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Numero do processo: 10976.000518/2008-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.455
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Julgado dia 27/09/2016 no período da tarde.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Julgado dia 27/09/2016 no período da tarde. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 05 18 /2 00 8- 35 Fl. 1382DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 240202.796, proferido pela 2º Turma Ordinária/4ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase de crédito da Seguridade Social, parte patronal, relativo a contribuições incidentes sobre remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2003 a 12/2003. O crédito lançado perfaz o valor total de R$ 43.660,54 (quarenta e três mil, seiscentos e sessenta reais e cinquenta e quatro centavos) consolidado em 21/11/2008. O Relatório Fiscal informa a respeito da formalização da "Representação Fiscal para Fins Penais" em face da verificação de fatos que "em tese" configuram a prática de ilícito previsto nas legislações previdenciária e penal. O Auto de Infração foi lavrado em 24/11/2008, tendo a empresa sido cientificada na mesma data através de seu procurador, conforme fls. 01. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Início da Ação Fiscal de fls. 116/117, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0611000.2008.00242. A empresa apresentou impugnação em 19/12/2008, fls. 143/160, pugnando, dentre outros pedidos, pela decadência das exigências referentes às competências 01/2003 a 11/2003, quando da lavratura do Auto de Infração em 24/11/2008, com base no disposto no § 4 ° do artigo 150, do CTN. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, fls. 504/514, votou pela procedência do lançamento. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 546/586, insurgindose sobre a reforma total do Acórdão proferido pela DRJ/BH para, em preliminar, fosse reconhecida a decadência e, no mérito, fosse integralmente cancelado o Auto de Infração. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 1298/1309, deu parcial provimento ao recurso, apenas para excluir todos os valores exigidos por meio do “Levantamento FP2 – ABONOS NÃO DECL GFIP”, porém, sem a ocorrência de decadência. O Contribuinte interpôs recurso especial às fls. 1324/1331, alegando que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que não seria aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, pelo fato de não ter sido antecipado qualquer valor sobre o salário indireto, o acórdão paradigma entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10976.000518/200835 Acórdão n.º 9202004.455 CSRFT2 Fl. 10 3 cálculo menor, em todas as competências do auto de infração, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 1370/1372, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso do Contribuinte, entendendo haver divergência jurisprudencial, pois, de fato, enquanto o paradigma aplica o art. 150, § 4º do CTN, por entender que houve recolhimento para todo o período do crédito, considerando a guia de recolhimento genérica para contribuições previdenciárias, o aresto atacado somente aplica tal dispositivo legal se houver pagamento parcial sobre as rubricas lançadas pela fiscalização. Caso contrário, entende a decisão recorrida que deve ser observado o art. 173, I do mesmo diploma legal. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1374/1379, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de crédito da Seguridade Social, parte patronal, relativo a contribuições incidentes sobre remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2003 a 12/2003. O crédito lançado perfaz o valor total de R$ 43.660,54 (quarenta e três mil, seiscentos e sessenta reais e cinquenta e quatro centavos) consolidado em 21/11/2008. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir todos os valores exigidos por meio do “Levantamento FP2 – ABONOS NÃO DECL GFIP”, porém, sem a ocorrência de decadência. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte, trouxe para análise a divergência jurisprudencial no sentido de que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que não seria aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, pelo fato de não ter sido antecipado qualquer valor sobre o salário indireto, o acórdão paradigma entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de cálculo menor, em todas as competências do auto de infração, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de Fl. 1384DF CARF MF 4 obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10976.000518/200835 Acórdão n.º 9202004.455 CSRFT2 Fl. 11 5 vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos verifico as fls. e 22 a 23, RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS e, a existência de pagamentos realizados sobre folha de pagamento sob o mesmo fundamento legal, as quais podem ser aproveitadas para PLR, conforme previsão da súmula 99 CARF. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no art. 150, §4 do CTN, diferentemente do que decidiu o acórdão recorrido que merece reforma. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1386DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.722885/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - RRA.
No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total de rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judiciária necessária ao seu recebimento, inclusive advogados.
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda.
A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento, para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Processo julgado no dia 13/7/16 às 9h.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(Assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - RRA. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total de rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judiciária necessária ao seu recebimento, inclusive advogados. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento, para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Processo julgado no dia 13/7/16 às 9h. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá sobre o total de rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judiciária necessária ao seu recebimento, inclusive advogados. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 28 85 /2 01 2- 97 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para determinar, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, relativos ao anocalendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Processo julgado no dia 13/7/16 às 9h. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arraes Egypto, Márcio de Lacerda Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10435.722885/201297 Acórdão n.º 2401004.434 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 22/10/2012, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 330.304,12 (trezentos e trinta mil, trezentos e quatro reais e doze centavos), recebidos pelo titular. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte apresentou Impugnação alegando que os rendimentos em análise eram isentos por corresponderem a juros de mora e serem provenientes de indenização, razão pela qual não podem ser considerados renda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Considerase como matéria não impugnada, encontrandose fora do presente litígio, a infração contra a qual o Interessado não se insurge. RENDIMENTOS OBTIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente até 31 de dezembro de 2009 estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, no mês do recebimento ou crédito, devendo ser informados ainda na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF. Configura omissão de rendimentos a diferença entre os rendimentos declarados pela Contribuinte e os informados pela fonte pagadora em DIRF.” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou que: · Resta sedimento o entendimento jurisprudencial, inclusive no CARF, de que não pode prevalecer a tributação integral, do IRPF, das verbas recebidas acumuladamente, levando em conta a tabela progressiva vigente no mês do recebimento do montante. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 · Alega que os recursos acumulados recebidos pelo contribuinte, em fevereiro de 2009, em face de decisão judicial no Processo nº 00.00265918, da JUSTIÇA FEDERAL, decorrente de Ação Trabalhista, em desfavor da União Federal, correspondentes a períodos de 1983 a 1997, devem ter calculado o imposto de renda com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que devidos os correspondentes valores. Assim, a tributação que divirja desse entendimento não pode prosperar, sob pena de agravamento injusto da exigência, com o consequente enriquecimento ilícito do Estado. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10435.722885/201297 Acórdão n.º 2401004.434 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 02/09/2014, conforme AR às fls. 77, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 30/09/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 330.304,12 (trezentos e trinta mil, trezentos e quatro reais e doze centavos), recebidos pelo titular. 2.1. IRPF – DOS VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE O Regulamento do Imposto de Renda, em seu artigo 56 prevê expressamente a incidência de imposto, inclusive sobre os juros e correção monetária, dos rendimentos recebidos acumuladamente. Confirase: “Regulamento do Imposto de Renda Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.71 3, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzi do o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12).” Já em relação às jurisprudências juntadas, insta esclarecer que referidas decisões, não vinculam o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fazendo coisa julgada somente entre as partes. 2.2. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Em relação aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Nessa esteira, ficou sedimentado o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levando se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos, atraiu a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10435.722885/201297 Acórdão n.º 2401004.434 S2C4T1 Fl. 5 7 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Noutro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 institui a prerrogativa da autoridade administrativa rever o lançamento de ofício. Assim, como à época do lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, devese ocorrer a revisão do lançamento, de maneira que se possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 Por todo o exposto, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido, relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Contribuinte, ora Recorrente. Nesse sentido, entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. AP LICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202 003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (Assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10314.002258/2001-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2001
IPI. MULTA PREVISTA. ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI N. 4.502/64 (ARTIGO 365, I, DO RIPI/82 E 463 DO RIPI/98). MERCADORIAS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. TERCEIRO ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. ÔNUS DA PROVA. FISCO.
A responsabilidade pela importação clandestina ou irregular de mercadoria de procedência estrangeira (objetiva e pessoal do agente, artigo 137 do CTN e artigo 5º, inciso CLV da Constituição) não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas (adquirentes de boa-fé), salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade. Portanto, a menos que haja prova da atuação dolosa do terceiro adquirente da mercadoria, não pode a ele ser imputada a multa prevista no artigo 365 do RIPI/82 e, posteriormente, no artigo 463 do RIPI/98.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim se declarou impedido de participar do julgamento.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente substituto
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2001 IPI. MULTA PREVISTA. ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI N. 4.502/64 (ARTIGO 365, I, DO RIPI/82 E 463 DO RIPI/98). MERCADORIAS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. TERCEIRO ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. ÔNUS DA PROVA. FISCO. A responsabilidade pela importação clandestina ou irregular de mercadoria de procedência estrangeira (objetiva e pessoal do agente, artigo 137 do CTN e artigo 5º, inciso CLV da Constituição) não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas (adquirentes de boa-fé), salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade. Portanto, a menos que haja prova da atuação dolosa do terceiro adquirente da mercadoria, não pode a ele ser imputada a multa prevista no artigo 365 do RIPI/82 e, posteriormente, no artigo 463 do RIPI/98. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.002258/200150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.442 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2016 Matéria IPI multa Recorrente JOSÉ LUIZ FERREIRA DE MATTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2001 IPI. MULTA PREVISTA. ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI N. 4.502/64 (ARTIGO 365, I, DO RIPI/82 E 463 DO RIPI/98). MERCADORIAS DE ORIGEM ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. TERCEIRO ADQUIRENTE DE BOAFÉ. ÔNUS DA PROVA. FISCO. A responsabilidade pela importação clandestina ou irregular de mercadoria de procedência estrangeira (objetiva e pessoal do agente, artigo 137 do CTN e artigo 5º, inciso CLV da Constituição) não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas (adquirentes de boafé), salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade. Portanto, a menos que haja prova da atuação dolosa do terceiro adquirente da mercadoria, não pode a ele ser imputada a multa prevista no artigo 365 do RIPI/82 e, posteriormente, no artigo 463 do RIPI/98. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim se declarou impedido de participar do julgamento. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente substituto (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 22 58 /2 00 1- 50 Fl. 506DF CARF MF 2 Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de multa regulamentar, lavrado em 04/06/2001 e levado a ciência do contribuinte em 02/07/2001. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão n. 9303000.032, exarado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 24 de março de 2009, in verbis: Trata o presente de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo Procurador (fls. 145/153), em que pugna pela reforma da decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes – Acórdão n. 30333.525 – que deu provimento por unanimidade de votos ao Recurso Voluntário do contribuinte, entendendo por acolher a preliminar de decadência. Cuida o processo de Auto de Infração de fls. 01/07, lavrado em 04/06/2001, no qual se exige do contribuinte o pagamento de multa regulamentar, disposta no art. 463, I do RIPI/98, no valor de R$ 18.000,00. De acordo com a descrição do AI, o contribuinte teria importado um automóvel usado por meio de liminar concedida no Mandado de Segurança n. 93/313916, e que posteriormente, tal liminar teria sido cassada por decisão definitiva do STF, o que acarretou o cancelamento da Guia de Importação, além do fato de tornar irregular a situação do automóvel no país. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração (fls. 40/48) alegando em síntese que: i) que nunca adquiriu tal veículo; ii) desconhece o motivo pelo qual o seu nome figuraria como proprietário do automóvel no DETRAN; iii) apresentou queixa crime em face da empresa Noroeste Importação e Exportação Veículos Ltda e; iv) a Receita Federal não teria competência para executar a decisão proferida no processo judicial. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP proferiu Acórdão às fls. 53/58, julgando procedente o lançamento sob o argumento de que a multa a que se refere o AI não tem natureza jurídica tributária, não havendo que se aplicar ao presente caso as normas de espontaneidade ou prescrição constantes do CTN. