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Numero do processo: 13804.000860/2001-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP.
Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL.
O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
Numero da decisão: 3402-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/02/2001 a 28/02/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO.CONVERSÃO. DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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DCOMP. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, até 30/09/2002, serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para lhe dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente em exercício), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 08 60 /2 00 1- 29 Fl. 192DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente da não homologação de pedidos de compensação e ressarcimento efetuados pelo Contribuinte relativo a saldo credor de IPI apurado no 3º decêndio de Fevereiro de 2001, a ser aproveitado nos pedidos de fls. 08 e 09, bem como de fl. 02 do processo nº 16349.000141/200714, em apenso. A DERAT, mediante o despacho decisório de fls. 93/99, indeferiu os pedidos em razão dos créditos se referirem a períodos anteriores a janeiro de 1999, ou seja, anteriores ao advento da Lei n° 9.779/99; pela impossibilidade de transferência de créditos entre os estabelecimentos; e pelo pedido se referir a um decêndio, quando somente era admitido pedidos por trimestre. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 101/113, alegando, em resumo, o seguinte: a) houve a homologação tácita dos pedidos de compensação; b) defende o direito ao crédito com base no princípio da nãocumulatividade. A DRJ julgou a manifestação parcialmente procedente, reconhecendo a homologação tácita dos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa até 30/09/2002, sendo considerados declaração de compensação, desde seu protocolo. Somente foi mantida a glosa do crédito requerido no processo nº 16349.000141/200714, por se referir a imposto já vencido na data do protocolo: vencimento em 23/06/2001 e protocolo em 25/06/2001. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário apontando que em razão do vencimento decendial, o tributo não se encontrava vencido em 25/06/2001, junto aos autos o Ato Declaratório Executivo COSAR nº 38/2001, no qual há a data de todos os tributos administrados pela RFB. Os autos foram remetidos ao CARF e a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Recorrente apresenta pleito relativo à homologação tácita de pedido de compensação de IPI, para extinção de débito de IPI apurado no segundo decêndio de Junho de 2001. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13804.000860/200129 Acórdão n.º 3402004.607 S3C4T2 Fl. 3 3 Tal pleito foi negado pela DRJ sob fundamento de que o vencimento do tributo se deu em 23/06/2001, razão pela qual a declaração de compensação protocolada 2 dias após o vencimento (25/06/2001) não poderia ser homologada. Sobre o direito de compensar ou ressarcir créditos, preceitua o art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Em razão dos pedidos terem sido analisados apenas em 30/09/2007, não restam dúvidas que todos os pedidos protocolados e que atendam todos os requisitos formais deverão ser considerados tacitamente homologados. Em razão disso, a dúvida que resta é apenas relativa ao protocolo anterior ou posterior ao vencimento do tributo. Compulsando o contrato social da empresa, e como é de notório conhecimento dos conselheiros desta turma, a Recorrente opera na produção de bebidas, sendo contribuinte do IPI no código 0668, cuja apuração é decendial. Além disso, o Ato Declaratório Executivo COSAR nº 38/2001 (fls.183 e ss.) traz a data de todos os tributos administrados pela RFB. Compulsandoo, verificamos o seguinte: Em relação aos débitos apurados no segundo decêndio de Junho/2001, o vencimento se dá apenas em 25/06/2001, exatamente a data de protocolo do pedido de compensação. Em razão disso, matematicamente correta a data do protocolo realizado pelo contribuinte, devendo o mesmo ser reputado tempestivo e, por consequência, tratado como tacitamente homologado. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer como tempestivo o pedido de compensação apresentado em 25/06/2001, bem como a sua homologação tácita, nos termos do art. 74,§5º da lei nº 9.430/96. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 194DF CARF MF 4 Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.004314/2007-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 43 14 /2 00 7- 36 Fl. 327DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.603, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.059.5351 contra PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A, referente às competências 09/96 a 12/96, 01/97 a 12/97, 01/98 a 07/98, 03/01 a 12/01, 01/02 a 02/06, cujo montante consolidado em 22/12/2006 é de R$ 617.962,39 (seiscentos e dezessete mil, novecentos e sessenta e dois reais e trinta e nove centavos), recebida em 27/12/2006. De acordo com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, fls. 125/132, os valores que integram a presente Notificação referemse às contribuições dos segurados empregados, às contribuições patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa, a destinada a outras entidades (terceiros), não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando a decadência do direito do Fisco constituir seus créditos tributários, bem como que as verbas pagas a título de ajuda de custo não têm natureza salarial, além do que o SAT deve ser calculado por estabelecimento. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, às fls. 186/194, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 202/215, renovando os argumentos deduzidos anteriormente. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 239/248, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para: i) acolher a decadência quinquenal, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, devendo ser excluídas do Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.004314/200736 Acórdão n.º 9202005.980 CSRFT2 Fl. 10 3 lançamento as competências até 11/2001, anteriores a 12/2001; ii) que o RAT seja calculado de acordo com o grau de risco existente nos estabelecimentos de CNPJ nº 01.278.0181000201 e 01.278.018100062; e iii) a multa seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212/91, se mais benéfica à recorrente. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. CONTAGEM DO DE ACORDO COM O CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Havendo pagamento antecipado aplicase a regra decadencial prevista no artigo 150 §, 4º do Código Tributário Nacional. AJUDA DE CUSTO. INCIDÊNCIA NO CASO CONCRETO. A Ajuda de custo paga de forma habitual, ainda que o segurado não estivesse sido designado para exercer o trabalho em outra localidade, nos termos do artigo 470 da CLT e não havendo provas de que se caracterizariam como necessária para o exercício do trabalho, conforme previsto no § 2º do artigo 457 da CLT, sofre a incidência das contribuições previdenciárias. ALÍQUOTAS DO RAT. SUMULA 351 DO STJ. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011. A Alíquota do RAT, de acordo com a jurisprudência do STJ, acolhida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, deve ser calculada por estabelecimento identificado por CNPJ. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação da pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Às fls. 251/262, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte, pois os acórdãos paradigmas entenderam que, para efeito da apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos, em que houve lançamento da obrigação principal, devese comparar a multa prevista na sistemática antiga (art. 35, II, da norma revogada) com a multa indicada no novo art. 35A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 e que Fl. 329DF CARF MF 4 remete ao art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 (75%). A multa de mora prevista no novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 não deve ser levada em consideração porque trata do pagamento espontâneo em atraso de crédito que ainda não foi objeto de autuação. Já o Colegiado a quo não leva em consideração o art. 35A da Lei nº 8.212/91. De fato, para a Turma recorrida, tratandose de auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação principal, a comparação para fins de aplicação da retroatividade benigna deve ser feita entre as penalidades previstas no revogado art. 35, II, e no novo art. 35, ambos da Lei n. 8.212/91. Às fls. 263/265, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Intimado eletronicamente à fl. 268, foi disponibilizado Termo de Ciência de Decurso de Prazo à fl. 269, em 21/03/2014. O Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 274/281, em 20/03/2014, ratificando os argumentos da decisão na parte recorrida. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de crédito lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.059.5351 contra PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A, referente às competências 09/96 a 12/96, 01/97 a 12/97, 01/98 a 07/98, 03/01 a 12/01, 01/02 a 02/06, cujo montante consolidado em 22/12/2006 é de R$ 617.962,39 (seiscentos e dezessete mil, novecentos e sessenta e dois reais e trinta e nove centavos), recebida em 27/12/2006. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.004314/200736 Acórdão n.º 9202005.980 CSRFT2 Fl. 11 5 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 331DF CARF MF 6 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10580.004314/200736 Acórdão n.º 9202005.980 CSRFT2 Fl. 12 7 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 333DF CARF MF 8 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10580.004314/200736 Acórdão n.º 9202005.980 CSRFT2 Fl. 13 9 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 335DF CARF MF 10 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10580.004314/200736 Acórdão n.º 9202005.980 CSRFT2 Fl. 14 11 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001869/2009-46
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas, eis que essas decisões aplicaram exatamente a mesma regra e o mesmo critério para a contagem da decadência, ou seja, o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, art. 150, §4º).
Numero da decisão: 9101-003.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas, eis que essas decisões aplicaram exatamente a mesma regra e o mesmo critério para a contagem da decadência, ou seja, o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, art. 150, §4º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 69 /2 00 9- 46 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 3 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) à contagem do prazo decadencial para exigência do débito de CSLL apurado em abril/2004; (2) às provas de quitação dos débitos apurados a partir de abril/2004; (3) à impropriedade da imputação da multa de ofício de 75% na ausência de dolo fraude ou simulação; e (4) aos juros de mora. Apenas a primeira divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação às outras divergências acima mencionadas, conforme o despacho exarado em 26/01/2015 pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. E a negativa de seguimento do recurso em relação a essas outras divergências foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 12/02/2016. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1402001.769, de 26/08/2014, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, entre outras questões, "acatar a argüição de decadência suscitada de ofício pelo relator para acolher a caducidade da exigência correspondente ao ano calendário de 2003". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou no 142 do CTN. NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configura qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. CSLL. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR Fl. 727DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 4 3 HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar o crédito tributário decai após cinco anos contados do fato gerador que, nos casos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ocorrem no último dia do trimestre, nos casos de levantamentos trimestrais, ou em 31 de dezembro de cada ano calendário questionado, nos casos de levantamentos anuais. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS EM DCTF. A diferença entre os valores escriturados e os valores declarados da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido deve ser objeto de lançamento de ofício quando não esclarecida pelo sujeito passivo, apesar de intimado a fazêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, acatar a argüição de decadência suscitada de ofício pelo relator para acolher a caducidade da exigência correspondente ao anocalendário de 2003 e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (contagem do prazo decadencial para exigência do débito de CSLL apurado em abril/2004), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: DA DECADÊNCIA O acórdão recorrido apreciou e julgou procedente a decadência do direito da Fazenda Nacional relativo ao anocalendário 2003, nos termos do art. 173 do CTN. Ocorre que a decadência a ser aplicada ao caso concreto para o ano de 2.003 e o primeiro trimestre de 2004, devido existirem pagamentos antecipados, é a prevista no §4° do art. 150 do CTN, no Art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF) e nas decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça; conforme a jurisprudência de nossos Tribunais, nas hipóteses de pagamento antecipado, como no caso em apreço, o direito da Fazenda Nacional lançar o suposto crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados do fato gerador que, no caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ocorre no último dia do trimestre, no caso de levantamento trimestral como o da empresa em questão; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 5 4 decorrido tal prazo sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pela empresa contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, §4º, e do art. 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional; nesse sentido, vejamos o mais recente Acórdão n. 58.954MG, proferido pela 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, sendo a Relatora a Ministra Assusete Magalhães: [...]; in casu, ao contrário do entendimento equivocado constante no Acórdão n. 1402001.769, os levantamentos não são anuais mas sim trimestrais, conforme se pode constatar pelas Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) elaboradas e encaminhadas para a Receita Federal do Brasil a cada trimestre, bem como pelos recolhimentos mensais dos valores nelas apontados como devidos (documentos 01 a 10, anexos); assim, no caso em apreço, sendo trimestrais os levantamentos da CSLL por meio de DCTF, e recolhidos mensalmente os valores apurados nos anos calendários de 2003 a 2007 (doc. n. 01 a 10), a contagem do prazo decadencial iniciase a partir do fato gerador e encerrase com a ciência do lançamento; desse modo, uma vez que, a ciência do lançamento se deu aos 05/06/2009 (doc. n. 11), os fatos geradores anteriores a 05/06/2004 encontramse alcançados pela decadência; conforme se pode observar pelo Auto de Infração, para o ano calendário de 2004, temos os seguintes fatos geradores: 04/2004, no valor de R$. 102.181.07 (*) 07/2004, no valor de R$. 41.860,04 06/2004, no valor de R$. 8.441,05 12/2004, no valor de R$. 900,00 (*) Fato gerador anterior a 05/06/2004. portanto, tendo ocorrido a ciência do lançamento aos 05/06/2009 (doc. n. 11), termo final da decadência e sendo trimestral a apuração da CSLL e recolhida mensalmente os valores nela apurados os fatos geradores anteriores a 05/06/2004, termo inicial da decadência, encontramse alcançados pela decadência. Nesse caso, além do ano de 2003, também deve ser reconhecida a decadência, a homologação tácita, bem como a extinção desse suposto crédito tributário relativo ao fato gerador de 04/2004. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à contagem do prazo decadencial para exigência do débito de CSLL apurado em abril/2004, com base na seguinte análise sobre ela: [...] A interessada aponta, inicialmente, divergência relativamente à contagem do prazo decadencial aplicável aos fatos geradores anteriores a 05/06/2004, observando que os levantamentos da CSLL são trimestrais e os Fl. 729DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 6 5 recolhimentos mensais, opondose à afirmação de que a apuração seria anual, como consignado no acórdão recorrido. A recorrente traz vários paradigmas para firmar que, havendo pagamentos antecipados até o primeiro trimestre de 2004, a contagem do prazo decadencial é regida pelo art. 150, §4º do CTN. Em observância ao art. 67, §7º do Anexo II do RICARF serão considerados apenas os dois primeiros paradigmas indicados, quais sejam: Acórdão nº 9303002.840 [...] Acórdão nº 9202003.452 [...] Os paradigmas estão orientados pelo entendimento de que a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador se houver antecipação de pagamento, sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O voto condutor do julgado também adota este entendimento, e inclusive afirma a existência de pagamentos para todos os anoscalendário autuados (2003 a 2007), mas conclui pela ocorrência de decadência, apenas, da exigência referente a 2003, em razão de a apuração de 2004 somente se verificar em 31 de dezembro. Vejase: Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida que, nos casos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ocorre no último dia do trimestre, nos casos de levantamentos trimestrais, ou em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, nos casos de levantamentos anuais. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. In casu, os levantamentos da obrigação tributária são anuais, conforme se depreende do demonstrativo de apuração do auto de infração (fls. 258 a 262) e compreendem os anos calendários de 2003 à 2007. A ciência do lançamento ocorreu em 05/06/2009 e há pagamentos da CSLL relativos aos anoscalendário de 2003 a 2007 (fls 42 e seguintes). Portanto, impondose o início da contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, entendo alcançados pela decadência o lançamento relativo ao anocalendário de 2003. Confirmase nos autos de infração de fls. 213/219 que a apuração da CSLL devida em 2004 foi consolidada no anobase, porém notase na folha de continuação do Auto de Infração que os fatos geradores foram detalhados sob as referências de 04/2004, 06/2004, 07/2004 e 12/2004. E especificamente no que tange à ocorrência indicada em 04/2004, a apuração da divergência consta à fl. 46 nos seguintes termos: Fl. 730DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 7 6 CSLL Resultado do cotejamento periódico: Inicio Fim Contab. Retif.Contab. DCTF Diferença Sinal Lançamento [...] 