ações l) assevera que o ágio decorreu do mero desdobramento do custo de aquisição de participação societária em decorrência de um negócio jurídico de incorporação de ações (art. 252 da Lei das S/A); enquanto na incorporação de sociedade a incorporada deixa de existir e é sucedida universalmente pela incorporadora, na incorporação de ações ocorre o aumento do capital da sociedade incorporadora, que passa a ter a outra sociedade como sua subsidiária integral; os acionistas da incorporada subscrevem aumento de capital da incorporadora com as ações de sua propriedade, tomandose acionistas da incorporadora; a natureza jurídica da incorporação de ações é similar à do aumento de capital social mediante a conferência das ações da sociedade incorporada, porém com ela não se confunde; m) na incorporação de ações, não há “pagamento”, que é uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra, pois entregase as ações da incorporada e temse como contraprestação o recebimento de ações da incorporadora; o valor das ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, desde que tal valor esteja suportado por laudo de avaliação (§§ 1º e 3º do art. 252 da Lei das S/A); o custo de aquisição é o valor do capital aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas, sendo este custo desmembrado em valor do investimento pelo MEP e ágio; sob a ótica fiscal, a legislação tributária confere o mesmo tratamento ao ágio e ao deságio na aquisição de participação societárias que aquele previsto na legislação societária, conforme se verifica do art. 20 do DL n° 1.598, de 1977, antes das alterações introduzidas pela Lei n° 12.973, de 2014; Fl. 3620DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.608 27 n) o equívoco das autoridades fiscais ao afirmarem que haveria necessidade de “pagamento” por um ativo para que seu custo pudesse ser amortizado ou depreciado se deve ao fato de não ter sido analisada, no TVF, a efetiva natureza jurídica dos atos realizados; no presente caso, a aquisição reflete a troca econômica, a contrapartida pela aquisição de participação acionária, cujo o custo de aquisição é o valor das ações conferidas aos titulares das ações incorporadas; destaca que Prof. Eliseu Martins, em resposta ao quesito 1 do parecer formulado para a Impugnante, manifestouse no sentido de que “a circulação financeira (pagamento em dinheiro) nunca foi e não é conditio sine qua non para a apuração do ágio. O ágio pode ser apurado de forma plena, por exemplo, em uma operação de troca de ações. Não há diferença entre processos de mensuração de compra de uma participação societária versus o de qualquer outro ativo”; o) quanto às formas de aquisição da participação societária, o art. do DL n° 1.598, de 1977, não se refere a qualquer negócio jurídico específico para que se alcance tal objetivo; o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas será válida para fins do Direito Tributário; nesse sentido, Ricardo Mariz de Oliveira, em seu artigo intitulado de “Os motivos e os Fundamentos Econômicos dos Ágios e Deságios na Aquisição de lnvestimentos, na Perspectiva da Legislação Tributária, mais uma vez abordou o tema, concluindo ser irrelevante o ato ou o negócio jurídico causador do ágio (ou deságio), assim como quanto ao meio de pagamento ou às respectivas contraprestações dele decorrentes; p) destaca que a Medida Provisória n° 627, de 2013, previa em seu art. 21 a impossibilidade da pessoa jurídica amortizar ágio por rentabilidade futura quando este fosse apurado em operação de substituição de ações ou quotas de participação societária (ou seja, sem “pagamento” em dinheiro), mas, quando de sua conversão na Lei n° 12.973, de 2014, tal vedação não foi mantida no art. 22 da referida lei; ora, se a vedação contida no inciso III do § 1º do art. 21 da MP n° 627, de 2013, não foi mantida é porque o legislador reconheceu a total desnecessidade de “pagamento em dinheiro” como requisito para a amortização fiscal do ágio; Do entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF quanto à existência de uma aquisição geradora de custo (ágio) nas operações de incorporação de ações q) argui que o CARF já se manifestou no sentido de que o reflexo tributário destas operações corresponde à verificação de um ganho de capital para as pessoas físicas dos acionistas que têm as suas ações incorporadas (Acórdão nº 920200.662, de 2010); aquilo que para o alienante é ganho ou renda, para o adquirente é custo ou despesa”; caso exista o auferimento de renda na operação sob análise, esta poderia, quando muito, vir a ser tributada a título de ganho de capital apenas nos acionistas Fl. 3621DF CARF MF 28 pessoas físicas da Impugnante, sendo certa e inquestionável a apuração do ágio posteriormente amortizado pela Impugnante; Isonomia com tratamento fiscal do deságio: hipótese de deságio r) caso a aquisição da participação societária tivesse ocorrido por valor inferior ao valor de patrimônio líquido, a Impugnante teria reconhecido um deságio nos termos do art. 385, II, do RIR de 1999; este deságio, quando fundamentado na expectativa de rentabilidade futura (inciso II do § 2º do art. 386 do RIR de 1999) deveria ser amortizado e tributado durante 5 anos subsequentes à incorporação; a RFB manifestou entendimento de que este deságio deveria ser tributado ainda que decorresse de uma operação interna, matéria analisada pelo CC no Acórdão nº 10807.684; logo, as autoridades fiscais, partindo do falso pressuposto de que se trata de “ágio interno”, inadmitem a possibilidade da respectiva amortização, em evidente tratamento desigual em situações idênticas; Da possibilidade de amortização de ágio apurado em operações com “partes dependentes” (ágio interno – jurisprudência do CARF) – vedação imposta somente com a publicação da Lei n° 12.973/2014 s) alega que, ainda que se considere, apenas por hipótese, que o ágio apurado em questão tenha decorrido de operação entre “partes dependentes” (“ágio interno”), a amortização fiscal do ágio apurado entre empresas do mesmo grupo estava, à época, claramente autorizada pela legislação tributária, uma vez inexistente qualquer vedação nesse sentido; destaca que Humberto Ávila concluiu que “a legislação aplicável em nenhum momento exige que as operações societárias capazes de gerar ágio devam ser feitas somente entre empresas independentes e mediante pagamento em dinheiro, sendo ilegal essa exigência por parte das autoridades fiscais, como ocorreu no caso presente”; t) tal entendimento é sobremaneira reforçado pela recente introdução da Lei n° 12.973, de 2014, a qual, em seu art. 22, disciplinou a amortização do ágio por rentabilidade futura decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes; referido artigo possibilita, em operações de incorporação, fusão ou cisão, excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes, o saldo do ágio existente na contabilidade na data do evento, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, quando o ágio for decorrente de participação societária entre partes não dependentes, assim definidas no art. 25 da Lei n° 12.973, de 2014; se a referida lei restringiu, expressamente, a possibilidade de amortização do ágio decorrente apenas de operações entre partes não dependentes, isso significa que a amortização fiscal do ágio apurado entre empresas do mesmo grupo foi autorizada pela legislação tributária até a sua entrada em vigor no ordenamento jurídico brasileiro; Do equívoco cometido pelas autoridades fiscais quanto à capitulação legal – inaplicabilidade do art. 299 do RIR/99 Fl. 3622DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.609 29 u) relata que, para justificar a suposta indedutibilidade do ágio decorrente da incorporação das ações da Impugnante pela G&K, as autoridades fiscais alegaram, com base no art. 299 do RIR de 1999, que a referida despesa não seria necessária e tampouco foi incorrida; contudo não é lícito às autoridades lançadoras utilizarse dos conceitos definidos no referido art. 299 sob pena de violação do princípio da hierarquia das normas e das regras básica de hermenêutica jurídica; sendo o art. 299 do RIR de 1999 norma geral de dedutibilidade, este não pode, por óbvio, ser sobreposto à norma específica que trata sobre a dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio, prevista no art. 386, inciso III, § 2° do RIR de 1999; v) caso aplicável fosse o art. 299 do RIR de 1999 ao caso concreto, as autoridades fiscais deveriam obrigatoriamente esclarecer o por quê, a razão da desnecessidade da despesa de amortização do ágio, mas ela limitouse a afirmar “a despesa de amortização de ágio interno evidentemente não se enquadra no conceito de despesa necessária”, seja porque não teria sido “paga” e nem tampouco “incorrida”; ora, a desnecessidade da despesa não se presume, se prova, ainda que por capitulação legal; por outro lado, ao capitular o lançamento no art. 299 do RIR de 1999, as autoridades fiscais admitem que o ágio seria plenamente dedutível, independentemente de se tratar de ágio interno ou externo, uma vez que a regra em questão não limita ou condiciona a dedutibilidade da despesa à existência de partes relacionadas na transação. 11. Também alega inexistência de abuso de direito, ausência de dolo e fraude, falta de base legal para tributação da CSLL, inaplicabilidade da multa de ofício qualificada e da multa de ofício isolada, descabimento do procedimento de glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativo anterior e ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício: Da inexistência de abuso de direito a) destaca que a acusação relacionada ao abuso de direito foi trazida à tona pelos Agentes Fiscais com o objetivo exclusivo de caracterizar a responsabilidade solidária dos acionistas da Impugnante pela suposta prática de atos contrários à lei, conforme previsto no art. 135, III do CTN; tal acusação partiu da equivocada premissa de que o conjunto de operações societárias efetuadas acabou por proporcionar uma suposta redução indevida de tributos, uma vez que essas operações careceriam de substância econômica e propósito negocial, entendimento este corroborado no art. 187 do Código Civil.; b) os Agentes Fiscais não comprovam que os eventos societários tiveram objetivo diverso do declarado ou que os direitos previstos na Lei n° 6.404, de 1976, ou mesmo na Lei n° 9.532, de 1997, foram exercidos para além de seus limites e respectivas finalidades econômicas e sociais; o ingresso de capital e a lucratividade alcançada ao longo do tempo por uma empresa, favorecendo o seu crescimento econômico, não pode estar Fl. 3623DF CARF MF 30 atrelada a qualquer ato ilícito de seus administradores supostamente decorrente do exercício ilegal ou fora dos limites impostos pelas finalidades econômica e social dessa empresa; o conceito de abuso de direito previsto no art. 187 do Código Civil não pode ser construído sem uma leitura conjugada com o art. 188, I, do mesmo diploma, segundo qual o exercício regular de um direito não constitui ato ilícito; c) todos os procedimentos adotado pela Impugnante não estavam vedados em qualquer legislação brasileira vigente à época dos fatos e, eventual discordância do Fisco com relação aos procedimentos por ela adotados não poderá ser interpretada como se abuso de direito ou fraude fossem também não há excesso à boafé da pessoa, e não é enganada a boafé do Fisco, quando a contribuinte age às claras, sem nada esconder, expondo ao crivo da fiscalização tudo o que fez; a distribuição de dividendos e JCP são atos lícitos, posto que amparados nas Leis n°s 6.404, de 1976, e 9.249, de 1995 e não podem ser qualificados como supostamente abusivos pelas autoridades fiscais; Da ausência de dolo e fraude no caso concreto d) alega que os Agentes Fiscais não comprovaram, por meio de documentos hábeis ou da demonstração de patologias nos documentos hábeis que se lhes foram apresentados (falsificações, adulterações, etc.), que as declarações de vontade constantes dos documentos societários não eram efetivas; a conclusão das autoridades fiscais no TVE não deixa dúvidas de que o suposto dolo no caso concreto estaria presente somente pelo eventual benefício dos acionistas da Impugnante, ao afirmar que “a flagrante ação dolosa dos administradores, mais do que para a empresa, visou levar os maiores benefícios possíveis dela advindos para si próprios, às custas do erário público.”; e) não se fala em: (i) ocultação de informações; (ii) falta de vivência dos efeitos das operações praticadas; (iii) documentos inidôneos, adulterados ou falsificados; (iv) conduta ou atos contraditórios; (v) não apresentação de esclarecimentos durante o procedimento de fiscalização, enfim, estes ou quaisquer outros elementos clássicos aptos a caracterizar a vontade exclusiva de suprimir ou reduzir tributos de forma ilegal; eventual erro de preenchimento de informações ou divergência de critério utilizado na declaração dessas informações na DIPJ, no FCont ou em qualquer outro documento fiscal/contábil não pode ser interpretado (presumido) pelas autoridades fiscais