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Numero do processo: 10675.001715/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .0 01 71 5/ 20 07 -8 5 Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório JOSÉ ANTÔNIO CAPANEMA DE OLIVEIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 182.703.01604, com domicílio fiscal na cidade de Uberlândia MG, Estado de Minas Gerais, na Rua. Lisboa, n.º 579 – MG Bairro Tibery, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberlândia MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 259/265, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 269/283. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 26/06/2007, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/06), com ciência por AR, em 13/10/2006 (fls. 10), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.537.785,22 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. A infração esta capitulada nos arts. 1º, ao 3º, e §S, da Lei nº 7.713, de 1988; arts 1º e 2º, da Lei nº 8.134, de 1990; arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99; art. 1º da Medida Provisória nº 22, de 2002 convertida na Lei nº 10.451, de 2002. 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. A infração esta capitulada nos arts. 849 do RIR/99; art. 1º da Medida Provisória nº 22, de 2002 convertida na Lei nº 10.451, de 2002. 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA EM NOME DO CÔNJUGE JULIANA SAUD: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em nome do cônjuge do contribuinte, Sra. Juliana Saud Maia Fávaro, em relação aos quais, não foi comprovado, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. A infração esta capitulada nos art. 849 do RIR/99; (art. 1º da Medida Provisória nº 22, de 2002 convertida na Lei nº 10.451, de 2002. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 4 3 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração, entre outros, os seguintes aspectos: que o procedimento fiscal foi iniciado em 13 de outubro de 2006, com a ciência, via postal, do termo de inicio para o contribuinte apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários. Em resposta de 06 de novembro, alega que, em se tratando de pessoa física está desobrigado de manter os extratos bancários em arquivo; afirma que deles não tem cópia para fornecer ao fisco; que requisitou aos bancos tais extratos; que as instituições financeiras alegaram não ser suficiente para atendimento o prazo dado Cabe frisar que apesar da alegação de ter solicitado os extratos aos bancos, não anexou qualquer prova disso na resposta. Assim, transcorrido o prazo da intimação, os extratos bancários foram requisitados diretamente às casas bancárias conforme RMFEs de fls. 12/23. Recebidos os extratos, efetuada a conciliação bancária, excluídos créditos. relativos a empréstimos, estornos, transferências entre contas do fiscalizado, devolução de cheques compensados, foi efetuada a intimação de fls. 24/33, onde o contribuinte é intimado a comprovar a origem dos créditos em conta.Em petição de 30 de janeiro de 2007, informa estar com dificuldades em localizar os documentos que originaram a movimentação financeira. Solicita 90 dias de prazo Este foi dilatado até 02/03/07. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 31/07/2007, a sua peça impugnatória de fls. 239/253, instruído pelos documentos de fls. 254/258, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que nenhum demonstrativo particularizando os montantes dos depósitos sobre os quais o Fisco quer fazer incidir a exação hostilizada fora disponibilizado autuado; que no direito tributário, o ônus da prova em contrário é da responsabilidade do contribuinte, porém, para que possa ingressar na intimidade estrutural de cada questão suscitada, é óbvio que a acusação fiscal tem que ser clara; transparente e inteligível; que deste modo, a não exibição, antes do inicio do prazo para a defesa administrativa, de todos os elementos utilizados pela Em. Autoridade Lançadora durante a preparação e formalização do seu questionamento, caracteriza cerceamento do direito do exercício da defesa irrestrita, implicando, consequentemente, em quebra do principio do contraditório e em conseqüente nulidade dos atos processuais praticados a partir da inobservância das prerrogativas asseguradas aos acusados em geral, em qualquer tipo de ação; que com o desentranhamento dos papeis coligidos pelo R. Auditor Fiscal, inconclusivo se revela o lançamento que propõe, sobretudo pela absoluta falta de provas em tomo dos fatos que suscita; que ora, tal percentual representa um flagrante confisco tributário, expressamente vedado pelo art. 150 IV, da CF / 88 (utilizar tributo com efeito de confisco), posto que, se há proibição de cobrar tributo corno meio de confiscar o patrimônio particular, com mais razão também não se pode exigir uma penalidade onde o confisco tributário é ostensivo, nomeadamente porque a Constituição somente admite confisco de patrimônio ou de bens particulares nas estritas hipóteses da sentença penal condenatória transitada em julgado; que o fundamento constitucional que veda a aplicação do confisco tributário e a multa com este caráter, reside na impossibilidade de quebra de certas regras ou garantias que Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 5 4 a própria Constituição assegura a todas as empresas privadas tais como o flagrante afronta ao princípio da legalidade do ato administrativo, vez que não tem conformação ideológica entre o fato e a penalidade imposta, ocorrendo então desvio e abuso de poder; que é cediço que a F N tem a intenção de fazer incidir sobre os créditos tributários que pretende arrecadar frente ao universo de seus contribuintes, juros moratórios calculados pela taxa SELIC. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG, concluíram pela procedência em parte da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que dessa forma, infere este relator que o autuado detinha pleno conhecimento da discriminação dos créditos em contas correntes levados à tributação. Ademais, importa registrar que se deu, ainda, em nome do contribuinte, a solicitação de cópia de todas as folhas do processo (a partir da 11, 9), de acordo com o termo de fl. 237; e que, conforme teor da impugnação apresentada, com a citação específica de operações que constaram daquelas relações, como o subitem "4.11", à fl. 249, que fez referência da fl. 26, notase clara ciência dos valores tributáveis apurados; que arguição de nulidade, expressou o sujeito passivo ser indevida, em razão de ferir princípios constitucionais, a quebra do sigilo bancário e, em consequência, eivada de vício a utilização desses dados como base para o lançamento; que em vista do arrazoado, firmase a compreensão de que a autoridade lançadora agiu sob a égide da legalidade, porquanto as informações perante as instituições financeiras foram obtidas com fulcro no artigo 6° da Lei Complementar n. 105/2001, regulamentado pelo Decreto n. 3.724/2001, cabendo mencionar que em relação ao citado dispositivo não paira qualquer declaração de inconstitucionalidade; que pelas regras, à época, os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte; que, podese dizer ter a aludida Lei n° 9.430/96 estabelecido que não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável; que a alegação acerca da Súmula n° 182 do extinto TFR é improcedente, uma vez que o lançamento tem por fundamento legal, reiterese, o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Significa, portanto, que existe, sim, fundamento legal para o lançamento embasado em depósitos bancários cuja origem não restar comprovada. Assim sendo, é fora de propósito pretender equiparar este lançamento àqueles que motivaram a citada Súmula, que são os mesmos existentes ao tempo da edição do Decretolei n° 2.471, de 1988. Tornase, então, excrescente a citação de jurisprudência e doutrina formados com base em legislação Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 6 5 cabalmente modificada pela Lei n° 9.430, de 1996. São realidades distintas que não se confundem; que a autoridade lançadora frisou na descrição dos fatos, à fl. 48, a conciliação bancária realizada, o que já foi exposto no presente voto, com a exclusão, entre outros, de valores correspondentes à devolução de cheques. Dessa forma, compreendese que os cheques devolvidos mais de uma vez, mesmo que incluídos em depósitos posteriores, só sensibilizaram a apuração quando o crédito se tornou definitivo; logo, a mera menção, à fl. 250, de que "cheques foram devolvidos até por mais de uma vez, e, óbvio, foram repetidamente incluídos noutros depósitos ulteriores" não produz alegação suficientemente clara para identificar alguma ocorrência que houvesse considerado o mesmo crédito mais de uma vez no levantamento realizado pela Fiscalização; que nas demais arguições propostas, quanto a não observância a princípios constitucionais, como os da capacidade contributiva e do não confisco, repisese a estrita obediência da autoridade fiscal à legalidade, nos termos que determina o art. 142 do CTN; logo, não há que se tecer neste julgado qualquer análise acerca desse tópico, sem se olvidar, repisese, do afastamento de apreciação sobre as aduções de inconstitucionalidade; que as menções às multas previstas no Código de Defesa do Consumidor ou no Código Civil não se opõem àquela determinada pela legislação tributária, esclarecendose que na exegese do art. 109 do CTN os princípios gerais de direito privado não são utilizados para definição dos respectivos efeitos tributários. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS.DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica deixe de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não são computados para esse fim operações que não signifiquem efetivos depósitos, sendo que, no caso em concreto, alguns valores devem ser afastados da tributação, o que também se procede em relação àqueles correspondentes a parcela pertinente a outro titular de conta mantida em conjunto com o interessado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO; A prova documental deve ser apresentada na impugnação, estando direito do impugnante precluso se não exercido no momento processual fixado, salvas as exceções previstas e devidamente fundamentadas, as quais não foram demonstradas no caso em concreto. SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 7 6 PERÍCIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO VÁLIDA. INDEFERIMENTO; O pedido de perícia sem o amparo de justificação plausível, leva ao indeferimento desse pleito. LEGISLAÇÃO. DISCUSSÃO SOBRE A CONSTITUCIONALIDADE. Afastase do julgamento administrativo a discussão acerca de inconstitucionalidade de lei. Dessa forma, as alegações do interessado sobre a aplicação de multa e de taxa selic não são próprias nessa seara administrativa, considerandose que a exação se deu sob a égide da legislação tributária vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 11/09/2009, conforme Termo constante nas fls. 259/265, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (29/10/2009), o recurso voluntário de fls. 269/283, com instrução de documentos adicionais fls. 617/286, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 03/06 do Auto de Infração Fiscal o seguinte excerto: O procedimento fiscal foi iniciado em 13 de outubro de 2006, com a ciência, via postal, do termo de inicio de fls. , para o contribuinte apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários. Em resposta de 06 de novembro, alega que, em se tratando de pessoa física está desobrigado de manter os extratos bancários em arquivo; afirma que deles não tem cópia para fornecer ao fisco; que requisitou aos bancos tais extratos; que as instituições financeiras alegaram não ser suficiente para atendimento o prazo dado Cabe frisar que apesar da alegação de ter solicitado os extratos aos bancos, não anexou qualquer prova disso na resposta. Assim, transcorrido o prazo da intimação, os extratos bancários foram requisitados diretamente às casas bancárias conforme RMFEs de fls. 12/23. Recebidos os extratos, efetuada a conciliação bancária, excluídos créditos .relativos a empréstimos, estornos, transferências entre contas do fiscalizado, devolução de cheques compensados, foi efetuada a intimação de fls. 24/33, onde o contribuinte é intimado a comprovar a origem dos créditos em conta.Em petição de 30 de janeiro de 2007, informa estar com dificuldades em localizar os documentos que originaram a movimentação financeira. Solicita 90 dias de prazo Este foi dilatado até 02/03/07. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 9 8 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 10 9 CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 11 10 de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 12 11 órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 13 12 visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo Fl. 643DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 14 13 previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 714857 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe 217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 15 14 sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições Fl. 645DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10675.001715/200785 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.326 S2C2T2 Fl. 16 15 financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 646DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 13851.720052/2004-69
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
Compensação. Saldo Negativo de IRPJ. Prazo para Revisão do Resultado do Exercício. Decadência.
A administração tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a consistência da apuração do resultado do exercício efetuada pelo sujeito passivo. Findo o prazo, a apuração devidamente informada à Fazenda Pública é homologada tacitamente pelo decurso do tempo, restando à Administração Tributária, apenas a possibilidade de verificação e validação dos valores utilizados como dedução do imposto ou da contribuição devidos, ou na composição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL para fim de aferição de liquidez e certeza de indébitos pleiteados a esse título em compensações.
Direito Creditório. IRRF. Prova.
Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1801-002.089
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PRAZO PARA REVISÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO. DECADÊNCIA. A administração tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a consistência da apuração do resultado do exercício efetuada pelo sujeito passivo. Findo o prazo, a apuração devidamente informada à Fazenda Pública é homologada tacitamente pelo decurso do tempo, restando à Administração Tributária, apenas a possibilidade de verificação e validação dos valores utilizados como dedução do imposto ou da contribuição devidos, ou na composição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL para fim de aferição de liquidez e certeza de indébitos pleiteados a esse título em compensações. DIREITO CREDITÓRIO. IRRF. PROVA. Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 00 52 /2 00 4- 69 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Empresa Pioneira de Televisão S/A recorre a este Conselho de Acórdão proferido pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI pelo qual a 8a. Turma, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas nos PERDCOMP objeto dos autos. A empresa interessada transmitiu, entre julho e agosto de 2004, PERDCOMPs a fim de se aproveitar de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 220.766,18, para utilizálo na compensação de débitos próprios de sua responsabilidade. Visando analisar o direito creditório reivindicado o SAORT da DRF em Araraquara/SP emitiu intimação, em outubro de 2008, solicitando que a interessada apresentasse os seguinte elementos: 1 cópia autenticada do razão contábil da conta de ativo destacandose como foram contabilizados os valores de IRRF compensados na DIPJ 2002 / ano calendário 2001. 2 Cópia autenticada do razão contábil da conta de resultado na qual foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras que serviram de base de cálculo do IRRF no anocalendário 2001. Cumpre esclarecer que o IRRF compensável com o apurado na declaração de rendimentos só é passível de restituição quando provier de receitas incluídas na base de cálculo do IRPJ, o que inclui a comprovação de que as receitas financeiras foram oferecidas à tributação. 3 Em relação aos valores informados na ficha 06 ADemonstração do Resultado da DIPJ 2001, discriminar as receitas e apresentar o Razão Contábil dos valores informados nas seguintes linhas: linha 24Outras Receitas Financeiras= R$ 801.102,57 4 Cópia autenticada do LALUR e da Demonstração do Resultado do Exercício referente ao anocalendário 2001. 5 Demonstrativo apoiado em cópias dos informes de rendimentos autenticados em que a EMPRESA PIONEIRA DE TELEVISÃO S.A. CNPJ N° 59.152.629/000108 figure como beneficiária, indicando os valores retidos no ano calendário 2001, a titulo de IRRF, contendo a identificação das fontes pagadoras de rendimentos e o valor do imposto retido por cada uma, de modo a comprovar a composição do valor do saldo negativo do anocalendário 2001. 6 Planilha demonstrando a forma de aproveitamento do direito creditório pleiteado no processo administrativo em epígrafe, destacandose as datas das Declarações de Compensação apresentadas, valores e números dos processos administrativos, além de eventual compensação espontânea não informada quando da protocolização do pedido. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13851.720052/200469 Acórdão n.º 1801002.089 S1TE01 Fl. 3 3 7 No tocante à exclusão do lucro real informada a titulo de "outras exclusões", no montante de R$ 2.301.077,20, apresentar: a)demonstrativo analítico dos valores que compõem a citada exclusão; b)comprovação de que tal exclusão cumpriu com ditames legais. 08 Justificar a divergência entre os valores de receitas financeiras constantes à ficha 06A R$ 801.102,57 e na ficha 43 R$ 1.103.837,92 da DIPJ 2002. Lembrese que, caso não comprovado de forma peremptória o oferecimento a tributação de todos os valores de receitas financeiras na Demonstração do Resultado os valores de IRRF poderão ser glosados. 09 Apresentar juntamente à Intimação Fiscal arquivo magnético contendo eventuais planilhas e registros contábeis solicitados nos itens anteriores. Depois da apresentação dos documentos solicitados foi lavrada nova intimação para que a empresa apresentasse: 1Apresentar justificativa plena, amparada em documentação hábil e idônea, das divergências verificadas acima; 2No tocante ao "preço da tabela comercial" das inserções de 30 e 60 apresentado na planilha da empresa, a fim de que os mesmos sejam confirmados como possíveis de serem utilizados no cálculo do beneficio fiscal em tela, trazer a seguinte documentação: 2.1 planilha contendo a relação de todos os valores referentes comercialização de espaços de 30 ou 60" do período de janeiro a dezembro de 2001, contendo: número da nota, CNPJ e nome do adquirente do espaço, tamanho comercializado do espaço de publicidade, valor total da nota e valores líquidos (considerando os descontos concedidos) referentes ir espaços de 30 ou 60" comercializados e data da emissão.( Esta Seção solicitará a apresentação posterior de parte destas notas fiscais) CASO OS VALORES REFERENTES A EXCLUSÃO EFETUADA NÃO SEJAM DEVIDAMENTE COMPROVADOS HAVERÁ RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ PARA O FIM DE SE CALCULAR A EXISTÊNCIA OU NÃO DO SALDO NEGATIVO ORA PLEITEADO NESTES AUTOS." A auditoria fiscal esclareceu ainda: Antes dessas solicitações, esclareço que construí planilha com as inserções nacionais de propaganda partidária, tendo como fonte o Tribunal Superior Eleitoral. Em resposta à solicitação, a empresa trouxe os documentos de fls. 389/427. Depois de analisar todos os elementos fornecidos a DRF em Araraquara consignou a correição do valor de IRRF deduzido pela empresa mas observou que não se poderia aferir a certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ sem antes auditar a base de cálculo do tributo. Aquela autoridade efetuou, então, a glosa do valor de R$ 2.301.077,20, a título de “outras exclusões” da linha 36 da DIPJ por entender que a interessada não havia feito prova da regularidade benefício fiscal referente a divulgação de propaganda eleitoral gratuita, esclarecendo que para a verificação do montante passível de ser aproveitado como Fl. 925DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 beneficio fiscal duas importâncias devem estar bem definidas: 1° tempo de propaganda partidária inserida e 2° preço do espaço comercializável, no mês corrente, que seria utilizado pela emissora em publicidade comercial, mas que nem um, nem o outro item restaram bem demonstrados nos autos. Em razão da glosa do referido valor da base de cálculo do IRPJ, o valor do saldo negativo foi transformado em valor de saldo de imposto a pagar, de R$ 254.451,58. Assim, pelo despacho decisório de fls. 487 e ss, o direito creditório não foi reconhecido e as compensações não homologadas. Cientificada a empresa apresentou manifestação de inconformidade tempestiva argumentando, em preliminares, a decadência do direito de rever procedimentos realizados para apuração do Lucro Real no anocalendário de 2001; No mérito esclareceu que o preço da propaganda comprovadamente vigente no mês corrente em que tenha realizado a propaganda partidária seria aquele constante das tabelas de preço apresentadas (fls. 503/520) e que, "conforme se verifica dos requerimentos da Justiça Eleitoral (doc. 06) e da anexa planilha de apuração do crédito no ano de 2001, elaborada pela ora requerente (doc. 05), a mesma considerou o tempo utilizado em (i) cem por cento dele para os casos de veiculações de trinta segundos e um minuto e (ii) 25% do tempo das veiculações que superaram aqueles intervalos de tempo, ou seja, para as veiculações maiores do que um minuto (designadas pela Requerente de "programetes'). Salientou que "essa estipulação de tempo de veiculações não pode ser "manobrada" ou violada pela requerente, que é fiscalizada tanto pelos Partidos Políticos, como pela Justiça Eleitoral e também por empresas especializadas em cronometrar as propagandas veiculadas (doc.11)" Aduziu que a interpretação contida no r. despacho deixa claro que a legislação de regência prevê que: "a exclusão do lucro liquido deve ser mensurada em função do tempo que seria efetivamente utilizado (e não que seria potencialmente utilizável) pela emissora em programação destinada a publicidade comercial (.)." "0 raciocínio construído no despacho decisório não merece prevalecer, pois, como demonstrado acima, a Requerente é determinado, pela Justiça Eleitoral, qual o tempo a ser reservado para as veiculação es de propagandas partidárias, o qual não pode ser aproveitado para qualquer outra finalidade, sob pena de caracterizar descumprimento de determinação judicial". Afirmou que o ADI/SRF n° 2, de 06/03/2006 não é aplicável ao caso concreto, em face da sua irretroatividade. No acórdão proferido a Turma Julgadora de 1a. Instância consignou que o caso não trataria de lançamento de ofício, submetido ao prazo decadencial, mas de prova da certeza e liquidez do saldo negativo cujo ônus incumbiria à interessada. No mérito aquela autoridade observou que a exclusão não foi aceita porque além da divergência de tempo, não foi possível confirmar se o preço da tabela apresentada era realmente o preço praticado, pois “o contribuinte apresenta na manifestação de inconformidade apenas 12 Notas Fiscais para representar as mais de 3.000 notas emitidas, conforme relação apresentada (fls. 637/680). É possível verificar na planilha (fls. 637/680) que o contribuinte concede descontos, portanto, o preço efetivamente praticado não é aquele informado na tabela de preço vigente.” Fl. 926DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13851.720052/200469 Acórdão n.º 1801002.089 S1TE01 Fl. 4 5 Salientou que a citação do ADI SRF n° 2 no Despacho Decisório ocorreu para esclarecer que preço comprovadamente vigente é o preço efetivamente praticado na mesma grade horária e que, dessa forma, entendese como preço efetivamente praticado na mesma grade horária aquele praticado após dedução dos descontos e não o preço de tabela. A Turma Julgadora considerou que, pela documentação apresentada pela defesa, não foi possível determinar o preço efetivamente praticado, razão pela qual julgou improcedente o pedido. Cientificada da decisão, em 22/09/2010, apresentou a interessada, em 15/10/2010, recurso voluntário, no qual reproduz os argumentos de defesa deduzidos na manifestação de inconformidade. Fez sustentação oral pela recorrente, em plenário de julgamento, o Dr. Ricardo Grecco, OAB/SP nº 170.649. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. De acordo com o relato o presente processo trata de PERDCOMPs pelas quais a recorrente pretende compensar débitos próprios com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 220.766,18. O saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 220.766,18 é composto, unicamente, de IRRF, pois a empresa apurou prejuízo fiscal no ano de 2001. O órgão de origem validou o valor do IRRF deduzido, já que restou comprovado que as receitas que deram origem às retenções foram oferecidas à tributação na respectiva DIPJ. Mas a auditoria não se limitou a examinar apenas as parcelas que compuseram e deram origem ao saldo negativo de R$ 220.766,18 e procedeu à auditoria dos elementos que compuseram o resultado do exercício. Assim, além das receitas auferidas, foi auditado, especificamente, o valor R$ 2.301.077,20, informado na linha 36 da Ficha 09A, a título de “outras exclusões”, que a Fl. 927DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 recorrente explicou tratarse do benefício atinente à veiculação de propaganda eleitoral gratuita. Depois de solicitar os elementos e esclarecimentos a respeito da composição do item o agente fiscal considerou que o valor não fora devidamente comprovado, razão que levou à glosa do montante e ocasionou a transformação do prejuízo fiscal apurado pela recorrente, de R$ 304.206,16 em lucro real, de R$ 1.996.871,04, e do saldo negativo de R$ 200.766,18, para Saldo de Imposto a pagar de R$ 254.451,58. É certo que a autoridade administrativa tributária deve analisar as parcelas que compõem o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL utilizados como direito creditório em compensações de tributos, a fim de aferir a certeza e liquidez do indébito pleiteado. Entendo, contudo, que a modificação de ofício, pela Fazenda Pública, do resultado do exercício apurado e devidamente informado pelo contribuinte em DIPJ se submete ao prazo decadencial. Como bem exemplifica o presente caso, a auditoria fiscal, ainda que por via transversa, pretendeu formalizar lançamento de ofício depois de ultrapassado o prazo de cinco anos contados do fato gerador, eis que modificou o resultado do exercício apurado pela recorrente, de prejuízo fiscal para lucro real, e o saldo negativo em saldo de imposto a pagar. Isso, grosso modo, significa exigir tributo, ainda que por meio de indeferimento do direito creditório como conseqüência da modificação, de ofício, do resultado. A administração tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos para verificar a consistência da apuração do resultado do exercício efetuada pelo sujeito passivo. Findo o prazo, a apuração devidamente informada à Fazenda Pública é homologada tacitamente pelo decurso do tempo, restando, apenas, a possibilidade de verificação e validação dos valores utilizados como dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL para fim de aferição de liquidez e certeza de indébitos pleiteados a esse título em compensações. No caso em apreço, a DRF em Araraquara/SP pretendeu modificar, de ofício, o resultado apurado pela recorrente na DIPJ do anocalendário 2001, em 30/01/2009, mais de 5 (cinco) anos depois de ocorrido o fato gerador do anocalendário 2001, verificandose, assim, a decadência do direito de o Fisco promover tal alteração. Saliento que aquela própria autoridade efetuou a análise e validação do valor de R$ 220.766,18, deduzido a título de IRRF, única parcela que compõe o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, restando a esta autoridade, reconhecer o direito creditório no mesmo valor de R$ 220.766,18 e homologar as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 928DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13851.720052/200469 Acórdão n.º 1801002.089 S1TE01 Fl. 5 7 Fl. 929DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13851.904687/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO.
