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Numero do processo: 16024.000129/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
Ementa:
DESPESA NÃO NECESSÁRIA. GLOSA. PROCEDÊNCIA.
Tratando-se de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade.
LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. O cerceamento em questão revela-se ainda mais inexistente no caso em que o contribuinte, tendo a seu dispor o novo prazo, simplesmente reitera a argumentação expendida na defesa inicial, aportando documento que, considerado o histórico do procedimento, poderia ter sido apresentado no curso da ação fiscal.
INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. ALEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA
Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabe-lhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revela-se absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica.
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO.
Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita.
DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA.
A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontrava-se arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituí-la.
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
Numero da decisão: 1301-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - pelo voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri; e II - pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: DESPESA NÃO NECESSÁRIA. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Tratando-se de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. O cerceamento em questão revela-se ainda mais inexistente no caso em que o contribuinte, tendo a seu dispor o novo prazo, simplesmente reitera a argumentação expendida na defesa inicial, aportando documento que, considerado o histórico do procedimento, poderia ter sido apresentado no curso da ação fiscal. INOCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. ALEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabe-lhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revela-se absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontrava-se arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituí-la. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
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GLOSA. PROCEDÊNCIA. Tratandose de apropriação de despesa no resultado fiscal cujo fundamento foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos, à evidência, não sendo o referido contrato respeitado, desaparece o elemento justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. LANÇAMENTO ORIGINAL. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR E NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, RETIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe falar em cerceamento do direito de defesa na situação em que, em virtude de a contribuinte ter enfrentado dificuldade no acesso a peças do processo, a autoridade julgadora administrativa, determina a reabertura de prazo para aditamento de razões e apresentação de documentação complementar. 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IMPROCEDÊNCIA Se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabelhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. Ressalvada a hipótese de prejuízo fiscal em montante superior à matéria tributável apurada, revelase absolutamente improcedente a afirmativa de que, diante de tais circunstâncias, não ocorre o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita. DESPESAS DE PROPAGANDA. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. INEXISTÊNCIA. A comprovação da ocorrência de evento da natureza no Município em que supostamente a documentação da fiscalizada encontravase arquivada, não constitui prova suficiente do seu extravio, especialmente quando não são adotadas as providências previstas na legislação de regência para a hipótese e quando o contribuinte não demonstra ter envidado esforços no sentido de reconstituíla. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.696 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I pelo voto de qualidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri; e II pelo voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Valmir Sandri. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.697 4 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 e de 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por SALDO CREDOR DE CAIXA; ii) omissão de receitas, caracterizada por PASSIVO FICTÍCIO; iii) glosa de despesas de propaganda e de comercialização; e iv) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre bases de cálculo estimadas. Inconformada, a autuada interpôs impugnação (fls. 990/1.033), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que teria ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, em face da dificuldade de acesso oposta aos demais documentos não juntados aos autos de infração e relatórios fiscais a ela entregues, mencionados, porém, pelo autuante no Relatório Fiscal (fls. 202/206, 304/320, 336/529, 530/549, 560/562, 589/631, 663/719, 720/964); que, apesar de ter se dirigido à DRF/SorocabaSP, local da lavratura dos autos de infração, para obtenção das cópias mencionadas, e, após, à ARF/Duque de CaxiasRJ, repartição para onde os autos foram enviados, não obteve sucesso em seu intento, eis que foi lhe informado que os autos encontravamse ainda em trânsito, que, em virtude do fato acima exposto, entregou sua impugnação sem, contudo, ter tido acesso a esses importantes documentos que serviram de base às autuações; que o artigo 5°, LV, da Constituição Federal, entretanto, garante aos litigantes em processo administrativo ou judicial, e aos acusados em geral, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; que o cerne da autuação teria sido a desconsideração dos contratos firmados com a CERVEJARIA PETRÓPOLIS e a JM INDÚSTRIA, COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA, que no entendimento do autuante são ineficazes e sem validade, sob a justificativa de que as situações de distribuição e exclusividade nunca foram respeitadas pelas partes, indicando a ocorrência de despesa desnecessária não exigida pela atividade desenvolvida; que a norma antielisão, introduzida no ordenamento jurídico através da Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001, acrescentou um parágrafo único ao artigo 116 do CTN, permitindo à autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios jurídicos nas condições ali estabelecidas, sendo que a parte final do texto fala em observância dos procedimentos estabelecidos em leis ordinárias, entretanto, os artigos da Medida Provisória n° 66 que regulamentavam a matéria não foram convertidos em lei, inexistindo, assim, tal regulamentação; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.698 5 que verificase, portanto, a ausência de Lei Ordinária autorizativa dos poderes de desconsideração de atos e negócios jurídicos, postos em prática pela autoridade administrativa; que o art. 14, § 1º, da MP n° 66, fixava alguns requisitos a serem considerados para a desoneração de atos e negócios jurídicos, dentre eles, a falta de propósito negocial ou o abuso de forma, porém, não levando tais requisitos em consideração, a auditoria fazendária vem autuando fazendo uso dos conceitos de simulação e fraude do Direito Civil, sem o mínimo de acuidade; que em nosso direito existe norma de observância geral determinando que a forma deve ser obrigatoriamente respeitada pelo aplicador da lei tributária, de vez que o art. 109 do CTN preceitua, com fundamento no art. 146, inciso III, da Constituição Federal, que “os princípios gerais do direito privado utilizamse para a pesquisa da definição do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para a definição dos respectivos efeitos tributários”; que, quando a lei tributária reportase a figuras reguladas pelo direito privado, há que se verificar qual a sua definição, os seus elementos e o seu significado, de acordo com os princípios aplicáveis às relações entre particulares; que, embora os efeitos fiscais dessas figuras devam ser definidos pela lei tributária, a forma jurídica há de ser respeitada exatamente como definida pelo direito privado, logo, não pode a autoridade administrativa, na condição de aplicador da lei, modificar o regime tributário legalmente previsto para atos ou negócios jurídicos celebrados com a observância das regras do direito privado; que a autoridade administrativa comete grave equívoco quando pretende afastar atos ou negócios jurídicos que entende abusivos perante o direito tributário, com apoio em dispositivos do Código Civil que tratam de fraude à lei ou de abuso de direito (CC, arts. 166, inciso VI, e 187); que, no caso, não há abuso de forma na celebração dos negócios, notadamente com relação à cessão de área comercial contratada com a “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” e no que concerne aos negócios jurídicos realizados com a empresa "JM", assim como tampouco há desvio de finalidade nos negócios jurídicos celebrados por ela e as partes envolvidas nos contratos e operações destacados no Relatório Fiscal, porquanto foram observadas, estritamente, as regras jurídicas, fiscais e contábeis em cada operação; que a aplicação dessas figuras civis no âmbito tributário se dá apenas quando os atos ou negócios jurídicos celebrados pelos particulares estiverem em desacordo com princípios e regras do direito privado, como, por exemplo, a autonomia da vontade, a boa fé contratual, os bons costumes, os quais, entretanto, foram observados nas operações citadas; que, ausente a previsão na lei tributária, não pode o intérprete simplesmente importar os conceitos de fraude à lei e abuso de direito aplicáveis no âmbito privado, até porque as características e, principalmente, os efeitos fiscais dessas figuras hão de ser diversos dos civis; que, além disso, a despesa realizada, decorrente do “Contrato de Cessão de Área para Distribuição Exclusiva e Garantia de Fornecimento de Produto” é inerente à sua Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.699 6 atividade econômica, sendo, por conseguinte, indispensável à consecução de seus fins e à manutenção de sua atividade empresarial, conforme documentação hábil apresentada à Fiscalização, sendo, portanto, despesas necessárias, sem as quais o empreendimento empresarial não poderia seguir adiante, ou seja, são dispêndios que lhe possibilitaram promover suas atividades com o consequente incremento de sua fonte produtora de riquezas, subsumindose ao disposto no art. 299, do RIR/1999; que, no caso, havia necessidade indispensável de se estabelecer áreas para sua atuação, prática comum em qualquer segmento econômico que dependa de terceiros para exploração de determinadas localidades com o objetivo de expandir sua participação no mercado; que o fato de terem ocorrido vendas realizadas por terceiros na área que lhe era exclusiva, no período analisado pela Fiscalização, em nada compromete a dedutibilidade das despesas; que o contrato firmado com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" estabelecia prazo de vigência de 120 meses (cláusula V do Instrumento Particular de Cessão de Área para Distribuição Exclusiva e Garantia de Fornecimento de Produto, às fls. 307), porém, sua longa duração era consequencia do tempo e do vultoso investimento que se fariam necessários para implantação das atividades em todas as áreas negociadas no contrato; que, apesar de detentora dos direitos de distribuição sobre as áreas mencionadas pelo autuante, não tomou qualquer medida em desfavor da empresa "JM", porque não estava ainda preparada estruturalmente para atender essas localidades e não lhe era permitido deixar de atender qualquer região, sob pena de infração contratual (item 22.4, da cláusula XXII, do Instrumento Particular de Cessão de Área, As fls. 315); que, por essa razão, as partes entraram em entendimento comercial para adequar e permitir a continuidade das atividades, mediante concessões recíprocas; que, para que haja equilíbrio contratual entre as partes, a mera liberalidade de um dos contratantes não deve ser confundida com novação, nem tampouco condição de extinção do contrato celebrado; que tanto é assim que todos os municípios citados no Relatório Fiscal são, atualmente, atendidos por empresas ligadas direta ou indiretamente à ela ou a seus sócios, não tendo o autuante observado a proporção entre a receita global e os valores tidos como de exceção nas supostas invasões de área; que, ademais, não compete aos agentes fiscais utilizar o seu juízo sobre estratégias comerciais para fundamentar uma autuação fiscal, especialmente quando se trata de um mercado altamente complexo e dependente de diversos fatores econômicos e sociais; que do direito constitucionalmente assegurado e do fato de que a obrigação tributária só pode nascer validamente pela ocorrência efetiva de uma hipótese de incidência prevista em lei (art. 150, inciso I, da Constituição Federal), decorre a legitimidade de o contribuinte planejar suas atividades de forma a evitar ou postergar a prática de atos e negócios inseridos nas hipóteses legais de tributação ou de maneira a procurar incorrer em situações legais de menor tributação; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.700 7 que, além disso, as despesas foram reconhecidas contabilmente e consideradas na apuração do IRPJ no período em que vigorou o contrato de cessão de área, porém, o autuante glosou despesas e reconheceu receitas de mesma natureza; que adiantou à “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” o valor de R$ 206.242.721,69 e, em observância aos princípios contábeis e fiscais, somente reconheceu como despesa no ano calendário de 2005 o valor de R$ 26.968.512,00, ou seja, cerca de 13% do total, o que foi confirmado pelos próprios agentes fiscais; que esse procedimento foi adotado porque, na sua visão conservadora, tal valor representava a despesa incorrida no período em que vigorou a cessão de área, uma vez que o contrato determinava que a diferença adiantada deveria ser devolvida caso o seu cumprimento não se verificasse integralmente; que, se mais arrojada tivesse sido em sua administração tributária, poderia deduzir como despesa operacional a totalidade do adiantamento feito à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS", mas assim não procedeu porque entendeu que com a rescisão contratual não poderia considerar tal perda como despesa; que de acordo com a doutrina de Hiromi Higuchi e o Conselho de Contribuintes (Acórdão n° 10175.080/1984), quando por qualquer motivo um projeto é descontinuado, representa perda para o empreendedor e essa perda deve ser imputada em contas de resultado e pode ser deduzida para fins fiscais; que embora não necessários para a configuração da necessidade, já que as despesas foram incorridas de acordo com o disposto no RIR/1999, os adiantamentos, por seu turno, foram confirmados pelos auditores fiscais, os quais não registraram qualquer dúvida sobre os recibos que lhes foram entregues; que não haveria motivação, portanto, para a glosa das despesas lançadas a título de “Despesas de Comercialização Utilização de Área Comercial”, por serem necessárias para a atividade da empresa e, consequentemente, dedutíveis para fins de imposto de renda; que, pelo fato de manter com a "JM" excelentes laços comerciais, figurando ambas como vendedoras e compradoras de bebidas, ou seja, como clientes e fornecedoras ao mesmo tempo, recebia adiantamentos desta pessoa jurídica para futura entrega de mercadorias, como informado na resposta à intimação de 11/03/2009 (fls.629/631), o que gerou um saldo credor em favor da "JM"; que o próprio Relatório Fiscal apresenta incoerências em relação à comprovação da baixa dos adiantamentos, uma vez que, na página 3 do Relatório o autuante informa que a quitação da dívida da interessada com a "JM" não restou comprovada e nas páginas 8 e 9 afirma que a interessada respondeu à intimação informando que se tratava de "adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensações com algum saldo devedor junto ao cliente" e que "as quitações ocorreram por baixa da entrega de produtos e por compensações de outros débitos gerados entre PRAIAMAR e seus clientes"; que todos os adiantamentos foram compensados com mercadorias e/ou com saldo devedor gerados ao longo de negociações com a "JM" e liquidados conforme consta nos Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.701 8 lançamentos registrados nos Livros Contábeis, os quais foram exaustivamente analisados pelo agente fiscal no curso da fiscalização e parte deles anexados à defesa (fls.874/896); que protestava pela juntada de outros documentos aos autos, porquanto a enchente mencionada, ocorrida em seu domicilio (disse que anexou Parecer Técnico de Transcrição, subscrito por perito criminal), consumiu e/ou deteriorou dezenas de milhares de documentos, que estariam sendo objeto de triagem e restauração e que logo que estivessem recuperados seriam juntados aos autos; que os adiantamentos não estariam sujeitos à tributação enquanto não fossem convertidos nas suas reais receitas, pois o regime de competência determina que as vendas devem ser reconhecidas na apuração do resultado do período base em que forem efetivadas, independentemente de seu recebimento em dinheiro; que, dessa forma, se as receitas de vendas a prazo realizadas em dezembro devem ser reconhecidas no mês de dezembro, ainda que o recebimento em dinheiro ocorra no período base seguinte, a contrario sensu, os adiantamentos recebidos de clientes só poderão ser convertidos em receita no período base da efetivação da venda; que haveria possibilidade, também, que essa venda nem viesse a ser concretizada, como aconteceu com parte dos adiantamentos realizados pela "JM", compensados com a entrega do direito de distribuição em algumas áreas pertencentes à ela; que a justificativa apresentada pelo Fisco para considerar como fictícias as operações denominadas "adiantamentos de clientes" teria se baseado em mero critério subjetivo dos agentes fiscais, que lançaram suspeitas até em relação a evento da natureza, como o vendaval ocorrido em Boituva; que o boletim de ocorrência somente foi lavrado treze dias após, porque a própria Delegacia de Policia fora atingida pela ventania, mas, ainda assim, além do competente registro da ocorrência junto às autoridades policiais, conseguiu reunir todos os elementos de prova do sinistro, como matérias de jornais da região e reportagens da imprensa televisiva; que os auditores estranham os valores envolvidos, entretanto, a legislação tributária não se alicerça em critérios de valor e sim nos procedimentos adotados pelos contribuintes para determinar se essa ou aquela norma restou infringida; que, além disso, o Relatório Fiscal externa claramente a postura interrogatória utilizada pelos auditores e não um procedimento de constatação de fatos através de registros contábeis e fiscais confrontados com a documentação comprobatória; que buscam os auditores estabelecer regras pelas quais adiantamentos de numerários podem ser efetuados somente "com a apresentação de notas fiscais de venda para futura entrega e as consequentes notas fiscais de remessa", ou seja, na hipótese de uma empresa adiantar a outra numerário para fornecimento futuro e esse fornecimento não ocorrer, fica na visão dos auditores, e somente na deles, configurada a ocorrência de operação fictícia, relegando a plano secundário a soberania das empresas envolvidas; que os auditores não aceitaram, ainda, movimentação física de numerário, o que evidencia total desconhecimento das características das atividades desenvolvidas por ela, nas quais esse tipo de movimentação é muito comum, devendo ser esclarecido, também, que os Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.702 9 auditores nem levaram em consideração que no período examinado existia a cobrança da CPMF e aquele que podia efetuava o mínimo de movimentação financeira em estabelecimentos bancários a fim de evitar a sua cobrança, conforme pesquisa encomendada pelo Banco Central ao Instituto Datafolha, publicada no jornal Valor Econômico, que mostra, inclusive, a intensificação do uso do dinheiro em notas e moedas como meio de pagamento, a despeito do avanço dos instrumentos eletrônicos, como cartões de débito e crédito; que os seus produtos preponderantes são comercializados nos estabelecimentos que, segundo a pesquisa, mais utilizam numerário para pagamento de despesas e de contas, quais sejam, mercadinhos, mercearias de bairro, restaurantes, lanchonetes e bares; que, se os proprietários desses estabelecimentos recebem em espécie, consequentemente, pagarão seus fornecedores da mesma forma, o que justificaria o trânsito de numerários e os altos valores em caixa, tornandose uma prática usual neste setor; que vultosas quantias em espécie foram, efetivamente, movimentadas, por ser típico em suas atividades, mas não no volume mencionado pelos auditores (dois milhões por dia!), tendo em vista que à época estava munida de todas as condições de segurança para fazêlo; que, se adiantamentos houveram por conta de futura entrega de mercadorias e tais adiantamentos foram ao final compensados com produtos e/ou outras operações comerciais, qual o motivo relevante que levaria os senhores agentes a entenderem que os valores correspondentes seriam decorrentes de receitas comerciais não declaradas?; que a fabricante dos produtos está sujeita a um rigoroso controle fiscal de produção e, ainda, ao sistema de substituição tributária, pelo qual as receitas devem desde logo ser recolhidas ao Fisco, não sendo razoável suporse a existência de mercadoria sem a correspondente obrigação fiscal; que, não havendo prova de venda de mercadorias e não sendo razoável suporse a ocorrência de evasão fiscal sem motivo justificado, o auditor só poderia desclassificar a operação econômica para figura jurídica mais adequada, ou seja, um empréstimo por conta de futura entrega de mercadoria; que, a propósito, o artigo 167 do Código Civil é claro ao disciplinar que "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma"; que o Parecer Normativo CST n° 23/1983, que dispõe sobre a aplicação das normas da legislação do imposto de renda, é esclarecedor ao afirmar que "não tem relevância a forma pela qual o empréstimo se exteriorize; contrato escrito ou verbal, adiantamento de numerário ou simples lançamento em conta corrente, qualquer fato que configurar capital financeiro posto disposição de outra sociedade sem remuneração, ou com compensação financeira inferior àquela estipulada na lei, constitui fundamento para aplicação da norma legal"; que, portanto, no presente caso estáse diante de omissões de receita forjadas pelos auditores a partir do afastamento de lançamentos contábeis pertinentes a Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.703 10 negócios jurídicos totalmente regulares, o que não é possível prevalecer frente aos mais elementares princípios