01/04/2004 30/04/2004 147.672,05 0,00 45.490,98 102.181,07 45.490,98 102.181,07 [...] Frente ao exposto, concluise que a recorrente apresentou paradigmas nos quais a contagem do prazo decadencial se fez na forma do art. 150, §4º do CTN porque comprovado pagamento antecipado, ao passo que no presente caso, embora demonstrado o pagamento antecipado, não foi declarada a decadência porque se reputou caracterizado o fato gerador ao final do anocalendário 2004, muito embora indicado, pela autoridade fiscal, a ocorrência de fatos geradores em meses de 2004. Assim, frente a fato gerador indicado em 04/2004 que, sob a ótica da recorrente, estaria alcançado pela decadência na forma do art. 150, §4º do CTN, o acórdão recorrido diverge dos paradigmas que admitiram a contagem a partir da ocorrência do fato gerador na presença de pagamento e sem a imputação de dolo, fraude ou simulação. A recorrente prossegue reportandose às provas de quitação dos débitos apurados a partir de 04/2004, mas não apresenta qualquer paradigma [...] [...] Constato, ante o exposto, que o recurso é tempestivo e que a recorrente identifica validamente a divergência, mas apenas em relação à contagem do prazo decadencial relativamente ao débito apurado em abril/2004. Portanto, satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade relativamente àquela matéria, proponho que seja DADO PARCIAL seguimento ao recurso especial Em 12/02/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento parcial ao recurso especial da contribuinte, e em 23/02/2016, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE o recurso especial foi admitido na parte em que questiona a contagem do prazo decadencial. Todavia, o recorrente não logrou êxito na demonstração do dissenso jurisprudencial; sobre a decadência, o acórdão recorrido assim se manifesta: [...]; Fl. 731DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 8 7 conforme se depreende do trecho extraído da decisão recorrida, o colegiado a quo, com amparo na tese firmada pelo STJ no julgamento do Resp nº 973.733 – SC sob a sistemática do recurso repetitivo, entendeu que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4º do CTN somente é possível quando o contribuinte antecipa o pagamento do tributo, se não verificada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Por outro lado, diante da inexistência de recolhimento antecipado, aplicase o art. 173, I, do CTN, cuja regra desloca o marco inicial da contagem do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado; na hipótese versada nos autos, diante da constatação de recolhimentos antecipados, o acórdão recorrido aplicou o art. 150, § 4º do CTN para declarar a decadência em relação ao ano calendário de 2003, considerada a contagem do prazo a partir do fato gerador; nessa mesma linha de entendimento, os acórdãos nº 9303002.840 e nº 9202003.452, indicados pelo recorrente como paradigmas, tratam o tema sobre a contagem do prazo decadencial em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, conforme se confere abaixo: [...]; com efeito, ambos os acórdãos adotam a mesma tese firmada pelo acórdão recorrido no sentido de que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4º do CTN somente é possível quando o contribuinte antecipa o pagamento do tributo, se não verificada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação; aliás, no próprio juízo de admissibilidade do recurso especial, o Presidente da Câmara consigna que os supostos paradigmas aplicam o mesmo entendimento do acórdão recorrido. Nesse ponto, transcrevese o despacho de admissibilidade: [...]; ora, diante da adoção da mesma tese jurídica sobre a legislação que disciplina o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, fica completamente afastada a configuração de divergência jurisprudencial; verificase que o recorrente tenta, pela via estreita do recurso especial, rediscutir a questão de suposto equívoco do acórdão recorrido ao tratar do fato gerador ocorrido no ano calendário de 2004. Alega que, diversamente do consignado pelo colegiado a quo em sua decisão, a CSLL não teria sido apurada apenas ao final do ano calendário em 31/12/2004, pois os fatos geradores teriam ocorridos em 04/2004, 06/2004, 07/2004 e 12/2004. Nessa ordem de raciocínio, é que defende o alcance do fato gerador de 04/2004 pela decadência, segundo a própria tese firmada pelo acórdão recorrido sobre a contagem da decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Esta questão é posta, inclusive, pelo despacho de admissibilidade, nos seguintes termos: [...]; logo, tratase de questão que deveria ter sido sanada pela via dos embargos de declaração; se não tratada pela via correta dos embargos, a questão de fato, suposto equívoco na análise do período de apuração da CSLL no ano calendário de 2004, não pode ser tratada em sede de recurso especial, que somente é admitido nos casos de divergência jurisprudencial sobre a interpretação da lei tributária, na forma do Regimento Interno do CARF; Fl. 732DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 9 8 ante os argumentos expendidos, em sede preliminar, devese negar seguimento ao recurso especial manejado, diante da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial; DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO no Recurso Especial nº 973.733SC, autos nº 2007/01769940, admitido nos termos do art. 543C do CPC, o STJ entendeu que: [...]; o entendimento acima sedimentado e agora pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública: ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie. De outro lado, diante da existência de recolhimentos antecipados, aplicase o art. 150, § 4º do CTN, que fixa o fator gerador como marco inicial para a contagem do prazo decadencial; assim, diante do entendimento agasalhado pelo STJ acerca da matéria decadência em sede de recurso repetitivo, é necessário voltar a atenção para o disposto no art. 62A do RICARF, verbis: [...]; no caso em tela, diante da existência de recolhimentos antecipados, o acórdão recorrido aplicou o art. 150, § 4°, do CTN para declarar a decadência somente em relação ao anocalendário de 2003. Neste ponto, transcrevese o voto condutor do julgado: [...]; com efeito, a CSLL apurada no ano calendário de 2004 em 31/12/2004, segundo o disposto no art. 150, § 4º, do CTN, não se encontra alcançada pela decadência, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 05/06/2009, antes do transcurso do prazo de 5 anos para a constituição do crédito tributário; assim, não merece reforma o acórdão recorrido, que decide o caso segundo a legislação de regência. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. De acordo com as peças que compõe o auto de infração, as exigências fiscais correspondem a diferenças verificadas entre os valores escriturados e os valores declarados de CSLL nos referidos períodos, diferenças que não teriam sido justificadas pelo contribuinte. O lançamento foi cientificado à contribuinte em 29/05/2009 (vol. 2, efls. 25), e não em 05/06/2009, como constou do acórdão recorrido e do recurso especial da contribuinte, mas essa pequena diferença de datas é irrelevante para a questão que agora se apresenta. Conforme relatado, o acórdão recorrido, entre outras questões, decidiu "acatar a argüição de decadência suscitada de ofício pelo relator para acolher a caducidade da exigência correspondente ao anocalendário de 2003". Com o recurso especial (na parte em que ele foi admitido), a contribuinte pretende que a decadência também seja reconhecida para o débito de CSLL apurado em abril/2004. De acordo com a contribuinte, por existirem pagamentos antecipados, a regra de decadência a ser aplicada é a prevista no §4° do art. 150 do CTN, e não a prevista no art. 173 do mesmo diploma. Para demonstrar a divergência, ela apresentou os acórdãos paradigmas nºs 9303002.840 e 9202003.452, que estão orientados pelo entendimento, já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de que a contagem do prazo decadencial se dá a partir da data de ocorrência do fato gerador se houver antecipação de pagamento, sem ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora o despacho monocrático de exame de admissibilidade tenha sido no sentido de dar seguimento ao recurso especial em relação a essa questão da decadência, não há condições para se conhecer do recurso. É que o acórdão recorrido aplicou exatamente o mesmo entendimento defendido pelos paradigmas quanto à contagem da decadência, aliás, citando expressamente a decisão exarada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), na sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC, que vincula as decisões do CARF. O acórdão recorrido registra que há pagamentos de CSLL para todos os anos em questão (2003 a 2007), e, por essa razão, aplicou a regra do art. 150, §4º, do CTN, para fins de reconhecer a decadência do fator gerador ocorrido em 31/12/2003. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 11 10 Por outro lado, pela mesma aplicação da regra do art. 150, §4º, do CTN, não houve reconhecimento da decadência para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006 e 31/12/2007. O despacho de exame de admissibilidade não deixou de perceber a convergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas, mas deu seguimento ao recurso com o entendimento de que embora a apuração da CSLL nos presentes autos tenha sido consolidada no anobase, os fatos geradores teriam sido detalhados sob referências mensais (no caso de 2004: 04/2004, 06/2004, 07/2004 e 12/2004). E assim, considerando a ocorrência de fatos geradores nos meses de 2004, haveria divergência em relação à contagem da decadência para o mês de abril/2004. Entretanto, é preciso destacar que não houve nenhuma autuação sobre fato gerador mensal de CSLL. Os fatos geradores autuados são anuais, ocorridos em 31/12/2003, 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006 e 31/12/2007, conforme indicado expressamente no auto de infração. Como já mencionado, o trabalho de auditoria apurou diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados de CSLL nos referidos períodos, e as exigências fiscais correspondem a essas diferenças. No curso dos trabalhos de auditoria, a contribuinte informou à Fiscalização o nome e o código das contas contábeis referentes aos tributos federais. No caso da CSLL, a conta auditada foi "CSLL ANTECIPADO 111123305", que corresponde às estimativas mensais no regime de apuração anual (vol. 1, efls. 40). Os demonstrativas de efls. 75 e 118/129 do mesmo vol. 1 evidenciam que a contribuinte apurou estimativas em todos os meses de 2004 por balancetes cumulativos de suspensão/redução. Especificamente em relação ao anocalendário 2004, a Fiscalização apurou diferenças na declaração/recolhimento das estimativas dos meses de abril, junho, julho e dezembro/2004 (vol. 1, efls. 46). Estimativas mensais constituem antecipação do ajuste anual, e, via de regra, contribuem para a quitação do tributo no ajuste. Por outro lado, as estimativas faltantes desfalcam a quitação de ajuste. O auto de infração é bem claro ao indicar a data do fato gerador como sendo 31/12/2004, com exigência fiscal no valor total de R$ 153.382,16 (vol 2, efls 14 e 21), que corresponde exatamente ao somatório das estimativas faltantes, que devem ter desfalcado o ajuste anual nesse mesmo montante. O que a "folha de continuação do auto de infração" traz, quando indica os meses do ano, são as "ocorrências" apuradas pela Fiscalização. Mas o lançamento se deu sobre o somatórios dessas "ocorrências", tomando como data de fato gerador o dia 31 de dezembro de cada um dos anoscalendário citados. Não está em questão nessa fase do processo qual o tipo de repercussão que as estimativas tiveram sobre os ajustes anuais (nem mesmo no ano 2004). Nas fases anteriores do processo, a contribuinte procurou demonstrar que não havia tributo a ser exigido, mas não Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19515.001869/200946 Acórdão n.º 9101003.121 CSRFT1 Fl. 12 11 obteve êxito nesse intento. Nessa fase de recurso especial, ela também procurou suscitar divergência sobre a quitação dos débitos exigidos, mas o recurso não foi admitido em relação a essa matéria. O que está em questão nesse momento, portanto, é o critério de contagem da decadência, e está bem claro que o lançamento se deu sobre o fato gerador de 31/12/2004 (ajuste anual), tomando como base as estimativas que deixaram de ser recolhidas e que, no montante não recolhido, devem ter desfalcado o ajuste anual (matéria que não está em questão nesse momento). O fato de a DCTF ser apresentada por trimestre e de o recolhimento de estimativa ser feito mensalmente não faz com que o fato gerador da CSLL seja trimestral ou mensal. Desse modo, não há divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas, eis que essas decisões aplicaram exatamente a mesma regra e o mesmo critério para a contagem da decadência, ou seja, o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, art. 150, §4º). A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. A partir dos paradigmas apresentados, não é possível averiguar qual a repercussão das estimativas no ajuste anual, se houve ou não quitação integral do débito no ajuste, etc., o que parece que o despacho de exame de admissibilidade procurou permitir. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 736DF CARF MF
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Numero do processo: 13002.000837/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 08 37 /2 00 7- 65 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 251DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13002.000837/200765 Acórdão n.º 9202005.856 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000363/2008-21
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-001.130
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13771.000363/200821 Acórdão n.º 180101.130 S1TE01 Fl. 49 2 A Recorrente formalizou em 15.05.2003 o Pedido de Exclusão Retroativa do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), fl. 01, no período de 01.07.2007 a 31.12.2007. Suscita que [...] vem através deste SOLICITAR o cancelamento da referida opção com efeitos a partir de 01/07/2007 á 31/12/2007, pois a mesma apurou e recolheu por todo o período como lucro presumido. Informamos que a empresa sempre recolheu seus impostos em dia, e sempre cumpriu com suas devidas obrigações. Optamos assim o cancelamento retroativo da opção pelo simples nacional. Nestes Termos Pedese Deferimento. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 1415, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido de exclusão retroativa nos seguintes termos O contribuinte optou em 23/07/2007 pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) Simples Nacional — sendo sua solicitação deferida em 08/08/2007 com efeitos retroativos a 01/07/2007 conforme "Detalhamento da Solicitação da Opção" e "Detalhamento do Evento", às folhas 14 e15. [...] Desta forma o contribuinte teve oportunidade de solicitar sua exclusão do Simples Nacional pela internet até 31/08/2007 tendo em vista que o deferimento de sua opção se deu em 08/08/2007, fato já comprovado. Não formalizando sua exclusão conforme indicado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional sua opção tornase irretratável para todo o anocalendário de 2007 em conformidade com o artigo 7° da Resolução CGSN n° 004. Analisando a situação atual da requerente verifiquei que a mesma já se encontra excluída do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 por solicitação realizada na internet em 25/01/2008 em conformidade com o disposto § 1° do artigo 3° da citada Resolução 015, documento às folhas 16 e 17. Como o prazo para exclusão no sistema encerrouse em 31/08/2007 e o contribuinte não se manifestou pelos meios devidos e prazos estipulados nas resoluções, deve permanecer no Simples Nacional no período de 01/07/07 a 31/12/2007. [...] Ante o exposto, ficando demonstrado pelos argumentos desenvolvidos e provas retrocitadas que o contribuinte não se manifestou até 31/08/2007 e nem se utilizou dos meios devidos para sua exclusão do Simples Nacional, concluo pelo indeferimento de sua exclusão, ou seja, pela sua manutenção nesse regime no período de 01/07/2007 a 31/12/2007. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13771.000363/200821 Acórdão n.º 180101.130 S1TE01 Fl. 50 3 Cientificada em 13.11.2008, fl. 22, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 11.12.2008, fls. 2324, com as alegações a seguir A empresa sempre trabalhou com o ramo de comercio, representações e manutenção de maquinas e ferramentas, porém quando em 01/07/2007 solicitamos incorretamente a inclusão do mesmo no simples, verificamos que o ramo de representação está vedado para o enquadramento no simples nacional conforme nossa alteração contratual realizada em 07/03/2006, consta em nossas atividade a representação; como nas primeiras listagens a empresa não surgiu no sistema como optante pelo simples nacional, tomamos a resolução de continuarmos a ser Lucro Presumido, que é a forma correta. [...] Só soubemos depois quando um fornecedor nosso nos informou que estávamos enquadrados e foi no mês de dezembro de 2007, quando mesmo fora do prazo, solicitamos a exclusão do sistema retroativa, devido ao nosso ramo de atividades. Quando fomos analisar o CNAE não conseguimos nenhuma atividade que se enquadrasse especificamente nos dois ramos, pois a empresa as vezes revende também mercadorias. [...] Solicitamos V.Sa que seja levado em consideração toda esta defesa e torne sem efeito o nosso enquadramento, mesmo porque a lei do SIMPLES NACIONAL • teve varias emendas e nos deixou com muitas dúvidas, quando me refiro á nós, englobamos o geral, contribuintes e inclusive servidores públicos, até mesmo a minha contadora Daise Lucide do Amaral, CRC n° 6812/ES esteve em 02 cursos e a legislação não foi bem especifica, e assim como seus colegas de profissão ficaram confusos, estivemos na receita federal e os próprios servidores estiveram confusos. É uma legislação que surgiu muito rápido e com muitas brechas para soluções. Estivemos no plantão fiscal, para que não haja alterações contábeis inclusive mudanças de códigos os DARF"s, enfim sendo a empresa cumpridora de todas as suas obrigações não poderia passar por todos estes transtornos, acredito desnecessários. Temos todos os nossos recolhimentos em dia e não pretendemos em hipótese alguma faltar com nossas obrigações tributárias, e 2008 continuamos no lucro presumido. N. Termos P. Deferimento Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1225.735, de 21.08.2009, fls. 2932: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta no Voto condutor 7. Pelo histórico de ocorrências temos que a interessada fez a opção pelo Simples Nacional, pela internet, em 23/07/2007, situação deferida em 8/08/2007 (fl. 14), com efeitos retroativos a 1°/07/2007 (fl. 15) e até 31/12/2007 (fl.16). 8. Somente em 25/01/2008 a interessada veio a fazer a opção de exclusão do regime de tributação do Simples Nacional (fl. 17), ou seja, após a data limite determinada • pela Resolução CGSN n° 19/2007, art. 50, que era 31/08/2007. Desta forma, o pedido formalizado pela interessada tem efeito retroativo a 1°/01/2008, por Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13771.000363/200821 Acórdão n.º 180101.130 S1TE01 Fl. 51 4 força do artigo 3°, I, § 1°, I, c/c art. 6°, I, § 1° da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007: [...] 9 Desta forma, está correto o entendimento da DRF Vitória ao indeferir o pedido da interessada e considerála excluída do SIMPLES NACIONAL a partir de 10 de janeiro de 2008, não cabendo alegações de confusões na legislação ou dúvidas entre os profissionais contábeis, visto que a regulamentação feita pelas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) citadas deixa claro os procedimentos a serem adotados pelos interessados. Notificada em 21.09.2009, fl. 34, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 22.10.2009, fls. 3537. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera seus argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui Por todo o exposto, solicitamos que seja DEFERIDO o nosso pedido de desenquadramento , retroativos a 01/07/2007, porque estaríamos em desacordo com a legislação, incorrendo em uma das hipóteses da VEDAÇÃO prevista na Legislação já citada acima. Destacamos também, que todos os nossos recolhimentos foram feitos na forma Presumida, neste período de 01.01.2007 a 31.12. 2007, sendo apresentadas todas as declarações na mesma forma. Diante ao exposto, solicitamos que se digne a apreciar nosso RECURSO e como somos cumpridores de nossos deveres junto ao Fisco, aguardamos o DEFERIMENTO, do Recurso apresentado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13771.000363/200821 Acórdão n.º 180101.130 S1TE01 Fl. 52 5 Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 21.09.2009, fl. 34, e apresentou o recurso voluntário em 22.10.2009, fls. 3537. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.001469/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
DIRPF. DECLARAÇÃO CONJUNTA. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DA DECLARAÇÃO.
Apenas o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora, de modo que a simples alegação desprovida de elementos que a corroborem não é apta a ensejar a caracterização de erro, principalmente quando as provas dos autos apontam para a existência de considerável movimentação financeira, em sentido contrário ao aduzido pelo recorrente.
GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA E IMÓVEL. PARCELAMENTO.
Torna-se definitiva a constituição do crédito tributário, nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, com o pedido de renúncia em razão do parcelamento apresentado sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL.
O lançamento não se baseia em presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, preconizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas sim em omissão de rendimentos da atividade rural, consoante o art. 57 do Decreto 3000/99.
