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Numero do processo: 10665.905467/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-005.638
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Cuidase o presente de PER/DCOMP que visa compensar crédito de COFINS, no valor original de R$ 4.452,54, correspondente ao DARF no valor de R$ 37.386,71, recolhido em 15/12/03, com débitos administrados pela RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 54 67 /2 00 9- 24 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905467/200924 Acórdão n.º 3803005.638 S3TE03 Fl. 64 2 O Despacho Decisório está anexo à fl. 37 e foi emitido em 09/06/2009, sob o pressuposto de que foram identificados pagamentos utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte e que estavam vinculados ao DARF mencionado no PER/DCOMP em exame, razão pela qual não há crédito suficiente para a compensação pleiteada. O referido despacho está embasado no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, bem como nos arts. 165 e 170 do CTN. Às fls. 02/09 está anexa a Manifestação de Inconformidade, a partir dos seguintes argumentos de defesa: a) suscita preliminar de nulidade do Despacho Decisório, devido o fato desse não estar adequadamente fundamentado o que causou prejuízo a ampla defesa; b) advoga que inexiste lei que obrigue a correção das DCTFs para retificar o valor do crédito declarado; c) entende que a declaração de compensação deveria prevalecer em relação a declaração anterior; Já às fls. 43/48 consta o Acórdão nº 0239.805 da 2ª Turma da DRJ/BHE, que indeferiu a compensação devido a inexistência de crédito por falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior de tributo. Além do que, a decisão de piso destacou que o Despacho Decisório não é nulo em razão de ter sido lavrado por autoridade competente e sem que o contribuinte fosse prejudicado em seu direito a ampla defesa e ao contraditório. Os julgadores de piso, argumentaram ainda que o Despacho Decisório está devidamente fundamentado no art. 74 da Lei n.º 9.430/1996, diante da ausência de crédito utilizado no PER/DCOMP e principalmente que no referido despacho consta que o Darf apresentado como crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado com a informação do número do pagamento, do valor original, do período de apuração e o código do tributo. No acórdão exarado pela DRJ, fica claro que os julgadores rechaçam a tese apresentada pelo contribuinte de que a Fazenda Nacional deveria aceitar a PER/DCOMP em exame, enviada posteriormente a DCTF, ainda que ela esteja em divergência com os valores informados nesta última, uma vez que cabe ao contribuinte o ônus tributário de demonstrar a existência de seu direito. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário às fls. 51/59 e repisou as alegações já explanadas em sua Manifestação de Inconformidade, cabendo destaque sintético em relação à nulidade do Despacho Decisório, pois compreende que a mera afirmação de que “inexiste crédito suficiente para a compensação” é por demais genérica, motivo pelo qual lhe prejudicou a ampla defesa, bem como violou o princípio do devido processo legal. Defende que o pedido de compensação goza de eficácia de presunção e que cabe ao Fisco motivar o indeferimento da sua homologação de forma mais clara. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905467/200924 Acórdão n.º 3803005.638 S3TE03 Fl. 65 3 Insiste na falta de lei que o obrigue a retificar a DCTF para reduzir o valor do débito declarado. Além do que, segundo o contribuinte, se a DCTF constitui confissão de dívida, por outro lado o PER/DCOMP é uma compensação, logo se presume crédito os valores nele declarados. O contribuinte pretende que a PER/DCOMP, posteriormente informada, prevaleça em relação à DCTF, pois para ele aquela substitui e anula a confissão de dívida feita anteriormente, justamente porque a PER/DCOMP foi declarada depois. Em sua defesa, cita julgado do CARF no PAF nº 10530.901536/200875, com o fito de demonstrar que inexiste norma condicionando à apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF. Por derradeiro, requer a nulidade do Despacho Decisório e o reconhecimento do crédito transmitido em PER/DCOMP. Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Analisando o Despacho Decisório está evidente no campo 3 deste documento, reservado a fundamentação da decisão, que o motivo do indeferimento do pedido de compensação foi a falta de crédito informado no PER/DCOMP, havendo inclusive a citação do art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei n. 9.430/96, os quais por sua vez se referem ao instituto da compensação. Ademais, como bem destacaram os julgadores de primeiro grau, o Despacho Decisório ainda identificou para o DARF informado em PER/DCOMP, o número do pagamento, código do tributo e o seu valor, ou seja, R$ 37.386,71. Com efeito, compreendo que não há que se falar em violação ao princípio da ampla defesa, como deseja o contribuinte, principalmente devido ao fato de que o Despacho Decisório encontrase adequadamente fundamento. Por outro lado, é verdade que a fundamentação é sintética. Também é verdade que para a melhor compreensão do Despacho Decisório eletrônico se exige do sujeito passivo razoável conhecimento dos mecanismos e procedimentos adotados pela RFB. Todavia, ainda assim, não é possível acolher a pretensão do contribuinte de que aquele seja nulo por falta de motivação. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10665.905467/200924 Acórdão n.º 3803005.638 S3TE03 Fl. 66 4 Ainda, “data vênia”, discordo da tese defendida pelo contribuinte de que o envio de uma declaração de compensação possua o efeito de substituir e retificar a DCTF anteriormente enviada, ainda que divergente dos dados informados na DCTF anterior. Outro ponto discordante da tese apresentada pelo sujeito passivo, diz respeito a sua alegação de que o PER/DCOMP constitui crédito com presunção legal de validade. Isso porque, em sede de pedido de compensação é pacífico na doutrina e na jurisprudência que cabe ao contribuinte constituir no PAF a prova do seu direito, visto que incumbe a quem alega fato constitutivo do seu direito. Além do que, o débito confessado em DCTF foi de R$ R$ 37.386,71, mas o contribuinte não juntou prova da existência do pretenso crédito informado em PER/DCOMP. Deste modo, uma vez apresentado pedido de compensação e sobrevindo posteriormente a decisão denegatória, obriga a Fazenda Nacional tão somente a apontar de maneira objetiva o motivo pelo qual inexiste o crédito indicado em PER/DCOMP, exatamente como ocorreu no caso em tela. Assim, a fim de provar a existência do crédito pretendido, ao contribuinte cabia apresentar dos documentos contábeis idôneos necessários para demonstrar a redução do débito declarado. O contribuinte poderia ainda ter apontado “suposto” equívoco do Despacho Decisório, principalmente em relação à informação de que utilizou o DARF indicado em PER/DCOMP para pagamento de outro débito, todavia assim não o fez. Conseqüentemente, deve ser mantida a decisão de piso, uma vez que o contribuinte não desempenhou sua obrigação de comprovar a existência do direito creditório. Ante exposto, nego provimento do recurso. É como voto. Sala das sessões, 27 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722271/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator Designado.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 27 1/ 20 09 -1 1 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 867 2 Relatório. Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no § 1º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2002, relativo ao 4º trimestre de 2006. A autoridade administrativa competente deferiu, em parte, o pedido da interessada porque efetuou glosas de créditos pelas razões consignadas no Relatório Fiscal, abaixo transcritas: 10) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 16A./16B./02): Através dos arquivos magnéticos recebidos (planilha excel) onde constam relações completas de todas notas fiscais de insumos adquiridos.bem como sua aplicação no processo produtivo, realizamos verificação de sua consistência pela analise física de algumas notas fiscais(solicitadas por amostragem) e constatamos irregularidades dos valores alocados na ficha 16A./16B., item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha (10, 10A 11) anexa "GLOSA DOS BENS UTILIZADAS COMO INSUMOS". A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes, efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Glosas Efetuadas nos Combustíveis/Carvão Energético utilizados como Energia Térmica no aquecimento das caldeiras, equipamentos e fomos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de Combustíveis/Carvão na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos por não agir diretamente no processo produtivo. Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo. Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado. Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo. Glosa dos fretes referentes aos bens glosados. [...]11) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 16A/03): Pela analise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas (8 e 9). [...]13) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 16A/16B/10): A empresa utilizou crédito decorrente da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: Fl. 867DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 868 3 1) Por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro) anos correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º , § 2º , o inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes as aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. 1.1) Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens não se enquadram como máquinas ou equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal para gozo do benefício. 1.2 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens caracterizamse como Edificações, não abrangidos pelos benefícios acima referidos embora sejam do ativo imobilizado. Em relação a construção da Expansão I I , o contribuinte informou que a mesma entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão I I I somente em 2008. Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de l°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda. 2 ) Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art. 31 e Decreto nº 5.988/2006). DAS GLOSAS: Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha n° 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as Planilhas 07E, 07F, 07G resumindo os valores glosados. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 869 4 Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito. a) Quanto aos créditos oriundos de bens e serviços utilizados como insumos, a Fiscalização perpetrou glosas particularmente sobre: Transporte de Rejeitos Industriais, Óleo BPF, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) Ponto fundamental é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas produtos intermediários e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados com insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril do alumínio produzido e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A fiscalização glosou toda a utilização do BPF, tanto nas caldeiras como para calcinação. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Especificamente quanto aos bens adquiridos como Ativo Imobilizado, a Fiscalização entendera pela glosa de bens adquiridos com Ativo Imobilizado, nada Fl. 869DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 870 5 obstante haver acertadamente considerado a requerente que os valores gastos na aquisição de bens, inclusive máquinas, equipamentos e outros incorporados ao ativo imobilizado devem ser recuperados enquanto créditos dedutíveis das bases apuratórias da Contribuição, logo descabe, igualmente, a glosa sobre o ativo imobilizado. Refere solução de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de COFINS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de COFINS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos, concluindo que as despesas com remoção de resíduos industriais correspondem a serviços aplicados/consumidos no processo produtivo, os quais também geram créditos dedutíveis das bases de apuração da contribuição, haja vista que representam custos, gastos ou despesas vinculados ao produto ou serviço vendido. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º do art. 6º em questão não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos Fl. 870DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 871 6 gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Mandado de Procedimento que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à COFINS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Fl. 871DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 872 7 Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0124.857, de 09/05/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da Cofins NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Cofins, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens Fl. 872DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 873 8 incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Ciente desta decisão em 18/05/2012, a interessada ingressou, no dia 14/06/2012, com recurso voluntário, no qual renova as alegações da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES – Redator designado. Pedi vista do processo para melhor analisar todos os fatos e detalhes da discussão posta em análise. Da decisão recorrida transcrevo resumo da controvérsia instalada: No caso concreto, vêse que a unidade de origem, por intermédio de relatório fiscal e auto de infração, evidenciou de forma detalhada as razões de fato e de direito do seu convencimento, indicando que, para o cálculo do direito creditório a ser reconhecido em sede administrativa, procedeu às seguintes alterações: a) Glosou Combustíveis e Carvão Energético, utilizados como Energia Térmica e considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu tais créditos a partir de 15/06/2007; b) Glosou bens ou produtos não aplicados diretamente no processo produtivo, integrantes do ativo imobilizado ou que não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo, bem como seus respectivos fretes – conforme detalhado em planilha específica; c) Glosou Serviços que não foram considerados como utilizados na produção dos bens, conforme detalhado nas planilhas 8 e 9; d) Por intermédio dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatou a existência de bens que não se enquadram como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, efetuando a glosa de máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda e Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações (conforme planilhas 01 a 07B). Fl. 873DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 874 9 A Recorrente alega, no tocante as glosas relativas a bens e equipamentos constantes do ativo imobilizado (item b e d acima), que: Em suma, ainda que o raciocínio engendrado pelo D. Fiscal fosse totalmente correto no sentido de que as máquinas e equipamentos, bem como suas peças devessem ser enquadradas como integrantes do Ativo Imobilizado e Edificações da postulante, a legislação ampara o desconto dos créditos sobre o Ativo Imobilizado utilizado na produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços assim como das edificações aplicadas às atividades da empresa, logo, resta, data máxima vênia, incompreensível a manutenção das glosas sob tal fundamento (??!!) A menos, portanto, que a I. Fiscalização expusesse e demonstrasse (o que remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra finalidade que não fosse a produção de alumínia (o que é de todo inverossímel já que a Alunorte é uma “empresa totalmente voltada à produção de aluminia”, em qualquer outra utilização possível para seus equipamentos, edificações e afins), a recusa em reconhecerlhes a geração de créditos a serem descontados das bases apuratórias de COFINS e PIS/PASEP, resvala para o indefensável. As glosas não se sustentam em face da legislação vigente. Em relação aos bens do ativo imobilizado de fato repousa dúvida a este conselheiro em relação às glosas efetuadas. Ressalto que um dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal e replicado pela decisão recorrida é de que foram glosadas despesas que “não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo”, o que reforça ainda mais a necessidade de melhor análise do trabalho fiscal e do processo produtivo da Recorrente. Ainda, a existência de um grande quantidade de informações e planilhas dificulta, ao menos a este conselheiro, a visualização dos créditos que foram deferidos e os que foram efetivamente glosados. Restando duvido, por exemplo, quanto a apuração de créditos relacionados a depreciação normal dos bens do ativo imobilizado, nos casos em que se entendeu que a depreciação incentivada não era aplicável. Vejase, a título ilustrativo o seguinte trecho da decisão recorrida: Inicialmente, os resumos constantes das planilhas 03 (fl. 178, Quadro 03 –Créd Considerado pela Fiscalização por CFOP), 06 (fl. 207, coluna “Valor Aceito”), 07B (fls. 212/214 – Crédito em 48 parcelas após glosas do ativo imobilizado), 07E (fls. 256/258, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Interno) e 07F (fls. 259/261, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Externo) exibem claramente que tais glosas simplesmente não alcançaram a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado cada uma das glosas perpetradas para, na seqüência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas cada uma das modalidades de depreciação adotadas pelo sujeito passivo. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722271/200911 Resolução nº 3302000.398 S3C3T2 Fl. 875 10 Tendo em vista os pontos levantados pela Recorrente em seu recurso e as duvidas existentes em relação a alguns pontos enfrentados pela decisão recorrida, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI1 da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes – Redator Designado. 1 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços Fl. 875DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10945.000300/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE.
Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências).
NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matérias-primas aplicadas no processo de produção.
DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito em relação ao GLP, ao frete de matérias primas, aos bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556/2.556, exceto em relação produtos qualificados como de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. Por voto de qualidade, manteve-se a glosa em relação ao frete de produtos acabados. Designado como redator da parte vencida o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
[assinado digitalmente]
José Fernandes do Nascimento Redator Designado
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 00 /2 00 9- 29 Fl. 6487DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.488 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de crédito em relação ao GLP, ao frete de matérias primas, aos bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556/2.556, exceto em relação produtos qualificados como de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. Por voto de qualidade, mantevese a glosa em relação ao frete de produtos acabados. Designado como redator da parte vencida o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. [assinado digitalmente] José Fernandes do Nascimento – Redator Designado Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Curitiba que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, por entender que não dão direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, os custos com aquisições de bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556: fretes internos, em especial de produtos acabados; e de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero. A ora Recorrente protocolou Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos da Contribuição para o PIS, vinculados a receitas não tributadas no mercado interno do ano calendário de 2007, a seguir resumidos: (a) n° 39036.60568.260208.1.1.109100, relativo ao 1° trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 396.931,88; (b) n° 19325.43941.260208.1.104292, relativo ao 2° trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 474.240,39; (c) n° 09990.83260.260208.1.1.109706, relativo ao 3° trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 492.523,92; e (d) n° 15857.21740.200608.1.1.105901, relativo ao 4° trimestre de 2007, pelo qual requer o ressarcimento de R$ 557.922,85. O Chefe do Seort/DRF/Foz do Iguaçu, com fundamento na Informação Fiscal Seort n° 173/2009 (fls. 5992/6022), que discrimina as glosas e os recálculos dos créditos pretendidos pela interessada, emitiu o Despacho Decisório de fl. 6023, indeferindo os créditos pleiteados, nos seguintes temos: Fl. 6488DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.489 3 No uso da competência prevista no artigo 280, inciso VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n.° 125, de 04 de março de 2009, publicada no DOU de 06 de março de 2009 e com fundamento na Informação Fiscal supra, que aprovo e torno parte integrante do presente despacho decisório, reconheço parcialmente o direito creditório pleiteado por Frimesa Cooperativa Central, CNPJ 77.595.395/000147, no valor originário de R$ 965.375,53 (Novecentos e sessenta e cinco mil, trezentos e setenta e cinco reais e cinqüenta e três centavos), sem juros compensatórios conforme artigo 72, ,5S . 5 0, inciso I, da IN RFB n.° 900/08 (..)". Cientificada em 01/07/2009 (fl. 6023), a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 6257/6272, instruída com os documentos de fls. 6273/6374, na qual alega, preliminarmente, que a matéria em litígio se resume aos itens da lista de fls. 6218/6219, quais sejam: a) Bens de Manutenção Industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556: Glosa integral das aquisições de Bens supostamente utilizados para Manutenção Industrial, sobre a base de cálculo das Contribuições de PIS/COFINS de R$ 6.763.448,36 (seis milhões setecentos e sessenta e três mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e trinta e seis centavos), decorrente de produtos adquiridos pela manifestante no Exercício de 2. 007, registrados nos Livros Fiscais Registro de Entradas de mercadorias, com o CFOP (Código Fiscal da Operação) 1.556 e 2.556; b) Fretes "Intercompany": Glosa no valor de R$ 13.146.745,00 (treze milhões cento e quarenta e seis mil setecentos e quarenta e cinco reais) na base de cálculo de créditos do PIS/COFINS do exercício de 2.007, relativo a fretes contratados pela impetrante para o transporte de mercadorias entre estabelecimentos da própria empresa de produtos acabados e matériasprimas; c) Aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP: Glosa no valor de R$ 315.556,46, (trezentos e quinze mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos) na base de cálculo dos créditos de PIS/COFINS do exercício de 2.007, relativo a aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP, adquiridos de Pessoas jurídicas distribuidoras e comerciantes varejistas tributadas pela alíquota 'Zero', sujeitos a incidência monofásica das Contribuições". No mérito, esclareceu que o fisco, após verificação por amostragem, entendeu que os bens classificados no CFOP 1556/2556, não se enquadrariam no conceito de insumo, operando a glosa do valor de R$ 6.763.448,36, representado por 8.803 notas fiscais relacionadas. A despeito de concordar com a glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, em relação ao remanescente, de R$ 2.522.550,67, entende que, por se referir a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, insumos de produção e embalagem, deveria ser deferido o direito ao correspondente crédito, anexando lista de tais bens. Destaca que a utilização dos referidos códigos (1.556 e 12.556) não pode afetar seu direito a tomada do crédito. O que realmente importa é se os bens assim classificados tem natureza diversa daquela destinada ao uso e consumo. Afirma que os códigos CFOP utilizados Fl. 6489DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.490 4 pelo fisco como critério objetivo para glosa, em realidade constituem regramentos criados pelo ajuste SINIEF n° 07/01, para contribuintes do ICMS, que o utilizam para definição de “bens de uso e consumo” e “insumos de produção”, em conceito diverso daquele utilizado para fins de tributação de PIS e Cofins. Argumenta que com relação às despesas com serviços de manutenção, partes e peças de reposição, as regras que devem prevalecer para fins de creditamento de PIS e Cofins, é a do conceito financeiro, ou seja, as despesas com tais itens, inegavelmente aplicados em máquinas e equipamentos utilizados no processo de produção industrial, conferem direito ao crédito, por comporem o custo do produto final, nos termos do própria Solução de Consulta n° 356, de 15/12/2005. Alega, ainda, que não só as despesas com serviços de manutenção e partes e pegas de reposição, cujo direito a crédito foi negado, mas que também se glosaram créditos de matériasprimas, insumos e embalagens (que fazem parte da precitada listagem de fls. 4686/4946), à razão do que dispõe o art. 30, II, tanto da Lei n° 10.833/2003, como da Lei n° 10.637/2002. Já em relação aos Fretes “Intercompany”, diz não concordar com a glosa de custos gerados pelo transporte de matériaprima entre seus estabelecimentos, no montante de R$ 774.439,08, considerandoa ilegal, entendendo que é direito assegurado pelo art. 3º, II, tanto da Lei n° 10.833/2003, como da Lei n° 10.637/2002; alega que conforme lista anexa (fls. 6349/6351) estaria demonstrado que os fretes que compõem a base de cálculo negada destinar seiam ao referido transporte de matériasprimas, o que significaria custo integrante do processo produtivo. Quanto ao transporte de produtos acabados, também sustenta que a glosa de R$ 12.372.306,90, representaria ato contrario à lei, afirmando que "a transferência de mercadorias do estabelecimento industrial para estabelecimento distribuidor, representa custo intrínseco a qualquer processo logístico de empresa que atua em âmbito nacional e que está ligado processo que medeia a fabricação desses bens ou produtos e sua venda, portanto, geram direito a crédito nos termos do art. 3, da Lei 10.833/03 e 10.637/02"; por tais razões, também, contesta a Solução de Divergência Cosit n° 11/2007, por entender que restringiria ilegalmente seu direito de crédito decorrente de custo essencial à atividade econômica, e configuraria usurpação de competência legal, operando restrição ã legislação de regência; quanto a isso, acrescenta que no art. 3°, II da Lei n° 10.637/2002 inexiste vedação ao aproveitamento dos créditos sobre serviços onerosos de transportes, nas operações de transferência de produtos acabados ou insumos de produção entre estabelecimentos da mesma empresa, entendendo, assim, que tais serviços de transportes estão inclusos no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas à venda. No que se refere ao item "IV — Aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo GLP" (fls. 6270/6271), tem como indevida a glosa na base de cálculos de créditos do PIS e da Cofins, no valor de R$ 315.556,46, relativa ao 'exercício' de 2007, no tocante as aquisições de gás liquefeito de petróleo (GLP) de pessoas jurídicas distribuidoras e comerciantes varejistas tributadas com alíquota 'zero', já que sujeitas à incidência monofásica das citadas contribuições; argumenta que tal produto (GLP) é utilizado como insumo em seu processo produtivo, que gera mercadorias tributadas pelas referidas contribuições, sendo, assim, indevida a referida glosa; cita, a propósito, a Solução de Divergência n° 37, de 09 de outubro de 2008, que afirma ter reconhecido direito ao crédito como o requerido. Fl. 6490DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.491 5 A DRJ em Curitiba julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade nos seguintes termos: LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS E DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda, as despesas efetuadas com fretes contratados para o transporte de matériasprimas e de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo da Contribuição para o PIS o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços, não se considerando como tal despesas com a aquisição de gás liquefeito de petróleo (GLP), bem como com aquisições de mercadorias adquiridas para uso e consumo do próprio estabelecimento (códigos CFOP 1.556/2.556). CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade 'as normas vigentes. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Medrado Darzé, Relatora. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 6491DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.492 6 Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição do conceito de insumo para fins de reconhecimento do direito ao crédito de COFINS no regime não cumulativo. Afinal, apenas depois de estabelecido o conteúdo e alcance é que será possível afirmar, com segurança se as despesas com bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556: fretes internos, em especial de produtos acabados; e aquisições de gás liquefeito de petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero geram crédito no caso específico da atividade da Recorrente. Conceito de insumo Pois bem. A nãocumulatividade da COFINS foi instituída pela Lei nº 10.833/03, a qual permite o desconto de créditos sobre (i) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e sobre (ii) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Neste sentido, o artigo 3º, da Lei nº 10.833/03, estabelece que: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; II – bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Nos termos do referido dispositivo legal, o valor devido a título de COFINS será apurado pela aplicação da alíquota de 7,6%, sobre a base de cálculo definida no artigo 1º, da Lei nº 10.833/031, e, do valor apurado, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Desse modo, é possível observar que o direito creditório do sujeito passivo surge com a aquisição de insumos que serão utilizados no desenvolvimento de sua atividade. Ao dispor sobre o conceito de insumo contemplado na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, Natanael Martins nos explica que ele “está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma 1 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 6492DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.493 7 indireta, na atividade de fabricação do produto ou com a finalidade de prestar um determinado serviço”. 2 De fato, a definição de insumo, para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, se relaciona com a ideia de relação intrínseca entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, os quais devem refletir, ainda que mediatamente, na receita/faturamento sobre o qual incidirá referidas contribuições. Neste contexto, sempre deverá ser considerado como o insumo o bem ou serviço que seja necessário ao desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica ou para a existência do processo produtivo ou do produto, ou ainda, que contribua para que estes (processo e produto) tenham determinadas características. Neste sentido, são os ensinamentos de Marco Aurélio Greco: Vale dizer, “utilizar como insumo” é extrair dos bens ou dos serviços todas as utilidades que lhes sejam próprias para o fim de fazer com que o processo produtivo ou o produto destinado a venda existam ou tenham as características almejadas. Vale dizer, fazer com que – no específico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte – processo e produto sejam o que são. (...) A análise feita leva a uma conclusão preliminar no sentido de deverse considerar “utilizados como insumo” para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais – o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições – que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto, em função dos quais resultará a receita ou o faturamento onerados pelas contribuições.3 Tecidos esses comentários e tomando de empréstimo as terminologias utilizadas por esses autores, concluímos que para que um determinado bem ou serviço seja considerado como insumo, devese analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência “(em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências)”.4 Neste ponto, vale ressaltar que a definição do conceito de insumo proposta pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, na sistemática não cumulativa, é manifestamente ilegal, na medida em que estabelece restrição não prescrita na lei. Eis sua formula textual: 2 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In PIS COFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. 3 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de Insumo à luz da legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT. Julho/Agosto de 2008, v. 34, pp. 1620. 