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Numero do processo: 10850.003179/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR - ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). Providência não adotada.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ITR ILEGALIDADE QUANTO À EXIGÊNCIA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 41 “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal vigente à época dos fatos em análise). Providência não adotada. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 31 79 /2 00 3- 51 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Santa Luiza Agropecuária Ltda., CNPJ n° 51.022.317/000160, foi lavrado o auto de infração de fls. 0208, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1999, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Esteio Lavrado, situado no município de Novo Horizonte (SP). A autoridade lançadora justificou a constituição do crédito tributário da seguinte forma (fls. 04): Face ao exposto, desconsideramos como redutoras da área total do imóvel, constante na ficha "Distribuição da área do imóvel", da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural/1999, a área de Preservação Permanente (105,5ha) e a área de Utilização Limitada (196,0ha), pela falta de apresentação tempestiva do ADA Ato Declaratório Ambiental do IBAMA e pela falta de averbação na matrícula do imóvel da área de Reserva Legal. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram reduzidas de 105,5 ha para 0,0 ha e de 196,0 ha para 0,0 ha, respectivamente (fls. 05). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente (fls. 7583). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.003179/200351 Acórdão n.º 9202002.735 CSRFT2 Fl. 236 3 Apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, proferiu o acórdão n° 380100.098, que se encontra às fls. 134140, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1999 ITR. ADA INTEMPESTIVO. Deve ser improvido o recurso, quando o contribuinte, depois de intimado, apresenta protocolo intempestivo do ADA (Ato Declaratório Ambiental. Ausência de Averbação de Reserva Legal. Recurso em que se nega provimento. Votação unânime. Recurso voluntário negado. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 07/10/2010 (fls. 150), a contribuinte, devidamente representada, interpôs recurso especial às fls. 152161, acompanhado dos documentos de fls. 162223, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Inexiste correção entre averbação, entrega do ADA e lançamento e recolhimento de ITR; b) Em 18/10/2004, a Fazenda Esteio Lavrado, objeto da autuação, foi submetida a vistoria ambiental pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, a fim de apontar e mensurar as áreas de reservas florestais, como também as áreas consideradas de preservação permanente existentes na propriedade, objetivando atender e acolher com atenção à solicitação efetivada em decurso do ofício DRF/SJR/GABINETE n° 457, oriundo da Receita Federal; c) A reserva legal, bem como a área de Proteção Permanente (APP) existentes no imóvel em questão foram devidamente constatadas e reconhecidas pela própria autoridade policial encarregada da vistoria, conforme se verifica do Termo Circunstanciado da Polícia Militar, encartado no presente procedimento administrativo; d) A legislação que prevê a nãoincidência do ITR sobre reservas legais e APPs, não determina que a mesma somente será válida em caso de averbação na escritura do imóvel. E mais: não determina que se desconsidere área reconhecidamente como de preservação permanente para efeitos de preenchimento da declaração do ITR. Qualquer decisão em sentido contrário o será ao arrepio da lei, isto é, desprovida totalmente de sustentação legal; e) Na medida em que não existe previsão legal de penalidade quando não for realizada a averbação da reserva legal, concluise que a autuação perdeu seu objeto, ao aplicar multa e juros sobre imposto que não é devido, não podendo gerar tais ônus à recorrente, que já cumpriu com Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE 4 sua obrigação legal, ao recolher o ITR corretamente sobre o restante da propriedade; f) O atraso na entrega do ADA é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo, e como obrigação acessória autônoma não pode ser efetuado o lançamento do tributo, bem como multa e juros sobre referidos valores, uma vez que não ocorreu fato gerador que implicasse lançamento de ofício; g) O Código Tributário Nacional estabelece que o contribuinte deve fornecer "informações sobre matéria de fato", isto 6, deve descrever a realidade física do imóvel, conforme dispõe artigo 147; h) Estabelece, também, que se o FISCO considerar tais fatos indignos de fé, errados, ou mesmo que tenham sido, de alguma forma, omitidos, o agente fiscal público deverá pedir esclarecimentos ou documentos, conforme foi feito, mas também atendido pela requerente, que apresentou todos os documentos solicitados; i) Temse que não há lei válida, eficaz, que determine ao proprietário ou possuidor, a obrigação de se averbar uma área de reserva legal, e muito menos que sua omissão implique nãoreconhecimento da área como Reserva Legal. Sequer há previsão de tal tipo de averbação na Lei que regulamenta o funcionamento dos Registros Públicos do país; j) Apesar de a entrega do ADA (Ato Declaratório Ambiental) não ser requisito imprescindível ao reconhecimento da isenção de Imposto Territorial Rural ITR, tal providência foi devidamente tomada pela ora recorrente, tendo o mesmo sido anexado ao procedimento adn1inistrativo em epígrafe; k) O presente AIIM, portanto, deve ser julgado totalmente improcedente, haja vista que, segundo sua fundamentação "não foi considerada a área de preservação permanente (105,5 ha) e área de Utilização Limitada (196,0 ha) pela falta de apresentação tempestiva do ADA e pela falta da averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal"; l) O acórdão a quo fundamentouse, para manter a exigência de ITR, principalmente no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 67/97; m) Ocorre que, a obrigação criada pela IN SF 67/97, não estava amparada por previsão legal e somente se estabeleceu com a edição da Lei n° 10.165/2000. Assim, somente neste momento é que passou a ser obrigatório o ADA para efeito de exclusão da base de cálculo do IR das áreas de preservação permanente, de utilização limitada e de outras passíveis de exclusão; n) O v. acórdão ora impugnado negou provimento ao recurso administrativo interposto pela recorrente, por entender que não teria sido comprovada a efetiva existência da totalidade da área de preservação permanente declarada e da área de reserva legal na data do fato gerador do ITR, uma vez que teria sido constatada ausência de averbação da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.003179/200351 Acórdão n.º 9202002.735 CSRFT2 Fl. 237 5 reserva legal à margem da matrícula do registro do imóvel e a intempestividade da protocolização do Ato Declaratório Ambiental – ADA; o) A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por sua vez, demonstrou interpretação diametralmente oposta, conforme se verifica dos acórdãos proferidos nos processos n° 10120.004577/2002 58, 10120.000995/200519, 10120.000994/200574, 10108.000546/200113, 10108.000121/200104, 10120.006850/2003 60, 10108.000378/200158, 10120.004864/200519; p) Requerse o auto de infração julgado totalmente insubsistente, tendo em vista a não obrigatoriedade do proprietário ou possuidor quanto à averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal e apresentação do ADA, e muito menos que tal fato gere quaisquer consequências quanto aos valores de recolhimento a titulo de ITR, por absoluta falta de previsão legal. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.282 (fls. 226230), a Fazenda Nacional foi intimada e apresentou contrarrazões às fls. 232234, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção da decisão recorrida quanto à área de reserva legal. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. A recorrente insurgiuse contra a manutenção da glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal informadas na DITR/1999, defendendo que ambas estão devidamente comprovadas nos autos, sendo desnecessária a apresentação do ADA e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Eis as matérias em litígio. Inicio a análise de recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. Muito se poderia escrever sobre a ausência de amparo legal para a exigência do ADA em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE 6 Até então, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam tal obrigação (IN/SRF n° 43/97, com redação dada pela IN/SRF n° 67/97). No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a matéria não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 41 tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso, cumpre reiterar, a exigência envolve o exercício 1999. Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, concluo que a decisão recorrida merece ser reformada quanto à área de preservação permanente, pois o lançamento é improcedente com relação a ela. Resta para apreciação, ainda, a glosa da área de reserva legal de 196,0 hectares. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal vigente ao tempo dos fatos em apreço (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.003179/200351 Acórdão n.º 9202002.735 CSRFT2 Fl. 238 7 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tinha contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal anterior, com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE 8 III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.003179/200351 Acórdão n.º 9202002.735 CSRFT2 Fl. 239 9 mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, inexiste a averbação da área de reserva legal, motivo pelo qual, nessa parte, a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento a área de preservação permanente de 105,5 hectares. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 36918.003746/2006-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/12/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/12/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 91 8. 00 37 46 /2 00 6- 83 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Aethra Componentes Automotivos Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 1/332, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social – parte do segurado e quota patronal para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as devidas a terceiros, não recolhidas em época própria, no período de 01/03/2000 a 30/12/2003. A Sexta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20601.401, que se encontra às fls. 529/542 e cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/12/2003 PREVIDENCIÁRIO SALÁRIO INDIRETO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente aos abonos pagos pela empresa em favor de seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CONTRIBUIÇÕES PREV1DENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que Fl. 630DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 36918.003746/200683 Acórdão n.º 9202002.696 CSRFT2 Fl. 7 3 fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto, por tratarse de salário indireto – Abono. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência de 11/2000 e, por maioria de votos, declarou a decadência das contribuições apuradas até a competência de 08/2001, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN. Em face do referido acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração solicitando que fosse emitido pronunciamento demonstrando a existência de provas nos autos que autorizassem a conclusão de que houve recolhimento parcial ou insuficiente do pagamento devido (fls. 546/547), de modo a embasar a aplicação o artigo 150, §4º, do CTN. Em 27/01/2010, foi exarada decisão não conhecendo dos embargos de declaração (fls. 549/553). A decisão dos embargos foi recepcionada na Procuradoria da Fazenda Nacional em 16/03/2010 (fls. 554). Considerandose intimada 30 (trinta) dias após (§§7º ao 9º, do artigo 23, do Decreto nº 70.235/72), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 18/03/2010, às fls. 556/565. A Fazenda Nacional, em seu recurso especial, sustenta a aplicação do artigo 173, I, do CNT ao caso em análise, trazendo aos autos divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 20501.257, no tocante à decadência das contribuições sociais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 108/2010, de 26/03/2010 (fls. 566/567). É o Relatório. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão recorrido se deu por maioria de votos. Dessa forma, nos termos do artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno deste Conselho, o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que buscou demonstrar a linha de argumentação para justificar a contrariedade à lei e às provas, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Passo agora para à análise do termo inicial para contagem do prazo decadencial. Pois bem. Cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 36918.003746/200683 Acórdão n.º 9202002.696 CSRFT2 Fl. 8 5 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, o próprio fisco reconhece a existência de recolhimento parcial de contribuições face à totalidade da folha de salários da empresa, conforme depreende se do seu recurso especial. Nas palavras da própria Procuradoria, destaco: “Assim, não faz sentido dizer que houve pagamento parcial de contribuição previdenciária sobre algumas rubricas da folha de salários quando o pagamento realizado cingiuse a outras rubricas de salários que não estão em cobrança” (fls. 561). Diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados, que no caso em exame envolvem plúriade de remunerações e verbas mensalmente pagas aos empregados e contribuintes individuais. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 29/09/2006, deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 08/2001, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 634DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 14751.000113/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA.
VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Numero da decisão: 3401-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
JULIO CESAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça.
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INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 01 13 /2 01 0- 15 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) apresentado por meio de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 37714.56641.090408.1.1.112433, no qual é declarado crédito no valor original de R$ 1.652.364,57, referente à Cofins (Mercado Interno) do 3º trimestre de 2006. 2. O Despacho Decisório DRF/JPA nº 609/2010, aprovou o Relatório de Informação Fiscal, indeferindo o pedido de ressarcimento pretendido. 3. Do Relatório de Informação Fiscal citado consta que: 3.1. a empresa foi intimada a apresentar a relação de insumos ou bens adquiridos que deram origem ao crédito objeto do PER, tendo sido apresentado o documento intitulado "Relação dos Bens para revenda que deram origem aos créditos utilizados no PER/DCOMP"; 3.2. a empresa tem como atividade principal o comércio atacadista e varejista de bebidas alcoólicas, refrigerantes e água mineral; 3.3. concluiu a autoridade fiscal que a pretensão do contribuinte em descontar créditos do PIS e da Cofins sobre os produtos em tela, os quais são submetidos à incidência monofásica das contribuições (arts. 49 e 50 da Lei nº 10.833, de 2003), adquiridos para revenda por atacadistas e varejistas, é vedado pela legislação em vigor (art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, com idêntica redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). 4. Devidamente cientificado da decisão acima em 07/01/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 07/02/2011, por meio do seu representante legal, com os seguintes argumentos: 4.1. aponta que as receitas oriundas dos produtos sujeitos à incidência monofásica foram excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme previsão do art. 1º , § 3º, incs. I e IV, da Lei nº 10.833, de 2003, contendo a Lei nº 10.637, de 2002, idênticos dispositivos (art. 1º, §3º, inc. IV, art. 8º, inc. VII, "a"); 4.2. assevera que, na redação originária, a legislação não autorizava o desconto/utilização de crédito dos produtos sujeitos à tributação monofásica, indicando que em 2004, com a edição da Lei nº 10.865, foram introduzidas modificações nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de maneira que o §3º do art. 1º, que trata da composição da base de cálculo da Cofins, deixou de fazer menção às receitas oriundas das vendas de produtos sujeitos à incidência monofásica, em seu inc. IV; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14751.000113/201015 Acórdão n.º 3401002.275 S3C4T1 Fl. 6 3 4.3. relativamente aos créditos, justificou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, ficou impossibilitada a tomada de crédito sobre bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; 4.4. alega que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, estabeleceu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da Cofins, não impediriam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a esses operações; 4.5. acrescenta que o advento da Lei nº 11.116, de 18/05/2005, restou autorizada a compensação do crédito do PIS e da Cofins com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; 4.6. aduz que a Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, alterou mais uma vez a Lei nº 10.833, de 2003, ao introduzir o §22 no art. 3º, para impedir a apuração de créditos do PIS e da Cofins pelos contribuintes atacadistas/distribuidores em relação aos produtos sujeitos à tributação monofásica do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004; 4.7. conclui que "se a MP em questão excluiu os produtos monofásicos do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, é porque eles anteriormente se encontravam abarcados por tal dispositivo"; 4.8. afirma que a lei de conversão da MP nº 413 (Lei nº 11.727, de 23/06/2008) não trouxe o citado §22; 4.9. sustenta que a MP nº 451, de 15/12/2008, mais uma vez trouxe vedação à tomada de créditos de PIS e Cofins por parte do distribuidor ou comerciante de bens submetidos ao regime monofásico, apontando que a lei de conversão (Lei nº 11.945, de 04/06/2009) o texto foi novamente excluído; 4.10. afirma que é possível o aproveitamento do crédito conforme pretendido pelo recorrente, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão; 4.11. requer, ao final, o acolhimento de seu recurso e reforma da decisão recorrida para reconhecer o seu direito creditório. A DRJ decidiu em síntese: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de cervejas, águas e refrigerantes são submetidas à alíquota zero da Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. O Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade acima descritos. É em síntese o relatório. Voto Conselheiro Relator Angela Sartori O recurso deverá ser conhecido, pois atende aos requisitos de admissibilidade estabelecidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Sustenta a Recorrente que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de cervejas, águas e refrigerantes, tem direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, uma vez que as vedações contidas nas MP nº 413 e 451 não foram mantidas por suas leis de conversão. Acerca desses argumentos, convém inicialmente informar que o § 4º do art. 149 da Constituição Federal Brasileira, introduzido pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001, dispõe que a lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Dessa forma, a tributação monofásica é caracterizada pela sua concentração em uma só etapa da cadeia produçãoconsumo (produção, atacado ou varejo), ao passo que a tributação polifásica ou plurifásica incide em todas as etapas do ciclo produçãoconsumo. Caso o legislador decida estabelecer uma tributação monofásica (concentrada) para algum bem específico, ele deve determinar uma alíquota mais alta do que a aplicável na tributação polifásica, aplicando essa alíquota a uma determinada etapa do ciclo de produção e consumo, pois o objetivo dessa modalidade de tributação é, exatamente, substituir a tributação de todas as etapas do ciclo pela tributação de uma única etapa. É por essa razão que, nas etapas seguintes (ou anteriores, conforme o momento eleito para aplicação da tributação), ficam reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins, conforme se observará adiante. O tributo cobrado na etapa onerada será equivalente ao somatório dos tributos que seriam cobrados se fossem tributadas todas as etapas com alíquotas normais. Se o legislador quiser que, além da tributação concentrada/monofásica, determinado bem esteja sujeito ao sistema nãocumulativo, no caso de concentração da tributação na produção, ele deverá proibir que nas etapas seguintes (revenda) os contribuintes apurem créditos em relação aos dispêndios com aquisição do bem para revenda. Caso contrário, em termos práticos, a cadeia não estará sendo tributada, podendo mesmo ocorrer uma “tributação negativa”. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14751.000113/201015 Acórdão n.