Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4992013 #
Numero do processo: 10120.905851/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10120.905851/2009-84

anomes_publicacao_s : 201308

conteudo_id_s : 5281608

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3402-000.550

nome_arquivo_s : Decisao_10120905851200984.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 10120905851200984_5281608.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.

dt_sessao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013

id : 4992013

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:14 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045985976909824

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 141          1 140  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.905851/2009­84  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.550  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de junho de 2013  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  OURO VERDE ARMAZENS GERAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os autos.  RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter  o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.     (Assinado digitalmente)  SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto.     (Assinado digitalmente)   JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR ­ Relator.    Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros Silvia de Brito Oliveira  (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana  Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente),  a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros  Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.           RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 05 85 1/ 20 09 -8 4 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10120.905851/2009­84  Resolução nº  3402­000.550  S3­C4T2  Fl. 142          2 Relatório  Tratam­se os autos de Declaração de Compensação realizada pelo contribuinte,  decorrente  de  alegação  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  PIS  referente  ao  período  de  Fev/2003  sob o valor R$ 164,96  (cento  e  sessenta  e quatro  reais  e noventa e  seis  centavos),  com débito de CSLL relativo ao 4º Trimestre de 2004.  O pedido de compensação não  foi homologado  sob a  alegação de que “foram  localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  saldo  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no PER/DCOMP”. Ou  seja, o pagamento por meio de DARF de PIS no  montante principal de R$1.815,00, que seria aquele que continha o pagamento a maior, já teria  sido integralmente utilizado para extinguir o débito do mesmo tributo.  O contribuinte insurgiu­se argüindo que o valor real do débito de PIS relativo ao  período  em  questão  havia  sido  informado  a  maior  em DCTF,  mas  que  na  DIPJ  respectiva,  estava corretamente consignado, razão pela qual entendeu que não seria necessária a retificação  da DCTF e que a Administração faria a  imputação automática do crédito, pleiteando ainda a  nulidade  da  decisão  por  cerceamento  de  defesa  e  o  provimento  da  manifestação  de  inconformidade.  A  2ª  Turma  da  DRJ  de  Brasília  proferiu  o  Acórdão  nº  03­43.732,  pelo  qual  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  por  entender  que  o  apontamento  em  DIPJ  não  seria  suficiente  para  comprovar  o  pagamento  a maior,  devendo  o  contribuinte  ter  trazido cópia da escrita fiscal que demonstrasse referido indébito.  Inconformada  com  a  decisão,  o  sujeito  passivo  apresentou  tempestivamente  Recurso  Voluntário  a  esse  Conselho,  repisando  os  argumentos  alinhados  quando  de  sua  manifestação  de  inconformidade, mas  fazendo  acostar  cópia  de  documentos  contábeis  como  forma de demonstrar a  existência de pagamento  a maior do  referido  tributo, pleiteando, com  isso, o provimento do recurso para que seja homologada a compensação declarada.    DA DISTRIBUIÇÃO   Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) Volume,  numerado  até  a  folha  91  (noventa  e  um),  e  após  com  diversos  documentos  já  no  formato  eletrônico  numerado  até  a  folha  140,  estando  apto  para  análise  desta  Colenda  2ª  Turma  Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.  É o relatório.          Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10120.905851/2009­84  Resolução nº  3402­000.550  S3­C4T2  Fl. 143          3 Voto  Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator.  A questão posta nos  autos  cinge­se  à matéria probatória,  na medida  em que o  cruzamento eletrônico entre o que restou informado na DCTF apresentada pelo contribuinte e o  DARF apontado como veículo do pagamento indevido, não apontou diferenças, de modo que,  eletronicamente, se constatou pela inexistência do crédito pleiteado.   Por outro lado, constata­se que a DIPJ apresentada pelo contribuinte respaldaria  esse  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido,  porém,  como  referido  documento  não  possui  o  atributo  de  “confissão  de  dívida”  não  serviu  ao  “cruzamento  de  dados”,  e  consequentemente, acabou por prevalecer o que da DCTF constara.  Em  circunstância  inversas,  ou  seja,  naquela  em  que  o  sujeito  passivo  informa  débito  a  maior  em  DIPJ  do  que  na  DCTF,  o  sistema  de  cruzamento  eletrônico  da  Administração deflagra  a  fiscalização, para que  seja verificado o porquê da diferença,  e não  raro nos deparamos com autuações que se originaram destes cruzamentos. Penso que o mesmo  tratamento deveria ser franqueado ao contribuinte.  Desta forma, tenho que no caso em concreto há um início de prova que permite  efetivamente dar credibilidade aos argumentos do contribuinte, no sentido de que sua escrita  fiscal respaldaria o que foi por ele informado em DIPJ, mas que não fez constar em DCTF.   De  fato,  os documentos contábeis  trazidos no  recurso  servem como “início de  prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de  receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para  que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências:  a) Verifique a escrita contábil e fiscal do contribuinte com relação ao mês em  que  está  sendo  apontada  a  existência  de  crédito  utilizado  para  compensação  veiculada na DCOMP em análise;  b)  Manifeste­se  conclusivamente  sobre  a  existência  (ou  não)  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido,  bem  como,  havendo  crédito,  qual  o  seu  respectivo montante;  c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo,  para  que,  querendo,  se  manifeste  no  prazo  de  no  mínimo  30  (trinta)  dias,  retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho.     É como voto.  (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior – Relator.    Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA

score : 1.0
4956224 #
Numero do processo: 10510.001546/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO A PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201204

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. REMUNERAÇÃO A PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida contribuição sobre remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço da empresa. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10510.001546/2010-61

anomes_publicacao_s : 201204

conteudo_id_s : 5102408

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2402-002.613

nome_arquivo_s : 2402002613_10510001546201061_201204.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO

nome_arquivo_pdf_s : 10510001546201061_5102408.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012

id : 4956224

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:12 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045985985298432

