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Numero do processo: 10730.012549/2010-36
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO.
Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompe-se a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação.
PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO.
O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal).
Numero da decisão: 1801-001.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompe-se a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação. PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO. O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. Sendo obrigatório o pedido de habilitação do crédito judicial de forma prévia ao pedido de restituição/declaração de compensação, interrompese a prescrição que opera contra o contribuinte na data do protocolo do pedido de habilitação. PRESCRIÇÃO. NORMAS COMPLEMENTARES. VEDAÇÃO. O instituto da prescrição não pode ser regido por normas complementares contrariamente ao disposto em Leis Complementares, por vedação constitucional (art. 146, III, b, da Constituição Federal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. A Conselheira Carmen Ferreira Saraiva acompanha pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 25 49 /2 01 0- 36 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 1336.720/11 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 81 a 90, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “O presente processo trata de Declaração de Compensação (DCOMP), fl. 01, valor total de R$ 9.083,44, protocolizada em 08/12/2010, em papel, objetivando a compensação de débitos de PIS (6912) e Cofins (5856), não cumulativos, do período de apuração 10/2010, vencimento em 25/11/2010, e valores, respectivamente de R$ 1.620,29 e R$ 7.463,15, com crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação n° 2001.51.010170524, com processo administrativo de habilitação n° 10730.002863/200977. Consultando os autos do processo administrativo n° 10730.002863/200977, fls. 18/19, verificase que o mesmo trata de Pedido de Habilitação de Crédito de PIS reconhecido em sede de Mandado de Segurança n° 2001.51.01.0170524, cuja decisão final transitou em julgado em 21/06/2004. No curso da análise do referido pedido de habilitação, protocolado em 01/04/2009, fl. 18, verificouse que o contribuinte foi cientificado em 02/12/2009, fl. 20, acerca da existência de pendência de documento que impedia o deferimento do pleito do mesmo, a qual foi regularizada em 07/12/2009, fl. 21. O Despacho Decisório, deferindo o pedido de habilitação, foi assinado em 12/01/2010, fls. 22/23, e, o interessado foi cientificado do mesmo em 03/02/2010, fl. 22. Para um melhor entendimento da situação deste caso fazse mister resumir e relacionar os fatos cronologicamente, conforme demonstrado a seguir: a) 21/06/2004: trânsito em julgado do MS 2001.51.01.0170524, fl. 23; b) 01/04/2009: Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido em juízo (10730.002863/200977), fls. 18/19; c) 21/06/2009: data final do prazo prescricional do título judicial (05 anos contados do trânsito em julgado da decisão judicial final); d) 02/12/2009: Ciência do contribuinte acerca da existência de pendência de documento no pedido de habilitação de crédito (10730.002863/200977), fl. 20; e) 07/12/2009: Regularização de pendência de documento por parte do contribuinte (10730.002863/200977) fl. 21; f) 12/01/2010: Despacho Decisório autorizando a transmissão de pedido de restituição e/ou declaração de compensação (10730.002863/200977), fls. 22/23; g) 03/02/2010: Ciência do Contribuinte acerca do Despacho Decisório nos autos do pedido de habilitação de crédito (10730.002863/200977), fl. 22; h) 28/04/2010: Protocolo da primeira DCOMP (155 53.001001 /201072), fls. 26/27; i) 08/12/2010: protocolo da Declaração de Compensação neste processo, fl. 01verso; Em 17/02/2011, por meio do Despacho Decisório o Delegado da DRF/Niterói decidiu: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 3 3 1) Considerar NÃO HOMOLOGADA a Declaração de Compensação, de fl. 01, no valor de R$ 9.083,44, protocolizada, intempestivamente, em 08/12/2010, na qual o interessado objetivou compensar o débito de PIS (6912) e Cofins (5856), não cumulativos, do período de apuração 10/2010, vencimento em 25/11/2010, e valores, respectivamente de R$ 1.620,29 e R$ 7.463,15, com base nos §10° do art. 34 e §6° do art. 71, ambos da IN RFB 900/2008; Cientificada em 22/02/2011, a Interessada, ingressou, 25/02/2011, com a manifestação de fls. 39/52, na qual argúi em síntese que: Conforme preceitua o art. 71 da IN RFB 900/2008, a peticionante, deve, ANTES de realizar a compensação do crédito tributário reconhecido por decisão transitada em julgado, requerer a habilitação do crédito, mediante formalização de processo administrativo instruído com os documentos elencados no art. 71, § 1° e incisos da citada Instrução normativa. Diante desta obrigatoriedade buscou a delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói, para efetuar a prévia habilitação do crédito. Desta forma, foi protocolado pedido de habilitação de crédito oriundo de decisão transitada em julgado em 01/04/2009, junto a Delegacia da Receita Federal em Niterói, para que fosse analisado. Cumpre esclarecer que a peticionante realizou o protocolo dentro do prazo prescricional, ou seja, antes do prazo de 05 (cinco) anos contados do trânsito em julgado da ação (21 de junho de 2009). No entanto, a partir desse momento iniciouse a coleção de arbitrariedades por parte dos Fiscais da DRF Niterói, devendo ser destacado ainda, que além da obrigatoriedade do contribuinte em realizar a prévia habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, conforme preceitua a IN 900/2008, em seu art. 71, o fisco também tem obrigatoriedade, em relação ao contribuinte, que realiza o protocolo do pedido de habilitação, qual seja, analisar o pedido de habilitação no prazo de 30 dias ou caso ocorra pendências, o prazo é de 30 dias da regularização, conforme dispõe o art. 71, § 2° e § 3°. da IN 900/2008. Ocorre que no caso em tela, o fiscal responsável por tal análise, tendo em vista que o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão transitada em julgado foi protocolado em 01/04/2009, observou somente em 02/12/2009, que existia pendências na documentação apresentada pelo contribuinte, ou seja, 296 (duzentos e noventa e seis) dias após o protocolo do pedido de habilitação, sendo certo que mesmo depois de regularizar a pendência em 07/12/2009 (05 dias após), o contribuinte só teve o despacho deferindo o pedido de habilitação em 03/02/2010, ou seja, 58 dias, ou seja, 354 dias fora do prazo estabelecido pela IN 900/2008. Conforme dispõe o art.71 § 1° e § 2°, não se confundem os prazos para que o Fiscal emita o despacho habilitando o crédito e o prazo para cumprimento das exigências. Desta forma, quando analisamos o parecer emitido pelo Fiscal da DRF Niterói, devese ater que a demora no aproveitamento dos créditos não se deu por inércia do Peticionário, e sim pela demora e torpeza desprezada pelo Órgão. Destarte, de acordo com o despacho que não homologou a compensação, conforme dispõe o art. 71, §6° da IN RFB 900/2008, a peticionante deveria enviar as informações via sistema Per/Dcomp, efetuando a compensação antes do dia 21 de junho de 2009 (?), mesmo que a análise do pedido de habilitação do crédito, realizado pelo fiscal responsável fosse analisado e despachado posteriormente a data Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 limite, desta forma, a Delegacia da Receita Federal em Niterói, vem interpretando restritivamente o art. 168 do CTN. De acordo com o mencionado artigo da Instrução Normativa, o contribuinte que, nesses casos, protocolar o pedido de habilitação dentro do prazo de 05(cinco) anos do trânsito e julgado da ação, poderá usufruir de seus créditos, mesmo que tenha seu pedido deferido somente após a data limite de 05 (cinco) anos do trânsito em julgado da ação. No entanto, mesmo a IN 900/2008 sendo explícita ao informar o direito de usufruir do crédito mesmo depois de decorrido o prazo de 05 anos mediante, não é isso que vem ocorrendo, posto que estão sendo impedidos de efetivarem a compensação ou solicitar a restituição, ressarcimento ou reembolso, seja via sistema Per/Dcomp ou via DComp, visto que, os Serventuários, com base no mencionado art. 71. §6° da IN RFB 900/2008, o estão interpretando de forma restritiva, entendendo que o prazo prescricional qüinqüenal não se altera com o Pedido de Habilitação de Crédito, somente ocorrendo alteração com o efetivo envio das informações para compensação via sistema Per/Dcomp, quando essa restrição não se encontra no corpo a IN 900/2008. Caso fosse correto tal entendimento restritivo, o Operador do Direito poderia perquirir se existe ou existiu derrogação ou revogação do art.168 do CTN, em caso positivo qual seria o prazo para requerer crédito garantido via judicial? 04 (quatro) anos? No tema prescrição, o art. 146, inciso II, alínea "b", diz competir a lei complementar a edição de normas de caráter geral sobre a prescrição. Portanto, com arrimo em tais normas é que deve o Estado se apoiar para debater sobre prescrição, até porque os atos infralegais editados pelo Poder Executivo nunca deverão ser praeter legem ou contra legem, senão secundum legem. Diante de tais informações, a DRF em Niterói, interpreta a norma supramencionada, em confronto com o estabelecido no art. 168 do CTN, inovando na utilização do marco temporal para alterar o prazo prescricional qüinqüenal, não sendo mais a inércia do requerente capaz de alterar (suspender) o prazo prescricional e sim a intervenção que o órgão achar mais conveniente aos seus interesses. Em análise ao art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso de 05 (cinco) anos, ou seja, o interessado deve, dentro deste prazo, requerer seu direito por qualquer meio capaz e eficaz para aproveitar de seu benefício. Se a Receita Federal do Brasil, exige a prévia habilitação do crédito tributário, para somente após efetuar a compensação, sem sombra de dúvidas, este ato, altera o prazo prescricional qüinqüenal devendo suspender a prescrição, visto que a peticionante deixou de se manter inerte no momento do protocolo do pedido de habilitação de crédito, sendo certo ainda que com o prazo de 30 dias atribuído ao fiscal, para analisar o pedido de habilitação, o contribuinte que tem o direito de pleitear a compensação dentro do lapso temporal de 5 anos da data do trânsito em julgado da ação, ainda perderia 30 dias do seu PRAZO LEGAL caso não ocorresse tal suspensão. Convém destacarmos o decreto n° 20.910/1932, plenamente em vigor, que regula a prescrição qüinqüenal, elenca de forma clara o momento em que se deve ocorrer à suspensão vale destacar o que dispõe o, in verbis: Art. 1° As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual Ou Municipal, seja qual for a sua Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 4 5 natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Parágrafo Único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições publicas, com designação do dia, mês e ano. Diante de tal dispositivo, restou claro o momento em que houve a alteração (suspensão) do prazo prescricional qüinqüenal, ou seja, segundo informa o artigo supra mencionado, a suspensão do prazo prescricional se deu no momento do efetivo protocolo do pedido de habilitação de crédito junto ao órgão da Receita Federal do Brasil em Niterói, todavia de forma arbitrária, o fiscal responsável pela análise do pedido de compensação, se negou a cumprir determinação legal, contrariando princípio basilar de todo e qualquer ato público vinculado, qual seja, o principio da legalidade, que neste caso é dotado de nulidade! Há de ressaltar que, ao contrário do que afirma Fiscal, a Peticionária não se manteve inerte quando do recebimento do despacho habilitatório, muito pelo contrário, conforme se denota nos autos do processo administrativo, fato este que talvez o Serventuário tenha "esquecido" de mencionar que a Peticionária tentou transmitir os dados e efetivar a compensação via Perd/Comp sem sucesso em 24/02/2010 e 25/03/2010. Não resta dúvida em relação ao alcance das normas infralegais, pois como no caso em tela, a Instrução Normativa a pretexto de disciplinar a lei, no caso de uma interpretação errônea, extrapola o limite desta restringindoa, e, cerceando direito garantido por ordem judicial transitada em julgado. Assim sendo, a Delegacia de Receita Federal em Niterói deferiu o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, para que a Peticionária pudesse aproveitar do mencionado crédito de PIS, mas quando esta tentou efetivar tal benesse e efetuar a compensação, esbarrou na limitação temporal arbitrária e ilegal imposta pelo Fiscal, que entende que posteriormente a data de 21 de junho de 2009, aquele que efetuasse a compensação via formulário não lograria êxito, posto sua interpretação restritiva das normas reguladoras, impossibilitando a realização do mesmo. Diante de tais informações, podemos depreender que a maneira pelo qual a DRF Niterói, aplica o instituto da prescrição qüinqüenal se dá de forma completamente equivocada, pois entende que somente com a efetiva compensação ocorre a alteração do prazo prescricional qüinqüenal. Vale esclarecer que fica ao alvedrio do fisco analisar os pedidos de habilitação, levando o tempo que achar necessário para emitir decisão habilitando o crédito, mesmo que o tempo de análise gere danos ao Requerente, como de fato ocorreu com a Peticionária que protocolou o pedido antes da data limite, ou seja, antes do dia 21/06/2009 e só teve o pedido analisado e deferido 354 dias após tal data, contudo restando prejudicado pelo não recebimento, pela Receita Federal, da efetiva compensação. Portanto, quando da habilitação do crédito, ocorrida em 01/04/2009, o prazo prescricional restou suspenso, recomeçando quando da ciência do deferimento da habilitação do crédito, em 03/02/2010, contudo, a partir da data da 1a tentativa de compensação restou interrompido, recomeçando a sua contagem. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Destarte, teria a Peticionaria até o dia 24/03/2015 para esgotar o seu crédito. Como as compensações ocorreram em 28/04/2010 e 25/08/2010, concluise que foram dentro do interregno prescricional. Por fim, requer que se acolha a manifestação de inconformidade e anule o despacho decisório da lavra do auditor fiscal subscritor da decisão recorrida, o qual não homologou o pedido de compensação da Peticionária, por ofender o inciso XXXVI do art. 5° da Carta da República e os arts. 165, 168 e 174 do Código Tributário Nacional. Voto [...] O prazo prescricional para demandar esse crédito, em execução judicial ou, quando possível, por meio de pedido na via administrativa, como facultado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, regese pelo art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, que diz: [...] É esse direito e o crédito que dele se origina que pode ser invocado, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e em consonância com as normas administrativas que o regulamentam, para se pleitear junto à RFB o pagamento de uma restituição ou o uso para compensação regida por aquele dispositivo legal. Iniciase, assim, a aplicação do art. 71 da IN RFB n° 900, de 2008, e, em especial, dos prazos previstos no inciso IV de seu § 4°. Repitase, todavia, que, como dispõe o § 6° deste art. 71, tal pedido de habilitação, ou mesmo seu deferimento, não alteram o prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°. O contribuinte/beneficiário tem, conforme o art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, o prazo de cinco anos para utilizar em compensação os créditos que alegar ter, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado e habilitada, contados da data do trânsito em julgado da mesma decisão ou, quando for o caso, da homologação da desistência de sua execução judicial, caso não o faça ocorrerá o instituto da prescrição. [...] A impugnante alega que quando da habilitação do crédito, ocorrida em 01/04/2009, o prazo prescricional restou suspenso, recomeçando quando da ciência do deferimento da habilitação do crédito, em 03/02/2010, contudo, a partir da data da 1a tentativa de compensação o prazo restou interrompido, recomeçando a sua contagem. Conclui aduzindo que teria até o dia 24/03/2015 para esgotar o seu crédito e, como as compensações ocorreram em 28/04/2010 e 25/08/2010, deramse dentro do interregno prescricional. Entendo que a argumentação da interessada não deve subsistir. A prescrição é regra geral em todos os campos do direito. Sua interrupção, ou seja, a desconsideração de todo o tempo decorrido anteriormente, começando a correr novo prazo de prescrição a partir do ato interruptivo, é uma exceção, dependendo, por tal excepcionalidade, de norma expressa. Como no caso em tela tal interrupção não foi prevista em nenhuma norma jurídica do ordenamento pátrio não há como ser aplicada. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 5 7 Ante o exposto, não reconheço a existência de direito creditório e não homologo a compensação declarada nos PER/DCOMP objetos do presente processo.