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Numero do processo: 10920.911368/2012-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.
O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 68 /2 01 2- 19 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 382,73, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 15/01/2004. Despacho Decisório do DRF/Joinville indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado no PeR acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que o Pedido de Restituição referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins e do PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições. Argumentou que o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Aduziu que o PIS ou a Cofins só podem incidir sobre o faturamento, representado, unicamente, pelo somatório dos valores das operações negociadas, descabendo assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa, e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrálo. Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2003 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Cientificada da decisão em 9 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 240.7852/MG que teve seu julgamento suspenso, com votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido , bem como no RE 574.706 no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911368/201219 Acórdão n.º 3803005.310 S3TE03 Fl. 49 3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implicitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 Se o cálculo do ICMS fosse por fora Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911368/201219 Acórdão n.º 3803005.310 S3TE03 Fl. 50 5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911368/201219 Acórdão n.º 3803005.310 S3TE03 Fl. 51 7 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.000823/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2007
IPI - FATO GERADOR - ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A PRODUTOR - SUBSEQÜENTE SAÍDA DE PRODUTOS IMPORTADOS - SUSPENSÃO - ART.29 DA LEI N°10.637/02.
A suspensão do IPI nas saídas de MP, PI e ME, destinados a estabelecimento da indústria alimentícia, produtos farmacêuticos, calçados e químicos orgânicos e inorgânicos, não alcança as operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial..
Numero da decisão: 3402-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso. Vencidos Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Designado conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor.
GILSON ROSENBURG FILHO - Presidente Substituto e Relator Designado
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Nayra Bastos Manatta (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro; João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida DRJ SALVADOR BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2007 IPI FATO GERADOR ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A PRODUTOR SUBSEQÜENTE SAÍDA DE PRODUTOS IMPORTADOS SUSPENSÃO ART.29 DA LEI N°10.637/02. A suspensão do IPI nas saídas de MP, PI e ME, destinados a estabelecimento da indústria alimentícia, produtos farmacêuticos, calçados e químicos orgânicos e inorgânicos, não alcança as operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso. Vencidos Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Designado conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho para redigir o voto vencedor. GILSON ROSENBURG FILHO Presidente Substituto e Relator Designado FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Nayra Bastos Manatta (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro; João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 08 23 /2 00 8- 81 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 101 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (fls. 143/168) contra o v. Acórdão/DRJ/SDR nº 1527.851 de 26/07/11 (fls. 123/138) exarado pela 4ª Turma da DRJ de Salvador BA que, por unanimidade de votos, houve por bem considerar “procedente” o lançamento original de IPI consubstanciado no Auto de Infração IPI (MPF nº 0810400/00591/07 fls. 37/648/), notificado em 29/01/08 (fls. 38), no valor total de R$ 1.367.290,51 (IPI R$ 627.128,16; juros de mora R$ 108.831,09; multa proporcional 75% R$ 470.346,08; e multa IPI não lançado c/ cobertura de crédito R$ 160.985,18), que acusou a ora Recorrente de “falta de lançamento do imposto”, no período de 31/10/04 a 30/09/07 nos seguintes termos: “001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DA SUSPENSÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO Falta de lançamento de imposto nas saídas do estabelecimento de produtos importados tributados com a utilização indevida da suspensão do IPI, no período de janeiro/2004 a setembro/2004. A utilização indevida da suspensão do IPI, decorreu do fato de ser o contribuinte equiparado a um estabelecimento industrial nestas operações, e não um estabelecimento industrial, conforme determina a legislação tributária pertinente à matéria, tudo de conformidade com o relatado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante do presente Auto de Infração. A legislação tributária que trata da matéria pode ser encontrada no artigo 44, inciso I, do RIPI/2002; artigo 31 da Medida Provisória n° 66/2002; artigo 30 da Medida Provisória n° 75/2002; artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, com redação dada pelo artigo 25 da Lei n°.10.684/2003; no artigo 9º, inciso inciso I, da Instrução Normativa SRF pela Instrução Normativa SRF no. 429/2004. Pode ser de Consulta no. 12/2003 da Coordenação do Sistema de Tributação COSIT. Período de Apuração Valor Apurado (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 34, inciso II, 41, 42.,122, 123, inciso I, alínea “r” e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso inciso II, (199, { )199 e parágrafo único, 200, inciso IV, 202, inciso III, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02)” No Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento anexo ao AI (fls. 35/36) anexo ao AI, a d. Fiscalização da DRF de Campinas esclarece o método de fiscalização nos seguintes termos: Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 102 3 “Em decorrência das análises efetuadas em um maior período de tempo, com base no 08104002007005912 pude apurar que a infração cometida pelo contribuinte, que a seguir será relatada, ocorreu, de fato, no período de setembro/2002 a setembro/2007. As operações descritas nas notas fiscais com a irregularidade apurada eram de Venda de Mercadoria Adquirida ou recebida de Terceiros, onde foram adotados os CFOPS 5.102 e 6.102. 0 contribuinte em apreço, além do processo de industrialização que desenvolve, importa, entre outros, produtos denominados de "bolsa de plástico", classificados no código 3923.90.00, e tributado pelo IPI com a alíquota de 15%, de acordo com o disposto na Tabela de Incidência do IPI, aprovada pelo Decreto n°. 4.070/2001 TIPI/2002, reproduzido nas Tabelas de Incidência do IPI, aprovadas pelo Decreto n°. 4.542/2002 TIPI/2003 e pelo Decreto n° 6.006/2006 TIPI/2007. Sem proceder sobre os produtos importados em comento nenhum processo de industrialização, de acordo com informação escrita fornecida pelo contribuinte, deu saída a estes produtos do seu estabelecimento com suspensão do IPI, com base no artigo 44, inciso I, do RIPI/2002 a seguir reproduzido (artigo 31 da Medida Provisória n° 66/2002; artigo 30 da Medida Provisória n° 75/2002; artigo 29 da Lei n°. 10.637/2002, com redação dada pelo artigo 25 da Lei n°. 10.684/2003). Art. 44 Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do imposto: 1 as MP, PI e ME, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 9, 11, 12, 15 a 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 2105.00, da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (Medida Provisória n° 66, de 2002, art. 31, e Medida Provisória n° 75, de 2002, art. 30). 0 contribuinte ao realizar a importação de produtos e dar a eles saídas do estabelecimento sem proceder sobre eles nenhum processo de industrialização, fica equiparado a um estabelecimento industrial com relação a estas operações, de acordo com o disposto no artigo 9°., inciso I, do RIPI/2002, a seguir reproduzido: Art. 9° Equiparamse a estabelecimento industrial: 1 os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saldas a esses produtos. No entanto, de acordo com o descrito no caput do artigo 44 do RIPI/2002, já reproduzido, e no artigo 23, inciso II, da Instrução Normativa SRF no. 296/2003, com redação dada pela Instrução Normativa SRF no. 429/2004, a seguir reproduzido, a Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 103 4 suspensão do IPI em comento não se aplica a um estabelecimento equiparado a industrial. , Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF n°. 429, de 21/06/2004) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4°. Sobre o assunto dispõe, ainda, a Solução de Consulta no. 12/2003 da Coordenação do Sistema de Tributação COSIT, a seguir reproduzida, ratificando o entendimento de que o benefício da suspensão do IPI, no caso sob exame, não alcança, de fato, as operações de saídas de produtos importados pelo contribuinte, operações estas que o equipara a um estabelecimento industrial. "A suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n°. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com redação dada pelo art. 25 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não alcança as operações realizadas por estabelecimento importador que tenha sido equiparado a industrial por força do inciso I do art. 4° da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, regulamentado pelo inciso I do art. 9° do Decreto n°. 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (Regulamento do IPI Ripi/2002." Em razão do todo o exposto, fica claramente demonstrado que a suspensão do IPI, no caso sob exame, somente caberia se as saídas de produtos fossem de um estabelecimento industrial, e não de um estabelecimento equiparado a industrial. Ao dar saída do estabelecimento, então, com suspensão do IPI de produtos por ele importados, condição esta que o equipara a um estabelecimento industrial, o contribuinte incorreu em um descumprimento de uma das condições para a utilização do referido benefício fiscal, que seria a saída dos referidos produtos fosse efetuada de um estabelecimento industrial (artigo 44, inciso I, do RIPI/2002; artigo 31 da Medida Provisória n° 66/2002; artigo 30 da Medida Provisória n° 75/2002; artigo 29 da Lei n°. 10.637/2002, com redação dada pelo artigo 25 da Lei n°. 10.684/2003; no artigo 9°., inciso I, do RIPI/2002; artigo 23, inciso II, da Instrução Normativa SRF no. 296/2003, com redação dada pela Instrução Normativa SRF no. 429/2004 e a Solução de Consulta no. 12/2003 da Coordenação do Sistema de Tributação COSIT, todos já reproduzidos neste Termo Fiscal). Nestas operações, como estabelecimento equiparado a industrial, o importador deve se creditar do IPI pago no desembaraço aduaneiro, como de fato o fez, e destacar o IPI nas saídas do estabelecimento destes produtos/insumos, o que ele não o fez, já que deu saída a eles com suspensão deste imposto. Por todo o exposto, o IPI não lançado pelo contribuinte nas saídas do seu estabelecimento dos produtos/insumos Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 104 5 importados será cobrado, com os devidos acréscimos legais, mediante a lavratura de Auto de Infração. Para que pudesse ser efetuado o lançamento do IPI foi solicitado ao contribuinte planilha contendo as operações de saídas de produtos do estabelecimento relativas ao período de julho/2002 a setembro/2007. Desta planilha foram extraídas todas as operações de saídas de mercadorias, com suspensão do IPI, a título de Venda de Mercadoria Adquirida ou recebida de Terceiros cujas notas fiscais informavam os CFOPS 5.102 e 6.102.” Em razão desses fatos a d. Fiscalização acusa infringência aos artigos capitulados no AI, considerando devidos, além do principal e os Juros à taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, e as multas de 75%, capituladas nos no art. 80 caput e inc. I da Lei 4.502/64, nas redações dadas pelo art. 13 da MP nº 351/07 e pelo art. 13 da Lei n° 11.488, de 15.06.2007. Por seu turno a r. decisão recorrida fls. 123/138 da 4ª Turma da DRJ de Salvador BA, houve por bem considerar “procedente” o lançamento original de IPI, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2004 a 30/09/2007 IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização. SUSPENSÃO DO IPI. ART.29 DA LEI N°10.637, DE 2002. A regra da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei n° 10.637, de 2002, na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003, não alcança as operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial, exceto quando se tratar de estabelecimento comercial atacadista equiparado a industrial que opere na comercialização dos produtos de que trata o art. 4° da IN SRF n° 296, de 2002. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de oficio, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo créditos para abater os débitos do imposto não lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 105 6 Nas razões de Recurso de Voluntário (fls. 143/168) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta e insubsistência do lançamento e da r. decisão de 1ª instância que o manteve tendo em vista: a) que exerce a atividade de importação e fabricação de “bolsas plásticas especialmente preparadas para a indústria alimentícia”, produto que exige rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização em razão da finalidade em que é empregado, o que a coloca como estabelecimento industrial por equiparação; b) que haveria equívoco na interpretação adotada pelo Fisco que, além de contrariar os motivos que justificam a criação do mecanismo de "suspensão do IPI" pelo art. 29 da Lei n° 10.637/02, agride frontalmente a lei da "equiparação a industrial" prevista na legislação tributária, na medida em que promove a descabida e injustificada “desequiparação" de situações igualadas pela lei; c) que os produtos importados saídos de seu estabelecimento destinamse a sofrer processo de industrialização por terceiros, nos termos art. 4° do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), que exerce atividade de preparo esterilização nas bolsas plásticas, mesmo naquelas que foram importadas, como demonstram as notas fiscais de custos com esterilização anexadas; que as disposições das INs não estariam em conformidade com a lei, em descumprimento ao que prevê o sistema tributário brasileiro traçado na Constituição Federal; d) o texto da questionada regra exonerativa embutida no art. 29 da Lei n° 10.637/02, relativo a suspensão, é dirigida ao produto e não ao contribuinte, como prevê o art.47 do RIPI/2002; d) qualificar as aquisições como "matériaprima", "produto intermediário" e "material de embalagem" na perspectiva do adquirente, é a primeira condição a ser cumprida para o afastamento da incidência do IPI a que estaria sujeito o fornecedor; esses insumos devem efetivamente ser utilizados pelo adquirente na elaboração de determinados produtos, com o que estariam consumadas as condições preestabelecidas para que a prévia "suspensão do IPI", que se transforma em definitiva isenção, como confirma o art. 40 do RIPI/2002; e) que não sendo exigível o IPI não há como haver exigência de multa, conforme § 8° do art. 80 da Lei n° 4.502/64, alterado pela Lei n° 11.488, de 2007; contesta ainda a legalidade da exigência de juros calculados à TAXA SELIC É o relatório. Voto Vencido Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido e, no mérito merece provimento. No caso concreto, é incontroverso que, nos expressos termos da legislação de regência, o fato gerador do IPI ocorre, tanto no “desembaraço aduaneiro” de produto industrializado importado (arts. 46, inc. I e 51 inc. I do CTN, art. 2º, inc. I e §§ 2º e 3º da Lei nº 4.502 de 30/11/64), quanto na subseqüente saída do produto recém nacionalizado pelo respectivo estabelecimento importador (arts. 46, inc. II e 51 inc. II do CTN, art. 2º, inc. II da Lei nº 4.502 de 30/11/64) que, nesta última hipótese equiparase a estabelecimento produtor para fins de incidência do IPI na operação interna (art. 4º incs. I e II da Lei nº 4.502 de 30/11/64), assim como suas filiais que exerçam comércio de produtos importados, e portanto estão “obrigados ao pagamento do imposto”, como contribuintes originários “em relação aos produtos tributados que, real ou fictamente, saírem de seu estabelecimento (art. 35, inc. I, alínea “a” da Lei nº 4.502 de 30/11/64), cuja “importância “a recolher será o montante do Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 106 7 imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período (cf. art. 25 da Lei nº 4.502 de 30/11/64). Achamse expressamente excluídas desta equiparação a estabelecimento produtor e, conseqüentemente excluídas da incidência da tributação interna do IPI, somente as saídas a “filiais e demais estabelecimentos” que exercem o “comércio de produtos importados” e “operem exclusivamente na venda a varejo” (cf. art. 4º, inc. II e § 2º da Lei nº 4.502 de 30/11/64), não excogitadas no caso. Entretanto, a Recorrente objeta que estando equiparada a estabelecimento industrial para todos os efeitos da Lei instituidora do IPI e, tratandose de material de embalagem (produto denominado de “bolsa de plástico”, classificados no código 3923.90.00, e tributado pelo IPI com a alíquota de 15% cf. a TIPI/02, aprovada pelo Dec. n°. 4.070/2001, na TIPI/03, aprovada pelo Dec. n° 4.542/2002 e na TIPI/07 aprovada pelo Dec. n° 6.006/2006) não estaria obrigada ao recolhimento do IPI na saída dos produtos importados, por força da suspensão prevista no art. 44 do RIPI/02, que por sua vez foi concedida pelo art. 29 da Lei nº 10.637/02, nos seguintes termos: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no CAPÍTULO 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 3 de março de 2009) II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2º O disposto no caput e no inciso I do § 1º aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 107 8 anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3º Para fins do disposto no inciso II do § 1º, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 80% (oitenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. Por seu turno, depois de esclarecer que”o contribuinte em apreço, além do processo de industrialização que desenvolve, importa, entre outros, produtos denominados de "bolsa de plástico", classificados no código 3923.90.00, e tributado pelo IPI com a alíquota de 15%”, e que, “de acordo com informação escrita fornecida pelo contribuinte, deu saída a estes produtos do seu estabelecimento com suspensão do IPI, com base no artigo 44, inciso I, do RIPI/2002”, incorrendo em “descumprimento de uma das condições para a utilização do referido benefício fiscal, que seria a saída dos referidos produtos fosse efetuada de um estabelecimento industrial” eis que a suspensão não se aplicaria a “estabelecimento equiparado a industrial”, tal como esclarece a Instrução Normativa SRF nº 296/2003, com redação dada pela Instrução Normativa SRF no. 429/2004 que em seu o artigo 23, inciso II, expressamente dispõe que: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF n°. 