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Numero do processo: 11962.000145/2004-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
CRÉDITO. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. ESCOLTA. CONTABILIZADO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com combustíveis, serviço de escolta obrigatória, quando os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta seus produtos acabados, que por suas características especiais necessitam de transporte próprio, são considerados como insumos.
Os gastos de fato incorridas e suportadas pela recorrente (vendedor) - despesas com frete, porém lançadas contabilmente de forma pormenorizada em despesas com combustível, escolta geram direito a créditos.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.896
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito do crédito da COFINS não-cumulativa referente aos gastos realizados com combustível e as despesas com serviço de escolta e movimentação dos produtos acabados (ambas associadas às atividades de transporte e comercialização). Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Antonio Carlos Atulim.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Yuri Ventura Salgado, OAB/MG nº 118.875.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS. ESCOLTA. CONTABILIZADO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 2. 00 01 45 /2 00 4- 91 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Os gastos com combustíveis, serviço de escolta obrigatória, quando os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta seus produtos acabados, que por suas características especiais necessitam de transporte próprio, são considerados como insumos. Os gastos de fato incorridas e suportadas pela recorrente (vendedor) despesas com frete, porém lançadas contabilmente de forma pormenorizada em despesas com combustível, escolta geram direito a créditos. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito do crédito da COFINS nãocumulativa referente aos gastos realizados com combustível e as despesas com serviço de escolta e movimentação dos produtos acabados (ambas associadas às atividades de transporte e comercialização). Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Antonio Carlos Atulim. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Yuri Ventura Salgado, OAB/MG nº 118.875. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro II RJ (fls. 240/248 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente contra Despacho Decisório que homologou parcialmente o conjunto de Declarações de Compensação (DCOMP), destinadas a compensar débitos de CSLL, com créditos decorrentes da nãocumulatividade da COFINS apurados no período de 01/02/04 a 31/03/04, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 312 3 Regime nãoCumulativo. Direito de Crédito. Aquisições de Bens Para Revenda. Comprovação. As notas fiscais de venda emitidas por pessoa jurídica não caracterizada como inapta produzem efeitos tributários em favor do adquirente interessado, não sendo suficiente para descaracterizar a aquisição de bens, vinculada ao negócio jurídico de compra e venda, a correspondente falta de pagamento, ou mesmo o pagamento efetuado a terceiro. Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando usado como insumo do processo produtivo. Não dá direito a crédito o gasto com escolta ou depreciação de veículos utilizados nas operações de venda, por não corresponderem a insumo para a produção nem a outra hipótese legal de crédito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de um conjunto Declarações de Compensação (DCOMP) destinadas a compensar débitos de CSLL, com créditos decorrentes da nãocumulatividade da Cofins apurados no período de 01/02/04 a 31/03/04. A autoridade fiscal decidiu (fls. 138) homologar parcialmente as compensações efetuadas, pois entendeu que a contribuinte possuía apenas em parte o direito creditório declarado, argumentando por meio do Parecer DRF/V1T/SEORT n° 2.944/08 (fls. 129/137), em resumo, que: 1. o contribuinte não comprovou as aquisições das pessoas jurídicas listadas à fl. 133, embora solicitado no TIF n° 02 e 03 (fls. 51/52); 2. o contribuinte busca valerse de créditos relativos às mercadorias adquiridas (carvão vegetal) de pessoas jurídicas inativas ou omissas, portanto, em situação incompatível com as vendas realizadas; 3. os pagamentos referentes a tais compras foram realizados em nome de pessoas físicas, e inexistiu recolhimento do tributo referente à transação, e; 4.foram glosados os créditos relativos às compras de carvão vegetal destas pessoas jurídicas, conforme tabela à fl. 126; 5. foram glosados os valores relativos a combustíveis do cálculo dos créditos, pois a utilização de tais despesas é admitida Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 quando o combustível é usado como insumo do processo produtivo; 6. foram glosados os valores relativos a despesa com escolta, relacionadas à comercialização dos produtos, do cálculo dos créditos, por falta de previsão legal; 7. foram glosados os valores relativos a despesa com depreciação relacionada à comercialização dos produtos, conforme demonstrativo às fls. 46. Cientificada da decisão (fl. 147), em 16/01/09, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 148/167), em 13/02/09, onde alegou, em resumo, que: 1. o carvão vegetal adquirido é insumo, pois indispensável na atividade siderúrgica da Empresa; 2. notas fiscais emitidas por várias pessoas jurídicas comprovam a aquisição de tais insumos, assim como, os comprovantes dos pagamentos e os registros nos livros fiscais e contábeis pertinentes; 3. inexiste na legislação obrigação de o comprador verificar a regularidade fiscal ou cadastral de seu fornecedor, embora o despacho decisório tenha insinuado nesse sentido; 4. ainda que o pagamento tenha sido efetuado a terceiros, irrefutável a saída financeira do recurso correspondente das contas do impugnante, fato reconhecido pela Administração; 5. não pode simplesmente o Fisco desconsiderar tais pagamentos, pois embora atípicos não viciam a relação principal; 6. há dois negócios jurídicos distintos, o primeiro é a compra de carvão vegetal, o segundo é a cessão de crédito; 7. ainda que sob uma denominação diferente, as despesas incorridas pela impugnante com combustível, depreciação de veículo e escolta, se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase autorizado pela legislação; 8. diante da alta periculosidade, o ferrogusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada, nesse sentido, a despesa é inarredável. A impugnante requer, ao final, cancelamento das glosas realizadas pela Fazenda, e conseqüentemente, sejam reconhecidos na integralidade os créditos apurados. Cientificada da referida decisão em 08/11/2011 (fl. 256), a interessada, em 06/12/2011 (fl. 257), apresentou o recurso voluntário de fls. 257/280, com as alegações a seguir resumidas: (i) que a DRF de Vitória (ES) em seu Despacho Decisório, entendeu por bem reconhecer apenas parte do direito creditório; já na DRJ do Rio de Janeiro II, foi revertido a glosa dos créditos referentes a bens fornecidos por pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas e mantidas as glosas referente a: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 313 5 a) créditos referentes a despesas realizadas com combustíveis; b) depreciação de máquinas e equipamentos, e c) serviços de escolta; (ii) quanto ao mérito, faz considerações sobre a nãocumulatividade da COFINS, cita a legislação pertinente, salientando que não se nota no texto constitucional qualquer limitação à não cumulatividade, mas apenas a afirmação de que a Lei definirá os setores de atividade em que serão incidentes a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, pretender limitar as hipóteses de creditamento na incidência não cumulativa da CONFINS implica em tributar fato outro que não a receita, ferindo um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, o da capacidade contributiva; (iii) alude considerações sobre o conceito de INSUMOS e que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 não trazem qual é a definição de "insumo", mas apenas autorizam o desconto dos créditos decorrentes da sua aquisição. Assim, ao adotar conceito equivocado de insumo, o Órgão julgador acaba por glosar erroneamente parcela legítima de crédito da ora recorrente, já que, conforme demonstrado, qualquer gasto necessário para o processo de geração de receita tributável deve ser admitido como insumo; (iv) cita várias decisões sobre a matéria proferidas no âmbito Judiciário (STJ e TRF), deste CARF, artigos e pareceres de juristas renomados. De todo o exposto, requer a revisão do Acórdão recorrido e do Despacho Decisório que glosou parte do crédito pretendido pela recorrente, concedendolhe direito integral aos créditos por ela apurados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso Como visto, em 08/11/2011, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 256). Em 06/12/2011 (fl. 257), apresentou o recurso voluntário de fls. 257/280. Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa de crédito da COFINS de competência de fevereiro e março de 2004, referente a aquisição de insumos. A recorrente, cuja denominação é CBF Industria de Gusa S.A, tem por objeto social (estatuto social apenso aos autos – fl. 16), a industrialização, comercialização, inclusive importação e exportação de produtos siderúrgicos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Consta dos autos que no anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes de sua produção. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 314 7 descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei no 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 315 9 desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos siderúrgicos, em especial gusa em todas as suas formas. Dentre eles, estão as despesas realizadas com combustível (associadas às atividades de comercialização), despesas com depreciação (associadas às atividades de comercialização) e despesas com serviço de escolta e movimentação dos produtos acabados. A recorrente ressalta em seu recurso que tais custos visa um só e único fim: o produto final industrializado, conforme trecho abaixo transcrito de seu recurso: “(...) insumo abrange todos os gastos relacionados com a produção (consecução de sua atividadefim), para a DRJ, como se viu, o conceito é bem mais restrito, ou seja, devese compreender, no conceito de "insumo", todos os custos e despesas (produtos e serviços) necessários à produção de determinado bem, ainda que não aplicados diretamente no processo produtivo. Se este en tendimento prevalecer, a Recorrente está autorizada a tomar crédito sobre os seus custos de produção, a saber: despesas com combustíveis, depreciação de máquinas e equipamentos e serviços de escolta (despesas, inclusive, decorrentes de obrigação legal imposta à Recorrente); (...) por outro lado, a prevalecer a visão do Fisco Federal, corroborada pela DRJ, "insumo" é apenas a matériaprima, o produto intermediário e o material de embalagem, ou seja, aquilo que é aplicado apenas na produção. Neste aspecto, não haveria se falar em creditamento, tal como pretendido pela Recorrente. (...) Noutros dizeres, consubstanciam custos da atividade exercida pela Recorrente e que, uma vez incorridos, incrementam sua atividadefim, concorrendo para a formação de sua receita/faturamento”. No item 3.5 do recurso voluntário, a Recorrente informa que os gastos referentes a tais itens, não foram aplicados diretamente no processo produtivo. Vejase trecho abaixo: (...) De início, e tendo em mira o conceito de insumo delimitado nos picos anteriores, na esteira da doutrina e da jurisprudência deste Tribunal Administrativo, é necessário destacar que as despesas depreendidas com combustível, depreciação e serviços de escolta fazem parte da cadeia produtiva da empresa, ainda que não tenham sido realizadas diretamente no processo produtivo. Como já dito, a Recorrente tem como objeto social "a industrialização, comercialização, inclusive importação e exportação de produtos siderúrgicos, em especial gusa em todas as suas formas". Nestes termos, alega que, dada a especificidade e alta periculosidade dos produtos que comercializa (gusa em estado líquido), é necessário que, para a consecução de sua atividadefim, referidos produtos sejam entregues ao comprador. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Sujeitase, portanto, à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, disposta no Decreto n° 96.044/88 e na Resolução ANTT n° 420/04. É ver: Decreto n° 96.044/88: "Art. 23. O transporte rodoviário de produto perigoso que, em função das características do caso, seja considerado como oferecendo risco por demais elevado, será tratado como caso especial (...), § 1o O acompanhamento técnico especializado disporá de viaturas próprias, tripuladas por elementos devidamente treina dos e equipados para ações de controle de emergência e será promovido, preferencialmente, pelo fabricante ou o importa dor do produto, o qual, em qualquer hipótese, fornecerá orienta ção e consultaria técnica para o serviço. Arrematando seus argumentos, a Recorrente aduz que, “(...) como se pode ver, as despesas com combustível, depreciação de máquinas e equipamentos, bem como escolta dos produtos comercializados pela Recorrente, ainda que realizadas em momento distinto do processo produtivo, configuramse como despesas essenciais para a conclusão de sua cadeia produtiva e consecução de sua atividadefim, eis que decorrentes de imposição legal. Ou seja, diante da alta periculosidade, o ferrogusa em estado líquido só pode ser transportado com escolta especializada, gerandose, pois, despesas com combustível e escolta, bem como a depreciação de máquinas envolvidas nesta etapa. Salienta que as despesas com frete, na acepção dada pelo inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/03, foram de fato incorridas, porém lançadas contabilmente de forma pormenorizada em despesas com combustível, escolta e depreciação de máquinas e equipamentos. Como se vê, a lide envolve o reconhecimento ou não, para fins de plena efetividade da nãocumulatividade prevista constitucionalmente para a COFINS, se todo o ônus envolvido no armazenamento, bem como a totalidade das despesas com frete pelo transporte de mercadorias, desde que a cargo do vendedor, fossem hábeis à concessão do crédito. Sob esse ponto esclarece em seu recurso que, “ (...) quando a empresa opta pela terceirização do frete, é inquestionável que, no valor cobrado pelo prestador de serviço, estão incluídos todos os seus custos, quais sejam: mãodeobra, combustível, depreciação do veículo, escolta obrigatória etc, e, ainda, o seu lucro. Já quando o frete é próprio (o contribuinte opta por realizar a entrega), os custos do serviço prestado são lançados em sua contabilidade de forma pormenorizada, com a segregação das demais despesas como mãodeobra, combustível, depreciação do veículo, escolta obrigatória etc. Ou seja, são ônus suportados com o transporte da mercadoria ao estabelecimento comprador nas operações de efetiva venda. Ressalta que a citada Lei não cuidou de descrever que apenas as despesas com frete terceirizado podem ser consideradas para fins da tomada de créditos. É por isso que qualquer que seja a modalidade do frete, bem como a forma da contabilização das despesas a ele referentes, pode e deve ensejar o correspondente crédito. Admitir o contrário é privilegiar o contribuinte que contrata o frete de terceiros em detrimento daquele que realiza o frete próprio, em clara ofensa ao princípio da isonomia previsto nos arts. 5º, caput, e 150, II, da CF/88. Verificase por outro lado, que o Fisco em seu Parecer Seort/DRF/VIT nº 2944/2008 (fls. 145/156), informa o seguinte: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 316 11 Despesas comerciais. Combustíveis A contribuinte descontou créditos apurados sobre os gastos contabilizados na conta de despesas comerciais 3.2.01.01.0054 DESPESA C/CAMINHÕESCOMBUSTÍVEL (fl. 46 e balancete). No entanto, de acordo com a Lei 10.637/02, a aquisição de combustíveis gera direito a crédito somente se aplicado diretamente como insumo no processo produtivo. (...) Assim, as despesas comerciais com combustíveis, informadas no demonstrativo às fls 53, foram afastadas da base de cálculo do crédito da contribuição para a COFINS. Despesas de Depreciação Comercialização a partir de 01/02/2004, a Lei n° 10.833/03, art. 3o, define que a depreciação de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos de pessoas jurídica para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Notase, pois que o contribuinte busca creditarse das despesas de depreciação relacionadas à comercialização (conta 3.3.2.01.0019), conforme demonstrativo às fls.46. Desta forma, foram glosadas as despesas de depreciação supra citadas da base de cálculo dos créditos. Despesas de Comercialização Escolta O contribuinte informa despesas de escolta relacionadas à comercialização dos produtos (fl.46) por efetuar venda de gusa em estado líquido o contribuinte fez uso de serviços de escolta. A análise da legislação mostra que os gastos com armazenagem e frete passaram a dar direito ao desconto de crédito da COFINS com o advento da Lei 10.833, de 2003: (...) Registrese que foram realizadas análises com objetivo de confirmar a existência dos créditos pleiteados pelo contribuinte, bem como verificar a existência de receitas não consideradas na apuração do COFINS. Para tanto, buscouse confrontar as informações com os registros contábeis do contribuinte (razão, balancete e livro de entradas), bem como foram solicitados comprovantes de pagamento e notas fiscais, quando necessário. Por fim, ressalto que a individualização das medidas mencionadas não prejudica a observância de outras, porventura cabíveis, tendentes a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. Observese que da análise da Manifestação de Inconformidade pela DRJ, quedouse desta forma consignado: “(...) De fato, as despesas comerciais com escolta e depreciação, e da mesma forma, as despesas com combustíveis, todas quando relativas ao transporte de produtos na venda, extrapola a previsão legal para o crédito, por não se enquadrarem no conceito de insumo (art. 3o, inciso II, da Lei n° 10.637/02 e da Lei n° 10.833/04), e por não contar com qualquer base normativa independente dessa regra geral, que exige a aplicação do bem na produção. A contribuinte alega que, sob uma denominação diferente, as despesas incorridas pela impugnante com combustível, depreciação de veículo e escolta, se traduzem em despesa de frete, cujo crédito encontrase autorizado pela legislação. Ora, em se tratando de norma que tem efeito de desoneração tributária não se admite interpretação extensiva, consoante regra constante do art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Assim, a previsão constante do art. 3o, inciso IX, da Lei n° 10.833/04, para a Cofíns, estendido ao PIS pelo art. 15 da mesma Lei, começou a produzir efeitos em fevereiro de 2004 excluindo, portanto, qualquer possibilidade de crédito do período pleiteado 01/10/03 a 31/01/04 — vale tãosomente para o frete (ou armazenagem) na venda suportado pelo vendedor, não sendo possível estender o direito para abranger outras despesas, mesmo quando relacionadas ao transporte das mercadorias nas operações de vendas, tais como combustíveis, escolta ou depreciação do veículo (...)". Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Pois bem! Como já visto, o termo insumo, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. No entanto, no caso desses autos, o ponto que merece destaque é que a já citada Lei n° 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IX, atribui aos contribuintes o direito de se creditarem por todas e quaisquer despesas relativas aos custos de armazenamento e de transporte de mercadorias. Confirase o teor do dispositivo: "Art. 3o. Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e no § 1o do art. 2o desta Lei; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor (...)" (sem grifos no original). A recorrente alega que tem direito ao crédito dos gastos com combustíveis, depreciação do veículo, armazenamento, serviço de escolta obrigatória, porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta seus produtos acabados, que por suas características especiais necessitam de transporte próprio. Notese que dada a especificidade e alta periculosidade dos produtos que comercializa (gusa em estado líquido), é necessário que, para a consecução de sua atividade fim, referidos produtos sejam entregues ao comprador. Sujeitase, portanto, à legislação aplicável ao transporte rodoviário de produtos perigosos, disposta no Decreto n° 96.044/88 e na Resolução ANTT n° 420/04: Decreto n° 96.044/88: "Art. 23. O transporte rodoviário de produto perigoso que, em função das características do caso, seja considerado como oferecendo risco por demais elevado, será tratado como caso especial (...), § 1o O acompanhamento técnico especializado disporá de viaturas próprias, tripuladas por elementos devidamente treina dos e equipados para ações de controle de emergência e será promovido, preferencialmente, pelo fabricante ou o importa dor do produto, o qual, em qualquer hipótese, fornecerá orienta ção e consultaria técnica para o serviço. Observese que tal gastos foram de fato incorridas e suportadas pela recorrente (vendedor) despesas com frete, porém lançadas contabilmente de forma pormenorizada em despesas com combustível, escolta e depreciação de máquinas e equipamentos (veículos/caminhões). Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11962.000145/200491 Acórdão n.º 3402002.896 S3C4T2 Fl. 317 13 Para que haja o direito a compensação é necessário haver o direito ao crédito. No caso dos gastos usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender direito ao crédito, a teor do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003. Como o frete é próprio (não terceirizado) e pela característica do produto transportado (gusa em estado líquido) e obrigações definidas pela legislação da ANTT, a Recorrente opta por realizar a entrega dos produtos vendidos por veículos prórpios e os custos do serviço prestado são lançados em sua contabilidade de forma pormenorizada, ou seja, são ônus suportados com o transporte da mercadoria ao estabelecimento comprador nas operações de efetiva venda. Em relação às despesas realizadas com combustíveis e com serviço de escolta (associadas às atividades de transporte e comercialização), sua vinculação com a atividade da Recorrente deve ser compreendida em face da atual realidade do transporte rodoviário de cargas que, como sabido, envolve graves riscos à segurança de motoristas. De fato, em face do alto índice de roubo de cargas e outras atividades criminosas que visam os veículos transportadores, tais despesas se tornam indispensáveis à prestação do serviço de transporte e são decorrentes de serviços utilizados diretamente neste, e em específico, pelas características e periculosidade dos produtos transportados, conforme exigência governamental para seu transporte. Neste sentido, entendo que os gastos com tais gastos geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como descrito no art. 21 da IN SRF nº 460/2004. Assim, tais despesas podem consideradas insumos e gerar créditos de PIS e COFINS, devendo ser cancelada a glosa realizada pela autoridade fiscal. Já em relação ao encargo de depreciação de máquinas e equipamentos a Recorrente busca creditarse das despesas de depreciação relacionadas à comercialização (conta contábil nº 3.3.2.01.0019), conforme demonstrativo à fl. 62), há que se observar que a previsão para direito ao desconto de crédito desta espécie de despesa só é admitida quando a máquina ou equipamento está aplicado na produção, e não na comercialização dos bens, conforme se depreende da leitura do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, abaixo transcrito (grifouse): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...). VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Conclusão Fl. 323DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto para conhecer do recurso voluntário e dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito da COFINS nãocumulativo, referente aos gastos realizados com combustível e as despesas com serviço de escolta e movimentação dos produtos acabados (ambas associadas às atividades de transporte e comercialização), nos termo deste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917825/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Dec 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº. 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, do indébito, impede que seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 25 /2 01 1- 15 Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº. 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.692, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 54/60 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 34714.19590.130306.1.2.040596, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917825/201115 Acórdão n.º 3402002.739 S3C4T2 Fl. 2.969 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 63). Inconformada, a mesma apresentou, em 29/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 65/85), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRF de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a extinta 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.165 (fls. 129/131), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.165 (fls. 129/131), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917825/201115 Acórdão n.º 3402002.739 S3C4T2 Fl. 2.970 5 A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal às fls. 2.913/2.914 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 34714.19590.130306.1.2.040596, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 1.797,33 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 03/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 no valor de R$ 5204903,19, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 5205335,7, concluise que integrou a base de cálculo o montante de R$ 0 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 0. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 0. Em sua manifestação (fls. 2.919/2.922), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.921: "(...) A Recorrente registra a sua concordância com o trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamento no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez que não restou demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante ao todo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 22/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10183.005834/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL- ITR
Exercício: 2002
DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO
LIMITADA/RESERVA LEGAL.
