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Numero do processo: 10880.923801/2009-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Charles Pereira Nunes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 38 01 /2 00 9- 87 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923801/200987 Acórdão n.º 3801001.977 S3TE01 Fl. 111 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa às fls. 1/2, transmitida eletronicamente pela empresa Santos Brasil S/A com o propósito de compensar débito(s) próprio(s) com suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior que teria realizado em 15/05/2001. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 3, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Inconformada, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade anexa às fls. 7/19, na qual alega em síntese que: a.a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b.a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora (vejase cópia em anexo); c.não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d.além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que — em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública — afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e.em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f.a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea — situação que, nos termos do art. 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923801/200987 Acórdão n.º 3801001.977 S3TE01 Fl. 112 3 consoante atestam a jurisprudência e a doutrina que ora traz à colação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), às fls. 76/80, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS' Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 83 a 103, no qual, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o Relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923801/200987 Acórdão n.º 3801001.977 S3TE01 Fl. 113 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para a COFINS, referente ao mês de abril/2001, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 2° trimestre/2001, conforme cópia às fls. 68/69. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito, ressalvada uma planilha demonstrativa à fl 70. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões Conforme já salientado, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923801/200987 Acórdão n.º 3801001.977 S3TE01 Fl. 114 5 Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Em relação à alegação de que não é devida a multa de mora na cobrança dos débitos indevidamente compensados, igualmente não assiste razão à recorrente. A IN SRF 460/2005, vigente à época, que disciplina o procedimento de compensação, previa no seu art. 30 que o tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. O art. 61 da Lei 9.430/1996, por sua vez, dispõe que os débitos não recolhidos no vencimento estão sujeitos à incidência da multa moratória. Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Consoante entendimento da Administração Tributária, a multa moratória destinase a compensar o sujeito ativo pelo atraso no pagamento do que lhe era devido e não tem sua aplicação excluída pela denúncia espontânea, sendo exigida sempre que o pagamento do tributo for efetuado espontaneamente, mas fora do prazo previsto na legislação específica. Não obstante a discussão travada nos Tribunais judiciais e órgãos julgadores administrativos sobre o alcance do art. 138 do CTN e o entendimento de alguns doutrinadores de que a denuncia espontânea exclui a aplicação de qualquer multa, inclusive a moratória, que teria natureza punitiva e não indenizatória ou compensatória, no caso em tela tratamse de débitos já declarados pelo contribuinte, e não recolhidos, ou seja, o Fisco já tinha conhecimento do fato gerador, por intermédio da declaração efetuada pelo sujeito passivo, estando o contribuinte, portanto, sujeito ao pagamento da multa moratória prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996. Esse entendimento que é adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, inclusive, deu ensejo à publicação da Súmula STJ 360: Súmula 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10880.923801/200987 Acórdão n.º 3801001.977 S3TE01 Fl. 115 6 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.900298/2009-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.535, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 00 29 8/ 20 09 -1 7 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900298/200917 Resolução nº 3802000.103 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 15435.20064.290405.1.3.049207, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 14/01/2005; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900298/200917 Resolução nº 3802000.103 S3TE02 Fl. 121 3 alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900298/200917 Resolução nº 3802000.103 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10680.933047/2009-40
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO ADUZIDO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
Inexiste possibilidade de extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação uma vez comprovado nos autos que o crédito aduzido em declaração de compensação não é mais passível de restituição ou de ressarcimento em vista da decadência do direito (artigo 168, inciso I, c/c art. 150 § 4o, do CTN). Condição que torna irrelevante a demonstração de erro de fato no preenchimento da declaração, ainda que o mesmo tivesse sido demonstrado.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO ADUZIDO. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Inexiste possibilidade de extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação uma vez comprovado nos autos que o crédito aduzido em declaração de compensação não é mais passível de restituição ou de ressarcimento em vista da decadência do direito (artigo 168, inciso I, c/c art. 150 § 4o, do CTN). Condição que torna irrelevante a demonstração de erro de fato no preenchimento da declaração, ainda que o mesmo tivesse sido demonstrado. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 47 /2 00 9- 40 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 24/26 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS/PASEP relativo ao fato gerador de 28/02/2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alegou haver exercido direito amparado na legislação vigente, e que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, uma vez que a recorrente, além de ter apresentado DCTF retificadora e DIPJ retificadora depois de expirado o prazo legal para tanto, não procedeu à correspondente alteração do valor da contribuição na DACON. Confirase no seguinte trecho do voto condutor da decisão reportada: De fato, verificase que na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 28/02/2003, o contribuinte vincula parte do DARF discriminado no Per/Dcomp, restando saldo de crédito suficiente para compensar o débito indicado na declaração de compensação. A DCTF retificadora do período de 28/02/2003 foi transmitida pelo contribuinte em 11/11/2009, além do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Verificase também que a Dipj retificadora, referente ao ano calendário 2003, foi entregue em 10/11/2009, transcorrido mais de cinco do fato gerador. Registrase ainda que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) entregue não confirma o valor do PIS informado nas retificadoras da DCTF e da Dipj. Aduziu ainda a primeira instância julgadora não haver sido apresentada nenhuma prova da existência do crédito, razão pela qual indeferiu o pleito da interessada. Cientificada da referida decisão em 07/03/2012 (vide AR de fls. 29), a interessada, em 09/04/2012 (uma segunda feira), apresentou o recurso voluntário de fls. 30/48, onde aduz o seguinte: a) que possui direito ao crédito alegado, uma vez que incluiu, erroneamente, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, em vista da tributação monofásica sobre os medicamentos ditada pela Lei no 10.147/2000; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933047/200940 Acórdão n.º 3802001.591 S3TE02 Fl. 66 3 b) que a DCTF retificadora, uma vez transmitida e aceita pelo sistema eletrônico da Receita Federal, não poderia ser sumariamente rejeitada; c) que a declaração retificadora se constituiria em prova, ao menos indiciária, do crédito; d) que seu direito a compensação está amparado pelo artigo 74 da Lei no 9.430/96, o qual não exige retificação de DCTF; e) que a compensação tem natureza declaratória, não havendo necessidade de o contribuinte juntar ou anexar qualquer documento; f) que o artigo 11 da IN RFB no 900/2008 “não prevê que a mencionada declaração enviada após o prazo de 05 anos não terá qualquer validade”, e que a DCTF retificadora terá os mesmos efeitos da DCTF retificada; g) que a Administração deveria intimar o contribuinte para explicar o que lhe motivou fazer a retificação, até porque o PER/DCOMP não permite a juntada de qualquer documento; h) alega apresentar planilha que “demonstra os cálculos finais após a devida apuração dos tributos (COFINS e PIS), cálculos estes realizados tomando como base a escrituração contábil da empresa”, documentos os quais são passíveis de serem conferidos pela Receita Federal; i) colaciona jurisprudência, soluções de consulta da Receita Federal e julgado do antigo Conselho de Contribuintes onde foi reconhecido o direito de as pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos excluírem das bases de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos submetidos a alíquota zero. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida, ou, alternativamente, seja anulada a decisão de primeira instância e baixado o processo em diligência para que a Receita Federal apure a legitimidade do crédito tributário. Anexa ao recurso, além de documentos destinados a comprovar a legitimidade do postulante, planilha “resumo de créditos a compensar” (fls. 58) e tabela demonstrativa dos recolhimentos efetuados do PIS e da COFINS nos anos de 2001 a 2006 (fls. 59/62). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Conforme relatado, a primeira instância de julgamento indeferiu o pleito sob o argumento de que a recorrente, além de ter apresentado DCTF e DIPJ retificadoras depois de expirado o prazo legal para tanto, não procedeu à correspondente alteração do valor da contribuição na DACON, e ainda, não apresentou nenhuma prova capaz de demonstrar o direito creditório alegado. A reclamante não contesta as datas em que a DCTF e a DIPJ foram transmitidas, apenas defende o direito de realizar a retificação da DCTF e de liquidar os débitos por compensação, conforme argumentos acima relatados. Todavia, não há direito a socorrer a interessada. Segundo informa a decisão recorrida, a DCTF retificadora foi transmitida em 11/11/2009, ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório (número de rastreamento 848543569) que não homologou a compensação, ciência esta que se deu em 20/10/2009, conforme fls. 17. À época vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, cujo artigo 11, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, depois de iniciado procedimento fiscal, não produziria nenhum efeito. A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON do período (conforme artigo 11, § 8º, da citada instrução normativa). Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933047/200940 Acórdão n.º 3802001.591 S3TE02 Fl. 67 5 jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Vale ressaltar que a DIPJ retificadora também foi apresentada (em 10/11/2009) depois de a interessada haver sido intimada da não homologação da compensação desejada (em 20/10/2009). Além de ter apresentado DCTF retificadora depois de notificada da não homologação da compensação tributária pleiteada, e ainda, de não ter retificado a DACON, declaração específica para demonstrar a apuração das contribuições sociais, a reclamante não apresentou nenhum documento comprobatório do suposto erro incorrido, isso, mesmo ciente de que o indeferimento de seu pleito também decorreu da ausência apresentação de prova da retificação implementada na DCTF e, portanto, da origem do crédito aduzido. A rigor, o motivo do indeferimento da manifestação de inconformidade pela instância recorrida foi a não comprovação da liquidez e certeza do crédito destinado a compensação na DCOMP. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que redundaram no indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente. Com efeito, considerando que a interessada foi devidamente esclarecida das razões do indeferimento de seu pleito – a não comprovação da liquidez e certeza do crédito Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 pela não apresentação de documentação contábil e fiscal suficientes para tanto – é que, evidentemente, não é o presente hipótese que exija devesse ser o processo baixado em diligência. Aliás, a rigor, a questão ultrapassa as limitações inerentes à apresentação de DCTF retificadora e à própria comprovação do direito creditório, posto que, considerando a data do crédito aduzido pela reclamante, correspondente direito já se encontrava decaído. De fato, consultando a DCOMP de fls. 18/22, vêse que o crédito reclamado é decorrente de recolhimento do PIS efetuado em 14/03/2003, crédito este que seria utilizado para fins de compensação com débito da CSLL de jun/2006. Ocorre que a DCOMP foi transmitida apenas em 08/04/2009 (ver fls. 07), ou seja, quando o direito correspondente ao crédito já estava extinto, posto que transcorrido o decurso de prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário (artigo 168, inciso I, c/c art. 150 § 4o, do CTN). Portanto, o caso nem sequer se amolda ao direito delimitado pelo artigo 74 da Lei no 9.430/96, cujo caput, segundo redação dada pela Lei nº 10.637/02, garante o direito à compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, mas isso apenas em relação a créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme se observa do preceito acima referenciado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(grifo nosso) Finalmente, não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933047/200940 Acórdão n.º 3802001.591 S3TE02 Fl. 68 7 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10120.001383/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 28/02/2005
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - CUSTEIO - AGROINDÚSTRIA - ENQUADRAMENTO
O produtor rural pessoa jurídica que industrializa produção própria ou produção própria e adquirida de terceiros é uma agroindústria.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2401-000.159
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Numero do processo: 10980.004021/2001-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/10/1995
PIS - DECRETOS - LEI 2445/88 E 2449/88 - PROCESSO JUDICIAL - APLICAÇAO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS
A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo tribunal administrativo. O contribuinte não pode ser penalizado por escolher a via de compensação mais gravosa, em razão de demandar maiores procedimentos administrativos e viabilizar o total controle da fiscalização.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termo do voto da relatora. Os Conselheiros José Antonio Francisco e Mônica Monteiro Garcia de los Rios acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: WALBER JOSE DA SILVA (Presidente), FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, FABIA REGINA FREITAS, MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, GILENO GURJAO BARRETO, JOSE ANTONIO FRANCISCO
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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O contribuinte não pode ser penalizado por escolher a “via de compensação mais gravosa”, em razão de demandar maiores procedimentos administrativos e viabilizar o total controle da fiscalização. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re ratificar o acórdão embargado, nos termo do voto da relatora. Os Conselheiros José Antonio Francisco e Mônica Monteiro Garcia de los Rios acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 40 21 /2 00 1- 51 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: WALBER JOSE DA SILVA (Presidente), FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, FABIA REGINA FREITAS, MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, GILENO GURJAO BARRETO, JOSE ANTONIO FRANCISCO Relatório Tratase de pedido de restituição apresentado em 16/06/01, com base em decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 96.00161585. Em vista de o contribuinte requerer a restituição dos valores recolhidos indevidamente em razão da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.455/98 e 2.449/98 e do pedido ter sido protocolado posteriormente a outubro/00, data limite reconhecida por este tribunal para os contribuintes postularem este ressarcimento, ao julgar o Recurso Voluntário apresentado este D. Colegiado entendeu por bem indeferir o pleito da Recorrente entendendoo prescrito. Todavia, em virtude da omissão decorrente da desconsideração da existência de processo judicial, o contribuinte apresentou embargos de declaração. Ao revisar o voto proferido, esta Julgadora constatou que havia se omitido em relação a aspecto primordial ao julgamento do recurso, qual seja, à vinculação do pedido de restituição ao processo judicial nº 96.00161585. Em virtude deste fato e, na intenção de evitar maiores prejuízos ao contribuinte e à própria Fazenda Nacional, os embargos de declaração foram acolhidos para julgamento. De fato, a questão do momento do protocolo do pedido de restituição apenas será relevante para o presente procedimento, se restar concluído que a decisão judicial não se aplica ao caso, pois caso se aplique não há prescrição alguma, uma vez que a decisão judicial afastou a alegação da Fazenda Nacional neste sentido. Conforme se constata dos termos do voto vencedor proferido pelo julgador administrativo de primeira instância – Fls. 392/398 – a decisão da Delegacia de Julgamento indeferiu as compensações realizadas pelo contribuinte em virtude de afastar aplicação da sentença ao procedimento por ele realizado. É que o julgador interpretou que a decisão judicial apenas viabilizou a restituição dos valores na forma da compensação nos termos do artigo 66 da Lei nº 8383/91, sendo que ao optar pela compensação na via administrativa e não contábil, o contribuinte afastouse da autorização judicial e procedeu por sua conta e risco, sem o albergue daquele precedente. Em seu voto vencedor o julgador justifica sua conclusão nos termos do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual entendeu pela inocorrência da prescrição (pela não aplicação do artigo 168 do CTN) em virtude da divergência dos conceitos de compensação e restituição. Entendeu o julgador administrativo que a compensação analisada foi a referida no artigo 66 da Lei nº 8383/91 e que viabilizar a realização de outro procedimento de compensação é fugir do escopo da decisão judicial, in verbis: “Com efeito, no caso dos autos, muito embora o contribuinte tenha aludido à sentença transitado em julgado como a motivação de seu pleito, fato é que o direito vindicado administrativamente não se confunde com aquele que foi expressamente reconhecido pelo Poder Judiciário, nos autos da Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.004021/200151 Acórdão n.º 3302001.958 S3C3T2 Fl. 11 3 Ação Ordinária nº 96.00161585. É dizer, o direito reconhecido pela justiça foi tãosomente o direito à compensação espontânea, realizado pelo contribuinte, em sua escrita fiscal, sob sua própria conta e risco, e condicionado a ulterior exame do Fisco, ao passo que este, postulado ou declarado na via administrativa, diz respeito à compensação de valores passíveis de restituição, nos moldes do que estipula o art. 170 do CTN, quando sequer há notícia no processo acerca da compensação espontânea desses mesmos valores, esta assim assegurada judicialmente, nos termos em que foi prolatado o decisum que transitou em julgado.”(fls. 394 – destaquei – grifos do texto) Em virtude da interpretação de o procedimento de compensação não estar abarcado pela decisão judicial, a decisão de primeira instância administrativa concluiu ser necessária a análise da decadência do direito de pleitear a restituição dos valores de PIS, sendo que esta foi considerada como ocorrida, o que gerou o indeferimento da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Registrase que o voto vencido, também constante do acórdão 9.375 (fls.388/392), entendia pela improcedência dos pedidos de compensação em razão de o contribuinte não ter comprovado a desistência da execução da verba honorária a que fazia jus o patrono da Ação Ordinária nº 96.00161585, mesmo que o valor do principal não estivesse sendo executado. Ante o exposto, os presentes embargos foram apresentados para que este órgão colegiado se manifeste acerca (i) do procedimento de compensação ora analisado ser resultado da sentença judicial proferida nos autos da Ação Ordinária nº 96.00161585; (ii) se para tanto é preciso que o contribuinte desista da execução da verba honorária, sendo certo que o valor do principal não é objeto de execução e (iii) caso não se aplique à hipótese a sentença judicial, se houve a decadência do direito do contribuinte em requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, relatora Após analisar detidamente os autos, bem como as decisões judiciais acostadas (fls. 17/32 – inicial da ação ordinária; fls. 85/93 – sentença; fls. 97/100 – acórdão), constatei que (i) se trata de ação judicial que discute a inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88; (ii) o contribuinte requereu a restituição dos valores na forma da compensação ou da restituição por precatório; (iii) a ação foi julgada procedente, tendo sido deferido o direito à compensação com débitos de PIS, bem como a aplicação dos seguintes índices: OTN/BTN/INPC/UFIR/SELIC; (iv) foi afastada a decadência e (v) não há discussão acerca da aplicação ou não da semestralidade à base de cálculo do PIS, apenas a menção à Lei Complementar 7/70. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Nos termos do relatório apresentado constatase que o fundamento para a desvinculação do procedimento de compensação ora analisado e a decisão judicial proferida está, exatamente, na forma desta compensação. Inicialmente registro que o contribuinte não especificou, em seu pedido, a forma de compensação por ele pretendida, verbis: “Requer a declaração do direito da Autora em efetuar a compensação de créditos seus, decorrentes da diferença entre o que foi pago a título de PIS com base nos DecretosLeis nº 2445/88 e 2449/88 e o que deveria ter sido com base na Lei Complementar nº 07/70, com créditos vincendos da União, decorrentes da contribuição para o PIS, a ser exigida com base na LC nº 07/70 (com os créditos da Autora devidamente corrigidos, incidindo, ainda, juros de mora).”(destaquei) Em relação aos termos da decisão judicial, tenho as seguintes considerações a fazer. Conforme se depreende do tópico final da sentença – fls. 93 – o contribuinte obteve o reconhecimento de seu direito à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, recolhidos nos termos dos Decretoslei 2445 e 2449, e, na seqüência, autorização para compensar tais créditos também nos termos do artigo 66 da Lei nº 8383/91, verbis: “À vista do exposto e o mais que dos autos consta declaro, incidentalmente, a inconstitucionalidade dos DLs. 2445/88 e 2449/88, JULGANDO PROCEDENTE a ação e, em conseqüência, defiro o pedido de compensação, o que faço para condenar a Requerida à devolução dos valores pagos indevidamente pelo(a)(s) Autor(a)(es), os quais serão apurados ulteriormente em liquidação de sentença, deferindo o direito à compensação, nos moldes como autorizado pelo artigo 66, da Lei 8383/91, com débitos relativos a PIS – L.C. 07/70, créditos do autor que deverão ser corrigidos monetariamente da mesma forma que o critério utilizado pela Fazenda Nacional para atualização de seus créditos ...” Ao contrário do interpretado no voto vencedor fundamentador da decisão de primeira instância administrativa, não entendo que o fato de constar expressamente a permissão à compensação nos termos do artigo 66 da Lei nº 8383/91, inviabiliza a compensação administrativa nos termos pleiteados pelo contribuinte. Até porque, é cediço que o meio efetivamente utilizado pelo contribuinte lhe é, inclusive, mais gravoso, em virtude dos procedimentos administrativos necessários e mesmo do controle realizado pela fiscalização. Ainda, não partilho da conclusão de que a diferença das compensações (espontânea do contribuinte ou nos termos do artigo 66 da Lei nº 8383/91) geraria efeito na questão da decadência, ou seja, da aplicação ao caso do artigo 168 do CTN e que tal fato estaria expresso nos termos do voto do relator do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, vejamos. “Quanto à decadência, tenho que, tendo os autores pedido e a sentença concedido a compensação e não a restituição, não se aplica à hipótese o lapso decadencial previsto no art. 168 do CTN, que diz respeito tãosomente ao direito de pleitear a restituição de tributo indevidamente pago. É que a restituição e a compensação tributárias constituemse em institutos distintos, a teor do disposto nos arts. 165 e 170 do CTN e, mesmo, do Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10980.004021/200151 Acórdão n.º 3302001.958 S3C3T2 Fl. 12 5 estatuído no § 2º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91.”(fls. 113 – destaquei) Da leitura do disposto acima, somente entendo que o D. Desembargador interpreta de maneira distinta a decadência para fim de (i) restituição por precatório e (ii) restituição por meio de compensação, seja esta compensação realizada nos termos dos arts. 165 e 170 do CTN ou do § 2º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91. E tal conclusão resta ainda mais evidente quando analiso a expressão trazida pelo D. Desembargador, “e, mesmo, do estatuído no § 2º, do art. 66, da Lei n.