e regras de nosso ordenamento jurídico; que os auditores ignoraram a dificuldade que ela teve para localizar os documentos relativos às operações que resultaram em despesas de propaganda e que se encontram em grande parte junto com aqueles "salvos da enchente", motivo pelo qual protestava por sua juntada assim que fossem encontrados, após a classificação daqueles deteriorados pela enchente; que ainda que as despesas sejam consideradas indedutíveis, não haveria amparo legal para perpetuação da tributação reflexa, visto que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não se confundem e as matérias que as compõem estão claramente definidas nos respectivos diplomas legais que as criaram; que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado por adições e exclusões, dentre elas a adição das despesas indedutíveis a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.249/1995, o qual não faz qualquer menção às despesas com comercialização ou propaganda; que, desse modo, os auditores não poderiam alterar por conta própria a base de cálculo da CSLL para fazer incluir itens não previstos em lei, conforme, inclusive, decisões do antigo Conselho de Contribuintes (acórdãos n° 10192.553/99, 10705.150/98, 101 92.979/00 e 10194.286/03), transcritas por Hiromi Higuchi em sua obra "Imposto de Renda das Empresas"; que, estando comprovado que não ocorreu a mencionada omissão de receita, não há que se falar, também, em tributação reflexa de PIS e COFINS, sob pena de a União Federal estar incorrendo em enriquecimento ilícito; que a cumulação de multas isoladas e de oficio ultrapassaria o razoável, caracterizando modo indireto de burlar diversos dispositivos constitucionais, não podendo a multa fiscal ou tributária ser utilizada como expediente ou técnica de arrecadação, disfarçada em verdadeiro tributo; que o imposto devido é infinitamente inferior ao valor das multas, devendo ser considerado um descompasso jurídico a aplicação destas em duplicidade, pois são calculadas sobre o mesmo fato gerador, afrontando os princípios do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da segurança jurídica, o que é corroborado por diversas decisões exaradas pelo Conselho de Contribuintes e pelo Superior Tribunal de Justiça; que todas as operações realizadas observaram os requisitos legais e contábeis, sempre atendendo à legislação civil e tributária; que não há previsão legal que autorize o Poder Executivo a desconsiderar os atos e negócios jurídicos, desde que estejam de acordo com a autonomia da vontade, a boafé contratual e os costumes comerciais, como no presente caso; que o conceito de simulação é o constante do artigo 102 do Código Civil, que segundo Orlando Gomes ocorre quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros"; Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.704 11 que, para que aconteça a simulação ou dissimulação, há necessidade dos seguintes requisitos: a) conluio entre as partes, na maioria dos casos configurando uma declaração bilateral de vontade; b) nãocorrespondência entre a real intenção das partes e o negócio por elas declarado, apenas aparentemente querido; e c) intenção de enganar, iludir terceiros, inclusive o Fisco; que, entretanto, tais institutos não se confundem com elisão fiscal, se as partes que celebram o negócio, ainda que através de formas jurídicas alternativas, pretendem, efetivamente, realizálo como estipulado; que na elisão fiscal a conduta das partes é licita, não há uma falsa, aparente ou simulada declaração de vontade, eis que a declaração é real, efetiva, verdadeira, condizente com a vontade das partes, não havendo intenção de burlar, enganar ou ocultar alguma coisa do Fisco, ao contrário da simulação, onde a conduta é ilícita; que, no caso, todas as partes envolvidas nos contratos sempre conduziram seus negócios com o intuito de cumprir as cláusulas contratuais firmadas, cabendo, então, à Administração Pública, representada pelos auditores fiscais, o ônus da prova da ocorrência de simulação, pois, como é sabido, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento; que não basta a simples suspeita de fraude para que o ato ou negócio jurídico possa ser desqualificado pela autoridade administrativa, sendo indispensável a prova efetiva do intuito de dissimular por parte do contribuinte; que os atos administrativos devem pautarse pelos princípios da motivação e da legalidade, conforme esclarecido no Acórdão 10311.590/1982, entretanto, os auditores fiscais em nenhum momento descrevem com precisão os fatos ocorridos e seus pressupostos, que ensejaram a suposta inobservância das regras estabelecidas nos artigos 299 e 300, do RIR/1999, e não o fizeram porque não conseguiram enquadrar os atos legais praticados pela interessada como nocivos e infringentes aos citados artigos do RIR/1999, deixando isso claro e evidente quando afirmam que "na realidade, tal situação aponta para a ocorrência de uma despesa desnecessária, não exigida pela atividade da empresa, portanto não dedutível"; que apontar significa uma possível tendência e não uma consumação de determinado ato ou fato, logo tal postura dos auditores não pode ser recepcionada como respeitadora dos princípios da legalidade e da segurança jurídica, imprescindíveis a um lançamento tributário; que, nesse sentido, é insustentável o agravamento (qualificação) da multa de oficio, uma vez que, não restando comprovado que a interessada agiu com dolo, fraude ou simulação, pois não tem e nem nunca teve a intenção de provocar qualquer dano ao Erário, perfezse o suporte fáticojurídico para se fazerem aplicar os temperamentos de interpretação da norma tributária, o que enseja a desconsideração da qualificação da multa de oficio de 150% e consequentemente da representação fiscal para fins penais. Argumentando que a contribuinte teve dificuldade de acesso à íntegra dos documentos que embasaram os autos de infração, e que tal fato foi argüido por ela (pela contribuinte), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro remeteu os autos à unidade administrativa de origem para que fosse concedido ao contribuinte o direito de, Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.705 12 no prazo de trinta dias, aditar razões e documentos à impugnação interposta (Resolução n° 258, de 06/10/2009 fls. 1262). Em virtude de tal providência, a contribuinte, complementando a impugnação interposta, alegou: que, diante da postura adotada de prorrogação do prazo para aditamento de razões e de documentos, ficava configurado o cerceamento do direito de defesa naquela ocasião; que, todavia, a diligência solicitada não convalidaria o procedimento fiscal, posto que, o cerceamento ao exercício da liberdade de defesa, por configurar violação às garantias fundamentais e desobediência às formas legais processuais, afigurarseia eivado de nulidade absoluta, impossível de ser convalidado; que, de acordo com o art. 166 do Código Civil, seria nulo o negócio jurídico quando (...) não revestir a forma prescrita em lei (inciso IV) e for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade (inciso V); que tanto ocorreu na instauração a desobediência à forma legal como foram preteridas as solenidades previstas na lei, para o exercício do direito de defesa, razão pela qual incidiria, inequivocamente, na hipótese, a lei geral que prescreve a sanção para os atos nulos, insculpida no art. 169, do Código Civil (o negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo); que, uma vez reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, deveria ser decretada a nulidade de todo o procedimento "ab initio", devido à contaminação de todos os atos do procedimento; que, sem prejuízo dos argumentos já expostos na impugnação inicial, apresenta cópia do Laudo Pericial Contábil apresentado no processo DRT n° 4.183.918/2008 (fls. 1270/1294), em tramitação no Egrégio Tribunal de Impostos e Taxas do Estado de São Paulo, cujo objetivo fora verificar a integridade de seus registros contábeis, referente ao exercício de 2005, advindos do Contrato de Cessão de Área pactuado com a Cervejaria Petrópolis e responder os quesitos formulados no citado processo DRT, em trâmite perante o Tribunal de Impostos; que caberia mencionar que o aludido parecer concluiu que os registros contábeis efetuados relativos ao fato estão absolutamente corretos e em conformidade com as normas brasileiras de contabilidade; que, consequentemente, se os negócios de cessão de área se afiguram legítimos, não se pode impugnálos na sua essência e mesmo na sua extensão com outras empresas. Ao final, destacou que o trabalho fiscal não se pautou pela legalidade e sim pela apreciação subjetiva, em detrimento da apuração da verdade, e reiterou todos os termos de sua impugnação inicial. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.706 13 do acórdão nº 1240.190, de 31 de agosto de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A reabertura de prazo para aditamento de razões à inicial e eventual juntada de novos documentos aos autos, concedida em razão da dificuldade de acesso da pessoa jurídica à íntegra dos documentos que amparam os autos de infração, não configura hipótese de nulidade absoluta por não contaminar os atos a ela anteriores. Uma vez corrigido o vício e não tendo a pessoa jurídica tido qualquer prejuízo com vistas a apresentação de sua defesa, afastase a preliminar de nulidade suscitada. LUCRO REAL ANUAL. OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. NÃO COMPROVAÇÃO DOS ADIANTAMENTOS ESCRITURADOS. A falta de comprovação dos "adiantamentos de clientes" escriturados nos livros da pessoa jurídica, enseja a recomposição do saldo da conta Caixa para a exclusão desses valores e a tributação como omissão de receitas do saldo credor apurado. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO NÃO COMPROVADO. A manutenção, em conta do Passivo Circulante denominada "Adiantamento de Clientes", de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pela pessoa jurídica, caracterizase como omissão de receitas. DESPESAS COM PROPAGANDA. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. Se a pessoa jurídica deixa de comprovar documentalmente os lançamentos contábeis das despesas de propaganda realizadas, cabível a glosa efetuada. DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. GLOSA INCABÍVEL. Incabível a glosa das despesas de comercialização, quando constem dos autos elementos que denotam a sua necessidade à atividade da pessoa jurídica. CSLL. PIS. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). SALDO CREDOR DE CAIXA E PASSIVO FICTÍCIO. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO. Impõese a aplicação da multa qualificada, se as provas carreadas aos autos no curso da ação fiscal evidenciam a intenção dolosa de evitar a ocorrência do fato gerador, pela prática reiterada, em dois anos calendário consecutivos, de desviar receitas da tributação, mediante o expediente de escriturar inúmeros "adiantamentos de clientes", não comprovados, na conta Caixa e em conta de passivo circulante. IRPJ E CSLL. EXIGÊNCIA DE MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. ERRO NA DATA DA OCORRÊNCIA Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.707 14 DO FATO GERADOR E NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. AFASTAMENTO DA EXIGÊNCIA. A constatação de equívocos cometidos na lavratura dos autos de infração, quanto à data da ocorrência do fato gerador e ao valor da base de cálculo reapurada, enseja o cancelamento das exigências de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1.373/1.412, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustenta: a ocorrência de cerceamento do direito de defesa e de violação ao princípio da publicidade dos atos processuais; a ausência da ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL nos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização e de qualquer prática que pudesse ser classificada como omissão de receitas; a ocorrência de erro de lançamento da “glosa de saldo credor de caixa”; a ocorrência de caso fortuito ou força maior no curso da fiscalização; a impossibilidade de manutenção, de um lado, da “glosa de saldo credor de caixa”, e, de outro, a “glosa do suposto passivo fictício”; a inexistência de simulação ou fraude e dos pressupostos legais autorizadores da qualificação da multa de ofício. É o Relatório. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.708 15 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Em conformidade com o Relatório Fiscal de fls. 903/930, foram as seguintes as irregularidades apuradas por meio do procedimento fiscal levado a efeito contra a contribuinte: i) FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS DE PROPAGANDA: a contribuinte não comprovou as despesas efetuadas com a empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SOL NASCENTE LTDA. – Matéria Tributável = R$ 3.001.780,00 (anocalendário 2004); ii) GLOSA DE DESPESAS DE COMERCIALIZAÇÃO: as despesas foram consideradas não necessárias, haja vista que os motivos justificadores dos dispêndios (utilização de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento de produto) não foram confirmados – Matéria Tributável = R$ 26.968.512,00 (anocalendário 2005); iii) SALDO CREDOR DE CAIXA: decorrente da desconsideração de operações nominadas de ADIANTAMENTOS DE CLIENTES, consideradas fictícias – Matéria Tributável = R$ 128.009.809,71 (anocalendário 2004); iv) PASSIVO FICTÍCIO: falta de comprovação do saldo da conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES – Matéria Tributável = R$ 10.199.474,24 (anocalendário 2005); v) MULTA ISOLADA: decorrente da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL a título de antecipações obrigatórias (estimativas) – R$ 12.455.973,12 (IRPJ) e R$ 4.487.750,32 (CSLL). Aprecio, pois, os recursos impetrados. RECURSO DE OFÍCIO Transcrevo, abaixo, fragmento do voto do condutor da decisão de primeiro grau que trata do cancelamento de parte das exigências constituídas. Das despesas de comercialização 42. A interessada atua no ramo atacadista e de distribuição de bebidas em geral e os contratos firmados com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" e a "JM" tiveram por finalidade ampliar a sua área de atuação. 43. Nesse sentido, celebrou com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" (cedente), em 31/12/2004, "cessão parcial de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento de produto" (fls. 304/317). Por intermédio desse instrumento particular, a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" cedeu à interessada Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.709 16 (cessionária) o direito à distribuição, com exclusividade, dos produtos de fabricação da cedente, na área abrangida pelos estados brasileiros relacionados no Anexo I do instrumento de fls. 318, em adição à área cujo direito de distribuição exclusiva já era exercido pela cessionária (itens 2.1 e 2.2). O prazo fixado no contrato era de 120 (cento e vinte meses), iniciandose em 01/01/2005 e encerrandose em 01/01/2015 (itens 5.1) e nesse período a cessionária pagaria à cedente o montante de R$ 512.400.000,00 (item 8.1). Acordaram as partes em admitir a subcessão ou a transferência parcial da cessão, com anuência da cedente, desde que mantidas todas as condições e obrigações estipuladas no contrato (item 23.1). 44. As partes celebraram, ainda, Aditamento Contratual (fls. 319/320), em 28/01/2005, para retificar os itens 8.1.2 e 8.1.3 e estabelecer que a amortização do contrato ocorreria mensalmente, no último dia de cada mês, aplicandose 1/114 avos por mês, iniciandose 180 (cento e oitenta) dias após o início da vigência do contrato em 01/01/2005. 45. Em 03/01/2005, a interessada (cedente) e a "JM" (cessionária) celebraram idêntico contrato de cessão parcial de área, por meio do qual a interessada cedeu à "JM" o direito à distribuição dos produtos de fabricação da "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, que de acordo com o Anexo I do contrato firmado com a "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" eram áreas de distribuição exclusiva da interessada. 46. O fiscal autuante afirma que, na prática, as cláusulas dos contratos que previam a venda de produtos da "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" com exclusividade em determinadas regiões do país não foram respeitadas, de vez que a interessada realizou vendas para empresas situadas em regiões onde ela não detinha exclusividade. Sustenta, então, que tais contratos são documentos ineficazes e sem validade, citando como exemplo para justificar sua tese a precoce revogação de ambos os contratos de exclusividade celebrados. Com base nesses fatos, glosou as despesas pagas no período por considerálas não necessárias à atividade da interessada. 47. Os documentos trazidos aos autos comprovam que a interessada pagou efetivamente à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" durante o ano calendário de 2005 a importância de R$ 206.242.721,69, a titulo de adiantamento pela cessão de área, tendo reconhecido em sua contabilidade, de conformidade com os princípios contábeis e fiscais, o montante de R$ 26.968.512,00, que segundo ela, representa a despesa incorrida no período em que vigorou o contrato de cessão, tendo em vista que o mesmo determinava que a diferença adiantada deveria ser devolvida, caso não fosse cumprido em sua integralidade. Recibos dos pagamentos efetuados encontram se às fls. 336/399 e 402/529 dos autos. 48. Entretanto, o autuante não questiona os pagamentos efetuados pela interessada à "CERVEJARIA PETRÓPOLIS" e sim, a natureza dessas despesas. Assim, para o deslinde da pendência, devo me ater exclusivamente a essa questão. Nesse sentido, cabe a seguinte pergunta: até que ponto o não cumprimento de alguma cláusula contratual ou mesmo um distrato prematuro de contrato firmado entre duas pessoas jurídicas de direito privado, invalida eventual caráter de necessidade à exploração da atividade empresarial de que devem se revestir as despesas efetivamente pagas ou incorridas por uma das partes, na vigência do contrato, para efeito de sua dedutibilidade nos termos da legislação fiscal? Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.710 17 49. Para esse fim, basta, no meu entendimento, que se afira se as despesas realizadas guardam correlação com a atividade explorada pela interessada e se estão documentalmente comprovadas, para que sejam satisfeitos os requisitos previstos no artigo 299, parágrafos 1° e 2°, do RIR/1999, transcrito a seguir: RIR/1999 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). 50. Da leitura dos citados dispositivos legais, concluise que o Regulamento do Imposto de Renda somente exige que a despesa, desde que comprovada, seja inerente à atividade da empresa para ser passível de dedução. O descumprimento de cláusulas contratuais não é condição para sua dedutibilidade e nem tampouco deve ensejar, de plano, a desconsideração da necessidade das despesas pagas. Esses gastos devem ser analisados caso a caso. 51. Assim, na situação sob exame, se a distribuição dos produtos no âmbito dos estados brasileiros não se deu como rezava o contrato, mas se, ainda assim, as despesas pagas foram necessárias à atividade da interessada e à manutenção de sua fonte produtora, penso que eventuais descumprimentos contratuais não tem o condão de retirar a efetiva necessidade dos pagamentos efetuados no período de vigência do contrato. Se o território de atuação da interessada no que tange à distribuição dos produtos não corresponde àquele previsto no contrato firmado esta é uma questão a ser resolvida entre as partes envolvidas no negócio, não cabendo ao Fisco nela se imiscuir. Ao Fisco interessa, isto sim, conhecer a natureza das despesas realizadas, se operacionais ou não, para fins de dedução do lucro líquido na apuração do lucro real. Os valores pagos à “CERVEJARIA PETRÓPOLIS” ocorreram com observância da cláusula VIII que cuida do valor, com a redação dada pelo Aditamento Contratual, e as despesas realizadas, de acordo com os elementos trazidos aos autos, foram, a meu juízo, inerentes à atividade explorada pela interessada. 52. Nesses termos, discordo do autuante quanto à glosa das despesas de comercialização, motivo pelo qual voto pela exclusão da importância de R$ 26.968.512,00 da base tributável da exigência. ... 80. Consta na DIPJ/2005, que a interessada foi optante, no ano calendário de 2004, pela tributação com base no lucro real anual, apurando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução, razão pela qual estava sujeita ao recolhimento de estimativas. Entretanto, de janeiro a novembro/2004 nada apurou de estimativas, seja de IRPJ ou de CSLL, indicando a Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.711 18 DIPJ inclusive, que as respectivas bases de cálculo assumiram valores negativos nesse período. Somente em dezembro/2004 foi apurado valor a pagar. 81. Nessas situações, ao ser constatado receita omitida por parte da pessoa jurídica, o valor da omissão deve ser adicionado à base de cálculo do imposto e da contribuição no mês de sua ocorrência, para o fim de se refazer a base de cálculo e quantificar o montante do pagamento mensal que deveria ter sido apurado pela pessoa jurídica na DIPJ e não o foi. 82. Contudo, verifico que o autuante cometeu equívocos nos autos de infração correspondentes em relação à apuração da base de cálculo e à data da ocorrência do fato gerador. 83. Assim, no que concerne à omissão de receita oriunda do saldo credor de caixa, sua ocorrência deuse em 21/12/2004. Logo, no Anexo "C" (fls. 930) a importância de R$ 128.009.809,71 deveria ser adicionada ao resultado acumulado verificado em dezembro/2004, e não em outubro/2004 como efetuado. Se o autuante assim o fizesse, haveria uma redução da base de cálculo das multas, de acordo com os valores da planilha. 84. Por sua vez, o fato gerador deveria ser 31/12/2004, eis que, se o maior saldo credor de caixa ocorreu em 21/12/2004 não deveria constar nos autos de infração que o fato gerador ocorreu em 31/10/2004. 85. Procederse nesta fase do procedimento fiscal a alterações do fato gerador e da base de cálculo constitui inovação, o que não é acolhido pelas normas que regem o processo administrativo fiscal. 86. Pelas razões acima, voto por excluir da autuação as multas isoladas de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 12.455.973,12 e R$ 4.487.750,32, respectivamente. Como se vê, duas foram as matérias que deram causa à impetração do recurso de ofício por parte da autoridade julgadora de primeira instância: a) a glosa de despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00; e b) a aplicação de multas isoladas, nos montantes de R$ 12.455.973,12 e R$ 4.487.750,32. No que diz respeito à glosa de despesas de comercialização, assinala a Fiscalização (Relatório Fiscal, fls. 906) que, tendo por base INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE ÁREA PARA DISTRIBUIÇÃO EXCLUSIVA E GARANTIA DE FORNECIMENTO DE PRODUTO, realizado com a empresa CERVEJARIA PETRÓPOLIS, a fiscalizada, na qualidade de cessionária, pagaria à referida empresa (cedente) o montante de R$ 512.400.000,00 pela cessão de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento do produto. A despesa acima referenciada, portanto, tinha por fundamento a cessão de áreas para distribuição com exclusividade e garantia de fornecimento do produto. Analisando os contratos, a Fiscalização constatou que a contribuinte autuada teria exclusividade de distribuição dos produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS em todo território nacional, com exceção dos estados do RIO DE JANEIRO, MINAS GERAIS e ESPÍRITO SANTO, cuja distribuição ela, a contribuinte autuada, repassou para a empresa JM. A acusação da Fiscalização é de que nada disso ocorreu. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.712 19 Para comprovar referida acusação, a autoridade fiscal afirma que, em conformidade com os arquivos fiscais apresentados pela fiscalizada e pela empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO, restou apurado que as citadas empresas venderam os produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS nas regiões onde não detinham exclusividade. A autoridade fiscal apresenta quadro demonstrativo, por meio do qual indica que a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO realizou vendas de produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS (cervejas CRYSTAL e ITAIPAVA) em MATO GROSSO e SÃO PAULO, no montante de R$ 39.205.801,17. Constatou, ainda, a Fiscalização, que a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO adquiriu, em 2005, produtos diretamente da CERVEJARIA PETRÓPOLIS em BOITUVA, SÃO PAULO, local em que a exclusividade de fornecimento era, segundo à autoridade fiscal, para a fiscalizada. De acordo com levantamento efetuado pela Fiscalização, no anocalendário de 2005 a empresa CERVEJARIA PETRÓPOLIS vendeu para a fiscalizada, em São Paulo, produtos cujo valor total alcançou a cifra de R$ 22.382.552,07, enquanto para a JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO as vendas, no mesmo estado de São de Paulo e no mesmo ano, totalizaram R$ 116.205.503,80, revelando, assim, significativo desequilíbrio. Adita a Fiscalização que, nos estados em que a autuada havia conferido exclusividade à JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO (RIO DE JANEIRO, MINAS GERAIS e ESPÍRITO SANTO), ela, não só vendeu produtos da CERVEJARIA PETRÓPOLIS, como abriu várias filiais. A partir de tais constatações, concluiu a Fiscalização que os contratos representavam documentos desprovidos de eficácia e validade, visto que a distribuição com exclusividade neles prevista nunca fora respeitada. Aduz que isso é confirmado pela revogação precoce dos referidos contratos (o celebrado entre a fiscalizada e a CERVEJARIA PETRÓPOLIS, que encerraria em 2015, teve o distrato assinado em 31.12.2005; e o celebrado pela fiscalizada com a JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO, que encerraria em 2008, também teve o distrato assinado em 31.12.2005). Em primeiro lugar, respondendo a indagação formulada no voto condutor da decisão de primeira instância, entendo que, em determinadas situações, o não cumprimento de cláusula contratual pode sim dar causa a glosa de despesa porventura apropriada no resultado fiscal. No caso vertente, por exemplo, o fundamento para a apropriação da despesa foi a celebração do contrato de exclusividade, isto é, o motivo que levou à contribuinte a registrar no resultado a despesa considerada incorrida foi a assinatura de contrato que lhe garantia exclusividade na distribuição de produtos. Obviamente, se tal contrato não é respeitado, desaparece o motivo justificador do dispêndio e, por conseqüência, a sua necessidade. É certo que, genericamente considerada, existe correlação entre a despesa e a atividade explorada pela contribuinte, contudo, no presente caso, repiso: se a razão que levou à contribuinte a assumir o dispêndio está representada por contrato de exclusividade, uma vez não respeitado tal acordo, o referido gasto revelase absolutamente desnecessário. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.713 20 No que diz respeito à impugnação interposta pela contribuinte, deixados de lado os argumentos acerca de uma suposta desconsideração dos contratos por parte da Fiscalização, eis que não é disso que a autuação cuida (não houve desconsideração do negócio, mas, sim, decretação da desnecessidade da despesa em virtude do desaparecimento do elemento justificador da sua apropriação no resultado fiscal), as alegações apresentadas, penso, não merecem acolhimento. Com efeito, como já dito, em contexto genérico não há como não admitir que um contrato de cessão de área para distribuição exclusiva e garantia de fornecimento de produto seja inerente à atividade econômica explorada por uma empresa que se dedica, conforme registro na declaração apresentada à Receita Federal (fls. 114), à fabricação de cervejas e chopes. Entretanto, do ponto de vista estritamente tributário, isso não é suficiente à dedutibilidade do gasto. É necessário que reste comprovado que o fato que deu causa ao gasto efetivamente ocorreu, tornandoo, assim, necessário à fonte produtora dos rendimentos. No presente caso, como reiteradamente explicitado, os contratos de exclusividade não foram respeitados, logo, não houve, repito, sob a ótica estritamente tributária, necessidade de arcar com gasto incorrido para garantir tal exclusividade. À evidência, pelas razões antes expostas, não merece guarida a alegação da contribuinte de que o fato de terem ocorrido vendas realizadas por terceiros na área que, por contrato, lhe era exclusiva, em nada compromete a dedutibilidade das despesas. Alega a contribuinte em sua impugnação que não compete aos agentes fiscais utilizar o seu juízo sobre estratégias comerciais para fundamentar uma autuação fiscal. Porém, como já restou exaustivamente demonstrado, não se trata, aqui, de intervenção da autoridade fiscal nas estratégias comerciais da contribuinte, mas, sim, de legítima verificação das condições de dedutibilidade estabelecidas pela lei tributária. No mais, as alegações da então impugnante foram direcionadas no sentido de prestar esclarecimentos acerca do contrato firmado com a CERVEJARIA PETRÓPOLIS; de explicar porque não tomou providências em relação à empresa JM; de informar que, atualmente, todos os municípios citados no Relatório Fiscal são atendidos por empresas ligadas direta ou indiretamente à ela ou a seus sócios; de sustentar a legitimidade do planejamento de suas atividades; de afirmar que as despesas foram reconhecidas contabilmente; de informar o montante de despesa que foi reconhecido no anocalendário de 2005; e de reafirmar que as despesas eram necessárias para a atividade da empresa. Notase, assim, que a contribuinte não trouxe, em sede defesa, argumentos capazes de justificar, ou mesmo explicar, o fato de os contratos não terem sido cumpridos. Diante de tais circunstâncias, sou pelo restabelecimento da exigência relacionada a este item. Relativamente às exigências das multas isoladas, penso que o decidido em primeira instância não seja digno de reparo. De fato, a autoridade fiscal assinala que o maior saldo credor de caixa foi apurado no dia 21 de dezembro de 2004 (fls. 10 do Relatório Fiscal), o que é confirmado pelo ANEXO B do Relatório Fiscal (fls. 920). Contudo, sem motivo aparente, ao apresentar o demonstrativo do cálculo da multa isolada do IRPJ e da CSLL (ANEXO C do Relatório Fiscal – fls. 930), considerou a receita omitida no mês de outubro de 2004. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.714 21 À evidência, o erro cometido pela autoridade fiscal compromete, em substância, a constituição do crédito tributário, cabendo destacar que, na linha do sustentado pela decisão recorrida, a autoridade julgadora não está autorizada a promover alteração do fato gerador e da base de cálculo discriminados no lançamento original, eis que tal providência representa inovação em relação ao referido ato. Assim, sou pelo provimento parcial do recurso de ofício interposto para restabelecer a glosa de despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Argumenta a Recorrente que a não apresentação de cópias ao contribuinte de documentos necessários à realização de sua ampla defesa não pode ser sanada por intimação posterior do órgão julgador para aditar as suas razões. Diz que, em tais circunstâncias, já não haveria nenhuma garantia de que a autoridade administrativa, após tomar conhecimento da sua defesa, realizasse alterações ou modificações no conteúdo dos atos processuais anteriormente formalizados, aos quais ainda não dera publicidade. Como visto, acolhendo argumentação da contribuinte no sentido de que havia encontrado dificuldade para ter acesso à totalidade dos documentos reunidos ao processo pela Fiscalização, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por meio da Resolução nº 258 (fls. 1.262), decidiu restituir os autos à unidade administrativa de domicílio da fiscalizada para que lhe fosse concedido, de forma expressa, o direito de aditar razões à impugnação, bem como juntar novos documentos, vez que as cópias por ela solicitadas só lhe haviam sido entregues após a entrega da peça de defesa. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro emitiu TERMO DE INTIMAÇÃO (fls. 1.263) concedendo prazo de trinta dias para que a contribuinte, se quisesse, aditasse razões à impugnação e juntasse novos documentos. Em resposta, a contribuinte, esclarecendo que restava configurado o cerceamento do direito de defesa, limitouse a apresentar cópia de LAUDO PERICIAL acerca dos seus registros contábeis e a reiterar os termos da impugnação anteriormente apresentada (fls. 1.267/1.269). Não identifico nos autos qualquer elemento capaz de indicar que a apresentação do referido LAUDO PERICIAL decorreu de documentos, cujo acesso só foi possível após a apresentação da impugnação. Ademais, noto que o citado documento é datado de 05 de março de 2009, anterior, portanto, à própria autuação, que é de 24 de junho de 2009, logo, tomando por base a própria peça de autuação e Relatório Fiscal, que também lhe foi dado ciência em 24 de junho de 2009, a contribuinte já poderia ter anexado ao processo o referido documento. Com isso, penso, resta demonstrado que, ainda que se admitisse que a iniciativa da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de reabrir o prazo para que a contribuinte aditasse razões e documentos não tem o condão de convalidar os lançamentos tributários efetivados, descabe falar em cerceamento do direito de defesa, eis que a contribuinte, não obstante referida reabertura de prazo, basicamente reiterou os argumentos de defesa anteriormente apresentados. Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.715 22 De qualquer forma, registro que, em sentido diverso do alegado pela Recorrente, entendo que a providência adotada na instância a quo foi capaz de remover, por completo, eventual dificuldade de a contribuinte compreender as infrações que lhe foram imputadas. Ademais, a dificuldade de a contribuinte ter acesso a totalidade da documentação que serviu de suporte para a autuação derivou de fato alheio à unidade administrativa responsável pelo procedimento de ciência, qual seja, sucessivas alterações do seu domicílio fiscal. Com efeito, a fiscalizada era domiciliada no município de BOITUVA, São Paulo, à época da instauração do procedimento fiscal (Termo de Início de Fiscalização, fls. 196). Por ocasião da lavratura do auto de infração, seu domicílio era o bairro de Cordovil, na cidade do Rio de Janeiro. O extrato de fls. 968, contudo, emitido em 1º de julho de 2009, aponta como domicílio o município de Duque de Caxias, razão pela qual o processo foi encaminhado à Agência da Receita Federal naquela cidade, subordinada à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (fls. 969/970). Por ocasião da apresentação de pedido para juntar procuração e atos constitutivos, bem como para reiterar solicitação no sentido de que o processo fosse disponibilizado para fins de extração de cópias, fls. 972/974, a contribuinte indicou como domicílio o bairro Centro, no município do Rio de Janeiro (mesmo endereço apontado na peça impugnatória). Justificável, assim, a dificuldade da contribuinte ter acesso à integra dos autos, o que, entretanto, nenhum prejuízo trouxe ao exercício do contraditório, seja em virtude da reabertura de prazo para aditamento de razões e documentos estabelecido na instância a quo, seja pela demonstração efetiva pela própria autuada de que a documentação que lhe havia sido entregue era suficiente à apresentação de contestação, vez que, como já dito, no prazo dilatado limitouse a reiterar os argumentos da defesa inicial e a anexar laudo elaborado antes mesmo da lavratura dos Autos de Infração. Rejeito, assim, a preliminar argüida. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Alega a Recorrente que não se verificou, em nenhum dos períodos de apuração abrangidos pela fiscalização, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária do IRPJ e tampouco de qualquer prática por parte dela que pudesse ser classificada como omissão de receitas. Incorre em equívoco a Recorrente. Como é cediço, se a autoridade fiscal, no exercício da atividade estampada no art. 150 do Código Tributário Nacional, identifica o cômputo de despesas no resultado fiscal apurado pelo contribuinte para as quais não foram apresentados os respectivos documentos de suporte ou não foram preenchidos os requisitos de dedutibilidade estabelecidos na legislação de regência, cabelhe, nos exatos termos do disposto no art. 142 do citado diploma legal, promover, se for o caso, o lançamento tributário correspondente, eis que tais valores deveriam ter sido considerados na base de cálculo das exações devidas. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.716 23 Idêntico procedimento deve ser adotado pela autoridade fiscal quando ela constata, ainda que em decorrência de aplicação de presunção prevista em lei, omissão de receitas. No caso vertente, a situação é exatamente essa. A autoridade fiscal, aferindo a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido pela fiscalizada, apurou adicional de matéria tributável decorrente de glosas de despesas que efetuou e de receitas omitidas apuradas com base em presunções previstas em lei. As contribuições sociais, como se sabe, foram lançadas por via reflexa, eis que a matéria tributável apurada, ainda que em parte, representou, também, adicional de suas respectivas bases de cálculo. Absolutamente improcedente, pois, o argumento da Recorrente de que, no presente caso, não se verificou a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. SALDO CREDOR DE CAIXA – ERRO DE LANÇAMENTO Sustenta a Recorrente que a autoridade fiscal somente poderá “glosar” o saldo credor de caixa quando especificar as receitas que foram supostamente omitidas, demonstrandoas por meio de “documentação incontestável”. Afirma que, na ausência de demonstração das receitas que supostamente teriam sido omitidas, a regra jurídica a ser aplicada deverá ser a do art. 51 da Lei nº 8.981/95, isto é, a do arbitramento do lucro. Diz que a “glosa” do saldo credor de caixa se refere apenas aos valores que ingressaram a título de ADIANTAMENTOS DE CLIENTE e que efetivamente tiveram origem na empresa JM, mas, tais valores são justamente aqueles cujo ingresso o órgão julgador a quo afirma não ter sido comprovado e não dizem respeito à natureza da receita supostamente omitida. Argumenta que “a mera acusação de nãocomprovação dos adiantamentos nada diz a respeito da natureza das receitas que teriam sido omitidas, pois em nenhum momento se verifica a acusação de que teria havido venda de mercadorias sem emissão de nota fiscal, até mesmo porque nunca houve, e tampouco se presta como prova hábil para demonstrar a existência pura e simples de saldo credor de caixa”. Reafirma que ao longo do anocalendário de 2004, em virtude de adiantamentos de sua cliente JM, efetuou registros contábeis a débito de sua conta CAIXA que totalizaram R$ 131.402.000,00. Alega que não apresentou documento porque a própria Receita Federal cuidou de fazêlo, como se verifica às fls. 624/626. Argumenta que, para que não se questione mais a comprovação, junta a 3ª alteração contratual onde se operou a transferência das cotas sociais de terceira empresa, consolidando o lançamento retratado nos documentos juntados pela Receita Federal. Diz que tais documentos não foram juntados à impugnação porque o fato era incontroverso pelos documentos juntados pela Receita Federal. Junta, também, LAUDOS CONTÁBEIS firmados por peritos, retratando, segundo ela, com exatidão as operações referenciadas. Salienta que, na reconstituição da conta CAIXA, o Fisco não se preocupou em fazer prova inequívoca da ocorrência dos pagamentos que supostamente não teriam sido escriturados. Afirma que “no tocante à não apresentação da documentação das operações realizadas pela Recorrente com a empresa JM, é preciso esclarecer que esta não se deu por motivo de caso fortuito, caracterizado pelo evento da natureza causador da destruição de sua farta documentação contábil e fiscal que, ao contrário do que suposto no acórdão hostilizado, estava guardada regularmente e em boa ordem à época dos fatos geradores”. Sustenta que não poderia “requisitar” aos bancos documentos acerca dos adiantamentos, pois tratavamse de transações que se davam quase sempre em moeda corrente. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.717 24 De acordo com o relato já feito, o presente item trata de apuração de OMISSÃO DE RECEITA com base em presunção prevista em lei. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa, autoriza presunção de omissão de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. O referido dispositivo legal é referenciado no art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). No caso vertente, a Fiscalização fundamentou a aplicação da presunção nos seguintes elementos: 1. a conta CAIXA da fiscalizada teve, durante o anocalendário de 2004, lançamentos a débito, referentes a ADIANTAMENTO DE CLIENTES, no valor total de R$ 131.402.000,00; 2. de acordo com a contribuinte, os registros feitos na conta CAIXA derivaram de adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente, o que para a Fiscalização já é, por si só, motivo de estranheza; 3. a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou nenhum documento para comprovar os registros; 4. a contribuinte alegou que a documentação que lastreava os registros contábeis havia sido molhada em virtude de uma forte tempestade, mas, o Boletim de Ocorrência correspondente só foi lavrado treze dias depois da ocorrência do fato; 5. a empresa com a qual a autuada firmou contrato para a guarda da documentação (IBES INDÚSTRIA COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., cujo nome fantasia é SERAVÁPEL), tem como sócias empresas que detém o seu capital; 6. de acordo com a documentação fiscal analisada, a empresa JM, que, segundo a contribuinte, teria efetuado os adiantamentos, foi quem vendeu, no período auditado (2004 e 2005) mercadorias à Recorrente, e não o contrário; 7. a Recorrente é quem figura na condição de cliente da empresa JM, pois, somente no anocalendário de 2004, ela comprou R$ 134.405.997,38 em mercadorias, conforme notas fiscais anexadas ao processo (fls. 765/883); 8. os adiantamentos só se justificariam com a apresentação das notas fiscais de venda para entrega futura e as conseqüentes nota fiscais de remessa, o que não ocorreu; 9. somandose os valores supostamente pagos em espécie a título de adiantamento de clientes com os valores também supostamente pagos em espécie a título de cessão de área comercial, o valor do desembolso diário seria algo em torno de dois milhões de reais, o que contrariaria qualquer regra de bom senso. Diante da falta de comprovação dos adiantamentos, a Fiscalização excluiu os ingressos correspondentes e recompôs os saldos da conta CAIXA, fazendo transparecer, assim, os saldos credores. Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.718 25 Observo que, intimada a apresentar a documentação que serviu de suporte para as operações registradas na conta ADIANTAMENTO DE CLIENTES (Termo de Intimação nº 10 – fls. 622/623), em 12 de março de 2009, a contribuinte, sem fazer qualquer menção a extravio, solicitou, em 24 de março de 2009, prorrogação do prazo para atendimento (fls. 628). Em 27 de abril de 2009, esclarecendo que as operações de ADIANTAMENTOS DE CLIENTES se referiam a adiantamentos para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente, informou que em decorrência de uma tempestade ocorrida em 09 de janeiro de 2009 na cidade de Boituva, grande parte dos documentos que se encontravam na empresa responsável pelo seu arquivamento (SERAVÁPEL) foram molhados e não puderam ser APRESENTADOS. Às fls. 632, identificase documento denominado BOLETIM DE OCORRÊNCIA DE AUTORIA CONHECIDA, datado de 22 de janeiro de 2009 e emitido pela Delegacia de Polícia de Boituva, São Paulo, em que a Recorrente, representada pelo Sr. Roberto Luís Lopes, declara ter sido vítima de extravio de vários documentos, provocado por forte vendaval. Como local da ocorrência do fato foi indicado: RODOVIA JOSÉ SARTORELLI, KM 02, NÚMERO 2105, GALPÃO E, BAIRRO SANTO ANTÔNIO, MUNICÍPIO DE BOITUVA SP Às fls. 633/636, consta cópia de CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE GUARDA DE DOCUMENTOS E ARQUIVO, datado de 02 de janeiro de 2008, tendo como contratante a Recorrente e como contratada a empresa SERAVÁPEL SERVIÇO DE GUARDA DE BENS LTDA. – EPP, que de acordo com o consignado no citado contrato teria sede na Rodovia José Sartorelli, Km 02, nº 2.105, Galpão E, Santo Antônio, Boituva, São Paulo. Analisando a referida documentação, constato que o contrato de prestação de serviços com a empresa SERAVÁPEL estabelece que os documentos deveriam ser encaminhados para contratada mediante a apresentação em duas vias da relação dos documentos entregues (subitem 1.3). Entendo que as referidas relações, que, supõese, não foram extraviadas, poderiam ter sido apresentadas à Fiscalização. Notese que o contrato com a referida empresa foi assinado em janeiro de 2008 e a intimação para apresentação de documentos foi lavrada em 12 de março de 2009, isto é, pouco mais de um ano depois. Assim, em que pese o fato de a documentação requisitada dizer respeito ao anocalendário de 2004, se, de fato, ela encontravase arquivada na empresa contratada, estaria lá há pouco mais de um ano. Pelo que se depreende do extrato de fls. 639, a empresa SERAVÁPEL dedicavase a serviço de estacionamento e rastreamento de veículos automotores, passando em 10 de janeiro de 2008, depois, portanto, da assinatura do contrato com a Recorrente, a explorar o serviço de guarda de bens. Às fls. 1.108, identificase “orçamento” elaborado pela empresa TOMÉ TELAS, supostamente contratada para realizar serviços de reparação em decorrência do temporal, em que os GALPÕES identificados são os de letra “A” e “B”, não havendo qualquer referência ao de letra “E”, onde supostamente estaria localizada a empresa responsável pela guarda dos documentos. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.719 26 Creio não restar dúvida de que, de fato, o município de Boituva foi atingido por forte temporal, visto que os elementos carreados ao processo pela Recorrente o confirma. Entretanto, embora a contribuinte sustente em sentido contrário, não encontro nos autos elementos indicativos de que foram cumpridas exigências preconizadas pelo parágrafo 1º do art. 264 do RIR/99, quais sejam: i) publicação em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento de aviso concernente ao fato; ii) informação minuciosa do fato, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio; e iii) encaminhamento de cópia da comunicação referenciada no item ii ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição. Quanto à publicação em jornal de grande circulação, não vejo como considerar o documento de fls. 1.637, eis que tratase de publicação feita em 11 de setembro de 2009, após, portanto, a contribuinte ter sido inclusive autuada. Não identifico, também, qualquer demonstração de esforço por parte da Recorrente no sentido de recuperar a documentação supostamente extraviada, seja por meio de reconstituição, seja através de contatos com eventuais intervenientes, especialmente a empresa JM INDÚSTRIA E COMÉRCIO e a suposta responsável pelos transportes de valores. Equivocase a Recorrente quando afirma que a autoridade fiscal somente poderá “glosar” o saldo credor de caixa quando especificar as receitas que foram supostamente omitidas, pois, como é cediço, tratandose de presunção legal, o ônus da prova é invertido. Sem dúvida, o que caberia ao agente fiscal era provar o fato indiciário, no caso, a ocorrência do saldo credor da conta CAIXA. Isto foi feito por meio da recomposição da referida conta, providência adotada face a ausência de comprovação por parte da fiscalizada dos ingressos ali registrados. Confundese a Recorrente ao trazer para a discussão as disposições do art. 51 da Lei nº 8.981/95, que, por dispor sobre as alternativas de cálculo do lucro arbitrado na circunstância em que a receita bruta não é conhecida, nenhuma conexão guarda com a matéria sob apreciação. Notase que em sede de recurso voluntário a contribuinte desloca por completo o foco de sua defesa. Enquanto na peça impugnatória procurou reunir elementos para provar a ocorrência do evento da natureza (tempestade) que supostamente deu causa ao extravio da documentação requisitada, agora, diz que não apresentou documento porque a própria Receita Federal o fez. O documento a que ela faz referência na peça recursal está representado pelas reproduções do Livro Diário anexadas pela Fiscalização ao Termo de Intimação nº 10 (fls. 624/626), nas quais encontramse transcritos os lançamentos contábeis efetuados na conta passiva 02.01.01.008.463, tendo como contrapartida a conta CAIXA (01.01.01.001.00) e contendo o seguinte histórico “VALOR REF. A ADIANT. CLIENTE J.M. IND. COM. E LOGIST.”. Junta, então, cópia de uma 3ª alteração contratual, afirmando que “a referida obrigação foi resolvida, em 15 de dezembro de 2004, mediante a venda das quotas sociais representativas do capital social da empresa EFICER, pelo valor de R$ 134.990.000,00 (...), que pertenciam à Recorrente e foram transferidas à JM.” Com o devido respeito, ainda que se abstraia o fato de que a argumentação representa absoluta inovação em relação a tudo que foi trazido em sede de defesa, não vejo Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.720 27 como a operação em comento possa de alguma forma contribuir para comprovar o efetivo ingresso dos recursos na conta CAIXA. Diante da ausência de comprovação dos citados ingressos, o desaparecimento do passivo, ao contrário do pretendido pela Recorrente, reafirma a imputação feita pela Fiscalização, qual seja, a de que as saídas do CAIXA não tiveram lastro em recursos contabilizados e tributados. Causa estranheza o fato de o LAUDO PERICIAL CONTÁBIL trazido pela Recorrente (fls. 1.437/1.447) consignar que foram periciados “os Livros Contábeis e documentos que existem, contratos aditamentos, recibos e outros ou que não foram atingidos pelo extravio ocorrido e já apresentado nos autos do processo.” Observo que referido LAUDO, pelo que foi possível depreender, pretendeu, entre outros objetivos, apresentar, “de forma clara e objetiva, as origens de recursos financeiros, provenientes dos adiantamentos de clientes para futura entrega de mercadorias, entre a empresa PRAIAMAR IND. COM. & DISTRIBUIÇÃO LTDA.; e a empresa JM COMÉRCIO E LOGÍSTICA LTDA.” A estranheza decorre do fato de que, apesar de citados, não localizo nos autos os referidos documentos, recibos e outros não extraviados. Em divergência com o sustentado pela própria Recorrente, que admitiu que parte dos recursos adiantados não foram repassados em espécie, o LAUDO (encomendado) afirma que todos os adiantamentos realizados no ano de 2004 foram efetuados em dinheiro. No mais, o citado LAUDO limitase a reproduzir lançamentos contábeis e a explicar a suposta venda das quotas da empresa ECIFER, não se prestando, assim, para contribuir em qualquer nível para comprovar a efetiva entrega dos recursos registrados a débito da conta CAIXA. A conclusão esposada no referido LAUDO no sentido de que os recursos recebidos pela fiscalizada foram aplicados na operação envolvendo a empresa EFICER ratifica as impressões aqui esposadas, pois, à evidência, tal fato em nada concorre para comprovar a entrada dos recursos no CAIXA da Recorrente. No que diz respeito ao denominado LAUDO TÉCNICO SOBRE TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIOS (fls. 1.460/1.469), de relevante, temos os objetivos do trabalho, parte do “Descritivo dos Procedimentos Internos”, a sua conclusão e os depoimentos de motoristas, colhidos por meio de escritura pública, que, conjuntamente, corroboram a afirmativa da autoridade fiscal no sentido de que “as operações denominadas "adiantamentos de clientes" foram operações fictícias cujo único propósito foi evitar a ocorrência de saldo credor na conta "caixa" da fiscalizada”. Cabe relembrar que o que se encontra em discussão é a comprovação dos ingressos registrados na conta CAIXA da fiscalizada, que, segundo ela, teriam decorrido de adiantamentos promovidos pela empresa JM INDÚSTRIA, COMÉRCIO & LOGÍSTICA LTDA. O LAUDO em questão, em sentido contrário à tese expendida pela Recorrente, mas, em total convergência com a acusação feita pela Fiscalização, assinala: 1. Objetivos do trabalho O presente Laudo tem por objetivo, demonstrar o Procedimento Interno utilizado pela Empresaalvo (Matriz e Filiais), para as operações de Venda à vista, que tenham seus respectivos recebimentos realizados em dinheiro ou cheque, a posterior transferência de numerários à Matriz e os respectivos registros contábeis, Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.721 28 do período de 2004, da empresa Praiamar – Indústria, Comércio & Distribuição Ltda, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas pelo número 00.851.567/000171, localizada na Rua João Torquato, nº 71 – bloco 2 – 2º andar – sala 3, no bairro Bonsucesso, na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, CEP 21032150, nesse Laudo Técnico denominada Empresaalvo. Esse Laudo contempla a Matriz e todas as filiais da EmpresaAlvo. [...] 2. Descritivo dos Procedimentos Internos Walkthrough [...] 2.3 Retorno dos caminhões e conferência dos recebimentos Ao completar todas as entregas programadas no dia, o Motorista retorna à Filial (revenda) da Empresaalvo e descarrega os vasilhames retornáveis. O Encarregado Financeiro da Filial abre o Cofre do caminhão, retira os numerários e leva para a “Sala de Acerto”. O montante em dinheiro e cheque, retirado do caminhão, é conferido pelo Encarregado Financeiro da Filial juntamente com o Motorista. Não havendo diferença entre as Notas Fiscais de venda à vista e a quantia recebida no dia, o Encarregado Financeiro realiza o lançamento da entrada do dinheiro no Caixa, no Sistema SIC (Módulo Financeiro). [...] 2.6 Transferência de numerários para a Matriz Com base em um Relatório de Caixa, extraído do Sistema CIC, no final de cada mês, o Encarregado Financeiro da Filial apura a sobra de caixa do mês, remetendoa para a Matriz por meio de depósito em conta corrente ou por meio de carros blindados utilizados somente para essa finalidade (Veja fotos no anexo II), ou através dos serviços de Carro Fortes. Os lançamentos contábeis das remessas das sobras de caixa, da Filial para a Matriz, são apresentadas através da Conta Contábil: Transferência de Numerários. Ao final de cada mês, o Balanço Patrimonial Consolidado apresenta a Conta Contábil Transferência de Numerários com saldo final zero (0), pois os efeitos das operações entre Matriz e Filiais (Inter companhias) são eliminados no Balanço Consolidado (Anexo III). [...] 4. Conclusão Tendo em vista a descrição do Procedimento Interno utilizado pela Empresa Alvo (Matriz e Filiais), para as operações de Venda à vista, que tenham seu respectivo recebimento realizado em dinheiro ou cheque, a posterior transferência de numerários à Matriz e os respectivos registros contábeis, podemos concluir que a operação de Transferência de Numerários remetidos da Filial para a Matriz, em dinheiro ou por meio de conta corrente é usual à natureza das operações comerciais da Empresaalvo e sua estrutura operacional (Matriz e Filiais), uma vez que os clientes da Empresaalvo são tipicamente adegas, bares, lanchonetes, restaurantes, empórios e depósitos de bebidas onde realizam seus pagamentos em dinheiro. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.722 29 (GRIFOS DO ORIGINAL) Os depoimentos dos motoristas, por sua vez, ratificam as informações apresentadas no Laudo acerca da operacionalização da atividade econômica explorada pela Recorrente. Como se vê, o LAUDO trazido pela Recorrente não tratou de comprovar ou mesmo de explicar os alegados “adiantamentos” promovidos pela empresa JM. Ao contrário disso, em perfeita consonância inclusive com argumentos apresentados nas peças defesa (predominância de movimentação em espécie, utilização de carroforte, registro na conta CAIXA, etc.), cuidou de explicar o modus operandi das transferência de recursos decorrentes das vendas efetuadas pela própria contribuinte. Em praticamente tudo o referido LAUDO alinhase à peça de defesa, sendo dissonante, apenas, na informação acerca da origem dos ingressos: para o Laudo (assim como para a Fiscalização), eles têm origem em vendas efetuadas pela fiscalizada; para a contribuinte, a origem está representada por adiantamentos feitos pela empresa JM. Cabe destacar que, salvo melhor juízo, a Recorrente não detém perfeito conhecimento acerca da presunção aplicada pela Fiscalização. Releva esclarecer que a desconsideração dos valores debitados ao CAIXA a título de adiantamentos, vez que não comprovada a sua efetividade, visa, apenas, fazer transparecer o montante de recursos que, por presunção da lei, decorreram de vendas não contabilizadas, isto é, a exclusão dos ingressos serve tãosomente à mensuração da receita omitida, não significando dizer que a fiscalizada não movimentou, como atesta o Laudo por ela anexada ao processo, montantes significativos de recursos financeiros. Equivocase novamente a Recorrente quando alega que o Fisco não se preocupou em fazer prova inequívoca da ocorrência dos pagamentos que supostamente não teriam sido escriturados. Pelo que posso depreender, aqui, ela faz uma confusão entre os fatos indiciários que, uma vez comprovados, autorizam a presunção de omissão no registro de receitas, quais sejam: a aplicada pela Fiscalização, lastreada, como dito, no parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77; e a prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96. Diante das considerações aqui esposadas, sou pela manutenção da tributação do SALDO CREDOR de CAIXA. PASSIVO FICTÍCIO Argumenta a Recorrente que, se o Fisco glosou as obrigações que se encontravam no passivo por terem supostamente sido pagas é porque reconheceu expressamente a existência daquelas obrigações, e, se admitiu que tais obrigações de fato existiram, com maior razão ainda não poderia classificar seus ingressos como não comprovados para fins de glosa de saldo credor de caixa. Afirma que o ônus da prova do pagamento, de obrigações ainda mantidas no passivo, é da própria Fiscalização. Equivocase mais uma vez a Recorrente. Os lançamentos tributários em questão não foram efetuados com base no pressuposto de que as obrigações que se encontravam no passivo já estavam pagas, mas, sim, por não terem sido comprovadas. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.723 30 O Relatório Fiscal é claro relação a isso, senão vejamos: A fiscalizada foi intimada, em 11/03/2009, a justificar a titulo de que operações esse saldo se refere, apresentar documentos que comprovassem tais operações e demonstrar como ocorreram as quitações desses lançamentos, abaixo relacionados. [...] A justificativa foi a mesma citada no item III (tal operação tratase de "adiantamento de clientes para futura entrega de mercadorias e ou compensação com algum saldo devedor junto ao cliente"). Não apresentou qualquer documento para comprovação das operações, alegando os motivos acima transcritos. Desta forma, constatamos um passivo fictício de R$ 10.190.000,00 (dez milhões cento e noventa mil reais), no anocalendário de 2005. (GRIFEI) Improcedentes, assim, os argumentos da Recorrente, vez que baseadas em fundamentos que não serviram de suporte para a imputação da infração. Não merece acolhida, também, a tentativa da contribuinte de fazer conexão entre o saldo credor apurado no ano de 2004, e o passivo não comprovado registrado no ano de 2005. Embora, de fato, possa existir conexão entre uma situação e outra, de modo que o passivo não comprovado de uma lado pode revelar saldo credor no outro, no caso vertente, ressalvada a hipótese de comprovação por parte da fiscalizada, tal conexão não existe, até porque as infrações dizem respeito a anos distintos. Mantenho, pois, a autuação. DESPESAS DE PROPAGANDA Afirma a Recorrente que as notas fiscais de números 11378 e 11395 também foram destruídas em razão do evento da natureza já noticiado. O motivo alegado para não apresentação de documentos (extravio em virtude de tempestade), que agora a Recorrente utiliza para justificar a ausência de comprovação de gastos com propaganda, já foi exaustivamente apreciado. Na linha da argumentação expendida no presente Voto, penso que o fato alegado não se encontra suficientemente comprovado nos autos como tendo sido o elemento impeditivo da apresentação requerida pela Fiscalização. Ademais, como já foi dito, não considero que a contribuinte tem adotado as providências previstas na legislação de regência para o caso de extravio de documentos. Sou, assim, pela manutenção da glosa. MULTA QUALIFICADA Alega a Recorrente que o acórdão recorrido pretende “demonstrar” a existência de fraude mediante a simples utilização de presunções que não se prestam de Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.724 31 nenhuma maneira para fazer prova de qualquer ilícito penal, em atitude de inequívoca e concomitante violação aos princípios da legalidade e da tipicidade tributária e penal. Diz que cabe à Administração Pública o ônus da prova de uma simulação, pois, cabe a ela, e não ao contribuinte, constituir a prova que embasa o lançamento. Argumenta que em nenhum momento ficou demonstrado o evidente intuito de fraude nas operações de adiantamentos de clientes registradas na sua contabilidade. Como é cediço, o processo administrativo é norteado pelo denominado princípio da verdade material, que, na maior parte das vezes, é suscitado pelo contribuinte autuado. Não obstante, resta lógico que tal princípio também pode ser aplicado em “benefício” do Fisco, isto é, sem se ater a aspectos meramente formais do processo, pode a autoridade administrativa julgadora entender que determinado crédito tributário deve ser mantido, pois, em que pese o fato de a autoridade fiscal ter sido econômica na descrição dos fatos, eles, os fatos, encontramse dispostos de forma clara nos autos, de modo a possibilitar à referida autoridade julgadora ter convicção acerca da ocorrência da hipótese autorizadora do lançamento. O caso sob apreciação, penso, enquadrase na situação descrita. Com efeito, justificando a qualificação da multa, a autoridade fiscal simplesmente assinalou (fls. 13 do Relatório Fiscal): Fica constatada a ocorrência de simulação, tanto nas operações de “adiantamentos de clientes”, como nos “contratos de cessão de área comercial”, estamos qualificando a multa de ofício em 150%, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Em que pese o fato de, na descrição das infrações, a autoridade autuante ter apresentado maiores detalhes acerca das imputações, é certo que, na exasperação da multa, ela não cuidou de detalhar e apontar os elementos que embasaram a sua decisão. Contudo, os elementos reunidos ao processo, especificamente em relação aos registros contábeis efetuados a título de adiantamento de clientes, permitem concluir no sentido de que, de fato, ao inflar a conta CAIXA com ingressos supostamente decorrentes de tal origem (adiantamentos de clientes) e registrar a contrapartida em conta de obrigações, a fiscalizada efetivamente visou, deliberadamente, impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da sua condição pessoal, afetando, assim, a obrigação tributária principal, e modificar as características essenciais do fato gerador da referida obrigação, reduzindo o montante do tributo devido, eis que noticiou ao Fisco a obtenção de recursos por meio de terceiros, quando os fatos retratados nos autos deixam fora de dúvida de que, embora a extensão do ilícito tenha sido mensurado por meio de aplicação de presunção legal, os referidos recursos efetivamente tiveram origem em receitas não contabilizadas. Em vista do exposto, sou pela manutenção da multa qualificada aplicada, pois, embora a autoridade autuante faça referência no Relatório Fiscal à ocorrência de simulação no caso dos contratos de cessão de área comercial, só a aplicou em relação ao SALDO CREDOR DE CAIXA e ao PASSIVO NÃO COMPROVADO apurados. Assim, considerando tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício para restabelecer a glosa das Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16024.000129/200926 Acórdão n.º 1301001.261 S1C3T1 Fl. 1.725 32 despesas de comercialização no montante de R$ 26.968.512,00, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 35418.000283/2006-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ARTIGO 28, §9°, DA LEI N° 8.212/91. EXISTÊNCIA, NA EMPRESA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA QUE COBREM TODOS OS EMPREGADOS. IRRELEVÂNCIA DE EVENTUAIS DIFERENÇAS. ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA, POR OUTRO LADO, QUE SOMENTE COBRE PARTE DO EMPREGADOS, INTEGRANTES DAS FAIXAS SALARIAIS MAIS ALTAS. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA.
A norma que prevê a isenção não faz qualquer exigência no sentido de que a assistência médica abranja todos os empregados de forma igualitária. Se tal previsão não há, não cabe ao intérprete fazê-lo, sob pena de violar o próprio artigo 111 do CTN, bem como o espírito da norma, que visa fomentar a prestação de assistência médica pelas empresas, garantindo-se a efetividade do direito fundamental à saúde.
Por outro lado, a existência de plano odontológico que cobre apenas parte dos empregados não atende ao requisito de cobertura total dos empregados da empresa. Valores, referentes aos reembolsos com despesas odontológicas, que merecem tributação.
Numero da decisão: 9202-002.129