como prova de dolo ou fraude a justificar a aplicação de multa qualificada e responsabilidade solidária para os acionistas da Impugnante; f) o dolo e a fraude decorrem legalmente da prática de atos jurídicos dissonantes da realidade, com falsa licitude, situação esta que em nenhum momento restou comprovada nos autos; indaga como se pode falar em operações que tiveram por objetivo exclusivo a redução de tributos na presença de um investidor externo, que ingressou como acionista estratégico do Grupo Boticário dois anos antes e que veio a discordar da forma Fl. 3624DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.610 31 de expansão dos seus negócios, dando ensejo a um processo de cisão parcial seletiva na holding da qual participava; Da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSL da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização g) assevera que os ajustes na base de cálculo da CSL sempre foram previstos expressamente em lei e que o regime jurídico de apuração da base de cálculo da CSL está dissociado daquele previsto para o IRPJ; se assim não fosse, não haveria qualquer necessidade de o legislador estipular expressamente quais os ajustes necessários à apuração da base de cálculo da CSLL; assim, inexistindo previsão legal para adição da amortização do ágio ao lucro líquido, não se pode exigir da Impugnante qualquer quantia a título de CSLL, por absoluta ausência de previsão legal, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária, consagrado no art. 150, I da Constituição Federal e art. 97, I, do CTN; Do cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN h) argumenta que nos primeiros lançamentos efetuados contra a Embralog e Cálamo (empresas do Grupo Boticário), decorrente do mesmo evento e fatos objeto dos presentes autos, a multa aplicada, à época, foi a de 75%; naquela oportunidade, ao contrário do que ocorrido nestes autos, não foi feita qualquer referência à pratica de atos com intuito doloso ou fraudulentos e nem foi determinada a atribuição de responsabilidade solidária aos acionistas da Impugnante; no entanto, é fato que nessa autuação fiscal as autoridades fiscais, na tentativa de justificar a multa qualificada e a responsabilidade solidária dos acionistas da Impugnante, sustentaram que a “flagrante ação dolosa dos administradores, mais do que para a empresa, visou levar os maiores benefícios possíveis dela advindos para si próprios, às custas do erário público”; i) nesse contexto de dúvida sobre a existência ou não dessas condutas, é certo que não se pode, dentre várias alternativas de apuração da verdade, admitirse que aquela menos favorável ao contribuinte é a verdadeira, pois pelo princípio da benigna ampliada, consagrado no art. 112 do CTN, deve prevalecer a seguinte diretriz: em caso de dúvida, deverá ser a lei tributária interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte; diante da presença inequívoca de dúvida em relação a todas as situações elencadas nos incisos do art. 112 do CTN, não cabe a aplicação da multa qualificada, conforme já decidiram a CSRF e o antigo Conselho de Contribuintes (Acórdãos nºs 9202.00.969, 106 15.390 e 10195.537); Da impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a multa de ofício – dupla penalidade sobre a mesma suposta infração – recente entendimento sumulado pelo CARF (AC 2009) Fl. 3625DF CARF MF 32 j) aduz que a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada prevista no art. 44 da Lei 9.430, de 1996, para os períodos de 2010 a 2013, duplamente sobre uma mesma suposta infração, configura o denominado bis in idem, absolutamente inadmissível em nosso ordenamento jurídico; Da inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase quando da lavratura dos autos de infração k) como os recolhimentos efetuados com base na estimativa mensal nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do períodobase, entende que não pode prosperar a manutenção da cobrança das multas isoladas exigidas relativamente aos anosbase de 2010 a 2013, pois estes períodos já estavam encerrados quando da lavratura dos autos de infração em comento, razão pela qual não poderia a Autoridade Fiscal apurar o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa para aplicação dessa penalidade; Do indevido procedimento adotado pelas Autoridades Fiscais ao efetuar a glosa de prejuízos fiscais e base negativa de períodos anteriores l) as Autoridades Fiscais efetuaram a glosa de prejuízos fiscais para os anos de 2010 e 2011, bem como a glosa de base de cálculo negativa para os anos de 2010, 2011 e 2012 sob o argumento de que a Impugnante teria efetuado sua compensação em montante superior ao saldo existente tanto de prejuízos como de base negativa de CSL, aplicando; referida glosa está associada a ajustes no saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa decorrentes de outro auto de infração lavrado contra a Impugnante sobre a mesma matéria, porém, abrangendo os períodosbase de 2008 e 2009 (processo administrativo n° 10980.723835/201411); os créditos tributários exigidos neste processo administrativo estão com sua exigibilidade suspensa em decorrência de Impugnação apresentada por esta mesma Impugnante, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; m) nesse sentido, enquanto não definitivamente julgado o auto de infração anterior, não há que se falar em ajustes no prejuízo fiscal e na base de cálculo negativa de CSL apurados pela Impugnante em períodos anteriores, pois não se pode afirmar, até o presente momento, que houve efetiva compensação indevida por ausência de saldo suficiente;assim, é necessário que fique suspenso qualquer ato tendente à cobrança desses valores, até que seja proferida decisão final e definitiva nos autos do processo administrativo n° 10980.723835/2014 11; Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício n) alega que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, o qual, por sua vez estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos; como a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no art. 3º do CTN, a cobrança de eventuais juros sobre Fl. 3626DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.611 33 a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos arts. 5º, II, e 37 da Constituição Federal. 12. Ao final, no pedido, requer sejam acolhidas as razões de fato e de direito anteriormente aduzidas, com o consequente cancelamento integral do auto de infração ou, caso assim não seja entendido, subsidiariamente, o acolhimento dos pedidos a seguir, de forma isolada ou cumulada entre si, conforme o caso e em benefício da maior redução possível do valor do auto de infração: . seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações – G&K) e sua respectiva dedução quando ocorrida a partir de 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido), uma vez que transcorridos cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; . o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 do CTN, tendo restado configurada a modificação dos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento; . o cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que restaram configuradas todas as hipóteses previstas nos ncisos do referido dispositivo; . o cancelamento do lançamento em relação à CSL, uma vez que inexiste previsão legal que determine que os encargos com amortização do ágio ou mesmo que as despesas indedutíveis para fins de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ), devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL; . o cancelamento da multa isolada aplicada concomitante à multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma suposta infração cometida pela Impugnante, conforme entendimento sumulado pelo CARF (Súmula n° 105); . a suspensão da cobrança da multa aplicada e de qualquer procedimento de retificação nos documentos fiscais da Impugnante em decorrência da suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e base negativa de CSL decorrente de períodos anteriores, enquanto não seja definitivamente julgado o processo administrativo n° 10980.72835/201411, o qual, atualmente, encontrase com sua exigibilidade suspensa; . a exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal e de plena conformidade com a jurisprudência administrativa a respeito do tema. Impugnação apresentada pelos responsáveis solidários 13. Regularmente intimados em 14/10/2015 (fls. 21992201 e 22042206), os responsáveis solidários Artur Noemio Grynbaum Fl. 3627DF CARF MF 34 e Miguel Gellert Krigsner, por intermédio de seus representantes legais (mandatos às fls. 31153117 e 31663168), apresentaram, em 12/11/2015, as tempestivas impugnações de fls. 30683108 e 31193159, instruídas com os documentos de fls. 31093118 e 31603169, nas quais reiteram as alegações relativas à violação ao disposto no artigo 146 do CTN, inexistência de abuso de direito, inexistência de dolo e fraude e ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício constantes da defesaapresentada pela interessada e acrescentam as alegações a seguir sintetizadas: Da total inaplicabilidade do art. 124, I do CTN ao caso concreto a) argumenta que o Impugnante foi responsabilizado solidariamente pelos créditos tributários supostamente devidos nos autos do presente processo administrativo com fundamento no art. 124, I, do CTN; contudo, discorda do raciocínio de que o simples fato de o Impugnante ser acionista da Botica e dela ter recebido dividendos e juros sobre o capital próprio seria suficiente para caracterizar o “interesse comum” a que se refere o art. 124, I, do CTN, pois: (i) caso a interessada apurasse prejuízo não mais haveria “interesse comum” a ensejar a responsabilidade solidária do Impugnante; (ii) no ano calendário de 2013 não foram distribuídos dividendos e nem pagos JCP; b) a responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN, não se atribui de forma “presumida”, simplesmente pelo suposto “interesse econômico” entre os acionistas pessoas físicas e a pessoa jurídica; o “interesse comum” a que se refere o dispositivo não pode ser confundido com “interesse econômico” dos acionistas na lucratividade da pessoa jurídica, pois está relacionado com o interesse jurídico na constituição do fato gerador; o interesse comum somente estará presente quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo; nesse sentido, os acionistas não podem ser automaticamente considerados coobrigados solidários de sociedade das quais participem, posto que não são sujeitos passivos do IRPJ e CSLL e não têm a menor condição ou capacidade jurídica de praticar o fato gerador desses tributos; c) a solidariedade não é um tipo de sujeição passiva por responsabilidade indireta, nem tampouco é uma forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária; os devedores solidários são aqueles que efetivamente realizam o fato gerador de forma conjugada e que sejam, ambos, sujeitos passivos do mesmo tributo, conforme decidiu o antigo Conselho de Contribuintes e o CARF (Acórdãos nºs 10421.662, 102 49.245 e 120100.217); Da ausência de responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN d) argui que para a imputação da responsabilidade os Agentes Fiscais afirmaram que o Impugnante teria agido, na qualidade de administrador da Botica, de forma dolosa com o objetivo de reduzir a carga tributária; contudo, não há a menor Fl. 3628DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.612 35 possibilidade de as operações em questão terem sido realizadas com tal propósito, uma vez que: (i) as operações ocorridas no caso concreto estavam inseridas em um contexto muito maior de reestruturação do Grupo Boticário; (ii) tais operações ostentaram propósito negocial específico, devidamente declarado e comprovado; (iii) houve plena vivência dos efeitos das operações e congruência em outros ambientes; e) a condição para a atribuição da responsabilidade é a prática de atos com infração de lei, mas isso não foi demonstrado pelos Agentes Fiscais, que se limitaram a invocar o dispositivo genérico do art. 187 do Código Civil, que trata do abuso de direito, combinado com o art. 142 do CTN, segundo o qual a atividade de lançamento é vinculada à lei; supondo que a lei tida por violada seja o art. 187 do Código Civil, ele não se presta a justificar a atribuição de responsabilidade com base no art. 135, III do CTN, pois as condutas nesta descritas são típicas do direito societário; f) com efeito, o art. 10 do Decreto n° 3.708, de 1919, responsabilizava ilimitadamente os sóciosgerentes por atos praticados com excesso de mandato e violação do contrato ou da lei; no âmbito das sociedades por ações, o art. 121, § 1º, do DL n° 2.627, de 1940, previa que os diretores não eram responsáveis pelas obrigações que contraíssem em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão, respondendo, porém, civilmente, pelos prejuízos que causassem quando procedessem, dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo ou com violação da lei ou dos estatutos; g) o art. 135, III, do CTN, por sua vez, acabou reunindo elementos desses