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Numero do processo: 10480.725955/2012-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DDL - PLANOS DE VALOR - PROVAS E VALORAÇÃO DO QUADRO
O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Não é o que ocorre no caso vertente. O motivo e a razão decorrentes da valoração do quadro fático feita pelo autuante levaram à requalificação jurídica dos fatos como ganho de capital da recorrente por esta ser a efetiva alienante das ações para terceiro. Porém, a requalificação jurídica final se deu por DDL com aplicação de suas regras. Há incompatibilidade e incongruência do motivo, da razão e da consequente requalificação jurídica dos fatos (ganho de capital pela alienação a terceiro), com a finalização por requalificação jurídica por DDL (distribuição a sócio de lucro). Sintoma disso foi se considerarem ocorridas as DDL nas datas de alienação das ações pelos sócios a terceiro, e não nas datas de alienação das ações pela recorrente para seus sócios. Insubsistência da exigência ao se colocarem em planos de valor diversos o motivo, a razão e requalificação jurídica consequente dada aos fatos e a que foi ultimada por DDL.
GLOSA DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE
Não resulta cabalmente comprovado o alegado erro formal, em que os excessos de dedução de IRRF e de CSLL na fonte é neutralizado pelos pagamentos a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, com resultado de IRPJ e CSLL pagos nos montantes indicados na DIPJ/09. Glosa de tributos retidos na fonte mantida.
MULTA ISOLADA E MULTAS PROPORCIONAIS - CONCOMITÂNCIA
Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre IRPJ e CSLL por estimativa do mesmo ano-calendário.
DDL - RECURSO DE OFÍCIO
Descompasso temporal, de ano-calendário, entre a data indicada como de DDL (data da alienação das ações pelos sócios a terceiro, em 2008) e a data em que se teria dado a DDL (data da alienação das ações aos sócios, em 2007). Razão adicional para se negar provimento ao recurso de ofício.
Numero da decisão: 1103-001.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de IRPJ e CSLL relativas a DDL e as multas isoladas por falta de pagamento com base em estimativas mensais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento e apresentarão declarações de voto. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões no julgamento do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DDL - PLANOS DE VALOR - PROVAS E VALORAÇÃO DO QUADRO O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Não é o que ocorre no caso vertente. O motivo e a razão decorrentes da valoração do quadro fático feita pelo autuante levaram à requalificação jurídica dos fatos como ganho de capital da recorrente por esta ser a efetiva alienante das ações para terceiro. Porém, a requalificação jurídica final se deu por DDL com aplicação de suas regras. Há incompatibilidade e incongruência do motivo, da razão e da consequente requalificação jurídica dos fatos (ganho de capital pela alienação a terceiro), com a finalização por requalificação jurídica por DDL (distribuição a sócio de lucro). Sintoma disso foi se considerarem ocorridas as DDL nas datas de alienação das ações pelos sócios a terceiro, e não nas datas de alienação das ações pela recorrente para seus sócios. Insubsistência da exigência ao se colocarem em planos de valor diversos o motivo, a razão e requalificação jurídica consequente dada aos fatos e a que foi ultimada por DDL. GLOSA DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE Não resulta cabalmente comprovado o alegado erro formal, em que os excessos de dedução de IRRF e de CSLL na fonte é neutralizado pelos pagamentos a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, com resultado de IRPJ e CSLL pagos nos montantes indicados na DIPJ/09. Glosa de tributos retidos na fonte mantida. MULTA ISOLADA E MULTAS PROPORCIONAIS - CONCOMITÂNCIA Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre IRPJ e CSLL por estimativa do mesmo ano-calendário. DDL - RECURSO DE OFÍCIO Descompasso temporal, de ano-calendário, entre a data indicada como de DDL (data da alienação das ações pelos sócios a terceiro, em 2008) e a data em que se teria dado a DDL (data da alienação das ações aos sócios, em 2007). Razão adicional para se negar provimento ao recurso de ofício.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DDL PLANOS DE VALOR PROVAS E VALORAÇÃO DO QUADRO O mero erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Não é o que ocorre no caso vertente. O motivo e a razão decorrentes da valoração do quadro fático feita pelo autuante levaram à requalificação jurídica dos fatos como ganho de capital da recorrente por esta ser a efetiva alienante das ações para terceiro. Porém, a requalificação jurídica final se deu por DDL com aplicação de suas regras. Há incompatibilidade e incongruência do motivo, da razão e da consequente requalificação jurídica dos fatos (ganho de capital pela alienação a terceiro), com a finalização por requalificação jurídica por DDL (distribuição a sócio de lucro). Sintoma disso foi se considerarem ocorridas as DDL nas datas de alienação das ações pelos sócios a terceiro, e não nas datas de alienação das ações pela recorrente para seus sócios. Insubsistência da exigência ao se colocarem em planos de valor diversos o motivo, a razão e requalificação jurídica consequente dada aos fatos e a que foi ultimada por DDL. GLOSA DE TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE Não resulta cabalmente comprovado o alegado erro formal, em que os excessos de dedução de IRRF e de CSLL na fonte é neutralizado pelos pagamentos a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, com resultado de IRPJ e CSLL pagos nos montantes indicados na DIPJ/09. Glosa de tributos retidos na fonte mantida. MULTA ISOLADA E MULTAS PROPORCIONAIS CONCOMITÂNCIA Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 59 55 /2 01 2- 13 Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.336 2 sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre IRPJ e CSLL por estimativa do mesmo anocalendário. DDL RECURSO DE OFÍCIO Descompasso temporal, de anocalendário, entre a data indicada como de DDL (data da alienação das ações pelos sócios a terceiro, em 2008) e a data em que se teria dado a DDL (data da alienação das ações aos sócios, em 2007). Razão adicional para se negar provimento ao recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de IRPJ e CSLL relativas a DDL e as multas isoladas por falta de pagamento com base em estimativas mensais, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento e apresentarão declarações de voto. O Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões no julgamento do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.337 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração, com exigência do pagamento de IRPJ e de CSL, referentes ao anocalendário de 2008, no montante total de R$ 25.899.034,05. Segundo o Termo de Encerramento de Ação Fiscal (TEAF), o que motivou os presentes lançamentos foram as transferências indevidas da tributação do ganho de capital da alienação da participação societária na CIMEC (Cia. Industrial e Mercantil de Cimentos) da recorrente para as pessoas físicas sócias da recorrente. Essa indevida transferência de tributação se caracterizou pela clara falta de propósito negocial sem substrato econômico, na sequência das seguintes operações: alienação da participação na CIMEC possuída pela recorrente para seus sócios pessoas físicas; tal alienação aos sócios pessoas físicas se deu a prazo; alienação da participação na CIMEC pelas pessoas físicas a terceiro (Camargo Corrêa S.A.); ausência de desembolso financeiro pelas pessoas físicas, pois só após elas receberem o preço de venda da CIMEC a terceiro foi paga à recorrente a compra da CIMEC que elas teriam feito, além de haver o retorno dos recursos da venda da CIMEC a terceiro ao capital da recorrente. Daí a abusividade do planejamento tributário, para transferir a tributação de ganho de capital na alienação da participação societária na CIMEC a terceiro (Camargo Corrêa S.A.) da pessoa jurídica (recorrente, que possuía a participação na CIMEC), para seus sócios pessoas físicas. Ou seja, tributação de ganho de capital que se daria na recorrente, na venda da participação da CIMEC à Camargo Corrêa S.A., deslocada indevidamente para os sócios pessoas físicas da recorrente. Ainda, conforme o TEAF, os lançamentos se deram sob a regra de DDL (distribuição disfarçada de lucros). Consignou que a DDL foi realizada por meio da alienação de participação acionária por valor inferior ao de mercado, realizada pela recorrente aos seus sócios. Aduziu que, de acordo com a análise dos livros contábeis da recorrente, resta claro que essa escriturou a venda de sua participação societária na CIMEC aos seus sócios, e esses, em seguida, integralizaram um aumento de capital social na recorrente. Apontou que, por meio de diligências realizadas na CIMEC e na Camargo Corrêa S.A., foi constatado o seguinte: Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.338 4 Os acionistas pessoas físicas da CIMEC a alienaram para a Camargo Corrêa S.A. Essa última realizou o pagamento em duas parcelas: a 1ª em 12/3/2008 e a 2ª em 22/8/2008. Inicialmente, 36,75% do capital social (18.055 ações) da CIMEC pertenciam a recorrente. Os sócios pessoas físicas da recorrente adquiriram as ações que essa possuía da CIMEC e as venderam para a Camargo Corrêa S.A., apurando o ganho de capital da operação nas pessoas físicas. Por meio da integralização por conferência de capital das ações da CIMEC, a Camargo Corrêa S.A. aumentou a sua participação no capital social da Camargo Corrêa Cimentos S.A. (atual Intercement Brasil S.A.). Posteriormente, a Camargo Corrêa Cimentos S.A. incorporou a CIMEC. Os sócios vendedores apuraram ganho de capital e pagaram os respectivos IRPF através de suas pessoas físicas. Realizou uma breve análise das empresas integrantes do processo de alienação da participação societária na CIMEC. Com relação ao processo de alienação do investimento na empresa CIMEC procedido pela recorrente, afirmou que ele foi realizado da seguinte forma: Em 27/11/2007, a CIMEC possuía 18.055 ações ordinárias, nominativas e de valor nominal de R$ 1.000,00 cada, das quais 6.636 ações (36,75% do capital social) pertenciam à recorrente. Em 30/11/2007 a recorrente transferiu 5.308 ações da CIMEC para os seus sócios pessoas físicas. Em 7/3/2008, foi firmado contrato de compra e venda de ações da CIMEC entre a Camargo Corrêa S.A. e as pessoas físicas acionistas da CIMEC. Em 12/3/2008, os acionistas pessoas físicas da CIMEC transferiram para a Camargo Corrêa S.A. as ações de sua titularidade e, nessa mesma data, foi paga a parcela inicial correspondente a 50% do preço de compra acordado no contrato. Em 21/8/2008, a recorrente transferiu o restante de suas ações da CIMEC (1.328 ações) para os seus sócios pessoas físicas. Em 22/8/2008, foi firmado o Primeiro Aditivo ao Contrato de Compra e Venda das ações da CIMEC entre a Camargo Corrêa S.A. e as pessoas físicas acionistas da CIMEC. Em 22/8/2008, os acionistas pessoas físicas da CIMEC transferiram o remanescente de suas ações para a Camargo Corrêa S.A. e, nessa mesma data, foi paga a 2ª parcela do preço de compra acordado e efetuada a retenção do valor para garantia de ressarcimento de prejuízos. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.339 5 Pela análise dos atos societários da recorrente arquivados na JUCEPE, foi possível identificar a aprovação do aumento de capital de R$ 1.000.000,00 para R$ 18.663.200. Nesse sentido, informou uma síntese das operações bancárias realizadas referentes ao aumento de capital, e afirmou que os recursos financeiros circularam pelas pessoas físicas, mas, posteriormente, retornaram para a recorrente como aumento de capital, havendo apenas a redução da tributação do ganho de capital por parte da recorrente. Apontou que é de se estranharem os seguintes fatos: A recorrente vendeu suas ações para os seus sócios pouco antes do pagamento das parcelas pela Camargo Corrêa S.A. A venda foi realizada pelo valor do custo contábil. A venda das ações para os sócios ocorreu, de forma integral, a prazo. Segundo o Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas da CIMEC, a 1ª alienação das ações de propriedade da recorrente para os seus sócios ocorreu em 3/1/2008. Segundo o Livro de Registro de Ações Nominativas da CIMEC, a contabilidade da recorrente e as DIRPF dos seus sócios, a 1ª alienação das ações de propriedade da recorrente para os seus sócios ocorreu em 30/11/2007. Atestou que a recorrente realizou uma série de atos que visavam apenas a redução da tributação decorrente da alienação da participação na CIMEC à Camargo Corrêa S.A. Consignou que o procedimento adotado pela recorrente indica que não houve nenhum propósito negocial nas operações efetuadas, nem substrato econômico, pois o que se buscava era a venda da participação na CIMEC que a recorrente possuía para a Camargo Corrêa S.A.: a recorrente poderia ter realizado um ato puro e simples de venda de participação societárias na CIMEC ao terceiro (Camargo Corrêa S.A.). Aduziu que há a presunção de DDL no presente caso, devido aos seguintes fatores: houve a alienação das ações da CIMEC da recorrente aos seus sócios e desses à Camargo Correia S.A., os sócios da recorrente são pessoas ligadas, houve a aquisição das ações pelos sócios da recorrente por valor inferior ao de mercado e as ações da CIMEC estavam escrituradas no ativo permanente – investimentos. Nesse sentido, registrou que a fiscalização adicionará ao lucro líquido a diferença entre o valor de mercado e o de alienação, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL. Disse que a tributação será feita da forma determinada pela fiscalização, pois restou comprovado que a recorrente é o real sujeito passivo da obrigação tributária, em virtude do fato de a transferência aos sócios e posterior alienação das ações da CIMEC, ter sido realizada com o intuito de reduzir a tributação do ganho de capital. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.340 6 Apontou que o montante correspondente a R$ 29.928.479,81, será o ganho tributado de ofício na condição de DDL, por meio da lavratura de autos de infração de IRPJ e CSL. Quanto a isso, colacionou o seguinte quadro demonstrativo, de fls. 39 (eprocesso): Afirmou que, de acordo com os registros presentes na contabilidade da recorrente, resta claro que os valores retidos na fonte do IRPJ e da CSL só foram utilizados no mês de dezembro de 2008 para compensar os valores devidos a título do IRPJ e CSL por estimativa. Apontou que a fiscalização considerará os valores retidos do IRPJ e da CSL como deduções de estimativas mensais apenas em dezembro de 2008, ignorando as deduções dos demais meses. Consignou que, devido ao aproveitamento realizado pela recorrente do IRPJ e da CSL retidos na fonte para deduzir as estimativas devidas no mês de dezembro de 2008, devese proceder à glosa dessas deduções no ajuste anual. Por fim, atestou que como a recorrente não efetuou corretamente o pagamento do IRPJ e da CSL a título de estimativa mensal, essa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, nos termos do artigo 44, II, b, da Lei 9.430/97, com redação dada pelo artigo 14 da Lei 11.488/2007. Quanto a isso, colacionou o seguinte quadro demonstrativo, de fl. 43 (eprocesso): Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.341 7 DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 637 a 682 (e processo). Acerca das questões preliminares e do mérito, aproveitase da síntese feita pela recorrente em sua impugnação de fls. 679 e 680 (eprocesso), infratranscrita: “ (i) o lançamento foi efetuado suprimindose a oportunidade para a Impugnante apresentar avaliação contraditória por ocasião da fiscalização em francaviolação do art. 148 do CTN; (ii) o lançamento viola o princípio da verdade material; (iii) a venda das ações da CIMEC pela Impugnante aos sócios pessoas físicas foi motivada por vários propósitos negociais não tributários(verdadeiros préexcludentes da antijuridicidade nos termos do art. 188 do CC/2002), sendo plenamente lícita, inclusive para fins tributários, e descabida qualquer acusação de simulação ou planejamento tributário abusivo alegados pela Fiscalização; (iv) inexistiram os fatos ensejadores de DDL, tendo em vista que: a) a DDL é presunção relativa (juris tantum), pois admite que o contribuinte demonstre o contrário e o laudo, a ser juntado tão logo possível, apenas atestará o óbvio, i.e., que o valor de mercado da participação acionária da Impugnante na CIMEC era aquele que serviu de base para a operação realizada em 30/11/2007 (data em que celebrada a compra e venda das ações da CIMEC entre a Impugnante e seus sócios); b) inexistiu a alegada inferioridade notória do valor da participação acionária na operação realizada em 30/11/2007 em relação ao valor de mercado, eis que o valor da participação acionária na operação realizada em março/2008 não espelhava o valor de mercado das ações da CIMEC, mas apenas o valor dessas ações especificamente para a CCSA, em razão dos interesses dessa empresa (CCSA) na aquisição CIMEC, surgidos posteriormente a 30/11/2007; c) a DDL é imputada nas datas em que ocorreu a alienação das ações da CIMEC pelos sócios da Impugnante para a CCSA, ou seja, datas em que inocorreram operações entre pessoas ligadas (requisito essencial para ocorrência de DDL); d) as imputações de DDL em 12/03/2008 e em 22/08/2008 violam frontalmente os arts. 114 e 144 do C T N c/c art. 60, I, do Decretolei 1.598/1977, que determinam como datas do alegado fato gerador as datas de alienação das ações na CIMEC (30/11/2007 e 01/08/2008); Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.342 8 e) o pagamento da compra das ações da CIMEC pelos sócios da Impugnante foi efetuado na mesma data por uma Nota Promissória prosolutopara cada comprador pessoa física, sendo a venda das ações irrevogável, irretratável e considerada como perfeita e acabada em 30/11/2007; f) o Fisco carece de provas suficientemente robustas e de indícios graves, imprecisos ou concordantes, dos fatos imputados que ensejariam a caracterização de DDL, sendo totalmente improcedente a cobrança de IRPJ e CSLL, sobre o valor que supostamente teria sido transferido pela Impugnante aos seus sócios, como pretende a fiscalização; g) ainda que após a revenda dos 80% das ações na CIMEC pelas pessoas físicas à CCSA (07/03/2008), o preço dessas ações se mostrasse atipicamente elevado, os altos passivos ocultos na CIMEC revelados pela CCSA (28/04/2008) deprimiram drasticamente o preço dessas açõesem 01/08/2008, quando a Impugnante alienou os 2 0 % restantes de sua participação na CIMEC aos sócios pessoas físicas, pelo custo contábil equivalente ao preço de mercado. (v) a Fiscalização, ao desconsiderar a operação de compra e venda das ações da CIMEC realizada entre a Impugnante e seus sócios em 30/11/2007 e em 01/08/2008, deveria ter, pelo menos, procedido à compensação de ofício dos Impostos de Renda Pessoa Física pagos pelos sócios da Impugnante com o IRPJ/CSLL lançados, em observância ao preceito do art. 6o do Decreto 2.138/1997 bem como da jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário; (vi) é ilícita a dupla penalização por multa de ofício e multa isolada de acordo com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais; (vii) justificase uma perícia sobre o valor de mercado da CIMEC em 30/11/2007, especialmente à luz de suas péssimas condições financeiras nessa época.” Em preliminar, requereu a reconhecimento da insanável nulidade dos autos de infração. No mérito, solicitou que seja declarada indevida a glosa da compensação do IRRF e da CSL retidos na fonte com o IRPJ pagos nos meses de 2008, a licitude da organização societária, a improcedência da presunção da Distribuição Disfarçada de Lucros, a compensação de ofício do IRPJ pagos pelos sócios da recorrente com o IRPJ e CSL lançados, a ilicitude da dupla penalização por multa de ofício e multa isolada calculadas sobre a mesma base de calculo (cancelandose uma delas), e a improcedência da glosa do IR e CSL retidos na fonte. Por fim, requereu o deferimento do pedido de perícia do valor de mercado da CIMEC em 30/11/2007, o arquivamento do presente processo, o cancelamento dos autos de Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.343 9 infração e, conseqüentemente, das exigências de IRPJ, CSL, juros e multa de ofício e/ou isolada. DA DECISÃO DA DRJ Em 25/4/2013, acordaram os membros da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/REC, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de decadência, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, considerar parcialmente procedente a impugnação. Exoneraramse os créditos do IRPJ e da CSL no montante de R$ 2.263.241,10 e R$ 814.766,76, respectivamente, mantiveramse os créditos do IRPJ e da CSL no valor de R$ 5.056.389,57 e R$ 1.849.543,87, respectivamente, exigidos com a aplicação da multa de oficio e juros de mora; exoneraramse as multas isoladas do IRPJ e da CSL, referentes ao mês de março do anocalendário de 2008, nos montantes de R$ 1.120.896,56 e R$ 401.700,12, respectivamente, e mantiveramse as restantes, nos valores de R$ 2.596.072,97 e R$ 936.890,14. Tudo, conforme o entendimento que se segue. Recorreu de ofício ao CARF, nos termos do artigo 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/97 e Portaria MF 3/2008. Primeiramente, rejeitou as preliminares de nulidade. Isso porque, além de o valor de mercado das ações não ter sido arbitrado, o que se alega em preliminar não corresponde a uma das hipóteses de nulidade do Processo Administrativo Fiscal, previstas no artigo 50 do Decreto 70.235/72. Esclareceu que tudo o que for deduzido acerca do IRPJ deve ser aplicado à CSL, devido à relação de causa e efeito. Consignou que a recorrente realizou uma série de atos que visavam apenas a redução da tributação decorrente da alienação da participação na CIMEC à Camargo Corrêa. Apontou, resumidamente, que os atos retromencionados ocorreram da seguinte forma: Em 27/11/2007 a recorrente possuía 36,75% do capital social da CIMEC, e em 30/11/2007, parcela dessas ações foi transferida para os sócios da recorrente. Em 7/3/2008, foi celebrado um contrato de compra e venda das ações da CIMEC entre a Camargo Corrêa S.A. e os sócios da recorrente. Em 12/3/2008, foram transferidas as ações dos referidos sócios para a Camargo Corrêa S.A. Nessa data, também foi realizado o pagamento da parcela inicial (50% do preço de compra acordado no contrato de compra e venda). Isso, conforme o Livro de Registro de Ações Nominativas e Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas da CIMEC. Em 21/8/2008, foi transferido para os sócios da recorrente a parcela restante da participação na CIMEC. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.344 10 Em 22/8/2008, foi celebrado aditivo ao contrato de compra e venda retromencionado e a Camargo Corrêa efetuou pagamento da segunda parcela do valor acordado. Em 22/8/2008, os sócios da recorrente transferiram as ações restantes que esses detinham para a Camargo Corrêa S.A. Em 15/7/2008, os referidos sócios realizaram um depósito à vista na conta do Ativo Circulante – Banco do Brasil, tendo como contrapartidas as contas do Passivo Exigível a Longo Prazo do grupo denominado “Adtos. Para Futura Integral. Capital”. Em 25/8/2008, os sócios da recorrente realizaram depósitos à vista nas contas do Ativo Circulante 11102010001 – Banco do Brasil, tendo como contrapartidas as contas do Passivo Exigível a Longo Prazo do grupo denominado “Adtos. Para Futura Integral. Capital”. Em 31/12/2008, foi realizada a transferência dos saldos das contas do Passível Exigível a Longo Prazo do grupo “Adtos. Para Futura Integral. Capital” para a conta de Patrimônio Liquido do grupo “Adto p/ Futura Integ. Capital. Em 31/12/2008, foi feita uma alteração contratual, a qual trouxe um aumento do capital social da recorrente no montante de R$ 17.663.200,00. Em 23/4/2009, foi realizada a transferência dos saldos das contas do Passível Exigível a Longo Prazo do grupo “Adtos. Para Futura Integral. Capital” para a conta de Patrimônio Líquido “Capital Integralizado”. Acentuou que devese ater ao fato de que a Camargo Corrêa S.A. realizou o pagamento referente a compra da participação na CIMEC logo após a venda dessas participações aos sócios da recorrente, e que, se a venda não fosse realizada a uma pessoa ligada, a alienação dessa participação aos sócios não teria sido feita pelo valor do custo contábil, bem como integralmente a prazo, como foi feita no presente caso. Registrou que o Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas da CIMEC, a contabilidade da recorrente e as informações presentes nas DIRPF dos sócios da recorrente, indicam que a primeira alienação das ações de propriedade da recorrente para os seus sócios ocorreu em 30/11/2007, porém o Livro de Registro de Transferência de Ações Nominativas indica outra data. Consignou que os atos realizados pela recorrente indicam que não houve propósito negocial nas operações efetuadas, pois ela poderia ter realizado um ato puro e simples de venda de participações societárias. Apontou que o lançamento decorreu da distribuição disfarçada de lucro, caracterizada pela venda da participação aos sócios por valor consideravelmente inferior ao de mercado. Realizou uma breve síntese acerca do que foi alegado pela recorrente em sede de impugnação e afirmou que resta claro que os procedimentos contábeis realizados por ela visavam apenas fazer com que a tributação do ganho de capital incidisse sobre as pessoas físicas dos sócios, ao invés de incidir sobre a pessoa jurídica. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.345 11 Afirmou que ao identificar o interesse da Camargo Corrêa S.A. pela CIMEC, foi feito uma série de procedimentos com o intuito de escapar da tributação do ganho de capital decorrente da diferença entre o custo contábil das ações e o valor a ser pago pela Camargo Corrêa S.A. Nesse sentido, registrou que o fato de não ter havido pagamento das ações pelos sócios antes dos pagamentos realizados pela Camargo Corrêa S.A. indica que os procedimentos contábeis foram feitos com os intuitos retromencionados. Acrescentou que a nota promissória apresentada pela recorrente não demonstra o desembolso de nenhuma quantia, pois ela apenas assegura a concretude do negócio. Acentuou que não é provável que a alienação da participação aos sócios tenha sido feita à conta de prejuízos da CIMEC, bem como que isso aumentaria a credibilidade da recorrente junto à rede bancária. Consignou que é de se estranhar o fato de a Camargo Corrêa S.A. ter se interessado, sem mais nem menos e em pouco tempo, pela CIMEC. Aduziu que, de acordo com o artigo 60, I, do Decreto 1.598/77, a recorrente possui razão ao indicar que a tributação por DDL ocorreu no momento da alienação aos sócios e não no momento da alienação final pelos sócios, como indica o Termo de Encerramento. Esclareceu que o ordenamento jurídico brasileiro não prevê que a tributação por DDL deve ocorrer no momento da alienação do bem do sócio. Assim, a DDL prescinde de qualquer venda posterior pelos sócios, constituindo presunção de alienação aos sócios, e não pelos sócios. Registrou que, como a participação da CIMEC foi transferida aos sócios em dois momentos, o 1º em 30/11/2007, e o 2º em 21/8/2008, a autuação errou ao não limitar a tributação. Ainda que os efeitos tributários sejam os mesmos, ou se trata de ganho de capital e há tributação a esse título, ou se trata de distribuição disfarçada de lucro, e se tributa a esse título. Apontou que deve ser observada a data referente a cada infração, pois, apesar de os efeitos tributário serem idênticos, ou tratase de ganho de capital, devendo incidir a tributação a esse título, ou tratase de distribuição disfarçada de lucro. Nesse sentido, estabeleceu que não pode subsistir o crédito decorrente do lançamento referente ao dia 12/3/2008, pois esse diz respeito à infração do anocalendário de 2007, na venda aos sócios (DDL), ao invés da venda pelos sócios – que se deu em 2008 – e que seria ganho de capital da recorrente. Porém, deve ser mantido o crédito referente ao dia 22/8/2008, porque esse configura a DDL, já que está inserido no mesmo mês da data da transferência das ações para os sócios. Consignou que a alienação da 2ª parcela da participação na CIMEC não foi realizada no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas. Isso porque, a recorrente não demonstrou o motivo pelo qual essa nova alienação ocorreu pelo custo contábil, mesmo tendo essa ocorrido cinco meses antes da alienação à Camargo Corrêa S.A. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.346 12 por um valor consideravelmente superior, o qual corresponde ao verdadeiro valor de mercado das ações. Com relação à glosa dos tributos retidos na fonte, afirmou que, por meio da análise do Majur do exercício de 2009, é possível concluir que a recorrente deduziu indevidamente valores acumulados das retenções no cálculo das estimativas, e que como a CSL retida corresponde à pagamento antecipado, o seu cálculo deve ser feito apenas uma vez, sob pena de computarse o pagamento várias vezes. Apontou que, de acordo com o artigo 44 da Lei 9.430/96 e o artigo 16 da IN SRF 93/97, não há restrição legal para a aplicação conjunta da multa de ofício e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa. Negou o pedido de perícia, esclarecendo que há plena convicção de que ocorreu a distribuição disfarçada de lucro. Com relação ao aproveitamento do imposto pago pelos sócios, informou que a DRJ não possui competência para julgálo, devendo o pleito ser dirigido à DRF da jurisdição da recorrente. Por fim, colacionou os seguintes quadros demonstrativos, de fls. 1153 e 1154 (do eprocesso): Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.347 13 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 1175 a 1215 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de impugnação, acrescendo o que segue. Consignou que a venda da CIMEC aos sócios pessoas físicas foi feita devido a existência de vários propósitos negociais, quais sejam: a única solução encontrada para blindar a recorrente diante da situação deficitária da CIMEC foi a venda das ações dessa para os sócios pessoas físicas, que eram os únicos compradores disponíveis de imediato; só haveria consenso na venda do controle da CIMEC se as participações fossem divididas entre os sócios pessoas físicas e os sócios pessoas jurídicas; como o pagamento das ações pelos sócios pessoas físicas foi feito por meio de Notas Promissórias pro soluto, essa venda foi irrevogável e irretratável. Com relação à alegação da fiscalização de que a recorrente exerceu uma simulação por interposta pessoa, afirmou que essa está equivocada. Isso porque o aumento de capital foi realizado pela recorrente sem propósitos tributários, a compra das ações da CIMEC pelos sócios pessoas físicas, como já mencionado, foi irreversível, e devido ao fato de o montante correspondente a R$ 14.000.000,00 permaneceu efetivamente com os sócios pessoas físicas da recorrente, a justificar o interesse deles na compra e venda das ações CIMEC. Aduziu que a decisão recorrida, ao indicar erroneamente que as ações da CIMEC foram vendidas pela recorrente para os seus sócios em 22/8/2008, deslocou de forma arbitrária e ilegal o fato gerador, ofendendo os artigos 114 e 144, do CTN e o artigo 60, I, do Decretolei 1.598/77. Nesse sentido, apontou que deve ser cancelada a DDL lançada em 22/8/2008, devido a existência de grave erro no critério temporal. Estabeleceu, ad argumentandum, que mesmo que fosse admissível alguma DDL em 1/8/2008, restaria caracterizada a ofensa da decisão recorrida ao artigo 465 do RIR e ao artigo 60, § 4º, do Decretolei 1.598/77, pois essa, mesmo devendo usar o valor de mercado constante no Contrato de Compra e Venda de Ações de 7/3/2008, avaliou as 1.328 ações da CIMEC acima do valor de mercado. Quanto a isso, colacionou os seguintes quadros demonstrativos, de fl. 1192 (eprocesso): Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.348 14 Acentuou que, tendo em vista que a decisão recorrida e o AIIM avaliaram o total da participação societária da recorrente na CIMEC em R$ 36.565.279,81, resta claro que 20% das ações corresponde a apenas R$ 7.313.055,96, e não ao montante indicado pela decisão recorrida, qual seja R$ 22.203.515,41. Nesse sentido, registrou que o erro supracitado fez com que a decisão recorrida concluísse, de forma equivocada, que as ações da CIMEC possuem o valor unitário de R$ 16.719,52. Afirmou que como a retenção para garantia de contingências trabalhistas e cíveis no montante de R$ 1.584.292,50, está sujeita a condição suspensiva, que só se implementou em 2009, não há a ocorrência do fato gerador, nem a disponibilidade de renda em 2008, devendo ser reduzido da DDL o valor mencionado. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Consignou que, tendo em vista que a fiscalização desconsiderou a operação de venda pela recorrente das ações da CIMEC aos sócios pessoas físicas em 30/11/2007 e em 1/8/2008, essa deveria ter realizado a compensação de ofício do IRPF pagos pelos sócios pessoas físicas com o IRPJ e a CSL lançados, sob pena de ocorrer a bitributação do mesmo suposto ganho de capital. Acerca disso, colacionou o artigo 150, § 3°, do CTN, o artigo 6º do Decreto 2.138/97 e jurisprudência. Apontou que o presente recurso deve ser inteiramente conhecido, pois ele trata de matéria diferente da arguida na Ação Cautelar de Protesto 000.371804.2013.405.8300, a qual foi proposta exclusivamente pelos sócios pessoas físicas, não havendo, desse modo, renúncia à esfera administrativa. Estabeleceu que deve ser cancelada a glosa dos tributos retidos na fonte, pois a cumulatividade desses tributos decorreu de um erro formal de preenchimento das fichas 11 e 16 da DIPJ 2009, não havendo, desse modo, a cumulatividade nos cálculos do IRPJ e da CSL. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.349 15 Por fim, requereu o conhecimento integral do presente recurso e a sua procedência, de modo a: manter a decisão recorrida, quanto a exoneração da DDL lançada em 12/3/2008; reconhecer a ilegalidade ou inocorrência da DDL lançada em 22/8/2008, ou, alternativamente, a redução do seu valor; compensar de ofício o IRPF pago pelos sócios da recorrente com o IRPJ e CSL lançados; cancelar a multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais; manter os saldos de prejuízo fiscal de IRPJ e da base negativa de CSL da recorrente; cancelar a glosa de IRRF e CSL retidos na fonte; cancelar totalmente ou parcialmente as exigências de IRPJ, CSL, juros e multas de ofício e/ou isolada; arquivar o presente processo administrativo. DAS CONTRARRAZÕES Tratase de contrarazões ao recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão da DRJ/REC, que julgou parcialmente procedente o lançamento presente no auto de infração, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, realizou uma breve síntese dos fatos e explicou a forma como a DDL é tratada no direito brasileiro, explicitando os requisitos que autorizam a sua presunção. Consignou que estão presentes, no presente caso, os requisitos que autorizam a presunção da DDL, pois a recorrente vendeu bem de seu ativo aos seus sócios por valor notoriamente inferior ao de mercado. Apontou que não há dúvidas de que o valor das ações da CIMEC vendidas pela recorrente aos seus sócios não corresponde ao valor de mercado dessas ações. Isso porque, além de haver grande diferença no valor cobrado por essas ações quando vendidas para os sócios da recorrente (R$ 6.636.800,00) e quando ofertadas ao público em geral (R$ 36.565.279,00), a venda posterior dessas ações pelos sócios da recorrente à 3º, a qual ocorreu um dia após a aquisição dessas, foi feita por valor superior ao valor de aquisição pelos sócios. Registrou que, diante dos fatos retromencionados, entendese que não houve super avaliação dessas ações, estando correta a base de cálculo adotada pela fiscalização. Quanto a isso, colacionou jurisprudência e discorreu acerca de um processo que versa sobre matéria semelhante a do presente caso. Concluiu que, tendo em vista que a recorrente alienou as ações que ela detinha da CIMEC aos seus sócios por valor inferior ao de mercado, e que a DDL é uma presunção legal, resta claro que os autos de infração em questão só poderiam ser cancelados caso a recorrente tivesse comprovado que a compra e venda dessas ações foi realizada em seu interesse e em condições estritamente comutativas, ou que esse negócio foi realizado de forma idêntica à que seria realizado com terceiros. Aduziu que não deve prosperar a alegação da recorrente no sentido de que houve um propósito negocial na compra e venda das ações realizada entre ela e seus sócios, pois a venda da participação societária da recorrente na CIMEC ocorreu pouco tempo antes do pagamento das parcelas pela Camargo Corrêa S.A. Acentuou que não pode ser deduzido do valor lançado o montante do IRPF recolhido pelos seus sócios, pois, tendo em vista que o pagamento foi realizado pela pessoa física, a qual não se confunde com a pessoa jurídica (recorrente), isso não possui amparo legal. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.350 16 Nesse sentido, atestou que os recolhimentos indevidos realizados pelas pessoas físicas devem ser resolvidos por meio de pedidos de restituição. Estabeleceu que devido a DDL, ficou caracterizada a falta de pagamento do IRPJ e da CSL por parte da recorrente. Apontou que o lançamento da multa isolada deve ser mantido, pois a recorrente infringiu a Lei 9.430/1996. Consignou que a cumulação da multa isolada com a de ofício não configura o bis in idem e o excesso punitivo. Isso porque, além de essas multas terem decorrido de infrações distintas e não incidirem sobre a mesma base de cálculo, a recorrente cometeu dois atos ilícitos que possuem punições diversas, nos termos da lei. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Nesse sentido, aduziu que, por meio da análise do artigo 97 do CTN, conclui se que o cancelamento da multa isolada traria uma nova hipótese de dispensa da multa não prevista na legislação, configurando, desse modo, uma novidade no ordenamento jurídico e o uso indevido da equidade. Afirmou que a exoneração feita pela DRJ de parte do crédito tributário, justificada pelo erro quanto ao momento do fato gerador, está incorreta. Isso porque, não poderia ser afirmado que a DDL deveria ser tributada no momento da venda das ações da recorrente aos seus sócios, já que nessa ocasião não havia preço de mercado estabelecido. Sendo assim, estabeleceu que o lançamento está correto, pois somente após a venda das ações da CIMEC efetuada pelos sócios da recorrente à Camargo Corrêa S.A., é que se verificam todos os elementos que configuram a presunção legal prevista no artigo 464, I, do RIR. Por fim, requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário, bem como que seja dado provimento ao recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.351 17 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 1165 e 1175 do eprocesso). Dele, pois, conheço. Há também remessa de ofício, ou, na linguagem do PAF, recurso de ofício, que atende aos limites do art. 1º da Portaria MF 8/08, nos termos do art. 34, I, do PAF (Decreto 70.235/72). Recurso voluntário Principio com o exame do recurso voluntário. Para facilitar a compreensão do quadro fáticojurídico que colore a materialidade em dissídio, faço a síntese abaixo. O investimento vendido é a Cia. Industrial e Mercantil de Cimento S.A. (CIMEC); a compradora do investimento é a Camargo Corrêa S.A. (CCSA), atual Intercement Brasil S.A.: a) A recorrente (Dislub) possuía 36,75% de participação na CIMEC (6.636 ações de um total de 18.055 ações de sua emissão); b) Em 30/11/07, a recorrente vende a seus sócios pessoas físicas (3 pessoas) 80% de sua participação na CIMEC (5.308 ações de um total de 6.636 ações) a valor contábil na recorrente– R$ 5.308.800,00; A recorrente possui 4 sócios. Interessa ao feito são os 3 sócios que adquiram as ações da CIMEC e as venderam para a CCSA: José Valdyr da Fonseca Lins, Sérgio Luiz Silva da Fonseca Lins e Humberto do Amaral Carrilho. A outra sócia da recorrente é Cláudia Barbosa Carrilho, que não adquirira nem vendera as ações da CIMEC (fls. 546 a 550, 20ª alteração do contrato social). c) Em 7/3/08, todos os acionistas da CIMEC contratam com a CCSA a alienação para essa de 80% das ações da CIMEC. No que interessa nesse momento, isso significa que os sócios da recorrente vendem as 5.308 ações da CIMEC para a CCSA por R$ 28.723.528,00, pagáveis em 4 parcelas (50% à vista, e a prazo 20%, 15% e 15%), ou seja, receberam à vista (em 12/3/08) R$ 14.361.764,00; d) Em agosto de 2008, a recorrente vende o restante de sua participação na CIMEC, i.e., 20% do que ele possuía na CIMEC (1.328 ações de 6.636 ações) a seus sócios pessoas físicas a valor contábil na recorrente – R$ 1.328.000,00; Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.352 18 e) Em 22/8/08, celebrase um aditivo contratual à compra e venda das ações da CIMEC feita por todos os seus acionistas para a CCSA, em que se faz um ajuste do preço do preço de venda e alienação dos 20% restantes das ações da CIMEC. No que interessa nesse momento, os sócios da recorrente vendem à CCSA as 1.328 ações da CIMEC que elas adquiriram da recorrente (“d” acima), com ajuste do preço de venda total; f) No ato do ajuste de preço e venda das 1.328 das ações da CIMEC para a CCSA pelos sócios da recorrente (20% do total de ações que a recorrente possuía originariamente na CIMEC), esses receberam parte do preço – que inclui a da primeira venda – no valor de R$ 20.619.222,91, e com retenção de outros R$ 1.584.292,50 para garantia de indenização; g) Em 14/3/08 e 17/3/08, os sócios da recorrente transferem a essa R$ 10.943.323,30, e em 15/3/08, eles transferem à recorrente R$ 28.676,70. Todos os valores recebidos pela recorrente por seus sócios tiveram sua contrapartida contábil registrada em “Adtos. Para Futura Integral. Capital” grupo de contas do passivo exigível a longo prazo. Relembrase que 50% da venda das ações da CIMEC para a CCSA foram recebidas pelos sócios da recorrente à vista, em 12/3/08 (R$ 14.361.764,00); h) Em 25/8/08, os sócios da recorrente transferem a essa R$ 6.691.200,00. O valor recebido pela recorrente teve sua contrapartida contábil registrada em “Adtos. Para Futura Integral. Capital” grupo de contas do passivo exigível a longo prazo. Relembrase que em 22/8/08 os sócios da recorrente receberam, em face da venda anteriormente feita e ainda não paga e da venda dos 20% restantes de ações da CIMEC, R$ 20.619.222,91 (com a retenção de outros R$ 1.584.292,50). i) Em 23/4/09, o saldo de R$ 17.663.200,00 do grupo de contas de “Adtos. Para Futura Integral. Capital” do passivo exigível a longo prazo da recorrente é transferido para a conta “Capital Integralizado” do patrimônio líquido. O autuante, fazendo essas constatações, afirma que, com o procedimentos descrito, a recorrente apenas reduziu a tributação do ganho de capital, pois o produto da venda retornou para a recorrente como capital social (fl. 35, Termo de Encerramento Fiscal). Segundo o autuante, promoveuse um planejamento tributário abusivo, despido de substrato correspondente à substância econômica da operação. Do quadro por ele exposto e pela valoração feita pelo autuante sobre o conjunto de dados coletados, ele lança sua razão e o motivo para a autuação: o ganho de capital na venda das ações da CIMEC para a CCSA foi auferido pela recorrente, e não por seus sócios pessoas físicas. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.353 19 Apesar de toda a valoração sobre os dados coletados feita pelo autuante, conclui pela aplicação das regras de DDL, ao exigir o IRPJ e a CSL. Refletindo cuidadosamente sobre as considerações feitas no Termo de Encerramento Fiscal que integra os autos de infração, do conjunto delas e no contexto em que elas foram colocadas, concluo que, a rigor, a razão e o motivo dos lançamentos foi a identificação de que as efetivas vendas das ações da CIMEC para a CCSA se deram pela recorrente, e não por seus sócios pessoas físicas – daí o ganho de capital no procedimento, i.e., na venda das ações da CIMEC à CCSA ser da recorrente. O que implica dizer, a razão e o motivo dos lançamentos não foi a DDL, embora a última requalificação jurídica ultimada tenha sido a de DDL, impondo a aplicação de suas consequências. E, para isso, o autuante se apoia na e procura demonstrar a abusividade dos procedimentos, não oponível ao Fisco, para requalificação jurídica dos fatos. A conclusão que ora exponho extraioa pelas seguintes ponderações. Notase que o foco sempre foi a venda das ações da CIMEC à CCSA. O Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que é o “coração” dos lançamentos (nele se encerra o motivo) consigna que os recursos financeiros circularam pelas pessoas físicas, e, em seguida, retornaram à recorrente para aumento de capital social, e que, com isso, vêse que a recorrente apenas reduziu a tributação do ganho de capital (qual?), uma vez que o produto da venda retornou para a recorrente como capital social. Nele se diz que a prática adotada pela administração da recorrente consistiu numa série de procedimentos, realizados num curto intervalo de tempo, com o objetivo de construir uma situação contábil que lhe permitisse a tributação do ganho de capital nas pessoas físicas dos sócios, ao invés de tributálo na recorrente, não se verificando nenhum desembolso financeiro pelos sócios pessoas físicas adquirentes – as vendas para os sócios foram integralmente a prazo. Dá a entender ou ao menos indicia que nunca ocorreram as vendas das ações aos sócios, por serem pagos por notas promissórias pro soluto, e não diz que tenha havido o pagamento dessas notas promissórias pelos sócios. O autuante conferiu decisiva importância à sequência dos atos praticados, para a requalificação jurídica por ele feita. O curto interregno temporal entre a venda das ações da CIMEC pela recorrente a seus sócios e a venda de tais ações para a CCSA pelos sócios, o não recebimento de recursos pela recorrente, mas só de direito creditório na venda das ações para seus sócios, e o “retorno” dos recursos recebidos pelos sócios (na venda das ações para a CCSA) à recorrente como aumento de capital, são outros dados de fato aos quais o autuante deu grande importância na valoração fáticojurídica por ele procedida. A sequência dos atos praticados, associada aos dados de fato acima descritos, são os aspectos juridicamente relevantes para a requalificação jurídica (dos fatos) feita pelo autuante. Isso, embora ele não tenha falado em simulação, mas em abusividade. Transcrevo excertos do Termo de Encerramento de Ação Fiscal: Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.354 20 18. Com efeito, ficou evidente que a seqüência de atos praticados objetivou unicamente reduzir a tributação através da transferência da sujeição passiva da “DISLUB”para os seus sócios. Recapitulamos que a “DISLUB” transferiu sua participação societária na “CIMEC” para os seus sócios pessoas físicas, sem ter recebido valor algum na negociação, ficando apenas com um direito creditório. Momentos depois, estes sócios venderam suas ações para a Camargo Correa S/A por um valor bem superior ao de aquisição. Ato contínuo, retornam estes recursos como aumento de capital na “DISLUB”. Ressaltese ainda que a transferência das ações deuse de forma paulatina, na medida em que a compradora estava para efetuar seus pagamentos. Com isso, a tributação do ganho de capital da operação recaiu nos sócios “HUMBERTO”, “SÉRGIO” e “VALDYR”. (grifos nossos, exceto os dos nomes das pessoas jurídicas e físicas – fl. 36) [...] 32. A tributação darseá desta forma em virtude de restar comprovado que a “DISLUB’, possuidora originária da participação na “CIMEC”, é o real sujeito passivo da obrigação tributária, uma vez que a transferência aos sócios e posterior alienação das ações da “CIMEC”, deuse somente para buscar minimizar a tributação do ganho de capital. (grifos nossos, exceto dos nomes – fl. 38) Ressalto a seguinte consideração no mesmo termo: 17. No caso em tela, observamos uma clara falta de propósito negocial, uma vez que a empresa fiscalizada optou por uma forma mais complexa diante da possibilidade de um ato puro e simples de venda de participação societária. Também corrobora esta constatação o fato da (sic.) alienação ter sido feita aos sócios sem o recebimento de valor algum, apenas de forma escritural: a (sic.) ações passaram para o nome dos sócios, ficando estes como devedores da “DISLUB”. (grifos nossos, exceto o do nome, fl. 36) Vejo que se desnuda o que deduzi acima. Um ato puro e simples de venda da participação societária pela recorrente para a CCSA. Eis a valoração. A sequência dos negócios jurídicos, a forma mais complexa, curto período de tempo (“momentos depois”) entre a venda para os sócios e a venda por esses para a CCSA, o “retorno” dos recursos à recorrente. Tudo a denunciar a abusividade dos negócios, sem propósito negocial. O que isso tem a ver com a DDL? Para isso, é necessário se verificar o sentido das regras de DDL, que é o seguinte. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.355 21 O sentido é afastar uma indevida repercussão no resultado (tributável) da pessoa jurídica (no mesmo sentido, é o entendimento de Luís Eduardo Schoueri)1, pela indevida dedução de custo ou de despesa majorada, ou pelo não reconhecimento de receita. Indevida repercussão no resultado, por tal repercussão ser efeito de uma distribuição de lucros, sob a capa de outros negócios jurídicos (compra de bem do sócio pela pessoa jurídica por valor superior ao de mercado, venda de bem da pessoa jurídica para seu sócio por valor inferior ao de mercado, etc.). Cuidase de uma presunção relativa de distribuição de lucros – daí o nome distribuição “disfarçada” de lucros2. Ou seja, a diferença entre o valor de mercado e o valor de alienação do bem ao sócio é receita omitida – por isso a lei prescreve que essa diferença deve ser adicionada ao lucro líquido. A diferença entre o valor de aquisição do bem do sócio e o valor de mercado é despesa ou custo indedutível– por isso a lei prescreve que essa diferença deve ser adicionada ao lucro líquido. Também, como corolário, é o reconhecimento de que para o sócio o resultante da DDL é rendimento dele, correspondente a lucro recebido. Exatamente porque se trata de uma distribuição de lucros (presunção relativa) encoberta sob a capa de outro negócio jurídico. Atualmente, esse segundo efeito é “nulo” tributariamente, pois os lucros distribuídos são rendimentos isentos dos sócios (art. 10 da Lei 9.249/95). Daí, se a pessoa jurídica adquire de seu sócio bem por valor notoriamente superior ao de mercado (com conformação de distribuição de lucros disfarçada), a diferença entre o preço de venda para a pessoa jurídica e o valor de mercado é rendimento isento do sócio; para a pessoa jurídica essa diferença é indedutível (na realização do bem por depreciação, amortização, alienação) – como efeito da distribuição de lucros disfarçada (repercussão indevida no resultado a ser eliminado). Confirma esse entendimento o RIR/99 que não mais reproduz o comando do art. 62, § 1º, do Decretolei 1.598/77 c/c o art. 4º da Lei 7.713/88, e que se encontrava reproduzido no art. 437 do RIR/94: Art. 437. O lucro distribuído disfarçadamente será tributado como rendimento do administrador, sócio, acionista ou titular que contratou o negócio com a pessoa jurídica e auferiu os benefícios econômicos da distribuição, ou cujo cônjuge ou parente até o terceiro grau, inclusive os afins, auferiu esses benefícios (DecretosLeis n°s 1.598/77, art. 62, § 1°, e 2.065/83, art. 20, IX, e Leis n°s 7.713/88, arts. 2°, 3° e 4°, e 8.134/90, art. 2°). Vale lembrar que a responsabilidade pelo IRPJ e multa decorrentes da aplicação das regras de DDL ao distribuidor era imputada ao sócio como ao acionista controlador do distribuidor (art. 62, §§ 1º a 3º, do Decretolei 1.598/77) – essa responsabilidade foi eliminada pelo Decretolei 2.065/83 (ao alterar o § 1º e revogar o § 3º do art. 62 do Decretolei 1.598/77; o Decretolei 2.064/83 tinha feito o mesmo, mas, em face da publicação 1 Cf. seu “Distribuição Disfarçada de Lucros”. São Paulo: Dialética, 1996, pp. 156, 161 e 162. 2Luís Eduardo Schoueri entende se tratar de ato anormal de gestão, e não de presunção relativa de distribuição de lucros (cf. seu “Distribuição disfarçada de lucros”. São Paulo: Dialética, 1996, especialmente pp. 155 a 167). Com a devida vênia, não comungamos com essa tese. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.356 22 do Decretolei 2.065/83, aquele decretolei foi rejeitado com a aprovação desse pelo Congresso Nacional, rejeição e aprovação pelo mesmo ato o Decreto legislativo 91/83). Esse é o sentido das regras de DDL. Os efeitos prescritos são consequência de presunção relativa de distribuição de lucro aos sócios (distribuição “disfarçada” de lucros). Há também sentido das regras de DDL para aspectos societários, mas que não interessam para o caso vertente. Ato posterior praticado pelo sócio nada tem de ver com a DDL. Esta se encerra no ato com o sócio. DDL é ato para o sócio, e não pelo sócio. A sequência de atos no procedimento discutido nada tem com DDL. A forma complexa, o curto intervalo de tempo entre o negócio com o sócio e o negócio do sócio com terceiro, e a transferência de recursos pelos sócios para a recorrente (decorrente da venda das ações da CIMEC para a CCSA pelos sócios adquirentes), nada disso tem relação com o sentido de DDL. Tudo isso tem relação com requalificação jurídica dos fatos (para fins fiscais) por abusividade, para se reconhecer que quem vendeu as ações da CIMEC para a CCSA é a recorrente (sendo dela o ganho de capital auferido na venda para a CCSA), e não seus sócios. Para a valoração empreendida pelo autuante, ele ressalta a venda aos sócios sem recebimento de valor algum pela recorrente, reconhecendo apenas escrituralmente o valor, com a transferência de direito às pessoas ligadas (sócios) sem pagamento e por valor inferior ao de mercado (fls. 36 e 37). Também, o “retorno” dos recursos da venda das ações à CCSA para a recorrente (digo retorno entre aspas, pois o que a recorrente recebeu não foi o valor da venda aos sócios, mas boa parte do valor da venda pelos sócios à CCSA). Ora, se isso tem importância, a DDL não seria a diferença entre o valor de venda das ações da CIMEC à CCSA e o preço de venda das ações aos sócios da recorrente – como pretendeu o autuante. A DDL seria o próprio valor de venda das ações da CIMEC à CCSA, se esse for o valor de mercado. O art. 22 da Lei 9.249/95 passou a permitir expressamente a entrega de bens e direitos pela pessoa jurídica a seus sócios a valor contábil. Não por menos o art. 464, § 1º, do RIR/99 excetua da DDL a entrega de bens e direitos a valor contábil pela pessoa jurídica a seus sócios, em devolução de capital. Art. 464. Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; [...] § 1º. O disposto nos incisos I e IV não se aplica nos casos de devolução de participação no capital social de titular, sócio ou acionista de pessoa jurídica em bens ou direitos, avaliados a valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). Se a recorrente tivesse procedido à entrega das ações da CIMEC a seus sócios, em devolução de capital (redução de capital), não haveria como se falar de DDL... Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.357 23 Mas continuaria o problema da venda das ações da CIMEC, pelas razões postas pelo autuante. O problema de venda efetivada à CCSA pela recorrente (por requalificação jurídica), e não por seus sócios pessoas físicas... Esclarecido o sentido das regras de DDL, vêse que a valoração fático jurídica efetuada nada tem a ver com a DDL, que foi a requalificação jurídica final como havia sinalizado anteriormente. A evidência do que disse até agora, ou pelo menos um sintoma, está no equívoco do autuante na aplicação das regras de DDL ao afirmar que a DDL se configurou na alienação final pelos sócios. Ora, a DDL se aperfeiçoa e se encerra na data da alienação aos sócios, e não na sequência praticada pelos sócios, i.e., na alienação feita pelos sócios. É o que se vê nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 5 e 16 – datas de 12/3/08 e 22/8/08, que são as das vendas feitas pelos sócios à CCSA). Como é dito no Termo de Encerramento de Ação Fiscal: 28. Dentro da competência que lhe é atribuída, esta fiscalização prova cabalmente que as transações se deram por valor notoriamente inferior ao de mercado. Feita esta comprovação, a lei prevê a presunção da ocorrência da distribuição disfarçada de lucros, devendo a sua tributação ocorrer no momento da alienação final pelos sócios, a qual terá como base de cálculo a diferença entre o custo de aquisição e o real valor de mercado, qual seja, o valor transacionado coma Camargo Correa S/A. (grifos nossos, exceto o da denominação, fl. 37; também na fl. 39 são colocadas como datas da DDL 12/3/08 e 22/8/08, dias das vendas pelos sócios à CCSA, na determinação da base de cálculo) Como havia alertado, com a reflexão detida sobre o motivo e a razão de que decorrem a requalificação jurídica dos fatos sobre o referido Termo de Encerramento de Ação Fiscal: 17. No caso em tela, observamos uma clara falta de propósito negocial, uma vez que a empresa fiscalizada optou por uma forma mais complexa diante da possibilidade de um ato puro e simples de venda de participação societária. Também corrobora esta constatação o fato da (sic.) alienação ter sido feita aos sócios sem o recebimento de valor algum, apenas de forma escritural: a (sic.) ações passaram para o nome dos sócios, ficando estes como devedores da “DISLUB”. (grifos nossos, exceto o do nome, fl. 36) Aqui abro um parêntese. Conquanto, a meu ver, não interfira na conclusão sobre a quaestio em jogo, vejo que os sócios da recorrente pagaramlhe o preço da compra das ações da CIMEC feita em 30/11/07, no dia 25/8/08 – pagamento das notas promissórias entregues à recorrente pelos sócios. O preço total dessas compras de 30/11/07 é de R$ 5.308.800,00 (conforme apurado pelo autuante e como constato adiante). Isso se verifica do cotejo das contas do Razão “12107010001 HUMBERTO DO AMARAL CARRILHO”, “12107010002 JOSE VALDYR SILVA DA FONSECA LINS”, “12107010003 SERGIO LUIZ SILVA DA FONSECA LINS”, que são contas do ativo da recorrente de fls. 578 a 580 com essas mesmas contas de fls. 750 a 752. Nas últimas Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.358 24 fls. constam os lançamentos a débito nas referidas contas, respectivamente, de R$ 2.654.400,00, R$ 1.327.200,00, R$ 1.327.200,00, em 30/11/07. E nas fls. 578 a 580, figuram os lançamento a crédito nas mesmas contas, respectivamente, de R$ 2.654.400,00,R$ 1.327.200,00, e R$ 1.327.200,00 (em contrapartida a débito nas contas contábeis de Banco do Brasil e de Banco Rural), em 25/8/08. Fecho o parêntese. As datas das vendas das ações da CIMEC pela recorrente a seus sócios foram 30/11/07 (primeira venda) e 1/8/08 (segunda venda) – vejase o parágrafo seguinte. O autuante afirma que a segunda venda das ações da CIMEC pela recorrente a seus sócios se deu em 21/8/08 (fls. 31 e 38) – embora, repitase, o autuante tenha considerado ocorrida a DDL nas vendas pelos sócios para a CCSA, dia 7/3/08 e dia 22/8/08 (datas das primeira e segunda vendas feitas pelos sócios à CCSA). Constato que, conforme os contratos de cessão das 1.328 ações da CIMEC (a segunda venda: 20% restantes das 6.636 ações que a recorrente possuía; em 30/11/07 ela vendera 5.308 ações), a segunda venda se deu em 1/8/08 – 332 ações a José Valdir Silva Fonseca Lins, 332 ações a Sérgio Luiz silva da Fonseca Lins, e 664 ações a Humberto do Amaral Carrilho (fls. 735 a 749). Da análise de todo o “filme”, particularmente concordo com boa parte das valorações feitas pelo autuante, para concluir que, com base nelas e na análise do “filme”, e não das “fotos” isoladas, efetivamente o que se deu foi a venda das ações da CIMEC para a CCSA pela recorrente, e não por seus sócios. Valorações tingidas pela coloração apresentada no “filme”, e não isoladamente de uma ou outra “foto”. Ganho de capital da recorrente pela venda das ações da CIMEC para a CCSA. Isso independe de se aceitar ou não como valor de mercado o preço de venda praticado com a CCSA. Entretanto, não foi isso que o autuante acabou por “aplicar” (ele aplicou as regras de DDL). Em remate, corroboram o exame deduzido os seguintes excertos do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fl. 12 desse termo, carreado aos autos junto com documentação comprobatória de pagamentos de IR pelos sócios da recorrente sobre ganho de capital, em petição datada de 22/7/14 – fls. 1290 a 1304; curiosamente, a fl. 12 do termo não constava nos autos – nestes havia um salto da fl. 11 para a fl. 13 do termo, correspondentes às fls. 26 e 27 do eprocesso): 19. Constatamos que, ao invés de utilizarse da operação usual e corriqueira neste tipo de negócio e apurar e pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital que viesse a auferir, a empresa fiscalizada valeuse de efêmera e complexa seqüência de atos jurídicos que teve por objetivo mascarar a beneficiária efetiva, a “DISLUB”, da operação de alienação de ações da empresa “CIMEC”, pertencentes originariamente à fiscalizada. Tal fato acarretou a falta de recolhimento dos tributos devidos pelo real alienante da participação societária, a “DISLUB”, sobre o ganho de capital auferido na operação. 