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 1          1             S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10510.001546/2010­61  Recurso nº  000.000   Voluntário  Acórdão nº  2402­002.613  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de abril de 2012  Matéria  REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE  PAGAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL  Recorrente  ESTADO DE SERGIPE ­ ADMINISTRAÇÃO DIRETA. SECRETARIA DE  ESTADO DA EDUCAÇÃO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2008  CONTRIBUINTE  INDIVIDUAL.  REMUNERAÇÃO  A  PESSOAS  FÍSICAS. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  É  devida  contribuição  sobre  remunerações  pagas  ou  creditadas,  a  qualquer  título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais a serviço  da empresa.  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara  e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta  de  obscuridade  na  caracterização  dos  fatos  geradores  incidentes  sobre  a  remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais.  MULTA  DE  MORA.  APLICAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  VIGENTE  À  ÉPOCA DO FATO GERADOR.  O lançamento reporta­se à data de ocorrência do fato gerador e rege­se pela  lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  449/2008,  aplica­se  a  multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso  II da Lei 8.212/1991).  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente  à época dos fatos geradores.    Julio Cesar Vieira Gomes ­ Presidente.     Ronaldo de Lima Macedo ­ Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  Cesar  Vieira  Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu  Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva.  Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 2          3   Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a  remuneração  dos  segurados  contribuintes  individuais,  relativa  à  contribuição  previdenciária  patronal, para as competências 01/2006 a 03/2008.  O Relatório Fiscal (fls. 28/29) informa que os fatos geradores decorrem das  remunerações  dos  segurados  contribuintes  individuais,  em  forma  de  salários,  confirmados  mediante verificação nas folhas de pagamentos e registros contábeis, em arquivo digital e em  papel,  fornecidos  pela  Secretaria,  bem  como  nas  GFIP,  Guias  de  Recolhimento  (GPS),  Contratos e Notas Fiscais de Prestação de Serviços, dentre outros. Foram constituídos por meio  dos seguintes levantamentos:  1.  “SCI” à refere­se às remunerações pagas às pessoas que trabalharam  para  a  realização  do  “Programa  Sergipe  Cidadão”  da  Secretaria  do  Estado  da  Educação,  sob  o  título  de  “Alfabetizadores  Voluntários”,  que não foram declaradas em GFIP;  2.  “PUI” à refere­se às remunerações pagas às pessoas que trabalharam  a  serviço  da Secretaria  do Estado  da Educação  para  a  realização  do  processo  seletivo  de  alunos  que  buscavam  ingressar  no  curso  pré­ universitário  fornecido  pela  SEED,  que  não  foram  declaradas  em  GFIP;  3.  “SU1” à refere­se às remunerações pagas às pessoas que trabalharam  a  serviço  da Secretaria  do Estado  da Educação  para  a  realização  de  exames  do  “Supletivo”  sob  a  responsabilidade  da  SEED,  que  não  foram declaradas em GFIP.  Esse Relatório informa ainda que os valores apurados decorrem de ação fiscal  realizada  junto ao Estado de Sergipe (Secretaria de Estado da Educação). Até a competência  01/2008, os documentos observados estavam relacionados ao CNPJ 13.130.497/0001­04. Para  as  competências  seguintes,  os  documentos  examinados  estavam  relacionados  ao  CNPJ  13.128.798/0014­18, utilizado atualmente pela Secretaria de Estado da Educação.  A fiscalização junta aos autos os Anexos I, II e III que se referem a cópias de  folhas  de  pagamentos  relativas  a  cada  levantamento,  visando  demonstrar  que  houve  a  contratação  de  pessoas  para  a  realização  dos  trabalhos  e  o  pagamento  de  remuneração  para  realização  dos mesmos.  Informa que  a  remuneração  paga  aos  trabalhadores  da Secretaria de  Estado da Educação que estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado não foi  objeto de análise na fiscalização, pois o procedimento fiscal foi restrito aos fatos geradores das  contribuições para o Regime Geral de Previdência Social (RGPS).  Pontua  a  Fiscalização  que  os  valores  do  presente  AI  referem­se  exclusivamente aos valores devidos pelos segurados que estiveram a serviço da SEED a título  Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4 de contribuição previdenciária, para os quais não foi constatado o desconto da remuneração do  trabalhador.   Os  recolhimentos  efetuados,  identificados  no  Relatório  de  Documentos  Apresentados  (RDA),  foram  apropriados  prioritariamente  aos  valores  declarados  em  GFIP.  Feita  esta  apropriação,  os  saldos  do  contribuinte  foram  devidamente  considerados  face  aos  levantamentos constantes dos AI 37.216.721­7, 37.216.722­5 e 37.216.723­3 e os valores ainda  remanescentes  foram apropriados aos levantamentos deste Auto de Infração. As apropriações  encontram­se  demonstradas  no  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados  (RADA).  No  item  12  do  Relatório  Fiscal,  há  a  afirmação  de  que  foi  realizado  o  comparativo  da multa  aplicada,  em  função  das modificações  trazidas  pela  Lei  11.941/2009,  reportando­se aos Anexos IV e V do Auto de Infração.  A  ciência  do  lançamento  fiscal  ao  sujeito  passivo  deu­se  em  27/04/2010  (fl.01).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  50/58),  alegando,  em  síntese, que:  1.  Do levantamento SCI. O fato gerador que decorre da relação jurídica  estabelecida entre os voluntários e o FNDE. Pagamento, creditamento  e  obrigação  da  União,  por  meio  do  FNDE.  Os  programas  "Sergipe  Cidadão"  e  "Sergipe  Alfabetizado"  destinam­se  à  alfabetizar  a  população mais carente do Estado de Sergipe, notadamente daqueles  cidadãos  que  vivem  no  sertão  e  que  tem  dificuldade  de  acesso  a  escolas.  Este  programa  é  financiado  pelo  Fundo  Nacional  de  Educação ­ FNDE, vinculado ao Ministério da Educação e Cultura, e  destinado a todos os Estados da Federação que aderiram por meio de  convênio. Nos termos do art. 33 e art. 36 da Resolução do Conselho  Deliberativo  do  FNDE­CD/FNDE  n°  045,  de  18/09/2007,  cópia  anexa,  resta  claro  que  o  ônus  financeiro  da  despesa  com  pessoal  envolvido nestes programas  sociais  é do FNDE, órgão vinculado  ao  Ministério  da  Educação  e  Cultura  ­  MEC,  ou  seja  União  Federal.  Consoante o  art.  4o,  inciso  I,  alínea “d”,  da mencionada  resolução é  atribuição do MEC autorizar ao FNDE o pagamento, a interrupção ou  o  cancelamento  do  pagamento  das  bolsas.  Nos  termos  da  Lei  de  Custeio da Previdência, os encargos relacionados com a contribuição  previdenciária  devem  ser  suportados  pelo  ente  que  paga,  credita  ou  que  se obriga  pela  remuneração  destinada  a  qualquer  dos  segurados  obrigatórios.  Em  razão  do  narrado,  não  há  como  subsistir  o  levantamento  SCI, motivo  pelo  qual  deve  ser  cancelado  e  extinto  o  débito dele correspondente;  2.  Levantamentos PUI e SU1. Prestadores de serviço vinculados ao  regime próprio de Previdência Social do Estado de Sergipe. Verba  que não sofre  incidência de contribuição previdenciária destinada ao  RGPS.  Posterior  juntada  de  documentos  adicionais.  Em  todos  os  levantamentos os servidores envolvidos não podem ser considerados  como  contribuintes  individuais,  eis  que  são  servidores  públicos  efetivos  do  Estado  de  Sergipe  e,  como  tal,  vinculados  ao  Regime  Próprio de Previdência. Juntada aos autos, por amostragem, cópia da  Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 3          5 folha  de  pagamento  destes  servidores,  acompanhada  de  planilha  identificadora de cada cargo ocupado pelos envolvidos, demonstrando  que  são  servidores  públicos  efetivos.  Entretanto,  caso  haja  necessidade,  podem  ser  juntados  elementos  adicionais  tão  logo  solicitado,  bem  como,  podem  ser  colocados  à  disposição  para  diligenciamento local pelo Fisco;  3.  Ausência  de  identificação  no  RADA  da  utilização  de  todo  o  montante  de  recolhimentos  contidos  nos  documentos  apresentados à fiscalização. Cerceamento de defesa. Analisando­se  o RADA verifica­se que, em diversas competências, do montante da  contribuição  devida,  apurada  pela  fiscalização,  foi  apropriado  valor  inferior  ao  total  recolhido  pelo  contribuinte,  ora  impugnante.  Boa  parte  do  recolhimento  realizado  pelo  contribuinte  foi  apropriado  em  documento desconhecido (documento de EXCLUSÃO), cuja base de  cálculo  não  foi  demonstrada  pelo  agente  autuante.  A  ausência  de  demonstração pelo fisco do destino de todo o montante recolhido pelo  contribuinte,  com  vistas  a  abater  o  saldo  da  dívida  apurada,  traz  indubitável  cerceamento  de  defesa,  uma  vez  que  impede  a  análise  quantitativa por parte do contribuinte do que realmente é devido – o  quantum  debeatur.  Em  suma,  analisando­se  o  relatório  fiscal  e  os  documentos  que  acompanham  é  possível  afirmar  que  em  todas  as  competências houve saldo de recolhimento do Estado de Sergipe que  foi  desconsiderado  pelo  fisco,  apropriando­o  em  documento  de  Exclusão,  cujo  detalhamento  não  foi  apresentado  pelo  agente  autuante.  Esta  situação,  além  de  caracterizar  ofensa  ao  princípio  da  ampla  defesa,  eis  que  impede  o  conhecimento  completo  das  razões  que  motivaram  o  lançamento,  permite  afirmar  que  há  recolhimento  suficiente para cobrir o saldo da dívida cobrado;  4.  Por  fim,  requer  sejam  acolhidas  as  alegações  desta  defesa  administrativa,  sendo  declarado  extinto  o  contestado  crédito  tributário, definido e lançado através do AI n° 37.216.724­1.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Salvador/BA – por meio do Acórdão no 15­25.665 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 297/304) –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade e determinou a aplicação da multa  mais benéfica, sendo que isso será verificado no momento do pagamento, quando o percentual  da multa de mora se encontrará definido.  A  Notificada  apresentou  recurso  (fls.  310/317),  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  alega  improcedência dos valores apurados em decorrência da cessão de mão­de­obra.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil  (DRF) em Aracaju/SE encaminha  os  autos  ao  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  para  processamento  e  julgamento (fl. 320).  É o relatório.  Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6   Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  A  Recorrente  alega  houve  ausência  de  identificação  no  RADA  da  utilização de todo o montante de recolhimentos contidos nos documentos apresentados ao  Fisco,  sendo que  isso  ocasionaria  o  cerceamento  ao  seu direito de defesa  e nulidade do  lançamento fiscal.  Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem  os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais  lançadas, que foram as  relativas às contribuições previdenciárias, parcela patronal,  incidentes  sobre a remuneração dos segurados contribuintes que prestaram serviços ao Estado de Sergipe  (Secretaria de Estado da Educação ­ SEED).  Os  valores  das  contribuições  sociais  apuradas  decorrem  das  remunerações  pagas ou creditadas aos  segurados contribuintes  individuais,  concernentes às divergências do  confronto de valores efetivamente recolhidos pela empresa com aqueles apurados nas folhas de  pagamento, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s)  e nos registros contábeis, em arquivo digital e em papel, fornecidos pela Secretaria de Estado  da Educação (SEED).  Verifica­se  ainda  que  o  lançamento  fiscal  ora  analisado  atende  aos  pressupostos essenciais para sua  lavratura,  contendo de forma clara os elementos necessários  para  a  sua  configuração  e  caracterização.  Com  isso,  não  há  que  se  falar  em  vícios  no  lançamento  fiscal,  eis  que  estão  estabelecidos  de  forma  transparente  nos  autos  (fls.  01/31)  todos  os  seus  requisitos  legais,  conforme  preconizam  o  art.  142  do  CTN,  o  art.  37  da  Lei  8.212/1991  e  o  art.  10  do  Decreto  70.235/1972,  tais  como:  local  e  data  da  lavratura;  caracterização  da  ocorrência  da  situação  fática  da  obrigação  tributária  (fato  gerador);  determinação  da  matéria  tributável;  montante  da  contribuição  previdenciária  devida;  identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri­ la ou impugná­la no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades  cabíveis; dentre outros.  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Lei 8.212/1991:  Art.  37.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  não  declaradas  na  forma  do  Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 4          7 art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado  ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto  de infração ou notificação de lançamento.  Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.  O Relatório Fiscal (fls. 28/29) e seus anexos (fls. 01/27) são suficientemente  claros  e  relacionam os dispositivos  legais  aplicados  ao  lançamento  fiscal  ora  analisado, bem  como  descriminam  o  fato  gerador  da  contribuição  devida.  A  fundamentação  legal  aplicada  encontra­se  no Relatório  de  Fundamentos  Legais  do Débito  ­  FLD  (fls.  26/27),  que  contém  todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo de Débito ­ DD,  que  contém  todas  as  contribuições  sociais  devidas,  de  forma  clara  e  precisa  (fls.  03/04).  Ademais,  constam  outros  relatórios  que  complementam  essas  informações,  tais  como:  Relatório  de  Documentos  Apresentados  ­  RDA  (fls.  05/19);  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados  ­  RADA  (fls.  20/25);  dentre  outros.  Esses  documentos,  somados  entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do  crédito tributário.  Com  isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o  lançamento  fiscal  foi  lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o  agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  ocorrência  do  fato  gerador  das  contribuições previdenciárias, incluindo os acréscimos legais, incidentes sobre a remuneração  dos  segurados  contribuintes  individuais,  fazendo  constar  nos  relatórios  que  o  compõem  (fls.  01/31) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas.  Dentro  desse  contexto  fático,  constata­se  que  as  demais  alegações  expostas  na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na peça de impugnação (fls.  122/128). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça  recursal  –  concernente  ao  montante  de  recolhimentos  efetuados  pelo  sujeito  passivo  e  apropriados  no  RADA  –,  foram  devidamente  enfrentadas,  quando  da  análise  da  peça  de  impugnação.  Assim,  passarei  a  utilizar  o  conteúdo  assentado  na  decisão  de  primeira  instancia, exarado por meio do Acórdão no 15­25.665 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 297/304),  para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso  Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8 está  em  conformidade  ao  art.  50,  §  1o,  da  Lei  9.784/1999  –  diploma  que  regula  o  processo  administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  (...)  §  1o.  A  motivação  deve  ser  explícita,  clara  e  congruente,  podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou  propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.)  Tal decisão registrou os seguintes termos:  “[...]  Examinando­se,  detalhadamente,  o  RADA  verifica­se  que  foi criado pela fiscalização um documento de exclusão, onde os  recolhimentos  constantes  do  RDA,  foram  apropriados,  prioritariamente,  aos  valores  declarados  em  GFIP,  estando,  inclusive  a  apropriação  discriminada  por  levantamento  (DD,  FD, CD e RD) e por rubrica (segurados, empresa, SAT/RAT, e  contribuinte individual).  E sabido que as informações declaradas nas GFIP, inclusive as  referentes  aos  fatos  geradores  e  suas  respectivas  contribuições  previdenciárias, são de responsabilidade do contribuinte. Sendo  assim,  é  óbvio  que  este  tem  conhecimento  do  valor  devido  à  Previdência Social informado no referido documento.  Assim,  apropriando­se  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  recolhidas,  registrados  no  relatório  RDA,  aos  valores  declarados  em  GFIP,  ficam  os  valores  remanescentes  que  foram  apropriados  neste  AI  e  nos  AI  n°  37.216.721­7,  37.216.722­5  e  37.216.723­3,  na  forma  demonstrada  no RADA  [...]”.  Logo,  essas  alegações  da  Recorrente  de  nulidade  do  lançamento  fiscal  são  genéricas,  ineficientes e  inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão  acatadas.  A Recorrente ainda alega que não deveria haver a aplicação da alíquota  de 20% sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais, pois não ficou  caracterizada a prestação de serviços à Secretaria de Estado da Educação (SEED).  Constata­se que os documentos (folhas de pagamento) juntados pelo Fisco ao  presente processo, constantes dos Anexos I,  II e  III, demonstram que – para a realização dos  serviços  do  “Programa  Sergipe  Cidadão”  (levantamento  SCI),  do  curso  pré­universitário  (levantamento PUI) e de exames do “Supletivo”  (levantamento SU1) – o Estado de Sergipe,  por  meio  da  Secretaria  de  Estado  da  Educação  (SEED),  contratou  pessoas  físicas  e  as  remunerou pelos serviços prestados.  Além  disso,  os  elementos  probatórios  acostados  pela  Recorrente  não  sinalizam  que  os  trabalhadores  envolvidos  no  presente  lançamento  são  servidores  públicos  efetivos  do  Estado  de  Sergipe  e,  como  tal,  vinculados  ao  Regime  Próprio  de  Previdência  (RPP).  Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 5          9 Cumpre esclarecer que, para o contribuinte individual, configura­se salário de  contribuição  todos os valores a este pagos por pessoas físicas e  jurídicas, dentro do mês, em  decorrência de serviços prestados, conforme art. 28, inciso III, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição: (...)  III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em  uma  ou mais  empresas  ou  pelo  exercício  de  sua  atividade  por  conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que  se refere o parágrafo 5º.  Para  a  empresa,  que  é  o  caso  do  presente  processo,  a  contribuição  previdenciária patronal será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou  creditadas a qualquer  título, no decorrer do mês, aos  segurados contribuintes  individuais que  lhe prestem serviços, nos termos do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991, in verbis:  Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...)  III  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestem  serviços;  (Incluído  pela Lei nº 9.876, de 1999).  Pela exposição de fatos registrados na peça recursal da Recorrente, a solução  para a controvérsia instaurada reside na análise jurídica e fática dos prestadores de serviços.  Entendo que os prestadores de serviços do “Programa Sergipe Cidadão”, do  curso  pré­universitário  e  de  exames  do  “Supletivo”,  vinculados  à  Secretaria  de  Estado  da  Educação  (SEED),  são  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social,  na  qualidade  de  contribuintes individuais, não restando dúvida que eles não mantêm vínculo empregatício com  a  Recorrente,  nos  termos  do  art.  12,  inciso  V,  alínea  “g”,  da  Lei  8.212/1991.  Isso  está  devidamente fundamentado nos documentos acostados aos autos, tal como o Relatório Fiscal.  Lei 8.212/1991:  Art.  12.  São  segurados  obrigatórios  da  Previdência  Social  as  seguintes pessoas físicas:  (...)  V  ­  como  contribuinte  individual:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999)  (...)  g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter  eventual,  a  uma  ou  mais  empresas,  sem  relação  de  emprego;  (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).  Essa circunstância de que os prestadores de serviços da Secretaria de Estado  da  Educação  (SEED)  são  contribuintes  individuais  obriga  que  a  Recorrente  realize  o  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10 recolhimento da contribuição previdenciária prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991,  acima transcrito.  Com  isso,  surge  o  fato  gerador  da  contribuição  previdenciária  com  a  realização da prestação de serviços do “Programa Sergipe Cidadão”, do curso pré­universitário  e de exames do “Supletivo” à Recorrente, nos termos do art. 22, inciso III, da Lei 8.212/1991,  retromencionado.  Também afasto a alegação da Recorrente de que os contribuintes individuais  são  remunerados  diretamente  pelo  FNDE,  órgão  vinculado  ao  Ministério  da  Educação  e  Cultura (MEC), ou seja União Federal, eis que a contratação dos contribuintes individuais era  realizada  pelo  Estado  de  Sergipe,  visando  à  prestação  de  serviço  público  estadual  e  não  da  União Federal.  Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no  que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas, entendo que deverá  ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.  A  questão  a  ser  enfrentada  é  a  retroatividade  benéfica  para  redução  ou  mesmo  exclusão  das  multas  aplicadas  através  de  lançamentos  fiscais  de  contribuições  previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei  11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a  medida provisória  revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que  trazia as  regras de aplicação das  multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já  existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor  devido.  Para  tanto,  deve­se  examinar  cada  um  dos  dispositivos  legais  que  tenham  relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores.  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Sobre as contribuições  sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos seguintes termos:  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:   a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação;   b) quatorze por cento, no mês seguinte;  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  II ­ para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação;  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação;  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 6          11 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS;   d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa;  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:   a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto  de  parcelamento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  De  fato,  a  multa  inserida  como  acréscimo  legal  nos  lançamentos  tinha  natureza  moratória  –  era  punido  o  atraso  no  pagamento  das  contribuições  previdenciárias,  independentemente  de  a  cobrança  ser  decorrente  do  procedimento  de  ofício.  Mesmo  que  o  contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a  constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A  redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse  sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento –  a mora.  Contemporâneo  à  essa  regra  especial  aplicável  apenas  às  contribuições  previdenciárias  já vigia,  desde 27/12/1996, o  art.  44 da Lei 9.430/1996,  aplicável  a  todos os  demais tributos federais:  Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições  Multas de Lançamento de Ofício  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de  fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12 É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se  sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa  controvérsia. Para os  fatos  geradores  de contribuições previdenciárias ocorridos  até  a MP no  449 aplicava­se exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991.  Portanto,  a  sistemática  dos  artigos  44  e  61  da  Lei  9.430/1996,  para  a  qual  multas  de  ofício  e  de  mora  são  excludentes  entre  si,  não  se  aplica  às  contribuições  previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplica­se a multa de mora e,  caso  contrário,  seja  necessário  um  procedimento  de  ofício  para  apuração  do  valor  devido  e  cobrança  através  de  lançamento  então  a multa  é  de  ofício.  Enquanto  na  primeira  se  pune  o  atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade.  Portanto,  repete­se: no caso das  contribuições previdenciárias  somente o  atraso  era  punido  e  nenhuma  dessas  regras  se  aplicava;  portanto,  não  vejo  como  se  aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a  multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida  Provisória (MP) 449.  Alguns  sustentam  a  aplicação  quando,  embora  tenham  os  fatos  geradores  ocorrido  antes,  o  lançamento  foi  realizado na vigência da MP 449. E  aí  consulto  as Normas  Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reporta­se à data de ocorrência  do  fato  gerador  e  rege­se  pela  lei  então  vigente,  ainda  que  posteriormente  modificada  ou  revogada:  Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  É  a  afirmação  legislativa  da  natureza  declaratória  do  lançamento,  já  predominante  na  doutrina  desde  a  edição  das  obras  de Direito Tributário  do  saudoso mestre  Amílcar  de  Araújo  Falcão  (FALCÃO,  Amilcar  de  Araújo.  Fato  Gerador  da  Obrigação  Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais,  1977):  “[...]  De  logo  convém  recordar  que  não  é  manso  e  tranqüilo  o  entendimento  que  exprimimos  quanto  à  função  do  fato  gerador  como  pressuposto  e  ponto  de  partida  da  obrigação  tributária.  Alguns  autores  dissentem  dessa  conclusão,  afirmando  que  tal  função  criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à  maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”.  Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato  gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela Auditoria­Fiscal:  1.  uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada  no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e  § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às  contribuições  não  declaradas,  limitada  em  função  do  número  de  segurados;  2.  outra  pelo  descumprimento  da  obrigação  principal,  correspondente,  inicialmente,  à multa de mora de 24% prevista  no  art.  35,  II,  alínea  “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal  artigo  traz  expresso  os  percentuais  da  multa  moratória  a  serem  aplicados aos débitos previdenciários.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001546/2010­61  Acórdão n.º 2402­002.613  S2­C4T2  Fl. 7          13 Essa  sistemática  de  aplicação  da  multa  decorrente  de  obrigação  principal  sofreu  alteração  por  meio  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A,  ambos  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados pela Lei 11.941/2009.  Lei 8.212/1991:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,)  .........................................................................................................  Lei 9.430/1996:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso. (...)  § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte  por cento.  Em decorrência da disposição acima, percebe­se que a multa prevista no art.  61  da  Lei  9.430/96,  se  aplica  aos  casos  de  contribuições  que,  embora  tenham  sido  espontaneamente  declaradas  pelo  sujeito  passivo,  deixaram  de  ser  recolhidas  no  prazo  previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que  não é o caso do presente processo.  Por outro lado, a regra do art. 35­A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei  11.941/2009) aplica­se aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que  o  sujeito  passivo  deixou  de  declarar  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  e  consequentemente  de  recolhê­los,  com  o  percentual  75%,  nos  termos  do  art.  44  da  Lei  9.430/1996.  Lei 8.212/1991:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no art. 44  da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.)  Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em  GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido,  como segue:  Lei no 9.430/1996:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14 I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  Entretanto,  não  há  espaço  jurídico  para  aplicação  do  art.  35­A  da  Lei  8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN  (tempus regit actum: o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação  e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada).  Dessa  forma,  entendo  que,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  vigência  da  MP  449/2008,  aplica­se  a  multa  de  mora  nos  percentuais  da  época  (redação  anterior  do  artigo  35,  inciso  II,  da  Lei  8.212/1991),  limitando  a  multa  ao  patamar  de  75%  previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996.  Embora  a  multa  prevista  no  art.  35  da  Lei  8.212/1991  (antes  da  alteração  promovida pela Lei 11.941/2009)  seja mais benéfica na  atual  situação em que se  encontra  a  presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o  patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art.  44  da  Lei  9.430/1996  limita­se  ao  percentual  de  75% do  valor  principal  e  adotando  a  regra  interpretativa  constante  do  art.  106  do CTN,  deve  ser  aplicado  o  percentual  de  75%  caso  a  multa  prevista  no  art.  35  da  Lei  8.212/1991  (antes  da  alteração  promovida  pela  Lei  11.941/2009) supere o seu patamar.  CONCLUSÃO:  Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR­LHE PROVIMENTO  PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência  da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da  Lei  8.212/1991,  limitando­se  ao  percentual  máximo  de  75%  previsto  no  art.  44  da  Lei  9.430/1996.    Ronaldo de Lima Macedo.                              Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

score : 1.0
4957075 #
Numero do processo: 10980.004971/2005-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2000 a 20/09/2000, 11/10/2000 a 20/10/2000, 01/11/2000 a 10/11/2000 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco Tostado classificam-se na posição 1704.90.90 da TIPI. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201301

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/05/2000 a 20/09/2000, 11/10/2000 a 20/10/2000, 01/11/2000 a 10/11/2000 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco Tostado classificam-se na posição 1704.90.90 da TIPI. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10980.004971/2005-17

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5267231

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3801-001.667

nome_arquivo_s : Decisao_10980004971200517.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

nome_arquivo_pdf_s : 10980004971200517_5267231.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013

id : 4957075

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:29 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986029338624