º 8.383/91.” Neste aspecto, não tenho dúvidas que a distinção foi realizada entre restituição por precatório e compensação. Desta forma, este discrímen não pode, a meu ver, justificar a não aplicação da decisão judicial ao procedimento de compensação ora analisado. E, uma vez que ao realizar o procedimento de compensação por meio do pedido à autoridade administrativa o contribuinte está limitando seu direito a compensar livremente em seus livros contábeis, sem qualquer prejuízo à fiscalização e à Fazenda Nacional, seguindo a máxima “quem pode o mais pode o menos”, concluo pela viabilidade do procedimento adotado pelo contribiunte. Pareceme que poderia haver problemas na hipótese de o contribuinte pretender ampliar o alcance de sua compensação, ou seja, almejar a compensação com tributos diversos do PIS, o que foi expressamente vedado pelo v. acórdão e que significaria, ao ver desta julgadora, ampliação da decisão judicial. Todavia, esse fato não ocorre, sendo que os requerimentos apresentados indicam, apenas, débitos de PIS. Ultrapassada esta premissa e, afastada a decadência do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte, uma vez considerado que o direito à restituição decorre de decisão judicial (a qual afastou a ocorrência de prescrição), passo a analisar a questão do impedimento à restituição dos valores em razão de o patrono da contribuinte não ter desistido de executar os valores que lhe são devidos a título de honorários advocatícios pelo êxito obtido na ação ordinária. Neste sentido, entendo ser absolutamente abusivo se pretender impedir o aproveitamento de créditos pela via da compensação sob o fundamento da aplicação das Instruções Normativas SRF nº 21 e 73, ambas de 1997, a saber: “Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1º No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios . Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 § 2º Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório.” (destaquei) A desistência da execução judicial dos valores a serem compensados pretende, única e exclusivamente, evitar que o contribuinte realize uma “dupla execução” de valores, bem como viabilizar melhor controle da Secretaria da Receita Federal dos valores em restituição. Todavia, não há qualquer razão que justifique o não pagamento da verba honorária devida ao patrono da causa, sendo certo que esta exigência da administração pública pretende, pela via da Instrução Normativa, apenas limitar o direito legalmente assegurado do contribuinte à forma de restituição mais célere. Uma vez que o direito à restituição pela via da compensação está fundada em lei e, no presente caso, também em decisão judicial, permitir a aplicação de dispositivo flagrantemente ilegal com a única finalidade de impedir o aproveitamento do crédito pelo contribuinte significa inviabilizar a fruição de seus direitos, afrontando a lei e a determinação judicial. Ante o exposto, recebo os presentes Embargos de Declaração e os acolho para o fim de rerratificar o Acórdão nº 20179.382, alterando o resultado de julgamento então proferido para dar PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo o direito do contribuinte aos valores indevidamente recolhidos a título dos inconstitucionais Decretoslei nº 2445/88 e 2449/99, cujo crédito deverá ser apurado com a aplicação do critério da semestralidade à base de cálculo do tributo e dos índices monetários indicados no v. acórdão – fls. 98 – quais sejam: OTN/BTN/INPC/UFIR/SELIC. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 (assinado eletronicamente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 29/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 16682.720331/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Sendo a declaração de compensação a forma estabelecida pela Lei nº 9430/96 e IN RFB nº 900/2008 (vigente ao tempo dos fatos) para o sujeito passivo compensar crédito seu contra aquele da Fazenda, a tentativa de compensar tributos com base tão somente na contabilidade acarreta a inexistência da compensação escriturada.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade, em negar provimento ao recurso nas demais matérias.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Sendo a declaração de compensação a forma estabelecida pela Lei nº 9430/96 e IN RFB nº 900/2008 (vigente ao tempo dos fatos) para o sujeito passivo compensar crédito seu contra aquele da Fazenda, a tentativa de compensar tributos com base tão somente na contabilidade acarreta a inexistência da compensação escriturada. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do anocalendário. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade, em negar provimento ao recurso nas demais matérias. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 31 /2 01 2- 10 Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.486 2 EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.487 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por maioria de votos, vencido o Relator, negar provimento à impugnação, para considerar devidos o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 12.816.289,12, e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 8.790.130,20, acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios, além das multas isoladas, nos valores de R$ 251.284.040,76 (IRPJ) e R$ 105.394.331,73 (CSLL) conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de créditos tributários somente pode ser realizada nas condições estipuladas em lei. A falta de apresentação da declaração de compensação, quer seja por meio do programa PER/DCOMP, quer seja por meio de formulário em papel, descaracteriza o procedimento realizado unicamente na escrituração contábil do contribuinte, por se tratar ato contrário à lei. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. EFEITOS CONFISCATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questões de naturezas constitucionais. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual enseja a aplicação da multa de ofício isolada. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC está em consonância com o Código Tributário Nacional CTN. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.488 4 LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, o decidido no lançamento matriz aplicase ao lançamento reflexo. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo dos autos de infração lavrados pela Demac (RJ), referentes ao anocalendário de 2010, por meio dos quais são exigidos do interessado o imposto sobre a renda de pessoa jurídica – IRPJ, no valor de R$ 12.816.289,12 (fls. 1261/1268 e termo de verificação às fls. 1251/1259), e a contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, no valor de R$ 8.790.130,20 (fls. 1271/1277), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios, além das multas isoladas, nos valores de R$ 251.284.040,76 (IRPJ) e R$ 105.394.331,73 (CSLL). 2 Fundamentaram as exações: durante o anocalendário de 2010, o interessado compensou contabilmente os saldos negativos apurados no ano calendário de 2009, totalizando R$ 54.470.150,42 de IRPJ (fl. 50) e R$ 26.003.128,81 de CSLL (fl. 44), com as respectivas estimativas mensais de janeiro a setembro, sem, contudo, apresentar as declarações de compensações (PER/DCOMP), nos termos do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/1996. 2.1 Em decorrência de tal procedimento, a fiscalização desconsiderou as compensações contábeis e retificou a apuração anual do IRPJ, alterandoo de imposto a restituir de R$ 41.653.861,30 para imposto a pagar de R$ 12.816.289,16 (fl. 1256). A diferença entre um valor e outro é de R$ 54.470.150,40, que vem a ser as compensações do citado saldo negativo. 2.2 Da mesma forma com relação à CSLL: desconsiderandose as compensações (R$ 26.003.128,81), o saldo negativo de R$ 17.212.998,62 foi alterado para saldo a pagar de R$ 8.790.130,20 (fl. 1256). 2.3 Adicionalmente, com a eliminação das citadas compensações, foram recalculados os valores das estimativas mensais (fls. 1258/1259) e aplicada a multa isolada de 50% sobre os valores não recolhidos, nos termos do art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/1996. 3 Cientificado das exigências, o interessado apresentou a impugnação de fls. 1285/1368, na qual alegou, em síntese, que: procedeu ao levantamento de balancetes de suspensão ou redução, comprovando a existência de recolhimento de tributo a maior, inclusive em função de retenções de IR na fonte e outras antecipações; no ajuste anual, apurou saldo negativo de IRPJ superior a R$ 50 milhões; como os pagamentos estimados constituem antecipação do devido no ajuste anual e o fato gerador ocorreu em 31/12/2010, o valor devido pela empresa é o apurado nesta data; os saldos negativos de IRPJ e de CSLL existem e estão regularmente escriturados e informados na declaração de imposto de renda; Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.489 5 a autoridade fiscal deveria proceder a intimação para a transmissão dos PER/DCOMP eventualmente necessários; a obrigatoriedade da forma de compensação por meio eletrônico não pode ter prevalência absoluta sobre a essência do direito que assiste ao contribuinte; tratam as exigências do auto de infração de um autêntico confisco, em franco desacordo com os princípios basilares do Direito Tributário previstos na Constituição; a fiscalização não se ateve à busca da verdade real; não se valeu a fiscalização de todos os documentos necessários para formar seu juízo de valor sobre o caso e nem deu oportunidade à empresa para elaborar e entregar os PER/DCOMP requeridos, ferindo os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, verdade material e ampla defesa; as multas aplicadas possuem verdadeiro caráter e efeito confiscatórios; o CARF e a Câmara Superior de Recursos Fiscais rechaçam a aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, sobre a mesma base de cálculo; os juros aplicados representam majoração extorsiva e ilegal do débito. A taxa Selic é uma taxa remuneratória e afronta princípios constitucionais, como também os arts. 161, §1º, e 192, §3º, do CTN; a taxa Selic se constitui em verdadeira aplicação de juros sobre juros – um caso genuíno de anatocismo, em percentuais mais elevados do que o permitidos pelo art. 192, §3º, da Constituição. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.490 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Compensação feita na própria contabilidade Questiona a recorrente a lavratura dos autos de infração feitos para cobrar IRPJ e CSLL, e o correspondente recálculo das estimativas mensais, acrescidos das multas de ofício e juros devidos. Isto pois entende que seu direito líquido e certo aos indébitos não pode ser obstado por mero erro de procedimento; afinal, os lançamentos decorrem da glosa de compensações procedidas tão somente na contabilidade (não apresentados os respectivos PER/Dcomp). Ressaltese que a fiscalização intimou em 18/04/2011 a recorrente a apresentar as referidas PER/Dcomps; todavia, a recorrente não atendeu ao pleito. O tema é disciplinado no art. 170 CTN, que deixa a cargo da Lei criar as condições para autorização de compensação de créditos tributários contra créditos do sujeito passivo contra a Fazenda. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Neste mister, o art. 74 da Lei nº 9.430/96 (e seus parágrafos) disciplinou expressamente que o sujeito passivo que apurar crédito poderá utilizálo na compensação de débitos próprios (caput). Prescreveu, ainda, que tal compensação será efetuada mediante a entrega de declaração na qual constará informações do crédito utilizado e dos débitos compensados (§1º). Além disso, será a declaração entregue à Secretaria da Receita Federal (§2º). Por fim, atribuiu à Secretaria da Receita Federal a prerrogativa para disciplinar o disposto no artigo (§14), e portanto, disciplinar a matéria relativa à compensação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.491 7 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Neste sentido, verificase que a Secretaria da Receita Federal no âmbito da regulamentação do §14 editou a IN RFB nº 900/2008 (vigente ao tempo dos fatos), estabelecendo que a compensação será efetuada mediante apresentação à RFB de Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/Dcomp, ou na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB de Declaração de Compensação em formulário estabelecido no Anexo VII do diploma, verbis: Art. 34 . O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Ora, depreendese daí, que sendo a declaração de compensação o meio pelo qual a compensação será efetuada, sua não entrega (seja por meio de PER/Dcomp, seja por meio de formulário) importa de fato na inexistência jurídica da compensação, uma vez que, seja pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, seja pelo IN RFB nº 900/2008, a suposta compensação imaginada pelo contribuinte não possui suporte legal, já que não foi formalizada na via competente. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.492 8 Neste sentido, Paulo de Barros Carvalho pontifica1 que O cumprimento dos deveres instrumentais ou formais, cometidos ao sujeito passivo das imposições tributárias, forma um tecido de linguagem que, na sua integralidade, relata o acontecimento de eventos e a instalação de relações jurídicas obrigacionais. Poderseia pensar, então, que a satisfação desses deveres, já que se afiguram como linguagem competente em face da lei, bastaria para darse por construída a norma individual e concreta. Não é assim, contudo. A regra jurídica individual e concreta, quando ficar a cargo do contribuinte, há de constar de um documento especificamente determinado em cada legislação, e que consiste numa redução sumular, num resumo objetivo daquele tecido de linguagem, mais amplo e abrangente, constante dos talonários de notas fiscais, livros e outros efeitos jurídicocontábeis. O documento da norma há de ter, além da objetividade que mencionei, o predicado da unidade de sentido, uma vez que expressa enunciados prescritivos, a partir dos quais o intérprete fará emergir a norma individual e concreta. Sobremais, recuperando a premissa de que o direito se realiza no contexto de um grandioso processo comunicacional, impõese a necessidade premente de o documento do qual falamos seja oferecido à ciência da entidade tributante, segundo a forma igualmente prevista no sistema positivo. De nada adiantaria ao contribuinte expedir o suporte físico que contém tais enunciados prescritivos, sem que o órgão público, juridicamente credenciado, viesse a saber do expediente. O átimo dessa ciência marca o instante preciso em que a norma individual e concreta, produzida pelo sujeito passivo, ingressa no ordenamento do direito posto. Vêse, in casu, que o documento a ser oferecido à ciência do ente tributante neste caso é a declaração de compensação, documento sem o qual a compensação escriturada pelo sujeito passivo tão somente em seus livros permanece apenas em caráter privado, não atingindo o Direito Tributário por não atender ao critério de pertinência estabelecido no processo comunicacional que estabelece o rito para seu ingresso. Por outro lado, não é por este fato (o não reconhecimento da compensação feita com base em livros) que o contribuinte perde seu direito ao crédito. Ele remanesce no seu patrimônio como um direito subjetivo seu, hábil para ser utilizado assim que prestada a declaração de compensação, desde que o direito de crédito do sujeito passivo se encontre dentro do prazo hábil para repetição do indébito. Desta forma, o acórdão recorrido não mercê reparos neste item, a meu ver. Incidência de multa isolada 1 Paulo de Barros Carvalho, in Direito Tributário Fundamentos Jurídicos da Incidência, 1998, Saraiva, São Paulo, fl.242. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.493 9 No caso concreto, a desconsideração da compensação pleiteada tão somente na escrita contábil levou ainda ao recálculo das estimativas e conseqüentemente, à insuficiência das estimativas recolhidas, havendo, então, o lançamento da multa por insuficiência do recolhimento de estimativas (50%). Neste ponto, tenho para mim que a multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas não consistem numa dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos as situações: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.494 10 Assim, as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas como obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3º e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Daí ser inócuo reputálas como meras antecipações, sugerindo seu saneamento com base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Notese, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2º não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.495 11 § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao Órgão Julgador Administrativo deixar de observar os efeitos legais daí decorrentes pelo sugerido efeito confiscatório promovido pela dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26A do Decreto nº 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Juros Selic Questiona também a recorrente a cobrança de juros à taxa Selic. Quanto a este tema, não obstante a remansosa jurisprudência do CARF pela sua pertinência, foi publicada a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, que resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 8 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 16682.720331/201210 Acórdão n.º 1302001.083 S1C3T2 Fl. 1.496 12 Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 12963.000112/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005
SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA DESCUMPRIMENTO DA LEI- NATUREZA DE BÔNUS/PRÊMIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A não extensão de PLANO DE PREVIDÊNCIA a totalidade de empregados
exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91.
ART. 28, §9°, "P” - INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
RECURSOS DE OFICIO NEGADO E VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.192
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 06/2002. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ewan Teles Aguiar, que votaram por declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Ewan Teles Aguiar, que votaram por dar provimento ao recurso. III) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Designado para redigir o voto quanto à decadência o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA DESCUMPRIMENTO DA LEI- NATUREZA DE BÔNUS/PRÊMIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A não extensão de PLANO DE PREVIDÊNCIA a totalidade de empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91. ART. 28, §9°, "P” - INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSOS DE OFICIO NEGADO E VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:59:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:59:19Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:59:20Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:59:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c0d0dfe4-5cc9-439f-9df2-a2de31ddf88d; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:59:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:59:20Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:59:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:59:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:59:19Z; created: 2010-07-13T13:59:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2010-07-13T13:59:19Z; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:59:19Z | Conteúdo => „ S2-C4T1 FI. 1.419 , MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • km, , á, ,,15,z• kProces so n° 12963.000112/2007-46 n° 156.159 De Oficio e Voluntário , „ Acordao n 2401-01.192 — 4' Câmara / 1' Turma Ordinária -Sessão de 28 de abril de 2010. „ ;It 'P 'Matéria SALÁRIO INDIRETO '• Recorrentes DRJ-JUIZ DE FORA/MG ALCOA ALUMÍNIO S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.° do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. 1.1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/10/2005 SALÁRIO INDIRETO - PREVIDÊNCIA PRIVADA DESCUMPRIMENTO DA LEI- NATUREZA DE BÔNUS/PRÊMIO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A não extensão de PLANO DE PREVIDÊNCIA a totalidade de empregados exclui a isenção descrita no art. 28, §9° da Lei 8212/91. ART. 28, §9°, "P” - INCONSTITUCIONALIDADE - NÃO CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. RECURSOS DE OFICIO NEGADO E VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da 4a Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições 1,.‘4 1 apuradas até a competência 06/2002. Vencidos os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ewan Teles Aguiar, que votaram por declarar a decadência até a competência 11/2001. II) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Ewan Teles Aguiar, que votaram por dar provimento ao recurso. III) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. Designado para redigir o voto quanto à decadência o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. 1 • ELIAS SAMPAIO FREIRE — Presidente - ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora 1 KLEBER FERREIRA DE A • Á. I JO — Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ewan Teles Aguiar (Convocado) e Maria da Glória Faria (Suplente). Ausente o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. - _ 2 Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. 1.420 Relatório Trata-se de retorno de diligência comandada por meio da Resolução n° 206- 00.200 da antiga 6 Câmara de Julgamento do 2° Conselho de Contribuintes, atual 4' Câmara da 2' Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal — CARF, no intuito cientificar a empresa notificada dos termos da Decisão Notificação que julgou parcialmente procedente o lançamento, para em entendendo cabível apresentar recurso. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 22/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 06/07/20007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 09/1999 a 10/2005. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as inforniações acerca do lançamento efetuado: A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida a cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benejícios concedidos em razão do grau de incapacidade labora tiva em virtude dos riscos ambientais do trabalho, bem como a destinadas a terceiros,sobre a remuneração paga aos segurados empregados nos cargos de gerência e liderança, por meio de depósitos em previdência privada. Os fatos geradores referem-se ao período de 09/1999 a 10/2005. Importante, destacar ainda que a lavratura da NFLD deu-se em 22/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 06/07/2007. Contudo, relevante informar que o procedimento fiscal teve início em 07/07/2005, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória indispensável para o lançamento. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 527 a 546. Foram apresentados documentos as fls. 547 a 642. O processo foi baixado em diligência, tendo a autoridade fiscal se manifestado às fls. 650 a 652, tendo o contribuinte sido devidamente cientificado. A empresa manifestou-se às fls. 658 a 662 Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls. 684 a 694. Foi emitido Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR ás fls. 676 a 683 e 697 a 1290. O recorrente não foi cientificado dos termos da Decisão Notificação. .4 3 \ Recorre de ofício, ao 2° Conselho de Contribuintes, nos termos do inciso 1, alínea a, art. 366 do RPS, Decreto 3048/99, redação dada pelo Decreto 6224/2007 c/c com o a Portaria MF n°03 de 07/01/2008. É o Relatório. Em cumprimento ao solicitado em diligência a DRFB cientificou a empresa notificada dos termos da Decisão Notificação. Não concordando com o termos da Decisão Notificação exarada o recorrente apresenta recurso às fls. 1311 a 1336. Em síntese alega em sua recurso. A decadência parcial das contribuições face a aplicação do art. 150, §4° do CTN, devendo ser excluídos do lançamento as contribuições até 07/2002. Em primeiro lugar as disposições contidas na Lei 8212/91 quanto a previdenciária complementar vai de encontro ao expresso nas demais normas, qual seja LC n° 109/2001 e CF188, por estabelecer restrições e estipular requisitos não constantes nessas normas. Note-se que a disposição constitucional descrita no art. 202, §2° da CF/88, é clara e suficiente para afastar a pretensão das autoridades fiscais para reputar tais contribuições como parcela remuneratória. O descumprimento por parte das autoridades fiscais da clara e inequívoca prescrição constitucional, implica flagrante inconstitucionalidade, bem como empecilho à consecução dos objetivos de bem estar social e justiça social com base no primado do trabalho. Se a Constituição Federal não limitou ou condicionou, não cabe à norma infraconstitucional fazê-lo. Tanto o texto da Constituição, quanto o da LC n° 109/2001, o fizeram de modo a determinar categoricamente que contribuição de empregador a plano de previdência privada não faz parte do contrato de trabalho, tampouco configura remuneração do empregado, incondicionalmente. Tal afirmativa é corroborada pelo disposto no art. 458, §2°, VI da CLT, com a redação que lhe deu a Lei 10243/2001, que exclui expressamente a previdência privada do conceito de salário em decorrência lógica da determinação constitucional de que as contribuições do empregador a planos de beneficio das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho. Na impugnação a recorrente demonstrou claramente que o art. 28, §9°, "p" da Lei 8212/91 utilizado como fundamento do débito, afronta o disposto nos art. 202, §2° da CF/88, contudo não obstante a demonstração, a autoridade julgadora resumiu-se a destacar que o STF não manifestou-se acerca da inconstitucionalidade do dito dispositivo. Note-se que a autoridade julgadora deixou de apreciar os argumentos. O pagamento de quantia a pessoa fisica que não guarde relação com o trabalho não é alcançada pela contribuição previdenciária a cargo da empresa, uma vez que não se insere no conceito descrito no art. 22 da 8212/91, "contraprestação pelo serviço". Acatando o entendimento empossado , o extinto CRPS, por unanimidade, proveu recurso sob fundamento de que a exigência de contribuição à Seguridade Social sobre parcelas pagas a titulo de previdência privada contraria os art. 68 e 69 da LC n° 109/2001 e o art. 202 da CF/88. Ainda que entenda esse conselho não ser o caso de afastar o art. 28, §9° da Lei 8212/91 o recorrente demonstrou em sua impugnação que os valores das contribuições ao 4/ Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. 