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Numero do processo: 13984.900123/2008-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 3803-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por declínio de competência para julgamento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996.
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por declínio de competência para julgamento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 23 /2 00 8- 23 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata de PER/DCOMP transmitido em 24/04/2008 com a finalidade de compensar crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior contido em DARF no valor R$ 2.561,31 e arrecadado em 10/12/2002, referente ao período de apuração de 30/11/2002. Alertase de pronto que a matéria discutida nos autos referese a exclusão da empresa do regime do Simples, logo está turma é incompetente para a apreciação do recurso interposto. À fl. 04 está anexo Despacho Decisório, por meio do qual não foi homologado o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Já às fls. 01/03 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e argumentou em sua defesa que apresentou o PER/DCOMP indevidamente, uma vez que estava enquadrada no SIMPLES. Informa que quitou o DARF referente ao período de apuração 31/12/2003 no valor de R$ 2.561,31, conforme faz prova o DARF anexo à fl. 06 e que é exatamente este DARF que foi informado no pedido de compensação. Desta forma, argumenta a recorrente que inexiste qualquer valor a ser compensado. Consequentemente, isso demonstra o equívoco na apresentação do PER/DCOMP em exame, já que os tributos que ali se requeria a compensação, não eram devidos, tendo em vista que a empresa estava enquadrada no SIMPLES. Deste modo, pleiteou o cancelamento da PERD/COMP e que fosse desconsiderada a declaração de compensação. Às fls. 20/21 foi exarado o Acórdão nº 0725.955 – 3ª Turma da DRJ/FNS, por intermédio do qual foi indeferido o pedido formulado e não reconhecido o direito creditório, sob o argumento de que o pedido de desistência da compensação foi realizado após a data de ciência do despacho decisório que não a homologou. Outro motivo alegado pela DRJ, para indeferir o pedido de compensação, consiste em que a recorrente foi excluída do Simples Federal a partir de 01.01.2002, logo seriam insubsistentes os débitos com código do Simples Federal relativos a períodos posteriores a data de início dos efeitos da exclusão do regime simplificado. Os julgadores de primeiro grau, ainda fundamentaram a decisão, no fato de que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já proferiu Acórdão nº 380300.035 – 3ª Turma Especial em 16.03.2009 no PAF nº 13984.001555/200345, por meio do qual a empresa foi excluída do Simples Federal. Trago abaixo o teor da ementa para melhor elucidar a questão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. IMPEDIMENTO. Excesso de Receita de Pessoa Jurídica da Qual Participe Sócio Detentor de Percentual Superior a 10% do Capital. EFEITOS Na vigência da Lei 9.317, de 5 de dezembro de 1996, a exclusão motivada pelo excesso de receita de pessoa jurídica de que participe sócio com mais de 10% do capital gera efeitos a Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13984.900123/200823 Acórdão n.º 3803004.486 S3TE03 Fl. 23 3 partir do mês subseqüente àquele em que se caracteriza o excesso. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Assim, conforme se retira do acórdão acima citado, a decisão da DRJ em relação a qual o contribuinte se insurge no presente recurso, insiste em afirmar que a recorrente foi excluída do Simples Federal em razão de ter violado o art. 9º, inciso IX, da Lei nº 9.317/96: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido art. 2°; No voto condutor que acompanha o Acórdão nº 380300.035 – 3ª Turma Especial no PAF nº 13984.001555/200345, concluiu que o sócio Genir Storrnowski figurou nos anos de 2001 e 2002, na empresa e concomitantemente nas empresas — ambas optantes pelo regime de lucro presumido de tributação Transbeve Transportes Ltda. e Incobel Indústria e Comércio de Bebidas Ltda., com participação de 75% em cada uma e assim restou comprovada a superação do limite legal de faturamento que autoriza a permanência no SIMPLES. Entretanto, o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual sustenta que jamais foi excluído do SIMPLES e com o propósito de comprovar esta afirmação anexou Despacho Decisório nº 30/2009 proferido em 10/02/2009 no PAF nº 13984.001706/200870. Neste despacho consta ter ocorrido a reforma da decisão de exclusão de ofício da empresa do SIMPLES, em razão da verificação de erro de fato da decisão de exclusão. Assim, extraise do Despacho Decisório nº 30/2009 que nos exercícios de 2002 e 2003 a empresa não estava obrigada a recolher o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no regime do lucro presumido, mas somente pelo regime do SIMPLES. Consequentemente, naquele despacho decisório restou decido o cancelamento dos PER/DCOMPs com fundamento no art. 82 da IN nº 900/2008, o qual por sua vez apregoa que a desistência do pedido de compensação poderá ser requerida mediante a apresentação de PER/DCOMP. No recurso voluntário o contribuinte afirma que jamais esteve no regime do lucro presumido no período de 2002 e 2003 e não há débito lançado em DCOMP e por isso requer o seu cancelamento. Que são válidos os débitos recolhidos no regime do SIMPLES nos exercícios de 2002 e 2003 e que estes pagamentos foram considerados pela Receita Federal. Ao final requer a reforma da decisão para que seja declarada a inexistência dos débitos em questão e o cancelamento do PER/DCOMP enviado, bem como o reconhecimento do regular recolhimento do SIMPLES, referente a competência de novembro/2002. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de litígio referente a compensação cujo crédito decorre de pagamento a título do regime do Simples Nacional, código de Receita 6106. Assim, a matéria deste contencioso é de competência da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do disposto artigo 2º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho, instituído pela Portaria MF nº 256/2009: Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso, e endereçálo à competente Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É o voto. Sala das sessões, 22 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 26/09/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 02/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.908126/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O ônus da prova é do contribuinte dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Não havendo prova da redução do débito da contribuição, deve ser negado o direito pleiteado.
Numero da decisão: 3803-004.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE O ônus da prova é do contribuinte dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Não havendo prova da redução do débito da contribuição, deve ser negado o direito pleiteado.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE O ônus da prova é do contribuinte dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Não havendo prova da redução do débito da contribuição, deve ser negado o direito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Em 14/05/2004 o contribuinte apresentou PER/DCOMP com o propósito de compensar COFINS, segundo o seu entendimento, recolhida a maior, em 15/04/2004, referente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 81 26 /2 00 8- 19 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 ao período de apuração de 31/03/2004, com débito da mesma contribuição correspondente ao período de apuração de abril 2004. O despacho decisório à fl. 10 indeferiu o pedido, sob o fundamento de que para o DARF indicado no PER/DCOMP foram localizados pagamentos utilizados na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação pretendida. Inconformado o contribuinte interpôs manifestação de conformidade às fls. 12/14, sob o argumento de que informou o DARF errado na DCOMP, pois o crédito é proveniente da COFINS referente ao PA de 31.03.2004 no valor de R$ 2.017,85 com código de arrecadação 5856. Afirma que não conseguiu retificar a DCTF, do 1° Trimestre de 2004, da empresa incorporada Green Motors Comércio e Importação de Veículos Ltda, anterior CNPJ n° 68.622.935/000143, para reduzir o débito da contribuição COFINS, para o período de apuração 31.03.2004 de R$ 46.829,73 para R$ 44.829,73, tendo em vista que a empresa incorporada apresentou a condição de "Suspensa" por motivo de "Solicitação Baixa Indeferida". A DRJ apreciou Manifestação de Inconformidade às fls. 12/13, por meio do Acórdão nº 1339.453 – 5ªa Turma da DRJ/RJ2, mas indeferiu o pedido de homologação do crédito informado em PER/DCOMP, conforme se retira do acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PERÍCIA/DILIGÊNCIA DENEGADAS A perícia e a diligência se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. DCOMP. RETIFICAÇÃO. A retificação de Declaração de Compensação somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento e desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão denegatória foi no sentido de que o contribuinte solicitou diligência sem que houvesse necessidade preeminente, tendo em vista que esta possui como objetivo apenas suprir o seu ônus probatório, principalmente em razão de que não trouxe aos autos qualquer elemento que lhe pudesse socorrer. Os julgadores de primeiro grau, ainda comentaram que o Recorrente não se desincumbiu de constituir prova de que efetivamente tivesse recolhido a maior a COFINS no valor de R$ 2.017,85 no PA de 31.03.2004, pois o crédito teria sido utilizado para a extinção Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.908126/200819 Acórdão n.º 3803004.245 S3TE03 Fl. 161 3 anterior de outros débitos, conforme se retira da DCTF apresentada, razão pela qual o contribuinte violou o art. 170 do CTN. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário às fls. 68/76, onde rebateu os argumentos da decisão objurgada e alegou que está comprovado o recolhimento a maior da COFINS, incidente sobre a venda de veículos usados. Esclareceu ainda que os Relatórios de Vendas de Veículos anexos às fls. 142/159 e planilhas de cálculo da COFINS à fl. 107/109, também comprovam que o recolhimento a maior do tributo. Por fim, requer a reforma da decisão. E o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A controvérsia aqui versa em se determinar se o contribuinte fez ou não prova do direito creditório que alega ter, pois só assim seria possível a compensação requerida no PER/DCOMP. Conforme consignado no relatório, em 14/05/2004 o contribuinte apresentou PER/DCOMP com o propósito de compensar COFINS “supostamente” recolhida maior, em 15/04/2004, referente ao período de apuração de 31/03/2004, com débito da mesma contribuição. Em sua defesa afirma ter se equivocado no preenchimento da DCTF correspondente ao 1º Trimestre de 2004, pois, segundo afirma, recolheu COFINS referente ao PA 31.03.2004 com valor superior do que o devido, ou seja, recolheu R$ 41.825,27, enquanto que o correto seria somente R$ 39.824,27. Neste sentido, conforme se observa da defesa apresentada o contribuinte pretende demonstrar que possui direito a redução do débito declarado em DCTF e para tanto se esforça para convencer do seu direito anexando somente em seu Recurso Voluntário os Relatórios de Vendas de Veículos às fls. 142/159, bem como planilhas de cálculo da COFINS à fl. 107/109. Todavia, impende observar que o Art. 333 do Código de Processo Civil determina que o ônus da prova incumbe ao autor quando alega fato constitutivo de seu direito. No presente caso, ao formular pedido de compensação caberia ao recorrente comprovar a origem do crédito que pretende usar na compensação no valor de R$ 1.997,27, ou seja, teria que comprovar a liquidez e a certeza do crédito no momento da transmissão da PER/DCOMP, bem como o porquê da redução do débito declarado em DCTF. Além do que, deve ser lembrado que a DCTF formaliza o crédito tributário, conferindo ao Fisco um instrumento hábil para a imediata inscrição em dívida ativa do crédito/débito denunciado pelo contribuinte. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Em relação ao ônus da prova, vale citar decisão do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. ANOCALENDÁRIO:2002 ALEGAÇÕES, ÔNUS DA PROVA. CONSIDERASE SEM EFEITO AS ALEGAÇÕES CONTESTANDO A EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO, SE DESACOMPANHADAS DE PROVA, EIS QUE O ÔNUS DA PROVA COMPETE OU CABE À PESSOA QUE ALEGA OS FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS DE DIREITO. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO. VERIFICADA A OCORRÊNCIA DO ILÍCITO TRIBUTÁRIO CARACTERIZADA PELA FALTA DE OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, É CABÍVEL A REALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO PARA A COBRANÇADO CORRESPONDENTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL.COFINS. LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS DO IRPJ.DECORRÊNCIA, AS CONCLUSÕES ADVINDAS DA APRECIAÇÃO DO LANÇAMENTO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA, DEVEM NO QUE COUBER, SER ESTENDIDAS AOS LANÇAMENTOS RELATIVOS À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, CSLL E À COF1NS, POR DECORREREM DOS MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (grifo) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 130100299 do Processo 10580011623200509 19/05/2010) Com efeito, compreendo que não assiste razão contribuinte, tendo em vista que o mesmo não apresentou prova inequívoca de que a COFINS recolhida em 15/04/2004, correspondente ao período de apuração de 31/03/2004, perfaz o valor de R$ 39.824,27 e não R$ 41.825,27, conforme declarado em DCTF. Ademais, é importante ressaltar que o Recorrente deixou de apresentar Livro Diário e Livro Razão com a finalidade de provar a redução do tributo declarado, sendo que por meio dos documentos juntados não é possível apurar de plano o direito alegado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.908126/200819 Acórdão n.º 3803004.245 S3TE03 Fl. 162 5 Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 25/07/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10630.720359/2010-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. RECURSO VOLUNTÁRIO.TEMPESTIVIDADE.
É pressuposto objetivo/extrínseco de admissibilidade do Recurso Voluntário sua apresentação no prazo legalmente fixado. Interposto de forma extemporânea, impõe-se o não conhecimento ante a sua manifesta intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2403-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RECURSO VOLUNTÁRIO.TEMPESTIVIDADE. É pressuposto objetivo/extrínseco de admissibilidade do Recurso Voluntário sua apresentação no prazo legalmente fixado. Interposto de forma extemporânea, impõese o não conhecimento ante a sua manifesta intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. CARLOS ALBERTO MESS STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 59 /2 01 0- 14 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o Município acima consolidado em 22.12.2010, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte patronal, bem como a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, não recolhidas em época própria, do período de 01.2005 a 12.2005. DA IMPUGNAÇÃO Apresentou impugnação em 28.01.2011, nos termos do instrumento e anexos de fls. 73/94. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.105, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/ BHE, em 22 de janeiro de 2011, exarou o Acórdão n° 02.32.039, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.117. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10630.720359/201014 Acórdão n.º 2403002.251 S2C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.114, o contribuinte recebeu em 14/03/2011, o Ofício 167/2001 colacionado às fls. 100, o qual notificavao dos Acórdãos do presente Auto de Infração e dos demais resultado da mesma ação fiscal: “Encaminhamos para conhecimento, em anexo, uma via dos Acórdãos n° 0231.039, 0231.040, e 0231.041, todos, da 7a Turma da DRFBJ/BHE/MG, que julgou improcedente as impugnações e manteve os créditos tributários, constantes dos autos de infração acima citados, processos n° 10630.720359/201014, 10630.720360/2010 49, e 10630.720361/201093, respectivamente. 2. Informamos que o contribuinte tem prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência dos Acórdãos, para pagamento do crédito ou, se de seu interesse, interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que poderá ser protocolado no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) desta delegacia, no endereço indicado no rodapé, ou ser encaminhado via postal para o mesmo endereço.” Às fls. 117 consta que o Recurso Voluntário fora interposto em 15/04/2011. Aduz que recebido intempestivamente posto que tal condição já houvera sido observada às fls.116 conforme o AtoInterlocutório , Termo de Perempção, emitido pela Seção de Controle e Acompanhamento tributário: “Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos fins, na forma das instruções vigentes. Governador Valadares (MG), 14 de abril de 2011.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 É pressuposto objetivo/extrínseco de admissibilidade do Recurso Voluntário sua apresentação no prazo legalmente fixado. Interposto de forma extemporânea, impõese o não conhecimento ante a sua manifesta intempestividade. CONCLUSÃO Diante do exposto, não conheço do Recurso por INTEMPESTIVO. É como voto. Ivacir Júlio de SouzaRelator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 10435.722464/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES.
As transferências correntes e de capital repassadas a fundos, com ou sem destinação vinculada, somente podem ser deduzidas da base de cálculo do Pasep se esses fundos caracterizarem-se como entidade pública.
Inteligência do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998.
A ausência de discriminação detalhada das receitas ou transferências que compõem a base de cálculo do tributo lançado não causa a nulidade do lançamento, se a autuada demonstrou perfeita compreensão da composição da base de cálculo, compreensão essa estampada em sua impugnação e no posterior recurso.