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 499          1 498  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.004971/2005­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­001.667  –  1ª Turma Especial   Sessão de  30 de janeiro de 2013  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO IPI  Recorrente  NESTLE BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período  de  apuração:  01/05/2000  a  20/09/2000,  11/10/2000  a  20/10/2000,  01/11/2000 a 10/11/2000  IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston Coco  Tostado classificam­se na posição 1704.90.90 da TIPI.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso,  nos  termos  do  relatorio  e  votos  que  integram  o  presente  julgado. Vencidos  os  Conselheiros  Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Paulo Antônio  Caliendo Velloso da Silveira. Designado o Conselheiro Marcos Antonio Borges para elaborar o  voto vencedor. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl apresentará declaração de voto.     (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora    (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Redator Designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes  (Presidente),  José  Luiz  Bordignon,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Marcos  Antonio  Borges,  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 49 71 /2 00 5- 17 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 500          2   Relatório  O presente Recurso Voluntário  refere­se  à decisão da Delegacia da Receita  Federal de Belém, que entendeu por bem manter o Auto de Infração em que a autoridade fiscal  busca cobrar débito de IPI em razão de suposto erro de classificação fiscal de alguns de seus  produtos.  O acórdão ora recorrido da DRJ de origem é minucioso quanto ao relato do  conteúdo dos presentes autos, razão pela qual o adoto, in verbis:  1.Contra  o  contribuinte  em  epígrafe  foi  lavrado  Auto  de  Infração,  por  ter  o  estabelecimento  promovido  saídas  de  produtos  tributados  com  erro  de  classificação  fiscal  assim  resultando  na  falta  de  recolhimento  do  IPI.  Foi  constituído  crédito total no valor de R$76.792,52.  2.  Segundo  o  Termo  de  Verificação  fiscal  de  fls.  56/61,  a  contribuinte  classificava  incorretamente  no  código  2106.90.90  (complementos alimentares) os produtos Neston Banana, Neston  Morango e Neston Coco Tostado, quando deveria classificá­los  no código 1704.90.90 (produtos de confeitaria, sem cacau).  3.  Cientificada  em  31.05.2005,  a  interessada  apresentou,  tempestivamente, em 27.06.2005,  impugnação  (fls. 152/166), na  qual, em síntese, alega que:  a)  “(...)  não  há  como  capitular  os  cereais  em  barra  como  ‘produtos de confeitaria’, na medida em que a Nota Explicativa  na  posição  n.°  17  determina  que  ‘no  presente  Capítulo  estão  compreendidos  os  açúcares  propriamente  ditos  (sacarose,  lactose, maltose, glicose, frutose (levulose), etc.), os xaropes, os  sucedâneos  do  mel,  os  melaços  resultantes  da  extração  ou  refinação  do  açúcar,  bem  como  os  açúcares  e  melaços,  caramelizados, e os produtos de confeitaria. O açúcar no estado  sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de  corantes’,  dentre  os  quais,  evidentemente,  não  se  incluem  os  cereais em barra.”;  b)  “Por  outro  lado,  a  capitulação  utilizada  pela  Impugnante,  como  ‘Preparações  alimentícias  diversas/Complementos  Alimentares  —  outros’,  revela­se  a  mais  adequada,  vez  que  a  autuação  utiliza  o  conceito  de  ‘complementos  alimentares’  colhido  de  fonte  absolutamente  desautorizada,  qual  seja,  organização privada alienígena que não tem nem legitimidade e  nem  competência  para  tanto”;  c)  “Os  cereais  em  barra,  evidentemente, não se destinam confeitaria, pois ao contrário do  que  sustentado no Auto de  Infração,  efetivamente  se alojam na  posição  21  da  Tabela,  tal  como  explica  a  Nota  n.°  16  do  Capitulo  17  das NESH  (...)”;d)  “E  para  que  se  chegue  a  esta  conclusão,  basta  uma  simples  análise  destas  embalagens,  onde  constam os  ingredientes  citados  (frutas, mel,  frutose),  a  adição  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 501          3 de  ferro em sua composição, e as mensagens  ‘Neston Barra. O  exercício mais gostoso’, ‘Pratique esse prazer’, ‘Rico em fibras’,  ‘35%  menos  gordura’,  o  que  deixa  flagrante  sua  destinação  à  manutenção  da  saúde  e  do  bem  estar  geral,  e  indiscutível  sua  subsunção à posição 21.”;  e)  “Ainda  que  a  autuação  sustente  que  os  cereais  em  barra  possam  ser  classificados  na  posição  17  (açúcar  e  produtos  de  confeitaria), aplica­se, neste caso, o disposto na Regra 3, ‘a’, 1ª  parte,  das  Regras  Gerais  para  interpretação  do  Sistema  Harmonizado, tendo em vista a maior especificidade da posição  21  em  relação  à  posição  17”;  f)  Destaca  que  “o  Sistema  Harmonizado,  tal  como  todas  as  regras  positivadas  em  nosso  sistema,  deverá  ser  interpretado  de  acordo  com  os  ditames  da  Constituição Federal,  que  consagra  o principio da  seletividade  como  um  dos  nortes  do  sistema  tributário  nacional”,  citando  doutrina  a  esse  respeito;  g)  Aponta  ilegalidade  e  inconstitucionalidade da multa aplicada, entendendo que a multa  prevista pelo art. 80, I, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação  dada pela Lei  nº  9.430,  de  1996,  só  se  aplicaria  aos  casos  em  que  o  contribuinte  deixa,  pura  e  simplesmente,  de  lançar  e  recolher  o  tributo,  sendo  que,  como  efetivamente  recolheu  o  tributo, à luz do art. 112 do CTN e da jurisprudência e doutrina  citadas,  descaberia  qualquer  agregado  à  título  de  multa,  ou  quando muito, este deveria ser reduzido para 20%, sob pena de  malferimento  do  art.  150,  IV  da  CF/88;  h)  Contesta,  por  sua  inconstitucionalidade, a imputação dos juros de mora pela taxa  SELIC,  a  qual  deve  ser  substituída  pelos  juros  de  1%  ao mês,  como previsto no CTN.  i) Por fim, requereu o contribuinte:  i.1)  Que  as  intimações  fossem  encaminhadas  a  Marcos  Figueiredo  Vasconcellos;  i.2)  Que  fosse  realizada  perícia  técnica para a determinação da correta classificação  fiscal dos  produtos  em  questão;  i.3)  Que  fosse  julgado  improcedente  o  lançamento; i.4) Que, caso o lançamento não fosse considerado  improcedente, fosse afastada a aplicação da multa com base no  art. 112 do CTN, ou que seu percentual fosse reduzido a 20% do  principal devido;  i.5) Que a  taxa SELIC  fosse substituída pelos  juros moratórios de 1% ao mês.  Com base neste relatório, o referido acórdão da DRJ restou assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS  IPI  Período  de  apuração:  01/05/2000  a  20/09/2000, 11/10/2000 a 20/10/2000, 01/11/2000 a 10/11/2000  CLASSIFICAÇÃO FISCAL.  Os Cereais em barra Neston Banana, Neston Morango e Neston  Coco Tostado classificam­se na posição 1704.90.90 da TIPI.  MULTA  DE  OFÍCIO.  FALTA  DE  LANÇAMENTO  DO  IMPOSTO.  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 502          4 É correta a imposição de multa de ofício proporcional ao valor  do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída,  ainda que a falta de lançamento tenha sido parcial ou que haja  saldo credor na escrita fiscal.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício:  2005 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. REQUISITOS.  Considera­se  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia  que deixar de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do  Decreto nº 70.235/72.  INTIMAÇÃO  ENDEREÇADA  AO  ADVOGADO.  IMPOSSIBILIDADE.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa  em  sentido  contrário, indefere­se o pedido de endereçamento das intimações  ao escritório do procurador.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE.  A  autoridade  administrativa  julgadora  não  possui  atribuição  para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de atos.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido  Insurge­se  o  contribuinte  contra  a  decisão  da  Delegacia  de  origem,  reforçando  os  argumentos  trazidos  por  ocasião  de  sua  Impugnação,  no  sentido  de  que  classificou corretamente as mercadorias objeto do Auto de Infração, observados os termos das  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  e  da  Tabela  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados.  Requer, ao final, seja reformada a decisão recorrida, para o fim de cancelar­se  o Auto de  Infração, ou, quando menos, para o  fim de afastar a aplicação abusiva e  ilegal da  multa e do índice de correção.  É o relatório.    Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 503          5 Voto Vencido  Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  reúne os demais pressupostos  de admissibilidade,  razão pela qual dele se conhece.  A questão polemizada no presente recurso pode ser assim resumida:  A  autoridade  fiscal  analisa  os  produtos  "Neston  Banana"  (códigos  2550  e  2553),  "Neston Coco  Tostado"  (códigos  2551,  2554),  e  "Neston Morango"  (códigos  2552  e  2555), correspondentes a cereais em barra classificados pela Recorrente na posição 2106.90.90  (complementos  alimentares  —  outros),  tributados  à  alíquota  zero,  para  recondicioná­los  na  posição  1704.90.90  (produtos  de  confeitaria  sem  cacau —  outros),  sobre  os  quais  incide  a  alíquota de 5% (cinco por cento) a titulo de IPI.   A  Nota  Explicativa,  na  posição  n.°  17,  defendida  pelo  agente  fiscal  como  sendo  a  aplicável  aos  produtos  analisados,  determina  que  "no  presente  Capitulo  estão  compreendidos  os  açúcares  propriamente  ditos  (sacarose,  lactose,  maltose,  glicose,  frutose  (levulose),  etc.),  os  xaropes,  os  sucedâneos  do  mel,  os  melaços  resultantes  da  extração  ou  refinação  do  açúcar,  bem  como  os  açúcares  e  melaços,  caramelizados,  e  os  produtos  de  confeitaria. O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados ou adicionados de  corantes".  Por  outro  lado,  a  capitulação  utilizada  pela Recorrente,  como  "Preparações  alimentícias diversas/Complementos Alimentares — outros", estaria alojada na posição 21 da  Tabela, tal como explica a Nota n.° 16, do Capítulo 21 das NESH:  "Classificam­se especialmente aqui:  16)  As  preparações  designadas  muitas  vezes  sob  o  nome  de  'complementos  alimentares',  à  base  de  extratos  de  plantas,  concentrados  de  frutas,  mel,  frutose,  etc.,  adicionados  de  vitaminas  e,  por  vezes,  de  pequenas  quantidades  de  compostos  de  ferro.  Estas  preparações  apresentam­se  acondicionadas  em  embalagens, nas quais consta que se destinam à manutenção da  saúde e do bem­estar geral".  Pois  bem.  Entendo  que  um  produto  que  traz  em  sua  composição  48%  de  matéria­prima  de  base  cereal  (aveia,  cevada,  flocos  de  trigo  e  cereal  com  base  láctea),  e  o  restante  de  ingredientes  considerados  “coadjuvantes  tecnológicos”  (gordura  hidrogenada,  oleína de palma, xarope de glicose, leticina, corantes e aromatizantes), conforme descrições em  sua  embalagem,  não  pode  ser  considerado  confeito,  cuja  definição,  transcrita  na  Nota  Explicativa  mencionada,  é  clara  no  sentido  de  se  tratar  de  açúcares  ou  produtos  cujo  componente predominante seja um açúcar.  Por  outro  lado,  há  de  se  concordar  com  a  conclusão  da  Delegacia  de  Julgamento de origem, no sentido de que o que caracteriza um “complemento alimentar” não é,  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 504          6 apenas, ser uma preparação à base de extratos de plantas, concentrado de frutas, mel, frutose,  etc., ou que conste na embalagem expressões que permitiriam supor que o produto destina­se à  manutenção  da  saúde  e  do  bem  estar.  Para  caracterizar  uma  preparação  alimentícia  como  complemento  alimentar  faz­se  necessária  a  adição  de  vitaminas,  conforme  se  depreende  da  leitura  da Nota  no.  16,  acima  transcrita.  E,  no  caso  dos  produtos  da Recorrente,  não  há,  na  composição, esse elemento essencial ao complemento alimentar, a vitamina.  Analisando  detidamente  a  composição  do  produto,  conforme  descrito  pela  própria  autoridade  fiscal  por  ocasião  da  análise  de  sua Classificação  Fiscal,  e  da  leitura  das  Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias –  NESH, depreende­se que a melhor classificação do produto da Recorrente encontra­se descrita  na Seção IV, Capítulo 19 – Preparações à base de cereais, amidos, féculas ou de leite; produtos  de pastelaria.  Merece atenção a classificação 1904.90, disposição B:   1904 ­ Produtos à base de cereais, obtidos por expansão ou por  torrefação  (por  exemplo,  flocos  de  milho  ("corn  flakes"));  cereais (exceto milho) em grãos ou sob a forma de flocos ou de  outros grãos  trabalhados (com exceção da farinha, do grumo e  da  sêmola),  pré­cozidos  ou  preparados  de  outro  modo,  não  especificados nem compreendidos em outras posições.  1904.90 ­ Outros B) Preparações alimentícias obtidas a partir de  flocos de cereais não torrados, de misturas de flocos de cereais  não  torrados  com  flocos  de  cereais  torrados  ou  de  cereais  expandidos.   Este grupo inclui as preparações alimentícias obtidas a partir de  flocos de cereais não torrados bem como as obtidas de misturas  de flocos de cereais não torrados com flocos de cereais torrados  ou  de  cereais  expandidos.  Estes  produtos  (freqüentemente  denominados Müsli)  podem  conter  frutas  secas,  nozes,  açúcar,  mel,  etc.  São  geralmente  acondicionados  como  alimentos  para  refeições matinais.   É fato que a NESH esclarece que se excluem dessa classificação “os cereais  preparados  revestidos  de  açúcar,  ou  contendo­o  numa  proporção  que  lhes  confira  a  característica de produtos de confeitaria (posição 17.04)”.   Porém,  não  há  que  se  olvidar  que  a  exclusão  supra  mencionada  alcança  apenas cereais revestidos de açúcar (não é o caso do produto da Recorrente), ou que contenha  açúcar  numa proporção  tal,  que  lhe  confira  as  características  de  produtos  de  confeitaria. No  caso das barras de cereais, repita­se, a composição é predominantemente de cereais, e não de  açúcar, como ocorre com os produtos de confeitaria descritos na posição 17.04.90, que tem em  sua composição o açúcar como elemento principal, a saber:  1704.90  ­  Outros  Esta  posição  engloba  a  maior  parte  das  preparações  alimentícias  com  adição  de  açúcar,  comercializadas  no  estado  sólido  ou  semi­sólido,  em  geral  prontas  para  consumo  imediato,  conhecidos  por  produtos  de  confeitaria.   Entre estes produtos podem citar­se:   Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 505          7 1)  as  pastilhas,  incluídas  as  gomas  de  mascar  açucaradas  (chewing gum e semelhantes);   2) as balas (rebuçados) (incluídas as que contenham extrato de  malte);   3)  os  caramelos,  catechus,  nogados,  fondants,  as  pastilhas,  as  amêndoas açucaradas (rahat loukoum);   4) o marzipã (maçapão*); 5) As preparações que se apresentem  sob  a  forma  de  pastilhas  para  a  garganta  ou  de  balas  (rebuçados)  contra  a  tosse,  constituídas  essencialmente  de  açúcar  (mesmo  adicionado  de  outras  substâncias  alimentícias,  tais  como  gelatina,  amido  ou  farinha)  e  agentes  aromatizantes  (incluídas  as  substâncias  com  propriedades  medicinais,  tais  como álcool benzílico, mentol, eucaliptol e bálsamo­de­tolu). No  entanto,  as  pastilhas  para  a  garganta  ou  as  balas  (rebuçados)  contra  a  tosse  que  contenham  substâncias  com  propriedades  medicinais,  exceto  agentes  aromatizantes,  classificam­se  no  Capítulo 30, desde que a proporção dessas substâncias em cada  pastilha ou bala  (rebuçado)  seja de  tal ordem que elas possam  ser utilizadas para fins terapêuticos ou profiláticos.   6) O chocolate branco, composto de açúcar, manteiga de cacau  (não  se  considerando  esta  como  cacau),  leite  em  pó  e  aromatizantes, com alguns vestígios de cacau.   7)  O  extrato  de  alcaçuz,  sob  qualquer  forma  (pães,  blocos,  bastões, pastilhas, etc), com mais de 10%, em peso, de sacarose.  Quando  apresentado  (isto  é,  preparado)  como  produto  de  confeitaria, aromatizado ou não, o extrato de alcaçuz classifica­ se nesta posição, sendo irrelevante a proporção de açúcar nele  contida.   8)  As  geléias  e  pastas  de  frutas,  adicionadas  de  açúcar,  e  apresentadas sob a forma de produtos de confeitaria.   9) As pastas à base de açúcar, não contendo ou contendo apenas  uma  pequena  quantidade  de  gorduras,  próprias  para  transformação direta em produtos de confeitaria desta posição,  mas que servem também como recheio para produtos desta ou de  outras posições, tais como:   a)  Pastas  para  fondants  preparadas  com  sacarose,  xarope  de  sacarose ou de glicose e/ou xarope de açúcar invertido, com ou  sem aromatizante,  utilizadas na  fabricação de  fondants  e  como  recheio de bombons ou choclolates, etc.   b)  Pastas  para  nogado,  constituídas  por  misturas  aeradas  (sopradas*) de açúcar, água e matérias coloidais (por exemplo,  clara  de  ovo)  e,  às  vezes,  adicionadas  de  uma  pequena  quantidade de gorduras, com ou sem adição de avelãs, frutas ou  outros  produtos  vegetais,  utilizados  na  fabricação de  nogado  e  como recheio de chocolates, etc.   Fl. 505DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 506          8 c)  Pastas  de  amêndoa,  preparadas  principalmente  com  amêndoas  e  açúcar,  destinadas  essencialmente  à  fabricação de  marzipã (maçapão*).  Interessante  também  verificar  que  a  classificação  conferida  às  barras  de  cereais  pelo  Ministério  das  Finanças  de  Portugal,  utilizando­se  também  o  Sistema  Harmonizado  de  Designação  e  de  Codificação  de  Mercadorias,  por  ser  um  método  internacional de classificação de mercadorias, é exatamente a de posição 1904. Confira­se os  argumentos:  DESCRIÇÃO  DA  MERCADORIA:  ‘CRUESLI’  constituído  por  cereais expandidos adicionado de xarope de milho e melaço.  CLASSIFICAÇÕES  PAUTAIS  EM  DÚVIDA:  1904  10  90  0  00  900  e  1905  30  59  0  00  000 DECISÃO:  1904  10  90  0  00  900  FUNDAMENTOS: Por considerar que a mercadoria em litígio é  representada por uma partida designada por  ‘CRUESLI’  (Bars  Banana,  Bars  Date/Orange,  Bars  Peanut)  constituída  por  cereais (aveia, trigo e arroz) expandidos, adicionados de xarope  de  milho  e  melaço,  para  permitir,  por  compressão,  formar  barras que se comercializam;  Por  considerar  que  não  se  está  em  presença  de  produtos  de  padaria,  no  devido  enquadramento  das  notas  explicativas  referentes à posição 19.05 do Sistema Harmonizado;  Por  considerar  que  o  produto  em  causa  não  sofreu  nenhuma  operação de cozedura;  Por considerar que se trata de preparações alimentícias, adentro  do  enquadramento  esclarecedor  das  notas  explicativas  do  Sistema Harmonizado relativas à posição 19.04 (pág. 143)  Acórdão no. 3.963 do TTA 1ª. (Circular no. 218/91, Série II)  http://pauta.dgaiec.min­financas.pt/NR/rdonlyres/69D83B2C­ 2420­4F6A­8F09­2D74D888E88A/0/MAN_1601_2403.pdf  Entendo, portanto, que a classificação pretendida pela autoridade fiscal não é  a  adequada para o produto da Recorrente,  observado  todo o  seu descritivo,  devendo este  ser  enquadrado, para fins de incidência do IPI, na classificação 1904.  Pelo exposto, voto por dar provimento ao presente Recurso Voluntário sem,  contudo, acatar suas razões, mas apenas para determinar o cancelamento do auto de infração.  (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 507          9 Voto Vencedor  Conselheiro Marcos Antonio Borges, Redator Designado  Com  o  devido  acatamento,  permito­me  divergir  do  voto  da  Ilma.  Sra.  Relatora  em  relação  a  classificação  fiscal  dos  produtos  em  tela  e,  conseqüentemente,  em  relação  à manutenção  do Auto  de  Infração  lavrado  em  que  a  autoridade  fiscal  busca  cobrar  débito de IPI em razão de erro de classificação fiscal.  Em  relação  à  classificação  fiscal  pretendida  pela  Recorrente,  código  2106.90.90 (complementos alimentares), adoto o entendimento da Relatora no sentido de que  falta elemento essencial para classificação como complemento alimentar, no caso a adição de  vitaminas, conforme explanado acima.  No tocante a classificação pretendida pela autoridade fiscal e a classificação  que seria mais adequada pela Relatora, ouso discordar.  As  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  da  posição  1904,  adotada  pela Relatora, relaciona entre os produtos excluídos dessa posição:  “Também se excluem:  a)  Os cereais preparados revestidos de açúcar, ou contendo­o  numa proporção que lhes confira a característica de produtos de  confeitaria  (posição  17.04).”  (Decreto  n°  435/92  –  alterado  pelas IN SRF n.º 123/98 e IN SRF n.º 157/02)  Os produtos  em questão,  "Neston Banana"  (códigos 2550 e 2553),  "Neston  Coco  Tostado"  (códigos  2551,  2554),  e  "Neston  Morango"  (códigos  2552  e  2555),  correspondentes a barra de cereais, encontram­se envoltos em uma calda açucarada composta  de  água, xarope de  glicose,  açúcar,  gordura vegetal  hidrogenada, monoestearato  e  lecitina,  e  contém uma proporção elevada de açúcar (xarope de glicose e açúcar) em sua composição, o  que confere ao mesmo a característica de produto de confeitaria, estando, portanto, excluído da  posição 1904, nos termos das Notas Explicativas acima transcritas.  A Nota 1 a) do Capítulo 17 estabelece:  “1.  O presente Capítulo não compreende:  a)  os  produtos  de  confeitaria  contendo  cacau  (posição  18.06);”  E  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  em  suas  Considerações  Gerais a respeito do Capítulo 17 esclarecem:  “No  presente  Capítulo  estão  compreendidos  os  açúcares  propriamente  ditos  (sacarose,  lactose,  maltose,  glicose,  frutose  (levulose),  etc.),  os  xaropes,  os  sucedâneos  do mel,  os melaços  resultantes  da  extração  ou  refinação  do  açúcar,  bem  como  os  açúcares e melaços, caramelizados, e os produtos de confeitaria.  O açúcar no estado sólido e os melaços podem ser aromatizados  ou adicionados de corantes.  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 508          10 Excluem­se, todavia:  a)  O  cacau em pó com  açúcar,  o  chocolate  (com  exceção do  chocolate branco)  e os produtos de  confeitaria  contendo cacau  em qualquer proporção (posição 18.06).” (grifou­se).  . E o texto da posição 1704 assim dispõe:  “17.04 ­  PRODUTOS  DE  CONFEITARIA,  SEM  CACAU  (INCLUÍDO O CHOCOLATE BRANCO).” (grifou­se)  E  as  Notas  Explicativas  do  Sistema  Harmonizado  da  posição  1704  esclarecem:  “Esta  posição  engloba  a  maior  parte  das  preparações  alimentícias  com  adição  de  açúcar,  comercializadas  no  estado  sólido ou semi­sólido, em geral prontas para consumo imediato,  conhecidos por produtos de confeitaria.” (grifou­se)  Assim,  as  barras  de  cereais,  nos  sabores  "Neston Banana"  (códigos  2550  e  2553),  "Neston Coco  Tostado"  (códigos  2551,  2554),  e  "Neston Morango"  (códigos  2552  e  2555), à base de cereais e frutas envoltos em calda açucarada, incluem­se na posição 1704, por  tratar­se de produto de confeitaria, sem cacau. No âmbito dessa posição inclui­se na subposição  1704.90, por falta de subposição mais específica, e no código 1704.90.90.  Esclareça­se,  ainda,  que  a Coordenação­Geral  de Administração Aduaneira  da  RFB  solucionou  divergência  a  respeito  da  classificação  de  produto  similar  através  da  SOLUÇÃO  DE  DIVERGÊNCIA  COANA  Nº  1,  de  18  de  abril  de  2001,  classificando  no  código  1704.90.90  da  TEC  o  produto  descrito  na  ementa  abaixo,  publicada  no  D.O.U.  de  21/05/01:  “Barras de  cereais. Produto de  confeitaria à base de  flocos de  arroz  tostados,  xarope  de  milho,  óleo  de  girassol,  frutose,  carbonato  de  cálcio,  carbonato  de  magnésio,  contendo  aromatizante (aroma natural de baunilha), edulcorante (sorbitol  não cristalino), antioxidante (tocoferol), umectante (glicerina) e  espessante  (lecitina de soja), apresentado em caixa de papelão,  contendo oito barras, embaladas separadamente, cada uma com  22 gramas, denominado comercialmente "Snack Sense"”  Portanto correta a classificação adotada pela autoridade fiscal sendo mantido  o lançamento pela decisão da autoridade julgadora a quo.  Isto  posto,  NEGO  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  mantendo­se  a  decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância.  É assim que voto.   (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 509          11 Declaração de Voto  Sidney Eduardo Stahl, Conselheiro  Em que pesem todos os argumentos apontados e a minha concordância com o  voto da relatora, tenho que existe mais um motivo para a procedência do recurso.  Do exame detido de todo o processado se observa que em nenhum momento  a instrução processual ofereceu elementos seguros e suficientes para propiciar ao julgador uma  decisão calcada em critérios objetivos.  Ao  contrário,  a  fiscalização  conseguiu  desconstituir  adequadamente  a  classificação  adotada  pela  contribuinte,  porém,  fixou  a  sua  classificação  em  elementos  genéricos, que não nos dá segurança de serem corretos.  Reportando­se ao CTN, o artigo 109 do RIPI, vigente à época, estabelece que  “lançamento é o procedimento destinado a constituição do crédito tributário, que se opera de  oficio,  ou por  iniciativa  do  sujeito passivo da obrigação  tributária” o qual,  de  acordo com o  inciso  I,  “compreende  a descrição da operação  que  lhe dá origem,  a  identificação do  sujeito  passivo, a descricão e classificação do produto, o cálculo do imposto, com a declaração do  seu valor e, sendo o caso, a penalidade prevista” (grifei).  Significa dizer que, não aceita a classificação fiscal adotada pelo contribuinte  o fisco deve indicar, com precisão, qual a classificação que entende ser correta.  O mesmo RIPI diz que “os produtos estão distribuídos na Tabela por seções,  capítulos, subcapítulos, posições, subposições e  itens” (art. 15) e que “far­se­á a classificação  de  conformidade  com  as  Regras  Gerais  para  Interpretação  (RGI)  e  Regras  Gerais  Complementares  (RGC)  e  Notas  Complementares,  todas  da  Nomenclatura  Comum  do  MERCOSUL, integrantes do seu texto” (art. 16).  Busco nas lições sempre lúcidas do Professor Paulo de Barros Carvalho1, que  “o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias é conteúdo aprovado  (pela) Convenção Internacional (Bruxelas, 14/06/83), à qual o Brasil aderiu em 3/10/86. Como  tal,  é  a  base  da  Nomenclatura  Brasileira  de  Mercadorias  que,  por  sua  vez,  é  a  fonte  de  implantação da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)".  (...)  O  Sistema  Harmonizado,  tal  qual  aprovado  na  Convenção  Internacional,  opera  com  seis  dígitos,  correspondendo  a  posições  e  subposições  de  mercadorias,  mas  a  NBM/SH  (T1PI/TAB)  sobrepõe­se  àquele  sistema  para  acrescentar­lhe  matriz  de  subespécies,  mediante  a  particularização  de  itens  e  subitens.  (...)                                                              1 IPI — Comentários sobre as Regras Gerais de Interpretação da Tabela NBM/S MA I/TAB). in Revista Dialética  de Direito Tributário n° 12, págs. 42 e segs.  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10980.004971/2005­17  Acórdão n.º 3801­001.667  S3­TE01  Fl. 510          12 Com  a  NBM/TIPI,  operou­se  um  ajuste  da  tecnicidade  classificatória  da  tabela  internacional  ao  ambiente  do  sistema  normativo  brasileiro,  adquirindo  novo  matiz  significativo.  A  adição dos códigos item/subitem demonstra bem esse esforço do  legislador  em  promover  um  processo  de  adaptação  que,  introduzindo subclasses adicionais, aprofundou a conotação das  subposições  originais,  depositando  naquelas  subclasses  os  valores  inerentes  às  particularidades  do  nosso  ordenamento  positivo.  Daí  porque  se  aplicam  as  Regras  Gerais  de  Interpretação  da  NBM/SH (TIPI/TAB) às posições e subposições,  isto é, aos  seis  primeiros dígitos XXXXYY, sendo que as regras de números 1, 2,  3, 4 e 5 para o reconhecimento da posição "XXXIX" e a regra de  número 6 para identificar­se a subposição "YY".  Do dígito 7 ao dígito 10, vale dizer, para o código item/subitem  "ZZzz"  a  regência  é  a  da  Regra  Geral  Complementar  (RGC)  número 1, da NBM/SH (TIPI/TAB)".  Diante  dos  textos  legais  e  das  lições  doutrinárias  pode  se  afirmar  que  a  classificação  fiscal  é  composta  dos  seguintes  códigos:  posição  (quatro  dígitos);  subposição  (dois dígitos); e item/subitem (quatro dígitos).  Assim, deveria a  fiscalização apontar com clareza elementos que pudessem  convencer  os  julgadores  da  classificação  por  ele  adotada,  o  que  a meu  entender,  não  logrou  fazer adequadamente.  Ainda, importante registrar que no lançamento tributário veiculado por meio  de  auto  de  infração,  a  fiscalização  deve  trazer  elementos  ou  dados  que  justificassem  a  indicação da nova classificação fiscal, ou seja, é necessário que o agente autuante indique os  fundamentos  que  o  levaram  a  decidir  por  determinada  classificação  fiscal  em  detrimento  daquela adotada pelo contribuinte.  Nesse  caso,  tenho  que  o  agente  não  logrou  êxito  por  apontar  apenas  elementos genéricos.  Nesse sentido, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/07/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL

score : 1.0
4957110 #
Numero do processo: 10980.013701/2005-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos e entre estes e a parte dispositiva do acórdão, embora sem alteração no resultado do julgamento, bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2801-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para re-ratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 2801-00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00". Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO E ERRO MATERIAL. Cabem embargos de declaração quando o acórdão hostilizado contiver contradição entre os seus próprios fundamentos e entre estes e a parte dispositiva do acórdão, embora sem alteração no resultado do julgamento, bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Embargos Acolhidos

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10980.013701/2005-99

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5267266

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2801-003.039

nome_arquivo_s : Decisao_10980013701200599.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA

nome_arquivo_pdf_s : 10980013701200599_5267266.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00, e para re-ratificar a parte dispositiva do voto do Relator do Acórdão 2801-00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00". Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.

dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013

id : 4957110

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:30 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986040872960

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 123          1 122  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.013701/2005­99  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2801­003.039  –  1ª Turma Especial   Sessão de  16 de maio de 2013  Matéria  ITR   Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JÚLIO HYCZY DA COSTA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2000  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CONTRADIÇÃO  E  ERRO  MATERIAL.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  hostilizado  contiver  contradição  entre  os  seus  próprios  fundamentos  e  entre  estes  e  a  parte  dispositiva  do  acórdão,  embora  sem  alteração  no  resultado  do  julgamento,  bem como para corrigir inexatidões materiais devidas a lapso manifesto.  Embargos Acolhidos      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos de declaração para esclarecer que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR  tem por base de cálculo o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor  mínimo  de R$  50,00,  e  para  re­ratificar  a  parte  dispositiva  do  voto  do  Relator  do Acórdão  2801­00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a ter a seguinte redação: "Pelo exposto, voto  no sentido de dar provimento ao recurso para reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de  2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00".  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente em exercício  Assinado digitalmente  Marcelo Vasconcelos de Almeida ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 37 01 /2 00 5- 99 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.013701/2005­99  Acórdão n.º 2801­003.039  S2­TE01  Fl. 124          2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Tânia  Mara  Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales  Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.   Relatório  Trata­se de Embargos de Declaração opostos  pela Procuradoria da Fazenda  Nacional em face do Acórdão nº 2801­00.712 (fls. 111/114 deste processo digital), por meio do  qual  este  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  interposto  pelo  Interessado.  Em suas  razões, a Embargante aponta, no acórdão hostilizado, a ocorrência  de contradição entre a fundamentação do voto proferido pelo Relator e a parte dispositiva do  acórdão.  Os embargos foram admitidos por intermédio do despacho de fls. 121/122.  Voto             Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator  O representante da Fazenda Nacional foi cientificado em 13/01/2011 (fl. 115  deste  processo  digital)  e  os  presentes  embargos  foram  opostos  na mesma  data.  Tempestivo,  portanto, o recurso apresentado.  A  Recorrente  aponta  as  seguintes  contradições  entre  a  fundamentação  e  a  parte dispositiva do acórdão: os conselheiros deram provimento ao recurso do contribuinte para  manter a multa por atraso na entrega do DIAC/DIAT, exercício 1998, no valor de R$ 50,00,  quando o auto de infração foi lavrado por atraso na entrega da DITR relativa ao exercício 2000.   O erro na indicação do exercício configura, a meu ver, não uma contradição,  mas sim um erro material, assim entendido aquele erro evidente, claro, reconhecido primu ictu  oculi  (à  primeira  vista),  também  corrigido  pela  via  dos  aclaratórios  (Regimento  Interno  do  CARF,  art.  66,  caput).  No  caso  concreto,  deve­se  considerar,  em  todas  as  passagens  do  acórdão, que o débito é relativo ao exercício de 2000.  No  que  se  refere  à  nomenclatura  utilizada,  cabe  apenas  esclarecer  que  a  Declaração  do  ITR  é  composta  de  dois  documentos:  o  Documento  de  Informação  e  Atualização Cadastral – DIAC e o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT.   Quanto  à  suposta  “manutenção”  da  multa,  cabe  a  retificação  da  parte  dispositiva do acórdão, uma vez que a decisão de piso havia reduzido o valor da multa de R$  85.441,30 para R$ 17.345,66  (fl.  80),  ao passo  que a decisão  embargada deu provimento  ao  recurso do contribuinte para estipular a multa no valor de R$ 50,00, ou seja, a decisão foi para  reduzir, e não para manter a multa.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.013701/2005­99  Acórdão n.º 2801­003.039  S2­TE01  Fl. 125          3 Verifica­se, ainda, no corpo da  fundamentação do acórdão embargado, uma  contradição em relação à metodologia da multa aplicada. Em determinada passagem, o ilustre  Relator assim se manifestou:  Para  efeitos  de  imposto  devido  não  podemos  levar  em  consideração  somente  o  valor  que  o  contribuinte  declarou  em  sua DITR/2000, mas também qualquer diferença que porventura  venha a ser verificada pela Receita Federal,  e  tempestivamente  lançada.  Mais a frente, porém, averbou:  A  cobrança  de  multa  por  atraso  sobre  valores  lançados  de  oficio,  no  que  excederem  aos  informados  na  declaração  espontaneamente  entregue  fora do prazo,  implica  interpretação  extensiva dos art. 7° da Lei n° 9.393, de 1996, o que é vedado  pelos arts. 97, inciso V, e 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro  de 1966, Código Tributário Nacional (CTN).  Como se percebe, o acórdão embargado carece de esclarecimento acerca da  metodologia  da  multa  aplicada,  de  forma  a  eliminar  a  contradição  entre  os  dois  parágrafos  acima descritos.   Nessa linha de raciocínio, deve prevalecer o entendimento exposto na ementa  do acórdão, de que a multa por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo  o valor do imposto devido, informado na declaração, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00.  Assim, voto no sentido de conhecer dos embargos para esclarecer que a multa  por atraso na entrega da declaração do ITR tem por base de cálculo o valor do imposto devido  informado na  declaração,  respeitado  o  valor mínimo de R$ 50,00,  e  para  re­ratificar  a  parte  dispositiva do voto do Relator do Acórdão 2801­00.712, de 26 de julho de 2010, que passa a  ter  a  seguinte  redação:  “Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  para  reduzir a multa aplicada, relativa ao exercício de 2000, de R$ 17.345,66 para R$ 50,00”.  Assinado digitalmente   Marcelo Vasconcelos de Almeida                                Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 13/06/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN

score : 1.0
4879716 #
Numero do processo: 13971.720793/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.521
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.01-5647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.01-6904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.01-1109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau - SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito. A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-34282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE – CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vincula-se ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimeste-calendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01- 6904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.01-1109 e n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 13971.720793/2009-98

anomes_publicacao_s : 201306

conteudo_id_s : 5255958

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3402-000.521

nome_arquivo_s : Decisao_13971720793200998.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : Não se aplica

nome_arquivo_pdf_s : 13971720793200998_5255958.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

dt_sessao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013

id : 4879716

ano_sessao_s : 2013

decisao_txt : RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente). RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Ressarcimento e das Declarações de Compensação eletrônicos n° 34097.74570.301105.1.7.01-5647 (fls. 001/011), protocolado em 30/11/2005, n° 20352.84360.301105.1.1.01-6904 (fls. 012), protocolado em 30/11/2005, n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646 (fls. 017/018), protocolado em 14/11/2006, e n. 01673.40448.141106.1.3.01-1109 (fls. 013/016), protocolado em 13/12/2006, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem em créditos de insumos, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na Lei 10.276, de 10 de setembro de 2001, referentes ao 3º trimestre de 2003. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau - SC, que, em 07/12/2009, emitiu Despacho Decisório (fls. 071/072), no qual a autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em virtude da apuração e da escrituração extemporâneas de parte do crédito presumido pleiteado. Cientificada do Despacho Decisório, em 11/12/2009 (fl. 075), a contribuinte ingressou, em 08/01/2010, com a manifestação de inconformidade de fls. 076/082 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente. Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o deferimento dos pedidos e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito. A 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14-34282, de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE – CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO. O crédito presumido extemporaneamente escriturado vincula-se ao ressarcimento de eventual saldo credor do trimeste-calendário de sua escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos anteriores por não ter submetido ao aproveitamento prioritário na dedução de débitos de IPI. RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Identificado erro de fato na análise do direito creditório que fundamenta o despacho decisório, cabe à autoridade julgadora da manifestação de inconformidade a sua correção e o eventual reconhecimento da diferença correspondente. Inconformado com a decisão proferida, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que: A empresa desde o ano de 2003 até o ano de 2005, nunca teve saldo devedor de créditos de IPI, ou seja, apurou sim débitos de IPI em alguns períodos, porém sempre encerrou os períodos com saldo credor da contribuição (sic). Assim, não procede a afirmação do Fisco de que a contribuinte não teria utilizado primeiramente o crédito presumido do IPI para abater os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para realizar; A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um complemento do crédito que já havia sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada no momento em que foi identificada por meio das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de compensação, tudo conforme as regras dos respectivos programas geradores. Assim, como o crédito original e o crédito complementar têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e, portanto, a justificativa utilizada pela fiscalização para indeferir o crédito não merece êxito, pois aplica-se aos casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de retificação, que é a situação presente; Caso seja indeferido o direito do contribuinte ao ressarcimento integral do crédito do 3º trimestre de 2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo pedido de ressarcimento em face de prescrição quinquenal que já teria sucumbido o seu direito creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910, de 06/01/32; Em 31/01/2006, transmitiu outro pedido de ressarcimento referente ao 4º trimestre de 2005. Assim, caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005, estaria pedindo créditos em duplicidade. Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01- 6904 e a homologação das compensações vinculadas ao referido crédito, sob nº 01673.40448.141106.1.3.01-1109 e n° 11008.31705.131206.1.3.01-3646. É o Relatório. VOTO

