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Numero do processo: 10680.724927/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006
SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar.
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 2302-002.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros e a multa moratória, frente à existência de depósito integral do montante do débito lançado, nos termos do relatório e voto
que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que entendeu pela não configuração de grupo econômico.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Declaração de Impedimento: Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/08/2006 SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO.
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LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda Pública de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Recurso Voluntário PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros e a multa moratória, frente à existência de depósito integral do montante do débito lançado, nos termos do relatório e voto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 27 /2 01 0- 61 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI 2 que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, que entendeu pela não configuração de grupo econômico. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Declaração de Impedimento: Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10680.724927/201061 Acórdão n.º 2302002.975 S2C3T2 Fl. 701 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/BHE que julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito constituído por meio do Auto de Infração – DEBCAD 37.289.5182. O Auto de Infração foi lavrado contra a empresa CEMIG DISTRIBUIÇÃO SA, no valor de R$ 12.664.501,71, cobrandolhe, no período de 06/06 a 08/06, o pagamento das contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos – Salário Educação, SENAI, SESI, INCRA e SEBRAE, incidente sobre valores pagos a segurados empregados (anuênio indenizado), depositados em juízo, conforme Relatório Fiscal de fls. 12/18. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 12, o lançamento foi constituído no intuito de evitar que os valores das contribuições previdenciárias fossem atingidos pela decadência em decorrência dos depósitos judiciais efetuados na Ação Judicial 2006.38.00.0218396 nas competências 06/2006 a 08/2006 (fls. 12). Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ 06.981.176/000158) e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (CNPJ 17.155.730/000164). A empresa foi cientificada do Auto de Infração em 13/12/2010 (fl. 02). Na oportunidade apresentou Impugnação (fls. 21/25), tempestiva, alegando em breve síntese: a) Que os valores lançados estão integralmente depositados em juízo, razão pela qual é incabível o lançamento realizado. Cita jurisprudência; b) Que o depósito judicial equiparase ao pagamento do tributo, sendo ilegal a cobrança de juros e multa de mora; c) Por fim, requereu a anulação do lançamento e, alternativamente, a exclusão dos juros e da multa. Na decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ/BHE ACORDÃO 0244.378 (fls.78/81) foi mantido o crédito tributário, pelas seguintes razões: a) Mesmo que a matéria estivesse em discussão judicial, o crédito tributário deveria ser lançado com o objetivo de evitar que os valores fossem atingidos pela decadência; b) Que o depósito efetuado, embora suspenda a exigibilidade do crédito, não enseja garantia plena de transformação em pagamento definitivo; c) Reconheceu que a responsabilidade solidária não deve ser aplicada às contribuições relativas a outras entidades ou fundos; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI 4 d) Por fim, determinou o sobrestamento da cobrança do crédito até o julgamento final do processo n.º 2006.38.0218396. O Contribuinte foi cientificado da decisão através da Intimação n.º 2086 de 08/05/2013 (fl. 83), encaminhado por via postal, em 02.08.2013 (AR – Aviso de Recebimento fls. 84/85). Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls.86/94), dentro do prazo. Em suas razões, afirmou: a) Que de acordo com o entendimento pacificado do STJ, quando houver depósito judicial de tributos sujeito a lançamento por homologação, dispensável se faz o ato formal de lançamento por parte do Fisco, não havendo que se falar em decadência; b) Que os valores lançados correspondem aos dos depósitos judiciais realizados pela empresa e seu valor originário, não havendo que se falar em lançamento de oficio suplementar ou posterior por parte do Fisco; c) Quanto ao lançamento de juros e multa, não há razão justificadora para tal feito, vez que, o depósito judicial foi realizado integralmente e dentro do vencimento. Isto posto, por não haver mora, os encargos não podem ser exigidos; d) Que não se aplica ao presente caso o disposto no art. 63 da lei 9.430/96; e) Afirmou não haver indicação de fundamento legal para amparar o lançamento (em especial os arts. 150, § 4º e 151, II, todos do CTN) o que enseja a anulação; f) Por fim, requereu a anulação do lançamento, sucessivamente, o decote da multa de mora e dos juros, considerando o depósito judicial do montante integral lançado, por conseguinte, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Eis o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 10680.724927/201061 Acórdão n.º 2302002.975 S2C3T2 Fl. 702 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Defende a Recorrente a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a não incidência dos juros e da multa de mora, uma vez que os valores objeto do lançamento encontramse depositados em sua integralidade em conta vinculada à Ação Ordinária nº 2006.38.00.0218396 que tramitou perante a 20ª Vara Federal da Subseção de Minas Gerais (vide fls. 45). Ao contrário do que pretende a empresa no que pertine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o depósito judicial, efetivado em seu valor total, não afeta o lançamento escorreito. Isto porque o ajuizamento de Ação Ordinária n° 2006.38.00.0218396 pelo contribuinte visando afastar a cobrança de determinada contribuição, não impede a Administração de proceder ao lançamento, ainda que comprovados os depósitos judiciais (art. 151, inciso II, CTN). Nos termos do art. 142 do CTN, sendo a atividade administrativa vinculada, o auditor fazendário está obrigado a constituir o crédito tributário quando verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, sob pena de responsabilidade funcional. Vejamos a norma: "Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Desse modo, os depósitos judiciais suspendem tão somente os atos executórios da cobrança. Logo, não sobejam dúvidas quanto à validade do ato de lançamento. Todavia, entendo que não há que falar na imposição de penalidade quando o crédito tributário já se encontra com a exigibilidade suspensa em discussão judicial iniciada antes do início de qualquer procedimento de ofício. Eis o entendimento do CARF: "LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. Não é cabível a imposição de penalidade quando o auto de infração é lavrado para prevenir a decadência de tributos com exigibilidade suspensa em virtude de depósitos judiciais." (AC 2402 002.819 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingos)." Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI 6 Em relação aos juros de mora, o raciocínio não é diferente. É pacífico o entendimento desta Corte Administrativa no sentido de afastar a exigência dos juros de mora quando houver comprovação que os valores devidos encontramse depositados judicialmente em sua integralidade. Eis o teor da Súmula nº 05: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Na hipótese, os depósitos foram efetuados antes do início da ação fiscal, conforme relatou o próprio Auditor Fiscal ao afirmar que o presente lançamento teve como objetivo prevenir a decadência, por isso, não há que se falar em multa e juros, pois não existiu inadimplemento por parte do contribuinte. Por todo o exposto: CONHEÇO do Recurso Voluntário, por tempestivo, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo tão somente os juros e a multa de mora incluídos na presente ação fiscal. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de Fevereiro de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721142/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DÉBITOS DECLARADOS NA CONDIÇÃO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Os débitos declarados em DCTF vinculados na condição de exigibilidade suspensa que se referem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003 possuem o efeito de confissão de dívida.
DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NA APURAÇÃO ANUAL. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSTO PAGO.
O conceito de imposto pago na forma de estimativa, que pode ser deduzido do imposto devido na apuração anual, pode ser estendido ao que foi garantido por intermédio de depósito judicial regulamente declarado em DCTF que possua efeito de confissão de dívida.
Numero da decisão: 1102-000.958
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que dava parcial provimento apenas para excluir os juros de mora sobre o lançamento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DÉBITOS DECLARADOS NA CONDIÇÃO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em DCTF vinculados na condição de exigibilidade suspensa que se referem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003 possuem o efeito de confissão de dívida. DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NA APURAÇÃO ANUAL. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSTO PAGO. O conceito de imposto pago na forma de estimativa, que pode ser deduzido do imposto devido na apuração anual, pode ser estendido ao que foi garantido por intermédio de depósito judicial regulamente declarado em DCTF que possua efeito de confissão de dívida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que dava parcial provimento apenas para excluir os juros de mora sobre o lançamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente MERRILL LYNCH S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DÉBITOS DECLARADOS NA CONDIÇÃO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em DCTF vinculados na condição de exigibilidade suspensa que se referem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003 possuem o efeito de confissão de dívida. DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NA APURAÇÃO ANUAL. DEPÓSITO JUDICIAL. IMPOSTO PAGO. O conceito de imposto pago na forma de estimativa, que pode ser deduzido do imposto devido na apuração anual, pode ser estendido ao que foi garantido por intermédio de depósito judicial regulamente declarado em DCTF que possua efeito de confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que dava parcial provimento apenas para excluir os juros de mora sobre o lançamento. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 42 /2 01 2- 11 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 401 2 João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por MERRILL LYNCH S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS, contra acórdão proferido pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência dos lançamentos efetivados. Os créditos tributários lançados, referentes ao IRPJ e à CSLL, correspondentes ao anocalendário de 2008, totalizaram, respectivamente, os valores de R$ 9.092.537,01 e R$ 5.069.170,83. A autuação é fundamentada no fato de que o contribuinte teria deduzido nas apurações anuais do IRPJ e da CSLL, como se fossem estimativas pagas, respectivamente, os valores de R$ 6.696.521,59 e R$ 3.733.370,77, os quais haviam sido depositados judicialmente nos autos do Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0293677. Segundo informado na impugnação, nessa ação, a empresa autuada pretenderia obter judicialmente o direito à dedutibilidade da CSLL da base de cálculo do IRPJ e da própria CSLL. Pelo entendimento da autoridade fiscal, a suspensão dos tributos devidos “não foi declarada na DCTF de ajuste” e, por essa razão, foram lançados os autos de infração com exigibilidade suspensa para a devida constituição do crédito tributário. Na verdade, o que se verifica é que foram lançados os valores depositados acrescidos dos juros moratórios para prevenir a decadência. Diante da impugnação interposta ao feito fiscal pela empresa autuada, a já mencionada 10ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1643.348, de 30 de janeiro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência dos lançamentos efetivados. Na parte que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado: Fl. 401DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 402 3 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. Cabe conhecer a impugnação quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, o qual terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por depósito judicial não impede sua constituição por meio de auto de infração. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, em essência, ofereceu os argumentos a seguir resumidos: a) Desistiu parcialmente da matéria discutida nos autos do citado mandado de segurança, restrita aos débitos correspondentes à dedução da CSLL na formação da base de cálculo da própria CSLL, remanescendo, assim, a discussão judicial relativamente à formação da base de cálculo do IRPJ. Nesse cenário, o depósito judicial correspondente à CSLL deverá ser convertido em renda da União. b) O fundamento da autuação está calcado na ausência de declaração do IRPJ e da CSLL na “DCTF de Ajuste”. Assim, a autoridade fiscal reconhece que a DCTF é instrumento de constituição do crédito tributário, ou seja, discorda apenas em relação ao período da obrigação acessória em que deveriam ter sido informados o IRPJ e a CSLL com exigibilidade suspensa. É inconteste que a declaração de débitos em DCTF constitui definitivamente o crédito tributário. Neste sentido, transcreve entendimentos jurisprudenciais. Como não houve IRPJ e CSLL de ajuste a pagar, não houve depósitos judiciais a este título, por isso não declarou a suspensão do IRPJ e da CSLL na “DCTF de Ajuste”. O débito foi regularmente declarado na DCTF do mês de 12/2008 com a correta indicação de suspensão por medida judicial. Como é cediço, a conhecida “DCTF de Ajuste” é a declaração dos saldos do IRPJ e CSLL no mês de março do anocalendário seguinte. A declaração nas DCTF “12/2008” e “03/2009 – Ajuste” acarretaria constituição de crédito em duplicidade. Os montantes depositados, assim como as antecipações pagas, são valores integrantes das estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário. De qualquer ângulo que se analise seu procedimento não prejudicou o Fisco. c) O lançamento igualmente se afigura incabível pelo fato de o STJ reconhecer de forma uníssona que os depósitos judiciais também implicam na constituição do crédito tributário. Assim, por qualquer Fl. 402DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 403 4 prisma que se analise a autuação, a conclusão é que o seu não cancelamento perpetuaria a constituição do crédito tributário em duplicidade. d) Apesar da absoluta improcedência da autuação, é necessária a revisão do lançamento em tela pela indevida aplicação dos juros de mora. O montante depositado encontrase disponível na conta única da União Federal e já é remunerado pela taxa SELIC, consoante determina o artigo 1º, § 3º, I, da Lei nº 9.703/98 e o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Assim, caso a recorrente tenha seu pleito denegado, os valores depositados, já corrigidos pela SELIC, estarão aptos para a conversão em renda da União. O CARF firmou entendimento pela impossibilidade da incidência de juros moratórios na constituição do crédito tributário quando há depósito judicial. Neste sentido, cita alguns acórdãos e a Súmula nº 5. Ao final, requer o conhecimento do recurso para que lhe seja dado provimento e cancelada a autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer que a fiscalização não lançou diretamente as estimativas não recolhidas. Mas, sim, glosou os valores deduzidos nas apurações anuais à titulo de estimativas pagas. Portanto, não se trata de aplicar a Súmula CARF nº 82, a qual veda o lançamento de ofício quando efetuado na primeira hipótese. Não há discordância quanto ao fato de que a exigibilidade dos valores depositados no âmbito do mandado de segurança estava suspensa por força do que dispõe o artigo 151, II, do CTN. Como esses valores foram deduzidos na condição de estimativas antecipadas na apuração do ajuste anual, é importante que estejam de alguma forma formalizados para que, em eventual insucesso da recorrente em seu pleito judicial, possam ser alocados aos recursos convertidos em renda da União. Não há dúvidas de que os valores lançados já estavam declarados nas DCTFs do mês de dezembro de 2008 (fls. 7/9 e 11/13). A questão, então, é saber se a declaração de Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 404 5 débitos nas DCTFs, vinculados na condição de exigibilidade suspensa, possui o efeito de confissão de divida e é instrumento hábil e suficiente para eventual exigência dos valores antecipados. Nesse sentido, pela clareza da narrativa, peço vênia para reproduzir trecho de recente voto proferido neste mesmo Colegiado pelo Conselheiro José Evande Carvalho Araújo (Acórdão nº 1102000.922): O outro fundamento para o provimento do recurso é o de que não é possível o lançamento de ofício de valores declarados em DCTF desde a alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 19 de dezembro de 2003, no alcance do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Recordese que a possibilidade de se instituir declarações com função de confissão de dívida surgiu com o Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, nos seguintes termos: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. (...) A atual Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF foi criada pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, e possuía a função de confissão de dívida. Mas aquele ato legal só permitia a inscrição em Dívida Ativa da União dos saldos a pagar declarados, sendo que os demais débitos deveriam ser lançados de ofício (art. 7o, §4o). Após longa discussão de se todo o valor declarado em DCTF poderia ser considerado confissão de dívida, ou apenas os saldos a pagar, adveio o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com a seguinte redação: art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 405 6 Assim, apenas os saldos a pagar declarados seriam considerados confessados. Caso se comprovasse que qualquer vinculação aos débitos fosse indevida, como pagamentos, parcelamentos, compensação ou suspensão de exigibilidade, deverse iam cobrar as diferenças por lançamento de ofício. Mesmo com a alteração legislativa, continuou a discussão da desnecessidade de lançamento para os débitos declarados em DCTF, posição que acabou por prevalecer com a Medida Provisória nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 19 de dezembro de 2003, nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) Isto é, só passou a ser cabível o lançamento de oficio para a exigência de multa isolada em casos específicos de compensação indevida, e não mais do tributo. Logo em seguida, foi publicada a Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que passou a determinar, em seu art. 9o, que seriam enviados para inscrição em Dívida Ativa da União tanto os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, quanto os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade. Disposições semelhantes estão contidas em todas as instruções normativas posteriores sobre a matéria. Dessa forma, a partir de 30 de outubro de 2003, não é possível se exigir de ofício débitos que tenham sido tempestivamente informados em DCTF, mesmo se com a exigibilidade suspensa. Caso a medida judicial perca a eficácia, devese simplesmente enviar os débitos para cobrança e posterior inscrição em Dívida Ativa da União. É esse o entendimento deste CARF, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA LIMINAR. INFORMAÇÃO EM DCTF. Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento. CSLL. ESTIMATIVA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Não subsiste o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida por estimativa após o encerramento do anocalendário. (Acórdão nº 130200.907, 2ª Turma Ordinária/3ª Câmara/1a SJ, sessão de 10/5/2012, relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 406 7 RECURSO "EX OFFICIO" DÉBITO DE ESTIMATIVA DECLARADO NA DCTF COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Improcede o lançamento, ante a comprovação da propositura pelo interessado de ação judicial visando ao não recolhimento de débito, que se encontra declarado na DCTF e com a exigibilidade suspensa. Além disso, tratandose de débitos apurados por estimativa, a sua exigência deixa de ter eficácia depois de encerrado o período de apuração anual do tributo, uma vez que eventuais diferenças nos recolhimentos mensais estão contidas no saldo apurado na declaração de ajuste. (Acórdão nº 110100.197, 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 29/9/2009, relator Conselheiro Jose Ricardo da Silva) Portanto, mesmo os débitos vinculados na condição de exigibilidade suspensa, por se referirem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003, possuem o efeito de confissão de dívida. Destarte, não restam dúvidas de que os valores depositados no âmbito do mandado de segurança já estavam formalizados. É pertinente, então, verificar se, uma vez formalizados os valores referentes às estimativas mediante confissão em DCTFs, seria necessário também constituir, de ofício, os créditos tributários correspondentes às glosas das deduções efetuadas nas apurações anuais. Para isso, vamos supor as duas hipóteses: (i) se a recorrente não for bem sucedida ao final da ação judicial; ou (ii) se, pelo contrário, for bem sucedida. (i) Se a empresa for mal sucedida, os depósitos judiciais, já vinculados às DCTFs, serão convertidos em renda da União. Mas, sendo assim, como as estimativas restaram efetivamente pagas, é de se concluir que a empresa tinha direito às deduções que efetuou nas apurações anuais. Neste caso, as glosas não terão razão para subsistir e a autuação deverá ser cancelada. Por sua vez, (ii) se a empresa for bem sucedida, os depósitos judiciais serão devolvidos à empresa e os correspondentes valores de estimativa, vinculados às DCTFs, desconsiderados. Contudo, nas apurações anuais, será necessário que estejam refletidas as deduções das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Afinal, a premissa dessa hipótese é que a empresa adquiriu judicialmente o direito a essas deduções (das bases de cálculo). Como os valores depositados equivalem justamente às parcelas dos tributos devidos calculados sobre tais deduções (das bases de cálculo), é também de se concluir que empresa tinha direito às deduções (dos tributos devidos) que efetuou nas apurações anuais. Novamente, a autuação deverá ser cancelada. Alguém poderia objetar que não se sabe se a empresa, casualmente amparada por alguma decisão liminar, já teria efetuado a dedução pleiteada na ação judicial na apuração original das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Isso não faz parte da lide nem consta nos autos qualquer informação nesse sentido, nada obstante, minha opinião é de que, neste caso, a autuação seria outra, a fiscalização deveria proceder à glosa da mesma dedução pleiteada na ação judicial, qual seja, da dedução das bases de cálculo. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16327.721142/201211 Acórdão n.º 1102000.958 S1C1T2 Fl. 407 8 Num cenário como este, impõese uma interpretação sistemática do conceito aberto de pagamento insculpido no artigo 2º, § 4º, IV, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Lei nº 9.430/96, art. 2º: §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (grifei) Imposto pago, neste caso, pode ser estendido ao que foi garantido por intermédio de depósito judicial regulamente declarado em DCTF que possua efeito de confissão de dívida. Consequentemente o lançamento configurou uma desnecessária redundância. Nesse contexto, o cancelamento da autuação se impõe independentemente da pertinência ou não da argumentação segundo a qual os próprios depósitos judiciais já constituíam os créditos tributários. Outrossim, tornase despicienda a apreciação do pedido subsidiário da reforma do acórdão recorrido para afastar a incidência dos juros de mora sobre os créditos lançados. Por tais motivos dou provimento ao recurso interposto. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 16327.001972/2006-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA.
A Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, em conformidade com os artigos 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal de 1988, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, no RE Nº 146.733-9-SP, o que implica na observância, dentre outras, às regras insertas no art. 146, III, da CF/88. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º.
Assim, é mister reconhecer a decadência do direito do fisco em cobrar a CSLL dos lançamentos efetuados até a data de 22/12/2001.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE.
Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
Numero da decisão: 1803-001.941
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário 2000 e, no mérito, pelo voto de qualidade, manter a exigência remanescente, nos termos do relatório e votos que acompanham o presente julgado.
Vencidos o relator, Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, e os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. A Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, em conformidade com os artigos 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal de 1988, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, no RE Nº 146.733-9-SP, o que implica na observância, dentre outras, às regras insertas no art. 146, III, da CF/88. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Assim, é mister reconhecer a decadência do direito do fisco em cobrar a CSLL dos lançamentos efetuados até a data de 22/12/2001. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por traduzir-se em nítido caráter de provisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação ao ano-calendário 2000 e, no mérito, pelo voto de qualidade, manter a exigência remanescente, nos termos do relatório e votos que acompanham o presente julgado. Vencidos o relator, Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, e os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
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P. MORGAN S. A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CSLL. APURAÇÃO MENSAL. DECADÊNCIA. A Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, em conformidade com os artigos 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal de 1988, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, no RE Nº 146.7339SP, o que implica na observância, dentre outras, às regras insertas no art. 146, III, da CF/88. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Assim, é mister reconhecer a decadência do direito do fisco em cobrar a CSLL dos lançamentos efetuados até a data de 22/12/2001. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por traduzir se em nítido caráter de provisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 72 /2 00 6- 72 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 209 2 Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação ao anocalendário 2000 e, no mérito, pelo voto de qualidade, manter a exigência remanescente, nos termos do relatório e votos que acompanham o presente julgado. Vencidos o relator, Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, e os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta – Relator (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1617.038 proferido pela 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 SP, constante das fls. 123 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de impugnação (fls. 106 a 114) apresentada por J. P. MORGAN S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, supra qualificado, contra Auto de Infração (fls. 46 a 57) de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, referente a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. 2. No tópico ‘Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal’ (fls. 47 a 53), a Autoridade Fiscal autuante informa que o contribuinte não adicionou, na determinação da base de cálculo da CSLL em 2000 a 2004, valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa. Afirma que, nesses anos, essas provisões só foram adicionadas ao Lucro Real. Informa, ainda, que o contribuinte, para Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 210 3 justificar a não adição, no caso de tributos com exigibilidade suspensa, alega a inexistência de dispositivo legal que o obrigue a isso. 2.1. O Auditor autuante continua, afirmando: ‘Na realidade, os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões e não como despesas incorridas, pois, os valores estão sendo questionados na esfera judicial cuja decisão futura não é conhecida. E, somente as provisões expressamente autorizadas pela legislação tributária são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição sobre o lucro liquido, o que não é o caso em questão’. 2.2. Dessa forma, acrescenta o autuante, os valores relativos as provisões relativas à COFINS e ao PIS com exigibilidade suspensa, que apenas foram adicionadas na determinação do lucro real, estão sendo adicionados na definição da base de cálculo da CSLL. Assim sendo, lavrou o Auto de Infração, ajustando a base de cálculo, conforme demonstrativo a fls. 51 e 52, e obtendo o crédito tributário assim constituído (fls. 46): CSLL: R$ 250.339,78 Juros (até 30/11/2006): R$ 153.211,88 Multa: R$ 187.754,81 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 591.306,47 2.3. A base legal indicada no Auto de Infração é art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 2º, da Lei nº. 8.034/90 c/c art. 13, I, da Lei n°. 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96; art. 28, da Lei n°. 9.430/96; art. 7°, da Medida Provisória n°. 1.807/99 e reedições; art. 6°, da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições, art. 37, da Lei n°. 10.637/02 (fls. 53). 3. Tendo tomado ciência deste lançamento em 22/12/2006 (fls. 46 e 57), o contribuinte, por intermédio de seus procuradores (docs. a fls. 86 a 90) interpôs impugnação (fls.59 a 72), protocolizada em 23/01/2007, relatando e alegando o que segue. 3.1. Inicialmente, argumenta que o § 1°, do artigo 41, da Lei n°. 8.981/95 não se aplica à CSLL, impondose a anulação da presente cobrança. 3.2. Diz que a definição "da base de cálculo da CSLL é completamente diferente da determinação do lucro real, base para o cálculo do IR. E que tributo com exigibilidade suspensa é despesa incorrida e não se caracteriza como uma provisão. Passa a discorrer sobre a interpretação de "despesa incorrida" e "provisão". 3.3. A seguir, combate a utilização da taxa SELIC, afirmando estarem sendo feridos os princípios constitucionais da estrita legalidade, da indelegabilidade de competência e o da segurança jurídica, além do disposto no § 1°, do artigo 161, do Código Tributário Nacional. 3.5. Requer a improcedência do Auto de Infração, com a desconstituição integral do crédito tributário. 4. É o relatório”. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo1 SP, na sessão de 06/05/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1617.038 entendendo “por maioria de votos, considerar PROCEDENTE o lançamento, vencidos o Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 211 4 relator e o julgador Hugo Hashimoto. Designado para redigir o voto vencedor a julgadora Selene Ferreira de Moraes.”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 CONTRIBUIÇÕES. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PROVISOES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis A pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apresentando nítido caráter de provisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar.” Cientificado da decisão de primeira instância em 20/06/2008, (AR constante das fls. 138 dos autos), a J. P. MORGAN S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1617.038, recorre em 17/07/2008 (fls. 139 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, inclusive reforçando a preliminar de decadência. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 212 5 Voto Vencido Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentrar ao mérito da questão, passo a analisar a preliminar de decadência levantada pela Recorrente no recurso voluntário, constante das fls. 145 e segs dos autos, cujas partes das alegações passo a transcrever: “10. De fato, ao lavrar o Auto de Infração em 22 dezembro de 2006, o Auditor Fiscal da Receita Federal considerou supostos débitos referentes aos anos de 2000 a 2004, exigindo valores referentes a períodos além da limitação temporal de cinco anos prescrita em lei. 11. Ora, foi com o intuito de trazer segurança jurídica as relações estabelecidas entre contribuinte e Fisco que o legislador dispôs expressamente sobre o prazo para constituição de um indébito tributário. Não pode o Auditor Fiscal agir contrariamente a uma regra imposta justamente para limitar a atuação do Fisco. 12. Com efeito, o artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, prescreve expressamente a limitação de cinco anos, a contar da ocorrência dos fatos geradores, o prazo para constituição do crédito: (...) 13. Assim, nos tributos sujeitos ao denominado lançamento por homologação, a exemplo da CSLL, é dever do sujeito passivo antecipar o pagamento sem o prévio insurgese exame da autoridade administrativa, cabendo a esta, no prazo legal, homologar ou questionar a conduta do particular. Transcorridos os cinco anos sem que o Fisco tenha se manifestado, considerase homologado tacitamente o lançamento tributário e, consequentemente, considerase extinto o direito da Fazenda de constituir eventual diferença”. Porém, não encontrei na impugnação (fls. 61 e segs dos autos) como também na decisão recorrida nenhuma menção à decadência, a não ser um tópico sobre o tema na ementa do Acórdão nº 1617.038, afirmando o seguinte: “O direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído”. Observando tudo que consta dos autos, constato que a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 22/12/2006 (fls 47 e segs dos autos); e isso que afirma a própria Recorrente às fls 62: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 213 6 “(...)para a surpresa da Impugnante, que sempre cumpriu zelosamente com suas obrigações tributárias, teve contra si, em 22 de dezembro de 2006, lavrado o auto de infração supracitado, sob a alegação de que, na determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido dos anoscalendário de 2000 a 2004, não teria adicionado o montante dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151 do CTN”. Observando o contexto, vejo que autuação originária do presente processo administrativo trata da suposta falta da adição na determinação da base de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2000 a 2004 dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa. Porém, vale ressaltar que à época da lavratura do auto de infração e do protocolo da impugnação, a regra de contagem do prazo decadencial para CSLL deslocavase da regra geral (art 150, § 4º ou art. 173 do CTN) para àquela do artigo 45, da Lei nº. 8.212/91, que previa o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial. A questão do prazo decadencial fixado pela Lei nº 8.212/91 foi superada pelo Supremo Tribunal Federal, quando julgou os Recursos Extraordinários nºs. 2000.04.01.0922283; 2004.04.01.0260978; 2002.71.11.0024024, todos originários do TRF da 4ª Região, que foram considerados inconstitucionais e, portanto, retirou do mundo jurídico, o artigo 45 do citado diploma legal, que tratou de fixar lapso temporal de 10 (dez) anos. Esse é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, através do Acórdão nº CSRF/0104.443, de 2002, assim ementado: “CSSL – DECADÊNCIA – A Contribuição Social sobre o lucro líquido, instituída pela lei nº 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE nº 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150 § 4º.” Desta forma, constado que houve o pagamento e mesmo sem insurgência por parte da Recorrente na impugnação, reconheço a decadência do direito do fisco em cobrar a CSLL dos lançamentos efetuados até a data de 22/12/2001. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, e aqui rendo as minhas homenagens à expresidente desta 3ª Turma Especial Selene Ferreira de Moraes, designada como relatora pela DRJ para elaborar o voto vencedor inserido no Acórdão nº 16 17.038 em 2008; porém, peço vênia para discordar dos argumentos ali postos; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 214 7 E, para fundamentar minha discordância, dirijome ao que determina os artigos 7º e 8º da Lei nº 8.541/92, onde encontramos que os tributos e contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa, não são dedutíveis na apuração do lucro real, “verbis”: “Art. 7° As obrigações referentes a tributos ou contribuições somente serão dedutíveis, para fins de apuração do lucro real, quando pagas. § 1° Os valores das provisões, constituídas com base nas obrigações de que trata o caput deste artigo, registrados como despesas indedutíveis, serão adicionados ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, e excluído no período base em que a obrigação provisionada for efetivamente paga. Art. 8° Serão consideradas como redução indevida do lucro real, de conformidade com as disposições contidas no art. 6°, § 5°, alínea b, do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, as importâncias contabilizadas como custo ou despesa, relativas a tributos ou contribuições, sua respectiva atualização monetária e as multas, juros e outros encargos, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial em garantia”. Posteriormente, o artigo 41, caput e § 1º, da Lei n° 8.981/95, também tratou do assunto: “Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n° 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial". Assim, smj, não há como negar que partamos do ponto que os tributos com exigibilidade suspensa são provisões existe sim uma expressa determinação da sua indedutibilidade para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), nos termos do § 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981/95; mas, compulsando a legislação de regência observo que não existe qualquer dispositivo equivalente aplicável à CSLL. E, conforme se pode depreender da leitura do artigo 41 da Lei n.º 8.981/95 acima, a impossibilidade de dedução da provisão (assim chamados os tributos com exigibilidade suspensa) é aplicável tão somente ao IRPJ, uma vez que o legislador faz menção apenas a “lucro real”. E, como dito acima, não há no sistema jurídico brasileiro qualquer norma que traga essa impossibilidade para a CSLL. Assim, pelo fato do artigo 41 da Lei nº. 8.981/95 aplicarse apenas ao IRPJ e não haver disposição similar com relação à CSLL entendo que a dedução da base de cálculo da CSLL dos tributos com a exigibilidade suspensa é totalmente possível por ausência de dispositivo legal que preveja de forma diversa. E, essa certeza me faz não poder deixar de afirmar que enquanto na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe, na administração pública só é permitido fazer o que a lei (no sentido estrito) expressa determina e autoriza, como forma de se atender as exigências do bem comum. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 215 8 Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador Público significa “deve fazer assim”; isso porque a atividade administrativa é plenamente vinculada e regrada pelos limites impostos pela Constituição Federal. Desta feita, pela falta de expressa, e totalmente necessária, de previsão legal, aliada aos demais argumentos acima expostos, entendo que as provisões (tributos com exigibilidade suspensa) são dedutíveis para fins de apuração da CSLL. E, poderia encerrar meu voto por aqui; porém por louvor ao debate, quero trazer a tona uma relevante posição levantada pela Conselheira Karem Jureidini Dias quando do julgamento do Processo nº 19740.000209/200801, realizado em 24/02/2011 pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária desta 1ª Seção de Julgamento e que foi materializado através do Acórdão nº. 140100.483 do qual participei; a Conselheira Karem Jureidini Dias apresenta, com o brilhantismo que lhe é peculiar, outro argumento, que considero bastante forte, da possibilidade a dedução da base de cálculo da CSLL (e também do IRPJ), dos tributos com a exigibilidade suspensa, que a seguir transcrevo: “(...)Não houvesse a previsão acima transcrita, que torna indedutível, para fins de apuração do lucro real, os tributos com exigibilidade suspensa, pergunto se pelas demais normas contábeis e fiscais, os tributos com exigibilidade suspensa deveriam ser deduzidos do lucro real (base do IRPJ). Para responder esta indagação, penso que devemos perquirir se o tributo ou contribuição vencido e não pago, em razão da suspensão da exigibilidade, é despesa ou provisão. Segundo definição da própria Receita Federal (“perguntas e respostas do IRPJ”), as “provisões são expectativas de obrigações ou de perdas de ativos resultantes da aplicação do princípio contábil da Prudência. São efetuadas com o objetivo de apropriar no resultado de um período de apuração, segundo o regime de competência, custos ou despesas que provável ou certamente ocorrerão no futuro”. A provisão corresponde a uma expectativa de obrigação que poderá, com certo grau de gravidade, ocorrer no futuro. Esta conclusão já é excludente da possibilidade das obrigações existentes se incluírem na classe das hipóteses conotativas de provisão. Também rechaçando a hipótese de tratar tributo vencido e quantificado por expressa determinação legal como provisão, a Deliberação CVM nº. 489, de 03/10/2005, que aprovou o pronunciamento do IBRACON NPC nº. 22, define provisão como um passivo de prazo ou valor incertos. Lembro que a suspensão da exigibilidade não torna incerto o valor apurado pelo contribuinte e declarado em obrigação acessória. Também não fica alterado o prazo de vencimento do tributo. Sobre este aspecto, de se imaginar que um contribuinte declara o tributo em DCTF (documento hábil à confissão da dívida) e informa a suspensão da exigibilidade. Após algum tempo a tutela jurisdicional é revogada, não obstante a lide não esteja definitivamente julgada. Nesta hipótese, o contribuinte deverá pagar o débito com juros, computado desde a data do seu vencimento (o que demonstra Fl. 255DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 216 9 que o prazo não é alterado), sob pena de ser executado. Por outro lado, para a Fazenda corre o prazo prescricional. Daí pergunto: O tributo já apurado e cuja exigibilidade está suspensa, seja ou não por depósito, corresponde a uma obrigação? Penso que não existe controvérsia a este respeito, seja em face do conceito de provisão definido pela própria Receita Federal e em deliberação CVM, que tem força normativa, excluindo esta hipótese das provisões e, portanto, reconhecendo como obrigação legal; seja em face da própria sistemática do direito positivo que reconhece a obrigação tributária como legítima, até que outra norma a retire do sistema. Só não se trataria de obrigação tributária se não houvesse sua formalização por instrumento competente, o que não se confunde com a mera suspensão da exigibilidade desta obrigação. Tanto é obrigação legal que a autoridade administrativa tem o poder dever de efetuar o lançamento para prevenir a decadência, quando o tributo estiver com a exigibilidade suspensa e não foi objeto de constituição adequada pelo particular. O tributo é devido ex lege. A lei entra no ordenamento jurídico e goza de presunção de validade até que outra norma a expurgue do sistema. Com efeito erga omnes ou inter partes, a norma só é expurgada do sistema por meio de outra norma, no caso, decisão administrativa ou judicial transitada em julgado. Ou seja, até que se verifique uma decisão transitada em julgado, a obrigação existe e sobre a constituição do respectivo tributo é inclusive poder dever da administração tributária cuidar. A suspensão da exigibilidade impede tão somente a inscrição em dívida e os atos coatores de cobrança, reiterandose, inclusive, que com exceção do montante depositado judicialmente, correm juros moratórios até o pagamento ou final deslinde da questão. Ora, se sob o manto do regime de competência o que importa é a ocorrência e liquidez da obrigação e não o seu pagamento, como também se verifica em relação ao critério de reconhecimento das receitas, um tributo devido, que deixa de ser recolhido em razão da suspensão da exigibilidade, não se configura em uma provisão, mas sim, em uma obrigação legal, em que o tributo continua devido, mesmo com a suspensão da exigibilidade. Neste ponto, vale lembrar as considerações feitas pelo então ilustre Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca, no Acórdão nº 10809.660, de 13/08/2008, em que se verifica situação semelhante: ‘Qual a conduta correta de um auditor fiscal ao verificar a falta ou insuficiência de pagamento e de declaração para com o PIS e a COFINS nos períodos objeto de discussão judicial? Por exercer atividade vinculada à Lei deve o preposto do Fisco lavrar os competentes autos, efetuando o lançamento de oficio. A resposta é óbvia, pois a situação descrita caracteriza infração às legislações de regência das citadas contribuições. Ora, se existe lei tributária em vigor e a ação judicial ainda não transitou em julgado, o contribuinte possui uma obrigação tributária em seu Passivo. No ano calendário de 2001 vigia o regime de competência para a dedutibilidade de despesas com obrigações tributárias. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 217 10 E, o presente caso, medida liminar e sentença concedida nos autos de medida cautelar inominada, não se enquadra nas hipóteses de exceção à regra geral. Assim sendo, concluo pela dedutibilidade, na apuração do lucro real, da despesa objeto da autuação.’ Ao contrário das provisões que têm a dedutibilidade restrita, no caso de obrigação legal, a dedutibilidade é a regra. É bem verdade que o Direito Tributário, não obstante ser um direito de sobreposição, pode atribuir efeitos fiscais diversos aos fatos jurídicos, mas, neste caso, por óbvio que o efeito diverso deve estar expresso na lei. Vale dizer, o Direito Tributário comumente toma por materialidade fatos, atos e conceitos prédefinidos juridicamente, podendo apenas atribuirlhes consequências diversas. Noutro giro, uma obrigação legal com valor e prazo certo não se torna provisão, mas esta obrigação pode ser indedutível, para fins fiscais, se a norma tributária assim determinar. É exatamente o que ocorreu com o advento da Lei nº. 8541/92 e da Lei nº. 8.981/95. Ora, a própria Lei nº. 8.981/95 admite que os tributos e contribuições são dedutíveis do lucro real, independentemente do pagamento, em razão do regime de competência, excepcionando o tratamento fiscal – dedutibilidade para quando houver suspensão da exigibilidade. Não fosse a dedutibilidade in casu a regra geral aplicável, não haveria que existir disposição de exceção específica! Muito bem, partindo da premissa de que o tributo ou contribuição devidamente constituído, ainda que com a exigibilidade suspensa, é uma obrigação legal e não preenche os pressupostos para se enquadrar como provisão; e, da premissa de que a norma tributária pode atribuirlhe efeito fiscal diverso, se assim expressamente determinar, resta investigar se as normas citadas, que vedam a dedutibilidade para efeito de apuração do lucro real, aplicamse também para efeito de apuração da base da Contribuição Social sobre o Lucro. Por certo que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são distintas, porém, tal discussão surge em razão do disposto no artigo 57 da Lei nº 8.981/95, que assim dispõe: ‘Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. Ou seja, destacase que para a CSLL, aplicamse as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. Interpretando tal dispositivo, entendo que cada tributo possui sua própria base de cálculo, inclusive quanto à dedutibilidade, sendo certo que, quando a lei expressamente determinar, as regras serão as mesmas. Noutro giro, se a própria norma referenciada estabelece que são mantidas as individualidades de base de cálculo e alíquotas, por certo que ao determinar que se identificam as formas de apuração do IRPJ e da CSLL, a lei não autorizou a confusão do critério de apuração com a determinação da base de cálculo. Ora, se devem ser mantidas as determinações específicas concernentes à base de cálculo, convencime que a regra Fl. 257DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 218 11 de exceção correspondente à indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa para fins de IRPJ, não se aplica à base de cálculo da CSLL. Com relação à interpretação do artigo 57, da Lei nº. 8.981/95, válido citar as conclusões extraídas do voto do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no acórdão nº 140100.058, as quais peço vênia para reproduzir: ‘Por óbvio que os parágrafos de um artigo se subordinam a seu caput, que, no caso (art. 41 da Lei 8.981/95), trata da determinação do lucro real, além do que o § 2° repete o endereçamento. Nem o § 1° do art. 41, nem os demais parágrafos, nem o caput tratam da incidência da regra do § 1° do art. 41 para a determinação da base de cálculo da CSL O art. 57 dessa lei é claro ao dizer que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas da CSL, com as alterações introduzidas por essa lei. Esta lei introduziu diversas alterações na determinação da base de cálculo da CSL, entre as quais não se inclui o regramento previsto no art. 41, § 1 0, retrodescrito. Se a lei (art. 57, caput) fala expressamente que ficam mantidas a base de cálculo da CSL e suas alíquotas, exceto quando ela disponha de forma diversa, não vejo como se possa aplicar à CSL regra prescrita para a determinação do lucro real sem existir tal previsão para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57, caput, da Lei 8.981/95 chega a ser tautológico, mas tem a virtude de erradicar qualquer dúvida que pudesse emergir quanto à aplicabilidade de norma endereçada ao IRPJ, sem remissão à CSL. Os §§ 1° e 2° do art. 57 e o art. 58 da lei em questão trazem as alterações aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL. Ora, se ainda assim fosse concluível que o preceito contido no art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95 seria aplicável na determinação da base de cálculo da CSL, entendo que seria forçoso se concluir, com identidade de razões, que, por ex., as normas sobre tributação do lucro em bases universais eram aplicáveis à CSL, mesmo sem o preceito contido no art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 (pelo qual se passou a prever a tributação do lucro em bases universais para fins de CSL). Nem se diga que se houvesse artigo nessa medida provisória prevendo expressamente que o mencionado art. 21 só entraria vigor a partir de certa data a questão não se colocaria, pois isso é de absoluta imprestabilidade para a interpretação em discussão. A questão é ser aplicável o regime de tributação em bases universais para a CSL, mesmo sem o art. 21 dessa medida provisória. Bem se sabe que concluir pela tributação da CSL em bases universais antes do advento do art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 constituiria absurdo. Argumento ab absurdo, que comete à evidência não ser aplicável, na determinação da base de cálculo da CSL, a regra do art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95, preceituada para o lucro real’”. Com base nas lições da Conselheira Karem Jureidini Dias e também nas lições do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, as últimas trazidas a colação pela Conselheira Karem Dias, a quem aproveitando o ensejo para também render as minhas homenagens, fui movido pela curiosidade e realizei uma breve pesquisa, encontrando algumas soluções de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 219 12 consulta da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil que trazem a tona o entendimento do Fisco pela impossibilidade de dedução dos tributos com exigibilidade suspensa na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, todas elas fundamentadas no inciso I do art. 13 da Lei nº 9.249/95: “Art. 13 Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções: (...) I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e décimo terceiro salário... e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável;” Segundo a visão do Fisco, que considero distorcida e fundamentada em uma premissa falsa; os tributos com a exigibilidade suspensa possuem natureza jurídica de provisão, por não se constituírem em “obrigações fiscais efetivamente constituídas”, sendo obrigatória a adição tanto para fins de apuração do IRPJ quanto para a CSLL; ou seja, não são dedutíveis. Porém, por estar totalmente convencido de que a tese da Conselheira Karem Jureidini Dias e do Conselheiro Marcos Shigueo Takata é que a melhor define e enquadra a situação dos tributos com exigibilidade suspensa, não posso deixar de ver as falhas e os vícios do entendimento da RFB, até porque o conceito de provisão não é o mais apropriado aos os tributos com exigibilidade suspensa, para não dizer que o conceito de provisão é totalmente equivocado para esses casos. Na verdade, examinando a conceituação usualmente, depreende se, com certa facilidade, que a provisão é uma parcela extraída dos resultados da empresa para cobrir despesas que serão incorridas e que não possuem valores determinados, por ser impossível a sua exata mensuração. Assim, não há como alegar que, por estar o tributo com a exigibilidade suspensa não tenha havido o nascimento da obrigação tributária que, vale repetir, surge tão somente com a ocorrência do fato gerador. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário nada mais é do que uma forma de postergação e de proteção temporária do sujeito passivo da obrigação tributária contra atos de cobrança da autoridade administrativa, vez que o fato gerador que efetivamente já ocorreu e, consequentemente, existe a obrigação tributária que se encontra suspensa em consonância com os parâmetros estipulados pelo art. 151 do Código Tributário Nacional. Além do mais outro ponto tem que ser levantado: Caso não houvesse a obrigação fiscal, não haveria necessidade de buscar proteção contra os atos de cobrança a serem realizados pela autoridade fiscalizadora, através de ações que teriam como objeto suspender a exigibilidade do crédito tributário (Art. 151, IV e V do CTN). Contra fatos não há argumentos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 220 13 Chego a mais uma questão: Qual é o caráter da provisão? Em matéria de passivo, o que caracteriza uma provisão é a incerteza ou a ausência de liquidez de uma obrigação a ser adimplinda no futuro. Esse é o real caráter da provisão! Ou seja, buscando a tradução jurídica do caráter de uma provisão passiva; chego a conclusão que a provisão representa uma obrigação que é incerta, ou mesmo uma obrigação que até pode ser certa, mas não é líquida. Falta a provisão o requisito maior da liquidez. Sendo a obrigação incerta, ou sendo a obrigação é certa, mas ainda não líquida, é de todo compreensível que a lei determine, como regra geral, a indedutibilidade da contrapartida do registro desse passivo, i.e., a indedutibilidade da despesa de provisão. Ao passo que uma obrigação quanto é certa e líquida, contabilmente representa, de forma inconteste, um contas a pagar diferido (são aquelas que, embora registradas contabilmente no exercício “N”, só ocorrem efetivamente em um exercício posterior “N+X”). Jurídica e contabilmente o deposito judicial é, sem a menor sombra de dúvidas, um contas a pagar é totalmente distinto de uma provisão do passivo. E vou explicar: Imagine que foi sancionada determinada lei tributária cujo efeito é a majoração de certo tributo. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade, por mais flagrante que possa ser ou aparentar ser inconstitucional. O atributo da lei, presunção de constitucionalidade e de legitimidade, é do que desfruta a obrigação “ex lege” tributária. Sancionada a lei, cumprido o “vaccacio legis”, a obrigação tributária passa a ser líquida e certa, desde que o sujeito passivo da obrigação tributária realize o fato gerador; ou seja, ocorrendo de um fato previsto em uma norma legal, existirá uma obrigação tributária a ser adimplida ao ente tributante. Ainda que o sujeito passivo da obrigação tributária ingresse com ação judicial visando discutir a constitucionalidade ou a legalidade da lei tributária que deu fundamento à cobrança, e que no transcorrer do processo obtenha uma liminar, uma sentença ou mesmo um acórdão favorável, somente com o trânsito em julgado da decisão que pelo controle difuso ou pelo controle concentrado que declare a ilegalidade ou a inconstitucionalidade da norma, somente a partir deste momento a lei será transformada em uma obrigação incerta e ilíquida. É por isso que não tenho dificuldade de vislumbrar o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária, mesmo que esta se encontra com sua exigibilidade suspensa (sob a tutela do art. 151, IV e V do CTN), não transforma o passivo representativo de obrigação líquida e certa (um contas a pagar), em uma obrigação incerta ou sendo certa é uma obrigação ilíquida (uma provisão). Fl. 260DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 221 14 É certo, portanto, que a obrigação tributária com exigibilidade suspensa, por ex., por liminar ou tutela antecipada, não representa contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diferido pelas regas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. E, indo “navegar no mar da contabilidade”, na obrigação certa e líquida o passivo registrado passa a representar uma obrigação incerta, somente com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Disse “didaticamente”, pois, por óbvio que aí e nesse momento o passivo deixa de representar obrigação, não há mais esse passivo, que então será revertido; não há obrigação a ficar registrada a partir de então. Na mesma linha de raciocínio exposta, igualmente quando uma obrigação legal tem inicio é nada mais do que um “contas a pagar” do passivo, e não uma provisão; a obrigação tributária materializada (em sentido declaratório, pois a obrigação tributária nasce “ex vi legis”) por ato administrativo (lançamento), cuja legalidade em sentido amplo (do ato e, por consequencia, da obrigação tributária declarada) esteja sendo discutida continua a ser um contas a pagar e nunca é transformada, pelo toque de um vara de condão, em uma provisão. E, só isso acontece em face da presunção de legitimidade e de legalidade dos da norma legal. Somente com a solução definitiva que reconheça a ilegalidade do lançamento em decorrência da declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade da norma que o fundamentou, é que a obrigação deixa de desfrutar dos atributos de certeza e de liquidez; na verdade deixa, neste momento, de haver obrigação (ainda que parcialmente). Não tenho dúvida, pois, que, sendo a exigência tributária uma obrigação legal, efeito de um fato jurídico que desfruta da presunção de constitucionalidade (lei) e da presunção de legitimidade (atos administrativos normativos ou individuais, como o lançamento tributário), ainda que tal exigência se encontre com sua exigibilidade suspensa, a obrigação legal não se transforma em provisão, mas permanece como um “contas a pagar” do passivo. Sua contrapartida, pois, nunca foi e nem terá sua natureza transmudada para despesa de provisão, esta sim uma despesa de obrigação legal. Igualmente, também não são provisões os juros incorridos sobre o passivo de tributos com exigibilidade suspensa. Conquanto os encargos moratórios dos tributos não se confundam com e não tenham a mesma natureza de tributos, aqueles também decorrem da exigência legal com a presunção de constitucionalidade e de legitimidade, com a presunção de certeza, e ausência de iliquidez. Por óbvio que os encargos moratórios dos tributos decorrem destes. Entretanto, devese tomar cuidado, como se verá adiante, para não se extrair daí juízo de que é aplicável indistintamente a regra do acessório seguir o principal. Esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já possui algumas decisões que reforçam o meu entendimento, conforme pode ser visto abaixo em dois julgamentos recentes: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 222 15 “TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA DEDUTIBILIDADE. Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar – diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL” (processo nº. 16327.001969/200659 – 1ª TO – 4ª Câmara – 1ª SJ CARF Acórdão nº 140100.058, julg. 17/06/2009). “TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – DEDUTIBILIDADE. Provisão passiva representa uma obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têmse derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar diversamente, por ex,, de uni passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL”. (processo nº. 16327.000628/200585 – 3ª TO – 1ª Câmara – 1 SJ Acórdão nº 110300.261, julg. 06/07/2010) Por tudo que foi visto nos autos, voto na preliminar reconhecer a decadência para os lançamentos efetuados até a data de 22/12/2001 e no mérito, como no presente caso estamos tratando somente da possibilidade que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em primeiro plano pela incontestável falta de previsão legal que suporte a exigência da fiscalização e em segundo por não serem tributos com exigibilidade suspensa uma provisão passiva e sim contas a pagar diferido por força das determinações do art. 151 do Código Tributário Nacional por representarem uma obrigação liquida e certa. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 223 16 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado A divergência com relação ao respeitável voto vencido do Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta limitase à questão da indedutibilidade, na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de valores com exigibilidade suspensa, em face de medida liminar ou tutela antecipada obtida judicialmente. Tenho como certo, de início, que os tributos com exigibilidade suspensa não podem de modo nenhum ser considerados “despesas incorridas”, como defende a Recorrente, em face do entendimento expresso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática de Recursos Repetitivos (art. 543C do CPC), de seguinte teor: 5. Os depósitos judiciais utilizados para suspender a exigibilidade do crédito tributário consistem em ingressos tributários, sujeitos à sorte da demanda judicial, e não em receitas tributárias, de modo que não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ até o trânsito em julgado da demanda. (REsp 1168038 SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 16/06/2010). Ou seja, a contrario sensu, se os depósitos judiciais não consistem em receitas tributárias, por um lado, também não consistem em despesas dedutíveis, por outro. E se estão sujeitos à sorte da demanda judicial, nada mais são do que “provisões”. Como se recorda, decisões proferidas pelo STJ, nessa sistemática, são de observância obrigatória por todos os Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF (RI CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010 (grifouse): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, referidos tributos com exigibilidade suspensa devem ser considerados como “provisões”, até que se tenha o trânsito em julgado da demanda. E sendo “provisões”, são estas indedutíveis na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), como, aliás, já decidido em precedente desta Turma: Acórdão nº 180300.976 Sessão de 02 de agosto de 2011 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 263DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 224 17 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apresentando nítido caráter de provisão. De se observar que o mesmo entendimento prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão nº 910101.214 Sessão de 18 de outubro de 2011 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. A própria Recorrente disso não discorda, ao afirmar que (fls. 130): 29. De fato, dúvida não há de que as provisões, com exceção daquelas reconhecidas expressamente em lei, são indedutíveis da base de cálculo da CSLL e do IRPJ, devendo ser adicionadas na apuração dos tributos. Nesse sentido, dispõe claramente o art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, combinado com o art. 13 da Lei nº 9.249/95: [...]. Por fim, cumpre salientar que, em processo da mesma empresa, apenas que atinente a anoscalendário diversos, entendeu a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF no mesmo sentido do aqui exposto: Acórdão nº 1401000.952 Sessão de 09 de abril de 2013 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 [...]. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.001972/200672 Acórdão n.º 1803001.941 S1TE03 Fl. 225 18 CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica (Acórdão CSRF nº 910100.592, de 18 de maio de 2010). Com relação à referência feita pela Recorrente ao § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, advirtase que é especificamente aplicável ao presente caso o estatuído pelo art. 13, inciso I, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, como segue (sublinhouse): Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de manter a exigência remanescente à preliminar de decadência acolhida (anos calendário 2001 e seguintes). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA , Assinado digitalmente em 05/12/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10384.003162/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
Ementa:
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA
A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo.
IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA.
A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.990
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovando-se a cada mês-competência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado
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Fatos Geradores Recorrente MUNICÍPIO DE PAJEU DO PIAUÍ PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. IMPUGNAÇAO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 31 62 /2 01 0- 76 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES REFERENTES A FATOS GERADORES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao Fisco Federal mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mêscompetência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omissas, sendo que cada uma das infrações será punida com o valor mínimo de R$ 500,00. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003162/201076 Acórdão n.º 2302002.990 S2C3T2 Fl. 691 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado em 05/08/2010, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, com ciência através de registro postal em 20/0/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32 A, caput, inciso I, §§2º e 3º, da Lei n.º 8.212/91, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, todos os valores pagos aos contribuintes individuais e servidores de cargos efetivos, eletivos, comissionados e temporários, nas competências de 01/2008 a 11/2008. O município não possui regime próprio de previdência estando todos os servidores abrangidos pelo regime geral. O município apresentou impugnação intempestiva, onde pede a anulação do Auto de Infração pela evidente ocorrência de nulidade plena do ato administrativo por descumprimento dos requisitos de forma, finalidade e legalidade contrariando o art. 32A da Lei 8.212/91, em que o contribuinte só pode ser autuado após a Intimação Fiscal. Informação do Fisco às fls. 41/42, diz que a impugnação do contribuinte não foi conhecida pela intempestividade, o que não instaurou a fase litigiosa do processo, e que as matérias alegadas na impugnação, por serem de direito não podem ser revistas de ofício. Da Informação foi dada ciência ao contribuinte que apresentou Recurso Voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a tempestividade da impugnação, porque não há provas nos autos de que a autuação foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo; b) que o serviço de rastreamento dos correios não é prova do recebimento; c) que não há provas de quem tenha recebido o AR Aviso de Recebimento; d) que o número de autos de infração, 21, demandou carga excessiva de trabalho, impossibilitando o cumprimento imediato pelo Município; e) que é irrazoável a alegação da Receita Federal da perda de prazo por dois dias, fazendo referência ao artigo 23§2º,II, diz que se a data do recebimento for omitida, temse que feita após 15 dias da data da expedição da intimação, o que deve ser aqui obedecido; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) que somente poderia ter sido autuado após Intimação Fiscal g) que a Lei é taxativa quanto à necessidade de Intimação prévia à Autuação e, como isto não ocorreu, o Auto de Infração em questão é nulo de pleno direito; h) que é nítida a usurpação do direito do Município à oportunidade de redução da multa a 75% por não lhe ter sido emitida Intimação Fiscal antes da Autuação. i) por fim, requer o provimento do recurso para declarar a tempestividade da autuação e afastar a multa isolada; j) que tem direito à retroatividade benigna para que seja aplicada a multa do artigo 32A da Lei n.º 8.212/91; k) argúi o caráter confiscatório da multa aplicada; l) e por fim, requer a anulação do auto de infração em vista da nulidade plena de ato administrativo por descumprimento dos requisitos forma, finalidade e legalidade, contrariando o art. 32A da Lei 8.212/91, em que o contribuinte só pode ser autuado após a Intimação Fiscal, e m) alternativamente, requer que seja afastada a multa imposta, vez que a legislação foi modificada com o advento da Lei n° 11.941/2009. O recurso não foi aceito pela Delegacia da Receita Federal, porquanto não havia sido instaurada a fase litigiosa, frente a inexistência de impugnação válida. Inconformado, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.º 678555.2011.4.01.4000, com pedido de liminar onde pleiteou o exame dos recursos interpostos a todos os autos de infração lavrados pelo Fisco, com o reconhecimento do efeito suspensivo e o desbloqueio das contas do Fundo de Participação dos Municípios. A liminar foi deferida, foi proferida posterior sentença de primeiro grau e os autos vieram a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003162/201076 Acórdão n.º 2302002.990 S2C3T2 Fl. 692 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso voluntário apresentado pela autuada é tempestivo e está sendo conhecido, por força de decisão judicial, uma vez que não há decisão de primeira instância recorrida. Conforme se pode ver da análise dos autos, a autuada apresentou impugnação intempestiva argüindo apenas questões de direito, que não merecem exame de ofício, como a inaplicabilidade da multa no auto de infração por já ter sido aplicada em outro auto de infração de obrigação principal. O Fisco informou ao contribuinte, às fls. 41/42, que não havia matéria de fato a ser revista de ofício. Contra o decisório é que a autuada interpôs este recurso, o qual está sendo examinado por força de decisão judicial. Quanto à alegada tempestividade da impugnação, a recorrente não possui razão, posto que às fls. 11/17, constam a postagem dos autos de infração e a situação de entregues pelos Correios, documento hábil e verídico, não cabendo a desconfiança por parte do recorrente, que sequer apontou vício no procedimento levado a termo pelos Correios. Conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação da recorrente de que as autuações encaminhadas por via postal foram recebidas por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais, tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Quanto à referência ao artigo 23,§2º, II do Decreto 70.235/72, para dizer que deveria ser considerada feita a intimação após 15 dias da postagem, é de se ver que tal dispositivo contempla as situações em que não há data do recebimento da correspondência, o que não ocorreu no caso em tela, onde a recorrente recebeu as vias relativas aos autos de infração lavrados, em 20/08/2010. É também improcedente a alegação de que o número excessivo de autuações impediu que a recorrente prontamente apresentasse suas impugnações, porquanto os prazos processuais vem definidos em lei, sendo defeso à administração pública descumprilos ou ampliálos a fim de beneficiar um ou outro contribuinte. Conforme consta da legislação vigente, mais precisamente no Decreto n.º 70.235/72, artigo 15, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para impugnar o lançamento, o que não ocorreu no presente processo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Corroborando o disposto pelo Decreto acima citado, a Portaria RFB n.º10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais, traz no seu artigo quinto que a impugnação será apresentada no prazo de trinta dias da ciência do procedimento a ser impugnado: Art. 5º A impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Parágrafo único.A impugnação e a manifestação de inconformidade: I serão instruídas com a comprovação de legitimidade do representante legal ou de seu procurador; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003162/201076 Acórdão n.º 2302002.990 S2C3T2 Fl. 693 7 II poderão ser entregues diretamente ou remetidas por via postal à unidade da RFB de jurisdição do sujeito passivo, considerandose tempestivas se postadas no prazo previsto no caput. O termo inicial para contagem do prazo é o primeiro dia útil posterior à ciência do contribuinte, nos termos do art. 30 da Portaria RFB n.º 10.875/2007, excluise o dia do começo e incluise o do vencimento. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade, em auto de infração apreciará tãosomente a tempestividade argüida, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa em relação às demais matérias constantes da peça impugnatória, as quais não serão conhecidas, a teor do disposto pelos artigos 14 do Decreto 70.235/72 e 2º, da já citada Portaria RFB n.º 10875/2007: Decreto n.º 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Portaria RFB n.º 70.875/2007 Art. 2º O processo administrativo fiscal iniciase: I com a impugnação tempestiva da NFLD e do Auto de Infração; Portanto está correto o Fisco ao se pronunciar pela intempestividade da impugnação, que nesta condição não se prestou a iniciar a fase contenciosa do procedimento administrativo, mantendo a multa aplicada no auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, como lançada. Todavia, em obediência à decisão judicial que determinou o conhecimento do recurso interposto, me manifesto sobre os demais aspectos nele trazidos. Compulsando os autos é de se ver que a recorrente infringiu a legislação vigente ao não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, todos os valores pagos aos contribuintes individuais e servidores de cargos efetivos, eletivos, comissionados e temporários, que lhe prestaram serviço, nas competências de 01/2008 a 11/2008. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Portanto, mostrouse correta a autuação pela omissão ou incorreção nas informações prestadas em GFIP relativas às remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, o que infringiu ao disposto no art. 32, IV da Lei 8.212/91 na redação dada pela Medida Provisória n.° 449, convertida na Lei 11.941/2009, de 27/05/2009: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) A multa aplicada está fundamentada no artigo 32A, caput e §§2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, letra “c” do Código Tributário Nacional: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10384.003162/201076 Acórdão n.º 2302002.990 S2C3T2 Fl. 694 9 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, está correta a aplicação art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, é inócua a assertiva da recorrente quanto à sua não intimação para apresentação de documentos, o que tornaria nula a autuação, porquanto o Relatório Fiscal de fls. 05, traz que documentos vinculados a este auto de infração, estão anexados ao auto de infração Debcad n° 37.287.3014, processo 10384.003154/201020, também examinado por esta relatora, quais sejam o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, constante das fls. 041/042 e o Termo de Intimação Fiscal TIF n° 2, fls. 043/044, onde foram solicitadas as GFIP’s , bem como esclarecimentos sobre ocorrências nelas informadas. Portanto, a recorrente foi intimada a apresentar os documentos, os quais continham omissões e por isso foi autuada. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10380.913377/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
LUCRO REAL ANUAL. CÁLCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DA CSLL. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO.
Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração da CSLL a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título da CSLL desse período de apuração, sem necessidade de levá-lo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO.
Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido.
Numero da decisão: 1802-002.043
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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CÁLCULO DA CSLL MENSAL POR ESTIMATIVA COM BASE EM BALANÇO OU BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. INOCORRÊNCIA DE BASE IMPONÍVEL. RECOLHIMENTO INDEVIDO DA CSLL. CONFISSÃO NA DCTF DE DÉBITO INDEVIDO. ERRO DE FATO. Restando comprovada pela escrituração contábil/fiscal, em procedimento de diligência, a inocorrência de base tributável para o período de apuração da CSLL a que se refere o pagamento, é cabível a apresentação de DCTF retificadora e a restituição do valor pago/recolhido indevidamente a título da CSLL desse período de apuração, sem necessidade de leválo para o ajuste anual (apuração de saldo negativo), justamente por não ter relação com a apuração do tributo, pois decorreu de erro de fato (erro material), consoante inteligência da Súmula CARF nº 84: “Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. DCOMP. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS E CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. Restando comprovada a liquidez, certeza e disponibilidade de crédito, cabe homologar a compensação tributária até o limite do direito creditório deferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 91 33 77 /2 00 9- 01 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 826 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 827 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 25/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 28694.19436.250608.1.3.042750 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débito informado: CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 5952 02 Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003, período de apuração 1ª Quinzena Junho/2008, data de vencimento 30/06/2008, R$ 1.248,88; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 915,00; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 624.575,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 828 4 (...) Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a Contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, entretanto, nesse PA não houve base imponível da CSLL mensal por estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão/redução (base negativa); c) que ao findar o anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); d) que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); e) que, inexistindo resultado positivo do PA julho/2005 e também do ano calendário, não se configurou, de fato, a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência da CSLL; f) que não há que se cogitar em incidência da CSLL, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito dessa Contribuição g) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao PA julho de 2005, foi de fato indevido, conforme fechamento do período de apuração anual de 2005, DIPJ 2006 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido o recolhimento, a Contribuinte utilizou esse crédito para compensar valores (débitos de tributos a pagar) do ano de 2008; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; h) que referido prejuízo, também, foi devidamente informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório). Por fim, com base nessas razões, conclui a contribuinte que dúvida não resta de que o crédito existe, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora (anobase de 2005). Assim, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento direto de antecipações de pagamento por Fl. 828DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 829 5 estimativa como crédito sem leválo, primeiro, para a declaração de ajuste, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, embora tendo efetuado o pagamento da CSLL Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29 do período de apuração julho 2005, constatou, posteriormente, que não havia CSLL a pagar nesse período, pois, na Ficha 17 – Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa, mediante Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução , apurou resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que no encerramento do anocalendário 2005, também, foi apurado resultado negativo (prejuízo fiscal); que, nesse sentido, consta expressamente da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 a apuração de RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO do anocalendário 2005, o valor de R$ 73.173.069,26 (prejuízo), consoante cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (fl. 15); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, sequer havia valor a ser apurado/recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento da CSLL mensal, desde que demonstre, através de Balanço ou Balancete Mensal de Suspensão/Redução, que a soma da CSLL paga por estimativa dos meses anteriores é igual ou superior ao valor da CSLL apurada com base em Balanço ou Balancete mensal; Fl. 829DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 830 6 que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, utilizando parte do referido crédito do IRPJ apurado por estimativa e indevidamente recolhido, para quitação de valores a pagar do ano de 2008 (débitos de tributos) e nesse ano, sendo que, no presente PER/DCOMP, como já dito, utilizou apenas parte desse crédito original, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de débitos tributários com créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB (despacho decisório), sob a alegação de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos tributários da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que a DRJ/Fortaleza, decisão ora recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como CSLL Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior, mas somente como saldo negativo. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo da CSLL do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a Recorrente formule no novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao princípio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou incontroverso nos autos que houve pagamento indevido da CSLL do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados também comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 729.466,29; que a decisão a quo negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto para análise, que merece reparo, referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; Fl. 830DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 831 7 que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. Em face das alegações da Recorrente, está 2ª Turma Especial de Julgamento, na sessão de 04 de dezembro de 2012 (Resolução nº 1802000132) – fls. 64/72, resolveu converter o julgamento em diligência para instrução complementar, baixando os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Fortaleza, para as seguintes providências conforme consta do voto condutor (fls. 64/72), in verbis: (...) Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntar cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntar cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntar cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimar a contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimar a contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente os Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaborar relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimar a contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. (...) Realizada a diligência solicitada, houve a juntada dos documentos (fls. 77/821). Fl. 831DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 832 8 Resultado da diligência, conforme Relatório (fls. 818/820). Intimada a Contribuinte do resultado da diligência em 30/07/2013 (fl. 821), não se manifestou, deixou transcorrer o lapso temporal in albis, conforme despacho de encaminhamento/devolução dos autos a este CARF pela DRF/Fortaleza, de 12/11/2013 (fl.822). É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 833 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária; porém a decisão recorrida da DRJ/Fortaleza, assim como já havia ocorrido com o despacho decisório da DRF/Fortaleza, denegou o crédito pleiteado, não homologando a compensação informada nos autos. A Recorrente pleiteou crédito de R$ 915,00 (valor original), relativo a suposto pagamento indevido de R$ 729.466,29 (valor original) de CSLL estimativa mensal do PA 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, conforme cópia do DARF (fl. 42). O crédito pleiteado foi denegado até então, em suma, por dois fundamentos: a) inexistência de crédito disponível, pois o valor recolhido da CSLL estimativa mensal do PA julho/2005 teria sido totalmente consumido pelo débito dessa Contribuição, de igual valor, desse PA, confessado na respectiva DCTF e que a DCTF retificadora (anulando esse débito) não poderia ser aceita, pois foi transmitida, eletronicamente, após ciência do despacho decisório, quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade e, além disso, a Contribuinte não teria comprovado nos autos, de forma cabal, com cópia de livros e documentos de escrituração contábil/fiscal que teria ocorrido erro quanto ao valor do imposto informado/confessado na DCTF primitiva; b) inviabilidade do pleito de restituição/aproveitamento de crédito de determinado pagamento a maior ou indevido de CSLL estimativa mensal; que as estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, somente seria passível de restituição o saldo negativo apurado no encerramento do anocalendário e informado na Declaração de Ajuste Anual. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio deduzido. A decisão recorrida deve ser reformada. Os dois fundamentos que, até então, foram utilizados para indeferimento do crédito pleiteado deixaram de ser óbice nesta instância de julgamento, pelo seguinte: 1) – COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO/UTILIZADO NA DCOMP: Primeiro, na Sessão de Julgamento de 04/12/2012, foi constada a necessidade de instrução processual complementar, para formação da convicção do julgador quanto mérito Fl. 833DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 834 10 do litígio deduzido nos autos, ou seja, quanto à certeza e liquidez do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP. Nesse sentido, está 2ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência para a complementação de provas, conforme Resolução nº 1802000.132, de 04/12/2012, baixando os autos para a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Fortaleza, para as providências determinadas (fls. 64/72). Os autos retornaram para este CARF, após a realização da diligência. O Relatório de Diligência da Fiscalização da DRF/Fortaleza consigna conclusão pela certeza, liquidez e disponibilidade do crédito pleiteado/utilizado na DCOMP pela Contribuinte, nos seguintes termos (fls. 818/820), in verbis: (...) 3. No tocante à matéria de análise do presente Relatório Fiscal, apresentamos nossas conclusões nos moldes como se verá adiante. 4. No presente processo, o contribuinte reivindica o direito creditório de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal do período de apuração julho de 2005, que teria pago indevidamente em 31/08/2005, e, portanto, teria o direito de vê lo compensado com o débito de R$ 1.248,88, DCOMP nº 28694.19436.250608.1.3.042750. Segundo o contribuinte, para o referido período, ocorreu prejuízo fiscal, não sendo devido, portanto, a contribuição sobre o lucro líquido a título de estimativa mensal. O pagamento de R$ 729.466,29 seria fruto de equívoco. 5. Em 13/06/2006, o contribuinte transmitiu sua DIPJ original, anocalendário 2005, a qual encontrase ativa até a presente data, sem quaisquer retificações. Nessa DIPJ, o contribuinte apurou o prejuízo fiscal de R$ 73.103.028,52 e, a título de estimativa mensal, os seguintes valores: PA Base de Cálculo da CSLL Valor devido (estimativa CSLL) Jan/2005 3.343.907,66 0,00 Fev/2005 6.645.519,07 0,00 Mar/2005 20.346.492,32 0,00 Abr/2005 17.722.420,69 0,00 Mai/2005 13.191.204,02 0,00 Jun/2005 11.986.991,25 0,00 Jul/2005 22.238.973,21 0,00 Ago/2005 36.844.078,00 0,00 Set/2005 43.249.497,34 0,00 Out/2005 53.546.298,28 0,00 Nov/2005 64.061.290,22 0,00 Dez/2005 73.173.069,26 0,00 Fl. 834DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 835 11 6. Na Ficha 17 da DIPJ do contribuinte consta o seguinte resultado: Apuração da CSLL devida VALOR CSLL + Adicções 0,00 DEDUÇÃO () Campos 43 a 51 0,00 () CSLL Mensal Paga por Estimativa 0,00 CSLL A PAGAR 0,00 7. Resta evidente, mediante essa referida Ficha 17, a não utilização do valor ora requerido de R$ 729.466,29 na composição do saldo negativo da CSLL. Portanto, afastada está a hipótese de aproveitamento em duplicidade do crédito ora pleiteado. 8. Por outro lado, em sua DCTF original, enviada em 08/09/2005, o contribuinte declarou o débito de R$ 729.466,29 (CSLL – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL S/LUCRO LÍQUIDO, cód. 2484). Há dissonância, portanto, entre referida declaração e àquela informada em DIPJ, onde inexistiu valor apurado, o que ensejaria uma retificação. 9. Em 27/10/2009, o contribuinte retificou sua DCTF original, de modo a se adequar a sua DIPJ original do período correlato. Nessa retificação foi excluído o débito de R$ 729.466,29. Em consequência, restou disponibilizado o correspondente recolhimento desse débito que fora excluído, passandoo a figurar como um pagamento indevido. 10. Atendendo à Intimação Fiscal de 15/05/2013, o contribuinte trouxe à colação os Demonstrativos de Apuração do Lucro Real, fls.79/88. Em tais documentos, há registros de que, em todos os meses do anocalendário de 2005, exceto junho e julho, houve prejuízo fiscal. O acumulado desse prejuízo fiscal, jan/2005 a mai/2005, se computado na apuração do resultado de exercício nos meses junho/2005 e julho/2005, culminaria na inexistência de CSLL a pagar a título de estimativa mensal. 11. Em suma, considerandose a DIPJ original e a DCTF retificadora do contribuinte, bem como os respectivos registros contábeis ora demonstrados, relativamente ao IRPJ/CSLL, ano calendário 2005, como a expressão da verdade, restou disponibilizado o valor creditório de R$ 729.466,29. 12. Consoante tela, fls.755/758, reservouse parte desse valor, R$ 915,00, para a compensação de que trata o presente processo, caso essa douta Turma de Julgamento entenda procedente a reivindicação do contribuinte. (...) Como visto, o crédito pleiteado/utilizado na DCOMP objeto dos autos deve ser recohecido, pois: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 836 12 a) quanto ao PA julho/2005, conforme Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, elaborado e registrado na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95, que a Recorrente teve resultado negativo de R$ (22.238.973,21) e, no final desse anocalendário 2005 (dezembro), teve prejuízo fiscal acumulado no ano de R$ (73.103.028,52) – DIPJ 2006/Ficha 17; b) que as cópias dos livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal comprovam esses prejuízos apurados, nos referidos períodos de apuração (fls. 79/822); c) que o valor pago/recolhido da CSLL estimativa do PA julho/2005, por conseguinte, foi indevido, pois não tem relação com a escituração contábil/fiscal, configurando erro material a informação de apuração e confissão de débito da CSLL estimtiva mensal do PA julho/2005 na DCTF primitiva. Logo, deve ser acolhida ou aceita a DCTF retificadora que corrigiu esse erro material, pois restou comprovada nos autos a inexistência de base imponível para apuração do imposto para esse PA; d) que, na Ficha 17 DIPJ 2006 (anocalendário 2005), restou consignado que a Contribuinte não levou o valor recolhido indevidamente para o ajuste anual, pois não preencheu a Ficha 17 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real. (Ficha apresentada com os valores zerados); e) que o crédito pleiteado/utilizado pela Recorrente na DCOMP objeto destes autos existe, está disponível e foi reservado para saldar os respectivos débitos confessados nessa declaração, conforme Relatório de Diligência. 2) PAGAMENTO INDEVIDO DE CSLL ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. MATÉRIA SUMULADA: No caso, o pagamento da CSLL mensal por estimativa do PA julho/2005 decorreu de erro de fato, sem relação com a escrituração contábil/fiscal, pois nesse PA mensal sequer houve base imponível para apuração do imposto, em face da apuração de prejuízo já demonstrado anteriormente, ou seja, conforme transcrição das conclusões do Relatório de Diligência. Pela Súmula CARF nº 84, não é necessário levar para o saldo negativo, o imposto estimativa mensal pago indevidamente, quando o recolhimento do imposto ocorreu por equívoco ou erro de fato, ou seja, quando o pagamento do imposto não tem relação alguma com a escrituração contábil/fiscal, considerandose, ainda, o recolhimento indevido na data de arrecadação. A propósito, transcrevo o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Portanto, reconheço o crédito pleiteado pela Recorrente de R$ 915,00 (valor original), a título de CSLL, utilizado na DCOMP, e homologo a compensação tributária objeto dos autos até o limite do crédito reconhecido. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Acórdão n.º 1802002.043 S1TE02 Fl. 837 13 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011765/2008-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO E DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS.
Justifica-se a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor total de R$ 1.465,85.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 22/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO E DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECIBOS. Justificase a glosa de despesas médicas quando existem nos autos indícios de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram de fato executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade dos serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer despesas médicas no valor total de R$ 1.465,85. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 17 65 /2 00 8- 82 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011765/200882 Acórdão n.º 2102002.957 S2C1T2 Fl. 76 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra CLEUZA GUIMARÃES TEIXEIRA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 03/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2003, exercício 2004, no valor total de R$ 13.022,18, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/08/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal foi dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 20.103,34, em razão da falta de atendimento a Termo de Intimação Fiscal, fls. 26. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente em parte, para reconhecer a dedução de previdência privada, no valor de R$ 2.480,44, pagas ao Icatu, que haviam sido declarados, por equívoco, como dedução de despesas médicas. (Acórdão DRJ/BHE nº 0236.523, de 05/12/2011, fls. 32/37) Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/12/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 42, a contribuinte apresentou, em 11/01/2012, recurso voluntário, fls. 44/45, no qual presta os seguintes esclarecimentos: que quanto às despesas com o Plano de Saúde Unimed está anexando a documentação comprobatória; e no que diz respeito às demais despesas médicas fez contato com os profissionais e os mesmos se dispuseram a refazer os recibos com as descriminações devidas e necessárias. É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011765/200882 Acórdão n.º 2102002.957 S2C1T2 Fl. 77 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Em procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2004, anocalendário 2003, fls. 20/22, a recorrente teve glosadas despesas médicas, no valor de R$ 20.103,34, em razão da falta de atendimento a Termo de Intimação Fiscal, fls. 26. Na decisão recorrida restou assentado que parte da dedução de despesa médica, no valor de R$ 2.480,44, correspondia, na verdade, a despesas de previdência privada, de modo que a glosa de dedução de despesas médicas remanescente é de R$ 17.622,90, correspondente as seguintes despesas: Profissional/Pessoa jurídica Valor em Reais Nathan Ziegler dentista 8.000,00 Cibele Maranha de Souza – psicóloga 5.250,00 Vicente de Paula Grossi Junior – dentista 2.500,00 Unimed 1.872,90 Total 17.622,90 No que se refere à Unimed a contribuinte esclareceu no recurso voluntário que durante o ano de 2003 teve desconto em folha de produção do valor referente ao plano médico cooperado e que nos meses de agosto a dezembro, como sua produção não teve valor suficiente para cobrir o valor total da mensalidade do plano, efetuou pagamento complementar, por meio de boletos bancários. Para comprovar sua alegação a contribuinte apresentou documento, fls. 46, firmado pelo Diretor Financeiro da Unimed Barbacena, onde consta que o valor referente ao plano de saúde da recorrente no anocalendário 2003 foi de R$ 1.465,85. Juntou, ainda, cinco comprovantes de pagamentos de boletos bancários, cujo cedente é a Unimed de Barbacena, no valor de R$ 81,31 cada um deles, os quais somados ao valor que consta na declaração firmada pelo diretor Financeiro da Unimed Barbacena, perfaz a quantia de R$ 1.872,40. Ocorre que os valores recolhidos mediante boletos devem, por lógico, estar incluídos na quantia de R$ 1.465,85 referida na declaração firmada pelo Diretor Financeiro da Unimed Barbacena, posto que no referido documento não há nenhuma ressalva quanto aos pagamentos feitos pelos boletos juntados aos autos, quando da apresentação do recurso. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011765/200882 Acórdão n.º 2102002.957 S2C1T2 Fl. 78 4 Nestes termos, devese restabelecer a dedução de despesas médicas, relativas à Unimed Barbacena, no valor de R$ 1.465,85. Já no que tange às despesas médicas relativas aos profissionais Nathan Ziegler, Cibele Maranha de Souza e Vicente de Paula Grossi Junior devese registrar que a contribuinte, durante o procedimento fiscal, foi intimada a fazer a comprovação das respectivas despesas, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 26. Ocorre que tal intimação não foi atendida pela contribuinte e os recibos somente foram apresentados na fase de impugnação do lançamento, sendo certo que tal situação teve por conseqüência a glosa da despesa, por falta de comprovação, sem que os recibos pudessem ser examinados e investigados pela autoridade fiscal. Nesse ponto, para melhor analisar a questão, devese destacar os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos artigos acima transcritos, verificase que cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. É bem verdade que, em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo, dúvida quanto ao efetivo pagamento das quantias consignadas nos recibos de tratamento médico, outras provas devem ser apresentadas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011765/200882 Acórdão n.º 2102002.957 S2C1T2 Fl. 79 5 E este é caso dos autos. Veja que a contribuinte, em DAA, anocalendário 2003, exercício 2004, pleiteou dedução de despesas médicas, no valor total de R$ 17.622,90, que corresponde a 30% dos rendimentos tributáveis líquidos (rendimentos tributáveis menos previdência e imposto de renda na fonte), que foram de R$ 60.721,92. Ou seja, os gastos com despesas médicas foram exagerados, fato que justifica a exigência de apresentações de provas complementares aos recibos, sendo certo que o comprometimento da ordem de 30% dos rendimentos com despesas médicas, somente se justificaria caso restasse comprovado que a contribuinte padecesse de grave doença, o que em nenhum momento ficou demonstrado nos autos. Veja que na decisão recorrida a autoridade de primeira instância assim justificou a manutenção da glosa das despesas médicas: Quanto às despesas médicas, no valor total de R$ 15.750,00, os recibos juntados aos autos assinados por Cibele Maranha de Souza (R$5.250,00); Nathan Ziegler (R$ 8.000,00) e Vicente de Paula Grossi Júnior (R$ 2.500,00) não podem ser aceitos como prova de realização de despesa médica, porque não contêm todos os requisitos previstos na legislação tributária acima transcrita, uma vez que não foi indicado naqueles documentos quem foi o beneficiário dos serviços médicos prestados, não podendo, pois, serem aceitos para os fins a que se destinam. Além da correção no preenchimento dos recibos apresentados e para corroborar o que neles se afirma, poderia ter sido juntado aos autos cópias de exames solicitados em decorrência das consultas/tratamentos realizados, e, ainda, cópias de cheques nominais ou de transferências bancárias aos seus signatários. Ademais, em se tratando de despesas odontológicas utilizadas como dedução na declaração de ajustes, é necessário especificar a natureza do tratamento realizado, porque se utilizadas próteses dentárias, a comprovação se faz mediante apresentação de receituário odontológico e nota fiscal em nome do beneficiário. (grifei) Do trecho acima transcrito, vêse que a autoridade julgadora de primeira instância advertiu a contribuinte que no presente caso somente os recibos não eram suficientes para comprovar a dedução pleiteada, sendo devidamente esclarecido que a recorrente deveria fazer a comprovação do efetivo pagamento das quantias especificadas nos recibos e também deveria trazer à colação documentos complementares, tais como exames, consultas e etc. Todavia, a contribuinte, no recurso, limitouse a apresentar os recibos. É bem verdade, que desta feita os recibos foram refeitos para indicar que todos os tratamentos teriam como paciente a própria contribuinte, acrescentandose uma informação genérica acerca dos serviços médicos executados. Contudo, somente esta providência não é suficiente para a comprovação das referidas despesas, no presente caso. Acrescentese que dentre os recibos apresentados pela contribuinte há dois que foram emitidos no sábado e um no domingo (15/02/2003, 15/03/2003 e 15/06/2003). Ressaltese que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.011765/200882 Acórdão n.º 2102002.957 S2C1T2 Fl. 80 6 aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte pleitear a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova, no caso de dedução de despesas médicas, recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Ora, diante da situação posta nestes autos – falta de atendimento de Termo de Intimação, valores envolvidos, advertência para a necessidade de apresentação de provas complementares das deduções pleiteadas e recibos emitidos em dias não úteis não se pode restabelecer a dedução da despesa médica, pleiteada pela contribuinte. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de despesa médica, no valor de R$ 1.465,85. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/04/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10580.726424/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91.
Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicar-se-á a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicar-se-á a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3º, da Lei nº 8.212/91. Com fulcro no artigo 33, § 6º, da Lei n° 8.212/91, constatando a fiscalização que a escrituração contábil da empresa não representa a movimentação real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, aplicarseá a aferição indireta para apuração das contribuições devidas, incumbindo à empresa o ônus da prova em contrário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 64 24 /2 01 0- 58 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Leo Meirelles do Amaral, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726424/201058 Acórdão n.º 2401003.393 S2C4T1 Fl. 106 3 Relatório DISMEL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1531.220/2012, às fls. 73/83, que julgou procedente o lançamento fiscal, lavrado em 19/07/2010, referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte destinada a Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, em relação ao período de 01/2006 a 13/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 30/40, consubstanciadas nos seguintes Levantamentos: 1) FF – Remunerações de empregados, consignadas em folhas de pagamento, mas não declaradas em GFIP; 2) RA – Remunerações de empregados constantes da RAIS, não declaradas em GFIP. A base de cálculo fora apurada por aferição indireta com arrimo nas informações inscritas na RAIS, uma vez que a contribuinte apresentou as folhas de pagamento incompletas; Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte fora beneficiada por liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2183791.2010.4.01.3300, impetrado pelo Sindicato dos Comerciantes de Material de Construção do Estado da Bahia, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário referente às contribuições previdenciárias sobre o montante pago aos empregados na primeira quinzena de afastamento por motivo de doença ou acidente, bem como sobre o adicional de 1/3 de férias, razão pela qual tais valores foram devidamente abatidos por competência e lançados em Auto de Infração apartado, n° 37.183.7499, que deverá ficar sobrestado até a decisão final do referido Mandado. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 87/102, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. De início, ressalta que a exigência fiscal encontrase escorada em liminar deferida nos autos de mandado de segurança impetrado pelo Sindicado dos Comerciantes de Materiais de Construção do Estado da Bahia, a qual não é capaz de determinar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, devendose afastar, igualmente, as contribuições previdenciárias incidentes sobre o montante pago aos empregados na primeira quinzena de afastamento por motivo de doença ou acidente, bem como sobre o adicional de 1/3 de férias. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, tendo a contribuinte demonstrado em sede de impugnação os erros materiais intransponíveis incorridos pela autoridade lançadora, a qual baseou a autuação em meras presunções. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Contrapõese ao arbitramento levado a efeito pelo fiscal autuante, alegando que referido procedimento só pode ser adotado em casos excepcionais de escrita imprestável ou ausência de apresentação de documentos, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde a contribuinte sempre colocou a disposição a contabilidade demonstrando sua regularidade. Em defesa de sua pretensão traz à colação doutrina e jurisprudência a propósito da matéria, corroborando seu entendimento. Após breve relato das fases e fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao arbitramento utilizado na constituição do crédito previdenciário, alegando ser totalmente injustificado e imotivado. Assevera que a contribuinte nunca se recusou a prestar os esclarecimentos e documentos solicitados pela fiscalização no decorrer da ação fiscal, não se justificando a constituição do crédito previdenciário a partir de presunções (arbitramento) em detrimento da documentação ofertada pela autuada, ainda que contendo pequenos erros, sendo dever do fisco comprovar a efetiva ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado. Defende a inaplicabilidade de dois procedimentos distintos para a apuração do crédito tributário, na forma que conduziu a autoridade lançadora ao lançar diretamente na contabilidade um levantamento e arbitrar outro. Melhor explicitando, aduz que a escrituração contábil deve ser considerada válida para todos os levantamentos ou inválida, igualmente, para toda exigência. Requer o afastamento dos juros incidentes a partir de abril de 1995, em face da violação do artigo 161, parágrafo 1o, do Código Tributário Nacional, o que macula aludida exigência de vício de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726424/201058 Acórdão n.º 2401003.393 S2C4T1 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, a contribuinte fora autuada em razão da constatação da ausência de recolhimento das contribuições sociais, concernentes às contribuições sociais devidas ao INSS pela autuada, correspondentes à parte destinada a Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, consubstanciadas nos levantamentos acima elencados. Informa, ainda, o fiscal autuante que a contribuinte fora beneficiada por liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2183791.2010.4.01.3300, impetrado pelo Sindicato dos Comerciantes de Material de Construção do Estado da Bahia, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário referente às contribuições previdenciárias sobre o montante pago aos empregados na primeira quinzena de afastamento por motivo de doença ou acidente, bem como sobre o adicional de 1/3 de férias, razão pela qual tais valores foram devidamente abatidos por competência e lançados em Auto de Infração apartado, n° 37.183.7499, que deverá ficar sobrestado até a decisão final do referido Mandado. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da autuada, a qual demonstrou em sede de impugnação os erros materiais intransponíveis incorridos pela autoridade lançadora, que baseou a autuação em meras presunções. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 27/28, Relatório Fiscal da Autuação, às fls. 30/40, e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, notas fiscais, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Destarte, é direito da contribuinte discordar da imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência, sobretudo quando a recorrente não comprova o alegado. DO ARBITRAMENTO Em suas razões recursais, requer a contribuinte seja decretada a insubsistência do lançamento, por entender fundarse em simples presunções, afrontando os princípios do devido processo legal e da verdade real ou material, eis que não poderia ter sido utilizado o instituto da aferição indireta em detrimento aos documentos ofertados pela recorrente, que contém os elementos concretos para apuração das contribuições previdenciárias ora arbitradas. Aduz, ainda, que a autoridade lançadora não logrou comprovar suas alegações, na forma que exige a legislação previdenciária, sendo o lançamento fundado exclusivamente em presunções, não merecendo, assim, ser mantido. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a fiscalização utilizouse da aferição indireta na apuração do crédito previdenciário ora exigido, sem qualquer motivação para tanto, sendo referido procedimento medida extrema, somente passível de utilização em casos como inexistência de escrituração contábil, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Conclui pela inaplicabilidade de dois procedimentos distintos para a apuração do crédito tributário, na forma que conduziu a autoridade lançadora ao lançar diretamente na contabilidade um levantamento e arbitrar outro. Melhor explicitando, aduz que a escrita contábil deve ser considerada válida para todos os levantamentos ou inválida, igualmente, para toda exigência. Inobstante o esforço da contribuinte, suas alegações não são capazes de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento, impondo seja mantida a autuação em sua integralidade, conforme passaremos a demonstrar. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, é obrigação dos contribuintes a manutenção da escrita contábil de forma regular, de modo a fazer prova contra ou a seu favor. Na hipótese de não refletir o movimento real das remunerações dos funcionários da empresa, ou quando o contribuinte deixar de apresentar os documentos solicitados, os quais seriam capazes de demonstrar a perfeita base de cálculo ou comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias, a fiscalização dispõe de instrumentos excepcionais, arbitramento, por exemplo, para lançar os tributos devidos, atividade esta vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade, como se vislumbra no caso sub examine. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726424/201058 Acórdão n.º 2401003.393 S2C4T1 Fl. 108 7 Dessa forma, in casu, não restou outra alternativa ao fiscal autuante senão promover o lançamento por aferição indireta quanto a um dos levantamentos, agindo da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, mormente com relação ao artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, que assim preceitua: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Conforme se depreende do dispositivo legal encimado, bem como dos elementos constantes dos autos, de fato, o presente lançamento decorre de presunção. No entanto, tratase de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário são verdades indiscutíveis por força de lei. Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez certa da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca. (CTN, art. 204 e parágrafo único). Na hipótese vertente, consoante se infere do Relatório Fiscal, a autoridade lançadora ao promover o lançamento, imputou devidas as contribuições ora lançadas, apuradas por aferição indireta, com espeque no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário, por tratarse de presunção juris tantum, albergada por lei, mas passível de comprovação do contrário presumido. A recorrente assim não procedendo com documentos hábeis e idôneos, é de se manter o lançamento na forma da peça vestibular do feito, não havendo que se falar em afronta aos princípios do devido processo legal e da verdade material ou real. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Com efeito, restou devidamente demonstrado pela fiscalização que a contabilidade da contribuinte não se apresentava na forma exigida pela legislação previdenciária, deixando de espelhar a realidade da movimentação das remunerações dos segurados empregados, impondo ao AFRB promover o lançamento por aferição indireta nos precisos termos da legislação de regência, cabendo à autuada o ônus da prova em contrário. Destarte, a própria empresa reconhece ter havido alguns equívocos em sua contabilidade, sustentando, porém, que não seriam capazes de ensejar a apuração da exigência fiscal por arbitramento, o que não representa a melhor interpretação das normas de regem a matéria, mormente quando a contribuinte não procurou justificar e/ou corrigir os erros constantes de sua escrituração contábil. Por outro lado, extraise do Relatório Fiscal que o presente lançamento encontrase segregado em 2 levantamentos distintos, sendo que somente no RA o crédito fora constituído por arbitramento, o que não representa qualquer afronta à legislação de regência, uma vez que exclusivamente em relação àquelas remunerações a autoridade fiscal não teve condições de aferir diretamente a base de cálculo do tributo lançado, especialmente em razão das informações omissas na contabilidade da recorrente. Observese, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea, mormente tratandose de lançamento por arbitramento. Não o tendo feito, é de se manter o lançamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os acréscimos legais ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10580.726424/201058 Acórdão n.º 2401003.393 S2C4T1 Fl. 109 9 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 19/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/03/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 15504.002486/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 2202-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 277.398,93 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em Exercício), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (suplente convocada).
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Conforme art. 42 da Lei n. 9.430/96, será presumida a omissão de rendimentos toda a vez que o contribuinte, titular da conta bancária, após regular intimação, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas de depósito ou de investimento. Não deve ser considerado como base de cálculo de IRPF o montante de rendimentos bancários cuja origem restar comprovada na descrição do histórico dos extratos bancários que embasaram a autuação, devendo a Fiscalização, para estes, lançar o tributo de acordo com as regras específicas para o rendimento omitido em questão. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IDENTIFICAÇÃO DOS DEPOSITÁRIOS, INAPLICABILIDADE. Identificada a origem dos depósitos, a apuração do imposto deve obedecer as regras específicas do rendimento apurado (omissão de rendimento de pessoa jurídica ou de pessoa física), não subsistindo o lançamento com fundamento na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE COMPROVAÇAO NECESSIDADE SÚMULA CARF Nº 14. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 24 86 /2 01 1- 88 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 277.398,93 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em Exercício), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (suplente convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (suplente convocada). Fl. 735DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 735 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas (dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras), bem como a ocorrência de transações imobiliárias sem apuração de ganho de capital (dados obtidos através da Declaração de Operações Imobiliárias) e a inconsistência nas informações prestadas referentes à atividade rural, para o anocalendário 2006 a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF dos referidos anoscalendário. O recorrente foi intimado do Termo de Início de Fiscalização, em 29/12/09, a: a) informar, discriminado mês a mês, todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e de tributação exclusiva na fonte, constantes de sua DIRPF 2006/2007, apresentando os respectivos comprovantes; b) informar, discriminando mês a mês, todas as despesas (dedutíveis e não dedutíveis) constantes de sua DIRPF 2006/2007, bem como, informar os demais pagamentos efetuados com a aquisição e manutenção de seus bens e direitos; c) informar, discriminando mês a mês, todos os rendimentos tributáveis, isentos, não tributáveis e de tributação exclusiva na fonte, e todas as despesas (dedutíveis e não dedutíveis), porventura não constantes de sua DIRPF 2006/2007; d) informar os saldos, no início e final de cada mês do anocalendário de 2006, existentes em contas correntes, de poupança e demais investimentos próprios e do cônjuge, separar por instituição financeira, apresentando a documentação comprobatória pertinente; e) informar, discriminando mês a mês, todos os resgates e aplicações efetuados em contas, próprias e do cônjuge, de poupança e de investimentos de qualquer espécie do anocalendário 2006, bem como apresentar a documentação comprobatória pertinente; f) discriminar, mês a mês, quaisquer empréstimos porventura obtidos ou concedidos no anocalendário 2006, bem como as amortizações pagas e valores recebidos a esse título nesse mesmo ano, e apresentar a documentação comprobatória (contratos, títulos de crédito garantidores, comprovação da efetiva transferência financeira, etc); g) apresentar cópias legíveis do contrato social e alterações contratuais das empresas das quais fazia como titular ou quotista, no Brasil e no Exterior, no anocalendário 2006, ou atualmente; h) cópias das faturas mensais de cartões de crédito, bem como dos respectivos pagamentos; i) apresentar documentação que comprove as operações declaradas; j) apresentar o anexo de apuração de ganho de capital e respectivos DARFs, porventura existentes; k) comprovar o custo de aquisição dos imóveis alienados em 2006, através de apresentação de contrato de compra e venda, escritura de compra e venda e certidão de registro no respectivo Cartório, bem como das cópias das notas fiscais das benfeitorias acrescidas nos respectivos imóveis; l) apresentar livro caixa de atividade rural, acompanhado de cópias dos documentos que lastrearam a respectiva escrituração, organizados em ordem cronológica; m) apresentar certidão de casamento e averbações, se fosse o caso. O recorrente apresentou resposta (fls. 4272), onde: Fl. 736DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 a) apresentou documentos e a tabela abaixo transcrita onde informou todos os rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e de tributação exclusiva na fonte, constantes de sua DIRPF 2006/2007: MÊS Honorários INSS Janeiro R$ 5.000,00 R$ 293,50 Fevereiro R$ 5.000,00 R$ 293,50 Março R$ 5.000,00 R$ 293,50 Abril R$ 5.000,00 R$ 308,17 Maio R$ 5.000,00 R$ 308,17 Junho R$ 5.000,00 R$ 308,17 Julho R$ 5.000,00 R$ 308,17 Agosto R$ 5.000,00 R$ 308,17 Setembro R$ 5.000,00 R$ 308,17 Outubro R$ 5.000,00 R$ 308,17 Novembro R$ 5.000,00 R$ 308,17 Dezembro R$ 5.000,00 R$ 308,17 TOTAL R$ 60.000,00 R$ 3.654,03 b) o valor de R$ 3.654,03, foi pago ao INSS, com a aquisição e manutenção de seus bens e direitos; c) por ter sido extraviadas algumas notas fiscais, deixou de informar o valor de R$ 349.320,00, da atividade rural; d) apresentou os saldos de suas contas bancárias nos bancos: Banco do Brasil, Unibanco e Bancoop, informou, ainda, que as transferências via TED para o Bancoop referemse a transferências entre contas do mesmo titular, para pagamento de defensivos, adubos, safristas, encargos e despesas com manutenção da fazenda, tratandose de uma conta exclusiva para pagamento de despesa da fazenda; e) informou que os resgates e aplicações tratamse de aplicações automáticas do Banco; f) apresentou a tabela abaixo transcrita para informar os empréstimos tomados no anocalendário discriminar, mês a mês, quaisquer empréstimos porventura obtidos 2006: Instituição Valor Embramed Ltda. R$ 359.699,91 Drogazap Ltda. R$ 74.200,00 Express Drogas Ltda. R$ 69.984,15 Drogaria Flora São Jorge Ltda. R$ 22.600,00 Walmir Dias Rodrigues R$ 199.600,00 Medquimica Ind. Farmacêutica Ltda. R$ 1.970.500,00 Cooperfarma Ltda. R$ 6.000,00 g) apresentou cópias das alterações contratuais das empresas que fazia parte em 2006; h) apresentou cópias das faturas mensais de cartões de crédito, bem como dos respectivos pagamentos; i) quanto aos documentos referentes às operações declaradas, apresentou: (i) escritura lavrada em 17/04/01 referente ao imóvel Loja 05 do Edifício Fl. 737DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 736 5 Villa San Giorgio – matrícula 57.119, permutado em 31/08/06; (ii) demonstrativos contábeis das empresas: Embramed Ltda., Drogazap Ltda., Express Drogas, Drogaria e Flora São Jorge, Medquimica Ind. Farmacêutica Ltda., e Cooperfarma Ltda.; (iii) cópia da DIPJ; (iv) escritura lavrada em 20/03/03, referente ao apartamento 301 do Edifício Golden Coas – matrícula 30.965, permutado em 30/08/06; (v) notas fiscais do fornecedor Auto Japan Veículos e Peças; (vi) escritura lavrada em 15/09/98, referente a 45% do imóvel Loja Rua Espírito Santo, 237 e escritura lavrada em 07/05/99, referente a 55% do mesmo imóvel; (vii) escritura lavrada em 31/08/06, referente à permuta de imóveis e o restante representado por uma nota promissória no valor de R$ 1.100.000,00, uma vez que somente foi liquidada em 2007; j) informou que não houve ganhou de capital em 2006; k) comprovou o custo de aquisição dos imóveis alienados em 2006, apresentado os valores constantes na tabela abaixo transcrita: Item DIRPF Valor Documento comprobatório Item 1 R$ 140.000,00 Escritura 2º ofício de BH. Matrícula 57119 Item 8 R$ 80.010,00 Escritura 4º serviço notarial de juiz de fora Item 19 R$ 250.000,00 Escritura registo nº 26551, sendo R$ 53.800,00 referente a 55%, e R$ 196.200,00 referente a 45% do imóvel. l) informou que não foi encontrado o livro caixa da atividade rural, em virtude de ter optado pela tributação por arbitramento, ou seja, resultado tributável a 20% da receita bruta total, conforme prevê a legislação; m) informou não ser o caso de apresentação de certidão de casamento e averbações. Em 29/01/10, contribuinte foi intimado a apresentar: a) documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, capaz de comprovar o efetivo recebimento dos valores, pagos pela Medquímica Indústria Farmacêutica Ltda a título de honorários, mediante apresentação de documentação bancária coincidente em valor, representadas por cópias de cheques microfilmada pelo Banco, frente e verso, nominal ao recorrente, devidamente compensados em conta bancária da pagadora, ou por comprovante de depósito em conta bancária, de transferência eletrônica disponível (TED) ou ordem de crédito (DOC), no qual esteja perfeitamente indicado o depositante/remetente do recurso e o favorecido; b) documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, capaz de comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes à atividade rural, conforme notas fiscais avulsas de produtor apresentadas à fiscalização, mediante apresentação de documentação bancária coincidente em valor, representadas por cópias de cheques microfilmadas pelo Banco, frente e verso nominal ao recorrente, ou por comprovante de depósito em conta bancária, de transferência eletrônica disponível (TED) ou ordem de crédito (DOC), no qual esteja perfeitamente identificado o depositante/remetente do recurso e o favorecido; c) informação dos saldos, no início de cada mês do anocalendário 2006, existentes em contas correntes mantidas junto ao Banco ABN Amro Real