Numero da decisão: 2201-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 05/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DIRPF. DECLARAÇÃO CONJUNTA. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DA DECLARAÇÃO. Apenas o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora, de modo que a simples alegação desprovida de elementos que a corroborem não é apta a ensejar a caracterização de erro, principalmente quando as provas dos autos apontam para a existência de considerável movimentação financeira, em sentido contrário ao aduzido pelo recorrente. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA E IMÓVEL. PARCELAMENTO. Torna-se definitiva a constituição do crédito tributário, nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, com o pedido de renúncia em razão do parcelamento apresentado sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O lançamento não se baseia em presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, preconizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas sim em omissão de rendimentos da atividade rural, consoante o art. 57 do Decreto 3000/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
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DECLARAÇÃO CONJUNTA. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. OBRIGATORIEDADE DA DECLARAÇÃO. Apenas o erro de fato cabalmente demonstrado enseja à revisão da declaração pela autoridade julgadora, de modo que a simples alegação desprovida de elementos que a corroborem não é apta a ensejar a caracterização de erro, principalmente quando as provas dos autos apontam para a existência de considerável movimentação financeira, em sentido contrário ao aduzido pelo recorrente. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA E IMÓVEL. PARCELAMENTO. Tornase definitiva a constituição do crédito tributário, nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, com o pedido de renúncia em razão do parcelamento apresentado sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. O lançamento não se baseia em presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, preconizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas sim em omissão de rendimentos da atividade rural, consoante o art. 57 do Decreto 3000/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 14 69 /2 00 6- 43 Fl. 900DF CARF MF 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 05/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: O interessado contesta auto de infração do imposto de renda dos anoscalendário de 2001 a 2004, incidente sobre rendimentos da atividade rural, rendimentos do trabalho assalariado e ganhos de capital com a alienação de imóveis e de participação societária. O imposto lançado foi de R$ 194.191,35, elevandose a exigência para R$ 418.838,61 com os acréscimos legais. De acordo com o relatório fiscal (fls. 18/30), o contribuinte fora inicialmente intimado a comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias, e, com base nos esclarecimentos e provas apresentados, foram constatadas as omissões de rendimentos de que trata o auto de infração. Quanto aos ganhos de capital com a venda de imóvel, o interessado havia sido intimado a comprovar as despesas de R$ 302.045,98 com reformas, informadas em sua declaração de ajuste anual, o que não foi atendido. Também não comprovara os custos, no caso da alienação de participação societária na empresa Tesc Indústria e Comércio Ltda., no valor de R$ 126.000,00, que por isso foram considerados nulos com base no art. 129 do Decreto n° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Os argumentos do impugnante são em síntese os seguintes: (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário : 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10865.001469/200643 Acórdão n.º 2201004.023 S2C2T1 Fl. 3 3 GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na apuração dos ganhos de capital, os custos de aquisição dos bens ou direitos alienados devem ser comprovados pelo alienante, bem como as alegadas despesas de construção ou reforma. Lançamento Procedente Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte teceu os seguintes argumentos: a) embora o recorrente tenha informado, no campo próprio, que as declarações de rendimentos de 2001 a 2004 foram efetuadas em conjunto com sua cônjuge, a verdade é que a declaração não foi em conjunto, de modo que, em nenhum desses exercícios, deduziua como dependente e nenhuma outra informação sobre ela foi prestada fls. 31 a 45 do auto de infração; b) além disso, no exercício de 2003, anocalendário 2002, para uma suposta omissão de receita de R$ 5.287,39, a obrigatoriedade da entrega de declaração corrida quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00; no exercício de 2004, anocalendário 2003, para uma suposta omissão de receita de R$ 11.713,95, a obrigatoriedade da entrega de declaração ocorria quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00; e, no exercício de 2005, anocalendário 2004, para uma suposta omissão de receita de R$ 7.220,53, a obrigatoriedade de entrega de declaração ocorria quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00; c) por ter auferido rendimentos tributáveis inferiores aos limites mínimos previstos em lei, além de desobrigada da entrega de declaração de rendimentos, a cônjuge do recorrente não estava sujeita ao pagamento do imposto de renda; d) caso os julgadores não entendam pelo erro na identificação do sujeito passivo, os depósitos tributados em um mês prestamse a justificar depósitos efetuados nos meses posteriores, porque a tributação com base nos depósitos bancários não presume o consumo de renda; e) no que se refere à omissão de rendimentos da atividade rural, houve cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que foram apresentados os documentos juntados às fls. 410 a 444 e não foram apreciados pelo fisco; f) não há individualização dos créditos/depósitos supostamente não comprovados, vez que o fisco lançou o tributo sobre valores totais mensais (fls. 23 a 26), o que impossibilita a plena defesa do recorrente; g) o auto de infração também é falho por não preencher requisito essencial previsto em lei, qual seja a descrição do fato (Decreto 70.235/72, art. 10, inciso III); Fl. 902DF CARF MF 4 h) as omissões detectadas e tributadas em um mês justificam as omissões identificadas em meses posteriores, de modo que, nos anoscalendários de 2001 e 2002, após a dedução da renda declarada, seria de R$ 32.260,90, e, nos anoscalendários de 2003 e 2004, apurada a renda e deduzidas as despesas de custeio, o resultado tributável é negativo, sendo que o recorrente apurou prejuízo e por isso não pode ser tributado; i) a respeito do ganho de capital sobre bem imóvel, requer o sujeito passivo que o imposto seja calculado sobre a diferença da venda (R$ 360.000,00) e o Custo corrigido apurado no laudo pericial (R$ 262.973,86), ou seja, sobre a importância de R$ 97.026,14 e não de R$ 279.542,45, como quer a digna fiscalização; j) sobre o ganho de capital na participação societária, afirma o recorrente a existência de decadência; bem como, no que tange ao custo de aquisição, não pode ser considerado zero o custo, pois há documentos públicos que possibilitam a determinação desse custo e por essa razão é inaplicável o art. 129 do RIR/99. Em 16 de agosto de 2010, foi anexado aos autos o pedido de parcelamento parcial de débitos previsto na Lei 11.941/09pelo recorrente, fls. 842, no qual especifica, no anexo III, os valores relativos à tributação de IRPF sobre ganhos de capital. Posteriormente, em 30 de setembro de 2010, o contribuinte junta aos autos o pedido expresso de renúncia a quaisquer alegações de direito relativamente aos valores parcelados. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presente os requisitos de admissibilidade. Consoante narrado, o presente lançamento tem como objeto o imposto de renda dos anoscalendário de 2001 a 2004 incidente sobre rendimentos da atividade rural, rendimentos do trabalho assalariado e ganhos de capital com a alienação de imóveis e de participação societária. O imposto lançado foi de R$ 194.191,35, elevandose a exigência para R$ 418.838,61 com os acréscimos legais. 1. Do rendimento do trabalho assalariado De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 27, "o rendimento do trabalho assalariado de professora recebido pela esposa do fiscalizado, Júlia Leite de Barros Minniti, CPF 849.346.20800, no valor total de R$ 24.221,87, relativo ao período de 2002 a 2004, não foi oferecido à tributação, assim sendo, referidos valores, conforme demonstrado Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10865.001469/200643 Acórdão n.º 2201004.023 S2C2T1 Fl. 4 5 abaixo, estão sendo somados às demais receitas e tributados de acordo com o artigo 43 do RIR/99". Sobre a matéria, o acórdão de origem assim se pronunciou: O contribuinte havia apresentado as suas declarações em conjunto (fls. 31/45), e por isso deveria incluir os rendimentos tributáveis do cônjuge. Como se trata do exercício de uma faculdade, a alegação de que tal procedimento lhe tenha sido menos vantajoso não é prova de erro que justifique a alteração do lançamento, haja vista a vedação do § 1' do art. 147 do Código Tributário Nacional. Não procede também a arguição de violação do princípio da capacidade contributiva, pois o tributo lançado é proporcional aos rendimentos obtidos pelo casal. Contrariamente ao que afirma o impugnante, o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos do cônjuge foram computados no lançamento: R$ 3,38 em 2002 (fls. 11), R$ 27,14 em 2003 (fls. 13) e 74,32 em 2004 (fls. 14). Sustenta o recorrente que embora tenha informado, no campo próprio, que as declarações de rendimentos de 2001 a 2004 foram efetuadas em conjunto com sua cônjuge, a verdade é que a declaração não foi em conjunto, de modo que, em nenhum desses exercícios, deduziua como dependente e nenhuma outra informação sobre ela foi prestada fls. 31 a 45 do auto de infração. Além disso, no exercício de 2003, anocalendário 2002, para uma suposta omissão de receita de R$ 5.287,39, a obrigatoriedade da entrega de declaração corrida quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00; no exercício de 2004, anocalendário 2003, para uma suposta omissão de receita de R$ 11.713,95, a obrigatoriedade da entrega de declaração ocorria quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00; e, no exercício de 2005, anocalendário 2004, para uma suposta omissão de receita de R$ 7.220,53, a obrigatoriedade de entrega de declaração ocorria quando os rendimentos fossem superiores a R$ 12.696,00. Com a análise da Declaração de Ajuste (fls. 32 e seguintes do PDF Volume 1) e dos argumentos colacionados em sede recursal, observase que não assiste razão ao recorrente, pois a declaração simplificada não permite deduções. Ademais, os bens declarados pelo marido, bem como a participação da sua esposa, em sociedade, diante da movimentação financeira, indicam que há sim obrigatoriedade de entrega de declaração, havendo, de fato a omissão em questão. 2. Ganhos de capital (imóvel e participação societária) No que se refere ao ganho de capital, considerando o parcelamento parcial realizado, conforme consta do relatório dos autos, houve renúncia expressa às alegações de direito relativamente a essa matéria. Desse modo, declaro a definitividade do crédito tributário, nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. Fl. 904DF CARF MF 6 Em conseqüência da análise acima, deixo de apreciar o argumento acerca da decadência relativa ao ganho de capital, por não conhecer da matéria. 3. Da omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural Narra o Termo de Verificação Fiscal que: A partir da receita total da atividade rural (item (a) da tabela abaixo), comprovada pelo contribuinte conforme item 1.12 (Rendimento Atividade Rural), subtraiuse a receita da atividade rural, declarada nas respectivas Declarações do IRPF, obtendo se a receita omitida desta atividade. O resultado tributável foi encontrado com a aplicação do percentual de 20% sobre esse valor (conforme opção, feita pelo contribuinte em suas DIRPF dos exercícios de 2002 e 2003, de arbitramento sobre a receita bruta), sendo que relativamente aos exercícios 2004 e 2005, para obter o resultado tributável foram consideradas as despesas de custeio declaradas. Ressaltamos que nas declarações apresentadas pelo contribuinte nesses dois exercícios foram apurados prejuízos, porém devem prevalecer os novos valores apurados, não sendo possível, portanto, a utilização dos prejuízos apurados pelo contribuinte. Assim sendo, referidos valores estão sendo tributados de acordo com o artigo 57 do RIR/99. O tema foi tratado como preliminar, em sede de impugnação e na decisão recorrida, que assim dispôs: O lançamento não se baseia em presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, preconizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, como confunde o impugnante, mas sim em rendimentos do trabalho assalariado, da atividade rural e em ganhos de capital com a alienação de bens e direitos. Não têm sentido, portanto, os seus argumentos de que não foram identificados os depósitos incluídos no lançamento, ou que não foram considerados documentos que poderiam servir para demonstrar a origem destes depósitos, ou ainda que os saldos anteriores deveriam ser computados como origem dos créditos seguintes; mesmo porque os valores considerados como rendimentos omitidos são exatamente os depósitos que tiveram a sua origem comprovada; apenas haviam sido omitidos pelo contribuinte em suas declarações, e por isso foram tributados com base na legislação específica, como determina o § 2° do art. 42 da Lei 9.430/1996. O impugnante argúi que a soma dos depósitos que deveriam ser por ele comprovados era de R$ 1.004.133,86 entre 2001 e 2004, enquanto o auto de infração lhe atribui omissão de rendimentos da atividade rural de R$ 2.057.119,95 neste mesmo período. Não quer observar, porém, que intimação n° 3, às fls. 393/408, se reporta apenas aos depósitos que não haviam sido comprovados em ocasião anterior, quando o contribuinte apresentara os documentos de fls. 332/390, relativos a receitas Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10865.001469/200643 Acórdão n.º 2201004.023 S2C2T1 Fl. 5 7 da atividade rural, e que serviram para justificar os demais depósitos não incluídos nesta última relação. O recorrente insurgese com os seguintes fundamentos, em síntese: a) no que se refere à omissão de rendimentos da atividade rural, houve cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que foram apresentados os documentos juntados às fls. 410 a 444 e não foram apreciados pelo fisco; b) não há individualização dos créditos/depósitos supostamente não comprovados, vez que o fisco lançou o tributo sobre valores totais mensais (fls. 23 a 26), o que impossibilita a plena defesa do recorrente; c) o auto de infração também é falho por não preencher requisito essencial previsto em lei, qual seja a descrição do fato (Decreto 70.235/72, art. 10, inciso III); d) as omissões detectadas e tributadas em um mês justificam as omissões identificadas em meses posteriores, de modo que, nos anoscalendários de 2001 e 2002, após a dedução da renda declarada, seria de R$ 32.260,90, e, nos anoscalendários de 2003 e 2004, apurada a renda e deduzidas as despesas de custeio, o resultado tributável é negativo, sendo que o recorrente apurou prejuízo e por isso não pode ser tributado; Cumpre elucidar, conforme o fez a decisão recorrida, que o presente lançamento tem como objeto a omissão de rendimentos da atividade rural justamente em razão do acolhimento dos documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação da origem dos depósitos bancários. Assim, o contribuinte fora inicialmente intimado a comprovar a origem dos depósitos em suas contas bancárias, e, com base nos esclarecimentos e provas apresentados, foram constatadas as omissões de rendimentos de que trata o auto de infração. Dessa forma, não assiste razão ao recorrente em seus argumentos sobre a ausência de análise dos documentos apresentados para comprovação da origem dos depósitos, restando atendido o devido contraditório e a ampla defesa, ao contrário do que expõe o contribuinte, pois devidamente descrita a infração ocorrida, como demonstra o relato fiscal. Sobre os prejuízos apurados nos exercícios de 2004 e 2005, a fiscalização ressaltou que "nas declarações apresentadas pelo contribuinte, nesses dois exercícios, foram apurados prejuízos, porém devem prevalecer os novos valores apurados, não sendo possível, portanto, a utilização dos prejuízos apurados pelo contribuinte". Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, observase que não foram considerados os prejuízos apurados pelo contribuinte, em razão da omissão de receitas da atividade rural, sendo consideradas as despesas de custeio declaradas. Portanto, mantenho a decisão recorrida, nesse ponto. Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 906DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001243/2006-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 IRPJ E CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, bem assim a ausência de pagamentos impõe necessariamente que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele
em que o lançamento já poderia ter sido efetuado.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Atribui-se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
Numero da decisão: 1401-000.622
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL, para os 2º e 3º trimestres de 2000 e, em relação ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2000; rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso para manter o Termo de Responsabilidade Tributária.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 IRPJ E CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, bem assim a ausência de pagamentos impõe necessariamente que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribui-se a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL, para os 2º e 3º trimestres de 2000 e, em relação ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2000; rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso para manter o Termo de Responsabilidade Tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.284 1 1.283 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001243/200697 Recurso nº 999999 Voluntário Acórdão nº 1401000.622 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA (Responsável tributário: LIU KUO AN) Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 IRPJ E CONTRIBUIÇÕES. PRAZO DECADENCIAL. DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. A existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte, bem assim a ausência de pagamentos impõe necessariamente que o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para constituição de créditos referentes ao IRPJ, submetido a lançamento por homologação, seja deslocado da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento ou o Termo de Responsabilidade tributária, descabe a alegação de nulidade. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1319DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.285 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL, para os 2º e 3º trimestres de 2000 e, em relação ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2000; rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso para manter o Termo de Responsabilidade Tributária. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Ferreira da Silva, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1320DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.286 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1617.086, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários: 01.01. IRPJ (fls. 06) => R$ 28.122.867,25 (vinte e oito milhões, cento e vinte e dois mil, oitocentos e sessenta e sete reais e vinte e cinco centavos); 01.02. PIS (fls. 21) R$ 3.083,10 (três mil, oitenta e três reais e dez centavos); 01.3. COFINS (fls. 29) => R$ 14.231,36 (quatorze mil, duzentos e trinta e um reais e trinta e seis centavos), e; 01.4. CSLL (fls. 37) => 10.106.220,78 (dez milhões, cento e seis mil, duzentos e vinte reais e setenta e oito centavos). 01.5. O crédito tributário consolidado, então, perfaz a importância de R$ 38.246.402,49 (trinta e oito milhões, duzentos e quarenta e seis mil, quatrocentos e dois reais e quarenta e nove centavos), aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 31/05/2006). 02. Segundo o resumido pelas "folha de continuação do AUTO DE INFRAÇÃO", relativas ao IRPJ (fls. 08/11), as infrações apuradas e respectivos enquadramentos legais que redundaram nos lançamentos acima, consistiram em: 02.01. Omissão de Receitas Receitas não Contabilizadas caracterizada pela falta de escrituração contábil de Receita de Aplicações Financeiras de Fundo de Investimentos de Renda Fixa recebida do Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A, CNPJ n° 33.7000.394/000140, apurada conforme doc. de fls...; 02.01.01. Enquadramento legal: art. 24 da Lei n° 9.249/1995; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 283 e 288, do RIR/1999 (fls. 09); Mercadorias Vendidas. Nos segundo, terceiro e quatro trimestres de 2001, a empresa informou a maior, Custo de Mercadorias Vendidas, nos valores respectivos de R$ 6.298.132,31, R$ 8.293.996,88 e R$ 9.592.015,70, referente a informação na DIPJ, nesses períodos, da inclusão indevida do valor do ICMS incidentes sobre as compras de mercadorias. Referidas irregularidades resultaram na redução indevida do Lucro Liquido do Exercício, e por conseqüência no Lucro Real Trimestral apurado em cada período; Fl. 1321DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.287 4 02.02.01. Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289, 290, inciso I, 292 e 300, do RIR/1999; 02.03. Custos ou Despesas não Comprovadas Glosas de Despesas – A empresa declarou nos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001, em duplicidade, as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, uma vez como Dedução de Vendas, na apuração da Receita Líquida de Vendas e outra vez, como Despesas Operacionais, nos valores respectivos de R$ 287.188,10, R$ 382.532,94, R$ 451.006,31 e R$ 470.137,98 da contribuição do PIS/Pasep e R$ 1.325.483,53, R$ 1.765.536,52, R$ 2.081.567,62 e R$ 2.169.867,59 para a contribuição da Cofins, ambos sobre o Faturamento. Incluiu na DIPJ como despesas dedutíveis a título de Remuneração de Dirigentes e tenha registrado em sua escrita contábil como Distribuição de Lucro, as importâncias de R$ 15.000,00 no primeiro trimestre de 2001 e de R$ 5.000,00, em cada um, nos terceiro e quatro trimestres de 2001. Valores apurados conforme docs. de fls , e; 02.03.01. Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/1999, e; 02.04. Redução Indevida do Lucro Real A empresa no preenchimento da DIPJ do anocalendàrio de 2000, exercício de 2001, no 2° trimestre, informou em duplicidade o valor da conta Despesas Bancárias no valor de R$ 2.181,26, informou a maior, no grupo Despesas Operacionais as importâncias de R$ 47,47 e R$ 22,33 nos terceiros e quatro trimestres de 2000 e de R$ (sic) no quarto trimestre de 2001 no valor de R$ 113.692,26, resultando, em redução indevida do lucro liquido, de forma que o contribuinte registrou despesas operacionais não existentes. 