429, de 21/06/2004) II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4°. Fixada a controvérsia passo ao exame de mérito. Inicialmente releva notar que a matéria relativa à definição das hipóteses de “suspensão de créditos tributários” encontrase sob reserva absoluta da lei (cf. art. 97, inc. VI do CTN), sendo certo que as disposições que concedem a suspensão obviamente integram a lei tributária material, eis que, definindo as hipóteses em que o imposto será devido, desde logo enumeram aquelas em que o seu pagamento seria suspenso e em que condições e prazos, donde decorre que a assunção, pelo contribuinte e responsáveis aos requisitos e pressupostos legais da suspensão, não configura uma “conditio facti”, sujeita à livre disposição pelas partes livremente pactuada, mas sim uma “condictio juris”, isto é, um requisito legal de legitimação previamente estabelecido pela lei, não suscetível de modificação ou restrição pela vontade das partes da relação jurídico tributária. Por outro lado cumpre ainda ressaltar que a suspensão, não se confunde com isenção nem com imunidade, vez que ao contrário destas duas últimas, na hipótese de suspensão a obrigação tributária surge desde logo ao realizarse a saída do produto, sendo que o que não se perfaz é sua exigibilidade, transferida ou diferida para outra etapa do processo de industrialização, quando o imposto até então suspenso é pago englobadamente no preço do produto final. Nessa ordem de idéias verificase ao mesmo tempo em que equipara a estabelecimento produtor “para todos os efeitos”, os “estabelecimentos que exercerem o comércio de produtos importados” (art. 4º, inc. I da Lei nº 4.502/64) determinando que “são obrigados ao pagamento do imposto”, “como contribuinte originário”, “inclusive os que lhe Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 108 9 são equiparados (....) com relação aos produtos tributados que real ou fictìciamente, saírem de seu estabelecimento” (cf. art. 35, inc. I, alínea “a” da Lei nº 4.502/64), a própria lei ordinária prevê que se houver suspensão de tributo condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabíveis, como se a suspensão não existisse (art. 9º, § 1º da Lei nº 4.502/64 na Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Por seu turno a lei específica concessiva da suspensão (art. 29 da Lei nº 10.637/02) se limita a estabelecer que as MP, PI e ME, destinados a estabelecimento da indústria alimentícia, produtos farmacêuticos, calçados e químicos orgânicos e inorgânicos, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto, sem fazer qualquer distinção ou vedação em relação aos estabelecimentos que lhe são equiparados, sendo que esta vedação somente foi feita pela IN/SRF nº 296/2003, com redação dada pela IN/SRF no. 429/2004 (art. 23, inciso II), invocado pela d. Fiscalização. Tratandose de matéria integralmente submetida à reserva absoluta da lei (art. 97, incs. VI do CTN), à qual devem estrita subserviência (arts. 99 e 100, inc. I do CTN, parece não haver dúvida que os requisitos da suspensão tributária, assim como da responsabilidade decorrente do desvio dos produtos objeto da suspensão, jamais poderiam ser fixados por Decreto, Portaria ou Instruções Normativa, cuja competência não se reveste de suficiente idoneidade jurídica que lhes permita que restringir direitos ou criar obrigações obviamente não poderiam instituir novas condições jurídicas, obrigações, penalidades ou responsabilidades tributárias, posto que este campo de regulamentação se acha sob reserva absoluta da lei, à qual devem estrita subserviência (arts. 99 e 100, inc. I do CTN). Nesse sentido, já assentou a Suprema Corte que “o princípio constitucional da reserva de lei formal traduz limitação ao exercício das atividades administrativas e jurisdicionais do Estado. A reserva de lei analisada sob tal perspectiva constitui postulado revestido de função excludente, de caráter negativo, pois veda, nas matérias a ela sujeitas, quaisquer intervenções normativas, a título primário, de órgãos estatais nãolegislativos. Essa cláusula constitucional, por sua vez, projetase em uma dimensão positiva, eis que a sua incidência reforça o princípio, que, fundado na autoridade da Constituição, impõe, à administração e à jurisdição, a necessária submissão aos comandos estatais emanados, exclusivamente, do legislador. Não cabe, ao Poder Executivo, em tema regido pelo postulado da reserva de lei, atuar na anômala (e inconstitucional) condição de legislador, para, em assim agindo, proceder à imposição de seus próprios critérios, afastando, desse modo, os fatores que, no âmbito de nosso sistema constitucional, só podem ser legitimamente definidos pelo Parlamento. É que, se tal fosse possível, o Poder Executivo passaria a desempenhar atribuição que lhe é institucionalmente estranha (a de legislador), usurpando, desse modo, no contexto de um sistema de poderes essencialmente limitados, competência que não lhe pertence, com evidente transgressão ao princípio constitucional da separação de poderes.” (Cf. AC. do STF Pleno na ADI nº 2075MC/RJ, em sessão de 07/02/01, Rel. Min. CELSO DE MELLO, publ. in DJU de 27/06/03, pág. 28, EMENT VOL0211602 pág. 251) No mesmo sentido o E. STJ tem reiteradamente proclamado que: “o ato administrativo, no Estado Democrático de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF/88, arts. 5º, II, 37, aput, 84, IV), o que equivale assentar que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instrução, portaria, etc.), não pode a Fl. 362DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 109 10 Administração inovar na ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos de terceiros. (...) Consoante a melhor doutrina, ‘é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre nós, por força dos arts. 5, II, 84, IV, e 37 da Constituição, só por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer: restrição alguma se impõem à liberdade ou à propriedade pode ser imposta se não estiver previamente delineada, configurada e estabelecida em alguma lei, e só para cumprir dispositivos legais é que o Executivo pode expedir decretos e regulamentos.’ (Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo. São Paulo, Malheiros Editores, 2002, págs. 306/331)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 584.798PE, Reg. nº 2003/01571957, em sessão de 04/11/04, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 06/12/2004 p. 205) No caso, o motivo determinante invocado no lançamento (vedação contida em Instrução Normativa) para denegar a suspensão no recolhimento do IPI por si só não autoriza o não reconhecimento do direito à suspensão excogitada. Prendendose exclusivamente às faltas de lançamento e recolhimento do IPI nas subseqüentes saídas objeto da suspensão assegurada pelo art. 29 da Lei nº 10.637/02 mostramse insubsistentes a acusação e as pretensões fiscais (imposto, multas e acréscimos), eis que, a Recorrente não estava obrigada ao pagamento do tributo postergado para a etapa subseqüente, que somente se tornaria devido se comprovado destino diverso (art. 9º, § 1º da Lei nº 4.502/64 na Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), inocorrente no caso Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida, e cancelar as exigências de imposto, multa e acréscimos por insubsistentes, eis que aplicadas na ausência dos pressupostos legais. É como voto. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator Designado. A questão controvertida resumese em saber se a regra de suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 alcança as operações realizadas por estabelecimentos equiparados a industrial. O Colegiado, pelo voto de qualidade, entendeu que a regra acima citada só contemplaria o estabelecimento industrial, não tendo seus efeitos irradiados aos equiparados a industrial pelo RIPI/2002. A Instância a quo, em seu brilhante voto, demonstrou que a legislação da época não estendia a suspensão do IPI para os equiparados a industrial, de sorte que peço vênia para manter sua decisão por seus próprios fundamentos, que abaixo reproduzo: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 110 11 A legislação tributária instituiu benefício fiscal favorecendo a industrialização dos produtos alimentícios, farmacêuticos, e outras hipóteses que especifica, com fulcro no art.31 da Medida Provisória nº66, de 29 de agosto de 2002, alteração dada pelo art.30 da Medida Provisória nº 75, de 24 de outubro de 2002, ao permitir que os estabelecimentos que se dediquem preponderantemente às tais industrializações possam adquirir as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com suspensão do IPI: “Art. 31. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da TIPI; II – pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2º O disposto no caput e no inciso I do § 1º aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a sessenta por cento de sua receita bruta total no mesmo período. § 3º Para fins do disposto no inciso II do § 1º , considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a oitenta por cento de sua receita bruta total no mesmo período. § 4º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que trata o caput e o §1º serão desembaraçados com suspensão do IPI. § 5º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento Fl. 364DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 111 12 industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no parágrafo anterior, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I – atender aos termos e as condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II – declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. MP nº75, de 2002 Art. 30. Ficam acrescentados à relação de que trata o art. 31 da Medida Provisória nº 66, de 2002, os Capítulos 10, 28, 29 e 31 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI.” Posteriormente, foi editada pela RFB a Instrução Normativa nº 296, de 06 de fevereiro de 2003, visando disciplinar as disposições relativas ao regime de suspensão, contidas no art. 66 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e tendo em vista o disposto no art. 5º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002: Fabricantes de produtos autopropulsados “Art. 2º Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, adquiridos para emprego na industrialização dos produtos autopropulsados classificados nos Códigos 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 8704.10.00, 8704.2, 8704.3, 87.05, 8706 e 87.11 da Tabela de Incidência do IPI (Tipi). Art. 3º Serão desembaraçados com suspensão do IPI os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, importados diretamente pelo estabelecimento industrial, para emprego na industrialização dos produtos autopropulsados classificados nos códigos 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 8704.10.00, 8704.2, 8704.3, 87.05, 87.06 e 87.11 da Tipi. Art. 4º O disposto nos arts. 2º e 3º aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial, de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela IN SRF 429, de 21/06/2004). (...)” Medida Provisória nº2.18949, de 23 de agosto de 2001 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 112 13 “Art. 17. Fica instituído regime aduaneiro especial relativamente à importação, sem cobertura cambial, de insumos destinados à industrialização por encomenda dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por conta e ordem de pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior. § 1º Consideramse insumos, para os fins deste artigo, os chassis, as carroçarias as peças, as partes, os componentes e os acessórios. § 2º A importação dos insumos darseá com suspensão do IPI. § 3º O Imposto de Importação somente incidirá sobre os insumos importados empregados na industrialização dos produtos, inclusive na hipótese do inciso II do § 4º § 4º Os produtos resultantes da industrialização por encomenda terão o seguinte tratamento tributário: I – quando destinados ao exterior, resolvese a suspensão do IPI incidente na importação e na aquisição, no mercado interno, dos insumos neles empregados; II – quando destinados ao mercado interno, serão remetidos obrigatoriamente a empresa comercial atacadista, controlada, direta ou indiretamente, pela pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, por conta e ordem desta, com suspensão do IPI. § 5º A empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda equiparase a estabelecimento industrial.” A Instrução Normativa nº 296, de 2003, disciplina ainda os procedimentos relativos ao regime de suspensão em foco, a serem adotados quanto às aquisições por estabelecimentos da indústria alimentícia, produtos farmacêuticos, calçados e químicos orgânicos e inorgânicos, o faz sem alterar o alcance dado pela Lei nº 10.637, de 2002, no art.29, apenas explicitando, no art. 23, inciso II, que o disposto contido na lei não é aplicável aos estabelecimentos equiparados a industrial, exceto quando se tratar de estabelecimento comercial equiparado a industrial pela legislação do IPI, na operação a que se refere o art. 4º (que em hipótese alguma foi estabelecido pela instrução normativa e sim pelo §5º do art.17 da MP 2.18949, de 23 de agosto de 2001, como transcrito no parágrafo anterior): “Outros produtos Art. 17. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as MP, PI e ME destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 113 14 21.01 a 2105.00 da Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados).(Redação dada pela IN SRF 342, de 15/07/2003). § 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. § 2º As MP, PI e ME importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. § 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à Delegacia da Receita Federal (DRF) ou à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (Defic) de seu domicilio fiscal os produtos que elabora e as MP, PI e ME que irá adquirir nos mercados interno e externo. (...) Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I – às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Ora, como a própria contribuinte já afirmou, o benefício da suspensão não foi instituído para beneficiar a fornecedora dos insumos, mas tampouco o foi para beneficiar os insumos saídos com suspensão. O benefício ora em questão foi instituído para beneficiar os produtos da indústria alimentícia, cujos estabelecimentos atendessem as condições para adquirirem as MP, PI e ME. Quanto a comprovação de que as empresas adquirentes dos insumos atendiam ao pré requisito para aquisição das mercadorias com suspensão não houve qualquer questionamento, e embora a impugnante tenha alegado que já tinham sido entregues oportunamente à fiscalização, mas “estranhamente” não foram anexadas aos autos, tal matéria já está superada ante as declarações fornecidas pelas empresas adquirentes dos insumos, de que atendiam às exigências do caput do art.29 da Lei nº 10.637, de 2002, ora anexadas aos autos pela impugnante, DOC.03. 3. Como visto, a lei que instituiu o mencionado benefício da suspensão não prevê a inclusão dos estabelecimentos equiparados a industrial, embora tenha previsto que o desembaraço dos insumos poderia se dar com suspensão, quando estes fossem importados diretamente pelo próprio estabelecimento industrial, para emprego na industrialização dos produtos discriminados, e neste caso, não fez distinção entre serem tais produtos auto propulsantes ou outros produtos. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 114 15 Há que ser ressaltado que o fato de a legislação admitir a importação direta pelas empresas da indústria alimentícia, §4º do art.29 da Lei n° 10.637/2002, assegurando idêntico tratamento de suspensão do IPI, na importação direta desses insumos pelos estabelecimentos industriais que fabricam os produtos ali contemplados, não autoriza o entendimento de que também as saídas das aquisições efetuadas por empresas meramente importadoras, também possam ser efetuadas ao abrigo da suspensão. O legislador não pretendeu ampliar o alcance da regra exonerativa com a intenção de beneficiar, tanto aos estabelecimentos que industrializem seus produtos quanto àqueles que são contribuintes do IPI por equiparação, na condição de importadores dos produtos revendidos. Apesar de a equiparação a industrial ser promovida por lei, há distinção entre os estabelecimentos industriais e os apenas equiparados, sujeitandose, cada um destes, às obrigações e procedimentos previstos na legislação do IPI, e não o contrário como firmara a impugnante. Relativamente ao argumento da impugnante de que a IN SRF Nº 296, de 2003, ato de hierarquia inferior a lei, não tem força para criar tratamento discriminatório para o contribuinte equiparado a industrial, com quebra da isonomia, pois está dirigida às importações do segmento automotivo, especialmente para os insumos importados que são destinados para fabricação de veículos autopropulsados, classificados nas posições 8701 a 8705 da TIPI, verificase que não foi a instrução normativa, em seu art.4º, que criou a possibilidade de os estabelecimentos equiparados a industrial poderem dar saída com suspensão dos insumos quando endereçados ao setor automotivo. Tampouco menciona a instrução normativa que naquele dispositivo estariam abrangidos todos os estabelecimentos equiparados a industrial. Registrese que no dispositivo normativo há ressalva que tão somente estariam abarcados os estabelecimentos de que trata o § 5º do art. 17 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001 – a empresa comercial atacadista adquirente dos produtosresultantes da industrialização por encomenda. Além disso, haveria que ser a empresa comercial atacadista, controlada, direta ou indiretamente, pela pessoa jurídica encomendante domiciliada no exterior, por conta e ordem desta, com suspensão do IPI, conforme §4º da MP 2.18949, de 2001. A instrução normativa, ao prever que também as saídas dos insumos para industrialização dos produtos autopropulsados classificados nos Códigos 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 8704.10.00, 8704.2, 8704.3, 87.05, 8706 e 87.11 da TIPI poderia se dar com suspensão o faz tão somente em relação à empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda, que neste caso, é equiparada a estabelecimento industrial, inexistindo no dispositivo normativo qualquer inovação, para ampliar o Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 115 16 alcance do benefício aos estabelecimentos equiparados a industriais quanto às MP, PI e ME adquiridos por estabelecimento que se dediquem aos produtos classificados nos capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex.01 no código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 e nem tampouco a excepcionar estabelecimentos que já não estivessem previstos na lei concessiva do benefício. Por fim, cito o voto do conselheiro Antonio Carlos Atulim que enfrentou com abordagem digna de aplausos a questão da equiparação a estabelecimento industrial promovida pelo art. 4º da Lei nº 4.502/64: Ao contrário do que sustentou o Relator do acórdão recorrido, a equiparação prevista no art. 4º da Lei nº 4.502/64, não é para “todos os efeitos legais”, mas apenas e tãosomente para os “efeitos desta lei”. Portanto, os estabelecimentos enumerados no art. 4º da Lei nº 4.502/64 são estabelecimentos industriais para todos os efeitos da Lei nº 4.502/64, estando, portanto, sujeitos a todos os ônus e bônus de um contribuinte do IPI. Entretanto, isto não impede que leis futuras criem regimes ou benefícios específicos para o industrial e equiparados, ou para alguns equiparados em detrimento de outros, conforme seja o desígnio que o legislador pretenda atingir. Foi o que aconteceu com o art. 5º da Lei nº 9.826/99, que assim dispõe: “Art. 5º A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carrocerias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI.” (grifei) Conforme se pode observar, o legislador concedeu o direito de forma taxativa apenas para os estabelecimentos industriais e a apenas a um dos equiparados a industrial enumerados no art. 9º do RIPI/98, que é o importador. Somente com a publicação do art. 4º da Lei nº 10.485/2002 foi que o direito à suspensão e de manutenção e utilização do crédito correlato, foi estendido a outras entidades, conforme se pode verificar na novel redação: “Art. 4º. O artigo 5º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01 a 87.06 e 87.11, da TIPI, sairão com suspensão do IPI do estabelecimento industrial. § 1º Os componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes e peças, referidos no caput, de origem estrangeira, serão Fl. 369DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 116 17 desembaraçados com suspensão do IPI quando importados diretamente por estabelecimento industrial. § 2º A suspensão de que trata este artigo é condicionada a que o produto, inclusive importado, seja destinado a emprego, pelo estabelecimento industrial adquirente: I na produção de componentes, chassis, carroçarias, acessórios, partes ou peças dos produtos autopropulsados; II na montagem dos produtos autopropulsados classificados nas posições 84.29, 84.32, 84.33, 87.01, 87.02, 87.03, 87.05, 87.06 e 87.11, e nos códigos 8704.10.00, 8704.2 e 8704.3, da TIPI. § 3º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. § 4º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no caput deverá constar a expressão ‘Saída com suspensão do IPI’ com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 5º Na hipótese de destinação dos produtos adquiridos ou importados com suspensão do IPI, distinta da prevista no § 2º deste artigo, a saída dos mesmos do estabelecimento industrial adquirente ou importador darseá com a incidência do imposto. § 6º O disposto neste artigo aplicase, também, a estabelecimento filial ou a pessoa jurídica controlada de pessoas jurídicas fabricantes ou de suas controladoras, que opere na comercialização dos produtos referidos no caput e de suas partes, peças e componentes para reposição, adquiridos no mercado interno, recebidos em transferência de estabelecimento industrial, ou importados. (NR) Parágrafo único. O disposto no inciso I do § 2º do art. 5º da Lei no 9.826, de 23 de agosto de 1999, com a redação alterada por este artigo, alcança, exclusivamente, os produtos destinados a emprego na produção dos produtos autopropulsados relacionados nos Anexos I e II desta Lei.” (grifei). Portanto, somente com o advento do § 6º acima transcrito foi o direito estendido à ora recorrente. Não se olvide que o art. 178 do RIPI/98 estabelece que: “Art. 178. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA Processo nº 10830.000823/200881 Acórdão n.º 3402001.904 S3C4T2 Fl. 117 18 § 2º O direito à utilização do crédito está subordinado ao cumprimento das condições estabelecidas para cada caso e das exigências previstas para a sua escrituração, neste Regulamento.” Desse modo, é fora de qualquer dúvida que o art. 4º da Lei nº 4.502/64 não criou uma equiparação para qualquer efeito legal e nem impede que normas futuras criem distinções entre estabelecimentos industriais e equiparados a industrial e nem entre equiparados entre si. Noutro giro, não se pode esquecer o pelo art. 111 do Código Tributário Nacional determina que a interpretação de normas que regem a suspensão deve ser literal, não dando espaço a qualquer interpretação extensiva. Assim sendo, entendo que a suspensão pretendida pelo recorrente só contempla o estabelecimento industrial e não se aplica aos equiparados. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 371DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 9/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FERNANDO LUIZ D A GAMA LOBO D ECA
