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Numero do processo: 12466.000725/97-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA.
Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Acolhidos em Parte
Acórdão Rerratificado
Numero da decisão: 3102-002.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112, advogada do sujeito passivo.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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OMISSÃO. OCORRÊNCIA. Devem ser admitidos os Embargos de Declaração quando demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Acolhidos em Parte Acórdão Rerratificado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral a Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112, advogada do sujeito passivo. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório A Embargante em epígrafe interpõe Embargos de Declaração ao Acórdão nº 310201.501, de 22 de maio de 2012, que, à época, recebeu a seguinte ementa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 07 25 /9 7- 33 Fl. 5267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 186 2 Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não se exige que as razões de decidir no julgamento de primeira instância sejam idênticas às encontradas no auto de infração. A introdução de novas considerações acerca do assunto não constitui modificação de critério jurídico adotado pela Fiscalização. VALOR ADUANEIRO. AJUSTES. ARTIGO 8º DO AVA. PARCELA DO RESULTADO DE QUALQUER REVENDA, CESSÃO OU UTILIZAÇÃO. CONCIÇÃO DE VENDA. CONTRAPRESTAÇÃO. ACRÉSCIMO AO VALOR DA TRANSAÇÃO. Deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subsequente das mercadorias importadas que reverta direta ou indiretamente ao vendedor, assim como a condição ou contraprestação exigida, na medida em que sejam quantificáveis. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEITO PASSIVO. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, como tal caracterizado na importação, por pessoa jurídica importadora, de produtos comercializados no país por ou por ordem de pessoa jurídica que atua sob a forma de associação exclusiva com o exportador estrangeiro. Recurso Voluntário Negado O Relatório que fundamentou o Acórdão pelo presente embargado teve o seguinte teor. Trata o presente processo dos seguintes lançamentos: a) Imposto de Importação (II), às fls. 01 a 28, no valor de R$ 5.361.211,56 (cinco milhões trezentos e sessenta e um mil duzentos e onze reais e cinqüenta e seis centavos), multa de lançamento de ofício do II, no percentual de 75%, conforme art. 0, Ida Lei n 2 8.218 de 2910811991 DOU 30/08/1991 ele art. 44, I da Lei n2 9.430 de 27/1211996 – DOU 30/12/1996 e entendimento (mais benéfico) posto no art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n2 5.172 de 25/10/1966 DOU 27/10/1966 — Ret em 31/10/1966, além dos juros de mora; b) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), às fls. 30 a 50, no valor de R$ 8.084.313,11 (oito milhões, oitenta e quatro mil trezentos e treze reais e onze centavos), multa de lançamento de ofício, no percentual de 75%, conforme art. 80, I da Lei n2 4.502 de 30/11/1964 DOU 30/11/1964 Ret em 31/12/1964, com redação dada pela Lei n 2 9.430, de 27/12/1996 DOU de 30/12/1996 e juros de mora. O motivo do lançamento deveuse ao fato de a fiscalização considerar que ao preço de venda de veículos "PEUGEOT", importados nas datas listadas às fls. 09/10, deixouse de acrescentar as parcelas do resultado das revendas subseqüentes, cobradas das concessionárias e, que reverteram indiretamente ao vendedor. Fl. 5268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 187 3 A autoridade fiscal, conforme expõe às fls. 02 a 08 e 52/53 encontrou, após a análise dos inúmeros documentos fornecidos pela autuada e pela PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda. o valor aduaneiro que deveria ser utilizado no pagamento dos tributos relativos às importações em comento, tomando o preço declarado das transações e ajustandoos mediante acréscimo do valor, cobrado a título de "assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca Peugeot no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de pós venda", pela PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda., das concessionárias dos veículos marca PEUGEOT, conforme Notas Fiscais de Serviços constantes entre os documentos de fls. 220 a 378. A fiscalização, entendendo que existe solidariedade passiva da presente obrigação tributária, entre a autuada e a PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda, intimoua dos autos de infração lavrados. Referida empresa apresentou, também sua impugnação. Às fls. 02 a 08 consta histórico da ação fiscal, os motivos porque ela foi realizada e seus fundamentos legais. Houve várias intimações e respostas, conforme lista de fls. 52/53. Constam vários documentos dos autos, tais como contrato padrão entre PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda. e as Distribuidoras, cópias dos contratos firmados entre a autuada e Concessionárias Honda, Peugeot do Brasil, Concessionárias Mitsubishi e Provenda Com. e Serv. Ltda., além de documentos contábeis da Peugeot do Brasil Ltda. Autuada e intimada do lançamento a peticionária ingressou com a impugnação de fls. 382 a 430, por meio da qual alega em síntese: 1 inexistência de vínculo entre a exportadora Automobiles Peugeot e a peticionária, uma vez que a mesma não é agente distribuidor ou concessionário exclusivo da primeira, pois trabalha com outras marcas, tais como Mitsubishi e Honda, por esse motivo o valor aduaneiro a ser aplicado é o da transação, conforme fez a autuada em suas importações; 2 a requerente, também, não é mera intermediária entre a exportadora e a Peuogeot do Brasil, que presta às distribuidoras os serviços de acessoria técnica de marketing e publicidade, porquanto sendo uma trading comercializa os veículos que adquire, por sua conta e risco; 3 no que se refere ao ato de se imputar à Peuogeot do Brasil a solidariedade passiva há que se refutálo (transcreve o art. 124, incisos I e II do CTN, apresentando argumentação especial quanto aos termos do art. 124,1), pois a impugnante é a importadora e não quer que tal fato (imputação de solidariedade passiva) provoque a ocorrência de risco à sua confiabilidade em face aos seus clientes; 4 por sua exigência a fiscalização violou os termos do Código de Valoração Aduaneira, aprovado em acordo internacional (apresenta argumentação a respeito de acordos internacionais no ordenamento jurídico brasileiro), além do que ao alegar que deve ser aplicado o método previsto no parágrafo 2, letra "h" do artigo 1, do Código de Valoração Aduaneira, não indicando os motivos factuais nem fazendo provas não se propiciou as devidas condições de defesa à impugnante; 5 a fiscalização se confundiu diante do fato de o comprador arcar com as despesas de "assessoria de importação", portanto, sujeito a ajuste com base no art. 8º do Acordo GATT . Aquele valor não foi pago pela impugnante à Automobiles Fl. 5269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 188 4 Peugeot, não podendo, dessa forma, servir de elemento de ajuste previsto no art. 82, parágrafo 1, letra,"a", item "i" do Código de Valoração Aduaneira; 6 ressaltese, também, que a fiscalização pretendeu que a autuada apresentasse provas negativas instando que a mesma comprovasse que os valores das transações não foram influenciados pela vinculação; 7 além do mais a própria fiscalização admite que não houve caracterização de subfaturamento, destruindo, assim, toda sua linha de argumentação e motivo de lavratura dos autos de infração em tela. De se observar que os acréscimos cobrados pela Peugeot do Brasil aos revendedores dos veículos importados não são comissões; 8 a fiscalização violou, também os termos da N/SRF nº 39/94 que deve ser observada em situações relacionadas à valoração aduaneira e mostrase contraditória em suas conclusões relativamente às intimações, não possibilitando à importadora que prestasse as devidas informações sobre o caso violando, adicionalmente, a determinação da Notas 1nterpretativas do Código de Valoração Aduaneira no seu parágrafo 2, item 3 e seu direito de defesa; 9 notese, ainda, que o fisco não apresentou memórias de cálculo ou outro elemento que possibilitasse à impugnante ou a qualquer analista contábil, compreender como foram encontradas as alíquotas do II e IPI indicadas no auto de infração em questão; 10 cumpre lembrar que o mercado brasileiro de veículos importados conduz se pelas necessidades do consumidor e o seu suprimento se dá através de estudos e outros procedimentos levados a cabo pelo representante da marca no Brasil. Esse é que licencia os revendedores, cuida de contratar e remunerar os serviços de publicidade institucional da marca, honra a garantia dada ao produto, monta a logística adicional de distribuição, etc. É essa a origem das notas fiscais de serviços emitidas pela Peugeot do Brasil para as suas concessionárias [apresenta exemplo à fl. 426, indicando, também, nessa mesma folha, no número 121 (1 a 3, este último à. fl. 122) a forma de cálculo dos valores do ajuste do artigo oitavo); 11 no que concerne ao IPI a argumentação fiscal colide com as disposições regulamentares ao chamado princípio da autonomia dos estabelecimentos, segundo o qual cada contribuinte é autônomo no cumprimento das obrigações relativas ao IPI (art. 22, parágrafo único e art. 392, IV do Regulamento do TI). Por esse motivo, se algum valor tivesse sido excluído não teria origem nas operações de importação, mas nas realizadas por terceiro, de quem deveria ser exigido o tributo em pauta. Pede que se declare improcedente a exigência, protesta pela juntada de novos documentos, bem como pela eventual realização de perícias e diligências. Intimada a firma Peugeot do Brasil Automóveis Ltda. (fl. 507) esta ingressou com a petição de fls. 509 a 515 por meio da qual procura se eximir da responsabilização solidária que lhe é atribuída, além de esboçar algumas alegações já feitas pela COIMEX. Às fls. 543 a 545 a autuada requereu a juntada aos autos de cópias das Decisões COSIT n 14 e 15, juntadas às fls. 546 a 555. Encaminhado o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, competente à época para julgar a questão, ela converteu o julgamento em diligência, conforme Lis. 556 a 558. Foram respondidas várias perguntas e juntados inúmeros documentos. Finalmente o processo foi remetido a esta DRF/FNS (fl. 653) para julgamento. Fl. 5270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 189 5 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: SOLIDARIEDADE PASSIVA Caracterizase a solidariedade passiva tributária entre o representante exclusivo para comercialização de veículos de determinada marca e terceiro importador (mandatário para os efeitos legais), quando este terceiro, ainda que seja uma trading, realiza em nome próprio importações e revendas de veículos dessa marca. Assunto: Imposto sobre a Importação lei Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: VALOR ADUANEIRO Integram o valor aduaneiro as parcelas cobradas das concessionárias, pela detentora da exclusividade de comercialização, que caracterizem assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de pósvenda, ainda que a tais parcelas se dêem quaisquer outras denominações. DECISÕES DA COSIT EM PROCESSO DE CONSULTA. As Decisões da COSIT em processo de consulta produzem efeitos somente em relação à matéria nelas tratada. Tais tipos de Decisões, por se constituírem exegese de textos legais específicos, não comportam interpretação extensiva. MULTA DE OFICIO O importador não está sujeito a penalidade pelo simples fato de exercer o direito de apresentar pedido de reconsideração de valor aduaneiro estabelecido pela fiscalização, conforme previsto no Acordo VII do GATT. A multa de lançamento de oficio não é equiparável a penalidade por pedido de reconsideração, acima mencionada, pois tratase de multa por motivo diverso, qual seja, o do não recolhimento dos tributos devidos, nos prazos legais. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 Ementa: IPI VINCULADO À IMPORTAÇÃO Havendo sido lançado o IPI vinculado à importação, apenas porque a exigência do II, componente da base de cálculo daquele tributo (IPI), foi majorada as mesmas fundamentações postas no julgamento desse imposto (II) são aplicáveis no julgamento do IPI, ressalvadas as peculiaridades específicas. Por meio de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi declarada a nulidade do processo desde a intimação da decisão de primeira instância, para que fosse dado ciência desta à PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda, considerada responsável solidária pelo crédito tributário neste veiculado. Fl. 5271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 190 6 As autuadas apresentaram recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisam argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Em sede de preliminar, a empresa autuada e a responsável solidária advogam a ocorrência de preterição ao direito de defesa. Consideram que a fiscalização “atropelou o processo de análise da realidade dos fatos, impossibilitando a Recorrente de conhecer precisamente as infrações que lhe foram imputadas, bem como proceder ao questionamento dos critérios de aplicação das sanções/exigências constantes na peça de acusação, assim como pela negativa à juntada de documentos apresentados pelas autuadas depois da impugnação. Também requerem a anulação da decisão da DRJ/Florianópolis, por alteração na fundamentação jurídica do auto de infração, falta de apreciação de matéria impugnada e negativa à juntada de documentos depois da apresentação da impugnação. No mérito, em linhas gerais, advogam que, “a despeito da legislação aduaneira em vigor, e de diversas soluções de consulta da própria administração tributária (Atos Cosit 14 e 15, ambos de 1997)”, a fiscalização entendeu que os valores correspondentes aos serviços prestados pela PEUGEOTCITRÕEN às concessionárias deveriam integrar a base de cálculo do II e do IPI na importação. Que “o artigo aplicável à formação da base de cálculo é o art. 1°, § 1° do AVA, inexistindo provas ou argumentos jurídicos que afastem a sua aplicação”. Que os incisos 1.c e 1.d do artigo 8º do AVA foram concebidos pelo legislador como instrumento de regularização do valor aduaneiro quando o preço da mercadoria não refletir corretamente a operação, ou seja, quando o valor não for "aceitável", numa expressão utilizada pelo art. 1°, II, do Acordo GATT. Em outras palavras, procedese ao ajuste quando “o preço for subfaturado”. Em exame preliminar das informações presentes nos autos, entendeuse necessário retorno do processo à unidade para prestação de informações adicionais. Foram solicitados os seguintes esclarecimentos. 1 – Indicar os documentos presentes no processo que permitem concluir de forma definitiva que “as cobranças eram diretamente ligadas à diferença entre o valor de um financiamento de venda concedido às concessionárias e o valor faturado pela COIMEX”? 2 – De que forma a inexistência de rateio dos valores dos serviços cobrados pela Peugeot às distribuidoras corrobora o entendimento da fiscalização; 3 – Identificar os documentos presentes no processo que confirmam “que o valor do financiamento assumido pela Peugeot do Brasil perante a Peugeot da França e repassado ás concessionárias e o somatório do valor faturado pela Coimex mais o cobrado nas Notas de Serviço”; 4 – Da mesma forma, indicar no processo a comprovação de que o valor acima referido era repassado via assunção de dívida; 5 – Identificar nas notas fiscais de serviço e nos registros contábeis juntados pela fiscalização ao volume I do processo a comprovação do ilícito tributário, demonstrando, se possível, valores lançados nas notas fiscais de serviço cujo cálculo tenha sido realizado com base na diferença de preço entre o valor faturado pela Coimex e o valor do total do bem; Fl. 5272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 191 7 Atendida a solicitação de diligência, o processo retorna a este Conselho para decisão final. As duas Embargantes sustentam a oposição à execução do Acórdão nas mesmas alegações, dirigidas à omissão do Acórdão em relação às alíquotas aplicadas, que podem ser resumidas nos excertos a seguir reproduzidos extraídos das duas peças recursais. De inicio, importa destacar que o lançamento fiscal é ato que compete privativamente à autoridade administrativa, que resulta de procedimento com o escopo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, bem como identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível, nos termos do art. 142, caput, do CTN. (...) Cumpre acrescentar que o II é calculado a partir da aplicação das alíquotas previstas na Tarifa Aduaneira, sobre a base de cálculo prevista em lei, conforme dispõe o art. 22 do DecretoLeí 37/66. Todavia, no auto de infração em litígio, o Fisco exige o referido imposto com base em apuração mensal somente. Ou seja, a fiscalização não elaborou nenhuma tabela ou planilha para individualizar as alíquotas incidentes sobre os veículos em análise. Por conseguinte, não demonstrou com exatidão a matéria tributável e não constituiu devidamente o crédito tributário. (...) Nesse particular, também quando ao IPI, o auto de infração trouxe somente apuração mensal do crédito tributário exigido. Assim como no caso do II, explicado anteriormente, a fiscalização não elaborou nenhuma tabela ou planilha para individualizar as alíquotas incidentes sobre os veículos em análise. Por conseguinte, não demonstrou com exatidão a matéria tributável e não constituiu devidamente o crédito tributário. Não é demais frisar que as alíquotas do IPI também variam conforme o produto, principalmente porque o imposto é seletivo em função da essencialidade do produto. Assim, o cálculo do IPI se dá mediante a aplicação das alíquotas, constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, sobre a base de cálculo prevista em lei, conforme dispõe o art. 13 da Lei n°. 4.502/64. É o Relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos Embargos de Declaração. Liminarmente, se faz necessário reconhecer que, de fato, o Acórdão embargado foi omisso a respeito à utilização, pela Fiscalização Federal, de alíquotas obtidas pela média ponderada calculada com base nos modelos de veículos importados a cada mês. E não se trata de uma linha de argumentação ou simples aspecto acerca de um mesmo assunto, mas de uma questão autônoma que exige decisão expressa a respeito, razão pela qual os presentes Embargos devem ser acolhidos e julgados no mérito. Fl. 5273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 192 8 Às folhas 119 do Processo, a Fiscalização Federal explica os critérios utilizados para apuração do valor do crédito tributário devido, nos seguintes termos. 1) Os valores de serviço faturados como "Assessoria na Importação de Veículos" foram apurados em diligência fiscal realizada na empresa " PEUGEOT DO BRASIL". 2) O valor total dos serviços foi considerado como ajuste. 3) Para o cálculo das alíquotas do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, foi considerada a média ponderada dos veículos importados no mês do faturamento do serviço. 4) A relação com totais de veículos importados, discriminados por modelo/origem dos veículos, foi fornecida pela COIMEX (devidamente intimada). 5) Para cada mês, apurouse então pela quantidade de veículos importados, as alíquotas médias obtidas por ponderação, pois existem veículos com alíquotas variando de 0% a 70%. 6) O resultado está explicitado em quadro que contém o valor total de serviço como valor tributável e as alíquotas médias ponderadas obtidas pelo cálculo explicadas acima. Seguemse, às folhas 120 e 121, as Planilhas contendo informações sobre o valor das operações mensais a cada ano e as alíquotas consideradas. Por seu turno, no corpo Voto condutor da decisão a quo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento explica seu entendimento a respeito do assunto. (...) Pois bem, a importadora deveria haver individualizado esses acréscimos por veículo destinado a cada revendedora, ou, alternativamente, apresentado um valor estimado aceitável (pelos princípios contábeis) para aplicação a cada importação dos veículos em tela. Não havendo tomado essa providência, não restou à fiscalização outra alternativa que distribuir ponderadamente entre as importações o somatório dos valores constantes das Notas Fiscais de Serviços apresentadas entre os documentos de fls. 220 a 378, aplicando as alíquotas do II e IPI declaradas pela peticionária em cada importação. Embora posteriormente à ocorrência dos fatos, o tipo de procedimento a adotar, para que houvesse uniformização, foi consignado em legislação infraAcordo GATT, no art. 13 da IN/SRF n2 16 (que estabeleceu normas e procedimentos para o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada) publicada no DOU de 17/02/1998, pág. 20 produzindo efeitos a partir de 02 de março de 1998, verbis: Art. 13. Quando o valor aduaneiro não puder ser determinado no momento do despacho aduaneiro porque o preço definitivo a pagar ou as informações necessárias à utilização do método do valor de transação dependem de fatores a serem implementados após a importação, devidamente comprovado o importador deverá informar a situação no campo Informações Complementares da declaração de importação e declarar um valor estimado que deverá ser retificado, se for o caso, Fl. 5274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 193 9 no prazo de noventa dias, contado da data do registro da declaração, de acordo com o valor efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada. § I° O pagamento da diferença dos impostos devida em razão dessa retificação será efetuado com os acréscimos legais previstos para recolhimento espontâneo. § 2° A diferença de impostos devida, apurada pela autoridade aduaneira após o decurso do prazo a que se refere o parágrafo anterior, sujeitase às penalidades previstas na legislação. É certo que tendo os fatos ocorridos anteriormente a eficácia dessa IN/SRF 16/1998, se a autuada tivesse apresentado referidas retificações de valor em prazo maior que noventa dias e houvesse informado a ocorrência, por exemplo, por documento declaratório, haveria que se considerar correto o seu procedimento. É óbvio, entretanto, que mesmo quando não havia norma procedimental específica havia que se efetuar o pagamento mediante o emprego da norma genérica, devido ao comando dos arts.1 e e, I, "d" do Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Código de Valoração Aduaneira) e seu Protocolo Adicional, devidamente promulgado pelo Decreto n" 92.930, de 16/07/1986. A peticionária teria que ter acrescentado, nas importações de veículos marca PEUGEOT que procedeu, os valores cobrados das revendedoras a título de assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca Peugeot no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de: pós venda. Resumindo: 1 A fiscalização dispunha da somatória dos valores de importação do veículos PEUGEOT de 30/06/1993 a 30/12/1996 (fls. 09/10). Tinha, também, o total dos valores cobrados das revendedoras a título de assessoria na importação e na distribuição de veículos e representação da marca Peugeot no Brasil, compreendendo propaganda e marketing institucional, programação, planejamento, administração, logística, consultoria técnica e de pósvenda, nesse período (notas fiscais entre os documentos de fls. 220 a 378). 2 O Acordo GATT, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986, em seu artigo 8º 1, "d" determina que esses valores devem ser acrescidos na composição do valor aduaneiro, base de cálculo do II e em decorrência do IPI vinculado à importação. 3 A autuada não procedeu esses acréscimos (não obstante estar obrigada), nem apresentou documentos que permitissem a exata locação (por DI ou por veículo) de tais valores, haja vista sua relutância em agregálos ao valor aduaneiro, mesmo em face à determinação do Acordo GATT. Limitase, ainda, a protestar pela ausência de memoriais de cálculo, sem apresentar, por sua vez, nenhum tipo de documento similar ou prova da inadequação dos ajustes efetuados pela fiscalização. 4 Portanto, improcedente a alegação de cerceamento do direito de defesa sob a objeção de que a fiscalização não apresentou planilhas detalhadas para que a autuada pudesse compreender a distribuição ponderada procedida pela fiscalização. A autuada reconhece em sua impugnação à fl. 419 que os valores foram obtidos por ponderação conforme método descrito pelos agentes, mas não apresentou, por sua vez, nenhum demonstrativo que levasse a valores divergentes. Fl. 5275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 194 10 É fato que a ponderação na distribuição de valores pode levar a inexatidões, mas a culpa de a fiscalização haver aplicado tal método, perfeitamente viável dentro dos princípios da contabilidade, é da própria peticionária que nas importações não apresentou discriminadamente a alocação desses valores, nem procedeu a qualquer estimativa. Ademais, na ponderação, o excesso cobrado em uma Declaração de Importação é compensado pela falta, em outra, o que toma aceitável o valor final encontrado. Em sede de Recurso Voluntário, a empresa Cia Coimex Importadora e Exportadora assim manifestouse acerca desse assunto específico. II a (ii) Da Aplicação de Alíquotas por Ponderação Outro aspecto que deve ser levantado preliminarmente, por inviabilizar todos os pontos de direito abaixo aduzidos, é a aplicação de alíquotas, pela D. Fiscalização, por ponderação, sem sequer demonstrar o porque da utilização deste método, e também sem sequer discriminar valores que lhe levaram a tal conclusão, o que foi mantido na r. decisão ora recorrida. Como dito acima, tendo a Fiscalização rechaçado as informações da Recorrente, o que lhe causou cerceamento de defesa, não pode precisar, com a clareza que uma imputação de exigência fiscal necessita, quais foram os meios utilizados para se chegar à razão da alíquota aplicada. Ora Conselheiros, tal aplicação de alíquotas pode estar incorreta, gerando confisco ou até mesmo excesso de exação, pelo simples fato de que não possibilitou que a Recorrente prestasse as informações pertinentes ao caso, não tendo sido, sequer, demonstrados os critérios utilizados para a ponderação, o que afronta a legalidade tributária, haja vista que a Recorrente não sabe o que lhe está sendo cobrado, e o porquê disso lhe estar sendo cobrado, pois o método aplicado não traz em si a transparência necessária à demonstração da correção dos valores exigidos, visto que os números sobre os quais foi aplicada a função matemática, não foram apresentados de forma a possibilitar um questionamento plausível por parte da lmpugnante. Não há nos autos qualquer planilhamento, memória de cálculo ou outro elemento que possibilitasse à Recorrente saber e compreender como a Fiscalização encontrou as alíquotas de II e IPI indicadas no Auto de Infração, bem como mantidas pela r. decisão ora recorrida que acabou, por absurdo, imputando a culpa pela falta de apresentação de valores à Recorrente, mesmo havendo a necessidade legalmente prevista: (...) Ora, nada mais impossível, injusto e ilegal do que a fundamentação constante da r. decisão recorrida neste sentido, haja vista que a única pessoa jurídica que poderia discriminar os valores, como o fez, é a PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda., pois a Recorrente não tem conhecimento se que existe ou não uma assessoria e caso afirmativo qual é o valor dessa referida prestação de serviço de assessoria, motivo pelo qual não poderia, em momento algum, discriminar, como pretenderam culparlhe os Julgadores de primeiro grau, os valores que supostamente deveriam ser agregados ao valor da transação realizada pela Recorrente, como composição para a Valoração Aduaneira, e mais, alocálos para compor tal Valoração. Conselheiros, não há que se cogitar em alocação dos referidos valores, haja vista que derivam de operações distintas, não havendo qualquer relação entre o Fl. 5276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 195 11 serviço prestado pela PEUGEOT do Brasil Automóveis Ltda., com o preço pago pela mercadoria importada pela Recorrente. Sendo assim, requerse seja acolhida mais esta preliminar, que corrobora com o cerceamento de defesa, pois, além de macular por completo os lançamentos praticados, dificulta a apresentação de defesa, impugnações ou contestações em face do critério adotado. Já a empresa PeugeotCitrõen do Brasil Automóveis Ltda deixou de apresentar qualquer protesto dirigido especificamente à utilização do método escolhido pelo Fisco para apuração da base de cálculo e alíquotas no Recurso Voluntário interposto. Isto posto, de grande relevo observar que, do inteiro teor das contestações dirigidas à matéria cuja omissão do Acórdão deu azo à interposições dos vertentes Embargos de Declaração, revelase conteúdo de natureza preponderantemente preliminar. Como acima se lê, a irresignação da Cia Coimex Importadora e Exportadora em relação à utilização de alíquotas ponderadas está vinculada à ausência de qualquer planilhamento, memória de cálculo ou outro elemento que possibilitasse à Recorrente saber e compreender como a Fiscalização encontrou as alíquotas de II e IPI indicadas no Auto de Infração, do que considerou ter ocorrido preterição ao direito de defesa. Vêse assim, que poderseia dizer que o conteúdo dos protestos consignados nestes Embargos de Declaração desbordam um tanto do que se discutia na época do julgamento da lide, já que aqui pouco ou nada se disse acerca da nulidade do lançamento, por preterição ao direito de defesa. Em lugar disso, as Embargantes preferiram tratar a questão segundo uma abordagem de mérito, sob alegação de que não foi demonstrada com exatidão a matéria tributável e não constituiu devidamente o crédito tributário. Ainda assim, considerando a menção presente no último parágrafo do excerto extraído do Recurso Voluntário da Cia Coimex, na qual, como acima se viu, é mencionado o fato de que o critério adotado pelo Fisco macula por completo os lançamentos praticados; para que não se avente mais uma vez a ocorrência de restrições à defesa, abordo a seguir a ocorrência sobre a qual me omiti, sob os dois primas, tanto em relação à ausência e adequada demonstração dos critérios e consequente prejuízo à defesa, quanto à possibilidade de que a Fiscalização tenha incorrido em vício material (ou formal, para os que assim entendem) na constituição do crédito tributário exigido, pela inobservância das disposições normativas que regulam o procedimento fiscal de constituição do crédito tributário. Inicio pela preliminar de nulidade, por preterição ao direito de defesa. Como sobredito, nas folhas 119 a 121 do Processo, a Fiscalização esclarece os critérios utilizados na apuração da base de cálculo e na definição da alíquota aplicada. Uma vez que as alíquotas aplicáveis às importações apresentassem uma variação de 0% a 70%, em função do modelo de veículo importado, "para o cálculo das alíquotas (...) foi considerada a média ponderada dos veículos importados no mês do faturamento do serviço, calculada com base em uma relação com totais de veículos importados, discriminados por modelo/origem". "O resultado está explicitado em quadro que contém o valor total de serviço como valor tributável e as alíquotas médias ponderadas obtidas pelo cálculo explicadas acima". Esse é o quadro que consta à folha 121 do Processo, no qual apresentamse, mês a mês, para cada ano, o valor total dos serviços prestados, montante apurado a partir das Fl. 5277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 196 12 informações obtidas "em diligência fiscal realizada na empresa 'PEUGEOT DO BRASIL'", e a alíquota aplicada, calculada, como acima se disse, com base "na relação (...) de veículos importados, discriminados por modelo/origem", relação essa "fornecida pela COIMEX". Logo após essas duas planilhas, instrui o Auto de Infração diversas assentamentos contábeis e notas fiscais de serviço das quais foram extraídas as informações nelas compiladas. Não percebo o que pudesse ter representado algum tipo de dificuldade na compreensão dos dados acima. Se acaso o valor total dos serviços prestados não correspondesse à realidade ou as quantidades de veículos importados por modelo fosse diferente ou de seu cálculo resultasse uma alíquota distinta daquela utilizada pela Fiscalização Federal, isso haveria de ter sido demonstrado pela defesa, pela singela apresentação de dados concretos e não de forma genérica e evasiva. Descarto, assim, a possibilidade de que o Auto de Infração seja declarado nulo por cerceamento do direito de defesa. Passo a questão do mérito a respeito do assunto. No Voto condutor da decisão embargada, este Relator procurou deixar claro as razões porque convenceuse de que os valores exigidos às concessionárias, expressos nas notas fiscais de serviço emitidas pela Peugeot Brasil Automóveis Ltda contra as concessionárias, constituemse em amortização de um financiamento a elas concedido, integrando o valor total dos veículos importados, nos seguintes termos (os grifos não estão no Voto). (...) À folha 250 do processo encontrase a Nota Fiscal de Serviços nº 519, emitida pela Peugeot do Brasil Automóveis Ltda contra Maison Comércio de Veículos Ltda, no valor total de R$ 105.544,20. À folha 251 e 252 está o Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação, emitido pela Peugeot para a concessionária Maison Comércio de Veículos Ltda. Ao final da coluna “NS R$” identificase a mesma quantia de R$ 105.544,20, valor que corresponde à soma dos lançamentos por modelo de veículo e por nota fiscal. Esses elementos permitem concluir que, seja qual for a natureza do valor cobrado na Nota Fiscal nº 519, não há razão para duvidar que ele é composto pela soma de valores individualizados por veículo vendido pela Concessionária, conforme assevera a Fiscalização. Contudo, até este ponto não vejo porque tais valores não pudessem corresponder, como defende a autuada, a valores por serviços prestados às concessionárias no assessoramento de venda dos produtos importados. Afinal, embora seja de todo razoável o entendimento manifesto pela Fiscalização Federal na resposta ao segundo questionamento de que “a base de cálculo” para a cobrança pelos serviços prestados “deveria ser a distribuição dessa despesa, que seria rateada e distribuída entre as concessionárias (...), entendo que não se poderia, a priori, e sem um exame acurado do negócio, recusar a hipótese de que as partes tenham avençado cobrança com base no quantitativo de veículos negociados, ainda que tal critério possa parecer impróprio ou mesmo inusual. A recorrente, inclusive, manifestouse à folha 636 do processo neste sentido, se não vejamos. Fl. 5278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 197 13 A Peugeot estima a venda de automóveis durante um certo período (em geral 12 meses) e programa as atividades de apoio às concessionárias (especialmente marketing e treinamento), distribuindo as despesas proporcionalmente a cada veiculo, por este determinado período. Assim sendo, o concessionário sabe, ao comprar um veiculo da Coimex, que arcará com despesas, proporcionalmente alocadas a cada veiculo, num valor conhecido. De se destacar que a recorrente, ao longo de sua intitulada Manifestação à Diligência Fiscal, não logrou esclarecer o critério adotado para quantificação dos valores cobrados de cada concessionária. Restringiuse a contestar os apontamentos da Fiscalização, a não ser pelas breves considerações a seguir reproduzidas. Da leitura do trecho acima destacado, concluise que o agente fiscal parte da premissa que a Peugeot vendia carros acobertados por Notas Fiscais da COIMEX. Tal informação vai de encontro à realidade dos fatos, senão vejamos. Em um primeiro momento, a COIMEX vendia os carros às concessionárias, para que estas revendessem diretamente aos consumidores finais, os referidos veículos, o que, de fato, foi o ocorrido. Em seguida, a Peugeot, simplesmente, assumiu a divida dos concessionários perante A Automobiles Peugeot, Sevel Argentina S/A e AFSA Automotriz Franco Uruguaia. Por outro lado, a Peugeot do Brasil prestava diversos serviços de apoio às concessionárias tudo com o fim de manter um padrão de qualidade da marca, tais como: assessoria na importação de veículos e na distribuição de veículos, divulgação e representação da marca, compreendendo propaganda, marketing institucional, promoção, planejamento administrativo, logístico, consultoria técnica e pósvenda, serviços de despachante de veiculo importado para uso diplomático, dentre outros. Ora, em momento algum a Peugeot do Brasil vendia carros ou remetia para o exterior a receita oriunda dos serviços, até mesmo porque tais serviços foram efetivamente prestados integralmente pela Peugeot do Brasil, de modo a estarem fora do campo de incidência do II e, consequentemente, do IPI. Isso posto, percebese, do exame dos documentos carreados aos autos, alguns aspectos que chamam atenção e merecem ser considerados. Assim é o título sob o qual encontramse os cálculos do valor devido pelas concessionárias à Peugeot, que essa defende tratarse de valor por serviços prestados. Como já amplamente comentado, as planilhas contendo os valores devidos a título de serviços de importação denominamse “Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação”. Por outro lado, a recorrente reconhece que efetivamente teria assumido a dívida das concessionárias perante os exportadores estrangeiros, empresas a ela vinculadas ao afirmar, como acima reproduzido, que “Em seguida, a Peugeot, simplesmente, assumiu a divida dos concessionários perante A Automobiles Peugeot, Sevel Argentina S/A e AFSA Automotriz Franco Uruguaia”, Ora, se de fato (i) houve assunção da dívida das concessionárias por parte da Peugeot perante os exportadores estrangeiros, (ii) há planilhas de cálculo intituladas Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Fl. 5279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 198 14 Conciliação nas quais o valor devido pelas concessionárias à Peugeot é calculado em face da unidade de veículo vendido e integra o cálculo do preço total considerado, (iii) o valor total calculado na planilha equivale ao valor cobrado da concessionária a título de serviços de assessoria na importação, então, não vejo como escapar à interpretação de que os valores indicados nas notas fiscais de serviço estão relacionados ao preço pago pelos veículos e vinculamse a uma dívida das concessionárias perante os exportadores estrangeiros assumida pela Peugeot. São essas as inconsistências que vem sendo apontadas desde o começo pela Fiscalização Federal. Como explicar que planilhas de cálculo do valor devido por serviços prestados (i) estejam vinculadas à unidade de veículos vendidos e não propriamente aos serviços efetivamente prestados, (ii) que tais planilhas, em lugar de denominaremse Demonstrativo de Cálculo dos Serviços Prestados ou qualquer outra designação que referisse os serviços que a recorrente afirma ter efetivamente prestado, foram denominadas Demonstrativo de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação e (iii) em circunstâncias nas quais de fato houve a assunção, pela Peugeot, da dívida das concessionárias com os exportadores estrangeiros? Ademais, em resposta ao quesito número 03, solicitando esclarecimentos quanto à assertiva presente nos autos de que o valor total dos veículos era constituído pelo soma do valor do financiamento assumido pela Peugeot do Brasil perante a Peugeot da França e repassado às concessionárias mais o valor faturado pela Coimex, a Fiscalização traz provas irrefutáveis da existência da dívida das concessionárias perante a Peugeot, vinculada a veículos negociados e não a serviços prestados. Resposta O INSTRUMENTO PARTICULAR DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA, celebrados entre a Peugeot e as distribuidoras, considerado o que foi apresentado como padrão celebrado com a CHAMONIX VEÍCULOS LTDA (fls.143 a 145), identifica claramente que o valor assumido pelas CONCESSIONARIAS é o valor do veiculo, e esse valor corresponde à somatória dos valores cobrados pela COIMEX e aquele cobrado como serviços pela PEUGEOT: "2. A PEUGEOT DO BRASIL tem dividas contraídas em moeda estrangeira junto a diversas empresas, tais como AUTOMOBILES PEUGEOT, SEVEL ARGENTINA S/A e AFSA AUTOMOTRIZ FRANCO URUGUAIA S/A, decorrentes da importação de veículos da marca PEUGEOT, suas peças e acessórios correlatos vendidos ao distribuidor e aos demais integrantes de sua rede de distribuição de veículos no Pais;" "3. As partes, contrariamente ao disposto no Art. 4 item 6 da DISTRIBUIÇÃO acordaram que o preço dos veículos seria pago a vista, mediante a assunção de parte da divida da PEUGEOT DO BRASIL pelo DISTRIBUIDOR;" "RESOLVEM celebrar o presente contrato de Assunção de Divida e outros pactos que será regido pelas seguintes clausulas e condições:" 1. Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I o DISTRIBUIDOR assume, cumulativamente, a divida da PEUGEOT DO BRASIL descrita e caracterizada no anexo II num montante de US$ 32.551,00 equivalente a R$ 32.420,80 em 21/05/1996." 3.1.1. No anexo I (fl. 147) seguem descritos os veículos negociados, conforme o pedido da DISTRIBUIDORA (N. IFF — 96/06449) já no anexo II (fl. 145) está Fl. 5280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 199 15 registrado o valor da ASSUNÇÃO — US$ 32.551.00, correspondente à somatória do valor dos veículos negociados. Na página 147 do processo, no anexo I ao Instrumento Particular de Assunção de Dívida contrato 03051/412616, assinado por Chamonix Veículos Ltda e Peugeot do Brasil Veículos Ltda, especificamse os valores de 17.087,00 e 15.464,00, respectivamente para veículos PICK UP GRD e PICK UP GD. Esses valores estão estipulados também no corpo do contrato. Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I o DISTRIBUIDOR assume, cumulativamente, a divida da PEUGEOT do BRASIL descrita e caracterizada no Anexo II num montante de US$ 32.551,00 equivalente a R$ 32.420,00 em 21/05/96. 2. O DISTRIBUIDOR se obriga a liquidar a dívida ora assumida mediante o pagamento à PEUGEOT DO BRASIL das seguintes parcelas: . 001) US$ 17, 087.00, até 05/07/96 Chassi SA4D3700055195890 002) US$ 15,464.00, até 05/07/96 Chassi SA4D3700055203667 Entre as folhas 195 a 219 do processo, a Fiscalização Aduaneira apresenta extratos de alguns Demonstrativos de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação para diferentes Concessionárias. Repetidas vezes os veículos acima descritos, PICK UP GRD e PICK UP GD, encontramse listados. O valor exato de 15.464,00 para o veículo PICK UP GD é identificado no Demonstrativo da Le Lac Veículos (folhas 195 a 210) por mais de dez vezes. Outras tantas em valor próximo, como às folhas 196, extrato correspondente à Concessionária Ravel Veículos e Peças Ltda, pelo valor de 15.280,16. Esse valor é sempre obtido pela soma dos valores registrados nas colunas intituladas “VALOR RS” e “NS RS”, e o total desta última é lançado pela Peugeot em nota fiscal de serviço, tal como apontou a Fiscalização em relação à Concessionária Maison Comércio de Veículos Ltda, e que também pode ser confirmado à folha 245, Nota Fiscal de Serviços nº 572, emitida pela Peugeot contra a Concelles Veículos Ltda, no valor de 5.832,15, idêntico ao valor da coluna “NS R$” do Demonstrativo de Conciliação da mesma Concessionária às folhas 246. O problema é que, como se viu, o valor total de US$ 15.464,00 corresponde ao valor de aquisição do veículo. É isso o que diz textualmente o contrato acima transcrito Em pagamento da venda dos veículos descritos no Anexo I (...). Ou seja, ainda que se admita a efetiva prestação dos serviços de assessoria na importação, o fato é que o valor total do veículo previamente estipulado indiscutivelmente inclui o quantum que é lançado nos Demonstrativos de Composição do Valor do Contrato de Assunção de Dívida para Conciliação na coluna “NS R$”. Anotese que a própria recorrente confirma que o valor dos serviços integra o preço dos veículos. Abaixo manifestação contida às folhas 635 do processo. Estas despesas eram cobradas com base numa estimativa que combinava projeção de venda de veículos anual, por modelo, com projeção destas despesas de apoio ao concessionário, cujo critério está explicado em resposta ao item 3 abaixo. Em geral, eram parcelas fixas e pré estabelecidas, de tal forma que o concessionário pudesse compor o preço de custo "posto concessionária", inclusive frete e impostos do veiculo, e programar, consequentemente, o valor de venda do mesmo. Fl. 5281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 200 16 Como se vê, tentouse na decisão embarga demonstrar de forma exaustiva a vinculação de determinados valores cobrados a título de serviços prestados pela Peugeot do Brasil às concessionárias, com o valor dos automóveis adquiridos e com o financiamento assumido pelas concessionárias e a assunção de dívida correspondente. O problema é que a Fiscalização não dispunha de dados para estabelecer um vínculo confiável entre cada um dos pagamentos por serviços prestados e os diversos veículos que a eles correspondiam. As evidências foram suficientes para comprovação do fato, mas não para individualização dos valores a ponto de que fosse possível distribuir o preço cobrado em cada nota fiscal por cada um dos inúmeros veículos importados. Nestas circunstâncias, quando impossível determinar com precisão a matéria tributável, não é nova a posição deste Relator de que cabe ao Fisco utilizar de critérios razoáveis para suprir tal deficiência1. Não fosse assim e seria de se admitir que o embaraço decorrente confusão identificada terminasse por subtrair do agente fazendário a condição de formular e expressar a exigência em quantia certa, restando o próprio infrator beneficiado pela situação caótica que, frequentemente, é por ele próprio armada. De mais a mais, se não me falha a compreensão lógicomatemática desse critério, o resultado haveria de ser o mesmo. A esse respeito houve, inclusive, manifestação da Fiscalização autuante quando provocada pela diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A seguir, a pergunta da DRJ e a resposta dos Auditores Fiscais responsáveis pelo procedimento. d) ESCLAREÇAM os motivos por que apuraram os tributos mediante a aplicação de uma "alíquota média" sobre os valores mensais da receita de serviços da PEUGEOT DO BRASIL AUTOMÓVEIS L1DA, ao invés de aplicar a alíquota própria de cada modelo de veículo sobre o valor do serviço correspondente, PRONUNCIANDOSE, inclusive, a respeito das alegações feitas pela CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX (fl. 419), abaixo transcritas: (...) D — Os tributos foram apurados pela média, porque se aplicássemos a alíquota do IPI para cada importação e depois efetuássemos a soma, teríamos o mesmo valor se usássemos a média. A média é neutra e as impugnantes não demostram (sic) o contrário. Com efeito, é possível fazer uma demonstração matemática do assunto. Observese: Se se adquire um item pelo valor de R$ 100,00, cuja alíquota é 10%, e dois itens no valor de R$ 20,00, com alíquota de 50%, o valor do imposto a pagar é R$ 30,00. Se para esses R$ 140,00 gastos for aplicada a alíquota calculada pela média ponderada, no percentual de 21,4286%, o resulta será igualmente de R$ 30,00. Com base nessas premissas, VOTO pelo acolhimento dos Embargos de Declaração interpostos pela Cia Importadora e Exportadora Coimex, para darlhes parcial 1 Assim me posicionei no autos do Processo nº 10508.001143/200766, Acórdão 3102001.766, de 26 de fevereiro de 2013. Fl. 5282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.000725/9733 Acórdão n.º 3102002.315 S3C1T2 Fl. 201 17 provimento, rerratificando o Acórdão embargado, fazendose acrescentar em seus fundamentos as considerações acima aduzidas. Sala das Sessões, 12 de novembro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 5283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001125/2002-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 20/02/1999, 28/02/1999, 10/03/1999/
MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Art. 90 da MP nº 2.158-35/200. Débitos declarados em DCTF. Princípio da razoabilidade. Exclusão da multa de ofício.
COMPENSAÇÃO - Não sendo reconhecido crédito no processo principal de compensação, há de ser mantido o correspondente débito informado em DCTF.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Maria Teresa Martinez López - Relatora.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 04/04/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA POSSAS, JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, PAULO GUILHERME DÉROULÈDE E ANDRÉA MEDRADO DARZÉ.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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INAPLICABILIDADE. Art. 90 da MP nº 2.158 35/200. Débitos declarados em DCTF. Princípio da razoabilidade. Exclusão da multa de ofício. COMPENSAÇÃO Não sendo reconhecido crédito no processo principal de compensação, há de ser mantido o correspondente débito informado em DCTF. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Maria Teresa Martinez López Relatora. NOME DO REDATOR Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 11 25 /2 00 2- 04 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 2 EDITADO EM: 04/04/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros RODRIGO DA COSTA POSSAS, JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS, ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, PAULO GUILHERME DÉROULÈDE E ANDRÉA MEDRADO DARZÉ. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigência de IPI, que deixou de ser recolhido em função de compensações não homologadas, intentadas com crédito relativo a pedido de restituição de pagamento indevido do mesmo imposto. O lançamento foi efetuado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, tendo em vista que o pedido de restituição, objeto do Processo nº 13826.000460/9826, foi indeferido, tanto pela DRF quanto pela DRJ, principalmente por ter sido apresentado após o transcurso de cinco anos da data dos pagamentos ditos indevidos. Irresignada a empresa impugnou o lançamento, alegando que o seu pedido de restituição/compensação, embora indeferido pela SRF, aguarda julgamento no Conselho de Contribuintes. Quanto ao prazo de decadência para pedir a restituição, entende ser de dez anos, no caso dos tributos lançados por homologação, e que o seu direito à restituição, relativo à alíquota incidente sobre o açúcar que produzia, que seria zero e não 18%, independeria da eficácia na IN SRF n° 67/98. Por fim, requereu o cancelamento do lançamento, na certeza de que o recurso voluntário apresentado no processo relativo ao pedido de restituição será provido. A DRJ em Ribeirão Preto SP julgou o lançamento procedente, asseverando que a nãohomologação das compensações efetuadas pelo sujeito passivo autoriza a exigência do imposto não recolhido e os consectários legais, por meio do lançamento de ofício. A decisão teve como principal esteio a manutenção da decisão recorrida pelo Conselho de Contribuintes, no processo relativo ao pedido de restituição/compensação, conforme Acórdão nº. 20215.139, proferido por esta segunda Câmara em 14/10/2003. Nela foi reafirmado, também, que o crédito objeto do pedido de restituição estava, de fato, decaído, no momento da apresentação do pedido, nos termos do Ato Declaratório SRF ns 096/99. No recurso voluntário a empresa reitera seus argumentos de defesa, enfatizando que o seu pedido de restituição, tratado no Processo nº 13826.000460/9826, ainda encontrase pendente de decisão em última instância. Assim, a decisão recorrida merece ser reformada para que seja determinado o sobrestamento do presente feito até que a decisão proferida naqueles autos se torne definitiva. Neste ponto informa que ingressou com recurso especial contra o não provimento do seu recurso no processo relativo ao pedido de restituição, que foi admitido e encontrase no aguardo de julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13830.001125/200204 Acórdão n.º 3301001.789 S3C3T1 Fl. 213 3 Segundo a recorrente, o crédito tributário objeto deste processo não pode ser exigido enquanto não se tornar definitiva a decisão a ser proferida pela CSRF no processo relativo ao pedido de restituição. Quanto à decadência do direito à compensação, defende que o termo a quo do prazo seja a data em que tomou ciência da Consulta nº 13826.000084/9814 ou da edição da IN SRF n. 67/98, estendendose bastante na defesa deste argumento. O processo entrou em julgamento mas foi convertido em Diligência (Resolução n° 20201.070) para que se aguarde o desfecho do Processo nº. 13826.000460/98 26. Retornam os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora Este apelo entrou em julgamento anterior, quando a Câmara do então Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em Diligência para que se aguardasse o resultado do Processo administrativo nº. 13826.000460/9826. Tratase de auto de infração lavrado para exigência de IPI, no período de 20/02/1999, 28/02/1999 e 10/03/1999, que deixou de ser recolhido em função de compensações não homologadas, intentadas com crédito relativo a pedido de restituição de pagamento indevido do mesmo imposto. Retornam os autos com a informação de que o contribuinte não foi vitorioso no processo principal de solicitação de compensação, principalmente porque apresentado após o transcurso de cinco anos da data dos pagamentos ditos indevidos, tese vigente á época do julgamento daquele feito fiscal. Portanto, devido o crédito de IPI apurado pela fiscalização, não cabendo a esta E. Câmara a rediscussão (preclusão) de matéria já analisada em outro processo administrativo. Resta, no entanto, analisar a multa imposta neste processo administrativo ( auto de infração), eis que o débito encontrase declarado em DCTF. MULTA DE OFÍCIO O lançamento de IPI foi efetuado com base no art. 90 da MP nº. 2.158 35/2001. Consta da fundamentação do auto de infração: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS 4 Diante do exposto e em conformidade com o previsto art. 90 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, estão sendo objeto de lançamento de ofício os valores declarados cujos créditos vinculado não foram reconhecidos pela Receita Federal, conforme /demonstrativo de folhas 7 e 8 . Juntamos às fls 24/26 cópias das DCTF onde estão consignados os valores que estão sendo objeto de lançamento de ofício. (...) MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 01/01/1997 75,00% Art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. O artigo 45 da Lei nº 9430/96 foi revogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Apenas, se fosse o caso, no entendes desta Conselheira, seria cabível multa isolada na hipótese do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 “em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 19641”. Débito declarado, não é possível a exigência de multa de ofício de 75%, conforme temse posicionado a doutrina. Não é razoável a aplicação de multa de ofício quando o contribuinte espontaneamente informa o débito (lançamento por homologação – art. 150 do CTN). O princípio da razoabilidade foi, inclusive, inserido na lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 2º, que regula o processo administrativo fiscal federal. Nesse sentido: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade (...). No mais, existindo dúvida quanto à aplicação da multa, por deficiência do texto legal que trata da matéria, devese adotar o princípio da interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112 do CTN). Confirase: "Art. 112 (CTN). A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; 1 “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13830.001125/200204 Acórdão n.º 3301001.789 S3C3T1 Fl. 214 5 II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. " CONCLUSÃO Ante o todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário de forma a cancelar a multa de ofício imposta, em face de estarem os débitos declarados em DCTF. Maria Teresa Martinez López Relatora Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 04/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10675.721889/2011-44
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 01/01/2010
BASES DE CÁLCULO APURADAS EM GFIP. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ERRO NA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DOS VALORES APURADOS PELO FISCO. UTILIZAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DE CRÉDITOS INEXISTENTES PARA REDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. VALORES GLOSADOS. CONTRIBUINTE QUE SE DECLAROU EMPRESA DO SIMPLES EM CERTAS COMPETÊNCIAS SEM O SER. REDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. NECESSIDADE DE REPARAÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. OBRIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente EXPRESSO CIDADE DE ARAGUARI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 01/01/2010 BASES DE CÁLCULO APURADAS EM GFIP. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE ERRO NA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DOS VALORES APURADOS PELO FISCO. UTILIZAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DE CRÉDITOS INEXISTENTES PARA REDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. VALORES GLOSADOS. CONTRIBUINTE QUE SE DECLAROU EMPRESA DO SIMPLES EM CERTAS COMPETÊNCIAS SEM O SER. REDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. NECESSIDADE DE REPARAÇÃO. LANÇAMENTO FISCAL. OBRIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 18 89 /2 01 1- 44 Fl. 2684DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.685 2 Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2685DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.686 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.345.7006, que objetiva o lançamento das contribuições decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, relativamente as contribuições devidas a terceiros outras entidades e fundos, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 38 a 40, com período de apuração de 07/2007 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 33 e 34. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 10/11/2010, conforme – AR, de fls. 02. O crédito constante do presente PAF foi objeto de desmembramento, conforme TEDE – Termo de Desmembramento, de fls. 02, DADD – Discriminativo Analítico de Débito Desmembrado, de fls. 2.648 a 2.654 e pelo TETRA – Termo de Transferência, de fls. 2.655. O contribuinte apresentou sua defesa, em 10/12/2010, as fls. 48 a 60, acompanhada dos documentos, de fls. 61 a 1.617. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 1.618 e 1.620. A DRJ/JFA baixou os autos em diligência, fls. 1.621. Por sua vez o órgão local emitiu a Informação Fiscal, de fls. 1.622 a 1.624, acompanhada das planilhas, de fls. 1.625 a 1.631. O contribuinte foi cientificado da diligência e da IF, fls. 1.634 e 1635. A impugnante manifestouse quanto à diligência, as fls. 1.636 a 1.637. A empresa impugnante foi cientificada do desmembramento, as fls. 2.656 e 2.657. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0938.438 5ª, Turma DRJ/JFA, em 21/12/2011, fls. 2.660 a 2.666. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 06/05/2013, conforme Termo de Ciência, as fls. 2.667. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 2.671 a 2.675, recebido, em 24/05/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 2.671, acompanhado dos documentos, de fls. 2.677 a 2.679. Mérito. Fl. 2686DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.687 4 · que o Estado não pode exigir valores acima do efetivamente devido; · que sejam considerados os RPA’s apresentados junto à defesa, pois demonstram que a apuração fiscal levou em consideração base maior que a real, pois a sua não análise acarreta cerceamento de defesa e nulidade do processo administrativo; · que o fisco está exigindo para as competências de 11/2008 em diante valor de R$ 16.522,56 acima do devido, não sendo esse objeto de análise pela DRJ, não refutando o fisco os valores apresentados na impugnação de primeiro grau, o que os tornam incontestáveis; · que o contribuinte não pode retificar as GFIP’s após o início do procedimento fiscal, assim, a base das informações devem ser os documentos primitivos, uma vez juntados tais documentos deve a fiscalização rever os valores lançados, inexistindo fato gerador; · Por fim a recorrente espera e requer: a) acolhimento do recurso; b) cancelamento do débito fiscal; c) apuração dos reais valores baseados no anexo I apresentado junto à impugnação e pelos demais documentos juntados. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 2.682. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 03, fls. 2.683. É o Relatório. Fl. 2687DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.688 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Toda e qualquer alegação de fato e de direito relativas as competências lançadas nestes autos, até 10/2008, inclusive, em relação ao qualquer fato gerador e a qualquer levantamento constante do presente PAF, não serão apreciada ante a expressa renúncia do sujeito passivo ao contencioso, segundo consta dos termos do parcelamento, abaixo transcrito, bem como do artigo 78, e seus parágrafos, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (destaquei). Desta forma, apenas as competências de 11/2008 até a última que foi lançada no presente auto é que comportará análise. Mérito. No que tange a alegação de erro por parte do fisco na fixação da base de cálculo da contribuição previdenciária não é possível confirmar tal assertiva do contribuinte, pois as folhas de pagamento apresentadas, as fls. 103 a 1.040, são posteriores a fiscalização, uma vez que a fiscalização se desenvolveu no período de 07/06/2010 a 10/11/2010, ou seja, data do recebimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 33, e, data da notificação do lançamento, conforme – AR, de fls. 02, sendo que as folhas juntadas aos autos Fl. 2688DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.689 6 foram emitidas em 22/11/2010, sendo posteriores ao período de desenvolvimento do procedimento fiscal, não sendo as mesmas folhas apresentadas e examinadas pelo agente fiscal não estando essas corroboradas por outros meios de provas, tais como Livro Diário e Razão, GFIP originais e retificadoras, assim a prova da ocorrência de erros no preenchimento da GFIP original, artigo 379, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 147, §1º, da Lei 5.172/66, o que se pretendia fazer no presente caso, não foi feita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTENTE. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (DCTF). PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA INOCORRENTES. EXCESSO DE PENHORA. MATÉRIA AFEITA AOS AUTOS DA PRÓPRIA EXECUÇÃO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR À INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA. CORREÇÃO DO DÉBITO PELA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA INCABÍVEIS. ENCARGO DE 20%. DECRETOLEI Nº 1.025/69. 1. Não prospera a alegação de cerceamento de defesa, haja vista que as questões suscitadas na petição inicial dos embargos podem ser resolvidas analisandose a prova documental já produzida pelas partes, não havendo necessidade de juntada de outros documentos. 2. O crédito tributário declarado, portanto, confessado, e não honrado no seu vencimento, dispensa a necessidade de constituição formal do débito pela Administração Tributária, podendo ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível independentemente de qualquer notificação ao contribuinte. 3. No caso concreto, o débito exequendo referese a valores declarados e não recolhidos a título de Imposto de Renda, cujos fatos geradores ocorreram nos meses de junho/1999 e fevereiro/2001 e cujas DCTF foram enviadas em 13/08/99 (fl. 77) e 08/11/1999 (fl. 101). Ajuizada a execução fiscal em 12/02/2004, portanto dentro do prazo de cinco anos para a cobrança do débito, não há de se falar em prescrição/decadência. 4. Na regra do art. 685, I, do CPC, combinado com o art. 13, § 1º, e o art. 15 da Lei 6.830/1980, o excesso de penhora deve ser impugnado nos próprios autos da execução fiscal, sendo incabível sua arguição em embargos. 5. A retificação da declaração, por iniciativa do próprio contribuinte, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. (art. 147, §1º, do CTN). 6. Hipótese em que a declaração retificadora foi apresentada mais de quatro anos após o recebimento das DCTF que deram origem ao crédito exequendo e, ainda, após o ajuizamento da execução fiscal. 7. O débito executado foi atualizado pela taxa SELIC, cuja constitucionalidade/legalidade é assente na jurisprudência, não ocorrendo a incidência da TR in casu.. 8. Tratandose de execução fiscal da União, há na Certidão de Dívida Ativa a inclusão do encargo de 20% (vinte por cento) previsto no DecretoLei nº 1.025/69, o qual substitui, nos embargos, a condenação do devedor em honorários. 9. Apelações não Fl. 2689DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.690 7 providas. (AC 200438000287910, JUIZ FEDERAL MIGUEL ÂNGELO DE ALVARENGA LOPES, TRF1 6ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:14/11/2013 PAGINA:1462.) EMBARGOS À EXECUÇÃO. EMBARGOS INFRINGENTES. RECOLHIMENTO. CGC DA FILIAL. ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DO DARF. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DA CDA NÃO ILIDIDA. 1A teor do disposto nos arts. 204 do CTN e 3o da LEF, a dívida ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova préconstituída, cabendo ao executado a produção de provas dos vícios que maculam o título executivo. Logo, incumbia à embargante o ônus de comprovar a incompatibilidade substancial entre o recolhimento do PIS pela empresa filial e os documentos de arrecadação anexados, sendo certo que os documentos apresentados não foram capazes de afastar o risco de que se cuidasse de débito fiscal realmente devido pela empresa filial. 2As alegações da apelante não têm o condão de afastar a presunção de liquidez e certeza do crédito da Fazenda Pública, até porque o erro material somente foi mencionado quando os créditos tributários já se encontravam inscritos em dívida ativa. Nos termos do artigo 147, § 1º, do Código Tributário Nacional, a retificação da declaração mediante a comprovação do erro somente pode ser realizada até notificação do lançamento e, conforme se constata dos autos, o erro somente foi alegado após o ajuizamento da execução fiscal, não se mostrando suficiente para ilidir a presunção juris tantum de liquidez e certeza da certidão que embasa a cobrança. 3 Embargos infringentes improvidos. (EIAC 199851010442560, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, TRF2 SEGUNDA SEÇÃO ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::07/12/2012 (todos os destaques são desse acórdão). A proibição de retificação da GFIP ou de qualquer outra declaração é uma determinação legal e o fisco só faz cumprir o que determinado pelo artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 116, III, da Lei 8.112/90. A lei diz que a GFIP é instrumento de confissão de dívida e o Superior Tribunal de Justiça – STJ assim, também, se pronuncia. Art. 32 – da Lei 8.212/91 § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 33 da Lei 8.212/91 § 7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado Fl. 2690DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.691 8 pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). EMEN: TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, DECLARADOS E NÃO PAGOS PELO CONTRIBUINTE. NASCIMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. 1. Os tributos sujeitos ao lançamento por homologação constituem regra tributária na legislação brasileira. Sua forma de apuração, em linhas gerais, se dá a partir da iniciativa do contribuinte que, observando o prazo e forma de recolhimento legalmente previstos, calcula o montante por ele devido e efetua o pagamento, independentemente de ato prévio da autoridade administrativa, a quem a lei outorga o poderdever de fiscalizar a atuação do sujeito passivo, concedendolhe, para tanto, o prazo de cinco anos para aferição da exatidão do pagamento. 2. Conseqüentemente, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o crédito tributário nasce, por força de lei, com o fato gerador, e sua exigibilidade não se condiciona a ato prévio levado a efeito pela autoridade fazendária. 3. Declarado o débito e efetivado o pagamento, ainda que a menor, não se afigura legítima a recusa, pela autoridade fazendária, da expedição de CND antes da apuração prévia do montante a ser recolhido. Isto porque, conforme dispõe a legislação tributária, o valor remanescente, não pago pelo contribuinte, pode ser objeto de apuração mediante lançamento. 4. Diversa é a hipótese como a dos autos em que apresentada declaração ao Fisco, por parte do contribuinte, confessando a existência de débito e não efetuado o correspondente pagamento, interditase legitimamente a expedição de Certidão Negativa de Débito. regularidade, sem prejuízo de apuração de crédito devido a 5. Isto porque a GFIP é instrumento de declaração e confissão de dívida tributária, com obrigação acessória para o contribuinte de apresentálo mensalmente, declarando o valor a ser recolhido, informação esta que vai ser objeto de batimento entre o valor declarado e o recolhido. Feito o batimento, a correspondência configurará indício de menor ou a maior em eventual fiscalização; a verificação de não pagamento ou de pagamento a menor importará em normal inscrição do crédito em Dívida Ativa, como antecedente necessário à cobrança judicial, sem a necessidade de formalização de processo físico de lançamento pelo Fisco Previdenciário. 6. A admissão do Recurso Especial pela alínea "c" exige a comprovação do dissídio na forma prevista pelo RISTJ, com a demonstração das Fl. 2691DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.692 9 circunstâncias que assemelham os casos confrontados, não bastando, para tanto, a simples transcrição das ementas dos paradigmas. 7. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. ..EMEN: (RESP 200400882520, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:28/03/2005 PG:00218 ..DTPB:.) (o destaque é meu). Além do que dito acima, o procedimento realizado pelo contribuinte para elaboração da planilha que ele denominou de ANEXO I, fls. 2.677, e que vem junto ao seu recurso voluntário, não pode ser aceito pelo fisco, pois parte de premissas e conceitos incorretos em sua formulação, violando a lei que rege a matéria, apenas para esclarecer a situação trago duas competências por amostragem como exemplos. Na competência 12/2008, na coluna que ele (contribuinte) nomeou de GPS (RADA) Valor pg Vr. Terceiros consta o valor de R$ 5.676,50. Contudo, o contribuinte não tem esse crédito podese verificar do RDA, de fls. 17, que dois são os créditos considerados DNF – R$ 21.782,73 e GPS – código 2.100 – R$ 1.750,78, o que totaliza RADA, de fls. R$ 23.533,51. Por sua vez, no RADA, de fls. 24, temse Tot. INSS R$ 23.533,51 e Tot. Terc. R$ 0,00. Observase que na competência e no documentos em questão a apropriação foi assim realizada AI 37.309.0463 – item: Empresa – FP2 – R$ 10.610,83; SAT/RAT – FP2 – R$ 1.591,63; C.Ind/Adm/Au – CM2 – R$ 906,00, bem como AI 37.309.0501 – item: Segurados – FP2 – R$ 4.446,21; Contrb Indiv – FP2 – R$ 302,34, o que totaliza para a competência R$ R$ 17.857,01, surgindo um suposta sobra de R$ 5.676,50, verificase que essa valor é justamente o valor que o contribuinte lançou na planilha ANEXO I, fls. 2.677, no entanto esse procedimento encerra dois erros. Primeiro, o fato de o crédito não ter sido todo absorvido nos dois débitos não implica necessariamente a existência de crédito a favor do contribuinte, pois o fisco pode não ter lançado todos os fatos geradores sendo feita fiscalização parcial ou de fato gerador específico. Segundo, o suposto crédito existente é de contribuições sociais previdenciárias, sendo vedada sua compensação com tributos de outros espécies ou não destinados a Seguridade Social, artigo 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 c/c o artigo 31, parágrafo primeiro da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009, o que impede a utilização de suposta sobra de contribuição social previdenciária, que é destinada à Seguridade Social, de ser compensada com contribuições para outras entidade e fundos, pois estas últimas não são da mesma espécie das contribuições sociais previdenciárias e não senda as destinadas aos mesmos sujeitos, o que inviabiliza a compensação. Relativamente, a competência 02/2009, a situação não é muito diferente. O fisco lançou, como base de cálculo para os levantamentos FP2 e CM2, respectivamente, os seguintes valores R$ 50.807,97 e R$ 95.700,01 e o contribuinte na planilha ANEXO I, fls. 2.677, lançou, respectivamente os seguintes valores R$ 50.871,57 e R$ 97.653,00. Ou seja, verificase de plano que as bases de cálculo lançadas pelo fisco são menores que as consideradas pelo contribuinte e assim evidente que o valor encontrado pelo fisco como sendo débito é menor que o valor encontrado pelo contribuinte, o que sem a necessidade de maiores aprofundamentos derruba a tese do contribuinte de utilização de base de cálculo errada, isto é, a maior, pois demonstrado que tal alegação não ocorreu e que não há provas que corroborem as folhas de pagamento apresentadas e que forma emitidas após o fim do procedimento fiscal, como supramencionado. Fl. 2692DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.693 10 Não bastasse isso o agente fiscal lançador, também, esclareceu em razão da diligência efetuada pela DRJ, o que a seguir transcrevo, conforme Informação Fiscal – IF, de fls. 1.622 a 1.624. Como esclarecido pelo agente lançador e pela órgão julgador a quo as bases de cálculo foram extraídas das GFIP’s declaradas pelo contribuinte e esse não provou a existência de erro na declaração e muito menos apresentou GFIP retificadora para o período. Aliás, muito pelo contrário o fisco é quem fez provas de que o contribuinte através da manipulação das informações em GFIP buscou reduzir e diferir a sua contribuição devida. O fisco não está exigindo para a competência 11/2008 em diante valor de débito superior ao devido. Basta ver a planilha ANEXO I, fls. 2.677, apresentada pelo contribuinte em comparação com as informações dos autos e da Planilha Bases de cálculo da Contribuição Previdenciária apuradas em GFIP, fls. 1.625, bem como Planilha comparativa de valores apurados em Notas Fiscais x Valores lançados em GFIP, de fls. 1.626, que acompanham a Informação Fiscal – IF, de fls. 1.622 a 1.624. Verifico na planilha de bases de cálculo que o valor da remuneração do empregados difere em R$ 0,01 entre o contribuinte e o fisco. No que se refere a base de cálculo de contribuintes individuais – sócios – prólabore o contribuinte não as incluiu na sua planilha, mas em GFIP foi declarado o valor de R$ 4.530,00. Mas não é só, segundo informação do agente fiscal na planilha NF x GFIP na competência 01/2009 , a exemplo de outras o contribuinte lançou em GFIP uma retenção no valor de R$ 19.250,00, sendo que só existem notas fiscais que deem suporte a um crédito de retenção de R$ 1.274,24, o que importa em utilização de um crédito inexistente de R$ 17.975,76. O fisco não precisa refutar a planilha do contribuinte, pois o lançamento fiscal tem presunção de veracidade e o contribuinte para modificálo deve obedecer os ditames do artigo 145, I, da Lei 5.172/66, ou seja, deve o contribuinte nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 333, II, da Lei 5.869/73 demonstrar e provar que há falhas no lançamento, o que não se verifica no presente caso. Fl. 2693DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10675.721889/201144 Acórdão n.º 2803003.837 S2TE03 Fl. 2.694 11 No que tange a questão relativa a RFFP a súmula CARF 28 elucida a questão. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Assim com esses esclarecimentos não há motivos para o acatamento das alegações do contribuinte, devendo ser mantida a exação. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, devido a insubsistência das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 2694DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13855.721049/2011-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2009
CONTRATO. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ALÍQUOTA.