º 3401002.275 S3C4T1 Fl. 7 5 Repitase que é a própria Constituição que garante ao legislador a possibilidade de combinar a tributação nãocumulativa com a tributação concentrada (monofásica), para determinados bens. Nesse caso, se a etapa onerada for a produção/importação, as vendas desses bens pelo produtor/importador sofrem a incidência de uma alíquota maior, sendo permitido ao produtor, nos termos da legislação, creditarse de seus insumos e alguns outros dispêndios necessários para produção/importação do bem. Já nas etapas seguintes, como na revenda desses bens, aplicase alíquota zero. Nesse caso, os contribuintes podem, nos termos e limites legais, creditarse de alguns de seus gastos. Todavia, os revendedores não podem calcular créditos em relação aos gastos com aquisição daquele bem que sofreu a tributação concentrada/monofásica na produção, o qual ele adquiriu para revender, sob o risco de produzir o já mencionado efeito de “tributação negativa”. Se a tributação concentrada visa a fazer incidir em uma etapa do ciclo produção consumo toda a carga tributária que incidiria ao longo de toda a cadeia, não há por que imaginar que toda a arrecadação obtida na etapa onerada com a tributação concentrada/monofásica seja devolvida nas etapas seguintes, onde não existe a incidência propriamente dita, pelo fato de a venda operar com a alíquota zero. A concessão de crédito a esses contribuintes, sujeitos à alíquota zero, viria distorcer a tributação, anulando o recolhimento efetuado pelo produtor ou importador. A legislação de regência da sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins, a princípio, excluíra, expressamente, desse regime as receitas decorrentes da venda dos produtos sujeitos ao modelo monofásico de apuração das contribuições em causa. Posteriormente, a Lei nº 10.865, de 2004, veio a permitir que o regime não cumulativo do PIS e da Cofins abarcasse a receita referente à venda de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas. O aludido diploma legal possibilitou que o comerciante de mercadorias ou produtos cuja receita de venda esteja submetida ao regime monofásico de apuração do PIS e da Cofins pudesse descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. É necessário esclarecer, no entanto, que a edição da Lei nº 10.865, de 2004, não alterou o dispositivo que veda a geração de crédito na aquisição dos reportados bens sujeitos ao regime monofásico pelos comerciantes e atacadistas, ou seja, por força do art. 2º, § 1º, incisos VIII e IX, e do art. 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, permaneceu expressamente vedado o desconto de créditos calculados em relação às citadas bebidas, adquiridas para revenda, de que tratam os arts. 49 e 52 da Lei nº 10.833, de 2003. A seguir os comandos referenciados: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (...)" (destacouse) 13. O mencionado § 1º do art. 2º está assim prescrito nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) VIII no art. 49 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; IX no art. 52 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; ......................................................................................................... ......................... Lei nº 10.833, de 2003 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14751.000113/201015 Acórdão n.º 3401002.275 S3C4T1 Fl. 8 7 cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VIII – no art. 49 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IX no art. 52 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (...)" (destaques não são do original). Feitas essas considerações preliminares, convém transcrever o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que se originou do art. 16 da Medida Provisória nº 206, de 6 de agosto de 2004: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Da norma acima depreendese que a apuração do PIS e da Cofins, incidentes à alíquota zero sobre a receita da venda de produtos sujeitos ao regime monofásico (tais como Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 cerveja, água e refrigerante), não impede o comerciante varejista/atacadista de manter créditos que apurar referentes aos custos/despesas incorridos vinculados a essa receita, com exceção, obviamente, do crédito pertinente à aquisição daqueles bens para posterior revenda, cuja apuração é explicitamente vedada pelos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, transcritos acima. Com efeito, somente é possível manter o crédito passível de ser apurado e, por expressa vedação legal, o custo de aquisição para posterior revenda dos bens sujeitos ao regime monofásico não dá direito a crédito. Por outro lado, o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, prevê que o saldo credor do PIS e da Cofins, acumulado ao fim de cada trimestre em virtude do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento. Ora, exatamente por ser tributada com alíquota zero e por estar na sistemática da nãocumulatividade, a revenda das citadas bebidas (cerveja, água e refrigerante) pode acabar originando créditos calculados sobre algumas despesas e custos (mas não sobre os referidos bens adquiridos para revenda, objeto de seu comércio) que, sem a possibilidade de compensação e ressarcimento, não teriam utilidade. Assim, a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, pressupõe, obviamente, que a apuração do saldo credor ou devedor do PIS e da Cofins siga as regras legais, em especial os arts. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e visam a dar utilidade aos créditos decorrentes de outras despesas e custos, também necessários à atividade econômica, e vinculados às respectivas vendas. No que se refere aos argumentos relacionados à Medida Provisória nº 413, de 03/01/2008, é oportuno esclarecer que esta norma mediante seus arts. 14 e 15, inseriu os §§ 14 e 22 nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, vedando expressamente o creditamento por parte de comerciantes atacadistas/varejistas de produtos sujeitos ao regime monofásico. Sucede que, quando da conversão da MP nº 413, de 2008, na Lei nº 11.727, de 2008, os aludidos parágrafos não foram mantidos. Tal fato, entretanto, não trouxe qualquer influência sobre a discussão aqui analisada, uma vez que, seja na vigência da MP citada, seja na vigência de sua lei de conversão, permaneceu sem alteração a proibição de apuração de crédito de PIS e da Cofins pelas empresas que comercializam produtos sujeitos ao sistema monofásico em relação à aquisição desses produtos. Nova tentativa nesse sentido foi empreendida pela Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008, também essa mal sucedida, quando da sua conversão na Lei nº 11.945, de 04 de junho de 2009. Da mesma forma, este fato não trouxe alteração quanto à vedação de apuração de crédito de PIS e da Cofins pelas empresas que comercializam produtos sujeitos ao sistema monofásico em relação à aquisição dos produtos mencionados. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) vem se posicionando nesta mesma linha, segundo se verifica na ementa do seguinte acórdão: "CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, ÁGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14751.000113/201015 Acórdão n.º 3401002.275 S3C4T1 Fl. 9 9 ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão nº 3102000.878 2ª Turma da 1ª Câmara Sessão de 10/12/2010)". Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Relator Angela Sartori Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10880.979322/2009-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/05/2003
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 22 /2 00 9- 15 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cód. 2372, no montante de R$ 23,41, ocorrido em 30/05/2003, com débito próprio de COF1NS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 02218.85390.141105.1.2.048233, relativo ao período de apuração fev/2003. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979322/200915 Acórdão n.º 1802001.708 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.167,65, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SPI) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.369, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 16/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:30/05/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 14383.76502.221105.1.3.049898 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 33,81, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 23,41, código – 2372; Período de Apuração: 31/03/2003; Data de Arrecadação: 31/05/2003. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de fevereiro/2003 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 2.167,65. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de fevereiro/2003, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979322/200915 Acórdão n.º 1802001.708 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de fev/2003, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de fevereiro/2003. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979322/200915 Acórdão n.º 1802001.708 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13971.900717/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.527
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), João Carlos Cassuli Junior (Relator), Luiz Carlos Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 71 7/ 20 08 -8 3 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900717/200883 Resolução nº 3402000.527 S3C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório Tratamse os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte, decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS referente ao período de MAI/2004 sob o valor original de R$ 15.267,95 (Quinze mil, duzentos e sessenta e sete reais e noventa e cinco centavos) com parte de débito oriundo da mesma contribuição de competência de OUT/2004 sob o valor de R$ 16.190,13 (dezesseis mil, cento e noventa reais e treze centavos). Em análise à compensação transmitida a DRF de Blumenau indeferiu o pleito sob o argumento da inexistência de crédito, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. O contribuinte insurgiuse, argüindo que a insuficiência de crédito para compensação se deveu a um erro no preenchimento da DCTF e da DACON e que em 21/05/2008 enviou DCTF e DACON retificadoras. Ainda, se diz estar amparado pelo princípio da Verdade Material, onde caberia ao fisco buscar esclarecimentos acerca das divergências encontradas, ofendendo ainda o princípio da razoabilidade, se apegando a um excesso de formalismo. O julgamento em primeira instância rechaçou os fundamentos da manifestação de inconformidade, apresentando entendimento de que, é ônus do contribuinte corrigir qualquer erro de informação em DACON e DCTF em tempo hábil. Esclareceu ainda que, como disposto no art. 170 do CTN, a compensação, para ser válida, demandaria a existência de crédito liquido e certo, o que não se apurou no presente caso. Afirmou não haver dúvidas de que a contribuinte retificou sua DCTF, porém o fez em data posterior à apresentação da DCOMP, o que retirou do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. E ainda, finalizou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação das compensações. O recurso foi apresentado nos mesmos termos da Manifestação de Inconformidade e no julgamento em 2ª instância o CARF houve por bem em converter o julgamento em diligência para que se verificasse a integralidade do crédito a ser compensado. Realizada a diligência foi apresentado parecer conclusivo, no sentido da “ausência de crédito, ao constatar que o mesmo já fora utilizado em compensação.” Distribuição Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volumes, numerado até a folha 93 (noventa e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13971.900717/200883 Resolução nº 3402000.527 S3C4T2 Fl. 1.336 3 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam estes autos de diligência, designada pela Resolução nº. 340200.111, na qual o Ilustre Relator, Julio Cesar Alves Ramos, solicitou informações à Autoridade Preparadora afim de apurar fatos ocorridos nos autos, que lhe dessem suporte ao efetivo deslinde da causa. É que, conforme o relatório acima tratase o processo de compensação formalizada pelo sujeito passivo, na qual a origem do direito creditório, segundo consta, é o pagamento a maior efetuado pelo contribuinte. Bem ponderada a diligência estabelecida pela Resolução acima citada, pois que objetivou a verificação da efetiva existência ou não pagamento a maior, não considerando como suficientes (para fazer nascer o indébito apontado), apenas e tão somente as retificações das declarações efetuadas pelo contribuinte. Segundo a Resolução acima, “é o reconhecimento, agora pelo sujeito ativo da relação tributária, de que o sujeito passivo efetivamente recolheu tributo em excesso ou indevidamente, que dá a ele o direito à restituição. E se há direito a ela, há possibilidade de utilizálo para compensação de tributo”. Assim, foi designada a diligência, para apuração concreta do indébito alegado. Entretanto, de forma absolutamente breve, cumpre informar que ainda que a diligência realizada nos autos tenha de fato esclarecido pontos cruciais ao deslinde da causa, sendo extremamente conclusiva, o fato é que ao contribuinte não foi dada vistas de seu resultado, prejudicando o bom andamento do processo, em necessária observação ao princípio do contraditório e ampla defesa respeitado no processo administrativo fiscal. Sem mais delongas, mesmo que o resultado desta diligência permita a averiguação concreta da existência (ou não) do pagamento a maior, e por via de conseqüência, a materialização (ou não) do crédito apontado pelo contribuinte, ao mesmo não foi dada a oportunidade de se manifestar acerca das conclusões adotadas pela Autoridade Preparadora, nos termos do que dispõe o artigo 26 e seguintes da Lei 9.784/99. Sendo, assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, afim de que o sujeito passivo seja cientificado do resultado da diligência realizada, intimandoo para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias, após o que devem os autos retornar à este Colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018778/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÓRGÃOS PÚBLICOS. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
São segurados obrigatórios do RGPS os servidores estaduais não efetivos, os ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, os ocupantes de cargo temporário ou de emprego público, assim como os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por regime próprio de previdência social.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial.
Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
COMPETÊNCIA PARA PLANEJAR, EXECUTAR, ACOMPANHAR E AVALIAR AS ATIVIDADES RELATIVAS À TRIBUTAÇÃO, FISCALIZAÇÃO, ARRECADAÇÃO, COBRANÇA E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RFB.
A competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias foi confiada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos auditores fiscais detêm a prerrogativa de examinar toda a escrituração contábil da empresa, ficando esta, tanto quanto os segurados e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÓRGÃOS PÚBLICOS. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. São segurados obrigatórios do RGPS os servidores estaduais não efetivos, os ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, os ocupantes de cargo temporário ou de emprego público, assim como os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por regime próprio de previdência social. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. COMPETÊNCIA PARA PLANEJAR, EXECUTAR, ACOMPANHAR E AVALIAR AS ATIVIDADES RELATIVAS À TRIBUTAÇÃO, FISCALIZAÇÃO, ARRECADAÇÃO, COBRANÇA E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RFB. A competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias foi confiada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos auditores fiscais detêm a prerrogativa de examinar toda a escrituração contábil da empresa, ficando esta, tanto quanto os segurados e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
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Recorrente SECRETARIA ESTADO DE DEFESA SOCIAL DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ÓRGÃOS PÚBLICOS. SERVIDORES NÃO EFETIVOS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. São segurados obrigatórios do RGPS os servidores estaduais não efetivos, os ocupantes, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, os ocupantes de cargo temporário ou de emprego público, assim como os servidores civis ocupantes de cargo efetivo não amparados por regime próprio de previdência social. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 87 78 /2 00 8- 37 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. COMPETÊNCIA PARA PLANEJAR, EXECUTAR, ACOMPANHAR E AVALIAR AS ATIVIDADES RELATIVAS À TRIBUTAÇÃO, FISCALIZAÇÃO, ARRECADAÇÃO, COBRANÇA E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RFB. A competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias foi confiada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos auditores fiscais detêm a prerrogativa de examinar toda a escrituração contábil da empresa, ficando esta, tanto quanto os segurados e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2006 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 297 3 Data da lavratura da NFLD: 29/10/2008. Data de ciência da NFLD: 03/11/2008. Tratase de Lançamento Tributário formalizado mediante o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, constituído em desfavor da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados não efetivos vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 139/144. Relata a Autoridade Lançadora que os valores da base de cálculo foram apurados com base nos dados consignados nas folhas de pagamento de servidores não efetivos constantes em arquivos fornecidos pela SEPLAG Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão em atendimento à solicitação feita em Diligência Fiscal conforme Mandado de Procedimento Fiscal N° 09405720, de 31/05/2007. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o notificado apresentou impugnação a fls. 150/165. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/BH lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 203/218, julgando procedente o vertente lançamento e mantendo o crédito tributário a ele associado em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/02/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 224. Inconformada com a decisão prolatada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 225/239, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Decadência quinquenal do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário; · Nulidade do lançamento, porque a autoridade lançadora não poderia impor à Secretaria de Defesa Social SEDS a obrigação de retificar ou ratificar dados da folha de pagamento dos seus servidores contidos em CDROM supostamente fornecido pela SEPLAG; · Que a produção de prova pericial é indispensável para se verificar os valores lançados; · Que, em matéria previdenciária, compete à União estabelecer normas gerais e aos Estados as normas suplementares no exercício da competência concorrente prevista no artigo 24, XII da CF/88. Aduz que Compete ao Estado instituir contribuição para custeio do seu regime próprio, nos termos do artigo 149, §1° da CF/88; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que toda a engenharia constitucional previdenciária, desde 1988, atribui ao Estado a competência para reger a disciplina previdenciária de seus servidores, nos quais se incluem os designados para o exercício da função pública, regidos pela Lei n° 10.254/90, que instituiu o regime jurídico único no Estado de Minas Gerais, sendo ele o estatutário; · Que o débito seria passível de compensação, nos moldes da Lei n° 9.796/99, o que geraria a improcedência do presente lançamento; · Que inexiste a obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias pelo Estado de Minas Gerais relativa a servidores "não efetivos”. Aduz que a Lei 8.212/91, em momento algum, elenca como contribuintes os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos comissionados dos Estados ou detentores de função pública ou designados, como o faz para os servidores públicos da União. Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida, para anular o lançamento efetuado e reconhecer a inexistência do débito nele representado. O julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.113, a fls. 244/248, proferida pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 29 de setembro de 2011, para que fossem coligida aos presentes autos cópia autêntica da Petição Inicial do Mandado de Segurança aviado no Processo n° 1999.38.00.0178182. Cópia do Mandamus em realce a fls. 249/273 e decisão liminar a fls. 274/284. Ao Sujeito Passivo foi conferida a ciência da teor da Diligência Fiscal requerida, que deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado para se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 19/02/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 298 5 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO – RENÚNCIA TÁCITA Alega o Recorrente que, em matéria previdenciária, compete à União estabelecer normas gerais e aos Estados as normas suplementares no exercício da competência concorrente prevista no artigo 24, XII da CF/88. Aduz que Compete ao Estado instituir contribuição para custeio do seu regime próprio, nos termos do artigo 149, §1° da CF/88. Pondera também que toda a engenharia constitucional previdenciária, desde 1988, atribui ao Estado a competência para reger a disciplina previdenciária de seus servidores, nos quais se incluem os designados para o exercício da função pública, regidos pela Lei n° 10.254/90, que instituiu o regime jurídico único no Estado de Minas Gerais, sendo ele o estatutário; Com efeito, o Órgão Federativo Autuado impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0178182 perante a 13ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, visando ao reconhecimento judicial definitivo da inexigibilidade do crédito tributário pelo INSS, com todos os consectários legais, referente aos servidores não titulares de cargo efetivo, incluindose os ocupantes de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, assegurando desta forma o direito líquido e certo do impetrante de modo a permitir que o Estado de Minas Gerais disponha, nos estritos limites de sua competência constitucional, insculpida no §13 do art. 40 CF/88 c.c. 1º, 18, 24 e §§, 25, 149 , parágrafo único e 195 CF/88 sobre a forma em que se dará a aplicação das regras do regime geral de previdência social aos mencionados servidores. Alternativamente, requereu a declaração de inconstitucionalidade "incidenter tantum" do §13 do art. 40 da CF/88, com a redação que lhe deu a Emenda Constitucional n° 20, bem como a inconstitucionalidade do inciso V do art. 1º da Lei nº 9.717/98, das Portarias MPAS n° 4.882/98, 4.883/99, 4.992/99, Orientação Normativa INSS n° 10, Orientação Normativa MPAS n° 9 e Ordem de Serviço INSS n° 619, reconhecendo a inexigibilidade do crédito tributário pelo INSS, com todos os consectários legais, referente aos servidores não titulares de cargo efetivo, incluindose os ocupantes de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, por ofensa ao art. 60, §4°, l c.c. arts. 1º, 18, 24 e §§, 25, 149, parágrafo único e 195, todos da Constituição da República. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a matéria que fornece fundamentação jurídica à presente Notificação Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa acerca da matéria objeto do litígio será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial ajuizada pelo Recorrente sobre matérias de índole legal e constitucional sobre as quais se apoiam o vertente lançamento, pugnamos pelo não conhecimento dos temas de idêntico jaez levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, restringindo o escopo do exame do Recurso Voluntário em pauta às alegações independentes e dissociadas das questões submetidas à apreciação do Poder Judiciário por intermédio do Mandado de Segurança em realce. Atentese que a renúncia à instâncias administrativas ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda judicial tenha sido ajuizada perante o Poder Judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 299 7 Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. 1.3. DO CONHECIMENTO DO RECURSO PRECLUSÃO Pondera o Recorrente que inexiste a obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias pelo Estado de Minas Gerais relativa a servidores "nãoefetivos”. Aduz que a Lei 8.212/91, em momento algum, elenca como contribuintes os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos comissionados dos Estados ou detentores de função pública ou designados, como o faz para os servidores públicos da União. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 300 9 preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do plenário do Poder Judiciário. Ademais, a deliberação acerca de tal matéria passa pelo exame das questões submetidas ao Poder Judiciário, o que corrobora a decisão pelo seu não conhecimento nesta Instância Administrativa. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, deste conheço parcialmente. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem aplicadas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitosas posições em contrário, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifos nossos) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita do lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 301 11 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado neste Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos que, em favor das rubricas objeto do lançamento não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias devidas. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, ou pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito a fls. 04/58, não consta qualquer crédito a favor do Autuado, mas, também, pelo fato de os valores pagos aos servidores não efetivos não houveram sido, sequer, declarados nas GFIP correspondentes, como assim atesta a Fiscalização em seu Relatório Fiscal a fl. 141. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Recorrente não reconhecer como base de incidência de contribuições previdenciárias os valores por ele pagos aos seus servidores não efetivos, estado de ânimo que motivou o ingresso na Esfera Judiciária do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0178182 visando ao reconhecimento judicial definitivo da inexigibilidade do crédito tributário pelo INSS referente aos servidores não titulares de cargo efetivo, incluindose os ocupantes de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências do Ente Federativo Estadual em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ter sido apurados, evento que atrai à espécie a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 302 13 Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos na competência dezembro/1998 teria seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2000. O momento mostrase oportuno também para trazer à balha que a decadência tributária configurase como um instituto jurídico que acarreta a perda do direito potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário do qual é titular, mediante o procedimento administrativo do lançamento, nos termos sublinhados no art. 142 do CTN. Tal fenômeno jurídico tem por fundamento mediato a concepção de que as relações jurídicas não podem se perpetuar ad infinitum no tempo, não sendo a este eternamente imunes, e por motivação imediata a inércia do titular do direito. A decadência tributária, portanto, tem como vetor de origem o princípio da segurança jurídica, e visa a impedir que as relações jurídicas entre a Fazenda Pública e os Contribuintes prolonguemse indefinidamente, sem termo final, sem solução, circunstância que representaria instabilidade jurídica para o Sujeito Passivo, razão pela qual a lei estabelece um prazo para que a Fazenda Pública exerça o seu direito de constituir o crédito tributário. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Nessa perspectiva, ocorrido substancialmente o fato gerador, com ele nasce a obrigação tributária, ainda ilíquida e incerta. A legislação tributária exige a formalização de um ato administrativo formal da Fazenda Pública hábil e adequado a conferir liquidez e certeza à obrigação tributária assim surgida, convolandoa em crédito tributário, este sim, dotado dos paramentos legais necessários e suficientes para a exigência da obrigação principal – tributo – correspondente. Configurase, portanto, o direito de lançar como um direito potestativo modificativo, eis que o procedimento levado a efeito, privativamente, pela Autoridade Administrativa, converte a obrigação tributária ilíquida e incerta em crédito tributário, líquido e certo. Deflui daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: Declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Em atenção, então, ao Princípio da Segurança Jurídica, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária a lei concede um prazo específico à administração tributária para que esta mova a sua máquina pública e deflagre o procedimento administrativo do lançamento. Conforme assinalado no art. 142 do CTN, a atividade do lançamento é vinculada, não detendo a autoridade administrativa discricionariedade para fazêlo ou não. A liberdade de que possui o Fisco restringese ao momento de realizar a prática de tal ato, o qual, por força da lei, há que ser concluído antes de escoado o prazo decadencial assinalado no ordenamento jurídico. Nessa vertente, enquanto não exaurido o mencionado prazo decadencial, possui autonomia e permissão legal a Fazenda Pública de, a qualquer momento, proceder ao lançamento tributário. É cediço, e as vozes menos preparadas irão alegar, que o prazo decadencial não se suspende. Tal assertiva tem por premissa fundamental e vinculante a condição sine qua non de que o direito em fluxo está sempre à disposição do seu titular, que pode exercêlo a qualquer momento, ao seu mero alvedrio e conveniência. Não foi o que ocorreu, todavia, no caso presente. Por força do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0178182 impetrado pelo proprio Órgão Federativo Autuado, a 13ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais concedeu medida liminar, a menos de cinco meses da ocorrência dos primeiros fatos geradores apurados no vertente lançamento, quando não havia ainda, sequer, iniciado o prazo decadencial ora em relevo, retirando expressamente da Fazenda Pública o seu legítimo direito de crédito tributário correspondente: “Isto posto, defiro a liminar para determinar ao Impetrado que se abstenha da constituição do crédito tributário ou da cobrança daquele já constituído, representado pelas contribuições, com todos os consectários legais, referente aos servidores não titulares de cargo efetivo, incluindose os ocupantes de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público. Ordenolhe, ainda, que se abstenha de aplicar as normas contidas nas Portarias nos 4.882/98, 4.883/99 e 4.992/99, Orientação Normativa INSS n° 10, Orientação Normativa MPAS n°9 e Ordem de Serviço INSS n°619, cuja incidência fica afastada, bem como que se abstenha de praticar qualquer ato de constrição fiscal (tais como promoção de bloqueio de recursos, inscrição em dívida ativa, inclusão no Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 303 15 CADIN e recusa à expedição de Certidão Negativa de Débito)”. (grifos nossos) Em outras palavras, pouco mais de quatro meses após ter início o prazo assinalado na lei para que a Fazenda Pública pudesse exercer o seu direito potestativo de constituir o crédito tributário em questão, este direito legítimo lhe foi suprimido expressamente, por força de Provimento Liminar concedido em sede de Mandado de Segurança ajuizado pelo Próprio Ente Federativo Autuado. A todo saber, o procedimento administrativo do lançamento não se houve por deflagrado não por inércia da administração tributária, mas, sim, porque impedida estava de principialo, pela cogência da Decisão Judicial in pulpitum da qual não podia desvencilharse. Tal entrave judicial somente foi desobstruído em 27 de fevereiro de 2007 com a cassação da Medida Liminar em realce pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região, quando, então, voltou a Fazenda Pública a ter reconstituído o seu direito potestativo de encetar o lançamento. Avulta no caso presente que, no período de 12/05/1999 até 27/02/2007, a não formalização do lançamento em relação aos fatos geradores ora apurados não se deveu à inércia ou desídia da Fazenda Pública, mas, antes, por impedimento judicial, que lhe arrestou a possibilidade de assim fazêlo. No período acima iluminado, não há como fazer incidir o princípio Dormientibus non succurrit jus, eis que o direito da administração tributária lhe fora confiscado pela decisão judicial tantas vezes referida. Ou seja, não havia a disponibilidade de tal direito a ser exercido ad nutum pelo seu titular. Deflui de todo o exposto que, no período de 12/05/1999 até 27/02/2007, em razão da indisponibilidade (à qual não deu causa) absoluta do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário que ora se debate, não pode ela ser penalizada, nesse interregno, com a fluência do prazo decadencial, eis que estranho à própria essência do instituto jurídico em relevo. Como a lei concede à Fazenda Pública o prazo de cinco anos para que esta conclua a contento o lançamento, estando tal direito suspenso no período de 12/05/1999 até 27/02/2007, suspensão essa, reiterese que o Fisco não deu causa, impõese, como decorrência lógica, o reconhecimento da suspensão da fluência do prazo decadencial no período de descontinuação em foco. Vencidos tais prolegômenos, segue nossa análise a dois momentos distintos: O primeiro referese às competências de jan/1998 a abril/1999 e o segundo, às demais competências posteriores contidas no período de apuração no topo indicado. No que pertine às competências anteriores a dezembro/1998, o prazo decadencial tributário teve início em 01/01/1999, o qual, em princípio, se exauriria por completo em 31/12/2003. Ao ser obstado, em 12/05/1999, o direito da Fazenda Pública de Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores de que ora se tratam, restavamlhe, ainda, 04 anos, sete meses e 20 dias para concluir o respectivo lançamento. Em palavras mais palatáveis: O Poder Legislativo, mediante lei formal, conferiu ao Poder Executivo o prazo de cinco anos para se efetuar o lançamento tributário, no momento em que fosse mais conveniente e oportuno ao Fisco, dentro desse prazo. A Fazenda Pública teve a seu dispor 04 meses e 11 dias, quando, então, esse direito lhe foi suprimido pelo Poder Judiciário. Ao ser restabelecido tal direito ao Poder Executivo pelo próprio Poder Judiciário, a administração tributária detém, ainda, ao seu dispor, o prazo complementar assinalado formalmente pelo Poder Legislativo. In casu, havendo sido tal direito devolvido à Fazenda Pública, tão somente, em 27 de fevereiro de 2007, o cômputo do prazo de 04 anos, sete meses e 20 dias que fora suprimido pela Decisão Judicial já mencionada conduz à conclusão de que o lançamento em tela poderia ter sido consumado até 19 de outubro de 2011. Tendo sido a ciência do lançamento ocorrida em 03/11/2008, há que se reconhecer que as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos no exercício de 1998 não se houveram, ainda, por vitimados pela decadência tributária, nas circunstâncias específicas do caso ora em apreciação. No que tange às competências de dezembro/1998 a abril/1999, o prazo decadencial tributário teria início em 01/01/2000, o qual, em princípio, se exauriria por completo em 31/12/2004. Ao ser obstado, em 12/05/1999, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação a tais fatos geradores, o lustro decadencial sequer havia se iniciado. Havendo sido tal direito devolvido à Fazenda Pública, tão somente, em 27 de fevereiro de 2007, o cômputo do prazo de 05 anos que fora suprimido pela Decisão Judicial já mencionada conduz à conclusão de que o lançamento em tela poderia ter sido consumado até 27 de fevereiro de 2012. Tendo sido a ciência do lançamento ocorrida em 03/11/2008, há que se reconhecer que as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos de dezembro/1998 até abril/1999 não se houveram, igualmente, por vitimados pela decadência tributária, nas circunstâncias específicas do caso ora em apreciação. Quanto às obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência maio/1999, sequer teve início a fluência do prazo decadencial. Senão vejamos. Considerando que liminar e sentença exaradas no Mandado de Segurança Processo n° 1999.38.00.0178182, impetrado pelo ESTADO DE MINAS GERAIS contra o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, haviam obstado o exercício do Fisco Federal de suas atribuições de fiscalizar, cobrar crédito, de praticar constrições fiscais legais, como o bloqueio de recursos, inscrição em dívida ativa, inclusão no CADIN e recusa de certidão negativa, e até mesmo de constituir o crédito tributário mediante a realização do lançamento, se nos antolha não ter fluido o curso do prazo decadencial no período em que ostentaram eficácia as decisões judiciais em realce. Com efeito, a decisão liminar proferida pela 13ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais em 12 de maio de 1999 foi definitivamente cassada em 27/02/2007 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 304 17 pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região que, decidindo apelação interposta pelo INSS e remessa oficial, denegou a segurança pleiteada pelo Estado de Minas Gerais. Nessas circunstâncias, havendo sido a Decisão Judicial que impediu a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário pelo lançamento exarada em 12 de maio de 1999, e tendo sido esta cassada, tão somente, em 27 de fevereiro de 2007 pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região, há que se reconhecer que o direito potestativo do Fisco Federal de constituir o lançamento esteve obstado, por Decisão Judicial, no período de 12/05/1999 até 27/02/2007. Na sequência do Trâmite Judicial em relevo, o direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores objeto da vertente NFLD somente retornou ao portfolio do Fisco Federal em 27 de fevereiro de 2007, quando então o lançamento voltou a poder ser realizado. Nesse contexto, considerando que o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário somente se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, concluise que o dies a quo do prazo decadencial relativo às obrigações tributárias referentes aos fatos geradores ocorridos a partir de maio/1999 é 1º de janeiro de 2008. Assim, em relação a tais fatos geradores, o lançamento poderia ter sido realizado até 31 de dezembro de 2012. Mais uma vez, tendo sido a ciência do lançamento ocorrida em 03/11/2008, há que se reconhecer que as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a partir de maio/1999, inclusive, não se houveram, igualmente, por vitimados pela decadência tributária, nas circunstâncias específicas do caso ora em apreciação. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de decadência. 2.2. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Protesta o Recorrente pela declaração de nulidade do lançamento, ao argumento de que a autoridade lançadora não poderia impor à Secretaria de Defesa Social SEDS a obrigação de retificar ou ratificar dados da folha de pagamento dos seus servidores contidos em CDROM supostamente fornecido pela SEPLAG. Tal rogativa, todavia, não reúne condições para prosperar. A competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previdenciárias foi confiada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos auditores fiscais detêm a prerrogativa de examinar toda a escrituração contábil da empresa, ficando esta, tanto quanto os segurados e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições Fl. 325DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 previdenciárias obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados, conforme assim dispõe o art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestarem todos os esclarecimentos e informações solicitados, o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (grifos nossos) §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (grifos nossos) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) §4o Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) No caso em debate, o vertente crédito tributário foi apurado com prova produzida pelos dados da folha de pagamento de servidores não efetivos constantes em arquivos fornecidos pela SEPLAG Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão — em atendimento à solicitação feita em Diligência Fiscal conforme Mandado de Procedimento Fiscal N° 09405720, de 31/05/2007. Os dados referentes à Secretaria de Defesa Social foram disponibilizados através de arquivos digitais em CDROM, no formato "txt", os quais tiveram o seu conteúdo autenticado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, com o respectivo recibo. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 305 19 Assentado que a Secretaria de Estado de Defesa Social de MG constituise no órgão que detém os dados originais e alimenta a folha de pagamento, mediante o Sistema de Administração de Pessoal SISAP, foilhe então apresentado o supracitado CDROM, com os dados relativos às folhas de pagamento de servidores não efetivos, mediante o Termo de Início de Ação Fiscal datado de 14/11/2007, a fl. 112, com solicitação de esclarecimentos para que esse órgão estadual ratificasse ou retificasse os dados ali disponibilizados. Fruto de tal intimação, a Secretaria de Estado de Defesa Social de MG respondeu via Ofício Nº 1630/2007DRH/SLRH, a fl. 117, ratificando os dados de folha de pagamento de servidores não efetivos. Conforme plenamente demonstrado e documentado, detém a fiscalização federal competência para exigir da empresa todos os esclarecimentos e informações que julgar necessários. No caso em estudo, a fiscalização intimou a Secretaria de Estado de Justiça e de Direitos Humanos, órgão sob a ação fiscal, para que se manifestasse, por escrito, a respeito dos dados referentes às folhas de pagamento fornecidas, mediante CDROM, pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – SEPLAG, responsável pelo Sistema de Administração de Pessoal SISAP, podendo ratificálos, caso concordasse, ou retificálo, em caso de discordância. O órgão destinatário da intimação os ratificou. 