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Numero do processo: 10840.002697/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais - que não dispõem de função legislativa - não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Silvia de Brito Oliveira - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira - Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSTO PRÓPRIO. SÚMULAS 68 E 94. IMPOSSIBILIDADE. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Silvia de Brito Oliveira Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 26 97 /2 00 6- 19 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros SILVIA DE BRITO OLIVEIRA (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO e NAYRA BASTOS MANATTA Fl. 403DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002697/200619 Acórdão n.º 3402002.349 S3C4T2 Fl. 403 3 Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS e COFINS, supostamente recolhidos indevidamente entre novembro de 2001 e outubro de 2002, no montante de R$ 978.434,88, sob alegação de indevida inclusão dos valores de ICMS e IPI na base de cálculo das referidas contribuições, recolhidas pelas montadoras por substituição tributária, embasando tal alegação em suposto entendimento do STF. O pedido foi indeferido, por meio de Despacho Decisório (fls. 334/337 – n.e.), alegando que a base de cálculo das contribuições é composta por todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica e que o valor de ICMS não está entre as exclusões da base de cálculo previstas em lei. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 343/355 – n.e.), argumentando, em apertada síntese, que a ampliação da base de cálculo das citadas contribuições (art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98) seria inconstitucional, pois que a dita lei foi publicada antes da edição da Emenda Constitucional nº 20/98, que veio a alterar o art. 195 da Constituição Federal, ampliando o conceito de faturamento. Aduz, portanto, que o ICMS não poderia ser incluído na base de cálculo das contribuições sociais em discussão, pois que não compreendida no conceito de faturamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de conformidade apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), proferiu o Acórdão de nº. 1434.575, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2001 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da Fl. 404DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 4 contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido.” Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que só se faz possível a exclusão da base de cálculo da Cofins, o valor relativo a ICMS, nos casos de substituição tributária, o que não seria o caso da contribuinte. Destaca, ainda, que o faturamento inclui todas as receitas de venda, das quais o ICMS faz parte, pois que integra o preço de venda das mercadorias. Quanto ao entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, menciona súmula do STJ, decisão do antigo Conselho de Contribuintes e atual julgamento do STF, para ressaltar que a matéria está sub judice no STF, portanto não haveria como aplicar suposto entendimento deste tribunal ao caso concreto, uma vez que o tema referente a inclusão do ICMS na base de cálculo ainda encontrase pendente. No que tange a restituição de IPI, aduz que a requerente não é contribuinte deste tributo, assim não há que se falar em exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições. Quanto ao IPI pago pela montadora, destaca que por não haver substituição tributária, não subsiste a possibilidade de restituição de IPI para o caso em discussão. Ao fim, votou pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 16/08/2011, conforme AR de fls. 368 – n.e., o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 369/383) em 08/09/2011, apresentando novos doutrinadores e julgados, porém repisando os mesmos argumentos já levantados em sede de Manifestação de Inconformidade, que por respeito à brevidade, não os repetirei, pedindo, ao fim, que seja deferido seu pedido de restituição, acarretando, assim, a devolução da importância recolhida indevidamente a título de PIS e COFINS sobre os valores de ICMS e IPI inseridos inconstitucionalmente em suas bases de cálculo. DO SOBRESTAMENTO Em sessão do dia 25 de abril de 2012, em atenção à Portaria CARF nº 1, de 03 de janeiro de 2012, os membros desta turma, por unanimidade de votos, entenderam por bem sobrestar o julgamento do processo em discussão, pois que a matéria discutida nos autos encontrase comprovadamente sobrestada pelo Supremo Tribunal Federal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 401 (quatrocentos e um), estando apto para análise desta Fl. 405DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002697/200619 Acórdão n.º 3402002.349 S3C4T2 Fl. 404 5 Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A primeira questão em discussão que emana dos autos, diz respeito à possibilidade, defendida pela Recorrente, ou à vedação, sustentada pela Administração de se excluir da base de cálculo da Contribuição à PIS e COFINS, os valores relativos ao ICMS incidentes sobre as operações de venda, sob o fundamento de que tais valores, na realidade, constituirseiam em receitas pertencentes ao Estado e não ao contribuinte. Adentrando ao mérito da questão, sabese que a matéria é objeto de discussão no âmbito do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 240.7852/MG, em curso de julgamento desde 1999, que discute a incidência no âmbito da Lei n° 9.718/98. Em referido RE o “score” está 6x1 em favor do contribuinte, tendo sido publicado o seguinte resultado de julgamento: "O TRIBUNAL, POR MAIORIA, CONHECEU DO RECURSO, VENCIDOS A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA E O SENHOR MINISTRO EROS GRAU. NO MÉRITO, APÓS OS VOTOS DOS SENHORES MINISTROS MARCO AURÉLIO (RELATOR), CÁRMEN LÚCIA, RICARDO LEWANDOWSKI, CARLOS BRITTO, CEZAR PELUSO E SEPÚLVEDA PERTENCE, DANDO PROVIMENTO AO RECURSO, E DO VOTO DO SENHOR MINISTRO EROS GRAU, NEGANDOO, PEDIU VISTA DOS AUTOS O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES. AUSENTES, JUSTIFICADAMENTE, OS SENHORES MINISTROS CELSO DE MELLO E JOAQUIM BARBOSA. FALARAM, PELA RECORRENTE, O PROFESSOR ROQUE ANTÔNIO CARRAZA E, PELA RECORRIDA, O DR. FABRÍCIO DA SOLLER, PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. PRESIDÊNCIA DA SENHORA MINISTRA ELLEN GRACIE. PLENÁRIO, 24.08.2006". Sabese também, no entanto, que houve a apresentação da Ação Declaratória de Constitucionalidade n° 18, na qual foi concedido provimento judicial para que se sobrestassem os julgamentos de matérias similares a esta até o julgamento final da lide pela Corte Suprema, sendo em razão desta liminar que tais demandas aguardam o pronunciamento do STF, inclusive as que estavam pendentes perante este Conselho por força da Portaria MF n° nº 256, de 22 de junho de 2009, revogada através da Portaria MF n° 545, de 18 de novembro de 2013. Tenho, no entanto, que a matéria está muito longe de restar pacificada mesmo com eventual decisão do STF favorável aos contribuintes, pois que dela emanariam efeitos que alterariam premissas firmadas há décadas a respeito do ICMS, inclusive de ordem criminal (por ser imposto próprio ou de terceiro, p. ex.) e que acabariam por não resolver, também, as demandas que poderiam se originar nos períodos em que as contribuições ao PIS e à COFINS passaram a ser apuradas sob o regime da não cumulatividade, pois que viria à toma o Fl. 407DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002697/200619 Acórdão n.º 3402002.349 S3C4T2 Fl. 405 7 questionamento sobre o direito de se tomar crédito sobre a parcela do ICMS incluído no custo das mercadorias para revenda ou dos insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens. Firmouse a premissa de que o ICMS é um “imposto próprio”, ou seja, seu ônus é do próprio contribuinte, e seu mecanismo de incidência não comporta a transferência jurídica do encargo ao adquirente da mercadoria (diferentemente do IPI, no qual se fatura o preço do produto e o preço do IPI, separadamente). Daí surgem efeitos primeiramente no art. 166, do CTN, para fins de eventual indébito e demandas por créditos, e também no âmbito criminal, pois que a simples falta de pagamento de ICMS poderá passar a ser considerada “apropriação indébita”, pois que o contribuinte passaria a ser mero depositário do tributo, para repassálo ao ente arrecadador estadual. Daí porque já no final da década de 1980 e início da de 1990, o Superior Tribunal de Justiça editou as Súmulas n°s. 68 e 94, com os seguintes teores: Súmula 68. A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Súmula 94. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Sabese que o FINSOCIAL foi substituído pela COFINS com a edição da Lei Complementar n° 70/91, tanto que no início acabou recebendo a alcunha de “novo Finsocial”, acomodando com isso as diversas discussões quanto à sua constitucionalidade que pairavam no Brasil pós Constituição de 1988. A digressão história anterior foi necessária para dizer que a análise jurídica da exclusão do ICMS das bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS passam pela análise da constitucionalidade do art. 13, da Lei Complementar n° 87/96 (Lei Kandir), que determina que o ICMS seja calculado “por dentro”, e que lhe concede todo esse contorno de “imposto próprio”, como mencionado alhures. E essa competência para declarar a inconstitucionalidade de Lei tributária não cabe aos julgadores do CARF, nos termos da Súmula CARF n° 2. Tratase de uma função que compete ao STF e que o fará com o julgamento da ADC n° 18. Até lá, temse a presunção de constitucionalidade da Lei, tanto do art. 13 da LC 87/96, como da Lei n° 9.718/98 questionada em sede de STF, e que não preveem a hipótese de exclusão da receita bruta de vendas ou do faturamento, os valores relativos ao ICMS incidente sobre as vendas, de modo que não merece amparo o pleito recursal. Finalmente, trago à colação parte do voto do ilustre Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que ao julgar o Processo n° 13851.001210/200640 (sessão de janeiro de 2014, pendente de publicação), com maestria pontuou: ...em relação à inclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois como acertadamente ressaltou a r. decisão recorrida, ao contrário do que ocorre com o IPI, o ICMS, por expressa disposição do art. 13 da LC nº 87/96, integra o preço da mercadoria faturado que é apurado “por dentro”, não havendo previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS contrariamente ao que ocorre no caso do IPI (art. 3º da Lei nº 9.715/98). Nesse sentido Fl. 408DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR 8 anoto que a matéria já se pacificou, no âmbito do STJ, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo da COFINS e do PIS, ante a ratio essendi das Súmulas 68 e 94 do STJ. 2. Precedentes jurisprudenciais do STJ: Ag 666548/RJ, desta relatoria, DJ de 14.12.2005; RESP 496.969/RS, Relator Ministro Franciulli Netto, DJ de 14/03/2005; RESP 668.571/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/12/2004 e RESP 572.805/SC, Relator Ministro José Delgado, DJ de 10/05/2004. 3. Embargos de declaração acolhidos para sanar o erro material e negar provimento ao recurso especial interposto por Irmãos Amalcaburio Ltda e Outros (fls. 564/592).” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no EDcl no AgRg no REsp 706766RS, Reg. nº 2004/01685982, em sessão de 18/05/06, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 29/05/06 p. 169) Finalmente releva notar que no caso excogitado (pretensão de exclusão de base de cálculo não prevista em lei), a Suprema Corte tem reiterado que, tal como ocorre com as autoridades administrativas, mesmo “os magistrados e Tribunais – que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, o benefício da exclusão do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção. Entendimento diverso, que reconhecesse aos magistrados essa anômala função jurídica, equivaleria, em última análise, a converter o Poder Judiciário em inadmissível legislador positivo, condição institucional esta que lhe é recusada pela própria Lei Fundamental do Estado. Em tema de controle de constitucionalidade de atos estatais, o Poder Judiciário só atua como legislador negativo (RTJ 146/461, Rel. Min. Celso de Mello). (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Agr. Reg. no AI nº 171.733SP, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ vol. 188/237) Desta forma, entendo que agiu com acerto a DRJ ao manter a incidência das contribuições em questão sobre a parcela relativa ao ICMS, pois que este é imposto próprio do contribuinte que forneceu à Recorrente, e não mero depositário do tributo em favor do Estado da federação. Quando a segunda questão sob julgamento, no que tange o pedido de restituição dos valores da contribuição à COFINS calculadas por substituição tributária e cobradas DA Recorrente sobre o IPI devido pelo substituto tributário, tenho que igualmente não assiste razão ao contribuinte, assim como já votado no julgamento de primeira instância. Isto porque, resta claro que a requerente não é contribuinte deste tributo, e este passa a ser seu custo ao ser inserido no cálculo das contribuições, não havendo como haver seu indébito como pretendido pela Recorrente. Assim não há que se falar em exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições ao Pis e nem da COFINS. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR Processo nº 10840.002697/200619 Acórdão n.º 3402002.349 S3C4T2 Fl. 406 9 Também não merece prosperar o tocante ao IPI pago pela montadora, uma vez que não houve substituição tributária, não subsistindo, portanto, a possibilidade de restituição de IPI para o caso em discussão. Com efeito, na esteira das considerações acima, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/0 4/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUN IOR
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Numero do processo: 11080.731901/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS CONCOMITANTES COM MÚTUOS ATIVOS.
A concomitância de operações realizadas pelo contribuinte a titulo oneroso (empréstimos bancários) e a título gratuito (mútuos ativos com empresas ligadas) faz com que as despesas de juros correspondentes aos valores repassados sejam consideradas desnecessárias e, portanto, passíveis de glosa pelo Fisco.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ATRIBUÍDA A DIRETORES. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. INDEDUTIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, são indedutíveis do lucro tributável os valores distribuídos a administradores a título de participação nos resultados. A eleição para cargo de diretor estatutário suspende o contrato de trabalho do empregado. O pagamento de verbas trabalhistas torna-se mera liberalidade, que não possui o condão de transformar a relação estatutária numa relação de emprego, não podendo acarretar qualquer influência para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS CONCOMITANTES COM MÚTUOS ATIVOS. A concomitância de operações realizadas pelo contribuinte a titulo oneroso (empréstimos bancários) e a título gratuito (mútuos ativos com empresas ligadas) faz com que as despesas de juros correspondentes aos valores repassados sejam consideradas desnecessárias e, portanto, passíveis de glosa pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ATRIBUÍDA A DIRETORES. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. INDEDUTIBILIDADE. Por expressa disposição legal, são indedutíveis do lucro tributável os valores distribuídos a administradores a título de participação nos resultados. A eleição para cargo de diretor estatutário suspende o contrato de trabalho do empregado. O pagamento de verbas trabalhistas torna-se mera liberalidade, que não possui o condão de transformar a relação estatutária numa relação de emprego, não podendo acarretar qualquer influência para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS CONCOMITANTES COM MÚTUOS ATIVOS. A concomitância de operações realizadas pelo contribuinte a titulo oneroso (empréstimos bancários) e a título gratuito (mútuos ativos com empresas ligadas) faz com que as despesas de juros correspondentes aos valores repassados sejam consideradas desnecessárias e, portanto, passíveis de glosa pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ATRIBUÍDA A DIRETORES. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. INDEDUTIBILIDADE. Por expressa disposição legal, são indedutíveis do lucro tributável os valores distribuídos a administradores a título de participação nos resultados. A eleição para cargo de diretor estatutário suspende o contrato de trabalho do empregado. O pagamento de verbas trabalhistas tornase mera liberalidade, que não possui o condão de transformar a relação estatutária numa relação de emprego, não podendo acarretar qualquer influência para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 01 /2 01 1- 81 Fl. 4882DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4883DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Trata o presente processo de lançamentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ (fls. 1885/1892) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL (fls. 1893/1899), exigindo um crédito tributário total de R$ 8.932.564,43, em razão de o contribuinte ter apresentado no ano calendário de 2007 dívidas onerosas, concomitantemente com a existência de mútuos parcialmente graciosos com pessoas ligadas, de sorte que parte das despesas financeiras contabilizadas pelo contribuinte e que não foram repassadas ao tomador final dos recursos foram enquadradas pela fiscalização no conceito de despesa não necessária à manutenção da atividade empresarial. Uma segunda infração referese à contabilização de despesas a título de participação nos resultados de diretores estatutários sem adição na determinação do lucro real da parcela correspondente, que é indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 1902/1923), o contribuinte realiza operações de mútuo a longo prazo com pessoas jurídicas ligadas e, concomitantemente, reconhece contabilmente a existência de passivos com instituições financeiras, estes mais onerosos, o que caracterizaria a existência de despesas financeiras desnecessárias, pois a transferência dos recursos ao mutuário é efetuada sem o repasse integral das taxas cobradas pelo financiador. As contas que registram as operações são as de código 120103 CAUÇÕES COLIGADA E CONTROLADAS; 120111 CONTA CORRENTE COLIGADAS e 120112 CONTA CORRENTE DE COLIGADAS – GA, perfazendo créditos de R$ 182.388.783,47, em 31/12/2006, e R$ 153.159.237,42, em 31/12/2007. Tais valores decorrem de dois tipos de contratos. O primeiro tipo, “Contratos de Conta Corrente e Outras Avenças” firmado pelo prazo de 10 anos, com a RBS Participações S/A (dois contratos), Agência RBS de Notícias Ltda., RBS Marketing, Informática e Com. Ltda. e RBS Com. e Licenciamento de Marcas Ltda. Os contratos com a RBS Participações S/A e com a RBS Licenciamento de Marcas Ltda. prevêem a cobrança de juros, enquanto que os outros dois foram firmados graciosamente. Conforme a cláusula primeira de todos os contratos as partes comprometemse a, reciprocamente, colocar uma a disposição da outra, mediante remessas, recursos compreendendo valores ou créditos, o que caracterizaria o mutuo na forma de conta corrente entre as pessoas jurídicas (fls. 11/20). As contas contábeis sintéticas registravam os seguintes valores: conta 120111, R$ 10.688.690,33, em 31/12/2006, e R$ 11.208.264,07, em 31/12/2007; a conta 120112, R$ 99.558.822,07, em 31/12/2006, e R$ 109.548.424,22, em 31/12/2007. A planilha Mútuos Ativos (fls. 1924/1931) demonstra a consolidação dos saldos diários das contas. O segundo tipo de contrato, “Contrato Particular de Caução e Outras Avencas”, firmado em 31/12/2005 com a RBS Administração e Cobranças Ltda., com saldo de R$ 72.141.271,07, em 31/12/2006, e R$ 32.402.549,13, em 31/12/2007. As operações foram registradas em vinte contas analíticas do Ativo Realizável a Longo Prazo de código 120103 e agrupadas nos balancetes sob o código 120103.001 COLIG E CONTROL GARANTIDORAS e 120103.101 COLIG E CONTROL OUTRAS. O objeto do contrato é a prestação pela RBS Fl. 4884DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Administração e Cobrança de serviços de recebimento e pagamento de créditos e débitos da Zero Hora, mediante a concessão de uma caução fixada em