20. Diante da seqüência de operações, esta fiscalização considerará o ganho de capital como sendo tributável na empresa fiscalizada, “DISLUB”, na condição de distribuição disfarçada de lucro, e não nas pessoas físicas dos sócios, Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.359 25 “HUMBERTO”, “SÉRGIO” e “VALDYR”. (grifos nossos, exceto os dos nomes das pessoas jurídicas e físicas – fl. 12 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal) Do que ficou deduzido, não há como se manter a autuação pela aplicação das regras de DDL, diante da valoração feita pelo autuante do quadro fático, colocandose em planos de valor diversos o motivo e a razão da requalificação jurídica, e a (requalificação jurídica) ultimada por DDL. Em inúmeros julgados, já tive oportunidade de dizer que o erro na capitulação legal não vitima o lançamento. Não é o que ocorre no caso vertente. O problema é de planos de valor diversos em que se põem o motivo e a razão com a requalificação jurídica dos fatos consequente, e a requalificação ultimada por DDL. Não dá para esconder a incongruência e a incompatibilidade do motivo, da razão e da consequente requalificação jurídica (ganho de capital da recorrente por ser ela a efetiva alienante das ações da CIMEC para a CCSA), com a finalização por requalificação jurídica por DDL com aplicação de suas regras. Como disse, no mínimo, o sintoma do que se coloca é se terem adotado as datas de alienação das ações da CIMEC pelos sócios para a CCSA (e não as de venda para os sócios) na aplicação das regras de DDL e como data da ocorrência das DDL. Por essa ordem de considerações, sobre a questão das DDL, dou provimento ao recurso. Em que pesem estarem prejudicadas, pois, as demais questões relativas às DDL, como a do abatimento do IR sobre ganho de capital pago pelos sócios pessoas físicas da recorrente, não me furto de enfrentar ao menos a questão da base de cálculo relativa à aplicação da segunda DDL. Relembrase que a segunda venda, correspondente à segunda aplicação da DDL, referiuse a 20% do restante das ações da CIMEC possuídas pela recorrente. Ou seja, à venda de 1.328 ações da CIMEC (a recorrente possuía 6.636 ações da CIMEC; na primeira venda foram alienadas 5.308 dessas ações). Pois bem. Houve, efetivamente, reajuste de preço, que se materializou no momento da segunda venda pelos sócios da recorrente para a CCSA (a alienação dos 20% restantes das ações da CIMEC para a CCSA). Mas se vê do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda de ações da CIMEC para a CCSA, de 22/8/08, que o preço reajustado subiu, em relação ao preço firmado na primeira venda: esse aditivo ao contrato de compra e venda contempla também a venda dos 20% restantes das ações da CIMEC. O primeiro aditivo ao contrato de compra e venda das ações da CIMEC celebrado entre a CCSA e todos demais acionistas da CIMEC [fls. 152 a 173; repetido até o Anexo 3.1.(b) nas fls. 418 a 426] prevê o preço de compra de R$ 99.471.466,00 para 100% das ações por ela emitidas [subitem (ii) da cláusula primeira, e itens 1.1 e 3.1 do primeiro aditivo – fls. 155 e 157], para cujo pagamento se consideram ou se descontam os R$ 39.069.000,00 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.360 26 pagos em 12/3/08, correspondentes a 50% do preço original de compra dos 80% das ações da CIMEC (segundo “Considerando” e item 3.1.a). Registro, pois, que houve reajustamento do preço original da primeira venda (dos 80% de ações da CIMEC). O primeiro aditivo ao contrato de compra e venda estabelece não só o preço dos 20% restantes das ações da CIMEC para a CCSA (segunda venda), como reajusta o preço da primeira venda, de modo que o preço de 100% das ações da CIMEC passou a ser de R$ 99.471.466,00. A certeza dessa asserção se extrai dos penúltimo e último “Considerados”, da definição de “Ações” do item 1.1 e do item 3.1, todos do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda, de 22/8/08 (fls. 154, 155 e 157). O preço ajustado originariamente na primeira venda das ações da CIMEC para a CCSA, em 7/3/08, foi de R$ 78.138.000,00 (terceiro e quarto “Considerandos”, item 1.1 e item 3.1 do contrato de compra e venda – fl. 176 e 178), para 80% das ações da CIMEC. Considerandose esse preço, 100% das ações da CIMEC seriam de R$ 97.672.500,00 (R$ 78.138.000,00 / 80%). Com o primeiro aditivo, de 22/8/08, o preço de 100% das ações da CIMEC ficou estabelecido em R$ 99.471.466,00. Daí ter dito anteriormente que houve reajuste do preço de venda dos 80% de ações da CIMEC para a CCSA, mas para maior. Relembro que a venda dos 20% de ações restantes que a recorrente possuía na CIMEC a seus sócios se deu em 1/8/08 (e não em 21/8/08), e a venda dessas ações pelos sócios da recorrente para a CIMEC se aperfeiçoou em 22/8/08. Se o caso fosse de DDL e se fosse aceitável como ocorrência da data de venda das ações pelos sócios a terceiros (e não a data de venda pela recorrente aos sócios), consideraria adequada a adoção desse preço reajustado dos 80% das ações da CIMEC para a CCSA (primeira venda) como parâmetro do valor de mercado de tais ações para a segunda venda feita pela recorrente a seus sócios, nos termos do art. 465, § 3º, do RIR/99. Evidentemente, consideraria adequado esse preço como parâmetro, proporcionalizado para a quantidade de ações alienadas na segunda venda (20% do total das ações possuídas pela recorrente). No caso, há coincidência com o preço da segunda venda feita para a CCSA, já que o preço reajustado foi o preço de 100% das ações da CIMEC. Sendo o preço de venda de 100% das ações da CIMEC para a CCSA de R$ 99.471.466,00, conforme o primeiro aditivo de compra e venda, de 22/8/08, o preço de venda por ação da CIMEC é de R$ 5.509,36 (= R$ 99.471.466,00 / 18.055). A recorrente possuía 6.636 ações da CIMEC, e vendeu a seus sócios, em 30/11/07, 5.308 ações (80% das ações possuídas pela recorrente) – a primeira venda. Os sócios da recorrente venderam as 5.308 ações para a CCSA em 7/3/08. Em 1/8/08, a recorrente vendeu a seus sócios as ações remanescentes da CIMEC que ela possuía na CIMEC, i.e., 1.328 ações – a segunda venda. Ou seja, a venda feita em 1/8/08 (conquanto o autuante identifique a data da venda das ações da CIMEC para a Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.361 27 CCSA, dia 22/8/08, como data da DDL) foi de 1.328 ações da CIMEC (20% restantes: 6.636 ações 5.308 ações = 1.328 ações). Portanto, o preço parâmetro de valor de mercado das 1.328 ações vendidas pela recorrente a seus sócios em 1/8/08 seria de R$ 7.316.430,08 (= R$ 5.509,36 x 1.328). Isso porque, como disse acima, o preço por ação é de R$ 5.509,36, considerandose que o preço de 100% das ações (18.055 ações) é de R$ 99.471.466,00. Já, o preço de venda das 1.328 ações, em 1/8/08, pela recorrente a seus sócios, foi de R$ 1.328.000,00, valor contábil na recorrente: 332 ações vendidas ao sócio José Valdyr Silva da Fonseca por R$ 332.000,00; 332 ações vendidas ao sócio Sérgio Luiz Silva da Fonseca Lins por R$ 332.000,00; e 664 ações vendidas ao sócio Humberto do Amaral Castilho por R$ 664.000,00. Isso, conforme os contratos de cessão de ações de fls. 735 a 748. Logo, o valor de DDL nas vendas feitas pela recorrente a seus sócios em 1/8/08 seria de R$ 5.988.430,08. Este seria o valor adicionável ao lucro líquido da recorrente, conforme o art. 467, I, do RIR/99: diferença entre o valor de mercado (R$ 7.316.430,08 = R$ 5.509,36 por ação x 1.328) e o valor de alienação a seus sócios (R$ 1.328.000,00). O autuante considerou como valor de mercado R$ 22.203.515,14, como preço de alienação das 1.328 ações pela recorrente a seus sócios R$ 1.328.000,00, e, assim, o valor de DDL de R$ 20.875.515,41. O erro na autuação é palmar. Além do erro na data da DDL (como disse, ao enfrentar a questão da incongruência entre a razão e o motivo e a qualificação jurídica ultimada, considerouse a data da sequência dos atos, a data da venda pelos sócios para a CCSA, ao invés da data da venda aos sócios), há notório erro da base de cálculo da DDL. O erro da base de cálculo foi considerar como valor de alienação (de 20% das ações possuídas pela recorrente e vendidas para seus sócios) parcela do preço de 100% das ações da CIMEC, conforme reajustado em 22/8/08. Na primeira venda à CCSA foram alienadas 14.444 ações da CIMEC de um total de 18.055 ações. Na segunda venda à CCSA foram alienadas 3.611 ações (sendo 1.328 pelos sócios da recorrente). Porém, conforme já acentuei, o preço de 100% das ações foi fixado em R$ 99.471.466,00: subitem (ii) da cláusula primeira, e itens 1.1 e 3.1 do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda – fls. 155 e 157. Consoante o item 3.1 “a”, “b” e “c” do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda, R$ 39.069.000,00 já haviam sido pagos em 12/3/08 (na primeira venda), e R$ 56.091.466,00 foram pagos na data da segunda venda (22/8/08), sendo retidos adicionalmente R$ 4.311.000,00 para indenizações. A soma disso totaliza os R$ 99.471.466,00. Sobre o que acabei de dizer, transcrevo excertos do primeiro aditivo, de 22/8/08, ao contrato de compra e venda de ações da CIMEC para a CCSA: CONSIDERANDO QUE, em 07 de março de 2008 a Compradora e os Vendedores assinaram o Contrato de Compra e Venda de ações (“Contrato”) por meio do qual os Vendedores alienaram 80% (oitenta por cento) das ações emitidas pela Sociedade; Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.362 28 CONSIDERANDO QUE, em 12 de março de 2008, a Compradora pagou aos Vendedores uma parcela inicial no montante de R$ 39.069.000,00 (trinta e nove milhões, sessenta e nove mil reais), correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do preço de compra acordado no Contrato; CONSIDERANDO QUE, (sic.) as parcelas remanescentes do preço de compra ainda não foram pagas devido a não ocorrência do evento necessário, conforme acordado no Contrato; [...] CONSIDERANDO QUE, (sic.) os Vendedores detêm uma participação remanescente de 20% (vinte por cento) das ações emitidas pela Sociedade e deseja vender essas ações à Compradora; CONSIDERANDO QUE, (sic.) a Compradora deseja adquirir a participação remanescente correspondente a 20% (vinte por cento) das ações de emissão da Sociedade; CONSIDERANDO QUE, para a quitação das parcelas do preço ainda não pagas e em virtude do interesse da Compradora em também adquirir dos Vendedores a participação remanescente e do interesse dos Vendedores em alienar referida participação, as Partes desejam ajustar o preço final para aquisição, neste ato, de todas as ações da Sociedade, excluindo a previsão de ajuste do preço e inserindo disposição acerca da retenção de parte do preço de compra e de oferta de hipoteca, como modalidades de garantias prestadas por parte dos Vendedores quanto ao ressarcimento das mencionadas contingências que venham a ser efetivamente materializadas; CONSIDERANDO QUE, (sic.) as Partes desejam alterar a forma e o prazo para pagamento do preço de compra das ações; [...] CLÁUSULA PRIMEIRA – Constitui objeto do presente Aditivo: [...] (ii) Alterar o preço de compra das ações; [...] CLÁUSULA TERCEIRA – Tendo em vista as deliberações da Cláusula Primeira deste Aditivo, as Partes decidem aditar e alteram integralmente a Cláusula Terceira do Contrato, que passará a vigorar com a seguinte redação: “III. PREÇO DE COMPRA DAS AÇÕES E PAGAMENTO 3.1. O preço de compra de 100% (cem por cento) das ações emitidas pela Sociedade acordado entre a Compradora e os Vendedores é de R$ 99.471.466,00 (noventa e nove milhões, Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.363 29 quatrocentos e setenta e um mil e quatrocentos e sessenta e seis reais) (“Preço de Compra”), dividido da seguinte forma: a) R$ 39.069.000,00 (trinta e nove milhões e sessenta e nove mil reais) foram pagos em 12 de março de 2008, concedendo os Vendedores, neste ato, a mais ampla, recíproca, geral, irrevogável e irretratável quitação, para nada mais reclamarem a qualquer tempo; (b) R$ 56.091.466,00 (cinqüenta e seis milhões, noventa e um mil, quatrocentos e sessenta e seis reais) sãopagos nesta data nos valores previstos no Anexo 3.1.(b), concedendo os Vendedores, neste ato, a mais ampla, recíproca, geral, irrevogável e irretratável quitação, para nada mais reclamarem a qualquer tempo; (c) R$ 4.311.000,00 (quatro milhões, trezentos e onze mil reais) será (sic.) retido pela Compradora e será pago aos Vendedores, observado o disposto nas Cláusulas 3.3, 3.4 e 3.5 abaixo. (fls. 154, 155, 157 e 158 e repetido nas fls. 202, 203, 205 e 206; negritos do original, negritos com sublinhados nossos) O autuante considerou como preço parâmetro de mercado, para a segunda venda feita aos sócios da recorrente, o valor que eles receberam da CCSA em 22/8/08, correspondente (proporcionalmente) aos R$ 56.091.466,00 que lhe foram creditados em 22/8/08, e a parcela proporcional dos R$ 4.311.000,00 retidos. Ou seja, o autuante considerou a maior parte do preço de venda dos 100% das ações alienadas pelos sócios da recorrente à CCSA, como preço parâmetro de valor de mercado da DDL de 1/8/08 (20% das ações) – que o autuante considerou como ocorrida em 22/8/08. Noutras palavras, considerou o regime de caixa da maior parte do preço de venda de 100% das ações alienadas pelos sócios da recorrente (6.636 ações), recebida em 22/8/08, para definição do valor de mercado da venda de 20% das ações (1.328 ações) ocorrida em 22/8/08 – além de considerar o valor retido de R$ 1.584.292,50 (proporção dos sócios da recorrente sobre os R$ 4.311.000,00 de total retido). É notável o erro perpetrado pelo autuante na definição da base de cálculo da DDL nas vendas das 1.328 ações da CIMEC pela recorrente a seus sócios, que, aliás, ocorreram 1/8/08 (venda aos sócios, e não pelos sócios). Repito, o valor parâmetro de mercado nessa DDL seria de R$ 7.316.430,08 [(R$ 99.471.466,00 / 18.055) = R$ 5.509,36 por ação x 1.328], de modo que a DDL seria de R$ 5.988.430,08 (R$ 7.316.430,08 – R$ 1.328.000,00). A recorrente, além de articular a inocorrência e incomprovação das DDL, insurgese quanto à inclusão da parcela de preço de venda retida dos sócios da recorrente (R$ 1.584.292,50, de um total de retenção de R$ 4.311.000,00 – itens 3.1 “c” e 3.3 do primeiro aditivo ao contrato de compra e venda com a CCSA), na definição do preço parâmetro da DDL de 1/8/08 (identificada equivocadamente pelo autuante como 22/8/08, que é data das vendas pelos sócios à CCSA, e não da venda aos sócios). Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.364 30 A alegação quanto à indevida inclusão da parcela de preço de venda retida no preço parâmetro de mercado é a de que, conforme o primeiro aditivo contratual, tratase de parcela de preço que se encontrava sob condição suspensiva – sem, pois, disponibilidade jurídica ou econômica sobre ela. Não assiste razão à recorrente nesse passo. Analisandose o primeiro aditivo ao contrato de compra e venda, de 22/8/08, vejo que o valor retido não se encontra sob condição suspensiva. Tratase de parcela do preço certa e sob condição ou cláusula resolutiva: há somente a retenção de seu valor – como poderia ser o pagamento posterior desse valor – para garantir ressarcimento pelos vendedores de contingências trabalhistas e cíveis descritas no Anexo A de tal aditivo. Somente na ocorrência dos eventos descritos no Anexo A, resolvese essa parcela de preço: esse efeito é de redução de preço ou ajuste de preço por implemento de condição ou cláusula resolutiva, ou seja, seu efeito reflete o próprio preço contratado. Ocorre que não houve comprovação do implemento dessa condição resolutiva, i.e., de que os valores retidos ficaram com os compradores. Tanto que a recorrente diz que o conteúdo dessa condição não se implementou em 2008, e que o valor retido foi liberado para os vendedores em 2009. Vale dizer, não se concretizou o evento resolutivo de parte do preço de venda. Logo, como disse antes, o preço parâmetro de valor de mercado das 1.328 ações vendidas pela recorrente a seus sócios em 1/8/08 seria de R$ 7.316.430,08, e o valor de DDL nas vendas feitas pela recorrente a seus sócios em 1/8/08 (que o autuante identificou equivocamente como 21/8/08) seria de R$ 5.988.430,08 (R$ 7.316.430,08 – R$ 1.328.000,00). Por conseguinte, se o caso fosse de DDL em 1/8/08 (identificada pelo autuante como ocorrida em 22/8/08), seria forçoso diminuíremse de sua base de cálculo R$ 14.887.085,33 [(R$ 22.203.515,14 – R$ 1.328.000,00 = R$ 20.875.515,41) – R$ 5.988.430,08]. Passo ao exame da questão da glosa de tributos retidos na fonte. A recorrente reconhece ter deduzido indevidamente o IRRF e a CSL na fonte. No caso, além da dedução de IRRF e de CSL na fonte em dezembro de 2008, nos totais de R$ 26.301,42 e de R$ 4.891,08, respectivamente, ela deduziu valores de IRRF e de CSL na fonte de janeiro a novembro de 2008. Alega a recorrente que se tratou de erro formal, pois os valores indevidamente deduzidos de janeiro a novembro de 2008 de IRRF e de CSL na fonte foram compensados pela informação nas fichas 11 e 16 da DIPJ/09 de valores a pagar de estimativa de IRPJ e de CSL a menor, tendo sido recolhidos os valores corretos, a maior, de IRPJ e de CSL por estimativa. Com isso, não houve aumento indevido de saldos negativos de IRPJ e de CSL informadas nas fichas 12 e 17 da DIPJ/09. A recorrente junta planilhas de fls. 877 a 900, nas quais procura demonstrar o alegado, com indicação dos valores de CSL por estimativa de janeiro a dezembro de 2008 segundo o Laluc, e os valores corretos; e com a indicação dos valores de IRPJ por estimativa de janeiro a dezembro de 2008 segundo o Lalur, e os valores corretos. Além disso, indica os Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.365 31 recolhimentos a maior que teriam ocorrido. Nas fls. 975 a 1046, há cópia da Parte A do Lalur e dos demonstrativos gerenciais de ajustes aos lucro líquido para a CSL (Laluc). Sucede que os valores indicados nas planilhas segundo o Lalur e o Laluc são diversos dos constantes nas fichas 11 e 16 da DIPJ/09 (fls. 604 a 607 e 609 a 612). As cópias de arrecadação sob os códigos 2362 e 2484 extraídas do eCAC de fls. 935 a 963 informam valores, em sua maioria, distintos dos indicados como corretos nas planilhas (em geral, são valores maiores, inclusive quanto a ditos recolhimentos a maior ocorridos na maior parte dos meses) e nas fichas 11 e 16 da DIPJ/09. Além disso, prejudica a conciliação o fato de terem sido apurados saldos negativos de IRPJ e de CSL nas fichas 12A e 17, da DIPJ/09 (fls. 608, 613 e 614), apesar de as estimativas de IRPJ e de CSL terem sido determinadas em todos os meses com base em balanço de redução – o que demandaria uma comprovação minudente de todos os pagamentos de estimativas conciliadas com o informado nas fichas da DIPJ/09 e os valores corretos. Também, os valores de recolhimento a maior conforme apontados nas planilhas em questão, seja de IRPJ por estimativa, seja de CSL por estimativa, somam valores diferentes aos dos saldos negativos de IRPJ e de CSL informados nas fichas 12A e 17 da DIPJ/09. Outrossim, embora reconheça que seja bem provável que as deduções indevidas de IRRF e de CSL na fonte tenham sido compensadas por pagamentos a maior de estimativas de IRPJ e de CSL, isso não resulta cabalmente comprovado, pelas razões que apontei acima. Por conseguinte, sobre a questão da glosa de IRRF e de CSL na fonte, nego provimento ao recurso. Prossigo com a questão da aplicação cumulada de multas proporcionais (75%) e de multas isoladas por pagamentos a menores de estimativas de IRPJ e de CSL, conquanto quase toda ela resulte prejudicada, em face do afastamento da requalificação ultimada por DDL, pelas razões exaustivamente deduzidas alhures. A redação original do art. 44, caput, I e II e § 1º, da Lei 9.430/96 era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.366 32 I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ao base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. Posteriormente, a Medida Provisória 303/06 alterou essa redação, mas teve sua vigência coarctada em 27/10/06, pois não fora convertida em lei, conforme o Ato Declaratório do Congresso Nacional 57/06, no exercício do art. 62, § 3º, da CF. Sobreveio a Medida Provisória 351/07 alterando novamente a redação do preceito legal em comentário, com a mesma dicção prevista pela Medida Provisória 303/06. A Medida Provisória 351/07 fora convertida na Lei 11.488/07, de modo que a atual redação do art. 44, caput, I, II e § 1º, da Lei 9.430/96 é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Vêse que na atual dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 a penalidade de multa de ofício é menos gravosa à prevista originariamente por esse preceito. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.367 33 Tenho para mim que a dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 prestouse a corrigir a deficiência redacional primitiva, pois na literalidade pura dessa a multa de ofício era aplicável mesmo quando o tributo fosse integralmente pago com atraso – o que dava azo a se discutir como seria apurada a base de cálculo para a incidência da multa em tal hipótese. Essa questão foi espancada com a nova redação do art. 44 da Lei 9.430/96, que não mais prevê a incidência de multa de ofício no pagamento integral do tributo com atraso. A partir da Lei 9.430/96, com a instituição do IRPJ e da CSL apurados trimestralmente (sem prejuízo da opção pela apuração anual no caso de lucro real), o IRPJ mensal, assim como a CSL mensal, deixaram de ser IRPJ e CSL efetivos, tornandose IRPJ e CSL por estimativa. Isso resulta claro no “título” dos arts. 2º e 6º, da Lei 9.430/96 (e para a CSL, em virtude do art. 28 dessa lei) que preconizam “pagamento por estimativa”: Pagamento por Estimativa Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º. O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. [...] Pagamento por Estimativa Art. 6º. O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. [...] Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.368 34 normas da legislação vigente e as correspondentes aosarts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. De se lembrar que, sob a égide da Lei 8.981/95, o IRPJ e a CSL mensais configuravam exações efetivas, sem embargo do ajuste anual do IRPJ e da CSL: o art. 27 dessa lei falava em fatos geradores ocorridos em cada mês e em base de cálculo apurada mensalmente e se coloca sob a Seção II denominada de Pagamento mensal do imposto”3 (igualmente válido para a CSL, por força do art. 57 da mesma lei)4. Ou, no mínimo, poderia ser colocada em discussão o IRPJ e a CSL mensais serem exações efetivas. De toda forma, não por menos, a Instrução Normativa 93/97, sob os auspícios da Lei 9.430/96, alterando o que dispunha a Instrução Normativa 11/96, passou a prever que a falta de pagamento do IRPJ e da CSL mensais por estimativa não autoriza sua cobrança, mas tão só a multa isolada por falta do referido pagamento. Ora, com a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor de IRPJ e de CSL efetivos e não pagos5, juntamente com a exigência desses tributos, como se pretender aplicar, ao mesmo tempo, a multa de 50% sobre o IRPJ e a CSL por estimativa não pagos dos 3SEÇÃO II Do Pagamento Mensal do Imposto Art. 27. Para efeito de apuração do Imposto de Renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. 4Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor da receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. 5Multa do art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07, ou multa do art. 44, I e § 1º, I, da Lei 9.430/96 na redação original. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.369 35 mesmos anoscalendário6? Constitui, a meu ver, uma incoerência lógica, teleológica e axiológica a aplicação concomitante dessas multas, à vista do bem jurídico tutelado. É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL efetivamente devidos, cobráveis juntamente com esses, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL mensal por estimativa, do mesmo anocalendário. Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96. Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é a aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos – e mesmo finalísticos (teleológicos). É a aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória. Enfim, tratase de matéria cujo entendimento se encontra pacificado nesta Turma, como em muitas outras Turmas da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Portanto, quanto essa questão dou provimento ao recurso, para afastar a inflição de multas isoladas de IRPJ e de CSL por estimativa. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as exigências de IRPJ e de CSL sobre DDL, e as multas isoladas sobre estimativas de IRPJ e de CSL. Recurso de ofício A exoneração de IRPJ e de CSL feita pelo órgão julgador a quo foi sobre a DDL apurada na primeira venda feita pela recorrente a seus 3 sócios (30/11/07), DDL no valor de R$ 9.052.964,40. No exame do recurso voluntário, já foi afastada a DDL sobre a venda feita pela recorrente a seus sócios em 30/11/07, pois se reconheceu a incompatibilidade do regime de DDL com o ganho de capital pela venda posterior feita pelos sócios para a CCSA que marcou o motivo e a razão da autuação, com identificação da ocorrência da DDL pelo autuante nessa venda final feita pelos sócios para a CCSA (e não na alienação aos sócios). É o que extraí neste voto, ao examinar cuidadosamente o Termo de Encerramento de Ação Fiscal. A incompatibilidade na aplicação das regras de DDL, diante da valoração feita pelo autuante do quadro fático, colocandose em planos de valor diversos o 6Multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 11.488/07. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.370 36 motivo e a razão da requalificação jurídica dada aos fatos, e a requalificação jurídica ultimada por DDL. Somemse a isso as razões postas no acórdão de origem, em que se acusa, inclusive, o descompasso temporal, de anocalendário, entre a data indicada como de consecução de DDL (7/3/08), e a data em que se teria dado a DDL (30/11/07), e que na data indicada a exigência se conforma sob título jurídico diverso de DDL. Nessa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. À vista do judicioso voto proferido, é de rigor inicialmente congratular o I.Relator, Cons. Marcos Shigueo Takata, que tão bem expôs o caso ao colegiado. Contudo, peçolhe vênia para expor objetivamente algumas considerações que retratam os fundamentos por mim expostos quando do julgamento. Vejamos. Da leitura do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, entendo que, à luz dos fatos ali narrados, a fiscalização efetuou a autuação, ao contrário da compreensão firmada pelos demais Conselheiros, com base na presunção legal de Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), prevista nos artigos 464 a 466 do Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – RIR/99. As passagens abaixo transcritas evidenciam tal fato: “[...] 24. Para melhorar o entendimento é necessário nos atermos à conceituação de valor de mercado e diferença notória: Valor de mercado é o quanto em espécie se pode conseguir por determinado bem ou direito no livre mercado (RIR/99, art.465, §1º). Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.371 37 ..... 25. A presunção de DDL, segundo a hipótese legal acima descrita, pressupõe, por certo, a existência de elementos distintos, quais sejam: a) alienação; b) pessoa ligada; c) valor inferior ao de mercado; e d) bem do ativo permanente. No caso em análise encontramos presentes todos esses elementos necessários à caracterização da presunção, uma vez que esses compõem o negócio jurídico realizado, conforme abaixo: a) alienação: alienação das ações da ‘CIMEC’ da fiscalizada aos sócios e destes à Camargo Correa S/A. b) pessoas ligadas: os sócios da ‘DISLUB’. c) valor inferior ao de mercado: notório diante do valor pago pela compradora final, Camargo Correa S/A, pessoa não ligada à fiscalizada e com interesse em adquirir a ‘CIMEC’ no mercado aberto. d) bem do ativo permanente: as ações da ‘CIMEC’ estavam escrituradas no Ativo Permanente – Investimentos. 26. Resta completamente demonstrado através do Contrato de Compra e Venda de Ações da ‘CIMEC’ e de seu Primeiro Aditivo, de forma hábil e idônea, que o efetivo ‘valor de mercado’ na época da ocorrência do fato é o nele registrado. Com isso temos a realização de negócio jurídico em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para as pessoas ligadas, do que as que seriam praticadas no mercado com outrem. Diante do valor ofertado e pago pela Camargo Correa S/A, podemos afirmar que a operação de alienação das ações da ‘CIMEC’ entre a ‘DISLUB’ e seus sócios deuse por preço subavaliado. 27. É bom frisar que a DDL foi criada pelo legislador tributário com o intuito de impedir a evasão do imposto de renda através da transferência de rendimentos ou patrimônio à pessoa ligada. Tratase de instituto que permite a presunção de distribuição disfarçada de lucros sempre que comprovada a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 464 do RIR/99. 28. Dentro da competência que lhe é atribuída, esta fiscalização prova cabalmente que as transações se deram por valor notoriamente inferior ao de mercado. Feita esta comprovação, a lei prevê a presunção da ocorrência da distribuição disfarçada de lucros, devendo a sua tributação ocorrer no momento da alienação final pelos sócios, a qual terá como base de cálculo a diferença entre o custo de aquisição e o real valor de mercado, qual seja, o valor transacionado com a Camargo Correa S/A. 29. Estamos diante de uma transferência de direito às pessoas ligadas (sócios) sem pagamento e por valor inferior ao de mercado. Assim, esta fiscalização adicionará ao lucro líquido a diferença entre o valor de mercado e o de alienação, para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.372 38 ..... 33. Em conclusão, estamos diante de uma seqüência de operações, cujo único objetivo foi o de transferir a tributação do ganho de capital na alienação de participação societária, que deveria recair sobre a empresa fiscalizada, para as pessoas físicas dos sócios; configurando, destarte, uma distribuição disfarçada de lucros.” ..... 1.2.1.DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO CONFIGURADA NA TRANSFERÊNCIA DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA (ALIENAÇÃO DE AÇÕES DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA CIA INDUSTRIAL E MERCANTIL DE CIMENTOS) ..... 39. Logo, será este ganho de capital tributado de ofício por esta fiscalização na condição de distribuição disfarçada de lucro, através da lavratura de autos de infração específicos de IRPJ e da CSLL, nesta data.” Acrescentese que no corpo do auto de infração, descreveuse a infração nos seguintes termos: “DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE BEM À PESSOA LIGADA POR VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. Falta de adição ao lucro líquido do exercício, da diferença entre o valor de mercado e o da alienação de bem, feita à pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado, caracterizando distribuição disfarçada de lucros, conforme descrição dos fatos que se encontra devidamente circunstanciada no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que passa a fazer parte do presente Auto de Infração como se aqui transcrito fosse. ..... Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2002: Art.3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 249, inciso II, 251, 464, inciso I, 465, 466 e 467, inciso I do RIR/99” (destaquei) Quanto às multas isoladas por falta ou insuficiência de recolhimentos de estimativas, vale dizer que, não obstante haver vários julgados que as afastam quando exigidas concomitantemente à multa de ofício proporcional, não há jurisprudência consolidada na Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto aos fatos geradores ocorridos após a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07, convertida na Lei nº 11.488, de 15/6/07, que procedeu a alterações no art.44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixando ainda mais evidente duas hipóteses de incidência distintas, conforme se vê abaixo: Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.373 39 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Assim, presentes os substratos fáticos (falta do pagamento de imposto ou contribuição; e falta de pagamento das estimativas), é de rigor a incidência das duas multas, sob pena de se negar vigência à lei federal, o que é vedado ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme apregoa o Enunciado nº 2 da súmula do CARF (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), em conformidade com o art.26A do Decreto nº 70.235/72 e art.59 do Decreto nº 7.574, de 29/9/11. A Lei nº 9.430/96 estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional ao imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário e para a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas mesmo que concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Vários foram os julgados proferidos neste sentido, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.374 40 penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). Acerca da discussão, vale reproduzir alguns dos fundamentos constantes do acórdão nº 1302001.130, de 11/6/13, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior: “[...] O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. ..... Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.375 41 Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. ..... Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. ..... A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.376 42 ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2.” Acrescento, com base em lições de Guilherme de Souza Nucci (in Manual de Direito Penal, 4ª ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, pp.151152), que o princípio/critério da absorção (ou consunção) incide: “[...] Quando o fato previsto por uma lei está, igualmente, contido em outra de maior amplitude, aplicase somente esta última. Em outras palavras, quando a infração prevista na primeira norma constituir simples fase de realização da segunda infração, prevista em dispositivo diverso, devese aplicar apenas a última. Conforme esclarece Nicás, ocorre a consunção quando determinado tipo penal absorve o desvalor de outro, excluindo se este da sua função punitiva. A consunção provoca o esvaziamento de uma das normas, que desaparece subsumida pela outra (El concurso de nomas penales, p.157). Tratase da hipótese de crimemeio e crimefim. É o que se dá, por exemplo, no tocante à violação de domicílio com a finalidade de praticar furto a uma residência. A violação é mera fase de execução do delito patrimonial. O crime de homicídio, por sua vez, absorve o porte ilegal de arma, pois esta infração penal constituise simples meio para a eliminação da vítima. O estelionato absorve o falso, fase de execução do primeiro”. Ora, tal construção doutrinária e jurisprudencial não se aplica ao caso concreto. A falta de recolhimento de estimativas mensais não constitui fase do não recolhimento do imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário, de modo que o tipo tributário que impõe a exigência da multa proporcional ao tributo devido não absorve o desvalor apontado na norma que tipifica a penalidade isolada pela falta de recolhimento das exações à época própria, após o encerramento dos respectivos períodos mensais. Quando se constata que o contribuinte, considerando a infração revelada pela fiscalização, deixou de apurar e recolher as estimativas mensais em conformidade com a legislação de regência, dizse ocorrido o fato gerador a legitimar a exigência nos moldes em que constituída. Dispensála significa, com a devida vênia a vozes dissonantes, construção que, como visto, não encontra acolhimento na adequada interpretação da lei de regência. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.377 43 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, peço vênia para divergir quanto à interpretação dada às conclusões da ação fiscal. Isso porque, conforme apresentado de maneira bastante didática pelo relator, a autuação deuse em razão de a autoridade autuante entender que ocorreu um planejamento tributário abusivo. A recorrente (pessoa jurídica), em vez de alienar diretamente suas ações da CIMEC para a Camargo Corrêa, consumou a operação por meio de seus sócios (pessoas físicas), o que resultou em uma tributação de ganho de capital favorecida. Vale transcrever fragmentos do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (TEAF) de fls. 26/47, no qual a autoridade tributária relata os fatos que fundamentaram a autuação: 16. A prática adotada pela administração da "DISLUB" consistiu numa série de procedimentos, realizados num curto intervalo de tempo, com o objetivo de construir uma situação contábil que lhe permitisse a tributação do ganho de capital nas pessoas físicas dos sócios, ao invés de fazêlo na própria empresa "DISLUB". Nestes procedimentos, não se verifica a realização de desembolsos financeiros por parte dos sócios adquirentes, fato que não ocorreria numa transação de livre mercado. 17. No caso em tela observamos uma clara falta de propósito negocial, uma vez que a empresa fiscalizada optou por uma forma mais complexa diante da possibilidade de um ato puro e simples de venda de participação societária. Também corrobora esta constatação o fato da alienação ter sido feita aos sócios sem o recebimento de valor algum, apenas de forma escriturai: a ações passaram para o nome dos sócios, ficando estes como devedores da "DISLUB". 18. Com efeito, ficou evidente que a seqüência de atos praticados objetivou unicamente reduzir a tributação através da transferência da sujeição passiva da "DISLUB" para os seus sócios. Recapitulamos que a "DISLUB" transferiu sua participação societária na "CIMEC" para os seus sócios pessoas físicas, sem ter recebido valor algum na negociação, ficando apenas com um direito creditório. Momentos depois, estes sócios venderam suas ações para a Camargo Correa S/A por um valor bem superior ao de aquisição. Ato contínuo, retornam estes recursos como aumento de capital social na "DISLUB". Ressaltese ainda que a transferência das ações deuse de forma paulatina, na medida em que a compradora estava para efetuar seus pagamentos. Com isso, a tributação do ganho de capital da operação recaiu nos sócios "HUMBERTO", "SERGIO" e "VALDYR". Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.378 44 Ocorre que, em seguida, entendo que a autoridade autuante incorreu em equívoco ao tipificar a autuação como uma distribuição disfarçada de lucros (DDL), como se pode observar no item 31 do TEAF: 31. Considerando os fatos aqui narrados, essa auditoria fiscal entendeu que a sequência de operações desenvolvidas pela fiscalizada conjuntamente com seus sócios, resultante na transferência da tributação do ganho de capital para as pessoas físicas destes, na verdade deve ser entendida como uma distribuição disfarçada de lucros, pois o valor praticado na alienação das ações da empresa "CIMEC" aos sócios, foi notoriamente inferior ao de mercado, qual seja, o valor pago pela adquirente Camargo Correa S/A (terceiro independente) aos sócios vendedores. 32. A tributação darseá desta forma em virtude de restar comprovado que a "DISLUB', possuidora originária da participação societária na "CIMEC", é o real sujeito passivo da obrigação tributária, uma vez que a transferência aos sócios e posterior alienação das ações da "CIMEC", deuse tão somente para buscar minimizar a tributação do ganho de capital. 33. Em conclusão, estamos diante de uma seqüência de operações, cujo único objetivo foi o de transferir a tributação do ganho de capital na alienação de participação societária, que deveria recair sobre a empresa fiscalizada, para as pessoas físicas dos sócios; configurando, destarte, uma distribuição disfarçada de lucro. A confusão fica mais evidente quando a base de cálculo da infração é apurada, conforme esclarecimentos nos itens 38 e 39 do TEAF: 38. O ganho de capital da "DISLUB" na alienação da participação societária na "CIMEC" é apurado nos valores abaixo, tendo o custo contábil da participação societária alienada sido apurado a partir da contabilidade e das DIRPF dos sócios: Data Descrição Valor (R$) Receita da alienação 14.361.764,40 ( ) Custo contábil da participação societária alienada *Investimento Permanente na CIMEC (5.308 ações) (5.308.800,00) 12/03/2008 ( = ) Ganho de capital na alienação da participação 9.052.964,40 Receita da alienação 22.203.515,41 ( ) Custo contábil da participação societária alienada *Investimento Permanente na CIMEC (1.328 ações) (1.328.000,00) 22/08/2008 ( = ) Ganho de capital na alienação da participação 20.875.515,41 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.379 45 39. Logo, será este ganho de capital tributado de ofício por esta fiscalização na condição de distribuição disfarçada de lucro, através da lavratura de autos de infração específicos do IRPJ e da CSLL, nesta data. A apuração do ganho de capital fica demonstrada tanto no aspecto temporal quanto no material. As datas apresentadas como fato gerador 12/03/2008 (item 9.4 do TEAF) e 22/08/2008 (item 9.7 do TEAF) são precisamente aquelas em que ocorreram as vendas das ações da CIMEC pelos sócios pessoas físicas. Conforme quadro no item 37 do TEAF, a primeiro pagamento da venda foi efetuado em 12/03/2008, e o segundo em 22/08/2008. E o quantum é exatamente a diferença entre o custo contábil da participação societária alienada e o valor pago na venda das ações. Ora, a autuação fiscal não trata de DDL. Por isso que qualquer análise do aspecto temporal, levandose em consideração a distribuição disfarçada de lucros, não guarda nenhuma correspondência com os fatos geradores lançados no auto de infração. Portanto, a questão que se coloca é a seguinte: a tipificação dada pela Fiscalização, de DDL, ainda que imprecisa, teria o condão de descaracterizar a autuação, considerando que a descrição de fatos e a apuração da base de cálculo amparase na hipótese de incidência do ganho de capital? Entendo que não. Apreciando a impugnação e o recurso voluntário interposto pela recorrente, percebese que houve uma perfeita compreensão dos fatos narrados pela Fiscalização, ou seja, não restou caracterizado nenhum cerceamento de defesa. Por sua vez, o relato elaborado pela autoridade fiscal mostrase claro, ao discorrer sobre os fatos e as razões pelas quais entendeu ser cabível a autuação. Apesar de ter concluído pela tipificação incorreta, não eivou de nulidade o procedimento fiscal. Há que se destacar a jurisprudência do CARF, transcrita a seguir, no sentido de que a deficiência no enquadramento legal, por si só, não prejudica a defesa, desde que os fatos estejam devidamente descritos na autuação e permitam a adequada compreensão por parte da contribuinte, tanto que contesta, com detalhamento, as razões apresentadas pela Fiscalização. LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O sujeito passivo defendese dos fatos imputados e não da capitulação legal que pode, ou não, estar correta. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.380 46 A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável. (Acórdão nº 1802001.296, sessão de 04/07/2012). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA. Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0103.264, de 19/03/2001, publicado no DOU em 24/09/2001) também já se pronunciou nesse sentido: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. E, diante do exposto, apreciando o caso concreto na ótica da infração tributária ganho de capital, entendo não haver reparos na autuação fiscal. Enfim, no que concerne ao afastamento da multa isolada aplicada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, em razão de concomitância como a multa proporcional de 75%, também peço vênia para discordar do relator. São infrações Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº10480.725955/201213 Acórdão n.º 1103001.097 S1C1T3 Fl. 1.381 47 distintas, cada qual com hipótese de incidência particular, com previsão legal, e não se comunicam. Pelas razões expostas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e dar provimento ao recurso de ofício. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/11/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10675.000975/2002-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Embargos Conhecidos e rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Embargos Conhecidos e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), HELDER MASSAAKI KANAMARU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 09 75 /2 00 2- 29 Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (SUPLENTE), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), MARA CRISTINA SIFUENTES (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10675.000975/200229 Acórdão n.º 3402002.483 S3C4T2 Fl. 1.887 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.1261/1267) opostos pelo sujeito passivo, por supostas contradição/omissão no v. Acórdão nº 20312.463, exarado pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 1243/1257, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de relatoria dos Ilustres Conselheiros Eric Moraes de Castro, vencedor em algumas matérias, e Silva de Brito Oliveira, designada quanto a parte da denúncia espontânea, prolatado em sessão de 17/10/2007, dar provimento parcial ao recurso para se excluir, no cálculo do crédito presumido do IPI, tanto da receita de exportação quanto da receita operacional bruta, o valor de produtos não industrializados pela recorrente, bem como para se excluir da base de cálculo do incentivo o valor dos insumos empregados nesses produtos, admitindose a incidência da taxa Selic sobre os créditos, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REVISAO. REFORMATIO IN PEJUS POSSIBILIDADE. É possível que a decisão do julgamento da Manifestação de Inconformidade piore a situação do contribuinte (reformatio in pejus), nos termos do parágrafo único do art. 15 do PAF e do art. 64 da Lei do Processo Administrativo Federal (Lei n° 9.784/99) RECEITA DE EXPORTAÇAO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. MERA REVENDA. EXCLUSAO. Na determinação da base de cálculo do credito presumido do IPI, a receita oriunda da exportação de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a processo de industrialização pela empresa produtora e exportadora deve ser excluída do valor total da receita de exportação e também da receita operacional bruta. OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. EXCLUSÃO VENDAS AO MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE. O cálculo do beneficio deve ser realizado com base na receita bruta de exportação do estabelecimento produtor exportador, excluindose as vendas ao mercado interno. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO. DENUNICIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 E cabível a exigência da multa moratória correspondente, no pagamento espontâneo de tributo após o seu vencimento. Recurso provido em parte Entende a Embargante que a decisão embargada contém contradição quando o Conselheiro Relator fixou como cerne da discussão o conceito de receita de exportação e de receita bruta operacional, porém, ao conceituar as duas receitas, utilizou a fundamentação utilizada no tópico direcionado à conceituação da receita bruta operacional, que conteria o mesmo fundamento já utilizado no tópico direcionado à receita de exportação. Entende, ainda, que existe contradição quando a decisão recorrida afasta a preliminar de retroatividade da IN SRF nº 315/03, porém, desconsidera seu comando de que as vendas no mercado interno integram a receita operacional bruta e, apesar de a ementa do acórdão constar menção à exclusão das vendas ao mercado interno, esta conclusão não se encontra no dispositivo do acórdão, tendo havido “erro material” ao se deixar de mencionar a palavra “receita”. Por fim, alega que deve este Colegiado se pronunciar acerca de nova posição da CSRF, trazida à época dos Embargos, sobre a nãoincidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento. Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam acolhidos os embargos, para o fim de que seja sanadas as contradição e omissões arguidas. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10675.000975/200229 Acórdão n.º 3402002.483 S3C4T2 Fl. 1.888 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. Os embargos são tempestivos, atendendo aos demais pressupostos de admissibilidade e desenvolvimento válido, pelo que deve ser conhecido pelo Colegiado. Analisando o conteúdo dos embargos, tenho que, no entanto, não merecem ser conhecidos dos mesmos, pois que não há a omissão quanto ao conceito de receita operacional bruta, ou mesmo de receita de exportação, estando ambas expressas no v. Acórdão embargado, embora de forma sucinta. A “forma sucinta”, porém, não significa omissão de conceituação, e, além disso, está claro o fundamento condutor do julgado, no sentido de excluir tanto das receitas de exportação quanto da receita operacional bruta, o valor de produtos não industrializados pela recorrente. O que se verifica, portanto, é que a Embargante pretende rediscutir o mérito, o que não é a via adequada pelos Embargos. Quanto a ausência de manifestação quanto a aplicação retroativa da IN SRF nº 315/03, que teria sido rejeitada na preliminar de nulidade, e, ao mesmo tempo, se estaria deixando de aplicar pela conclusão do julgado, tenho que igualmente a Embargante está pretendendo atacar a conclusão do julgado, no sentido de excluir da receita operacional bruta as vendas no mercado interno, o que redunda em pleito de rediscussão da matéria pela inadequada via dos Embargos de Declaração. Finalmente, quanto a falta de manifestação de suposta nova interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto a inaplicabilidade da taxa Selic aos ressarcimentos, igualmente é questão que ataca o mérito da causa, e, consequentemente, não podem ser objeto de insurgência nesta via aclaratória. Do mesmo modo a falta de menção da palavra “receita” que estaria agregada, na Ementa, aos termos “operacional bruta”, não macula o v. Acórdão embargado, por que se trata de mero equívoco de digitação, sem efeitos infringentes ou que mereçam ser aqui saneados. O professor Bernardo Pimentel, citado no voto exarado pelo Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, desta Turma, ao julgar os Embargos de Declaração no Processo nº 10882.002788/200404, trata das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração com singular brilhantismo, de sorte que trago seus ensinamentos para elucidar a matéria. Diz o autor: (...) Consiste a omissão no silêncio do órgão julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes ou pelo Ministério Publico. Também configura omissão a inércia do órgão julgador diante de matéria apreciável de ofício. Padece de obscuridade o pronunciamento jurisdicional que não é claro, inteligível, compreensível. A obscuridade pode ter origem na transmissão das idéias pelo julgador, no momento da redação da decisão. A obscuridade pode estar relacionada a vício formal do pronunciamento jurisdicional, como no caso de superposição de Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 linhas em decisão datilografada ou impressa. Também é possível a ocorrência de obscuridade quando a decisão é manuscrita pelo magistrado, cuja caligrafia produz textos que não são compreensíveis. Já a contradição consiste na incompatibilidade entre proposições constantes do julgado, que são incoerentes entre si. Realmente, a contradição reside na existência de premissas ou conclusões inconciliáveis na decisão jurisdicional. Portanto, só há contradição interna, ou seja, entre proposições lançadas pelo juiz ou tribunal no bojo da decisão jurisdicional. Assim sendo, uma vez que não se deixou de analisar os pedidos do Recurso Voluntário, assim como por terem ficado claros e expressos os fundamentos que conduziram o julgado, não há que se falar em omissão e contradição, tampouco obscuridade ou erro material, não havendo como acolher os Embargos de Declaração, uma vez que ausentes os fundamentos do artigo 65, do Regimento Interno deste CARF. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os embargos de declaração. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/1 0/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 35582.001705/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-004.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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GRUPO ECONÔMICO Recorrente UNIWAY COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS LIBERAIS LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 58 2. 00 17 05 /2 00 4- 67 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão recorrida. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001705/200467 Acórdão n.º 2402004.275 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à contribuição prevista no art. 1o, inciso II, da Lei Complementar 84/96, incidente sobre importâncias distribuídas a cooperados associados da notificada a título de sobras, apuradas nos Livros Diário/Razão, na conta intitulada “Adiantamento de Sobras”, para as competências 01/1999 a 02/2000. O Relatório Fiscal (fls. 29/31) informa que, em decorrência de a notificada integrar grupo econômico, foram chamadas outras empresas partícipes a se manifestarem nos autos, contandose o termo para apresentação de defesa a partir da última empresa cientificada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 04/08/2004 (fl.01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. há nulidade do lançamento, na medida em que este omite os artigos das normas legais específicas dadas como infringidas. Argúi, ainda, a nulidade do lançamento pela falta de intimação dos demais supostos devedores do presente crédito; 2. sustenta a ilegalidade da caracterização de grupo econômico pela fiscalização, posto que realizada com base em presunção. Nesse passo, pondera que não há qualquer relação de subordinação entre as empresas, não bastando a mera vinculação; 3. afirma que cumpriu todas as obrigações legais previstas para as cooperativas, especialmente o disposto no art. 44, inciso I, alínea "c", da Lei 5.764171, para a distribuição não tributada das sobras; 4. por fim, contesta a aplicação de juros moratórios pela taxa SELIC, sustentando a sua ilegalidade. Embora intimadas por via postal, em 25/08/2004 (fls. 124 e 128), as empresas Uniwork Coperativa de Trabalho LTDA. e EDablio Consultoria e Projetos Ltda., supostas integrantes do grupo econômico, não impugnaram o lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária em Duque de Caxias – por meio da DecisãoNotificação (DN) 17.422.4/0195/2005 (fls. 136/140) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante. Sem apresentação de recursos, houve a lavratura de Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Processo foi encaminhado ao setor de cobrança judicial. A Procuradoria Especializada do Fisco determina que o processo retorno à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. A empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda., suposta integrante do grupo econômico, apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua alegação fática de que não integraria o grupo econômico delineado pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB) em Nova Iguaçu/RJ informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001705/200467 Acórdão n.º 2402004.275 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Cumpre esclarecer que somente a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda apresentou recurso voluntário. Quanto às prejudiciais, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa e da supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados. Após a apresentação da peça de impugnação – oportunidade em que a empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda alegava que não existiria a caracterização de grupo econômico, tendo em vista que não haveria relação de controle ou de subordinação entre as empresas apontadas pelo Fisco como integrantes do suposto grupo econômico, havendo apenas uma presunção de grupo econômico –, a Delegacia de Julgamento proferiu decisão indeferindo as alegações expostas nessa peça de impugnação, nos seguintes termos: “[...] 9. Quanto à argüição de ilegalidade na caracterização do grupo econômico, vale perquirir qual o interesse jurídico da impugnante na exclusão do pólo passivo das empresas coligadas/controladas, quando a sua própria situação permanecerá inalterada qualquer que seja o desfecho da controvérsia suscitada; em outros termos, figurando a impugnante no pólo passivo da presente relação jurídica na qualidade de contribuinte – por possuir relação pessoal e direta com o fato gerador das contribuições ora exigidas –, a condição de eventual responsável tributário por parte das demais empresas solidárias constitui verdadeira exceção pessoal e, portanto, somente a estas pertine. 10. Acrescentese, por oportuno, que eventual vício na caracterização do Grupo Econômico terá como efeito a mera alteração na garantia do crédito tributário, não implicando, em qualquer hipótese, na invalidade do lançamento. 11. Ainda assim, não é despiciendo desfazer a equivocada afirmação da defendente de que a caracterização do Grupo Econômico se deu por presunção, eis que devidamente verificado pela fiscalização, a partir da análise da escrituração contábil da notificada, notadamente nas contas denominadas "empresas coligadas e empresas controladas", conforme item 7 do relatório Fl. 268DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 fiscal. [...]” (processo 35582.001705/200467, Decisão Notificação (DN) 17.422.4/0195/2005, fls. 136/140) Com a prolação da decisão de primeira instância, inicialmente não houve a apresentação de recurso voluntário. Com isso, o Fisco lavrou Termo de Revelia e Termo de Trânsito em Julgado da decisão de primeira instância, e encaminhou os autos ao setor de cobrança judicial. Posteriormente, a Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada) determinou o retorno do processo à fase administrativa para que as empresas sejam notificadas sobre o débito, abrindose prazo para defesa, bem como certificandoas de eventual revelia. Por sua vez, o Fisco determinou a reabertura de prazo para a interposição de recurso para todas as empresas integrantes do suposto grupo econômico, nos seguintes termos: “[...] 1. Tratase de DecisãoNotificação DN emitida em 3010512005, sob o n° 17.422.4/0195/2005, que julgou pela procedência do crédito previdenciário lançado sob o DEBCAD n° 35.699.7731. 2. O referido crédito previdenciário foi lançado quando da ação fiscal desenvolvida na empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100 (integrante de grupo econômico), porém, são responsáveis solidárias pelo crédito previdenciário lançado, além da empresa Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda, todas as demais empresas partícipes do grupo econômico, a saber: Uniway Serv. Coop. de Trab. de Profissionais Liberais Ltda CNPJ 73.206.2451000143 , Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda — CNPJ 73.206.2451000143 , EDablio Consultoria e Projetos Ltda CNPJ 03.721.3221000118. 3. Todas as empresas identificadas no item supra – item 2 do presente Despacho, foram chamadas a se manifestarem nos autos, conforme fls. 1 (notificação pessoal da empresa Uniway Cooperativa de profissionais Liberais Ltda), fls. 123 (cópia de Edital Publicado no Jornal do Comércio de 12/11/2004 – empresa Uniway Serv. Cooperat. De Trab. De Profissionais Ltda), fls. 124 (carta enviada à Uniwork Cooperativa de Trabalho LTDA – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR) e fls. 128 (carta enviada à empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda – recebida em 25/08/2004 conforme aposição de assinatura em AR). 4. No entanto, nos autos consta apenas a comprovação do recebimento da DN pela empresa Uniwav Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda 72.387.665/000100. em 1310712005 (fls. 141). 5. Às fls. 170, consta Despacho da Procuradoria Especializada do INSS devolvendo o processo a Seção do Contencioso Administrativo para que todas as empresas partícipes do grupo econômico recebam cópia da presente DecisãoNotificação DN. 6. Dessa foram, esta Seção reencaminha cópia da Decisão Notificação n° 17.422.41019512005 as demais empresas partícipes do grupo econômico, a saber: Uniwav Serv. Coop. de Trab. de Profissionais Liberais Ltda CNPJ 73.206.24510001 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001705/200467 Acórdão n.º 2402004.275 S2C4T2 Fl. 5 7 43 , Uniwork Cooperativa de Trabalho Ltda — CNPJ 73.206.2451000143 , EDablio Consultoria e Projetos Ltda – CNPJ 03.721.3221000118. 7. Ressaltese que o presente Despacho está sendo encaminhada a todas as empresas que integram o grupo econômico, uma vez que o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS está sendo reaberto pelo presente Despacho e começará a fluir após a ciência de todas as empresas partícipes do grupo. [...]” (processo 35582.001705/200467) (g.n.) No retorno do processo à fase administrativa, conforme determinação da Fazenda Nacional, a empresa EDablio Consultoria e Projetos Ltda interpôs recurso alegando, em síntese, os seguintes fatos: 1. a sua constituição como empresa somente ocorreu em março de 2000, logo não há de se falar em contribuições nas competências 01/1999 a 02/2000; 2. ela não pertence a grupo econômico algum, e em tal condição não pode ser considerada solidária aos débitos mencionados no lançamento fiscal; 3. em decorrência da empresa ter sido criada em março de 2000, não poderia ser considerada controladora ou subordinada a qualquer outra empresa, inclusive de uma Cooperativa, pois conforme legislação, as empresas limitadas não possuem personalidade jurídica igual de uma cooperativa; 4. a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) n° 35.699.7731, de 30/07/2004, nunca foi entregue a eDablio Consultoria e Projetos Ltda, apenas a empresa tomou conhecimento em 07/08/2006, quando sua procuradora recebeu cópias da NFLD em questão. Isto, por uma única razão, não há vínculo entre a empresa UNIWAY e a EDABLIO, que é uma empresa limitada e a Uniway, cooperativa. Dessa forma, afirma que não faz parte do mesmo grupo econômico que a cooperativa Notificada e, para comprovar as suas alegações, junta aos autos cópias de documentos. Considerando a garantia da ampla defesa e da supressão de instância, entendese que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações postas na peça recursal, eis que essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos abordados pela peça de impugnação, no momento em que não houve uma demonstração fática de que todas as empresas comporiam ou não o grupo econômico delineado pelo lançamento fiscal. Segundo a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda), ela não tornou conhecimento imediato da autuação, sendo que isso impossibilitou, dentro do prazo regulamentar, a sua produção de prova na fase de impugnação, e, com isso, somente na fase recursal foram apresentadas as questões fáticas e jurídicas da impugnação do lançamento fiscal. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do sujeito passivo da relação obrigacional tributária do presente processo, já que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a documentação existente na empresa (fato novo para o processo) – tais como as questões fáticas expostas nos itens 1 a 4 retromencionados –, deverá a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática somente apresentada em sede de recurso voluntário (fato superveniente ao momento de sua apresentação), visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendese eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do Fisco quanto aos argumentos apresentados na peça recursal ou na peça de impugnação, dandose uma chance para que a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) emende a peça inicial (peça de impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de toda a matéria fática na fase recursal, se a Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) não a apresentou em decorrência de uma causa dada pelo próprio Fisco, corroborado pelo retorno do processo à fase administrativa e pela reabertura de prazo, conforme determinação da Fazenda Nacional (Procuradoria Especializada e Fisco). Isso permitirá que tal matéria fática seja analisada pela primeira instância e evitará a garantia da supressão de instância e da ampla defesa. Esse entendimento acima está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendese que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (itens a 4 dessa decisão) e sinalizadas na peça de impugnação pela empresa autuada (Uniway Cooperativa de Profissionais Liberais Ltda). Nesse particular não há outra solução a ser dada ao presente processo, anulandose a decisão de primeira instância em decorrência da constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada nos autos. A Recorrente (EDablio Consultoria e Projetos Ltda) possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorrerá a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja de forma excepcional e justificada, que foi: impossibilidade de se manifestar, no prazo regulamentar, da autuação em decorrência da falta de ciência de todos os sujeitos passivos (solidariedade). Esse entendimento é corroborado pelo fato de que, após o retorno do Fl. 271DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001705/200467 Acórdão n.º 2402004.275 S2C4T2 Fl. 6 9 processo à fase administrativa, houve a reabertura de prazo para que as empresas (sujeitos passivos), pertencentes ao suposto grupo econômico, apresentassem peça de contestação (recurso), sendo isso determinado pela Fazenda Nacional. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 272DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que o Fisco deverá cientificar os sujeitos passivos dessa decisão – ou seja, deverá dar ciência a todas as empresas que integram o suposto grupo econômico delineado pela auditoria fiscal –, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35582.001705/200467 Acórdão n.º 2402004.275 S2C4T2 Fl. 7 11 Desse modo, é necessário que seja efetuado o saneamento do vício apontado para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido aos sujeitos passivos um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11330.000549/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROVIMENTO. VÍCIO. MATERIAL. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR.