Somente as empresas que apuram a contribuição no regime cumulativo ou misto podem se creditar das compras de empresas situadas na Zona Franca de Manaus com as alíquotas de 7,6% (COFINS) e 1,65% (PIS).
NÃO - CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES.
A base de cálculo das contribuições não-cumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações.
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO.
O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições não-cumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS.
Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS.
Não existe amparo legal para a tomada de créditos sobre encargos de amortização de despesas pré-operacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação.
EMPRESAS COMERCIAIS. TAXAS PAGAS ÀS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO.
As taxas pagas às administradoras de cartões de crédito não geram direito a crédito, por constituírem despesa operacional do contribuinte (art. 299, § 1º, do RIR/99).
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento em maior extensão para reconhecer também o direito de crédito sobre a aquisição de insumos e sobre as taxas pagas às operadoras de cartão de crédito. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho que deu provimento em maior extensão para reconhecer também o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo as bonificações em mercadorias. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista votou pelas conclusões quanto à questão da reclassificação do contrato e apresentou declaração de voto. Estiveram presentes ao julgamento a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658, representante do contribuinte, e a Dra. Luciana Ferreira Gomes Silva, Procuradora da Fazenda Nacional.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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PREÇO PREDETERMINADO. REGIME CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Somente permaneceram no regime cumulativo de apuração das contribuições sociais as receitas decorrentes de contrato firmado antes de 31/10/2003, com prazo superior a um ano e a preço predeterminado, não se enquadrando nessa situação os contratos que prevêem reajuste de preço, após essa data, em percentual superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALÍQUOTA. Somente as empresas que apuram a contribuição no regime cumulativo ou misto podem se creditar das compras de empresas situadas na Zona Franca de Manaus com as alíquotas de 7,6% (COFINS) e 1,65% (PIS). NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. A base de cálculo das contribuições nãocumulativas é composta pela totalidade das receitas auferidas pela empresa, independentemente da sua natureza, deduzida de algumas exclusões expressamente relacionadas em lei, entre as quais não se incluem as bonificações. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. TRIBUTAÇÃO. O valor dos juros sobre o capital próprio compõe a base de cálculo das contribuições nãocumulativas e deve ser tributado com alíquota positiva, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 10 49 /2 01 1- 51 Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 2 Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS PRÉ OPERACIONAIS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos sobre encargos de amortização de despesas préoperacionais, caracterizadas pela ativação de juros pagos em contrato de financiamento firmado com o BNDES para a construção de edificação. EMPRESAS COMERCIAIS. TAXAS PAGAS ÀS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. As taxas pagas às administradoras de cartões de crédito não geram direito a crédito, por constituírem despesa operacional do contribuinte (art. 299, § 1º, do RIR/99). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista, que deram provimento em maior extensão para reconhecer também o direito de crédito sobre a aquisição de insumos e sobre as taxas pagas às operadoras de cartão de crédito. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho que deu provimento em maior extensão para reconhecer também o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo as bonificações em mercadorias. O Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista votou pelas conclusões quanto à questão da reclassificação do contrato e apresentou declaração de voto. Estiveram presentes ao julgamento a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP 157.658, representante do contribuinte, e a Dra. Luciana Ferreira Gomes Silva, Procuradora da Fazenda Nacional. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de autos de infração com ciência pessoal do contribuinte em 30/05/2011, lavrados para exigir as contribuições ao PIS e à COFINS em relação aos períodos Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 11 3 de apuração compreendidos entre junho de 2006 e dezembro de 2009, em razão de recolhimento insuficiente das contribuições. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 483 a 510, a fiscalização apurou os seguintes fatos: 1) A empresa alterou o regime de tributação das receitas provenientes de um contrato de prestação de serviços celebrado com a Fininvest do regime nãocumulativo para o regime cumulativo. A fiscalizada, em 10/09/2001, firmou contrato com o Banco Fininvest S/A para formação de uma joint venture financeira, denominada Luizacred S/A. No contrato, ficou estabelecida a cessão do direito de exclusividade nas operações de crédito da contribuinte à financeira, sem remuneração, e que o Magazine Luiza prestaria serviços àquela, tendo direito à remuneração estipulada no acordo. Em meados de 2007 a contribuinte contratou serviços de auditoria externa, que concluiu que o contrato entre ela e a Fininvest teria efeitos tributários, em relação às contribuições sociais, diversos daqueles reconhecidos pela empresa à época. Sendo assim, de acordo com o relatório fiscal, o contribuinte "(...) alterou a tributação da receita da prestação de serviços à Fininvest do regime nãocumulativo para o cumulativo, tendo inclusive retificado as DCTFs desde 2004 formalizando parcialmente este entendimento, já que não retificou as Dacon correspondentes. Isto porque em razão do acordo considerou a fiscalizada tratarse de contrato firmado anteriormente a 31 de outubro de 2003 sujeito às condições estabelecidas na alínea b, do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/03, quais sejam: contrato com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. Nesta nova interpretação, entende a fiscalizada que o contrato de prestação de serviços atende às condições para ter suas receitas tributadas pelo regime cumulativo. Cabe dizer que referido regime de tributação para a COFINS e PIS está regulamentado pela Instrução Normativa nº 658/2006. Nesta definese que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato (...)". Com base no novo entendimento, a empresa recalculou as contribuições devidas, apresentando novas DCTF contendo os débitos apurados no regime cumulativo, e diversos PER/DCOMP compensando esses novos débitos e outros valores devidos com o crédito relativo à diferença entre as contribuições calculadas pelos regimes cumulativo e não cumulativo, e, a partir de setembro/2007, passou a apurar as contribuições de acordo com o regime cumulativo. A fiscalização considerou que o contrato original não era a preço predeterminado e que, além disso, houve repactuação do contrato inicial, conforme narrado no termo de verificação: 1 Da repactuação do contrato com a incorporação de lojas novas pelo Magazine Luiza Além do acordo inicial firmado em 2001 que levantou as bases da “joint venture”, também foram celebrados contratos entre o Magazine Luiza e a Fininvest denominados Memorandos de Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 4 Entendimento nos quais as partes estabelecem remuneração a ser paga pela financeira pela potencial geração de lucro decorrente do efetivo aumento do número de pontos de venda, conforme estabelecido. Apesar de haver disposição expressa nos Memorandos de Entendimento de que haveria remuneração de receita auferida pelo Magazine Luiza em decorrência da ampliação da sua rede de lojas, e de conter referência à negociação do direito de exclusividade pelo Magazine para a Fininvest, não foram tratadas estas incorporações de lojas novas como alterando o contrato inicial. Consta nos Memorandos de Entendimento que parte da aquisição seria paga pela Luizacred por força do aumento do número dos pontos de vendas, afinal foram adquiridos os pontos de venda nas Lojas Madol, Lojas Arno Palavro, Base Lar Eletromóveis e Kilar Móveis e Decorações. Por estas aquisições as partes Magazine Luiza e Fininvest repactuaram o contrato inicial, eis que houve inclusive a remuneração extra em milhões de reais ao Magazine pelos novos pontos de venda e pela nova base de clientes envolvida em cada um dos memorandos de entendimento. (...) A leitura dos memorandos de entendimento nos permite a inequívoca conclusão de que se trata de repactuação do contrato anterior. (...) Mais ainda. Estabelecese inclusive um aditamento de dez anos no prazo dos direitos de exclusividade da Luizacred e no direito de preferência do Fininvest para as novas lojas abertas ou adquiridas. (...) Assim, o preço predeterminado em 2001 pelo contrato inicial foi refeito em cada um dos Memorandos de Entendimento em que a cadeia de lojas aumentou. 2 Da incompatibilidade entre o preço predeterminado legalmente definido e as receitas de serviços auferidas pelo Magazine Luiza Na consideração do que seja preço predeterminado, o conceito está amarrado com a manutenção dos valores recebidos para contratos firmamos antes de 31/10/2003. De acordo com o assentado, a legislação dos tributos em comento permitiu o reajuste de preços em casos delimitados. Quando há reajustes de preços, foi emoldurado pela lei como o conceito deve ser interpretado. (...) Interpretase da leitura que o preço predeterminado pode ser alterado apenas pela exceção acima disposta, vale dizer, em decorrência de variação de custos de produção. Tratase de índices oficiais de variação de preços, afinal a alteração deve Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 12 5 refletir o custo de produção ou índice de correção monetária de insumos utilizados. Não se aplica ao caso em análise, isto porque o preço cobrado pelo serviço será sempre variável, pois se altera conforme o volume de contratos de financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do Magazine. A remuneração obtida pela auditada deriva da prestação de serviços de captação de financiamentos, tendo seu valor limitado em 6,8% do valor total dos contratos de financiamento gerados mensalmente. Assim, os valores fixos por operação estabelecidos no inciso I, do item 2.12.3 do acordo de associação não são aplicados, eis que a remuneração nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008 sempre foi calculada sobre o volume financiado. (...) Desta forma, a remuneração pelo contrato não se trata de preço predeterminado, mas de receita que sofre variação em função do faturamento da fiscalizada com os serviços prestados. Este faturamento é afetado por cláusulas outras que custos de produção ou de insumos. Tratase de um percentual sobre o montante captado em financiamento para a financeira Fininvest. Como era de se esperar, este montante tem acréscimo no tempo, seja em função da quantidade de clientes captados, como também em proporção com os valores captados de financiamento que aumentam em função de taxa de juros cobrada, ou da condição macroeconômica ao tempo do empréstimo, assim como outras variáveis de mercado. Descabe dizer que os valores recebidos seriam os fixados nos incisos do item I, do item 2.12.3, do acordo de associação. Isto porque no período em análise jamais foram aplicados os valores fixos, pois a cláusula I.2, do item 2.12.3 sempre foi aplicada no período. E esta cláusula prevê um índice variável de remuneração. Para que fosse admitido o reajuste de preços próprio dos contratos com preço predeterminado nos moldes fixados pela citada lei, a variação deveria decorrer de variação de custos, mas a variação de receitas decorre da variação dos contratos de financiamento captados diariamente com a clientela. (...) O argumento de que se fosse mantida a mesma quantidade de lojas e os contratos de financiamento fossem os mesmos, também seria mantido o preço do contrato, não é cabível. Os preços fixados desde o início são variáveis no tempo, conforme demonstram as receitas mensais com os serviços. Em nada se aproximam do preço fixo definido em lei. O legislador quando assim o fez, objetivou manter as condições tributárias de contratos de longo prazo com preços fixados por produto ou predefinidos por período de execução contratual. 3 Da imunização dos efeitos fiscais sobre os preços fixados no contrato inicial com a Fininvest Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 6 No contrato fixado com a Fininvest as partes neutralizaram os efeitos fiscais de tributos sob faturamento no inciso IV do item 2.12.3. Afinal, estipularam que “os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções de custo por ganho de escala”. A cláusula acima ao estabelecer o preço do serviço sem considerar os tributos sobre a receita afasta nitidamente o caráter de preço predeterminado previsto na lei. Com a mudança da tributação não há desequilíbrio econômico financeiro, pois o preço acertado exclui os tributos. O próprio contrato estabelece o novo preço final juntamente com qualquer mudança do tributo. (...) ... o preço fixo estabelecido no contrato exclui os tributos sobre a receita, portanto qualquer mudança na tributação se reflete/refletiu imediatamente no preço final. Com base nesses argumentos, a fiscalização refez a apuração do contribuinte, não aceitou as DCTF retificadoras, não homologou os Perdecomp apresentados pelo contribuinte com base nesse tipo de crédito e lançou de ofício as diferenças apuradas entre o regime cumulativo e nãocumulativo. 2) A relação de implicação do contrato com a Fininvest e as operações com a Zona Franca de Manaus Em razão da alteração do regime de tributação das receitas do contrato com a Fininvest, o Magazine Luíza recalculou os créditos de PIS e COFINS em relação às aquisições de fornecedores estabelecidos na ZFM. De acordo com a Lei nº 11.307, de 2006, as empresas que adquirissem mercadorias de empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), como regra geral, deveriam apurar os créditos da Cofins relativos a essas aquisições à alíquota de 4,6%. No entanto, as empresas tributadas pelas contribuições sociais no regime cumulativo, ainda que parcialmente, poderiam se creditar à alíquota de 7,6%. Isto porque as vendas pelas empresas situadas na ZFM a essas empresas seriam tributadas com a mesma alíquota. Para o período de junho/2006 a agosto/2007, como a autuada estava sujeita apenas à nãocumulatividade, informou essa situação aos fornecedores localizados na ZFM, conforme preconizava a IN SRF nº 546, de 2005, creditandose, portanto, à alíquota de 4,6%. Narra a fiscalização que: "(...) a fiscalizada refez os cálculos da apuração dos créditos de PIS e de COFINS de aquisições de mercadorias da ZFM para os meses de junho/2006 a agosto/2007. Isto porque entendeu que possuía as receitas cumulativas dos serviços prestados para a Fininvest, então estaria sujeita a tomar créditos conforme estabelecido no art.3°, § 17, acima transcrito, com a alíquota de 7,6%. Assim seus créditos deveriam ser maiores dos que apropriados, pois quando os apropriou entendiase sujeita exclusivamente à nãocumulatividade que geram créditos da ZFM de 4,6%. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 13 7 (...) Desta conclusão derivaram dois efeitos para os créditos apurados pela fiscalizada. Para aqueles apropriados a menor pela empresa e que resultou num pagamento a maior, ao invés de retificar suas DACON's e compensar parte dos pagamentos com débitos de períodos seguintes, simplesmente reduziu em alguns meses os valores devidos de PIS e COFINS conforme pode ser observado na resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 09, quando apresentou planilha de cálculo da apuração de PIS e COFINS no ano de 2009. Notase que a compensação ficou "camuflada" na apuração. Não foi informada nas DACON's mensais, muito menos houve retificações de DCTF's dos pagamentos considerados indevidos pela fiscalizada de PIS e de COFINS. Embora "esta compensação" tenha ocorrido somente em meados de 2009, já a partir de outubro/2007, a fiscalizada começou a se creditar das compras da ZFM em 7,6% para a COFINS. (...) Constatase que na informação prestada fica clara ao fabricante a forma de tributação do adquirente, fato que resulta na alíquota a ser aplicada nas vendas da ZFM. Inclusive consta na declaração que qualquer alteração de regime de tributação será informada de imediato pelo adquirente. A informação deve ser imediata à SRF e ao vendedor porque implica em alteração na alíquota aplicada. Ainda segundo a fiscalização: O entendimento praticado pela fiscalizada importa em dois erros de interpretação. O primeiro deles diz com a incidência cumulativa sobre as receitas de serviços do acordo de associação com a Fininvest. Neste sentido, o item anterior 3.1 aponta as razões do equívoco interpretativo. De outra parte, também está incorreto ao aplicar a alíquota de 7,6% em seus créditos já que o procedimento para tanto está regulado na IN nº 546/2005. Isto porque as alíquotas de saída do estabelecimento localizado na ZFM e os créditos dos adquirentes estão amarradas. Vale dizer, conforme a alíquota informada pelo adquirente, o fabricante tributa na alíquota declarada de um lado, e de outra parte o adquirente creditase na alíquota vinculada à aplicada pelo fabricante. A fiscalização constatou ainda que a impugnante, apesar de alterar a apuração das contribuições a partir de junho/2006, somente informou essa situação aos fornecedores a partir de outubro/2007. Agindo assim, segundo a fiscalização, "(...) a fiscalizada não procedeu de forma correta, pois procedeu a uma "meia" retificação da sua situação. Não informou aos fornecedores da alteração de entendimento para os fatos geradores anteriores a outubro/2007. Silenciou porque os fornecedores caso soubessem que as vendas para a fiscalizada foram Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 8 tributadas com alíquota menor, exigiriam desta o pagamento da diferença de tributos. Da mudança de entendimento, utilizou a parte que a beneficiava sem providenciar a parte que a onerava". Tampouco retificou os Dacon daqueles períodos quando retificou as DCTF em 2007 para se aproveitar dos recolhimentos teoricamente indevidos, e somente em 2009 é que incluiu os créditos extemporâneos. Diante do constatado, a fiscalização glosou somente as diferenças de créditos relativos às compras da ZFM, no período de junho/2006 a agosto/2007, que foram abatidas das contribuições no período de agosto a dezembro de 2009, sendo tais diferenças lançadas em autos de infração complementares, a fls. 712/725. Quanto aos períodos a partir de outubro/2007, conclui: A fim de manter a coerência na interpretação da legislação tributária, considerando que o contrato com a Fininvest não resulta em receitas cumulativas de prestação de serviços, a fiscalizada informou erroneamente a partir de outubro/2007 pertencer ao regime misto aos fornecedores e fez com que estes aplicassem alíquotas maiores de PIS e COFINS. De outro lado, creditouse com alíquotas maiores também. A despeito deste erro nos créditos, a empresa não está sendo autuada pelos créditos com alíquotas maiores, pois os fornecedores tributaram suas vendas nestas alíquotas, ainda que erroneamente. 3– Falta de tributação dos recebimentos de juros sobre o capital próprio A fiscalização lançou os valores das contribuições referentes aos juros sobre o capital próprio, não oferecidos à tributação pelo contribuinte, por entender que tais valores compõem o faturamento e como tal são tributados pelas contribuições sociais. 4 – Falta de tributação das bonificações recebidas de fornecedores. De acordo com os autos a autuada recebe dois tipos de bonificações dos fornecedores, a saber: bonificação de amortização de custos e bonificação de ressarcimento de despesas com propaganda cooperada. Os valores relativos a elas foram deduzidos da base de cálculo das contribuições pelo contribuinte. De acordo com o contribuinte as bonificações de amortização seriam valores que “os fornecedores repõem seus custos por razões comerciais. São várias as motivações comerciais das bonificações, entre as quais estariam as bonificações de price/rebate, bônus, custos, liquidação fantástica, outros créditos, encontrão e treinamento”. A fiscalização considera que tais receitas também compõem o faturamento mensal da impugnante e não estão entre as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, portanto lançou tais valores. Quanto às bonificações de ressarcimento de despesas com propaganda cooperada a empresa alega “que as despesas de propaganda são rateadas com os fornecedores, pois ao anunciar seus produtos também estaria divulgando os fornecedores. Esclarece que por divulgar a imagem sua e dos produtos de seus fornecedores compartilha as despesas de marketing na rubrica Verba de propaganda Cooperada.” Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 14 9 Informa também “que as despesas de publicidade inicialmente por ela assumidas são reembolsadas pelos fornecedores nas despesas da campanha publicitária ou ação de marketing.” Já a fiscalização, quanto a essa bonificação, tece as seguintes considerações: Em que pese os argumentos apresentados de que se trata de mero ressarcimento de despesas, o fato é que os valores recebidos dos fornecedores para recuperar custos publicitários não guardam correspondência direta com os gastos com publicidade, isto porque não foram apresentados quaisquer detalhamentos destes valores ressarcidos. Não obstante ter asseverado que se trata de ressarcimento, a fiscalizada não apresentou qualquer documento que detalhasse a vinculação dos gastos com as receitas de bonificação com propaganda cooperada. A documentação apresentada pela fiscalizada para justificar os recebimentos de bonificações limitase às notas de débito. Tais documentos são internos à fiscalizada, e indicam tão somente uma comunicação do departamento de compras informando o fornecedor e a forma de recebimento da bonificação. Não foi apresentado nenhum contrato com as empresas, e nem mesmo uma simples correlação das despesas de propagandas efetuadas com as bonificações recebidas. Assim, levando em conta o raciocínio acima, bem assim o aplicado às bonificações de amortização, a fiscalização considerou tais receitas tributáveis. 5 – Apropriação indevida de créditos no regime nãocumulativo das contribuições Foram glosados os créditos da nãocumulatividade referentes a gastos com combustível e manutenção de empilhadeiras, despesas com embalagens e com juros sobre financiamento de imóvel, pelo fato de a fiscalização entender que não havia previsão legal autorizando a utilização desses itens como crédito para os meses de junho de 2006 a agosto de 2007. 6 – Créditos de PIS e Cofins com as operadoras de cartão de crédito Foram glosados os créditos relativos aos serviços utilizados como insumos decorrentes de pagamentos a operadoras de cartão de crédito em obediência ao Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 36, de 2011, que dispõe que o pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da nãocumulatividade. A autuada apresentou uma decisão judicial autorizando o aproveitamento desses créditos, que, no entanto, foi desconsiderada pela fiscalização, porquanto esta entendeu que a sentença somente se aplicaria a partir de março/2010. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que existem dois contratos autônomos, o de cessão do direito de exclusividade do Magazine Luíza à Luizacred e o de prestação de serviços do Magazine Luíza à Luizacred, que ao final irão compor junto com Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 10 outros acordos constantes do Instrumento Particular de Associação um contrato do tipo coligado. Ou seja, todos esses "acordos" estarão congregados no mesmo instrumento Particular de Associação. Segundo a recorrente: "(...) De fato, o aviamento da Impugnante, ou seja, a sua incontestável reputação no mercado de comércio varejista de móveis e eletrodomésticos e a existência de um número expressivo de clientes que já utilizaram os seus serviços, produziu, entre outros, um bem propriamente dito, de inegável valor econômico e absolutamente autônomo, qual seja, a capacidade de atrair clientes para negócios diretamente relacionados a tal ramo de comércio. (...) Nesse sentido, observase que o acesso à exploração da carteira de clientes da Requerente para a contratação de operações de empréstimo pessoal e de crédito direto ao consumidor corresponde a um bem imaterial, integrante de seu fundo de comércio e passível de ser cedido a terceiros interessados Desta forma, conclui a impugnante, a cessão do direito de exclusividade, isto é, a cessão da exploração da carteira de clientes da fiscalizada configuraria uma alienação de um bem intangível, ou seja de “ativo permanente” ou ativo nãocirculante, de acordo com nova denominação prevista na Lei nº 11.941, de 2009 (nova Lei das S/A), e em nada se confundiria com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred. Prossegue a autuada: Como visto, referido contrato originalmente firmado tem caráter de contrato coligado e, portanto, congrega diversas relações jurídicas em si. Uma delas, somente, é a prestação de serviços que a Autoridade Fiscal acredita ter sido repactuada. Em verdade, como ela própria verificou, tais Memorandos tratam do direito de exclusividade cedido pela Requerente à Luizacred e, como ativo intangível que é, sequer estaria sujeito à tributação pelo PIS e pela COFINS, pelas regras anteriormente citadas. Ou seja, sequer estarseia a discutir sua inclusão ou não nas regras de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. E, de fato, não é essa a discussão em voga. Portanto, os valores repactuados nos memorandos citados pela fiscalização não têm relação com a prestação de serviços da contribuinte à Luizacred, mas sim com o direito de exclusividade anteriormente acordado, que, por se tratar de alienação de ativo permanente não é tributado pelas contribuições sociais. Quanto ao aditamento de dez anos no prazo de exclusividade, também alega que não há que se falar em prorrogação do contrato de prestação de serviços, porquanto a alteração somente atingiu a parcela adstrita à cessão do direito de exclusividade. Ainda que a prorrogação se referisse à prestação de serviço, não haveria que se falar em novação, pois esta pressupõe a existência de obrigação anterior que se extingue Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 15 11 com a constituição de nova, criação dessa nova obrigação em substituição à anterior e intenção de novar. Conclui “(...) que somente haveria novação se fossem operadas mudanças significativas na obrigação original, as quais atinjam um de seus três elementos essenciais (objeto, credor ou devedor) acima mencionados e haja efetivamente intenção de novar.” Quanto à prefixação do preço, inicia alegando que “o fato de estabelecer percentual sobre a totalidade das receitas decorrentes dos contratos não descaracterizaria a pré determinação do preço, na medida em que o índice já representa uma prédeterminação em si mesmo.” Posteriormente, aduz conceitos de renda variável e renda fixa considerados pela própria RFB no manual Perguntas e Respostas, que a levam a concluir que: "(...) são operações de renda fixa aquelas em que se sabe de antemão que a aplicação produzirá rendimentos, pois houve uma prévia fixação da renda. Subdividese em: (a) aplicação financeira de renda fixa prefixada, nas quais, no momento da contratação, é estabelecido índice previamente conhecido de remuneração; e (b) aplicação financeira de renda fixa pósfixada, nas quais, no momento da contratação é estabelecido índice de remuneração que terá seu percentual conhecido em momento futuro. Por outro lado, nas aplicações financeiras de renda variável, o valor do rendimento será determinado pela variação do ativo que lastreia o título no mercado, havendo imprevisibilidade do resultado a ser auferido. Assim, “(...) o mesmo raciocínio pode ser aplicado ao contrato em tela: a remuneração descrita na cláusula 2.12.3 traz valores em reais por mês a serem pagos à Requerente pelos serviços prestados, sendo que o subitem I.2 estabelece limitação a tal remuneração a 6,8% do valor total dos contratos firmados.” E prossegue: Tanto a remuneração ordinária quanto a cláusula limitante são perfeitamente prédeterminadas e buscam, justamente, a previsão e, mais importante, a manutenção do equilíbrio econômico do contrato no tempo, que é valor mais importante apregoado na norma do PIS e COFINS em comento. Não há, portanto, que se falar em sua não aplicação por não prédeterminação do preço: ao contrário, a combinação da remuneração ordinária em Reais com a limitação a percentual da totalidade das receitas advindas dos contratos somente reforça e reafirma o caráter prédeterminado do instrumento firmado. (...) Ademais, não se alegue que a ampliação da cadeia de lojas representaria variação do preço. O aumento do esforço laboral, Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 12 nesta, como em outra atividade econômica, pode e deve, ser melhor remunerada, Isso não significa reajuste do preço, mas pagamento proporcional ao esforço empenhado na execução de atividades. Quanto às operações com a ZFM, após um breve histórico sobre a sistemática de creditamento pelas contribuições em relação a essas operações, a contribuinte alega que se creditava de PIS e Cofins à alíquota total de 5,6% e, no momento em que atentou que estaria sob o regime misto – com receitas cumulativas e nãocumulativas –, de acordo com a Lei nº 11.307, de 2006, passou a se creditar à alíquota de 9,25%. Em relação à IN SRF nº 546, de 2005, alega que esta criou uma nova obrigação acessória, frisando que “(...) a lei que norteia tal disposição não requer qualquer obrigação acessória nesse sentido, sendo tal exigência fruto meramente de norma infralegal. Ainda, é importante ressaltar que a exigência da declaração está ligada à incidência (débitos) das contribuições apuradas pelos fornecedores, e não aos créditos a serem tomados pelos adquirentes (pólo da relação em que figura a Impugnante).” E prossegue: Assim, resta claro que a Impugnante, tão logo tomou ciência de sua real condição tributária sujeita ao regime misto de tributação do PIS/COFINS , envidou todos os esforços para a ela se adequar, sendo que as eventuais falhas ainda remanescentes estão adstritas às obrigações acessórias dela decorrentes, jamais aos tributos gerados pelas transações realizadas, pelo que não há que prosperar a pretensão da Fiscalização quanto à constituição de créditos tributários pertinentes ao PIS e à COFINS. No tocante à tributação dos juros sobre o capital próprio, desenvolve longa argumentação para comprovar que tal remuneração tem a mesma natureza dos dividendos, assim deveria ser excluída da base de cálculo das contribuições, a teor do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 9.718, de 1998. Conclui que entender o contrário “(...) caracterizaria ofensa ao aludido Princípio da Legalidade, eis que se estaria exigindo tributo sem lei que assim determine, ou melhor, com base em lei que afasta a incidência em comento (inciso II do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98).” Em relação às bonificações recebidas de fornecedores, primeiramente a impugnante faz um resumo dos diversos tipos de bonificação para amortização de custo. Informa também que as bonificações podem ser em dinheiro, mercadoria ou em duplicatas, sendo que, no caso concreto, esta última constituiu a maior parte. Alega que tais bonificações, mesmo as em dinheiro “(...) são um tipo de desconto, uma vez que resultam na diminuição do valor a ser desembolsado na compra de uma mercadoria.” Conclui que as bonificações por ela recebidas caracterizamse como abatimentos financeiros ou descontos sobre os valores de compra, ou seja, como receita financeira, assim não haveria que se falar em incidência das contribuições sociais, haja vista que as alíquotas incidentes sobre tais receitas foram reduzidas a zero, a teor do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005. Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 16 13 Quanto às bonificações de despesas com propaganda cooperada, explica que tal bonificação originase de propaganda e ações de marketing da impugnante. Como nessas ações também são expostas as marcas dos fornecedores, os gastos são rateados entre elas e os fornecedores. Assim, tal bonificação corresponde ao ressarcimento, por parte dos fornecedores, dos gastos da autuada com propaganda e marketing dos produtos, referente à parte que lhes cabe. Portanto, não se trata de prestação de serviços “(..) vez que não preenchem os requisitos fundamentais para a sua caracterização. O CC/02 disciplina a matéria pertinente à prestação de serviços, definindoa em seu artigo 594: ‘Toda espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição’” Tampouco há remuneração. Nas palavras da impugnante: Do confronto do conceito de prestação de serviços supra apresentado com as características identificadas das atividades de propaganda e marketing compartilhadas pela Impugnante e seus fornecedores, uma primeira observação que se há de fazer é que no caso das atividades compartilhadas e reembolsadas via rateio notase que não há cumprimento de um requisito essencial: a remuneração. Isto porque tais atividades não ocorrem em um ambiente de mercado, não são prestadas a terceiros estranhos e não consistem na atividade fim da Impugnante, logo, não há efetiva remuneração desta, mas mero reembolso dos custos por ela incorridos. Prossegue a autuada argumentando que os valores que ingressam dessa forma no caixa da empresa não se trata de receita, mas de meros ingressos financeiros que “(...) são somas pertencentes a terceiros, valores que integram o patrimônio de outrem e se escrituram na contabilidade apenas transitoriamente, sob reserva de serem restituídos; ou valores que vêm a recompor outros que saíram do patrimônio da pessoa jurídica em nome ou favor de outrem, o qual, oportunamente, trata de devolvêlos. Ou seja, o movimento de caixa nada acresce ao patrimônio da pessoa jurídica que o registra.” E conclui que “(...) os meros movimentos de caixa não constituem receita, na medida em que não remuneram a atividade econômica desenvolvida, mas apenas recompõem o patrimônio. Só as receitas representam o preço dessa atividade e consubstanciam o pagamento da prestação correspondente.” Quanto aos créditos da nãocumulatividade, argumenta que o conceito de insumo, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), contido nas IN SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2005, é muito restrito, se limitando a empresas industriais, assim um conceito mais amplo deveria ser adotado para varejistas, como é o caso da impugnante. Defende a adoção de um conceito de insumo que abranja os custos de produção e/ou despesas que possam ser consideradas necessárias, conforme definidos no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) e intrinsecamente relacionadas e indispensáveis à atividadefim da empresa. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 14 Sustenta o direito de tomar o crédito sobre gastos com manutenção e combustível de empilhadeiras, despesas com embalagens e com juros, que seriam, na verdade "encargos de amortização de tais juros depois de ativados", ou seja, "de custos préoperacionais ativáveis e amortizáveis". No que toca aos créditos referentes às despesas com operadoras de cartão de crédito, alega que “(...) não há dúvidas de que caracterizam insumos para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS”. Argumenta também que é “(...) inegável o crescimento da indústria de cartões de crédito e uma empresa de varejo que não está alinhada com essa realidade, está na contramão da história. A Impugnante, como dito no descritivo dos fatos, posicionase como símbolo de vanguarda dentro de seu nicho de atuação e não poderia se furtar à realidade dessa forma de pagamento cada vez mais comum entre os brasileiros.” Quanto à decisão judicial autorizado o aproveitamento desses créditos, alega que a sentença “(...) conferiu segurança jurídica à postura adotada pelo Magazine Luiza S/A ao tomar créditos sobre as referidas despesas, à luz das razões anteriormente expostas. Vale dizer, o direito não passou a existir somente em virtude da decisão, mas foi tãosomente reconhecido. Nesse caso específico, a segurança jurídica conferida pela tutela ao Magazine Luiza S/A não se confunde com a constituição de um direito, já que este já existia em virtude dos argumentos acima apontados.” Por fim, em relação aos juros moratórios, argumenta que a sua incidência sobre a multa de ofício lançada é ilegal, haja vista que a taxa Selic somente é aplicável a tributos, de acordo com a legislação de regência. Por meio do Acórdão 1438.989, a 4ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, julgou a impugnação improcedente. Ficou decidido que a cessão da exclusividade na contratação de operações de empréstimo e crédito pessoal já havia sido cedida a título gratuito à Luizacred para toda a clientela do Magazine Luiza, independentemente da quantidade de pontos de venda e sem nenhuma contrapartida financeira. Entretanto, a prestação de serviços, ou seja, a obtenção por parte do Magazine Luíza de potenciais consumidores dos serviços financeiros da Luizacred, era onerosa e os valores unitários estavam expressos nos contrato inicial. Como a aquisição de novos pontos de venda pelo Magazine Luiza traria mais potenciais clientes à Luizacred, foram pactuadas remunerações extras por meio de adendos ao contrato inicial, os chamados memorandos, onde se estipularam valores extras a serem pagos por ponto de venda adicional. Concluiu a DRJ que os adendos ao contrato inicial só podem significar remuneração adicional pelos serviços prestados, já que os novos pontos adquiridos agregaram mais clientes à Luizacred. Assim, foi julgada improcedente a alegação de que os valores contidos nos memorandos seriam referentes à cessão do direito de exclusividade na contratação de crédito para seus clientes. Quanto à alegação de que não houve novação, a DRJ respondeu que a fiscalização não fundamentou o auto de infração nesse instituto, pois considerou apenas que houve uma repactuação do preço dos serviços prestados e não a criação de uma nova obrigação em substituição à primeira. No que tange à prefixação do preço, ficou decidido que o contrato original embora tenha fixado o preço por unidade de produto, o que em tese atende ao disposto no art. 3º, § 2º da IN 658, de 2006, continha também cláusula que estabelecia um teto de 6,8% sobre o valor dos contratos gerados. Em o período fiscalizado prevaleceu a cláusula que limita a remuneração a 6,8% dos contratos gerados, assim o valor apurado após a aplicação do percentual variou ano a ano conforme o volume de contratos gerados, o que conduz à conclusão de que na prática a prefixação do preço inexistiu. Relativamente às operações com a Zona Franca de Manaus, ficou decidido que a recorrente não tem razão, pois ao entender que estava no regime misto de apuração a empresa passou a apurar créditos maiores a partir de Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 17 15 junho de 2006, mas só informou essa condição aos fornecedores em outubro de 2007. Nesse período, apurou créditos maiores e os compensou informalmente em 2009 sem informar os fornecedores. Assim, as vendas foram tributadas pelos fornecedores pelas alíquotas da não cumulatividade e os créditos foram apurados sob o regime misto, ou seja, com alíquotas maiores. Como a autuada não estava no regime misto, pois o contrato de prestação de serviços com a Luizacred não é a preço predeterminado, foi mantida a glosa dos créditos extemporâneos daquele regime utilizados em 2009. Quanto à tributação dos juros sobre o capital próprio, ficou decidido que não se confundem com dividendos e que não podem ser excluídos das bases de cálculo porque não figuram entre as hipóteses legais de exclusão, que são exaustivas. Além disso, o art. 1º, parágrafo único, I do Decreto nº 5.442, de 2005, estabelece expressamente que devem ser tributados. No que tange às bonificações financeiras recebidas de fornecedores, a DRJ manteve a tributação, pois considerou que bonificações não se confundem com descontos. Bonificações são valores recebidos pela empresa dos fornecedores em dinheiro ou mercadorias, enquanto descontos são abatimentos dos valores das compras concedidos pelo fornecedor. No tocante à bonificações de despesa de propaganda cooperada, as alegações do contribuinte foram rejeitadas e foi mantida a tributação, pois não foram apresentados documentos hábeis à comprovação de que se tratam de ressarcimento de despesas de propaganda pelos fornecedores. No que tange ao direito de crédito pela aquisição de insumos, o lançamento foi mantido, sob o argumento de que não se pode utilizar o conceito de insumo existente na legislação do imposto de renda, pois existem atos normativos específicos disciplinando essa matéria no âmbito das contribuições sociais. Além disso, o julgador administrativo não pode se afastar do conceito de insumo estabelecido pelos atos normativos da Receita Federal, a teor do art. 7º da Portaria MF 341, de 12 de julho de 2011, que disciplina a atividade das turmas de julgamento da DRJ. No que concerne aos créditos e PIS e COFINS sobre os gastos com taxas pagas às operadoras de cartão de crédito, o lançamento foi mantido com base no ADI nº 36/2011. Considerou a DRJ que a decisão judicial obtida pelo contribuinte autorizando a tomada desse crédito não pode ser aplicada aos fatos geradores objeto da autuação, pois o juiz foi claríssimo em "autorizar a escrituração dos créditos vincendos" (fl. 66). Quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, entendeu a DRJ que não houve a alegada incidência sobre a multa de ofício, mas apenas sobre as contribuições devidas. Regularmente notificado do acórdão da DRJ em 07/11/2012 (fl. 1182/1183), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 1185 a 1296 em 07/12/2012, no qual reiterou e reforçou as alegações de impugnação. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1302 a 1341, pugnando pela manutenção do lançamento e da decisão recorrida sob os seguintes argumentos: 1) os chamados "memorandos de entendimento" configuram verdadeiras repactuações do preço dos serviços prestados e foram firmados após o advento do regime não cumulativo; 2) nem mesmo o preço constante do contrato original configura preço predeterminado para fins da incidência cumulativa, pois o preço sempre foi variável na medida em que se altera conforme o volume de contratos de financiamento gerados no mês, conforme estabelece a cláusula 2.12.3; 3) o reajuste estipulado em contrato só não descaracteriza o preço predeterminado se for equivalente à variação no custo de produção ou à aplicação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não se verificou no caso concreto; 3) o inciso IV da cláusula 2.12.3 estabelece que "os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções por ganhos de escala". Tal dispositivo também afasta o caráter de preço predeterminado, pois qualquer mudança na tributação se reflete no preço final; 4) quanto às operações com a ZFM, alegou a Procuradoria da Fazenda Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 16 Nacional que o lançamento deve ser mantido porque o equívoco cometido na interpretação do contrato acarretou o erro na tomada do crédito por parte do contribuinte. Além disso a recorrente se creditou pelo regime misto (com alíquotas maiores à que teria direito) sem informar aos fornecedores essa condição, fato que não lhes permitiu a reapuração das contribuições devidas nas vendas; 5) No que tange aos juros sobre o capital próprio, alegou a Procuradoria que eles não possuem a natureza de dividendos, pois caracterizam a remuneração do capital investido. Sendo assim, os JCP são receitas que devem ser incluídas nas bases de cálculo das contribuições; 6) no que tange às bonificações recebidas, alegou a Procuradoria que todas elas devem integrar a base de cálculo das contribuições, definida em lei como sendo a totalidade das receitas independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Invocando o conceito doutrinário de receita, a Procuradoria da Fazenda Nacional conclui que a tese da recorrente é improcedente, pois a receita pode ser gerada não só pela entrada de dinheiro, mas também por outras formas, como a redução do passível exigível. Todas as rubricas incluídas na base de calculo refletem valores que a empresa auferiu, ainda que mediante compensação de suas obrigações, em razão da exploração de sua atividade econômica. Também foi rechaçada a alegação de que as bonificações constituem receitas financeiras tributadas com alíquota zero, pois a alíquota zero se aplica apenas a receitas financeiras geradas de empréstimos e financiamentos, a teor do art. 27 da Lei nº 10.865/04 e do Decreto nº 5.442/2005, o que não é o caso das bonificações; 7) Relativamente à apropriação indevida de créditos da nãocumulatividade, a Procuradoria da Fazenda Nacional entende que embora não se possa reconhecer como insumo apenas as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, também não se pode ampliar esse conceito de forma a permitir o abatimento de toda e qualquer despesa necessária à manutenção da atividade, sob pena de assemelhar as contribuições ao PIS e COFINS ao imposto de renda. Os gastos com combustível e manutenção da empilhadeira, assim como os gastos com embalagens (fitas adesivas) não podem ser apropriados com base no art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 porque não configuram insumos aplicados na produção de bens ou na prestação de serviços; 8) quanto à depreciação de edificações e benfeitorias, a Procuradoria entende que os juros sobre financiamento de imóvel não estão previstos no inciso VII, do art. 3º da Lei nº 10.833/03 como hipótese que permita o desconto de créditos; 9) quanto às taxas pagas às operadoras de cartões de crédito, alegou que se tratam de despesas operacionais e não se caracterizam como insumo, razão pela qual não podem gerar créditos; 10) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, alegou que a multa pode ser acrescida de juros de mora, por força do art. 61 da Lei nº 9.430/96, pois o crédito tributário engloba o imposto e a multa. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Inexistindo preliminares a serem apreciadas, passo ao exame das questões de mérito. 1) Do contrato com a Fininvest para formação da Luizacred Conforme relatado, a fiscalização não aceitou a retificação das declarações do contribuinte decorrentes da reclassificação do contrato firmado com a Fininvest por meio do Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 18 17 qual foi criada a Luizacred, pois entendeu que não se trata de um contrato a preço predeterminado. O exame do contrato anexado com a impugnação, revela que nas cláusulas 2.6 e 2.7 foram pactuadas a transferência a título gratuito da base de clientes e o direito de exclusividade da financeira. Por meio dessas cláusulas o Magazine cedeu sua base de clientes a título gratuito à financeira. A base de clientes era composta não só dos clientes cadastrados na data da pactuação, mas também de todos os clientes que no futuro viessem a ser cadastrados (fl. 883). Já os serviços prestados pelo Magazine Luiza à financeira estão previstos na cláusula 2.12.1 (fls. 884/885) e consistem basicamente na captação de clientes, gestão e administração da operação de CDC, acesso a sistemas e rede de telecomunicações e serviços gerais. Pelos serviços acima citados, a cláusula 2.12.3 do contrato previu remunerações nos seguintes termos, in verbis (fl. 886): “2.12.3. REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS PELAS PARTES À FINANCEIRA I – Pelos serviços descritos em [2.12.1], o MAGAZINE terá direito às seguintes remunerações: • R$ 6.250,00, por mês por loja do MAGAZINE equipada com estrutura de cobrança, a partir da data e enquanto este serviço estiver sendo realizado pela estrutura do MAGAZINE; • R$ 1,00 por autenticação de recebimento de clientes realizada nas lojas pela estrutura do MAGAZINE; • R$ 6,00 por contrato de financiamento gerado pela estrutura comercial do MAGAZINE, quando este contrato estiver ligado a um cliente novo para a Base de Clientes da Financeira; • R$ 3,00 por contrato de financiamento gerado pela estrutura comercial do MAGAZINE, quando este contrato estiver ligado a um cliente já existente na Base de Clientes da Financeira; • R$ 0,60 por mês por contrato de financiamento em atraso superior a 5 dias, por conta dos custos variáveis de telefonia necessários ao serviço de cobrança; • R$ 0,80 por mês por contrato de financiamento com saldos financeiros em aberto em dia ou em atraso até 180 dias, por conta dos custos relativos à administração e processamento de dados, enquanto este processamento for realizado pelo MAGAZINE. (I.1) Estes custos não incluem custos com terceiros, como: tarifas bancárias, impressos de contratos, Birôs de crédito Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 18 externo, que serão negociados e faturados pelo prestador de serviço diretamente à FINANCEIRA. (I.2) O custo total mensal das remunerações previstas em [I] estará limitado a 6,8% do valor total dos contratos de financiamento gerados no mês e administrados pela estrutura do MAGAZINE, considerado o valor principal de cada contrato. (...) IV. Os valores previstos neste item não incluem os impostos incidentes sobre o faturamento, podendo ser revistos em qualquer data para capturar mudanças de mercado e reduções de custo por ganho de escala. (grifei) Embora a cláusula 2.12.13 tenha estabelecido preços fixos por unidade de serviço prestado, fato que em princípio estaria de acordo com o disposto no art. 3º § 1º da IN 658/2006, verificase que a limitação imposta no item (1.2), acima transcrito em negrito, na prática, anula os preços fixos por unidade de serviço, pois a remuneração do Magazine passou a ser um percentual do valor dos contratos de financiamento gerados a cada mês. A fiscalização afirmou que esta cláusula prevaleceu em todo o período fiscalizado e a recorrente não apresentou nenhuma prova em sentido contrário. Sendo assim, não prospera a alegação da defesa, no sentido de que a conjugação de preços fixados em moeda corrente e a limitação a um percentual da receita reforçariam o caráter predeterminado do preço. É evidente que o contrato original não pode ser enquadrado como sendo a preço predeterminado, pois o item (1.2) tornou letra morta os valores fixados em moeda corrente por unidade de serviço. Em outras palavras: a fixação da remuneração com base em 6,8% do valor dos contratos de financiamento gerados a cada mês não caracteriza preço predeterminado porque não está fixado em moeda corrente nacional, como exige o art. 3º da IN SRF nº 658/2006. A remuneração do Magazine, durante a vigência do contrato original, variou mensalmente em função de um parâmetro diferente daquele estabelecido no art. 109 da Lei nº 11.196/2006 (custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos). Outra avença que descaracteriza o caráter predeterminado do preço é a que se encontra no item IV da mesma cláusula acima transcrita. Neste item, também transcrito em negrito, as partes convencionaram que a remuneração do Magazine é líquida dos tributos que incidem sobre o faturamento. Ora, como o contribuinte dos impostos que incidem sobre o faturamento é o próprio Magazine Luiza, essa regra equivale a uma estipulação de reajuste de preço decorrente de evento futuro e incerto, a qual também não se identifica com a hipótese legal contida no art. 109 da Lei nº 11.196/2006. Relativamente às repactuações por meio dos memorandos de entendimentos, verificase que a cessão do direito de exclusividade à base de clientes abrangia não só a base existente na data da celebração do contrato original, mas também os futuros clientes que viessem a ser cadastrados (cláusulas 2.6 e 2.7, fl. 883). A cessão da exclusividade tanto sobre a base de clientes original, quanto sobre a base acrescida, ocorreu a título gratuito no contrato original. Por meio de memorandos de entendimento acostados às fls. 71 a 98, celebrados em 18/08/2005 (Lojas Madol e Lojas Base); 20/09/2005 (Lojas Kilar) e 17/03/2006 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 19 19 (Lojas Arno Palavro), ocorreram repactuações em relação ao contrato original, as quais também não se subsumem aos requisitos previstos no art. 109 da Lei nº 11.196/2006. A cláusula 2.1 do memorando de entendimento de fl. 72 estabelece o seguinte: "2.1. Pela potencial geração de lucro decorrente do efetivo aumento no número de Pontos de Venda nos quais a LUIZACRED atua com exclusividade, a LUIZACRED concordou em pagar ao MAGAZINE, tendo em vista o investimento total realizado pelo MAGAZINE para a abertura das novas lojas listadas no Anexo I ao presente Memorando, o valor de R$ 1.422.555,00 (um milhão, quatrocentos e vinte e dois mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais) ("Preço"), sendo que o valor pago pela LUIZACRED ao MAGAZINE está incluído nos valores pagos pelo MAGAZINE para a realização do investimento mencionado." A cláusula acima transcrita evidencia que ao contrário do alegado pela defesa, a repactuação não recaiu sobre a cessão da exclusividade, tida pela recorrente como um bem intangível do permanente e insusceptível de tributação. A cláusula 2.1, existente em todos os memorandos de entendimento, revela que a cessão do direito de exclusividade continuou sob o manto da gratuidade, prevista no contrato original. O que foi objeto de remuneração foi a "potencial geração de lucro" em razão do aumento da base de clientes. Ou seja, o aumento do número de pontos de venda acarretou um aumento na base de clientes e, em consequência, um potencial aumento do número de contratos de financiamento fechados a cada mês. Em razão desse aumento, o Magazinhe Luiza cobrou um preço adicional da LUIZACRED por ponto de venda adicional incorporado à rede. Esta repactuação configura um aumento da remuneração do Magazine Luiza em relação àquela estipulada no contrato inicial. E tal aumento também não se identifica com a variação do custo de produção ou com a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos, não se enquadrando nas hipóteses estabelecidas no art. 3º da IN 658/2006 e nem do art. 109 da Lei nº 11.196/2005. Desse modo, não merece nenhum reparo o trabalho fiscal por não ter aceitado as retificadoras do contribuinte e ter lançado de ofício as diferenças apuradas, pois as receitas advindas desse contrato devem ser tributadas pelo regime da nãocumulatividade. 2) Da consequência da desconsideração do preço predeterminado sobre as aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A consideração de que as receitas desse contrato devem ser submetidas ao regime nãocumulativo, tem impacto direto nas aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Isto porque o art. 4º da Lei nº 10.996/2004 introduziu alterações nos arts. 2º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, determinando que as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus tributassem suas operações com alíquotas diferenciadas em função de seus clientes estarem ou não no regime da nãocumulatividade. Assim estabelece o art. 2º, § 5º, da Lei 10.833/2003, em relação à COFINS: Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 20 Art. 2oPara determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) § 5oExcetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida por pessoa jurídica industrial estabelecida na Zona Franca de Manaus, decorrente da venda de produção própria, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, que fica sujeita, ressalvado o disposto nos §§ 1oa 4odeste artigo, às alíquotas de: (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) I 3% (três por cento), no caso de venda efetuada a pessoa jurídica estabelecida:(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) a) na Zona Franca de Manaus; e (Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) b) fora da Zona Franca de Manaus, que apure a COFINS no regime de nãocumulatividade;(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) II 6% (seis por cento), no caso de venda efetuada a:(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) a) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro presumido;(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) b) pessoa jurídica estabelecida fora da Zona Franca de Manaus, que apure o imposto de renda com base no lucro real e que tenha sua receita, total ou parcialmente, excluída do regime de incidência nãocumulativa da COFINS;(Incluído pela Lei nº 10.996, de 2004) (...)" Por outro lado, com base no art. 3º, § 17 da Lei nº 10.833/2003, com a redação da Lei nº 11.307/2006, a pessoa jurídica que se encontra fora da Zona Franca de Manaus e que adquirir mercadorias para revenda ali produzidas, sujeitarseá às seguintes regras para a tomada do crédito: a) se estiver no regime da nãocumulatividade, poderá tomar o crédito em relação às aquisições da ZFM com alíquota de 4,6%; e b) se estiver no regime cumulativo ou no regime misto, poderá tomar o crédito sobre as aquisições da ZFM com alíquota de 7,6%. Eis a dicção legal: § 17. Ressalvado o disposto no § 2º deste artigo e nos §§ 1º a 3º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,6% (quatro inteiros e seis décimos por cento) e, na situação de que trata a alínea b do inciso II do § 5º do art. 2º desta Lei, mediante a aplicação da alíquota de 7,60% (sete inteiros e sessenta centésimos por cento). Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 20 21 Conforme bem apontou a fiscalização, não foi correta a atitude da empresa em aplicar a alíquota de 7,6% no cálculo de seus créditos, pois segundo os dispositivos legais acima, as alíquotas de saída do estabelecimento localizado na Zona Franca e os créditos dos adquirentes estão umbilicalmente ligados. É incontroverso que a empresa, quando alterou sua tributação para o regime misto em função da interpretação errônea dada ao contrato, somente passou a informar essa condição aos fornecedores a partir de outubro de 2007. Entretanto, apurou créditos no período de junho de 2006 a agosto de 2007 com as alíquotas maiores previstas para esse regime. Em relação a essa irregularidade, a defesa alegou que tem direito ao regime misto e que as falhas apontadas pelo fisco se resumiram às obrigações acessórias previstas em ato administrativo da Receita Federal, que seria uma norma infralegal insusceptível de criar obrigações. Não tem razão a defesa, pois conforme ficou assentado alhures, o contrato não se caracteriza na modalidade de preço predeterminado, sendo que suas receitas devem ser obrigatoriamente tributadas no regime nãocumulativo. Quanto à obrigação acessória criada pela IN 546/2005, ela apenas consiste na instituição dos formulários necessários à comunicação do regime de tributação aos fornecedores localizados na Zona Franca a fim de que esses tributem suas saídas com as alíquotas corretas, conforme a situação em que se encontrem os adquirentes localizados em outras regiões do país. Não há nenhuma ilegalidade na criação dessa obrigação acessória, pois o art. 113, § 2º do CTN autoriza a criação de obrigações acessórias por meio de ato administrativo. Para implementar o direito instituído pela lei a Administração Tributária tem o poder de fixar a forma de implementação desse direito. A IN 546/2005 não suprimiu e nem modificou nenhum direito do contribuinte que estivesse previsto em lei. Apenas fixou a forma pela qual os adquirentes de produtos da Zona Franca deveriam comunicar aos fornecedores o regime de tributação a que estavam sujeitos, a fim de que as alíquotas previstas em lei pudessem ser aplicadas corretamente a cada caso. Portanto, há que se manter o lançamento das diferenças apuradas pela fiscalização decorrentes do aproveitamento indevido de créditos por aquisições da Zona Franca de Manaus, em virtude do desenquadramento do contrato da condição de preço predeterminado. 3 Tributação dos juros sobre o capital próprio. A fiscalização lançou as contribuições incidentes sobre os juros sobre o capital próprio, que foram excluídos da base de cálculo pelo contribuinte. O contribuinte alega que os juros sobre o capital próprio devem receber tratamento tributário semelhante aos dividendos. Entretanto, a alegação é improcedente, não só em razão da inexistência de qualquer semelhança entre dividendos e juros sobre o capital próprio, conforme bem apontou a Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 22 decisão de primeira instância, cujos fundamentos são aqui adotados, mas também porque existe previsão expressa no art. 1º, I, do Decreto nº 5.442/2005, determinando que os juros sobre o capital próprio sejam tributados com alíquota positiva. Existindo previsão expressa em Decreto, no sentido de considerar os juros sobre capital próprio como receita financeira e de determinar sua tributação com alíquota positiva, o CARF fica impossibilitado de afastar sua aplicação por força do disposto no art. 26 A do Decreto nº 70.235/72. De qualquer modo, a inclusão dos juros sobre o capital próprio na base e cálculo das contribuições nãocumulativas é matéria decidida no RESP 1.104.184, sob a sistemática do art. 543C do CPC pelo STJ, in verbis: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC c/c ART. 2o., § 1o. DA RES. STJ 8/2008). PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, II DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA, TENDO EM VISTA A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, DO ART. 3o., § 1o. DA LEI 9.718/98 (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 390.840/MG e 358.273/RS). POSSIBILIDADE QUE SOMENTE SE AFIGURA APÓS A EDIÇÃO DAS LEIS 10.637/02 E 10.833/03, JÁ NA VIGÊNCIA DA EC 20/98, QUE AMPLIOU A BASE DE CÁLCULO DO PIS/CONFINS PARA INCLUIR A TOTALIDADE DAS RECEITAS AUFERIDAS PELA PESSOA JURÍDICA. PRECEDENTE: 1a. TURMA, RESP. 1.018.013/SC, REL. MIN. JOSÉ DELGADO, DJE 28.04.2008. PARECER DO MPF PELO IMPROVIMENTO DO RECURSO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Inicialmente, sói destacar que a anunciada violação ao art. 535, II do CPC não ocorreu, tendo em vista o fato de que a lide foi resolvida nos limites necessários e com a devida fundamentação. Todas as questões postas a debate foram efetivamente decididas, não tendo havido qualquer vício que justificasse o manejo dos Embargos de Declaração. Observese, ademais, que o julgamento diverso do pretendido, como na espécie, não implica ofensa à norma ora invocada. 2. Destacase, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um, todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado. Precedente: 1a. Turma, AgRg no AREsp 12.346/RO, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 26.08.2011. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 21 23 3. A Lei 9.718/98 (regime cumulativo) estatui que a base de cálculo do PIS/CONFINS é o faturamento, sendo este equiparado à receita bruta da pessoa jurídica, tal como apregoam os arts. 2o. e 3o. Este último preceito normativo estava acompanhado do § 1o., que dizia: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Tal dispositivo legal fundamentava a inclusão, pelo Fisco, dos juros sobre capital próprio JCP no conceito de receita financeira, fato que permitiria a cobrança do PIS/COFINS sobre ele. 4. Todavia, a técnica adotada pelo legislador ordinário e posteriormente ratificada pelo Fisco foi definitivamente rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do alargamento do conceito de faturamento empreendido pelo art. 3o., § 1o. da Lei 9.718/98, tendo em vista o quanto disposto no art. 195 da CRFB, inconstitucionalidade essa que não foi afastada com as modificações efetuadas pela EC 20/98, a qual, grosso modo, constitucionalizou o conceito legal de faturamento ao incluir no Texto Magno, como base de cálculo do PIS/CONFINS, também, a receita (RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG). 5. Sendo assim, antes da EC 20/98, a definição constitucional do conceito de faturamento envolvia somente a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, não abrangendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, tal como o legislador ordinário pretendeu. Somente após a edição da referida emenda constitucional é que se possibilitou a inclusão da totalidade das receitas incluindo o JCP como base de cálculo do PIS, circunstância materializada com a edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03. 6. Em suma, temse que não incide PIS/COFINS sobre o JCP recebido durante a vigência da Lei 9.718/98 até a edição das Leis 10.637/02 (cujo art. 1o. entrou em vigor a partir de 01.12.2002) e 10.833/03, tal como no caso dos autos, que se refere apenas ao período compreendido entre 01.03.1999 e 30.09.2002. Precedente: 1a. Turma, REsp. 1.018.013/SC, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJe 28.04.2008. 7. Parecer do MPF pelo improvimento do recurso. 8. Negado provimento ao Recurso Especial. Feito submetido ao rito do art. 543C do CPC c/c art. 2o., § 1o. da Resolução STJ 8/2008. Assim, seja em razão do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, seja em razão do art. 62A do Regimento Interno, não é possível a este colegiado dar outro destino aos juros sobre o capital próprio que não seja a sua inclusão na base de cálculo das contribuições não cumulativas. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 24 4) Tributação das bonificações No que concerne às bonificações, a fiscalização considerou que se tratam de receitas que devem ser incluídas nas bases de cálculo das contribuições, pois não se enquadram em nenhuma das hipóteses legais de exclusão. Já o contribuinte alega que as bonificações recebidas em dinheiro, em mercadorias ou em duplicata seriam equivalentes a descontos condicionais obtidos e seriam caracterizados como receitas financeiras, que estão sujeitas à alíquota zero por força do Decreto 5.442/2005. Em relação às bonificações recebidas em dinheiro, em mercadorias ou em duplicata, o contribuinte descreveu os fatos que dão azo ao seu recebimento na fl. 1223 do recurso. Basicamente consistem no seguinte: 1) Bônus: seriam valores distribuídos pelos fornecedores para promover e alavancar seus produtos. O valor do bônus é calculado em função do volume de compras efetuado pela recorrente; 2) Liquidação fantástica: nesta famosa liquidação anual promovida pelo Magazine Luiza, os fornecedores contribuem com o evento porque têm interesse em que o Magazine escoe seus produtos em estoque, até mesmo os de mostruário, a fim de serem substituídos com a aquisição de novos modelos. Os recursos fornecidos pelos fornecedores são usados na divulgação das marcas e produtos e para cobrir gastos da campanha; 3) Price/Rebate: ocorre quando o fornecedor impõe o preço final com o qual o produto deve ser vendido. Nessa condição o produto muitas vezes é vendido por um preço inferior ao de aquisição. Assim, para recompor sua perda, o varejista recebe o valor da diferença; 4)"Encontrão" e treinamento: a empresa promove frequentemente reuniões para treinar tecnicamente sua equipe. Os fornecedores têm interesse em que a equipe conheça sua marca e seus produtos, de forma a darem uma boa apresentação ao consumidor. Para isso contribuem patrocinando ou reembolsando os custos para a realização desses eventos. A partir dessa descrição, se pode constatar a natureza contraprestacional desses recebimentos. Não se tratam de descontos incondicionais. Os fornecedores contribuem financeiramente com a recorrente porque têm interesse em obter alguma contrapartida, circunstância essa que não se coaduna com o conceito de desconto incondicional e nem com o de receita financeira. É de clareza vítrea que essas bonificações se revestem de um caráter contraprestacional, os fornecedores só contribuem com as bonificações porque obtêm alguma vantagem em troca. Portanto, não se tratando de descontos incondicionais e muito menos de receitas financeiras, fica afastada a aplicabilidade da exclusão prevista no art. 1º, § 3º, V, alínea "a" das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (descontos incondicionais) e tampouco o art. 1º do Decreto 5.442/2005 (alíquota zero para receitas financeiras). Quanto às bonificações de ressarcimento por despesas com propaganda cooperada, alegou que investe maciçamente em campanhas de marketing e que nessas campanhas acaba divulgando também as marcas dos fornecedores. Essas bonificações correspondem ao reembolso por parte dos fornecedores da parte que lhes cabe pela divulgação de seus produtos. Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 22 25 A empresa contesta a decisão de primeira instância, tanto na interpretação do direito, quanto na parte em que foi alegada a não comprovação da vinculação dessas bonificações aos gastos com propaganda. Disse que apresentou vários documentos que comprovam essa vinculação, citando exemplificativamente um contrato com o fornecedor Samsung. No que concerne à interpretação do direito, o entendimento oficial da administração tributária quanto ao ressarcimento de despesas administrativas que tenham sido rateadas é no sentido de não considerálo receita passível de inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme restou decidido na Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23/09/2013. Embora a referida solução de divergência se refira a empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, as conclusões do referido parecer, principalmente no que tange às contribuições ao PIS e COFINS podem ser aplicadas por analogia ao caso concreto, pois onde está a mesma razão, aplicase o mesmo direito. Entretanto, para que esse direito possa ser exercido pelo contribuinte, é necessária a comprovação, por meio de ajuste escrito entre as partes, do valor global da despesa, dos critérios de rateio, do valor e do pagamento do gasto incorrido, da parte da despesa que toca a cada empresa e, obviamente, da contabilização desses ressarcimentos como direitos de créditos a recuperar. Além disso, especificamente em relação ao PIS e COFINS, a administração exige que o rateio de despesas comuns indique os itens que compõem a parcela imputada a cada empresa, a fim de permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito ao crédito das referidas contribuições. Compulsando os autos há que se concordar com a decisão de primeira instância. Realmente, não existe nenhuma prova de vinculação entre essas bonificações e os gastos com propaganda. Os únicos documentos apresentados com o objetivo de fazer essa comprovação são as notas de débito de fls. 165 a 184 que são documentos internos produzidos pela própria recorrente que não comprovam tal vinculação. Relativamente aos contratos citados no recurso, também não foram apresentados pela defesa. A única notícia deles nos autos são as transcrições existentes no corpo do recurso voluntário. Sendo assim, há que se manter a glosa da fiscalização em razão do contribuinte não ter se desincumbido do ônus da prova do fato modificativo da pretensão fazendária. 5 Da apropriação indevida de créditos Outra irregularidade constatada pelo fisco foi a apropriação indevida de créditos. Foram glosados créditos tomados sobre despesas com embalagens (fitas adesivas incluídas nas vendas feitas pela internet) e despesas com combustível e manutenção de empilhadeiras, sob o argumento de que não foram incorridos na produção de bens ou na prestação de serviços, mas sim na revenda de mercadorias. O contribuinte, por seu turno, alegou que a decisão de primeira instância não enfrentou o mérito das questões suscitadas porque se julgou incompetente para afastar as IN 247/2002 e 404/2004, que seriam ilegais. Em suma, o contribuinte pleiteia créditos com base Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 26 no art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, levandose em conta o conceito de insumo vigente para o imposto de renda (arts. 290 e 299 do RIR/99). O contribuinte não tem direito de apurar créditos com base no art. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 porque não se dedica à produção de bens ou à prestação de serviços. Sua atividade se restringe à revenda de mercadorias, comércio varejista de bens duráveis, que não é alcançada pelo citado dispositivo legal, mas sim pelo art. 3º, I, das referidas leis. O direito de crédito do contribuinte deve ser exercido em relação às mercadorias adquiridas para revenda e não sobre insumos. Tratandose de empresa que se dedica exclusivamente ao comércio varejista, não existe amparo legal para a tomada de créditos das contribuições nãocumulativas com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos. Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e serviços utilizados como insumos para a "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Assim, os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação a bens e serviços utilizados como insumos apenas por empresas que desenvolvam processos produtivos, processos de fabricação e processos mistos, que envolvam as duas atividades anteriores. As empresas que se dedicam às atividades comerciais, como é o caso da recorrente, não podem apurar crédito com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por absoluta falta de previsão legal. À luz do exposto, tornase desnecessário apreciar os argumentos lançados contra a restrição do conceito de insumo adotada pela Receita Federal, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. A fiscalização glosou também, por falta de previsão legal, os créditos tomados sobre os juros pagos no financiamento obtido junto ao BNDES para a construção do centro de distribuição localizado na cidade de LouveiraSP. A defesa alegou que não pretendeu tomar crédito nem sobre despesas financeiras e nem sobre depreciação do imobilizado, como entendeu o fisco. Disse que os juros pagos no financiamento do BNDES compõem o custo da obra do centro de distribuição de LouveiraSP, constituindose em gastos préoperacionais que foram ativados. Os créditos glosados pelo fisco, foram apropriados pelo contribuinte sobre os encargos de amortização de tais juros depois de ativados. Sendo assim, há que se concordar com a fiscalização. O art. 3º, VII, combinado com o § 1º, inciso III, somente autoriza a tomada do crédito sobre a despesa de depreciação em edificações e benfeitorias em imóveis. Não existe previsão legal para a tomada de créditos sobre amortização de gastos préoperacionais. As alegações do contribuinte, confirmam o acerto da glosa efetuada pela fiscalização, por ausência de previsão legal para o crédito. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 23 27 Acrescentese que a menção à "amortização" contida no art. 3º, § 1º, III se refere aos bens mencionados ao inciso XI, pois somente bens intangíveis estão sujeitos à amortização. 6 Da tomada de créditos sobre taxas pagas às administradoras de cartões de crédito A fiscalização glosou o crédito tomado sobre as despesas com taxas repassadas às administradoras de cartão de crédito, com amparo na interpretação oficial veiculada pelo ADI RFB nº 36/2011, que considera que tais dispêndios não geram direito à tomada de créditos por falta de previsão legal. Embora o contribuinte possua uma decisão judicial autorizando a tomada do crédito sobre essas despesas, entendeu o fisco que ela somente se aplica a créditos gerados a partir do ano de 2010. O contribuinte, por seu turno, entende que a aceitação de cartões de crédito é essencial para o sucesso do seu empreendimento, sendo um custo necessário à sua atividade fim, caracterizandose como verdadeiro insumo. Ademais, a decisão judicial obtida teria caráter meramente declaratório de um direito já previsto em lei, sendo perfeitamente aplicável ao caso concreto. Essa questão já foi enfrentada e decidida por este colegiado no Acórdão 3403002.834, seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS. Em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. EMPRESAS COMERCIAIS. TAXAS PAGAS ÀS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. As taxas pagas às administradoras de cartões de crédito não geram direito a crédito, por constituírem despesa operacional do contribuinte (art. 299, § 1º, do RIR/99). Recurso voluntário negado. Conforme já foi visto antes, o contribuinte é uma empresa comercial varejista que tem direito aos créditos dos arts. 3º, I, mas não tem direito à tomada de créditos sobre insumos nos termos dos arts. 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, as despesas com administradoras de cartão de crédito são incorridas no momento da venda, ou seja, são despesas incorridas no momento da comercialização do Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 28 produto, caracterizandose como despesa operacional, em relação à qual inexiste previsão legal para o crédito. Portanto, não merece nenhum reparo a interpretação vertida no ADI nº 36/2011, pois não existe amparo legal para a tomada de crédito em relação às taxas pagas às administradoras de cartões de crédito, nem em relação às empresas industriais ou prestadoras de serviço e muito menos em relação às empresas comerciais. Nem mesmo o art. 3º, V, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 ampara a pretensão da recorrente. O referido inciso vigorou com duas redações até a data deste julgamento. A primeira (até abril de 2004), atribuía o direito de crédito em relação às despesas financeiras geradas por empréstimos ou financiamentos e também sobre o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil. A segunda redação, introduzida pela Lei nº 10.865/2004 e com vigência a partir de 1º de maio de 2004, restringiu aquele direito apenas às contraprestações de arrendamento mercantil. Sendo assim, também não é possível o enquadramento das taxas pagas às administradoras de cartões de crédito no inciso V, pois esses dispêndios se caracterizam como despesas de venda classificáveis no grupo das despesas operacionais (art. 299, § 1º do RIR/99). No que concerne à aplicabilidade da decisão judicial obtida pelo contribuinte, verificase nas fls. 64/66 que o TRF da 1ª Região reconheceu, em sede de agravo de instrumento, o direito aos créditos requeridos nos seguintes termos: "(...) Diante do exposto, defiro o pedido de tutela antecipada recursal, para autorizar a escrituração dos créditos vincendos referentes à contribuição ao PIS e à COFINS decorrentes das despesas pagas às administradoras de cartões de crédito e débito. " Os negritos do excerto acima transcrito são do original. Ou seja, o juiz deixou bem claro que a decisão se referia aos créditos vincendos. Tendo em vista que tal decisão foi proferida somente em 12 de março de 2010 e que os créditos são apurados mensalmente, é óbvio que a tomada do crédito só foi autorizada para os créditos originados por valores pagos a partir de março de 2010, inclusive. A interpretação da recorrente não prospera, porque o dispositivo da decisão judicial faz lei entre as partes, a teor do art. 468 do CPC, e nele o juiz deixou expresso que o direito se referia a créditos futuros e não a créditos pretéritos. 7 Dos juros de mora sobre a multa de ofício Por fim, o contribuinte questionou a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 24 29 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 30 Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 25 31 Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Com efeito, a discussão preponderante de todo o processo, excetuando o enquadramento da Recorrente no regime cumulativo ou nãocumulativo, está adstrito à célebre discussão sobre o conceito de insumos, uma vez que a Recorrente foi autuada pelas autoridades fazendárias por ter tomado créditos do PIS e COFINS nãocumulativos, por adotar conceito diverso das autoridades fazendárias. Mais adiante passarei à análise de cada um dos itens que a Recorrente tomou créditos. De qualquer forma, pelo conteúdo da decisão da DRJ depreendese claramente que a Decisão se assenta sobre o conceito de insumo aplicável à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Nesse ponto, digase de passagem, nem seria necessária uma análise mais aprofundada da Decisão da DRJ, pois apenas com a razão externada de que a Recorrente seria empresa varejista e que, portanto, não se aplicaria o conceito de insumo para a sua atividade, que não envolveria a produção, nem a fabricação e sequer a prestação de serviços, já se pode cravar a linha adotada pela autoridade fazendária. Faço esta menção em total respeito à autoridade fazendária, ainda que discordando de seu posicionamento, pois — é necessário que se diga — ela simplesmente adota a interpretação literal das singelas regras acerca de insumo constantes nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004. Tais Instruções Normativas que, sob o ponto de vista estritamente literal, se prendem à redação das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, refletem o posicionamento da Receita Federal do Brasil adotado desde o Parecer Normativo nº 65, de 05 de novembro de 1979, cujos trechos abaixo transcritos demonstram visivelmente a importação de antigos critérios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados em relação à não cumulatividade do PIS e da COFINS, conforme segue: “A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 32 desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74. ... 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida).” Naturalmente que se trata de posicionamento equivocado, para dizer o mínimo, não apenas por se tratarem de tributos completamente distintos, que possuem fatos jurídicos tributários diversos, como também porque as regras de nãocumulatividade são diferentes. A atividade econômica geradora de receitas, base de cálculo das Contribuições ao PIS e a COFINS no regime nãocumulativo, não se resume à industrialização, como ocorre com o ultrapassado Imposto sobre Produtos Industrializados, de onde surgiu o conceito de insumo na legislação brasileira, mas sim a todo o tipo de exercício, que compreende a venda de bens, seja no atacado ou no varejo, a prestação de toda a sorte de serviços e a realização de outras atividades que classicamente não se subsumem aos atuais critérios jurídicos de classificação da atividade de comercialização e prestação de serviços, e. g., locação de bens imóveis e móveis, cessão de direitos e etc., mas se enquadram no critério econômico de classificação. Dessa forma, restringir a tomada de créditos de PIS e COFINS à atividade industrial, olvidando toda a sistemática do PIS e da COFINS nãocumulativos, é contrariar, inicialmente, em meu pensar, a Constituição Federal, posto que o §12º, do artigo 195 da Constituição Federal de 1988, não estabelece, em nenhum momento tal distinção: Art. 195 – CF § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Essa condenável restrição também contrariaria a Ordem Econômica, posto que prejudicaria outras atividades empresariais legítimas, fontes geradoras de riquezas, diversas da atividade industrial, a qual não figura de há muito, na atividade que percentualmente mais contribui para o Produto Interno Bruto do País. Não pretendo ingressar no mérito da constitucionalidade da não cumulatividade do PIS e da COFINS, mas tãosomente apontar que a Constituição é e deve ser sempre o ponto de partida do intérprete, daí porque assume relevo a injustiça, o tratamento desigual e não razoável de uma eventual aplicação distinta de regras nãocumulativas voltadas para a atividade industrial. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 26 33 Tudo isso para, em apertada síntese, fundamentar a conclusão de que as regras e conceitos referentes ao IPI não podem, de nenhuma forma, ser aplicadas para o PIS e a COFINS nãocumulativos. Mas poderiam as regras do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. É verdade que a adoção do regime nãocumulativo está atrelada à forma de apuração do Imposto de Renda, se Lucro Real ou Lucro Presumido, determinando, pois, o ingresso ao sistema de créditos e débitos. E também é verdade que inúmeros itens de crédito constantes nos artigos 3º da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e. g., edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, contraprestação de arrendamento mercantil, energia elétrica utilizada na atividade da empresa, são próprios da legislação do Imposto de Renda. Por outro lado, argumentase que se o legislador tivesse tido a intenção de adotar o conceito de custo e despesa do Imposto de Renda para a legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, ele o teria feito de forma ampla. E nesse sentido, defendese que o PIS e a COFINS nãocumulativos e o IRPJ são tributos totalmente distintos e que possuem bases de cálculo diversas, pois o PIS e a COFINS incidem sobre as receitas e o IRPJ sobre o lucro (formado pelas receitas menos as despesas e as compensações e deduções admitidas na legislação. No Lucro Presumido a base de cálculo é a receita, presumindo a legislação um percentual de lucratividade). Questiono se tal discussão não seria própria de nosso mal, pois ao invés de adotarmos critérios simples, unificadores, fáceis de serem adotados e praticados por todos os operadores, criamos esquemas mentais complexos e subjetivos, apegados à circunstância, que transformam a área tributária sinônimo de complexidade. Tenho para mim que o PIS e a COFINS nãocumulativos estão muito mais próximos da legislação do Imposto de Renda, guiado pelas receitas operacionais e não operacionais e pelas despesas, do que da legislação do IPI, pois, reitero, a atividade empresarial não se resume à industrial. Nesse sentido, qual o significado da afirmação segundo a qual o conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos seria próprio, distinto, portanto, do IPI, por óbvio, mas também diverso do IRPJ. Não deixa de ser uma afirmação em termos, relativa, pois tem como fragilidade o fato de que não existe um conceito de insumo para o IRPJ, que se prende a custos e despesas, e também ao fato de que a palavra “insumo” se desapegou por completo do microcosmo da legislação do IPI, tendo sido, na realidade, um completo despropósito a sua adoção (e daí o perigo da argumentação fundada na intenção do legislador e em eventual futuro e incerto baseado no “se”). Aliás, quando do surgimento do PIS nãocumulativo, por meio da Medida Provisória nº 66/2002, havia orientação clara, inclusive prevista na Medida Provisória, que a legislação seria testada e que, posteriormente, se analisaria a possibilidade de adoção da sistemática nãocumulativa para a legislação da COFINS. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 34 A verdade é que tal teste sequer chegou a ser realizado e, sem maiores discussões, a MP nº 66/2002 foi convertida na Lei nº 10.637/2002, e em seguida foi editada a MP nº 135/2003, nos mesmos moldes, convertida na Lei nº 10.833/2003, dando lugar, posteriormente, para a correção de uma grave distorção do PIS e da COFINS importação, de maneira a igualar a tributação local à do bem e serviço importado. Ou seja, é uma afirmação e uma discussão vazia, que não tem destino certo, pois o surgimento do sistema nãocumulativo se deu de forma atabalhoada, sem qualquer discussão, gerando um aumento de alíquota da ordem de 273%, não notada inicialmente para o PIS, mas que se mostrou gritante em relação à COFINS. Daí porque em nada aproveita, em meu pensar, a discussão de que o legislador poderia ter adotado critério diverso, sido expresso, em relação ao IRPJ, pois não existe um conceito de insumo na legislação do IRPJ, mas sim de custo e despesa necessária e usual para a atividade da empresa, e porque a própria adoção do PIS e da COFINS não cumulativos se deram de forma superficial, sem maiores reflexões e discussão com o meio empresarial. Naturalmente que tais falhas resultaram numa enxurrada de discussões judiciais acerca da nãocumulatividade, na mudança inflacionária da legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, e na discussão doutrinária e jurisprudencial do alcance da palavra insumo, que hoje conta com inúmeras opiniões e correntes de pensamento dos estudiosos do tema e da jurisprudência. Não me surpreende, pois, a afirmação de que a Recorrente, na qualidade varejista, seu CNAE principal, portanto revendedora de bens (e determinados serviços financeiros) seria estranha à discussão sobre a palavra insumo, pois a autoridade fazendária se apega à corrente que adota religiosamente a legislação do IPI. Não vejo como técnica e rigorosamente falarse em adoção da legislação do IRPJ em relação à palavra insumo, vez que tal legislação não emprega esse termo de forma própria. Sob outro prisma, entendo que os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos são meramente exemplificativos, uma vez que a legislação proibiu expressamente a vedação do crédito decorrente do pagamento de mãodeobra e de bens e serviços provenientes do exterior (o que foi alterado com o PIS e COFINS importação). Nessa linha de raciocínio, incidindo o PIS e a COFINS nãocumulativos sobre a receita, e considerando a vedação da tomada de crédito da mãodeobra, resulta que todo o dispêndio usual e necessário para a atividade geradora de receita deve ser considerado como “insumo” à produção econômica do bem ou serviço. Ou melhor, deve ser considerado como um componente relevante para a geração de receita da pessoa jurídica, pois sem ele a pessoa jurídica não conseguiria exercer sua atividade ou teria uma restrição de sua atividade econômica. Dessa forma, como observado anteriormente, não compartilho do entendimento de que à palavra “insumo” do PIS e da COFINS deve se empregar o conceito da legislação do IRPJ, pois esta legislação não dispõe expressamente sobre insumo, mas considera custos e despesas usuais, normais e necessários para a atividade da empresa como despesas operacionais, pois formadoras, em última instância, do lucro. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 27 35 Assim, todos os custos e despesas que estejam intimamente relacionados à geração de receitas da pessoa jurídica, em meu pensar, devem outorgar o direito ao crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos, não porque sejam insumos, mas sim porque são necessários para o exercício da atividade da pessoa jurídica, não se justificando um regime dito nãocumulativo em que somente alguns custos e despesas são autorizados, pois ele implica inegável cumulação. Com efeito, a atividade de revenda de bem não se resume à mera compra e venda do bem anteriormente adquirido, sendo muito mais complexa hoje em dia, eis que a Recorrente deve não apenas ajustar o seu estoque às tendências de mercado, como também oferecer atendimento rápido, eficaz, pontos de venda, enfim, fazse necessária toda uma estrutura empresarial para que ela possa realizar a sua atividade de maneira legítima, em condições de competir no mercado com sua concorrência e de realizar a sua atividade economicamente saudável. Envolve o colocar o bem adquirido no mercado, que pode ser caracterizado como a “produção” do bem, que vai desde a escolha do tecido e do modelo, até o oferecimento do bem em suas lojas de varejo ao público consumidor em geral, de modo que com a comercialização desses bens (e de serviços correlatos), a Recorrente possa gerar receita para a sua atividade, receita esta que será tributada pelo PIS e COFINS nãocumulativos, vez que a Recorrente adota, por obrigatoriedade, o Lucro Real na apuração do IRPJ. O artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos de bens adquiridos para revenda e de bens e serviços, no sentido amplo, utilizados como “insumo” na produção de bens destinados à venda, in verbis: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Depreendese, pois, que, como dito anteriormente, não há como restringir o inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 à atividade industrial, inclusive porque há expressa menção à produção ou fabricação, atividades distintas, sendo que a produção econômica não envolve somente as atividades enquadráveis como industrialização no Imposto sobre Produtos Industrializados, e. g., acondicionamento. Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA 36 A produção econômica gera receita, é a atividade perseguida pela atividade empresarial, que objetiva o lucro, necessitando, na dinâmica empresarial de despesas para a geração de receitas, que constituem as bases de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. E a produção econômica, em meu pensar, justifica o direito de crédito do PIS e da COFINS da Recorrente relativamente aos itens necessários e usuais para a sua atividade, despesas essas que ela, Recorrente, deve necessariamente incorrer para gerar receitas. Na hipótese de que a produção, constante no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, não seja interpretada no sentido amplo, de modo que despesas intimamente relacionadas à atividade da Recorrente sejam passíveis de creditamento, admitirseá que a legislação do PIS e da COFINS previu um regime não isonômico, prevendo tratamento privilegiado para a atividade industrial, olvidando a atividade comercial e, ainda, o próprio setor de serviços, vez que restringese sobremaneira os “insumos” dos serviços. Por outro lado, nos baseamos na palavra “produção”, prevista no inciso II, do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 para oferecer uma nova interpretação ao tema, consentânea com um verdadeiro regime nãocumulativo e, em nosso pensar, em linha com os ditames constitucionais e legais do PIS e COFINS nãocumulativos. De qualquer maneira, não se pode perder de vista que nem a Lei nº 10.637/2002 e sequer a Lei nº 10.833/2003 estabeleceram expressamente que apenas se poderia tomar como crédito do PIS e COFINS aqueles itens constantes em sua relação, o que nos leva a indagar se tal elenco não seria meramente exemplificativo. Ainda mais porque a Lei fixou como parâmetros que não outorgam crédito as operações ou prestações anteriores não sujeitas ao PIS e COFINS e o valor de mãodeobra pago a pessoa física que, naturalmente, não está sujeito ao pagamento de PIS e COFINS. Daí porque, a contrário sensu, o raciocínio harmônico com um verdadeiro regime nãocumulativo, no sentido de que todos os títulos relacionados na Lei e não restritos ou excetuados, desde que sujeitos ao pagamento do PIS e da COFINS, dão direito ao crédito das Contribuições. Assim, passamos à análise das glosas realizadas sobre os créditos: Taxas de Administração de Cartão de Crédito e Débito Ora, as taxas pagas para a utilização de cartões de crédito e débito são essenciais à atividade comercial da Recorrente. Num sentido amplo poderiam ser consideradas insumos, mas a verdade é que essas taxas são despesas necessárias para a Recorrente, sem as quais ela certamente não auferiria as receitas que aufere, sobretudo nos dias atuais em que se utiliza cada vez menos o papel moeda e com todas as restrições comerciais dos cheques frente à possibilidade de recebimento eletrônico por meio de débito ou crédito. Despesas com Propaganda O mesmo raciocínio se aplica às despesas de propaganda. São despesas necessárias e usuais ao tipo de atividade da Recorrente, pois necessárias para propagar e divulgar os seus produtos. A Recorrente atua no setor de comércio/revenda de vestuário, um setor que atualmente tem como particularidade o consumo de moda. O consumo de um produto propagandeado ou utilizado por modelo que chama a atenção dos consumidores e leva à venda, sendo, portanto, necessário, na minha visão, que a Recorrente incorra em despesas de Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Processo nº 13855.721049/201151 Acórdão n.º 3403003.385 S3C4T3 Fl. 28 37 propaganda, sem as quais comprometeria em muito a sua atividade e sem as quais certamente não chegaria ao tamanho empresarial a que chegou. Despesas relacionadas a atividades financeiras (SERASA, SPC, SAC e Telefone Comunicação de Dados) Conforme mencionado no item “i” não se cogita que a atividade da Recorrente, atividade comercial ao público em geral, seja realizada sem as mínimas cautelas necessárias à sobrevivência de seu negócio. As despesas relacionadas às atividades financeiras estão relacionadas aos inúmeros serviços de proteção do crédito que a Recorrente está obrigada a contratar para evitar prejuízos em sua atividade e, nesse tipo de atividade, são imprescindíveis ao negócio explorado pela Recorrente, motivo pelo qual entendo que ela tem sim direito ao crédito do PIS e da COFINS nãocumulativos sobre tais valores. Nessas despesas também estão incluídas as atividades de consultoria e cobranças às operações com cartões de crédito e débito, incluindo o telemarketing e o teleatendimento. Dessa forma, não vejo como não reconhecer tais créditos em favor da Recorrente, com base no raciocínio acima traçado, pois, acaso tal direito não seja reconhecido, a Recorrente será penalizada à medida que exerce atividade preponderante de revenda, tendo sofrido indireto aumento de carga tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914811/2012-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 48 11 /2 01 2- 13 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos contábeis e fiscais que fundamentam a retificação. DACON. CARÁTER INFORMATIVO. O DACON configura declaração de caráter informativo e não instrumento de confissão de dívidas tributárias nem veículo de inscrição desses débitos em Dívida Ativa da União. A informação prestada no DACON, desacompanhada de documentos que a justifiquem, não é suficiente para provar a existência de direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), retificando exclusivamente a Dacon, sem, portanto, retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914811/201213 Acórdão n.º 3802003.811 S3TE02 Fl. 136 3 o que só veio a ocorrer após o despacho decisório. Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 71 e ss., alega a falta de retificação da Dctf seria um mero equívoco, que poderia ser constatado pela análise da Dacon, já retificada quando da apresentação do pedido de PER/Dcomp. Afirma que, pelo princípio da verdade material, deveria o órgão julgador verificar quais dos dois documentos (Dctf ou Dacon) continha os valores corretos, bem como que a Dacon e a Darf são os únicos meios de provas capazes de demonstrar o valor efetivamente devido à título de Cofins, bem como a existência de pagamento a maior. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/01/2014 (fls. 69), interpondo recurso tempestivo em 04/02/2014 (fls. 71). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.914811/201213 Acórdão n.º 3802003.811 S3TE02 Fl. 137 5 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, entretanto, entendese que a documentação apresentada é insuficiente para a demonstração da certeza e da liquidez do direito de crédito. A Dipj e o Dacon, diversamente do que sustenta o Recorrente, somente têm valor probatório quando acompanhados da escrituração fiscal, ainda que parcial, notadamente em face das divergências encontradas no curso do processo. Além disso, também deveria ter sido apresentada a documentação que lastreia a escrituração, porquanto esta, de acordo com o art. 9.º, § 1.º, do DecretoLei n.º 1.598/1977, apenas “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007898/2002-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO COM PRECATÓRIOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. INADIMPLEMENTO DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, por iniciativa do sujeito passivo, somente será possível mediante o cumprimento dos requisitos previstos em normas infralegais expedidas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que não há previsão legal para tal desiderato na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3803-006.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO COM PRECATÓRIOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. INADIMPLEMENTO DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, por iniciativa do sujeito passivo, somente será possível mediante o cumprimento dos requisitos previstos em normas infralegais expedidas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que não há previsão legal para tal desiderato na esfera administrativa.