dois diplomas legais: colheu o termo excesso previsto no art. 10 do Decreto n° 3708, de 1919, suprimindo a palavra mandato, ligandoo à palavra poderes prevista no art. 121, § 1º, I, do DL n° 2627, de 1940, dai a responsabilidade tributária por excesso de poderes; a supressão da palavra mandato, devese ao fato de que, à época, a teoria contratualista ou do mandato, que procurava explicar a relação entre os administradores e a pessoa jurídica, já havia sido superada pela teoria organicista, segundo a qual os administradores agem como verdadeiros órgãos da pessoa jurídica; h) o mesmo ocorre com a expressão infração de lei, contrato social ou estatutos, pois o contrato social referese às sociedades por quotas de responsabilidade limitada (art. 10 do Decreto n° 3708, de 1919), o estatuto às sociedades por ações (art. 121, § 1º, II do DL n° 2.627, de 1940) e a infração de lei a ambos os diplomas; o art. 135, III, do CTN só não acolheu a culpa e o dolo previstos no art. 121, § 1º, I, do DL n° 2.627, de 1940, porque esses dois elementos foram utilizados nos artigos seguintes (arts. 136 e 137), em outra seção do código, para definir a responsabilidade por infrações; é neste contexto que se insere a aplicação do art. 135, III, do CTN, ou seja, a responsabilização de administradores somente tem cabimento Fl. 3629DF CARF MF 36 quando estes pratiquem atos que impliquem infração de lei societária e não do Código Civil; i) ao justificar a aplicação do art. 135, III, do CTN com base em Parecer emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (Parecer/PGFN/CRJ/CAT n° 55/2009), as autoridades fiscais disseram, de forma extremamente genérica e inexata, que a infração de lei estaria demonstrada “neste termo”, sem qualquer maior pormenorização; mais uma vez as autoridades fiscais se esquivaram de apontar, com precisão, qual dispositivo de lei societária teria sido violada pelo Impugnante; assim, também não há como prosperar a atribuição de responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN ao caso concreto; Do pedido j) ao final requer seja julgada totalmente procedente a impugnação apresentada, com a consequente exclusão na qualidade de responsável solidário para os créditos tributários de IRPJ e CSL objeto dos autos de infração lavrados em face da Botica, uma vez que: . houve modificação do critério jurídico adotado em dois lançamentos anteriores, nos quais não foi atribuída a responsabilidade solidária em relação ao Impugnante (primeiros autos de infração lavrados contra a Embralog e Cálamo); . não restaram comprovadas as hipóteses previstas nos art. 124, I, e 135, III, do CTN, especialmente porque não houve, no caso concreto, a efetiva demonstração de abuso de direito, dolo e fraude e, nem tampouco, qualquer infração à lei; . caso não seja esse o entendimento desta C. Turma Julgadora, requer, de forma subsidiária, a exclusão dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba julgou o litígio, com base nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. APLICABILIDADE PARA LANÇAMENTO EFETUADO CONTRA O UM MESMO SUJEITO PASSIVO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa Fl. 3630DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.613 37 aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. EMPRESA VEÍCULO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização pela interessada do ágio interno, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, apurado pela empresa veículo sobre o próprio patrimônio líquido da interessada, mediante operações societárias estruturadas em sequência dentro do grupo econômico, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período a que se referem os lucros futuros, observado o prazo mínimo de 60 meses, porquanto a realização dessa riqueza não configura um ganho para o investidor, pois este já pagou antecipadamente por ela, mas a recuperação do capital aplicado na aquisição da participação, fato que autoriza a sua amortização. ÁGIO INTERNO APURADO SOB JUSTIFICATIVA DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES ARTIFICIAIS PARA JUSTIFICAR A APURAÇÃO DO ÁGIO INTERNO PELA EMPRESA VEÍCULO. Independentemente das razões e dos propósitos almejados com a reorganização societária do grupo econômico, é inegável que as operações societárias estruturadas em Fl. 3631DF CARF MF 38 sequência, com utilização de empresa veículo, ainda que no prazo de quase dois anos, criaram condições artificiais para justificar a apuração de ágio interno, com finalidade de gerar ganhos indevidos de natureza tributária; a liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, pois o ágio amortizável de que trata o art. 7º, III, da Lei nº 9.532, de 1997, é aquele em que houve um efetivo dispêndio ou ônus assumido por terceiro em um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. OPERAÇÕES INTRAGRUPO. INTEGRALIZAÇÃO DO AUMENTO DO CAPITAL DA EMPRESA VEÍCULO. PAGAMENTO EFETUADO POR NOVO SÓCIO. OPERAÇÃO DISTINTA DA QUE DEU CAUSA AO SURGIMENTO DO ÁGIO INTERNO. A integralização do capital social da empresa veículo realizada por novo sócio estratégico constitui operação distinta da que deu causa à geração do ágio interno e é insuficiente para descaracterizar como intragrupo as operações societárias analisadas nos presentes autos; além de o aporte de R$ 50.000.000,00 realizado pelo novo sócio ser irrisório e totalmente insignificante diante do valor de avaliação de R$ 2.026.298.966,40 pelo qual as ações das empresas operacionais do grupo econômico foram recebidas na integralização do aumento do capital da empresa veículo, com base em laudo de avaliação elaborado sobre a expectativa de rentabilidade futura, o pagamento realizado pelo novo investidor não deu causa ao surgimento do ágio de R$ 1.776.161.561,96 apurado pela referida empresa veículo. CONSTITUIÇÃO DA PROVISÃO IN CVM 319/1999 E 349/2001. DESPESA INDEDUTÍVEL ADICIONADA NA PARTE “A” DO LALUR DA EMPRESA VEÍCULO. CONTROLE INDEVIDO NA PARTE “B” DO LALUR PARA EXCLUSÃO EM PERÍODO FUTURO. Uma provisão é utilizada para registrar uma provável despesa futura, mas somente são dedutíveis as provisões com dedutibilidade expressamente autorizada pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999; a despesa com constituição de provisão não expressamente autorizada deve ser adicionada na parte “A” do Lalur para ser posteriormente excluída no período em que a despesa provisionada for efetivamente incorrida, porquanto tal despesa seria nesse momento dedutível, desde que devidamente comprovada e estejam atendidos os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa; contudo, a despesa Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.614 39 com constituição da Provisão Instrução CVM 319/1999 e 349/2001 é indedutível não só por se tratar de provisão com dedutibilidade não autorizada pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999, mas também por se referir a despesa inexistente de ágio interno gerado artificialmente; como essa indedutibilidade não se restringe apenas ao período em que a provisão foi constituída pela empresa veículo, mas atinge todo e qualquer período de apuração posterior, a despesa com constituição foi corretamente adicionada na parte “A” do Lalur, mas não podia jamais ser controlada na parte “B” desse livro para exclusão em período futuro. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS EM VALOR SUPERIOR AO DO SALDO COMPENSÁVEL DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. É descabida a compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores em montante superior ao dos saldos existentes. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI OU EXCESSO DE PODERES. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem interesse comum com a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, porquanto tiveram participação ativa na concepção e execução do planejamento tributário levado a efeito para criação e amortização indevida do ágio interno; também devem ser responsabilizados por atos praticados com infração de lei ou excesso de poderes, pois, na condição de acionistas administradores, criaram condições artificiais para justificar a amortização indevida pela interessada de ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, mediante operações estruturadas em sequência e com aparência de negócios jurídicos legítimos e válidos, mas desprovidos de causa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 BASE DE CÁLCULO. RESULTADO DO EXERCÍCIO AJUSTADO PELAS ADIÇÕES, EXCLUSÕES E COMPENSAÇÕES AUTORIZADAS PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. DESPESA INEXISTENTE COM AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INTERNO. Fl. 3633DF CARF MF 40 Considerando que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação tributária, e tendo em vista que na apuração desse resultado do exercício devem ser considerados apenas os custos, despesas, encargos e perdas correspondentes às receitas e rendimentos auferidos no período, não há como se acatar a dedução de uma despesa inexistente, com amortização do ágio interno, para fins de determinação do resultado do exercício e, em consequência, de apuração da base de cálculo dessa contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no Lalur dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois os sócios da contribuinte estavam perfeitamente conscientes da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragrupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.615 41 tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Considerando que entre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, se incluem a multa de lançamento de ofício, esta fica sujeita à incidência de juros moratórios se não for recolhida em seu termo, ou seja, depois de trinta dias da notificação do sujeito passivo do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido E o decisum: Acórdão Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de preclusão da possibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos atos que deram origem ao ágio amortizado e, no mérito, julgar procedentes os lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, mantendo as exigências correspondentes, assim como decidem manter atribuição de responsabilidade solidária em nome dos sócios Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum. A Botica e os dois responsáveis solidários apresentaram Recurso Voluntário. A Empresa, bem como os senhores Artur e Miguel, repete os argumentos da impugnação a ataca pontualmente o acórdão, o que será objeto de análise específica no voto abaixo proferido. Basicamente seus argumentos são: DAS PRELIMINARES Fl. 3635DF CARF MF 42 2.1.1 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DOS ATOS SOCIETÁRIOS QUE ORIGINARAM O ÁGIO APURADO EM 2006 (INCORPORAÇÃO DE AÇÕES) E SUA RESPECTIVA DEDUÇÃO QUANDO OCORRIDA EM 2008 (CISÃO PARCIAL E SELETIVA DA G&K SEGUIDA DE VERSÃO DO PATRIMÔNIO CINDIDO). 2.1.2 DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO REFERENTE À MULTA QUALIFICADA DE 150% POR VIOLAÇÃO AO ART. 146 Do CTN 2.2. – DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE – DA EFETIVA EXISTÊNCIA E CONCRETIZAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL 2.2.1 Da operação de incorporação de ações: uma opção empresarial legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário 2.2.2. – Apuração do ágio: uma consequência do processo de incorporação de ações determinada em lei e plenamente aplicável ao caso concreto 2.2.3. – Das razões empresariais que motivaram a cisão parcial e seletiva da G&K em 3/11/2008: a amortização do ágio como consequência expressa da lei tributária 2.2.4. – Da efetiva implementação do plano de expansão 2.3 DAS INOVAÇÕES TRAZIDAS PELO ACÓRDÃO DA DRJ – NECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO POR ESTE E. CARF – AUSÊNCIA DE QUALQUER ALEGAÇÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS ACERCA DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA (STEP TRANSACTIONS) E UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO 2.3.1 DA INEXISTÊNCIA DE STEP TRANSACTIONS OU “OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA” DA LEGALIDADE DA CONDUTA DA RECORRENTE 2.3.2 DA AUSÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO NO CASO CONCRETO 2.3.2.1 A própria G&K foi quem efetivamente apurou o ágio na Botica e teve parcela do seu patrimônio incorporada por esta última: A G&K não transferiu o ágio de nenhuma outra entidade para a Recorrente 2.4 DA AUSÊNCIA DE “ÁGIO INTERNO” NO CASO CONCRETO 2.4.1 – A figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária que envolveu a Recorrente – Reconhecimento do acórdão recorrido da presença de acionista externo ao Grupo Boticário (IGP – Fundo de Investimento) Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.616 43 2.5 – DA INSUBSISTÊNCIA DAS DEMAIS ALEGAÇÕES PARA CARACTERIZAÇÃO DO “ÁGIO INTERNO” NO CASO CONCRETO INEXISTÊNCIA DA HIPÓTESE INTERPRETATIVA DO “ÁGIO INTERNO”, PARA FINS CONTÁBEIS E FISCAIS, QUANDO DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. 