1.421 plano de previdência privada "Bradesco Previdência" não devem integrar o salário de contribuição, pois estão inseridos em um programa de previdência complementar disponível a todos os empregados da recorrente. O programa de previdência da empresa é foiniado por dois planos distintos: um fechado, denominado de "Alcoa Previ", do qual a recorrente é patrocinadora, e outro aberto, de administração do "Bradesco Previdência". O programa visa atender as diferentes necessidades dos grupos de empregados existentes na empresa, tendo por parâmetro o grau de atendimento dessas necessidades pelo RGPS. Como os segurados que recebem salários menos expressivos tem para os diversos eventos de doença, invalidez etc., a devida cobertura do RGPS, para estes o programa representa uma espécie de poupança futura. Já para os que percebem remuneração mais expressiva, e que não seriam sequer razoavelmente atendidos pelo RGPS, a recorrente como agente multiplicadora da política constitucional de incentivo à poupança futura, vislumbrou a necessidade de buscar alternativas para tomar seu programa de previdência complementar disponível a todos os empregados. Assim criou dois planos: Plano fechado — a qual participam, mediante adesão todos os empregados independentemente de sua posição na empresa ou da remuneração recebida; e plano aberto "Bradesco Previdência" o qual conta com critérios uniformes e aplicáveis a todos os empregados que nele se enquadrem, ou seja, todos os empregados a partir da posição organizacional de gerência e liderança. Face o exposto fica claro que todos os empregados tem à sua disposição plano de previdência. Ainda que não aceitos os argumentos expostos acima, a recorrente demonstrou em sua impugnação que o plano de "Bradesco Previdência" tem natureza de ganhos eventuais, os quais não estão sujeitos a incidência de contribuição previdenciária. O hipotético pagamento habitual da premiação não descaracteriza de forma alguma seu caráter eventual, uma vez que sempre estaria presente o fatos de incerteza do recebimento dos prêmios. Observa-se que em detenninados anos, face não ter alcançado possivelmente as condições para o recebimento, o segurado não recebia o beneficio, o que demonstra a sua natureza eventual. Diante do exposto requer a reforma da decisão recorrida, de folma a ser reconhecida a total improcedência do lançamento. O processo foi remetido a esta Segunda Seção do CARF para prosseguimento após o cumprimento da diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme já apreciado à fl. 1304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. • Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela ia Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - 6 Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. 1.422 ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RT, publicado no RI de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insinclicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria féltico-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2 62 8/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, afixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4 0, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Ái# 7 \‘ Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao -lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CT1V), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo _- inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, 4 0, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos 8 .., . , ,Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1. Acórdão n.° 2401-01.192 - Fl. 1.423 , sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tri6ta4;' , sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do' contribuinte na antecipação do pagamento, desde que iniinTrãztes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tL...Li'ãif,' sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazãieWdencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo úni 'cd" CT1N1), independentemente de ter sido a 4,421,4mesma realizaa ii7tes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 17!4 cr: C771r. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançWFisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento pol¡homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferg ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido noittfiétdo pelo Fisco de quaisquer medidas M, • , preparatórias, ób .'eclece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150,'17_Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar pra.4 . 11omologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorP4zlia do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazoxpara o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no catt .:-"4 de não homologação, empreender o correspondente:ilançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse Pérado, consolidam-se simultaneamente a homologação taJita, a perda do direito de homologar expressamente g7áNnseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de °fica" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Euriàrlgarcos Diniz de Santi, 3" Ed., Max Limonad , pág. 170). 14.'ê:Ájinotificação do ilícito tributário, medida indispensável piará' justificar a realização do ulterior lançamento, afise como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, emeh'a!endo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou4srikulaçã o, regra que configura ampliação do lapso decadenZi, in casu, reiniciado. Entrementes,~nr_< "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, prOttl indo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, opera7n70.Já ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de O7Cio, a decadência do direito de constituir juridicamente o1M, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo *aro, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da hritálogação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcosniuz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 17M, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Faie-trela Pública constituir o crédito tributário quando sobrev4ilecisão definitiva, judicial ou administrativa, li. ,tf que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de viCíci_' formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da datãi-e4.l'il que se tornar definitiva a aludida decisão.1, .., anulatária. 16.Miig casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a- . lançamento-porNõmologação; (b) a obrigação ex lege de . .U.' pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou-or ..Itn adimplida, no que'concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezerigiii-o de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela 'áenda Pública Municipal em sede de wroffe 1!).. , e 9 N,\., --,V-", procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n o 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 171 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. - - Parágrafo único:-O direito a que se refere este artigo extingue-se — - - definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. 1.424 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do C'TN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4° - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. No caso, a NFLD refere-se a pagamentos feitos aos cargos de gerência e liderança na forma do pagamento de gratificação e ou bônus sem incluir os valores nas folhas de pagamento, valores estes não reconhecido por meio da GFIP como salário de contribuição, - razão porque entendo não há de se falar em recolhimento antecipado de contribuições, razão porque a decadência deve ser vista à luz do art. 173 do C'TN. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 40 do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. No caso em questão, o lançamento foi efetuado em 22/06/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 06/07/20007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 09/1999 a 10/2005, dessa forma em aplicando-se o art. 173 do CTN, por não ter ocorrido antecipação/de pagamento devem ser declarados decadentes as contribuições até 11/2001. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar, no recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a decadência de contribuições, a inconstitucionalidade do art. 28, §9°, "p", o cumprimento dos dispositivos que regem o pagamento de previdência privada sem a incidência de contribuições, ou ainda que os pagamentos eram eventuais, razão porque incabível sua inclusão na base de cálculo de contribuições. Dessa forma, resta-nos apenas apreciar o• mérito da incidência das contribuições sobre a modalidade de pagamento efetuado pela empresa já que não restaram questionados os valores. Note-se que a notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, qual seja a contabilização de pagamentos em nome dos cargos de gerência e liderança, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. Com relação a alegada inconstitucionalidade da lei 8212/91, tendo em vista o disposto no art. 202 da CF/88, bem como a contrariedade a lei de hierarquia superior que trata da matéria, qual seja LC n° 109/2001, ressalte-se que não compete a este Conselho a apreciação de ditas questões. No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frise-se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n_° 8.212/1991. Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: 12 Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 FL 1.425 Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difiiso (efeito entre as partes) ou revogado por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posiciona-se este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o fornecimento de previdência privada, o recorrente argumenta o cumprimento dos requisitos legais, quais sejam a disponibilização a todos os empregados, fato que passo a analisar em conjuntos com os ditames previstos na legislação. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) 13 \\\‘‘)-Nj\j\ Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9° da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: •Art. 28 (.) § 90 Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Ao contrário que tentou demonstrar o recorrente não entendo que o plano de previdência privada "Bradesco Previdência" é destinando a todos os empregados. No próprio recurso o recorrente demonstra a existência de dois planos. O primeiro ALCOA-Previ, conforme demonstrado e descrito no relatório é o plano de previdência complementar, este sim disponível a todos os empregados, independentemente do cargo, com participação dos mesmos através de descontos nas Folhas de pagamento. Já o plano de previdência privado gerido pelo Bradesco Previdência e Seguros é restrito ao grupo de empregados detentores de cargos de direção e liderança, portanto não extensivo a todos os empregados da empresa, fato este que acaba por afastar a exclusão prevista no art. 28, §9° "p" da lei 8212/91. Conforme descrito, ainda no relatório fiscal, ao ser questionada sobre a natureza dos pagamentos (depósitos individualizados nas contas dos empregados), a empresa forneceu o documento "Contribuições a Previdência Privada Aberta — Definições e Critérios", no qual define como características das contribuições: estarem atreladas ao atingimento de resultados financeiros obtidos por excelência de performance gerencial, e serão realizadas pela empresa com o fito de estimular a formação de poupança de longo prazo (previdência) por seus empregados ocupantes de cargos de liderança. Assim, foram analisados documentos internos da empresa denominados SISTEMAS DE SOLICITAÇÃO DE PAGAMENTO, onde no campo tipo de Pagamento fica evidenciado a natureza dos pagamentos, quais sejam: "bônus e gratificações". Tais descrições feitos pela autoridade fiscal, em análise conjunta com o próprio recurso do recorrente demonstram, que se trata de pagamento indireto feito aos dirigentes e gerentes, constituindo verdadeiro prêmio, bônus pelo alcance de metas. Entendo que dita natureza acaba por ratificada não apenas pelo relatório, como pela tentativa da empresa de desqualificar a natureza salarial pelo pagamento eventual, condicionado por exemplo a resultados. A definição de "prêmios" dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, -com _a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados_ no exercício da atividade laboral. Entendo não ser relevante a quantidade de vezes que realizado o pagamento, mas a sua natureza em si, ou seja, se representa um ganho pelo desempenho da atividade. N/14 Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. L426 O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro "Curso de Direito do Trabalho", 3° edição, editora LTr, pág. 747, assim refere-se ao assunto: (-) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(..) O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (.) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um "plus" em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao trabalhador seja ele empregado ou contribuinte individual. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras "Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizam-se por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos ." Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele um prêmio de Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação (art. 28, §9° da lei 8212/91, não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de premiação. Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. Observa-se, ainda que a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, 1, nestas palavras: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: - suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia. 15 Por fim, quanto a exclusão procedida no recurso de oficio, quanto a contribuição de terceiros, dentre eles SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESI E SENAI, entendo que não existem reparos a serem feitos na Decisão Notificação, visto que a existência de convênio, afasta da autoridade previdenciária o dever de lançar ditas contribuições, competindo-lhe apenas a emissão da Representação Administrativa Assim, a notificação deve ser mantida nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e quanto ao RECURSO VOLUNTÁRIO, DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do lançamento, face a aplicação da decadência qüinqüenal, as contribuições até a competência 11/2001, e no mérito voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de abril de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO ifSILVA VIEIRA — Relatora • 16 Processo n° 12963.000112/2007-46 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.192 Fl. 1.427 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito aos critérios para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. Verifica-se na espécie, conforme consta no Relatório Fiscal da NFLD que os fatos geradores considerados foram as remunerações pagas aos segurados empregados nos cargos de gerência e liderança, por meio de depósitos em previdência privada, os quais referem-se ao período de 09/1999 a 10/2005. Assim, ao contrário do que manifestou a Relatora, embora o contribuinte não tenha reconhecido a incidência de contribuições sobre a referida rubrica, deve-se considerar para fins de fixação do prazo decadencial a ocorrência dos demais recolhimentos efetuados para as competências apuradas. É que nas guias de pagamento previdenciárias não há como identificar a quais fatos geradores as mesmas estão vinculadas. Reforçando, não é demais lembrar que na Guia da Previdência Social — GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único — "Valor do INSS" — todas as contribuições previdenciárias, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as guias por fato gerador específico. Nesse sentido, deve ser aplicado para a contagem do prazo decadencial o critério do art. 150, § 4° do CTN, . Assim, verificando-se que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 06/07/2007, vislumbro que a decadência operou-se para o período de 09/1999 a 06/2002. É esse o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça., conforme se observa da ementa abaixo reproduzida (REsp n 10345201SP, Relatora: Ministra Teori Albino Zavascki, julgamento em 19/08/2008, DJ de 28/08/2008): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. QÜINQÜENAL. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4 0). PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. DECISÃO ULTRA PETITA. . INVIABILIDADE DE EXAME EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL - PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DESPROVIDO.: 17 Assim, voto pelo reconhecimento da decadência para as competências de 09/1999 a 06/2002. Sala de Sessões, em 28 de abril de 2010 EBER FERREIRA DE • 5 # ÚJO — Redator Designado 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo no: 12963.000112/2007-46. Recurso IV: 156.159 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.192. Brasília, 28 de junho de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13055.000193/00-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Entretanto, a taxa Selic não incide desde o momento em que o crédito presumido foi gerado, ou seja, não incide desde a entrada dos insumos que ocasionaram o pagamento de PIS/COFINS, mas sim desde o protocolo do pedido de ressarcimento, conforme determina o acórdão proferido pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, eis que o ressarcimento de créditos escriturais não se confunde com o ressarcimento dos demais créditos.
BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE COOPERATIVAS.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais.
VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO TANTO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO QUANTO DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Sendo certo que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação, sobre o valor dos insumos, de um percentual obtido da relação existente entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nada mais justo e coerente que não sejam considerados nem na receita de exportação nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas dos produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, in casu, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos ao exterior.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões quanto à relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Entretanto, a taxa Selic não incide desde o momento em que o crédito presumido foi gerado, ou seja, não incide desde a entrada dos insumos que ocasionaram o pagamento de PIS/COFINS, mas sim desde o protocolo do pedido de ressarcimento, conforme determina o acórdão proferido pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, eis que o ressarcimento de créditos escriturais não se confunde com o ressarcimento dos demais créditos. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO TANTO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO QUANTO DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Sendo certo que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação, sobre o valor dos insumos, de um percentual obtido da relação existente entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nada mais justo e coerente que não sejam considerados nem na receita de exportação nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas dos produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, in casu, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos ao exterior. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Entretanto, a taxa Selic não incide desde o momento em que o crédito presumido foi gerado, ou seja, não incide desde a entrada dos insumos que ocasionaram o pagamento de PIS/COFINS, mas sim desde o protocolo do pedido de ressarcimento, conforme determina o acórdão proferido pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, eis que o ressarcimento de créditos escriturais não se confunde com o ressarcimento dos demais créditos. BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO DE AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE COOPERATIVAS. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 01 93 /0 0- 05 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 distinção nos casos em que a lei não o fez. Antecedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO TANTO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO QUANTO DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Sendo certo que a base de cálculo do crédito presumido de IPI é determinada mediante a aplicação, sobre o valor dos insumos, de um percentual obtido da relação existente entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador, nada mais justo e coerente que não sejam considerados nem na receita de exportação nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas dos produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, in casu, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos ao exterior. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Júlio César Alves Ramos votaram pelas conclusões quanto à relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno a Câmara Superior de Recursos Fiscais, qual seja, o aprovado pela Portaria 147/2007, em face aos acórdãos de nos 20311.925, proferido pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, e 220100.012, proferido pela Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 317 3 O acórdão de nº 20311.925 respaldou, (i) por maioria de votos, o provimento ao recurso voluntário para que fossem incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os gastos com as industrializações por encomenda; (ii) por unanimidade de votos, o provimento ao recurso voluntário para incluir, nessa mesma base de cálculo, os valores referentes às aquisições de insumos de cooperativas; (iii) o desprovimento ao recurso voluntário para entender que o IPI destacado em nota fiscal de saída não representa parcela da receita operacional da empresa, devendo ser excluído do cálculo do crédito presumido de IPI; e (iv) por maioria de votos, o provimento a esse mesmo recurso para reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado, conforme ementa a seguir: “CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÕES POR ENCOMENDA. CÔMPUTO DO VALOR DA INDUSTRIALIZAÇÃO. No cálculo do crédito presumido de IPI devem ser considerados os valores referentes às industrializações promovidas por encomenda. AQUISIÇÕES DE INSUMOS FRENTE A COOPERATIVAS. As aquisições de insumos feitas perante cooperativas devem ser computadas no cálculo do crédito presumido de IPI. IPI NAS SAÍDAS DE PRODUTOS. RECEITA OPERACIONAL. O IPI destacado em nota fiscal de saída não representa parcela da receita operacional da empresa, devendo desta ser excluído, caso nela tenha sido integrado para efeito de apuração do crédito presumido de IPI. SELIC. RESSARCIMENTO. A Selic deve ser computada ao valor do ressarcimento postulado por conta do crédito presumido de IPI. Recurso provido em parte.” Aduzindo possível omissão do Colegiado quanto à matéria suscitada no recurso voluntário, qual seja, a referente ao IPI no cálculo de receitas operacionais e devoluções de compras, o i. Presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, com fulcro no artigo 57, §1º dos antigos Regimentos Internos dos Conselhos de Contribuintes, opôs embargos de declaração em face ao acórdão anteriormente mencionado para que aludida omissão fosse devidamente sanada. Acolhendo, por unanimidade de votos, os embargos de declaração supra citados, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do acórdão de nº 220100.012, entendeu por retificar o acórdão de nº 203 11.925 para que passasse a constar, da sua ementa, que, com relação à matéria de ressarcimento de IPI no cálculo das receitas operacionais e receitas de exportação, deverseia ser dado provimento ao recurso voluntário e, no que se refere à outra discussão, pendente de análise, qual seja, a referente à possibilidade de se incluir na base de calculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes às devoluções de insumos adquiridos, fosse negado provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 “NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabível o recurso de embargos de declaração quando o acórdão recorrido consubstancia decisão omissa com relação a matérias suscitadas em apelo voluntário dirigido ao Segundo Conselho de Contribuintes. RESSARCIMENTO DE IPI. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. Em obediência à legislação do IPI, os valores das devoluções de insumos adquiridos são excluídos da base de cálculo do incentivo. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E RECEITAS OPERACIONAIS. Deve ser estabelecida a relação percentual existente entre receitas de exportação e as operacionais brutas, para que seja excluído do numerador e do denominador da fração o valor das receitas de vendas de mercadorias adquiridas de terceiros.