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 10/10/11 fls ; Recurso – 03/11/11, fls. ) o Recurso de fls. , reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne deste litígio administrativo é se a prescrição alcançou, ou não, o direito de ação da recorrente em reaver crédito tributário reconhecido judicialmente, junto à Administração Tributária. A recorrente protocolizou o Pedido de fls. 01 em 08 de dezembro de 2010, em papel, sendo que a sentença judicial favorável transitou em julgado em 21 de junho de 2004 e o Pedido de Habilitação do crédito judicial foi protocolizado em 01 de abril de 2009 (fls. 18), etapa necessária antes de pleitearse a compensação/restituição do crédito desta natureza. O fundamento do acórdão ora recorrido foi que ocorreu a prescrição do pedido de compensação da recorrente, uma vez o Pedido de Habilitação ter sido deferido apenas em 12 de janeiro de 2010 e a Declaração de Compensação, em papel, entregue em 08/12/10. Entendeu, pois a Turma Julgadora de Primeira Instância que a recorrente deveria ter tido o zelo de pleitear antes a restituição/compensação do crédito judicial, atentando para todas as fases prévias necessárias à habilitação deste crédito junto ao fisco. Tudo com fulcro no artigo 71, incisos e parágrafos, da Instrução Normativa RFB nº 900/08. Não custa retranscrever o indigitado preceito: "Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1° A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VII procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2° Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1°, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3° No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2°, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4° O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 6 9 § 5° Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2° não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4°. § 6° O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional qüinqüenal do título judicial referido no inciso IV do § 4°." A Turma Julgadora a quo defende que a prescrição regese pelo artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 1932: Art. 1° As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Divirjo das razões de indeferimento do Pedido de Compensação. Principalmente porque assiste razão à recorrente quando argumenta que ao escorarse da IN RFB nº 900/08, em seu artigo 71, a autoridade que emitiu o Despacho Decisório de deferimento da habilitação do crédito não pode valerse de dois pesos e duas medidas. É certo que o Pedido de Habilitação do Crédito foi formalizado dentro do qüinqüídio legal, afastando a prescrição, em 01/04/2009 (a sentença favorável à recorrente transitou em julgado em 21/06/04). Forçoso reconhecer, também, que não foi culpa da recorrente a morosidade da Administração Pública em reconhecer o crédito judicial. É cediço que os órgãos públicos em geral militam contra a falta de servidores e outras mazelas impondolhes morosidade na expedição dos atos administrativos e atendimento a contento da demanda, no caso, dos contribuintes. No entanto, ninguém melhor que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para conhecer as suas limitações de atendimento. E, de fato, consta no artigo discutido (71) de Instrução Normativa, editada pelo próprio órgão, que o prazo para ser proferido o despacho decisório sobre o pedido de habilitação deverá respeitar o limite de trinta dias da data de protocolização do pedido ou da regularização de pendências, mais expressamente na redação do § 3º. Aplicando os preceitos (§§ 1º e 3º do artigo 71 – IN RFB nº 900/08) ao caso em concreto, verificase, primeiramente, que a intimação para regularização do pedido, (cientificada à recorrente em 02/12/2009) fugiu àquelas exigências expressas no § 1º, incisos I a VII, tratandose de comprovação que a recorrente era associada à Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro e documento de representação desta Associação. A recorrente ao entregar os documentos ressalta que está entregando uma ‘nova’ comprovação. O que indica que a recorrente entregou o pedido de habilitação com todos os requisitos legais e detinha a expectativa do direito de ser atendida em trinta dias. Não é culpa da recorrente que a norma complementar não previu esta hipótese, ações coletivas, nem que a autoridade encarregada demorou meses para analisar o seu pedido. Observo que em cinco dias a recorrente apresentou a documentação exigida (07/12/2009). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Ora, por hipótese, se a Intimação tivesse sido realizada em prazo hábil, dado o perigo da prescrição cujo prazo estava correndo contra o direito da recorrente, dentro de trinta dias, por exemplo, e o despacho decisório fosse proferido trinta dias após a regularização, como a norma tributária estabelece, o prazo que a recorrente teria para emitir a Dcomp não expiaria pela alegada prescrição – a Administração Tributária teve dois meses e vinte dias (até 21/06/2009) para reconhecer o direito líquido e certo da recorrente em habilitar seu crédito judicial, mas não o fez. Certamente houve ofensa ao princípio da indisponibilidade pública do indébito tributário, causada pela morosidade no procedimento. No que respeita ao Decreto nº 20.910, de 1932, invocado tanto no acórdão guerreado quanto nas defesas da recorrente, não pode ser descartado o argumento da recorrente que, ao protocolizar o Pedido de Habilitação do Crédito Judicial, a prescrição foi suspensa, consoante o artigo 4º e seu parágrafo único, in verbis: Art. 4º Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único. A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. (grifos não pertencem ao original) Mas, outros fundamentos norteiam este voto. O instituto da prescrição está definido no artigo 189 do Código Civil: Da Prescrição Seção I Disposições Gerais Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. Se a Administração exige que haja um processo de habilitação para um crédito outorgado judicialmente, como condição prévia para exercer o direito de restituição/compensação do indébito tributário desta natureza, não é admissível que a data do protocolo deste processo prévio não seja considerada para interromper1 a prescrição. A habilitação do crédito, pois, é condição sine qua non para requererse a restituição/compensação do crédito judicial. Dispõe o Código Civil a respeito da matéria, como fonte subsidiária ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 199. Não corre igualmente a prescrição: I pendendo condição suspensiva 1 Interrupção da Prescrição: art. 202, § único do Código Civil: Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do processo para a interromper. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.012549/201036 Acórdão n.º 1801001.493 S1TE01 Fl. 7 11 [...] Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, darseá: [...] VI por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento do direito pelo devedor. (grifos não pertencem ao original) E, em se tratando de prescrição, não pode a norma complementar legislar de forma diversa do Código Civil, muito mais restringindo o direito de ação dos administrados. Assim dispõe a Constituição Federal do Brasil: Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; (grifos não pertencem ao original) Têmse, portanto, como inócuos os dispositivos inseridos em legislação tributária, no caso Instruções e outros Atos administrativos, ainda que normativos, que estabeleçam diretrizes contrárias às do Código Civil, no concernente à prescrição. O Código Tributário Nacional (CTN) reconhece: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Quanto ao fato de a recorrente ter se valido do formulário em papel para exercer a sua pretensão, e não o documento eletrônico exigido pela norma complementar, devese atentar que o sistema impede, automaticamente, os pedidos que fogem à regra geral, como no presente caso, sem qualquer análise individual. Daí a necessidade de ser feito em formulário, formalizarse processo, para ser suscetível de apreciação. Nunca é demais lembrar que é princípio de Direito Geral o insculpido no artigo 154 do Código de Processo Civil (CPC) o direito deve prevalecer sobre a forma: Art. 154. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir, reputandose válidos os que, realizados de outro modo, Ihe preencham a finalidade essencial. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 No presente caso a recorrente utilizouse da Declaração de Compensação, em formulário, consoante exigido pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 74, §1º: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10325.001073/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO.
Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os totais de R$ 339.936,30 e R$ 26.210,00, nos anos-calendário de 2000 e 2001, respectivamente
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os totais de R$ 339.936,30 e R$ 26.210,00, nos anos-calendário de 2000 e 2001, respectivamente Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, possibilitando à contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa, é incabível a alegação de nulidade do lançamento por ofensa a tais princípios. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. Devem ser excluídos da tributação os depósitos bancários oriundos de transferências de contas bancárias da mesma titularidade do contribuinte. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 10 73 /2 00 5- 22 Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os totais de R$ 339.936,30 e R$ 26.210,00, nos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Walter Reinaldo Falcão Lima, Odmir Fernandes e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 18 a 22 – Vol. 21), que reproduzo a seguir: “Contra a contribuinte, identificada nos autos, foi lavrado Auto de Infração, fls. 508/513, para formalização e cobrança do crédito tributário, referente aos anoscalendário 2000 e 2001, no valor de R$ 4.927.672,42, incluídos multa de ofício e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 509/510, foi a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal e relação dos créditos não comprovados que fazem parte deste Auto de Infração. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse discriminados às fls. 510 e 513. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 17/10/2005, fls. 540, a contribuinte apresentou impugnação, em 11/11/2005, fls. 542/545, a seguir parcialmente transcrita: Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.148 3 ‘I OS FATOS Descrição dos fatos: Sou uma pessoa simples, trabalho desde os 14 anos, sempre representando alguém, e já faz 10 (dez) anos que estou no ramo de compra e venda de leite, direto da zona rural, para a zona urbana e também fabricando artesanalmente queijo e derivados do leite, e inclusive compramos já o queijo pronto de alguns fabricantes todos de pequenos porte e rural, e esse comércio foi bastante movimentado no período de 1.999 a 2002, período esse em fiscalização pelos AuditoresFiscais, da Receita Federal do Brasil (...), que gerou o AUTO DE INFRAÇÃO (...), no valor de R$ 4.927.672,42. II O DIREITO II.1 PRELIMINAR 1°) Com referência ao Item 001SOBRE OS DEPÓSITOS EM C/C BANCÁRIAS NÃO COMPROVADAS, todos são sabedores que sou somente uma intermediária, sou usada na compra e distribuição de leite e de queijo para várias empresas que vai a relação em anexo e também repasso os valores depositados em C/C, para os produtores rurais de pequenos e médio porte, que fornecem o leite e o queijo pronto, e uma pequena parte eu transformo em queijo também, e aí eu envio os clientes que depositam o dinheiro em minha conta corrente e eu repasso aos produtores. 2o) Se for verificarem em minhas declarações pessoa física, vão constatarem que estou dizendo a verdade, pois se toda a movimentação fosse minha eu teria um enorme patrimônio declarado, quando na verdade nada tenho a não ser cumprir minha obrigação de declarar em formulário simplificado, para dar manutenção a minha declaração, pois como eu poderia pagar imposto de um dinheiro que não é meu, se estou declarando errado desde 1999, mas infelizmente devido a dificuldades atravessadas, ainda não apresentei nem a declaração de 2004/2005, por falta de tempo e dinheiro, a culpa não minha, pois não entendo de contabilidade e nunca fiz nenhum curso sobre declaração, pois isso acha que é obrigação de contadores, pois mal tirei o ginásio, mas sempre fui uma pessoa trabalhadora e empreendedora, e deveria ter sido alertada pela receita e pelo contador qual a forma de trabalho correto, e não ser Autuada de forma que nunca terei condições efetuar o pagamento do presente mesmo com os descontos prometidos dentro do prazo da notificação, como regularizar essa pendência? II.2 MÉRITO 1°) O fiscal cita no Termo de Verificação Fiscal, OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPOSITADOS EM C/C BANCÁRIAS? Quero deixar bem claro que não existe omissão como já expliquei, inclusive pode verificar que algumas das C/C, citada na fiscalização já se encontram sem movimentação há vários Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 anos, e os saldos são devedores, e em anexo estamos lhes enviando as Xerox dos Pagamentos feito neste período para quem foi feito o nome completo e seu CPF, ou seu CNPJ, e os recebimentos e depósito feito em minha c/c, a origem das ordem de pagamento e depósito efetuado, para sua análise, pois estou a mais de 90 (noventa) dias saindo do ramo com um prejuízo incalculável, por falta de pagamento de alguns compradores dos produtos que compro na zona rural e repasso para os clientes, tendo um prejuízo para meus fornecedores de mais de R$ 300.000,00 (...), é só consultarem na região de Rondon do Pará, Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Dom Elizeu, todos do estado do Pará, e São Pedro da Água Branca e Vila dos Martírios no Estado do Maranhão, todos esses Municípios sabem do prejuízo e da situação que estou passando, inclusive com mais essa fiscalização estou largando tudo e voltando por definitivo para casa de meus pais, que hoje necessitam por demais de mim. 2ºo) a Fiscalização disse que tentou por diversas vezes me encontrarem no endereço citado à Rua Simplício Moreira n° 1289, bairro centro Imperatriz, Estado do Maranhão, olha eu sou uma pessoa batalhadora e infelizmente, não tive sorte em meu casamento, e muito menos tempo e dinheiro para voltar minha documentação separada judicialmente, e vivo sem residência própria, pois alugo nas cidades citadas no item 01 do mérito, por temporada de mais ou menos 30 a 60 dias, pois faço eu mesmo as compra direto do produtor, e o endereço acima é de meus pais, que também residem na fazenda na ROD. BR. 222 KM 108, no município de Rondon do Pará, estado do Pará, a onde quando posso estou lá sempre dando uma atenção especial a eles pois eles são tudo que tenho na minha vida, de grande valor, que vem desde de Outubro/2004, enfermo com sérios problemas de saúde tendo sido internado diversas vezes na Uti de Imperatriz/MA, e em fevereiro a abril/2005, esteve internado em São Paulo através da Unimed na Uti do hospital Beneficência Portuguesa, onde sofreu diversas cirurgias Cardiovasculares, que inclusive se encontra fazendo hemodiálise em Imperatriz/MA, e se recuperando aos poucos, por isso nunca tinha sido informado da visita de V.Sas., e tampouco tenhamos nós encontrado anteriormente não foi falta de atenção ou muito menos pouco caso de minha parte, ou tentativa de se esconder, simplesmente estou passando por uma fase muito difícil, na vida profissional e na vida familiar com a enfermidade de meu pai, onde as pessoas de minha família as vezes deixam de me informar alguns ocorridos não por relapso mas sim pensando que estão me poupando de mais aborrecimentos sem necessidades, quando se trata de um assunto muito importante e grave com a Receita Federal, por isso estou anexando os exames de meu pai e os laudos de intervenção cirúrgicas, para que V.Sªas., possam constatar o que estou lhes informando. II1 A CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, uma vez que a mesma Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.149 5 não possui condições financeiras de liquidar tal débito apresentado pela fiscalização.’ O presente processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz para que fosse examinada a documentação juntada às fls. 555/3983 a fim de se verificar se fazia prova da origem dos depósitos efetuados nas contas correntes da impugnante, ressaltandose que a pessoa jurídica M.C. Derivados do Leite Ltda, da qual a contribuinte é sócia, havia apresentado declaração de rendimentos referente aos anoscalendário 2000 e 2001, informando não haver percebido receita bruta, enquanto que dos documentos trazidos aos autos pela contribuinte se observava enorme movimentação comercial. Em resposta a Fiscalização da DRF/Imperatriz informou, conforme Termo de Encerramento de Diligência, fls. 4020/4021, a seguir transcrito: ‘1 Em atenção ao Relatório da 1ªa Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em FortalezaCE, foi realizada a diligência determinada à fls. 3993 a 3994. 2 Inicialmente, verificouse que a vasta documentação apresentada pela fiscalizada tratase, em suma, de recibos de compra, folha de pagamento e relatórios das empresas M C Derivados do Leite Ltda. e M G de Oliveira Campos. Nem entraremos no mérito de que os recibos de compras não respeitam as formalidades intrínsecas e extrínseca (sem numeração, sem identificação completa do vendedor, sem data, etc) da legislação do Imposto de Renda e do ICMS, pois os pagamentos supostamente realizados pela fiscalizada ou pelas duas empresas supracitadas representem débitos em suas contascorrentes, ou seja, não comprovam a origem dos créditos. Somente às fls. 2845 a 2941, encontramos documentos que comprovariam as origens dos créditos, pois se tratam de autorização de depósitos na contacorrente da fiscalizada, mas foram assinadas por ela e não há absoluta certeza de que foram realizadas. 3 Além disso, constatouse que as duas empresas M C Derivados do Leite Ltda. e M G de Oliveira Campos estavam em plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, conforme documentos presentes nos autos. Consultando os sistemas da Receita Federal, observamos que a M G de Oliveira Campos fez DIPJ de inativa e a M C Derivados do Leite Ltda fez DIPJ simples com o faturamento zerado. Sobre esta empresa temos ainda a informação de que tem movimentação financeira (com base na CPMF) na ordem de R$ 7.000.000,00 (ano 2000) e R$2.000.000,00 (ano 2001), realizou compras da Ford e Gerdau (ano 2000), possui 10 automóveis em seu nome (ano 2000). 