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Numero do processo: 10950.904846/2012-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 46 /2 01 2- 87 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904846/201287 Acórdão n.º 3801004.486 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.007295/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
IRPF - OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL
Incide imposto de renda sobre o ganho de capital representado pela diferença entre o valor da alienação do bem e o seu custo de aquisição, inclusive em caso de dação em pagamento de imóveis, cujo valor das alienações é superior àqueles informados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. Inteligência do artigo 3°, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n° 7.713/88.
JUROS - TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
Rejeitar a preliminar
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). IRPF - OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Incide imposto de renda sobre o ganho de capital representado pela diferença entre o valor da alienação do bem e o seu custo de aquisição, inclusive em caso de dação em pagamento de imóveis, cujo valor das alienações é superior àqueles informados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. Inteligência do artigo 3°, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n° 7.713/88. JUROS - TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Rejeitar a preliminar Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). IRPF OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 72 95 /2 00 6- 58 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Incide imposto de renda sobre o ganho de capital representado pela diferença entre o valor da alienação do bem e o seu custo de aquisição, inclusive em caso de dação em pagamento de imóveis, cujo valor das alienações é superior àqueles informados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. Inteligência do artigo 3°, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n° 7.713/88. JUROS TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). Rejeitar a preliminar Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de pericia. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, ALTINEU PIRES COUTINHO, foi lavrado o Auto de Infração as fls. 08 a 13. 0 valor lançado inclui imposto suplementar de R$452.112,62, multa de oficio de 75%, no valor de R$339.084,45, e juros moratórios cabíveis. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e demonstrativos em anexo, versando sobre as seguintes infrações: 001 — RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS; 002 — RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. OMISSO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA; 003 — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO; 004 — GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. 005 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. A infração 001 trata de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos da Satélite Painéis Rio Ltda nos meses de maio a agosto de 2002, no valor mensal e R$1.200,00, com IRRF de R$21,30, decorrentes do uso do muro da empresa do contribuinte. A infração 002 trata de omissão de rendimentos de R$363,83, recebidos a titulo de resgate de previdência privada da Brasil Prey Seguros e Previdência S/A no mês de agosto de 2004, conforme consulta ao sistema DIRF da Receita Federal. A infração 003 trata de omissão de rendimentos de R$27.744,45, verificada no mês de fevereiro de 2002, decorrentes do excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrativo de cálculo de variação patrimonial à fl. 27 e 28. A infração 004 trata de omissão de ganhos de capital no valor de R$360.712,14, decorrentes da alienação em 28/08/2002, de imóvel resultante do remembramento de três terrenos adquiridos em 27/06/1972, 07/10/1985 e 23/12/1987, aplicandose a redução do ganho de capital proporcionalmente A participação de cada imóvel no custo total, conforme demonstrativo à fl. 22. A infração 005 trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada nas planilhas às fls. 16 a 21. Cientificado do Auto de Infração em 07/11/2006 (fl. 08), o contribuinte, por intermédio de procurador (procuração à fl. 339), protocolizou impugnação em 06/12/2006 (fls. 315 a 337), em que apresenta as seguintes razões. Da omissão de ganho de capital O contribuinte alega que, conforme documentos que foram apresentados na fase de fiscalização, mas que não foram juntados aos autos, o que por si só já caracterizaria nulidade, Fl. 599DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 não se trata de venda à vista de terreno, mas de compra e venda com dação de unidade imobiliária, equiparável à permuta. Em contrapartida à venda do terreno remembrado à ANFRA CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA, esta iria realizar uma dação em Pagamento de cinco unidades de apartamentos do prédio que seria ali erguido e outras três unidades de apartamentos de outro empreendimento que estava sendo construído pela incorporadora, totalizando, assim, o preço do negócio. Afirma que, seguindo os estritos ditames da IN SRF n' 107 de 14 de julho de 1988, o impugnante e o incorporador levaram a efeito, na mesma data e em cartório, a alienação do terreno e o compromisso de dação em pagamento das unidades imobiliárias, conforme se confere nos instrumentos públicos de compra e venda e de reconhecimento de dívida em anexo à impugnação. Restou consignado na escritura pública de confissão de dívida e assunção de obrigações a ciência dos vendedores de que o terreno vendido seria hipotecado junto a um agente do sistema financeiro, completando, assim, os requisitos autorizadores da isenção da operação. Assim sendo, conclui pelo cancelamento do imposto de renda sobre a operação, até porque os imóveis ainda não foram dados em pagamento pelo incorporador. Caso não se entenda desta forma, apresenta as seguintes razões adicionais. Com base no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), alega que não ouve para o impugnante a disponibilidade econômica nem jurídica dos imóveis prometidos em dação em pagamento pelo incorporador, porque não tiveram sua titularidade transferida ao impugnante, o que o impede de deles dispor econômica ou juridicamente. Esclarece, ainda, que um dos apartamentos prometidos em dação em pagamento pela incorporadora foi dado em adiantamento da legítima a seu filho, que o vendeu a terceiro, não havendo que se falar em ganho de capital auferido pelo impugnante. Trazendo a doutrina de Hugo de Brito Machado, conclui que, se ainda não é o proprietário dos imóveis que foram prometidos, não ocorreu o fato gerador do IRPF no ganho de capital, devendo ser Cancelado o lançamento. Da omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada Com base no art. 43, inc. I, do CTN e ensinamentos de Luciano Amaro, afirma que o imposto de renda da pessoa física possui fato gerador que se realiza em um espaço de tempo, em que leva se em consideração o encontro de contas entre receitas e despesas. Por tal característica, não caberia tomar por base apenas o ingresso de numerários em conta corrente, mesmo porque os valores eram decorrentes de pessoas jurídicas das quais o contribuinte era sócio. Além disso, considera que a análise do autuante não demonstra a variação patrimonial positiva necessária à incidência do imposto de renda e conclui, citando Fl. 600DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 4 5 Sacha Calmon Navarro Coelho, que a mera existência de valores em conta corrente não é fator suficiente para justificar a incidência do imposto sobre a renda. Caberia ao Fisco analisar a natureza de cada entrada, separando as' cifras já tributadas, bem como os numerários pertencentes a terceiros, confrontando a receita com eventuais despesas dedutíveis no mesmo período, o que não foi feito. Dissertando sobre o conceito de presunção, em que transcreve ensinamentos de Alfredo Augusto Becker e Leonardo Sperb de Paola, alega que a presunção legal do art. 42 da Lei n' 9.430/96 não pode ser utilizada no rigor da literalidade em relação às pessoas físicas, porque não está pautada na experiência, não havendo entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos uma correlação lógica e segura. Eis que nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato, cabendo ponderar quais são os verdadeiros indícios que devem ser considerados para fins de presunção de renda. Adicionalmente, alega que depósito bancário é estoque e não fluxo, e, não sendo fluxo, não tipifica renda, posto que só o fluxo tem conotação de acréscimo patrimonial. No seu caso, alega que os depósitos bancários não representavam acréscimo em seu patrimônio, mas sim mera circulação de numerários de terceiros, no caso, as pessoas jurídicas da qual faz parte. Citando Aires Fernandinho, Cléber Giardino e o Ministro Carlos Velloso, escreve que a descoberta do sinal exterior de riqueza depende da perfeita identificação do sinal, fixação da renda relacionada com o sinal, demonstração da natureza tributáveendimento, e demonstração de que tal renda já não foi tributada; requisitos estes que os depósitos bancários, por si sós, não satisfazem. Levando aos autos o conteúdo da súmula 182 do extinto Tribunal Federal de recursos e entendimentos do Conselho de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais e Tribunal Regional Federal da 3' Região Fiscal, alega que o autuante deveria ter demonstrado o aumento patrimonial do impugnante e que a utilização dos depósitos bancários no seu caso implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. Nesse aspecto, alega que, para uma pessoa fisica, no rigor exigido pelo Fisco, quase sempre a prova não poderá ser produzida. Assim sendo, diante do que expõe, conclui que não pode ser admitido o lançamento do IRPF com base em depósitos bancários. Da Taxa Selic como índice de juros Alega que a Selic não pode ser utilizada como taxa de juros incidentes sobre tributos não pagos na data de seu vencimento, posto que o art. 13 da lei n 2 9.065/95 é flagrantemente inconstitucional e descompassado com os preceitos de nosso ordenamento jurídico. O sistema de cálculo de juros moratórios com base na Selic fere o preceituado no art. 161, §1 2, do CTN e Fl. 601DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 o art. 192, §3 2 da Constituição Federal, por se tratar de taxa remuneratória e não forma de cálculo de juros moratórios. Para corroborar seu entendimento, transcreve doutrina de Antonio Carlos Rodrigues do Amaral e decisão do STJ, que teria reconhecido ser inconstitucional a aplicação da taxa Selic em matéria tributária. Do pedido de perícia Para melhor esclarecer os pontos controvertidos, requer a produção de prova pericial com os seguintes quesitos, indicando o nome do contador Maurício Rocha Neves: Quais são os fatos geradores do IRPF lançados na espécie; Se os extratos bancários acostados nos autos foram fornecidos pelo contribuinte ou se pela equipe de fiscalização que autuou no caso; Informar se há prova nos autos de que o contribuinte buscou obter tais extratos junto aos bancos. Informar detalhes a respeito, fazendo constar sobre documentos produzidos pelo contribuinte, destinatário (instituição financeira), data do documento e data do protocolo firmado. Informar, ainda, se há nos autos, prova de autorização judicial para tal quebra de sigilo bancário Informar quantas folhas de extrato bancário foram anexadas aos autos, discriminando, ainda: • Instituição Financeira informante; • Contacorrente ou conta investimento identificada; • CPF do(s) responsável (eis) pela conta; • Período relacionado nos extratos apresentados; • Quaisquer outras informações que tenham sido prestadas pela instituição financeira. Informar, ainda, se há nos autos, prova de autorização judicial para tal quebra de sigilo bancário Ainda sobre os extratos bancários anexados, queira informar: • Número de DOC's (documento de ordem de crédito) que constam lançados nos referidos extratos; • Número de transferências de contas de terceiros para a conta do contribuinte autuado. Informar se existem meios seguros e inequívocos de se afirmar que os valores identificados pelo Fisco nos extratos bancários acostados aos autos se enquadram, efetivamente, no conceito de renda consumida, no que concerne ao autuado, ora Impugnante. o Informar qual o resultado contábil mensal, levandose em consideração o valor de entradas e saídas. • Esse valor apurado, mês a mês, coincide com base de cálculo determinada no lançamento de oficio em questão? Fl. 602DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 5 7 • Estabelecer cotejo entre o valor apurado pela sistemática ora proposta (pelo contribuinte) e o valor apurado como base de cálculo pela R. Fiscalização autuante. • Informar a diferença em favor do contribuinte, quanto ao tributo, ou melhor, quanto ao quantum debeatur do IRPF apurada a partir do que acima consta. Queira informar tudo mais que possa contribuinte para o deslinde da presente controvérsia. Do Pedido Ao final, diante do que expõe, requer que a sua impugnação seja julgada totalmente procedente para que seja cancelado o auto de infração no que diz respeito ao suposto ganho de capital relativo à operação de compra e venda com dação de imóveis equiparada a permuta, eis que se trata de operação realizada conforme os preceitos da IN SRF if 107/1988, sendo, portanto, isenta do IRPF. Reconhecido o erro material no preenchimento de sua declaração de ajuste anual e a fim de garantir a busca da verdade material, o impugnante requer seja concedido prazo para que possa efetuar as devidas correções que possam refletir a operação acima. Ainda que não se reconheça a equiparação da compra e venda com dação de unidade imobiliária com a operação de permuta, também não pode subsistir o lançamento do IRPF nesta sigla em razão de o impugnante, até o momento, não dispor nem jurídica nem economicamente das unidades imobiliárias prometidas como dação em pagamento, não figurando no caso a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Além disso, com relação ao lançamento decorrente dos depósitos bancárias, requer com o julgamento procedente de sua impugnação que seja determinado o cancelamento do auto de infração por motivo de crédito tributário ter sido lançado com base em presunções relativas e em total inobservância dos princípios e regras que compõem o conceito de renda consumida para fins de tributação. Em caso de manutenção total ou parcial do lançamento, requer que seja afastada a aplicação das taxa Selic, por motivo de ilegalidade, devendose aplicar as taxas previstas no CTN. Protesta por prova pericial, requerendo a intimação do expert ora nomeado. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO REGISTRADA EM ESCRITURA PÚBLICA. Tendo sido efetuada a alienação mediante escritura pública em que foi dada quitação geral e irrevogável, com informação de recebimento em espécie de valor contado e achado certo, o fato gerador do ganho de capital ocorreu naquele exato momento, sendo irrelevante se, posteriormente, ainda que no mesmo dia, arrependeramse os contratantes e resolveram alterar a forma de pagamento de valor em espécie para dação em pagamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizamse também omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Da ilegalidade da incidência do IRPF sobre o suposto ganho de capital – a não verificação do seu fato gerador – compra e venda em dação de unidade imobiliária efetuada com observância da INSRF no. 107/1998 – sua equiparação a permuta; Da natureza das operações, que não refletem variação patrimonial; Da ilegalidade do lançamento baseado em depósitos bancários; Dos juros aplicados; Do pedido de realização de pericia. É o relatório. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 605DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 606DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 7 11 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Do Pedido de Diligência Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora conforme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Particularmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do recorrente. Por último, respeitando opiniões divergentes, indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, Fl. 607DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 420 (, não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Determinada a inversão do ônus da prova contra o contribuinte, é de sua responsabilidade exclusiva comprovar suas alegações. Desta forma, no caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto, pois o contribuinte foi regularmente intimado (fls. 229 a 237) e reintimado (fls, 243 a 245) a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Notese que a primeira intimação exigindo a comprovação da origem dos depósitos bancários foi recebida em 18/07/2006 (fl. 230) e o autuado somente tomou ciência do auto de infração em 07/11/2006 (fl 08). Por conseguinte, o contribuinte teve, no curso da ação fiscal, mais três meses para comprovar a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente sem que tenha apresentado qualquer documento que comprovasse efetivamente a origem dos recursos.. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 8 13 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Do item 4 do auto de infração – Ganho de capital na alienação No tocante omissão de ganho de capital, a escritura às fls. 359 a 362 (427 do eprocesso) registra que a venda foi efetuada por R$950.000,00, tendo sido o valor recebido em moeda corrente, contada, com quitação geral e irrevogável, sendo que no Registro de Imóveis (fls. 391 a 399) consta esta escritura pública como forma de aquisição: Escritura Pública de Compra e Venda (fls. 359 a 362) LIVRO — 506 FOLHAS046 [...] 4) que, possuindo como possuem dito imóvel, pela presente escritura e na melhor foram de direito, dele faz venda, efetiva e definitiva à outorgada, pelo preço certo e ajustado de R$950.000,00 (novecentos e cinqüenta mil reais), integralmente recebido neste ato em moeda corrente contada e achada certa, do qual dão plena, rasa, geral e irrevogável quitação, pagos e satisfeitos que estão, para nada mais receberem nem reclamarem com fundamento nesta venda, que fazem para sempre boa, firme e valiosa, por si, herdeiros e sucessores, transmitindo, em consequência, a outorgada toda a posse, domínio, direito e ação que até a presente data exerciam sobre o imóvel vendido, para que a outorgada possa dele usar, sempre em paz e a salvo de dúvidas ou contestações futuras. Registro Geral (fls. 391, 393 e 396) FORMA DE AQUISIÇÃO: O terreno, por compra feita a Altineu Pires Coutinho e sua mulher, conforme escritura do cartório do 8 2 Oficio de Niterói, no Livro 506, fls. 046, de 28 de agosto de 2002, [...] Uma vez efetuada a venda e tendo sido dada a quitação geral e irrevogável, com recebimento em espécie de valor contado e achado certo, o fato gerador do ganho de capital ocorreu naquele exato momento, posto que houve a disponibilidade econômica de R$950.000,00, sendo irrelevante se, posteriormente, ainda que no mesmo dia, arrependeramse os contratantes e resolveram alterar a forma de pagamento de valor em espécie para dação em pagamento. Outrossim, à fiscalização cumpre apenas provar a infração, e se a documentação juntada é suficiente para tal, não constitui nulidade a eventual falta de juntada ao processo de outros elementos que não passíveis de descaracterizar o lançamento. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer titulo, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessas de cessão de direitos e contratos afins. O recorrente entende que se enquadra na hipótese prevista no Item 4 da Instrução Normativa nº 107/1988, em que a compra e venda com dação de unidade imobiliária Fl. 610DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10730.007295/200658 Acórdão n.º 2202002.778 S2C2T2 Fl. 9 15 em pagamento pode ser comparada à permuta para o benefício fiscal pretendido. Só que no caso da compra e venda, para que seja possível o usufruto do benefício, devem ser atendidas certas condições, quais sejam: a) A alienação do terreno e o compromisso de dação em pagamento sejam levados e efeito na mesma data, mediante instrumento público; b) O terreno objeto da operação de compra e venda seja, até o final do períodobase seguinte ao em que esta ocorrer, dado em hipoteca para obtenção de financiamento, ou, no caso de loteamento, oferecido em garantia ao poder público, nos termos da Lei nº 6.766/79. Ou seja, para preenchimento da primeira condição prevista no item “a”, a escritura pública de compra e venda do terreno deve ser formalizada na mesma data do compromisso de dação em pagamento. Já relativamente ao item “b”, a obrigatoriedade que o terreno, objeto da compra e venda, seja dado em hipoteca para obtenção de financiamento, é destinada ao incorporador adquirente do terreno. Na hipótese de descumprimento deste Item apenas ele – o incorporador é quem perde o direito a tal isenção, devendo considerar para apuração do seu resultado o valor de mercado das unidades imobiliárias. Assim, concluise que a isenção relativa à permuta de unidades imobiliárias, quando não há torna em dinheiro, pode ser aplicada ao contrato de compra e venda com dação em pagamento, por haver expressa autorização legal. No entanto, neste caso, o proprietário do terreno deverá registrar as unidades pelo mesmo valor contábil em que o terreno estava registrado na sua declaração, distribuído proporcionalmente a cada unidade. A tributação, então, ficará postergada para o momento da venda de tais unidades imobiliárias, oportunidade onde será apurado o ganho de capital, devendose considerar como custo de aquisição o valor do registro contábil das unidades que, frisese, deve, proporcionalmente, corresponder ao antigo valor do terreno. Recordandose que incide imposto de renda sobre o ganho de capital representado pela diferença entre o valor da alienação do bem e o seu custo de aquisição, inclusive em caso de dação em pagamento de imóveis, cujo valor das alienações é superior àqueles informados pelo contribuinte na declaração de ajuste anual. Inteligência do artigo 3°, §§ 2°, 3° e 4°, da Lei n° 7.713/88. No caso concreto a escrituração define que a compra e venda foi realizada por R$ 950.000,00. Ainda que os contratos de compra e venda e dação seja no mesmo dia os valor consignados na declaração incorporam o valor já majorado. Ante ao exposto, matenho esta parte do lançamento. Da Inaplicabilidade da Selic como Taxa de Juros Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic, como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Assim, é de se negar provimento também nessa parte. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Ante ao exposto, voto por indeferir o pedido de pericia, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 612DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13839.722633/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
IRRF. FALTA DE RECOLHIMENTO
Deve-se manter o lançamento, no que tange à falta de recolhimento de IRRF, quando o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovar que as divergências apuradas pela autoridade fiscal são incorretas ou que foram objeto de confissão de dívida ou recolhimento.