Numero da decisão: 3402-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídos da base de cálculo da contribuição para o Pasep os valores transferidos para o FNDE, nos termos do voto da relatora.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. As transferências correntes e de capital repassadas a fundos, com ou sem destinação vinculada, somente podem ser deduzidas da base de cálculo do Pasep se esses fundos caracterizarem-se como entidade pública. Inteligência do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. A ausência de discriminação detalhada das receitas ou transferências que compõem a base de cálculo do tributo lançado não causa a nulidade do lançamento, se a autuada demonstrou perfeita compreensão da composição da base de cálculo, compreensão essa estampada em sua impugnação e no posterior recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 206 1 205 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.722464/201185 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.200 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria Pasep. Auto de infração. Recorrente SÃO JOAQUIM DO MONTE PREFEITURA Recorrida DRJ em RECIFEPE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. FUNDAMENTO LEGAL. EQUÍVOCO. NULIDADE. INCABÍVEL. A indicação equivocada de dispositivo legal no enquadramento legal do lançamento não o macula com vício de nulidade se os fatos foram perfeitamente descritos possibilitando a defesa da autuada, mormente quando tenham sido indicados também os dispositivos legais pertinentes. BASE DE CÁLCULO. DETALHAMENTO. AUSÊNCIA. A ausência de discriminação detalhada das receitas ou transferências que compõem a base de cálculo do tributo lançado não causa a nulidade do lançamento, se a autuada demonstrou perfeita compreensão da composição da base de cálculo, compreensão essa estampada em sua impugnação e no posterior recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. As transferências correntes e de capital repassadas a fundos, com ou sem destinação vinculada, somente podem ser deduzidas da base de cálculo do Pasep se esses fundos caracterizaremse como entidade pública. Inteligência do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 24 64 /2 01 1- 85 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídos da base de cálculo da contribuição para o Pasep os valores transferidos para o FNDE, nos termos do voto da relatora. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Sílvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para constituir crédito tributário relativo à contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2009. Ensejou o lançamento de ofício a constatação de falta ou insuficiência de recolhimento, tendo sido lançada a diferença, verificada em cada período de apuração, entre o valor devido apurado pela fiscalização e o total do valor retido mais o declarado pela contribuinte. A exigência tributária foi impugnada e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em RecifePE (DRJ/REC) julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 11 38.558, de 30 de outubro de 2012, do qual a contribuinte foi cientificada em 18 de abril de 2013. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário para alegar, em preliminar, a nulidade do auto de infração por equívoco no enquadramento legal e por não se ter a necessária identificação das contas que compuseram a base de cálculo apurada pela fiscalização, pois isso acarretaria evidente violação da garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório. No mérito, alegouse, em síntese, que os ingressos financeiros vinculados representam disponibilidades financeiras transitórias e afetadas a determinados fins, por isso não podem ser tributadas pelo Pasep, devendo ser deduzidos da base de cálculo os seguintes ingressos e os rendimentos financeiros respectivos: 1 – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb); 2 – Fundo Municipal de Saúde (FMS); 3 – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10435.722464/201185 Acórdão n.º 3402002.200 S3C4T2 Fl. 207 3 4 – Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS); e 5 – Convênios. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso para, sucessivamente, procederse à suspensão da exigibilidade do crédito tributário e declarar a nulidade do lançamento ou excluir da base de cálculo os valores referentes às receitas vinculadas. É o relatório. Voto Conselheiro Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi proposto por parte legítima e seu julgamento está inserto na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Sobre as preliminares de nulidade, registrese que a indicação de dispositivos da Lei Complementar nº 8, de 03 de dezembro de 1970, que instituiu o Pasep, não é equivocada, exceto pelo seu art. 4º, que estabelece as alíquotas dessa contribuição. Contudo, foram indicados também os dispositivos do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, com matriz legal na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, e na Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. Quanto à alíquota aplicável, foi indicado o art. 73 do precitado Decreto e utilizada, na apuração dos valores lançados, a alíquota nele prevista, que é a alíquota em vigor para os períodos de apuração objeto do auto de infração. Portanto, a equivocada indicação do art. 4º da Lei Complementar nº 8, de 1970, nenhum prejuízo trouxe à defesa da contribuinte e, por isso, não se configura o alegado cerceamento do direito de defesa. Sobre a falta de discriminação das receitas que compuseram a base de cálculo apurada pela fiscalização, notese que, no auto de infração, fezse referência expressa à Planilha Pasep 2009, na qual consta notas explicativas das colunas da planilha, da seguinte forma: (1) Receitas Correntes extraídas dos Balancetes Financeiros apresentados pelo contribuinte. (2) Receitas de Transferências de Capital extraídas dos Balancetes Financeiros apresentados pelo contribuinte. (3) Base de Cálculo composta pelas Receitas Correntes e Transferências de Capital. (4) Retenções efetuadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (valores obtidos no sítio Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 https://www17.bb.com.br/portalbb/djo/daf/Demonstrativo,802,46 47,4651,0,1.bbx) (5) Total do PASEP retido pelo STN e declarado pelo contribuinte na DCTF. (6) Valor nominal a recolher, antes da aplicação da multa de ofício. Observese pois que a base de cálculo, com espeque no art. 2º, inc. III, da Lei nº 9.715, de 1998, foi constituída pelas receitas correntes e pelas receitas de transferências de capital obtidas dos balancetes financeiros apresentados pela própria contribuinte cujas cópias foram anexadas a estes autos. Nesse ponto, ressaltese que o fato de não terem sido discriminadas as receitas que integram as receitas correntes e as receitas de transferência de capital também não afetou a defesa da recorrente, que tratou individualmente de cada uma das receitas que considera estar fora do campo de incidência do Pasep. Assim, a contribuinte demonstrou perfeito entendimento dos fatos e da acusação fiscal e, portanto, não se tem caracterizado o cerceamento do direito de defesa para incidência do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores. Por essas razões, aliadas às razões expostas no Acórdão ora recorrido, devem ser rejeitadas as nulidades argüidas pela recorrente, conforme jurisprudência do CARF, da qual transcrevemse os seguintes trechos de ementa: PREJUÍZO IMPOSSIBILIDADE A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, a sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. (ACÓRDÃO CSRF nº 0103.264, de 19 de março de 2001) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Se o Termo de Verificação, que integra o auto de infração, descreve minudentemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, eventual inexatidão de qualquer dessas apurações terá como conseqüência a redução ou exoneração da exigência por questão de mérito, mas não a nulidade do auto de infração. (Acórdão nº 101 94854, de 23 de fevereiro de 2005) Sobre a matéria de mérito, centrada na possibilidade de efetuar deduções da base de cálculo do Pasep ou de excluir valores do seu campo de incidência, notese que a Lei nº 9.715, de 1998, em seu art. 2º, inc. III1, define essa base de cálculo como sendo o valor mensal 1 Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10435.722464/201185 Acórdão n.º 3402002.200 S3C4T2 Fl. 208 5 das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas e impõe à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), no § 6º desse mesmo art. 2º, a obrigação de reter o valor da contribuição para o Pasep devida sobre aquelas transferências; contudo, essa lei não traz nenhuma possibilidade de dedução de valores dessa base de cálculo, tampouco estabelece isenções de contas integrantes das receitas correntes ou das transferências correntes e de capital. Nesse ponto, notese que, sobre a base de cálculo da contribuição em tela, o que se tem é a dedução permitida pelo art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, cujo texto, ao esclarecer que nas receitas correntes devem ser incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, permite que sejam deduzidas dessas receitas apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Releva considerar que os valores contestados pela recorrente são valores de transferências recebidas vinculadas a fundos2 e convênios. Tratase então de valores integrantes da conta de transferências correntes. Primeiramente, em relação aos convênios, cumpre observar que apenas com o advento da Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, que acrescentou o § 7º, ao art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998, foi permitida a exclusão dos valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Portanto, tendo em vista o disposto no art. 1053 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), para os fatos geradores objeto do lançamento em questão, não há que se falar em exclusão dos valores de transferências vinculadas a convênios. Quanto às transferências, cabe antes esclarecer que os repasses feitos aos municípios decorrem de transferências constitucionais e legais e de transferências voluntárias e, em consulta ao sítio da STN4, obtémse os seguintes esclarecimentos sobre elas: Dentre as principais transferências da União para os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, previstas na Constituição e em normas infraconstitucionais, destacamse: Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE); Fundo de Participação dos Municípios (FPM); Fundo de Compensação pela Exportação de Produtos Industrializados (IPIExportação); Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB); Imposto sobre Operações Relativas ao Metal Ouro como Ativo Financeiro (IOFOuro); Contribuição de Intervenção no (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) 2 1 – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb); 2 – Fundo Municipal de Saúde (FNS); 3 – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE); e 4 – Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). 3 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. 4 https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/responsabilidadefiscal/prefeiturasegovernosestaduais/transferencias constitucionaiselegais Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 Domínio Econômico relativa às atividades de importação ou comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool (CIDECombustíveis); transferências relativas à Lei Complementar 87/1996; Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX); e Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). E sobre as transferências voluntárias: Transferências voluntárias são os recursos financeiros repassados pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios em decorrência da celebração de convênios, acordos, ajustes ou outros instrumentos similares cuja finalidade é a realização de obras e/ou serviços de interesse comum e coincidente às três esferas do Governo. Conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, entendese por transferência voluntária "a entrega de recursos correntes ou de capital a outro ente da Federação, a título de cooperação, auxílio ou assistência financeira, que não decorra de determinação constitucional, legal ou os destinados ao Sistema Único de Saúde." 5 Destarte, a teor do art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, as transferências correntes ou de capital, ainda que destinadas a fundos constitucionais ou legais, somente podem ser deduzidas da base imponível do Pasep se observada a condição legal imposta para a dedução. Ou seja, o fundo a que são destinadas tais transferências deve se caracterizar como uma entidade pública, pois que o ato legal, ao tratar da base de cálculo e das deduções nenhuma referência fez à condição de os recursos transferidos terem ou não aplicação vinculada. Com essa premissa, verificase que, no caso do Fundeb, de que trata a Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, a própria lei, em seu art. 1º, afirma que esse fundo possui natureza estritamente contábil e, dessa forma, não pode ser caracterizado com entidade pública. Sobre o FNDE, notese que a Lei nº 5.537, de 21 de novembro de 1968, com a redação dada pelo Decretolei nº 872, de 15 de setembro de 1969, ao criar tal fundo, criou com personalidade jurídica de natureza autárquica, conforme depreendese do art. 1º dessa lei, que transcrevese, ipsis litteris: Art. 1º É criado, com personalidade jurídica de natureza autárquica, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). Portanto, uma vez que o FNDE caracterizase como entidade autárquica, das transferências correntes ou de capital recebidas devem ser deduzidos os valores destinados a esse fundo, para se obter a base de cálculo do Pasep. Relativamente ao FNAS, cumpre lembrar que esse fundo é resultado da transformação, nos termos do art. 276 da Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993, do Fundo Nacional de Ação Comunitária (Funac), que foi instituído pelo Decreto nº 91.970, de 22 de novembro de 1985, cujo art. 3º estabelece, ipsis litteris: 5 https://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/prefeiturasgovernosestaduais/transferenciasvoluntarias 6 Art. 27. Fica o Fundo Nacional de Ação Comunitária (Funac), instituído pelo Decreto nº 91.970, de 22 de novembro de 1985, ratificado pelo Decreto Legislativo nº 66, de 18 de dezembro de 1990, transformado no Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10435.722464/201185 Acórdão n.º 3402002.200 S3C4T2 Fl. 209 7 Art. 3º Fica instituído, na SEAC, um fundo especial de natureza contábil, sob a denominação de Fundo Nacional de Ação ComunitáriaFUNAC, com a finalidade de centralizar recursos e financiar as atividades do órgão, a cujo crédito serão levados todas as receitas destinadas a atender às suas necessidades observado o disposto nos Decretosleis 1.754 e 1.755, ambos de 31 de dezembro de 1979. (...) § 2º O Fundo a que se refere este artigo será administrado pela Secretário Especial de Ação Comunitária, que expedirá as normas necessárias ao seu funcionamento. Portanto, o FNAS, criado como Funac, possui natureza meramente contábil, não se caracterizando como entidade pública. Quanto ao Fundo Municipal de Saúde, tratase de recursos do Fundo Nacional de Saúde (FNS), administrado pelo Ministério da Saúde, repassados aos municípios mediante mero depósito em conta especial, conforme depreendese da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, cujo art. 33, prescreve, ipsis litteris: Art. 33. Os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS) serão depositados em conta especial, em cada esfera de sua atuação, e movimentados sob fiscalização dos respectivos Conselhos de Saúde. § 1º Na esfera federal, os recursos financeiros, originários do Orçamento da Seguridade Social, de outros Orçamentos da União, além de outras fontes, serão administrados pelo Ministério da Saúde, através do Fundo Nacional de Saúde. § 2º(Vetado). § 3º(Vetado). § 4º O Ministério da Saúde acompanhará, através de seu sistema de auditoria, a conformidade à programação aprovada da aplicação dos recursos repassados a Estados e Municípios. Constatada a malversação, desvio ou não aplicação dos recursos, caberá ao Ministério da Saúde aplicar as medidas previstas em lei. Art. 34. As autoridades responsáveis pela distribuição da receita efetivamente arrecadada transferirão automaticamente ao Fundo Nacional de Saúde (FNS), observado o critério do parágrafo único deste artigo, os recursos financeiros correspondentes às dotações consignadas no Orçamento da Seguridade Social, a projetos e atividades a serem executados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). (...) Assim, o FMS é apenas a conta especial para o depósito dos recursos repassados aos municípios do âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dispõem os arts. 3º e 4º da Lei nº 8142, de 28 de dezembro de 1990, que transcrevemse: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 8 Art. 3° Os recursos referidos no inciso IV do art. 2° desta lei serão repassados de forma regular e automática para os Municípios, Estados e Distrito Federal, de acordo com os critérios previstos no art. 35 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990. (...) Art. 4° Para receberem os recursos, de que trata o art. 3° desta lei, os Municípios, os Estados e o Distrito Federal deverão contar com: I Fundo de Saúde; II Conselho de Saúde, com composição paritária de acordo com o Decreto n° 99.438, de 7 de agosto de 1990; III plano de saúde; IV relatórios de gestão que permitam o controle de que trata o § 4° do art. 33 da Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990; V contrapartida de recursos para a saúde no respectivo orçamento; VI Comissão de elaboração do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), previsto o prazo de dois anos para sua implantação. Parágrafo único. O não atendimento pelos Municípios, ou pelos Estados, ou pelo Distrito Federal, dos requisitos estabelecidos neste artigo, implicará em que os recursos concernentes sejam administrados, respectivamente, pelos Estados ou pela União. Dessa forma, também o FMS não pode ser caracterizado como entidade pública, tratandose de mera conta especial para depósitos dos repasses do FNS feitos aos municípios. Diante do exposto e considerando que, na apuração da base do crédito tributário cuja exigência se opera por meio destes autos, já foram deduzidos os valores do Pasep retidos, voto pelo provimento parcial do recurso para que sejam excluídos da base de cálculo dessa contribuição os valores repassados ao FNDE. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10435.722464/201185 Acórdão n.º 3402002.200 S3C4T2 Fl. 210 9 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
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Numero do processo: 10840.002227/2005-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005
Ementa:
O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16.
Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005.
CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS.
No regime de apuração não cumulativa das Contribuição ao PIS e a COFINS, é admissível o registro de créditos sobre os dispêndios relativos à aquisição de bens ou serviços que sejam empregados, direta ou indiretamente na atividade produtiva da empresa, e sem os quais reste obstada ou dificultada a geração da receita a ser tributada, pois que atendem ao conceito de insumos contido no artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02.
RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003.
As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como receitas financeiras, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador).
VARIAÇÃO CAMBIAL. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO.
Não conhece-se de matéria que, embora tenha sido analisada pela DRJ e recorrida pelo contribuinte, não tenha sido motivo da glosa discutida nos autos, nem tampouco aduzida na manifestação de inconformidade do contribuinte. Caracterizada a preclusão.
Numero da decisão: 3402-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da parte da variação cambial. Na parte conhecida, dar provimento parcial para: 1) Por unanimidade de votos em relação ao critério de rateio; 2) Por maioria de votos admitir a inclusão dos custos com combustíveis e transportes no cálculo do crédito. Vencido conselheiro Mário César Fracalossi Bais quanto a inclusão dos insumos e os conselheiros João Carlos Cassuli Junior ( relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto ao crédito presumido. Designado conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto e Relator Designado.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior, Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Ementa: O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. No regime de apuração não cumulativa das Contribuição ao PIS e a COFINS, é admissível o registro de créditos sobre os dispêndios relativos à aquisição de bens ou serviços que sejam empregados, direta ou indiretamente na atividade produtiva da empresa, e sem os quais reste obstada ou dificultada a geração da receita a ser tributada, pois que atendem ao conceito de insumos contido no artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02. RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como receitas financeiras, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). VARIAÇÃO CAMBIAL. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO. Não conhece-se de matéria que, embora tenha sido analisada pela DRJ e recorrida pelo contribuinte, não tenha sido motivo da glosa discutida nos autos, nem tampouco aduzida na manifestação de inconformidade do contribuinte. Caracterizada a preclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da parte da variação cambial. Na parte conhecida, dar provimento parcial para: 1) Por unanimidade de votos em relação ao critério de rateio; 2) Por maioria de votos admitir a inclusão dos custos com combustíveis e transportes no cálculo do crédito. Vencido conselheiro Mário César Fracalossi Bais quanto a inclusão dos insumos e os conselheiros João Carlos Cassuli Junior ( relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto ao crédito presumido. Designado conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto e Relator Designado. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior, Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Ementa: O valor do crédito presumido previsto nos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para desconto do valor devido das contribuições, não podendo ser objeto de compensação ou de ressarcimento de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, arts. 3º e 5º, § 1º, inciso II, e § 2º; Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15; Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005; Lei nº 11.116/2005, art. 16 e art. 21, caput da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. No regime de apuração não cumulativa das Contribuição ao PIS e a COFINS, é admissível o registro de créditos sobre os dispêndios relativos à aquisição de bens ou serviços que sejam empregados, direta ou indiretamente na atividade produtiva da empresa, e sem os quais reste obstada ou dificultada a geração da receita a ser tributada, pois que atendem ao conceito de insumos contido no artigo 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02. RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 22 27 /2 00 5- 74 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 2 à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). VARIAÇÃO CAMBIAL. MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. PRECLUSÃO. Não conhecese de matéria que, embora tenha sido analisada pela DRJ e recorrida pelo contribuinte, não tenha sido motivo da glosa discutida nos autos, nem tampouco aduzida na manifestação de inconformidade do contribuinte. Caracterizada a preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer da parte da variação cambial. Na parte conhecida, dar provimento parcial para: 1) Por unanimidade de votos em relação ao critério de rateio; 2) Por maioria de votos admitir a inclusão dos custos com combustíveis e transportes no cálculo do crédito. Vencido conselheiro Mário César Fracalossi Bais quanto a inclusão dos insumos e os conselheiros João Carlos Cassuli Junior ( relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva quanto ao crédito presumido. Designado conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto e Relator Designado. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Joao Carlos Cassuli Junior, Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Relatório Versam os presentes autos de Declaração de Compensação, apresentada pelo sujeito passivo, de crédito no valor de R$ 344.816,86 (trezentos e quarenta e quatro mil, oitocentos e dezesseis reais e oitenta e seis centavos), relativa ao período de Jul/2005, referente a Contribuição para a COFINS nãocumulativa. Foi lavrado um Termo de Informação Fiscal, onde a autoridade fiscalizadora relata as divergências detectadas na apuração efetuada, quais sejam: cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para a Cofins não cumulativa. Os valores dos créditos de Cofins não cumulativa Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 242 3 apurados sobre aquisições de canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação; Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002 e no artigo 8°, inciso I, alínea "b" e "bl" e nos parágrafos 4o , item I, alínea "a", e 9°, inciso I do mesmo artigo 8° da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. inclusão indevida nas receitas de exportações, de valores correspondentes a acréscimos decorrentes de variação cambial, que correspondem, na realidade, a receitas operacionais financeiras, não podendo compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas. Através de Despacho Decisório, a DRF de Ribeirão Preto reconheceu parcialmente o direito creditório da empresa, homologando a compensação até o montante de R$138.141,41 (cento e trinta e oito mil, cento e quarenta e um reais e quarenta e um centavos). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório supracitado, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, onde, inicialmente, descreve os fatos e motivos da glosa e após longa exposição acerca do primado constitucional da não cumulatividade, o contribuinte destacou alguns pontos acerca das divergências, dentre as quais: Rateio de custos, despesas e encargos: destaca que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas de venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo compreendesse apenas aquelas receitas relacionadas a determinada atividade da empresa ou as receitas que geram, somente, créditos de Cofins. Destaca que interpretar o dispositivo desta maneira significaria desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da Cofins; Combustível utilizado no transporte: alega que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como despesa incorrida em uma etapa de produção e que terá o resultado tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativo. Alega, ainda, que a IN SRF nº 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no §4º do art. 8º da Lei nº 10.833, de 2003 e que este ato normativo extrapola a previsão contida em lei; Utilização do crédito presumido na compensação: alega que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF nº 660, de 2006. Entende, portanto, que seria vedada a aplicação de norma retroativa a fim de vedar a forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei nº 10.925, de 2004 em relação a possibilidade de utilização de crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. Requer, ao fim, o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 4 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1432.178, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerase esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL NÃO UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendese como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível utilizado em fases que não a fabricação do produto não pode ser considerado insumo para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/08/2005 VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. CLASSIFICAÇÃO. Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior são considerados receitas ou despesas financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 243 5 Quanto à pretensão do interessado em dar nova interpretação ao definido em lei, quanto ao conceito constitucional da não cumulatividade do PIS e da Cofins, entendeu ser claro que não é cabível na esfera administrativa, sendo este reservado ao Poder Judiciário. Quanto a pretensão do interessado em tentar incluir na apuração do percentual, como receita bruta total, receitas não vinculadas a quaisquer custos, despesas ou encargos incorridos no processo produtivo, o disposto no inciso II, do art. 8º, da Lei 10.637, de 2002 é bem claro ao determinar que a relação percentual aplicase apenas a custos, despesas e encargos comuns, não prosperando, portanto, a pretensão do contribuinte. Quanto ao disposto no inciso II, do § 1°, do art. 5° da Lei n° 10.637, que autoriza a utilização do crédito apurado na forma do art. 3° desta lei, ressalta que não se aplica ao caso, pois os §§ 10 e 11, do mesmo artigo, que tratavam da forma de utilização do crédito presumido em questão, foram revogados pelo art. 16, inciso I, letra “a”, da Lei 10.925 de 2004. Sendo assim, por falta de previsão legal, os créditos apurados na forma do art. 8°, da Lei 10.925, de 2004, não podem ser objeto de ressarcimento e/ou compensação com débitos do sujeito passivo. No que tange os bens não incluídos no conceito de insumo, por conta da delegação de competência conferida pelas leis, a Receita Federal do Brasil editou a IN SRF nº 404, de 2004, onde definiu em seu art. 8º, § 4º, o conceito de insumos para efeito da legislação de PIS e Cofins não cumulativo e serve como base para não acatar a alegação do interessado acerca do assunto. Também por falta de previsão legal, o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias não pode ser considerado como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição. No que tange a Variação Cambial, com base no art. 9°, da Lei n° 9.718/98, os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função de variação cambial devem ser considerados receitas ou despesas financeiras, não sendo classificadas, portanto, como receitas ou despesas de vendas. Após todo o exposto, mantevese o decidido pela DRF de origem, votando pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. DO RECURSO Ciente em 15/03/2011 do Acórdão acima mencionado, e não se conformando com a manutenção da homologação parcial de suas compensações, o contribuinte apresentou em 14/04/2011 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em apertada síntese: acerca da indevida desconsideração de insumos para composição do crédito submetido à compensação, caso não seja acolhida as alegações no sentido de que a despesa relativa ao transporte dos cortadores de cana se configura como despesa incorrida em etapa de produção da recorrente, então deverá ser reconhecido que a IN 404 desbordou do conteúdo da Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 6 Lei 10.637/02, a qual deixa supostamente clara a idéia de que o direito ao crédito deve considerar todos os dispêndios da pessoa jurídica com vistas a geração de sua receita tributável; quanto a possibilidade de compensação do crédito presumido de Pis ou Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, aduz que por não ter a IN SRF nº 660/06 interpretado uma disposição já prevista em lei, uma vez que a Lei nº 10.925/04 não faz qualquer vedação acerca da possibilidade de utilização dos créditos presumidos de Pis ou Confis para compensação dos tributos administrados pela RFB, teria seu direito garantido. no que tange as receitas decorrentes de complemento de exportação, estas devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras, tal qual pretendem classificálas as autoridades fiscais. Ao fim pede que seja anulada parte da decisão recorrida que, ao invés de julgar a possibilidade de tomada de créditos com a despesa na aquisição do serviço de transporte dos cortadores de cana, enfrentou tema diverso atinente à despesa com combustível no transporte de cana, determinando o retorno dos autos a instância de origem para enfrentar o tema, em respeito ao devido processo legal. Pede, ainda, que julgue procedente o recurso e decrete a nulidade do ato fiscal de lançamento, homologandose as compensações. DO JULGAMENTO DE 2ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Segunda Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Ficais, proferiu o Acórdão de nº. 340201.518, nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/07/2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTANCIA. ERRO MATERIAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Deixando a decisão recorrida de abordar todas as matérias objeto do contencioso tributário, deve ser anulada da decisão recorrida com o retorno dos autos para prolação de novo julgamento, afastado a supressão de instância e o cerceamento do direito de defesa no processo administrativo. Recurso provido. Preliminar de nulidade acolhida. Sucintamente, foi dado provimento ao recurso do contribuinte para determinar a anulação da decisão de primeira instância e retorno dos autos para a DRJ/RPO, tendo em vista que houve interpretação restritiva do pleito do contribuinte com relação ao direito creditório, posto que a análise foi realizada unicamente sobre a aquisição de combustível, enquanto o pedido abrangia o reconhecimento como insumo no crédito de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 244 7 PIS/Cofins, o custo total relativo ao transporte dos trabalhadores envolvidos na atividade exercida, ou seja, não se limitava apenas ao combustível. Sendo assim, para não suprimir instância, os autos retornaram para a DRJ competente para prolação de novo julgamento com apreciação de todos os elementos que dos autos consta. DO NOVO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em 31 de maio de 2012, a Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1437.867, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, considerandose esta como o total das receitas, cumulativa e não cumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendemse como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Os bens e serviços utilizados em fases que não a fabricação do produto não podem ser considerados insumos, para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 8 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/07/2005 VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. CLASSIFICAÇÃO. Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior são considerados receitas ou despesas financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto, a DRJ competente para o julgamento entendeu que não procedem as alegações do interessado pelos seguintes motivos: 1) A forma e método de apuração do valor das contribuições está fundamentada nas leis que regem a matéria, impondolhe as regras, definindo os conceitos, as permissões e as restrições aplicáveis na apuração do valor da contribuição em cada período, não sendo, portanto, viável à esfera administrativa dar nova interpretação ao definido em lei. 2) Quanto à apuração do percentual previsto no §8º, do art. 3º, da Lei n° 10.637/2002, entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa do PIS e a receita bruta total do contribuinte (com inclusão das vendas de álcool anidro carburante e receitas financeiras), não lhe assiste razão, na medida em que o percentual se aplica tão somente aos custos, despesas e encargos comuns com a venda de mercadorias e serviços, devendo ser apurado dentro do limite estabelecido no caput do art. 7º do mesmo comando legal. 3) Com relação à forma de utilização do crédito presumido da agroindústria apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 esclarece que a partir de 1/08/2004, tal crédito somente poderá ser deduzido da contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, ou seja, não está autorizada qualquer outro tipo de utilização, tal como ressarcimento e/ou compensação com débitos do sujeito passivo. Nesta seara, entende ser incabível a aplicação retroativa da IN SRF nº 660, de 2006, uma vez que o impedimento para a compensação ou ressarcimento dos referidos créditos está implicitamente disposta na Lei, e explicitamente na ADI nº 15/2005, cujos efeitos seguem a sorte do art. 106 do CTN. 4) No que se refere ao conceito de insumos, para efeito da legislação do PIS e COFINS nãocumulativo, afirma que o art. 8º §4º da IN SRF n. 404/2004 é claro ao restringir o creditamento das despesas com combustíveis e lubrificantes, a sua utilização como insumos. Já as despesas com combustíveis e lubrificantes em atividades ou etapas não diretamente ligadas à produção ou fabricação dos bens destinados à venda, embora possam constituirse em despesas ou custos da empresa, não tem previsão legal para o creditamento na apuração do PIS e COFINS nãocumulativos. Assim, o combustível utilizado no transporte de pessoas ou mercadorias, e as despesas efetuadas em etapas anteriores e posteriores à produção ou fabricação dos Fl. 248DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 245 9 bens destinados à venda, por falta de previsão legal, não podem ser considerados como insumo gerador de crédito a ser descontado na apuração do valor da contribuição. 5) A respeito dos valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial, nos termos do art. 9º da lei n. 9.718/98, não merece razão a alegação do interessado, na medida em que tais valores são considerados receitas ou despesas financeiras, não se classificando como receitas/despesas de vendas. Dessa forma, julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade e manteve o decidido pela DRF de origem. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão em 13 de agosto de 2012, o contribuinte apresentou de recurso de fls. 182/221 numeração eletrônica, aduzindo em síntese os mesmos fundamentos apresentados em seu recurso voluntário protocolado em 14/04/2011, nos termos acima relatados, exceção quanto ao requerimento da nulidade quanto ao julgamento insuficiente quanto aos insumos, que fora saneado pela DRJ no segundo julgamento relatado, que, por privilegiar a síntese abstémse de transcrever. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado eletronicamente até a folha 240 (duzentos e quarenta), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Carlos Cassuli Junior Tenho que o processo reúne os pressupostos de desenvolvimento válido e regular, de modo que dele tomo conhecimento. Não vislumbro questões prejudiciais ou preliminares de mérito, de modo que passo diretamente a abordar as questões substancias colocadas sob julgamento deste Colegiado administrativo. Desponta da análise dos autos que este processo administrativo fiscal versa de pedido de ressarcimento de saldo credor de PIS e de COFINS, vinculado a Declaração de Compensação, em que houvera homologação parcial de compensação, fruto de indeferimento Fl. 249DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 10 de direitos buscados pelo contribuinte, que acabaram por instaurar contingência em torno, basicamente, da questão da possibilidade (ou não) de se proceder ao ressarcimento dos créditos presumidos provenientes de aquisições feitas juntos à pessoas físicas e cooperativas [1]; da extensão e limites do conceito de insumos, para os fins do inciso II, do art. 3º, das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, com alterações subsequentes [2]; tratamento dos valores denominados pelo contribuinte como complemento de preço de exportação, e pela Administração como variação cambial, e, portanto, como receita financeira [3]; e ainda, dos reflexos destas questões no cálculo do rateio dos custos, despesas e encargos comuns sobre vendas de mercadorias e prestações de serviços, interferindo também na proporcionalização das receitas do mercado interno e externo [4]. Assim, adoto como método de decidir a abordagem segregada de cada uma das questões acima, posicionandome sobre cada uma delas, como passo a fazer. 1. Quanto ao Direito de Ressarcimento e Compensação do Crédito Presumido da Agroindústria (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002): 1.a Delimitação da controvérsia: No que pertine à alegação da recorrente, na condição de agroindústria preponderantemente exportadora, de que é possível a utilização do crédito presumido, atualmente previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04, para a compensação com débitos relativos a tributos federais, que não apenas a Contribuição (ao PIS e à COFINS) apurada na sistemática da nãocumulatividade, em razão de entender lhe ser aplicável o disposto no art. 5º, da Lei 10.637/02, e art. 6º, da Lei nº 10.833/2003, embora seja sabedor das respeitáveis vozes contrárias em sentido contrário, tenho que assiste ao sujeito passivo, nos termos da fundamentação que passo a tecer. Antes mesmo de passar às razões do entendimento para o deslinde da situação em tela, cumpre salientar que o processo discute em sua essência o direito de uma empresa exportadora se ressarcir – por meio de ressarcimento ou compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil – dos créditos presumidos da agroindústria, concedidos por meio do comando legal, cujos contornos atualmente estão delineados, para os contribuintes sujeitos ao regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Nesse sentido cumpre colocar que existem dois pontos antagônicos de entendimentos, a saber: de um lado o panorama de uma empresa que possui incentivos e benefícios fiscais, por atender as expectativas econômicas do país no que tange às exportações, e de outro, uma regulamentação que aparentemente (no entendimento da decisão recorrida e de Instrução Normativa da Receita Federal), limitaria a utilização dos créditos presumidos em questão, à de sua utilização apenas com as contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS devidas em cada período de apuração. 1.b. Evolução histórica da legislação do Crédito Presumido da Agroindústria no regime da NãoCumulatividade: A fim de orientar as razões do voto, vejo a necessidade de trazer a evolução histórica da legislação de regência, relativa ao crédito presumido em questão, abordando desde comentários acerca da intenção do legislador nela prevista, bem como a interpretação e aplicação do Direito ao longo de sua existência, até os dias atuais. Façoo de modo cronológico, conforme abaixo: Fl. 250DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 246 11 · Em 29/08/2002, com o intuito de dar início à minirreforma tributária, o Executivo Federal editou a Medida Provisória nº 66, que alterou, entre outras disposições, a forma de apuração da contribuição ao PIS/PASEP, pretendendo minimizar os efeitos da incidência cumulativa da referida contribuição; · Em 1º de outubro 2002 a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 209, objetivando regulamentar a matéria. Em 24 de outubro de 2002, foi editada a Medida Provisória nº 75, complementando essas modificações MP 75/02 (que não foi aprovada pelo Congresso Nacional). · Em 21 de novembro de 2002, foi editada a IN/SRF nº 247 e, em 17 de dezembro de 2002, foi editado o Decreto nº 4.524, almejando consolidar em um único diploma legal as formas de apuração das contribuições ao PIS/PASEP e da COFINS. E, em 30 de dezembro de 2002, finalmente, a MP 66/02 foi convertida na Lei nº 10.637. Na exposição de motivos da referida Medida Provisória (que culminou na Lei 10.637/2002), verificase que a proposta dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretendeu, na forma dessa Medida Provisória era, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). O modelo então proposto pela nova sistemática traduzia a demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas. No caso específico do setor agroindustrial, constatouse uma significativa relevância na aquisição de insumos que, no modelo proposto, não resultaria em transferência de créditos, porquanto não estariam direta e “destacadamente” sujeitos à tributação – como é o caso de insumos adquiridos de pessoas físicas. Consequentemente, embora os produtos de origem agropecuários produzidos por pessoas físicas (ou por esses entregues para venda em cooperativas agroindustriais) não sofrerem tributação pelas contribuições ao PIS e COFINS, e, portanto, não concederem direito ao crédito aos adquirentes de tais insumos, era claro que nos custos agrícolas estavam contemplados valores provenientes da incidência das citadas contribuições, e, portanto, por respeito a sistemática de nãocumulatividade, seria desejável que se concedesse o direito ao crédito, pena de se desequilibrar a pretendida nãocumulatividade. Por tais razões que, em 30 de maio de 2003, pela Lei 10.684, o legislador corrigiu o desequilíbrio do sistema proposto optando, então, por conceder um crédito presumido, no montante correspondente a 70% (setenta por cento) das aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas, com vistas a minorar o desequilíbrio entre débitos e créditos. Ao criar referido crédito presumido, o legislador incluiu os §§ 10 e 11, no artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002, de modo a contemplar no mesmo dispositivo que já previa os demais créditos admitidos no modelo. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 12 Assim, a partir do ano de 2003 a Lei 10.637/2002 passou a vigorar com a previsão do referido crédito, que ficou consignado no art. 3º, §§ 10 e 11, assim dispondo: “§ 10. Sem prejuízo do aproveito dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, [...] destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal.”. Pela leitura do artigo supramencionado, desponta claro que o referido crédito seria calculado sobre o valor dos bens e serviços elencados no inciso II do art. 3º da mencionada Lei, que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda [...]”. Por um viés totalmente apartado da demanda, às agroindústrias, no mesmo diploma legal (Lei nº 10.637/2002 e Lei 10.833/2003), agora com o intuito de cumprir o preceito constitucional e de estimular as exportações e, a exemplo do que já era direito daqueles que estavam no regime de apuração cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o art. 5º (e art. 6º, para a COFINS), determinou a nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes das exportações. E assim disciplinou, em seu § 1º, inciso II que: “Art. 5º. A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: [...] II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria” Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 247 13 Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º. Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria.”. Agora analisando o cenário legislativo do momento acima descrito, temse claro que o legislador ordinário instituiu, por um lado, o crédito presumido da contribuição para o PIS e COFINS em favor da agroindústria, e por outro lado, deixou expressa a possibilidade do contribuinte que realizar exportações, compensar referidos créditos com a própria contribuição ou com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No entanto, com o advento da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (resultado de conversão da Medida Provisória n. 183), o legislador houve por bem em disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido, deslocando então a permissão legal do desconto do crédito presumido para o art. 8º que assim reza: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos /03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º. das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física”. Vejase que o artigo acima mencionado, ao disciplinar inteiramente a matéria do crédito presumido da agroindústria, praticamente manteve a redação contida originariamente no art. 3º, §§ 10 e 11, da Lei nº 10.637/2002 (e posteriormente da Lei nº 10.833/2003, quanto a COFINS). E aí chegamos ao cerne da questão, pois que a partir dessa nova regulamentação do crédito presumido, passou a se colocar em dúvida se o legislador, ao revogar os §§10 e 11 do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, para “alocálo” na novel legislação (art. 8º, da Lei nº 10.925/2002), teria afastado do agroindustrial a disciplina de restituição e compensação de saldos credores acumulados, enquanto exportador, prevista nos Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 14 arts. 5º, da Lei 10.637/2002 e art. 6º, da Lei 10.833/2003, eis que referido dispositivo se reportava aos créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei, no qual aparentemente deixaria, a partir de agosto de 2004, de contemplar o crédito presumido da agroindústria. Convém expressar de antemão que, a Lei nº 10.925/2004, em momento algum, foi expressa em limitar o direito de utilização do crédito para os fins de “conta gráfica”, ou seja, apenas para compensação com débitos das próprias contribuições ao PIS e a COFINS, respectivamente. Se assim o fizesse, certamente dúvidas não haveria. Apenas após decorridos praticamente 02 (dois) anos desde a edição da Lei nº 10.925/2004, no qual se vivia um cenário de dúvida quanto a aplicação e extensão dos efeitos da legislação tributária (como será demonstrado oportunamente), é que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006 que, em seu artigo 8º, §3º, determinou, de forma clara, que: “§ 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento”.