4 Diante destes fatos, intimamos a fiscalizada a apresentar cópia dos comprovantes bancários das transferências entre contascorrentes autorizadas pelas empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 planilha vinculando cada documento do item acima com os depósitos bancários constantes na planilha denominada "anexo do termo de intimação, justificar por que fez declaração de inativa para a empresa M G DE OLIVEIRA CAMPOS, embora na impugnação tenha apresentado documentação que comprova plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, justificar por que fez declaração simplificada com faturamento zero para a empresa M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, embora na impugnação tenha apresentado documentação que comprova plena atividade operacional nos anoscalendário de 2000 e 2001, apresentar cópia do contrato social ou atos constitutivos das empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, apresentar Livro Caixa ou Diário e Razão das empresas M G DE OLIVEIRA CAMPOS, CNPJ 00.394.016/000126, e M. C. DERIVADOS DO LEITE LTDA, CNPJ 01.745.370/000110, referentes aos anoscalendário 2000 e 2001. 5 0 sujeito passivo solicitou por três vezes prorrogação do prazo o que foi prontamente atendido, mas até a presente data não atendeu a intimação. 6 Em face do acima exposto, constatamos que as origens dos créditos não foram comprovadas e mais, a fiscalizada desde 30/11/1999 não paga imposto de renda e suas empresas também estão à margem da tributação muito embora os fatos demonstrarem a expressiva capacidade econômicafinanceira. Por fim, solicito o encaminhamento do processo em tela à DRJ/FOR/CE, a fim de continuar com a análise e demais providências cabíveis.’ Contudo, não tendo as informações prestadas pela fiscalização sido suficientes para que fosse pronunciado o julgamento, em razão da busca da verdade material, a saber: se o contribuinte era a pessoa física da contribuinte ou as suas empresas, mais uma vez, o presente processo foi baixado em diligência junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz. Conforme Resolução DRJ/FOR n° 815, de 2007, fls. 4022/4023, encontravase em dúvida se a contribuinte poderia tratarse de interposta pessoa. Além disso, foi observado que em alguns meses do anocalendário de 2001, a contribuinte enquanto sócia da empresa M. C. Derivados do Leite Ltda autorizou o gerente do Banco Itaú S/A a transferir valores da contacorrente da empresa para contascorrentes do Banco do Brasil S/A e do Banco do Estado do Maranhão S/A de sua pessoa física, bem como autorizou outras pessoas físicas a repassarem valores para sua contacorrente. Por outro lado, observouse em uma das contascorrentes inúmeros pagamentos de cheques de pequeno valor, que mais demonstraram tratarem de pagamentos de pessoa jurídica do que de pessoa física. Assim sendo, solicitouse o seguinte: o exame dos documentos acostados aos autos pela contribuinte e o levantamento dos valores constantes nesses documentos, para verificar a correspondência com os valores lançados a débito e a crédito nas contascorrentes em questão e, elaboração de planilha Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.150 7 vinculando os documentos aos pagamentos encontrados, relativamente a cada contacorrente. Por fim, solicitouse que fossem efetuadas as diligências que se entendesse necessárias e, se fosse o caso, justificação em relatório consubstanciado da razão da não aceitação como origem dos depósitos bancários sob lide. Em atendimento, a Fiscalização efetuou um trabalho minucioso e esclarecedor, conforme exposto no Termo de Encerramento de Diligência, fls. 4026/4.063, o qual será comentado no Voto.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE julgou o lançamento procedente (fls. 17 a 29 – Vol. 21), nos termos da ementa a seguir reproduzida: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de I o de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do acórdão de primeira instância em 24/06/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 33 – Vol. 21), a Interessada interpôs, em 25/07/2011, o Recurso de fls. 34 a 45 do Vol. 21, juntamente com a documentação de fls. 46 a 70 do mesmo Volume, alegando, em suma, preliminarmente: a) nulidade do lançamento, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, haja vista que não houve o regular andamento dos “Lançamentos fiscais”; b) ocorrência de prescrição intercorrente; Quanto ao mérito, afirma que não foi beneficiária de todos os valores que transitaram em suas contas nos exercícios 2000 e 2001, tendo apenas intermediado transações de terceiros com o propósito de ajudar pessoas de parco conhecimento, que sequer tinham contas em banco para movimentar quantias oriundas da venda de seus produtos. Cita decisões administrativas que seriam favoráveis a esse entendimento. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Diante do exposto requer o acolhimento das preliminares suscitadas e a conseqüente anulação do débito fiscal. Caso assim não se entenda, que sejam acatadas as razões de mérito e julgado procedente o Recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DAS PRELIMINARES Registrese, inicialmente, que o lançamento foi realizado em perfeita consonância com os ditames legais. A descrição dos fatos foi feita de forma detalhada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 50 a 72 do Vol. 3II, parte integrante do auto de infração, tendo sido esclarecidos os fatos que resultaram na infração apurada, assim como as provas que fundamentaram a autuação e a base legal correlata. Tanto é verdade que a impugnação apresentada evidencia a plena compreensão e entendimento da Contribuinte acerca da infração que lhe foi imputada, o que pressupõe a inexistência de prejuízo ao direito de defesa. O lançamento em questão obedeceu a todos os requisitos previstos no art. 142, caput, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” A infração apurada teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzido: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.151 9 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (valores alterados pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Cumpre informar que, em conformidade com o que estabelece o caput do artigo acima, a Contribuinte foi intimada (Termo de Intimação Fiscal de fls. 15 do Vol. 3II) a comprovar a origem dos valores depositados em suas contas correntes e poupança durante os anos de 2000 e 2001, sendo que tais valores foram especificados individualmente pela fiscalização (Anexo do Termo de Intimação de fls. 16 a 35 do Vol. 3II). Não houve resposta a essa intimação. Convém ressaltar que o auto de infração em questão obedeceu a todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Ademais, não se encontram presentes quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzidos, que ensejariam a nulidade do referido lançamento. “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...)” Por fim, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, os princípios do contraditório e da ampla defesa devem estar presentes a partir da fase impugnatória, momento em que se instaura o litígio. Até então, no curso do procedimento de fiscalização, estamos diante de uma fase inquisitória, em que não há que se falar em obediência aos citados princípios. Quanto à alegação de ocorrência de prescrição intercorrente, este Conselho, por intermédio da Súmula CARF nº 11, transcrita a seguir, pacificou o entendimento, no sentido de que esse instituto não se aplica ao processo administrativo fiscal. “Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” É importante destacar que as Súmulas editadas pelo CARF são de observância obrigatória pelos seus membros, conforme disposto no caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/2009, que assim dispõe: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Assim, tornase dispensável tecer maiores comentários sobre a matéria. Diante do exposto rejeito as preliminares suscitadas. DO MÉRITO Cumpre assinalar, inicialmente, que, de acordo com o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, foram incluídos nos depósitos bancários lançados valores relativos a transferências entre contas correntes da mesma titularidade da Contribuinte, o que não é permitido, conforme disposto no inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Tais valores estariam discriminados nos quadros elaborados nos itens 14 e 15 daquele Termo, que contêm, também, transferências de contas correntes de terceiros para a Recorrente. Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.152 11 Consultando, nos extratos bancários apresentados, os valores listados nos quadros elaborados nos itens 14 e 15 do citado Termo de Encerramento de Diligência, constatei que aqueles listados no quadro 14 se referem a transferências de terceiros. Entretanto, dos depósitos discriminados no quadro 15, aqueles cujo número do documento termina em 1217 foram oriundos da conta corrente nº 1.2173, Agência 37052, e aqueles em que o número do documento termina em 5048 foram originários da conta corrente nº 5.0482, Agência 1342 0, ambas as contas de titularidade da Interessada. Logo se tratam de créditos relativos a transferências em terminal eletrônico entre contas correntes da mesma titularidade da Recorrente, que não podem ser considerados para efeito de determinação da receita omitida, por expressa disposição legal. Tais valores estão especificados no quadro abaixo. data do depósito conta corrente depositada valor 18/01/2000 5.0482 500,00 20/01/2000 1.2173 1.000,00 21/01/2000 1.2173 500,00 21/01/2000 1.2173 1.000,00 24/01/2000 1.2173 1.220,00 25/01/2000 1.2173 2.660,00 25/01/2000 1.2173 1.000,00 31/01/2000 1.2173 3.000,00 31/01/2000 1.2173 2.000,00 31/01/2000 1.2173 1.000,00 31/01/2000 1.2173 1.000,00 01/02/2000 1.2173 500,00 02/02/2000 1.2173 2.500,00 09/02/2000 1.2173 2.000,00 09/02/2000 1.2173 500,00 09/02/2000 1.2173 200,00 09/02/2000 1.2173 300,00 10/02/2000 1.2173 660,00 11/02/2000 1.2173 1.000,00 14/02/2000 1.2173 1.000,00 14/02/2000 1.2173 1.000,00 15/02/2000 1.2173 650,00 24/02/2000 1.2173 140,00 25/02/2000 1.2173 1.000,00 28/02/2000 1.2173 1.000,00 28/02/2000 1.2173 200,00 29/02/2000 1.2173 1.000,00 02/03/2000 1.2173 1.000,00 08/03/2000 1.2173 850,00 08/03/2000 1.2173 1.000,00 10/03/2000 1.2173 700,00 10/03/2000 1.2173 790,00 13/03/2000 1.2173 3.500,00 13/03/2000 1.2173 950,00 14/03/2000 1.2173 500,00 15/03/2000 1.2173 6.200,00 15/03/2000 1.2173 1.000,00 15/03/2000 1.2173 100,00 16/03/2000 1.2173 1.700,00 Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 17/03/2000 1.2173 100,00 20/03/2000 1.2173 1.000,00 28/03/2000 1.2173 1.000,00 28/03/2000 1.2173 328,30 29/03/2000 1.2173 10.000,00 30/03/2000 1.2173 900,00 31/03/2000 1.2173 2.000,00 03/04/2000 1.2173 450,00 06/04/2000 1.2173 1.000,00 10/04/2000 5.0482 1.000,00 17/04/2000 1.2173 100,00 17/04/2000 1.2173 1.000,00 24/04/2000 1.2173 5.800,00 25/04/2000 1.2173 1.800,00 26/04/2000 1.2173 453,00 26/04/2000 1.2173 300,00 02/05/2000 1.2173 230,00 04/05/2000 1.2173 2.800,00 08/05/2000 1.2173 3.000,00 08/05/2000 1.2173 1.000,00 09/05/2000 1.2173 3.800,00 10/05/2000 1.2173 450,00 11/05/2000 1.2173 500,00 15/05/2000 1.2173 300,00 15/05/2000 1.2173 300,00 15/05/2000 1.2173 4.900,00 15/05/2000 1.2173 200,00 19/05/2000 1.2173 5.550,00 24/05/2000 1.2173 1.000,00 25/05/2000 1.2173 2.400,00 30/05/2000 1.2173 8.000,00 06/06/2000 1.2173 3.000,00 20/06/2000 1.2173 8.500,00 20/06/2000 1.2173 950,00 26/06/2000 1.2173 2.000,00 30/06/2000 1.2173 3.000,00 05/07/2000 1.2173 1.000,00 07/07/2000 1.2173 1.500,00 11/07/2000 1.2173 8.000,00 12/07/2000 1.2173 7.900,00 27/07/2000 1.2173 3.500,00 27/07/2000 1.2173 700,00 28/07/2000 1.2173 7.550,00 02/08/2000 1.2173 13.500,00 03/08/2000 1.2173 4.100,00 04/08/2000 1.2173 4.500,00 04/08/2000 1.2173 1.100,00 14/08/2000 1.2173 6.000,00 21/08/2000 1.2173 3.300,00 23/08/2000 1.2173 5.500,00 23/08/2000 1.2173 1.020,00 28/08/2000 1.2173 1.050,00 28/08/2000 1.2173 100,00 Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.153 13 01/09/2000 1.2173 100,00 04/09/2000 1.2173 3.700,00 04/09/2000 1.2173 400,00 06/09/2000 1.2173 2.000,00 08/09/2000 1.2173 5.500,00 08/09/2000 1.2173 2.000,00 11/09/2000 1.2173 250,00 12/09/2000 1.2173 5.200,00 13/09/2000 1.2173 5.250,00 15/09/2000 1.2173 5.000,00 15/09/2000 1.2173 2.000,00 18/09/2000 1.2173 4.000,00 20/09/2000 1.2173 3.000,00 20/09/2000 1.2173 1.010,00 21/09/2000 1.2173 4.500,00 21/09/2000 1.2173 1.000,00 25/09/2000 1.2173 1.500,00 27/09/2000 1.2173 5.200,00 27/09/2000 1.2173 1.100,00 27/09/2000 1.2173 100,00 02/10/2000 1.2173 500,00 02/10/2000 1.2173 10.500,00 16/10/2000 1.2173 10.000,00 01/11/2000 1.2173 6.400,00 03/11/2000 1.2173 670,00 08/11/2000 1.2173 130,00 08/11/2000 1.2173 1.200,00 09/11/2000 1.2173 900,00 10/11/2000 1.2173 1.000,00 01/12/2000 1.2173 2.900,00 01/12/2000 1.2173 1.000,00 04/12/2000 1.2173 420,00 04/12/2000 1.2173 1.050,00 04/12/2000 1.2173 260,00 06/12/2000 1.2173 1.000,00 12/12/2000 1.2173 1.000,00 13/12/2000 1.2173 1.100,00 21/12/2000 1.2173 30.000,00 21/12/2000 1.2173 1.000,00 21/12/2000 1.2173 1.000,00 27/12/2000 5.0482 6.000,00 28/12/2000 1.2173 3.860,00 TOTAL 330.951,30 02/01/2001 5.0482 1.000,00 03/01/2001 1.2173 5.000,00 10/01/2001 1.2173 200,00 11/01/2001 1.2173 1.000,00 19/01/2001 1.2173 1.000,00 30/01/2001 1.2173 500,00 01/02/2001 1.2173 3.000,00 05/02/2001 1.2173 1.000,00 Fl. 4159DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 05/02/2001 1.2173 500,00 08/02/2001 1.2173 1.000,00 12/02/2001 1.2173 1.010,00 15/02/2001 1.2173 1.000,00 01/03/2001 1.2173 9.000,00 02/03/2001 1.2173 1.000,00 TOTAL 26.210,00 Também não podem ser considerados como omissão de rendimentos os seguinte valores depositados, oriundos de DOC CRÉDITO AUTOMÁTICO efetuados pela própria Contribuinte, que se encontram discriminados na planilha relativa ao item 13 do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, a saber: data do depósito valor 12/06/2000 1.985,00 20/06/2000 2.000,00 21/09/2000 5.000,00 TOTAL 8.985,00 Diante do exposto devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento os montantes de R$ 339.936,30, relativo ao anocalendário de 2010, e R$ 26.210,00, relativo ao anocalendário de 2001. A omissão de rendimento ou de receita dos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, tratase de uma presunção legal, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que, somente pode ser elidida mediante documentação hábil e idônea, sendo que o ônus da prova é do interessado. Para que seja considerada comprovada a origem dos recursos não basta somente a identificação do depositante, é necessário que haja vinculação, de forma individualizada, entre as provas apresentadas e os depósitos para os quais foi exigida a comprovação de suas origens. Essa vinculação não se faz mediante meras alegações, mas sim com a demonstração de que os documentos carreados aos autos dizem respeito às aludidas operações bancárias. Ademais, nesta instância recursal, para que determinados depósitos sejam excluídos da base de cálculo do lançamento, além de ser obrigatória a comprovação de sua origem, é necessário, também, que seja demonstrado que as respectivas operações não sejam passíveis de tributação. Entendo que quando o contribuinte, no curso da ação fiscal, não atende as intimações para comprovar a origem dos depósitos lançados, como no caso em pauta, somente efetuando a prova em sede de impugnação ou de recurso voluntário, não há como descaracterizar as operações comprovadas, que sejam passíveis de tributação na pessoa física, de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada para tributação de forma específica, em virtude de esse fato não ter sido levado ao conhecimento da fiscalização pelo contribuinte. Assim, não haveria como a fiscalização efetuar o lançamento se não como foi feito. Por intermédio da Resolução nº 815/2007 (fls. 170 a 172 do Vol. 20), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE encaminhou o presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz – MA para a adoção das seguintes providências: “• Examinar os documentos acostados aos autos pela contribuinte e efetuar levantamento dos valores constantes Fl. 4160DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.154 15 nesses documentos, verificando a correspondência com os valores lançados a débito e a crédito nas contascorrentes em questão. Elaborar planilha vinculando os documentos aos pagamentos encontrados, relativamente a cada contacorrente. • Proceder às diligências que entender necessárias e, se for o caso, justificar em relatório consubstanciado a razão da não aceitação dos documentos como origem dos depósitos bancários, objeto da lide.” Em atendimento à solicitação acima, foi realizada a diligência que resultou no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, cabendo destacar as seguintes constatações resultantes daquele procedimento: a) inúmeros pagamentos constantes das contas correntes da Contribuinte referemse a despesas pessoais, conforme planilhas de fls. 184 a 194 (vol. 20); b) embora constem documentos expedidos pela empresa M. C. Derivados do Leite Ltda, CNPJ 01.745.370/000110 autorizando a emissão de DOC em favor da Recorrente, não há como identificar o que motivou tais depósitos, ou seja, a que operações se referem; c) a vinculação de que os desembolsos posteriores foram realizados com recursos relativos às autorizações para DOC, conforme planilha de fls. 03 e 04 (Vol. 21), é sobremaneira duvidosa, devido à não coincidência de datas entre os créditos e débitos; d) os