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Numero do processo: 13807.006964/2004-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS
ORDINÁRIAS.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite
de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas
Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser
interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas
Ordinárias.
Numero da decisão: 3803-002.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 LIMITE DE ALÇADA. VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias.
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VALOR ACIMA. COMPETÊNCIA. TURMAS ORDINÁRIAS. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF deve ser obedecido o limite de alçada estipulado para julgamento dos recursos voluntários, pelas Turmas Especiais, referenciado pelo valor fixado para o recurso de ofício a ser interposto pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Processos com valor fora desse limite devem ser julgados pelas Turmas Ordinárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Fl. 902DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1421.126, de 22 de outubro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 715 a 723, que indeferiu a solicitação. A interessada protocolizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao terceiro trimestre de 2003. Por meio do despacho decisório proferido pela autoridade competente foi glosada a parcela do benefício fiscal correspondente à exclusão da respectiva base de cálculo de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes de PIS e COFINS; excluída da receita de exportação os valores referentes à exportação de produtos NT; e não acolhido o pedido de atualização monetária pela taxa SELIC. Em sua manifestação de manifestação de inconformidade, a Interessada alegou, em resumo, o que segue: a) conforme a exposição de motivos relativa à Medida Provisória n° 948, de 23 de março de 1995, o objetivo do beneficio fiscal é atenuar a incidência em cascata da carga tributária sobre todas as etapas do processo produtivo, e assim, presumese a incidência de PIS e Cofins nas etapas anteriores, dispensada a prova quanto ao pagamento nessas etapas, e inclusive sobre produtos nacionais exportados; b) pela Lei n° 9.363, de 1996, não há necessidade de incidência das contribuições já referidas imediata e diretamente sobre as aquisições realizadas pelo produtor exportador, e não há menção a nenhuma exclusão parcela referente aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas,, consoante, inclusive, julgados do Conselhos de Contribuintes; c) defendeu a inclusão no cálculo do benefício, dos valores relativos à energia elétrica e combustíveis; d) as exportações de produtos NT devem compor a Receita de Exportação, pois o art. 2° da lei n° 9.363/96 não restringiu as receitas a serem consideradas como de exportação; e) o ressarcimento, que se assemelha à restituição de indébito, também segundo entendimento do Conselho de Contribuintes, deve ser acrescido de juros SELIC, como meio de evitar um verdadeiro esvaziamento do beneficio, ou seja, um confisco disfarçado, ou, o enriquecimento sem causa da Fazenda; Por fim, a manifestante pede que seja reconhecido o direito ao ressarcimento no montante pleiteado, com o acréscimo de juros SELIC. A decisão da DRJ/Ribeirão Preto restou ementada como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. No cálculo do crédito presumido são glosados os Valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, pois os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13807.006964/200460 Acórdão n.º 3803002.840 S3TE03 Fl. 784 3 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido, a legislação tributária de regência não contempla a inclusão das exportações de produtos NT, no valor da Receita de Exportação. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É incabível a concessão do estímulo fiscal acrescido de juros de mora pela taxa SELIC, por ausência de autorização legal. Cientificada da decisão em 01 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls. 725 a 766, em 22 de dezembro de 2008, argüindo, essencialmente, as mesmas razões trazidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso não atende o requisito para sua admissibilidade relativo ao valor de alçada que limita a competência para julgamento desta Turma Especial. Tal competência relativo a processo administrativo de ressarcimento é definida pelo crédito alegado/solicitado, nos termos do art. 7º, § 1º, da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, RICARF. Conforme relatado, o crédito no presente processo é de R$ 8.089.525,01. A competência das Turmas Especiais é restrita ao julgamento de recursos em processos que envolvam valores reduzidos, limite este de alçada referenciado pelo valor da exoneração procedida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ora fixado nos termos do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Por este fato, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 25 de abril de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 904DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13807.006964/200460 Interessada: GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A À 3ª SEJUL, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 25 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção – Presidente Fl. 905DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000014/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.577
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE FUNDAMETAÇÃO FISCAL O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa. No processo em questão, o fisco não fundamentou o lançamento, restando prejudicada a caracterização da cessão de mão de obra. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Retornam os autos após terem sido cumpridas, em parte, as providências solicitadas pelo relator, conforme Resolução nº 20500.216, que converteu o julgamento em diligência nos termos do voto acostado às ff. 423 a 426, in verbis “8. (...) analisando os autos, vejo a necessidade da realização de diligência para esclarecimentos de questões atinentes ao procedimento de constituição do crédito previdenciário. O MPF inicial foi emitido em 26 de novembro de 2003; sendo cientificado o representante do contribuinte em 08 de dezembro de 2003. O TIAF foi cientificado ao contribuinte também em 8 de dezembro de 2003, e o TIAD também foi emitido em 8 de dezembro de 2003. Contudo, em outras notificações fiscais, que envolvem a mesma ação fiscal, há um outro TAD emitido em 6 de outubro de 2003; portanto em data anterior ao MPF, bem como ao TIAF. 9. Desse modo, em virtude da decisão proferida nas outras notificações fiscais, entendo ser mais prudente a conversão do julgamento em diligência a fim de que a unidade da Receita Federal do Brasil informe o motivo de emissão do TIAD em 6 de outubro de 2003, e se há um MPF embasando esse TIAD, e se for o caso juntando cópia aos autos.” (ff. 425 a 426) 2. Em atendimento à diligência requerida a então Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro juntou a documentação de ff. 429 a 438, bem como os seguintes esclarecimentos “1. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 foi emitido em 26 de novembro de 2003, conforme cópia em anexo. Em 18 de março de 2004 foi emitido um MPF Complementar de número 01, em 9 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 01, em 09 de julho de 2004 foi emitido o MPF Complementar de número 02 e em 28 de outubro de 2004 foi emitido o MPF Complementar número 03. (cópias em anexo) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 446 3 II. O Termo de Início da Ação fiscal foi emitido em 03/12/2003 e entregue ao fiscalizado em 08/12/2003 (copia em anexo), portanto em data posterior ao Mandado de Procedimento Fiscal de número 09108909 (que se deu em 26 de novembro de 2003). O primeiro Termo de Intimação para apresentação de documentos foi dado ao contribuinte em 08/12/2003 (cópia às fls. 233), portanto em data posterior ao da emissão do MPF. III. Cumpre esclarecer que as datas dos MPF complementares em nada interferem no caso, porque o início da ação se dá com a data do MPF ORIGINÁRIO, no caso sua emissão foi em 26 de novembro de 2003, os demais MFP são complementares. IV – Cumpre esclarecer ainda que os TIADs – Termo de Intimação para apresentação de documentos entregues no curso da ação fiscal referida no parágrafo I foram datados de 08/12/2003, 29/12/2003, 06/02/2004, 30/03/2004, e 13/10/2004, isto é, posteriores à emissão do MPF, conforme cópias em anexo”. (f. 439) 3. Tendo em vista que o relatório já foi apresentado por ocasião da decisão anterior, cito seu inteiro teor: “1. Tratam os autos de pedido de revisão interposto pelo fisco para combater o acórdão de ff. 326/328, proferido pela então 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos por vício formal 2. Na oportunidade, aquele Colegiado entendeu que deveria ser emitida nova NFLD com observância do art. 351 da Instrução Normativa nº 100. 3. O fisco em suas razões entende que, em síntese, que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não é apta para gerar vício insanável. A fim de corroborar seu entendimento, cita acórdãos divergentes da própria 4ª Câmara de Julgamentos do CRPS. 4. Cientificado do pedido de revisão, o Estado recorrido manifestouse, aduzindo, em síntese, que não cabe o pedido de revisão, por se tratar de mera rediscussão de matéria, bem como que inexiste violação a preceito legal. É o relatório.” (f. 424) 4. Dada ciência ao contribuinte que não se manifestou sobre o resultado da diligência. Os autos foram devolvidos à análise deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 1. Tendo em vista que os pressupostos de admissibilidade já foram analisados em assentada anterior, passo ao julgamento das questões de mérito. DO MPF 2. Com a realização da diligência foram devidamente esclarecidas as dúvidas originalmente formalizadas em assentada anterior, apontando, também, a regularidade dos Mandados de Procedimentos Fiscais, de forma que o processo está apto a julgamento. DECADÊNCIA 3. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, de ofício, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional CTN. 4. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 5. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 447 5 reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 6. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 7. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 8. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no CTN, se aplica ao caso concreto. 9. Compulsando os autos, constatase do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF (ff. 230 a 235) que o auditor fiscal examinou as folhas de pagamento comprovantes de recolhimento, e GFIPs apresentadas pela recorrente, além disso, depreendese do Relatório de Documentos Apresentados – RDA (ff. 08 a 115) que foram analisadas GRPS da empresa, sendo assim, considerando a totalidade da folha de salário da empresa, podese afirmar que houve o recolhimento de parte das contribuições sociais previdenciárias. Posto isso, há que se observar o disposto no artigo 150, §4º, do CTN. 10. E considerando que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 16/12/2004, referente às contribuições do período de 02/1999 a 11/2003, ficam alcançadas pela decadência quinquenal o período de 02/1999 a 11/1999, restando mantidas as competências 12/1999 a 11/2003. 11. Dito isso, acato a preliminar de decadência sustentada pelo contribuinte e, tendo em vista a existência de débito remanescente, passo a examinar as demais questões recursais. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 DO LANÇAMENTO 12. A controvérsia central dos autos envolve a incidência de contribuição previdenciária no percentual de 11% sobre o valor bruto dos serviços prestado mediante “cessão de mãodeobra ou por empreitada contidos em Nota Fiscal, Fatura ou Contrato, não retida e não recolhida pela empresa contratante, contidas nas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela empresa prestadora de serviços” no período de 02/1999 a 11/2003. 13. Nesse momento, fazse necessário um breve comentário sobre o instituto da cessão de mão de obra. Conforme entendimento doutrinário, a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ocorre quando a empresa prestadora de serviços (cedente) cede sua a mãodeobra de seus trabalhadores à empresa contratante (tomador). O objeto do contrato é o fornecimento de mãodeobra, dessa forma, a força de trabalho do trabalhador é a principal prestação da empresa cedente. 14. A propósito, sobre essa matéria tanto o Decreto 3.048/99, em seu artigo 219, parágrafo 1º, quanto a Lei de Custeio, em seu artigo 31, §2º, conceituam a cessão de mão de obra da seguinte forma: “Art. 219 (...) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros.” “Art. 31. (...) § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). 15. Quando da leitura do conceito de cessão de mãodeobra, destacase a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) os prestadores devem ficar à disposição do tomador, submetidos a seu poder de comando, o qual gerencia a realização do serviço; b) a execução das atividades ocorrerá no estabelecimento comercial do tomador de serviços ou de terceiros. 16. Além do mais, destaco ainda a ‘continuidade dos serviços’ como outro requisito previsto em lei, ou seja, o serviço, em si, deve ser contínuo, independentemente da rotatividade de prestadores de serviços que a empresa tomadora contrate. É dizer: não importa se o prestador ou o trabalhador será o mesmo, e sim que o serviço seja contínuo. 17. E considerando que no caso em questão, o lançamento foi fundamentado no artigo 31, da Lei no 8.212, de 1991, exigese, assim, a caracterização dos serviços mediante cessão de mão de obra no bojo do relato fiscal. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 448 7 18. No entanto, o relatório fiscal não mencionou em nenhum momento se os prestadores estavam submetidos ao poder de comando da empresa recorrente (tomadora), se a natureza do serviço era contínuo, se o serviço realmente envolvia mão de obra ou se tratava de empreitada. Enfim, constatase que não houve, por parte do fisco, qualquer embasamento fático e jurídico para a constituição do lançamento, vez que ausente a motivação necessária para fundamentar a lavratura da notificação. 19. É importante esclarecer que o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos listados no termo de intimação para apresentação de documentos – TIAD, quais sejam: “folha de pagamento de empregados/avulsos/contribuintes individuais; GFIP; GRFP; GRFC e eventuais retificações; cópias reprográficas dos documentos acima; contrato de empreitada e subempreitada; contratos de serv. de cessão de mão de obra e temporários; notas fiscais de serviços e faturas emitidas pelas empresas prestadoras de serviços; GRPS/GPS e declaração de contabilidade emitidas pelas empresas prestadoras de serviço; faturas e recibos de mão de obra; comprovantes de recolhimento; laudo técnico, perfil profissional; PPRA e PCMSO; proc. trabalhista; livro diário/livro razão/plano de contas; contratos de prestação de serviços por cessão de mão de obra/empreitada”, entre outros (ff. 218 a 222) 20. E de acordo com o termo de encerramento da ação fiscal – TEAF constatase que foram analisados: folha de pagamento; guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP); comprovantes de recolhimento; outros elementos”. (f. 230) 21. Desta forma, descabe o argumento de que o fisco poderia deixar de caracterizar a cessão de mão de obra em face da não apresentação de documentação pela empresa, pois foi constatado no TEAF que o fisco examinou diversos documentos entregues pela empresa recorrente. 22. Além disso, da leitura do relatório fiscal depreendese que não foi apontado pelo fisco quais os serviços prestados mediante cessão de mão de obra. 23. Cumpre ressaltar que os contratos de prestação de serviço firmados entre o Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Estado de Educação, e a Associação Carioca de Ensino Superior (ff. 186 a 211) têm como objeto referências genéricas inclusive à remissão a outros documentos (Plano de Trabalho e a Proposta especial): Contrato de ff. 186 a 191 “a atualização de 72 (setenta e duas) turmas de professores dos quadros do ESTADO (SEE) das disciplinas de português e matemática, pertencentes às Coordenadorias Regionais Serrana II e III, Metropolitana III, IV e X, e Baixada Litorânea II, para implantação do Projeto ‘Contextualizado as Grandes Áreas do Conhecimento’, conforme o Plano de Trabalho e a Proposta especial” Contrato de ff. 202 a 211 “Prestação dos Serviços, de pesquisa e desenvolvimento de sistema integrado de gestão escolar, abrangendo uma rede de 1200 escolas, com implantação experimental na Rede Pública do Estado dos sistemas pesquisados incluindo infra estrutura tecnológica, conforme Proposta Especial n.º60/2001 e Plano de Trabalho” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 24. Dessa forma, verificase que não há qualquer menção, nos contratos juntados ao processo, sobre a cessão de mão de obra ou empreitada. 25. E por esse motivo entendo que o lançamento é insubsistente e não comprova o surgimento do fato gerador da obrigação tributária, uma vez que até mesmo os critérios utilizados pelo fisco para chegar aos valores do débito não foram devidamente esclarecidos pela autoridade lançadora. 