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e documentos (fls. 64/133), alegando em síntese que: Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10314.002258/200150 Acórdão n.º 3402003.442 S3C4T2 Fl. 112 3 Operou se a decadência do direito do Fisco cobrar referida multa, posto que ela é vinculada a fato gerador tributário, qual seja, o desembaraço aduaneiro; Reitera as alegações quanto ao fato de não ser proprietário do automóvel. Em sessão realizada no dia 20 de setembro de 2006, os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiram acolher a tese de decadência, por unanimidade de votos. A Fazenda Nacional, por meio de seu Procurador, apresentou Recurso Especial alegando que a decisão recorrida diverge do entendimento jurisprudencial consignado pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho Acórdão n. 30236.927 – segundo o qual “a multa prevista no art. 83,I da Lei 4.502/64 não tem natureza tributária. Contrarazões do contribuinte às fls. 184/193. Sobreveio então o citado Acórdão 9303000.032, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, dando provimento ao Recurso Especial manejado pela Fazenda Nacional, ao afastar a decadência e determinar o retorno dos autos para que examine as demais questões trazidas no Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte. A ementa do julgamento foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001 DECADÊNCIA MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO NATUREZA JURÍDICA NÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS DO CTN. As infrações decorrentes da inobservância das normas de controle administrativo das importações de mercadorias estrangeiras, têm natureza administrativa e não tributária, e as correspondentes penalidades compartilham dessa mesma natureza. Por conseguinte, a elas não se aplicam as normas sobre decadência prevista no CTN, mas as específicas trazidas na legislação de regência das sanções relativas a esse controle das importações. Recurso Especial do Procurador Provido O processo digitalizado foi distribuído ao Conselheiro Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves, tendo sido colocado em pauta de julgamento em 13 de novembro de 2014. Nessa oportunidade o julgamento foi convertido em diligência, pelas razões expostas pelo então Relator nos seguintes termos: De acordo com o recorrente, ele nunca foi proprietário do veículo, tendo, inclusive, formalizado queixa crime, em desfavor da empresa NORDESTE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA., por utilização indevida de nome para licenciamento de veiculo, tendo sido o sócio majoritário da empresa, Sr. Cristovam Dionisio de Barros Cavalcanti, preso, Fl. 508DF CARF MF 4 estando o processo sob julgamento perante o Juízo da 2ª Vara Criminal da Seção judiciária de Curitiba/PR. (...) Entendo de modo diverso da DRJ, uma vez que a diligência requerida pela Recorrente é pertinente, pois, se verdadeira sua alegação, a autuação será indevida. Porém, não é o caso de decretar a nulidade do acórdão recorrido, mas, sim, de converter o julgamento em diligência. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, determinando que a unidade de origem diligencie perante o Juízo da 2ª Vara Criminal da Seção Judiciária de Curitiba/PR para averiguar se existe processo penal contra o Sr. CRISTOVAM DIONISIO DE BARROS CAVALCANTI ou a NORDESTE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA., que esteja relacionado com a importação do veículo objeto da presente autuação. Em sendo afirmativa a resposta, solicitar certidão narrativa de objeto e pé, acompanhada das principais decisões judiciais existentes. Foram prestados pelo setor competente da Alfândega os esclarecimentos solicitados pela Resolução nº 3202000.307 (fls. 224/497), bem como foi expedida intimação ao interessado para ciência do resultado da diligência (fls. 500/501). Transcorrido o prazo regulamentar sem manifestação do Recorrente, o processo foi devolvido ao CARF e a mim redistribuído, uma vez que o antigo Relator não mais compõe o quadro de conselheiros do órgão. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente analisados a acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. De início, cumpre observar atentamente a descrição feita pela Autoridade Lançadora no auto de infração, que se encontra em fls 6 do eprocesso: Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10314.002258/200150 Acórdão n.º 3402003.442 S3C4T2 Fl. 113 5 Percebese que no lançamento tributário expressamente consta que o sujeito responsável pela importação do veículo em questão, em 1995, através da DI n. 003673/73.543.118/000130, foi a empresa Nordeste Importação e Exportação De Veículos Ltda. Entretanto, o lançamento tributário foi lavrado contra o ora Recorrente pelo fato de ter sido verificado que, o veículo era de sua propriedade, segundo informações constantes do RENAVAM (fls 24, com data de consulta de 02/10/1997). Com efeito, em toda a discussão jurídica travada no bojo do Mandado de Segurança n. 93.313916, citado no relatório, que culminou no julgamento do Recurso Extraordinário n. 2028762 e cancelamento da DI n. 003673/73.543.118/000130 (fls 17, com data de 30/03/1995), constava como parte a empresa Nordeste Importação e Exportação de Veículos Ltda. Vejase o conteúdo da informação de fls 15 O Recorrente, por sua vez, só foi informado sobre a irregularidade da importação concomitantemente à intimação da Receita Federal em 15/03/1999 (fls 30 e 31), vale dizer, 5 anos após ter ocorrido a operação de comércio exterior, toda em nome e por conta da Nordeste Importação e Exportação de Veículos Ltda, sem nenhum vestígio de participação do Recorrente neste ato. Fl. 510DF CARF MF 6 De tudo isso, entendo que não há absolutamente nada nos presentes autos que justifique a imposição da penalidade contra o Sr. José Luiz Ferreira De Mattos, ora Recorrente. Isto porque, muito embora o dispositivo do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI) utilizado como fundamento para o lançamento fiscal estabeleça que a sanção pela importação irregular de produtos aplicase aos que entregarem ao consumo ou consumirem o produto de procedência estrangeira (artigo 365 do RIPI/82 e artigo 463 do RIPI/98)1, a jurisprudência deste Conselho é tranquila sobre a necessidade de produção de prova por parte do Fisco a respeito da participação do adquirente na importação irregular ou clandestina da mercadoria para que seja legítima a imputação da penalidade a ele, enquanto terceiro de boafé. Nesse sentido, destaco abaixo ementas de julgados que confirmam tal entendimento: Ementa: IPI MULTA PREVISTA NO ARTIGO 83, INCISO I, DA LEI Nr. 4.502/64 (ARTIGO 365, I, DO RIPI/82) MERCADORIAS DE ORIGEM ESTRANGEIRA 1) A responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no País de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos nrs. 20162.893/84 e 20200.517/85, entre outros). 2) Quando demonstrado que as empresas apontadas como emitentes de notas fiscais que não correspondam a uma efetiva saída, do estabelecimento emitente ou de outro local nelas indicado, das mercadorias nelas descritas, é autorizada a presunção de que aquelas notas fiscais dizem respeito a mercadorias de origem desconhecida. 3) Mercadorias descritas em notas fiscais emitidas até 28.02.86, aplicase lhes o disposto no artigo 1o., parágrafo 5o., c, do DecretoLei nr. 2.331/87. 4) A agravante prevista no artigo 352 do RIPI/82, quanto às circunstâncias qualificativas (sonegação, fraude e conluio), dirigemse às infrações que digam respeito ao fato gerador da obrigação principal; inaplicável, portanto, na hipótese do ilícito previsto no art. 365, I, do RIPI/82. Recurso provido em parte. (Processo 10680.012189/8721, Data da Sessão 04/07/1990, Relator LINO DE AZEVEDO MESQUITA, Acórdão 20166430) Ementa: IPI Multa do art. nº 365 I RIPI/82 Inaplicável ao adquirente de mercadorias estrangeiras, em situação irregular no país, que as adquiriu de empresa regularmente estabelecida, com documentação adequada, nos termos da lei, sem evidência de que era sabedor dessa irregularidade. Recurso provido. (Processo 10880.022128/8753, Data da Sessão 12/11/1992, Relator Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Acórdão n. 20205433) Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10314.002258/200150 Acórdão n.º 3402003.442 S3C4T2 Fl. 114 7 Data do fato gerador: 26/07/2001, 04/07/2002 IPI. MULTA REGULAMENTAR. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 0 termo inicial da decadência do lançamento de oficio de multa regulamentar é o primeiro dia do exercício seguinte ao da apuração da infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/07/2001, 04/07/2002 IPI. MULTA (ART.463 I, RIPI/98). INTRODUÇÃO E CONSUMO DE MERCADORIA ESTRANGEIRA. É cabível a imposição da multa prevista no art. 463, I, do RIPI/98 à contribuinte que, intimada para tanto, não apresenta prova alguma da regular importação ou aquisição no mercado interno dos produtos de procedência estrangeira entregues a consumo, ou ainda, quando apresenta notasfiscais alcançadas pela declaração de inaptidão das pessoas jurídicas que as emitiram (art. 82 da Lei nº 9.430/96). RESPONSABILIDADE SOLIDARIA DO ADQUIRENTE. Tratandose de infração dolosa cuja responsabilidade é pessoal do agente (art. 137 do CTN), e como tal não pode passar da pessoa do infrator (CF, art. 5º, XLV), a responsabilidade pela introdução e consumo clandestino ou irregular no pais de mercadoria de procedência estrangeira, não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na pratica da irregularidade. A aquisição, no mercado interno, de mercadoria importada, mediante nota fiscal e com prova de pagamento, gera a presunção de boafé do adquirente, cabendo ao fisco a prova em contrário. E incabível a imputação de responsabilidade solidária ao adquirente, quando a legislação preveta, para a hipótese, aplicação de multa por conduta própria. (Processo n. 10640.003004/200661, Data da Sessão 07/05/2009, Relator Jose Antonio Francisco, Acórdão n. 2102000.085) [Grifei.] Do último acórdão citado, é valioso ressaltar a ponderação feita pelo Relator, o então Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça: Entretanto, não se pode atribui [sic] a responsabilidade tributária em cadeia, estendendoa ao adquirente, como pretende a d. Fiscalização, vez que como já assentou a Jurisprudência administrativa vez que "a responsabilidade pela introdução clandestina ou irregular no pais de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada em cadeia a todos aqueles que participaram de transações com elas relacionadas, salvo se comprovada sua participação na prática da irregularidade (precedentes: Acórdãos n's 20162.893/84 e 202 00.517/85, entre outros). (...)" (Ac. n°20166.430, de 04/07/90, da i a Câm. do 2° CC DOU de 08/06/95, pág. 8288), in casu incomprovada. Fl. 512DF CARF MF 8 Realmente, já tratarse de infração dolosa cuja responsabilidade é pessoal do agente e, como tal não poder passar da pessoa do infrator, como expressamente determina a constituição federal (art. 5 0 , inc. XIV), a jurisprudência judicial também já proclamou a irrazoabilidade e a inconstitucionalidade pretensão fazendária de atribuir responsabilidade a terceiros, para aplicação de penalidades incidentes sobre mercadorias importadas após a sua nacionalização, ao assentar que: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VEÍCULO USADO IMPORTADO. APREENSÃO DE MERCADORIA ADQUIRIDA NO MERCADO INTERNO. PENA DE PERDIMENTO. TERCEIRO DE BOAFÉ. I. A aquisição, no mercado interno, de mercadoria importada, mediante nota fiscal, gera a presunção de boafé do adquirente, cabendo ao Fisco a prova em contrário. 2. A pena de perdimento não pode desconsiderar a boafé do adquirente, maxime, quando o veículo fora adquirido, originariamente, em estabelecimento comercial sujeito a fiscalização, desobrigandose o comprador a investigar o ingresso da mercadoria no pais. 3. Aplicarse ao comprador a perda de perdimento da mercadoria, em razão de a vendedora não ter comprovado o pagamento dos tributos devidos pela importação, revela solução deveras drástica para quem não importou e nem é responsável tributário, quiçá inconstitucional, à luz da cláusula pétrea de que a sanção não deve passar a pessoa do infrator (CF, art. 5", XLV) Precedentes da I" Seção. 4. Ausência de motivos suficientes para a modificação do julgado. Manutenção da decisão agravada. 5. Agravo Regimental provido, para determinar a subida do recurso especial." (cf Ac. da 1" Turma do STJ no AgRg no Ag. 41(41/( n° 487282/RS, Reg. n" 2002/01623936, em sessão de 20/11/03, ReL Min. LUIZ FUX, pubL in DJU de 19/12/03 p. 331) "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VEÍCULO USADO IMPORTADO. APREENSÃO DE MERCADORIA ADQUIRIDA NO MERCADO INTERNO. PENA DE PERDIMENTO. TERCEIRO DE BOAFÉ. 1. A aquisição, no mercado interno, de mercadoria importada, mediante nota fiscal, gera a presunção de boafé do adquirente, cabendo ao fisco a prova em contrário. 2. A pena de perdimento não pode desconsiderar a boafé do adquirente, assentada pela instância a quo com ampla cognição probatória, maxime, quando o veículo fora adquirido, originariamente, em estabelecimento comercial sujeito a fiscalização, desobrigandose o comprador a investigar o ingresso da mercadoria no país. 3. Destarte, o adquirente que não utilizou do mandamus para importar, supõe adquirir veículo usado e que ingressou legalmente no país, por isso que inverter o onus probandi revela severo óbice ao acesso à justiça. 4. Aplicarse ao comprador a pena de perdimento da mercadoria, em razão de a vendedora não ter comprovado o pagamento dos tributos devidos pela importação, revela solução deveras drástica para quem não importou e nem é responsável tributário, quiçá inconstitucional, à luz da cláusula pétrea de que a sanção não deve passar a pessoa do infrator (CF, art. 5", XLV). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10314.002258/200150 Acórdão n.º 3402003.442 S3C4T2 Fl. 115 9 Precedentes: REsp 489.618/PR, ReL Mm José Delgado; DJ 02/06/2003; REsp 375.067/PR, Rel. Min. Eliana Calmon; DJ 16/09/2002; REsp 379.588/RS, Rel. Min. Paulo Medina; DJ 26/03/2002. 5. Recurso Especial desprovido." (cf Ac. da I" Turma do STJ no R.ESP. n" 658.218RS Reg. n" 200400663594, em sessão de 22/03/05, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 25/04/2005 pá g. 242) "TRIBUTÁRIO. PERDIMENTO DE BENS. MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO. NOTA FISCAL EMITIDA POR ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. PENALIDADE INDEVIDA. CONCESSÃO DA SEGURANÇA". Antes de se decretar a perda de mercadoria de procedência estrangeira, encontrada em poder de terceiro, que não o importador, há de se perquirir de sua nzáfé na aquisição, não sendo suficiente o só fato de o alienante não demonstrar a regularidade da importação. A aquisição de mercadoria, embora estrangeira, de empresa estabelecida no ramo de comércio de produtos importados, que fornece nota fiscal com todas as características de idoneidade da 44)11 operação, gera a presunção de boafé do adquirente, que só pode ser destruída mediante robusta prova em contrário, a cargo do Fisco O CTN não alberga a responsabilidade objetiva, impondo se seja interpretado o art. 136 em harmonia com o art. 112, inciso Em regra, a responsabilidade por infração dolosa, por exemplo, a que pode configurar contrabando ou descaminho, é pessoal (ctn, art. 137), e interpretase da maneira mais favorável ao acusado (CT1V, art. 112), o que significa vedação à interpretação extensiva ou analógica. E o art. 134 do CTIV, que cuida da responsabilidade solidária, não inclui o adquirente; só alcança as pessoas nele taxativamente enumeradas, e não é aplicável em matéria de penalidade, salvo as de caráter moratório. Remessa oficial e apelação desprovidas. Sentença confirmada. (AMS n." 90.01.152872DF TRF 1." Reg. Rel. Juiz Vicente Leal DJU de 18.03.91 pág. 4.943) Conclusão Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário. Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 514DF CARF MF 10 Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000767/2010-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
PREVIDENCIÁRIO.AUTO DE INFRAÇÃO.GFIP. OMISSÃO OU INCORREÇÕES DE FATOS GERADORES.
Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com omissões ou informações incorretas de dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. NÃO INSCRIÇÃO PAT. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O auxílio-alimentação pago em pecúnia integra o salário-de-contribuição, independentemente de estar ou não o órgão público inscrito no PAT.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães na questão da alimentação
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dso Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO.AUTO DE INFRAÇÃO.GFIP. OMISSÃO OU INCORREÇÕES DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com omissões ou informações incorretas de dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. NÃO INSCRIÇÃO PAT. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O auxílio-alimentação pago em pecúnia integra o salário-de-contribuição, independentemente de estar ou não o órgão público inscrito no PAT. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO OU INCORREÇÕES DE FATOS GERADORES. Constitui infração apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com omissões ou informações incorretas de dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. NÃO INSCRIÇÃO PAT. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O auxílioalimentação pago em pecúnia integra o saláriodecontribuição, independentemente de estar ou não o órgão público inscrito no PAT. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães na questão da alimentação Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 07 67 /2 01 0- 25 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dso Santos. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 11516.000767/201025 Acórdão n.º 2403001.941 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria, o reproduzi na íntegra: “ Por meio do Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) DEBCAD n° 37.004.2417, lavrado contra o sujeito passivo acima qualificado, por infringência ao art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, em razão do sujeito passivo ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com informações incorretas ou omissas, pelo que foi aplicada a multa no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais). Consta do Relatório Fiscal da Infração (fl.05), que o Órgão deixou de informar em GFIP as remunerações pagas a título de auxílioalimentação, que se constitui em saláriodecontribuição, no período de 01/2005 a 01/2007 e 11/2008. Explicam que a remuneração paga aos segurados empregados a título de auxílioalimentação, instituído pela Lei Estadual n° 11.647, de 28/12/00, é paga em pecúnia e não possui a prévia aprovação no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), tendo sido incluída na base de cálculo das contribuições por não encontrar guarida nas hipóteses de exclusão de incidência previstas no § 9 o do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. Esclarecem que, em relação à multa aplicada, elaboraram planilha (fl. 07) para demonstrar o comparativo do cálculo da multa aplicada com base na Lei n° 8.212/91, vigente à época do fato gerador ocorrido, e a legislação atual, estabelecida no art. 35A, por força da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Salientam que, em obediência ao princípio da retroatividade de lei, previsto no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), aplicaram a multa pela legislação atual, nas competências em que foi mais benéfica. Ressaltam que as competências 01/2008 a 10/2008, não foram incluídas no presente Auto, haja vista que houve lançamento de ofício da obrigação principal (a multa aplicada penalizou a conduta de não recolher as contribuições, bem como, declarar em GFIP com omissões/incorreções). Quanto a competência 11/2008, em que pese constar do ANEXO, aplicaram a legislação atual, visto que, a GFIP foi entregue na vigência da MP n° 449/2008. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, o sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 1720, após ser intimado no dia 24/03/2010 (fls. 1516), alegando inexistência de fato gerador da contribuição previdenciária em relação ao Auxílio Alimentação. a) Inexistência da Obrigação Principal Assevera que não são devidas as contribuições em exigência, pois os valores pagos a título de auxílioalimentação não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária. Colaciona jurisprudência do STJ (AgRg no Resp 333001/RS), concluindo pela inexistência dos débitos apurados nos autos de infração n° 37.004.2387 e 37.004.2395. , b) Inexistência das Obrigações Acessórias Conclui que se não há obrigação principal, não há obrigações acessórias, e, conseqüentemente, não há que se cogitar da incidência de multa cobrada nos autos de infração n° 37.004.2417 e 37.004.2425. c) Inexistência da multa por "não manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente do trabalho" Expõe como razões para a inexigibilidade do Laudo Técnico a ausência de regular notificação para a apresentação do Laudo e a ausência de descrição da hipótese que justifica a apresentação. Salienta que a falta desses requisitos afasta o débito descrito no auto de infração n° 37.004.2409. Alega, ainda, que o cálculo da penalidade é excessivo, devendo caso seja rejeitada as razões acima expostas ser reduzido aos valores devidos. Por fim, requer o reconhecimento da inexistência dos débitos em questão e a conseqüente extinção do procedimento administrativo. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.29, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, em 03 de junho de 2011, exarou o Acórdão n° 0724.770, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.39 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 11516.000767/201025 Acórdão n.º 2403001.941 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Julio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Não constam argüidas e tampouco constatadas questões prejudiciais. DO MÉRITO Reiterando o contido do Relatório Fiscal de fls. 05, consta que a Recorrente deixou de informar em GFIP as remunerações pagas em pecúnia a título de auxílio alimentação. A Recorrente assevera que não são devidas as contribuições em exigência, pois os valores pagos a título de auxílioalimentação não se sujeitam à incidência da contribuição previdenciária . Isto posto entende que não havendo obrigação principal, não há obrigações acessórias, e, conseqüentemente, não há que se cogitar da incidência de multa. Sua convicção teria assento no §1° do art. 1° da Lei Estadual n° 11.647/2008: “ Aduz que tratase de auxílioalimentação previsto na Lei Estadual n° 11.647/2008, que dispõe: Art. 1° O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal de auxílio alimentação por dia trabalhado aos servidores públicos civis e militares ativos da administração pública estadual direta, autárquica e fundacional. § 1 A concessão de auxílioalimentação será feita em pecúnia e terá caráter indenizatório. § 2sO auxílioalimentação não será: a) incorporado ao vencimento, remuneração, provento ou pensão; b) configurado como rendimento e nem sofrerá incidência de contribuição para o Plano da Seguridade Social do servidor público; e c) caracterizado como salárioutilidade ou prestação salarial in natura.” É cediço que na forma do art. 3° da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), apenas não se observa a incidência previdenciária na hipótese de o pagamento do auxílio ser feito “ in natura”: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 “Art. 3° Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas.” Conforme Hans Kelsen lecionou, escalonamse as normas segundo certa hierarquia. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA Justamente para evitar conflitos do gênero, observase a hierarquia e também a Constituição Federal que estabeleceu competência tributária individuada aos entes políticos do Estado (União, governos estaduais, municípios e Distrito Federal) da prerrogativa de instituir os tributos. Não é da competência estadual legislar sobre incidência previdenciária. A competência tributária é indelegável, irrenunciável, intransferível e não pode ser usurpada sob pena de se instituir o caos jurídico. A competência para dispor sobre a organização da Seguridade Social, instituir Plano de Custeio, e outras providências, se observa a teor da Lei n 8.212/91 regulamentada pelo Decreto 3.048/91. Assim, a Lei n° 8.212/91 ao tratar das parcelas excludentes dispondo sobre a matéria enfrentada definiu na letra “c” do § 9° do art. 28, que não integra o salário de contribuição, exclusivamente: “ c) a parcela 'in natura' recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; ” No mesmo sentido, complementado pelo preceituado no § 10 seguinte, dispôs o inciso III do § 9° do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999: “ § 9°. Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) III a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis.” A procuradoria Geral da fazenda vinha de opor resistência também aos pagamentos “in natura” mas na forma do Ato Declaratório n° 3/2011, declara : “ que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 11516.000767/201025 Acórdão n.º 2403001.941 S2C4T3 Fl. 5 7 a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Assim, de tudo que foi exposto, assumidamente com base em norma estadual, obrigação principal fora de fato descumprida e por conseqüência promoveu o descumprimento da presente obrigação acessória vinculada. Desse modo, não se vislumbra dar provimento às alegações da Recorrente. DA MULTA MAIS BENÉFICA Quanto a verificar possibilidade de se impingir multa mais benéfica, às fls. 06 a Autoridade autuante registrou que o fizera. CONCLUSÃO Em razão de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901003/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 03 /2 00 8- 01 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 340201.306, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.901003/200801 Acórdão n.º 9303004.030 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 170DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.000416/2007-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
REMESSAS AO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE AUTORIA DAS REMESSAS.
A presunção de omissão de receitas a partir de remessas de recursos ao exterior não escriturados, impõe à Administração Tributária a obrigação mínima de comprovar, com certo grau de certeza, a autoria das remessas, não sendo possível que seja invertido ao contribuinte, além do ônus de comprovar que não ocorreu a omissão de receitas, que ele não é o sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 9101-002.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Demétrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio) e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE AUTORIA DAS REMESSAS. A presunção de omissão de receitas a partir de remessas de recursos ao exterior não escriturados, impõe à Administração Tributária a obrigação mínima de comprovar, com certo grau de certeza, a autoria das remessas, não sendo possível que seja invertido ao contribuinte, além do ônus de comprovar que não ocorreu a omissão de receitas, que ele não é o sujeito passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que não conheceu do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Demétrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 16 /2 00 7- 31 Fl. 774DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 775 2 à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amádio) e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls 570/603, contra o Acórdão nº 1401001.050 (efls. 558/569), de 11 de setembro de 2013, que no mérito, por unanimidade de votos, considerou prejudicado o Recurso de Ofício impetrado pela DRJ em São Paulo/SPOI e deu provimento ao recurso voluntário apresentado pela interessada para cancelar as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NULIDADE ART. 142 DO CTN Se os fatos que originaram o auto de infração não contêm elementos bastantes para a comprovação da identificação do sujeito passivo, e a fiscalização não realiza diligências ou produz provas que comprovem que a contribuinte é o sujeito passivo da obrigação, resta violado o art. 142 do CTN, devendo ser cancelado o lançamento. PRESUNÇÃO SIMPLES PROVA INDICIÁRIA ILEGITIMIDADE PASSIVA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. O indício é considerado signo de outra coisa somente em três condições: quando não pode ser explicado de maneira mais econômica (“econômico”); quando aponta para uma quantidade limitada de causas possíveis (precisão) e quando se encaixa com outro indício (convergência). O atributo de convergência é que dá o verdadeiro tom da intensidade da conclusão, isso quer dizer que indícios com baixas intensidades, aparentemente sem importância, quando convergentes podem produzir também uma forte e grave conclusão, o que não foi o caso dos autos. Não tendo a prova indiciária neste processo o condão de apontar efetivamente a autoria da infração, subsiste alegação de ilegitimidade passiva, devendo ser cancelada a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM DAR provimento aos recursos voluntário e, considerar prejudicado o Recurso de Ofício por falta de objeto. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial na questão relativa à identificação do sujeito passivo pela indicação de seu nome e seu endereço nas ordens de remessas ao exterior, alegando que a Segunda Turma da CSRF tem admitido como suficiente Fl. 775DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 776 3 para comprovar a titularidade dos recursos remetidos, apenas essas indicações, e que cabe ao contribuinte a prova em contrário. Indicou como paradigma o Acórdão nº 9202002.492, que tem a seguinte ementa: Acórdão nº 9202002.492 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS PARA O EXTERIOR. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O Fisco se desincumbiu do ônus de tornar evidente o fato constitutivo do seu que está perfeitamente identificado nos autos. Compete ao contribuinte comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, que tais dispêndios foram suportados por rendimentos tributáveis, isentos ou tributados exclusivamente na fonte, visto que é dele, e não do Fisco, o dever de provar a origem dos rendimentos. Devem ser considerados como aplicações de recursos, no demonstrativo de análise da evolução patrimonial, os valores relativos as remessas de recursos para o exterior. Em suas razões recursais, a PFN defende que a interessada é comprovadamente o sujeito passivo da obrigação tributária exigida nos autos, alegando, em síntese, o seguinte: a) que, a partir da quebra do sigilo fiscal da conta MTBCBC Hudson Bank, decretada pelo Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, no âmbito da operação conhecida como "Caso Banestado", constatouse que o autuado remeteu recursos ao exterior que não foram oferecidos à tributação; b) consta dos autos documento produzido por meio da obtenção de dados da Equipe Especial de Fiscalização, instituída pela Portaria SRF nº 463/2004, identificando as remessas para o exterior tendo como ordenante o autuado; c) a fiscalização trouxe aos autos a prova da ocorrência do fato gerador que lhe cabia, e os documentos comprovam que o autuado constou como ordenante de recursos não declarados ao exterior, tendo por origem dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Polícia Federal e do Laudo Pericial elaborado pelo INC, constatado nos documentos a lisura dos peritos criminais envolvidos e a confiabilidade dos dados, que tem força probante suficiente para demonstrar que as remessas ocorreram e que o autuado foi o seu ordenante; d) caberia ao contribuinte exercitar o seu direito de defesa para demonstrar que tal fato não ocorreu, como por exemplo, obter uma declaração JP Morgan Chase Bank de que nunca remeteu numerário para conta mantida naquela instituição; e) o lançamento não tem por base presunção de ocorrência de fatos, mas de minudente trabalho exercido pela Polícia Federal por meio de dados compartilhados com autorização da Suprema Corte Americana. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 777 4 Ao final requer a Recorrente seja o recurso especial conhecido e provido, "para reformar o v. acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento". O Recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 604/609, proferido pelo Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF. A Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 613/746), defendendo, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial pelas seguintes razões: a) ausência de indicação da legislação interpretada de forma divergente; b) ausência de divergência em face dos distintos contextos fáticos e fundamentos jurídicos; c) ausência de demonstração da controvérsia quanto ao fundamento da impossibilidade de adoção da prova indiciária. Com relação ao mérito, sustenta a Contribuinte, em síntese, que: (i) as razões de decidir do acórdão recorrido são irretocáveis visto que reconheceu expressamente que não existem nos autos prova material de que as movimentações financeiras à Bacon Hill teriam sido realizadas por determinação da recorrida; (ii) a mais elementar tarefa dos agentes fiscais não foi cumprida, posto que não identificaram o sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos em que estabelecem os art.s 121 e 142, do CTN; (iii) não se pode exigir da autuada a produção de "prova negativa", em indevida inversão do ônus de provar que não cometeu o delito tributário, quando essa prova cabe ao Fisco; (iv) nenhuma das ordens de remessa foi assinada por algum funcionário da autuada, mas pela pessoa de nome Mariana Moraes Ribeiro da Silva, funcionária da empresa Rolling Hills, que reconheceu, em depoimento, que recebia, por email, as ordens de remessa já prontas e posteriormente as assinava e encaminhava por fax ao Uruguai; (v) o delegado da Polícia Federal, responsável pelo inquérito policial em questão, reconheceu, em relatório, que a informação nas ordens de remessa de que a ordenante seriam a autuada foram inseridas pelos doleiros, sem qualquer outro indício ou conexão hábil a comprovar o delito, de forma que o inquérito policial foi encerrado sem qualquer indiciamento; (vi) o CARF já se manifestou no sentido de que a presunção simples é insuficiente para fundamentar um lançamento tributário, sendo indispensável a prova do fato gerador; (vii) uma vez que a União não invocou qualquer presunção legal de omissão de receitas e tampouco apresentou qualquer elemento de prova hábil a demonstrar a aquisição de disponibilidade de renda pela recorrida, o acórdão recorrido deve ser integralmente mantido; (viii) a recorrida não participou da produção de qualquer dos documentos dos autos, bem como não teve a oportunidade de se manifestar ou intervir durante o processo de elaboração, não tendo condições de contradizer tais documentos, uma vez que as mídias Fl. 777DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 778 5 eletrônicas sequer foram trazidas aos autos em evidente infração ao contraditório e a ampla defesa e o CARF já se manifestou no sentido de que a prova emprestada é insuficiente para assegurar a integridade do lançamento; (ix) a recorrida não efetuou movimentações financeiras por intermédio da empresa Bacon Hill e muito menos remessas para o exterior, não havendo, assim, fato jurídico tributário a justificar o lançamento. Ao final pede pelo reconhecimento da nulidade do despacho que admitiu o Recurso Especial da PFN, já que ausentes os pressupostos para sua admissibilidade e, de maneira subsidiária, pelo não provimento do apelo da União e manutenção integral do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora 1 Preliminarmente: Admissibilidade do Recurso Especial Em suas contrarrazões a interessada defende que o Recurso Especial da PFN seja não conhecido em face da inobservância dos seguintes pressupostos: (i) ausência de indicação da legislação interpretada de forma divergente; (ii) ausência de divergência em face dos distintos contextos fáticos e fundamentos jurídicos dos julgados comparados; e (iii) ausência de demonstração da controvérsia quanto ao fundamento da impossibilidade de adoção da prova indiciária. Inicialmente é de se assinalar que o Recurso Especial manejado é tempestivo. Com efeito, para fins de ciência do acórdão recorrido, os presentes autos foram enviados à Fazenda Nacional em 29/10/2013 (efl. 541). De acordo com o art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, tratandose de processo eletrônico, o prazo para a interposição do recurso especial pela PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° (30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN) mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, o despacho de encaminhamento dos autos do processo digital à PGFN data de 29/10/2013. Assim, a intimação presumida da PGFN ocorreu em 28/11/2013. Já o prazo de 15 (quinze) para interposição de recurso especial tem como termo inicial o dia 29/11/2013 e final o dia 13/12/2013. Desse modo, é tempestivo o recurso especial anexado ao eprocesso em 28/11/2013 (efl. 542). À época em que foi interposto o presente apelo especial, vigoravam as disposições regimentais erigidas pela Portaria MF nº 256, de 2009, que, no art. 67, do Anexo II, dispunha sobre o Recurso Especial, nestes termos: Seção II Do Recurso Especial Fl. 778DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 779 6 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. Vêse, assim, que não havia determinação no sentido de que o recurso especial não seria conhecido se não fosse indicada, expressamente, a legislação interpretada de forma divergente. Tal disposição regimental somente foi implementada com a publicação do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 343, de junho de 2015, especificamente no art. 67, § 1º, do Anexo II, como se observa da seguinte transcrição: Fl. 779DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 780 7 Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. E mais recentemente, com as alterações promovidas pela Portaria MF nº 39, de 2016, ficou assim a redação do referido dispositivo: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. Nesse contexto, a necessidade de que os recursos demonstrem, de forma objetiva, a legislação tributária interpretada de forma divergente vigorava para os apelos especiais interpostos a partir de 10 de junho de 2015, o que não é o caso do Recurso Especial sob análise. Não tem qualquer procedência, portanto, a alegação da defesa no sentido de que referido requisito regimental foi descumprido pela recorrente. Aduz, também, a interessada, que o Recurso Especial da PFN não deve ser conhecido por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado. Nesse sentido e, em extenso arrazoado, afirma que a recorrente não fez o cotejo analítico de forma a "confrontar os fatos postos à apreciação no acórdão paradigma com aqueles submetidos à análise do recorrido", devendo ser "imprescindível que estes sejam idênticos, para que seja possível argüir que o direito foi aplicado de modo divergente em situações iguais". Chega ao extremo de, com base em tais ilações, pleitear, a interessada, a declaração da nulidade do despacho que admitiu o Recurso Especial Com o devido respeito, não se vislumbra nenhuma transgressão regimental no apelo especial da PFN, no sentido em que defende a interessada. Mais uma vez, devese tomar como norte o que dispunha, à época, o Regimento Interno do CARF. E nessa questão, o § 6º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, assim orientava: § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. No Recurso Especial apresentado pela PFN verificase que, nas páginas 2 a 5, a recorrente indica o ponto divergente a partir das conclusões deduzidas pelo acórdão recorrido, que são cotejadas com trechos transcritos e negritados do voto proferido no acórdão Fl. 780DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 781 8 indicado como paradigma, demonstrando, ao final, a PFN, que para situações fáticas similares, as conclusões deduzidas pelos colegiados foram diversas. Ademais, o fato de o paradigma tratar de exigência de IRPF e o recorrido tratar de IRPJ e exigências reflexas, não prejudica a análise eis que é possível a demonstração de divergência jurisprudencial mediante o cotejo de acórdãos que, embora tratem de espécies de incidências diversas, a matéria suscitada diz respeito a normas gerais, como é o caso em apreço, em que se discute a sujeição passiva tributária e o ônus da prova desta. Reiterese que a divergência jurisprudencial se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária. Não é necessário que as situações fáticas sejam absolutamente idênticas. Acrescentese que o examinador da admissibilidade do Recurso Especial tem a tarefa única de verificar se foi realmente demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, mediante o confronto do acórdão recorrido com o paradigma, à luz dos pressupostos regimentais. Para completar, verifico, do cotejo entre as decisões, que o paradigma também tratou de apreciar situação em que a auditoria fiscal, a partir de representação feita pelo Ministério Público, informando que Paulo Roberto Tannus Freitas, juntamente com Angela Maria Reis Cavalcante Freitas, seriam os supostos ordenantes de remessas ao exterior feitas para subcontas mantidas por Bacon Hill Service Corporation BHSC (exatamente o mesmo caso denominado "Banestado" ou "CC5"), cuja comprovação da titularidade também constou de Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, elaborado por Peritos Criminais Federais, a partir de mídias eletrônicas contendo dados compartilhados pela polícia americana, mediante autorização da Suprema Corte daquele país. E a defesa, naqueles autos, também alegou que não havia prova, nem sequer indício, de que o autuado foi realmente o remetente dos recursos ao exterior. Entretanto, de maneira diversa daquela decidida pelo colegiado a quo, sobre fatos similares, frisese, como demonstrado, a turma que julgou o paradigma entendeu que: [...] No presente caso, em que pese que o contribuinte afirme não ter qualquer conhecimento sobre a empresa Beacon Hill Service Corporation, e que o lançamento ocorreu tendo por base em indícios, verificase nos autos, que o contribuinte juntamente com seu cônjuge, Sra. Ângela Maria Reis Cavalcante Freitas, foram ordenantes de uma remessa ao exterior, de U$$ 50.000 (cinqüenta mil dólares), fls. 26, para serem creditados na conta de YORK NY 100223703, devidamente comprovados pelo Laudo de Exame Econômico Financeiro de Peritos Criminais Federais, fls. 27/34. Ao contrário do que alega o contribuinte, em sede de Contra Razões, documento em que ele, juntamente com seu cônjuge, constam como ordenantes de remessa ao exterior, não podem ser considerados como meros indícios e sim devem ser considerados como prova cabal da sujeição passiva. [...] Fl. 781DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 782 9 A divergência jurisprudencial encontrase devidamente demonstrada pela recorrente. O terceiro argumento deduzido pela defesa para que não seja conhecido o Recurso Especial diz respeito à suposta deficiência das razões recursais por ausência de "demonstração de eventual controvérsia quanto ao fundamento da impossibilidade de adoção de prova indiciária". E "isto porque, o acórdão recorrido invocou o fundamento de que a prova indiciária não poderia ser adotada no presente caso já que seria insuficiente para a comprovação da autoria", mas que a União não teria dedicado "uma linha sequer, para rebatê lo". Com a devida vênia mais uma vez, pareceme que a defesa extrapola, primeiro ao pretender determinar sobre quais temas deveria a recorrente ter apresentado divergência jurisprudencial, e depois, por também pretender direcionar o julgamento de mérito sob o pretexto de que apenas um tema divergente seria insuficiente para se decidir pelo provimento ou não provimento do apelo. Cabe ao colegiado definir se a questão divergente apontada pela recorrente é suficiente para determinar a manutenção, ou não, do acórdão recorrido. Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, uma vez atendidos os pressupostos regimentais, conheço do Recurso Especial. Passo ao exame de mérito. 2 Mérito No caso, a interessada foi identificada como ordenante de remessas de recursos ao exterior nas operações listadas às fls. 128 a 140 do volume 1 digitalizado, que motivaram o lançamento. Em face disso, foram lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos, por meio dos quais a Fiscalização consigna a infração de omissão de receitas nos anos calendário de 2001 e 2002. Os lançamentos de IRPJ e CSLL já foram canceladas pela primeira instância julgadora, em virtude de erro no aspecto temporal do fato gerador. Para afastar a infração que lhe é imputada, argumenta que os documentos em que se baseia a autoridade lançadora não apontam, de maneira clara e suficiente, que seria ela, de fato, a ordenante das remessas e assim, não reconhece a titularidade dos valores lançados. Vale lembrar que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 149 e ss., o procedimento decorre de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais, no combate à transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, destacandose o crime de lavagem de dinheiro. Tratase da denominada CPI do Banestado, que envolveu trabalhos da Receita Federal, do BACEN e da COAF, com estreita colaboração de autoridades estrangeiras. A investigação conduzida pelo Departamento da Polícia Federal verificou que empresas sediadas em Nova Iorque, Estados Unidos da América, representavam “doleiros” brasileiros e/ou empresas “off shore” com participação de brasileiros e atuavam como prepostos bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, dentre as quais encontrouse diversos contribuintes brasileiros que enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 783 10 No curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa Beacon Hill Service Corporation (BHSC) que atuava como preposto bancário financeiro de pessoas físicas ou jurídicas e utilizavase de contas/subcontas mantidas no JP Morgan Chase Bank. A Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa BHSC. De posse dessa documentação, o Departamento de Polícia Federal emitiu Laudos Periciais a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras. Os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos à Secretaria da Receita Federal conforme decisões judiciais. Todos os documentos relevantes foram obtidos conforme Decisão Judicial da 2ª Vara Criminal Federal em Curitiba. E todas as cautelas relativas à obtenção e perícia das referidas mídias foram tomadas pelas autoridades brasileiras envolvidas na elucidação dos fatos investigados pela denominada CPI do Banestado. Portanto, administrativamente, os documentos que lastreiam a autuação não podem ser taxados de apócrifos ou ilegais, mas demonstram que ocorreram efetivamente os fatos narrados, e não deixam de dar certa sustentação à infração que foi imputada ao contribuinte. A Fiscalização ainda consigna no seu relatório fiscal que “o contribuinte é o único portador dessa identidade no cadastro de Pessoa Jurídica do sistema da Receita Federal, sem homonímia.” Contudo, não se pode deixar de assinalar que a instrução probatória, por parte da autoridade fiscal, foi deficiente. Aliás, à fl. 150 do Termo de Verificação Fiscal, consta: “Os trabalhos limitaramse à verificação documental e da mídia eletrônica, compartilhados judicialmente com a Receita Federal, que identificou os contribuintes nacionais participantes das operações.” Com efeito, em casos análogos que foram exaustivamente analisados e julgados por este Tribunal Administrativo, podese observar que, além de todos os documentos oficiais envolvendo as transcrições das mídias eletrônicas, a quebra de sigilo financeiro das instituições envolvidas, autorizações judiciais, laudos periciais do Instituto de Criminalística, sentenças judiciais, dentre outros, que também fazem parte destes autos, os agentes fiscais envidaram esforços para obter elementos complementares que, associados àqueles indícios, compuseram conjunto probatório suficiente a identificar os reais ordenantes/beneficiários das remessas ao exterior. No caso julgado pelo Acórdão nº 1102001.114, por exemplo, exatamente como ocorre neste caso, o sujeito passivo negou ser o ordenante das remessas, alegou que seu nome não fora grafado corretamente nas ordens de remessas, que seu CNPJ não constou dos referidos documentos, assim como seu endereço. Enfim, negou ser o sujeito passivo da obrigação tributária. Naquele julgamento, mantevese a sujeição passiva tributária sobre parte dos valores remetidos porque, além dos elementos oficiais apresentados como prova pela auditoria fiscal também exatamente os mesmos apresentados nestes autos, extraídos de mídias eletrônicas e periciados pela Polícia Federal naquele caso verificouse, ainda, que todos os beneficiários das remessas tinham por atividade econômica a venda de equipamentos de som. E o sujeito passivo adquiria, justamente, equipamentos de som importados para comercialização no Brasil. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 784 11 Da mesma forma, o Acórdão nº 130200.136 apreciou caso de empresa que figurava como ordenante de diversas remessas ao exterior constantes de mídias eletrônicas disponibilizadas pela polícia americana caso Beacon Hill. Naquela oportunidade o sujeito passivo também negou ser o titular das remessas, afirmou que o seu nome não se encontrava corretamente grafado nos documentos, não havia assinatura de nenhum de seus sócios ou prepostos nos referidos elementos, disse desconhecer os beneficiários e negou ser o sujeito passivo da obrigação tributária. Mas, além dos documentos oficiais, a auditoria fiscal ainda trouxe àqueles autos outros elementos, obtidos no curso da auditoria, demonstrando que o sujeito passivo efetuou operações comerciais com as empresas e pessoas físicas que figuravam como beneficiários das remessas, exatamente no mesmo anocalendário em que elas foram feitas, de modo que o relator do voto chancelou: As evidências trazidas aos autos pela documentação aportada pela Fiscalização em confronto com as alegações apresentadas pela contribuinte não autorizam outra conclusão que não seja a de que a empresa IMA TECIDOS DA MODA LTDA foi a responsável pela remessa dos recursos ao exterior. Em outro caso, apreciado pelo Acórdão nº 130100.836, também restou evidenciado, por outros elementos obtidos pela auditoria fiscal, além do produto das transcrições das mídias eletrônicas, que o sujeito passivo foi realmente o ordenante das remessas ao exterior. Observese o seguinte trecho do voto: O Fisco imputou tais movimentações financeiras à recorrente SELETRON DISTRIBUIDORA LTDA., não apenas pelo fato de constar expressamente como ordenante de pagamentos em todos os casos identificados nos documentos obtidos junto às autoridades estrangeiras, e porque o beneficiário dos pagamentos (Silmar Eletronics Inc) era fornecedor habitual da interessada (não só no ano sob exame), mas também por diversas irregularidades nas importações formais contabilizadas pela interessada, analisadas em detalhe pelo Fisco às fls. 195/198. Tais irregularidades, em apertada síntese, consistem em: liquidação de câmbio muito após os vencimentos indicados nas faturas, a contar que recebeu transferências de recursos no exterior é indicada em fatura paga para pagamento de exportação, indícios de irregularidades nas faturas apresentadas, contabilização dos pagamentos de algumas das importações feito indevidamente na conta contábil "caixa". E, por último, mas não de forma exaustiva, no Acórdão nº 1201000.654, o colegiado entendeu que, apenas a transcrição das mídias apresentando o contribuinte como ordenante de remessas de recursos ao exterior, sem o aprofundamento da ação fiscal com a obtenção de outros indícios da autoria, não permitiam identificar com certa certeza o sujeito passivo: Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, embora tenha diligenciado e intimado a contribuinte para prestar esclarecimento e obtido como resposta o desconhecimento das remessas por parte dos representantes da autuada, não trouxe aos autos qualquer prova de que tais pagamentos ou remessas foram realmente efetuados pela contribuinte. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 785 12 Compulsando os autos verifico que a presente ação fiscal teve início em 30/11/2006, com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 6/7 do volume 1 digitalizado) pelo qual o agente solicitou, além dos livros Diário e Razão, que o contribuinte demonstrasse a contabilização de remessas efetuadas ao exterior, identificando a origem dos recursos nelas utilizados. Observou que se o contribuinte não fosse o verdadeiro ordenante, que então ele apontasse o real remetente dos recursos. Depois disso, há um Termo de Prosseguimento da Ação Fiscal, lavrado em 16/02/2007 (fls. 141 do volume 1 digitalizado), apenas para formalizar a continuidade dos trabalhos de auditoria. Em 19/12/2006, a pessoa jurídica apresenta resposta à intimação da auditoria fiscal, negando ser o ordenante das remessas e informando desconhecer o remetente (fl. 143 e ss do volume 1 digitalizado). Em 30/03/2007 é lavrado o Termo de Verificação Fiscal (fls. 149 e ss do volume 1 digitalizado), acompanhado dos autos de infração, pelo qual o agente fiscal, após descrever os motivos que determinaram a abertura do procedimento fiscal em nome da pessoa jurídica, atribuiu os seguintes fatos, além daqueles indícios contidos nas mídias eletrônicas, como caracterizadores do ilícito: 3) Em 30 de novembro de 2.006 foi iniciada esta fiscalização, e pelo Termo de Inicio da Ação Fiscal a contribuinte foi intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, no prazo de cinco dias, documentos de fls. 4 a 7. a) Comprovação da escrituração dos recursos financeiros movimentados no exterior, relacionados no citado Termo de Inicio de Ação Fiscal. b) Apresentar esclarecimentos sobre as razões dessas movimentações financeiras, bem como outras informações que julgasse necessárias; c) Se os recursos remetidos não forem do contribuinte, tendo operado em nome de terceiros, identificar os reais proprietários ou beneficiários deles, juntando documentação hábil e idônea que comprove esse fato. 4) Pela sua procuradora, respondeu o seguinte, na fl. 2 do seu documento de fls.143 e 144: a) Não celebrou e não reconhece as movimentações financeiras listadas no Termo de Inicio de Ação Fiscal. Por isso, eles não foram escriturados em seus livros comerciais e fiscais. b) É uma empresa supervisionada pelo Banco Central do Brasil, e no seu objeto social não está autorizada a celebrar esse tipo de movimentação financeira, e não as realizou. c) A referência ao seu nome e antigo endereço nos documentos é indevida. A motivação que fundamentou a exigência da multa qualificada foi a seguinte: 11) Foi aplicada a Multa Qualificada de 150%, considerando que a contribuinte agiu com dolo, evidente intuito de fraude e Fl. 785DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 786 13 simulação, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, e art. 957, inciso II, do RIR/99, complementados com toda a documentação criminal recebida do exterior, laudos da Policia Federal e os demais elementos já exaustivamente mencionados no presente Termo. Esses foram os fatos que ensejaram a exigência fiscal. De se observar que a auditoria fiscal ainda cometeu equívoco ao lavrar os autos de infração de IRPJ e de CSLL, pois formalizouos na sistemática do Lucro Real trimestral, enquanto que a pessoa jurídica optou, naquele anocalendário, pelas regras de apuração do Lucro Real anual. Depois de ofertada a impugnação, com a negativa de autoria das remessas pela pessoa jurídica, dentre outras alegações de defesa, a DRJ em São Paulo percebeu as falhas do procedimento fiscal e, pelo Despacho de fls. 354/356 do volume 2 digitalizado, solicitou que a auditoria fiscal confirmasse a identificação do sujeito passivo como real ordenante das remessas e sugeriu que fossem retificados os autos de infração de IRPJ e de CSLL lavrados equivocadamente, além de solicitar que fosse complementada a instrução processual com os laudos técnicos faltantes e outras provas a que se refere, bem como fosse esclarecida a divergência de endereços da pessoa jurídica constantes das ordens de remessa. Pelo Relatório de Diligência Fiscal de fls. 404/405 do volume 2 digitalizado, o auditor fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria e pela lavratura dos autos de infração, além de juntar os laudos periciais e demais elementos de transcrição de mídias solicitados, limitouse a admitir: ANÁLISE 1.1) Os documentos de fls. 21 e 57 mostram que realmente a empresa apresentou suas DIPJs pelo regime da Lucro Real Anual, enquanto o lançamento foi feito pelo regime trimestral. 1.2) Foram anexados a este relatório os 2149/2005INC, 1284/2005INC, 2504/20051NC e 144/2006INC, e demais documentos componentes do dossiê. 1.3) A identificação das ordens de pagamento ordenadas pela impugnante, e as informações do seu endereço estão relacionadas nos documentos de fls. 128 a 140. 1.4) Considerando a interrupção do prazo da decadência para este processo, proponho a sua remessa para a DRJ 1 para as providências necessárias referentes ao item 1.1 acima. Vêse, assim, que a auditoria fiscal baseou a exigência fiscal e a qualificação da multa com base, exclusivamente, nas informações precárias constantes das transcrições das mídias eletrônicas disponibilizadas pelo governo americano, nas quais o nome da Merrill Lynch aparece com ordenante de remessas de recursos ao exterior. Nenhuma outra providência foi tomada pela auditoria fiscal, nem mesmo após a solicitação de diligência, a fim de obter outros indícios de autoria, seja pelo exame da escrituração contábil e fiscal, seja pela circularização de clientes, fornecedores, ou contratantes de serviços ou prestadores de serviços da contribuinte. É verdade que a DRJ em São Paulo manteve o lançamento, mas valendose, de forma explícita, da repercussão do "caso Banestado", do "caso Beacon Hill", do caso das Fl. 786DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 787 14 "contas CC5", amplamente divulgados em órgãos de imprensa e da mídia nacionais, conforme constou exaustivamente do preâmbulo do voto proferido por aquele órgão julgador no Acórdão nº 1617.381 (fls. 438 e ss do volume 3 digitalizado). No mérito, a fundamentação para a manutenção da exigência, além dos já mencionados documentos extraídos das mídias eletrônicas e periciados pela Polícia Federal, foi a seguinte: De resto, é estranho exigir o nome integral e correto em registros de um sistema bancário "paralelo", no qual a confiança é tudo, ao mesmo tempo em que se sustenta que terceiros poderiam registrar os valores sob qualquer nome, alegação que inevitavelmente remete ao bordão "Esse dinheiro não é meu!". Quanto à existência de homonímia, embora esta exista de fato, o endereço da Av. Paulista, no 37, 130 andar, era o da impugnante à época dos fatos geradores, como provam as suas DIPJ's (fls. 3 e 57). Consulta aos sistemas da RFB a respeito da situação atual das 7 empresas da capital com a expressão "Merrill Lynch" em sua denominação mostra que a Av. Brig. Faria Lima é o endereço de 6 delas, inclusive, atualmente, o da impugnante, e a Av. Paulista 6, atualmente, o endereço da 7a (fls. 426 a 437). O campo relevante para identificar o cliente é exatamente o "Customer Order". Por fim, de fato inexiste o n.° 477 da Av. Paulista, mas não há como confundir uma das "Merrill Lynch" da Av. Brig. Faria Lima com a "Merrill Lynch" da Av. Paulista. Notese que o nº 477 consta as fls. 128 a 132 e o nº 37 consta às fls. 132 a 140. Os elementos permitem concluir que os dados extraídos das bases de dados dizem respeito, sim, à impugnante. Preliminar indeferida. Ainda assim, a DRJ em São Paulo cancelou os autos de infração de IRPJ e de CSLL que foram lavrados erroneamente pela auditoria fiscal como de fato gerador trimestral, conforme já relatado. No caso, as provas apresentadas pelo Fisco e contestadas pela pessoa jurídica consistem nos arquivos em meio eletrônico, obtidos pelo Departamento de Polícia Federal, mediante autorização do Juiz da Suprema Corte do Estado de Nova York, EUA (Order to Disclose), após extensa investigação de lavagem de dinheiro por autoridades daquele país. Na seqüência, o Juízo da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR decidiu pela quebra do sigilo bancário e autorização a instituições brasileiras, entre as quais a Receita Federal, a utilizar o material obtido nos Estados Unidos. Os arquivos eletrônicos foram periciados pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) do Departamento de Polícia Federal, tendo sido atestada a autenticidade das ordens de pagamento obtidas, identificando o ordenante dos recursos e seus beneficiários no exterior. Cópias da decisão judicial e outros documentos pertinentes ao processo de obtenção e validação das informações eletrônicas obtidas se encontram acostadas aos autos. É verdade que provas baseadas em arquivos magnéticos requerem certo cuidado que, no caso, foram tomados desde antes, por todas as autoridades judiciais e policiais que participaram das Fl. 787DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 788 15 investigações do caso "Beacon Hill" e suas ramificações. Periciados e validados, os arquivos eletrônicos obtidos, as informações correspondentes às movimentações financeiras no exterior atribuídas à Merril Lynch foram impressas, originando o relatório de fls. 128 a 140 do volume 1 digitalizado. E é comum, em casos que tais, a argumentação de que os "doleiros", que assinavam as ordens de remessas, poderiam identificar da maneira que quisessem os remetentes e ordenantes dos valores movimentados. Todavia, em que pesem todos esses argumentos reiterados pela Fazenda Nacional, entendo que, no caso em apreço, a auditoria fiscal não foi diligente o suficiente, de maneira a demonstrar, com algum grau de certeza, que a pessoa jurídica que figura como ordenante das remessas de recursos ao exterior no relatório de fls. 128 a 140 do volume 1 digitalizado, referese, sem qualquer sombra de dúvida, à contribuinte. Como bem ressaltou o relator do voto proferido no acórdão recorrido, trata se, a presente autuação, de presunção simples de omissão de receitas, que permite a inversão do ônus da prova ao sujeito passivo, que deve provar que os valores remetidos não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Mas essa presunção não permite que se presuma, também, o sujeito passivo da obrigação tributária. Esse tem de ser identificado de forma clara e precisa pela auditoria fiscal. E não há, nos autos, outros elementos que relacionem o fato das remessas com a contabilidade da contribuinte. Afirma a Fiscalização que o contribuinte não tem homônimos nos cadastros da Receita Federal. Contudo, é possível, por exemplo, que alguém tenha mandado os recursos para o exterior utilizandose do seus dados. Assim, faziase necessário uma prova que afastasse a dúvida de que ela era de fato a ordenante dos recursos. Inclusive, a interessada anexou, junto às contrarrazões, documentos extraídos do inquérito policial que investigou as movimentações financeiras realizadas em seu nome. Em um deles, o próprio delegado da Polícia Federal responsável pelo referido inquérito, conclui (doc 8 à página 5, anexo às contrarrazões): "Da Materialidade e Autoria Pois bem. Da análise das provas trazidas aos autos depreendese que não há indícios suficientes de materialidade e autoria do crime capitulado no art. 22, caput e parágrafo único, da Lei 7.492/86. Ressaltese que o presente procedimento visa apurar suposta evasão de divisas em virtude da inserção do nome da empresa investigada no campo "ordenante", fato que se enquadraria ao tipo penal previsto no art. 22, parágrafo único, primeira parte, da Lei 7.492/86. A inserção do nome do responsável pela ordem da remessa é imposição legal no sistema bancário norteamericano, sendo de responsabilidade dos administradores das subcontas envolvidas. Assim, a informação contida na representação fiscal de que as remessas no caso em apreço foram feitas por ordem da MERRIL LYNCH REPRESENTAÇÕES LTDA. foi inserida pelos doleiros, sem qualquer outro indício ou conexão hábil a comprovar o delito. ..." Fl. 788DF CARF MF Processo nº 19515.000416/200731 Acórdão n.º 9101002.532 CSRFT1 Fl. 789 16 Em face dessa dúvida, voto no sentido de manter a decisão recorrida, e, portanto, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 789DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001337/2010-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2007
TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS.
Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007
TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS.
Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2007
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-004.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Apresentará declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator de Presidente Interino
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 37 /2 01 0- 71 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 944 2 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Apresentará declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator de Presidente Interino Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Robson José Bayerl, Vanessa Marini Cecconello, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente Interino). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Demes Brito. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 3302001.840, proferido em 23/08/2012 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário, em que se pleiteava o cancelamento do auto de infração relativo às contribuições Cofins e para o PIS, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 945 3 Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007 RECEITA DE VENDA DE AÇÕES ADQUIRIDAS PARA REVENDA. TRIBUTAÇÃO. Constitui receita própria da atividade da Recorrente a decorrente da venda de ação, adquiridas para esse fim, compondo seu resultado a base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC. Como débito decorrente de tributo e contribuição administrado pela Receita Federal, incidem sobre a multa de ofício, a partir da data de vencimento, juros Selic. Recurso Voluntário Negado A turma julgadora decidiu no mesmo sentido da Fiscalização, segundo a qual a exigência das contribuições encontrase lastreada no fato de que a receita bruta operacional, base de cálculo das contribuições, abarca o resultado da venda de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, venda essa realizada no curto prazo, em decorrência da operação denominada "desmutualização", em que as associações sem fins lucrativos Bovespa e BM&F se converteram nas referidas sociedades anônimas. Cientificado do acórdão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, arguindo a ocorrência de erros formais (erros na redação do relatório quanto às datas da lavratura do auto de infração e da ciência da decisão de primeira instância), obscuridades (questões não arguidas pelo recorrente, mas que constaram do voto condutor do acórdão embargado) e omissões (ausência de fundamentação da conclusão do voto), embargos esses que restarem não admitidos pelo Presidente da Turma, em razão da não confirmação dos vícios apontados. Cientificado do despacho que não admitiu os embargos em 01/08/2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 15/08/2014, devidamente admitido pelo Presidente da Câmara, e requereu a reforma do acórdão recorrido, arguindo que as contribuições PIS e Cofins não incidem sobre as receitas recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização” e que os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. Em contrarrazões, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) faz um breve histórico da chamada "desmutualização" e aduz que a atividade típica do contribuinte envolve operações de subscrição e revenda de ações, cuja receita é de natureza operacional, tributável pela Cofins e pela contribuição para o PIS. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 946 4 Reafirma, ainda, a PGFN que, sobre a multa de ofício, incidem os juros de mora, arguindo que, por força do contido no art. 113, § 3º, do Código Tributário Nacional (CTN), tanto à multa quanto ao tributo devem ser corrigidos por meio da taxa Selic, em razão do fato de que ambos compõem o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre auto de infração da Cofins e da Contribuição para o PIS, incidentes sobre o resultado da venda de ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F), que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram nas referidas sociedades anônimas. Como conseqüência da operação de “desmutualização”, os detentores dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. A Fiscalização considerou que as ações recebidas nessa operação deviam ser contabilizadas no Ativo Circulante e que o resultado de sua venda compunha a base de cálculo das contribuições (faturamento ou receita operacional bruta). O contribuinte, por seu turno, defende que as ações devem ser classificadas no Ativo Permanente, da mesma forma que os títulos das associações anteriormente possuídos, e que, quando de sua venda, não se submetem à incidência das contribuições. Contrapõese, ainda, o Recorrente quanto à incidência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício. Para o deslinde do litígio, necessário se torna discorrer sobre os pormenores da referida operação de "desmutualização". I Antecedentes da "desmutualização". Antes da referida "desmutualização", as bolsas de valores adotavam a forma "associação civil sem fins lucrativos", tendo como função primordial a manutenção de um sistema adequado para a negociação de valores mobiliários. A autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, encontravase disciplinada pela Lei nº 4.728/1965, sendo que, com a edição da Lei nº 6.385/1976, criouse a Comissão de Valores Mobiliários que passou a disciplinar o mercado e as operações realizadas nas bolsas de valores. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 947 5 A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 948 6 resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução CMN nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/1989, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreende seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social é dividido em títulos patrimoniais, adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. De acordo com o art. 3º, § 2º, do Regulamento anexo à Resolução nº CMN nº 1.655/1989, para operar no mercado de capitais, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deviam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades: Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 949 7 § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), nos termos da Resolução CMN nº 1.645/1989, também foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos, direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. Dessa forma, as sociedades corretoras possuíam, antes da operação de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis sem fins lucrativos denominadas Bovespa e BM&F. Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da Bovespa, quando se criaram duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da Bovespa e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da Bovespa, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. II A "desmutualização" da Bovespa e da BM&F. Em 2007, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, por meio de cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa reestruturação, os títulos patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na Bovespa foram trocados por ações das novas companhias (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.), sendo essa operação que recebeu a alcunha de "desmutualização". A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 950 8 Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. A associação civil sem fins lucrativos denominada Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007 e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007 e seguiu modelo jurídico similar ao da Bovespa, a saber: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em decorrência dessa reestruturação, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, à “desmutualização” seguiuse a abertura do capital das companhias resultantes para a negociação de suas ações em bolsas de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes a essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, por meio do “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de "desmutualização" quando da Oferta Pública Inicial (IPO). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, compromissos de alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e entre a Bovespa Holding S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a Bovespa Holding S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 951 9 de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Ao final, em assembleias realizadas em 8 de maio de 2008, aprovaramse as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da Bovespa Holding S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F Bovespa S.A. III Efeitos contábeis da "desmutualização". Originalmente, os títulos patrimoniais das associações Bovespa e BM&F eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução das associações e as subsequentes subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F Holding), as corretoras deixaram de possuir títulos patrimoniais e passaram a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: Fl. 951DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 952 10 I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; (g.n.) II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A definição da forma de escrituração das ações no ativo da empresa se baseia na intenção do detentor de permanecer como proprietário das ações a título de investimento permanente ou de negociálas no curto prazo, situação em que devem ser contabilizadas no Ativo Circulante. Desde o início do processo de "desmutualização", ficou definido que os detentores de títulos patrimoniais da BM&F e da Bovespa, após o recebimento das ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetuariam a venda dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, a ela foram outorgados poderes para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, ficou claro que a recorrente pretendia vender, no curso do exercício social, como o fez, parte das ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de "desmutualização" da BM&F, no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Definiuse, também, que as sociedades corretoras alienariam um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 953 11 “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Destaquese que o acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso de venda, mas não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa. Nesse caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento e registradas, em sua integralidade, no Ativo Permanente. Nessa toada, em atendimento ao art. 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976, a corretora deveria ter contabilizado os direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que, em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas era que devia ter sido considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. IV Efeitos fiscais da "desmutualização". A incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins. Conforme acima apontado, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido contabilizadas no Ativo Circulante, devendo o produto de sua venda se submeter à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, por se configurar receita bruta operacional. Os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, preveem que a receita bruta auferida pelo sujeito passivo será objeto de incidência das contribuições, verbis: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (...) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Dessa forma, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela Bovespa Holding S.A., integra a sua receita bruta operacional, uma vez que as corretoras de valores mobiliários têm como objeto social ou como atividade principal a subscrição e venda de títulos no mercado financeiro, conforme se depreende do contido no art. 2º da Resolução CMN nº 1.655/1989: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. Nesse sentido, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., a corretora exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação e, portanto, a Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 954 12 inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/19981 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita bruta operacional. Portanto, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A., decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso se sujeitarem à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. V Juros sobre multa. No que tange à incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício não paga na data de seu vencimento, devese observar que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme art. 113 do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. De acordo com o art. 139 do CTN2, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária), verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. 1 Nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nº 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), relacionadas à sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 955 13 Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 1613, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento VI Conclusão. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do contribuinte. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 16327.001337/201071 Acórdão n.º 9303004.185 CSRFT3 Fl. 956 14 É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 956DF CARF MF
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Numero do processo: 13894.001162/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO APÓS O VENCIMENTO E COM ACRÉSCIMO DE JUROS E MULTA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
O depósito judicial quando efetuado após o vencimento do tributo mas com acréscimo integral de multa e juros é suficiente para suspender o crédito tributário.
Numero da decisão: 1201-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
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EDITADO EM: 25/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis e Guimarães, Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13894.001162/200341 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1201001.487 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2016 Matéria Compensação Tributária Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BEMGE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 DEPÓSITO JUDICIAL EFETUADO APÓS O VENCIMENTO E COM ACRÉSCIMO DE JUROS E MULTA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O depósito judicial quando efetuado após o vencimento do tributo mas com acréscimo integral de multa e juros é suficiente para suspender o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . EDITADO EM: 25/09/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 00 11 62 /2 00 3- 41 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis e Guimarães, Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão n. 1201001.230 desta Turma que por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso do Contribuinte. Em suma, esta turma decidiu por cancelar o crédito tributário lançado vez que, após atendimento de diligência, fora confirmado que os depósitos judiciais de CSLL efetuados pela Contribuinte teriam sido suficientes para liquidar os débitos por ela própria apontados como devidos em DCTF. Contudo, segundo a ora Embargante, o acórdão teria incorrido em CONTRADIÇÃO, vez que, deu provimento integral ao recurso ao mesmo tempo em que reconheceu que o depósito de R$ 12.686,58 foi efetuado apenas em 31/03/98 e, sendo referente à competência de janeiro de 98, com vencimento em 27/02/98, tal depósito fora efetuado em atraso, devendo ter sido incluídos os devidos valores de multa e juros, o que não foi feito. Os Embargos foram admitidos por este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise do vício apontado. Não há qualquer contradição no acórdão ora embargado. Explico. A embargante focou sua atenção apenas no aspecto do vencimento do tributo e, considerando que o vencimento teria ocorrido em 27/02/98 e o depósito fora efetuado somente em 31/03/98, a destempo, não poderia o acórdão dar integral provimento ao recurso. Contudo, o que fora avaliado no acórdão ora embargado fora se os depósitos havia sido efetuado em valor suficiente para suspender o crédito tributário em sua integralidade e, neste ponto, devemos comparar o valor do débito apurado e o valor dos depósitos. Se somarmos os depósitos de R$ 25.043,99 e R$ 12.686,58, chegamos ao montante de R$ 37.730,57 que é exatamente o valor devido, após acréscimo de multa e juros. Isso porque, conforme se verifica em DCTF juntada aos autos, o valor principal devido é de R$ 36.415,97 e não R$ 37.730,57, restando demonstrado que os depósitos efetuados pelo contribuinte foram sim, suficientes para suspender integralmente o débito discutido. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13894.001162/200341 Acórdão n.º 1201001.487 S1C2T1 Fl. 3 3 Desta forma, entendo não haver qualquer contradição que vicie o acórdão embargado, sendo improcedente o argumento da embargante neste sentido. Conclusão Diante do exposto, NÃO ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10925.002549/2008-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA.
Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Hipótese em que a Recorrente não comprovou a observância dos requisitos legais.
