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Numero do processo: 11080.004372/2005-00
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/03/2005
COFINS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS.
Não incidem PIS e COFINS na cessão de créditos de ICMS, uma vez que sua natureza jurídica não se revestir de receita.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz declarou-se impedido de participar do julgamento.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. Não incidem PIS e COFINS na cessão de créditos de ICMS, uma vez que sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz declarouse impedido de participar do julgamento. Antonio Carlos Atulim – Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 43 72 /2 00 5- 00 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Cuida o presente Recurso Voluntário interposto que visa modificar o v. Acórdão que manteve o entendimento de que incide Contribuição para o financiamento da Seguridade Social – COFINS sobre a cessão de crédito de ICMS do período de apuração de 01.02.2005 a 31.03.2005 até o advento da Medida Provisória nº 451, de 15 de dezembro de 2008, que o produto da transferência deve compor à base de cálculo mesmo que não transite por conta de resultado. Apresentado Declaração de Compensação de crédito cm fundamento no § 1º do art. 6º da lei nº 10.833/2003. Intimado do início da fiscalização, apresentou os documentos solicitados. Dessa análise resultou o “Despacho Decisório” de fls. 192//, onde a fiscalização constatou que receitas provenientes da cessão de crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS a terceiros não teria sido incluída à base de cálculo da contribuição para a COFINS nos meses de fevereiro de 2004 a setembro de 2005, abarcando o período de apuração tratado neste caderno processual administrativo. O entendimento expressado é de que cessão de crédito de ICMS equiparase a verdadeira alienação de direitos a título oneroso e origina receita tributável em conformidade com que dispõe o art. 1º, §§ 1º e 2º, ambos da Lei nº 10.833/2003. Concluiu o Senhor Agente Fiscal encarregado da elaboração do Despacho Decisório que: No mês de fevereiro de 2005 o valor do crédito informado é de R$ 668.343,87 e em março de 2005 o valor foi da ordem de R$ 742.450,68, o que totaliza em R$ 1.410.794,55. No entanto, o valor informado de março foi totalmente glosado, restando certo o valor de fevereiro de R$ 668.343,87. Concluiu também a após verificação no sistema PERDCOMP, em 18/04/2007, inexistência de outras DCOMP’s com a utilização do crédito solicitado, motivo pelo qual reconheceu parcialmente o direito creditório da fiscalizada vinculado às receitas de exportação no valor de R$ 564.198,77e autorizou a utilização integral do crédito solicitado para compensação relativamente ao mês de fevereiro de 2005. Diante do parecer restou homologado a compensação efetuada nestes autos no valor de R$ 564.198,77 com base em créditos de COFINS apurado no mês de fevereiro de 2005. Deixou explicitamente que não homologava outras compensações efetuadas neste caderno processual, bem como outras eventualmente efetivadas com base em crédito da COFINS referente ao mês de março de 2005. Intimada da decisão que homologou a compensação parcialmente, irresignada apresenta Manifestação de Inconformidade, sustentando o desacerto da Autoridade Fiscal, afirma que cessão de crédito de ICMS não configura receita, visto que não ocorre nas operações de aquisições de produtos realizadas pelo contribuinte, a distinção entre pagamento de produto e pagamento de crédito de ICMS, porque, fática e juridicamente, o ICMS destacado na nota fiscal de venda é um débito a ser recolhido pelo contribuintevendedor e faz parte do custo do produto vendido, sendo o destaque do ICMS na nota fiscal um mero instrumento de controle das operações do contribuinte. A contabilização do crédito fiscal ICMS se dá no ativo em razão do princípio constitucional da não cumulatividade – art. 155, II, § 2º, I, da Constituição Federal de 1988 Acentua que o crédito solicitado de março de 2005 no valor de R$ 742.450,86, informado, mas, imotivadamente recusado, não tem elemento para se defender. Reclama também pelo fato da fiscalização reconhecer o direito de crédito no valor de R$ Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.004372/200500 Acórdão n.º 3403002.838 S3C4T3 Fl. 12 3 668.343,87 e desse valor, inexplicavelmente, admitir para compensação somente o montante de R$ 564.198,77. A decisão hostilizada ao apreciar alegação do contribuinte da inexistência de motivação quanto ao crédito no valor de R$ 742.450,86 referente ao mês de março de 2005 entendeu que esse foi absolvido pelo débito apurado no mesmo período, assim, buscou demonstrar em singela apresentação aritmética. Diz ainda que no mês de março de 2005 em decorrência de erros apuração foi superior aquele demonstrado no DACON, o que motivou a lavratura de auto de infração para exigir o montante de R$ 128.159,33. Em relação ao crédito de fevereiro de 2005, sustenta que o contribuinte teria apresentado compensação de um débito de R$ 1.305.649,44 de tributo apurado em maio de 2005, vencimento em 15/06/2005, do saldo disponível, isto é, R$ 668.343,87 de fevereiro, teria sido utilizado o montante de R$ 564.198,77 e R$ 742.450,68 relativo ao março, assim sendo, restou saldo credor de R$ 104.145,10 relativo a fevereiro de 2005 e zero em relação ao mês de março de 2005. Explicou que o fato de não ter sido utilizado à totalidade do crédito de fevereiro deve ser em decorrência ter solicitado utilização parcial do montante. Afirma que a fiscalização não faria sem que o contribuinte tivesse apresentado esta solicitação por meio de DCOMP, caso tenha pedido ou utilizado em outra compensação no prazo legal de cinco anos não poderá mais fazer. Decidiu também que na sistemática não cumulativa a base de cálculo se compõe pela receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheira e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica e, fundamenta o entendimento com base nos artigos 7º, 8º e 9º da Medida Provisória nº 451, de 15 de dezembro de 2008, que teria passado a desonerar a transferência onerosa de ICMS tãosó a partir de 1º de janeiro de 2009. O recurso é apresentado pela empresa BRASKEN S/A na qualidade de sucessora. Em sede recursal sustenta que a descaracterização como receitados dos créditos de ICMS originários de operações de exportação transferidos a terceiros e, por corolário, a ausência de tributação pela COFINS, como pacificado pelas Turmas do STJ. Conclui afirmando que a Media Provisória nº 451 de 2008, possui caráter apenas de lei explicativa. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual se toma conhecimento. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O inconformismo trazido no voluntário centra na incidência de contribuição para o COFINS e PIS sobre cessão de crédito de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços para terceiros e erro material contido no Despacho Decisório. A doutrina corrente vem entendendo que a transferência de crédito de ICMS acumulado não configura em nenhuma hipótese receita, isso decorrente se tratar de recuperação de imposto, discussão existente entre o Fisco e o Contribuinte até o advento da Lei nº 11.945/2009. Os doutrinadores sustentam que pode ser considerada receita em razão de que nunca foram despesas ou custo, de modo que trata de um crédito que não transita pelas contas de resultado, afirmam que não significa ingresso material de recursos na empresa Outros denomina como sendo crédito escritural, e, sendo assim afasta da concepção de que é produto da venda e da prestação de serviço, motivo pelo qual deixa ser incluído à base de cálculo. Essa matéria já foi enfrentada por essa Turma com outra composição, Processo 11065.101574/200741, Acórdão 340300.707, de 28.09.2010, em sendo assim, adoto como fundamento de decidir as razões dos votos aqui transcritos: “ Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A lide da questão se prende a glosa realizada pela DRF de origem por entender serem as receitas obtidas com transferência de créditos de ICMS a terceiros tributadas pelo PIS e pela COFINS. O ICMS é tributo com características de não cumulatividade, onde o crédito obtido nas aquisições e deduzido dos débitos calculados quando da saída de produtos e serviços. O saldo apurado nesta operação se credor fica registrado na empresa para aproveitamento em operações futuras. Entretanto, algumas empresas devido a seu tipo de atividade acabam por gerar um montante de créditos superior aos débitos, ficando os créditos a recuperar sem a possibilidade de utilização futura. A Lei Complementar nº 87/97, no seu art. 25, permitiu a transferência destes créditos não utilizados a terceiros. “Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.004372/200500 Acórdão n.º 3403002.838 S3C4T3 Fl. 13 5 II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado.” A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos as empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. A matéria já foi enfrentada pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 20218.714, na sessão do dia 12 de fevereiro de 2008, com relatoria do e. Conselheiro Antonio Zomer, quando foi decidido pela não incidência das contribuições sobre as receitas obtidas com a transferência de créditos de ICMS a terceiros. O voto condutor daquela decisão indicou os fundamentos do seu convencimento que estão em plena consonância com o entendimento deste Relator, razão pela qual peço vênia para incluir parte do seu voto no meu relatório, fazendo dele minhas razões de decidir quanto ao tratamento a ser adotado na transferência de créditos de ICMS a terceiros. A matéria em julgamento não me parece de difícil compreensão. A recorrente pagou seus fornecedores com créditos de ICMS. Pelo que consta dos autos, não houve ágio ou deságio na transação A fiscalização entendeu que a ação de entregar créditos de ICMS em troca de mercadorias (insumos) configura espécie de alienação, pois a empresa estaria auferindo vantagem patrimonial. Não vejo fundamento neste entendimento. A troca de um ativo (créditos de ICMS) por outro (insumos) de igual valor, a toda evidência, não representa vantagem patrimonial. A vantagem Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 adviria do ágio cobrado na transação, mas deste não se tem noticia nos autos. A operação realizada pela empresa é de compra de insumos e não de venda de ativo. Nas operações de compra, a empresa realiza pagamento, que não se confunde com obtenção de receita. A entrega de créditos de ICMS em troca de insumos não é muito diferente daquela em que o contribuinte retira dinheiro do caixa ou do banco para pagar o seu fornecedor. O que acontece quando o contribuinte paga o fornecedor com créditos de ICMS é a manutenção de recursos no Caixa ou Bancos. Ele deixa de gastar dinheiro, o que não se confunde com obter receita. A mesma coisa acontece quando o contribuinte quita o ICMS devido com créditos de ICMS e quando quita qualquer tributo federal com créditos de PIS e Cofins não cumulativo, como é o caso destes autos. Em todas estas situações, a empresa deixa de gastar dinheiro, mas em nenhuma delas há a ocorrência do fato gerador do PIS ou da Cofins. Se o dinheiro economizado na compensação for utilizado para pagar os fornecedores, ainda assim, não haverá a alegada obtenção de receita, pois em operação de compra não há geração de receita, que decorre de operações de venda. Na operação de pagar fornecedores com créditos de ICMS não há alteração nas contas Caixa, Bancos ou Duplicatas a Receber. O que ocorre é a simples transformação de Impostos a Recuperar em Estoques. Os recursos virão quando estes estoques forem vendidos pela empresa, sobre a forma de produtos por ela fabricados ou de mercadorias adquiridas para revenda. Só neste momento nascerá o fato gerador do PIS e da Cofins. Vêse que a impossibilidade de se tributar a cessão de créditos de ICMS não decorre da inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei n2 9.718/98 mas da inocorrência do fato gerador das contribuições na operação. Por outro lado, se o que ocorre é uma simples mutação patrimonial, pouco importa se o regime de apuração das contribuições é o de cumulatividade ou de não cumulatividade. Esta Câmara, ao apreciar a matéria na sessão de outubro do corrente ano, quando do julgamento do Recurso n2 138.251, decidiu, por unanimidade, que a transferência de créditos de ICMS não gera receita tributada pelas referidas contribuições. A Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes também entendeu que a cessão de créditos de ICMS não gera receita tributável pelas contribuições em foco, como se pode ver na seguinte ementa: "PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial [..] " (Acórdão n2 20179962, de 24/01/2007). Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.004372/200500 Acórdão n.º 3403002.838 S3C4T3 Fl. 14 7 No voto condutor deste Acórdão, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim abordou a questão: "Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, conseqüentemente, jurídico." Mais adiante, no mesmo voto, o referido Conselheiro arremata: "Ora, apenas se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e Cofins." A Terceira Câmara, a seu turno, concluiu que a inclusão da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo das contribuições só pode ser procedida por auto de infração, como demonstra a ementa do Acórdão n2 20311.959, de 28/03/2007, redigida nos seguintes termos: "PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFICIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. Embora a posição adotada pela Terceira Câmara não esteja errada, entendo que deve ser aplicado ao caso o disposto no § 3 2 do art. 59 do Decreto n2 70.235/72, verbis: "§ 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n° 8. 748, de 1993)'. Portanto, se o entendimento desta Câmara é pela impropriedade da inclusão dos valores relativos à cessão de créditos do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, deve decidir a lide e não determinar que a tributação seja efetuada por meio de lançamento de oficio. Ante o exposto, dou provimento ao recurso." Quanto à correção monetária e aplicação da taxa Selic aos créditos do PIS e COFINS no regime não cumulativo. A legislação expressamente veda a correção monetária e aplicação de juros sobre os créditos objeto do pedido de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 ressarcimento, conforme previsto no art. 13 e no art. 15 da Lei nº 10.833/2003. “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. .... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; IV nos arts. 7o e 8o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial para considerar a não incidência da Cofins sobre as receitas auferidas na transferência de créditos de ICMS a terceiros e negar provimento ao pedido de aplicação da correção monetária e da taxa Selic sob os créditos objeto do podido de ressarcimento. Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Pelas informações prestadas pelo Relator, percebo que o que se tem neste é que a DRF reconheceu a existência do crédito de PIS e COFINS nãocumulativos indicado pelo contribuinte, mas não permitiu que o saldo de crédito fosse integralmente utilizado na compensação. Isto porque a DRF entendeu que o contribuinte teria recolhido o PIS ou a COFINS correspondente àquele mesmo mês de apuração em valor menor que o devido, pois teria deixado de fazer incidir a COFINS em relação aos valores correspondentes à venda de créditos de ICMS. Por isso, retirou do saldo de créditos o valor que corresponderia ao débito de PIS/COFINS relativo à venda de créditos de ICMS. DF CARF MF Fl. 243 Na linha de manifestações anteriores deste Conselho, entendo que o procedimento é equivocado. A sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS não funciona tal como a sistemática de apuração do IPI, como parece pretender a DRF. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.004372/200500 Acórdão n.º 3403002.838 S3C4T3 Fl. 15 9 No caso do IPI se promove a escrituração de créditos e débitos para, no final do período de apuração, mediante o balanço entre tais valores, obterse (a) ou um saldo credor– que é transferido para aproveitamento no período subseqüente – (b) ou um saldo devedor –que implica em recolhimento do tributo. No caso do PIS e da COFINS a incidência e a apuração não dependem do confronto entre créditos e débitos. Sua incidência se dá sobre a receita ou o faturamento, determinando o valor devido, independente da existência de créditos que possam ser usados para redução deste valor. Com efeito, a única diferença da sistemática não cumulativa reside em permitir que “Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação (...)” (art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). É nítido, portanto, que os créditos não compõem nem interferem na apuração da base de cálculo das Contribuições. No âmbito do pedido de compensação que utiliza créditos de COFINS não cumulativo não é cabível que a Fiscalização utilize parte do crédito – a título de “glosa”, reduzindo o saldo de créditos – como meio indireto para promover a revisão e ampliação da base de cálculo da COFINS, para o efeito de cobrança dos valores que entende devidos. Se a Fiscalização entende que determinado valor recebido pelo contribuinte configura receita sujeita às referidas Contribuições, de modo que o contribuinte teria declarado e recolhido tributo menor que o devido, é imprescindível que promova a constituição do crédito pelo meio próprio: o lançamento. Confirase, ademais, que o presente entendimento reitera a jurisprudência deste Conselho em julgamentos anteriores: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS não cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo Fl. 415DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei nº 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte. (Acórdão 20311852, Recurso Voluntário nº 130.611, Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, D.O.U. de 06/06/2007, Seção 1, pág. 49) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. Constatado que, na apuração do tributo devido, no âmbito do lançamento por homologação, o sujeito passivo não oferecera à tributação, matéria que a fiscalização julga tributável, impõese o lançamento para formalização da exigência tributária, pois a mera glosa de créditos legítimos do sujeito passivo configura irregular compensação de ofício com crédito tributário ainda não constituído e, portanto, destituído da certeza e da liquidez imprescindíveis a sua cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS NÃO CUMULATIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INCABÍVEL. É incabível a atualização monetária do saldo credor do PIS não cumulativo objeto de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurso Voluntário nº 140.760, PA nº 11065.002884/200511, Conselheira SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, j. 22/07/2008) Também foi neste mesmo sentido os acórdãos proferidos por este Conselheiro, quando foi relator dos Recursos Voluntários nºs 159.600 (PA 13016.000243/200533), 159.610 (PA 13016.000124/200581), 161.145 (PA 13055.100005/2006 41) e 161.044 (PA 13055.000086/200681) dentre outros sucessivos, julgados na mesma assentada, em novembro de 2009, relativos aos mesmos contribuintes. Pelas razões expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte, para o efeito de reconhecerlhe o direito de utilizar na sua declaração de compensação a integralidade do saldo de créditos, sem glosas, assim homologando integralmente a sua compensação, ficando ressalvada a possibilidade de a Fiscalização apurar as diferenças de tributos que entender devidas pela via própria do lançamento. Ivan Allegretti Com essas considerações acolho a tese do voluntário para afastar da base de cálculo à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS relativos aos valores provenientes da cessão de crédito de Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Do crédito informado de R$ 668.343,87 de fevereiro de 2005. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11080.004372/200500 Acórdão n.º 3403002.838 S3C4T3 Fl. 16 11 Assegura a decisão recorrida que o valor reconhecido é de fato R$ R$ 668.343,87 (seiscentos e sessenta e oito mil, trezentos e quarenta e três reais e oitenta e sete centavos), mas só foi aproveitado 564.198,77 e cabia ao contribuinte solicitar a diferença no limite de cinco anos, e, se não utilizou a totalidade do crédito deve ser porque a solicitação partiu do contribuinte. Cabe a autoridade fiscal comprovar o motivo pelo qual deixou de acatar o interesse do contribuinte, a justificação trazida pela decisão por não ter acatado o valor total informado para compensação se revela insustentável, cabia sim a fiscalização apontar a razão de deixar de aproveitar todo o crédito e proceder a compensação pleiteada. Ausente o pretexto a explicar o procedimento com razão a Recorrente, o valor informado de R$ 668.343,87 (seiscentos e sessenta e oito mil, trezentos e quarenta e três reais e oitenta e sete centavos), deve ser acata em sua totalidade. Do Pedido final do voluntário em relação à redução da exigência dos valores impugnados de R$ 91.200,00 e R$ 114.110,10. A discussão nestes autos decorre da inclusão à base de cálculo dos recursos provenientes da cessão de crédito de ICMS que alterou substancialmente o saldo do crédito apurado em fevereiro e março de 2005 pela recorrente, afastado o motivo da distorção, qual seja o afastamento da base de cálculo dos ingressos da transferência do ICMS, cessado está os efeitos provocados, cabendo a Autoridade Fiscal refazer a base de cálculo. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para afastar da base de cálculo da contribuição as receitas provenientes da cessão de créditos de ICMS para terceiros. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 417DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904002/2012-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 02 /2 01 2- 81 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904002/201281 Acórdão n.º 3803005.441 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 11/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13931.000957/2008-52
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Relatório
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 7/ 20 08 -5 2 Fl. 450DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000957/200852 Resolução nº 3803000.435 S3TE03 Fl. 4 2 Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 4º trimestre/2005. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 30 de janeiro de 2014. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000957/200852 Resolução nº 3803000.435 S3TE03 Fl. 5 3 Fl. 452DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007365/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Luiz Paulo Greco.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa eMarcio de Lacerda Martin. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral o Dr. Carter Gonçalves Batista, OAB/DF nº 31.586.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Luiz Paulo Greco. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa eMarcio de Lacerda Martin. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral o Dr. Carter Gonçalves Batista, OAB/DF nº 31.586. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator, vencido os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa eMarcio de Lacerda Martin. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral o Dr. Carter Gonçalves Batista, OAB/DF nº 31.586. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 07 36 5/ 20 08 -5 9 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 97 ___________ RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração (fls. 211/214), referente ao anocalendário de 2003, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$ 931.414,26, já incluídos juros de mora e multa de ofício. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 205/208, o contribuinte apresentou declaração de ajuste anual do exercício 2004/AC 2003 (fls. 04/07; em 29/04/2004, em conjunto com Patrícia Helena Micheletti Greco CPF 141.148.86877. Em 17/04/2008, foi lavrado Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 08/09), por intermédio do qual o contribuinte foi intimado a apresentar os seus extratos bancários. A ciência deuse por via postal, tendo como elemento de prova o Aviso de Recebimento AR (fls. 10), datado de 18/04/2008, nos termos do artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, com nova redação determinada pelo Lei 9532/97. Termo de Reintimação Fiscal foi lavrado em 08/05/2008 (fls. 16), pelo qual novamente foi intimado o contribuinte a apresentar os extratos bancários. O recebimento ocorreu em 10/05/2008, por via postal, conforme Aviso de Recebimento AR (fls. 17). Em 10/07/2008, o contribuinte informou que as contascorrentes de n° 114304 77, mantida junto ao Itaubank 479 e a de n° 0038415 , mantida no Banco Bradesco S/A, são conjuntas com PATRÍCIA HELENA MICHELETTI GRECO (fls. 26), juntando cópias de cheques para comprovação (fls. 27 e 28) Em 25/08/2008, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fls. 90), intimando se o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, inclusive as conta conjuntas com a Sra. Patrícia Helena M. Greco, conforme relação anexa à Intimação (fls. 91/92); que foi recebido pelo contribuinte, em 27/08/2008, através de via postal, com Aviso de Recebimento (fls. 93). Ficou ressaltado que as devoluções de cheque e/ou depósitos, resgates e transferências de mesma titularidade não foram incluídas na relação, conforme parágrafo 3 o , I, do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Ainda em 25/08/2008, foi Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 94/95), intimandose a cotitular PATRÍCIA HELENA MICHELETTI GRECO – CPF 141.148.868 77, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias CONJUNTAS mantidas junto ao Banco Bradesco e ao Bankboston, conforme relação anexa à Intimação (fls. 96), que foi recebido pela contribuinte, em 27/08/2008, através de via postal, com Aviso de Recebimento (fls. 97). Em 03/10/2008, o contribuinte apresenta comprovantes de depósitos de fls. 103 a 197), porém nos mesmos não consta a ORIGEM dos valores, motivo pelo qual os documentos foram considerados insuficientes e todos os depósitos como origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.007365/200859 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.554 S2C2T2 Fl. 98 3 Diante de tal panorama, foi elaborado Extrato de Crédito origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea, em relação às aludidas contas bancárias e, não tendo havido comprovação da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias, foram os mesmos considerados rendimentos omitidos nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, art. 4 o da Lei n° 9.481/97 e art. 58 da Lei n° 10.637/02. No hipóteses de cotitularidade, os valores creditados nas contas conjuntas que não foram comprovados, foram objeto de tributação no titular LUIZ PAULO GRECO, uma vez tratarse de titulares EM CONJUNTO de conta bancária e, de acordo com os dados constantes nos sistemas da Secretaria .da Receita Federal do Brasil RFB, o contribuinte apresentou declaração de rendimentos em seu nome, incluindo a Sra. PATRÍCIA HELENA MICHELETTI GRECO como sua dependente; motivo pelo qual, ao cônjuge varão foi imputada a totalidade dos rendimentos omitidos. Intimado do Auto de Infração, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 220/285, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SP2, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1735.227, de 25 de setembro de 2009. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.007365/200859 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.554 S2C2T2 Fl. 99 4 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 443DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.007365/200859 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.554 S2C2T2 Fl. 100 5 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 444DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.007365/200859 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.554 S2C2T2 Fl. 101 6 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 19515.007365/200859 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.554 S2C2T2 Fl. 102 7 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/12/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10768.720028/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ
ANTECIPAÇÕES CONFIRMADAS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO. Desnecessário cogitar da declaração de nulidade do despacho decisório quando verificado que as compensações já estavam tacitamente homologadas e, demais disso, houve erro no recálculo do direito creditório da contribuinte, ensejando indevida redução do valor utilizado em compensações, que deveria ter sido integralmente reconhecido à interessada.
Numero da decisão: 1101-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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SALDO NEGATIVO. IRPJ ANTECIPAÇÕES CONFIRMADAS. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO. Desnecessário cogitar da declaração de nulidade do despacho decisório quando verificado que as compensações já estavam tacitamente homologadas e, demais disso, houve erro no recálculo do direito creditório da contribuinte, ensejando indevida redução do valor utilizado em compensações, que deveria ter sido integralmente reconhecido à interessada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 00 28 /2 00 7- 23 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório UNIÃO FEDERAL, por intermédio do MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, e na condição de sucessora de COMERCIALIZADORA BRASILEIRA DE ENERGIA EMERGENCIAL – CBEE, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação com saldo negativo apurado no anocalendário 2003. Por meio do Despacho Decisório de fls. 75/82, a autoridade fiscal analisou compensações declaradas/retificadas de 13/08/2004 a 15/06/2005, por meio das quais a contribuinte extinguiu débitos de COFINS devidos entre maio/2004 a maio/2005, com crédito oriundo da apuração de saldo negativo no anocalendário 2003, no valor atualizado de R$ 13.241.365,35. À época da análise já estavam tacitamente homologadas as compensações declaradas/retificadas de 13/08/2004 a 18/02/2005. O saldo negativo original de R$ 11.787.311,22 foi demonstrado em DIPJ, embora indevidamente indicado como correspondente ao exercício de 2003. Confirmado o IRPJ devido e o correspondente adicional, a autoridade fiscal também confirmou retenções de imposto no valor de R$ 12.097.843,14, e tendo em conta a utilização da parcela de R$ 310.526,88 na dedução de estimativas, admitiu o cômputo da parcela de R$ 11.787.316,26 no ajuste anual. Confrontando a dedução de R$ 11.787.316,26 com o IRPJ total devido de R$ 310.531,92, apurou crédito de R$ 11.476.784,34, ressaltando que o valor do imposto apurado por estimativa em janeiro (R$ 5,03) constante da DIPJ (f1. 66), não foi confirmado em DCTF (fl. 70) nem pago, o que não acarreta nenhuma ação por parte da RFB, uma vez que o ano calendário de 2003 já se encontra alcançado pela decadência. O direito creditório assim apurado foi imputado a todas as compensações declaradas, restando parcialmente homologada aquela transmitida em 15/06/2005. A contribuinte foi cientificada da homologação parcial em 23/06/2010, com conseqüente cobrança da parcela de R$ 368.894,05 do débito de COFINS apurado em maio/2005, objeto da DCOMP nº 10800.25179.150605.1.3.026065 (fls. 36/39). Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Cuidam os autos de PER/Dcomp, crédito de Saldo Negativo de IRPJ (R$ 11.787.311,22), anocalendário 2003, com débitos de Cofins, anos 2004 e 2005. Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instancia "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: A Receita está cobrando em duplicidade o imposto apurado no ano de 2003 (R$ 310.531,92); A extinta CBEE, quando encerrou suas atividades em 30/06/2006, consignou em seu balanço contábil o valor de aproximadamente 30.000.000,00 a titulo de créditos tributários compensáveis não utilizados. Em 18/06/2009 solicitou a devolução desses valores, tendo em vista tratarse de crédito pertencente aos consumidores finais de energia; Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 5 4 A vista do exposto, requer seja integralmente homologada a compensação efetuada, caso assim não se entenda, sejam utilizados outros créditos remanescentes em favor da extinta CBEE, caso assim também não se entenda, seja declarado extinto o débito apontado para pagamento por força do instituto da confusão. A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Examinandose os autos, verificase que não ocorre a alegada duplicidade de cobrança do imposto devido em 2003, tendo em vista que o IRRF (R$ 11.787.316,26) subtraído do imposto devido (R$ 310.531,92) resulta exatamente no valor do saldo negativo apurado R$ 11.476.784,34 (11.787.316,26 — 310.531,92 = 11.476.784,34). E, o montante da retenção na fonte R$ 12.097.843,14 diminuído do "IRRF utilizado na dedução da estimativa mensal durante o anobase de 2003" (R$ 310.526,88) remanesce precisamente R$ 11.787.316,26 de "IRRF — deduzido no ajuste anual".(ver folhas 79/80) Assim, resta demonstrado que está correto o saldo negativo apurado pela autoridade administrativa, não se configurando duplicidade de cobrança como quer a interessada.. Por outro lado, é importante salientar que a compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito liquido e certo do sujeito passivo, e que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei, ou cuja estipulação em cada caso atribuir A autoridade administrativa. Confirmase isto no art. 170 do CTN: [...] Relativamente ao pleito da contribuinte para que se efetue a compensação dos débitos remanescentes com créditos outros que detém, ou então, se utilize do instituto da confusão para quitar aqueles débitos, esclareçase que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim é que a Lei 9.430/1996, art. 74, determinou a forma e as condições para a realização da compensação, portanto, o crédito que a contribuinte alega ainda ter direito deve ser examinado e reconhecido pela autoridade administrativa da sua jurisdição, enquanto que o "instituto da confusão" mencionado, igualmente não se presta como mecanismo de compensação, pois não previsto na legislação de regência. Diante de todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter a Decisão de folhas 75 a 82. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/11/2010 (fl. 150), a União Federal, por intermédio do Ministério de Minas e Energia, interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 20/12/2010 (fls. 153/166). A recorrente afirma ser sucessora legal da extinta Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial – CBEE, em conformidade com o artigo 4° do estatuto social da empresa, aprovado pelo decreto n° 3.900/01 c/c artigo 23 da lei n° 8.029/90 e artigo 3° do decreto n° 5.826/06. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 6 5 Inicialmente historia os fatos, destacando que apesar do erro de fato na indicação do exercício, a compensação foi analisada como sendo referente ao ano base 2003, mas apesar do reconhecimento da homologação tácita das DCOMP apresentadas de 13/08/2004 a 18/02/2005, a autoridade fiscal procedeu à análise do crédito, e admitiu parcialmente a dedução de retenções na fonte (R$ 11.476.784,34 do total de R$ 11.787.316,26), na medida em que a diferença de R$ 310.526,88 já teria sido utilizada para reduzir estimativas. Esclarece que as retenções do período representariam R$ 12.097.822,94, e que após a exclusão das parcelas de R$ 309.982,97 em 30/12/2003 e de R$ 548,95 em 31/01/2004, totalizando R$ 310.531,92, restara saldo de R$ 11.787.311,22, a evidenciar a cobrança em duplicidade em razão da glosa procedida. Complementa que a diferença de R$ 5,04 (cinco reais e quatro centavos) entre os dois valores deduzidos (310.526,88 e 310.531,92), referese ao imposto apurado por estimativa no mês de janeiro de 2003, citado pela Receita no item 18 do Despacho Decisório como não passível de ação. Mais à frente menciona que o fato de haver um erro material pelo não preenchimento da Linha 17, da Ficha 12A, não pode alterar o valor desse saldo. Na verdade, o valor a ser preenchido na Linha 17 representa o total dos valores informados na Ficha 11, a titulo de compensação, quando da apuração do imposto devido em cada mês do ano calendário, o que demonstra tratarse de fato de um erro por não ter sido totalizado esses valores mensais a serem informados na Linha 17 da Ficha 12A, da DIPJ de 2004, ano calendário 2003. E defende a revisão de declarações de ofício pelo Fisco. Assevera, assim, insubsistente a cobrança promovida, mas ressalta que na extinção das atividades da CBEE, em 30/06/2006, restaram créditos tributários compensáveis e não utilizados superiores a R$ 30 milhões, e que em 18.06.2009, a devolução desses valores foi solicitada à Receita Federal do Brasil, tendo em vista tratarse de crédito pertencente aos consumidores finais de energia. Prossegue abordando a extinção da personalidade jurídica da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial – CBEE, pessoa jurídica criada com tempo de duração determinado até 30/06/2006, restando seus direitos e obrigações transferidos à União na forma do art. 3o do Decreto nº 5.826/2006. Em conseqüência, a CBEE, detentora do CNPJ indicado na carta cobrança decorrente da decisão ora recorrida, não mais existe. Não possui, portanto, personalidade jurídica ou sequer representantes legais e, destarte, é destituída de capacidade para receber intimações, notifica ou responder por quaisquer infrações, como na espécie. Seu CNPJ somente permaneceria ativo em virtude da ausência de certidão negativa cuja solicitação iniciou o procedimento fiscalizatório em questão. Discorre sobre a legitimidade da recorrente, novamente abordando sua criação por prazo certo, descrevendo o processo de inventariança, a indicação de inventariante e a conclusão dos trabalhos declarada no Decreto nº 6.191/2007, asseverando que a legislação é clara ao estabelecer que a Unido é sucessora da extinta CBEE e as competências atribuídas ao Ministério de Minas e Energia, com a conclusão dos trabalhos de inventariança da CBEE, são disciplinadas pelo decreto n° 6.191/07, que estabelece o dever dos servidores alocados na Pasta de contribuir para que o Ministério conclua os processos de encerramento da pessoa jurídica da extinta CBEE na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro e a baixa no Cadastro Nacional da Pessoa J urídica (cf. artigo 4°, V). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 7 6 Assim, caso superado o vício formal presente no despacho decisório em razão do sujeito passivo contra quem ele foi expedido, afirma a competência do Ministério de Minas e Energia para representar a União no presente litígio. Destaca o reconhecimento da extinção da personalidade jurídica da CBEE por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, transcrevendo excertos da Solução de Consulta nº 122, emitida pela SRRF/1a RF/DISIT. De toda sorte, como a União, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, seria a responsável pelo recolhimento dos valores constantes do despacho decisório em epígrafe, considerando que ela também é a credora de tais valores, a continuidade do presente procedimento fiscal, além de ser desarrazoado, é inviável por força da ocorrência de confusão, na forma do art. 381 do Código Civil. Reportase a memorando expedido nos autos do procedimento conciliatório n° 00400.010845/200866, em trâmite perante a Camara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal — CCAF e reiterado pelo oficio n° 394/2009/CCAF/CGU/AGU, de 24.11.2009, em resposta aos quais foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 em favor da adoção da confusão como modalidade de extinção de crédito tributário com a finalidade de evitar que litígios como este ocorram no âmbito interno da União Federal. Cita, também, a Portaria PGFN nº 1382/2009, na qual estaria determinando o levantamento das empresas estatais extintas cujas obrigações foram assumidas pela União, com o objetivo de apurar a existência de confusão entre credor e devedor, e argumenta que, embora o acórdão recorrido afaste a incidência do instituto jurídico da confusão por entender inexistir previsão legal expressa para sua adoção, considerando que o órgão a quem compete dizer o Direito em matéria fiscal no âmbito do Poder Executivo consiste na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a adoção de seu entendimento jurídico é medida que se faz de rigor. Invoca a aplicação do princípio da eficiência, reputando imprescindível a aplicação do entendimento esposado pela PGFN na esfera administrativa, na medida em que, mesmo se devido os tributos cobrados, eles não poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. Complementa que: Devese ressaltar, entretanto, que o conteúdo do referido acórdão é objeto de procedimento de conciliação junto à Camara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal — CCAF, órgão integrante da ConsultoriaGeral da Unido, junto à AdvocaciaGeral da União — AGU, sendo certo que, no referido procedimento, aguardase apenas a manifestação da CoordenaçãoGeral de Assuntos Financeiros — CAF, da PGFN, a respeito da operacionalização da destinação de eventuais recursos devidos à previdência social. Desta feita, após avaliação da PGFN, os valores que eventualmente permanecerem considerados como devidos pela extinta CBEE à Unido Federal serão devidamente compensados, na forma a ser estabelecida pela PGFN, órgão de representação do Ministério da Fazenda e, por consequência, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no citado procedimento conciliatório. Pede, assim, que seja declarada a nulidade do despacho decisório em razão de sua expedição contra empresa extinta, ou, subsidiariamente, que seja reconhecido o erro material no preenchimento da declaração, ou mesmo extinto o crédito tributário em razão do instituto da confusão. Não sendo este o caso, requer a utilização de outros créditos remanescentes da CBEE para homologação da compensação tributária, uma vez que a Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 8 7 avaliação de liquidez e certeza dos referidos créditos depende apenas e tãosomente de atuação da Secretaria Federal do Brasil e não da recorrente. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O recurso voluntário é tempestivo e a União Federal é parte legítima para apresentálo em face de ato administrativo lavrado em face de Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial – CBEE a partir de 30/06/2006. A União Federal foi autorizada a criar a CBEE por meio da Medida Provisória nº 2209/2001, já se estabelecendo, naquele momento, sua extinção em 30/06/2006: Art.1o A União fica autorizada a criar a Comercializadora Brasileira de Energia EmergencialCBEE, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia. §1o A CBEE terá sede e foro no Município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, e terá por objetivo a aquisição, o arrendamento e a alienação de bens e direitos, a celebração de contratos e a prática de atos destinados: I à viabilização do aumento da capacidade de geração e da oferta de energia elétrica de qualquer fonte em curto prazo; e II à superação da crise de energia elétrica e ao reequilíbrio de oferta e demanda de energia elétrica. §2o O estatuto da CBEE será aprovado por Decreto. §3o A CBEE poderá exercer suas atividades com pessoal cedido de órgãos e entidades da Administração Pública Federal, bem como por meio da contratação de serviços. §4o É dispensável a licitação para a contratação de obras, compras e serviços que atendam diretamente aos objetivos sociais da CBEE, inclusive àqueles destinados a planejar, a implementar e a avaliar a realização desses mesmos objetivos. §5o A União fica autorizada a oferecer garantia nos contratos celebrados pela CBEE que atendam aos objetivos sociais desta. Art.2o A constituição do patrimônio inicial da CBEE será realizada mediante capitalização pela União. Art.3o A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990. Art.4o Aos contratos celebrados pela CBEE que atendam aos objetivos sociais desta não se aplicam as disposições do art. 1o e dos §§ 1o e 3o do art. 2o da Lei no 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, desde que observados os requisitos estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Art.5o Fica a União autorizada a transformar a CBEE em sociedade por ações e a alienar total ou parcialmente a entidades da administração pública federal indireta sua participação no respectivo capital. Art. 6º Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. (negrejou se) A referência em destaque à Lei nº 8.029/90 decorre do fato de tal diploma legal, na redação dada pela Lei nº 8.154/90, dispor sobre a extinção e dissolução de entidades Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 10 9 da Administração Pública Federal, bem como estabelecer entidades que poderiam ser extintas, transformadas, constituídas, dissolvidas ou privatizadas naquela ocasião, fixando regras gerais para dissolução de sociedades de economia mista e empresa públicas que revestissem a forma de sociedades por ações (art. 18), e dispondo que: Art. 23. A União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. (Renumerado do art 20 pela Lei nº 8.154, de 1990) § 1° O Poder Executivo disporá, em decreto, a respeito da execução dos contratos em vigor, celebrados pelas entidades a que se refere este artigo, podendo, inclusive, por motivo de interesse público, declarar a sua suspensão ou rescisão. § 2° (Vetado). [...] Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei. (Renumerado do art 23 pela Lei nº 8.154, de 1990) A promovida pela Lei nº 8.154/94 na Lei nº 8.029/90 ensejou a renumeração de seus artigos precisamente nos pontos que importam ao presente juízo de admissibilidade. Tendo em conta que as disposições da Medida Provisória nº 2209/2001 diziam respeito a obrigações contratuais da CBEE, é razoável concluir que, ao fazer referência ao art. 23 da Lei nº 8.029/90, o Presidente da República, em verdade, estava se reportando ao dispositivo que passou a ser numerado como art. 20 pela Lei nº 8.154/90. Não seria lógico o texto da Medida Provisória nº 2209/2001 tratar especificamente de débitos de qualquer natureza da CBEE para com a Fazenda Nacional (antigo art. 26 da Lei nº 8.029/90, renumerado para art. 23 pela Lei nº 8.154/90) sem antes imputar à União Federal a sucessão nas obrigações da CBEE, e constituir a causa para cancelamento das obrigações desta em face da Fazenda Nacional, qual seja, a confusão entre devedor e credor. Extinta a CBEE, e verificandose a sucessão da União Federal nos termos da lei, seguiuse procedimento de inventariança regulado pelo Decreto n° 5.826/2006, encerrado em 20/08/2007, nos termos do Decreto nº 6.161/2007, do qual destacase: Art. 4o Cabe ao Ministério de Minas e Energia: I providenciar a guarda dos acervos documental e de pessoal da inventariança da extinta CBEE, até a conclusão dos trabalhos de auditoria da ControladoriaGeral da Unido e de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil; [...] IV atender e providenciar as informações necessárias à execução do processo de fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE; V concluir os processos de encerramento da pessoa jurídica da extinta CBEE na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro e baixa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; [...] Art.6o Caberá ao Ministério de Minas e Energia o exercício das competências relativas à unidade gestora da inventariança da extinta CBEE, que não tenham sido atribuídas a outros órgãos ou entidades nos termos deste Decreto. (grifouse) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 11 10 Como se vê, em que pese a referência expressa a fiscalização previdenciária em andamento, o procedimento de inventariança decorrente da extinção da CBEE foi encerrado, atribuindose ao Ministério das Minas e Energia os atos concernentes ao encerramento da pessoa jurídica extinta junto ao Registro de Comércio e perante o CNPJ. Diante deste contexto, a União Federal, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, aqui representado por seu Subsecretário de Planejamento e Administração, é parte legítima para apresentar recurso voluntário contra decisão que manteve o ato de não homologação de compensações declaradas por CBEE. Sendo tempestiva a defesa apresentada, deve ser ela conhecida. Embora aborde a matéria apenas na parte final de seu recurso, a União Federal argúi a nulidade do ato de nãohomologação em razão de sua expedição contra pessoa jurídica extinta. Inicialmente com vistas a demonstrar sua legitimidade processual, argumenta que a CBEE, detentora do CNPJ indicado na carta cobrança decorrente da decisão ora recorrida, não mais existe. Não possui, portanto, personalidade jurídica ou sequer representantes legais e, destarte, é destituída de capacidade para receber intimações, notificações ou responder por quaisquer infrações, como na espécie. Seu CNPJ somente permaneceria ativo em virtude da ausência de certidão negativa cuja solicitação iniciou o procedimento fiscalizatório em questão. Mais à frente, destaca o reconhecimento da extinção da personalidade jurídica da CBEE por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, transcrevendo excertos da Solução de Consulta nº 122, emitida pela SRRF/1a RF/DISIT. Por fim, pede que seja declarada a nulidade do despacho decisório em razão de sua expedição contra empresa extinta. Ocorre que, embora emitido com a indicação do CNPJ da CBEE, contribuinte que transmitiu as DCOMP não homologadas, o despacho decisório foi encaminhado à Esplanada dos Ministérios, sendo cientificado no endereço de sua sucessora, em razão da atualização junto ao cadastro que, como demonstrado, permanecia ativo em razão de pendências àquela época ainda não solucionadas. Em conseqüência, a sucessora pôde manifestar sua inconformidade contra o ato de nãohomologação, bem como recurso voluntário contra a decisão de 1a instância. Além disso, como se vê em cópia de despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo nº 10768.007812/200581, juntada às fls. 51/58, a DERAT/RJ (unidade que antes jurisdicionava a contribuinte), tendo conhecimento da liquidação da CBEE, e da sucessão administrada pelo Ministério de Minas e Energia, declinou competência em favor da DRF/Brasília para análise das compensações ainda pendentes. Em conseqüência, o ato de não homologação aqui em debate foi praticado por autoridade competente, nos termos do art. 63 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, vigente à época de sua edição: Art. 63 . A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à RFB será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. [...] Nos termos do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 12 11 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) No presente caso, o ato de nãohomologação foi lavrado por pessoa competente e cientificado, por via postal, no endereço do sucessor da contribuinte que apresentou as DCOMP. Não se verificou, portanto, qualquer nulidade em razão, apenas, da indicação do nome da contribuinte original no despacho decisório questionado. De toda sorte, ainda que fosse o caso de declaração de nulidade do ato de nãohomologação, pertinente é observar que, no mérito, é possível decidir o litígio em favor do sujeito passivo. Isto porque a interessada principia seu recurso mencionando o reconhecimento da homologação tácita das DCOMP apresentadas de 13/08/2004 a 18/02/2005, sem observar, porém, que também as demais DCOMP apresentadas em 13/05/2005 a 15/06/2005 já estariam tacitamente homologadas quando produzido o ato de nãohomologação aqui em debate. Ao concluir a análise das compensações em 27/04/2010 a autoridade administrativa reconheceu que, com relação às compensações efetuadas nas Dcomp de nº 18178.76682.130804.1.7.027014, n° 34874.80868.130804.1.7.026056, e n° 14678.56661.180205.1.7.021555, transmitidas, respectivamente, em 13/08/2004 e 18/02/2005, todas já se encontram homologadas por disposição legal, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e na Instrução Normativa RFB n" 900, de 30 de dezembro de 2008 em seu art. 37, § 2°, uma vez que já transcorreu o prazo de 5 (anos) para sua apreciação. Todavia, como se vê às fls. 75/87, a liquidação da compensação foi concluída em 15/06/2010 e a contribuinte somente foi cientificada em 23/06/2010. Portanto, quando finalmente o ato administrativo de nãohomologação reuniu os requisitos para sua validade e eficácia, com a ciência do sujeito passivo, o prazo previsto em lei, na forma inicialmente citada pela autoridade administrativa, já havia transcorrido em face de todas as DCOMP apresentadas. De toda sorte, em que pese a recorrente nada alegue acerca da homologação tácita das demais DCOMP, tem ela razão quando, ainda no início de sua defesa, menciona que haveria cobrança em duplicidade em razão da glosa procedida. Em verdade, a duplicidade não se verifica na cobrança, mas sim nos efeitos da glosa, como a seguir demonstrado Como relatado, ao analisar o saldo negativo de R$ 11.787.311,22, a autoridade fiscal confirmou o IRPJ devido e o correspondente adicional, bem como as Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 13 12 retenções de imposto no valor de R$ 12.097.843,14, e tendo em conta a utilização da parcela de R$ 310.526,88 na dedução de estimativas, admitiu o cômputo da parcela de R$ 11.787.316,26 no ajuste anual. Ocorre que, na seqüência, confrontou apenas a dedução de R$ 11.787.316,26 com o IRPJ total devido de R$ 310.531,92, para apurar o crédito de R$ 11.476.784,34, ignorando as estimativas que, como por ela exposto, haviam sido reduzida por retenções de imposto na fonte no valor de R$ 310.526,88. Consignou, apenas, que o valor do imposto apurado por estimativa em janeiro (R$ 5,03) constante da DIPJ (fl. 66), não foi confirmado em DCTF (fl. 70) nem pago, o que não acarreta nenhuma ação por parte da RFB, uma vez que o anocalendário de 2003 já se encontra alcançado pela decadência. A DIPJ juntada às fls. 41/42 que a contribuinte, para apurar o saldo negativo utilizado de R$ 11.787.311,22, deduziu do IRPJ devido (R$ 310.526,88) todo o IRRF verificado no período (R$ 12.097.843,14), e nada apontou a título de estimativas, muito embora a ficha 11 da mesma DIPJ indique estimativas apuradas no valor acumulado de R$ 310.532,92, que teriam sido anuladas com a parcela de IRRF antes indicada (R$ 310.526,88) e pelo valor que deveria ter sido pago, de R$ 5,03. Resta evidente, portanto, que a contribuinte errou ao preencher a DIPJ, porque deveria ter computado a dedução das estimativas apuradas e liquidadas mediante dedução das retenções, e utilizado, no ajuste anual, apenas as retenções remanescentes. Contudo, tal erro não impede a admissibilidade da dedução de R$ 310.526,88 no ajuste anual, seja a título de IRRF retido no anocalendário, seja a título de estimativas anuladas mediante dedução das retenções integralmente confirmadas pela autoridade fiscal. Assim, a motivação contida no despacho decisório somente impede a dedução da parcela da estimativa apurada em janeiro/2003, no valor de R$ 5,03, que não foi recolhida pela contribuinte. No mais, as demais estimativas liquidadas pelo IRRF confirmado pela autoridade fiscal (R$ 310.526,88), devem compor o saldo negativo do anocalendário 2003, elevandoo para o montante informado pela contribuinte em DIPJ e utilizado na DCOMP, qual seja, R$ 11.787.311,22. Desnecessário, assim, cogitar dos efeitos dos demais créditos tributários compensáveis alegados pela interessada, que teriam remanescido após a extinção das atividades da CBEE, em 30/06/2006, bem como da eventual extinção dos débitos remanescentes em razão da confusão entre credor e devedor. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.720028/200723 Acórdão n.º 1101001.044 S1C1T1 Fl. 14 13 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10865.721508/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/07/2012
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE PARA QUITAR OS DÉBITOS. GLOSA. MANUTENÇÃO.
Para que a compensação venha a ser aceita pelo Fisco, deverá a interessada possuir em seu favor crédito próprio suficiente à quitação dos débitos que pretende compensar. Em não havendo suficiência de crédito, merece ser mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL.
A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte.
O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido.