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Piero Monteiro Quintanilha, OAB/SP n° 249.807, advogado do contribuinte.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ISENÇÃO. ARTIGO 28, §9°, DA LEI N° 8.212/91. EXISTÊNCIA, NA EMPRESA DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA QUE COBREM TODOS OS EMPREGADOS. IRRELEVÂNCIA DE EVENTUAIS DIFERENÇAS. ASSISTÊNCIA ODONTOLÓGICA, POR OUTRO LADO, QUE SOMENTE COBRE PARTE DO EMPREGADOS, INTEGRANTES DAS FAIXAS SALARIAIS MAIS ALTAS. ISENÇÃO NÃO CONFIGURADA. A norma que prevê a isenção não faz qualquer exigência no sentido de que a assistência médica abranja todos os empregados de forma igualitária. Se tal previsão não há, não cabe ao intérprete fazêlo, sob pena de violar o próprio artigo 111 do CTN, bem como o espírito da norma, que visa fomentar a prestação de assistência médica pelas empresas, garantindose a efetividade do direito fundamental à saúde. Por outro lado, a existência de plano odontológico que cobre apenas parte dos empregados não atende ao requisito de cobertura total dos empregados da empresa. Valores, referentes aos reembolsos com despesas odontológicas, que merecem tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Paulo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 2 2 Pereira Barbosa e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Piero Monteiro Quintanilha, OAB/SP n° 249.807, advogado do contribuinte. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. Conforme o Relatório Fiscal da NFLD, presente às fls. 42/47 dos autos, referente a contribuições devidas pelo contribuinte e destinadas à seguridade social e a entidades outras (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre os pagamentos de reembolsos médicos e/ou odontológicos dos planos Medicplan “L” e Medicplan “G”, exceto medicamentos, não disponíveis à totalidade dos empregados. O período de lançamento é de 06/2001 a 04/2005. O contribuinte apresentou defesa às fls. 274/291 dos autos. Julgouse o lançamento procedente (fls. 347/359), nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS REEMBOLSADAS DIRETAMENTE PELO EMPREGADOR, E NÃO ESTENDIDAS A TODOS OS SEGURADOS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA, É PARTE COMPONENTE DA REMUNERAÇÃO. PATRIMÔNIO DO TRABALHADOR. TODO REEMBOLSO É SALÁRIO, SALVO DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM CONTRÁRIO. CORRELACIONADO AO AUTO DE INFRAÇÃO N° 35.870.8010 DE 30/11/2005. ACRÉSCIMOS LEGAIS. ACIDENTE DO TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADES. I Incide contribuição sobre reembolsos das despesas de assistência médica e/ou odontológica, privilégio de parte dos Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 3 3 segurados empregados a serviço da empresa, estabelecido pelos Planos MEDICPLAN "L" e MEDICPLAN "G", previsão contida no Artigo 28, § 9°, "q", da Lei no 8.212/91, redação dada pela Lei no 9.528/97. II O reembolso de despesas médicas, odontológicas, por não ter conotação contraprestativa, não integra o salário de contribuição, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. III — A partir de 01/04/1995, é licita a incidência de juros de mora com base na Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custodia — SELIC, nos termos da Lei n° 9.065 95 e art. 34, da Lei no 8.212/91. IV — A contribuição para o Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incidência Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho foi prevista no artigo 195, I da CF188. V — A inconstitucionalidade de dispositivos legais não será apreciada no âmbito administrativo, sendo tal competência do Supremo Tribunal Federal, nos termos do artigo 102, inciso I, alínea "a" da Constituição Federal. LANÇAMENTO PROCEDENTE O contribuinte recorreu às fls. 363/378 dos autos. Contrarrazões às fls. 414/417 dos autos. A 4° Câmara da 1° Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 418/421), nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005 REEMBOLSO DE DESPESAS MÉDICAS. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incide contribuições sociais sobre os reembolsos de despesas medicas extensivas apenas a parte dos segurados empregados, posto que a legislação condiciona a isenção sobre as despesas médicas e odontológicas apenas nos casos em que disponibilizadas a todos empregados e diretores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/04/2005 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 4 4 A autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O contribuinte interpôs recurso especial às fls. 427/435 dos autos, com fundamento em divergência jurisprudencial. Trouxe à tona acórdão paradigma em que se estabeleceu o entendimento de que “a lei exige apenas a política de assistência médica beneficie a todos os empregados, sem exceção, pouco importando se há diferenciação de planos relativamente ao cargo ocupado pelos funcionários beneficiados”. Segundo o recorrente, o ponto de divergência consiste no seguinte: “O v. acórdão recorrido entende que a empresa que fornece um plano de saúde extensivo a todos os empregados e diretores e outro disponibilizado apenas a esses últimos deve pagar contribuição previdenciária sobre o plano de reembolsos de despesas médicas que não abarque a integralidade dos funcionários. Por outro lado, o Acórdão paradigma, entende que a legislação não possui condição que determine a existência de planos idênticos a todos os segurados. A única condição existente é que todos os segurados estejam cobertos. Assim, a existência de plano diferenciado ou reembolsos para as maiores faixas salariais, não afasta a cobertura a todos os empregados da empresa”. Sustentou, assim, a tese de que o legislador apenas exige que a cobertura médica abranja a totalidade dos empregados, inexistindo qualquer determinação que a sua concessão seja idêntica a todos os empregados. Argumentou que: “Em relação ao primeiro ponto, vale salientar que atualmente, na tentativa de se estimular as empresas, na concessão de planos de assistência médica, pacificouse o entendimento de que tais benefícios não possuem natureza salarial. Porém, quando se estabeleceu tal critério, não se procurou vislumbrar a forma de contratação desses benefícios, o que, aliás, é livre, mas, ao contrário, tevese em mente um bem maior, qual seja a preservação da saúde do empregado, já que atualmente isso não mais é possível, com o atendimento médico prestado pelos órgãos públicos e os preços exigidos pelos remédios. E a preservação da saúde dos empregados não seria obtida de forma plena, se as empresas fossem ainda mais oneradas, com as despesas desses benefícios, incluindose os encargos. Buscouse, então, como solução, a exclusão desses benefícios do rol de saláriocontribuição, pelo que as empresas que já mantinham essa política não teriam maiores encargos, sendo Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 5 5 que as demais sentirseiam, então, seguras na sua concessão (...) Ademais, ainda que se tratasse de um beneficio, não estaria ele revestido de natureza remuneratória, porque ausente condição essencial para tanto, qual seja, a habitualidade no reembolso ao empregado, já que ele somente tem direito ao reembolso quando adquire medicamento, o que, como óbvio, não se dá de forma habitual. Não caracterizada a habitualidade na concessão do beneficio ao trabalhador, se assim pudesse ser considerado o reembolso de medicamentos, não há de se falar em caráter salarial da alegada vantagem, o que se traduz na impossibilidade do cômputo de seu respectivo valor para cálculo do salário de contribuição. E se estamos diante de isenção, aplicável o artigo 111, I, do CTN, que determina a interpretação literal do dispositivo que concede isenção. E as determinações expressas no parágrafo 9°, da Lei n° 9828/97, e na Lei n° 10.243/2001, não fazem qualquer menção à concessão de assistência médica no mesmo nível para todos os empregados, mas simplesmente refere se à assistência médica no geral”. Neste sentido, postulou pela reforma do acórdão recorrido, com vistas à anulação da NFLD. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 455/459. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar, de fato, a divergência jurisprudencial alegada. Com efeito, as circunstâncias fáticas existentes em ambos os acórdãos são semelhantes, e as respectivas conclusões jurídicas são antagônicas. O dissídio jurisprudencial a ser solucionado diz respeito à incidência de contribuição previdenciária sobre o reembolso de despesas médicas e/ou odontológicas extensiva a apenas parte dos segurados empregados. No caso, revelase incontroverso o fato de que a empresa contribuinte, efetivamente, adota a sistemática de reembolso de despesas médicas e odontológicas apenas aos funcionários pertencentes às faixas salariais mais altas. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 6 6 Temse, também, conforme asseverado pelo contribuinte ao longo de todo o processo, que a empresa possui, no que tange a todos os seus empregados, plano básico de assistência à saúde, malgrado a sistemática de reembolso atinja apenas parte dos seus empregados. No acórdão recorrido, interpretandose o artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/1991, entendeuse que se procedeu de maneira correta, na autuação, ao se perpetrar distinção, no caso concreto, entre as verbas de assistência à saúde fornecida a todos os empregados (sobre as quais não há incidência da contribuição previdenciária) e aquelas fornecida a apenas parte dos empregados, as quais seriam passíveis de incidência do tributo. No acórdão paradigma, por outro lado, fixouse o entendimento de que “a legislação não possui condição que determine condição de planos idênticos a todos os segurados. A única condição existente é que todos os segurados estejam cobertos”. O dispositivo legal sobre o qual se mostram divergentes as duas interpretações é o artigo 28, caput, e §9°, da Lei n° 8.212/1991: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;” No presente caso, devese ter em mente as seguintes constatações da autoridade fiscal, constante do Relatório Fiscal de NFLD, do qual transcrevo os seguintes trechos: “4. A empresa implantou cinco planos de auxilio aos empregados, na área de saúde, cujas características estão descritas a seguir: 4.1 REMEDIPLAN — Reembolso de Despesas com Medicamentos para Empregados Horistas e Mensalistas, conforme definido no documento interno denominado Práticas de Recursos Humanos — PRH 19, tem por finalidade proporcionar aos empregados horistas e mensalistas reembolso Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 7 7 exclusivo de despesas com medicamentos prescritos por médicos, nas quais eles ou seus dependentes tenham incorrido. Por tratar exclusivamente de reembolso de despesas com medicamentos, não será objeto desta NFLD; 4.2 MEDICPLAN "L" — GRADE SALARIAL 021 ATÉ GRADE SALARIAL 023 — Plano de Assistência Médica Suplementar, conforme definido no PRH 15 (Doc. "2" junto somente à 1° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar ao empregado, enquadrado na faixa salarial citada, benefícios sob a forma de reembolso total ou parcial das despesas médicas, nas quais ele ou seus dependentes tenham incorrido; 4.3 MEDICPLAN "G" — GRADES SALARIAIS 024 E ACIMA — Plano de Assistência Médica Suplementar/Odontológica, conforme definido no PRH 14 (Doc. "2" junto somente à l° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar aos empregados, enquadrados na faixa salarial citada, benefícios sob a forma de reembolso total ou parcial das despesas médicas e/ou odontológicas, nas quais eles ou seus dependentes tenham incorrido; 4.4 EXCEPCIONAL — Plano de Assistência Médica ao Excepcional — horistas, Mensalistas e Folhas Especiais, conforme definido no PRH 39 (Doc. "2" junto somente é 1° via desta NFLD), tem por objetivo proporcionar aos empregados da empresa reembolso de despesas incorridas com tratamentos de filhos excepcionais, seus dependentes; 4.5 HORMEN — Plano de Assistência Médica, conforme definido no PRH 40 (Doc. "2" junto somente 1° via desta NFLD), tem por finalidade, em caráter excepcional e após aprovação da Divisão de Saúde, proporcionar o encaminhamento do empregado horista ou mensalista e seus dependentes para disponibilizar a eles procedimentos, medicamentos e materiais, relacionados no item 5 do PRH 40, para tratamento de neoplasias, doenças metabólicas e outras patologias graves. 5. Da análise detalhada dos cinco planos, constatase que os benefícios proporcionados pelos Planos EXCEPCIONAL e HORMEN, destinados a atender empregados que possuam dependentes excepcionais ou que sejam, eles ou seus dependentes, portadores de patologias graves, estão indistintamente disponíveis à totalidade dos empregados que se encontram ou possuem dependentes que se encontram nestas condições especiais. 0 Plano REMEDIPLAN destinase a reembolso de medicamentos aos empregados horistas e mensalistas e não será objeto desta NFLD. Os Planos MEDICPLAN "L" e MEDICPLAN "G", além de garantirem reembolso de medicamentos aos empregados das grades salariais 021 e acima, beneficio não objeto desta NFLD, também dão direito a reembolso total ou parcial de despesas médicas e odontológicas aos mesmos. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 8 8 6. Pela descrição dos planos, observase que o Plano MEDICPLAN "L" destinase a reembolsar os empregados enquadrados nas grades salariais 021 até 023 com despesas médicas e o Plano MEDICPLAN “G” destinase a reembolsar os empregados das grades salariais 024 e acima com despesas médicas e/ou odontológicas. Portanto, concluise que este tipo de reembolso é privilégio apenas de uma parcela seleta dos empregados, daqueles da grade salarial 021 e acima, não sendo acessível a totalidade dos empregados da empresa.” Diante deste panorama, cumpre fazer algumas considerações acerca do disposto no artigo 28, §9°, da Lei n° 8212/91. O texto legal em análise é expresso no sentido de que, para que não integre o “saláriodecontribuição”, “o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico” deve ter por objeto a cobertura da totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Pois bem, devemos ter em mente aqui que o texto legal é expresso na utilização do termo “ou”, o que não pode ser desconsiderado na sua interpretação. Com isso, querse dizer, na norma, que a assistência pode ser médica ou odontológico, não se exigindo que haja os dois tipos de assistência. Sendo apenas médica, ela deve abranger todos os empregados da empresa. Sendo apenas odontológica a assistência, deve abranger também a totalidade dos seus empregados. Indagase: e se a empresa prestar assistência tanto médica quanto odontológica? Neste caso, outrossim, a regra não se modifica: seja a assistência médica seja a assistência odontológica (assistência médica ou odontológica), ambas, se adotadas pela empresa, devem cobrir todos os empregados. Tratase de uma opção da empresa. Se ela opta por prestar assistência médica e odontológica aos seus empregados, todos estes devem ser abrangidos, tanto pela assistência médica quanto pela odontológica. A palavra “ou” traz a conotação de que é dado à empresa prestar apenas um dos dois tipos de assistência, não sendo obrigado a prestar a assistência médica e odontológica. A partir do momento, contudo, em que exerce a sua opção no sentido de prestar ambas as modalidades de assistência, aí sim, ambas devem abranger a totalidade dos seus empregados: a assistência médica e a assistência odontológica. Relembrese o texto legal, no que aqui nos interessa: “q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico (...) desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Reparese que o legislador não integrou no conceito de assistência prestada por serviço médico a assistência prestada por serviço odontológico, sendo os dois tipos de assistência, para a norma que se está a interpretar, diversos. Não se trata de uma mesma coisa. São coberturas diversas, as quais devem abranger a totalidade dos empregados para fins de não caracterização do “saláriodecontribuição”. Assim, para que não se insira no conceito de “saláriodecontribuição”, fazse necessário que: Fl. 477DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 9 9 a) a assistência prestada por serviço médico abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; b) a assistência prestada por serviço odontológico abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Isto não quer dizer, impõese destacar, que a imprescindibilidade de abrangência total do serviço médico ou odontológico implique a necessária igualdade de tais serviços a todos os empregados. Ou seja, havendo assistência médica que englobe todos os empregados e dirigentes da empresa, admitese que haja certas diferenciações no que tange a essa mesma assistência. Assim também no que concerne à assistência odontológica: desde que ela não deixe qualquer empregado ou dirigente alheio à sua cobertura, é possível que haja alguma diferença na sua prestação. Neste sentido (da possibilidade de distinção dentro da assistência médica ou odontológica), cito trechos de julgado desta 2° Turma da CSRF (acórdão 920900.295), desdobramento da decisão coligida pelo recorrente como paradigma da divergência jurisprudencial suscitada: “Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Assistência Médica, pelo simples fato de haver planos diferenciados entre os empregados e os diretores, existindo, ainda, custeio de parte do plano tão somente por alguns empregados, o que implicaria dizer não estar presente o requisito “cobertura” a totalidade dos segurados empregados. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pelo ilustre representante da Fazenda Nacional em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste relator, a conclusão da exigência de planos de Assistência Médica equitativos à todos os setores de uma empresa, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea ‘q’, §9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, em momento algum infere que o plano de saúde, dentre outros, deverá ser concedido de maneira idêntica a todos os funcionários da empresa, se limitando a estabelecer que ‘a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa’. Com efeito, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos à concessão da referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente”. De fato, o dispositivo legal em questão não determina, de qualquer forma, que a assistência prestada, médica ou odontológica, seja igual para todos os empregados e dirigentes. Dispõese apenas no sentido de que a assistência deve abranger todos os Fl. 478DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 10 10 empregados e dirigentes da empresa, ou seja, que seja extensiva a todos. Daí a se exigir a igualdade da assistência vaise muito longe, na contramão do que dispõe o artigo 111 do Código Tributário Nacional: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. O artigo 111, como se sabe, determina a interpretação literal da legislação tributária que outorga isenção. A interpretação literal referese ao método hermenêutico segundo o qual o intérprete restringese a aplicar a norma em seu sentido literal, não se admitindo que dela se extraia sentidos outros que não se revelem de pronto do seu texto. No caso, à vista do §9° do artigo 28, claramente não se depreende do seu texto a necessidade de que os serviços de assistência médica ou odontológica sejam, para além de abrangentes de todos os empregados, também igualitários para todos. Este entendimento demanda, inequivocamente, uma construção interpretativa que insere à norma um novo requisito para a sua incidência, requisito este que não se encontra nela expresso. Ora, na medida em que o entendimento concernente à igualdade deflui de toda uma construção interpretativa que acaba por restringir o seu sentido literal, por óbvio que não se está a perpetrar uma interpretação literal do respectivo dispositivo legal. A interpretação literal não admite nem a ampliação nem a restrição da norma. Esta deve ser aplicada em seu sentido exato. E em seu sentido exato, não se tem a exigência de que a assistência médica ou odontológica seja igual para todos. Neste sentido, cito outro julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ASSISTÊNCIA MÉDICA. ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. INTERPRETAÇÃO LITERAL CONFORME O INCISO II DO ART. 111 DO CTN. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 11 11 A alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 diz que não integra o Saláriodecontribuição o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. A regra de isenção não prevê que nos planos de assistência médica a empresa deve tratar, de forma igualitária, os seus beneficiários. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, bem como outorga de isenção. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 11070.002845/200715 Recurso nº 258.603 Acórdão nº 2803000.551 – 3ª Turma Especial Sessão de 16 de março de 2011 Matéria SALÁRIO INDIRETO: ASSISTÊNCIA MÉDICA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. COOPERATIVA DE TRABALHO; Recorrente UGGERI S/A; Recorrida FAZENDA NACIONAL) Devese ter por presente, ademais, que, tratandose de isenção, a sua instituição foi imbuída de um objetivo, de uma finalidade que o legislador pretendeu atingir. No caso, tal escopo foi e é fomentar a assistência à saúde dos empregados, como forma de concretização do direito à saúde, direito fundamental previsto na Constituição Federal, e que, como se sabe, não é satisfatoriamente concretizado pelo Estado. Daí a concessão, na hipótese, da isenção. A criação, desta maneira, de forma totalmente alheia ao texto, de uma condição não prevista expressamente na lei (de que a assistência seja igual para todos os empregados), para além de ferir o artigo 111 do CTN, fere também o próprio espírito da norma que se está interpretando. O termo “cobertura”, constante do dispositivo legal, tem o sentido óbvio de abrangência da assistência médica ou odontológica. Todos os empregados devem ser abrangidos pela assistência prestada pela empresa. Isto não quer dizer que a assistência prestada pela empresa deva ser igual para todos os empregados, podendo haver, sim, algums distinções, sem que a cobertura, em si, seja atingida. Diferenças podem haver, mas a cobertura permanece total sobre todos os empregados. Uma coisa é a amplitude da cobertura (que deve ser total), outra é a maneira de prestar a assistência. No presente caso, cumpre observar que, conforme acima transcrito, a fiscalização detectou a existência, na empresa autuada, de diferentes planos de assistência médica, designados pelos seguintes nomes: EXCEPCIONAL, HORMEN, REMEDIPLAN (que não foi objeto da NFLD) e MEDICPLAN “L”. Os três primeiros abrangem todos os empregados da empresa. O último (Medicplan “L”) destinase apenas aos empregados das grades salariais classificadas no nível 021 (e além). Todos referemse, no entanto, à assistência médica. De outro lado, constatouse, também, a existência do plano MEDICLIPAN “G”, que se destina a reembolsar os empregados das grades salariais 024 (e acima) com despesas médicas e/ou odontológicas. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 12 12 Verificase que, não obstante a distinção existente entre os planos, não se pode ignorar que a empresa contribuinte preocupase em abranger todos os seus empregados com um suporte assistencial relevante, estabelecendose, além do reembolso a todos os empregados dos gastos com medicamentos, a cobertura por doenças graves bem como a assistência a dependentes excepcionais. Não se pode dizer, assim, no que tange à assistência médica, que a empresa não assista a todos os seus empregados, ainda que tal assistência se dê de forma diferenciada de acordo com a faixa salarial. A justiça desta postura, não nos cabe aqui avaliar. Apliquemos, destarte, ao presente caso concreto, a linha interpretativa até agora exposta, ressaltando as premissas essenciais para o deslinde do caso: a) a assistência médica ou odontológica (ambas, se prestadas pela empresa) devem abranger a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; b) no plano da assistência médica ou no plano da assistência odontológica (em cada seara), admitese a existência de diferenças no que tange aos empregados, desde que todos estejam cobertos. Desta forma, os planos EXCEPCIONAL, HORMEN, MEDICPLAN “L e MEDICLIPAN “G” (este naquilo que se refere ao plano de assistência médica), ainda que importem diferenças entre os empregados, enquadramse na norma prevista no artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/91, não integrando o “saláriodecontribuição”. Por outro lado, no que tange ao plano MEDICPLAN “G”, os valores concernentes aos reembolsos com despesas odontológicas enquadramse no conceito de “saláriodecontribuição”. Isto porque a assistência odontológica, na espécie, não abrange a totalidade dos empregados da empresa, mas apenas aqueles das grades salariais de nível 024 e acima. Ressaltese que se houvesse cobertura odontológica sobre todos os empregados da empresa, ainda que de forma diferenciada, o artigo 28, §9°, da Lei n° 8.212/91 incidiria. Mas não é o caso. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para cancelar a NFLD, exceto em relação aos valores relativos ao reembolso de despesas odontológicas, conferidas no bojo do plano MEDICPLAN “G”. Sala das Sessões, em 09 de maio de 201209 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 481DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35418.000283/200676 Acórdão n.º 9202002.129 CSRFT2 Fl. 13 13 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
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Numero do processo: 10935.001082/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2007
Ementa:
Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações, há que se manter a exigência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO - CABIMENTO.
É plenamente cabível a revisão de auto-lançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN), sendo que a prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, sem qualquer justificativa plausível, autoriza a aplicação da qualificação agravamento da multa de ofício.