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando que o acórdão recorrido teria sido proferido em manifesta contrariedade ao disposto nos artigos 1º da Lei 9.363/96 e 39, §4º da Lei nº 9.250/95, bem como que o mesmo teria sido proferido em divergência aos acórdãos de números 20179.254 e 20402.250. No que se refere à matéria referente à industrialização por encomenda, a Fazenda Nacional alegou que, ao contrário do entendido pelo acórdão recorrido, o artigo 1º da Lei 9.363/96 restringe a base de cálculo do crédito presumido de IPI às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, não podendo, nesse sentido, se incluir, em aludida base de cálculo, os custos referentes à “prestação de serviço de beneficiamento” como se matérias primas fossem. Quanto à matéria referente à taxa Selic, a Recorrente suscitou que o acórdão recorrido teria violado o artigo 39, §4º da Lei 9.250/95, eis que, segundo esse dispositivo, a taxa Selic somente seria aplicável à compensação ou restituição, não havendo que se falar na sua aplicação para situações que envolvessem ressarcimento de IPI. Suscitou, também, que haveria violação à Lei 9.363/96, eis que a mesma é omissa quanto à aplicação da taxa Selic para o benefício fiscal que é o crédito presumido do IPI. Quanto à questão referente à aquisição de insumos de cooperativas, a Recorrente alegou que apenas poderiam ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores dos insumos que tenham sofrido a incidência do PIS e da COFINS na etapa imediatamente anterior à cadeia produtiva e, sendo certo que as cooperativas não são contribuintes dessas contribuições, não há que se incluir esses valores na base de cálculo do benefício fiscal em tela. Finalmente, quanto à matéria referente ao ressarcimento de IPI no cálculo das receitas operacionais, a Fazenda Nacional alegou que os valores decorrentes da revenda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros de fato não deveriam integrar a receita de exportação do contribuinte, mas, em contrapartida, deveriam integrar a sua receita operacional bruta. Em despacho de fls. 277/278, o i. presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional no que se refere a “(i) inclusão de valores relativos a aquisição de insumos de cooperativas no cálculo do crédito presumido de IPI; (ii) inclusão de valores relativos a exportação de mercadorias adquiridas de terceiros sem que tenham sofrido quaisquer processos de industrialização pelo exportador, na receita de exportação e na receita operacional bruta da empresa; (iii) incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos”. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 318 5 Regularmente intimado do acórdão e do despacho que admitiu o recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 284/312, requerendo fosse negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Primeiramente cabe mencionar que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos os pressupostos de admissibilidade. O seu objeto, a meu ver, além do conteúdo mencionado no despacho de admissibilidade, também abarca a matéria relativa à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores gastos com a industrialização por encomenda. Assim, a controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, a meu ver, basicamente, em determinar quatro pontos, quais sejam: (i) se os gastos com a industrialização por encomenda podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI; (ii) se é cabível a atualização da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado; (iii) se os valores das aquisições dos insumos de cooperativas podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (iv) se os valores decorrentes da revenda, para o exterior, de produtos adquiridos no mercado interno, devem ser incluídos na receita operacional bruta do contribuinte para fins de cômputo do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido do IPI. O primeiro ponto cingese, portanto, em determinar se os valores pagos pelo contribuinte, encomendante, correspondentes a beneficiamentos de matérias primas por outra empresa encomendada devem ser computados como “aquisição de matérias primas”, como entendeu o acórdão recorrido, ou como “prestação de serviços” de industrialização por encomenda, como aduz a Fazenda Nacional. De fato, o artigo 2º, da Lei 9.363/96, ao determinar que “a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor e exportador”, é categórico ao não incluir a “prestação de serviços” na base de cálculo do benefício fiscal. Entretanto, em que pesem os argumentos da Fazenda Nacional focados para determinar que os valores pagos pela Recorrida seriam referentes à “prestação de serviços”, entendo que os mesmos não mereçam prosperar. Isso porque, o produto industrializado por encomenda, que retorna ao estabelecimento do contribuinte, não se transmuda em função dessa industrialização para descaracterizarse como insumo. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Ora, evidente é que as matérias primas beneficiadas por outrem, as quais serão utilizadas como insumo no processo de industrialização do produto a ser exportado, continuam a ser consideradas como matérias primas e, evidentemente, estão abrangidas pela expressão “aquisições de matérias primas” a que o artigo 2º da Lei 9.363/96 faz referência. Ademais, considerando o sedimentado ensinamento de José Pacheco da Silva de que “na lei não existem palavras inúteis. Todas elas têm um sentido próprio e adequado”1, e, também, as lições de Carlos Maximiliano de que “presumese que a lei não contenha palavras supérfluas, devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva”2, restase evidente que o legislador, ao utilizar o vocábulo “aquisições”, ao invés de algum referente à “compra e venda”, demonstra que o relevante, para compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI, é o valor de aquisição e não o valor de compra. Dessa forma, restase indiferente o fato de a matéria prima inicial ter ou não sido fornecida pelo encomendante, ao encomendado, para fins de beneficiamento, desde que seja evidente, como o é, que o que foi adquirido (não comprado) pelo encomendante foi a matéria prima beneficiada que irá compor fisicamente e intrinsecamente o produto final a ser exportado. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pela jurisprudência desta corte administrativa, a saber: 1) “IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. DIREITO A CRÉDITO. LEI No 9.363/96. O benefício deve ser calculado incluindose os valores referentes à operação de beneficiamento de insumo semiacabado industrialização por encomenda. (...)”3 2) “(...) RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.” 4 3) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Caracterizado na nota fiscal emitida pelo executor da encomenda (contribuinte em face das contribuições sociais PIS/PASEP e COFINS) que o produto que industrializou se identifica com um dos componentes básicos para o cálculo do crédito presumido (MP, PI e ME), a ser utilizado no processo produtivo do encomendante (empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais), fica demonstrado o direito desse insumo integrar a base de cálculo 1 DA SILVA, José Pacheco in “Tratado das Locações, Ações de Despejo e Outras”, São Paulo, 9ª ed., RT, 1994, p. 405. 2 MAXIMILIANO, Carlos in “Hermenêutica e Aplicação do Direito”, 16ª ed., Rio de Janeiro, Forense, 1996, p. 110. 3 Acórdão nº 20216.676; 2ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes; Relator Gustavo Kelly Alencar; DOU de 12/07/2007. 4 Acórdão nº 20311.016; 3ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes; Relator Odassi Guerzoni Filho; DOU de 12/03/2007. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 319 7 do crédito presumido e, conseqüentemente, de ser a ele incorporado o custo do beneficiamento e, também, o da mãode obra do executor da encomenda. Recurso especial negado.” o da mãodeobra do executor da encomenda. Recurso especial negado.”5 Assim, quanto a esse ponto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendo os efeitos do acórdão recorrido no que tange à industrialização por encomenda. O segundo ponto consiste em definir se é cabível, no ressarcimento, a aplicação da taxa Selic ao crédito presumido de IPI desde a entrada dos insumos empregados na produção dos produtos exportados, cabendo, ainda, definir se é cabível ou não realizar uma distinção entre “ressarcimento” e “restituição” para fins de aplicação do disposto no artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95 que, por sua vez, dispõe: “Art. 39. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifouse) Aludida matéria já foi objeto de diversos julgados prolatados por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual peço venia para transcrever como meu, o voto proferido pela ilustre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do recurso nº 201125.339, conforme abaixo segue: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos6. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. 7 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse 5 Acórdão nº 0202.087; Segunda Turma da CSRF; Relator Henrique Pinheiro Torres; DOU de 16/07/2007. 6 REsp. 667308/ SC; REsp. 412.710∕SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU 08∕09∕2003. REsp 416.776∕RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 16∕02∕2004 e REsp 541.505∕PR, Rel. Min. José Delgado, DJU 20.10.2003, e REsp 412.710∕SC. 7 Vejase os acórdãos 20302.719/96, 20208.583/96, 20208.594/96 e 20302.719/97. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 sentido, vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC.8 Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária.9 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. 8 A matéria já foi objeto de vários julgados dos Conselhos de Contribuintes, (ACÓRDÃO 20213.920, sessão de 09/07/2002; ACÓRDÃO 20177.484 , sessão de 16/02/2004, incluindo CSRF ( CSRF/0201.732, sessão de 13 de setembro de 2004; e CSRF/020.762, DOU de 06/08/99; Acórdão nº CSRF/020.708, de 04/06/98), reconhecendo, tratandose de restituição de crédito de IPI, o direito à atualização do crédito pela taxa SELIC. 9 Algumas Resoluções antigas do Banco Central, como as de n°s. 2.672/96, 1.693/90 e 1.124/86, permitem inferir que essa taxa corresponde àquela média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação SELIC para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Outrossim, inexiste definição legal quanto à composição dessa mesma taxa. Como corresponde ela aos rendimentos dos títulos federais, deve albergar conjuntamente os juros remuneratórios do capital empregado na aquisição desses títulos e, ainda, a correção monetária, que, a despeito de suprimida relativamente às demonstrações financeiras, para fins de apuração do imposto de renda (art. 4º da Lei nº 9.249/95), continua presente na economia nacional e é reconhecida através da publicação de vários índices oficiais ou oficiosos. Aliás, não é por outra razão que essa taxa varia mensalmente. Embora o livre jogo do mercado financeiro possa influir nessa variação, o componente relativo à inflação mensal é nela indescartável. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 320 9 Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC.10 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção.” Dessa forma, considerando que o STJ, no julgamento do recurso especial representativo de controvérsia de nº 1.035.847, entendeu que a atualização dos créditos escriturados de IPI deva ser realizada “desde o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento, pela UFIR e, após janeiro de 1996, pela SELIC”, entendo que as razões suscitadas no recurso especial da Fazenda Nacional não mereçam prosperar. Nos termos do artigo 62A11 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões proferidas pelo STJ, razão pela qual fazse mister que seja reiterado o reconhecimento da incidência da taxa Selic para atualizar monetariamente os créditos de IPI desde o momento do protocolo do pedido de ressarcimento até a data em que o crédito vier, de fato, a ser ressarcido. Assim, quanto à esse segundo ponto, também voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reiterar o reconhecimento da incidência da taxa Selic sobre os valores dos créditos presumidos de IPI a partir do momento em que o pedido de ressarcimento foi protocolado pelo contribuinte. O terceiro ponto cingese em determinar se as aquisições de insumos de cooperativas podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Na verdade, aludida controvérsia existe por conta da publicação das Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal de nos 23/97 e 103/97, as quais limitam 10 Também devese levar em consideração que o próprio Banco Central do Brasil, que apura a taxa SELIC, reconheceu em sua Circular nº 2.672/96, ao regulamentar Linha Especial de Assistência Financeira do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), ser a taxa SELIC diferenciada dos juros. Tanto assim que cobra encargos financeiros capitalizados diariamente e exigíveis trimestralmente à taxa equivalente à taxa média ajustada de todas as operações registradas no SELIC, acrescida de juros. Portanto, distinguemse os juros dessa última taxa. 11 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 334DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 os artigos 1º e 2º da Lei 9.363/96, impondo que o direito ao crédito presumido de IPI somente pode ser configurado para aquisições de pessoas jurídicas, sendo excluídas, ainda, as aquisições de cooperativas. Em ambos os casos, o fundamento para essas Instruções Normativas é o mesmo, qual seja, o de que o benefício do crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e Cofins, somente será cabível quando nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor exportador, houver incidência dessas contribuições sociais. Eis as suas transcrições: IN SRF n° 23/97: “Art. 2º (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.” IN SRF n° 103/97: “Art. 2° as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido.” A matéria já foi objeto de diversos julgados nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo pertinente trazer à tona as conclusões do doutrinador Ricardo Mariz de Oliveira12, mencionado no voto da nobre conselheira Maria Teresa Martínez López, quando do julgamento do Recurso Especial nº 215.839: “VII CONCLUSÃO: AS AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS INTEGRAM O CÁLCULO DO INCENTIVO, SENDO ILEGAIS AS INSTRUÇÕES NORMATIVAS FAZENDÁRIAS EM CONTRÁRIO De tudo se conclui que as aquisições de insumos que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS também integram a determinação da base de cálculo do crédito presumido a que alude a Lei n. 9363. Isto porque, e em síntese: a expressão legal “contribuições incidentes” não pode ser vinculada a cada operação de aquisição de insumos, pois tal vinculação não faz qualquer sentido lógico, além de impor condição a incidência sobre cada aquisição, isoladamente considerada de realização impossível, porque as contribuições não incidem na base de 5,37%, que é a porcentagem para cálculo do crédito presumido segundo a respectiva fórmula legal; seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei n. 9363, seja por sua consideração em conjunto com os demais dispositivos dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula 12 DE OLIVEIRA, Ricardo Mariz in “Crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS – direito ao cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas” Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 321 11 de cálculo do crédito presumido, verificase que a alusão ao ressarcimento das contribuições incidentes somente pode ser referida a todas as incidências que possivelmente tenham ocorrido em qualquer anterior etapa do ciclo econômico do produto exportado e dos seus insumos; o incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte; a fórmula legal de cálculo do incentivo manda considerar o valor total das aquisições de insumos, sem distinção entre as tributadas e as não tributadas; o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras, e não se confunde com restituição de contribuições, não havendo, assim, razão para exigir a incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos seja integrada ao respectivo cálculo; o ressarcimento do crédito presumido, em moeda corrente, é uma forma alternativa de pagamento da subvenção, sendo que ressarcimento significa provimento do incentivo, em cobertura de parte das despesas de custeio, e não restituição de contribuições, também por isto sendo irrelevante ter ou não ter havido incidência sobre cada aquisição de insumos, isoladamente considerada; a prova da incidência e dos recolhimentos sobre cada aquisição de insumos era exigida pela legislação anterior, mas foi tacitamente revogada, não, podendo, pois, ser feita na vigência da nova lei, revogadora da anterior; o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as quais integram o custo do produto exportado; tudo isto é confirmado pelas regras de hermenêutica, que excluem a interpretação pela literalidade da norma legal e a consideração de apenas um dispositivo isolado das demais normas da mesma lei e do ordenamento jurídico, que exigem resultado derivado da interpretação que seja coerente com os objetivos da lei, que excluem resultado ilógico e de realização impossível, e que requerem o emprego de todos os métodos de exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico; não obstante, mesmo a letra da lei comporta perfeitamente a interpretação no sentido de que não é necessária a incidência sobre a aquisição de insumos, propriamente dita, referindose, antes, às possíveis incidências em quaisquer outras operações Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 que tenham onerado as aquisições dos insumos e o custo do produto exportado. Em vista disso tudo, concluise de modo inarredável que carecem de base legal o parágrafo 2o do art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 23/97 (que limita o crédito às aquisições feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art. 2o da Instrução Normativa SRF nº. 103/97 (que exclui as aquisições feitas à cooperativas).” E, como muito bem dito em referido voto proferido pela nobre conselheira Maria Teresa Martinéz López, “na verdade, o crédito presumido de IPI, por ser presumido, independe do valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício”. Inclusive é esse o entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a saber: 1) “(...) mesmo quando o produtorexportador adquire matéria prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa física, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquinários, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo.(...)” 13 2) “TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO – ART. 1º DA LEI N. 9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL – ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringese à limitação da incidência do art. 1º da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2º, § 2º da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posicionase no sentido da ilegalidade do art. 2º, §2º da IN 23/97. Recurso especial improvido.” 14 (grifouse) 3)“TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI Nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALEXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO 13 REsp 529.758SC, STJ, Ministra Eliana Calmon. 14 REsp 719.433CE, STJ, Ministro Humberto Martins. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 322 13 PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INSUMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN –SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃOPROVIDO. 1. O apelo especial da Fazenda Nacional prendese à alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1º da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento à apelação movida pelo órgão fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia têlo feito a IN SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI ” (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Min. João Otávio de Noronha; Resp 644.789/CE, DJ 04/12/2006, Rel. Min. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Min. Teori Albino Zavascki; REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Rel. Min. Eliana Calmon. 5. Recurso especial nãoprovido.”15 (grifouse) 15 REsp 921.397CE, STJ, Ministro José Delgado. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 Assim, quanto à esse terceiro ponto, também voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reiterar o entendimento do acórdão a quo de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores gastos com aquisições de insumos de cooperativas. O quarto e último ponto cingese em determinar se os valores decorrentes da simples revenda, para o exterior, de produtos adquiridos por terceiros e posteriormente exportados pela empresa, devem ou não ser incluídos na receita operacional bruta do contribuinte para fins de cômputo do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido do IPI. A relevância de aludida controvérsia cingese no fato de que, caso os valores, oriundos da revenda para o exterior de produtos adquiridos de terceiros, sejam incluídos na receita operacional bruta do contribuinte, sem que, no entanto, estejam incluídos na receita de exportação, o percentual obtido da fração “receita de exportação/receita operacional bruta”, o qual é necessário para apurar a base de cálculo do crédito presumido de IPI, será reduzido, a teor do que dispõe o artigo 2º da Lei nº 9.363/96: “Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (g.n.) Não estando presente o requisito básico de que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a não inclusão, no numerador da fração (receita de exportação), dos valores relativos às receitas de vendas para o exterior de mercadorias adquiridas no mercado interno. Até esse ponto, tanto o acórdão recorrido quanto a Fazenda Nacional estão de acordo. No entanto, a controvérsia se dá quanto à exclusão ou manutenção, desses mesmos valores, na receita operacional bruta do contribuinte. A meu ver, da mesma forma que aludidos valores devem ser excluídos do numerador da fração (receita de exportação), os mesmos também devem ser excluídos do denominador dessa fração (receita operacional bruta), exatamente pelo fato de a Lei nº 9.363/96 buscar conceder um incentivo em face dos produtos aportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e, de, outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos aportados, nada mais coerente e justo que não sejam considerados na receita operacional bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas ao exterior. Em outras palavras, o que a relação percentual visa determinar é o quanto dos produtos efetivamente industrializados que integram a receita operacional bruta foi vendido para o exterior, daí não podermos, a meu ver, ficarmos presos, no presente caso, ao significado da expressão “receita operacional bruta do exportador” no seu sentido estrito. Tratase, nesse sentido, de uma relação de proporcionalidade em que o valor total das aquisições de “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem”, Fl. 339DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13055.000193/0005 Acórdão n.º 9303001.721 CSRFT3 Fl. 323 15 os quais são utilizados no processo produtivo do produto final exportado, apenas é computado quando também for computado o valor relativo à venda desse produto final exportado, ou seja, apenas é computado quando o valor relativo ao produto final produzido a partir dessas “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem” também é considerado na “receita de exportação” e, consequentemente, na “receita operacional bruta” do produtor exportador. Assim, a meu ver, em que pesem as razões suscitadas pela Fazenda Nacional no sentido de entender que os valores oriundos das revendas de produtos produzidos no mercado interno devam ser incluídos na receita operacional bruta do contribuinte, entendo que as mesmas não mereçam prosperar. Dessa forma, voto no sentido de conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento para manter o acórdão recorrido também no que se refere a esse último ponto. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe integral provimento para que seja totalmente mantido o entendimento esposado nos acórdãos recorridos. Nanci Gama Fl. 340DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por NAN CI GAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10830.725694/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE.
Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo.
RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTA O DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA E A METODOLOGIA UTILIZADA PARA SUA FIXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, mormente a fundamentação legal para aplicação da multa e os passos seguidos para sua apuração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Não tendo a empresa comprovado o alegado convênio para recolhimento direto das contribuições destinadas ao SENAI, é cabível o lançamento das contribuições não recolhidas para a referida entidade na Guia da Previdência Social - GPS.
CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INCIDÊNCIA.