R$ 54.446.662,35 (contrato firmado em 31/12/2005) a ser mantida em conta corrente contábil na escrita da RBS Administração e Cobrança. Foram firmados contratos aditivos elevando a caução para R$ 72.141.271,07, em 31/12/2006, e reduzindo para R$ 32.402.549,13, em 02/01/2008, sendo esta, conforme cláusula terceira dos aditivos, correspondente a adiantamento mantido naquela data em conta corrente da contratada. No referido contrato não há previsão de remuneração pelos serviços prestados, não havendo, contabilmente, valores registrados a esse título. A análise dos lançamentos a débito e a crédito, efetuados diariamente nas contas 120103, revela que o contrato em tela é na verdade uma conta corrente entre as duas empresas, típico mútuo conta corrente. O procedimento adotado para justificar o crédito da RBS Zero Hora perante a RBS Administração e Cobrança foi adequar periodicamente, mediante a celebração de contratos aditivos, o valor da denominada “caução” de forma a fazêla coincidir com o saldo da conta corrente. Assim, as “cauções” ou “adiantamentos” fixados no contrato e aditivos possuem valores idênticos ao saldo da conta 120103 no último dia dos anos calendário, representando nada mais do que o crédito da RBS Zero Hora junto à RBS Administração e Cobrança naquelas datas. Ou seja, não se trata da garantia para um risco de não pagamento/devolução como o termo “caução” poderia fazer supor, mas mera formalização de um “adiantamento” de valores já existentes na prática. O autuante ressalta que, no caso das duas pessoas jurídicas, o risco de não pagamento era inexistente, posto serem sociedades ligadas, sob controle e administração das mesmas pessoas físicas, o que não justificaria a permanência em poder da RBS Cobrança dos altos valores a título de “caução” e por tão longo prazo. Tal situação somente se justificaria se a intenção fosse justamente de manter os recursos à disposição da RBS Administração e Cobrança. O autuante aponta que a cláusula sétima do contrato previa que, se o saldo mantido na conta contábil fosse superior ao valor previsto para a “caução”, a contratada deveria devolver, mediante transferência bancária, cheque nominativo ou crédito corrente contábil da contratante, ou de quem esta viesse indicar, o valor excedente da caução. Entretanto, em 30/06/2006 o saldo efetivo era de R$ 89.840.063,90 e em 31/12/2006 era de R$ 72.141.271,06, sem que tenha havido qualquer devolução do valor excedente à caução. O autuante sintetiza as características do contrato firmado pelo contribuinte com a RBS Administração e Cobrança, da seguinte forma: a) Um valor elevado de recursos da RBS Zero Hora, denominado contratualmente “caução” ou “adiantamento” ficava a disposição da RBS Administração e Cobrança; b) Além dessa “caução” ou “adiantamento”, o saldo positivo gerado pela existência de valores recebidos em montante superior àqueles a pagar ficava também à disposição da RBS Administração e Cobrança; c) Os recursos não eram devolvidos, ficando graciosamente à disposição da RBS Administração e Cobrança, sendo firmados contratos aditivos sucessivos de maneira a formalizar o crédito da RBS Zero Hora corrente entre as pessoas jurídicas; Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 13 5 d) Não era cumprida a cláusula de devolução semestral dos valores excedentes à “caução/adiantamento”; e) Em diligência realizada junto a RBS Administração e Cobrança, com base nos balancetes dos anos calendário de 2005 a 2008, foi constatado que esta não apenas teve a posse dos recursos, como também fez uso deles, mediante a aplicações financeiras e repasses onerosos a outras pessoas jurídicas do grupo, efetuados na forma de contratos de conta corrente do mesmo tipo daqueles efetuados pela RBS Zero Hora. Com isto, obteve benefícios, recebendo as receitas financeiras decorrentes dos títulos de renda bancários e dos juros cobrados das coligadas. Em relação às operações de crédito passivo, o autuante afirma que elas estão sintetizadas nas contas do Passivo a Curto Prazo código 002 2104 – Financiamentos, e do Passivo de Longo Prazo código 002 2204 – Financiamentos, com saldos em 31/12/2006 de R$ 70.382.469,04 e de R$ 179.604.970,07, respectivamente, e de R$ 2.535.942,05 e R$ 327.812.564,27 em 31/12/2007. Excluindose os passivos vinculados diretamente a aquisição de bens, restam as contas representativas de financiamento sem fins específicos, dentre as quais as que o contribuinte denomina de “capital de giro” ou “CG”, em reais e em moeda estrangeira. Em 31/12/2006, constavam R$ 49.283.570,00 em financiamentos de giro curto prazo e R$ 121.477.418,50 em financiamentos de giro de longo prazo, totalizando R$ 170.760.988,50. Em 31/12/2007 os saldos eram de R$ 2.535.942,05 a título de financiamento de giro de curto prazo e R$ 327.812.564,27 a título de financiamento de giro de longo prazo, totalizando R$ 330.348.506,32 (fls. 129/30 e 1932/1933). A autuante questiona o fato de o contribuinte apresentar créditos com pessoas jurídicas ligadas de R$ 182.388.783,47, em 31/12/2006, e R$ 153.159.237,42, em 31/12/2007, a maior parte graciosos, enquanto contabiliza financiamentos onerosos para fins de capital de giro de R$ 170.760.988,82, em 31/12/2006, e R$ 330.348.506,32, em 31/12/2007, fato que tornaria desnecessárias as despesas incorridas com esses financiamentos, já que as despesas se apresentaram superiores às receitas obtidas com os recursos deixados com as pessoas jurídicas ligadas. No ano calendário de 2007, as despesas contabilizadas em contas denominadas “juros giro” foram de R$ 45.240.072,56 e as despesas correspondentes às contas de “variação cambial”, tanto de giro, como de hedge resultaram em R$ 4.034.669,91, totalizando R$ 49.274.472,47. Já a receita contabilizada com “juros s/ coligadas” limitouse a R$ 13.136.469,89, ou seja, menos de 27% das despesas incorridas (fls. 1616/1619 e 1941/1942). Afirma a autuante que as contas de despesas financeiras e variação cambial relativas a financiamentos vinculados diretamente à aquisição de bens (estoques, imobilizado), descontos, despesas bancárias e denominadas “juros outros” foram consideradas como despesas dedutíveis, não integrando o presente lançamento. Ressalta a autuante que as despesas geradas pelo passivo oneroso, contraído para obtenção de capital de giro, são muito maiores que as receitas geradas pelos recursos entregues para as coligadas, mesmo sendo os mútuos ativos maiores que os mútuos passivos. A discrepância devese ao fato de a maior parte dos créditos/mútuos ativos serem graciosos, não gerando receitas, enquanto os mútuos passivos com terceiros são onerosos, gerando despesas. Nessas condições, as despesas deixam de ser dedutíveis em razão de se mostrarem desnecessárias a atividade do contribuinte, pois, se as elevadas disponibilidades de recursos Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 que foram destinados para pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial permanecessem em seu poder não haveria a necessidade de assunção de custos e despesas com financiamentos. Afirma que o procedimento do contribuinte, ao disponibilizar e manter recursos junto a suas coligadas, com uma grande parcela desses recursos sem geração de qualquer receita, ao passo que suporta o ônus dos financiamentos, sendo que o maior deles foi integralmente repassado a uma de suas coligadas, configura ato de mera liberalidade, o que torna parte das despesas não necessária à atividade da pessoa jurídica e, portanto, não dedutível das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Na quantificação do montante considerado não dedutível, o autuante somou os saldos diários de cada conta de mútuo, resultando no saldo diário devedor representativo do mútuo ativo com pessoas jurídica ligadas. Também somou os saldos das contas representativas do passivo, relativas aos financiamentos ligados ao capital de giro, resultando no saldo diário credor representativo das dívidas onerosas contraídas. A partir daí, calculou os saldos médios mensais e a proporção existente entre esses saldos mensais (demonstrativos de cálculo às fls. 1934/1940). O próximo passo foi efetuar a soma trimestral das despesas financeiras com juros e variação monetária passiva, excluindo a parcela de 32,91% das despesas correspondente ao exchange que foi considerada dedutível (demonstrativo à fl. 1941). O coeficiente correspondente a proporção entre os saldos médios mensais dos mútuos ativos e dos mútuos passivos foi considerado como parâmetro para definir o valor das despesas financeiras correspondentes aos recursos repassados às pessoas jurídicas ligadas, sendo aplicado sobre o montante das despesas financeiras com juros e variação monetária passiva. A aplicação de coeficiente inferior a 1,00 indica que uma parcela das despesas financeiras pode ser considerada dedutível no trimestre, posto que os recursos em posse das pessoas jurídicas ligadas eram inferiores às dívidas de giro. Do valor correspondentes às despesas financeiras que deveriam ter sido repassadas às pessoas jurídicas ligadas foi descontada a receita financeira proveniente dos mútuos apropriada pelo contribuinte (demonstrativo às fls. 1942). Em relação à segunda infração – Glosa de Despesas com Plano de Participação nos Resultados de Diretores Estatutários, o autuante afirma que o contribuinte deduziu, no quarto trimestre de 2007, título de despesas com participação nos resultados, o valor de R$ 3.575.699,28, pagos a dois diretores (Pedro Pullen Parente e Silvia Nora Berno de Jesus) eleitos pelo Conselho de Administração, que seriam indedutíveis como despesas operacionais por expressa determinação do art. 303 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99, por não preencherem as condições de empregados da pessoa jurídica. Afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, e art. 359 do RIR/99, permitem a dedução como despesas operacionais pela pessoa jurídica as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, sendo que, pela definição do art. 3º da CLT, empregado é toda pessoa física que prestar serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Nessas condições, a posse de empregado em cargo de diretor da sociedade anônima, passando a ser responsável, seja individualmente ou em conjunto com outros diretores, pela tomada de decisões e reportandose apenas aos acionistas ou ao conselho de administração é incompatível com a sua condição anterior de empregado, posto que passa a representar a própria empresa, ficando, nesse caso, com o contrato de trabalho suspenso, conforme dispõe o Enunciado 269 do TST. Tal situação é mais clara em relação ao Sr. Pedro Pullen Parente, que é contratado para exercer atividades Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 14 7 diretivas no contribuinte e em diversas outras pessoas jurídicas ligadas, nunca tendo exercido atividades como simples funcionário. O estatuto social estabelece que compete ao Conselho de Administração a eleição e destituição de diretores, bem assim a fixação das atribuições e a fiscalização da gestão por estes realizadas. Com base nessa competência foram eleitos os dois diretores em questão, a eles competindo a representação da sociedade e a prática de todos os atos da administração. Informa que a própria RBS Zero Hora já vinha reconhecendo os dois diretores como não empregados, conforme informado na GFIPs anteriores a 2006. Entretanto, ao elaborar seu Plano de Participação nos Resultados de 2006, e imediatamente depois da nomeação dos diretores, passou a informar os mesmos como meros empregados, visando admitir o pagamento da participação aos mesmos. Ressalta que a cláusula oitava do acordo firmado para distribuição da participação, segundo a qual o PPR não seria devido aos executivos com contrato de trabalho suspenso, o que, considerandose que a suspensão é uma situação jurídica e não opção da empresa, já implicaria em pagamento por mera liberalidade. Ressalta, também, que a cláusula décima segunda define que os resultados medidos serão submetidos à diretoria executiva. Isso demonstra a situação que se instala quando os próprios administradores avaliam seus resultados. Há uma clara distinção entre a sociedade (quem paga) e os empregados (quem recebe), quando os diretores estatutários avaliam e aprovam os resultados dos seus gerentes subordinados, meros empregados graduados. Ao contrário, quando os diretores estatutários avaliam e aprovam seus próprios resultados, pagador e beneficiário se confundem. Pelos acordos firmados, o potencial de ganho máximo a título de PPR dos diretores vice presidentes e diretores executivos seria de 16 salários mensais, contra 3 salários para os demais empregados (2 salários referentes ao PPR Unidade e 1 salário referente ao PPR Top). Essa diferença ficou ainda maior quando se compara os valores do PPR/2007 efetivamente pago aos diretores estatutários, 34 para o Sr. Pedro Pullen Parente e 21 para a Sra. Silvia Nora Berno de Jesus. Em razão desses fatos, os valores pagos aos diretores em referência foram considerados não dedutíveis na apuração do lucro real. No lançamento foram efetuadas as compensações de prejuízos fiscais acumulados e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores dentro do limite de 30% estabelecido pela legislação tributária. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 1950 a 2029, alegando, em síntese, que não cabe ao fisco perquirir ou fazer julgamento pessoal sobre a necessidade ou desnecessidade de recursos financeiros objeto de captação financeira, tampouco sobre a destinação dos recursos captados, cuja conveniência e oportunidade é de competência da administração da empresa. Alega que a obtenção de recursos para a atividade empresarial é usual e normal, fazendo parte dos modernos critérios e princípios da administração pública e privada. As demais alegações por se repetirem no recurso voluntário serão adiante explicitadas. Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/PORTO ALEGRE) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1040.965, de 25/10/2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007 DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS OBTIDOS E REPASSADOS PARA COLIGADAS A concomitância de operações realizadas pelo contribuinte a título oneroso (empréstimos bancários) e a título de mútuos com pessoas jurídicas de seu grupo econômico (alguns a título gracioso) faz com que os valores dos encargos que excederem as receitas decorrentes dos mútuos sejam indedutíveis do lucro tributável, por se caracterizarem despesas que não são suas e, portanto, desnecessárias. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS ATRIBUÍDA A DIRETORES. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. INDEDUTIBILIDADE. Por expressa disposição legal, são indedutíveis do lucro tributável os valores distribuídos a administradores a título de participação nos resultados. A eleição para cargo de diretor estatutário suspende o contrato de trabalho do empregado. O pagamento de verbas trabalhistas tornase mera liberalidade, que não possui o condão de transformar a relação estatutária numa relação de emprego, não podendo acarretar qualquer influência para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A seguir transcrevo partes do extenso recurso voluntário, do essencial a compreensão da matéria a decidir. [...] “1.6.Embora mantido o lançamento pela Turma recorrida da DRJ/POA, a menção à conduta da fiscalização continua necessária, e tem a exclusiva finalidade de requerer a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que aprecie as manifestações fiscais (perguntas, suposições, conclusões) cum grano salis, de forma a não serem confundidas pelo véu criado pela fiscalização para esconder a verdade real e apresentar uma versão distorcida dos fatos. 1.7.A confirmação do lançamento pela Turma recorrida em nada altera o que foi afirmado na Impugnação (fls. 1950/2029) e é reafirmado nestes autos. 1.8.0 acórdão recorrido apenas seguiu o processo relativo ao anocalendário de 2006; sem levar em consideração que os fatos ocorridos em 2007 são outros. Embora tenham sido mencionados no Relatório foram considerados como se nenhum efeito produzissem, na redação do voto condutor do julgamento. 1.9. Diversos dos argumentos de defesa, em especial quanto aos cálculos contestados pela Recorrente em sua impugnação, simplesmente tiveram sua análise omitida no acórdão recorrido, o que impõe a decretação de sua nulidade, para que outro seja proferido em seu lugar; ou, caso este CARF entenda por não declarar a sua nulidade que, no mínimo, sejam apreciados por este órgão julgador, em obediência à ampla defesa e ao devido processo legal. Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 15 9 1.10. A Recorrente, para fins de facilitar o julgamento por este Conselho, fará referência aos motivos que justificam a reforma da decisão recorrida ao longo de suas razões recursais, que, em síntese, reiteram os fundamentos de fato e de direito que constaram na Impugnação, com a adição de contrapontos aos fundamentos do acórdão recorrido apenas quando tiverem alguma distinção relevante em relação aos fundamentos utilizados pela autoridade autuante. 1.11. Feitas essas advertências, passase, primeiro a análise das despesas financeiras glosadas, para, somente após, no capítulo subsequente, demonstrarse a dedutibilidade do PPR pago aos empregadosdiretores. 2. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS 2.1. Considerações Iniciais 2.1.1. O auto de infração ora impugnado é decorrente de uma única fiscalização, que abrangeu dois anos calendários: dois últimos trimestres de 2006 e ano de 2007. 2.1.2. Antes do encerramento da fiscalização, e para prevenir a decadência, a autora efetuou o lançamento relativamente aos trimestres de 2006 (processo administrativo n° 11080.729208/201149, e continuou a fiscalização que somente foi encerrada com a lavratura do auto de infração do presente processo, sem solicitar qualquer informação adicional à Recorrente. 2.1.3. É importante, por isso, ter conhecimento do contexto global da fiscalização. Esse conhecimento permitirá à autoridade julgadora perceber, de um lado, o raciocínio ilegal e absurdo que fundamentou as qlosas de ambos os processos, e, de outro lado, a total distinção da situação fática entre aquele processo, e este. 2.1.4. Mais adiante, no corpo deste Capítulo 2, será demonstrado, primeiro, que ambos os autos de lançamento devem ser cancelados, em razão da ausência de fundamento legal para a glosa e também da ilegalidade dos critérios utilizados para as glosas, denominadas pela Recorrente de "glosa às avessas", segundo, que a situação de fato, no anocalendário mudou radicalmente, em decorrência de fatos novos, em especial a contratação de nova dívida e a quitação de quase a totalidade da dívida intitulada no relatório fiscal de "Exchange", em junho de 2007. Em decorrência, a solução que dada no relativo a 2006, se pela manutenção do lançamento, não poderá ser a mesma no presente processo; caso, porém, a solução no processo relativo a 2006 seja pelo cancelamento da exigência, em virtude da ilegalidade das glosas, a solução deverá ser a mesma no presente processo. 2.1.5. Os fatos novos ocorridos em 2007, na vida da empresa Recorrente alteraram significativamente a origem das despesas financeiras. O principal fato a ser destacado foi a contratação de dívida no valor de R$ 300.000.000,00, com juros fixos de 11,25% ao ano e sem risco de variação Cambial. Tal contratação, em decorrência de seu alto valor, permitiu a quitação quase total do "Exchange" (a totalidade não foi quitada porque não foi aceita por parcela dos credores, o que por si só demonstrou que a mudança do perfil da dívida foi benéfica à empresa). Será visto adiante que há outros fatos relevantes. 2.1.6. Será igualmente demonstrado que na vida da empresa os fatos mudaram, relativamente ao lançamento do período de 2006. Apesar disso, a autora do lançamento manteve o mesmo critério e cálculos adotado em 2006, apenas Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 reconhecendo, parcialmente, erros de lançamento e a razão da requerente em diversos pontos objeto de contestação naquela impugnação. 2.1.7. Mas cometeu novos e diferentes erros. Erros mais graves do que os anteriores, tudo em decorrência de persistir em fazer valer um critério pessoal, ilógico, ilegal, criado pela sua criativa mente. 2.1.8. Cada erro será destacado e combatido oportunamente. 2.1.9. Todo o destaque dado nos itens precedentes para essa distinção entre os fatos da vida real que subsidiam o primeiro processo, e os que subsidiam os presentes autos, é fundamental para evitar a ocorrência de erro de julgamento. 2.1.10. Por isso, a Recorrente pede vênia à quantidade de laudas que formam o presente recurso, e, em suas razões, que seguem, apresenta os argumentos e fundamentos de defesa comuns ao primeiro período (até a quitação do "Exchange") e o segundo período (a partir dessa quitação), em conjunto, e discorre sobre os argumentos e fundamentos que não são comuns, de forma individualizada. 