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986045067264

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 100          1 99  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.720793/2009­98  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.521  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  23 de abril de 2013  Assunto  Diligência  Recorrente  AKL MADEIRAS LTDA  Recorrida  DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP)    RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª  turma ordinária da Terceira Seção  de  julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência,  nos  termos do voto do relator.      (assinado digitalmente)  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto.        Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior,  Silvia  de  Brito  Oliveira,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luiz Carlos Shimoyama (suplente).                 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 79 3/ 20 09 -9 8 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/2009­98  Resolução nº  3402­000.521  S3­C4T2  Fl. 101          2   RELATÓRIO  Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  em  face  do  Despacho  Decisório  resultante  da  apreciação  dos  Pedidos  de  Ressarcimento  e  das  Declarações  de  Compensação  eletrônicos  n°  34097.74570.301105.1.7.01­5647  (fls.  001/011),  protocolado  em  30/11/2005,  n°  20352.84360.301105.1.1.01­6904  (fls.  012),  protocolado  em  30/11/2005,  n°  11008.31705.131206.1.3.01­3646  (fls.  017/018),  protocolado  em  14/11/2006,  e  n.  01673.40448.141106.1.3.01­1109  (fls.  013/016),  protocolado  em  13/12/2006,  por  meio  dos  quais  a  contribuinte  pretende  compensar  crédito no valor total de R $ 32.516,54, em débitos do estabelecimento.  Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem  sua  origem  em  créditos  de  insumos,  fundamentado  no  art.  11  da  Lei  9.779, de 19 de janeiro de 1999, e em crédito presumido, com base na  Lei 10.276, de 10 de  setembro de 2001,  referentes ao 3º  trimestre de  2003.  A análise da  liquidez  e  certeza do  crédito pleiteado  foi  efetuada pela  Delegacia  da Receita Federal  do  Brasil  em Blumenau  ­  SC,  que,  em  07/12/2009,  emitiu  Despacho  Decisório  (fls.  071/072),  no  qual  a  autoridade competente reconheceu apenas em parte o crédito no valor  de R $ 10.406,11 e homologou apenas em parte as compensações em  virtude  da  apuração  e  da  escrituração  extemporâneas  de  parte  do  crédito presumido pleiteado.  Cientificada  do  Despacho  Decisório,  em  11/12/2009  (fl.  075),  a  contribuinte  ingressou,  em  08/01/2010,  com  a  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  076/082  e  documentos  anexos,  na  qual  se  manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir.  1. A diferença não reconhecida não se trata de crédito novo, mas de um  complemento  do  crédito  que  já  havia  sido  apurado. Tal  diferença  foi  regularmente informada no momento em que foi identificada por meio  das retificações correspondentes tanto do DCP como da declaração de  compensação,  tudo  conforme  as  regras  dos  respectivos  programas  geradores.  Assim,  como  o  crédito  original  e  o  crédito  complementar  têm a mesma origem e não há razão para desvincular um do outro e,  portanto,  a  justificativa  utilizada  pela  fiscalização  para  indeferir  o  crédito  não  merece  êxito,  pois  aplica­se  aos  casos  de  apuração  de  crédito  pela  primeira  vez  e  não  de  retificação,  que  é  a  situação  presente.  Conclui requerendo o reconhecimento do crédito integral, bem como o  deferimento  dos  pedidos  e  a  homologação  das  compensações  vinculadas ao referido crédito.  Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/2009­98  Resolução nº  3402­000.521  S3­C4T2  Fl. 102          3 A  8ª  Turma  da  Delegacia  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto  (SP)  considerou  procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14­34282,  de 21 de junho de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  CRÉDITO  PRESUMIDO.  ESCRITURAÇÃO  EXTEMPORÂNEA.  RESSARCIMENTO SUJEITO AO SALDO CREDOR DO TRIMESTRE  – CALENDÁRIO DA ESCRITURAÇÃO.  O  crédito  presumido  extemporaneamente  escriturado  vincula­se  ao  ressarcimento de eventual saldo credor do  trimeste­calendário de sua  escrituração, não podendo ser incluído em ressarcimentos de períodos  anteriores  por  não  ter  submetido  ao  aproveitamento  prioritário  na  dedução de débitos de IPI.  RESSARCIMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO.  Identificado  erro  de  fato  na  análise  do  direito  creditório  que  fundamenta  o  despacho  decisório,  cabe  à  autoridade  julgadora  da  manifestação  de  inconformidade  a  sua  correção  e  o  eventual  reconhecimento da diferença correspondente.  Inconformado  com  a  decisão  proferida,  o  sujeito  passivo  protocolou  recurso  voluntário, onde alega, em brevíssima síntese, que:  1)  A  empresa  desde  o  ano  de  2003  até  o  ano  de  2005,  nunca  teve  saldo  devedor  de  créditos  de  IPI,  ou  seja,  apurou  sim  débitos  de  IPI  em  alguns  períodos,  porém  sempre  encerrou  os  períodos  com  saldo  credor  da  contribuição  (sic).  Assim,  não  procede  a  afirmação  do  Fisco  de  que  a  contribuinte  não  teria  utilizado  primeiramente  o  crédito  presumido  do  IPI  para  abater  os débitos de IPI, uma vez que não havia deduções para  realizar;  2)  A  diferença  não  reconhecida  não  se  trata  de  crédito  novo, mas  de  um  complemento  do  crédito  que  já  havia  sido apurado. Tal diferença foi regularmente informada  no  momento  em  que  foi  identificada  por  meio  das  retificações  correspondentes  tanto  do  DCP  como  da  declaração  de  compensação,  tudo  conforme  as  regras  dos  respectivos  programas  geradores.  Assim,  como  o  crédito original e o crédito complementar  têm a mesma  origem e não há razão para desvincular um do outro e,  portanto,  a  justificativa utilizada  pela  fiscalização para  indeferir o  crédito não merece  êxito,  pois aplica­se aos  casos de apuração de crédito pela primeira vez e não de  retificação, que é a situação presente;  Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/2009­98  Resolução nº  3402­000.521  S3­C4T2  Fl. 103          4 3)  Caso  seja  indeferido  o  direito  do  contribuinte  ao  ressarcimento  integral  do  crédito  do  3º  trimestre  de  2003, a recorrente estaria impossibilitada de fazer novo  pedido  de  ressarcimento  em  face  de  prescrição  quinquenal  que  já  teria  sucumbido  o  seu  direito  creditório, nos termos do art. 1 ° do Decreto n ° 20.910,  de 06/01/32;  4)  Em  31/01/2006,  transmitiu  outro  pedido  de  ressarcimento referente ao 4º  trimestre de 2005. Assim,  caso a empresa tivesse optado por fazer um novo pedido  de ressarcimento em 2005 com período do 4º trim/2005,  estaria pedindo créditos em duplicidade.  Termina a petição recursal requerendo o provimento do recurso para reconhecer  o crédito integral referente ao 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 32.239,17, bem como o  deferimento do PER nº 0352.84360.301105.1.1.01­ 6904 e a homologação das compensações  vinculadas  ao  referido  crédito,  sob  nº  01673.40448.141106.1.3.01­1109  e  n°  11008.31705.131206.1.3.01­3646.  É o Relatório.    VOTO O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  bem  como  dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar.  A questão  central  da presente  lide está  restrita  a definir  o momento  em que o  sujeito passivo adquire o direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 10.276/2001.  Ao analisar o Recurso Especial nº 2203­234196 da Fazenda Nacional, a Terceira  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  definiu  que  o  direito ao crédito presumido do IPI nasce no momento da exportação ou da venda dos bens à  comercial  exportadora.  Contudo,  o  sujeito  passivo  só  poderá  requisitar  o  ressarcimento  no  trimestre­calendário seguinte ao da aquisição do direito.   Partindo dessa premissa é de fundamental importância o conhecimento das datas  de exportação dos bens cujos custos dos insumos estão servindo de base para cálculo do crédito  presumido do IPI.  Compulsando exaustivamente os autos, não identifiquei documentos hábeis que  possam oferecer as informações acima mencionadas.  Diante de  falta  de provas  suficientes  e  ao  perceber  verossimilhança  do  direito  pleiteado,  a  autoridade  julgadora  poderá  determinar  as  diligências  que  entender  necessárias  para a formação de seu convencimento, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13971.720793/2009­98  Resolução nº  3402­000.521  S3­C4T2  Fl. 104          5 Por  esse motivo,  converto  o  julgamento  em  diligência  para  que  a Unidade  de  Origem  identifique as datas das  efetivas  exportações ou vendas  à  comercial  exportadora dos  bens  cujos  custos  dos  insumos  estão  sendo  incluídos  na  base  de  cálculo  do  incentivo  fiscal  previsto na Lei nº 10.276/2001.  Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, 23/04/2013    GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO  Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

score : 1.0
4917776 #
Numero do processo: 10860.901092/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037-25 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2000.
Numero da decisão: 3401-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201305

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000. Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037-25 de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, a isenção do PIS Faturamento e da Cofins, concedida às operações de exportação, abrange as vendas realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores anteriores a dezembro de 2000.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10860.901092/2008-36

anomes_publicacao_s : 201306

conteudo_id_s : 5261067

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3401-002.240

nome_arquivo_s : Decisao_10860901092200836.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS

nome_arquivo_pdf_s : 10860901092200836_5261067.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.

dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013

id : 4917776

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:38 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986063941632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 171          1 170  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10860.901092/2008­36  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3401­002.240  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de maio de 2013  Matéria  ISENÇÃO DE PIS E COFINS NAS VENDAS À ZONA FRANCA DE  MANAUS.   Recorrente  DUBUIT COLOR TINTAS E VERNIZES LTDA  Recorrida  DRJ CAMPINAS ­ SP    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000  BASE DE CÁLCULO. VENDAS A EMPRESA LOCALIZADA NA ZONA  FRANCA DE MANAUS.  ISENÇÃO DE PIS E COFINS A PARTIR DOS  FATOS GERADORES OCORRIDOS EM DEZEMBRO DE 2000.  Nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037­25 de 21 de  dezembro de 2000,  reeditada até o nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, a  isenção  do  PIS  Faturamento  e  da  Cofins,  concedida  às  operações  de  exportação,  abrange  as  vendas  realizadas  para  as  empresas  localizadas  na  Zona Franca de Manaus, o que, no entanto, não se aplica aos fatos geradores  anteriores a dezembro de 2000.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Terceira  Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos  do voto do Relator.    JÚLIO CESAR ALVES RAMOS – Presidente        EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Emanuel  Carlos  Dantas  de  Assis,  Jean  Clauter  Simões  Mendonça,  Robson  José  Bayerl  (Suplente),  Ângela  Sartori,  Fernando  Marques  Cleto  Duarte  e  Júlio  César  Alves  Ramos.  Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 10 92 /2 00 8- 36 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     2 Relatório  O  processo  retorna  de  diligência  determinada  por  este  Colegiado,  visando  verificar  a  composição  da  base  de  cálculo  adotada  pela  Recorrente,  com  vistas  à  alegada  isenção  do PIS e Cofins nas vendas para  empresas  estabelecidas na Zona Franca de Manaus  (ZFM), não reconhecida na unidade de origem nem na DRJ.  No recurso voluntário a contribuinte contesta acórdão da DRJ que manteve a  não  homologação  de  compensação  cujo  crédito  é  oriundo  de  pagamento  a  maior  da  Contribuição, por não ter sido considerada a isenção alegada.  No órgão de origem o pleito foi indeferido por meio de despacho eletrônico.  Alega que o indébito é oriundo de pagamento indevido do PIS Faturamento,  por não serem devidas nem essa Contribuição nem a Cofins sobre as vendas destinadas à Zona  Franca de Manaus. Argumenta que tais vendas eram imunes às duas Contribuições, reportando­ se  ao  Decreto­Lei  nº  288/67  –  que  segundo  a  contribuinte  tem  envergadura  de  lei  complementar  pela  recepção  que  lhe  deu  a  Constituição,  no  art.  40  do Ato  das Disposições  Constitucionais  Transitórias  (ADCT)  ­  e  à  ADI  nº  2.348­9  –  na  qual  o  STF  suspendeu  a  eficácia da expressão “Zona Franca de Manaus”, contida no inc. I do § 2º do art. 14 da Medida  Provisória nº 2.037­24/2000, reeditada posteriormente sem menção à referida expressão.  Trata também da taxa Selic empregada como juros de mora, matéria não mais  repetida no recurso voluntário.   A  3ª  Turma  da  DRJ  rejeitou  as  alegações,  interpretando  que  a  isenção  alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI,  VIII  e  IX do  art.  14  da Medida Provisória  nº  2.158­35/20011  e  considerando que não houve  comprovação  por  documentação  contábil­fiscal,  da  inclusão  das  receitas  decorrentes  de  tais  vendas.  Na diligência a  fiscalização demonstra as bases de cálculo de PIS e Cofins,  com  e  sem  a  inclusão  dos  valores  dos  produtos  vendidos  a  clientes  sediados  na ZFM,  bem  como  o  crédito  das  duas  Contribuições,  para  a  hipótese  de  reconhecimento  da  isenção  em  questão (ver fl. 166).                                                              1 Art. 14.  Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as  receitas:  (...)          IV ­ do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves  em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível;    (...)          VI  ­  auferidas  pelos  estaleiros  navais  brasileiros  nas  atividades  de  construção,  conservação modernização,  conversão  e  reparo  de  embarcações  pré­registradas  ou  registradas  no  Registro  Especial  Brasileiro  ­  REB,  instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997;  (...)          VIII  ­  de  vendas  realizadas  pelo  produtor­vendedor  às  empresas  comerciais  exportadoras  nos  termos  do  Decreto­Lei  no  1.248,  de  29  de  novembro  de  1972,  e  alterações  posteriores,  desde  que  destinadas  ao  fim  específico de exportação para o exterior;            IX  ­  de vendas,  com  fim específico de  exportação  para o  exterior,  a  empresas  exportadoras  registradas  na  Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/2008­36  Acórdão n.º 3401­002.240  S3­C4T1  Fl. 172          3 Pronunciando­se  sobre  o  resultado  da  diligência,  a  contribuinte  concordou  com os cálculos apresentados na diligência pela fiscalização.  É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado.    Voto             Diante  do  resultado  da  diligência,  cujos  cálculos  receberam  anuência  expressa  da  Recorrente,  e  levando  em  conta  acórdãos  anteriores  deste  Colegiado,  cabe  dar  razão à Recorrente para reconhecer a isenção do PIS e Cofins nas vendas a empresas sediadas  na Zona Franca de Manaus, homologando­se as compensações conforme o crédito apurado na  diligência,  se  os  fatos  geradores  forem  posteriores  a  novembro  de  2000  (ou  a  partir  de  dezembro de 2000).  Diferentemente  da  interpretação  da  primeira  instância,  esta Primeira Turma  da Quarta Câmara tem admitido a  isenção das vendas de fora para dentro da Zona Franca de  Manaus,  levando  em  conta,  primeiro,  a  Medida  Cautelar  deferida  pelo  Pleno  do  Supremo  Tribunal  na Ação Direta  de  Inconstitucionalidade  (ADI)  nº  2.348,  que  suspendeu  a  eficácia,  com efeitos ex nunc, da expressão "na Zona Franca de Manaus" constante do inciso I do § 2º  do art. 14 da Medida Provisória nº 2.037­24, de 23/11/2000 (decisão em 07/12/2000, publicada  em 14/12/2000); segundo, o art. 11 da MP nºs 1.952­31, de 14/12/2000, que modificou o citado  dispositivo  da  MP  nº  2.037­24,  de  2000,  adequando­o  à  determinação  cautelar  do  STF;  e  terceiro,  a  MP  nº  2.037­25,  de  21/12/2000,  que  retirou  a  expressão  “na  Zona  Franca  de  Manaus” constante na edição anterior (a MP nº 2.037­24), mais uma vez em conformidade com  a decisão cautelar do STF.  A  Cautelar  na  ADI  nº  2.348  possui  efeitos  a  partir  de  sua  publicação,  em  14/12/2000 (ou ex nunc); a alteração do art. 11 da MP nºs 1.952­31, de 14/12/2000, a partir de  15/12/2000 (data da publicação desta MP); e a alteração no art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.037­24,  de  21/12/2000,  a  partir  de  22/12/2000  (publicação).  Assim,  só  foram  afetados  os  fatos  geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000 (tanto no PIS quanto na Cofins só ocorre fato  gerador no último dia de cada mês, fim do período de apuração, de modo que a tributação ou  isenção  sobre  toda  a  receita  auferida  em determinado mês  é  determinada  à  luz da  legislação  com eficácia no seu último dia, não se admitindo o fracionamento da receita para fins da base  de cálculo das duas Contribuições).2                                                              2  Esta  Turma  já  tratou  do  tema  em processo da minha  relatoria,  quando  analisou  a modificação  da  alíquota no  meio do mês. Refiro­me ao Acórdão nº  3401­002.113, de 30/01/2013, unânime, processo nº 10283.720773/2011­ 11, com a emente seguinte, no que interessa nesta oportunidade:  FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL.  FINAL DO MÊS. REDUÇÃO DA ALÍQUOTA NO MEIO DO  PERÍODO DE APURAÇÃO. APLICAÇÃO DURANTE TODO O MÊS.  O período de apuração da Cofins é mensal, mas o fato gerador somente ocorre no último dia de cada mês, quando  nasce a obrigação tributária e o valor da Contribuição é apurado levando­se em conta a alíquota em vigor nesse  dia, a ser aplicada sobre a soma da receita bruta mensal. Reduzida a alíquota em qualquer dia do mês, aplica­se o  percentual reduzido sobre a receita bruta mensal, descabendo fracionar o período de apuração em dias e utilizar,  num único mês, a alíquota maior, antes da redução, e a menor, depois. Na hipótese do inc. VII do art. 28 da Lei nº  10.865, de 2004, introduzido pelo art. 44 da Lei nº 11.196 e que reduziu a zero as alíquotas do PIS e Cofins sobre  a  receita  bruta mensal decorrente da venda das preparações  compostas  não  alcoólicas  nele  referidas,  a  aliquota  zero é aplicada sobre todo o faturamento mensal porque entrou em vigor a partir de 22 de novembro de 2005.   Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     4 Reconhecendo  a  isenção  em  tela,  menciono  os  acórdãos  3401­01.385,  processo  nº  13819.903336/200819  (indébito  da  Cofins)  e  3401­01.394,  proc.  nº  13819.903367/2008­70  (indébito  do  PIS  Faturamento),  prolatados  em  04/05/2011  à  unanimidade,  ambos  da  relatoria  do  Conselheiro  Odassi  Guerzoni  Filho  (aos  dois  recursos  voluntários  foi  negado  provimento, mas  por  ausência  de  prova). Antes,  o Acórdão  nº  3401­ 00.837,  de  02/07/2010,  maioria,  proc.  nº  10380.004234/2003­11,  relator  designado  o  Conselheiro  Jean Cleuter Simões Mendonça. E mais antigo, da Terceira Câmara do Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  o  Acórdão  nº  203­12.923,  de  08/05/2008,  maioria,  proc.  nº  13656.000362/2002­16, relator designado o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.  Na  linha  dos  votos  que  prevaleceram  nos  julgados  acima  citados,  reconheceria a  isenção se os  fatos geradores  fossem posteriores a novembro de 2000. Adoto,  como fundamentos, os do voto do Cons. Jean Cleuter Simões Mendonça no Acórdão nº 3401­ 00.837, proc. nº 10380.004234/2003­11, que ora transcrevo:   O Decreto­Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, regula a ZFM  Zona  Franca  de Manaus.  Torna­se  interessante  e  necessário  o  conhecimento  de  dois  artigos  desse  Decreto­Lei,  essenciais  a  esse  processo.  Em  primeiro  lugar  vejamos  o  art.  1º,  que  nos  mostra  a  natureza  e  o  objetivo  da  Zona  Franca  de  Manaus,  verbis:  ‘Art 1º A Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio  de  importação  e  exportação  e  de  incentivos  fiscais  especiais,  estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia  um  centro  industrial,  comercial  e  agropecuário  dotado  de  condições  econômicas  que  permitam  seu  desenvolvimento,  em  face  dos  fatores  locais  e  da  grande  distância,  a  que  se  encontram, os centros consumidores de seus produtos’.  Em segundo lugar, podemos passar a ver o que diz o art. 4º, do  DL  nº  288/67  que  nos  abre  a  porta  para  o  cerne  da  questão,  verbis:  ‘Art  4º  A  exportação de mercadorias  de  origem  nacional  para  consumo  ou  industrialização  na  Zona  Franca  de  Manaus,  ou  reexportação  para  o  estrangeiro,  será  para  todos  os  efeitos  fiscais,  constantes  da  legislação  em  vigor,  equivalente  a  uma  exportação brasileira para o estrangeiro’.(grifo nosso)  Pelos dois dispositivos expostos acima, podemos concluir que a  ZFM  é  tratada  de  forma  especial  pelo  legislador,  que  deu  incentivos  para  estimular  o  desenvolvimento  da  Região  Amazônica  e,  conseqüentemente,  a  geração  de  emprego  na  região norte, tratando os produtos adquiridos por empresas nela  sediada, como produtos exportados para fora do Brasil.  Em 1988 a Zona Franca de Manaus ganhou status constitucional  pelo disposto no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais  Transitórias, verbis:  ‘Art.  40.  É  mantida  a  Zona  Franca  de  Manaus,  com  suas  características  de  área  livre  de  comércio,  de  exportação  e  importação, e de  incentivos  fiscais, pelo prazo de vinte e cinco  anos, a partir da promulgação da Constituição.                                                                                                                                                                                              Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/2008­36  Acórdão n.º 3401­002.240  S3­C4T1  Fl. 173          5 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados  os  critérios  que  disciplinaram  ou  venham  a  disciplinar  a  aprovação  dos  projetos  na  Zona  Franca  de  Manaus’.(grifo  nosso)  Assim,  a  ZFM  teria  sua  existência  garantida  até  outubro  de  2013. Mais tarde, no entanto, a emenda nº 42 de 19 de dezembro  de 2003, incluiu o art. 92 na Constituição Federal, prorrogando  a vida da ZFM com a seguinte redação:  ‘Art.  92.  São  acrescidos  dez  anos  ao  prazo  fixado  no  art.  40  deste  Ato  das  Disposições  Constitucionais  Transitórias’.(grifo  nosso)  Dessa  forma,  a  Zona  Franca  de  Manaus  ganhou  sobrevida,  passando  a  ter  sua  existência  garantida  até  outubro  de  2023.  Sendo  necessário  destacar  que  hoje  a  ZFM  está  voltada  exclusivamente  para  a  industrialização  de  produtos  de  vários  seguimentos,  sendo  atualmente  denominada  de  PIM  –  Pólo  Industrial de Manaus, que na opinião desse relator deveria ser  perenizada.  Ratificando  o  já  afirmado  acima,  a  ZFM  tem  tratamento  especial,  e  os  produtos  adquiridos  para  consumo  ou  industrialização, devem receber o mesmo  tratamento  tributário  dos  produtos  exportados.  Dessa  forma,  faz­se  necessário  analisarmos  a  legislação  que  instituiu  a  COFINS,  Lei  Complementar N  º 70 de 31 de dezembro1991, que em seu art.  7º, inciso VI, dispões sobre a isenção para exportação, in verbis:  ‘Art.  7º  São  também  isentas  da  contribuição  as  receitas  decorrentes:  (...)  VI  das  demais  vendas  de  mercadorias  ou  serviços  para  o  exterior,  nas  condições  estabelecidas  pelo  Poder  Executivo’.  (grifo nosso)  Dois anos mais tarde, o Decreto nº 1.030, publicado no DOU em  30 de dezembro de 1993, que veio regulamentar o art. 7º da Lei  Complementar n  º 70 de 1991, excluiu das operações de venda  para  empresas  da  ZFM,  a  isenção  tratada  acima,  tirando  os  incentivos referentes à Cofins da ZFM , dispondo o seguinte:  ‘Art.  1º  Na  determinação  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  COFINS,  instituída  pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de  1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de  mercadorias ou serviços, assim entendidas:  (...)  Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança  as vendas efetuadas:  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     6 a)  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio’.  Quanto  ao  PIS/Pasep,  a  isenção  para  as  exportações  vem  exposta no art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, in  verbis:  ‘Art 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  (PASEP)  e  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  de  que  trata  o  Decreto­Lei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita  de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser  excluído da receita operacional bruta’.(grifo nosso)  A Medida Provisória nº 1.858­6 de 29 de junho de 1999, retirou  a  isenção  das  vendas  efetuadas  para  as  empresas  da  ZFM  referente  ao  PIS/Pasep  e  corroborou  a  cobrança  da  COFINS  originada  da  venda  para  as  mesmas  empresas,  eliminando  os  incentivos  da  ZFM  relativo  a  essas  contribuições.  Essa MP nº  1.858­6 foi reeditada várias vezes, até chegar à MP nº 2.037­24,  de 23 de novembro de 2000, dispondo no caput do art. 14 e seus  parágrafos o seguinte:  ‘Art. 14. Em relação aos  fatos geradores ocorridos a partir de  1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  II  da  exportação  de  mercadorias  para  o  exterior;  §  1o  São  isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas  nos incisos I a IX do caput.  § 2o As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não  alcançam as receitas de vendas efetuadas:  I  a  empresa  estabelecida  na  Zona  Franca  de  Manaus,  na  Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio’.(grifo nosso)  Inconformado  com  a  retirada  dos  incentivos  da  ZFM,  o  governador  do  Estado  do  Amazonas  ajuizou,  junto  ao  STF  –  Supremo  Tribunal  Federal  Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade, ADIN nº  2.348­9, que  foi  distribuída em  09/11/2000,  alegando que  a Medida Provisória nº 2.037­24 de  2000,  supracitada,  afrontava  o Decreto­Lei  que  regula  a Zona  Franca de Manaus, bem como as determinações constitucionais  que garantem tratamento que beneficiam a ZFM.  O  STF  deferiu  medida  cautelar,  com  efeito  ex  nunc,  para  que  fosse  suspendida  a  eficácia  da  expressão “na Zona Franca  de  Manaus”  do  art.  14,  parágrafo  2º  ,  inciso  I  da  Medida  Provisória nº 2.037­24 de 2000. A decisão liminar foi publicada  no Diário Oficial da União no dia 14 dezembro 2000. Porém, a  ADIN foi extinta sem julgamento do mérito por ter perdido o seu  objeto,  pois,  antes  do  julgamento  final,  foi  editada  uma  nova  Medida  Provisória,  a  MP  Nº  2.037­25  de  21  de  dezembro  de  2000, atual MP Nº 2.158­35 de 2001, com o mesmo texto da MP  nº  2.037­24  (objeto  da  Adin),  porém,  sem  o  termo  ‘na  Zona  Franca de Manaus’, verbis:  ‘Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o  de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas:  Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10860.901092/2008­36  Acórdão n.º 3401­002.240  S3­C4T1  Fl. 174          7 (...)  II da exportação de mercadorias para o exterior; (...)  § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas  referidas nos incisos I a IX do caput.  § 2º As  isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as  receitas de vendas efetuadas:  I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de  livre comércio’.  Para  que  não  houvesse  dúvidas  referentes ao  restabelecimento  do incentivo dado à ZFM sobre a Cofins, a Medida Provisória nº  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  também  revogou  expressamente o art. 7º da Lei Complementar nº 70, que regula  as  isenções  da  Cofins,  tirando,  automaticamente,  o  objeto  e  eficácia  do  Decreto  nº  1.030  de  1993,  que,  regulamentando  o  art. 7º da Lei Complementar nº 70, tirava os incentivos da ZFM  referente à Cofins), verbis:  ‘Art. 92. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua  publicação, produzindo efeitos:  Art. 93. Ficam revogados:  (...)  II a partir de 30 de junho de 1999:  (...)  b)  o  art.  7º  da  Lei  Complementar  nº  70,  de  1991,  e  a  Lei  Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996’.  Assim, nos termos do art. 14, II, e § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.037­25  de 21 de dezembro de 2000, reeditada até o nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, a isenção do  PIS  Faturamento  e  da  Cofins,  concedida  às  operações  de  exportação,  abrange  as  vendas  realizadas para as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, a partir dos fatos geradores  ocorridos em dezembro de 2000.   Todavia, a isenção não contempla os fatores geradores anteriores a dezembro  de 2000, pelo que na situação destes autos o Recurso Voluntário deve ser negado.  Pelo  exposto,  nego  provimento  ao Recurso  porque  os  fatos geradores deste  processo são anteriores a dezembro de 2000.      Emanuel Carlos Dantas de Assis                Fl. 177DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     8                 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS

score : 1.0
4955673 #
Numero do processo: 10580.901322/2006-41
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3803-002.316
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jorge Victor Rodrigues

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201201

ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/10/2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Direito Creditório Não Reconhecido.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10580.901322/2006-41

anomes_publicacao_s : 201201

conteudo_id_s : 5165324

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 3803-002.316

nome_arquivo_s : 380302316_10580901322200641_201201.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : Jorge Victor Rodrigues

nome_arquivo_pdf_s : 10580901322200641_5165324.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012

id : 4955673

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:01 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986081767424

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 73          1 72  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.901322/2006­41  Recurso nº  869.420   Voluntário  Acórdão nº  3803­02.316  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de janeiro de 2012  Matéria  DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.  Recorrente  COELBA ­ COMPANHIA ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/10/2003  RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.  Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário  de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada  das turmas especiais.  Recurso Voluntário Não Conhecido.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    [assinado digitalmente]  ALEXANDRE KERN ­ Presidente.   [assinado digitalmente]  JORGE VICTOR RODRIGUES ­ Relator.  EDITADO EM: 06/03/2012       Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Alexandre  Kern,  Belchior  Melo  de  Sousa,  Alan  Fialho  Gandra,  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor  Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.    Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  transmitida  em  15/10/2003  (fls.  01/05) onde busca o contribuinte compensar débito relativo à Contribuição de Intervenção no  Domínio Econômico (CIDE) nela declarado, no valor de R$ 157.638,31, com crédito oriundo  de pagamento a maior da própria CIDE, no valor de R$ 1.012.629,52, relativo ao período de  apuração 31/12/2001.  A  DRF/Salvador  emitiu  Despacho  Decisório  eletrônico  (fls.  06)  não  homologando  a  compensação  pleiteada,  sob  o  argumento  de  que  o  pagamento  fora  integralmente  utilizado  na  quitação  de  débito  da  contribuinte,  não  restando  assim  crédito  disponível para a compensação.  Cientificada do Despacho Decisório em 21/08/2008, conforme AR em fls. 10,  o contribuinte apresenta em 18/09/2008 Manifestação de Inconformidade (fls. 11/18), na qual  aduz que:  a) Em dezembro de 2001, provisionou obrigação referente ao pagamento do  contrato de assistência técnica celebrado com a empresa Iberdrola Energia S/A, no montante de  R$  8.654.891,59,  relativo  a materiais  e  serviços,  e R$  1.527.333,81  relativo  à  IRRF  pessoa  jurídica,  totalizando assim o valor de R$ 10.182.225,40, sobre o qual foi calculada a CIDE à  alíquota  de  10%,  no  valor  de  R$  1.018.222,54,  informado  em  DCTF  e  integralmente  pago  mediante DARF de R$ 1.012.629,52 (fls. 23) e de R$ 5.593,02 (fls.24);  b)  Contudo,  em  virtude  da  legislação  que  rege  a  matéria,  a  impugnante  verificou  que,  equivocadamente,  calculou  a  CIDE  sobre  o  montante  total  da  operação;  incluindo o  IRRF, quando a base de  cálculo  correta  seria  apenas o  real  valor da  remessa no  período, qual seja, R$ 8.654.891,59, conforme Consulta de Operação de Câmbio que traduz a  transferência para o exterior à folha 26;  c) Assim, sendo devida a CIDE no valor de R$ 865.489,16, e considerando­ se o pagamento no valor total de R$ 1.018.222,54, remanesceu um crédito de R$ 152.733,38,  objeto da PERDCOMP ora em litígio.  Sobreveio  decisão  da  DRJ/Salvador  que  considerou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade,  não  reconheceu  o  direito  creditório  da Manifestante,  nem  homologou a compensação efetuada, em aresto que restou ementado conforme o seguinte:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  DE  INTERVENÇÃO  NO  DOMÍNIO ECONÔMICO ­ CIDE   Data do fato gerador: 15/10/2003  COMPENSAÇÃO  O  crédito  usado  em  compensação  tem  que  estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP.  BASE DE CÁLCULO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10580.901322/2006­41  Acórdão n.º 3803­02.316  S3­TE03  Fl. 74          3 O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os  valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a  residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo  da  CIDE,  instituída  pelo  art.  2°  da  Lei  n°  10.168,  de  29  de  dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda  que  a  fonte  pagadora  brasileira  tenha  assumido  o  ônus  do  imposto.  Notificada em 08/03/2010, apresentou Recurso Voluntário em 31/03/2010 no  qual,  em  apertada  síntese,  repisa  os  argumentos  utilizados  em  sede  de  Manifestação,  requerendo, ao final:  a)  seja  acolhido  o  presente  Recurso  Voluntário  com  o  fim  de  que  seja  reformado  o  Acórdão  recorrido  e  reconhecido  o  direito  da  COELBA,  ora  Recorrente,  à  homologação  da  compensação  do  crédito  tributário  no  valor  de  R$  152.733,38  (cento  e  cinquenta  e,  dois  mil,  setecentos  e  trinta  e  três  reais  e  trinta  e  oito  centavos),  oriundos  do  pagamento  a  maior  de  CIDE  no  período  de  apuração  de  dezembro  de  2001,  com  aqueles  apurados no período de abril de 2003;  b)  tendo  em  vista  que  o  processo  administrativo  em  questão  estava  em  trãnsito,  o  que  impediu  a  obtenção  de  cópia,  a  Recorrente  de  logo  requer  que  lhe  seja  oportunizada posterior apresentação de provas documentais e razões, sob pena de violação ao  princípio da ampla defesa (art. 5º, LV, da Constituição da República).   É o relatório.    Voto             Conselheiro Jorge Victor Rodrigues  Considerando  (i)  que  a  competência  das  turmas  especiais  fica  restrita  ao  julgamento  de  recursos  em  processos  de  valor  inferior  ao  limite  fixado  para  interposição  de  recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º  do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria  MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em  R$ 1.000.000,00, e (iii) que o valor original do ressarcimento da Cofins não­cumulativa deste  processo é de R$ 1.012.629,52, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário, declinando­ se a competência para seu julgamento às turmas ordinárias desta 3ª Seção.   [assinado digitalmente]  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator                Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN     4                 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/03/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por ALEXANDRE KERN

score : 1.0
4941653 #
Numero do processo: 11474.000169/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/02/2001 a 31/03/2006 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Aplica-se aos recursos de ofício não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário.
Numero da decisão: 9202-002.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201306

camara_s : 2ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 02/02/2001 a 31/03/2006 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. Aplica-se aos recursos de ofício não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário.

turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 11474.000169/2007-94

anomes_publicacao_s : 201307

conteudo_id_s : 5264373

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 9202-002.737

nome_arquivo_s : Decisao_11474000169200794.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 11474000169200794_5264373.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013

id : 4941653

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:57 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986083864576