26. Com efeito, cumpre destacar que o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. 27. A propósito, a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, trata em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 28. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [g.n.] 29. Acrescento ainda que o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. 30. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. 31. No mesmo sentido é o Código de Processo Civil ao asseverar em seu artigo 333, inciso I, que o “ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito”. 32. Feitas essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário nos termos acima delineados. CONCLUSÃO 33. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10700.000014/200774 Acórdão n.º 2301002.577 S2C3T1 Fl. 449 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 11030.901708/2009-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3802-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 17 08 /2 00 9- 95 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1528.408, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fatos ocorridos nos presentes autos até o momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, tomase de empréstimo o relatório formulado pelo julgador a quo: “A interessada transmitiu em 15/06/2005 PER/DCOMP eletrônico (fls. 01/05) visando utilizar crédito no valor original de R$6.682,83 que teria sido informado inicialmente no PER/DCOMP nº 19423.41078.150605.1.7.042465. A DRF/Passo Fundo emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação sob o argumento de que o pagamento efetuado em 15/10/2004, no valor de R$38.768,33, estava alocado ao débito da Cofins do PA 30/09/2004. Irresignada, a contribuinte apresenta em 08/04/2009 Manifestação de Inconformidade informando a retificação da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004, em 03/04/2009, por ter sido preenchida incorretamente.” Ante as alegações do sujeito passivo e da documentação carreada aos autos, a autoridade julgadora de 1ª instância achou por bem negar provimento à pretensão da contribuinte, sintetizando suas razões na forma da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/06/2005 COMPENSAÇÃO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Não se conformando, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual alega que “constatado que foi informado incorretamente na DCTF do período onde não demonstrava realmente o débito devido e esta foi retificada com o débito realmente ocorrido (em anexo 01), onde esta demonstrado também na ficha 27F e ficha 26A da DIPJ 2005 ano calendário 2004 (anexo n. 02), e os DARFS (anexo n. 03) e PERDCOMP n. 04035.23174.280105.1.3.572420 (anexo 04), onde comprova o valor pago a maior. Acrescenta ainda que “considerando que houve apenas equívoco no preenchimento da DCTF e que as demais declarações anexadas comprovam que o débito é de Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11030.901708/200995 Acórdão n.º 3802001.705 S3TE02 Fl. 112 3 R$70.176,53 e não R$78.311,35 e que existe um saldo a compensar informado conforme comprovado pelos anexos n. 01, 02, 03 e 04, pedimos desconsiderar a cobrança constante no processo nº 11030.900446/200995 – intimação 154/2012.” É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. O caso envolve discussão sobre simples matéria de prova, embora seja peculiar pelos motivos expostos a seguir. Tratase de processo de compensação em que, nada obstante não constarem cópias documentais aos autos, a DRJ trouxe a informação de que o contribuinte apresentou DCTF’s retificadoras em série: diversas entre a apresentação do PER/DCOMP e o despacho decisório, e mais outras após a prolação do referido despacho. Como o processo é carente desses documentos, trago a manifestação da autoridade julgadora originária sobre o assunto: Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 2004 transmitida em 22/03/2005, que se encontrava ativa em 15/06/2005 quando da transmissão do PER/DCOMP objeto deste processo, a contribuinte informou débito da Cofins relativo a setembro de 2004 no valor de R$59.330,83, extinto por pagamento no valor de R$38.768,33 e por compensação no valor de R$20.562,50. Posteriormente outras DCTF retificadoras foram transmitidas, em 08/11/2005, 10/07/2006, 23/03/2007, 20/11/2007 e duas em 22/08/2008, antes da emissão do Despacho Decisório eletrônico ora em litígio, em 25/03/2009; e mais três DCTF retificadoras foram transmitidas após o referido despacho, em 02/04/2009, 03/04/2009 e 01/07/2009. Por mais que seja a DCTF retificadora, nos termos das regras vigentes, substituta em todos os termos da anterior, certo é que uma sucessão de retificações desse documento deve ser acompanhada de uma sucessão de retificações de todo o corpo dos demais documentos de cunho declaratório a que o contribuinte tem obrigação de apresentar. Nos autos não consta nada disso. Sem embargo, no processo de compensação é crucial a análise da materialidade do crédito do sujeito passivo, que, no caso, perpassa ainda pelo confronto com a realocação de um crédito que, além de tudo, constava de outro PER/DCOMP. E não verifico nos autos qualquer explicação para tal fato, nem mesmo indicação de retificação do PER/DCOMP original. Ao contrário, a única informação relativa a esse PER/DCOMP consta do voto do relator da manifestação de inconformidade, o qual indica que, mesmo naqueles autos, consta a informação de crédito inexistente. Neste espeque, repisese que em seu sucinto Recurso Voluntário a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para ilidir tal circunstância. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Isso para dizer o mínimo, limitado às peculiaridades do caso. Afinal, uma vez retificada a DCTF, para fins de corrigir débitos, o contribuinte deve minimamente comprovar as razões pelas quais o fez, não bastando apenas a juntada dos documentos retificadores, tal como procedeu o Recorrente. Por consequência, não restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do engano cometido na apuração do tributo. Assim sendo, por não haver fundamentos para a homologação da compensação promovida pela Recorrente, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19515.002472/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considera-se que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação, mormente quando sua receita ultrapassa em muito o limite do Simples.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Correto o lançamento de omissões de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto, sendo correto o arbitramento dos lucros para fins de determinar a base de cálculo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Alexei Macorin Vivan, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA E REFLEXOS Recorrente AVANT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VASSOURAS EM GERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considerase que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação, mormente quando sua receita ultrapassa em muito o limite do Simples. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Correto o lançamento de omissões de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto, sendo correto o arbitramento dos lucros para fins de determinar a base de cálculo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Alexei Macorin Vivan, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 72 /2 00 9- 71 Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Foram lavrados autos de infração contra a empresa AVANT IND E COM VASSOURAS EM GERAL LTDA, com ciência pessoal em 29.06.2009, por meio dos quais foram exigidas importâncias de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, totalizando R$ 2.375.388,60. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 651 a 654. A AuditoraFiscal relata que a empresa solicitou sua inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (processo nº 19679.009092/200481), mas seu pedido foi indeferido, conforme Decisão Dicat nº 210, de 10.02.2006. Consequentemente, as Declarações Simplificadas apresentadas nos exercícios de 2003 a 2007 foram canceladas. O contribuinte foi intimado a entregar as DIPJ dos anoscalendário 2002 a 2006 na forma do lucro presumido/real, bem como as respectivas DCTF. Também foi intimado para providenciar a regularização (restituição ou compensação) dos pagamentos efetuados no regime simplificado. A autoridade fiscal arbitrou o lucro por não ter a empresa apresentado os livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios. Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 666, tratase de exigência identificando as seguintes infrações, com o enquadramento legal que segue. 001 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A infração acima referida diz respeito a fatos geradores relacionado a cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo como enquadramento legal os artigos 27, I e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e os artigos 532 e 537 do Regulamento do Imposto de Renda. Segundo Consta do Termo de Verificação Fiscal, a empresa solicitou sua inclusão no SIMPLES, mas seu pedido foi indeferido conforme decisão Dicat nº 210, de 2006 e, consequentemente, as Declarações Simplificadas apresentadas dos exercícios de 2003 a 2007 foram canceladas. Notificada, a empresa apresentou defesa alegando, em síntese: a) Diferentemente do que alega o agente fiscal, o impugnante não teve seu pedido de inclusão no SIMPLES indeferido, mas sim, após sua inclusão, em virtude de possuir débitos inscritos em Divida, foi excluído, com base no artigo 9º, XV, da Lei nº 9.317, de 1996. b) Que nos termos do artigo 8º, § 1º, da Lei nº 9.317, de 1996, "as pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MP, exerciam sua opção pelo simples mediante alteração contratual. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 3 'Art. 8. (...). § 1°. As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no 'CGC/MF' exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral." § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. c) Logo, nos exatos termos da Lei, a opção ao Regime Simplificado efetuada pelo impugnante, se deu no ato em que este efetivou sua alteração cadastral junto ao CNPJ/MF no ano de 2004, surtindo efeitos a partir de 01.01.2004. d) Assim, a decisão Dicat n° 210 de 10/02/2006, poderia quando muito, excluir o impugnante do SIMPLES, mas jamais lhe indeferir sua opção já efetuada dois anos antes e que repisamos, possuía plena vigência e eficácia. e) Em sua defesa a empresa recorrente cita, de forma grifada, o artigo 15, VI: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: .... VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9 o desta Lei. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) d) Quanto aos demais aspectos, o recorrente alega que não podem ser objetos de tributação os valores cujo histórico consta como sendo "financiamento", já que decorrente de empréstimo fornecido pelo Banco, bem como os que se referem a "Liquidação de Cobrança valor indisponível", porque nestas operações o impugnante leva ao Banco suas Duplicatas emitidas para uma antecipação de vencimento. Assim, mediante pagamento de juros o Banco lhe antecipa. Entretanto, quando do vencimento, o adquirente da mercadoria realiza o pagamento diretamente na conta do impugnante, ficando tal valor indisponível, sendo logo em seguida debitado na conta corrente do impugnante. e e estes são correspondentes A DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento, cujos fundamentos de sua decisão encontramse sintetizados na ementa do acórdão de fls. 943 e seguintes, que segue transcrita: INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. INDEFERIMENTO. EFEITOS. A inclusão retroativa no Simples foi permitida pela Receita Federal no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, e o seu indeferimento não equivale a uma exclusão de ofício. Indeferido o pleito, considerase que o contribuinte, para todos os efeitos, não poderia ter recolhido os tributos federais na sistemática do Simples nos anos abrangidos pela solicitação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/96. Correto o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado para tanto. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 4 PAGAMENTOS DO SIMPLES. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO A SER LANÇADO DE OFÍCIO. Os pagamentos efetuados a título de Simples devem ser deduzidos para fins de apuração do valor devido dos tributos a serem lançados de ofício em outra sistemática de apuração. LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Cientificada em 24/1/2012 (AR de fl. 985), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/02/2013 (fl. 9861001), no qual repisa as alegações da peça impugnatória e ao final pleiteia: É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. A parte que recorreu tem interesse em ver a decisão alterada. Tal situação, conjugada com a tempestividade e legitimidade caracteriza o preenchimento dos os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. O documento de fls. 821/823 e 855, indica que em 25/04/2004 a empresa recorrente formulou pedido de inclusão no SIMPLES com data retroativa (processo 19679.009092/200481). Na ocasião indicou que desde 1998 vinha fazendo os pagamentos e entregando declarações como se optante pelo SIMPLES. O recorrente aduz que passados quase dois anos sem que a Administração Tributária não lhe respondesse, em 03/02/2006 protocolizou o requerimento de fl. 899 comunicando seu enquadramento no SIMPLES e se reportando ao pedido feito por meio do processo nº 19679.009092/200481 (fls. 821/823). Ocorre que, tal qual registrado na decisão recorrida, o recorrente não foi excluído do Simples, mas teve sua solicitação de inclusão retroativa negada pela RFB, conforme se constata no processo nº 19679.009092/200481, cujas cópias juntei aos presentes autos (fls. 821 a 887). O artigo 8º da Lei nº 9.317/96 previa que a opção pelo Simples se daria quando da inscrição da pessoa jurídica no cadastro CNPJ ou por meio de alteração cadastral, para as pessoas jurídicas já inscritas, procedimento que não foi adotado pela empresa. De igual forma cabe razão à DRJ quando registra que: “ (...) percebese que o contribuinte não se utilizou dos meios previstos em lei para efetuar a sua opção, e por isso, através de petição protocolada em 25.06.2004 (fl. 823), solicitou o seu “reenquadramento” desde 01.01.2003, o que foi reiterado em 03.02.2006 (fl. 839). A Decisão Dicat nº 210/2006 (fl. 860) analisou a possibilidade desta inclusão retroativa, indeferindoa, por constarem débitos inscritos em Dívida Ativa da União, fator impeditivo constante do artigo 9º, inciso XV da Lei nº 9.317/96. De todo modo, o contribuinte foi informado que poderia regularizar sua situação no prazo de 30 dias a partir do dia seguinte à ciência daquela decisão. Se assim o fizesse, a decisão de indeferimento ficaria automaticamente cancelada e o acesso ao Simples autorizado a partir de 12.11.1998. Não tendo regularizado a sua situação, nem apresentado recurso contra aquele ato administrativo, as declarações simplificadas foram canceladas (fl. 870) e autos de infração lavrados. Para o anocalendário de 2003 o lançamento encontrase nos autos do processo nº 19515.008426/200803, tratando o presente processo da autuação dos anoscalendário de 2004 a 2006. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.002472/200971 Acórdão n.º 1402001.383 S1C4T2 Fl. 0 6 Concluise, portanto, ser inaplicável o artigo 15, VI c/c artigo 9º, XV da Lei nº 9.317/96, que tratam da hipótese em que o contribuinte é excluído do Simples: (...)” Concluo, então que o contribuinte não pode mesmo fazer jus ao Simples nos anoscalendário de que trata o presente processo. Além disso, o montante das receitas omitidas pelo contribuinte ultrapassam em muito o limite anual do Simples nos anoscalendário de 2004 e 2005 que era de R$ 1.200.000,00 e também em 2006 (R$2.400.000,00), conforme demonstrativo de fl. 645, a seguir reproduzido. Logo o contribuinte também não poderia optar pelo Simples em nenhum desses 3 anos autuados: Mais a mais, verificase que em relação ao mérito, o contribuinte não justificou a origem dos depósitos bancários efetuados em contas de sua titularidade, sendo que solicitou 90 (noventa) dias para apresentar a documentação e passados quase 180 (cento e oitenta) dias nada juntou aos autos. Portanto correta a aplicação da presunção legal de que trata o art. 42 da Lei 9.430/1996, no sentido de que tais depósitos referemse a receitas das operações da empresa. Verificase, ainda, que os tributos foram exigidos na sistemática do lucro arbitrado, ou seja, apenas o percentual de 9,6% desses depósitos (receitas omitidas) foi tratado como lucro tributável. O procedimento está correto, à luz do art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Além disso a decisão de 1a. instância já corrigiu o equivoco do auto de infração, que havia deixado de aproveitar os pagamentos espontâneos do contribuinte, assim foram deduzindo todos os valores recolhidos pelo contribuinte no Simples. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter integralmente as exigências. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.001056/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. Recurso Voluntário Negado.