2.6. – DA FIDEDIGNIDADE DAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NO LAUDO DE AVALIAÇÃO DA RECORRENTE 2.7 DA IMPOSSIBILIDADE DE SE EFETUAR “PAGAMENTO EM DINHEIRO” NA OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. 2.8 DO ENTENDIMENTO DA E. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS DO CARF QUANTO À EXISTÊNCIA DE UMA AQUISIÇÃO GERADORA DE CUSTO (ÁGIO) NAS OPERAÇÕES DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. 2.9 – ISONOMIA COM TRATAMENTO FISCAL DO DESÁGIO: HIPÓTESE DE DESÁGIO 2.10 DA POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APURADO EM OPERAÇÕES COM “PARTES DEPENDENTES” (ÁGIO INTERNO – JURISPRUDÊNCIA DESTE E. CARF) – VEDAÇÃO IMPOSTA SOMENTE COM A PUBLICAÇÃO DA LEI Nº 12.973/2014 2.11. DA INAPLICABILIDADE DA REGRA GERAL PARA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS NO CASO CONCRETO (ART. 299 DO RIR/99) – OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE 2.12 DO LANÇAMENTO MANIFESTAMENTE CONTRÁRIO À LEI: VIOLAÇÃO AOS ARTS. 142 DO CTN E ARTS. 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97 2.13 DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA DESPESA COM A AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO 2.14 – DA INEXISTÊNCIA DE ABUSO DE DIREITO 2.15. DA AUSÊNCIA DE DOLO E FRAUDE NO CASO CONCRETO 2.16 DO CANCELAMENTO DA MULTA QUALIFICADA POR APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DESTE E. CARF 2.17 DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO – DUPLA PENALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO RECENTE ENTENDIMENTO SUMULADO PELO CARF (AC 2009) Fl. 3637DF CARF MF 44 2.17.1 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA EM RAZÃO DO ENCERRAMENTO DO ANOBASE QUANDO DA LAVRATURA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 2.18 – DO INDEVIDO PROCEDIMENTO ADOTADO PELAS AUTORIDADES FISCAIS AO EFETUAR A GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES 2.19 DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 3 – DO PEDIDO Diante de todo o exposto, requer a Recorrente seja dado provimento ao Recurso Voluntário interposto para: (i) que seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações – G&K) e sua respectiva dedução quando ocorrida a partir de 2008 (cisão parcial e seletiva da G&K seguida de versão do patrimônio cindido), uma vez que transcorridos cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio e a lavratura do auto de infração; (ii) caso não acolhido o pedido acima, requerse o cancelamento do auto de infração objeto dos presentes autos, considerando que o procedimento adotado pela Recorrente estava amparado pela legislação vigente à época dos fatos (arts. 7º, III e 8º, “b” da Lei nº 9.532/97 e art. 386 do RIR/99), cujas operações tiveram legítimo propósito negocial e a participação de investidor externo; (iii) caso não acolhido os pedidos supra mencionados, requerse o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 do CTN, em razão da modificação dos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento; (iv) caso não seja acolhido o pedido do item anterior (iii), requerse, o cancelamento da multa qualificada por ausência de comprovação de dolo e fraude no caso concreto e, ainda, pela aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que restaram configuradas todas as hipóteses previstas nos incisos do referido dispositivo e havia, à época, dúvidas sobre a figura do ágio interno, não vedado pela legislação tributária e inaplicável in casu; (v) subsidiariamente, requerse o cancelamento do lançamento em relação à CSLL, uma vez que inexiste previsão legal que determine que os encargos com amortização do ágio ou mesmo que as despesas indedutíveis para fins de apuração do lucro real (base de cálculo do IRPJ), devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL; (vi) o cancelamento da multa isolada aplicada concomitante à multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma suposta infração cometida pela Recorrente conforme entendimento sumulado pela CARF (Súmula nº 105); Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.617 45 (vii) a suspensão da cobrança da multa aplicada e de qualquer procedimento de retificação nos documentos fiscais da REcorrente em decorrência da suposta compensação indevida de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL decorrente de períodos anteriores, enquanto não seja definitivamente julgado o processo administrativo nº 10980.723835/201411, o qual atualmente encontrase com sua exigibilidade suspensa; e, por fim, (viii) se mantida qualquer parcela do crédito tributário, requer se a exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal e em plena conformidade com a jurisprudência administrativa a respeito do tema. Os dois responsáveis solidários argumentaram, além das matérias em que repetem os argumentos da Empresa e da Impugnação apresentada por cada um deles, o seguinte: Da nulidade do lançamento por violação ao artigo 146 do CTN no que se refere à atribuição de responsabilidade solidária do recorrente; das inovações trazidas pelo acórdão da DRJ necessidade de desconsideração por este E. CARF ausência de qualquer alegação pelas autoridades fiscais acerca de operações estruturadas em sequência (step transactions); inexistência de step transtions ou "operações estruturadas em sequência" da legalidade da conduta do recorrente e da Botica; É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator A ciência do acórdão da DRJ ocorreu, para os três interessados, em 2 de julho de 2016, e os Recursos Voluntários foram apresentados em 1º de julho do mesmo ano. Sendo tempestivos e estando presentes os demais requisitos para a admissibilidade, conheço dos recursos voluntário apresentados. PRELIMINARES DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO QUESTIONAR A LEGALIDADE DOS ATOS SOCIETÁRIOS QUE ORIGINARAM O ÁGIO APURADO EM 2006 (INCORPORAÇÃO DE AÇÕES) E SUA RESPECTIVA DEDUÇÃO QUANDO OCORRIDA EM 2008 (CISÃO PARCIAL E SELETIVA DA G&K SEGUIDA DE VERSÃO DO PATRIMÔNIO CINDIDO). Faço uso de manifestação sobre o tema do Ilustre Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca no processo 10980.726765/201100, em situação semelhante relativo à Boticário Franchising, por representar meu entendimento sobre o assunto: Fl. 3639DF CARF MF 46 Esta alegação não é nova, em especial em autuações relativas à amortização de ágio e cujas operações, usualmente, são praticadas há mais tempo (considerando, inclusive, o prazo de 5 anos para que se promova a predita amortização). O fato, contudo, é que a decadência a que alude o art. 150, §4º, do CTN (e também a contemplada pelo art. 173, I) referese ao direito de lançar o tributo uma vez verificada a ocorrência de seu fato gerador. Isto é, o quinquênio tratado nestes preceitos tem o seu termo a quo a partir da constituição (na sua acepção técnica) da obrigação tributária que, na hipótese em testilha, se dá com a concretização do fato signo presuntivo descrito na norma de incidência do IRPJ e, também, da CSLL, qual seja, a disponibilidade de renda e a apuração do lucro líquido, respectivamente. A decadência, pois, não abarca os fatos pretéritos que contribuam para a formação do fato imponível; a extinção a que alude o art. 156, V, do CTN é do direito de lançar o tributo e não do direito de examinar as premissas que detenham repercussão na formação da obrigação. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é praticamente uníssona, como se extrai das ementas abaixo reproduzidas: DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM A PARTIR DA DEDUÇÃO. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial diz respeito à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que ocorreu o fato gerador (RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. Acórdão nº 9101003.059, sessão de 12/09/2017). DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AFASTAMENTO. O prazo decadencial só se inicia após a ocorrência do fato gerador, sendo irrelevante a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Deste modo, o prazo decadencial será pautado ou pela disposição do artigo 173, inciso I, do CTN ou do artigo 150, § 4º do mesmo diploma, porém, nunca pelo momento da reorganização societária, que não representa reflexo fiscal algum, num primeiro momento (RECURSO VOLUNTÁRIO. Acórdão nº 1402002.489, sessão de 16/05/2017) DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. O art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.618 47 nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advém dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN (RECURSO VOLUNTÁRIO, acórdão nº 1301002.562, sessão de 15/08/2017). Assim, afasto a preliminar suscitada. DA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO REFERENTE À MULTA QUALIFICADA DE 150% E DA ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR VIOLAÇÃO AO ART. 146 DO CTN Buscam resguardo no artigo 146 do CTN afirmando que houve fiscalização em outras empresas do grupo econômico e que não foi aplicada a multa qualificada, tampouco atribuída responsabilidade solidária aos sócios dirigentes. De pronto notase que não se trata do mesmo sujeito passivo, pelo que não seria aplicável o artigo. Além disso, como aponta o acórdão recorrido, os lançamentos a que se refere a Recorrente, sem a multa qualificada, foram objeto de lançamento complementar, lançando a multa de 150%, como se observa nos processos 10980.725496/201156 e 10980.723408/201191. Assim, descabida a preliminar. MÉRITO 2.2. – DAS RAZÕES EMPRESARIAIS QUE ENSEJARAM A APURAÇÃO DO ÁGIO E SUA AMORTIZAÇÃO PELA RECORRENTE – DA EFETIVA EXISTÊNCIA E CONCRETIZAÇÃO DE PROPÓSITO NEGOCIAL A Empresa apresenta, em longa explanação, os supostos motivos empresariais que a levaram a realizar as operações societárias que resultaram na constituição do elevado ágio. Contudo, são argumentos sobejamente superados quando sopesados com o interesse na amortização do ágio. Como é sabido, não se trata de não haver motivos extrafiscais, mas, ainda que existam, que prevaleçam em relação ao motivo fiscal. Fl. 3641DF CARF MF 48 No caso presente, entendo que o motivo fiscal prevalece sobremaneira ao alegado motivo empresarial. Não tenho dúvidas que o negócio foi feito da forma como o foi tendo em mente, primordialmente, o ganho tributário relativo ao falso ágio criado. DAS INOVAÇÕES TRAZIDAS PELO ACÓRDÃO DA DRJ – NECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO POR ESTE E. CARF – AUSÊNCIA DE QUALQUER ALEGAÇÃO PELAS AUTORIDADES FISCAIS ACERCA DE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA (STEP TRANSACTIONS) E UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO DA INEXISTÊNCIA DE STEP TRANSACTIONS OU “OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA” DA LEGALIDADE DA CONDUTA DA RECORRENTE O argumento será desconsiderado. Análise do Ágio de R$206.481.363,56 gerado em 8/12/2006 (G & K Holding S/A). As atividades do grupo para a criação do ágio foram as seguintes: 18/09/2006 G&K Holding S/A é constituída com capital social de R$ 1.000,00, tendo como sócios Miguel Gellert Krigsner (80% do capital) e Artur Noemio Grynbaum (20%) e como objeto social a participação em outras sociedades nacionais e estrangeiras; 18/12/2006 o IGPFundo de Investimento em Participações (CNPJ nº 07.479.779/000119) subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A pelo preço total de R$ 50.000.000,00, dos quais R$ 4.613.618,00 destinados ao capital social da companhia e R$ 45.386.382,00 à constituição de reserva de capital (ágio); 18/12/2006 a G&K Holding S/A incorpora as ações ordinárias nominativas da O Boticário Franchising S/A – OBF, Embralog – Empresa Brasileira de Logística S/A (06.308.851/000182), Botica Comercial e Farmacêutica S/A (77.388.007/000157) e a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A (CNPJ nº 06.147.451/000132), que passam a ser subsidiárias integrais, e aumenta seu capital social em R$ 186.970.480,00 mediante emissão de 186.970.480 novas ações ordinárias nominativas, no valor de R$ 1,00 cada, entregues a Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum em substituição às ações anteriormente detidas nas sociedades incorporadas, conforme Ata de AGE da G&K Holding S/A e Boletim de Subscrição de Ações; as 149.192.800 ações da BOTICA, foram avaliadas em R$ 344.499.000,00 por laudo de avaliação com base em rentabilidade futura elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda., com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, a G&K constituiu uma conta de ágio no valor de R$ 206.481.363,56; 18/12/2006 a G&K Holding S/A contabiliza o ágio de R$ 1.776.161.561,96 apurado sobre as ações recebidas no aumento do seu capital social: Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.619 49 . O Boticário Franchising S/A .......................R$ 551.741.868,57 . Botica Comercial Farmacêutica Ltda .........R$ 206.481.363,56 . Cálamo Distrib. Produtos de Beleza Ltda ..R$ 1.011.690.937,33 . Embralog Empresa Bras. de Logística Ltda. ...R$ 6.247.392,50 Total R$ 1.776.161.561,96 18/12/2006 a Botica, assim como as demais investidas, realiza assembléia geral extraordinária para aprovar a incorporação de suas ações ordinárias nominativas pela G&K e conversão em subsidiária integral desta; 01/01 a 31/12/2007 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 20.094.111,31 a crédito da conta que registra o ágio apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.776.161.561,96 para R$ 1.756.067.450,65, à fl. 1165), com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio; 31/12/2007 a G&K adiciona o valor de R$ 20.094.111,31 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na parte “A” do Lalur (fl. 1091) e controla seu valor na parte “”B”; 09/08/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); 03/11/2008 o capital social da G&K Holding S/A (constituído de 191.585.098 ações ordinárias nominativas) é aumentado em R$ 304.049.679,00, passando de R$ 191.585.098,00 para R$ 495.634.777,00, mediante conversão de reservas de capital, conforme Ata da AGE; as 304.049.679 novas ações ordinárias nominativas foram distribuídas entre os acionistas da seguinte forma: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 237.382.215 ações . Artur Noemio Grynbaum................................ 