4 GRECO, Marco Aurélio. Op. cit. p. 17. Fl. 6493DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.494 8 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) § 4º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) § 9º Aplicase ao PIS/Pasep nãocumulativo de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, o disposto: I na alínea "b" do inciso I do caput, e nos §§ 4º, 5º e 6º, a partir de 1º de janeiro de 2003; e II na alínea "e" do inciso II e no inciso III do caput, a partir de 1º de fevereiro de 2004. Como é possível perceber, a Receita Federal do Brasil pretendeu, com a promulgação da referida Instrução Normativa, limitar o alcance de legislação ordinária (Lei nº 10.833/08). Entretanto, por se tratar de veículo introdutor secundário, não se sustentam os Fl. 6494DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.495 9 comandos que são manifestamente contrários aos da norma de superior hierarquia que lhe empresta fundamento de validade (a lei). Ademais, ainda que fosse possível a alteração das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 por norma de inferior hierarquia, o que se admite apenas para argumentar, não se pode olvidar que a Instrução Normativa SRF nº 404/04, ao equiparar a definição de insumo para fins de nãocumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS, com o de insumo para fins de nãocumulatividade de IPI e ICMS, incorreu em manifesto equívoco. De fato, a presente equiparação não tem qualquer sustentação jurídica, uma vez que a não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS não tem o mesmo perfil da empregada ao IPI e ao ICMS. Isso porque, no caso do IPI e do ICMS, o referencial para se analisar o conceito de insumo, é um objeto físico (produto). De forma diferente, no caso da COFINS, o referencial é a atividade e processo de produzir e fabricar, sendo que a partir dessa referência que se identificará quais os bens e serviços serão considerados insumos. Por outro lado, enquanto o IPI e ICMS incidem sobre o produto/mercadoria, a COFINS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, o que demonstra que o universo de elementos abrangidos pela nãocumulatividade de COFINS é mais amplo do que o de IPI/ICMS. Sobre a inaplicabilidade da Instrução Normativa SRF nº 404/04, face às diferenças existentes entre os insumos de COFINS e os insumos de IPI e ICMS, Ricardo Mariz de Oliveira ensina que: Com efeito, essa interpretação está assentada, ou ao menos influenciada determinantemente, pelo conceito de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram créditos de IPI, e também de ICMS. Acontece que as leis destes dois impostos não admitem, como fazem as Leis nº 10.637 e 10.833, a dedução ou o crédito relativo a insumos em geral, pois restringem os créditos aos valores devidos na operação imediatamente anterior sobre apenas alguns tipos de insumos, que são exatamente as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. Sem ser necessário adentrar em qualquer discussão relativa à extensão dos créditos de IPI e de ICMS, para se poder distingui los das deduções relativas a insumos para efeito de quantificação da COFINS e da contribuição ao PIS, basta ver que, quanto ao IPI, a redução dos créditos a apenas os três grupos de insumos deriva de expressa disposição da respectiva legislação, enquanto que no ICMS as leis que o regem têm disposições inteiramente diversas das contidas nas Leis nº 10.637 e 10.833. Além disso, em benefício da citada instrução normativa sequer existe uma disposição legal que diga que, para a identificação dos insumos que geram dedução da COFINS e da contribuição ao PIS, deva ser aplicada subsidiariamente a legislação do IPI, como ocorre com o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363, de 13.12.1996, neste caso por força de expressa determinação do parágrafo único do art. 3º. Fl. 6495DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.496 10 Portanto, o que dizem as mencionadas instruções normativas quanto a que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, carece inteiramente de base legal. Esse ato fazendário somente teria validade jurídica se a lei expressamente tivesse permitido a dedução exclusivamente quanto a matérias primas, produtos intermediários, materiais de embalagem e outros bens sob aquele requisito, em vez de autorizála abertamente sobre insumos destinados à produção de bens e serviços.5 Neste contexto, não resta dúvida de que a restrição estabelecida pela Instrução Normativa SRF nº 404/04 não encontra amparo legal, motivo pelo qual não poderá sequer ter seus dispositivos considerados pelo órgão julgador. No caso em análise, a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica à produção de produtos agrícolas, em especial carne bovina e suína e leite. Por outro lado, pretende ver reconhecido o direito ao crédito de Contribuição ao PIS relativo às despesas com bens de manutenção industrial incluído no CFOP 1.556 e 2.556; fretes internos, em especial de produtos acabados; e aquisições de gás liquefeito de petróleo – GLP sujeitos à alíquota zero. No que se refere especificamente às aquisições de Gás Liquefeito de Petróleo – GLP, esclarece a Recorrente que ele “é utilizado pela manifestante como insumo de produção na sua atividade industrial (geração de chama para queima de pelos dos suínos para abate)”. Sendo essa a sua utilização, não há dúvida que tais mercadorias guardam inerência com a atividade desenvolvida pela empresa, na medida em que são efetivamente importantes para a sua produção, razão pela qual devem gerar direito ao crédito no caso concreto. O fato de o GLP não se enquadrar nos conceitos de “matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou outro bem que sofra alteração em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação” não é suficiente, como sugere a decisão recorria, para desqualificalo “como insumo para a sua fabricação”, uma vez que não é esta a definição relevante para fins de nãocumulatividade do PIS e da COFINS. O que se deve observar, como vimos, é se se trata de bem utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Por outro lado, entendo que a circunstância de esses bens serem adquiridos à alíquota zero, não compromete a higidez do crédito quando o produto vendido pela Recorrente é tributado. Isso porque, como bem pontuou a decisão recorrida, a lei garante a manutenção dos créditos nesses casos. Nas suas palavras: Primeiramente, cabe esclarecer que, relativamente ao PIS, a base legal citada pela DRF/FOZ deveria ser o art. 3°, § 2°, II da Lei n° 10.637, de 2002, e não o art. 3°, § 2°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, muito embora tais dispositivos contenham a mesma redação. 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Aspectos Relacionados à “Nãocumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. In PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 43/44. Fl. 6496DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.497 11 Entretanto, considerase que a glosa pela razão alegada é indevida. Vejase o que estabelece o art. 3°, § 2°, II da Lei n° 10.637, de 2002 (cuja redação é semelhante ao art. 3º, § 2°, II da Lei n° 10.833, de 2003): Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: §2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (incluído pela Lei n°10.865. de 2004) Primeiramente, vejase que, na prática, quase toda aquisição de combustível derivado de petróleo (como é o GLP), pelas pessoas jurídicas que sejam seus consumidores finais, é feito a partir de pessoas jurídicas distribuidoras (ou varejistas) de tal produto, que os revendem com a incidência da alíquota zero para o PIS e a Cofins (art. 42, I da MP n° 2.15835, de 2001), posto que a tributação dessas contribuições é concentrada nas refinarias; assim, se válida a interpretação dada pela DRF/FOZ ao art. 3°, § 2°, II, das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, seria praticamente impossível aos citados contribuintes se valerem do referido crédito. Entendese que a melhor interpretação a ser dada ao citado dispositivo (art. 30, § 2°, II das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003) é da impossibilidade da utilização do crédito, desde que o bem ou serviço adquirido como não estando sujeito ao pagamento do PIS e da Cofins, fosse revendido ou utilizado como insumo em produtos ou serviços sujeitos a alíquota zero, isentos ou não alcançados pelas citadas contribuições Assim, constatado que o GLP é utilizado como insumo pela Recorrente, uma vez que guarda pertinência, inerência e relevância para a produção de carne suína, na medida em que gera a chama para queima de pelos dos suínos indispensável para o abate, devese reconhecer o seu direito creditório. O outro objeto de glosa diz respeito aos bens incluídos nos CFOP 1.556 e 2.556. Neste ponto, a fiscalização entendeu tratarse de bens de uso e consumo, não passíveis de creditamento, o que teria concluído com base justamente no CFOP utilizado pelo contribuinte. De fato a DRF, no que foi seguida pela DRJ, deixou assim consignado na sua decisão: Assim, para análise do crédito referente a essa rubrica, esta autoridade adotou o critério de separação em função do código informado pelo próprio contribuinte na sua escrituração, pois a análise de documentos acostados aos autos mostra quem para praticamente todas as aplicações informadas, há separação na Fl. 6497DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.498 12 contabilidade entre os CFOP 1556/2556, que se referem a compra de materiais para uso e consumo, e entre outros códigos fiscais relativos a compra de insumos (CFOP estes que forma analisados por amostragem) Antes de analisar propriamente o direito creditório relativo a estes bens, vale esclarecer que o contribuinte indicou nos CFOP 1.556 e 2.556 bens das mais variadas naturezas e com as mais diversas aplicações, incluindo não apenas bens relativos à manutenção de máquinas e equipamentos, mas também, produtos químicos, produtos de laboratório, equipamentos de proteção individual, detergentes, produtos de limpeza, embalagem, higienização, condimentos, combustíveis, matéria prima, indústria, uso e consumo etc. Isso é facilmente verificável na planilha que instruiu a Manifestação de Inconformidade, o que, inclusive, foi confirmado pela fiscalização e pela decisão recorrida. Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Nesse sentido já decidiu a Terceira Turma da CSRF: Acórdão 930301.740 – 3ª Turma – Relatora Nanci Gama COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º da LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Da mesma forma, devese reconhecer o crédito relativamente bens relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes, tendo em vista que (i) a Recorrente os contabilizou como bens de uso e consumo; (ii) os bens de uso e consumo têm duração inferior a um anos; e (iii) a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, exceto no caso de o Fisco demonstrar por meio de provas o contrário, o que não é o caso. Neste ponto, importa esclarecer que, diversamente do que sugerem as decisões da DRF e da DRJ, o eventual erro na indicação do CFOP não tem o condão de alterar a natureza dos bens adquiridos pela Recorrente O presente equívoco não é suficiente para desqualificar um insumo, especialmente tendo em vista que para o PIS/COFINS em essência nada é insumo, tudo vai depender de sua relação com a atividade, da maneira ou do modo de sua utilização. Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.499 13 Neste contexto, se há elementos que evidenciam que os bens em questão mantêm inerência, pertinência e relevância para a atividade realizada pela Recorrente devem ser considerados como insumo, independentemente do CFOP indicado. Afinal não pode o Fisco simplesmente ignorar a verdade dos fatos e sustentar a glosa em erro na indicação do CFOP das notas fiscais escrituradas. Ora, erro não é fato gerador de tributo, tampouco pode ser utilizado como único embasamento para a glosa de créditos de tributos legitimamente apropriados pela Recorrente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que que o erro do contribuinte não pode ser o único elemento para fundamentar o lançamento, especialmente diante da inexistência de prejuízo ao fisco e da inocorrência de fraude, o que se aplica analogamente ao caso dos autos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. NOTA FISCAL. ERRO FORMAL. PREJUÍZO AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. AUSÊNCIA. IDONEIDADE DO DOCUMENTO. 1. Uma simples falha no preenchimento da nota fiscal que não acarrete prejuízo ao erário, nem a intenção de fraudar o Fisco , não pode acarretar o reconhecimento de sua inidoneidade para justificar a realização de outro lançamento pelos fiscais da Fazenda. 2. Recurso especial desprovido. (STJ, REsp 1.089.785, Primeira Turma, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe 11/03/09) TRIBUTÁRIO. ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. FATO INCONTROVERSO. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL. 1. Em matéria tributária deve ser observado o princípio da verdade real. 2. Não havendo controvérsia de fato, no sentido de que efetivamente não ocorreu a hipótese de incidência do tributo, deve ser admitida a retificação do erro pelo contribuinte, até mesmo para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. (TRF 4, APELREEX 12089 RS 2002.71.08.0120892, Primeira Turma, Relator Desembargador Jorge Antonio Maurique, DJe 22/09/09) Desse modo, considerando que o erro na indicação do CFOP não tem o condão de desnaturar os insumos adquiridos pela Recorrente, deve ser reconhecido o correspondente direito creditório. A mesma sorte, todavia, não se estende as rubricas indicadas pelo contribuinte como embalagem, produto de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima e indústria tendo em vista que não foram apresentados nos autos elementos suficientes para concluir se eles efetivamente são empregados no processo produtivo da Recorrente. Conclusão em sentido contrário demandaria maiores esclarecimentos, o que não foi satisfatoriamente feito pela Recorrente. Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.500 14 Por fim, cabe analisar o direito ao crédito em relação ao frete, que compreende tanto o transporte de insumos bem como de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente. De acordo com a fiscalização, o creditamento sobre despesas com frete somente alcançaria os fretes para a venda. Esse entendimento foi acompanhado pela autoridade recorrida que manteve a glosa desses valores. Ocorre que referidas autoridades olvidaramse que o frete a que se refere o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04, aplicável à contribuição ao PIS em face das disposições do art. 15 deste mesmo diploma legal, é apenas o frete da operação de venda, e não o frete na compra de insumos ou entre os estabelecimentos empresarias da pessoa jurídica. Por conta disso, a vigência temporal indicada pelas decisões proferidas nesse processo, jamais poderia servir de fundamento seja para o deferimento ou indeferimento do presente crédito, haja vista que a norma em questão analisa situação diversa da pleiteada pela Recorrente. De fato, entendo que tais fretes, quando prestados por pessoas jurídicas residente no Brasil, dão direito ao crédito dessas contribuições. Essa conclusão decorre da própria inteligência do art. 3º, II, seja da Lei nº 10.637/02 seja da Lei nº 10.833/04. Afinal, do meu ponto de vista, o frete na compra insumos bem como de transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da pessoa jurídica inseremse no conceito serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a que se refere o art. 3º, II, das referidas leis. Como bem pontuado pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, ao proferir voto vencedor no Acórdão nº 3401002.075 (Processo nº 16366.003307/200738), o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/04 apenas ampliou o rol dos fretes que dão direito ao crédito, haja vista que o frete de insumos e produtos acabados (vendidos ou não) já estavam contemplados pelo inciso II. nas suas palavras: A norma introduzida pelo inc. IX, acima, segundo a qual a armazenagem e o frete contratados junto a pessoas jurídicas residentes no Brasil e suportados pela vendedora de mercadorias geram créditos a partir de 1º de fevereiro de 2004, é ampliativa em relação aos créditos previstos no inc. II do mesmo artigo. Com base no inciso II (mais antigo, quando considerada a não cumulatividade do PIS, em vigor desde dezembro de 2002) os fretes entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, de insumos e produtos acabados (vendidos ou não), já davam direito a crédito. O que importa averiguar, a meu ver, é se o transporte é de insumos, de produtos acabados (não vendidos) ou de produtos já vendidos. Fosse transporte de imobilizado, de material de escritório ou de trabalhadores do setor administrativo, por exemplo, não devia ser admitido crédito. Mas, como informado no voto vencido, a situação destes autos é de insumos e produtos acabados. Em três momentos – um inicial, quando transportados insumos; outro intermediário, quando transportados produtos acabados, mas não vendidos; e um final, quando entregues produtos vendidos – o crédito deve ser concedido, seja pela norma extraída do inc. II (transporte entre os estabelecimentos da Fl. 6500DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.501 15 mesma empresa, inclusive antes de 1º fevereiro de 2004 na hipótese do PIS) ou pela do inc. IX (entrega dos produtos vendidos aos adquirentes, nesta hipótese a partir de 1º de fevereiro de 2004, já que introduzida norma específica com vigência a partir dessa data, a mesma que contemplou os custos com armazenagem). Por conta disso, entendo que o frete na aquisição de insumos e no transporte de produtos acabados dão direito ao crédito de Contribuição ao PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para, relativamente a parte objeto de recurso, manter a glosa de créditos exclusivamente em relação aos produtos de laboratório, condimentos, uso e consumo, matéria prima, embalagem e indústria. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, é oportuno esclarecer que, no recurso em apreço, a recorrente contesta a glosa (i) dos créditos relativos às despesas com frete do transporte de matérias primas entre os estabelecimentos industriais da própria recorrente e (ii) dos créditos relativos às despesas com frete do transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor. Em relação à primeira questão, não houve divergência em relação ao voto proferido pela Relatora, em que propugnou o restabelecimento do valor do crédito glosado. Apenas em relação a segunda questão, houve divergência, sagrandose vencedora a tese que manteve a glosa dos créditos calculados sobre as despesas com fretes relativas ao transporte dos produtos acabados entre estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor. Em relação a esse ponto, com a devida vênia da i. Relatora, a meu ver, a melhor interpretação está com o órgão de julgamento de primeiro grau, que manteve a glosa dos referidos créditos com base no argumento de que as despesas com fretes contratados para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não integravam o conceito de insumo utilizado na produção de bens destinados à venda. Por outro lado, alegou recorrente que no art. 3°, II, da Lei n° 10.833, de 2003, inexistia vedação ao aproveitamento dos créditos sobre serviços onerosos de transportes, nas operações de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, entendendo, assim, que tais serviços de transportes estão inclusos no conceito de insumos de produção de mercadorias destinadas à venda. Como visto a controvérsia cingese ao conceito de insumo. Nesse particular, a meu ver, não assiste razão à recorrente. O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, limita a possibilidade de crédito apenas às aquisições de bens e serviços utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens. Fl. 6501DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.502 16 No caso, como se trata de estabelecimento industrial, são considerados insumos apenas às aquisições de bens e serviços utilizados no processo de produção dos bens de venda da recorrente. Assim, ficam excluídos do referido conceito os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação. Em decorrência dessa conclusão, temse que apenas os custos e as despesas realizadas após a conclusão do processo de fabricação, expressa e taxativamente (numerus clausus), relacionadas nos incisos III a X da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcritos, permitem a apropriação dos créditos em apreço: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) [...] (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos legais, verificase que apenas as despesas com frete atinentes à operação de venda foi contemplada com a permissão de apropriação de crédito, logo, por falta de previsão legal, ficam excluídas as despesas com frete relativas ao Fl. 6502DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 3102002.044 S3C1T2 Fl. 6.503 17 transporte dos produtos acabados realizado entre o estabelecimento industrial e o estabelecimento distribuidor, operação que, obviamente, não se enquadra no conceito de operação de venda. Por todo o exposto, negase PROVIMENTO ao recurso em relação à glosa dos créditos calculados sobre o valor das despesas com transporte dos produtos acabados do estabelecimento industrial para o estabelecimento distribuidor. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 6503DF CARF MF Impresso em 14/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /03/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por ANDREA MEDRADO DA RZE, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10920.911364/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 64 /2 01 2- 31 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911364/201231 Acórdão n.º 3803005.651 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10280.722267/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator Designado.
EDITADO EM: 27/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o conselheiro Walber José da Silva, relator. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado. EDITADO EM: 27/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 26 7/ 20 09 -5 2 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 721 2 Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, relativo ao 2º trimestre de 2007. A autoridade administrativa competente deferiu, em parte, o pedido da interessada porque efetuou glosas de créditos pelas razões consignadas no Relatório Fiscal, abaixo transcritas: 10) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 06.A / 06B. / 02): Através dos arquivos magnéticos recebidos (planilha excel) onde consta relação completa de todas notas fiscais de insumos adquiridos, bem como sua aplicação no processo produtivo, realizamos verificação de sua consistência pela analise física de algumas notas fiscais (solicitadas por amostragem) e constatamos a irregularidades dos valores alocados na ficha 06A/06B., item 02 da DACON, conforme detalhamento na planilha 10 e 11, anexas. A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda da propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. GLOSAS EFETUADAS 10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados. [...]11) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A /03): Pela analise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas. [...]13) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 06A / 06B / 10) A empresa utilizou créditos decorrentes da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: 13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4(quatro anos) correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art. 3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865, art 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2° e art. 2°, § 2º , e inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados à venda. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 722 3 Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda. 2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. 13.1.1 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens não se enquadram como máquinas ou equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda, conforme exigência legal para gozo do benefício. 13.1.2 Bens considerados pelo contribuinte com aproveitamento dos créditos no prazo de 04 (quatro) anos e glosados pela fiscalização por considerar que tais bens caracterizamse como Edificações, não abrangidos pelos benefícios acima referidos embora sejam do ativo imobilizado. Em relação à construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma só entrou em operação a partir de janeiro de. 2006 e a Expansão III somente em 2008 Notas: a) Não foi concedido o benefício para os outros bens, senão máquinas e equipamentos, destinados ao Ativo Imobilizado utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. b) A partir de l°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. 13.2 Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a l/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto n° 5.988/2006). Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses, constatamos diversa irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, abaixo transcrito. a) Foram glosados créditos gerados sobre bens e serviços utilizados como insumos, mais especificamente o Óleo BPF, Ácido Sulfúrico, Inibidor de Corrosão e Transporte de Rejeitos Industriais, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda, o Fl. 722DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 723 4 que estaria em dissonância com o art. 8º, § 4º, inciso II, da IN SRF 404/2004. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) A contribuição, por incidir sobre a receita e o faturamento, não se encontra atrelada a produto específico, no que tange ao sistema de desconto de créditos, não segue a técnica do imposto contra imposto, sendo adotado, para tal tributo, ao revés o critério da base contra base, viabilizando a diminuição da base de cálculo de determinados custos, encargos e despesas enumerados em lei e relacionados à atividade da pessoa jurídica. Ponto fundamental, portanto, é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A maior parte das glosas dos bens utilizados como insumos referese à aquisição de combustível (BPF) e carvão energético considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, embasada no art. 3º, IX, da Lei 11.488/2007, que só admitiu crédito a partir de 15/06/2007. Com isso, as aquisições de combustíveis e carvão utilizados nas caldeiras a partir de 16/06/2007 não deveriam ser objeto de glosa pela fiscalização. Porém, no mês de junho de 2007 todas as aquisições de BPF, posteriores a 15/06/2007, foram glosadas. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, Fl. 723DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 724 5 não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Quanto à glosa sobre bens considerados edificações e componentes do Ativo Imobilizado, não há como se deixar de reconhecer que as razões que teriam conduzido a autoridade fiscal à glosa padecem de inegável confusão, na medida em que as ressalvas apontadas coincidem com enunciados legais que asseguram ao contribuinte o direito ao desconto de créditos sobre tais despesas. A Fiscalização afirma que a postulante creditarase indevidamente das despesas que desembolsou, porque diriam respeito a máquinas e equipamentos que não poderiam ser enquadrados como insumos, uma vez que não haveria aplicação direta. A rigor, segundo a fiscalização, em grande parte tais valores diriam respeito ao ativo imobilizado, senão deveriam ser conceituados como edificação (??!!), por isso, seriam despesas não passíveis de se converter em descontos sobre o valor a recolher de Cofins e PIS no plano da nãocumulatividade (??!!). Contudo, os arts. 2º e 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prescrevem exatamente o contrário. Em suma, mesmo que as máquinas e equipamentos e suas peças devessem ser enquadrados no ativo imobilizado, a legislação ampara o desconto dos respectivos créditos, assim como das edificações aplicadas às atividades da pessoa jurídica. A menos, portanto, que a fiscalização expusesse e demonstrasse (o que nem remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra finalidade que não fosse a produção de alumina (que representa a atividade exclusiva da contribuinte), a recusa de reconhecerlhes a geração de créditos resvala para o indefensável. E quanto às razões expendidas no sentido de que tais despesas também seriam indedutíveis em razão de não poderem ser enquadradas como insumos, tratase de equívoco, representando glosas pautadas por critério inconciliável com a diretriz constitucional da nãocumulatividade, bem como de sua previsão infraconstitucional. Atualmente, há inúmeras decisões do CARF, inclusive da CSRF, assegurando o direito ao desconto dos créditos sobre quaisquer custos ou despesas que a empresa tenha suportado para a produção do bem ou prestação do serviço. Nestes casos, a menos que a fiscalização explicite que a edificação ou bem do ativo imobilizado ou insumo (que a fiscalização afirma não ser insumo) não sejam empregados na produção do bem ou serviço prestado não pode solenemente glosálos. Relata e discute decisões administrativas, judicial e soluções de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de PIS a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de PIS sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. Transcreve excertos de decisão judicial, aduzindo que o critério fundamental para a concessão do crédito sobre insumos é da essencialidade ao processo produtivo, excluindo naturalmente a generalidade dos custos industriais e comerciais que não geram crédito se não forem imprescindíveis. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10637/2002. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto Fl. 724DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 725 6 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Parecer que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/2007 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 ao PIS, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10637/2002, que não apenas elencou quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminou quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. Não há como nem porque, seja à luz da Constituição, seja à luz da lei ordinária, reduzir ainda mais sua amplitude, ainda mais com base em interpretações extraídas de outras normas ou decisões que são eminentemente interpretativas e que, como tais, não podem inovar nem positiva nem negativamente. No caso vertente, Fl. 725DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 726 7 convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10.637, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária, concluindo, com supedâneo nas apreciações técnicas já declinadas, que as glosas são insustentáveis, traduzindo por todos os motivos expostos a inviabilização da nãocumulatividade quer constitucional quer infraconstitucional. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização, esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. A autoridade julgadora de primeira instância deferiu, em parte, a solicitação da interessada, para admitir o crédito na aquisição de óleo BPF feita a partir de 15/06/2007, nos termos do Acórdão nº 0124.976, de 16/05/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 727 8 Na nãocumulatividade do PIS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Ciente desta decisão em 24/05/2012, a interessada ingressou, no dia 22/06/2012, com recurso voluntário, no qual renova as alegações da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Redator Designado. Pedi vista do processo para melhor analisar todos os fatos e detalhes da discussão posta em análise. Da decisão recorrida transcrevo resumo da controvérsia instalada: No caso concreto, vêse que a unidade de origem, por intermédio de relatório fiscal e auto de infração, evidenciou de forma detalhada as razões de fato e de direito do seu convencimento, indicando que, para o cálculo do direito creditório a ser reconhecido em sede administrativa, procedeu às seguintes alterações: a) Glosou Combustíveis e Carvão Energético, utilizados como Energia Térmica e considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu tais créditos a partir de 15/06/2007; b) Glosou bens ou produtos não aplicados diretamente no processo produtivo, integrantes do ativo imobilizado ou que não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo, bem como seus respectivos fretes – conforme detalhado em planilha específica; c) Glosou Serviços que não foram considerados como utilizados na produção dos bens, conforme detalhado nas planilhas 8 e 9; d) Por intermédio dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatou a existência de bens que não se enquadram como máquinas ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, efetuando a glosa de máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na Fl. 727DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 728 9 produção dos produtos destinados a venda e Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações (conforme planilhas 01 a 07B). A Recorrente alega, no tocante as glosas relativas a bens e equipamentos constantes do ativo imobilizado (item b e d acima), que: Em suma, ainda que o raciocínio engendrado pelo D. Fiscal fosse totalmente correto no sentido de que as máquinas e equipamentos, bem como suas peças devessem ser enquadradas como integrantes do Ativo Imobilizado e Edificações da postulante, a legislação ampara o desconto dos créditos sobre o Ativo Imobilizado utilizado na produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços assim como das edificações aplicadas às atividades da empresa, logo, resta, data máxima vênia, incompreensível a manutenção das glosas sob tal fundamento (??!!) A menos, portanto, que a I. Fiscalização expusesse e demonstrasse (o que remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra finalidade que não fosse a produção de alumínia (o que é de todo inverossímel já que a Alunorte é uma “empresa totalmente voltada à produção de aluminia”, em qualquer outra utilização possível para seus equipamentos, edificações e afins), a recusa em reconhecerlhes a geração de créditos a serem descontados das bases apuratórias de COFINS e PIS/PASEP, resvala para o indefensável. As glosas não se sustentam em face da legislação vigente. Em relação aos bens do ativo imobilizado de fato repousa dúvida a este conselheiro em relação às glosas efetuadas. Ressalto que um dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal e replicado pela decisão recorrida é de que foram glosadas despesas que “não continham descrição detalhada ou informação acerca de sua aplicação no processo produtivo”, o que reforça ainda mais a necessidade de melhor análise do trabalho fiscal e do processo produtivo da Recorrente. Ainda, a existência de um grande quantidade de informações e planilhas dificulta, ao menos a este conselheiro, a visualização dos créditos que foram deferidos e os que foram efetivamente glosados. Restando duvido, por exemplo, quanto a apuração de créditos relacionados a depreciação normal dos bens do ativo imobilizado, nos casos em que se entendeu que a depreciação incentivada não era aplicável. Vejase, a título ilustrativo o seguinte trecho da decisão recorrida: Inicialmente, os resumos constantes das planilhas 03 (fl. 178, Quadro 03 –Créd Considerado pela Fiscalização por CFOP), 06 (fl. 207, coluna “Valor Aceito”), 07B (fls. 212/214 – Crédito em 48 parcelas após glosas do ativo imobilizado), 07E (fls. 256/258, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Interno) e 07F (fls. 259/261, Crédito em 12 parcelas com as glosas efetuadas pela fiscalização – Mercado Externo) exibem claramente que tais glosas simplesmente não alcançaram a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado Fl. 728DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10280.722267/200952 Resolução nº 3302000.397 S3C3T2 Fl. 729 10 cada uma das glosas perpetradas para, na seqüência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas cada uma das modalidades de depreciação adotadas pelo sujeito passivo. Tendo em vista os pontos levantados pela Recorrente em seu recurso e as duvidas existentes em relação a alguns pontos enfrentados pela decisão recorrida, entendo por bem baixar o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI1 da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Gomes 1 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços Fl. 729DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 10435.001471/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2302-002.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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RECURSO APRESENTADO DEPOIS DE FINDO O PRAZO DE 30 DIAS. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado após finalizado o prazo de 30 dias, contados da ciência do acórdão de impugnação, por parte do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, de acordo com o relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LEO MEIRELLES DO AMARAL, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 71 /2 00 9- 25 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001471/200925 Acórdão n.º 2302002.698 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória nº 37.227.2517, lavrado em 06/07/2009, em face de LOURIVAL JOSE DA SILVA ESPOLIO, no valor de de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), referente a multa por ter o contribuinte deixado de apresentar, apesar de intimado, documentos solicitados pela fiscalização, infringindo, assim, o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Segundo Relatório Fiscal, o contribuinte, ainda que regularmente intimado, deixou de apresentar à fiscalização os documentos referentes à conta 3.3.1.06.018 (Serviços Prestados Pessoa Física) e os livros Diário e Razão de 2008. Ainda, apresentou os livros Diário dos anos 2006 e 2007 sem registro na junta comercial. A multa foi aplicada nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinados com o art. 283, II, j, e art. 373 do Decreto 3.048/99, graduada nos termos do art. 292, I, do RPS. Ciente da autuação, o contribuinte apresentou impugnação às fls. 32 e seguintes, entretanto, a autuação foi mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, às fls.135/144, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2006, 2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU APRESENTAÇÃO IRREGULAR. PROCEDIMENTO FISCAL. INTIMAÇÕES. REGULARIDADE. As intimações perpetradas pelo auditor autuante no desenvolvimento do procedimento fiscal foram efetuadas de forma regular. Qualquer prejuízo que porventura tenha suportado o autuado, deuse por culpa in eligendo ou in vigilando, de responsabilidade exclusiva do mesmo. As Lei 9.784/1999 e 5.869/1973 aplicamse ao Processo Administrativo Fiscal apenas de forma subsidiária, enquanto o Regulamento do Estado da Paraíba sequer subsidiariamente se aplica ao caso concreto. MULTA APLICADA. LEGALIDADE. A penalidade aplicada obedeceu o disposto no art. 92, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 283, inciso II, alínea "j", do RPS. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PRONUNCIAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001471/200925 Acórdão n.º 2302002.698 S2C3T2 Fl. 4 3 A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de normas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs, em 13/04/2011, Recurso Voluntário, sob exame, às fls. 147/165, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: a) A intimação da conclusão da fiscalização é nula, uma vez que foi realizada a pessoa que não detinha poderes para tal ato. b) Também nulo é o Auto de infração por ausência de requisitos essenciais para sua validade e constituição, qual seja, a indicação da fundamentação legal da autuação. c) Outra causa de nulidade do Auto de Infração é o cerceamento de defesa promovido em razão de não constar, na autuação, a alíquota e a base de cálculo utilizadas. d) Da impossibilidade de manutenção da multa em razão do crédito principal estar parcelado, nos termos da lei n° 11.941/2009. e) A Recorrente está sendo bitributada pelo mesmo fato gerador, visto que recolheu as contribuições previdenciárias no prazo. f) A multa não observa os princípios da tipicidade, proporcionalidade e da razoabilidade. g) A penalidade imposta possui caráter confiscatório. h) É possível aos tribunais administrativos apreciar a inconstitucionalidade das normas. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade A ora Recorrente tomou ciência do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, no dia 03/03/2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13/04/2011. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10435.001471/200925 Acórdão n.º 2302002.698 S2C3T2 Fl. 5 4 Todavia, o art. 33, da Lei 70.235/75, diz que o prazo para a apresentação do referido Recurso é de 30 dias, contados a partir da ciência da decisão pelo contribuinte, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta feita, se a ciência da decisão deuse em 03/03/2011, o fim do prazo para a apresentação do Recurso ocorreu em 02/04/2011. Sendo assim, se a ora Recorrente apresentou suas razões em época posterior à data supramencionada (13/04/2011), temos que o Recurso em referência se encontra intempestivo, tornando, portanto, incabível sua apreciação por este Conselho. Da Conclusão Ante ao exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, por ser este, intempestivo. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/09/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10380.913372/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.039
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração do imposto a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título do imposto desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 72 /2 00 9- 71 Fl. 824DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 825 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 826 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 29/05/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 05614.20799.290508.1.3.044389 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débito informado: CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 5952 02 Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003, período de apuração 1ª Quinzena de Maio/2008, data de vencimento 30/05/2008, R$ 961,42; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 708,96; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/07/2005, código de receita 5993 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 1.876.090,74, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 41). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 748.249,15. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 827 4 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 41); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível do IRPJ mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência do IRPJ; f) que não há que se cogitar em incidência do IRPJ, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto; g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório); Por fim, com base nessas razões, conclui a Contribuinte que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face da apuração de prejuízo contábil devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 828 5 A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento de pagamento de estimativa como crédito, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/38), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acresceentou: que, embora tendo efetuado o pagamento do IRPJ Estimativa Mensal no montante de R$ 1.876.090,74 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia imposto de renda a pagar nesse período, pois, na Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução , apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, que a soma do imposto pago por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor do imposto apurado com base em Balanço ou Balancete mensal; Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 829 6 que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como IRPJ Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo do IRPJ do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido do IRPJ do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 1.876.090,74; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 830 7 que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) – fls. 63/71, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 63/71), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 76/820). Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 831 8 Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 817/819). Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 820), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.821). É o relatório. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 832 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ R$ 708,96 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 1.876.090,74 (valor original) de IRPJ estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 5993, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido do IRPJ estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito do imposto, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de IRPJ estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte: 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 833 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 63/71). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 817/819), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 1.876.090,74, referente ao IRPJ – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com o débito de R$ 961,42, DCOMP nº 05614.20799.290508.1.3.044389. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal do IRPJ, não sendo devido, portanto, o imposto a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 1.876.090,74 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal do IRPJ de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo do IRPJ Valor devido (estimativa IRPJ) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 834 11 6. Na Ficha 12A da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL VALOR À alíquota de 15% + 6% + Adicional 0,00 DEDUÇÃO () Campos 04 a 16 0,00 () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa 0,00 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 12A, a não utilização do valor ora requerido de R$ 1.876.090,74 na composição de saldo negativo do IRPJ. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 1.876.090,74 (IRPJ N OBR L REAL ESTIMATIVA IRPJ, cód. 5993). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 1.876.090,74. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.137/146. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, meses jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de IRPJ a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 1.876.090,74. 12. (...) 13. Consoante tela, fls.813/816, reservouse parte desse valor, R$ 708,96, cód.rec.5993, arrec. 31/08/2005, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 835 12 Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 11; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido do IRPJ estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito do IRPJ estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 12A DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento do IRPJ mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.913372/200971 Acórdão n.º 1802002.039 S1TE02 Fl. 836 13 Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 708,96 (valor original) utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.001065/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
Ementa:
MEDIDA JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AMPLITUDE.
Embora reste claro que a demanda judicial questionou de forma genérica determinada matéria, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 deve ser direcionada para o montante que, uma vez explicitado na peça vestibular apresentada, tenha sido acolhido pela autoridade judicial demandada.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
A declaração de definitividade de constituição do crédito tributário e a determinação de imediata de cobrança, acompanhados de ressalva acerca da faculdade de interposição de recurso, nenhum prejuízo traz ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte autuado, motivo pelo qual descabe falar em nulidade do ato decisório que incorreu na aparente contradição.
RAZÕES DE DEFESA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (SÚMULA CARF Nº 01).