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OUTROS DADOS Recorrente ROMERO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AEREOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO.Apresentar a GFIP com informações inexatas em relação dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já fora julgadas por este Conselho a NFLD na qual foi efetuado o lançamento das contribuições previdenciárias não informadas em GFIP, oportunidade na qual estas foram consideradas como devidas, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção do auto de infração pela ausência de informação dos respectivos fatos geradores em GFIP. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 56 /2 01 0- 21 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001056/201021 Acórdão n.º 2402003.534 S2C4T2 Fl. 231 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ROMERO PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AÉREO, em face de acórdão que manteve o parcialmente o Auto de Infração n. 37.269.9375, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente apresentado GFIP com informações inexatas em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Consta do relatório fiscal que a recorrente exerceu atividades junto a contratante TAM LINHAS AÉREAS, dentre as quais destacamse: atendimento de rampa, manuseio de solo, atendimento a passageiros, serviços de sala VIPs, atendimento aos vôos da rede nacional noturna, serviços de cargas (embarques e desembarques), tidas pela fiscalização como atividades sujeitas a cessão de mãodeobra. Por tais motivos, a Secretaria de Receita Federal, de ofício, determinou sua exclusão do SIMPLES mediante Ato Declaratório do Executivo n°. 36 de 09/09/2010, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão prevista no Art. 14, inciso I, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996. O auditor esclareceu que as informações inexatas foram as seguintes: 3.1 AS GFIPS de 01/2005 a 04/2007 GFIP's foram apresentadas com as seguintes irregularidades: o campo "Código outras entidades" não foi informado o Código de recolhimento informado "2003 SIMPLES CNPJ, quando deveria ser "2100Empresas em geralc. 3.2 Nas competências 05/2007 até 12/2007 somente o Código de recolhimento informado "2003 SIMPLES CNPJ, quando deveria ser "2100Empresas em geral O lançamento da multa compreende a competências de 01/2005 a 11/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 09/2010 (fls. 54). O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário através do qual sustenta: 1. a nulidade do julgamento de primeira instância em razão do indeferimento do pedido de diligência formulado para a verificação in loco da natureza dos serviços prestados pela recorrente; 2. que o lançamento não poderia ser efetuado, tendo em vista que o processo administrativo que discute a sua exclusão do SIMPLES ainda não transitou em julgado; 3. a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. a nulidade dos Atos de Exclusão do SIMPLES, tendo em vista que os mesmos não foram devidamente fundamentados e que não exerce atividade mediante a cessão de mãodeobra, mas apenas de serviços auxiliares de transporte aéreo; 5. que o lançamento deve ser anulado pois a atividade de serviços de transporte aéreo não é vedada pelo SIMPLES; 6. que seja o art. 31 da Lei 8.212/91 ou o próprio art. 219 do Decreto 3.048/99 não elencam como atividade sujeita a cessão de mãodeobra a prestação de serviços auxiliares de transporte aéreo; 7. que não havia qualquer relação de subordinação entre os empregados da recorrente e a sua contratante, no caso a TAM; sendo, pois, a única responsável pela contratação, administração e pagamento de seus funcionários; 8. que é parte ilegítima no presente processo, tendo em vista que os empregados cujas remunerações foram objeto da autuação estão registrados em outra pessoa jurídica; 9. que o auditor fiscal imputou equivocadamente à recorrente a obrigação pelo pagamento de valores a título de contribuição do empregado, como se contribuinte fosse, quando, em verdade apenas possuía a obrigação acessória de reter e repassar ao INSS; 10. que a responsabilidade do recolhimento das contribuições lançadas é do empregado; 11. que em relação à multa deve ser aplicado o disposto na Lei 11.941/09; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11634.001056/201021 Acórdão n.º 2402003.534 S2C4T2 Fl. 232 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem Preliminares. MÉRITO Antes mesmo de analisar qualquer das teses objeto do recurso voluntário, cumpre apontar que o lançamento principal, no qual foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e geraram o presente Auto de Infração, já foram objeto de julgamento por esta Eg. Turma, quando da análise dos processos administrativos n. 11634.001060/201090 e 11634.001059/201065, os quais restaram assim ementados: AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. Não existe qualquer ilegalidade a ser reconhecida quando o lançamento das contribuições foi efetuado com a finalidade de prevenir a Fazenda Pública dos efeitos da decadência, mesmo diante da existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. SIMPLES. EXCLUSÃO. MOTIVOS DETERMINANTES. COMPETÊNCIA. Não é de competência desta Turma a análise da legalidade ou não dos motivos de fato e de direito que determinaram a exclusão da recorrente do regime simplificado do recolhimento de impostos e contribuições federais. (SIMPLES). LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE. ART. 144 DO CTN Em razão da superveniência da Lei Fl. 234DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 11.941/09, deverá ser aplicada ao caso em concreto no caso de vir a ser mais benéfica. Em se tratando do lançamento de contribuições cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência de referida Lei está correto o lançamento quando a multa aplicada é aquela vigente à época. Recurso Voluntário Negado. Por tais motivos, em sendo o presente processo acessório ao principal, outra não pode ser a conclusão senão pelo acatamento de referidos fundamentos no julgamento do presente recurso, uma vez que os argumentos de defesa apresentados pela recorrente são os mesmos daqueles que já vieram a ser analisados por este Eg. Conselho. Por fim, com relação a multa aplicada, esclareço que o fiscal a imputála já efetuaou a sua comparação com o dispositivo do art. 32A da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/09, tendo aplicado ao caso a multa considerada mais benéfica, que foi aquela válida a época dos fatos geradores da multa plaicada, com fundamento no antigo artigo 32, §6o da Lei 8.212/91. Dessa forma o pedido de retroatividade da Lei 11.941/09, já fora devidamente adotado pela fiscalização, bem como pelo prõprio v. acórdão de primeira instância. Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 235DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15504.019042/2010-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
COFINS. IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS.
Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos.
COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA.
A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.158-35/2001, ao se referir às receitas relativas às atividades próprias, aplica-se principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869).
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira. OAB/DF nº 24.259.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.158-35/2001, ao se referir às receitas relativas às atividades próprias, aplica-se principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 9303-01.486 e 9303-001.869). Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim. Antonio Carlos Atulim Presidente Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira. OAB/DF nº 24.259.