As áreas declaradas foram amplamente comprovadas através de Certidões de Averbação em Registro de Imóveis, bem como de Laudo Técnico de uso de solo, tomando incontestável a existência das áreas declaradas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.111
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL- ITR Exercício: 2002 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. As áreas declaradas foram amplamente comprovadas através de Certidões de Averbação em Registro de Imóveis, bem como de Laudo Técnico de uso de solo, tomando incontestável a existência das áreas declaradas. Recurso Voluntário Provido.
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As áreas declaradas foram amplamente comprovadas através de Certidões de Averbação em Registro de Imóveis, bem como de Laudo Técnico de uso de solo, tomando incontestável a existência das áreas declaradas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. ~ __J!'.-..tL /~.("'-t-'"", ~""?-"".p -'7HÊNRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente VALDETE r(iftf;;;PA MARINHEIRO - Relatom EDITADO EM 25/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda, Valdete Aparecida Marinheiro, Tarásio Campelo Borges e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Adota-se o Relatório de fls. 175 A 176 dos autos, emanado na decisão da DRJ - 10 Turma de Campo Grande, por meio do voto da relatora, Maria do Carmo Santos de Siqueira, nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Auto de Infração/Anexos, fls. 01/09 através do qual se exige do contribuinte acima identificado o pagamento de R$ 554.197,86, a título de imposto Territorial Rural - ITR, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes da glosa total da área de preservação permanente e da avaliação da terra nua de acordo com o valor informado no Laudo, por ser este maior que o declarado, informados em sua Declaração de ITR (DIAC/DIAT), do exercício de 2002, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Rodeio Campina Porto Jofre, com área total de 37.388,0 há, número do imóvel na Receita Federal 2.701.418-5, localizado no município de Poconé/MT 2.À fi. 02 constam as alterações no cálculo do imposto. Em consequência da glosa, a área tributável sofreu aumento de 9.347,0 há para 18.694,0 há, e o valor da terra nua tributável, alterou para R$ 2.020.821,40, valor encontrado em decorrência da avaliação da terra nua conforme Laudo apresentado pelo contribuinte. 3.De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fl.06, a área de preservação permanente foi glosada parcialmente porque o laudo apresentado pelo contribuinte não discriminou caso a caso, cada área de preservação permanente, conforme art. 2" da Lei n° 4. 771/65 (redação dada pelo art.1 °da Lei n° 7.803/89), não detalhou a distribuição das áreas, informando os seus valores e a terra nua do imóvel foi atribuida de acordo com o laudo apresentado pelo contribuinte, por ser maior que o declarado por ele. 4.O lançamento foi fundamentado nos artigos 1~ 7~ 9~ 10° e 11, da Lei n° 9.393/1996. 5. O contribuinte apresentou impugnação tempestivamente, fls. 101/107, onde alega, em síntese, que: 5.1 O Laudo confeccionado TOPOSAT Engenharia Ltda., precedida de vistoria local, com auxílio de satélites, assinado pelo engenheiro agrônomo, de acordo com as normas da ABNT, acompanhada de ART, constatou existir no imóvel 9.347,0 há de preservação permanente; 5.2 Um laudo só pode ser contestado com base em outro laudo por profissional da área, a exemplo disso, o laudo médico que só pode ser refutado por outro laudo médico; 5.3 O Fisco só pode recusar o laudo se não forem observadas as normas da ABNT ou mediante realização de diligência; .' • • 5.4 Houve incoerência do Fisco em desconsiderar o laudo apresentado para a área de preservação permanente, mas, 2 • Processo n° 10183.005834/2005-87 Acórdão n.o 3101-00.111 aceitando-o para o VTN, porque o valor era superior ao declarado; 5.5 Levando em consideração as características da região do pantanal, pode se afirmar que inexiste um imóvel que não possua área de preservação permanente; 5.6 De acordo com o manual intitulado "Perguntas e Respostas" do ITR/2005 da Secretaria da Receita Federal as condições exigidas para a exclusão da área de preservação permanente da incidência do ITR era a protocolização do ADA no Ibama ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio no prazo de até seis meses da entrega da declaração; 5.7 A apresentação do laudo é necessária para suprir eventual ausência de ADA; 5.8 Mencionou ementas de várias decisões da Delegacia Federal de Julgamento de Recife e do Tribunal, da Quarta Região; 5.9 O Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta, firmado com IBAMA em 1996, o ADA e a averbação imobiliária são suficientes para comprovar a existência da área de preservação permanente, mas, optou também por apresentar laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, de acordo com as normas da ABNT e necessários; 5.10 Por último, requer improcedência do Auto de Infração. 6. Acompanham a impugnação os documentos de fls. 108/158. " S3-CIT1 FI. 208 • A decisão recorrida emanada do Acórdão n° 04-11.849 fls. 173 traz a seguinte Ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Cabe restabelecer parte da área de Preservação Permanente comprovada em Laudo Técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, com o devido enquadramento legal. São áreas de preservação permanente, passíveis de exclusão da incidência do imposto, as definidas nos art. 20 e 30 da Lei n° 9.393/96. VALOR DA TERRA NUA Deve ser mantido o valor da terra nua - VTN arbitrado pela fiscalização para fins de lançamento de ITR, com base no laudo técnico de avaliação apresentado pelo contribuinte nos autos. Lançamento Procedente em "Parte" 3 Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes (fls.l94 a 199), onde alega, em suma: I) O motivo do Recurso: a manutenção da tributação de 7.954,llha na decisão recorrida apesar de a) ter sido comprovada através de Laudo Técnico de Engenheiro registrado no CREA; b) estar registrada oficialmente no IBAMA (ADA) desde 1999; c) estar averbada na respectiva matrícula imóbiliária desde 1999; d) constar todos os anos nas D/ITR do Recorrente, a partir de 1994, ou seja, há mais de 20 anos; II) A Decisão recorrida - visíveis desacertos. II.l- Areas Permanentes alagadas - Desatenção - uma área alagada de 7.954 há que equivale a setenta e nove milhões e quinhentos e quarenta mil metros quadrados, SERIA QUASE UM MAR.; II 2 - Discrepância da Decisão Recorrida com o Auto de Infração, pois ambos não aceitaram o referido Laudo; III - Aspectos de Direito desta Lide Administrativa fiscal - II!.1 - ADA - Cadastramento no IBAMA desde 1999- "Resta claro que só se o IBAMA lavrar novo ADA é que decorrerão novos efeitos tributários em relação à área de preservação permanente registrada por ele próprio";IlI-2- ADA - O documento hábil para exclusão da incidência do ITR; IlI-3- As pacíficas Jurisprudências Judicial e Administrativa; IlI-4 - As áreas imprestáveis à atividade rural- Não tributáveis; I1I-5 Laudo Técnico Elaborado por profissional competente e de acordo com as normas da ABNT - Instrumento Probatório; IV - Laudo Técnico - Complementação, junta em fls. 200 a 201 para reafirmar a existência da área de reserva legal. Em conclusão afirma: "Conforme o cadastro imobiliário de Poconé-MT, conforme o cadastro do IBAMA, conforme Laudo Técnico elaborado nos moldes das normas vigentes e, por derradeiro, conforme as D/ITR (anuais) dos últimos 23 anos e de acordo com a real situação geográfica e ambiental do imóvel rural em tela (encravado no Pantanal) e cuja área total é de 37.388 há., o mesmo possui, de fato e de direito 9.347 hectares de área de preservação permanente e, em sendo assim, esta não está sujeita à tributação pelo ITR". No pedido, requer seja modificada a decisão recorrida, no sentido de julgar totalmente improcedente a autuação fiscal, que é a peça básica desta lide. É o relatório. Voto Conselheira VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, pois, preenche as condições de admissibilidade. Do relatado, tratam os autos de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente, onde se exige o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2002, sobre exclusão considerada supostamente indevida por apresentação de Laudo pelo contribuinte sem discriminação da área de preservação permanente, bem como o valor da terra nua o laudo informa valor da terra nua maior que o declarado, substituindo-o. No caso a Recorrente trouxe aos autos para comprovação cópia da matricula n° lO.l50(fls. 25 a 26) do Registro de Poconé - MT, constando área total de 37.388 hectares, • • • Processo nO 10183.005834/2005-87 Acórdão n.o 3101-00.111 S3-CITl FI. 209 • • Av - 02/10.150 averbando conforme Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta a área de 18.694,00 has destinadas a Reserva Legal e a AV - 03/10.150 averbação conforme ADA, gravando como Preservação Permanente a favor do IBAMA 9.347 has; cópia do ADA protocolado em 29/04/1999 em fls. 27 constando as mesmas áreas averbadas; Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis Superintendência Estadual de Mato Grosso fls. 28; Características e Confrontações do Imóvel junto ao mesmo instituto em fls. 29; Laudo Técnico de uso de solo e de avaliação para determinação dos valores de ITR dos exercícios de 2001 e 2002 em fls. 32 a 66; fotos da propriedade em fls. 68 a 76; Mapas de fls. 77 a 78 e cópia do Decreto n° 044/2003 que dispõe sobre a reavaliação de valores dos imóveis rurais do município de Poconé e finalmente em fls. 200 a 202 há um Complemento do Laudo Técnico antes juntado que deixa claro a existência de 9.347,00 há de área total de preservação permanente. Da análise dos documentos acima temos, área total do imóvel 37.388 há, 18.694,OOhá de área de Reserva Legal e 9.347,OOha de área de preservação permanente, que coincide com o valor declarado, logo, está comprovado pelo Recorrente as quantidades de áreas em discussão nesse processo, não restando qualquer dúvida e, portanto, deve ser admitidas para fins de apuração do ITR de 2002. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso Voluntário, para reformar a decisão de primeira instância, no tocante a matéria recorrida, ou seja, apenas quanto as áreas de reserva legal e de preservação permanente. É como voto 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10920.007807/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