59.345.554 ações . Votorantim G&K Fundo Invest. em Particip. .. 7.321.910 ações Total 304.049.679 ações 01/01 a 03/11/2008 a G&K Holding contabiliza a amortização de R$ 25.850.240,10 a crédito da conta que registra o apurado em 18/12/2006, cujo saldo passou de R$ 1.756.067.450,65 para R$ 1.730.217.210,55, com contrapartida em conta de despesa com amortização do ágio; 03/11/2008 a G&K adiciona o valor de R$ 25.850.240,10 com amortização de ágio sobre investimentos em controladas na parte “A” do Lalur e controla seu valor na parte “”B”; Fl. 3643DF CARF MF 50 03/11/2008 a G&k Holding constitui em sua contabilidade a Provisão p/Preservação de Dividendos Futuros no valor de R$ 1.730.217.210,55 sobre o ágio de investimentos em controladas, conta redutora da que registra o ágio apurado em 18/12/2006, com contrapartida em conta de despesa operacional (englobado no valor de R$ 1.730.390.459,25 das demais provisões); o valor desta provisão foi adicionado na parte “A” do Lalur e passou a ser controlado na parte “B” desse livro; 03/11/2008 nessa mesma AGE foi aprovada a cisão parcial da G&K Holding S/A, cujo capital social sofreu redução de R$ 443.551.815,00, passando de R$ 495.634.777,00 para R$ 52.082.962,00, correspondente a quatro parcelas distintas a serem incorporadas pela Botica, Cálamo, OBF e Embralog, conforme Ata da AGE, Protocolo e Justificação de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes e Laudo PericialContábil Para Efeito de Cisão Parcial Seguida de Versão do Patrimônio Cindido a Sociedades Já Existentes, emitido pela América Auditores Independentes S/S com base na mensuração contábil do patrimônio; a incorporação na Botica foi efetivada pela transferência da parcela de R$238.000.160,00 do patrimônio líquido da G&K, acervo líquido este constituído dos seguintes bens e direitos: Aplicações financeiras.....................................R$59.148.912,51 impostos a recuperar.........................................R$3.315.087,49 investimentos Botica (147.700.872 ações) ....R$175.536.160,00 ágio investimento Botica................................R$ 193.536.160,00 provisão Instrução CVM nº 319349.............R$ (193.536.160,00) Total R$238.000.160,00 as 52.082.962 ações ordinárias nominativas restantes da G&K Holding S/A foram distribuídas entre os seguintes acionistas: . Miguel Gellert Krigsner ............................... 41.666.367 ações . Artur Noemio Grynbaum.............................. 10.416.592 ações . José Roberto de Mattos Curan .......................... 1 ação . João Vinicius Prianti ......................................... 1 ação . João Paschoal Posseti ........................................ 1 ação Total 52.082.962 ações a G&K Holding S/A manteve apenas participações societárias correspondentes a 1% do capital social da Botica, Cálamo, OBF e Embralog; 03/11/2008 a Botica, a exemplo das demais incorporadoras, realiza assembleia geral extraordinária, para aprovar a incorporação da parcela cindida do patrimônio líquido da G&K Holding S/A: Fl. 3644DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.620 51 Com as operações societárias acima descritas, temos a criação, em setembro de 2006, de empresa veículo (G&K Holding), com capital social inicial de R$1.000,00 e tendo como sócios Miguel e Artur. Três meses depois, em dezembro de 2006, o IGP Fundo de Investimento em Participações integraliza ações no valor de R$50.000.000,00, sendo a única movimentação financeira envolvendo as operações societárias. No mesmo dia do ingresso da IGP na sociedade, 18/12/2006, a G&K incorpora as ações da OBF, da Embralog, da Botica e da Cálamo, que passam a ser suas subsidiárias integrais. As ações são incorporadas com ágio, sendo que as da Botica são avaliadas em R$344.499.000,00, gerando um ágio de R$206.481.363,56. O total do ágio contabilizado pela G&K, relativo às quatro empresas, monta R$1.776.161.561,96. A situação permanece durante o ano de 2007 até 3 de novembro de 2008, quando a G&K é parcialmente cindida, mantendo apenas 1% de participação nas outras sociedades. Neste período, até a cisão parcial, a G&K amortizou o ágio contabilmente, gerando despesa que foi adicionada no cálculo do lucro real, sem consequência fiscal, portanto. Todavia esta adição foi levada à parte B do Lalur, onde passou a ser controlada. Na mesma data, 3 de novembro de 2008, a G&K constitui a Provisão da Instrução CVM 319 no valor total de R$1.730.217.210,55, portanto somente sobre o valor do ágio descontadas as amortizações que realizou até sua cisão parcial (R$20.094.111,31, em 2007, e R$25.850.240,10, em 2008 tudo relativo às 4 empresas). Aqui cabe uma primeira observação que será repisada adiante, que trata do fato de não ter sido constituída, na G&K, a provisão CVM para a parcela que por ela foi amortizada. Esta parcela já amortizada do ágio, que na Botica representa o valor de R$11.230.040,81 não foi contabilizada na Botica. Como veremos, esses R$11.230.040,81 foram transferidos para a Botica via parte B do Lalur, presumivelmente a título de transferência de supostos direitos. Do ágio total (R$206.481.363,56) é transferido para o patrimônio da Botica o valor de R$ 195.251.322,75, conforme explicação acima, e também a provisão CVM, conta redutora de igual valor. De tudo se observa que é uma operação de ágio interno, cuja única movimentação financeira se deveu à participação do IGP Fundo de Investimento com o aporte de R$50.000.000,00 que, de forma alguma justifica a criação do ágio de quase dois bilhões de reais, este sim, devido a operações societárias desprovidas de qualquer movimentação financeira e desenvolvidas dentro do mesmo grupo econômico, sob a decisão das mesmas pessoas. A Empresa afirma que a amortização do ágio entre partes dependentes só foi proibido com a edição da Lei nº 12.973, de 2014. Tenho claro, contudo, que a lei só fez corroborar o que já era consagrado, retirando qualquer possibilidade de dúvidas quanto ao ágio interno, da mesma forma que o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/2007, quando atesta que a CVM já vinha observando a atitude de criação de ágio sem movimentação financeira e dentro de um grupo econômico. Estamos tratando de um falso ágio, um ágio escritural, que viola as regras contábeis e, consequentemente, as leis que obrigam à sua obediência na formação do lucro Fl. 3645DF CARF MF 52 líquido. Assim, o pretendido efeito de convalidação dos ágios internos anteriores não existe na citada norma jurídica. Quanto ao aporte financeiro do IGP Fundo de Investimento, este sim, poderá amortizar para fins fiscais o ágio de mais de 45 milhões efetivamente pagos quando de seu ingresso na G&K caso preencha as demais condições legais. Sobre o tipo de ágio que estamos tratando tenho me posicionado no sentido de não atribuirlhe eficácia tributária. Isto se deve, principalmente, à sua não aceitação e mesmo ao repúdio de sua utilização que a contabilidade tem demonstrado. Hoje, nem mesmo pode compor o ativo de qualquer empresa, em cumprimento ao CPC nº 4, que transcrevo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. A CVM por sua vez também se manifesta contrária a este tipo de ágio, como se vê do OFÍCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP nº 01/2007: Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas (...) 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Fl. 3646DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.621 53 Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. E desde 1999 a CVM pretende evitar que o patrimônio da companhias seja artificialmente aumentado com ágios fictícios e busca também proteger o sócio minoritário quanto à redução do lucro contábil pela escrituração de despesas artificiais, fazendo reconhecer somente o benefício fiscal esperado, com a edição da Instrução CVM 319/1999. Como visto até agora, as autoridades contábeis, em defesa da correta informação da situação patrimonial das empresas, e a CVM, em defesa dos sócios minoritários e dos interesses do mercado, repudiam e rejeitam o ágio interno, criado em situações diferentes às de livre mercado, sem pagamentos efetivos e decisões livres. E quando a contabilidade rejeita, projeta essa rejeição para o campo legal, na medida em que é a lei que determina às sociedades que a ciência contábil deve ser obedecida. Vejamos o artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Fl. 3647DF CARF MF 54 E apresento somente este fundamento, pois é sabido por todos dessa obrigatoriedade. Ora, se a base de cálculo do imposto de renda, lucro real, parte do lucro líquido do exercício, o lucro contábil, a lei não poderia deixar este cálculo ao alvedrio de quem quer que fosse, sendo imperativa a obediência à ciência contábil. O que pretendem os Recorrentes é legitimar para fins fiscais o que é ilegítimo, falsamente criado apenas para diminuir substancialmente o pagamento de tributo devido. A leitura de excerto do laudo de avaliação da KPMG (folhas 401/412) nos traz mais inseguranças e incertezas do que a garantia de um valor em que se possa acreditar, como já destacado, in verbis: A avaliação e as projeções financeiras estão fundamentadas substancialmente em premissas e informações fornecidas pela Administração da BFSA e discutidas com a KPMG Corporate Finance Ltda. É de conhecimento do mercado, que toda avaliação efetuada pela metodologia do fluxo de caixa descontado apresenta um significativo grau de subjetividade, dado que se baseia em expectativas sobre o futuro, que podem se confirmar ou não. Portanto, é reconhecido que não há quaisquer garantias de que quaisquer das premissas, estimativas, projeções, resultados ou conclusões utilizadas ou apresentadas nesse documento serão efetivamente alcançadas ou virão a se verificar, total ou parcialmente. Os resultados reais verificados poderão ser diferentes das projeções e estas diferenças podem ser significativas. Ressaltese ainda, que é da natureza de modelos financeiros de avaliação por fluxo de caixa descontado que toda e qualquer premissa altera o valor obtido para a empresa que está sendo avaliada. Tais possibilidades não constituem vício da avaliação e são reconhecidas pelo mercado como parte da natureza do processo de avaliação de uma empresa pela metodologia do fluxo de caixa descontado. Dessa forma, é impossível para a KPMG Corporate Finance Ltda., na condição de avaliador, se responsabilizar ou ser responsabilizado por eventuais divergências entre os resultados futuros projetados e aqueles efetivamente verificados a posteriori, em virtude, de variações nas condições de mercado e de negócio da empresa avaliada. Quaisquer futuros investidores, seja nas Empresas ou em qualquer entidade que venha a investir direita ou indiretamente nas Empresas, devem realizar suas próprias análises quanto à conveniência e oportunidade de efetuarem tal investimento e devem consultar seus próprios consultores jurídicos, tributários e financeiros a fim de estabelecerem suas próprias opiniões sobre a oportunidade e forma independente.“ (substituí os grifos do original) A avaliação, como reconhecido no documento, é realizada tendo como fonte principal a informação prestada pelos próprios interessados. Não é por outro motivo que a KPMG afirma que os investidores futuros devem realizar suas próprias análises e sujeitar aos seus consultores jurídicos, tributários e financeiros qualquer decisão. Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.622 55 Ao mesmo tempo se isentam de qualquer responsabilidade pelos números apresentados. Basicamente, o que afirmam é que a avaliação que fizeram não tem nenhuma fidedignidade. A única certeza que se tem é de que o valor é certo e indiscutível para fins de economia fiscal, caso a situação passe despercebida pelas autoridades tributárias, mas a responsabilidade pelo laudo, pelas projeções, ao final de tudo, é dos dirigentes, que forneceram as informações para os peritos avaliadores, os mesmos que serão beneficiados pela fraude. Apesar do esforço para emprestar certeza ao referido laudo de avaliação, a Recorrente não convence, ante as observações apresentadas acima e os destaques feitos pela Fiscalização, abaixo transcritos: 1º) (pág 3, 1º parágr) segundo expresso no próprio laudo que nos foi apresentado, tratase apenas de um extrato do “Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da Botica Comercial Farmacêutica S.A.”, sem as informações estratégicas e de caráter confidencial contempladas neste último; 2º) (pág 4, final do 1º parágr) o laudo tem por base entrevistas e informações orais ou escritas fornecidas pela Administração da BOTICA; 3º) (pág 4, item do 3º parágr) consistiu, dentre outros, na comparação dos resultados projetados apresentados no Plano de Negócios da Empresa com os resultados históricos da mesma e discussão com a sua Administração sobre as principais variações observadas; 4º) (pág 5, 1º parágr) a avaliação e as projeções financeiras estão fundamentadas substancialmente em premissas e informações fornecidas pela Administração da BOTICA; 5º) (pág 5, 2º parágr) toda avaliação efetuada pela metodologia do fluxo de caixa descontado apresenta um significativo grau de subjetividade, dado que se baseia em expectativas sobre o futuro, que podem se confirmar ou não; portanto, é reconhecido que não há qualquer garantia de que quaisquer das premissas, estimativas, projeções, resultados ou conclusões utilizadas ou apresentadas serão efetivamente alcançadas ou virão a se verificar, total ou parcialmente; 6º) (pág 5, 2º parágr) os resultados reais verificados poderão ser diferentes das projeções e estas diferenças podem ser significativas; 7º) (pág 5, 3º parágr) é ressaltado que na avaliação por fluxo de caixa descontado toda e qualquer premissa altera o valor obtido para a empresa que está sendo avaliada; 8º) (pág 6, 3º parágr) é enfatizado que o trabalho não foi uma auditoria, conforme as normas geralmente aceitas de auditoria e não deve ser interpretado como tal; Fl. 3649DF CARF MF 56 9º) (pág 11, último parágr) eventuais fatos relevantes que tenham ocorrido entre a database (31/08/2006) e a data de emissão do relatório (15/12/2006) e que não tenham sido informados pela Administração da Empresa à KPMG podem afetar a estimativa de valor da BOTICA. Não há como sustentar, por maior que seja o esforço, que o laudo é preciso, pois nem mesmo os seus elaboradores assumem qualquer responsabilidade pela previsão que fizeram, e, digase, se preocuparam profundamente em deixar isso bem claro, não só por sua responsabilidade direta, mas para salvaguardar sua reputação. Feitas estas considerações acerca da constituição do ágio (G&K Holding) consideroo ineficaz ante o fisco, uma vez que foi criado artificialmente, por meio de operações societárias empreendidas dentro de um mesmo grupo econômico, sem nenhuma relação de livre mercado, mas marcados por relações viciadas por decisões tomadas sem nenhuma independência, pelas mesmas pessoas representando todas as partes do negócio e que, ao fim, seriam as beneficiárias da economia fiscal. É destaque também o fato de não ter havido nenhum dispêndio, nenhum pagamento, nenhuma movimentação financeira, fato que torna possível considerarse qualquer valor como ágio, desde que conste de um laudo elaborado por peritos externos. Essa é a premissa: é ágio interno, falsamente criado por meio de empresa veículo apenas para a redução de tributos. Ágio imprestável para fins fiscais. Devemos destacar a seguir que a Fiscalização descreve a existência de um ágio chamado "menor" e outro, "maior". O primeiro diz respeito à parcela que foi amortizada na G&K Holding em 2007 e 2008, antes de sua cisão parcial, no valor de R$11.230.040,79 e o segundo, o "maior", da parcela que foi transferida contabilmente à Botica, no valor de R$193.298.809,52. ÁGIO MENOR A G&K, no período antes de sua cisão, amortizou o ágio, criando uma despesa que foi corretamente adicionada ao lucro líquido do exercício, no cálculo do lucro real, uma vez que ela, sabidamente, não podia aproveitála tributariamente, pois não se enquadrava nas situações previstas nos artigos 7º ou 8º da Lei nº 9.532/1997. Além disso, como já demonstrado, tratase de um ágio falsamente criado, dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno), sem movimentação financeira alguma, considerado imprestável para fins tributários com acima apontado. Assim, a G&K agiu corretamente ao não atribuir efeitos fiscais à amortização do ágio, contudo passou a controlar os valores adicionados na parte B do Lalur, sem nenhuma justificativa: se a G&K não tem direito à amortização fiscal, não há motivo para controlar o valor na parte B do Lalur, pois ele nunca influenciará o resultado de exercício futuros. E vejam, não se trata de controlar nenhuma provisão, mesmo porque a provisão da Instrução CVM 319 não foi constituída sobre o valor já amortizado (R$11.230.040,79), mas somente pelo valor que foi transferido via contas patrimoniais à Botica (incluído no total de 1.730 milhões: para a Botica 193 milhões e fração. O controle na parte B do Lalur era de ágio amortizado efetivamente na G&K e que passou a ser (indevidamente, a meu ver) controlado na parte B do Lalur. Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.623 57 Disso concluo que o valor amortizado e controlado na parte B do Lalur na G&K foi considerado um direito e foi incluído na parcela cindida, mas não foi contabilizado na cindenda, sem motivo aparente. Também não consta do protocolo de cisão nenhuma mensão à transferência desse valor a título de direito, ainda que pelo valor do benefício fiscal, como seria de se esperar em obediência ao artigo 224, inciso II, da Lei nº 6.404, de 1976. De qualquer sorte, a Botica passou a amortizálo em 96 parcelas mensais de R$116,979,59, excluindo o valor na parte A do Lalur e controlando na parte B. Quanto à amortização deste valor concluise: (i) o ágio foi controlado na parte B do Lalur da G&K indevidamente, uma vez que esta não tinha direito a amortizálo fiscalmente; (ii) o valor transferido não foi contabilizado na Botica, ainda que pelo valor do benefício; (iii) o valor não constava do rol de direitos vertidos à cindenda no protocolo de cisão; (iv) não se trata de provisão, mas de amortização de ágio via exclusão no Lalur, ágio controlado somente na parte B. Considerando a premissa de que o ágio é imprestável para fins tributários, como já evidenciado anteriormente, agiu corretamente a Fiscalização em glosar esta exclusão indevida na parte A do Lalur. Aqui estamos tratando de uma exclusão de amortização de ágio, não havendo relação com nenhuma reversão de qualquer provisão. "Voto no sentido de manter a tributação do ágio menor" "ÁGIO MAIOR" Quanto ao ágio maior, a Fiscalização considerou, corretamente, despesa inexiste sua amortização. Não há reparos ao lançamento neste ponto. DA INAPLICABILIDADE DA REGRA GERAL PARA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS NO CASO CONCRETO (ART. 299 DO RIR/99) – OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE O artigo foi apenas um dos fundamentos legais apresentados no auto de infração, com se vê da transcrição abaixo: REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO RTT INFRAÇÃO: DESPESAS INEXISTENTES / AJUSTE DO RTT EFETUADO INDEVIDAMENTE (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2013: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99 Arts. 7º e 8º da Lei 9.532 de 1997 Fl. 3651DF CARF MF 58 Arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 11.941/09; art. 6º, § 5º, b do Decreto Lei nº 1.598/77 Como se vê a Fiscalização cita os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, que seriam os autorizadores de uma eventual amortização, caso o ágio fosse considerado existente, o que não foi. Às folhas 2148/2158 as autoridades administrativas explicam com clareza os motivos que a levaram a considerar inexistente o ágio criado. DA INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO, NA BASE DE CÁLCULO DA CSL, DA DESPESA COM A AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO CONSIDERADA INDEDUTÍVEL PELA FISCALIZAÇÃO A Recorrente parte da premissa equivocada de que a fiscalização operou a adição à base de cálculo da CSLL de despesa considerada indedutível. Em verdade a fiscalização considerou a despesas inexistente, sendo portanto indevidamente computada no lucro líquido do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (base de cálculo da contribuição). Desnecessário retomar a argumentação que justifica esta inexistência, pois que já tratamos exaustivamente dessa matéria: a origem da amortização, o ágio, é inexistente, imprestável para fins fiscais. Assim, a Empresa não está cumprindo as regras contábeis ao registrar uma despesa inexistente, reduzindo o lucro líquido do exercício, como bem aponta o voto condutor do acórdão recorrido: Dessa forma, considerando que devem ser considerados (sic) apenas os custos, despesas m encargos e perdas correspondentes às receitas e rendimentos ganhos no período, é descabida a dedução de uma despesa inexistente, e sem vinculação com qualquer receita ou rendimento da interessada, par fins de determinação do resultado do exercício... Ainda que assim não fosse, entendo que a conjugação dos artigos 6º da Lei nº 7.689, de 1988, e 57 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcritos, autoriza a referida alteração, impedindo que despesas fraudulentamente criadas alterem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Lei nº 7.689, de 1988 Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.624 59 introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Assim, aplicase a dedução à CSLL. MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, a relativa ao ágio constituído pela empresa veículo G&K Holding, em 2006, foi bem fundamentada no auto de infração, como se vê às folhas 1413 a 1420. A Recorrente alega a inexistência de fraude, pois tudo foi feito às claras, sem documentos falsos e no "exercício regular de um direito reconhecido" (Artigo 188 do Código Civil). Não entendo assim. Tenho claro que havia consciência na criação de uma falso ágio, gerado sem absolutamente nenhuma independência, pois os acordos e operações societárias são decididos pelas mesmas pessoas que, ao final, são os beneficiários da sua amortização fiscal, sem movimentação financeira alguma e dentro do mesmo grupo econômico, tudo no intuito de reduzir o montante do imposto devido. A existência de fraude é evidente. Por outro lado pretende a Recorrente buscar salvaguarda no artigo 112 do CTN, interpretandoo no sentido de que, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte. Busca na lição do Prof. Marco Aurélio Greco, eu sua obra Planejamento Tributário, a idéia de incerteza quando a legalidade ou não de casos que se acham no limite entre o correto e o incorreto. Não vejo este caso como limítrofe. Tenho com muita clareza que se trata de ação dolosa visando a redução do imposto devido, pelo que não vejo razão para invocar o referido artigo. Assim, mantenho a qualificação da multa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS DIRETORES Sobre a responsabilidade solidária dos Dirigentes, forte nos artigo 124 e 135, III do CTN, os Recorrentes defendem a inaplicabilidade do artigo 124, I do CTN, invocando a distinção do interesse econômico para o interesse jurídico na situação que constitua o fato gerador e do 135, III, por não ter sido indicados os atos praticados pelos diretores com excesso de poderes, infração à lei ou estatutos. Diz que não houve abuso de direito, mas exercício regular de um direito reconhecido, o primeiro ato ilícito e o segundo não, conforme o Código Civil (artigos 187 e 188). O CTN foi publicado em 1966 e realmente não foi redigido pensando na atuação de grupos econômicos. Naquela época o que existia era a empresa isolada, a Companhia, que englobava todas as atividades em volta de seu nome. Fl. 3653DF CARF MF 60 Hoje temos grandes grupos econômicos e aquela empresa que comprava, transformava, vendia, investia, recebia pagamentos, contratava e pagava os empregados, foi explodida em várias que compõem o mesmo grupo e executam, cada uma delas, uma dessas atividades, retirando de cada uma dessas ações o máximo de lucratividade e eficácia. Um dos aspectos mais carentes do Código, nesse particular, diz respeito à responsabilidade. Assim, temos que extrair da hermenêutica jurídica o máximo da técnica interpretativa para não deixar instalada a injustiça. Por outro lado, não são poucas as vezes que, ante um ilícito, argumentase que não foi apresentada prova cabal, direta, como se o responsável pelo delito precisasse assinar documentos e praticamente confessar que ele é o responsável pelos fatos para poder ser responsabilizado. Neste viés, e no caso específico de planejamento tributário calcado em operações societárias sequenciais, cada fração do todo tem aparente legalidade, todavia o resultado de todas as operações é ilícito. É o que Marco Aurélio Greco observa