2.1.11. Dito isso, a Recorrente resume o que demonstrará, adiante, de forma detalhada e analítica que: • Não cabe à fiscalização tributária, a posteriori, imiscuirse ilegalmente na análise da conveniência e oportunidade da decisão da administração da empresa de endividarse para fins de manutenção de caixa suficiente para suportar suas atividades diárias e seus projetos de expansão; não cabe à fiscalização, da mesma forma, julgar qual valor seria conveniente ou "necessário"; esse fundamento, acolhido pela decisão recorrida, afasta a sua própria razoabilidade, no que tange à conclusão a que chegou a Turma recorrida, em especial quando argui que algumas das destinações de recursos em 2004 foram "muito depois" da contratação do empréstimo, o que, além de uma contradição, sequer subsiste à realidade e à lei (não há lei prevendo que a destinação de mutuo deva ser imediata, e, na vida real, este nunca é o caso); dessa avaliação feita pela fiscalização, ilegal e inválida, não pode decorrer como consequência lógica válida a suposta desnecessidade da despesa financeira decorrente da dívida contraída, e a glosa das despesas cuja contratação e efetividade constituem fatos incontroversos, sendo nula tal pretensão fiscal; mesmo que superadas as premissas destacadas nos itens precedentes, os recursos provenientes do empréstimo contraído eram necessários, ao contrário do que pretende fazer crer o relatório fiscal, e foram destinados [além das destinações já aceitas pela autora do lançamento – que correspondem a 32,91% do total do "Exchange") ou a pagamentos de obrigações próprias da Recorrente (diretamente ou, por sua conta e ordem, pela empresa contratada para fazer os pagamentos de obrigações da Recorrente) ou mutuados a empresa do Grupo RBS com cobrança de juros por taxas compatíveis com as de mercado, juros estes integrantes da base de cálculo de IRPJ e de CSLL, de forma que tanto o empréstimo foi necessário quanto as despesas financeiras dele dedutíveis; somente os investimentos permanente feitos entre 2004 e 2009 totalizaram R$ 291.153.570,00, valor muito superior ao empréstimo "Exchange" e totalmente compatível com o plano plurianual de investimentos da Recorrente; quando adicionadas as necessidades de caixa para as despesas usuais e corriqueiras da empresa, além de investimentos e custos que foram previstos mas não ocorreram por questões alheias à vontade da administração da Recorrente, o montante do passivo do "Exchange" em 2004 e, em 2007, o novo empréstimo relativo às "Notes" revelam compatibilidade com a prudência gerencial buscada pela administração da Recorrente; Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 16 11 o auto de infração e lançamento é nulo, porque a fundamentação (causa) da glosa não tem relação de pertinência lógica com a glosa levada a efeito, pois a auditorafiscal utilizou critério ilógico, sem base legal e desvinculado da realidade dos fatos e, mesmo, de sua fundamentação; qualquer que seja o motivo de uma glosa de despesa, a legislação não permite arbitramento segundo critérios subjetivos imaginados pela fiscalização, mas apenas e tão somente a adição do montante exato das despesas glosadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que foi desrespeitado no relatório fiscal (no qual se procedeu a um arbitramento ilegal e desconectado do fundamento da glosa); para fins de argumentação, se a glosa fosse legítima (e se provará que não é), a apuração do montante da glosa nunca poderia resultar em exigência de tributo adicional contra Recorrente; subsidiariamente, mesmo que fossem desnecessárias ou indedutíveis, os critérios utilizados pela autora do lançamento são ilegais e absolutamente inconsistentes, de forma que, mesmo que se fosse admitida tal indedutibilidade, o quantum da exigência deveria ser necessariamente reduzido para os valores adiante indicados ou anulado; mesmo que invalidados os argumentos precedentes, na avaliação do montante do empréstimo que seria necessário, para fins de determinação do percentual que a auditora fiscal glosou, esta deveria, segundo o próprio critério que utilizou, além dos 32,91% admitidos como necessários, admitir todos os demais, adiante analisados, de forma que, mesmo seguindo tal critério criado ilegalmente pela auditorafiscal, deveriam necessariamente ser admitidos como dedutíveis os percentuais correspondentes a: • quitação em 2004 de dívida anteriormente assumida, registrada nos livros contábeis e fiscais; • mútuos onerosos, concedidos pela Recorrente a empresa do Grupo RBS, com cobrança de juros de mercado, oferecidos à tributação pela Recorrente. Distintamente do que ocorreu em 2006, em junho de 2007, a dívida do "Exchange" foi quase extinta, a partir de então, deixa de ter validade o fundamento utilizado para a glosa das despesas financeiras, alterandose a situação de fato (conforme detalhado no item "2.1.12" abaixo). A partir de então, as despesas financeiras passam a ser integralmente dedutíveis. Morre quase integralmente a dívida anterior. Passa a existir, unicamente, um passivo reestruturado, compatível com a estrutura de capital julgada oportuna e conveniente pelo Conselho de Administração da empresa. Admitindose, apenas para argumentar, que se pudesse criar (como fez a autora do lançamento) uma regra pessoal aplicável eternamente à Recorrente, de indedutibilidade parcial das despesas financeiras de qualquer passivo futuro, ainda assim ao menos uma parcela delas seria dedutível, sendo inadmissível legalmente consideraremse como indedutíveis todas as despesas, tal como apurado no Relatório Fiscal. No mínimo, o percentual de 8,40% deveria ser admitido a partir de então. Finalmente, caso porventura mantido o lançamento, ainda que parcialmente, os diversos e graves erros de apuração do montante devem ser corrigidos, reduzindo substancialmente a exigência. [...] Fl. 4892DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 2.4.12. Dito isso, passase à análise dos erros. 2.4.13. PRIMEIRO ERRO DE 2007 O aspecto mais importante, ignorado propositalmente pela autora do lançamento (porque demonstra o absurdo do seu procedimento e agrava a abusividade da glosa perpetrada), decorre de fatos novos ocorridos em 2007. 2.4.14. Conforme pode ser verificado na Fl. 13 de 22 (fl. 31 do processo), a autora do lançamento, sob o título de outros financiamentos (item 5.2.2 do relatório fiscal), admite o seguinte: "Sobre o passivo com o Banco Standard, verificou a Fiscalização que simultaneamente ao resgate parcial das Notes/2010 emitidas em 2004, efetuado através do Banco Standard, a RBS captou em junho/2007, R$ 300.000.000,00, através desse mesmo banco, mediante oferta internacional de novos papéis (Notes/2017), emitidos em reais e pagáveis em dólares, com juros de 11,25% ao ano, pagos semestralmente a partir de dezembro/2007 e vencíveis em 2017." 2.4.15. Em 2007, a administração da empresa, por seu Conselho de Administração, avaliou o nível de endividamento adequado, segundo suas projeções, para a estrutura de capital da Recorrente, e efetuou a contratação de empréstimo através da emissão de Notes, com prazo maior; 2.4.16. A decisão foi tomada em face das condições favoráveis às empresas brasileiras no mercado internacional, em 2007, o que permitia uma reavaliação do perfil de suas dívidas e eventual mudança, quitando dívidas anteriormente assumidas em condições de mercado anteriormente menos favoráveis (prazos menores e juros maiores, sujeitas à variação cambial impossível de prever), e assumindo dívidas novas, totalmente desvinculadas das anteriores, agora em Reais (sem sujeição à imprevisibilidade da variação cambial e livre dos custos conexos de proteção via swap). 2.4.17. Em cumprimento dessa determinação do Conselho de Administração, a Recorrente contratou o empréstimo mediante a emissão de Notes em moeda nacional, no valor de R$300 milhões. 2.4.17..1. A dívida da empresa mudou seu perfil. A dívida foi contratada em valor fixo em moeda nacional (Reais). Os juros foram de 11,25%. 2.4.17..2. A comprovação da execução pela Diretoria da emissão dos Notes representativos da nova dívida foi feita no item "2.1.15..2.1". 2.4.18. Subsequentemente, e justamente para cumprir a segunda parte da determinação contida na Ata de Reunião do Conselho de Administração de 25 de maio de 2007, a Recorrente quitou quase que integralmente a dívida assumida em 2004. 2.4.19. A quitação antecipada da divida anterior, ao beneficiar futuramente a Recorrente somente foi aceita com o pagamento de, além do principal e juros pré contratados, de ágio e premio ao credor, de forma a que este aceitasse a antecipação da quitação. 2.4.20. Verificase que, além das despesas já previstas (principal, juros e IR sobre os juros), a Recorrente pagou, em razão da antecipação: ágio de R$ 6.930.807,07 prêmio de R$ 2.272.057,26 e imposto de renda retido na fonte no total de R$1.314.694,91, totalizando R$10.517.559,24. Esse valor total de despesas extraordinárias é vinculado e tem como causa à mudança do perfil da dívida representado pela novel emissão das Notes, sendo sua única causa e finalidade a Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 17 13 redução futura dos encargos financeiros (leiase: despesas financeiras vinculadas à dívida de novo perfil). [...] 2.4.23. Para surpresa e perplexidade da Recorrente, tais despesas foram simplesmente ignoradas pela autora do lançamento. Ignorou inclusive a despesa de imposto de renda na fonte, ônus contratual da Recorrente, pago mediante DARFs. 2.4.24. Em consequência dessa falha gravíssima (não admissão da dedução integral das despesas de liquidação antecipada do Exchange descritas no item "2.4.21" deste recurso), devese corrigir o seu erro (ainda sem entrar no mérito da glosa), obtendose a seguinte planilha de apuração, em substituição àquela que constou na Fl. 16 de 22 do Relatório Fiscal, sob o título de "Resumo do Cálculo da Despesa Financeira não dedutível (valores em R$)": [...] 2.4.25. Lamentavelmente, o acórdão recorrido incorreu em omissão, ao não analisar e nem tampouco fundamentar a manutenção do lançamento sem a correção deste erro. 2.4.26. Essa correção, porém, não é a única, em razão dos erros a seguir expostos, cuja correção consta, em conjunto, em planilhas constantes dos itens que seguem. Igualmente, não é a única omissão do acórdão recorrido, que, quanto a todos os erros do lançamento, aqui indicados, quando o fez, apenas mencionou a indicação dos erros pela Impugnante, ora Recorrente. no relatório do acórdão; em sua fundamentação, porém, foi absolutamente omisso, contendo, quando muito, referências vagas. Para o fim de evitar repetição, a Recorrente faz, aqui! uma única vez, o PEDIDO de. relativamente a cada erro apontado e omissão em sua análise pelo acórdão recorrido, declaração da nulidade e determinação do retorno dos autos para que outro seja proferido em seu lugar, ou, alternativamente, caso entenda este Conselho pelo seu julgamento imediato, que cada erro seja individualmente apreciado e essa apreciação seja adequadamente fundamentado, em obediência ao principio da ampla defesa e do devido processo legal. 2.4.27. SEGUNDO ERRO DE 2007 A autora do lançamento cometeu outro erro gravíssimo consistente em ignorar as receitas de variação cambial decorrentes da operação normal da empresa, que inclui importações de matéria prima (em especial o papel para impressão de jornais). 2.4.28. Em sua atividade operacional, a empresa, obviamente, precisa de papel para imprimir os jornais vendidos, que constituem a receita preponderante da Recorrente. 2.4.29. Ao tomar as decisões do momento de compra e do momento de liquidação de câmbio vinculados às suas importações, é essencial que a empresa já tenha, em seu caixa, recursos disponíveis para uma e outra decisões. A disponibilidade decorre, portanto, da estrutura de (capital da empresa, fruto das decisões estratégicas tomadas anteriormente, a exemplo do que foi feito (em cumprimento da deliberação do Conselho de Administração) em junho de 2007, e anteriormente. 2.4.30. Assim, no curso de normalidade de suas operações, a Recorrente teve, por fruto dessas decisões, oportunidade de adquirir matérias primas do exterior Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 (contratação da importação) e liquidar câmbio (pagamento) nos momentos mais benéficos, gerando, em consequência, ganhos cambiais. 2.4.31. Esses ganhos cambiais, resultantes da valorização do Real entre a data da contratação e a data da liquidação, foram contabilizados na conta 49103 (cópia do razão em CD anexo 2.4.29 à impugnação), perfazendo os montantes de R$ 932.852,25 no 1o. trimestre de 2007, R$ 1.849.153,57 no 2o. trimestre de 2007, R$ 584.129,31 no 3° trimestre, e R$ 888.622,76 no 4o. trimestre de 2007, totalizando, no anocalendário, R$4.254.757.89. A correção da planilha de Fl. 16 de 22 do Relatório Fiscal, para refletir a correção deste erro, é feita em conjunto com a correção do próximo erro, em planilha apresentada no item "2.4.38". 2.4.32. O acórdão recorrido, neste ponto, é no mínimo curioso. Afirma (fl. 4739) que "as receitas não foram ignoradas” e, ao mesmo tempo, que "elas não integram os cálculos das despesas financeiras". A contradição é flagrante e o arrazoado, neste ponto, beira o absurdo. Ao dizer que não integram o cálculo porque "foram utilizados somente os valores dos encargos financeiros proporcionais aos valores mutuados", e, ao mesmo tempo, afirmar que 32,91% das despesas são dedutíveis, neste mesmo raciocínio, afirmar que as receitas de variações cambiais não devem ser consideradas, nem mesmo na proporção dos seus imaginários 32,91% beira a má fé. 2.4.34. TERCEIRO ERRO DE 2007 Em decorrência da estrutura de capital, recém citada como essencial para as operações normais da empresa, ela obteve rendimentos de aplicação financeira contabilizados na conta 49003 (cópia do razão em CD anexo 2.4.30 à Impugnação), sob o título "JUROS TÍTULOS RENDA" , totalizando no anocalendário R$3.867.020.05. 2.4.37. Na elaboração da tabela do Relatório Fiscal, sob o título de "Resumo do Cálculo da Despesa Financeira não dedutível (valores em R$)", a autora do lançamento não incluiu essas receitas financeiras em sua "Glosa às Avessas". Incluiu somente Receitas Financeiras oriundas de coligadas, quando, para aplicar o seu próprio raciocínio, deveria necessariamente incluir na mesma coluna com novo título ou em nova coluna, as receitas financeiras geradas pela nova estrutura de capital, seja oriundas de aplicações financeiras, seja decorrentes de variação cambial. 2.4.38. Em consequência dessas duas falhas gravíssimas (erros descritos nos itens "2.4.13", "2.4.27" e "2.4.34"), a correção desses erros (ainda sem entrar no mérito da total improcedência da glosa), deve ser procedida pela substituição da planilha que constou na Fl. 16 de 22 do Relatório Fiscal (já corrigida relativamente ao primeiro no item "2.4.24" acima, com a exclusão dos R$ 10.517.559,24), sob o título de "Resumo do Cálculo da Despesa Financeira não dedutível (valores em R$)" pela seguinte planilha, na qual são considerados os valores e renomeada a coluna "Receitas Financeiras . [...] 2.5.16. Resta à Recorrente combater, finalmente, o percentual de dedutibilidade originalmente apurado no Relatório Fiscal, que resultou em admissão da dedutibilidade de 32,91% das despesas financeiras e indedutibilidade dos restantes 67,09%. Sem nenhuma surpresa, também na origem de toda a confusão feita pela autora do lançamento, há erros, desconsideração de fatos relevantes, ignoração de provas, exigência ilegal de documentos, e, pasmem os senhores julgadores, erros de apuração. 2.6.3. PAGAMENTO DE PASSIVO EM 2004 DECORRENTE DE DIVIDA REGULARMENTE REGISTRADA NA ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL DA RECORRENTE Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 18 15 A primeira destinação não admitida pela autora do lançamento foi a seguinte: "R$ 40.667.058,38 foram destinados a liquidação da obrigação mantida junto a RBS Administração e Cobranças conta 002.220603.053. " a) O fundamento para a não aceitação dessa destinação de recursos foi fundamentada pela autora do lançamento na parte final da folha 12 de seguintes termos: "— R$ 40.667.058,38 corresponderiam a suposta quitação de dívida de longo prazo com a RBS Adm. e Cobrança, baixada em 29/09/2004 com o histórico 'liquidação AfacRoyalties'. O contribuinte não apresentou contrato que respalde a dívida, alegando decadência para exame e da obrigação de guardar. /. conta existente era do grupo 220603 DÉBITOS DE COLIGADA E CONTROL, sem contabilização de juros." [...] Reiterese, outrossim, que a autuada foi fiscalizada em processo administrativo pela própria autora do lançamento, relativamente ao período de 2004, ocasião em que a documentação (contrato) foi disponibilizado à autora do lançamento, e nenhuma irregularidade foi constatada pela mesma em relação àquele período. Não se pode admitir, sob pena de abuso, que, a destempo, entenda que o que era regular e existente passe a ser irregular, inexistente ou incomprovado, por não mais estar a fiscalizada obrigação à guarda do documento. O procedimento adotado pela fiscalização distanciouse, como se vê, da boa fé administrativa, prevista no artj 2o da Lei n° 9.784/99, bem como dos princípios da legalidade, moralidade, razoabilidade, ampla defesa e segurança jurídica. 2.6.4. MÚTUOS ONEROSOS (CONTAS 120111 E 120112) Retomando o raciocínio ilógico iniciado nos itens "2.3.1" a "2.3.12", a empresa esclarece e comprova que, em seu plano de contas, existem três contas do ativo representativas de transações com empresas coligadas/ligadas relevantes para a presente análise. Duas delas (120111 e 120112) representam mútuos ativos onerosos, com cobrança de juros (conforme demonstra a própria variação dos saldos credores conforme anexo ao relatório fiscal e cópias anexas dos contratos), [...] 2.6.5. PAGAMENTO DE DESPESAS PRÓPRIAS POR EMPRESA CONTRATADA PARA FAZER OS PAGAMENTOS (CONTA 120103) Das três contas ativas destacadas no item "2.6.4", terceira conta (120103) é referente a adiantamento integrante de contrato de prestação de serviços de pagamentos e recebimentos, feitos pela cash company do Grupo, por conta e ordem da Recorrente. ... Na impugnação do auto de infração relativo ao anocalendário de 2006, a Recorrente juntou naquele processo a comprovação da destinação dos recursos naquele ano, relativamente aos contratos de prestação de serviços em análise, o que já comprovou, lá, a natureza dos adiantamentos que fez para pagamento de dividas suas pela prestadora de serviços. Entendeu, contudo, ser pertinente fazer quanto ao anocalendário de 2007. Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 [...] 3 GLOSA DE DESPESA DE PPR PAGA A DIRETORES EM PREGADOS 3.1. Nas páginas 16 a 21 do relatório da Ação Fiscal, a autora do lançamento expõe que a Recorrente tem plano de participação nos resultados, e que, dentre os beneficiários dos pagamentos, estão Pedro Pullen Parente e Sílvia Nora Berno de Jesus, totalizando, em relação a ambos, o total de R$3.575.699J28. 