MULTA ISOLADA POR ESTIMATIVA. NÃO EXIGÊNCIA.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 1201-001.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) dar provimento ao recurso voluntário para afastar, apenas, a exigência das multas isoladas, mantendo-se, no mais, inalterada a decisão de primeira instância, e; (ii) negar provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA ISOLADA POR ESTIMATIVA. NÃO EXIGÊNCIA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: (i) dar provimento ao recurso voluntário para afastar, apenas, a exigência das multas isoladas, mantendo se, no mais, inalterada a decisão de primeira instância, e; (ii) negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 78 07 /2 00 8- 19 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ronaldo Apelbaum, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, lavrados contra a Contribuinte e relativos ao anocalendário de 2003, acrescidos de multa de ofício, juros de mora e multa isolada, pelo não recolhimento das estimativas mensais. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 327 e seguintes) informa as seguintes infrações: 01) OMISSÃO DE RECEITAS No anocalendário de 2003, com base em decisão judicial, a empresa apropriouse de créditos de IPI sobre a aquisição de insumos isentos, não tributados e de alíquota zero que totalizaram R$ 5.965.645,12, tendo contabilizado esses créditos pelo valor de R$ 5.469.219,52, o que configura omissão de receitas de R$ 496.425,00, sobre a qual estão sendo exigidos o IRPJ e a CSLL. 02) CUSTOS NÃO COMPROVADOS 02.1) APROPRIAÇÃO EM DUPLICIDADE – Conforme relatório entregue pela fiscalizada em 12/12/2008 (fls. 246/247), esta computou como custos de produção lançamentos efetuados em conta de rateio entre centros de custo (terminação 9400), apropriando em duplicidade custos já considerados nas contas de estoque, o que elevou indevidamente a apuração do custo em R$ 2.455.389,48, que foi objeto de glosa. 02.2) CUSTOS NÃO COMPROVADOS – Os seguintes lançamentos contábeis, levados a débito da conta PROMOÇÃO E PUBLICIDADE, não foram comprovados, sendo objeto de glosa: 20/01/2003 10.680,00 14/03/2003 12.000,00 11/06/2003 20.000,00 11/07/2003 2.431,20 03) DESPESAS NÃO COMPROVADAS/DESNECESSÁRIAS Fl. 624DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 4 3 Os lançamentos contábeis a seguir discriminados foram glosados pela fiscalização com fundamento nos seguintes motivos: 15/04/2003 460.000,00 Despesa n/necessária 21/07/2003 100.000,00 Idem 30/09/2003 15.283,84 Despesa n/comprovada 31/10/2003 15.283,84 Idem 30/11/2003 15.283,84 Idem 31/12/2003 15.283,84 Idem 31/12/2003 4.800,00 Despesa n/necessária 31/12/2003 270.669,58 Despesa n/comprovada 31/12/2003 13.089,28 Idem 04) ESTIMATIVAS MENSAIS INSUFICIENTES Em decorrência das infrações de omissão de receitas e glosa de custos/despesas, foram apuradas insuficiências de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, que motivaram o lançamento da multa exigida isoladamente prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº. 9.430, de 1996. Com a ciência das infrações, a interessada apresentou Impugnação, na qual, em síntese, formulou os seguintes argumentos: DA PRELIMINAR DE NULIDADE Inicia o texto impugnativo alegando que a autuação estaria contaminada por vício de nulidade, provocado pelas seguintes irregularidades: a) no Termo de Início de Fiscalização consta que foi emitido em 17/12/2008 e a impugnante o recebeu em 18/01/2008, o que retrata flagrante incoerência cronológica que vicia o ato; e b) o Termo de Verificação Fiscal que embasa os lançamentos foi emitido em 18/12/2008, enquanto que a emissão dos autos de infração aconteceu em 17/12/2008, em razão do que conclui que uma das datas é inexistente, o que prejudica a validade dos autos. A impugnante finca seu argumento no inciso II do art. 10 do Dec. nº. 70235, de 1972, no art. 2º do mesmo Decreto e no art. 22 da Lei nº. 9.784, de 1999, acrescentando que uma vez não observadas as prescrições legais para sua formalização, e, conseqüentemente, o princípio da legalidade aposto no art. 5º., II, da CF/88, o ato é nulo de pleno direito, citando lição doutrinária neste sentido. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 5 4 QUESTÕES DE MÉRITO a) Das Despesas não comprovadas/desnecessárias a.1) R$ 270.669,58 – IPTU Lembra que o motivo da glosa se deve aos fatos de: (1) ter constado que no termo de acordo/parcelamento de IPTU ajustado com a Prefeitura de São Paulo, como proprietário do imóvel, empresa com razão social distinta da impugnante: a Electroflex S/A Indústria de Plásticos; e (2) o valor do comprovante apresentado, de R$ 10.916,84, diverge do montante contabilizado. A esse respeito, esclarece que junta à impugnação cópias dos instrumentos de alterações de denominação/sucessão das empresas, devidamente registrados (Anexos II/VIII), os quais comprovam que se tornou sucessora da Eletroflex e nesta condição assumiu a obrigação de pagar o IPTU em atraso de imóvel incorporado ao seu ativo imobilizado em razão da sucessão, em acordo no qual ainda figura no pólo passivo a empresa sucedida por não haver sido feita a alteração no cadastro imobiliário da Fazenda Municipal de São Paulo, o que não retira a validade jurídica da sucessão formalizada. Quanto à divergência de valores apontada, informa que o comprovante analisado pela fiscalização representa apenas a 1ª parcela do acordo, com vencimento em 31/12/2003. As demais parcelas, já quitadas (Anexo IX), comprovam o montante do débito informado. a.2) R$ 100.000,00 e R$ 460.000,00 Discorda da desnecessidade apontada pela fiscalização, que se baseia no fato de que se tratariam de transações alheias às atividades empresariais da impugnante, por representar negócio em que assumiu dívida da empresa Joinvilense Participações S/A perante a Sra. Maria Cláudia Quintanilha de Almeida Schmit. A respeito, detalha que a Joinvilense S/A era devedora da Sra. Maria Cláudia de valor que a impugnante em julho de 2003 assumiu por R$ 2.009.743,07 e quitou por meio da dação em pagamento de dois de imóveis de sua propriedade, cedendo também à credora os direitos locatícios dos referidos imóveis a partir de março de 2003. Um desses imóveis estava locado pela impugnante à empresa Cifa Têxtil Ltda., que lhe pagava aluguel mensal de R$ 20.000,00, de forma que a importância de R$ 100.000,00 corresponde aos alugueres recebidos de março a julho de 2003, repassados para a Sra. Maria Cláudia por força da condição clausulada na dação em pagamento, tudo devidamente contabilizado. Ressalta que o saldo da dívida da Joinvilense era de R$ 4.502.244,51, mas com a negociação realizada com a assessoria jurídica Palhares Advogados S/C Ltda.foi negociado com um deságio de R$ 2.494.500,85, que representou vantagem para a Fl. 626DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 6 5 impugnante, e sobre esse ganho pagou honorários advocatícios de R$ 460.000,00, despesa que foi necessária para a concretização do negócio, razão porque a glosa é descabida. b) Da Glosa de custos – Apropriação em duplicidade Destaca que o autor do feito baseou seu trabalho de análise de custos nos relatórios de processamento de dados do sistema de escrituração contábil da empresa, os quais apresentavam incorreções materiais que induziram o agente fiscal a erro. O relatório correto está sendo juntado à impugnação, acompanhado dos registros respectivos do Razão analítico e Balancete (Anexos XII/XVIII), demonstrando o equívoco cometido pela impugnante anteriormente, incluindo contas transitórias de transferência em meio a contas de centros de custos produtivos. Demonstrado o real valor dos custos de produção, insubsiste a glosa realizada. c) Da Omissão de receitas – Créditos de IPI Afirma a impugnante que os valores de R$ 5.965.645,12 e R$ 5.469.212,51, a partir dos quais o autor do feito concluiu ter ocorrido a omissão apontada, nada tem a ver um com o outro. O valor de R$ 5.965.645,12 referese ao montante de créditos escriturais presumidos de IPI sobre a aquisição de insumos isentos, não tributados e de alíquota zero, dos quais a impugnante se credita sob o amparo de sentença judicial transitada em julgado, e esses créditos não são levados a conta de receita, mas escriturados como redutor do custo de aquisição, em obediência ao art. 289, § 3º do RIR/99 e aproveitado para abater do IPI a Recolher sobre as saídas de produtos tributados. Já o valor de R$ 5.469.212,51 que o agente fiscal constatou no balancete examinado, na rubrica de receita “Cred. Extemporâneo IPI Presumido”, referese a outra questão afeta ao IPI, não relacionada como crédito presumido anteriormente reportado, que, consoante foi explanado, não é contabilizado em conta de receita, mas como redutor do custo de aquisição e do IPI a recolher. Afirma toda a “confusão” foi ocasionada por informação equivocada fornecida ao autuante de que o valor do crédito presumido decorrente da decisão judicial fora contabilizado como receita, o que não corresponde à realidade, conforme foi explicado anteriormente. d) Das Multas Isoladas Primeiramente reputa nulo o auto de infração, em relação à multa isolada, sob a alegação de que o autor do feito não fez constar no Termo de Verificação Fiscal a base legal para a imposição da penalidade da espécie. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 7 6 Adiciona que acaso rejeitada essa nulidade arguida, o fato da aplicação de duas multas de ofício sobre a mesma base de cálculo caracteriza bis in idem inadmissível, citando neste sentido jurisprudência do então 1º Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (que denomina “Súmula”). e) Da Multa Confiscatória Pugna pela redução do percentual da multa proporcional de 75%, que representa verdadeiro confisco, ressaltando que para corrigir esse abuso surgiu a Lei nº. 9.298, de 2006, que alterou a redação do § 1º do art. 52 da Lei nº. 8.078, de 1990, que dispõe sobre a proteção do consumidor, adequando esse código à atual situação estável do país com a fixação da multa máxima de 2%, que entende aplicável ao caso. Em sessão de 11 de agosto de 2014 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para afastar grande parte das autuações efetuadas, mantendo, apenas, as despesas não impugnadas, com os acréscimos legais, e a multa isolada. Da decisão houve Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual questiona, apenas, a validade na aplicação da multa isolada. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Como relatado, o único tema em debate, a partir do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, diz respeito à aplicação da multa isolada pela insuficiência no recolhimento das estimativas. A matéria não comporta digressões, pois encontrase sumulada no âmbito de Conselho, conforme transcrição a seguir: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo Fl. 628DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 8 7 tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Assim, entendo cabível a pretensão da empresa e voto no sentido de afastar a incidência da multa isolada, ante a perfeita subsunção entre os fatos narrados e o entendimento pacífico deste Colegiado. Quanto ao Recurso de Ofício, apresentado em razão do limite de alçada, entendo que não merece reparos a decisão recorrida. A decisão analisou minuciosamente (fls. 586 e ss.) todas as imputações formuladas contra a empresa, assim resumidas: a) Das Despesas não comprovadas/desnecessárias a.1) R$ 270.669,58 – IPTU, que constavam originalmente em nome de terceiros, mas foram absorvidas por sucessão empresarial; a.2) R$ 100.000,00 e R$ 460.000,00, decorrentes de operações com ativos, que geraram ganhos para a sociedade; b) Da Glosa de custos – Apropriação em duplicidade A fiscalização baseouse em relatório que continha erros, posteriormente corrigidos e convalidados pela Delegacia de Julgamento, nos seguintes termos: No novo demonstrativo da espécie juntado à impugnação, cujos números estão respaldados pelos registros do Razão e pelo Balancete Analítico (Anexos XII/XVIII), podese constatar que o demonstrativo analisado inicial, analisado pela fiscalização, continha incorreções, e, a partir das peças trazidas na defesa, evidenciase que o CPV informado na DIPJ apresentase compatível com os registros contábeis da empresa, ressalvada uma pequena diferença de R$ 2.317,00, que não tem representatividade em relação ao total de R$ 65.078.272,93. c) Da Omissão de receitas – Créditos de IPI Neste tópico, a discussão cuida de créditos de IPI obtidos pela empresa por força de decisão judicial, circunstância assim