quando afirma que não se deve olhar a fotografia, mas o filme. No caso presente não entendo que estejamos presumindo a responsabilidade. Vejamos os fatos. As empresas do grupo Boticário, comandadas em todo o tempo pelos sócios administradores Artur e Miguel, detentores da totalidade das ações, empreenderam operações societárias, criando empresa veículo para adquirir outras empresas do grupo e gerar um ágio decorrente da avaliação da rentabilidade futura dessas empresas adquiridas, sem movimentação financeira alguma, sem nenhum pagamento ou participação de terceiro. Em pouco tempo, desfez essa empresa veículo (parcialmente) repassando o ágio falsamente gerado para cada uma das empresas adquiridas, passando a reduzir substancialmente o lucro real com o aproveitamento de despesas de amortização de ágio nas empresas adquiridas. Ou seja, o ágio amortizado diz respeito à rentabilidade futura dela mesma. Como já vimos neste voto, o laudo que atribui valor absurdamente alto às empresas adquiridas com base em rentabilidade futura é absolutamente inconsistente, fundado em informações prestadas pelos próprios administradores (que são os dois sócios já nomeados e beneficiários da fraude) e os avaliadores não assumem absolutamente nenhuma responsabilidade pelos números apresentados. A estes fatos somase a distribuição de valores altíssimos a título de juros sobre o capital próprio e lucros, como descreve a Fiscalização, sendo que pouco valor permaneceu nas empresas, sendo a maioria distribuído aos dois sócios. Ante tudo isso, os Recorrentes alegam que não podem ser responsabilizados pelo 124, I, cujo teor é o seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; É claro que a aplicação do artigo não pode tornar inócuo o princípio contábil da entidade, haja vista que todos os sócios sempre terão interesse no fato gerador. Todavia, a Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.625 61 sua não aplicação sem exceções pode representar a inimputabilidade do mal feitor, deixando sempre livre aquele que não tem apenas o interesse econômico, mas tem todos os interesses relacionados às fraudes aplicadas. Quanto ao 135, III do CTN, assim se apresenta in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Várias foram as teses apresentadas quanto ao artigo: umas dizendo que a pessoalidade afastava a responsabilidade da empresa; outras que seria responsabilidade subsidiária; e, por fim, a que defende que a aplicação é de solidariedade. Entendo que esta última já está consolidada tanto no Judiciário quanto nos julgados administrativos. Neste ponto, os Recorrentes pretendem que seja apontado qual o ato específico por eles praticados que pode ser enquadrado no artigo. Defendem que todos as atividades foram lícitas. Descordo enfaticamente. O conjunto das ações, como foi tratado anteriormente, caracterizou uma fraude de grandes proporções, resultando na redução irregular dos tributos devidos pela empresa. Estamos tratando de um ágio de 193 milhões e isso não é uma fraude pequena, e foi comandada, capitaneada pelos dois sócios. No meu entendimento, não é necessário, nesses casos, que se aponte um determinado ato, uma determinada ordem, uma determinada assinatura. Isso é reduzir os fatos, que se desencadearam em alguns anos, a um momento específico em que houve um ilícito. O ilícito aqui é o conjunto, a obra, arquitetada e capitaneada, como dito, pelos dois administradores. E não se trata de presunção. O fatos estão comprovados. A direção da Empresa não é discutida ou contraditada. Quem tomou as decisões foram os dois dirigentes. O que se quer então? Afirmar que os dois foram enganados e que as operações foram feitas à revelia, que não queriam engordar seus cofres pessoais em milhões e milhões de reais, mas foram surpreendidos ao verem suas contas correntes? Ainda que fosse essa a alegação, devo destacar que na jurisprudência tem prevalecido o entendimento de que, na aplicação do artigo 135, III, a responsabilidade decorre de dolo ou culpa por parte dos dirigentes. Vejamos: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 952762 SP 2007/01112355 (STJ)Data de publicação: 05/10/2007 Ementa: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO GERENTE AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO OU CULPA Fl. 3655DF CARF MF 62 REDIRECIONAMENTO – IMPOSSIBILIDADE. 1. O posicionamento pacífico desta Corte é no sentido de que o sócio somente deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade se ficar provado que agiu com dolo ou fraude e exista prova de que a sociedade, em razão de dificuldade econômica decorrente desse ato, não pôde cumprir o débito fiscal. 2. In casu, não restou caracterizada prova de que os sócios tenham agido com dolo ou culpa, ou ainda que tenha havido dissolução irregular da sociedade. Agravo regimental improvido. Houve ato ilícito sob a responsabilidade dos dois sócios administradores quando comandaram operação fraudulenta de criação de ágio no intuito de reduzir irregularmente o tributo devido, assim, ambos são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário decorrente. O caso, a meu ver, consubstancia, clara e inexoravelmente, abuso de direito, quando pretendese afirmar que todas as ações isoladas foram lícitas. Nesse caso é evidente que o exercício desse suposto direito extrapolaria em muito os fins sociais e a boa fé, haja vista que a norma presente na Lei 9.532/97 (arts. 7º e 8º) jamais visaria acobertar a criação da falsos ágios, o que agride o seu fim social, além do que resta claro a presença de má fé ao se pretender usurpar o sentido da norma para obter benefícios financeiros diretos, como já ficou demonstrado em relação aos dois sócios administradores. Finalmente, destaco que todos os atos societários foram assinados pelos administradores. Assim, considerando que o "filme", o conjunto de operações, constituiu um ilícito, por abuso de direito e todos os demais motivos apresentados neste voto, podemos considerar que esses atos suprem a suposta falta apontada pelos recorrentes. Mantenho a sujeição passiva solidária dos dois sócios administradores. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO – DUPLA PENALIDADE SOBRE A MESMA SUPOSTA INFRAÇÃO RECENTE ENTENDIMENTO SUMULADO PELO CARF (AC 2009) O assunto já foi objeto de súmula do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. No entanto, a alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Vejamos o texto: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.626 63 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. A lei estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. A alteração legislativa operada afasta a vinculação com a súmula, uma vez que ela foi estabelecida sob a égide de outra norma jurídica. Como se trata da aplicação de multas em relação a infrações distintas, não há óbice ao lançamento. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL Sobre a alegada falta de previsão legal, entendo que a conjugação dos artigos 6º da Lei nº 7.689, de 1988, e 57 da Lei nº 8.981, de 1995, abaixo transcritos, autoriza a referida alteração, impedindo que despesas fraudulentamente criadas alterem a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Lei nº 7.689, de 1988 Art. 6º A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Lei nº 8.981, de 1995 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Não tenho dúvidas de que a criação de despesas inexistentes influencia, também, a obtenção da base de cálculo da CSLL. Assim, as despesas de ágio artificialmente criadas devem ser afastadas no cálculo da base tributável da referida contribuição. Fl. 3657DF CARF MF 64 DO INDEVIDO PROCEDIMENTO ADOTADO PELAS AUTORIDADES FISCAIS AO EFETUAR A GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Não há que se negar a influência direta do julgamento no processo 10980.723835/201411 no saldo de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Contudo, considerando o julgamento que manteve os autos de infração relativos àquele processo, consubstanciado no Acórdão nº 1302002.631, desta Turma Ordinária, a compensação indevida deve ser mantida. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sobre a questão esta Turma já manifestou entendimento sobre a procedência da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, reproduzo manifestação sobre o tema constante do processo 13896.721338/201336, da Relatoria da Conselheira Ester Marques Lins de Souza, que adoto como razão de decidir: Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.627 65 mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc.. Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 3659DF CARF MF 66 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 23 1288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de Fl. 3660DF CARF MF Processo nº 10903.720016/201515 Acórdão n.º 1302002.632 S1C3T2 Fl. 3.628 67 contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 3661DF CARF MF 68 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, considero correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Pelo exposto, afasto a preliminar de decadência, nego provimento aos recursos voluntários, mantendo integralmente o lançamento, bem como a responsabilidade solidária dos sócios administradores Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grymbaum. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filhos Relator Fl. 3662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908971/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10380.908971/2012-78
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851457
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.352
nome_arquivo_s : Decisao_10380908971201278.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10380908971201278_5851457.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7200533
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050012084076544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3 1 2 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.908971/201278 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.352 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de março de 2018 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BEACH PARK HOTÉIS E TURISMO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: (a) aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 08 97 1/ 20 12 -7 8Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Resolução nº 3401001.352 S3C4T1 Fl. 4 2 Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 31259.00540.270812.1.3.047046, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do sujeito passivo. Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu tratarse de recolhimento indevido de PIS/Pasep e atribuiu a não homologação da compensação a erro no preenchimento na DCTF. Foram juntadas cópias do DARF, PERDCOMP, DCTF e DACON. A DRJ Brasília/DF julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” O recurso voluntário asseverou que o indébito tem origem em erro no recolhimento da contribuição, oportunidade que juntou planilhas de apuração, balancete e demonstrativos para comprovação da alegação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Resolução nº 3401001.352 S3C4T1 Fl. 5 3 O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Em exame da situação observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua apropriação em outra finalidade. Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria uma perfeita demonstração dos argumentos deduzidos, tudo devidamente acompanhado de elementos que os embasasse, especialmente documentos contábeis e fiscais. É certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, nada demonstram, entretanto, no recurso voluntário, trouxe planilhas e demonstrativos, além de extrato do balancete, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Nestas condições, é natural que os contribuintes, como no caso vertente, compreendam que a singela retificação da DCTF seja suficiente para a solução da “pendência”, restando claro que esta providência não soluciona o problema somente com a prolação da decisão de primeiro grau administrativo, o que, aliás, até justifica a juntada tardia de um acervo probatório mínimo a supedanear a demonstração dos valores recolhidos indevidamente. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10380.908971/201278 Resolução nº 3401001.352 S3C4T1 Fl. 6 4 · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905188/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.181
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.905188/2012-47
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851377
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.181
nome_arquivo_s : Decisao_10675905188201247.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10675905188201247_5851377.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7198532