Numero da decisão: 2101-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso de ofício para restabelecer a diferença apurada para a rubrica de pagamento de aluguéis (cód. 3208), para o período de apuração de setembro de 2008, no valor de R$ 38,36, conforme planilha de e-fl. 550.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Odmir Fernandes.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Interessado IMC SASTE CONSTRUÇÕES SERVIÇO E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008 IRRF. FALTA DE RECOLHIMENTO Devese manter o lançamento, no que tange à falta de recolhimento de IRRF, quando o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovar que as divergências apuradas pela autoridade fiscal são incorretas ou que foram objeto de confissão de dívida ou recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso de ofício para restabelecer a diferença apurada para a rubrica de pagamento de aluguéis (cód. 3208), para o período de apuração de setembro de 2008, no valor de R$ 38,36, conforme planilha de efl. 550. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 26 33 /2 01 1- 22 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/ 09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13839.722633/201122 Acórdão n.º 2101002.572 S2C1T1 Fl. 571 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, Maria Cleci Coti Martins, Heitor de Souza Lima Junior (Relator) e Odmir Fernandes. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), decorrente : a) do cotejamento entre valores apresentados em DIRF pelo contribuinte para o exercício de 2008 para a rubrica de rendimentos do trabalho assalariado (cód. 0561) e valores declarados como devidos em DCTFs mensais para tal rubrica, conforme efls. 5, 6 e demonstrativo de efl. 20, com a diferença não declarada/recolhida sendo constituída de ofício. b) do cotejamento entre valores apurados no curso da ação fiscal como devidos, a título de IRRF sobre aluguéis e royalties pagos pela autuada à pessoa física (cód. 3208) e aqueles declarados em DCTFs mensais para a mesma rubrica, também se constituindo de ofício os valores em excesso devidos e não declarados/recolhidos, conforme efls. 6, 7 e demonstrativo de efls. 21 e 22. Notese, a propósito, ter se utilizado a autoridade fiscal autuante, para fins dos cotejamentos supramencionados, das DCTFs arquivadas às efls. 33 a 44 dos autos, não aceitando, assim, a argumentação do contribuinte de necessidade de consideração dos valores constantes de DCTFs retificadoras, uma vez que apresentadas pelo contribuinte somente após o início da ação fiscal, ocorrido em 19 de agosto de 2009 (vide argumentação do contribuinte de efls. 51 a 54, demonstrativo de efl. 55 e, ainda, 1o. parágrafo de efl. 118 do Termo de Verificação Fiscal). Ainda, entendeu a autoridade lançadora que a partir da redução dos valores conhecidos e devidos a título de IRRF em suas DCTFs mensais, teria ficado demonstrada “a intenção do contribuinte de pagar menos imposto”, assim caracterizado dolo, cabível assim a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. Cientificado do lançamento em 10 de outubro de 2011 (efl. 124), apresentou o contribuinte impugnação de efls. 126 a 525, onde, além de levantar preliminar de nulidade do auto lavrado, por incompetência da autoridade autuante, reiterou a necessidade de consideração, para fins de apuração do crédito tributário, das DCTFs retificadoras de efls. 163 a 473, entregues em 24/11/2009, sob pena de violação ao art. 142 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Alegou, ainda, não restarem créditos tributários passíveis de exigibilidade, uma vez que todos os créditos objeto de lançamento encontravamse ou parcelados, na forma de consolidação de fls. 476 a 483, ou, alternativamente, tinham sido objeto de compensação, na forma de PER/DCOMP de efls. 509 a 525. A autoridade julgadora de 1a. instância (DRF/JFA), ao analisar os argumentos do contribuinte, após afastar a preliminar de nulidade levantada pela impugnante, a partir da análise cronológica do termo de início da ação fiscal (efls. 23/24), dos termos de ciência de continuação da ação fiscal (efls. 91 a 103) termos de intimação lavrados pela fiscalização (e fls. 60/61, 70/71 e 72/73 e 105/106) e termos de constatação (efls. 46 a 48), verificação fiscal Fl. 571DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/ 09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13839.722633/201122 Acórdão n.º 2101002.572 S2C1T1 Fl. 572 3 (efls. 117 a 120) e de encerramento da ação fiscal (efl. 121), verificou existir, entre dois termos subsequentes, lapso temporal superior ao prazo determinado na forma do inciso II do art. 7o. do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, caracterizada, assim, a requisição de espontaneidade do contribuinte a partir de 21 de dezembro de 2009 (60 dias a partir do termo de continuação de 16/10/2009, de efls. 91/92) até 07/05/2010, o que fez com que as DCTFs entregues em 24/11/2009, bem como a consolidação de efls. 476 a 483, esta última protocolizada em 19/10/2009, ganhassem o caráter de confissão de dívida. Assim, cotejouse, no voto da DRJ, os valores das DCTFs retificadoras ou parcelados com a DIRF (cód. 0561) ou com os valores apurados no curso da ação fiscal (cód. 3208), para fins de apuração do crédito passível de constituição mediante procedimento de ofício, no caso de constatação de diferença não declarada em DCTF ou não parcelada. Feito tal cotejamento através dos quadros de efls. 549 e 550, restaram mantidos somente os débitos relativos ao código 0561, de valores principais iguais a R$ 3.759,38, R$ 473,16, R$ 1.829,71, R$ 1.499,45 e R$ 108,83, contidos na planilha “NOVA DIFERENÇA DIRF X DARF IRRF 0561 2008”, de efl. 549, a serem, agora, acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício de 75%, uma vez não tendo sido caracterizada, na opinião do julgador de 1a. instância, na realidade encontrada pelo fisco, qualquer conduta capaz de tipificar os institutos da fraude ou sonegação. Cientificado do resultado de julgamento em 23 de março de 2012, o contribuinte optou por realizar o pagamento do crédito mantido (efls. 557 a 563), não havendo, assim, que se falar de Recurso Voluntário. Caracterizada a exoneração de crédito em montante superior ao limite de alçada previsto na Portaria MF no 03, de 2008, sobe o recurso de ofício a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR , Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, em especial quanto ao limite de alçada, motivo pelo qual dele conheço. Da análise dos termos constantes do feito termo de início da ação fiscal (e fls. 23/24), dos termos de ciência de continuação da ação fiscal, (efls. 91 a 103) termos de intimação lavrados pela fiscalização (efls. 60/61, 70/71 e 72/73 e 105/106) e termos de constatação (efls. 46 a 48), verificação fiscal (efls. 117 a 120) e de encerramento da ação fiscal (efl. 121) – verifico não haver qualquer reparo a ser feito quanto à conclusão da autoridade julgadora de 1a. instância, no sentido de reaquisição da espontaneidade pelo contribuinte, a partir do lapso temporal existente entre os termos de ciência de continuação da ação fiscal 01 e 02 (respectivamente, de efls. 91/92 e 93/94 e cientificados ao contribuinte em 19/10/2009 e 07/05/2010). Daí, novamente em linha com o julgado de 1a. instância, entendo não haver que se falar de constituição de crédito mediante procedimento de ofício, seja para os montantes Fl. 572DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/ 09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13839.722633/201122 Acórdão n.º 2101002.572 S2C1T1 Fl. 573 4 constantes das DCTFs retificadoras de efls. 163 a 473, seja para os montantes consolidados no demonstrativo de parcelamento de efls. 476 a 483. Ao se analisar os quadros de efls. 549 e 550 à luz dos valores de IRRF declarados em DIRF para o código 0561 (coluna A fl. 19), valores de IRRF devidos apurados no curso da ação fiscal para o código 3208 (coluna A – fl. 22), débitos constantes das DCTFs retificadoras de efls. 165, 186, 191, 210, 232, 252, 279, 306, 334, 375 , 414 e 446 (cód. 0561) e fls. 198, 218, 243, 266, 289, 317, 336, 391, 427 e 449 (cód. 3208), não vejo reparo a fazer quanto à conclusão de 1a. instância de manutenção dos débitos constantes da coluna BA de e fl. 549, de valores principais iguais a R$ 3.759,38, R$ 473,16, R$ 1.829,71, R$ 1.499,45 e R$ 108,83, contidos na planilha “NOVA DIFERENÇA DIRF X DARF IRRF 0561 2008”, referentes à rubrica de rendimentos do trabalho assalariado. Todavia, quanto à conclusão do valor de R$ 38,36, referente à rubrica 3208 – competência setembro de 2008 (efl. 550) ter sido objeto de parcelamento, divirjo da conclusão adotada no acórdão de 1a. instância. Verifico, a partir do demonstrativo de efl. 336, que, assim como no caso dos valores de IRRF declarados sob o código 0561, também para este período de apuração de setembro de 2008, somente o saldo a pagar objeto de declaração em DCTF foi objeto de parcelamento (efl. 479 R$ 943,91), valor este que somado ao valor de pagamento, tb. constante de efl. 336, de R$ 1.119,32, resulta no valor declarado de R$ 2.063,23, não contemplando, assim, o parcelamento, a diferença apurada de R$ 38,36, a qual também deve ser mantida. Por fim, também em linha com o Acórdão recorrido, não vislumbro, com base nos elementos carreados aos autos, qualquer conduta capaz de tipificar os institutos da fraude ou sonegação, uma vez que não caracterizada, seja através de elementos probatórios diversos ou de quaisquer indícios, o caráter doloso das divergências encontradas, em meu entendimento não me parecendo razoável, por exemplo, se supor que o contribuiria declararia espontaneamente em DIRF valores de IRRF que tencionava sonegar à autoridade fazendária. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício, de modo que além da manutenção dos débitos de valores principais iguais a R$ 3.759,38, R$ 473,16, R$ 1.829,71, R$ 1.499,45 e R$ 108,83, contidos na planilha “NOVA DIFERENÇA DIRF X DARF IRRF 0561 2008”, de efl. 549, referentes à rubrica de rendimentos do trabalho assalariado, se restabeleça a diferença apurada para a rubrica de pagamento de aluguéis (cód. 3208), para o período de apuração de setembro de 2008, no valor de R$ 38,36, conforme planilha de efl. 550. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 573DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/ 09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13839.722633/201122 Acórdão n.º 2101002.572 S2C1T1 Fl. 574 5 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/ 09/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11065.101424/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso por intempestividade.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 24 /2 00 8- 18 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – POSTO DE COMBUSTÍVEL CIDADE DAS FLORES LTDA contra Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, que julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, referente a Pedido de Restituição de Contribuições Previdenciárias. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: POSTO DE COMBUSTÍVEIS CIDADE DAS FLORES LTDA ingressou com Requerimento de Restituição de Valores Indevidos – RRVI, relativo às competências 07/2005, 09/2005 a 07/2006. A restituição requerida é decorrente de contribuições previdenciárias incidentes sobre “verba de cesta básica”. Segundo a Requerente os valores foram recolhidos indevidamente, em razão do dissídio coletivo da categoria estabelecer, no parágrafo terceiro da cláusula 12ª, que o fornecimento de cesta básica, por quaisquer das formas referidas no dissídio, não terão natureza salarial. Conforme Despacho Decisório DRF/NHO/SEORT, foi indeferida a pretensão da empresa, com fundamento no artigo 28, inciso I, parágrafo 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integra o salário de contribuição do empregado, exclusivamente, a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O Despacho Decisório também refere que as convenções particulares relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda Pública, nos termos do artigo 123 do Código Tributário Nacional – CTN. A ciência do Indeferimento ocorreu em 28.01.2011, conforme Aviso de Recebimento AR. O período objeto do Pedido de Restituição, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, é relativo às competências 07/2005, 09/2005 a 07/2006. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, em 25.02.2011, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: O contribuinte teve ciência do indeferimento, por via postal, em 28/01/2011. Em 25/02/2011, tempestivamente, apresentou manifestação de inconformidade. Alega que a cesta básica não é fornecida em espécie e que a inclusão do seu valor no demonstrativo de pagamento (contra cheque) ocorreu para simples demonstração aos “funcionários”. Afirma que as notas fiscais de compra dos produtos das cestas básicas, em anexo, comprovam que não há pagamento em espécie. Requer seja cancelado o Despacho Decisório e concedida a restituição das contribuições recolhidas indevidamente. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.101424/200818 Acórdão n.º 2403002.610 S2C4T3 Fl. 231 3 A Recorrida analisou os autos e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório requerido, nos termos do Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS, Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2006 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. CESTA BÁSICA. INSCRIÇÃO NO PAT. A parcela “in natura” recebida sem que a empresa tenha efetivado sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição. RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO. Compete à autoridade administrativa julgadora de primeira instância indeferir a solicitação formulada na manifestação de inconformidade do requerente, quando não demonstrada de forma inquestionável a existência do direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório requerido, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientifiquese o interessado, ressalvandolhe o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no prazo de trinta dias, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002 O contribuinte foi cientificado em 17.10.2011 do Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 153. Foi lavrado em 17.11.2011 Termo de Perempção, às fls. 190: PROCESSO: 11065.101424/200818 INTERESSADO: POSTO DE COMBUSTÍVEL CIDADE DAS FLORES LTD CNPJ: 07.231.776/000161 TERMO DE PEREMPÇÃO Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. Foi interposto Recurso Voluntário, com data de protocolo na RFB em 21.11.2011, às fls. 192, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) A empresa alega que está pagando a cesta básica de acordo com o PAT. (ii) Nos autos, além das notas fiscais de compra dos produtos das cestas básicas, a empresa anexa a inscrição no PAT e os recibos exigidos pelo sindicato onde consta a relação de produtos entregues a cada funcionário. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado: O contribuinte em epígrafe foi cientificado do inteiro teor do ACÓRDÃO 10 34.544 da 7º Turma da DRJ/POA em 17/10/2011 e apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO em 21/11/2011. Foi lavrado o termo de perempção, conforme demonstrado à fl. 190. Considerando o disposto no art. 74 c/c art. 121 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento É o Relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.101424/200818 Acórdão n.º 2403002.610 S2C4T3 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, devese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. A ciência do Indeferimento ocorreu em 28.01.2011, conforme Aviso de Recebimento AR. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, em 25.02.2011. A Recorrida analisou os autos e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório requerido, nos termos do Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS. O contribuinte foi cientificado em 17.10.2011 do Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS conforme Aviso de Recebimento AR às fls. 153. Foi lavrado em 17.11.2011 Termo de Perempção, às fls. 190: PROCESSO: 11065.101424/200818 INTERESSADO: POSTO DE COMBUSTÍVEL CIDADE DAS FLORES LTD CNPJ: 07.231.776/000161 TERMO DE PEREMPÇÃO Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. Foi interposto Recurso Voluntário, com data de protocolo na RFB em 21.11.2011, às fls. 192, onde a Recorrente reitera o aduzido em sede de Impugnação. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 O contribuinte em epígrafe foi cientificado do inteiro teor do ACÓRDÃO 10 34.544 da 7º Turma da DRJ/POA em 17/10/2011 e apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO em 21/11/2011. Foi lavrado o termo de perempção, conforme demonstrado à fl. 190. Considerando o disposto no art. 74 c/c art. 121 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente, cientificada do Acórdão nº 1034.544 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre RS em 17.10.2011, interpôs Recurso Voluntário apenas em 21.11.2011, portanto após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10314.003186/2009-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/03/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/03/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/03/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 31 86 /2 00 9- 15 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003186/200915 Acórdão n.º 3803006.583 S3TE03 Fl. 356 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 18/03/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003186/200915 Acórdão n.º 3803006.583 S3TE03 Fl. 357 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003186/200915 Acórdão n.º 3803006.583 S3TE03 Fl. 358 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003186/200915 Acórdão n.º 3803006.583 S3TE03 Fl. 359 9 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10660.002089/2008-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/12/2003, 01/09/2004 a 31/12/2004
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO.