S/A, bem como junto ao Banco Safra S/A; d) extratos bancários das contas correntes, de poupança e demais investimento mantidos junto ao Banco ABN Amro Real S/A, bem como junto ao Banco Safra S/A; e) informação quanto à data da concessão do empréstimo efetuado a Walmir Dias Rodrigues; f) documentação hábil e idônea, coincidente em datas e Fl. 738DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 valores, capaz de comprovar o efetivo pagamento do valor de R$ 1.100.000,00 a EGR Participação Ltda., mediante apresentação de documentação bancária coincidente em valor, representadas por cópias de cheques microfilmados pelo Banco, frente e verso, devidamente compensados na conta bancária do recorrente, ou por comprovante de depósito em conta bancária, de transferência eletrônica disponível (TED) ou ordem de crédito (DOC), no qual esteja perfeitamente identificado o depositante/remetente do recurso e o favorecido; g) cópia da DARF referente à Notificação nº 2007/606435049282027 emitida em 16/06/08, referente à tributação de rendimentos omitidos na DIRPF exercício 2007; h) comprovante mensal de resgate da previdência privada ocorrido junto a BrasilPrev Seguros e Previdência S/A; i) comprovantes mensais dos rendimentos recebidos do Banco Itaú a título de aluguéis e royalties; j) cópias dos documentos referentes às despesas de custeio e investimento resultantes da atividade rural (fls. 7477). O recorrente, em resposta, solicitou a prorrogação do prazo a fim de apresentar a documentação requerida, ainda, apresentou documentos para comprovar o efetivo recebimento dos valores, pagos pela Medquímica Indústria Farmacêutica Ltda, e documentação referente ao efetivo pagamento do valor de R$ 1.100.000,00 a EGR Participação Ltda. (fls. 78 110). A fiscalização reintimou o recorrente a apresentar os documentos que ele ainda não havia apresentado (fls. 111113). Novamente, o contribuinte requereu a dilação do prazo, e, na oportunidade, apresentou os extratos bancários do Banco Real (fls. 115131). Em 26/03/10, o recorrente foi intimado a apresentar os documentos já solicitados e até aquele momento não acostados aos autos (fls. 132134). Em resposta, o recorrente apresentou os extratos do Banco Safra referentes ao exercício 2006 (fl. 136). Posteriormente, o contribuinte foi intimado a: a) comprovar através de documentação hábil e idônea a origem de cada um dos créditos ocorridos no ano de 2006 na conta corrente nº 61.0003, mantida junto à agência 33685 do Banco do Brasil, na conta corrente nº 1.0077779, mantida junto à agência 0901 do Banco Real, de nº 5002 mantida junto a SICOOB e de nº 1217134 mantida junto a agência 626 do Unibanco, créditos estes constantes em planilha anexa ao termo de intimação; b) correlacionar os créditos bancários com as respectivas notas fiscais de produtor, discriminando os valores de cada nota fiscal, caso um crédito fosse oriundo de várias notas fiscais; c) apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, capaz de comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes à receita da atividade rural, conforme notas fiscais avulsas de produtos rural apresentadas à fiscalização, mediante apresentação de documentação bancária coincidente em valor, representadas por cópias de cheques microfilmadas pelo Banco, frente e verso, nominal ao recorrente, devidamente compensados em conta bancária dos pagadores, ou por comprovante de deposito em conta bancária, de transferência eletrônica disponível (TED) ou ordem de crédito (DOC), no qual esteja perfeitamente identificado o depositante/remetente do recurso e o favorecido; d) informar os saldos, no início e final de cada mês do anocalendário de 2006, existentes em contas correntes mantidas junto ao Banco Safra S/A; e) apresentar extratos bancários das contas correntes, de poupança e demais investimentos mantidas junto ao Banco Safra S/A (fls. 137148). Em 18/05/10, o recorrente foi intimado a: a) apresentar os originais das notas fiscais de produtor rural referentes ao anocalendário de 2006; e b) comprovar através de documentação hábil e idônea a origem de cada um dos créditos ocorridos no ano de 2006 na conta corrente nº 021.1411 mantida junto à ag. 2300 do Banco Safra (fls. 150152). Fl. 739DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 737 7 O contribuinte, em 02/06/10, apresentou os comprovantes dos depósitos e requereu a dilação do prazo (fls. 154163). Ainda, o recorrente foi intimado a apresentar os seguintes documentos, esclarecimentos e informações: a) cópia do depósito em cheque no valor de R$ 239.000,00 efetuado na conta corrente nº 61.0003 junto ao Banco do Brasil, ag. 33685 no dia 31/08/06, no qual seja possível identificar o nº do cheque, nº da conta, banco e agência debitada; b) cópia do depósito em cheque no valor de R$ 11.413,52 efetuado na conta corrente nº 61.0003 junto ao Banco do Brasil, ag. 33685 no dia 15/05/06, no qual seja possível identificar o nº do cheque, nº da conta, banco e agência debitada; c) cópia das TED’s nos valores de R$ 20.000,00, R$ 8.000,00 e R$ 10.000,00, creditadas em 15/02/06, 24/05/06 e 20/10/06, respectivamente, junto ao Banco Real, ag. 0901, nas quais seja possível identificar o remetente dos recursos; d) cópia da TRF CC PARA CC no valor de R$ 3.500,00 creditada em 20/02/06 junto ao Banco Real, ag. 901, na qual seja possível identificar o remetente dos recursos; e) cópia dos depósitos em cheque nos valor de R$ 10.000,00 e R$ 6.500,00 efetuados junto ao Real, ag. 0901 nos dias 23/10/06 e 25/10/06, respectivamente, nos quais seja possível identificar o nº do cheque, nº da conta, banco e agência debitada; f) cópias das TED’s nos valores de R$ 12.000,00, R$ 10.000,00, R$ 5.000,00, R$ 6.000,00, R$ 10.000,00, R$ 7.000,00 R$ 21.500,00, R$ 12.540,00, R$ 15.178,50, R$ 22.262,65 e R$ 21.339,53 creditadas em 12/04/06, 19/04/06, 04/05/06, 05/05/06, 10/05/06, 10/05/06, 19/06/06, 31/08/06, 04/09/06, 18/09/06 e 23/10/06, respectivamente, juto a SICOOB, Coop. 3103.8, nas quais seja possível identificar o remetente dos recursos; g) cópias dos depósitos em cheques nos valores de R$ 27.193,50, R$ 27.000,00 e R$ 28.642,39 liberados junto a SICOOB, Coop 3103.8 nos dias 25/07/06, 16/10/06, respectivamente, conforme alegação, no qual seja possível identificar o nº do cheque, nº da conta, banco e agência debitada; h) comprovar através de documentação hábil e idônea a origem de cada um dos créditos ocorrido no ano de 2006 na conta corrente nº 61.0003 mantida junto à ag. 33685 do Banco do Brasil, na conta corrente de nº 1.0077779 mantida junto à ag. 0901 do Banco Real, de nº 5002 mantida junto a SICOOB e de nº 121713 4 mantida junto a ag. 626 do Unibanco; i) correlacionar os créditos bancários com as respectivas notas fiscais de produtor, discriminando os valores de cada nota fiscal, caso um crédito seja oriundo de várias notas fiscais; j) apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, capaz de comprovar o efetivo recebimento dos valores referentes à receita de atividade rural, conforme notas fiscais avulsas de produtor rural apresentadas à fiscalização, mediante apresentação de documentação bancária coincidente em valor, representadas por cópias de cheques microfilmadas pelo Banco, frente e verso, nominal ao recorrente, devidamente compensados em conta bancária dos pagadores, ou por comprovante de depósito em conta bancária, de transferência eletrônica disponível (TED) ou ordem de crédito (DOC), no qual esteja perfeitamente identificado o depositante/remetente do recurso e o favorecido (fls. 164167). O recorrente foi reintimado a apresentar tais documentos em 20/08/10, em 11/10/10, em 30/11/10 e em 05/01/11 (fls. 176179). Em resposta, o recorrente apresentou em 29/06/10, os TED’s nos valores de R$ 12.540,00, R$ 15.178,50, R$ 22.262,65 e R$ 21.339,53 (fl. 171175). O recorrente manifestouse apresentando alguns dos documentos solicitados e alegando que outros não se encontravam em seu poder (fls. 196200). Foi lavrado termo de intimação ao Cartório do 4º Ofício de Notas de Juiz de Fora para que o mesmo informasse as operações registradas em nome do recorrente (fl. 201). O Fl. 740DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 Cartório encaminhou os instrumentos de procuração e escrituras registrados em nome do recorrente (fls. 202209). 2 Termo de Verificação Fiscal Em 09/02/11, Termo de Verificação Fiscal (fls. 0925), no qual se concluiu pela ocorrência de omissão de rendimento caracterizada por valores creditados na conta corrente nº 61.0003 mantida junto à ag. 33685 do Banco do Brasil, na conta corrente nº 1.00077779 mantida junto à ag. 0901 do Banco Real, na conta corrente nº 5002 mantida junto a SICOOB, na conta corrente nº 021141.1 mantida junto à ag. 02300 do Banco Safra e na conta corrente nº 1217134 mantida junto à ag. 626 do Unibanco. 3 Notificação do Lançamento Em 09/02/11, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 0208), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Considerando o período apurado, estabeleceuse a quantia R$ 3.987.993,68 a título de valor tributável. A esse valor, foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.993,71, restando como imposto devido o valor de R$ 1.257.217,77. Ademais, foi subtraída a quantia de R$ 160.519,51, em decorrência de imposto pago, culminando como imposto apurado o montante de R$ 1.096.698,26. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 3.167.922,59, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 150% e juros moratórios. 4 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 230 235) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) foi informado na declaração do ano de 2006, que o valor das receitas da atividade rural foi de R$ 2.745.710,00, no entanto, o valor total da receita rural foi de R$ 3.095.030,00, ficando uma diferença de R$ 349.320,00, que devido ao extravio de alguns documentos, ficou para ser informado em momento posterior, através de retificação da declaração; b) a receita da atividade rural de R$ 3.095.030,00, descontados as despesas de custeio de R$ 323.417,19 constante da declaração, restaram ainda no valor de R$ 2.771.612,81, o que justifica os empréstimos de R$ 2.702.084,06. Inclusive, a fiscalização conforma que fora apresentado cópias das Notas Fiscais Avulsa de Produtor Rural no montante de R$ 3.095.030,00, portanto, está claro que a receita apresentada ao fisco, condiz com os empréstimos e despesas de custeios ocorridas no período; c) a fiscalização alega que os créditos ocorridos nas contas bancárias de titularidade do recorrente não coincidem com os valores consignados nas notas fiscais de produtor rural. Os créditos não coincidem, porque, muitas das vezes, não eram feitos em sua totalidade e nem em uma mesma data, como também nem na mesma conta, vários depósitos foram Fl. 741DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 738 9 feitos diretamente pelos compradores, isso não descaracteriza o fato gerador, qual seja receita da atividade rural: (i) os créditos no valor de R$12.540,00 em 31/08/06 e R$ 15.178,50 de 04/09/06 no total de R$ 27.718,50, referese ao pagamento antecipado da Nota Fiscal Avulsa de Produtor nº 609262 no valor de R$ 27.540 mais acréscimo de R$ 190,50, menos despesa de R$ 12,00, no total de R$ 27.718,50; (ii) o crédito de R$ 22.262,65 efetuado em 18/09/06 no Banco SICOOB, conta nº 5002, referese à nota fiscal avulsa do produtor rural nº 606828, emitida em 29/08/06, ou seja, foi entregue a mercadoria e o recebimento foi depois de 20 dias; (iii) o crédito de R$ 21.339,53, efetuado em 23/10/06, no Banco SICOOB, conta nº 5002, referese ao fechamento da compra em 17/10/06, porém o depósito fora efetuado seis dias após; d) os depósitos são em datas diferentes das notas fiscais avulsa de produtor, de acordo com a negociação feita com o comprador ou intermediário, o que significa dizer que ocorrem vendas com pagamento antes da retirada do produto, portanto com pagamento antecipado, a vista que ocorre no ato da retirada da mercadoria, a prazo podendo ser feito em um ou mais pagamentos, e isso não descaracteriza a sua origem que é receita da atividade rural; e) a fiscalização alega que a empresa Agro Minas Comercio E Exportação De Café Ltda. encontrase inapta desde 27/01/05, porém, conforme comprovante de inscrição e da Situação CadastralCNPJ, ela tornouse inapta a partir de 24/12/09 e na Secretaria Estadual da Fazenda em Minas Gerais, consta como não habilitada a partir de 04/09/09, portanto na época da transação comercial, ou seja, em 2006, ela encontravase totalmente ativa, o que não caracteriza fraude a emissão das notas fiscais de produtor rural; f) com relação aos diversos procedimentos fiscais realizados na empresa Agro Minas Comercio E Exportação De Café Ltda., o recorrente alega não ter responsabilidade sobre os referidos fatos, uma vez que a transição foi feita de boafé, mesmo porque, as notas fiscais de produtor rural são emitidas diretamente pela Secretaria da Fazenda Estadual de Minas Gerais, inclusive com a fixação de sele conforme NF 609262; g) toda essa receita teve movimentação financeira pelos Bancos citados no Anexo I do TVF, inclusive com a cobrança de CPMF, pois seria impossível movimentar tal importância e pagamentos diversos sem transitar pelos Bancos; h) a empresa Comércio de Café Arábica Ltda. foi considerada pela fiscalização como inapta, porém junto à Secretaria Estadual da Fazenda de Minas Gerais sua inscrição foi baixada em 06/06/08, portanto, em 2006, a empresa existia de fato com atividade normal, portanto a transação foi legítima; i) a empresa J. Braga Comércio de Café Ltda. consta como ativa desde 31/10/03, contudo, na época da transação a empresa estava ativa, e junto à Secretaria Estadual da Fazenda de Minas Gerais consta como não Fl. 742DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 habilitada a partir de 01/01/09, porém em 2006 a empresa existia de fato com atividade normal, portanto a transação foi legítima e se a empresa mudouse sem comunicar a fazenda, o contribuinte não pode ser responsabilizado; j) a empresa Cafeeira São Sebastião Ltda. está ativa desde 03/11/05, contudo na época da transação a mesma continuava ativa, e junto a Secretaria Estadual da Fazenda de Minas Gerais, e ainda continua ativa, portanto, se a empresa mudouse sem comunicar a fazenda, o contribuinte não pode ser responsabilizado; k) não houve declaração falsa ou omissão, com o intuito de sonegar tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, por parte do contribuinte que justifique a aplicação de multa ao patamar de 150%; l) está descaracterizado o crime contra a ordem tributária nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.37/90, tendo em vista estar devidamente comprovado que não houve fraude, omissão e utilização de documentos falsos; m) não assiste o direito da fazenda manter o referido Auto de Infração, uma vez que toda a receita da atividade rural já foi tributada na declaração, exceto se considerar a divergência entre o valor informado de R$ 2.745.710,00 e o valor levantado de R$ 3.095.030,00, no total de R$ 349.320, que considerando a opção pelo arbitramento de 20% sobre a receita bruta, cuja base de cálculo seria de R$ 69.864,00; n) a fiscalização equivocouse quando deixou de considerar como receita da atividade rural para efeito de cálculo do imposto, com base em 20% da receita bruta, que é direito do produtor rural, conforme art. 5º da Lei nº 8.023/90; Anexos à impugnação, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) cópia do Anexo V do TVF; b) notas fiscais avulsas de produtor; c) confirmação de fechamento de negócio; d) Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e Consulta Pública ao Cadastro do Estado de Minas Gerais da empresa Agro Minas Comércio e Exportação de Café Ltda.; e) solicitações feitas ao Banco do Brasil, ao Banco Safra; f) Consulta Pública ao Cadastro do Estado de Minas Gerais da empresa Comercial de Café Arabica Ltda.; g) Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e Consulta Pública ao Cadastro do Estado de Minas Gerais da empresa J. Braga Comercio de Café Ltda.; h) Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e Consulta Pública ao Cadastro do Estado de Minas Gerais da empresa cafeeira São Sebastião Ltda.; Fl. 743DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 739 11 i) cópia da DIRPF; 5 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade (fls. 695708 do eprocesso), mantido o crédito tributário. Os fundamentos foram os seguintes: a) o argumento do contribuinte no sentido de que entende justificados os empréstimos realizados, em nada interfere na lide, eis que o presente feito fiscal não foi lavrado com base em acréscimo patrimonial a descoberto, e sim com fulcro na omissão de rendimentos advinda de depósitos bancários de origem não comprovada; b) o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; c) a constituição do crédito tributário efetivouse segundo os pressupostos estabelecidos no art. 142 do CTN, e o tratamento tributário dispensado ao interessado seguiu os preceitos legais pertinentes à espécie; d) de acordo com o art. 44 do CTN, a tributação do imposto de renda não se dá apenas sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante; e) o que se tributa neste processo não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representadas. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, por meio dos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos, entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, negase a fazêlo ou não o faz satisfatoriamente; f) a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum, cabendo, portanto, ao contribuinte apresentar justificativas válidas para os ingressos ocorridos em suas constas bancárias, tendo em vista que a presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos, tratandose, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário; g) é função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimentos, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº Fl. 744DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 9.430/96, contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é ônus do contribuinte, conforme expressa previsão legal; h) não comprovada a origem de todos os recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados, sem comprovação de origem, como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do diploma legal; i) a Súmula CARF nº 26 estabelece que “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”; j) é defeso, às DRJ’S, deixar de aplicar a lei plenamente em vigor. Não lhes compete, todavia, apreciar a conformidade da lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição ou de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, matéria reservada, por foça de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário; k) o contribuinte detalhou especificamente três notas fiscais avulsas de produtor rural, em que entende comprovada a origem do crédito em conta corrente. Foram então dois depósitos no valor de R$ 27.718,50 para quitar uma nota fiscal no valor de R$ 27.540,00, depósitos esses feitos em data anterior à nota fiscal. O contribuinte informa o motivo do acréscimo de R$ 190,50, como diferença de peso, mas não há documentação nos autos que sustente essa alegação, tampouco traz em sua impugnação declaração do destinatário da nota fiscal confirmando a operação de maneira como assegurado pelo recorrente. Portanto, improcedente a alegação no sentido de afirmar que o depósitos bancário em referência tem como procedência sua atividade rural; l) foi feito depósito no valor de R$ 22.626,65 para quitar uma nota fiscal no valor de R$ 23.800,00. O depósito foi feito em data posterior à nota fiscal, além disso, o autuado não trouxe em sua impugnação declaração do destinatário da nota fiscal confirmando a operação de maneira como assegurou o recorrente. Logo, improcedente a alegação no sentido de afirmar que o depósito bancário em referência tem como procedência sua atividade rural; m) teria sido feito depósito no valor de R$ 21.339,53 para fechar compra no valor de R$ 21.351,53. O depósito foi feito em data anterior à nota fiscal. No caso, o documento que baseia a alegação do contribuinte, não é uma nota fiscal, mas um documento intitulado “Confirmação do fechamento do negócio”, que sequer contém assinatura. O autuado também não traz em sua impugnação declaração do destinatário da nota fiscal confirmando a operação de maneira como assegurou. Portanto, improcedente a alegação no sentido de afirmar que o depósito bancário em referência tem como procedência a sua atividade rural; Fl. 745DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 740 13 n) não consta dos autos que o contribuinte tenha apresentado Livro Caixa acompanhado de documentação que teria dado suporte à escrituração, ou que tenha identificado a entrada dos valores pertinentes às receitas da atividade rural em suas contascorrentes, de modo que não há como se admitir que todos os créditos havidos nas contas correntes mantidas por ele em instituição bancária tenham como origem o recebimento de receitas da atividade rural, dada a total ausência da comprovação de tal origem ou natureza; o) não interessa realmente a situação cadastral das empresas que em tese teriam transacionado com o contribuinte; p) a aplicação de selo pela Fazenda Estadual de Minas Gerais, bem como a emissão de nota fiscal avulsa de produtor rural não chancelam a operação e o conteúdo contido na respectiva nota fiscal; q) caso o contribuinte quisesse dar um mínimo de fidedignidade às suas alegações, poderia ter trazido cópias de contratos de compra e venda de mercadorias durante o ano fiscalização, declarações por escrito dos compradores dessas mercadorias e devidamente registradas em cartório, comprovantes de comissões/taxas pagas, etc., de tal sorte a se identificar os remetentes dos recursos e se esses eram realmente os destinatários das notas fiscais indicadas, constandose, por conseguinte, a coincidência de valores e datas entre os créditos bancários efetuados e as notas fiscais emitidas pelo contribuinte; r) quem deve explicar a movimentação financeira é o contribuinte, é seu o ônus da prova; s) os documentos constantes doa autos para a comprovação das alegações são apreciados pela autoridade julgadora segundo