Numero da decisão: 3402-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida DRJ CURITIBA PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2007 a 31/12/2007 Ementa: Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações, há que se manter a exigência tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO CABIMENTO. É plenamente cabível a revisão de autolançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN), sendo que a prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, sem qualquer justificativa plausível, autoriza a aplicação da qualificação agravamento da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 10 82 /2 01 1- 83 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta, Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/CTA nº 0635.232 de 18/01/12 constante de fls. 92/100 exarado pela da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedentes” os lançamentos originais de Contribuições de COFINS (fls. 75/78 MPF nº 0910300/01130/10; COFINS R$5.570,91; juros R$ 1.777,71; Multa 150% R$ 8.356,35) e para o PIS (fls. 71/74 MPF nº 0910300/01130/10; PIS R$ 1.207,02; Juros R$ 385,13; Multa 150% R$ 1.810,52), notificado em 02/03/11 (fls. 73 e 77), que acusaram a ora Recorrente de:”diferença entre receita escriturada e receita declarada” nos períodos de 31/07/07 a 31/12/07 e 31/08/07 a 31/12/07, conforme explicitado no TVF (fls. 69/70) nos seguintes termos: “1. FORMA DE APURAÇÃO O contribuinte optou pela apuração do IRPJ do anocalendário de 2007 pelas regras do Lucro Presumido, conforme Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ do período (fls. 16 a 25), devendo apurar o PIS e COFINS do período pela metodologia da cumulatividade estabelecida pelas Leis n°s 9.715/98 e 9.718/98, em atenção ao disposto nos artigos 8º, inciso II , da Lei n° 10.637/2002, e 10°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. 2. INFRAÇÃO 2.1. DIFERENÇA ENTRE RECEITA ESCRITURADA E RECEITA DECLARADA No decorrer do procedimento fiscal apurouse divergência entre a receita escriturada (livro razão fls. 11 a 14) e a receita declarada por meio dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON respectivos (fls. 27 a 51) nos 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2007, procedimento este que acarretou o cálculo incorreto dos montantes devidos do PIS e COFINS em alguns períodos de apuração (mensal), conforme demonstrado em planilha anexa (fl. 68). Desta forma, a diferença no montante das referidas contribuições sociais será objeto de constituição de ofício por meio de Autos de Infração específicos, acrescida de juros de mora e multa legal, sendo que os valores declarados pelo contribuinte por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF serão devidamente compensados nos Autos de Infração. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 3 3 A Contribuição para o Programa de Integração Social e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social serão apuradas pelas regras estabelecidas pelas Leis n° 9.715/98 e 9.718/98, mediante a aplicação da alíquota de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, sobre a receita bruta apurada, conforme planilha (fl. 68). Resumo das diferenças apuradas é apresentado no quadro a seguir: Período PIS COFINS Agosto 112,61 519,74 Setembro 146,39 684,86 Outubro 260,25 1.191,87 Novembro 339,27 1.565,84 Dezembro 348,54 1.608,63 3. MULTA E JUROS APLICÁVEIS Será aplicada a multa de ofício de 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores que deixaram de ser recolhidos/declarados apurados em relação à infração indicada no item 2.I., em conformidade com o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, haja vista o evidente intuito de fraudar a fazenda pública, consubstanciado na declaração incorreta da receita auferida nos meses de agosto a dezembro de 2007 e o conseqüente cálculo incorreto dos montantes devidos a título de PIS e COFINS. Sobre o valor dos débitos apurados será aplicado percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, em conformidade com o disposto no art. 63, § 3º, da Lei n° 9.430/96, a título de juros de mora.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 92/100 da 3ª Turma da DRJ de Curitiba PR, houve por bem julgar “procedentes” os lançamentos originais de Contribuições de COFINS e de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 A 31/12/2007 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de provar as alegações contidas na impugnação apresentada. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE . Indeferese o pedido de diligência cuja realização revela ser prescindível para o deslinde DA questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período DE apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE VENDAS. PROVA. LIVRO RAZÃO. LANÇAMENTO. O lançamento de ofício é cabível quando restar comprovado através do Livro Razão que a empresa auferiu receita de vendas e que não realizou a confissão ou pagamento da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO A prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém do efetivamente auferido, registrado nos assentamentos fiscais, reduzindo a obrigação tributária principal realmente devida, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/12/2007 RECEITA DE VENDAS. PROVA. LIVRO RAZÃO. LANÇAMENTO. O lançamento de ofício é cabível quando restar comprovado através Livro Razão que a empresa auferiu receita de vendas e que não realizou confissão ou pagamento da contribuição devida. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CABIMENTO A prática reiterada de declarar ao fisco receita mensal em valor aquém efetivamente auferido, registrado nos assentamentos fiscais, reduzindo obrigação tributária principal realmente devida, constitui fato evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) Contribuinte não praticou ilícito tributário algum, porquanto as alegações efetuadas pelo Sr. AuditorFiscal não tem qualquer embasamento fático, já que se escoram em suposições deduzidas de informações inverídicas; b) a nulidade dos lançamentos por violação ao art. 37 da CF/88 eis que não poderiam exigir tributos e penalidades sem que o contribuinte tenha incidido no fato jurídico tributário justificador de sua emissão; c) a necessidade de conversão em diligência para comprovação da principal tese da defesa de que em momento algum deixou de Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 4 5 cumprir obrigação fiscal; d) a inconstitucionalidade da multa por ofensa ao princípio da não confiscatoriedade previsto no art. 150, inc. IV da CF/88. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, mas não merece provimento. Preliminarmente rejeito a preliminar de nulidade dos lançamentos que se confunde com o mérito e cujas objeções da Recorrente foram repelidas com vantagem pela r. decisão recorrida, cujos fundamentos por amor à brevidade, adoto como razões de decidir e transcrevo: “Nesse contexto, uma vez que os autos de infração não foram lavrados por pessoa incompetente, mas por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, afastase a arguição de nulidade dos autos de infração contestados. Do Mérito A autoridade tributária em procedimento fiscal realizado junto a interessada apurou que parte das receitas tributáveis (bases de cálculo das contribuições) escrituradas no Livro Razão, dos períodos de 06/2007 a 12/2007, não foram informadas nos respectivos Dacon e que os débitos das contribuições (PIS e Cofins) a elas relativos não foram confessados (em DCTF) e nem tampouco recolhidos. A interessada diz que não deixou de pagar o imposto na forma prevista na legislação. Sustenta que o auditor fiscal falhou ao não apresentar a documentação comprobatória das operações consignadas, e ao utilizar as "técnicas presuntivas" para fundamentar o lançamento, Argumenta ser impossível produzir provas de atos que não cometeu e que no presente caso o ônus de provar a infração é do fisco. Defende a necessidade da conversão do feito em diligência para provar que não deixou de pagar as contribuições. E pugna para que seja garantido o direito a apresentação dos documentos, a fim de manter incólume o direito ao contraditório e a ampla defesa, e para que seja obedecido o princípio da verdade material. Notese, primeiramente, que o regime de apuração das contribuições (PIS e Cofins) da contribuinte no anocalendário de 2007 é o cumulativo, tendo em vista a opção da pessoa jurídica pelo regime de tributação do Lucro Presumido (conforme DIPJ do exercício 2008), devendo ser aplicada a Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998, em atenção ao disposto nos Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 artigos 8º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002, e 10°, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Por sua vez, os artigos 2° e 3º da citada Lei 9.718/98 prevêem: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória n°215835, de 2001) Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória n" 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei n° 11.941, de 2009) Em face da legislação acima transcrita verificase que no ano de 2007 a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) era determinada pela receita bruta da pessoa jurídica. As exigências tributárias do processo, conforme se verifica pelo leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 70/71) e do demonstrativo denominado "Apuração da Diferença de PIS e Cofins 2° Semestre de 2007" (fl. 69), tiveram por base a receita registrada na escrituração contábil (livro razão) da própria empresa. Em referido demonstrativo a coluna "Receita Tributável" resume exatamente os valores de receita (de Vendas e Serviços) registrados no Livro Razão da contribuinte (fls. 09/15). Destacase que a apuração das contribuições foi realizada descontandose os valores declarados em DCTF ou pagos (colunas PIS e Cofins declarado). A afirmação da impetrante de que as omissões de receitas foram apuradas em meras presunções é, portanto, totalmente descabida, pois como se constata as bases de cálculo das contribuições foram extraídas diretamente da escrituração contábil da empresa. Destaquese ainda que em nenhum momento a interessada alegou a ocorrência de erros ou equívocos nos seus registros contábeis, ou mesmo contestou a validade ou veracidade da escrituração contábil, podendose deduzir disso que o recebimento de receitas (de bens e serviços) registrada na contabilidade corresponde exatamente a realidade fática. Em reforço a constatação acima é de se registrar que o somatório da receita tributável (bens e serviços) do 2° semestre de 2007 apurado pela fiscalização (demonstrativo acima citado à fl. 69), no valor de R$jl$ 252.789,12 corresponde exatamente ao valor do somatório de receita bruta do 3º e 4º trimestre de 2007 (R$ 105.886,06 + R$ 146.903,06 = R$ 252.789,12) informado na DIPJ do Exercício de 2008 (fls. 19), e que quanto a veracidade da receita bruta informada nesse demonstrativo a interessada também nada argumentou. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 5 7 Nesse sentido, até prova em contrário, os registros contábeis, que fazem prova a favor e contra a própria interessada, são considerados documentos mais do que suficientes para comprovar o recebimento das receitas. Quanto ao ônus da prova, tendo em vista a existência dos registros contábeis que depõem contra a contribuinte, ressaltase que mesmo no presente caso, cabe a contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito, conforme se depreende do transcrito do artigo 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (...) Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Este entendimento é corroborado pelo disposto nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, abaixo transcritos, pois a interessada, a fim de comprovar o seu direito, deveria obrigatoriamente instruir sua impugnação com documentos que respaldassem suas afirmações. "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) §4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Conforme se verifica na ementa do Acórdão 10807508, proferido pelo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, transcrita a seguir, as Instâncias Administrativas de julgamento também compartilham do citado entendimento. "PAF ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá los, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. " Quanto à possibilidade de apresentação de documentos é de se ressaltar que foi concedido à impugnante o prazo legal de 30 dias para apresentação da impugnação administrativa (art. 15 do Decreto n° 70.235/1972), mantendose incólumes o direito ao contraditório e a ampla defesa, e que a apresentação de provas (conforme § 4º do art. 16 do mesmo decreto) deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No que diz respeito à solicitação de revisão dos valores utilizados para fins de correção monetária e juros registrese: que não foram aplicados sobre os valores dos débitos lançados de ofício quaisquer valores de correção monetária, tãosomente multa de ofício (tratada em item a seguir) e juros de mora (taxa Selic); e quanto à aplicação dos juros de mora (equivalente à taxa Selic) que não existe nenhuma correção a ser realizada, visto que aplicação dos mesmos foram realizados em total conformidade com a legislação. Diligência Suscitada A impugnante solicita que o processo seja baixado em diligência a fim de comprovar que não houve a ausência de recolhimento dos tributos lançados. O Decreto n° 70.235, de 1972 (que dispõe sobre o processo administrativo fiscal), em seu art. 18 (com a redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993), prevê que os pedidos de diligências, solicitados pela impugnante, podem ser indeferidos pela autoridade julgadora de primeira instância quando forem considerados prescindíveis. No presente caso, como foi visto no tópico anterior, a comprovação das omissões de receita pode ser realizada diretamente pela análise da escrituração contábil em comparação com os DACON e com as DCTF entregues pela contribuinte. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 6 9 Constatase, desta forma, que a diligência solicitada é totalmente prescindível para o deslinde da questão, devendo, o pedido realizado ser indeferido. Da Multa Qualificada Protesta a impugnante contra a aplicação da multa de ofício de 150%, alegando a inconstitucionalidade da mesma por afronta ao principio do não confisco. A multa qualificada encontravase inicialmente regulada pelo art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, cuja redação original assim dispunha: "Art.44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. " (Grifouse) Posteriormente, com a edição da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, foi alterada a redação desse art. 44: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) (...) ". Vejase que o percentual de 150% é aplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para sua Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 aplicação serem observadas as definições dos indigitados dispositivos, in verbis: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. " Assim, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência dos precitados tipos penais (arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964). No presente caso constatase que a contribuinte tinha plena consciência das receitas tributáveis registradas em seus próprios livros fiscais, e, reiteradamente, prestou ao fisco informações inverídicas nos DACON, com o escopo de eximirse parcialmente do pagamento do valor real devido, visando à redução dos valores das bases de cálculo das contribuições. O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta continuada e sistemática por parte da contribuinte, consistente em informar valores de receita de vendas de bens e serviços (base de cálculo das contribuições) nos DACON que não espelham a sua escrituração contábil, além de apurar as contribuições sempre em valores inferiores, tomando como base de cálculo somente parte das receitas registradas na contabilidade. Agindo dessa forma, a contribuinte declarou (em DCTF) e efetuou recolhimento parcial das contribuições somente para os meses de setembro e outubro. Em conclusão, pelo artifício de informar valores de receita menores que os constantes da escrituração contábil, pretendendo impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante das contribuições devidas, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, concluise presente o pressuposto da multa de ofício Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.001082/201183 Acórdão n.º 3402001.828 S3C4T2 Fl. 7 11 qualificada, a qual foi exigida nos exatos termos da previsão legal.” No caso é plenamente cabível a revisão de autolançamentos através de lançamento de ofício, diante da comprovada e reiterada omissão da Recorrente quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (cf. arts. 147, § 2º e 149 incs. IV e V do CTN) Por outro lado, a par de não se poder discutir inconstitucionalidade de lei em sede administrativa, a prática reiterada de evasão tributária, sem qualquer justificativa plausível, evidencia a intenção da contribuinte de lesar o fisco, autorizando a aplicação do agravamento da multa, tal como já proclamado pela Jurisprudência Administrativa, e se pode ver das seguintes ementas:: “CSLL. MULTA MAJORADA. REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS. ENTE ACESSÓRIO. EXIGÊNCIA PERTINENTE. Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. MULTA MAJORADA. FRAUDE. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRATICA REITERADA CONDENÁVEL. PROCEDÊNCIA. O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adotase uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos livros fiscais ou nos entes acessórios, tipificado está o intuído de fraude.” (Ac. 10707658) “PRATICA REITERADA — O dolo, elemento imprescindível à caracterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando por base para apuração do tributo um percentual quase fixo (entre 7% e 10%) das receitas efetivamente auferidas e escrituradas em livros fiscais.” (Ac. 10707.084) Assim, não vislumbro as objeções levantadas pela Recorrente que justificassem a reforma da r. decisão recorrida, que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerando que na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar as autuações. Isto posto, meu voto é no sentido de preliminarmente, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Voluntário para manter a r. decisão recorrida. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 15/05/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10540.720384/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS.
É desnecessária a individualização dos valores recebidos por cada funcionário, se a fiscalização se muniu de elementos suficientes para apurar os valores totais pagos aos segurados sobre os quais incidem as contribuições a cargo da empresa (cota patronal) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT).
ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Tendo a fiscalização apresentado provas do cometimento da infração, a apresentação de contraprova, objetivando desacreditar o suporte probatório juntado aos autos, é do contribuinte.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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GILRAT/SAT Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE PARAMIRIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. É desnecessária a individualização dos valores recebidos por cada funcionário, se a fiscalização se muniu de elementos suficientes para apurar os valores totais pagos aos segurados sobre os quais incidem as contribuições a cargo da empresa (cota patronal) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT). ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Tendo a fiscalização apresentado provas do cometimento da infração, a apresentação de contraprova, objetivando desacreditar o suporte probatório juntado aos autos, é do contribuinte. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 84 /2 01 0- 15 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10540.720384/201015 Acórdão n.º 2402003.518 S2C4T2 Fl. 250 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 21/10/2010 (fl. 166), decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal) e da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT), no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, incluindo a competência 13/2008. O Recorrente interpôs impugnação (fls. 171/198) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador – BA, ao analisar o presente caso (fls. 203/211), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) foram observados os princípios do devido processo legal, ampla defesa, contraditório e legalidade; (ii) estão discriminados todos os fatos geradores e foram anexados todos documentos que deram origem ao lançamento; bem como as contribuições devidas, os períodos autuados e a legislação aplicável; (iii) foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte no momento da autuação, e apenas por ocasião do pagamento é que se poderá verificar qual a multa de fato é a menos onerosa; (iv) os demais processos administrativos decorrentes da mesma autuação já se encontram apensados; (v) apesar de não ter individualizado todos os segurados envolvidos no lançamento, a autoridade tributária realizou a autuação com base nas folhas de pagamento e GFIPs preenchidas pelo próprio Recorrente; (vi) constatado atraso parcial ou total no recolhimento das contribuições previdenciárias, deve a fiscalização lavrar a notificação de débito; (vii) as provas devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão; e (viii) é improcedente o pedido de prova pericial realizado sem atender aos requisitos legais. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 217/241) requerendo a improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O Recorrente pretende a nulidade da autuação, sob o argumento de que não houve a correta descrição dos fatos, eis que não foi realizada a individualização de cada segurado. Analisando o Relatório Fiscal (fls. 25/37), verificase que a autoridade tributária obteve a base de cálculo através dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia – TCM, bem como dos resumos das folhas de pagamento, os quais, diga se de passagem, apresentavam valores diferentes dos declarados em GFIP. Assim, confrontando esses documentos, a autoridade tributária obteve a base de cálculo, sobre a qual incidiram as alíquotas das contribuições devidas. Cumpre destacar que, as contribuições a cargo da empresa (cota patronal) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT/SAT) têm como base de cálculo o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, o que foi obtido pela autoridade tributária mediante o procedimento acima referido, sendo desnecessária a sua individualização por segurado por ocasião da lavratura do auto de infração. Observando os documentos que instruíram a presente autuação, Discriminativo do Débito – DD (fls. 05/08), Relatório de Lançamentos – RL (fls. 23/24), Relatório Fiscal (fls. 25/37), Planilha de Divergências (fls. 36/37) e Planilha de Comparação de Multas (fls. 31/33), é possível concluir com clareza quais foram as irregularidades identificadas pela fiscalização. Ainda, analisando o AI nº 37.279.4637 (PAF nº 10540.720382/201018, em apenso), constatase que foram trazidos pela fiscalização no referido PAF, todos os extratos das GFIPs (95/175) e os resumos da folha de pagamentos (fls. 176/215), não havendo que se falar ausência de documentos que comprovem a infração. Diante disso, considerando que houve a adequada demonstração dos fatos que ensejaram a presente autuação, e que o Recorrente não apresenta qualquer elemento fático probatório para demonstrar que ocorreu alguma incorreção no procedimento fiscal, limitando se a arguir de modo genérico a nulidade da autuação, não merece provimento o recurso neste ponto. O Recorrente pretende também discutir a inconstitucionalidade do lançamento, sob a alegação de que: (i) faltou finalidade à ação fiscal, eis que não houve a individualização dos segurados; (ii) há violação aos princípios da moralidade, legalidade, não confisco, solidariedade, motivação, segurança jurídica, interesse público, razoabilidade, proporcionalidade e eficiência em razão do fato da autoridade tributária não ter realizado a individualização por segurado do montante devido; (iii) ao não elaborar uma relação dos segurados abrangidos na presente autuação, o Fisco retirou do Recorrente o direito ao Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10540.720384/201015 Acórdão n.º 2402003.518 S2C4T2 Fl. 251 5 contraditório e à ampla defesa; e (iv) a multa só é exigível após todo o trâmite do processo administrativo. Todavia, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Neste contexto, vale destacar que a administração pública está vinculada à lei, e não compete a um agente administrativo dizer se uma lei que determina o pagamento de um tributo é inconstitucional ou ilegal. Em tempo, devese recordar que o procedimento administrativo existe não para discutir a inconstitucionalidade ou ilegalidade de algum tributo, o qual deve ser feito exclusivamente perante a esfera judicial, mas sim eventuais irregularidades que tenham sido cometidas pelo agente fazendário no momento da fiscalização, as quais todavia não foram demonstradas pelo Recorrente. Assim, considerando que a exigência das contribuições em tela se deu com observância às normas legais pertinentes, havendo sim motivação para a autuação (recolhimento a menor de tributos), e que, como já fundamentado, não houve qualquer nulidade no procedimento fiscal, deixo de apreciar as alegações genéricas do Recorrente quanto à suposta ilegalidade e inconstitucionalidade da presente cobrança. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000362/2007-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2007
DOCUMENTO DE CONHECIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. DESNECESSIDADE DE REITERAÇÃO DE SEU CONTEÚDO.
Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias.
VERDADE REAL E VERDADE FORMAL.
No processo administrativo a verdade real tem prevalência sobre a verdade formal, não podendo ser negado o pedido do contribuinte por conta de ausência de documento no processo quando a autoridade julgadora tem conhecimento de sua existência.
Embargos conhecidos ao qual não se dá provimento.
Numero da decisão: 3801-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e José Luiz Feistauer de Oliveira que entendiam que os débitos apontados pela Receita Federal são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado de redução da alíquota do IPI .
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl ( Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2007 DOCUMENTO DE CONHECIMENTO DA ADMINISTRAÇÃO. DESNECESSIDADE DE REITERAÇÃO DE SEU CONTEÚDO. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. No processo administrativo a verdade real tem prevalência sobre a verdade formal, não podendo ser negado o pedido do contribuinte por conta de ausência de documento no processo quando a autoridade julgadora tem conhecimento de sua existência. Embargos conhecidos ao qual não se dá provimento.
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DESNECESSIDADE DE REITERAÇÃO DE SEU CONTEÚDO. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. VERDADE REAL E VERDADE FORMAL. No processo administrativo a verdade real tem prevalência sobre a verdade formal, não podendo ser negado o pedido do contribuinte por conta de ausência de documento no processo quando a autoridade julgadora tem conhecimento de sua existência. Embargos conhecidos ao qual não se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e José Luiz Feistauer de Oliveira que entendiam que os débitos apontados pela Receita Federal são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado de redução da alíquota do IPI . (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 03 62 /2 00 7- 28 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl ( Relator) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000362/200728 Acórdão n.º 3801001.860 S3TE01 Fl. 154 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de reconhecimento e declaração de redução de alíquota do IPI – exercício de 2007 – incidente sobre a produção de refrigerantes, com base no artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI de 2002), mais precisamente nos termos da Norma Complementar “NC 221”. A autoridade administrativa de 1ª Instância entendeu que o contribuinte deveria comprovar, para a fruição de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, a quitação de tributos e contribuições federais, nos termos do artigo 60 da Lei nº 9.069/95, assim disposto: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” Essa Turma julgou procedente o Recurso Voluntário entendendo que a regularidade fiscal deveria ser examinada no momento da opção do contribuinte, não podendo a contribuinte ficar à mercê da demora da administração para realização dos atos processuais. A apresentação da certidão de tem o condão de comprovar a regularidade fiscal da contribuinte na época da apreciação do pleito e a contribuinte apresentou a respectiva certidão. Restou assim ementado o acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2007 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido. Interpõe a Fazenda Embargos de Declaração alegando que a informação constante no voto acerca da efetiva apresentação pelo contribuinte de certidão negativa de débitos ou certidão positiva com efeitos de negativa não condiz com as provas constantes nos autos, assim como a assertiva de que o Fisco não demonstrou a irregularidade fiscal do contribuinte. Que a petição inicial do contribuinte foi instruída apenas com cópia autenticada do registro de produto no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com cópia da procuração e não com a Certidão Negativa respectiva. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Nesse contexto requer que a Turma se pronuncie explicitando quais foram os documentos constantes nos autos que levaramna a concluir estar o contribuinte em situação fiscal regular no momento do protocolo do pedido de redução de alíquota de IPI e ainda, requer que a Turma esclareça se, no seu entender, os débitos apontados pela Receita Federal às fls. 17/33 são ou não impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado de redução da alíquota do IPI. É o que importa relatar. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13876.000362/200728 Acórdão n.º 3801001.860 S3TE01 Fl. 155 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. De fato o acórdão embargado contém literalmente o seguinte trecho: Conforme visto a Recorrente apresentou no início do procedimento a sua certidão e a administração não demonstrou, ao contrário, a que se deve a alegada irregularidade. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte e não pode a contribuinte ficar à mercê da demora da administração para realização dos atos processuais. Certo é também, como corretamente apontou a Procuradoria nesse processo que a referida certidão não está nos autos. Porém, isso não invalidada a informação prestada. Conforme se sabe o presente processo foi julgado em conjunto com outros processos do mesmo contribuinte e essa Turma teve conhecimento da existência de uma certidão negativa válida emitida em 27 de março de 2007 e válida até 23 de setembro de 2007, abrangendo a data de protocolização do pedido, 1º de agosto de 2007. O artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração federal dispõe que: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Por outro lado, pelo princípio da verdade material essa Turma não poderia alegar desconsiderar a existência do documento ao qual teve acesso. O que se busca no processo administrativo é a verdade material. Serão considerados todas as provas e fatos novos mesmo que não tenham sido alegados ou declarados, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material), e não apenas a verdade que é, a principio, trazida aos autos pelas partes (verdade formal) São esses os princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal e que definem os limites dos poderes de cognição do julgador em relação aos fatos que podem ser considerados para a decisão da situação que lhe é submetida. Entre tais princípios inserese o princípio da oficialidade, que recomenda ao julgador buscar a verdade e aplicar corretamente a lei, apesar da inércia das partes. No Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 processo administrativo o julgador deve aplicar o direito com olhos na verdade real e na justiça. Foi o que fez essa Turma. A contribuinte possuía a seguinte CND, cuja validade pode ser confirmada no sítio da internet da própria Receita Federal: Emissão em 27/03/2007 às 14:19:49. CNPJ 50.221.019/000136. Código de controle da certidão: 26C8.0AD3.4146.AB98. Nesse sentido, a rigor, assiste razão à Fazenda no que concerne aos termos usados no voto, entretanto, conforme pode ser visto, a contribuinte possuía certidão válida no momento da apresentação do pedido. Quanto a alegação da Fazenda de que é preciso esclarecer o porquê os débitos apontados pela Receita Federal às fls. 20/33 não são impeditivos ao deferimento do benefício fiscal pleiteado, tenho que a questão está superada pela existência da CND válida, entretanto, como pode ser visto o “conta corrente” anexado pela Receita às fls. 17/31 é de 2009 e não de 2007, não se referindo ao momento do pedido da contribuinte e conforme apontado no acórdão combatido a regularidade fiscal da contribuinte deve ser examinada na época da apresentação do pleito, não posteriormente. Diante do exposto, conheço dos embargos para reconhecer o vício apontado no acórdão, no entanto, mantenho a decisão embargada que deu provimento ao recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000121/2007-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE -
ISENÇÃO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Provido parcialmente
Numero da decisão: 2802-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 25/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Provido parcialmente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 59 1 58 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000121/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.283 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrente HEIDER SALGADO LEAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 21 /2 00 7- 41 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 25/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Trata se de Auto de Infração de fls. 69 a 76, relativo ao ano calendário de 2002, exercício financeiro de 2003, lavrado em virtude da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, relativo ao ano calendário de 2002, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, acompanhado das planilhas de fls. 66/68. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 80 a 84, por alegando, em síntese, seus rendimentos são isentos em virtude de ter contraído moléstia de saúde grave, mais especificamente câncer, doença que é enquadrada como condição para isenção do 1RPF na IN SRF n° 120, de 2000. Assevera que é necessário que lhe seja deferida a isenção dos impostos de renda retroativamente até o início dos problemas de saúde descritos, possibilitandolhe que faça declarações retificadoras em relação aos anos de 2002 em diante. Junta laudo médico. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) examinou as alegações do contribuinte e decidiu pela improcedência de sua impugnação, sob o seguinte fundamento expresso na ementa do Acórdão nº 1332.818, fls. 105/106: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física I R P F Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. APOSENTADORIA. PENSÃO. REFORMA. PROVENTOS. A isenção de imposto de renda para portadores das moléstias especificadas em lei referemse exclusivamente para proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal, conforme expressa determinação legal. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido Cientificado em 04/05/2011, fls.109, o interessado interpôs recurso voluntário em 03/06/2011, fls. 111/116, alegando, em apertada síntese, que foi diagnosticado com problemas de estenose de uretra nos fins de 2002 (30 de dezembro de 2002). Prossegue seu recurso detalhando todos os procedimentos a que foi submetido em decorrência da moléstia contraída. O recorrente não contesta o fato dos rendimentos considerados omitidos serem Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 17883.000121/200741 Acórdão n.º 2802002.283 S2TE02 Fl. 60 3 recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício e portanto não são proventos de aposentadoria, pensão ou reforma. Instrui seu recurso com relatórios e laudos médicos que comprovam a moléstia contraída. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A matéria ora em litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O contribuinte afirma que é portador de moléstia grave. Ocorre que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de reconhecer a isenção de tais rendimentos, em razão dos seguintes fatos: “O rendimento omitido pelo contribuinte, que acarretou a lavratura do auto de infração ora impugnado, não possui a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, visto que decorreu de rendimentos recebidos de pessoas físicas, conforme consta da relação de fls. 67/68 e da própria descrição dos laços da peça fiscal. Assim, independente da existência ou não da moléstia grave, o rendimento omitido, objeto da presente autuação, sujeitase à tributação, uma vez que não houve atendimento aos dois pressupostos legais necessários para a concessão da isenção. Repisese, somente os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portadores das moléstias especificadas em lei, estão abrangidos pela isenção do imposto de renda.” Em face dessa pretensão suscitada pelo interessado, convém transcrever o que se encontra regulamentado pela Lei n° 7.713, de 1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995)" Depreendese, pois, que há dois requisitos cumulativos indispensáveis para que o rendimento percebido seja considerado isento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Portanto, o fato de ser portador de moléstia tipificada no texto legal não significa que todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte nessa condição sejam isentos do imposto de renda. Indispensável, para tanto, a comprovação de que estes rendimentos são provenientes de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, o que não ocorreu no presente caso. Não há, pois, com acatar a pretensão do recorrente. No voluntário o recorrente solicita o cancelamento total do lançamento. Destarte, a multa isolada é parte integrante do crédito tributário apurado. Assim, verificase na autuação, cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício, que voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarse à jurisprudência desse órgão julgador, especialmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais MULTA ISOLADA Art.44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) Destarte, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a multa isolada – Falta de Recolhimento do IRPF devido a Titulo de Carnê Leão. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 132DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 17883.000121/200741 Acórdão n.º 2802002.283 S2TE02 Fl. 61 5 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 25/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10980.006831/2004-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2004, 2005
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA.