As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.
Numero da decisão: 3403-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a autuação na parte que restou contenciosa após o julgamento de piso. Ausente o Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a autuação na parte que restou contenciosa após o julgamento de piso. Ausente o Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 20 89 /2 00 8- 94 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em 24/06/2008 (fls. 6 a 141) para exigência de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) referente a fatos geradores de 30/06/2003 a 31/12/2003, e 30/09/2004 a 31/12/2004, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75%), em total original de R$ 3.156.966,27, por falta/insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF (fls. 15 a 21), narrase que: (a) no período de incidência cumulativa, a empresa realizou operação no mercado a termo de café, obtendo ganho considerável (compra de sacas de café a R$ 120,00 com liquidação um ano depois, com preço da saca a R$ 170,00), sendo o ganho apropriado em dez parcelas mensais de R$ 765.000,00, a partir de março de 2003, e contabilizado indevidamente em conta de redução de custos denominada “custo do café” (400104.1.1.10) ao invés de conta de receita, fazendo com que os ganhos deixassem de integrar a base de cálculo da contribuição (de junho a dezembro de 2003); (b) foram detectadas exclusões indevidas na base de cálculo da contribuição nos meses de julho e agosto de 2004 referentes a receitas de vendas no mercado interno de produtos de sua fabricação (DACON linha 12 da ficha 07), proporcionando saldo a pagar da contribuição em setembro de 2004 (cf. se demonstra às fls. 15 a 18), assim como nos meses de outubro, novembro de dezembro de 2004 (cf. se demonstra às fls. 19 a 21); e (c) as referidas exclusões são indevidas porque a legislação de regência não concedia qualquer benefício de redução de alíquota a produtos agropecuários, como o café, vendidos no mercado interno, e porque não era aplicável o art. 9o da Lei no 10.925/2004 entre agosto de 2004 e abril de 2006, quando foi editada a IN SRF no 660/2006. Cientificada da autuação em 27/06/2008 (fl. 110), a empresa apresenta impugnação em 28/07/2008 (fls. 112 a 121), alegando, em síntese, que: (a) não contesta a exigência em relação à COFINS do período de junho a dezembro de 2003, que já foi inclusive objeto de compensação; (b) entende que a disciplina jurídica contida no art. 9o da Lei no 10.925/2004 permite concluir que estavam alcançadas pela suspensão da incidência da contribuição as vendas de café no mercado interno, em função de o início dos efeitos de tal dispositivo se dar em agosto de 2014, conforme art. 17, III da mesma Lei, somente tendo a Receita Federal disciplinado sua interpretação no art. 11 da IN SRF no 660/2006 (norma que revogou a IN SRF no 636/2006, que anteriormente disciplinava a suspensão prevista no art. 9o da Lei no 10.925/2004, e tinha efeitos retroativos a agosto de 2004), gerando insegurança jurídica; (c) não bastasse o exposto, a fiscalização adiciona à base de cálculo da contribuição o valor das receitas de venda de café consideradas até então amparadas pela suspensão, e não faz qualquer menção aos créditos relativos às aquisições de matériasprimas vinculadas a esses produtos vendidos (no momento em que a fiscalização desconsidera a suspensão, deveria considerar que existe o direito à apropriação dos créditos decorrentes, que deixaram de ser contabilizados em função da suspensão), ou seja, desconsidera a aplicação do art. 9o da Lei no 10.925/2004, mas não aplica art. 3o da Lei no 10.833/2003 combinado com o art. 8o da Lei no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002089/200894 Acórdão n.º 3403003.337 S3C4T3 Fl. 201 3 10.925/2004 (que permitem o crédito); (d) o entendimento sobre o direito a crédito é corroborado pela própria Receita Federal: não havendo suspensão, há direito a crédito integral (Solução de Consulta DISITSRRF/09 no 126/2008 e Solução de Consulta DISITSRRF/10 no 51/2008); e (e) a partir de 2005 a empresa passou a entender que não era o caso de suspensão, e passou a registrar créditos da contribuição, ao que não se opôs a fiscalização. Propugna, por fim, pelo cancelamento da autuação ou pela revisão do lançamento, para que se apropriem os créditos da contribuição. Em 01/12/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 165 a 169), no qual se acorda unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que o art. 9o da Lei no 10.925/2004 passou a produzir efeitos em agosto de 2004, mas sua “eficácia” estava taxativamente condicionada à edição de ato infralegal. A DRJ solicita ainda que sejam apartados dos autos os montantes referentes à parte não contestada, nos termos do art. 21, § 1o do Decreto no 70.235/1972. Cientificada da decisão de piso em 20/12/2010 (cf. AR de fl. 174), a empresa apresenta recurso voluntário em 14/01/2011 (fls. 175 a 183), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação (no que se refere à suspensão e ao direito de crédito), e acrescentando que a inércia na regulamentação não pode obstaculizar o exercício do direito pela contribuinte, como entendeu o STJ no ROMS no 4.5315/SC. Requer, por fim, seja reconhecida a suspensão ou, alternativamente, o direito de crédito e o afastamento da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante a ausência de contencioso em relação a parte da autuação, ainda na fase impugnatória, resta a analisar apenas a questão das exclusões entendidas pela fiscalização como indevidas na base de cálculo da contribuição. Também não há controvérsia em relação à inexistência de redução de alíquota na venda das mercadorias de que trata a autuação: tanto o fisco quanto a recorrente concordam que não havia redução. A divergência, assim, resumese à aplicação ou não de suspensão em relação às operações de venda de café no mercado interno, em função do disposto no art. 9o da Lei no 10.925/2004. E recordese que se está a discutir fatos geradores de 30/09/2004 a 31/12/2004. O artigo art. 9o da citada lei, em sua redação original, dispunha: “Art. 9o A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal.” (grifo nosso) Assim, ainda que cumpridos os demais requisitos estabelecidos no artigo, resta claro que a suspensão prevista no art. 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, mesmo diante do teor do art. 17, III da mesma lei (que afirmava que a produção de efeitos se daria a partir de agosto de 2004). O texto do referido art. 9o foi alterado pela Lei no 11.051/2004, em seu art. 29 (produzindo efeitos a partir de 2005, conforme art. 34, III da lei alteradora): “Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8 o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.” (grifo nosso) Novamente abstraindose dos demais requisitos estabelecidos no artigo, não é difícil concluir que o comando do § 2o afirma que a norma seria aplicável segundo os termos e condições que ainda seriam estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Nenhuma sombra de autoaplicabilidade em qualquer dos comandos legais. Contudo, a então Secretaria da Receita Federal SRF (hoje RFB) publicou a norma regulamentar em abril de 2006: a IN SRF no 636/2006, como revela sua própria ementa, “dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente das aquisições desses produtos”. E para esclarecer ainda mais o objetivo da norma infralegal, seu art. 1o logo avisa: “esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8o, 9o e 15 da Lei no 10.925, de 2004”. Mais claro impossível. E a suspensão foi disciplinada (atendendo ao comando legal) no art. 2o da IN: “Art. 2o Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002089/200894 Acórdão n.º 3403003.337 S3C4T3 Fl. 202 5 Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I efetuada por cerealista, de produtos in natura de origem vegetal classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) sob os códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel; III de produtos agropecuários, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária; e IV efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agrícola ou por cooperativa de produção agropecuária, de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da Tipi. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2o A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3º. § 3o A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições.” (grifo nosso) Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Como o art. 5o da IN SRF no 636/2006 estabelece que a norma entrava em vigor na data de sua publicação (04/04/2006), mas produzia efeitos retroativos a 01/08/2004, a partir da edição da IN SRF no 636/2006 era perfeitamente aplicável a suspensão, sem qualquer limitação. Mas em 25/07/2006 a IN SRF no 636/2006 foi revogada pela IN SRF no 660/2006, que deu tratamento mais detalhado à suspensão, em seus arts. 2o, 3o e 4o. Mas merece destaque o texto do art. 11 da IN SRF no 660/2006 (porque o autuante afirma textualmente fl. 18 que entre 01/08/2004 e 03/04/2006 o art. 9o da Lei no 10.925/2004 “não se encontrava aplicável no mundo jurídico”). Vejamse o que dispõe o citado art. 11: “Art.11. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I em relação à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2o, a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa no 636, de 24 de março de 2006 , que regulamentou o art. 9o da Lei no 10.925, de 2004; e II em relação aos arts. 5o a 8o, a partir de 1o de agosto de 2004.” (grifo nosso) Confesso que tenho extrema dificuldade em fazer a leitura que a fiscalização fez do art. 11. O art. 11 não está a dizer que a suspensão só é aplicável a partir de 04/04/2006 (e nem poderia, porque a IN SRF no 636/2006 já havia retroagido a 01/08/2004 sua aplicação). Está a dizer tão somente que a IN SRF no 660/2006 (“esta Instrução Normativa”), em relação à nova disciplina que deu à suspensão, mais detalhada, produz efeitos a partir de 04/04/2006. De 01/08/2004 e 03/04/2006 aplicouse a IN SRF no 636/2006. Entender o contrário seria como cambalear na insegurança jurídica de Instruções Normativas que retroagem e depois “desretroagem” a aplicação de comandos legais, o que beira ao absurdo. Imagine a situação: o contribuinte cumpre norma vigente editada pela Receita Federal e, meses depois, com a edição de nova norma (que revoga a anterior), descobre que deveria ter agido de acordo com a segunda norma no período em que ela nem era vigente. É exigir o poder de clarividência do contribuinte. Voltando à juridicidade, temse que a Lei fixou caso de suspensão, condicionado a termos e condições estabelecidos pela Receita Federal. E a Receita Federal disciplinou especificamente o artigo que tratava da suspensão, tornandoo aplicável. E mais, retroagiu a norma disciplinadora infralegal à data de produção de efeitos da Lei (01/08/2004), chancelando a utilização da suspensão por quem já a entendia autoaplicável (o que não é o caso deste julgador, mas perece ser o caso da recorrente). Em suma, a nosso ver o art. 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela SRF. Mas a SRF, ao regulamentar a matéria em abril 2006 (IN SRF no 636/2006), permitiu a suspensão retroativamente a agosto de 2004. É certo que a Receita Federal acabou criando um problema para ela própria, que parece ter tentado resolver na IN SRF no 660/2006 (que possivelmente buscava “desretroagir” a retroação da IN SRF no 636/2006). Mas o fenômeno que ocorreu entre a IN SRF no 660/2006 e a IN SRF no 636/2006 foi o da revogação (como literalmente esclarece o art. 12 da primeira), e não o da “anulação” (ex tunc). Por mais que a IN SRF no 636/2006 tenha sido revogada, é inegável que ela produziu, antes da revogação, efeitos jurídicos, que não podem ser ignorados. Em outras palavras, a IN SRF no 636/2006 não foi anulada por vício ou ilegalidade; ela foi revogada por Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10660.002089/200894 Acórdão n.º 3403003.337 S3C4T3 Fl. 203 7 conveniência da Administração. Assim, não há como desconstituir relações advindas sob sua égide. Sem sair da juridicidade, mas voltando ao caso analisado nestes autos, percebese que incorreu em interpretação equivocada a fiscalização, ao não admitir a suspensão em agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, invocando o art. 11 da IN SRF no 660/2006. As operações efetuadas a partir de agosto de 2004, como disse anteriormente, a meu ver, não deveriam ser contabilizadas com a suspensão a que se refere o art. 9o da Lei no 10.925/2004, mas a IN SRF no 636/2006, editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente o art. 9o o permitiu. E a edição da IN SRF no 660/2006 não afastou a retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, mas tão somente de revogoua. Assim, cabível a suspensão para os períodos de agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004, e afastada se torna a motivação da autuação. De forma semelhante (ainda que por razões diversas, e especificamente em relação à alteração efetuada ao art. 9o da Lei no 10.925/2004 pelo art. 29 Lei no 11.051/2004) já decidiu unanimemente este CARF: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. (...) SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Revela se legítima a utilização da suspensão da incidência do PIS/COFINS, criada pelo art. 9o da Lei no 10.925/2004, com a redação dada pela Lei no 11.051/2004, por parte da recorrente no anocalendário de 2005. (...)” (Acórdão no 310100.974, Rel. Cons. Corintho Oliveira Machado, unânime, sessão de 25.jan.2012). Por fim, cabe recordar que a DRJ pediu que a parte incontroversa da dívida fosse apartada destes autos para exigência imediata, restando contencioso nestes autos o montante (a título de principal) de R$ 1.412.009,37, providência que não se verifica conclusivamente ter sido efetuada. Assim, o provimento que se dará aqui é parcial somente para esclarecer que com esta decisão não se exonera a quantia já reconhecida como devida pela própria recorrente (referente ao período da cumulatividade, que a parte informa inclusive já ter compensado). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a autuação na parte que restou contenciosa após o julgamento de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16095.000022/2011-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. RESPOSTA À CONSULTA.
Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização, ainda que com base em resposta à Consulta, está totalmente equivocada, não há como manter o auto de infração em razão da ausência de fundamento.
Numero da decisão: 3403-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antônio Carlos Gonçalves, OAB/SP 195.691.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antônio Carlos Gonçalves, OAB/SP 195.691. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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IPI. RESPOSTA À CONSULTA. Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização, ainda que com base em resposta à Consulta, está totalmente equivocada, não há como manter o auto de infração em razão da ausência de fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antônio Carlos Gonçalves, OAB/SP 195.691. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 22 /2 01 1- 69 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Lavrado Auto de Infração no valor de R$ 6.899.778,49, inclusa multa de oficio e juros de mora, por reduzir o montante recolhido de IPI nos períodos de apuração, 2006 a 2010, em virtude de erro na classificação fiscal. A autuada protocolizou processo nº 16624.0004030/200853, como consta no Termo de Verificação Fiscal, versando este sobre classificação fiscal a ser adotada no “medicamento” veterinário, contendo progesterona, nome comercial CIDR®, na NCM” na tarifa externa comum (TEC), do Mercosul, aprovada pelo Decreto n 2.376/97 de 12 de novembro de 1997 – Anexos Resolução CAMEX n 42, de 26 de dezembro de 2001. Classificação do Medicamento Dispositivo intravaginal de silicone, em forma de T, impregnado com preparação à base de progesterona, para controle do cio em bovinos, visando aumentar a Eficiência reprodutiva do rebanho, acondicionado em sacos de papel aluminizado Selados contendo 10 unidades, denominado CIDR®. Fabricante: InterAg, NewZealand. A impugnante não adotou a classificação fiscal determinada pela Solução de Consulta (TEC 9018.90.99), o que levou a lavratura de Auto de Infração, pela exigência da diferença de IPI sobre as vendas internas do produto, realizadas entre 2006 e 2010, com multa de oficio a 75% e juros de mora, por sua reclassificação. A postulante ingressou com impugnação alegando: 1 O medicamento veterinário, é importado e comercializado pela impugnante sob código tarifário correspondente a medicamentos destinados as preparações contraceptivas a base de hormônio (NCM 3006.60.00). Formalizou processo junto a RFB, para rever a classificação fiscal adotada, onde informa que queria passar a classificar o medicamento no código pertinente a medicamentos contendo estrogênios ou progestogênios. Foi emitida SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF/8ª RF, de 23/12/2009, onde reclassifica o produto e informa que “o produto sob análise não tem finalidade terapêutica ou profilática ” mas sim a de “ tornar a reprodução do rebanho mais eficiente, através do seu controle pelo criador. ” Fl. 494DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 27 3 2 O CIDR, tem a finalidade de tratamento, para as fêmeas bovinas, de uma doença que aparece logo após o parto, nos ovários, com a denominação de anestro. 3 Em analise a classificação fiscal de produto similar ao CIDR, o produto “Procioclin Suino” também destinase ao tratamento de anestro suíno e teve sua classificação como medicamento, pela SRRF da 9ª Região (NCM 3004.39.39); 4 Não é possível o enquadramento do CIRD na posição designada pela SRRF pois tal posição classifica instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia odontologica e veterinária, incluindo os aparelhos de cintilografia e outros parelhos eletromédicos, bem como aparelhos para testes visuais, devendo o produto ser classificado na posição 2937, mais especificamente no NCM 2937.23.39. O Auto de Infração foi mantido, o que levou a Recorrente a apresentar Recurso Voluntário, sendo que o CARF, em sessão de 19.03.2013, anulou o acórdão que retornou à origem. Em que pese tal julgamento, a DRJ, mais uma vez, expressa o entendimento de que a solução de consulta contém o posicionamento definitivo da Receita Federal do Brasil sobre o caso em concreto e faz norma para a Administração. E que a Recorrente, ao questionar os fundamentos do lançamento estará indiretamente questionando a Solução de Consulta que não pode ser afastada pela Administração. Dessa forma, a DRJ decide que o Recorrente deveria ter ingressado com Recurso Especial para argumentar sobre a decisão diversa em relação ao Procioclin Suíno, classificado no NCM 3004.39.39, conforme decisão da 9ª Região Fiscal. E que não o tendo feito, a Consulta por ele obtida é válida e eficaz e que não poderia o julgador de primeira instância negar validade ao ato da Fazenda; ao contrário, deve dar cumprimento a Consulta. Por outro lado, decidiu a DRJ que consoante as informações constantes dos autos, trata o produto sob análise de dispositivo intravaginal de silicone, em forma de T, impregnado com preparação à base de progesterona, cuja função principal é o controle do cio em vacas, visando aumentar a eficiência reprodutiva do rebanho, em benefício do criador (programas de inseminação artificial, concentrada, possibilitando previsão de nascimentos e programas de coleta e transferência de embriões). Informou o contribuinte que, embora o efeito desejado decorra da atividade da progesterona no organismo do animal, o dispositivo que a contém também é importante por permitir a liberação contínua e controlada do hormônio, de forma que ambos, o dispositivo de silicone e Fl. 495DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 a preparação à base de hormônio, constituem um sistema para a liberação controlada de progesterona no organismo do animal. Acrescentou que o produto tem o objetivo de regularizar o anestro pós parto do rebanho, conduzindo, desta forma, a maior desempenho reprodutivo e que essa regularização, obtida com a sincronização do estro (cio) em gado de corte, implica o aumento no percentual de prenhes; o aumento no peso na desmama; o aumento na uniformidade dos terneiros; a maior previsibilidade de desempenho do rebanho; o aumento da produtividade do rebanho de cria; e novilhas mais homogêneas no início da estação de reprodução. Assim, de acordo com a DRJ, vêse claramente que não se trata de um contraceptivo (anticoncepcional) e não pode ser classificado no código 3006.60.00, específico para as preparações químicas contraceptivas à base de hormônios (de outros produtos da posição 29.37) ou de espermicidas. Por sua vez, o código 3004.39.39 contempla os medicamentos contendo progestogênios ou estrogênios, hipótese, a princípio, do caso em análise. Entretanto os medicamentos desta posição devem ter fins terapêuticos (curativos) ou profiláticos (preventivo) e o produto sob análise não tem finalidade terapêutica ou profilática, assim não pode ser entendido como um medicamento das posições 3003 ou 3004. Mesmo que se alegue que o produto tem o objetivo de regularizar o anestro pósparto do rebanho, esta função não lhe confere características curativas ou preventivas de doenças. O anestro é um período de repouso sexual em que a fêmea não é suscetível de acasalamento e não uma doença1. A indução para que a fêmea entre no cio logo após o período voluntário de espera pósparto (60 dias aproximadamente) tem objetivos econômicos ou de eficiência reprodutiva e não medicinal. É um mecanismo de redução de perdas do produtor, para diminuir o intervalo entre os partos e atingir a meta de um parto por vaca/ano (365 dias). Não fazendo parte do Capítulo 30, a posição na NCM que mais se aproxima das características do produto é a 9018, do Capítulo 90 Instrumentos e Aparelhos MédicoCirurgicos, cujo texto é assim definido: 90.18INSTRUMENTOS E APARELHOS PARA MEDICINA, CIRURGIA, ODONTOLOGIA E VETERINÁRIA. INCLUÍDOS OS APARELHOS PARA CINTILOGRAFIA E OUTROS APARELHOS ELETROMÉDICOS, BEM COMO OS APARELHOS PARA TESTES VISUAIS). Assim, o dispositivo de silicone impregnado com preparação à base de progesterona, por tratarse de um produto veterinário que facilita a introdução de um hormônio no organismo do animal, assim como as seringas, entre outros, encontrase incluso no âmbito da posição 9018 e por falta de subposição mais específica, classificase no código 9018.90.99. Com base em tal entendimento, a DRJ negou provimento à Impugnação, o que levou a Recorrente a reiterar os seus argumentos por meio de Recurso Volutário. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 28 5 É o Relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A discussão dos autos cingese a classificação fiscal do produto denominado comercialmente CIDR. A Recorrente importava e comercializava o CIDR sob o código tarifário NCM 3006.60.00, destinado às preparações contraceptivas à base de hormônio. No entanto, após rever a classificação adotada resolveu ingressar com processo de consulta perante a Receita Federal, distribuído sob o nº 16624.004030/200853, na qual informou que pretendia adotar a classificação NCM 3004.39.39, destinado a medicamentos contendo estrongênio ou progestênios. Foi emitida a resposta à Consulta que, para a surpresa da Recorrente, classificou o produto no NCM 9018.90.99, destinado a outros instrumentos e aparelhos para veterinária. E como a Recorrente não adotou a resposta à Consulta ela foi autuada pelas autoridades fazendárias que lhe exigiram o IPI incidente nas vendas do CIDR no mercado interno, acrescido de multa e juros. A DRJ inicialmente sequer analisou a Impugnação da Recorrente, prendendo se literalmente ao conteúdo da resposta à Consulta que, segundo ela, não poderia ser analisada, o que levou o CARF a anular o julgamento e determinar o retorno dos autos à DRJ para que fosse analisada a defesa da Recorrente. A DRJ, por sua vez, proferiu novo julgamento, em que reitera que não poderia decidir contrariamente à resposta à Consulta, sob pena de responsabilidade funcional, mas acaba por ingressar no mérito da Impugnação, mantendo intacta a autuação por entender que a classificação correta seria a NCM 9018.90.99. De qualquer forma, a improcedência da Impugnação me parece muito mais uma decisão de resultado, pois a DRJ partiu da premissa que não poderia contrariar a resposta à consulta, apenas tendo ingressado no mérito da defesa por uma obrigação formal, para permitir a realização formal, reitero, do contraditório e da ampla defesa. Não vejo como concordar com a classificação constante na resposta à Consulta, que a DRJ se apegou por suposto dever de ofício. A posição 90.18 referese a instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia e etc., hipótese que não guarda relação com o CIDR. 90.18 Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluindo os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 Como se tal não bastasse, o texto das subposições também evidencia a distância entre o CIDR e a classificação atribuída no auto de infração para fins de cobrança do IPI, in verbis: 9018.90 Outros instrumentos e aparelhos 9018.90.10 Para transfusão de sangue ou infusão intravenosa 9018.90.2 Bisturis 9018.90.21 Elétricos 9018.90.29 Outros 9018.90.3 Litótomos e litotritores 9018.90.31 Litotritores por onda de choque 9018.90.39 Outros 9018.90.40 Rins artificiais 9018.90.50 Aparelhos de diatermia 9018.90.9 Outros 9018.90.91 Incubadoras para bebês 9018.90.92 Aparelhos para medida da pressão arterial 9018.90.93 Aparelhos para terapia intrauretral por microondas (TUMT), próprios para o tratamento de afecções prostáticas, computadorizados 9018.90.94 Endoscópios 9018.90.95 Grampos e clipes, seus aplicadores e extratores 9018.90.96 Desfibriladores externos que operem unicamente em modo automático (AED Automatic External Defibrillator) 9018.90.99 Outros Ex 01 Conjunto descartável de circulação assistida e conjunto descartável de balão intraaórtico Ex 02 Máquinas cicladoras para diálise peritoneal e seus acessórios Ex 03 Equipamento de drenagem, cápsula protetora do adaptador de titânio, equipamentos de transferência ou similar e equipamento cassete cicladora, para diálise peritoneal Definitivamente o CIDR não pode ser classificado no Capítulo 90, não se enquadrando como instrumento nem sendo sua característica principal e, em meu entendimento, muito menos sua característica secundária. O CIDR consiste em: Componente Função Peso Progesterona (esteroide com função hormonal) Componente ativo 1,90 g Silicone Parte do excipiente inerte 17,10 g Nylon 6,6 Parte do excipiente inerte 10,70 g Ora, o que caracteriza o produto é o hormônio “progesterona”, sendo que o silicone, em forma de T, apenas é o meio condutor do hormônio a ser aplicado dentro da vagina do animal e, por essa mesma razão, precisa ter um formato adequado a permitir a passagem da progesterona. E a progesterona, nesse caso, é liberada num período de 8 dias, por diferença de pressão entre os meios (vagina) e o recipiente, que permite a liberação contínua do hormônio de forma que ele possa agir no organismo das vacas. O simples fato de possuir um hormônio, característica principal do produto, já faz com que seja descartado a classificação em qualquer das posições do Capítulo 90, que restringese a instrumentos e aparelhos, hipótese totalmente distinta do CIDR. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 29 7 A DRJ, presa à resposta à Consulta, passou ao largo de tão importante questão, chegando a classificação fiscal 9018.90.99 por exclusão, sob o entendimento de que o hormônio teria como função principal melhorar a função reprodutiva do rebanho, e privilegiou o suporte ao próprio hormônio. No presente caso, entendo que assiste razão à Recorrente, pois a progesterona, um hormônio, que caracteriza o produto, é utilizado para evitar que as vacas sofram alterações na função dos ovários e no útero após o parto. Isso porque, as vacas, em geral, entram no cio após “X” dias do parto regularmente, a menos que sofram alterações ovarianas ou no útero decorrentes do parto ou pós parto. E o CIDR objetiva agir de maneira a evitar que os animais sofram alteração em suas funções reprodutoras, tendo como consequência o aumento da eficiência reprodutiva do rebanho. Aliás, chama a atenção o comentário da decisão da DRJ, pois todo o medicamento veterinário tem uma função imediata e mediata, relacionada à manutenção da vida do animal, à preservação da função de determinado órgão do animal ou na melhora de alguma característica, e. g., ganho de peso. E todos esses objetivos possuem fins econômicos, mas eles não necessariamente caracterizam o produto utilizado. O presente caso é evidente, uma vez que a progesterona aplicada no período de 8 dias evita distúrbio reprodutivo em vacas pós parto, fazendo com que elas entrem regularmente no cio e possam ser cobertas ou inseminadas naturalmente. Salta, pois, aos olhos o fim profilático do CIDR e, conforme caso, terapêutico, desse verdadeiro medicamento, característica que melhor define o CIDR e a sua aceitação no mercado. 30.04 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluindo os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. 3004.39.39 Outros Por outro lado, de acordo com as regras de interpretação do sistema harmonizado, mais especificamente, o item 3, quando a mercadoria puder ser classificada em mais de uma posição prevalece a posição mais específica sobre a mais genérica. Não sendo possível tal classificação, devese ter como norte a característica essencial do produto, conforme segue: 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de Fl. 499DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Não posso deixar de ressaltar que, em minha opinião, a dúvida da classificação fiscal não estaria entre a adotada pela Fiscalização e aquela da Recorrente, posto que a classificação fiscal utilizada no auto de infração está completamente equivocada. No presente caso, haveria dúvida entre a classificação fiscal 3004.3939, utilizada pela Recorrente, e a classificação fiscal 2937.23.39, argumentada pela Recorrente sob a forma alternativa, em razão da presença do hormônio progesterona no CIDR que lhe conferiria a característica essencial, conforme segue: 29.37 Hormônios, prostaglandinas, tromboxanas e leucotrienos, naturais ou reproduzidos por síntese; seus derivados e análogos estruturais, incluindo os polipeptídios de cadeia modificada, utilizados principalmente como hormônios. Contudo, no presente processo administrativo discutese se a autuação lavrada pela Fiscalização estaria correta ou não, pois ela fundamenta a autuação e originou esta disputa. Não cabe, pois, fazer juízo de valor, sem informações técnicas bastantes para tanto, se a classificação correta seria a 2937.23.39 ou se a correta seria a 3004.3939 ou outra classificação fiscal. De qualquer forma, restou consignado no presente processo que a classificação adotada pela Fiscalização está equivocada, motivo pelo qual dou provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a autuação por se basear em classificação fiscal ora tida como incorreta. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 500DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 30 9 Declaração de Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Busco por meio da presente declaração de voto externar posicionamento sobre a questão referente aos efeitos da consulta sobre classificação de mercadorias, e a relação entre o processo de consulta e o processo administrativo para exigência de crédito tributário e penalidades, além de discutir a classificação imputada na autuação, no caso concreto. 