MULTA QUALIFICADA. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2010 a 31/07/2012 COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE PARA QUITAR OS DÉBITOS. GLOSA. MANUTENÇÃO. Para que a compensação venha a ser aceita pelo Fisco, deverá a interessada possuir em seu favor crédito próprio suficiente à quitação dos débitos que pretende compensar. Em não havendo suficiência de crédito, merece ser mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extingue-se em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. MULTA QUALIFICADA. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso Voluntário Negado.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE PARA QUITAR OS DÉBITOS. GLOSA. MANUTENÇÃO. Para que a compensação venha a ser aceita pelo Fisco, deverá a interessada possuir em seu favor crédito próprio suficiente à quitação dos débitos que pretende compensar. Em não havendo suficiência de crédito, merece ser mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extinguese em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. MULTA QUALIFICADA. CRÉDITO UTILIZADO INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa qualificada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de fraude, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 15 08 /2 01 3- 51 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente a contribuições compensadas, de forma administrativa, indevidamente pela Prefeitura, mediante o procedimento de glosa, no período de 10/2010 a 07/2012. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 16/25), a empresa efetuou compensações indevidas relativas, já que os valores foram atingidos pela prescrição de 5 anos. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/06/2013 (fls. 01), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 149/468), alegando, em síntese, que: 1. o AuditorFiscal da Receita Federal utilizou como base para a autuação as GFIP/SEFIP entregues originalmente e não as retificadas, como determina a Instrução Normativa 880, de 2008, que substituiu as informações, descaracterizando os créditos devidos. Através de Auditoria nas GFIP’s entregues originalmente, constatouse a omissão de compensações devidas por pagamentos efetiva e comprovadamente em duplicidade (através de Guias de Recolhimento e/ou através de Retenções dos Repasses decendiais do FPM Fundo de Participação dos Municípios) de competências a partir do exercício de 2003; 2. foram efetuadas as retificações, obedecendo às regras estabelecidas pela Instrução Normativa n° 880, de 2008, corrigindo as omissões e substituindo as GFIP’s anteriormente entregues, alterando portanto o valor devido e, gerando créditos reais, por pagamento maior que o devido; 3. baseados nos levantamentos efetuados pela fiscalização e, verificando as GFIP’s retificadas constamos, conforme documentos e relatórios anexados a esta, que a utilização dos créditos ocorreram dentro do prazo legal estabelecido pela legislação.Exemplo: Processo de compensação da GFIP 10/2010 Valor solicitado R$270.253,32 e valor compensado R$270.253,32 (Período inicial 02/2006 e Período final 12/2007). A fiscalização desconsiderou os créditos de 11/2007 no valor original de R$43.354,58 pagos em 10/12/2007 (parcial); de 11/2007 no valor original de R$13.111,40 pagos em 29/12/2008 e de 12/2007 no valor original de R$145.119,84 pagos em 10/01/2008. Não entendemos correto desconsiderar tais créditos tendo em vista que no próprio Sistema Plenus CCORGIF Consulta de Valores a Recolher X Valores Recolhidos X LDCG/DCG, utilizado para consulta e autuação, se atualizados pelas GFIP/SEFIP RETIFICADAS, deveria constar o recolhimento à maior nestas Fl. 507DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 competências. Tal relatório não foi anexado ao Auto de Infração, cabendonos apenas supor que eles de fato existam; 4. em todas as competências que tiveram glosa de compensação, o caso de exemplo no item anterior se repete, conforme relatório anexo que faz parte da presente impugnação. No próprio exemplo utilizado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, a compensação “(...) Estaria de acordo com a legislação se os créditos realmente fossem das competências (....)”. Ora, elas são de fato, a partir da retificação, das competências mencionadas, conforme relatórios de comprovante de declaração das contribuições a recolher a previdência social e as outras entidades e fundos por FPAS empresa e relatório analítico de GPS, anexos; 5. não há nos fundamentos legais citados pelo Sr. AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil nenhuma referência vedando o ato citado no item anterior, uma vez que os créditos foram constituídos dentro do prazo legal de 05 (cinco) anos. Transcreve os artigos 165 e 168, do CTN; 6. não obstante ao já exposto, constam no Auto de Infração erros materiais, tais como: fundamento legal com referência a Lei inexistente(8202/91); Valor de compensação diferente do lançado em GFIP em sua totalidade (R$181.343,47) e Número de Controle de GFIP entregue inexistente; 7. requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. E, se por ventura, não for reconhecido o cancelamento total do débito fiscal reclamado, em virtude de diferença de interpretação da Legislação pertinente, que ao menos seja descaracterizada a "suposta" falsidade de declaração, pois em nenhum momento houve "má fé" do impugnante, na tentativa de obter créditos ilícitos ou inexistentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0250.014 da 6a Turma da DRJ/BHE (fls. 475/478) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Limeira/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Com relação ao direito de realizar a compensação, razão não assiste à Recorrente, eis que os valores foram abarcados pela prescrição. A Recorrente não comprova que tenha deixado de observar o prazo prescricional de 5 anos previstos no CTN. Ela apenas defende que foram efetuadas as retificações, obedecendo às regras estabelecidas pela legislação previdenciária, corrigindo as omissões e substituindo as GFIP’s anteriormente entregues, e, com isso, afirma que teria cumprido o prazo legal de 05 (cinco) anos. Inicialmente, devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o sujeito passivo do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional (CTN) e a Lei 8.212/1991. Assim, se em uma ação fiscal ficar constatada a compensação de valores em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional (CTN). O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; ......................................................................................................... Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. ......................................................................................................... Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) A Lei 8.212/1991 – diploma que dispõe sobre o Plano de Custeio da Seguridade Social – em seu art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de Fl. 509DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 contribuição para a Seguridade Social nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora. Por outro lado, somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, sendo que o termo inicial deste prazo é considerado a partir do momento do pagamento. No caso em tela, o direito de realizar a compensação deverá obedecer ao prazo prescricional previsto no art. 253 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, in verbis: Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; ou II em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória . Isso está em consonância com o art. 168 do CTN, que prescreve o prazo de 5 (cinco) anos para realização do direito de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 5 7 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3o da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (g.n.) Por sua vez, a Lei Complementar (LCp) 118/2005 trouxe regra interpretativa, direcionada exclusivamente para esse art. 168, I, do CTN. Art. 3o. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento de homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. (g.n.) Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. É bom registrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) manifestouse no sentido de que os dispositivos da Lei Complementar (LCp) 118/2005, registrados acima, são regras válidas com aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após 120 dias da publicação da lei (a partir de 09/06/2005), nos termos do seu Informativo no 634, de 1º a 5 de agosto de 2011: “[...] Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica – nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF – e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Fl. 511DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 4.8.2011. (RE 566621Repercussão Geral)” Esses prazos aplicamse à presente hipótese, eis que a Recorrente pretende a compensação de supostos créditos já prescritos, relativos ao período de 01/2003 a 04/2005, cujos créditos respectivos só poderiam ser pleiteados em repetição ou compensação se dentro do prazo prescricional de 5 (cinco) anos contado a partir do efetivo pagamento indevido. Tais prazos também se aplicam às hipóteses de declaração de inconstitucionalidade de tributos pelo STF, que é o caso do presente processo. Isso está em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que tem entendido ser “irrelevante para o estabelecimento do termo inicial da prescrição da ação de repetição e/ou compensação, a eventual declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo E. STF” (STJ, 1a Turma, AgRg Resp. 615819/RS, Rel. Min. Luiz Fux, j. 01.06.2004, DJ 28.06.2004, p. 209). No mesmo sentido, observase que a jurisprudência do STJ alinhase com as decisões do STF no sentido de que o prazo, para exigir a restituição ou compensação de tributos, iniciase a partir do pagamento indevido pelo sujeito passivo, sendo irrelevante a data de declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo STF ou de edição de Resolução pelo Senado Federal, inteligência dos arts. 156, inciso I, e 168, inciso I, do CTN, conforme ficou estabelecido na Ementa do Resp. 1110578/SP/RT 900, in verbis: Ementa oficial: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (...) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (...) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1110578/SP/RT 900). (g.n.) Assim, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do sujeito passivo, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o sujeito passivo, examinar seus Fl. 512DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 6 9 livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Dessa forma, considerando o início da compensação na competência 10/2010, foram considerados prescritos os valores referentes às competências 01/2003 a 04/2005, inclusive. Isso ocasionou a inobservância do prazo prescricional para efetuar a compensação, que seria de 5 (cinco) anos a contar da data do efetivo pagamento indevido. Logo, a glosa realizada pelo Fisco encontrase correta. Dentro do contexto fático, verificase que o contribuinte compensou indevidamente valores constantes das GFIP’s relativas às competências 10/2010 a 07/2012. Observase que o Fisco utilizou tanto as GFIP’s entregues originalmente como as retificadoras, e que devido ao fato das GFIP’s retificadoras terem sido enviadas com o intuito de aproveitar créditos já prescritos, esses créditos não foram homologados pelo Fisco, conforme “Demonstrativo dos valores compensados nas competências, demonstrando também a competência real da origem do crédito compensado”, juntado às fls. 41/43. Com relação às demais questões postuladas na peça recursal, elas foram devidamente refutadas na decisão de primeira instância, a qual não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação dessa decisão, nos seguintes termos: “[...] Quanto à alegação de erro no valor de compensação, pois diferente do lançado em GFIP em sua totalidade R$181.343,47, cabe registrar que de acordo com o item 7(sete) do Relatório Fiscal, esse valor é o que foi declarado em GFIP e demonstrado no sistema CCORGIF. Ademais, consultando o Sistema da Receita Federal do Brasil – GFIPWEB, verificouse que esse valor consta na GFIP da competência 11/2010, enviada em 20/04/2013 e substituída pela enviada em 19/09/2013. Em relação à alegação de número de controle de GFIP entregue inexistente, não procede, pois o nº NUN2A1LMwXd00008, se refere à GFIP da competência 01/2011, tendo o impugnante carreado aos autos cópia da referida GFIP, juntada às fls. 354. [...]” Considerando os elementos fáticos e probatórios, entendese que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos previstos na legislação previdenciária para realizar as compensações almejadas nas competências 10/2010 a 07/2012. Quanto à aplicação da multa qualificada, não vejo como acatar a alegação da Recorrente, pois o Fisco demonstrou a hipótese de falsidade ou fraude da declaração apresentada. A Recorrente afirma que as compensações foram efetivadas e informadas com base na legislação previdenciária vigente. Assim, ela não teria agindo com falsidade de declaração, pois em nenhum momento houve “má fé”, na tentativa de obter créditos ilícitos ou inexistentes. Decorre dos elementos probatórios juntados aos autos que a Recorrente realizou, por meio de situações que não espelhavam a sua realidade fática contábil, operações fiscais com o intuito de burlar o Fisco, já que ela não detinha qualquer direito de compensação Fl. 513DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 materializado em seus registros contábeis. Pelo contrário, o seu suposto direito compensatório provinha da geração de um “falso recurso”, utilizandose da entrega de GFIP com informações falsas, no caso, com inserção de créditos inexistentes, resultando em supressão/redução de contribuições previdenciárias devidas. Isso está evidenciado no Relatório Fiscal (itens 05 a 07 e item 13), eis que a Recorrente inseriu nas GFIP’s informação não verdadeira, declarando créditos inexistentes, ou seja não passíveis de compensação, nos seguintes termos: “[...] 5. O Órgão Público efetuou no período de 03/2010 a 07/2010, 10/2010 a 12/2010, 13/2010, 01/2011, 02/2011, 04/2011 (inclusive 13/2011) a 04/2012, compensações, reduzindo os valores de suas contribuições Patronais devidos à Previdência Social, dos quais os constantes no Anexo I, na coluna (Vr. Atualizado compensado Glosado) do presente Relatório Fiscal não foram homologados pela Fiscalização da Receita Federal do Brasil, ou seja os valores constantes nas competências de 10/2010 (Parcial), 11/2010 a 12/2010, 13/2010, 01/2011 e 04/2011 (inclusive 13/2011) a 04/2012 (Total), uma vez que não foram observadas pela empresa ora autuada a legislação pertinente para efetuar compensações de valores recolhidos a maior, extrapolando o prazo máximo de 05 (anos ) contados da data da extinção do crédito tributário, conforme relatado abaixo. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165, I, e 168, I da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ) (AD SRF n° 096/99 , item I). (...) 6. A empresa ora autuada, para enquadrarse nas condições acima estabelecidas usou do artifício de enviar GFIP.S para as competências 10/2010 a 12/2010, 04/2011 a 04/2012, mencionando compensações de valores recolhidos a maior em competências anteriores, (dentro dos 05 anos), entretanto para a competência a que se referia nas GFIP.S acima não houve recolhimento a maior e sim em outra GFIP mencionada na GFIP retificada, a qual está fora do prazo citados acima (CTN), tratando assim de uma manobra idealizada pela empresa, para aproveitar créditos já prescritos. Entretanto para a competência 01/2011, a empresa compensou um suposto crédito previdenciário no valor de 288.788,42, que conforme informado na área de compensações da 6FIP 01/2011, os mesmos referemse a valores recolhidos a maior nas competências de 01/2007 e 02/2007, entretanto tal crédito não existe, conforme está demonstrado no relatório extraído do Sistema Plenus CCOR&IF Consulta Valores a Recolher X Valores Recolhidos X LbCG/bCG, sendo inclusive lançado paras Fl. 514DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 7 11 as competências citadas débitos de diferenças entre o valor informado nas GFIP.s e os valores recolhidos, sendo tais débitos lançados em DC60 n° 36.390.0721, conforme será demonstrado abaixo nos exemplos do ocorrido: (...) Exemplo n° 4: Diferentemente dos exemplos acima mencionados a empresa utilizou outra forma para o Processo de compensação da GFIP 01/2011 – constante no sistema Plenus, enviada em 31/03/2012, onde menciona na parte de Compensação Valor solicitado 288.788,42 e valor compensado 288.788,42 (Período inicial 01/2007 e Período Final 02/2007). Estaria de acordo com a legislação se houvesse os citados créditos, entretanto ao verificar as telas emitidas no Sistema Plenus CCORGIF Consulta de valores a recolher X Valores Recolhidos X LDCG/DCG, verificase que para as competências de 01/2007 e 02/2007 os valores informados como devidos em GFIP.s estão a maiores do que os recolhimentos efetuados nas competências, sendo entretanto lavrados débitos nas competências, através LDCGmencionou n° 36.390.0721. Portanto verificase através dos exemplos de n° s 01 a 03, que a empresa criou uma ponte como artifício para o uso dos créditos prescritos a mais de 05 anos,"ou seja, reenviou em 08/07/2011 as GFIP.s das competências 08/2007 a 13/2007, e reenviou em 28/07/2011 as GFIP.s da competências 01/2008 a 10/2008 informando a compensação de supostos créditos já decadentes relativos ao período de 01/2003 a 04/2005, porém sem efetuar a compensação dos mesmos, uma vez que os valores das contribuições devidas no citado período já se encontravam inteiramente recolhidas nas épocas próprias. As citadas GFIP.s do período 08/2007 a 10/2008 foram reenviadas unicamente com intuito de gerar falsos créditos que tentou agora compensar nas competências de 10/2010 a 01/2011 e 04/2011 a 04/2012. (...) 13. Considerando que a competência da Multa Isolada é o mês em que ocorreu a infração, ou seja, o mês em que ocorreu a entrega da GFIP com a informação do crédito inexistente, ficou constituído o valor da Multa Isolada, conforme demonstrado acima. [...]”. Os elementos probatórios, contidos no Relatório Fiscal e nos seus anexos, permitem evidenciar que a Recorrente, embora tenha apresentado GFIP para as competências 10/2010 a 07/2012, efetivamente inseriu informações de valores inexistentes nas GFIP’s. Esse fato é distinto da hipótese prevista no art. 89 da Lei 8.212/1991, que somente permite a compensação de valor oriundo de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido. A conduta dissimuladora ou fraudulenta da Recorrente encontrase evidenciada no momento em que inseriu dados e informações que não correspondem à realidade fática da empresa (créditos inexistentes), assim como apresentou irregularidades na formalização das compensações realizadas por meio das GFIP’s. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Diante desse quadro, entendo correta a interpretação adotada pelo Fisco de que a Recorrente agiu com perfeito conhecimento dos fatos e do direito, mediante aplicação de condutas totalmente injustificáveis perante a escrituração contábil e fiscal. Logo, está caracterizada a prática pela autuada da conduta tipificada no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991 c/c art. 44, § 1º, da Lei 9.430/19961, que decorre a aplicação da multa isolada de 150%. Lei 8.212/1991: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g.n.) Ressaltase que, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009), foi introduzido o § 10 ao art. 89 da Lei 8.212/1991. Assim, para os fatos ocorridos a partir da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, aplicam se os dispositivos da Lei 9.430/1996, nos casos de lançamento de ofício, inclusive com a constatação de dolo, fraude ou simulação. Pelas razões fáticas e jurídicas acima delineadas, as alegações da Recorrente não devem ser acatadas. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. 1 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 516DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.721508/201351 Acórdão n.º 2402004.012 S2C4T2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10580.725972/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram receitas omitidas os valores correspondentes aos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
Deve ser arbitrado o lucro da pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido que, regularmente intimada, não apresenta à Fiscalização o Livro Caixa, no qual estejam escriturados os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período de forma a refletir toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, tudo comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATURAMENTO.
A omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada constitui faturamento, devendo ser tributada pelas contribuições sociais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA.
Descabe a qualificação da multa de ofício quando, em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da autuada.