analisada pela decisão recorrida: A controvérsia sobre este item consiste em que, segundo a impugnante, nasceu do fato de que a fiscalização foi informada, de forma equivocada, que o saldo de R$ 5.469.212,51 da rubrica de receita “Crédito Extemporâneo IPI Presumido” provém do direito que a empresa obteve, por decisão judicial definitiva, de creditarse do IPI sobre a aquisição de produtos sem incidência do imposto, que alcançou o valor de R$ 5.965.645,12 no período. Acentua na defesa que esses créditos não são contabilizados em rubrica de receita, pois são computados como redutor do custo de aquisição, na forma do art. 289, § 3º do RIR/99 e Fl. 629DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 9 8 aproveitados para abater do IPI a Recolher sobre as saídas de produtos tributados. Em suma, o sujeito passivo afirma que os créditos dessa natureza são contabilizados a débito de conta do passivo (IPI a Recolher), sendo levado ao custo de aquisição somente o valor líquido da operação, o que, conseqüentemente, não impacta a apuração do resultado do período, sujeito à incidência de IRPJ/CSLL. A este respeito, a forma de contabilização referida na impugnação conduz aos autos do processo n. 10920.001583/200912, decorrente de autos de infração de PIS/Cofins lavrados contra o mesmo sujeito passivo, julgado por esta Turma em sessão de 07/02/2014, nos termos da decisão proferida no Acórdão. n. 58.933. Aquela autuação teve por objeto justamente os créditos presumidos de IPI oriundos da decisão judicial aqui referida, que não integraram as bases de cálculo de PIS/Cofins, porque na apuração dessas contribuições a empresa aproveitou o valor cheio das notas fiscais de aquisição, sem descontar esses créditos presumidos, que foram por ela contabilizados como redutor do custo da aquisição. A esse respeito, ficou claro naqueles autos que a fiscalizada contabiliza os créditos presumidos advindos da ação judicial diretamente a débito da conta 2.01.03.001.000 IPI a Recolher, sem efeitos na apuração do IRPJ e da CSLL. Com estes esclarecimentos, cabe afastar a acusação de omissão de receita no valor de R$ 496.425,00. Desde o início da leitura das peças processuais, notadamente quanto à intensa prestação de informações à autoridade fiscal, pareceunos que o Contribuinte, para os fatos questionados, demonstrara bastante diligência e interesse no atendimento às solicitações formuladas. Nesse sentido, obteve êxito em carrear ao processo provas hábeis para comprovar a imprecisão dos lançamentos, que foram analisadas e acatadas pela Delegacia de Julgamento. Correta, portanto, a solução jurídica adotada pela decisão de origem, no que respeita à comprovação documental trazida pela empresa. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por DARLHE provimento, para afastar a incidência das multas isoladas, mantendo, no mais, inalterada a decisão de primeira instância, assim como CONHEÇO do Recurso de Ofício para NEGARLHE provimento. É como voto. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10920.007807/200819 Acórdão n.º 1201001.232 S1C2T1 Fl. 10 9 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 631DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 15471.004827/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NULIDADE.
Ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DESPESAS MÉDICAS.
São indedutíveis as despesas médicas ou de hospitalização, quando há ressarcimento, por qualquer forma ou meio, por entidade de qualquer espécie.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2201-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
assinado digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto.
assinado digitalmente
Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora.
EDITADO EM: 13/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
Nome do relator: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Presidente Substituto. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. EDITADO EM: 13/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente).
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Ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. DESPESAS MÉDICAS. São indedutíveis as despesas médicas ou de hospitalização, quando há ressarcimento, por qualquer forma ou meio, por entidade de qualquer espécie. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Presidente Substituto. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Relatora. EDITADO EM: 13/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente Substituto), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 48 27 /2 00 9- 60 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 90 2 SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JÚNIOR (Presidente). Relatório MARIA LAURA OLIVA DE OLIVEIRA E SILVA, recorre da decisão proferida no acórdão 1251.661 – 19ª Turma da DRJ/RJ1, de 09 de janeiro de 2013, fls. 59/62, que julgou improcedente sua impugnação. Transcrevo o relatório do voto condutor do acórdão recorrido, por bem definir o litígio: Foi efetuada notificação de lançamento de fls. 05/07, em razão de glosa integral do valor de R$101.672,34 informado como despesas médicas na declaração de rendimentos relativa ao no exercício de 2009, anocalendário 2008. A Contribuinte tomou ciência da exigência em 01/12/2009 (fls. 18/19) e, em 22/12/2009, apresentou a impugnação de fls. 02/03, por intermédio de mandatário, alegando, em síntese, que deduziu despesas médicas conforme orientação do Regulamento do Imposto de Renda. A procuração consta das fls. 08/09. Assim, com base no disposto no art. 6ºA da IN RFB nº 958, de 2009, com redação dada pela IN RFB nº 1.061, de 2010, o Serviço de Fiscalização da DRF RJ1 elaborou o Termo Circunstanciado de fls. 33/34 e o Despacho Decisório de fl. 35, por meio dos quais manteve integralmente a exigência. A contribuinte foi cientificada (fl. 37), mas não se manifestou, conforme despacho de fl. 57. Cientificada às fls.64, em 27 de junho de 2013, conforme Termo de Vista de Processo, interpõe o recurso voluntário de fls.77/84, em 29 de Julho de 2013, onde menciona a tempestividade da peça, narra os fatos e diz que o fiscal autuante "simplesmente glosou a quantia de 101.672,34, justificando tão somente que ´deduzido indevidamente a título de despesas Médicas, por falta de comprovação " Continua para dizer que, como a autoridade lançadora não especificou quais despesas médicas foram glosadas, impossibilitou sua defesa, por desconhecer o que havia sido glosado.Reclama igualmente da decisão que julgou improcedente sua impugnação. Referese, no item II aos Motivos de sua irresignação. A Notificação de lançamento ofende ao princípio do contraditório e pretere seu direito de defesa, pois não especifica quais despesas foram glosadas. Requer a nulidade integral do lançamento por cerceamento do direito de defesa, por não saber a composição dos valores elencados na peça acusatória , com valores Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 91 3 totais sem referencia direta a fatos ou documentos, insuscetíveis de serem decompostos para viabilizar sua análise. Diz omissiva a conduta fiscal , o que tornou nulo o ato combatido. Transcreve a ementa do acórdão 10311.387, de 15.07.91. Comenta a falta de razoabilidade da não aceitação dos valores gastos com despesas médicas, mormente quando se trata de pessoa idosa ,com mais de noventa anos de idade, na fase da vida onde os gastos com saúde chegam a .graus exorbitantes e o pais é deficitário neste quesito. Comenta o fato de o fiscal ter glosado quase a totalidade das despesas Uma autuação pautada nesses parâmetros se traduz em flagrante ofensa ao princípio da razoabilidade e outros inscritos no caput do artigo 37 da carta magna e no artigo 2º da lei 9784/99, dispositivo que transcreve. Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; (...) IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Transcreve, sobre o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade texto de Marcos Vinincius Neder e Maria Tereza Martinez Lopez, da obra "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado" Dialética,SP, 2002,p.57): Fl. 91DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 92 4 O princípio da proporcionalidade determina, portanto, que a aplicação da lei seja congruente com os exatos fins por ela visados em face da situação concerta. Deve haver lógica entre a decisão administrativa e sua proposta de eficácia. Se a atuação administrativa restringe a situação juridica dos administrados além do que caberia, por imprimir às medidas tomatas uma intensidade ou extensão supérflua, ressalta a ilegalidade da conduta. A razoabilidade, por sua vez, tem fundamento em análise valorativa, afastando condutas contrárias ao bom senso que não estabeleçam relação racional entre a finalidade normativa e a conduta administrativa." Conclui com o pedido de cancelamento da exigência. É o Relatório. Voto Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade e dele conheço. Conforme consignado na decisão recorrida e não observado nas razões de recurso oferecidas, o litígio se circunscreve à matéria impugnada e está foi somente o valor de R$ 86.078,34 e não R$ 101.672,34, objeto do lançamento, de fls. 06, conforme segue: Dedução Indevida de despesa médica Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.º 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 101.672,34 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei ns 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto 3.000/99 RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRP ns 15/2001. A recorrente reclama de todo procedimento dizendo, em síntese, que o mesmo padece de vício de nulidade. Contudo, tal não se observa. Houve a notificação fiscal expedida, ainda no âmbito da fase fiscalizatória, e a contribuinte, neste momento que se presta a assegurar mais eficiência ao controle processual da Administração Pública, não se manifestou (como se vê da transcrição acima). Ambas são atos iniciais. Quando as provas são apresentadas Fl. 92DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 93 5 nesta fase, encerrase o procedimento. Caso contrário, impugnada a exigência, instalase o contraditório. O julgamento é informado através de acórdão do Colegiado da Delegacia de Julgamento, autoridades competentes para conhecimento do litígio, neste primeiro momento. No caso dos autos, a decisão adentrou em todos os pontos atacados pela contribuinte em sua reclamação, não acarretando prejuízo algum ao seu direito de defesa, uma vez que ali estão contidos todos os motivos pelos quais se deu a glosa das despesas e o fundamento legal à sua manutenção. Já na descrição dos fatos e no enquadramento legal, fls.06, a autoridade lançadora justifica seu procedimento com base no artigo 73 do Decreto 3000/99RIR 99, cujo dispositivo determina: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º ). E ali também apontou o autuante que a Contribuinte Regularmente intimada, não atendeu à Intimação, até a data do lançamento. A conseqüência foi a glosa do valor que não foi justificado. O enquadramento legal: se deu nos Art. 8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei ns 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto 3.000/99 RIR/99 Do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 3000/1999, transcrevo:. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea a ). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º,§ 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 93DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 94 6 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; Na declaração da Recorrente, conforme fls.15 dos autos, na relação de pagamentos e doações efetuados constou , apenas, dois pagamentos: a)sob código 26(plano de saúde) pago a OMINT Assistencial e Serviço de Saúde Ltda, o valor de R$ 86.078,34 e; b)no código 10(médico), pago a Antonio Celso Gomes Castelo Branco, o valor de R$ 15.954,00. Ou seja, cabia apenas, à Recorrente, provar que realizou os pagamentos e que as despesas ocorreram com a própria declarante, apresentar os recibos, exames e demais provas que respaldassem sua pretensão, nos termos do artigo 8º da Lei 9250/1995. Contudo, tanto na fase inquisitória quanto na impugnação e/ou recurso, qualquer prova foi apresentada. A contribuinte não carreou aos autos nenhum documento.Optou por não exercitar o direito da ampla defesa e do contraditório, posto á sua disposição. Apenas oferece argumentos de nulidade do procedimento, por suposto ferimento aos princípios constitucionais do lançamento, sem observar a matéria de fato que o originou. Os princípios constitucionais tributários são de observância obrigatória tanto para o agente público que fiscaliza e julga créditos tributários quanto para o administrado, a quem cabe, por exemplo , o dever de prestar informação O princípio da legalidade impõe a exigência de tributo só por lei expressa, do mesmo modo que o da indisponibilidade dos bens públicos exige do agente fiscal atuar aplicando a lei que disciplina o tributo ao caso concreto, sem margem de discricionariedade. Excesso, renúncia total ou parcial, redução de suas garantias pelo funcionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei nº 5.172/66, acarretará a sua responsabilização funcional. Nos autos, como dito anteriormente, foi apenas objeto do contraditório, o valor de R$ 86.078,34 pago a OMINT Assistencial Serviços de Saúde S/C Ltda. Dito valor foi reembolsado à recorrente, como prova a declaração de fls 04, emitido pelo Hospital Samaritano, abaixo transcrito: INFORME DE REEMBOLSO DE SEGURO SAÚDE Segurado: Maria Laura Oliva de Oliveira e Silva Para fins de Declaração do Imposto sobre a Renda informamos a V.Sa. que realizamos reembolso de Seguro Saúde durante o exercício de 2008 a importância de R$86.078,34 pago a empresa OMINT ASSISTENCIAL SERVIÇOS DE SAÚDE S/C Ltda. CNPJ 44.673.382/000190. O citado valor deverá constar em sua declaração na ficha PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADOS, na linha valor pago, constando o mesmo valor na linha PARCELA NÃO DEDUTÍVEL/VALOR REEMBOLSADO. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 15471.004827/200960 Acórdão n.º 2201002.878 S2C2T1 Fl. 95 7 E como visto na legislação de regência acima transcrita, o inciso IV do artigo 80 do RIR 1999, proíbe tal dedução. Nesta conformidade restam prejudicados os argumentos expendidos em sede de recurso voluntário, pois não se está diante de matéria de direito e sim de fato. Nessa conformidade, conduzo meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Fl. 95DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/03/2016 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TAD EU FARAH
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Numero do processo: 13839.901420/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 42 0/ 20 09 -4 1 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901420/200941 Resolução nº 1401000.365 S1C4T1 Fl. 131 2 RELATÓRIO Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP nº 42027.68605.200705.1.3.040309, pretende compensar pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484, P.A. 31/01/2004, arrecadado em 27/02/2004, no valor original de R$ 587.730,47 com débito próprio de CSLL 2484, P.A. 0106/ 2005. A DRF/Jundiaí, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 43 (nº 821072146) resolveu por não homologar a compensação declarada, tendo em vista a utilização total do DARF relacionado no PER/DCOMP em questão, consoante demonstrado a seguir: (...) Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 02), alegando, em síntese, que cometeu equivoco ao informar na DCTF os débitos de IRPJ e CSLL, referentes ao 1° trimestre de 2004, especificamente do mês de Janeiro/2004, corrigindoos conforme DCTF Retificadora entregue em 11/03/2009 (protocolo de entrega n° 24.36.07.23.6481). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 5659) negou provimento à impugnação nos seguintes termos do voto do relator: A declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. Para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é necessário que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Para comprovar suas alegações a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da DCTF retificadora. Logo, além de não retificar a DCTF, antes do Despacho Decisório, que constituía obrigação sua (obrigação mantida nas Instruções Normativas seguintes) não trouxe a interessada provas do alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901420/200941 Resolução nº 1401000.365 S1C4T1 Fl. 132 3 Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais sendo improcedente a manifestação de inconformidade. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho (nossos destaques). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 67 a 85 com as razões que se seguem. A decisão da DRJ seria nula em razão de ter alterado a fundamentação para negar o pedido do interessado. Nulidade do despacho decisório em razão do cerceamento do direito de defesa. Em primeiro lugar, o formulário padrão não permite que o interessado informe todos os detalhares necessários para o reconhecimento do seu direito; em segundo lugar, ao ser realizado o tratamento eletrônico do pedido, a administração deixou de examinar outros documentos, inclusive por meio da intimação prévia do interessado. O mesmo tipo de procedimento foi realizado pela DRJ, uma vez que deixou de intimar o interessado para apresentar a documentação que considerasse apta para comprovar o seu crédito. A recorrente, porém, apresentou a documentação necessária para comprovar seu crédito (no caso, a DCTF retificadora), a qual, uma vez não sendo considerada suficiente pela autoridade julgadora, deveria ter sido dado oportunidade para apresentar nova documentação. Entende que o valor está comprovado por meio da DIPJ do período e para comprovar o alegado requer perícia, em que formula questões e indica o seu perito. É o relatório. VOTO O recorrente alega que cometeu erro material ao preencher a DCTF original. No entanto, na impugnação, apresentou apenas uma DCTF "retificadora", a qual não produz qualquer efeito jurídico por ser intempestiva. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 13839.901420/200941 Resolução nº 1401000.365 S1C4T1 Fl. 133 4 Aduziu ainda que o valor correto da CSLL do período seria de R$ 753.448,47 e não R$ 787.686,33. O primeiro valor estaria consignado na sua DIPJ, enquanto o segundo (incorreto) teria constado incorretamente na DCTF original. Na fl. 117, consta cópia da DIPJ com o valor apurado de CSLL de 753.448,47. O deslinde da refrega depende da apuração fática. O documento carreado aos autos pela defesa precisa ser confirmado pela autoridade local. Ademais, pode não ser o único apresentado pelo interessado, além de divergir da sua contabilidade. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para a autoridade local: a) trazer aos autos todas as DCTF e DIPJ (originais e retificadoras) apresentadas no período; b) identificar os valores que serviram para extinguir o débito da estimativa de CSLL de janeiro de 2005 (pagamentos e compensações); c) dirimir, com base nas informações contábeis do interessado, a suposta divergência entre os valores consignados na DIPJ e na DCTF. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. É como voto. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10315.900417/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 17 /2 01 1- 45 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 339), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.408, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 341DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900417/201145 Acórdão n.º 3802004.073 S3TE02 Fl. 341 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 247/248): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassi ficação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 23169.22753.160208.1.5.012943 e consideradas nãohomologadas as compensações declaradas nos documentos 23036.44304.130109.1.7.018673 e 40996.67791.210109.1.3.01 2010. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 339), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900417/201145 Acórdão n.º 3802004.073 S3TE02 Fl. 342 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917874/2011-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 74 /2 01 1- 40 Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.736, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 53/59 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 03575.85957.110506.1.2.040091, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917874/201140 Acórdão n.º 3402002.765 S3C4T2 Fl. 2.976 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 10/12/2013 (fl. 62). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/12/2013, o Recurso Voluntário (fls. 64/84), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.209 (fls. 136/138),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.209 (fls. 136/138), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917874/201140 Acórdão n.º 3402002.765 S3C4T2 Fl. 2.977 5 A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.920/2.921 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 03575.85957.110506.1.2.040091, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 6.372,17 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 05/2003, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 6095175,24, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 5937442,7, concluise que integrou a Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 base de cálculo o montante de R$ 157.732,54 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 157.732,54. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 4.731,98. Em sua manifestação (fls. 2.926/2.929), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.928: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 4.731,98, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917874/201140 Acórdão n.º 3402002.765 S3C4T2 Fl. 2.978 7 Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19515.721776/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE - Mesmo uma suposta ausência de justa causa não ensejaria a nulidade da autuação, se daí não houvesse violação do direito à defesa e ao contraditório. No máximo, poderia acarretar a improcedência da autuação, tema a ser analisado em sede de mérito. No presente caso, contudo, a razão é justa - omissão de receita - e possui fundamento legal.
PERÍCIA CONTÁBIL - Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - ISENÇÕES - No caso de omissão de receita presumida com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não podem ser reconhecidas isenções em razão do seu caráter específico.
MULTA QUALIFICADA - AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO - A conduta omissiva também pode ser punida com o patamar qualificado da sanção pecuniária. Nada obstante, deve a autoridade fiscal externar minimamente as razões pelas quais decidiu aplicar a exasperação punitiva.