(grifouse) A partir de então, a Secretaria da Receita Federal passou a não homologar as declarações de compensação levadas a efeito por contribuintes que acumulavam seus créditos, mesmo que em virtude de serem preponderantemente exportadores, como se nos apresenta o caso da recorrente. Para finalizar a digressão histórica, anos após, veio a ser editada a Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, permitiu a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido apurado, fato este que será oportunamente abordado, mas que já permite concluir que atualmente não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento, ficando, então, dentre outras questões, a análise quanto aos pedidos de compensação/ressarcimento para períodos entre Ago/2004 e Dez/2005, como é o caso dos autos. 1.c Comparação entre os Créditos Presumidos da Agroindústria submetida ao Regime Cumulativo e ao Regime NãoCumulativo: Para que se possa extrair a interpretação coerente com todo o sistema normativo que permeia a exigência das contribuições ao PIS e a COFINS, e também para delimitar as premissas do voto, tornase pertinente traçar um paralelo entre o tratamento dado ao crédito presumido, para o caso também de agroindústrias exportadoras, mas que estejam submetidas ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e COFINS. Para tanto, mister partir da apreciação do regime da Lei nº 9.363/96 (resultante da Medida Provisória n. 674/1994), sendo que, já de antemão se percebe que não foi senão esta legislação, a inspiração legislativa inicial para a concessão do crédito presumido sob Fl. 254DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 248 15 análise, sempre no sentido de afastar óbices que acabem onerando o exportador, retirandolhe competitividade do produto nacional frente ao estrangeiro, para com isso auxiliar na missão governamental de angariar divisas que equilibrem nossa economia. A Lei n. 9.363, de 16 de dezembro de 1996, numa evidente intenção de desonerar, ao menos parcialmente, as exportações das contribuições de PIS e COFINS – e, com isto, reduzir o chamado “Custo Brasil” –, concedeu em seu artigo 1o, um “benefício fiscal” ao contribuinte produtorexportador de mercadorias nacionais. Reza o aludido dispositivo: “Art. 1º A empresa produtora exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. A legislação partiu da realidade de que no preço relativo às aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, diante da tributação cumulativa então vigente para o PIS e COFINS, trazia consigo o custo dos tributos suportados nas operações anteriores, sendo certo, portanto, que o adquirente exportador suportava tal ônus, obrigandoo a repassálo, financeiramente, no preço dos produtos exportados. Essa situação reside ainda hoje, para as empresas exportadoras que permaneçam no regime cumulativo, razão porque se lhes ainda aplicam os comandos da Lei 9.363/96. Logo, consiste o aludido preceito num “Crédito Presumido” como forma de ressarcimento das contribuições à COFINS e ao PIS, incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno, para utilização na fabricação de produtos destinados à exportação. E, digase, referido crédito foi concedido na conta gráfica do IPI, em virtude de que naquela época não existia conta gráfica de PIS e COFINS, para que se aproveitassem as regras de compensação com o IPI na própria conta gráfica ou então, sobejando créditos, que se usassem das normas de ressarcimento já existentes para o referido imposto. A Lei nº 9.363/1996, em sua Exposição de Motivos, deixou expressa a intenção de se incentivar as exportações, como se depreende do trecho abaixo colacionado: “[...] A desoneração do IPI sobre as exportações, assegurada por determinação constitucional, tem sido viabilizada pela própria técnica do imposto, que permite assegurar a manutenção do crédito incidente sobre as matériasprimas empregadas na Fl. 255DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 16 fabricação do produto exportado, sem a qual o benefício da isenção na etapa final de exportação seria efetivamente menor. Por outro lado, o Governo de Vossa Excelência vem, diante da importância vital das exportações para o crescimento do emprego, da renda e da manutenção da capacidade de importar do País, criando condições e estímulos para a expansão das vendas externas, cabendo mencionar a isenção da COFINS e PIS na etapa final da exportação. Porém, tal benefício, ainda que importante para as exportações, perde muito de sua força em decorrência da própria mecânica de incidência dessas contribuições, que, ao contrário dos tributos sobre o valor adicionado, não permite que o montante despendido sobre as matériasprimas e produtos intermediários empregados na fabricação de um produto possa ser creditado contra os débitos registrados pelo faturamento desse bem. Desse modo, a contribuição vai se acumulando 'em cascata' em todas as fases do processo produtivo. Por essas razões, estou propondo o presente projeto de Medida Provisória, com o objetivo de desonerar também a etapa produtiva imediatamente anterior à exportação, da incidência daquelas contribuições, o que permitirá, no âmbito dos tributos indiretos federais, a eliminação quase total dessas incidências sobre as operações comerciais de vendas de mercadorias ao exterior. Finalmente, destaco o caráter urgente e relevante da medida, devido à necessidade de indicar aos exportadores ações objetivas que estimulem a continuidade de suas operações com o exterior".(grifei) Verificase claramente a origem da instituição de crédito presumido com vistas à recuperação do PIS e da COFINS, que incidiram em etapas anteriores, e que ela reconhece ter o objetivo de desonerar as exportações, justamente porque não havia a possibilidade de efetuar o crédito e mantêlo em conta gráfica das citadas contribuições. Por decorrência lógica, direta e até mesmo óbvia desse objetivo, ao ser instituído o regime nãocumulativo para as contribuições ao PIS e a COFINS, pelas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, passando então a haver permissão para a manutenção dos créditos sobre as aquisições de insumos realizados no mercado nacional, acabou perdendo o sentido preservar o direito ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de tais contribuições, previsto no art. 1º, da Lei nº 9.363/96, para os contribuintes que migrassem para o regime nãocumulativo. Vejamos o tratamento: Lei nº 10.637/2002: “Art. 6º O direito ao ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei.” [Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003] Lei nº 10.833/2003: Fl. 256DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 249 17 “Art. 14. O disposto nas Leis nos 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de setembro de 2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2º e 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002.” Por outro lado, é importante ainda focar o tratamento que atualmente encontrase pacificado, tanto pelo Judiciário quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sucedendo a jurisprudência do extinto Conselho Federal de Contribuintes, quanto ao alcance do direito ao “crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS” (art. 1º, da Lei nº 9.363/96), quando as aquisições se derem junto a pessoas físicas, especialmente focando os produtos agropecuários por elas comercializados, e que posteriormente são utilizados na industrialização de produtos nacionais exportados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N. 9.363/1996. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E/OU COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA HIERARQUIA NORMATIVA. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 111 DO CTN. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. 1. "Não consubstancia fundamento de natureza constitucional, a exigir a interposição de recurso extraordinário, a afirmação de que instrução normativa extrapolou os limites da lei que pretendia regulamentar. Tratase de mero juízo de legalidade, para cuja formulação é indispensável a investigação da interpretação dada pelo acórdão recorrido aos dispositivos cotejados, incidindo, portanto, a orientação expressa na Súmula 636/STF, segundo a qual 'não cabe recurso extraordinário por contrariedade ao princípio constitucional da legalidade, quando a sua verificação pressuponha rever a interpretação dada a normas infraconstitucionais pela decisão recorrida'" (REsp 509.963/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Rel. p/ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 18/8/2005, DJ 3/10/2005 p. 122) 2. No caso, interpretarse a Lei n. 9.363/96 com a exclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas da base de cálculo do crédito presumido do IPI é fazer distinção onde a lei não a fez. Não há como, numa interpretação literal do citado art. 1º, chegarse à conclusão de que os insumos adquiridos de pessoas físicas ou cooperativas não podem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. É certo que a interpretação literal preconizada pela lei tributária objetiva evitar interpretações ampliativas ou analógicas (v.g.: REsp 62.436/SP, Min. Francisco Peçanha Martins), mas também não pode levar a interpretações que restrinjam mais do que a lei quis. 3. Com efeito, Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia Fl. 257DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 18 resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não 8 podem modificar Lei a pretexto de estarem regulando o aproveitamento do crédito presumido do IPI. 4. O acórdão recorrido está em perfeita sintonia com a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que tem entre suas atribuições constitucionais a de uniformizar a jurisprudência infraconstitucional. 5. Recurso especial não provido.” (RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.034 PR . (2008/02789261) . REL. : MIN. BENEDITO GONÇALVES. DT. JULG. 6 DE MAIO DE 2009) “TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS E INSUMOS DE PESSOA FÍSICA – LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 – LEGALIDADE – PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1º, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto à apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Inúmeros precedentes desta Corte. 5. Recurso especial provido. (RECURSO ESPECIAL Nº 1.008.021 CE (2007/02733630), REL. MIN. ELIANA CALMON. DT DO JULG. 1º DE ABRIL DE 2008) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 250 19 “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. CRÉDITO PRESUMIDO.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF / Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0202.270 em 24.04.2006) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma / ACÓRDÃO CSRF/0201.416 em 08.09.2003) Vêse então que o estabelecimento produtor submetido ao regime cumulativo de apuração das Contribuições ao PIS e COFINS, que adquirir produtos agropecuários no mercado interno, junto a pessoas físicas, e posteriormente os destinar ao exterior, faz jus ao crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS. E mais, para esses contribuintes a legislação é expressa em permitir que referido crédito seja utilizado não só para a compensação das próprias contribuições, mas com outros débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 4º, da Lei nº 9.363/96 c/c art. 74 da Lei nº 9.430/96. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 20 Reportando esses objetivos contidos na Lei nº 9.363/96, para as empresas exportadoras submetidas ao regime nãocumulativo das contribuições ao PIS e a COFINS, verificase que os mesmos foram igualmente preservados, eis que as Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram, inicialmente em seus artigos 3º, §§ 10 e 11, o direito ao crédito presumido das agroindústrias, e nos artigos 5º e 6º, respectivamente para PIS e COFINS, o direito de manter, compensar com tributos federais, e, se o caso, de ressarcir o citado crédito presumido. E, ao ser inteiramente regulada a matéria pela Lei nº 10.925/2004, foi igualmente preservado o direito ao crédito presumido da agroindústria, apenas sendo criados parâmetros e limites, provenientes de alteração na tributação de tais contribuições sobre insumos agrícolas. Vejamos a Exposição de Motivos da MP nº 183, de 30 de abril de 2004, posteriormente convertida na Lei nº 10.925/2004: “[...] 9. Se, do ponto de vista econômico, a substituição do crédito presumido pela redução das alíquotas dos já mencionados insumos tende a ser neutra para agroindústria e cerealistas, o mesmo não ocorre com as cooperativas agropecuárias e os produtores rurais pessoas físicas. 10. No caso das cooperativas, que, pelo Projeto de Conversão aprovado e em decorrência de acordo firmado com representantes do setor (OCB), passam ao regime da não cumulatividade das contribuições, a ausência de disposição expressa que lhes estenda a possibilidade de aproveitamento do crédito presumido acarretará grave aumento da carga tributária, dado que os insumos estarão tributados. 11. Caso semelhante ocorrerá com os produtores pessoas físicas, com o agravante de sequer haver, para esses, a possibilidade de, em norma superveniente, lhes conceder o dito crédito, pelo simples fato de não serem contribuintes das mencionadas exações. 12. Em ambos os casos, o prejuízo causado repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições. [...]” (Grifouse) Daí porque, tendo havido a redução ou isenção da tributação de grande parte dos insumos agrícolas, acabou sendo cogitado que o “benefício” do crédito presumido deveria, por decorrência lógica, ser extinto, pois que deixaria de haver a oneração de PIS e COFINS no mercado interno. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 251 21 No entanto, essa desoneração dos insumos agrícolas não eliminaria por completo a oneração do custo de producão agrícola, quando se tratasse de pessoas físicas (embora atenuasse esse referido efeito) que vendessem seus produtos agropecuários a agroindústrias que, posteriormente, destinassem sua produção a exportação, em razão de que tais pessoas não poderiam lançar a crédito, manter e restituir o custo do PIS e COFINS, ainda que parcialmente incluídos em seus custos de produção. Daí porque a “Exposição de Motivos” é expressa em preservar o direito ao crédito presumido nas aquisicões de pessoas físicas, eis que a sua extinção provocaria um prejuízo, o qual “(...) repercutiria não apenas em relação ao mercado interno, pois esses estariam em desvantagem competitiva com aqueles que detêm o direito de aproveitamento do crédito presumido, mas, também no mercado internacional, pois estariam obrigados a ‘exportar’, em seus preços, o acúmulo das mencionadas contribuições.” Portanto, ao invés de extinguir por completo o crédito presumido da agroindústria, inicialmente proposto pelo Governo em função da desoneração de boa parte dos insumos de produção agrícola, o legislador optou por preservar esse direito, especialmente para evitar que o Brasil “exporte tributos”. Houve por bem o legislador, no entanto, em acatar parcialmente a proposta, pelo que acabou por limitar os produtos em que referido direito seria garantido e, ainda, acabou por reduzir a alíquota de presunção do crédito, de 70% (setenta por cento) para 35% (trinta e cinto por cento), sendo esse, concluo, o “acordo político final”, que culminou na efetiva edição da Lei nº 10.925/2004 a qual, por conta dessas negociações, acabou por entender em regular inteiramente a matéria, revogando os §§10 e 11, dos arts. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deslocando por completo a disciplina do crédito presumido para o seu artigo 8º. Portanto, se compreende perfeitamente os motivos pelos quais o legislador houve por bem em revogar os citados §§10 e 11, passando a regular a matéria no art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, mas esse fator, partindo das premissas iniciais, não teve o condão de alterar o fundamento e o objetivo previsto pela Lei n. 9.363/96, para aqueles que permanecem no regime cumulativo de apuração das contribuições, ou pelas Leis nºs. 10.637/2002, 10.833/2003, para aqueles que migraram para o regime não cumulativo. Esse objetivo legislativo desponta claro, qual seja: buscam as Leis a desoneração tributária das contribuições ao PIS e COFINS, para os produtos nacionais destinados ao exterior. Assim sendo, ao entender que os créditos apurados sobre as aquisições feitas a pessoas físicas ou cooperativas, desde que vinculadas às receitas de exportação, só poderiam ser utilizados para fins de compensação com débitos das próprias contribuições sociais, tornariam inócuo o benefício pretendido pelo legislador ordinário. Interpretar o contrário, como pretende a Instrução Normativa nº 660/06 e a decisão recorrida, seria permitir que convivam no ordenamento jurídico duas situações antagônicas: agroindústrias que produzem e exportam um dado produto, terão o direito de compensar e de ressarcir o crédito presumido de IPI, como ressarcimento de PIS e COFINS, provenientes das aquisições feitas junto a pessoas físicas e cooperativas, pelo fato de estarem no regime cumulativo dessas contribuições; por outro lado, agroindústrias que exportem produtos iguais, mas que estiverem no regime nãocumulativo poderão apenas compensar o crédito presumido com a própria contribuição, em regime de conta gráfica. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 22 É de se observar que, no segundo caso, exatamente por ocuparem posição de “preponderantemente exportadoras” jamais conseguirão “gastar” seus créditos diante da, praticamente, inexistência de saldo devedor dessas contribuições, redundando a concessão dos créditos em aumento real dos custos dos produtos exportados. Com efeito, tenho que a função interpretativa das Leis mencionadas (Leis ns. 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.925/2004, em um comparativo com a Lei n. 9.363/96), além de conferir a aplicabilidade de tais normas às relações sociais que lhe deram origem, é de, igualmente, temperar o alcance do preceito normativo, para fazêlo corresponder às necessidades reais e atuais, ou seja, aos seus fins sociais e aos valores que pretende garantir. É certo que se deve buscar interpretar a norma de forma a atribuirlhe algum sentido, algum efeito prático e, no caso do crédito em referência, cujo objetivo primordial (declarado na “Exposição de Motivos” da Lei que o disciplina), é a desoneração tributária das exportações, não se pode admitir a concessão de um crédito visando ressarcir o exportador pelas incidências de contribuições em etapas anteriores e, ato contínuo, impedir que esse ressarcimento se concretize. Sendo a recorrente produtora e exportadora de açúcar e álcool e seus derivados, portanto, produtos de origem vegetal, tal como mencionado na legislação de regência, goza do benefício de incentivo às exportadores, não merecendo sofrer qualquer restrição ao intuito da legislação de tal incentivo, bem como ao princípio da não cumulatividade dele proveniente, até porque o mecanismo do crédito presumido visa justamente eliminar uma distorção do sistema que permite manterse a indesejada tributação “em cascata”. Assim sendo, ao meu ver, a exposição de motivos da legislação, cujo parcial teor já foi acima colacionado, é taxativa em afastar tais hipóteses. Não é, e nem foi este o intuito da modificação dos percentuais de crédito presumido oriundo das aquisições por empresas industriais, de produtos rurais de pessoas físicas. Ao contrário, a referida modificação mostrase como um mecanismo legislativo intentado de forma a evitar repercussões econômicas de grandes proporções, tais como o embargo econômico dos países consumidores dos produtos exportados. Tais créditos, uma vez acumulados por industriais exportadores – como o caso da ora recorrente – deve ter o tratamento estipulado pelo incisos II e § 2º do art. 5º da Lei 10.637/2002 e do artigo 6º da Lei n. 10.833/2003, qual seja, poderem ser compensados com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal ou objetos de ressarcimento em dinheiro, pois representam créditos apurados sobre os insumos de que tratam os artigos 3.º, II, ambos da Lei nºs. 10.637/02 e 10.833/03 já referidos, sendo essa remissão feita pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/04, uma clara demonstração de que está indissociavelmente ligado, no sentido de garantir o regime de apuração não cumulativa e, como tal, igualmente se deve aplicar ao crédito respectivo, os direitos previstos para as receitas de exportação. Diferentemente, no entanto, se daria se a agroindústria acumulasse créditos presumidos de aquisições de pessoas físicas ou cooperativa, em razão de operações por ele levadas a efeito no mercado interno. Nesse caso, aí sim, não se lhe estenderia o direito ao ressarcimento e compensação, pois não lhe socorre a legislação, devendo tais créditos serem utilizados apenas para compensação com a própria contribuição, pois que não se lhe pode extender os preceitos dos arts. 5º e 6º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Face as considerações tecidas, em função da interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica que se faz do crédito presumido, enquanto mecanismo que Fl. 262DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 252 23 visa desonerar os produtos nacionais da incidência em cascata das contribuições ao PIS e COFINS, considero equivocada a aplicação, aos créditos acumulados em função de operações de exportação, da vedação contida na Instrução Normativa nº. 660/2006. 1.d. Aplicação retroativa da Instrução Normativa nº 660/06: Apesar de entender que a interpretação sistemática já seria suficiente para concluir que o direito a compensação e o ressarcimento do crédito presumido de IPI, previstos nos arts. 5º e 6º, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/04, jamais foram revogados pelo art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, entendo ainda ser pertinente avaliar se a Instrução Normativa nº 660, editada em 17 de julho de 2006, poderia ou não produzir efeitos interpretativos retroativos. E o faço por tratarse de matéria relevante e de ordem pública, relativa aplicação das leis no tempo, devendo ser abordada por este Colegiado. Como se afirmou alhures, a partir da edição do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, emergiram dúvidas quanto à preservação do direito de compensação ou de ressarcimento do crédito presumido, pelo fato de os §§10 e 11, dos arts. 3º. das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, terem sido expressamente por ela revogados. Nessa esteira de considerações, no ambiente de dúvida que para alguns contribuintes permanecia, foi formulado processo de consulta, resultando na edição da Solução de Consulta nº 59, de 27 de Abril de 2005, cuja ementa trouxe a seguinte norma: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO. As pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de nãocumulatívidade da Contribuição para o PIS/Pasep que produzirem mercadorias relacionadas no caput do a/t. 8° da Lei n° 10.925, de 2004, na nova redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.051, de 2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir de crédito presumido, na forma disposta nesse artigo e respectivos parágrafos, calculado sobre bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § Io do mencionado artigo. Em quaisquer dessas hipóteses, somente os créditos presumidos vinculados às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração podem ser utilizados na forma dos §§ Io e 2o do art. 5o da Lei n° 10.637, de 2002, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observadas as disposições contidas nos dispositivos legais referidos e na legislação pertinente." Assim sendo, se para alguns contribuintes havia a dúvida, essa teria sido dissipada pelo conteúdo da Consulta exarada pela Receita Federal. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 24 No entanto, é certo que referida consulta teve o condão de deflagrar, inicialmente o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/05, e após, a edição da Instrução Normativa nº 660, a qual, porém, que somente veio a lume em 17 de julho de 2006, com o seguinte conteúdo: Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: a) dos insumos de origem animal classificados no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03,0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 da NCM; b) das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; e c) dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 1516.10 da NCM, exceto o código 1502.00.1; II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. § 2º Para efeito do cálculo do crédito presumido de que trata o caput, o custo de aquisição, por espécie de bem, não poderá ser superior ao valor de mercado. § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Portanto, a Instrução Normativa nº 660/06 veio revogar o conteúdo interpretativo anteriormente exarado pela Solução de Consulta nº 59, passando a obrigar os agentes da Administração Tributária ao cumprimento de seus ditames, a ponto da decisão recorrida, ao fundamentar sua conclusão, ter sido expressa em citar a referida IN, e, ao mesmo tempo, se lhe atribuir caráter meramente interpretativo. Consequentemente, nos termos do art. 106, do CTN, deveria referida IN ser aplicada retroativamente. Vejamos a parte da decisão que assim se posiciona: “[...] Também não prospera a alegação de aplicação retroativa da IN SRF nº. 660, de 2006, uma vez que o impedimento para a compensação ou ressarcimento dos referidos créditos está Fl. 264DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 253 25 implicitamente disposya na Lei, e explicitamente no acima transcrito ADI nº. 15, cujos efeitos são retroativos, fundamentado no art. 106 do CTN.” No entanto, pela simples leitura que se faz do art. 106 do CTN, emerge claro que o que retroage é a Lei que seja expressamente interpretativa, o que, data vênia, não é o caso de ato emanado do Poder Executivo, eis que as Instruções Normativas não possuem caráter legislativo, mas sim, visam a edição de normas destinadas a fiel execução das Leis. Não é a Instrução Normativa uma Lei, em sentido formal, material ou mesmo finalístico, de modo que não se pode atribuir a uma Instrução Normativa o caráter legiferante, não lhe cabendo um predicado exclusivo das Leis. Diante disso, o que se tem é que, em junho de 2006 foi editado um ato pelo qual se deixou clara a interpretação do Poder Executivo, sobre os efeitos do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 e o direito de compensar ou ressarcir créditos presumidos pelo exportador de produtos agroindustriais. Porém, ainda que não se tivesse verificado que a interpretação sistemática, teleológica e até mesmo histórica levam a conclusão de que referido direito de compensar e ressarcir o crédito presumido da agroindústria, em favor do contribuinte exportador, não logrou ter sido revogado pelo art. 8º, da Lei nº 10.925, ainda assim teríamos um óbice intransponível, que seria o de atribuir efeitos retroativos ao art. 8º, da Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006. É o que se colhe do seguinte julgado do extinto Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “INSTRUÇÃO NORMATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAGIR PARA RESTRINGIR DIREITO DO CONTRIBUINTE. AFRONTA AO PRINCÍPIO TRIBUTÁRIO DA IRRETROATIVIDADE. A Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, entretanto não é válido o dispositivo que determina a retroatividade de sua eficácia restritiva para período anterior à sua publicação. Recurso provido.” (Acórdão n° 20312.809. 2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara. Sessão de 08 de abril de 2008) Portanto, tratandose de crédito presumido relativo a período anterior a edição da Instrução Normativa nº 660/2006, ou mesmo do ADI/SRF nº 15/2005, independentemente da interpretação neles veiculada estar ou não ajustada à interpretação sistemática do ordenamento jurídico pátrio, entendo que ela não poderá colher atos anteriores a sua edição, especificamente no que diz respeito aos créditos acumulados em razão de operações de exportação. 1.e Interpretação do entendimento do STJ sobre a questão: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 26 É importante deixar registrado que existe entendimento emanado do STJ sobre o tema em questão (vide Recurso Especial nº 1.240.954 – RS), o qual, se visualizado superficialmente, se posiciona em sentido oposto ao que defendo nessa exposição. Vejamos a Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ART 8º DA LEI N. 10.925/2004. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO SRF 15/05. ILEGALIDADE INEXISTENTE. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que o ato declaratório interpretativo SRF 15/05 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação que já estava contida na legislação tributária vigente. 2. Precedentes: REsp 1233876/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1.4.2011; e REsp 1118011/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2010. 3. Recurso especial não provido. No entanto, entendo que a decisão do STJ está plenamente correta no que diz respeito aos saldos credores de PIS e de COFINS que se acumularem em conta gráfica dos contribuintes submetidos ao regime não cumulativo de tais tributos, decorrentes de operações realizadas no mercado interno. Essa, aliás, é a interpretação que penso deva emanar das normas infralegais editadas pelo Poder Executivo, tanto a IN nº 660/06 quanto o Ato Declaratório Interpretativo nº 15/05, pois que atende aos critérios interpretativos pelo método histórico, teleológico e sistemático da legislação. Embora essa interpretação não esteja textual no precedente analisado e colacionado, posicionome no sentido de que o entendimento do STJ se compatibilizará com o sistema legislativo como um todo quando aplicado apenas aos contribuintes que acumularem créditos no mercado interno, excluídos de seu espectro os saldos credores acumulados em virtude de operações de exportação. Portanto, embora conhecendo o entendimento do STJ, interpretoo como não extensivo ao caso dos autos, respeitando os que interpretarem tal entendimento de modo diverso, embora sem modificação da conclusão aqui exarada, até porque a questão não encontrase sumulada, não foi julgada em sede de recurso repetitivo ou de repercussão geral. 1.f Alcance do Art. 56B, da Lei nº 12.350/2010 (na redação da Lei nº 12.431/2011): Como já mencionado no corpo do voto, em 20 de dezembro de 2010 foi sancionada a Lei nº 12.350, a qual, com redação da Lei nº 12.431/2011, acabou por deixar expressa a possibilidade de compensação/ressarcimento do saldo do crédito presumido em favor das agroindústrias, ora objeto de análise. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 254 27 Nesse sentido, transcrevese o art. 56B, da Lei nº 12.350/10: “Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.”. Com efeito, a partir do advento do citado art. 56B, não mais pairam dúvidas sobre a possibilidade de sua compensação/ressarcimento. As dúvidas sobrevirão para autuações que tiverem sido lavradas glosando esse referido direito. Além disso, cumpre abordar a redação do art. 56A, da mesma Lei nº 12.350/2010: “Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º, da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria”. Portanto, no art. 56B houve o reconhecimento do direito a compensação, enquanto que no art. 56A, ambos da Lei em questão, há limitação temporal e formal para se pleitear os ressarcimentos e as compensações do crédito presumido quando acumulados em períodos retroativos. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 28 Consequentemente, o que aqui se deve perquirir é se, por não ter a Lei nº 12.350/2010 sido expressa em determinar os seus efeitos para períodos anteriores a Janeiro de 2006 (ou seja, períodos entre Ago/2004 e Dez/2005), o direito a compensação preexistiria a sua edição? E mais, em não preexistindo, podem ser aplicados tais efeitos retroativamente? Em resposta ao primeiro questionamento, entendo que a referida legislação em nada inovou o ordenamento jurídico naquilo que diga respeito aos saldos credores acumulados decorrentes de operações de exportação, pois que vislumbro que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, não teve o condão de alterar o direito de ressarcimento e de compensação para os exportadores, diferentemente dos saldos decorrentes do mercado interno, por todos os argumentos já esposados ao longo deste voto. Quanto ao efeito retroativo, igualmente entendoo plenamente aplicável no caso, e por dois fundamentos. O primeiro é porque, não tendo a novel legislação inovado o Direito Positivo, a interpretação que se extrai do ato formal de promulgação da Lei, é no sentido de que está havendo o reconhecimento expresso de um direito préexistente. É dizer: a Lei nº 12.350/10, na redação da Lei nº 12.431/11, revestese de caráter interpretativo, e, como tal, deve retroagir seus efeitos para colher não só as situações anteriores a sua vigência (Dez/2011), mas também aqueles fatos constituídos anteriormente a Janeiro de 2006. No que diz respeito ao efeito retroativo para o período de Ago/2004 a Dez/2005, essa conclusão é também respaldada no princípio segundo o qual não se poderia instituir tratamento diferenciado entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente, de modo a vedar o direito de compensação para aqueles que pleitearem compensação com créditos apurados em Dez/05, e deferilo para aqueles que pleitearemno para créditos de Jan/2006. Assim sendo, essa limitação temporal existente no art. 56A, da Lei nº 12.350/2010, visou atingir o período decadencial do direito de crédito, de modo que não se pode negar aplicabilidade retroativa, dado seu caráter interpretativo (art. 106, do CTN). Vejamos o dispositivo legal: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Portanto, com a edição das Leis nºs 12.350/10 e 12.431/11, há o reconhecimento legislativo de que a interpretação emprestada ao direito de compensação do crédito presumido da agroindústria pela Administração Tributária estava equivocada, sendo necessária a veiculação de legislação para efetivamente atribuir efeitos interpretativos a questão, e ao mesmo tempo deixar extreme de dúvidas que o direito a efetivação dos créditos deveria ter sido sempre preservado. No entanto, a retroatividade não se sustenta somente neste fundamento. Além disso, até mesmo para os que se posicionarem no sentido de que as Lei nºs. 12.350/10 e 12.431/11 não deveriam retroagir porque não teriam sido expressas nesse sentido, ou porque estariam limitando cronologicamente o direito de pleitear as compensações, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 255 29 entendo que ainda assim devem tais Leis colherem os fatos pretéritos, pois que, a partir do art. 56B, das Leis citadas, deixouse de tratar o direito de compensação como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, a qual estava materializada exatamente no dever do contribuinte absterse de efetuar a compensação dos créditos acumulados. Nesse sentido, invocase novamente o art. 106, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Assim, seja pelo inciso I, seja pelo inciso II, alínea “b”, do art. 106, do CTN, devem as Leis nº 12.350/10 e 12.431/11, retroagirem os seus efeitos, e, conseqüentemente, merece guarida o pleito de ressarcimento e compensação declinado pela Recorrente. Em resumo da fundamentação contida nos autos: Considerando que, quando os arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e art. 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) concederam o crédito presumido da agroindústria, reportouse aos arts. 3º das citadas Leis, os quais, naquele momento, traziam em seu bojo os §§10 e 11 concessores do crédito presumido; Considerando que o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 não revogou expressamente o direito de compensação e de ressarcimento previsto nos arts. 5º, da Lei nº 10.637/02 (para o PIS) e 6º, da Lei nº 10.833/03 (para a COFINS) e ainda, pela sua exposição de motivos, preservou o crédito presumido com o objetivo declarado de evitar que se “exportasse” tributos; Considerando que a interpretação sistemática, teleológica e histórica do crédito presumido em questão, posicionao como mecanismo de eliminação do efeito de “exportar tributos”, e que não deve conviver no sistema um direito com esse mesmo objetivo que tenha aplicabilidade diversa em função unicamente de estar ou não o exportador sujeito ao regime cumulativo ou não cumulativo do PIS e da COFINS; Considerando, ainda, que a Instrução Normativa nº 660, de 17 de julho de 2006, não tem a aptidão legislativa de retroatividade para aplicarse a fatos passados, especialmente aos saldos credores decorrentes de operações de exportação; Considerando, finalmente, que com o advento do art. 56B, da Lei nº 12.350/10 (na redação da Lei nº 12.431/11), houve reconhecimento expresso Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 30 do direito, e que nos termos do art. 106, incisos I e II, “ b”, do CTN, o mesmo deve retroagir os seus efeitos para o caso em análise. Entendo que o recurso, nesse particular, merece provimento, sendo que quanto aos valores do crédito presumido, estes deverão ser averiguados pela autoridade preparadora para fins de homologação total ou parcial da compensação pleiteada. 2. Quanto ao Direito ao Desconto de Créditos sobre Insumos: Na análise dos autos se pode constatar que as instâncias anteriores desconsideraram os créditos apropriados pelo contribuinte, por ele rotulados como sendo dispêndios havidos no Transporte e Plantio de Cana, ensejando a glosa dos mesmos relativamente aos seguintes bens: · Combustível; · Transporte de trabalhadores; · Transporte da Cana de Açúcar. A Autoridade Julgadora de 1ª Instância, em suas razões de voto, sustenta entendimento em razão do conceito de insumos dado através do art. 8º, §4º, I, “a” da IN SRF nº. 404, de 2004, resguardandose, corretamente, de enfrentar quaisquer argüições de inconstitucionalidade trazidas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, valendose da outorga de competência que a legislação teria dado ao Poder Público para essa definição conceitual, restingindose e limitandose fielmente ao conceito na instrução normativa. Todavia, esvaindose da vala da (in)constitucionalidade de norma, entendo ser dever do Conselho expressar o entendimento acerca do conceito de insumos, como hodiernamente têm feito até mesmo esta Seção, pois que tal possibilidade esquivase da análise da constitucionalidade de dispositivo legal, entrando apenas e tão somente no âmago da interpretação do termo “insumos” previsto na legislação de regência, e sua correlação com a “geração” de “receita”, que vem a ser a base de cálculo das contribuições em tela, e não especificamente a “produção” de um “bem”, como sustenta a decisão recorrida, e como decorre da sistemática do IPI que nitidamente se transportou das normativas daquele tributo. Assim sendo, cumpre partir da análise normativa do direito ao desconto de créditos, previsto nos incisos I e II do artigo 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que assim prescrevem: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) no § 1º do art. 2º desta Lei; b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 256 31 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]” Colacionados os dispositivos legais que hospedam a discussão em tela, cumpre então, adentrar no efetivo conceito que entendo ser aplicável ao termo “insumos” previsto no inciso II acima transcrito, pois que sua ampliação, ou não, refletirá no cálculo do crédito a que o contribuinte poderá descontar, ou então, acumular para fins de computar em seu pedido de ressarcimento e compensação. Inicialmente, tenho que as Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, para o PIS e a COFINS, um sistema de concessão e proibição de créditos expressamente mencionados, denominandoo de “nãocumulatividade”. Contudo, os contribuintes conheciam, até então, somente a sistemática de apuração nãocumulativa prevista para o IPI e o ICMS, em que o direito de crédito está relacionado ao pagamento do mesmo imposto nas etapas anteriores de produção e circulação, e, ainda, está balizado pela produção e circulação física de produtos ou mercadorias. Para melhor posicionar, convém reprizar o dispositivo das Leis citadas, que no art. 3º, II, reza haver direito ao crédito pela entrada de “... bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”. Ao assim dispor, considerando o grande número de produtos, bens e serviços utilizados pelos contribuintes, nem tudo pôde ali ser contemplado. Ainda, as mesmas leis cometeram a grave omissão de, ao se referirem aos “insumos” como concessores de crédito, não definiram ou especificaram o alcance de seu conceito. É importante frisar que para fins tributários, o termo “insumo” nem sempre representa o mesmo universo de bens ou serviços, como se tem exemplificado na apuração do IPI e do Imposto sobre a Renda. Enquanto no primeiro está ligado aos bens “consumidos no processo produtivo”, o segundo, corresponde a “custos e despesas necessárias”. Assim, ao se referirem as Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 ao direito de crédito relativo a insumos, sem lhes delimitar a extensão, fez a dúvida se nesse conceito estarão incluídas as despesas que se demonstram necessárias, mas não representam entradas de bens ou serviços utilizados no processo de produção ou comercialização dos produtos. Maior ainda a dificuldade de, ao elaborar uma “lista” de bens e serviços concedentes de crédito, discernir o que representa insumo para umas atividades e não para outras. O posicionamento da Receita Federal do Brasil, diante das dúvidas geradas, tem sido o de restringir a eficácia do sistema previsto como nãocumulativo para uma mera técnica de abatimento de créditos pontuais, sendo tal posicionamento externado através das Instruções Normativas nºs. 247/02 e 404/04 que reconhecem como insumos concessivos de créditos somente aqueles bens que são utilizados na fabricação ou produção dos bens tais como Fl. 271DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 32 a matéria prima, produtos intermediários, as embalagens e “quaisquer outros bens que sofreram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado” (§ 4º do art. 8º da IN 404/04), ou seja, busca aplicar ao PIS e à COFINS o conceito de insumos utilizado para o IPI. No entanto, em que pese referida regulamentação decorrer de competência outorgada pelas próprias Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, é assente que essa delegação de competência não permite as normas infralegais inovarem a ordem jurídica, mas apenas disciplinar os procedimentos para o fiel cumprimento da lei (art. 84, IV, da CRFB1988). Ao pretender definir o alcance do conceito do que seja insumo, aplicando o mesmo raciocínio vigente para a disciplina do IPI, as citadas Instruções Normativas, no entendimento particular, olvidaram dos diversos aspectos vinculados a técnica da nãocumulatividade, e ao pressuposto de que as contribuições ao PIS e à COFINS gravam a “totalidade das receitas”, e não a produção e circulação de produtos/mercadorias, fisicamente considerando. E, ao partir dessa premissa por elas – IN´s – pressuposta (e não pela legislação), ao regulamentar a aplicação, acabaram inovando a ordem jurídica, o que lhes é vedado. Portanto, de início afastase a interpretação que está contida nas citadas Instruções Normativas, passando a perquirir as premissas que sustentam a técnica da não cumulatividade aplicável as contribuições ao PIS e a COFINS. Para esse desiderato, iniciemos com o entendimento de Minatel1 ao pontuar que: ...essa técnica adotada para a neutralização da incidência daqueles impostos, que como se disse gravam a circulação de bens (aqui tomada em seu sentido lato,) não tem a mesma pertinência que a recomende para ser introduzida no contexto da tributação da receita, por absoluta falta de afinidade entre os conteúdos do pressuposto material das diferentes realidades. Na mesma linha de entendimento leciona Marco Aurélio Greco2, destacando a impossibilidade de serem utilizados os conceitos do IPI na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos: ...não há um dispositivo que, categoricamente, determine que “insumo” deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação daquele imposto... o regime de créditos existe atrelado à técnica da nãocumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. ... no âmbito da nãocumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3 , II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores... Por isso, insumo para fins de não cumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo, MP, 2005, p. 180. 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação de PIS e COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul/ago. 2008. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 257 33 alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o § 12 do art. 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. ...No âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante que poderá, ou não, ser considerado “insumo”... no âmbito do PIS/COFINS a referência explícita é a “produção ou fabricação”, vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos. Com efeito, entendo que a pretensão das citadas Instruções Normativas está em desacordo com o comando normativo contido nos arts. 3º, das citadas Leis, pois que não se poderia vincular a nãocumulatividade inerente as contribuições ao PIS e à COFINS, que gravam a receita bruta das empresas, ao pressuposto de que os dispêndios concessores de crédito fossem apenas aqueles ligados fisicamente ao processo produtivo, no sentido de entender como insumos apenas os itens que neles se desgastam. E isto porque, fundamentalmente inexiste previsão legal para tanto, sendo que a interpretação que entendo deva se aplicar, é aquela que se coadune com o comando do art. 109 do CTN, guardando relação de proporcionalidade com o fato jurídico gravado pelo tributo, no caso, a grandeza “receita bruta”, e não a produção ou circulação, fisicamente falando, de produtos ou mercadorias, estes sim, vinculados ao IPI e ICMS, respectivamente. É nesse sentido o entendimento contido no v. Acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível Nº 002904040.2008.404.7100/RS, em 14.07.2011, cuja Ementa, da lavra do Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik, contém a afirmação que segue: Não há paralelo entre o regime não cumulativo de IPI/ICMS e o de PIS/COFINS, justamente porque os fatos tributários que os originam são completamente distintos. O IPI e o ICMS incidem sobre as operações com produtos industrializados e a circulação de bens e serviços em inúmeras etapas da cadeia econômica; a não cumulatividade visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio da técnica de compensação de débitos com créditos. Já o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas, não havendo semelhança com a circulação característica de IPI e ICMS, em que existem várias operações em uma cadeia produtiva ou circulatória de bens e serviços. Assim, a técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá mediante redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens ou serviços objeto de faturamento em momento anterior. (Grifouse) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 34 Igualmente importante e pertinentes são as ponderações feitas por Leandro Paulsen3, dada sua total aplicabilidade ao caso: Preliminarmente à análise da dita nãocumulativade das contribuições PIS/PASEP e COFINS, importa ter em consideração alguns aspectos: a) a nãocumulatividade do PIS e da COFINS surgiu por força de leis ordinárias, e a EC 42/03, ao acrescentar o § 12 ao art. 195 da Constituição, apenas a refere, sem estabelecer critérios a serem observados; b) a receita é fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar propriamente em ciclo ou cadeia econômica; c) a nãocumulatividade em tributo sobre a receita é uma ficção que, justamente por ter em conta a receita, induz uma amplitude maior que a da nãocumulatividade dos impostos sobre operações com produtos industrializados ou mesmo sobre a circulação de mercadorias. Neste sentido, são as lições de Marco Aurélio Greco, que chama atenção para a necessidade de ser interpretar os dispositivos da legislação específica tendo como referência, sempre e necessariamente, a base econômica que é objeto de tributação a receita , a racionalidade da sua incidência e a necessária coerência interna do seu regime jurídico: (...) como não há subjacente à noção de receita um ciclo econômico a ser considerado (posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa), os critérios para definir a dedutibilidade de valores devem ser construídos em função da realidade "receita" como figura atrelada subjetivamente ao contribuinte, isoladamente considerado. (...) enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de uma receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI. (Grifouse) Considerando que no IPI se tem como fato tributável (critério material) a industrialização de produtos e nas Contribuições se tributa o “faturamento ou a totalidade das receitas da pessoa jurídica” é evidente que no primeiro a realização da nãocumulatividade implica nos créditos relativos aos insumos destinados à operação de industrialização; por outro lado, quando a realidade tributada pelas contribuições é o faturamento ou a receita, deve prover crédito o que foi objeto de faturamento ou receita anterior. Essa seria a lógica do sistema da nãocumulatividade para essas contribuições que gravam a receita ou o faturamento. 3 PAULSEN, Leandro. Contribuições: custeio da seguridade social. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2007, p. 184185. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 258 35 Nesse sentido, estará a matéria tributável (faturamento ou receita) mais próxima do Imposto sobre a Renda (lucro) do que do IPI (produto), de forma a ser considerada correta a tomada de crédito, no mínimo, sobre as mesmas entradas que aquele imposto considera com custo ou despesa necessária e assim admite seu abatimento da base tributável. Devese observar que em agosto de 2010, quando julgado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, o Processo nº 11065.101271/200647, o Relator daqueles autos, Henrique Pinheiro Torres manifestouse nos seguintes termos: A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance aplicado nessas contribuições. Mais adiante em seu voto, continua o Relator: O Legislador não quis restringir o creditamento de PIS/PASEP às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (…) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. (Grifouse) A partir deste julgamento, muitos outros surgiram a amparar o direito de se aplicar ao conceito de insumos previsto no inciso II, dos arts. 3ºs. das Leis nº. 10.638/02 e 10.833/03, uma extensão mais ampliada do que aquele constante das Instruções Normativas nºs 247/02 e 404/04, de modo que resta evidente que não se aplica aquele conceito do IPI (insculpido no Parecer Normativo CST 65/79) para essa finalidade. Do mesmo modo, no Proc. 11020.001952/200622, em 08.12.2010, o Acórdão 320200.226, da 2ª Câmara, da 2ª Turma, do CARF, foi ementado com a afirmação: “O conceito de insumos dentro da sistemática de apuração dos créditos pela não cumulatividade do PIS e da Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço.” (Grifouse) E o Relator desse processo destacado acima, Gilberto de Castro Moreira Junior, em seu voto condutor do julgamento unânime, afirma que: Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 36 “É de se concluir, portanto, que o termo ‘insumo’ utilizado para cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n. 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI).” Esse entendimento mais ampliativo, de modo a simplesmente equiparar ao conceito de insumos para fins de IRPJ, e, com isso, abarcando no direito ao crédito todos os custos e despesas necessárias, no entanto, não tem sido aceito pela corrente majoritária do CARF, usando como argumento, dentre outros, o fato de que do mesmo modo que não se pode trazer conceitos do IPI para o PIS e a COFINS, também não se lhe podem transportar conceitos do IRPJ, pois que são, em qualquer caso, tributos diferentes. Assim sendo, o que se mostra acertado é que não e aplica simplesmente o conceito do IPI, transposto para as citadas IN´s, cabendo a análise, caso a caso, conforme a atividade do sujeito passivo e a relação de pertinência que o insumo possui na sua produção e na sua geração de receita, para que então se aquilate quanto ao direito ao crédito sobre referido insumo. Diante de todas as considerações, entendo que “insumos”, para fins da tomada de créditos na apuração de PIS e COFINS nãocumulativo possui uma conotação mais abrangente que aquela tomada pelo IPI e reprisada pelas referidas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil. A simples leitura das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, editadas antes da existência de qualquer previsão constitucional sobre a matéria, e que normatizam a sistemática da apuração dessas contribuições, deixa claro um alcance mais amplo que o previsto constitucionalmente para o imposto, vez que sua menção às entradas concessoras de crédito vai além de “matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem”. No momento em que as leis admitem despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, contraprestação de arrendamento mercantil, armazenagem e frete na operação de venda, depreciação e outras despesas que, absolutamente, não guardam relação física com o “produto ou bem produzido”, tampouco com o “pagamento na etapa anterior”, toma evidente a distância daquele conceito de “insumo” admitido ao IPI, não cabendo, assim, “importálo” para as contribuições que gravam a receita. Dessa forma, deve ser admitida a tomada de créditos, pelo contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo, relativo a todos os custos e despesas que sejam inerentes a obtenção da receita ou faturamento em sua atividade. No entanto, cumpre frisar que o mesmo dispêndio pode significar um insumo indispensável para uma determinada atividade geradora de receita, enquanto à uma outra será tido como mero componente incidental, o que afasta desde logo, a possibilidade de regrar a questão pela via das listas taxativas. Isto leva ao entendimento de que, dependendo do tipo, setor ou classe produtiva, e ainda, de acordo com as particularidades inerentes a cada entidade empresarial, se poderá ter uma realidade distinta para definir o que seja “insumo”, levando a concluir que cada unidade produtiva poderá ter o seu conceito, o qual dependerá da avaliação da finalidade do dispêndio na geração da receita daquele contribuinte. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 259 37 Particularmente, para se retirar o casuísmo e o subjetivismo extremo, na interpretação e aplicação da legislação tributária, entendo que os dispêndios que vierem a ser considerados pelo Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, que enquadramse no conceito contábil de custo, enquadrarseá no conceito de insumo. Quando as despesas, essas sim, deverseá avaliar caso a caso a relação de pertinência, indispensabilidade para manutenção da fonte produtora e para a geração da própria receita. Então, particularmente, entendo que tais dispêndios deverão conceder o direito ao crédito. É, aliás, essa a linha de posicionamento que entendo vem trilhando também o Poder Judiciário. Embora se tratando de decisão exarada por Tribunal Regional, no voto que sustenta o Acórdão já antes destacado (002904040.2008.404.7100/RS, do TRF da 4ª Região), assinala para o entendimento que também naquele Poder pode ser pacificado, quando o Relator assim se manifesta: “O critério que se mostra consentâneo com a noção de receita é o adotado pela legislação do imposto de renda. Insumos, então, são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção.” Voltando a atenção ao caso em concreto, analisando efetivamente os dispêndios cujo desconto de créditos fora obstado pela Autoridade Fiscal (Combustível, Transporte de trabalhadores e Transporte da Cana de Açúcar), está comprovado que referidos gastos estão contabilizados como “custo de produção” (ou gastos gerais de produção), e assim, alocadas na fase anterior (e indispensável) à geração da receita de venda, não transitando pelo resultado enquanto “despesa” (diretamente), e sim, no CPV (custo de produtos vendidos). Portanto, tais gastos não são “lançados” diretamente como despesa na Demonstração do Resultado, mas antes compõem os Estoques, apenas vindo a ser registrados no “resultado” através do CPV – Custo dos Produtos Vendidos. Assim sendo, entendo que referidos itens são indispensáveis ao processo produtivo do contribuinte, e são efetivamente, aplicados na produção dos produtos que são posteriormente destinados a venda. Se não participam “fisicamente”, em contato direto com o produto em fabricação do produto acabado (açúcar e álcool), não quer isso significar que não sejam insumos, para os fins de PIS e COFINS. Em sentido análogo, já decidiu esse Conselho: “CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. Devem ser considerados insumos todos os bens e serviços empregados Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 38 direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (…)” (Processo nº 11080.003538/200996 Acórdão 3202000.411 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/3ª Seção – Rel. Irene Souza de Trindade Torres – j. 24.01.2012) CRÉDITO DE INSUMOS A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (…) (Processo nº 10976.000159/200816 – Acórdão nº 3201000.959 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/3ª Seção – Rel. Daniel Mariz Gudiño j. 24/04/2012) Assim sendo, considerando que os dispêndios com combustíveis (expressamente permitidos), transportes de trabalhadores e no transporte de cana de açúcar, efetivamente são partes indissociáveis do processo produtivo da Recorrente, sem os quais não poderia levar a cabo sua atividade (a menos que adquirisse os insumos todos prontos – e teria, então direito ao crédito enquanto matériaprima), entendo que assistelhe o direito ao desconto de créditos sobre aludidos insumos, merecendo provimento o recurso nesse particular. 3. Rateio de custos, despesas e encargos comuns e sua vinculação à Receita Bruta Total da Pessoa Jurídica: Outra questão que se apresenta sob litígio, reside no “refazimento” dos cálculos procedidos pela Autoridade Fiscal, que entendeu que o percentual do rateio entre as receitas de venda de produtos sujeitos ao regime cumulativo e os não cumulativos, para fins de apropriação de créditos sobre os custos, despesas e encargos comuns a ambos, deveria levar em consideração apenas as receitas que estiverem relacionadas aos referidos custos, despesas e encargos, e não a receita bruta total da pessoa jurídica. Por seu turno, a Recorrente sustenta que o cálculo do percentual do rateio deve levar em consideração a receita bruta proveniente da venda dos produtos sujeitos ao regime não cumulativo pela receita bruta total da pessoa jurídica, não efetuando a segregação intencionada pelo Fisco. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 260 39 Nesse sentido, tenho que assiste razão à Recorrente, pois a letra da lei faculta às empresas que possuam parte de suas receitas sujeitas ao regime não cumulativo da COFINS/PIS, a apuração dos créditos de duas formas diferentes, quais sejam, pela apropriação direta, ou então pelo rateio proporcional, previstos respectivamente nos incisos I e II do §8º do artigo 3º da Lei 10.833/03. Desta forma, da análise dos autos, observase que os produtos (açúcar e álcool), que a Recorrente comercializa têm origem nas mesmas matériasprimas e que a receita derivada destes dois únicos produtos recai parte no regime cumulativo (álcool) e parte no regime não cumulativo (açúcar), e, considerando que o contribuinte afirma não possuir sistema integrado e coordenado de estoques, restalhe a opção de proceder à apropriação dos créditos pelo método do rateio proporcional, previsto no inciso II do já mencionado artigo, que se concretiza “pela relação existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês”. Como dito, o referido dispositivo é expresso em determinar esta relação de rateio (acima destacada), não fazendo a menção desejada pela Autoridade Administrativa, de que a relação percentual utilizada no rateio deve ser ater aos limites dos custos, despesas e encargos comuns, vinculados à receita não cumulativa. Não vislumbro, da leitura do comando legal ora em voga, que a expressão “receita bruta” trazida pelo legislador, possa ter sua interpretação modificada para qualquer outro tipo de “receita” que não a “receita total” da pessoa jurídica, pois que, em sentido estrito, receita bruta é, conforme definição extraída do próprio sítio da Receita Federal na internet: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário” Desta feita, cumpre frisar que o comando legal no qual baseiase a regulamentação do rateio levado a efeito pela Recorrente designa a relação percentual entre as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, tão somente. Não se denota nenhuma espécie derivada do conceito de receita bruta total, na qual se pudesse entender que dali caberia a interpretação de receitas apenas relacionadas a uma determinada atividade da empresa, ou adstrita aos custos, despesas ou encargos que geram os créditos. Deve ficar registrado, portanto, que no tocante às receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, como quer a Administração”, ou como “complemento de preço”, como sustenta a recorrente, na realidade deverá compor a receita bruta (numerador), quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deverá compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 40 Assim, tenho que a forma como procedida ao rateio pelo contribuinte recorrente obedece a legislação, pelo que, no contexto do acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. 4. Variação cambial: Sobre este tema, analisando o despacho decisório que motivou a discussão nestes autos, observei que o mesmo não é objeto das verificações efetuadas pela Autoridade Administrativa, nem, tampouco, objeto de manifestação de inconformidade do contribuinte, tendo vindo à baila apenas no julgamento de primeira instancia que entendeu discutida a matéria, negando, por sua vez, provimento à tese. A questão da variação cambial fiscalizada (porém não motivadora da glosa aqui discutida), ser ou não ser receita financeira ou de exportação, não merece ser trabalhada neste julgamento, tendo em vista, conforme mencionei acima, que não é objeto da lide, não tendo sido glosada pela Autoridade Preparadora, nem defendida pelo contribuinte na primeira oportunidade. A única relevância que a classificação da variação cambial como sendo receita de exportação, como quer o contribuinte, ou receita financeira, como rotulado pela Administração, decorre da interpretação perpetrada pelo ente fiscal no tocante à forma de se proceder ao rateio de custos, despesas e encargos comuns, para fins de apropriação de crédito. Consequentemente, esta discussão resta deslocada e absorvida para o item próprio relativo ao rateio dos custos, despesas e encargos, anteriormente tratado. Sendo dele meramente reflexo. Assim, sendo matéria estranha à lide, não conheço dos argumentos trazidos no recurso voluntário constante dos autos, nos termos dos fatos e fundamentos acima explanados. 5. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido não conhecer da matéria relativa a variação cambial, e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte compensar ou ressarcir o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2002; para reconhecer o direito de crédito do contribuinte relativo à aquisição dos insumos sob as rubricas “Transporte – Combustíveis, Transporte de Cana e Transporte Trabalhadores”; e, no que tange à forma de cálculo do rateio de custos, despesas e encargos, para determinar que a “receita financeira” componha a receita bruta (numerador) quando decorra de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e que componha a receita bruta total (denominador) em qualquer hipótese, nos termos da fundamentação. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 261 41 Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Designado. A discordância em relação ao voto do altivo relator diz respeito à possibilidade de compensação ou ressarcimento do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2002. Respeitando a abordagem digna de aplausos feita pelo relator, ouso dissentir pelos fundamentos que passo a expor. O cerne da questão se restringe no exame das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade da COFINS e sua irradiação no mundo jurídico. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.833, de 2003, assim dispõe sobre o assunto: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 6o Relativamente ao crédito presumido referido no § 5o: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela constante do caput do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal – SRF, do Ministério da Fazenda. (...) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 42 § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: I o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal SRF; e II a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentálo. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 262 43 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 44 b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Portanto, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5o da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6o da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma dos arts. 3os das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO Processo nº 10840.002227/200574 Acórdão n.º 3402001.986 S3C4T2 Fl. 263 45 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Portanto, não necessário empreender qualquer esforço de interpretação e subsunção para concluir que as compensações pretendidas pelo contribuinte não devem prosperar, sendo imperiosa a manutenção da decisão proferida em primeira instância. Por fim, a recorrente afirma que a legislação dispõe em sentido contrário ao contido no ADI nº 15, já que a Lei nº 11.116/2005 determina que a compensação poderá ser feita com qualquer tributo ou contribuições administradas pela Receita Federal. No entanto, como se pode observar, lendo atentamente o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, este dispositivo legal trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO 46 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Na linha de entendimento acima fixado, a partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS e da COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS ou a COFINS devidos na sistemática da nãocumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS e da COFINS apuradas no regime de incidência não cumulativa. Em face do exposto, afasto a possibilidade de que o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925/2004 seja utilizado como objeto de processo de ressarcimento ou compensação tributária. Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSE NBURG FILHO
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Numero do processo: 11060.905502/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de pedido de restituição, cumulado com pedido de compensação de débitos próprios (PER/DCOMP), de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo ocorrido no período de junho de 2007. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou a compensação a ele vinculada, ao fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 05 50 2/ 20 09 -8 7 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 198 2 Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente a contribuinte antes identificada teve nãohomologada a compensação declarada por meio de DCOMP, em virtude de que o crédito apontado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da empresa, não restando saldo de crédito para compensação dos débitos informados naquela declaração. Do mesmo Despacho constou Intimação para pagamento dos débitos indevidamente compensados. Cientificada da decisão administrativa, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde registra que: • não utilizava adequadamente os créditos a que teria direito. Em 2007 foi realizada auditoria tributária na empresa por firma especializada, com a finalidade de recalcular todos os tributos devidos dos 5 anos anteriores e ano corrente. Foram feitas as devidas alterações em DACON, sendo contabilizados os resultados do trabalho; • o valor pago de COFINS pela empresa em 20/07/2007 foi de R$ 89.187,22 (código 5856). Após o recálculo, verificouse que deveria ter sido pago R$ 78.558,76, restando um pagamento a maior de R$ 10.628,46. Esse pagamento foi utilizado para efetuar a compensação de IRPJ (código 5993 – PA dezembro de 2007 vencimento em 31/01/2008) conforme a DCOMP nº 24120.48024.200208.1.3.048749; • quanto à inexistência do crédito e a não homologação da compensação, o despacho decisório surgiu por conta de um lapso da empresa, que não efetuou as devidas retificações na DCTF do 1º semestre de 2007. No entanto, o DACON foi retificado quando da apuração dos créditos, onde ficou demonstrada a sua existência; • discorda da posição da RFB e apresenta mapa de apuração dos tributos, antes a após o levantamento, além do resumo dos créditos levantados. Houve entrega de DCTF retificadora em 31/08/2011, que corrigiu o problema; • devido à grande quantidade de páginas, a empresa se coloca à disposição para apresentar relatórios e dados do recálculo dos tributos; • pede a reconsideração da decisão administrativa quanto à análise do crédito e seu aproveitamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1039.150, de 21/06/2012 (fls. 37/40), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2007 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 199 3 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃOHOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. DCTF. PREENCHIMENTO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 51/56, embora assim não identificado, por meio do qual aduz: É uma concessionária de energia elétrica junto a governo federal, de forma que segue normas regidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. Para manutenção de suas atividades, precisa repor peças, combustível, entre outros, necessários a sua realização de sua atividade. Após apresentação à ANEEL, tais gastos podem ser incluídos no preço da energia elétrica, quando anualmente efetuada a revisão tarifária. Assim, quanto mais créditos de PIS/Cofins puderem utilizar as concessionárias, menor o preço da energia elétrica. A ANEEL definiu as contas contábeis, e a sua forma de contabilização, a serem utilizadas para os lançamentos contábeis referentes à manutenção das atividades da usina e dos caminhos utilizados na distribuição e comercialização da energia elétrica. Diferentemente do que dizem as Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a Recorrente utilizava créditos advindos somente da compra de energia elétrica de outras concessionárias, não se creditando dos custos para produção de energia nem da manutenção da rede de distribuição e comercialização. Assim, houve a tributação total de sua receita sem o cômputo do custo para a sua produção, causando ônus financeiro á empresa e aos consumidores (passa a relacionar os créditos que entende sejam cabíveis). Além dos documentos anexados, outros serão entregues até 10/08/2012. Em 10/08/2012, a Recorrente apresentou a petição de fls. 76/78, através da qual requer a retificação de itens do recurso e acosta cópias de documentos (Razão Contábil, notas fiscais, Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário, Demonstrativos da Energia Elétrica Consumida e recibos de aluguel). O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11060.905502/200987 Resolução nº 3202000.154 S3C2T2 Fl. 200 4 O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O litígio resumese à possibilidade ou não de repetir, e posteriormente compensar por meio de PER/DCOMP, crédito de contribuição originário de pagamento a maior, quando a retificação da DCTF se deu em momento posterior à decisão que indeferiu o pleito. A instância julgadora a quo entendeu impossível a restituição/compensação, ao fundamento de que, além de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a decisão impugnada, a Recorrente não teria trazido aos autos documentos que atestassem o direito vindicado. A meu ver, a decisão está equivocada. É que, antes de proferido o Despacho Decisório, deveria a Recorrente ter sido intimada a apresentar alegações e documentos que respaldassem a pretensão, a fim de que fossem dirimidas dúvidas sobre a existência do crédito pretendido. Afinal, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei n.º 9.784, de 1999 (aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal por força de seu art. 69), o administrado tem o direito de formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão prolator. Ademais, conforme preconiza o art. 39 do mesmo diploma legal, quando necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, devem ser expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem certifiquese do direito vindicado, mediante a análise dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente, que deve ser intimada para promover a entrega de outros que se considerem necessários ao deslinde do litígio, bem como para prestar esclarecimentos adicionais sobre os fatos relatados no recurso, caso também se faça necessário. Ao término do procedimento, deve a autoridade preparadora elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Salientese, entretanto, que a sua manifestação devese restringir ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 1/11/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10730.006285/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As instâncias administrativas têm competência para o exame de todas as questões atinentes à relação jurídico-tributária inserta no lançamento, sendo inquestionável que questões relacionadas à responsabilidade tributária - e, portanto, à sujeição passiva tributária - inserem-se nas suas atribuições. Nulidade da decisão de primeira instância administrativa, que imprópria e intencionalmente furtou-se ao exame de questões que lhe foram submetidas ao argumento de que seriam inerentes a eventual executivo fiscal.