Incidem contribuições para o Salário-Educação sobre os valores não declarados em GFIP, cuja inclusão no salário-de-contribuição foi demonstrada pelo fisco, e que serviram de base para apuração das contribuições devidas à Seguridade Social.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, II) no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para que sejam excluídos da base de cálculo lançada nos AI n.º 37.360.182-4, n.º 37.360.183-2 e n.º 37.360.184-0 os levantamentos PG Previdência Privada Geral.; PG1 Previdência Privada Geral; PG2 Previdência Privada Geral; PP Previdência Privada; PP1 Previdência Privada; PP2 Previdência Privada, AG Alta Gerência Participação e AG2 Alta Gerência Participação e recalculada a multa no AI n.º 37.360.181-6, considerando as mencionadas exclusões.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, deve-se aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTA O DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA E A METODOLOGIA UTILIZADA PARA SUA FIXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, mormente a fundamentação legal para aplicação da multa e os passos seguidos para sua apuração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Não tendo a empresa comprovado o alegado convênio para recolhimento direto das contribuições destinadas ao SENAI, é cabível o lançamento das contribuições não recolhidas para a referida entidade na Guia da Previdência Social - GPS. CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições para o Salário-Educação sobre os valores não declarados em GFIP, cuja inclusão no salário-de-contribuição foi demonstrada pelo fisco, e que serviram de base para apuração das contribuições devidas à Seguridade Social. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, II) no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para que sejam excluídos da base de cálculo lançada nos AI n.º 37.360.182-4, n.º 37.360.183-2 e n.º 37.360.184-0 os levantamentos PG Previdência Privada Geral.; PG1 Previdência Privada Geral; PG2 Previdência Privada Geral; PP Previdência Privada; PP1 Previdência Privada; PP2 Previdência Privada, AG Alta Gerência Participação e AG2 Alta Gerência Participação e recalculada a multa no AI n.º 37.360.181-6, considerando as mencionadas exclusões. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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COMPETÊNCIA 01/2007. ATIVIDADE DE FABRICAÇÃO DE ARTIGOS DE BORRACHA. ALÍQUOTA DE 3%. Na competência 01/2007, o Anexo V do Regulamento da Previdência Social determinava a aplicação da alíquota RAT de 3% para as empresas que exerciam como atividade preponderante a fabricação de artigos de borracha. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. INEXISTÊNCIAS DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUE TRATEM DO DIREITO AO PAGAMENTO. DESATENDIMENTO À NORMA DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A previsão, nos instrumentos de negociação efetuado entre empresa e trabalhadores, de regras claras e objetivas, que permitam aos empregados aferirem o cumprimento das exigência para percepção da participação nos lucros e resultados PLR, é exigida pela Lei n.º 10.101/2000, sendo que sua ausência leva à incidência de contribuições sociais sobre as verbas pagas a esse título. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. ASSINATURA PELO SINDICATO. EXISTÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO. A apresentação de acordo coletivo de trabalho para pagamento de PLR, firmado entre a empresa e o sindicato dos empregados, assinado pelas partes, comprova a existência de negociação entre estas. VALOR DA PLR DESTINADO A PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não leva à incidência de contribuições previdenciárias o fato da empresa destinar o pagamento da PLR para aporte em plano de previdência complementar dos empregados, posto que a destinação da verba não altera a sua natureza jurídica. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 56 94 /2 01 1- 33 Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. DECLARAÇÃO NA GFIP DAS REMUNERAÇÕES DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ALEGAÇÕES CARENTES DE PROVAS. NÃO ACOLHIMENTO. A alegação de declaração das remunerações dos contribuintes individuais na GFIP não deve ser aceita, posto que não foi lastreada em elementos probatórios consistentes, além de que o fisco demonstrou claramente a inexistência da informação dos referidos fatos geradores na guia informativa. TERCEIROS. CONTRIBUIÇÃO AO SENAI. ALEGADA EXISTÊNCIA DE CONVÊNIO. NÃO COMPROVAÇÃO. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não tendo a empresa comprovado o alegado convênio para recolhimento direto das contribuições destinadas ao SENAI, é cabível o lançamento das contribuições não recolhidas para a referida entidade na Guia da Previdência Social GPS. CONTRIBUIÇÃO AO SALÁRIOEDUCAÇÃO. OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições para o SalárioEducação sobre os valores não declarados em GFIP, cuja inclusão no saláriodecontribuição foi demonstrada pelo fisco, e que serviram de base para apuração das contribuições devidas à Seguridade Social. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO, APRESENTA O DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA E A METODOLOGIA UTILIZADA PARA SUA FIXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.597 3 Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência, mormente a fundamentação legal para aplicação da multa e os passos seguidos para sua apuração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, II) no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para que sejam excluídos da base de cálculo lançada nos AI n.º 37.360.1824, n.º 37.360.1832 e n.º 37.360.1840 os levantamentos “PG – Previdência Privada Geral”.; “PG1 – Previdência Privada Geral”; “PG2 – Previdência Privada Geral”; “PP – Previdência Privada”; “PP1– Previdência Privada”; “PP2 – Previdência Privada”, “AG – Alta Gerência Participação” e “AG2 – Alta Gerência Participação” e recalculada a multa no AI n.º 37.360.1816, considerando as mencionadas exclusões. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra o Acórdão n.º 0537.715 da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Campinas (SP), que declarou procedente em parte o conjunto de impugnações apresentadas visando a desconstituir quatro Autos de Infração – AI, aos quais passamos a nos reportar: a) AI n.º 37.360.1824: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT ; b) AI n.º 37.360.1832: exigência de contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais; c) AI n.º 37.360.1840: exigência de contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros); e d) AI n.º 37.360.1816: aplicação de multa pela conduta de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Nos termos do relatório fiscal, fls. 71/88, os fatos geradores contemplados nos levantamentos foram os pagamentos efetuados a: a) segurados empregados, a título de participação nos resultados da empresa (levantamentos PR, PR1 e PR2), conforme Anexo 1; b) segurados empregados a título de custeio de plano de previdência complementar (levantamentos PP, PP1, PP2, PG, PG1 e PG2), conforme Anexos 2, 3 e 4; c) segurados empregados ocupantes de cargos de alta gerência, a título de participação nos resultados da empresa (levantamento AG e AG2), conforme Anexo 5; d) segurados contribuintes individuais, pela prestação de serviço sem vínculo de emprego (levantamentos CI e CI1). Esses pagamentos foram identificados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, conforme Anexo 6. A falta de declaração da totalidade dos fatos geradores na GFIP deu ensejo à aplicação de multa no valor de 100% da contribuição não declarada, conforme demonstrado no Anexo 7. A penalidade, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovida s pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. O fisco aduziu que a participação dos empregados no resultado da empresa deixou de atender a duas das determinações da Lei n.º 10.101/2000: negociação com os empregados e estabelecimento de regras claras quanto à percepção da vantagem. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.598 5 Com relação ao pagamento de participação nos resultados para trabalhadores com cargos na alta gerência, o fisco afirma que a empresa não demonstrou ter havido a participação do sindicato nas negociações, nem o estabelecimento de critérios para pagamento da participação. Sobre o custeio do plano de previdência privada, a auditoria asseverou que a incidência de contribuições deuse em razão de não haver cobertura a todos os empregados, uma vez que não eram cobertos pelo plano os trabalhadores com salários mais baixos. Destacase ainda a caracterização de Grupo Econômico entre as empresas BANDAG DO BRASIL LTDA e BRIDGESTONE DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, posto que, segundo fisco, são interligadas entre si, possuem mesma direção, controle ou administração, são comandadas pelo mesmo grupo de pessoas e, ainda, atuam no mesmo ramo de atividade. Lavrouse, então, o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da segunda, com base no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 e no art. 124 do Código Tributário Nacional. Informase que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais em razão de suposta ocorrência do crime previsto no art. 337A, incisos I e II, do Código Penal. Na decisão recorrida, acatouse parcialmente o argumento da empresa relativo à aplicação da alíquota para o RAT, determinando que, para as competências 02 a 05/2007, a contribuição fosse calculada pela alíquota de 2%. Para o restante do período, a DRJ entendeu que o cálculo levado a efeito no lançamento foi efetuado em conformidade com a legislação. O órgão de primeira instância concluiu que os acordos firmados com o Sindicato de Campinas (SP) e região não previam a participação dos trabalhadores nos resultados da empresa e que os demais acordos não continham metas e/ou critérios para pagamento da verba, conforme exige a Lei n.º 10.101/2000. Essa exigência, afirmou a DRJ, também não foi cumprida para o pagamento de participação nos resultados feita aos ocupantes dos cargos de alta gerência. A empresa Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda, incorporadora da autuada, apresentou recursos distintos contra cada um dos autos de infração. No recurso de fls. 1.283/1.292, relativo ao AI n.º 37.360.1816, alegouse que a autuação é nula, posto que edificada em legislação já revogada pela Lei n.º 11.941/2009, além de que não houve a devida fundamentação do ato administrativo pelo fisco. No recurso de fls. 1.353/1.358, relativo ao AI n.º 37.360.1832, alegouse que a autuação não deve subsistir, posto que declarou na GFIP todos os contribuintes individuais a seu serviço e recolheu as contribuições devidas, conforme documentos apresentados durante a ação fiscal. No recurso de fls. 1.419/1.452, relativo ao AI n.º 37.360.1824, alegou, em apertada síntese, que: a) na época da ocorrência dos fatos geradores (01/2007 a 12/2008), a alíquota RAT era determinada pelo Decreto n.º 6.042/2007, no patamar de 2%, não podendo haver aplicação retroativa do Decreto n.º 6.957/2010, para se exigir a alíquota de 3%; Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 b) a utilização de norma editada posteriormente à ocorrência dos fatos geradores leva à nulidade da lavratura; c) a empresa efetuou a retificação das GFIP em que houve a inclusão do código CNAE incorreto, devendo prevalecer, para as competências em que se detectou o equívoco, a alíquota de 2%, haja vista que a informação incorreta foi devidamente retificada; d) apresenta cópia dos acordos coletivos de trabalho firmado entre a empresa e o Sindicato da Borracha de Campinas e Região, os quais contêm previsão expressa de participação dos trabalhadores nos lucros e resultados; e) a autoridade julgadora caiu em contradição, na medida em que ora afirma que a recorrente não possuía previsão para pagamento de PLR no acordo coletivo, ora afirma que a norma coletiva é nula por incompetência territorial; f) a legalidade do pagamento da PLR é demonstrada pela previsão em acordo coletivo, não devendo prevalecer a conclusão do órgão recorrido de que a verba se assemelharia a abonos ou prêmios; g) o acordo coletivo celebrado dispondo sobre o pagamento de PLR não abrange apenas os trabalhadores vinculados ao Sindicato de Campinas, mas todos os empregados da empresa; h) as metas a serem atingidas para dar direito à percepção da PLR encontram se divulgadas nas áreas internas dos estabelecimentos da recorrente, o que permitia o conhecimento de todos os empregados; i) os acordos coletivos de trabalho relativos ao pagamento de PLR aos ocupantes de cargos de alta gerência encontramse devidamente assinados, conforme cópias acostadas; j) não procede a afirmação da DRJ de que a empresa teria agido de forma ardilosa para esconder verbas tributáveis, posto que a entidade sindical tinha plena consciência dos pagamentos; k) não ocorreu a exclusão de nenhum funcionário do plano de previdência privada, mas sim a divisão dos mesmos em dois grupos: o “Especial” e o “Básico”, portanto, o plano foi fornecido a todos os empregados e dirigentes, não sendo cabível a tributação dos valores correspondentes; l) em nenhum momento a recorrente cometeu o crime de sonegação de contribuições previdenciárias, posto que jamais omitiu fatos geradores na GFIP, conforme demonstrado no recurso, portanto, a RFFP deve ser cancelada; m) a multa aplicada afronta a Constituição, nos seus princípios de vedação ao confisco, da razoabilidade e da capacidade contributiva; n) sendo improcedente a contribuição, não deve subsistir a multa imposta. Ao final, requer a declaração de nulidade da lavratura. No recurso de fls. 1.524/1.532, relativo ao AI n.º 37.360.1840, alegouse que a autuação não procede, posto que recolheu a contribuição diretamente ao SENAI por força de convênio que possuía com a entidade. Relativamente ao SESI e ao SalárioEducação afirma Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.599 7 haver recolhido todas as contribuições devidas, conforme documentos disponibilizados ao fisco. É relatório. Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. AI n.º 37.360.1824 Aplicação da alíquota RAT Analisandose o Discriminativo do Débito – DD relativo ao AI n.º 37.360.1824, verificase que foi efetuado o lançamento da contribuição ao RAT pelas seguintes alíquotas: 01 a 05/2007 – 3% (três por cento) 06/2007 a 12/2008 – 2% (dois por cento) A DRJ entendeu que deveria ser retificada, para as competências de 02 a 05/2007, a alíquota RAT de 3% para 2%, uma vez que o fisco enquadrou a empresa no CNAE “25.119”, o qual deixara de existir a partir da competência 02/2007, por força do Decreto n.º 6.042/2007. Além do mais, afirmouse na decisão recorrida, que a empresa enviou guias GFIP retificadoras alterando o CNAE para “22.196/00”, cuja atividade é “Fabricação de artefatos de borracha não especificados anteriormente”, que tem alíquota RAT de 2%. Considerando que a empresa defende que a alíquota RAT deveria ter sido aplicada no patamar de 2%, o litígio remanesce apenas em relação à competência 01/2007, posto que para as demais, após a decisão a quo, a alíquota foi mantida no patamar que empresa entende estar correto. O fisco utilizouse do CNAE “25.119 – Fabricação de pneumáticos e câmaras de ar”, correspondente a alíquota RAT de 3%, conforme a previsão do Anexo V do RPS, vigente na competência em questão (01/2007). A empresa, quando efetuou a retificação da GFIP, utilizouse do CNAE “22196/00 – Fabricação de artefatos de borracha não especificados anteriormente”, o qual não era aplicável à competência 01/2007, uma vez que foi introduzido pelo Decreto n.º 6.042/2007 (com utilização a partir da competência 02/2007). Por outro lado, mesmo na GFIP retificada, a empresa lançou a alíquota de 3%. Assim, considerando que todas as atividades relacionadas ao Subgrupo CNAE “25.1 – Fabricação de artigos de borracha” eram, na competência 01/2007, tributadas pela alíquota RAT de 3%, deve ser mantida a decisão de primeira instância, quanto a esse ponto da controvérsia. Não há, portanto, em que se acolher a suscitada nulidade da lavratura em razão de erro na aplicação da alíquota RAT, posto que o equívoco cometido pelo fisco foi Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.600 9 prontamente saneado pela decisão recorrida. Não se vislumbrou também citação de legislação incorreta. No anexo “Fundamentos Legais do Débito” estão lançadas as disposições aplicáveis para cada período do débito, não se verificando a utilização do Decreto n.º 6.957/2010 para fundamentar a aplicação da alíquota RAT nas competências lançadas (01/2007 a 12/2008). Pagamento de PLR a) empregados em geral O fisco justificou a incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de PLR aos empregados da recorrente na falta de atendimento aos ditames da Lei n.º 10.101/2000. Afirmase que a empresa não demonstrou ter havido participação do Sindicato nas negociações para estabelecimento das regras concernentes ao pagamento da PLR. Asseverase que a empresa juntou as planilhas denominadas “PPR2007” e “PPR2008” (fls. 289/290), as quais contêm indicadores, limites e pesos, todavia, esses documentos não serviriam para comprovar o alegado, além de que não há indício de que tenha ocorrido negociação com os trabalhadores. Em relação aos empregados da matriz, afirmouse que os acordos coletivos firmados pela empresa com o Sindicato da Borracha em Campinas (fls. 419/450) não traziam a previsão do pagamento de PLR. Asseverase que a empresa apresentou apenas duas atas de reuniões extraordinárias do Sindicato em Campinas (fls. 287/288) tratando do pagamento da PLR, todavia, não foram mencionadas as metas a serem atingidas para percepção do benefício. A auditoria aduziu ainda que as atas apresentadas levavam à conclusão que os acordos não foram firmados previamente ao período aquisitivo. Para os empregados da filial “0004”, segundo o fisco, há no acordo firmado entre a empresa e o Sindicato do Município de Rio Negrinho e Região, fls. 453/473, a previsão do pagamento a título de PLR no mês de dezembro pelo valor equivalente a 1/12 (um doze avos) de 70 (setenta) horas para cada mês trabalhado. O fisco aduz que não consta qualquer meta vinculada a esses pagamentos. A empresa afirma que os acordos para pagamento foram firmados com o Sindicato e que as metas para recebimento da PLR constavam em normas internas da empresa. Necessário, então, antes de analisar as razões apresentadas pelas partes, fazer uma breve passagem pela legislação que trata da exclusão dos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados da base de incidência de contribuições previdenciárias. A participação dos empregados no lucro das empresas tem sede constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 (...) Atendendo a essa previsão, veio ao mundo legal a Medida Provisória n.º 794/2004, sucessivamente reeditada até a conversão na Lei n. 10.101/2000. O art. 1. desse diploma normativo dispõe: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Esse diploma veio normatizar diversos aspectos atinentes à participação dos trabalhadores no resultado do empregador, tais como: forma de negociação, impossibilidade de substituição da remuneração por esse benefício, periodicidade, isenção tributária, etc. Vale a pena, já que fundamental na solução desta contenda, transcrever o art. 2.º da lei que rege a participação nos lucros pelos empregados: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. A Lei n.º 8.212/1991, na alínea “j” do § 9. do art. 28, que regula a exclusão do saláriodecontribuição da participação nos lucros, prevê que não haverá a incidência de contribuições previdenciárias sobre a citada verba, mas condiciona o benefício fiscal ao pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n.º 10.101/2000. Eis o dispositivo: Art. 28. (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.601 11 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Uma das condições impostas pela norma que regula o pagamento da PLR é que a empresa estabeleça, mediante negociação com os trabalhadores, regras claras e objetivas que serão utilizadas para aferição do direito ao recebimento da verba. Para o legislador elaboração de regras para pagamento da PLR deve ser feita conjuntamente entre capital e trabalho, não se admitindo a imposição das normas pela empresa, tampouco, que da negociação sejam estabelecidas metas/critérios inexeqüíveis ou de difícil entendimento. Observese que na Lei da PLR intencionalmente foi utilizada a expressão: “...regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos...”, de modo a se evitar a introdução de disposições que dificultassem, principalmente aos trabalhadores, aferirem se teriam direito ao recebimento do benefício. Voltemos ao caso sob apreciação. O fisco assevera que os acordos coletivos de trabalho firmados pela empresa e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha de Campinas e Região não continham previsão do pagamento de PLR. Todavia, consta dos documentos juntados à defesa, fls. 1.155/1.162, acordos coletivos específicos para pagamento da PLR, ajustado com o Sindicato sob referência, para os exercícios de 2007 e 2008. A constatação descrita no parágrafo acima entra em choque com a conclusão da DRJ que afirmou que o acordo firmado com o Sindicato de Campinas não conteria previsão de pagamento da PLR. Os acordos de fls. 419/450 de fato, silenciam sobre a questão, mas os de fls. 1.155/1.162 são ajustes específicos de participação nos lucros. Verifiquemos então o teor dos acordos, no intuito de aferir se o conteúdo dos mesmos encontrase em consonância com a lei de regência. O acordo de 2007, assinado em 20/12/2006, prevê a participação dos trabalhadores no resultados da empresa para o período de 12/2006 a 11/2007. A “Cláusula n.º 03” estipula em dois salários nominais o limite de pagamento. A “Cláusula 11” reportase aos critérios de medição e mecanismos de aferição da participação nos resultados, nos seguintes termos: “1 – Para aferição da participação nos resultados será levado em consideração os indicadores e limites discriminados no ANEXO. 2. Comprometimento da empresa no pagamento de dois salários atualizados no mês de Dezembro de 2007, se atingidas as metas em 100%, caso contrário, o pagamento será proporcional conforme os percentuais cumpridos dos Indicadores Globais, Específicos e individuais.” Verificase que o acordo não traz em seu corpo as regras claras exigidas pela lei, mas faz remissão a documento anexo. Ocorre que nem na auditoria, tampouco na defesa e no recurso, a empresa junta este documento. Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A apresentação desse anexo é imprescindível para verificação do cumprimento do disposto no § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, posto que, sem o mesmo, impossível se concluir pela existência de regras claras e objetivas dispondo sobre o direito à PLR. Ressaltese que foram anexadas pelo fisco as planilhas denominadas “PPR 007” e “PPR2008” (fls. 289/290), as quais contêm indicadores, limites e pesos, todavia, entendemos que esse documentos não suprem a lacuna referente às regras exigidas pela Lei, posto que não indicam se referentes ao acordo para pagamento de PLR aos empregados ou aos cargos de alta gerência, ou ainda a qual acordo estão relacionadas, se aquele firmado com o Sindicato da base de Campinas ou de Rio Negrinho. Vêse que, mesmo convencendo que havia acordo para participação dos trabalhadores do Sindicato de Campinas, a empresa não comprovou a existência de regras claras e objetivas legalmente exigidas para o pagamento da PLR. Passemos agora a analisar o acordo de 2008. Com prazo de vigência de 12/2007 a 11/2008, o ajuste prevê que o limite para pagamento da PLR por empregado é de dois salários nominais, com base no valor vigente no momento do pagamento. Quanto às metas, estipulouse: “CLÁUSULA SEGUNDA – a participação nos resultados está vinculada a metas globais, específicas e individuais com os seus respectivos indicadores e limites ajustados para o ano de 2008, que foram divulgados a todos os funcionários”. Também neste caso a empresa não apresentou a norma interna que conteria as metas globais, específicas e individuais. Da mesma forma que no acordo de 2007, a empresa deixou de comprovar o cumprimento da regra que impõe a existência de regras claras e objetivas no acordo para pagamento da PLR. Mesmo as atas de Assembléia Extraordinária do Sindicato de Campinas, constantes às fls. 287/288, malgrado conterem menção ao pagamento de PLR, nada dispõem sobre as regras claras e objetivas previstas na Lei n.º 10.101/2000. Concluise, então, que a empresa deixou de comprovar que os acordos firmados entre a empresa e o Sindicato dos trabalhadores da base territorial de Campinas e Região conteriam as metas/critérios concernentes ao pagamento da PLR. A empresa celebrou também acordos coletivos com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Papel, Papelão e Cortiça, Distribuidores de Papel para Higiene e Limpeza, Indústrias Químicas, Material Plástico e Artefatos de Borracha de Rio Negrinho e Região, relativos aos empregados da filial 0004. Analisando os acordos, fls. 460/465 e 466/473, vislumbramos a “Cláusula 26. ” comum aos dois ajustes, que assim dispõe: “Cláusula 26ª PPR– PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A empresa pagará a todos os seus funcionários ativos em Dezembro de 2005 o equivalente a 70 (Setenta horas), no mês de Dezembro de 2008, com o salário atualizado na proporção de 1/12 (Um doze avos), por mês trabalhado na Empresa durante o ano, a título de PPR. Considerase um avo no cálculo do mês trabalhado, quando for igual ou superior a 15 (Quinze) dias. quando for igual ou superior a 15 (Quinze) dias. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.602 13 Para funcionários afastados do trabalho recebendo Auxílio da Previdência Social, serão deduzidos do Abono, o número de avos quantos forem os meses de afastamento.” Verificase que os acordos, na cláusula que trata do pagamento de PLR, quantificam o valor a ser destinado aos empregados, todavia, não condiciona a percepção do benefício ao cumprimento de qualquer requisito. Inexistindo a estipulação de metas/critérios exigíveis para o seu recebimento a verba perde a natureza de participação nos resultados e passa a ser um mero abono, este com natureza de salário. Sobre essa questão, vale a pena apresentar magistrais considerações feitas pelo Conselheiro Leonardo Lopes, quando da relatoria do processo n.º 11020.002007/201024 (1.