3.2. Segundo a argumentação da Autora do lançamento, tais pagamentos seriam indedutíveis na apuração da base de cálculo de IRPJ e CSLL, pelo fundamento de que os dois diretores em questão foram eleitos como diretores pelo Conselho de Administração e que esta circunstância impediria a dedução. Importante destacar, desde logo, que, durante o período em que ocuparam cargos de diretoria os empregados em questão sempre estiveram subordinados ao RESIDENTE da empresa, o acionista NELSON PACHECO SIROTSKY, além do Conselho de Administração da Recorrente. Relativamente a ambos os empregadosdiretores, a Recorrente, em coerência a sua condição de empregados, durante todo o período em questão, recolheu aos cofres públicos todos os tributos incidentes, dentre eles a contribuição previdenciária ao INSS e parcelas de terceiros, FGTS, férias e 13° salário proporcional. Inclusive quando do seu desligamento. Em alinhamento com o enunciado n° 269 do TST, decidiu o Conselho de Contribuintes que é irrelevante, para fins de dedutibilidade, qual o cargo ocupado pelo empregado, desde que se mantenha na condição de empregado, com vínculo trabalhista, pois a citada Súmula é peremptória ao estabelecer que o contrato de trabalho não é suspenso quando permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego. No caso concreto: a) os empregados Pedro e Silvia, cujos vínculos trabalhistas são comprovados nos anexos 3.4.3, 3.5.1 e 3.5.2 dos seguintes documentos referentes ao período objeto do auto de infração: i. Contratos de trabalho, ii. Carteiras de Trabalho, iii. comprovantes de pagamento de salários (holerites); b) mantiveramse subordinados à empresa 4.CONCLUSÃO E PEDIDO 4.1. No que diz respeito à glosas de despesas financeiras, a Recorrente demonstrou e comprovou, em suas razões de defesa, de forma detalhada e analítica, que: • Não cabe à fiscalização tributaria, a posteriori, imiscuirse ilegalmente na análise da conveniência e oportunidade da decisão da administração da empresa de endividarse para atividades diárias e seus projetos de expansão; não cabe à fiscalização, da mesma forma, julgar qual valor seria conveniente ou "necessário"; • dessa avaliação feita pela fiscalização, ilegal e inválida, não pode decorrer como conseqüência lógica válida a suposta desnecessidade da despesa financeira Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 19 17 decorrente da dívida contraída, e a glosa das despesas cuja contratação e efetividade constituem fatos incontroversos, sendo nula tal pretensão fiscal; • mesmo que superadas as premissas destacadas nos itens precedentes, os recursos provenientes do empréstimo contraído eram necessários, ao contrário do que pretende fazer crer o relatório fiscal (que apenas admite a necessidade de parte desses recursos), e foram destinados ou a pagamentos de obrigações próprias da Recorrente (diretamente ou, por sua coita e ordem, pela empresa contratada para fazer os pagamentos de obrigações da Recorrente) ou mutuados a empresa do Grupo RBS com cobrança de juros por taxas compatíveis com as de mercado, juros estes integrantes da base de cálculo de IRPJ e de CSLL, de forma que tanto o empréstimo foi necessário quanto as despesas financeiras dele decorrentes necessárias e dedutíveis; o auto de infração e lançamento é nulo, porque a fundamentação (causa) da glosa não tem relação de pertinência lógica com a glosa levada a efeito, pois a auditorafiscal utilizou critério ilógico, sem base legal e desvinculado da realidade dos fatos e, mesmo, de sua fundamentação; qualquer que seja o motivo de uma glosa de despesa, a legislação não permite arbitramento segundo critérios subjetivos imaginados pela fiscalização, mas apenas e tão somente a adição do montante exato das despesas glosadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL o que foi desrespeitado no relatório fiscal (no qual se procedeu a um arbitramento ilegal e desconectado do fundamento da glosa); para fins de argumentação, se a glosa fosse legítima (e se provará que não é), a apuração do montante da glosa nunca poderia resultar em exigência de tributo adicional contra a Recorrente, pois da glosa resultaria crédito em favor da autuada, e não o contrário; subsidiariamente, mesmo que fossem desnecessárias ou indedutíveis, os critérios utilizados pela autora do lançamento são ilegais e absolutamente inconsistentes, de forma que, mesmo que se fosse admitida tal indedutibilidade, o quantum da exigência deveria ser necessariamente reduzido ou até anulado; mesmo que invalidados os argumentos precedentes, na avaliação do montante do empréstimo que seria necessário, para fins de determinação do percentual que a auditora fiscal glosou, esta deveria, segundo o próprio critério que utilizou, além dos 32,91% admitidos como necessários, admitir todos os demais, adiante analisados, de forma que, mesmo seguindo tal critério criado ilegalmente pela auditorafiscal, deveriam necessariamente ser admitidos como dedutíveis os percentuais correspondentes a: (a) quitação em 2004 de dívida anteriormente assumida, registrada nos livros contábeis e fiscais; (b) mútuos onerosos, concedidos pela Recorrente a empresa do Grupo RBS, com cobrança de juros de mercado, oferecidos à tributação pela Recorrente; (c) A fiscalização não poderia ter ignorado os fatos novos e os fatos realmente ocorridos em 2007, em especial a dedução R$10.517.559,24 e o abatimento das receitas financeiras (variação [cambial ativa e aplicações financeiras) decorrentes do passivo oneroso da empresa; (d) Mesmo que mantido o lançamento, os graves erros cometidos na apuração da glosa devem ser retificados por determinação desta autoridade julgadora, caso não entenda por cancelar integralmente o auto de infração; Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 (e) Qualquer que seja a solução relativa aos argumentos precedentes, após a quitação do "Exchange" em junho de 2007, não mais substrato fático para qualquer glosa e, mesmo que houvesse, a glosa não poderia afetar esse período posterior.” É o relatório. Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 20 19 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do relatório tratase de exigência em auto de infração de IRPJ no valor de R$ 6.928.227,57 e CSLL no valor de R$ 2.004.336,86, decorrente de duas glosas distintas: (I) Glosa de despesas financeiras no valor total de R$ 14.252.361,74, ano calendário de 2007 e, (II) Glosa de despesas com Plano de Participação nos Resultados pagas a diretores estatutários, no valor total de R$ 3.575.699,28. Releva destacar, de início, o seguinte trecho contido na parte inicial do voto condutor ora recorrido: Tratase de auto de infração decorrente da continuação dos trabalhos de fiscalização, cuja matéria, relativa ao ano calendário de 2006, já foi analisada no Processo Administrativo nº 11080.729208/201149, e que esta Turma de Julgamento decidiu pela manutenção parcial do lançamento em razão do entendimento de que uma parcela das despesas glosadas nesse ano calendário é dedutível. Tem razão o impugnante quando alega que não cabe ao fisco perquirir ou fazer julgamento pessoal sobre a necessidade ou desnecessidade de recursos objeto de captação financeira. O fisco não tem o poder de imiscuirse no gerenciamento e na estruturação organizacional do grupo empresarial, que pode se organizar da forma que melhor lhe convier. Ao fisco cabe apenas a verificação dos efeitos tributários decorrentes das operações societárias. No presente processo o impugnante traz alguns argumentos novos, mas que não foram capazes de mudar o meu entendimento, de modo que o voto a seguir é pela manutenção integral do lançamento. Passo a análise por item do recurso. DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS O Fisco constatou que, no curso do ano calendário de 2007, o contribuinte tanto tomava empréstimos junto a instituições financeiras quanto emprestava recursos a empresas ligadas, sem receber remuneração pela operação. Ora, claro está que se a recorrente não emprestasse recursos à empresas ligadas necessitaria de tomar empréstimos bancários em menor montante (ou até mesmo não tomar), incorrendo, por conseguinte, em despesas de juros de menor valor. E é exatamente esse acréscimo prescindível para a manutenção das atividades da empresa que o Fisco calculou e glosou, eis que as despesas financeiras geradas pela Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 contração de empréstimos e, fundamentada no repasse das dívidas contraídas com a comprovação de que o repasse se deu a título de mera liberalidade. Ora, o encargo gerado pelo mútuo deve ser analisado sob o ângulo da necessidade, usualidade e normalidade do dispêndio. Tomar recursos para em seguida deles dispor, por doação, mostra com todas as cores a sua desnecessidade para as atividades operacionais da empresa. E, basta o desatendimento do requisito da necessidade para que a autoridade fiscal não aceite a redução da base de cálculo do imposto. É evidente que não há impeditivo em uma das pessoas jurídicas concentrar a captação de recursos financeiros (via financiamento) para repasse às demais pessoas jurídicas do grupo empresarial. Para a legislação tributária necessário, no entanto, que sejam repassados, proporcionalmente, ao mutuário também todos os encargos do financiamento. No caso dos autos, como afirmado no voto guerreado “toda a discussão levantada pelo contribuinte a respeito do exchange, se não totalmente desnecessária, não tem essa relevância toda. É irrelevante para o caso dos autos, se a dívida originalmente era de uma pessoa jurídica que apresentava prejuízos fiscais, conforme apontado pela autuante, e que posteriormente foi transferida para o contribuinte, que apresentava resultado positivo. Como o contribuinte destaca, não tem importância e relevância lógica jurídica o fato de os recursos terem sido obtidos através de assunção de dívida que era de empresa coligada. O fato de ter sido contraída uma nova dívida, com natureza jurídica diversa, não altera em nada a interpretação que se dá aos fatos. Da mesma forma, os fundamentos da glosa independem da denominação ou natureza do contrato de financiamento. O que é importante ressaltese, é o rateio dos encargos do financiamento, proporcionalmente aos valores mutuados com suas interligadas, pois, se o empréstimo foi repassado, os encargos desse financiamento não pertencem ao mutuante.” Com relação a quantificação do montante considerado não dedutível, em que pese a afirmativa da recorrente de que o “Acórdão recorrido apenas seguiu o processo relativo ao anocalendário de 2006; sem levar em consideração que os fatos ocorridos em 2007 são outros. Embora tenham sido mencionados no Relatório foram considerados como se nenhum efeito produzissem, na redação do voto condutor do julgamento. Diversos dos argumentos de defesa, em especial quanto aos cálculos contestados pela Recorrente em sua impugnação, simplesmente tiveram sua análise omitida no acórdão recorrido, o que impõe a decretação de sua nulidade, para que outro seja proferido em seu lugar; ou, caso este CARF entenda por não declarar a sua nulidade que, no mínimo, sejam apreciados por este órgão julgador, em obediência à ampla defesa e ao devido processo legal. Lamentavelmente, o acórdão recorrido incorreu em omissão, ao não analisar e nem tampouco fundamentar a manutenção do lançamento sem a correção deste erro.” Na verdade, consta do voto recorrido a análise deste item conforme se verifica no trecho transcrito a seguir: Na quantificação do montante considerado não dedutível, o autuante somou os saldos diários de cada conta de mútuo, resultando no saldo diário devedor representativo do mútuo ativo com pessoas jurídica ligadas. Também somou os saldos das contas representativas do passivo, relativas aos financiamentos ligados ao capital de giro, resultando no saldo diário credor representativo das dívidas onerosas contraídas. A partir daí, calculou os saldos médios mensais e a proporção existente entre esses saldos mensais (demonstrativos de cálculo às fls. 1924/1931). Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 21 21 O próximo passo foi efetuar a soma trimestral das despesas financeiras com juros e variação monetária passiva, excluindo a parcela de 32,91% das despesas correspondente ao exchange que considerou dedutível, por corresponder ao ganho equivalente às despesas que a antecipação do pagamento de royalties à RBS Participações representou originalmente quando do ingresso do recurso e respectivo pagamento. O coeficiente correspondente à proporção entre os saldos médios mensais dos mútuos ativos e dos mútuos passivos foi considerado como parâmetro para definir o valor das despesas financeiras correspondentes aos recursos repassados às pessoas jurídicas ligadas. O referido coeficiente foi aplicado sobre o montante das despesas financeiras com juros e variação monetária passiva. Do valor correspondentes às despesas financeiras que deveriam ter sido repassadas às pessoas jurídicas ligadas foi descontada a receita financeira apropriada pelo contribuinte como decorrente de mútuo (demonstrativo às fls. 1940). O contribuinte alega que fatos de extrema relevância jurídica e fática que afetaram os resultados do 2º, o 3º e o 4º trimestres de 2007 foram ignorados pela autora do lançamento, agravando a abusividade da glosa, relativamente ao que fez a mesma Auditora, correspondente ao ano de 2006, no processo 11080.729208/2011 49, pois, em 2007, quitou quase a totalidade da dívida tida como maculada sob a pecha de “encargos parcialmente indedutíveis”, extinguindoa quase que totalmente, mediante a utilização para a quitação daquela dívida anterior de apenas parte dos novos empréstimos, utilizando o restante para financiamento do seu capital de giro e para investimentos, como o parque gráfico, no qual foram investidos mais de R$ 70.000.000,00 entre 2007 e 2008. Nesse contexto, alega que não haveria como não admitir que as despesas assumidas para que pudesse arcar com estes investimentos possam ser considerados indedutíveis, pois estão diretamente relacionados à percepção das receitas tributáveis. A situação não é exatamente como coloca o impugnante. Evidentemente que foram admitidas como dedutíveis uma parcela dos encargos dos financiamentos contratados, eis que foram utilizados os saldos médios mensais dos mútuos ativos e passivos. Observase que os créditos com pessoas jurídicas ligadas eram de R$ 182.388.783,47, em 31/12/2006, e R$ 153.159.237,42, em 31/12/2007, enquanto os financiamentos para fins de capital de giro eram de R$ 170.760.988,82, em 31/12/2006, e R$ 330.348.506,32, em 31/12/2007. Evidentemente, que uma grande parcela do saldo dos financiamentos em 31/12/2007 estavam em poder de pessoas jurídicas ligadas, fato, entretanto, que não inviabilizou, também por evidente, o alegado investimento de R$ 70.000.000,00 no parque gráfico. Como se percebe pelo comparativo dos valores acima indicados, aliado aos valores suportados a título de encargos financeiros correspondentes aos recursos repassados (R$ 26.335.949,82), muito superiores aos valores das receitas financeiras com coligadas (R$ 14.252.361,74), fato que afasta a alegação do impugnante de que os juros ativos foram cobrados em percentual de 1,43% superior aos juros passivos contratados, pois deixa evidente que nem todos os custos de financiamento foram repassados para as pessoas jurídicas ligadas. O contribuinte alega que há erros de naturezas distintas em relação às conseqüências da autuação fiscal no ano calendário de 2007, decorrentes da desconsideração do perfil da dívida com a redução dos encargos em relação à dívida Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 anterior, o que criou uma base de cálculo imaginária de R$ 4.367.197,97, pois, no mês de junho, efetuou a captação, mediante oferta internacional de papéis (Notes/2017), de R$ 300.000.000,00, o que permitiu a quitação da dívida anterior, que tinha sido assumida em condições de mercado menos favoráveis (prazos menores e juros maiores, sujeitas à variação cambial impossível de prever). Essa nova captação se deu em condições mais favorável (juros a 11,25%), totalmente desvinculada da anterior, agora em Reais, sem sujeição à imprevisibilidade da variação cambial e livre dos custos conexos de proteção via swap. A quitação antecipada da dívida anterior para lhe beneficiar futuramente, somente foi aceita com o pagamento, além do principal e juros pré contratados, de ágio e prêmio ao credor, de forma a que esse aceitasse a antecipação da quitação. Não há erro no critério adotado pela autuante, pois, para o lançamento, foi tomado como princípio que os custos dos empréstimos, contraídos pelo contribuinte para repasse à outras pessoas jurídicas do grupo econômico, deveriam ser repassados proporcionalmente aos valores mutuados. Logo, os custos decorrentes da liquidação antecipada do financiamento que beneficiou várias pessoas jurídicas do grupo devem ser repassados, também, proporcionalmente ao valor mutuado, caso contrário o contribuinte estaria assumindo encargos que não são seus. Não tem razão o impugnante quando alega que foram ignoradas receitas de variação cambial decorrentes das operações normais da empresa e rendimentos de aplicações financeiras efetuadas nas principais instituições financeiras do país. Efetivamente tais receitas não foram ignoradas, elas não integram os cálculos das despesas financeiras não dedutíveis porque foram utilizados somente os valores dos encargos financeiros proporcionais aos valores mutuados. Isto é: uma parcela dos financiamentos ficou em poder da autuada e outra parte foi repassada em forma de mútuo para pessoas jurídicas ligadas. Os encargos financeiros foram considerados indedutíveis proporcionalmente aos valores repassados para as pessoas jurídicas ligadas, ficando a parte desses encargos para a autuada como despesas dedutíveis. Dessa forma, pertencem a autuada as receitas financeiras geradas pela parcela dos financiamentos que ficou em seu poder, por isso não devem ser excluídas das despesas financeiras correspondentes aos recursos repassados. Da mesma forma, não procedem as alegações de que deveriam ser consideradas as receitas de variação cambial decorrentes das operações normais da empresa e os juros de aplicações financeiras, pois, como já dito, a parcela dos custos considerados indedutíveis diz respeito apenas aos recursos repassados para pessoas jurídicas ligadas. É claro que a parcela dos recursos que ficou em poder do contribuinte autuado gerou custos dedutíveis e receitas tributáveis. Assim, se mostra incabível a exclusão das receita financeiras decorrentes de aplicações financeiras. A planilha da folha 16 do Relatório da Ação Fiscal (fls. 1917) mostra claramente que foi feita a separação entre o total das despesas financeiras e a parcela correspondente aos recursos repassados, da qual foram excluídas as receitas financeiras correspondentes aos recursos repassado para se chegar aos valores indedutíveis. Esse procedimento foi correto e não merece reparo. Da mesma forma, não merecem acolhidas os demais argumentos da impugnante. A partir de junho de 2007, em razão da renegociação da dívida, com a quase totalidade da extinção da dívida do Exchange, e cessação das despesas de variação cambial com o respectivo hedge, a referida operação passou a trazer resultado positivo. Os valores relativos as operações com o Exchange foram considerados nos cálculos das despesas glosadas, conforme demonstrado nas planilhas de folhas 1941/1942. Fl. 4903DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 22 23 Alega o impugnante que, ao contrário do que lhe permitia a lei, a autuante inovou, criando um novo critério não previsto em lei, desvinculado da causa exposta para a glosa: um critério pessoal, sem base legal, ilógico e confuso, para dele extrapolar o valor coerente com o fundamento da glosa e cobrar valor evidentemente indevido, pois a legislação autoriza excluir da apuração do IRPJ e CSLL apenas a despesa considerada desnecessária, nenhum outro valor. Nesse sentido, pela lógica fiscal, a parcela correspondente ao Exchange Offer Program, alcançaria R$ 11.936.299,09, e não o valor de R$ 10.044.398,35, conforme constou no lançamento. Como já visto, o critério adotado para o lançamento, proporcionalidade entre os empréstimos contraídos e mútuos ativos, não é um critério pessoal ilógico, pois proporciona distribuir equitativamente os custos dos financiamentos entre os reais beneficiários dos empréstimos. Se foram apurados valores a menor pela autuante, estes valores devem prevalecer, pois em fase de julgamento não é permitido aumentar os valores lançados. Não há erros nos critérios adotados pela fiscalização em relação à dívida contratada junto ao Banco JP Morgan no ano de 2004 decorrente do Exchanfe Offer Program, no valor de US$ 56.818.250,00, ou R$ 173.409,299,00, que proporcionou o aumento do crédito gracioso com pessoas jurídicas ligadas nesse valor, conta 002 120103001 – COLIG E CONTROL GARANTIDORAS, passando o saldo diário consolidado de R$ 12.342.863,81 para R$ 185.595.344,08, com reflexos até o ano calendário do lançamento. Nesse caso, prevalece também o entendimento de que, se os recursos do financiamento contratado foram repassados para outras pessoas jurídicas do grupo, os encargos pertencem aos reais beneficiários do financiamento. A prova que o financiamento não era necessário para o contribuinte ficou escancarada no momento em que os recursos foram repassados para as outras pessoas jurídicas do grupo econômico. Não se discute se o financiamento era ou não necessário para o conjunto das pessoas jurídicas do grupo econômico, muito menos a forma em que foram firmados os contratos, mas o fato de o contribuinte não repassar proporcionalmente ao valor mutuado os encargos do financiamento. Não procede a alegação de que a fiscalização fechou os olhos e ignorou a destinação demonstrada e comprovada dos recursos, mesmo fazendo referência no Relatório Fiscal. A referência feita pela fiscalização diz respeito às operações contabilizadas nos meses de setembro e dezembro de 2004, que o contribuinte utilizou para tentar justificar a assunção da dívida do Exchange. Entretanto, não se deve esquecer que o contribuinte contraiu uma nova dívida em substituição à dívida anteriormente contratada pela RBS Participações e cujos recursos já haviam sido utilizados para mútuos com outras pessoas jurídicas do grupo econômico, conforme provam os próprios lançamentos contábeis transcritos no relatório fiscal, e que proporcionaram o aumento do crédito para pessoas jurídicas ligadas, conforme acima registrado. Não vejo os erros na apuração do percentual de dedutibilidade do Exchange admitido pela autuante. Ao contrário do que alega o impugnante, no sentido de que deu efetiva destinação para os recursos decorrentes desse contrato, a própria contabilização da operação realizada em 02/08/2004 aponta a efetiva destinação dos recursos. Observase que a assunção da dívida do Exchange foi contabilizada a crédito em conta do Passivo de Longo Prazo “JP Morgan Securities” e a débito na conta de Ativo a Longo Prazo “COLIG E CONTROL GARANTIDORAS”, isto é os recursos da referida dívida foram destinados aos mútuos com pessoas jurídica ligadas, no Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 24 caso em tela a RBS Participações S.A, conforme extrato bancários do dia anexado às folhas 857 e 858. Este foi a efetiva aplicação dos recursos do Exchange, efetuada na mesma data e valor da referida operação. Não há dúvidas de que