2.3. DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL Pondera o Recorrente que a produção de prova pericial é indispensável para a verificação dos valores lançados. Não vislumbramos conteúdo em tal apelo. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72, sob cuja égide desenvolvese o presente Processo Administrativo Fiscal, estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 306 21 Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da autoridade fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. No caso vertente, o requerimento para produção de prova pericial foi apresentado de forma vaga e imprecisa. Além de não demonstrar a sua necessidade, o Estado impugnante não atendeu aos requisitos legais para sua concessão, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, não podendo a alegada indisponibilidade do interesse público prestarse ao papel de excludente das exigências legais a todos impostas para a formulação do pedido de perícia. Dessarte, considerando que o Recorrente, em sua impugnação, apenas formulou pedido de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 16 supra, imperiosa é a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. Além disso, ao fixar as regras básicas para a impugnação administrativa, o citado decreto outorgou à autoridade julgadora a faculdade de indeferir as perícias requeridas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, mesmo que sejam atendidos os requisitos essenciais previstos na norma positiva acima desfiada, é facultado à autoridade julgadora indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) No caso em debate, os fatos geradores que deram esteio ao presente crédito tributário foram devidamente ratificados pela Secretaria de Estado de Defesa Social de MG, mediante o Ofício n° 1630/2007 DRH/SLRH, a fl. 117, revelandose totalmente desnecessária a produção de prova pericial para a verificação de tais valores. Nesse contexto, repisese que, mesmo na hipótese de terem sido observados todos os requisitos essenciais, o que de fato não ocorreu, teria andado bem a autoridade julgadora a quo ao não deferir a perícia requerida eis que a prova pretendida pela parte seria inútil para o deslinde da demanda. Não se mostra despiciendo relembrar que a legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas na lei, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DOS FATOS GERADORES. O texto constitucional vigente até a promulgação da Emenda Constitucional n° 20/98 não promovia qualquer distinção, para fins de seguridade social, entre os servidores públicos ocupantes de cargo efetivo e os de cargo em comissão da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, atribuindo à lei a competência para dispor sobre a aposentadoria em cargos ou empregos temporários. Constituição Federal de 1988 Art. 40. O servidor será aposentado: I por invalidez permanente, sendo os proventos integrais quando decorrentes de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificadas em lei, e proporcionais nos demais casos; II compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de serviço; III voluntariamente: a) aos trinta e cinco anos de serviço, se homem, e aos trinta, se mulher, com proventos integrais; b) aos trinta anos de efetivo exercício em funções de magistério, se professor, e vinte e cinco, se professora, com proventos integrais; c) aos trinta anos de serviço, se homem, e aos vinte e cinco, se mulher, com proventos proporcionais a esse tempo; d) aos sessenta e cinco anos de idade, se homem, e aos sessenta, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de serviço. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 307 23 §1º Lei complementar poderá estabelecer exceções ao disposto no inciso III, "a" e "c", no caso de exercício de atividades consideradas penosas, insalubres ou perigosas. §2º A lei disporá sobre a aposentadoria em cargos ou empregos temporários. §3º O tempo de serviço público federal, estadual ou municipal será computado integralmente para os efeitos de aposentadoria e de disponibilidade. A lei orgânica da Seguridade Social, por seu turno, dispunha que estariam vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, na qualidade de segurado empregado, o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) A Emenda Constitucional n° 20, de 16/12/1998, promoveu profundas modificações nas regras previdenciárias de todos os entes federativos, incluídas suas autarquias e fundações, assentando expressamente que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios somente poderiam instituir regime próprio de previdência social – RPPS para os servidores titulares de cargo efetivo, de caráter contributivo. Constituição Federal de 1988 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e Fl. 331DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 exoneração; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (grifos nossos) Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (grifos nossos) (...) §13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Deflui do regramento constitucional suso selecionado que o regime próprio de previdência social – RPPS é reservado, exclusivamente, aos servidores titulares ocupantes de cargos efetivos, cuja investidura depende sempre de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. A criação de RPPS, no entanto, é facultativa para o ente estatal, de modo que os servidores, mesmo aqueles titulares de cargo efetivo, mas não aparados por regime próprio, assim como os ocupantes de cargo em comissão, os temporários e os ocupantes de função pública permanecem compulsória e automaticamente filiados ao Regime Geral de Previdência Social. Tal compreensão encontra amparo, igualmente, no Direito positivado no art. 1º, V da Lei nº 9.717/98, a qual dispõe sobre regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal, in verbis: Lei nº 9.717, de 27 de novembro de 1998. Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; (grifos nossos) Assim, não estando amparados por RPPS, por exclusão expressa estampada na Carta Maior, os servidores sem vínculo efetivo com o ente estatal se subsumem à norma geral encartada no inciso I, alínea ‘a’ do art. 12 da Lei nº 8.212/91, não se mostrando despiciendo Fl. 332DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 308 25 relembrar que, nos termos do art. 15, I do Diploma Legal em realce, considerase empresa para os fins fixados na Lei de Custeio da Seguridade Social os como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional;(grifos nossos) Outra não é a diretriz traçada pelo Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, cujo art. 9º, ao obstar o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato, dimanou, com extrema clareza, o efetivo enquadramento a que se submetem os servidores estaduais não ocupantes de cargo efetivo: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária Fl. 333DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; Com efeito, no momento histórico anterior à publicação da EC n° 20/1998 gozavam os entes federativos de plena autonomia para legislar sobre seus regimes próprios de previdência social, eis que nossa Lei Soberana não impunha substanciais limites à matéria. Com o advento da Emenda Constitucional em realce, importantes alterações foram introduzidas na matriz constitucional em debate, máxime em relação às condições de contorno exigíveis para os RPPS, que passaram a ter caráter contributivo, em estrita observância a critérios objetivos que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. Na repartição da competência concorrente, reservou a CF/88 à união a competência para legislar sobre normas gerais e aos demais entes federativos, a competência suplementar. Assim, nessa perspectiva, não pode a lei estadual legislar sobre matéria não afeta ao seu âmbito de atuação constitucionalmente reservado, tampouco dispor contrariamente às normas gerais fixadas na lei federal ou na Constituição da República. De fato, as modificações estruturais implementadas pela EC 20/1998 não excluíram dos entes estatais o seu atributo de autoadministração e autoorganização, mas reduziu de forma sensível a amplitude do alcance dos seus regimes próprios de previdência social e a competência legislativa a eles associada. Nesse contexto, após 16/12/1998, somente poderão ser abraçados por Regime Próprio de Previdência Social, por força cogente do caput do art. 40 da Constituição da República, os servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. Os demais servidores públicos, assim como aqueles servidores titulares de cargos efetivo não amparados por RPPS, serão, compulsoriamente, filiados ao RGPS, e se sujeitarão, servidor e ente federativo, às normas estatuídas na Lei nº 8.212/91, consoante dessai de disposição taxativa veiculada no §13 do art. 40 da CF/88, incluído pela EC nº 20/98. Revelase irrelevante para o deslinde da questão o fato de o art. 4º da Lei nº 10.254/90 do Estado de Minas Gerais ter transformado em função pública os servidores admitidos mediante convênio com entidade da administração indireta, ocupante de emprego regido pela CLT. Após o advento da EC nº 20/98, os Regimes Próprios de Previdência Social somente poderão ser disponibilizados aos servidores titulares de cargo efetivos. Aos demais, é reservado constitucionalmente o Regime Geral de Previdência Social. Nessa toada, não merece deliberação qualquer legislação promulgada anteriormente a dezembro de 1998 ou cuja incidência concreta se dê em data anterior ao marco temporal em apreço. No caso em debate, o regime próprio de previdência social instituído nas ordens do Estado de Minas Gerais somente honrou amparar os servidores titulares ocupantes de cargos efetivos. Conforme consignado no Acórdão recorrido, os servidores ocupantes de função pública não foram abrangidos pelo RPPS do Estado de Minas Gerais. A Lei n° 869/52, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 309 27 que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos Estaduais, prevê o benefício de aposentadoria apenas para os ocupantes de cargo de provimento efetivo. Lei nº 869, de 05 de julho de 1952 Art. 10 Os cargos públicos são acessíveis a todos os brasileiros, observados os requisitos que a lei estabelecer. Parágrafo único Os cargos de carreira serão de provimento efetivo; os isolados, de provimento efetivo ou em comissão, segundo a lei que os criar. (...) Art. 108 O funcionário, ocupante de cargo de provimento efetivo, será aposentado: a) compulsoriamente, aos setenta anos de idade; b) se o requerer, quando contar 30 anos de serviço; c) quando verificada a sua invalidez para o serviço público; d) quando inválido em consequência de acidente ou agressão, não provocada, no exercício de suas atribuições, ou doença profissional; e) quando acometido de tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, cardiopatia descompensada, lepra, leucemia, pênfigo foliáceo ou paralisia, que o invalide para o serviço público. § 1º Acidente é o evento danoso que tiver como causa mediata ou imediata o exercício das atribuições inerentes ao cargo. § 2º Equiparase a acidente a agressão sofrida e não provocada pelo funcionário no exercício de suas atribuições. § 3º A prova de acidente será feita em processo especial, no prazo de oito dias, prorrogável quando as circunstâncias o exigirem, sob pena de suspensão. § 4º Entendese por doença profissional a que decorrer das condições do serviço ou de fato nele ocorrido, devendo o laudo médico estabelecerlhe a rigorosa caracterização. § 5º A aposentadoria, a que se referem as letras "c", "d" e "e' somente será concedida quando for verificado não estar o funcionário com condições de reassumir o exercício do cargo depois de haver gozado licença para tratamento de saúde, pelo prazo máximo admitido neste Estatuto. § 6º No caso de serviços que, por sua natureza, demandem tratamento especial, a lei poderá fixar, para os funcionários que neles trabalhem, redução dos prazos relativos à aposentadoria requerida ou idade inferior para a compulsória. § 7º Será aposentado, se o requerer, o funcionário que contar vinte e cinco anos de efetivo exercício no magistério. Para todos os fins e vantagens, considerase como "efetivo exercício no magistério" o referente à duração do Curso de Aperfeiçoamento frequentado pelo funcionário. § 8º As professoras primárias têm direito à aposentadoria, desde que contem sessenta anos de idade. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Art. 109 A aposentadoria dependente de inspeção médica só será decretada depois de verificada a impossibilidade de readaptação do funcionário. Conforme já salientado anteriormente, a parcela da competência concorrente de titularidade do Estado de Minas Gerais tem seu âmbito de atuação adstrito à legislação previdenciária relativa ao seu Regime Próprio de Previdência Social, o qual, por força cogente da Constituição da República, só pode ser oferecido aos servidores titulares de cargo efetivo da unidade federativa em relevo. Já destacamos, igualmente, que os demais servidores, ou seja, aqueles não titulares de cargo efetivo, são filiados obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, sujeitandose o ente federativo em tela, assim como os segurados ora referenciados, às obrigações e direitos estabelecidos nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91. Ponto. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso sobre o qual ora nos debruçamos, a fiscalização apurou, a partir do exame das folhas de pagamento, um contingente de servidores não efetivos, os quais, consoante o ordenamento jurídico pátrio, configuramse como segurados obrigatórios do RGPS, na condição de segurado empregado, nos termos dos artigos 12, I e 13 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 9º, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo excluídos do lançamento os casos que envolviam situações específicas onde o servidor, apesar de constar como não efetivo nos arquivos fornecidos, encontravase em situação que o excluía do Regime Geral de Previdência Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 310 29 §1o Caso o servidor ou o militar venham a exercer, concomitantemente, uma ou mais atividades abrangidas pelo Regime Geral de Previdência Social, tornarseão segurados obrigatórios em relação a essas atividades. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). §2o Caso o servidor ou o militar, amparados por regime próprio de previdência social, sejam requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita a filiação nessa condição, permanecerão vinculados ao regime de origem, obedecidas as regras que cada ente estabeleça acerca de sua contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; m) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante de emprego público; p) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Redação dada pelo Decreto nº 5.545, de 2005) A relação de servidores não efetivos acima mencionada foi ratificada pela Secretaria de Estado de Defesa Social de MG, mediante os Ofícios n° 1630/2007 DRH/SLRH, de 29 de novembro de 2007, a fl. 117 e n°. 389/2007 DRH/SLRH, de 18 de fevereiro de 2008, a fl. 124. Constatando a fiscalização que o ente estatal em foco não adimpliu a seu tempo as obrigações tributárias principal e acessórias fixadas na Lei nº 8.212/91, foi lavrado o Fl. 337DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 presente Auto de Infração de Obrigação Principal promovendo o lançamento tributário de contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados não efetivos vinculados ao Regime Geral de Previdência Social, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 139/144. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir ponderações acerca das leis estaduais atinentes ao regime jurídico de seus servidores e à regulamentação do seu Regime Próprio de Previdência Social, gravitando à distância do núcleo jurídico sensível do qual se irradiaram os fundamentos legais e constitucionais que fornecem esteio à exação em debate, qual seja: os servidores não efetivos de qualquer ente da federação são, por força cogente constitucional, segurados obrigatórios do RGPS e, nessa qualidade, sujeitos aos rigores da Lei de Custeio da Seguridade Social. Nessa esteira, não logrou o Recorrente acostar aos autos qualquer indício de prova material idônea e apta a desconstituir a condição de servidor não efetivo daqueles trabalhadores apurados pela fiscalização. Optou, a seu risco, por exortar asserções totalmente alheias aos fundamentos do presente lançamento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, assim, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o deferimento do pleito ora requerido pelo Recorrente em epígrafe, em razão da carência de conjunto probatório sólido que dê esteio ao direito por si alegado. Cabe a quem alega o recolhimento indevido, o ônus probatório dessas alegações. 3.2. DA COMPENSAÇÃO DE REGIMES Pondera o Recorrente que o débito seria passível de compensação, nos moldes da Lei n° 9.796/99, o que geraria a improcedência do presente lançamento. Tal matéria, contudo, não pode ser conhecida por este Colegiado eis que, em seu louvor, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por esta corte. O lançamento tributário em apreciação não trata, nem mesmo indiretamente, da compensação de regimes de previdência social tratado no §9º do art. 201 da CF/88. Ademais, tal matéria escapa da competência deferida pelo legislador ordinário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual se cinge à atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil bem como recursos de natureza especial. No rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.018778/200837 Acórdão n.º 2302002.616 S2C3T2 Fl. 311 31 Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente no parágrafo preambular deste item 1.3. Ademais, o instituto da compensação financeira de regimes foi idealizado e estruturado somente para os casos de contagem recíproca de tempo de contribuição para efeito de aposentadoria, o que, definitivamente, não é o caso versado nos vertentes autos. Estes tratam unicamente de falta de recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados obrigatórios do RGPS. Dessarte, se em favor a tais segurados foi efetuado qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias para Regime Próprio de Previdência Social, o caso não atrai a compensação de regimes, mas, sim, a repetição de indébito, eis que tal recolhimento foi indevido. Por tais motivos, esquivamonos de deliberar das questões aventadas no primeiro parágrafo deste tópico, eis que, ao seu mister, não se instaurou qualquer controvérsia no presente processo a ser dirimida por este Colegiado. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009577/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/05/2001
Ementa: DECADÊNCIA TOTALDe
acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 30/05/2001 Ementa: DECADÊNCIA TOTALDe acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido.
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fls. 74) que a contribuição lançada decorre da mãodeobra utilizada na obra de construção civil, e que a empresa notificada foi contratada pela tomadora Cataratas do Iguaçu S/A, sob regime de empreitada total para a edificação de obras, e sem previsão contratual da retenção implementada pela Lei 9711/98 que venha a elidir a solidariedade. A autoridade lançadora informa que o contratante das edificações, no caso a Cataratas do Iguaçu S/A, responde solidariamente com o construtor pelos débitos constatados nas obras em questão, sendo cientificado do crédito constante nesta NFLD. A notificada e a empresa contratante apresentaram defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, resultando na Informação Fiscal e na retificação do valor lançado. Cientificadas do resultado da diligência, as recorrentes se manifestaram e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0618.332, da 6a Turma da DRJ/CTA, (fls. 224, vol. IV), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização. Inconformadas com a decisão, as empresas recorrentes apresentaram recursos tempestivos, alegando, entre outras coisas, decadência do débito. É o relatório. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009577/200729 Acórdão n.º 2301002.703 S2C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes alegam decadência do débito. Verificase, dos autos, que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Verificase, dos autos, que a notificada tomou ciência da NFLD em 02/01/2007, e o término da obra objeto do lançamento se deu em 01/05/2001, conforme ARO de fls. 179. Portanto, constatase que se operara a decadência total do crédito, independente da regra do CTN a ser aplicada. Nesse sentido, Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009577/200729 Acórdão n.º 2301002.703 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto por CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, por decadência. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18471.001351/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/12/2002
DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO ANTERIOR À APROPRIAÇÃO DE SEUS ENCARGOS FINANCEIROS. INOCORRÉNCIA.