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11474.000169/2007­94  Recurso nº  252.078   Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­002.737  –  2ª Turma   Sessão de  11 de junho de 2013  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA  Recorrente  PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN)  Interessado  EXATO GESTÃO ADMINISTRATIVA LTDA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 02/02/2001 a 31/03/2006  RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.   Aplica­se aos  recursos de ofício não definitivamente  julgados o novo  limite  de alçada para reexame necessário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento aos recurso.   Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.           (assinado digitalmente)  HENRIQUE PINHEIRO TORRES  Presidente         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 47 4. 00 01 69 /2 00 7- 94 Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     2   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente  em  exercício),  Gonçalo  Bonet  Allage,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Alexandre  Naoki  Nishioka  (suplente  convocado),  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de  Oliveira.  Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/2007­94  Acórdão n.º 9202­002.737  CSRF­T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  01767,  interposto  pela  Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 01756, que não conheceu  do recurso de ofício e negou provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/02/2001 a 31/03/2006  Ementa  RECURSO  DE  OFÍCIO  ­  VALOR  CRÉDITO  INFERIOR À ALÇADA ­ NÃO CONHECIMENTO  Não se conhece recurso de ofício. cujo crédito envolvido tenha  valor inferior à alçada prevista por ato do Ministro da Fazenda  vigente à época do julgamento de segunda instância  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA  ­ GRUPO ECONÔMICO –  SÓCIOS COMUNS ­ UNICIDADE DE COMANDO  De acordo com o Inciso IX do art. 30 da Lei n° 8.212/1991, as  empresas  que  integram grupo  econômico  de  qualquer  natureza  respondem  entre  si,  solidariamente,  pelas  obrigações  decorrentes  daquela  lei.  A  caracterização  de  grupo  econômico  de  fato  não  se  dá  unicamente  quando  pessoas  jurídicas  são  controladas  por  outra  pessoa  jurídica.  Considera­se  que  integram  grupo  econômico  de  fato  as  empresas  submetidas  à  unicidade  de  comando  que  pode  ocorrer  quando  possuem  os  mesmos sócios gerente  INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE  É  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  em  regra,  a  argüição  a  respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência  ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do  contencioso  administrativo  afastar  aplicação  de  dispositivos  legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento  de  que  seriam  inconstitucionais  ou  afrontariam  legislação  hierarquicamente superior.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA  NO  PRAZO  ­  PRECLUSÃO  –  NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante  no  prazo  legal.  O  contencioso  administrativo  fiscal  só  se  instaura  em  relação  àquilo  que  foi  expressamente  contestado  na  impugnação  apresentada de forma tempestiva   ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/02/2001 a 3 1/03/2006  Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     4 ALÍQUOTA SAT ­  Não há que se questionar a alíquota aplicada para o cálculo da  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  se  a  auditoria  fiscal  apenas  aplicou  a  alíquota  correspondente  ao  CNAE que a própria empresa utilizava em sua documentação  CARACTERIZAÇÃO DE  SEGURADO­  AUDITORIA  FISCAL  ­  COMPETÊNCIA  É  atribuída  à  fiscalização  a  prerrogativa  de,  seja  qual  for  a  forma  de  contratação,  desconsiderar  o  vinculo  pactuado  e  efetuar  o  enquadramento  corno  segurados  empregados,  se  constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego  RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE ­ DESCARACTERIZAÇÃO  Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a  relação  jurídica  formal  apresentada  não  se  coaduna  com  a  relação  fálica  verificada,  subsistirá a última. De acordo com o  art.  118,  inciso  1  do  Código  Tributário  Nacional,  a  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se  da  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes,  responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto  ou dos seus efeitos  MULTA  DE  MORA  ­  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  –  RETROATIVIDADE BENIGNA ­ 1NOCORRÊNCIA  Havendo  lançamento  de  ofício,  não  há  que  se  aplicar  as  disposições contidas no § 2° do art. 61 da Lei n° 9430/1996. O  princípio  da  retroatividade  benigna  só  é  aplicado  se  restar  demonstrado  que  a  legislação  posterior  é  mais  favorável  ao  sujeito passivo   RO Não Conhecido e RV Negado  Crédito Tributário Mantido  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em  não  conhecer  do  recurso  de  oficio  e  negar  provimento  ao  recurso voluntário.   Como  esclarecimento  inicial,  o  litígio  em  questão  versa  sobre  o  não  conhecimento  do  recurso  de  ofício,  devido  à  alteração  do  valor  de  alçada  na  data  do  julgamento.  Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que:  1.  Insurge­se  a PGFN contra  o  r.  acórdão  proferido  pela  Segunda  Turma  Ordinária  da  Quarta  Câmara  da  Segunda  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  que  NÃO  CONHECEU de Recurso de Ofício, por entender que o  crédito  tributário  exonerado  não  atingiu  o  limite  Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/2007­94  Acórdão n.º 9202­002.737  CSRF­T2  Fl. 4          5 mínimo  exigido  para  interposição  do  mesmo  (novos  requisitos previstos na Portaria MF nº 3/2008);  2.  Ao  contrário  do  acórdão  recorrido,  que  privilegiou  a  norma processual vigente  à  época do  julgamento pelo  CARF,  o  acórdão  paradigma  assentou  que  o  juízo  de  admissibilidade  recursal  deve  levar  em  conta  a norma  vigente na data em que foi praticado o ato processual;  3.  Dessa  forma,  adotado  o  entendimento  dos  acórdãos  paradigmas,  no  sentido  de  que  deve  ser  aplicado  o  limite de alçada vigente na data da decisão de primeira  instância,  tem­se  que  o  recurso  de  ofício  atingiu  plenamente  os  requisitos  de  alçada,  razão  pela  qual  deve ser conhecido;  4.  A  norma  posterior  não  pode  impedir  o  conhecimento  de  recurso  que,  à  época  de  seu  protocolo,  preenchia  todos  os  requisitos  legais,  pois  o  ato  processual  praticado —  a  interposição  do  recurso —  encontra­se  perfeito e acabado;  5.  Restou  patente  no  presente  caso  que,  no momento  da  interposição  do  pertinente  recurso  de  ofício,  vigia  a  legislação antiga, não podendo, agora, com surgimento  da nova disposição  contida na Portaria MF n.° 03, de  03/01/2008,  impedir­se  o  processamento  do  ato  processual (do referido recurso), pois isso configuraria  nítida violação ao direito adquirido e à ampla defesa;  6.  Tal  orientação  foi  confirmada,  recentemente,  pela  CORTE  ESPECIAL  do  STJ,  em  sede  de  RECURSO  REPETITIVO,  devendo  ser  reproduzida  pelo  CARF,  nos termos do art. 62­A do RICARF. Confira ­se:  RECURSO  REPETITIVO.  REMESSA  NECESSÁRIA.  LEI N. 10.35212001.  A Corte Especial, ao julgar o recurso sob o regime do art.  543­C  do  CPC  c/c  a  Res.  n.  812008­STJ,  afirmou  que  a  incidência  do  duplo  grau  de  jurisdição  obrigatório  é  de  rigor  quando  a  data  da  sentença  desfavorável  à  Fazenda  Pública  for  anterior  à  reforma  promovida  pela  Lei  n.  10.35212001 (que alterou dispositivos do CPC referentes a  recurso e a reexanre necessário). Ressaltou­se que se adota  o princípio  tempus regit  actum do ordenamento  jurídico, o  qual implica respeito aos atos praticados na vigência da lei  revogada e aos desdobramentos imediatos desses atos, não  sendo  possível  a  retroação  da  lei  nova.  Assim,  a  lei  em  vigor no momento da data da sentença regela os recursos  cabíveis  contra  ela,  bera  como  a  sua  sujeição  ao  duplo  grau obrigatório, repelindo­se a retroatividade da lei nova.  Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     6 Diante desse entendimento, o recurso da Fazenda Pública  foi  provido,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  ao  tribunal a arfo para apreciar a remessa necessária (antigo  recurso ex officio). Precedentes citados: EREsp 600.874­SP,  DJ  41912006;  REsp  714.665­CE,  DJe  111512009;  REsp  756.417­SP,  DJ  2211012007;  REsp  1.092.058­SP,  Dje  1  11612009;  AgRg  iro  REsp  930.248­PR,  131  101912007,  REsp 625.224­SP, DJ 1711212007, e REsp 703.726­MG, DJ  171912007.  REsp  1.144.079­SP,  Rel.  Milt.  Luiz  Fux,  julgado em 21312011.  7.  A  jurisprudência  pacífica  do  STJ  conduz  inexoravelmente  à  conclusão  de  que  o  recurso  de  ofício,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  deve  ser  conhecido  com  base  no  limite  de  alçada  vigente  no  momento  em  que  foi  proferida  a  decisão  pela DRJ;  8.  Em  face  do  exposto,  tendo  em  vista  o  dissídio  jurisprudencial apontado, requer a PGFN seja admitido  e provido o presente recurso.  Por despacho, fls. 01777, deu­se seguimento recurso especial.  O  sujeito  passivo  apresentou  suas  contra  razões,  fls.  01782,  argumentando,  em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida.  Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.   Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/2007­94  Acórdão n.º 9202­002.737  CSRF­T2  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  –  recurso  tempestivo  e  divergência confirmada e não reformada ­ conheço do Recurso Especial e passo à análise de  suas razões recursais.  Em  síntese,  o  cerne  da  questão  versa  sobre  o  conhecimento,  ou  não,  de  recurso  de  ofício  quando  há  elevação  do  valor  de  alçada,  entre  o  julgamento  em  primeira  instância e o julgamento pelo CARF.  Como  é  cediço,  as  normas  processuais  têm  aplicação  imediata,  conforme  determinação o Código de Processo Civil (CPC):  CPC:  “Art.  1.211.  Este  Código  regerá  o  processo  civil  em  todo  o  território  brasileiro.  Ao  entrar  em  vigor,  suas  disposições  aplicar­se­ão desde logo aos processos pendentes.”    Para  a  recorrente,  entretanto,  a  norma  posterior  não  pode  prejudicar  seu  direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito á defesa.  Com todo respeito, não concordamos com a recorrente.  Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise:  uma  das  partes  (União)  foi  quem  emitiu  a  norma  posterior  que  fundamentou  o  não  conhecimento do recurso de ofício.  No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao  contrário,  a  eventual  norma  processual  atinge  ambas  as  partes,  beneficiando­as  ou  prejudicando­as,  a  depender  da  fase  em  que  se  encontre  o  processo,  daí  a  necessidade  de  garantia de direitos.  Já  no  processo  administrativo  fiscal  a  norma  é  conseqüência  do  poder  que  goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado  pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos.  Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ITR  Exercício: 2002  Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES     8 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE  ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.  Não  deve  ser  conhecido  o  recurso  de  ofício  contra  decisão  de  primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de  tributo  e/ou  multa  no  valor  inferior  a  R$  1.000.000,00  (Um  milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº  70.235/72,  c/c  o  artigo  1º  da Portaria MF  nº  03/2008,  a  qual,  por  tratar­se  norma  processual,  é  aplicada  imediatamente,  em  detrimento  à  legislação  vigente  à  época  da  interposição  do  recurso,  que  estabelecia  limite  de  alçada  inferior  ao  hodierno.  (Acórdão:  9202­002.652  –  CSRF.  Relator:  Rycardo  Henrique  Magalhães de Oliveira).  ...  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997  RECURSO  DE  OFÍCIO.  ALTERAÇÃO  DO  LIMITE  DE  ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE.  A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento  do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito  com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento  desse  recurso.  Não  tendo  o  Colegiado  ad  quem  observado  o  novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é  nulo,  de  pleno  direito,  visto  que,  a  competência  do  órgão  julgador,  no  caso  concreto,  é  conferida  pela  devolutividade  do  recurso.  Processo  Anulado.  (Acórdão:  9303­002.165  –  CSRF.  Relator: Henrique Pinheiro Torres).  ...  REEXAME  NECESSÁRIO  —  LIMITE  DE  ALÇADA  —  AMPLIAÇÃO  —  CASOS  PENDENTES  ­  Aplica­se  aos  casos  não  definitivamente  julgados  o  novo  limite  de  alçada  para  reexame  necessário,  estabelecido  pela  Portaria MF  n°  03,  de  03/01/2008  (DOU  de  07/01/2008).  (Acórdão:  CSRF/04­00.965.  Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo)    A criação e  elevação do  limite de alçada para  recursos de ofício  tem como  um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela  diminuição  de  julgamentos  pela  segunda  instância  em  processos  em  que  a  própria  parte  (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio.  Por  fim,  quanto  à  existência  de  recurso  repetitivo  do  STJ  sobre  a  questão,  destacamos que o mesmo não deve ser aplicado ao caso, pela característica já exposta de que a  parte (União), de forma unilateral, pelo Poder Executivo, foi quem elaborou e emitiu a Portaria  para elevação do limite de alçada.      Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11474.000169/2007­94  Acórdão n.º 9202­002.737  CSRF­T2  Fl. 6          9   CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre  PGFN, nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                                Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

score : 1.0
5001543 #
Numero do processo: 10855.901133/2008-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201308

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2001 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013

numero_processo_s : 10855.901133/2008-63

anomes_publicacao_s : 201308

conteudo_id_s : 5283058

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 1802-001.777

nome_arquivo_s : Decisao_10855901133200863.PDF

ano_publicacao_s : 2013

nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

nome_arquivo_pdf_s : 10855901133200863_5283058.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013

id : 5001543

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:19 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986117419008

