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Numero do processo: 10380.000092/00-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita.
Numero da decisão: 9101-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º do art. 63 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 00 92 /0 0- 73 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que foi decidido sobre a homologação tácita da compensação controlada nestes autos. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1301002.003, de 03/05/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, pela impossibilidade de ocorrência de homologação tácita para pedido de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1991, 1995, 1996, 1997 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DE TERCEIRO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Nos termos da legislação que disciplinava a matéria, tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO. No caso, a via do Pedido de Compensação entregue à Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do débito tem caráter exclusivo de comunicado, isto é, representa mero instrumento de controle. DÉBITOS DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPROCEDÊNCIA. Nos termos da legislação tributária aplicável à matéria, tratandose de débitos declarados e confessados por meio de DCTF, cuja extinção é pretendida por meio de compensação tributária, descabe falar em lançamento de ofício como medida indispensável à cobrança dos valores correspondentes, no caso em que o encontro de contas requerido não foi homologado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. À evidência, o prazo estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, não obstante representar termo fatal para constituição de créditos tributários nos casos por ele alcançados, não se aplica aos pedidos de compensação, que, no caso de pessoa jurídica, dependem de provocação do interessado. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS DE TERCEIRO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Ao dispor que o sujeito passivo que apurar crédito, passível de restituição ou ressarcimento, pode utilizálo na compensação de débitos próprios, o caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.637, de 2002, excluiu do regramento estatuído, bem como do que foi introduzido pelas normas que lhe foram supervenientes, a compensação com créditos de terceiros, eis que quem apura o crédito não é outro senão aquele que detém a titularidade do direito. Inadmissível, no caso, a interpretação das disposições dos parágrafos 4º e 5º do artigo em referência dissociada do estabelecido pelo seu caput. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. DIREITO CREDITÓRIO. TITULAR DO DÉBITO. CONTESTAÇÃO. LEGITIMIDADE. AUSÊNCIA. Tratandose de PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO, a competência para analisar o pleito é da Delegacia da Receita Federal da jurisdição do contribuinte titular do CRÉDITO, inexistindo, no caso, legitimidade do titular do débito para contestar a decisão que não reconheceu o direito creditório. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO REGULAR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Nos termos da súmula nº 360 do Superior Tribunal de Justiça, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: o presente processo administrativo trata de pedido de compensação de débitos próprios com crédito de terceiros, créditos estes cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A; a autoridade administrativa ao apreciar o pedido de restituição formulado pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A houve por bem indeferilo e, consequentemente, indeferiu o pedido de compensação apresentado pela Recorrente; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 5 4 a Recorrente não concordando com a aludida decisão apresentou a competente manifestação de inconformidade, a qual foi rejeitada sob o fundamento de que os pedidos de compensação de créditos de terceiros não foram convertidos em declaração de compensação nos termos do § 4º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02. A Recorrente, mais uma vez não concordando com a aludido entendimento, apresentou recurso objetivando a reforma da decisão; a 1ª Turma, da 3ª Câmara da Primeira Seção desse E. Tribunal ao apreciar as razões que lhe foram apresentadas pelo Recorrente entendeu que os pedidos de compensação de créditos de terceiro não foram convertidos em declaração de compensação; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. no tocante à conversão do pedido de compensação de créditos de terceiro em declaração de compensação, a decisão recorrida fundamentouse no sentido de que as disposições constantes nos parágrafos 4º e 5º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, não se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros, eis que tais regramentos exigem a identidade da titularidade dos débitos e créditos, portanto, não há que se falar em homologação tácita; inegavelmente, as decisões administrativas têm se pautado por registrar a divergência quanto à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, bem como ao reconhecimento da homologação tácita; neste sentido, temse a decisão proferida pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos autos do Processo Administrativo no 10768.018661/9969 (doc. 01), a qual foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO REALIZADA DURANTE A VIGÊNCIA DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 21/97. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. POSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação de débitos com crédito de terceiros albergados pelo artigo 15 da IN 21/97 devem ser considerados válidos, inexistindo, portanto, restrição à incidência do §5º, do artigo 74, da Lei 9430/96, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. do voto condutor, já registrando a divergência com a decisão recorrida, tem se o seguinte entendimento: [...]; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 6 5 é de se reconhecer, portanto, que o Acórdão acima colacionado diverge totalmente do lavrado na decisão ora recorrida, eis que expressamente reconhece que as alterações introduzidas no artigo 74 da Lei nº 9.730/96 se aplicam aos pedidos de compensação com créditos de terceiros pendentes de apreciação, eis que convertidos em declaração de compensação e, consequentemente, reconhece a extinção dos débitos em decorrência da homologação tácita; a divergência também se verifica da simples análise da ementa da decisão proferida nos autos do Processo nº 10380.029082/9996, da ora Recorrente, referente a outro pedido de compensação com os mesmos créditos cedidos pela empresa SID MICROELETRÔNICA S/A: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. LEI Nº 10.833/2003. PEDIDOS ANTERIORES. De acordo com o § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, os pedidos de compensação então pendentes de apreciação pela autoridade administrativa são considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, sujeitandose, inclusive, à homologação tácita de que trata o parágrafo 5º do citado art. 74. Se, portanto, à época da entrada em vigor da Lei nº 10.833/2003, o pedido de compensação apresentado pela contribuinte encontravase pendente de julgamento, a ele se aplica o prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, conforme expressa determinação legal. cumpre ressaltar a fundamentação adotada: [...]; isto posto, demonstrado o cabimento do Recurso Especial fundamentado na divergência existente entre o fundamento da decisão exarada no presente processo administrativo e o utilizado na decisão transcrita acima, cuja íntegra ora acostase aos autos; DA CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E DA HOMOLOGAÇÃO TÁTICA. conforme devidamente comprovado nos autos, tratase de pedido de compensação de crédito com débito de terceiro devidamente apresentado em 09/09/1999, cuja ciência da não homologação se deu em 11/12/2007; a questão central do presente recurso especial restringese à aplicação do disposto nos parágrafos §§ 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ao presente caso. Eis que uma vez admitida a sua aplicação, ou seja, uma vez reconhecida a conversão do aludido pedido de compensação em declaração de compensação, os débitos encontramse extintos em decorrência do decurso do prazo de cinco anos para a homologação das compensações; o fundamento adotado na decisão recorrido deuse no sentido de que tais disposições não se aplicam aos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiros em decorrência do disposto no caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, que exige a identidade da titularidade dos créditos e débitos; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 7 6 ora Julgadores, da simples análise da legislação de regência verificase que o entendimento adotado pela decisão recorrido não encontra guarida em nosso ordenamento jurídico; conforme devidamente exposto nas decisões acima transcritas, a compensação de créditos com débitos de terceiros era perfeitamente admitida quando da apresentação do pedido objeto do presente processo administrativo. Dessa forma, as alterações instituídas posteriormente somente ensejaram a vedação da aludida compensação, contudo, não tiveram o condão de afastar os efeitos jurídicos decorrentes dos referidos pedidos, tão pouco excluíram à aplicação do disposto nos §§ 4º e 5º, aos pedidos pendentes de apreciação, muito pelo contrário tais disposições objetivaram, justamente, preservar os aludidos procedimentos. Tanto isso é certo que a própria Instrução Normativa SRF 41/00 preservou tal entendimento; e mais, da simples análise das disposições da Lei nº 9.430/96 verificase que não há nenhuma exceção para a aplicação das disposições previstas nos §§ 4º e 5º, como quer dar a entender a autoridade administrativa; resta claro, assim, que o presente pedido foi convertido em declaração de compensação, portanto, decorridos mais de cinco anos da data de seu protocolo sem que tenha havido decisão, deuse a homologação tácita e consequentemente a extinção dos presentes débitos; isto posto, espera a Recorrente, o conhecimento e total provimento do presente Recurso Especial, para reconhecer a homologação tácita da compensação declarada pela Recorrente. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 15/08/2016, deu seguimento ao recurso, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] No que diz respeito a este tema, a conversão do pedido de compensação em DCOMP, a recorrente apresenta dois acórdãos paradigmas n. 9101001.852 (da 1ª turma da CSRF, de 28/01/2014) e n. 110200.649 (da 2ª Turma, da 1ª Câmara, da 1ª Seção, de 16/12/2012). Anexou o inteiro teor dos paradigmas (efls. 207 a 227). O primeiro paradigma encontrase assim ementado: [...] Enquanto o acórdão recorrido não aceita a conversão dos pedidos de compensação em DCOMP e, por conseguinte afasta a possibilidade de homologação tácita em 05 anos, o paradigma entende que não há óbice para que estes pedidos sejam considerados Declaração de Compensação. Neste sentido, considero que a Recorrente indicou a legislação tributária e logrou êxito em demonstrar a divergência de interpretação no que diz respeito à conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação (DCOMP), quando se trata de compensação com débitos de terceiros. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 8 7 Apresenta ainda um segundo paradigma, que ratifica a razão da divergência. Restando configurada a divergência a partir do primeiro paradigma apresentado, despiciendo adentrar nos fundamentos do segundo. Diante do exposto, com fundamento no art. 67, do anexo II do RICARF, proponho que seja DADO SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Em 18/08/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 01/09/2016 o referido órgão apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: DOS ARGUMENTOS A JUSTIFICAR O IMPROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA INTERPOSTO PELA CONTRIBUINTE. a contribuinte alega que as compensações requeridas encontramse tacitamente homologadas, face ao transcurso do prazo de cinco anos entre a data do pedido de compensação e a ciência da decisão ora recorrida, em 11/12/2007; o contribuinte aduz que o pedido de compensação foi protocolado em 9 de setembro de 1999, e, portanto, nos termos do art. 74, §5º, da Lei n° 9.430/1996 deveria ter sido reconhecida a homologação tácita da compensação declarada. Aduz ainda, que não há como afastar a conversão do pedido de compensação de crédito com débito de terceiro em declaração de compensação; em relação à conversão em DCOMP do pedido de compensação e conseqüente homologação tácita, verificase que à época do pedido de compensação estava em vigor o texto antigo do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e a IN º 21/97 (revogada pela IN nº 41/2006), com a seguinte redação: [...]; com base nesta norma, a SRF editou a Instrução Normativa nº IN º 21/97 que autorizava, expressamente, a compensação de créditos com débitos de terceiros; o procedimento, no entanto, passava pela autorização prévia do órgão, ou seja: o contribuinte fazia um “pedido” de restituição/compensação que, analisado, autorizava a operação; posteriormente, veio a Lei nº 10.637, de 2002, que ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que originalmente tratava de pedido de compensação e autorização pela SRF da utilização de créditos a serem restituídos para quitação de débitos de impostos e contribuições, instituiu a declaração de compensação, com exigências e requisitos próprios; nova redação do art. 74 e parágrafos pela Lei nº 10.637, de 2002: [...]; a nova sistemática de compensação, nascida com a edição do mencionado diploma legal é aplicável tanto às Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas a partir de 01 de outubro de 2002, quanto aos pedidos de compensação convertidos, por força do art. 74, § 4º, da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Medida Provisória nº 66, de 2002; criouse um novo instituto: a declaração de compensação, inconfundível com o anterior “pedido”, para a qual se estabeleceram características e parâmetros próprios. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 9 8 Logo, será declaração de compensação a atividade regida pelo artigo 74 supra e seus parágrafos; com base apenas no §4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, o contribuinte pretende ver transformado seu pedido em Declaração de Compensação. Assim, em que pese o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.637, de 2002, permitir a conversão de pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em DCOMP, há que se coadunar o parágrafo mencionado, com o caput do artigo, do qual se extrai que nem todos os pedidos de compensação se convolaram em DCOMP, mas tãosomente aqueles que possibilitassem a compensação de débitos próprios; de se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, ao analisar os diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF;” desta forma, como o pedido original do contribuinte trata de compensação de débitos próprios e créditos de terceiros (fl. 01), a compensação pleiteada do débito que consta do seu requerimento inicial não pode ser transformado em declaração de compensação na forma prevista no §4º do art. 74, porque não atende às exigências que caracterizam o instituto da declaração de compensação instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, novo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, dentre elas, se tratar de compensação de crédito com débitos próprios; diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja improvido o recurso especial interposto pela contribuinte. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo trata de Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros no valor de R$ 10.356,47, apresentado em 29/12/1999 (fl. 01). A Delegacia de origem indeferiu o pedido porque a detentora do crédito, segundo relato da Fiscalização, não atendeu à intimação para apresentar os documentos que comprovariam o direito creditório pleiteado, impossibilitando a apreciação do mérito. Essa negativa partiu do entendimento de que nas hipóteses de compensação com créditos de terceiros, os pedidos de compensação não teriam sido convertidos em declarações de compensação, motivo pelo qual inexistiria a homologação tácita prevista na legislação que rege a matéria. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 11/12/2007. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, apreciando as razões trazidas pela contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, também decidiu pela improcedência do pedido, rejeitando igualmente a aplicação da regra de homologação tácita. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) seguiu essa mesma linha de interpretação. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito justamente a essa questão, ou seja, se é ou não aplicável a regra de homologação tácita (Lei 9.430/1996, art. 74, §5º) para Pedidos de Compensação em que estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas (compensação de crédito com débito de terceiros). Sobre a possibilidade, ou não, de conversão de Pedido de Compensação em Declaração de Compensação, quando estão envolvidos créditos e débitos de pessoas distintas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou recentemente o seguinte entendimento: Acórdão nº 9101002.540 Sessão de 20 de janeiro de 2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. INAPLICABILIDADE. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 11 10 Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66, de 2002 e das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. [...] Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir no mérito. Debatese se poderia se falar em homologação tácita de pedido de compensação de crédito com débitos de terceiros. Isso porque os pedidos de compensação teriam sido convertidos em declarações de compensação. E, para as declarações de compensação, o Fisco passou a ter um prazo definido em lei para a sua apreciação, sob pena da homologação tácita. A princípio, vale verificar a amplitude das alterações no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002. A redação do artigo foi alterada no seguinte sentido: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(NR) (grifei) Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 12 11 Observase que a nova redação do artigo vedou as compensações de débito de terceiros. Por outro lado, dispôs no §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação, para os efeitos previstos no artigo. Restou consolidada dúvida, ou seja, seriam todos os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Receita Federal convertidos em declaração de compensação e regidos de acordo com as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte, conforme predica o caput do dispositivo legal? A relevância do questionamento aplicase quando vai se analisar se ocorreu a homologação tácita. Isso porque a Lei nº 10.833, de 2003, alterou a redação do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, para os pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, aplicase o disposto mencionado no §5º do art. 74, enquanto que, os outros pedidos não convertidos em declaração de compensação não se submeteriam à homologação tácita. Sobre a situação, manifestouse a Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CAT nº 1499, de 2005: c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por consequência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); Posteriormente, as IN RFB nº 900, de 2008, e 1.300, de 2012, expressamente dispuseram, por meio do parágrafo único dos artigos 86 e 97, respectivamente, que não foram convertidos em Declaração de Compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 1º de outubro de 2002 (data em que entrou em vigor a MP nº 66, de 2002) que têm por objeto créditos de terceiros, "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 13 12 judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos administrados pela RFB. Não se pode olvidar, contudo, que a matéria não encontra jurisprudência pacificada no Conselho de Contribuintes e do CARF. Podem ser encontradas decisões no sentido de que o pedido de compensação com créditos de terceiros estaria amparado pela redação do art. 74 dada pela MP nº 66, de 2002. Por outro lado, encontramse várias decisões que corroboram a tese de que apenas os pedidos de compensação referentes à compensação de débitos e créditos próprios de um mesmo contribuinte foram transformados em declarações de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. AUSÊNCIA DE CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. À luz do art. 74, caput e §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação de créditos de terceiros não se convertem em Declaração de Compensação e nem se submetem ao regime da homologação tácita, pois tais permissivos legais somente abrangem os pedidos de compensação de débitos e créditos próprios. (Acórdão nº 2102002336, sessão de 17 de outubro de 2012, relatora Conselheira Núbia Matos Moura) PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS.DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. (Acórdão nº 1803001.511, sessão de 02 de outubro de 2012, relatora Conselheira Selene Ferreira de Moraes) COMPENSAÇÃO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO: Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pelas autoridades administrativa serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo, quando se refiram a créditos e débitos próprios, não se aplicando no caso de débitos de terceiros que tem tratamento específico. (Art. 74 da Lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei 10.637/2002c/c IN SRF 21/97 art. 15 §1º). (Acórdão nº 140200335, sessão de 14 de dezembro de 2010, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira) Entendo que a redação dada ao caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pela MP nº 66, de 2002, deve nortear a interpretação de todos os dispositivos a ele relacionados, dentre os quais o §4º que trata da conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, em consonância com as melhores práticas da hermenêutica. Nesse contexto, apenas os pedidos de compensação referentes a crédito do sujeito passivo para compensar débitos próprios, conforme delimita o caput do art. 74 do mencionado dispositivo legal, encontramse aptos a se converterem em declarações de compensação. Quanto aos demais pedidos, não se aplicam as alterações implementadas pela MP nº 66, de 2002, e Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, dentre as quais, a que dispõe sobre o prazo do Fisco para a homologação da compensação de cinco anos contado da entrega da declaração. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.000092/0073 Acórdão n.º 9101003.725 CSRFT1 Fl. 14 13 Portanto, não há que se falar em homologação tácita. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. Adotando os mesmos fundamentos acima transcritos, concluo que a regra de homologação tácita não deve ser aplicada ao Pedido de Compensação contido nestes autos, por configurar compensação de crédito próprio com débito de terceiro. Com efeito, os Pedidos de Compensação abrangendo créditos e débitos de pessoas distintas realmente não foram convertidos em Declaração de Compensação. Correto, portanto, o posicionamento adotado pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 15463.723423/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria.
Numero da decisão: 2201-004.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ISENÇÃO. A isenção para portadores de moléstias graves está restrita a rendimentos recebidos a título de pensão ou aposentadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 72/83, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 60/66, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 34 23 /2 01 5- 16 Fl. 90DF CARF MF 2 rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica indevidamente considerados como isentos por moléstia grave pela não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado no ano calendário 2010. O valor do rendimento indevidamente declarado como isento e/ou não tributável é de R$ 318.240,00 (trezentos e dezoito mil, duzentos e quarenta reais). De acordo com a notificação de lançamento de fls. 43 a 44, foi apurada a seguinte infração: Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 318.240,00 decorrentes de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave pela não comprovação da moléstia ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Fonte pagadora: Sul América Capitalização S/A – Sulcap. Consta ainda da descrição dos fatos que não se trata de rendimento pago por entidade previdenciária (pagadora de benefícios semelhantes à previdência oficial). Não há, na legislação tributária, previsão de isenção de imposto de renda para o tipo de rendimento em pauta (prêmio por relevantes serviços prestados, qualquer que seja o nome que lhe tenha sido atribuído). Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 4/16, alegando em síntese que é portadora de moléstia grave desde 06/2008 (cegueira) e que os rendimentos pagos pela Sul América Capitalização S/A – Sulacap trataria de pensão decorrente de contrato firmado com empresa privada, estando alcançado pela isenção do IR. . Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 60): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar, além de seus rendimentos serem oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, ser portador da moléstia grave constante do rol elencado no inciso acima citado, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15463.723423/201516 Acórdão n.º 2201004.657 S2C2T1 Fl. 91 3 Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 69, apresentou o recurso voluntário de fls. 72/83 em 08/12/2016. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Isenção do imposto de renda por moléstia grave No caso em questão, resta incontroverso o fato de que a Recorrente é portadora de moléstia grave, tendo em vista que foi deferida a restituição dos valores do Imposto de Renda pagos sobre as pensões recebidas do INSS e da UFRJ. Para tanto, comprovou através de laudo pericial que atestou que a Recorrente é portadora de cegueira desde junho de 2008, de modo que tem direito à isenção prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988: Artigo 6 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n°11.052, de 2004) (grifos nossos) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de Fl. 92DF CARF MF 4 moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Resta clara a situação, pois a patologia da Recorrente está expressamente prevista no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988 e o documento juntado aos presentes autos demonstra que seria agraciada pela isenção, até pelo reconhecimento de parte do direito à restituição pleiteada. Por outro lado, a controvérsia principal nos presentes autos gira em torno da natureza do valor percebido pelo pagamento feito pela Sul América Capitalização S/A – Sulacap. No entender da fiscalização e da decisão recorrida, o valor recebido pela Recorrente não seria isento, já que não teriam a natureza de rendimento de aposentadoria ou pensão. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão a quo: Na notificação de lançamento impugnada, os rendimentos foram considerados tributáveis porque não foram pagos por entidade previdenciária e foram pagos como “prêmio por relevantes serviços prestados”. No documento de fl. 52 afirmase que é assegurado o pagamento da renda mensal vitalícia como equivalente a aposentadoria. A aposentadoria sempre decorre de uma previdência social e/ou privada (complementações). Claro está que os rendimentos em questão não se tratam de aposentadoria ou pensão, não podendo ser atingidos pela isenção do IR em decorrência de moléstia grave, pois é decorrente de mera liberalidade da empresa. Analisando o conteúdo do documento de fl. 54/56, constatase que, mediante acordo assinado em 16/08/1955, foi assegurado ao Sr. Jorge Oscar de Mello Flores, por este ter pedido demissão do Serviço Público Federal para continuar dirigente do Grupo Sul América, rendimento intitulado de "aposentadoria", a vigorar após 25 anos de serviço, o qual seria, no caso de seu falecimento, repassado as suas herdeiras, esposa e filha, nesta ordem. Com as reorganizações societárias ocorridas, tal rendimento mensal foi homologado pela Sul América S/A, que considerou, para tal decisão, os relevantes serviços prestados à instituição pelo Sr. José Oscar e intitulou a verba de renda mensal "equivalente à aposentadoria". Embora os termos do primeiro acordo tenha considerado o rendimento como de aposentadoria e a homologação posterior tratou da mesma verba como equivalente a aposentadoria, não identifico, na essência do benefício, a natureza de rendimento de aposentadoria ou pensão. Esta Turma de julgamento já se debruçou sobre tema semelhante, quando foi analisada a natureza de benefício pago a exgovernador do Estado Piauí. Na oportunidade, por Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15463.723423/201516 Acórdão n.º 2201004.657 S2C2T1 Fl. 92 5 unanimidade de votos, foram acatadas as razões e fundamentos legais do voto condutor do Acórdão nº 2201006.647, de 11 d e maio de 2017, que assim se manifestou: (...) A expressão "previdência" tem seu significado vinculado ao ato de prever. É uma precaução ou a cautela em relação a algo futuro que não se deseja. Nesta esteira, a Previdência Social é uma seguro para o qual o trabalhador contribui com o objetivo de, no futuro, ter garantido um benefício financeiro que permita sua subsistência (aposentadoria ou reforma) ou de seus dependentes (pensão), quando o peso da idade já não mais lhe permitir o mesmo desempenho laboral ou no caso de sua morte. Não há que se igualar o benefício em tela com um benefício previdenciário, este sim alcançado pela norma isentiva, que tem o claro propósito de amenizar a carga tributária dos beneficiários de aposentadorias e pensões quando acometidos por moléstias graves, de forma a aumentar sua disponibilidade financeira para custear o tratamento. O favor concedido pelo Estado do Piauí ao seu exgovernador não tem caráter previdenciário e, como bem pontuado pela decisão a quo decorre de mera liberalidade do ente federado. Ademais, o fato do numerário ser pago pelo Instituto de Assistência e Previdência do Estado, que o registra em seus sistemas em rubrica própria de pensionistas, não muda a natureza do rendimento. Nas palavras da Sra. Ministra Carmem Lúcia, estamos diante de "uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor conferido a quem tenha se desinvestido do cargo de Governador do Estado" Portanto, o benefício em tela não decorre de um ato de previdência do seu beneficiário, mas apenas de uma espécie de regalia que em nada se relaciona com a natureza previdenciária necessária ao reconhecimento da isenção pleiteada. Portanto, da mesma forma, os valores recebidos pelo Sr. José Oscar nada têm a ver com rendimento de aposentadoria, já que se constituem benesse instituída por mera liberalidade da empresa, em reconhecimento aos relevantes serviços por ele prestados. Nas palavras supracitadas da Ministra Cármen Lúcia, que foram expressas ao relatar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 3.8532, tratase de "uma regalia, uma dádiva, uma recompensa vitalícia, um proveito pecuniário de natureza permanente, instituído não como um benefício, mas como uma benesse ou um favor" a quem prestou relevantes serviços à entidade instituidora. Consequentemente, os valores recebidos pela recorrente não têm natureza de pensão, já que esta, considerando também ensinamentos da Ministra Cármen Lúcia expresso no mesmo voto citado no parágrafo precedente, corresponde ao "valor pago aos dependentes após a morte do segurado". Assim, constatado que o benefício em tela não decorre de um ato de previdência do seu beneficiário, mas apenas de uma espécie de benesse sem natureza Fl. 94DF CARF MF 6 previdenciária, não há de se falar em isenção conferida pela lei aos portadores de moléstias graves., razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.900171/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ).
Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matéria-prima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não-cumulatividade. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS DESONERADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSOS REPETITIVOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA (STJ). Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. “A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade.” (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010). Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 01 71 /2 01 0- 80 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10735.900171/201080 Acórdão n.º 3201004.147 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação parcial da compensação de créditos do IPI, decisão essa lastreada no fato de que o crédito reconhecido fora insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a nulidade do despacho decisório por não atender aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972 e requerido, com base no princípio da não cumulatividade, o reconhecimento do direito à apropriação de crédito em aquisições de produtos oriundos da Zona Franca de Manaus (ZFM), com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e apoiado em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF RE nº 212.484/RS) e do 2º Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 20172.942), aplicandose a alíquota de 15% sobre o valor das aquisições. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 10048.773, afastou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de produtos isentos. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.142, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10735.900167/201011, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.142): O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. O presente Contribuinte tem diversos casos idênticos nesse CARF. Em julgamento de Recurso paradigma no Acórdão 3302005.216, de relatoria da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, da 3ª Seção de Julgamento da 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, nos termos do art. 47, §2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10735.900171/201080 Acórdão n.º 3201004.147 S3C2T1 Fl. 4 3 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Nesse sentido, conforme dicção do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, reproduzo o Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, vejamos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da nãocumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da não cumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10735.900171/201080 Acórdão n.º 3201004.147 S3C2T1 Fl. 5 4 aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134903/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Diante do fato do caso em debate se amoldar ao caso do Recurso Repetitivo, adoto os mesmo fundamentos do Recurso Especial. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001385/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO.
Documentos apresentados extemporaneamente devem ser analisados em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo tributário. Análise a ser empreendida em primeiro pela instância a quo a fim de que não ocorra supressão de instância administrativa recursal.