São dedutiveis do lucro real as despesas de juros e variações cambiais passivas decorrentes de empréstimos contraídos pelo autuado junto a duas empresas controladas no exterior. Inocorre amortização antecipada do empréstimo em razão da transferência de recursos do autuado para as empresas controladas a titulo de aumento de capital.
O aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Não ha disposição legal que afaste da regra geral de dedutibilidade os juros incorridos sobre empréstimos entre controlada e controladora, na hipótese de ocorrer aumento de capital.
DECORRÊNCIA. CSLL.
A improcedência do lançamento do IRPJ implica o cancelamento da exigência dele decorrente.
Numero da decisão: 1301-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.Declarou-se impedido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/12/2002 DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO ANTERIOR À APROPRIAÇÃO DE SEUS ENCARGOS FINANCEIROS. INOCORRÉNCIA. São dedutiveis do lucro real as despesas de juros e variações cambiais passivas decorrentes de empréstimos contraídos pelo autuado junto a duas empresas controladas no exterior. Inocorre amortização antecipada do empréstimo em razão da transferência de recursos do autuado para as empresas controladas a titulo de aumento de capital. O aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Não ha disposição legal que afaste da regra geral de dedutibilidade os juros incorridos sobre empréstimos entre controlada e controladora, na hipótese de ocorrer aumento de capital. DECORRÊNCIA. CSLL. A improcedência do lançamento do IRPJ implica o cancelamento da exigência dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.Declarouse impedido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 51 /2 00 6- 51 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Por bem expressar a realidade contida nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de origem: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 350/359, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro — Defic/RJO, por meio dos quais são exigidos da Interessada, antes identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 350/354), no valor de R$ 23.639.594,56 e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 355/359), no valor de R$ 5.293.177,21, respectivamente, com multa de 75% e demais encargos moratórios. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Termo de Constatação dos Fatos TCF (fls.346/349) e das folhas de continuação dos autos de infração de fls. 351 e 356, o autuante glosou as despesas financeiras que a Interessada indevidamente apropriou aos resultados dos anoscalendário de 2001 e 2002, incidentes sobre empréstimos quitados anteriormente (1999) à apropriação dos respectivos juros e variação cambial passiva, obtidos pela autuada junto As suas subsidiárias integrais Light Overseas Investiments Limited — LOI (100% quitado) e LIR Energy Limited —LIR (56,82% quitado), com enquadramento legal As fls 346(TCF), 351 (IRPJ) e 356 (CSLL). 3. Conforme o TCF, a infração verificada corresponde à apropriação indevida de despesas financeiras (juros e variação cambial passiva), em virtude de a Interessada ter deduzido estas despesas do lucro liquido dos exercícios de 2002 e 2003, anos calendário de 2001 e 2002, gerando valores tributáveis de R$ 402.745.210,28 e R$ 1.013.975.403,44, respectivamente, pois os passivos sobre os quais as despesas financeiras foram calculadas nos anoscalendário de 2001 e 2002 já tinham sido quitados no anocalendário de 1999, quando da apropriação dessas despesas financeiras: integralmente na LOI e 56,82% na LIR. 4. A presente autuação baseiase nas conclusões constantes do Termo de Verificação e Constatação Fiscal — TVCF, integrante do processo administrativo fiscal n° 18471.002113/200409, cuja cópia encontrase acostada aos autos do presente processo às fls. 326/343, resultando na infração correspondente à irregularidade à legislação tributária, consubstanciada na falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF sobre a remessa de juros pela LIGTH Serviços de Eletricidade S.A., a qual deveria ser tributada na fonte à aliquota de 25%, por se tratar de pagamento de empréstimos (mais encargos) contraídos no exterior com prazo de amortização inferior a 08 (oito) anos, disfarçado sob a forma de aumento de capital. 5. Com vistas a subsidiar o presente julgamento seguem as constatações mais relevantes, extraídas do referido TVCF, quais sejam, em síntese: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 3 3 5.1 a constituição pela fiscalizada de duas empresas subsidiárias integrais em paraíso fiscal (Ilhas Cayman), Light Overseas Investiments Limited — LOI e LIR Energy Limited — LIR, em julho de 1997 e abril de 1998, respectivamente, com o propósito especifico de serviriam de veículos de financiamento externo, ou seja, com vistas a captarem recursos no exterior; 5.2 a emissão pela LIGTH Serviços de Eletricidade S.A de Fixed Rate Notes e colocação destes títulos no exterior, sendo do tipo: a. Eurobonds, em setembro de 1997, no valor de US$ 130,5 milhões, adquiridos pela LOI, com vencimento em 10,5 anos (março/2008); b. Intercompany bonds, em abril de 1998, no valor de US$ 875 milhões, adquiridos pela LIR, com vencimento em 12 anos (abril de 2010); 5.3 a captação de recurso pela tomada de empréstimo pela subsidiária LIR junto as instituições financeiras estrangeiras, em abril de 1998, no valor de US$ 875 milhões (R$ 999,189 milhões), com vencimento em um ano e garantia da LIGTH; 5.4 a emissão de títulos pela LOI (commercial paper) com vencimento de 6 meses; 5.5o aumento de capital de suas subsidiárias pela LIGTH, cujos recursos foram integralmente remetidos ao exterior e utilizados pelas subsidiárias para quitação de todo ou parte de suas dividas com os credores internacionais; 5.6 a quitação de parte do empréstimo contraído pela LIR (US$ 175 milhões), em 22 de abril de 1999, devido ao aumento de capital realizado pela Interessada e refinanciamento do restante deste empréstimo no valor de US$ 700 milhões com prazo de um ano ; 5.7 o novo aumento de capital, em novembro de 1999, de suas subsidiárias feito pela Interessada; 5.8 a quitação de parte do restante do empréstimo e juros pela LIR, em novembro de 1999, utilizandose do novo aumento do seu capital (US$ 301,5 milhões) pela LIGTH; 5.9 redução do capital da subsidiária LIR (pela LIGTH) com a justificativa de não haver mais necessidade de quitar o empréstimo e pagamento dos respectivos juros. 5.10 a informação constante de parecer técnico da Debite Touche Tohmatsu Auditores Independentes sobre as Demonstrações Contábeis Consolidadas da LIGTH, referente aos exercícios findos em 31 de dezembro de 1999 e 1998 de que as dividas entre a LIGTH e suas subsidiárias não devem ser consideradas no calculo do endividamento da LIGTH; 5.11 o cancelamento parcial pelo BACEN do Certificado de Registro — CR n° 341/10439 (US$ 476,5 milhões) e total do Certificado de Registro n° 341/10453; 5.10 a revisão do BACEN do cancelamento anterior; 5.11 o entendimento da Procuradoria do BACEN de que não há norma que "autorize o Banco Central a, identificando artifício para obter beneficio fiscal supostamente Fl. 679DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 indevido, proceda a glosa dos respectivos CRs", e a Autoridade Fiscal, ao contrário da Autoridade Monetária, conta com tal poder; 5.11 a conclusão do Fisco, de que as remessas de juros realizadas pela LIGTH devem ser tributadas pelo Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 25%, uma vez que se trata de empréstimos contraídos no exterior com prazo de amortização inferior a 8 (oito) anos, amortizados disfarçadamente sob a forma de aumento de capital. 6. O auto de infração referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL é reflexo do auto de infração do IRPJ. 7. Inconformada com a autuação em tela, a Interessada impugna às fls. 375/406 , alegando, em síntese, que: DAS PRELIMINARES I — Matéria já analisada pelo E. Conselho de Contribuintes e pelo Banco Central do Brasil 7.1 o auto ora impugnado referese à glosa de despesas financeiras apropriadas pela Requerente nos períodosbase de 2001 e 2002 e a D. Fiscalização alega que os juros pagos pela Interessada em decorrência de títulos de longo prazo emitidos no exterior em 1997 e 1998 não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que a divida teria sido paga antecipadamente, no ano de 1999; 7.2 não obstante, a Requerente ressalta que a questão do prépagamento da divida já foi exaustivamente analisada e debatida no processo interno do Banco Central do Brasil BACEN e no processo administrativo fiscal n° 18471.002113/200409 e, em ambos os casos, a decisão foi favorável à Requerente; 7.3 em análise detalhada e exaustiva o BACEN, que é autoridade máxima para controle de operações de câmbio e divisas do pais, concluiu que os aumentos de capital realizados pela Requerente em suas subsidiárias Light Overseas Investiments Limited LOI e LIR Energy Limited — LIR no exterior não configuraram pagamento antecipado da divida, validando os Certificados de Registro da Requerente; 7.4 a D. Fiscalização lavrou em 2004 auto de infração contra a Requerente, alegando que o suposto prépagamento faria com que a Requerente deixasse de se beneficiar da redução a zero da alíquota de IRRF para as remessas de juros ao exterior; 7.5 o auto de infração antes referido foi recentemente apreciado pelo E. Conselho de Contribuintes por meio do Recurso Voluntário n° 148330 (Acórdão n° 10421.953), confirmando que não houve pagamento antecipado da divida por parte da Requerente e que, dessa forma, o beneficio fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF deveria ser mantido; 7.6 essa divida nunca foi quitada e permanece em aberto até o presente momento. Portanto, os juros remetidos ao exterior, decorrentes de empréstimos devidamente registrados no BACEN são despesas necessárias e devem ser dedutíveis do IRPJ e da CSLL, pois, essa matéria já foi analisada por dois órgãos competentes e não pode ser utilizada novamente para fundamentar novo questionamento; II Mudança de Critério Jurídico Fl. 680DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 4 5 7.7 as autoridades administrativas lavraram o auto de infração (Processo Administrativo n° 18471.002113/200409) para tentar exigir IRRF sobre as remessas de juros realizadas pela Requerente ao longo de 1999 a 2003, sob o fundamento de que os aumentos de capital realizados pela Requerente em 1999, nas subsidiárias LOI e LIR quitaram a divida antecipadamente, o que faria com que a Requerente deixasse de se beneficiar da redução a zero da alíquota do IRRF para as remessas de juros ao exterior; 7.8 no auto de infração objeto do presente processo, para justificar a suposta indedutibilidade dos juros pagos às subsidiárias estrangeiras, nos anos de 2002 e 2003, a D. Fiscalização alega que o suposto pagamento antecipado da divida fez com que a Requerente perdesse o direito à dedutibilidade dos valores referentes aos juros, alterando, de forma evidente o critério jurídico adotado para justificar o lançamento de oficio; 7.9 a mudança de critério jurídico adotado pela D. Fiscalização ocorreu devido ao fato de que, no auto de infração (Processo Administrativo n° 18471.002113/200409), ela alegava que o IRRF era devido sobre as remessas de juros ao exterior, portanto, reconhecia a existência de pagamentos e admitia que tais valores se referiam a juros. No presente processo, todavia, a D. Fiscalização defende que, por ter supostamente pré pago os títulos, o que evidentemente não ocorreu e já foi comprovado tanto pelo BACEN quanto pela própria decisão administrativa referida, a Requerente não deveria reconhecer tais pagamentos (despesas financeiras) como despesa dedutível posto não serem juros; 7.10 uma vez que as autoridades administrativas mudaram o critério jurídico adotado para um mesmo contribuinte, o art. 146 do CTN impõe que eventuais lançamentos de oficio adotando o novo critério jurídico somente pode ser realizados para fatos geradores ocorridos a partir da decisão administrativa; 7.11 assim, no caso em tela, a mudança de critério jurídico somente poderia justificar lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos a partir de 18.10.2006, sob pena de evidente ofensa ao art. 146 do CTN; 7.12 essa mudança de critério jurídico para o mesmo contribuinte pretende alcançar fatos geradores supostamente ocorridos em 2001 e em 2002, o que torna evidente a necessidade de cancelamento da presente autuação; III Inaplicabilidade dos dispositivos legais utilizados como fundamento do auto de infração 7.13 o auto de infração em questão não se revestiu das formalidades previstas no Decreto n° 70.235/72 nem tampouco apresentou um enquadramento legal dos fatos que possam justificar a sua lavratura; 7.14 o auto de infração contém dispositivos genéricos que não apontam qualquer irregularidade por parte da Requerente e, pior de tudo, são totalmente desvinculados dos fatos relacionados com o TCF; 7.15 as despesas financeiras apropriadas pela Interessada preenchem todos os requisitos previstos no art. 299 do RIR199, pois são (i) necessárias, já que existentes e exigíveis; (ii) normais, já que qualquer empréstimo pressupõe o pagamento de juros; Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 (iii) usuais, na medida em que a captação de recursos mediante emissão de títulos (e o conseqüente pagamento de juros) é procedimento comum às sociedades anônimas e tem amparo na legislação societária. Portanto, o art. 299 do RIR199 também não constitui fundamento da presente autuação e deve ser totalmente desconsiderado; 7.16 todo enquadramento legal utilizado pela Fiscalização não se presta a justificar a presente autuação, uma vez que não guarda relação alguma nem com os fatos descritos no TVC nem com a realidade da Requerente, de forma que, somente por esse motivo a presente autuação já merece ser cancelada; 7.17 o E. Conselho de Contribuintes já se manifestou, em diversas ocasiões, no sentido de que as exigências fiscais formalizadas sem a adequada capitulação legal deve ser cancelada. Transcreve algumas ementas de julgados administrativos daquele colegiado; Os fatos 7.18 visando captar recursos de terceiros para a aquisição da Eletropaulo Metropolitana S.A distribuidora de energia elétrica que atende a 24 municípios da Grande São Paulo e que foi privatizada em 15.04.1998, pelo valor de R$ 2,026 bilhões, equivalentes, ao câmbio da época, a US$ 1,777 bilhões — a Requerente emitiu títulos no valor de US$ 130,5 milhões com vencimento em 10 anos e 6 meses, e de longo prazo ("Fixed Rater Notes') na seguinte forma: (i) em setembro de 1997, foram emitidos títulos no valor US$ 130,5 milhões com vencimento em 10 anos e 6 meses; e (ii) em abril de 1998 foram emitidos títulos no valor de US$ 875 milhões com vencimento em Í 2 anos. Os recursos captados foram efetivamente usados para aquisição da Metropolitana e outros gastos locais; 7.19 os títulos foram adquiridos por subsidiárias da Requerente no exterior, a saber, respectivamente, LOI e LIR, sendo as referidas operações autorizadas pelo Banco Central do Brasil, através da emissão dos Certificados de Registro n°341/10439 e 341/10453; 7.20 os títulos emitidos pela Requerente tinham prazo de amortização superior a 96 meses; de modo que a emissão foi beneficiada pela redução a zero da alíquota de imposto de renda na fonte ("IRF") para remessa de juros ao exterior, nos termos do caput do artigo 1° da Lei n° 9.481/97, com redação dada pelo artigo 20 da Lei n°9.532/97; 7.21 como os recursos captados pelas subsidiárias no exterior eram de curto prazo, tais financiamentos deveriam ser rolados ou substituídos por outras fontes de recursos ao longo do prazo de vencimento dos títulos adquiridos da Requerente; 7.22 com a desvalorização do Real as subsidiárias estrangeiras tiveram dificuldades para rolar a totalidade de suas dividas. Assim, os credores estrangeiros exigiram que a Requerente realizasse uma maior capitalização das subsidiárias como garantia de novos empréstimos; 7.23— tendo em vista a necessidade de recursos para a realização da capitalização das suas subsidiárias, a Requerente obteve um empréstimo ponte junto a bancos nacionais, que posteriormente foi substituído por novos recursos captados no mercado brasileiro e junto aos acionistas estrangeiros, com a emissão de R$ 400 milhões em novas ações Fl. 682DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 5 7 ordinárias nominativas (em abril de 1999), as quais foram subscritas pelos seus acionistas estrangeiros, com o devido ingresso de divisas no Pais e R$ 650 milhões em debêntures (em novembro de 1999); 7.24 de posse destes novos recursos, a Requerente realizou remessas ao exterior, via Transferência Internacional de Reais ("TIR") e, em parcela menor, por transferência de disponibilidades ao exterior, constituindo, portanto, disponibilidades de recursos no exterior; 7.25 os recursos depositados no exterior, a titulo de disponibilidades, foram utilizados para capitalizar as subsidiárias, possibilitando a rolagem ou quitação das dividas de curto prazo tomadas no exterior por estas sociedades. A divida da Requerente, com o exterior permaneceu inalterada; 7.26 o BACEN, em uma primeira análise, examinou essas operações e inicialmente interpretou a remessa dos recursos ao exterior para a capitalização das subsidiárias como um prépagamento dos títulos, glosando parte dos certificados de registro dos empréstimos tomados no exterior; 7.27 em uma segunda análise, o BACEN verificou a inexistência de ilícitos afetos à. matéria de câmbio e capital estrangeiro, tanto por parte da Requerente como de suas subsidiárias, razão pela qual foram validados e restabelecidos os referidos certificados de registro da divida da Requerente; 7.28 a D. Fiscalização, ignorando a decisão proferida pelo BACEN no sentido de que não houve pagamento antecipado da divida, entendeu que a Requerente havia perdido o direito do beneficio de redução a zero da alíquota de IRRF incidente sobre os juros remetidos ao exterior, uma vez que a divida já teria sido quitada, lavrando o auto de infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n° 18471.002113/200409; 7.29 em face deste auto de infração, a Requerente interpôs Recurso Voluntário ao E. Conselho de Contribuintes; 7.30 a E. Quarta Camara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao referido recurso, afastando integralmente a exigência do IRRF pelo fato de que os títulos não foram pagos antes do período de 96 meses e que, dessa forma, a Requerente deveria continuar aproveitando o beneficio de redução a zero da aliquota do IRRF sobre os