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.901133/2008­63  Recurso nº  000.001   Voluntário  Acórdão nº  1802­001.777  –  2ª Turma Especial   Sessão de  06 de agosto de 2013  Matéria  PERDCOMP  Recorrente  CAMF ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Data do fato gerador: 31/01/2001  PAGAMENTO  INDEVIDO.  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  FALTA  DE COMPROVAÇÃO.  O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo  74 da Lei nº 9.430/96 permite  a  sua compensação com débitos próprios do  contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela  autoridade  administrativa.  Isso,  para  comprovar  que  a  receita  bruta  do  trimestre  era  somente  de  atividade  de  construção  civil  com  emprego  de  materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. À míngua de tal comprovação  não se homologa a compensação pretendida.   As  Declarações  (DCTF,  DCOMP  e  DIPJ)  são  produzidas  pelo  próprio  contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a  obrigação  do  recorrente  em  comprovar  os  fatos  mediante  a  escrituração  contábil  e  fiscal,  tendo  em  vista  que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  preceituado  no  artigo  170  da  Lei  nº  5.172/66 (Código Tributário Nacional ­ CTN).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  (documento assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 11 33 /2 00 8- 63 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     2  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco  Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.    Relatório  Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.102) que  transcrevo a seguir:  Trata­se de Manifestação de Inconformidade interposta em face  do Despacho Decisório  em que  foi  apreciada  a Declaração de  Compensação  (PER/DCOMP)  de  fls.  01/02,  por  intermédio  da  qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código  de  receita:  2089)  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ).  Por  intermédio  do  despacho  decisório  de  fl.  03,  não  foi  reconhecido qualquer direito  creditório a  favor da  contribuinte  e,  por  conseguinte,  não­homologada a  compensação declarada  no  presente  processo,  ao  fundamento  de  que  o  pagamento  informado  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para quitação de débitos da contribuinte, "não  restando crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP ".  Irresignada,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade de fls.06/09, na qual alega, em síntese, que: a) a  sociedade em questão tem como atividade principal a exploração  da  construção  civil,destacando­se  a  prestação  de  diversos  serviços;  b)  em  23/01/2003,  a  contribuinte  formulou  consulta  fiscal,  processo  administrativo  n°  10855.000267/2003­51,  fls.  20/23 requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre  a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área  da construção civil, quando houver emprego de materiais, para  fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o  percentual  de  8%;  d)  constatou  que  sempre  apurou  o  lucro  presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo  empregando materiais  nas  obras,  e,  conseqüentemente,  sempre  recolheu  IRPJ  a  maior,  pelo  quádruplo  do  valor  devido;  e)  a  contribuinte  procedeu  a  compensação  do  tributo  pago  a maior  com  tributos  e  contribuições  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB);  f)  a  contribuinte  deixou  de  retificar  o  valor  do  débito  de  IRPJ  declarado  na  DCTF  e  na  DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior  de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF  e  da  DIPJ  para  permitir  que  o  sistema  constatasse  automaticamente  o  pagamento  a  maior  do  IRPJ  e  o  seu  decorrente  crédito,  os  documentos  anexos  comprovam  claramente  a  sua  existência,  bem  como  a  veracidade  das  informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza  do  serviço  de  construção  civil  e  o  emprego  de  materiais  para  execução  da  obra;  i)  as  notas  fiscais  anexas  comprovam  os  Fl. 273DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/2008­63  Acórdão n.º 1802­001.777  S1­TE02  Fl. 3          3 materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida  pela  contribuinte  discrimina  o  contrato  a  que  corresponde  e  comprova  a  origem  da  receita;  k)  a  nota  fiscal  emitida  pela  contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro  presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi  recolhido a maior que o quádruplo do valor; 1) a não retificação  do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da  contribuinte  e  sim  do  entendimento  equivocado  de  que  as  informações  prestadas  na  Declaração  de  Compensação  supririam  a  sua  necessidade.  Ao  final,  requer  que  seja  dado  provimento  a  presente  manifestação  para  homologar  a  compensação efetuada e anular o débito.  A 5ª Turma da Delegacia  da Receita Federal  de  Julgamento  (DRJ/Ribeirão  Preto/SP)  indeferiu o pleito,  conforme decisão proferida no Acórdão nº  14­26.503, de 22 de  outubro  de  2009  (fls.101/106),  cientificado  ao  interessado  em  09/12/2009(Aviso  de  Recebimento, AR, fl.267­2º volume).   A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.101):  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ    Data do fato gerador: 31/01/2001   DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas  sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ­  CARF,  em  21/12/2009  (fls.109/119)  narrando  os  mesmos  fundamentos  aduzidos  na  manifestação  de  inconformidade  acima  sintetizados,  portanto,  desnecessário  repeti­los.  Afirma  que  embora  o  período  de  apuração  do  IRPJ  seja  trimestral  (lucro  presumido),  a  Recorrente  sempre  o  apurou  e  o  recolheu mensalmente,  para  evitar  que  suas  disponibilidades financeiras fossem destinadas a outras despesas e não restassem recursos para  o pagamento do imposto no final do trimestre. Essa medida sempre implicou em antecipação  parcial do pagamento do IRPJ devido no trimestre.   A Recorrente  reforça  que  em  sua manifestação  de  inconformidade  além de  suas alegações relativas as compensações efetuadas, comprova que as suas receitas foram todas  provenientes da prestação de serviços na construção civil, com emprego de materiais. Juntou as  Fl. 274DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     4  notas  fiscais  que  emitiu  e  os  contratos  que  as  originaram,  bem  como,  as  notas  fiscais  dos  materiais empregados nas obras Contudo, a decisão  recorrida entendeu que o crédito não  foi  devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal  do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ.  Aduz que, os documentos  apresentados  eram suficientes  a  comprovação do  crédito, não tendo a Recorrente anexado cópia dos livros fiscais porque já havia apresentado os  documentos  que  deram  suporte  à  escrituração.  Contudo,  a  Recorrente  anexou  ao  presente  recurso,  todas  as  notas  fiscais  emitidas  no  trimestre,  os  contratos  dos  demais  meses  que  compõem o 4º trimestre de 2000 e que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais  empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Diz que, referidos  documentos estão sendo anexados ao recurso, para comprovar que sempre prestou serviços de  construção civil com emprego de materiais, recolhendo indevidamente o IRPJ pelo quádruplo  do valor devido.  Finalmente requer seja dado provimento ao recurso, para reformar a decisão  recorrida e homologar a compensação.  É o relatório.    Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa  O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade  previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço.  O  presente  processo  tem  origem  no  PER/DCOMP  nº  379.080404.1.3.04­ 8142 (fls.01/02), transmitido em 08/04/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito  de  IRPJ:  R$  3.194,02,  código  2089,  relativo  ao  1º  trimestre  de  2004,  com  a  utilização  de  crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 3.130,54, código  – 2089; Período de Apuração: 30/12/2000; Data de Arrecadação: 31/01/2001.   Consta da decisão recorrida (fl.95) que a contribuinte apresentou DCTF, em  08/02/2001, declarando, IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 4° trimestre de 2000, no  valor de R$ 6.203,69, ou seja, no mesmo montante dos valores  recolhidos, mediante DARF,  quais sejam: R$ 432,63 (04/12/2001), R$ 2.640,52 (31/01/2001) e R$ 3.130,54 (31/01/2001).  O  despacho  decisório  de  fl.03,  emitido  em  09/05/2008  é  que  a  partir  das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,  não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP.  Contrapondo­se  ao  despacho  decisório,  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  interessada  em  06/06/2008  (fls.06/09),  em  síntese,  foi  no  sentido  de  que  a  receita bruta da pessoa  jurídica decorre da prestação de  serviços na área da construção civil,  com emprego de materiais, devendo ser aplicado o percentual de 8% para fins de apuração do  lucro presumido. No entanto, sempre apurou o lucro presumido com o percentual de 32% sobre  a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu  Fl. 275DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/2008­63  Acórdão n.º 1802­001.777  S1­TE02  Fl. 4          5 IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido. Portanto, conclui que o crédito decorre do valor  relativo ao IRPJ pago a maior.  Na  decisão  de  primeira  instância  a  manifestação  de  inconformidade  foi  julgada  improcedente,  sob  o  fundamento  de  que  o  contribuinte  não  comprovou  a  liquidez  e  certeza do credito tributário alegado.  Vejamos tais fundamentos que também adoto como razão de decidir:  ...  A  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  mediante  a  Solução de Consulta SRRF/8'RF/DISIT n° 52, de 07 de março de  2005,  requerida  pela  contribuinte,  manifestou­se  sobre  a  prestação  de  serviço  em  geral,  quando  a  pessoa  jurídica  executar  obras  de  construção  civil  com  emprego  de  material,  alegada  pela  recorrente  em  quatro  contratos  e  três  cartas­ contrato  de  execução  de  obras  e/ou  serviços  de  engenharia  firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de  São Paulo — SABESP.  Nesse  sentido,  referida  Solução  de  Consulta,  citando  o  Ato  Declaratório  Cosit  n°  6,  de  13/01/1997,  que  disciplinou  o  assunto, declarou, em seu inciso I, que os percentuais aplicáveis  no  caso  de  atividade  de  construção  por  empreitada  são  os  seguintes:  I  ­  Na  atividade  de  construção  por  empreitada,  o  percentual  a  ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de  cálculo do imposto de renda mensal será:  a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em  qualquer quantidade;  b)  32%  (trinta  e  dois  por  cento)  quando  houver  emprego  unicamente  de  mão­de­obra,  ou  seja,  sem  o  emprego  de  materiais.  Com efeito, registre que a solução de consulta, em seu item 12,  deixa  claro  que  as  empresas  que  exercem  atividades  diversificadas mereceram o tratamento disposto no artigo 223, §  3°  do  RIR/1999,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março de 1999, que estabelece que o percentual a ser aplicado é  aquele correspondente a cada atividade.  Neste  contexto,  analisando  a  documentação  juntada  aos  autos  pela contribuinte, mais especificamente o seu contrato social (fl.  15), constata­se que a empresa exerce diversas modalidades de  prestação  de  serviços,  quais  sejam:  a)  saneamento  urbano  e  civil; b) pavimentação em todos os seus tipos e modalidades; c)  terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento  e sua reposição; f) construção civil e geral, por empreitadas ou  administração  por  conta  própria  ou  de  terceiros;  g)  serviços  técnicos  de  engenharia;  h)serviços  especializados  de  impermeabilização,  vedação  na  construção  civil;  i)  Fl. 276DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     6  Administração  de  obras  na  construção  civil;  j)  incorporação  imobiliária  em  geral;  k)  compra  e  venda  de  imóveis  e  a  promoção  de  venda  de  empreendimentos  imobiliários  de  sua  propriedade;  l)  administração  de  bens  imóveis  próprios;  m)  qualquer outro negócio  conexo, conseqüente,  afim ou correlato  com o objetivo social.  Visto, pois, que a contribuinte exerce atividades diversas na área  de construção civil, os contratos por ela firmados podem abrigar  uma ou mesmo mais de uma atividade, daí porque imprescindível  a  apresentação  de  toda  a  documentação  fiscal  cabível  para  apuração da base de cálculo do IRPJ, do 4° trimestre de 2000,  de modo a demonstrar o montante do tributo devido.  No  caso  em  tela,  a  contribuinte  apresentou,  em  sua  peça  impugnatória,  as  Notas  Fiscais  —  Fatura  de  Serviços,  tendo  como destinatária a Cia de Saneamento Básico do Estado de São  Paulo — SABESP (fls. 30 e 31), bem como demais documentos a  elas atinentes.  Contudo,  o  direito  à  repetição  do  indébito  não  diz  respeito  a  cada  nota  fiscal  como  pretendido  pela  contribuinte.  Repetir  o  IRPJ  atinente  a  cada  nota  fiscal  emitida  para  a  Cia  de  Saneamento  Básico  do  Estado  de  São  Paulo  caracteriza  flagrante  impropriedade,  vez  que  o  que  a  contribuinte  pleiteia  como indébito, na PER/Dcomp de fls. 01/02, é o IRPJ pago com  base na apuração do lucro presumido do 4° trimestre de 2000, e  este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre  uma  base  de  cálculo,  determinada  pela  aplicação  de  um  percentual  sobre  o  montante  da  receita  bruta,  decorrente  da  venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e  ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei.  Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo  da  apuração  do  lucro  presumido  do  4°  trimestre  de  2000  com  aplicação,  no  caso  de  atividades  diversificadas,  do  percentual  correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base  de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ  pago com aquele efetivamente devido.  Remanesce, ainda, que há na DCTF declaração da existência de  débito de IRPJ, código de receita: 2089, do 4º trimestre de 2000,  no valor de R$ 6.203,69, não sendo suficiente para desnaturá­la  a simples alegação em contrário, pois aquele documento goza do  efeito  de  confissão  legal  de  dívida  (Decreto­lei  n°  2.124,  de  1984,  artigo  5%  §  1°).  Se  há  contradição  e  desejando  a  recorrente  fazer  valer  montante  diverso  daquele  regularmente  declarado  incumbia­lhe  apresentar  provas  que  permitissem  albergar sua tese de pagamento indevido ou a maior.  Por  tais  razões,  quando  a  contribuinte  apresenta  uma  Declaração  de  Compensação,  deve,  necessariamente,  demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um  débito  tributário  constituído  em  seu  nome,  de  forma  que  o  reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e  jurídico de qualquer declaração de compensação.  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/2008­63  Acórdão n.º 1802­001.777  S1­TE02  Fl. 5          7 A  propósito  do  tema,  cumpre  destacar  o  informativo  de  jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007,  que trouxe o seguinte julgado:  RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS.  A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria  de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos  valores  efetivamente  pagos  com  as  devidas  comprovações  de  recolhimento,  e  ante  tal  incerteza  não  pode  ser  a  União  condenada  à  restituição  dos  valores  postulados  (pela  via  da  compensação),  sob  pena  de  infração  ao  princípio  do  enriquecimento sem causa.  Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de  que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência  do  indébito.  Sem  prova  esse  pressuposto,  a  sentença  teria  caráter  apenas  normativo,  condicionada à  futura  comprovação  de  um  fato.  REsp  924.550­SC Rel. Min.  Teori  Albi  o  Zavascki,  julgado em 151512007. (gn)  Assim,  os  registros  contábeis  e  demais  documentos  fiscais,  acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis  para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório  aqui pleiteado.  ...  Com a manifestação de  inconformidade a contribuinte apresentou cópia dos  contratos com a SABESP e as Notas Fiscais — Fatura de Serviços nº 104 e 105, emitidas em  novembro  de  2000  tendo  como  destinatária  a  Cia  de  Saneamento  Básico  do  Estado  de  São  Paulo — SABESP (fls. 30 e 31).  Na  peça  recursiva,  a  recorrente  juntou  aos  autos  cópia  do  Livro  Diário  relativo ao 4º o trimestre do ano calendário de 2000, cópia das Notas Fiscais ­ Fatura de Serviços  nº 103 a 109 (fls.114/120) alegadamente emitidas no mencionado trimestre e das notas fiscais  dos materiais empregados nas obras.  Observa­se  que,  a  recorrente  limitou­se  a  juntar  cópia  do  Livro  Diário  do  trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às  receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas  com os registros de compras.  Das  notas  fiscais  fatura  de  serviços  emitidas  pela  Recorrente,  não  consta  qualquer  discriminação  e  valor  referente  ao  material  aplicado  pela  própria  contribuinte/recorrente relativa às notas de compras.   Com  efeito,  não  juntou  e  não  correlacionou  os  lançamento  contábeis  referentes a tais receitas com as contas do Razão que envolvam tais lançamentos contábeis, e  tampouco  elaborou  planilha  demonstrativa  de  tais  receitas  indicando  a  "fonte"  contábil  e  demonstrativa  das  compras  (custos)  e  indicação  da  "fonte  contábil",  com  um  mínimo  de  conexão  entre  elas  ­  as  receitas  que  supostamente  seriam  com  emprego  de  matérias  e  as  compras (custos).  Fl. 278DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     8  Portanto,  a  Recorrente  não  se  desincumbiu  em  provar  que  da  receita  bruta  total  do  mencionado  trimestre  declarada  na  DIPJ/2001(não  juntada  aos  autos)  forneceu  aos  seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que,  portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo do IRPJ deveria ser de 8%.  Cabe assinalar que o  reconhecimento de direito  creditório contra a Fazenda  Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior  de  tributo,  fazendo­se  necessário  verificar  a  exatidão  das  informações  a  ele  referentes,  confrontando­as  com  os  registros  contábeis  e  fiscais  efetuados  com  base  na  documentação  pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual  seria o tributo devido e compará­lo ao pagamento efetuado.  Registre­se que, nos  termos do  artigo 333,  inciso  I,  do Código de Processo  Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito  tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento.  No  caso  em  tela,  a  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  pois,  no  presente  caso  somente  a  contribuinte  detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.  Com  efeito,  os  registros  contábeis  correlacionados  com  os  demais  documentos fiscais acerca do  indébito, são elementos  indispensáveis para que se comprove a  certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado.  Nesse  sentido,  na  declaração  de  compensação  apresentada,  o  indébito  não  contém  os  atributos  necessários  de  liquidez  e  certeza,  os  quais  são  imprescindíveis  para  reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de  haver  reconhecimento  de  direito  creditório  incerto,  contrário,  portanto,  ao  disposto  no  artigo  170 do Código Tributário Nacional (CTN).  É  certo  que  o  artigo  165  do  CTN  autoriza  a  restituição  do  pagamento  indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do  contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  À  míngua  de  tal  comprovação não se homologa a compensação pretendida.  É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo  próprio  contribuinte,  de  sorte  que,  havendo  inconsistências  nas  mesmas  não  retiram  a  obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo  em  vista  que,  apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  comprovados  inequivocamente  pelo  contribuinte  são passíveis de compensação  tributária,  conforme preceituado no artigo 170 da  Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional ­ CTN).  A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado  na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da  alçada da recorrente.   No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios  para provar o alegado crédito. Não o fez.  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901133/2008­63  Acórdão n.º 1802­001.777  S1­TE02  Fl. 6          9 Cabe  ao  Fisco  exigir  a  comprovação  do  crédito  pleiteado,  desde  que  não  tenha  ocorrido  a  homologação  tácita  da  compensação,  nos  moldes  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/96 que assim dispõe:  § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo  sujeito  passivo  será  de  5  (cinco)  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei  nº 10.833, de 2003)  Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em  08/04/2004,  tomou  ciência  do  despacho  decisório  expedido  em  09/05/2008,  e  apresentou  a  manifestação de  inconformidade em 06/06/2008. Portanto, o despacho decisório se deu antes  do prazo de 5 (cinco) anos.   É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data  da  compensação  e,  o  contribuinte  que  reclama  o  pagamento  indevido  tem  o  dever  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito  reclamado  conforme  o  artigo  170  do  CTN.  Concluindo­se pela falta de tal comprovação não se pode homologar a compensação pleiteada.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  provimento  ao  recurso  voluntário.      (documento assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa.                                Fl. 280DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

score : 1.0
4955746 #
Numero do processo: 10380.012101/2008-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2008. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO NO REFISC. DIVERGENTES. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-001.300
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201202

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/08/2008. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RECURSO REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO NO REFISC. DIVERGENTES. CRÉDITO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012

numero_processo_s : 10380.012101/2008-15

anomes_publicacao_s : 201202

conteudo_id_s : 5005305

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 2803-001.300

nome_arquivo_s : 280301300_10380012101200815_201202.pdf

ano_publicacao_s : 2012

nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10380012101200815_5005305.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).

dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012

id : 4955746

ano_sessao_s : 2012

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713045986121613312

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1537; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 98          1 97  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.012101/2008­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­001.300  –  3ª Turma Especial   Sessão de  07 de fevereiro de 2012.  Matéria  CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL.  Recorrente  AÇO VIGILÂNCIA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL.     Assunto: Obrigações Acessórias  Data do fato gerador: 19/08/2008.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  RECURSO  REITERATIVO DA IMPUGNAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DA  INFRAÇÃO.  TIPIFICAÇÃO  LEGAL  E  DESCRIÇÃO DA  INFRAÇÃO NO REFISC.  DIVERGENTES. CRÉDITO  IMPROCEDENTE.  Recurso Voluntário Provido.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).   (Assinado digitalmente).  Helton Carlos Praia de Lima. ­Presidente  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira. ­ Relator  Participaram, ainda, do presente  julgamento, os Conselheiros Helton Carlos  Praia  de  Lima,  Eduardo  de Oliveira, Oséas Coimbra  Júnior, Amílcar  Barca Teixeira  Júnior,  Gustavo Vettorato.     Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/2008­15  Acórdão n.º 2803­001.300  S2­TE03  Fl. 99          2 . Relatório  O  presente Auto  de  Infração  de Obrigação Acessória  – AIOA  ­ DEBCAD  37.051.939­6, CFL.59, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das renumerações, as  contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a  seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, I, alínea “a”, e alterações  posteriores e na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4º, caput, combinado com o art. 216, I, alínea  “a”  do  Regulamento  da  Previdência  Social  –  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  3.048,  06.05.99,  conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Acessória – REFISC do AIOA,  de fls. 10, com período de apuração de 12/2004 a 12/2006, conforme Termo de Início da Ação  Fiscal – TIAF, de fls. 06 e 07.  O sujeito passivo  foi cientificado do  lançamento, em 22/08/2008, conforme  Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória, de fls. 01.  O  contribuinte  apresentou  sua  defesa/impugnação,  petição  com  razões  impugnatória  total, acostada, as  fls. 17 e 18,  recebida, em 22/09/2008, estando acompanhada  dos documentos, de fls. 19 a 74.  A defesa foi considerada tempestiva, fls. 76 e 77.  O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 08­17.293 ­ 5ª Turma  da  DRJ/FOR,  em  07/04/2010,  fls.  78  e  79,  no  qual  a  impugnação  foi  considerada  improcedente.  O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 05/07/2010, AR, de  fls. 84.  Irresignado o  contribuinte  impetrou  o Recurso Voluntário,  petição  e  razões  recursais, as fls. 86 a 88, recebida de 30/07/2010, acompanhada dos documentos, de fls. 89 a  93, onde alega em síntese.  •  Que vem fazer uso de sua ampla defesa, pois o reclamo anterior não  foi atendido e não havendo fatos ou novos argumentos, vem redarguir  os anteriores;  •  Que é empresa de pequeno porte, contestando o valor arbitrado, não  podendo arcar com essa e outras situações;  •  Por fim a recorrente: a) requer encaminhamento do recurso ao órgão  competente; b) arquivamento do auto, em razão de...; c) protesta por  todos os meios de provas admitidos em direito; d) a improcedência do  auto e o não registro de restrições de bloqueio em transações futuras  com  o  governo;  e)  conversão  do  auto  em  advertência  escrita  nos  termos da lei; f) parcelamento em 60 meses, por dispor de recursos.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/2008­15  Acórdão n.º 2803­001.300  S2­TE03  Fl. 100          3 A  tempestividade  do  Recurso  Voluntário  foi  reconhecida  pelo  órgão  preparador, as fls. 97, terceiro parágrafo.  Os autos subiram ao CARF/MF, fls. 97.   É o Relatório.  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/2008­15  Acórdão n.º 2803­001.300  S2­TE03  Fl. 101          4   Voto             Conselheiro Eduardo de Oliveira.  O recurso foi interposto tempestivamente, conforme, AR, de fls. 84, recebido  em  05/07/2010,  e  carimbo  de  recepção  do  Recurso,  de  fls.  86,  datado  de  30/07/2010.  A  tempestividade foi reconhecida pelo órgão preparador, fls. 97.  Superado o pressuposto de admissibilidade passo ao recurso.  O  recurso  do  contribuinte  e  reiterativo  e  nada  acrescenta  ao  que  já  fora  analisado e decidido pela instância  a quo.  O  agente  fiscal  lançador  autuou  a  empresa  por  esta  não  ter  promovido  o  desconto  das  contribuições  dos  trabalhadores  contribuintes  individuais  –  autônomos  ­  a  seu  serviço, a contar de 04/2003, nos termos do artigo 4º da Lei 10.666/2003.  Todavia  no  Relatório  Fiscal  da  Infração  –  REFISC,  de  fls.  10,  assim  justificou a aplicação da multa.  3. A empresa apresentou Recibos de Pagamentos a Autônomos ­  RPA sem o desconto da contribuição para a Previdência Social,  cópia em anexo.  A  infração  capitulada  em  lei  não  é  deixar  de  promover  o  destaque  do  desconto em Recibo de Pagamento de Autônomo – RPA. Mas, sim o de deixar de arrecadar,  mediante  o  desconto  da  remuneração,  as  contribuições  dos  segurados  empregados,  trabalhadores avulsos e contribuintes individuais.  Tal  situação deve ser comprovada pelo  fisco com a folha de pagamento ou  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social – GFIP em confronto com as GPS’s ou por qualquer outro meio que leve a  convicção da falta de arrecadação mediante desconto.  A falta de destaque na RPA não tem esse condão de comprovar a ausência do  desconto e não é essa a descrição legal da infração.  Com os argumentos acima explicitados fica evidente que o crédito deve ser  considerado  improcedente,  pois  não  há  relação  entre  a  infração  atribuída  à  recorrente  e  a  descrição dos fatos nos autos.  Deixo de analisar as teses da recorrente por desnecessário.        Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.012101/2008­15  Acórdão n.º 2803­001.300  S2­TE03  Fl. 102          5 CONCLUSÃO:  Pelo  exposto,  voto  pelo  conhecimento  do  recurso,  para  no  mérito  dar­lhe  provimento, tendo em vista que a infração não ficou comprovada.  (Assinado digitalmente).  Eduardo de Oliveira.  .                               Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

score : 1.0