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050012086173696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 128 1 127 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.905188/201247 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.181 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 18 8/ 20 12 -4 7 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10675.905188/201247 Resolução nº 3201001.181 S3C2T1 Fl. 129 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10675.905188/201247 Resolução nº 3201001.181 S3C2T1 Fl. 130 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10675.905188/201247 Resolução nº 3201001.181 S3C2T1 Fl. 131 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902391/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava
fundamento
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10830.902391/2013-11
conteudo_id_s : 5731876
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.542
nome_arquivo_s : Decisao_10830902391201311.pdf
nome_relator_s : AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830902391201311_5731876.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6797879
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207511711744
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-05-30T17:06:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-05-30T17:06:28Z; Last-Modified: 2017-05-30T17:06:28Z; dcterms:modified: 2017-05-30T17:06:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-05-30T17:06:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-05-30T17:06:28Z; meta:save-date: 2017-05-30T17:06:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-05-30T17:06:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-05-30T17:06:28Z; created: 2017-05-30T17:06:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2017-05-30T17:06:28Z; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-05-30T17:06:28Z | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 95 1 94 S3-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902391/2013-11 Recurso nº Acórdão nº 3401-003.542 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR - COFINS Recorrente GRG COMÉRCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRÁFICOS LTDA - EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 95DF CARF MF 2 votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise decorre de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (“PER/DCOMP”), cujo crédito original na data de apresentação, 23/09/2011, perfazia o montante de R$3.796,12 e teria origem em DARF no montante de R$8.763,92, pago em 25/11/2009 (fls. 41 e seguintes), sendo a compensação realizada com débitos nos montantes de R$2.795,27 e R$1.663,54. Conforme despacho decisório de fls. 46 e seguintes, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), na sessão do dia 14/10/2014, por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.902391/2013-11 Acórdão n.º 3401-003.542 S3-C4T1 Fl. 96 3 Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 30/01/2015, sexta-feira, conforme documento de fls. 65, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 26/02/2015, quinta-feira, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para não-homologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a não-homologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e distribuídos à minha relatoria na sessão do dia 26/01/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento". 1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401-003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 81-85. Fl. 97DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10830.902391/2013-11 Acórdão n.º 3401-003.542 S3-C4T1 Fl. 97 5 Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebe-se que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da não-homologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não-homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não-homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Fl. 99DF CARF MF 6 Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a não-homologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira - Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902735/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.902735/2010-15
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5724593
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.300
nome_arquivo_s : Decisao_16327902735201015.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 16327902735201015_5724593.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6762435
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207518003200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.902735/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.300 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 35 /2 01 0- 15 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16327.902735/201015 Acórdão n.º 1301002.300 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005381/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais, ou a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nos termos do art. 33, § 2o e 3o da Lei 8.212/91.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE.
Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
Numero da decisão: 2401-004.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais, ou a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nos termos do art. 33, § 2o e 3o da Lei 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.005381/2009-98
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5741280
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.853
nome_arquivo_s : Decisao_19515005381200998.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 19515005381200998_5741280.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
id : 6851823
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:03:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049207847256064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 81 1 80 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005381/200998 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.853 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente CENTRO DE PESQUISAS EM GINECOLOGIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais, ou a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nos termos do art. 33, § 2o e 3o da Lei 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 81 /2 00 9- 98 Fl. 81DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 19515.005381/200998 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 82 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 65/73) interposto em face do Acórdão nº. 1626.632 (fls. 53/58) que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: INFRAÇÃO. Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais, ou a apresentação de documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, nos termos do art. 33, § 2o e 3o da Lei 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. Mesmo para as infrações ocorridas durane a vigência do art. 291 do Decreto 3.048/99 não há espaço para se cogitar acerca da correção da falta em se tratando de conduta instantânea, a ser observada ou inadimplida durante a fiscalização, não se fazendo possível qualquer espécie de saneamento ou correção. O presente processo decorre do crédito tributário lançado em face da recorrente, por meio do DEBCAD nº. 37.248.5960. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 21, teria a recorrente infringido o artigo 33, § 2º, da Lei nº. 8.212/91, com redação da MP 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/2009, combinado com o art. 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99, pela não apresentação à fiscalização do livro caixa de 2004 e recibos de pagamentos efetuados aos autônomos do ano de 2004, solicitados através de intimação específica, nos termos do REFISC de fls. 20. A multa aplicada está prevista nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91; no artigo 283, inciso I I , " j " e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, multa esta atualizada nos termos da Portaria Interministerial de MPS n° 48, de 12/02/2009, aplicada em seu valor mínimo de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), pertinente à infração verificada sem agravantes, fls. 22 e 23. Apresentada a impugnação (fls. 34/40), esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão reproduzido acima. Intimada do referido acórdão em 28/02/2011 (fl. 63), Fl. 83DF CARF MF 4 apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário (fls. 85/94) em 21/03/2011, alegando, em síntese: a) Ausência de motivo para aplicação da multa, já que esta se deu pela não apresentação do livrocaixa e a recorrente trouxe justificativa à fiscalização pela não apresentação do mesmo, ante o fato deste haver sido extraviado; b) Relevação da multa, por força do art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99, que exige a correção da infração no prazo para apresentação de defesa, ser primária e não contar circunstância agravante. O presente processo administrativo e seus 7 apensos foram incluídos em pauta de julgamento do dia 16 de abril de 2014, quando todos foram convertidos em diligência, por meio de resoluções específicas para cada processo, a fim de que fossem prestadas as seguintes explicações (as mesmas em todos os processos): Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo baixem à Delegacia de Origem, com todos os seus 07 (sete) apensos, para que a fiscalização informe se as GFIP´s juntadas às fls. 62/76 do processo 19515.005379/2009 19: (i) se relacionam ao presente lançamento; (ii) se o pagamento dos valores de cada uma delas fora devidamente recepcionado e consta no sistema da SRFB; (iii) se tais pagamentos se referem ao crédito tributário objeto do presente lançamento ou em qualquer dos outros objeto dos processos apensados a este Auto de Infração; (iv) se tais pagamentos foram aproveitados no presente lançamento ou em qualquer outro dos lançamentos constantes dos processos apensados; (v) Se tais GFIP´s foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal, tendo sido ou não consideradas na oportunidade da realização do lançamento; (vi) Se tais GFIp´s apresentam a informação acerca de valores pagos à contribuintes individuais cujas remunerações foram omitidas em GFIP e folha de pagamentos relativamente a todos os processos apensados ao presente Auto de Infração; Em resposta à Resolução nº. 2401000.361 (fls. 110/113) do presente processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, emitiu a Informação Fiscal de fls. 176/177 do PAF 19515.005375/200931, apresentando as seguintes conclusões aos questionamentos desta turma julgadora: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 19515.005381/200998 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 83 5 Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da não apresentação do livro caixa O presente auto de infração fundamentase no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº. 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. [..] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Como se vê, a infração prevista na legislação se dá com a falta de apresentação do livro ou documento, bem como pela apresentação de livro ou documento que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informações diversas da realidade ou que omitam informações verdadeiras, independentemente do cumprimento ou não das obrigações principais. Nesse passo, impertinentes as razões apresentadas pela recorrente. Seja quanto a ausência de prejudicialidade para a exigência da obrigação principal, posto se tratarem de lançamentos distintos e independentes, seja pela alegada informação de extravio dos livros. Em qualquer das hipóteses alegadas, materializada está a conduta prevista nos dispositivos acima e aplicável a multa por descumprimento de obrigação acessória, como no presente caso. Razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário no tópico específico. Do pedido de relevação da multa Pugna a recorrente pela aplicação do disposto no art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 19515.005381/200998 Acórdão n.º 2401004.853 S2C4T1 Fl. 84 7 Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. O presente auto de infração data de 25/11/2009, ao passo que a redação o referido artigo fora revogado pelo Decreto 6.727/2009, datado de 12 de janeiro. O que pleiteia a recorrente é a aplicação de um dispositivo legal revogado, sob o fundamento de que o lançamento deve regerse pela lei vigente à época dos fatos geradores. Ora, regerse o lançamento pela lei vigente à época dos fatos geradores não implica na aplicação de lei revogada quanto à benefícios de redução/relevação da multa. O dispositivo legal suscitado pela recorrente estava revogado no momento da lavratura do auto de infração, razão pela qual não há qualquer fundamento legal que justifique a sua aplicação. Ainda, destaquese ser absolutamente inaplicáveis ao presente caso os mencionados artigos 144 e 106 do CTN, apresentados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Assim, afasto o pedido de relevação da multa por ausência de fundamento legal. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