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INADIMPLEMENTO DE REQUISITOS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, por iniciativa do sujeito passivo, somente será possível mediante o cumprimento dos requisitos previstos em normas infralegais expedidas pela Receita Federal do Brasil, uma vez que não há previsão legal para tal desiderato na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 78 98 /2 00 2- 83 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues Relatório A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, por iniciativa do sujeito passivo, uma vez que não há previsão legal para tal desiderato, somente será possível mediante o cumprimento dos requisitos previstos em normas infralegais expedidas por esse órgão. Em procedimento interno de verificação da regularidade fiscal em face da contribuinte a fiscalização verificou a existência de inconsistências em DCTF, por conseguinte lavrando o auto de infração, que trata de seis débitos de PIS, cujos fatos geradores ocorreram entre os meses de julho a dezembro/1997 (3º e 4º trim/97), dele sendo intimada o sujeito passivo para pagar R$ 711.333,50, ou impugnar o feito. Impugnando o feito arguiu a contribuinte que o valor do principal lançado no auto de infração ora impugnado se refere exclusivamente a valores compensados do PIS/1997, não confirmados, vez que o procedimento de compensação não foi admitido, eis que o processo judicial nº 92.0063976 3, informado em DCTF não comprova o direito de compensar, por conseguinte lançando a exação por falta de recolhimento de PIS à fl. 06, conforme Anexo III, p. 06 do respectivo auto. A Impugnante interpôs em face da Fazenda Nacional ação Ordinária para obtenção da Inexistência de Relação Jurídica, cumulativa com repetição de indébito, arguindo pela inconstitucionalidade, incidentalmente, dos DL 2445/88 e 2449/88, logrando êxito quanto à sentença (fls. 87/92) e da sua confirmação pelo Tribunal ad quem (fls. 98/101), ocorrendo o transito em julgado em 13/02/97 (fl. 103), nos seguintes dizeres, quais sejam: "Condeno a União a devolver ao autor as diferenças que indevidamente recebeu, como reconhecida nesta decisão, a título de PIS,...". Informou a Impugnante que memória de cálculo elaborada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional Divisão de Defesa da Fazenda Nacional/Setor de Cálculos (fls. 43/45, anexa), em cinco laudas, já confirmava em 11/1999 o crédito em favor da parte autora no valor de R$ 1.117.066,68, o que de per si, após o trânsito em julgado, já autorizaria o direito à compensação que foi efetuada com fundamento no art. 156, II, do CTN; no art. 66 da Lei nº 8.83/91 e no art. 1º do Dec. 2.183/97. O Despacho Decisório nº 1451/2010 (54) noticia que o crédito vinculado trata de compensação s/darf com processo judicial, para propor com fulcro nos arts. 145, III e 149, VIII, ambos do CTN, o cancelamento da parcela do crédito tributário improcedente (fl. 50) e a manutenção da parcela procedente, que prosseguirá com a análise de mérito, juntamente com os demais créditos tributários do auto de infração nº 0039741. A informação fiscal de fl. 70 relata que o acompanhamento processual de 1ª instância demonstra que houve fase de execução, e que no ano de 2008 foi remetida ao TRF 3ªR requisição de pagamento de precatório, com alvará para levantamento no ano de 2009, bem assim não se verifica nenhum pedido de desistência na ação de repetição de indébito, o que indicaria a correção no procedimento de migração para a opção de compensação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13807.007898/200283 Acórdão n.º 3803006.200 S3TE03 Fl. 9 3 Conclusos foram os autos para apreciação pela 9ª Turma da DRJ/SP1 que, por meio do Acórdão nº 1627.841 (fls. 83/), julgou a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte, consoante a ementa transcrita adiante: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 AÇÃO JUDICIAL EXECUÇÃO JUDICIAL IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO VIA ADMINISTRATIVA. Requerido pagamento de precatório, com alvará de levantamento, não resta possibilidade de compensação com débito via administrativa pela indisponibilidade de crédito liquido e certo. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. O voto condutor do acórdão de piso consubstanciado na informação fiscal de fl. 70, entendeu que, em razão da requisição de pagamento de precatório, com alvará para levantamento no ano de 2009, e por não haver o pedido de desistência da ação de repetição de indébito, não resta mais crédito de PIS para efetuar a compensação dos débitos do próprio PIS lançados no auto de infração, por conseguinte não havendo se falar em extinção do crédito tributário pela compensação. Assinalou o relator que o lançamento da multa de ofício, com fulcro no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 e no art. 90 da MP nº 2.15835/01, ocorreu em razão de a contribuinte haver deixado de efetuar o pagamento de obrigação tributária já vencida sem apontar alguma causa válida que justificasse a mora. Esclareceu, ainda, que posteriormente ao auto de infração em comento, a regra para o lançamento foi alterada, por força do contido no art. 18 da Lei nº 10.833/03, com redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.051/04 e, com isso, não mais cabe a multa de ofício fora dos casos mencionados nesses artigos, sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/03, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, II, 'c', do CTN, havendo que se exonerar a multa de ofício aplicada. Ciente do Acórdão de piso por meio de AR em 11/01//11 (fl. 93) e contra o mesmo se insurgindo, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 09/02/11 (fl. 97), para aduzir as suas razões de reforma do acórdão, na ocasião reiterando os termos expendidos na exordial minudentemente, trazendo outrossim novos fundamentos legais a consubstanciar a sua tese a exemplo do art. 170 do CTN, c/c o § 2º do art. 78 da ADCT. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por esta Corte resumese ao pronunciamento acerca da possibilidade ou não de compensação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, em ação de repetição de indébito, depois da expedição do alvará de levantamento, ou seja, da possibilidade de compensação envolvendo precatório, sem o expresso pedido de desistência da ação de execução; sem a assunção das dívidas relacionadas às custas e honorários advocatícios relacionados ao processo de execução; sem a cópia da renúncia à execução do título judicial protocolada na justiça federal; e sem a habilitação prévia do crédito reconhecido perante a Receita Federal do Brasil. A Constituição Federal de 1988, por meio do seu artigo 100, §§ 9º e 10, determinou que por ocasião da expedição dos precatórios, independentemente de regulamentação, deles deverá ser abatido, a título de compensação, o valor correspondente aos débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida ativa e constituídos contra o credor original pela Fazenda Pública devedora, incluídas parcelas vincendas de parcelamentos, ressalvados aqueles cuja execução esteja suspensa em virtude de contestação administrativa ou judicial. Dispõe ainda que antes da expedição do precatório, o Tribunal solicitará à Fazenda Pública devedora, para resposta em até 30 dias, ante o risco de perda do direito de abatimento, informação sobre os débitos que preencham as condições estabelecidas, para os fins nele previstos. Efetivamente a Fazenda Nacional, por meio da Divisão de Defesa da Fazenda Nacional/Setor de Cálculos (fls. 43/45, anexa), se pronunciou nos autos acerca do crédito em favor da parte autora, confirmando o valor de R$ 1.117.066,68, em 1/1999. Ocorre que na hipótese de ação de repetição de indébito, a compensação somente poderá ser levada a efeito, se o requerente fizer prova da homologação pelo Poder Judiciário da desistência do título executivo judicial ou da renúncia à sua execução, além da assunção das custas do processo de execução, inclusive dos honorários advocatícios referentes a esse processo. Com o fito de disciplinar os procedimentos para a realização pelo detentor do crédito visando à obtenção de êxito por ocasião da compensação, neste sentido a Receita Federal do Brasil, com fulcro no caput e § 6º do art. 71 da IN RFB nº 900/08, estabeleceu procedimentos a serem adotados para a habilitação do crédito mediante pedido do contribuinte, quais sejam: Art. 71 . Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13807.007898/200283 Acórdão n.º 3803006.200 S3TE03 Fl. 10 5 § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo VIII, devidamente preenchido; II certidão de inteiro teor do processo, expedida pela Justiça Federal; III na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, cópia da decisão que homologou a desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução ou cópia da petição de renúncia à execução do título judicial protocolada na Justiça Federal; IV cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; V cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; VI cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VII procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a VII do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de ciência da intimação. § 3º No prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 2º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º. Com o advento da Lei nº 12.431/11, a possibilidade de compensação de débitos com precatórios federais perante a Fazenda Pública tornouse mais efetiva, pois este diploma legal passou a regulamentar tal matéria, anteriormente inserida no ordenamento jurídico pátrio pela EC nº 62/09. A partir dessa lei o processo de compensação passou a ter início na própria ação de condenação da União Federal, evitando que os contribuintes tenham que ingressar com ações judiciais específicas, na busca de autorização judicial. O art. 30 deste mandamus, assim dispõe: Art. 30. A compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, na forma prevista nos §§ 9o e 10 do art. 100 da Constituição Federal, observará o disposto nesta Lei. (Grifei). § 1o Para efeitos da compensação de que trata o caput, serão considerados os débitos líquidos e certos, inscritos ou não em dívida ativa da União, incluídos os débitos parcelados. § 2o O disposto no § 1o não se aplica a débitos cuja exigibilidade esteja suspensa, ressalvado o parcelamento, ou cuja execução esteja suspensa em virtude do recebimento de embargos do devedor com efeito suspensivo, ou em virtude de outra espécie de contestação judicial que confira efeito suspensivo à execução. § 3o A Fazenda Pública Federal, antes da requisição do precatório ao Tribunal, será intimada para responder, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre eventual existência de débitos do autor da ação, cujos valores poderão ser abatidos a título de compensação. § 4o A intimação de que trata o § 3o será dirigida ao órgão responsável pela representação judicial da pessoa jurídica devedora do precatório na ação de execução e será feita por Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13807.007898/200283 Acórdão n.º 3803006.200 S3TE03 Fl. 11 7 mandado, que conterá os dados do beneficiário do precatório, em especial o nome e a respectiva inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). § 5o A informação prestada pela Fazenda Pública Federal deverá conter os dados necessários para identificação dos débitos a serem compensados e para atualização dos valores pela contadoria judicial. § 6o Somente poderão ser objeto da compensação de que trata este artigo os créditos e os débitos oriundos da mesma pessoa jurídica devedora do precatório. (Grifei). A transcrição do artigo 30 acima evidencia que o comando das diretrizes ali preconizadas será efetivado pelo Poder Judiciário, e não mais pelo Poder Executivo, possibilitando inferir acerca das inovações que a partir dessa Lei, que doravante regulamentará a compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, haverá mais objetividade e celeridade na resolução do imbróglio. Restou claro que antes do encaminhamento pelo juiz do requerimento do precatório ao Tribunal, a Fazenda Nacional deverá prestar informações ao juízo com todos os pormenores necessários à identificação dos débitos a serem compensados e para a atualização dos valores pela contadoria judicial, no prazo de trinta dias; que o beneficiário do precatório será informado acerca desses dados, que até então seria uma incógnita, inclusive podendo impugnálos, com direito a agravar de instrumento, se por ventura se fizer necessário, a decisão do juiz, na forma do art. 34. Também é o juízo que deverá considerar as deduções tributárias que serão retidas pela instituição financeira. Por fim, de acordo com os artigos 37 e 38 a requisição do precatório seguirá para o Tribunal com todas as informações acerca do valor do débito da Fazenda Federal, do valor deferido para a compensação e do valor líquido a ser pago ao credor do precatório, além de outras informações relevantes para o preenchimento de documentos de arrecadação, que por sua vez o Tribunal encaminhará para a instituição financeira responsável pelo pagamento o valor bruto do precatório. Isto ocorrerá mediante a opção do contribuinte pela via judicial para recebimento do seu precatório, o que não inviabilizará a sua escolha pela compensação administrativa. Na via administrativa, as regras estatuídas pela IN 900/08, que foi revogada pela IN RFB nº 1.300/12, permanecem ativas, entretanto houve flexibilização no caso de compensação de créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado, pois trouxe a opção de o contribuinte simplesmente apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste, a fim de demonstrar a desistência da execução judicial, tornando despicienda aquela homologação judicial prevista na IN 900/08, que não mais é obrigatória. Compulsando os autos notase que o pleito da recorrente tramita regularmente na esfera judicial, inclusive com a expedição do alvará de levantamento. Entretanto o mesmo não se dizer em relação aos procedimentos que deveriam ser adotados pela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 recorrente, em observância ao disposto nas IN’s disciplinadoras do assunto, além da Portaria PGFN nº 690/11. Como visto não é o bastante à obtenção do trânsito em julgado da ação de repetição de indébito para a realização da compensação de débitos com precatórios. Na mesma trilha a Solução de Consulta COSIT nº 101/2014, esclareceu que os arts. 30 a 42, da Lei nº 12.431/2011, com fundamento nos §§ 9º e 10 do art. 100 da Constituição Federal de 1988, possibilitam essa compensação exclusivamente na esfera judicial, a ser exercida nos autos do processo de execução do precatório, operandose no momento em que a decisão judicial que a determinou transitar em julgado. Igualmente o faz ao esclarecer que não é cabível, administrativamente, a compensação de débitos perante a Fazenda Pública Federal com créditos provenientes de precatórios, eis que não há previsão legal para a compensação por iniciativa do contribuinte de débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) com créditos de precatórios. Ante todo o exposto, haja vista que a contribuinte ao optar pela compensação de débitos com precatórios na esfera administrativa, não logrou demonstrar, nem comprovar que sequer habilitou o crédito perante a Receita Federal do Brasil, ou mesmo que desistiu da execução na esfera judicial, não há como acolher o seu pleito, eis que as providências já adotadas se revelaram insatisfatórias. Oriento assim o meu voto para negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14479.000026/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratar-se de lançamento de ofício conforme estipula o art. 149, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplica-se a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN..
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanel Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2331; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 177 1 176 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14479.000026/200721 Recurso nº 14.479.000026200721 Voluntário Acórdão nº 2803003.073 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente ORTEL ORGANIZACAO REFEICOES TERRACINHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração à legislação da Receita Federal do Brasil deixar a empresa de exibir todos os documentos e livros relação a fatos geradores contribuições previdenciárias, por infração ao art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Em atenção ao Auto de Infração em questão, tratarse de lançamento de ofício conforme estipula o art. 149, II do CTN, fundado em descumprimento de obrigação acessória de informação na forma da legislação tributária, aplicase a contagem do prazo de 5(cinco) anos na forma do artigo 173, inciso I, do CTN.. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 00 26 /2 00 7- 21 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14479.000026/200721 Acórdão n.º 2803003.073 S2TE03 Fl. 178 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanel Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14479.000026/200721 Acórdão n.º 2803003.073 S2TE03 Fl. 179 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento do disposto art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999, ao deixar de apresentar os livros diários dos exercícios de 1997 a 2005, reconhecendo também a existência de grupo econômico. A ciência do lançamento deuse em 30.07.2007. A parte apresentou os termos de abertura e encerramento dos livros diários dos exercícios 1997; 2001; 2002; 2003; 2004 e 2005(fls. 26/37) dentro do prazo de impugnação. O recurso foi tempestivo, e alegou a nulidade da decisão recorrida, decadência qüinqüenal dos créditos lançados, dever de relevação da multa Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Está correto Auto de Infração, a obrigação de apresentar os documentos requisitados pela fiscalização está estabelecida art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n. 8.212/1991, sujeita à multa prevista no art. 92 e art. 102 desse diploma, e no art. 283, II, "j", e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.049/1999. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Segue razão a autoridade a quo quanto à impossibilidade de relevação da penalidade, pois como demonstrado nos autos a Recorrente não juntou no prazo de defesa todos os documentos que foram solicitados, em sua forma regular. Observese que os Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14479.000026/200721 Acórdão n.º 2803003.073 S2TE03 Fl. 180 4 documentos solicitados pela fiscalização eram os Livros Diários, não apenas seus termos de abertura e encerramento, indiferentemente de não ter apresentado quaisquer documentos referentes aos exercícios 1998,1999,2000, pois somente isso foi apresentado dos demais. Ainda, para somar a impôs o presente Auto de Infração representa uma reincidência genérica, conforme demonstrado às fls. 80 e 81, dentro dos 5(cinco) a contar do transito em julgado destes últimos, fazendo incidir o artigo 290, V, combinado com o art 292, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3.048/1999. III Não vislumbrase que no presente caso há ocorrência de extinção do crédito por decadência. Observese que por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de aplicação de sanção por descumprimento de obrigação instrumental (acessória) o lançamento de crédito tributário é realizado de ofício, em especial nos casos de que são solicitados documentos ao contribuinte mas não são apresentados, na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Essa é inclusive a orientação jurisprudencial de vários julgados do 2º Conselho de Contribuintes e da 2ª Sessão de Julgamento do CARF/MF, a exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n os 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratandose de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, aplicase o artigo 173, inciso I, do CTN, uma vez que a contribuinte omitiu informações ao INSS, caracterizando lançamento de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Ac. 240100.567, ,Rel.Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira da 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF/MF, sessão de 03.12.2009 – no mesmo sentido Ac Ac. 20601.698 do 2º CC) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14479.000026/200721 Acórdão n.º 2803003.073 S2TE03 Fl. 181 5 Por fim, tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos O aspecto temporal da hipótese de incidência da norma sancionatoria é o momento de desobediência da norma tributária de obrigação acessória, que se dá no momento em que ela deveria ser cumprida, mas não é. Assim, consoante a regra retro citada, e a data de ciência do lançamento, no dia 30.07.2007, efetivamente houve a decadência referente ao créditos com base em livros com dados de fatos geradores de períodos anteriores a 01.01.2002. Ou seja, a fiscalização poderia solicitar a apresentação de documentos referentes a fatos geradores posteriores tal data, como o fez. Como a aplicação da multa tem base em sanção fixa conforme os dispositivo citados no item anterior, não faria diferença se o documento não apresentado fosse apenas um, desde que referente a fatos geradores não atingidos pela decadência. E, e no caso em questão, a recorrente deixou de entregar os livros diários dos exercícios de 2002 e seguintes. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o recurso por ocorrência da decadência. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Gustavo Vettorato Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13819.002568/2003-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1988
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.
COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
JUROS DE MORA. CRÉDITO SUSPENSO. AÇÃO JUDICIAL. CABIMENTO.
Incidem os juros de mora mesmo nos casos em que a cobrança dos tributos estiver suspensa por força de decisão judicial, nos termos do que prescreve o art. 5º do Decreto-Lei nº 1.736, de 20/12/1979.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente ROLLS ROYCE BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1988 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. JUROS DE MORA. CRÉDITO SUSPENSO. AÇÃO JUDICIAL. CABIMENTO. 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Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico, lavrado em 17/06/2003 (efls. 100/ss), para a cobrança da Cofins, multa de ofício e juros de mora, em decorrência de supostos créditos discutidos no bojo de ação judicial não transitada em julgado (processo original nº 98.15025953), onde o contribuinte pleiteia junto ao Poder Judiciário o reconhecimento do direito de restituir/compensar os valores recolhidos a título de Finsocial (questiona a incidência da alíquota de 2% vide petição inicial à efls. 17/ss). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, lavrado em 17/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 18/07/2003, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 882.716,04, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação dos débitos declarados para os períodos de julho a dezembro de 1998. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, protocolizou a impugnação de fls. 1/13, em 18/08/2003, juntando os documentos de fls. 14/125 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: • Alega que é nulo o auto de infração por cerceamento do direito à ampla defesa, tendo em vista que inexiste efetiva descrição do fato tido por delituoso, uma vez que no campo ocorrência consta a expressão "proc. Jud. não comprova". Além disso, a descrição dos fatos é requisito indispensável à validade do lançamento. • Salienta que o lançamento não se refere à eventual compensação indevida decorrente de erro na apuração do seu crédito e o seu consequente aproveitamento, mas sim à não comprovação do processo judicial indicado na DCTF, informação essa que deveria ter sido submetida à diligência, eis que o ônus da prova compete à Administração Pública. • No mérito, afirma que estão extintos os créditos tributários exigidos, haja vista a compensação tributária realizada e expressamente autorizada tanto por lei quanto por decisão judicial. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002568/200343 Acórdão n.º 3202001.314 S3C2T2 Fl. 305 3 • Informa que ingressou com ação declaratória de inexistência de relação jurídico tributária que a obrigasse ao recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5% (Processo no 98.15015953, da 2ª Vara Cível de São Bernardo do Campo). Informa, ainda, que a tutela antecipada e a sentença monocrática reconheceram à autora o direito de compensar os indébitos. • Ressalta que, divergindo da posição do STJ, acórdão proferido pelo TRF acolheu a prescrição do direito da impugnante em reaver os indébitos recolhidos; o recurso especial interposto aguarda apreciação. Em seguida, afirma que apurou os valores recolhidos a maior, atualizouos segundo os critérios deferidos pelo Poder Judiciário e lançou mão do art. 156, II, do CTN. • Assevera que os efeitos da liminar concedida subsistem, estando, portanto, o crédito tributário pretendido com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso V, da Lei n° 5.172, de 1966. • Conclui alegando que não se pode exigir do contribuinte o pagamento de crédito tributário não exigível, em primeiro lugar, por parte da legislação, e, em segundo, por ordem judicial, sob pena de desrespeito a determinação legal e jurisdicional. • Por fim, aduz que, estando suspensa a exigibilidade, não se pode admitir a aplicação da multa de oficio e dos juros de mora. Em análise prévia das alegações do impugnante, a autoridade preparadora relata o seguinte: (...) analisamos o processo judicial citado, sendo verificado que a ação ordinária, autos n° 98.15025953, foi proposta pela empresa em 24.06.98, por meio da qual objetivava a declaração de inexistência de relação jurídico tributária relativa à contribuição para o Finsocial, acima da alíquota de 0,5%, cumulada com o pedido de antecipação de tutela para a compensação tributária com débitos da Cofins e do PIS (fls. 39/40). Em primeira instância a tutela foi parcialmente concedida em 10.07.98, para autorizar a compensação dos valores recolhidos a titulo de Finsocial acima da alíquota de 0,5% com débitos da Cofins (fls. 64/66) e, em 27.05.99, a ação foi julgada procedente (fls. 67/70), ratificando a tutela concedida anteriormente. Consta, ainda, que houve apelação de ambas as partes, sendo que o Tribunal Regional Federal da Região deu provimento em 08.08.2001, à apelação da União e e à remessa oficial para julgar a ação improcedente, declarando a prescrição quinquenal, e julgando prejudicada a apelação da autora( fls. 90/94). Inconformada da decisão recorreu a contribuinte através de Recurso Especial (n° 460.444) perante o Superior Tribunal de Justiça, para o qual foi dado provimento em 17.06.2006, para afastar a prescrição das parcelas cujos fatos geradores ocorreram nos dez anos anteriores à propositura da ação (fls. 180/183), e determinar o retorno dos autos ao Tribunal a quo para que este proceda a análise dos demais pontos suscitados nas apelações e no reexame necessário. Uma vez reformado o acórdão do Tribunal Regional Federal da 3° Regido, volta a prevalecer a decisão do juízo monocrático, que ratificou a tutela antecipada anteriormente concedida, até nova decisão do Tribunal Regional Federal sobre os demais pontos suscitados nas apelações e no reexame necessário. Assim, com a informação de que o crédito tributário não se encontrava suspenso no momento do lançamento, e ainda, a informação de que atualmente a exigibilidade do crédito encontrase suspensa, nos termos do art. 151, inciso V, do CTN, por força da antecipação de tutela concedida, proponho o encaminhamento (...) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0515.628 de 20 de dezembro de 2006 (efls. 213/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Em razão da formalização do crédito tributário em DCTF, superadas estão eventuais nulidades no lançamento e, não caracterizado cerceamento do direito de defesa, cumpre, apenas, apreciar os argumentos de mérito para decidir sobre a procedência da exigência. COMPENSAÇÃO COM PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. Comprovado que à época do lançamento não havia amparo judicial às compensações declaradas, regular é a exigência. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n°135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis no 11.051/2004 e n° 11.196/2005. JUROS DE MORA. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. Lançamento Procedente em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Campinas em 06/07/2007 (efls. 221/ss) interpôs Recurso Voluntário em 06/08/2007 (efls. 227/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. O processo foi encaminhado à Equipe de Ações Judiciais da DRF – São Bernardo do Campo, para análise e manifestação a respeito da ação judicial informada pela Recorrente (efl. 280), que produziu a seguinte informação: Tratase de processo administrativo fiscal (PAF) encaminhado a esta equipe para manifestação acerca da ação judicial (98.15025953) informada pelo contribuinte. Analisando os autos, verifiquei que já houve instrução quanto à referida ação judicial às fls. 203/204, de modo que informaremos apenas sobre as decisões judiciais prolatadas após a supramencionada instrução. Com efeito, após a reforma do acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi exarado novo acórdão pelo TRF3 (fls. 281/291) no sentido de negar provimento ao recurso de apelação da União Federal e à remessa oficial, restabelecendo, portanto, a sentença proferida pelo Juízo de 1º grau. Foram opostos embargos de declaração pela impetrante tão somente para discutir o percentual dos honorários advocatícios, sendo certo que foram rejeitados pelo TRF3 (fls. 292/296). Em verificação ao andamento processual desta ação judicial, constatase que, tanto a União Federal, quanto a empresa impetrante, interpuseram Recurso Especial com o objetivo de levar a lide ao STJ, os quais aguardam pelo julgamento de sua admissibilidade pela VicePresidência do TRF3, consoante fls. 298. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002568/200343 Acórdão n.º 3202001.314 S3C2T2 Fl. 306 5 Isto posto, tendo sido atendido o despacho de fls. 280, sugiro o retorno dos autos à EQCOB/SECAT/DRFSBC para verificação quanto à tempestividade do Recurso Voluntário interposto pela empresa (fls. 227/241) e o posterior encaminhamento que se fizer necessário. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese à cobrança da Cofins e dos juros moratórios, uma vez que a multa de ofício já foi afastada pela decisão a quo. Ocorre que, como relatado, a interessada ingressou com ação judicial (processo nº 98.15025953) onde discute junto ao Poder Judiciário justamente o reconhecimento do seu direito de compensar os valores recolhidos supostamente a maior a título de Finsocial com os valores da Cofins cobrados no lançamento de ofício objeto deste processo. A citada ação judicial ainda não transitou em julgado, conforme relatou a autoridade fiscal da Equipe de Ações Judiciais da DRF – São Bernardo do Campo (efl. 280), uma vez que “tanto a União Federal, quanto a empresa impetrante, interpuseram Recurso Especial com o objetivo de levar a lide ao STJ, os quais aguardam pelo julgamento de sua admissibilidade pela VicePresidência do TRF3, consoante fl 298”. Portanto, não há, ainda, decisão judicial definitiva deferindo a compensação de tributos requerida, de modo que não procede a afirmação da Recorrente no sentido de que “o crédito tributário pretendido pela Administração Fazendária encontrase extinto, em virtude da compensação realizada com base em decisão judicial (...)”. A discussão judicial ainda não terminou, não há coisa julgada. Deste modo, não se pode discutir nos autos deste processo o cabimento da compensação da Finsocial com a Cofins, em decorrência justamente da existência da citada ação judicial. Fazêlo nestes autos seria ir de encontro com a Súmula CARF nº 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destarte, em face de existência da ação judicial deve prevalecer a opção efetuada pela via judicial, cumprindose o que lá foi decidido. Por outro lado, como a ação judicial ainda não transitou em julgado, inexiste direito de crédito líquido e certo passível de compensação até o presente momento. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste diapasão, a Lei nº 8.383/91, em seu artigo 66 estabeleceu as condições para a exclusão do crédito tributário por meio da compensação. A partir de 1996, a matéria passou a ser tratada pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 74 assim dispôs: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). Por fim, o art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar nº 104/01, veio espancar qualquer dúvida quanto à possibilidade de compensação de créditos ainda não transitados em julgados, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Depreendese, portanto, que não há ainda “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente não obteve em definitivo o reconhecimento do indébito tributário junto ao Poder Judiciário. Quanto aos juros moratórios, não merece reparos a decisão a quo. O art. 5º do DecretoLei nº 1.736, de 20/12/1979, prevê a incidência dos juros de mora mesmo nos casos em que a cobrança dos tributos estiver suspensa por força de decisão judicial, verbis: Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Cabível, portanto, a incidência dos juros moratórios. Ressaltese, entretanto, que na cobrança dos mesmos deve ser considerado o que foi decidido na esfera judicial. Em conclusão, a exigibilidade do crédito tributário objeto de lançamento nestes autos deve permanecer suspensa, até que seja proferida decisão final no processo judicial, quando então deverá ser aferida a suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado judicialmente para, então, se for o caso, extinguir por compensação os valores constantes do lançamento tributário (tributo + juros de mora) nos exatos termos e limites autorizados naquele processo. Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, na parte conhecida voto por manter integralmente a decisão recorrida. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 309DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13819.002568/200343 Acórdão n.º 3202001.314 S3C2T2 Fl. 307 7 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 16561.720167/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
IN SRF 243/02. PROPORCIONALIZAÇÃO. LEGALIDADE.