02.04.01. Enquadramento legal: arts. 248, 249, inciso II, 251, 273 e 274, do RIR/1999. 03. O detalhamento dos trabalhos fiscais realizados, bem como das infrações apuradas, encontramse exaustivamente descritos no "Termo de Conclusão Fiscal N° 05 IRPJ LR e Reflexos" (fls. 1069/1111), do qual destaco os seguintes excertos, verbis: 1. INTRODUÇÃO A presente fiscalização originouse de uma exaustiva operação de investigação iniciada pelo Serviço de Pesquisa e Investigação da Secretaria da Receita Federal em São Paulo, da qual decorreu a realização de várias diligências, em vários estabelecimentos, no mês de abril de 2002, pela Inspetoria da Receita Federal em São Paulo e pela Alfândega do Porto de Santos, tendo resultado na apreensão de documentos, papéis e de mercadorias de origem estrangeira desacompanhada de prova de sua importação regular, (fls. 1069/1070). De uma análise preliminar da documentação apreendida e dos registros das declarações de importação, a fiscalização constatou fortes e evidentes indícios de tratarse de uma complexa organização, envolvendo várias empresas, dentre as quais A EMPRESA ACIMA QUALIFICADA, constituída para realizar a comercialização de importações fraudulentas, principalmente da área de informática, com claro objetivo de sonegar tributos federais incidentes na importação e na comercialização interna, , mediante a prática de subfaturamento nos preços declarados nas importações de mercadorias estrangeiras, (fls. 1070). Fl. 1322DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.288 5 No dia 10 de julho de 2002, com o objetivo de caracterizar e comprovar as fraudes praticadas pela supracitada "ORGANIZAÇÃO", foram diligenciadas, em conjunto (fls. 1070). Dos locais diligenciados, um foi na residência do Senhor LIU KUO AN, CPF n° 042.698.128 69, localizada na , tido como o principal controlador desse esquema de importações fraudulentas. O outro local foi na sede da empresa, ora fiscalizada, situada na , utilizada para formalizar vendas efetuadas pela organização através da emissão de notas fiscais. Esta empresa foi constituída e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) , em nome de EDINALDO SOUZA RIBEIRO, e MARIA FILOMENA PASSALACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA, , esta retirouse da sociedade em 22 de maio do mesmo ano, tendo sido admitido na sociedade RONALDO LUIZ VALLADARES, , interpostas pessoas, com as atividades controladas pela própria ORGANIZAÇÃO. (Ver fluxograma da Organização fls. 255). (fls. 1070/1071) Dessa operação, resultou a retenção de grande quantidade de documentos, papéis e outros elementos importantes para a fiscalização, apreensão de mercadorias estrangeiras sem prova de importação regular e cópias de arquivos magnéticos. Entre os documentos apreendidos constam arquivos gravados, em meio magnéticos, denominados, todos dentro do diretório Liu Kuo An\Arquivos Abertos\c\D, com informações sobre controle de remessas de produtos de informática entre diversas empresas: Este controle vem demonstrar e comprovar que o comprador de fato exercia completo controle sobre as operações de importação e distribuição dos produtos, controlando inclusive os vendedores de fachada (ver cópia de ata de reunião de 22/05/2000, fls. 256). (fls. 1071). Foi encontrada na Rua do Simbolismo, n° 14, , residência de MAX ALEXANDRE QUEIROZ CUNHA, sócio da Entre os documentos encontrados, destacamse os seguintes: a) Cópia de correspondência enviada a , contendo dados de várias empresas utilizadas pela organização, dentre elas a e VICTORY SÃO PAULO COM. INTERNACIONAL LTDA. (docs. de fls. 103 e 104); b) Arquivo, em formato excel denominado (doe. de fls. 247 a 252), que relaciona as notas fiscais de entrada decorrentes de operação de importação, com saídas paras (sic) as empresas VICTORY e LUMAX. Este arquivo demonstra que as mercadorias desembaraçadas por TOFARY destinavamse às empresas controladas por LIU KUO AN, especialmente quando se tratavam de importação de produtos de informática. Uma vez desembaraçadas, as mercadorias tinham como destino armazenagem dos depósitos da AGM e CESARI, para posterior envio aos vendedores de fachada ou mesmo diretamente a estes, sem passagem pela armazenagem. A LUMAX e a VICTORY, entre outras, são empresas que figuram apenas formalmente como sendo adquirentes de mercadorias dos importadores de fachada e revendedoras dessas mercadorias aos adquirentes finais. Essas empresas interpuseramse no processo para emitir notas fiscais de vendas e ocultar os verdadeiros beneficiários das operações, e para sonegar expressiva soma de tributos federal e estadual incidentes nas revendas das mercadorias aos adquirentes finais. Os repasses de valores que essas empresas fizeram em benefício dos importadores de fachada, se deram por ordem de LIU KUO AN, a mando deste, não se referindo, portanto, a pagamentos por compra de mercadorias, mas sim a fechamentos de câmbio nas importações subfaturadas. e outras despesas. Fl. 1323DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.289 6 Por sua vez, a empresa fiscalizada VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIOANAL LTDA., funcionava como o "Caixa Geral" da ORGANIZAÇÃO. Os pagamentos efetuados a terceiros, isto é, empresas ou pessoas que não tinham nenhuma relação comercial com a própria, como, por exemplo, compras de veículos e dólares para viagens, aquisição de salas para a empresa Krypton e outros eram realizados pela Victory. (fls. 1071/1073). 2. DA EMPRESA A empresa fiscalizada, embora constituída em 09 de março de 2000, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), tendo como sócio EDINALDO SOUZA RIBEIRO, e MARIA FILOMENA PASSALACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA,, esta retirouse da sociedade em 22 de maio do mesmo ano, tendo sido admitido, na mesma data, RONALDO LUIZ VALLADARES O sócio EDINALDO SOUZA RIBEIRO, sóciogerente, integralizou 39.600 quotas, no total de R$ 39.600,00, como sua participação no Capital Social e MARIA FILOMENA PASSLACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA, integralizou 400 quotas, no total de R$ 400,00, perfazendo o capital social da empresa a importância de R$ 40.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional (does. de fls. 64 a 67). Posteriormente, em 22 de maio de 2000 promoveu alteração contratual com a retirada da sócia MARIA FILOMENA PASSLACQUA FROTA DE GODOY FERREIRA DE SOUZA transferindo suas quotas na sociedade ao novo sócio RONALDO LUIZ VALLADARES (fls. 67 a 70). 3. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Da análise da documentação apreendida e dos arquivos magnéticos copiados, ficou perfeitamente comprovada a existência de uma ORGANIZAÇÃO, formada por diversas pessoas físicas e jurídicas, praticantes de diversas irregularidades e ilícitos, dentre eles, a sonegação de tributos, através de importações fraudulentas. Há de se ressaltar, entretanto, que embora tenha contado com a participação de várias pessoas físicas e jurídicas, o controlador desta ORGANIZAÇÃO foi o verdadeiro favorecido e beneficiário das operações fraudulentas. Sendo assim, sem prejuízo da obrigação do contribuinte VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA., a pessoa que efetivamente controlou a citada ORGANIZAÇÃO deve ser tratada como RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA àquela, nas obrigações tributárias decorrentes das importações e das comercializações dos produtos, devendo também ser responsabilizada pelas fraudes e irregularidades praticadas. A identificação e vinculação do senhor LIU KUO AN, responsável pela ORGANIZAÇÃO, está suficientemente provada nos documentos, registros e arquivos magnéticos apreendidos e examinados pela Fiscalização. Convém, porém, analisar o tema da responsabilidade à luz da jurisprudência administrativa e da legislação em vigor, bem assim dos diplomas legais regentes à época da ocorrência dos fatos geradores, antes de se indicar os principais envolvidos no esquema fraudulento, (fls. 1074/1076). Porém, há de se ressaltar que em todas as importações analisadas em outros procedimentos fiscais ficou evidente o efetivo controle sobre as transações comerciais exercido por LIU KUO AN,o qual, conforme já relatado, também contaram com o auxílio de outras pessoas físicas que agiram em seu nome e com empresas a eles ligadas, dentre elas a empresa KRYPTON. Essas pessoas físicas que se ocultaram sob a interposição fraudulenta de empresas importadoras e Fl. 1324DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.290 7 vendedoras de fachada são quem, de fato, controlaram todas as etapas dos processos de importação, desde as compras no exterior até a chegada da mercadoria nos depósitos, inclusive o despacho aduaneiro e o pagamento dos preços efetivamente praticados, (fls. 1077). Embora o fluxo operacional e logístico das operações fraudulentas tivesse envolvido várias pessoas e empresas, entre estes os despachantes aduaneiros (THIERS) que cuidavam dos despachos e liberação das mercadorias importadas, do ponto de vista dos controles aduaneiros, interessa que tenham sido identificados, com clareza, os quatro pólos principais das operações, quais sejam: fornecedor de fato, agente do comprador (fornecedor de fachada no exterior), importador de fachada e comprador de fato (LIU KUO AN). Assim, o ato de promover a entrada da mercadoria estrangeira foi realizado pelo importador de fachada TOFARY (empresa que formalmente registrou as Dls), em conjunto com o efetivo controlador das operações, LIU KUO AN. Conforme já mencionado, preceitua o Código Tributário Nacional que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, não restam dúvidas de que tanto a empresa, ora fiscalizada, quanto o comprador de fato, Senhor LIU KUO AN, são pessoas que tiveram interesse comum na situação de "entrada das mercadorias estrangeiras", a primeira porque, deliberada e fraudulentamente, registrou as operações de comercialização/distribuição em seu nome, e o último porque era o verdadeiro comerciante, comprador e dono das mercadorias ingressadas no país. Concluindo pelo exame da legislação apresentada temos, então: b) pelo disposto no artigo 124 da Lei 5.172/66, bem como da análise da documentação apreendida e dos arquivos magnéticos copiados, LIU KUO AN é CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO pelo imposto de renda e pelas contribuições sociais, pois claramente teve interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária, qual seja, "a comercialização de mercadorias estrangeiras". Esse interesse é amplamente demonstrado pelo total acompanhamento e controle, desta pessoa, sobre as operações comerciais efetuadas pela empresa objeto deste Termo. Considerando o exposto neste capítulo e ao logo deste relatório, o auto de infração decorrente deste procedimento de fiscalização será lavrado contra a empresa VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA. (CNPJ: 03.702.463/000193) e contra a pessoa física de LIU KUO AN (CPF: 042.698.12869), CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO, com interesse comum nas situações que constituíram os fatos "geradores dos referidos tributos, o primeiro por ser o COMERCIANTE/DISTRIBUIDOR de. direito, e o outro por ser o COMERCIANTE/DISTRIBUIDOR de fato. (fls. 1077/1079). 4. DOS PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO 03.1. Diante, então, do acima trazido, ainda que lavrado em nome do contribuinte, a intimação aos Autos de Infração, apresentou o seguinte teor (inicial): Fica o contribuinte VICTORY SÃO PAULO COMERCIO INTERNACIONAL LTDA. e o responsável solidário Senhor LIU KUO AN, CPF n° 042.698.12869, conforme caracterizado no Termo de Conclusão Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração, intimados a recolher ou impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste auto de infração, nos termos dos arts. 5o, 15, 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pelas Leis n° 8.748/93 e n° 9.532/97, o Fl. 1325DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.291 8 débito para com a Fazenda Nacional constituído pelo presente Auto de Infração, cujo montante acima discriminado será recalculado, na data do efetivo pagamento, de acordo com a legislação aplicável.; 03.2. o primeiro deles foi cientificado dos teores dos referidos Autos de Infração, via postal, em 03/07/2006 (fls. 1116), enquanto que o segundo o foi, por meio de seu representante legal (fls. 1133), em 23/06/2006. Por sua vez, o contribuinte, apesar de devidamente notificado, não apresentou qualquer impugnação aos lançamentos; já o segundo, por meio de seus representantes legais (fls. 1132/1133), impugnouos em 11/07/2006, alegando, em síntese, que: 03.3. o Impugnante foi intimado, na condição de contribuinte solidário, por supostamente controlar a parte comercial da organização, a efetuar os recolhimentos dos créditos tributários objeto dos autos de infração lavrados contra "Victory São Paulo Comércio Internacional Ltda."; 03.03.01. preliminarmente, é sabido que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, quer seja em juízo ou fora dele. E tais pessoas não se encontram em lugares incertos e não sabidos, visto que a empresa, por meio deles ou seu advogado, respondeu às intimações que lhe foram formuladas; um dos sócios é majoritário e era a única pessoa responsável pela emissão de cheques.; 03.03.02. já o Impugnante não possui qualquer relação com a constituição da empresa, dela não fazendo parte na condição de sócio, não podendo, portanto, ser responsabilizado pelos tributos exigidos da autuada; tanto é verdade, que nunca foi intimado a prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos narrados no termo de conclusão fiscal, não tendo tido, portanto, qualquer oportunidade de defesa, em total antagonismo ao previsto pelo art. 5º, LV, da CF/88; 03.03.03. concluise, portanto, que o auto de infração lavrado contra o Impugnante, está viciado desde sua constituição, ou seja, é inexistente, não podendo produzir qualquer efeito, devendo ser declarada a sua nulidade, o que se requer desde já. Todavia, na remota possibilidade de não admitida tal preliminar, melhor razão não assiste ao fisco, em relação ao mérito; 03.04. segundo a fiscalização, estaria caracterizado que o Impugnante seria "o verdadeiro controlador da parte comercial da organização", conforme destacado às fls. 63 (sic) fls. 100, em realidade sendo que tal conclusão baseouse no constante em termo específico, onde apontado que os elementos mais reveladores do funcionamento da organização e, conseqüentemente, do papel desempenhado pelos importadores de fachada e pelo comprador de fato, foram encontrados na residência de LIU KUO AN; 03.04.01. tal relatório, entretanto, é falho, visto apresentar conclusões equivocadas, sendo imprestável a qualquer conclusão no sentido de responsabilizar o Impugnante pelo pagamento de tributos, cujos fatos geradores não tiveram sua participação. Ademais, para que seja configurada a solidariedade, é necessário o preenchimento de um dos requisitos previstos pelo inciso I do art. 124 do CTN, por meio do qual se exige prova incontestável de que "a pessoa" de que trata o artigo supra, tenha interesse no fato gerador da obrigação principal.... Traz doutrina e jurisprudência a esposar tal entendimento; Fl. 1326DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.292 9 03.04.02. dessa forma, ao Impugnante não pode ser atribuída a solidariedade, vez que não está demonstrado que o mesmo teve interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, conforme mencionado dispositivo, sendo que, não basta simples alegação, que, aliás, padece de qualquer fundamento legal.; 03.04.02.01. e o simples fato de alguns documentos terem sido encontrados em sua residência, não é o bastante a considerálo como contribuinte solidário, necessitandose, ainda, a devida comprovação da ocorrência do descrito no mencionado inciso I do art. 124 do CTN. Reproduz doutrina, concluindo por dizer que não teve qualquer "interesse comum" na constituição do fato gerador, uma vez que o mesmo não participou da administração da empresa fiscalizada que, por ser devidamente constituída, seus sócios por ela respondem; 03.04.03. ainda que hipoteticamente o Impugnante tivesse qualquer responsabilidade, é de se ressaltar que os mesmos foram apurados e declarados unilateralmente pela fiscalização, sem qualquer interferência do Contribuinte, motivo pelo qual é inteiramente impugnado nesta defesa. Imprescindível se torna, portanto, a realização de perícia em todos os documentos que serviram à autuação, objetivando sanaremse os equívocos, de forma a que não venham onerar o Impugnante, em valores indevidos, como os que o fisco pretende ver recolhidos; 03.04.04. a multa de ofício aplicada é totalmente abusiva pois, ainda que o Impugnante fosse o responsável pelo pagamento do principal, não há motivo que justifique a aplicação da referida multa. Isto porque, o Impugnante nunca foi intimado pela fiscalização a apresentar quaisquer esclarecimentos, visto que o autuado foi a empresa "Victory", com a qual não possui qualquer tipo de relação; 03.04.04.01. e, ainda que remotamente, o auto de infração venha a ser validado, vale ressaltar que o Impugnante não recebeu qualquer intimação para a apresentação de esclarecimentos, razão pela qual, o mesmo não poderá responder pela aplicação de multa, a qual não deu causa.; 03.04.05. pleiteia, ao final, o acolhimento da impugnação apresentada, para que (a) seja declarado nulo o lançamento, pelo fato de que não ter sido intimado no decorrer do procedimento fiscal, somente ocorrendo por ocasião da lavratura do Auto de Infração, (b) seja excluído da condição de contribuinte solidário, visto não restar comprovado que o Impugnante se enquadra nos requisitos legais a tal, (c) demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, seja o mesmo cancelado em relação ao Impugnante ou, ainda (d) seja excluída a multa qualificada, em razão de o Impugnante não haver recebido qualquer intimação para cumprimento. 04. É o relatório. Passo ao voto. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001 CONTRIBUINTE. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. PROSSEGUIMENTO NA COBRANÇA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. Não tendo, o contribuinte, apresentado Fl. 1327DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.293 10 impugnação às exigências contra ele formuladas, deve ser dado prosseguimento à cobrança do crédito tributário devidamente constituído. PRELIMINAR. SOCIEDADE DE DIREITO. NÃO SÓCIO. CONTRIBUINTE SOLIDÁRIO. SOCIEDADE DE FATO. APREENSÃO DE ELEMENTOS A VINCULAREMNO, DE MANEIRA EXPRESSA, AO CONTRIBUINTE. Correta a caracterização de contribuinte solidário, na forma do art. 124 do Código Tributário Nacional, quando, ainda que não integrante, na condição de sócio, de "sociedade empresária" (contribuinte), os elementos apreendidos pela fiscalização, em sua residência, devidamente amparada por Mandado de Busca e Apreensão, emitido pela Justiça Federal de São Paulo, vinculamno, de maneira expressa ao contribuinte, demonstrando seu efetivo interesse comum na situação que veio a constituir o fato gerador da obrigação tributária. Rejeitase a preliminar arguida. PRELIMINAR. AÇÃO FISCAL EM ANDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DO OFERECIMENTO DO CONTRADITÓRIO E AO EXERCÍCIO DE DEFESA. Enquanto em andamento a ação fiscal, não há que se falar na possibilidade de oferecimento do contraditório e ao exercício do direito à ampla defesa, até porque, enquanto aquela não concluída, nenhuma acusação, caso efetivamente venha a existir, foi apontada como praticada pelo contribuinte (e/ou, na hipótese, o contribuinte solidário). De ser rejeitada a preliminar. PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Somente serão considerados nulos aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. Inocorrendo quaisquer daquelas, perfeito o ato. Rejeitase a perícia Preliminar rejeitada. MÉRITO. APURAÇÃO FISCAL PROCEDIMENTO UNILATERAL. ELEMENTOS FORNECIDOS (E/OU APREENDIDOS PELA FISCALIZAÇÃO) PELO CONTRIBUINTE. Ainda que a apuração fiscal se dê, de maneira unilateral, a mesma se faz mediante elementos fornecidos (e/ou apreendidos pela fiscalização, como no caso presente) pelo contribuinte, sendo que os resultados daquela são levados a conhecimento deste último, resulte, ou não, o apontamento de irregularidades fiscais. Correto o procedimento adotado pela fiscalização. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. NÃO ABUSIVIDADE. LEGALIDADE. VINCULAÇÃO DO AUTUANTE. Por amparada em Lei, não há que se falar em abusividade da multa de ofício aplicada. Dada a estrita vinculação do autuante, o mesmo, na hipótese, apenas fez aplicar o determinado em dispositivo legal, sob pena de, em não o fazendo, vir a ser responsabilizado funcionalmente, na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional. Correta a exigência. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. CSLL COFINS. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter aqueles dele reflexo. Fl. 1328DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.294 11 Irresignada com a decisão de primeira instância a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação, dessa feita suscitando decadência parcial, utilizandose da regra do art. 150, , § 4º do CTN, conforme jurisprudência administrativa que transcreve. É o relatório. Fl. 1329DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.295 12 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação envolveu omissão de receitas financeiras, glosa de custos, glosa de despesas e, por haver sido reduzido indevidamente o lucro real do contribuinte; Delimitação da Lide e Revelia A Recorrente, Victory, não se insurgiu contra os lançamentos, apesar de devidamente cientificado de seus teores, tendo sido declarado revel (fls. 1206). O lançamento, pois, encontrase definitivamente julgado na instância administrativa, pendente de análise apenas a multa de ofício ora contestada e a responsabilidade tributária do Sr. LIU KUO AN. A lide se sustenta, pois, apenas em função de o contribuinte solidário, LIU KUO AN, defenderse do Termo de Responsabilidade tributária e da multa de ofício. O Sr. LIU KUO AN será a partir de agora referido como sendo a “Recorrente”. Decadência Suscita decadência parcial, utilizandose da regra do art. 150, , § 4º do CTN. No tocante ao prazo de decadência, em primeiro lugar, reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de ter defendido anteriormente que o fato contingente de existir ou não pagamentos não teria o condão de interferir na natureza do tributo sujeito a homologação e por conseqüência aplicarseia a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, ressalvado o caso de fraude ou dolo em que preponderaria a regra do art. 173, I do CTN. Entretanto, curvome a partir à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 1330DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.296 13 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 1331DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.297 14 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) No caso concreto, conforme TVF fls.1083 não houve pagamento por se tratar de contribuinte devedor contumaz: (...) Extrato das DCTF de fls. 346 a 351. A mesma está na condição de inadimplente contumaz dos tributos e contribuições devidos à Fazenda Pública, pois, durante toda a sua existência não recolheu nenhum centavo dos débitos declarados em DCTF/DIPJ.