Numero da decisão: 1402-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base em norma inconstitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram receitas omitidas os valores correspondentes aos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Deve ser arbitrado o lucro da pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido que, regularmente intimada, não apresenta à Fiscalização o Livro Caixa, no qual estejam escriturados os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período de forma a refletir toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, tudo comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 72 /2 01 1- 41 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.127 2 Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATURAMENTO. A omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada constitui faturamento, devendo ser tributada pelas contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA. Descabe a qualificação da multa de ofício quando, em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.128 3 Relatório Freire Informática Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Salvador/BA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam a exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$1.091.195,85 (um milhão, noventa e um mil, cento e noventa e cinco reais e oitenta e cinco centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$317.135,58 (trezentos e dezessete mil, cento e trinta e cinco reais e cinqüenta e oito centavos), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$328.102,07 (trezentos e vinte e oito mil, cento e dois reais e sete centavos), e à Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$71.088,80 (setenta e um mil, oitenta e oito reais e oitenta centavos), acrescidos de multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e dos juros de mora, totalizando R$4.989.168,13 (quatro milhões, novecentos e oitenta e nove mil, cento e sessenta e oito reais e treze centavos), na data dos lançamentos. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ, foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2008, com base no artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), em virtude de a contribuinte, estando autorizada a optar pela tributação com base no Lucro Presumido, ter deixado de cumprir as obrigações acessórias relativas à sua determinação, em relação ao seguinte fato: a escrituração do livro Caixa apresentado está em desacordo com a legislação de regência para a tributação do Lucro Presumido, qual seja, Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único, pois não contempla a movimentação financeira, inclusive bancária, da fiscalizada. O lucro arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida, constituída por: receita omitida, representada por depósitos efetuados em contas bancárias de titularidade da Contribuinte, cuja origem dos recursos, a Contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, apurada conforme planilha em anexo e Termo de Verificação Fiscal, sendo capitulados no enquadramento legal os art. 27, inciso I, e 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 532 e 537 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999); outras receitas apuradas conforme planilha demonstrativa em anexo e Termo de Verificação Fiscal, com enquadramento legal no art. 536 do RIR/1999. Em decorrência, foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o Programa de Integração Social e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. O Termo de Verificação Fiscal registra os seguintes fatos: 1. Da Ação Fiscal Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.129 4 – a empresa fiscalizada, constituída em 20/05/1996, conforme instrumento de alteração e consolidação do contrato social registrado na Juceb em 07/05/2007, exerce a atividade operacional de “Desenvolvimento, Locação de Sistemas Aplicativos para Computadores (Softwares), Serviços de Informática e Consultoria Técnica na Área de Contabilidade Pública, Orçamento, Plano Plurianual, Folha de Pagamento, Recursos Humanos, Arrecadação Tributária, Educação, Saúde, Licitações e Contratos, Controle Interno e Informática”; – no cadastro do CNPJ consta o CNAE Fiscal nº 62.01500 – Desenvolvimento de Programas de Computador sob encomenda, como atividade principal exercida pela fiscalizada; – em relação ao anocalendário de 2008, apresentou DIPJ adotando como forma de tributação o lucro presumido, estando assim, sujeita à apuração e recolhimento da Cofins e do PIS com base na cumulatividade; – em 12 de janeiro de 2011, a Contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal, solicitando a apresentação dos livros e documentos ali relacionados; – a contribuinte atendeu parcialmente às solicitações contidas no Termo de Início de Procedimento Fiscal e, em 25 de fevereiro de 2011, foi reintimada a apresentar os demais elementos solicitados, todavia, não houve manifestação alguma da fiscalizada; – em 15 de março de 2011, foram emitidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para o Bradesco S/A e para o Banco do Brasil S/A apresentarem os extratos bancários de contas de movimento, de titularidade da fiscalizada, nas respectivas instituições financeiras; – em 19 de abril de 2011, a fiscalizada apresentou: 1) extratos de conta corrente nº 13.029X, agencia 34606 do Banco do Brasil S/A e; 2) extratos de conta corrente nº 19437, agencia 3121, do Banco Bradesco S/A, ambos do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008. Na carta protocolo que acompanhou a entrega dos extratos, a fiscalizada esclarece que não possui escrituração dos livros Diário e Razão e que a composição da base de cálculo dos tributos em fiscalização reportou se apenas ao movimento do livro Caixa; – com base nos extratos bancários enviados pela fiscalizada e pelos bancos circularizados por RMF, foi elaborado um levantamento com os ingressos de recursos nas contascorrentes mantidas pela fiscalizada nos bancos Bradesco e Brasil, expurgando os valores relativos a estornos, empréstimos, transferências de mesma titularidade e outros valores que pelo seu histórico não corresponde a ingresso de receitas; – em 2 de maio de 2011, a fiscalizada foi cientificada do Termo de Intimação Fiscal solicitando a comprovação da origem dos valores creditados/depositados nos bancos Bradesco e Brasil, conforme relação de valores anexa ao citado Termo; – novos extratos foram enviados pelo Bradesco S/A sinalizando que o levantamento de ingressos que havia sido feito estava incompleto, ou seja, faltava incluir os ingressos financeiros da contacorrente nº 9.3173, agencia nº 2757. Diante desta constatação, foi elaborado um novo Termo de Intimação Fiscal, contendo tão somente os ingressos no Banco Bradesco nas contascorrentes nº 1.9437, agencia 3121 e 93173, agencia 2757, enviado pelo correio, com AR, com ciência de 16 de Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.130 5 maio de 2011, solicitando a comprovação dos ingressos conforme relação de valores anexa; – em 20 de maio de 2011 a fiscalizada apresentou três volumes encadernados contendo a movimentação das contas de sua titularidade no Bradesco e no Banco do Brasil, conforme Termos de Intimação Fiscal lavrados em 28 de abril de 2011 e 10 de maio de 2011, respectivamente; – com base nas identificações e explicações da fiscalizada acerca dos ingressos financeiros acima mencionados, novas exclusões foram efetuadas tendo em vista ingressos de recursos oriundos de empresas do grupo relativos a mútuos e outros valores que não representam receitas; – o levantamento dos ingressos financeiros que correspondem a Receitas Operacionais auferidas pela fiscalizada, no anocalendário de 2008 revelou um montante de R$13.141.500,46, o que ensejou as seguintes constatações; DIPJ 2009 – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – a RFB recepcionou esta declaração sendo que o montante de receitas informadas nesta declaração é de R$2.204.764,64; Dacon 2008 – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – a RFB recepcionou as declarações de 2008 e as receitas nelas declaradas guardam relação com os valores declarados na DIPJ entregue; Livro Caixa referente a 2008 – a fiscalizada apresentou o Livro Caixa escriturado, no entanto, a escrituração não contempla a movimentação financeira de bancos da fiscalizada; – as verificações efetuadas na escrituração do Livro Caixa em confronto com os ingressos de recursos em bancos e o montante de receitas tributado em 2008, resultaram na constatação de omissão de receitas da atividade, o que ensejou a insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS no período fiscalizado; – foram elaboradas planilhas demonstrativas de apuração de base de cálculo, mês a mês, dos tributos federais tomandose como base o levantamento dos ingressos de recursos em bancos. Dos valores apurados foram abatidos os valores declarados em DCTF, de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em 2008; 2. Da Fiscalização – a omissão de receitas da atividade apurada ensejou a lavratura de auto de infração do IRPJ, lucro arbitrado, com reflexos na CSLL, na Cofins e na contribuição para o PIS, em relação ao anocalendário de 2008; 3. Do Auto de Infração – foi lavrado auto de infração do IRPJ, lucro arbitrado, com reflexos na CSLL, na Cofins e na contribuição para o PIS; 4. Da Qualificação da Multa de Ofício – a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como omissão de receitas no auto de infração do IRPJ e Reflexos, se justifica tendo em vista o que preceitua o art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, por ser incontestável que o contribuinte, embora tenha auferido receitas operacionais da atividade, deixou de declarar grande parte da sua receita, e, por conseguinte, recolher os tributos devidos sobre suas receitas operacionais nas atividades de “Desenvolvimento, Locação de Sistemas Aplicativos Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.131 6 para Computadores (Softwares), Serviços de Informática e Consultoria Técnica na Área de Contabilidade Pública, Orçamento, Plano Plurianual, Folha de Pagamento, Recursos Humanos, Arrecadação Tributária, Educação, Saúde, Licitações e Contratos, Controle Interno e Informática”; 5. Da Representação Fiscal para Fins Penais – diante dos fatos aqui relatados que descrevem o contexto deste procedimento de fiscalização e considerando o que determina o art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, que trata dos crimes contra a ordem tributária, efetuarseá a adequada Representação Fiscal para Fins Penais com o objetivo de que seja apurada a ocorrência de crime contra a ordem tributária conforme determina o dispositivo legal. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos, impugnandoos em 27/06/2011, sob os argumentos expostos a seguir: OS FATOS – todos os depósitos foram devidamente identificados, não apenas a origem do negócio como o nome completo do depositante, assim, a tributação não poderia ser presuntiva na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, caso fosse esse o enquadramento legal correto, não poderia ser em períodos trimestrais. Ademais, o fisco também não poderia estender a presunção para as contribuições sociais, uma vez que o permissivo legal é válido para períodos a partir de fevereiro de 2009; – também não poderia quebrar o sigilo bancário da Impugnante sem autorização previa do Poder Judiciário, conforme decisão do STF nos moldes do art. 543B do Código de Processo Civil, conhecidos como “repercussão geral”, à luz do que determina o Parecer da PGFN/CRJ/nº 492/2010; – o arbitramento do lucro foi medida extremada e sem motivação, pois o Livro Caixa, in casu, contempla a movimentação bancária, todavia, com pontuais falhas. Esse fato em si não autoriza a solução pelo arbitramento, pois, centenas de decisões das Delegacias de Julgamento e outras centenas de acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais lidam com a figura da omissão de receita por não comprovação de depósitos, leiase “valores não contabilizados” e, no entanto, os lucros não foram arbitrados, apenas foram adicionados àqueles para efeito de tributação nas modalidades de real ou presumido; DO DIREITO – preliminarmente, requer o sumário arquivamento do auto de infração em razão dos erros materiais e processuais contidos na peça vestibular em razão do que passa a descrever nos tópicos seguintes; I– QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. DECISÃO DO STF – a quebra do sigilo bancário, porquanto representa uma relativização dos direitos fundamentais à intimidade e à inviolabilidade do sigilo de dados, deve ser manejada de forma extremamente cautelosa, sob pena de ferir de morte o art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal de 1988, transcrito; – além do mais, ao contrário do que possa parecer, o sigilo bancário realiza o interesse coletivo da segurança e da liberdade, permitindo que os administradores desenvolvam suas atividades econômicas sem a ingerência estatal. Daí se conclui que o sigilo bancário, entendido como direito constitucional que viabiliza a Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.132 7 confidencialidade dos dados e das informações conservadas pelas instituições financeiras, só pode ser infirmado quando houver manifesto interesse público, e desde que sob intervenção e o crivo do Poder Judiciário; – vale dizer, a quebra do sigilo bancário deve respeitar rígidos limites materiais (as circunstâncias que a autorizam) e formais (o procedimento a ser adotado), sendo, portanto, requisitos de validade da quebra do sigilo bancário: a) a existência, no mundo fenomênico, de circunstancia legalmente prevista que a autorize; b) relevante interesse público, que não se confunde com o direito da Fazenda Pública; c) autorização de autoridade judiciária; d) curso de um procedimento oficial (criminal ou parlamentar – STF, RE 389.808, Rel. Min. Marco Aurélio, 15/12/2010); e) respeito à finalidade definida quando da requisição dos dados; f) manutenção do sigilo perante terceiros; – a quebra do sigilo realizada no curso deste Processo Administrativo Fiscal não possui nada de legítimo, a começar pela etérea fundamentação apresentada para a sua realização; – a autoridade fiscal requisitante apresentou como fundamento o art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata das hipóteses ensejadoras do regime especial para cumprimento de obrigações pelo sujeito passivo. Não assinalou, contudo, qual a circunstância específica, no âmbito do dispositivo, que autorizaria a adoção da medida. Tal atitude da requisitante coloca em cheque o pedido formulado, bem como a legalidade das informações prestadas, pois não está clara a hipótese autorizadora da quebra do sigilo bancário nem há demonstração do relevante interesse público; – a autuada em momento algum se negou a prestar as informações requisitadas, mas apenas solicitou a prorrogação do prazo para a entrega, o que denota sua boafé. Além do mais, os esclarecimentos prestados pelo contribuinte não foram analisados pela Fiscalização, que preferiu se acomodar com os dados obtidos pelo ilegal e violento procedimento adotado; – o vício acima apontado, em que pese gravíssimo e capaz, per si, de nulificar todas as infrações em discussão, é ofuscado por outro, muito mais evidente. Tratase da inexistência nos autos de decisão emanada por autoridade judiciária autorizando a quebra do sigilo bancário. Ou seja, a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a intervenção do Poder Judiciário, por exclusiva atuação da Receita Federal do Brasil. Como explica o mestre Yves Gandra da Silva Martins (Artigo publicado em “O Estado de São Paulo”, de 08 de janeiro de 2002) o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que é indispensável a autorização de autoridade judiciária – que é órgão isento e eqüidistante entre as partes – para efetivação da quebra do sigilo bancário. Cita ainda julgado do STF, de 1999; – confirmando esta linha de raciocínio, e consolidando a jurisprudência da Corte, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 389.808, ocorrido em 15 de dezembro de 2010, decidiu que a Secretaria da Receita Federal não tem poder de decretar, por ato próprio, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, mesmo com a edição da LC 105/01 (transcreve acórdão e conclusão do voto) – portanto, o Supremo Tribunal Federal, agora pelo seu Pleno, decidiu definitivamente que a Receita Federal não tem o poder de decretar a quebra do sigilo bancário, pondo fim à discussão que ainda existia; Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.133 8 – na linha de raciocínio aqui desenvolvida, a decisão monocrática da Ministra Carmem Lúcia (transcreve) consigna e comprova que o recurso extraordinário 389.808 Paraná é de repercussão geral; – transcreve parte da conclusão do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492, de 2010, editado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, sobre a validade dos decisórios do STF em caráter de repercussão geral (transcreve parte da conclusão); – desse modo, o mínimo esperado do Julgamento é que mande cancelar o auto de infração ou determine o sobrestamento; II– DEPÓSITO BANCÁRIO: CRITÉRIO TEMPORAL – a Impugnante requer o arquivamento do auto de infração também em razão da não aplicação do critério de apuração mensal, sobre os valores havidos como omissão de receita, por depósitos não comprovados, em flagrante desobediência ao artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (transcrito), pois este exige que os depósitos não comprovados sejam agrupados e tributados em lapsos temporais mensais; – o parágrafo primeiro do art. 42 referese ao lapso temporal nos quais os valores não comprovados devem ser agrupados para serem tributados mensalmente, não havendo qualquer possibilidade de outro período que não seja o mensal. Enquanto isso, no caso, os depósitos não comprovados foram tributados no imposto de renda em agrupamento de períodos trimestrais, desse modo contrário à literalidade da lei e por isso nulo; III– DEPÓSITO BANCÁRIO: QUANDO COMPROVADO NÃO É CASO DE PRESUNÇÃO – ERRO ENTRE FATO E BASE LEGAL – verificando que todos os depósitos bancários foram devidamente identificados, inclusive endereço, uma vez que os depositantes são pessoas jurídicas de direito público e em maioria Prefeituras Municipais, o fisco não poderia ter efetuado o lançamento pelo critério legal da presunção de omissão, ou seja, deveria lançar utilizando o enquadramento legal ao fato efetivamente ocorrido; – desse modo, ao efetuar o lançamento com base legal não aplicável ao caso o crédito perde o caráter de liquidez e certeza pela fragilidade e irregularidade da incorreta autuação (transcreve jurisprudência administrativa); eventualmente tributar pelo critério da prova direta, sem uso da presunção de omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996;– insubsistente o auto de infração uma vez que aponta uma base legal que não se coaduna com o fato sabidamente ocorrido; IV– DA REVOGAÇÃO PARCIAL DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – com a edição da LC 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, o legislador revogou parcialmente a tributação presuntiva do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando da não comprovação da origem, ao autorizar o fisco federal a requerer das instituições depositantes todos os esclarecimentos e documentos das transações, na dicção do art. 5º da LC 105, de 2001 (transcrito parcialmente); – o legislador ao suprir de competência o agente fiscal federal para requisitar, fiscalizar, auditar e obter os documentos adequados para a apuração dos fatos vinculados a operações financeiras acabou por inviabilizar parcialmente a possibilidade de aplicação do art. 42, da Lei nº 9.430, pois, quando o fiscalizado não Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.134 9 comprova a origem dos depósitos, aquela autoridade deve fiscalizar auditar e requerer as informações e documentos adequados ao esclarecimento dos fatos junto a terceiros, inclusive instituições financeiras, quer dizer, elucidando a origem e motivação; – lamentável é que o fisco tenha renunciado a sua competência legal, com infringência ao art. 42 do CTN, e não aprofundou a investigação como determina a boa técnica de auditoria e exige a lei tributária, ou seja, não requisitou as cópias dos cheques depositados, não identificou os TED’s, limitouse aos extratos; – a conclusão é que o auto de infração é nulo em razão de o fisco ter tributado utilizando dispositivo de presunção, quando a determinação legal era de manobrar a prova direta, uma vez que a LC 105 revogou tacitamente o art. 42 da Lei nº 42 da Lei nº 9.430, na hipótese em que sejam perfeitamente identificados os depositantes e a natureza jurídica dos depósitos, como é o caso dos depósitos em cheques e TED’s. Assim, o não aprofundamento da investigação resulta em ilegalidade. Mais ainda, os depositantes são pessoas jurídicas do direito público e todos (cem por cento) foram identificados, como comprova o documento entregue ao fisco que a Impugnante estima que tenha sido juntado ao processo; V– NÃO APLICABILIDADE NAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430, PARA FATOS GERADORES ATÉ JANEIRO DE 2009 – verificandose as espécies tributárias encontramos princípios, regras e institutos comuns e especiais. No campo prático observamse especialidades como o instituto da presunção, aqui entendida como uma espécie de atalho legal que faz uso de provas circunstanciais ou de evidencias, todas previamente enunciadas em atos legais autorizados, os quais determinam que sua ocorrência faz prova da ocorrência de outro fato geralmente de difícil comprovação, muito utilizado no direito tributário e proibido no direito penal; – dessa forma, as particularidades de um determinado tributo só podem ser utilizadas por outro se especificamente houver enunciado determinando sua aplicabilidade, até porque o Código Tributário Nacional (CTN) proíbe o uso da analogia para exigir tributo (transcreve o art. 108 do CTN); – retomase a questão da presunção de omissão de receita na hipótese de depósitos não comprovados, relativa ao imposto de renda, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre o alcance do instituto dessa presunção nos demais tributos; – o Decreto nº 4.524, de 2002, tratou de regulamentar as contribuições do PIS e Cofins, e no capítulo que trata de arbitramento de base de cálculo, diz, no art. 91, que: verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda; – a omissão de receita a que se refere o art. 91 não é aquela advinda de presunção prevista em lei, como a exemplo de saldo credor de caixa, passivo fictício e do funesto depósito não comprovado, uma vez que esses últimos são provas indiretas de omissão de receita a qual uma vez deduzidos os requisitos de presunção pelo fisco o ônus da prova é invertido para o sujeito passivo; – outra característica é que a omissão de receita decorrente de presunção legal dela não se sabe a origem, se de venda de mercadoria ou serviço, da consecução do objeto societário, de venda de ativo nãocirculante (Lei 11.638 de 2007) ou de Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.135 10 receita de transações estranhas ao negócio da sociedade ou nem tenha sido produzido na sociedade, como o caso de sócio que injeta recurso na sociedade empresarial liquidando obrigações e não faz os registros contábeis pertinentes. Sabe se apenas que é um redito, um plus, um ingresso não registrado na contabilidade e detectável por auditoria; – também, é característica da omissão de receita a imprecisão do exato valor omitido, por isso a lei que institui a presunção a delimita pela aparência, a exemplo do valor do saldo credor de caixa, passivo fictício e do depósito não comprovado; – a presunção legal de receita não se confunde com a figura da receita propriamente dita, não apenas pelo que foi exposto, mas porque se trata de ficção jurídica;– as presunções de omissão de receitas em per si autorizam apenas a constituição do crédito tributário, lançado sob o rótulo de “omissão de receita” por equiparação, mas não possuem força probatória para aplicação de multa qualificada; – não é sem razão que a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes pacificou o entendimento de que a multa qualificada não poderia ser em decorrência de omissão de receita detectada por presunção e o atual Conselho de Administração de Recursos Fiscais adotou o mesmo critério (transcreve Súmula Carf nº 25); – retornando ao art. 91 do Decreto, vale revelar que nenhum dos dispositivos do enunciado traz a determinação de aplicar a presunção do imposto de renda sobre as contribuições sociais, assim, com o objetivo de evitar remição, transcreve cada um dos dispositivos mencionados, a saber: Lei nº 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3º e 6º – texto em vigor na data da publicação do decreto nº 4.524, de 2002; Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 10, parágrafo único; Lei nº 9.715, de 1998, art. 9º e 11 e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24 – texto em vigor na data da publicação do Decreto nº 4.524, de 2002; – a omissão de receita de que trata o caput do art. 24 mencionado acima é omissão de receita real, efetiva, e não aquela decorrente de presunção legal, pois, como antes argumentado e provado, as decorrentes de presunção são acompanhadas das expressões “considerase” ou “caracterizase”; – a decomposição do art. 91 do Decreto nº 4.524, de 2002, demonstra de forma definitiva que as presunções de omissão de receitas de enunciados do imposto de renda nunca foram reivindicados por enunciados legais para aplicar nas contribuições do PIS e da Cofins; – quanto à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei nº 7.689 de 1988, o enunciado do §2º, do artigo 102, da Instrução Normativa nº 390/04, editada pela Receita Federal (em destaque na transcrição do citado artigo), é ilegal, pois inexiste lei que autorize a constituição de crédito tributário nos moldes inventados pela Receita Federal, pois a lei que instituiu a exação, Lei nº 7.689, de 1988, apenas admitiu, em seu art. 6º, que: A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades e ao processo administrativo; – a autorização da lei é sobre obrigações instrumentais e procedimentos processuais. Assim a Instrução Normativa é ilegal, pois não foi editada com observância de Lei. Aliás, esse tipo de ilegalidade é repudiado pelo Carf com o afastamento do ato administrativo (cita ementa de acórdão do Carf); Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.136 11 – só após a edição da Medida Provisória nº 449, de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, é que as presunções de omissão de receitas previstas na legislação do imposto sobre a renda foram autorizadas a serem aplicadas sobre as contribuições sociais, no teor do art. 26, que alterou o art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (transcrito parcialmente); – desse modo, fica comprovado que inexistia norma determinando a extensão da presunção para as contribuições. Mas, a questão não é nova, porque quando foi editada a Lei nº 9.430, trazendo ao ordenamento jurídico as figuras de presunção descritas nos artigos 40, 41 e 42, foram suscitadas duas questões: i) se era possível a tributação dos fatos pretéritos sob o manto da odiosa presunção simples, e ii) se a norma de presunção poderia abrigar fatos geradores anteriores à publicação da nova norma. Essas questões foram enfrentadas e produziram Acórdãos no Carf (transcritos) cujo entendimento é no sentido de que antes do advento da Lei nº 9.430/96, não prevalecem os lançamentos com base em depósitos bancários e em passivo não comprovado, fundados em presunção simples; – analisando a questão por outro ângulo, podese afirmar, mesmo que houvesse extensão das presunções de omissão de receitas previstas para o imposto de renda em período que abarcasse os fatos geradores de 2008, também não alcançaria a situação da Impugnante, no que respeita às contribuições do PIS e Cofins pelo fato dessas exações estarem ao abrigo da Lei nº 9.718, de 1998, com apuração cumulativa, cujo fato gerador é o faturamento; – o faturamento, segundo a Lei nº 9.718, é a receita bruta. Conceitualmente, a receita bruta decorre da venda de mercadoria e ou serviço, o que corresponde a faturamento, enquanto a expressão “omissão de receita” decorrente da presunção legal é ampla, pois não consigna qual o tipo de receita, ou seja, não se sabe se é receia que compõe ou não o conceito de receita bruta. Logo, não pode compor a base de cálculo formada apenas pelo faturamento; V– ARBITRAMENTO DO LUCRO – a Impugnante optou por apurar o imposto de renda pelo lucro presumido, para tanto, adotou a escrituração simplificada admitida pela Lei Complementar nº 123, de 2007. Assim, escriturou o Livro Caixa e nele a movimentação bancária e o arbitramento ocorreu, nos dizeres do autuante, em razão de diversos depósitos bancários não estarem escriturados. O fato de existirem eventuais falhas na escrituração de depósitos bancários não a torna imprestável, mormente quando se trata de forma simplificada de escrituração do Livro Caixa; – ademais, a lavratura de auto de infração de omissão de receita por depósitos bancários não comprovados, por si só não autoriza medida de tal dramaticidade, pois sobre o montante encontrado pode ser cobrado imposto na mesma modalidade originalmente escolhida. Aliás, nos diversos julgados da Delegacia de Julgamento no Brasil, inclusive Salvador, as infrações de não comprovação de depósito bancário não resultaram em arbitramento de lucro, a exemplo dos acórdãos transcritos; – é notório que nos casos acima transcritos houve a mesma infração apontada pelo fisco, ou seja, não comprovação de depósito bancário cuja falha decorre da falta de registro contábil do evento. Contudo, a ausência de registro contábil daqueles depósitos não resultou em arbitramento do lucro, quer tenha sido apurado originariamente o imposto pelo critério do lucro presumido, quer tenha sido pelo critério do lucro real; – é insubsistente o arbitramento Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.137 12 VII– MULTA QUALIFICADA – aplicase a multa qualificada quando o fisco comprova a existência de fraude, dolo ou simulação. Por se tratar de penalidade, mesmo que administrativa, mas com persecução criminal, não é possível sua aplicação por presunção. É necessário que evidencie o fato e colha provas que dêem substância à alegação pretendida; – a sonegação não pode ser alegada a partir de inferência, mas de feixes de evidência transparentes e robustas de elementos probatórios. Por isso, não pode ser fruto da suposição ou em decorrência de alegações genéricas. Há que ser específica e individualizada no seu conteúdo e essência; – no caso concreto, a autuante faz alegações genéricas e sem apresentação de provas ou circunstâncias com descrição do evento capazes de subsumir o fato à norma da prática de ilícitos suficientes para aplicação de multa qualificada e a conseqüente representação para fins penais; – o enquadramento legal utilizado é de sonegação, a base legal informada no Termo de Verificação Fiscal é o 71, da Lei nº 4.502, de 1964, transcrito. O fato narrado, mesmo que de forma superficial, não subsume ao tipo sonegação, pois a Impugnante não deixou de apresentar nenhum documento a que estava obrigada, também não os retardou. Todas as obrigações instrumentais foram exibidas e apresentadas no prazo legal, mas que ao final satisfez a obrigação; – na verdade, a autuante narrou o fato de forma deficiente, pois dele não é possível extrair convicção de crime, uma vez que “eximirse da tributação” é expressão vaga, ambígua e de largas possibilidades. Eximirse pode ser declarar uma receita ou ainda oferecêla em valor menor que a efetiva, mesmo assim a ação descrita não confere com o conceito legal de sonegação, que é “impedir ou retardar o conhecimento”; – enquanto isso, a infração capaz de gerar crédito tributário descrita no auto de infração foi exclusivamente a não comprovação de depósito bancário, cuja autorização para tributar é presuntiva. Logo, a não comprovação de depósito bancário é fato incapaz de por si só ser o bastante para subsumirse simultaneamente à mesma norma que constitui crédito tributário e direito material em sede de penalidade qualificada (transcreve a Súmula 25 do Carf, à qual, a Portaria MF nº 383, de 12 de junho de 2010, atribuiu efeito vinculante em relação à administração tributária federal); – segundo a Auditora, o crime fiscal cometido decorre da quantidade de receita que deixou de ser declarada. Ocorre que não há norma estabelecendo a quantidade razoável nem há baliza para demarcar o limite entre esse e uma “grande quantidade de receita” e nem a autora do ato administrativo se deu ao trabalho de demonstrar a razão ou parâmetro para considerar “grande quantidade”. Portanto, diante da imprecisão da expressão e da falta de norma delimitadora, a Impugnante vê suprimidas suas efetivas possibilidades de exercer o direito de defesa em face do subjetivismo;– insubsistente a multa qualificada VIII– NULIDADE. MULTA QUALIFICADA SOBRE RECEITA DECLARADA – o fisco rejeitou a apuração do lucro presumido, em que havia sido utilizado o percentual de 32%, e arbitrou o lucro. Adiante, considerou como receita a totalidade dos depósitos bancários e os tributou na integralidade com o uso do Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.138 13 percentual de lucratividade de 38,4%, e do imposto encontrado deduziu a quantia já paga e aplicou multa qualificada sobre a diferença. Este procedimento é equivocado e ilegal, pois, embute dois erros: i) suprime uma irregularidade (infração), ao tributar por diferença, e ii) aplica multa qualificada sobre a diferença de imposto resultante da majoração da base de cálculo no que respeita ao percentual de presunção do lucro presumido e arbitrado; – o procedimento correto, em considerando que as receitas declaradas estavam no rol dos depósitos não comprovados, seria lavrar o auto de infração com dois itens de irregularidades: um cobrando a diferença de imposto resultante da majoração do percentual de presunção de 32% para 38,4% em face do arbitramento e incidente sobre as receitas declaradas, com multa de ofício em 75%; e o segundo, depois deduzir do montante de depósitos não comprovados os já declarados e sobre a diferença aplicar o percentual de arbitramento e a multa qualificada, se fosse o caso; – em síntese, o fisco transformou duas infrações em uma, manipulou o total do imposto devido e aplicou multa qualificada sobre receitas declaradas. Portanto, ilegal e nulo; – insubsistente o lançamento por absoluta ilegalidade; O PEDIDO – em face do exposto requer que esta Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador determine o cancelamento do auto de infração em razão de:1) quebra do sigilo bancário sem autorização judicial; 2) tributação de receitas apuradas por presunção em período diferente do mensal; 3) erro da tipificação do fato e respectivo enquadramento; 4) uso de norma revogada; 5) aplicou norma de presunção sobre as contribuições sociais um ano antes da vigência; 6) arbitramento com motivação inadequada; 7) impropriedade de aplicação de multa qualificada; e 8)erro na aplicação de multa qualificada sobre receita oferecida à tributação. Enfim, que pratique todos os atos, como de hábito, para que se alcance a verdadeira justiça.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 15 028.348 (fls. 9961.029) de 21/09/2011, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento para afastar a qualificadora da multa de ofício com relação às receitas declaradas. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2008 NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram receitas omitidas os valores Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.139 14 correspondentes aos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Deve ser arbitrado o lucro da pessoa jurídica optante pelo Lucro Presumido que, regularmente intimada, não apresenta à Fiscalização o Livro Caixa, no qual estejam escriturados os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período de forma a refletir toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou escrituração contábil de acordo com a legislação comercial, tudo comprovado por meio de documentos hábeis e idôneos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATURAMENTO. A omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada constitui faturamento, devendo ser tributada pelas contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA EXPRESSIVA E REITERADA. Verificase da Súmula nº 25 do Carf que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada nos casos em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas. Apenas exigese que a este fato esteja atrelada a devida existência da conduta dolosa, que no presente caso ficou comprovada pela prática reiterada de omitir do Fisco expressiva receita da atividade auferida pela pessoa jurídica, o que caracteriza sonegação fiscal.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 01/11/2011 (A.R. de fl. 1.096) a interessada interpôs recurso voluntário em 27/11/2011 (fls. 1.0341.095) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. No que tange à quebra do sigilo bancário e a argumentação quanto a constitucionalidade dos correspondentes diplomas normativos, há que se ressaltar que, na análise de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 601314, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543A e 543B do Código de Processo Civil. Sobre o assunto, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de ProcessoCivil.” Nessa esteira, o presente processo foi sobrestado até que sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.140 15 Entretanto, a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.141 16 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial Alega a Recorrente que seria inconstitucional a quebra do seu sigilo bancário pela Delegacia da Receita Federal, por meio do Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária (RMF). Pede a nulidade do lançamento. Com a devida vênia, entendo não haver nulidade ocasionada pelo procedimento de obtenção de dados bancários da Recorrente. Isso porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Ademais, quanto à alegação de inconstitucionalidade da base legal para a quebra do sigilo bancário, ressalto que essa instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função. Nesse sentido, cumpre recordar que a utilização de RMF tem suporte jurídico no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, abaixo transcrito, que legitima a análise com base Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.142 17 em depósitos bancários. Tal comando legal condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários somente à existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Assim, há que se entender a inconformidade da Recorrente como alegação de inconstitucionalidade do dispositivo legal supra. Nesse sentido, devese ponderar que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A exceção se da nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Constatase, para o caso da quebra de sigilo bancário pelo Fisco, que a constitucionalidade do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal (STF), havendo, inclusive, decisão do Plenário (dando provimento ao Recurso Extraordinário nº 389.808/PR). A matéria, porém, ainda não transitou em julgado naquela Suprema Corte. Assim, não é possível afastar a aplicação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 acima transcrito. Entendo, por conseguinte, não haver necessidade de autorização judicial para que os bancos enviem as informações quando requisitadas pelo fisco, haja vista a existência de dispositivo legal a embasar tal procedimento. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.143 18 Rejeito, pois, a argüição de nulidade levantada. Do critério temporal da tributação dos depósitos bancários A alegação da Contribuinte no sentido de que, obrigatoriamente, a tributação dos valores dos depósitos bancários de origem não comprovados deve ser mensal para todos os tributos incidentes é totalmente descabida e desprovida de amparo legal. O § 1º, do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, o que não significa dizer que tais receitas omitidas devam ser tributadas mensalmente, para todos os tributos incidentes. Independentemente de a omissão de receita ter sido apurada com base na presunção legal prevista no caput art. 42, ou por meio de prova direta, os períodos de apuração serão aqueles previstos na legislação fiscal para cada um dos tributos administrados pela RFB ou seja, a apuração do IRPJ e da CSLL, excetuando os casos de incorporação, fusão, cisão e extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, será trimestral, quando a empresa estiver sendo tributada com base no Lucro Real Trimestral, Lucro Presumido, ou Lucro Arbitrado, e anual, se for tributada com base no Lucro Real Anual, e neste caso, haverá ainda a apuração mensal dos recolhimentos, por estimativa, de IRPJ e CSLL (art. 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996); já a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins será sempre mensal, tanto no regime cumulativo quanto no regime nãocumulativo. Logo, o argumento em análise não pode ser acolhido. Dos depósitos bancários e da presunção legal de omissão de receitas Argúi a Recorrente que todos os depósitos bancários foram devidamente identificados, inclusive endereço, uma vez que os depositantes são pessoas jurídicas de direito público e em maioria Prefeituras Municipais, portanto, o Fisco não poderia ter efetuado o lançamento pelo critério legal da presunção de omissão, mas sim, deveria melhor investigar a motivação do depósito, posto que identificados, e eventualmente tributar pelo critério da prova direta, utilizando o enquadramento legal adequado ao fato efetivamente ocorrido. Discordo da Recorrente também quanto a esse ponto. O Fisco, para efetuar o lançamento, valeuse da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, reproduzido a seguir: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.144 19 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...). Vêse, assim, que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas: quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações de créditos/depósitos efetuados em conta de depósito ou de investimento, de sua titularidade, o Fisco tem autorização para presumir que os recursos depositados traduzem receitas do contribuinte que deveriam estar contabilizadas e oferecidas à tributação. Nesse contexto, há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. Assim, para afastar a presunção de omissão de receitas, caberia à Fiscalizada, quando intimada, no decorrer da ação fiscal, apresentar os documentos hábeis e idôneos comprobatórios da origem dos numerários creditados ou depositados nas suas contas correntes, discriminados no demonstrativo elaborado pelo Fisco, com base nos extratos bancários a que teve acesso. Não foi o que aconteceu. Em resposta às intimações fiscais, a Contribuinte apresentou planilhas, por ela elaboradas, anexadas às fls. 706 a 811, nas quais informa, para cada crédito/depósito: 1) o nome do cliente – pessoas jurídicas de direito público, a maioria Prefeituras Municipais ou Câmaras Municipais; 2) a referência dos pagamentos – pagamento de título por clientes – 3) o número e a data de emissão da correspondente nota fiscal. Todavia, referidas planilhas, desacompanhadas das notas fiscais nelas mencionadas, não constituem documentação hábil e idônea para comprovar as operações ali indicadas e, conseqüentemente, a origem dos recursos utilizados nos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, razão pela qual não lhe assiste razão ao alegar que o Fisco não teria utilizado o enquadramento adequado ao fato efetivamente ocorrido. A própria Contribuinte, quando alega que a fiscalização deveria “ter melhor investigado a motivação do depósitos”, está reconhecendo que a simples apresentação da planilha por ela elaborada não é suficiente para a comprovação da origem dos recursos. E, como já foi dito, a prova que a Recorrente pretende incumbir à Fiscalização caberia a ela, Contribuinte, produzir, e para tanto bastaria que, quando regularmente intimada, tivesse apresentado as notas fiscais mencionadas na planilha, em valores correspondentes aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes. Não tendo a contribuinte logrado produzir a competente prova da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em suas contas bancárias, no decorrer da ação fiscal, não há que se falar em tributação com fundamento no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.145 20 Resta, sim, configurada a presunção legal de omissão de receita prevista no caput do art. 42 da Lei nº 9.430, ressaltandose que as informações constantes da planilha elaborada pela Contribuinte, assim como os argumentos oferecidos na Impugnação e no Recurso, só confirmam a presunção legal de que os recursos utilizados para a realização dos depósitos de origem não comprovada são provenientes de receitas da atividade da pessoa jurídica, não contabilizadas, e não oferecidas à tributação. É inadmissível que a Contribuinte, mesmo com todo o conhecimento que demonstra possuir sobre a matéria em discussão, opte por descumprir a sua obrigação acessória da escriturar toda a movimentação bancária no Livro Caixa e por ocultar da Fiscalização as supostas notas fiscais que comprovariam a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, dificultando o trabalho da Fiscalização, tudo para lograr êxito em se esquivar de suas obrigações tributárias, e agora, na fase de Impugnação, tente infirmar o procedimento fiscal, beneficiandose da sua própria torpeza. É importante lembrar também que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 trata de presunção legal constituída no decorrer da ação fiscal. Na fase contenciosa, a prova em contrário a ser produzida pela Recorrente deve ser não apenas da origem dos depósitos bancários, mas também de que tais ingressos, se corresponderem a receitas tributáveis, foram efetivamente tributados. Assim, no presente caso, mesmo que na fase litigiosa a Contribuinte tivesse apresentado as notas fiscais mencionadas em sua planilha, em valores correspondentes aos depósitos consignados nos extratos das contas correntes (o que não ocorreu), ainda assim, não seria suficiente para desconstituir o lançamento efetuado com base na presunção legal. Isto porque foge a qualquer razoabilidade admitir que a prova em contrário exigida, no curso da ação fiscal, diante de determinada circunstância fática – não comprovação da origem dos depósitos bancários –, permaneça a mesma, na hipótese em que novos elementos sejam apresentados na fase contenciosa. Em sede contenciosa, a prova em contrário a ser produzida não se resume apenas à comprovação da origem. Deve também a Recorrente demonstrar que a natureza dos recursos decorre de ingressos não tributáveis, ou, caso sejam receitas tributáveis, cabe demonstrar que tais ingressos foram efetivamente oferecidos à tributação. Não poderia haver entendimento diferente, pois caracterizaria “letra morta” o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 admitir que, mesmo que os documentos apresentados ratificassem o fato de que os depósitos bancários efetivamente são decorrentes de receitas tributáveis que não foram oferecidas à tributação, ainda assim, poderiam estar aptos a afastar o lançamento de ofício. Tratase de entendimento que esvaziaria, por completo, a essência da presunção. Diante do exposto, nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Da alegada revogação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 A Recorrente alega, ainda, que o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 teria sido tacitamente revogado pelo § 4º do art. 5º da Lei Complementar 105, de 2001. Em verdade, entendo não haver qualquer antinomia entre as disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.146 21 Enquanto essa última estabelece uma presunção legal que se presta como meio de prova de receita auferida, para fins de incidência de tributos sobre o lucro e sobre o faturamento, a primeira disciplina o procedimento para se ter acesso aos indícios que permitirão a construção daquela presunção legal. Acrescentese que, mesmo após a edição da Lei Complementar 105, de 2001, vêse que cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como de fato foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. O fato de a fiscalização ter acesso a extratos bancários mediante requisição junto a instituições financeiras permitiulhe a comprovação do indício de omissão de receita, qual seja, a existência de depósitos/créditos em contas de titularidade do contribuinte. Diante de tal indício, a fiscalização intimou a Contribuinte a comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta, não tendo obtido a comprovação da origem dos ingressos. Os questionamentos da defesa acerca da presunção de omissão de receita e da vigência de tal presunção após o advento da Lei Complementar 105, de 2001, conduzem, na verdade, à análise para a aferição da inconstitucionalidade da legislação de regência. E, neste ponto, importa reiterar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação. O controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal – art. 102, I, “a”, III da CF de 1988. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Da alegada nãoaplicabilidade nas Contribuições Sociais da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, para fatos geradores até janeiro de 2009 Argúi a Recorrente, basicamente, que: – é característica da omissão de receita, decorrente de presunção legal, dela não se saber a origem, como também, a imprecisão do exato valor omitido, e que a presunção legal de omissão de receita não se confunde com a figura da omissão de receita propriamente dita, não apenas pelo que foi exposto, mas porque se trata de ficção jurídica; – a omissão de receita a que se refere o art. 91, do Decreto nº 4.524, de 2002 (que regulamentou as contribuições do PIS e Cofins), transcrito a seguir, não é aquela advinda de presunção legal, como a exemplo de saldo credor de caixa, passivo fictício e depósito não comprovado: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei nº 8.212, de 1991, art. 33, caput e §§ 3º e 6º, Lei Complementar nº Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.147 22 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei nº 9.715, de 1998, arts. 9º e 11, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). – nenhum dos dispositivos no enunciado do art. 91 do Decreto nº 4.524, de 2002 (transcritos a seguir), traz a determinação de aplicar a presunção do imposto de renda sobre as contribuições sociais; Lei nº 8.212, art. 33, caput e §§ 3º e 6º – texto em vigor na data da publicação do decreto nº 4.524, de 2002: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 10, parágrafo único Art. 10. O produto da arrecadação da contribuição social sobre o faturamento, instituída por esta Lei Complementar, observado o disposto na segunda parte do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, integrará o Orçamento da Seguridade Social. Parágrafo único Á contribuição referida neste artigo aplicamse as normas relativas ao processo administrativofiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, bem como, subsidiariamente e no que couber, as disposições referentes ao imposto de renda, especialmente quanto a atraso de pagamento e quanto a penalidades. Lei nº 9.715, de 1998, arts. 9º e 11 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.148 23 Art. 9º À contribuição para o PIS/PASEP aplicamse as penalidades e demais acréscimos previstos na legislação do imposto sobre a renda. (...) Art. 11. O processo administrativo de determinação e exigência das contribuições para o PIS/PASEP, bem como o de consulta sobre a aplicação da respectiva legislação, serão regidos pelas normas do processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União. Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24 – texto em vigor na data da publicação do Decreto nº 4.524, de 2002 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP – a omissão de receita de que trata o caput do art. 24 acima é a omissão real, efetiva, e não aquela decorrente de presunção legal, pois as decorrentes de presunção são acompanhadas das expressões: “considerase” ou “caracterizese” ; – quanto à CSLL, instituída pela Lei nº 7.689, de 1988, afirma que o enunciado do § 2º, do art. 102, da Instrução Normativa SRF nº 390 de 2004 (em destaque na transcrição a seguir) é ilegal, pois inexiste lei que autorize a constituição de crédito tributário nos moldes inventados pela Receita Federal; Art. 102. Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal determinará o valor da CSLL a ser lançado de acordo com o regime de incidência a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão. § 1º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da CSLL. § 2º Aplicase à CSLL as disposições da legislação do imposto sobre a renda acerca das presunções legais e critérios de determinação de omissão de receitas. § 3º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no resultado presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.149 24 receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. – só após a edição da Medida Provisória nº 449, de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, é que as presunções de omissão de receitas previstas na legislação do imposto sobre a renda foram autorizadas a serem aplicadas sobre as contribuições sociais, no seguinte teor: Art. 26. A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: Artigo 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4º Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (...) § 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. § 8º Aplicamse às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.150 25 de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) (grifei) Por entender que a decisão recorrida bem enfrentou a matéria, adoto seus fundamentos como razão de decidir no presente Voto, na forma a seguir apresentada. Para a análise dos argumentos tratados neste tópico, é oportuna a lição de Maria Rita Ferragut, (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67, Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120), ao tratar da força probatória das presunções e indícios, bem como da imperatividade de seu uso na esfera tributária: Por outro lado, insistimos que a preservação dos interesses públicos em causa não só requer, mas impõe, a utilização da presunção no caso de dissimulação, já que a arrecadação pública não pode ser prejudicada com a alegação de que a segurança jurídica, a legalidade, a tipicidade, dentre outros princípios, estariam sendo desrespeitados. Dentre as possíveis acepções do termo, definimos presunção como sendo norma jurídica lato sensu, de natureza probatória (prova indiciária), que a partir da comprovação do fato diretamente provado (fato indiciário), implica juridicamente o fato indiretamente provado (fato indiciado), descritor de evento de ocorrência fenomênica provável, e passível de refutação probatória. É a comprovação indireta que distingue a presunção dos demais meios de prova (exceção feita ao arbitramento, que também é meio de prova indireta), e não o conhecimento ou não do evento. Com isso, não se trata de considerar que a prova direta veicula um fato conhecido, ao passo que a presunção um fato meramente presumido. Só a manifestação do evento é atingida pelo direito e, portanto, o real não tem como ser alcançado de forma objetiva: independentemente da prova ser direta ou indireta, o fato que se quer provar será ao máximo jurídicamente certo e fenomenicamente provável. É a realidade impondo limites ao conhecimento. Com base nessas premissas, entendemos que as presunções nada ‘presumem’ juridicamente, mas prescrevem o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Faticamente, tanto elas quanto as provas diretas (perícias, documentos, depoimentos pessoais etc.) apenas “presumem”. Temse, dessa forma, como ensina a mesma autora (Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001, p. 105) uma prova indireta condutora da mesma “probabilidade fática” da prova direta: Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.151 26 Ferragut ainda acrescenta (Evasão fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação, Revista Dialética de Direito Tributário nº 67 , Dialética, São Paulo, 2001, p. 119/120): As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé em geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa. Como se vê, a prova indireta tem a mesma força probante da prova direta e a Contribuição para o PIS e a Cofins têm como base de cálculo o faturamento, que é exatamente a natureza legalmente presumida dos depósitos de origem não comprovada. Também carece de amparo legal o argumento esposado pela Recorrente, no sentido de que a omissão de receita a que se refere o art. 91, do Decreto nº 4.524, de 2002, e o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, somente pode ser apurada por prova direta, não sendo admissível a sua apuração por meio de presunção legal, como a exemplo de saldo credor de caixa, passivo fictício e depósito não comprovado, pois tais dispositivos não trazem qualquer restrição neste sentido. A legislação tributária não restringe os meios de investigação dos agentes do fisco. Não existe hierarquia nem precedência entre os diversos elementos de prova, e nenhuma espécie é considerada imprescindível em função do tipo de infração que se destina a comprovar. É admissível qualquer prova que não tenha sido obtida por meios vedados pela lei. Notese, inclusive, que o § 6º do art. 91 prevê, textualmente, que se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário (grifei). O art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, não deixa dúvidas de que: 1) verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão; 2) no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado; 3) o valor da receita omitida (sem qualquer restrição quanto ao meio de prova utilizado) será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.152 27 É injustificável o entendimento de que a omissão de receita de que trata o caput do art. 24 não poderia ser aquela decorrente de presunção legal, pelo fato de não vir acompanhada das expressões: “considerase” ou “caracterizese”. Devese esclarecer que tais expressões são típicas apenas dos dispositivos legais que constroem a presunção legal, a exemplo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Dessa forma, resta suficientemente demonstrado que, ao contrário do alegado pela Recorrente, muito antes da edição da MP 449, de 2008, convertida, na Lei nº 11.941, de 2009, que em seu art. 26, deu nova redação ao art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, já existia previsão legal para a incidência da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, sobre a receita operacional omitida, independentemente desta ter sido apurada por prova direta ou por meio de presunção legal. No que respeita às contribuições do PIS e Cofins, aduz ainda a Contribuinte que, pelo fato dessas exações estarem ao abrigo da Lei nº 9.718 de 1998, cujo fato gerador é o faturamento, então, ainda que houvesse extensão das presunções legais de omissão de receitas previstas para o imposto de renda, em período que abarcasse os fatos geradores de 2008, mesmo assim, a omissão de receita decorrente de presunção legal, por ser ampla e não consignar qual o tipo de receita bruta, não poderia compor a base de cálculo formada apenas pelo faturamento. Entretanto, mais uma vez, não assiste razão à Recorrente. Devese reiterar que a natureza legalmente presumida dos depósitos bancários de origem não comprovada é exatamente a de receitas omitidas da atividade da pessoa jurídica, ou seja, faturamento, e como tal são tributadas. Tanto que, para o lançamento do Imposto de Renda, uma vez verificada a omissão de receita pela presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, o Lucro Presumido é obtido mediante a aplicação, sobre a referida receita, do coeficiente previsto em Lei, em função da atividade da pessoa jurídica, e o Lucro Arbitrado é determinado mediante a aplicação do mesmo coeficiente aplicável ao Lucro Presumido, acrescido de 20%. Assim, tratandose da presunção legal de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 1996, caberia à Contribuinte o ônus de comprovar que os recursos que deram origem aos depósitos/créditos são oriundos de receitas, ou outros ingressos, não decorrentes de sua atividade e, no presente caso, a Recorrente não logrou fazer tal prova. Dessa forma, não procedem os argumentos da Contribuinte, uma vez que, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS e Cofins exigidas, a Autoridade Fiscal levou em conta apenas receitas obtidas com a prestação de serviços, ainda que parte dessas receitas tenha sido omitida pela Contribuinte e o seu valor tenha sido obtido por meio da presunção legal estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430 de 1996. Não foi computada na base de cálculo nenhuma receita de qualquer outra origem. Assim, no presente caso, foi adotado o conceito restrito de faturamento já previsto nas normas anteriores à Lei nº 9.718, de 1998. Diante de todo o exposto, não podem ser acolhidos os argumentos analisados neste tópico. Do arbitramento do lucro Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.153 28 A Recorrente contesta a adoção do arbitramento do lucro, alegando que optou por apurar o imposto de renda pelo Lucro Presumido, para tanto, adotou a escrituração simplificada admitida pela Lei Complementar nº 103, de 2007. Assim, escriturou Livro Caixa e nele a movimentação financeira e o fato de existirem eventuais falhas na escrituração de depósitos bancários não a torna imprestável. Acrescenta que, em diversos julgados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, as infrações de não comprovação de depósitos bancários não resultaram em arbitramento de lucro. Os artigo 44 do Código Tributário Nacional assim dispõe acerca da quantificação da base de cálculo do imposto de renda: Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Para a apuração do montante real da base de cálculo do imposto de renda, ou seja, o Lucro Real, é necessário que o contribuinte, pessoa jurídica, mantenha escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (art. 251 do RIR/1999). Os livros comerciais obrigatórios para as pessoas jurídicas tributáveis pelo Lucro Real são o Livro Diário e o Livro Razão, mencionados nos art. 258 e 259 do RIR/1999. Já os livros fiscais cuja manutenção é obrigatória estão relacionados no art. 260 do RIR/1999. A apuração do Lucro Presumido requer a manutenção de escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ou do Livro Caixa, contendo a escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, consoante art. 527 do RIR/1999, transcrito a seguir: Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). O arbitramento do lucro, por sua vez, é medida extrema, e só deve ser adotado como base de cálculo do imposto quando ocorrer uma das hipóteses previstas no artigo 47 da Lei n.º 8.981, consolidadas no art. 530 do RIR/1999. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.154 29 Assim, a escrituração do Livro Caixa é obrigatória para as pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido que não mantêm escrituração contábil na forma exigida pela legislação comercial, e nele deverão escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Tal obrigação tem como objetivo permitir ao Fisco a verificação da fidedignidade dos dados por elas declarados e, em particular, no que respeita à receita informada. A movimentação financeira, neste caso, compreende todos os ingressos e saídas abrangendo toda a movimentação feita através do caixa e de bancos. Portanto, a empresa deve efetuar o registro dos recebimentos e dos pagamentos, partindo de um saldo inicial, representativo da soma dos saldos das disponibilidades existentes no início do anocalendário, ou das operações da empresa. A legislação do Imposto de Renda não faz nenhuma determinação quanto à forma de escrituração do livro Caixa, mencionando apenas o seu conteúdo e a sua periodicidade. Desta forma, para que o livro Caixa atenda às exigências legais, deve representar com clareza os fatos nele registrados, observandose o seguinte: a) do lado do débito: serão registrados todos os ingressos de recursos financeiros diretamente no caixa da empresa ou em suas contas bancárias; b) do lado do crédito: serão registradas todas as saídas de recursos financeiros, em dinheiro ou por meio de emissão de cheques ou, ainda, mediante autorização de débito em conta corrente bancária; c) os documentos deverão ser organizados em ordem cronológica crescente para efetuar o registro, e conservados em boa guarda enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; d) o registro deverá ser de forma individualizada, podendo ser agrupado quando não prejudicar a identificação, devendo, neste caso, manter documento auxiliar detalhado; e) o histórico deverá ser resumido, porém claro e preciso. No caso concreto, consta das fls. 922 a 952 cópia de um livro intitulado “Contabilidade Simplificada” no qual não é possível identificar a movimentação bancária da Contribuinte. Tratase, na realidade, de um livro cujos conteúdo e forma de escrituração não guardam qualquer semelhança com um Livro Caixa, sendo totalmente imprestável para a verificação do fluxo de recursos da empresa. Portanto, a situação de fato demonstrada nestes autos coincide estritamente com a hipótese de arbitramento prescrita no inciso III do art. 530, do RIR/1999, que assim determina: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.155 30 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...). Há de se reconhecer, portanto, o acerto da Fiscalização ao adotar o arbitramento do lucro como forma de apuração da base de cálculo do IRPJ. Da multa qualificada Ressaltese, de plano, que a decisão de primeira instância já havia afastado a qualificadora da multa de ofício referente à omissão de receitas apuradas com base na receita declarada. Remanesce, portanto, na análise neste item a qualificação da multa lançada relativa à presunção omissão de receitas apuradas com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. A Recorrente insurgese contra a aplicação da multa de ofício qualificada, argüindo somente ser cabível tal penalidade quando o Fisco comprova a existência de fraude, dolo ou simulação e, no caso concreto, a Autuante faz alegações genéricas e sem apresentação de provas ou circunstâncias com descrição do evento capazes de subsumir o fato à norma da prática de ilícitos suficientes para aplicação de multa qualificada e a conseqüente representação para fins penais. Cita a Súmula nº 25 do Carf e diz ainda que, segundo a Auditora, o crime fiscal cometido decorre da quantidade de receita que deixou de ser declarada, mas não há norma estabelecendo quantidade razoável nem há baliza para demarcar o limite entre esse e uma “grande quantidade de receita”. Foi publicada em 14 de julho de 2010 a Portaria MF nº 383, que vincula a Administração Tributária Federal a 14 súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dentre as quais, a Súmula CARF 25, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Todavia, verificase que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada nos casos em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas. Apenas exigese que a este fato esteja atrelado a devida caracterização de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, foi aplicada tendo por fundamento legal o artigo 44, inciso I e § 1º, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, transcrito a seguir: Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.156 31 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). A Lei n.º 4.502, de 1964 assim dispõe nos artigos 71 e 72: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Em todas estas situações existe a figura do dolo, que ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Consoante os dispositivos legais transcritos, a sonegação e a fraude fiscal podem ser constatadas em razão de uma ação ou omissão, de simulação ou ocultação, sempre tendentes a causar dano à Fazenda Pública. Os conceitos de sonegação e fraude são amplos, mas sempre exigem um comportamento doloso, de não cumprir a obrigação tributária. Nestes autos, a Fiscalização, reuniu os indícios necessários à construção da presunção legal de omissão de receitas, em valores extremamente relevantes, correspondentes a aproximadamente 83% (oitenta e três por cento) das receitas da atividade, alega, na sequencia, ter demonstrado que esta omissão de receitas não consistiria em ocorrências pontuais, mas sim, numa prática contumaz, em todos os meses do anocalendário autuado, caracterizando assim, no seu entender, a conduta dolosa da empresa autuada, que autorizaria a qualificação da multa de ofício, porque comprovada a ocorrência de sonegação por parte do sujeito passivo. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725972/201141 Acórdão n.º 1402001.578 S1C4T2 Fl. 1.157 32 Noutro giro, tendo em vista que a autuação, na parte aqui analisada, se baseou em presunção da omissão de receitas por depósitos bancários, onde o faturamento da empresa é presumido, com previsão legal, e que não há outros elementos levantados pela Fiscalização que apontem para uma conduta dolosa da Recorrente, não reputo comprovada a conduta dolosa da empresa. Dessa forma, não tendo sido demonstrada a existência dos ilícitos apontados nos autos de infração que autorizariam a qualificação da multa de ofício, entendo que a situação fática apresentada não se coaduna com o prescrito no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, por conseguinte, reputo descabida a aplicação da multa de ofício qualificada, no valor de 150%, sobre os valores do IRPJ, CSLL, Cofins e Pis, correspondentes à receita omitida, objetos do presente processo. Conclusão Por todo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso apresentado para afastar a qualificadora da multa de ofício lançada reduzindose, por conseqüência, o seu percentual para 75%. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 16/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13807.002171/00-86
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
EDITADO EM: 06/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 21 71 /0 0- 86 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator EDITADO EM: 06/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reportase exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/03/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/88 e 03/92. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.002171/0086 Acórdão n.º 9900000.737 CSRFPL Fl. 11 3 Voto Conselheiro Francisco Sales Ribeiro de Queiroz Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso). (Recurso n° 102147786. Processo n° 10183.003219/200293. Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Fl. 244DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.002171/0086 Acórdão n.º 9900000.737 CSRFPL Fl. 12 5 Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito tornase extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontravase submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570 MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.002171/0086 Acórdão n.º 9900000.737 CSRFPL Fl. 13 7 entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.002171/0086 Acórdão n.º 9900000.737 CSRFPL Fl. 14 9 autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 10/03/2000, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/88 e 03/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. É assim que voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10920.000216/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
GLOSAS DOS CRÉDITOS DE FORMA GENÉRICA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL.