Numero da decisão: 1101-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, ANULAR a decisão recorrida. Votou pelas conclusões Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas têm competência para o exame de todas as questões atinentes à relação jurídicotributária inserta no lançamento, sendo inquestionável que questões relacionadas à responsabilidade tributária e, portanto, à sujeição passiva tributária inseremse nas suas atribuições. Nulidade da decisão de primeira instância administrativa, que imprópria e intencionalmente furtouse ao exame de questões que lhe foram submetidas ao argumento de que seriam inerentes a eventual executivo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ANULAR a decisão recorrida. Votou pelas conclusões Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, integrando o Colegiado a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 62 85 /2 01 0- 81 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Edeli Pereira Bessa, Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benício, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em desfavor do ora Recorrente com vistas à cobrança de multa isolada cujo esteio legal é o §4º da Lei n. 10.833/2003, preceito esse que tem a seguinte redação, litteris: Art. 18. (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (sem grifos no original) As seguintes passagens, extraídas do Auto de Infração em vergaste (fl. 195), são bastante esclarecedoras para a compreensão da discussão encerrada nesses autos, verbis: O presente lançamento de ofício decorre da aplicação do disposto no art. 18, §4º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 18 da Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, e no art. 39, §6º, II, da Instrução Normativa RFB n. 900, de 30 de dezembro de 2008. O processo administrativo de no 10768.008668/200923 foi formalizado em 27/11/2009 em decorrência da protocolização, pelo sujeito passivo acima identificado, de declaração de compensação em formulário (fl. 02). Em 15/12/2009, foi transmitida a declaração de compensação eletrônica (DCOMP) no 27762.45000.151209.1.3.04 9060 (fls. 11/38), na qual foi formalizada a compensação de diversos débitos de IRPJ, CSLL, CSRF, IRRF, PIS/PASEP e COFINS. Na mencionada DCOMP foi informado que o crédito utilizado referese a pagamento indevido ou a maior, o qual estaria em análise nos autos do mencionado processo administrativo. Foi transmitida, em 13/01/2010, a declaração de compensação eletrônica (DCOMP) n o 22011.21532.130110.1.3.047432 (fls. 45/48), na qual foi formalizada a compensação de débitos de CSLL e IRRF, sendo informado que o crédito utilizado referese a pagamento indevido ou a maior em apreciação nos autos do supracitado processo. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 3 3 Durante a apreciação das referidas compensações, com base nos elementos de prova acostados aos autos do processo acima mencionado, constatouse que o sujeito passivo utilizou em suas declarações de compensação supostos créditos adquiridos de terceiros. Constatouse, ainda, que tais créditos não se referem a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Como visto, o contribuinte apresentou inicialmente uma Declaração de Compensação em formulário, o que ensejou a formação do Processo Administrativo n. 10786.008668/200923. De rigor salientar que não há qualquer indicação de crédito em dito formulário, que repousa à fl. 02. Posteriormente, o sujeito passivo apresentou duas Declarações de Compensação, nas quais apontava crédito que alegadamente decorreria de Pagamento Indevido ou a maior e que já teria sido informado no Processo Administrativo n. 10786.008668/200923. Apurouse que os créditos que o contribuinte pretendia utilizar para a quitação de obrigações tributárias diversas teriam sido por ele adquiridos do Sr. EDILSON FIGUEIREDO DE SOUZA, na esteira de Contrato de Cessão de Créditos que junta, que seria o pretenso detentor de créditos que extrapolam a cifra de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais). Esses supostos créditos contra a União do Sr. EDILSON FIGUEIREDO DE SOUZA são oriundos de Ação Judicial que, em verdade, consubstancia Ação de Atentado movida em desfavor do Estado do Paraná, mas que, segundo seu entendimento e em síntese, poderiam ser empregados para a quitação de tributos federais. Uma vez que, inquestionavelmente, os créditos que o ora Recorrente pretendia compensar eram de terceiros e não eram de natureza tributária, as DCOMPs formalizadas foram tidas por não declaradas, na esteira do Parecer SEORT/DRF/NITEROI n. 3.141/2010 (fls. 157173), que restou assim ementado, litteris: CRÉDITOS DE TERCEIROS E/OU NÃO DECORRENTES DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ADMINISTRADOS PELA RFB. COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS NÃO DECLARADAS. Por expressa disposição legal, as compensações, efetuadas mediante a utilização de créditos de terceiros e/ou de créditos que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser consideradas não declaradas. DECLARAÇOES DE COMPENSAÇÃO. FALSIDADE DAS INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS NÃO DECLARADAS. LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA. REI PIRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Comprovada a falsidade das informações prestadas pelo sujeito passivo em suas declarações, cujas compensações foram consideradas não declaradas, deverão ser efetuados o lançamento de ofício de multa isolada e a respectiva representação fiscal para fins penais. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. Deve ser declarada a responsabilidade solidária dos sócios, diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. Proposta de considerar não declaradas as compensações formalizadas, lançamento de ofício de multa isolada, elaboração de representação fiscal para fins penais e declaração de responsabilidade solidária. A partir de tal parecer, foi lavrado o presente Auto de Infração, em que se exige multa isolada pela utilização de créditos de terceiros e/ou créditos de natureza não tributária em Declaração de Compensação, sendo que – ante a pretensa constatação de fraude – a exação equivale a 150% (cento e cinquenta por cento) do total dos débitos cuja compensação se pretendia. Foi lavrado, ainda, Termo de Sujeição Passiva em desfavor do sóciogerente da ora Recorrente, o Sr. ANTÔNIO DE SANTANA, que foi tido como responsável tributário nos termos do art. 135, III do Código Tributário Nacional (fólio n. 205). Regularmente intimados, a pessoa jurídica ora Recorrente apresentou tempestiva impugnação. Nessa irresignação (fls. 215/266), a empresa alega, sinteticamente, (i) que foi vítima de uma fraude perpetrada pelo Sr. Edilson Figueiredo de Souza – que o teria ludibriado com a venda de créditos que supostamente serviriam para a quitação de tributos federais; (ii) que, após ter constatado a fraude supracitada, inclusive já parcelou os débitos confessados por ocasião da apresentação das Declarações de Compensação; (iii) que a multa aqui discutida seria confiscatória. Além disso, discorre longamente sobre o descabimento da atribuição de responsabilidade ao Sr. Antônio de Santana com base no art. 135, III do Código Tributário Nacional. A egrégia DRJ/RJ1 manteve a integralidade do lançamento fiscal, fazendoo em acórdão que restou assim ementado, litteris: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FRAUDE. É cabível a aplicação da multa isolada, com o percentual duplicado para 150%, quando o contribuinte, tenta usar, intencionalmente e com máfé, créditos inexistentes, de terceiros e que não se referem a tributos administrados pela RFB, para compensação de seus débitos. É importantíssimo asseverar que a Colenda instância a qua não analisou os argumentos que o contribuinte deduziu em relação à atribuição de responsabilidade ao seu sócio, o que se depreende da leitura do seguinte excerto constante do voto condutor do aresto, verbis: Fl. 659DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 4 5 Quanto ao questionamento acerca da responsabilidade fiscal da pessoa física do Sr. Antônio de Santana, a quem foi imputada a condição de responsável solidário pelo crédito tributário constituído, na forma do inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional, entendo que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública encarregado da execução fiscal. Neste sentido, reproduzo o voto condutor de lavra da Conselheira Sandra Maria Faroni, nos autos do recurso voluntário n° 101 — 95.692, que não conheceu do recurso em que se discutia exclusivamente tal matéria. (...) Levando em conta que às Delegacias de Julgamento, falece competência para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela fiscalização, porque esse juízo cabe à PFN, a matéria não faria coisa julgada perante a Fazenda Nacional, sendo a apreciação por esta Turma meramente opinativa, pelo quê deixo de conhecer desta matéria. (fls. 515516) Os sujeitos passivos – a sociedade empresária e o Sr. Antônio de Santana – tiveram ciência do acórdão da primeira instância administrativa em 23 e 24 de dezembro de 2010, respectivamente (fls. 525 e 526) A empresa, em 14 de janeiro de 2011, apresentou o Recurso Voluntário ora sob apreciação, em que deduziu os mesmos argumentos trazidos a lume quando da Impugnação – inclusive no que tange ao descabimento da atribuição de responsabilidade ao sóciogerente. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Penso que o Recurso Voluntário deve ser acolhido para fins de anular a decisão da Colenda instância a qua, que imprópria e intencionalmente deixou de analisar questão submetida ao seu crivo. Deveras, o lançamento em vergaste contemplou, no seu aspecto subjetivo, dois sujeitos passivos diversos, quais sejam, a sociedade empresária – que alegadamente materializou a hipótese de incidência da penalidade aqui controvertida – e o seu sóciogerente, tido como responsável pelo crédito tributário aqui encerrado com fulcro no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 A competência desse Colendo Tribunal Administrativo envolve todos os aspectos inerentes à obrigação tributária – sendo inquestionável que o aspecto subjetivo é um dos seus elementos essenciais –, de modo que não podem as instâncias administrativas se furtar ao exame de questões que lhe são submetidas que versem sobre a responsabilidade tributária, eis que essas questões têm que ver justamente com a definição dos sujeitos a quem incumbe o cumprimento das obrigações tributárias. Nesse sentido, já se pronunciou a Colenda 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 Ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO PESSOA FÍSICA. LEGITIMIDADE. A competência desta Corte para exame da legalidade do crédito tributário lançado não se restringe à verificação da ocorrência do fato gerador ou da correção da base de incidência ou alíquotas aplicadas. Esta Corte possui competência para exame de todas as questões que envolvam a relação jurídicotributária consubstanciada no lançamento, inclusive, mas sem se limitar, a regularidade do pólo passivo da obrigação tributária. Ora, se é atribuída a determinada pessoa o dever de pagar tributo, nada mais justo que a ela seja concedido o direito de defenderse administrativamente da acusação fiscal, sob pena de afronta aos princípios da ampla defesa, contraditório e do devido processo legal. (Processo n. 10930.005851/200352; Ac. 910100.786; Cons. Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho; j. 14.12.2010) Salientese que se pode dizer que a própria Receita Federal já reconheceu que as instâncias administrativas têm competência para a análise de questões atinentes à responsabilidade de terceiros, eis que fez editar, em 29 de novembro de 2010 – após, portanto, a lavratura do auto de infração em testilha –, a Portaria SRF n. 2.248/2010, cujos arts. 2º e 3º têm a seguinte redação, verbis: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Ora, é impensável que, nos termos dessa Portaria, os Auditores fiscais, ao se depararem com situações como a vertente, tenham que abrir prazo para os sujeitos indicados como responsáveis por créditos tributários – que poderão apresentar as competentes Fl. 661DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10730.006285/201081 Acórdão n.º 1101000.911 S1C1T1 Fl. 5 7 Impugnações – na ausência de competência das instâncias administrativas para versarem sobre matérias atinentes à responsabilidade. De rigor, pois, o cancelamento in totum da Colenda decisão a qua, de modo que devem os autos retornar à Egrégia DRJ/RJ1 para a análise completa da Impugnação apresentada pela ora Recorrente, sendolhe absolutamente defeso esquivarse da apreciação dos deduzidos argumentos atinentes à responsabilidade do sóciogerente. E aqui voto pela anulação integral da decisão de primeira instância administrativa pela simples circunstância de não entender possível o cancelamento parcial de um ato que inquestionavelmente é uno, como o decisum objurgado. Voto, portanto, por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para anular a decisão da DRJ/RJ1, de modo que retornem os autos a esse Delegacia de Julgamento para a apreciação de todos os argumentos deduzidos pelo sujeito passivo – mormente aqueles concernentes à responsabilidade com fulcro no art. 135, III do CTN, que indevida e intencionalmente não foram analisados. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Declaração de Voto EDELI PEREIRA BESSA – Conselheira Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem relatado, além do lançamento formalizado nestes autos, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva contra Antônio de Santana, na qualidade de sóciogerente da autuada, com fundamento no art. 135, III do Código Tributário Nacional. Contudo, apenas a pessoa jurídica autuada apresentou impugnação, nela discorrendo sobre o descabimento da atribuição de responsabilidade a Antônio de Santana. Por sua vez, a autoridade julgadora de 1a instância, manteve a integralidade do lançamento, mas não analisou os argumentos deduzidos contra a atribuição de responsabilidade ao seu sócio, por entender que a identificação de responsáveis solidários pelo crédito tributário cabe apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em sede de execução fiscal, falecendo competência às DRJ para decidir se cabe ou não a responsabilização dos indicados pela Fiscalização. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Embora cientificados a pessoa jurídica autuada e o responsável Antonio de Santana, novamente apenas a autuada interpôs recurso voluntário, reiterando sua defesa anterior. Como bem expõe o I. Relator, a jurisprudência administrativa está pacificada em favor da competência dos órgãos administrativos de julgamento para apreciação do vínculo de responsabilidade imputado pelos agentes fiscais. Apenas acrescento a recente aprovação da Súmula CARF nº 71, declarando que todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. Por esta razão, concordo com a anulação da decisão recorrida, que se escorou em argumento contrário à referida Súmula para deixar de apreciar os argumentos deduzidos pela pessoa jurídica autuada. Apenas observo que esta anulação permite a completa apreciação da defesa produzida pela impugnante, inclusive quanto à sua preliminar admissibilidade, e não impõe à autoridade julgadora de 1a instância a apreciação de todos os argumentos de mérito, caso entenda que a impugnante não era parte legítima para deduzilos no contencioso administrativo. É como voto. EDELI PEREIRA BESSA Fl. 663DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12448.725018/2011-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível.
BÔNUS. INCIDÊNCIA.
As parcelas pagas a título de bônus e bônus incentivo integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91.
MULTA. NOVAS REGRAS
Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, deve-se comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA.
É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa.
SESC E SENAC.
A contribuição para ao SESC e SENAC não se atém ao comércio, abrange também outras atividades.
SEBRAE
Submetem-se à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo.
Numero da decisão: 2403-002.203
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre o cerceamento de defesa quando devidamente presente a descrição da ocorrência do fato gerador da obrigação, apresentada a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e, aplicada a penalidade cabível. BÔNUS. INCIDÊNCIA. As parcelas pagas a título de bônus e bônus incentivo integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, I, da Lei nº 8.212/91. MULTA. NOVAS REGRAS Quando a legislação estabelece novas regras para a multa, devese comparar a multa com base na legislação à época dos fatos geradores e a regra posterior, com prevalência da mais benéfica à recorrente. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa. SESC E SENAC. A contribuição para ao SESC e SENAC não se atém ao comércio, abrange também outras atividades. SEBRAE Submetemse à tributação para o SEBRAE pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 50 18 /2 01 1- 17 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Ro de Janeiro I, Acórdão 1243.434 da 10ª Turma, que julgou a impugnação improceente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 144/170), referese aos autos de infração abaixo relacionados, consolidados em 19/05/2011, referente ao período de 01/2008 e 03/2008, a saber: a) AI DEBCAD Nº 37.246.6486, valor original de R$ 115.735,81: contribuições da empresa destinadas a Seguridade Social e, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT 1%); b) AI DEBCAD Nº 37.246.6494, valor original de R$ 193,22: contribuições do segurado empregado Washington Santos da Silva, não descontadas, na competência 01/2008; c) AI DEBCAD Nº 37.246.7121, valor original de R$ 20.376,58: contribuições devidas às outras entidades e fundos (SalárioEducação, INCRA, SEBRAE, SESC e SENAC); d) AI DEBCAD Nº 37.246.6478, FL 68, valor original de R$ 10.664,99: penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, infração ao artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o artigo 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Informa a Auditoria Fiscal que constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores de remunerações efetuadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de bônus (competência 01/2008) e “bônus de incentivo” (competência 03/2008) apurados em folha de pagamento e contabilizados nas contas 6.1.50.41.1010105 – “Pessoal – Gratificações e PLR” e 4.1.02.03.0006 – “ADM CENTRAL –PES – GRATIF DE DESEMPENHO”; 2.1. O auto de infração por descumprimento de obrigação acessória foi lavrado por ter o contribuinte deixado de informar, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, as Fl. 690DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 parcelas remuneratórias pagas a título de bônus e bônus de incentivo; 2.2. Pela infração acima mencionada, foi aplicada à multa prevista nos artigos 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação anterior à Medida Provisória 449/2008, c/c artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com a atualização procedida pela Portaria MPS/MF nº 407, de 14 de Julho de 2011; 2.3. Não foram configuradas circunstâncias agravantes; 2.4. Em observância ao princípio da retroatividade benigna, consubstanciado no artigo 106, II, alínea “c” do CTN, foi procedida a comparação entre as penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, para fatos geradores anteriores à vigência da MP 449, de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009. Conforme Anexos VIII e X (fls. 225 e 227), demonstraramse, por competência, as penalidades aplicadas pela legislação vigente à época, anterior à edição da MP 449/2008 e pela legislação após a MP 449/2008, tendo sido aplicada a legislação anterior, mais benéfica ao contribuinte em ambas competências do lançamento. DAS IMPUGNAÇÕES 3. A interessada, cientificada do lançamento em 19/05/2011, apresenta impugnações em 17/06/2011, às fls. 292/299, 300/323, 326/341 e 344/362, trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: 3.1. A tempestividade de cada impugnação; Obrigação Principal (AIOP 37.246.6486, 37.246.6494, 37.246.7121) 3.2. a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, posto que o Sr. Autuante deveria ter especificado quais empregados e quais diretores serviram de base para sua autuação e quanto perceberam a título de participação nos lucros, por período; 3.3. que sem que se faça tal detalhamento é impossível à impugnante apresentar qualquer contra prova à acusação fiscal; 3.4. a nulidade por arbitrária desconsideração do CNAE e inclusão da impugnante em FPAS 515 não condizente com as atividades da mesma, tendo sido cobradas indevidamente as contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE, por não se tratar de sociedade de cunho comercial; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 4 5 3.5. que sendo a impugnante uma holding, não exerce qualquer atividade comercial não estando enquadrada no FPAS 515; 3.6. que não sendo pessoa jurídica beneficiária das atividades desenvolvidas pelo SEBRAE, nem integrante das categorias econômicas diretamente interessadas no recolhimento dessa exação, inexiste o dever jurídico de pagar o tributo bem como o direito subjetivo do Fisco de exigilo; 3.7. que se deve, portanto cancelar a autuação neste particular; 3.8. que a acusação fiscal diz em seu relato que os valores distribuídos aos seus empregados e diretores sob a rubrica participação nos lucros e resultados não poderiam ser enquadrados como tal, justificando tal desconsideração do pagamento efetuado como PLR pelo fato de não existir regra clara e objetiva, com mecanismo de aferição de metas e que o empregado não teria que satisfazer a nenhum critério ou condição para percepção; 3.9. que após transcrever histórico constitucional e legislativo sobre a participação nos lucros, alega que a fiscalização fez exigências para o cumprimento da Lei 10.101/2000 não impostas por ela; 3.10. alega ainda que houve a formação de comissão para definição do pagamento da remuneração e que chegou aos critérios objetivos (quantidade de meses trabalhados e escalonamento por remuneração – vide documento nº 4 – Informe circulado pelo Departamento de Recursos Humanos – fls. 324/325), que as regras criadas foram claras e objetivas, que os mecanismos para se aferir os dados tomados para a definição da participação são facilmente apurados a partir dos controles das folhas de pagamento, que por não ser obrigação (mas faculdade) da lei, não foram fixados critérios de índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, tampouco programas de metas e resultados, que o programa de participação nos lucros ou resultados foi adotado de forma espontânea, não habitual, tal como faculta a Lei 10.101/2000, em seu artigo 3º, § 3º e que as bases foram fixadas por comissão de empregados/empregador, sendo que conforme decisão do STJ que transcreve a participação do sindicato não afeta a natureza dos pagamentos que é de PLR; 3.11. a impossibilidade de cobrança de multa escalonada, sendo de encontro ao ordenamento jurídico, merecendo seu total cancelamento; 3.12. a impossibilidade da incidência de Juros SELIC sobre a Multa de ofício, consoante ainda jurisprudência do CARF; Fl. 692DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 3.13. ao final requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. Obrigação Acessória (AIOA 37.246.6478) 3.14. que a Lei 11.941/2009 revogou expressamente o § 5º, do artigo 32, da Lei 8.212/1991 que serve de supedâneo à autuação, sendo, portanto descabida a imposição da multa ventilado em artigo revogado, por força do artigo 106, do CTN; 3.15. que a penalidade pelo descumprimento da obrigação principal absorve a multa pelo descumprimento da obrigação acessória, nos termos do art. 70, do Código Penal, sendo manifestamente incabível a aplicação de multa de caráter formal juntamente com multa por suposta falta de pagamento do tributo; 3.16. que caso se admita alguma penalidade, apenas seria exigível a multa de ofício imposta nos autos de obrigação principal; 3.17. que repete o pleito de exclusão dos Juros SELIC sobre a multa de ofício bem como o de exclusão do lançamento dos nomes listados no relatório de vínculos. 