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF): “As regras do PLR devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos, tendose em vista, por outro lado, que a finalidade do Programa é desenvolver a empresa com a participação do empregado nos resultados alcançados. É neste ponto que o Programa de Participação nos Lucros ou Resultados formulado pela empresa Recorrente apresenta falha, pois estabelece como critério de aferição as horas trabalhadas no semestre. Tal critério, embora apresente uma objetividade superficial, quando analisado com maior cautela, verificase que não tem qualquer relação com o estímulo da atividade produtiva, pois busca remunerar aqueles que permanecem mais tempo na empresa, independe dos resultados eventualmente alcançados ou da atividade desenvolvida, o que contraria os requisitos legalmente dispostos. Outrossim, considerandose que a carga horário do empregado é prevista no seu contrato de trabalho, sendo a hora extra um fato excepcional, permitir que o PLR seja aferido de acordo com as horas trabalhadas é o mesmo que buscam estimular a permanência do funcionário na empresa, ainda que desnecessariamente, bem como trazer um aspecto que não tem qualquer relação com os objetivos que se buscam alcançar com a criação do Programa. Não se pode encarar a objetividade exigida como requisito de validade do PLR como o simples ato de se estipular um determinado critério de distribuição dos lucros. Se assim o fosse, qualquer situação passível de verificação no mundo fenomênico seria suficiente para tornar válido o programa, o que, por si só, já seria um absurdo. O que o legislador quis dizer ao estabelecer a clareza e a objetividade das regras como um dos pressupostos para a validade do PLR foi que tais premissas apresentem um eminente caráter teleológico, ou seja, que devem tem por escopo o desenvolvimento coletivo dos funcionários, diretores e da própria empresa, devendo, portanto, os critérios estabelecidos serem condizentes com tal finalidade. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Não é essa, todavia, a situação do PLR da Recorrente, pois a permanência de horas na empresa não é garantia de que haverá aumento na produtividade ou o alcance de melhores resultados. A condição de possibilidade do crescimento coletivo da empresa não é a quantidade de horas que se passa no local de trabalho, mas sim a qualidade do serviço desenvolvido e respectivos resultados, sendo incoerente, portanto, o critério estabelecido pela Recorrente para a distribuição dos lucros no seu PLR. Destarte, como os dispositivos legais devem ser rigorosamente observados para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, não há que se falar, no caso concreto, em ausência de fato gerador de obrigação principal, pois o PLR da Recorrente não obedeceu aos critérios legalmente exigidos, sendo devida, portanto, a incidência da contribuição previdenciária e procedente o lançamento realizado pela Fiscalização.” Seguindo essa linha de raciocínio, é de se concluir que os acordos firmados com o Sindicato de Rio Negrinho, por não conterem os objetivos a serem alcançados para gerar o direito ao recebimento da PLR, contrariam a lei específica e, em razão disso, aplicandose a norma da “j” do § 9.º art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, forçosamente se conclui que deve haver a incidência de contribuições sociais sobre as verbas pagas a título de PLR aos empregados da recorrente, posto que não se atendeu ao disposto na lei de regência, condição exigida para que os pagamentos não sejam tributados. b) ocupantes de cargos de alta gerência Aos cargos de alta gerência a empresa tinha um programa de participação nos resultados diferenciado. Foram apresentados ao fisco, para os exercícios de 2007 e 2008, documentos intitulados “Acordo Coletivo de Trabalho – Participação Complementar nos Resultados para os Ocupantes do Cargo de Alta Gerência”. O fisco justificou, ver itens 44 a 52 do relatório, a incidência de contribuições sobre a PLR dos cargos de gerência nos seguintes pontos: a) não há assinatura do representante do Sindicato nos acordos; b) a empresa, embora tenha acordado, conforme “Parágrafo Único da Cláusula 2.ª”, que os valores seriam pagos mediante aporte aos planos de previdência dos beneficiários, lançou na contabilidade tais valores em contas representativas de participação nos resultados e, na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ, informouos como participação de empregados. Essas justificativas não merecem acolhimento. Verificandose os acordos de fls. 1.194/1.203, percebese a assinatura do representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Artefatos de Borracha de Campinas e Região, tanto no acordo de 2007 como no de 2008. Quanto à forma de contabilização e as informações prestadas na DIPJ, entendemos que as mesmas guardam coerência com os fatos contábeis ocorridos. Na verdade, o que motivou a saída do recurso da empresa foi o pagamento de PLR. A destinação a ser dada ao recurso, se pago ao empregado ou depositado em seu plano de previdência privada não altera a natureza jurídica do desembolso, que efetivamente decorreu do cumprimento do acordo para pagamento da participação dos gerentes nos resultados da empresa. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.603 15 Por esse motivo, devem ser excluídos dos lançamentos os valores abrigados sob os levantamentos “AG – Alta Gerência Participação” e “AG2 – Alta Gerência Participação”. Previdência complementar De acordo com o fisco, a incidência de contribuições sobre os pagamentos da empresa para custeio do plano previdência complementar se deu pelo fato da cobertura não ser extensível a todos os empregados. Afirmou a Autoridade Lançadora, em síntese, que o plano de previdência era divido em dois grupos. O Grupo I para os trabalhadores de salário superior a 10 URB (Unidades de Referência Bandag) e o Grupo II para aqueles que percebessem valores inferiores a 10 URB. Afirmou o fisco que, após exaustiva pesquisa nos documentos apresentados pela empresa, concluiu que não havia nenhum empregado do Grupo II coberto pelo plano. Diante dessa constatação, foram incluídos na base de cálculo do lançamento os valores pagos pela empresa a título de previdência privada, posto que a empresa desatendeu ao disposto na alínea “p” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, que condiciona a exclusão da verba do saláriodecontribuição à disponibilização do plano de previdência a todos os empregados e dirigentes da empresa. Observase, da leitura do Contrato de Previdência Complementar – Plano Coletivo Instituído, firmado entre a recorrente e seguradora Bradesco Vida e Previdência S.A., fls. 513 e segs., que: “2.1 Poderão se inscrever como Participantes do PGBL, todos os dirigentes e empregados da INSTITUIDORA, que na data da assinatura da Proposta de Inscrição estejam em plena atividade laboral”. A redação acima deixa claro que não há obrigatoriedade na adesão ao plano, mas que, uma vez que o trabalhador demonstre interesse, a sua inscrição estaria disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Analisando a regra que trata da exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores relativos ao custeio de plano de previdência pelo empregador, verificase que a exigência legal é de que haja a disponibilização a todos os empregados e dirigentes. Eis o dispositivo: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (...) Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 O fisco tentou afastar a aplicação dessa norma, sob a alegação de que a empresa não teria demonstrado a existência de empregado pertencente ao Grupo II, acima referido, que seria beneficiário do plano previdenciário, assim restaria comprovado que o benefício não era disponibilizado a todos. Respeitando a opinião da Autoridade Lançadora, corroborada pela DRJ, entendemos de maneira diversa. Se formalmente o plano prevê a possibilidade de cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa, caberia ao fisco demonstrar que algum mecanismo adotado pela empresa afastaria determinados empregados do benefício. O fato de não ter encontrado empregados de menor salário participando do plano de previdência não autoriza a conclusão de que o trabalhador tivesse sido excluído do benefício pela empresa, mas tão somente que não houve interesse da categoria em aderir ao plano. Não nos cabe aqui ficar fazendo ilações sobre quais os motivos levaram determinada classe de trabalhadores a não figurar como participante do programa previdenciário, haja vista que objetivamente o plano de previdência contratado pelo empregador estava disponível a totalidade dos empregados e dirigentes. Diante do exposto, devese afastar da apuração as quantias correspondentes ao custeio do plano de previdência. Multa Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de trinta por cento, conforme previa o revogado art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, vigente na data da ocorrência dos fatos geradores. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.604 17 Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Quanto ao afastamento da multa em razão improcedência do valor originário das contribuições, para as parcelas que foram excluídas do lançamento, a multa será automaticamente cancelada, todavia, remanescerá para o crédito mantido. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto às alegações relativas a existência de crime, noticiadas ao órgão competente mediante Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. AI n.º 37.360.1832 Este AI referese a exigência da contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, todavia, a recorrente alega apenas que declarou na GFIP todos os contribuintes individuais que lhe prestaram serviço e efetuou o correspondente recolhimento. Sobre essa questão, o fisco apresentou, no Anexo 6, a relação dos contribuintes individuais cuja remuneração constante na DIRF diverge daquela declarada na GFIP. A empresa, embora alegue haver declarado os fatos geradores na GFIP e recolhido as contribuições, não trouxe aos autos qualquer alegação específica contra o demonstrativo apresentado pelo fisco, nem também acostou documentos que pudessem embasar a sua tese recursal. A decisão de primeira instância quando tratou da questão (remuneração dos contribuintes individuais) apresentou, para a competência 03/2007, demonstrativo construído com base no trabalho de apuração fiscal e no banco de dados da RFB, em que ficou evidenciado que os valores lançados não foram declarados na guia informativa. Contra esse demonstrativo o sujeito passivo não se insurgiu especificamente, limitandose a afirmar de maneira genérica que teria declarado a remuneração de todos os contribuintes individuais na GFIP. Nesse sentido não deve ser aceito o argumento relativo aos contribuintes individuais. Todavia, para os levantamentos que foram excluídos, conforme análise do recurso relativo ao AI n.º 37.360.1824, haverá a redução da contribuição dos segurados empregados. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 AI n.º 37.360.1840 Este AI diz respeito à exigência de contribuições para outras entidades ou fundos. A empresa alega a existência de convênio com o SENAI para recolhimento direto. Todavia, a documentação juntada (fls. 665/687) referese a convênio com o SESI, portanto, não deve ser acatada essa alegação. Inclusive não faz parte do lançamento as contribuições destinadas ao SESI, posto que o próprio fisco reconheceu a existência do aludido convênio. Alega também a empresa que recolheu todas as contribuições devidas em relação ao SESI e ao SalárioEducação. A contribuição ao SESI não foi lançada, como vimos, portanto, essa alegação é impertinente. Quanto à contribuição ao SalárioEducação, a mesma incidiu sobre remunerações não declaradas em GFIP, cujas contribuições não foram recolhidas pela empresa antes da ação fiscal, as quais coincidem com as bases de cálculo relativas aos segurados empregados constantes no AI n.º 37.360.1824 (contribuições patronais para a Seguridade Social), portanto, toda a discussão acerca de incidência de contribuições sobre aquelas parcelas já foram tratadas acima, valendo todas as conclusões para o AI sob enfoque. AI n.º 37.360.1816 Esta lavratura diz respeito à aplicação de multa pelo fato da empresa haver deixado de declarar na GFIP todos os fatos geradores de contribuições. As competências incluídas foram 06 e 12/2007 e 06/2008, posto que apenas para estas a multa prevista na legislação revogada foi mais benéfica ao sujeito passivo. Sobre essa questão, pedimos licença para transcrever excerto do relatório da auditoria que explicita o procedimento: “68. Foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades menos severas para o contribuinte, conforme demonstrado no relatório "SAFIS COMPARAÇÃO DE MULTAS", em anexo. 69. Em virtude dessa comparação de multas, somente foram incluídas neste AI, as competências 06/2007, 12/2007 e 06/2008, as quais, no relatório "SAFIS COMPARAÇÃO DE MULTAS", campo "Multa menos severa" constou "anterior". 70. Para as demais competências foi aplicada a multa prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/96), ambos com redação da MP n° 449 de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, em atenção ao disposto na alínea "c" do inciso II do artigo 106 da Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional.” De se concluir que, de fato, tem razão o sujeito passivo quanto afirma que a multa foi aplicada com base em legislação revogada, mas isso não invalida o AI, posto que tal procedimento se deu em benefício do sujeito passivo, conforme determinação do inciso II do art. 106 do CTN. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10830.725694/201133 Acórdão n.º 2401002.961 S2C4T1 Fl. 1.605 19 A metodologia de aplicação da multa foi demonstrada a contento no relatório “SAFIS – COMPARAÇÃO DE MULTAS”, não tendo razão a recorrente quanto a esse ponto. Descabe também o argumento de que o fisco não teria apresentado memória de cálculo da multa aplicada, uma vez que o Anexo 7 do relatório da auditoria explicita o valor da multa aplicada em cada competência, o valor da remuneração omitida e o limite para aplicação da penalidade. A este anexo o item 65 do relatório faz expressa menção. Observese, todavia, que devem agora ser abatidas do cálculo da multa as contribuições excluídas quando da análise do recurso ao AI n.º 37.360.1824. Conclusão Voto por afastar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, por dar provimento parcial aos recursos para que sejam excluídos da base de cálculo lançada nos AI n.º 37.360.1824, n.º 37.360.1832 e n.º 37.360.1840 os levantamentos “PG – Previdência Privada Geral”.; “PG1 – Previdência Privada Geral”; “PG2 – Previdência Privada Geral”; “PP – Previdência Privada”; “PP1– Previdência Privada”; “PP2 – Previdência Privada”, “AG – Alta Gerência Participação” e “AG2 – Alta Gerência Participação” e recalculada a multa no AI n.º 37.360.1816, considerando as mencionadas exclusões. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.001992/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004
Bebidas. Classes de Valores. Enquadramento ou Reenquadramento de Ofício. Cobrança da Diferença de Imposto e de Acréscimos Legais.
A ausência de prestação de informações inerentes ao enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores ou a prestação de maneira incompleta ou incorreta, autoriza o enquadramento ou reenquadramento de ofício e, como consequência, a exigência da diferença de imposto, acompanhado de acréscimos legais.
Multa de Ofício.
Verificada a falta ou insuficiência de lançamento do imposto nas saídas do produto do estabelecimento industrial, aplica-se a penalidade pecuniária cominada.
Créditos Decorrentes de Devolução
Demonstrado que o sujeito passivo deu saída a produtos tributados e que parte desses produtos foi alvo de devolução, legítimo é o creditamento, de acordo com as alíquotas que o Fisco entende devidas.
Bens que Não se Inserem no Conceito de Matéria Prima, Produto Intermediário ou Material de Embalagem.
As aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de MP, PI ou ME não geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados
Aquisição de Optantes pelo Simples
As aquisições de optantes pelo Simples não geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados.
Multa sobre Imposto não Lançado com Cobertura de Crédito
Caracterizado o lançamento sobre o imposto que deixou de ser recolhido quando da saída e da multa de ofício correspondente, não cabe promover uma segunda cobrança de multa sobre esses mesmos valores, alegadamente decorrente do imposto não lançado com cobertura de crédito.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3102-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para a) afastar o reenquadramento retroativo fundado na exclusiva acusação de omissão pela não solicitação de revisão de reenquadramento por ocasião de reajuste de preços; b) afastar a fração da exigência fundada na alegação de omissão do pedido de enquadramento dos produtos denominados Chandon Rouge, Chandon Cuvee 500 anos e Chandon Cuvee du Millenaire; c) afastar a fração da exigência fundada no erro de classificação relativa aos fatos geradores anteriores à vigência do Decreto nº 4.859, de 14/10/2003; d) acolher a recomposição da escrita levada a efeito por ocasião da diligência determinada pela Resolução nº 3102-00.089 ; e e) acolher os créditos decorrentes de devolução que puderem ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas acostado aos autos em sede de recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também reconhecia a higidez da classificação fiscal informada pelo Sujeito Passivo. Acompanhou o julgamento o Advogado Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP nº 117.622
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro e Helder Massaaki Kanamaru
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004 BEBIDAS. CLASSES DE VALORES. ENQUADRAMENTO OU REENQUADRAMENTO DE OFÍCIO. COBRANÇA DA DIFERENÇA DE IMPOSTO E DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. A ausência de prestação de informações inerentes ao enquadramento inicial de bebidas tributadas pelo sistema de classes de valores ou a prestação de maneira incompleta ou incorreta, autoriza o enquadramento ou reenquadramento de ofício e, como consequência, a exigência da diferença de imposto, acompanhado de acréscimos legais. MULTA DE OFÍCIO. Verificada a falta ou insuficiência de lançamento do imposto nas saídas do produto do estabelecimento industrial, aplicase a penalidade pecuniária cominada. CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO Demonstrado que o sujeito passivo deu saída a produtos tributados e que parte desses produtos foi alvo de devolução, legítimo é o creditamento, de acordo com as alíquotas que o Fisco entende devidas. BENS QUE NÃO SE INSEREM NO CONCEITO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM. As aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de MP, PI ou ME não geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados AQUISIÇÃO DE OPTANTES PELO SIMPLES As aquisições de optantes pelo Simples não geram crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 19 92 /2 00 6- 74 Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.429 2 MULTA SOBRE IMPOSTO NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO Caracterizado o lançamento sobre o imposto que deixou de ser recolhido quando da saída e da multa de ofício correspondente, não cabe promover uma segunda cobrança de multa sobre esses mesmos valores, alegadamente decorrente do imposto não lançado com cobertura de crédito. Recurso Voluntário Parcialmente Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para a) afastar o reenquadramento retroativo fundado na exclusiva acusação de omissão pela não solicitação de revisão de reenquadramento por ocasião de reajuste de preços; b) afastar a fração da exigência fundada na alegação de omissão do pedido de enquadramento dos produtos denominados Chandon Rouge, Chandon Cuvee 500 anos e Chandon Cuvee du Millenaire; c) afastar a fração da exigência fundada no erro de classificação relativa aos fatos geradores anteriores à vigência do Decreto nº 4.859, de 14/10/2003; d) acolher a recomposição da escrita levada a efeito por ocasião da diligência determinada pela Resolução nº 310200.089 ; e e) acolher os créditos decorrentes de devolução que puderem ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas acostado aos autos em sede de recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que também reconhecia a higidez da classificação fiscal informada pelo Sujeito Passivo. Acompanhou o julgamento o Advogado Mário Luiz Oliveira da Costa, OAB/SP nº 117.622 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama, Luis Marcelo Guerra de Castro e Helder Massaaki Kanamaru Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por meio da Resolução 3102 00.089, de 16 de novembro de 2009. Adoto o relatório que deu suporte. "A empresa acima identificada foi autuada pela fiscalização do IPI, em 31/07/2006, relativo ao período compreendido entre 10/07/2001 e 31/12/2004, para lançamento do imposto recolhido a menor, conforme Auto de Infração, de fls. 09 e anexos, pela ocorrência de irregularidades detalhadas no relatório de auditoria fiscal das fls. 62 a 72, resumidas a seguir. 1.1. O contribuinte industrializa o produto denominado "vinho espumante", também conhecido como "Champanha", utilizando como marcas comerciais os nomes de M Chandon, M Chandon — Demi Seco, M Chandon — Brut e Chandon, cujos enquadramentos, para fins de tributação do IPI, foram feitos nas Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.430 3 classes A, D, 1, J e N, de acordo com Portaria MF n° 352, de 24 de novembro de 1988 e Ato declaratório da Secretaria da Receita Federal SRF n° 5 de 19 de janeiro de 1999, segundo informações prestadas pelo contribuinte, utilizando a classificação fiscal no código 2204.10.90, da TIPI/96 e da TIPI/2001. 1.2. Nos procedimentos de fiscalização, o agente fiscal identificou que o estabelecimento também começou a industrializar outros produtos similares aos mencionados no item anterior, mas com marca comercial e preço distintos, adotando as seguintes denominações: Chandon Passion, Chandon Rouge, Excellence Chandon, Chandon Demisec, Excellence Par Chandon Brut Reserve, Chandon Magnum, Chandon Cuvee 500 anos e Chandon Cuvee du Millenaire. Em razão da industrialização desses novos produtos, bem assim dos novos preços praticados nos produtos anteriormente industrializados, a empresa impugnante deveria ter tomado a iniciativa de informar e de solicitar, junto à Secretaria da Receita Federal SRF, o enquadramento nas classes correspondentes, o que não foi feito, preferindo adotar os mesmos enquadramentos nas classes dos produtos mais antigos. 1.3. Posteriormente, com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 249, de 25 de novembro de 2002, tornouse obrigatório o pedido de reenquadramento das bebidas das posições 2204 da TIPI já industrializadas, para fins de tributação do IPI, como é o caso. Assim, em 28/02/2003 e 06/03/2003, mediante entrega dos pedidos das fls. 449 a 460, o interessado solicitou o enquadramento dos produtos citados nos itens 1.1 e 1.2 acima, informando como código de classificação fiscal 2204.10.90 da TIPI, quando o correto, segundo a fiscalização, seria o código 2204.10.10. O agente fiscal também verificou que para os produtos mencionados no item 1.2. não havia enquadramento por ato da Secretaria da Receita Federal, porque o contribuinte adotou o enquadramento nas classes dos produtos mais antigos, mencionados no item 1.1 deste relatório, o que estaria incorreto por se tratar de produtos diferentes. 1.4. Identificadas essas incorreções, entendeu o agente fiscal que o enquadramento deveria ser realizado de oficio, o que foi feito, encaminhando à Coordenação Geral de Tributação da SRF os dados necessários para que se procedesse ao enquadramento nas classes dos novos produtos, juntamente com os preços praticados no mercado, estes últimos informados pelo próprio contribuinte, conforme documentos das fls. 465 a 467 e 552/553 e fls. 651/652. Dessa forma, foi publicado o Ato Declaratório Executivo SRF ADE n°69, de 20 de dezembro de 2005, D.O.U. de 26/12/2005, de fls. 653, com os devidos enquadramentos dos produtos mencionados no item 1.1 e 1.2, retro, nas respectivas classes de tributação, relativamente aos anos de 2000 a 2004. Esse novo enquadramento se deu em classes de tributação superiores (L, M, N, O, P, Q, R e S) ao que vinha sendo adotado pelo contribuinte, ocasionando, por conseqüência, um valor maior de IPI por unidade de produto, conforme TABELA "A" do Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.431 4 art. 135, do Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98) e na nota NC (22 3) do Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002 (TIPI/2002). Dessa forma, constatada insuficiência no lançamento do IPI nas notas fiscais dos produtos saídos do estabelecimento, a fiscalização procedeu ao cálculo das diferenças do IPI em razão do novo enquadramento de classes atribuído pelo ADE e 69, de 2005, cujas diferenças de imposto, não lançado, encontramse nos demonstrativos das fls. 73 a 432. 1.5. As outras irregularidades apuradas pela autoridade fiscal, dizem respeito ao creditamento indevido do IPI, na escrita fiscal, das aquisições de produtos não conceituados como insumos e das aquisições de insumos de empresas optantes pelo sistema SIMPLES, tudo detalhado e discriminado nas fls. 65 a 71 do relatório de auditoria fiscal. 1.6. Concluiu a fiscalização mencionando que a descrição dos produtos nas notas fiscais de saída para venda não conteriam todas as indicações exigidas em regulamento, notadamente o previsto na letra "h" (descrição completa) e letra "c" (classificação fiscal) do inciso IV, do art. 316 do Decreto n°2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), e inciso IV do art. 339 do Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), o que tornariam essas notas documentos inidôneos e, portanto, como se não efetuado o lançamento do imposto pelo contribuinte. 