juros; 7.31 novamente, por meio do presente processo, a D. Fiscalização se apóia no já exaustivamente discutido argumento do pagamento antecipado da divida para, sem qualquer fundamento, tentar cobrar da Requerente valores que evidentemente não são devidos; IV Os Motivos Determinantes do Cancelamento da Exigência Fiscal 7.32 mesmo tendo pleno conhecimento das decisões favoráveis à Requerente proferidas pelo BACEN e pelo E. Conselho de Contribuintes, a D. Autoridade Fiscal utilizase dos mesmos argumentos e premissas já efetivamente afastados e continua Fl. 683DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 inferindo, sem contudo comprovar que a capitalização das subsidiárias implicou no pagamento dos títulos, o que de fato não ocorreu; 7.33 a própria alegação da D. Autoridade Fiscal, no sentido de que as despesas financeiras decorrentes da dívida da Requerente seriam indedutíveis, posto que a divida haveria sido quitada antecipadamente fazem prova em favor da Requerente, uma vez que seria impossível a existência das referidas despesas de juros caso o principal da divida já houvesse sido pago; VA dedutibilidade de despesas fmanceiras 7.34 toda construção realizada pela D. Fiscalização para a lavratura do presente auto de infração decorre da premissa de que a divida da Requerente com suas subsidiárias estrangeiras foi quitada em 1999, pelos aumentos de capital realizados nesse período; 7.35 a Requerente demonstrou que tal fato não é verdadeiro, uma vez que a referida divida jamais foi quitada e encontrase em aberto, fato esse analisado e endossado por decisão proferida pela E.Quarta Camara do E.Conselho de Contribuintes e também pelo BACEN; 7.36 é patente que os juros pagos pela Requerente as suas subsidiárias estrangeiras constituem despesas perfeitamente dedutíveis, uma vez que, nos termos do art. 299 do RIR/99, as despesas serão dedutíveis sempre que forem necessárias, usuais e normais ao tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica; 7.37 as despesas financeiras da Requerente preenchem todos os requisitos previstos na legislação para sua dedutibilidade, pois: (i) são necessárias, na medida em que são exigíveis e decorrem de um passivo existente, que contribuiu para a exploração das atividades da Requerente por meio da expansão de seus negócios; (ii) são normais, já que toda operação de empréstimo pressupõe o pagamento de juros; e (iii) são usuais, já que a emissão de títulos, e a correspondente necessidade de pagar juros, para a captação de recursos em uma sociedade anônima, procedimento freqüente, que tem amparo na legislação fiscal e societária; 7.38 como as despesas de juros da Requerente encaixamse nessas condições, e a divida comprovadamente não foi quitada antecipadamente, é evidente que o auto de infração em questão não merece prosperar e a exação em questão deve ser cancelada; VI— Da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido 7.39 A CSLL são aplicadas as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, observada a legislação especifica quanto à base de calculo e a alíquota, assim sendo, são válidos os argumentos de fato e de direito apresentados anteriormente, que justificam a legalidade do procedimento adotado pela Requerente, para efeitos também da CSLL; 7.40 assim, uma vez demonstrada a total improcedência da cobrança relativa ao IRPJ, descabida, também, a exigência relativa A CSLL; VII— Da multa e dos Juros a) A abusividade da multa de oficio aplicada Fl. 684DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 6 9 7.41 ha excesso cometido na exigência de uma multa de oficio de 75% sobre o pretenso débito em questão, a qual dever ser reduzida em percentual razoável; 7.42 na forma que aplicada, a multa configura uma situação abusiva, extorsiva, expropriatória, além de confiscatória e em total confronto com o art. 150, inciso IV, da Constituição Federal, na medida em que além de não ter havido fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou máfé, o valor exigido a título de multa punitiva é extremamente elevado, ultrapassando os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser reduzida pela D. Autoridade Julgadora; b) Os juros SELIC 7.43 por outro lado, no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que aquela taxa não foi criada por lei para fins tributários. Transcreve ementa de julgado; 7.44 dessa forma, não obstante a posição sumulada pelo E. Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Requerente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal; c) Os Juros SELIC sobre a multa de Oficio 7.45 ad argumentandum seja admitida a exigência de juros pela taxa SELIC, deve sua aplicação ser limitada única e exclusivamente ao crédito tributário principal, sendo flagrante a impossibilidade de sua incidência sobre a multa de oficio; 7.46 a multa de oficio configura sanção, penalidade, e não tem natureza tributária, portanto, não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor; 7. 47 é evidente que a multa de oficio não pode ser aumentada pela aplicação da taxa de juros, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável; 7.48 o E. Conselho de Contribuintes tem se manifestado no sentido de reconhecer a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa de oficio lançada conjuntamente com tributos e contribuições. Transcreve ementa de julgado; VIII Conclusão e Pedido 7.49 de todo exposto, a Requerente tem demonstrado que: (i) o auto de infração assume que a capitalização de subsidiárias no exterior realizada pela Requerente equivale ao pagamento antecipado de seus títulos e que portanto, as despesas de juros incorridas pela Requerente não são dedutiveis para fins de IRPJ e CSLL. Contudo, a capitalização das subsidiárias da Requerente se deu, somente, por conta de condição imposta pelos credores estrangeiros das referidas subsidiárias sob pena de a aquisição da Eletropaulo ser inviabilizada e de a Requerente ter de honrar a garantia prestada aos bancos no exterior; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 (ii) essa alegação já foi exaustivamente analisada pelo BACEN e pelo E. Conselho de Contribuintes, que concluíram que as operações não se confundem e que a divida da Requerente permanece em aberto, sem ter ocorrido pagamento antecipado; (iii) a posição do BACEN cria uma qualificação jurídica que não pode ser desrespeitada pelas autoridades fiscais; (iv) a base legal utilizada pela D. Fiscalização para suportar a pretensa exação não se presta a esse fim; (v) as despesas glosadas são necessárias, usuais e contribuem para a formação de receitas da sociedade e devem ser dedutiveis para fins de cálculo do IRPJ; (vi) não há qualquer norma que proíba os atos realizados pela Requerente, o que torna insubsistente qualquer determinação em contrário, sob pena de violação ao principio da livre iniciativa das atividades econômicas, previsto no art. 170, § único, da CF; (vii) caso seja julgada cabível a multa, a mesma deve ser reduzida, visto que, de acordo com o art. 3° do CTN, as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçada, a fim de não violarem o principio constitucional do não confisco; (viii) no que diz respeito aos juros, ainda que por absurdo fosse admitida a procedência dos créditos lançados, o valor deverá ser calculado com base no art. 161, § 1°, do CTN, e não de acordo com a taxa SELIC, cuja natureza é remuneratória e na guarda correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado; (ix) ainda que fossem admitidos os juros, jamais poderiam incidir sobre a multa sob pena de agravamento da penalidade aplicada; 7.50 — dessa forma, a presente Impugnação deve ser integralmente acolhida, cancelandose totalmente as exigências consubstanciadas no auto de infração em questão, com o conseqüente arquivamento do referido processo administrativo. A partir da análise dessas circunstâncias fáticas, decidiu então a douta DRJ Rio de Janeiro I (RJ) – por maioria pela IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, acolhendo as razões deduzidas pela Contribuinte, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001, 31/12/2002 DESPESAS FINANCEIRAS. GLOSA. AMORTIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO ANTERIOR À APROPRIAÇÃO DE SEUS ENCARGOS FINANCEIROS. INOCORRÉNCIA. São dedutiveis do lucro real as despesas de juros e variações cambiais passivas decorrentes de empréstimos contraídos pelo autuado junto a duas empresas controladas no exterior. Inocorre amortização antecipada do empréstimo em razão da transferência de recursos do autuado para as empresas controladas a titulo de aumento de capital. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 7 11 O aumento de capital não pode ser descaracterizado e considerado como amortização dos empréstimos, por se tratar de transações distintas e regularmente formalizadas. Não ha disposição legal que afaste da regra geral de dedutibilidade os juros incorridos sobre empréstimos entre controlada e controladora, na hipótese de ocorrer aumento de capital. DECORRÊNCIA. CSLL. A improcedência do lançamento do IRPJ implica o cancelamento da exigência dele decorrente. Lançamento Improcedente Em decorrência da exoneração tributária, subiram os autos a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para a apreciação e julgamento. É o que importa para relatar. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Estando devidamente cumpridas as formalidades legais próprias, conheço do presente Recurso de Ofício. Analisando os termos da r. decisão recorrida, verificase, de antemão, a superação – já no Voto vencido – de todas as preliminares aduzidas pela contribuinte, não se verificando, portanto, no presente feito, qualquer vício ou óbice formal no lançamento efetuado. A questão, é bem verdade, encontrase na discussão da regularidade do enfrentamento do mérito próprio da autuação, que, por maioria, como destacado, entendeu a douta DRJ pela insubsistência do lançamento efetivado. Analisando os termos do Voto Vencido e do Voto Vencedor, então apresentados, verificase ali, inclusive, expressa referência às circunstâncias contidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal no 18471.002113/200409, que, entretanto, conforme se verifica, obteve já julgamento definitivo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria, entendeu por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cuja ementa apresenta as seguintes e especificas conclusões: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IRF ALÍQUOTA ZERO RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR JUROS DE TÍTULOS DE CRÉDITO INTERNACIONAIS PRAZO MÉDIO DE AMORTIZAÇÃO IGUAL OU SUPERIOR A 96 MESES REGRA PRETENSAMENTE DESCUMPRIDA PELA AUTUADA SITUAÇÃO NÃO COMPROVADA DECISÃO MANTIDA. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 12 De acordo com o artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97, os rendimentos auferidos no Brasil por residentes ou domiciliados no exterior com a natureza de juros decorrentes de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, estão sujeitos à alíquota zero do imposto de renda na fonte, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 (noventa e seis) meses. No caso, a partir da decisão recorrida, restou incontroversa a inexistência de simulação quanto às operações que deram causa ao lançamento. Disso decorre que os aumentos de capital efetivados pela interessada em suas subsidiárias sediadas no exterior não ocultaram amortizações antecipadas dos empréstimos que lhe foram concedidos por elas. O Banco Central do Brasil analisou a operação e concluiu de forma categórica e definitiva que os fatos em apreço não podem e não devem ser interpretados como simulação de pagamento dos títulos de longo prazo de responsabilidade da autuada. Tal posicionamento é de fundamental importância para o deslinde desta controvérsia, pois eventuais efeitos tributários de determinada relação jurídica de natureza cambial dependem da conotação dada a ela pelo Banco Central. Não tem aplicação a este feito a regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99. Recurso especial negado. Considerando a íntima relação mantida entre a questão discutida nestes autos e a matéria tratada naquele feito, adoto, aqui, os fundamentos utilizados pelo voto condutor daquele julgamento como razões de decidir, destacando: A insurgência da recorrente é no sentido de que se aplica ao caso a regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99 (artigo 685, inciso II, alínea “b”, do RIR/99), segundo a qual incide imposto de renda na fonte sobre juros remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, como pagamento de empréstimos com prazo médio de amortização inferior a noventa e seis meses, na medida em que o contribuinte não atendeu às disposições do artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97 (artigo 691, inciso IX, do RIR/99). De início, cumpre trazer à colação o artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97, segundo o qual: Art. 1°. A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzido para zero, nas seguintes hipóteses: (...) IX – juros, comissões, despesas e descontos decorrentes de colocações no exterior, previamente autorizados pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais, inclusive commercial papers, desde que o prazo médio de amortização corresponda, no mínimo, a 96 (noventa e seis) meses; Por outro lado, o artigo 8° da Lei n° 9.779/99 determina que: Art. 8°. Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a 20% Fl. 688DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 8 13 (vinte por cento), a que se refere o art. 24 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). O resultado deste julgamento depende da resposta que será dada à seguinte indagação: os juros remetidos pela Light para o exterior em razão dos empréstimos realizados em seu favor por suas subsidiárias LOI e LIR enquadramse na situação prevista pelo artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97 (conforme concluiu o acórdão recorrido) ou estão sujeitos às disposições do artigo 8° da Lei n° 9.779/99 (de acordo com a defesa da Fazenda Nacional)? Segundo a recorrente, em brevíssimas palavras, a autuada constituiu no exterior as subsidiárias LOI e LIR com o objetivo de lá obter recursos. Tais empresas fizeram empréstimos de curto prazo com a finalidade de adquirirem títulos de longo prazo emitidos pela controladora, o que ocorreu quando esta emitiu os Eurobonds e os Intercompany Bonds e, respectivamente, LOI e LIR os adquiriram. A Light fez aumentos de capital em LOI e em LIR com o claro objetivo de pagamento ou repactuação, por aquelas, dos empréstimos de curto prazo efetuados. Assim, sob a roupagem de aumento de capital das controladas, a contribuinte terminou antecipando o pagamento da dívida que com elas contraiu ao emitir os títulos de crédito internacionais. Os empréstimos foram pagos em prazo inferior a 96 meses e, portanto, os juros remetidos ao exterior estão sujeitos à regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99. No votocondutor do acórdão recorrido, para rechaçar tal conclusão, o Conselheiro Nelson Mallmann fez as seguintes ponderações (fls. 3.5263.541, Volume XIX): Como já dito, anteriormente, a suplicante com intuito de captar recursos de terceiros para a aquisição de Eletropaulo Metropolitana S/A em leilão de privatização promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, emitiu títulos de longo prazo (Fixed Rate Notes) na seguinte forma: (i) em setembro de 1997, foram emitidos títulos no valor de US$ 130,5 milhões, com vencimento em 10 anos e 6 meses; e (ii) em abril de 1998, emitiu títulos no valor de US$ 875 milhões, com vencimento em 12 anos. Sendo que estes títulos foram adquiridos pela Light Overseas lnvestments Ltd. (LOI) e pela LIR Energy Ltd. (LIR), duas subsidiárias da suplicante (Light Serviços de Eletricidade S/A), situadas no exterior. Estas operações foram devidamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, mediante a emissão dos Certificados de Registro n° 341/10439, de 15 de dezembro de 1998 e n° 341/10453, de 11 de janeiro de 1999. Também é verdadeiro, que diante da necessidade de realizar a capitalização de suas subsidiárias, a suplicante angariou recursos no mercado interno. Para tanto, obteve empréstimos de bancos nacionais, posteriormente, em abril de 1999, substituídos pela emissão de R$ 400 milhões em novas ações ordinárias nominativas, as quais foram subscritas pelos seus acionistas estrangeiros, com o devido ingresso de divisas no País, e R$ 650 milhões de debêntures em novembro de 1999. De posse destes valores, realizou remessas ao exterior, mediante Transferência Internacional de Reais (TIR) e, em parcela menor, por transferência de disponibilidade ao exterior. Estes recursos foram utilizados para capitalizar as subsidiárias. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 14 Da análise do processo o que se observa de fato é que realizada a operação de captação de recursos no exterior, a suplicante utilizou os recursos captados para aquisição da Eletropaulo Metropolitana. Sendo que para financiar a aquisição dos títulos emitidos pela suplicante, as subsidiárias estrangeiras captaram recursos de curto prazo no mercado internacional. Por outro lado, os credores estrangeiros passaram a exigir maior segurança e garantia para manter linhas de financiamentos concedidos às subsidiárias, estabelecendo que estas deveriam possuir capital social mais substancial do que possuíam à época dos empréstimos iniciais. Diante dessa exigência, a suplicante resolveu captar recursos no mercado brasileiro e realizar remessas para o exterior para capitalização de suas subsidiárias (aumento de capital social). A realização destas operações de capitalização das subsidiárias foi interpretada pela fiscalização como sendo uma operação de prépagamento dos títulos. Ou seja, entendeu que o aumento de capital serviu, na verdade, para disfarçar sua real intenção de amortizar os empréstimos contraídos. Para a fiscalização a suplicante valeuse de um ato simulado (aumento de capital) para ocultar outro (amortização de empréstimo), com o claro objetivo de não recolher imposto na fonte sobre os juros remetidos ao exterior, já que no seu entendimento, a suplicante utilizouse de um subterfúgio, mascarando um empréstimo que foi amortizado, na prática, em prazo inferior a 8 (oito) anos, simulando que o mesmo só teria o principal pago após 10 (dez) anos. Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o caso em discussão aborda a questão de evasão fiscal e simulação. Ou seja, nó da questão é se saber se a capitalização das empresas subsidiárias no exterior controladas pela suplicante (LOI e LIR) se constituiu em negócio jurídico simulado, destinado a encobrir o negócio real que consistente no pagamento antecipado de empréstimo externo contraído junto a estas empresas pela suplicante. Pagamento antecipado esse que teria como conseqüência a perda do direito ao benefício da redução a zero de alíquota do imposto de renda na fonte nas remessas de juros para o exterior de que trata o art. 1° IX, da Lei n°. 9.481, de 1997, com a redação dada pelo art. 20 da lei n°. 9.532, de 1997. Diante desse fato, se faz necessário em primeiro lugar uma abordagem nos tópicos ligados ao assunto (evasão fiscal e simulação), já que se trata de um assunto polêmico e, por vezes, controvertido. (...) Como já dito anteriormente, a fiscalização entendeu que a conjugação das operações levadas a efeito pela suplicante teve o fito de arquitetar uma situação de transferência de recursos por meio do mecanismo artificial de aumento de capital para suas subsidiárias que visava, na verdade, impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do IRRF, configurandose, assim, sonegação fiscal, em virtude dessas operações serem alcançadas pelo vício da simulação. Com a devida vênia dos que assim não pensam, entendo que a luz dos fatos assentados nos autos não ocorreu hipótese de simulação e nem ocorreu o fato gerador de imposto de renda na fonte apontado no Auto de Infração. O fato da constituição das empresas subsidiárias no exterior (offshores) LOI e LIR pela suplicante com o objetivo, mesmo que exclusivo, de captar recursos no exterior para emprestálos à sua controladora numa operação conjunta da emissão de Fl. 690DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 9 15 títulos por aquela e sua aquisição por estas, coincidindo com a captação de recursos e tomada de empréstimo pelas subsidiárias em curto prazo no mercado internacional, mesmo no ínterim em que a suplicante aumentou o capital social das suas empresas subsidiárias LOI e LIR com a remessa desses recursos ao exterior e a conseqüente amortização de empréstimo tomado pelas subsidiárias LOI e LIR no mercado internacional à curto prazo e a remessa ao exterior de recursos para o pagamento de juros referentes ao empréstimo tomado pela suplicante, não descaracterizam a operação de remessa de juros para o exterior com alíquota reduzida a zero previsto no artigo 691, inciso IX do RIR/99, pelas razões abaixo expostas. Podemos invocar três argumentos básicos em que se sustentou o fisco para afirmar que a operação de capitalização das empresas subsidiárias no exterior é uma simulação, já que na visão da autoridade lançadora a suplicante, simplesmente, realizou uma antecipação de pagamentos dos empréstimos realizados junto as suas subsidiárias no exterior. O primeiro argumento consistiria na afirmação de que foge de uma racional organização empresarial e societária o fato de as empresas subsidiárias LOI e LIR, sem recursos próprios, contraírem um empréstimo ao curto prazo de no mínimo um ano e emprestarem esses recursos a longo prazo (acima de dez anos) à sua controladora Light. O segundo argumento consistiria no fato de não haver qualquer interesse racional por parte da controladora Light em efetuar um aumento de capital nas subsidiárias offshore quando estas têm como única fonte de recursos os juros dos empréstimos tomados pela própria controladora, pelo que mais racional seria liquidar o empréstimo para não ter que arcar com os juros. O terceiro argumento consistiria no fato de os auditores independentes, ao descreverem as operações de captação e empréstimo realizadas pela LOI, concluírem que a dívida contraída pela Light junto à LOI não deveria entrar no cômputo do endividamento da Light. Notase que os recursos utilizados pela suplicante para efetuar a capitalização de suas subsidiárias provieram de fonte interna, mediante empréstimo obtido principalmente junto a bancos nacionais. Posteriormente a suplicante amortizou esses empréstimos mediante a obtenção de recursos de seus controladores, na forma de aporte de capital, no montante de R$ 400 milhões. Sendo que uma parte menor, totalizando US$ 350 milhões, foi captada no mercado interno mediante emissão de debêntures e utilizada para quitar parte dos US$ 700 milhões restantes. Entendo, que não há possibilidade de se considerar tais operações como pré pagamento de dívidas. Embora subsidiárias integrais, as duas empresas LOI e LIR não se confundem com a matriz. O investimento realizado pela suplicante nas suas subsidiárias não se confunde com o pagamento dos empréstimos, pois suas características econômicas são totalmente distintas. O fato de os recursos terem sido usados por LOI e LIR para saldar seus compromissos de curto prazo não significa que os compromissos de longo prazo Fl. 691DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 16 da suplicante para com as suas subsidiárias tenham sido saldados. Ao refinanciarse no curto prazo no exterior, LOI e LIR conseguiram manter inalteradas as condições pactuadas nas emissões das Notes adquiridas da suplicante, ou seja, os passivos de longo prazo da suplicante com as suas subsidiárias LOI e LIR continuaram existindo, devidamente registrados em seus balanços. Aliás, o próprio BACEN, no seu parecer datado de 11/05/04 (fls. 308/329), relaciona os fatos vivenciados pela suplicante e rechaça a possibilidade de ter havido simulação nestas operações: “Dessa forma e como a relação jurídica da LIGHT para com suas subsidiárias integrais ou com quaisquer outros detentores de seus títulos só se extinguirá com o vencimento, resgate ou cancelamento dos títulos de longo prazo de sua emissão, a dívida continua a existir mesmo após a capitalização das subsidiárias, não havendo qualquer motivo de ordem cambial para o cancelamento dos Certificados de Registro; lembrando, inclusive, que com base nos títulos de longo prazo de emissão da LIGHT as suas subsidiárias já teriam emitido novos títulos denominados Credit Linked Notes e os recursos resultantes da venda desses novos títulos já ingressaram no País. No nosso entender, o fato de as subsidiárias serem capitalizadas e recomprarem momentaneamente os títulos representativos de suas dívidas de curto prazo, não pode e não deve ser interpretado como simulação de pagamento dos títulos de longo prazo emitidos e de responsabilidade da LIGHT. Objetivando o financiamento de seus projetos, não é raro que bancos e empresas estruturem e conduzam operações de longo prazo com base em funding de curto prazo e, ao longo da vida dessas operações, procedam a diversos arranjos financeiros com vistas a ajustar e a compatibilizar o funding de curto prazo com os compromissos de longo prazo, da mesma forma que a LIGHT fez e vem fazendo com as operações aqui tratadas. Há que se ter em conta a intenção manifestada pela LIGHT e aprovada pelo Banco Central desde o início deste processo, no sentido de financiar a aquisição da Eletropaulo Metropolitana de Energia S/A através de captações de longo prazo, razão principal para ter emitido um título de 12 anos. Desse ponto de vista a operação está perfeita, coerente e a recompra momentânea dos títulos de curto prazo pelas subsidiárias, em razão de dificuldades ocorridas no mercado internacional, pode ser perfeitamente entendida e não representa uma quitação definitiva da dívida da matriz brasileira. Observese que, com o objetivo de levantar novos recursos e manter o funding da operação de longo prazo, os próprios títulos ou novas emissões das subsidiárias podem e devem ser feitos e negociados no mercado internacional,como, aliás, já ocorreu com a emissão dos chamados Credit Linked Notes, cujos recursos já ingressaram no País. Nesse sentido, a reativação e a manutenção dos Certificados de Registro é fundamental e indispensável para que a LIGHT possa levar a cabo a operação originalmente estruturada e aprovada por este Banco Central, que visava ao financiamento de longo prazo (12 anos) da compra da Fl. 692DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 10 17 Eletropaulo Metropolitana de Energia pela LIGHT. Lembrese, a propósito, que as remessas amparadas nos registros que se encontram cancelados é que irão dar cobertura e suporte para os pagamentos de principal e juros dos títulos atuais e futuros emitidos por suas subsidiárias para viabilizar a manutenção em circulação dos títulos de longo prazo de emissão da LIGHT. Todo problema decorre da interpretação dada inicialmente pelo Firce e depois confirmada pelo Decec, que entenderam que a remessa para capitalização das subsidiárias correspondeu à quitação simulada pela LIGHT, na qualidade de garantidora, da dívida de curto prazo de emissão de suas subsidiárias. Do lado legal e regulamentar, não há qualquer indicação de que a LIGHT, suas subsidiárias ou os bancos intervenientes nas operações tenham deixado de cumprir ou ferido qualquer norma específica na área de câmbio e de capitais estrangeiros.” Por seu turno, José Alberto Bonassoli ensina que os floating rate bonus são títulos representativos de dívidas, emitidos por empresas industriais, financeiras, privadas ou estatais, que dependem de aprovação do processo na CVM e BACEN. A colocação pode ser pública ou privada e o recebimento do dinheiro é feito quando da entrada no País com a obrigatoriedade de se fechar um contrato de câmbio: 2.7 Bônus e Notes Não devemos confundir o Bônus aqui tratado com bônus de subscrição referenciado no Capítulo VI da Lei n.° 6.404/76 artigo 75 a 79. São títulos representativos de dívidas, emitidos por empresas industriais, financeiras, privadas ou estatais, que dependem de aprovação do processo na CVM e BACEN. A colocação pode ser pública ou privada e o recebimento do dinheiro é feito quando da entrada no País com a obrigatoriedade de se fechar um contrato de câmbio. Assim como Debêntures e ADR, Certificate of Deposit e Commercial Paper, os Bônus e Notes, são títulos representativos de dívidas. Os dois últimos são representados na forma de certificado que estabelece o valor da dívida do emitente e sua obrigação de pagar ao investidos o principal e os juros estabelecidos em uma data futura. A diferença entre o Bônus e Notes está nos prazos para resgate, enquanto o Bônus é de longo prazo podendo atingir aproximadamente 7 anos o notes é um tipo de empréstimo de curtíssimo prazo em geral, não passa de um ano. No mercado Europeu estes títulos são chamados de eurobonds e euronotes. Os “Bonds” são emitidos geralmente por um pool de Bancos e ou Casas de Securitização a investidores fora do País do emitente e da moeda na qual o título esta faceado. Podem ser lançados nas seguintes modalidades: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 18 Fixed Rate Notes (juros ou rendimentos fixos). Floating Rate Notes (juros ou rendimentos variáveis). Fixed Rate Certificates of Deposit (certificados de depósito com rendimentos fixos). Floating Rate Certificates of Deposit (certificados de depósito com rendimentos variáveis). Normalmente não se oferece garantias em virtude do conceito do emitente, quando se pede normalmente é oferecida uma garantia bancária (captação de recursos no exterior). Ainda no mesmo sentido, Marcela Meirelles Aurélio: Bônus + notes títulos lançados no exterior, nas seguintes modalidades: Bônus, Fixed Rate Notes, Floating Rate Notes, Fixed Rate Certificates of Deposit e Floating Rate Certificates of Deposit, por meio de colocação pública ou privada, por empresas ou bancos estabelecidos no País: (Poupança Externa e o Financiamento do Desenvolvimento) (http://ipea.qov.br/pub/livros/finanviamento/livro1/cao2pdf) Ora, não cabe à Receita Federal, unilateralmente, desconsiderar pronunciamento formal e conclusivo do Banco Central que deu às condutas realizadas a qualificação jurídica de nãoconfiguradoras de resgate antecipado. Tanto não houve resgate antecipado que, para fins cambiais e de capital estrangeiro, as operações permanecem registradas como operações com prazo de amortização superior a 96 meses e, por isso, continuam a produzir todos os efeitos que lhes são próprios. Não há, na realização das mencionadas operações, qualquer espécie de desvio na declaração de vontade dos participantes. A declaração é real, verdadeira e efetiva, condizente, portanto, com a vontade das partes. Inexiste, conseqüentemente, o objetivo de burlar o Fisco ou de ocultar a ocorrência do fato gerador de imposto. Na situação descrita não se vislumbra a existência de provas que caracterizem a ilicitude tributária. O auditor fiscal ao lavrar o Auto de Infração não demonstrou a existência de atos simulados, tal como a ausência de captação de recursos externos a longo prazo. Pelo contrário, os autos confirmam a efetiva emissão de Fixed Rate Notes no exterior, devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil. Ficou demonstrado que o aumento de capital das subsidiárias não ocorreu com o intuito de amortizar a dívida da suplicante, a qual permanece inalterada. A referida capitalização deuse para cumprir exigências das instituições financeiras estrangeiras, credoras das subsidiárias, que, em face da conjuntura econômica brasileira, demandaram mais capital das empresas brasileiras como garantia aos empréstimos de curto prazo que estas pretendiam prorrogar ou repactuar. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 11 19 Contrariamente ao que alega a autoridade lançadora, não houve pagamento de qualquer parcela da dívida contraída pela suplicante perante suas subsidiárias. Os valores captados no exterior foram utilizados na forma como declarado no momento de seu ingresso no País, tendo sido empregados para aquisição da Eletropaulo Metropolitana S.A. As quantias posteriormente remetidas ao exterior tiveram finalidade diversa, não se destinando à quitação de débitos. Além disso, tratavase de novos recursos, decorrentes de captações obtidas de acionistas e mediante a emissão de ações e de debêntures. Entendo ser sem sentido a posição da autoridade lançadora, ao considerar que a remessa de recursos ao exterior, nos moldes legais e com expressa autorização do Banco Central do Brasil, seria pagamento antecipado dos recursos captados pela suplicante com as suas empresas subsidiárias no exterior. (...) De acordo com a legislação tributária que trata do assunto e levando em conta as considerações expostas, é de se concluir que a suplicante observou as regras para usufruir o direito ao benefício da redução a zero de alíquota do imposto de renda na fonte nas remessas de juros para o exterior de que trata o art. 1° IX, da Lei n°. 9.481, de 1997, com a redação dada pelo art. 20 da lei n°. 9.532, de 1997, já que não há possibilidade de se considerar que o aumento de capital das subsidiárias teria ocorrido para amortizar a dívida da suplicante. Concordo inteiramente com tais colocações e adotoas como razões de decidir. De acordo com o acórdão recorrido, restou incontroversa a inexistência de simulação no caso, tanto que a penalidade restou desqualificada por votação unânime. E mais, a efetividade das operações realizadas pela interessada é mencionada na própria declaração de voto do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Aliás, oportuno trazer à colação as seguintes passagens do referido voto (fls. 3.5523.553, Volume XIX): Penso, entretanto, que não há fundamento legal para a exasperação da multa de ofício. O fundamento da autuação para a qualificação da multa é a de que o procedimento adotado pela Recorrente caracteriza simulação. Por tudo o que foi acima exposto, não compartilho dessa conclusão. Ocorre simulação quando há desconformidade, preordenada, entre a declaração e a vontade, com o propósito de produzir o engano. Assim, para caracterizar a simulação é preciso explicitar a discrepância entre a declaração, que seria ato dissimulador, tratandose de simulação relativa, e a vontade ocultada, ato dissimulado. Neste caso, a autuação não explicita a existência de ato dissimulado. Aponta um complexo de atos que diz terem sido praticados com vistas à “ocultação das características essenciais do fato gerador com o evidente intuito de não se pagar o tributo...” Ora, como vimos, tanto as operações de crédito, entre as subsidiárias e as instituições financeiras internacionais e entre aquelas e a Recorrente, quanto a posterior integralização do capital das subsidiárias e o pagamento dos empréstimos contraídos por estas, efetivamente ocorreram. De outro modo, para concluir pela simulação, teríamos que assumir que houve uma premeditação do futuro desfecho quando da Fl. 695DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 20 realização das operações iniciais e a participação das instituições financeiras internacionais em um conluio, o que não se sustenta. Penso que se tem neste caso, como acima explicitado, a figura da fraude à legislação tributária e não a da simulação, o que não se subsume às hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da lei n°4.502, de 1964 e, portanto, não se aplica o disposto no art. 44, II da lei n° 9.430, de 1996. Foi com base nessas razões que votei no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, apenas para desqualificar a multa de ofício. Portanto, salvo melhor juízo, é inconteste que os aumentos de capital de LOI e de LIR não ocultaram amortizações dos empréstimos tomados pela Light no exterior. Cumpre ressaltar que os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo ficaram vencidos com fundamento em suposta fraude à lei (artigo 1°, inciso IX, da Lei n° 9.481/97, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 20 da Lei n° 9.532/97), embora tal instituto jurídico sequer tenha sido mencionado pela autoridade lançadora, que lavrou o auto de infração em razão da ocorrência de “... simulação para mascarar a amortização, que tornaria a dívida de curto prazo e faria incidir o imposto de renda na fonte sob a alíquota de 25%.” (fls. 342, Volume II). A inovação da recorrente com relação à acusação fiscal é inadmissível. É preciso consignar, ainda, que os valores captados pela autuada no exterior foram utilizados para aquisição da empresa Eletropaulo Metropolitana S.A., tal qual declarado, sendo que as importâncias posteriormente remetidas ao exterior tiveram finalidade diversa, não se destinando à quitação dos empréstimos e tratavamse de novos recursos, decorrentes de captações obtidas de acionistas e mediante a emissão de ações e de debêntures. Ademais, o Banco Central do Brasil1 concluiu, categoricamente, que os fatos em apreço não podem e não devem ser interpretados como simulação de pagamento dos títulos de longo prazo de responsabilidade da autuada. Tal posicionamento, sob minha ótica, é de fundamental importância para o deslinde desta controvérsia, pois faz prova em favor do contribuinte. Esta prova, aliás, não restou