SELIC - Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1401-001.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE - Mesmo uma suposta ausência de justa causa não ensejaria a nulidade da autuação, se daí não houvesse violação do direito à defesa e ao contraditório. No máximo, poderia acarretar a improcedência da autuação, tema a ser analisado em sede de mérito. No presente caso, contudo, a razão é justa - omissão de receita - e possui fundamento legal. PERÍCIA CONTÁBIL - Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - ISENÇÕES - No caso de omissão de receita presumida com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não podem ser reconhecidas isenções em razão do seu caráter específico. MULTA QUALIFICADA - AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO - A conduta omissiva também pode ser punida com o patamar qualificado da sanção pecuniária. Nada obstante, deve a autoridade fiscal externar minimamente as razões pelas quais decidiu aplicar a exasperação punitiva. SELIC - Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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No máximo, poderia acarretar a improcedência da autuação, tema a ser analisado em sede de mérito. No presente caso, contudo, a razão é justa omissão de receita e possui fundamento legal. PERÍCIA CONTÁBIL Não deve ser aceito pedido de perícia, se a prova é de natureza eminentemente documental. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA ISENÇÕES No caso de omissão de receita presumida com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não podem ser reconhecidas isenções em razão do seu caráter específico. MULTA QUALIFICADA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A conduta omissiva também pode ser punida com o patamar qualificado da sanção pecuniária. Nada obstante, deve a autoridade fiscal externar minimamente as razões pelas quais decidiu aplicar a exasperação punitiva. SELIC Conforme dicção da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 76 /2 01 2- 37 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso apenas para desqualificar a multa de ofício. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO e AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Da autuação e da impugnação Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, relativamente ao anocalendário de 2008, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS e Cofins, mais acréscimos legais com multa qualificada de 150%. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 958 a 975. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Contra a contribuinte, acima qualificada, foi lavrado em 26/07/2012, o Auto de Infração de fls. 982/1.073, através do qual foi formalizado o crédito tributário referente ao IRPJ (R$ 441.394,47), de PIS (R$ 166.727,48); 2), de COFINS (R$ 769.511,34) e de CSLL (R$ 275.918,89), incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 08/2012. Fundamento legal: 1) IRPJ – fls.983; 2) PIS – fls.1.015; 3) COFINS – fls.1.010, e 4) CSLL – fls.998. O Termo de Descrição dos Fatos (fls.3.013/3.030) constatou os seguintes fatos e infrações: DOS FATOS: • Conforme consultas nos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil verificouse que o sujeito passivo apresentou para o período sob auditoria fiscal a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (art. 808 do RIR/99), Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF com Informações/Declarações divergentes Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721776/201237 Acórdão n.º 1401001.509 S1C4T1 Fl. 1.147 3 do apurado nos extratos de Movimento de Vendas das Operadoras de Cartão de Crédito Redecard, Visa e América Express, e nas Movimentações Financeiras das Instituições Financeiras Itaú / Unibanco e Bradesco S/A; • Nos procedimentos de auditoria Fiscal elaboramos planilhas para cada operadora de Cartão de Crédito e Instituição Financeira e após o cotejo com a Contabilidade, Livros Fiscais, DIPJ, DACON e DCTF constatamos que as receitas originadas do Movimento de Vendas através de CARTÕES DE CRÉDITO e Movimentações Financeiras de Créditos não Justificados eram superiores às receitas de vendas escrituradas e/ou oferecidas a tributação. DAS INFRAÇÕES • A Receita ou Rendimento omitido não escriturado e/ou não oferecido à tributação: trata se da diferença apurada entre os créditos não justificados, estornado os cheques devolvidos, acrescidos do movimento de vendas através de cartão de crédito e débito excluídos os valores declarados em DCTF e DACON; • Multa Qualificada: Nos casos de lançamento de ofício com ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, conforme determinação legal, artigo 44, parágrafo 1º da Lei 9430/96 e artigo 71 da Lei 4.502/64 aplicase o percentual de multa de 150%. A contribuinte tendo ciência do Auto de Infração (13/08/2012 – fls. 997) e, sentindose inconformada, dele recorreu a esta DRJ com a impugnação de fls.958/975 em 11/09/2012, com as alegações resumidas a seguir. • Inexistindo justa causa para a lavratura dos autos de infrações, ilegítima e nula se apresenta a proposta de autuação, cuja pretensão está eivada de nulidade absoluta; • O apontamento dos créditos tributários baseouse em meras presunções; • Os lançamentos inquinados foram baseados exclusivamente nos extratos bancários que representam somente meros indícios de acréscimo patrimonial; • Para que esteja revestido de eficácia jurídica e validade administrativa, deve preencher os requisitos legais, para tanto, apresentando (i) fundamentação fática, concreta e real, ocorrida e verificada, estando provada a ocorrência e a materialidade do fato gerador, (ii) esteja embasado em motivos reais, idôneos e existentes, de forma que não tenha suporte somente em mera ficção, suposição ou mesmo presunção fiscal, sem qualquer comprovação material através de documentos ou perícias; • Ocorreu a violação aos princípios do contraditório, ampla defesa e direito à petição; da capacidade contributiva, do não confisco e isonomia; • A multa no importe de 150% foge da atual realidade, pois é descabida e fora de qualquer critério de razoabilidade, proporcionalidade e equidade; • Se não há provas, inexiste fato gerador de tributos e tampouco elementos de fraude, observando, ainda, que a fraude não se presume, deverá sim ser comprovada na esfera administrativa para que surta efeitos e implique em tipificação pena a lei não ampara e jamais amparou a tributação pura e simples dos depósitos bancários; • As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, que incidem sobre a receita bruta decorrente da venda a varejo de computadores, notebooks e complementos informáticos ficam reduzidas a zero; • Apesar dessa isenção legal pela falta de ter sido oportunizado à Impugnante a possibilidade de demonstrar as vendas que nela se enquadram, foi considerado que todos os depósitos bancários "não justificados" e os recebimentos de cartões eletrônicos como receitas aptas a compor a base de cálculos para a incidência dos tributos PIS/PASEP e COFINS, ignorando a isenção; • É imperiosa a realização de perícia contábil, que foi vedada à Impugnante; Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 4 • Os depósitos bancários já foram tributados caracterizando dupla tributação, o que é vedado pelo ordenamento jurídico; • Inexigíveis os juros moratórios pela Taxa Selic pelo simples motivo de que a mora não se aperfeiçoou; • Requer a suspensão da exigibilidade tributária enquanto perdurar o trâmite da presente cognição, administrativa fiscal, deixando de praticar quaisquer atos executórios até a solução definitiva. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.083 a 1.102) negou provimento à defesa, conforme ementa abaixo transcrito: DEPÓSITOS BANCÁRIOS/OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a partir de 1997, caracteriza omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente notificado, não comprove a origem dos recursos utilizados, mediante documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração dos valores auferidos bem como a ausência da comprovação de sua natureza caracteriza omissão de receitas e o montante omitido será considerado para o cálculo dos tributos devidos de acordo com a legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 1.113 a 1.139, mediante o qual praticamente se limitou a reiterar (aliás, praticamente todos, ipsis litteris) argumentos já trazidos na impugnação. Só não reiterou o questionamento acerca da representação fiscal para fins penais. É o relatório do essencial. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721776/201237 Acórdão n.º 1401001.509 S1C4T1 Fl. 1.148 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Preliminar de nulidade A alegação de nulidade da autuação com base em suposta carência de uma justa causa para o lançamento não pode prosperar, mesmo que houvesse esse vício, pois seria questão de mérito. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os atos praticados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pois bem, nenhuma das duas hipótese se caracterizou. Depósitos bancários como base da autuação A defesa se assenta também na alegação de ilegitimidade da presunção realizada pela autoridade. Nada obstante, ela é esteada em expresso texto legal. É importante citar que a jurisprudência rejeitava a presunção de omissão de renda calcada exclusivamente em depósitos bancários, mas com relação a períodos anteriores a 1996. De 1997 em diante, o entendimento que deve prevalecer é outro. A edição da Lei 9.430/96, trouxe em seu artigo 42 a presunção legal de omissão de rendimentos a partir de créditos em contascorrentes bancárias de origem não comprovada. Na dicção cristalina do texto positivo, assim se estabelece: “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. E sempre vale recordar o que dispõe o art. 334 do Código de Processo Civil: “Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade”. Em suma, a omissão de receita é presumida em face dos depósitos e, por força dela, deve ser constituído o respectivo crédito tributário; e os depósitos estão comprovados por meio dos extratos cujas cópias constam dos autos. Ou seja, o Fisco fez prova do dado indiciário, que é suficiente para estabelecer a presunção de omissão de receita e, portanto, para impor a autuação. Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO 6 Multa qualificada Já me manifestei pela possibilidade de qualificação da multa no caso de condutas omissivas e não apenas as comissivas. Para tal, contudo, a intenção delitiva do agente deve ser inequívoca, como no caso da prática reiterada e relevante. Ademais, deve a autoridade fiscal externar as razões pelas quais considerou qualificada a conduta omissiva do agente a fim de exasperar o patamar punitivo; algo que não declinou no termo de verificação. A absoluta ausência de fundamentação impõe a redução da punição, conforme se manifestaram os demais conselheiros deste colegiado durante os debates. No presente feito, contudo, e como posição pessoal minha, gostaria de registrar que a autuação abarca apenas um anocalendário e é relativa à prática omissiva. Desse modo, entendo que não se caracterizou uma reiteração apta à revelar intenção dolosa. A multa deve, pois, ser reduzida ao seu patamar de 75%. Perícia contábil Conforme já bem explanado pela autoridade de primeiro grau, não há que se deferir perícia contábil. Em primeiro lugar, a prova contábil é sempre documental e, dessa forma, pode e deve ser carreada aos autos. Em segundo lugar, o julgador administrativo é técnico e, portanto, não se atém exclusivamente a enfrentar as questões de direito, mas também àquelas de âmbito contábil. Inconstitucionalidade Com fundamento nos princípios da ampla defesa, do contraditório e no direito de petição, o recorrente se insurge contra o perecimento do seu direito de redução de 50% da penalidade pecuniária. Ademais, se insurge contra o procedimento com base nos preceitos da isonomia, do não confisco e da capacidade contributiva. Ora, conforme já discorremos anteriormente, a autuação possui fundamento legal. O mesmo se diga das reduções condicionadas da penalidade pecuniária. Assim, afastar tais previsões com base em princípios seria realizar controle de constitucionalidade; competência estranha a este colegiado, conforme previsto na Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. PIS e Cofins – alíquota zero Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO Processo nº 19515.721776/201237 Acórdão n.º 1401001.509 S1C4T1 Fl. 1.149 7 O recorrente alega que faria jus à redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins para a venda a varejo de equipamentos de informática, conforme previsto no Decreto nº 5.602/05. Seu entendimento se calca no seu objeto social e no fato de a maioria das suas vendas ser desses materiais. Ora, o referido decreto concede o favor fiscal para itens específicos em razão da sua natureza e de limites de valor para cada peça. Tais características não são passíveis de verificação em razão justamente de o contribuinte não ter identificado a origem das omissões. Juros SELIC Quanto aos argumentos pela não aplicação dos juros segundo a taxa SELIC, esse tema já consta de súmula, cuja aplicação é obrigatória: “Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Conclusão Isso posto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa ao seu patamar de 75%. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES – Relator Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTON IO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 16020.000013/2012-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543-C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para o período de apuração em que houve pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN.