Numero da decisão: 9202-004.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e solicitou apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Hipótese em que a Recorrente não comprovou a observância dos requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes, que lhe deu provimento e solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 25 49 /2 00 8- 26 Fl. 597DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 1/4 e 248/256) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Irani, com área de 2.107,2 ha (NIRF 2.013.761 3), localizado no município de Vargem Bonita/SC, relativo ao exercício 2004, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 161.064,34, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos (fls. 21/37), no Quadro "Distribuição da Área Utilizada", foi glosada totalmente a área declarada como de Exploração Extrativa (1.017,3 ha), por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação. O Valor da Terra Nua foi reduzido, acatandose o valor apresentado em Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte. Em conseqüência, houve aumento da alíquota e do valor devido do tributo. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, mantendo o imposto total, fls. 330. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 414, o Colegiado, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negou provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 22/01/2013, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2101002.010, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 NULIDADE DO ACÓRDÃO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE FUNDAMENTO. INOCORRÊNCIA. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou todos os argumentos suscitados pelo contribuinte e as provas colacionadas aos autos, não havendo qualquer nulidade na decisão recorrida. ITR. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, para efeito do cálculo do Grau de Utilização, a porção do imóvel rural explorada, objeto de Plano de Manejo Sustentado Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 3 3 aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do exercício anterior ao da ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo sujeito passivo. Hipótese em que a recorrente não comprovou a observância dos requisitos legais. Recurso Negado.” O Contribuinte foi intimado em 14/05/2013 e interpôs, tempestivamente, em 29/05/2013, o Recurso Especial. Em seu recurso busca reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a área de 1.017,3 ha como área efetivamente utilizada, e/ou alternativamente, como área de utilização limitada, conforme consta em suas matrículas, devidamente averbadas antes da época do fato gerador. Ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, em relação à área de utilização limitada, conforme Despachos s/nº da 1ª Câmara e da CSRF, ambos de 30/09/2015. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações: § que no seu Recurso Voluntário já foi requerido, de forma alternativa, o reconhecimento da referida área como sendo de utilização limitada e que o acórdão desconsiderou esta alegação e requerimento nos seguintes termos: “apesar de parecerem, à primeira vista, semelhantes as suas averbações, fato é que a área de reserva legal e a objeto de manejo florestal não se confundem. São institutos completamente distintos e possuem requisitos próprios de constituição e conseqüências ambientais e tributárias distintas, sendo que, na seara fiscal, a área de exploração extrativa por manejo é considerada aproveitável e tributável do imóvel enquanto a área de reserva legal não”. § que este entendimento vai de encontro à farta jurisprudência do CARF, inclusive em julgamento que tem por objeto a mesma área, o mesmo imóvel, o mesmo contribuinte, porém de DITR relativa ao exercício 2001 § que a área objeto de PMFS por si só já é considerada como área de interesse ambiental de utilização limitada, e conforme já explanado e comprovado, a área objeto deste processo estava em fase de recomposição, regeneração da floresta explorada pelo PMFS, restabelecendo as condições próximas as que existiam inicialmente, e que diante disso, o IBAMA não permitiu a desvinculação da área, já que permanecia submetida ao regime de utilização limitada. § que a presente matéria, na época, era disciplinada pela IN SRF nº 60/2001, a qual estabelecia: “Art. 16. São áreas de interesse ambiental de utilização limitada: I – as áreas de reserva legal, onde a vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, averbadas no registro de imóveis Fl. 599DF CARF MF 4 competente, descritas no art. 16 da Lei nº 4.771, de 1965, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.08063, de 18 de maio de 2001; (...)” § que a área de reserva legal é caracterizada como sendo “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas.” § que nestes termos, enquadrase de forma clara o PMFS como área de interesse ambiental de utilização limitada – reserva legal, uma vez que, no caso em análise, o PMFS está devidamente averbado na matrícula do imóvel e a área está em fase de recomposição dos estoques de madeira retirados por exploração devidamente autorizada, tendo um enriquecimento das espécies de Araucária Angustifólia (Pinheiro brasileiro) e Ocotea Poposa (Imbuia). § que no ano de 1998, houve a extinção do PMFS pela Lei nº 9.605, descobrindo a Recorrente juridicamente, todavia, a área de 1.017,3 ha continuava em estágio de recuperação ambiental, e conseqüentemente, continuou gravada como de utilização limitada, eis que a sua supressão não era permitida; e que, com essa limitação, a referida área enquadrase perfeitamente como área de reserva legal, inclusive, efetuando, a Recorrente, o plantio de mata nativa na área manejada e a mantendoa intocável, fazendo parte integrante da reserva legal averbada na matrícula do imóvel. § que a área de reserva legal é aquela onde não é permitido o desmatamento (corte raso), mas que pode ser utilizada de forma sustentável, entendendose como uso sustentável, a exploração do ambiente de maneira a garantir a perenidade dos recursos e dos processos ecológicos, de forma a manter a biodiversidade e a integridade dos ecossistemas, de acordo com a Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), que também estabelece que a área de reserva legal a ser averbada para o imóvel em discussão neste processo deve corresponder ao equivalente a 20% da propriedade uma vez que não se trata de área localizada na Amazônia Legal. § que a averbação da reserva legal somente foi instituída pela MP nº 2.16667 publicada em 25/08/2001, que alterou o art. 16, §8º do Código Florestal, ocasião em que foi estipulado que esta área deveria ser averbada para vedar o desvio de sua destinação quando da transmissão do imóvel, mas nada condizente pra efeitos da validade de sua isenção na apuração do ITR, ou seja, tal averbação tratase de uma obrigação acessória com a finalidade de dar conhecimento erga omnes no caso de sua transmissão a outrem, garantindo sua preservação tanto ao atual proprietário como aos futuros adquirentes. § que a falta da averbação da reserva legal na matrícula do imóvel não descaracteriza a condição de reserva legal de uma determinada área, uma vez que se trata tão somente de uma obrigação acessória em nada Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 4 5 interferindo em sua nãotributação e que, independente da existência ou não de uma lei que obrigasse a Recorrente a proceder à averbação da reserva legal, a área de floresta manejada foi protegida e mantida intacta, e que, portanto, é inquestionável que a área em questão é isenta de tributação. § que o ITR é um imposto com recolhimento espontâneo, ou seja, cabe ao contribuinte a sua declaração sem que haja necessidade da prévia homologação pela administração tributária, que se fará posteriormente; e que, para a efetiva homologação, a administração tributária poderá requerer provas quanto ao procedimento de apuração do valor recolhido, sendo essas provas, geralmente, escritas, mas que, todavia, não pode o órgão fiscalizador limitarse a documentos, eis que todas as provas que não sejam consideradas ilícitas são admitidas no direito brasileiro. Sendo assim, não pode o órgão fiscalizador ter se atido simplesmente na apresentação de documentos para reconhecer a isenção tributária da área em questão, devendo, para certificarse quanto à preservação da área, ter oficiado o órgão competente (IBAMA) e requerido a verificação in loco quanto às reais condições da referida área. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarrazões, onde alega que: · preliminarmente, o recurso especial não deve ser conhecido, haja vista a discussão de fundo do acórdão desafiado se restringir à matéria fática, que, a teor do Regimento Interno do CARF, não é suscetível de arguição em sede de recurso especial. · a denominação de RESERVA LEGAL veio a partir da Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, que introduziu, também, a exigência de averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel, sendo vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou desmembramento da área” (art. 16, §2°). · a reserva legal instituída por ser necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas , e as áreas de preservação permanente, cobertas ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, consideradas como limitação administrativa, têm como finalidade atender ao principio da função social da propriedade, assim como a inegável proteção ao meio ambiente. · o Código Florestal vem sofrendo inúmeras alterações, por meio de leis e medidas provisórias, que demonstram a dificuldade dos legisladores em conciliar os interesses dos diversos atores Fl. 601DF CARF MF 6 envolvidos no assunto, principalmente porque há uma preocupação constante de todos os setores em se preservar tais áreas, criando, para tanto, instrumentos legais; e exatamente por isso, buscando flexibilizar as exigências legais relativas às áreas de reserva legal e atender aos anseios do setor produtivo rural, assim como delimitar a função da reserva legal como verdadeira área de conservação da biodiversidade, é que a averbação à margem da matrícula do imóvel se fez necessária. · o texto legal – Lei nº 4.771/65, alterado pela Lei nº 7.803/89 – é preciso ao estabelecer que: “ Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) §8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competentes, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.” · é inconteste, portanto, que a finalidade da averbação da Reserva Legal na matrícula do imóvel é a de dar publicidade à reserva legal, para que futuros adquirentes saibam identificar onde está localizada, seus limites e confrontações; mais ainda, visa imputar aos proprietários a responsabilidade de preservar tais áreas, já que o interesse na manutenção das mesmas é público. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, cabendo apenas apreciar os argumentos trazidos em sede de contrarrazões. Do Conhecimento Quanto ao conhecimento, entendo necessário apreciar de forma mais detida, uma vez os argumentos trazidos pela PGFN quanto ao conhecimento, em sede de contrarrazões: preliminarmente, o recurso especial não deve ser conhecido, haja vista a discussão de fundo do acórdão desafiado se restringir à matéria fática, que, a teor do Regimento Interno do CARF, não é suscetível de arguição em sede de recurso especial. Vejamos os requisitos previsto no Regimento INterno do CARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária inte rpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstra r de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma di ergente. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Vejamos os termos do despacho de admissibilidade que admitiu em parte o Recurso Especial do Contribuinte, fls. 564: O contribuinte apresenta, para análise, duas divergências: (a) plano de manejo florestal sustentável e (b) área de utilização limitada. (a) Plano de manejo florestal sustentável O contribuinte explica que no caso em epígrafe houve a comprovação de que o plano de manejo florestal sustentável aprovado pelo IBAMA estava sendo cumprido. Concluise, portanto, que as três decisões apresentam o mesmo entendimento: glosa das áreas de exploração extrativa por Fl. 603DF CARF MF 8 ausência de comprovação do cumprimento do cronograma do PMFS. Portanto, não vislumbro a primeira divergência indicada. (b) Área de utilização limitada A recorrente relata que requereu em seu recurso voluntário, de forma alternativa, o reconhecimento da área de manejo florestal como sendo de utilização limitada e que tal pedido foi desconsiderado pelo colegiado a quo. Nesse ponto, apresenta paradigma que deu provimento a recurso voluntário para reconhecer uma área de reserva legal. Frisa que o paradigma refere a julgamento que tem por objeto a mesma área, o mesmo imóvel e o mesmo contribuinte que figuram no pólo passivo do presente caso. Segue abaixo a ementa do Acórdão n.º 210200.721: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA„ Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal, devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, que o contribuinte indevidamente declarou como área utilizada. Recurso Voluntário Provido Apresenta ainda outro paradigma, o Acórdão n.º 210200.724 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA, Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há que se falar em nulidade. ÁREA DE RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal, devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, que o contribuinte indevidamente declarou como área utilizada, Recurso Voluntário Provido Pondera que, no presente caso, o PMFS enquadrase de forma clara como área de interesse ambiental de utilização limitada reserva legal, por estar devidamente averbado na matrícula do imóvel e em fase de recomposição dos estoques de madeira retirados por exploração devidamente autorizada. Os paradigmas foram proferidos por colegiados distintos e não foram reformados, prestandose portanto para análise da divergência alegada. Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. O aresto atacado entendeu que a área informada de 1017,3 ha não pode ser considerada como efetivamente utilizada Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 6 9 para fins de cálculo de ITR nem se subsume ao conceito de reserva legal. Os paradigmas, por sua vez, apreciaram situação idêntica e chegaram resultado diverso: Passando à análise das questões de mérito, devese antes lembrar que o lançamento cuida de glosa de área objeto de exploração extrativa (1.017,3 ha), por falta de comprovação do cumprimento do cronograma de atividades do PMFS. No recurso, a recorrente solicita, alternativamente, que a área de 1.017,3 ha, objeto do plano de exploração extrativa, seja reconhecida como área de reserva legal. Nesse sentido, devese observar que constam das matrículas do imóvel em questão, fls, 45/51, duas averbações: 'Pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta a proprietária Irani Agropastoril S/A ( ) declara perante a autoridade.florestal que a .forma de vegetação e a floresta existente em uma área de 399,40 ha, de acordo com a planta topográfica, que ,faz parte do presente termo fica gravada como de utilização limitada, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser mediante autorização do IBDF. (03/10/1985). Pelo Termo de Manutenção de Floresta Manejada, datilografado em a firma bani Agroflorestal S/A („.) DECLARA que a floresta ou . forma de vegetação existente na área de 1.017,3 ha parte desta matrícula e matrículas 884 e 273 livro 2 fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser .feita exploração racional sob regime e manejo sustentado, desde que autorizado pelo MAMA. Com as características e confrontações da planta que faz parte integrante deste Termo, cuja cópia . fica arquivada. (18/02/1991), (grifei)' Vêse, portanto, que a recorrente procedeu à averbação de duas áreas à margem das matrículas do imóvel, 399,4 ha e 1.017,3 ha, ambas áreas de reserva legal. Assim, há de se concluir que a área de 1.017,3 ha foi indevidamente informada na DITR/2001 e no ADA, fls. 53, como área utilizada, quando na realidade tratase de área de reserva legal, conforme averbação realizada em 18/02/1991. Por conseguinte, temse que a contribuinte incorreu em erro de fato quando do preenchimento da DITR/2001 e do ADA. Logo, devese reconhecer a área de reserva legal total de 1.416,7 ha (399,4 ha mais 1.017,3 ha), conforme pleiteado pela recorrente, o que implica em nãoocorrência de saldo de imposto a pagar e na desnecessária apreciação das demais argüições apresentadas pela contribuinte. Portanto, vislumbro a segunda divergência indicada. Fl. 605DF CARF MF 10 Ao contrário da argumentação trazida em sede de contrarrazões, o recurso em relação a parte em que o colegiado não deu provimento ao recurso, pela não comprovação de que o plano de manejo florestal sustentável aprovado pelo IBAMA estava sendo cumprido, não encontrase em discussão, visto que não foi dado seguimento nessa parte. Nesta parte até entenderia não restar demonstrada a divergência, pois envolveria matéria probatória, já apreciada pela turma a quo, e a qual os paradigmas encontramse alinhados. Todavia, em relação ao argumentação sobre o pedido alternativo para que se aceita a área em questão como de reserva legal, fato este considerado por outra turma em processos da mesma empresa, em relação a mesma área, entendo que restou demonstrada a divergência. Da simples leitura da ementa apresentada e dos trechos trazidos pelo recorrente resta claro que, em dois lançamentos envolvendo o mesmo fundamento, a mesma área, chegou o colegiado a decisões distintas, o que no meu entender é justamente o que se visa ver novamente apreciado por meio do recurso especial. Dessa forma, entendo atendido os requisitos para apreciação do recurso. Do Mérito Quanto mérito, a primeira ressalva a ser feita, referese aos processos indicados como paradigmas, cujo recurso da Fazenda Nacional não foi conhecido em sessão anterior, por ausência de demonstração da divergência. Analisando os termos do despacho proferido, peço vênia para discordar de sua conclusão, posto que considero que ambos os acórdãos paradigmas tratam da indispensabilidade da apresentação tempestiva do ADA, fato esse, em momento algum