(destaques do original) De qualquer sorte, como se demonstrará mais adiante neste voto, a regra do art. 173, I seria atraída de qualquer forma por força da existência de fraude/dolo no presente caso, tendo sido a multa qualificada, defendendose quanto à multa, conforme item mais adiante deste Voto, apenas no tocante à “abusividade” da mesma. Dos demais tributos (CSLL, PIS E COFINS) Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei nº 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante nº 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, a regra do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento ou de fraude ou dolo, como é o caso, também se aplica às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação). Vejamos agora a aplicação da regra geral referida no art. 173, I do CTN ao caso concreto. Assim, em relação ao IRPJ e CSLL que possuem apurações trimestrais, para os fatos geradores de 30/06/2000 e 30/09/2000 (os mais antigos), pelo art. 173, I, do CTN, o Fl. 1332DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.298 15 prazo decadencial iniciouse em 1/01/2001 (exercício seguinte ao que poderia ser lançado) e findou em 31/12/2005. Como a ciência do lançamento foi posterior, isto é, em 23/06/2006 (fl. 897), decaídos estão tais trimestres. Para o próximo trimestre, 31/12/2000, o dies a quo é 01/01/2002 e, portanto a decadência está afastada, pois o fim do prazo decadencial se daria em 31/12/2006. Portanto, em relação ao IRPJ e CSLL, com apurações trimestrais, acolhese parcialmente a decadência para o segundo e terceiro trimestres de 2000. Em relação às demais contribuições (PIS e Cofins) em que a apuração é mensal decaídos estão os fatos geradores até novembro de 2000 (.INCLUSIVE). Preliminar de Nulidade Preliminarmente, a Recorrente requer a nulidade dos autos de infração por entender que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, que atenderam às intimações, não tendo ela qualquer relação com a sociedade e, sequer foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os fatos narrados, não tendo tido, portanto, qualquer oportunidade de defesa. Assim, o auto de infração lavrado contra ela é inexistente, não podendo produzir qualquer efeito, devendo ser declarada sua nulidade. Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por conseguinte, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a ora imputada responsável tributária a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso voluntário acostados aos autos. Na arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa a Recorrente sustenta ainda que dada sua não participação no quadro societário da pessoa jurídica "Victory", nunca foi intimado, no decorrer da ação fiscal, a prestar quaisquer esclarecimentos sobre os fatos narrados pelo Termo de Conclusão Fiscal e que, diante disso, o Auto de Infração está eivado de vícios, daí porque há que ser declarado nulo. De fato os autos demonstram de forma inequívoca que a ação fiscal desenvolveuse junto ao chamado contribuinte ("Victory"), muito embora procedimentos Fl. 1333DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.299 16 paralelos (diligências) a ela relacionados tenham atingido várias outras "sociedades empresárias" e, inclusive, pessoas físicas (fls. 102), como foi o que o ocorreu com a Recorrente. São desdobramentos naturais da fiscalização feita na Victory e que estão devidamente respaldados por Mandados de Busca e Apreensão emitidos pela Justiça Federal de São Paulo, segundo o descrito no "Termo de Conclusão Fiscal n° 05 IRPJ E REFLEXOS" (fls. 1070). Portanto, como a ação fiscal encontravase voltada à pessoa jurídica "Victory", por óbvio foi esta que foi a destinatária principal das mais diversas intimações, por parte do fisco federal. Cabe agora à Recorrente defenderse da imputação de responsabilidade solidária configurada nos autos, situação jurídica esta até mesmo considerada por muitos e até há pouco tempo atrás por parte da jurisprudência administrativa como incabível nela o exercício do direito de defesa, pois segundo essa linha de entendimento, que discordo e não foi adotada neste voto, tratarseia de matéria de execução, não envolvendo, pois, a validade do auto de infração e assim, não caberia o debate que ora está sendo feito e permitido. Outrossim, a fase preliminar do procedimento fiscal tem natureza inquisitorial não se aplicando nesse momento o princípio do contraditório e da ampla defesa. Até porque nem todo documento apreendido tem, necessariamente, interesse fiscal. Após a lavratura do Auto de Infração, abrese o prazo para manifestação do sujeito passivo e responsáveis solidários que, além de receberem cópia dos principais elementos identificadores da exigência, tem acesso aos autos e pode solicitar cópias de quaisquer documentos que entender relevantes à sua defesa. Foi exatamente isso o que ocorreu no presente caso. A interessada foi devidamente cientificada da autuação e do Termo de Responsabilidade Tributário, possibilitando assim o pleno conhecimento do contexto em que se deu o da exigência e a referida imputação de responsabilidade. Assim, não houve prejuízo à defesa. Também não cabe a alegação de que o auto de infração seria inexistente para a Recorrente. Por óbvio a Recorrente fala de “inexistência” em um sentido completamente diferente, querendo significar ineficácia da relação jurídica a ela imputada (contribuinte solidário), porém isso é justamente questão de mérito a ser tratada mais adiante neste voto no lugar apropriado e assim não pode macular de nulidade o auto de infração ou o Termo de Responsabilidade Tributária. Acrescentese que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato ou de direito no que concerne à imputação da responsabilidade tributária , tratarseia então também de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. E como ficará bem demonstrado mais adiante, nem mesmo isso aconteceu. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. MÉRITO No mérito, aduz que a pessoa jurídica é representada por seus sócios, que atenderam às intimações, não tendo ela qualquer relação com a sociedade e, portanto, a autuação deveria se restringir à empresa e aos sócios dela. Outrossim, alega inda que a acusação que lhe é feita ("controlador da parte comercial da organização"), é baseada em relatório falho, visto trazer conclusões equivocadas e, portanto, imprestável a responsabilizálo Fl. 1334DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.300 17 como solidário, que o fato de alguns documentos haverem sido encontrados em sua residência não é o bastante a considerálo como tal. Alega, ainda que haveria erro na imputação de responsabilidade tributária pelo art. 124, I do CTN na medida que não teve "interesse comum" na constituição do fato gerador e que os valores apurados o foram, de maneira unilateral, pela fiscalização, sem qualquer interferência do contribuinte, daí porque pleiteia a realização de perícia. Por fim, aduz que a multa de ofício aplicada é abusiva, não tendo havido motivo a tal, até porque o autuado foi a empresa "Victory", com a qual não mantém qualquer relação e, não foi, em nenhum momento, intimado a prestar esclarecimentos, razão pela qual não pode responder pela multa, à qual não deu causa. Da preliminar inicial, e transportada para o mérito, de fato como ponderou a Recorrente a pessoa jurídica é representada por seus sócios, respondendo eles pela totalidade do capital social daquela, na forma da lei. Tudo isso é verdade dentro de uma normalidade. Porém esse não foi o caso. Os fatos ora colhidos do presente processo falam por si sós e não foram desmentidos, ou melhor, não foram nem mesmo arranhados pela defesa da ora Recorrente, muito menos pelo maior interessado (Victory) que nem mesmo veio aos autos se defender. Essa irregularidade de que os fatos falam não poderia ser acolhida pelo Direito e justamente por isso é que existem institutos como o da Responsabilidade tributária (art. 124 e 135 do CTN) e da desconsideração da Pessoa Jurídica (Código Civil) etc, com a finalidade nobre e justa de redirecionar a cobrança do imposto sonegado para os verdadeiros responsáveis com capacidade econômica para fazêlo. Se o direito não compactua nem mesmo com abuso do exercício do próprio direito, o que dirá de situações que envolvem fraude e simulação. Por isso não é suficiente a mera aparência de direito. No caso, a Recorrente se arroga como um terceiro totalmente desvinculado dos fatos geradores e que essa vinculação não foi comprovada. Diferentemente do apregoado pela Recorrente, pelas provas dos autos, verificase que o Autuante fez um trabalho minucioso e diligente demonstrando cabalmente, através de fortes e evidentes indícios, que a Recorrente (LIU KUO AN) era o verdadeiro cabeça, “o principal controlador desse esquema de importações fraudulentas”, de uma complexa organização, envolvendo várias empresas, dentre as quais a Victory, constituída esta última para realizar a comercialização de importações fraudulentas, principalmente da área de informática, com claro objetivo de sonegar tributos federais incidentes na importação e na comercialização interna, bem como os tributos na esfera estadual, mediante a prática de subfaturamento nos preços declarados nas importações de mercadorias estrangeiras. Prova Indiciária É sabido que a evidência que se infere a partir de um único ou poucos indícios deve ser aceita com a devida cautela, pois, o indício é apenas o ponto inicial para o aprofundamento das investigações. Os indícios assim como as presunções são também considerados como provas no Direito tanto se vistos de forma objetiva, constituindose no conjunto de meios ou elementos destinados a demonstrar a existência ou inexistência dos fatos alegados, quanto Fl. 1335DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.301 18 subjetivamente falando, meio pelo qual o julgado normalmente se utiliza para formar convicção a respeito da existência ou não de um determinado fato ou situação. Os indícios para ter força probante precisam possuir 2(duas) características importantes: Precisão ou economia (conduzem a poucas hipóteses ou apontam para poucas causas) e convergência (quando se encaixa com outro indício, conduzindo a uma mesma conclusão). Especificamente, no caso em comento, não pairam dúvidas da participação da Recorrente como o controlador principal e verdadeiro interessado jurídico e econômico de todo um esquema fraudulento que começava no subfaturamento das importações, passava pela revenda no mercadorias para o mercado interno por empresas de fachadas, como é o caso da Victory, deixando uma trilha de sonegação, fraude e simulação por toda a cadeia de comercialização com o objetivo final de esconder os verdadeiros responsáveis seja no âmbito jurídico ou econômico, que no caso é a pessoa do Sr. LIU KUO NA, o principal controlador desse esquema de importações fraudulentas. As razões pelas quais ao senhor LIU KUO AN foi atribuída a condição de sujeito passivo solidário se encontram declinadas com clareza nos Termos de Conclusão Fiscal, cujos pontos principais se encontram vazados nos seguintes termos, in verbis: “No dia 10 de julho de 2002, com o objetivo de caracterizar e comprovar as fraudes praticadas pela supracitada “ORGANIZAÇÃO”, foram diligenciadas, em conjunto com a Polícia Federal, com a Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo, ......................................................................................................... .......... Dos locais diligenciados, um foi na residência do Senhor LIU KUO AN, CPF nº 042.698.12869, localizada na ...........................................O outro local foi na sede da empresa, ora fiscalizada, situada na ................................, utilizada para formalizar vendas efetuadas pela organização através da emissão de notas fiscais. Estas empresas foi constituída em nome de LUIZ NANAO IKEDA e MAX ALEXANDRE QUEIROZ CUNHA, interpostas pessoas, com atividades controladas pela própria ORGANIZAÇÃO. (Ver fluxograma da Organização fls. 145). Dessa operação, resultou a retenção de grande quantidade de documentos, papéis e outros elementos importantes para a fiscalização, apreensão de mercadorias estrangeiras sem prova de importação regular e cópias de arquivos magnéticos. (...) 3.1.2 DOS ELEMENTOS NA RESIDÊNCIA DE LIU KUO AN (ANEXO XII) Fl. 1336DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.302 19 Os elementos mais reveladores do funcionamento da organização e, conseqüentemente, do papel desempenhado pelos importadores de fachada e pelo comprador de fato, foram encontrados na residência de LIU KUO AN, na rua Vitor Costa, 822, ap. 161, Bairro Jardim da Saúde em São Paulo/SP. Dentre esses elementos, destacamos: Vasto arquivo de dossiês de importação (organizados em oito caixas arquivo, cada uma com inúmeras pastas AZ contendo os também inúmeros dossiês) relativos a várias operações realizadas por diversos importadores de fachada. Nesses dossiês, organizados sempre por um "número de referência" (que, via de regra, coincide com o número da fatura falsa utilizada na declaração de importação registrada pelo importador de fachada), constam extratos de declarações de importação, faturas falsas utilizadas no despacho de importação, conhecimentos de transporte (conhecimentos marítimos), packing lists, controles intitulados "Listas de Saída de Mercadorias, Quantidades e Contas a Receber", controles de pagamentos e remessas de valores, faturas das operações reais no exterior e apólices de seguro de transporte internacional, dentre outros, o que demonstra que tanto as operações comerciais como as próprias importações eram controladas por LIU KUO AN e seus familiares. As "Listas de Saída de Mercadorias, Quantidades e Contas a Receber" descrevem, para cada "número de referência", que identifica um pedido, as mercadorias marcadas para o Brasil, o navio e a respectiva viagem, os preços unitários efetivos, a data do embarque, a previsão de chegada, o número do container, o valor total da mercadoria embarcada, valor da comissão, as datas dos vencimentos, e outras informações. Esses controles são escritos e ideograma chinês e são enviados, por fax, pela empresa CHU SHENG. Os controles contábeis de Taiwan, são controles escritos em ideograma chinês, que apresentam uma espécie de contacorrente, possuindo, de um lado, a coluna "CONTAS A RECEBER", e de outro, a coluna "CONTAS A PAGAR". Na coluna "contas a receber" estão lançados os valores recebidos referentes a remessas efetuadas para aquela conta em Taiwan, e na coluna "contas a pagar", os valores reais das operações realizadas, o número do pedido (equivalente ao número da "referência"), data de pagamento dos valores e, ainda, uma coluna destinada a observações, dados adicionais da operação (trazendo informações diversas). Nesse controle contábil, constatase que os pagamentos realizados aos fornecedores de fato possuem valores que são sempre superiores àqueles que são declarados nos despachos aduaneiros. Em tais controles observase ainda: • Os valores totais que constam nestes controles como remessas recebidas em Taiwan (CONTAS A RECEBER) somam aproximadamente US$ 180.000.000,00, no período de 1998 a 2002. Ressaltase, entretanto, que os valores registrados nas importações efetuadas por esta organização, utilizandose de vários importadores de fachada, não ultrapassam US$ 50.000.000,00. Como se tratam de remessas vinculadas a pagamentos de importações de mercadorias que foram comercializadas no Brasil, a origem destas remessas era necessariamente o Brasil. Listamos abaixo alguns elementos que demonstram que LIU KUO AN controlava tais remessas: • Nos computadores da empresa KRYPTON, empresa que opera como centro administrativo do esquema, cujos sócios são LIU SHUN CHIEN (Fernando Liu filho de LIU KUO AN) e TIBÉRIO ALVES RODRIGUES, foram encontradas inúmeras mensagens enviadas pela internet por LIU KUO AN para agentes em Taiwan, escritas em ideograma cijinês, dentre as quais, uma enviada em 29/06/2000, Fl. 1337DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.303 20 às 15h 44 min, solicitando que fosse verificada e confirmada uma remessa feita a partir de Hong Kong: • Foi encontrado um controle que revela remessas efetuadas no período de 11/12/2000 a 03/01/2001, indicando valores remetidos, as datas das remessas e a origem dos recursos. Como origem, aparecem nomes de várias empresas no Brasil, nos EUA e no Uruguai. Os valores que constam nos controles de remessas coincidem com os valores que são lançados na coluna "crédito" do controle contábil de Taiwan. • Nos arquivos magnéticos encontrados na residência de LIU KUO AN, consta um controle de remessas (Histórico de Remessas Recebidas do Exterior) semelhante ao que foi citado anteriormente, referente ao período de 15/04/2002 a 17/05/2002, indicando também valores, datas dos depósitos e das remessas e a origem dos recursos (arquivo: "DC1.XLS"). Estes valores coincidem com aqueles que aparecem no controle contábil de Taiwan. Entre os documentos apreendidos constam arquivos gravados, em meio magnético, denominados MAPAGE~1.XLS MAPAGE~2.XLS MAPAGE~3.XLS e MAPAGE~4.XLS, todos dentro do diretório Liu Kuo Na\Arquivos Abertos\c\D, com informações sobre controle de remessas de produtos de informática entre diversas empresas: a) Tofary para Victory; b) MAJ para Victory; c) MAJ para Lumax; e d) Tofary para Lumax (doc. de fls. 84 a 136). Foram lavrados Termo de Copiagem e Autenticação de Arquivos Magnéticos, Declaração/Recibo e Termos de Retenção (docs. de fls. 44 a 83). Este controle vem demonstrar e comprovar que o comprador de fato exercia completo controle sobre as operações de importação e distribuição dos produtos controlando inclusive os vendedores de fachada (ver cópia da ata de reunião de 22/05/2000, fls. 146). (...) A LUMAX e a VICTORY, entre outras, são empresas que figuram apenas formalmente como sendo adquirentes de mercadorias dos importadores de fachada e revendedoras dessas mercadorias aos adquirentes finais. Essas empresas interpuseramse no processo para emitir notas fiscais de vendas e ocultar os verdadeiros beneficiários das operações, e para sonegar expressiva soma de tributos federal e estadual incidentes nas revendas das mercadorias aos adquirentes finais. Os repasses de valores que essas empresas fizeram em benefício dos importadores de fachada, se deram por ordem de LIU KUO AN, a mando deste, não se referindo, portanto, a pagamentos por compra de mercadorias, mas sim a fechamentos de câmbio das importações subfaturadas, e outras despesas. A convergência de indícios é peremptória: Cópia de "ata" de Reunião ocorrida em 22/05/2000, às 17,40 horas, tendo como um dos participantes, o Sr. Liu Kuo An (fls. 256), que, dentre outros, a assina/rubrica, de onde se destaca, verbis, em seu item 2 VITORIA, que "O container do "Colorido" Vai ser feito o desembaraço do container dia 23/05 Através da empresa Brazpontex Contato: Sr. Fábio As despesas de desembaraço e imposto será pago (sic) pelo Sr. Liu. Vai ser passado o valor dia 23/05." Grande quantidade de documentos todos coerentes entre si e convergentes, encontrados na residência do Sr. Liu Kuo An, resultado de diligencia realizada em 10/07/2002, Fl. 1338DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.304 21 procedimento este amparado, dentre outros, em Mandado. de Busca e Apreensão emitido pela Justiça Federal de São Paulo, vinculandoo à denominada "Organização", da qual uma de suas integrantes era a empresa "Victory". A apreensão de tais elementos encontrase devidamente descrita pelo "Relatório de Fiscalização" (fls. 94/95) e pelo "Termo de Conclusão Fiscal" n° 05 IRPJ LR E REFLEXOS" (fls. 1071) O fluxograma elaborado pela fiscalização, onde é possível visualizar todo o esquema de funcionamento da “Organização”: Fornecedores de fato no exterior, Compradores de fato (Liu Kuo An), Importador de fachada (Tofary), Vendedores de fachada (Victory ,Lumax), Representantes da Organização em Taiwan (remessa ilegal de divisas). Ressaltese, ainda, o seguinte trecho do relatório do Termo de Conclusão Fiscal nº 001 no item 3. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: “Porém, há de se ressaltar que em todas as importações analisadas em outros procedimentos fiscais ficou evidente o efetivo controle sobre as transações comerciais exercido por LIU KUO AN, o qual, conforme já relatado, também contaram com o auxílio de outras pessoas físicas que agiram em seu nome e com empresas a eles ligadas, dentre elas a empresa KRIPTON. Contaram também com o auxílio das chamadas “vendedoras de fachada”que figuravam como adquirentes dos produtos importados ORGANIZAÇÃO (VICTOTY, LUMAX e outras) e pretensos distribuidores de mercadorias no mercado interno,contando ainda com agentes no exterior, no caso a empresa de Taiwan SHU SHENG, que efetuava as compras internacionais em nome do importador de fato. Essas pessoas físicas que se ocultaram sob a interposição fraudulenta de empresas importadoras e vendedoras de fachada são quem, de fato, controlaram todas as etapas dos processos de importação, desde as compras no exterior até a chegada da mercadoria nos depósitos, inclusive o despacho aduaneiro o pagamento dos preços efetivamente praticados. Dessa forma, o importador de fachada, a empresa TOFARY no caso, assim como os vendedores de fachada, em especial as empresas LUMAX e VICTORY, na qualidade de pretensos adquirentes das mercadorias importadas no mercado nacional, foram utilizados para ocultar o controlador desta ORGANIZAÇÃO, o qual é o verdadeiro comerciante e beneficiário das operações.(grifos acrescidos) (...) Assim, o ato de promover a entrada da mercadoria estrangeira foi realizado pelo importador de fachada TOFARY (empresa que formalmente registrou as DI), em conjunto com o efetivo controlador das operações, LIU KUO AN. Conforme já mencionado, preceitua o Código Tributário Nacional que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, não restam dúvidas de que tanto a empresa, ora fiscalizada, quanto o comprador de Fl. 1339DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.305 22 fato, Senhor LIU KUO AN, são pessoas que tiveram interesse comum na situação “entrada das mercadorias estrangeiras”, a primeira porque, deliberada e fraudulentamente, registrou as operações de comercialização/distribuição em seu nome, e o último porque era o verdadeiro comerciante, comprador e dono das mercadorias ingressadas no país.” .