1 O PROCESSO DE CONSULTA SOBRE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS É um pressuposto do Sistema Harmonizado1 que para toda e qualquer mercadoria existente haja uma e tãosomente uma classificação correta na codificação de seis dígitos internacionalmente acordada (à qual foram agregados posteriormente, em 1995, dois dígitos, no âmbito do MERCOSUL). Na era da complexidade e da multifuncionalidade, contudo, nem sempre é fácil (aliás, quase sempre é difícil) identificar a correta classificação das mercadorias. Ainda mais porque a classificação envolve temas técnicos multidisciplinares, a serem apreciados à luz das Regras Gerais acordadas internacionalmente, e com auxílio de mecanismos gerenciados pela própria Convenção que disciplina o Sistema Harmonizado. O Sistema Harmonizado, como estabelece a própria convenção (Artigo 1o, “a”), compreende as posições (quatro primeiros dígitos) e subposições (quinto e sexto dígitos) e seus respectivos códigos numéricos, as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como as seis Regras Gerais para interpretação (Anexo da Convenção), permitindo desdobramentos regionais (como o efetuado no âmbito do MERCOSUL, com a inclusão de item e subitem/sétimo e oitavo dígitos, e de duas Regas Gerais Complementares). A convenção cria ainda um Comitê (Artigo 6o), composto por representantes dos Estados Partes, estando entre as funções do Comitê (Artigo 7o, “b”) “redigir as Notas Explicativas, Pareceres de Classificação e outros pareceres para interpretação do Sistema Harmonizado” e formular recomendações em caso de controvérsias entre Estados Partes sobre interpretação e aplicação da convenção (Art. 10, 2). Assim, são hoje instrumentos para interpretação e aplicação das Regras do Sistema Harmonizado, além do texto da própria Convenção (e suas emendas), as seguintes 1 A “Convenção internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias” foi celebrada em Bruxelas, em 14/06/1983, e entrou em vigor internacional a partir de 1988. No Brasil, foi aprovada pelo Decreto Legislativo n. 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto n. 97.409, de 23/12/1988 (publicado no Diário Oficial da União de 27/12/1988). Fl. 501DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 publicações complementares: (a) as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH)2, expressando o posicionamento do Conselho de Cooperação Aduaneira/CCA (conhecido como Organização Mundial de Aduanas/OMA), o índice alfabético do SH, também publicado pela OMA; e os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do SH3. Ao lado destes atos internacionais há ainda manifestações no âmbito do MERCOSUL4 e atos normativos nacionais, como Instruções Normativas (IN) da RFB e Atos Declaratórios Interpretativos da RFB (ADI). Para que o comerciante, industrial ou importador classifique as mercadorias a serem transacionadas neste vasto universo, seja para fins tributários, de tratamento administrativo ou outro, ou ainda para simples finalidade estatística, é preciso um conhecimento específico nem sempre disponível internamente nas empresas. E, como a classificação fiscal incorreta pode ocasionar, por exemplo, uma maior (ou menor) tributação, uma permissão (ou restrição, ou ainda vedação) à importação, ou mesmo a aplicação de penalidades, tornouse necessário o estabelecimento de um mecanismo pelo qual o órgão público nacional aplicador da convenção esclarecesse previamente aos comerciantes/industriais/importadores a correta classificação as mercadorias transacionadas, contribuindo para a segurança jurídica no comércio (nacional ou internacional)5. Antes mesmo da existência do Sistema Harmonizado6, o processo de consulta sobre classificação de mercadorias já esteve7 inserido no próprio texto da norma que disciplina o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, Decreto no 70.235/1972 (arts. 46 a 58), que estabelecia processo em instância única (art. 54, III, “a”), a ser julgado pelo Coordenador do Sistema de Tributação. Já sob a égide do Sistema Harmonizado, a consulta sobre classificação de mercadorias ganha, no Brasil, disciplina legal e processo próprios, nos arts. 48 e 50 da Lei no 2 A última versão traduzida para língua portuguesa das NESH foi aprovada pela Instrução Normativa no 1.260/2012. Segundo o art. 94, parágrafo único do atual Regulamento Aduaneiro (Decreto n. 6.759/2009), a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM será feita com observância das Regras Geria Interpretativas e Complementares, das Notas Complementares e, subsisiariamente, das NESH. 3 A IN RFB n. 1.459, de 28/03/2014 aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do SH, e adota as decisões correspondentes. 4 A Comissão de Comércio do MERCOSUL (CCM) tem um Comitê Técnico (CT n. 1 "Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias") específico para o tratamento do tema. 5 Isso porque as normas nacionais também adotam como base o SIstema Harmonizado para operações internas. Vejase por exemplo a Tabela de Incidência do IPI (TIPI), que tem por base, hoje (Decreto n. 7.660/2011) a Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que, por sua vez, tem por base a Nomenclatura do SH. 6 Até a década de 80 do século passado não havia um sistema universal eficaz de designação e codificação de mercadorias, embora já houvesse tentativas nesse sentido. No início do século XIX já se elaboravam, na Europa, listas alfabéticas de mercadorias. E, em 29/12/1913, 29 países firmam, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, em Bruxelas, a primeira nomenclatura estatística de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata (BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14). Em maio de 1927, surge a ideia de uma nomenclatura aduaneira no âmbito da Liga das Nações, projeto que é conduzido por um comitê de especialistas, culminando na conclusão de uma primeira versão em 1931, com revisão em 1937, do que se denominou de Nomenclatura de Genebra. Após a segunda grande guerra, surge a Convenção de Bruxelas sobre Nomenclatura para a Classificação de Mercadorias e Tarifas Aduaneiras, de 15/12/1950, gerando uma nova nomenclatura, inicialmente conhecida como Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, mas que, em 1974, reestruturada, passa a ser designada como Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira NCCA (TREVISAN, Rosaldo. A influência e a aplicação dos tratados internacionais sobre temas aduaneiros. In MENEZES, Wagner (coord.). Estudos de Direito Internacional. v. 8. Curitiba: Juruá, 2006, p. 321). 7 Em verdade, ainda está ali inserido, devendose, na aplicação dos artigos correspondentes, observar também os comandos legais posteriores, que prevalecem em caso de divergência com a disicplina estabelecida no Decreto n. 70.235/1972. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 31 11 9.430/1996, que mantém a apreciação em instância única, por órgão central (se a consulta for efetuada por ´também por órgão central ou entidade representativa de âmbito nacional) ou regional da Secretaria da Receita Federal (hoje RFB). O texto do comando legal revela clara preocupação com a celeridade, com a eficiência, com a publicidade e com a segurança jurídica: “Art. 48. No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. (...) § 3o Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. § 4o As soluções das consultas serão publicadas pela imprensa oficial, na forma disposta em ato normativo emitido pela Secretaria da Receita Federal. § 5o Havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão de que trata o inciso I do § 1o. § 6o O recurso de que trata o parágrafo anterior pode ser interposto pelo destinatário da solução divergente, no prazo de trinta dias, contados da ciência da solução. § 7o Cabe a quem interpuser o recurso comprovar a existência das soluções divergentes sobre idênticas situações. (...) § 9o Qualquer servidor da administração tributária deverá, a qualquer tempo, formular representação ao órgão que houver proferido a decisão, encaminhando as soluções divergentes sobre a mesma matéria, de que tenha conhecimento. § 10. O sujeito passivo que tiver conhecimento de solução divergente daquela que esteja observando em decorrência de resposta a consulta anteriormente formulada, sobre idêntica matéria, poderá adotar o procedimento previsto no § 5o, no prazo de trinta dias contados da respectiva publicação. § 11. A solução da divergência acarretará, em qualquer hipótese,a edição de ato específico, uniformizando o entendimento, com imediata ciência ao destinatário da solução reformada, aplicandose seus efeitos a partir da data da ciência. § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. § 13. A partir de 1o de janeiro de 1997, cessarão todos os efeitos decorrentes de consultas não solucionadas definitivamente, ficando assegurado aos consulentes, até 31 de janeiro de 1997: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 I a não instauração de procedimento de fiscalização em relação à matéria consultada; II a renovação da consulta anteriormente formulada, à qual serão aplicadas as normas previstas nesta Lei. (...) Art.50. Aplicamse aos processos de consulta relativos à classificação de mercadorias as disposições dos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972 e do art. 48 desta Lei. § 1o O órgão de que trata o inciso I do § 1o do art. 48 poderá alterar ou reformar, de ofício, as decisões proferidas nos processos relativos à classificação de mercadorias. § 2o Da alteração ou reforma mencionada no parágrafo anterior, deverá ser dada ciência ao consulente. § 3o Em relação aos atos praticados até a data da ciência ao consulente, nos casos de que trata o § 1o deste artigo, aplicamse as conclusões da decisão proferida pelo órgão regional da Secretaria da Receita Federal. § 4o O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1o do art. 48.” E a disciplina da lei, em matéria de classificação de mercadorias, vem tanto nos Regulamentos Aduaneiros (Decreto no 4.543/2002 art. 701; e Decreto no 6.759/2009 – art. 790), como nas diversas (e sucessivas) Instruções Normativas da RFB sobre a matéria, sempre mantida a instância única, aliada à disciplina para recurso de divergência (pelo destinatário de solução divergente) e da representação (por servidor que detectar soluções de consulta divergentes sobre a mesma matéria). Na Instrução Normativa (IN) SRF no 2, de 09/01/1997, alterada pela IN SRF no 83, de 31/10/1997, assim como na IN SRF no 49, de 22/05/1997, as competências para a análise dos processos de consulta eram das projeções do sistema de tributação (Divisões de TributaçãoDISIT e CoordenaçãoGeral de TributaçãoCOSIT), passando as competências, no caso de consulta sobre classificação de mercadorias, às projeções aduaneiras (Divisões de Controle AduaneiroDIANA e CoordenaçãoGeral de Administração AduaneiraCOANA), na IN SRF no 230, de 25/10/2002. A IN SRF no 569, de 19/09/2005, ainda tratando da consulta sobre classificação de mercadorias em conjunto com a consulta sobre aplicação da legislação tributária, influenciada pela Medida Provisória no 258, de 21/07/2005 (posteriormente declarada sem eficácia por Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional no 40, de 21/11/2005), e a IN SRF no 573, de 23/11/2005 (expurgada a influência da referida Medida Provisória) não apresentam alterações substanciais em relação às anteriores, mas cada vez mais detalham as especificidades da consulta sobre classificação de mercadorias (v.g. requisitos e limitações). A IN SRF no 740, de 02/05/2007, que também nasce versando de forma conjunta sobre consultas a respeito de classificação de mercadorias e em relação à aplicação da Fl. 504DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 32 13 legislação tributária, mantém as competências estabelecidas (às DISIT/à COSIT e às DIANA/à COANA), e as disposições referentes a recurso de divergência e representação. Buscando modernizar o processo de consulta, adequandoo à informatização crescente nos procedimentos administrativos, a Lei no 12.788, de 14/01/2013, em seu art. 10, alterou o art. 48 da Lei no 9.430/1996, dando maior flexibilidade à RFB para atribuição de competência a unidade central ou descentralizada (§ 1o do art. 48), e disciplina do juízo de admissibilidade (§ 8o), permitindo ainda a consulta por meio eletrônico (§ 14). Em contrapartida, deixou ao Poder Executivo a disciplina do prazo para solução das consultas (§ 15). Após a alteração legal, é publicada a IN SRF no 1.396, de 16/09/2013, que além de versar sobre consulta relativa à interpretação da legislação tributária e aduaneira, trata de classificação de serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio, no âmbito da RFB. Passam assim a ser tratados em normas diversas os processos de consulta a cargo da COSIT e suas projeções (disciplinados na nova IN, que prevê inclusive o caráter vinculativo de determinadas soluções em seu art. 22) e a cargo da COANA e suas projeções (que continuariam a ser disciplinados na IN SRF no 740/2007). O art. 34 da IN SRF no 1.396, de 16/09/2013 admite ainda a aplicação dos procedimentos disciplinados na IN SRF no 740/2007 aos processos de consulta sobre classificação fiscal de serviços e sobre a legislação relativa a serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio, no âmbito da RFB, até 17/09/2013, quando passa a ser aplicável em matéria de consulta sobre serviços exclusivamente a IN SRF no 1.396, de 16/09/2013. Em dezembro de 2013 passa a Receita Federal, por meio da IN RFB no 1.434, que altera a IN SRF no 1.396/2013, a promover substancial alteração em relação aos processos analisados no âmbito da COSIT, no que se refere a competência e alcance dos efeitos. As melhorias, como a extensão de efeitos a terceiros (e não só ao consulente), a criação de grupos de trabalho e a publicação da íntegra da solução de consulta (e não unicamente da ementa) eram de longa data esperadas como medidas de racionalização (e nacionalização) do processo de consulta. Mas, recordese, a consulta sobre classificação de mercadorias não foi afetada pela medida. O aprimoramento do processo de consulta sobre classificação de mercadorias, nos mesmos moldes daquele descrito para os processos analisados no âmbito da COSIT, somente surgiria meses depois, na IN RFB no 1.464, de 08/05/2014 (com vigência a partir de 60 dias da data de publicação 09/05/2014), que passa a disciplinar exclusivamente os processos de consulta sob a batuta da COANA (referentes a classificação de mercadorias). A IN RFB no 1.464, de 08/05/2014, que passa a disciplinar a consulta sobre classificação de mercadorias, dispõe, já em seu art. 2o, que as soluções de consulta serão fundamentadas nas Regras Gerais para Interpretação do SH, nas Regras Gerais Complementares do MERCOSUL, na Regra Geral Complementar da TIPI, nos pareceres de classificação do Comitê do SH, nos ditames do MERCOSUL e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do SH (NESH). No art. 3o da mesma IN são indicadas as pessoas legitimadas a formular consultas (cabendo destacar que a consulta de pessoa jurídica deve ser formulada pelo estabelecimento matriz, e que haverá um processo formalizado para cada consulente). Nos arts. 4o a 8o são estabelecidos os requisitos (merecendo destaque a forma escrita, em documento Fl. 505DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 eletrônico de formulação, disponível no sítio web da RFB, e a determinação de que a consulta se refira somente a uma mercadoria). As competências, no âmbito da RFB, são tratadas nos arts. 9o a 12 da IN, sendo relevante apontar a “centralização” dos processos na COANA (o que acaba com a regionalização das consultas, e com o elevado número de divergências). A expressão “centralização” (entre aspas) é porque a COANA, de fato, continuou a contar com apoio das regiões fiscais, constituindo, por meio da Portaria no 48, de 10/07/2014, cinco Turmas de Solução de Consulta do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (CECLAM), e um Comitê (formado pelos presidentes das turmas e pelo chefe da Divisão de Nomenclatura e Classificação Fiscal de Mercadorias DINOM), delegando as principais competências (entre elas a de solucionar a consulta) aos presidentes e vicepresidentes das Turmas e do Comitê. Mantémse o rito de instância única para a solução da consulta (art. 13), destacandose que os efeitos da consulta solucionada após a IN passam a respaldar “qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento” (art. 15), havendo ainda disciplina dos efeitos da consulta (nos arts. 16 a 23), do recurso especial (art. 24), da representação (art. 25), da solução de divergência (art. 27). Para que os efeitos pudessem aproveitar a terceiros, seria necessário que estes tivessem acesso à íntegra do processo de consulta, e não somente à ementa. Por isso, passou a ser obrigatória a divulgação integral, no sítio web da RFB (e sem identificação de consulentes e dados cadastrais / informações sigilosas), das soluções de consulta e de divergência (art. 28). Por fim, em comando que ao mesmo assume o excesso de divergências que havia em relação à matéria, e busca uma purificação da base de manifestações, a nova IN que regula a classificação de mercadorias revoga (art. 36) todos os atos administrativos relativos a classificação de mercadorias emitidas até 31/12/2001, inclusive. 2 EFEITOS DA CONSULTA SOBRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO E PENALIDADES Podese afirmar que a consulta sobre classificação de mercadorias se presta aparentemente a duas finalidades: (a) sanar dúvida do comerciante/industrial/importador sobre caso concreto, e (b) confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. Há ainda uma terceira finalidade (relevante, mas pouco explorada), que seria a manutenção da livre concorrência (finalidade que não será tratada aqui por fugir ao escopo direto deste estudo).8 Contudo, ao analisar a legislação sobre a matéria, percebese que a primeira finalidade (sanar dúvida) é apenas aparente, pois no momento da consulta a empresa já deve indicar a classificação fiscal adotada e a pretendida, e os correspondentes critérios utilizados, 8 Se um comerciante/industrial/importador tem convicção da classificação adotada para determinado produto, mas tem ciência de que seus concorrentes utilizam outra classificação (às vezes, simplesmente para recolher menos tributos ou fugir a controles administrativos/aduaneiros), deveria existir um mecanismo tão ágil quanto a consulta para que, numa espécie de delação em prol da livre concorrência, o fisco pudesse garantir o recolhimento uniforme de tributos e o exercício uniforme dos controles apropriados. O próprio formulário eletrônico de consulta deveria permitir que a empresa revelasse (se soubesse) quais outras empresas comercializam/industrializam/importam o mesmo produto, e as respectivas classificações adotadas. Isso certamente contribuiria em proporção mais larga que a inicialmente imaginada pela IN para a uniformização da classificação de mercadorias no país. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 33 15 conforme art. 6o, XIV da IN SRF no 1.464/2014 (além de dados técnicos detalhados, como os referidos nos incisos I a XIII do mesmo artigo). Ademais, a consulta não se presta, como afirma a própria IN, a “prestação de assessoria jurídica ou contábilfiscal pela RFB” (art. 23, XIII). Retirase, assim, do cenário, a sedutora argumentação de que a consulta se presta a simplesmente ajudar o comerciante/industrial/importador a entender as Regras do Sistema Harmonizado ou a ensinálo como classificar as mercadorias que deseja transacionar. Concluise, assim, que a real finalidade da consulta é confirmar (ou não) o entendimento do comerciante/industrial/importador sobre a classificação empregada, protegendoo contra eventuais entendimentos diversos nas unidades fiscais da RFB. E tal propósito é suficientemente nobre e homenageia a segurança jurídica, pois evita que a empresa, detentora de resposta oficial da RFB sobre qual é a classificação do produto transacionado seja surpreendida com entendimentos regionais, locais ou até individuais do fisco em sentido diverso. Abremse, assim, três possibilidades, em relação à consulta, partindose da premissa (para tornar mais completo o exemplo) de que a classificação adotada seja diferente da pretendida (e de que a empresa cumpra as demais regras necessárias à formulação da consulta, principalmente no que se refere à espontaneidade): (a) a resposta à consulta confirma a classificação adotada; (b) a resposta à consulta confirma a classificação pretendida; e (c) a resposta à consulta indica como correta uma terceira classificação. Em qualquer dos casos, durante o período da consulta (do protocolo até o 30o dia seguinte à ciência do resultado) não se pode iniciar qualquer procedimento fiscal relativamente à mercadoria consultada, e não são devidos acréscimos moratórios no caso de eventual pagamento. São os efeitos do próprio procedimento interno, independentemente do resultado da consulta. Sendo o resultado da consulta a confirmação da classificação adotada, não há que se falar em pagamento, nem lançamento, devendo todas as unidades da RFB acolher o resultado. Assim, o AFRFB responsável pelo desembaraço de uma declaração de importação, por exemplo, não poderia efetuar lançamento sob o argumento de que apesar de a mercadoria analisada ser a mesma constante da consulta, a classificação correta seria outra. A classificação decorrente da consulta somente poderia ser revertida por outro resultado, divergente, em consulta diversa, na hipótese de a divergência ser detectada por servidor da própria RFB (representação art. 25 da IN SRF no 1.464/2014) ou pelo consulente / destinatário da solução divergente (recurso especial art. 24 da mesma IN).9 Ainda assim, a alteração de entendimento generalizado geraria efeitos somente a fatos geradores ocorridos após a ciência da Solução de Divergência. E, acrescentese, a Solução de Divergência pode indicar como correta uma classificação diversa de cada uma das indicadas, por exemplo, em duas Soluções de Consulta para a mesma mercadoria. Tudo isso na busca de uniformidade. Daí nosso comentário inicial sobre a livre concorrência, pois se todas as empresas igualmente utilizassem as mesmas classificações para os mesmos produtos (ainda que igualmente erradas), haveria nivelamento concorrencial (apesar de estar existindo infração tributária, aduaneira ou ao “controle administrativo”). Mas parece que as normas sobre 9 Há ainda a hipótese de alteração ou reforma de ofício, pela COANA (art. 11 da IN). Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 consulta a respeito de classificação de mercadorias revelam histórica preocupação eminentemente tributária.10 Concluindo nossas considerações sobre a primeira hipótese de resposta (confirmação da classificação adotada), não poderíamos ignorar que tal resultado pode gerar inconformidade no consulente (ou até em terceiro, depois dos efeitos erga omnes presentes no art. 15 da IN SRF no 1.464/2014). Contudo, não há contraditório disponível administrativamente para o caso (recordese que o processo de consulta é solucionado em instância única, e, não havendo solução de consulta de teor divergente, sequer é cabível recurso ou representação). Caberá a quem discorde do resultado da consulta discutir a matéria em juízo ou aguardar uma autuação da RFB para defenderse e expor seus argumentos, em contraditório próprio, de determinação e exigência de crédito tributário, regido pelo Decreto no 70.235/1972, e restrito à autuação. Tal discordância em relação ao resultado da consulta, contudo, não parece existir, ou ao menos guardar coerência lógica, por exemplo, na hipótese do segundo resultado à consulta: confirmação da classificação pretendida. Ora, se o pleito foi atendido, seria irrazoável a empresa simplesmente ignorar o resultado da consulta, não acatando seu teor. Confirmada a classificação pretendida, a matéria a discutir seria a eventual cobrança de diferenças em relação ao período entre o protocolo da consulta e o 30o dia da ciência, como já exposto, o que não inibe autuações em relação a períodos diversos.11 O resultado da consulta é igualmente de aceitação obrigatória pela fiscalização, salvo na já referida hipótese de resultado divergente. Na terceira hipótese, que parece ser, a priori,12 a que menos agrada ao consulente, porque apresenta como resultado classificação que não corresponde nem à por ele adotada nem à pretendida, as consequências em relação ao período entre o protocolo da consulta e o 30o dia da ciência, e a períodos anteriores são idênticas às já comentadas, mas se torna mais patente a probabilidade de inconformidade (que, como já dissemos, não é atacável administrativamente em virtude de ser o processo de consulta em instância única). Assim, não havendo solução de consulta de teor divergente, resta à consulente inconformada (ou até à terceira afetada em virtude do art. 15 da IN SRF no 1.464/2014) somente a possibilidade de questionamento judicial do resultado da consulta ou a espera de uma autuação para defesa em rito próprio (de determinação e exigência de crédito tributário Decreto no 70.235/1972). E é exatamente essa situação, de inconformidade com o resultado da consulta (seja qual for) que se passa a aprofundar, já destacando que em virtude da extensão a terceiros dos efeitos da consulta, pelo art. 15 da IN SRF no 1.464/2014, tal ocorrência tende a ser mais frequente. 10 Vejase, por exemplo, que sequer são regulados os efeitos da consulta sobre classificação para temas não tributários. Imagine que a classificação adotada pelo consulente esteja sujeita a licença de importação (LI) não automática, e a pleiteada, dispensada de LI. E que a resposta à consulta aponte uma terceira classificação, também sujeita a LI nãoautomática, com anuência de órgão diverso da obtida anteriormente ao despacho. Haveria uma série de caminhos diferentes (e possíveis) na interpretação das providências a serem tomadas pelo fisco, no caso. Também não se aprofundará este tema aqui, por razão de foco. O exemplo serve somente para mostrar que as normas são construídas com preocupação eminentemente tributária, mesmo sendo notório que a classificação afeta diversas áreas. 11 Assim como é possível a autuação de períodos anteriores, em geral com fundamento no art. 68 da Lei n. 10.833/2003, é igualmente possível a restituição de quantias pagas a maior (que não obstaculiza a aplicação da multa por erro de classificação, prevista no art. 84, I da Medida Provisória n. 2.15835/2001). 12 Digo a priori, porque pode ser que a classificação apontada como correta pelo fisco apresente alíquotas menores que as classificações adotada e pretendida pelo consulente. Ou tratamento administrativo mais favorável, por exemplo. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 34 17 Como não há recurso em relação ao resultado da consulta, por expressa disposição legal (art. 48, § 3o da Lei no 9.430/1996)13, cerramse as portas administrativas ao consulente, sendo, no entanto, livre o constitucional direito de acesso ao Poder Judiciário. E passa a ser aplicável ao caso o que for naquele âmbito decidido, na estrita medida da decisão judicial. Contudo, é bem frequente que a empresa não deseje submeter o tema à apreciação do Poder Judiciário, seja pela tecnicidade da matéria, que dificilmente é objeto de estudo nas faculdades de Direito, seja pela simples probabilidade de não ser autuada em função de manter seu entendimento à revelia da decisão externada na solução de consulta. Mas, exercendo o fisco seu labor, e autuando a empresa por classificar mercadorias incorretamente após a RFB lhe ter indicado qual a classificação correta em procedimento oficial de consulta, a autuação lavrada segue o rito previsto no Decreto no 70.235/1972, e é passível de análise pela DRJ e pelo CARF. Por certo, a DRJ, por ser um órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tende a acolher o resultado da consulta, que é vinculante no âmbito da RFB. Digo tende porque a matéria a ser apreciada na autuação não se confunde (embora interseccione) com a consulta. O atendimento ao resultado da solução de consulta impede a lavratura pela RFB de auto de infração em relação à matéria consultada. E o não atendimento ao resultado da solução de consulta, por sua vez, permite a lavratura da autuação, que deve ser objeto de julgamento por rito absolutamente diverso daquele inerente ao processo de consulta, e com apreciação restrita à matéria objeto da autuação. No processo de consulta a solução dada pelo fisco se alastra no tempo, além do período que vai da consulta até a ciência do consulente. Não havendo disposição posterior (v.g. solução divergente, revogação de ofício ou ato normativo superveniente), os efeitos são eternos. E no processo de consulta sempre haverá a indicação da classificação correta, seja ela a adotada pelo consulente, a pretendida pelo consulente, ou outra. No processo de determinação e exigência de crédito tributário a solução dada restringese ao caso concreto analisado na autuação, sendo imprestável a vincular a fiscalização em casos ou períodos diversos, ainda que para o mesmo produto e para a mesma empresa. E em tal processo, não há a necessidade de que o julgador chegue à classificação correta. Basta que consiga comprovar que a classificação/argumentação adotada na autuação estava correta ou que deve ser afastada (sem que seja necessário seguir a busca pela classificação correta). Afastada a classificação empregada na autuação, não é só irrelevante ao julgador apreciar qual a classificação correta, mas vedado, porque estará decidindo extra petita, julgando além da procedência ou improcedência da autuação. Assim, é absolutamente equivocada a conclusão de que o processo de determinação e exigência de crédito tributário configura uma espécie de recurso à decisão exarada em processo de consulta. Ainda que a autuação tenha sido lavrada com base em resultado de consulta, o que deve o julgador (DRJ e CARF) apreciar é a procedência da argumentação que leva à classificação apontada na autuação, e não a procedência da argumentação que leva à correção adotada ou pretendida pelo autuado. Repitase: para analisar a procedência ou improcedência da autuação, no bojo do processo de 13 As disposições da Lei n. 9.784/1999 são de aplicação apenas subsidiária (art. 69) ao processo de consulta, que é regido por norma legal própria. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 18 determinação e exigência de crédito tributário, é totalmente irrelevante a classificação pretendida ou a classificação adotada pela autuada, sendo ainda despropositado, no caso de afastamento da classificação apontada na autuação, que o julgador aponte qual seria a classificação correta. Assim, temos que a autuação lavrada em função de classificação incorreta de mercadoria que decorra de descumprimento de solução de consulta pode, e deve ser analisada pela DRJ e pelo CARF, pois se está a tratar de processo diverso, com escopo diverso. Tanto a DRJ quanto o CARF, ao apreciar tal autuação, devem ter clara sua atribuição julgadora, focada na procedência ou improcedência da argumentação externada na autuação (ainda que seja mera cópia da argumentação externada na Solução de Consulta), e não necessariamente na determinação da correta classificação da mercadoria. Também deve estar a parte ciente dos efeitos do julgamento do processo de determinação e exigência de crédito tributário, e de que este não afeta o resultado da consulta. O máximo que pode ocorrer é a apreciação transversa de parte do conteúdo analisado na consulta pelo julgador, restrita ao período e à matéria objeto da autuação. Exemplificando nossas conclusões: (a) o consulente indaga à RFB a correta classificação de determinada mercadoria, afirmando que adota a classificação “A”, e que pretende adotar a classificação “B”, e como resposta obtém oficialmente solução de consulta indicando como correta a classificação “C”, da qual veementemente discorda; (b) cientificado da solução de consulta, continua a adotar a classificação “A”, aguardando que o fisco promova eventual autuação decorrente, pois não deseja, v.g., discutir judicialmente a matéria; (c) detectando que a empresa continua a classificar a mercadoria como “A”, o fisco efetua a lavratura de auto de infração, restrita ao período Δt, sendo que na autuação o AFRFB encarregado sustenta que a classificação “C” está correta, provavelmente com base nos mesmos argumentos usados na consulta, que o vincula, argumentos estes que pode até endossar com outros na autuação (Argumento α); (d) na impugnação à autuação (assim como em eventual recurso voluntário), a empresa manifesta o porquê de sua discordância em relação à argumentação externada na autuação de que a classificação correta é “C” (vejase aqui que é irrelevante que a impugnante sustente ser correta a classificação “A” ou “B”, pois isso não mais está em discussão na autuação, e tal matéria só deve ser analisada na medida em que contribua para saber se a classificação, ou a linha de argumentação adotada na autuação é correta); (e) o julgador de piso (DRJ), que é vinculado pela Solução de Consulta, ao apreciar a autuação, não deve confundila com um recurso à Solução de Consulta, e pode inclusive entender que o argumento primordial para a manutenção da autuação, considerando correta a classificação “C”, é aquele acrescentado na autuação (Argumento α), e que nem constava na Solução de Consulta; ou pode ainda entender que a autuação é improcedente por algum aspecto que seja externo à Solução de Consulta (v.g. nulidade ou erro); Fl. 510DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 35 19 (f) no âmbito do CARF, que não faz parte da estrutura da RFB, já não existe vinculação à Solução de Consulta, podendo haver livre apreciação do mérito (inclusive das conclusões expressas na Solução de Consulta), mas isso ainda não deve ser confundido com “recurso” à decisão exarada no processo de consulta; (g1) julgada procedente a autuação, no CARF, em caráter definitivo, concluise que a classificação correta para o período Δt era “C”, não tendo a empresa conseguido afastar os argumentos contidos na autuação (que podem ou não ser comuns aos externados na Solução de Consulta); (g2) julgada improcedente a autuação, no CARF, em caráter definitivo, concluise que a classificação correta para o período Δt não era “C” (o que não quer dizer que a classificação “A” ou “B” seja correta) por ter a empresa conseguido afastar os argumentos contidos na autuação (que, igualmente, podem ou não ser comuns aos externados na Solução de Consulta); e (h) qualquer que seja o resultado do julgamento do CARF (g1 ou g2), permanecem totalmente eficazes os efeitos da consulta formulada, que continua a vincular o fisco, que poderia lavrar novas autuações caso a empresa não classificasse, em períodos distintos de Δt, a mercadoria como “C”. Pelo que se percebe do exemplo, o fato de haver eventual intersecção de matérias não faz com que se confundam os processos e os efeitos de uma e de outra decisão, exaradas inclusive por órgãos independentes. Vejase que na apreciação de uma segunda autuação lavrada na forma descrita no item (h) do exemplo, poderia o CARF chegar a entendimento diverso (g2 ao invés de g1), que igualmente não ocasionaria intervenção alguma sobre os efeitos da consulta em um terceiro período. Em síntese, o afastamento dos efeitos da consulta se dá apenas dentro do rito processual relacionado às consultas, e não no rito de determinação e exigência de crédito tributário, no qual a análise é restrita ao caso autuado, no período autuado, com os elementos constantes na autuação (sejam ou não eles simples cópia dos externados na Solução de Consulta). E, por óbvio, a resposta obtida no processo de consulta não inibe o contencioso administrativo provocado pelo fisco em autuação. Em outras palavras, não existe autuação previamente procedente, na hipótese. 