sua livre convicção. Todos os elementos para a formulação da livre convicção do julgador constam do processo; t) não há falar em matéria não litigiosa, porque o valor que o contribuinte assevera dever sobre o arbitramento de 20% de R$ 349.320,00, formando uma base de cálculo de R$ 69.864,00, não guarda qualquer relação com o presente auto de infração; u) no caso, estão presentes os elementos que caracterizam o evidente intuito de fraude, devendose manter a multa aplicada no patamar de 150%; v) a legalidade da cobrança de juro de mora em percentual equivalente à taxa Selic; 6 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 31/10/11, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 714725 do eprocesso) em 29/11/11, repisando alguns argumentos de sua impugnação, e apresentado os seguintes: Fl. 746DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 a) verificada a existência de depósitos sem origem comprovada, se desfaz a presunção de omissão de receitas considerando justificada a origem dos recursos, ou ainda, demonstrada a incompatibilidade do nexo adotado pela fiscalização para vincular o fato índice ao fato presumido; b) a presunção criada pelo legislador no art. 42 da Lei nº 9.430/96, serve unicamente para mitigar o dever de prova do fisco quanto à ocorrência da omissão de rendimentos, mas não chega ao ponto de certificar a ocorrência do fato gerador do IRPF; c) o recorrente foi intimado a prestar justificativa para depósitos/creditamentos realizados em contas correntes de sua titularidade no período de janeiro a dezembro de 2006, certamente, todas as origens dos recursos foram amplamente comprovados através da apresentação de toda a movimentação financeira advindas da venda de café devidamente justificadas, conforme TVF e demais documentos e planilhas tempestivamente apresentados; d) considerando a utilização pela autoridade fiscal de presunções legais relativas que sempre devem ser combatidas pela apresentação de contraprova a cargo do contribuinte, fatos que certamente foram realizados pelo contribuinte, demonstrando que a presunção nunca existiu, considerando a razoabilidade da própria presunção, pois no direito tributário ao se arguir presunção é preciso ir mais além, ratificando a materialidade e a verdade dos fato, ou seja, a determinação clara e precisa falta de comprovação das origens dos recursos; e) as circunstâncias apuradas no auto de infração demonstram que os depósitos existentes nas contas correntes do recorrente referiamse, em verdade, à movimentação decorrente das atividades rurais amplamente comprovadas pelo fisco, e não se sabe por que não foram aceitas; f) os recursos são advindos de transações comerciais rurais e, certamente, não se amoldam a incidência dos tributos lançados no auto de infração, não podendo servir de pretexto à tributação de valores cuja natureza não dá azo a incidência tributária; g) o acórdão recorrido informa ensinamentos do Prof. José Luiz Bulhões Pedreira, todavia a doutrina citada ratifica o direito do recorrente, pois toda a origem dos recursos depositados em conta corrente bancária, foi amplamente comprovada, através de documentação hábil e idônea; h) a vinculação da multa qualificada está restrita aos casos de evidente intuito de fraude, definidos no arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. No caso, não houve qualquer intuito de fraudar, pois toda a movimentação bancária consequente dos depósitos em conta corrente do recorrente são de origem lícita: vendas de café, atividade preponderante e geradora dos rendimentos do contribuinte, e que foram tributadas; i) deve ser aplicada a Súmula CARF nº 14; j) o saldo a paga consequente do trabalho fiscal foi apurado considerando os rendimentos declarados mais rendimentos apurados consequentes dos Fl. 747DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 741 15 depósitos sem a possível identificação das origens. Contudo, em todo o trabalho fiscal (ratificado pelo acórdão recorrido) restou demonstrado que nada interessaria a origem dos rendimentos consequentes das atividades rurais do contribuinte, ou seja, tal atividade sob a óptica fiscal nunca existiu. Portanto, se não foi aceita a origem dos rendimentos rurais pela falta de idoneidade dos documentos fiscais, é equivocada a inclusão como rendimento do valor de R$ 549.142,00, resultado da aplicação de 20% sobre os rendimentos totais da atividade rural, informado na DIRPF/2006; k) se os rendimentos rurais não foram aceitos como legais, também não poderiam ser tributados, ou seja o valor tributável de 20% sobre o total dos rendimentos rurais foi adicionado aos rendimentos considerados não declarados pela fiscalização (depósitos sem origem), pois os rendimentos rurais foram expurgados da declaração do recorrente, fato que geriu bis in idem; É o relatório. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 Da Omissão de Rendimentos O recorrente sustenta, quanto à omissão de rendimentos constatada com base em depósitos bancários sem origem comprovada, que os depósitos bancários, por si só, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Nesta senda, o Tribunal Federal de Recursos sumulou entendimento com esta exata interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 90, VII, do DecretoLei n° 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Entretanto, com o advento do art. 6°, § 5°, da Lei n° 8.021/90, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não obstante, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Este cenário foi profundamente alterado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, com incidência sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 742 17 Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualizadamente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Ocorre que a análise da planilha anexa ao relatório fiscal (fls.163166 do e processo) revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada no campo “histórico do extrato”: Data Doc Histórico Valor 26/01/06 0318342 Trasf. 0626/8200695 Jorge Lages de Oliveira 1.123,00 01/03/06 8921174 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 41.990,00 01/03/06 2908557 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 43.500,00 01/03/06 7263386 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 40.670,00 01/03/06 8128237 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 42.750,00 01/03/06 0866183 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 45.800,00 01/03/06 3657136 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 9.680,00 16/03/06 7854383 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 15.000,00 19/04/06 4055562 Ted Rebecida Brasil Cemig Distribuição 6.885,93 06/07/06 0586758 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 10.000,00 01/09/06 4063970 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 10.000,00 20/10/06 5229757 Ted Recebida Brasil M Ind. Farmaceutica 10.000,00 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Assim, relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válidas, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. O recorrente alega que todas as origens dos recursos foram amplamente comprovados através da apresentação de movimentação advinda das vendas de café. Compulsando os autos, vêse que o recorrente apresentou duas notas fiscais de produtor (fls. 240 e 246), nos valores de R$ 23.300,00 e R$ 51.000,00, bem como documento intitulado “Confirmação de Fechamento de Negócio” no valor de R$ 21.351,53, não tendo apresentado livro caixa de atividade rural, ou informado quais depósitos esses valores referiamse. Conforme mencionado anteriormente, é necessário comprovar individualizadamente a origem desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Considerando que o recorrente não comprovou de forma individualizada a origem dos depósitos feitos em sua conta corrente, e que não há congruência entre os valores indicados nos extratos bancários e aqueles contidos nas notais fiscais e na “Confirmação de Fechamento de Negócio”, e pelo fato do contribuinte não apresentar prova que corrobore suas alegações no sentido de que foram feitos depósitos nos valores de R$ 22.626,65 e R$ 21.339,53 para quitar, respectivamente, as notas fiscais nos valores de R$ 23.800,00 e R$ 21.351,53, não merece prosperar a alegação de que a origem dos depósitos restou comprovada através da documentação referente à venda de café. A prova de que nem tudo é atividade rural, está na natureza dos depositantes cujos valores foram excluídos (indústrias farmacêuticas). Sendo assim, entendo que o total de R$ 277.398,93 deve ser excluído da base de cálculo do imposto de renda. 2 Da Multa Aplicada Fl. 751DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.002486/201188 Acórdão n.º 2202002.592 S2C2T2 Fl. 743 19 Merece provimento a irresignação do recorrente nesse ponto. O recorrente sustenta que não houve declaração falsa ou omissão, com o intuito de sonegar tributo, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, por parte do contribuinte que justifique a aplicação de multa ao patamar de 150%. Ingressando na análise da multa de 150% aplicada, prevista no §1º da do art. 44 da Lei 9.430/96, entendo que a materialidade exigida para o agravamento da sanção punitiva exige conduta dolosa, e não apenas culposa, conforme preceituam os arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. No caso em tela, não identifico qualquer circunstância concreta que comprove o dolo do contribuinte, ao contrário do seu contador. Nesse ponto é bom esclarecer que, ao contrário das obrigações tributárias, as multas aplicadas não autorizam aplicação de presunções relativas, exigindo comprovação incontroversa da intenção do agente. Assim, conforme já ressaltado na análise da decadência, o entendimento já sumulado por esse Colendo Tribunal (súmula 14 do CARF) é do que a omissão de receitas, por si só, não é indicativo de fraude para justificar a aplicação da multa qualificada. Assim, merece ser aplicada a multa de 75% prevista no inciso I, do art. 44, em sua atual redação dada pela Lei nº 11.488/07. Assim, tendo em vista os motivos acima expostos, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para: a) excluir da base de cálculo o total de R$ 277.398,93; b) reduzir a multa aplicada para 75%. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 752DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 15922.000038/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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GFIP Recorrente INDUSTRIA BIC DE APARELHOS MEDICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 22 .0 00 03 8/ 20 08 -1 3 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15922.000038/200813 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.423 S2C3T1 Fl. 241 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento. O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.889.5669, lavrado em 13/03/2006, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa e de contribuintes individuais, adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), contribuições de terceiros e acréscimos legais, incidentes sobre diferenças de remunerações apuradas por batimento entre GFIP e outros documentos, no período de 01/200 a 06/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 695.198,29, fls. 35. Após tomar ciência pessoal da autuação em 13/03/2006, fls.35, a recorrente apresentou impugnação, fls. 124/131, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 228/234, a DRP/Jundiaí concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 04/06/2007, fls. 3. O recurso voluntário, apresentado em 17/06/2007, fls. 4/14, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia apontando que a fiscalização não considerou a compensação autorizada na ação 1999.61.05.01054595 relativa a contribuições sobre a remuneração de autônomos, nem mesmo a compensação autorizada na ação 1999.61.05.0140860 relativa ao SAT. Segue insurgindose contra os juros moratórios, a multa de mora e os acréscimos legais. É a síntese do necessário. Observamos que o Relatório Fiscal nada fala sobre as compensações suscitadas pela recorrente, ao passo que a decisão de primeira instância faz considerações sobre desrespeito aos limites legais. Porém,o silêncio do Relatório e a constatação de que o lançamento não foi feito por glosa de compensação põem em dúvida o fato, adotado na decisão a quo, de que a compensação foi considerada pela autoridade fiscal. Assim, remanescem dúvidas sobre se foram, ou em que medidas foram, consideradas pela autoridade fiscal as compensações apontadas pela recorrente. Pelo exposto, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15922.000038/200813 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.423 S2C3T1 Fl. 242 3 1. A autoridade fiscal esclareça se foram, ou em que medida foram, consideradas no lançamento as compensações suscitadas pela recorrente. Caso não tenham sido consideradas as compensações, as justificativas para tanto devem ser apontadas. Por fim, solicitamos seja atestado o efetivo pagamento das guias apresentadas para amparar as compensações 2. Após a providência acima, seja a recorrente intimada a apresentar manifestação no prazo de trinta dias; 3. Retorne os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13805.003523/97-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1994
INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO.
A verificação da regularidade fiscal deve se ater ao momento da opção pelo incentivo.
Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1101-000.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Redatora.
EDITADO EM: 11/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma)
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Redatora. EDITADO EM: 11/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma)
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1994 INCENTIVO FISCAL. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO. A verificação da regularidade fiscal deve se ater ao momento da opção pelo incentivo. Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA – Redatora. EDITADO EM: 11/03/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 35 23 /9 7- 63 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma) Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Metro Sistemas de Informática Ltda., atual denominação da Sociedade Brasileira de Planejamento e Serviços Ltda., em face do Acórdão exarado pela DRJ em São Paulo que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. A contribuinte, ao apresentar sua DIPJ/95, optou por aplicar parte do IRPJ em investimentos regionais, Fundo de Investimento da Amazônia – FINAM. Ocorre que, em 22/04/1997, a interessada apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo à DIPJ/1995, anocalendário 1994 (proc. fl. 01). A Administração Fazendária se manifestou por meio do Despacho Decisório acostado à fl. 178, indeferindo o pedido formulado. Argumentou que existiam débitos em cobrança na PGFN (proc. fls. 125 a 127), o que inviabilizaria a concessão do benefício fiscal pretendido com fundamento no art. 60 da Lei nº 9.069/95. Irresignada, em 24/11/2008, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (proc. fls. 182 a 187). A Postulante insurgiuse contra o procedimento adotado pela Administração Fazendária no que diz respeito ao momento de averiguação de sua regularidade fiscal. Entendeu que, diferentemente do que fez o Fisco, a data que deve ser considerada é a da apresentação da DIPJ, momento no qual se dá a opção pelo incentivo, e não a data em que se analisa o PERC. Asseverou que “se o contribuinte realiza sua opção com relação exclusivamente a um determinado período de apuração, é com relação a este período que deve ser comprovada sua regularidade, especificamente na data da manifestação da sua adesão”. E concluiu: “exigir regularidade em relação a exercício em face do qual não haverá usufruto de benefício é impor ao contribuinte uma obrigação desvinculada ao benefício fiscal que pode vir a ser concedido”. A interessada afirmou que os débitos inscritos em dívida ativa não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, pois a Recorrente está em situação fiscal regular, e só não apresentou a Certidão Negativa em virtude de erro da própria Receita Federal, que inscreveu indevidamente em dívida ativa débitos com exigibilidade suspensa e até o momento não analisou os pedidos de revisão dos débitos indevidamente inscritos. A DRJ em São Paulo exarou Acórdão em 30/07/2009 que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte (proc. fls. 235 a 245). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 5 4 A Turma, com fundamento no art. 60 da Lei nº 9.069/95 c/c ar. 6º da Lei nº 10.522/02, afirmou que a legislação que trata dos incentivos fiscais não especificou o momento em que se deve fazer a verificação da situação fiscal do contribuinte, in verbis: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” Desta feita, o Colegiado entendeu que a análise da regularidade fiscal deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que lhe confere ou reconhece o benefício, pois a decisão deve espelhar e estar em harmonia com a regularidade fiscal no momento em que é proferida. De outra forma, a autoridade reconheceria e concederia um benefício fiscal num momento em que o beneficiário está em dívida com o ente concedente, o que geraria uma situação no mínimo estranha. A DRJ mencionou que a regularidade fiscal da contribuinte sempre apresentou problema, o que justificou inclusive a apresentação do PERC quando do processamento da declaração do IRPJ. Além disso, à fl. 176 consta documento que indica que a interessada não possuía certidão válida negativa ou positiva com efeitos de negativa junto à PGFN. Concluiu que a não comprovação da quitação ou da suspensão da exigibilidade desses débitos é suficiente para a negativa do pedido da Contribuinte. Ademais, ressaltou que falece competência legal à Secretaria da Receita Federal do Brasil para se manifestar sobre débitos já inscritos na Dívida ativa da união. Relativamente aos Pedidos de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, o órgão julgador a quo asseverou que não são causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de acordo com as regras regentes do processo administrativo fiscal, visto que não são considerados recursos administrativos nos termos do art. 151, III do CTN. Tais reclamações correspondem apenas a uma provocação de revisão de ofício pela Administração. O Colegiado narrou ainda que a concessão de benefício fiscal importa na verificação da situação fiscal dos contribuintes, já que, justamente por ser um benefício fiscal, não poderia ser concedido àqueles que estivessem irregulares perante aquele que o concede. Relatou que “a concessão do benefício espelha a regularidade fiscal do contribuinte no momento da concessão”. Quando se concede um benefício fiscal devese ter sempre em mente o Princípio da Indisponibilidade da coisa pública, não se permitindo interpretações extensivas ou que ampliem aquilo que está contido nas normas legais regentes do tema. O Recurso Voluntário foi interposto em 23/09/2009 (proc. fls. 247 a 259). A Recorrente mais uma vez alegou que ante a ausência de dispositivo legal que determine o momento em que a regularidade fiscal deve ser verificada, esta deve ser entendida como a data Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 6 5 da opção pelo incentivo fiscal, ou seja, a data da entrega da Declaração de Rendimentos, em respeito ao Princípio da Segurança Jurídica. Argumentou que ao se eleger um período qualquer para verificar a regularidade fiscal da Recorrente, sem determinar qual o fundamento lógico para tanto, a Administração Fazendária infringiu os Princípios da legalidade, motivação, razoabilidade e proporcionalidade. A Postulante asseverou ainda que, afastar o Princípio da Segurança Jurídica implicaria em uma atuação discricionária e aleatória da Administração Pública, o que poderia inclusive desencadear na utilização do procedimento em análise como “meio de sanção política, de forma a coagir o contribuinte ao pagamento de valores indicados pela Receita Federal como se devidos fossem”. Por fim, alegou que os débitos, apontados pelo Fisco como impeditivos da liberação do benefício fiscal, encontramse com suas exigibilidades suspensas por força de garantia prestada nos respectivos autos de execução fiscal. Ademais, a Recorrente afirmou que não existem pendências fiscais anteriores a junho de 1995, data da entrega de sua DIPJ/1995. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira Nara Cristina Takeda Taga – Relatora. O Recurso atende aos requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão em tela limitase ao momento de averiguação da regularidade fiscal do contribuinte nos casos de opção pela destinação de parte de seu IRPJ ao FINAM. Segundo o ordenamento jurídico pátrio, as pessoas jurídicas que destinarem parte do IRPJ aos Fundos de Investimentos Regionais, dentre eles o FINAM, Fundo de Investimentos da Amazônia, gozarão de incentivos fiscais. O FINAM, criado pelo governo federal por meio do DecretoLei nº 1.376/74, visa incentivar o desenvolvimento econômico da região norte do Brasil, tendo em vista a escassez de oferta de recursos de capitais. Uma das condicionantes para o contribuinte optante pelo benefício fiscal é a comprovação de sua regularidade fiscal. E no que toca ao momento de análise de tal regularidade, a questão já se encontra pacificada por este Conselho por meio do enunciado da súmula CARF nº 37, confirase: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Destarte, tendo em vista que nenhum débito para com a Fazenda Nacional foi verificado atinente ao período anterior à apresentação da DIPJ/95, momento em que o contribuinte optou pelo incentivo, mostrase indevido o indeferimento do PERC. Ademais, o extrato constante dos autos não traz qualquer informação de débitos. Ante o exposto, dou provimento ao recurso interposto. (documento assinado digitalmente) Nara Cristina Takeda Taga – Relatora. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13805.003523/9763 Acórdão n.º 1101000.826 S1C1T1 Fl. 8 7 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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