A apresentação das glosas dos créditos solicitados, de forma genérica, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente.
Numero da decisão: 3803-005.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular os atos processuais desde o despacho decisório inclusive. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que dava provimento parcial ao recurso.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 03/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE PROCESSUAL. A apresentação das glosas dos créditos solicitados, de forma genérica, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, para anular os atos processuais desde o despacho decisório inclusive. Vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que dava provimento parcial ao recurso. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/02/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 02 16 /2 00 7- 21 Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do acórdão de primeira instância até aquele momento processual: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito acompanhado de Declaração de Compensação de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, nãocumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 129.028,02, referente ao segundo trimestre de 2005. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente até o limite do crédito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado pela contribuinte em razão do não acatamento da inclusão de certos valores na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extraise do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de “equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999”. 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.000216/200721 Acórdão n.º 3803005.250 S3TE03 Fl. 3 3 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a título de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) – valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, “...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando à elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...”. Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser “pacífico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão deobra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo”, é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via email que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de São Francisco do Sul, abaixo transcrito, “quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal”, razão pela qual ser Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cupom do terminal de venda PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, Cargolink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top, folhas127/135, originariamente pertencia a WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de 1.° de maio de 2002, mês de início de suas operações e seguinte ao de sua constituição.... Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota fiscal. Contrato Firmado com Cargolink O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink,..., foi assinado em 11 de março de 2002, antes do início das operações do interessado, e referese a um guindaste portuário modelo HMK 300E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituida pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUARIOS LTDA. ... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifouse). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de seguro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.000216/200721 Acórdão n.º 3803005.250 S3TE03 Fl. 4 5 serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifouse). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do início de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado . em R$ 10.000,00..." (grifouse). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA 0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denotasena planilha de depreciações entregue pelo interessado, folha 217. Percebese também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes folha 173 que, segundo fax de Demag Mobile Cranes folha 174 foi de € 375.000 menos bônus de € 40.000, total € 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido à taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = 1 EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado com WR O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com WR, folhas 69/76, foi assinado em 11 de março de 2002, antes do início das operações do interessado, e referese a um guindaste portuário modelo HMK 300E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. O instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifouse), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior à aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifouse). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. – Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifouse). A cláusula oitava dá o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente com a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária WR, se houve mesmo pagamento, foi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem em outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GU1NDAB0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02, conforme denotase na planilha de depreciações entregue pelo interessado folha 216. No tópico “4.3.1.4.3 Da vinculação entre as empresas” o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, “atualmente ou no período sob análise”, através do quadro que abaixo se reproduz: WR RochaTop WRC Cargolink Seatrade Hélio Figueiredo Freire Filho João Gilberto Cominese Freire Renato Gama Lobo Lierte Amorim Moreira Marcelo Lima da Costa Antonio Carlos Werner Alberto Raposo de Oliveira Carlos Alberto de Oliveira Junior Fabio Luciano Cabral Antonio Carlos Cabral Etienne Peinoit Douat Osvaldo Moreira Douat Maria C. de Chiara Pismel Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.000216/200721 Acórdão n.º 3803005.250 S3TE03 Fl. 5 7 Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agência Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando à elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico “II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel” a contribuinte inicialmente discorre sobre “o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis”, e alega: (...)resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. (...) Assim sendo, notase na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal está intimamente vinculada ao controle do cálculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantém a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal à empresa que a realiza. (...) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributária acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada,.... Ressaltese que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitandose o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária às atividades da contribuinte. Nos tópicos “III. Da inexistência de fraude ou simulação”, “IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros” e “V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação” a interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiarse indevidamente de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, título VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, como abaixo reproduzido, a fim de que “possam ser analisados os argumentos”: Fornecedor Notas Fiscais Produtos/serviços (insumos) Kalmar Equipamentos para Movimentação de Cargas Ltda.. 1978 Interruptor térmico, ventilador do radiador e unidade de controle; Cargotop Participações Ltda. 2, 3, 4, 6, 8, 5, 23, 9, 12, 14, 7, 13, 26, 27, 24, 25, 22, 42, 40, 39 Serviços prestados na intermediação de negócios comerciais; Demag Granes & Componentes Ltda. 136.940, 138.330 Serviços de assistência técnica (guindaste), sensor; IZDA Equipamentos para Automação Industrial Ltda. 11377 Kit manutenção; Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidenciase que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização, o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazendária, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.000216/200721 Acórdão n.º 3803005.250 S3TE03 Fl. 6 9 Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados às respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclusão no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor das várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação específica quanto aosdocumentos apresentados por esta contribuinte, tornase impossível à mesma exercerseu direito de defesa nos termos assegurados pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia da manifestante (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas foram impugnadas pela manifestante; reitera suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos; dos insumos; serviços de outras pessoas jurídicas; invoca alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos apresentados pela recorrente, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para julgamento. É o relatório. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.000216/200721 Acórdão n.º 3803005.250 S3TE03 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. Em preliminar, cumpre atentar para uma alegação trazida pela recorrente desde o início da lide falta de impugnação específica aos documentos apresentados pela contribuinte, no mister de comprovar seus créditos que, de fato, dificultou sobremaneira a defesa da ora recorrente. Esse vício na forma como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados (sem discriminação por nota fiscal, ou mesmo por fornecedor) trouxe não só dificuldade de defesa para a contribuinte mas também para o julgador de piso, conforme ver seá adiante. Notase, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas que teriam sido glosadas pela auditoriafiscal (reportadas no item 4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal) 1 e que não teriam sido objeto da manifestação de inconformidade. Nada obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho decisório, fl. 276, encontrase um total de 24 notas que são tratadas conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais de uso/consumo e despesas administrativas. Pois bem, essas notas fiscais todas foram objeto sim da manifestação de inconformidade apresentada, não sobrando espaço algum para glosas não manifestadas. O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem nos últimos parágrafos do voto, quando são tratados os serviços de “intermediação de negócios comerciais” prestados pela empresa Cargotop Participações Ltda e os serviços de “assistência técnica” prestados pela empresa Demag Granes & Componentes Ltda. O acórdão dá a entender que tais valores não foram informados corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não haver nenhuma glosa a 1 (...) Ressaltese que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos. (...) Fl. 973DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 esse título, entretanto, o despacho decisório é claro ao mencionar expressamente as notas fiscais relativas a esses fornecedores no item 2.2.1.1, não sendo legítimo ignorar a existência das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus valores no campo correto do Dacon, como sentencia o decisum guerreado. Na mesma linha de raciocínio valor não informado no Dacon está a rubrica "Outros Valores/Operações com Direito a Crédito", porém aqui há vício explícito do despacho decisório, que menciona a glosa dos valores, por não haver qualquer documento trazido pelo contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título. Ao meu sentir, esses vícios na maneira como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente. Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.932865/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo.
No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa não traz qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data correta. Por outro lado, inexiste a apontada incorreção na indicação do montante do indébito.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa não traz qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data correta. Por outro lado, inexiste a apontada incorreção na indicação do montante do indébito. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 65 /2 00 9- 25 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 169 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarouse impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório PEDIDO DE COMPENSAÇÃO O contribuinte acima identificado solicitou a compensação de débitos de IRPJ de setembro e novembro de 2006 e de CSLL de março e maio de 2006, acrescidos de juros e multa, com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 2006 no valor de R$ 5.752.085,00, por meio do PER/DCOMP de fls. 44 a 51, enviado em 10/7/2007. O despacho decisório eletrônico de fl. 32, emitido em 7/10/2009, não homologou a compensação alegando “improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A decisão se fundamentou nos arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 170 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 10), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 77 a 78): 5.1 A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. 5.2 Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de dezembro/2006 no montante de R$ 11.701.655,93, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. 5.2.1 Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de IRPJ no valor R$958.196,44”, que “acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$5.752.085,00”.(grifo e negrito do original) 5.2.2 A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. 5.3 A autoridade fiscal Não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. “Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”. 5.4 Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei nº 9.430, de 1996”. Invoca os arts. 2º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996 para alegar que “não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada”. Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. 5.4.1 Argumenta que “a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário”. 5.4.2 Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005 revogou “a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”. 5.5 Em outra linha argumentativa, o manifestante “requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN”. Destaca ainda que “na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 171 4 5.6 Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 75 a 89): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) rejeitouse a preliminar de nulidade do despacho decisório por não se verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois a decisão foi prolatada por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, e o contribuinte tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente; b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de um tributo que somente será apurado no final do anocalendário. Assim sendo, qualquer pagamento a maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do tributo e traduzse no saldo negativo de IRPJ ou CSLL; c) as estimativas são apuradas, regra geral, pela aplicação de determinado percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem ser reduzidas ou suspensas com o levantamento de balanço/balancete de suspensão/redução. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 172 5 Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da IN SRF nº 93, de 1997); d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o contribuinte em questão apurou uma quantia a pagar, sendo esse o valor devido. Se, ao alterar o Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente recolhido, a diferença somente poderia ser deduzida do tributo apurado quando do levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou quando da apuração definitiva do tributo devido, no final do período, compondo o saldo negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997); e) nos termos do art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente estipuladas, na hipótese inequívoca de créditos líquidos e certos. O dispositivo legal que autoriza a compensação tributária reportase à Lei nº 9.430, de 1996, que só permite a restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL; f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, ao excluir a expressão “efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal”, não revogou a proibição, que decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior; g) a jurisprudência administrativa favorável à tese da defesa tem eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas; h) inexiste previsão legal para preservar o direito à restituição, caso o contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo; i) o direito de contestação na esfera judicial é garantido pela Constituição Federal. RECURSO AO CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 15/4/2010 (fl. 96), o contribuinte apresentou, em 12/5/2010, o recurso voluntário de fls. 98 a 110, onde afirma que: a) a decisão recorrida é nula porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/01/2007, enquanto o próprio Fisco, no Despacho Decisório 848543935, reconhece que o período de apuração é 31/12/2006; e (ii) no Relatório do Acórdão, o Fisco fez constar que “tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso “Pagamento Indevido/a Maior” no valor de R$ 5.752.085,02”, ao invés de consignar o valor correto do pagamento indevido/a maior, no montante de R$ 6.710.281,44; b) descabida foi a rejeição de nulidade do acórdão recorrido, pois, na impugnação, não se pleiteou qualquer nulidade do despacho decisório; c) nos arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, não há qualquer restrição à compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa Fl. 244DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 173 6 indevida restrição foi revogada pela Instrução Normativa n° 900, de 2008, que demonstra a mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema; d) no caso, verificou, após a entrega da sua DIPJ, que tinha deixado de fazer exclusões. Assim, verificado o erro posteriormente refez a apuração de IRPJ/CSLL mensal de dezembro de 2006 e retificou a DIPJ do período. Nesse caso, o direito à restituição surge após constatado o erro; e) caso se mantenha a decisão de não homologar a compensação, alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e o presente recurso, tempestivamente apresentados, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN; f) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do CTN. Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação da compensação. Em 23/1/2013, o contribuinte apresentou o documento de fls. 159 a 161, onde destaca a aprovação da Súmula CARF nº 84, alegando que ela pacificou o entendimento de que o recolhimento de tributo, pelo regime de estimativa, é passível de compensação ou restituição quando constatado o pagamento indevido ou a maior. Este processo foi a mim distribuído no sorteio realizado em novembro de 2013, numerado digitalmente até a fl. 167. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente processo, não foram homologadas compensações de débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 2006, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo negativo do final do anocalendário. Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/1/2007, enquanto o correto é 31/12/2006; e (ii) no início do seu relatório, consta que o pagamento indevido/a maior é de R$ 5.752.085,02, quando o valor correto é R$ 6.710.281,44. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 174 7 De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a data em que foi efetuado o pagamento indevido (31/1/2007– DARF fl. 35), quando o correto seria 31/12/2006, por se tratar da estimativa de dezembro de 2006. Contudo, o restante da decisão descreve corretamente qual o crédito em discussão, tratandose de simples erro na confecção da ementa. Assim, apesar da incorreção apontada existir, ela não traz qualquer nulidade à decisão recorrida, tratandose de simples inexatidão material devido a lapso manifesto que, se necessário, poderia ser sanada de ofício pela autoridade competente. Contudo, nem mesmo essa providência é necessária, pois o conjunto do julgado deixa claro qual é o período a qual se refere o direito creditório, não existindo qualquer prejuízo para o sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Já o argumento de nulidade por indicação incorreta do pagamento a maior carece de sentido, pois, no início do relatório, indicase o valor correto de R$ 5.752.085,02, sendo R$ 6.710.281,44 o valor do pagamento total do DARF (fl. 35). Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas. No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência. Já a tese de que a vedação à restituição das estimativas decorria da própria Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não é nem mesmo admitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admitiu a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, e era preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430, de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo: 10.3 O contribuinte pode, por questões de praticidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir solicitar restituição ou compensar o indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário, poderá fazêlo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, referese àquelas recolhidas em conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho abaixo transcrito: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 175 8 15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996, são necessariamente computadas como dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual desses tributos. Assim, a simples alteração de interpretação da Administração Tributária já obrigaria o provimento do recurso, pois não é razoável entender que o sujeito passivo possa receber menos, em sede de recurso administrativo, do que aquilo que a própria autoridade fiscal já reconhece para os demais contribuintes, dado que as soluções de consulta da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium). Contudo, desde a publicação da Súmula CARF nº 84, que fixou que o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, reconhecese o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Contudo, há que se observar que não houve a apuração efetiva do direito creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito. Não se apurou se, de fato, houve recolhimento indevido da estimativa de dezembro de 2006, se o valor pago a maior não foi apropriado no saldo negativo apurado no final do anocalendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações. Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 247DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932865/200925 Acórdão n.º 1102001.054 S1C1T2 Fl. 176 9 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO
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