utilizado como razão de decidir pelo acórdão recorrido. Aliás, este último passou a margem dessa discussão, sendo que em momento algum abordou a necessidade de ADA para que o sujeito passivo tivesse o direito de reduzir a área da base tributável, quanto mais o momento de sua apresentação. Vêse claramente ausência de préquestinamento nesse aspecto. Contudo, para evitar qualquer argumentação do recorrente, de que o prequestionamento da matéria poderia ser superado com os embargos opostos, irei debruçarme sobre esse ponto. Conforme descrito no relatório deste voto, a Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 05/11/2010, Embargos de Declaração alegando omissão do acórdão ao não se pronunciar a respeito da exigência contida no art. 17O, §1º, da Lei nº 6.938, de 1981 e na IN SRF nº 43, de 1997, acrescentando, ainda, que a contribuinte não tem direito ao benefício, pois o ADA se mostra intempestivo, vez que não foi apresentado no prazo de seis meses, contados a partir da data final da entrega da DITR/2002. Tais embargos não foram acolhidos de acordo com o despacho s/nº da 1ª Câmara, de 20/04/2012, senão vejamos os termos: [...] Ou seja, já nos embargos o relator deixou claro que nas suas razões de decidir não se abordou a necessidade do ADA e sua tempestividade. Mesmo para os que entendessem que a exposição trazida no último parágrafo do despacho de embargo, Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 7 11 poderia ser considerado para cumprimento do pré questionamento, mesmo assim, ainda não poderíamos conhecer do recurso, posto que a situação apresentada nos paradigmas e no recorrido serem diversas. Como falamos anteriormente, a fundamentação do presente auto de infração encontrase no fato de que a autoridade fiscal ter glosada totalmente a área declarada como de Exploração Extrativa (1.017,3 ha), constante do Quadro "Distribuição da Área Utilizada",por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação, ou seja, não foi fundamentado em ausência de ADA. Já no acórdão paradigma 30134.352 a própria descrição dos fatos geradores é diversa. A ação fiscal, teve por objetivo a revisão da DITR/2001 intimando o contribuinte a apresentar, dentre outros, Ato Declaratório AmbientalADA ou protocolo do seu requerimento junto ao IBAMA/órgão conveniado, reconhecendo as áreas declaradas como de preservação permanente e utilização limitada e matrícula do imóvel no Cartório competente do Registro de Imóveis, com a averbação da área de reserva legal, contudo não se desincumbiu o sujeito passivo de comprovar a área por meio da apresentação do ADA. Seguindo a linha da imputação fiscal, o voto vencedor faz toda a sua abordagem levando em consideração a necessária apresentação de ADA, ou seja, a motivação do lançamento é a ausência de ADA, Para que se pudesse conhecer do recurso neste ponto, deveria ter sido indicado como paradigma um acórdão onde o relatora também tivesse utilizado o principal da fungibilidade para fins de aproveitamento de área de reserva legal. Importante relembrar que tratase de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie. Não estou aqui adentrando ao mérito de estar ou não correto o entendimento descrito no acórdão recorrido, mas que as situações diversas impendem que se avance no conhecimento da questão por parte desta CSRF. Isto posto, em momento algum, manifesteime naqueles autos acerca de estar correto o mérito do julgamento que permitiu considerar a área como de reserva legal. Tendo deixado claro o contexto dos julgamentos anteriores, entendo pela impossibilidade de aproveitar as áreas descritas no Quadro "Distribuição da Área Utilizada", declaradas como Exploração Extrativa (1.017,3 ha), por não haver sido comprovado o cumprimento dos requisitos legais para sua aceitação. como área de utilização limitada reserva legal. Adotando essa linha de raciocínio transcrevo a seguir, os fundamentos adotados no acórdão recorrido pelo Dr. Alexandre Naoki Nishioka, por entender realmente não há de se confundir área de reserva legal, com área de exploração extrativa, tendo em vista os Fl. 607DF CARF MF 12 documentos inerentes ao seu cumprimento e principalmente que o próprio contribuinte declarada outra destinação á rea. Passo ao voto do ilustre relator do acórdão recorrido, ao qual adoto como razões de decidir: No mérito, a controvérsia principal é relativa à falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural ITR, verificada no exercício de 2004, decorrente da glosa das áreas de exploração extrativa declaradas pela Recorrente. Nesse sentido, a Recorrente apresentou as matrículas dos imóveis, com averbações anteriores ao fato gerador em questão: “Pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta a proprietária Irani Agropastoril S/A (...) declara perante a autoridade Florestal que a forma de vegetação e a floresta existente em uma área de 399,40 ha, de acordo com a planta topográfica, que faz parte do presente termo fica gravada como de utilização limitada, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser mediante autorização do IBDF.” (em 03/10/1985, fl. 302 e verso dos autos) “Pelo Termo de Manutenção de Floresta Manejada, datilografado em ... a firma Irani Agroflorestal S/A (...) DECLARA que a floresta ou forma de vegetação existente na área de 1.017,3 ha. parte desta matrícula e matrículas 14 e 273 do livro n.º 2 fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser .feita exploração racional sob regime e manejo sustentado, desde que autorizado pelo IBAMA. Com as características e confrontações da planta que faz parte integrante deste Termo, cuja cópia fica arquivada.” (em 18/02/1991, fl. 298 verso dos autos) Apesar de parecerem, à primeira vista, semelhantes as suas averbações, fato é que a área de reserva legal e a objeto de manejo florestal não se confundem. São institutos completamente distintos e possuem requisitos próprios de constituição e consequências ambientais e tributárias distintas, sendo que, na seara fiscal, a área de exploração extrativa por manejo é considerada como área aproveitável e tributável do imóvel enquanto a área de reserva legal não. Pois bem, analisandose os termos da declaração entregue pela Recorrente (DIAT), verificase que a contribuinte qualificou corretamente a área de 1.017 ha sendo passível de exploração como “área aproveitável”, apontando, destarte, como atividade exercida no respectivo terreno a “exploração extrativa”. Assim, sendo certo que o grau de utilização, consoante dispõe o art. 10, VI, da Lei n.º 9.393/96, compõese da “relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável”, cumpre aferir de que forma o plano de manejo sustentado, ainda que de per se, pode reduzir um ou ambos os índices em referência, utilizados para o cálculo da alíquota aplicável do ITR. Nesse sentido, no que toca à área aproveitável, verificase que a legislação é cristalina ao verberar que referida área é aquela total do imóvel, excluídas (i) as áreas de preservação Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 8 13 permanente (APP); (ii) as áreas de interesse ambiental de utilização limitada, isto é, aquelas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, destinadas à proteção de ecossistemas de domínio privado, imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico e as áreas de reserva legal; e, por fim, (iii) as ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural (art. 10, IV, da Lei n.º 9.393/96; art. 9 da IN 253/2002, vigente à época dos fatos e art. 16 do Decreto n.º 4.382). Com fundamento no estatuído pela legislação, resta saber se a existência, pura e simples, de plano de manejo sustentado seria suficiente para alterar o grau de utilização do imóvel para fins de apuração do imposto devido. Cumpre observar, na esteira do exposto, que a legislação, analisando especificamente o enquadramento das áreas objeto de plano de manejo sustentado para fins de apuração do ITR, houve por bem determinar que deverá ser considerada a área total objeto de plano de manejo para fins de cálculo da área utilizada, desde que referido plano venha sendo cumprido pelo contribuinte, dispensando, igualmente, o contribuinte de comprovar a observância dos índices de rendimento por produto explorado. Confirase: Lei n.º 9.393/96 “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.” Decreto n.º 4.382/2002 “Art. 28. Para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, considerase área objeto de exploração extrativa a menor entre o somatório das áreas declaradas com cada produto da atividade extrativa e o somatório dos quocientes entre a quantidade extraída de cada produto declarado e o respectivo índice de rendimento mínimo por hectare. § 1º Na ausência de índice de rendimento para determinado produto vegetal ou florestal extrativo, considerase área objeto de exploração extrativa, para fins de cálculo do grau de utilização, a área efetivamente utilizada pelo contribuinte nesta atividade (Lei nº 8.629, de 1993, art. 6, § 6). Fl. 609DF CARF MF 14 § 2º Estão dispensadas da aplicação dos índices de rendimento mínimo para produtos vegetais e florestais as áreas do imóvel exploradas com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo IBAMA até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 5).” Instrução Normativa n.º 256/2002 “Art. 26. Área objeto de exploração extrativa é aquela servida para a atividade de extração e coleta de produtos vegetais nativos, não plantados, inclusive a exploração madeireira de florestas nativas, observados a legislação ambiental e os índices de rendimento por produto estabelecidos em ato da SRF, ouvido o Conselho Nacional de Política Agrícola. (...) § 4º Para fins do disposto no caput, considerase área de exploração extrativa a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo Ibama até 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte, dispensada, neste caso, a aplicação de índices de rendimento por produto.” Assim, a teor do que dispõe a legislação, não basta, para a consideração da área utilizada, a apresentação do plano de manejo sustentado, devidamente aprovado pelo IBAMA, mas, igualmente, deve haver a comprovação do efetivo cumprimento do plano submetido à apreciação do órgão ambiental. A corroborar o quanto exposto, cumpre frisar que, analisando caso análogo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em voto da lavra do Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, proferiu acórdão que teve a seguinte ementa: “ITR. PLANO DE MANEJO SUSTENTADO. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Pode ser considerada área de exploração extrativa, sem aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Seção, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 340.935, relator Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, sessão de 15/04/2010) No presente caso, a Recorrente juntou apenas cópia do projeto de manejo florestal, que previa o término de corte de árvores Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10925.002549/200826 Acórdão n.º 9202004.546 CSRFT2 Fl. 9 15 nativas em 2001 e que previa a continuação da exploração por meio do corte de outros tipos de árvores: “De acordo com o volume a ser explorado de toras nativas, a capacidade de produção da indústria será reduzida, e compensada com toras de Pinus taeda e elliottii e Eucalyptus viminalis, pois o ciclo a ser estabelecido será de 3 anos. Após esse período, a empresa deixará de processar mecanicamente toras de árvores nativas, até o mês de abril do ano 2001, o que compreenderá 10 anos até o início das atividades e após os levantamentos de campo para definição do incremento médio anual da floresta, a fim de se saber o que poderá ser extraído. Isto posto, entendo que correto o lançamento realizado. Ao contrário dos argumentos apresentados pelo recorrente entendo pela impossibilidade de aproveitamento da área declarada como de exploração extrativa como de reserva legal, tendo em vista a sua própria declaração como de exploração extrativa e não cumprimento dos requisitos. Conclusão Face todo o exposto voto por CONHECER DO RECURSO DO SUJEITO PASSIVO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 611DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37213.000896/2004-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1994 a 28/02/2004
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1994 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC), definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 21 3. 00 08 96 /2 00 4- 73 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, relativa às Contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes à parcela dos segurados e à parcela devida pela empresa, pelo SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) e as relativas a Terceiros (FNDE/SalárioEducação), nas competências de 02/1994 a 02/2004. Conforme Relatório Fiscal (fls. 180 a 185) os fatos geradores foram apurados com base nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que prestaram serviço à empresa, declaradas na Relação Anual Informação Social (RAIS) e na Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 03/09/2004 (fls. 01). Em sessão plenária de 20/09/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 149.041, prolatandose o Acórdão nº 240201.150 (fls. 603 a 609), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE n° 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4 o , ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 37213.000896/200473 Acórdão n.º 9202004.486 CSRFT2 Fl. 806 3 INCONSTITUCIONALIDADE / ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. PERÍCIA. NÃO APLICAÇÃO. A autoridade julgadora deve indeferir o pedido de perícia quando considerála prescindível e meramente protelatória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE" A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições lançadas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, incluindo a 13/1998, devido a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues, que votaram em aplicar integralmente a regra expressa no § 4º , Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições lançadas nas competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999, devido à regra expressa no § 4º , Art. 150 do CTN, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues; e b) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do relator.” Cientificada do acórdão em 07/01/2011 (fls. 610), a Fazenda Nacional interpôs, em 10/01/2011(fls. 612), o Recurso Especial de fls. 613 a 619, com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, Fl. 807DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 4 visando rediscutir a decadência, relativamente às competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 049/2011, de 18/01/2011 (fls. 628/629). Intimado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte quedouse silente (e803). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, relativa às Contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes à parcela dos segurados e à parcela devida pela empresa, pelo SAT/RAT (financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho) e as relativas a Terceiros (FNDE/SalárioEducação), nas competências de 02/1994 a 02/2004. Conforme Relatório Fiscal (fls. 180 a 185) os fatos geradores foram apurados com base nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que prestaram serviço à empresa, declaradas na Relação Anual Informação Social (RAIS) e na Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 03/09/2004 (fls. 01). A matéria em discussão é a decadência, relativamente às competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62, § 2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12/08/2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 808DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 37213.000896/200473 Acórdão n.º 9202004.486 CSRFT2 Fl. 807 5 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO 6 Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, foi aprovada, em 09/12/2013, a Súmula CARF nº 99, que assim dispõe: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, foram identificados recolhimentos nas competências em litígio, conforme consta do voto do acórdão recorrido (fls. 607): "Nas competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999 (DAD Discriminativo Analítico de Debito, fls. 04 e 05), verificamos que ocorreram recolhimentos parciais. Logo, os valores das contribuições do presente lançamento fiscal para as competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999 serão extintos pela decadência quinquenal, nos termos da regra constante do art. 150, § 4 ° , do CTN." A Fazenda Nacional por sua vez, alega: "Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o acórdão recorrido, aplicandose à hipótese vertente, em relação à rubrica '"SAT" das competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999, a regra de contagem do prazo decadencial prescrita pelo artigo 173, inciso I, do CTN." Em face de tal alegação, esclareçase que o lançamento foi baseado no batimento de RAIS, GFIP e Folhas de Pagamento, considerando que o Contribuinte não apresentou todos os documentos durante a fiscalização. Os recolhimentos constantes do relatório DAD não traduzem as rubricas recolhidas, já que a apropriação das guias é feita automaticamente pelo sistema. Quando a Fiscalização lançou a RAIS, possivelmente apurou diferença de recolhimentos, não considerados pelo Contribuinte. Assim, o que havia sido recolhido a título de SAT sobre a Folha de Pagamento, foi absorvido pelo recolhimento da parcela patronal sobre a nova base de cálculo apurada. Notese, ainda, que a GPS não detalha o recolhimento de contribuição patronal e SAT, razão pela qual o recolhimento de um, no presente caso, aproveita ao outro. Assim, não há óbice à aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, bem como da Súmula CARF nº 99. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 03/09/2004 (fls. 01) e os fatos geradores em tela dizem respeito às competências 03/1999, 05/1999 e 06/1999, constatase a ocorrência da decadência. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO Processo nº 37213.000896/200473 Acórdão n.º 9202004.486 CSRFT2 Fl. 808 7 Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 811DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO
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