Numero da decisão: 1402-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso e dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos à DRJ para prolação de acórdão complementar após análise e apreciação dos documentos acostados pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso e dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos à DRJ para prolação de acórdão complementar após análise e apreciação dos documentos acostados pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
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P. MORGAN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. Documentos apresentados extemporaneamente devem ser analisados em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo tributário. Análise a ser empreendida em primeiro pela instância a quo a fim de que não ocorra supressão de instância administrativa recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso e dar provimento parcial para determinar o retorno dos autos à DRJ para prolação de acórdão complementar após análise e apreciação dos documentos acostados pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 85 /2 00 6- 83 Fl. 642DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por BANCO J. P. MORGAN S.A. interposto em face de decisão proferida pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras – SPO que por unanimidade de votos decidiu NÃO HOMOLOGAR pedido de compensação realizado pelo contribuinte. Adoto relatório da SPO, complementandoo no que for necessário. Trata o presente processo da PER/DCOMP n°20181.78347.170703.1.3.02 1947 (fls.1/21). Em 14/09/2006 foi exarado o despacho de fls. 22/23, em que a autoridade administrativa reconheceu o direito creditório no valor de R$ 7.708.623,22, e homologou parcialmente a compensação pleiteada pela contribuinte, com base nos seguintes motivos: • Os valores de estimativa não constam de DCTF, nem foram pagos os valores de R$ 5.026.528,43 e R$ 5.552.668,57, o que impede o seu reconhecimento como crédito. • A DCOMP foi entregue em 17/07/2003 e os débitos são de fevereiro a abril/2003, o que implica em aplicação de acréscimos legais (multa e juros de mora) por atraso. Cientificada do despacho decisório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 01/11/2006 (fls. 38/46), alegando em síntese o seguinte: a) A manifestante retificou a DCTF do primeiro trimestre de 2002, e por um lapso, indicou a PER/DCOMP n° 20181.78347.170703.1.3.021947 a fim de justificar seu direito creditório, quando deveria ter informado determinados saldos negativos de períodosanteriores, que seriam a real origem de seu direito credit6rio. b) Em razão da manifestante ter informado o n° do PER/DCOMP acima, infelizmente a autoridade administrativa não reconheceu os dois valores apontados, nos montantes de R$ 5.026.528,43, para janeiro de 2002 e R$ 5.552.668,57, para fevereiro do mesmo ano e conseqüentemente deferiu apenas parcialmente o seu pedido. c) Em 31/10/2006, a manifestante novamente retificou a sua DCTF do primeiro trimestre de 2002, indicando corretamente, desta vez, a origem de seus créditos. d) Os fundamentos pelos quais se baseou a autoridade administrativa para deferir apenas parcialmente o direito creditório da mánifestante foram alterados devido à nova retificação da DCTF do primeiro trimestre de 2002, o que implica, obrigatoriamente, uma nova avaliação do caso, conforme os novos dados informados pela manifestante, ou seja, a nova origem do crédito. Em face destas considerações foi proferido um novo despacho decisório em 12/04/2007 (fls. 148/154), em que foram determinadas as seguintes providências: a) prosseguimento da cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ relativos a Janeiro, Fevereiro e Março/2003 (Ils. 34 e 35) através deste processo; b) cobrança dos débitos das estimativas de IRPJ relativas a Janeiro e Fevereiro/2002, declarados como compensados em DCTF, mas sem cobertura de PerDcomp; c) lançamento das diferenças em Janeiro e Março/03 entre os valores declarados em DIPJ e os declarados no PerDComp; d) dar ciência deste despacho ao contribuinte, com abertura de prazo de trinta dias para proceder ao pagamento dos débitos ou apresentação de manifestação de inconformidade." Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16327.001385/200683 Acórdão n.º 1402002.990 S1C4T2 Fl. 3.785 3 Em 22/05/2007, a contribuinte protocolou nova manifestação de inconformidade, alegando o seguinte (fls. 160/173): a) Se observada a DCTF referente ao primeiro trimestre de 2002, mês de janeiro, página 3, relativa ao IRPJ, código 23191, poderá verificarse que a manifestante não teria direito ao crédito no montante pleiteado, justamente por ter informado o PER/DCOMP n° 20181.78347.170703.1.3.021947 como originário de tal crédito. b) A fim de corrigir o ocorrido, a manifestante identificou a origem do seu crédito no montante de R$ 5.026.528,43, qual seja, saldo negativo apurado em dezembro de 2001 e ato continuo procedeu à retificação da sua DCTF, informando a real origem de seu crédito. c) Parte do crédito da manifestante (R$ 3.612.924,58) advém de saldo negativo dele próprio e parte (R$ 1.413.603,85) de pessoa jurídica sucedida. d) Quanto ao montante de R$ 5.552.668,57, os créditos são origináriosde saldo negativo deperíodosanteriores da própria manifestante (1997, 1998, 1999 e 2001). e) Muito embora a manifestante tenha, em principio, concordado que a origem do crédito não era o ano de 2002, ressaltou, imediatamente em seguida, a real origem dos créditos e os procedimentos que adotou para regularizar a sua situação, ponto esse que passou totalmente obscuro naquela passagem da decisão. f) Se a informação relativa à origem dos créditos foi alterada, o julgador, ciente desses novos fatos, também deverá leválos em consideração quando de seu julgamento. Caso contrário, nunca seráadmitida umarevisãode uma determinada decisão baseada em fatos que não aqueles tidos como originais. g) Segundo a autoridade administrativa existiriam vedações legais, respectivamente aquelas descritas nos incisos V e VI do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, ao deferimento do direito creditório: (i) a primeira, pois o débito já teria sido objeto de compensação não homologada e, a segunda, (ii) pois o valor objeto de pedido de restituição já teria sido indeferido. h) Quando o legislador referiuse a (i) débito objeto de compensação não homologada e, (ii) valor objeto de pedido de restituição anteriormente indeferido, este, por simples dedução lógica, referiuse a débitos e créditos oriundos de processos administrativos distintos daquele em que se estápleiteando a compensação. i) O que está em discussão é a origem dos créditos dados em compensação para a quitação dos débitos de estimativa de janeiro e fevereiro de 2002, e que, posteriormente, tornaramse créditos a serem compensados com débitos de 2003. j) Segundo a legislação da época não seria necessária a apresentação da Declaração Compensação, bastando a indicação da origem dos créditos em DCTF de 2002, tanto que a autoridade reconheceu tal procedimento para o mês de abril daquele ano. k) Ao não admitir a retificação da DCTF da manifestante, a autoridade administrativa acaba por não admitir também, o seu direito creditório. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 644DF CARF MF 4 Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que integralmente comprovados. Compensação não Homologada O Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que alegou: ...que por mera falha no preenchimento da DCTF referente ao 1º trimestre de 2002, entregue a Receita Federal do Brasil ("RFB") em 15/05/2002, os valores de IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 2002, bem como o pagamento desses débitos por meio decompensaçãocom saldo negativo de IRPJ e com IRRF, deixaram de ser informados. No que tange ao saldo remanescente no valor de R$ 10.579.197,00 2 , as Autoridades Fiscais deixaram de reconhecer o direito creditório sob o fundamento de que este valor não constava da DCTF do primeiro trimestre de 2002 (entregue em 15/05/2002), nem, tampouco, foram localizados os comprovantes de pagamento (DARF's) que legitimariam o crédito. apresentou DCTF retificadora informando (i) os débitos de IRPJ apurados por estimativa nos meses de janeiro e fevereiro de 2002, nos montantes de R$ 5.026.528,43 e R$ 5.552.668,57, respectivamente, e (ii) acompensação desses valores com saldo negativo de IRPJ próprio e de empresa incorporada, esclarecendo todo o ocorrido. quando da entrega da DCTF referente ao primeiro trimestre de 2002 (15/5/2002), não havia que se falar na obrigatoriedade da apresentaçãode Pedido deCompensação (PER/DCOMP), por meio eletrônico. A obrigatoriedade de entrega da PER/DCOMP foi instituídapela Lei n° 10.637/2002, que deu novaredaçãoao artigo 74 da Lei n° 9.430/96, produzindo efeitos apenas a partir de 01.10.2002. quando da compensaçãodos débitos de estimativa de IRPJ referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, com créditos apurados em 2001, 1999, 1998 e 1997, não havia a necessidade de formalizaçãode pedido decompensaçãopor meio de PER/DCOMP; bastava, para tanto, a entrega de DCTF que indicasse a origem do crédito. mero erro de preenchimento da DCTF não poderia em hipótese alguma alterar a realidade dos fatos, qual seja, a compensação realizada pela Recorrente no primeiro semestre de 2002, bem como não poderia colocar em xeque a legitimidade deste crédito. possibilidade de apresentação de novos elementos de prova em momento posterior Aquele da apresentaçãoda defesa administrativa de primeirainstância R$ 5.026.528,43, composto pelos créditos de (i) R$ 3.612.924,58 (referente ao saldo negativo de IRPJ próprio, apurado em 31/12/2001); e (ii) R$ 1.413.603,85 (referente ao saldo negativo de IRPJ de empresa incorporada, apurado em 31/12/2001). Tais valores foram compensados com o débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro de 2002, a Recorrente, ao fim do anocalendáriode 2001, apurou saldo negativo de IRPJ em função de recolhimento de IRPJ mensal por estimativa em montante superior ao valor de IRPJ efetivamente devido quando do ajuste anual. Acomprovaçãodesse crédito se faz por meio da juntada das guias DARFs, bem como dos comprovantes de retençãodo IRRF e dos respectivos razõescontábeis, Parte desse crédito, no valor de R$ 3.612.924,58, foi compensado com débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro de 2002, conforme atestado pelos Auditores Independentes da EASYWAY do Brasil Consultores, em demonstrativo de Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16327.001385/200683 Acórdão n.º 1402002.990 S1C4T2 Fl. 3.786 5 aproveitamento de créditos tributários (doc. 19) e informado na DCTF retificadora entregue em 31/10/2006. o Banco JPM S.A acumulou em 2001 saldo negativo de IRPJ próprio no montante de R$ 1.376.722,19 (hum milhão, trezentos e setenta e seis mil, setecentos e vinte e dois reais e dezenove centavos), que, atualizado pela Taxa SELIC até 26/02/2002, correspondia a um crédito tributário no valor de R$ 1.413.603,86 (hum milhão,quatrocentos e treze mil, seiscentos e três reais e oitenta e seis centavos). Da mesma forma, a comprovaçãodesse crédito se faz pela juntada das guias DARFs, bem como dos comprovantes de retençãodo IRRF e dos razões contábeis, Com aincorporaçãodo Banco JPM S.A (docs 21, 22 e 23), o referido crédito tributário foi transferido ao patrimônio da Recorrente. Esse crédito, no valor de R$ 1.413.603,86, foi compensado com débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro de 2002, conforme informado na DCTF retificadora entregue em 31/10/2006. R$ 5.552.668,57, composto pelos créditos de (i) R$ 5.435.247,20 (cinco milhões, quatrocentos e trinta e cinco mil, duzentos e quarenta e sete reais e vinte centavos), referente a saldo negativo de IRPJ próprio, apurado em 31/12/2001; (ii) R$ 12.827,93 (doze mil, oitocentos e vinte e sete reais e noventa e três centavos); (iii) R$ 60.026,24 (sessenta mil e vinte e seis reais e vinte e quatro centavos); (iv) R$ 44.567,21 (quarenta e quatro mil, quinhentos e sessenta e sete reais e vinte e um centavos), estes últimos referentes ao IRRF, apurado em 1999, 1998 e 1997, respectivamente, É o relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: Fl. 646DF CARF MF 6 O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Segundo se depreende do acórdão proferido na primeira instância, a razão do indeferimento está na ausência de adoção das formalidades previstas no art. 74 da Lei n. 9.430/96, tal como alterada pelo art. 49 da MP 66/2002, transcrevo: Como mencionado anteriormente os fundamentos do despacho decisório são cristalinos: a autoridade administrativa considerou que a compensação dos valores de IRPJ estimativa relativos à janeiro e fevereiro de 2002 não pode ser comprovada "através de mera retificação de DCTF". Por conseguinte, eventual compensação, a ser realizada em 31/10/2006, data em que pela primeira vez apareceu a origem dos créditos utilizados para compensar as estimativas de janeiro e fevereiro de 2002, apenas poderia ser aceita, se obedecesse aos novos procedimentos estabelecidos pela legislação, ou seja, a sua formalização mediante Pedido de Restituição ou Ressarcimento — Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio eletrônico. A meu ver, o racicíonio não pode ser acatado. A exigência de formalização em PER/DCOMP só foi introduzida no ordenamento jurídico em momento posterior ao da compensação pretendida, que deu origem ao presente processo administrativo. O fato de o valor só ter sido apresentado em DCTF em 2006 só comprova uma coisa, que o contribuinte possui problemas na administração de sua contabilidade, não sendo elemento o suficiente para afastar a compensação pretendida. Compartilho, nessa linha, de entendimento adotado pela 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar o Processo Administrativo n. 10983.901057/200821, acórdão n. 9303006.210, relatoria do Conselheiro CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, julgado em 14 de dezembro de 2017, que restou assim ementado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 30/05/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não obsta a compensação, quando restar comprovada a existência do crédito. No presente caso, a contribuinte apresentou junto a seu Recurso Voluntário documentação robusta capaz de comprovar a existência do crédito pleiteado. O que é suficiente a meu ver para corroborar a compensação pleiteada. Em relação à juntada de provas extemporaneamente, entendo que sua análise deve ser realizada, conforme já estamos fazendo nas oportunidades em que nos deparamos com tais situações, conforme, por exemplo, Processo Administrativo n. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16327.001385/200683 Acórdão n.º 1402002.990 S1C4T2 Fl. 3.787 7 16327.720291/201506, Acordão n. 1402002.682, relatoria do Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE, no que interessa, assim ementado: PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. Descabido o reclamo da contribuinte de que documentos probatórios não teriam sido analisados em primeira instância quando o colegiado de 2º grau os aceita e aprecia juntamente com o recurso voluntário, ainda que apresentados extemporaneamente. Por estas razões, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário interposto para reformar a decisão que não homologou a compensação determinandose o retorno dos autos à DRJ de modo a proceder a análise da documentação acostada a fim de não haver supressão de instância. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 648DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919500/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.940
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 50 0/ 20 12 -1 9 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10680.919500/201219 Resolução nº 3301000.940 S3C3T1 Fl. 3 2 DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10680.919500/201219 Resolução nº 3301000.940 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10680.919500/201219 Resolução nº 3301000.940 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10680.919500/201219 Resolução nº 3301000.940 S3C3T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001981/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da data de ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 81 /2 01 1- 54 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.001981/201154 Acórdão n.º 2401004.465 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Cuidase os autos de Pedido de Restituição de Retenção relativa à Contribuição Previdenciária. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas concluiu pelo indeferindo do pleito da recorrente, por meio de Despacho Decisório DD. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância em 08 de janeiro de 2015, interpôs Recurso Voluntário em 19 de fevereiro de 2015, apresentando suas razões. É o relatório." Voto Miriam Denise Xavier Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10830.001962/201128, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2401004.456 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "De início, convém analisar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 19 de fevereiro de 2015. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.001981/201154 Acórdão n.º 2401004.465 S2C4T1 Fl. 4 3 Por meio do Comunicado SEORT/DRF/CPS/10.830/3570/2014, encaminhouse cópias dos acórdãos de primeira instância: INTERESSADO: CONTATUS ELETRICIDADE LTDA. CNPJ / CPF: 56.167.331/000175 PROCESSOS: 10830.001962/201128 10830.001971/201119 10830.001963/201172 10830.001973/201116 10830.001965/201161 10830.001980/201118 10830.001972/201163 10830.001981/201154 10830.001974/201152 10830.001982/201107 10830.001984/201198 10830.001967/201151 ASSUNTO: RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Campinas, em 30 de Dezembro de 2014. COMUNICADO SEORT/DRF/CPS/10.830/ 3570/2014 1. Encaminhamos, em anexo, cópias dos Acórdãos de 27/12/2014 emitido pela 6ª Turma da DRJ/BHE, que culminou com a improcedência de sua manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição em epígrafe. 2. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para o interessado apresentar recurso para a Segunda Seção do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, caso não concorde com a decisão de primeira instância. 3. O processo ficará à Vs. disposição para vista, pelo mesmo prazo, sendo que, após este prazo sem que haja manifestação, o processo será encaminhado para arquivo definitivo. Atenciosamente. Maria José De Rogatis Lessa Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula SIAPE 0932959 Portaria GD/RFB/CPS nº 31, de 21/05/2012 . O sujeito passivo tomou ciência do referido comunicado em 08/01/2015, conforme transcrição do Aviso de Recebimento: Em 19/02/2015, a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário. Do exposto acima, considerando que o sujeito passivo tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/01/2015, concluise que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo, em 19/02/2015. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.001981/201154 Acórdão n.º 2401004.465 S2C4T1 Fl. 5 4 Conclusão Em vista do exposto, por restar prejudicado, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000267/2008-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 67 /2 00 8- 22 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11634.000267/200822 Acórdão n.º 2402006.372 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11634.000267/200822 Acórdão n.º 2402006.372 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11634.000267/200822 Acórdão n.º 2402006.372 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000323/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Dec 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2004
Ementa:
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB). APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A alegação de que a pessoa jurídica não se encontrava em situação que a obrigava a apresentar a declaração de informações, impõe que seja carreada aos autos comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos.
INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO
Nos termos da súmula nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-000.451
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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APRESENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que a pessoa jurídica não se encontrava em situação que a obrigava a apresentar a declaração de informações, impõe que seja carreada aos autos comprovação por meio de documentos hábeis e idôneos. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO Nos termos da súmula nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello Presidente Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000323/2007-01 Acórdão n.º 1302-00.451 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório JOTAGÊ EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Curitiba, que manteve, na íntegra, o lançamento tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigência de MULTA POR ATRASO NA ENTREGA da DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS (DIMOB), relativamente ao ano-calendário de 2003, formalizada por meio de notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que até o ano de 2005 não se enquadrava na obrigatoriedade de entrega da DIMOB, passando a estar obrigada para o ano-calendário de 2006, de acordo com a Instrução Normativa SRF n° 694 de 13 de dezembro de 2006; - que, em consulta ao Plantão Telefônico da Receita Federal, em 28/02/2007, a atendente informou que além de transmitir as informações relativas ao ano calendário de 2006, ela também estava obrigada a prestar as informações relacionadas aos anos anteriores, desde 2002; - que a cobrança da multa pelo atraso na entrega da DIMOB seria improcedente, pelo simples fato de ela não estar obrigada a apresentar a declaração nos anos anteriores a 2006, conforme a Instrução Normativa SRF n° 576 de 01/12/2006; - que a Instrução Normativa SRF n° 694 trouxe mudanças em relação às pessoas obrigadas a apresentação da DIMOB, conforme art. 1°, inciso IV; - que, no preenchimento das informações solicitadas na DIMOB, teria surgido o questionamento quanto a necessidade da obrigatoriedade de preenchimento da declaração pelas pessoas jurídicas que fossem locatárias de imóveis, pois, o inciso II do art. 2° da referida instrução trata da informação dos pagamentos efetuados e não dos recebimentos, o que teria levado a empresa a solicitar ajuda para a Receita Federal. A 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 07-17.574, de 18 de setembro de 2009, pela procedência do lançamento, conforme ementa que ora transcrevemos. MULTA POR ATRASO NA APRESENTAÇÃO DA DIMOB. Havendo a obrigatoriedade de apresentação da Declaração de Informação sobre Atividades Imobiliárias - DIMOB, e constatado o atraso na entrega, é devida a multa aplicada. Fl. 3DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 24/26, por meio do qual, reproduzindo a Instrução Normativa SRF nº. 304, de 2003, alega: - que as multas previstas no citado ato normativo tangenciam o confisco; - que inexiste no ordenamento jurídico tributário multas tão elevadas; - que, regra geral, as multas são estabelecidas em percentuais sobre o valor do imposto devido; - que, sendo inexistente imposto a recolher, a regra seria a instituição de um valor mínimo, acrescido de taxa selic no caso de pagamento em atraso; - que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel; - que apenas recebeu aluguel de unidades (apartamentos) de sua propriedade. Ao final, requer o cancelamento da notificação e, alternativamente, a revisão da multa aplicada. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000323/2007-01 Acórdão n.º 1302-00.451 S1-C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), relativamente ao ano-calendário de 2005, formalizada por meio de notificação de lançamento. Mantida a exigência em primeira instância, a contribuinte, em sede de recurso voluntário, alega que as multas exigidas tangenciam o confisco. Diz que inexiste no ordenamento jurídico tributário multas tão elevadas e que, regra geral, tais penalidades são estabelecidas em percentuais sobre o valor do imposto devido. Sustenta que, sendo inexistente imposto a recolher, a regra seria a instituição de um valor mínimo, acrescido de taxa selic no caso de pagamento em atraso. Argumenta que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel, tendo recebido apenas aluguel de unidades (apartamentos) de sua propriedade. Nessa linha, protesta pelo cancelamento da exigência, ou, alternativamente, pela sua revisão. A penalidade objeto de exigência foi instituída pela Medida Provisória nº. 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que, em seu artigo 57, assim estabeleceu: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II - cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. O acima mencionado art. 16 da Lei nº. 9.779/99, por sua vez, deu competência à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre as obrigações tributárias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, podendo estabelecer, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 5DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Com base em tais disposições legais, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº. 304, em 21 de fevereiro de 2003, instituindo a denominada Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob). De acordo com o referido ato, cuja vigência se deu na data da sua publicação (24 de fevereiro de 2003), a Dimob era de apresentação obrigatória para as seguintes pessoas jurídicas: a) construtoras ou incorporadoras, que comercializassem unidades imobiliárias por conta própria; e b) imobiliárias e administradoras de imóveis, que realizarem intermediação de compra e venda ou de aluguel de imóveis. A IN SRF nº. 304 foi alterada pelos seguintes atos normativos: - IN SRF nº. 316, de 03 de abril de 2003, que estabeleceu que a declaração deveria ser obrigatoriamente apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao ano-calendário imediatamente anterior, e que, excepcionalmente, em relação ao ano-calendário de 2002, ela deveria ser apresentada até o último dia útil do mês de maio de 2003; - IN SRF nº. 576, de 1º de dezembro de 2005, que estabeleceu que a Dimob deveria ser obrigatoriamente apresentada para as pessoas jurídicas e equiparadas: a) que comercializassem imóveis que houvessem construído, loteado ou incorporado para esse fim; b) que intermediassem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; ou c) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio de seus condôminos ou sócios. Estabeleceu ainda, o referido ato, que a declaração deveria ser entregue até o último dia útil do mês de fevereiro do ano subseqüente ao que se refiram as suas informações; - IN SRF nº. 694, de 13 de dezembro de 2006, que, mantendo o prazo de entrega estabelecido pela IN SRF nº. 576, estabeleceu que a declaração é de apresentação obrigatória para as pessoas jurídicas e equiparadas: a) que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; b) que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; c) que realizarem sublocação de imóveis; e d) constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. Observa-se, assim, que a exigência formalizada pelo Fisco encontra-se devidamente lastreada em dispositivos legais. No caso vertente, em que a autuada, considerados os documentos de fls. 07/12, dedica-se à exploração do ramo de incorporação imobiliária, loteamento de terrenos, construção de prédios para venda e desmembramento de terrenos, verifica-se que, desde o momento em que o instrumento declaratório foi instituído, ela estava obrigada a apresentá-lo. A alegação da Recorrente no sentido de que não realizou operação de venda de unidades, compras ou intermediação e nem mesmo negociou comissão de aluguel, tendo recebido apenas aluguel de apartamentos de sua propriedade, desprovida de qualquer meio de prova, à evidência, não tem o condão de afastar a exigência formalizada. No que tange aos demais argumentos, cabe, apenas, os seguintes esclarecimentos: 1. em consonância com o disposto na súmula CARF nº. 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; e Fl. 6DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13984.000323/2007-01 Acórdão n.º 1302-00.451 S1-C3T2 Fl. 4 7 2. a obrigação acessória, como já visto, foi criada com base em autorização legal, e a penalidade pelo seu não cumprimento foi instituída por meio Medida Provisória, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação de tais disposições. Assim, considerado o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de dezembro de 2010 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 7DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.11184.RX9I. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011 14:30:15. Documento autenticado digitalmente por WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 06/01/2011 e WILSON FERNANDES GUIMARAES em 06/01/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.11184.RX9I Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 4E40DADFD345264B274EF8B8DC942A4B953C5A8B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13984.000323/2007-01. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11020.007196/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 71 96 /2 00 8- 15 Fl. 690DF CARF MF 2 Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão 330100.765, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. ” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Discutese o direito de o sujeito passivo compensar créditos escriturais de IPI pagos na importação de insumos para fabricação de embalagens de material plástico/papelão, tendo em vista que sua atividade se caracteriza como industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI, na medida em que realiza correções de deformações, melhoria no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos (beneficiamento); · O acórdão recorrido limitase a afirmar que a atividade exercida pelo sujeito passivo consiste na importação de embalagens Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 565 3 plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, as quais não se caracterizam como processo de industrialização; · A atividade envolve complexo processo de industrialização: correção de deformações nas embalagens e impressões gráficas. Em Despacho à fl. 672, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido, haja vista que as atividades desenvolvidas e analisadas naqueles casos, em nada se assemelham à atividade desenvolvida pela contribuinte aqui autuada; · A empresa, por ser estabelecimento apenas equiparado a industrial, não tem direito ao ressarcimento do IPI em virtude de não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele; · O imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos, como muito bem asseverado pela fiscalização, pelo acórdão proferido em primeira instância e pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo, vez que não há similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Fl. 692DF CARF MF 4 Recordase que a lide versa sobre o direito ao ressarcimento de crédito de IPI para o sujeito passivo – que foi considerado pelo colegiado a quo como “equiparado a industrial”, vez que se alegou naquela ocasião que o sujeito passivo importa embalagem para acondicionamento de ovos e as revende no mercado, aplicando impressões gráficas para alguns casos. O sujeito passivo, por sua vez, argumenta que realiza o beneficiamento das embalagens e ainda efetua impressões gráficas tornandoa estabelecimento industrial. E que, sendo assim, teria direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. O acórdão recorrido, então, ao definir que o estabelecimento do sujeito passivo era equiparado a industrial, e não industrial, não reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI, consignando a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação tributária é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matériasprimas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. ” Traz como fundamento que o art. 11 da Lei 9.779/99 é taxativo ao atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes de industrialização e não da revenda de produtos. Enquanto, temse que o acórdão indicado como paradigma de nº: · 20308.994: Trata de sujeito passivo que realiza montagem para a saída de produto – através da união de peças e partes ou unidade autônoma. O Colegiado entendeu que essa atividade seria industrial. Para melhor elucidar, transcrevo a ementa consignada: “IPI — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Para os efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer Fl. 693DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 566 5 operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo (parágrafo único do art. 46 do CTN). Ao explicitar como se caracteriza a industrialização, para o mesmo efeito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 dispõe, em seu art. 3 0, inciso III, que constitui industrialização a montagem, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Nesse sentido definiu a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Vêse que não há similitude fática com o caso vertente, vez que não houve discussão de importação de produto, beneficiamento desse produto e revenda ou venda do produto “beneficiado” – embalagem – o que sabemos que poderia gerar a discussão acerca da caracterização como estabelecimento industrial ou equiparada a industrial. O que seria a lide principal do caso vertente. Além disso, não se discutiu o art. 11 da Lei 9.779/99. · 20219.344: Trata de sujeito passivo que efetivamente fabrica as próprias caixas. Tanto é assim, que essa turma ao apreciar recurso especial interposto pelo sujeito passivo, assim consolidou em acórdão 9303006.483: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1999 a 20/01/2002 ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE INDUSTRIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 156 DO STJ. A atividade de confecção de caixas de papelão com logotipo, sob encomenda, para embalagem de mercadorias, prestada por empresa industrial, não constitui mera prestação de serviço de composição gráfica, devendo ser considerada, para efeitos Fl. 694DF CARF MF 6 fiscais, como atividade de industrialização. A inserção, no produto assim confeccionado, de impressões gráficas, contendo a identificação da mercadoria a ser embalada e o nome do seu fornecedor, é um elemento eventual, cuja importância pode ser mais ou menos significativa, mas é invariavelmente secundaria no conjunto da operação.” Ademais, naquele caso, estava se discutindo a incidência de IPI na industrialização de embalagens “personalizadas por encomenda”. Proveitoso trazer que naquele julgamento essa conselheira apresentou declaração de voto, trazendo fatores cruciais para concordar com o relator pelas conclusões, vez que percebeu que não se tratava de produtos feitos por encomenda. Diferentemente do caso vertente, onde se discute se o sujeito passivo seria estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vez que realiza beneficiamento de embalagem importada. Para assim, se considerado estabelecimento industrial, reconhecer o direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. Em vista de todo o exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não deva ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, voto por não conhecer o Recurso Especial. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 695DF CARF MF Processo nº 11020.007196/200815 Acórdão n.º 9303007.351 CSRFT3 Fl. 567 7 Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006002/2006-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/03/2003
SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES.