valores que estão sendo indicados supostamente como de propriedade da empresa da Contribuinte representam 1,63% do montante total sob questionamento no procedimento fiscal; e) a Contribuinte também alega na impugnação que sua DIRPF é expressão da verdade, sendo pessoa simples que nada tem, mas depreendese pelas informações fornecidas pelos bancos que a mesma é sóciaproprietária de uma empresa (Cadastro Banco do Brasil, fls. 118 do Vol. 1); possui ainda 95% de participação na empresa M C Derivados do Leite Ltda (fls. 120 do Vol. 1), informação não declarada à RFB em DIRPF. Não apresentou a DIRPF 2001, embora seja obrigada; f) ainda pela análise das informações bancárias (Cadastro do Banco do Brasil, fls. 119 do Vol. 1), depreendese que a Contribuinte não declarou os títulos de capitalização e poupança; não declarou os 314 bens semoventes no valor de R$ 85.000,00; um Imóvel Urbano de área 4.380,20 m2 (UF: Pará); a Fazenda Marília de 484,84 ha no valor de R$ 242.000,00; g) a Contribuinte, conforme extrato, tem investimento em poupança (fls. 24 do Vol. 3) e título de capitalização (Ourocap BB), (PIC Plano Itaú de Capitalização, fls. l13 do Vol. 1), não declarados; Fl. 4161DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 h) conforme DOI, a contribuinte comprou o imóvel na Rua Pioneiros, n° 510, Rondon do Pará, de 403 m2 , matrícula 2.806, no ano de 2000. Verificase, portanto, que, não obstante o esforço dispendido pela fiscalização para efetuar a vinculação entre os créditos e débitos nas contas correntes auditadas, de modo a comprovar a alegação da Recorrente, de que os depósitos lançados seriam provenientes de intermediação de venda de leite, a conclusão da diligência fiscal foi de que os documentos carreados aos autos não são hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos lançados. Convém ressaltar que o ônus de elidir a presunção legal relativa à omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada é do contribuinte. No caso em apreço a Interessada não se deteve em demonstrar a vinculação entre os créditos e débitos, em suas contas bancárias de forma individualizada, com vistas a comprovar que os valores depositados seriam referentes à intermediação de venda de queijo e leite, e que teriam sido repassados aos produtores. Cabe destacar que a Recorrente foi intimada, nesse sentido, na fase de fiscalização e também por meio de diligência solicitada pela DRJ/Fortaleza, conforme Termo de Encerramento de Diligência de fls. 168 e 169 do Vol. 20. O órgão julgador de primeira instância solicitou diligência fiscal com o intuito de investigar se havia procedência na alegação da Recorrente e, como informado acima, o resultado foi desfavorável à Interessada. Em seu recurso, ao invés de contestar o resultado da diligência e procurar demonstrar que os depósitos possuíam origem comprovada, ela se limitou a reiterar a alegação exposta na impugnação. O fato de haver suposta correlação entre pagamentos efetuados por meio de cheques com recibos de compra de leite, conforme planilha relativa ao item 4 Termo de Encerramento de Diligência de fls. 174 do Vol. 20 a fls. 16 do Vol. 21, não tem o condão, por si só, de comprovar que tais operações referemse à intermediação de compra e venda de queijo e leite. Para que esse fato restasse comprovado, seria necessário que a Recorrente provasse, por intermédio de documentação hábil e idônea, que houve o repasse desse numerário pelo suposto comprador dos produtos, haja vista que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 exige que seja comprovada a origem dos depósitos, e não o destino dos débitos constantes das contas bancárias. Quanto às autorizações da pessoa jurídica M. C. Derivados do Leite Ltda para emissão de DOC tendo a Contribuinte como favorecida (fls. 23 a 118 do Volume 15), referentes ao período de junho a dezembro de 2001, tais documentos apenas comprovam que os respectivos valores foram oriundos daquela empresa. Não há qualquer menção, na documentação, de que os recursos foram transferidos para a conta bancária da Recorrente para que esta repassasse os valores a terceiros, e que são referentes a operações de compra e venda de leite e queijo envolvendo aquela empresa e terceiros. Assim não há como acatar que os recursos repassados pela empresa M. C. Derivados do Leite Ltda tiveram sua origem comprovada. Assim, diante do conjunto probatório existente nos autos e, com fulcro no disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, que faculta à autoridade julgadora formar livremente sua convicção, na apreciação da prova, entendo que não restou comprovada a origem dos depósitos bancários lançados como omissão de rendimentos, com exceção daqueles decorrentes de transferência entre contas correntes da mesma titularidade da Recorrente. Por fim, cumpre assinalar que, com exceção das matérias sobre as quais existe súmula, o que não ocorreu neste caso, as demais decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão Fl. 4162DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10325.001073/200522 Acórdão n.º 2201002.178 S2C2T1 Fl. 4.155 17 pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto voto por REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os montantes de R$ 339.936,30, relativo ao anocalendário de 2000, e R$ 26.210,00, relativo ao anocalendário de 2001. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 4163DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/ 07/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10980.010054/2003-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000
CREDITO PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA.
Possuindo natureza de benefício fiscal, o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000 CREDITO PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA. Possuindo natureza de benefício fiscal, o crédito prêmio estabelecido pelo Decreto Lei 491/69 está sujeito à regra esculpida no art. 41, § 1 do ADCT. Não tendo havido edição de lei corroborando o benefício, este está extinto desde 05/10/1990. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 00 54 /2 00 3- 00 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.113 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em 06 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 0937.488, de 28 de outubro de 2011, da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 354 a 372), que, relativamente a pedido de ressarcimento de Crédito Prêmio de IPI dos períodos de janeiro de 1994 a dezembro de 2000, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. Indeferese a solicitação de créditoprêmio do IPI relativo a período não mais abrigado por este benefício fiscal em razão do entendimento administrativo de que o mesmo vigorou somente até 30/06/1983 conforme a legislação tributária aplicável. Também pela extinção do benefício manifestouse o STF no julgamento dos RE nº 577.302/RS, nº 561.485/RS e nº 577.348/RS que tiveram a repercussão geral da matéria reconhecida , pacificando o entendimento de que o crédito prêmio de IPI, instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do ADCT, tendo em vista a sua natureza setorial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 02/01/1994 a 30/09/2000 CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INAPLICABILIDADE. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros Selic sobre créditos decorrentes do incentivo fiscal em pauta, notadamente se inexiste o direito material, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 14 de outubro de 2003 e apreciado inicialmente pelo despacho decisório de fl. 42, com base no Parecer de fl. 41. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Versa o presente processo sobre o pedido de ressarcimento relativo ao crédito prêmio de IPI referente ao art. 1º do Decreto lei nº 491, de 5 de março de 1969, formalizado em 04/10/2003 (fl. 04 ), no valor total de R$504.552.433,50, que inclui o principal e acréscimos, conforme indicado nas planilhas de apuração de fls. 05/15 e no arrazoado de fls. 64/70. A análise do pleito, dada pelo despacho decisório de fl. 80, proferido pela DRFCuiabá com base no parecer de fl. 78, resultou no indeferimento do pedido de ressarcimento, sob o Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.114 3 fundamento de que o art. 1º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 226, de 18 de outubro de 2002, estabelecia que o pedido de ressarcimento cujo direito creditório alegado tivesse por base o crédito prêmio instituído pelo Decretolei nº 491, de 1969, seria liminarmente indeferido. Cientificada do indeferimento pela via postal em 11/10/2004 (conforme o AR juntado à fl. 90) a interessada manifestou a sua inconformidade de fls. 92/170 em 04/11/2004, na qual aduziu, em síntese, que: o benefício o crédito prêmio de IPI previsto no art. 1º do Decretolei (DL) nº 491, de 1969, continuava em válido, vigente e eficaz, porquanto: i) a revogação estabelecida pelo art. 41, § 1º, do ADCT da Carta Magna de 1988, atingia apenas incentivos “setoriais”, cuja natureza era específica e o caráter, restritivo, não se aplicando, assim, ao crédito prêmio de IPI, que se dirigia, indistintamente, a todo o território nacional; ii) o art. 1º da Lei nº 8.402, de 1992, havia restaurado benefícios revogados, mas tratava o crédito prêmio de IPI à parte, no § 1º do art. 1º, justamente porque tal benefício não estava revogado; iii) ainda que se cogite que o art. 41, § 1º, do ACT tenha revogado o crédito prêmio de IPI, a Lei nº 8.402, de 1992, nos seus art. 1º, § 1º, e arts. 2º e 3º, restaurava incentivos à exportação, como os do art. 3º do DL nº 1.248, de 1972, que versava sobre o crédito prêmio de IPI previsto no DL nº 491, de 1969; o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a exemplo de ementas transcritas (fls. 134/144), eram convergentes na interpretação favorável ao direito de utilização atual do crédito prêmio de IPI; o direito ao beneficio em tela abrangia as exportações de produtos industrializados, quer fossem tributados pelo IPI com alíquota positiva na TIPI, quer tivessem alíquota zero, quer fossem isentos ou não tributados (NT), conforme os ditames normativos do ordenamento jurídico pátrio que não foram declarados inconstitucionais; os valores do crédito prêmio a que a requerente fazia jus deviam ser acrescidos de correção monetária e juros, nos moldes fixados pela Lei e Tribunais, desde a data do benefício devido. Ao final, requereu que a ciência do resultado do julgamento fosse encaminhada aos subscritores da peça de inconformidade, para fins de acompanhamento processual. Remetidos os autos a esta DRJJuiz de Fora para apreciação da manifestação de inconformidade, entendeu o Presidente desta 3ª Turma de Julgamento (Despacho da Presidência de fls. 182/184) pela impossibilidade de análise pela DRJ por falta de competência em razão do disposto no Ato Declaratório SRF nº 31, de 30 de março de 1999, no sentido de que o crédito prêmio não se enquadrava nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação (em relação aos quais se estabeleceu a competência das DRJ expressa no art. 224 da Portaria MF nº Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.115 4 30, de 2005). Sugeriu, ainda, a via de acesso aberta pela Lei nº 9.784, de 1999, que estatuiu a possibilidade de apresentação do chamado recurso hierárquico (arts. 56 a 65). Assim, retornaram os autos à DRFCuiabá e, posteriormente, à DISIT/SRRF/1ª RF para apreciação, do que resultou o parecer de fls. 326/338, que concluiu, em síntese, pela competência da DRJ para análise da manifestação de inconformidade. A DRJJuiz de Fora, por meio do Despacho da Presidência da 3ª Turma, de fls. 342/344, mantevese reticente na negativa de proferir juízo administrativo sobre pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação que estivessem vinculados ao crédito prêmio de IPI tratado no art 1º do Decretolei nº 491, de 1969. Foram, então, encaminhados os autos à COSIT para dirimir o conflito negativo de competência instaurado, resultando daí o Parecer Cosit nº 70, de 12 de agosto de 2011, aprovado pelo Sr. Subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita Federal do Brasil , cuja conclusão e ementa expuseram, respectivamente, o seguinte: “Em face do acima exposto, propõese que o conflito apresentado seja solucionado para declarar a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, observada a competência territorial e por matéria definida na Portaria RFB nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, competente para apreciar a manifestação de inconformidade (...), seguindose a tramitação de julgamento estabelecida no Decreto nº 70.235, de 1972.” “Conflito Negativo de Competência. Manifestação de Inconformidade. Competência para Julgamento. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais de manifestação de inconformidade do sujeito passivo sobre a aplicação da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, relativamente ao créditoprêmio.” Nestes termos retornaram os autos a esta DRJ para apreciação da manifestação de inconformidade interposta pela interessada. No recurso, a Interessada expôs a evolução histórica da matéria, analisou a questão de se tratar ou não de incentivo setorial, tratou da interpretação da Lei n. 8.402, de 1992, e das operações e produtos beneficiados pelo crédito e requereu a incidência de correção monetária e juros de mora sobre os valores. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.116 5 O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso, que trata de matéria pacificada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, adoto o voto do Eminente Conselheiro Alexandre Gomes, pronunciado no Recurso Voluntário no 251.162: O créditoprêmio de IPI foi uma forma de incentivo fiscal instituído pelo DecretoLei 491/69, tendo por objetivo incentivar as empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados a inserção no mercado exterior. Neste diapasão, assim estabelece o artigo 1° do referido diploma legal: “As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão a título de estímulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente.” Referido incentivo permaneceu inalterado até ao advento do DecretoLei no 1.248/72, que estendeu este benefício fiscal a empresa comercial exportadora que possui como finalidade a exportação, por sua conta, de produtos adquiridos no mercado interno. Com isso, o fabricante de produtos manufaturados que exportasse de forma direta, indireta por sua conta e ordem ou de forma indireta utilizando a empresa comercial exportadora, teria direito ao créditoprêmio de IPI. Com o advento do Decreto Lei 1.658/79, estabeleceuse um cronograma de redução gradual do incentivo, até a sua total extinção, prevista para 30.06.83. Este cronograma foi alterado pelo Decreto Lei 1.722/79 que modificou os percentuais de redução gradual, porém não modificou o prazo final do beneficio, ou seja, 30.06.83. A partir do Decreto Lei 1.724/79 e do Decreto Lei 1.894/81, delegouse ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para aumentar, reduzir de forma temporária ou definitiva ou ainda extinguir os benefícios do Decreto Lei 491/69. Com base nos decretos 1.724/79 e 1.894/81, o Ministro da Fazenda prorrogou a vigência do credito prêmio de IPI até 01/05/1985. (Portarias 252/82 e 176/84), sendo que posteriormente o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade de parte das normas citadas, no que diziam respeito à possibilidade de redução, temporária ou definitiva, ou de extinção dos benefícios. A este respeito o Senado Federal editou Resolução cujo teor era o seguinte: “Art. 1o É suspensa a execução, no art. 1o do DecretoLei no 1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão ‘ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir’, e, no inciso I do art. 3o do DecretoLei no 1.894, de 16 de dezembro de 1981, das expressões ‘reduzilos’ e ‘suspendêlos ou extinguilos’, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.117 6 preservada a vigência do que remanesce do art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969. O referido crédito de IPI tem sido fonte de grande controvérsia tanto na doutrina quanto na jurisprudência administrativa e judicial, principalmente em relação à continuidade ou não do direito a utilização dos referidos créditos no decorrer dos anos. Após inúmeras reviravoltas o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento no sentido de que o direito ao crédito prêmio de IPI somente teria vigorado até outubro de 1990, senão vejamos: “TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1o). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. “1. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1o do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1o do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1o do DL 1.724/79 e do art. 3o do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. “2. A segunda orientação sustenta que o art. 1o do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.0 6.83, foi restaurado sem por prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1o do ADCT. “3. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1o do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5o do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1o. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.118 7 “4. Prevalência do entendimento segundo o qual o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. “5. No caso concreto, a pretensão da inicial diz respeito a exportações realizadas após 04.10.90, o que, nos termos do entendimento majoritário, determina a sua improcedência. “6. Recurso especial a que se nega provimento”. (Resp 652.379 RS (2004/00532359) Relator Ministro Teori Albino Zavascki) Do voto vogal proferido pela eminente Ministra Eliana Calmon em relação à questão da manutenção do benefício, cumpre destacar a seguinte citação de outro julgado seu: “Entendo, com a devida vênia do relator, que não mais se deu a extinção na data aprazada, por força do DL 1.894/81, o que se comprova pela legislação interna do próprio Ministério da Fazenda, haja vista a Instrução Normativa SRF 21, de 13 de março de 1985, disciplinadora das saídas de produtos contendo insumos importados sob o regime de ‘drawback’ ao estabelecer no item 6: “As remessas de produtos realizados nos termos dessa Instrução Normativa não propiciam aos fabricantes intermediários afirmação do crédito financeiro às exportações de que trata o art. 1º do Decretolei no 491, de 5 de março de 1969. “Ora, se houve a extinção em 30/06/83, como explicar a existência de uma norma interna da Fazenda, em março de 1985, reportandose ao incentivo?” Sobre os efeitos da Resolução do Senado e das decisões do STF, o Professor Clèmerson Merlin Clève1 assim concluiu: “Portanto, a Resolução no 71/05 cingiuse, como deveria, aos termos do juízo de inconstitucionalidade exarado nos arestos do Excelso Pretório, suspendendo a execução tão somente dos vocábulos declarados inconstitucionais, de sorte a não estar suspenso o que remanesce dos DecretosLeis, mormente o efeito que conduz ao reconhecimento da subsistência do crédito de IPI. Razão pela qual o Senado Federal não extrapolou sua competência, tampouco afrontou a harmonia dos poderes consagrados pela Constituição. “A partir destes argumentos, entendo que não houve a extinção do referido benefício em 1983, e que este passou a vigorar sem prazo determinado.” Por outro lado encontro outro óbice a utilização do referido benefício fiscal no caso sob análise. Do voto da Ministra Eliana Calmon, transcrevo: 1 Artigo publicado no endereço http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7098. Resolução nº 71/2005 so Senado Federal e créditoprêmio do IPI. Autores: Clèmerson Merlin Clève, Melina Breckenfeld Reck e Alessandra Ferreira Martins. 01/2006. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.119 8 “O primeiro diz respeito à classificação do créditoprêmio do IPI. Não tenho dúvida em qualificálo como incentivo ao setor de exportação. Afinal, pretendeu o Governo fortalecer as empresas exportadoras para, dessa forma, equilibrar a balança comercial. Não vejo como afastar a classificação do incentivo, anotando que, à míngua de lei posterior revalidando o benefício, não mais se pode falar em manutenção do créditoprêmio do IPI, após a data prevista pelo artigo 41, § 1o, do ADCT, ou seja, outubro de 1990.” A Resolução do Senado nada mais fez do que repetir em seu texto o que fora dito pelo Supremo, retirando as expressões grifadas e, mantendo o dispositivo tal qual publicado. Acrescentese apenas que, ao final do seu artigo 1o, a Resolução consignou uma referência indevida ao consignar: “‘.....preservada a vigência do que remanesce do art. 1o, do Decretolei no 495, de 05 de março de 1969’ Ora, nada foi alterado, afinal já sabíamos, nos julgadores, desde o julgamento do Supremo, em 2001, qual a inconstitucionalidade por ele encampada, diante da antecedente declaração pelas instâncias ordinárias, em todos os Tribunais Regionais Federais, com exceção do TRF 4a Região. “Com a inconstitucionalidade da delegação por ato normativo menor, permaneceu integralmente composta a norma que deu vida ao benefício questionado, revalidandoo, o Decretolei 1.894/81. “A alegação em torno da nova posição da querela, após a Resolução do Senado, é apenas o mote para reabrir uma questão que já se apresentava sedimentada no âmbito do STJ. “Não quero parecer indisciplinada na condução do meu entendimento, mas quero pedir a compreensão dos jurisdicionados e dos meus pares para o fato de que é esta a primeira vez que venho à Seção para expressar o meu entendimento sobre o tema jurídico proposto, o que não me obriga a votar acompanhando a maioria. Afinal estou convencida de que o créditoprêmio do IPI não se esvaiu como previsto no Decretolei 1.724/79, pois veio a ser revigorado pelo Decretolei 1894/81, até quando se extinguiu definitivamente, passados dois anos da Constituição Federal, em outubro de 1990. Esta é a tese que consagro.” No mesmo sentido: “TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOPRÊMIO EXTINÇÃO EM 4.10.1990 PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO ERESP 738.689/PR PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. “1. A Primeira Seção deste Tribunal, na assentada de 27.6.2007, em julgamento do EREsp 738.689/PR, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, pacificou o entendimento no sentido de que o referido benefício fiscal foi extinto em 4.10.1990, por força do Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.120 9 art. 41, § 1o, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, segundo o qual considerarseão ‘revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei’. Assim, por constituirse o créditoprêmio de IPI em benefício de natureza setorial (já que destinado apenas ao setor exportador), e não tendo sido confirmado por lei, fora extinto no prazo a que alude o ADCT. “2. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1o do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes da Primeira Seção. “Agravo regimental improvido” (AgRg nos EREsp. No 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008). Conforme se verifica do voto e do acórdão acima transcritos, com o quais coaduno, o credito prêmio de IPI instituído pelo Decreto Lei 491/69 possui natureza de beneficio fiscal de natureza setorial (setor exportador) e por isto estaria sujeito aos ditames do art. 41, § 1o, do ADCT, que assim determinava: “Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. “§ 1º Considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei.” Passados dois anos da entrada em vigor da Constituição Federal de 1988, não tendo corrido a confirmação do benefício concedido, considero o extinto a partir de 05 de outubro de 1990. O Pleno do Supremo Tribunal Federal em decisão recente acabou com as discussões relativas ao assunto, como vemos: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1o). ADCT, ART. 41, § 1o. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. “I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. “II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.010054/200300 Acórdão n.º 3302002.180 S3C3T2 Fl. 1.121 10 Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1o do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. “III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1o do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1o do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. “IV Recurso conhecido e desprovido.” (RE 577348 Relator: Ministro Ricardo Lewandwski. Data Julgamento 13/08/2009) À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000827/2007-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007
Ementa:
COMPENSAÇÃO
Impossível compensar crédito inexistente.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado, quando
lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo
da sua prática.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes
a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS.
Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento.
Numero da decisão: 2403-001.196
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a
redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei
no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007 Ementa: COMPENSAÇÃO Impossível compensar crédito inexistente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento.
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUPERMERCADO GONÇALVES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2006 a 31/01/2007 Ementa: COMPENSAÇÃO Impossível compensar crédito inexistente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. Não há como se analisar alegações genéricas de vícios no lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 486 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0110.130 da 4ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de crédito previdenciário lançado pela fiscalização através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n°37.064.1205, contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 49/56, referese às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, tendo como fato gerador o exercício de atividade remunerada, prestada por segurados empregados e contribuintes individuais, no valor consolidado em 25/04/2007 com juros e multa à época do lançamento de R$638.733,77 (seiscentos e trinta e oito mil, setecentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos), correspondente ao período 11/2006 a 01/2007. Diz repeito aos seguintes estabelecimentos: matriz e as filiais 000219, 000308, 000480, 000561, 000642, 000723, 001100 e 001290. 2. Narra o Relatório Fiscal que o não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). 3. O presente crédito é constituído dos seguintes levantamentos: • FPG (Folha de Pagamento Declarada em GFIP): referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP; Fl. 494DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • FLG ( Folha de Pagamento Declarada em GFIP — Filial Transportadora) referemse às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, constantes das folhas de pagamento e declaradas pelo Sujeito Passivo em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. 4. Às fls. 57/155, o Auditor Fiscal notificante junta o "Demonstrativo das Remunerações e Descontos dos Segurados", que discrimina mensalmente os valores da remuneração total e da remuneração declarada em GFIP dos respectivos segurados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde aborda, em síntese, os seguintes pontos: • Compensação; • Multa; • SELIC; • Imprecisão e divergência nos levantamento; • Representação Fiscal para Fins Penais. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 487 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. COMPENSAÇÃO Esse é o cerne da questão. O não recolhimento ou a recolhimento a menor das contribuições previdenciárias, originouse de compensações realizadas pelo Sujeito Passivo com direitos creditórios adquirido da empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda, CNPJ no 42.361.972/000151. Tal crédito foi adquirido por meio da Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Serviço Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas do Distrito de São João Novo, no município de São Roque (SP). A recorrente afirma que tudo está regular, tanto a aquisição do direito creditório quanto a compensação. Consta do Relatório Fiscal que efetivamente a empresa Servport Serviços Portuários e Marítimos Ltda logrou êxito na ação ordinária n.° 94.00493690, que tramitou perante a 24ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, no que diz respeito ao valores indevidamente recolhidos ao INSS, na sistemática da Lei 7.787/89 e da Lei 8,212/91. Registro que existiam condições restritivas à livre negociação dos direitos creditórios. 6.1. A Servport ingressou com Ação Ordinária junto à 24' Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, sob o n° 94.00493690, com o objetivo de declarar nula a exigência da contribuição previdenciária sobre a remuneração de administradores, autônomos e avulsos instituída pela Lei n°7.787/1989, em seu art. 3°, e mantida pela Lei n°8.212/1991, em seu art. 22, inciso!. Este Processo transitou em julgado em 01/04/2002, e possui decisão proferida pelo M.M. Juiz Federal Washington Juarez de Brito Filho, em 12104/2004, com o seguinte conteúdo, in verbis: "De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os Fl. 496DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 direitos crediticios expressos no acórdão de fls. 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidos aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na findamentação." (grifo nosso) Como a decisão acima remete ao Novo Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002), reproduzimos os dois artigos citados: Art 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. (grifamos) Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela, fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro. Transcrevemos, a seguir, mais um trecho da decisão proferida em 12/04/2004, acima citada: "[...] Não é necessária a liquidação do julgado em sede judicial, uma vez que demandaria apenas cálculos, que poderiam ser trazidos junto à peça inicial da execução. Em havendo a opção pela esfera administrativa, caberá à autoridade fiscal realizálos, ratificando a compensação efetivada pelo cessionário, ou, caso contrário, lançando de oficio a diferença a maior de imposto apurado." (grifo nosso) Também consta a cessão e transferência dos direitos creditórios entre as duas empresas. Ocorre que o acórdão recorrido é claro em demonstrar que o Direito Creditório adquirido pela recorrente não existe e isso põe por terra a tese da recorrente. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 488 7 14. Depreendese, então, que cedente e cessionária não atentaram que a decisão proferida na ação ordinária n.° 94.00493690 enumera várias condições para que a compensação pretendida pela defendente com os créditos negociados com a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA fosse realizada. A decisão remete ao disposto no art. 286, do Novo Código Civil, segundo o qual a cessão de crédito é possível, se a isto não se opuser a natureza do crédito e a lei ou a convenção com o devedor. Determina também que Autoridade Fiscal confira a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios para a apuração efetiva do quantum a ser compensado. 15. Toda a sistemática dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, da compensação e restituição de valores indevidos ou recolhidos a maior, foi disciplinada na Lei n° 8.212/91 e na Instrução Nomiativa/SRP n° 03, de 14/07/2005, vigente à época do lançamento, de forma a possibilitar à Administração Pública, a fiscalização do cumprimento da obrigação pelos contribuintes e controle da arrecadação. Como a compensação é feita automaticamente pela empresa, sem prévia autorização, sempre será conferida pela auditoria fiscal para compulsar sua legalidade e correção dos valores compensados. 16. Como e sabido, somente é permitida a compensação se o contribuinte estiver em situação regular junto à Previdência Social, de acordo com o art. 193,11 e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n° 03, de 14/07/2005, que transcrevo: ... 17. Utilizando os sistemas informatizados desta Instituição, realizei consultas aos resultados da ação fiscal n° 09151936 procedida na empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA pela Delegacia da Receita Previdenciária — Rio de JaneiroNorte. Os relatórios da fiscalização revelam que desde 03/2000 a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARIT1MOS LTDA já não possuía saldo credor que lhe autorizasse qualquer compensação. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 49/56) consta também contra àquela empresa o processo de execução administrativa de n° 37367.000855/200423, que visou cobrar os valores oriundos da ação fiscal que apurou a insuficiência de créditos para compensação. Para este processo, a SERVPORT alega que impetrou recurso ao CRPS (fls. 328/333). 18. Há no Juizo Estadual do Rio de Janeiro discussão acerca da regularidade do quadro social da empresa SERVPORT, processo n° 2005.001.1207104, Quarta Vara Empresarial da Capital, que determinou: "Oficiese ao INSS, em razão disso, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 para que suspenda as operações compensatórias que envolvam a sociedade SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA." 19. Em consulta ao EXTRATO DO DEVEDOR do sistema DIVIDA ATIVA, verifiquei que constam inscritos na Procuradoria contra a empresa SERVPORT inúmeros débitos, tais como Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, Lançamento de Débito Confessado — LDC, Auto de Infração — AI e Confissão de Divida Fiscal — CDF, todos ajuizados na Justiça Federal (fase 535). 20. Isto posto, verificase então que não havia saldo a compensar na data da celebração do contrato de cessão de crédito, que autorizasse a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA efetuar tal cessão. Por conseqüência a empresa cessionária não dispunha de saldo a compensar que lhe autorizasse a efetuar compensações nas competências 11/2006 a 01/2007. 21. E ainda que fosse liquido e certo o crédito da SERVPORT, para se compensar ou para livremente negociar tais valores, obrigatoriamente, deve apresentar situação regular no que respeita às contribuições objeto de NFLD, AI, LDC, CDF, lavradas em seu desfavor, fato que não se verifica já que esses débitos encontramse ajuizados na Justiça Federal, afrontando, assim, o art. 193, II e III da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n°03/2005. 22. Por todo o exposto, a Autoridade Fiscal logrou êxito em comprovar a inexistência de créditos a serem transferidos, o que encerraria a discussão, sendo este o motivo para demonstrar a procedência do lançamento. Por fim, registro que o CTN estabelece que salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. SELIC SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10240.000827/200729 Acórdão n.º 2403001.196 S2C4T3 Fl. 489 9 “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. IMPRECISÃO E DIVERGÊNCIA NOS LEVANTAMENTO A afirmação de imprecisões e divergências nos levantamentos é genérica. Entendo que a falta de especificação por parte da recorrente impede a análise desse ponto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 501DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16366.002403/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
Ementa:
RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003.