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IMUNIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL. ART. 195, § 7º, CF. ART. 55 DA LEI 8.212/91. CEBAS. Na vigência do art. 55 da Lei nº 8.212/91, a imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição estava condicionada, dentre outros requisitos, a que a instituição fosse portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. ART. 14 DA MP 2.158/01. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III e IV, da MP no 2.15835/2001, ao se referir às “receitas relativas às atividades próprias”, aplicase principalmente em relação às receitas auferidas em contraprestação pelo desempenho das atividades para as quais foram constituídas as entidades, no caso, pela prestação de serviços educacionais, culturais e científicos. Precedentes (CSRF, acórdãos 930301.486 e 9303001.869). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern e Antonio Carlos Atulim. Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 90 42 /2 01 0- 09 Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira. OAB/DF nº 24.259. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 02/05 eprocesso) que formaliza a exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, cuja notificação ocorreu em 11/11/2010 (fl.5 eprocesso). Na descrição dos fatos que deram causa ao lançamento, consta do Termo de Verificação Fiscal que a entidade não recolheu a Cofins no período por entender que seria beneficiária de imunidade. A Fiscalização entendeu que a imunidade das contribuições, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, não seria aplicável ao contribuinte por não atender os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, dentre eles, mais especificamente, não deter o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, conforme se verifica no seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: 44 — Em pesquisa no "sitio" do Ministeŕio do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, confirmase que a FUMEC não faz parte do rol de entidades Beneficentes de Assistência Social certificadas pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Confirmase igualmente que a FUMEC teve seu pedido de Certificação indeferido e seu processo arquivado em 06/12/2000. Após essa data não há mais nenhum registro requisitado pela fiscalizada (fls. 309 a 312). 45 — Ante o exposto, concluímos que a FUMEC não faz jus à isençã̃o da COFINS por não atender aos ditames do artigo 55 da Lei n° 8.212/91. A Fiscalização também entendeu que a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835 não afastaria a incidência da contribuição, por adotar a seguinte interpretação: 21 — Dessa forma, somente as receitas típicas das instituições de assistência social, de educação e das fundações estão isentas da COFINS. Referidas receitas revestemse de contribuições, doações, mensalidades e anuidades de seus associados ou mantenedores. As receitas comuns aos dos demais agentes econômicos sofrem a incidência da contribuição. Isto demonstra o caráter da equidade tributária, pois se não fosse dessa forma estaria se beneficiando um agente econômico em detrimento de outro que pratica a mesma atividade. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 325/341 eprocesso) sustentando, em síntese, (a) que o lançamento incorreu em alteração do critério jurídico firmado em lançamento anterior; (b) que a Cofins não incide sobre as suas receitas, por naõ se enquadrarem no conceito de faturamento; e (c) que faz jus a ̀isenção do art. 14, X da MP 2.158. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.868 3 Alega que o lançamento discutido neste processo teria incorrido em alteração de critério jurídico em relação ao lançamento relativo a fatos geradores de períodos anteriores (PA n° 10680.005130/200331, 10680.018641/200313, 10.680.018642/200368, 10680.003993/200455 e 10680.003991/200466), ao argumento de que em tais outros processos houve a anulação do ato de suspensão da imunidade, por julgamento do Conselho de Contribuintes, e que a situação de fato teria se mantido inalterada, de maneira que não poderia haver mudança de entendimento. Também alega que não poderia ter sido alcançada pela incidência da Cofins os valores que não configuram faturamento, tal como conceituado pelo E. Supremo Tribunal Federal quando da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (RE 390840, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 15/08/2006), devendo restringirse à receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Sustenta que de tal entendimento do STF deveria resultar o reconhecimento da não incidência da Cofins tanto em relação às receitas financeiras como em relação às mensalidades, em razão de que não atua em caráter mercantil nem empresarial, sendo uma Fundação despida de caráter lucrativo, não exercendo atividade econômica destinada a produzir resultados, mas pratica atividade desinteressada, com reversão de todos os seus recursos para as suas finalidades, de maneira que não pratica nenhuma operação mercantil. Alega, ainda, para defender a aplicação da isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158, que a receita decorrente de sua atividade própria – alcançada pela isenção – somente pode ser aquela proveniente de sua atividade institucional, de suas atividades educacionais e científicas, ou seja, justamente as mensalidades pagas por aqueles que usufruem das atividades educacionais, científicas e culturais próprias das instutição. Ao final, protesta pela produção de prova pericial contábil, de forma a demonstrar a ausência de finalidade lucrativa, a exclusão da fundação do mundo empresarial e o preenchimento dos requisitos para o gozo da isenção de Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ), por meio do Acórdão nº 0231.785, de 11 de abril de 2011 (fls. 520/538 eprocesso), julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 Somente fazem jus à isenção das contribuições para a Seguridade Social as entidades beneficentes que comprovarem possuir, entre outros, o Certificado e o Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento da impugnação foi parcial porque a DRJ entendeu que, em virtude da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendida pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº. 9.718/98, deviam ser excluídos os valores correspondentes às receitas financeiras. Quanto aos demais temas, foi negado provimento à impugnação, valendo destacar do voto condutor do acórdão na DRJ os seguintes trechos: Para o uso do beneficio da isenção, a legislação obriga uma entidade beneficente de assistência social a cumprir os devidos requisitos, dentre eles a posse do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS. Como o contribuinte afirma ser uma fundação sem fins lucrativos e não uma entidade beneficente de assistência social, então não detém o beneficio da isenção das contribuições. (...) Contudo, estão sujeitas à Cofins, por força da legislação de regência da matéria lançada, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade lucrativa. E, de fato, este é o caso do autuado, que, como se conclui da análise dos autos, aufere, em sua maior parte, receitas provenientes de serviços prestados na área da educação, além de outras tributáveis. As receitas autuadas, aquelas, por exemplo, oriundas de mensalidades pagas como condição para a fruição de um beneficio pessoal e individualizado, tal como o direito de freqüentar determinado curso em instituição de educação. Estas receitas enquadramse no conceito de faturamento e, conseqüentemente, devem ser oferecidas à tributação, por configurarem, inequivocamente, receitas de prestação de serviços. A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1837/1860 eprocesso), por meio do qual reedita os mesmos fundamentos de sua impugnação, ou seja, alegando afronta ao art. 146 do CTN, em razão de que o Conselho de Contribuintes havia firmado anteriormente um critério jurídico diferente em relação à impugnante, pelo qual esta mesma contribuinte era reconhecida desonerada de tributos e contribuições federais mesmo sem portar o CEBAS. E que, por isso, a alteração desse critério só pode surtir efeito em relação a ela quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à introdução do novo critério. Também argumenta que a Cofins não pode incidir sobre as receitas das mensalidades por não se tratar de atividade mercantil ou empresarial, sendo despida de caráter lucrativo, e que, portanto, não configurariam faturamento tributável nos termos do art. 195 da Constituição e da LC 70/91. A propósito da isenção, reitera o seguinte: Tendo abandonado o fundamento da falta de CEBAS, o acórdão se prende ao fundamento de que as receitas sobre as quais foi Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.869 5 constituído o crédito tributário de COFINS não são decorrentes de atividades próprias. Isso, porque, tal como a fiscalização, o acórdão entendeu que receitas decorrentes de atividades próprias que estão abrangidas pela isenção do art. 14, X da MP 2.158 são somente aquelas oriundas “de contribuições, doações, mensalidades e anuidades de seus associados ou mantenedores”. O fundamento para esse entendimento é o art. 47, §2º da IN 247/2002, que assim dispõe: Art. 47 (...) §2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Ora, o entendimento não pode prevalecer, uma vez que é clara a ilegalidade da IN 247/2002 na parte em que pretende restringir o conceito de atividade própria previsto na lei que outorga a isenção. A uma, porque receita decorrente de atividade própria da instituição sem fins lucrativos somente pode ser aquela proveniente de sua atividade institucional, que no caso são as atividades educacionais e científicas. Doações e contribuições não são decorrentes de atividade própria da instituição, mas, apenas, da boavontade de terceiros, ou seja, provêm de atos jurídicos externos à instituição. Veja que a IN esvazia qualquer sentido que o vocábulo “próprio” possa ter, igualandoo justamente ao seu antônimo, tomando por receitas próprias receitas que na verdade são alheias às atividades da instituição. A duas, porque a regra exonerativa em momento algum estabeleceu tal requisito, ao contrário, disse que atingia as instituições que prestem os serviços para os quais foi instituída a um grupo de pessoas (art. 15 da MP 2.158) isentando de COFINS suas atividades próprias (art. 14, X da MP 2.158). Ora, portanto, aquelas atividades regularmente desempenhadas, ou seja, inseridas no seu contexto institucional, o qual tem como elemento principal a prestação do serviço de educação e de caráter científico e cultural. Ora, decorrentes dessas atividades próprias são justamente as mensalidades pagas por aqueles que usufruem das atividades educacionais, científicas e culturais próprias da instituição, que utiliza essas mensalidades para manter seus serviços em padrão de excelência, sem finalidade lucrativa, na medida em que todas as mensalidades são revertidas para as atividades das quais decorreram. Pouco importa, por ausência de previsão legal, sendo esta mais uma inovação ilegal decorrente da própria IN 247, que tenham caráter contraprestacional direto. A contribuinte informa que não obstante se entenda que os requisitos para o gozo da isenção encontramse no art. 12, §2º da mesma lei 9.532/97, estes restam preenchidos, Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 quais sejam: não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; manter escrituração completa de suas receitas e despesas; conservar em boa ordem os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas; apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; e assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. Ao final, alega a nulidade do acórdão recorrido por ausência de motivação posto que não foi apreciado seu pedido de perícia para comprovar o cumprimento dos requisitos à isenção de Cofins prevista na MP 2.158/2001. Portanto, reitera o pedido de perícia contábil e apresenta os quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 31/10/2011 (fl. 1837e), dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados da notificação, ocorrida em 29/09/2011 (fl. 1835e). Por ser tempestivo, tomo conhecimento do recurso. 1) A imunidade das contribuições sociais. Quando da ocorrência dos fatos geradores em questão, de 01/2006 a 12/2007, ainda vigorava o art. 55 da Lei nº 8.212/91, o qual regulamentava a imunidade prevista no art. 195, § 7º da Constituição, concedida às entidades beneficentes beneficentes de assistência social em relação às contribuições previstas no caput deste dispositivo constitucional. Dispõe o art. 195, § 7º, da Constituição que “São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Sabese que, embora tenha utilizado a terminologia imprecisa de “isenção”, o referido dispositivo constitucional veicula, por força de sua própria natureza de outorga e delineamento da competência tributária, uma imunidade. Na época dos fatos, dispunha o art. 55 da Lei nº 8.212/91 que as entidades em questão deveriam atender, dentre outros requisitos, o de ser “portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos”. O fundamento da Fiscalização para entender que não se aplicaria a imunidade foi justamente o de que a entidade não possuía tal certificado em relação aos anos de 2006 e 2007, conforme informado pela própria contribuinte e depois confirmado pela Fiscalização, que verificou que a referida certificação havia sido indeferida pelo órgão competente (itens 31 e 44 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 32 e 35). O contribuinte não contesta tal fato – de ausência do Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) –, nem contesta as exigências do art. 55 da Lei nº Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.870 7 8.212/91 para o efeito de condicionar a aplicação da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. Isto fica claro no seguinte trecho do Recurso Voluntário: “(…) devese notar que o acórdão recorrido abandonou por completo o fundamento da ausência de CEBAS, levantado pela fiscalização. Nos termos do art. 17 da MP 2.158, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 só são exigíveis das instituições filantrópicas de assistência social: Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991. A Recorrente, na qualidade de instituição de educação, científica e cultural, não se submete, portanto, ao citado requisito.” Como visto, a Recorrente se ocupa em discutir a respeito da aplicação da isenção prevista na MP 2.158, demonstrando que o CEBAS não é requisito para a isenção prevista no art. 14, X, c/c art 13, II, da mesma Medida Provisória. Mas não se encontra em discussão a legalidade da exigência do CEBAS como condição para a fruição da imunidade constitucional. A recusa da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, portanto, não está em discussão no presente julgamento. 2) A mudança de critério jurídico. O Recorrente pretende cotejar o presente lançamento com os lançamentos fiscais promovidos em relação a períodos anteriores, argumentado que neste caso houve alteração de critério jurídico, o que seria vedado pelo art. 146 do CTN. Não há, contudo, como aplicar o art. 146 do CTN ao presente caso (Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução”. Isto porque o contexto dos fatos e dos fundamentos jurídicos que dão suporte aos lançamentos são distintos. Basta ver que naqueles outros processos administrativos o lançamento de Cofins ancoravase no mesmo ato de suspensão da imunidade de impostos que permitiu o lançamento do IRPJ. Naquele caso, portanto, confundiramse a discussão a respeito da imunidade de impostos e de contribuições. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Neste caso, de maneira diferente, a Fiscalização isolou a questão da imunidade e da isenção especificamente aplicadas à Cofins, de maneira que nem mesmo envolveu a expedição de ato de suspensão da imunidade – que é instituto aplicável apenas à imunidade de impostos, conforme previsto nos arts. 12 e 13 da Lei nº 9.532/97. Assim, a motivação e a fundamentação legal do presente lançamento é distinta, não se podendo cogitar de transportar ao presente caso, pura e simplesmente, o entendimento contido em decisão proferida em julgamento que avaliou contexto distinto. 