(grifos acrescidos) Outras autuações já julgadas no CARF confirmam tanto o esquema retratado no fluxograma descrito acima, onde fica configurada a participação do Sr. Sr. Liu Kuo An, como o fato de ser o verdadeiro arquiteto de toda a operação iniciada no exterior e findando no Brasil com as vendedores de fachadas como é o caso da Victory, sempre referidos julgados mantendo o como contribuinte solidário. Vejase, por exemplo, o Acórdão nª 30237.392 (processo nª 19515.002567/200308), julgado em que a então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, “.... por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas pela recorrente e no mérito, negou provimento ao recurso. (...)”, cuja ementa abaixo se transcreve: VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUB FATURAMENTO. PENALIDADES Constatado que os preços das mercadorias consignados nas declarações de importação e correspondentes faturas não correspondem à realidade das transações e são inferiores aos preços efetivamente pagos ou a pagar fica caracterizado o subfaturamento. Portanto, exigíveis os tributos aduaneiros devidos. Cabíveis as multas de ofício agravadas, de 150% sobre o II apurado, por declaração inexata do valor das mercadorias, com evidente intuito de fraude; e 300% sobre o IPI que não foi recolhido, na ocorrência de mais de uma circunstância qualificativa (sonegação, fraude e concluio), conforme legislação de regência. Cabíveis as multas administrativas: de 100% sobre a diferença entre o valor real e declarado, pelo subfaturamento; de 30% sobre o valor das mercadorias, pela falta de licenciamento; e de 100% sobre o valor aduaneiro apurado das mercadorias, por entregar a consumo ou consumir mercadoria estrangeira que tenha sido importada de forma irregular ou fraudulenta, conforme legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Nessa mesma linha, tomese agora o Acórdão da então Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, de cujo julgamento participei, Ac. nº 10323.525, de 13 de agosto de 2008, nos autos do processo n. 19515.003501/200599, em que foi também mantido o lançamento no CARF contra a empresa LUMAX, empresa esta que no fluxograma acima representa idêntico papel da empresa ora autuada, VICTORY, como vendedora no mercado interno de FACHADA. Também nesse Acórdão foi mantido, por maioria de votos, a responsabilidade tributária do Sr. Sr. Liu Kuo Na, com a mesma motivação ora aduzida neste VOTO: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 1340DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.306 23 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/03/2002, 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO – DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA – POSSIBILIDADE. É possível a apresentação de impugnação ou recurso voluntário por pessoa incluída no rol dos responsáveis solidários com vista à discussão de aspectos não somente do crédito tributário em si, mas, também em relação à responsabilização que a cada um foi atribuída no lançamento de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inc. I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É lícita a imposição de multa de ofício, com agravamento sobre a multa simples (112,5%) ou sobre a multa majorada por circunstâncias qualificativas (225%), tendo em vista a falta de atendimento de intimações nos prazos estipulados, alcançando, inclusive, o Responsável Solidário considerado o comerciante/distribuidor de fato. Nessa mesma linha, tomese agora o Acórdão da então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, Ac. nº 30134.007, de 11 de setembro de 2007, nos autos do processo nº 19515.003209/200312, em que foi também mantido o lançamento no CARF dessa feita contra a empresa KREMEL, importadora apenas de direito. Também nesse Acórdão foi mantido, por unanimidade de votos, a responsabilidade tributária do Sr. Sr. Liu Kuo An, com a mesma motivação também ora aduzida neste VOTO quanto à responsabilidade tributária. Segue a seguir a ementa e alguns trechos do relato e voto, respectivamente, que reputo importantes destacar: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 19/07/2001 (...) RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Devem figurar no pólo passivo da obrigação tributária, como contribuintes solidários, as pessoas têm interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores dos tributos. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (...) Depreendese dos documentos acostados aos autos que na complexa organização, a que aludem as autoridades fiscais, a Kremel Comercial Exportadora Importadora e Distribuidora Ltda., embora se apresentasse como uma importadora de direito, de fato todas as suas atividades operacionais eram comandadas por outras pessoas e empresas, que formam uma grande organização da qual a Kremel participa, promovendo operações de importação de mercadorias com valores subfaturados e venda desses produtos no mercado interno, embora não exercendo efetivamente a gerência sobre as negociações, quer das importações, quer da venda dos produtos importados aos adquirentes finais.(destaques do original) Fl. 1341DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.307 24 (...) Do exposto, não resta dúvida que a Fiscalização procedeu acertadamente em trazer as pessoas fisicas LIU KUO AN e LIU SHUN JEN para o pólo passivo da obrigação tributária, como contribuintes solidários, pessoas essas que tinham interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores dos tributos, vez que a sociedade funcionava, segundo apurouse na ação fiscal, como empresa de fachada para as importações realizadas pelos importadores de fato, in casu, os Srs. LIU KUO AN e LIU SHUN JEN.(...) Outrossim, jurisprudência judicial vem ao encontro deste entendimento: “Ementa: .... I. As pessoas que têm interesse comum na situação que se constitui fato gerador da obrigação principal estão obrigadas solidariamente. II. Nos moldes do CTN, art. 124, a hipótese legal diz respeito à ligação do terceiro, de modo direto, por força de interesse jurídico ou econômico, à situação prevista como fato gerador da obrigação tributária. ....” (TRF4ª Região. AC 1999.04.01.0027885/RS. Rel.: Des. Federal Márcio Antônio Rocha. 2ª Turma. Decisão: 04/05/00. DJ de 19/07/00, pp. 154/155.)” A recorrente acusa a falta de provas. Porém, o que se vê é um conjunto de indícios convergentes e que por isso tornam a prova robusta e concludente. Se analisados de forma isolada, de fato nada atestam, agrupados porém têm o condão de estabelecer a inequivocidade daquela matéria de fato. Portanto, apesar da Recorrente que não participou da administração da empresa VICTORY, da importação ou comercialização de mercadorias ou de organização fraudulenta não é o que revelam os fatos apresentados e a documentação anexada aos presentes autos e a verdade apresentada pela fiscalização não foi de forma alguma nem mesmo arranhado pela defesa e tem sido maciçamente mantido esse entendimento perante o CARF em outros julgados interligados conforme já observado. Alega ainda a Recorrente que a caracterização de solidariedade não atenderia aos requisitos do artigo 124, I do CTN, sendo essencial a existência de prova incontestável de que a “pessoa” de que trata o artigo tenha interesse no fato gerador da obrigação principal. Assim reza o artigo 124 do Código Tributário Nacional: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 1342DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.308 25 Neste ponto, cabe transcrever os comentários ao citado artigo na obra Código Tributário Nacional Comentado, Coordenador Vladimir Passos de Freitas, Ed. Revista dos Tribunais, 1999: “Para o CTN, interessa a solidariedade passiva, revelandose que dois ou mais devedores do tributo ou penalidade pecuniária estão obrigados, individualmente, pelo valor total da dívida. (...) São dois os tipos de solidariedade na obrigação tributária: a primeira, das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador e, a segunda, nos casos definidos em lei. (...) Já no tocante a primeira, que interesse comum é esse? Pela vagueza do termo, há de se examinar cada situação que constitui o fato gerador, de modo a se averiguar se existe a comunhão de interesses mencionada, acarretando a solidariedade.” Como já se colocou retro, as irregularidades postas no presente caso, de que os fatos falam por si sós não poderia ser acolhida pelo Direito e justamente por isso é que existem institutos como o da Responsabilidade tributária (art. 124 e 135 do CTN) e da desconsideração da Pessoa Jurídica (Código Civil) etc, com a finalidade nobre e justa de redirecionar a cobrança do imposto sonegado para os verdadeiros responsáveis com capacidade econômica para fazêlo. Se o direito não compactua nem mesmo com abuso do exercício do próprio direito, o que dirá de situações que envolvem fraude e simulação. Por isso não é suficiente a mera aparência de direito. Quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador darseá a solidariedade legal presumida, sendo considerada devedora solidária em relação ao crédito tributário. É inerente da atividade negocial a busca do resultado econômico através da realização de operações que caracterizam fatos geradores. A Recorrente não consta oficialmente como sócio da empresa autuada, mas, efetivamente, pelas provas dos autos, atuando em conluio e fraude com outras empresas onde se pode constatar que era a controladora de toda uma organização que permeava e envolvia diretamente a Empresa de fachada, Victory, cujos sócios também ficou provado nos autos que não havia capacidade econômica para sustentar os negócios que envolviam grandes fluxos financeiros. A situação configurada na lei (art. 124, I) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico (fato gerador). Adoto também como razões de decidir trechos de doutrinas bastante esclarecedores trazidos a lume no bojo do Acórdão nº 30134.007, retromencionado: Também merecem ser trazidos a lume os comentários de Cleber Giardino citado por Renato Lopes Brecho, no seu livro Sujeição passiva e Responsabilidade Tributária (São Paulo, Dialética, 2000, pág.73174): Fl. 1343DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.309 26 "Outros juristas brasileiros, de reconhecido saber jurídico, afirmaram que a sujeição passiva é reconhecida partindose da Constituição Federal. Cleber Giardino foi um deles: "Será sujeito passivo, no sistema tributário brasileiro, a pessoa que provoca, desencadeia ou produz a materialidade da hipótese de incidência de um tributo (como inferida da constituição) ou 'quem tenha relação pessoal e direta' como diz o art. 121, parágrafo único, Ido CTN." (.) Na doutrina estrangeira colhemos, por exemplo, a lição de Giannini, que identifica a relação tributária como "a relação, preestabelecida na lei, pela qual se deve encontrar o sujeito passivo diante do fato, para que possa surgir, para ele, o débito tributário." Já segundo Carlos Jorge Sampaio Costa: ".... a solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Há interesse comum imediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficia diretamente com sua ocorrência. Por exemplo, a afixação de cartazes de propaganda de empresa distribuidora de derivados de petróleo em postos de gasolina é, geralmente, um fato gerador de taxa municipal cuja ocorrência interessa não somente à empresa distribuidora, beneficiária direta da propaganda, como também ao posto de gasolina, que é solidário com aquela no pagamento da taxa.(...) Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade passiva no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica. ( ) Aliás, no caso de fraude, pagam até os representantes pelos representados”. Já Rubens Gomes de Souza ensinava que: “É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, e comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (..) pessoa que tira urna vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado" Há, pois, claramente interesse comum na situação que configura o fato gerador da obrigação tributária, por parte do Sr. LIU KUO AN, qual seja, a "comercialização de mercadorias estrangeiras". Esse interesse foi amplamente demonstrado pelo total acompanhamento e controle, desta pessoa, sobre as operações comerciais efetuadas pela empresa objeto deste auto de infração. Bem, se da situação fática dos autos não se permite utilizar o instituto da “responsabilidade tributária de fato” (art. 124, I) para garantir o crédito tributário, após as robustas conclusões a que chegaram os trabalhos e a atribuir ao LIU KUO AN o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos da empresa VICTORY, não se sabe que outra serventia possa se dar a tal instituto. Fl. 1344DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.310 27 Bem alguns responderiam a questão anterior, por uma via a meu ver estremamente formalista, restringindo o alcance desse instituto ao interesse comum apenas em situações fáticas preconfiguradas em lei, mas se assim o fosse então estarseia admitindo que em nome de uma legalidade estrita, o Direito e seus princípios ampararia situações irregulares como esta, em que o crédito tributário ficaria completamente desamparado e a mercê de ardis estratagemas fraudulentos como os aqui empregados? O art. 124, I do CTN a meu ver vem justamente preencher espaço lógico não abarcado por lei, pois este já estaria previsto no art. 124, II. Por fim, caso não se mantenha a responsabilidade tributária nos moldes deste voto estaríamos sendo incoerentes com outros julgados do CARF que em semelhante situação manteve a responsabilidade tributária, conforme julgados já referidos alhures. Por todo o exposto, mantenho o termo de responsabilidade tributária. Perícia e alegação de irregularidade feita de forma unilateral por parte do fisco Entende necessária a realização de perícia junto aos documentos que serviram à autuação, objetivando veremse sanados os equívocos, de maneira que não venha a onerar a Recorrente, em valores como os exigidos. E o motivo da perícia seria o fato de as apurações das irregularidades apontadas, se deram de maneira unilateral por parte do fisco, sem qualquer interferência do contribuinte. A esse respeito rejeito o pedido de perícia, lastreandome nas bem fundadas razões postas pela decisão de piso, nada tendo a reparar: (...)cumpre dizer que, efetivamente, as irregularidades são apontadas, até de forma unilateral, pelo fisco, ainda que com fundamento em elementos fornecidos (ou, até apreendidos, como no caso) pelo próprio contribuinte; no entanto, conforme já dito, as acusações somente se concretizam a partir do momento em que levadas a ciência do interessado, quando, então, passa a fluir o prazo legal para o mesmo apresente provas de forma a contradizêla e, até, elidila de vez, se for o caso. Fosse necessária a anuência do contribuinte, para que o fisco apontasse irregularidades por ele praticadas, com certeza b mesmo adotaria medidas de forma a sanálas, evitando, assim, sofrer os gravames (advindos do ato de ofício) decorrentes de tal prática. Desnecessária, em razão de tal fato, a realização da perícia pleiteada, assim decidindo na forma do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. MULTA ABUSIVA A esse respeito assim se defende a Recorrente: Verificase que a multa aplicada no auto de infração é totalmente abusiva, todavia, mesmo que o Impugnante fosse responsável pelo pagamento do valor principal, não há motivo que justifique a aplicação da referida multa. (...) Fl. 1345DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.001243/200697 Acórdão n.º 1401000.622 S1C4T1 Fl. 1.311 28 O Contribuinte intimado e autuado é a empresa VICTORY SÃO PAULO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, com a qual, o Impugnante não possui qualquer tipo de relação. Ora, na hipótese remota deste auto de infração ser considerado válido, vale ressaltar que o Impugnante não recebeu qualquer intimação para a apresentação de esclarecimentos, razão pela qual, o mesmo não poderá responder pela aplicação de multa, a qual não deu causa. Cabe salientar, em primeiro lugar, que a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autoriza, fazendo aplicar o que ela determina no que respeita a graduação da penalidade diante do procedimento adotado pelo contribuinte. É que ao julgador administrativo não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria abusiva ou confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). Em relação à sua alegação de unilateralidade na confecção do auto de infração tal argumento já foi amplamente infirmado seja na rejeição da preliminar de nulidade seja no item anterior. Logo, estando comprovado o papel da Recorrente como Responsável Solidário, não há que se afastar a sanção imposta ao sujeito passivo, uma vez que este se encontra representado pela empresa, ora revel e pela pessoa física, Sr. LIU KUO AN . Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente a decadência, em relação ao IRPJ e CSLL, para os 2º e 3º trimestres de 2000 e, em relação ao PIS e COFINS, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 2000 (inclusive); rejeitar o pedido de perícia e a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso para manter o Termo de Responsabilidade Tributária. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1346DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 22/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10880.005208/2005-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
EXCLUSÃO. DIRETOR OU PRODUTOR DE ESPETÁCULOS. ATIVIDADE VEDADA.
As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de produção de filmes cinematográficos, por assemelharse
a de diretor ou produtor de espetáculos, estão impedidas de optar pelo Simples. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão.
Numero da decisão: 1401-000.496
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Maurício Pereira Faro e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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DIRETOR OU PRODUTOR DE ESPETÁCULOS. ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de produção de filmes cinematográficos, por assemelharse a de diretor ou produtor de espetáculos, estão impedidas de optar pelo Simples. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta a emissão do ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Maurício Pereira Faro e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 99DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 89 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner (Presidente), Ana Clarissa Masuko Dos Santos Araujo, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro Relatório Conforme se extrai do relatório constante do acórdão recorrido: Trata o presente processo, formalizado em 28/06/2005, de exclusão do Simples, em razão da emissão, em 07/08/2003, do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n° 484.570 (fl. 7), tendo por situação excludente o exercício de atividade econômica vedada (evento 306 do CNPJ), relacionada ao CNAEFiscal 9211899 (Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 22/08/2000 (a interessada optou pelo regime simplificado em 01/01/1997). 2. A fundamentação legal foi amparada nos artigos 9°, inciso XIII, 12, 14, inciso I, e 15, inciso II e § 3°, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; art. 73 da Medida Provisória n°2.15834, de 27/07/2001; artigos 20, inciso XII, 21, 23, inciso I, 24, inciso II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 250, de 26/11/2002. Consignouse, ainda, no art. 2° do ADE em comento, que a exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 da Lei n° 9.317/1996, e suas alterações posteriores. 4. Cientificada do ADE em 26/08/2003 (fl. 14), inicialmente a interessada apresentou, em 26/09/2003, a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS — fls. 1 a 6), com a alegação de que a empresa presta serviços de comercialização e produção de filmes cinematográficos e fotografias para pessoas fisicas e jurídicas, atividade que não pode ser considerada como prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos, nos termos elencados no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. 5. A solicitação foi considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, em despacho exarado em 02/06/2005, nos seguintes e exatos termos: "ADE N° 484.570 (19) — EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a CNAE informada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica corresponde à atividade mencionada nos estatutos sociais e indica o exercício de atividade vedada à opção pelo Simples." Fl. 100DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 90 3 6. A requerente apresentou manifestação de inconformidade em 17/06/2005 (fl. 15, com anexos às fls. 16 a 44). Alega, em síntese, que: 6.1. A contribuinte nunca exerceu a atividade de produtor de espetáculos, não possui estúdio cinematográfico, nem mesmo de vídeo, pois sua atividade cingese à prestação de serviços e comércio auxiliares à produção de vídeo e locução de fonogramas. 6.2. A exclusão da empresa da sistemática em questão é medida extrema, pois implica na necessidade de entrega de Declarações em outro regime e no pagamento de multas e juros. 6.3. A recorrente solicita que seja excluída com efeitos retroativos a partir de 01/01/2005, data em que iniciou os recolhimentos no regime do Lucro Presumido, tendo em vista que no período de 01/01/1997 a 31/12/2004 cumpriu as exigências preconizadas na Lei n° 9.317/1996, na condição de optante do regime simplificado. 6.4. Por ocasião da opção ao Simples em 01/01/1997 houve a anuência da SRFB. Posto o feito em julgamento perante a DRJ de São Paulo, foi indeferida a solicitação do contribuinte, ao argumento de que o contrato social do Recorrente, assim como o seu CNAE, não lhe deferem a opção pelo regime simplificado de apuração dos tributos. A decisão restou assim ementada, in litteris: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de produção de filmes cinematográficos, por assemelharse a de diretor ou produtor de espetáculos, estão impedidas de optar pelo Simples. Não havendo provas suficientes nos autos que possibilitem a desconstituição do indicado em sua Declaração de Firma Individual, correta emissão do ato de exclusão. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. PRECARIEDADE. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela administração tributária. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 91 4 A pessoa jurídica que optou pelo SIMPLES até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. JULGAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. O ato de julgamento é atividade que se subordina às normas legais e regulamentares vigentes, não comportando ação discricionária por parte do julgador. Solicitação Indeferida Inconformado, o Contribuinte apresente o presente recurso voluntário, em que afirma que “executa trabalhos de produção fotográfica, e não o filme ou vídeo final, que é de responsabilidade das produtoras” (fl. 72). Alega, ainda, que a empresa jamais exerceu as atividades de “produção, comercialização e distribuição de filmes de curta e longa metragem, fitas de vídeo”, apesar de referidas atividades estarem descritas em sua Declaração de Firma Individual, sendo que o Recorrente não possui sequer estúdio ara o exercício dessas atividades. Entende, assim, tratar se de erro de fato, decorrente da ausência, à época, de código específico de CNAE para sua atividade. Por fim, pugna pela ilegalidade da retroação da negativa da opção ao SIMPLES. É este, em suma, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos legais, dele conheço. SIMPLES. ATIVIDADE DESCRITA NO CNAE. Se existem dúvidas quanto a possibilidade do exercício da atividade no âmbito do SIMPLES, não podendo a mesma ser descartada pela mera análise do CNAE, impõese seja apurado, no caso concreto, se a atividade vedada está sendo exercida ou não. Apenas após essa comprovação é que se defere a exclusão do contribuinte do âmbito do SIMPLES. Aduz, o Recorrente que, apesar de sua Declaração de Firma Individual consignar que o mesmo exercia as atividades de produção, comercialização e distribuição de filmes de curta e longa metragem, fitas de vídeo e fotografia, o mesmo exercia apenas a atividade de fotógrafo, exercida em ambientes externos a sua próprio sede, mediante requisição do contratante. Diante disso, entende existir uma divergência entre o seu objeto social – que inclui atividades vedadas no âmbito do SIMPLES – , das atividades que efetivamente exercia. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 92 5 Segundo se extrai da decisão recorrida, a atividade exercida pelo Recorrente foi enquadrada como assemelhada a produção e direção de espetáculos, atividade vedada no âmbito do SIMPLES. Vejamos: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; " 13. Cabe esclarecer que o óbice inserto no supracitado dispositivo legal não está endereçado unicamente a profissões cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida, conforme comumente se quer entender. Primeiramente o dispositivo prevê uma lista específica de ocupações que impedem a opção pelo Simples. A seguir estabelece que os serviços assemelhados aos dessa lista específica igualmente vedam a opção. Por último, dispõe genericamente que a prestação de serviços inerentes a qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida também implica a vedação à opção. 14. Dessa maneira, no caso dos serviços constantes da lista específica e daqueles assemelhados, sempre haverá restrição ao enquadramento no Sistema, quer o exercício profissional dependa ou não de habilitação legalmente exigida. Já no caso da prestação de serviços vinculados a outras profissões, somente ficará inviabilizada a opção se o exercício profissional depender de habilitação legalmente exigida. 15. Trazendo a questão ao ponto, é indiscutível que a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos impede a opção pelo Simples, haja vista estar textualmente listado na Lei criadora do regime simplificado. 16. No caso dos autos, porém, a exclusão se deu exclusivamente pelo cadastramento da empresa no CNAEFiscal 9211899. Contudo, tal código abrange "Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos", atividades essas que tanto podem vedar a opção, quanto permitila, dependendo do caso concreto. 17. Desse modo, não se pode formar um juízo de certeza apenas pelo confronto abstrato do texto do código CNAE com as hipóteses de vedação previstas no art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. 18. Do cotejo das atividades consignadas na Declaração de Firma Individual da interessada, no que se relaciona à produção de filmes cinematográficos, vislumbrase o exercício de atividade Fl. 103DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 93 6 impeditiva ao regime simplificado, por estar relacionada ao conceito de espetáculo, no qual a concepção artística é elemento essencial na sua caracterização. 19. Nesta linha de raciocínio, vejase o que registra o dicionário Michaeles acerca do vocábulo "espetáculo": "espetáculo s. m. I. Tudo o que atrai a vista ou prende a atenção. 2. Vista grandiosa ou notável. 3. Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar. 4. Representação teatral, cinematográfica, circense etc. 5. Exibição de trabalhos artísticos. 6. Objeto de escândalo ou desdém. "(g a) 20. Corroborando este entendimento, transcrevese a descrição das atividades de Diretores de Espetáculos e Afins e dos Produtores de Espetáculos, constantes da Classificação Brasileira de Ocupações elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego: "Diretores de Espetáculos e Afins Os diretores de cinema, teatro, televisão e rádio dirigem, criando, coordenando, supervisionando e avaliando aspectos artísticos, técnicos e financeiros referentes a realização de filmes, peças de teatro, espetáculos de dança, ópera e musicais, programas de televisão e rádio, vídeos, multimídia e peças publicitárias. Produtores de Espetáculos Planejam, coordenam e geram recursos humanos, materiais, técnicos e financeiros para assegurar a realização de espetáculos cênicos (teatro, dança, ópera e outros) e audiovisuais (cinema, vídeo, televisão e rádio). "(g.a) 21. Assim, há óbice à sua permanência na sistemática simplificada, nos termos do art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996. Diante de todo o exposto, concordo com a decisão recorrida quando afirma que “a exclusão se deu exclusivamente pelo cadastramento da empresa no CNAEFiscal 9211 899. Contudo, tal código abrange "Outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeos", atividades essas que tanto podem vedar a opção, quanto permitila, dependendo do caso concreto” (sem grifos no original). De fato, “outras atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeo” podem, ou não, dependendo do caso concreto, levar ao exercício de atividade vedada no âmbito do simples. No entanto, no presente caso, a exclusão do Recorrente do SIMPLES deuse unicamente por referido enquadramento de CNAE, sem que houvesse, por parte da Autoridade Fl. 104DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 94 7 Fiscal, efetivo empenho na identificação do exercício, por parte do Recorrente, da atividade vedada no âmbito do SIMPLES. Ora, se existem dúvidas quanto a possibilidade do exercício da atividade no âmbito do SIMPLES, não podendo a mesma ser descartada pela mera análise do CNAE, impõese seja apurado, no caso concreto, se a atividade vedada está sendo exercida ou não. Apenas após essa comprovação é que se defere a exclusão do contribuinte do âmbito do SIMPLES. É fato que as atividades relacionadas à produção de filmes e fitas de vídeo podem caracterizar, em tese, produção e direção de espetáculos, quando, por exemplo, decorrem da criação de filmes com exploração comercial. No entanto, se se trata, por exemplo, de atividade de filmagens de eventos, como casamentos e formaturas, tal atividade não pode ser caracterizada como de direção ou produção de espetáculos, ainda que o resultado final de tal serviço seja a entrega, ao contratante, de uma fita de vídeo com as imagens da cobertura realizada. Não se tem, nos autos, prova de que o Recorrente tenha exercido a atividade vedada, assim como o mero enquadramento no CNAE, nem mesmo por analogia, permite afirmar, de forma definitiva, que o Recorrente exerce referidas atividades. Diante disso, considero impertinente o seu desenquadramento do regime do SIMPLES. Ressalto, por fim, que não há que se exigir do Recorrente a produção de prova negativa, quando não existe prova positiva de que tenha exercido atividade vedada no âmbito do SIMPLES. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para deferir a solicitação de enquadramento do Recorrente no âmbito do SIMPLES. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Voto Vencedor Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Redator Designado Versa o presente litígio sobre a exclusão do SIMPLES, em razão do exercício de atividade econômica vedada (prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos). O recorrente alegou que, não obstante o fato de sua Declaração de Firma Individual consignar que o mesmo exercia as atividades de produção, comercialização e distribuição de filmes de curta e longa metragem, fitas de vídeo e fotografia, na prática ele somente exercia a atividade de fotógrafo, em ambientes externos a sua própria sede, mediante requisição do contratante. O ilustre Conselheiro Relator, considerou que não há, nos autos, prova de que o Recorrente tenha efetivamente exercido a atividade vedada. Afirmou, outrossim, que o mero enquadramento no CNAE não permite afirmar, de forma definitiva, que o Recorrente efetivamente exercia as atividades ali descritas. Com base neste entendimento, o ilustre Fl. 105DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 95 8 Conselheiro Relator considerou impertinente o desenquadramento do contribuinte do regime do SIMPLES. Com a devida vênia, divirjo deste entendimento. Ao apreciar a presente questão, assim se manifestou o acórdão recorrido, fls. 6466 (grifado): 10. A Declaração de Firma Individual da requerente, de 30/01/1995, consigna que a sociedade tem por objeto social: produção, gravação, comercialização e distribuição de filmes cinematográficos de curta ou longa metragem, VT e fotografia, cabendo mencionar que a titular da Firma Individual, Sr. Marcelo Cunha de Souza, definese como publicitário (fl. 12). [...] 12. Neste sentido, assevera a Lei n° 9.317/1996 em seu art. 9º, inciso XIII: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; [...] 15. Trazendo a questão ao ponto, é indiscutível que a prestação de serviços de diretor ou produtor de espetáculos impede a opção pelo Simples, haja vista estar textualmente listado na Lei criadora do regime simplificado. [...] 18. Do cotejo das atividades consignadas na Declaração de Firma Individual da interessada, no que se relaciona à produção de filmes cinematográficos, vislumbrase o exercício de atividade impeditiva ao regime simplificado, por estar relacionada ao conceito de espetáculo, no qual a concepção artística é elemento essencial na sua caracterização. [...] 22. Declara a contribuinte que nunca exerceu a atividade de produtor de espetáculos, não possui estúdio cinematográfico, nem mesmo de vídeo, pois sua atividade cingese à prestação de Fl. 106DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 96 9 serviços e comércio auxiliares à produção de vídeo e locução de fonogramas. 23. Entretanto, no caso que se examina não há elementos que possam levar à conclusão de que a defendente presta simples serviços auxiliares à produção de filmes cinematográficos. 24. Poderia a requerente ler acostado aos autos outros elementos que auxiliassem no esclarecimento acerca das atividades que exerce, como Notas Fiscais que abarcassem um período completo de faturamento, Contratos de prestação de serviços eventualmente firmados, etc. Como facilmente se percebe, o cerne da discussão consiste em se determinar a quem competia o ônus da prova no presente caso. As autoridades fiscais que apreciaram a SRS da contribuinte, bem como o colegiado julgador a quo, entenderam que competia ao contribuinte comprovar o não exercício de atividades impeditivas ao SIMPLES, por se tratarem de atividades expressamente mencionadas no objeto social da pessoa jurídica. Por seu turno, o contribuinte e o Conselheiro Relator advogam a tese de que competiria ao Fisco demonstrar o efetivo exercício das atividades impeditivas ao SIMPLES, não obstante elas constarem expressamente no no objeto social da pessoa jurídica. Analisandose a questão à luz dos princípios de direito processual, entendo que a razão se assenta ao lado das autoridades fiscais e do colegiado julgador recorrido. Para justificar meu entendimento, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 66 (grifado): 26. Assinalese que na Declaração de Firma Individual, particularmente no que tange ao objeto social, domina a vontade do contribuinte, chancelada, a propósito, por ato de terceiro desinteressado, isto é, pelas repartições públicas do Registro do Comércio ou do Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Significa isto que o Contrato Social é meio de prova vigoroso para efeito de mais precisa aproximação sobre a real atividade desempenhada pela interessada. Não se precisaria dizer, mas uma coisa é o que vai escrito, documentado, e outra, bem diferente, é aquilo que realmente sucede na realidade objetiva. Pelo menos, isto é uma possibilidade. (de descompasso entre o documentado e o real objetivo). 27. Poderseia cogitar da presença (ou não) nos autos de outros elementos com força suficiente a desconstituir os dizeres do objeto contratual constante no ato constitutivo, de tal forma a revelar que a atividade do contribuinte não é aquela consignada na referida Declaração (vedada no Simples, como visto), mas uma outra que habilitaria sua permanência no sistema simplificado de tributação; entretanto, não é o que se constata nos autos. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 97 10 Em verdade, ao informar espontaneamente seu objeto social, na declaração de firma individual, o contribuinte deu origem à presunção juris tantum de que efetivamente exercia as atividades ali descritas. Importante frisar que o Contribuinte não fica indefinidamente atrelado à declaração de vontade lançada nos seus atos constitutivos (contrato social, declaração de firma individual). Não. Como todo fato jurídico, tal declaração de vontade pode muito bem ser desconstituída por outra de igual ou superior força. Podemos enumerar alguns exemplos óbvios de instrumentos capazes de alterar os seus atos constitutivos: declaração de vontade que altera o objeto da exploração econômica; declaração de vontade veiculada em sucessivos contratos de prestação de serviços; declaração de vontade veiculada em notas fiscais (sequenciais e que acobertem largo intervalo de tempo). Vejase que tais declarações são tão ou mais robustas que a primeira (que fala do objeto social de exploração econômica original), certo que, em todas elas, concorre a manifestação de vontade de terceiro desinteressado (do órgão competente do Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, no caso de ato constitutivo; ou do adquirente do produto/serviço vendido pelo Contribuinte, na hipótese de contratos e notas fiscais, conforme estampado nos canhotos de ditas notas fiscais). No caso presente, contudo, a contribuinte não se esforçou no sentido de comprovar que não exercia as atividades impeditivas à opção pelo SIMPLES, expressamente incluídas no seu objeto social. Ressaltese que seria bastante fácil para a Recorrente comprovar o não exercício das atividades vedadas, conforme bem demonstrou o acórdão recorrido, fls. 66 (grifado): 24. Poderia a requerente ler acostado aos autos outros elementos que auxiliassem no esclarecimento acerca das atividades que exerce, como Notas Fiscais que abarcassem um período completo de faturamento, Contratos de prestação de serviços eventualmente firmados, etc. 25. Acrescentese que o artigo 15 do Decreto n° 70.235/72 (PAF) consigna norma relevante para a instrução do contraditório: Art. 15 — A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Diante da total ausência de novos elementos de prova, é forçoso reconhecer a plena validade da declaração de vontade do titular da pessoa jurídica, no momento de elaboração dos seus atos constitutivos. Consequentemente, é forçoso admitir que a pessoa jurídica exercia, sim, atividade vedada para o Simples. Sem que o contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de declaração de firma individual, notas fiscais de prestação de Fl. 108DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10880.005208/200523 Acórdão n.º 140100.496 S1C4T1 Fl. 98 11 serviços, contratos de prestação de serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituída (ou até restringida) a declaração de vontade impressa na atual redação da sua declaração de firma individual. Em síntese: competia ao contribuinte comprovar o não exercício de atividades vedadas ao Simples, na medida em que tais atividades constavam – como ainda constam expressamente na sua Declaração de Firma Individual. Diante de uma situação bastante similar à presente, este mesmo colegiado, por unanimidade, decidiu que competia ao contribuinte o ônus de comprovar o não exercício de atividades vedadas ao SIMPLES, expressamente incluídas nos seus atos constitutivos. Transcrevo a ementa do aludido Acórdão (grifado): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHEIRO OU ASSEMELHADOS. OPÇÃO PELO SIMPLES. VEDAÇÃO. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados. Compete ao contribuinte comprovar a não prestação de serviços desta natureza, nos casos em que tal atividade consta expressamente no seu contrato social e na sua FCPJ – Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica. Acórdão nº 140100213, de 08/04/2010, Relator Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, unânime. Diante da inércia do contribuinte em produzir quaisquer provas, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, indeferindo a solicitação da interessada. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator Designado Fl. 109DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 10/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 29/06/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXEIR, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910768/2008-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2001
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.723
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO ALEGADO. Recorrente FLEURY S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 68 /2 00 8- 44 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.910768/200844 Acórdão n.º 9303005.723 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802002.013, de 24/09/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido quanto à impossibilidade de apresentação de DCTF retificadora, após o Despacho Decisório e no prazo da Manifestação de Inconformidade, para a comprovação do direito creditório alegado. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 1302001.423 (possibilidade de homologação da PER/DCOMP em face da apresentação de DCTF retificadora após o Despacho Decisório) e 3401002.744 e 3401002.128 (necessidade de conversão do julgamento em diligência caso não seja reconhecido o direito à homologação com base na DCTF retificada). Por meio do exame de admissibilidade do recurso, propôsse o seu não seguimento, o que, embora acatado pelo Presidente do CARF em despacho de reexame, foi revertido por medida liminar em mandado de segurança, determinando o seguimento do recurso especial. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.910768/200844 Acórdão n.º 9303005.723 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.708, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10880.910755/200875, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.708): "Em face do provimento judicial que determinou a este Colegiado Administrativo o seguimento do recurso especial, ultrapassamos a análise de sua admissibilidade e passamos ao mérito do litígio. Neste, como já registramos noutros processos envolvendo matéria idêntica, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Nesse contexto, ainda que não se tenha concordado com o argumento de que a falta de DCTF retificadora não seria óbice ao deferimento do pedido (coisa com a qual também concordamos), não se poderia, pura e simplesmente, dar provimento ao recurso especial, mas retornar os autos à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a questão, enfrentasse o mérito do litígio, mediante a análise da documentação fiscal ou contábil por meio da qual se pudesse comprovar o crédito a ser restituído. Para nós, portanto, correta a Câmara baixa, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria suficiente para a demonstração do crédito, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que, no caso ora em exame, não se verificou, daí porque absolutamente impertinente converter o julgamento em diligência, como pretende a Recorrente1. Ante o exposto, conheço do recurso especial em face do provimento judicial e, no mérito, negolhe provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também "limitouse a retificar a DCTF, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito". 1 Segundo o relator do acórdão recorrido: "No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição". Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.910768/200844 Acórdão n.º 9303005.723 CSRFT3 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido em face do provimento judicial e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000925/2004-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. LAPSO MANIFESTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão devem ser retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Nesses casos, incabíveis os embargos de declaração. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado e/ou declaração, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4 o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1801-000.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, rejeitá-lo, nos termos do voto da relatora, reconhecendo, todavia, que houve lapso manifesto quanto ao registro dos períodos e tributos decaídos, sem contudo, alterar a fundamentação do voto e o resultado do julgamento bem como os valores exigidos e/ou exonerados.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 194 1 193 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000925/200411 Recurso nº 174.367 Embargos Acórdão nº 180100.890 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de março de 2012 Matéria AI IRPJ e reflexos Embargante PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado LAPENNA COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÕES MATERIAIS. LAPSO MANIFESTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão devem ser retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. Nesses casos, incabíveis os embargos de declaração. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado e/ou declaração, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, rejeitálo, nos termos do voto da relatora, reconhecendo, todavia, que houve lapso manifesto quanto ao registro dos períodos e tributos decaídos, sem contudo, alterar a fundamentação do voto e o resultado do julgamento bem como os valores exigidos e/ou exonerados. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 18DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em face do Acórdão no. 180100.417, proferido por esta 1a. Turma Especial de Julgamento da 3a. Câmara da 1a. Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em sessão realizada em 14 de dezembro de 2010, com fundamento no que dispõe o artigo 65 do Regimento Interno do deste Conselho (Portaria MF no. 256, de 2009). Histórico. Trata, o presente processo, de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 49 a 67), lavrados em 11/05/2004, que exigem da contribuinte acima identificada o crédito tributário no valor total de R$ 143.896,13, aí incluídos o principal a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 1999, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 43 a 48, parte integrante das exigências. O agente fiscal relata que a empresa apurou seus resultados, no ano calendário 1999, optando pela tributação favorecida – Lucro Presumido, tendo sido intimada, inicialmente, a apresentar Livros Caixa, Registro de Entradas e Saídas, e Registro de Inventário, além de preencher o “Quadro de Informações Gerais”, o que possibilitou a análise do fluxo financeiro em planilha própria, através da visualização das despesas operacionais incorridas; dos saldos de caixa e bancos; das vendas de produtos e serviços; das compras de mercadorias e dos lucros distribuídos, nele declarados. Da referida analise constatouse a existência de excessos de dispêndios em relação aos recursos auferidos, de R$ 28.960,42 e R$ 71.053,50, respectivamente, nos meses de abril e novembro do anocalendário de 1999, conforme demonstrativo do fluxo de caixa transcrito no quadro à fl. 44. A contribuinte teria sido intimada a justificar as distorções, optando por permanecer em silencio, caracterizando, assim, a presunção de omissão de receitas para os valores apontados. Também teria sido apurada a utilização de incorreto percentual de presunção do lucro. De acordo com o estatuto social a atividade da empresa seria a de comércio de Fl. 19DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000925/200411 Acórdão n.