A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação razoável e que não desborda dos parâmetros hermenêuticos do art. 18, II, da Lei 9.430/96.
ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL.
As operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca se enquadram no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização.
FRETE, SEGURO E TRIBUTOS SOBRE IMPORTAÇÃO.
A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preço-praticado (§ 6 º do art. 18 da Lei 9.430/96). Sendo o PRL um método facultativo e presuntivo é lógico que cabe ao contribuinte analisar quando é vantajoso a sua aplicação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-001.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Leonardo Marques.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Leonardo Marques, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Waldir Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF 243/02. PROPORCIONALIZAÇÃO. LEGALIDADE. A proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação razoável e que não desborda dos parâmetros hermenêuticos do art. 18, II, da Lei 9.430/96. ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL. As operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca se enquadram no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. Apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS SOBRE IMPORTAÇÃO. A norma aplicável à época do lançamento expressamente determinava que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preçopraticado (§ 6 º do art. 18 da Lei 9.430/96). Sendo o PRL um método facultativo e presuntivo é lógico que cabe ao contribuinte analisar quando é vantajoso a sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 67 /2 01 2- 17 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Leonardo Marques. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Leonardo Marques, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Waldir Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1646.296 da 5ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇOSPARÂMETRO. ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. PRINCÍPIOS ATIVOS. PRODUÇÃO DE OUTRO BEM. AGREGAÇÃO DE VALOR. Não se aplica o método PRL20 (PRL com margem de 20%) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. O método do PRL20 não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. Verificandose estarem corretos os procedimentos e cálculos da fiscalização, rejeitamse os argumentos e cálculos da contribuinte. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1646.296 em 17/05/2013 (AR a fls. 445), interpôs, em 14/06/2013 (Termo a fls. 447), recurso voluntário (doc. a fls. 448 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720167/201217 Acórdão n.º 1302001.588 S1C3T2 Fl. 588 3 a) que, primeiramente, lembra que o recurso voluntário interposto contra o v. Acórdão recorrido é aplicável também, em relação ao crédito tributário de CSLL; b) quanto ao cálculo do PRL60 segundo a IN SRF 243/02: b.1) que a metodologia de cálculo adotada pela IN SRF 243/02, para apuração do preço parâmetro difere totalmente da fórmula desse cálculo ditada pela Lei 9.430/96 e regulamentada corretamente pela IN 32/2001; b.2) que o art. 12, § 11, da IN 243/02 é ilegal, por ofensa ao princípio da legalidade; b.3) que a IN 243/02 inovou, ilegal e indevidamente, a fórmula ditada pelas Leis 9.430/96 e 9.959/00, sem que se apresente razões ou justificativas plausíveis para tant, motivo porquê, o presente feito fiscal, não pode prosperar, em hipótese algum, devendo ser afastada a aplicação do art. 12, § 11, da IN SRF 243/02; b.4) que se demonstra a inequívoca necessidade de edição de nova lei, no caso a Lei 12.715/12, para fins de alterar o art. 18, II, “d”, item 1, da Lei 9.430/9, a qual tem vigência a partir de 01/01/2013, motivo pelo qual o disposto no § 11 do art. 12 da IN 243/02 se revela flagrantemente ilegal; c) quanto ao método aplicável aos princípios ativos: c.1) que os princípios ativos não implicam na produção de outros bens, logo, a recorrente pode adotar perfeitamente o PRL20; c.2) que produção significa a transformação profunda de uma matéria prima em outro bem, o que decididamente não ocorre com a adição de simples elementos inertes, diluentes ou aditivos, aos princípios ativos importados, que continuam a ser os mesmíssimos princípios ativos, tal como inicialmente importados; c.3) que a adição daqueles excipientes, tais como elementos inertes, diluentes ou aditivos, aos princípios ativos importados pela ora recorrente, não resultam, de forma alguma, outros bens ou produtos novos diferentes dos princípios ativos importados, pois resultam, simplesmente, em formulações ou preparações que, após devidamente embalados, facilitam ou possibilitam a ingestão ou aplicação dos princípios ativos importados do exterior, não tendo, portanto, de nenhum modo, repitase, o condão de alterar as características próprias, técnicas e científicas, ou as finanlidades dos referidos princípios ativos; c.4) que a alínea “d”, item 1, do inciso II, do art. 18 da Lei 9.430/96 fala em “bens importados aplicados na produção de outros bens”, logo, não fala nem de longe em bens importados aplicados na industrialização, que tem conceito próprio, abarcando, inclusive, a simples operação de embalagem do produto; c.5) que a expressão “produção”, constante da alínea “d”, item 1, do inciso II, do art. 18 da Lei 9.430/96, por estar inserida no regime jurídico de preços de transferência, subsumido ao IRPJ e CSLL, tem significado mais próximo do econômico ou comercial de “transformação profunda do bem importado”, de tal sorte que dê nascimento a um outro bem, totalmente diferente, em suas características e finalidades, do bem importado; c.6) que, quanto aos princípios ativos “Sintoxan polivalente” – código 100105144, e “Antígeno Tetânico” – código IS 0226, consoante atesta a planilha anexa (cfr. doc. 04 de fls. 371/373), também, tratamse de princípios ativos – vacinas importados de pessoa vinculada em bombonas de 50 litros e aqui, no país, simplesmente reenvasados em frascos de 40 ou 90 mililitros e posteriormente revendidos no país com nome comercial Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Sintoxan Polivalente, de modo que, também, técnicocientíficojuridicamente, decididamente, tais princípios ativos – vacinas não implicam na produção de outro bem, ou seja, são revendidos, no país, os mesmíssimos princípiosativosvacinas reenvasados; d) quanto ao PRL ponderado: d.1) que este ponto, constante às páginas 11 do TCF, é relativo à aplicação, pelo Fisco, do método ponderado com margens de 20% e de 60% ao produto 100104857 – NZ Amine Irradiado, e, objeto de apreciação pelo v. Acórdão recorrido; d.2) que a rocrrente não apurou ajuste tributável contrariamente ao entendimento do fisco e v. Acórdão recorrido; e) quanto à inclusão ou não do frete, seguro e do imposto de importação no preço praticado: e.1) que a interpretação do § 6º do art. 18 da Lei 9.430/96 deve ser no sentido de que, mesmo no caso do § 5º precedente, quando o valor dedutível fique limitado ao valor de aquisição, fica assegurada a dedutibilidade, dos valores do frete e seguros pagos a terceiros bem como o imposto de importação não recuperável e pago no desembaraço aduaneiro; e.2) que os valores de frete e seguros só tem relevância, para efetio de preços de transferência, quando pagos a empresas vinculadas; f) quanto ao erro na identificação da matéria tributável: f.1) que o equivocado critério jurídico adotado pela fiscalização não observou as regras específicas de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e, o que é pior, ignorou a apuração de saldos negativos de IRPJ e de CSLL na DIPJ 2009; f.2) que, para que aa fiscalização pudesse chegar às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, deveria ter havido a necessária recomposição do lucro líquido, conforme a legislação de cada tributo, sendo manifestamente descabida a simples (e direta) aplicação das alíquotas dos tributos (IRPJ e CSLL) sobre o suposto “ajuste tributável” apurado de ofício a título de “preço de transferência. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 358, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, alerto que, por força da Súmula CARF nº 2, deixo de apreciar as alegações inconstitucionalidade de leis aduzidas pela recorrente. DO CÁLCULO DO PRL60 A primeira questão posta em julgamento neste Colegiado reside em saber se a metodologia de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL60 previsto nos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 encontra amparo na norma legal de regência, ou seja, no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720167/201217 Acórdão n.º 1302001.588 S1C3T2 Fl. 589 5 Inicialmente, ressalvo que qualquer instrução normativa da Receita Federal que veicule matéria sob reserva legal, na parte em que desbordar da simples literalidade da norma legal de regência, nada mais é do que mera interpretação da administração tributária. Muitas das vezes, as instruções normativas da Receita Federal cumprem, extraordinariamente, a função de consolidar normas legais esparsas, estruturandoas de forma a tornar mais fácil a consulta pelos diversos operadores do Direito Tributário (auditores, advogados, contadores etc). Isso decorre do fato de que as instruções normativas percorrem um trâmite muito mais célere para sua publicação do que os Decretos (diploma apropriado para veicular regulamentos de tributos), o que as torna mais aptas a acompanharem o dinamismo (volatilidade) das leis tributárias. Todavia, a força normativa dos dispositivos da Instrução Normativa como do Decreto, em matéria sob a estrita legalidade (art. 150, I, CF/88), não decorre de tais atos por si só, mas das LEIS que os fundamentam. Assim, tanto o Decreto como a Instrução Normativa só têm força normativa, em matéria sob reserva legal, quando sejam meras transcrições de normas legais em vigor (consolidações de normas legais) ou, quando dispositivos autônomos, estes se enquadrarem nos parâmetros hermenêuticos da norma legal de regência da matéria. Com efeito, a norma jurídica, em matéria sob estrita legalidade, é apenas aquela veiculada por LEI ou Medida Provisória (observados os limites estabelecidos no § 2º do art. 62 da CF/88). Logo, os dispositivos da Instrução Normativa que desbordam da simples literalidade da norma legal não são normas jurídicas, mas meras interpretações da administração tributária, cabendo, assim, ao intérprete verificar se tal exegese encontra amparo na LEI. Tanto é assim, que o Regimento Interno da RFB (Portaria MF nº 203/2012), no inciso II do seu art. 1º dispõe que é finalidade da Receita Federal do Brasil “interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções à sua execução”. É verdade que, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93, este Colegiado é obrigado a observar interpretações exaradas em pareceres da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando ratificados pelo Ministro de Estado da Fazenda. Tratase, apenas, de uma regra de competência que não transforma o parecer em norma jurídica, mas apenas em uma interpretação vinculante para os órgãos do Ministério da Fazenda. Da mesma forma, os julgadores da Delegacia de Julgamento da Receita Federal estão vinculados, por uma regra de competência, às interpretações exaradas pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, por meio de Atos Declaratórios e Instruções Normativas. Vínculo esse ao qual não está submetido o julgador do CARF, até mesmo porque é função deste Colegiado fazer o juízo de legalidade das interpretações da lei tributária feitas pela RFB. Pelo contrário, as interpretações do CARF é que podem vincular a RFB, uma vez que, por proposta do Presidente do CARF, do Secretário da Receita Federal do Brasil ou do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ou de Presidente de Confederação representativa de categoria econômica de nível nacional, habilitadas à indicação de conselheiros, o Ministro de Estado da Fazenda poderá atribuir à súmula do CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal (art. 75 do Anexo II da Portaria MF 256/09). Notese, por igual ao já dito, que não se trata de erigir a Súmula CARF à categoria de norma jurídica, mas de mera interpretação da norma tributária vinculante à toda administração. Assim, primeiramente, temos que os incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 não veiculam uma norma jurídica, pois não encontra amparo ipsis litteris no inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96. Em verdade, os referidos incisos do § 11 são mera interpretação da Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Receita Federal do disposto no inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, o qual deve ser objeto de juízo de legalidade por parte do julgador deste CARF, mormente por tal questão ser objeto do recurso voluntário. Assim, passo a analisar a questão posta, razão pela qual vale a transcrição dos dispositivos em cotejo: LEI 9.430/96 “Art. 18. Omissis. [..] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; [..]” IN SRF 243/02 “Art. 12. Omissis. [...] § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720167/201217 Acórdão n.º 1302001.588 S1C3T2 Fl. 590 7 IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV.” Contesta a recorrente que a margem de lucro de 60%, nos termos da IN 243/02, apliquese somente sobre o valor da participação do bem importado sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço líquido de venda total, como determina a Lei 9.430/96 e que, por meio da proporcionalização prevista na IN 243/02, o desconto do valor agregado não se faz na apuração da margem de lucro (como propõe a alínea do inciso II do artigo 18 da Lei 9.430/96), mas sim diretamente do preço liquido de venda, como se o valor agregado fosse equivalente aos descontos, impostos e comissões, previstos nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do artigo 18, II, da Lei 9.430/96. Ou seja, sustenta a recorrente que o cálculo do preço parâmetro devia seguir a equação abaixo: Preço parâmetro = PLV – 60% (PLV – VA), onde PLV é o preço líquido de venda e VA é o valor agregado no país. Assim, essa linha interpretativa, que foi adotada pela IN SRF 32/01, sustenta que o percentual de 60% deva incidir sobre o preço líquido de revenda já diminuído do valor agregado, o qual entende ser a diferença entre o custo total e o os insumos importados. Essa, certamente, não é a melhor exegese, pois, concordo com o Ilustre Conselheiro João Thomé, quando sustentou que: “Portanto, em que pese a formulação do texto legal, quanto à sua disposição nas alíneas e itens, do inciso II do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, não tenha atendido à melhor técnica legislativa, o fato é que as regras de concordância da língua portuguesa levam à conclusão de que a segunda parte do item 1 (‘e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção’) exerce a função, em verdade, de uma alínea à parte, dissociada do cálculo da margem de lucro, i.e., consta ali como se se tratasse de uma alínea ‘e’, aplicável, contudo, somente no caso de bens importados aplicados à produção, mas não às demais hipóteses” (trecho da declaração de voto no Acórdão nº 110200.419, conforme transcrição em Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro, 3ª ed., ed. Dialética, p. 254, obra de Luís Eduardo Schoueri). Ademais, por essa interpretação, o inciso II do art. 18 da Lei nº 9.430/96 levaria ao mesmo preço parâmetro para os diversos insumos importados que compussessem um único produto vendido, já que não leva em conta, nos cálculos, a participação do custo unitário de cada insumo importado no custo total. Isso também torna a norma inócua toda vez que a participação do insumo importado no custo total não for majoritária, o que não significa, em absoluto, que não se possa transferir lucros para coligadas no exterior por meio de superfaturamento em importação de insumos de menor participação no custo total do produto. A título ilustrativo, vejamos que, se o preço líquido de venda for, no mínimo, 60% superior ao custo total, desde que o custo do insumo importado não ultrapasse 40% do custo total, não haverá ajuste de preços de transferência. Por exemplo, desde que o preço líquido de venda do automóvel seja, no mínimo, Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 60% superior ao custo total (insumos importados mais valor agregado), os pneus podem ser importados da coligada no exterior por até 40% do custo total do automóvel que nenhum ajuste de preços de transferência seria gerado relativo a este item. Logicamente, que tal exegese não é a melhor, pois ela anula a finalidade da norma, bastando para tal que se manipule apenas esses dois fatores. Importante também lembrar que a norma de preços de transferência não visa conceder benefícios fiscais nem estimular a produção nacional, pois o seu objetivo é apenas impedir a transferência de bases tributárias para outras jurisdições, pelos diversos motivos que levam os contribuintes a fazêlo, inclusive para reduzir carga tributária. O vetusto, mas nunca esquecido, ensinamento de Carlos Maximiliano professava que: “A palavra é um mau veículo do pensamento; por isso, embora de aparência translúcida a forma, não revela todo o conteúdo da lei, resta sempre margem para conceitos e dúvidas; a própria letra nem sempre indica se deve ser entendida à risca, ou aplicada extensivamente; enfim, até mesmo a clareza exterior ilude; sob um só invólucro verbal se conchegam e escondem várias idéias, valores mais amplos e profundos do que os resultantes da simples apreciação literal do texto” (in Hermenêutica e Aplicação do Direito, ed. Forense, 17ª ed., p. 36). Com esse pensamento, afasto também uma segunda linha interpretativa que se contrapõe à do Fisco, a qual se prende ao conteúdo literal (gramatical) do inciso II do art. 18 da Lei 9.430/96, para sustentar que o valor agregado deve ser diminuído do resultado da aplicação do percentual de 60% sobre o preço líquido de venda (PP = PLV – 60% PLV – VA). Ocorre que as duas linhas interpretativas tomam como plenamente definido na norma legal o método de cálculo pelo qual seria excluído o “valor agregado no País” do preço parâmetro, o que não é verdade. Assim, a questão posta reside em saber se da expressão “diminuídos... do valor agregado no país” poderia o exegeta concluir que deveria ser levado em conta, para aplicação do percentual de 60%, a parcela do preço líquido de vendas proporcional à participação do insumo importado sobre o custo total. Entendo que sim, pois a proporcionalização determinada pelos incisos do § 11 do art. 12 da IN SRF 243/02 é uma interpretação que atende o critério da: a) razoabilidade, pois é mais conforme com o espírito de uma norma (art. 18, II, da Lei 9.430/96) que visa o controle de preços de transferência na importação, garantindo um tratamento isonômico de contribuintes que se encontrem na mesma situação; b) adequação, pois não cabia ao legislador pormenorizar, em texto de lei, o método de cálculo do preço parâmetro, bastando que desse contornos legais, os quais são observados pela IN 243/02; e c) necessidade, pois retificou a equivocada interpretação dada pela IN SRF 32/01, aperfeiçoando o método de cálculo do PRL60, de forma a permitir o controle de preços de transferência quando mais de um insumo importado estiver compondo o produto final vendido. Vale trazer à colação o seguinte julgado que também sustenta a legalidade da IN SRF 243/02, in verbis: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720167/201217 Acórdão n.º 1302001.588 S1C3T2 Fl. 591 9 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (AMS 17381 Processo nº 2003.61.00.017381 4/SP, TRF/3ª Região). Em razão do exposto, nego provimento ao recurso também nesse ponto. QUANTO À APLICAÇÃO DO PRL60 NA IMPORTAÇÃO DE PRINCÍPIOS ATIVOS A segunda questão posta em julgamento reside, primeiramente, em saber se o processo de embalagem e aposição de marca porque passaram os produtos importados a granel impunha a adoção do PRL60. Inicialmente, saliento que o art. 18, II, d, 1 da Lei 9.430/96 (vigente à época) dispunha que o PRL60 era aplicável em caso de “na hipótese de bens importados aplicados na produção”. Ora, bens aplicados na produção são insumos no processo de industrialização, logo, há que se perquirir se o processamento consistente no acondicionamento e aposição de marca podem ser entendido como industrialização segundo o Direito pátrio. O art. 3º, II, da Lei 4.502/64 dispõe que não se considera industrialização o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. Ou seja, apenas o acondicionamento feito unicamente com o propósito de facilitar o transporte do produto fica afastado do conceito de industrialização. Tanto é assim, que o RIPI/10, no seu art. 4º, IV, ao interpretar o art. 3º, II, da Lei nº 4.502/64, dispõe que se considera industrialização a operação que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento). Ora, no presente caso, fica claro que a operação não se restringia ao acondicionamento apenas para o transporte, mesmo porque havia a alteração da apresentação do produto. Ademais, é inegável que a aposição de marca agrega valor ao produto, pois, por exemplo, 50 mg de ácido acetilsalicílico valem menos do que 50 mg de Aspirina, ainda que aquele seja o princípio ativo desse, tendo em vista a reputação da marca no mercado. Por último, não há como negar que a blisterização (colocação dos comprimidos em cartelas) ou qualquer modo técnico de acondicionamento de medicamentos também agregam valor ao produto, já que facilita o manuseio e aumenta a segurança contra a violação do produto. Assim, pelas razões antes expostas, mesmo naquelas operações que se restringem ao acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca (“Sintoxan polivalente” – código 100105144, e “Antígeno Tetânico” – código IS 0226), está perfeito o enquadramento no conceito legal de industrialização, pois, inegavelmente, há agregação de valor ao produto, razão pela qual, correta a aplicação do PRL60. No que tange a maior parte dos produtos em tela, porém, a situação ainda é mais tranquila, pois é a própria recorrente que reconhece que os produtos finais não são Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 compostos unicamente do princípio ativo importado e que há adição de excipientes, tais como elementos inertes, diluentes ou aditivos, sendo que, após devidamente embalados, facilitam ou possibilitam a ingestão ou aplicação dos princípios ativos importados do exterior. Ora, ela mesmo reconhece que o produto final é mais fácil de ser ingerido ou aplicado, logo, não há como negar que houve a produção de um bem com característica diferente do que a resultante do simples fracionamento do princípio ativo ativo importado a granel. Por essas razões, nego provimento ao recurso também nesse ponto. DO FRETE, SEGURO E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Por último, com relação ao preçopraticado, questiona a recorrente a inclusão, nele, das parcelas referentes ao frete, seguro e tributos sobre importação. Não tem razão a recorrente, pois as despesas com frete, seguro e tributos devem compor o preçopraticado, já que expressamente assim dispunha o § 6 º do art. 18 da Lei 9.430/96. Na verdade, equivocase a recorrente ao não perceber que o método PRL é opcional e presuntivo. Explico. Primeiro, o método PRL presume um preço parâmetro a partir do preço de revenda menos uma margem fixa de lucro predeterminada em lei, o que o torna um método muito mais fácil de ser aplicado. Por outro lado, sendo presuntivo, não poderia ser obrigatório, ele é facultativo, pois o contribuinte pode sempre optar pelo PIC ou pelo CPL. Segundo, o legislador ao fixar as condições desse método facultativo e presuntivo, em um primeiro momento, expressamente determinou que os valores relativos ao frete, seguro e tributos sobre importação compusessem o preçopraticado (§ 6 º do art. 18 da Lei 9.430/96). Ora, em se tratando de um método facultativo e presuntivo é lógico que cabe ao contribuinte analisar quando é vantajoso a sua aplicação. Da mesma forma que no lucro presumido, presumese as despesas e custos, para apurar o lucro; no PRL, presumese a margem de lucro, para se apurar o custo do bem importado (preçoparâmetro). Notese, porém, que o preço de revenda é real, pois deve ser aquele informado na escrita contábil do contribuinte, assim sendo, esse preço de revenda é impactado por todos os custos do contribuinte, inclusive pelo valor do frete, seguro e tributos sobre importação. Assim, é sim importante que tais valores (frete, seguro e tributos) sejam incluídos no preçopraticado, para que não fique comprometida a comparabilidade entre preço parâmetro e preçopraticado. Por sua vez, quando estamos tratando de normas excepcionais, como essa que estabelece, no campo tributário, um método facultativo e presuntivo, a boa exegese determina a aplicação de uma interpretação estrita, não extensiva. Assim sendo, outra não pode ser a interpretação do § 6 º do art. 18 da Lei 9.430/96 (na redação vigente à época), senão aquela que conclui pela inclusão dos valores de frete, seguro e tributos sobre importação no preço praticado. Ademais, somente a partir da Lei 12.715/12 é que as despesas com frete, seguro e tributo incidente na importação e os gastos aduaneiros deixaram de integrar o preço praticado. Ocorre, porém, que não se pode querer retroagir tal norma, ainda que seja para beneficiar o recorrente, pois não se trata de norma penal tributária. No que tange ao PRL ponderado, alerto que a recorrente não se insurgiu, pois limitouse a afirmar que “não apurou ajuste tributável contrariamente ao entendimento do fisco e v. Acórdão recorrido”. Por último, tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16561.720167/201217 Acórdão n.º 1302001.588 S1C3T2 Fl. 592 11 Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 1/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10730.010601/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO EM TERMO DE RESPONSABILIDADE. NULIDADE.
O art. 682 do RA/2002 e art. 766 do RA/2009 são expressos ao prescrever que o que deve ser formalizado em auto de infração é apenas e tão somente a exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do Termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo do tributo devido. O crédito já constituído em Termo de Responsabilidade deve ser encaminhado diretamente para inscrição em dívida ativa, dispensada qualquer providência por parte do Fisco.
Recurso Ofício Negado.