3) O conceito de receita e as mensalidades. O Recorrente sustenta que as mensalidades que recebe dos alunos não configurariam receita porque a atividade que desempenha não teria natureza mercantil. E assim, por não se tratar de um ato comercial, não se configuraria o faturamento ou a receita bruta, de maneira que as mensalidades não estariam sujeitas à incidência da Cofins. Ocorre, em primeiro lugar, que não se pode negar à atividade desempenhada pela instituição a natureza de prestação de serviço. Outrossim, o fato de as mensalidades serem vertidas pelos contratantes em caráter de contraprestação à atividade da contribuinte, ao serviço educacional prestado, configura forçosamente o auferimento de receita. Ou seja, basta haver contraprestação pela venda de mercadorias ou pela prestação de serviços para que exista receita tributável da pessoa jurídica. Portanto, o recebimento das mensalidades pela entidade configura receita de prestação de serviço educacional, de tal modo que, não havendo imunidade que se aplique em relação à entidade, nem isenção que se aplique em relação às suas receitas, deverá haver a regular exigência da Cofins. 4) A isenção. Entendo que assiste razão ao Recorrente quando alega que se lhe aplica a isenção prevista no art. 14, X, da MP nº 2.158/2001, pois as mensalidades escolares configuram receitas relativas às atividades próprias de uma entidade educacional. Tal dispositivo prevê que, “Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13”. O art. 13, por sua vez, referese textualmente às “instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997” (inciso II). O art. 12 da Lei nº 9.532/97 dispõe que, “Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos”. Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.871 9 Da combinação destes dispositivos, se evidencia que a intenção da legislação ordinária foi a de conferir um tratamento claro, quanto à incidência de PIS/Cofins, em relação àquelas entidades destinatárias da imunidade dos impostos, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição. Isto porque, embora seja certo que a imunidade do art. 150, VI, “a” da Constituição aplicase aos impostos enquanto a imunidade do art. 195, § 7º, aplicase às contribuições, nunca ficou exatamente claro qual seria a base legal que asseguraria a fruição desta última. Há manifestações abalizadas no sentido de que a regulamentação de ambas apenas poderia acontecer por meio de Lei Complementar, de maneira que as condições impostas pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, por se tratar de lei ordinária, não poderiam ser reconhecidos como critérios para a imunidade, mas se trataria de uma isenção ordinária, devendo tomarse como balizamento para a imunidade do art. 195, § 7º, da Constituição a previsão do art. 14 do CTN, que contém os mesmos requisitos aplicados à imunidade dos impostos, por ter sido tal dispositivo recepcionado como Lei Complementar. Sem entrar neste debate – mesmo porque não foi suscitado pelo Recorrente – verifico que neste caso não houve a demonstração pela Fiscalização do descumprimento de nenhum dos requisitos exigidos pelo art. 14 do CTN para o gozo da imunidade prevista no art. 150, VI, da Constituição. Para afastar a imunidade das contribuições sociais, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, a Fiscalização apenas demonstrou que a entidade não obteve o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), que era exigido pela legislação vigente à época. Mas o fato de negar a configuração da imunidade das contribuições, por este motivo, não prejudica a configuração da imunidade dos impostos. Devese partir do pressuposto, por isso, de que a entidade se enquadra como instituição de educação a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97. A Recorrente também sustenta enquadrase na hipótese do inciso IV do art. 13 da MP 215835/2001, que trata das “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997”. O art. 15 da Lei nº 9.532/97 dispõe que “Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Este último dispositivo, que possui uma abrangência mais ampla que o art. 12 da mesma Lei, também alcança a Recorrente, diante do fato de que não qualquer demonstração pela Fiscalização de que não tenha caráter cultural e científico. A Fiscalização, com efeito, não recusa qualquer destas qualificações à entidade, motivo pelo qual entendo que se deve admitir tal enquadramento, sem prejuízo do seu enquadramento também no inciso III. Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 A propósito, a Recorrente parece defender a aplicação da hipótese do inciso IV – que trata das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico – , como forma de evitar a hipóteses do inciso III – que trata das instituições de educação e de assistência social –, pelo receio da aplicação do art. 17 da mesma Medida Provisória, que prevê a aplicação das mesmas exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/91 em relação às entidade filantrópicas e beneficentes de assistência social. Não se justifica o receio da Recorrente, pois o art. 17 delimita o alcance da exigência às entidades filantrópicas e às beneficentes, não se podendo considerar alcançadas as demais entidades, como as de caráter recreativo, cultura e científico, bem como as entidades de educação. Mesmo porque, interpretar de modo contrário equivaleria a exigir, como condição para o reconhecimento de uma isenção legal às entidades dedicadas a estas atividades, que tais entidades também se enquadrem como imunes – situação em que deixaria de haver qualquer utilidade para a isenção. A questão central, em verdade, está em definir no que consiste a receita da atividade própria destas entidades. Entendo que se deve reconhecer como receitas próprias de uma entidade de ensino aquelas que custeiam o desempenho desta atividade, ou seja, as mensalidades por meio das quais são suportadas as atividades educacionais, culturais e científicas. Não é razoável esperar que as entidades privadas devam sobreviver a custa de liberalidades, nem se pode entrever qualquer estranheza no regime de contraprestação financeira pelos serviços educacionais. A respeito da interpretação que se deve dar à receita de atividade própria, valhome das seguintes reflexões do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: Para compreender o sentido da expressão “atividades próprias” a fiscalização valese essencialmente de interpretação histórica. Recorre ao seqüenciamento legislativo da matéria para aduzir que, ao conferir a isenção, o propósito da MP no 2.15835/01 teria sido o de simplesmente restabelecer a base de cálculo da COFINS a que as associações se submetiam antes do advento da Lei no 9.718/98. Daí porque, prossegue, deverseia entender por “receitas relativas a atividades próprias” somente aquelas conseguidas gratuitamente. De minha parte, digo que o texto da norma posta seria muito infeliz acaso servisse a este escopo, o de recompor o tratamento dispensado pela LC no 70/91. No esforço de compreender o alcance da expressão é convidativo interpretála em comparação com o sentido atribuído a outra expressão, de sentido no mínimo análogo, contida no §4o, do artigo 150, da CF/88. A pretexto de limitar a imunidade a impostos prevista para templos de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos e também instituições de educação e assistência social, o dispositivo refere ao patrimônio, renda e serviços associados às “finalidades essenciais das entidades” em comento. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.872 11 Também parte da doutrina enxerga entre as duas expressões a aproximação de sentido que autoriza emprestar a interpretação construída para uma na compreensão da extensão da outra. É como pensa Leandro Marins de Souza, no seu “Tributação do Terceiro Setor no Brasil”: “Não é a condição contraprestacional que define se a receita é oriunda de atividade própria da entidade ou não. O conceito a ser aqui utilizado é o mesmo trabalhado quando da interpretação da cláusula do artigo 150, §4o da Constituição Federal, que se remete às finalidades essenciais das entidades. Ora, é própria a atividade da instituição quando se volta a seus objetivos institucionais, a suas finalidades essenciais. Estando fora desta característica, a atividade não será própria de entidades sem fins lucrativos, afastandose a isenção em comento”. (Tributação do Terceiro Setor no Brasil. São Paulo: Dialética, 2004, p. 296) Pensando o dispositivo constitucional, o STF lhe atribuiu exegese “finalística”, se é que assim se poderia designar seu entendimento. Depreendeu que renda relacionada às “atividades essenciais” da pessoa jurídica seria não necessariamente aquela oriunda da prática de suas atividades essenciais, mas a que, obtida das mais variadas origens, a entidade destinasse à consecução e ao desenvolvimento de suas finalidades estatuárias. A compreensão está bem sintetizada na Súmula no 724 da Corte, enunciada em dezembro de 2003: “Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’ da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. Sob esta leitura, abstraise completamente da procedência da receita para focalizar tãosomente a sua aplicação que, de acordo com o STF, há de ser na perseguição dos objetivos estatutários da entidade. A prevalecer semelhante compreensão para a hipótese em concreto, as receitas de atividades contraprestacionais estariam albergadas pela isenção tanto quanto os ingressos gratuitos, a depender exclusivamente do destino que se lhes der. Esta leitura comete o pecado de reduzir dois requisitos constitucionais independentes para a fruição da imunidade a apenas um. Exigir que a instituição aplique suas rendas na consecução de seus propósitos estatutários é o mesmo que demandarlhe a dedicação a fins nãolucrativos. O que vem a ser uma entidade sem escopo de lucro, senão aquela cujos recursos precisam ser permanentemente revertidos ao objeto social, em vista de vedação a que sejam distribuídos? Vejase, a respeito, os incisos I e II, do artigo 14 do CTN e, ainda mais revelador, o §3o do artigo 12, da Lei no 9.532/97: “Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Pareceme, portanto, que por inutilizar a independência da restrição contida no §4o do artigo 150 da CF em face de um outro requisito constitucional, a proposta hermenêutica consolidada na Súmula STF no 724 não seja a melhor. Mas ainda mantendo como referência a imunidade do artigo 150, inciso VI, da CF/88, podese buscar o sentido para a expressão “finalidades essenciais” no próprio CTN que, afinal, tem a incumbência constitucional de, justamente, disciplinar as limitações ao poder de tributar. E o §2o, do artigo 14 do Código adjudica o seguinte sentido ao texto da CF: “Art. 14. §2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previsto nos respectivos estatutos ou atos constitutivos”. Se emprestarmos a mesma exegese à expressão veiculada pela MP no 2.15835/01, passaremos a definir a abrangência da isenção a partir da relação entre as atividades geradoras de receita e o objeto social da instituição. Alterase a perspectiva. Quando propõem que se adjudique à expressão “receitas relativas a atividades próprias” o sentido de ingressos auferidos gratuitamente apenas, a auditoria fiscal e o acórdão recorrido, a meu ver, voltam suas atenções para o que, supostamente, seriam atividades próprias das associações civis como categoria, como gênero, e não para o que seria próprio de cada associação civil aspirante à isenção, considerada em si mesma. Sugerem que se limite o benefício a anuidades, mensalidades e doações por assumir que estes sejam recursos típicos de uma entidade sem fins lucrativos. Não vejo assim por dois motivos. O primeiro deles é que, salvo melhor juízo, não se pode falar em atividades que sejam próprias ou típicas das associações civis em geral. O que as caracteriza como tais, é dizer, o que é comum a todas elas não é a atividade a que se dedicam ou o serviço que prestam. As mais variadas atividades podem ser desempenhadas pelas associações civis porque não há objeto que lhes seja vedado praticar. O que, ao contrário, lhes é comum é o trato dos recursos que obtêm. São associações civis simplesmente porque afetam integralmente suas receitas à manutenção e expansão de suas atividades, sejam elas quais forem. É um equívoco, portanto, supor que se possa delimitar a “atividade própria” deste gênero de pessoas jurídicas. O segundo motivo resulta de interpretação literal do artigo 14 da MP no 2.15835/01 – já que estamos no campo das isenções (artigo 111, CTN). Na dicção normativa, isentas de COFINS não são as “atividades próprias” das associações, mas as “receitas relativas às atividades próprias”. E nisso vai uma diferença. Se o benefício se dirige às receitas relativas às atividades próprias é porque, a meu ver, há uma vinculação entre o exercício de uma Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.873 13 atividade e a percepção de uma receita. Estáse falando de uma atividade geradora de receita; de uma receita decorrente de uma atividade que a produz. Não faz sentido, então, pensar a regra isentiva apenas abrangendo as receitas gratuitas porque, por definição, estas não decorrem de qualquer atividade empreendida por quem as aufere. Justamente porque não são contraprestativas, não são “relativas” a atividade alguma. Mais ainda. Se associarmos o contido no artigo 14, da MP no 2.15835/01 com o disposto no artigo 15, da Lei no 9.532/97 a que remete, teremos que se consideram “receitas relativas às atividades próprias” das associações civis todos os ingressos provenientes dos “serviços para os quais houverem sido instituídas”, desde que “os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Estamos falando, in casu, de uma entidade constituída essencialmente para prestar serviços educacionais. Este o seu mais típico objeto social. Que espécie de receita pode lhe ser mais própria do que a auferida dos próprios alunos, em contraprestação ao ensino que recebem? É por estas razões que, eventualmente vencido no reconhecimento da imunidade, entendo improsperável o auto de infração relativamente às receitas advindas da atividade educativa, designadamente as seguintes: (a) matrículas e mensalidades escolares (conta 3.1.0.01.001); (b) taxa para processo seletivo de admissão à escola (conta 3.1.0.01.004); (c) aulas de recuperação e reforço (conta 3.1.0.01.021); e (d) contribuição de expediente cobrada dos alunos (conta 3.1.01.022); (Recurso nº 258.241, PA nº 10680.004894/200571 Rel. Cons. MARCOS TRANCHESI ORTIZ) Também me parece claro que, estando diante de uma entidade cujo objeto social seja a prestação de serviços educacionais – sendo isto que lhe caracteriza como entidade educacional –, que outra receita lhe seria mais pertinente, devendo considerarse de atividade que lhe é própria, que aquela que remunera a sua atividade? Entendo, pois, que não há como recusar a isenção às receitas pertinentes à atividade educacional. A propósito do tema, confirase o seguinte trecho de voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan, em que esclarece o contexto em que deve ser interpretado o texto da Lei, como também informa o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no mesmo sentido que ora se propugna: Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 “Vejase que a lei instituidora da isenção a estabelece para “receitas de atividades próprias”, e o fisco as restringe às “receitas de atividades próprias derivadas de contribuição ...”, conforme exposto no parágrafo anterior. A expressão restritiva entre aspas constante do entendimento do fisco deriva do Parecer Normativo CST no 5, de 22/04/1992, conforme se reconhece no próprio texto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 23/24), anexo à autuação. Ao final do referido Termo (fls. 24/25), concluise que: “Desse modo, estão sujeitas à Cofins, por força da Lei no 9.718, de 1998, as receitas de caráter contraprestacional das instituições de educação, ainda que sem finalidade lucrativa. E, de fato, este é o caso da fiscalizada, como se conclui da análise das DIPJ correspondentes aos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, que conferem com a escrituração apresentada, pois a Fundação apura receitas de serviços prestados na área de educação, com relação às quais deve ser exigida a Cofins”. (grifo nosso) A autuação não levanta, portanto, discussão quanto a ser ou não a fundação uma entidade sem fins lucrativos, ou quanto ao comprimento estrito dos dispositivos da Lei no 9.532/1997. Discute especificamente a expressão “receitas de atividades próprias” do inciso X do art. 14 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, à luz de abordagem histórica (do regime anterior à Lei no 9.718/1998) na qual defende a aplicabilidade do disposto no referido Parecer da CST. O julgador de primeira instância partilha de tal entendimento fundado em análise histórica da legislação da Cofins, agregando aos argumentos expostos na autuação que a Instrução Normativa SRF no 247, de 21/11/2002, em seu art. 47, II e § 2o, veio a esclarecer a aplicabilidade das disposições do Parecer da CST (pois manteve exatamente seus termos) à isenção tratada no art. 14 da Medida Provisória no 2.15835/2001. Em que pese a discussão sobre a referida Instrução Normativa sequer constar da autuação, ela foi de tamanha relevância no julgamento de primeira instância, a ponto de dois dos julgadores manifestarem se pela manutenção da autuação somente para fatos geradores posteriores a sua vigência. A matéria foi então decidida por qualidade, nos termos do voto do presidente da turma (relator), acompanhado (pelas conclusões) por outro julgador. É de se destacar, contudo, que o Parecer Normativo CST no 5, de 22/4/1992, foi emitido cerca de uma década antes do texto legal em discussão (Medida Provisória no 2.15835/2001), e para tratar de não incidência (instituto tributário com natureza diversa da isenção). Ademais, o parecer trata de situação sensivelmente diferente da que consta na presente autuação. Sobre a matéria, conveniente trazer decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303001.8691). Do voto condutor da decisão, unanimemente acolhido no tribunal, 1 CSRF, Acórdão n. 9303001.869, Rel. Cons. Júlio César Alves Ramos, unânime, sessão de 6.mar.2012. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.874 15 transcrevese excerto referente ao tema que se está aqui a analisar: “Tudo o que resta esclarecer, assim, é o sentido da expressão receitas próprias de suas atividades. A SRF tem dado o entendimento, expresso hoje inclusive em Instrução Normativa (nº 247/2002), de que seriam aquelas que não consubstanciassem contraprestação pelo serviço prestado. Analogamente ao que ocorreria com as associações, entende que, também para as instituições de educação, elas se restringiriam às “decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”. Essa redação da IN simplesmente copiou as conclusões do Parecer Normativo CST nº 05/92. Mas este parecer faz expressa e exclusiva menção às associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Daí porque se refere apenas às mensalidades instituídas por lei, assembléia ou estatuto. Ali se quis excluir de qualquer benefício a receita eventualmente obtida por aquelas associações e entidades em decorrência da venda de bens ou prestação de serviços. Ora, sabese que as associações, espécie do gênero sociedades, se distinguem exatamente pela ausência do recurso ao mercado. Isto é, elas nascem para “prestar serviços” aos seus próprios associados. Em troca, e para viabilizálas economicamente, rateiam eles entre si os custos inerentes aos serviços prestados. A relação com o mercado, então, restringese à aquisição dos “insumos” necessários àquele serviço. Para tomar o exemplo de uma associação recreativa ou esportiva: ela nasce para que seus membros possam praticar, em comum, atividades recreativas ou esportivas. Para tanto, precisa comprar e manter determinados equipamentos apropriados às atividades desenvolvidas. Essas despesas é que são cobertas pelos associados mediante contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por assembléia ou estatuto. No caso das demais entidades tratadas no Parecer Normativo –entidades sindicais e representativas de categorias profissionais, tais contribuições são, normalmente, fixadas por lei. Totalmente diverso é o caso de uma sociedade constituída para prestar serviços de natureza civil. Estas vão ao Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 mercado não só para adquirir os “insumos” mas também para ofertar os seus serviços. Analogamente ao exemplo da associação recreativa, agora constituísse uma sociedade para, por exemplo, ministrar aulas de uma determinada modalidade esportiva. Nesse caso, sua receita provém da “venda” do serviço prestado. Ora, o texto da lei não restringiu a isenção ao primeiro caso, o das associações. Ao contrário, não fez qualquer exigência de que as instituições de educação fossem constituídas como tal. Aliás, se essa fosse a intenção, não precisaria incluir um item próprio, na medida em que já estariam abrangidas pela expressão do mesmo art. 13 da MP). Assim, entendo que a “analogia” in casu poderia, quando muito, determinar a exclusão do benefício sobre receitas outras, não oriundas da prestação do serviço educacional, a exemplo de estacionamento, aluguel de ginásio de esportes e de “cantina” e tais. Nunca sobre a própria receita obtida para financiar a atividade principal da instituição – as mensalidades pagas pelos alunos – sob pena de esvaziar a própria isenção concedida.” 2 (grifo nosso) O teor do referido Parecer da CST, assim, não se refere à matéria especificamente tratada no presente processo. E não merece prosperar o argumento de que a situação teria sido remediada com a inclusão de teor idêntico ao do referido parecer no texto de Instrução Normativa veiculada em 2002, tanto pelo acolhimento dos argumentos expressos no julgamento efetuado pela CSRF, quanto pelo fato de ter sido a matéria suscitada inauguralmente no julgamento de primeira instância. (Acórdão 3403002.298, PA 10380.010196/200671, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 25/06/2013; trecho do voto do Relator) Com efeito, é neste mesmo sentido o entendimento da CSRF, conforme se verifica nas ementas abaixo: COFINS. ISENÇÃO. São consideradas como receitas oriundas de atividades próprias de entidade mantedora de instituição educacional sem fins lucrativos, para fins da incidência da isenção da COFINS prevista no inciso X, do artigo 14, da MP no 215835/01 (que alterou a MP no 1858/99), aquelas receitas que são oriundas da prestaçãõ de serviços educacionais, desde que as mesmas se revertam em benefício da própria entidade, em consonância ao §3o, do artigo 12, da Lei no 9.532/97, com redação dada pela Lei no 9.718/98. O conceito de “receitas derivadas de atividades próprias” previsto no § 2o, do artigo 47, da IN no 247/2002 não se aplica para instituição educacional. Recurso Especial do Procurador Negado. 2 O presente excerto do voto condutor do acórdão 9303001.869 tem origem em outro voto do mesmo relator (julgamento do recurso nº 138.130 proc. nº 10183.003953/200414, fevereiro de 2008). Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15504.019042/201009 Acórdão n.º 3403002.280 S3C4T3 Fl. 1.875 17 (Acórdão 930301.486, PA 10183.003953/200414, rel. Cons. Nanci Gama, j. 31/05/2011) Ementa: COFINS. IMUNIDADE DE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. INEXISTÊNCIA Não se aplica às instituições de educação a imunidade relativa à COFINS deferida pelo art. 195, § 7º da Constituição Federal, pois não se confundem Educação e Assistência Social. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. O art. 14, inciso X da Medida Provisória no 1.858/99 apenas exigiu que as instituições de educação sejam sem fins lucrativos e prestem os serviços para que foram constituídas à população em geral. Suas receitas próprias, sobre as quais se aplica a isenção, são as decorrentes do serviço prestado. (Acórdão 9303‐001.869, PA 19515.002662/200484, Rel. Cons. Júlio Cesar Alves, j. 06/03/2012) Entendo, pois, que as receitas obtidas pelas contraprestação de atividades educacionais e culturais devem ser reconhecidas como receitas próprias da atividade da entidade educacional e cultural, para o fim de aplicar a isenção da Cofins prevista no art. 14 da MP nº 2.15835/2001. 5) Conclusão. Voto, pois, pelo provimento do recurso para cancelar o lançamento fiscal em relação às receitas de mensalidade e outras diretamente relacionadas à atividade educacional, cultural e científica desenvolvida pela contribuinte. Ivan Allegretti Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13952.000122/2001-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese
a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores
pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior
Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO.
Em pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, havendo indevida
falta de reconhecimento de crédito pela RFB, sobre o valor reconhecido em
decisão proferida pelo CARF incide juros calculados pela taxa Selic desde a
data da apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo
aproveitamento do crédito por compensação ou por recebimento em espécie.
Numero da decisão: 3302-001.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. OPOSIÇÃO DO FISCO. Em pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, havendo indevida falta de reconhecimento de crédito pela RFB, sobre o valor reconhecido em decisão proferida pelo CARF incide juros calculados pela taxa Selic desde a data da apresentação do pedido de ressarcimento até a data do efetivo aproveitamento do crédito por compensação ou por recebimento em espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 31/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, apresentado no dia 23/08/2001, e relativo ao segundo trimestre de 1997, combinado com Declaração de Compensação de débitos da própria recorrente. O pedido da recorrente foi parcialmente deferido pela DRF de origem em razão da exclusão, no cálculo do benefício, do valor das aquisições de canadeaçúcar junto a pessoas físicas, não contribuintes do PIS e da Cofins. Não se conformando, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que os atos da administração não poderiam restringir o que foi concedido por lei e que caberia a correção monetária dos valores a serem ressarcidos, tudo conforme doutrina e jurisprudência que cita. A DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1428.770, de 05/05/2010, cuja ementa abaixo se transcreve. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CALCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS NÃO CONTRIBUINTES DO PIS/PASEP E DA COFINS. 0 valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Ciente desta decisão em 23/07/2010, a empresa não se conformou e ingressou com o recurso voluntário no dia 20/08/2010, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade de que entra no cálculo do benefício o valor das aquisições de canadeaçúcar junto a pessoas físicas e que sobre o crédito pleiteado incide a taxa Selic a partir do período de apuração. É o relatório do essencial. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13952.000122/200188 Acórdão n.º 330201.607 S3C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, portanto, dele conheço. A lide cingese à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, do valor das aquisições de insumos (canadeaçúcar) feitas junto a pessoas físicas e, também, a incidência da taxa Selic no crédito objeto de ressarcimento. A questão relativa à inclusão, no cálculo do benefício, das aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. Com relação à incidência de juros Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI, o STJ decidiu nos dois RESPs abaixo citados (ambos submetidos ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008), cujos resultados são de adoção obrigatório por este Colegiado (Art. 62A do RICARF), que não incide correção monetária nos créditos do IPI aproveitados na forma prevista na legislação do imposto e somente quando há ato ilegítimo do Fisco se opondo ao aproveitamento do crédito é que incide a correção monetária. O primeiro caso é o RESP 1035847, cujo relator foi Min. Luiz Fux, que tem a seguinte ementa: A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. No segundo caso, falo do RESP 993164, cujo relator também foi o Min. Luiz Fux, com a seguinte ementa: A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil) exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporâneos aproveitados por óbice do Fisco. Do julgado acima resultou a Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: SÚMULA Nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. No presente caso, houve resistência do Fisco para a Recorrente compensar débitos seus com os créditos pleiteados e reconhecidos na presente decisão. No entanto, o exercício do direito de aproveitar o crédito presumido do IPI deuse com a apresentação do Pedido de Ressarcimento no dia 23/08/2001, data a partir da qual deve incidir os juros Selic até a data do efetivo aproveitamento, ou seja, até a data da apresentação das declarações de compensação e, havendo saldo a ressarcir em espécie, até a data do efetivo ressarcimento pela RFB. Portanto, não procede o pedido da recorrente para que os juros Selic incidam desde o encerramento do período de apuração porque até a data da apresentação do pedido de ressarcimento não há que se falar em oposição do Fisco. A iniciativa de aproveitamento escritural do crédito é exclusiva do contribuinte e, quando isto ocorre, sem oposição (glosa) do Fisco, não há que se falar em juros Selic, como é o caso em tela em que a Recorrente toma a decisão de aproveitar o crédito presumido a que tem direito na data da apresentação do pedido de ressarcimento. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, devendo incidir juros Selic sobre o crédito ora reconhecido a partir do dia 23/08/2001 até a data da apresentação das declarações de compensação (aproveitamento do crédito) e, havendo saldo a ressarcir, os juros Selic incidirão até a data do efetivo aproveitamento do crédito por compensação ou por ressarcimento em espécie. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13952.000122/200188 Acórdão n.º 330201.607 S3C3T2 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912975/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 626,80, relativo ao período de apuração set/2001. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 97 5/ 20 09 -1 8 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912975/200918 Resolução nº 3401000.671 S3C4T1 Fl. 95 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equívoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 20309.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. É o Relatório. Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os requisitos admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de COFINS relativo ao mês de setembro de 2001. Não obtendo êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, alegando que a retificação da DCTF decorre da tributação de “outras receitas”, destacando que a simples realização de diligência comprovará o direito creditório da recorrente. Apesar de a contribuinte ter retificado sua DCTF somente após o despacho eletrônico proferido pela DRJ de origem e de não ter trazido à primeira instância as provas que juntou aos autos à época da apresentação do Recurso Voluntário, se efetivamente tiver recolhido a Contribuição sobre “outras receitas”, nos termos do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, este Colegiado poderá decidir ao seu favor. A DRJ, ao manter o indeferimento considerando a ausência de provas do recolhimento a maior e a retificação tardia da DCTF, decidiu conforme o estado do processo até então. Certamente poderia ter cogitado de diligência, se na manifestação de inconformidade Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912975/200918 Resolução nº 3401000.671 S3C4T1 Fl. 96 3 a contribuinte tivesse esclarecido o indébito, como faz na peça recursal. Assim, descabe cogitar de anulação do acórdão recorrido, sendo certo que inexistiu qualquer cerceamento do direito de defesa. A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e Razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). Cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência. É como voto! Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 15949.000636/2008-94
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004
GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar
incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das
contribuições previdenciárias.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI Nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA.