º 180100.890 S1TE01 Fl. 195 3 veículos novos e usados e intermediação de negócios. Assim, tendo em conta que as receitas auferidas seriam, na sua maioria, provenientes da venda de veículos usados, atividade que de acordo com a legislação de regência artigo 5o. e parágrafo único da Lei no. 9.716, de 1998 e artigos 1o. e 2o. da IN SRF no. 152, de 1998 – é equiparada à de consignação, o percentual correto de presunção seria o de 32% e não de 8% como utilizado. Cientificada das exigências, em 11/05/2004, na pessoa de seu diretor, a contribuinte, por meio de advogado legalmente habilitado (instrumento de procuração à fl. 93), apresentou a impugnação de fls. 69 a 92, em 07/06/2004. Defendeu que seria improcedente, por falta de requisitos técnicos e de fundamentos de direito, a presunção de omissão de receitas, que também não se revestiria de prova a transmitir a certeza necessária ao lançamento. Registrou que a fiscalização não teria detectado a ocorrência de saldo credor de caixa no período base fiscalizado e teria baseado suas conclusões em informações fornecidas pelo representante legal da empresa, questionando como poderia, a contribuinte, apresentar de forma consistente o saldo no final de cada mês das contas de clientes, fornecedores, financiamentos bancários ou outras contas a pagar se, por dispensa expressa do RIR/99, teria deixado de efetuar a escrituração contábil. Consignou que a operação de consignação não deixaria de ser uma operação mercantil, não configurando operação de prestação de serviços e que o dispositivo legal mencionado pelo autuante se referiria à "intermediação de negócios", atividade, esta sim, relacionada a prestação de serviços, complementar na comercialização de veículos e consistente na prática da cessão de espaço para que terceiros exponham seus carros até o momento da efetiva venda, mediante remuneração calculada em função de percentual do preço, atividade que nada teria a ver com o contrato de consignação. Afirmou que também teria obtido receitas de intermediação de negócios as quais teriam recebido o tratamento tributário preconizado pelo autuante, ou seja, aplicação de 32% sobre o valor da receita auferida para a apuração da base de cálculo do imposto, acrescentando que o percentual de presunção deve ser aplicado sobre a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição do veículo e requerendo a aplicação do efeito suspensivo ao recurso, nos termos do artigo 61 da Lei no. 9.784, de 1999. Analisando o litígio a 1a. Turma da DRJ em Santa Maria/RS julgou os lançamentos procedentes. No voto proferido o relator analisou a validade jurídica das presunções como provas indiretas no direito tributário e a ausência de justificativas, por parte da impugnante, no que concerne aos excessos de dispêndios detectados pela auditoria fiscal, ainda que diante de regular intimação. No que toca ao percentual de presunção do lucro destacou novamente o teor do artigo 5o e parágrafo único da Lei no. 9.716, de 1998 e artigos 1o. e 2o. da IN SRF no. 152, de 1998 para concluir que a legislação teria equiparado as operações de vendas de veículos usados adquiridos para revenda, em operações de consignação, e que o percentual de presunção de 32% deve incidir sobre a diferença entre o valor da venda e da compra de cada veículo. A receita bruta originada dessas operações também seria base de cálculo para incidência das contribuições. Ao final afastou os argumentos de defesa contra a exigência da multa de ofício, dos juros moratórios e da aplicação do efeito suspensivo ao feito. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Intimada da decisão, em 22/07/2008, como comprova o A.R. de fl. 150, verso, apresentou Recurso Voluntário em face daquela decisão, protocolizado em 01/08/2008 (fls. 156 a 178). Nas razões apresentadas se volta, novamente, contra a técnica adotada no lançamento, que teria partido de uma presunção simples de omissão de receitas, ressaltando que o agente fiscal teria “criado um indício”, a partir do demonstrativo de fluxo de caixa por ele próprio confeccionado, que sequer teria sido submetido ao contraditório e que deveria ser aplicado, in casu, o princípio da prevalência do contribuinte sobre o Fisco. Contesta a validade contábil do fluxo de caixa, pois, tendo optado pelo lucro presumido, sequer teria escrituração contábil e fiscal no período a amparar os saldos consignados no demonstrativo. Reproduz as demais alegações apresentadas na impugnação contra o percentual de presunção de lucro de 32% e a atividade de consignação e a respeito do efeito suspensivo preconizado no artigo 151, II, do CTN para, ao final, propugnar pelo cancelamento das exigências. Em sessão realizada em 14 de dezembro de 2010 esta 1a. Turma Especial julgou procedente, em parte, o recurso voluntário interposto pela empresa contribuinte, e proferiu o acórdão 180100.417 nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I Por unanimidade de votos, em preliminar, reconhecer a decadência das exigências de IRPJ e CSLL relativas ao 1o. trimestre de 1999, e das contribuições ao PIS e à COFINS relativas aos meses de janeiro a abril de 1999; II – Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes que divergiu em relação à manutenção do percentual de presunção do lucro. No voto proferido foi reconhecida, em preliminares, a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos no 1o. trimestre de 1999 e das contribuições ao PIS e à COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 1999, de acordo com a regra de contagem de prazo decadencial prevista para os lançamentos por homologação pelo artigo 150, parágrafo 4o., do CTN, conforme trecho abaixo reproduzido: No presente caso a recorrente optou, no anocalendário 1999, pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ e CSLL devidos com base nas regras do presumido. Assim, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, com base nessa regra, ocorrem trimestralmente. Verificase, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 17 a 40, que em todos os trimestres de 1999 foram apurados saldos de IRPJ e de CSLL a pagar. Os pagamentos foram confirmados pela própria auditoria fiscal, que os deduziu dos valores devidos nos respectivos autos de infração. Da mesma forma em relação aos pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS, visto que nestes casos os fatos geradores ocorrem mensalmente. Portanto, diante da existência de apuração e do pagamento dos tributos exigidos nos presentes autos, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Dado que a ciência dos lançamentos se deu em 11/05/2004, os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos no 1o. trimestre de 1999 e os fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos de nos meses de janeiro a abril de 1999, foram alcançados pela decadência, permanecendo, íntegros, os demais períodos de apuração exigidos nos autos. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000925/200411 Acórdão n.º 180100.890 S1TE01 Fl. 196 5 Dentro do prazo regimental apresenta a Douta PGFN embargos de declaração (fls. 191/193). Relativamente ao reconhecimento da decadência do lançamento, consignou a PGFN: Conforme doravante será demonstrado, o voto condutor do acórdão embargado, inicialmente, omitiuse quanto à análise do Demonstrativo de Apuração do PIS, COFINS e CSLL constante à fl. 55, 59 e 63 nos quais resta claro que o contribuinte não antecipou o pagamento relativo a esses tributos. Conforme se percebe da análise de tais documentos, o contribuinte não adiantou o recolhimento dos tributos como concluído pela e. Relatora à fl., 185,v. Com efeito, no Campo “Valor Recolhido” consta o montante R$ 0,00, razão pela qual o “Valor a Recolher” coincide com o “Valor Devido”. Tal equívoco na análise documental levou à aplicação do art. 150 § 4o. do Código Tributário Nacional para contagem do prazo decadencial. A partir da análise das provas que instruem o feito, no entanto, verificase em especial da análise das fls. 55, 59 e 63, que o contribuinte não antecipou qualquer valor a título de pagamento do PIS, COFINS e CSLL. Assim, o acórdão ora embargado, omitiuse quanto à análise do Demonstrativo de Apuração (fls. 55, 59 e 63), culminou por partir de premissa fática equivocada, no que diz respeito à existência de pagamento, o que resultou em conclusão dispare, não condizente com a realidade factual estampada nos autos. ... Ante o exposto, requer a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) o acolhimento dos presentes embargos, para que seja objeto de saneamento, o vício apontado. É o relatório. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora PRELIMINARMENTE Fl. 22DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Cabimento dos Embargos Os embargos devem ser conhecidos, mas, no mérito, devem ser rejeitados. Como se verá adiante não há, no acórdão proferido, qualquer omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O que há, em verdade, é um lapso manifesto quanto ao registro dos períodos e tributos decaídos o que, contudo, não leva a alteração da fundamentação do voto e do resultado do julgamento proferido, bem como dos valores exigidos e/ou exonerados. Nesse sentido, a Portaria MF no. 256, de 2009, que aprovou o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no. 586, de 2010, assim dispõe nos artigos 64 e 65: Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. ... § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. ... MÉRITO No mérito cumpre validar todos os fundamentos de decidir adotados em preliminar do voto proferido no Acórdão no. 180100.417, e acolhido, por unanimidade, em sessão de julgamento realizada em 14 de dezembro de 2010. Necessário, entretanto, esclarecer e corrigir o lapso manifesto nele verificado. Nesse contexto, cumpre reproduzir o trecho do voto que declarou a decadência parcial dos lançamentos: Cumpre reconhecer, preliminarmente, a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos no 1o. trimestre de 1999 e das contribuições ao PIS e à COFINS relativas aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 1999. O prazo decadencial para lançamento de tributos a favor da Fazenda Nacional encontrase previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim, como regra geral, o prazo estabelecido pelo mencionado artigo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4o., prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. ... Fl. 23DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000925/200411 Acórdão n.º 180100.890 S1TE01 Fl. 197 7 Comungo do entendimento de que o IRPJ, dentre outros tributos, está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Entendo, também, que não basta que a legislação tenha atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco; é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a regra de contagem de prazo decadencial para constituição de créditos tributários é dirigida justamente à autoridade administrativa fiscal, impondolhe limites temporais para exercer seu dever de ofício. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura tributo devido e nos casos em que apesar de apurar tributo devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Assim, ao efetuar a apuração e pagamento, ainda que parcial do tributo, o sujeito passivo já fornece as informações necessárias para que a administração tributária exerça o seu dever de ofício e proceda a homologação da atividade praticada pelo sujeito passivo ou, ao contrário, caso não a homologue, promova a competente constituição do crédito tributário que deixou de ser apurado e recolhido pelo sujeito passivo. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 695.045 RS (2004/01456190), julgado em 16 de fevereiro de 2006, no acórdão de relatado pelo Exmo. Ministro Teori Albino Zavascki, de seguinte teor: ... No presente caso a recorrente optou, no anocalendário 1999, pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ e CSLL devidos com base nas regras do presumido. Assim, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, com base nessa regra, ocorrem trimestralmente. Verificase, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 17 a 40, que em todos os trimestres de 1999 foram apurados saldos de IRPJ e de CSLL a pagar. Os pagamentos foram confirmados pela própria auditoria fiscal, que os deduziu dos valores devidos nos respectivos autos de infração. Da mesma forma em relação aos pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS, visto que nestes casos os fatos geradores ocorrem mensalmente. Portanto, diante da existência de apuração e do pagamento dos tributos exigidos nos presentes autos, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Dado que a ciência dos lançamentos se deu em 11/05/2004, os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos no 1o. trimestre de 1999 e os fatos geradores de PIS e COFINS ocorridos de nos meses de janeiro a abril de 1999, foram alcançados pela decadência, permanecendo, íntegros, os demais períodos de apuração exigidos nos autos. Como se verifica do Termo de Verificação Fiscal e Autos de Infração acostados às fls. 43 a 67 a empresa fiscalizada optou por apurar e pagar o IRPJ e a CSLL, no Fl. 24DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 anocalendário 1999, com base nas regras do lucro presumido e a auditoria fiscal constatou duas infrações praticadas pela contribuinte nesse anocalendário. A primeira infração: a omissão de receitas caracterizada pelos excessos de dispêndios em relação aos recursos auferidos, de R$ 28.960,42 e R$ 71.053,50, respectivamente, nos meses de abril e novembro do anocalendário de 1999, conforme demonstrativo do fluxo de caixa transcrito no quadro à fl. 44. A contribuinte teria sido intimada a justificar as distorções, optando por permanecer em silencio, caracterizando, assim, a presunção de omissão de receitas para os valores apontados. A segunda infração: a utilização de incorreto percentual de presunção do lucro adotado em todos os trimestres do anocalendário 1999. Neste caso a empresa adotou, erroneamente o percentual de presunção de 8% para as receitas auferidas com a comercialização de veículos usados, quando deveria ter adotado o percentual de 32%, uma vez que tal atividade é equiparada, para fins tributários, à consignação, como se verifica dos seguintes demonstrativos extraídos das fls. 46 e 47 do Termo de Verificação Fiscal: Valores declarados em DIPJ: Item da ficha 14 da DIPJ Discriminação Valores R$ 1o. trimestre 2o. trimestre 3o. trimestre 4o. trimestre 01 Receita bruta sujeita ao percentual de 8% 60.250,00 158.964,89 400.043,44 334.333,80 04 Receita bruta sujeita ao percentual de 32% 3.500,00 3.319,80 1.606,80 12.514,90 15 Base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido 5.940,00 13.779,53 32.517,65 30.751,47 16 Imposto apurado no lucro presumido à alíquota de 15% 891,00 2.066,93 4.887,65 4.612,73 ... Ajustes na Base de Cálculo do IRPJ: Item da ficha 14 da DIPJ Discriminação Valores R$ 1o. trimestre 2o. trimestre 3o. trimestre 4o. trimestre 01 Receita bruta sujeita ao percentual de 8% 04 Receita bruta sujeita ao percentual de 32% 63.750,00 162.284,69 401.650,24 346.848,70 15 Base de cálculo do imposto sobre o lucro presumido 20.400,00 51.913,30 128.528,08 110.991,58 16 Imposto apurado no lucro presumido à alíquota de 15% 891,00 2.066,93 4.887,65 4.612,73 Base da Autuação Assim, diante do relatado, o contribuinte será autuado pela lavratura de auto de infração pertinente, tendo os seguintes fatos geradores: Fl. 25DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000925/200411 Acórdão n.º 180100.890 S1TE01 Fl. 198 9 Descrição do Fato Gerador Data do Fato Gerador Valor do Fato Gerador R$ Presunção de omissão de receitas decorrentes do excesso de dispêndios em relação aos recursos (IRPJ e reflexos) 30.04.1999 28.960,42 Presunção de omissão de receitas decorrentes do excesso de dispêndios em relação aos recursos (IRPJ e reflexos) 30.11.1999 71.053,30 Aplicação indevida de coeficiente para a determinação do lucro presumido, com dedução do valor do IRPJ já declarado (IRPJ) 1o. trimestre de 1999 20.400,00 (base de cálculo) Aplicação indevida de coeficiente para a determinação do lucro presumido, com dedução do valor do IRPJ já declarado (IRPJ) 2o. trimestre de 1999 51.913,10 (base de cálculo) Aplicação indevida de coeficiente para a determinação do lucro presumido, com dedução do valor do IRPJ já declarado (IRPJ) 3o. trimestre de 1999 128.528,08 (base de cálculo) Aplicação indevida de coeficiente para a determinação do lucro presumido, com dedução do valor do IRPJ já declarado (IRPJ) 4o. trimestre de 1999 110.991,58 (base de cálculo) ... No auto de infração do IRPJ (fls. 49 a 54) foram objeto de exigência ambas as infrações: 001 Omissão de Receitas da Atividade A Partir do AC 93 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 30/06/1999 R$ 28.960,42 75% 31/12/1999 R$ 71.053,50 75% 002 – Aplicação Indevida de Coeficiente de Determinação do Lucro – A Partir do AC 93 Aplicação Indevida de Coeficiente de Determinação do Lucro Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/03/1999 R$ 60.250,00 75% 30/06/1999 R$ 158.964,89 75% 30/09/1999 R$ 400.043,44 75% 31/12/1999 R$ R$ 334.333,80 75% Nos demais autos de infração de PIS (fl. 58), COFINS (fl. 62) e CSLL (fl. 66) foram objeto de exigência somente os valores apurados a partir da primeira infração – omissão de receitas: 001 – PIS sobre Omissão de Receitas Fl. 26DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Falta Insuficiência do PIS Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa 30/04/1999 R$ 28.960,42 75% 31/12/1999 R$ 71.053,50 75% 001 – COFINS Omissão de Receitas Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa 30/04/1999 R$ 28.960,42 75% 31/12/1999 R$ 71.053,50 75% 001 – CSLL sobre Omissão de Receitas CSLL sobre Receitas Omitidas Fato Gerador Valor Tributável ou Contribuição Multa 30/06/1999 R$ 28.960,42 75% 31/12/2999 R$ 71.053,50 75% Assim, no 1o. trimestre de 1999 houve exigência, unicamente, de IRPJ atinente à segunda infração – “aplicação indevida de coeficiente de determinação do lucro” – valor de R$ 60.250,00 sobre o qual havia sido aplicado, erroneamente, o percentual de presunção de 8%, quando o correto seria 32%. Entretanto, a empresa contribuinte havia efetuado pagamento antecipado do IRPJ calculado com o percentual de presunção de 8%, conforme consignou a própria auditoria fiscal no Termo de Verificação Fiscal às fls. 46 e demonstrativo à 47, e no próprio auto de infração do IRPJ, à fl. 50, no qual demonstrase a dedução, do IRPJ apurado, dos valores pagos antecipadamente pelo sujeito passivo. Por tais razões, e pelos fundamentos expostos no voto condutor do acórdão embargado e ora convalidados, o fato gerador do IRPJ ocorrido no 1o. trimestre de 1999 foi alcançado pela decadência, cujo prazo foi calculado de acordo com a regra do artigo 150, §4º do CTN., tem como marco inicial a data de 30/03/1999 e como marco final a data de 29/03/2004 levandose em conta, ainda, que a ciência do lançamentos se deu em 11/05/2004. No que toca à CSLL houve exigência relativamente aos 2o. e 4o. trimestres de 1999, não tendo havido qualquer exigência formalizada relativamente ao 1o. trimestre 1999, razão pela qual foi um equívoco a declaração de decadência dessa contribuição relativamente a fato gerador não formalizado no respectivo auto de infração (fls. 63 a 66), motivo pelo qual, neste ponto, o acórdão embargado deverá se corrigido. Já em relação às contribuições ao PIS e COFINS foram formalizadas exigências relativas aos fatos geradores ocorridos no mês de abril de 1999, conforme se verifica dos autos de infração às fls. 55 a 62. Pelas mesmas razões e fundamentos adotados no voto condutor do acórdão embargado tais exigências encontramse decaídas, uma vez que a regra de contagem do prazo decadencial é aquela estabelecida pelo artigo 150, §4º do CTN, tem como marco inicial a data do fato gerador de cada contribuição 30/04/1999, e como marco final a data de 29/04/2004, e a ciência dos lançamentos se deu em 11/05/2004. E aqui cabe o seguinte esclarecimento. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000925/200411 Acórdão n.º 180100.890 S1TE01 Fl. 199 11 É fato que nos autos de infração de PIS e de COFINS a auditoria fiscal não promoveu qualquer dedução, dos valores exigidos nas autuações, de quantias pagas antecipadamente pelo contribuinte o que, num primeiro momento, pode levar à incorreta conclusão de que, não tendo havido qualquer pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, então não se aplicaria a regra decadencial do artigo 150, §4º do CTN. Entretanto, a cópia da DIPJ às fls. 30/40 demonstra a existência de valores de contribuições ao PIS e COFINS em todos os meses do anocalendário 1999. Ou seja, se o contribuinte apurou valores a pagar e foi fiscalizado, visto que os autos de infração são resultado justamente do trabalho de fiscalização desse período, a ausência de qualquer recolhimento de PIS e de COFINS, conforme apurado na DIPJ, teria levado a auditoria fiscal a também formalizar exigências sobre esses valores apurados e não pagos. Inferese, portanto, diante da inexistência de auto de infração para exigência dos valores de PIS e de COFINS apurados na DIPJ, que esses valores foram pagos ou confessados pelo contribuinte em DCTF, aplicandose, assim, o entendimento pacificado pelo STJ e adotado no voto proferido no acórdão recorrido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Ademais, sendo certo que as exigências de PIS e de COFINS se deram, unicamente, sobre a primeira infração – a omissão de receitas, é natural que não haja qualquer valor deduzido dos montantes exigidos nos autos de infração de PIS e de COFINS analisados. Isto porque, tendo havido omissão de receitas, tais receitas, por óbvio, não foram oferecidas à tributação, o que justifica a ausência de qualquer pagamento antecipado de contribuições sobre essas bases de cálculo (receitas omitidas). Do contrário, ou seja, caso houvesse pagamento sobre tais bases, o auto de infração sequer teria sido formalizado. A ausência de pagamentos de PIS e de COFINS sobre as receitas omitidas não significa, contudo, que o contribuinte não efetuou qualquer pagamento antecipado de PIS e COFINS relativamente a fatos geradores dessas contribuições ocorridos em abril de 1999. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração e, no mérito, rejeitálos, admitindo, entretanto, a ocorrência de lapso manifesto quanto ao registro dos tributos e períodos exonerados pela decadência, que deverão ser retificados da seguinte forma: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I Por unanimidade de votos, em preliminar: I.a. reconhecer a decadência do IRPJ relativamente ao fato gerador ocorrido no 1o. trimestre de 1999; I.b. reconhecer a decadência das contribuições ao PIS e COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos no mês de abril de 1999; II – Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes que divergiu em relação à manutenção do percentual de presunção do lucro.” Observo, entretanto, que a correção do lapso manifesto não altera a fundamentação do voto e do resultado do julgamento proferido, bem como dos valores exigidos e/ou exonerados. É como voto. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 29DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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