1.7. Em razão das irregularidades acima apontadas, foi procedida a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, de fls. 53 a 61, remanescendo saldos devedores de imposto não lançados e não recolhidos, que estão sendo exigidos no Auto de Infração e anexos, de fls. 09 a 50, com enquadramento legal nos artigos 15, 16, 17, 23, inciso III, 32, inciso II, 107, 109, 110, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 112, incisos I e II, 114, 117 e parágrafo único, 126, 127, parágrafos 1º ao 4° e 6º, 129, 130, inciso I, 131, 133, 135, 146, 147, inciso I, 182, 183, inciso IV, 185 incisos II e III, 300, inciso II, 316, inciso IV, alíneas "h" e "c", 330, inciso II e 404 do Decreto n°2.637, de 1998 (RIPI/98); artigos 15, 16, 17, 24, inciso III, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 125, incisos I e II, 127 e parágrafo único, 130, 139, parágrafos 1° e 2°, 140, 142, 143, incisos I e II do parágrafo 1º, 144, 149, 150, 164, inciso I, 199, 200, inciso IV, 202, inciso II, 322, inciso II, 339, inciso IV, alíneas "b" e "c", 353, inciso II e 428 do Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/2002); ADESRF n° 69, de 2005, Orientação Normativa COANA n° 1, de 15 de julho de 1999, art. 74 do Decreto nº 99.066, de 08 de março de 1990, Ato Declaratório SRF n° 74, de 12 de novembro de 1997, Decreto n°4.488, de 26 de novembro de 2002 e IN SRF n° 249, de 25 de novembro de 2002, cujo lançamento do imposto foi acrescido da multa de oficio, no percentual de 75%, com enquadramento legal no art. 80, inciso I da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos juros de mora calculados pela taxa Selic, Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.432 5 totalizando um crédito tributário no valor de R$ 32.513.630,65, calculado até 30/06/2006. 2. Na impugnação tempestiva das fls. 492 a 518, o interessado, por intermédio de seu procurador, instrumento de fls. 519, assim se manifesta. 2.1. O impugnante alega, inicialmente, que identificou erros nos cálculos do imposto exigido na autuação. Primeiramente, menciona que parte das saídas dos produtos do seu estabelecimento foram para armazenagem em estabelecimentos de terceiros e, nessa hipótese, as saídas poderiam se dar com suspensão do imposto, apesar de reconhecer que efetuou o destaque do IPI nas respectivas notas de saída. Em segundo, porque há a incidência única do IPI na industrialização de bebidas, de acordo com o disposto no art. 4º, da Lei n° 7.798, de 10 de julho de 1989, não podendo o fisco efetuar a sua cobrança em duplicidade, nas saídas para armazenagem e nas saídas para vendas ao consumidor. Dessa forma, o agente fiscal deixou de considerar, quando do retorno dos produtos da armazenagem, a mesma majoração do IPI imposta pela fiscalização na remessa, o que ocasionou distorção nos cálculos, afrontando o princípio da nãocumulatividade. 2.2. Prossegue, alegando ser desnecessária a solicitação de novos enquadramentos dos produtos por ele industrializados, em face do reajuste de preços praticados, por absoluta falta de previsão legal. Já a aplicação do art. 127, § 2º do RIPI/98, que estabelece a revisão de oficio dos enquadramentos é apenas facultativa, e não obrigatória, o que justifica o motivo pelo qual o interessado não solicitou a revisão dos enquadramentos dos seus produtos em função da alteração dos preços. Além disso, os novos produtos que foram lançados no mercado eram semelhantes aos já anteriormente industrializados, o que o levou à concluir pela não necessidade de um novo enquadramento. Ademais, não vê como se sustentar a aplicação retroativa do ADE n° 69, de 2005, pois se trata de um ato discricionário, alegando que o reenquadramento só poderia ser feito mediante lei. 2.3. Na seqüência, menciona que o agente fiscal também incorreu em erro ao classificar os produtos por ele industrializados, adotando o código 2204.10.10 "vinhos espumantes e vinhos espumosos — tipo champanha ("champagne”), quando o correto seria o código 2204.10.90 "vinhos espumantes e vinhos espumosos — outros", como vem utilizando desde longa data, isso porque a primeira classificação somente se aplicaria às bebidas com origem na região da França denominada "champagne", produtos esses que não são objeto do presente litígio. 2.4. Em relação às notas fiscais consideradas inidôneas pela fiscalização, alega que basta uma simples análise das notas acostadas para verificar que existe uma perfeita identificação dos produtos nelas consignadas, ocorrendo, quando muito, a Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.433 6 falta de indicação do modelo ou série do produto, itens não presente no caso de bebidas. 2.5. Quanto a glosa dos créditos, entende o impugnante que a maior parte dos itens listados pela fiscalização são produtos utilizados nas máquinas de produção e que são consumidos no processo de industrialização, não se enquadrando como bens do ativo permanente e, portanto, dariam direito ao crédito. Já em relação às taças de cristal, diz que recebeu tais produtos com destaque do IPI e os revendeu juntamente com produtos de sua fabricação, também com destaque do imposto. Assim, nesse último caso, os créditos lhe são assegurados pelo disposto no inciso VIII, art. 164 do RIPI/2002. Finalmente, quanto aos produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, alega que não havia como identificar essa condição das empresas vendedoras, visto que as mesmas não indicaram nas notas a expressão "Optante pelo Simples", além de terem procedido ao destaque do IPI, tal como se tratasse de uma operação normal. 2.6. Requereu, por último, que seja julgado improcedente o lançamento formalizado pela autoridade fiscal, como medida de justiça. 3. Após um primeiro exame do processo, restaram dúvidas a respeito da apuração do imposto exigido no auto de infração, o que acarretou o encaminhamento do processo, por esta DRJ, à repartição de origem, em diligência, fls. 1192/1193, para que a fiscalização revisse os cálculos efetuados na autuação. 3.1. Desta maneira, a fiscalização efetuou novos cálculos, emitindo o Relatório de Diligência Fiscal, de fls. 1261 a 1263, acompanhado dos documentos e demonstrativos, de fls. 1197 a 1260, com as seguintes conclusões: 3.1.1. O agente fiscal procedeu à nova apuração dos créditos do IPI quando do retorno dos produtos remetidos para depósito fechado, dessa vez com o mesmo valor de imposto em que se deu a remessa, ou seja, com valor unitário do IPI majorado. Para efetuar o cálculo, a fiscalização utilizou o livro Registro de Inventário, já que grande parte das notas de retorno não mencionavam a que notas de remessa se referiam. Além disso, a fiscalização desconsiderou, nos cálculos dos créditos do IPI majorados, as notas cujas remessas, e respectivos retornos, foram feitos sem destaque do imposto, vale dizer, com suspensão do IPI. 3.1.2. Por fim, foi efetuada nova reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, onde o agente fiscal concluiu por remanescer, como exigência do valor lançado na autuação, os saldos devedores do IPI ali consignados, para os períodos em análise, no valor total de R$ 9.046.248,46, bem assim a multa isolada aplicada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 3.219.529,02, conforme demonstrativos anexos ao relatório de diligência, de fls. 1238 a 1249. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.434 7 3.2. Em relação à confirmação da empresa Index Indústria Gráfica Ltda., como optante do SIMPLES, a fiscalização junta extratos, de fls. 1250 a 1260, comprovando ser essa situação cadastral da empresa. 3.3. Após tomar ciência do Relatório de Diligência Fiscal, em 26/09/2007, fls. 1265, o contribuinte se manifestou, no devido prazo, mediante um segundo arrazoado, de fls. 1281 a 1287, mencionando, primeiramente, que o agente fiscal deixou de considerar, na nova apuração, os créditos do IPI dos produtos retornados da armazenagem sem destaque do imposto, desatendendo o que teria sido solicitado pela DRJ no pedido de diligência. 3.3.1. Na seqüência, protesta pela exigência da multa isolada do IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 3.219.529,02, inexistente na autuação original, alegando que a mesma é indevida, porque o relatório de diligência não poderia incluir nova penalidade, sob pena de ofensa ao art. 142 do CTN e aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, já que alterou os fundamentos e critérios jurídicos do Auto de Infração original. Ademais, não poderia o agente fiscal impor essa nova penalidade sobre períodos com mais de 5 anos da ocorrência do fato gerador, como aqui parcialmente se verifica. Por fim, quanto à multa isolada, menciona, ainda, que a sua aplicação configura dupla imposição pela mesma infração, devendo incidir, quando muito, em apenas uma das saídas em que houve destaque a menor do imposto. 3.3.2. Silencia quanto aos extratos juntados, de fls. 1250 a 1260, referente à comprovação da empresa ser optante do sistema SIMPLES." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS considerou procedente em parte o lançamento efetuado, para cancelar o valor do IPI de R$ 4.338.722,50 (quatro milhões, trezentos e trinta e oito mil, setecentos e vinte e dois reais e cinqüenta centavos), com os respectivos juros de mora e multa de oficio de 75%, remanescendo o imposto no valor de R$ 9.046.248,46 e acréscimos legais, conforme demonstrativo das fls.1243 a 1249, e considerar indevida a multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 3.219.529,02, através do referido Acórdão, cuja ementa transcrevemos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/07/2001 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O "vinho espumante do tipo champanha ("champagne"), com as características definidas no art. 74 do Decreto nº 99.066, de Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.435 8 1990, classificase no código 2204.10.10 da TIPI/96 e da TIPI/2001. ENQUADRAMENTO DE OFICIO. DIFERENÇAS DE IPI O enquadramento em classes superiores daquelas adotadas pelo contribuinte, dos produtos classificados na posição 2204 da TIPI/96 e da TIPI/2001, feito de oficio, justifica o lançamento complementar do IPI, com aplicação retroativa autorizada por lei. GLOSA DE CRÉDITOS INDEVIDAMENTE ESCRITURADOS. De acordo com a legislação do IPI, partes e peças de máquinas e materiais de consumo não se enquadram no conceito de insumos não gerando, em conseqüência, direito a crédito do imposto. As aquisições de produtos para revenda que não sofreram qualquer processo industrial no estabelecimento vendedor, não estão sujeitos à incidência nas respectivas saídas e, por conseqüência, não dão direito a crédito do IPI. aquisições de insumos de estabelecimentos optantes pelo Simples não ensejam direito à fruição de crédito do por expressa vedação legal. Lançamento Procedente em Parte." O Presidente da 3º Turma da DRJ/POA recorreu de oficio desta decisão, ao Segundo Conselho de Contribuintes, pelo fato de o sujeito passivo ter sido exonerado do pagamento de imposto e do encargo de multa, em montante superior ao limite de alçada. A empresa apresentou recurso voluntário, de fls. 1320/1348, em que aduz, resumidamente, que: em vários casos, houve devolução de mercadorias por parte dos adquirentes e que o tratamento deveria ser o mesmo que a decisão de primeira instância considerou correto nesses casos: o direito ao crédito pelo mesmo valor do débito, ainda que majorado de acordo com as novas classes fixadas no ADE n° 69/2005; o ADE n° 69/2005, que reenquadrou de oficio os produtos por ela comercializados, é ilegal por se referir exclusivamente a determinado período pretérito (2000 a 2004), sem indicar quais classes deveria a recorrente observar para as operações futuras, configurando essa situação medida de extrema insegurança, o que vicia o ato por completo, além de reforçar o argumento de que o Auto de Infração é nulo por motivação falha e deficiente; não poderia a fiscalização exigir da recorrente a iniciativa de formular pleitos de novos enquadramentos dos produtos por ela industrializados, em função da atualização de preços praticados, por absoluta falta de previsão legal ou mesmo regulamentar; a desproporcionalidade entre preço do produto e o IPI pago existe não apenas em relação à recorrente, mas em relação a todo e qualquer bebida nacional, cabendo à Receita Federal Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.436 9 resolver esta questão reajustando o valor unitário das classes, medida que atingiria todos os contribuintes. A eventual desproporcionalidade, portanto, não decorreu da inércia ou descumprimento de dever legal pela recorrente, mas exclusivamente por falha da própria Administração; a afirmativa contida na decisão recorrida de que seriam necessários novos enquadramentos por ocasião do reajuste de preços não tem sentido porque sua aceitação implicaria grave desequilíbrio concorrencial, uma vez que é sabido que nenhum agente de mercado adotou, no passado, o procedimento de formular pleitos de enquadramento a cada alteração de preços; tendo a recorrente informado corretamente os preços de seus produtos por ocasião dos pleitos de enquadramento, não tem cabimento a exigência retroativa decorrente de reenquadramento de oficio, admissível apenas nos casos em que o contribuinte deixa de prestar informações quanto aos preços ou as presta incorretamente (art. 2°, § 3°, da Lei n° 7.798/89); a questão atinente à necessidade de se formular novos enquadramentos por ocasião do reajuste de preços veio a ser disciplinada na recente Instrução Normativa n° 796, de 20/12/2007, com efeitos a partir de 24/12/2007. A par do questionamento da legalidade da IN em questão, importa o reconhecimento de que, antes, não havia qualquer disciplina normativa a respeito; o agente fiscal e a decisão recorrida incorreram em erro ao considerar os produtos por ela industrializados como vinho tipo "champagne", classificandoos no código 2204.10.10, "vinhos espumantes e vinhos espumosos — tipo champanha ("champagne"), quando o correto seria considerar o seu produto como sendo "vinho espumante", que se classifica no código 2204.10.90 "vinhos espumantes e vinhos espumosos — outros" A primeira classificação, 2204.10.10, somente se aplicaria às bebidas com origem na região da França denominada "champagne", produtos esses que não são objeto do presente litígio; por ocasião dos pleitos de enquadramento, a Administração Fiscal reconheceu como legítima a classificação dos produtos na posição 2204.10.90. Sendo assim, a partir do momento em que a própria União, posteriormente aos enquadramentos, veio a modificar seu entendimento, reputando correta uma nova classificação, esse novo critério de interpretação, ainda que fosse legítimo, o que não prevalece, poderia, quando muito, ser aplicado apenas a atos futuros; Finalmente, quanto aos valores que a fiscalização considerou indevidamente creditados, por se referirem a produtos que não se enquadrariam nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem ou por terem sido adquiridos de empresa optante pelo SIMPLES, a recorrente reiterou, basicamente, os argumentos apresentados em sua impugnação. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.437 10 Em requerimento dirigido à Sra. Presidente do Segundo Conselho de Contribuintes, a recorrente pede que seja declinada a competência do julgamento do presente Recurso Voluntário para o 3° Conselho de Contribuintes, no que foi atendida pela Dra. Josefa Maria Coelho Marques que determinou o encaminhamento a este Conselho (fls. 1387), tendo sido distribuído ao Conselheiro Celso Lopes Pereira Neto. Em 13/08/2009, o Sr. Presidente da Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF deferiu a juntada de Declaração elaborada pelo Serviço de Inspeção de Produtos Agropecuários do Ministério da Agricultura e Nota Técnica emitida pela Embrapa (fls. 1389/1393). A Procuradoria da Fazenda Nacional, em petição de 28/08/2009, requereu o desentranhamento dos referidos documentos, por ser intempestiva e injustificada a produção de provas. O Sr. Presidente da Segunda Turma da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF manteve a decisão de juntada dos referidos documentos. A diligência determinada por este Colegiado determinou a adoção das seguintes medidas, por parte da autoridade preparadora: 1 intimar a recorrente a apresentar documentação que comprove que produtos tributados foram recebidos em devolução; 2 verificar se os créditos do IPI decorrentes destas devoluções foram apropriados de acordo com as mesmas classes de tributação adotadas pela fiscalização para as operações de venda e, se não o foram, ajustar estes créditos; 3 após o ajuste dos créditos do IPI de acordo com o item 2, efetuar a reconstituição da escrita fiscal, com a conseqüente apuração dos novos valores de imposto devido. Em cumprimento ao determinado, a unidade preparadora solicitou ao sujeito passivo que demonstrasse as alegadas diferenças e, em resposta, lhe foi apresentada planilha que exporia esses ingressos. Em seguida, solicitouse ao sujeito passivo a apresentação das notas fiscais e dos livros relativos aos períodos de apuração objeto do litígio (2001 a 2004). Em resposta, a recorrente apresentou os livros de registro de entrada de todo o período e as notas fiscais relativas ao ano de 2004, alegando que as demais teriam sido incineradas. Diante desse contexto e partindo do pressuposto de que os livros de registro de entradas relativos aos anoscalendário 2003 e 2004 permitiriam fazer a correlação entre as notas fiscais de entrada por devolução e as notas fiscais de saída, a autoridade fiscal promoveu a revisão dos cálculos relativos a tais períodos. Intimada do resultado da diligência, compareceu a recorrente aos autos para alegar, em síntese, que solucionara os problemas operacionais que, segundo a autoridade autuante, inviabilizariam a realização do cotejamento entre as saídas e as entradas por Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.438 11 devolução nos anoscalendário 2001 e 2002, o que justificaria a adoção dos mesmos critérios empregados com relação ao anocalendário 2003. Sustenta que a autoridade não teria levado tais livros em consideração e pleiteia a realização de nova diligência para que as entradas daqueles períodos sejam contabilizadas. Na oportunidade, junta cópia de declaração elaborada pelo Serviço de Inspeção de Produtos do Ministério da Agricultura, além de nota técnica produzida pela EMBRAPA que ratificariam a alegação de que os produtos alvo de litígio não seriam fabricados segundo o método "champenoise", único que caracterizaria o verdadeiro “champagne”, o que ratificaria a correção da classificação fiscal empregada. Argumenta, outrossim, que esses mesmos documentos demonstrariam que os produtos fabricados seriam semelhantes, com pequenas variações quanto à composição das uvas ou açúcar, conforme a qualidade da safra. Aduz que tais informações afastariam a acusação de que teria comercializado produtos sem o prévio enquadramento, já que os produtos tidos como não enquadrados receberam nova denominação e rotulagem exclusivamente para efeitos mercadológicos. Traz à colação, ademais, ofício do Sr. Secretário da Receita Federal à União Brasileira de Viticultura, expedido em 1996, que teria como objetivo prestar esclarecimentos acerca da aplicação da Instrução Normativa SRF nº 19/1996. Segundo sustenta, tal documento informaria que apenas a champanha importada se classificaria no código 2204.10.0100. Defende, ainda, que o reenquadramento em razão da alteração de preços só se tornou obrigatório a partir de setembro de 2008, quando da edição da Instrução Normativa RFB nº 866/2008. Junta informativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil que ratificaria essa alegação. No período anterior a tal ato normativo, defende, não se poderia imputar as alegadas distorções à recorrente. Sugere, outrossim, que tais distorções sejam solucionadas por meio de reajuste dos valores atribuídos às classes e não, como fez o Fisco, por meio do reenquadramento dos produtos. Em face do encerramento do mandato do relator originalmente designado, o presente recurso foi alvo de novo sorteio e, em tal oportunidade, este Conselheiro foi designado para relatar feito. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.439 12 Antes de analisar as razões recursais, julgo relevante tecer alguns comentários acerca da legislação que disciplina a matéria litigiosa: suposto recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados em montante inferior ao devido. Dizem os art. 127, caput e §§, e 129 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 19981: Art. 127. Os produtos classificados nas posições 2204, 2205, 2206 e 2208 da TIPI serão enquadrados em classes de valores de imposto, por ato do Secretário da Receita Federal (Lei nº 7.798, de 1989, art. 1º). § 1º O contribuinte informará à Secretaria da Receita Federal as características de fabricação e os preços de venda, por espécie e marca do produto e por capacidade do recipiente (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 2º) § 2º Feito o enquadramento inicial, este poderá ser alterado, de ofício ou a pedido do próprio contribuinte (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 4º). § 3º O enquadramento inicial dos produtos nas classes ocorrerá segundo (Nota do Anexo I da Lei nº 7.798, de 1989): I a capacidade do recipiente em que são comercializados, agrupados em quatro categorias: (...) II os preços normais de venda efetuada por estabelecimento industrial ou equiparado a industrial ou os preços de venda do comércio atacadista ou varejista. Art. 129. O enquadramento dos produtos nas classes de valores de imposto de que tratam os arts. 127 e 128 será feito pelo Secretário da Receita Federal até o limite do valor que resultaria da aplicação da alíquota a que o produto estiver sujeito na TIPI, sobre o valor tributável (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, e Lei nº 8.218, de 1991, art. 1º, § 1º). Outro ponto que se destaca, a partir da leitura do § 4º, é que, sem sombra de dúvida, a motivação do enquadramento ou reenquadramento de ofício é fator preponderante para definir os efeitos do Ato Declaratório Executivo (ADE) expedido no bojo do procedimento fiscal. Confirase: § 4º O contribuinte que não prestar as informações, ou que prestálas de forma incompleta ou com incorreções, terá o seu produto enquadrado ou reenquadrado de ofício, sendo devida a diferença de imposto, acrescida dos encargos legais (Lei nº 7.798, de 1989, art. 2º, § 3º). De fato, nos termos do dispositivo regulamentar, o ADE só tem efeitos retroativos se restar caracterizada omissão ou prestação de informações inexatas por parte do 1 Redação idêntica à do art. 150, caput e §§ do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 2002. Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.440 13 Sujeito Passivo. Tal conclusão é reforçada a partir da leitura dos arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 23, de 2003 (DOU de 15.12.2003), onde se lê: Art. 1º O Ato Declaratório Executivo (ADE) que divulga o enquadramento ou o reenquadramento de marcas de bebidas classificadas nas posições 22.04, 22.05, 22.06 e 22.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) em classes de valores do IPI, conforme regime de tributação da Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, produz efeitos a partir de sua publicação, não se aplicando de forma retroativa o enquadramento divulgado. Art. 2º O efeito do ADE será retroativo à data de ocorrência do fato gerador na hipótese em que o contribuinte não prestar as informações à Secretaria da Receita Federal, ou quando prestá las de forma incompleta ou com incorreções, sendo devidos, ainda, os encargos legais, conforme o § 3º do art. 2º da Lei nº 7.798, de 1989, e § 4º do art. 150 do Ripi. Evidentemente, a inexatidão capaz de autorizar prejuízo à arrecadação do tributo deve recair sobre um dos fatores que, nos termos dos §§ 1º e 3º do artigo 127 do RIPI 1998 (equivalente aos art. 150, caput e §§ do RIPI 2002), determinam a fixação do enquadramento do produto e, consequentemente, da alíquota específica: preço de venda, espécie, conforme fixado na Tabela de Incidência do IPI, marca e capacidade do recipiente e alíquota da TIPI. Feitas essas considerações, passase à análise do litígio propriamente dito. 1 Nulidade do Ato Declaratório Executivo e do Auto de Infração Não vejo como acolher a suscitada nulidade do ADE n° 69/2005, alegadamente falho por se limitar a enquadrar os produtos no período de 2001 a 2004, nem muito menos do auto de infração em razão de falta de motivação. Inicialmente, é importante fixar que este Colegiado não é competente para analisar relações jurídicas diversas das que povoam o presente litígio. Não nos cabe, portanto, enfrentar eventual falha decorrente da carência de efeitos prospectivos. Assim, se o Fisco determinou o enquadramento que entende cabível e tal medida restringese ao presente litígio, é sobre esse enquadramento de ofício que devemos nos manifestar. Noutro giro, cabe fixar que, nos termos do já transcrito § 4º do art. 127 do RIPI de 1998, a omissão imputada ao sujeito passivo autorizaria o reenquadramento ou enquadramento de ofício. Tal medida, imagino, deve se restringir ao período em que a falha teria sido detectada. Com efeito, não poderia o Fisco pressupor que as alegadas falhas na prestação de informações se perpetrariam nos períodos de apuração subsequentes e, sem a demonstração de tais falhas. Se o fizesse, o enquadramento ou reenquadramento de ofício estaria maculado por vício de motivação. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.441 14 Finalmente, entendo que a exigência está suficientemente fundamentada. Concordar ou não com tais fundamentos é discussão a ser travada quando da análise do mérito. 