A multa referente à declaração em GFIP foi alterada pela lei n° 11.941/09 o
que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A
a Lei n ° 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, deve-se
aplicar a norma mais benéfica ao contribuinte.
GFIP. REVELAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA
Requer cumprimento dos requisitos legais e correção da falta.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.632
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendo-se aplicar o disposto no art. 32-A,
inciso I, da Lei n. 8.212/1991, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Osmar Pereira Costa.
Nome do relator: Helton Carlos Praia de Lima
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OUTROS DADOS Recorrente CRISTAL FORM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2004 GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS COM DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa informar incorretamente, pela GFIP, os dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI Nº 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. A multa referente à declaração em GFIP foi alterada pela lei n° 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n ° 8.212/91. Conforme previsto no art. 106 do CTN, devese aplicar a norma mais benéfica ao contribuinte. GFIP. REVELAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA Requer cumprimento dos requisitos legais e correção da falta. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, desde que mais favorável ao contribuinte. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Osmar Pereira Costa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 212 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 213 3 Relatório DO LANÇAMENTO A empresa supracitada foi autuada, Auto de Infração n.° 35.757.1304 de 11/08/2004, por ter prestado informações inexatas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, da sua filial, nas competências de 01 a 04/2003, pois constou o código de SIMPLES, quando a autuada deixou de ser optante desde 01/2003, bem como o código FPAS 515, nas competências 01/2003 a 06/2004, quando sua atividade econômica principal é 25.224, Indústria, devendo o FPAS ser o 507, conforme constatado em ação fiscal. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO A ciência da autuação fiscal se deu em 12/08/2004, fls. 02, inconformado o recorrente apresentou impugnação. A decisão do órgão de primeira instância administrativa fiscal julgou o lançamento procedente. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 10/12/2004, fl. 56, inconformado interpôs recurso voluntário em 07/01/2005, fls. 58 a 70, alegando em síntese: a inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal; o valor da multa é ilegal, abusiva e confiscatória; o auto de infração é nulo porque a autoridade não tinha competência jurisdicional. Falta a determinação da matéria tributável e a fundamentação legal. Deixou de cumprir as exigências obrigatórias previstas na Instrução Normativa/INSS n. 70/2002 e alterações posteriores, mais precisamente no artigo 301, do referido diploma, relativos a hora da lavratura e intimação para cumprir a exigência no prazo de defesa; possui como atividade preponderante o comércio; a redução de 50% da multa; cerceamento de defesa; por fim, requer a nulidade da autuação fiscal. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 214 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. O depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF n º 21, DOU de 10/11/2009, não sendo mais exigível. Os argumentos trazidos pelo contribuinte em grau de recurso já foram analisados pela decisão de primeira instância administrativa, não havendo fato novo trazido pelo contribuinte. São os termos da decisão: 8. Preliminarmente, atestamos o total cumprimento dos preceitos contidos na legislação acerca da lavratura do Auto de Infração. Em especial, nos referimos à obediência ao disposto no artigo 293, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048199, e na Portaria n.° 520, de 19 de maio de 2004, que regula o Contenciosa Administrativo no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social. 8.1. O referido artigo 293, diz que o auto de infração deve conter a discriminação clara e precisa da infração; a penalidade aplicada e os critérios da sua gradação, indicando o local, dia e hora da sua lavratura. Todos estes elementos encontramse na peça atacada, eis que o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02 do processo relata a infração havida e na folha de rosto do mesmo (fl. 01), constam as demais informações como a data da lavratura, o horário e o local, assim como a penalidade aplicada. 8.2. Com referência à Instrução Normativa n.° 70/2002, informamos que foi revogada pela Instrução Normativa INSS/DC N.° 100, de 18 de dezembro de 2003, sendo que esta, no seu artigo 664, trata do AutodeInfração, e traz, no seu parágrafo 11, os dados que devem obrigatoriamente conter do mesmo, os quais encontramse todos descritos no processo em questão, como já foi tratado em parágrafo anterior. 8.3. São inócuas as alegações da defendente quanto às nulidades existentes no auto de infração, acerca de. defeitos na intimação do contribuinte; do procedimento ter sido feito por servidor incompetente; de não estar determinada a matéria tributável, nem expresso o fundamento legal e quanto ao cerceamento de defesa, pois a empresa foi regularmente"cientificada do início da ação fiscal através da emissão do competente Mandado de Procedimento Fiscal n.° 09165778, de 0110712004, recebido pela sóciagerente da empresa Sra Vanesa Busetti em Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 215 5 05/07/2004. Na mesma data, 05/07/2004, foi emitido o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, também recebido pela sóciagerente, onde consta a documentação a ser apresentada pela empresa. O AFPS — Auditor Fiscal da Previdência Social é o servidor com competência privativa para a emissão do Auto de Infração, nos termos do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91 e artigo 293, do Regulamento da Previdência Social. A legislação infringida consta expressamente na folha de rosto do AI (01), e no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 02. Da mesma forma, consta na folha 01, o fundamento legal da multa aplicada e sua gradação, matéria também expressa no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 03 do processo. 9. Por todo o exposto, ressaltamos a inexistência do cerceamento defesa., como alegado, posto que o Auto de Infração e seus Relatórios explicitam claramente a origem da infração e o valor da multa aplicada; o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados; os documentos examinados são de posse da notificada e por ela elaborados o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, é de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. 9.1. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: (...) Portanto, a argumentação da defendente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado. 10. No que se refere à argüição da defendente acerca de sua atividade ser comercial e não industrial, temos que pelos elementos formalmente solicitados pela fiscalização através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, emitido em 05/07/12004, foi constatado que a sua atividade econômica principal é a indústria, motivo pelo qual deve constar de sua GFIP o FPAS 507 e não 515. A defendente não logrou comprovar suas alegações de que o correto seria o FPAS 515, e as assertivas não corroboradas por provas, fazem valer os documentos existentes e examinados pela auditoria fiscal. 11. Também, quanto à alegação de que não foi proposto um procedimento amigável para resolver a situação, informamos que o Auto de Infração é documento lavrado por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2°, do CTN). Portanto, a obrigação legal existe e não é lícito alegar desconhecimento da lei para eximir Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 216 6 se do seu cumprimento. Ademais, salientamos que, de acordo com o exposto na Portaria 52012004, que regula o Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social, a impugnação formalizada por escrito e: instruída com os documentos em que se fundamentar, poderá ser interposta no prazo de quinze dias contados da ciência do procedimento impugnado. Assim, como a impugnante apenas trouxe suas razões, não juntando provas, documentos capazes de ilidir a infração, a autuação será mantida em sua totalidade. Todavia, reiteramos que no prazo recursal novamente se possibilita à recorrente a juntada das provas que julgar pertinente. 12. A atividade administrativa de lavratura de auto de infração é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, ao constatar a ocorrência de uma infração o auditor fiscal deve, obrigatoriamente, porque a lei não lhe dá discricionariedade, lavrar o auto e aplicar a multa. 13. No caso presente, foi lavrado o pertinente Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória, pois conforme consta no Relatório Fiscal da infração a autuada apresentou GFIP de estabelecimento filial com informações inexatas nos campos relativos à atividade econômica e quanto à modalidade de tributação (SIMPLES). 14. Ao agir desta forma a impugnante infringiu o disposto no artigo 32, inciso IV, § 6° da Lei n.° 8.212191, com a redação dada pela Lei n.° 9.528/97. Vejamos o que diz o dispositivo legal: (...) 14.1. O artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048199, traz no seu inciso IV, que a empresa é obrigada a prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do Instituto. 14.2. O parágrafo 6% do já citado artigo 32, inciso IV da Lei n.° 8.212191, diz que a apresentação de documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento de valor mínimo previsto no artigo 92, por campo com informações inexatas. incompletas ou omissas. limitada aos valores Drevistos no S 40, do mesmo artigo. O artigo 92, da Lei n. 8.212/91, estabelece o valor mínimo a ser tomado como base e que vem sendo atualizado pelas Portarias emitidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. À época da lavratura a Portaria em vigor é de n.° 479, de 07 de maio de 2004. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 217 7 15. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.° 8.212191, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. 15.1. Os argumentos de inconstitucionalidade de lei e da penalidade aplicada não podem ser apreciados na esfera administrativa, pois à Administração Pública compete cumprir as leis enquanto vigentes. O Parecer/CJ/n.° 2.57412001, da Consultoria Jurídica do MPAS que assim se manifestou quanto à inconstitucionalidade: (...) 15.2. Da mesma forma são improcedentes as argüições de que a multa por descumprimento de obrigação acessória deva se pautar no Código de Defesa do Consumidor, pois como já foi mencionado a aplicação da sanção legal vem disciplinada em Lei válida, a cujo cumprimento se obriga o fisco previdenciário. Ainda, salientamos que a lei referida pela defendente não tem aplicação em sede previdenciária, já que as relações fisco contribuinte, regidas pelo direito público não se confundem com as relações fornecedorconsumidor, reguladas pelo direito privado, uma vez que a empresa não se enquadra no conceito de consumidor, como fixado no art. 2o da Lei 8.078/90, não. adquirindo, nem utilizando, como destinatária final, produto ou serviço do Instituto Nacional do Seguro Social. 16. Portanto, não há que se falar em nulidade da autuação, eis que o descumprimento da obrigação acessória que originou a lavratura do auto, persiste, não restando comprovada a correção da falta e o auto de infração foi lavrado dentro dos pressupostos legais e constitucionais. CONCLUSÃO Isto posto e, Considerando o contido no art. 284, inciso III, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048199; Considerando a inexistência de circunstância atenuante prevista no art. 291, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n.° 3.048199 e das circunstâncias agravantes contidas no art. 290, do mesmo Regulamento; Considerando tudo o mais que dos autos consta; Na competência que me confere a Portaria MPS/SRP N.° 002, de 05 de novembro de 2004 e a Portaria MPS/SRP N.° 004, de 10 de novembro de 2004; JULGO procedente a presente autuação , e (...) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 218 8 Como se pode notar da decisão todos os argumentos do contribuinte foram apreciados e fundamentados. Correta a decisão de primeira instância. O contribuinte não trouxe fato novo que pudesse desconstituir o lançamento fiscal e a decisão de primeira instância. O VALOR DA MULTA NÃO É CONFISCATÓRIO O auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91. A Portaria Ministerial se limita a atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal. O valor estabelecido como pena pecuniária não é abusivo e nem confiscatório porque o cálculo desta está previsto na Lei nº 8.212/91, sendo o valor da multa, como visto na fundamentação mencionada nos autos, não é relativo, mas sim absoluto. Este é o entendimento do Tribunal Federal – TRF2 quanto ao assunto, cujos transcritos seguem: Processo AC 200150010069641AC APELAÇÃO CIVEL – 375867 , Relator(a) Desembargadora Federal SANDRA CHALU BARBOSA , Sigla do órgão TRF2 , Órgão julgador TERCEIRA TURMA ESPECIALIZADA , Fonte EDJF2R Data::12/11/2010 Página::279/280 Ementa ; TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO EM AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. INADIMPLEMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NA LEI 8.212/91. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE CONFISCO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Tratase de apelação contra a sentença que julgou improcedente o pedido de desconstituição do auto de infração nº 35.135.1272, a fim de que seja anulado o decorrente débito fiscal. 2. Inicialmente, é de se dizer que o próprio INSS já reconheceu que o depósito judicial realizado pela autora é suficiente para garantir o crédito tributário em questão, de modo que se mostra desnecessário novo esclarecimento acerca do pagamento integral da dívida em debate. 