3 O caso concreto No caso em análise, o procedimento fiscal inicia com diligência e intimação à empresa (em 20/04/2010 – fls. 02/03) para que esta se pronunciasse sobre as ações que foram tomadas em relação à consulta efetuada por meio do processo no 16624.004030/200853, acerca da classificação fiscal do produto “CIDR, fabricado pela InterAg.”, com resposta na Solução de Consulta no 115, de 23/12/2009, cientificada em 14/01/2010. A Solução de Consulta (fls. 215 a 219) no 115 é emitida em 23/12/2009 (com ciência em 14/01/2010 fl. 224), e, com base nas Regras Gerais Interpretativas no 1 e 6 do Sistema Harmonizado(SH), combinadas com a Regra Complementar no 1 (do MERCOSUL), e com as Notas Explicativas do SH da posição 3003 e da posição 9018, com a Nota 4 do Capítulo 30, concluise que a classificação correta do produto é 9018.90.99. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 20 Não havendo resposta, a empresa é reintimada em 08/06/2010 (fls. 64/65), e solicita, em 14/06, prazo adicional de 30 dias para apresentação de esclarecimentos, prazo concedido pela fiscalização (fls. 66/67). Em 15/07/2010, a empresa apresenta seus esclarecimentos (fls. 69 a 72), informando de início que: “... ao tomar ciência da aludida Solução de Consulta, de no 115/2009, e constatar que o entendimento nela contido divergiu daquele por ela pretendido, buscou informações – junto a especialistas em medicamentos veterinários (funcionários e terceiros), nos documentos emitidos pelo exportador e literatura técnica pertinente (nacional e estrangeira) e em outras manifestações fazendárias – de forma a compreender a razão dessa divergência” E prossegue a empresa informando que todas as análises apontaram para a correção da classificação fiscal pretendida (e não da atribuída pela Solução de Consulta). Acrescenta que, ao contrário do que conclui a referida Solução de Consulta, “o CIDR é um medicamento de uso veterinário, cuja finalidade terapêutica é o tratamento do anestro em vacas e novilhas”, e que havia entendimento firmado em 2001 sobre o tema (publicado no início de 2002) na Solução de Consulta SRRF09 no 199/2001, envolvendo produto similar (“Prociolin suíno”), ambos os produtos constituindo “medicamentos de uso veterinário à base de hormônios, apresentados acondicionados para venda a retalho, cuja função terapêutica principal é o tratamento do anestro (de fêmeas de bovinos, no caso do CIDR, e de fêmeas de suínos, no caso do Prociolin Suíno” (descrições dos dois produtos às fls. 253/254 e 255/256). Informa, por fim, a empresa, que, apesar dos estudos, não promoveu nenhuma ação peticionaria em relação à Solução de Consulta no 115/2009, requerendo, com base nos princípios que regem a administração pública (como segurança jurídica e eficiência), que fosse formulada representação acerca da divergência entre as duas soluções de consulta apontadas, e não fosse adotada nenhuma medida em relação à empresa. A unidade local da RFB prossegue na apuração de eventuais créditos tributários a serem exigidos, mas encaminha ainda a questão à Superintendência (atendendo ao pedido da empresa), para que esta se pronunciasse sobre a divergência apontada, e a eventual admissibilidade de recurso (fls. 77/78), tendo a Superintendência informado que o prazo para interposição de recurso de divergência havia se esgotado, e ainda que as respostas apontadas como divergentes se referem a consultas sobre produtos “que, embora apresentando similaridade, são diferentes em composição, apresentação e função principal”. Pela cópia do processo de consulta efetuado (fls. 169 a 224), percebese que a empresa informa, sobre o produto consultado, entre outros: a função principal (controle do cio em novilhas e vacas); a aplicação (intravaginal) do dispositivo de silicone em forma de “T”, impregnado de progesterona; a composição (1,9 g de progesterona e 30 g de excipiente o.s.p.); e as classificações fiscais adotada (3006.60.00) e pretendida (3004.39.39). Apresenta ainda licença para uso do produto (fl. 206) na qual se indica a fórmula completa: “progesterona: 1,90g, silicone:17,10g, nylon 6.6: 10,70g”, juntando ainda literatura técnica sobre anestro (fls. 196 a 205), e “bula” do CIDR com o desenho do produto (fl. 205): Fl. 512DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 36 21 Após descrever os fatos aqui narrados no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (fls. 260 a 267), é lavrado auto de infração para exigência das diferenças em relação ao Imposto de Produtos Industrializados (IPI), de janeiro de 2006 a novembro de 2010 (fls. 269 a 295, com ciência em 18/01/2011 fl. 289), acrescidas de juros de mora e multa de ofício (75%), em total geral de R$ 6.899.778,49. Na impugnação apresentada em 17/02/2011 (fls. 298 a 308) a empresa reapresenta explicação sobre o produto objeto da consulta, sustentando o enquadramento no código 3004.39.39, questionando afirmações constantes na Solução de Consulta no 115/2009, sobre os termos “terapêutico” (à luz do dicionário HOUAISS) e “doença” (à luz do “Concise Science Dictionary”), e reiterando que houve resposta diferente para caso similar (na Solução de Consulta SRRF09 no 199/2001). Acrescenta que o produto importado não é um Fl. 513DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 22 “instrumento para veterinária”, sendo incabível a classificação na posição 9018 (e o código defendido na autuação e na solução de consulta: 9018.90.99), pois não ha´intervenção técnica para utilização do produto e o dispositivo em forma de “T” é “apenas um suporte impregnado de progesterona confeccionado de material completamente inerte, cuja função é unicamente servir de suporte dispensados do produto químico, permanecendo no útero do animal apenas o tempo suficiente para a absorção da progesterona, sendo posteriormente descartado”, e que “a passagem da progesterona impregnada ao dispositivo, para a mucosa do animal, se dá por diferença de polaridade dos meios, ou seja, a mucosa do animal suga a progesterona impregnada ao dispositivo lentamente, durante 08 (oito) a 10 (dez) dias, esvaziando a parte porosa do dispositivo por completo”, demandando aplicação da Regra 3b do SH, classificando o produto em função da matéria que lhe confira característica essencial (juntando publicações científicas fls. 322 a 339, 340 a 352, 352 a 362, 362 a 372; e citando parecer que indica como correta a classificação 2937.23.39, e soluções de consulta sobre medicamente impregnados em adesivos). No julgamento de primeira instância, em 08/11/2011 (fls. 380 a 384), a DRJ informa que a classificação adotada pelo fisco foi exatamente a dada em resposta a consulta efetuada pela autuada, em processo específico, findo administrativamente. E que não cabe a reanálise da questão no curso do processo administrativo fiscal. Adiciona que a consulta formulada protege o consulente da aplicação de penalidades até o trigésimo dia subsequente à ciência do resultado (solução). Cientificada do julgamento de piso em 30/11/2011 (AR à fl. 389), e empresa apresenta recurso voluntário em 26/12/2011 (fls. 396 a 411), reiterando os argumentos expostos na peça inicial de defesa e demandando a nulidade da decisão de piso, por preterir o direito de defesa ao não apreciar no mérito a impugnação (sendo o processo de consulta deficiente no que se refere ao contraditório, por não permitir a discussão das conclusões externadas na solução), invocando precedente deste tribunal administrativo (Acórdão no 3201 00.399). Ao apreciar a peça recursal, em 19/03/2013, o CARF acata o argumento da nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa (Acórdão no 3102001.798 fls. 422 a 427), retornando o processo para apreciação integral da defesa pela DRJ. Cientificadas a PGFN (fl. 430) e a recorrente (fl. 440), o processo retorna à DRJ, que, em segundo julgamento de piso, efetuado em 08/10/2013 (fls. 447 a 457), mantém integralmente o lançamento, utilizandose dos mesmos argumentos externados na Solução de Consulta no 115/2009, com os quais afirma concordar. Após ciência do o segundo julgamento efetuado pela DRJ, em 31/10/2013 (cf. Termo de fl. 269), a empresa apresenta novo recurso voluntário em 19/11/2013 (fls. 471 a 484), reiterando as disposições de defesa anteriormente expostas. Tendo em vista o exposto nos tópicos 1 (processo de consulta) e 2 (efeitos da consulta no processo administrativo de exigência de crédito tributário e penalidades), passo a tratar da questão apresentada em concreto. A autuação, no caso, limitase à remissão à Solução de Consulta, não agregando qualquer outro elemento. Assim, acaba se ocupando demasiadamente da tarefa de rechaçar as classificações pretendidas pela recorrente, e reconhecemos seu êxito em relação à matéria, visto restar cristalinamente demonstrado que o “anestro” não é uma doença, e que, não sendo uma doença, o produto em análise não seria para uso profilático / terapêutico. Também é Fl. 514DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 37 23 claro que o produto não é um contraceptivo: pelo contrário, sua função é justamente aumentar a capacidade de reprodução do gado. A classificação da mercadoria, assim, segue a Regra Geral Interpretativa no 1: “Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes”. A RGI1 expurga a possibilidade de simplesmente começar um procedimento de classificação da mercadoria pelo título, v.g., do Capítulo 30 (“Produtos Farmacêuticos”), crendo falsamente que todos os produtos enquadráveis no título ali estariam. E a Nota 4 do Capítulo 30 (de caráter excludente) afirma que: “Nota 4 A posição 30.06 compreende apenas os produtos seguintes, que devem ser classificados nessa posição e não em qualquer outra da Nomenclatura: a) Os categutes esterilizados, os materiais esterilizados semelhantes para suturas cirúrgicas (incluindo os fios absorvíveis esterilizados para cirurgia ou odontologia) e os adesivos esterilizados para tecidos orgânicos, utilizados em cirurgia para fechar ferimentos; b) As laminárias esterilizadas; c) Os hemostáticos absorvíveis esterilizados para cirurgia ou odontologia; as barreiras antiaderentes esterilizadas para cirurgia ou odontologia, absorvíveis ou não; d) As preparações opacificantes para exames radiográficos, bem como os reagentes de diagnóstico concebidos para serem administrados ao paciente e que constituam produtos não misturados apresentados em doses, ou produtos misturados constituídos por dois ou mais ingredientes, próprios para os mesmos usos; e) Os reagentes destinados à determinação dos grupos ou dos fatores sanguíneos; f) Os cimentos e outros produtos para obturação dentária; os cimentos para a reconstituição óssea; g) Os estojos e caixas de primeirossocorros, guarnecidos; h) As preparações químicas contraceptivas à base de hormônios, de outros produtos da posição 29.37 ou de espermicidas; ij) As preparações apresentadas sob a forma de gel, concebidas para uso em medicina humana ou veterinária, como lubrificante para determinadas partes do corpo em intervenções cirúrgicas ou exames médicos, ou como meio de ligação entre o corpo e os instrumentos médicos; Fl. 515DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 24 k) Os resíduos farmacêuticos, ou seja, os produtos farmacêuticos impróprios para o uso a que foram originalmente destinados devido a estarem fora do prazo de validade, por exemplo; l) Os equipamentos identificáveis para ostomia, tais como os sacos, cortados no formato para colostomia, ileostomia e urostomia, bem como os seus protetores cutâneos adesivos ou placas frontais.” (grifo nosso) Logra êxito, assim, o fisco, em afastar, utilizando a RGI1, a posição 30.06 (referente à classificação adotada). Mas isso não endossa a classificação proposta na autuação. Utilizando as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), especificamente a referente à posição 30.03, que se pode aliar à da posição 30.04, o autuante permite ainda a formação de convicção de que a mercadoria não se classifica em tal posição, nem na 30.04, por não ser um medicamento: “30.03 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho. (...) A presente posição compreende as preparações medicamentosas de uso interno ou externo, para fins terapêuticos ou profiláticos em medicina humana ou veterinária. Estes produtos obtêmse misturando duas ou mais substâncias entre si. Todavia, apresentados em forma de doses ou acondicionados para venda a retalho, incluemse na posição 30.04.” (grifo nosso) “30.04 Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses (incluindo os destinados a serem administrados por via percutânea) ou acondicionados para venda a retalho. (...) A presente posição compreende os medicamentos constituídos por produtos misturados ou não misturados, com a condição de serem apresentados: (...)” (grifo nosso) Assim, convencenos o autuante no que se refere à matéria que não é objeto da autuação, ou seja, em afastar a classificação adotada e a classificação pretendida pela empresa quando da realização da consulta. Contudo, ao afastar tais classificações, tendo em vista não ser o produto um medicamento, há um “salto lógico” na argumentação, afirmandose que ao invés de o dispositivo de silicone impregnado com progesterona ser um medicamento, ele se constitui em um “instrumento de uso veterinário”. Como a conclusão da autuação derivada da Solução de Consulta, a ela remetemos nesse aspecto: “Embora o efeito desejado decorra da atividade da progesterona no organismo do animal, o dispositivo que a contém também é importante, por permitir a liberação contínua Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16095.000022/201169 Acórdão n.º 3403003.186 S3C4T3 Fl. 38 25 e controlada do hormônio, de forma que ambos, o dispositivo de silicone e a preparação à base de hormônio, constituem um sistema para liberação controlada de progesterona no organismo do animal. Assim, encontrase abrangido pela posição 9018, cujo texto é assim definido: 90.18 Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluídos os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais.” (grifo nosso) Aparentemente estava a fiscalização tentando classificar a preparação química (identificando que o silicone era apenas um meio de introduzir a preparação no organismo, tal qual o seria um adesivo ou uma seringa). Mas, ao encontrar obstáculos na classificação da preparação como medicamento, passou a classificar a preparação a partir do meio (o silicone no qual a preparação estava impregnada), dizendo que ambos formavam um “sistema” (sic). Aí a nosso ver reside uma deficiência no argumento da fiscalização, que reconhece explicitamente (no excerto negritado) o caráter secundário do dispositivo de silicone, e o protagonismo da substância química, mas ainda assim os interpreta como um “sistema” (sic). Verificando a literatura técnica apresentada nas peças recursais, percebese que o silicone é tão somente um meio, e não “libera” de forma contínua e controlada o hormônio. A liberação contínua e controlada não tem participação ativa do silicone, ou do bastão, mas da troca de fluidos ocorrida na vagina da vaca. Em outras palavras, não são liberados “jatos” de hormônio temporizadamente a partir do silicone. O silicone é totalmente passivo; é simplesmente o meio onde está impregnada a progesterona que, por sua vez, interage com os fluidos vaginais da vaca. Fosse o dispositivo de silicone um “aparelho para facilitar partos de vacas”, por si, não teríamos dúvida da propriedade da posição 90.18, em função da NESH excludente da posição 84.36: “Excluemse deste grupo: (...) m) Os aparelhos para facilitar partos de vacas (posição 90.18).” Mas não se está a tratar de um “aparelho para facilitar”. Não é o aparelho que facilita, mas a substância nele impregnada. E não “facilita partos”, mas controla o cio. E vejase que a leitura da NESH da posição 90.18, que enumera produtos ali compreendidos, guarda pouca relação com a mercadoria em análise, tanto que o fisco sequer encontra algo parecido, tendo que seguir para subposições residuais (“outros”) e para item/subitem igualmente residuais. Ademais, como destaca a recorrente, as NESH da posição 90.18 afirmam que “a presente posição compreende um conjunto particularmente vasto de instrumentos e aparelhos, de quaisquer matérias (incluídos os metais preciosos), que se caracterizam essencialmente pelo fato de que o seu uso normal exige, na quase totalidade dos casos, a intervenção de um técnico (médico, cirurgião, dentista, veterinário, parteira, etc.), para estabelecer um diagnóstico, para prevenir ou tratar uma doença, para operar, etc.”. E, Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN 26 também, compulsando a literatura técnica apresentada nas peças recursais, não nos parece que o produto se enquadre em tais atributos. Em síntese, a autuação não logra êxito em comprovar a correção da classificação defendida (90.18.90.99), no caso concreto analisado. E isto é suficiente para que se reconheça sua improcedência, não havendo necessidade de este tribunal administrativo (que não é órgão solucionador de consultas sobre classificação fiscal) se pronunciar sobre qual seria a correta classificação da mercadoria. É de se recordar, por fim, que, de acordo com o defendido no tópico 2 desta declaração de voto, a decisão proferida por este colegiado em relação à presente autuação, em concreto, não produz qualquer efeito sobre a Solução de Consulta destinada ao autuado, que continua a vincular o fisco e a possibilitar nova autuação à empresa, em caso de descumprimento em relação a período diverso do autuado. E isso só endossa a independência entre os processos de determinação e exigência de crédito tributário (como o presente) e os processos de consulta sobre classificação de mercadorias. A reversão dos efeitos da consulta só é viável dentro dos mecanismos previstos na norma disciplinadora do tema (hoje a IN SRF no 1.464/2014). Pelo exposto, concordo com as conclusões adotadas no voto do relator, mas a partir dos argumentos nesta declaração externados. Rosaldo Trevisan Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 12045.000443/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado não merecem ser acolhidos os embargos de declaração.