A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em suposição ou presunção simples.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE
Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT.
VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO.
Admitese a utilização de médias pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado média considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de média da média, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias.
MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE.
O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento.
Numero da decisão: 9303-007.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 11/03/2003 SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em suposição ou presunção simples. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplica-se no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. Admitese a utilização de médias pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado média considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de média da média, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento.
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IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em “suposição ou presunção simples”. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 60 02 /2 00 6- 00 Fl. 4703DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.703 2 Admitese a utilização de “médias” pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Demes Brito, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Fl. 4704DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.704 3 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3302002.274, de 20 de agosto de 2013 (fls. 4188 a 4242 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reduzir o percentual da multa de ofício de 300% para 150%, nos termos do voto da conselheira relatora; (ii) por maioria de votos, para considerar improcedente a multa de ofício por falta de Licença de Importação e a multa de ofício por entrega a consumo de mercadoria estrangeira em situação irregular. (iii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quantos às demais matérias. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte no valor de R$ 70.996.916,68 (setenta milhões, novecentos e noventa e seis mil, novecentos e dezesseis reais e sessenta e oito centavos), para o fim de constituir débito de IPI Imposto sobre Produto Industrializado, II Imposto sobre a Importação, multas de controle aduaneiro, multa por classificação incorreta e multa regulamentar do IPI. O procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Grupo Especial de Fiscalização, instituído pela Portaria SRF n°.145/2004, que efetuou procedimentos de análise e revisão das importações registradas pela empresa ARVAMEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, cuja motivação se deu pelo fato da empresa constar do rol de importadoras que tiveram as cargas apreendidas em ato de diligência realizado pela Fl. 4705DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.705 4 Polícia Federal nas dependências do Terminal de Cargas de Importação do Aeroporto Internacional de São Paulo. Após o levantamento e perfil das importações promovidas pela empresa nos anos de 2003 e 2004, acrescidos aos conhecidos indícios de fraude e subfaturamento presentes na apreensão da carga, procedeuse a análise do conjunto de documentos instrutivos das declarações de importação com o intuito de demonstrar a comprovação dos indícios de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias internalizadas pelo fiscalizado. Para tanto a fiscalização promoveu o levantamento de importações de produtos de mesma natureza e de mesmo país de aquisição, realizadas por outros importadores, nos mesmos anos em que a empresa em epígrafe operou no comércio exterior. As informações foram extraídas do banco de dados do Sistema Integrado do Comércio Exterior Siscomex, no qual estão inseridas todas as importações registradas nas Unidades Aduaneiras e ainda no sistema de informações intitulado DW Aduaneiro, que permite retirar dados de importação sob as mais variadas formas de consulta e filtragem. Deste banco de dados foram extraídas Declarações de Importação DI de outros importadores, as quais se pode nomear como DI paradigmas, contendo mercadorias de mesma origem (país de fabricação) ou mesmo local de importação (país de aquisição), com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas em tempo e em quantidades aproximados, conforme explicitado às fls. 640 a 789 do Relatório Fiscal, obtendo assim, preços reais de mercadorias de mesma espécie importadas por outras empresas, nos mesmos anos em que atuou o fiscalizado no comércio exterior. Por meio destas Dl paradigmas, a fiscalização apresentou os indícios que comprovaram que o importador em tela informou em suas declarações de importação preços muito inferiores àqueles considerados normais em importações de produtos de mesma espécie e natureza, realizadas por outras empresas. Concluiuse que de forma deliberada a Arvamex praticou expressivo subfaturamento em suas importações, através de inserções de valores aduaneiros artificiais Fl. 4706DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.706 5 com o intuito de obter redução ilícita nos tributos aduaneiros incidentes sobre suas operações. O Contribuinte apresentou impugnação, a 2ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente, da seguinte forma ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/03/2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. PRESUNÇÃO Presunções são regras jurídicas de natureza probatória que contém fatos indiciários ligados ao fato indiciado por meio de relação jurídica de implicação. A presunção relativa admite prova em contrário. Não foi apresentada nenhuma prova por parte do sujeito passivo que justifique a nulidade do lançamento tributário. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO A determinação do valor aduaneiro por critérios razoáveis encontrasse prevista no texto do artigo 7º do Acordo de Implementação do artigo VII do AVA/GATT. INFRAÇÃO, MULTA, SOLIDARIEDADE A pessoa física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie, responde solidariamente pelo crédito tributário dele decorrente. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregularmente ou fraudulentamente. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado deu provimento parcial ao recurso, nos Fl. 4707DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.707 6 seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reduzir o percentual da multa de ofício de 300% para 150%, nos termos do voto da conselheira relatora; (ii) por maioria de votos, para considerar improcedente a multa de ofício por falta de Licença de Importação e a multa de ofício por entrega a consumo de mercadoria estrangeira em situação irregular. (iii) pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício. (iv) por unanimidade de votos, para negar provimento quantos às demais matéri, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/03/2003 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. HIPÓTESE EM QUE OS JULGADORESANALISARAM OS ARGUMENTOS QUE ENTENDERAM SUFICIENTES. O fato de os julgadores não terem expressamente rechaçado os argumentos trazidos pela Contribuinte e terem decidido pela manutenção das multas por outros fundamentos, não gera a nulidade da decisão. O julgador administrativo não precisa analisar todas as alegações se os itens analisados forem suficientes para a conclusão. SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES. A fiscalização que busca os elementos possíveis dentre a documentação apresentada pelo contribuinte, questionando as Aduanas dos outros países, promovendo a circularização entre as empresas envolvidas, analisando a documentação e todos os seus indícios não pode ser considerada superficial e, menos ainda, realizada com base em “suposição ou presunção simples”. OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM. COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A simples alegação de que as operações de importação foram realizadas por conta e ordem de terceiros não é suficiente para desconstituir as Declarações de Importação realizadas pelo próprio contribuinte, nas quais restou registrado serem as importações realizadas por conta própria; assim como os indícios trazidos pelo contribuinte não são suficientes à Fl. 4708DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.708 7 contraposição da inexistência de registro de contrato de compra e venda prévio entre as partes ou à resposta da empresa SUNTRADE à circularização. VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DA MP 2158. POSSIBILIDADE EM VIRTUDE DA OCORRÊNCIA DE FRAUDE Aplicase no caso de ocorrência de fraude, dolo e simulação ou seja, excepcionalmente o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02), o que se faz de acordo com o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT. VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA. APLICAÇÃO DO AVA/GATT. UTILIZAÇÃO DE VALORES MÉDIOS EM VISTA DA AUSÊNCIA DE INFORMAÇÕES NAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. Admitese a utilização de “médias” pela fiscalização em razão da ausência de informações nas Declarações de Importação, as quais foram realizadas pela própria contribuinte. O primeiro método denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela contribuinte e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE 300%. REDUÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase ao caso, de forma retroativa, a Lei n° 11.488/07 a qual em seu artigo 40, inciso I, revogou o art. 69 da Lei no 4.502, de 30/11/64, o que se faz em razão do disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, que pugna pela aplicação de forma retroativa da legislação que for mais benéfica ao contribuinte em caso de penalidade. Fl. 4709DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.709 8 MULTA PELO VALOR DAS MERCADORIAS. SUBSTITUTIVA DE PERDIMENTO. IPI. Inaplicável a multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista para os casos de entrega a consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País, passível de perdimento, se o Fisco, no reexame dos despachos aduaneiros, exigir todos os tributos vinculados à importação irregular, que motivara a aplicação da referida penalidade. Isto é, uma vez que a importação “tornouse regular” com o recolhimento de todos os tributos que seriam devidos, considerandose a correta base de cálculo, por exclusão, incabível a multa por perdimento de mercadorias. MULTA PELO VALOR SUBFATURADO APLICAÇÃO Inexiste duplicidade de punição entre a multa incidente sobre o valor subfaturado e a multa majorada da Lei no 9.430/96, posto que incidentes sobre fatos diversos. A penalidade prevista pela Lei 9.430/96, é aquela imposta a todo o procedimento de autuação de ofício, in casu qualificada pela conduta fraudulenta do contribuinte. A punição pretende coibir o “deixar de pagar o tributo”, utilizando para tanto procedimento fraudulento. Por outro giro, a penalidade consubstanciada no inciso III, artigo 526 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 37/66) tem como fato imponível o subfaturamento em si. Isto é a conduta inflacionária é o subfaturamento. Tratase, portanto, de uma penalidade de controle administrativo das importações. Inexistente, portanto, duplicidade de punição. MULTA DE 30% POR AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. O discrímen que determina a necessidade da licença de importação é a necessidade, definida pelo poder público, de controlar a importação de mercadorias de determinada natureza. Uma vez que os bens declarados pelo contribuinte são de natureza idêntica aqueles que a fiscalização entende como sendo os efetivamente importados e, posto que todos estes bens estão sujeitos ao licenciamento automático, inaplicável a multa por ausência de licenciamento. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICABILIDADE. Fl. 4710DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.710 9 O contribuinte que classificar erroneamente seus produtos está sujeito à multa punitiva. In casu, o erro ficou comprovado em razão da análise física e documental, uma vez que o contribuinte realizou o enquadramento fiscal da forma que lhe era mais benéfico, em contradição ao que registrou nas Declarações de Importação e ao que foi efetivamente importado. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ARTIGO 146 DO CTN. NÃO INCIDÊNCIA. Não ocorre modificação de critério jurídico quando a fiscalização constata que os produtos importados simplesmente não correspondem àquela classificação indicada pelo contribuinte. Neste caso não se trata de classificação duvidosa em razão da natureza do produto, mas de classificação errada. Assim sendo, in casu, a fiscalização não procedeu à “reclassificação” do produto, mas constatado o erro de fato, realizou a sua correta classificação fiscal. Inocorrência do artigo 1476 do Código Tributário Nacional. ASPECTOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. De acordo com a Súmula CARF nº 2, “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 4245 a 4256) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito da decisão recorrida ter considerável inaplicável a multa de 30% por ausência de licenciamento. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 30133.363 e 30132.955. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. Fl. 4711DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.711 10 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 4258 a 4260, sob o argumento que pelo confronto das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma ficou evidenciado a divergência jurisprudencial sobre a possibilidade de aplicação da multa de 30% por ausência de licenciamento. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 4455 a 4474, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão na parte relativa ao cancelamento da multa de 30%. O Contribuinte opôs Embargos de Declaração às fls. 4359 a 4373, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 4574 a 4579. Também, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 4602 a 4630) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito aos seguintes itens: 1vícios no arbitramento da base de cálculo do Imposto de Importação e multas; 2 vícios na presunção de fraude. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3401003.259 e 30333.146. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 4652 a 4674. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 4677 a 4681, sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu pela prescindibilidade da apresentação das DI’s paradigmas para validar a valoração aduaneira, em vista da quantidade de informações e dos demais indícios colacionados aos autos. Por sua vez, o acórdão paradigma atestou que a Fiscalização precisaria acostar aos autos elementos que permitam aferir os critérios da valoração aduaneira. Fl. 4712DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.712 11 Com essas considerações, entendeuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ás fls. 4683 a 4698, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acordão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso da Fazenda Da Admissibilidade O Recurso Especial da Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 4258 a 4260. O acórdão recorrido considerou inaplicável a referida multa, em caso em que os bens declarados pelo contribuinte eram de natureza idêntica aqueles que a fiscalização apontou como sendo os efetivamente importados, considerou ainda que todos estes bens estavam sujeitos ao licenciamento automático. No voto, também foi apontado que a Recorrente teria classificado de maneira equivocada os produtos, sendo decidido que “informações não concedidas ou alteradas não alteraram a natureza do produto”. Por sua vez, os acórdãos paradigmas firmaram entendimento diverso, senão vejamos: O acórdão paradigma nº 30133.363 entendeu que para afastar a infração administrativa no controle das importações, independentemente de se tratar de licenciamento automático ou não, seria imprescindível que o produto houvesse sido corretamente descrito Fl. 4713DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.713 12 com todos os elementos necessários para sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. O acórdão 30132.955 entendeu que o fato da mercadoria indicada na licença de importação divergir do produto submetido ao despacho aduaneiro, com base nos dispositivos legais, caracteriza a importação como desprovida do necessário licenciamento, entendendo como cabível a aplicação da multa prevista no art.633, inciso II, alínea “a” do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4543/2002. Portanto, diante da interpretação divergente, concluiuse que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa a aplicação da multa de 30% por ausência de licenciamento. Conforme destacado, a sanção imposta é aquela capitulada no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, in verbis: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas: (...) IIde trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação; e De acordo com o art. 18 da portaria SECEX n.ºm23/2011, a Declaração Importação deve conter a descrição da mercadoria e deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a NCM. Fl. 4714DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.714 13 Art. 18. O pedido de licença deverá ser registrado no SISCOMEX pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo DECEX e pela RFB. §1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a NCM. Somente no ano de 1997, passou a utilizar licença de importação (LI), advinda com o SISCOMEX, antes se utilizava guia de importação (GI), documento emitido em papel. Antes a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) promovia maior controle em determinados tipos de mercadoria que momentaneamente, por questões estratégicas, poderiam demandar instrumentos de política econômica governamental a serem implementados. Entretanto, desde aquela época, todas as mercadorias requeriam GI para o despacho aduaneiro, propiciando controle, pela SECEX, em tese, de todas as mercadorias efetivamente importadas. Com o advento do SISCOMEX, o sistema passou a ser informatizado, havendo a declaração direta no SISCOMEX, fazendo com que a SECEX só exigisse LI não automática para aquelas mercadorias que seu maior controle efetivamente o exigisse. Quanto às demais, por meio da simples declaração ao SISCOMEX, obterseia diretamente as informações quanto aos produtos importados, exercendose assim o seu controle administrativo. Logo, ao declarar corretamente o produto importado, o importador está subsidiando o Órgão governamental das informações necessárias à efetivação de seus controles. Ora, no caso das DIs em questão, não apenas as mercadorias tinham licenciamento automático como, principalmente, não logrou a fiscalização demonstrar que a alteração fática demonstrada (diferença de preço, declarado a menor) poderia sequer em tese fazer supor que não seriam concedidas as LIs para as importações. Fl. 4715DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.715 14 No presente caso, as mercadorias apresentadas nas DIs, estavam com sua descrição informada, contendo as características do produto e com a NCM respectiva. No entanto, a fiscalização entendeu que as mercadorias, não estavam perfeitamente descritas e aplicou a multa. A despeito de as mercadorias não estarem perfeitamente descritas nas DI’s, o que poderia levar ao entendimento de que a multa intentada de 30% é devida (conforme Portaria SECEX n.º 23 de 14/07/11). O fato é que a própria fiscalização entendeu que as mercadorias estavam perfeitamente descritas, mais com a classificação errada, e ainda que reclassificadas para a classificação correta, produtos estão descritos perfeitamente e são da mesma espécie e natureza que aqueles previamente considerados pela Contribuinte. Tanto é que se pode efetuar o arbitramento da base de cálculo a partir da mercadoria idêntica ou similar. Ora, o simples erro na descrição do bem importado, incapaz de alterar a sua forma de controle administrativo aduaneiro (licenciamento automático) e, por conseguinte, impedir a atividade fiscalizatória da aduana, não se amolda ao tipo prescrito no art. 633, inciso II, alínea "a" do Decreto n.º 4.543/02, sob pena, inclusive, de ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, o princípio da tipicidade cerrada. Portanto, não há que se falar em “falta de LI”. Sendo assim, incabível a aplicação dessa multa por absoluta falta de subsunção do fato à norma. Ademais, a interpretação implica a indevida ampliação do tipo sancionatório aqui tratado, o qual prescreve ser indevida a "importação de mercadoria sem licença", ampliação esta que, por conseguinte, conflita com o princípio da legalidade e, em especial, o princípio da tipicidade cerrada. Pois, o tipo legal é claro ao prescrever que será sancionado com a multa de 30% do valor aduaneiro aquela que importar mercadoria sujeita à licença de importação sem o cumprimento desta exigência. O referido dispositivo tem por escopo tutelar o dever poder da Fl. 4716DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.716 15 Administração Aduaneira em fiscalizar as importações realizadas no país, de modo a evitar a ocorrência de burlas aduaneiras e também fiscais. Neste diapasão é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo: (Acórdão CSRF/032.575). Ementa Imposto de Importação Multa do art. 526, II do R.A. Incabível sua aplicação quando se trata apenas de descrição indevida de mercadoria importada ao amparo da G.I. Recurso provido. Por fim, a inexistência de subsunção dos fatos aqui narrados ao tipo sancionatório em destaque é reforçado quando se observa que, para a conduta promovida pela Contribuinte, qual seja, erro da descrição das mercadorias importadas, existe uma sanção especialmente prevista para punir a prática, retratada no art. 636, inciso I, § 4º, inciso I do Regulamento Aduaneiro vigente à época: Art. 636. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou § 4o Na hipótese de a reclassificação a que se refere o § 3o repercutir em consolidação de duas ou mais mercadorias em uma mesma classificação na Nomenclatura Comum do MERCOSUL, a multa corresponderá: I a um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro das mercadorias reclassificadas, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais); ou (...) (grifos nosso). Há, portanto, um tipo especialmente previsto para a conduta realizada pelo recorrente. Fl. 4717DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.717 16 Diante deste quadro, por inexistência de subsunção dos fatos aqui tratados àqueles descritos no art. 633, inciso I, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro vigente à época, encaminho meu voto para manter afastada a sanção correlata. Por fim, cito o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/1997, que diz que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações, senão vejamos: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997 (Publicado(a) no DOU de 22/01/1997, seção 1, página 1301) "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente Fl. 4718DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.718 17 descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. PAULO BALTAZAR CARNEIRO Diante de tudo exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Do Recurso do Contribuinte Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 4677 a 4681. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre basicamente a Vícios na Valoração Aduaneira. No âmbito do direito brasileiro, a valoração aduaneira encontrase disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro (RA), artigos 75 a 83 (Decreto nº 4.543/02, revogado pelo Decreto n.º 6.759/09, mantidos os dispositivos), que consolidam a aplicação das regras do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio – Gatt (Acordo de Valoração Aduaneira AVA), aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30/1994 e promulgado pelo Decreto n.º 1.355/1994. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração AduaneiraAVA, conforme previsto no art. 75 do RA. Incluemse ainda na base normativa de valor aduaneiro, as Notas explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Fl. 4719DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.719 18 Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA) aprovados, conforme previsto pela Instrução Normativas SRF n.º 318, de 4 de abril de 2003. Pelas regras estabelecidas no AVA/Gatt, a valoração aduaneira pode ser apurada consubstanciada em seis Métodos, sendo que o 1º Método, o valor de transação, representa o princípio basilar a ser perseguido e observado prioritariamente, no entanto, na impossibilidade de aplicálo, adotase um dos outros cinco, aplicados sucessivamente: o método do valor de transação de mercadorias idênticas; o de mercadorias similares; o do valor de revenda (ou do valor dedutivo do custo de produção); o do valor computado e, o método do último recurso, o arbitramento, moldado pelo critério da razoabilidade. De acordo com método do valor da transação, o valor aduaneiro – base de cálculo dos tributos aduaneiros deve corresponder ao preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, ajustado de acordo com o art. 8º do AVA/Gatt e os arts. 77 e ss. do DecretoLei n.º 37/1966. A autoridade fiscal, entretanto, pode discordar do preço declarado na DI, fundamentando a discrepância no valor de mercadorias idênticas ou similares em operações envolvendo compradores não vinculados situados no mesmo país de destino (art. 2º, “a” e “b”, do AVA/Gatt). Após manifestação do importador, caso não demonstrada a aceitabilidade do valor declarado, devem ser aplicados um dos métodos substitutivos, com exigência da diferença do crédito tributo acrescida de juros de mora e, em caso de lançamento deofício, de multa de 75% (Lei nº 9.430/1996, art. 42, I). É nesse contexto que se opera com o conceito de subvaloração, que nada mais é do que a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira pelo importador, sem a ocorrência de fraude de valor (Opinião Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira). Fl. 4720DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.720 19 Nos casos de fraude de valor, não há subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira justamente em razão da ilicitude da conduta do importador. É o que ensina Rodrigo Mineiro Fernandes, Conselheiro da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em estudo doutrinário sobre o tema: É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material). Portanto, o subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica) . Nestes casos de subfaturamento, devem ser adotadas as providência do art. 88 da Medida Provisória n.º 2.158/2001: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: Fl. 4721DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.721 20 a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementaç ão do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados o s dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e do s acréscimos legais cabíveis. Assim, deve ser aplicado o preço efetivamente praticado na importação ou, não sendo possível, um valor arbitramento em consonância com os seguin tes critérios: (1) preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (2) preço no mercado internacional, apurado mediante: (2.1) cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; (2.2) método previsto no Artigo 7 do Gatt (método do último recurso), observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou (2.3) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. No presente caso, após o levantamento e perfil das importações promovidas pela empresa nos anos de 2003 e 2004, acrescidos de indícios de fraude e subfaturamento presentes na apreensão da carga, procedeuse à analise do conjunto de documentos instrutivos das declarações de importação com o intuito de demonstrar a comprovação dos indícios de subfaturamento do valor aduaneiro das mercadorias internalizadas pelo fiscalizado. Para tanto a fiscalização promoveu o levantamento de importações de produtos de mesma natureza e de mesmo país de aquisição, realizadas por outros importadores, nos mesmos anos em que a empresa em epígrafe operou no comércio exterior. Fl. 4722DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.722 21 As informações foram extraídas do banco de dados do Sistema integrado do Comércio Exterior Siscomex, no qual estão inseridas todas as importações registradas nas Unidades Aduaneiras e ainda no sistema de informações intitulado DW Aduaneiro, que permite retirar dados de importação sob as mais variadas formas de consulta e filtragem. Deste banco de dados foram extraídas Declarações de Importação DI de outros importadores, as quais se pode nomear como DI paradigmas, contendo mercadorias de mesma origem (país de fabricação) ou mesmo local de importação (país de aquisição), com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas em tempo e em quantidades aproximados, conforme explicitado às fls. 640 a 789 do Relatório Fiscal, obtendo assim, preços reais de mercadorias de mesma espécie importadas por outras empresas, nos mesmos anos em que atuou o fiscalizado no comércio exterior. Por meio destas Dl paradigmas, a fiscalização apresentou os indícios que comprovaram que o importador em tela informou em suas declarações de importação preços muito inferiores àqueles considerados normais em importações de produto de mesma espécie e natureza, realizadas por outras empresas. Concluiuse que de forma deliberada a Arvamex praticou expressivo subfaturamento em suas importações, através de inserções de valores aduaneiros artificiais com o intuito de obter redução ilícita nos tributos aduaneiros incidentes sobre suas operações. Segue os motivos que geraram o auto de infração 1. De acordo com o que consta do Relatório Fiscal, fls. 571 a 639, a Polícia Federal apreendeu em 14/09/2004, diversas mercadorias supostamente relacionadas às empresas ARVAMEX COMÉRCIO EXTERIOR LTDA, MARCELO DE MARTINI e DE ZHI LI INTERNATIONAL REPRÈS. IMPORT. E EXPORT. LTDA., no terminal de cargas do Aeroporto Internacional de São Paulo; 2. A fiscalização entendeu que as mercadorias importadas pela impugnante estariam vinculadas à Dl n°. 04/09185510, acobertadas pelo Conhecimento de Carga AWB Fl. 4723DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.723 22 957.8812930 e Invoice n°. 2058, fls. 1119 a 1146, cuja descrição, natureza e classificação tarifária, em parte, estariam em desacordo com o declarado além de apresentar preços expressivamente subfaturados; 3. Vale dizer que, por meio da apreensão realizada, concluiu a fiscalização que a importadora cometeu falsa declaração de conteúdo com notório subfaturamento. Tal premissa teve por base, de forma incompleta e genérica, a distribuição do peso dos itens constantes no corpo da Dl, os quais continham valores bem abaixo dos praticados no mercado; 4. Valendose do confronto entre as mercadorias apreendidas e a Invoice vinculada à Dl n°. 