Numero da decisão: 3102-002.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Pedro Calmon Moniz de Bittencout Neto, OAB/RJ nº 140.764, advogado do sujeito passivo.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITO JÁ CONSTITUÍDO EM TERMO DE RESPONSABILIDADE. NULIDADE. O art. 682 do RA/2002 e art. 766 do RA/2009 são expressos ao prescrever que o que deve ser formalizado em auto de infração é apenas e tão somente a exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do Termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo do tributo devido. O crédito já constituído em Termo de Responsabilidade deve ser encaminhado diretamente para inscrição em dívida ativa, dispensada qualquer providência por parte do Fisco. Recurso Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral o Dr. Pedro Calmon Moniz de Bittencout Neto, OAB/RJ nº 140.764, advogado do sujeito passivo. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 06 01 /2 00 9- 86 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Versa o presente processo sobre Autos de Infração lavrados com vistas constituição de crédito tributário referente a Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (WI), Cofins e contribuição para o PIS/Pasep vinculados a importação e, bem assim, respectivas multas de oficio proporcionais a 75% dos tributos exigidos, além de juros moratórios, concernente à falta de recolhimento dos mencionados tributos incidentes na importação do navio MAERSK MASTER e, bem assim, nas importações dos demais bens acessórios, que foram registradas através de diversas declarações de importação (DI), entre 22/06/2006 e 12/09/2008, ao amparo do regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados a atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de Os natural (Repetro). Mais precisamente, relata a autoridade autuante que o supracitado navio foi admitido no Repetro com base no art. 2° da IN SRF n° 4, de 2001 (DI n° 06/07356375), e desembaraçado em 30/06/2006, tendo sido fixado o termo final do regime em 06/06/2007, conforme Termo de Responsabilidade (TR) n° 1389/06. Neste quadro, aduz a fiscalização que, em 06/06/2007, o beneficiário do regime formalizou o primeiro pedido de prorrogação, pedido este deferido e o prazo do regime prorrogado até 21/04/2008, de acordo também com o TR n° 1389/06. Na sequência, houve um segundo pedido de prorrogação do regime, formalizado em 16/04/2008 e um novo prazo foi concedido, em conformidade com o TR n° 1651/08, que estabeleceu a data de 12/09/2008 como o termo final de admissão no mencionado regime aduaneiro especial. Um terceiro pedido de prorrogação foi, então, formalizado, em 11/09/2008, e um novo prazo de duração do regime foi fixado até 31/10/2008, tendo sido este prazo estabelecido, conforme o TR n° 3520/08, à vista do Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (MT) emitido pela Marinha do Brasil, através da Delegacia da Capitania dos Portos de Macaé (RJ), e colacionado à fls. 210 do processo. Aduz a fiscalização que o estabelecimento do prazo de duração do regime com base no mencionado AIT tem fulcro na disposição contida no § 3° do art. 19 da IN RFB n° 844, de 9 de maio de 2008, e segundo a qual, na hipótese de admissão temporária de embarcação ou plataforma, o prazo de vigência do regime não poderá ultrapassar Aquele constante da autorização emitida pelo órgão competente da Marinha do Brasil, para permanência no mar territorial brasileiro. Dado esse contexto, relata a autoridade autuante que, expirado o supracitado prazo sem que fosse providenciada a prorrogação ou a extinção do regime aduaneiro especial sob apreço, o beneficiário, então, foi intimado a justificar o descumprimento do regime, conforme preconizam o inciso I e o parágrafo único do art. 30 da IN RFB 844, de 2008, combinados com o inciso I do art. 18 da IN SRF n° 285, de 2003. Em atendimento à intimação, o beneficiário apresentou a justificativa de que teria solicitado a prorrogação do prazo em 11/09/2008, portanto, antes do vencimento do prazo de duração do regime, o que, todavia, não foi aceito pela fiscalização, com fulcro no entendimento de que o requerimento de prorrogação de prazo trazido pelo interessado, na verdade, diz respeito à terceira solicitação de prorrogação de prazo, prorrogação essa que foi concedida e o respectivo prazo vencido, em 31/10/2008, Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 11 3 sem que o beneficiário solicitasse nova prorrogação ou providenciasse a extinção do regime aduaneiro especial. Prossegue relatando a fiscalização que, tendo notificado o beneficiário, em 10/03/2009, para que recolhesse os tributos suspensos e, bem assim, a multa prevista no inciso I do art. 72 da Lei n° 10.833, de 2003, houve, ainda, em 13/03/2009, uma reunido entre o representante legal do beneficiário e a Delegada Adjunta da DRF/Niterói (RJ), ocasião em que referido representante alegou não ter tomado ciência da prorrogação do prazo do regime até 31/10/2008, e que foi efetivada no TR n° 3520/08, razão pela qual não teria sido possível solicitar tempestivamente uma nova prorrogação. Efetuada a revisão do processo, aduz a fiscalização ter verificado que, ao revés do que foi alegado, o próprio beneficiário encaminhou à DRF/Niterói, em 10/11/2009, a sua via original do TR n° 3520/08 para que nela fosse lavrado o competente apostilamento, conforme documento colacionado à fl. 227 do processo, razão pela qual não foram aceitas as alegativas de desconhecimento do prazo derradeiro, havendo o interessado, então encaminhado recurso hierárquico que ensejou o encaminhamento do processo administrativo, referente ad regime especial em causa (PM n° 10730.002913/200673), para apreciação dá Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7a. Regido Fiscal, ainda que tal recurso tenha sido intempestivamente apresentado pelo interessado, qual seja, mais de quatro meses após a ciência do despacho, de fls. 224/225, que implicou o indeferimento parcial do pedido de prorrogação do beneficiário. Por fim, a autoridade autuante ultima a descrição dos fatos que deram ensejo à lavratura dos autos de infração sob apreço, consignando in litteris: (...) tendo em vista o despacho exarado pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 72. RF em fls. 248 a 251 corroborando o entendimento firmado pela Equipe de Despacho Aduaneiro, o Processo foi encaminhado à Equipe de Fiscalização Aduaneira da DRF Niterói para a execução dos procedimentos relativos 21 exigência do crédito tributário constituído nos termos de responsabilidade relacionados na Notificação n° 70/2008 (fls. 228 a 230) e da multa prevista no inciso I do artigo 72 da Lei n° 10.833/03. Regularmente cientificado da exação em 21/10/2009 (fls. 41, 87, 105, 145 e 188), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 23/11/2009, a impugnação de fls. 256 a 276, 306 a 326, 356 a 375, 407 a 427 e 457 a 477, onde, em síntese: Com base nos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (art. 5°, incisos LW e LV da Constituição Federal), requer, preliminarmente, vista dos autos do processo administrativo fiscal n° 10730.002913/200673, de molde a complementar sua defesa, já que todos os elementos nos quais se funda o auto de infração atacado fazem parte integrante do citado processo; No mérito, alega que o prazo estipulado no TR n° 1651/08 (de 22/04/2008 a 12/09/2008) foi objeto de dois pedidos de prorrogação: o primeiro, formalizado em 09/06/2008, em que foi postulada a prorrogação do prazo compreendendo ao período de 13/09/2008 a 31/10/2008, e o segundo, formalizado em 11/09/2008, já que a Petrobras resolvera prorrogar mais uma vez o contrato relacionado a embarcação, o que ensejou o requerimento para que o período de duração do regime aduaneiro especial fosse ampliado, compreendendo o período de 13/09/2008 a 02/10/2011; Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 A este contexto, aduz que, em 19/09/2008, foi publicado no Diário Oficial da Unido (DOU) o Ato Declaratório Executivo n° 367/2008, editado pela SRRF da 7ª RF, com prazo de validade até 02/10/2011, além do que requereu, em 30/10/2008, â Marinha do Brasil, o fornecimento do Atestado de Inscrição Temporária que, devido a problemas de informática enfrentados pela Capitania dos Portos, foi expedido em 07/11/2008, mas com prazo de validade abrangendo o período de 31/10/2008 a 31/10/2009, já que tais atestados são renovados anualmente com o fito de a Marinha efetuar vistorias anuais nas embarcações; Em outro plano, reitera que não recebera formalmente o original do TR contendo a prorrogação do prazo até 31/10/2008, mas que, ainda assim, isto não prejudicou a formalização de novo pedido de prorrogação, em 11/09/2008, e por meio do qual pleiteou que o novo prazo compreendesse o período de 01/11/2008 a 02/10/2011; Argumenta, ademais disso, que a fiscalização, quando expediu a notificação de 03/12/2008, já sabia que o novo AIT, contendo a prorrogação do prazo de 01/11/2008 a 30/10/2009, havia sido juntado em 10/11/2008, e, portanto, a não prorrogação regime conforme requerido em 11/09/2008, estendendo o prazo de 01/11/2008 a 30/10/2009; Malfere o direito do beneficiário, já que, a época do pedido, já existiam todos os pressupostos e documentos necessários ao seu atendimento; Neste quadro, alega que não houve indeferimento fundamentado do pedido de prorrogação formalizado em 11/09/2008, no qual foi pleiteada a prorrogação do regime em causa abrangendo o período de 01/11/2008 a 30/10/2009, o que está em descompasso com a determinação contida no art. 48 da Lei n° 9.784, de 1999, segundo a qual a Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência, razão pela qual entende que o feito em análise encontrase eivado de nulidade, a teor da disposição contida no inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972; Em outro plano, alega também que a autoridade autuante subverteu o principio da hierarquia das leis, já que adotou disposição contida em instrução normativa que estabelece, dentre o prazo contratual e o prazo consignado no AIT, o menor prazo para limite de prorrogação do regime especial sob apreço, quando deveria prevalecer o regramento segundo o qual o que prevalece é o prazo contratual quando o regime aduaneiro especial for aplicado a mercadoria vinculada a contrato de prestação de serviço por prazo certo, de relevante interesse nacional, a teor do das disposições contidas no § 2° do art. 252 do Decreto n.° 4.543, de 2002, e no § 3° do art. 307 do Decreto n° 6.579, de 2009; Ademais disso, sustenta que, uma vez não prorrogado o prazo de duração do regime, a embarcação foi reexportada sem a exigência da saída da embarcação do Pais, porquanto foi recolhida, em 04/09/2009, a multa prevista no inciso I do art. 72 da Lei n° 10.833, de 2003, e formulado novo pedido de admissão temporária, que ultimou por ser deferido, em conformidade com o inciso III e o § 6° do art. 27 da IN RFB n° 844, de 2008; Alega que, havendo pago a precitada multa, obteve a baixa do termo de responsabilidade, o que ocorreu de forma automática, pois uma vez operada a reexportação da embarcação extinguese o regime, ao que aduz não ser tampouco responsável pelo atraso na baixa do mencionado TR, já que requereu a prorrogação do regime tempestivamente, razão pela qual também entende que devem ser cancelados os lançamentos dos impostos e contribuições exigidos, em face do principio do non bis in idem; Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 12 5 Não obstante isso, alega que, no caso dos autos, tampouco existe o preenchimento de requisito essencial A exigência dos impostos e contribuições lançados, qual seja o despacho para consumo, no caso do II e das contribuições, e o desembaraço aduaneiro, no caso do IPI, visto que tanto a embarcação sob apreço quanto "seus pertences" foram reexportados, conforme comprovantes juntados ao processo com a petição impugnatória; Relativamente A exigência de IPI, alega não haver o que cobrar, dado que a alíquota para bens classificados no código tarifário 8904.00.00 da TIPI é de zero por cento; Argumenta também que a autoridade autuante considerou a data do registro da DI n° 06/0725637 (22/06/2006) para efeito de cálculo dos impostos e contribuições exigidos, ao passo que o Termo de Responsabilidade n.° 3520/08, cuja execução está sendo feita por meio dos lançamentos ora guerreados, apresenta o dia 29/09/2008 como a data do despacho aduaneiro, em razão de que entende que, acaso a exigência venha a sermantida, os respectivos cálculos devem ser refeitos, considerando a data indicada no TR; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento dos autos de infração hostilizados. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 22/06/2006 a 12/09/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DO FATO. REQUISITO DE VALIDADE. DESATENDEVIENTO. NULIDADE. A autoridade lançadora deve descrever o fato que ensejou a lavratura do auto de infração, sem o que, o feito é nulo porquanto contrário determinação legal que designa a descrição do fato como requisito de validade do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente a impugnação apresentada pela empresa. Em Recurso de Ofício, submete a decisão ao crivo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em cumprimento ao disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. Conforme é possível perceber do relato acima, a autoridade julgadora de primeira instância cancelou integralmente o lançamento por entender que ele seria nulo na medida em que a autoridade fiscal não descreveu o fato que o ensejou. Melhor sorte, todavia, não cabe, a meu ver, ao lançamento atacado, eis que a autoridade autuante não descreve o fato que teria ensejado a exigência dos impostos e contribuições em causa por meio da lavratura de autos de infração, em lugar do rito próprio que é conferido pela legislação aos créditos tributários constituídos em termo de responsabilidade. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Com efeito, no que pertine à exigência dos créditos tributários constituídos em termo de responsabilidade, o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 2002, é claro no sentido de que, na hipótese de o beneficiário do regime aduaneiro especial não efetuar o pagamento do crédito tributário cujo adimplemento foi suspenso em face da concessão do regime, o termo deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para a respectiva cobrança, a teor das disposições contidas nos artigos 674 a 679, que determinam in litteris: CAPITULO IV DO TERMO DE RESPONSABILIDADE Art. 674. 0 termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais § lº Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4º do art. 120. § 2º As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade, bem assim os acréscimos legais cabíveis, não interim crédito tributário nele constituído. (...) Art. 676. 0 termo de responsabilidade é titulo representativo de direito liquido e certo da Fazenda Nacional com relação its obrigações fiscais nele constituídas Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência. (...) Art. 679. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. Referida determinação, aliás, foi mantida no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.579, de 2009, e alterado pelos Decretos ns. 7.044/09 e 7.213/10, cujas disposições reiteram que o termo de responsabilidade é titulo representativo de direito liquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas e que deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para que seja providenciada a sua cobrança em caso de não pagamento do crédito tributário nele constituído, conforme se verifica nos artigos 758 a 763, abaixo reproduzidos in verbis: Art. 758. 0 termo de responsabilidade é o documento no qual são constituídas obrigações fiscais cujo adimplemento fica suspenso pela aplicação dos regime aduaneiros especiais. § 1º Serão ainda constituídas em termo de responsabilidade as Obrigações tributárias relativas a mercadorias desembaraçadas na forma do § 4º do art. 121. § 2º As multas por eventual descumprimento do compromisso assumido no termo de responsabilidade não integram o crédito tributário nele constituído. (...) Art. 760. 0 termo de responsabilidade é titulo representativo de direito liquido e certo da Fazenda Nacional com relação às obrigações fiscais nele constituídas Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 13 7 (DecretoLei n2 37, de 1966, art. 72, § 22, com a redação dada pelo DecretoLei 2.472, de 1988, art. 19. Parágrafo único. Não cumprido o compromisso assumido no termo de responsabilidade, o crédito nele constituído será objeto de exigência, com os acréscimos legais cabíveis. Art. 761. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, manifestarse sobre o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da manifestação do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1º A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da União, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2º Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 12, será, intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 762. Decorrido o prazo fixado no inciso I do caput do art. 761, sem que o interessado apresente a manifestação solicitada, será efetivada a exigência do crédito na forma prevista nos §§ 12 e 22 desse artigo. Art. 763. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, o termo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para cobrança. No mesmo diapasão, a IN SRF n° 4, de 2001, em seus artigos 26 e29, já estabelecia o seguinte: Extinção do regime Art. 26. 0 regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providencias, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no Pais: I reexportação; II saída definitiva do Pais, no caso de bem de fabricação nacional objeto de exportação com saída ficta do território nacional; III destruição, as expensas do beneficiário; IV entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlos; V transferência para outro regime aduaneiro especial ou atípico; ou VI despacho para consumo. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 (...) Execução do Termo de Responsabilidade Art. 29. O TR será executado quando ocorrer uma das seguintes hipóteses: I ficar comprovada a utilização do bem em finalidade diversa daquela referida no art. 12; II expirar o prazo de vigência do regime sem que o beneficiário tenha adotado qualquer das providências previstas no art. 26; III for constatado que o bem apresentado para as providencias referidas no inciso anterior não corresponde àquele submetido ao regime de admissão temporária. § 1º A exclusão do TR será realizada de conformidade com os procedimentos estabelecidos na Instrução Normativa SRF n2 84/98, de 27 de julho de 1998. § 2º A providência de que trata o caput deste artigo será adotada sem prejuízo da apreensão do bem apresentado () fiscalização aduaneira, na hipótese de que trata inciso III deste artigo, se lido for feita prova de sua importação regular. Referida IN SRF n° 84, de 1998, por sua vez, dispondo normas sobre a cobrança de créditos da Fazenda Nacional representados em termo de responsabilidade, estabeleceu ipsis verbis: Art. 1° Os créditos da Fazenda Nacional, constituídos em virtude aplicação da legislação aduaneira e representados em termo de responsabilidade, serão exigidos na forma desta Instrução Normativa. Art. 2° 0 crédito garantido por depósito em moeda será cobrado mediante execução do respectivo termo de responsabilidade, que consistirá na conversão do depósito em renda da Unido, imediatamente após o vencimento do prazo consignado no referido termo. Art. 3° Na hipótese de garantia sob a forma de fiança prestada por pessoa física ou jurídica, fiança bancária ou seguro aduaneiro em favor da Unido Federal, a execução do termo de responsabilidade farse6 mediante intimação do garantidor para, no prazo de trinta dias, proceder ao pagamento devido. § 1° A intimação referida no caput deverá conter, além do prazo: a) a qualificação do notificado; b) o número do processo e/ou da declaração de importação; c) o valor do crédito a recolher; d) a indicação do local de pagamento e a forma de fazêlo; e) o nome e a assinatura do servidor, bem como a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. § 2° 0 pagamento referido neste artigo será efetuado por meio de documento de arrecadação de receitas federais – DARE § 3° Não comprovado o pagamento no prazo estabelecido, o titulo será, de plano, remetido à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Divida Ativa. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 14 9 Art. 4º 0 crédito representado em termo de responsabilidade sem garantia será encaminhado ei Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Divida Ativa, no trigésimo primeiro dia subsequente à data de vencimento nele consignada, caso não tenha havido o adimplemento da obrigação ou a comprovação do pagamento devido. A supracitada IN SRF n.° 84, de 1998, foi posteriormente revogada pela IN SRF n° 117, de 2001, que, todavia, manteve no ponto as mesmas determinações da instrução normativa anterior, ao estabelecer o seguinte: Art. 1º Os créditos da Fazenda Nacional, constituídos em virtude da aplicação da legislação aduaneira e representados em termo de responsabilidade, serão exigidos na forma desta Instrução Normativa. Art. 2º A garantia vinculada a termo de responsabilidade, quando exigível, poderá ser prestada sob a forma de seguro aduaneiro em favor da Unido Federal, nos seguintes casos: I admissão temporária; II trânsito aduaneiro; III drawback; IV determinação do valor aduaneiro; V cumprimento de obrigações acessórias; e VI outras situações previstas na legislação aduaneira. Art. 3º 0 crédito garantido por depósito em moeda será cobrado mediante execução do respectivo termo de responsabilidade, que consistirá na conversão do depósito em renda da Unido, imediatamente após o vencimento do prazo consignado no referido termo. Art. 4º Na hipótese de garantia sob a forma de fiança prestada por pessoa física ou jurídica, fiança bancária ou seguro aduaneiro em favor da União Federal, a execução do termo de responsabilidade farseá mediante intimação do garantidor para, no prazo de trinta dias, proceder ao pagamento devido. § 1º A intimação referida no caput deverá conter, além do prazo: I a qualificação do notificado; II o número do processo ou da declaração de importação correspondente; III o valor do crédito a recolher; IV a indicação do local de pagamento e a forma de fazêlo; e V o nome e a assinatura do servidor, bem assim a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. § 2º 0 pagamento referido neste artigo será efetuado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Dan). Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 § 3º Não comprovado o pagamento no prazo estabelecido, o titulo será, de plano, remetido ti Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa. Art. 5º 0 crédito representado em termo de responsabilidade sem garantia será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa, no trigésimo primeiro dia subsequente ir data de vencimento nele consignada, caso não tenha havido o adimplemento da obrigação ou a comprovação do pagamento devido. Referido regramento, aliás, também não foi alterado pela IN RFB n° 844, de 2008, que revogou a IN SRF n.° 4, de 2001, e, em seus artigos 25 e 30, dispôs, precisamente, o seguinte: Seção VIII Da Extinção da Aplicação do Regime Art. 25. 0 regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providencias, pelo beneficiário, que deverá ser requerida dentro do prazo fixado para a permanência do bem no Pais: I reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebelo; III destruição, as expensas do interessado; IV transferência para outro regime aduaneiro especial; ou V despacho para consumo. § 1º O regime de admissão temporária será extinto, ainda, nas hipóteses de nova concessão do Repetro, nos termos desta Instrução Normativa, dispensada a exigência de saída dos bens do território aduaneiro. § 2° A adoção das providências para extinção da aplicação do regime será requerida pelo interessado ao titular da unidade da RFB que jurisdiciona o local onde se encontrem os bens, que poderá, em casos justificados, dispensar a apresentação dos bens. § 3° A unidade aduaneira referida no § 2º deverá comunicar o fato àquela que concedeu o regime, para fim de baixa do TR. § 4º Na hipótese de despacho aduaneiro de reexportação processado em recinto alfandegado de zona secundária, a movimentação do bem até o ponto de saída do território aduaneiro será realizada em regime de trânsito aduaneiro. § 5° A reexportação requerida fora do prazo estabelecido somente será autorizada após o pagamento da multa prevista no inciso I do art. 72 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 6° Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II a IV do caput, não será exigido o pagamento dos tributos suspensos pela aplicação do regime, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5 0, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 15 11 § 7° 0 eventual resíduo da destruição, se economicamente utilizável, deverá ser despachado para consumo como se tivesse sido importado no estado em que se encontre e sem cobertura cambial. § 8° 0 despacho para consumo, como modalidade de extinção do regime, será realizado com observância das exigências legais e regulamentares que regem as importações, inclusive daquelas relativas ,ao pagamento dos impostos incidentes, vigentes na data do registro da respectiva DI, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providencia tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. § 9° Na hipótese do § 8°, temse por tempestiva a providência para extinção do regime na data do pedido da respectiva licença de importação, desde que esse pedido seja formalizado dentro do prazo de vigência do regime e a licença seja deferida. § 10. Na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou dos requerimentos a que se referem os incisos II a V do caput, o beneficiário deverá adotar outra providencia de extinção do regime em trinta dias da data da ciência da decisão, salvo se superior o período restante fixado para a permanência dos bens no Pais. (...) Seção XI Da Exigência do Crédito Tributário Art. 30. 0 crédito tributário constituído em TR será exigido nas seguintes hipóteses: I vencimento do prazo de permanência dos bens no Pais, sem que haja sido requerida a sua prorrogação ou uma das providencias previstas no art. 25; II vencimento do prazo de 30 (trinta) dias, na situação a que se refere o § 10 do art. 25, sem que seja promovida a reexportação do bem; III apresentação, para as providencias a que se refere o art. 25, de bens que não correspondam aos ingressados no Pais; IV utilização dos bens em finalidade diversa daquela que justificou a concessão do regime; ou V destruição dos bens, por culpa ou dolo do beneficiário. Parágrafo único. A execução do TR será realizada de conformidade com os procedimentos estabelecidos na Instrução Normativa SRF n°285, de 2003. Referida IN SRF n° 285, de 2003, reitera que a exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade segue rito próprio, disciplinado na forma da legislação especifica, a teor do que dispõem os artigos 18 e 19, verbis: Da Exigência do Crédito Tributário Constituído em Termo de Responsabilidade Art. 18. A exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade deve ser precedida de: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 I intimação do responsável para, no prazo de dez dias, justificar o descumprimento, total ou parcial, do compromisso assumido; e II revisão do processo vinculado ao termo de responsabilidade, à vista da justificativa do interessado, para fins de ratificação ou liquidação do crédito. § 1°A exigência do crédito, depois de notificada a sua ratificação ou liquidação ao responsável, deverá ser efetuada mediante: I conversão do depósito em renda da Unido, na hipótese de prestação de garantia sob a forma de depósito em dinheiro; ou II intimação do responsável para efetuar o pagamento, no prazo de trinta dias, na hipótese de dispensa de garantia, ou da prestação de garantia sob a forma de fiança idônea ou de seguro aduaneiro. § 2° Quando a exigência for efetuada na forma prevista no inciso II do § 1°, será intimado também o fiador ou a seguradora. Art. 19. Na hipótese de exigência do crédito constituído em termo de responsabilidade, o beneficiário terá o prazo de trinta dias, cintado da notificação prevista no § 1º do art. 18, para: I reexportar os bens, após o pagamento da multa referida no § 5° do art. 15; ou II registrar a declaração de importação referente aos bens, na forma estabelecida no art. 20, após autorização obtida em processo administrativo, e efetuar o pagamento do crédito tributário exigido, acrescido de juros de mora e da multa referida no inciso I deste artigo. § 1º Decorrido o prazo a que se refere o caput e não tendo sido reexportados os bens, nem registrada a declaração de importação, o beneficiário ficará sujeito: I à retificação de oficio da declaração de admissão; e II ao pagamento da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sem prejuízo da continuidade, na forma da legislação especifica, da exigência do crédito tributário ainda não cumprida. § 2º Ressalvada a hipótese prevista no inciso I do caput, a eventual saída dos bens do Pais fica condicionada a formalização dos procedimentos de exportação. § 3º O crédito pago, relativo ao termo de responsabilidade, poderá ser utilizado no registro da declaração a que se refere o inciso II do caput e na retificação a que se refere o inciso I do § 1º. § 4º As multas de que trata este artigo não prejudicam a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. Isto é, de acordo com a legislação de regência, o que deve ser objeto de lançamento de ofício veiculado em auto de infração não é o crédito tributário que já foi constituído no termo de responsabilidade, mas sim e tão somente o crédito tributário ainda não constituído, quando este é eventualmente apurado em procedimento posterior à apresentação do termo, em decorrência da aplicação de penalidade ou de ajuste de cálculo no tributo devido, sendo isto, aliás, o que se encontra, expressamente, previsto no art. 682 do Decreto n° 4.543, de 2002, e no art. 766 do Decreto n° 6.579, de 2009, que estabelecem ipsis verbis: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 16 13 Art. 682. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto n2 70.235, de 1972. (...) Art. 766. A exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior a apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo de tributo devido, será formalizada em auto de infração, lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972. No caso dos autos, todavia, a autoridade autuante consignou o seguinte (fls. 42, 45/46, 88, 90/91, 106, 108/109, 146, 148/149, 189, 191/192): Em 11/09/2008, de forma tempestiva foi apresentado um terceiro pedido de prorrogação, que, uma vez deferido, teve seu prazo fixado de acordo com o estabelecido no Atestado de Inscrição Temporária de Embarcação Estrangeira (AIT) de fls. 210, ou seja, até 31/10/2008, conforme estabelece o parágrafo 3° do artigo 19 da IN RFB n° 844/08, tendo sido lavrado o TR n.° 3520/08 (fls. 211). O fato é que, expirado o prazo acima sem que houvesse qualquer providencia no tocante à prorrogação do regime ou à sua extinção, o beneficiário foi intimado a justificar o descumprimento do regime em referencia, conforme preconizam o inciso I e parágrafo único do artigo 30 da IN RFB n° 844/08 c/c o inciso I do artigo 18 da IN SRF n° 285/03. Assim sendo, por entender que a justificativa ora apresentada não exime o beneficiário do regime da responsabilidade de ser o causador da perda do prazo de vigência do REPETRO para os bens por ele admitidos, posto que não cumpriu com a obrigação acessória de apresentar o competente Requerimento de Prorrogação do Regime (RPR), foram iniciados os procedimentos prévios na exigência do crédito tributário constituído em termo de responsabilidade, passandose, portanto, à revisão do processo vinculado a este termo para fins de ratificação ou liquidação do crédito, conforme disciplina o inciso II do artigo 18 da IN SRF n° 285/03. Dessa forma, como se trata de admissão de embarcação no REPETRO, foram também contabilizados os tributos suspensos nas admissões dos bens acessórios ao bem principal (embarcação "Maersk Master"), para fins de cálculo do somatório total dos impostos e contribuições garantidos nos respectivos Termos de Responsabilidade. Em 10/03/2009, foi enviada ao interessado, por via postal, com aviso de recebimento, a notificação do crédito tributário consubstanciado nos termos de responsabilidade (Notificação n° 70/2009, fls. 228 a 230), bem como o Termo de Intimação n° 71/2009 (fls. 231 e 232), para que fosse efetuado o pagamento dos tributos suspensos no prazo de 30 (trinta) dias, e que promovesse o recolhimento da multa prevista no inciso I do artigo 72 da Lei n° 10.833/03. Foi também intimado o garantidor dos tributos suspensos, conforme disposto no parágrafo 2° do art. 18 da IN SRF n° 285/03, por meio do Termo de Intimação n° 72/2009 (fls. 233 e 234), dentro do mesmo prazo, 30 (trinta) dias, a recolher os valore, consubstanciados nos termos de responsabilidade constantes da Notificação 70/2009. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 14 É dizer, o que a autoridade autuante descreve é, como vimos, simplesmente o atendimento do rito especifico previsto na legislação para que seja cobrado o pagamento do crédito tributário já constituído em termo de responsabilidade. Rito este, digase de passagem, que, em atendimento aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, positivados no art. 2° da Lei n.° 9.784, de 1999, prevê a intimação do beneficiário para que apresente justificativas para o descumprimento do compromisso assumido quando foi concedido o regime aduaneiro especial e até oportuniza a interposição de recurso voluntário, em caso de indeferimento do pedido de concessão do regime de admissão temporária ou de prorrogação de prazo de vigência, recurso este apreciado, em última instância, pela autoridade hierarquicamente superior à que proferiu a decisão recorrida, consoante o art. 35 da IN RFB, 844, de 2008, verbis: Art. 35. Do indeferimento fundamentado do pedido de concessão do regime de admissão temporária, nos termos desta Instrução Normativa, ou de prorrogação do prazo de vigência, caberá, no prazo de até 30 (trinta) dias, a apresentação de recurso voluntário, em última instância, 6 autoridade hierarquicamente superior, que proferiu a decisão. Neste passo, é bem de ver que, após descrever o seguimento do mencionado rito procedimental, que, inclusive, contou com o encaminhamento de recurso voluntário, ainda que apresentado intempestivamente pelo beneficiário, à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, da 7ª Região Fiscal, fato é que a autoridade autuante deixou de descrever o motivo pelo qual, não obstante a determinação contida nos já comentados § 3° do art. 4° da IN SRF n.° 117, de 2001, art. 679 do Decreto n.° 4.543, de 2002, e art. 763 do Decreto n.° .6579, de 2009, lavrou os presentes autos de infração. Bem ao contrário, ao ultimar os relatórios contidos no feito, a autoridade autuante descreveu o seguinte: Por fim, tendo em vista o despacho exarado pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 7°. RE em fls. 248 a 251 corroborando o entendimento firmado pela Equipe de Despacho Aduaneiro, o processo foi encaminhado à Equipe de Fiscalização Aduaneira da DRF Niterói para a execução dos procedimentos relativos ti exigência do crédito tributário constituído nos termos de responsabilidade relacionados na Notificação n.° 70/2008 (fls. 228 a 230) e da multa prevista no inciso I do artigo 72 da Lei n.° 10.833/03. Não há reparo a fazer na fundamentação do Voto condutor da decisão recorrida de ofício. Com efeito, a legislação (art. 682 do RA/2002 e art. 766 do RA/2009) é expressa ao prescrever que, em casos como o presente, o que deve ser formalizado em auto de infração é apenas e tão somente a exigência de crédito tributário apurado em procedimento posterior à apresentação do termo de responsabilidade, em decorrência de aplicação de penalidade ou de ajuste no cálculo do tributo devido. O crédito já constituído em Termo de Responsabilidade deve ser encaminhado diretamente para inscrição em dívida ativa, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Assim, não tendo a autoridade autuante relatado qualquer dos fatos que, nos termos da lei, autorizam a lavratura de auto de infração, deve ser reconhecida a sua nulidade. Aliás, como bem pontou a decisão recorrida, o que está descrito no relatório fiscal é apenas o encaminhamento para execução do crédito tributário já constituído no Termos de Responsabilidade e da multa prevista no inciso I do art. 72 da Lei n° 10.833/03, que tampouco está sendo exigida no presente processo, mas sim a multa de oficio, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que, a rigor, sequer é aludida na descrição dos fatos que teriam ensejado a lavratura do feito, e cujo lançamento, portanto, padece do mesmo vício de nulidade Fl. 653DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10730.010601/200986 Acórdão n.º 3102002.313 S3C1T2 Fl. 17 15 da exigência principal, por desatender o requisito de validade previsto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Nesse contexto, não resta dúvida que deve ser mantida a decisão recorrida que cancelou o Auto de Infração, já que se refere a crédito tributário já constituído, e em relação ao qual há determinação expressa para encaminhamento direto para exigência pela Procuradoria. Esclareço, todavia, que não se trata aqui de vício formal. Mas de impossibilidade de efetuar o lançamento tendo em vista que o crédito já fora devidamente constituído nos termos da lei. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 654DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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