3. No mérito, cabe consignar que, como bem observou a sentença, “existe fundamento legal para a autuação imposta à autora. Com efeito, encontrase no artigo 32 da Lei 8.212/91, com as alterações empreendidas pela Lei 9.528/97, a obrigação de as empresas apresentarem mensalmente informações relativas às contribuições exigidas pelo INSS, por meio da chamada GFIP”. Por outro lado, também aduziu corretamente a sentença que a Portaria 6.211/00, do Ministério da Saúde e Previdência Social, não criou “embasamento infralegal para a obrigação acessória em tela”, mas sim atualizou “o valor da multa por seu descumprimento”, e que não houve violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária”, eis que a Portaria em questão “foi utilizada pelo agente fiscal para fins de fixação do valor da multa,uma vez que já se aplicava no momento da autuação, nos moldes do § 8º do mesmo artigo 32, Lei 8.212/91”. Outrossim, preciso foi o entendimento do juízo a quo no sentido de que “em relação ao valor da multa aplicada, temos que o que fez o agente administrativo foi apenas aplicar os dispositivos legais transcritos nesta decisão, mediante atividade plenamente vinculada”; de que “o seu valor não é relativo, tomado com base em percentual do montante da obrigação principal, mas Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 219 9 absoluto, levando em conta o porte da empresa, com base na quantidade de segurados”; e de que a autora se limitou a pedir a anulação do débito fiscal, não tendo formulado pedido para “a atenuação da multa aplicada”. 4. Oportuno reforçar que o entendimento contido no parecer do Ministério Público Federal é análogo ao da sentença supra especificada, ou seja, que o auto de infração em tela encontra fundamento de validade na Lei nº 8.212/91, e não naPortarianº 6.211/00; que a referida portaria se limitou a “atualizar o valor da multa já anteriormente prevista naquele diploma legal”; que o valor estabelecido como pena pecuniária não é confiscatório porque o cálculo desta está previsto no artigo 32, inciso IV, e §§ 4º e 7º da Lei nº 8.212/91; e que o valor da multa,como visto na sentença, não é relativo, mas sim absoluto. 5. Não obstante os fortes argumentos supra defendidos tanto na sentença quanto no parecer ministerial,vale colacionar os seguintes julgados do Egrégio Superior Tribunal de Justiça acerca do tema: STJ, REsp 1182354/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, 2ª T., DJe 30/06/2010; REsp 899.895/SP, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª T., DJe 05/08/2009. 6. Recurso conhecido e desprovido. Data da Decisão 26/10/2010 , Data da Publicação 12/11/2010 DA RELEVAÇÃO/ATENUAÇÃO DA MULTA Quanto às circunstâncias atenuantes da penalidade imposta pela infração fiscal em comento, previstas no art. 291 do Decreto n º 3.048/99, revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009, temse que a multa será relevada se o infrator corrigir a falta dentro do prazo de impugnação (primeira instância administrativa), não se aplicando nos casos de multa decorrente de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias. São os termos do artigo: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 220 10 Com se vê, ainda que estivesse em vigor, não poderia ser aplicada relevação nem atenuação no caso em concreto, pois o contribuinte não colacionou aos autos prova da correção da falta até o presente momento. Assim, não há respaldo para a relevação ou atenuação da multa atualmente nem durante a vigência do art. 291 do Decreto n º 3.048/99. Como paradigma do caso em questão temos a Decisão da Quinta Turma do TRF3, em Processo AC 96030643440AC APELAÇÃO CIVEL – 333426 , Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL RAMZA TARTUCE, que entende que o pedido de relevação ou redução da multa deve atender as condições exigidas, no caso, art. 291 do Decreto n º 3048/99, quando vigente. São os termos da decisão judicial: Processo AC 96030643440AC APELAÇÃO CIVEL – 333426 , Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL RAMZA TARTUCE , Sigla do órgão TRF3 , Órgão julgador QUINTA TURMA , Fonte DJU DATA:05/04/2006 PÁGINA: 281 Ementa : TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO MULTA POR INFRAÇÃO À LEI PREVIDENCIÁRIA RELEVAÇÃO OU REDUÇÃO PRELIMINAR REJEITADA RECURSO IMPROVIDO SENTENÇA MANTIDA. 1. Com a oposição destes embargos, dentro do prazo legal, restou suprida a alegada ausência de citação, a teor do § 1º do art. 214 do CPC. 2. A presunção de liquidez e certeza do título executivo só pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite, a teor do disposto no art. 204, § único, do CTN e no art. 3º, § único, da LEF. Não demonstrou a embargante, no caso, a sua alegação no sentido de que os empregados mencionados na autuação fiscal integravam o seu quadro societário. 3. O pedido de relevação ou redução da multa foi indeferido na via administrativa, sob o fundamento de que não atendeu as condições exigidas no art. 112, § 1º, do Decreto nº 612/92, como se vê de fls. 43 e 46, não tendo a embargante trazido, aos autos, prova em contrário. 4. O percentual previsto no art. 35 da Lei nº 8212/91 não se aplica ao caso de imposição de multa por infração, como nos autos, mas ao recolhimento de contribuições previdenciárias, com atraso. 5. O título executivo está em conformidade com o disposto no art. 202 do CTN e no § 5º do art. 2º da Lei 6830/80, não tendo a executada conseguido ilidir a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita. 6. Preliminar rejeitada. Recurso improvido. Sentença mantida. Data da Decisão 13/02/2006 , Data da Publicação 05/04/2006 Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003, que assim dispõe: 23. Ante o exposto, este membro da AdvocaciaGeral da União, por meio desta Consultoria Jurídica, manifestase no seguinte sentido: a) o pedido de relevação da multa previsto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social deve ser feito no prazo de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 221 11 impugnação ao auto de infração lavrado pela fiscalização do INSS; b) a autoridade julgadora competente referida no caput do art. 291, citado, é aquela integrante dos quadros da autarquia previdenciária INSS. c) a multa somente será relevada na hipótese de o infrator ter corrigido a falta até decisão originária, ou seja, do órgão próprio do INSS. (grifei) Não tendo sido corrigida a falta até a decisão de primeira instância é impossível juridicamente a relevação da multa, bem como a atenuação, constantes do artigo 291, § 1°, do Decreto n° 3.048/99. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Nesse sentido é o disposto no art. 136 do CTN. APRESENTAÇÃO DE PROVAS O Decreto n º 70.235/72, que regula o contencioso administrativo fiscal no âmbito federal, estabelece nos parágrafos 4o e 5o do art. 16, que a prova deverá ser apresentada na impugnação precluindo o direito de fazêlo em outro momento, a menos que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência: a) da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em concreto não ficou demonstrada nenhuma das hipóteses pelo contribuinte. O contribuinte não trouxe aos autos prova suficiente que pudesse desconstituir o lançamento fiscal. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 115, todos do CTN, com a descrição da infração e dispositivo legal infringido, o valor da multa aplicada e sua fundamentação legal, período apurado, relatório fiscal da infração e da aplicação da multa, Instrução para o Contribuinte; identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, e demais informações constantes dos autos, bem como, lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA Quanto à multa aplicada na autuação fiscal em epígrafe, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 222 12 As multas em GFIP foram alteradas pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A a Lei n º 8.212, nestas palavras: Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3odeste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3odeste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II–R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Em razão da introdução do art. 32A, inciso I na lei 8.212/91, pela lei 11.941/09, regulando a infração ora examinada, e seguindose o disposto no art. 106, inciso II do CTN (penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática), a multa que consta do presente Auto de Infração deve ser comparada com o valor obtido após o cálculo feito consoante a regra do art. 32A, incisos I, da lei 8.212/91, e aplicado o que for mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso, para retificar o valor da multa de ofício em razão da apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, devendose aplicar o disposto no art. 32A, inciso I, da Lei n. 8.212/1991, desde que mais favorável ao contribuinte. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15949.000636/200894 Acórdão n.º 280301.632 S2TE03 Fl. 223 13 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10860.721634/2011-94
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A falta de apresentação de documentação comprobatória das despesas médicas impede seu aproveitamento como dedução. A mesma sorte assiste às despesas cujos recibos comprobatórios não identificam o endereço do emitente nem o nome do paciente a que se refere o tratamento, mormente quando essa última exigência foi feita desde a intimação fiscal. Somente com a indicação do beneficiário do tratamento é possível aferir se as despesas médicas restringem-se ao que permite a lei: tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2802-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A falta de apresentação de documentação comprobatória das despesas médicas impede seu aproveitamento como dedução. A mesma sorte assiste às despesas cujos recibos comprobatórios não identificam o endereço do emitente nem o nome do paciente a que se refere o tratamento, mormente quando essa última exigência foi feita desde a intimação fiscal. Somente com a indicação do beneficiário do tratamento é possível aferir se as despesas médicas restringemse ao que permite a lei: tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 16 34 /2 01 1- 94 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, decorrente de glosa de R417.050,00 de dedução de despesas médicas motivada pela não comprovação da efetividade do serviço ou do pagamento. A contribuinte impugnou o lançamento sob alegação de que desconhecer a razão de as despesas terem sido glosadas pois os profissionais que lhe prestaram serviços são habilitados e devidamente registrados nos órgãos de registro profissional, ressalta que os serviços de saúde foram realizados e comprovado com a documentação apresentada e que não há obrigatoriedade de comprovação com cheques ou comprovantes bancários, que pagou com dinheiro e possui 74 anos e porta doenças decorrente da idade o que a dispensa de apresentar Declaração de Rendimentos Anuais. A Delegacia de Julgamento adotou entendimento de que, conforme previsto no art. 845, § 1º, do RIR1999, a autoridade fiscal deveria indicar os motivos pelos quais os recibos não eram suficiente, de forma que não o fazendo, esses documentos são hábeis e idôneos para fins de dedução, desde que atendam aos requisito legais, entretanto, indeferiu a impugnação, em síntese, porque existentes as seguintes irregularidades em cada despesas declarada: a) Leiza Lencioni Prado Leite – R$1.000,00 – recibos de fls. 10/12 sem indicação do beneficiário do tratamento; b) Maria Luiza da Rocha Ribeiro – R$4.800,00 – recibos fls. 13/18 sem indicação de endereço e beneficiário do tratamento; c) Liliane Kelly Quina – R$2.900,00 recibos fls. 19 sem indicação de endereço e beneficiário do tratamento d) Harry Domingos de Paula – R$4.500,00 – recibos de fls. 20/22 sem indicação do beneficiário do tratamento; e e) Comando do Exército (Hospital Geral SP) R$3.850,00 – não apresentou documentos Ciente dessa decisão em 06/09/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/10/2012, que se resume nos seguintes argumentos: 1. reitera os argumentos da impugnação e destaca sua idade avançada e necessidade de tratamento e indignação com a glosa até mesmo da despesa com o Comando do Exército, bem como o fato de não ser conhecedora da legislação tributária; 2. ainda que possa existir alguma irregularidade nos recibos, o relevante é que os recibos foram emitidos, contém a assinatura dos profissionais que continuam exercendo a atividade profissional; 3. requer que sejam tomados os depoimentos dos prestadores dos serviços como forma de assegurar seu direito de ampla defesa. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10860.721634/201194 Acórdão n.º 2802002.375 S2TE02 Fl. 116 3 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio trata de glosa de despesas médicas por: a) falta de documento comprobatório – referente ao Comando do Exército (Hospital Geral SP) no valor de R$3.850,00 b) falta de indicação do paciente, em relação a Leiza Lencioni Prado Leite (recibos de fls. 10/12) e Harry Domingos de Paula ( recibos de fls. 20/22), nos valores de R$1.000,00 e R$4.500,00, respectivamente; e c) falta de indicação de endereço e nome do paciente, no que se refere a Maria Luiza da Rocha Ribeiro (recibos fls. 13/18) e Liliane Kelly Quina (recibos fls. 19), nas quantias de R$4.800,00 e R$2.900,00, respectivamente. A falta de documentação alusiva ao pagamento de R$3.850,00 em favor do Comando do Exército (Hospital Geral SP) é razão suficiente para legitimar a glosa. Frisese que no Comprovante do Ministério do Exército (fls. 40) não há qualquer referência ao valor glosado nem ao Hospital Geral SP. Sem razão o recorrente. Sobre o momento para exigir o cumprimento de requisitos legais, devese considerar a ponderação entre as normas de direito material e de direito processual. Como regra geral, o apontamento de irregularidades nos recibos deve ser feito no lançamento e não no julgamento, entretanto, para deslinde deste caso concreto é preciso mencionar que desde a intimação fiscal constou a exigência de que os recibos indicassem o nome do paciente (fls. 29 e fls. 43) e a exigência ao cumprimento dos requisitos legais foi feita expressamente, notadamente, às fls. 43. O fato de os documentos envolvendo outros profissionais (Fisioterapeuta Gisele e Odontólogo Paulo César) com indicação de endereço e relacionando à recorrente terem sido admitidos pela fiscalização como prova da efetividade da realização dos serviços e do pagamento e, nesses casos, não ter havido glosa é exemplo do valor dessas informações para a autoridade fiscal. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A exigência de indicação do endereço e de vinculação da despesas ao contribuinte ou seus dependentes decorre da lei (art. 8º, §2º, incisos II e II da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995) e, neste caso concreto, está implícito que sua falta foi razão para considerar não comprovado o pagamento ou prestação do serviço nos termos autorizadores da dedução. Essa exigência constou no acórdão recorrido e seria de fácil produção. Tratase de prova cujo ônus é da recorrente e por tal razão deve ser rejeitado o pleito de produção de depoimento dos profissionais. Ademais, não cabe utilizar diligências com o intuito de suprir a ausência de provas que são de alçada do recorrente. Destarte, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 118DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 20 /06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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