04/09185510, a fiscalização verificou, além de subfaturamento e descrição incompleta, a presença de produtos de natureza distinta dos declarados, com expressivo valor agregado, como: projetores portáteis digitais, acess point, notebooks, roteadores da Cisco, baterias para computadores portáteis, telefones celulares, máquinas fotográficas digitais, óculos de grife e peças automotivas; 5. Em decorrência dessa apreensão foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal visando a revisão dos tributos aduaneiros Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vinculados às importações registradas pela autuada nos anos de 2003 e 2004; 6. O trabalho da fiscalização pautouse na identificação do perfil da empresa e no do histórico de suas importações realizadas naquele período; 7. O período selecionado, março de 2003 a agosto de 2004, período este anterior à apreensão, abrangeu 120 declarações de Importação, fls. 579 a 582; (...) 10. Para tais assertivas, utilizouse da base de dados do Siscomex e, ainda, do sistema DW Aduaneiro, de onde foram extraídas as 149 páginas de DI's de outros importadores, as quais foram denominadas pelo fisco como "DI's paradigmas", contendo mercadorias de mesma origem ou mesmo local de importação, com descrição idêntica ou similar às declaradas pela Arvamex, importadas no mesmo período e em quantidades aproximadas, fls. 640 a 789; 11. A partir dos valores dos produtos supostamente importados pela autuada e confrontandoos com os das DI's paradigmas, o Fisco concluiu que a Fl. 4724DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.724 23 impugnante deixou de recolher aos cofres públicos a importância de R$ 23.610.994,14, referente a falta de recolhimento do II e do IPI; De acordo com tudo acima exposto a Conselheira relatora Fabiola Cassiano Keramidas que ao enfrentar a matéria, expôs de forma brilhante o entendimento abaixo sobre a questão, ao qual concordo e que peço vênia para incluir no meu voto e dele também fazer minhas razões de decidir: SUPERFICIALIDADE DA FISCALIZAÇÃO – IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE SUPOSIÇÃO/PRESUNÇÃO SIMPLES Superada a alegação de nulidade da decisão recorrida, o próximo item trazido pela Recorrente referese à alegação de superficialidade de fiscalização. Argumenta a contribuinte a ausência de elementos que justifiquem a aplicação de presunção ou como dito em suas razões de impugnação a “inexistência de indícios veementes”. Alega a Recorrente que “preferiram os Agentes fiscais presumir que, se houve a alegada fraude na importação registrada na DI 04/09185510, então os mesmos ilícitos também foram cometidos em todas as outras operações abrangidas pelo Mandado de Procedimento Fiscal. 2” Aqui entendo que são necessárias algumas considerações. É verdade que o procedimento de fiscalização em apreço iniciouse com a seleção de determinada importação para o canal vermelho, assim como é fato que de todas as DI’s objeto do presente auto de infração (104), apenas a que foi parametrizada para o canal vermelho resultou na análise física das mercadorias importadas, até porque todas as demais referiamse a importações passadas, a mercadorias já desembaraçadas. Baseada nestes fatos singelos, a defesa discorre sobre o assunto deixando a impressão de que a fiscalização teria, em razão de um único procedimento de Fl. 4725DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.725 24 importação, concluído pela fraude em mais de 100 DI’s. Como se o agente fiscal tivesse simplesmente expandido as conclusões de uma DI para as demais. Todavia, esta não é exatamente a expressão dos fatos. É justo reconhecer que a fiscalização investigou as operações de importação ocorridas de maneira minunciosa, tendo questionado acerca dos exportadores, dos produtos, das declarações, bem como dos procedimentos adotados pela Recorrente. Não houve, ao inverso do que acusou a defesa, superficialidade na fiscalização. A análise dos documentos confere a exata dimensão desta realidade. As Declarações de Importação objeto da fiscalização indicaram 9 empresas como constantes exportadoras para a Recorrente. Todas estas empresas – assim como todas as DI’s referentes a estes procedimentos apresentaram problemas, sendo que algumas apresentam os mesmos problemas. Para exemplificar, as DI’s (a) continham descrição genérica dos produtos, normalmente de forma a que pudessem se enquadrar em uma classificação fiscal diversa daquela que efetivamente deveriam estar; (b) indicavam para os produtos valores muito abaixo (em torno de 10%) dos negociados no mercado e (c) indicavam mesmo valor para produtos idênticos, que tinham capacidade diferente (ex: mesmo valor para um HD externo de 60 MB e 200 MB). Ao buscar informações acerca dos fornecedores indicados pelas DI’s, a fiscalização encontrou irregularidades diversas, a seguir cito algumas para ilustrar. Em primeiro lugar a fiscalização pontua que as faturas dos exportadores eram extremamente parecidas, podendo até serem consideradas idênticas se não tivessem o Logotipo das empresas. A seguir – e aqui me refiro a questões não constantes em todas as operações, mas repetidas em algumas – temse que as faturas possuíam o mesmo erro de grafia de palavras estrangeira e mesmo erro quanto ao endereço da Recorrente, como se várias empresas tivessem a mesma pessoa preenchendo os documentos de exportação. A fiscalização constatou, ainda, que algumas das assinaturas dos Fl. 4726DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.726 25 representantes legais das empresas exportadoras não se identificavam com a assinatura constante dos registros da aduana dos Estados Unidos; que algumas invoices foram registradas com o nome fantasia da empresa, e não pelo real exportador, o que é defeso por lei; outras invoices continham o nome incompleto do exportador, o que também é proibido. Além disso foram encontradas inconsistências na sequência da emissão das invoices, no que se refere ao número das Faturas e datas das operações. Outro fato a se atentar é que quase a totalidade das operações realizadas por estes fornecedores tiveram como importadora a Recorrente, e as que não foram importadas pela Recorrente o foram por outras pessoas consideradas pela fiscalização como de um mesmo Grupo de Importadores. Importante ainda registrar que não houve defesa, por parte da Recorrente, em relação às matérias específicas factuais que foram apurados pela fiscalização, como as indicadas acima. Pareceme evidente que inexistiu a aplicação de “simples presunção”, como pretende fazer crer a defesa. Ao revés, o procedimento fiscalizatório obteve êxito em demonstrar a contumácia do comportamento irregular da Recorrente. Aqui não foi a presunção do procedimento constatado em uma DI que gerou como conseqüência a imputação de fatos não ocorridos, foram os fatos constatados nas DI’s fiscalizadas, reincidentes e injustificados, que levaram à aplicação da presunção delitual. Os indícios, a meu ver, são mais do que veementes, são irrefutáveis. A fraude afigurase de uma clareza solar. A quantidade de empresas envolvidas com o mesmo modus operandi, o subfaturamento de todos os produtos no percentual médio de 10%, a irregularidade dos próprios fornecedores/exportadores; a constante indicação de classificação equivocada não pode ser ignorada. Fl. 4727DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.727 26 A Recorrente em sua defesa discorre sobre os conceitos de provas e fraude, versando especificamente acerca da inexistência de provas suficientes; a respeito do fato de que a fiscalização poderia ter fiscalizado mais e sobre o procedimento de fiscalização estar vinculado a uma única DI. Todavia, em face de todo o exposto, in casu, tais alegações são improcedentes. As provas são suficientes à finalidade de comprovar a fraude (Lei nº 4.502/64 – artigo 723) contumaz nos procedimentos de importação, do que se conclui que a fiscalização não precisava aprofundarse ainda mais. A defesa também argumenta que uma vez que as mercadorias já haviam sido nacionalizadas e vendidas, não seria possível ao fisco promover a “reclassificação” dos produtos por ausência de fundamento fático. Neste particular cumpre esclarecer que a fiscalização não procedeu à “reclassificação” de produtos, procedimento aplicável quando do momento da fiscalização se constata distinção entre o produto declarado e aquele importado. De acordo com os autos, a Recorrente procedia à declaração genérica do produto importado para justificar a classificação fiscal escolhida, mas ao descrever a mercadoria indicava elementos diversos (código de série, marca, modelo) que permitiram às autoridades fazendárias identificar qual foi, efetivamente, o produto importado. Constatado que o produto “X” estava com a classificação “Y”, a fiscalização adequou o critério classificatório para que representasse a realidade dos fatos. Logo, inaplicável, na espécie, o entendimento da Recorrente e constatada a prática de sonegação fiscal (Lei nº 4.502/64 – artigo 714). Ante o exposto e em vista de o comportamento da Recorrente demonstrarse excessivamente gravoso à sociedade, nego provimento a alegação de impossibilidade de aplicação da presunção de fraude. (....) (IV) VÍCIOS NA VALORAÇÃO ADUANEIRA Fl. 4728DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.728 27 Admitindo que o importador seja responsabilizado pelos procedimentos adotados quando da importação das mercadorias relacionadas às 104 DI’s objeto do presente processo, passo à discussão acerca da valoração aduaneira das mercadorias. Argumenta a Recorrente acerca da existência de vícios na valoração aduaneira em razão do indevido arbitramento da base de cálculo; da impossibilidade de aplicação da Medida Provisória 2.15835 da forma como foi aplicada; da não utilização de paradigmas relativos a mercadorias idênticas e de utilização de preço médio para aferição do preço das mercadorias negociadas. Ainda, aduz a Recorrente que a fiscalização não trouxe aos autos as DI’s utilizadas como paradigmas para a valoração aduaneira. Registrase, ainda, que a Recorrente pleiteia nulidade da valoração da forma como realizada pelas autoridades administrativas de lançamento sob o fundamento de desobediência às regras de valoração previstas do AVA/GATT e descumprimento da ordem trazida pela Medida Provisória nº 2.158/35. Pareceme que a questão se inicia com a análise da ocorrência de fraude/sonegação, constatação que, nos termos da legislação, excetua o procedimento de valoração aduaneiro. Neste particular, esclareço que de acordo com o entendimento até aqui exposto, adoto a premissa de ocorrência de fraude e simulação. Admitido este fato, aplico ao caso o artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001, inserido como artigo 84 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4543/02) que da seguinte forma dispõe: “Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante Fl. 4729DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.729 28 arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis.” Imperioso esclarecer que a exceção acima mencionada está conforme as determinações de direito internacional, uma vez que o artigo 17 do Acordo de Valoração Aduaneira – AVA/GATT prevê “que nenhuma disposição deste Acordo poderá ser interpretada como restrição ou questionamento aos direitos que têm as administrações aduaneiras de se assegurarem da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira.” Admitese, portanto, que no caso de fraude/dolo/simulação seja aplicada norma específica prevista do ordenamento jurídico interno, sendo que por se referir a valoração, esta norma deverá ser analisada em consonância com o artigo 7º do AVA/GATT. Para melhor compreensão, pela excelência do ensinamento acerca do histórico da legislação aduaneira, cito a Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira, em voto proferido nos autos do processo administrativo nº 10508.000056/201178, Fl. 4730DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.730 29 a saber: “Por estarse tratando aqui de transação comercial que envolve países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) organização criada no final da Rodada Uruguai de negociações para reduções tarifárias no comércio internacional, em 1994 , cujo tratado constitutivo adotou o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (General Agreements on Tarifs and Trade GATT), a questão central destes autos, que, em suma, consiste na apuração do valor aduaneiro para cálculo dos tributos incidentes na importação, está subordinada às regras do art. VII desse Acordo, implementado conforme Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, também chamado de Código de Valoração Aduaneira (AVA/GATT 94), cuja internação no Brasil se deu por meio da Ata Final que Incorpora os Resultados das Negociações Comerciais Multilaterais da Rodada Uruguai do GATT aprovada pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada, para ser executada e cumprida, pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Nesse contexto, para o exame da questão, há que se considerar que o GATT emergiu de negociações que objetivavam a expansão e a liberalização progressiva do comércio mundial, por meio da remoção de barreiras ao comércio internacional, inclusive as barreiras não tarifárias e, por isso, tratou do valor aduaneiro das mercadorias, que, nos termos do art. 2° do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988, constitui a base de cálculo do II e deve ser apurado em conformidade com o art. VII do GATT. Destarte, o AVA/GATT 94, ao buscar uma base imponível consentânea com o valor efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria, em uma venda para exportação para o país de importação, traz disposições que, com efeito, configuram limitações à definição da base de cálculo do II pelos países membros da OMC, pois, com a eleição do valor de transação para definir o valor aduaneiro, pretendeuse assegurar às transações comerciais a realidade negocial, com vista à proteção do comércio internacional, tendo Fl. 4731DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.731 30 como pressuposto economias internas baseadas na livre iniciativa e na liberdade de mercado. Dessa forma, conquanto práticas comerciais protecionistas por parte de alguns países signatários do GATT existam e talvez elas sejam indícios mesmo da falência dos princípios desse Acordo no ordenamento do comércio internacional, não consta que o Brasil tenha denunciado o GATT. Portanto, impõese a apreciação do litígio aqui instaurado à luz do AVA/GATT 94, cujos termos, diante do contexto em que produzidos e considerando a função regulatória de atividades econômicas que possui Imposto de Importação, devem ser lidos com vista à simplificação e à facilitação do comércio internacional.” Afastado, portanto, o primeiro questionamento trazido pela Recorrente, de impossibilidade de aplicação da Medida Provisória nº 2.15835, o qual sempre deverá ser aplicado em conciliação às regras do AVA/GATT. Pois bem, passo a analisar o procedimento específico realizado pela fiscalização, conforme registrado no Relatório de Fiscalização (Fls. 622/630 ou Fls. Eletrônicas 626/634), a saber: “Neste contexto é que foram elaboradas as Planilhas de Valoração anexadas a este Relatório, as quais, conforme já mencionado, tiveram como balizamento o banco de dados do SISCOMEX, o qual contempla