2 Omissões e Inexatidões Imputadas Segundo as autoridades autuantes, relembrese, a recorrente, que tem seus produtos tributados de acordo com alíquota específica, teria deixado de promover o necessário enquadramento inicial. Acusa o Fisco, ademais, que, quando da formulação do pedido de enquadramento de determinados produtos prestara informações inexatas com relação à classificação fiscal. Ademais, recai sobre a recorrente a acusação de não ter cumprido o dever de pleitear a revisão do enquadramento quando da promoção do reajuste de preço dos produtos anteriormente enquadrados. Finalmente, acusa o Fisco, com relação a todos os produtos (enquadrados e reenquadrados de ofício) que a recorrente teria escriturado suas notas fiscais de saída em desacordo com o que preconizaria a legislação de regência Os produtos e as acusações correspondentes encontramse descritos no relatório às fls. 62 e seguintes. Nessa linha, peço licença para discordar da recorrente, quando afirma que os fundamentos para o reenquadramento seriam a ausência de pedido de revisão por ocasião do reajuste de preços e a ausência de enquadramento de novos produtos. Para tanto, transcrevo excerto do relatório fiscal que resume os fundamentos da autuação2: 18. Em face do exposto até o parágrafo anterior procedemos ao enquadramento de oficio nos termos dos §§ 2° e 4° do artigo 127 do RIPI/98 e §§ 4° e 5° do artigo 150 do RIPI/2002, considerando que o contribuinte: • não tomou a iniciativa de solicitar a revisão do enquadramento inicial que se tornou provisório por força do item I da Portaria 139/89 do Ministro de Estado de Fazenda; • não tomou a iniciativa de solicitar a revisão do enquadramento inicial tendo em vista a produção e comercialização de edições especiais de produtos que já fabricava e tendo em vista a produção comercialização de novos produtos; • não tomou a iniciativa de solicitar a revisão do enquadramento inicial, tendo em vista o comportamento dos preços dos produtos que fabricava e comercializava, de modo a refletir uma tributação numa classe fiscal compatível com os níveis de preços praticados. Nesse contexto, a revisão do enquadramento evitaria que a empresa se aproveitasse indevidamente de uma tributação extremamente reduzida em relação a produtos similares de outras empresas que tiveram 2 Vide trecho à fl. 63verso. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.442 15 enquadramento inicial ou revisão de enquadramento divulgado nos respectivos períodos; e • preencheu com incorreções as Declarações de Informações (IPI Bebidas), às fls. 447 a 460, no que diz respeito à classificação fiscal dos produtos, cuja posição correta é 2204.10.10 (Vinhos espumantes e vinhos espumosos — Tipo Champanha). A questão do erro de classificação fiscal será minuciosamente tratada em outro tópico. Enfrento separadamente a seguir cada uma das acusações do Fisco e as alegações do Sujeito Passivo a elas relacionadas. 2.1 Enquadramento de Produtos Novos Com relação a este ponto, com base nos elementos carreados ao processo, entendo que parcial razão assiste ao Contribuinte. Os produtos denominados "Chandon Cuvée 500 anos" e "Chandon Cuvée du Millenaire" são e os mesmos que já haviam sido enquadrados. Sobre esse ponto o laudo3 e a nota técnica4 juntados aos autos deixam clara tal condição. Por outro lado, consta dos autos, mais precisamente à fl. 1178, declaração de informações relativa ao produto descrito como “Espumante Natural Tinto Brut”, condizente com o produto “Chandon Rouge”, de 750 ml. Quanto aos relacionados abaixo, entretanto, entendo caracterizada a omissão apontada pelo Fisco. Código Interno Descrição Recipiente 1591 e 1594 CHANDON PASSION de 181 a 375 ml 1568 e 1663 CHANDON PASSION de 671 a 1000 ml 1626 EXCELLENCE CHANDON (TRADICIONAL) De 671 a 1000 ml 1491, 1487 e 1494 CHANDON DEMI SEC De 181 a 375 ml 1628 EXCELLENCE PAR CHANDON BRUT RESERVE 750 ML Com efeito, na esteira do que foi explicitado anteriormente, a fixação das classes é fortemente influenciada pela marca e pela especificação. Tratandose de novos produtos, não vejo como reconhecer que a semelhança entre as composições seja suficiente para desobrigar o contribuinte de promover o enquadramento dos produtos novos. Até porque, para efeito de enquadramento, pouco acrescenta o fato de que os produtos possuam sabor e composição semelhante (não confundir com idêntica). Aliás, na essência, qualquer vinho espumante do tipo champagne possui praticamente a mesma composição. 3 Fl. 1665 4 Fls. 1666 e seguintes. Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.443 16 2.2 Erro de Classificação 2.2.1 Classificação dos Produtos Litigiosos Não há dissenso acerca da fixação da posição e da subposição na qual os produtos devam ser classificados, Fisco e Recorrente concordam com a aplicação do código 2204.10 (Vinhos espumantes e vinhos espumosos). O litígio se situa na definição do item no qual os produtos devam ser classificados. Como se viu, a exigência fiscal está parcialmente embasada na acusação de que o item aplicável é o 2204.10.10 (tipo champanha "champagne"). O sujeito passivo defendese afirmando que caberia empregar o código 2204.10.90 (outros). Para tanto, alega a recorrente que o verdadeiro champagne é aquele obtido por meio do emprego de método de fabricação diverso do que utiliza em seu processo produtivo, conforme restara demonstrado nos documentos acostados aos autos. Com a devida licença, entendo que a classificação apontada pelo Fisco é a correta. Em primeiro lugar, resta claro, a meu ver, que não há fundamento para rejeitar a classificação na posição 2204.10.10. De fato, se considerados os conceitos inerentes à enologia, champagne (champanha) seria exclusivamente o vinho espumante produzido na região da França de nome idêntico, a partir do método champenoise, conforme descrito na nota técnica juntada aos autos5. Ocorre que não me parece que a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), origem da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, tenha se fixado nos rígidos padrões que devem ser atendidos para a utilização de uma Denominação de Origem Controlada (DOC). Com efeito, nem a NCM nem as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) trazem qualquer nota acerca do emprego dos requisitos fixados nos regulamentos que disciplinam as condições para que o produto empregue uma denominação sujeita a controle, o texto do subitem estampa a expressão “tipo champanha”, que, a meu ver, abre espaço para que se inclua nesse código uma gama superior de produtos que não sejam idênticos àquele produzido naquela região da França, mas que, por suas características, possam ser considerados assemelhados. Com relação a esse aspecto, é importante destacar, ademais, que a autoridade responsável pela expedição da nota técnica colacionada aos autos não afirmou que os produtos objeto de litígio não mereceriam ser considerados como “tipo champagne”, consignou que o champagne, a rigor, seria aquele que preencheria as condições fixadas na legislação internacional. Confirase excerto que trata do assunto: 5 Doc. à fl. 1666 Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.444 17 Em relação à. denominação, chamase 'Champagne' apenas o vinho espumante elaborado na região francesa demarcada do mesmo nome, o qual é elaborado exclusivamente pelo método dito 'champenoise'. Assim sendo, a definição do método de elaboração é uma variável importante a considerar para produtos com status DOC (denominação de origem controlada), caso do Champagne francês. Desse modo, acordos internacionais estabelecem políticas de respeito mútuo as denominações de origem. Assim, é justo afirmar que o espumante elaborado pelo método champenoise, a rigor, é o único a poder ostentar a denominação 'Champagne'. Como é possível perceber, mais do que o método de fabricação, o emprego de uma Denominação de Origem Controlada exigiria, como o próprio nome já diz, que o produto seja originário de determinada região. Se essa fosse a regra a ser extraída da nomenclatura, imagino, não haveria motivo para a inclusão da expressão “tipo”, bastaria indicar o nome pelo qual os produtos que preenchem as condições para a obtenção daquela denominação (champagne). De qualquer forma, além de inexistir regra que rejeite a classificação no item 2204.10.00, há conceito regulamentar que não pode deixar de ser considerado, máxime quando se leva em consideração que item e subitem da NCM (sétimo dígito e oitavo dígito do código) são desdobramentos regionais, inerentes às transações entabuladas entre o Brasil e os demais países do Mercosul. Quanto a este ponto, o Decreto nº 99.066, de 8 de março de 1990, que dispõe sobre a produção, circulação e comercialização do vinho e derivados do vinho e da uva, em seu art. 74, define o que se considera champagne, para efeito daquele regulamento. Confirase: (original não destacado): Art. 74. Champanha (champagne) é o vinho espumante, cujo anidrido carbônico seja resultante, unicamente, de uma segunda fermentação alcoólica de vinho, em garrafa ou em grande recipiente, com graduação alcoólica de 10° a 13° G.L., com pressão mínima de três atmosferas a 10°C. Como é possível perceber, de acordo com o regulamento, o vinho espumante obtido a partir de uma segunda fermentação (ou “tomada de espuma”6), que atinja a pressão atmosférica ali indicada, para efeito de circulação e comercialização, é considerado tipo champagne. Outrossim, ainda que o conceito regulamentar fosse insuficiente para a classificação do produto com base na Regra Geral de Interpretação (RGI) nº 17, aplicada com base no reenvio expresso na Regra Geral Complementar nº 18, certamente caberia classificar o produto no item 2204.10.10 em razão da aplicação da RGI nº 3 a)9. 6 Expressão colhida da nota técnica acostada à fl. 1666. 7 1. OS TÍTULOS DAS SEÇÕES, CAPÍTULOS E SUBCAPÍTULOS TÊM APENAS VALOR INDICATIVO. PARA OS EFEITOS LEGAIS, A CLASSIFICAÇÃO É DETERMINADA PELOS TEXTOS DAS POSIÇÕES E DAS NOTAS DE SEÇÃO E DE CAPÍTULO E, DESDE QUE NÃO SEJAM CONTRÁRIAS AOS TEXTOS DAS REFERIDAS POSIÇÕES E NOTAS, PELAS REGRAS SEGUINTES. 8 1. AS REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO SE APLICARÃO, MUTATIS MUTANDIS, PARA DETERMINAR DENTRO DE CADA POSIÇÃO OU SUBPOSIÇÃO, O ITEM Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.445 18 De fato, analisando a composição e o produto em si (vinho espumante obtido por meio de segunda fermentação), além da sua apresentação podese afirmar que, para efeitos merceológicos, o produto se aproxima muito mais do conceito de uma bebida tipo champagne (item 2204.10.10) do que um outro vinho espumante ou espumoso (2204.10.90). 2.2.2 Ausência de Orientação da Administração ou Homologação da Classificação Informada Cabe ainda destacar, quando à discussão acerca da classificação fiscal dos produtos, que não consigo extrair do ofício do Sr. Secretário da Receita Federal os efeitos defendidos pela Recorrente. Em primeiro lugar, o ato a que se faz referência (IN SRF nº 19, de 1996), trata da aplicação de selos de controle e, nessa linha, não traz qualquer alteração à Nomenclatura vigente à época. Assim, o fato do ato administrativo, quando da enumeração dos produtos sujeitos àquela obrigação acessória, trazer entre parênteses a expressão “produto estrangeiro” após o código 2204.10.01.0010, não significa que esse código só se aplica a produtos estrangeiros, mas que os produtos estrangeiros que se enquadrem nesse código devem ser selados. Em segundo, e mais importante a meu ver, é o fato de que desde de 19/07/1999, data da publicação da Orientação Normativa Coana nº 1, de 1999, de 15/07/1999, a Administração Tributária manifestouse oficialmente acerca do código que entende correto, o que afastaria qualquer dúvida acerca do alcance da manifestação do Sr. Secretário. Com efeito, diz a Orientação em seu item 6: 6 Desse modo, ainda que alguns críticos de vinhos considerem que o verdadeiro champanha é apenas aquele produzido na região de Champagne, França, que, pelas especificidades do clima, solo e variedades de uvas empregadas (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay), lhe proporcionam características singulares, para efeitos de classificação fiscal dos vinhos espumantes no código 2204.10.10 da NCM, devese entender como do tipo champanha ("champagne") todo vinho espumante com as características definidas no Art. 74 do Decreto No 99.066, de 08 de março de 1990. Tal raciocínio é referendado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 249, de 2002, que trata do enquadramento de bebidas, onde se lê: Art. 2º Na qualificação dos vinhos relacionados nos itens I, II e III do art. 1º; desta Instrução Normativa, deverá ser observado o APLICÁVEL E, DENTRO DESTE ÚLTIMO, O SUBITEM CORRESPONDENTE, ENTENDENDOSE QUE APENAS SÃO COMPARÁVEIS DESDOBRAMENTOS REGIONAIS (ITENS E SUBITENS) DO MESMO NÍVEL. 9 "3. QUANDO PAREÇA QUE A MERCADORIA PODE CLASSIFICARSE EM DUAS OU MAIS POSIÇÕES POR APLICAÇÃO DA REGRA 2 b) OU POR QUALQUER OUTRA RAZÃO, A CLASSIFICAÇÃO DEVE EFETUARSE DA FORMA SEGUINTE: a) A POSIÇÃO MAIS ESPECÍFICA PREVALECE SOBRE AS MAIS GENÉRICAS...." 10 Nomenclatura vigente à época. Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.446 19 que dispõe a Lei nº 7.678, de 8 de novembro de 1988, regulamentada pelo Decreto nº 99.066, de 9 de março de 1999. Ademais, não assiste razão à Recorrente no que se refere à impossibilidade de revisão da classificação informada. Diferentemente do alegado, nos termos do § 1º do art. 127 do RIPI 1998, já transcrito anteriormente, o ato que promove o enquadramento a pedido é levado a efeito com base nas informações prestadas pelo Sujeito Passivo. Tanto não há que se falar em homologação que o já transcrito § 4º do art. 127 deixa claro que a imprecisão das informações prestadas para efeito de enquadramento, dentre as quais às relativas à espécie de produto, é motivo para o reenquadramento retroativo de ofício e cobrança do imposto que deixou de ser recolhido, além dos devidos acréscimos legais. 2.2.3 Reflexos do Erro de Classificação sobre o Cálculo do Imposto Inobstante o equívoco na classificação remontar à época do enquadramento dos produtos, tal erro só passou a gerar prejuízo tributário a partir da edição do Decreto nº 4.859, de 14/10/2003. Até então, as classes iniciais eram idênticas para as duas classificações e não foi trazida qualquer fundamento que demonstrasse outra falha que tivesse conexão direta com esse erro. De fato, somente a partir da edição do Decreto de 2003 é que passou a haver diferença entre a tributação dos produtos classficados nos itens 2204.10.10 e 2204.10.90. Confirase o que dizia o inciso III do art. 1º da Instrução Normativa nº 249, de 2002: III os vinhos da madeira, do porto e xerez, os champanhas e outros vinhos espumantes e espumosos, classificados na posição 22.04 da Tipi: Capacidade do recipiente Letra I até 180 ml E II de 181 ml até 375 ml J III de 376 ml até 670 ml K IV de 671 ml até 1000 ml L Com relação a esse ponto, o § 2º do art. 150 do RIPI 2002, que esclarece a metodologia de cálculo, é bastante didático: § 2º Para o enquadramento a que se refere o caput serão observadas as seguintes disposições: I – com base na espécie do produto e na capacidade do recipiente, o produto será classificado na menor classe constante da Tabela do art. 149; Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.447 20 II – sobre o preço de venda praticado pelo estabelecimento industrial ou equiparado, será aplicada a alíquota constante da TIPI para o produto; III – com base no valor obtido no inciso II, será identificada a classe em que o produto se classificará entre aquelas constantes da NC (223) da TIPI, atendido que: a) a classe em que se enquadrará o produto será aquela cujo valor mais se aproxime do valor encontrado na operação a que se refere o inciso II; e b) se o valor calculado de acordo com o inciso II coincidir com a média dos valores de duas classes consecutivas será considerada a classe correspondente ao maior valor. Igualmente idênticas eram as alíquotas da TIPI Ora, se a classe, a alíquota da TIPI ou o preço de venda não são influenciados pelo erro de classificação, imagino, não há fundamento para se rever o cálculo do imposto baseado exclusivamente nesse erro. Com efeito, somente após a alteração do art. 149, levada a efeito pelo Decreto de 2003, é que há alteração nas classes iniciais e, consequentemente, reflexo no cálculo do imposto. Confirase: CLASSE POR CAPACIDADE (ml) DO RECIPIENTE CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO Até 180 De 181 a 375 De 376 a 670 De 671 a 1000 2204.10.10 Tipo Champanha ("Champagne") E a H J a M K a P L a Q 2204.10.90 Outros Espumantes C a G H a L I a O K a Q A partir da vigência do novo ato regulamentar, portanto, o lançamento deve ser mantido, nos termos dos parâmetros fixados no Ato Declaratório Executivo, nº 69/2005. 2.3 Discrepância entre os Preços Informados no Enquadramento Inicial e os Preços Praticados em Operações Subsequentes Segundo a acusação fiscal, a recorrente deveria pleitear o reenquadramento dos produtos em razão do comportamento dos preços dos produtos enquadrados, de modo a viabilizar que a tributação refletisse os preços efetivamente praticados. A evolução dos preços encontrase descrita às fls 537 e 555 e seguintes. Em sentido diverso, o Sujeito Passivo afirma que as distorções em questão decorreriam da omissão do próprio Fisco, que deixara de promover o reajuste dos valores das classes de produtos. Com relação a esta acusação, julgo extreme de dúvidas que o Fisco pode, a qualquer tempo, promover a revisão dos valores de ofício, na medida em o reajuste de preços representaria alteração do status quo considerado por ocasião da fixação do enquadramento inicial. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.448 21 Entretanto, embora não concorde com o fundamento da defesa, não vejo como considerar, à luz da legislação que vigia por ocasião dos fatos geradores litigiosos, que o Sujeito Passivo teria incorrido em omissão ou inexatidão e isso, como se viu, é essencial para que o ato declaratório de reenquadramento produza efeitos retroativos. A meu ver, durante o período fiscalizado, não se identifica norma que defina a obrigação do sujeito passivo de solicitar a revisão do enquadramento e, se não há norma que obrigue, não há, a meu ver, como imputar omissão. Há, de fato, afirmação do órgão julgador a quo no sentido de que a recorrente, por ocasião dos enquadramentos e reenquadramentos, teria se equivocado quando da prestação de informação relativa aos preços praticados, mas tal alegação, com a devida licença, não pode ser levada em consideração, pois representaria inovação no lançamento e, como tal, uma violação ao § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 197211. Com efeito, analisando o relatório fiscal relativo ao auto de infração objeto do litígio não se identifica tal acusação. 2.4 Créditos Glosados 2.4.1 Bens que Não Atendem ao Conceito de Matéria Prima, Produto Intermediário ou Material de Embalagem. Já se tornou pacífica no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes e da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a interpretação do alcance das expressões matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, para efeito de cálculo dos créditos básicos do IPI, assim delimitadas pelo art. 147 do Regulamento do IPI de 199812: Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Como é possível verificar, a condição para que o dispêndio possa ser computado quando da apuração dos créditos do imposto sempre foi a perda de propriedades por conta do contato direto com o produto. 11 § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. 12 Redação idêntica à do regulamento de 2002. Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.449 22 A título de exemplo. Confirase: a) Acórdão 340200.358, da 4ª Câmara / 2 Turma Ordinária do CARF13 RESSARCIMENTO. EXCLUSÃO DE VALORES CORRESPONDENTES À AQUISIÇÃO DE PRODUTOS QUE NÃO SE ENQUADRAM COMO MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Para que sejam caracterizados como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem os bens devem não fazer parte do ativo permanente da empresa, ser consumidos no processo de industrialização ou sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, nas fases de industrialização. b) Acórdão 20311.155, da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes14. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2001 Ementa: INSUMOS. Produtos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, incluindo produtos para limpeza de vasilhames e produtos destinados à manutenção de equipamentos, não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins de créditos do IPI Não há espaço, portanto, para a apuração de créditos a partir dos produtos colacionados na relação de fls. 65 a 68verso. 2.4.2. Aquisição de Contribuinte Inscrito no Simples Igualmente descabidos são os créditos decorrentes de aquisições de contribuinte inscritos no Simples. O art. 149 do RIPI de 199815, que regulamenta o § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, é suficientemente claro quanto a esse aspecto. Art. 149. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Mantenho, portanto, as glosas relacionadas às fls. 68verso a 71. 13 Conselheira Nayra Manatta, unânime. 14 Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, unânime. 15 Redação idêntica à do art. 166 do Regulamento do IPI de 2002. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.450 23 3 Revisão do Valor dos Créditos Decorrentes de Devolução Como já antecipado, havia, com efeito, a necessidade de se ajustar os créditos decorrente de devolução às novas classes determinadas. Com relação a este ponto, razão assiste ao sujeito passivo. Nos termos do art. 150 do RIPI 199816, o estabelecimento pode creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução17. Evidentemente, tal procedimento não pode ser levado a efeito nas hipóteses em que a saída ocorreu sem destaque do imposto. Se não houve débito não há como ser atribuído crédito no retorno. Assim sendo, nas operações em que houve destaque do imposto, se o Fisco reviu o valor devido na saída, consequentemente terá que permitir a revisão do crédito apurado na entrada, na mesma proporção. Ademais, após o saneamento do Livro de Registro de Entradas, não vejo como não acatar o pleito de revisão relativo aos períodos de apuração encerrados nos anos calendário 2001 e 2002. Tal e qual ocorreu no ano de 2003, é possível, por meio das informações consignadas na coluna “observações”, identificar a saída que antecedeu à devolução. Outrossim, entendo desnecessária a realização de nova diligência para a aferição de tais entradas, pois, afastado o óbice de natureza formal (deficiência da escrituração), já é possível vislumbar os critérios que devem ser considerados para efeito de confirmação dos créditos. Definir o valor dos créditos é providência a ser adotada quando da liquidação do acórdão, tarefa que se insere na competência do órgão preparador. Quanto a este ponto, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para ratificar o cálculo dos créditos por devolução apurados quando da reconstituição da escrita fiscal determinada por meio da Resolução nº 310200.089 e determinar que se acrescente a esses créditos os valores relativos às devoluções de produtos tributados quando da sua saída, identificadas a partir dos novos registros acostados aos autos. 4Irregularidades das Notas Fiscais Aponta, a autoridade fiscal, ademais, que as notas fiscais escrituradas pelo sujeito passivo teriam sido expedidas em desconformidade com a legislação que disciplina tal obrigação acessória. Consequentemente, seriam considerados não efetuados os atos de iniciativa do sujeito passivo para o lançamento, já que os produtos tributados não se identificariam com com o descrito no documento. Ademais o RIPI/98 consideraria tais documentos sem valor legal nos termos dos artigos 112, inciso 1 e 330, inciso II, respectivamente (inciso II do artigo 125 e inciso II do artigo 353 do RIPI/2002). Em que pesem tais alegações, não se identifica, no presente processo, em que dimensão tais falhas regulamentares teriam gerado prejuízo para o cálculo das alíquotas específicas ou para a apuração das saídas promovidas. 16 Redação idêntica à do art. 167 do RIPI 2002. 17 Art. 150. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 30). Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.451 24 Sendo assim, não vejo como considerar que tal fator, se confirmado, seria capaz de dar ensejo ao reenquadramento de ofício dos produtos alvo de litígio. 5 Recurso de Ofício Andou bem o órgão julgador a quo ao afastar a multa decorrente de IPI não lançado com cobertura de crédito, bem assim ao acolher a reconstituição da escrita em que restou reduzido o imposto a pagar. Com efeito, havendo lançamento de multa sobre o imposto que deixara de ser recolhido quando da saída, o lançamento levado a efeito por ocasião da diligência implicou na dupla penalização sobre uma mesma infração. Ademais, não se poderia deixar de considerar, para cálculo dos créditos apurados por ocasião do estorno por devolução, o imposto efetivamente devido por ocasião da saída do estabelecimento. 6 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso de ofício e dou parcial provimento ao recurso voluntário para: a) afastar o reenquadramento retroativo fundado na exclusiva acusação de omissão pela não solicitação de revisão de reenquadramento por ocasião de reajuste de preços; b) afastar a fração da exigência fundada na alegação de omissão do pedido de enquadramento dos produtos denominados Chandon Rouge, Chandon Cuvee 500 anos e Chandon Cuvee du Millenaire; c) afastar a fração da exigência fundada no erro de classificação relativamente aos fatos geradores anteriores à vigência do Decreto nº 4.859, de 14/10/2003; d) acolher a recomposição da escrita levada a efeito por ocasião da diligência determinada pela Resolução nº 310200.089; e e) acolher os créditos decorrentes de devolução que puderem ser apurados a partir do Livro de Registro de Entradas acostado aos autos em sede de recurso voluntário. A unidade preparadora deve atentar para o fato de que a manutenção parcial do lançamento implicará nova reconstituição da escrita. Assim, os créditos decorrentes de devoluções de produtos para os quais foi mantida a alíquota praticada anteriormente ao lançamento de ofício deverão, sob pena de crédito indevido, refletir aquelas alíquotas. Ou seja, apenas nas operações para as quais este Colegiado manteve o reenquadramento retroativo é que deverão ser consideradas, para efeito de cálculo do estorno, as alíquotas propostas pela autoridade fiscal. Sala das Sessões, 27 de novembro de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11020.001992/200674 Acórdão n.º 3102001.670 S3C1T2 Fl. 2.452 25 Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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