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Numero do processo: 15374.901175/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO.
O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA.
Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante.
Numero da decisão: 3403-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante.
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ÔNUS PROBATÓRIO. PRECLUSÃO. O art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho, que votaram no sentido de converter o julgamento em diligência. Ausente ocasionalmente a Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 11 75 /2 00 8- 21 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Versa o presente sobre DCOMP (fls. 2 a 61) transmitida em 31/05/2004, solicitando a compensação de débito de Cofins (no valor de R$ 2.113,91) com crédito da mesma contribuição, derivado de “pagamento indevido ou a maior” (DARF de R$ 21.339,07, pago em 15/10/2003), referente ao período de apuração de setembro de 2003. No despacho decisório (eletrônico) de fl. 7, emitido em 24/04/2008, a compensação não é homologada por inexistência do crédito, pois os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pleiteada. Cientificada do despacho decisório, a empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls 10 a 14), sustentando que cometeu erro no preenchimento da última DCTF referente a setembro de 2003 enviada à RFB, pois o valor correto devido a título de Cofins para a competência é de R$ 19.225,16 (como se verifica na DIPJ de fls. 52 a 70), e não R$ 21.339,07 (como consta no DARF de fl. 72). Para sanar a incorreção comunica que já enviou DCTF retificadora (fls. 77 a 79). No julgamento de primeira instância, em 31/01/2011 (fls. 86 a 89), acordase pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o argumento de que não são juntados aos autos documentos que comprovam o valor da Cofins alegada como efetivamente devida (mas tãosomente as DIPJ e a DCTF retificadora, sem os registros contábeis que lhes dão suporte), e de que cabe à recorrente o ônus da comprovação de seu direito creditório. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/02/2011 (AR à fl. 93), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/03/2011 (fls. 95 a 105), no qual alega, em síntese, que em sua impugnação apresentou sim os documentos que comprovaram o erro. Acrescenta ainda que o despacho decisório é nulo por ser genérico e não fundamentado, apresentando mensagem padrão que impede o exercício do direito de defesa. Por fim, junta o Balancete referente ao período analisado (fls. 106 a 124), buscando comprovar definitivamente o erro já apontado na peça impugnatória. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Fl. 130DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.901175/200821 Acórdão n.º 3403002.213 S3C4T3 Fl. 130 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O contencioso restringese a matéria probatória. A empresa reitera em sede de recurso voluntário que errou no preenchimento da DCTF, mas efetivamente detém o crédito apresentado para compensação. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Daí a importância de, nestes casos, assegurarse com ânimo ainda maior a preservação da verdade material. É somente com a manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado justificarse especificamente em relação ao caso concreto. E o julgamento de primeira instância constituirá, em regra, a primeira análise humana do processo. O julgador de primeira instância, ao analisar a documentação carreada pela empresa, não identificou elemento probatório que pudesse amparar a liquidez do crédito em análise. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, negou de plano o direito à compensação. Agora, em sede de recurso voluntário, a empresa apresenta adicionalmente seu Balancete referente ao período em análise (fls. 106 a 124), alegando que busca comprovar definitivamente o erro já apontado na peça impugnatória. O documento apresentado, contudo, encontrase fora do universo contemplado pelo art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser apresentado) desde a manifestação de inconformidade. O referido parágrafo do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise do documento (repitase, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Constando na manifestação de inconformidade os documentos necessários à prova do direito creditório alegado, imperiosa a declaração da procedência do pedido. Não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito. E, por fim, havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála. Não se presta, entretanto, a diligência, para suprir deficiência probatória a cargo do postulante. Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, permanecem carentes de comprovação tanto o direito creditório quanto a liquidez do crédito utilizado em compensação pela postulante. É de se acrescentar, por derradeiro, que no caso concreto, ainda que considerado o documento Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 apresentado fora do comando permissivo do Decreto no 70.235/1972, distante estaria a segurança do julgador para atestar a existência e a liquidez do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001394/99-38
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/1996
RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO SUPERVENIENTE. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8212/91. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.642
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/1996 RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO SUPERVENIENTE. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8212/91. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/1996 RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. FATO SUPERVENIENTE. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8212/91. PERDA DO OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. Tendo o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se baseado em contrariedade a dispositivo de legislação tributária declarado inconstitucional com efeitos retroativos, o mesmo não há que ser conhecido, tendo em vista a perda do seu objeto. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por se tratar de matéria sumulada. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 13 94 /9 9- 38 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 5º, inciso I do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, em face ao acórdão de n.º 20310.341, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência para os períodos de janeiro a setembro de 1994, eis que a ciência do lançamento teria ocorrido em 01/10/99 e, por unanimidade de votos, deu provimento ao mesmo para reconhecer a semestralidade na base de cálculo do PIS, conforme ementa a seguir: “PIS. DECADÊNCIA. 01/94 a 09/94. 1. As contribuições sociais, dentre elas a referente ao PIS, embora não compondo o elenco dos impostos, têm caráter tributário, devendo seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem específicas. 2. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial se desloca da regra geral, prevista no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4º do artigo 150 do mesmo Código, hipótese em que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador. Expirado esse prazo, sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. PREVISÃO LEGAL. Até 29/02/1996 o PIS deve ser cobrado com base nas disposições da LC nº 7/70, e após essa data com base na MP nº 1.212/95 e suas reedições até a conversão na Lei nº 9.718/98. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS, até 29/02/1996 (IN SRF nº 002/96), é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerado, de acordo com o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 7/70, conforme entendimento da CSRF e do STJ. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS QUE REGEM A MULTA DE OFÍCIO E OS JUROS DE MORA. O juízo sobre inconstitucionalidade da legislação tributária é de competência exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. A aplicação multa de 75% tem amparo no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, visto que a exigência foi formalizada de ofício. JUROS DE MORA. O § 1º do art. 161 do CTN dispõe que serão calculados à taxa de 1% ao mês somente quando a lei não dispuser de modo diverso. TR E SELIC – As taxas TR e SELIC têm previsão legal para serem utilizadas no cálculo dos juros de mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu vencimento, ou seja, Leis nºs 9.069/95 e 9.430/96. Recurso provido.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à legislação tributária suscitando que o acórdão recorrido teria desrespeitado o Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13808.001394/9938 Acórdão n.º 9303001.642 CSRFT3 Fl. 198 3 disposto no artigo 45, I da Lei nº 8.212/91, o qual prevê que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos decai após decorridos 10 (dez) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, e não em 5 (cinco) anos contados do fato gerador como entendeu o acórdão a quo. Em despacho de fls. 175, o i. presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, aprovando o despacho de fls. 174, deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apenas requereu a inclusão, no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, dos períodos de apuração mantidos no lançamento, quais sejam, os compreendidos entre outubro de 1994 e abril de 1996, julho e setembro de 1996 e, também, junho a setembro de 1998, não tendo, em contrapartida, apresentado contrarazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Tendo em vista a tempestividade do recurso especial por contrariedade à legislação tributária interposto pela Fazenda Nacional, cabe a esta Conselheira analisar, primeiramente, a sua admissibilidade. Conforme se depreende do relatório, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional se embasou na possível violação do acórdão recorrido ao artigo 45, I da Lei 8.212/91. No entanto, em que pesem os argumentos suscitados pela Fazenda Nacional, os mesmos se tornaram inócuos em decorrência do fato superveniente ao seu recurso especial, o qual se trata da aprovação, em 11 de junho de 2008, da Súmula Vinculante de nº 08 pela Sessão Plenária do Supremo Tribunal Federal, a qual declarou inconstitucional aludido artigo 45 da Lei 8.212/91 com efeitos retroativos. Dessa forma, não havendo que se falar em violação à dispositivo declarado inconstitucional por meio de Súmula Vinculante, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional face à perda do seu objeto. É como voto. Nanci Gama Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10283.721193/2008-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNC1A. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.
PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de que o crédito lançado de ofício já havia sido parcelado em parte, em data anterior à do início da ação fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada, para os quais o contribuinte foi regularmente intimado, mas não logrou esclarecer a procedência dos recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/1996.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrente SOBOROSA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNC1A. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. Não há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de que o crédito lançado de ofício já havia sido parcelado em parte, em data anterior à do início da ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A existência de depósitos de origem não comprovada, para os quais o contribuinte foi regularmente intimado, mas não logrou esclarecer a procedência dos recursos, caracteriza a omissão de receita do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 93 /2 00 8- 26 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório SOBOROSA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de RS 2.841.549,36, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2005. A autuação fiscal fundamentouse em depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 28/11/2008 apresenta impugnação em 23/12/2008 onde alega em síntese que: 1. houve várias prorrogações do MPF e não foi dada ciência ao Impugnante de nenhuma das referenciadas prorrogações, nenhuma dessas prorrogações encontrase acostada aos autos; 2. em procedimento de ofício efetuado com base em depósitos bancários, nos termos da Lei n° 9.430/96, é imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda; Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 4 3 3. houve tributação de incorporação de bancos, depósito em dinheiro objeto de transferência entre contas de mesma titularidade, resgate de papéis em conta corrente, ordem de pagamento recebida, na verdade tributou tudo que entrou na conta da impugnante; 4. não se pode afirmar que a sanção imposta é válida legítima, tendo em vista sua afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade; 5. a exação exigida assoma nítidas feições de confisco, o que é defeso pela Constituição Federal em voga em seu art. 150, IV; 6. a fiscalização utilizou descrições genéricas e pouco precisas para se referir aos fatos indiciários que ensejaram a aplicação da presunção legal para omissão de receitas; 7. não foram considerados os valores Declarados no PAES, conforme Comunicado Parcelamento/SEORT/DRF/MNS, datado de 30/12/2005; 8. a fiscalização descaracterizou totalmente a autuação, pois ao contrário de trazer certeza e segurança, trouxe desconfiança e dúvida, o que é vital para garantia ao direito da ampla defesa dos contribuintes; 9. olvidouse a fiscalização do disposto no art. 4o da Lei n° 9.481/1997 que alterou os limites estabelecidos no art. 42, § 3o , inciso 1, da Lei n° 9.430/96, onde não são considerados como omissão de receita os valores de depósito inferiores a R$ 80.000,00, durante o mesmo ano calendário. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Sendo o mandado de procedimento fiscal norma de natureza procedimental, servindo de instrumento, na essência, de afirmação da validade da ação fiscal e, portanto, com efeitos preponderantemente "intra corporis", não há porque se acatar os argumentos de nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNC1A. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS. PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 5 4 Não há como excluir valores em razão de alegação não comprovada nos autos de que o crédito lançado de ofício já havia sido parcelado em parte, em data anterior à do início da ação fiscal. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, o que foi decidido cm relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Impugnação improcedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência com base em depósitos bancários não contabilizados, com multa de 75%, mas que a origem dos recursos não totalmente foi justificada, apesar de o contribuinte ter sido intimado durante a ação fiscal. No recurso voluntário o contribuinte reitera suas alegações impugnativas. Omissão de Receitas. Depósitos Bancários. Aplicação do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base exclusivamente em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de Fl. 498DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 7 6 depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 10613188).” Não há que se falar em ilegalidade dessa norma por incompatibilidade com o artigo 43 do CTN, artigo 5º da Constituição Federal/1988, muito menos com artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, isso porque “não cabe em sede administrativa discutirse sobre a constitucionalidade ou legalidade de uma lei em vigor”, consoante Sumula nº. 2 deste Conselho. Uma vez que o diploma legal tenha sido formalmente sancionado, promulgado e publicado, encontrandose em vigor, cabe seu fiel cumprimento, em homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal. O lançamento tributário, conforme estabelece o art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da Administração Pública. Outrossim, na busca da verdade material e imprescindível a análise de documentos e alegações/justificativas quanto aos ingressos de numerários em conta bancária, para que o julgador possa firma sua convicção no sentido de está correto o arbitramento com Fl. 499DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 8 7 base na aludida presunção. Todavia, no presente caso a contribuinte nada apresentou para justificar a origem dos depósitos bancários considerados receitas omitidas. Em relação as demais alegações repisadas pela recorrente, peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de primeira instancia a seguir transcritos: “(...) Alega a defendente que é imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, assim como, que houve tributação de incorporação de bancos, depósito em dinheiro objeto de transferência entre contas de mesma titularidade, resgate de papéis em contacorrente, ordem Acontece que no caso de omissão de receitas detectada por intermédio da movimentação bancária, caberia à contribuinte comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não foi feito. A presunção legal é de que estes depósitos são omissão de receitas, ou seja, estão à margem do faturamento da empresa. Fazse oportuno, discorrer superficialmente sobre o uso de presunções nos trabalhos fiscais. As provas, via de regra, simbolizam determinado acontecimento por intermédio de articulações lingüísticas, existindo sempre uma probabilidade associada. Isso porque, a verdade material é inatingível. As provas são apenas instrumentos que possibilitam reconstruir e evidenciar a verdade, cuja validade depende do sistema de referência em que se encontra contextualizada. No que diz respeito à classificação, as provas dividemse em diretas e indiretas. As primeiras representam, de forma imediata, a ocorrência do fato de implicações jurídicas, constituindo uma versão do evento. Já a segunda exprime fatos secundários ou indiciários, diversos do fato principal, que se considera existente em virtude do uso de inferência lógica e de raciocínio dedutivo. Geralmente, as provas indiretas possuem maior probabilidade de erro que as provas diretas, devido à necessidade de sc efetuar uma operação lógica. Porém, a soma de indícios que apontam a um mesmo resultado aumenta significativamente o grau de certeza, conduzindo, muitas vezes, a uma convicção tão segura, quanto àquela amparada em provas diretas. Nesse sentido, as presunções constituem meios indiretos de provas plenamente capazes de embasar o lançamento tributário. Certamente, por serem uma prova indireta, quanto maior o número de indícios concatenados, mais evidenciados fica o acontecimento investigado. Importante observar que para as presunções legais basta comprovar o fato tipificado na norma, pois o próprio legislador reconheceu a força desta prova indireta, dispensando a busca por mais evidências. No caso em concreto, a fiscalização fundamentou o lançamento justamente em uma presunção legal. Com a edição do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. (...) Fl. 500DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 9 8 Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados em sua conta dede pagamento recebida, na verdade tributou tudo que entrou na conta da impugnante. Contudo, não é o que se depreende dos autos. Portanto, impróprias as alegações da reclamante. Na verdade, a autuação decorrente da falta de comprovação da origem dos recursos depositados na conta corrente da defendente encontrase perfeitamente enquadrada no dispositivo citado e só pode ser afastada com a apresentação por parte do sujeito passivo de provas em contrário, motivo pelo qual se prestigia a exigência formalizada pelo fisco. Assim, restam perfeitamente comprovadas as origens das receitas utilizadas pela fiscalização como base para o arbitramento do lucro e para a base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofíns. Quanto às alegações do defendente de que os depósitos bancários não se traduzem em omissão de receitas, já asseverei acima que se trata de uma hipótese de presunção de omissão de receita. Se o sujeito passivo não comprovou as origens desses depósitos bancários, passam a ser considerados receita omitida, com todos os reflexos nas bases de cálculo dos tributos ora exigidos. Além do mais, verificase que o fiscal autuante analisou individualizadamente os extratos bancários, tanto que baseou o lançamento nos valores lançados a crédito excluindo a devolução dos cheques. As assertivas quanto a transferências entre contas não foram comprovadas pela impugnante. Registrese quanto ao disposto no art. 4 o da Lei n° 9.481/1997 que alterou os limites estabelecidos no art. 42, § 3o , inciso I, da Lei n° 9.430/96, que referido dispositivo legal se refere a Imposto de Renda Pessoa Física, não se aplicando a Pessoas Jurídicas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A impugnante alega cerceamento do direito de defesa em virtude de a fiscalização, ao contrário de trazer certeza e segurança, trouxe desconfiança e dúvida, o que é vital para garantia ao direito da ampla defesa dos contribuintes, ocorre que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que no decurso da ação fiscal não existe litígio ou contraditório. Para comprovar tal assertiva é suficiente a transcrição do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase liligiosa do procedimento. " A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é fase na qual os agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. O auto de infração é um mero procedimento, considerase o procedimento como a sucessão encadeada de atos que prepara um ato final, enquanto processo implica, além do vínculo entre os atos, vínculos jurídicos entre os sujeitos, envolvendo direitos, deveres, poderes na relação processual. Processo implica, sobretudo, atuação dos sujeitos sob o prisma contraditório. A lide tem início após a lavratura do Auto de Infração. É a partir da lavratura do auto de infração que o contribuinte, em discordando da exigência fiscal, poderá Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 10 9 opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, assim inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário. Assim, o devido processo legal pelo qual pugna a interessada, como resulta notório dos autos, encontrase plenamente preservado. Logo, na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa, porque auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que sempre poderá fazêla, inclusive para dizer que é nulo ou improcedente. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Conforme se verifica da análise dos autos, a impugnante não trouxe aos autos comprovantes que demonstrasse conduta ou procedimento da Administração ou de seus agentes que impediu ou dificultou que acompanhasse o desenvolvimento do procedimento fiscal, que tivesse pleno conhecimento do processo correlato, que apresentasse sua impugnação e carreasse aos autos provas de suas alegações, não restando violado, pois, qualquer direito fundamental. Com efeito, temse que a contribuinte, cientificada das etapas do procedimento, teve franqueado o livre acesso aos autos, pelo prazo oferecido à apresentação de sua defesa, ao fim do qual apresentou impugnação na qual demonstra, de forma inequívoca, pleno conhecimento do processo fiscal, das infrações que lhe foram imputadas e das provas que lhe servem de fundamento. Resulta notório, pois, que nenhuma mácula houve ao contraditório e à ampla defesa, observado que foi o devido processo legal, não aproveitando à impugnante, porque inexistente, qualquer ofensa à legalidade, moralidade ou a qualquer outro princípio diretor da atividade administrativa em questão. Como os lançamentos estão respaldados em normas integrantes do ordenamento jurídico, não há espaço para maiores reflexões sobre eventuais infrações a princípios constitucionais, como os citados pela impugnante. Ausentes os vícios suscitados, descabe acolher a tese de anulabilidade do ato administrativo atacado, como requerido pela contribuinte. PARCELAMENTO PAES. NÃO COMPROVAÇÃO. A impugnante alega, ainda, que não foram considerados os valores Declarados no PAES, conforme Comunicado Parcelamento/SEORT/DRF/MNS, datado de 30/12/2005, portanto, em data anterior à lavratura do auto de infração. Contudo, não traz aos autos documentos que comprovem referido parcelamento e quais os períodos/valores nele incluídos, portanto, não há como se acatar referidas alegações por falta de provas. CSLL, PIS E COF1NS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele, no que couber, é aproveitado nos lançamentos destas. (...” Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10283.721193/200826 Acórdão n.º 1402001.361 S1C4T2 Fl. 11 10 Pois bem, confrontando as razões recursais com a peça impugnatória verifica se que a contribuinte repisa suas alegações e pedidos já enfrentados na decisão recorrida, sendo que, em relação aos depósitos, bastava que justificase a origem e apresente as respectivas provas, o que não foi feito. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15959.000217/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 9. 00 02 17 /2 00 8- 33 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/200833 Acórdão n.º 3302002.132 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de terceiros, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, combinado com declaração de compensação de débito de Cofins do período de apuração de novembro de 2004. A DRF de origem indeferiu o pedido da recorrente por duas razões: falta de atendimento a intimação para apresentar documentos e esclarecimentos acerca do crédito alegado e porque tratase de crédito de terceiros, cuja utilização é expressamente vedado pelo art. 40 da IN SRF nº 460/2004, vigente à época da transmissão da DCOMP, conforme Despacho Decisório e Relatório de fl. 14/16. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1432.164, de 17/01/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/02/2011, conforme AR de fl. 285, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2011, com o recurso voluntário de fls. 295/303, no qual: 1 discorre sobre o teor das disposições legais da compensação (art. 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96); 2 discorre sobre o instituo da cessão de créditos para concluir que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 não proíbe a sua realização. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/200833 Acórdão n.º 3302002.132 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando a restituição, combinado com declaração de compensação, de créditos de terceiros reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. Por não ter atendido a intimação da DRF para comprovar a legitimidade do crédito e por ser o crédito de terceiro, o pedido da Recorrente dói indeferido e a compensação declarada não foi homologada. A empresa recorrente alega em seu recurso que não há vedação no CTN e na Lei nº 9.430/96 para a utilização de crédito de terceiros na compensação. Sem razão a Recorrente. Sobre a cessão de créditos, e sua utilização para compensar débito da Recorrente, é preciso salientar que, embora tenham amparo na legislação civil e processual civil, bem como na jurisprudência e na doutrina, são, todavia, absolutamente ineficazes no âmbito da legislação tributária, em especial no que diz respeito às compensações objeto deste processo, pois, no campo tributário, a compensação perde seu contorno genérico, delimitando se pelo princípio maior que rege as relações jurídicotributárias: o da legalidade estrita. Como se vê, uma condição imposta pelo artigo 170 do CTN consiste no fato de que a compensação provocará a extinção do crédito tributário se o crédito líquido e certo for do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Para que a contribuinte possa afirmar que seu crédito é líquido e certo é necessário que se proceda ao exame formal e material dessa constituição. É preciso resposta às seguintes indagações: a) Quem é o credor? b) Qual o montante do objeto da prestação? d) Qual o motivo do vínculo jurídico que enlaça os sujeitos de direito? Nesse sentido, o caput do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, só autoriza compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo com débitos próprios, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A par disso, a IN SRF no 460/2004, em seu art. 40, vedava expressamente a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros, vedação hoje determinada pela Lei no 11.051/2004. Dessa forma, verificase que na Ação Ordinária no 96.00063010, transitada em julgado em 27/08/1997, descrita pelo contribuinte como sendo a origem do crédito que está sendo objeto de compensação, ela Recorrente não figura no pólo ativo, bem como não é parte. Assim, observase que a extinção via compensação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública pressupõe a precisa constituição dos respectivos direitos subjetivos. Sem o cumprimento desses requisitos, não há que se falar em compensação, pois o direito subjetivo à compensação nasce no instante em que o contribuinte for credor de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15959.000217/200833 Acórdão n.º 3302002.132 S3C3T2 Fl. 5 4 No mais, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002817/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO
FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por
qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício,
com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a
apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-002.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não
conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002817/200942 Acórdão n.º 2301002.572 S2C3T1 Fl. 323 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.170.7161, lavrado por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 34/39, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas, tendo sido aplicado o art. 32A da Lei 8.212/91 para a aplicação da penalidade, no período de 10/2004 a 12/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 21.000,00, fls. 01. A autoridade fiscal constatou que a autuada teve sua isenção cancelada por meio do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção de Contribuições Sociais 21.42.1/003/2006, com efeitos a partir de 23/10/2004. A fiscalização observou que com a Medida Provisória MP 446, de 7 de novembro de 2008, ocorreu modificação substancial na legislação aplicável, pois os art. 37 a 40 (...), tendo em vista que o Contribuinte protocolou pedidos de renovação Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, o que levaria a manutenção da qualidade de filantrópica em virtude desta MP 446. Como a referida MP foi rejeitada, e em obediência ao que determina o art. 62 da CF, as relações jurídicas constituídas durante a vigência da MP seriam tidas como válidas, na ausência, como é o caso, de Decreto Legislativo da Câmara dos Deputados. Durante a vigência da Medida Provisória MP 446, o Conselho Nacional de Assistência Social, com base no art. 37 desta MP, se pronunciou sobre a renovação dos pedidos de renovação dos Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS solicitados pela recorrente, sendo concedidas as renovações de 23/10/2001 a 22/10/2004, de 17/05/2005 a 16/05/2008 e de 17/05/2008 a 16/05/2011. Ocorre que o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública Civil Pública na 13a Vara Federal de Brasília, na qual declara como objetivo "determinar aos órgãos da União Ministérios da Previdência Social (MPS), da Educação (MEC), da Saúde (MS) e do Desenvolvimento Social • e Combate à Fome (MDS) e Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) que analisem os processos pendentes de decisão referentes a Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), afastandose a aplicação dos inconstitucionais artigos 37, 38 e 39 da Medida Provisória no 446". Na referida ação foi concedida liminar determinando à SRFB que constituísse os créditos tributários e os mantivesse com exigibilidade suspensa. Tal liminar estava com seus efeitos válidos em 13/10/2009, o que obrigou a autoridade fiscal a realizar o lançamento. Foi consignado que o Contribuinte apresentou as fotocópias do processo referente ao Mandado de Segurança com pedido de liminar proposto na 6a Vara Federal de Campinas 5a Subseção Judiciária de São Paulo com Nº 2006.61.05.0104540, na qual requer a nulidade do referido Ato Cancelatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 A fiscalização ressaltou que o lançamento visava prevenir a decadência, tendo em vista que esta não se suspende ou se interrompe, registrando que o lançamento ficaria suspenso conforme o art. 151, inciso IV e V do CTN. Após tomar ciência pessoal da autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 42/86, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 196/207, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente foi cientificada do decisório em 23/04/2010, fls. 209. O recurso voluntário, apresentado em 21/05/2010, fls. 214/260, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Aponta que no mandado de Segurança 2006.61.05.0104540 foi declarada a nulidade do Ato Cancelatório 21.424.1/003/2006, o que teria restabelecido seu direito à imunidade. Faz outras considerações a respeito da aplicação do Parecer CJ 2.272/200 ao caso, bem como sobre a MP 446. Enfim, mantém todos os seus argumentos centrados na discussão a respeito da imunidade/isenção afastada pelo citado Ato Cancelatório. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002817/200942 Acórdão n.º 2301002.572 S2C3T1 Fl. 324 5 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado, mas não tomamos conhecimento deste pelas razões a seguir. Concomitância entre processo administrativo e processo judicial. Renúncia às instâncias administrativas em relação às matérias idênticas. Súmula CARF Nº 1. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança 2006.61.05.0104540 que trata do direito à isenção às contribuições previdenciárias e a nulidade do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, com restabelecimento da fruição da imunidade a partir de 10/2004. Assim deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 1, in verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.“ Logo, toda a discussão que diz respeito ao direito à isenção às contribuições previdenciárias e a nulidade do Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, com restabelecimento da fruição da imunidade não pode ser conhecida. No entanto, as discussões a respeito dos fatos geradores da obrigação principal e da multa aplicada poderiam ser objeto do recurso administrativo. Porém, a recorrente preferiu não tratar de tais questões em sua peça recursal, fixando seus argumentos em aspectos totalmente coincidentes com o conteúdo da ação judicial, o que nos leva a concluir pelo não conhecimento integral do Recurso Voluntário. Entendemos que mesmo a consideração dos efeitos da edição e rejeição da MP 446 deve ser discutida pelo Poder Judiciário, uma vez que a recorrente optou por ingressar naquela esfera para discutir o assunto. Qualquer decisão deste Colegiado seria inútil e inválida, tendo em vista que prevalecerá a decisão tomada pelo Poder Judiciário, ainda mais se considerarmos a existência de ação civil pública tratando da referida MP 446. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725851/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003)
As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO
Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$34.239,75 (trinta e quatro mil, duzentos e trinta e nove reais e setenta e cinco centavos) em cada ano-calendário e a multa de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 18 de abril de 2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 - RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$34.239,75 (trinta e quatro mil, duzentos e trinta e nove reais e setenta e cinco centavos) em cada ano-calendário e a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora. EDITADO EM: 18 de abril de 2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello
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SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 51 /2 00 9- 85 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$34.239,75 (trinta e quatro mil, duzentos e trinta e nove reais e setenta e cinco centavos) em cada anocalendário e a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 18 de abril de 2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls.02 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$59.101,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 45 a 91), acatada como tempestiva. Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725851/200985 Acórdão n.º 2802001.601 S2TE02 Fl. 82 3 tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 84 a 89, julgou impugnação improcedente, mantendo o lançamento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 21/05/2010, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl.129. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 02/06/2010 (fls. 92/128), representado por advogados, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ressaltando os seguintes pontos:a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade do lançamento, motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, no que diz respeito à alegação de ilegitimidade passiva, desnecessárias maiores elucubrações a esse respeito, tendo em vista que a jurisprudência consolidada neste Egrégio Conselho supera o entendimento sustentado pelo contribuinte, consoante Súmula CARF n° 12, abaixo transcrita, a qual, segundo o artigo 72, § 4º do Regimento Interno do CARF, é resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, e de aplicação obrigatória por este Conselho: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Controvérsia similar a aqui exposta foi enfrentada pela 1ª Turma Especial, em 25 de agosto de 2011, no julgamento do Processo nº 10580.727061/200934, quando se prolatou o Acórdão 2801001.828, relatora a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Fl. 136DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725851/200985 Acórdão n.º 2802001.601 S2TE02 Fl. 83 5 Resende, que pela clareza do quanto decidido peço vênia, para trancrever e adotálo como razão de decidir. “Registrese, ainda, que dispositivos acerca da distribuição da renda arrecadada pela União com outros entes da federação não têm o condão de alterar a competência tributária da União quanto ao Imposto sobre a Renda (art. 6º do CTN). A interessada argumenta, ainda, que o lançamento seria nulo em decorrência de forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado. Entretanto, examinando os autos, verifico que tal alegação não procede, eis que o lançamento se fez em conformidade com a legislação de regência e os demonstrativos de apuração do imposto devido, parte integrante do Auto de Infração, refletem a situação dos autos. Diante do exposto, rejeito as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 “Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas.l.” No tocante à multa de ofício, consoante vários julgados deste conselho, é incabível pelo fato de que quando a contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725851/200985 Acórdão n.º 2802001.601 S2TE02 Fl. 84 7 prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro. Quanto aos Juros de Mora Em relação aos juros moratórios, é de se aplicar, com fulcro no artigo 62A do RICARF, o decidido por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, pela não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Quanto à aplicabilidade do precedente da Corte Federal, é de se ressaltar que o artigo 4º da Lei do Estado da Bahia 8.730, de 08 de setembro de 2003 é expressa quanto à origem dos rendimentos, qual seja: “(...) diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nos. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal,”. Portanto, inequívoca a submissão deste Colegiado ao decidido em repetitivo. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir a multa de ofício, e afastar o IR dos juros moratórios exigidos, discriminados em demonstrativo de fls. 22 a 25 (R$34.239,75 (trinta e quatro mil, duzentos e trinta e nove reais e setenta e cinco centavos), em cada ano calendário. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11516.008131/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 12/12/2008
OBRIGAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO DOS FATOS GERADORES.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.357