As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deve compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador).
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
Numero da decisão: 3402-002.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos conselheiro João Carlos Cassuli Junior e conselheiro Leonardo Mussi da Silva que aplicavam a taxa selic ao valor ressarcido.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deve compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento.
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DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deve compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 24 03 /2 00 7- 69 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 296 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos conselheiro João Carlos Cassuli Junior e conselheiro Leonardo Mussi da Silva que aplicavam a taxa selic ao valor ressarcido. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 297 3 Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório da Resolução nº 3402000.316, de 01 de setembro de 2011, que determinou o retorno dos autos à origem para sanar lacunas na instrução processual, in verbis: Tratase de processo referente a pedido de ressarcimento da Cofins não cumulativo, em que o contribuinte teve seu pleito parcialmente deferido, no valor de R$ 668.800,00, pela DRF do Brasil em Londrina. Inconformado com os motivos que fundamentaram o indeferimento da totalidade do montante em discussão, apresentou recurso à DRJ de Curitiba. Foi proferido o acórdão nº 0621352, em 18 de março de 2009, que, por unanimidade de votos, manteve as glosas efetuadas pela DRF e descartou a possibilidade de incidência da taxa Selic no valor a ser ressarcido. Irresignado com a nova denegação de seu pedido, apresentou recurso voluntário ao CARF, alegando, em síntese, que: a) receitas financeiras não devem compor o cálculo da receita bruta total do PIS e COFINS, para fins de determinação dos percentuais de participação das receitas de exportação e das receitas relativas ao mercado interno; b) a comissão paga pela recorrente à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino, utilizado como insumo na sua produção, é custo/despesa que dá direito a crédito nos termos da legislação; c) os "Paletes de madeira" são essenciais para acomodação e proteção para transporte do couro wet blue, fazendo parte do final da 3° etapa do processo de produção, quando os couros serão disponibilizados na expedição para venda; e d) o valor a ser ressarcido deve ser corrigido pela Selic, pois o art. 39 da Lei n°. 9.250/95, concede ao contribuinte, o direito de se creditar pelos juros, até a data da efetiva compensação ou restituição, calculados de acordo com a taxa "SELIC" Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Desta forma, ao Pedido de Ressarcimento deverá incidir, nos termos da lei, a SELIC, até o mês anterior compensação/restituição e 1%, relativamente ao mês da efetiva compensação/restituição, para que seja assegurada à Recorrente a recomposição do valor daquilo que lhe fora obstado utilizar. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que fosse verificado qual a pessoa jurídica que arcou com os custos com as comissões sobre a compra do couro bovino, material utilizado como insumo na produção do couro wet blue. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 298 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina (PR) realizou a diligência e os autos retornaram para análise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 69 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 299 5 De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio Fl. 383DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 300 6 ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a Fl. 384DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 301 7 apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). Fl. 385DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 302 8 No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega Fl. 386DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 303 9 dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 304 10 d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 305 11 destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando aos autos, constato que as glosas efetuadas pelo Fisco foram quanto às despesas com comissões e despesas com material de embalagem. a) Comissões Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 306 12 Conforme já relatado, o recorrente alega que a comissão para à pessoa jurídica sobre a compra do couro bovino utilizado como insumo na sua produção é custo que daria direito ao crédito para ser descontado da Cofins. A DRF/LondrinaPR realizou diligência e apurou que o recorrente efetivamente arcou com o recurso destinado ao pagamento das comissões. Assim sendo, entendo que o serviço de intermediação para compra do couro está umbilicalmente envolvido no processo produtivo da empresa, fazendo parte do valor do couro, principal insumo do produto final a ser comercializado. Portanto, entendo que os serviços de comissão subsumemse ao conceito de insumo cravado no inciso II, art. 3º da Lei nº 10.833/2003, devendo fazer parte do cálculo do crédito a ser descontado do valor apurado da Cofins. b) Material de Embalagens Paletes de madeiras e Lonas Plásticas. Quanto a esse item, entendo que os paletes utilizados no acondicionamento dos produtos para fins de proteção fazem parte do processo produtivo do recorrente, de forma que devem ser incluídos nos cálculos dos créditos como sendo insumos. RATEIO dos CUSTOS O recorrente defende que as receitas financeiras decorrentes da variação cambial ativa e das operações de BMF/SAWP não compõem a base de cálculo da Cofins, logo não poderão compor a receita bruta para fins de cálculo da proporção para apuração do crédito decorrente dos custos vinculados às receitas de exportação. Preliminarmente, afasto a análise da natureza jurídica da variação cambial ativa na exportação, pois, essa definição não tangenciará os fundamentos da decisão sobre a inclusão no cálculo do rateio. Esse tema já foi amplamente discutido por esse Colegiado e foi matéria do Acórdão nº 3402001986, de 29 de janeiro de 2013, da lavra do Ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, que aceitou os argumentos do recorrente e deu provimento ao Recurso. Na ocasião ratifiquei o entendimento, de sorte que peço vênia para utilizálo como razão de decidir, verbis: (...) Não vislumbro, da leitura do comando legal ora em voga, que a expressão “receita bruta” trazida pelo legislador, possa ter sua interpretação modificada para qualquer outro tipo de “receita” que não a “receita total” da pessoa jurídica, pois que, em sentido estrito, receita bruta é, conforme definição extraída do próprio sítio da Receita Federal na internet: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 307 13 quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário” Desta feita, cumpre frisar que o comando legal no qual baseiase a regulamentação do rateio levado a efeito pela Recorrente designa a relação percentual entre as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, tão somente. Não se denota nenhuma espécie derivada do conceito de receita bruta total, na qual se pudesse entender que dali caberia a interpretação de receitas apenas relacionadas a uma determinada atividade da empresa, ou adstrita aos custos, despesas ou encargos que geram os créditos. Deve ficar registrado, portanto, que no tocante às receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, como quer a Administração”, ou como “complemento de preço”, como sustenta a recorrente, na realidade deverá compor a receita bruta (numerador), quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deverá compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). Assim, tenho que a forma como procedida ao rateio pelo contribuinte recorrente obedece a legislação, pelo que, no contexto do acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Agora digo eu. No caso em questão, a reclamação é pela exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio de custos, despesas e encargos, para apuração dos créditos a serem por ele descontados. Ao meu sentir essas receitas devem fazer parte do cálculo do rateio, ressaltando apenas a necessidade de serem decorrentes de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade. TAXA SELIC A interessada requer que seja determinada a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição até a data da completa satisfação do crédito. Quanto à possibilidade de aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais referentes ao PIS e a Cofins nãocumulativos, entendo que não há amparo legal, muito pelo contrário, a Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre o ressarcimento de créditos fiscais nela previstos, assim dispondo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4° do art 3°, do art. 4° e dos §§ 1° e 2° do art. 6°, bem como do § 2° e inciso II do § 4° e §5° do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o P1S/PASEP não cumulativa de que trata a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e lido § 3° do art. 1°, nos incisos Fl. 391DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16366.002403/200769 Acórdão n.º 3402002.125 S3C4T2 Fl. 308 14 VI, VII e IX do caput e nos §§ 1°, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3°, nos §§ 3° e 4° do art. 6°, e nos arts. 7º, 8°, 10, incisos XI a XIV, e 13. Portanto, pela regra acima reproduzida, é vedada a aplicação da taxa Selic ao valor do crédito de PIS e de Cofins não cumulativos. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: a) admitir a inclusão dos custos com comissões de compras dos couros no cálculo do valor a ser descontado da contribuição devida na forma da Lei n° 10.833/2003; e b) admitir a inclusão dos custos com material de embalagem cálculo do valor a ser descontado da contribuição devida na forma da Lei n° 10.833/2003; É como voto. Sala das Sessões, em 24/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 392DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720413/2010-49
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR QUE PASSOU À RESERVA REMUNERADA. SÚMULA CARF Nº.43.
Comprovada por laudo médico expedido por serviço oficial de saúde a condição do contribuinte de portador de moléstia isentiva, indicada a data de acometimento e sendo comprovadamente servidor público militar da reserva remunerada, é de reconhecer-se a isenção, nos termos da Súmula CARF nº.43.
Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 2802-001.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 05/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR QUE PASSOU À RESERVA REMUNERADA. SÚMULA CARF Nº.43. Comprovada por laudo médico expedido por serviço oficial de saúde a condição do contribuinte de portador de moléstia isentiva, indicada a data de acometimento e sendo comprovadamente servidor público militar da reserva remunerada, é de reconhecer-se a isenção, nos termos da Súmula CARF nº.43. Recurso a que se dá provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández.
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RECONHECIMENTO DE ISENÇÃO DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. SERVIDOR PÚBLICO MILITAR QUE PASSOU À RESERVA REMUNERADA. SÚMULA CARF Nº.43. Comprovada por laudo médico expedido por serviço oficial de saúde a condição do contribuinte de portador de moléstia isentiva, indicada a data de acometimento e sendo comprovadamente servidor público militar da reserva remunerada, é de reconhecerse a isenção, nos termos da Súmula CARF nº.43. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 13 /2 01 0- 49 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Preliminarmente, advirto que as folhas dos autos referenciadas no presente voto, diferentemente do que é usual, seguem a numeração atribuída quando da digitalização do mesmo por este CARF, uma vez que, na origem, não foram numeradas as folhas deste administrativo. Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 07), o qual apurou supostas irregularidades (fl. 09) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2009, anocalendário 2008, em virtude de omissão de rendimentos do trabalho. Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que o contribuinte, servidor militar, não apresentou documento que comprovasse sua reforma, como é exigido por lei para gozo da isenção prevista no art.39, XXXIII, do RIR/1999. O Contribuinte foi cientificado (fl.20). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 02, juntando cópia de documentos, alegando, em breve síntese, que junta aos autos laudo médico que comprova ser o mesmo portador de doença isentiva a partir de 10/07/2008; que é servidor militar da reserva remunerada, como comprado nos autos; invoca os termos da súmula nº. 43 do CARF e a jurisprudência do Conselho. Em julgamento, a 2ª Turma da DRJ/BEL, em sessão realizada no dia 28/03/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 01 21.195, uma vez que invoca a letra do RIR/1999, da Lei nº.9250/1995 e da Instrução Normativa SRF nº.15/2001, no sentido de que em se tratando de servidor militar que pleiteia isenção em razão de moléstia grave, nos termos da lei, indispensável a configuração comprovada de sua reforma ou de ser beneficiário de pensão. A DRJ reconhece que o documento de fl.17 diz respeito a sua transferência para a reserva remunerada. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 41, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 42, atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos já esgrimidos em sua impugnação e trazendo aos autos prova de sua reforma no ano de 2011. É o relatório Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10280.720413/201049 Acórdão n.º 2802001.478 S2TE02 Fl. 48 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente à omissão de rendimentos do trabalho. O único fundamento do lançamento é a falta de comprovação, por parte do contribuinte, servidor militar, do ato de sua reforma. Sua transferência para a reserva remunerada está configurada pelo documento de fl.17, bem como encontrase a fl.12 cópia do laudo médico expedido por serviço oficial de saúde, atestando a condição de portador de doença isentiva desde 10/07/2008. Assim sendo, socorreo o texto da invocada Súmula nº.43 do CARF, verbis: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Grifei.) Desta forma, voto por dar provimento integral ao recurso, desconstituindose o lançamento de fls.07 e seguintes. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 06/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004734/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 18/04/2008
PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE.