O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte.
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora.
IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO.
O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado.
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CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO. O pedido de ressarcimento somente pode ser retificado pelo sujeito passivo, se requerido por meio de instrumento próprio e caso se encontre pendente de decisão administrativa ao tempo da entrega do documento retificador. Uma vez reconhecido integralmente, o valor do crédito pleiteado por meio de PER/DCOMP é o limite máximo para a compensação dos débitos declarados pela contribuinte. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS EM ATRASO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Na compensação, os débitos já vencidos na data de transmissão da DCOMP devem ser acrescidos de juros e multa de mora. IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DESCABIMENTO. O ressarcimento de crédito de IPI não enseja atualização monetária ou incidência de juros, por falta de previsão legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 46 87 /2 00 9- 21 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela repartição fiscal de origem, de homologar parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, embora se tenha reconhecido integralmente o direito creditório apontado para a compensação. A interessada identificada em epígrafe pretendia utilizar o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, para quitar os débitos de tributos administrados pela Receita Federal ali especificados, no entanto, o valor do saldo credor alegado, e reconhecido/confirmado pela autoridade competente, é inferior ao valor da soma dos débitos tributários indicados para compensação. O Despacho Decisório recorrido apontou que o direito creditório declarado foi integralmente reconhecido, porém representa valor insuficiente para compensar todos os débitos declarados. Por essa razão foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP em tela. Cientificada da decisão, a interessada protocolou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, cujas razões se resumem essencialmente em alegar que conforme documentos anexados, o saldo credor ao final do trimestre especificado no PER/DCOMP seria suficiente para homologação em valor superior ao que foi reconhecido pela Receita Federal. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, para o fim de se cancelar o débito fiscal reclamado. Por força da Portaria RFB/Sutri nº 2.440, de 30 de novembro de 2012, o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/REC, para o julgamento de sua competência. É o relatório.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC) indeferiu a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DECLARADO RECONHECIDO. CRÉDITO INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO PRETENDIDA. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. O saldo credor solicitado/utilizado no PER/DCOMP com referência ao trimestrecalendário ali especificado foi integralmente reconhecido pela autoridade administrativa fiscal competente, porém seu valor é insuficiente para a compensação de todos os débitos ali indicados. Mantémse a decisão exarada Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 4 3 pela repartição fiscal de origem, de homologação apenas parcial da compensação pretendida.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em que alega o seguinte: i) a autoridade fiscal cometeu equívoco no encontro de contas, ao não considerar saldo credor de IPI de período anterior; ii) demonstrou com documentos que a homologação total da compensação no valor informado se impõe; iii) não haveria que se falar na aplicação de juros e correção monetária sobre o débito compensado; iv) se fosse admitida tal aplicação, o crédito também deveria ser atualizado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre o direito de crédito reconhecido. Está claro no processo que todo o direito creditório solicitado pela contribuinte no PER/DCOMP, com relação ao trimestrecalendáro nele especificado, foi integralmente reconhecido pela autoridade fiscal competente. Porém o valor foi insuficiente para a compensação dos débitos tributários indicados no mesmo PER/DCOMP. Por isto, a compensação declarada foi apenas parcialmente homologada. Como bem esclarecido no acórdão recorrido, a Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB procedeu à análise do PER/DCOMP com base em informações apresentadas pela própria contribuinte e outras constantes de seus sistemas, obtidas de declarações também da contribuinte, após o que, concluiu que o crédito pleiteado era igual ao saldo credor de IPI passível de ressarcimento. Considerar o saldo credor de período anterior informado na manifestação de inconformidade para fins de homologação da compensação declarada implicaria alteração do valor requerido a título de ressarcimento, logo, retificação do pedido originalmente apresentado. Isto estava vedado pelo art. 77 da IN RFB nº 900, de 2008, que dispunha que a retificação somente poderia ser admitida no caso em que o pedido ainda se encontrasse pendente de decisão administrativa, quando da apresentação de documento retificador para análise pela autoridade originalmente competente. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 5 4 Esta vedação encontrase, também, nas demais instruções normativas que trataram ou tratam da matéria, e está amparada no que dispõe o art. 38, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. (...)” Assim, o pedido inicial poderia ser retificado ou até cancelado, se atendidas algumas formalidades, em especial, que o requerimento fosse efetuado em documento próprio e apresentado antes de decisão administrativa. No presente caso, a decisão da autoridade competente da RFB foi cientificada à contribuinte, sem que qualquer requerimento de retificação tivesse sido apresentado. Apenas após a ciência do despacho decisório, por meio de manifestação de inconformidade, a contribuinte afirmou que o crédito pleiteado deveria ser maior, porque faltara computar saldo credor de período anterior. Naquele momento, o pedido não estava pendente de decisão administrativa, não se admitindo sua retificação. A recorrente não demonstra haver incongruência entre o despacho decisório e os valores constantes do pedido de ressarcimento e. Aceitar os argumentos do recurso voluntário implicaria aceitar pedido de retificação do PER em forma e momento diferentes dos preceituados na legislação. Uma vez que no presente caso todo o valor pleiteado foi deferido, levandose em consideração informações apresentadas pela própria requerente, dar provimento ao recurso implicaria também deferir ressarcimento de valores ultra petita. Incidência de multa e de juros moratórios sobre débitos vencidos. Os débitos que a contribuinte compensou estavam vencidos por ocasião da transmissão do PER/DCOMP. Ao efetuar a imputação do crédito, o Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC detectou diferenças em relação ao cálculo efetuado pela contribuinte, o que deu origem ao valor exigido no DDE. A incidência de acréscimos legais nos pagamentos efetuados em atraso decorre do disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo transcrito: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 6 5 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. (destaquei) A imputação do crédito está de acordo com o disposto na Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, conforme os artigos a seguir reproduzidos. Igual entendimento consta no art. 44, caput e § 1º da IN RFB 1.300, de 2012, que sucedeu a IN RFB nº 900, de 2008. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB nº 900, de 2008: “Art. 36. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 72 e 73 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. ... Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais.” Atualização monetária no ressarcimento. O ressarcimento não se trata de restituição de indébito tributário, pois não decorre de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, nem de erro na identificação do sujeito passivo ou no cálculo do montante ou da alíquota aplicável, nem de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, tal como previsto no art. 165 do Código Tributário Nacional. Não há lei que determine seja o ressarcimento corrigido monetariamente ou acrescido de juros, não se aplicando ao caso o art. 39 da Lei n.º 9.250/95. Por outro lado, diversas instruções normativas que tratam da matéria dispõem ser incabível a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 7 6 Exemplos são o art. 38, §2º, da IN SRF 210, de 2002, o art. 51, §5º, da IN SRF nº 460, de 2004, o art. 83, inc. I, § 5º, da IN RFB nº 1.300, de 2012. São precedentes no âmbito do CARF os seguintes: Acórdão 20402.945, de 22/11/2007, da 4ª Câmara do 2º CC: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializado IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000. Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A figura do ressarcimento não se confunde com a da restituição. Inexistindo previsão legal, impossível o acréscimo de juros ao valor pleiteado em ressarcimento, ainda que isso venha denominado como "atualização monetária. Recurso Voluntário Negado.” Acórdão 20181.500, de 10/10/2008, da 1ª Câmara do 2º CC. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do benefício de crédito presumido de IPI os gastos com combustíveis, energia elétrica, consoante Súmula n9 12 do Segundo Conselho de Contribuintes, e outros que, embora sendo necessários ao estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, visto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. 1NAPLICABILIDADE. O ressarcimento não se confunde com a restituição pela inocorrência de indébito. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos, visto não haver previsão legal. Recurso voluntário negado. No julgamento do recurso especial 1.035.847/RS, representativo de controvérsia, cuja matéria era a correção monetária de créditos de IPI decorrentes do princípio Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13851.904687/200921 Acórdão n.º 3801003.149 S3TE01 Fl. 8 7 da nãocumulatividade, sobre os quais não incidiria a correção por falta de previsão legal, o STJ decidiu que a oposição constante de ato legal estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito a estes créditos, postergaria o reconhecimento do direito pleiteado, “exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco”. Esta decisão, que transitou em julgado em 10/03/2010, não pode ser aplicada ao caso, pois não ocorreu oposição por resistência ilegítima do Fisco. Como salientado na decisão recorrida, o direito de crédito pleiteado pela contribuinte foi integralmente reconhecido pela administração tributária. A Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009 (DJe 16/12/2009), evidencia a necessidade de que tenha ocorrido resistência ilegítima do Fisco para que seja devida atualização monetária em direitos de crédito de IPI. Vejase seu enunciado: “Correção Monetária Creditamento do IPI Resistência Ilegítima do Fisco. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Logo, não se está diante de fatos que, por força do art. 62A do RICARF, ensejariam a reprodução da decisão judicial. Conclusão. Pelo exposto, tendo em vista que o pedido de ressarcimento foi integralmente deferido, que a incidência de multa e juros moratórios sobre os débitos vencidos possui previsão legal, que não houve resistência ilegítima do Fisco e que não há previsão legal para atualização monetária de ressarcimento de IPI, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11020.909033/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 90 33 /2 00 9- 41 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) nº 27406.48824.291105.1.3.049647, em 29/11/2005, informando como crédito, em valor original, referente a suposto pagamento indevido ou a maior de Cofins, o montante de R$ 2.628,96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (DRF/CXL) emitiu Despacho Decisório Eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais originais e informa que apresentou DACON e DCTF retificadora simultaneamente com sua manifestação, nas quais constaria o valor correto da contribuição apurada. Alega que os valores originalmente calculados e declarados observaram ao sistema cumulativo, quando na verdade a empresa já estaria enquadrada dentro da sistemática não cumulativa, sendo alguns produtos tributados com substituição tributária, gerando um saldo menor a recolher. Informa que anexou planilha onde estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão e também anexa cópias das declarações fiscais (DCTF e DACON) retificadoras. Ao final, requer a acolhida da manifestação para que seja deferido seu pleito. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/POA no 1033.649, de 18/08/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.909033/200941 Acórdão n.º 3802003.715 S3TE02 Fl. 159 3 O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, para homologar as compensações realizadas. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do Despacho Decisório o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação, cujo êxito só resta possível, desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Como bem ressaltou a decisão de primeira instância, a simples entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer comprovação capaz de demonstrar a divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado, conforme trecho abaixo: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Em sua defesa, a empresa alega erro no valor originalmente declarado e apresenta planilha de difícil compreensão, na qual, somente após o cotejamento com os valores informados nas declarações retificadoras, foi possível compreender os cálculos demonstrados e deduzir/conferir os saldos de contribuições apontados ao final de cada período. Contudo, permanecem sem comprovação os novos valores devidos alegados pelo interessado, bem como o alegado crédito da não cumulatividade apontado na mesma planilha em cada período. O contribuinte não indica a origem dos novos valores apresentados com e sem a incidência das contribuições ou mesmo junta qualquer prova ou documento contábil que confirme os novos valores indicados. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil, abaixo transcrito: “ Art.333 – O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” (...) Concluise que o crédito líquido e certo que faz jus a recorrente já foi totalmente concedido. Portanto, a entrega de DCTF e DACON retificadoras, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000235/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
TRANSPORTE DE CARGA. SUB CONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO
A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento.
A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou.
A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
RECEITA SUPERIOR AO LIMITE PERMITIDO PARA O ENQUADRAMENTO NO SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO COM EFEITOS A PARTIR DO ANO SEGUINTE.
Não poderá permanecer no Simples a pessoa jurídica que tenha ultrapassado, no ano-calendário imediatamente anterior, o limite da receita bruta determinado pela lei.
Numero da decisão: 1802-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 TRANSPORTE DE CARGA. SUB CONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. RECEITA SUPERIOR AO LIMITE PERMITIDO PARA O ENQUADRAMENTO NO SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO COM EFEITOS A PARTIR DO ANO SEGUINTE. Não poderá permanecer no Simples a pessoa jurídica que tenha ultrapassado, no ano-calendário imediatamente anterior, o limite da receita bruta determinado pela lei.