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões Nereu e Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões Nereu e Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 81 31 /2 00 8- 15 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 12/12/2008 em razão do descumprimento da obrigação acessória de lançar em títulos próprios da escrituração contábil os fatos geradores de contribuições previdenciárias: 5 — Verificando a contabilidade da empresa, constatamos que a mesma deixou de lançar no custo da Obra do Edifício Comercial Daros.Com as notas fiscais abaixo discriminadas, emitidas pela DL Empreiteira de Mão de Obra Ltda. As notas fiscais deveriam ter sido lançadas na conta 1.1.04.09.001 — Obras em Andamento, ferindo assim a empresa o Princípio de Competência e por conseqüência os Princípios da Continuidade, pois ambos estão atrelados entre si. ... 6 — Analisando a conta 3.1.01.01.007 Receita de Imóveis próprios constatamos que a empresa Daros Edificações e Obras Ltda possui imóvel na Alameda Adolfo Konder, centro, com Area de 1.590m2, alugado para a Secretaria Municipal de Saúde/Fundo Municipal de Saúde. Conforme contrato de locação de imóvel n° 2004/12500 imóvel foi alugado a partir de 1° de abril de 2004 e término em 30 de janeiro de 2005, podendo ser prorrogado ou alterado por Termo Aditivo de comum acordo entre as partes. 0 valor inicial do aluguel ficou acordado em R$ 27.500,00 ( vinte e sete mil e quinhentos reais), que deverá ser pago até dia 15 do mês subseqüente a emissão da Nota Fiscal/Recibo. ... 7 — Conforme termos contratuais o valor mensal do aluguel sad creditado para a empresa Daros Edificações Ltda através de depósito bancário, portanto na contabilidade da empresa, especificamente na conta Banco, os valores devem estar registrados, bem como deve estar registrada a Receita mensal correspondente. Analisando a conta Bancos verificamos que não houve o registro dos valores correspondentes em vários meses, e em muitos outros houve o registro em valores inferiores ao valor do aluguel mensal. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 AIOA DEBCAD n.° 37.172.8371 (CFL 34) Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Acórdão n.º 2402003.357 S2C4T2 Fl. 471 3 contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração a legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: I — Da ilegalidade do arbitramento Alega a Impugnante que o arbitramento das contribuições para a seguridade social pressupõe a ausência de registro ou a existência de vícios substanciais na contabilidade, que inviabilizem a identificação do movimento real de remuneração dos segurados a serviço do contribuinte. Assim, tratase de medida excepcional, que só deve ser utilizada em hipótese de erro substancial na contabilidade. Que no presente caso, os supostos vícios contábeis apontados, além de não afetarem ou prejudicarem a aferição do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da Impugnante, estão longe de serem considerados substanciais. São irregularidades sanáveis e sem nenhuma relação com o fato gerador ou com a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, trabalhadores autônomos ou trabalhadores avulsos; Que no que tange ao item 5 do relatório, no qual a Autoridade Fiscal questiona as notas fiscais emitidas pela IDL, na construção do Edifício Daros cujos pagamentos não se encontram registrados na conta "1.1.04.09.001 Obras em andamento"; apesar de a empresa ter efetuado a retenção dos 11% para a Seguridade Social sobre a mão de obra tal recolhimento não foi lançado na conta "2.1.03.01.001 — INSS s/ serviços de terceiros", não pode ser considerada como erro substancial. porque pode ser corrigido através de lançamento de Ajuste de Exercícios Anteriores. No item 6, a fiscalização aponta a contabilização em duplicidade das notas fiscais n. 1047 e 1268, no valor de R$ 18.015,68 e R$ 20.916,99, respectivamente utilizadas no pagamento da empreiteira de mão de obra do Edifício Comercial Daros.Com. Tal fato resulta de erro operacional, que também pode ser corrigido através de Retificação de Lançamentos Contábeis. com adoção do procedimento de estorno: Frisa que. conforme entendimento jurisprudencial, se os vícios são passíveis de correção, não há que se falar em documentação imprestável ou arbitramento: Ainda no item 6, a Autoridade Fiscal faz referência a lançamentos indevidos na conta "1.1.04.09.001 — Obras em Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 andamento", por se tratarem de despesas com obras que já se encontravam finalizadas desde 2006, relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela. Estes valores referemse ao pagamento da taxa de condomínio de algumas unidades que a Impugnante tem em estoque nesses edifícios. O erro quanto à troca de contas pode ser facilmente corrigido; Ressalta que tais alterações não acarretariam em qualquer prejuízo ao fisco, na medida em que a Impugnante é tributada com base no lucro presumido. Que a fiscalização, na tentativa de depreciar a escrita contábil da Impugnante menciona que os lançamentos das despesas relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela alteraram significativamente o custo da obra Comercial Daros. Tal alegação, entretanto é totalmente improcedente, uma vez que os lançamentos incorretos totalizam R$ 11.155.68, o que representa menos de 0,70% do custo da obra. No item 7 menciona a contabilização na conta 4.3.01.07.002 — Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda.. referente à Declaração Anual de Imposto de Renda dos sócios. O pagamento em comento totaliza RS 420,00, valor este que não pode ser considerado suficientemente relevante para tornar imprestável a escrita contábil da empresa, que efetuou entre os anos de 2003 e 2007, mais de vinte mil lançamentos contábeis e cujo faturamento ultrapassou RS 1.200.000.00; Quanto ao contido no item 9 a ausência de registros dos valores do aluguel em alguns meses, bem como os registros de valores inferiores ao devido mensalmente a Impugnante explica que o Edificio Alameda Center não é de propriedade exclusiva da Daros Edificações e Obras; dessa forma, os valores provenientes da locação são divididos entre os proprietários (quadro, item 26), motivo pelo qual o registro na contabilidade é de valor inferior ao aluguel previsto no contrato; Quanto à ausência de lançamento, dispõe que como é tributada com base no lucro presumido e segue o regime de caixa, a receita proveniente d vendas de bens/direitos ou de prestação de serviços, cujo preço é recebido a prazo ou em parcelas, somente é lançado no mês do efetivo recebimento, não existindo qualquer irregularidade quanto à escrituração dos valores decorrentes do contrato de aluguel firmado com a Secretaria Municipal de Saúde. Que a fiscalização presumiu a ocorrência de irregularidades em sua contabilidade, em relação à folha de paramento ou à utilização de mão de obra própria na construção do Comercial Kosmos: entretanto não logrou demonstrálas. II — Da Obrigatoriedade de adotar o CUB vigente ao tempo do Fato Gerador Dispõe que, embora a obra tenha sido executada quase que integralmente nos anos de 2006 e 2007, quando o CUB variou de R$ 627,08 a RS 980,00, o arbitramento foi realizado com base no CUB vigente em outubro de 2008, no Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Acórdão n.º 2402003.357 S2C4T2 Fl. 472 5 valor de RS1.156,36, implicando no aumento indevido do montante do crédito tributário; Que o cálculo do tributo deve refletir essa variação, devendo ser revisto, porque o fato gerador da contribuição, como se sabe, é o pagamento ou creditamento do salário ou da remuneração, que ocorreu quando da prestação dos serviços e não no momento do lançamento do tributo. III — Da base de Cálculo Efetiva do Tributo Ressalta que possui apenas dois sócios, remunerados por meio de prólabore, e duas empregadas, que exercem funções administrativas dentro da empresa, ou seja, nenhuma delas teve mão de obra utilizada na construção da obra fiscalizada; Que as obras de construção civil foram executadas por meio de terceirização de mão de obra, mediante assinatura de contratos de empreitadas, com a utilização de material próprio; Em tais casos, a empresa. como contratante, tem apenas a obrigação de promover a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou da fatura da prestação de serviços, recolhendo a importância retida, em nome da empresa cedente da mão de obra, o que vem sendo rigorosamente cumprido, nos moldes do art. 31. da Lei Federal n. 8.212/91. Informa que todos estes fatos foram esclarecidos e comprovados durante a fiscalização, mediante apresentação dos documentos solicitados, impondose, assim, o cancelamento do presente auto de infração. IV Do não cabimento da Multa Isolada Alega não ser cabível, no presente caso, a cominação da multa prevista no art. 92 da Lei n." 8.212/91, uma vez que tal multa pressupõe a inexistência de outra penalidade expressamente cominada ao contribuinte, E, no caso, o contribuinte já foi submetido à cominação da multa de oficio prevista no art. 35 da referida Lei. Submetido a julgamento, converteuse em diligência para que fossem esclarecidas algumas questões relevantes: a) Se a recorrente é tributada com base no lucro presumido, como alega? Caso a resposta seja afirmativa, se as receitas de aluguel foram escrituradas no regime de caixa, nos livros Razão e/ou Caixa? b) Se as incorreções na escrituração dos livros contábeis também implicaram omissões de remunerações de segurados ou teriam sido em razão de registros em contas contábeis impróprias? Caso tenham sido escrituradas, em quais contas contábeis? c) Com relação as notas fiscais por cessão de mão de obra/empreitada sujeitas às retenções, se os valores foram declarados em GFIP e devidamente recolhidos? Caso tenham sido escriturados, em quais contas contábeis? Fl. 288DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Foram trazidas as seguintes respostas: a) a recorrente é tributada com base no lucro presumido e as receitas de aluguel foram parcialmente contabilizadas; b) as incorreções na escrituração dos livros contábeis implicaram omissões de remunerações de segurados, pois algumas notas fiscais de serviços sujeitos à retenção de 11% não foram escrituradas; c) todos os valores foram retidos e recolhidos, ainda que algumas notas fiscais por cessão de mão de obra/empreitada não tenham sido escrituradas. Em sua manifestação sobre o resultado da diligência, o recorrente reafirma que: a) sua escrituração obedece o regime de caixa; b) todas as notas fiscais foram escrituradas ainda que em conta contábil diversa da que a fiscalização considerou como própria; c) escriturou como receita de aluguel somente a parcela que lhe pertencia, já que copropriedade de alguns imóveis; e d) tendo recolhido os valores retidos, as incorreções não tem relação com a base de cálculo das contribuições, sendo injustificáveis para o arbitramento. É o Relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Acórdão n.º 2402003.357 S2C4T2 Fl. 473 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: ... O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos Fl. 290DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Conforme relatado não foram escrituradas nas contas destinadas às obras em andamento algumas notas fiscais de serviço para realização de obra de construção civil. A escrituração indevida dificulta o procedimento fiscal. Para tanto é prevista uma infração e a multa correspondente; o que foi aplicada pela fiscalização. A autuação não desconsidera a escrituração contábil como um todo, mas aplica multa pela irregularidade na escrituração das parcelas pagas. A procedência da autuação persiste ainda que apenas um único fato contábil tenha sido lançado em desacordo com as normas regulamentares. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Acórdão n.º 2402003.357 S2C4T2 Fl. 474 9 Ressaltase que a recorrente afirma que as notas fiscais estariam escrituradas em outras contas contábeis. Esse fato, independentemente da discussão no processo principal quanto ao arbitramento, já é suficiente para a caracterização da infração. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 292DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.001538/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, mormente quando a incorporação se deu dentro do mesmo grupo econômico.
INCORPORAÇÃO - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUÇÃO - A dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio obedece aos limites estritamente excludentes estipulados no § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sob tal regramento, a dedução é limitada a partir do lucro líquido do período de pagamento ou dos lucros acumulados e reserva de lucros apurados em períodos anteriores. Em havendo evento especial de incorporação de parcela do patrimônio de outra empresa, não se aplica a incorporação horizontal, inadmissível em nosso ordenamento jurídico, sendo desconsiderado a situação contábil e jurídica da incorporada que se extinguiu e teve seu acervo líquido direcionado para compor a conta de capital social sob a forma de subscrição de ações como se de subscrição de bens se tratasse. Entendimento diverso pressuporia também que a Lei permitiria a possibilidade de duplo aproveitamento de mesmo critério da mesma na empresa incorporada e na incorporadora, para efeito de dedutibilidade do juros sobre capital próprio.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1401-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, .por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício.Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, negaram provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Karem e Mauricio; 2) Por maioria de votos, em relação à matéria de mérito remanescente. Vencido o Conselheiro Maurício Peereira Faro.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, mormente quando a incorporação se deu dentro do mesmo grupo econômico. INCORPORAÇÃO - JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO - DEDUÇÃO - A dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio obedece aos limites estritamente excludentes estipulados no § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sob tal regramento, a dedução é limitada a partir do lucro líquido do período de pagamento ou dos lucros acumulados e reserva de lucros apurados em períodos anteriores. Em havendo evento especial de incorporação de parcela do patrimônio de outra empresa, não se aplica a incorporação horizontal, inadmissível em nosso ordenamento jurídico, sendo desconsiderado a situação contábil e jurídica da incorporada que se extinguiu e teve seu acervo líquido direcionado para compor a conta de capital social sob a forma de subscrição de ações como se de subscrição de bens se tratasse. Entendimento diverso pressuporia também que a Lei permitiria a possibilidade de duplo aproveitamento de mesmo critério da mesma na empresa incorporada e na incorporadora, para efeito de dedutibilidade do juros sobre capital próprio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE - CSLL Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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SUCESSÃO EMPRESARIAL. INOCORRÊNCIA. O Fato de o auto de infração ter sido lavrado contra a empresa incorporada ou sucedida, por si só, não acarreta a nulidade do processo por erro na identificação do sujeito passivo, mormente quanto todos as intimações, termos e atos processuais são cientificados a empresa incorporadora/sucessora e atendidos, inclusive a ciência do auto de infração, não havendo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, mormente quando a incorporação se deu dentro do mesmo grupo econômico. INCORPORAÇÃO JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO DEDUÇÃO A dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio obedece aos limites estritamente excludentes estipulados no § 1º, do art. 9º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; com a redação dada pelo art. 78, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sob tal regramento, a dedução é limitada a partir do lucro líquido do período de pagamento ou dos lucros acumulados e reserva de lucros apurados em períodos anteriores. Em havendo evento especial de incorporação de parcela do patrimônio de outra empresa, não se aplica a incorporação horizontal, inadmissível em nosso ordenamento jurídico, sendo desconsiderado a situação contábil e jurídica da incorporada que se extinguiu e teve seu acervo líquido direcionado para compor a conta de capital social sob a forma de subscrição de ações como se de subscrição de bens se tratasse. Entendimento diverso pressuporia também que a Lei permitiria a possibilidade de duplo aproveitamento de mesmo critério da mesma na empresa incorporada e na incorporadora, para efeito de dedutibilidade do juros sobre capital próprio. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 38 /2 01 0- 79 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 68 2 Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, .por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso de ofício.Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARAM provimento, nos seguintes termos: 1) Pelo voto de qualidade, negaram provimento em relação aos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Karem e Mauricio; 2) Por maioria de votos, em relação à matéria de mérito remanescente. Vencido o Conselheiro Maurício Peereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal em São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Conforme o Termo de Verificação de Infração (TVI) de fls. 105110, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir: 1. Dos fatos A empresa Santander Brasil Arrendamento Mercantil S/A (Santander AM) tem por objeto social principal, conforme contrato social às fls.53, a prática de operações de arrendamento mercantil, além de quaisquer operações autorizadas ou que venham a ser autorizadas pelo Banco Central (BC) para sociedades dessa espécie. Em 13/11/2006, a Santander AM e a Santander Banespa Companhia de Arrendamento Mercantil (Banespa AM), CNPJ 42.291.245/000165, celebraram protocolo de incorporação da Banespa AM pela Santander AM (fls. 7279), que se daria pela transferência do acervo líquido contábil da incorporada para o patrimônio da Incorporadora. No anocalendário de 2007 a Santander AM distribuiu juros sobre o capital próprio (JCP) no valor de R$27.480.000,00, conforme a respectiva DIPJ de fls.92. 2. Do Direito A incorporação foi por transferência do acervo líquido contábil da incorporada para o patrimônio da Santander AM, e os saldos das contas de Lucros Acumulados de R$37.746.500,34 e de Reserva de Lucros de R$9.056.028,37 da incorporada foram transferidos para as contas Lucros Acumulados e Reserva de Lucros da Incorporadora (Santander AM). Porém, a soma aritmética de contas, no caso, Lucros Acumulados e Reserva de Lucros, é prática de incorporação "linha a linha" (incorporação horizontal), não admitida no ordenamento. Conforme os artigos 226 e 227 da Lei n° 6.404/76, e o Parecer Normativo (PN) CST 462/71, a incorporação pressupõe um aumento de capital, aprovado na assembleia geral da incorporadora, no valor do patrimônio líquido a ser vertido para a formação do novo capital social. Esse acervo líquido vertido da incorporada para a incorporadora sensibiliza somente a conta de capital social da incorporadora, nunca as demais contas do patrimônio líquido desta. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 70 4 Em razão disso, os saldos das contas Lucros Acumulados e Reserva de Lucros, da incorporadora, não deveriam ter sido alterados. De acordo com o art.347 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, o limite para dedução do JCP fica condicionado à existência de lucros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Assim, o limite de JCP a ser distribuído pela Santander AM no anocalendário de 2007 é R$13.365.360,22. Como o JCP distribuído foi de R$27.480.000,00, houve um excesso de JCP distribuído no valor de R$14.114.639,78, conforme planilha a seguir: Excesso de juros sobre capital próprio (R$) Anocalendário 2007 Balanço utilizado (c) Valores transferidos dos saldos da incorporada em 2006 (d) Balanço sem os saldos da incorporada (cd) Reserva de Lucros (a) 12.007.842,30 9.056.028,37 2.951.813,93 Lucros Acumulados (b) 61.525.406,85 37.746.500,34 23.778.906,51 Total (a+b) 73.533.249,15 26.730.720,44 JCP distribuído (e) 27.480.000,00 27.480.000,00 Limite 50% [f=(a+b)/2] 36.766.624,58 13.365.360,22 Excesso de JCP (ef) 14.114.639,78 O excesso de JCP distribuído não é dedutível, devendo ser adicionado na apuração do Lucro Real, fato que não ocorreu. Assim, a contribuinte não respeitou o limite de dedutibilidade do JCP condicionado à existência de lucros, antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 347, § 1 o do RIR/99). O excesso de JCP (R$14.114.639,78) deduzido foi glosado, sendo lavrados os autos de infração de fls. 194219, fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 123148, acompanhada dos documentos de fls. 149190, alegando, em síntese: 1. Da inexistência de vedação legal para a incorporação "linha a linha" desrespeito pela fiscalização ao princípio da legalidade Inexiste vedação no ordenamento jurídico para a realização da incorporação "linha a linha". Os artigos 226 e 277 da Lei n° 6.404/76 determinam que a incorporação pressuponha algum aumento de capital, mas não que a incorporação resulte apenas em aumento do capital social. O PN CST ° 462/71 não determina que na incorporação haja somente aumento de capital, além de abordar outro assunto e ser norma infralegal. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 71 5 Assim, o procedimento da impugnante está de acordo com as normas, pois houve aumento do capital social, na mesma proporção do capital social da incorporada. A autoridade fiscal não pode restringir o procedimento da empresa, sob pena de afronta ao princípio da legalidade (artigos 5°, inciso II, e 150, inciso I, da CF/88, e art.3° do CTN). Além disso, o procedimento adotado pela impugnante foi homologado pelo Banco Central (BC), no exercício da competência prevista no art.10 da Lei n° 4.595/64. Se o BC aprovou a operação de incorporação, é porque não houve afronta às normas legais contábeis e societárias, razão pela qual o procedimento não pode ser questionado pela autoridade fiscal, que não possui competência para tanto. A operação em exame incorporação linha a linha foi validada por empresa de auditoria, sem ressalvas, conforme notas explicativas dos balanços dos anoscalendário de 2006 e 2007 (fls. 168170, 172173 e 179192). Destaquese ainda que, se a empresa incorporada tivesse pago JCP antes da incorporação, faria jus à dedução do montante correspondente à metade das reservas de lucros e lucros acumulados. Esse direito não pode desaparecer em razão da incorporação, pois o art.227 da Lei n° 6.404/76 determina que os direitos da incorporada sejam transferidos à incorporadora. 2. Da iliquidez e incerteza dos lançamentos erro na determinação da base tributável Os autos de infração são nulos por serem ilíquidos e incertos, eis que houve erro de cálculo na apuração dos valores. De acordo com o art. 9° da Lei n° 9.249/95, os JCP só podem ser deduzidos do lucro real se o lucro do período ou os montantes de reservas de lucros e lucros acumulados sejam pelo menos o dobro do valor dessa despesa. Contudo, como se pode observar pelo demonstrativo de fls. 109 do TVF, a fiscalização considerou apenas o segundo limite legal para cálculo do suposto excesso de dedução, sem considerar o limite do lucro do exercício de 2007. Considerandose o lucro de R$45.814.972,71, apurado no anocalendário de 2007, o limite dedutível seria R$22.907.486,36, de modo que a diferença a adicionar seria de R$4.572.513,64, conforme tabela a seguir: Cálculo dos JCP (R$) (a) Total de receitas 663.728.856,86 (b) Total de despesas (647.608.036,53) (c) Lucro do exercício (a+b) 16.120.820,33 (d) JCP 27.480.000,00 (e) Provisão para o IRPJ 2.214.152,38 (f) Lucro ajustado (c+d+e) 45.814.972,71 (g) Limite de dedução (50% de f) 22.907.486,36 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 72 6 (h) Suposta parcela a adicionar (dg) 4.572.513,64 O erro de cálculo cometido pelo agente fiscal na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL acarreta falta de liquidez e certeza aos lançamentos ora combatidos, tornando os nulos nos termos do art.142 do CTN e artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, pois não foi mensurado corretamente o excesso de despesa. Frisese que a Turma Julgadora não poderá apenas reduzir a base de cálculo para R$4.572.513,64, mas deverá cancelar integralmente a autuação, pois lançamentos ilíquidos e incertos não podem ser consertados pelo Órgão Julgador. 3. Da ausência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis Conforme o art.2° da Lei n° 7.689/88, a única adição permitida ao resultado do exercício, para apuração da base de cálculo da CSLL, é o resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido. Inexiste, portanto, previsão legal para a adição, ao lucro líquido, de qualquer despesa considerada indedutível, tal como a despesa ora em análise. Apesar de o IRPJ e a CSLL possuírem as mesmas regras de apuração e pagamento, tais tributos não observam as mesmas regras de dedutibilidade de despesas. Existem normas específicas para as adições e exclusões ao lucro líquido para determinação da base de cálculo da CSLL. Assim, o lançamento de CSLL deve ser cancelado, pois não existe base legal para a adição, na base de cálculo desse tributo, de despesa considerada indedutível pela fiscalização. 4. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa O art.13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora, remete ao art.84 da Lei n° 8.981/95, que estabelece a cobrança desses acréscimo apenas sobre tributos. E conforme os artigos 3° e 113 do CTN, a multa não é tributo. O art.43 da Lei n° 9.430/96, por sua vez, autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é o caso dos autos. Assim, exigir juros sobre a multa constitui afronta ao princípio da legalidade, pelo que devem ser cancelados os juros sobre a multa lançada nesta autuação. Pelo exposto, a impugnante pede a extinção dos créditos lançados e o arquivamento do presente processo. Conforme ata da Assembleia Geral Extraordinária de 30/11/2009, fls.26, a contribuinte foi incorporada pela Santander Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ 47.193.149/000106 em 30/11/2009. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo e RECORREU DE OFÍCIO da parte cancelada: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 73 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES DE DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio obedece o limite de 50% do saldo de Reservas de Lucros e Lucros Acumulados, ou de 50% do Lucro Líquido do Exercício, o que for maior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração para o IRPJ. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 INCORPORAÇÃO DE EMPRESAS. AUMENTO DE CAPITAL DA INCORPORADORA. A incorporação de empresa pressupõe o aumento de capital da incorporadora, e a extinção da empresa incorporada, sendo, portanto, irrelevante se esta possuía, antes de ser absorvida, valores como Reservas de Lucros ou Lucros Acumulados em seu patrimônio. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A nulidade por ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: (...) da análise dos autos de infração, lavrados em 29/11/2010, a constituição do crédito tributário se deu contra o SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, inscrito no tributários, nos termos do que já restou decidido, de forma reiterada, por esse E. Conselho (...)”. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 74 8 Ocorre, contudo, que no momento da lavratura do auto de infração (29/11/2010), o banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A já havia sido definitivamente extinto, em razão de sua incorporação pelo SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, ora Recorrente, inscrita no CNPJ/MF sob o número 47.193.149/000106. Com efeito, conforme atestam os documentos societários (docs.anexos), a extinção do SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ocorreu em 13/11/2009, ou seja, anteriormente à lavratura dos autos de infração originários deste processo. Ademais, mencionese que nos sistemas da própria Receita Federal do Brasil, a situação do CNPJ do banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A consta como "baixada" desde 30/11/2009 (doc. anexo). (...). É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 75 9 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Ilegitimidade passiva Antes de se adentrar ao mérito do Recurso de Ofício cabe analisar de plano a argüição de nulidade por ilegitimidade passiva. A depender do julgamento dessa matéria o Recurso de Ofício pode ser ou não prejudicado. A princípio cabe esclarecer que essa questão veio à baila apenas por ocasião do recurso voluntário não sendo matéria impugnada. Porém, como uma nulidade por ilegitimidade passiva pode ser a princípio, a depender do caso concreto, uma nulidade absoluta e, portanto, pode se afigurar como matéria de ordem pública, tomo conhecimento dessa matéria sem declarála preclusa. A Recorrente propugna a nulidade por ilegitimidade passiva, nos seguintes termos: (...) da análise dos autos de infração, lavrados em 29/11/2010, a constituição do crédito tributário se deu contra o SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, inscrito no tributários, nos termos do que já restou decidido, de forma reiterada, por esse E. Conselho (...)”