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 1301-001.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Valmir Sandri
Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 Ementa: MEDIDA JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AMPLITUDE. Embora reste claro que a demanda judicial questionou de forma genérica determinada matéria, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 deve ser direcionada para o montante que, uma vez explicitado na peça vestibular apresentada, tenha sido acolhido pela autoridade judicial demandada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A declaração de definitividade de constituição do crédito tributário e a determinação de imediata de cobrança, acompanhados de ressalva acerca da faculdade de interposição de recurso, nenhum prejuízo traz ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte autuado, motivo pelo qual descabe falar em nulidade do ato decisório que incorreu na aparente contradição. RAZÕES DE DEFESA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (SÚMULA CARF Nº 01). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 423 1 422 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001065/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.349 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ DESMUTUALIZAÇÃO E MULTA ISOLADA Recorrente SANTANDER S/A CORRETORA DE CÂMBIO E TÍTULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 Ementa: MEDIDA JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AMPLITUDE. Embora reste claro que a demanda judicial questionou de forma genérica determinada matéria, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 deve ser direcionada para o montante que, uma vez explicitado na peça vestibular apresentada, tenha sido acolhido pela autoridade judicial demandada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A declaração de definitividade de constituição do crédito tributário e a determinação de imediata de cobrança, acompanhados de ressalva acerca da faculdade de interposição de recurso, nenhum prejuízo traz ao exercício do direito de defesa por parte do contribuinte autuado, motivo pelo qual descabe falar em nulidade do ato decisório que incorreu na aparente contradição. RAZÕES DE DEFESA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (SÚMULA CARF Nº 01). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 10 65 /2 00 9- 76 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 424 2 IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Valmir Sandri Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 425 3 Relatório Por bem sintetizar os fatos apurados, as infrações imputadas à fiscalizada e as razões de defesa trazidas em sede de impugnação, transcrevo o relatório constante na decisão de primeiro grau. Trata o processo de autos de infração eletrônicos lavrados pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro, Deinf/SP, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), Multa Isolada, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), e Multa Isolada, respectivamente, nos valores de R$2.233.559,42, R$1.116.779,71, R$804.081,39 e R$402.040,70. Os tributos lançados foram acrescidos de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 30.09.2009. A descrição dos fatos nos autos de infração informa que houve duas infrações: infração 001: omissão de ganho na devolução do patrimônio social de entidade isenta, (Bovespa e BM&F); infração 002: falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução. O enquadramento legal consta nos respectivos autos de infração. As infrações afetaram a CSLL. Em relação à infração 001, no que se refere à Bovespa, o Termo de Verificação Fiscal 01/2009.001097, informa que: a desmutualização da Bovespa ocorreu por deliberação da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28 de agosto de 2007, data em que a Interessada era proprietária de 12 (doze) títulos patrimoniais, avaliados e contabilizados pelo valor de R$18.826.682,28; o processo de desmutualização consistiu na redução substancial da Bovespa, associação sem fins lucrativos, que se deu mediante transferência de seu patrimônio e de suas atividades essenciais a favor da sociedade empresarial (sociedade anônima) constituída para este fim, a Bovespa Holding S.A; a Interessada que na qualidade de associado da Bovespa detinha aqueles 12 (doze) títulos patrimoniais, recebeu ações ordinárias da nova sociedade empresarial constituída, Bovespa Holding S.A., no valor total de R$18.825.644,52; a Interessada não apresentou nenhum documento de aquisição onerosa dos títulos patrimoniais; assim, nenhum valor lhes foi atribuído a título de custo de aquisição; os valores dos títulos patrimoniais foram sendo atualizados monetariamente através de cálculos efetuados com base nos balanços e demonstrações financeiras da Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 426 4 Bovespa, sendo que as contrapartidas dos lançamentos foram registrados em conta de reserva sem transitar por contas de resultado; ocorre que a Interessada em 26122007, impetrou mandado de segurança, processo n.° 2008.61.00.0000322, na 19ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, a fim de requerer: a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente à atualização do valor dos títulos patrimoniais que detinha da Bovespa, espelhados pela conta Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais; a concessão definitiva da segurança, ou subsidiariamente que fosse reconhecida a não incidência de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente às atualizações procedidas até o advento da Solução de Consulta n° 10/07 da Cosit e o reconhecimento da decadência do direito de constituir crédito tributário relativo a todas as atualizações levadas a efeito até o ano de 2002; subsidiariamente, que fosse reconhecido que ainda não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ e CSLL no caso dos autos, o que só poderia acontecer por força de potencial alienação destes títulos convertidos em ações, declarandose em conseqüência a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente às ações que não foram alienadas. houve indeferimento da liminar em 26/12/2007, decisão mantida em 1ª instância em 27/12/2007, visto que a impetrante não apresentou elemento novo que justificasse nova apreciação da matéria; decisão proferida em 28/12/2007 pelo TRF da 3ª Região, no Agravo de Instrumento 2007.03.00.1051159, concedeu parcialmente o efeito suspensivo à decisão agravada, para suspender até reapreciação da matéria pela Relatora o recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa em poder das recorrentes e que foram convertidos em ações; a Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo de instrumento, nos termos do voto da Relatora, no sentido de que a operação de desmutualização amoldase à específica disposição do art. 17 da Lei 9.532/97; posteriormente, sentença judicial de 1ª instância, concedeu a segurança, para afastar a incidência do Imposto sobre a renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as impetrantes detinham da Bovespa, espelhadas pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos em ações; a apelação da União foi recebida com efeito devolutivo, e os autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.00.0000322 encontramse conclusos ao relator e os autos do Agravo de Instrumento n° 2007.03.00.1051159 tiveram baixa definitiva à seção judiciária de origem; após a decisão de 1ª instância, a União ingressou com o Agravo de Instrumento n° 2009.03.00.0247006, cujos autos encontramse conclusos ao relator; Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 427 5 tendo por base que a diferença entre o valor devolvido (ações) e o valor originalmente entregue para a formação do patrimônio da entidade (custo original dos títulos patrimoniais) é ganho tributável, passouse à apuração deste ganho; assim, aplicandose o disposto no artigo 17 da Lei n° 9.532/97 na apuração do ganho oriundo da substituição dos Títulos Patrimoniais da Bovespa por ações da Bovespa Holding S/A, originando a devolução do patrimônio da Bovespa à Interessada, o resultado corresponde ao próprio valor contabilizado para as ações recebidas no processo de desmutualização, que foi de R$18.825.644,52; em decorrência da acima mencionada concessão de segurança para afastar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa constantes na conta Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, valor de R$13.353.606,84, a diferença de R$ 5.472.037,68, será lançada com a multa de 75%. Em relação à infração 002, o termo de verificação informa que o ganho obtido no processo de desmutualização da BOVESPA (R$ 18.825.644,52) deveria fazer parte das bases de cálculo da estimativa do IRPJ e da CSLL no mês de agosto de 2007. No que se refere à parcela não coberta pela decisão judicial (R$ 5.472.037,68), cabe o lançamento da multa isolada de 50% prevista no art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, cujo cálculo está demonstrado às fls.111. Em relação à infração 001, no que se refere à BM&F, o Termo de Verificação Fiscal 02/2009.001097, informa que: a desmutualização da BM&F teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos BM&F, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a BM&F S/A; a Interessada que na qualidade de associado da BM&F detinha 3 (três) títulos patrimoniais, recebeu ações ordinárias da BM&F S/A, no valor total de R$9.869.625,00; a Interessada não apresentou nenhum documento de aquisição onerosa dos títulos patrimoniais; assim, nenhum valor lhes foi atribuído a título de custo de aquisição; os valores dos títulos patrimoniais foram sendo atualizados monetariamente através de cálculos efetuados com base nos balanços e demonstrações financeiras da BM&F, sendo que as contrapartidas dos lançamentos foram registrados em conta de reserva sem transitar por contas de resultado; ocorre que a Interessada em 26122007, impetrou mandado de segurança, processo n.° 2008.61.00.0000322, na 19ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, a fim de requerer: a concessão de medida liminar para suspender a exigibilidade de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente à atualização do valor dos títulos patrimoniais que detinha da BM&F, espelhados pela conta Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 428 6 a concessão definitiva da segurança, ou subsidiariamente que fosse reconhecida a não incidência de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente às atualizações procedidas até o advento da Solução de Consulta n° 10/07 da Cosit e o reconhecimento da decadência do direito de constituir crédito tributário relativo a todas as atualizações levadas a efeito até o ano de 2002; subsidiariamente, que fosse reconhecido que ainda não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ e CSLL no caso dos autos, o que só poderia acontecer por força de potencial alienação destes títulos convertidos em ações, declarandose em conseqüência a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente às ações que não foram alienadas. houve indeferimento da liminar em 26/12/2007, decisão mantida em 1ª instância em 27/12/2007, visto que a impetrante não apresentou elemento novo que justificasse nova apreciação da matéria; decisão proferida em 28/12/2007 pelo TRF da 3ª Região, no Agravo de Instrumento 2007.03.00.1051159, concedeu parcialmente o efeito suspensivo à decisão agravada, para suspender até reapreciação da matéria pela Relatora o recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais da BM&F em poder das recorrentes e que foram convertidos em ações; a Quarta Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo de instrumento, nos termos do voto da Relatora, no sentido de que a operação de desmutualização amoldase à específica disposição do art. 17 da Lei 9.532/97; posteriormente, sentença judicial de 1ª instância, concedeu a segurança, para afastar a incidência do Imposto sobre a renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as impetrantes detinham da BM&F, espelhadas pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos em ações; a apelação da União foi recebida com efeito devolutivo, e os autos do Mandado de Segurança n° 2008.61.00.0000322 encontramse conclusos ao relator e os autos do Agravo de Instrumento n° 2007.03.00.1051159 tiveram baixa definitiva à seção judiciária de origem; após a decisão de 1ª instância, a União ingressou com o Agravo de Instrumento n° 2009.03.00.0247006, cujos autos encontramse conclusos ao relator; tendo por base que a diferença entre o valor devolvido (ações) e o valor originalmente entregue para a formação do patrimônio da entidade (custo original dos títulos patrimoniais) é ganho tributável, passouse à apuração deste ganho; assim, aplicandose o disposto no artigo 17 da Lei n° 9.532/97 na apuração do ganho oriundo da substituição dos Títulos Patrimoniais da BM&F por ações da BM&F S/A, originando a devolução do patrimônio da BM&F à Interessada, o resultado corresponde ao próprio valor contabilizado para as ações recebidas no processo de desmutualização, que foi de R$9.869.625,00; em decorrência da acima mencionada concessão de segurança para afastar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais da BM&F constantes na conta Reserva de Atualização de Títulos Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 429 7 Patrimoniais, valor de R$6.407.425,00, a diferença de R$ 3.462.200,00, será lançada com a multa de 75%. Em relação à infração 002, o mesmo termo de verificação informa que o ganho obtido no processo de desmutualização da BM&F (R$9.869.625,00) deveria ter feito parte das bases de cálculo da estimativa do IRPJ e da CSLL no mês de outubro de 2007. No que se refere à parcela não coberta pela decisão judicial (R$3.462.200,00), cabe o lançamento da multa isolada de 50% prevista no art. 44, inc. II, da Lei n° 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007), sobre o valor do pagamento mensal não efetuado, cujo cálculo está demonstrado às fls.123. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 09102009, a Interessada apresentou em 10112009, a sua impugnação instruída com documentos, arguindo em síntese que: o custo de aquisição dos títulos não poderia ser outro senão a diferença entre os valores contábeis atualizados: R$18.825.644,52 (Bovespa) e R$9.869.625,00 (BM&F) e os montantes que representam a sua atualização ao longo do tempo: R$ 13.353.606,84 (Bovespa) e R$ 6.407.425,00 (BM&F); a atribuição de valor “zero” ao custo de aquisição dos títulos é equivocada, pois o Fisco tinha condições de identificar, por meio dos documentos contábeis, os valores que representam tais custos; os montantes de R$5.472.037,68 e R$3.462.200,00, considerados como ganhos, na realidade, são custos de aquisição, uma vez que a parcela que aumenta é tão somente a conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e, proporcionalmente, a conta “Títulos Patrimoniais”; houve violação ao artigo 276, do RIR/99, pois, a contabilidade faz prova em favor do contribuinte, e esta aponta na direção em que os custos dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F são, respectivamente, R$ 5.472.037,68 e R$ 3.462.200,00; considerandose que o auto de infração foi lavrado em 09/10/2009, e os Títulos Patrimoniais foram adquiridos antes de 2004, não poderia o Fisco questionar o valor do custo de aquisição dos referidos títulos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos do CTN; não se aplica o artigo 17 da Lei n 9.532/97, uma vez que inexiste ganho no processo de desmutualização nem disponibilidade financeira passível de tributação; houve mera substituição dos títulos por ações em decorrência de operação societária de transformação de associação civil em sociedade por ações, operação expressamente prevista pelo artigo 2.033 do Código Civil de 2002; logo, se ocorreu a transformação societária de associação para sociedade por ações, aplicase ao caso dos autos o artigo 1.113 do Código Civil de 2002, que dispõe que o ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade; se a própria legislação estabelece expressamente que não há extinção da sociedade primitiva, que foi transformada, não há como concluir que houve extinção das associações Bovespa e BM&F; Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 430 8 a suposta extinção não ocorreu nem de fato, haja vista que nenhuma corretora foi convocada para receber seus ativos de volta, nem de direito, pois a legislação é clara ao indicar que não houve extinção das associações para a criação da sociedade por ações, do que se infere que nem mesmo em enfoque estritamente jurídico poderseia falar em uma devolução dos valores; não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do anobase; não cabe a aplicação concomitante da multa isolada com a multa proporcional, uma vez que não pode haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação de multas; é ilegal e inconstitucional a aplicação da Taxa Selic; é ilegal a cobrança de juros sobre multa. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazida em sede de defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 1237.457, de 27 de maio de 2011, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: DESISTÊNCIA DO PROCESSO. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo na parte correlata. PROVA DOCUMENTAL. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados somente se comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. O artigo 44, da Lei nº.9.430, de 1996, ao prever as infrações por falta de recolhimento de antecipação e de pagamento do tributo ou contribuição (definitivos) não significa duplicidade de tipificação de uma mesma infração ou penalidade. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 319/364), por meio do qual, reiterando argumentação expendida na peça impugnatória, adita: que, na linha do argumentado na peça impugnatória, mesmo que os custos dos Títulos Patrimoniais fossem “zero”, toda a diferença entre os custos de aquisição (“zero”) e os valores atualizados dos títulos (R$ 18.825.644,52 e R$ 9.869.625,00) corresponderiam justamente à atualização desses ativos, cuja tributação foi expressamente afastada pelas decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0000322; que, diante do considerado no item precedente, é certo que a integralidade da exigência deveria ter sido lançada com a exigibilidade suspensa, ou seja, sem a adição da multa de ofício de 75%; que não há nenhum óbice para que o contencioso administrativo seja mantido, pois: a) a principal questão em discussão é a quantificação do “custo de aquisição” Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 431 9 dos títulos, matéria essa totalmente divergente do objeto da ação judicial mencionada pela DRJ, devendo, portanto, ser analisada por todas as instâncias julgadoras administrativas; b) existem outras matérias diferenciadas, não discutidas nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0000322; c) é equivocada a interpretação dada pelas autoridades fiscais ao art. 38 da Lei nº 6.830/80; e d) caso o mérito discutido na ação judicial não seja apreciado, o julgamento do presente processo deve ser sobrestado, sob pena de afronta aos direitos constitucionais ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa; que deve ser declarada a nulidade da decisão proferida em primeira instância, ou, caso assim não se entenda, ela (a decisão) deve ser reformada no que diz respeito à constituição definitiva do crédito tributário, dandose seguimento ao recurso, ao menos em relação à matéria diferenciada da ação judicial; que o contencioso administrativo não poderá ser extinto com relação à matéria submetida à apreciação judicial, tendo em vista que o art. 38 da Lei nº 6.830/80 não se aplica ao presente caso; que a Turma Julgadora de primeira instância jamais poderia ter “constituído” multa de ofício no presente caso, sob pena de indevida alteração do critério jurídico do lançamento; que o que a autoridade fiscal e a Turma Julgadora pretendem tributar, no presente caso, é o custo de aquisição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F, o que não pode ser admitido em qualquer hipótese e não tem qualquer relação com a ação judicial referenciada; que não poderia a DRJ ter alegado que os títulos patrimoniais foram adquiridos sem custo (ou custo “zero”) apenas porque não foi prestada tal informação no curso do procedimento de fiscalização. É o Relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 432 10 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Diante do registro feito pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo no sentido de que a contribuinte autuada foi cientificada da decisão exarada em primeira instância em 12 de julho de 2011 (fls. 421), tenho por tempestivo o recurso impetrado, motivo pelo qual dele conheço. Contra a ora Recorrente foram constituídos créditos tributários relativos a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativos ao anocalendário de 2007, decorrentes de apuração de ganhos auferidos em virtude de devolução do capital aplicado em títulos patrimoniais da BOVESPA e da BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS – BM&F, no âmbito do processo de reestruturação de referidas entidades (DESMUTUALIZAÇÃO). Em conformidade com os Termos de Verificação Fiscal lavrados (nºs 01/2009.001097 e 02/2009.001097, fls. 100 /111 e 112/123, respectivamente), temos que: i) a contribuinte fiscalizada possuía, em 31 de março de 2007, doze títulos patrimoniais da BOVESPA, que foram mantidos até a data da denominada desmutualização; ii) relativamente à BM&F, no momento da desmutualização, a contribuinte fiscalizada detinha: um título de MEMBRO DE COMPENSAÇÃO (R$ 4.961.610,00); um título de CORRETORA DE MERCADORIAS (R$ 4.898.015,00); e um título de SÓCIO EFETIVO (R$ 10.000,00) iii) diante da ausência de informação por parte da fiscalizada, foi atribuído o valor “zero”para os custos de aquisição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F; iv) a autuada impetrou Mandado de Segurança visando: suspender a exigibilidade do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização do valor dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F; o reconhecimento da não incidência de referidas exações sobre o valor de tais atualizações; o reconhecimento da decadência do direito de constituir crédito tributário relativo a todas as atualizações levadas a efeito até o ano de 2002; e o reconhecimento da não ocorrência da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL no caso versado nos autos, mas, sim, no momento de uma eventual alienação dos títulos convertidos em ações; v) relativamente aos títulos patrimoniais da BOVESPA, a matéria tributável apurada foi de R$ 18.825.644,52, que corresponde ao valor contabilizado pela contribuinte para as ações recebidas no processo de desmutualização; vi) no entender da autoridade fiscal, a sentença judicial afasta de forma expressa a exigibilidade do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que a contribuinte detinha no BOVESPA, espelhado pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, no montante de R$ 13.353.606,84, autorizando, Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 433 11 assim, a constituição do crédito tributário relativa a essa parcela com a suspensão da sua exigibilidade; vii) para a Fiscalização, a contrario sensu, o ganho correspondente à diferença entre o montante total obtido no processo de desmutualização (R$ 18.825.644,52) e o valor contabilizado como RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS – BOVESPA (R$ 13.353.606,84), qual seja, R$ 5.472.037,68, não estaria alcançado pela decisão judicial, motivo pelo qual os lançamentos tributários correspondentes foram efetuados sem a suspensão da sua exigibilidade1; viii) relativamente à BM&F, a matéria tributável foi de R$ 9.869.625,00, que corresponde ao valor contabilizado pela contribuinte para as ações recebidas no processo de desmutualização; ix) no entender da autoridade fiscal, a sentença judicial afasta de forma expressa a exigibilidade do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que a contribuinte detinha na BM&F, espelhado pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais, no montante de R$ 6.407.425,00; x) para a Fiscalização, a contrario sensu, o ganho correspondente à diferença entre o montante total obtido no processo de desmutualização (R$ 9.869.625,00) e o valor contabilizado como RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS – BMF (R$ 6.407.425,00), qual seja, R$ 3.462.200,00, não estaria alcançado pela decisão judicial, motivo pelo qual os lançamentos tributários correspondentes foram efetuados sem a suspensão da sua exigibilidade. Como anotado, o presente processo cuida tão somente da parcela de crédito tributário derivada dos montantes que, no entender da Fiscalização, não estavam albergados pela decisão judicial (R$ 5.472.037,68 e R$ 3.462.200,00). Entendeu ainda a autoridade fiscal que, no caso das parcelas que não estão abrigadas pelo pronunciamento judicial, caberia o lançamento da multa de isolada de 50% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, em virtude do recolhimento insuficiente das antecipações obrigatórias (estimativas). Mantida, na íntegra, as exigências por parte da Turma Julgadora de primeiro grau, a contribuinte interpôs recurso voluntário, cujas razões passo a apreciar. CONTRADIÇÃO NA DECISÃO RECORRIDA – INDEVIDA MANUTENÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E A SUPOSTA “SUSPENSÃO” DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Argumenta a Recorrente que, embora tenha demonstrado e comprovado na impugnação apresentada que os valores tributados no presente processo correspondem efetivamente aos custos de aquisição dos títulos patrimoniais e, portanto, não correspondem ao objeto da ação judicial, a Turma Julgadora a quo manteve o entendimento de que referidos custos seriam “zero”. Diz, a título meramente argumentativo, que mesmo que os custos dos citados títulos fossem “zero”, toda a diferença entre os custos de aquisição (“zero”) e os valores 1 O presente processo cuida exatamente dos lançamentos tributários relativos às parcelas que, no entender da autoridade fiscal, não se encontravam com a exigibilidade suspensa. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 434 12 atualizados dos títulos corresponderiam justamente à atualização desses ativos, cuja tributação foi expressamente afastada pelas decisões judiciais proferidas nos autos do Mandado de Segurança. Adita que, seguindo esse raciocínio, é certo que a integralidade da exigência deveria ter sido lançada com a exigibilidade suspensa, sem a adição da multa de ofício de 75%. A questão fulcral a ser enfrentada no presente item diz respeito à definição do conteúdo do pronunciamento da autoridade judicial, de modo que seja possível responder à seguinte indagação: os valores que serviram de suporte para o lançamento tributário foram alcançados pela decisão judicial, de modo que referida constituição, necessariamente, deveria ter sido efetuada com a suspensão de sua exigibilidade? A própria contribuinte afirma que referidos montantes não corresponderam ao objeto da ação judicial, pois, para ela, eles representam o custo de aquisição dos títulos patrimoniais. A argumentação, penso, não encontra respaldo nos autos. Em 12 de março de 2008, por meio de TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL E SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS (fls. 04), a contribuinte foi intimada a informar a data e a forma de ingresso no quadro associativo da BOVESPA e da BM&F e a apresentar o custo de aquisição incorrido em tal processo. Em 17 de abril de 2008 a contribuinte foi reintimada a fornecer as informações e os dados solicitados em 12 de março de 2008 (fls. 18). Nova intimação no mesmo sentido foi formalizada em 08 de maio de 2008 (fls. 19). Em 14 de julho de 2008, a contribuinte prestou a seguinte informação, in verbis (fls. 20): Em atendimento ao Termo de Intimação em referência, informamos: 1 – Conforme documentos anteriormente entregues em atendimento a Intimação nº 1 e em complemento a Intimação nº 3, solicitamos a Bovespa e BM&F informar a data de aquisição e valor dos títulos que o Banco possue (sic) junto a estas instituições. Em resposta, a Bovespa nos informou (a) data de aquisição dos títulos, histórico da movimentação e quantidade de títulos patrimoniais detidos conforme documento em anexo. Também, até o momento, a BM&F não informou os valores que foram entregues para a formação do patrimônio líquido. A contribuinte foi intimada ainda em 18 de agosto de 2008 (fls. 22) e 12 de setembro de 2008 (fls. 23). Em 1º de outubro, relativamente à questão sob apreciação (custos incorridos na aquisição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F), a contribuinte informou (fls. 24): [...] Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 435 13 3 – Conforme resposta anteriormente enviada, informamos que apesar de nossa solicitação efetuada à Bolsa de Valores e BM&F quanto aos valores que foram entregues para formação do patrimônio não obtivemos resposta desta (sic). Em 03 de abril de 2009, a contribuinte foi, mais uma vez, intimada a informar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F (fls. 67/68), tendo sido reintimada em 15 de maio do referido ano (fls. 69). Em atendimento, respondeu (fls. 72): ...conforme informado no atendimento a Intimação nº 08/2008000925, atendimento em 23/01/2009, a BM&F e a BOVESPA não informaram os valores dos custos de aquisições dos títulos nas respectivas bolsas. (GRIFEI) Vêse, pois, que no curso da ação fiscal a contribuinte demonstrou que não detinha meios de, por ela própria, identificar os custos incorridos para ingressar na BOVESPA e na BM&F. Em razão disso, procurou obter a informação junto às referidas entidades, sem, contudo, lograr êxito. Resta claro, assim, que a contribuinte fiscalizada, além de não deter informações acerca dos custos incorridos na aquisição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F, não conseguiu obtêlas dessas próprias entidades. Com o devido respeito, se é verdade que, “por meio dos documentos contábeis apresentados, notadamente o Balancete relativo ao anobase de 2007 (fls. 10, 11, 74 e 75 dos autos), a Autoridade Fiscal tinha condições de identificar, de forma cristalina, qual foi o custo de aquisição dos Títulos patrimoniais em questão”, como assegurou a contribuinte em sua peça impugnatória, por que ela não o fez no curso da ação fiscal? Por que informou reiteradas vezes para a autoridade fiscal que não tinha obtido informações da BOVESPA e da BM&F acerca dos referidos custos? Cumpre ressaltar que a contribuinte detinha perfeito conhecimento acerca do montante que serviria de base para as exigências tributárias caso sua pretensão não fosse acolhida pela autoridade judicial, eis que, na exordial apresentada, assinalou: [...] Assim, caso não deferido o pedido liminar, a Autoridade Coatora considerará como base de cálculo dos tributos em questão não apenas a diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição dos títulos patrimoniais da bolsa, mas a diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição dos títulos patrimoniais da bolsa, provocando, assim, a incidência dos tributos sobre essa atualização apurada durante diversos anos e que jamais esteve submetida à incidência do IRPJ e da CSLL. (GRIFEI) Tentar, em sede de contestação, sustentar que os custos de aquisição são “os montantes que representam a sua atualização ao longo do tempo”, revela tão somente, como adiante restará demonstrado, uma estratégia para remediar os efeitos decorrentes de um pedido inadequadamente formulado em âmbito judicial. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 436 14 Ausentes, pois, informações acerca dos custos de aquisição dos títulos patrimoniais, não restou outra alternativa à autoridade fiscal senão a de considerar como ZERO os referidos custos. A título meramente argumentativo, a Recorrente sustenta que, se os valores em discussão não representam os custos, eles corresponderiam à atualização dos ativos e, nesse caso, a sua tributação teria sido afastada pelas decisões judiciais. A meu ver, resta evidente que os valores submetidos à tributação por meio do presente processo administrativo dizem respeito à atualização dos ativos representativos do ingresso da contribuinte na BOVESPA e na BM&F, como, inclusive, assegura ela própria. Contudo, tal fato, por si só, não autoriza a formalização das exigências com a suspensão da exigibilidade, sendo necessário, para tanto, a análise dos termos da demanda judicial e da amplitude do seu atendimento. Às fls. 29/47, consta a inicial relativa ao Mandado de Segurança, da qual se extrai, não obstante a generalidade com que a figura das “atualizações” tenha sido tratada, o seguinte PEDIDO: [...] Em face do exposto, requerse o deferimento da medida liminar inaudita altera parte para o fim de (que) seja suspensa a exigibilidade do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização do valor dos títulos patrimoniais que as Impetrantes detêm da Bovespa e da BM&F, espelhados pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos recentemente em ações. (GRIFEI) Em perfeita sintonia com o pedido formulado pela fiscalizada, a autoridade judicial assim se pronunciou (fls. 53): CONCEDO A SEGURANÇA requerida para afastar a incidência do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as impetrantes detinham da Bovespa e da BM&F, espelhadas pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos recentemente em ações. [...] Resta claro, assim, que o pedido foi acolhido pela autoridade judicial na exata extensão em que foi formulado pela contribuinte, ou seja, apesar de a contribuinte ter perfeita compreensão que as parcelas que, agora, ela alega que representam os custos de aquisição dos títulos patrimoniais estavam infladas por atualizações, pediu (e foi atendida), apenas, que fosse afastada a incidência das exações sobre as atualizações “espelhadas pela conta Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”. A tentativa de alargar os efeitos da decisão por meio de pronunciamento em âmbito administrativo, à evidência, não pode ser recepcionada. Como dito, o que a contribuinte pretende é, em seara administrativa, suprir lacuna por ela própria provocada a partir da impropriedade do pedido formulado no Poder Judiciário, o que, com a devida vênia, à luz do direito pátrio, não é possível. Tal saneamento deve se dar no âmbito do próprio judiciário, a partir de provocação da interessada. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 437 15 Diante de tais considerações, entendo como correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, não cabendo, assim, o cancelamento da multa de ofício aplicada. CABIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Afirma a Recorrente que a Turma Julgadora de primeira instância, entendendo que ela teria renunciado à esfera administrativa, não apreciou as razões de mérito aduzidas na impugnação apresentada, tendo declarado a constituição definitiva dos créditos tributários de IRPJ e CSLL e determinado o prosseguimento do trâmite administrativo apenas no que diz respeito às multas isoladas. Aduz que, diante de tal decisão, a DEINF/SP a intimou a recolher os créditos tributários que foram declarados definitivamente constituídos, ou a apresentar cópia da decisão judicial que determinou a suspensão da sua exigibilidade, tendo aberto prazo para recurso apenas quanto aos débitos relativos às multas isoladas. Sustenta que a principal questão discutida no presente caso é a quantificação do custo de aquisição dos títulos, matéria essa totalmente divergente do objeto da ação judicial, devendo, portanto, ser analisado por todas as instâncias julgadoras administrativas. Alega que existem outras matérias diferenciadas, não discutidas nos autos do Mandado de Segurança impetrado, que deveram ser apreciadas pelo julgador administrativo. Afirma que é equivocada a interpretação dada pelas autoridades fiscais ao artigo 38 da Lei nº 6.830/80, e, com relação ao mérito discutido na ação judicial, sustenta que, caso este Colegiado decida por não apreciálo, o julgamento do presente processo administrativo deverá ser sobrestado, sob pena de afronta aos direitos constitucionais ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Reitera que não se pode admitir o argumento de que a discussão na esfera judicial justifica a constituição definitiva dos créditos tributários, vez que os argumentos decorrentes da autuação fiscal são estranhos ao Mandado de Segurança, que dizem respeito à totalidade dos valores exigidos a título de IRPJ e CSLL e cuja análise é de competência exclusiva do julgador administrativo. Nessa linha, elenca as seguintes matérias: a) efetiva comprovação dos custos de aquisição dos títulos; b) decadência do direito de lançar; c) inexigibilidade da multa de ofício relativamente a créditos tributários calculados sobre supostas “atualizações”; d) correta interpretação do art. 38 da Lei nº 6.830/80; e) necessidade de respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; e f) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Primeiramente, esclareço que as questões relacionadas à efetiva comprovação dos custos e à multa de ofício aplicada já foram devidamente apreciadas no item precedente. No mais, observo que, de fato, a decisão exarada em primeira instância traz uma impropriedade em sua parte dispositiva ao declarar definitivamente constituído parte do crédito tributário e estabelecer a cobrança imediata dos valores correspondentes. Não obstante, o pronunciamento decisório em questão, ao determinar que a contribuinte fiscalizada fosse intimada para efetuar o recolhimento das exações, ressalvou, de forma expressa, a possibilidade de interposição de recurso voluntário. Vêse, pois, que, em que pese a aparente contradição da decisão recorrida, nenhum prejuízo foi causado à contribuinte, vez que o recurso voluntário foi interposto e o crédito tributário antes declarado constituído de forma definitiva encontrase com a sua exigibilidade suspensa, e assim permanecerá até que se esgotem os meios de defesa em seara administrativa e não existam óbices advindos de pronunciamentos judiciais. Incólume, assim, o regular exercício do direito de defesa por parte da autuada. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 438 16 A questão acerca da possibilidade de a autoridade julgadora administrativa apreciar matérias que foram submetidas ao crivo do poder judiciário, como é cediço, já restou pacificada no âmbito deste Colegiado, tendo sido objeto da súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Cabe destacar, ainda, que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre eventuais inconstitucionalidades de lei tributário, motivo pelo qual deixo de apreciar as considerações da Recorrente acerca de suposto desrespeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A Recorrente manifesta entendimento no sentido de que, caso o mérito discutido na ação judicial não seja apreciado por este Colegiado, o presente processo deverá ser sobrestado, sob pena de afronta aos direitos constitucionais, ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Tal pronunciamento, contudo, não encontra respaldo na legislação processual de regência, não sendo possível, como deseja a Recorrente, aplicar ao presente caso as disposições estampadas nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A (anexo II) do Regimento Interno. À evidência, o sobrestamento referenciados pelos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A (anexo II) do Regimento Interno somente é aplicável na hipótese ali mencionada. Dentre as matérias indicadas como não tendo sido submetida ao crivo da autoridade judicial, a Recorrente aponta a caducidade do direito de se efetuar a constituição dos créditos tributários. Entretanto, a matéria em comento consta expressamente do Mandado de Segurança impetrado, cuja cópia encontrase juntada ao processo às fls. 29/47. Em vista do acima exposto, deixo de apreciar as questões relacionadas à decadência e ao mérito, em si, da autuação. IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DA MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA Sustenta a Recorrente que a multa isolada em questão é inaplicável, seja em razão do encerramento do anobase quando da lavratura dos autos de infração, seja em virtude da impossibilidade de sua cumulação com a multa de ofício. Muito embora reconheça que a questão da aplicação da multa isolada, nas circunstâncias versadas nos presentes autos, constitui matéria controversa, alinhome ao entendimento de que os óbices apontados pela Recorrente não encontram ressonância na legislação de regência. Em primeiro lugar, inexiste na legislação autorizadora da aplicação da multa a condição explicitada pela Recorrente, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da sua aplicação, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, ela não poderia ser aplicada. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 439 17 Destaco, ainda, que a norma impositiva estabelece de forma expressa que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado pela Recorrente decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que não pode ser recepcionado. Entendo, também, que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto e contribuição, apurada a partir da recomposição das respectivas bases de cálculo; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Nessas circunstâncias, a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse a ausência de tributação sobre determinado ganho e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que o mesmo ganho, antes não oferecido à tributação, também não foi considerado na base de cálculo do tributo devido. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo será lançado com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Alega a Recorrente que os juros calculados com base na taxa selic não podem ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, em virtude de absoluta ausência de previsão legal. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentidos diversos, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 440 18 Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 441 19 alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 442 20 Voto Vencedor Tendo acompanhado o Ilustre Relator pela manutenção da exigência relativa ao mérito discutidos nos presentes autos, e discordado quanto a exigência da multa isolada (concomitância) e da incidência dos juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada, fui então designado para redigir o voto vencedor quanto a estas matérias. A primeira questão posta à apreciação é bem delimitada, e diz respeito á possibilidade de aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais concomitantemente com a aplicação da multa por lançamento de ofício sobre os mesmos valores. Tratase de tema já pacificado na Câmara Superior, conforme se constata dos julgados a seguir transcritos por suas ementas: Acórdão 91010.375, de 01/10/2009: IRPJ. MULTA ISOLADA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento do tributo apurado no balanço Acórdão 910100.430, de 03/11/2009, de idêntico teor aos Acórdãos nºs, 910100.500 de 25/01/2010; 910100.501 de 25/01/2010; 910100.502 de 25/01/2010; 9101 01.193, de 17/10/2011; 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 9101 01.455 de 15 de agosto de 2012: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. 9101 000.844, de 22/02/2011 (de idêntico teor: Acórdãos 910101.237, de 21/11/2011; 910101.246, de 22/11/ 2011) FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. NÃO INCIDÊNCIA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 443 21 lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Portanto, ante a jurisprudência acima citada, e por me filiar ao entendimento por ela firmada, DOU provimento ao recurso do contribuinte para excluir tal penalidade. Quanto a segunda matéria incidência de juros de mora sobre a multa de ofício , a tempo venho me manifestando no sentido de que, quando (multas de ofício) não recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão elas sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, e nesse ponto, com a devida vênia, discordo do Ilustre relator que entende pela aplicação de juros moratórios de 1% ao mês. Para fundamentar meu entendimento, transcrevo os diversos dispositivos legais que trataram e tratam da incidência e cobrança de juros de mora, para logo após, tecer minhas considerações que me levaram pela procedência de sua exigência. Vejamos os dispositivos legais: Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 444 22 I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) Da leitura dos dispositivos legais ora transcritos, depreendese claramente que os legisladores definiram, como base de incidência de juros de mora ora, exclusivamente, Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 445 23 “tributos e contribuições” (até o advento da Lei 8.981/95), e posteriormente estendendo sobre os “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União” (a partir da Lei n. 9.430/96) e, débitos de qualquer natureza, no meu entender, esta incluída a multa de ofício. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. Por sua vez, o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da sua falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por seu turno, o § 1o do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não paga no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora calculados com base na taxa Selic acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Na verdade, o que se extrai de toda essa legislação é que o legislador, cessada a correção monetária, quis fazer incidirem os juros de mora também sobre a multa por lançamento de ofício, eis que sua cobrança representa uma compensação pela não disponibilização do valor do débito não recolhido no devido tempo. De forma genérica, correspondem a uma compensação por um empréstimo ou pela utilização do capital de terceiros, os quais, no caso de demora no pagamento de obrigações de natureza tributária têm a mesma natureza, a mesma finalidade: compensar, atualizar, equilibrar, ressarcir as perdas sofridas pelo Fisco, ou seja, seu objetivo é reparar, com pecúnia, o Erário, pelo atraso no recolhimento do débito tributário. Portanto, em relação a esta matéria, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, para manter a exigência dos juros moratórios incidentes sobre a multa de ofício não paga no seu vencimento, calculados com base na taxa Selic. É como voto. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001065/200976 Acórdão n.º 1301001.349 S1C3T1 Fl. 446 24 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinad o digitalmente em 22/01/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904621/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/05/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/05/2007 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 21 /2 01 2- 19 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904621/201219 Acórdão n.º 3801002.400 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904621/201219 Acórdão n.º 3801002.400 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904621/201219 Acórdão n.º 3801002.400 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904621/201219 Acórdão n.º 3801002.400 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004284/2003-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
ERRO MATERIAL. Devem ser acolhidos os embargos quando constatado erro material no dispositivo final do voto condutor, em razão da patente contradição com os autos, a ata de julgamento e os argumentos da decisão.
Numero da decisão: 1101-001.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Devem ser acolhidos os embargos quando constatado erro material no dispositivo final do voto condutor, em razão da patente contradição com os autos, a ata de julgamento e os argumentos da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
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CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Devem ser acolhidos os embargos quando constatado erro material no dispositivo final do voto condutor, em razão da patente contradição com os autos, a ata de julgamento e os argumentos da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 42 84 /2 00 3- 99 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.004284/200399 Acórdão n.º 1101001.070 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Joselaine Boeira Zatorre e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.004284/200399 Acórdão n.º 1101001.070 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A autoridade encarregada da execução do Acórdão nº 110100.653, por meio do qual este Colegiado apreciou o litígio formado nestes autos, aponta a existência de erro material em sua formalização, dado que embora a julgado aponte que foi negado provimento ao recurso voluntário, à fl. 56 consta informação dando provimento ao recurso. Por meio do Despacho nº 110100.021, o Presidente desta Turma Ordinária acolheu a proposta desta Conselheira nos seguintes termos: Na sessão plenária de 17 de janeiro de 2012 foi apreciado litígio que resultou na formalização do Acórdão nº 1101000.653, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ALEGAÇÕES. PROVAS. É preciso que o contribuinte comprove seus argumentos e alegações. Por meio de despacho de fl. 58 a autoridade encarregada da execução do acórdão aduz que o acórdão informa que foi Negado Provimento ao Recurso Voluntário, sendo que à fl. 56 consta a informação dando provimento ao Recurso Voluntário. A ata da sessão de julgamento de 17 de janeiro de 2012 enuncia que, relativamente ao presente processo, por unanimidade de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, votando pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Por sua vez, a ementa do julgado é coerente com este resultado, na medida em evidencia a ausência de provas apresentadas pela recorrente. O voto condutor do acórdão, por sua vez, já principia confirmando a ausência destas provas: Conforme consignado pela turma julgadora da DRJ, o contribuinte alega que a cobrança de R$ 7.772,95, referente ao 4° trimestre, é indevida, por ter havido compensação, mas não apresenta elementos que confirmem este fato. Na mesma linha, finaliza demonstrando a insuficiência das provas trazidas em sede de recurso voluntário: Agora, no seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta tabela em que se infere que tenha pago valores a maior referentes ao 1° e 3° trimestres, que teriam sido compensados com a contribuição do 4° trimestre. Porém, não traz documentos que corroborem as informações contidas no quadro. E verdade que as cópias do razão que juntou na impugnação (proc. fls. 21 a 26) batem corn os valores informados como devidos. Mas, seria preciso apresentar DIPJ e DCTFs que confirmassem que esses valores devidos foram os declarados, bem como seria necessário confirmar os recolhimentos que diz terem sido feitos nos 1° e 3° trimestre. Sem a apresentação destes documentos, a defesa consiste de mera alegação Nestes termos, resta evidente que o voto não poderia ter sido finalizado com a expressão “voto por dar provimento ao recurso”. Há lapso manifesto neste último parágrafo do voto condutor, a exigir saneamento. O Anexo II do Regimento Interno do CARF, em seu art. 66, dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento. Todavia, como desta inexatidão resulta em contradição no acórdão original, necessário se faz processar o requerimento da autoridade encarregada da execução do acórdão como embargos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.004284/200399 Acórdão n.º 1101001.070 S1C1T1 Fl. 5 4 Por tais razões, proponho que sejam admitidos embargos para saneamento da inexatidão material verificada no Acórdão nº 110100.653. Considerando que o Conselheiro Relator Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro não mais integra este Conselho, os autos foram distribuído a esta Conselheira para apreciação dos embargos, com vistas ao saneamento da inexatidão material verificada no Acórdão nº 110100.653. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.004284/200399 Acórdão n.º 1101001.070 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a apreciação conjunta dos autos, do relatório do acórdão embargado, do voto condutor do julgado até o seu penúltimo parágrafo, e do resultado de julgamento consignado na ata da sessão de julgamento de 17 de janeiro de 2012 não deixam dúvidas acerca do erro material na redação do último parágrafo do voto condutor do Acórdão nº 110100.653. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração, mas sem atribuirlhes efeitos infringentes, apenas retificando o último parágrafo do voto condutor do Acórdão nº 110100.653, para que ali passe a constar “Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso.” (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/04/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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