A descrição do fato gerador constitui-se no núcleo do lançamento tributário, sua essência.
Quando a descrição do fato gerador não permite a conclusão sobre sua ocorrência o lançamento é improcedente, como no caso do lançamento original em questão.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA, LANÇAMENTOS SUBSTITUTOS. EFEITOS.
Somente se permite que a Fazenda Pública constitua crédito tributário - em 5 (cinco) anos - contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado, quando a nulidade no lançamento original for de natureza formal.
No presente caso, a nulidade do lançamento original, por ser referente à defeito na descrição do fato gerador, é causa de considerar o lançamento improcedente ou de declarar a nulidade como de natureza material, impossibilitando a contagem de prazo citada acima.
Numero da decisão: 2301-004.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, devido aos efeitos da decadência, por qualquer regra, nos termos do voto do Relator, já que o vício no lançamento original foi conceituado como material. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituava o vício como formal. Sustentação: Rodrigo Arruda Campos. OAB: 157.768/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA ANCIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROVIMENTO. VÍCIO. MATERIAL. DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. A descrição do fato gerador constituise no núcleo do lançamento tributário, sua essência. Quando a descrição do fato gerador não permite a conclusão sobre sua ocorrência o lançamento é improcedente, como no caso do lançamento original em questão. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA, LANÇAMENTOS SUBSTITUTOS. EFEITOS. Somente se permite que a Fazenda Pública constitua crédito tributário em 5 (cinco) anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado, quando a nulidade no lançamento original for de natureza formal. No presente caso, a nulidade do lançamento original, por ser referente à defeito na descrição do fato gerador, é causa de considerar o lançamento improcedente ou de declarar a nulidade como de natureza material, impossibilitando a contagem de prazo citada acima. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, devido aos efeitos da decadência, por qualquer regra, nos termos do voto do Relator, já que o vício no lançamento original foi conceituado como material. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituava o vício como formal. Sustentação: Rodrigo Arruda Campos. OAB: 157.768/SP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 05 49 /2 00 7- 63 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000549/200763 Acórdão n.º 2301004.055 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Rio de Janeiro I / RJ, fls. 0357, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/05/1998 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DIVERGÊNCIAS VALOR DEVIDO X VALOR RECOLHIDO. INADIMPLEMENTO. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. I Constatandose o nãorecolhimento, total ou parcial, de contribuições previdenciárias, cabe efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente. I I O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de dez anos, conforme previsto caput e inciso I do art. 45 da Lei n° 8.212/91, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. I I I A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Lançamento Procedente Como esclarecimento, segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), a partir das fls. 0268, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos nas folhas de pagamentos de empregados elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. O presente lançamento é substituto a lavrado pela NFLD. 32.747.6869, que foi julgada nula. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 26/01/2007 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, a partir das fls. 0314, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. O débito ora em discussão encontrase extinto pela decadência; 2. A fiscalização não expõe de maneira clara e precisa como apurou os valores, especialmente porque não identifica os valores, as competências do suposto débito e, pior, sequer identifica os elementos de convicção que levaram à constituição do crédito previdenciário; 3. Em relação à compensação, deveria a fiscalização apontar os motivos pelos quais considerou irregular o procedimento adotado pela empresa, para que ao preparar sua defesa, pudesse a impugnante discutir o acerto ou não de decisão tomada pela fiscalização; 4. Não há a expressa necessidade de que a autoridade administrativa aprove a compensação entre créditos e débitos da empresa. A competência da fiscalização se limita a verificar se há equivalência entre o montante compensado com o valor do débito devido pela empresa, entretanto, isto não importa dizer que esta compensação deva ser autorizada pela fiscalização; 5. Não está obrigada a recolher o SAT, por ser, inconstitucional o art. 22, inc. II, da Lei 8.212/1991 e, conseqüentemente, a normatização contida no artigo 26, tanto do Decreto n° 2.173/1997, como do Decreto n° 612/92, pois tal normatização deveria ser criada por lei e não por ato do Poder Executivo; 6. Protesta pelo prazo de 90 (noventa) dias para a juntada de demais documentos, tendo em vista o exíguo prazo para apresentação de defesa administrativa; 7. Por todo exposto, pede e espera seja acolhida a defesa, anulandose a notificação lavrada pela fiscalização. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento, a partir das fls. 0357. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, a partir das fls. 0375, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A regra decadencial deve ser a expressa no CTN; 2. Os elementos de convicção para a efetivação do lançamento não foram demonstrados; 3. A compensação foi feita de maneira correta; 4. Impugna o valor do débito; 5. Por todo exposto, requer, em síntese, o provimento do seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0392. Na análise dos autos, fls. 0393, a Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que, em Fl. 458DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000549/200763 Acórdão n.º 2301004.055 S2C3T1 Fl. 4 5 síntese, o Fisco anexasse a decisão que anulou o lançamento original, desse ciência à recorrente dessa decisão e da decisão anexada e reabrisse o prazo para recurso, a partir da ciência. O Fisco anexou a decisão que anulou o lançamento original, fls 0398, Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou manifestação. É o Relatório. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de suas razões recursais. Primeiramente, cabe esclarecer que: 1. A ciência do lançamento ocorreu em 26/01/2007; 2. O período compreendido no débito é de 01/1996 a 05/1998; e 3. tratase de lançamento substituto, conforme informa a fiscalização. As regras decadências expressas no CTN (Art. 150 e Art. 173) já teriam atingido o lançamento, exceto pela única previsão para tanto, expressa no Código. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ... II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Portanto, se a decisão anulou o lançamento por vício formal, a Fazenda possui cinco anos, a partir da decisão, 27/12/2005, fls. 0401, para reconstituir o lançamento. Na análise da decisão, não encontramos a conceituação do tipo do vício que maculou o lançamento, se formal ou material. Encontramos essa definição na ementa da decisão, mas, como todos sabemos, o que define a decisão é seu voto e seu dispositivo. Na decisão encontramos: 18. Constatase, então, que o Relatório Fiscal não contém os requisitos formais que lhe são necessários, não permitindo a identificação clara e objetiva dos fatos geradores que deram origem aos lançamentos, bem como das contribuições devidas, já recolhidas e a recolher, gerando dúvidas quanto ao lançamento. 19. Constatase ainda que o referido Relatório Fiscal não oportuniza à notificada o direito à ampla defesa a ao contraditório. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000549/200763 Acórdão n.º 2301004.055 S2C3T1 Fl. 5 7 20. Referidas imprecisões tornam insanável o processo, restando, pois, prejudicado seu prosseguimento, motivo pelo qual não será apreciada no mérito a impugnação. 21. Portanto, diante de todo o exposto, é de se considerar que o lançamento está eivado de vício insanável, por defeito nos requisitos essenciais de sua constituição, não se apresentando a presente NFLD revestida das formalidades legais e normativas exigíveis, razão pela qual deve ser decretada, de ofício, a sua nulidade. CONCLUSÃO 22. Isto posto, e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; JULGO nulo o presente lançamento, e DECIDO: a) Cancelar a notificação em epígrafe; b) Determinar a emissão de NFLD substitutiva, se couber; c) Determinar o arquivamento do processo, após as providências anteriores. Como não há definição do tipo do vício, cabe a este colegiado definilo. Pois bem, sobre o vício existente entendo ser o mesmo de natureza material. Nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000549/200763 Acórdão n.º 2301004.055 S2C3T1 Fl. 6 9 ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na correta descrição do fato gerador. Com essa definição, devido a ciência do lançamento ter ocorrido em 01/2007 e o período do débito ser de 01/1995 a 05/1998, devese decretar a decadência das contribuições exigidas por qualquer das regras presentes no CTN (Art. 150 e/ou Art. 173). CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10384.000395/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 03 95 /2 00 8- 01 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I, que manteve integralmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 8 a 36, nos valores de R$ 220.846,03, R$ 87.590,61, R$ 404.265,22 e R$ 144.527,43, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, e está fundamentada em omissão de receita apurada a partir de depósito bancário com origem não comprovada. O IRPJ e a CSLL foram lançados pelas regras do lucro presumido, e as contribuições PIS e COFINS, pelo regime cumulativo. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1651.039, às fls. 412 a 424: Em procedimento de fiscalização, a empresa em referência foi autuada e notificada a recolher crédito tributário de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, no valor total de R$ 857.229,29, incluindo acréscimos legais (fls. 7). A empresa é tributada com base no lucro presumido. O contribuinte foi cientificado em 18/1/2008 (fls. 8). A fiscalização apurou os seguintes fatos e infrações (fls. 38/43): · No ano de 2003, entrou nas contas bancárias da empresa um total de R$ 8.483.979,10 e que, para o mesmo período a empresa só declarou R$ 553.441,43 de receita. · Embora intimada e reintimada a contribuinte não apresentou qualquer documento que comprovasse suas afirmações. Banco Bradesco · Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 277/307, entraram na conta corrente da empresa, R$ 3.571.862,47. Na folha 68, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Um valor total de R$ 2.776.914,72. Deste valor, R$ 2.209.608,83 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. · Comparando os valores apontados pelo contribuinte como empréstimo automático, com os históricos constantes dos extratos bancários (an. às fls. 78/123), verificouse que a quase Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 5 4 totalidade destes lançamentos corresponde à operação de desconto de cheques. Os dois primeiros lançamentos observados como empréstimo automático, feitos em 16.05.2007, nos valores de R$ 10.690,00 e R$ 12.551,49, constam no extrato bancário com o histórico de aviso de lançamento. Os R$ 2.186.367,34, restantes, constam no extrato com o histórico de operação de desconto de cheques. Este valor, por se tratar de desconto de cheques de clientes, é receita da empresa. O que o banco faz, ao descontar os cheques dos clientes da Transnacional, é só antecipar o recebimento desta receita. · Em relação aos dois primeiros créditos, no valor de R$ 23.241,49, sob o histórico de aviso de lançamento no extrato bancário, o contribuinte informou, na sua planilha, tratarse de empréstimo automático, mas não apresentou nenhum documento comprobatório, muito embora tenha sido intimado e reintimado a fazêlo. De maneira que os R$ 2.209.608,83 serão considerados como receita. · Nas planilhas da folha 68, o contribuinte sugere que R$ 143.298,00 não seriam receitas, porque se tratavam de transferências. Ora, o fato de ser transferência não significa que não seja receita. A transferência pode ter sido feita por algum cliente. Dos R$ 143.298,00, apenas R$ 39.000,00 estão identificados nos extratos bancários como tendo sido realizados pela empresa Transnacional. Os R$ 104.298,00 ou estão identificados, na sua maioria, como tendo sido feitos por terceiros, ou não estão identificados. Como o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório dessas transferências, os R$ 104.298,00 não serão excluídos das suas receitas. Finasa · Conforme livro razão, cópia anexas às fis. 255/275, entraram na conta corrente da empresa, R$ 2.586.454,44.. Na folha 71, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Um valor total de R$ 2.158.177,47. Deste valor, R$ 1.187.857,32 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. · Quadro resumo da receita no Finasa: RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO FINASA: Valor tot. depos. na conta corrente, conf. fl. 275 anexa: R$ 2.586.454,44 Total apont. pelo contr. (fl. 71) como não sendo receita: R$ 2.158.177,47 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 428.276,97 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 1.040.761,21 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 19.351,54 Valor total da rec. a adicionar: R$ 1.060.112,75 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 6 5 VALOR TOTAL DA REC. DEPOS. NO FINASA: R$ 1.488.389,72 Caixa Econômica Federal · Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 308/328, entraram na conta corrente da empresa, R$ 1.624.165,50. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas e os extratos bancários anexos às fls. 169/212. Não apresentou, no entanto, nenhum documento comprobatório dos lançamentos. · Quadro resumo da receita na CEF: RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NA CEF Valor tot. depôs. na conta corrente, conf. Fls. 325 anexa: R$ 1.624.165,50 Valor apont. pelo contr. como não sendo receita, conf. fl.74 , an.: R$ 1.165.390.61 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 458.774,89 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 643.245,94 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 98.177,00 Valor total da rec. a adicionar: R$ 741.422,94 VALOR TOTAL DA RECEITA DEPOS. NA CEF: R$ 1.200.197,83 Banco do Brasil · Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 245/255, entraram na conta corrente da empresa, R$ 688.592,84. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas e os extratos bancários anexos às fls. 213/241. Não apresentou, no entanto, nenhum documento comprobatório dos lançamentos. Quadro resumo da receita no BB: RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO BANCO DO BRAS1L Valor tot. depôs. na conta corrente, conf. fl. 255 anexa: R$ 688.592,84 Valor apont. pelo contr. como não sendo receita, conf. fl. 77, an.: R$ 623.132,69 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 65.460,15 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 290.536,40 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 16.300,00 Valor total da rec. a adicionar: R$ 306.836,40 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 7 6 VALOR TOTAL DA RECEITA DEPOS. NO B. BRASIL: R$ 372.296,55 A empresa apresentou impugnação, protocolizada em 18/2/2008 (fls. 368/394), alegando em síntese o seguinte: a) O autor do procedimento fiscal não analisou com o cuidado necessário os documentos e esclarecimentos apresentados, conforme apontado no termo de constatação fiscal de fls. 34/44, onde informa apenas que o desconto de cheque, por se tratar de cheque de clientes, é receita da empresa, porque cheques de clientes são originários de vendas, enquadrando tais operações de forma indevida na presunção prevista no art. 42, da Lei n° 9.430196. b) A origem dos recursos que foram utilizados para depósitos está devidamente comprovada, conforme explicação e escrituração contábil apresentada, cópias às fls. 244/327 dos autos, fato não analisado pelo autor do procedimento fiscal. Como demonstrado e provado nos autos, tratase de operações de desconto de títulos, cheques, conta de cobrança, empréstimos, etc, todas as operações devidamente contabilizadas, envolvendo sistematicamente ativos existentes da autuada conforme indicada na escrituração do livro razão. c) Não há razão para a não aceitação da escrituração e demais documentos bancários acostado nos autos pelo simples fato de tais documentos não coincidirem com os valores do faturamento da empresa, uma vez que tiveram origem em sua maioria em desconto de cheques, conforme indicado nos extratos bancários e devidamente escriturados no diário e razão da requerente, fato constatado e comprovado pelo autor do procedimento fiscal. d) Se a requerente mantém sua contabilidade em boa e devida forma e o autor do procedimento encontrou inexatidões nas contas bancárias, as quais o próprio Auditor Fiscal da Receita Federal examinou e descreveu, cabia a ele ampliar seus trabalhos investigatórios e apontar objetivamente o reflexo dessas eventuais inexatidões nos cálculos do tributo devido, e não fazer, simplesmente, uso de presunção não autorizada na Lei. Eventual erro não é fato gerador de impostos. e) Outro fato não levado em consideração pelo autor do procedimento fiscal foram os cheques devolvidos, receitas de alienação de ativo permanente e empréstimos, uma vez que no cálculo da receita omitida indicada às fls. 44, o agente do fisco informa que o valor total da receita depositada no Banco foi de R$ 6.169.738,68 (seis milhões cento e sessenta e nove mil setecentos e trinta e oito reais e sessenta e oito centavos). Desse valor foi deduzida apenas a receita declarada no valor de R$ 553.441,43 (quinhentos e cinqüenta e três mil, quatrocentos e quarenta e um reais e quarenta e três centavos), que no caso foi a receita da atividade principal, deixando de retirar os cheques devolvidos, receita de venda de ativo imobilizado e empréstimos, todos devidamente comprovados com cópias do razão e cheques devolvidos que segue em anexo. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 8 7 f) De acordo com a jurisprudência administrativa “a omissão de Receita com base em depósito bancário somente pode ser aplicada quando os referidos depósitos não estiverem devidamente contabilizados. Caso todos os depósitos bancários estejam escriturados não é aplicável a presunção prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96”. g) Na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de oficio é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, quando se refere às Bases do Lançamento. h) O princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta. i) Não pode prosperar a presente autuação, uma vez que as provas das origens de recursos não foram admitidas, os valores tributados em um mês não foram considerados como origem nos meses seguintes, e principalmente porque os depósitos estão todos escriturados nos livros contábeis da autuada, tornando inadmissível a autuação por presunção legal. j) As irregularidades apontadas pela fiscalização não enquadram na moldura da presunção de omissão de receita estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que a origem dos recursos utilizados para depósitos está devidamente escriturada e comprovada. k) Em outras oportunidades, o Poder Judiciário sabiamente repugnou tal tributação, resultando pacificada a jurisprudência na Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos. Essa Súmula está plenamente em vigor nos dias de hoje, porquanto permanecem, sob a égide da nova Ordem Constitucional, as mesmas razões que levaram à sua edição. l) É forçoso concluir que o numerário depositado em instituição financeira não constitui, por si só, fato gerador do imposto de renda, porquanto caracteriza mera presunção de auferimento de renda. E a presunção, em face dos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada na conceituação dos tributos e da vedação da integração analógica para a imposição de tributo não previsto em lei, que regem as relações jurídicotributárias, não tem lugar no Direito Tributário. Ninguém está obrigado a Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 9 8 pagar tributo cujo fato gerador, base de cálculo e contribuinte não estejam precisamente definidos na lei. m) Depósitos bancários, por sua própria natureza, configuram apenas indícios de acréscimo patrimonial, o ponto de partida, portanto, de uma investigação tributaria, que poderá ou não culminar numa autuação fiscal. De forma alguma servem para indicar receitas tributáveis, pois não necessariamente representam acréscimo patrimonial. Pelas mais diversas razões, podem ter origens tributáveis ou não, ou já tributadas exclusivamente na fonte. n) A tentativa de inverter o ônus da prova é de tal fragilidade que chega a ser surpreendente a edição do artigo 42, não havendo qualquer dúvida de que o Judiciário novamente repelirá lançamentos nele fundados. Alguém será capaz de saber, com certeza, a origem de todos os depósitos efetuados em cada uma de suas contas correntes bancárias nos últimos cinco ou seis anos? o) Como já salientou Alberto Xavier (I.R. Lançamento por arbitramento: pressupostos e limites. RDT 31/178), nem quando o ônus da prova seja eventualmente transferido ao particular será excluída da Administração a obrigação de averiguar a verdade real dos fatos, que no caso sob análise não foi observado, uma vez que os depósitos estão todos escriturados e sua origem comprovada através de sua escrituração, não se aplicando no caso a presunção legal de omissão de receita com base em depósito bancário, com inversão do ônus da prova. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP I manteve integralmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 24/10/2013, a Contribuinte apresentou em 21/11/2013 o recurso voluntário de fls. 430 a 464, com os argumentos abaixo sintetizados: Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 10 9 PRELIMINARES DE NULIDADE PRELIMINAR DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO CONFORME DICÇÃO DO INCISO X DO ART.5° DA CARTA MAGNA a presente autuação se deu em razão de a Lei Complementar 105/2001 permitir o acesso aos dados bancários de qualquer contribuinte pela Fiscalização. O presente sujeito passivo teve o seu sigilo bancário quebrado sem autorização judicial; o sigilo bancário é uma garantia constitucional, que visa proteger as movimentações bancárias e as aplicações financeiras dos indivíduos, sendo uma extensão do direito à intimidade e à privacidade, insculpido no art. 5º, inciso X, da Constituição Federal; só o Poder Judiciário tem permissão constitucional para determinar o afastamento do direito em pauta. A outorga de competência decorre do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional (art. 5°, XXXV); não poderia a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal aplicar o art. 6º da LC 105/2001, por entendermos que ele é incompatível com a Carta Magna; deve ser declarada a nulidade do crédito tributário discutido nos presentes autos, uma vez que o mesmo foi levantado com base em quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; PRELIMINAR DE INVALIDADE DA LEI N° 10.174/2001 a Lei n° 10.174/2001 não poderia ingressar no sistema antes da publicação da LC 105/2001, pois é a partir da vigência desta Lei Complementar que a Lei 10.174/2001 poderia ingressar no sistema de forma válida, podendo a Secretaria da Receita Federal utilizar dados da CPMF para fins de verificação da existência de crédito tributário relativo aos impostos e contribuições por ela administrados; a edição da Lei n° 10.174/2001 é inválida por vício de competência. A norma inferior constante da lei n° 10.174/2001 é inválida porque incompatível com a norma (materialmente supraordenada) que limita seu possível conteúdo (LC 105, art. 6º). Só a partir do advento da LC 105 que a autoridade administrativa recebeu o permissivo para ter acesso às informações bancárias dos contribuintes; MÉRITO PROPRIAMENTE DITO ERRO NO LEVANTAMENTO DO CREDITO TRIBUTÁRIO é errôneo tributar por presunção com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, uma vez que se tratam de legítimas operações bancárias, tais como descontos de títulos (cheques descontados), que em muitos casos são devolvidos e não foram deduzidos dos valores de cheques descontados, valores já pertencentes ao ativo da própria pessoa jurídica, em operações devidamente contabilizadas, que não podem ser consideradas como omissão de receita por falta de previsão legal; os argumentos da Fiscalização não correspondem à realidade dos fatos, ou seja, à verdade material, porque os valores depositados nas contas correntes objeto da presente Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 11 10 autuação, cópias dos extratos de fls. 78/241 das contas movimentadas pelo autuado no decorrer do anocalendário de 2003, tiveram como origem os recursos do faturamento da atividade da requerente, venda de parte de seu ativo imobilizado, e outra parte oriunda de recursos de operações bancárias legitimas, tais como desconto de títulos, cheques descontados, que às vezes eram devolvidos e reapresentados; foram considerados como omissão de receita, cobranças, empréstimos, valores já pertencente ao ativo da própria autuada, em operações devidamente contabilizadas conforme indicado pelo próprio autor do procedimento fiscal e comprovado com cópias do Livro Razão de fls. 244/327 dos autos, onde fica demonstrado e comprovado que todos os depósitos efetuados pela requerente no decorrer do anocalendário de 2003 foram devidamente escrituradas, com base em operações bancárias indicadas e comprovadas nos extratos; o autor do procedimento fiscal e a autoridade julgadora não analisaram com o cuidado necessário os documentos e esclarecimentos apresentados, conforme apontado no termo de constatação fiscal de fls. 34/44, que informa apenas que o desconto de cheque, por se tratar de cheque de clientes, é receita da empresa, porque cheques de clientes são originários de vendas, enquadrando tais operações de forma indevida na presunção prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96; a origem dos recursos que foram utilizados para depósitos está devidamente comprovada, conforme explicação e escrituração contábil apresentada, cópias às fls. 244/327 dos autos, fato não analisado pelo autor do procedimento fiscal e pela autoridade julgadora, quando não levou em consideração o fato de que cheques descontados em muitos casos são devolvidos e, mesmo assim, embora esteja comprovada com os extratos bancários a operação de devolução de cheques descontados, foi considerado como depósito de origem não comprovada, o que não está correto; tratase de operações de desconto de títulos, cheques descontados que em alguns casos são devolvidos conforme comprova os extratos bancários, conta de cobrança, empréstimos, etc, todas as operações devidamente contabilizadas, envolvendo sistematicamente ativos existentes da autuada conforme indicado na escrituração do livro Razão; não há razão para a não aceitação da escrituração e demais documentos bancários acostado nos autos, pelo simples fato de tais documentos não coincidirem com os valores do faturamento da empresa, uma vez que tiveram origem em sua maioria em desconto de cheques que em muitos casos foram devolvidos e mesmo assim foram considerados como depósito de origem não comprovada, conforme indicado nos extratos bancários e devidamente escriturados no Diário e Razão da requerente, fato constatado e comprovado pelo autor do procedimento fiscal e retratado nos mencionados extratos bancários anexados nos autos; se a Recorrente mantém sua contabilidade em boa e devida forma e o autor do procedimento encontrou inexatidões nas contas bancárias, as quais o próprio Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil examinou e descreveu, cabia a ele ampliar seus trabalhos investigatórios e apontar objetivamente o reflexo dessas eventuais inexatidões nos cálculos do tributo devido, e não fazer, simplesmente, uso de presunção não autorizada na Lei. Eventual erro não é fato gerador de impostos; na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 12 11 A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99; o Fisco não cumpriu com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária; está caracterizado que o único elemento em que se baseou o Fisco para efetuar o lançamento do tributo foi obtido através de depósitos tidos como não comprovados e que efetivamente foram comprovados e escriturados, além do que existe erro no levantamento. Há que se ter como nulo o presente procedimento fiscal, mesmo porque é ilegítimo o lançamento de Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; se o fato gerador do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda e proventos de qualquer natureza e acréscimos de patrimônio, os depósitos bancários de origem devidamente comprovada não é fato gerador do imposto como definido no Código Tributário Nacional; o lançamento objeto da presente lide não pode prosperar, porque ele está embasado em presunção fora dos parâmetros legais. Este é o Relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 13 12 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre omissão de receita apurada a partir de depósito bancário com origem não comprovada. A autuação abrange fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003. O IRPJ e a CSLL foram lançados pelas regras do lucro presumido, e as contribuições PIS e COFINS, pelo regime cumulativo. O trabalho de auditoria se deu inicialmente sobre a documentação contábil e fiscal da Contribuinte, quando a Fiscalização detectou grande divergência entre o montante dos registros contábeis relativos aos ingressos bancários e os relativos às receitas auferidas. Pelo livro Razão, contatouse que a conta 00102 – Bancos Conta Movimento tinha recebido um total de R$ 8.483.979,10 de ingressos durante o ano de 2003, enquanto que a Contribuinte havia declarado em DIPJ, para o mesmo período, uma receita de apenas R$ 553.441,43. Na contabilidade, a grande maioria dos lançamentos dos ingressos bancários tinha como contrapartida a conta 10101 – Caixa Geral, e não conta de receita/resultado. Diante desse contexto, a Fiscalização passou a solicitar tanto os extratos bancários quanto a comprovação da origem dos depósitos bancários. Em resposta, a Contribuinte apresentou os extratos bancários e planilhas em que procurou demonstrar que a maioria dos valores depositados em suas contas bancárias não decorria de receitas auferidas. A planilha apresentada juntamente com a resposta enviada em 10/09/2007 (fls. 55), trouxe observação de que a maioria dos ingressos bancários correspondia a “Cheque Reapresentado”. Como a justificativa apresentada não encontrava suporte nos extratos bancários, a Contribuinte foi novamente intimada a prestar esclarecimentos sobre a origem dos depósitos bancários. Em nova resposta, enviada em 07/12/2007 (fls. 69), a Contribuinte passou a indicar em outra planilha as seguintes observações para a origem da maioria dos ingressos bancários: “Empr. Automático”, “Chq. Estornado” e “Estorno Lançamento”. Como continuou não havendo correspondência entre as origens indicadas na nova planilha e as informações constantes dos extratos bancários, a Fiscalização realizou o Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 14 13 lançamento com base em omissão de receita apurada a partir de depósito bancário com origem não comprovada. O termo de Constatação Fiscal, às fls. 38 a 42, registra em detalhes o que foi apurado em relação aos depósitos realizados nas várias contas bancárias da empresa: BRADESCO: Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 277/307, entraram na conta corrente da empresa, R$ 3.571.862,47. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas anexas às fls.65/68. Na folha 68, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Um valor total de R$ 2.776.914,72. Deste valor, R$ 2.209.608,83 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. Comparando os valores apontados pelo contribuinte como empréstimo automático, com os históricos constantes dos extratos bancários (an. às fls. 78/123), verifiquei que a quase totalidade destes lançamentos corresponde à operação de desconto de cheques. Os dois primeiros lançamentos observados como empréstimo automático, feitos em 16.05.2007, nos valores de R$ 10.690,00 e R$ 12.551,49, constam no extrato bancário com o histórico de aviso de lançamento. Os R$ 2.186.367,34, restantes, constam no extrato com o histórico de operação de desconto de cheques. Este valor, por se tratar de desconto de cheques de clientes, é receita da empresa. O que o banco faz, ao descontar os cheques dos clientes da Transnacional, é só antecipar o recebimento desta receita. Em relação aos dois primeiros créditos, no valor de R$ 23.241,49, sob o histórico de aviso de lançamento no extrato bancário, o contribuinte informou, na sua planilha, tratarse de empréstimo automático, mas não apresentou nenhum documento comprobatório, muito embora tenha sido intimado e reintimado a fazêlo. De maneira que os R$ 2.209.608,83 serão considerados como receita. Os R$ 2.186.367,34, porque cheques de clientes são originários de vendas, e os R$ 23.241,49 serão considerados receitas porque, tendo entrado na conta bancária do contribuinte, ele não comprovou tratarse de empréstimo, conforme sugeriu na sua planilha da folha 66. Nas planilhas da folha 68, o contribuinte sugere que R$ 143.298,00 não seriam receitas, porque se tratavam de transferências. Ora, o fato de ser transferência não significa que não seja receita. A transferência pode ter sido feita por algum cliente. Dos R$ 143.298,00, apenas R$ 39.000,00 estão identificados nos extratos bancários como tendo sido realizados pela empresa Transnacional. Os R$ 104.298,00 ou estão identificados, na sua maioria, como tendo sido feitos por terceiros, ou não estão identificados. Como o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório dessas transferências, os R$ 104.298,00 não serão excluídos das suas receitas. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 15 14 RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO BRADESCO Valor tot. depos. na conta corrente, conf. fl. 307, anexa: R$ 3.571.862,47 Valor apont.. pelo contr. como não sendo receita, conf. fl. 68, an.: R$ 2.776.914,72 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 794.947,75 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 2.186.367,34 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 23.241,49 Rec. a adicionar decorrente de transferências: R$ 104.298,00 Valor total da rec. a adicionar: R$ 2.313.906,83 VAOR TOTAL DA RECEITA DEPOS. NO BRAD.: R$ 3.108.854,58 FINASA: Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 255/275, entraram na conta corrente da empresa, R$ 2.586.454,44. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas anexas às fls. 69/71. Na folha 71, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Um valor total de R$ 2.158.177,47. Deste valor, R$ 1.187.857,32 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. Comparando os R$ 1.187.857,32 apontados pelo contribuinte como empréstimo automático, com os históricos constantes dos extratos bancários (anexos às fls. 124/168), verifiquei que R$ 1.040.761,21 destes lançamentos foram feitos sob o histórico, nos extratos bancários, de “AV. E/B CARTEIRA” (histórico que é utilizado para o registro de desconto de cheques ou títulos). R$ 147.096,11 dos R$ 1.187.857,32 constam nos extratos bancários como “AD. OP. CRÉDITO”. R$ 127.744,57 dos R$ 147.096,11 foram lançados, inicialmente, a crédito e, posteriormente, estornados, nos extratos bancários, sob o histórico de “EST. AD OP. CREDIT”. Verifiquei que todos os outros estornos com igual histórico foram classificados pelo contribuinte como “chq. Estornados”. De forma que o valor de R$ 970.320,15 totalizado pela empresa, na folha 71, como “chq. Estornados” deve ser adicionado destes R$ 127.744,57, passando, portando, de R$ 970.320,15 para R$ 1.098.064,72. R$ 19.351,54 (R$ 147.096,11 127.744,57) lançados como “AD. OP. CRÉDITO” não foram estornados e o contribuinte não apresentou a documentação comprobatória de sua origem. De maneira que estes R$ 19.351,54 serão considerados como receita. Os R$ 1.040.761,21 , conforme explicado acima, por se tratar de desconto de cheques de clientes, é receita da empresa. O que o banco faz, ao descontar os cheques dos clientes da Transnacional, é só antecipar o recebimento desta receita. De maneira que, este valor será considerado como receita. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 16 15 RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO FINASA Valor tot. depos. na conta corrente, conf. fl. 275, anexa: R$ 2.586.454,44 Total apont. pelo contr. (fl. 71) como não sendo receita: R$ 2.158.177,47 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 428.276,97 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 1.040.761,21 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 19.351,54 Valor total da rec. a adicionar: R$ 1.060.112,75 VALOR TOTAL DA REC. DEPOS. NO FINASA: R$ 1.488.389,72 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL: Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 308/325, entraram na conta corrente da empresa, R$ 1.624.165,50. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas e os extratos bancários anexos às fls. 169/212. Não apresentou, no entanto, nenhum documento comprobatório dos lançamentos. Na folha 74, anexa, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Um valor total de R$ 1.165.380,61. Deste valor, R$ 827.915,91 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. Comparando, conforme planilha apresentada abaixo, os valores apontados pelo contribuinte como empréstimo automático, com os históricos constantes dos extratos bancários (an. às fls. 169/212), verifiquei que a maioria (R$ 643.245,94) destes lançamentos está registrada no extrato com o histórico de “CRE SICOBD”. Histórico que é utilizado, pela CEF, para desconto de títulos ou cheques. No caso da Transnacional, segundo informação do contador da mesma, tratavase de desconto de cheques. [...] Estes R$ 643.245,94, por serem conseqüentes de desconto de cheques de clientes, representam receita da empresa. O que o banco faz, ao descontar os cheques dos clientes da Transnacional, é só antecipar o recebimento desta receita. R$ 98.177,00 dos valores informados como empréstimo automático, estão registrados no extrato bancário sob o histórico de crédito autorizado. O contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório da origem destes créditos, muito embora tenha sido intimado e reintimado a fazêlo. De maneira que os R$ 741.422,94 serão considerados como receita. Os R$ 643.245,94, porque cheques de clientes são originários de vendas, e os R$ 98.177,00 serão considerados receitas porque, tendo entrado na conta bancária do contribuinte, ele não comprovou tratarse de empréstimo ou outra origem diferente de receita, conforme sugeriu na sua planilha da folha 74. Verifiquei, ainda, que R$ 24.900,00 informado pelo contribuinte como empréstimo automático, referiamse, conforme os extratos, Fl. 487DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 17 16 a depósitos de cheque que foram posteriormente estornados. Constatei, também, através do extrato, que, em 03.11.2003, houve um crédito de empréstimo no valor de R$ 96.492,97. De forma que dos R$ 1.165.390,61 apontados pela empresa, só R$ 423.967,67 (R$ 327.474,70 de cheques estornados mais R$ 96.492,97 de crédito de empréstimo) não representam, realmente, entradas de caixa conseqüentes de receitas da empresa. RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO CEF: Valor tot. depo. na conta corrente, conf. fl. 325 anexa: R$ 1.624.165,50 Valor apont. pelo contr. como não sendo receita, conf. fl.74 , an.: R$ 1.165.390.61 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 458.774,89 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 643.245,94 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 98.177,00 Valor total da rec. a adicionar: R$ 741.422,94 VALOR TOTAL DA RECEITA DEPOS. NA CEF: R$ 1.200.197,83 BANCO DO BRASIL: Conforme livro razão, cópia anexas às fls. 245/255, entraram na conta corrente da empresa, R$ 688.592,84. Intimada e reintimada a informar e comprovar, dentre os créditos, quais os que não seriam receita da empresa, apresentou, em resposta, as planilhas e os extratos bancários anexos às fls. 213/241. Não apresentou, no entanto, nenhum documento comprobatório dos lançamentos. Na folha 77, anexa, a empresa totaliza os valores que diz não representarem receitas da Transnacional. Destes valores, R$ 321.115,08 representaram, segundo o resumo do contribuinte, empréstimos automáticos. Comparando, conforme planilha apresentada abaixo, os valores apontados pelo contribuinte como empréstimo automático, com os históricos constantes dos extratos bancários, verifiquei que a maioria (R$ 290.536,40) destes lançamentos está registrada no extrato com o histórico de “CHEQUES DESCONTADOS”. [...] Estes R$ 290.536,40, por serem conseqüentes de desconto de cheques de clientes, representam receita da empresa. O que o banco faz, ao descontar os cheques dos clientes da Transnacional, é só antecipar o recebimento desta receita. R$ 8.503,00 e R$ 7.800,00 dos valores informados como empréstimo automático, estão registrados no extrato bancário sob os históricos de crédito autorizado e depósito online. O contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório da origem destes créditos, muito embora tenha sido intimado e reintimado a fazêlo. De maneira que R$ 306.836,40 serão considerados como receita. Os R$ 290.536,40, porque cheques de clientes são originários de vendas, e os R$ 16.300,00 serão considerados receitas porque, tendo entrado na conta bancária Fl. 488DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 18 17 do contribuinte, ele não comprovou tratarse de empréstimo ou outra origem diferente de receita. Verifiquei, ainda, que R$ 14.278,68 (R$ 8.806,35 + R$ 5.472,33, conforme planilha acima) informados pelo contribuinte como empréstimo automático, referiamse, segundo os extratos, a estorno de débitos. Estorno de débito não é, realmente, receita. Outro equivoco cometido pela empresa, foi que a soma correta dos valores da planilha que apresentou às fls.75/77 seria (sem corrigir as classificações do contribuinte) de R$ 302.017,61 de “estorno de cheque” e R$ 321.115,08 de “Empr. Automático”, e não os respectivos valores de R$ 292.853,27 e R$ 321.115,08, conforme totalização feita pela empresa à folha 77. De forma que não serão considerados como receitas, apenas os créditos na conta bancária identificados nas planilhas como estornos, ou seja, os R$ 302.017,61 que o contribuinte classificou nas planilhas como estorno de lançamento ou estorno de cheque, e os R$ 14.278,68 de estornos de débitos classificados, equivocadamente, como empréstimo automático. Um valor total de R$ 316.296,29. RESUMO DA RECEITA DEPOSITADA NO BANCO DO BRASIL: Valor tot. depos. na conta corrente, conf. fl. 255 anexa: R$ 688.592,84 Valor apont. pelo contr. como não sendo receita, conf. fl. 77, an.: R$ 623.132,69 Valor da receita admitida pelo contribuinte: R$ 65.460,15 Rec. a adicionar decorrente de desconto de cheques: R$ 290.536,40 Rec. a adic. decorr. de créditos sem comprov. origem: R$ 16.300,00 Valor total da rec. a adicionar: R$ 306.836,40 VALOR TOTAL DA RECEITA DEPOS. NO B. BRASIL: R$ 372.296,55 A decisão de primeira instância administrativa, que examinou a impugnação da Contribuinte, considerou corretas as conclusões da Fiscalização, e manteve integralmente as autuações. Nessa fase recursal, a Contribuinte suscita duas preliminares de nulidade que merecem ser rejeitadas. Em primeiro lugar, não houve aplicação da Lei Complementar 105/2001, nem da Lei 10.174/2001. Não houve nem mesmo emissão de Requisição para Informação de Movimentação Financeira RMF, eis que a apuração das infrações se deu a partir dos registros contábeis da própria empresa e dos extratos bancários fornecidos por ela mesma à Fiscalização. De toda forma vale registrar que, ainda que tivesse havido a requisição das informações bancárias diretamente às instituições financeiras (o que não ocorreu), não caberia a este órgão de julgamento administrativo apreciar os alegados vícios de inconstitucionalidade. A matéria inclusive já foi sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 19 18 Quanto ao mérito, constato que a Contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos depósitos bancários, e ela não trouxe nenhum elemento adicional que pudesse ensejar qualquer alteração na detalhada análise feita pela Fiscalização, conforme acima transcrito. Dos R$ 8.483.979,10 que ingressaram em suas contas bancárias durante o ano de 2003, a Fiscalização identificou que R$ 2.314.240,42 não correspondiam a receitas auferidas, e as alegações apresentadas pela Contribuinte não podem justificar outras exclusões na parte remanescente dos ingressos bancários, no montante de R$ 6.169.738,68, que embasaram o lançamento por caracterizarem receitas tributáveis. Além de tudo o que já foi mencionado sobre o trabalho fiscal, é importante registrar que os lançamentos no livro Razão não permitem identificar para os depósitos bancários uma origem diversa daquela que foi constatada pela Fiscalização. Isto porque os lançamentos contábeis dos ingressos bancários têm como contrapartida a conta “10101 – Caixa Geral”. E mais, eles apresentam históricos bastante vagos (“vr. chq. emitido cf. extrato”; “vr. chq. compensado cf. extrato”; “vr. chq. descontado cf. extrato”, etc.), que em vez de afastarem, reforçam a aplicação da presunção legal de omissão de receitas contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. O fato é que as justificativas apresentadas pela Contribuinte para os depósitos bancários já foram consideradas pela Fiscalização, e elas não permitem outras exclusões além das já realizadas na fase de auditoria. Vale registrar que a Contribuinte não demonstrou a ocorrência de qualquer outro empréstimo ou cheque estornado/devolvido, etc., além daqueles já computados pela Fiscalização. Suas alegações foram sempre genéricas, e o único elemento mais específico por ela apresentado consiste em planilhas que não guardam coerência com as informações constantes dos extratos bancários, e nem com os próprios registros contábeis da empresa. A presunção legal que embasa o lançamento foi introduzida pelo já referido art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que deu base às autuações ora combatidas. É oportuno registrar que, realmente, antes da introdução do art. 42 da Lei 9.430/1996 (acima transcrito), era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10384.000395/200801 Acórdão n.º 1802002.375 S1TE02 Fl. 20 19 A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990, de fato, exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Assim, na ausência de uma hipótese específica de presunção legal, cabia à Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos à tributação. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Deste modo, não procedem os argumentos desenvolvidos na peça de defesa, porque atinentes a um contexto normativo diferente do atual, no qual a valoração da prova em relação à omissão de receitas seguia outros critérios jurídicos. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 491DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10680.901839/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.133
Decisão: Resolução - Conversão em Diligência
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA para determinar (i) o SOBRESTAMENTO do julgamento, (ii) a remessa dos autos deste processo à DRF de origem e (iii) a devolução do presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/2009-92.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Resolução - Conversão em Diligência Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA para determinar (i) o SOBRESTAMENTO do julgamento, (ii) a remessa dos autos deste processo à DRF de origem e (iii) a devolução do presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/2009-92. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA para determinar (i) o SOBRESTAMENTO do julgamento, (ii) a remessa dos autos deste processo à DRF de origem e (iii) a devolução do presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 83 9/ 20 13 -3 1 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Cuidase, na origem, de Declaração de Compensação (DCOMP n. 23150.18111.280611.1.3.024901) por meio da qual a ora Recorrente pleiteia alegado crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2007 – exercício 2008 –, no valor histórico de R$ 43.767.560,73 – que, atualizado até a data da DCOMP, perfazia o montante de R$ 59.585.157,18 –, objetivando a compensação com débito de IRPJ e de CSLL de maio/2011 no valor de R$ 50.393.701,58 (fl. 116). O valor remanescente de R$6.751.473,19 (histórico) foi consumido pela DCOMP n. 35496.94422.040711.1.3.025760 (fl. 161). A douta DRFBelo Horizonte confirmou os valores (i) de retenções na fonte (R$13.266.872,81) e (ii) de pagamentos realizados no exercício (R$460.879.980,62), glosando, tão somente, (iii) valores relativos compensações declaradas (R$1.117.509,42) cujo alegado crédito teria se originado em pagamentos a maior de estimativas, conforme tabela existente no Despacho Decisório n. 048867925 (fl. 114): Parc. Crédito Retenções Fonte Pagamentos Dem. Estim. Comp. Soma Parc. Cred. PER/DCOMP R$ 13.266.872,81 R$ 460.879.980,62 R$ 1.117.509,42 R$ 475.264.362,85 Confirmadas R$ 13.266.872,81 R$ 460.879.980,62 R$ 0,00 R$ 474.146.853,43 Os valores não reconhecidos pela d. DRF encontramse em discussão em Processos Administrativos que estão em julgamento neste c. CARF, conforme sintetizado no quadro abaixo: PER/DCOMP P.A. Pendente Principal compensado Status 36818.22530.190907.1.7 .040089 10680.935081/200959 R$ 983.066,30 Aguardando julgamento definitivo 14752.25141.250907.1.3 .043558 10680.935084/200992 R$ 134.443,12 Aguardando julgamento definitivo R$ 1.117.509,42 Por assim ser, a d. DRFBelo Horizonte entendeu que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual HOMOLOGO(U) PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP” (fl. 114) acima identificado e apontou como valor consolidado (para pagamento até 30/04/2013) os montantes de R$1.478.296,12 (principal), R$295.659,22 (multa) e R$243.031,88 (juros). Apresentada tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 02/19), a d. 5ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente o pleito, nos termos do acórdão n. 1045.881 que restou assim ementado (fls. 174/177), litteris: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.901839/201331 Resolução nº 1101000.133 S1C1T1 Fl. 4 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na ocasião, a douta instância a qua fundamentou a decisão de improcedência sob o fundamento de que estão “ausentes os pressupostos de liquidez e certeza” (fl. 176), na medida em que “as manifestações de inconformidade referentes às estimativas objeto de compensações não homologadas foram julgadas improcedentes e, atualmente, estão aguardando julgamento de recurso” (fl. 176). A contribuinte foi intimada do r. decisum a quo no dia 10/10/2013 (AR de f. 182) e contra referido acórdão apresentou, em 11/11/2013, Recurso Voluntário (fls. 183/204) defendendo e requerendo, em síntese, que: “Considerandose que o presente feito tem como base o mesmo crédito discutido nos autos dos processos 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.04 0089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558), bem como o fato de que a homologação da compensação depende do provimento dos recursos voluntários a serem julgados nos referidos processos, requer o apensamento destes àqueles, bem como a suspensão do julgamento do presente feito até solução definitiva dos mencionados processos” (fl. 191); “Não há restrição à compensação de estimativas” (fl. 194), sendo certo que, “para que se configure o direito do contribuinte à compensação, é necessário e suficiente que o respectivo valor, em se tratando de apuração de lucro real por estimativa, se caracterize como recolhimento indevido ou a maior, nos termos da legislação vigente” (fl. 196). Por essas razões, (i) pede preliminarmente o apensamento e/ou suspensão do julgamento do presente feito até o julgamento final nos processos administrativos ns. 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.040089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558); (ii) caso assim não se entenda, pede o provimento integral do Voluntário a fim de reconhecer o crédito analisados nestes autos, homologandose totalmente as compensações informadas. É o relatório. Voto BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator O recurso voluntário é tempestivo, razão por que dele conheço. Nos termos do relatório acima, a questão em debate cingese ao montante de R$ 1.117.509,42 (valor histórico) relativo a crédito de saldo negativo que teria origem em Fl. 268DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.901839/201331 Resolução nº 1101000.133 S1C1T1 Fl. 5 4 pagamento de estimativas compensadas, parcela essa que está sendo analisada nos autos dos Processos Administrativos ns. 10680.935081/200959 (PER/DCOMP 36818.22530.190907.1.7.04 0089) e 10680.935084/200992 (PER/DCOMP 14752.25141.250907.1.3.043558). Ambos os processos administrativos foram julgados no dia 13/03/2014 na 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Col. CARF (Acórdãos n. 1102001.047 e n. 1102001.049), ocasião em que se decidiu que, “no mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese da defesa, entendendo ser possível a restituição de estimativas pagas a maior, deixando vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência”, razão por que “reconhece[u]se o direito à compensação de créditos de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior”. Não obstante, ressaltouse que “não houve a apuração efetiva do direito creditório pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa como crédito”, determinandose, por isso, que o processo retornasse à unidade de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Os dois casos restaram assim ementados, litteris: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, a simples utilização da data do pagamento indevido como data do fato gerador na ementa, e a indicação do crédito utilizado no lugar do pagamento indevido integral no início do relatório não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, pois o restante do relatório e voto indica a data e os valores corretos. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação Súmula CARF n° 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10680.901839/201331 Resolução nº 1101000.133 S1C1T1 Fl. 6 5 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Conforme destacou a d. DRJ/POA, essa situação pendência de julgamento definitivo dos processos acima mencionados afastaria a certeza necessária para que uma antecipação pudesse integrar o direito creditório representado pelo saldo negativo a partir dali formado, cuja compensação se pretende nos termos do art. 170 do CTN, que possui a seguinte redação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Depreendese da norma que um dos pressupostos nucleares para a compensação tributária é justamente a necessidade de que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. Por outro lado, o saldo negativo pleiteado no presente processo poderá, em tese, ser reconhecido, se o CARF der provimento às manifestações da contribuinte nos Processos Administrativos ns. 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992. Por assim ser, pareceme razoável que seja o presente julgamento SOBRESTADO até o julgamento final dos Processos Administrativos ns. 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992, conforme expressamente pleiteado pela contribuinte. Frente a tal contexto, o presente voto é no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, remeter os autos deste processo à DRF de origem e determinarlhe que devolva o presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.935081/200959 e 10680.935084/200992, para que sem estas prejudiciais seja possível decidir acerca da exigibilidade do crédito tributário aqui lançado. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 270DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13827.000664/2005-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 64 /2 00 5- 10 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 614/620 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 4/6), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, Fl. 692DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 692 3 relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de junho de 2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.4/6, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de junho/2005, no valor de R$ 755.092,49. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 194/196, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 130.754,67. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 182/185, o crédito foi deferido parcialmente devido à glosa de vários itens relativos aos créditos apurados pela requerente, conforme descrito no citado termo. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 218/251, alegando, preliminarmente, duplicidade de autuação, porquanto em data anterior foi lavrado auto de infração sob as mesmas alegações, cuja verificação fiscal abrangeu os anos de 2004 e 2005, conforme documentos que anexa. Assim, tratarse ia da mesma exigência fiscal em razão de um mesmo fato. Ainda em preliminar, alega que “a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face à parte da exigência estar abrangida pelo instituto da decadência ou em razão da glosa indevida...” “...retira do presente a liquidez e certeza, o que por si só torna nula a lavratura do auto de infração...” Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Assim, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, motivo, agente, objeto, forma, finalidade, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Também discorre longamente sobre a motivação do ato administrativo, para concluir que a motivação que o ato deve conter tem que ser acessível ao destinatário, de modo que este prescinda de advogado ou especialista para exercer seu direito de defesa. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por fim, argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade. Quanto ao mérito, alega, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a não cumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo seu entendimento, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. O mesmo se aplica aos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, cujo aproveitamento do crédito está previsto na Lei nº 10.833, de 2003, na IN SRF nº 404, de 2004, e ainda em entendimento da Administração Tributária. Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. O mesmo se pode dizer em relação aos insumos utilizados para a produção de álcool carburante, ou seja, deveria haver o rateio entre os insumos utilizados na produção de álcool carburante, álcool para outros fins e açúcar. Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados Fl. 694DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 693 5 diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos do aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matériaprima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não citar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 182/185, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditoresfiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o Termo de Diligência, de fls.588/594, com os esclarecimentos solicitados. Ciente do termo acima, a requerente apresentou a manifestação de fls.596/604, onde alega, em resumo, que as IN nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, são ilegais, porquanto extrapolam o disposto nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao restringirem o conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Repete ainda alegação da manifestação inicial no sentido de que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o Fl. 695DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporado diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 20/12/2012 (fl. 629), a interessada, em 15/01/2013 (data da transmissão de arquivos via sistema de validação e autenticação de arquivos digitais – fl. 631), apresentou o recurso voluntário de fls. 632/657, com as alegações resumidas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação do ato administrativo, inconsistências dos dados, subjetivismo, demonstração da efetiva irregularidade, e ainda Fl. 696DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 694 7 ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais; b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes (graxas); b.4 Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; b.5 Os Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar; b.6 O Valor do Estoque de Abertura; b.7 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.8 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.09 Do Leasing; b.10 Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas, e b.11 Da Aplicação Indevida do Rateio. Diante do exposto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser com o reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Quanto ao recurso voluntário, não consta, dos autos, claramente no documento, a data em que o mesmo foi protocolizado. Todavia, admito que o aludido recurso foi protocolizado em 15/01/2013, data em que foi recebido o arquivo digital da empresa Fl. 697DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 segundo o correspondente recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fl. 631). Assim, considerando que o arquivo transmitido é identificado como “RECURSO VOLUNTÁRIO – PROCESSO 13827.000664/200510”, e que a unidade preparadora encaminhou o processo para este CARF, julgoo como tempestivo. No mais, o recurso voluntário preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de Nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, havendo inconsistências dos dados, subjetivismo, não demonstração da efetiva irregularidade e porque o acórdão recorrido não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada, sem a motivação e violando a garantia do recorrente e que o Termo de Diligência, em sua visão, nada acrescentou aos autos. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo, como exposto, o direito creditório. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos de não reconhecer o direito creditório postulado, residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. 3) Ofensa ao Princípio da verdade material A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme consta do item 44 do recurso voluntário: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 695 9 (...) “44 Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas” (g.n). Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação apresentada via Dcomp, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ restou demonstrado com clareza essa questão. Observese: (...) Primeiramente, quanto às alegações preliminares de que haveria duplicidade de autuação, pois o período em questão já havia sido objeto de auto de infração, e que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp. Assim, não há que se falar em duplicidade de lançamento, pois os procedimentos envolvidos são distintos, este processo, como acima explicado, tratase de análise de compensação entre créditos e débitos tributários e aquele, de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, tampouco a homologação parcial de Declaração de Compensação necessita de liquidez e certeza, requisitos estes exigidos para o lançamento do crédito tributário (...). Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende o contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. 4) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de junho de 2005. A recorrente, cujo nome de fantasia é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo (exportação), podendo, em nome dela, serem praticados todas as operações, principais e acessórias, relacionadas com tal atividade. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz álcool e açúcar. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Consta dos autos que no anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar, energia elétrica, levedura e da venda de créditos de carbono e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 696 11 Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). A recorrente aduz em seu recurso que: (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo que: (...) “Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 701DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Fl. 702DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 697 13 Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 310/315 (Análise dos dados elaboradas pela fiscalização durante a ação fiscal), parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nas planilhas (fls. 310/315), se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls. 270/293), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas nas planilhas de fls. 310/315. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma Planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 310/315), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, as linhas do DACON, data e número da Nota Fiscal, insumos, serviços, produtos, fornecedores, valores, receitas, e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização e seu motivo. Para tanto foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Os Produtos Lubrificantes Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que, (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Tal contraditório se apresenta enfrentado, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas (fl. 311) e no Termo de Diligência (fl. 589), onde no item “Lubrificantes” a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante, por definição da (ANP). A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a COFINS. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 698 15 No entanto, o Fisco em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 183), informa que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls 162 a 165”. Quando da elaboração do Termo de Diligência (fls. 589), a fiscalização relata que: (...) Lubrificantes foi glosada a nota fiscal de compra de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas (...). Como se nota, o Fisco escorouse na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007, que conclui que não são considerados insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o PISPasep e da Cofins, os materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. No entanto, entendo que o produto graxa, no caso, tem a finalidade de preservar a integridade e o regular funcionamento das máquinas utilizadas na atividade produtiva e, portanto, atividade intrínseca ao processo produtivo da empresa. Não há atividade produtiva sem a constante preservação dos maquinários. O dicionário Wikipédia ao se referir ao vocábulo “graxa” dános o seguinte ensinamento: “Graxas são o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos compostos (semi plásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico, sais de determinados ácidos graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que em formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador. Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador, além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral” (g.n). Portanto, no que se refere ao produto graxa, devese reconhecer o direito de crédito do PIS e da COFINS, pois o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso em reconhecer tal direito em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, não havendo dúvida de que a graxa é um lubrificante e de que tem a sua aplicação como lubrificante nos equipamentos e máquinas utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Com base nos conceitos acima, concluo, pois, pelo reconhecimento do direito de crédito na aquisição de graxa, glosado pelo Fisco conforme demonstrativo de fl. 311. 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, 22 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos do PIS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 183), o Fisco relata que: (...) “A empresa também apresentou todas as notas fiscais de insumos que, no seu entender, dariam direito ao crédito de COFINS não Cumulativo, além de notas fiscais de lubrificantes, comprovantes das despesas com energia elétrica, despesas de depreciação, despesas com armazenagem e frete nas vendas e despesas financeiras. Os demonstrativos elaborados pela empresa encontramse anexados às fls. 130 a 160. Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 162 a 165”. Observese que no Termo de Diligência, o Fisco descreve (fl. 589): (...) Lubrificantes foram glosadas as notas fiscais de compra de óleo utilizado em máquinas agrícolas e de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 311), a fiscalização esclarece, na coluna especificada (L02) para os Lubrificantes, que tais créditos foram glosados e quais foram mantidos, no caso glosando as graxas, por não ser considerado lubrificantes e de lubrificantes – máquinas agrícolas, enquanto que os demais foram mantidos. Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 699 17 De acordo com os dispositivos legais (arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003) já reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos combustíveis adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados como óleo combustível para veículos, máquinas agrícolas, caminhões e tratores por não serem insumos diretamente ligados ao processo produtivo do açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade”, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. No caso a fiscalização tomou a cautela de segregar as aquisições dos produtos dentre os quais foram aplicados ou não no processo produtivo da empresa. Podemos observar que, dos combustíveis adquiridos, que foram mantidos os créditos constam da relação da planilha denominada “Análise dos dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 310/315). Relativamente à prova dos gastos efetuados com tais bens e serviços, há que se ressaltar que a Fiscalização, deixou consignado que teve acesso a toda a documentação apresentada pelo contribuinte, tendo glosado os créditos respectivos em razão da falta de sua vinculação entre os serviços serem considerados insumos diretamente ligados ao processo produtivo do açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade. Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Como é sabido, não podem descontar da contribuição para o PIS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Diante disso, entendo que não assiste razão a recorrente, pois o fisco somente glosou aquisição de produtos (combustível e lubrificantes) cuja utilização se dava em veículos (veículos, máquinas agrícolas, tratores, caminhões) utilizados para fins diversos e não diretamente ligado ao processo produtivo da empresa, não podendo ser considerada na base de cálculo de créditos das contribuições sociais, pois tais dispêndios não estão diretamente atrelados ao processo produtivo, tão pouco podem ser considerados insumos, não atendendo, portanto, os requisitos do inciso II do art 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas nas aquisições de lubrificantes que não foram empregados no processo produtivo. 4.5) Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar Aduz a recorrente que: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 (...) “A glosa, de forma inexplicável, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Neste aspecto, diante da obviedade do direito ao creditamento, cremos desnecessária argumentação mais aprofundada acerca deste tema”. A fiscalização no seu Termo de Constatação (fls. 182/185) bem como no Termo de Diligência (fls. 588/594) não faz nenhuma referência a glosa de aquisições de embalagens. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 310/315), a fiscalização demonstraria, na coluna especificada para: L02 Embalagens, quais notas fiscais os créditos foram glosados e não encontramos nenhuma referência a tais glosas. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois não foi constatado glosa referente aquisições de embalagens. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas referente créditos de aquisições de Embalagens, por falta de interesse recursal. 4.6) O Valor do Estoque de Abertura Descreve a recorrente em seu recurso, que: (...)A mesma indesculpável falha e condenável parcialidade está presente quando se verifica que foram glosados os valores de todo o estoque de abertura do álcool sem se proceder a necessária e inafastável proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza do precário trabalho realizado pela fiscalização e a conseqüente nulidade da glosa efetuada. Tais fatos revelam, além de ser de extrema fragilidade e arbitrariedade a verificação efetuada, que a fiscalização não tem observado in totum as regras da própria RFB, o que torna ainda mais marcante em todo o procedimento fiscal a opção pelo hipotético e pela presunção”. O Fisco, ao elaborar o Termo de Diligência, informa que (fls. 380/381): PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 artigos 6º (exportação) e 3º , § 8o , II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês." A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, resultando em 67,88%. As receitas financeiras não foram consideradas nos cálculos em razão da Solução de Consulta Interna Cosit n° 11 de 2008. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 700 19 A Santa Cândida apurou 68,65% em razão de considerar o total exportado como sendo produto não cumulativo (açúcar). As Notas Fiscais de Saída n° 82.298 e 82.334 tem como produto a classificação fiscal 22071000, ou seja, álcool. Através do memorando de exportação ficou confirmado no registro de exportação n° 05/0742854001, da Cia Imp. e Exp. Coimex CNPJ 28.163.699/000553 se tratar de álcool exportado, produto cumulativo. O percentual de exportação foi obtido, pela fiscalização, como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos (açúcar e levedura) dividido pelo total das receitas não cumulativas (descontandose as receitas cumulativas do total das receitas no mês) resultando em 90,71%, mas com a divergência apontada acima, considerou a receita financeira, a empresa apurou 89,35%. Vejase o informado pelo Fisco no Termo de Constatação (fl. 183): (...) No anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFLNS para as receitas decorrentes da produção de açúcar e levedura e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois neste caso, verificase que todo o álcool produzido teria sido comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro – regime cumulativo), não sendo apresentado pela recorrente, provas nos autos do contrário. 4.7) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo , no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção” (...). Como já abordado neste relatório, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição a COFINS e ao PIS se os bens e Fl. 709DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fls.347/348), consta que: LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO A fiscalização entendeu que a informação contida na linha 13 Outros valores com direito à crédito deveria ser informada na linha 3 da ficha do Dacon serviços utilizados como insumo, por se tratar de serviços prestados por pessoa jurídica. Portanto não houve glosa total do informado pela Santa Cândida na Linha 13, mas simplesmente a análise como sendo linha 3 da mesma ficha: (...). Com a base legal acima foram efetuadas as seguintes glosas: "não corresponde ao conceito de insumo" notas fiscais de serviços não relacionados com o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, serviços com maquinas agrícolas, serviços reboque. "NF não identifica se é custo ou despesa" notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo. "valor que deveria ser incorporado ao ativo" notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado. As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. A ressalva contida no final do item anterior justificase pelo fato de que, se estiverem no ativo imobilizado, essas partes e peças deixarão de ser consideradas insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.833, de 2003, art. 3o , inciso VI, combinado com o seu § I o , inciso III, regulamentados pelo art. 8o , inciso III, alínea "a", da IN SRF n° 404, de 2004. Assim, essas partes e peças adquiridas para reposição, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que porventura representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizadas, consoante estabelece o art. 346 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR)(...): Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 701 21 Seguindo o tópico, a fiscalização explicita no documento toda fundamentação e as base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuadas: Diante destas condições as glosas foram feitas em notas fiscais de instalação de válvulas de segurança, válvulas de caldeiras, reformas em caldeiras. A caldeira e válvulas não são equipamentos que atuam diretamente no processo de fabricação dos produtos. Também, com fundamento na IN SRF 162/98 que define cotas de depreciação com base na vida útil de bens, referência NCM 8402 caldeiras e 8475 válvulas, ambas tem vida útil de 10 anos. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, se verifica que, concernente aos serviços acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 311/312), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L03 – Serviços Utilizados como insumo, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: as que não corresponde ao conceito de insumo, valor que deveria ser incorporado ao ativo e nota fiscal não identificada se é custo ou despesas. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que: (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase no Termo de Diligência que: (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos. Apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, as esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da Safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Os ternos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamento, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc, portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia. Como se vê, consta do Termo de Diligência que a empresa Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Assim, não procede as alegações da recorrente no que concerne não haver a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. A fiscalização elaborou um demonstrativo, detalhando que como regra foram glosados os serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, ou seja, os serviços que não quedaramse demonstrados que estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos. Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições de serviços foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Portanto, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Recorrente. 4.8) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa forma analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fl. 184): Fl. 712DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 702 23 (...) Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 8o, inciso II, "b" da IN 404/2004: "aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa" (grifamos). Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeira ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito da COFINS não cumulativa. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 162 a 165. Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fls. 805), Linha 6 –Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas que foram glosadas porque verificouse que tratam de locação de máquinas e equipamentos referente à atividade de construção civil da empresa: LINHA 6 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS O artigo 3º o da Lei 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Valores mantidos conforme informado. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 310/315), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. No caso, não assiste razão a Recorrente, pois nenhuma glosa foi apontada pela fiscalização. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas referente créditos com despesas com aluguel de Máquinas e Equipamentos, por falta de interesse recursal. 4.9) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que: (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado sobre este tema no Termo de Constatação Fiscal (fl. 184): (...) A partir de 01/05/2004 em virtude de alterações na Lei 10.833/03, introduzidas pela Lei 10.865/2004, deixaram de dar direito a crédito: despesas financeiras, aquisições de máquinas Fl. 713DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda anteriores a 01/05/2004. Portanto, os valores referentes a esses lançamentos foram glosados. E o Fisco segue informando no Relatório de Diligência (fl. 805): LINHA 8 ARRENDAMENTO MERCANTIL mantidas as despesas informadas de duas Saveiros e uma Kombi. Glosadas 4 notas fiscais da Laponia Sudeste Ltda referente a arrendamento mercantil feito em 18/02/2004 e 30/03/2004, pois o inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04 foi limitado pelo art. 31 da Lei 10.865/04 à aquisições feitas a partir de 01/05/2004. Também nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 313), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: glosa adquirido antes de 01/05/2004. A Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, regula o tratamento tributário que deve ser dispensado ao contrato de arrendamento mercantil. O art. 3º, da mencionada lei, assim determina: “Art. 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil” Assim, não resta dúvida de que os bens destinados ao arrendamento mercantil compõem o ativo imobilizado das arrendadoras. No entanto, verificase que no Termo de Constatação Fiscal, bem como no demonstrativo de fl. 299, o Fisco promoveu a glosa do valor das despesas com Arrendamento Mercantil, realizadas antes de 30/04/2004, com fundamento no inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04, limitado pelo art. 31 da Lei nº 10.865/04 às aquisições a partir de 01/05/2004. O art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865/2004, define que: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica (g.n). Notese que a Lei não se refere a arrendamento mercantil no parágrafo primeiro do artigo 31. Isso é apenas tratado no parágrafo 3º, para vedar apenas o crédito relativo a arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado patrimônio da Pessoa Jurídica, o que não restou demonstrado nos autos pelo Fisco. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 703 25 Portanto, assiste razão a recorrente em reclamar de seu direito, uma vez que não consta dos autos, que as aquisições dos referidos veículos, já tinham em algum momento, integrado o patrimônio da empresa. Por este motivo legal, no presente caso, não deve ser mantida a glosa dos valores computados em desacordo com a legislação. 4.10) Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. No que se refere a esse tópico, a recorrente alega que: (...) “No indigitado DACON elaborado pela Fiscalização foi utilizado e aplicado, indevidamente, para fins de cálculo do valor a ser creditado nas aquisições de canadeaçúcar, efetuadas de Pessoa Jurídica, o mesmo critério e método de apuração adotado para se apurar o Crédito Presumido (para o PIS 70% e para a COFINS 80%), reduzindo, sem base legal, o montante do crédito a ser aproveitado pela Recorrente. Igualmente, ao item imediatamente anterior, nada há nos autos e nas notas feitas a ele que esclareça o motivo e justifique tamanha parcialidade”. Vejase o que informa a fiscalização no Termo de Diligência (fl. 589): LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados s em aplicação do rateio. (...) Cana Adquirida de Pessoa Jurídica A empresa informou o total de cana adquirida de pessoa jurídica R$ 852.192,69. A fiscalização aplicou sobre este valor o percentual 52,82% referente a cana utilizada na produção do açúcar e acrescentou o frete proporcional a cana adquirida de pessoa jurídica utilizada na produção do açúcar, valor informado como sendo linha 3 e apurado na conta 30101003004020 Despesas de Fabricação Transporte de Cana de Açúcar, demonstrados no anexo do Termo de Constatação Fiscal. E segue informando o contido na LINHA 18: LINHA 18 – CRÉDITO PRESUMIDO NA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL– Apurado com base de cálculo o valor da aquisição de cana de açúcar de pessoas físicas aplicandose o percentual de cana utilizada na produção de açúcar e acrescendo o frete da cana adquirida de pessoa física utilizada na produção do açúcar (demonstrado no anexo do Termo de Constatação Fiscal). De acordo com o artigo 8º da Lei 10.925/2004 só é possível o aproveitamento deste crédito para abater das contribuições devidas. Observese que, quanto ao rateio cabe esclarecer que o percentual das receitas cumulativas e nãocumulativas foi informado pela própria requerente, conforme consta das planilha à fls. 146/176 (informações da própria fiscalizada) e aceita pela fiscalização (fls. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 177/181 e 310/311), sendo nela apurado o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas e, por diferença, o percentual das nãocumulativas. Como se sabe, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência "não cumulativa" do PIS/PASEP em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Para tanto, a pessoa jurídica deverá alocar, a cada mês, separadamente para a modalidade de incidência as parcelas dos custos respectivos. No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à "não cumulatividade" e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Verificase que o método eleito pela Recorrente foi aceito pela Fisco e aplicado consistentemente por todo o período analisado. 4.11) Da Aplicação Indevida de Rateio Dispõe o § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que “Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa do PIS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas”. Como já abordado no tópico anterior, a regra acima implica em que, se o contribuinte auferir receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo, os insumos apenas gerarão crédito na proporção em que forem aplicados nestas últimas. A comercialização de álcool “para fins carburantes” submetese à incidência de PIS/Cofins pelo regime cumulativo, de modo que, por não se submeter ao regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos aplicados na sua produção não geram direito de crédito. Nesse contexto a recorrente alega em seu recurso que: (...)“Houve, ainda, no DACON da fiscalização, aplicação indevida de rateio proporcional para fins de apurar o valor do crédito, em situações em que o crédito deve ser integral, a exemplo dos serviços de ensacamento, marcação e manuseio da sacaria, serviços estes utilizados especificamente na produção do açúcar. Da mesma forma, esse erro crasso foi cometido em relação à levedura, sendo que por serem ambos os produtos não cumulativos, o crédito corresponde a 100%”. Como se observa, a Recorrente sustenta que a fiscalização, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito em que nos casos citados os créditos deveriam ser integrais. Vejase que no Termo de Diligência elaborado pela fiscalização, esclarece que (fls. 806/807): Fl. 716DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 704 27 (...) PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 artigos 6 (exportação) e 3 , § 8º , II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. " A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, resultando em 67,88%. As receitas financeiras não foram consideradas nos cálculos em razão da Solução de Consulta Interna Cosit n° 11 de 2008. A Santa Cândida apurou 68,65% em razão de considerar o total exportado como sendo produto não cumulativo (açúcar). As Notas Fiscais de Saída n° 82.298 e 82.334 tem como produto a classificação fiscal 22071000, ou seja, álcool. Através do memorando de exportação ficou confirmado no registro de exportação n° 05/0742854001, da Cia Imp. e Exp. Coimex CNPJ 28.163.699/000553 se tratar de álcool exportado, produto cumulativo. O percentual de exportação foi obtido, pela fiscalização, como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos (açúcar e levedura) dividido pelo total das receitas não cumulativas (descontandose as receitas cumulativas do total das receitas no mês) resultando em 90,71%, mas com a divergência apontada acima, considerou a receita financeira, a empresa apurou 89,35%. Portanto, não conseguimos vislumbrar as inconsistências apresentadas pela recorrente, uma vez que não demonstra claramente, com base em documentos e números, onde se encontra as referidas distorções, pois examinando os autos e verificandose os rateio mencionados, concluise pela inclusão de tais serviços nas referidas composições dos rateios, exceto àqueles que foram objeto de glosa. Isto posto, não leva a outro caminho senão à manutenção da forma com procedeu a fiscalização nesse tópico, fazendose, obviamente, os ajustes necessários, decorrentes desta decisão. 5) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 6) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 7) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: Fl. 718DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000664/200510 Acórdão n.º 3802003.862 S3TE02 Fl. 705 29 a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente aos seguintes itens: referente as Embalagens (item 4.5) e aluguel de Máquinas e Equipamentos (item 4.8), por falta de interesse recursal. b) na parte conhecida, para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento, para reconhecer o direito do crédito calculado da COFINS não cumulativo, calculado sobre os seguintes itens: da Graxa (item 4.3) e referente ao Leasing (item 4.9), conforme o voto; d) negar provimento em relação aos seguintes itens:, lubrificantes (item 4.4), no ajuste do valor do Estoque de Abertura (item 4.6) e para os serviços utilizados como insumos (item 4.7), conforme relatório/voto, e e) manter o entendimento do Fisco em relação aos créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas jurídicas, já que os cálculos foram baseados em dados do próprio sujeito passivo (itens 4.10 e 4.11), de acordo com o contido neste voto. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 719DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15563.000072/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS - COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA - ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96.
Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Rejeitar a preliminar.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, que proviam parcialmente o recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$39.948,07, R$17.491,70 e R$ 6.771,70, relativos aos anos calendários 2001, 2002 e 2003, respectivamente. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Rafael Pandolfo
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇAO INDIVIDUALIZADA ART. 42, § 3º, LEI Nº 9.430/96. Deve o contribuinte comprovar individualizadamente a origem dos depósitos bancários feitos na em sua conta corrente, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, conforme previsão do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Rejeitar a preliminar. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AO MÉRITO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, que proviam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 72 /2 00 6- 52 Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 parcialmente o recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$39.948,07, R$17.491,70 e R$ 6.771,70, relativos aos anos calendários 2001, 2002 e 2003, respectivamente. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.640 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O Ministério Público Federal requisitou, em 29/04/05, à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, visando instituir o Procedimento Administrativo MPU/MPF/PRM TERESÓPOLISRJ n.º 130.012.000298/200466: a) a remessa da cópia do processo nº 10735.00369/200129; b) instauração de procedimento administrativo para fiscalizar no período dos últimos cinco anos, a contar de 2005, o cumprimento, pela Fazenda Educacional Serra dos Órgãos FESO, dos requisitos do art. 14 do CTN (fl. 04). Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente, nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, e os registros de suas transações bancárias, os dados complementares obtidos através de RMF e pela documentação cedida pelo recorrente, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 (fls. 1718). O recorrente foi intimado do Termo de Início de Fiscalização, em 26/09/05, requisitando a apresentação de extratos bancários de todas as contas por ele mantidas junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, especialmente as contas junto ao Banco do Brasil S/A, ao Banco Alvorada S/A e ao Banco Itaú S/A (fls. 1718). Expedido mandado de procedimento de fiscalização, em 12/09/05 (fl. 21), foram apresentados extratos bancários de conta corrente do Banco do Brasil S/A (fls. 22/88) e do Banco Itaú S/A (fls. 88135). Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 22/02/06 a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem dos recursos que deram suporte aos depósitos bancários, no Banco do Brasil S/A e no Banco Itaú S/A, referentes às contas correntes mantidas em seu nome (fls. 136148). Em virtude da resposta parcial do recorrente, a autoridade administrativa solicitou RMF ao Banco Alvorada. (fls. 150/249). Assim, o recorrente foi intimado a apresentar documentação hábil e comprobatória da origem dos recursos que deram suporte aos depósitos bancários referentes à conta corrente junto ao Banco Alvorada S/A. (fl. 259). 2 Notificação do Lançamento Em 04/08/06, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 264272), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas correntes aos quais, o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (anosbase 2001, 2002, 2003). Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 O crédito tributário restou constituído no montante de R$ 794.748,46, incluídos IRPF dos anoscalendários 2001, 2002 e 2003, multa estabelecida ao patamar de 75% para os três anos e juros moratórios calculados até 31/07/2006. O contribuinte tomou ciência da notificação em 15/08/06. 3 Impugnação Indignado com a autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 278283) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a utilização de sua conta corrente e de sua conta de investimento para realizar movimentações da empresa da qual é proprietário, tendo em vista que a mesma se encontra em dificuldades financeiras. A maioria dos créditos é referente a operações realizadas por sua empresa, conforme se comprova com as notas fiscais anexadas; b) outras movimentações, que não com destinação específica à pessoa jurídica, foram realizadas em sua conta, porém, irrelevantes, salvo as seguintes exceções: i) a venda de um terreno, no ano de 2002, situado à Rua Washington Luiz n.º 102, na cidade de Rio das Ostras/RJ, pelo valor de R$ 20.000,00, conforme se comprova pela Declaração de IRPF, exercício 2003; ii) a venda, no ano de 2003, do automóvel da marca Ford, modelo Escort ano 1987, placa KSO 4611, cujo valor não se recorda; iii) e, no mesmo ano, a venda do automóvel marca Volkswagen, modelo Parati ano 1985, placa 9792, pelo valor de R$ 9.500,00; c) a impossibilidade do auto de infração ser lavrado com base em presunções, pois para que seja válido e legítimo, o auto de infração deve ter fundamento com base em fatos concretos e não suposições, sob pena de ser considerado nulo de pleno direito; d) a movimentação realizada em sua conta corrente não caracteriza omissão de receitas, visto que houve apenas uma transferência de recursos da pessoa jurídica para a pessoa física, fato que ocorreu não só por uma simples negligência, mas por dificuldades financeiras que sua empresa atravessava e ainda atravessa; e) a aplicação do princípio da razoabilidade ao caso, uma vez que se o auto de infração for integralmente mantido, não se estará fazendo a plena justiça; f) a necessidade de revisão do auto de infração, pois embora não tenha comprovado a origem dos créditos que foram efetuados em sua conta corrente no curso da fiscalização, o fez na impugnação, e todos os impostos e contribuições referentes à movimentação financeira que seriam devidos foram recolhidos pela pessoa jurídica, não tendo, portanto, razão para se falar em omissões de receitas. Em anexo foram juntados os seguintes documentos: a) registro de saídas da Indústria e Comércio de Móveis São Benedito Ltda. (fls. 287407); Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.641 5 b) declarações de ajuste anual referente aos anos de 2003, 2002 e 2001 (fls. 409/436); c) notas fiscais e recibos da Indústria e Comércio de Móveis São Benedito Ltda.; (fl. 460/1546). 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 7ª Turma da DRJ/RJOII, por unanimidade, (fls. 15521557) mantendo a exigência fiscal de IRPF de R$ 794.748,46. Os fundamentos foram os seguintes: a) o desrespeito ao princípio da entidade, explicitado no art. 4º da Resolução Conselho Federal de Contabilidade (Resolução CFC n.º 750/93), que preconiza que o patrimônio da sociedade ou instituição não se confunde com os patrimônios dos seus sócios ou proprietários, de maneira que é inadmissível que sejam embaralhadas as movimentações financeiras dos sócios com as da própria empresa; b) a ausência de repercussão, para fins de defesa ou justificativa, do argumento de que as movimentações realizadas na conta corrente do recorrente são da pessoa jurídica, bem como a ausência de comprovação dessa alegação pelos documentos trazidos anexos (as notas fiscais, ainda que somadas segundo a data de sua emissão, não coincidem em valor com os depósitos efetuados nas contas correntes); c) é injustificável o fato de que a Indústria e Comércio de Móveis de São Benedito Ltda. ME tenha lançado mão das contascorrente do recorrente a fim de cumprir suas obrigações, pois cabe à pessoa jurídica, por meio de seus representantes legais, exercer direitos e contrair obrigações em nome da própria pessoa jurídica, prescindindo assim, para tal finalidade, da utilização de uma conta corrente, ou mais, em nome do sócio; d) a ausência de apresentação de provas documentais comprobatórias dos depósitos de cheques de clientes correspondentes às notas fiscais emitidas pela Indústria e Comércio de Móveis de São Benedito Ltda. ME, configurou a omissão de rendimentos, a qual, por presunção legal não requer prova do sujeito ativo; e) cabe ao contribuinte apresentar justificativas para os ingressos ocorridos em suas contas correntes, comprovadas por documentação hábil; f) ante a ausência de comprovação da origem de recursos creditados em conta corrente do contribuinte, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual efetuando o lançamento do imposto correspondente. 5 Recurso Voluntário Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Notificado da decisão em 21/08/08, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário tempestivo (fls. 15651568), repisando os argumentos da impugnação, e acrescentando os seguintes: a) A empresa Indústria e Comércio de Móveis São Benedito LTDA é uma empresa de cunho familiar de organização arcaica e rudimentar, por essa razão os valores se confundem; b) não merece prosperar o argumento de desrespeito ao princípio da entidade, pois grande parte das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte que existem em nosso território são compostas de pessoas que pertencem ao mesmo grupo familiar, gerando, na maioria das vezes, uma grande confusão, e como se verifica da alteração contatual n.º 17 a sociedade Indústria e Comércio de Móveis de São Benedito Ltda ME, tem como sócia sua esposa, Sra. Nilza da Glória Costa Matalobos, o que demonstra que se trata de uma sociedade familiar; c) seu patrimônio não sofreu qualquer acréscimo significativo, de maneira que se houvesse omissão de rendimentos, seu patrimônio teria sofrido um considerável acréscimo; d) Não houve qualquer prejuízo ao Fisco; e) em caso de manutenção do crédito tributário, os supostos rendimentos serão oferecidos duas vezes à tributação, pois já foram oferecidos pela pessoa jurídica, configurandose o fenômeno da bitributação; Em anexo foi juntado o instrumento particular de alteração contratual n.º 17 da empresa Indústria e Comércio de Imóveis São Benedito EPP (fls. 1569/1571). 6 Sobrestamento Em 16/10/13, através da Resolução nº 2202000.556 (fls. 16301638 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.642 7 Voto Vencido Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR 1.1 Do sobrestamento O presente processo teve seu julgamento sobrestado devido ao disposto no § 1º do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No presente caso houve utilização, pela Fiscalização, de meios administrativos para quebrar o sigilo bancário do contribuinte (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF), sem o crivo prévio do Poder Judiciário. A análise da regularidade dessa prerrogativa, em sede de repercussão geral, é objeto RE nº 601.314, que está sendo julgado no STF sob o regime do art. 543B, do CPC. Assim, existindo o sobrestamento do tema no STF, o mesmo ocorria no CARF, corolário do dispositivo regimental acima indicado. Ocorre que, os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, acima referidos, foram revogados pelo art. 1º da Portaria nº 545, de 18 de novembro 2013, que abaixo transcrevo: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Dessa forma, foi ordenada a retomada dos julgamentos dos processos que foram sobrestados com fulcro no dispositivo revogado. 1.2 Da Nulidade das Provas Obtidas Através da Quebra do Sigilo Bancário Sem Prévia Autorização do Poder Judiciário e da Interpretação Conforme a Constituição Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 150/249), relativamente à conta do Banco Alvorada, instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.643 9 Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.644 11 vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99, é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. No presente caso, somente foi possível a constituição de parte do crédito tributário (referente à conta corrente mantida junto ao Banco Alvorada), tendo como base o art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto à instituição financeira por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria considerado tais valores no momento de lavrar o auto de infração. Assim, entendo que deve ser admitida a preliminar de prova ilícita por quebra de sigilo bancário, para que seja considerado nulo o Auto de Infração no que se refere ao crédito tributário apurado nos depósitos realizados na conta corrente nº 100.010.780 do Banco Alvorada, por existência de vício. Portanto, da base de cálculo do crédito tributário deverá ser deduzido o montante de R$ 414.730,90 (fls. 251257), por clara ilicitude. 2. MÉRITO Vencido na preliminar suscitada (ilicitude da prova obtida através da quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial), ingresso na análise dos demais créditos tributários, apurados regularmente, e argumentos suscitados pelo recorrente. 1 Da Omissão de Rendimentos O recorrente aduz que utiliza suas contas para realizar movimentações da empresa da qual é proprietário, de modo que a maioria dos créditos apontados pela Fiscalização é referente às operações realizadas por sua empresa, o que implica na não caracterização de omissão de receitas, pois houve apenas uma transferência de recursos da pessoa jurídica para a pessoa física. Acrescenta que o Auto de Infração não poderia ter sido lavrado com base em presunções. Não merece prosperar a irresignação do recorrente. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Com o advento do art. 42 da Lei n° 9.430/96, autorizouse o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Por ser presunção relativa, é necessário que o contribuinte seja intimado regularmente, principalmente do resultado da apuração dos depósitos discriminados individualmente, de modo a possibilitar a defesa, o que ocorreu no presente procedimento. Com a novel legislação acima, a jurisprudência administrativa chancelou as autuações que imputavam aos contribuintes o imposto de renda sobre a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, vejase o Acórdão n° CSRF/0400.164 (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais), sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, unânime, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei e. 9.430, de 1996). Ressaltese que, como a omissão em tela é apurada com base em depósitos, é necessário comprovar individualmente as origens desses recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, rendimentos isentos ou não tributáveis. A aplicação da presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como se observa, não apresenta maiores dificuldades. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.645 13 O contribuinte alega que grande parte dos depósitos efetuados é, na verdade, da empresa da qual é proprietário, pois sua conta era usada pela empresa. No intuito de comprovar suas alegações, o contribuinte, apresentou notas fiscais e o Livro de Saída da Indústria e Comércio de Imóveis São Benedito EPP (290/408 e 463/1595 do eprocesso). Ocorre que o recorrente não especifica individualizadamente quais valores seriam de titularidade da Indústria e Comércio de Imóveis São Benedito. Embora o contribuinte tenha apresentado notas fiscais da empresa, bem como o Livro de Saída, as datas e valores neles dispostos não são congruentes com os valores constantes na planilha de depósitos glosados pela fiscalização. Quanto à forma de comprovação individualizada, é a própria Lei nº 9.430/96 que institui este dever, na redação do §3º de seu art. 42: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). É necessário, portanto, que o contribuinte comprove individualizadamente a origem de todos os depósitos glosados pelo Fisco, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis, e, o mesmo ocorre quanto aos valores imputados como de titularidade da Indústria e Comércio de Imóveis São Benedito LTDA, o que não ocorreu nos autos. Justifica o recorrente, genericamente, que outros decorreram das seguintes operações: a) venda de um terreno, no ano de 2002, pelo valor de R$ 20.000,00, conforme DIRPF/03; b) a venda, no ano de 2003, de um automóvel da marca Ford, cujo valor não se recorda; c) venda de um automóvel, da marca Volkswagen, no ano de 2003, pelo valor de R$ 9.500,00. Nestes pontos, o recorrente novamente não justifica os depósitos de forma individualizada, alegando simplesmente que recebeu em 2002 o valor de R$ 20.000,00, e em 2003, o valor de R$ 9.500,00 sem especificar, sequer, a data da operação. Ou seja, conquanto possa ser considerada pelo contribuinte como desproporcional a medida, a verdade é que existe diploma normativo válido e vigente que impõe a este dever, não cabendo a este Conselho declarar a inconstitucionalidade e afastar sua aplicação. Dessa forma, e entendo que as declarações prestadas pelo contribuinte não são suficientes para comprovar a origem dos depósitos feitos na conta corrente do recorrente. Ocorre que a análise da planilha anexa ao relatório fiscal (fls.163166 do e processo) revela que os depósitos abaixo alinhados tiveram sua origem identificada no campo “histórico do extrato”: · Anocalendário 2001: Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Banco Data Histórico Valor Itaú 02/01/01 DOC E 409.132375ROGERIO R$ 947,00 Itaú 15/01/01 DOC E 029.007052WILSONO R$ 357,10 Itaú 01/02/01 DOC E 001.194812HERALDO R$ 1.700,00 Itaú 05/02/01 DOC E 029 054790ADRIANA R$ 4.000,00 Itaú 21/03/01 DOC E 001.194823HERALDO R$ 3.000,00 Itaú 30/03/01 DOC E 275.567104CLEONICE R$ 210,00 Itaú 03/05/01 DOC E 001.194835HERALDO R$ 2.500,00 Itaú 25/05/01 DOC E 237.341262HELOISA R$ 218,00 Itaú 11/06/01 DOC E 001.194853HERALDO R$ 2.500,00 Itaú 28/06/01 DOC E 745.154939LUCIANA R$ 250,00 Itaú 17/07/01 DOC E 479.966199ADRIANA R$ 3.750,34 Itaú 08/08/01 DOC E 275.36962EDSON DE R$ 2.000,00 Itaú 20/08/01 DOC E 479.333982ADRIANA R$ 1.000,00 Itaú 06/09/01 DOC E 275.958462EDSON DE R$ 2.000,00 Itaú 25/09/01 DOC E 029.231185CLAUDIO R$ 1.700,00 Itaú 04/10/01 DOC E 275.560601EDSON DE R$ 500,00 Itaú 08/10/01 DOC E 029.185428SHEILA A R$ 500,00 Itaú 26/10/01 DOC E 029.250765ADRIANA R$ 1.360,00 Itaú 05/11/01 DOC E 275.211476EDSON DE R$ 500,00 Itaú 30/11/01 DOC E 479.492223ADRIANA R$ 1.055,63 Itaú 05/12/01 DOC E 029.169070SHEILA A R$ 500,00 Itaú 05/12/01 DOC E 029.163816EDSON DI R$ 1.600,00 Itaú 05/12/01 DOC E 275.920351EDSON DE R$ 400,00 Itaú 05/12/01 DOC E 399.002155ASND R$ 2.400,00 TOTAL: R$ 39.948,07 · Anocalendário 2002: Banco Data Histórico Valor Itaú 25/01/2002 DOC E 479.152902ADRIANA R$ 1.353,70 Itaú 05/02/2002 DOC E 029.218833SHEILA A R$ 450,00 Itaú 11/04/2002 DOC E 347.506690 PEDRO JO R$ 2.000,00 Itaú 14/05/2002 DOC E 001.501017CELIA R R$ 500,00 Itaú 10/06/2002 DOC D 641.012062BASILIO R$ 4.400,00 Itaú 15/07/2002 DOC E 029.330860NEWTON D R$ 1.000,00 Itaú 31/07/2002 DOC E 029.020795NEWTON D R$ 1.000,00 Itaú 06/09/2002 AC TED 347.0508PEDRO JO R$ 5.788,00 Itaú 10/09/2002 DOC 029.3403NEWTON D BAP R$ 1.000,00 TOTAL: R$ 17.491,70 · Anocalendário 2003: Banco Data Histórico Valor Itaú 04/04/2003 DOC 001.1252COND GREEN H R$ 620,30 Itaú 20/06/2003 DOC 001.2132HUGO GONCALV R$ 304,00 Itaú 08/09/2003 TBI 0407.496603BAZILIO R$ 1.018,40 Itaú 03/10/2003 DOC 745.0003JOSE MARQUES R$ 721,00 Itaú 06/10/2003 TBI 3830.232165BAZILIO R$ 1.018,40 Itaú 10/10/2003 DOC 422.0047SUZANA WURMA R$ 1.000,00 Itaú 12/11/2003 DOC 422.047SUZANA WURMA R$ 1.000,00 Itaú 30/12/2003 TBI 3830.232185BAZILIO R$ 1.089,63 TOTAL: R$ 6.771,73 Desse modo, verificase o equívoco da Fiscalização ao lançar o tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, porquanto era possível verificar, do embate entre as informações prestadas pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização e os registros Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.646 15 das movimentações nos extratos, que determinados fatos descritos pelo recorrente eram verossímeis. Uma vez identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, conforme jurisprudência desse Conselho: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA ART. 42 DA LEI Nº 9430/96 PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO – A presunção do art. 42 da Lei nº 9.4.30/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 220200.198. Red. Conselheiro Pedro Anan Júnior. Julg. 19/08/09). Esclareçase, ainda, que no presente caso houve violação do sigilo bancário do contribuinte, de modo que poderia a fiscalização ter obtido, através de solicitação à instituição financeira, informações quanto aos contribuintes que efetuaram os depósitos identificados na conta corrente do recorrente. Relativamente aos depósitos acima transcritos, entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido: IRPF – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O erro na tipificação e no enquadramento legal da infração cometida pelo contribuinte, acarreta a nulidade do auto de infração por preterição do direito de defesa do contribuinte. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes.2ª Câmara. Ac. 102 44.466. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. Julg. 06/02/01). Ante o exposto, VENCIDO NA PRELIMINAR, voto para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo o total de R$ 64.211,50. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado No que toca a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.647 17 IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. No relativo ao mérito, acompanho o relator na parte que em que este mantém o lançamento, entretanto na parte em que o relator exclui parte dos depósitos do lançamento, não tenho como acompanhálo. Conforme apontado pelo relator, o lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Resta claro, no Auto de Infração, que a irregularidade lançada foi a de omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária, cuja infração foi capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade fiscal lançadora, diante do entendimento de que o contribuinte teria deixado de comprovar, através de apresentação de documentação hábil e idônea, os recursos que transitaram nas contas corrente, lançou mão da presunção de omissão de receitas estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e considerou que os recursos originados nos depósitos bancários não tinham a sua origem comprovada. Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15563.000072/200652 Acórdão n.º 2202002.726 S2C2T2 Fl. 1.648 19 A autoridade fiscal lançadora normalmente interpreta o vocábulo “origem dos recursos” de maneira ampla, entendendo que a origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação. Em suma, segundo essa linha de argumentação, não bastaria comprovar a origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria preciso comprovar documentalmente tanto quem fez o depósito bancário, como a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. Inobstante respeitável ponto de vista, entendendo que, na fase do procedimento fiscal anterior à autuação, antes de instaurado o contencioso administrativo pela impugnação, bastaria ao contribuinte comprovar a simples origem dos depósitos bancários, sem a necessidade de comprovação documental da causa ou motivação da operação. Comprovada dessa maneira a origem dos depósitos bancários, caberia à autoridade fiscalizadora intimar os depositantes, para que declinassem a causa ou a motivação da operação, para então, se fosse o caso, submeter os valores às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que as receitas teriam sido auferidas, na forma do § 2º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Ocorre que não é o caso dos autos, uma vez que as informações que estão sendo excluídas pelo relator não identificam claramente qual seria a origem dos depósitos bancários. As informações nos extratos obtidos do contribuinte não permitem, de modo algum, demonstrar qual a origem dos depósitos bancários. Caberia, tão somente, ao recorrente ter indicado claramente quem teria efetuado os referidos depósitos, entretanto não logrou prestar os esclarecimentos devidos. O procedimento fiscal lastreado nas condições impostas pelo permissivo legal, é do contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela autoridade fiscal lançadora, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Uma vez que não ocorreu no caso concreto essa prova da origem dos depósitos bancários, na parte em que o relator propõe a exclusão do lançamento por estar demonstrada a origem do depósito, divirjo deste, votando por negar provimento ao recurso, também nessa parte. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10746.904199/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 19 9/ 20 12 -2 9 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.848, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 196DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 197DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 198DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 200DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904199/201229 Resolução nº 3803000.573 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10875.004052/2003-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/1998
DECADÊNCIA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Existindo demonstração de pagamento parcial a regra para contar a decadência é aquela disposta no § 4º do Art. 150 do CTN. No caso há constatou-se pagamento parcial, motivo pelo qual reconheceu a perda da Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao período de apuração de 03/1998 a 06/1998. Certeza e liquidez do crédito que se pretende utilizar em procedimento de compensação devem ser comprovadas, cuja incumbência é do Interessado, deixando de fazê-lo, leva o improvimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento referente aos períodos de apuração de março a junho de 1998, alcançados pela decadência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento referente aos períodos de apuração de março a junho de 1998, alcançados pela decadência. Antonio Carlos Atulim - Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/10/1998 DECADÊNCIA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. Existindo demonstração de pagamento parcial a regra para contar a decadência é aquela disposta no § 4º do Art. 150 do CTN. No caso há constatouse pagamento parcial, motivo pelo qual reconheceu a perda da Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao período de apuração de 03/1998 a 06/1998. Certeza e liquidez do crédito que se pretende utilizar em procedimento de compensação devem ser comprovadas, cuja incumbência é do Interessado, deixando de fazêlo, leva o improvimento do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento referente aos períodos de apuração de março a junho de 1998, alcançados pela decadência. Antonio Carlos Atulim Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 40 52 /2 00 3- 71 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela empresa Genesis Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda. pretendendo modificar a decisão de piso que manteve o crédito tributário constituído em revisão interna de DCTF, com o qual se pretendia compensar débitos de COFINS apurado no período de 01.03.1998 a 31.10.1998. O crédito foi constituído por meio de Auto de Infração eletrônico, cuja ciência ocorreu em 14 de julho de 2003, impugnado ao fundamento de que, parte do débito teria sido pago por meio de DARF e a outra por meio de compensação de crédito oriundo de pagamento a maior para o Finsocial decorrente de aplicação de alíquota considerada inconstitucional pelo STF, com arrimo em decisão judicial transitada em julgado. Em síntese o débito de março de 1998 com crédito oriundo de processo judicial e abril a outubro de 1998 a extinção da obrigação teria acontecido por meio de pagamento, não localizados pela Administração. Atendendo intimação da SECAT/DRF/Guarulhos nº 680/71, fl.174, o Contribuinte apresentou planilhas de cálculo, fls. 197/200, e diversos DARF’s. À fl. 196 juntou planilha com os débitos que deseja ver compensados, período de maio de 1999 a dezembro de 2000. Há fl.203 parecer da SECAT afirmando que o contribuinte atendeu a intimação apresentando os documentos e planilhas (fls.197/200), no entanto, a conclusão é de que não existia crédito suficiente para acolher as compensações apresentadas. Extraise do auto de infração que a causa da extinção do débito no valor de R$ 3.539,37, período de apuração março/1998, compensação com crédito procedente do processo judicial nº 9703.0410340, não localizado, “proc.jud. não localizado”. Em relação às demais competências essas foram extintas pelo pagamento via DARF’s, os quais não teriam sido localizados. Verificase, também, dos autos que o número do processo indicado se refere ao da apelação perante o Tribunal Federal, visto que, o número da ação ordinária é 97.00182860, motivo alegado pela Autoridade Administrativa preparadora de não localizar o processo judicial. A Autoridade preparadora revisou de ofício as exigências diante dos documentos de pagamento apresentados, extinguindo a exigência relativa ao período de apuração de novembro de 1998. Com relação ao período de abril de 1998 a outubro de 1998 os DARF’s juntados ao processo no valor de R$ 10,00, relativo a cada competência foram alocados, restando saldo a pagar. Reconhecido à existência da ação ordinária, entendeu por bem a Autoridade Julgadora excluir a multa de ofício diante do entendimento de que, quando do lançamento em 14.07.2003 o contribuinte encontrava amparado por decisão judicial que autorizava a compensação do indébito do Finsocial com débito da COFINS. No mérito justifica a necessidade do lançamento em razão de prevenir decadência com fundamento no art. 63 da Lei nº 9.430/96. Em razão disso também entendeu ser dispensável caminhar no sentido de diligência para verificar a existência, suficiência e Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10875.004052/200371 Acórdão n.º 3403002.922 S3C4T3 Fl. 8 3 disponibilidade do crédito, visto que, a multa de ofício não mais prevalecer em função da retroatividade benigna da legislação. Diz ainda o Julgador de Piso, que o lançamento decorre do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Em sendo assim, foram mantidos parte dos débitos lançados. Em razões recursais são reprisado os argumentos tecidos na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Tratase de recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, impondo, assim, o seu conhecimento. Depreendese do relatório que a questão trazida no bojo deste caderno processual administrativo se fere a insuficiência de saldo credor proveniente de pagamento a maior de Finsocial, cujo aumento da alíquota restou declarada inconstitucional. Conforme se vê dos autos, o Contribuinte atendendo intimação ofereceu por meio de planilhas o modo pelo qual ocorreu a apuração do crédito, acostou também os respectivos DARF’s. Com referência aos pagamentos deparados em revisão de ofício, restaram alocados, com exceção do período de apuração de novembro de 1998 cujo débito foi totalmente extinto, e, os demais apenas parcialmente. Assim, segundo entendimento do contribuinte o saldo remanescente teria sido objeto de compensação com os respectivos créditos decorrentes de pagamento a maior do Finsocial, em que pese ter vinculado parte do débito ao processo judicial, mencionando o número da ação ordinária incorretamente e os outros a pagamentos por meio de DARF’s, posteriormente constatado tratarse liquidação parcial no valor de R$ 10,00. Da leitura do parecer SECAT de fl. 203 pode concluir que toda a discussão em torno da vinculação de processo judicial impróprio, assim como, o fato do contribuinte ter vinculado em DCTF a extinção do débito por pagamento. A fiscalização acolheu as planilhas apresentadas, ao analisálas e chegou à conclusão de que não existe crédito suficiente a absolver a compensação dos débitos apontados. Essa atitude da Administração Tributária demonstra que restou acolhido o argumento da recorrente de que as extinções das exigências tinham sido por meio de compensação, de modo que, a contenda agora se refere à existência ou não de saldo credor capaz de abarcar as compensações. Contra essa oposição da Administração a Recorrente não se desincumbiu de demonstrar o desacerto, cabia a Interessada fazer prova por meio de sua contabilidade no Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 sentido de afirmar a existência do crédito que utilizou para exercer o seu direito de extinção dos débitos apontados em sua DCTF. Quanto aos pagamentos nos valores de R$ 10,00 foram locados em conformidade com os períodos de apurações. Alegando em impugnação que a quitação darse ia por compensação e Fazenda mostrando a inexistência de crédito e inexistindo prova cabal da certeza e liquidez por parte do contribuinte, não há como acolher o pleito. DECADÊNCIA Observase dos autos que a ciência do lançamento ocorreu em 14 de julho de 2003, de modo que, ao período de apuração de março/1998 a junho/1998 o direito de constituir o crédito já teria sucumbido pelo Instituto da Decadência pela regra do §4º do Art. 150 do Código Tributário Nacional, conforme recente decisão do STF. Sendo assim, declaro decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito do período de março de 1998 a junho de 1998, por existir nos autos prova de pagamento no valor de R$ 10,00 para cada competência. Do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso para declarar decaído o direito de constituir o crédito referente ao período de março/1998 a junho de 1998, inclusive. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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