. Ocorre, contudo, que no momento da lavratura do auto de infração (29/11/2010), o banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A já havia sido definitivamente extinto, em razão de sua incorporação pelo SANTANDER LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL, ora Recorrente, inscrita no CNPJ/MF sob o número 47.193.149/000106. Com efeito, conforme atestam os documentos societários (docs.anexos), a extinção do SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A ocorreu em 13/11/2009, ou seja, anteriormente à lavratura dos autos de infração originários deste processo. Ademais, mencionese que nos sistemas da própria Receita Federal do Brasil, a situação do CNPJ do banco SANTANDER BRASIL ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A consta como "baixada" desde 30/11/2009 (doc. anexo). (...) Dessa forma, como os autos de infração foram lavrados contra empresa extinta, resta evidente o erro na determinação do sujeito passivo, de tal modo que deverá ser reconhecida a nulidade dos lançamentos. Marcos Vinicius Nader de Lima, em seu livro “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª Edição, Dialética, pp. 464/465, forte em Seabra Fagundes, Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover, entre outros renomandos juristas, defende que a Fl. 295DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 76 10 nulidade se dá em graus, ou seja, a anulabilidade do ato existe no Direito Público, e que diante da mesma importa sempre sopesar as suas conseqüências diante de valores como justiça, paz social, segurança, efetividade, e, sobretudo, considerar o princípio do prejuízo como a ‘viga mestre’ do Sistema de Nulidades, senão vejamos: “Para Seabra Fagundes, ´se a invalidez do ato jurídico, como sanção à infringência à lei, importa consequências mais nocivas que as decorrente de sua validade, é o caso de deixálo subsistir´1 Este posicionamento vai, aliás, ao encontro das aspirações gerais por maior eficiência no processo. Cândido Rangel Dinamarco sustenta, com muita propriedade, que o processo deve buscar sua efetividade e celeridade. Para ele ´a ciência processual deste fim de milênio deve buscar maior efetividade e celeridade. (...) Como vem sendo dito, cumpre, agora, revisitar as velhas técnicas e moldálas segundo as premissas teleológicas que passaram a dominar, ou seja: tornar a elas com consciência de que o processo não é fim em si mesmo nem mero instrumento técnico, nem ligado com exclusividade à ordem jurídicomaterial e obsessivamente voltado à preservação da letra da lei´2 Embora o autor se refira especificamente, ao processo civil, suas idéias aplicamse, perfeitamente, ao processo administrativo. Dentro desse espírito, devese dar maior atenção aos valores pretendidos pelo processo, entre os quais, incluemse os alores justiça, paz social, segurança e efetividade. O valor justiça relacionase com a finalidade jurídica do processo, o da paz social insta a que se tente solucionar com presteza os conflitos, o da segurança referese à preservação do direito objetivo como um todo, enquanto a efetividade é consentânea à realização dos direitos e das reais necessidades da sociedade atual. Estes valores devem ser considerados conjuntamente, sempre com a atenção voltada para as finalidades do processo e o interesse público. Assim, antes de se anular o ato processual, é preciso examinar a possibilidade de se aproveitar o ato realizado, eliminandose o vício que, sobre ele, pesa. Para Ada Pellegrini Grinover, “a decretação da nulidade implica perda da atividade processual já realizada, transtornos ao juiz e às partes e demora na prestação jurisdicional almejada, não sendo razoável dessa forma, que a simples possibilidade de prejuízo dê lugar à aplicação da sanção; o dano deve ser concreto e efetivamente demonstrado em cada situação.´. Com efeito, é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte. Afirma ainda a renomada autora que ´o princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestre do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito, sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do atuo quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida´3.(grifos acrescidos) Como se vê, a invalidade do ato administrativo só deve ser levado em consideração quando “a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida”. E qual foi o prejuízo causado ou alegado pela Recorrente? Prejudicou sua defesa? Vai responder por tributo de pessoa diversa? Conforme demonstrarei abaixo, não houve nenhum prejuízo à Recorrente, muito menos foi alegado algum, a não ser o mero descumprimento formal, que de tão irrelevante, passou ao largo da defesa na primeira instância, tendo sido quiçá percebido pela mesma no momento em que a DRJ saneia o processo 1 Fagundes, Miguel Seabra. O Controle dos Atos Administrativos pelo Poder Judiciário, Forense, Rio de Janeiro, 1969, p.53 2 Dinamarco, Cândido Rangel, “Os Gêneros de Processos e o Objeto da Causa” 3 Grinover, Ada Pelegrini e outros. As Nulidades no Processo Penal, 6ª ed. RT, São Paulo, 1997, pp. 26/27. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 77 11 indicando no seu relato a ocorrência de tais fatos e ao lado do nome da empresa autuada (incorporada) incluiu a razão social e CNPJ da empresa incorporadora. Vamos ao caso concreto. De fato, no auto de infração consta razão social e CNPJ diverso da incorporadora. É incontroverso que o auto foi formalizado em face da incorporada Porém, a empresa incorporadora, sucessora e responsável perante o Fisco com relação às obrigações fiscais da antiga empresa recebeu todas as intimações no mesmo endereço da incorporada, o recebimento e acompanhamento da fiscalização se deu pelos mesmos funcionários ao longo do tempo (Luciana Pereira), tomou conhecimento do procedimento fiscal efetuado, tomou ciência dos autos de infração lavrados, defendeuse na primeira instância sem nada alegar, enfim, exerceu tão plenamente o seu direito de ampla defesa nos presentes autos que convenceu os julgadores de primeira instância a cancelar parcela significativa do auto de infração que é motivo inclusive de Recurso de Ofício que se analisará mais a frente. Um fato curioso que se destaca é que apesar de a empresa formalmente já ter sido extinta, os funcionários atendiam à fiscalização em nome da empresa sucedida, formalizando documentos em que constava a razão social e CNPJ da sucedida e não da sucessora. Como é o caso do documento de fls.21 confeccionado em 14/04/2010 e assinado por Luciana Pereira, de fls. 25 (24/05/2010), entre outros. Ora, considerando que a incorporadora efetivamente foi fiscalizada, respondeu as intimações, foi notificada do auto de infração, apresentou impugnação, tomou ciência da decisão da DRJ e interpôs recurso., como dizer que o auto de infração foi lavrado contra pessoa estranha à Recorrente? No presente caso, não ocorreu puramente a extinção da pessoa jurídica que cometeu a falta, mediante distrato devidamente registrado e baixado perante a Receita Federal. Neste caso, a responsabilidade do sócio somente ocorre em caso de comprovação do seu uso indevido com objetivo de esconder as atividades do sócio (art. 50 do Código Civil), sendo inclusive necessário a utilização do artifício da desconsideração da pessoa jurídica; dissolução irregular da pessoa jurídica, ou dissolução de sociedade que seja considerada de pessoas (art. 134, VII, do CTN). Como se vê, nas situações retratadas acima, o formalismo deve ser levado às suas últimas conseqüências mesmo. É que o sócio da pessoa jurídica não é automaticamente responsável por dívidas da empresa extinta, tal como acontece no caso concreto de incorporação societária (art. 207 do RIR/99 e art. 227 da Lei 6404/76), onde a incorporadora responde com as obrigações da incorporada para todos os efeitos, inclusive fiscais. Esse contexto discrepa completamente dos casos em que a jurisprudência tem assentado a nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva. Neste sentido se manifesta a jurisprudência do CARF: "SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. INDICAÇÃO DA INCORPORADA COMO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO APÓS A INCORPORAÇÃO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável, por sucessão, pelo crédito tributário devido pela incorporada, devendo aquela (incorporadora) constar do auto de infração na condição de sujeito passivo. No entanto, é válido o auto de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 78 12 infração lavrado após formal encerramento de atividades da incorporada, que contém sua indicação (incorporada) no pólo passivo da obrigação tributária, desde que assegurados o devido processo legal e a ampla defesa à sucessora. Publicado no D.O.U. n° 230 de 30/11/2007."(Data da Sessão: 24/05/2007; Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe; Decisão: Acórdão 10323043) "PRELIMINAR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INCORPORAÇÃO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA A indicação no pólo passivo da obrigação tributária de pessoa jurídica constituída à época dos fatos, após a data da incorporação, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade do lançamento, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa, mormente quando o próprio responsável pela primeira toma ciência do lançamento e subscreve as defesas apresentadas nos autos. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer.."(Data da Sessão: 14/06/2007; Relator: Caio Marcos Cândido; Decisão: Acórdão 10196215) NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE FORMAL ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO AUTUADO. Não configura erro na identificação do sujeito passivo quando, embora o lançamento tenha sido formalizado em nome da empresa incorporada, não se evidencie qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da recorrente, representada pelo mesmo funcionário em todas as fases do processo, desde a fiscalização até o julgamento de segunda instância. A irregularidade no preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto n° 70.235/72 só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do lançamento quando a finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida."(Data da Sessão: 19/10/2004; Relator Designado: Marcos Vinícius Neder de Lima; Acórdão: CSRF/0105.113) . Nesse caso, a verdade real deve prevalecer sobre a verdade meramente documental A nulidade somente deve ser declarada quando restar claro o prejuízo à defesa do contribuinte ou impedir a solução do litígio pela autoridade seguinte. Dessa forma, por não vislumbrar qualquer prejuízo causado ao amplo direito de defesa que a sucessora teve, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva. Enfrento agora o mérito propriamente dito do recurso voluntário antes do Recurso de Ofício, pois a depender do deslinde do primeiro, o segundo automaticamente se resolve, por ficar prejudicado. Tratase de glosa de excesso de JCP distribuído e considerado não dedutível pela fiscalização porque o contribuinte não respeitou o limite de dedutibilidade do JCP condicionado à existência de lucros no exercício (primeiro limite) ou de lucros acumulados de períodos anteriores e reservas de lucros (segundo limite), em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados (art. 347, § 1 o do RIR/99). No caso, foram lavrados autos de infrações do IRPJ e CSLL. Segundo o cálculo da fiscalização o limite de JCP a ser distribuído pela Santander AM no anocalendário de 2007 seria de R$13.365.360,22. Como o JCP distribuído foi de R$27.480.000,00, houve um excesso de JCP distribuído no valor de R$14.114.639,78, conforme planilha a seguir: Excesso juros sobre capital próprio (R$) Anocalendário 2007 Balanço utilizado (c) Valores transferidos dos saldos da incorporada Balanço sem os saldos da incorporada (cd) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 79 13 em 2006 (d) Reserva de Lucros (a) 12.007.842,30 9.056.028,37 2.951.813,93 Lucros Acumulados (b) 61.525.406,85 37.746.500,34 23.778.906,51 Total (a+b) 73.533.249,15 26.730.720,44 JCP distribuído (e) 27.480.000,00 27.480.000,00 Limite 50% [f=(a+b)/2] 36.766.624,58 13.365.360,22 Excesso de JCP (ef) 14.114.639,78 Ressaltese que está em litígio neste tópico apenas o cálculo do segundo limite lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior a duas vezes os juros a serem pagos ou creditados que foi retificado pela fiscalização, pois o outro limite (primeiro limite) relacionado ao lucro do exercício de 2007, a DRJ apontou um erro por não considerálo uma vez que este se tornou maior do que o outro limite após as retificações feitas pela fiscalização e não foi considerado esse fato para efeito do cálculo final do apontado excesso. Porém, este assunto fica para ser tratado no próximo tópico (Recurso de Ofício), caso o mesmo não fique prejudicado pelo que se decide agora. Conforme se verifica na tabela acima, o ponto relevante da questão recai no impacto que o evento especial de incorporação no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador possa ter na apuração do segundo limite (lucros acumulados de períodos anteriores e reservas). Por outras palavras, a pergunta que se impõe é saber se a incorporadora pode aproveitar depois da incorporação os saldos das contas de lucros acumulados de períodos anteriores e de reservas presentes na contabilidade da incorporada no momento da ocorrência do evento especial de incorporação, tudo isso para efeito de cálculo desse segundo limite, dessa feita na incorporadora. A resposta a meu ver é negativa, pois a partir do momento que ocorre a extinção da incorporada o seu passado contábil, por óbvio não é mais relevante na medida em que a incorporadora pertencente ao mesmo grupo econômico da incorporada, ao invés de ações, recebe o total da riqueza patrimonial devidamente avaliada, sob uma outra forma, sob uma outra natureza, qual seja, sob a forma de um acervo líquido, uma universalidade composta de bens e direitos subtraídos de obrigações, isto é, o patrimônio líquido vertido a que se refere o art. 226 da Lei das S/A, que irá compor o capital social da incorporadora. Por outras palavras, essa sistemática pressupõe necessariamente que se siga o caminho tãosomente do “aumento de capital social” de certa sociedade, denominada Incorporadora, mediante entrega, do total da riqueza patrimonial devidamente avaliada, por outra sociedade, a incorporada, não havendo, pois, que se falar mais na existência de reservas ou muito menos de lucros acumulados da empresa extinta. Ora, se a incorporação pressupõe a extinção da empresa incorporada como pode sobreviver o regime jurídica da empresa morta na empresa incorporadora? Nesse ponto a DRJ foi muito feliz ao dizer que: Assim, com a operação de incorporação, a situação anteriormente existente na empresa absorvida deixa de ter qualquer efeito na empresa sucessora. Por outro lado, uma vez integralizado o capital da empresa incorporadora, esta seguirá regime jurídico próprio, de acordo com sua capacidade de se habilitar às exigências legais, no caso, a dedução de valores pagos a título de JCP. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 80 14 Dessa forma, descabido o entendimento da Recorrente de que, pelo art.227 da Lei das S/A, poderia transferir à incorporadora os valores das "Reservas de Lucros" e "Lucros Acumulados", para assim poder aproveitar a dedução que a incorporada teria se tivesse pago JCP antes da incorporação. A Recorrente na prática adotou o que se chama de incorporação “linha a linha” ou incorporação horizontal não permitida por nosso ordenamento jurídico. E não se alegue que no nosso ordenamento jurídico não existe nenhuma lei que contenha dispositivo que proíba, em letras garrafais, esse expediente. Tratandose de sociedades anônimas, o instituto da incorporação, fusão e cisão está muito bem disciplinado e regrado na Lei das S.A. (Lei nº 6.404/76), não podendo a empresa fugir desse regramento. Se um caminho formal lá é indicado precisamente, por óbvio que as empresas não possuem a liberdade de seguir outro caminho, como fez a Recorrente. Utilizase nesse caso de um argumento e interpretação a “contrario sensu”. E o art. 227¸§1º da Lei da S.A não deixa dúvida quanto ao caminho a ser seguido, ou seja, passa pela necessidade de se aumentar o capital social mediante a versão do seu patrimônio líquido (acervo líquido) após avaliação pericial : A assembléia geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporadora mediante a versão de seu patrimônio liquido, e nomear os peritos que o avaliarão. Para melhor elucidação da matéria destaca abaixo a legislação correlata, qual seja, os artigos 226 e 227 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S/A), que tratam do instituto da incorporação, bem assim outros: Transformação, Incorporação, Fusão e Cisão (Redação dada pela Lei n° 11.638/2007) Art. 226. As operações de incorporação, fusão e cisão somente poderão ser efetivadas nas condições aprovadas se os peritos nomeados determinarem que o valor do patrimônio ou patrimônios líquidos a serem vertidos para a formação de capital social é, ao menos, igual ao montante do capital a realizar. § 1° As ações ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que forem de propriedade da companhia incorporadora poderão, conforme dispuser o protocolo de incorporação, ser extintas, ou substituídas por ações em tesouraria da incorporadora, até o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal. § 2° O disposto no § 1° aplicarseá aos casos de fusão, quando uma das sociedades fundidas for proprietária de ações ou quotas de outra, e de cisão com incorporação, quando a companhia que incorporar parcela do patrimônio da cindida for proprietária de ações ou quotas do capital desta. § 3o A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá normas especiais de avaliação e contabilização aplicáveis às operações de fusão, incorporação e cisão que envolvam companhia aberta. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Incorporação Fl. 300DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 81 15 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1° A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2° A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3° Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (destaques nosso) Não restam dúvidas pelos dispositivos acima que o caminho da incorporação “linha por linha” é ilegal, na medida em que está claro que a incorporação consiste na transferência do patrimônio da incorporada para a formação do capital social da incorporadora, via tão somente aumento do capital da incorporadora, com a consequente extinção da incorporada e desaparecimento, portanto, das contas contábeis de lucros acumulados de períodos anteriores e reservas da incorporada. Esse caminho seguido pelo nosso legislador pátrio tem sua razão de ser. Primeiro porque se valoriza o princípio da entidade, onde não se confunde os balanços individuais de empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, com o balanço consolidado que servem no Brasil tão somente para fins de divulgação, sem qualquer efeito societário ou tributário. Segundo, a prevalecer o caminho da incorporação “linha a linha”, onde se preserva a conta lucros acumulados, por simetria, também se preservaria a situação de prejuízos acumulados. Tal situação daria margem para que os prejuízos acumulados da empresa incorporada fossem “herdados” para a empresa incorporadora, sendo que tal lógica não é admitido sob forma alguma em nosso ordenamento jurídico. Nesse sentido, o Parecer Normativo (PN) CST n° 462/71, diferentemente do que defende a Recorrente, trata sim do referido tema, sendo bastante conclusivo e na mesma pisada do que aqui se defende: 6. Sem maiores esforços de interpretação, da leitura dos textos legais salta à vista de pronto uma formalidade essencial à realidade do ato jurídico: se efetue a incorporação tendo por base o patrimônio líquido da incorporada, avaliável, inclusive por peritos nomeados. Em última análise, impõese à operação a obediência às mesmas formalidades exigíveis na subscrição de capital mediante ingresso de bens. (destacouse) A doutrina de Jeferson R. Nonato, em artigo intitulado “Incorporação horizontal”, que tratou minudentemente desse tema, também converge para nosso entendimento: V Conclusão Fl. 301DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 82 16 A Incorporação de Empresa (também denominada incorporação de acervo líquido) é um ato jurídico complexivo (dependente do encadeamento lógico de vários atos válidos) e solene ( forma especial de contratação de observação obrigatória). Portanto todas as formalidades do ato devem ser observadas, a ponto de afirmarse que não existe incorporação de fato. Formalizada a incorporação, desaparece do universo jurídico a pessoa da incorporada, sendo que seus direitos e obrigações são transferidos por sucessão universal à incorporadora. Ora esta figura da sucessão universal de direitos e obrigações não deve levar o operador do direito a equívocos. Os direitos e obrigações referidos, na sucessão, dizem respeito àquelas relações jurídicas existentes no momento da consumação da incorporação em que a pessoa jurídica da incorporada estava presente como contraparte, isto é como credora ou devedora, ou como titular de direitos aperfeiçoados. De longe não se cogita em sucessão de regime jurídico. Não há direito adquirido em matéria de regime jurídico, aliás, como já decidido pelo Supremo Tribunal Federal. Subscrito e integralizado o capital social da incorporadora, na forma da Lei, será esta posta como destinatária dos regimes jurídicos que lhe aprouverem, segundo suas próprias qualificações jurídicas, econômicas, societárias e contábeis. Não mais há relevância na situação antes existente na incorporada. Destarte se a incorporada dispunha de Lucros Acumulados em seu Patrimônio Líquido e sobre este saldo pudesse calcular Juros Sobre o Capital Próprio, não significa que a Lei Comercial ou Tributária autorize o mesmo procedimento na incorporadora, caso esta incorporadora não disponha de lucros acumulados. Não nos esqueçamos que durante o processo de incorporação a figura dos "lucros acumulados", presentes na incorporada, desaparece do mundo jurídico para ser substituída por outro conceito legal, que é o do Patrimônio Líquido Vertido (acervo líquido). Enfim, subscrevese e integralizase capital social com bens e direitos, reduzidos devidamente pelas obrigações, e não com rubricas contábeis. (destacouse) Queremos crer que não há planejamento tributário na incorporação linha a linha e sim ilegalidade tributária de conduta se houver majoração das bases de cálculo dos Juros Sobre Capital Próprio ou mesmo aumento indevido dos Dividendos a Distribuir. A forma contábil de registro de negócios societários não tem o condão de alterar a dimensão financeira de institutos jurídicos arquitetados de forma rígida e isonômica. Não se pode confundir a liberdade de contratar e contabilizar com a inobservância de normas cogentes nestas matérias. (destacouse) Quanto aos argumentos da Recorrente afirmando que seu procedimento estaria respaldado por relatório de auditoria externa e teria sido homologado pelo BC. Cabe salientar que o Banco central é um Órgão regulador dos mercados de capitais, não se imiscuindo na seara tributária, onde não tem competência. Outrossim, os pareceres de auditores externos não são de forma alguma vinculantes. Por fim, apenas para argumentar mais um motivo para se negar provimento ao recurso, nesse caso tratase de um argumento subsidiário, mas que reforça o argumento anterior. É que apesar daquelas reservas se referirem a “exercício anterior” e, se admitido a incorporação “linha a linha” poderem ser consideradas também assim em seu fechamento em 31/12/2006, mesmo assim seria um contrasenso lógico utilizála em duplicidade: uma vez na empresa incorporada e outra na incorporadora. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 83 17 Digo que é um contrasenso “lógico” porque no momento que faço esse raciocínio sou obrigado a trabalhar no mundo hipotético e não no mundo empírico real, pois estou trabalhando com a lógica da Lei, com a lógica do ordenamento jurídico. Pouco me importa se a empresa incorporada, no mundo do SER, utilizouse ou não efetivamente da prerrogativa estabelecida em quaisquer um dos 2(dois) critérios lógicos de dedutibilidade do JCP disponíveis, ou mesmo, indo mais avante, se a empresa incorporada utilizouse efetivamente ou não da dedução de JPC. O que importa é que, no mundo do DEVER SER, ou melhor, no mundo do PODER SER, ela poderia ter utilizado quaisquer um dos critérios e distribuído os JCP baseando em qualquer um deles. Tinha essa liberdade para tanto. E se isso é o caso, como podemos assumir que a Lei permita a possibilidade de uma mesma variável (reserva de lucros) ser utilizada duplamente: uma na empresa em que ocorreu o evento especial (incorporada) e outra vez na empresa que incorporou esse mesmo pedaço de reserva de lucros (recorrente)? Por todo o exposto, mantenho o lançamento nesse item. Da indedutiblidade do excesso de JCP na base de cálculo da CSLL A Recorrente apregoa que não há previsão legal expressa para adição do excesso de juros sobre capital próprio na base de cálculo da CSLL, mas tão somente do IRPJ. Ora, o que se está em questão antes de tudo é a possibilidade de dedução do pagamento de juros sobre capital próprio do cálculo do lucro real. A apuração do IRPJ e da CSLL parte do lucro líquido. A legislação do IRPJ determina os limites de dedutibilidade para os JCP (art.347 do RIR/99), tributandose o excesso de JCP pagos e deduzidos como despesa pela contribuinte, igualmente deve ser adicionado na apuração da base de cálculo da CSLL esse excesso de JCP, ex vi art. 57 da Lei n. 8.981/95. A seguir rigidamente o raciocínio da Recorrente não haveria previsão legal para a dedução desse pagamento na base da CSLL e a glosa deveria ser integral e, não parcial como foi. Porém, isso não aconteceu, pois as Instruções Normativas SRF n° 93/97 e 390/2004 consolidaram as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL, repetindo em seus artigos 49 e 3°, respectivamente, o mesmo comando da referida lei. Cabe nesse ponto ressaltar o que fora colocado pela decisão de piso: Portanto, a obrigatoriedade para se aplicar à CSLL as mesmas regras e condições de dedutibilidade de amortização existentes para o IRPJ decorre de expressa previsão legal, estando consubstanciada nos citados atos normativos, os quais corroboram o entendimento da Administração Tributária sobre a aplicabilidade do dispositivo à hipótese aqui tratada. Além disso, existe norma específica o referido dispositivo da IN SRF n° 390/2004 determinando a adição do excesso de JCP deduzidos pela contribuinte à base de cálculo da CSLL. Portanto, mantenho a referida glosa. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 84 18 Juros de mora sobre Multa de Ofício Insurgese a Recorrente contra a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Na defesa desse tese, geralmente se utilizam do argumento a contrario sensu. Ou seja, como a única hipótese de incidência de juros sobre multa estaria consignada no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96, deve, por exclusão, nas demais hipóteses, ser expurgada a aplicação dos juros sobre a multa aplicada, que só passará a incidir nos termos do § 1º do art. 161 do CTN. Ora, como todo argumento a contrario sensu, devese usálo com muita cautela, pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (em havendo multa de ofício isolada) > (implica) “q” (implica o cálculo de juros de mora sobre ela). Isso não que dizer que se negarmos “p” (no caso da multa de ofício sobre tributo, pois não se trata de multa isolada) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (cálculo de juros de mora sobre essa multa). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”. Como é sabido, a multa de ofício, ex vi art. 44 da Lei nº 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago (diferença entre o tributo devido e o recolhido). A partir da leitura do Código Tributário Nacional, concluise que a multa, apesar de não ter a natureza de tributo, faz parte do crédito tributário. É a inteligência dos artigos 3º e 113 do CTN, conjugado com art. 139 que assim dispõe “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta” Ou seja, enquanto o art. 3° exclui as multas da definição de tributo, os dispositivos seguintes (art. 113, §1°, e art. 139) trazemnas para compor o crédito tributário. Por conseguinte, a cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Por sua vez, o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe que os juros de mora passam a integrar o crédito tributário não pago, de forma a que a incidência da multa alcança tanto o crédito tributário principal quanto os juros de mora sobre ele incidentes. Em resumo, é cabível a aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, pois a teor do art. 161 do Código Tributário Nacional sobre o crédito tributário não pago correm juros de mora, como a multa de ofício também constitui o crédito tributário sobre ela também necessariamente incide os juros de mora na medida em que também não é paga no vencimento. Assim, não procede o argumento da Recorrente no sentido de afirmar que apenas a partir da existência do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Ora, tal previsão diz respeito à aplicação de multa isolada sem crédito tributário. Assim, a teleologia de tal dispositivo legal vem a reboque de se ratificar a incidência dos juros sobre a multa que não toma como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa de ofício. O Conselheiro Alkmim foi muito feliz em sua explicação por ocasião do Acórdão 140100.155 no qual a referida matéria também foi enfrentada: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 85 19 (...) Seria o óbvio não conter referida previsão quando a multa é aplicada sobre crédito tributário não pago. Isso porque, ao contrário do que afirma a Recorrente, caso existisse tal previsão – de incidência de juros sobre multa , poder seia imaginar a dupla incidência dos juros, é dizer, uma sobre o crédito tributário e outra sobre a multa depois de formalizada. Em se tratando de tributo não pago, a multa deve incidir sobre a totalidade do crédito tributário que deixou de ser recolhido, incluindose nele a correção monetária e os juros. Assim, na verdade, não é o juros que incide sobre a multa, mas sim a multa que incide sobre o crédito tributário com juros e correção monetária. Diante do exposto, mantenho os juros de mora sobre a multa de ofício. RECURSO DE OFÍCIO Tomo conhecimento do Recurso de ofício em face de o mesmo atender os requisitos de admissibilidade. A matéria submetida a recurso de ofício relacionase à imputação de erro cometido pelo autuante ao não considerar para efeito de cálculo dos limites de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio o maior valor entre dois critérios estabelecidos em Lei. Destaco da decisão de piso o ponto relevante de seus fundamentos que ensejou o Recurso de Ofício: Assim, de acordo com a legislação, os limites para dedução dos valores pagos a título de JCP são 50% do lucro líquido (antes da provisão para o IRPJ e da dedução dos JCP) correspondente ao período de pagamento dos JCP, ou 50% das Reservas de Lucros e Lucros Acumulados, o que for maior. No caso presente, a empresa calculou os valores de JCP aplicando a variação da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido (planilhas de fls.48 e 49), apurando um valor de JCP a deliberar de R$27.480.000,00, o qual foi deduzido na DIPJ do anocalendário 2007 (fls.92). A fiscalização calculou o limite de 50% do saldo de Reservas de Lucros e de Lucros Acumulados às fls. 109 do Termo de Verificação Fiscal, apurando excesso de JCP deduzidos de R$14.114.639,78. No entanto, o limite de 50% do lucro líquido (antes da provisão para o IRPJ e da dedução dos JCP) não foi examinado, devendo, pois, ser objeto de análise neste julgamento. Na DIPJ do anocalendário de 2007, a empresa informou um lucro líquido do período de R$16.120.820,33, que somado à Provisão para o IRPJ (R$2.214.152,38) e aos JCP deliberados para esse ano (R$27.480.000,00), resulta no valor de R$45.814.972,71. Calculandose 50% de R$45.814.972,71, temse R$22.907.486,35. Portanto, os JCP deduzidos (R$27.480.000,00) excederam esse limite em R$4.572.513,65, sendo este o valor correto da base de cálculo para o lançamento relativo ao excesso de dedução de JCP no período em tela. Os valores de IRPJ e CSLL, e respectivas multas, ficam reduzidos para: IRPJ e CSLL (R$) Fl. 305DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16327.001538/201079 Acórdão n.º 1401000.946 S1C4T1 Fl. 86 20 Base de cálculo IRPJ (a) Adicional IRPJ (b) Multa (75% sobre a+b) CSLL (c) Multa (75% sobre c) 4.572.513,65 685.877,04 457.251,36 857.346,30 411.526,22 308.644,66 Assim, irreparável a decisão piso nesse aspecto, pois nada mais fez do que reparar erro material do autuante ao não considerar o maior critério entre dois estabelecidos por Lei. O autuante preocupouse apenas em retificar para menor o critério relacionado à Reservas de Lucros e de Lucros Acumulados, esquecendose do critério relacionado ao lucro líquido do período (50%) que seria no caso maior que o primeiro limite após a retificação feita pelo fiscal e já tratada em tópico anterior. Nesse ponto, retorno ao Recurso voluntário para afastar a preliminar de nulidade levantada pela Recorrente nesse ponto específico. O seu raciocínio é o seguinte: Já que foi admitido erro parcial no lançamento, ele seria ilíquido e deveria ser anulado. Ora, o erro no aspecto quantitativo da base de cálculo da regra matriz de incidência é a operação mais comezinha que os órgãos julgadores fazem sem macular todo o lançamento. Tratase de matéria mansa e pacífica na jurisprudência administrativa. Nesse caso, não há “contaminação” do todo pela parte. Rejeito, portanto esta outra preliminar de nulidade. Por todo exposto, nego provimento ao recurso de ofício, e quanto ao recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso.. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 306DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10120.005375/2010-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP
Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32-A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiam-se ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91.
MULTA DE OFÍCIO.
Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetem-se ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA
O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
MULTA
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2403-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32-A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiam-se ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetem-se ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. MULTA Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em parte.
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP Na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a omissão de fatos geradores nas GFIPs, determina a lavratura de Auto de Infração ao tempo em que para imputação de penalidades implica observar o comando do artigo 32A, da Lei n° 8.212/91 cujas irregularidades do gênero, até sua edição, subsumiamse ao preceituado no revogado artigo 32, inciso IV, 5 do mesma Lei n 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. Não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetemse ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. MULTA Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 53 75 /2 01 0- 33 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32 A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Ewan Teles Aguiar Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A primeira instância produziu o relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi: “ Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO. A empresa apresentou impugnação com as mesmas alegações trazidas nos autos do processo principal de n° 10120.005376/201088 que julgado em sede recursal, nesta mesma sessão de hoje, no mérito, não logrou prosperar. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 48 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília – DF DRJ/BSB, em 27 de janeiro de 2011, exarou o Acórdão n ° 0341.370 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, anexo 1 do volume 1, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE. Consta nos autos, parte final, despacho de encaminhamento, sem número que atesta a tempestividade do Recurso. Presentes requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO O lançamento tratase de descumprimento de obrigações acessórias diretamente vinculadas ao Recurso Voluntário do processo de obrigação principal de número 10120.005376/201088 que julgado nesta mesma sessão, no mérito, os argumentos da Recorrente não obtiveram provimento. Desse modo, por idênticas as alegações trazidas nesta peça recursal, por economia processual não as enfrento ao tempo que, por coerência, negolhes provimento. DA MULTA O auto de infração em apreço, foi lavrado por ofensa a legislação vigente preceituada no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DA RETROATIVIDADE BENÍGNA O inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna., verbis: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10120.005375/201033 Acórdão n.º 2403001.471 S2C4T3 Fl. 5 7 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, é pertinente o recálculo da multa que se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA MULTA DE OFÍCIO Muito embora não constar do Relatório Fiscal o descumprimento vinculase ao período 01/06/2007 a 31/12/2009 observado irregular no processo principal. A instância “ ad quod ” relatou e anuiu o procedimento da Autoridade Fiscal que aplicou multa de ofício às competências 12/2008 em diante. Neste sentido há que reformar o “decisium” em razão de que não há previsão de aplicação de multa de ofício para a infração enquadrada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV. As ocorrências do gênero submetemse ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, “ verbis ”: “ Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) . I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei n 11.9412, de 2009) ” Desse modo, são nulas as penalidades impostas sob multa de ofício. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10855.903120/2008-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário:
2004
Ementa:
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS.
INEXISTÊNCIA.
Conforme reconhecido pela própria contribuinte, à época da apresentação de
sua Declaração de Compensação existiam efetivos erros nos registros de suas
declarações fiscais (DIPJ e DCTF), atingindo, assim, diretamente, a certeza
do direito creditório pretendido.
Numero da decisão: 1301-000.888
Decisão: Os membros da turma acordam, POR UNANIMIDADE, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004 Ementa: PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. INEXISTÊNCIA. Conforme reconhecido pela própria contribuinte, à época da apresentação de sua Declaração de Compensação existiam efetivos erros nos registros de suas declarações fiscais (DIPJ e DCTF), atingindo, assim, diretamente, a certeza do direito creditório pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, POR UNANIMIDADE, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Por sinteticamente descrever a ocorrência apresentada nos autos, adoto o relatório indicado pela r. decisão recorrida, quando destaca: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Sorocaba SP, através do Despacho Decisório n° 781241017 (fl. 3), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. * Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$35.787,67 * Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 20/08/2008 (fl. 7), apresentou, em 19/09/2008, manifestação de inconformidade (fls. 8/12). Nesta peça, alega, em síntese, que: houve erro de fato no preenchimento da DIPJ; o erro foi corrigido por DIPJ retificadora, eliminandose a razão da não homologação; embora existisse erro de fato, tinha direito ao crédito, conforme jurisprudência. Às fls. 122/125, foi juntada cópia da Portaria RFB/SUTRI n° 1.036/2010, que transfere a competência para julgamento deste processo para a DRJ/RJO 1. Apreciando as razões da manifestação de inconformidade da contribuinte, assim sumariamente se manifestou a DRJ de origem: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeita com o resultado do julgamento, a contribuinte apresenta, conforme de petição de fls. 140, seu “requerimento” no sentido de serem reapreciadas as suas razões, o que, pela sistemática própria do Decreto 70.235/72, fora então recebido como Recurso Voluntário e, assim, encaminhado a este CARF para apreciação e julgamento. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Tempestivo o recurso, dele conheço. O tema tratado nos presentes autos referese à pretensão de compensação efetivada pela contribuinte por meio das PER/DCOMP’s apontadas, com a utilização de um direito creditório que, conforme destacado nos autos, não se encontrava, à época da Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903120/200829 Acórdão n.º 1301000.888 S1C3T1 Fl. 2 3 apresentação das respectivas DCOMP’s, nos respectivos sistemas fazendários, alimentados pelas Declarações próprias do contribuinte (DIPJ, DCTF, etc.). A contribuinte, por sua vez, reconhece, de fato, que à época da apresentação das DCOMP’s, existia efetivo “erro de fato” em suas declarações, o que, entretanto, somente posteriormente teria sido retificado, sendo a controvérsia apontada, então, apenas e exclusivamente a discussão em torno da possibilidade (ou não) de utilização de retificadora ulterior para a validação da Declaração de Compensação inicialmente apresentada. Em que pese todo o esforço pretendido pela contribuinte, verificase restar, no caso, completamente incontroverso que, à época da pretendida efetivação de Compensação (apresentação das PER/DCOMP’s apontadas) o direito creditório pretendido efetivamente não gozava dos atributos específicos de certeza e liquidez, não podendo, assim, de forma alguma, ser admitida a apresentação ulterior das retificadoras com vistas a admitir, destarte, o processamento da pretendida compensação. A esse respeito inafastáveis se apresentam as disposições do Art. 147 do CTN, que, em seu parágrafo primeiro, inclusive, assim expressamente destaca: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Nesses termos, sendo incontroverso nos autos que, de fato, o pretendido direito creditório apontado pela contribuinte em sua pretendida DCOMP não se havia apresentado na competente DIPJ anterior, e que, em que pese regularmente intimada para tanto, somente fora promovida a retificação após o Despacho decisório que rejeita a compensação pretendida, não se pode aqui, de forma alguma, admitir a pretensão da recorrente de se ver validados os seus procedimentos, que, como se vê, encontram óbices específicos na competente legislação de regência. Diante dessas circunstâncias, encaminho meu Voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, mantendose, assim, em todos os seus termos, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
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