Numero da decisão: 9101-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decisão dos membros do colegiado: 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido; 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, dado provimento parcial ao Recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Prazo. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LYS ELETRO COMPANY IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1998, 30/06/1998, 30/09/1998 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para o período de apuração em que houve pagamento ou confissão parcial dos débitos, a contagem do prazo decadencial deve observar a regra contida no §4º do art. 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: 1) Quanto ao conhecimento, por unanimidade de votos, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido; 2) Quanto ao mérito, por maioria de votos, dado provimento parcial ao Recurso, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 00 13 /2 01 2- 22 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 697 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) em 02/06/2009 (fls. 586/602), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), alegando divergência jurisprudencial em relação à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. 2. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130100.007, de 11/03/2009, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, acolheu preliminar de decadência levantada de ofício pelo relator em relação aos três primeiros trimestres de 1998. 3. O acórdão recorrido foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003. RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício interposto quando inferior ao limite de alçada estabelecido pela legislação de regência. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA FATO GERADOR TRIMESTRAL. A Fazenda Pública dispõe de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. No caso de arbitramento dos lucros, o fato gerador ocorre no último dia de cada trimestre, sendo este o marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 698 3 ARBITRAMENTO DOCUMENTOS EM PODER DO FISCO ESTADUAL OUTROS DOCUMENTOS NÃO APRESENTADOS. Deve ser mantido o lançamento com base no arbitramento dos lucros, quando ficar demonstrado que, mesmo se admitido que parte dos livros e documentos requisitados pela Fiscalização Federal estaria na posse do Fisco Estadual, restariam ainda não apresentados outros livros e documentos cuja falta é suficiente, em quantidade e qualidade, para autorizar o arbitramento, à luz da legislação aplicável. 4. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à definição do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. 4.1. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida por este e. Conselho sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do tributo, devendo, portanto, ser reformado; o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso está representado nos acórdãos paradigmas com as seguintes ementas: Acórdão n.° 20401.182 NORMAS PROCESSUAIS DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. O prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Porém, a incidência da regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação; aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se não houver antecipação de pagamento do tributo, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar como termo a quo para fluência do prazo decadencial aquele do artigo 173,1, do Código Tributário Nacional. Acórdão nº 10246.355 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). Fl. 699DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 699 4 quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa adequadamente o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (omissão, acréscimo patrimonial a descoberto, arbitramento), ou não sendo escorreito esse recolhimento (inexatidão), o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173,1, do CTN; no caso em tela, verificada a ausência de pagamento, ocorreu o lançamento de ofício. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, e sim, o art. 173, I, do CTN; no caso em tela, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que a empresa contribuinte teve o lucro arbitrado. Portanto, sendo caso de ausência de pagamento, cabível é a aplicação do art. 149, V, do CTN, motivo pelo qual foi efetuado o lançamento de ofício pela autoridade administrativa; não há que se falar em homologação do art. 150 do CTN, prolatável no prazo de 5 anos contados do fato gerador. Ao contrário, sob o amparo do art. 149, V, a Administração poderá exercer o direito de lançar de ofício, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública na forma do art. 173 do CTN; nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (Resp 614833, Min. Rei. Castro Meira, 2ª Turma, julgado em 21/03/2006, DJ de 30/03/2006); tal entendimento encontrase refletido no voto condutor do terceiro acórdão indicado como paradigma, Acórdão nº CSRF/0103.103; para os fatos geradores ocorridos nos 3 primeiros trimestres de 1998, o lançamento poderia ser efetuado em 1998, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1º de janeiro de 1999 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31.12.2003. Como a ciência do lançamento aconteceu em 18/12/2003, não houve lançamento a destempo. 5. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN (fls. 610/611), o Presidente da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 094/2010, de 09/04/2010, admitiu o recurso especial pelas seguintes razões: Procedida a análise do pleito contido nos autos vejo que restam adimplidos os pressupostos previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICSRF/09 quanto ao cabimento e adequação (caput, art. 67), ao prequestionamento (§ 3º, art. 67), quanto a tempestividade verificada às fls. 452 e 456 (caput, art. 68). Passo à análise do quesito quanto à similitude fática, jurisprudencial e aos resultados dos julgados postos em apreciação, senão vejamos. Em síntese, o acórdão hostilizado estabeleceu que não é na presença, nem na ausência ou na antecipação do pagamento que Fl. 700DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 700 5 reside o cerne da querela, e sim na sistemática estabelecida nas duas regras, sendo uma de caráter geral e outra específica, contidas nos artigos 150, § 4º, e 173, ambos do CTN, onde o lançamento de ofício é anterior ou posterior ao pagamento do tributo, em observância ao mandamento expresso no § 2º do artigo 150 deste mesmo diploma legal, in verbis: § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Ou seja, entendeu a decisão recorrida que, por força do mandamento retrotranscrito, o momento da realização do pagamento não influencia no dies a quo da contagem do prazo decadencial. Por sua vez os acórdãos oferecidos a título de paradigmas de divergência pela recorrida condicionam a aplicação da regra específica (art. 150, § 4°, do CTN) à obrigatoriedade da antecipação do pagamento, por conseguinte o momento da realização do pagamento do tributo devido influência no marco inicial para a contagem do prazo decadencial para a exigência do tributo devido. Logo, existindo entre os acórdãos confrontados similitude fática e jurisprudencial, outrossim decisões opostas, comprovada está também quanto a este quesito admissibilidade do recurso especial. Por tais razões, no exercício da competência que me foi outorgada pelo § 1º do artigo 68 do Anexo II da Portaria MF n° 256/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. 6. Intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, a contribuinte apresentou tempestivamente as contrarrazões de fls. 631 a 634, conforme despacho de fls. 667, alegando que inúmeros julgados dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda já decidiram que a regra aplicada no caso de lançamento por homologação é a do citado artigo 150, § 4º , do CTN, no caso de não haver fraude ou dolo. 6.1. Em reforço a essa alegação, ela transcreve várias ementas de julgados dos antigos Conselhos de Contribuintes. 7. É o relatório. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 701 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. 3. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 2002. 3.1. O lançamento foi realizado em 18/12/2003. A apuração dos referidos tributos se deu pelo regime do lucro arbitrado, em períodos trimestrais. 3.2. A multa foi inicialmente aplicada no percentual de 112,5%, mas a decisão de primeira instância administrativa a reduziu para 75%. 3.3. Na seqüência, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão recorrido) acolheu preliminar de decadência levantada de ofício pelo relator do processo, para fins de afastar as exigências relativas aos três primeiros trimestres de 1998. 3.4. Essa decisão aderiu ao entendimento de que as regras de decadência aplicáveis devem seguir a sistemática de apuração de cada tributo, independentemente da presença ou ausência de pagamento; de que a regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento, como ocorre com o IPTU; e que os tributos sujeitos a lançamento por homologação (caso do IRPJ e da CSLL) estão sujeitos ao prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. 3.5. O recurso especial da PGFN voltase exatamente para essa questão, e defende a idéia de que a aplicação do prazo decadencial mais curto, previsto no art. 150, § 4º, do CTN depende sim da presença ou ausência de pagamento, e não apenas da atividade exercida pelo contribuinte para apuração da base de cálculo do tributo. 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à matéria em pauta: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não Fl. 702DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 702 7 prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). 4.1. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 4.2. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. 4.3. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. 4.4. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. 4.5. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. 5. No caso em análise, o acórdão recorrido, ao tratar da decadência das exações fiscais, considerou irrelevante verificar a presença ou ausência de pagamento, pelo que essa decisão merece ser reformada. 5.1. Com efeito, está comprometido o seu fundamento, amparado no entendimento de que o que interessa é a atividade exercida pelo contribuinte, e não a presença ou ausência de pagamento. 5.2. Como o lançamento ocorreu em 18/12/2003, há diferentes resultados para a decadência dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos três primeiros trimestres de 1998, conforme se aplica o prazo previsto no art. 150, §4º, ou no art. 173, I, ambos do CTN. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 703 8 5.3. É que para esses fatos geradores, o termo inicial para a contagem da decadência pela regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" seria o dia 01/01/1999, e nesse caso o lançamento realizado em 18/12/2003 deixa de estar fulminado pela decadência. 5.4. Os três primeiros trimestres de 1998 são os períodos que interessam para o exame do presente recurso especial. 5.5. Compulsando os autos, observase que durante os trabalhos de auditoria fiscal foi verificado que a contribuinte havia declarado débitos de IRPJ e CSLL em DCTF, conforme consta da "Descrição dos Fatos" contida no auto de infração: Entendemos que todos requisitos previstos na legislação acima estão contidos neste caso e, portanto, estamos procedendo ao ARBITRAMENTO do lucro do contribuinte nos períodos de 01/1998 até 09/2002. O lucro arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida, conforme determina o artigo 532 do RIR/99 e artigo 27 da Lei 9.430/96. O faturamento do contribuinte foi extraído do livro diário e razão (fls 83/194) e da DIPJ (fls 195/320). Os valores declarados de IRPJ e CSLL foram extraídos das DCTFs, conforme extratos às fls 321/344. (grifos acrescidos) 5.6. Tais valores foram deduzidos dos débitos apurados, conforme indicam os demonstrativos do auto de infração. Assim, o próprio auto de infração reconhece e deduz no terceiro trimestre de 1998 valores declarados em DCTF a título de IRPJ e CSLL, nos montantes de R$ 1.297,29 e R$ 988,42, respectivamente. 5.7. Essa dedução caracteriza reconhecimento de pagamento/confissão parcial, o que implica na contagem da decadência pela regra do art. 150, §4º, do CTN, conforme o referido entendimento pacificado pelo STJ. 5.8. Por outro lado, para o primeiro e o segundo trimestres de 1998, não havendo pagamento e nem confissão de débitos de IRPJ e CSLL, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, o que resulta no afastamento da decadência que havia sido reconhecida para esses dois períodos. 6. Assim, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujos fatos geradores ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 1998. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 704DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 16020.000013/201222 Acórdão n.º 9101002.158 CSRFT1 Fl. 704 9 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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