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SUB CONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que manteve lançamento realizado para a constituição de crédito tributário no regime de tributação simplificada – Simples, abrangendo fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, e também manteve ato de exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2005, por excesso de receitas no ano anterior. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1024.765, às fls. 197 a 206: A matéria em litígio teve origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal n° 1010200.2008.004211 que culminou com a exclusão do contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005 e o lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos em 2004. No curso do procedimento fiscal foi constatada a omissão de receitas no ano de 2004, apurada pela confrontação entre os valores de receita constantes do livro fiscal de registro do ICMS (Livro Registro de Saídas) e os valores consignados pelo contribuinte na Declaração Simplificada PJSI/2005. A partir desta ação fiscal, verificouse que a empresa auferiu, no anocalendário de 2004, receita bruta total de R$ 2.027.162,41 (dois milhões, vinte e sete mil, cento e sessenta e dois reais e quarenta e um centavos ), ultrapassando o limite previsto na Lei n° 9.317/1996 para o enquadramento como empresa de pequeno porte. Análise do Faturamento declarado Anocalendário Livros Fiscais (ICMS ) PJSI Diferença de Base de Cálculo 2004 R$ 2.027.162,41 R$ 27.234,56 R$ 1.999.927,85 A empresa foi intimada a esclarecer a respeito dos valores divergentes apresentados nos Livros Fiscais (Apuração ICMS = Registro de Saídas ) e na PJSI (fls. 103). Ela respondeu que entende que deve ser tributado no Simples o valor líquido dos fretes. Não aceitando o argumento da empresa, foram exarados os Autos de infração Simples: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 14 a 22), Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 23 a 31), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 32 a 40 ), Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 5 4 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 41 a 49) e Contribuição para Seguridade Social INSS (fls. 50 a 58), com base nos registros constantes dos Livros de Saídas e de Apuração do ICMS, cujo resumo se encontra na tabela de fls. 59, subtraída a receita bruta declarada na Declaração Anual Simplificada (PJSI) do exercício de 2005 (fls. 105 a 122). Em face de as receitas registradas nos Livros Fiscais serem muito superiores às declaradas, os percentuais progressivos aplicáveis às receitas declaradas foram inferiores aos devidos. Sendo assim, também foram cobrados os tributos resultantes das diferenças de alíquotas aplicáveis. Conforme fls. 01, foi formalizado o crédito tributário no valor total de R$ 588.550,16 (quinhentos e oitenta e oito mil, quinhentos e cinqüenta reais e dezesseis centavos), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora atualizados até 31/10/2008. O contribuinte tomou ciência do encerramento da ação fiscal que resultou nos Autos de Infração já citados, em 02/12/2008, conforme fls. 125 e apresentou, em 31/12/2008, impugnação de fls. 131 a 133, alegando: 1 Conforme a cláusula 3ª da alteração contratual n° 2, fls. 137, o objeto social da empresa é o agenciamento de fretes e transportes de cargas por via rodoviária em caminhões. O contribuinte faz a intermediação dos fretes e não o frete em si, a empresa não é proprietária dos veículos que executam os fretes, portanto o valor que recebe pelo seu serviço é o resultado da dedução do valor total do frete do valor pago ao transportador; 2 Seu serviço se limita a intermediar o frete que será realizado pelo transportador; 3 Em alguns casos o serviço da empresa foi efetuado a título de cortesia, sendo o valor total pago ao transportador; 4 Ocorreu um equívoco na descrição de sua justificativa, quando intimado. O recolhimento do tributo em questão está de conformidade com a lei: a tributação se deu com base na receita bruta do contribuinte; e 5 Quando o contribuinte mencionou, na resposta à intimação, que a tributação era sobre o valor líquido, provavelmente quis dizer que a tributação não era sobre o valor total do frete, mas sim pequena parcela daquele valor, pois quem recebe a parcela maior é o transportador. Em 28/11/2008 foi encaminhado ao Sr. Chefe do SACAT/DRF/Pelotas a Representação Fiscal de fls. 126, solicitando os procedimentos com vistas à exclusão do contribuinte do Simples, por ter auferido, no anocalendário de 2004 receita bruta em valor superior ao limite previsto no art. 2º, inciso I, da Lei n° 9.317/1996. Com base no Parecer DRF/PEL/SACAT N° 002/2009, o Delegado da Receita Federal Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 6 5 do Brasil em Pelotas excluiu a empresa do Simples, através do Ato Declaratório Executivo n° 002, de 07/01/2009 (fls. 168), que o contribuinte tomou ciência em 15/01/2009 (fls. 169). Em 16/02/2009 apresentou recurso administrativo com pedido de efeito suspensivo, fls. 170 a 172, com os argumentos que, em síntese, a seguir arrolo: 1 Ocorreu um equívoco na descrição da justificativa apresentada durante a ação fiscal, quando intimado. O recolhimento do tributo em questão está de conformidade com a lei: a tributação se deu com base na receita bruta do contribuinte; 2 A empresa faz a intermediação dos fretes e não o frete em si, portanto o valor que ele recebe pelo seu serviço é o resultado da dedução do valor total do frete do valor pago ao transportador. Seu serviço se limita a intermediar o frete que será realizado pelo transportador; e 3 Na verdade jamais existiram as diferenças apontadas entre as receitas escrituradas nos livros fiscais estaduais e as declaradas na PJSI 2005 que geraram o auto de infração e sua exclusão do Simples. Excluído do Simples a partir do anocalendário 2005, ele ficou sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, de acordo com o art. 16 da Lei n° 9.317/1996. O impugnante, ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado, isentandoo de qualquer pagamento, bem como não seja excluído do sistema de tributação Simples. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS manteve o lançamento e o ato de exclusão do Simples, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. TRANSPORTE DE CARGA. SUB CONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. Não poderá permanecer no Simples a pessoa jurídica que tenha ultrapassado, no anocalendário imediatamente anterior, o limite da receita bruta determinado pela legislação. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 7 6 transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize sub contratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que sub contratou. A receita bruta para apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/05/2010, a Contribuinte apresentou em 04/06/2010 o recurso voluntário de fls. 227 a 267, aduzindo as seguintes razões: POSSIBILIDADE DE O CONTRIBUINTE MANTERSE NO SIMPLES EM 2004, MESMO SENDO CONSIDERADO TRANSPORTADOR DE CARGA entre a Lei 9.732/98, que estipulou como teto para as empresas de pequeno porte o valor de R$ 1.200.000,00 e a Lei 11.196/05 que fixou o teto de tais empresas no valor de R$ 2.400.000,00, adveio a Lei 9.841/99 que instituiu o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispondo sobre o tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido previsto nos arts. 170 e 179 da Constituição Federal; a aludida lei, em seu artigo 2°, apresentou novos limites de receita bruta que permitiam a empresa aderir ou não ao SIMPLES; esta lei atribuiu ao Poder Executivo a possibilidade de atualizar os limites estabelecidos nos incisos I e II de seu art.2º, por força do parágrafo 3º do mesmo artigo; para cumprir este parágrafo 3º, o Poder Executivo confeccionou o Decreto n° 5.028/04, que teve por objetivo alterar os valores dos limites fixados nos incisos I e II do art. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 8 7 2º da Lei 9.841/99. Com este decreto, o limite para enquadramento como empresa de pequeno porte foi ampliado para R$ 2.133.222,00; observase nitidamente que em 2004, o limite de receita bruta para uma empresa ingressar no SIMPLES passou de R$ 1.200.000,00 para R$ 2.133.222,00; portanto, mesmo que o contribuinte fique enquadrado como transportador de cargas, ele ainda estaria enquadrado no SIMPLES em 2004, porém, como adiante se verá, a atividade realizada pelo mesmo era, e continua sendo, de simples agenciador; o art.14 da Lei 11.051/04 e os §§ 4° e 5º do art. 1º da Lei n° 10.684/03 demonstram que o SIMPLES deve ser compreendido como um sistema integrado, onde as normas da Lei 9.317/1996 devem conviver em consonância com as normas da Lei 9.841/99; a Lei 11.051/04 demonstra a necessidade de se dar um tratamento unitário no âmbito tributário às pessoas jurídicas enquadradas como microempresas e empresas de pequeno porte, por via reversa, não pode haver dois enquadramentos do SIMPLES, deve existir somente um, e como a lei 9.841/99 é posterior à Lei 9.317/96, aquela (lei 9.841/99) é a que deve prevalecer em decorrência das regras de revogação; conforme o acima exposto, é perfeitamente possível que o Contribuinte continue enquadrado no SIMPLES com a renda bruta acima de R$ 2.000.000,00 no ano calendário de 2004, porém não é esta sua renda bruta, pois a atividade realizada pelo mesmo não é de transporte de carga, mas sim de agenciamento de carga; DA ATIVIDADE REALIZADA PELO CONTRIBUINTE: AGENCIAMENTO DE CARGA nas notas de conhecimento de carga acostadas às folhas 180 a 189 dos autos, observase nitidamente a realização de dois negócios jurídicos distintos: o primeiro, travado entre o contribuinte e o consumidor, referente à prestação do serviço de contratar alguém para transportar mercadoria; o segundo, entre o contribuinte e a pessoa que efetivamente realizou o serviço de transportar a mercadoria; a existência de um agenciamento de transporte de mercadoria pode ser observada no próprio contrato social do Contribuinte (fl. 62 dos autos). O objeto social da pessoa jurídica está previsto no inciso VII, conforme segue: VII Que como atividade principal serão: “Agenciamento de fretes e transporte de cargas por via de rodovias em caminhões.” não poderia ser outro o objeto social do Contribuinte, pois para o exercício do transporte de cargas no ano de 2004 deveria haver o preenchimento dos requisitos constantes do art. 4° da Resolução n° 437 da ANTT; para a empresa transportadora de cargas realizar a inscrição no RNTRC era necessário em 2004 que a mesma dispusesse de frota rodoviária de carga sob sua responsabilidade; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 9 8 a responsabilidade a que se refere o ato normativo secundário poderia ser de duas formas: “própria” ou “arrendada”. Vale dizer, o transportador poderia ter frota rodoviária própria ou arrendada; o dispositivo legal em comento não permitia que empresa transportadora de carga não possuísse frota, não contemplava a possibilidade da existência de um terceiro, dono do veículo, que prestasse serviço para empresa transportadora de carga, pois caso o terceiro detivesse o veículo de transporte de carga, seria ele, terceiro, o transportador, descaracterizando assim a empresa como transportadora de carga; no caso em tela, o Contribuinte não possuía este registro, pois conforme o já mencionado, o mesmo não realizava transporte de carga, mas sim, agenciamento de transporte de carga. Quem possuía o registro dentro da ANTT, que permitia realizar o transporte de carga, em 2004, eram as pessoas que efetivamente realizavam o transporte; tanto no caso de frota rodoviária própria como arrendada, o transportador deveria ainda preencher o requisito estampado na alínea j do inciso I do art.6° da referida resolução: Art. 6º Para inscrição no RNTRC, o transportador deverá apresentar as seguintes informações: [...] j) relação dos veículos rodoviários de carga que compõem a frota, indicando placa/Estado, número do RENAVAM, marca, ano de fabricação, tipo de veículo, número de eixos, tipo de carroceria, capacidade máxima de tração (CMT), capacidade de carga e se próprio ou arrendado. no caso em tela, o Contribuinte não possuía este registro, pois conforme o já mencionado, o mesmo não realizava transporte de carga, mas sim agenciamento de transporte de carga. Quem possuía o registro dentro da ANTT que permitia realizar o transporte de carga, em 2004, eram as pessoas que efetivamente realizavam o transporte; caso seja mantida a decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, no sentido de considerar a relação jurídica entre o Contribuinte e as pessoas que realizaram o transporte da carga como sendo uma relação de sub contratação, se estará distorcendo a realidade fática. Primeiro, o contrato social do Contribuinte afirma que seu objeto social era, e continua sendo, o agenciamento de cargas; segundo, mesmo se o Contribuinte quisesse, ele não poderia ser uma empresa transportadora de carga, pois não possuía frota própria nem arrendada (o contribuinte em 2004 não era proprietário de nenhum veículo de transporte de carga); terceiro, as notas de conhecimento de transporte rodoviário de cargas (CTRC) discriminam de forma clara a existência de um agenciamento, pois individualizam o valor total cobrado e o valor destinado para a pessoa que realizava o transporte efetivamente, caso não existisse o agenciamento, não precisava existir dentro da CTRC o tópico recibo de pagamento de frete; caso não existisse o tópico dentro da CTRC “recibo de pagamento de frete”, o Contribuinte estaria exercendo a atividade de forma irregular, pois estaria realizando o transporte de carga em seu nome, sem possuir uma frota própria ou arrendada, visto que em 2004, o mesmo (contribuinte) não possuía veículos de transporte de carga em seu nome; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 10 9 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre utilizou como fundamento para configurar a sub contratação de serviço de transporte a alínea “e” do inciso IX do art. l° do Regulamento do ICMS do Estado do Rio Grande do Sul, aprovado pelo Decreto n° 43.080/2002; a CF, ao determinar que os sujeitos passivos do ICMS seriam aquelas pessoas que prestassem serviços de transporte ou de comunicação, simplesmente deu os vetores genéricos para a instituição dos sujeitos que podem ocupar o pólo passivo da relação jurídica tributária do ICMS, na modalidade prestação de serviço de transporte ou comunicação; exigir maiores detalhes do texto constitucional seria demais, sob pena de tornar nossa CF um documento prolixo. Sendo justamente esta a função dos atos normativos subordinados à CF, detalhar, individualizar, os ditames constitucionais; quem define a pessoa que realiza o transporte interestadual e intermunicipal (sujeito passivo do ICMS) é o sujeito competente para legislar sobre transporte de pessoas e cargas, que é justamente a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT); nesse contexto, o prestador de serviço de transporte de carga, no caso de empresas, somente pode ser aqueles que disponham de uma frota rodoviária de carga, própria ou arrendada; o dispositivo legal é claro, a pessoa para ser considerada sujeito passivo do ICMS, na modalidade prestação de serviço de transporte de carga intermunicipal ou interestadual, deve possuir frota. A frota é de veículos, tanto o é, que na seqüência do dispositivo em foco, o legislador se referiu “a própria ou arrendada”. A alínea J do inciso I do art. 6º da referida Resolução 437 (já transcrito) espanca qualquer tipo de dúvida; observase nitidamente que a frota é composta por veículos rodoviários de carga, portanto, quem não possui veículos rodoviários de carga (próprios ou arrendados) não pode realizar o transporte de carga, e por conseqüência, não pode ocupar o pólo passivo da norma instituidora do ICMS na modalidade prestação de serviço de transporte interestadual ou intermunicipal da espécie transporte de carga; outro fundamento utilizado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre para embasar sua decisão, no sentido de excluir a atividade de agenciamento, é a ausência de prova documental dos contratos firmados entre o Contribuinte e as pessoas que realizaram a prestação do serviço de transporte de cargas; o contrato de prestação de serviço não exige forma solene. Para ser constituído, basta a simples manifestação da vontade e a concordância entre ambos os pactuantes. Portanto, não é necessário a existência de um contrato escrito para materializar a relação jurídica entre o Contribuinte e a pessoa que requereu os seus serviços de agenciamento, como também não é necessário a existência de um contrato escrito para materializar a relação jurídica entre o Contribuinte e a pessoa que realizou o transporte de carga; mesmo não existindo contrato escrito, as CTRC demonstram claramente a existência de duas relações jurídicas distintas. Uma entre o Contribuinte e a pessoa que deseja transportar a carga (parte superior do CTRC); outra entre o Contribuinte e a pessoa que realizou a prestação de serviço de transporte de carga (parte inferior do CTRC); Fl. 278DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 11 10 na realidade, o Contribuinte deveria ser sujeito passivo do ISSQN e não do ICMS, pois realiza uma prestação de serviço diferente da prestação de serviço de transporte de cargas, mas tal relação diz respeito somente ao Contribuinte e ao Fisco Municipal. A base de cálculo para a incidência do ISSQN é justamente o valor da prestação do serviço, que para ser obtida, primeiramente devese conhecer o valor auferido pelo contribuinte no agenciamento; quem deveria efetivamente ser o sujeito passivo do ICMS, seriam as pessoas que realizaram o transporte da carga, e não o Contribuinte. No máximo, o Contribuinte poderia recolher o ICMS devido pelos sujeitos que realizaram o transporte da carga, na forma de substituto tributário; na realidade, o Contribuinte, para evitar problemas com o Fisco Estadual, fez constar no livro fiscal de registros do ICMS (Livro Registro de Saída) o valor da sua prestação de serviço de agenciamento, mais o valor do frete, pois caso realizasse a discriminação, poderia ocorrer embaraços com a Receita Estadual, embaraços esses que poderiam afetar a sua atividade econômica, inclusive, perda de clientela para a concorrência. Por não ser contribuinte do ICMS é que o Recorrente em sua declaração simplificada de IRPJ, fez constar como não contribuinte do ICMS (fl.105); sobre o assunto, é interessante registrar voto do Conselheiro Rogério Gustavo Breyer, entendendo que a realidade material deveria prevalecer sobre aspectos formais, que os livros de saída do ICMS não tinham o condão de ocultar a verdade material (Processo nº 10935.00137119618, Acórdão nº 20173.817, Sessão de 06 de junho de 2000, Recurso nº 101.179); no presente feito, a 6ª Turma da DPJ/POA levou em conta somente o aspecto formal, apresentado no livro de saída do ICMS, para determinar que a receita bruta do Contribuinte extrapolou os limites impostos pelo SIMPLES em 2004, sem levar em consideração a receita bruta declarada pelo Contribuinte em sua Declaração Anual Simplificada PJSI do anocalendário 2004, exercício 2005 (fls. 105 a 122); DO CONTRIBUINTE TER O DIREITO EM 2004 DE PARTICIPAR DO SIMPLES COMO AGENCIADOR DE TRANSPORTE DE CARGA na declaração simplificada de IRPJ, o Contribuinte consta como transportador de cargas, e não como agenciador (fls. 105). O Contribuinte se intitulou transportador de cargas, justamente para conseguir a sua inclusão no SIMPLES, pois por tratar se de pessoa leiga, realizou uma análise superficial do inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, constatando que agenciadores não poderiam optar pelo SIMPLES; contudo, importa mencionar alguns julgados do Poder Judiciário sobre a matéria; o Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que o agenciamento não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96 (TRF4, AC 2006.72.01.0008624, Primeira Turma, Relator Vílson Daros, D.E. 08/01/2008); o Egrégio Superior Tribunal de Justiça também já decidiu nesse mesmo sentido (Recurso Especial n° 1.120.551 SC (2009/00173424); Fl. 279DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 12 11 os julgados acima mencionados referemse a transporte de carga aérea, e existe similitude entre o presente feito e os casos analisados pelo Poder Judiciário. As decisões do Poder Judiciário ressaltam uma diferença entre agenciador e corretor; é exatamente esta a situação do Contribuinte, tanto o é que a sua atividade foi confundida com a própria prestação de serviço de transporte. Observase que para ficar configurada a atividade de agenciamento, não é obrigatório que exista a aproximação das pessoas que pretendem contratar, tornando o agenciador um mero intermediador, que serve somente para colocar em contato as pessoas que desejam contratar; o agenciador exerce dentro da atividade econômica uma função mais dinâmica, pois ele busca no mercado as pessoas que necessitam realizar o transporte de mercadorias, paralelamente a isso, procura no mercado pessoas que realizam o transporte de mercadorias. É da diferença entre o valor que o sujeito está disposto a pagar para ver sua mercadoria transportada, com o valor que o outro sujeito cobra para realizar o transporte da mercadoria, é justamente desta conta de subtração, que o Contribuinte retira a sua receita; outro elemento que permite que a atividade de agenciamento seja atividade enquadra no SIMPLES é justamente a ausência de habilitação profissional legalmente exigida para o seu exercício; conforme se observa, um Contribuinte em situação análoga ao do Recorrente teve que bater às portas do Poder Judiciário para conseguir manterse enquadrado no SIMPLES, isso demonstra que a matéria é controvertida. A simples alegação por parte do Recorrente de que sua atividade não se enquadra dentro da vedação contida no inciso XIII do art. 9° da Lei 9.317/96, o impossibilitaria de aderir ao SIMPLES, ocasionando com isso, problemas administrativos, de índole interna, gerando inclusive defasagem de clientela e perda de mercado para a concorrência; RECEITA BRUTA DO CONTRIBUINTE COMO AGENCIADOR DE TRANSPORTE DE CARGA o conceito de receita bruta é muito bem sinalizado pelo Supremo Tribunal Federal; no presente feito, o Contribuinte deve ter como parâmetro de sua receita bruta o valor que efetivamente ingressou em sua esfera patrimonial, qual seja, a diferença entre o valor contratado com o sujeito que deseja transportar carga e o valor pago a pessoa que realizou o transporte da carga. A receita bruta do Contribuinte é justamente o resultado dessa conta, é este valor que irá medir sua capacidade contributiva; considerar a receita bruta do Contribuinte como sendo o valor total da operação, valor pago pelo sujeito que deseja transportar sua mercadoria, sem deduzir o valor pago à pessoa que efetivamente realizou o transporte da mercadoria, seria considerar um índice de riqueza diverso da riqueza realmente auferida, onerando de forma absurda o Contribuinte; caso se mantenha a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, o Contribuinte terá que dar por encerrada suas atividades, pois não terá condições de pagar o valor do débito tributário; Fl. 280DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 13 12 CONCLUSÃO à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o Recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, bem como a ordem de exclusão do SIMPLES. Este é o Relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 14 13 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento realizado para a constituição de crédito tributário no regime de tributação simplificada – Simples, abrangendo fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, e também questiona ato de exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2005, por excesso de receitas no ano anterior. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações no ano calendário de 2004: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. As receitas omitidas fizeram com que a receita bruta auferida em 2004 ultrapassasse o limite permitido para o enquadramento no Simples, fato que ensejou o ato de exclusão do sistema simplificado, com efeitos a partir de 01/01/2005. Na presente fase recursal, a Contribuinte segue a mesma linha de argumentação da fase processual anterior, aduzindo algumas alegações adicionais. É importante registrar os fundamentos da decisão recorrida, pelos quais foram mantidos tanto o lançamento quanto o ato de exclusão do Simples: [...] Analisando a situação do contribuinte, junto aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, verificamos que ele optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples desde 26/06/2001 (fls.160) na qualidade de empresa de transportes, CNAEFiscal 60.267/02 Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional, conforme PJSI de fls. 105. Atualmente o código CNAE é 49302/02 Transporte rodoviário de cargas em geral, municipal, interestadual e internacional (fls. 159). Quando intimada, não se manifesta sobre a atividade desenvolvida, ou seja, se é transportadora ou agenciadora e não apresenta contratos de agenciamento de cargas que pudessem embasar documentalmente seu argumento. Nas PJSI entregues desde a abertura da empresa, declara não ser contribuirá do ICMS e do ISS (fls. 105), mas tem Livro Registro de Saídas do ICMS (fls. 74 a 101) e emite Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) em seu nome, assumindo a condição de transportador (fls. 180 ). Fl. 282DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 15 14 Após esta análise preliminar, vamos verificar os argumentos trazidos em sua impugnação: 1 Alegação de agenciamento: O contribuinte optou pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples desde 26/06/2001 (fls.160) na qualidade de empresa de transportes. O contribuinte afirma, a fls. 132, que sua atividade era de “agenciamento de fretes e transportes de cargas por via rodoviária em caminhões”, utilizandose do expediente de intermediar o frete que será realizado pelo transportador. Nesse ponto, saliento que o Código de Atividade Econômica (CNAE Fiscal) declarado na Declaração Anual Simplificada (fl. 105) é o de n° 60.267/02 e compreende o “Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional”. A par disso, o impugnante também não apresentou contratos de agenciamento de cargas que pudessem embasar documentalmente seu argumento, ainda que, em caso positivo, viessem a comprometer sua permanência no SIMPLES. Isso porque o art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 vedava a opção por aquela sistemática de pagamentos às empresas que prestem serviços de representação comercial, ou assemelhados, sendo certo que devem ser assim considerados quaisquer serviços que traduzam a mediação ou intermediação de negócios, como é o caso de agenciamento de cargas. E não faltavam precedentes no Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre esse entendimento, consoante o ementário abaixo: SIMPLES. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDIDITIVA. É vedada por lei a opção pelo SIMPLES por pessoa jurídica que exerça atividade de agenciamento de cargas. (Ac. 30238222, sessão de 09/11/2006) IMPEDIMENTO À OPÇÃO. AGENCIAMENTO DE CARGAS. O direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento, pela pessoa jurídica, dos requisitos fixados pela Lei nº 9.317/96 e suas subseqüentes alterações. Revelado o exercício de atividade impeditiva, como é o caso do agenciamento de cargas, cabe a exclusão daquela sistemática diferenciada de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (Ac. 30335638, sessão de 11/09/2008) Portanto, se a afirmação do contribuinte fosse comprovada, ele teria que ser excluído do Simples, só restando à fiscalização tributálo pelo Lucro Presumido, ou pelo Lucro Real caso houvesse a escrituração contábil obrigatória Fl. 283DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 16 15 Infirmada a alegação do exercício da atividade de prestação de serviços de agenciamento de cargas, resta caracterizada na espécie a prática da atividade de prestadora de serviço de transporte de cargas, ainda que o contribuinte possa ter utilizado para esse mister de terceiros sub contratados. Assim ele foi admitido no SIMPLES, tal como declarado na referida DIPJ, e também contribuiu para o ICMS. Em face da alegação de que não possui veículos para realização do transporte, os CTRC evidenciam dois negócios jurídicos distintos praticados pelo contribuinte: o primeiro, na parte superior daqueles documentos, a contratação da venda de prestação de serviços de transportes com os seus clientes (remetentes das cargas) pelo valor total da operação; o segundo, tal como se apresenta na parte inferior, o repasse daquele serviço contratado a caminhoneiros autônomos (fls. 140). A atividade de agenciamento estaria bem caracterizada na hipótese de a empresa encaminhar o caminhoneiro autônomo ao proprietário da carga, de sorte a propiciar o surgimento de um novo vínculo contratual, entre este e o caminhoneiro, referente ao serviço de transporte. O trabalho do agente consiste em aproximar as partes tal como defendido pelo contribuinte proprietário da carga e o transportador, e estes formalizariam outro contrato, autônomo, não evidenciado no caso concreto. Assim leciona Humberto Theodoro Júnior, em seu artigo “Do contrato de agência e distribuição no Novo Código Civil”, publicado em 02/05/2003 no site http://www.mundojuridico.adv.br/sis_artigos/artigos.asp?codigo =645 (acesso em 17/02/2009), transcrito por excertos: O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. Presta serviço tendente a promover a compra e venda, que será concluída pelo preponente. [grifei] Por isso, na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4.886, de 09.12.65). O novo Código Civil, a exemplo do direito europeu, abandonou o nomem iuris de “representante comercial”, substituindoo por “agente”. Sua função, porém, continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. Com a Lei n° 4.886/65, a representação comercial (ou agência) ganhou o status de atividade profissional regulamentada, criandose um Conselho Federal e Vários Conselhos Regionais, aos quais se confiou a fiscalização do exercício da profissão. Podem inscreverse no respectivo Conselho, para legitimarse ao exercício da representação comercial, pessoas físicas ou jurídicas. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 17 16 No caso de pessoa jurídica, deverá ser feita a prova de sua existência legal, por meio de seu instrumento de constituição devidamente arquivado no Registro Público competente (Lei n° 4.886, art. 3º, § 2º). A atividade do agente, em suma, é a intermediação de forma autônoma, em caráter profissional, sem dependência hierárquica, mas, de acordo com as instruções do preponente. É uma figura jurídica típica a do agente, pois, embora guarde alguma semelhança, o agente não é, em princípio, mandatário, nem comissário, nem tampouco empregado, ou prestador de serviço no sentido técnico. Presta, no entanto, um serviço especial que é, nos termos da lei, a coleta de propostas ou pedidos para transmitilos ao representado. 2 Transportador e Sub contratação Importa agora transcrever aqui o que dispõe o Regulamento do ICMS do Estado do Rio Grande do Sul aprovado pelo Decreto n° 43.080, de 2002: Art. 1º Para os efeitos deste Regulamento: ... IX em relação à prestação de serviço de transporte: ... d) emitente é o prestador de serviço de transporte que emite o documento fiscal relativo à prestação do serviço de transporte; e) subcontratação de serviço de transporte é aquela firmada na origem da prestação do serviço, por opção do prestador de serviço de transporte em não realizar o serviço por meio próprio; ... Art. 12 Contribuinte é qualquer pessoa, física ou jurídica, que realize, com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial, operações de circulação de mercadoria ou de bem ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. (grifei) ... Art. 17 A base de cálculo do imposto nas prestações de serviço é: I o preço do serviço, na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação;(grifei) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 18 17 ... Do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas Art. 63 O Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas será emitido antes do início da prestação do serviço pelos transportadores que executarem serviço de transporte rodoviário intermunicipal e interestadual, de cargas, em veículo próprio ou fretado. (grifei) Inferese da legislação gaúcha que os ônus do recolhimento do ICMS e da emissão do CTRC recaem sobre o contribuinte e este é a pessoa que, no contrato de prestação de serviço de transporte, assume a condição de transportador, não tendo sido nela cogitada a hipótese de tais ônus recaírem na pessoa do agente ou mesmo do sub contratado. Ainda com relação ao ICMS, deve ser ressaltado, ao teor do inciso I do art. 17 do aludido regulamento, que a base de cálculo do imposto, na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal, é o preço do serviço, que vincula tal preço às receitas da empresa. Relevante também é verificar que no Termo de Abertura do Livro Registro de Saídas, fls. 74, o sócio afirma que ele “servirá para os lançamentos das operações próprias do estabelecimento do contribuinte”. Agora vem ele afirmar que as operações não seriam próprias, sem elementos de prova que infirmem o que foi assinado, apesar de resultarem até mesmo em recolhimento de ICMS em nome da empresa. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à execução parcial do referido serviço, caracteriza sub contratação, não agenciamento. Aí então a pertinente indagação: por que o contribuinte se declara prestador de serviços de transporte de cargas e opta pelo SIMPLES, sistemática que alberga essa atividade, enquanto, para fins de apuração da receita bruta, se declara e escritura como se fosse agente de cargas, atividade cujo exercício é até mesmo vedado àquela sistemática? 3 Receita bruta no Simples Na esteira do que foi explanado pelo agente fiscal na descrição dos fatos do item 01 dos AI, acresço que não se encontra na legislação de regência o permissivo para que o impugnante, que optou pelo SIMPLES, não pelo Lucro Real, possa expurgar da receita bruta base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática de pagamentos os valores pagos aos caminhoneiros autônomos que figuraram naqueles Fl. 286DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 19 18 CTRC como proprietários dos veículos transportadores das respectivas cargas. Tendo optado pelo SIMPLES, a apuração do lucro é substituída pela aplicação de percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezados os demais custos e despesas. Aliás, o conceito de Receita Bruta para o Simples deve ser tomado em consonância com o art. 4º da Instrução Normativa SRF n° 34 de 30 de março de 2001, in verbis: Receita bruta Art. 42 Considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. (grifei) A condição do contribuinte é de vendedor, não de agente em relação aos serviços constantes nos CTRC e o preço constante destes é a sua receita bruta em cada operação, não o diferencial entre o valor do preço cobrado dos contratantes dos serviços e o valor pago a transportadores sub contratados. O fato de ter incorrido em despesas com a sub contratação de caminhoneiros autônomos, não autoriza a dedução destes valores da receita bruta tributada no Simples com a conseqüente redução dos tributos devidos. Em resumo, não há elementos no processo que permitam afirmar que o contribuinte apenas exerceu a função de agente de cargas, pelo contrário, seu CNAE fiscal, a escrituração do Registro de Apuração do ICMS e do Registro de Saídas, os próprios CTRC e o pagamento do ICMS, todos indicam ser ele o transportador; por isto, sua receita bruta é tributável pelo Simples. 4 Da Exclusão do Simples. A Constituição Federal, em seu art. 179, já previa um tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte: [...] Quanto a esse tratamento diferenciado a ser dispensado às micro e pequenas empresas, a Lei n° 9.841, de 05/10/1999, que institui o Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, determinou que essas deveriam observar as condições da Lei n° 9.317/1996. Sabemos que o verdadeiro objetivo da Lei do Simples é o de proteger e facilitar a vida dos micro e pequenos empresários, para que possam sobreviver e competir saudavelmente no mercado. A Lei n° 9.317/1996 implantou o regime simplificado em benefício dessas empresas de micro e pequeno porte, no entanto, a própria lei restringe a possibilidade de ser optante do Simples empresas que se enquadrem em uma das hipóteses de Fl. 287DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 20 19 exclusão dessa sistemática, o que inegavelmente é o caso da empresa em questão. De acordo com a Lei, quando verificado excesso do limite da receita bruta estabelecido para as EPP, a pessoa jurídica estará, no anocalendário subseqüente, automaticamente, excluída dessa condição e, por decorrência, do Simples. O art. 9º assim diz: Das vedações à opção Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória n° 218949, de 2001) II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória nº 218949, de 2001) A circunstância material que deu origem à exclusão receita bruta no anocalendário de 2004 no valor de R$ 2.027.162,41, apurada no Livro Registro de Saídas do ICMS está inequivocamente demonstrada no relatório fiscal. Já o termo de início dos efeitos da exclusão está regulado no art. 12 da mesma Lei acima citada: Da exclusão do SIMPLES Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; b) (...) Ari. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 21 20 IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; (...) Visto que o ato administrativo foi realizado com estrita observância à legislação de regência, em especial o art. 15, IV da Lei n° 9.317/1996, voto por negar provimento à sua manifestação contra o Ato Declaratório Executivo N° 002, de 07 de janeiro de 2009, da DRF/Pelotas. Conclusão Com base na análise acima e em tudo que do processo consta, voto pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente os valores dos créditos tributários lançados e o Ato Declaratório Executivo n° 002/2009, excluindo a empresa do Simples a partir de 01/01/2005. Entendo que a Recorrente não conseguiu refutar os fundamentos da decisão recorrida, pelo que os adoto também neste voto. Primeiramente, registro que os limites para o enquadramento no Simples no anocalendário de 2004 devem ser extraídos da Lei 9.317/1996, e não da Lei 9.841/99 (Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte) c/c com o Decreto n° 5.028/04. O art. 10 da Lei 9.964, de 10/04/2000, é bastante claro a esse respeito: Art. 10. O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei no 9.841, de 5 de outubro de 1999. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça – STJ já decidiu que o regime tributário do Simples, especificamente quanto aos limites de receita bruta para enquadramento no sistema simplificado, é dado pela Lei 9.317/1996 e não pela Lei 9.841/1999: TRIBUTÁRIO. SIMPLES. DEFINIÇÃO DE MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE. LIMITES DE RECEITA BRUTA. NÃO INCIDÊNCIA DA LEI 9.841/1999 E ALTERAÇÕES POSTERIORES. 1. Cingese a controvérsia a definir se os limites de receita bruta previstos na Lei 9.841/1999 e no Decreto 5.028/2004 podem ser considerados na definição do enquadramento das microempresas e das empresas de pequeno porte no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, instituído pela Lei 9.317/1996. 2. O acórdão embargado foi proferido no AgRg no REsp 960.659/RS, Rel. Min. Teori Zavascki, que assentou a seguinte conclusão: "(...) não se aplicam ao caso os limites fixados pelo Fl. 289DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 22 21 Decreto 5.028/2004, editado na forma do § 3° do art. 2° da Lei 9.841/99, pois, nos termos do art. 10 da Lei 9.964/00, ‘o tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei 9.841, de 5 de outubro de 1999’ ”. 3. Em sentido diverso, o paradigma assenta que "deve ser aplicado ao caso sub judice o limite de receita bruta previsto na Lei 9.841/99, sem a alteração perpetrada pelo Decreto n° 5.028, de 31.3.2004” (REsp 961.117/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 22.9.2010 ). 4. Com a finalidade de conferir tratamento jurídico diferenciado, visando ao incentivo das microempresas e das empresas de pequeno porte pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias (art. 179 da CF/1988), foram criadas as Leis 9.317/1996 e 9.841/1999, atualmente revogadas. 5. São distintos os âmbitos de incidência desses diplomas legais. Ao contrário da Lei 9.317/1996, a Lei 9.841/1999 não versa sobre regime tributário, mas alcança especificamente aspectos relacionados ao regime previdenciário e trabalhista (arts. 10 a 13), ao apoio creditício (arts. 14 a 17), ao desenvolvimento empresarial (arts. 19 a 24) e à constituição de Sociedade de Garantia Solidária (arts. 25 a 31). 6. Se a receita bruta prevista no inciso I do art. 2° da Lei 9.841/1999 fosse aplicável ao regime do SIMPLES, o legislador não teria editado a Lei 11.196/2005, no ponto em que redefiniu microempresa para esse efeito tributário específico. 7. Afastando toda e qualquer dúvida, o art. 10 da Lei 9.964/2000 prescreve o seguinte: “O tratamento tributário simplificado e favorecido das microempresas e das empresas de pequeno porte é o estabelecido pela Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, não se aplicando, para esse efeito, as normas constantes da Lei n° 9.841, de 5 de outubro de 1999”. 8. O afastamento dessa norma somente poderia ser realizado pela Corte Especial mediante Argüição de Inconstitucionalidade, em respeito à cláusula de reserva de plenário e à Súmula Vinculante 10/STF. Contudo, não se identifica a presença de vício dessa natureza na hipótese. 9. Portanto, não se podem aplicar, para efeito do enquadramento de microempresas e empresas de pequeno porte no SIMPLES, as normas da Lei 9.841/1999 e alterações posteriores. 10. Embargos de Divergência não providos. (EREsp 960659/ RS; EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL; S1 PRIMEIRA SEÇÃO; Data do Fl. 290DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 23 22 Julgamento: 04/02/2013; Data da Publicação/fonte: DJe 08/03/2013) Essa decisão do STJ foi inclusive mantida pelo Supremo Tribunal Federal, quando esse tribunal negou seguimento ao recurso extraordinário interposto pela Contribuinte que demandava naqueles autos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 756.846 RIO GRANDE DO SUL [...] DECISÃO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. SIMPLES. EXCLUSÃO. DEFINIÇÃO DE MICROEMPRESA E EMPRESA DE PEQUENO PORTE. LIMITES DE RECEITA BRUTA. LEIS NS. 9.317/1996, 9.841/1999, 9.964/2000 E 11.196/2005. DECRETO N. 5.028/2004. OFENSA CONSTITUCIONAL INDIRETA. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Portanto, ao contrário do sustentado no recurso, não há possibilidade de a Contribuinte se manter no Simples a partir de 2005, mesmo sendo considerada empresa transportadora de carga, eis que sua receita bruta em 2004, na condição de empresa de transporte, ultrapassa o limite dado pela Lei 9.317/1996 (com a redação dada pela Medida Provisória nº 218949, de 2001), que é de R$ 1.200.000,00. Na presente fase recursal a Contribuinte também alega: que não tem frota própria; que não tem registro na ANTT; que não podia ser considerada como sujeito passivo do ICMS, pois é a ANTT quem tem competência para definir quais as pessoas que podem realizar transporte interestadual e intermunicipal; que não há forma solene para o contrato de agenciamento; que tinha o direito de se enquadrar no Simples em 2004, mesmo sendo agenciador de transporte de carga, e cita decisões judiciais sobre situações que entende semelhantes à sua; e que a receita bruta para tributação pelo Simples consiste na diferença entre o valor contratado com o sujeito que deseja transportar a carga e o valor pago à pessoa que realizou o transporte da carga. Ela ainda desenvolve uma extensa argumentação procurando comprovar que apesar de todas as evidências formais, a verdade material demonstraria que ela não presta serviço de transporte de carga e sim de agenciamento de transporte. No conjunto de seus argumentos, ela informa: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 24 23 que não poderia estar exercendo a atividade de transportador, de acordo com as normas da ANTT; que o exercício da atividade de transportador, sem o cumprimento das normas da ANTT, caracterizaria exercício irregular dessa atividade; que recolhia o ICMS como se fosse transportador para evitar problemas com o Fisco Estadual; e que fazia constar nas informações prestadas à receita federal a atividade de transportador porque do contrário não conseguiria o enquadramento no Simples. Cumpre destacar que a alegada irregularidade na prestação de serviço de transporte (falta de registro na ANTT) não prejudica a incidência tributária sobre os fatos geradores ocorridos, por força das normas do Código Tributário Nacional que prestigiam o princípio tributário do non olet: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. [...] Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I da capacidade civil das pessoas naturais; II de acharse a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Percebese que a Contribuinte, embora emita o CTRC como transportador, recolha o ICMS como transportador, tenha se enquadrado no Simples como transportador e ainda informado à Receita Federal, em sua Declaração Simplificada, que exercia a atividade de transportador, tenta superar todo esse conjunto de fatos, buscando demonstrar que sua atividade não é aquela que ele vinha informando. O que se constata é que ela procura colher o melhor das diversas situações tributárias possíveis, mas não é possível admitir uma composição dessa natureza. Além disso, a Delegacia de Julgamento apontou uma série de aspectos que efetivamente caracterizam a atividade de prestação de serviços de transporte. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16641.000235/200851 Acórdão n.º 1802002.392 S1TE02 Fl. 25 24 Já ficou esclarecido que a Contribuinte se enquadrou no Simples na qualidade de empresa de transportes, CNAEFiscal “60.267/02 Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional”. Não há qualquer informação de que a Contribuinte tenha buscado o enquadramento no Simples como agenciador de transporte de carga, que tenha movido alguma demanda nesse sentido, etc. E ela busca agora, no presente processo, onde já se discute crédito tributário decorrente dos próprios atos que praticou como transportador, discutir a possibilidade de enquadramento no Simples como agenciador de transporte de carga, debate que está bastante fora de contexto, pelo fato de a opção pelo Simples, na condição de transportador, já estar há muito tempo consumada, e também aceita pela Receita Federal. De qualquer modo, vale registrar que a jurisprudência trazida no recurso, tratando dos agenciadores de cargas aéreas não socorre a Recorrente, porque não diz respeito à atividade de agenciamento por ela defendida. Segundo as próprias decisões judiciais transcritas no recurso, os agenciadores de cargas aéreas prestam serviços específicos de alocação de espaços para cargas e de transporte de cargas, em que não há intermediação de negócios. Foi isso que levou o judiciário a admitir a inclusão no Simples para esse tipo de agenciador, contudo, não é essa a espécie de agenciamento que a Contribuinte alega ter praticado. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10830.005548/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAURO EDUARDO VALVERDE RODRIGUES.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAURO EDUARDO VALVERDE RODRIGUES. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 05 54 8/ 20 08 -9 2 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, MAURO EDUARDO VALVERDE RODRIGUES, foi lavrado o Auto de Infração de fls.02/07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, que lhe exige crédito tributário no montante de R$.2.163.783,47 sendo R$ 930.579,51 referentes a imposto, R$ 697.934,63 referentes à multa e R$ 535.269,33 são cobrados a título de juros de mora, calculados até 30/05/2008. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls.02/14) e dá conta dos seguintes aspectos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Segundo Termo de Verificação Fiscal: . Indica que diante da não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos efetuadas no anocalendário de 2002, lavrouse o Auto de Infração para exigência do crédito tributário correspondente a esse ano calendário, o qual deu origem ao Processo Administrativo Fiscal n° 10830.010233/200786 . Informa também, que dando prosseguimento à ação fiscal foi o contribuinte intimado a apresentar os extratos bancários das contas correntes, cadernetas de poupança e/ou investimento mantidos junto aos bancos mencionados, relativos ao anocalendário de 2003; documentação hábil a comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito efetuadas nas referidas contas: e ainda, a relação de todos os rendimentos auferidos durante o ano de 2003, anexando os respectivos comprovantes; . Informa ainda, que o contribuinte não se manifestou em relação a essa intimação, tendo sido reintimado em 27/12/2007, e novamente não atendeu à fiscalização; . Expirados os prazos sem que o contribuinte houvesse se manifestado, foram requisitados, através de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), aos bancos mencionados nos autos, os documentos necessários ao andamento dos procedimentos de fiscalização; . De posse dos extratos e observando a incompatibilidade dos créditos efetuados nas respectivas contas correntes com os rendimentos declarados à Receita Federal pelo contribuinte, foi o mesmo intimado a esclarecer a que se referem as operações de crédito efetuadas em suas contas correntes e de poupança; e a apresentar a documentação hábil a comprovar a origem dos recursos utilizados em tais operações de crédito; . O contribuinte esclareceu que as movimentações financeiras constantes dos referidos extratos têm como origem valores tomados por empréstimo de duas de suas empresas, juntando como comprovante os contratos de mútuo; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.005548/200892 Resolução nº 2202000.349 S2C2T2 Fl. 4 3 .Relata a Autoridade Fiscal que constatouse que tratam dos mesmos contratos apresentados para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito efetuadas em suas contas bancárias, no anocalendário 2002, onde da análise dos dois contratos de empréstimos, cada um no valor de R$ 2.500.000,00, verificouse que os mesmos datam dos anos de 1994 e 1995, com prazo de pagamento deI5 (quinze) anos, vencendo a primeira parcela em 10/08/2009; . Em pesquisa ao sistema, constatou o Auditor Fiscal que as empresas Kindai Veículos Ltda e Âncora Campinas Veículos Ltda, mutuantes nesses empréstimos, pertenceram ao contribuinte ora fiscalizado até o ano de 1997, quando as mesmas foram transferidas/vendidas para outras pessoas físicas; . Foi o contribuinte intimado a comprovar o recebimento dos valores correspondentes aos empréstimos tomados das empresas Kindai e Âncora, mediante a apresentação de documentos hábeis, tais como: extratos bancários, cópia de cheques, ordens de pagamento, DOC, depósitos, etc, pois quando do exame da movimentação do ano de 2002, o mesmo não o fez; . Informa a autoridade fiscal que o contribuinte não se manifestou; . Em 13/06/2008 concluiu pelo encerramento da fiscalização, considerando como omissão de rendimentos os valores dos créditos não comprovados, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, conforme demonstrativo anexo aos autos. Notase, da análise cuidadosa do processo, que RMFs foram realizada a instituições financeiras, tal como se constata de fls. 115,117,119 e 202. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.005548/200892 Resolução nº 2202000.349 S2C2T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314) Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.005548/200892 Resolução nº 2202000.349 S2C2T2 Fl. 6 5 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.005548/200892 Resolução nº 2202000.349 S2C2T2 Fl. 7 6 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 467DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10830.005548/200892 Resolução nº 2202000.349 S2C2T2 Fl. 8 7 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 468DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10925.905464/2009-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 54 64 /2 00 9- 82 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 88 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 89 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 90 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 91 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 92 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.905464/200982 Acórdão n.º 1803002.421 S1TE03 Fl. 93 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001448/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurvo Voluntário com base na Súmula nº 01 do CARF.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurvo Voluntário com base na Súmula nº 01 do CARF. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
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Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurvo Voluntário com base na Súmula nº 01 do CARF. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 14 48 /2 01 0- 61 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 341 a 366, interposto pelo Recorrente – VICENTE DE PAULO CARVALHO contra Acórdão nº 0231.170 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 330 a 337, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.253.9289, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 22.908,80. Conforme o Relatório Fiscal da Infração da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período 01/2006 a 11/2008. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, informa que inicialmente a Auditoria Fiscal na empresa teve início com a emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para apresentação da documentação exigida em 03/08/2010, sendo este TIPF emitido em nome do SERVIÇO REGISTRAL DE IMÓVEIS DA COMARCA DE BOM DESPACHO, CNPJ 20.221.198/000140. Posteriormente foi efetuada a matrícula CEI 70.004.06170/08, de ofício, haja vista o Cartório não ter personalidade jurídica e o débito tem que ser lavrado em nome do titular. Nesta matrícula foi emitido novo TIPF em 06/08/2010. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, o débito foi apurado sobre os valores pagos aos segurados empregados Maria do Rosário Coimbra, nomeada escrevente do Cartório de Registro de Imóveis em 26 de abril de 1984, e Domingos Sávio de Carvalho, nomeado escrevente substituto em 27 de abril de 1994. Estes segurados não foram inscritos como segurados empregados filiados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS pelo Sr. Vicente de Paulo Carvalho, por considerá los filiados a Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. Assinala o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que esta filiação da segurada Maria do Rosário Coimbra e do segurado Domingos Sávio de Carvalho ao RPPS está correta por um determinado período, pois com o advento da Lei n°. 8.935/94, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares admitidos antes da Lei n°. 8.935/94, deveriam continuar vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia (RPPS), eis que não houve opção do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. No entanto, afirma o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que esta filiação foi alterada a partir da modificação do sistema de previdência social, com a Emenda Constitucional n°. 20, de 15 de dezembro de 1998, in verbis: "Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que Fl. 498DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 498 3 preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo." Considera o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que como os segurados citados não são servidores titulares de cargo efetivo, os mesmos estão excluídos do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, estão obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social –RGPS como segurados empregados, conforme previsto no artigo 7º, inciso X da Instrução Normativa INSS/DC n° 65 de 10/05/2002, no artigo 9º, inciso XIX da Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18/12/2003, no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 e no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009. Ademais, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, informa que a contribuição não declarada foi calculada aplicandose o percentual de 21% sobre a remuneração dos segurados empregados e 20% sobre a contribuição dos segurados contribuintes individuais, conforme previsto no artigo 22, incisos I e II alínea "a" e III da Lei 8.212/91, somado com a contribuição dos segurados, que não foi descontada de sua remuneração. Os valores devidos foram lançados através dos Autos de Infração 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327. A multa a ser aplicada é a prevista no artigo 284, inciso II e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social e artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei 8.212/91, sendo de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada por competência, aos valores previstos no parágrafo 4o do artigo 32 da Lei 8.212/91. O total de segurados da empresa está na faixa de 0 a 5, sendo a multa limitada a metade do valor mínimo. O valor mínimo é de R$1.431,79, conforme Portaria MPS/MF n° 333 de 29/06/2010. Em relação ao cálculo dos acréscimos legais, o Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, às fls. 11 a 12, informa que foi feito o levantamento dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte, conforme o Anexo Comparativo da Multa às fls. 18 a 20, em função da disciplina da Lei 11.941/2009: A Medida provisória 449, publicada em 04/12/2008 (convertida na Lei 11941 em 27/05/2009), revogou os §§ 4 o a T do art. 32 da Lei 8.212/91 que estipulava a penalidade a ser aplicada pela não entrega, não informação de todos os fatos geradores em GFIP e erros de preenchimento da GFIP e acrescentou àquela Lei o art. 35A que prevê a penalidade a ser aplicada a partir da publicação da MP 449, em caso de lançamento de ofício: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n2 9.430, de 1996." Vejamos o que determina o art. 44 da Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de Fl. 499DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) 3. De acordo com o art. 106 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66 a Lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, em obediência a esta determinação legal, comparamos a penalidade prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 4 o a 7° da Lei 8.212/91 com a prevista na MP 449 e aplicamos a penalidade mais benéfica ao contribuinte. 4. No caso da aplicação da penalidade prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 4 o a 7 o da Lei 8.212/91, também seria aplicada a multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea 'a' da Lei 8.212/91, de 24%, sobre os valores originários devidos. Portanto para determinar qual a penalidade menos severa ao contribuinte, somamos as penalidades previstas nos dois incisos citados acima com a determinada pela MP 449. Está em anexo o comparativo de multas aplicadas e aplicação da mais benéfica ao contribuinte. 5. Considerando a ausência de agravantes e atenuantes, o valor total da multa aplicada neste Auto de Infração é de R$22.908,80 (vinte e dois mil e novecentos e oito reais e oitenta centavos), correspondente a soma da multa aplicada nas competências 04/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2008, em que a legislação anterior à MP 449 foi a mais benéfica ao contribuinte, conforme comparativo de multas em anexo. A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 05 a 08, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610700.2010.00169. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 09 a 10, é de 01/2006 a 11/2008. O contribuinte teve ciência do AIOA em 26.08.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 21 a 43, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Da tempestividade a presente impugnação é tempestiva; Dos fatos os funcionários que foram relacionados no Auto de Infração não são regidos pelo RGPS, por força do art. 48 da Lei Federal n° 8.935/94; os funcionários estariam vinculados ao RGPS se tivessem feito opção expressa nesse sentido, o que não se vislumbra no presente caso; o advento da emenda constitucional n° 20/98 não fez que os titulares e servidores de cartório que ingressaram na atividade cartorária antes da publicação da Lei Federal n° 8.935/94 perdessem o vínculo para aposentadoria com o Estado de Minas Gerais; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 499 5 não houve violação à legislação tributária, visto que o autuado não é obrigado a incluir em GFIP os pagamentos efetuados aos seus funcionários que estão submetidos a regime jurídico específico; Do Direito II. 1 Da não vinculação ao RGPS a Lei Federal n° 8.935/94 determinou que todos os novos servidores dos cartórios fossem contratados pelo próprio titular do cartório pelo regime da CLT; a mencionada Lei, contudo, resguardou as situações consolidadas anteriormente, por meio do §2° do art. 48; os escreventes e auxiliares que já eram funcionários dos cartórios poderiam, caso não fizessem opção expressa em contrário, continuar regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, nos termos dos arts. 40 e 51 da Lei Federal n° 8.935/94; com fundamento nos dispositivos legais acima transcritos foi editada a Portaria MPASn° 2.701/95; o art. 1º , "a", e §2°, da referida portaria, corrobora a tese defendida pela impugnante; o decreto do Presidente da República n° 3.048/99, que se encontra vigente na parte que interessa ao deslinde deste recurso, tem a mesma disposição contida na Portaria MPAS n° 2.701/95; a Instrução Normativa INSS/PRES n° 20/07, também seguiu as orientações da Lei Federal n° 8.935/94; reconhece que a Instrução Normativa INSS/DC n° 100/03 criou uma nova categoria de escreventes e auxiliares, contratados até 20 de novembro de 1994, sem relação de emprego com o Estado, conforme se depreende do art. 9o da norma referida;. a interpretação que sempre foi feita pelos notários, registradores, auxiliares e escreventes em todo o Estado de Minas Gerais é a de que o termo sem relação de emprego com o Estado estaria relacionado apenas a eventuais Estados cuja legislação não assemelhasse em alguns aspectos os servidores de cartórios a servidores públicos, o que não é o caso de Minas Gerais; no Estado de Minas Gerais está em pleno vigor a Lei Complementar n° 70/03 que estabelece para os servidores e titulares de cartório que ingressaram até 1994 regras para a aposentadoria semelhantes às que são conferidas aos servidores efetivos; no âmbito da União, dois fatos reforçam o entendimento adotado pelo contribuinte: a) a concessão de benefícios, até a atualidade, somente consideram contribuintes empregadores aqueles servidores que ingressaram após a Lei Federal n" Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 8.935/94 ou aqueles que fizeram opção expressa pelo RGPS; b) não se tem notícia de a União ter autuado, antes do ano de 2009, qualquer titular de cartório em virtude de ter adotado interpretação idêntica à adotada pelo presente impugnante; 11.2 Da razão da criação da regra de transição pela Lei Federal n° 8.935/94 em 500 anos de existência da atividade notarial e de registro no país, uma coisa é certa: ela sempre foi concebida como atividade estatal e remunerada de forma indireta pelo Estado; as regras transitórias previstas na Lei Federal n° 8.935/94 se fizeram necessárias em virtude de que os titulares e servidores de cartórios sempre foram disciplinados como servidores públicos ou assemelhados e somente com o advento da Constituição de 1988 e regulação pela Lei n° 8935/94 é que se determinou que tal atividade estatal seria exercida em caráter privado; o estabelecimento de regras transitórias pela Lei Federal n° 8.935/94 tem como razão a existência de legislação federal e estadual que regiam anteriormente os titulares e servidores dos cartórios: a) decretolei n° 3.164/41; b) lei n° 1.906/59 do Estado de Minas Gerais; c) Constituição do Estado de Minas Gerais de 1967; d) Resolução n° 61/75 que tratava da Organização e da Divisão Judiciária do Estado de Minas Gerais; e) Lei n° 9.380/86 que dispunha sobre o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais; o STJ já se manifestou sobre a necessidade de observância de outras regras transitórias insculpidas na Lei Federal n° 8.935/94; o TJMG tem reconhecido a plena aplicabilidade do §2° do art. 48 da Lei n° 8.935/94; os escreventes e auxiliares que não optaram por mudar para o regime celetista permaneceram subordinados ao regime estatutário ou especial; os servidores que não fizeram a opção têm o direito, desde 1994, às regras de aposentadoria então existentes no Estado de Minas Gerais; 11.3 Da coexistência de diversos regimes após a Emenda Constitucional n° 20/98 é verdade que, após a edição da Emenda Constitucional n° 20/98, o ordenamento jurídico permitiu novas vinculações apenas ao RGPS ou RPPS; a publicação da referida emenda não fez que fossem extintos todos os regimes de direito administrativo ou previdenciário anteriores à emenda constitucional n° 20/98 coexistem no Brasil vários regimes de aposentadoria, tal como o Instituto de Previdência dos Congressistas e casos de empresas estatais privatizadas, sobretudo os bancos estaduais; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 500 7 o que tem ocorrido é a interpretação enviesada de que a Emenda Constitucional n° 20 extinguiu todos os regimes anteriores a sua edição, mesmo sem haver qualquer previsão nesse sentido no texto da Emenda; a impugnante não comunga com o entendimento da doutrina e jurisprudência de que as regras constitucionais possam atingir direitos adquiridos; a argumentação aqui trazida não afronta, em nenhum momento, o que foi decidido pelo STF na ADI n° 2.791 do Paraná, quando entendeu que as leis posteriores à Emenda Constitucional n° 20/98 não poderiam colocar os titulares e servidores dos cartórios no mesmo regime previdenciário dos servidores titulares de cargo efetivo; o que se defende é o direito dos servidores que já estavam em atividade antes da publicação da Lei n° 8.935/94 a permanecerem vinculados às regras legais existentes no Estado de Minas Gerais; II.3 da inexistência de descumprimento de obrigação tributária acessória a autuação ocorreu em função de o autuado ter deixado de cumprir obrigações acessórias decorrentes de supostos fatos geradores de contribuição social; acontece que todos os funcionários citados no auto de infração foram admitidos em período anterior a 21 de novembro de 1994 e estão vinculados ao IPSEMG; assim, por não ser a remuneração por eles auferida hipótese de incidência de contribuição social, não subsistem também as obrigações tributárias acessórias; III. Pedido pede e confia que seja julgado improcedente o presente auto de infração, ordenandose a sua baixa e o seu arquivamento. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0231.170 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. IMPUGNAÇÃO. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. ESCREVENTES E AUXILIARES DE SERVIÇOS NOTARIAIS. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. Enquadramse como segurados empregados no regime geral de previdência social os escreventes e auxiliares de cartório, independentemente da contratação ter sido efetivada antes da Lei Federal n° 8.935/94, ainda que tenha havido opção por permanecer no regime estatutário. A Emenda Constitucional n° 20/98 definiu de maneira específica que a proteção previdenciária pela via do regime próprio de previdência social está adstrita aos servidores titulares de cargo efetivo. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Regime próprio de previdência social, para que assim seja considerado, tem que prever, em lei, a concessão a seus filiados dos benefícios de aposentadoria e pensão por morte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ACÓRDÃO Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Voto divergente de Marcilene Pereira Pinto. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário, este apenas em relação à verba contestada (pagamentos efetuados aos segurados empregados), ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências. Quanto à parte não contestada, que se refere aos valores pagos ao contribuinte individual (contador que prestava serviços ao cartório), a autoridade preparadora deverá proceder ao cálculo e imediata cobrança dos valores apurados, consoante norma de conduta estampada nos §§ I o e 3 o do art. 21 do Decreto n° 70.235/72. Sala de Sessões, em 01 de março de 2011. Da decisão de primeira instância, às fls. 330 a 337, destacamse algumas passagens: No que se refere à parte impugnada, o argumento central do contribuinte é o de que os empregados do cartório relacionados no Auto de Infração estão vinculados ao Regime Próprio de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 501 9 Previdência Social mantido pelo Estado de Minas Gerais IPSEMG. Verseá, consoante argumentos adiante expostos, que não assiste razão à impugnante. Nos termos do art. 236 da Constituição da República de 1988, os serviços notariais e de registro são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público. Ao regulamentar o art. 236 da Constituição da República, a Lei Federal n° 8.935/94 dispôs, em vários de seus artigos, sobre o regime trabalhista e previdenciário a serem observados. Art. 40. Os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares são vinculados à previdência social, de âmbito federal, e têm assegurada a contagem recíproca de tempo de serviço em sistemas diversos. Parágrafo único. Ficam assegurados, aos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares os direitos e vantagens previdenciários adquiridos até a data da publicação desta lei. Art. 48. Os notários e os oficiais de registro poderão contratar, segundo a legislação trabalhista, seus atuais escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial desde que estes aceitem a transformação de seu regime jurídico, em opção expressa, no prazo improrrogável de trinta dias, contados da publicação desta lei. § Io Ocorrendo opção, o tempo de serviço prestado será integralmente considerado, para todos os efeitos de direito. § 2° Não ocorrendo opção, os escreventes e auxiliares de investidura estatutária ou em regime especial continuarão regidos pelas normas aplicáveis aos funcionários públicos ou pelas editadas pelo Tribunal de Justiça respectivo, vedadas novas admissões por qualquer desses regimes, a partir da publicação desta lei. Art. 51. Aos atuais notários e oficiais de registro, quando da aposentadoria, fica assegurado o direito de percepção de proventos de acordo com a legislação que anteriormente os regia, desde que tenham mantido as contribuições nela estipuladas até a data do deferimento do pedido ou de sua concessão. Para tratar da situação previdenciária desses segurados, o então Ministério da Previdência e Assistência Social editou, em 24 de outubro de 1995, logo após a publicação da Lei Federal n° 8.935/94, a Portaria n° 2.701, que, em linhas gerais, estabeleceu a seguinte orientação. Art. Ia O notário ou tabelião, oficial de registro ou registrador que são os titulares de serviços notariais e de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 registro, conforme disposto no art. 5" da Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994, têm a seguinte vinculação previdenciária: a) aqueles que foram admitidos até 20 de novembro de 1994, véspera da publicação da Lei n" 8.935J94, continuarão vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia; b) aqueles que foram admitidos a partir de 21 de novembro de 1994, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, como pessoa física, na qualidade de trabalhador autônomo, nos termos do inciso IV do art. 12 da Lei n" 8.212/91. (...) Art. 2" A partir de 21 de novembro de 1994, os escreventes e auxiliares contratados por titular de serviços notarias e de registro serão admitidos na qualidade de empregados, vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social, nos termos da alínea a do inciso I do art. 12 da Lei n'ç 8.212/91. (...) O §12 e o caput do art. 40 da Carta Magna, já com as alterações promovidas pela referida emenda, assim disciplinaram o assunto: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional n" 20, de 15/12/98). (...) § 12 Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n"20, de 15/12/98). O sentido que se extrai da cabeça do art. 40 do texto constitucional não deixa dúvida de que, a partir da alteração, o regime próprio de previdência social somente é dirigido aos servidores públicos titulares de cargo de provimento efetivo.. A Lei Federal n° 9.717/98, ao dispor sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não fugiu ao comando constitucional, determinando no inciso V do art. I o a exclusividade de cobertura do RPPS para os servidores públicos titulares de cargos efetivos. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 502 11 Art. 1" Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuaria, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Percebese, pois, que antes do advento da Emenda Constitucional n° 20/98 a Lei permitia que os regimes próprios de previdência social amparassem quaisquer trabalhadores (comissionados, celetistas, contratados, temporários), inclusive os funcionários de cartórios, oferecendolhes o mesmo tratamento dispensado ao servidor efetivo. Após a alteração da Constituição pela Emenda Constitucional n° 20/98, a situação definida na Lei Federal n° 8.935/94 vergase à interpretação constitucional e os escreventes e demais auxiliares de cartórios nomeados antes de 20/11/1994 passaram a ser abrangidos pelo regime geral de previdência social, justamente por não serem servidores públicos titulares de cargo efetivo, não se admitindo argüir que a eles foi assegurado o regime para aposentadoria existente anteriormente. Em perfeita aderência aos ditames previstos na Emenda Constitucional n° 20/98 e na Lei n° 9.717/98, a Orientação Normativa MPS/SPS n° 2, de 31 de março de 2009, publicada no Diário Oficial da União em 02/04/2009, por meio do inciso VI do art. 2o combinado com o caput do art. 11, expõe com propriedade que o regime próprio de previdência social abrange, exclusivamente, o servidor público titular de cargo efetivo, isto é, aquele cargo que é cometido a um servidor aprovado por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos. (...) De acordo com os artigos 17 e 18 da Lei Estadual n° 9.380, de 18/12/1986, que dispõe sobre o IPSEMG, dentre os benefícios concedidos por esse Instituto, não está previsto o de aposentadoria, sob quaisquer modalidades, razão pela qual não podem seus filiados serem considerados como pertencentes a regime próprio de previdência social. Embora o Estado de Minas Gerais tenha editado a Lei Complementar Estadual n° 64/02, alterada posteriormente, inclusive pela Lei Complementar Estadual n° 70/03, e previsto a inclusão dos referidos funcionários dos cartórios no RPPS Fl. 507DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 estadual, a Lei Federal n° 9.717/98 já trazia normas gerais sobre a organização dos regimes próprios, em perfeita sintonia com o texto constitucional. Como se sabe, a teor do disposto no art. 24, XII, da Constituição da República, a competência para legislar sobre previdência social é concorrente. Entretanto, o texto constitucional excepciona que cabe à União a edição de normas gerais e aos entes da Federação a edição de normas suplementares (...) Em harmônico entendimento aos comentários delineados nos últimos quatro parágrafos, frisese que a Advocacia Geral do Estado de Minas Gerais, por meio do Parecer AGE n° 14.938, de 10 de julho de 2009, concluiu pela inconstitucionalidade dos incisos V e VI do art. 3 o da Lei Complementar Estadual n° 64/02, acrescentados pelo art. I o da Lei Complementar Estadual n° 70/03, por ofensa ao art. 40 da Constituição da República, na redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/98, bem como ilegais em contraposição aos delineamentos da Lei n° 9.717/98. (...) Quanto à assertiva do contribuinte de que o Estado de Minas Gerais tem custeado a aposentadoria dos escreventes e auxiliares contratados até 20 de novembro de 1994 e que não fizeram opção pelo regime celetista, temse a esclarecer que não cabe a esta Delegacia de Julgamento manifestarse sobre a legalidade dos atos de aposentadoria expedidos por esse Estado da Federação. (...) Consoante os fatos narrados, agiu com acerto a Autoridade Fiscal ao considerar que os trabalhadores do cartório relacionados no Auto de Infração são segurados empregados submetidos ao regime geral da previdência social, tornandose irrelevante a opção pelo regime celetista, haja vista que a Emenda Constitucional n° 20/98 definiu de maneira específica que a proteção previdenciária pela via do RPPS somente está adstrita aos servidores titulares de cargo efetivo. (...) Não merece prosperar a alegação do contribuinte de que a autuação ocorreu em função de o autuado ter deixado de cumprir obrigações acessórias decorrentes de supostos fatos geradores de contribuição social, pois o presente crédito trata de uma obrigação tributária principal, ou seja, aquela que surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 341 a 366, combatendo a decisão de primeira instância fundamentadamente e reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação afirmando a não vinculação dos segurados objeto do AIOA ao RGPS, mas sim ao RPPS do Estado de Minas Gerais, o IPSEMG, observandose que em Sede de Preliminar aduz que: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 503 13 Cumpre esclarecer que o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais — SINOREG/MG ajuizou Ação Declaratória em face do Estado de Minas Gerais e da União perante a Justiça Federal (18a Vara Federal de Belo Horizonte), com pedido de tutela antecipada, que foi inicialmente negado. Houve recurso em forma de Agravo de Instrumento ao TRF da Ia Região, ao qual a Desembargadora Mônica Sifuentes deu provimento, no sentido de suspender as autuações da Receita Federal contra os Notário e Registradores sobre a matéria aqui questionada. Em Sessão de Julgamento realizada em 10.07.2012, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 e ainda se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/MG. A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF informando o posicionamento do contribuinte de que é parte integrante do processo: 1. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, via postal, recebido pelo contribuinte em 26/02/2013. 2. O contribuinte foi intimado a: “Para fins de instrução nos Autos de Infração 37.253.9289, 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327, nos quais o intimado é parte recorrente, informar por escrito, acompanhado de documentos comprobatórios: Se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/ MG.” 3. Está em anexo a reposta do contribuinte, que em síntese informa que é parte integrante do processo, porém não confirmou se é filiado aos autores do processo. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 O Contribuinte atravessou Manifestação, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais SINOREG; o Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Minas Gerais RECIVIL; a Associação dos Notários e Registradores do Estado de Minas Gerais ANOREG/MG; e a Associação dos Serventuários de Justiça do Estado de Minas Gerais SERJUS. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 504 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 457. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA AUTUAÇÃO FISCAL Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 341 a 366, interposto pelo Recorrente – VICENTE DE PAULO CARVALHO contra Acórdão nº 0231.170 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte MG, fls. 330 a 337, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.253.9289, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 22.908,80. Conforme o Relatório Fiscal da Infração da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período 04/2006 a 12/2009. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, informa que inicialmente a Auditoria Fiscal na empresa teve início com a emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para apresentação da documentação exigida em 03/08/2010, sendo este TIPF emitido em nome do SERVIÇO REGISTRAL DE IMÓVEIS DA COMARCA DE BOM DESPACHO, CNPJ 20.221.198/000140. Posteriormente foi efetuada a matrícula CEI 70.004.06170/08, de ofício, haja vista o Cartório não ter personalidade jurídica e o débito tem que ser lavrado em nome do titular. Nesta matrícula foi emitido novo TIPF em 06/08/2010. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, o débito foi apurado sobre os valores pagos aos segurados empregados Maria do Rosário Coimbra, nomeada escrevente do Cartório de Registro de Imóveis em 26 de abril de 1984, e Domingos Sávio de Carvalho, nomeado escrevente substituto em 27 de abril de 1994. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Estes segurados não foram inscritos como segurados empregados filiados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS pelo Sr. Vicente de Paulo Carvalho, por considerá los filiados a Regime Próprio de Previdência (RPPS) do Estado de Minas Gerais, gerido pelo Estado e IPSEMG. Assinala o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que esta filiação da segurada Maria do Rosário Coimbra e do segurado Domingos Sávio de Carvalho ao RPPS está correta por um determinado período, pois com o advento da Lei n°. 8.935/94, os notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares admitidos antes da Lei n°. 8.935/94, deveriam continuar vinculados à legislação previdenciária que anteriormente os regia (RPPS), eis que não houve opção do seu regime jurídico para o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. No entanto, afirma o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que esta filiação foi alterada a partir da modificação do sistema de previdência social, com a Emenda Constitucional n°. 20, de 15 de dezembro de 1998, in verbis: "Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo." Considera o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, que como os segurados citados não são servidores titulares de cargo efetivo, os mesmos estão excluídos do Regime Próprio de Previdência Social e, pelo exercício de atividade remunerada, estão obrigatoriamente vinculados ao Regime Geral de Previdência Social –RGPS como segurados empregados, conforme previsto no artigo 7º, inciso X da Instrução Normativa INSS/DC n° 65 de 10/05/2002, no artigo 9º, inciso XIX da Instrução Normativa INSS/DC n° 100 de 18/12/2003, no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 e no artigo 6º, inciso XXI da Instrução Normativa RFB n° 971 de 13/11/2009. Ademais, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 9 a 10, informa que a contribuição não declarada foi calculada aplicandose o percentual de 21% sobre a remuneração dos segurados empregados e 20% sobre a contribuição dos segurados contribuintes individuais, conforme previsto no artigo 22, incisos I e II alínea "a" e III da Lei 8.212/91, somado com a contribuição dos segurados, que não foi descontada de sua remuneração. Os valores devidos foram lançados através dos Autos de Infração 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327. A multa a ser aplicada é a prevista no artigo 284, inciso II e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social e artigo 32, inciso IV, parágrafo 5o da Lei 8.212/91, sendo de 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada por competência, aos valores previstos no parágrafo 4o do artigo 32 da Lei 8.212/91. O total de segurados da empresa está na faixa de 0 a 5, sendo a multa limitada a metade do valor mínimo. O valor mínimo é de R$1.431,79, conforme Portaria MPS/MF n° 333 de 29/06/2010. DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL Outrossim, o Recurso Voluntário, às fls. 341 a 366, em Sede Preliminar aduz que: Fl. 512DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 505 17 Cumpre esclarecer que o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais — SINOREG/MG ajuizou Ação Declaratória em face do Estado de Minas Gerais e da União perante a Justiça Federal (18a Vara Federal de Belo Horizonte), com pedido de tutela antecipada, que foi inicialmente negado. Houve recurso em forma de Agravo de Instrumento ao TRF da Ia Região, ao qual a Desembargadora Mônica Sifuentes deu provimento, no sentido de suspender as autuações da Receita Federal contra os Notário e Registradores sobre a matéria aqui questionada. A partir da cópia do Agravo de Instrumento nº 0028695 47.2010.4.01.0000/MG, às fls. 497 a 500, colacionado no Recurso Voluntário e em pesquisa no site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (http://www.trf1.jus.br), consulta em 14.07.2014, temos as informações a seguir. Em relação à ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, temos: (i) ação ordinária autuada em 06.04.2010; (ii) site consultado em 14.07.2014: http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?trf 1_captcha_id=8154b4293e125c80c30dbde2ecd03925&trf1_capt cha=9t7r&enviar=Pesquisar&proc=00286954720104010000&s ecao=TRF1 (iii) PARTES: AUTOR: SINDICATO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DE MINAS GERAIS – SINOREG AUTOR: ASSOCIAÇÃO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS ANOREG/MG AUTOR: SINDICATO DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AUTOR: ASSOCIAÇÃO DOS SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS – SERJUS RÉU: UNIÃO FEDERAL RÉU: ESTADO DE MINAS GERAIS (iv) Conforme o Relatório da decisão agravada, em 13/04/2010: Cuidase de ação ordinária, via da qual a parte autora, composta por entidades representantes de classe, pretende que seja declarado o direito dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios do Estado de Minas Gerais Fl. 513DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 que já estavam em atividade em 20/11/1994 de permanecerem regidos pelas regras de aposentadoria do Estado de Minas Gerais, nos termos dos artigos 40, caput, e parágrafo único, 48, caput e § 2°, e 51, caput e parágrafos, todos da Lei Federal n° 8.935/94. Reclama o reconhecimento pelo Estado de Minas Gerais de todo o tempo de serviço posterior a 1998, para efeito de concessão de aposentadoria. Requer declaração judicial de que a União não tem o direito de cobrar contribuições previdenciárias federais dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios que já estavam em atividade em 20/11/1994. Pede a extinção de todos os procedimentos de cobrança, autuação ou execução fiscal de autoria da União que tenham como objeto créditos previdenciários Em relação ao andamento processual no Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF 1: (i) Dados gerais Agravo de Instrumento impetrado, nº 002869547.2010.4.01.0000/MG: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO AGRAVO DE INSTRUMENTO 286954720104010000/MG AGRAVO DE INSTRUMENTO N. 0028695 47.2010.4.01.0000/MG Processo Orig.: 002271823.2010.4.01.3800 RELATORA DESEMBARGADORA FEDERAL MONICA SIFUENTES AGRAVANTE SINDICATO DOS NOTÁRIOS E REGISTRADORES DE MINAS GERAIS – SINOREG AGRAVANTE SINDICATO 'DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AGRAVANTE SINDICATO 'DOS OFICIAIS DO REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS DO ESTADO DE MINAS GERAIS REVICIL AGRAVANTE ASSOCIAÇÃO DOS SERVENTUÁRIOS DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS – SERJUS AGRAVADO UNIÃO FEDERAL AGRAVADO ESTADO DE MINAS GERAIS Fl. 514DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 506 19 (ii) da decisão veiculada no AI que concedeu a tutela antecipada: Insurgemse os agravantes contra decisão do MM Juiz de 1° grau (cópia às fls. 43/44), que indeferiu a antecipação de tutela pleiteada, em ação proposta contra a União Federal e o Estado de Minas Gerais, visando o reconhecimento de tempo de serviço/contribuição,, após 16 de dezembro de 1998, para fins de concessão de aposentadoria c o direito ao recolhimento das contribuições previdenciárias, independentemente do pagamento de multa e juros de mora, de todos os notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartório do Estado de Minas Gerais. Pedem, ainda, que a União se abstenha de realizar qualquer procedimento administrativo de cobrança, autuação ou execução fiscal que tenha como objeto os créditos previdenciárias de responsabilidade pessoal ou patronal dos substituídos. Esclarecem que o Estado de Minas Gerais, ao editar o Decreto n° 45.172, em 14/09/2009, dispôs que. com base na Emenda Constitucional n° 20/98, os titulares e servidores de cartório que ingressaram na atividade antes da publicação da norma acima citada teriam sido migrados, com data retroativa a 16/12/98, para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. com a perda do vinculo para aposentadoria com o Estado. Informam que o art. 236 da .Constituição Federal dispôs que lei" federal deveria disciplinai os serviços notariais e de registro. Em razão disso foi editada a Lei n° 8.935/94 que criou uma regra transitória, garantindo aos servidores, que já estavam em atividade, o direito de se aposentarem sob a responsabilidade do Estado de Minas Gerais, com fundamento nas regras existentes na data de sua publicação. • Requerem o deferimento da antecipação de tutela e o provimento do agravo Decisão A antecipação dos efeitos da tutela pressupõe, segundo disposto no art. 273 do CPC, prova inequívoca quanto à verossimilhança da alegação em que se funda o direito vindicado, alem de propósito procrastinatório do réu ou possibilidade de dano irreparável ou de difícil reparação. Os agravantes, em sua peça inicial, informam que "não se tem notícia de ter esse egrégio TRF 1 a Região ou qualquer outro Tribunal do Pais se debruçado sobre a questão veiculada neste recurso, tratandose de leading case, o que evidencia a complexidade da matéria em exame". A complexidade apontada certamente levou o MM. Juiz de 1° grau a aguardar a manifestação dos demandados, para melhor se inteirar da questão quando de possível reexame do pedido de antecipação dos efeitos da tutela. No.entanto, conquanto comungue do ..entendimento do magistrado de 1o. grau no tocante à cautela exigida para se julgar questão de tamanha complexidade, que envolve o regime de aposentadoria de todos os servidores e titulares de cartórios Fl. 515DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 do Estado de Minas Gerais, como informado na peça recursal, creio que há pelo menos um ponto cuja reparação em sede cautelar se faz premente. ' Tratase da INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 971, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2009, que modificou substancialmente, e com efeitos imediatos e caráter retroativo, o regime de contribuição social.para a Previdência Social dos notários, tabeliães, oficiais de registro e servidores nomeados até 20 de novembro de 1994, como se vê dos seguintes dispositivos: Art. 6 º XXI (...) XXII (...) XXIII(...) Art. 9 º XXIII(...) XXIV(...) De fato, a Constituição Federal de 1988, no art. 236 (Ato das Disposições Constitucionais Gerais), estabeleceu que a atividade notarial fosse disciplinada por lei federal, que somente foi promulgada em 1994 Lei 8.935, de 18 de novembro de 1994 chamada de Lei,dos Cartórios;. Essa lei, por sua vez em vários dos seus dispositivos, assegurou os direitos e vantagens daqueles que estivessem em atividade na data da sua publicação. (...) Na .esteira dessa lei, o próprio Ministro de Estado da Assistência e Previdência Social editou a PORTARIA MPAS N° 2.701, DE 24 DE OUTUBRO DE 1995 DOU DE 26/10/1995 que, "considerando a necessidade de esclarecer a situação previdenciária dos notários ou tabeliães, oficiais de registro ou registradores, escreventes e auxiliares em função do disposto na Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994", distinguiu claramente, para fins de contribuição e nos termos da lei em vigor, a situação dos servidores e titulares de cartório admitidos até 20 de novembro de 1994 (...) (...) Desse modo, ao menos em juízo preliminar, parece fora de dúvidas que a Instrução Normativa 971/2009 inovou e destoou completamente dos termos fixados na Lei 9.935/94, ferindo ainda os princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, ao exigir contribuição dos titulares dos cartórios desde a data da entrada em vigor da Emenda Constitucional n. 20/98. O perigo de dano decorre da própria executoriedade da instrução Normativa em questão, sendo atual ou iminente a possibilidade de autuação e cumprimento dos procedimentos fiscais inerentes à cobrança da divida' fixada com base na referida Instrução. No tocante, no entanto, ao crédito tributário eventualmente apurado, há necessidade de que a suspensão seja antecedida do depósito dos valores questionados, nos termos da.jurisprudência já pacificada nesta Corte ((AC 2000,01.00.0853000/DF, Rei. Juiz Mário César Ribeiro, Quarta Turma.DJ p.149 de 22/01/2002). Ante o exposto, nos'termos do art. 273 do CPC, CONCEDO PARCIALMENTE a antecipação de tutela pleiteada, nos termos do pedido formulado no item 1, letra "c" da inicial do agravo Fl. 516DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 507 21 (fl.31), devendose observar, quanto ao créditos já apurados, a necessidade do depósito dos valores questionados, para fins de suspensão. Dêse ciência ao ilustre prolator da decisão agravada, para as providências com vistas ao seu cumprimento. Intimese o(a) agravado(a) para apresentação de contraminuta. Publiquese. Intimese. Brasília, 11 de abril de2011. (iii) Em 07.11.2013 houve a redistribuição do processo por sucessão, estando concluso ao Relator para Relatório e Voto desde 14.03.2014. (iv) Em 06.02.2014, o TRF recebeu as Apelações das partes Autora e Ré (União): Recebo as apelações da parte autora e da ré União, tempestivamente interpostas, nos efeitos devolutivo e suspensivo. Tendo em vista que as contrarrazões já foram ofertadas pela parte ré, vista à parte autora para, querendo, responder no prazo legal. DA DILIGÊNCIA FISCAL REALIZADA A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, retornou ao CARF informando o posicionamento do contribuinte de que é parte integrante do processo: 1. Foi emitido Termo de Intimação Fiscal, via postal, recebido pelo contribuinte em 26/02/2013. 2. O contribuinte foi intimado a: “Para fins de instrução nos Autos de Infração 37.253.9289, 37.253.9300, 37.253.9319 e 37.253.9327, nos quais o intimado é parte recorrente, informar por escrito, acompanhado de documentos comprobatórios: Se o Recorrente é parte, por qualquer modalidade processual, da ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Se o Recorrente é atingido, a que título, pelos efeitos da tutela antecipada concedida no Agravo de Instrumento – AI nº 002869547.2010.4.01.0000/ MG.” Fl. 517DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 3. Está em anexo a reposta do contribuinte, que em síntese informa que é parte integrante do processo, porém não confirmou se é filiado aos autores do processo. O Contribuinte atravessou Manifestação, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800 o Sindicato dos Notários e Registradores de Minas Gerais SINOREG; o Sindicato dos Oficiais de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado de Minas Gerais RECIVIL; a Associação dos Notários e Registradores do Estado de Minas Gerais ANOREG/MG; e a Associação dos Serventuários de Justiça do Estado de Minas Gerais SERJUS. DA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Verificase que a ciência do presente AIOA nº 37.253.9289 ocorreu em 26.08.2010, conforme fls. 01, e que a ação ordinária, processo nº 0022718 23.2010.4.01.3800, já havia sido anteriormente ajuizada posto que foi autuada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 06.04.2010. Restou comprovado nos autos que a ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, possui objeto idêntico ao veiculado no presente processo administrativofiscal nº 10665.001448/201061 com o AIOA nº 37.253.9289, qual seja o de discutir a incidência de contribuições sociais previdenciárias dos notários, oficiais de registro, escreventes e auxiliares de cartórios que já estavam em atividade em 20/11/1994, além de que a ação ordinária ajuizada tem como pedido a extinção de todos os procedimentos de cobrança, autuação ou execução fiscal de autoria da União que tenham como objeto créditos previdenciários. Neste sentido, temse a Manifestação da Recorrente, às fls. 625 a 628, Anexado ao processo administrativofiscal nº 10665.001450/201030, no sentido de ser parte integrante do processo na modalidade de substituído e/ou representado processualmente pelos autores na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800. Desta forma, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de observância obrigatória nos termos do art. 72, caput, Anexo II, Regimento Interno do CARF: Anexo II, Regimento Interno do CARF Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 518DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10665.001448/201061 Acórdão n.º 2403002.649 S2C4T3 Fl. 508 23 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, diante da coincidência de objetos verificados no presente processo administrativofiscal nº 10665.001448/201061 (AIOA nº 37.253.9289) e na ação ordinária ajuizada na 18 ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, processo nº 002271823.2010.4.01.3800, em função da aplicação da Súmula nº 1 do CARF não há matéria a se conhecer no presente processo administrativofiscal. CONCLUSÃO Voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário em função da aplicação da Súmula nº 01 do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 519DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16327.001496/2003-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. ART. 62-A DO RICARF.