toda a gama de importações registradas em nossa aduana. Fazendo uso de ferramentas disponibilizadas pela SRF, em especial o extrator de dados DW Aduaneiro, a fiscalização pôde comprovar o subfaturamento contumaz praticado pelo fiscalizado, devidamente espelhado na expressiva diferença entre os valores por ele informados em suas importações e aqueles praticados por outros importadores, para mercadorias de mesma espécie. Assim, permitiuse que fossem extraídos valores de importação de mercadorias idênticas ou similares às declaradas pelo importador, nos mesmos anos de registro destas, selecionadas dentre os mesmos países de aquisição ou de origem dos Fl. 4732DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.732 31 produtos importados. Tendo sido permitido ainda se extrair, do mesmo banco de dados, valores médios de importações, para as situações em que o fiscalizado, ao detalhar a mercadoria em campo especifico do registro de DI, o tenha feito de forma incompleta, inserindo dados genéricos, sem qualificar adequadamente o produto, permitindo no controle aduaneiro somente conhecer sua natureza. Para contornar esta situação, deliberadamente criada pelo importador, extraiuse da mesma base de dados o preço médio de outras importações afetas a mercadorias de mesma classificação tarifária (NCM) e mesma espécie, sempre balizando o trabalho de revisão nos critérios estabelecidos pelo referido art. 88 da MP 21583512001, especialmente no tocante à obediência ao principio da razoabilidade nele inserido. Para tanto, nas mercadorias cujas descrições registradas pelo importador, no corpo da DI, foram suficientes a permitir extração, na base de dados do Siscomex, de importações de mesma espécie realizadas por outros importadores, nos mesmos anos de importação, e mesmo país de origem ou de aquisição, contendo descrições qualificativas idênticas ou assemelhadas (produtos idênticos ou similares) aos produtos declarados, utilizouse, na revisão da base de cálculo aduaneira, a média dos preços unitários constantes em importações de outros importadores, extraídas do banco de dados da nossa aduana, conforme espelhado nas diversas linhas integrantes das Planilhas de Dl's Paradigma (fls. 640 a 789) ; e da Planilha Valoração de DI's (fls. 790 a 890); anexadas a este Relatório Fiscal. Nos casos em que a descrição da mercadoria feita pelo importador de forma incompleta, simplória, ou mesmo com informações inconsistentes (ou seja, sem atributos qualificativos suficientes, tal como, "Hub"; "Memória RAM", "HDD", etc) impediu que se buscasse, na base de dados do Siscomex, preços paradigmas referentes a outras importações, com descrição e detalhamento idêntico a tal mercadoria, permitindo somente a extração de preços afetos à mesma espécie e natureza do produto declarado incompletamente; foram utilizados, na revisão dos respectivos valores Fl. 4733DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.733 32 aduaneiros, a mesma base paradigma citada nos tópicos anteriores, com as seguintes adaptações, sempre se preservando o principio da razoabilidade. • a média de preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela Arvamex, e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's Paradigmas, anexadas ao Relatório. Nesta situação, é que foram valoradas, por exemplo, centenas de processadores da Intel e do fabricante concorrente AMD, cujas descrições feitas pelo importador, no corpo das DI's, traziam informações imprecisas e inconsistentes, tais como referências incompletas a modelos da Intel, e ainda, os registrando como se fossem fabricados pela empresa AMD, conforme já antecipado neste relato. • a média da média, ou seja, a média de DI's Paradigmas extraídas do Siscomex afetas a mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. Nesta situação temos, por exemplo, diversos HD's que foram descritos pelo importador de forma genérica, sem precisar sua capacidade de armazenamento, os quais foram valorados pela média das DI's Paradigmas, utilizadas na valoração de outros HD's, cuja capacidade fora descrita pelo importador, tal como HD120gb; HD8Ogb; e HD4Ogb. Tais levantamentos integram também o rol de DI's Paradigma extraído do Siscomex, sob títulos que se iniciam com a descrição: MÉDIA DE DI'S PARADIGMAS....", conforme se verifica nos anexos (fl. 694). Não se pode perder de vista que uma adição de D I é formada por um ou mais itens/linhas de adição, sendo estes itens representados por produtos de mesma espécie declarados pelo importador; e que, a cada adição de DI corresponde uma posição de NCM especifica, com alíquotas de I.I. e IPI determinadas, respectivamente, pela Tarifa Externa Comum (TEC) e Tabela de Incidência Fl. 4734DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.734 33 de IPI (TIPI), vigentes ao tempo das importações. Assim, ao se utilizar o sistema DW Aduaneiro, permitese extrair, do banco de dados de importações registradas no Siscomex, preços unitários de mercadorias classificadas sob determinada posição tarifária (NCM), ou seja, por tal extração tornase perfeitamente possível se conhecer também os valores médios unitários de determinada espécie de mercadoria, para determinado período de importação, podendo ainda ser segregados e filtrados os objetos de pesquisa por países de origem, aquisição ou fabricação, ou ainda por fabricante dos produtos, conforme bem espelham as 149 páginas que integram as Planilhas de DI's Paradigmas anexadas a este Relatório Fiscal, nas quais são retratados dados de centenas de produtos/mercadorias, comprovando a prática sistemática de subfaturamento adotada pelo fiscalizado em seu histórico de importações. Por este conjunto de Planilhas de Valoração (anexos, fls.640 a 975), pôde ser comprovada, portanto, a expressiva diferença entre os valores de transação declarados pelo importador em suas importações e os preços normalmente praticados em importações efetivadas por outros importadores, para mercadorias de mesma espécie e natureza, nos mesmos anos em que operou o fiscalizado. Dessa forma é que foram revisados, neste trabalho, os valores aduaneiros e as classificações fiscais de milhares de mercadorias importadas pela ARVAMEX nos anos de 2003 e 2004, representadas por 2.764 itens/linhas de adição, distribuídos num total de 676 adições e 104 DIs.” Após analisar detalhadamente as razões recursais da Recorrente, bem como os termos do Relatório Fiscal e da decisão ora recorrida, concluo que a fiscalização adotou duas formas de valoração, dada a situação fática específica apresentada no caso in concreto. PRIMEIRA SITUAÇÃO FÁTICA – inicialmente a fiscalização avaliou as mercadorias que possuíam, nos documentos de exportação (DI’s), descrição de características suficientes para que se buscassem parâmetros de mercadorias “idênticas ou similares”. Em vista das informações suficientes, as autoridades administrativas buscaram “na base de dados do Siscomex, Fl. 4735DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.735 34 importações de mesma espécie realizadas por outros importadores, nos mesmos anos de importação, e mesmo país de origem ou de aquisição, contendo descrições qualificativas idênticas ou assemelhadas (produtos idênticos ou similares) aos produtos declarados” para alcançar um critério justo, considerouse “a média dos preços unitários constantes em importações de outros importadores, extraídas do banco de dados da nossa aduana”. Para fundamentar os critérios escolhidos, as autoridades administrativas trouxeram à colação DI's Paradigma (fls. 640 a 789), consubstanciando na Planilha Valoração de DI's anexa às fls. 790 a 890. Assim, pareceme que a fiscalização aplicou corretamente o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835. Claro está que o preço de importação, para o Brasil, de mercadorias idênticas e/ou similares vindas do mesmo país das empresas exportadoras (EUA) representa o “preço de exportação para o País de mercadoria idêntica ou similar”. No que se refere à apuração de preço médio, utilizando critérios de razoabilidade e proporcionalidade, conforme preconizado pelo artigo 7º do AVA/GATT, entendo estar com razão a fiscalização. Não é porque está se utilizando o critério definido no item I do artigo 84 da MP 2158 que não se pode aplicar as orientações gerais do Acordo de Valoração Aduaneira. A obtenção do preço médio, a meu ver, não fere o critério de valoração, ao contrário, o robustece, uma vez que foram observadas as bases (mercadoria idêntica ou similar). SEGUNDA SITUAÇÃO FÁTICA – além dos fatos narrados outra situação fática restou delineada pela Recorrente, aquela em que as DI’s não apresentavam informações suficientes para se aferir a especificidade do produto, tornando impossível a localização de produtos “idênticos ou similares”. Neste aspecto esclarece a fiscalização que “para as situações em que o fiscalizado, ao detalhar a mercadoria em campo especifico do registro de DI, o tenha feito de forma incompleta, inserindo dados genéricos, sem Fl. 4736DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.736 35 qualificar adequadamente o produto, permitindo ao controle aduaneiro somente conhecer sua natureza... extraiuse da mesma base de dados o preço médio de outras importações afetas a mercadorias de mesma classificação tarifária (NCM) e mesma espécie”. Indica a fiscalização a utilização de dois métodos entendidos por razoáveis e proporcionais (nos termos do art. 7o do AVA/GATT). O primeiro denominado “média” considerou os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex para mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie das valoradas, filtradas pelos mesmos anos em que foram importadas pela Recorrente e pelos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. O segundo chamado de “média da média”, representando a média de DI's — Paradigmas extraídas do Siscomex afetas às mercadorias de mesma classificação fiscal e mesma espécie, para as quais já se tinham sido extraídos valores unitários de modelos diferentes, porém da mesma espécie e/ou mesmo tipo das mercadorias. Com efeito, em vista dos fatos apresentados, pareceme clara a explicação pela qual a autoridade fazendária afastou a aplicação do inciso I, artigo 84 da MP 2.15835, o que é relevante porque uma das alegações da defesa é pelo descumprimento das regras estabelecidas a título de valoração. A impossibilidade de atendimento à primeira regra de valoração foi causada pela própria Recorrente, que deixou de fornecer as informações necessárias à identificação dos produtos importados. De igual forma, o desconhecimento da especificidade do produto impede a aplicação da alínea “a” do inciso II do artigo 84 da MP 2.15835, qual seja, a “cotação em bolsa de mercadoria ou em publicação especializada”. Fl. 4737DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.737 36 Ainda, pareceme que os parâmetros utilizados pela fiscalização estão de acordo com os critérios de proporcionalidade e razoabilidade previstos no “Acordo sobre a Aplicação do artigo VII do acordo geral sobre pautas aduaneiras e comércio de 1994” “Artigo 7.º 1 Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado por aplicação das disposições dos artigos 1.º a 6.º, tal valor será determinado usandose critérios razoáveis condizentes com os princípios e disposições gerais deste Acordo e com o artigo VII do GATT de 1994 e com base em dados disponíveis no país de importação. 2 O valor aduaneiro definido segundo as disposições deste artigo não será baseado: a) No preço da venda, no país de importação, de mercadorias produzidas neste; b) Num sistema que preveja a adoção para fins aduaneiros do mais alto entre dois valores alternativos; c) No preço das mercadorias no mercado interno do país de exportação; d) No custo de produção diferente dos valores computados que tenham sido determinados para mercadorias idênticas ou similares, de acordo com as disposições do artigo 6.º; e) No preço de mercadorias vendidas para exportação para um país diferente do país de importação; f) Em valores aduaneiros mínimos; ou g) Em valores arbitrários ou fictícios.” A análise do dispositivo acima citado deixa clara a intenção dos países membros do Acordo (AVA/GATT) de fugir dos extremos (preço mais alto/mais baixo), na clara tentativa de alcançar o que seria a opção mais justa para o importador. Fl. 4738DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.738 37 É de se destacar que os parâmetros utilizados para a elaboração da “média” assim como aqueles aplicados para apurar a “média da média” utilizaram bases coerentes e aplicáveis, de alguma forma, ao produto importado. Intentouse respeitar o mínimo das informações que foram obtidas, tais como a espécie, o tipo e classificação fiscal dos produtos, tendose, por exemplo, buscado os preços unitários de outras importações extraídas do Siscomex com as mesmas características das mercadorias importadas. Ainda, os valores foram buscados junto aos mesmos países de aquisição, origem ou fabricação dos produtos, conforme também espelhado nos registros das mencionadas planilhas de DI's. Logo, inaplicável, a meu ver, a alegação da Recorrente de invalidade dos critérios adotados pela Recorrente. Mas não é só. Registrase, ainda, que a Recorrente alega a inexistência de DI’s paradigmas e a impossibilidade de utilização de informações colhidas na internet para critério de valoração (citando em seu favor o acórdão 320200.127). No que se refere à questão de não ter sido trazida à colação nenhum DI paradigma, está com razão a Recorrente. O que a fiscalização colacionou às fls. 640 a 789 foram planilhas com informações de DI’s. Conheço a jurisprudência desta casa a respeito da imprescindibilidade da apresentação das DI’s para validar a valoração aduaneira, todavia, in casu, em vista da quantidade de informações e dos demais indícios colacionados aos autos, concluo pela validade do procedimento adotado pela fiscalização. A jurisprudência desta corte pareceme pretender proteger o contribuinte de qualquer abuso de poder vindo da fiscalização – comportamento que louvo e coaduno todavia, pareceme imprudente afastar o procedimento adotado pelos fiscais no caso em apreço. Se fossem poucos os casos paradigmas citados, poderseia entender pela fragilidade das informações fiscais, ou pelo Fl. 4739DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.739 38 arbitramento da base de cálculo. Entrementes, no caso em análise, o subfaturamento restou mais do que comprovado, e a mera análise dos documentos acostados aos autos é suficiente para esta constatação. A quantidade de paradigmas é grandiosa, razão pela qual é difícil imaginar a manipulação da fiscalização neste procedimento. Assim, a despeito de entender que outras turmas concluem a questão de forma diversa – a defesa inclusive trouxe decisões neste sentido a meu ver a ausência física das DI’s paradigmas não é causa de invalidar a valoração realizada. No que se refere à utilização de informações obtidas na internet, em sites que comercializam o mesmo produto importado, percebo que estes dados não foram utilizados para a valoração, mas para apurar o subfaturamento. Para valoração foram utilizadas as informações das DI’s constantes das planilhas e os dados do SISCOMEX, razão pela qual afasto a nulidade pleiteada. (...) Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, adotando integralmente os fundamentos da decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 4740DF CARF MF Processo nº 10880.006002/200600 Acórdão n.º 9303007.337 CSRFT3 Fl. 4.740 39 Fl. 4741DF CARF MF
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