4. É o Relatório. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Cerceamento de defesa. Não lhe foi dado conhecer todos os elementos que compõem os lançamentos. · Deveria constar os nomes e respectivos montantes no lançamento. Isso não ocorreu, ao menos não em época própria. · Não conheceu os anexos citados na decisão recorrida. · FPAS não condizente com as atividades. · O Bônus deve ser considerado PLR. · Atendeu os requisitos da Lei 10.101/2000. · Questiona tributação para o Sistema S. SESC, SENAC e SEBRAE. · Não é comércio. É holding. · Não se encontra sob a intervenção do SEBRAE. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 5 7 · Multas. · Juros sobre multa. · Requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. É o relatório Fl. 694DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega ter havido cerceamento de defesa por não lhe ser dado conhecer todos os elementos que compõem os lançamentos. Alega que deveria constar os nomes e respectivos montantes no lançamento, que isso não ocorreu, ao menos não em época própria e que não conheceu os anexos citados na decisão recorrida. Pleiteia a nulidade. Não concordo com o pleito. Entendo que para a decretação da nulidade, o prejuízo deve ficar comprovado. Consta do Relatório Fiscal que foram anexados ao processo, dentre outros, os anexos V (folha de pagamento) e VII (quadro de rubricas), onde os empregados e dirigentes que receberam parcela da remuneração a título de bônus ou bônus de incentivo foram devidamente identificados 35. Foram anexados ao presente processo, os seguintes documentos: ... • Anexo V – Folhas de pagamento das competências 01/2008 e 03/2008; • Anexo VI – Carta explicativa da empresa; • Anexo VII Quadro “Rubricas Bônus/Bônus de Incentivo Folha de Pagamento”, contendo o nome de cada segurado que recebeu o pagamento descrito anteriormente, com o valor respectivo, por competência À folha 170, junto com o Relatório Fiscal, consta recibo datado de 19/05/2011 de recebimento do Auto de Infração pela recorrente. Presumo que a recorrente recebeu o conjunto completo, inclusive os anexos. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 6 9 Apesar de não crer, ainda assim, considerando a hipótese de a notificação ter sido efetuada sem estes anexos, registro que em 07/06/2011, a recorrente obteve vista do processo, conforme Termo de Vista processual, folha 231, onde copiou a totalidade do processo. Considerando que a impugnação foi impetrada no dia 17/06/2011, fica comprovado que, em todas as hipóteses, que a recorrente tomou ciência de todos os detalhes do lançamento e que não teve cerceado seu direito de defesa. CÓDIGO FPAS A recorrente alega nulidade por ter sido enquadrada num código FPAS não condizente com suas atividades. Não concordo com a recorrente. O Fundo da Previdência e Assistência Social – FPAS é um código que identifica a atividade econômica da empresa. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Conforme estabelecido na Instrução Normativa SRP nº 3/2005, o enquadramento no no FPAS é efetuado pela empresa e define as entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir. O FPAS definido pela empresa é declarado nas guias de recolhimento e nas GFIP. Art. 137. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, sendo devidas:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I pela empresa ou equiparado em relação a segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestam serviços; II pelo transportador autônomo de veículo rodoviário, em relação à parcela do frete que corresponde à sua remuneração, observado o disposto no § 10 do art. 139; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) III pelo segurado especial, pelo produtor rural, pessoa física e jurídica, em relação à comercialização da sua produção rural e pela agroindústria em relação à comercialização da sua produção. (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) § 1º As entidades e fundos para os quais o sujeito passivo deverá contribuir são definidas em função de sua atividade econômica e as respectivas alíquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, prevista no Anexo III. § 2º O enquadramento na Tabela de Alíquotas por Códigos FPAS, é efetuado pelo sujeito passivo de acordo com cada atividade econômica por ele exercida, ainda que desenvolva mais de uma atividade no mesmo estabelecimento, observados os § § 1º e 2º do art. 581 da CLT. § 3º O estabelecimento mantido por empresa industrial para venda direta ou exposição de seus produtos será enquadrado no FPAS referente à atividade industrial, ainda que localizado em endereço distinto do parque industrial, salvo se nesse estabelecimento seja comercializado produto de outras empresas.(Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) Nas GFIP presentes no processo, entregues no ano 2008, a empresa se declara como FPAS 515 e código de terceiros 115. A empresa declara no recurso que é uma “holding”. Abaixo é apresentada a tabela relacionando a atividade, alíquota do SAT e FPAS para holding. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 7 11 CNAE SAT(%) FPAS Atividade. 6461 1/00 1,00% 515 Holdings de instituições financeiras 6462 0/00 1,00% 515 Holdings de instituições nãofinanceiras 6463 8/00 1,00% 515 Outras sociedades de participação, exceto holdings Observo que por várias vezes, no recurso, por meio do escritório de advocacia, dizse que a empresa não sabe o que faz (o que declara), que a verdade foi descoberta após a ação fiscal e está no recurso apresentado pelos advogados em nome da empresa. O caso do FPAS é o primeiro. Entendo que essa tese não deve prevalecer. PAGAMENTO DE BÔNUS No recurso a empresa afirma que os bônus pagos devem ser entendidos como PLR e que atendeu os requisitos da Lei 10.101/2000. Mais uma vez no recurso dizse que a empresa mente para o Fisco e que a verdade está no recurso. Após ser intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, a empresa informou o Fisco “que tais valores referemse a um prêmio ("Bônus de Incentivo") dado a seus funcionários, por mera liberalidade, no mês de janeiro de 2008 (e pagamento de eventuais diferenças de folha no mês de março de 2008), conforme demonstrado nas folhas de pagamentos dos respectivos meses” (folha 222). Com relação aos questionamentos sobre os lançamentos da conta 4102030006 _ ADM CENTRALPESGRATIF DE DESEMPENHO, A MPX informa que tais valores referemse a um prêmio ("Bônus de Incentivo") dado a seus funcionários, por mera liberalidade, no mês de janeiro de 2008 (e pagamento de eventuais diferenças de folha no mês de março de 2008), conforme demonstrado nas folhas de pagamentos dos respectivos meses. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A empresa formalmente declarou para o Fisco que os valores correspondiam a um prêmio concedido por mera liberalidade da empresa. PLR não é concedido por liberalidade, é negociado e pactuado com os trabalhadores. Se agora esses valores viraram PLR, cumprindo com todos requisitos da Lei 10.101/2000, a empresa, quando fiscalizada, mentiu para o Fisco. Se a verdade é o apresentado durante a fiscalização, a empresa, está mentindo agora. Considero vergonhoso esse procedimento. Segundo a Lei 8.212/91, a tributação incide sobre a totalidade dos rendimentos. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 8 13 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Entendo o bônus pago como tributável. VÍNCULOS A recorrente requer a exclusão do lançamento dos nomes dos Srs. Eike Fuhrken Batista, UTE MPX SUL ENERGIA LTDA., PAULO MONTEIRO BARBOSA FILHO, RUDOLPH IHNS, EDUARDO KARRER, XISTO VIEIRA FILHO, MARCUS, BERND, TEMKE, BRUNO DE ROSSI CHEVALIER, OGX MARANHÃO PETRÓLEO E GÁS LTDA. No lançamento fiscal, esses nomes estão presentes no Relatório de Vínculos, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correpondente. Para a questão desse Relatório, existe súmula do CARF que esclarece que não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 SESC/SENAC Quanto ao argumento de que a recorrente não é contribuinte do SESC nem do SENAC, o mesmo não merece prosperar. As contribuições são previstas em lei e não há norma expressa que fundamente a alegação suscitada. A empresa se auto enquadro como contribuinte do SESC e SENAC e, ,mais uma vez, agora afirma que o que fez no passado está errado. O certo é o que está no recurso. O SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) foi criado pelo Decretolei nº 8.621, de 10/01/46, tendo ainda como norma reguladora o Decretolei nº 1.861, de 25/02/81 e o Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Já o SESC (Serviço Social do Comércio) foi criado pelo Decretolei nº 9.853, de 13/03/46, tendo ainda a como legislação reguladora a Lei nº 4.863, de 29/11/65, o Decreto nº 60.466, de 14/03/67, o Decretolei nº 1.861, de 25/02/81 e o Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. Os contribuintes do SESC/SENAC não se limitam às empresas comerciais são as empresas tais como: · Comércio Atacadista e Varejista · Agentes Autônomos do Comércio · Comércio Armazenador (exceto Armazém Geral, a partir de 05/88, que contribui para o SENAI/SESI) · Turismo e Hospitalidade (inclusive salões de barbeiro, institutos de beleza, compra, venda, locação e administração de imóveis, engraxates, empresas de asseio e conservação, sociedades beneficentes e religiosas, etc.) · Estabelecimentos de Serviços de Saúde (hospitais, clínicas, casas de saúde, laboratórios de pesquisas e análises clínicas, cooperativas de serviços médicos, bancos de sangue, estabelecimentos de duchas, massagens e fisioterapia, empresas de prótese, etc.) · Comércio Transportador Revendedor, Retalhista de Óleo Diesel, Óleo e Querosene (exceto empregados envolvidos diretamente nas atividades de transporte que, a partir de 01/94, passam a contribuir para o SENAT/SEST) · Empresa e Serviço de Processamento de Dados · Escritório, Consultório ou Laboratório de Profissional Liberal, pessoa jurídica (se pessoa física não contribui para o SENAC, só para o SESC) Fl. 701DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 9 15 · Cooperativa Agrícola até 05/92 (a partir de 06/92 passaram a contribuir para o SENAR e, a partir de 12/99, para o SESCOOP) · Cooperativa Comercial até 11/99 (a partir de 12/99 passaram a contribuir para o SESCOOP) · Empresa de Distribuição de Gás Liqüefeito de Petróleo · Fundação com Atividade Vinculada a Confederação do Comércio · Consórcio · AutoEscola (até 08/96 não contribuíam para o SENAC, só para o SESC) · Curso Livre (prévestibular, idiomas etc.) · Locações Diversas (exceto locação de veículos que, a partir de 01/94, passam a contribuir para o SENAT/SEST) · Partidos Políticos. · Cooperativa – sociedades que exploram as atividades econômicas acima até 11/99 (a partir de 12/99 passaram a contribuir para o SESCOOP) · Tomador de serviço do trabalhador avulso vinculado ao comércio. Também as empresas prestadoras de serviços estão incluídas dentre aquelas que devem recolher, a título obrigatório, contribuição para o SESC e para o SENAC, porquanto enquadradas no plano sindical da Confederação Nacional do Comércio, consoante classificação do art. 557, da CLT.”(RESP n° 431.347). SEBRAE Sobre a alegação de ilegalidade na imputação de contribuição ao SEBRAE, esclarecemos a recorrente que todas as empresas industriais vinculadas ao SESI/SENAI e as comerciais vinculadas ao SESC/SENAC são contribuintes do SEBRAE A contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) foi criada pela Lei nº 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8º: Art. 8º É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Fl. 702DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Pequena e Média Empresa – CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. ................................................................................................ § 3º As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4º O adicional da contribuição a que se refere o parágrafo anterior será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente da Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. O artigo 1º do DecretoLei nº 2.318/86 dispõe sobre a cobrança, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, SESI e SESC. O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto nº 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1º: Art. 1º Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas – CEBRAE, passa a denominarse Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas – SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei nº 8.029/90, o Decreto nº 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6º, que assim dispõe: Art. 6º O adicional de que trata o parágrafo 3º do art. 8º da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social – INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei nº 8.154, que em seu artigo 8º, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8º (...) § 3º Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo 1º do Decreto Lei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e Fl. 703DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 10 17 c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decretolei, por meio da Lei nº 8.706, de 14/09/1993. Desta forma, todas as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. É irrelevante, o porte da empresa como elemento definidor da sujeição passiva. MULTAS Conforme Relatório Fiscal, quando do lançamento efetuouse a comparação da multa segundo as regras vigentes à época dos fatos geradores com a multa calculada segundo a Lei 11.491/2009, respeitando o princípio da retroatividade benigna. IX DA COMPARAÇÃO DAS MULTAS 28. Tendo em vista que as infrações praticadas pela empresa possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da Lei n° 11.491, de 27/05/2009, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente, conforme descrito a seguir. Entendo correto o procedimento fiscal. JUROS SOBRE MULTA A recorrente argumenta pela impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Diversas são as decisões judiciais e administrativas reconhecendo a legalidade da incidência de juros sobre a multa. No julgamento do processo n.º 16327.002244/9933,, com a relatoria do Conselheiro Elias Sampaio Freire, ocorrido em 16/02/2012, a 2ª Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negou provimento e manteve a Fl. 705DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12448.725018/201117 Acórdão n.º 2403002.203 S2C4T3 Fl. 11 19 incidência de juros de mora sobre a aplicação de multa de lançamento exoffício (previsto no artigo 149 do Código Tributário Nacional – CTN). No caso, a recorrente argumentava que o artigo 161 do CTN determina que os juros devem incidir somente sobre o crédito tributário, do qual não faz parte a multa aplicada. A legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício também já foi reconhecida pela 1ª Turma da CSRF, na sessão realizada em outubro de 2011, no processo 10680.007190/200631. No STJ, as duas Turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. A Primeira Turma julgou o assunto no Resp nº 1.146.859/SC e a Segunda Turma, no Resp nº 1.129.990/PR. Há ainda expressiva jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais sobre o tema: TRF 3ª Região Ap./Reexame Necessário nº 001857343.2003.4.03.6182/ SP e AMS 187426; TRF 4ª Região, AC 2006.71.13.0027875. Pelas razões expostas, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 706DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10814.006201/2008-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/03/2008
INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 62 01 /2 00 8- 65 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/6) em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em decorrência do cometimento da infração caracterizada por prestação de informação com atraso sobre a chegada de aeronave no País, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O motivo da autuação, conforme consignado na descrição dos fatos que integra o citado auto de infração, fora o registro extemporâneo, no Sistema Mantra, da chegada do Vôo CRX 0096. Tal fato, segundo a fiscalização, teve como consequência a ausência da formalização do Termo de Entrada da aeronave, o permitia livres alterações na Relação de Cargas Manifestadas, mesmo após a chegada da aeronave, o que poderia propiciar graves distorções ao controle do fluxo aduaneiro de mercadorias e facilitar o desvio de cargas e outros crimes tributários; daí a obrigação instituída em lei para que a formalização da chegada dos veículos procedentes do exterior fosse foi feita no momento da chegada. Em sede de impugnação, a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório que integra o acórdão recorrido: (a) o atraso de fato não ocorreu, pois o registro da chegada da aeronave ocorreu exatamente no momento da chegada conforme registro no SIV Infraero, devendose considerar que a impugnante de fato procedeu por ato próprio ao registro das informações, o que implica na necessidade de reconhecimento da espontaneidade e boafé para fins de direito; (b) deve ser reconhecida na hipótese a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como a possibilidade de complementação de informações, questão que, não tendo sido observada pela rigidez do art. 9º da IN SRF 102/94, deve ser verificada na presente oportunidade; (c) ademais, a responsabilidade pela prestação de informações na hipótese é exclusiva dos agentes de carga, na forma do disposto no artigo 30, § 2º, do Decreto nº 4.543/2002, quem deve ser responsabilizado na forma do art. 9º da IN SRF 102/94; (d) foi formalizada consulta junto à COANA com vistas ao debate da responsabilização do agente de cargas na hipótese, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 21 3 além da questão da necessidade de razoabilidade na concessão de maior prazo e possibilidade de complementação de informações, nos termos do ordenamento constitucional em vigor; (e) está ausente a tipicidade entre o fato descrito e a imposição legal, sendo necessária a adequação entre meios e fins da penalidade imposta; (f) requer, assim, a nulidade absoluta do auto de infração. Em 15/12/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 54/58), em que, por unidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e a multa aplica mantida, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/03/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO. O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada; sob pena de sujeitarse o infrator à multa prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 8/2/2012 (fl. 63), a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 7/3/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 64/71, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na fase impugnatória, em aditamento alegou que: a) a legislação não fixava prazo específico para o registro de informação de chegada da aeronave, pois era vazia a expressão “no momento da sua chegada”, contida no 9º da Instrução Normativa SRF n° 102, de 1994; b) era nula, por incompatibilidade com o ordenamento jurídico pátrio, a norma do citado art. 9º, porque ela exigia o registro imediato de informações, no momento da chegada da aeronave, o que, de fato, consistia na inexistência de prazo, ainda que mínimo, para que o transportador pudesse cumprir tal determinação; e c) era atípica a conduta atribuída a recorrente, pois não existia tipo específico para a infração em questão, posto que deixar de registrar informações de chegada de aeronave não se enquadrava na hipótese típica da infração prevista no artigo 107, IV, “e” do Decretolei nº 37, de 1966. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente, descrito no auto de infração, à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso de veículo aéreo procedente do exterior, a norma complementar que trata do prazo e da forma da prestação de informação sobre a chegada no País é o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994, a seguir reproduzido: Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o “caput” deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 22 5 § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (grifos não originais) A norma complementar em destaque estabelece que o registro de chegada de aeronave procedente do exterior deverá ser efetuado pelo transportador no momento de sua chegada no País. No caso em tela, os extratos de consulta, extraídos do Sistema Mantra (fls. 11/12), informam a chegada efetiva do Vôo CRX 0096 às 07:05 (sete horas e cinco minutos) do dia 29/3/2008, enquanto que o registro da chegada da aeronave no citado Sistema somente fora efetivado às 08:18 (oito horas e dezoito minutos) do dia 30/3/2008. No caso, se houve o descumprimento do prazo de registro determinado na referido preceito normativo, indubitavelmente, consumouse a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que era atípico o fato infrator que lhe fora imputado na autuação em apreço. Também não tem fundamento jurídico a alegação da recorrente de que não existia tipo específico na legislação aduaneira para o referido fato infringente, o contraria o disposto do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994. É oportuno ainda ressaltar que o registro da chegada da aeronave no Mantra implica abertura do termo de entrada, documento indispensável para controle aduaneiro das cargas transportadas e descarregadas no recinto alfandegado local. Alegou ainda a recorrente que o registro da informação de chegada da aeronave, no Sistema Mantra, fora realizada antes da autuação, o que configurava denúncia espontânea da infração. No caso em tela, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo inexoráve do tempo como elemento essencial da tipificação da infração, pois, sob o ponto de vista jurídico, somente fato desconhecido da fiscalização é passível de denúncia, o que não ocorre nas obrigações acessórias por descumprimento de prazo fixado em preceito normativo, o qual se torna imediatamente conhecido com o mero fluir do tempo, sem que a conduta determinada seja implementada. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex Mantra a informação acerca da chegada efetiva da aeronave no País, hipótese da autuação em apreço. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre veículo no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006201/200865 Acórdão n.º 3102001.992 S3C1T2 Fl. 23 7 simplesmente, deixar de prestar a informação sobre veículo. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é a conduta que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação de chegada da aeronave materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Dessa forma, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Nesse diapasão, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por registro extemporâneo da chegada de aeronave no País, objeto da presente autuação. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10665.720819/2010-15
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 19 /2 01 0- 15 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 351DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 351 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/09/2006 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 321339, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete Fl. 352DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 29/08/2011 (fls. 320), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 321). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para Fl. 353DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 352 5 venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 10 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 353 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 10 e seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 314). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 354 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 316). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 316). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 316/317). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720819/201015 Acórdão n.º 3802001.322 S3TE02 Fl. 355 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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