Numero da decisão: 2301-004.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não acolher os embargos propostos, nos termos do voto do Relator
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ARTIGO 65 DO RICARF. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado não merecem ser acolhidos os embargos de declaração.
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ARTIGO 65 DO RICARF. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado não merecem ser acolhidos os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não acolher os embargos propostos, nos termos do voto do Relator Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 43 /2 00 7- 48 Fl. 841DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de embargos de declaração opostos contra v. acórdão proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o qual, em breve síntese, por unanimidade, anulou o lançamento. Sustenta a embargante que o acórdão omitiuse na análise de que o motivo que ensejou a nulidade do lançamento (endereço do contribuinte) não foi deduzida nos autos. Por meio do despacho 2301154 os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Como se vê os embargos de declaração opostos buscam suprimir as seguintes omissão em relação a ausência de impugnação em no que dize respeito à fixação do endereço fiscal do sujeito passivo. No que diz respeito ao item acima o voto condutor do acórdão proferido por essa E. Turma, assim se pronunciou: 5. Compulsando os autos, verificase que a auditoria fiscal realizada no estabelecimento da recorrente, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, determinou que a documentação fosse apresentada no estabelecimento 42.563.692/001289 situado na Rua São José, 90 7° andar Centro Rio de Janeiro/RJ e lá perrnanecesse até o encerramento da ação fiscal. ` 6. Com razão o contribuinte argumenta que, de acordo com seu contrato social e outros documentos acostados aos autos, o domicílio tributário estava situado na Rua Capitão Jorge Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ. 7. O fisco, por sua vez, tenta afastar os argumentos do contribuinte trazendo aos autos indícios de prova no sentido de que a empresa elegeu como domicílio tributário o estabelecimento em que se desenvolveu o procedimento fiscalizatório, portanto não haveria razão alguma para anular o lançamento fiscal. Ademais, registrou que a questão relativa ao domicílio fiscal foi discutida em processo judicial, o qual fez coisa julgada material em favor do sujeito passivo. Destaco os seguintes trechos: “9. Considerando a decisão judicial, a qual não pode ser desconhecida da administração, temos como assegurado que o domicílio tributário da empresa recorrente é a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores RJ, conforme defendido em suas razões recursais. Portanto, está eivado de nulidade o lançamento fiscal em seu nascedouro.” Fl. 842DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12045.000443/200748 Acórdão n.º 2301004.109 S2C3T1 Fl. 841 3 Como se vê, a Turma Julgadora, em que pese a impugnação apresentada pelo contribuinte não veicular especificamente essa matéria, não pode deixar de aplicar um entendimento já fixado definitivamente pelo Poder Judiciário, em homenagem aos princípios da legalidade, ampla defesa e contraditório. Ante o exposto, VOTO no sentido de NÃO ACOLHER os embargos de declaração. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 843DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 20/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006322/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial desloca-se para a regra do art. 150, §4º, do CTN.
Hipótese em que não houve o decurso do prazo de 5 (cinco) anos.
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte teve acesso a todos os documentos acostados aos autos e todos os relatórios e informações constantes são suficientes para sua defesa administrativa.
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2).
LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA.
Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2 do CARF).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso em função de nulidade.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE O PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE ACORDO COM A SISTEMÁTICA PREVISTA PELO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO SEU REGIMENTO INTERNO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 973.733/SC, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado e esse ocorre, a contagem do prazo decadencial deslocase para a regra do art. 150, §4º, do CTN. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 63 22 /2 00 8- 56 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 987 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Eduardo de Souza Leão e Daniel Pereira Artuzo, que votaram por dar provimento ao recurso em função de nulidade. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 988 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 959/983) interposto em 28 de dezembro de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (efls. 915/951), do qual a Recorrente teve ciência em 07 de dezembro de 2009 (efl. 954), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de efls. 872/877, lavrado em 14 de outubro de 2008, em decorrência de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada nos anos calendário de 2003 a 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela. Sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR DE NULIDADE. OBTENÇÃO ILEGAL DE DADOS BANCÁRIOS. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n°. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Não se trata de quebra de sigilo, mas de transferência de dados, com a responsabilidade da manutenção do sigilo. DECADÊNCIA Não decai o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento quando tal procedimento administrativo for realizado dentro do prazo de 05 (cinco) anos estabelecido na legislação tributária pertinente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 989 4 ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE 75%. CONFISCO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. No que tange à invocação da figura do confisco, não compete à autoridade julgadora administrativa formar juízo sobre a validade jurídica das normas vigentes, aplicadas na determinação do crédito tributário, sendolhe defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. Lançamento Procedente” (efls. 915/917). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 959/983), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, (i) a ocorrência da decadência, nos termos do art. 173 do CTN, (ii) nulidade do auto de infração e cerceamento de defesa, (iii) a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, e (iv) se a multa de ofício aplicada seria confiscatória. Preliminarmente, a Recorrente alega que o crédito tributário teria sido alcançado pela decadência. Não obstante, razão não lhe assiste, pois, no presente caso, o imposto diz respeito aos anoscalendário de 2003 a 2005, de modo que, de acordo com o artigo 150 do Código Tributário Nacional, a fiscalização teria até o dia 31 de dezembro de 2008 para intimar o Recorrente do auto de infração referente ao ano de 2003. De acordo com os documentos acostados aos autos, a intimação foi recebida em 17 de outubro de 2008 (efl. 879), não tendo decaído, portanto, o direito de a Fazenda efetuar o lançamento. Consequentemente, a preliminar suscitada pela Recorrente deve ser afastada. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 990 5 No mérito, a Recorrente alega, inicialmente, haver a nulidade do auto de infração, tendo em vista, sinteticamente, basearse em números lançados de forma simples, sem uma explicação detalhada sobre a sua composição, havendo o cerceamento de sua defesa. De fato, como aponta a jurisprudência pacífica deste órgão judicante, apenas com a intimação do contribuinte, por meio do auto de infração, é que se instaura a fase litigiosa do processo administrativo, sendo, portanto, incabível falarse em cerceamento de defesa do contribuinte. Nesse sentido, cumpre conferir o seguinte acórdão, da lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cuja ementa segue transcrita: “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DE FORMA PARCIAL PELO PODER JUDICIÁRIO LIMITAÇÃO DE ACESSO NULIDADE DO LANÇAMENTO Descabe a pretensão de nulidade do auto de infração, ainda que acostadas aos autos cópias integrais de extratos bancários, fornecidos pelas instituições financeiras, em decorrência de ordem judicial que autorizou a quebra do sigilo bancário envolvendo operações iguais ou superiores a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil Reais), se no lançamento foram considerados apenas os valores determinados pela justiça. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 141.595, relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 18/05/2005). Ademais, da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à sua defesa, uma vez que não se vislumbrou negativa de acesso aos autos. Salientase, inclusive, que a Recorrente elaborou suas defesas, teve pleno acesso aos autos, logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração, aplicandose, pois, o brocardo pas de nullité sans grief. Ora, a Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias à sua defesa no momento da apresentação da sua impugnação e, até mesmo, em fase de recurso voluntário, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. No que concerne à alegação de que a legislação, ao autorizar a utilização pela fiscalização de dados bancários para lavratura de autos de infração, teria violado a Constituição da República no que toca ao seu art. 5º, X e XII, cumpre salientar que este Conselho já pacificou o entendimento, consolidado no verbete de número 2, segundo o qual não lhe assiste competência para verificar a constitucionalidade de dispositivos legais, cuja análise fica a cargo do Poder Judiciário. Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 991 6 Nesse esteio, cumpre repisar que a Medida Provisória n.º 449/2008, ao introduzir o art. 26A no Decreto n.º 70.235/72, pacificou tal discussão, vedando expressamente a aferição da constitucionalidade de diplomas legais, cuja validade o ordenamento jurídico pátrio expressamente presume. A este respeito, aliás, cumpre destacar que, muito embora tenha o Supremo Tribunal Federal, em controle difuso de constitucionalidade, no julgamento do RE n.º 389.808/PR, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, entendido que “conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídicotributária o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte”, referida interpretação foi feita por maioria simples de votos, razão pela qual não foi declarada a inconstitucionalidade de quaisquer dispositivos legais, matéria esta sujeita à maioria absoluta dos pares, na forma do art. 101 da Constituição. Em outras palavras, referido julgado, não apreciado pelo regime de repercussão geral, restringese à aplicação naquele caso específico, pois não foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer normativo, ainda que em controle difuso, o que inibe este CARF, sob pena de ofensa ao disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72, de afastar a aplicação de dispositivos de lei vigentes e aplicáveis ao caso concreto. No tocante à alegação de nulidade do procedimento fiscal em virtude da impossibilidade de obtenção das informações bancárias do contribuinte, cumpre ressaltar que, ao contrário do quanto destacado pelo Recorrente, com o advento da Lei n.º 10.174/2001, acompanhada, igualmente, da Lei Complementar n.º 105/2001, passouse a admitir, inclusive com eficácia retroativa, a utilização, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dos dados referentes às contas bancárias dos contribuintes para o fim específico de conferir subsídios às fiscalizações relativas ao recolhimento dos tributos por ela administrados, e, bem assim, como fundamento para a lavratura de eventuais autos de infração. Por esta razão, sendo certo que o lançamento tributário foi realizado após a edição dos normativos em referência, em especial do disposto pela Lei n.º 10.174/01, não se afigura, no caso vertente, qualquer nulidade apta a censurar a fiscalização. Vale ressaltar, outrossim, no tocante à utilização dos referidos procedimentos com efeito retroativo, de maneira a alcançar fatos geradores realizados anteriormente, que é entendimento assente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consagrado na Súmula CARF n.º 35, na esteira do que estatui o art. 144, §1º, do CTN, que a utilização de técnicas procedimentais, cujo escopo é possibilitar um maior leque de opções para a fiscalização, como é o caso das leis referidas pelo Recorrente, é permitida no que toca aos rendimentos auferidos anteriormente à sua vigência, respeitado, no entanto, o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário. Confirase: Súmula CARF nº 35: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Dessa forma, não pode prosperar a alegação feita, no que tange à quebra de sigilo bancário. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.006322/200856 Acórdão n.º 2101002.627 S2C1T1 Fl. 992 7 Quanto ao dever de análise de questões relativas à inconstitucionalidade da lei, aduzidas pela Recorrente, é cediço que as instâncias administrativas são incompetentes para tanto. É o que estabelece a Súmula n.º 2 do CARF: “Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Dessa forma, foge da competência dessa Câmara analisar as questões de inconstitucionalidade suscitadas pela Recorrente. Finalmente, assevera o contribuinte ser confiscatória a multa aplicada. Entretanto, cumpre salientar que com relação à arguição de inconstitucionalidade da multa de ofício por violação ao art. 150, IV, da Constituição Federal, temse que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Portanto, tratandose de dispositivo legal vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/11/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10830.917794/2011-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 94 /2 01 1- 94 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917794/201194 Acórdão n.º 3801004.436 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917794/201194, contra o acórdão nº 0948.368, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917794/201194 Acórdão n.º 3801004.436 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917794/201194 Acórdão n.º 3801004.436 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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