O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.947
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/04/2008 PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE. O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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INOCORRÊNCIA. Somente é imotivado o auto de infração que não justifica as razões da autuação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/04/2008 PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE. O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 47 34 /2 00 8- 35 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Versa o presente processo sobre aplicação de multas por descumprimento de obrigação acessória, sendo que uma das multas, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), foi aplicada, segundo a fiscalização (fls. 06 a 09), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar imediatamente à autoridade aduaneira a presença da carga, em seu recinto alfandegado, correspondente a dezesseis dos sessenta e um veículos constantes do B/L n.° EUKOHUBR335036, que foram objeto do trânsito aduaneiro acobertado pelas Declarações de Trânsito de Conteiner (DTC) n.c's 08/01752981 e 08/01752949, presença de carga esta que deve ser informada com o registro, no Siscomex, do respectivo número identificador de carga (NIC), consoante determina o art. 50 da IN SRF n.° 680, de 2006. Aduz a autoridade autuante que outro recinto alfandegado removeu os veículos restantes, também como beneficiário e transportador para suas instalações que são diversas da autuada. Em razão disso foi aplicada a multa prevista na alínea "f' do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966„ com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Outra multa, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), foi aplicada em razão do descumprimento de requisito para executar atividade de movimentação de mercadoria, consistente no fato de o sujeito passivo em epígrafe, na qualidade de beneficiário do regime de trânsito aduaneiro, não ter solicitado trânsito para a totalidade da carga constante do B/L n.° EUKOHUBR335036 (sessenta e um veículos), mas apenas para uma parcela desta carga (dezesseis veículos). Mais precisamente, relata a fiscalização (fls. 12 a 14) que o art. 9°, § 40, da Portaria da Alfândega do Porto de Vitória n.° 134, de 20/07/2007, determina que o beneficiário do DTC solicite a remoção da totalidade dos contâineres acobertados pelo respectivo conhecimento de carga e informe a chegada dos veículos ao local de destino, relativamente a Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.004734/200835 Acórdão n.º 3302001.947 S3C3T2 Fl. 315 3 todos os volumes e/ou unidades de carga consignados no conhecimento de transporte internacional, em conformidade com o art. 13 da mencionada portaria. Neste contexto, aduz a fiscalização que, ao solicitar o regime de trânsito para apenas dezesseis dos sessenta e um veículos constantes do precitado conhecimento de carga, o sujeito passivo descumpriu o requisito consistente na remoção da mercadoria com todos os seus volumes de um ponto de origem a um ponto de destino, sendo considerado, para efeito do cálculo da multa aplicada, os quinze dias decorridos entre a data do término do trânsito aduaneiro, 18/05/2008, e a data de ciência da intimação, 02/06/2008, para que o beneficiário informasse quais veículos foram armazenados em seu recinto alfandegado (PAF n.° 12466.001396/200880). Em razão disso foi aplicada a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento dos mencionados requisitos, prevista na alínea "f' do inciso VII do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Outra multa, ainda, no valor de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), foi aplicada em razão de o beneficiário do regime especial de trânsito aduaneiro em relevo não ter localizado, em seu recinto alfandegado, 45 (quarenta e cinco) veículos constantes do B/L n.° EUKOHUBR335036, veículos esses que foram objeto de trânsito aduaneiro requerido por outro beneficiário e destinados a outro recinto alfandegado (fls. 09_a 12). Em razão disso foi aplicada a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado, prevista na alínea "a" do inciso VII do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 12/12/2008 (fl. 05), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 09/01/2009, os documentos colacionados As fls. 213 a 229 e a impugnação de fls. 197 a 212, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que o procedimento fiscal em causa encontrase em descompasso com o disposto na Lei n.° 9.784, de 1999, e com o inciso IV do art.10 do Decreto n.°.70.235, de 1972, especialmente no que tange ao principio da motivação, devendo, em razão disso, ser declarado nulo, eis que não há indicação especifica da infração atribuída ao sujeito passivo, mas apenas indicação a esmo de dispositivo legal que comina penalidade; Quanto ao mérito, alega que os dispositivos legais apontados no feito como infringidos não guardam relação com os fatos descritos pela autoridade autuante, ao que aduz que a carga em questão sequer chegou a ser recebida no recinto aduaneiro que administra, no caso, o Porto Seco de Vitória I (PSVITI), porquanto foi desviada, por terceiros e a sua revelia, para recinto alfandegado diverso; Em outro plano, alega que as disposições contidas no art. 5º, caput e § 1º , da IN SRF n.° 680, de 2006, não são aplicáveis A situação fatica dos autos, já que o prazo e a forma estabelecida no caput diz respeito a cargas que tenham sido efetivamente internadas no recinto alfandegado ao passo que o § 1° referese à obrigação de informar falta ou acréscimo de mercadoria sem definir prazo e forma para a prestação dessa informação, além do que, por óbvio, essa obrigação igualmente diz respeito a mercadorias que tenham sido internadas no recinto alfandegado; Em reforço a essa interpretação, argumenta que o § 4° do art. 5° da mesma instrução normativa até prevê que a COTEC ou a COANA poderão expedir instruções Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 4 complementares, ai incluído o estabelecimento de prazo e forma para a obrigação de informar falta ou acréscimo prevista no § 1° da multicitada IN, além do que, ao responder tempestivamente a intimação n.° 31/2008, encaminhada pelo Fisco para que prestasse informação sobre o caso, alega que prestou tal informação no prazo e na forma estabelecidos pela autoridade aduaneira, pelo que não procede a alegação de que teria demorado quinze dias para informar à RFB sobre os fatos que ensejaram a lavratura do feito ora combatido; No que pertine à multa aplicada por descumprimento de requisito para executar atividade de movimentação de mercadoria, alega que a disposição contida no § 4º do art. 9° da Portaria da Alfândega de Vitória n.° 134, de 2007, estabelece um prazo de quarenta e oito horas para que ocorra a remoção da carga do porto de zona primária, denominada "carga pátio"e não para chegada dessa carga no Porto Seco, na zona secundária; Aduz que, não obstante isso, os veículos foram removidos do pátio do porto no prazo estabelecido, residindo o problema apenas no fato de que parte desses veículos não chegou ao destino correto, em razão da ação de terceiros conforme já alegado; não restando caracterizada, portanto, infração ao disposto no § 4° do art. 9° da citada portaria; Na mesma linha, alega que, não havendo a chegada de todos os veículos no Porto Seco de Vitória I, tampouco há que se falar que incorrera em infração ao disposto no art. 13 da Portaria ALF/VIT n.° 134, de 2007, cuja determinação é de que o depositário informe a chegada dos veículos ao local de destino, relativamente a todos os volumes e/ou unidades de carga de um conhecimento: a uma porque nem todos os veículos chegaram ao destino previsto, pelo que seria, a seu ver, impossível cumprir referida obrigação, e a duas porque não foi o responsável pela quebra do lote de veículos originalmente destinados ao Porto Seco que administra, mas sim a consignatária das mercadorias, cuja responsabilidade encontrase devidamente caracterizada nos autos do PM n.° 12466.001396/200880; Em outro plano, alega que a fiscalização imputoulhe responsabilidade por infração descrita na alínea "a" do inciso VII do art. 107 do DL 37/1966, o que evidencia outro erro de tipificação da autoridade autuante, porquanto a multa nesse caso é calculada por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado, e não por volume que não tenha sido depositado e não seja localizado; Alega também que o lapso de quinze dias contados entre a data da remoção dos veículos do porto na zona primária (18/05/2008) e a data em que os veículos, que haviam sido depositados no Porto Seco de Vitória I; foram transferidos para o recinto COTIA (02/06/2008), por determinação da Alfândega do porto de Vitória, não pode ser atribuído a inércia do impugnante no cumprimento do disposto na alínea "f' do inciso VII do art. 107 do DL37/1966, porquanto não foi o responsável pela quebra do lote de veículos; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votou pela procedência em parte da impugnação mantendo em parte o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 09/01/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 08/02/2012. É o relatório. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.004734/200835 Acórdão n.º 3302001.947 S3C3T2 Fl. 316 5 Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Compulsando os autos, verifico que a controvérsia resumese na penalização cominada a Recorrente em face de suposta infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “f” do Decreto Lei nº 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03 e IN nº 680/06, art. 5º, § 1º. Nos termos do artigo 107, inciso IV, alínea “f” do DecretoLei nº 37/66 aplicase as seguintes multas: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Outrossim, o artigo 5 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 680/06, prescreve: Art. 5o O depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, na importação, deverá informar à SRF, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia em local ou recinto alfandegado, de zona primária ou secundária, mediante indicação do correspondente Número Identificador da Carga (NIC). § 1º Os sinais de avaria e a constatação de falta ou acréscimo de volume também devem ser informados pelo depositário à fiscalização aduaneira. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 957, de 15 de julho de 2009) Conforme exposto pela Recorrente, os artigos supracitados não se enquadram ao presente caso, pois discutese no processo em epígrafe a QUEBRA DE LOTE DE TRÂNSITO DTC, uma vez que os veículos em questão não chegaram, em sua totalidade, a serem recebidos no recinto alfandegado da Recorrente, nem tratase de recebimento com constatação de falta ou acréscimo de mercadorias, nos termos prescritos no § 1º do artigo 5º da INSRF nº 680/06. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Muito embora parte dos veículos tivesse chegado ao PSVITI, tais veículos não foram internados, em face da quebra do lote de trânsito. Assim, não há que se falar que a Recorrente descumpriu uma obrigação acessória, pois estava impedida de informar à autoridade aduaneira, a presença de carga em seu recinto alfandegado, uma vez que parte dessa carga tinha sido removida para destino diverso do determinado pela Recorrente, fato esse causado pela ação de terceiros. Algo distinto não foi comprovado nos autos pela fiscalização. As normas alfandegárias impedem que os Contribuintes emitam NIC – Número Identificador de Carga, antes de toda a carga ser internada no recinto alfandegário da Recorrente. Conforme exposto pela Recorrente: “Em razão da quebra de lote por terceiros, e por requerimento dos mesmos à Alfândega de Vitória, os veículos que seriam originalmente destinados à recorrente/PSVITI, foram ao final destinados a recinto diverso, para possibilitar o fechamento do trânsito aduaneiro. Não houve disponibilidade, falta ou acréscimo de volumes atribuíveis ao PSVITI.” Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, redator designado Em relação às questões preliminares, adoto, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, os fundamentos do acórdão de primeira instância. De fato, as disposições relativas ao processo legal, contraditório e ampla defesa dizem respeito à fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação de lançamento, não se aplicando à fase oficiosa anterior. Nas fases de julgamento não houve ofensa aos princípios citados, uma vez que a Interessada apresentou suas razões na impugnação, que foram devidamente apreciadas pela Primeira Instância. Em relação à motivação, o auto de infração claramente expôs as razões da autuação, permitindo que a Interessada as contestasse na impugnação, não havendo que se falar em sua falta. Portanto, descabe razão à Interessada quanto às questões de nulidade. Quanto ao mérito, o Conselheiro Relator considero que houve força maior, questão que afastaria a aplicação de penalidade. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.004734/200835 Acórdão n.º 3302001.947 S3C3T2 Fl. 317 7 Entretanto, o que consta dos autos não revela que tenha ocorrido somente força maior. De fato, não se pode admitir a argumentação de que a interessada teria sido apenas vítima de fatos que teriam fugido ao seu controle, uma vez que essa questão é irrelevante, pois a responsabilidade, no caso, é dela, que ela deveria ter tomado todas as providências para que a irregularidade não acontecesse. Identificase claramente no caso a culpa tanto na modalidade “in vigilando” como na modalidade “in eligendo”. A primeira diz respeito à responsabilidade de zelar pelas ações das contratadas no procedimento de desembaraço e a segundo, eventualmente, na de escolher empresa competente para realizar as tarefas. Nesse contexto, a responsabilidade tributária por todas as ações das contratadas recai sobre os ombros da Interessada, como consequência do que dispõe o art. 673 do Decreto n. 6.759, de 4 de fevereiro de 2009. Tendo claramente ocorrido a irregularidade, não lhe é lícito alegar ter sido vítima de fato decorrente de procedimento negligente da empresa contratada. Dessa forma, adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000558/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
PRAZO. RESTITUIÇÃO.
Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa.
Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a
orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era
de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se
à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a
contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do
artigo 150 do CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE
DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC.
De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal
Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria
infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no
julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS
O valor de janeiro de 2000, corrige-se, tendo em vista erro material.Os valores de janeiro e março de 2002, constantes em
declarações de compensações vinculados a outros processos administrativos, não podem ser compensados, tendo em vista o art.
170 do CTN, pois os créditos devem gozar de liquidez e certeza.
Logo, não conhecido pleito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-000.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar, por voto de qualidade,
proposta de diligência levantada pelo Conselheiro Luciano de Almeida Moraes.
Em relação à prescrição, foi negado provimento ao recurso por voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano de Almeida Moraes e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Em relação ao período de janeiro de 2000 foi reconhecido erro material, que foi dado de forma unânime e o não conhecimento da compensação em relação aos períodos de janeiro e março de
2002.