desconstituída pela autoridade lançadora. Entendo que o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN não autoriza ou justifica a desconsideração da posição do Banco Central, pois determinada relação jurídica só pode gerar efeitos tributários quando os fatos se amoldem à regra matriz de incidência de algum tributo, o que não ocorre neste feito com relação ao imposto de renda na fonte, onde, repito, a autarquia responsável por analisar a operação cambial asseverou que não houve simulação de pagamento dos empréstimos captados no exterior pelo sujeito passivo. De parecer da lavra do eminente jurista Marco Aurélio Greco, acostado aos autos pela empresa, trago à baila as seguintes passagens (fls. 3.4203.424, Volume XIX): Isto significa que ao Banco Central compete no âmbito de seu poder de fiscalização pronunciarse sobre os instrumentos jurídicos, mas principalmente sobre as condutas concretas realizadas, de modo a aferir se está ou não assegurado o prazo mínimo de amortização e, diante dos fatos concretamente Fl. 696DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 12 21 ocorridos, emitir um juízo que constitua (crie) sua qualificação jurídica. Com isto, operase aquilo que pode ser denominado de construção do conceito de fato, pois os eventos que, até então se situavam no plano concreto (fenomênico), passam a se revestir de qualidades específicas à luz do ordenamento jurídico. (...) Ao examinar determinada operação e as vicissitudes de sua existência, e emitir um pronunciamento conclusivo, no sentido de que não houve resgate antecipado e que a operação permanece enquadrada na categoria de operações com prazo de amortização de 96 meses, o Banco Central afirma no âmbito de sua competência privativa que aquela é uma operação abrangida pelo inciso IX do artigo 1° da Lei n. 9.481/97. Faz com que ela esteja dentro do âmbito da hipótese de incidência legal. Em suma, o inciso IX aplicase às operações que o Banco Central entender estarem revestidas das qualidades ali previstas. SÓ a elas, mas a TODAS elas. (...) Ao dizer que a operação possui, ou não, prazo de amortização de, no mínimo, 96 meses, o Banco Central diz que a operação é, ou não, aquela prevista no inciso IX O objeto da hipótese de incidência é definido pelo Banco Central que o apresenta pronto para o Fisco Federal por força da reunião (i) da previsão lei e (ii) da qualificação jurídica dele emanada. Isto faz com que a competência da Receita Federal seja dependente do que vier a ser definido pelo Banco Central. E tem todo sentido! Na medida em que a redução de alíquota tem natureza causal e sua ratio é a celebração de operações de captação de recursos de modo a que permaneçam no País por um prazo mais longo, cabe ao Banco Central dizer quais as condutas que podem implicar em resgate antecipado e, por isso, frustrar a permanência pelo prazo mínimo de noventa e seis meses. Realmente, a avaliação das condutas do sujeito passivo para saber se houve ou não resgate antecipado e se o prazo de amortização foi ou não atendido, supõe não apenas um conhecimento especializado sobre as operações, o funcionamento do sistema e do mercado financeiro internacional, mas também a investidura na função específica de cuidar do interesse público inerente à proteção das reversas cambiais e à disciplina do crédito e câmbio. Por isso, o Banco Central é não só a entidade habilitada para tanto, como também aquela legalmente qualificada para exercer essa função, cabendolhe pronunciarse sobre as características(i) das operações em abstrato e (ii) das condutas em concreto que forem realizadas no curso da vida da operação. Neste caso, há uma relação de prejudicialidade entre a manifestação do Banco Central e a competência da Receita Federal, no sentido de que o objeto da competência tributária é prédefinido pela competência cambial. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 22 (...) É o que ocorre no caso concreto, por força do preceito específico do inciso IX do artigo 1° da Lei n. 9.481/97. Caso ainda subsista alguma dúvida quanto à manifestação do Banco Central ter caráter constitutivo do objeto contemplado no inciso IX em exame e, por força desta constitutividade, caráter prejudicial da manifestação da Receita Federal, imaginese a situação inversa. Ou seja, em que o Banco Central concluísse ter havido resgate antecipado. Poderia a Receita Federal pronunciarse em sentido contrário e entender que, apesar disso, incidiria a redução de alíquota? Obviamente, não. Na medida em que a autoridade prevista expressamente na lei (Banco Central) pronunciouse quanto à qualificação jurídica do fato (amortização, no mínimo, em 96 meses), este É O FATO previsto na lei. O exemplo dado pelo doutrinador com relação à situação inversa é definitivo para este julgador, no sentido de que eventuais efeitos tributários de determinada relação jurídica de natureza cambial dependem da conotação dada a ela pelo Banco Central. Analisando caso que também envolvia manifestação do Banco Central com relação a operações realizadas por determinado contribuinte, a Egrégia Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão cuja ementa é a seguinte: (...) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 Ementa: PROVA. RECURSOS FINANCEIROS DO EXTERIOR INGRESSADOS NO PAÍS COMO RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FACE DE ERRO DE INFORMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. AUTORIZAÇÃO DO BACEN PARA RETIFICAÇÃO. É válida para fins de prova no âmbito do processo administrativo tributário a autorização do Banco Central do Brasil para conversão de créditos em investimento externo direto (IED), relativos a recursos financeiros ingressados no País como receita de prestação de serviços por erro de informação do contribuinte, ressalvada ao fisco a prova de quaisquer irregularidades porventura identificadas. RO negado e RV Provido. (Acórdão n° 10196.972, Recurso n° 154.531, Relator Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, julgado em 16/10/2008) No julgamento do Processo n° 19515.007596/200862 (acórdão n° 2102001.646), cujos fatos foram apreciados pelo Banco Central, o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos asseverou com muita propriedade o seguinte: Não me parece que a compreensão acima palmilhe o melhor direito. De plano, o Banco Central tem larga experiência com operações da espécie, e nada indica que o Bacen tenha sido induzido em erro. Ademais, desqualificar a natureza jurídica dada pelo BACEN à espécie, necessitaria que houvesse uma clara comprovação dos eventuais fins escusos perseguidos pelo contribuinte, o que não restou comprovado nestes autos, pois os recursos foram internalizados no Fl. 698DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 18471.001351/200651 Acórdão n.º 1301001.206 S1C3T1 Fl. 13 23 país, com beneplácito da autoridade cambial, pelo prazo previsto na legislação (na verdade, por um prazo superior). Tal conclusão aplicase inteiramente ao caso em exame. Reafirmo que, segundo penso, a interessada não amortizou antecipadamente os empréstimos captados no exterior junto à LOI e à LIR. Por fim, devo destacar que sob minha ótica os fatos em apreço, no mínimo, envolvem circunstâncias bastante duvidosas, o que reclama a aplicação ao caso da regra do artigo 112, incisos I e II, do CTN, segundo a qual: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Concluindo, entendo ser inaplicável ao caso a regra do artigo 8° da Lei n° 9.779/99, já que não restou comprovado que a interessada amortizou/liquidou antecipadamente os empréstimos captados no exterior junto a suas subsidiárias LOI e LIR, motivo pelo qual a decisão recorrida merece integral confirmação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Diante dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de entender escorreito o entendimento exarado na decisão proferida pela r. decisão de primeira instância, sobretudo em face do julgamento já devidamente assentado nos autos do PAF 18471.002113/200409, concluindo, assim, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, utilizando como fundamento as razões aqui então devidamente esposadas. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 699DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 24 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723373/2010-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSEQUENCIAS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO.
O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados Terceiros.
A sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72.
Não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização.
No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.515
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. CONSEQUENCIAS. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ACATAMENTO. 1. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados “Terceiros”. 2. A sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 3. Não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização. 4. No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 33 73 /2 01 0- 95 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723373/201095 Acórdão n.º 2803002.515 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723373/201095 Acórdão n.º 2803002.515 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados e ao sócio administrador da empresa, assim como valor referente à diferença de acréscimos legais incidentes sobre Guias da Previdência Social – GPS recolhidas em atraso, conforme dispõe o Relatório Fiscal do Auto de Infração de fls. 65 a 67. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 27 de outubro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES fica obrigada a recolher as contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à quota patronal e das destinadas a outras entidades e fundos, denominados “Terceiros”, de acordo com a legislação aplicada às empresas em geral. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em função do suposto inadimplemento das obrigações principais e acessórias relativas às contribuições sociais previdenciárias devidas ao INSS, relativas à parte da empresa, incidentes sobre salários pagos a segurados empregados, referidas no art. 22, I da Lei nº 8.212/91. Notificada da lavratura do auto de infração, a ora Recorrente apresentou impugnação, na qual aduziu a ilegalidade da conduta perpetrada pela Fazenda Nacional, ao Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723373/201095 Acórdão n.º 2803002.515 S2TE03 Fl. 5 4 fazer retroagir, mediante ato administrativo, os efeitos da exclusão da Empresa do regime jurídica benéfico do qual fazia parte. Ademais, levantouse que as multas nos percentuais do lançamento são excessivas e ofendem o direito de propriedade, pois resultam numa forma de tributação com efeito de confisco, onerando ilegalmente o patrimônio da Autuada, em franca violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Resta indubitável, assim, que o termo inicial dos efeitos do ato de exclusão do contribuinte do SIMPLES é a data da sua efetiva notificação, caso não recorrida, e não a data de 1.1.2004, como pretende a Fiscalização. É ilegal a exigência de pagamento de diferenças de tributos. Ainda no tocante à ilegal constituição do crédito tributário, igual ilegalidade se verifica na aplicação das multas e demais sanções, visto que indevido o próprio crédito principal. A aplicação da multa de 75% se verifica absolutamente inconstitucional, tendo em vista os limites estabelecidos em nossa Constituição. Por todo o exposto, alegado e provado, resta cristalina a total improcedência da autuação fiscal, diante do distanciamento da exigência com os princípios que informa sua imposição, pelo que requer a reforma da r. Decisão ora recorrida, com o consequente cancelamento das exigências consubstanciadas no Processo Administrativo nº 13603.723373/201095, sendo reconhecida a total procedência das razões de mérito aqui aduzidas, pela ilegalidade do lançamento e, por conseguinte, do Auto de Infração lavrado, por se tratar de um imperativo de Justiça! Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723373/201095 Acórdão n.º 2803002.515 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES, pelo Ato Declaratório nº 02, de 18 de janeiro de 2008 (fls.248). A exclusão do referido sistema implica necessariamente na imediata cobrança das contribuições relativas à parte patronal, bem como aquelas destinadas aos denominados “Terceiros”. Assim, a empresa excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte passa a ser tratada da mesma forma que as empresas em geral, ou seja, aquelas que não fazem parte de programas governamentais, devendo, portanto, pagar seus tributos na integralidade, sem qualquer benefício. Além do pagamento das obrigações principais, a empresa excluída também será obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias nos mesmos moldes das empresas não optantes. In casu, é certo que várias obrigações acessórias serão atribuídas à empresa excluída, tendo em vista que originalmente ela informou ao fisco, dados não correspondentes aos verdadeiros fatos geradores. Como se pode observar, a sistemática utilizada pela autoridade administrativa incumbida do lançamento foi totalmente amparada pela legislação tributária em vigor, em especial o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, bem como o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ora, se a autoridade administrativa lançadora cumpriu rigorosamente a legislação que lhe é afeta, não é possível falar em suposto inadimplemento como pretende o contribuinte. De igual modo, também não há que se falar em ilegalidade, porquanto o lançamento se deu exatamente na forma da lei. Como não se tem notícia de qualquer declaração de inconstitucionalidade da lei balizadora do lançamento pelo Supremo Tribunal Federal, não resta dúvida da correção do trabalho levado a cabo pela fiscalização. No que diz respeito à inconstitucionalidade aventada pelo contribuinte, os julgadores da segunda instância administrativa devem se ater aos comandos da Súmula nº 2 que determina que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Sobre os percentuais da multa aplicada, a exemplo dos demais fundamentos legais do lançamento, temse que eles estão em perfeita harmonia com a legislação em vigor, não havendo qualquer espaço para alterálos. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13603.723373/201095 Acórdão n.º 2803002.515 S2TE03 Fl. 7 6 Nada obstante ao inconformismo do contribuinte, o lançamento e a decisão recorrida estão em conformidade com a legislação em vigor e devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 1/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 17878.000051/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic sobre o débito declarado e não pago no vencimento legal.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fábio Bernardo, OAB/SP nº 304.773.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. .
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic sobre o débito declarado e não pago no vencimento legal. Recurso voluntário negado.
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O CARF não é competente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic sobre o débito declarado e não pago no vencimento legal. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento o Dr. Fábio Bernardo, OAB/SP nº 304.773. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 51 /2 00 8- 81 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento da COFINS nãocumulativa exportação relativa ao 4º Trimestre de 2006, transmitido em 31/03/2008, cumulado com as declarações de compensação acostadas aos autos. Por meio do despacho decisório de fls. 274 a 278, notificado ao contribuinte em 11/04/2011 (fl. 315), a autoridade administrativa glosou parte do crédito e homologou parcialmente as compensações declaradas. A glosa foi motivada em divergências entre os valores informados no pedido de ressarcimento e os informados no DACON. Prevaleceu o valor informado no DACON. Regularmente notificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: 1) ao preencher o Perdecomp errou e incluiu valores relativos aos meses de novembro e dezembro de 2007, o que acarretou um pedido maior do que o devido; 2) os débitos foram encaminhados para cobrança acrescidos de 20% de multa de mora e de juros de mora com base na taxa Selic; 3) a cobrança da taxa Selic é ilegal e inconstitucional; 4) a exigência da multa de mora em 20% tem caráter confiscatório, devendo ser reduzido ao patamar de 2%, uma vez que a inflação mensal não chega nem a 1%; A 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. JUROS DE MORA/MULTA MORATÓRIA. TAXA REFERENCIAL E SELIC. Os juros e a multa de mora destinamse a indenizar a Fazenda Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, reportandose o lançamento à legislação aplicável no período compreendido entre o seu vencimento original e o efetivo pagamento do débito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROVA DOCUMENTAL A prova documental será apresentada na impugnação ou manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Manifestação de Inconformidade Improcedente.” Regularmente notificado do acórdão de primeira instância por meio eletrônico em 03/04/2012 (fl. 401), o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reiterou e reforçou as alegações contidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 17878.000051/200881 Acórdão n.º 3403002.286 S3C4T3 Fl. 3 3 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A defesa contestou apenas a cobrança dos acréscimos legais sobre valor do débito não liquidado pela compensação. O art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabelece o seguinte: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Estando a multa de mora e os juros de mora com base variação da taxa Selic previstos em dispositivo legal que goza de vigência e eficácia plenas, não cabe aos órgãos administrativos de julgamento o juízo de sua validade frente aos princípios constitucionais alegados no recurso. Este entendimento tornouse pacífico na esfera administrativa com o advento da Súmula de Jurisprudência do CARF. O enunciado nº 2 da Súmula de Jurisprudência do CARF estabelece que: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.” E especificamente quanto à cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, o enunciado nº 4 estabelece que: “ A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSelic para títulos federais.” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/07/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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