o contribuinte apresentou para a autuante pagamentos que teriam sido realizados com os recursos obtidos e que não foram aceitos por ela. E não foram aceitos com razão, pois a destinação dos recursos ficou clara em função do lançamento contábil acima transcrito e demais documentos. Ademais, os alegados pagamentos foram efetuados em setembro e dezembro de 2004, datas bem posteriores à contratação do referido financiamento. Também não procede a alegação de que a cobrança de juros nos mútuos concedidos está alinhada com o previsto no Código Civil (1% a.m.). A questão aqui é outra: a assunção de encargos de financiamentos pertencentes à outras pessoas jurídicas do grupo econômico. Não se trata de recursos pertencentes ao contribuinte, mas de recursos captados no mercado financeiro e repassados para pessoas jurídicas interligadas sem o repasse proporcional dos encargos dos financiamentos. Nos autos, ficou perfeitamente demonstrado que o contribuinte não repassou, na mesma proporção dos mútuos contratados com suas interligadas, os custos dos financiamentos, assumindo encargos financeiros que não são seus. No caso do “Contrato Particular de Caução e Outras Avencas”, firmado em 31/12/2005 com a RBS Administração e Cobranças Ltda., cujo objeto do contrato é a prestação pela RBS Administração e Cobrança de serviços de recebimento e pagamento de créditos e débitos do contribuinte, mediante a concessão de uma caução fixada em R$ 54.446.662,35 (contrato firmado em 31/12/2005), sem previsão de remuneração pelos serviços prestados, não vejo como relevante o montante dos pagamentos efetuados em nome do impugnante, mas sim os saldos mantidos em conta corrente à disposição daquela pessoa jurídica, que se mantiveram ao longo em valores elevados e com contratos aditivos para ajuste do saldo ao final de cada ano calendário (aditivo de 31/12/2006, valor de R$ 72.141.271,07 – Aditivo de 02/01/2008, valor de R$ 32.402.549,13), conforme se pode verificar na planilha de folhas 1924 a 1931 – conta 120103. O impugnante apresentou vários comprovantes de pagamentos efetuados em seu nome pela RBS Administração e Cobrança para justificar os valores adiantados. Não há dúvida de que a RBS Administração e Cobrança efetuou os pagamentos em nome da impugnante, isso nunca foi contestado pelo autuante, mas sim o fato de serem mantidos em conta corrente saldos diários em valores elevados, conforme demonstrado na planilha de folhas 1924 a 1931 – conta 120103, fato que evidencia que a própria caução seria desnecessária, pois os recebimentos se revelam quase sempre superiores aos valores pagos. Em poucos dias do ano calendário os pagamentos se mostraram superiores aos valores mantidos como caução, caso em que a Cash company acabou emprestando valores para o contribuinte. Por fim, não procede a alegação de que não houve prejuízo para o Fisco, já que a RBS Administração e Cobrança Ltda. adota o regime de lucro real, pois cada pessoa jurídica é autônoma e, em respeito ao princípio da entidade, deve ter seus resultados tributáveis apurados observandose essa autonomia. Com relação a este item, preliminarmente, entendo que não procedem as argüições de nulidade apresentadas pela recorrente, não só diante dos argumentos do julgador "a quo", bem como reputo a descrição dos fatos e a fundamentação legal contida nas folhas de continuação do auto de infração bem feita, tendo a autuada desenvolvido plenamente a sua defesa. Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 23 25 Deste modo, por entender, também, que a metodologia utilizada pelo Fisco está correta, conforme descrição acima, o acórdão recorrido não merece reparos, pelo que nego provimento ao recurso neste item. 2 – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Aqui, também, releva destacar trechos do voto condutor ora combatido, cujos fundamentos adoto como razões de decidir. Esta Turma de Julgamento já teve a oportunidade de se manifestar sobre o assunto no Processo Administrativo n° 11080.008697/200987, cujo lançamento teve como escopo a indedutibilidade dos valores pagos a título de participação nos lucros da RBS Participações S.A. aos Senhores Pedro Pullen Parente e Afonso Antunes da Motta nos anos de 2004 e 2005. Naquele processo, a RBS Participações S.A. reconheceu que o Sr. Pedro Parente não era empregado e recolheu os valores decorrentes da infração. O Senhor Afonso Antunes da Motta pertencia ao quadro de empregados do impugnante, tendo sido eleito como diretor estatutário. Na decisão Acórdão 1035.848, de 30/11/2011 foi firmado o entendimento de que são indedutíveis, por expressa disposição legal, os valores distribuídos a administradores a título de participação nos resultados e que o empregado, uma vez eleito diretor estatutário, tem seu contrato de trabalho suspenso, por isso o pagamento de verbas trabalhistas, durante o período de suspensão do contrato, é mera liberalidade, o que torna indedutíveis os valores pagos a titulo de participação nos lucros. No caso dos autos, a Senhora Sílvia Nora Berno de Jesus e Senhor Pedro Parente, segundo as GFIPs do ano de 2006, foram admitidos como empregados em 01/12/2005 e 01/01/2006, respectivamente, posteriormente à eleição como diretores estatutários (Vice Presidente e Vice Presidente Executivo) para o período de 01/12/2005 a 30/11/2006, sendo que foram reeleitos para os períodos de 01/12/2006 a 30/11/2007 e 01/12/2007 a 30/11/2008. Nas GFIPs anteriores o contribuinte informou como diretores não empregados. Nas GFIPs do ano de 2006 o contribuinte informou como remuneração dos referidos diretores os mesmos valores pagos como antecipação do PPR. Entendo que, no caso dos autos, não se deve dar entendimento diverso daquele manifestado no Acórdão nº 1035.848, pois os dois diretores em questão foram eleitos para exercerem funções de comando, características da figura do empregador, que são incompatíveis com a subordinação característica da relação de emprego. Do Estatuto Social, apresentado pelo impugnante (fls. 2764/), extraímos o seguinte: No art. 18, caput, consta que a administração da Companhia incumbe ao Conselho de Administração e à Diretoria, sendo a remuneração da Diretoria fixada pela Assembléia Geral (§2º), e que os administradores perceberão, além da remuneração, participação nos lucros (§ 3º); Ao Conselho de Administração (art. 22) compete, entre outras atribuições, fixar a orientação geral dos negócios da Companhia (a), aprovar planos de desenvolvimento, bem como os investimentos necessários à sua execução (b) fiscalizar a gestão dos Diretores (f) e manifestarse sobre o relatório da administração, as demonstrações financeiras e as contas da Diretoria (i); Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 26 o art. 23 dispõe que a Diretoria será composta de 5 a 9 diretores, sendo que um é denominado Diretor Presidente, podendo ter até 4 Vice Presidentes e, os demais, diretores; de acordo com o art. 24, Compete aos diretores, na forma prevista neste Estatuto, a representação da Companhia, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, bem como a gestão dos negócios sociais em geral e a prática de todos os atos de administração e de disposição, necessários ou convenientes ao cumprimento do objeto social, inclusive celebrar atos e contratos de qualquer natureza ou finalidade, mesmo para aquisição, alienação ou oneração de bens do ativo permanente, constituir ônus reais e prestar garantias a obrigações de terceiros, observados os preceitos e limites do art. 22 deste Estatuto; os art. 25 e 26, transcritos a seguir, tratam, respectivamente, dos poderes específicos atribuídos aos diretores, além dos conferidos pelo Estatuto ou pelo Conselho de Administração. [...] Desse modo, enquanto ao Conselho de Administração compete fixar orientações gerais, aprovar os planos de desenvolvimento, fiscalizar a gestão dos diretores e manifestarse sobre o relatório de administração, à Diretoria cabe a representação da Companhia, a gestão dos negócios sociais e a prática de todos os atos de administração e de disposição necessários ou convenientes ao cumprimento do estatuto social. Assim, embora o impugnante apresente documentos subscritos pelos então dois diretores inominados dando conta de pretensa subordinação durante os respectivos contratos de trabalho, os demais documentos acostados aos autos, em especial o Estatuto Social e Atas de Assembléias e de Reuniões do Conselho de Administração, demonstram que não havia qualquer subordinação entre os membros da diretoria, ou entre os diretores e qualquer outra pessoa ocupante de demais cargos da Companhia. Observase que eventual relação se dava entre órgãos e não entre cargos. Alega o impugnante que, em relação aos dois diretores e em coerência à condição de empregados, durante todo o período em questão recolheu todos os tributos decorrentes da relação de emprego, o que tornaria irrelevante, para fins de dedutibilidade, se a função exercida era de diretor ou não. Enganase o impugnante. A existência, ou não, de relação empregatícia não está ligada ao pagamento das verbas trabalhistas, mas sim, ao preenchimento dos elementos necessários à sua existência. Raciocinar de forma diversa implicaria concluirmos que havendo o inadimplemento das obrigações trabalhistas não restaria configurado o vínculo de emprego, o que por si só, demonstra não ser possível concluir que o pagamento de verbas trabalhistas tenha o condão de transformar qualquer relação estatutária em uma relação de emprego. Os arts. 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT definem os quatro elementos necessários à configuração da relação de emprego: prestação pessoal de serviços (a pessoalidade), não eventualidade (ou continuidade), subordinação e pagamento mediante salário (onerosidade). A doutrina e a jurisprudência apontam que a ausência de qualquer desses elementos ocasionará a inexistência, ou, ao menos, tornará incompleta a noção jurídica de relação de emprego. Conforme já demonstrado, não há qualquer subordinação dos diretores inominados em relação a outros membros da Diretoria: a relação existente se dá Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 11080.731901/201181 Acórdão n.º 1301001.319 S1C3T1 Fl. 24 27 entre órgãos e não entre cargos (Diretoria/Conselho de Administração/Assembléia Geral), afastando a idéia de subordinação e, consequentemente, de relação de emprego. Pois bem. As parcelas pagas aos dirigentes ou administradores, a título de participação nos lucros não devem influir na base de cálculo do IRPJ, devendo, portanto, serem adicionadas ao lucro líquido do período base, para efeito de determinação do lucro real, por serem valores estranhos aos conceitos de custos ou despesas necessários à percepção da renda ou à manutenção da fonte pagadora (art. 303, do RIR/1999). Portanto, concordando com a interpretação e aos fundamentos expedidos, entendo, também, quanto a este item, que o acórdão condutor ora recorrido não merece reparos. De todo o exposto, manifestome por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Eis como voto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 12/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 17546.000744/2007-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 07/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 44 /2 00 7- 44 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 337 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 07/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, substituída pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). Relatório Tratase de lançamento das contribuições de segurados não repassadas à Seguridade Social, referente às competências de 04/2003 a 12/2003, através da NFLD 37.036.1822, cientificado o contribuinte em 18/10/06 (fls. 01 a 41 e 52). O Acórdão nº 2.40300.268, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 2a Seção de Julgamento, julgado na sessão plenária de 22 de outubro de 2010, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a aplicação da retroatividade da multa mais benéfica resultante da comparação: a) da multa com base no artigo 61, caput e §2o. da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com b) a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 (presente no crédito lançado neste processo). Transcrevese a ementa do julgado (fls. 235 a 256): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 338 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula n° 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, c, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de oficio. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 339 4 crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3° Lei 9.430/1996 c/c art.5°, § 3° Lei 9.430/1996) e da multa de oficio (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial, com base no art. 67, II do atual Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (fls. 260 a 308). Defende a Fazenda Nacional, em seu recurso (fls. 260 a 273), que deva ser aplicada retroativamente (somente quando benéfica em comparação com a multa estabelecida pelo art. 35, II da redação revogada da Lei n° 8.212, de 1991) não a multa prevista no art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, conforme determinação da nova redação do art. 35, caput, da Lei n° 8.212, de 1991, introduzido pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 e consoante recorrido, mas, sim, a multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Ou seja, a multa seria a de 75%, agora consoante art. 35A da mesma Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 11.941, de 2009. Tal posicionamento estaria sustentado no âmbito dos acórdãos ora adotados como paradigmas pela recorrente e proferidos pela Primeira Turma da Terceira Câmara e pela Primeira Turma da Quarta Câmara, ambas da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber, Acórdão n° 2.30100.283 e Acórdão n° 2.40100.120. Por sua vez, a multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se aplicaria para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 309 a 313. Devidamente cientificado por edital, tanto do acórdão como do recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 331), o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Julgo, inicialmente, não haver como se afastar a aplicabilidade, ao caso, da retroatividade benéfica prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172, de 25 de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 340 5 outubro de 1966 (CTN). Para tanto, trago à colação os dispositivos de interesse ao caso sob análise, bem como excertos do brilhante voto do Ilustre Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão no 9202003.070, proferido por esta mesma 2a Turma, em 13 de fevereiro de 2014, por concordar integralmente com os seus fundamentos, na forma a seguir transcrita: Lei 5.172/66 (CTN) Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.(g.n.) Lei 8.212/1991 (Redação anterior): Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (g.n.): a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 341 6 (...) Lei 8.212/1991 (nova redação): Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora (g.n.), nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício (g.n.) relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acórdão 9202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 342 7 (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada Fl. 395DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 343 8 atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritos duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras, cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas quando do pagamento por força de ação fiscal e, assim, constantes de notificação fiscal de lançamento de débito, tal como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício. Assim, entendo que a penalidade aplicada ao caso sob análise não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora” nos casos de lançamento por força de ação fiscal), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, consoante disposto no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991. Diante do exposto, entendo que deva ser dado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para restabelecer a penalidade nos termos em que constante do lançamento, limitada ao percentual de 75% (limite atual previsto no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade benéfica) Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO Processo nº 17546.000744/200744 Acórdão n.º 9202003.121 CSRFT2 Fl. 344 9 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PERE IRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.900907/2008-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 07 /2 00 8- 68 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 14501.27967.111104.1.3.044475 (fls.97/101), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos de PIS (código de receita: 6912) referente ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, e Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 3.129,02). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.072, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900907/200868 Acórdão n.º 1802002.105 S1TE02 Fl. 3 3 Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.280, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000.280, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 14501.27967.111104.1.3.044475 (fls.97/101), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos de PIS (código de receita: 6912) referente ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, e Cofins (código de receita: 5856), referente ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 3.129,02). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.072, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 O Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.105) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre de 2004 (fl.08) na qual altera para “zero”, o débito do IRPJ – estimativa mensal. relativo ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 3.129,02). É cediço, que o IRPJ determinado mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 – Ficha 11 Calculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo de IRPJ em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004, Valor: R$ 3.129,02, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004; b) se o pagamento do IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900907/200868 Acórdão n.º 1802002.105 S1TE02 Fl. 4 5 evidenciar o valor do IRPJ por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito de IRPJ com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento de IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". (...) Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de IRPJ por estimativa mensal pago a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o valor exato do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 3.129,02 , adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 31/03/2004, Data de Arrecadação: 30/04/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência do crédito Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900907/200868 Acórdão n.º 1802002.105 S1TE02 Fl. 5 7 pleiteado ou de saldo negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, fl.06, e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fl.01). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10730.002101/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada que negavam provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida e Márcio Henrique Sales Parada que negavam provimento ao recurso. Fará declaração de voto o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 21 01 /2 00 8- 90 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 122 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/RJ2/RJ. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 04/06) decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA do interessado, referente ao exercício de 2007, ano calendário de 2006, no qual, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, A fl. 06, a fiscalização constatou, pelo confronto do valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte —DIRF, a omissão de rendimentos sujeitos A tabela progressiva, no valor de R$16.960,47, recebidos da fonte pagadora MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, do que resultou a alteração de imposto a restituir declarado de R$2.231,06, para saldo de imposto a pagar apurado de R$2.433,07 (fl. 06 — verso), mais os acréscimos legais. Tendo sido cientificado desta notificação, por via postal, em 28/01/2008 (fls. 15/16), e inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 01/02), em 22/02/2008, alegando que: o montante de R$29.120,47 se refere A transferência patrimonial de que foi beneficiário como único herdeiro do espólio de Zenith Carvalho Guimarães, falecida em 1999, a qual recebeu essa importância também por transferência, em razão do falecimento do cônjuge da mesma, Eduardo Mattos Guimarães, falecido em 1988; essa importância se refere A diferença salarial a que Eduardo Mattos Guimarães teve direito como funcionário do Ministério dos Transportes; por falta de documentação do rendimento em questão, requereu ao Poder Judiciário o desarquivamento do processo de inventário no. 1999.002.0097762, no ensejo de saber se há algum documento do Ministério dos Transportes, sobre esses valores; está apresentando declaração retificadora por só ter tomado conhecimento do referido rendimento isento e não tributado, em 28/01/2008, através da Notificação de Lançamento. E requer, por fim, a anulação da Notificação, em virtude do valor levantado se tratar de rendimento isento e não tributado, e a devolução do montante de R$2.231,06, retido compulsoriamente na fonte pagadora. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 123 3 No mais, relaciona os documentos que anexou, no intuito de comprovar suas alegações. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 40/44, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a omissão de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, impõese a lavratura de lançamento de oficio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 07/02/2011 (fl. 47), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 49/50, em 26/02/2012. Em sua defesa, sustenta que os rendimentos tidos como omitidos referemse às diferenças salariais que o servidor Eduardo Mattos Guimarães teve direito somente depois de seu falecimento. Por essa razão o mencionado montante, oriundo de reajustes salariais do falecido Eduardo Mattos Guimarães, foi partilhado com o cônjugemeeiro Zenith Carvalho Guimarães e o Recorrente na qualidade de único filho. Por isso, ditos valores não se referem a reajuste de pensão, mas a reajustes salariais devido ao falecido servidor Eduardo Mattos Guimarães, cujo montante foi recebido pela meeira e herdeiro a título de herança. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos referente à diferenças salariais de pessoa falecida (mãe do contribuinte) recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 124 4 O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 125 5 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 126 6 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar o presente lançamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002101/200890 Acórdão n.º 2801003.477 S2TE01 Fl. 127 7 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida Permitome discordar da Ilustre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, uma vez que não consta dos autos nenhum documento que evidencie que os valores recebidos referemse a “diferenças salariais de pessoa falecida (mãe do contribuinte) recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial”. A DIRF enviada pelo Ministério dos Transportes, acostada aos autos em fl. 37 deste processo digital, aponta rendimentos tributáveis no valor de R$ 16.960,47, com código de receita 0561 (Rendimentos do Trabalho Assalariado), de modo que caberia ao contribuinte afastar a presunção de veracidade da referida declaração mediante a apresentação de prova robusta, o que, a meu ver, não foi feito pelo Interessado. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/03/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902236/2012-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 36 /2 01 2- 37 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902236/201237 Acórdão n.º 3801002.314 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902236/201237 Acórdão n.º 3801002.314 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902236/201237 Acórdão n.º 3801002.314 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.902236/201237 Acórdão n.º 3801002.314 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por SHEILA NOBRE FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/03/201 4 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000300/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 483 1 482 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.000300/201075 Recurso nº 9.215.27Voluntário Resolução nº 2202000.344 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2012 Assunto IRPF Recorrente RICARDO MOTTA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 00 30 0/ 20 10 -7 5 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 484 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira, a fiscalização lavrou os Termos de Intimação Fiscal 377/2009 e 83/2009 (fls. 39, 41) para que o recorrente apresentasse documentos e esclarecimentos, tendo o recorrente respondido às fls. 4347. Por meio do Termo de Intimação Fiscal 152/2009, a fiscalização informou o recorrente de que alguns dos documentos mencionados na resposta não foram efetivamente apresentados (fls. 127129). Apesar de intimado três vezes, por meio dos Termos de Intimação Fiscal 152/2009 (devolvidos pelos correios como “ausentes” por três vezes), 161/2009 e 171/2009 a apresentar todos os extratos mensais das contas bancárias mantidas junto ao Banco Bradesco S/A/ e Caixa Econômica Federal no anocalendário de 2006, o recorrente permaneceu inerte nesse sentido. Desta forma, o Fisco intimou as instituições financeiras acima relacionadas mediante emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras (RMF) (fls. 143162). A partir do exame dos lançamentos contidos nos extratos bancários emitidos pelos bancos, a Fiscalização elaborou lista de depósitos bancários sem origem comprovada, e intimou o recorrente por meio de Termo de Intimação Fiscal 235/2009 (fls. 169/177) a comprovar a origem e a natureza dos recursos para cada um dos depósitos listados. O recorrente apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal 235/2009, em 07/10/09 (fl. 182183), apresentando uma série de informações e documentos. Insatisfeita com as declarações e documentos apresentados, a Fiscalização intimou novamente o recorrente por meio do Termo de Intimação Fiscal 280/2009 (fl. 224/227) a apresentar esclarecimentos e documentos. Após solicitação de prorrogação de prazo (fl. 231), e tendo em vista as reiteradas intimações para que o contribuinte apresentasse documento e esclarecimento, a Fiscalização decidiu lavrar auto de infração. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 11/01/10, auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 0132), exercício 2007, anocalendário 2006, apurando crédito tributário no montante de R$ 580.437,46, incluídos imposto, juros de mora e multa de 150% A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O recorrente tomou ciência do auto em 15/01/2010. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 294297), esgrimindo os seguintes argumentos: a) em resposta ao Termo de Resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 280/2009, o recorrente solicitou prorrogação de prazo para apresentação da lista dos documentos exigidos, restando o mesmo indeferido, o que prejudicou o direito de defesa; Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 485 3 b) a relação da documentação exigida é extensa, sendo que agravada pelo fato se tratar de cópias de cheques, os quais haveriam de ser solicitados junto aos Bancos, sendo o prazo concedido de dez dias muito exíguo, mormente pelo fato de o recorrente não mais residir em Belo Horizonte; c) o recorrente está providenciando a apresentação da documentação relacionada a fim de demonstrar a origem dos créditos/depósitos em suas contas bancárias, inclusive solicitando microfilmes de todos os seus cheques, sendo que, posteriormente, elaboraria planilha detalhada comprovando que os recursos não são passíveis de tributação, pois não constituem renda; d) dos valores que transitaram em sua conta no ano de 2006, parte deles se referem à venda de um apartamento devidamente declarado, tendo recebido mais ou menos R$200.000,00, sendo que a outra parte se refere à transferência entre contas, como saque de uma conta e depósito em dinheiro em outra; outra parte se refere à construção em Condomínio do Ed. Santiago Ballesteros (aproximadamente R$90.000,00) e ainda, à utilização de sua conta pessoal para movimentar recursos da empresa da qual é sócio (CHR Empreendimentos); e) com relação à construção do Edifício Santiago Ballesteros, apresentou: (i) cópia da convenção de condomínio, demonstrando que desde 1º de junho de 2004 formouse um grupo para executar um empreendimento em regime de incorporação, sendo que, para a execução do empreendimento, os participantes aportavam valores para compra de materiais, pagamento de taxas e imposto e pagamentos de mãodeobra dos funcionários que trabalhavam na obra; (ii) documento denominado NBR 1272, no qual constam também os incorporadores proprietários de cada unidade; f) no que se refere à venda do apartamento nº 601 do Ed. Santiago Ballesteros à Sra. Marisa de Lourdes Rodrigues Castana, CPF nº 611.263.226/87, afirma que: (i) a escritura e a certidão não foram emitidas pelos cartórios competentes, pois a construção não foi averbada e o imóvel continua com seu registro apenas das frações ideais; (ii) alguns comprovantes de depósitos efetuados no ano de 2006 estão em posse da compradora, posto que foram efetuados por ela. Por este motivo apresentou a segunda via dos recibos, bem como a relação destes recibos coincidentes com os pagamentos; quais sejam: fevereiro/2006 R$30.000,00; abril/2006 – R$20.000,00; maio/2006 – R$20.000,00; julho/2006 R$15.000,00; (iii) solicita dilação de prazo, tendo em vista a necessidade de solicitar à compradora os demais recibos que estão em poder dela; (iv) o Demonstrativo de Ganho de Capital relativo à venda do apto. 601, conforme a sua DIRPF – anocalendário 2006 tem um custo declarado de R$180.118,00 até a sua venda. O imóvel foi vendido por R$200.000,00, ainda em construção, havendo, portanto, um ganho de capital de R$19.882,00 no período; (v). o imposto devido sobre esta venda deverá ser calculado sobre o ganho de capital referido no item anterior, e não sobre o valor total da venda, mesmo porque declarou em suas declarações anuais anteriores a 2006 a construção do imóvel; g) quanto à alegação de que alguns depósitos/créditos em suas contas bancárias seriam provenientes da empresa CHR Empreendimentos, informou estar apresentando cópias de notas fiscais e depósitos a terceiros para pagamento de despesas da mencionada empresa, que teriam sido efetuados pelo recorrente; Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 486 4 h) há comprovação dos depósitos bancários efetuados na conta do Sr. Carlos César Faria Gonzaga para demonstrar o pagamento parcelado para amortização dos empréstimos efetuados por ele; i) em março de 2006, recebeu do Sr. Carlos Henrique Faria Gonzaga a título de empréstimo a importância de R$12.629,40, que foram pagos conforme depósitos por meio de dois cheques emitidos na sua conta, totalizando R$14.980,00 (acrescido de 1,5% de juros). Por fim, apresenta depósitos bancários efetuados na conta da Fama Veículos, a fim de comprovar o pagamento parcelado para amortização dos empréstimos efetuados para aquisição do veículo Frontier. Consta de fl. 304/306 impugnação apresentada pelo contribuinte semelhante à de fls. 294/297, instruída com os documentos de fls. 307/332; às fls. 368/371, consta outra petição, também semelhante à de fls. 294/297 instruída com os documentos de fls. 377/425. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 5ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, por sua improcedência (fls. 428437), mantendo o crédito tributário exigido, tendo o recorrente tomado ciência da decisão em 15/08/11 (fl. 478). Na decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) não houve nulidade por cerceamento ao direito de defesa uma vez que não houve circunstância que impedisse o recorrente de conhecer os dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitassem o exercício de sua defesa; b) A lei 9.430/96 estabelece uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil; e c) da análise dos documentos apresentados, verificase que nenhum comprova a origem dos depósitos bancários apurados pela fiscalização e, com exceção das “notas promissórias” apresentadas, todos demonstram desembolsos do contribuinte e não a comprovação de origem de recursos que constam na sua conta bancária. 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, intempestivamente, recurso voluntário, em 19/09/2011 (fls. 443446), repisando os argumentos da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 487 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários, postulando o recorrente a anulação do lançamento tendo em vista que os valores apontados no Auto de Infração não configurariam renda. Verificase que o recorrente, tendo tomando ciência do Acórdão de Impugnação em 15/08/11 (fl. 478), interpôs recurso voluntário apenas em 19/09/2011 (fl. 441), ou seja, 5 dias após o prazo prescricional (termo de perempção de fl. 478). Entretanto, no âmbito das matérias que comportam julgamento de ofício, encontrase possível nulidade do procedimento de fiscalização, sendo que para alcançar seu desiderato a Fiscalização utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls. 143162). A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 488 6 enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 489 7 AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 15504.000300/201075 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.344 S2C2T2 Fl. 490 8 mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, considerando tratarse de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10120.017360/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÕES. DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS .DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
A apresentação de DAA em separado impõe o não acolhimento das deduções com dependentes, despesas com instrução e despesas médicas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-002.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez.
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DEPENDENTES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS .DECLARAÇÃO EM SEPARADO. A apresentação de DAA em separado impõe o não acolhimento das deduções com dependentes, despesas com instrução e despesas médicas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Dayse Fernandes Leite (Substituta Convocada), Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 73 60 /2 00 8- 01 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 15.549,29, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido verificada, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, exercício 2004, as seguintes infrações: 1. Dedução Indevida com Dependentes: glosa de R$ 5.088,00, referentes a Anice Bittar Froes (cônjuge) e aos filhos Leonardo, Prienne e Fernando Bittar Froes, posto que os mesmos apresentaram declaração em separado, portanto, sem previsão legal para sua dedução. 2. Dedução Indevida com Instrução: glosa de R$ 5.994,00, por falta de previsão legal para a dedução, pois são despesas a favor de Leandro, Prienne e Fernando Bittar Froes, declarados como dependentes, mas excluídos da condição de dependentes por terem apresentado declaração em separado. 3. Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa de R$ 12.591,00, por falta de previsão legal para a sua dedução, pois são despesas em favor de pessoas declaradas dependentes, mas excluídos da condição de dependentes por terem apresentado declaração em separado. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1/6, que foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/BSB (DF), por intermédio de acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES COM DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS E INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As deduções com dependentes, despesas médicas e instrução somente são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência Insatisfeito com a decisão, o contribuinte apresenta recurso voluntário , por meio do qual: · Argumenta que conforme exaustivamente argüido na impugnação, sua cônjuge ANICE BITTAR FRÓES, apesar de fazer parte do quadro societário de uma empresa, inativa, não possuía rendimentos ou bens, sendo essa a razão de ter sido relacionada em sua Declaração de Rendimentos · Aduz que Leandro Bittar Froes e Prienne Bittar Froes são seus filhos e, durante o exercício de 2003, eram menores de 24 (vinte e quatro) anos e cursavam faculdade, eram seus dependentes e não possuíam rendimentos. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.017360/200801 Acórdão n.º 2202002.620 S2C2T2 Fl. 3 3 · Ressalta que diante de tais fatos, tudo leva a crer que a recusa da relação de dependência se deu em função de não ter constado em sua declaração que tratavase de uma declaração em conjunto, o que supostamente caracterizaria um erro formal, passível de correção, não podendo, assim servir como argumento para lhe prejudicar. · Discorda do fundamento contido no acórdão recorrido de que os dependentes por participarem do quadro societário de uma empresa, mesmo que inativa ou não tendo iniciado suas atividades, eram obrigados a apresentar a declaração de imposto de renda. A razão da glosa foi o fato de sua declaração não ter sido apresentada em conjunto com seus dependentes. · Assevera que é inquestionável a relação de dependência de sua cônjuge e seus filhos, razão pela qual o simples fato das declaração não terem sido apresentadas em conjunto, não muda a relação de dependência, pois conforme argüido, os dependentes não auferiram nenhum rendimento e caso as declaração fossem apresentadas em conjunto os valores declarados permaneceriam inalterados. · Destaca que a orientação contida no site da Receita Federal, informa que o dependente obrigado a apresentar a declaração anual de imposto de renda fica dispensado de apresentála, caso conste como dependente na declaração apresentada pelo outro cônjuge ou pelos pais. É o relatório. Voto O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. O cerne da controvérsia consiste em saber se o recorrente faz jus as deduções pleiteadas em sua declaração de ajuste exercício de 2003, nos valores de R$ 5.088,00, R$ 5.994,00 e R$ 12.591,00, a título de Dedução com Dependentes, Dedução com Instrução: Dedução de Despesas Médicas, respectivamente, quando sua esposa e seus filhos, optam por apresentarem a declaração em separado. No caso dos autos é inconteste que o contribuinte, sua esposa e seus filhos apresentaram a declaração em separado. Na constância da sociedade conjugal, a regra geral é apresentação da declaração em separado, devendo cada cônjuge “incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.”(art.7º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de1999–RIR/99). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Conforme disposto no artigo 8º do RIR/99, os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, situação em que “o cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge. Mas não foi essa a opção do casal, já que apresentou declarações em separado. Assim, cada declaração é um universo distinto, para a apuração do imposto. Separados os rendimentos e separadas as deduções possíveis. A alegação de que o cônjuge e os filhos não possuíam qualquer fonte de renda e teriam apresentado declarações em separado porque eram sócios de empresa, mesmo que inativa, não se justifica, pois tal fato não impedia que o casal apresentasse declaração em conjunto. O mesmo entendimento se aplica aos filhos menores, sócios ou cotistas, podem ser dependentes de um dos pais, desde que preencham os requisitos para tal. Como já mencionado no acórdão vergastado, no caso em foco, os cônjuges optaram por apresentar as respectivas declarações em separado, assim como os filhos. Na DIRPF apresentada pelo contribuinte consta expressamente, no campo próprio, que a declaração não é em conjunto. Ressaltese que tratase de opção sem qualquer restrição, ficando a cargo dos contribuintes eleger a que lhe for mais conveniente. Assim, por absoluta falta de previsão legal, não há como considerar o cônjuge e os filhos como dependentes do contribuinte na DIRPF, ainda que eles sejam economicamente dependentes do interessado, como consta de suas alegações, se eles entregaram declaração em separado. Acrescento que a esposa e os filhos do Interessado optaram pelo desconto simplificado na declaração de ajuste anual exercício 2003, o que significa dizer que todas as deduções admitidas pela legislação tributária foram substituídas pelo desconto padrão de 20% sobre seus rendimentos tributáveis. É de se ressaltar que como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes.Contudo,na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano,e, embora podendo ser considerados dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. No caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge ou pelos filhos, na qual todas as deduções a que estes teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado,a parcela do plano dê saúde correspondente ao outro cônjuge ou aos filhos é considerada indedutível na declaração do titular do plano. Diante do conteúdo dos autos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.017360/200801 Acórdão n.º 2202002.620 S2C2T2 Fl. 4 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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