Comprovado que, embora constassem do objeto social da empresa, atividades impeditivas de opção pelo Simples não foram por ela executadas, defere-se o pedido de inclusão retroativa nessa sistemática de tributação.
Numero da decisão: 1803-001.278
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004, 2005 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. Comprovado que, embora constassem do objeto social da empresa, atividades impeditivas de opção pelo Simples não foram por ela executadas, deferese o pedido de inclusão retroativa nessa sistemática de tributação. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 134 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 135 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 34 e 35): Tratavase este processo, de início, de petição protocolizada em 26/05/2004 (fl. 3), pela qual a contribuinte solicita seu enquadramento no Simples, retroativo a 01/01/2003, em face do disposto na Lei nº 9.317, de 1996. A DRF, apreciando a petição como uma solicitação de inclusão retroativa no Simples (fl. 2), indeferiua, sob a fundamentação de que a pessoa jurídica desenvolve atividades de elaboração de projetos, assessoria e consultoria, as quais não podem optar pelo Simples, à luz do disposto no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Comunicada do indeferimento em 08/07/2004, a contribuinte manifestou seu inconformismo com o despacho denegatório em 06/08/2004 (fls. 16/20), alegando, em síntese, que esteve enquadrada no Simples desde 1997 até 1999, ocasião em que comunicou sua desistência ao benefício, face ter extrapolado o faturamento permitido. Voltando a faturar dentro dos limites admitidos pela sistemática, requereu seu novo enquadramento, o qual, em tese teria sido deferido, passando a recolher os tributos sob o código específico. Em 2004, quando tentou transmitir sua declaração referente ao anocalendário 2003, houve recusa do sistema, ao argumento de ter sido excluída do regime. Ocorre que não foi comunicada da exclusão, na forma como determina a legislação de regência, fato que, por si só, deixa de observar a garantia ao contraditório, além de acarretar prejuízos, posto estar em débito com o novo regime de tributação a que ficou vinculada. Quanto à justificativa do indeferimento, afirma que, embora conste de seu contrato social a previsão do exercício das atividades de projeto, assessoria e consultoria, estas nunca foram desenvolvidas e que está providenciando a alteração do contrato para a exclusão das mesmas, posto que somente agora lhe foi explicado ser este o motivo que veda sua permanência no Simples. Sustenta que não existem critérios para os atos da Receita Federal, uma vez que uma concorrente sua, que possui na razão social a previsão de planejamento e projetos de telecomunicações, continua constando como optante do Simples, conforme documentos em anexo. Por fim, pede que seja revisto o indeferimento. Junta ao processo os documentos de fls. 21/27. Em 03/09/2004, comparece novamente aos autos para pedir a anexação de sua Décima Segunda Alteração do Contrato Social, registrada em 30/08/2004, onde fez constara alteração do objeto social de: “industrialização, reparação de serviços de projetos, assessoria e consultoria em equipamentos de telecomunicações” para: “industrialização e comercialização de equipamentos e materiais na área de comunicação”. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 33): Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 136 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PREVISÃO CONTRATUAL Se no contrato social consta atividade incompatível com o Simples, a prova de que não exerce tal atividade cabe ao contribuinte, não o fazendo, é lícito considerar válidas as informações constantes no contrato social. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 19/07/2007 (fls. 40), a tempo, em 09/08/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 a 46, instruído com os documentos de fls. 47 a 49, nele argumentando, em síntese: a) que, na decisão da 2ª Turma de Julgamento, que ora se recorre, nada foi mencionado acerca da comunicação de desenquadramento, pois diz o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 355/2003 que a exclusão de oficio do regime darseá mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte; b) que, considerando os percentuais de impostos pagos a título de SIMPLES, conforme documentos anexos, a Recorrente pagou R$ 40.073,18 (quarenta mil, setenta e três reais e dezoito centavos), e o eventual pagamento pelo regime do Lucro Presumido, conforme planilha ora anexada ao feito, representaria o valor devido de R$ 38.532,21 (trinta e oito mil, quinhentos e trinta e dois reais e vinte e um centavos), o que acaba por indicar diferença insignificante de R$ 1.548,97 a menor em favor da Recorrente; c) que se reitera o pedido, aqui, para que o assunto seja baixado em diligência, para a efetiva comprovação de que não existem notas fiscais determinantes de exercício de atividade vedada, nos anos de 2003 e 2004; d) que a manutenção da exclusão não trará maiores valores de arrecadação ao Fisco, mas apenas e tão somente diversas retificações, correções, multas e demais obrigações acessórias, absolutamente onerosas à Recorrente, que já pagou o imposto devido de todo o período como SIMPLES, e não há razão plausível para tais correções daquilo que já é definitivo; e) que está habilitada, desde 14/05/2003, a usufruir os incentivos fiscais da Lei nº 8.248/1991, alterada pelas Leis nºs 10.176/01 e 11.077/04 – Lei de Informática, do Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme Portaria 232, publicada no DOU; e Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 137 5 f) que, estando enquadrada no SIMPLES, não está usufruindo os benefícios, mas vem apresentando, todos os anos, os Relatórios Demonstrativos, nos termos da Lei (consoante documento anexo). 4. Consta, de fls. 51 a 52verso, Resolução nº 380100.011, da Primeira Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), convertendo o julgamento do processo em diligência, cujo atendimento se deu de fls. 55 e 57 a 59. Em mesa para julgamento. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 138 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Em atendimento à diligência requerida, consta do despacho de fls. 55 o seguinte: Após alterar seu ramo de atividade para industrialização e comercialização de equipamentos e materiais na área de comunicação, solicitou inclusão retroativa a 1º/1/2003, optando, em 21 de dezembro de 2004, com efeitos a partir de 1º/1/2005, pois o exercício dessa nova atividade não constitui óbice à adesão.Teve êxito na opção realizada a partir de 2005, mas o pedido para ingresso a partir de 1º/1/2003 foi indeferido com fulcro no art. 92, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. 6. Extraise, ainda, do Termo de Diligência Fiscal, de fls. 57 a 59, o que segue: Quanto à prestação de serviços e venda de produtos, observamos que, no exercício de 2003, os principais clientes de Satech foram EMBRATEL, GVT, INDEL e LAB SERVIÇOS Razão, fls. 39, 40 e 41 anexas se repetem em 2004 Razão, fls. 51, 52, 53 e 54 , com acréscimos de novos clientes (Zhone, SSH Tech, Telenge) (fls.111 a 117). Da análise das notas fiscais emitidas a partir de 2003, podese observar que os serviços prestados para a empresa EMBRATEL referemse a serviço de adequação de régua de voz em sua maioria, da INDEL INDÚSTRIA ELETRÔNICA, a confecção de fontes de alimentação, da GVT — GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA., o fornecimento de cabos assíncronos, unidades de ventilação, da LAB SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES LTDA., a confecção de unidades retificadoras e fontes de alimentação. Quanto ao ano de 2004, na análise das notas fiscais emitidas, os mesmos clientes estão sendo atendidos, e idênticos serviços prestados. Anexo duas cópias de notas fiscais emitidas em 2003 e 2004 da EMBRATEL e GVT, bem como contrato celebrado com a Embratel e pedido de compra da GVT, já que a mesma não fazia contrato diretamente — fls. 118 a 130. 7. Conforme se observa, ficou devidamente comprovado que, embora constassem do objeto social da Recorrente, nos anoscalendário de 2003 e 2004, as atividades de elaboração de projetos, assessoria e consultoria, impeditivas da opção pelo Simples, ela não os executou naqueles períodos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 139 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para admitir a inclusão retroativa da Recorrente no Simples desde 01/01/2003. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001983/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.084
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 01 98 3/ 20 09 -7 0 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 388 2 Relatório Tratase de autos de infração de Multas Isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário 2005, nos valores de R$ 826.019,34 (oitocentos e vinte e seis mil, dezenove reais e trinta e quatro centavos) e R$ 298.447,06 (duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e seis centavos) (fls.69/78). O contribuinte foi cientificado em 26/11/09 (fls.72 e 76). No “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” (fls.69/70), consignouse: “[...] Tratase de contribuinte submetido à sistemática de tributação pelo lucro real anual, e com base em balanço ou balancete de suspensão foram apurados débitos relativos ao imposto de renda da pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro liquido mensal por estimativa. Em 25/08/2008, o contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer os fatos apurados durante Revisão Interna de suas declarações, DIPJ e DCTF, concernentes ao anocalendário 2005 (fls.43/45): 1) os valores nela informados referentes ao Imposto de Renda a Pagar, bem como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, apurados segundo regime de tributação por estimativa, constam como não pagos/recolhidos; 2) os valores referentes ao Imposto de Renda a Pagar, assim como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL nela informados, apurados na forma de lucro real anual, não constam como recolhidos integralmente (fls.63/68); e 3) relativamente à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, também não foram o referido imposto e contribuição nela declarados integralmente — DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF ( fls. 63/68). Após análise da documentação entregue foram ratificados os valores apurados como não declarados em DCTF e não recolhidos durante a referida Revisão Interna no que concerne ao pagamento mensal por estimativa, nos termos do art. 230 do RIR/99, abaixo discriminados (fls.63/68): TRIBUTO PERÍODO VALOR APURADO MULTA ISOLADA IRPJ JANEIRO/2005 1.126.720,97 563.360.48 IRPJ FEVEREIRO/2005 506.619,50 253.309,75 IRPJ MARÇO/2005 18.698,23 9.349,11 CSLL JANEIRO/2005 406.339,55 203.169,77 CSLL FEVEREIRO/2005 183.103,02 91.551,61 CSLL MARÇO/2005 7.451,36 3.725,68 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 389 3 Assim sendo, por não restar demonstrado nem tampouco comprovado o cumprimento da obrigação tributária concernente ao regime de tributação por estimativa mensal, está sendo constituído o crédito tributário relativo à multa de oficio isolada no percentual de 50% (cinqüenta por cento) por falta de recolhimento na data do vencimento do imposto e da contribuição social devida, nos termos do art. 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996 com redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c” do CTN; arts. 222 e 843 do RIR199 e, na forma e condições constantes do demonstrativo acima.” O lançamento foi mantido pela Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.290/296): MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e relativamente a qual foram efetuados pagamentos após a ciência do lançamento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A falta de recolhimento de estimativas mensais enseja a imposição de multa isolada, no percentual de 50% sobre o valor do pagamento que deixou de ser efetuado. Devidamente cientificado do acórdão em 20/07/12 (fl.302), o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário em 16/08/12 (fls.305/330), em que sustenta, em síntese: apurara as antecipações mensais com base em balancetes suspensão/redução, conforme comunicado à Receita Federal por meio da DIPJ 2006 (Fichas 11 e 16); reconhecera, por ocasião da impugnação, a insuficiência parcial das estimativas, tendo após a autuação realizado o que entendeu devido; teria cometido erro de fato por não considerar compensações a título de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores, o que deve ser considerado sob pena de exação indevida; “...ad argumentandum apenas para corroborar a impropriedade da decisão, que mantém cobrança das Multas Isoladas de IRPJ e CSLL na forma como lançada por meio dos AI’s, devese destacar que, de acordo com as decisões exaradas por esse E. CARF posteriormente ao lançamento tributário, firmouse o entendimento de que é indevida a cobrança de Multa Isolada de IRPJ e CSLL por falta de recolhimento de estimativa, quando se verifica a existência de Prejuízo Fiscal e BNCSLL, ao final do períodobase”; estaria equivocado o acórdão recorrido, vez que o livro Diário não se prestaria, para fins de conferir validade à apuração, à escrituração de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL; decisões da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferidas em outubro e novembro de 2011, corroborariam o entendimento de que “improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período”; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 390 4 considerando a apuração de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no anocalendário 2004, no montante de R$ 10.098.323,13, conforme DIPJ (Doc.06 da Impugnação), não se poderia falar em insuficiência de saldo a impedir as compensações pleiteadas; decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes fixariam que no lançamento de ofício a autoridade fiscal deve considerar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas (acórdãos nº 10195.889, 10516.530 e 10515.484), tese igualmente adotada em julgados de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Em decorrência de recolhimentos realizados após os lançamentos tributários, a controvérsia cingese às seguintes exigências, consoante “Demonstrativo de Débito – Intimação nº 2012/” (fl.298, 382 e 383): PA Saldo (R$) IRPJ 01/2005 169.308,14 IRPJ 02/2005 76.292,95 IRPJ 03/2005 3.104,73 CSLL 01/2005 60.950,94 CSLL 02/2005 27.465,55 CSLL 03/2005 1.117,70 Como relatado, o sujeito passivo pleiteia, na composição da base de cálculo, o aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, acumulados em períodos anteriores. Verificase que na DIPJ/06 declarouse que as estimativas de janeiro a março/2005 haviam sido apuradas com base em balancetes (fls.09 e 14). Às fls.67 e 68, constam demonstrativos de apuração, cuja autoria da elaboração não se pode identificar, em que se visualizam valores a título de “compensação prejuízo fiscal” e “base de cálculo negativa CSLL”. Com a impugnação, acostaramse, por exemplo, “Memórias da Apuração do Lucro Real, Bases Negativas de CSLL e Balancetes” (fls.166/233), bem como cópia da DIPJ/05, em que se verifica a apuração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano calendário 2004 (fls.239/240). Considerando os indícios de que realmente pode haver saldos a título de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, apurados em períodos anteriores e passíveis de aproveitamento, caso esta tese seja afinal vencedora, é razoável, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, e em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, que tal fato seja confirmado pela autoridade autuante. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 391 5 Pelo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) verifique, à luz da documentação acostada pelo sujeito passivo quando da impugnação, bem como à vista de seus sistemas de controle, se há valores disponíveis a título de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, apurados em períodos anteriores; b) em caso afirmativo, confira se estão corretos os demonstrativos das apurações das estimativas de janeiro a março/05, elaborados pelo Recorrente no recurso voluntário, levando se em consideração, na apuração das bases de cálculo, as compensações no limite de 30% (trinta por cento), conforme dispõe a legislação vigente; c) verifique se há entrega de DIPJ 2006 (AC 2005) retificadora, devendo ser anexada cópia integral aos autos; d) adote providências adicionais que possam contribuir para a solução da controvérsia; e) descreva, em relatório circunstanciado, acompanhado das respectivas provas, as constatações decorrentes dos exames realizados; f) cientifique o Recorrente do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 391DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000113/2007-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO.