Não conhecer por unanimidade.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PRAZO. RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS O valor de janeiro de 2000, corrige-se, tendo em vista erro material.Os valores de janeiro e março de 2002, constantes em declarações de compensações vinculados a outros processos administrativos, não podem ser compensados, tendo em vista o art. 170 do CTN, pois os créditos devem gozar de liquidez e certeza. Logo, não conhecido pleito. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RESTITUIÇÃO. Por conta da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; já para os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. De acordo com o art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS O valor de janeiro de 2000, corrigese, tendo em vista erro material. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Os valores de janeiro e março de 2002, constantes em declarações de compensações vinculados a outros processos administrativos, não podem ser compensados, tendo em vista o art. 170 do CTN, pois os créditos devem gozar de liquidez e certeza. Logo, não conhecido pleito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar, por voto de qualidade, proposta de diligência levantada pelo Conselheiro Luciano de Almeida Moraes. Em relação à prescrição, foi negado provimento ao recurso por voto de qualidade; vencidos os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano de Almeida Moraes e Adriana Oliveira e Ribeiro. Em relação ao período de janeiro de 2000 foi reconhecido erro material, que foi dado de forma unânime e o não conhecimento da compensação em relação aos períodos de janeiro e março de 2002.Não conhecer por unanimidade. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausências justificadas de Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase o presente de Pedido de Restituição da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, do período de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, no valor de R$1.133.599,47, em razão de declaração de inconstitucionalidade, pelo STF. da Lei n°9.718/98, em Recurso Extraordinário n" 432.5306. A interessada também apresentou as Declarações de Compensação, fls. 593/616, nas quais constam como origem do crédito o presente processo. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.000558/200650 Acórdão n.º 3201000.873 S3C2T1 Fl. 2 3 A DRFMontes Claros/MG emitiu Despacho Decisório n° 224/2008, indeferiu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas em razão da ausência de crédito remanescente a ser aproveitado (fls. 623/637). A empresa apresentou a manifestação de inconformidade de lis. 659/678 contra o despacho que não homologou as compensações vinculadas, na qual alega que a fiscalização: imputou créditos a débitos cuja extinção por compensação está sendo processada e analisada em outros processos administrativos; utilizouse de valores de créditos da requerente para a quitação de supostos valores devidos e não recolhidos de PIS há mais de cinco anos, que já teriam sido abarcados pela decadência (no caso de lançamento) ou pela prescrição (no caso de cobrança direta de débito declarado e não pago); deixou de considerar parte do crédito por ela já reconhecido no valor de R$158,79 relativamente a fevereiro de 2000; apurou que o PIS efetivamente devido em janeiro de 2002 correspondente a R$261.019,81 (tabela 3), mas na DCOMP n° 40819.04414.241105.1.7.01 3906, processo administrativo n° 10670.000740/200104, foi declarado débito principal de PIS a ser compensado no valor de R$285.124,81, não havendo, portanto, a exigência fiscal por ele determinada no valor de R$177.329,33; apurou que o PIS efetivamente devido em março de 2002 correspondente a R$335.778,39 (tabela 3), mas na DCOMP n° 32748.64724.280703.1.7.02 2205, processo administrativo n° 10670.720021/200529, foi declarado débito principal de PIS a ser compensado no valor de R$348.381,31, não havendo, portanto, a exigência fiscal por ele determinada no valor de R$ 335.778,39; A requerente, às fls. 679/694, apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu parcialmente a restituição, alegando em síntese que: o direito da requerente de questionar os recolhimentos já fora exercido anteriormente à apresentação de seu pedido administrativo, tanto que o despacho decisório, no que se refere às parcelas não prescritas, nada mais fez do que dar cumprimento à decisão judicial apresentada. Não há, portanto, como se alegar que a requerente exerceu seu direito de pleitear a devolução dos valores recolhidos a maior apenas em 13/04/2006; ainda que seja desconsiderada a ação judicial da requerente, não há que se falar em prazo prescricional de cinco anos no presente caso, haja vista ser pacifico o entendimento de que o prazo prescricional para a repetição do indébito dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação (caso do PIS) decorre da conjugação do artigo 168, 1 com o §4° do artigo 150, ambos do Código Tributário Nacional, perfazendo, normalmente, um prazo de dez anos. É o relatório. O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/JFA no 0924.944, de 09/07/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999. 2000, 2001, 2002 Fl. 947DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 PAGAMENTO A MAIOR. DECADÊNCIA. 0 prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive em hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5(cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos, cuja prova compete ao sujeito passivo, são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. EXIGIBILIDADE. SUSPENSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. As manifestações de inconformidade e os recursos apresentados em razão da não homologação da compensação suspendem a exigibilidade dos débitos não compensados. Solicitação Deferida em Parte. O julgamento foi no sentido dar parcial procedência à manifestação de inconformidade, para reconhecer em favor da interessada os créditos listados na tabela de fl. 882 e considerar homologadas as compensações ora declaradas, até o limite do crédito reconhecido. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicitando, enfim, para reconhecer o pedido de restituição da contribuição a titulo de PIS incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, do período de fevereiro de 1999 a novembro de 2002. Enfatiza, a reforma no acórdão, no tocante ao valor acatado de R$ 13.979,54, ao invés de R$ 14.686,63; bem como considerar os valores compreendidos em janeiro/2002 e março/2002, os quais não se encontram prescritos. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano D'Amorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de pedido de restituição da contribuição de PIS/PASEP, incidente sobre outras receitas que não o faturamento bruto, do período de fevereiro de 1999 a novembro de 2002, no valor de R$1.133.599,47, em razão de declaração de inconstitucionalidade, pelo STF. da Lei n°9.718/98, em Recurso Extraordinário n° 432.5306. A DRFMontes Claros/MG emitiu Despacho Decisório n° 224/2008, onde indeferiu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas em razão da ausência de crédito remanescente a ser aproveitado às fls. 623/637. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.000558/200650 Acórdão n.º 3201000.873 S3C2T1 Fl. 3 5 Nos autos consta relatório da Apelação Cível em Mandado de Segurança — AMS,processo n° 1999.38.00.0253979, de fl. 860, impetrado pela recorrente com pedido de liminar, que: Pediu a impetrante o recolhimento do PIS nos moldes da Lei Complementar n° 7/ 70 com as alterações da Lei Complementar n° 17/73 e não de acordo com as alterações promovidas pela Lei n° 9.718/98, alegando, para tanto, a ilegalidade e a inconstitucionalidade de sua exigência com as referidas modificações. Liminar deferida a fls. 18/20. 0 MM. Juízo a quo concedeu a segurança, para determinar o recolhimento do PIS de acordo com a Lei n° 9.715/98 (fls. 66/72). Inconformada, apela a União, sustentando que a alteração da base de cálculo do PIS é perfeitamente legitima e constitucional, requerendo, ao final, a reforma do mérito (fls.80/82). Com relação à apelação da União, a 3ª Turma do TRF — 1ª Região, por unanimidade, decidiu dar provimento à apelação, julgando prejudicada a remessa (fls. 861). A recorrente não se conformando com a decisão do TRF, apresentou Recurso Extraordinário perante ao STF, que recebeu o n° 432.5306. Com o trânsito em julgado, em 23/02/2006, do acórdão do STF no Recurso Extraordinário n° 432.5306, que conheceu do recurso e o proveu para conceder a segurança, resultou sedimentado o direito da impetrante de recolher o PIS sem a ampliação da base de cálculo levada a efeito pelo art. 3°, § 1°, da Lei 9.718/98. No entanto, o direito de repetir valores porventura recolhidos a maior não foi objeto da presente ação. Logo, a recorrente pleiteou a restituição do que entende ter pago a maior em 13/04/2006, data da transmissão da DCOMP. Inicialmente, em sede de preliminar, analiso a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição, para passar ao mérito. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, Fl. 949DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Diante do exposto, para os pagamentos ocorridos anteriormente a 13/04/2001, houve a decadência; considerando que a recorrente protocolizou o seu pedido de restituição/compensação em 13/04/2006; quando da transmissão da DCOMP. Quanto ao mérito, sobre o período de janeiro de 2000, é procedente a alegação da recorrente, pois o valor foi corrigido até a quitação pela compensação em 31/08/2005, gerando um saldo credor de R$ 14.686,63 (diferença entre R$ 11.154,96 — saldo devedor corrigido e R$ 25.841,59 — compensação). Assim sendo, o valor a ser restituído nesse período é de R$ 14.686,63, valor correspondente a essa diferença apurada. A decisão a quo considerou apenas o valor de R$ 13.979,54. Portanto, o valor a ser considerado é de R$ 14.686,63, ao invés de R$ 13.979,54. Considero que houve um erro material que deve ser corrigido, pois à fl.634 do vol. IV dos autos consta o valor de R$ 14.686,63. Quanto aos períodos contestados de janeiro e março de 2002, os mesmos foram objeto de declarações de compensação, não homologadas e estão vinculadas aos processos administrativos de n° 10670.720021/200529 e n° 10670.000740/200104, em virtude da manifestação de inconformidade e do recurso apresentados; logo, encontramse com exigibilidade suspensa os referidos débitos, nos termos do art. 74 da lei de n° 9.430/96. Portanto, não podendo ser deduzidos dos créditos pleiteados no presente processo, pois reza o art. 170 do CTN que os créditos compensados devem gozar de liquidez e certeza; daí não poder conhecer deste pleito, por estarem vinculados a outros processos. Em consulta ao COMPROT do Ministério da Fazenda, ambos processos encontramse arquivados (arquivo geral da SAMF MG), movimentados em 14/09/2011. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.000558/200650 Acórdão n.º 3201000.873 S3C2T1 Fl. 4 7 Portanto, em relação à prescrição, foi negado provimento ao recurso e em relação ao período de janeiro de 2000 foi reconhecido erro material e o não conhecimento da compensação em relação aos períodos de janeiro e março de 2002. À vista do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 951DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 7/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.916673/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Decorrido o prazo de 05 (cinco) anos da data da apresentação da declaração de compensação sem que a autoridade competente da RFB tenha sobre ela se pronunciado, considera-se homologada a compensação declarada e definitivamente extinto o crédito tributário, independente da decisão sobre a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Decorrido o prazo de 05 (cinco) anos da data da apresentação da declaração de compensação sem que a autoridade competente da RFB tenha sobre ela se pronunciado, considera-se homologada a compensação declarada e definitivamente extinto o crédito tributário, independente da decisão sobre a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Recurso Voluntário Provido.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. EXTINÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Decorrido o prazo de 05 (cinco) anos da data da apresentação da declaração de compensação sem que a autoridade competente da RFB tenha sobre ela se pronunciado, considerase homologada a compensação declarada e definitivamente extinto o crédito tributário, independente da decisão sobre a liquidez e certeza do crédito utilizado na compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 66 73 /2 00 8- 14 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.916673/200814 Acórdão n.º 3302002.121 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 25/09/2003 a empresa INDÚSTRIAS TODESCHINI S/A (hoje ITSA INDÚSTRIAS S/A), já qualificada nos autos, apresentou PER/DCOMP pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 3º trimestre de 2002. Utilizando este crédito, no dia 30/09/2003 a empresa apresentou DCOMP na qual declara que efetuou a compensação de débitos de Cofins e de PIS com vencimento anterior à data da transmissão da DCOMP (30/09/2003). No dia 07/10/2008, a DRF de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo a integralidade do crédito pleiteado e homologando parcialmente as compensações declaradas em razão da inclusão, no valor do débito compensado, de multa e juros de mora contados da data do vencimento até a data da transmissão da DCOMP (30/09/2003). Do referido Despacho Decisória a Recorrente tomou ciência no dia 14/10/2008 e, tempestivamente, apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, preliminarmente, a ocorrência da homologação tácita, a decadência e a prescrição e, no mérito, contesta a multa de mora (que considera confiscatória) e os juros selic (que considera ilegal). A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1434.747, de 03/08/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo até o limite do direito creditório pleiteado, será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. DÉBITOS VENCIDOS. COMPENSAÇÃO ACIMA DO LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO E DO MONTANTE DECLARADO. No procedimento de valoração/imputação dos débitos compensados, em face de direito creditório reconhecido ou cuja respectiva compensação declarada de débitos tenha sido homologada por disposição legal, a data de valoração a ser considerada é a data da transmissão do PER/DCOMP, sendo esta posterior às datas de vencimento dos débitos compensados; sendo o caso de débitos vencidos, são computados os acréscimos legais no cálculo do valor utilizado do crédito (imputação); no final do confronto, a parcela restante, sem cobertura do direito creditório, é reputada como compensação indevida, sujeita a cobrança. MULTA DE MORA. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.916673/200814 Acórdão n.º 3302002.121 S3C3T2 Fl. 4 3 A compensação de débitos vencidos implica a imposição de multa de mora. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 12/12/2011, conforme AR de fl. 75, e, no dia 10/01/2012, ingressou com o recurso voluntário de fls. 81/109, no qual renova os argumentos sobre: 1. a ocorrência da homologação tácita dos débitos compensados e regularmente declarados, com a conseqüente extinção definitiva dos mesmos; 2. a ocorrência da decadência do direito do Fisco proceder ao presente lançamento, quanto aos fatos geradores objeto do lançamento, ocorridos entre janeiro de 2003 e junho de 2003; 3. a ocorrência da prescrição posto que os débitos foram reconhecidos pela Recorrente quando da declaração de compensação e o processo administrativo ficou paralisado por mais de 05 (cinco) anos; 4. a violação do princípio constitucional do não confisco e direito de propriedade em face da imposição da multa de mora; 5. a inadmissibilidade da utilização da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, no dia 30/09/2003 a empresa Recorrente apresentou declaração de compensação de débitos de PIS e Cofins, com a utilização de crédito de presumido de IPI, cujo pedido de ressarcimento fora apresentado no dia 25/09/2003. No dia 14/10/2008, a empresa Recorrente tomou ciência do despacho decisório dando notícia do reconhecimento integral do crédito pleiteado e da homologação parcial das compensações declaradas. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.916673/200814 Acórdão n.º 3302002.121 S3C3T2 Fl. 5 4 Não se conformando com esta decisão, a empresa Recorrente ingressou com Manifestação de Inconformidade que restou indeferida pela DRJ de Ribeirão Preto SP. Sobre a preliminar suscitada pela Recorrente de que ocorreu a homologação tácita das compensações declaradas, a decisão recorrida assim se manifestou: Dessa forma, tendo a lei especificado que a compensação declarada à SRF extingue o credito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, esta se dará no prazo de cinco anos cintados da data da entrega da mencionada declaração. Assim, tendo sido o PER/DCOMP com a indicação dos débitos compensados transmitido em 30/09/2003, a compensação informada pela contribuinte foi homologada em 29/09/2008, data anterior à da ciência do despacho decisório, que se deu em 14/10/2008, após a homologação estabelecida em lei. Ocorre que somente a compensação declarada é sujeita à chamada homologação tácita. Tratase do montante de débitos compensados até o limite do direito creditório informado no PER/DCOMP. No Despacho Decisório eletrônico, exarado depois do termo final do prazo quinquenal de homologação, o direito creditório requerido foi inteiramente reconhecido. De qualquer sorte, independentemente da conclusão do ato decisório, a compensação declarada, até o limite do montante do crédito pleiteado, já se encontrava homologada por disposição legal. Contudo, a compensação do saldo credor ressarcível do trimestre em causa foi efetuada com débitos vencidos (data de transmissão do PER/DCOMP com compensação dos débitos: 30/09/3003; datas de vencimento dos débitos compensados: 14/03/2003, 15/04/2003,13/06/2003 e 15/07/2003); vale dizer, tendo em vista o procedimento de valoração e imputação com a incorporação de acréscimos legais (fl. 02), foi realizada pela interessada, efetivamente, uma compensação em montante superior ao do direito creditório solicitado. Dai, portanto, a cobrança do principal, multa de mora e juros de mora. Em outras palavras, a decisão recorrida limitou a extinção definitiva dos créditos, pela homologação tácita, ao valor do crédito reconhecido. Pela sistemática da compensação instituída pela Lei nº 10.637/02, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96, o sujeito passivo que apurar crédito de tributos administrados pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB. A compensação será efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação, extinguindo o crédito tributário sob condição de sua ulterior homologação. Por seu turno, a Lei nº 10.833/2003, deu nova redação para o § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para estabelecer o prazo de 05 (cinco) anos para a autoridade homologar Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.916673/200814 Acórdão n.º 3302002.121 S3C3T2 Fl. 6 5 expressamente a compensação declarada. Expirado esse prazo, ocorre a homologação tácita e o crédito tributário está definitivamente extinto. Observese que a homologação tácita ocorre independentemente do reconhecimento (ou não), por parte da autoridade da RFB, da liquidez e certeza do crédito utilizado pelo sujeito passivo na compensação declarada. Portanto, não procede o entendimento da decisão recorrida de que a homologação tácita está limitada ao valor do crédito apurado e reconhecido pela autoridade da RFB. Também não é demais lembrar que o débito extinto não pode ser objeto de cobrança. Portanto, não procede a cobrança dos débitos declarados na DCOMP apresentada no dia 30/09/2003. Eventuais diferenças relativas a multa e/ou juros de mora incidentes sobre os referidos débitos, não compensados pelos sujeito passivo, somente podem ser cobrados dentro do prazo prescricional. Diante da extinção definitiva do débito objeto da cobrança, desnecessário abordar e discutir aqui as questões relativas a multa de mora e à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, incluídas pela recorrente, em razão de que o acessório segue o principal em sua natureza e destino. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar definitivamente extintos os débitos constantes da DCOMP apresentada no dia 30/09/2003. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908877/2009-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE
Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da nãohomologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 77 /2 00 9- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908877/200971 Acórdão n.º 3801001.963 S3TE01 Fl. 91 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, assim expresso: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908877/200971 Acórdão n.º 3801001.963 S3TE01 Fl. 92 5 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário que resumidamente aponta que a parte não tem condições de se defender porque a autoridade julgadora não informou o por quê o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Que a r. decisão não possibilita à contribuinte, condições ideais para combatêla. No mérito, cita uma gama de conteúdo doutrinário e jurisprudência acerca do lançamento sujeito à homologação, decadência e o direito de compensar, requerendo, a final o provimento do recurso voluntário. Apresentado o Recurso Voluntário a DRF de Limeira entendeu por negar seguimento ao mesmo considerando o fato de que a DRJ não havia conhecido da manifestação de inconformidade. Em face dessa decisão a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que determinou que se desse seguimento aos recursos da mesma e a sua remessa a esse Conselho. É o que importa relatar, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço do recurso. Pelo que se pode defluir da peça recursal a Recorrente entende ser nulo o despacho decisório porque o mesmo não informou o motivo pelo qual a Fazenda concluiu que não sobreviera crédito para a compensação pleiteada. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Estamos diante de uma declaração de compensação que se opera nos termos do artigo 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim expresso (os destaques são nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O despacho decisório nãohomologou a compensação sob o seguinte fundamento: “Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada” Assim, de modo didático, se me permitem apontar meu raciocínio dessa forma, temos em confronto, por um lado, uma declaração da Contribuinte na qual informou um crédito e, por outro lado, uma decisão da autoridade que informou que esse crédito não existe em seus arquivos. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908877/200971 Acórdão n.º 3801001.963 S3TE01 Fl. 93 7 Temos também a informação prestada pela contribuinte de que nos autos existem ‘fartos’ documentos que, se analisados, nos permitiria inferir a existência do crédito. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo, provavelmente na DCTF, que tem caráter de confissão de dívida. E é essa a informação do despacho decisório: a que não havia crédito disponível, é essa suficiente para avisar ao contribuinte o motivo da não homologação – a inexistência de crédito e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. Nesse sentido, entendo não haver falta de fundamento que implique em nulidade. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Assim, na hipótese da compensação declarada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário carregado de doutrina e jurisprudência escrito em linguagem profundamente empolada – quase um soneto de Francisco de Vasconcelos –, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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