Nos termos da Súmula 360 do STJ, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Todavia, se ocorreu o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora antes da constituição do crédito tributário pela entrega da DCTF ou de outro documento como tal, é de se impor o reconhecimento da denúncia espontânea. Hipótese em que a ora recorrente pagou de forma integral e a vista o débito antes da entrega de qualquer declaração. Denúncia espontânea caracterizada. Deferimento do pedido de restituição. Aplicação do entendimento do STJ, nos termos do art. 62-A do RICARF.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa. A conselheira Tatiana Midori Migiyama declarou-se impedida.Acompanhou o julgamento pela recorrente, a advogada Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP 267.452.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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MULTA DE MORA. DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RESTITUIÇÃO. Recorrente UNIBANCO UNIÃO DE BANCOS BRASILEIROS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. MULTA DE MORA. ART. 62A DO RICARF. Nos termos da Súmula 360 do STJ, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Todavia, se ocorreu o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora antes da constituição do crédito tributário pela entrega da DCTF ou de outro documento como tal, é de se impor o reconhecimento da denúncia espontânea. Hipótese em que a ora recorrente pagou de forma integral e a vista o débito antes da entrega de qualquer declaração. Denúncia espontânea caracterizada. Deferimento do pedido de restituição. Aplicação do entendimento do STJ, nos termos do art. 62A do RICARF. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário da empresa. A conselheira Tatiana Midori Migiyama declarouse impedida.Acompanhou o julgamento pela recorrente, a advogada Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP 267.452. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 96 /2 00 3- 47 Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 30/04/2003 no valor de R$ 698.928,03, correspondente à multa de mora em recolhimento feito a título de IOF (fl. 07). A DRF em São Paulo emitiu o Despacho Decisório de fls. 486 e ss., indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a fundamentação de que o disposto no art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), referese à exclusão da responsabilidade pela infração, e não à multa de caráter moratório prevista no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, ratificando os termos do despacho decisório (fls. 703 e ss.). Não conformada com o acórdão recorrido, a impugnante apresentou recurso voluntário, reiterando seu pedido de reforma do aresto e o reconhecimento do direito à restituição. Apreciando o recurso voluntário, nossa Turma decidiu converter o julgamento em diligência, uma vez que não está claro se o recorrente pagou o tributo, objeto de denúncia espontânea, antes de apresentar declaração em DCTF, embora o contribuinte tenha juntado documentação, em 29/07/2013, alegando que esta provaria o pagamento do IOF antes de confessálo (Fls. 752 e ss.). Afirmouse, na ocasião, que esse dado é essencial para a análise da questão, em função do entendimento do STJ sobre o tema, firmado em sede de recurso repetitivo, a qual o CARF está vinculado, em função do que dispõe o art. 62A do RICARF. A DIORT Divisão de Orientação e Análise Tributária respondeu a diligência solicitada, informando que o pagamento ocorreu antes da declaração em DCTF. Com a informações acima transcritas, o processo foi remetido para o CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16327.001496/200347 Acórdão n.º 3202001.367 S3C2T2 Fl. 1.981 3 Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A discussão em pauta se restringe a saber se é indevida a inclusão da multa de mora, no pagamento de tributo espontâneo, e, por conseguinte, se procede ou não o pedido de restituição formulado pela recorrente, por ter pago a referida penalidade.em tais circunstâncias. O tema foi objeto de decisão em sede de repercussão geral no STJ que está didaticamente explicitada no precedente abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DO CINCO MAIS CINCO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. [...]3. Nos termos da Súmula 360 do STJ, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Todavia, se ocorreu o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora antes da constituição do crédito tributário pela entrega da DCTF ou de outro documento como tal, é de se impor o reconhecimento da denúncia espontânea. 4. Hipótese em que a ora agravada pagou de forma integral e a vista o débito antes da entrega de qualquer declaração. Denúncia espontânea caracterizada. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1360365/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/04/2013, DJe 15/04/2013) Como se vê, o entendimento do STJ é de que é essencial saber se os pagamentos a título de IOF foram declarados em DCTF para concluir se o pagamento de multa de mora é indevido ou não. Em resposta à diligência solicitada nesse sentido, a DIORT informou o seguinte: Sr Chefe da DIORT O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução nº 3202000.134, de Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 fls.1486 a 1488, para que a autoridade fiscalizadora “apure se os pagamentos a título de IOF, objeto do pedido de restituição, foram ou não declarados em DCTF antes do pagamento do tributo.” Confrontamos os pagamentos listados pelo interessado nas tabelas de fls. 1131 a 1138, com as informações dos sistemas SINAL e DCTF cujas telas anexamos ao processo em fls. 1489 a 1957. Respondendo ao quesito levantado pelo Conselho, informamos que os citados pagamentos a título de IOF foram declarados em DCTF ativa, transmitida em data posterior ao recolhimento. À consideração superior. No caso dos autos, portanto, ficou claro que a recorrente pagou o tributo, objeto de denúncia espontânea, antes de apresentar declaração em DCTF, conforme atesta a informação da DIORT. Assim, com base no art. 62A do RICARF, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 11516.720416/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
Ementa:
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA.
Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos tributos e contribuições lançados de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, descabe incluí-lo no pólo passivo da obrigação tributária constituída.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Nos termos da súmula CARF nº 25, de natureza vinculante (Portaria MF nº 383, de 2010), a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Constatado que a infração apurada foi adequadamente descrita na peça acusatória e que esta foi elaborada com fiel observância da legislação de regência, descabe falar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito ao lançamento lastreado na aplicação da presunção em referência, vez que a recomposição da conta CAIXA que fez transparecer os saldos credores foi promovida com base em erros de contabilização admitidos pela própria fiscalizada.
OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. EXIGÊNCIAS FORMALIZADAS POR VIA REFLEXA. PROCEDÊNCIA.
No caso de constatação de omissão de receitas, o pressuposto é de que a omissão diz respeito às receitas auferidas em virtude da realização do objeto social do contribuinte, sendo, portanto, exigíveis o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, por via reflexa, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o PIS e a COFINS. No que tange ao PIS e à COFINS, a admissibilidade de parcela redutora dos montantes passíveis de tributação, em razão de excepcionalidades (não incidências, isenções, alíquota zero, etc.) ou de aproveitamento de créditos, exige comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 1301-001.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos tributos e contribuições lançados de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, descabe incluí-lo no pólo passivo da obrigação tributária constituída. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da súmula CARF nº 25, de natureza vinculante (Portaria MF nº 383, de 2010), a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a infração apurada foi adequadamente descrita na peça acusatória e que esta foi elaborada com fiel observância da legislação de regência, descabe falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito ao lançamento lastreado na aplicação da presunção em referência, vez que a recomposição da conta CAIXA que fez transparecer os saldos credores foi promovida com base em erros de contabilização admitidos pela própria fiscalizada. OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. EXIGÊNCIAS FORMALIZADAS POR VIA REFLEXA. PROCEDÊNCIA. No caso de constatação de omissão de receitas, o pressuposto é de que a omissão diz respeito às receitas auferidas em virtude da realização do objeto social do contribuinte, sendo, portanto, exigíveis o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, por via reflexa, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o PIS e a COFINS. No que tange ao PIS e à COFINS, a admissibilidade de parcela redutora dos montantes passíveis de tributação, em razão de excepcionalidades (não incidências, isenções, alíquota zero, etc.) ou de aproveitamento de créditos, exige comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. Ausentes elementos representativos da conduta do sócio que, guardando nexo de causalidade com a subtração à tributação dos tributos e contribuições lançados de ofício, seriam capazes de demonstrar a sua efetiva participação nas infrações detectadas, descabe incluílo no pólo passivo da obrigação tributária constituída. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da súmula CARF nº 25, de natureza vinculante (Portaria MF nº 383, de 2010), a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Constatado que a infração apurada foi adequadamente descrita na peça acusatória e que esta foi elaborada com fiel observância da legislação de regência, descabe falar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito ao lançamento lastreado na aplicação da presunção em referência, vez que a recomposição da conta CAIXA que fez transparecer os saldos credores foi promovida com base em “erros” de contabilização admitidos pela própria fiscalizada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 04 16 /2 01 2- 04 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 634 2 OMISSÃO DE RECEITAS. PIS E COFINS. EXIGÊNCIAS FORMALIZADAS POR VIA REFLEXA. PROCEDÊNCIA. No caso de constatação de omissão de receitas, o pressuposto é de que a omissão diz respeito às receitas auferidas em virtude da realização do objeto social do contribuinte, sendo, portanto, exigíveis o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, por via reflexa, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o PIS e a COFINS. No que tange ao PIS e à COFINS, a admissibilidade de parcela redutora dos montantes passíveis de tributação, em razão de excepcionalidades (não incidências, isenções, alíquota zero, etc.) ou de aproveitamento de créditos, exige comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 635 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados. [...] I) DA AUTUAÇÃO Consoante Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal (TVF), às fls. 4554, a Fiscalização constatou que: “(...) 3. DO CONTRIBUINTE E FORMA DE TRIBUTAÇÃO Constituída em 13/09/1984, a empresa Transzape Transportes Rodoviários Ltda, tributada com base no lucro real, explora atividades de transporte rodoviário de cargas (CNAE 4930202). Está sediada na cidade de Tubarão e de acordo com a 48ª alteração contratual de 09/08/2011, possui 17 (dezessete) filiais ativas, distribuídas nos estados de Minas Gerais (04), Paraná (01), Goiás (02), SC (01), São Paulo (03), Rio de Janeiro (02), Bahia (01), Pernambuco (01), Rio Grande do Sul (01) e Espírito Santo (01). Ostenta um capital social subscrito e integralizado de R$ 1.800.000,00 (hum milhão e oitocentos mil reais). A administração da empresa é exercida pelos sócios Pedro e José Zapelini. 4. DOS ATOS E PROCEDIMENTOS FISCAIS: O Mandado de Procedimento Fiscal acima citado, emitido pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, determinou aos auditores fiscais que ao final subscrevem, o exame acerca do cumprimento de obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2008 e 2009 para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e decorrentes ou reflexos (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e Contribuição para o PIS/PASEP). Os trabalhos de auditoria tiveram início no dia 29/08/2011, às 15:00 horas, com visita à sede do sujeito passivo, na rodovia BR101, KM221, nº 336, no bairro São João, no município de Tubarão, com a finalidade de cientificar o administrador da empresa acerca do procedimento que se iniciava e intimálo a apresentar os elementos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal. Fomos recebidos pelo contador da empresa, Sr. José Sadi Borges Júnior, que se encarregou de coletar a assinatura do sócio administrador, Pedro Zapelini, no termo respectivo. Atendendo solicitação feita pela auditoria fiscal, o contribuinte apresenta em 14/11/2011, documento intitulado “Declaração”, que figura como anexo, através da qual são alinhadas as razões pelas quais os 10 (dez) estabelecimentos filiais ali Fl. 635DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 636 4 indicados não apresentaram faturamento no período considerado (anos calendários de 2008 e 2009). Em 22/09/2011 o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal nº 001 (anexo), a apresentar, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, os elementos que relaciona, quais sejam: LALUR, Livro de Registro de Entrada e no dia 21/11/2011, conforme Termo de Intimação anexo, o contribuinte foi instado a, no prazo de 10 (dez) dias corridos, comprovar com documentação hábil e idônea, 213 (duzentos) lançamentos a débito da conta Caixa Geral, listados no anexo do referido termo. Em 01/12/2011 o sujeito passivo, por intermédio de seu representante legal, reclama prorrogação do prazo para apresentação dos comprovantes dos lançamentos. Finalmente, em 06/12/2011, nos 18 (dezoito) itens inseridos na resposta, o sujeito passivo apresenta justificativas para os mencionados lançamentos, que serão adiante examinadas. 5. OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA Na correspondência de 06/12/2011, o sujeito passivo apresenta suas razões a respeito dos duzentos e treze lançamentos. Vejamos, a seguir, a motivação apresentada pelo contribuinte e que se referem a fatos geradores do lançamento em tela. Vejamos: Item 6 da correspondência de 06/12/2011 Informa que as operações dos itens130 a 132 do termo de intimação de 21/11/2011, no total de R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais) tratam de pagamento efetuado ao Banco Real Santander, resultante de ação judicial com o antigo Banco Sudameris, adquirido pelo Banco Santander. O sujeito passivo declara que a operação não foi contabilizada de forma correta e que irá providenciar a correção de sua escrituração contábil. (grifamos). Item 10 da correspondência de 06/12/2011 – Aduz que os lançamentos dos itens 159 a 165 do termo de intimação de 21/11/2011, num total de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) foi erro contábil e financeiro. Informa que o valor a ser lançado a débito seria como contrapartida na conta corrente 540008 do Banco Itaú e que o setor financeiro equivocouse por ter considerado a expressão que constava no histórico desta operação como sendo “Caixa reserva – V – Transf”. Ressaltou que o fato foi assumido como erro contábil e financeiro que seria objeto de correção na contabilidade. (grifamos). Itens 3 a 5, 7, 9, 11 a 18 da correspondência de 06/12/2011 O contribuinte reconhece que as operações descritas nos itens 85, 86, 88, 103, 133 a 136, 139 a 158, 167 a 213 do termo de intimação de 21/11/2011, envolvendo montante na ordem de R$ 2.145.944,40 (dois milhões, cento e quarenta e cinco mil, novecentos e quarenta e quatro reais), com históricos contábeis do tipo “Vr. Ref. Transf. Cx” ou “Retirada para o Caixa”, referemse na verdade a valores repassados pela sociedade aos seus sócios ou aos filhos destes, sócios da empresa Zavel Motors comércio de Veículos Ltda, a título de empréstimo/comodato, não contabilizados de forma correta. Comprometeramse a efetuar as devoluções dos valores e as devidas correções na escrituração contábil. (...). Feitos os ajustes e uma vez expurgados da escrituração os lançamentos referidos, classificados como inidôneos ou incorretos pelo próprio autuado, a conta Caixa passou a ostentar saldos credores no período considerado. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 637 5 Saldo credor de caixa, ou caixa negativo, representa indício lógico e robusto de falta de escrituração de receitas. É inconcebível, por ser uma conta do Ativo, portanto devedora. Ainda assim, diante da sua ocorrência, a legislação tributária reputa presumir a omissão de receita tributável, pelo fato de o contribuinte registrar saída de recursos cujo ingresso ficou à margem da contabilidade, com evidente intuito de não pagar o tributo devido. As operações acima referidas, se corretamente escrituradas, provocariam o chamado “estouro de caixa”, revelando a existência de omissão de receitas. Feita a reconstituição do fluxo de Caixa no período considerado (01/2008 a 12/2009), com alocação correta dos ingressos de recursos e desembolsos, coincidentes em datas e valores, ficou claramente demonstrada a ocorrência de saldo credor, conforme detalhado nas 116 (cento e dezesseis) páginas do anexo intitulado Demonstrativo dos Saldos Credores de Caixa, situação que tipifica omissão de receita nos termos do artigo 281, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Art. 281 – Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei 1.598, de 1977, art. 12, § 2º e Lei 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; No quadro seguinte, elaborado a partir dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte em 06/12/2011, estão relacionados os lançamentos expurgados dos saldos da conta Caixa Geral do contribuinte. Senão vejamos: (...) Demonstrada a existência de saldo credor da conta Caixa em diversos momentos do período de apuração, foi computado o maior saldo credor do período como valor da receita omitida para fins de tributação. Desta forma, a omissão de receita foi mensalmente apurada pelo maior saldo credor, obtendose os valores a lançar, coluna “saldo credor apurado” conforme abaixo discriminado: Dia do Maior Saldo Credor Saldo Credor Apurado 20/01/08 47.031,87 10/04/08 146.486,59 09/05/08 1.431,33 24/06/08 442.861,17 31/07/08 1.192.684,05 01/08/08 5.881,67 30/09/08 150.973,08 21/10/08 111.659,12 30/11/08 5.959,03 09/12/08 23.706,73 22/01/09 74.437,08 Fl. 637DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 638 6 05/02/09 3.508,47 13/03/09 109.543,59 03/08/09 23.529,98 31/10/09 28.484,08 10/11/09 35.798,92 Tendo sido caracterizados e mensurados os valores não oferecidos à tributação por parte do contribuinte, alimentamos o sistema eletrônico de emissão de Auto de Infração, a partir do qual foi gerado o anexo denominado “Demonstrativo de Apuração – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Lucro Real”, que discrimina o imposto apurado. Os acréscimos legais decorrentes são evidenciados no “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora – Imposto de Renda Pessoa Jurídica” A mesma irregularidade que implicou no lançamento do IRPJ, também configura infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Assim, com a finalidade de refletir nos sistemas da Receita Federal do Brasil estas alterações, foi providenciada a emissão do Formulário de Alteração do Prejuízo Fiscal – FAPLI e também do Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social – FACS, vias dos quais será entregue ao contribuinte, por ocasião do encerramento do procedimento fiscal, para os devidos ajustes na sua escrita fiscal. Da mesma forma, a ocorrência verificada (Omissão de receita x Saldo credor de caixa) também caracteriza infração à legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS e para a Contribuição para o Programa da Integração Social – PIS, ambas na modalidade do regime não cumulativo. Os cálculos correspondentes à mensuração das contribuições devidas estão evidenciados no Demonstrativo de Apuração – Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. Já as repercussões legais incidentes sobre a exação não adimplida constam do Demonstrativo de Multa e Juros de Mora – Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. São os denominados lançamentos decorrentes ou reflexos. Conseqüentemente, aplicase aos lançamentos decorrentes (PIS/PASEP, COFINS e CSLL), o mesmo tratamento dado no mérito ao lançamento matriz do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Ambos os lançamentos, matriz e reflexos, estão fundamentados nos mesmos elementos de convicção. 6. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A partir dos fatos descritos e das provas juntadas ao processo administrativo fiscal, a conclusão que se impõe é no sentido de que ambos, ou seja, tanto o sujeito passivo Transzape Transportes Rodoviários Ltda quanto o sujeito passivo solidário Zavel Motors Comércio de Veículos Ltda, demonstraram interesse comum naquelas operações de transferência de valores do sujeito passivo para o solidário, que constituíram fatos geradores dos tributos incidentes sobre a receita omitida, esta como presunção decorrente da constatação do registro de saldo credor da conta Caixa, conforme já relatado. Decisivo lembrar que os sócios administradores do sujeito passivo solidário são filhos dos representantes legais da Transzape. Como se vê, negócio de pai para filho. Demais circunstâncias e fundamentação legal respectiva, encontramse descritas no anexo intitulado Termo de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 639 7 7. DO AGRAVAMENTO DA MULTA No âmbito dos acréscimos pecuniários infligidos, esclareçase que, diante do evidente intuito de fraude caracterizado, visto que não restam dúvidas quanto à intenção do contribuinte em ludibriar o fisco, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta do recolhimento/pagamento dos tributos devidos, é de se agravar a multa imposta. O sujeito passivo, de acordo com as circunstâncias descritas minudentemente no item anterior, dedicado a omissão de receitas decorrente da constatação de saldo credor de Caixa, revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante fraude e sonegação dolosa. Este comportamento, além de configurar, em tese, crime contra a ordem tributária, agrava o valor de multa imposta, conforme disposições contidas nos artigos 44, inciso I, parágrafo 1º da lei 9.430/96, combinado com artigos 71, inciso I e 72, ambos da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964, in verbis: (...) Finalmente, os fatos levantados no procedimento fiscal em tela conduzem para a conclusão indubitável de que o dolo esteve presente na conduta adotada pelo contribuinte. A prática delituosa implementada, reconhecida pelo próprio autuado, não deixa dúvida quanto à voluntariedade da conduta. Não apenas deixou de oferecer à tributação fatos imponíveis inerentes à atividade, como utilizou artifício destinado a evitar o conhecimento pela Administração Tributária de operações efetivamente realizadas. (...) 11. DO TERMO DE CIÊNCIA O contribuinte foi cientificado através do termo de ciência anexo, cuja assinatura do contribuinte abrange a dos seguintes documentos: Auto de infração IRPJ, auto de infração CSLL, auto de infração PIS/PASEP, auto de infração COFINS, termo de sujeição passiva solidária e termo de encerramento. [...] Apresentaram impugnação a contribuinte autuada e a indicada como sujeito passivo solidário (ZAVEL MOTORS LTDA). Em apertada síntese, sustentaram: i) a nulidade do auto de infração, eis que não consta do processo qualquer meio de prova que possa resultar na conclusão nele esposada; ii) a improcedência, no mérito, da autuação, pois, além da omissão de receitas ser presumida, foi gerada em função da exclusão indevida de lançamentos a débito na conta CAIXA (informou que juntava aos autos comprovantes de todos os lançamentos a débito na conta CAIXA, que, segundo ela, foram expurgados erroneamente pela Fiscalização); iii) o caráter confiscatório da multa aplicada; Fl. 639DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 640 8 iv) a inexistência de conduta capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada; v) a impossibilidade de tributação, pelo PIS e pela COFINS, de receita presumida; vi) a inexistência nos autos de prova capaz de caracterizar a sujeição passiva solidária. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pelas impugnações interpostas, decidiu, por meio do acórdão nº 1444.538, de 30 de agosto de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: LANÇAMENTO. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. Verificado que a fiscalização cumpriu os requisitos formais e materiais estabelecidos pelas normas legais de regência, especialmente quanto a descrição das irregularidades apuradas, não há que se falar em nulidade da autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A constatação de saldo credor de caixa autoriza a presunção legal de omissão de receitas, passível de ser infirmada apenas com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, comprobatórios da regularidade dos lançamentos contábeis. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL EXIGÊNCIA DO PIS/COFINS E CSLL Apurada e confirmada a omissão de receitas calcada em presunção legal, cabível a exigência do PIS, COFINS e CSLL, salvo se o contribuinte esclarecer a origem dessas receitas, verificandose tratar de que não seriam passíveis de exigência do PIS/Cofins ou CSLL. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REDUÇÃO A 75%. Para a aplicação da multa no patamar de 75% basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo. Cumpre ao Fisco comprovar a fraude tributária para exasperação da penalidade, ao percentual de 150%. Incabível a qualificação da multa em exigências tributárias calcadas exclusivamente em presunção legal, sem que haja prova de quaisquer circunstâncias dolosas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Todavia, não comprovado o benefício próprio ou a pratica de ato doloso, descabe a responsabilização solidária. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 641 9 A Turma Julgadora de primeira instância, tendo exonerado o sujeito passivo solidário das obrigações formalizadas e reduzido a multa de 150% para 75%, recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte autuada apresentou o recurso voluntário de fls. 598/611, em que renova argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 642 10 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de caixa. A autoridade fiscal imputou ainda multa qualificada de 150% e sujeição passiva solidária à pessoa jurídica ZAVEL MOTORS LTDA. Aprecio, pois, os recursos interpostos. RECURSO DE OFÍCIO A interposição do recurso necessário teve por base o fato de a Turma Julgadora de primeira instância ter reduzido a multa de ofício aplicada de 150% para 75%, e ter exonerado a pessoa jurídica ZAVEL MOTORS LTDA do crédito tributário constituído. Abaixo, fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância relacionados à apreciação das matérias acima mencionadas. [...] De fato o contribuinte buscou ocultar do Fisco, na contabilidade, a ocorrência de saldo credor de caixa. Todavia, descabe a aplicação da multa qualificada, pois, as exigências tributárias estão calcadas exclusivamente na presunção legal do art. 281, inciso I, do RIR/99, sem que haja prova de quaisquer circunstâncias dolosas. De igual forma, entendo que não restou satisfatoriamente comprovada a responsabilidade solidária da Empresa Zavel Motors Ltda. Isso porque o fato de serem beneficiários dos valores transferidos pelo contribuinte que ensejaram o saldo credor de caixa, por si só, não autoriza concluir o interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, tampouco inferir que se beneficiaram diretamente das operações realizadas pelo contribuinte cuja receita foi omitida. Reitero que estamos tratando de presunção legal de omissão de receitas pelo saldo credor de caixa que de fato aflorou a partir da contabilização correta das entregas de recursos à Zavel, mas isso somente ocorreu por que existem outras saídas de caixa concomitantes que consumiram tais recursos, a exemplo de pagamento de fornecedores, empréstimos bancários etc. Tenho plena convicção de que a empresa praticou omissão de receitas, pois, do contrário teria demonstrado a origem dos recursos, porém, o Fisco deixouse trazer aos autos uma única prova documental direta da participação da empresa Zavel Motors, nessas operações. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 643 11 Outrossim, caso seja feito prova posterior desse vínculo, mediante fatos novos, em sede de execução fiscal, a empresa Zavel Motors ou qualquer outro beneficiário poderá responder solidária ou subsidiariamente pelos créditos tributários, haja vista que no presente momento, o provimento se deve a insuficiência do conjunto probatório. Adotando a ordem em que os fatos foram descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 45/54, aprecio primeiramente a imputação de sujeição passiva à pessoa jurídica ZAVEL MOTORS LTDA. Pelo que foi possível depreender, o fato que serviu de suporte à imputação de sujeição passiva solidária em questão está representado pelo reconhecimento por parte da fiscalizada de que operações envolvendo o montante de R$ 2.145.944,40, embora tenham sido registradas a débito da conta CAIXA, se referiram a repasses promovidos aos seus sócios ou a filhos destes, a título de empréstimo/comodato. Em virtude de os filhos dos sócios da fiscalizada, beneficiários de parte dos recursos em questão, serem sócios da pessoa jurídica ZARVEL MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA, a autoridade fiscal concluiu que tanto a fiscalizada quanto a citada empresa demonstraram interesse comum nas operações realizadas (inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional). Penso que o decidido em primeira instância não é merecedor de reparo. A meu ver, a imputação de sujeição passiva pretendida pela autoridade fiscal carece de maior comprovação, especialmente em virtude de ela estar lastreada nas disposições do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional. Não encontro nos autos a indicação da conduta da imputada capaz de revelar que ela efetivamente contribuiu de alguma forma para a concretização dos fatos geradores identificados nas peças acusatórias, até porque eles (os fatos geradores), como bem disse a decisão de primeiro grau, decorreram de aplicação de presunção prevista em lei. Ainda que se relegasse a um segundo plano a questão da fundamentação legal, não identifico, também, nem mesmo descrição de ato praticado pela pessoa jurídica ZARVEL MOTORS capaz de atrair a aplicação das disposições do art. 135 do Código Tributário Nacional. O simples fato de os sócios da imputada serem filhos dos representantes legais da autuada e de aquela (a imputada) ter sido beneficiada com recursos provenientes da contribuinte fiscalizada, por si sós, não autoriza a providência adotada pela autoridade fiscal. No caso, seria necessário um aprofundamento da investigação, de modo que restasse comprovado nos autos que, primeiro, os recursos que serviram de suporte para o lançamento tributário, independentemente da sua quantificação ter sido feita por meio da aplicação da presunção legal (saldo credor de CAIXA), efetivamente decorreram de receitas mantidas à margem da escrituração, e, segundo, que consciente e deliberadamente tais recursos foram apropriados pela ZARVEL, sendo inquestionável o conhecimento prévio de sua origem (receitas omitidas). Quanto à qualificação da penalidade, assegura a autoridade autuante “que não restam dúvidas quanto à intenção do contribuinte em ludibriar o fisco, causando prejuízos aos cofres públicos mediante a falta do recolhimento/pagamento dos tributos devidos”. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 644 12 Para a Fiscalização, os fatos apurados “revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante fraude e sonegação dolosa.” Em apertada síntese, a infração apurada pela Fiscalização decorreu da evidenciação de saldos credores de CAIXA, provocada pela recomposição da cita conta em virtude da constatação de registros contábeis incorretos. Por meio de Termo de Intimação (fls. 82), a contribuinte foi instada a apresentar a documentação de suporte relativa cento e trinta e oito registros feitos a débito da conta caixa (planilhas às fls. 83/87), relativamente ao período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Tomando por base a resposta apresentada pela fiscalizada, a autoridade fiscal constatou que oitenta e cinco dos registros efetuados a débito da conta CAIXA revelaramse indevidos, motivo pelo qual a referida conta deveria ser recomposta. Promovida a citada recomposição, sobressaíram saldos credores, que constituíram a matéria submetida à tributação com base nas disposições do art. 281, I, do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Para a autoridade fiscal, a verificação, no nível em que foi empreendida, revelouse suficiente à caracterização do dolo, razão para aplicação de multa qualificada. Em convergência com o decidido em primeira instância, penso de forma diversa. Com efeito, não cuidou a autoridade autuante de aprofundar a investigação acerca da natureza dos recursos contabilizados indevidamente a débito da conta CAIXA. No caso, penso que a autoridade fiscal deveria envidar esforços no sentido de coletar elementos que, não obstante a eventual aplicação da presunção legal na sua quantificação, permitissem concluir pela efetiva manutenção de receitas à margem da escrituração, sendo tal ocorrência produto da iniciativa deliberada da fiscalizada de evitar a incidência tributária. Nos termos em que a ação fiscal foi instruída, a qualificação em questão, a meu ver, é fruto de uma presunção da presunção, ou seja, a Fiscalização autuou a contribuinte com base na presunção legal de omissão de receitas e, a partir daí, presumiu também que o fato propulsor da aplicação da citada presunção legal (saldo credor de CAIXA) resultou da ação fraudulenta da contribuinte. Como é cediço, o dolo, elemento essencial à qualificação da penalidade, não pode resultar de presunção, mas, sim, de efetiva comprovação. Pelas razões expostas, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 644DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 645 13 Alega a Recorrente que não consta do processo qualquer meio de prova que possa resultar na conclusão apresentada no auto de infração. Diz que não teve condições de precisar quais os fatos que motivaram a ação fiscal, visto que em nenhum momento a autoridade fiscal descreveu, ainda que sucintamente, os motivos pelos quais excluiu da conta CAIXA os lançamentos a débito por ela efetuados e cuja documentação que os amparava foi devidamente apresentada. Absolutamente improcedentes as alegações da Recorrente. Com efeito, cuidou a autoridade autuante de descrever apropriadamente os fatos apurados no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal de fls. 45/54, que constituiu anexo aos autos de infração lavrados. Ademais, ao enfrentar o mérito da imputação que lhe foi feita pela autoridade fiscal, a contribuinte demonstra ter perfeito conhecimento acerca da infração descrita nas peças acusatórias, de modo que o alegado cerceamento do direito de defesa carece de sustentação. Rejeito, pois, a nulidade argüida. LANÇAMENTO FISCAL A Recorrente, afirmando que a decisão de primeiro grau entendeu que ela deixou de juntar aos autos elementos que comprovassem a origem das receitas presumidamente omitidas, argumenta que não teria de proceder desta forma, haja vista que não existiu o saldo credor que serviu de base para a aplicação da presunção. Alega que o saldo da conta CAIXA só ficou credor em função da ação fiscal que excluiu de forma arbitrária lançamentos a débito da referida conta, os quais estavam amparados por documentação hábil e idônea. Aduz que a Fiscalização não logrou êxito em apontar outros indícios da presumida omissão de receita. Primeiramente, um reparo: o que a decisão recorrida registra é que a Recorrente, ao invés de comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações questionadas pela fiscalização, limitouse a confirmar que os valores efetivamente saíram do CAIXA. Reprisando os fatos, temos que a autoridade fiscal, promovendo uma auditoria da conta CAIXA, indagou a contribuinte acerca de lançamentos efetuado a débito da referida conta. Em atendimento, a própria contribuinte admitiu ter incorrido em erros na contabilização de determinadas operações. A partir de tal informação, constatando que algumas dessas operações efetivamente não representavam ingresso de recursos no CAIXA da Recorrente, a Fiscalização promoveu a recomposição da conta em referência, o que fez transparecer saldos credores. Como é cediço, nos exatos termos do disposto no art. 281 do RIR/99, a indicação na escrituração de saldo credor de caixa caracterizase como omissão no registro de receita, cabendo ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Observese, pois, que, tratandose de presunção legal (parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77), o ônus probatório é do contribuinte. Embora a Recorrente faça menção em sua peça recursal de que “junta aos autos comprovantes de todos os lançamentos à (sic) débito na conta Caixa Geral, expurgados erroneamente pela Fiscalização”, à impugnação carreou alguns poucos documentos que Fl. 645DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 646 14 nenhuma contribuição trazem no sentido de elidir a aplicação da presunção. Ao recurso, nada foi juntado. Não se trata, portanto, de exclusão de forma arbitrária de valores registrados a débito da conta CAIXA, mas, simplesmente, de recomposição da referida conta com base nas informações prestadas pela própria Recorrente no curso do procedimento fiscal. A constatação de saldo credor de caixa, diferentemente do que entende a Recorrente, não exige reunião de outros indícios para que se possa aplicar a presunção eleita pela lei. Uma vez apurado, cabe ao contribuinte aportar documentos capazes de demonstrar, ou que o saldo credor é inexistente, ou que os recursos utilizados e que não foram contabilizados não eram passíveis de tributação. Ausente tal comprovação, a presunção legal subsiste e, com ela, as incidências tributárias correspondentes. As considerações da Recorrente acerca de “omissão de receitas apenas com base em extratos bancários”, além de não guardar qualquer relação com a autuação ora apreciada, faz referência a pronunciamento judicial totalmente superado por legislação superveniente (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). PIS E COFINS Sustenta a Recorrente que, para que fossem efetuados lançamentos relativos ao PIS e à COFINS, seria necessário que a autoridade identificasse a natureza da receita que teria sido omitida, de modo que restasse verificado se haveria ou não incidência das referidas contribuições. Adita que a Fiscalização não poderia fazer incidir o PIS e a COFINS sobre a mesma base de incidência do IRPJ e da CSLL, visto que tais contribuições são recolhidas pelo regime da não cumulatividade (declina entendimento no sentido de que deveria ser refeito a apuração das contribuições, confrontando os créditos a que tem direito com os débitos decorrentes da omissão de receitas). Equivocase a Recorrente. Uma vez apurada a omissão de receitas, ainda que com suporte em presunção legal, cabe a constituição dos créditos tributários que deixaram de ser recolhidos em razão da citada omissão. Se receitas foram omitidas, obviamente que o lucro tributável restou diminuído dos valores correspondentes a esta omissão, sendo justificável desta forma a formalização de exigências relativas ao IRPJ e à CSLL. O PIS e a COFINS, de igual forma, na medida em que o pressuposto é de que a omissão diz respeito às receitas auferidas em virtude da realização do objeto social do contribuinte, também devem ser exigidos. Para que se possa admitir a ocorrência das excepcionalidades referenciadas pela Recorrente (não incidências, isenções, alíquota zero, etc.), ela deveria ter aportado ao processo a documentação comprobatória correspondente. O eventual aproveitamento de créditos, da mesma forma, importa em comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos. Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recursos interpostos. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11516.720416/201204 Acórdão n.º 1301001.639 S1C3T1 Fl. 647 15 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 647DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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