O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
Numero da decisão: 1802-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 530 1 529 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000113/200754 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.674 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de junho de 2013 Matéria DIREITO CREDITÓRIO E DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dandose conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 13 /2 00 7- 54 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 531 3 Relatório Tratam os presentes autos de pedido de compensação cujo crédito é suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 e débito de IRPJ (Código DARF 23191), o qual, foi homologado parcialmente pela autoridade administrativa, pelo reconhecimento parcial do saldo negativo declarado. Pela clara descrição dos fatos, adoto o relatório proferido pela 8ª Turma da DRJ/SP1, constante às efls 440/444: Tratase de manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 315/328, em que foram apreciadas as “Declarações de Compensação” (Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação Per/DCOMP) n°s 42538.15858.270906.1.7.026935 (retificadora da Per/DCOMP original nº 17483.06675.290704.1.3.027207 fls. 05 a 21) e 38647.82087.300704.1.3.027101 (fls. 22/24), que foram originalmente transmitidas em 29/07/2004 e 30/07/2004 respectivamente. Por intermédio das referidas DCOMPs, a contribuinte pretende compensar Saldo Negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – SN IRPJ, apurado em 31/12/2003 na DIPJ Delcaração (sic) de Informações da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2003, no valor total de R$ 1.455.257,89, com os seguintes débitos: PerDcomp Ativa Data da Compensação Créd. Original utilizado Código Débito P.A. Vencimento Valor (R$) 42538.15858.270906.1.7.02 6935 29/07/2004 209.317,26 23191 Fev/04 31/03/2004 723.823,14 38647.82087.300704.1.3.02 7101 30/07/2004 1.245.940,63 23191 Jun/04 30/07/2004 1.350.225,86 2. A autoridade competente para apreciação da pretendida compensação elaborou o Despacho Decisório que se encontra assim ementado (fl. 315): Assunto: Declaração de Compensação de Direito Creditório com origem SN IRPJ – 31.12.03 Ementa Homologação PARCIAL da compensação: Dispositivos Legais: CTN – art. 165, caput e inc. I, art. 168, caput e inc. I, 170, caput; art. 66, caput, da Lei nº 8.383/91; art. 73, caput Lei nº 9.430/96, art. 74, §§2°, 5° e 6° do RIR/99 – art. 2º, caput e §§3° e 4°, art. 6°, caput e par 1º, art. 218, art. 229, art. 231, caput e inc. III e IV, art. 900, inc. I. 2.1. No Despacho Decisório ora combatido, a autoridade fiscal, ao analisar o crédito, expõe que: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 conforme DCTFs, as estimativas de junho e novembro de 2003 foram compensadas por meio de PerDComp que foram homologadas (PAFs nºs 19740.000006/200726; 19740.000320/200717 e 10768.0016667/200362) e, segundo a Ficha 11 da DIPJ 2004 a formação do saldo negativo deuse da seguinte forma: Estimativa de Nov/2003........................R$ 613.024,25 Estimativa de Jun/2003.......................R$ 143.313,38 R$ 756.337,63 Imposto Pago no Exterior..................R$ 615.671,76 IRRF..................................................R$ 203.375,90 IRRFOórgão (sic) Público...................R$ 9.594,04 IRPJ Devido.....................................R$ 440.632,63 DED. Incentivos Fiscais....................R$ 10.911,18 SN IRPJ – 31/12/2003.................R$ 1.455.257,88 do PAF nº 19740.000320/200717 constam documentos relativos à Cisão parcial ocorrida em 31/05/2003. Pelo “Laudo de Avaliação da Parcela Cindida do Patrimônio Líquido Contábil” e seu “Anexo II” verificase que o valor vertido correspondia a uma parcela dos “Investimentos do País” do “Ativo Permanente”. Assim sendo, o SN IRPJ 31.05.2003 do BANERJ não foi repassado para o Banco Itaú S/A nessa cisão; Intimado a comprovar o “Imposto pago no Exterior” (L 12B/07) em 12/11/2008, a contribuinte alegou erro no preenchimento da DIPJ, dizendo que o valor de R$ 915.671,76 deveria ser alocado nas linha 08 da ficha 12B e 09 da ficha 11 (fls. 242, 244246). Também apresentou “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte”, cuja maioria constou nas DIRF entregues por terceiros (fls. 209224, 250275); Na “Demonstração de Resultado” (ficha 06B) da DIPJ de 31.12.03, o contribuinte não declarou nada de “Juros de Capital Próprio” pagos (L06B/45) e declarou “Receitas de Juros de Capital Próprio” (L06B/37) no total de R$ 2.756.482,66 (fl. 152). No entanto, na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda na Fonte, o banco declarou R$ 7.363.850,77 de rendimentos sob o mesmo código 5706(fls. 205208); Intimada, a fiscalizada apresentou cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur – Parte A, na qual consta que, em 31.12.03, incluiu R$ 5.102.479,13 como Outras Adições de Receita de Juros sobre Capital Próprio na Base de Cálculo. E, em 30.09.04, deduziu o mesmo valor como Outras Exclusões de Receita de JCP Tributada em Exercícios Anteriores (fls. 299 305); Comparando o IRRF declarado nas Fichas 11, 12 e 43 das DIPJ, relativas aos Períodos de Apuração de 01.01.03 a 31.05.03 e de 01.06.03 a 31.12.03 (fls. 151157, 205208, 294 295), com as DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte entregues por terceiros, relativas ao ano 2003, por meio Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 532 5 do sistema Dossiê Integrado (fls.209224), e com os comprovantes apresentados pelo contribuinte em 12.11.08 (fls. 250284), observamos algumas discrepâncias: No comprovante da “Tele Centro Oeste Celular Participações S.A.” CNPJ nº 02.558.132/000169, incluíramse os rendimentos e o IRRF relativo ao ano 2002 – R$ 4.334,74. Logo, reconhecemos apenas os R$ 17.818,00 que constou no comprovante e na DIRF relativos ao ano de 2003 (fls. 212, 276277); O comprovante e a DIRF da “Cia Energetica Minas Gerais” – CEMIG – CNPJ nº 17.155.730/000164 conferem, mantendose, portanto, o valor neles declarado de R$ 12.604,50 (fls. 216, 283284); No comprovante da “Telemar Norte Leste S/A RJ” – CNPJ nº 33.000.118/000179, foram declarados rendimentos líquidos no total de R$ 27.730,36, que correspondem a R$ 4.893,59 de IRRF. Na DIRF foi declarado R$ 4.893,55. Contudo, na DIPJ de 31.05.03, já havia sido deduzido R$ 4.776,46, restando apenas R$ 117,13 dedutíveis (fls. 219, 280281, 294295); Num quarto caso, o imposto – R$ 1,99, que deveria ter sido retido pela “Cia de Cimentos do Brasil” – CNPJ nº 10.919.934/000185, não constou em DIRF (fls. 216, 278 279); Na Ficha 43, consta mais R$ 9.237,81 declarado sob o código 8045 itens 0013/0032 e 0029/0032 e R$ 2.400,00, sob o código 1708 – item 0021/0032 (fls. 205208, 216, 220, 223, 257,264,272); De acordo com a documentação apresentada pelo interessado, poderia ter sido deduzido R$ 13.498,89 a título de IRRF por Órgão Público Federal – L11/09 e L12/09 (fls. 242, 246249); Portanto, a título de IRRF, IRRF por Órgão Público Federal e Imposto de pago no Exterior podia ser deduzido apenas R$ 1.119.801,87. Dessa forma, deve ser corrigida a apuração do saldo negativo de IRPJ em 31/12/2003, da seguinte forma: ITEM DIPJ DIPJ AJUSTADA Estimativa Compensada Imposto pago no Exterior IRRF IRRF – Órgão Público () IRPJ Devido Ded. Incentivos Fiscais (=) SN IRPJ31/12/2003 756.337,63 915.671,76 203.375,90 9.594,04 1.884.979,33 (440.632,63) 10.911,18 1.455.257,88 756.337,63 0,00 1.106.302,98 13.498,89 1.876.139,50 (440.632,63) 10.911,18 1.446.418,05 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 2.2 Quanto aos débitos, informa a autoridade administrativa que apreciou os PerDComp que: Embora a contribuinte tenha declarado na PerDComp n° 17483.06675.290704.1.3.027207, retificada pela PerDComp n° 42538.15858.270906.1.7.026935, que a estimativa de IRPJ relativa a Fevereiro/04 vencesse em 29.07.04 (fls. 10,20), tal débito vencia, de fato, em 31.03.04. Tanto assim, que o próprio banco incluiu juros de mora devidos no período de Abril a Julho/04 – R$ 10.058,53 (4,64% s/ o valor principal R$ 216.778,59). Mas não incluiu a multa de mora devida – R$ 43.355,72 (fl. 138); Em 03.11.08, o P.A.F. nº 19740.0002771200439 foi juntado a este processo, por tratar mesma PerDComp nº 17483.06675.290704.1.3.027207. Na primeira folha desse processo, de 09.08.04, o banco declara que compensou a estimativa de Fevereiro/04 “com atraso em 29/07/2004”, “sem o pagamento de multa, em função do benefício concedido pelo art. 138 do “CTN”. A mesma alegação fora emitida neste processo, em 03.09.08 (fl. 127, 138139); Na DCTF original (de 13.05.04) e nas 1ª e 2ª retificadoras (de 29.07.05 e 22.11.07), a contribuinte declarou que a estimativa de Fevereiro/04 era R$ 1.360.415,53 e que fora liquidada por pagamento. Apenas após ter sido intimado a esclarecer a divergência entre a DCTF e a PerDComp, em 11.08.08 (fl.122), alterou o valor do débito para R$ 1.577.194,12, na 3ª retificadora da DCTF (de 10.10.08), declarando que a diferença deveria ser compensada pela PerDComp nº 17483.06675.290704.1.3.027207 (fls. 285291); Ressaltese, ainda, que ambos os débitos compensados com o SN IRPJ 31.12.03, são estimativas que compõe o SN IRPJ – 30.09.04 (P.A.F. 16327.001380/200651); com o qual, por sua vez, foram compensadas as estimativas de IRPJ e CSLL de Outubro/04 e a Cofins de Março/05 do Banco Itaú S/A (sucessor por cisão parcial). 2.3 Sob o tópico “Fundamentação Legal” a autoridade fiscal que apreciou as Dcomps baseouse no art. 61 da Lei nº 9.6430 (sic), de 1996, nos arts. 136 a 138 do Código Tributário Nacional (CTN), na jurisprudência e na doutrina, para demonstrar que a multa de mora não pode ser afastada pelo simples recolhimento em atraso, sob a alegação de que configuraria denúncia espontânea. Para aferição e reconhecimento de direito creditório e de saldo negativo de imposto de renda, reportase a autoridade fiscal aos artigos 2º, 6º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996; aos arts. 218, 229 e 231 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99); 165, inciso I, 168, inciso I, e 170 do CTN; e art. 21 da IN SRF nº 210, de 2002. 2.4 A interessada tomou ciência do Despacho Decisório em 26/03/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 339. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 340/348), protocolizada em 24/04/2009, a contribuinte requer a reforma do Despacho Decisório para que seja homologada a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 533 7 compensação vinculada ao PER/DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. 3.1. Ao descrever os fatos, expõe que, conforme demonstrativo de fls. 374/376, o débito em cobrança (R$ 52.935,46) é composto de R$ 9.579,75 (R$ 8.839,84 do IRF glosado mais a atualização de R$ 739,91, até julho/04 que foi a data da compensação), mas R$ 43.355,71 correspondente à multa de mora compensada pela DEINF/SP no PER|DCOMP nº 17483.06675.290707.1.3.02 7207, retificado pelo PER|DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. 3.1.1. Informa que, relativamente à glosa de IRRF no valor de R$ 9.579,75, a Manifestante efetuou o seu recolhimento, conforme documentos e guia anexa (docs de fls. 377/379); 3.1.2. Registra ainda que a Manifestação de Inconformidade prestase a demonstrar a espontaneidade do pagamento/compensação que afastaria a multa de mora, nos termos do artifgo (sic)138 do CTN. 3.2 Quanto ao direito, defende a impossibilidade de exigência da multa de mora, expondo que: * o débito de IRPJ, no valor de R$ 1.577.194,12, competência fevereiro /2004, foi quitado da seguinte forma: R$ 1.360.415,53, pago em DARF e R$ 216.778,59, quitado através do PER/DCOMP nº 17483.06675.290705.1.3.027207, transmitido em 29/07/2004 (doc. Fls. 380/387), ou seja, antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal. Tal PER|DCOMP foi posteriormente retificado pelo PER/DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935 (doc. fls. 388/398); * na ocasião em que houve esse pagamento, via PER/DCOMP, o débito de IRPJ não havia sido declarado, conforme demonstram os documentos anexos, quais sejam: as DCTFs original e retificadoras, transmitidas em 13/05/04,26/07/05 e 22/11/07, nas quais não consta o débito (docs. de fls. 399 a 4100 e a DCTF retificadora onde consta o débito entregue à Receita Federal em 10/10/08 (doc. 411/414). Em 03/09/08, a Manifestante protocolou junto à autoridade competente, o comunicado sobre o pagamento espontâneo (doc. 415/418); * Contudo, neste pagamento, via compensação, ainda que intempestivo, não foi pago o valor relativo à multa moratória, uma vez que realizado com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional, que prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte pela infração tributária cometida, caso dele a denuncie espontaneamente, antes de qualquer fiscalização da autoridade administrativa; * do art. 138 inserto na Seção IV, do CTN, que dispõe sobre a responsabilidade tributária por infrações à legislação tributária, vêse claramente que, à exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair sobre o contribuinte que denunciou Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 espontaneamente seu débito e que, consequentemente, teve excluída a responsabilidade pela infração cometida; * o artigo 138 do CTN visa privilegiar os contribuintes que, agindo de boafé, dirigemse à Fazenda Pública e se dispõem a pagar tributos indiscutivelmente devidos – e já vencidos – não obstante ainda não terem sofrido qualquer tipo de fiscalização; * A intenção do legislador nestes casos, é justamente beneficiar aqueles que, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, denunciam deliberadamente seus débitos, pagandoos; * reportandose à doutrina e a excertos e ementas de julgados, conclui restar evidente a ilegalidade da imposição da multa no presente caso, seja ela moratória ou punitiva, razão pela qual, requer o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade e reforma da decisão proferida pela DEINF/SP. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls 439): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Constatado que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 é menor que o declarado, deve a compensação pretendida ser homologada até o montante do crédito tributário reconhecido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento/ a quitação de tributo ou contribuição se der após o vencimento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não às de natureza moratória. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a manutenção integral da exigência, da qual foi intimado em 14/02/2012, apresentou recurso voluntário em 15/03/2013, alegando em apertada síntese que possui a integralidade do direito creditório pleiteado e que, não havendo declarado o débito quando efetuou o pagamento, possui direito às benesses da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. É o relato do essencial. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 534 9 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente argui possuir saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2003 no montante de R$ 1.455.257,88. A autoridade fiscal, porém, apurou um saldo negativo de R$ 1.446.418,05. Tal divergência se deve ao fato de que alguns recolhimentos a título de IRRF, IRRF por Órgão Federal e Imposto pago no Exterior que serviram de soma no saldo negativo anual do IRPJ apurado pela recorrente não foram devidamente consolidados pelos sistemas da Receita Federal, conforme quadro constante no relatório e que colaciono novamente a seguir: ITEM DIPJ DIPJ AJUSTADA Estimativa Compensada Imposto pago no Exterior IRRF IRRF – Órgão Público () IRPJ Devido Ded. Incentivos Fiscais (=) SN IRPJ31/12/2003 756.337,63 915.671,76 203.375,90 9.594,04 1.884.979,33 (440.632,63) 10.911,18 1.455.257,88 756.337,63 0,00 1.106.302,98 13.498,89 1.876.139,50 (440.632,63) 10.911,18 1.446.418,05 Deste fato, a recorrente procedeu ao pagamento do montante da diferença via DARF, conforme consta o comprovante de pagamento às efls. 506, efetuando o recolhimento de R$ 9.579,75 com as devidas atualizações, sob o seguinte argumento constante em seu recurso: Devido ao fato da Recorrente ter utilizado parte do seu saldo negativo, para compensar um débito de fevereiro, foi adotado o procedimento de atualizar a diferença obtida até julho de 2004, sendo devido o montante de R$ 9.579,72, que fora quitado via DARF (doc. 5) Descrição R$ Saldo Negativo Banerj 1.455.257,88 Saldo Negativo RFB 1.446.418,05 Montante Devido (8.839,83) Selic 8,37% Atualização Selic (739,89) Total (9.579,72) Assim, a parte do saldo negativo que não restou homologada pela autoridade fiscal, foi devidamente recolhida em DARF, não havendo mais litígio no que tange a este fato. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 535 11 De outra sorte, persiste a questão com relação ao débito compensado, onde a recorrente registra no sistema PER/DCOMP, sem o cômputo da multa de mora (percentual de 20%) o débito, alegando possuir direito ao instituto da denúncia espontânea. Ora, para aproveitamento do instituto da denúncia espontânea, devese atentar ao que já sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça: Súmula n° 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.(Grifase) Assim, caso os débitos estejam regularmente declarados e pagos a destempo, fora do prazo, não cabe as benesses desse instituto. Nesse sentido é a decisão do Recurso Especial representativo da controvérsia (art. 543C do CPC) emitido pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Este também já foi o entendimento desta Turma, de que o instituto da Denúncia Espontânea tem cabimento na hipótese do débito não estar declarado, conforme colaciono a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTOS OCORRIDOS ANTES DE DECLARADOS EM DCTF E ANTES DO INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O pagamento de tributos sujeitos a lançamento por homologação feito em atraso, desde que não confessados em instrumento próprio e desde que ocorrido antes de iniciado procedimento fiscal tendente a consolidar o lançamento, estão albergados pelo instituto da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ. (Acórdão nº 1802001.319, Processo 10070.000013/200793, Relator Conselheiro Marciel Eder Costa, 2ª Turma Especial, 2ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, CARF/MF/DF, julgado em 07.08.2012) Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 536 13 In casu, a recorrente narra que os débitos não estavam declarados quando da compensação efetuada, juntando ao Recurso (efls 457), planilha elucidativa onde demonstra que a entrega da DCTF que alterou o valor devido, ocorreu em 10/10/2008, ou seja, depois da entrega da respectiva DCOMP retificadora (27/09/2006) – DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. Em análise da documentação juntada pela recorrente, identificase a consonância de sua descrição no Recurso com as provas. Às efls 512, 516 e 520, constam as DCTF entregues em 22/11/2007, 26/07/2005 e 13/05/2005 respectivamente, registrando um saldo devedor de IRPJ para o 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 7.036.351,17. O valor de R$ 7.253.129,76 (ou seja, 216.778,59 a mais) veio a constar somente na DCTF entregue em 10/10/2008. Portanto, em análise probatória, logra êxito a recorrente em demonstrar a denúncia espontânea em relação à DCOMP original nº 17483.06675.290704.1.3.027207, retificada pela DCOMP 42538.15858.270906.1.7.026935, cujo débito é o de IRPJ Código 23191, período de apuração de Fevereiro de 2004, devendose tão somente alterar a data de vencimento do referido tributo declarado em DCOMP para 31/03/2004, não havendo o que se considerar a multa moratória, no montante de R$ 226.837,12 (valor atualizado somente pelos juros SELIC). Vale como fecho, em virtude da sustentação da exigência por este argumento na instância administrativa anterior, destacar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, entendeu pela inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, devendo ambas serem excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Tal fato se deve à pacificação do entendimento nas decisões junto ao STJ, de que, não há distinção entre ambas. Apenas por citar, colaciono uma das decisões citadas no parecer: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. 1. O art. 138 do CTN não estabelece distinção entre a multa moratória e a punitiva, de modo que ambas são excluídas pela denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso especial não conhecido. (REsp – RECURSO ESPECIAL – 922206, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE DATA: 22/08/2008). Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.918867/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto no 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Correa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto no 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto no 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 88 67 /2 00 8- 46 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 87 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Correa. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI relativo ao 2º trimestre de 2004 (nºs 0693.676581.160704.1.1.011509 e 05310.11602.081004.1.1.011457), cumulado com Declaração de Compensação nº 28423.50531.151004.1.3016461 (cf. cópias às efls. 38/ss), onde o contribuinte pretende compensar débitos do PIS, para o período de apuração 09/2004, no valor de R$ 86.022,61. Por meio do Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008 (efl. 37), a DRF – Curitiba homologou parcialmente a compensação declarada, no valor de R$ 45.961,97. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 01/ss), sendo então os autos encaminhados à DRJ – Ribeirão Preto. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Relatório Em 07/11/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 35 (cópia), que reconheceu integralmente o montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 45.961,97 referente ao 2° trimestrecalendário de 2004, mas homologou parcialmente a compensação declarada em PERIDCOMP. O estabelecimento filial de CNPJ n° 33.033.028/008754 é o detentor do crédito. O processo em apreciação tem protocolo de 05/11/2008. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal R$ 40.060,64, multa R$ 8.012,12, juros R$ 22.574,17. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 88 3 Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no sitio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encontram as fls. 47/49 (cópias). Inconformada com a decisão administrativa cientificada em 20/11/2008 conforme anotação na cópia desta à fl. 35, a requerente apresentou, em 22/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01/18, subscrita pelo patrono da empresa munido da procuração de fl. 20, em que, em resumo, sustenta a nulidade da decisão, pois, embora o direito creditório tenha sido reconhecido, não há motivo explicitado para o indeferimento parcial da compensação declarada, sendo que o principio constitucional da ampla defesa não pode ser vulnerado, conforme doutrina aduzida; inexiste prova material nos autos contra os interesses da requerente; a compensação no valor de R$ 86.022,61, regular, foi declarada e transmitida em 15/10/2004, tendo sido transmitidos dois pedidos de ressarcimento: 303693.67658.160704.1.1.011509, R$ 45.961,97, 16/07/2004; 05310.11602.081004.1.1.011457, R$ 40.060,64, 08/10/2004; na existência de créditos do contribuinte, a Administração Pública deve efetuar compensações de oficio; por fim, requer o reconhecimento das preliminares arguidas, tendo em vista a inexistência de fundamentação do ato decisório e a ausência de provas, ou que seja, reformada a decisão proferida com a admissão da compensação, devendo ser admitidas todas as provas necessárias à comprovação das alegações, inclusive documentais e periciais. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 1434.547 (efls. 52/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004a 30/06/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ACIMA DO LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. É passível de cobrança administrativa a parcela do débito de tributo compensada em montante superior ao limite do direito creditório reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste vulneração do direito de defesa se os demonstrativos de apuração que acompanham o ato decisório vergastado forem suficientes pra a compreensão da motivação deste. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 89 4 Tendo em vista a superveniência da Preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 21/09/2011 (efl. 61). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa interpôs Recurso Voluntário em 21/10/2008 (efls. 62/ss) onde alega, em apertada síntese: em preliminares: (i) o despacho eletrônico é nulo por ausência de motivação, uma vez que desconsiderou a DCOMP formulada pela Recorrente, sem checar a veracidade material das informações ali prestadas, denotando carência da necessária motivação dos atos administrativos; (ii) a inexistência de produção de prova contra a Recorrente, pelo fato do despacho decisório ter sido emitido sem estar amparado por qualquer prova relacionada a suposta inexistência dos créditos ofertados pela contribuinte à compensação. no mérito: (i) afirma que detém créditos suficientes e disponíveis para realizar a compensação mencionada, entretanto, ao realizar o preenchimento da DCOMP, equivocadamente, informou como origem do crédito no campo “PER/DCOMP Inicial” com o Pedido de Ressarcimento nº 30693.67658.160704.1.1.011509 (crédito do IPI no montante de R$ 45.961,97) e o campo “último PER/COMP” com o número do Pedido de Ressarcimento nº 05310.11602.081004.1.1.011457 (crédito de IPI no montante de R$ 40.060,64), os quais somados são suficientes para homologação total da compensação realizada. Entretanto, o sistema eletrônico da Receita Federal não localizou o pedido de ressarcimento realizado pelo PER 05310.11602.081004.1.1.011457, sendo que o crédito de ressarcimento deste PER também foi integralmente deferido pela Receita Federal, conforme extrato anexo ao Recurso; (ii) a fiscalização tem o dever de proceder as compensações de ofício quando da existência de créditos dos contribuintes. por fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para o fim da homologação integral da declaração de compensação apresentada. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Assiste razão à Recorrente quando afirma que o despacho eletrônico é nulo por ausência de motivação. Vejamos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 90 5 O Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008, indeferiu o pedido de ressarcimento com base na seguinte fundamentação (efl. 37): Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificada, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado R$ 45.961,97 Valor do crédito reconhecido: RS 45.961,97 O valor do credito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 28423.50531.151004.1.3016461. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 30633.67658.160704.1.1.01 1509 Valor devedor consolidado corresponde aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008. Deste modo, assim como a Recorrente, este Relator também não conseguiu decifrar como se chegou à constatação de que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo”. Qual o fundamento para essa afirmação? Quais os elementos probantes que embasaram esta assertiva? Qual foi a motivação para não aceitar os dois Pedidos de Ressarcimento de Créditos do IPI relativo ao 2º trimestre de 2004 nºs 0693.676581.160704.1.1.011509 e 05310.11602.081004.1.1.011457? (verificase nos autos que somente o primeiro PER foi aceito para compensar o tributo devido, mas não o segundo). Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito ao ressarcimento em relação ao segundo PER (nº 05310.11602.081004.1.1.011457), mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRFCuritiba que denegou o pedido do contribuinte. Desta feita, entendo estar plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório da DRF – Curitiba, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF – Processo Administrativo Fiscal), verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, inciso LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 91 6 O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o desiderato de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. Neste sentido, no meu entender, o Despacho Decisório ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, em afirmar “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados”, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Neste sentido afirmam Marinoni e Arenhart (A prova. 2ª. edição. Editora RT, São Paulo. p. 28) “o chamado ‘juízo de subsunção’ representa essa ideia: tomar o fato ocorrido no mundo físico e a ele dar a regra abstrata e hipotética prevista no ordenamento jurídico”. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, acolhese a preliminar de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF – Curitiba e assim voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008 (efl. 37), inclusive. O processo deverá retornar a DRF – Curitiba para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 92 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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